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És a nossa Fé!

Balanço (22)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre TIAGO TOMÁS:

 

Luís Lisboa: «Mau jogo de cabeça à parte, continua a surpreender. Não se dá muito por ele, mas naquela posição de interior direito luta, assiste e marca.» (25 de Setembro)

- José Cruz: «Vencemos também com um golo de Tiago Tomás numa bela jogada de Vietto.» (25 de Setembro)

- José Navarro de Andrade: «Aos 18 anos de Tiago Tomás não se lhes pode pedir mais do que dá, que ainda é pouco para este nível de competição.» (1 de Outubro)

- Leonardo Ralha: «Celebrei o empate naquele lance oportuno finalizado por Tiago Tomás.» (2 de Outubro)

- Orlando Marinho: «Felizmente apareceu Tiago Tomás para fazer a diferença. É um jogador que sabe fazer de tudo e está sempre pronto a chutar.» (29 de Dezembro)

Eu: «Se há valor seguro, entre os jovens que despontaram para o primeiro plano do futebol profissional neste ano em que as autoridades sanitárias mantiveram os espectadores à distância, é precisamente o jovem Tiago. Promessa já tornada realidade. Irá muito longe? Tudo depende dele, mas não custa vaticinar que sim.» (31 de Dezembro)

Pensar nisto

Pelo menos três jogadores que irão sagrar-se campeões nacionais na temporada 2020/2021 não eram sequer nascidos na última época desportiva em que o Sporting venceu o campeonato. Refiro-me a Nuno Mendes, Tiago Tomás e Dário.

Não é preciso mais para percebermos a dimensão desta conquista. Mérito absoluto de um trio composto por Frederico Varandas, Hugo Viana e Rúben Amorim.

É presente, sim, mas já com um toque de futuro. Porque pertence ao património histórico do Sporting. E ninguém vai conseguir apagá-lo.

Há que pensar nisto. Para que tudo quanto foi alcançado com tanto esforço não tenha sido em vão.

O dia seguinte

Com quatro levezinhos de Palhinha para a frente, a táctica do Sporting só podia ser o "tikitaka", e foi isso que houve na primeira parte do jogo de ontem: grande mobilidade do quarteto no meio-campo adversário, altenando a circulação com o ataque interior à base de tabelinhas, com Porro e Nuno Mendes a dar a necessária largura e Palhinha imperial na recuperação.

O Guimarães, também uma equipa levezinha que joga e deixa jogar, foi vendo os minutos passar sempre à beira de sofrer golo, até que quase do nada teve duas bolas na trave. O Sporting continuou como se nada fosse e finalmente conseguiu marcar num lance de bola parada de "laboratório".

Chegámos ao intervalo em vantagem no marcador, com 70% de posse, uma bola na trave, um golo bem anulado a culminar uma grande jogada colectiva e mais duas ou três oportunidades. Grande primeira parte de Pedro Gonçalves e Tiago Tomás.

Na segunda parte o Sporting controlou o jogo, baixou de velocidade, tentou não cometer erros e não incorrer em riscos desnecessários, esteve sempre mais perto de marcar do que de sofrer até porque não consentiu qualquer oportundidade ao Guimarães, deixou os minutos passar, refrescando a equipa no final e anda dando uns minutos ao rapazinho de 16 anos que tinha acabado de assinar contrato de profissional. 

Claro que muitos sócios e adeptos torceram mais uma vez o nariz: é como começar com champagne da viúva e depois passar para um espumante Aliança, mas... podia ser diferente? Se calhar podia, mas se é esta a formula que comprovadamente dá resultados, com estes jogadores que não são os do Bayern ou os do Barcelona, para quê alterar?

E lá vieram mais três pontos. Ainda faltam uns quantos... vamos com calma.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Pódio: Tiago Tomás, Coates, Palhinha

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Tondela-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Tiago Tomás: 18

Coates: 16

Palhinha: 16

Daniel Bragança: 15

Porro: 15

Pedro Gonçalves: 15

Adán: 15

Tabata: 14

Gonçalo Inácio: 14

Nuno Mendes: 14

Matheus Reis: 13

Feddal: 13

João Mário: 13

Nuno Santos: 12

Jovane: 11

Matheus Nunes: 6

 

Os três jornais elegeram Tiago Tomás como melhor jogador em campo.

Não é só dentro de campo

Não é só dentro do campo que os miúdos (há aqui no blog gente da estatística que num instantinho fazia a média de idades dos que estiveram ontem em campo em Tondela) dão cartas.

A começar pelo treinador, ele próprio um miúdo, que dá lições na arte de bem comunicar (e de mexer na equipa) e a acabar noutro miúdo, o Neto, que celebra no banco como se fosse ele a marcar o golo que dá a vitória, obtido por um miúdo junior a quem pedem que faça de Paulinho, de Luis Phelipe ou de Ronaldo... e o prazer que é escutá-lo na entrevista rápida, sem caganças, humilde mas assertivo, com a lição bem estudada. Quase tão adulto como o Neto, o miúdo que é o "avô" daquela maltinha.

A passos de formiguinha, nem sempre pelo caminho certo mas nunca perdendo o rumo, os putos lá vão demonstrando que merecem fazer parte do grupo dos grandes. E quando a coisa está preta, o timoneiro faz os cálculos e traça o melhor rumo. Tratando todos como obreiras, cada um com a sua tarefa em prol de um objectivo comum, servir a equipa, o colectivo, o clube; Sem vedetismos, pés bem assentes na relva e uns cortes pelo ar quando é preciso.

Às vezes não jogando bem, como ontem, como no jogo anterior, mas meus amigos, no final do dia o que conta são os três pontos no bornal. No início da próxima época, em Julho praí, ninguém se lembra se jogávamos bem ou mal, se ganhámos por um ou por mil (bom, se ganhássemos por mil nunca o esqueceríamos), o que fica para a história são os pontos alcançados e o lugar obtido.

Quantas vezes não dissemos que os campeonatos se ganham não perdendo pontos com as equipas tidas por mais fracas? E com maior ou menor nota artística, o que importa é que o objectivo tem sido atingido. Com pontos é que se ganham campeonatos, não com vitórias morais.

Como diria a tia-avó da minha mulher, referindo-se ao filho, um Leão dos quatro costados e meu grande amigo, que evoluia majestoso no empedrado lá da terra pela Associação Desportiva da Madalena, há quase cinquenta anos, "o mê Chico é ca cabeça e tudo!"

O espírito tem que ser esse. 

Ladeira acima

Ó rapazes, então não vos vos disse que isto agora ia ser sempre a subir? Doravante os fracos vão deitar às malvas qualquer veleidade futebolística para não se atolarem na tabela e os fortes vão-nos enfrentar de orgulho ferido por um bando de rapazolas mais um par de jarretas lhes terem feito tamanha desfeita de se porem à frente deles. Ambos recorrerão, por um lado, ao método paleolítico do homem-a-homem com cotoveladas, pisadelas e sarrafadas e, por outro, ao de se espojarem agarrados à cara mal percam a bola ou falhem a marcação. Os jogos do Sporting estão a ficar aborrecidos, enervantes e arrítmicos e lá está o patego do apito para garantir que isto seja assim. Também terão visto logo ao início aquele Khacef a fazer-se ao pé de Porro, este a sorrir-lhe e com um gesto de mão a dizer "vem cá, vem" e o longo assédio que se seguiu - como é diferente o futebol em Portugal...

Eu também sou exímio em "sofástica", neologismo inventado agora mesmo para designar os peritos que se aliviam de sofismas desde o sofá, e também sei sempre o que fazer desde que não me obriguem a responsabilizar-me pelo que digo. Por isso acho que Rúben Amorim aceitou telepaticamente o meu conselho de trocar o Nuno Santos pelo Bragança o que, tal como previ, mudou logo a fluência do jogo. Depois, foi esperar que TT amadurecesse meia-época no hiato de um jogo para começar como junior em remates à baliza e acabar como avançado veterano. A continuar assim o rapaz retira-as aos 37 anos no final da temporada.

Calma rapazes, é respirar fundo, contar até 3 e seguir em frente.

O dia seguinte

Sabia que não ia ser fácil e não foi nada fácil. Este Tondela "ibérico" foi crescendo durante a temporada e ontem foi muito competente. Mais uma vez Rúben Amorim precisou de recorrer ao plano C (de Caos, de C... vamos a eles) para conseguirmos sair com os 3 preciosos pontos.

Foi um jogo de sentido único, com o Sporting a querer construir com critério, circulando bem a bola e falhando muito poucos passes, e o Tondela num pressing intenso a todo o campo que originava situações de contra-ataque perigosas. Neste tipo de jogos muita falta faz o tal ponta de lança alto e forte: Tiago Tomás muito lutava mas quando a bola lhe chegou pelo ar redondinha e pronta a facturar, mostrou mais uma vez que não é ele o tal.

Os minutos foram passando, o Tondela foi cedendo fisicamente, e Rúben mexeu muito bem na equipa, dando-lhe uma energia nova que ajudou a que novos espaços fossem encontrados. Dum aproveitamento de Pedro Gonçalves veio então o golo do Tiago, que se redimiu assim do falhanço anterior.

 

Melhores do lado do Sporting? Claro que o TT pelo que lutou e pelo golo que marcou, Palhinha e Nuno Mendes. 

Mais uma vez, duma forma competente e eficaz, o Sporting atingiu o seu objectivo, sem penáltis oferecidos por seus ex-jogadores, sem favores arbitrais, antes pelo contrário, com uma equipa assente na prata da casa e que custa metade das dos dois rivais.

Este treinador e esta equipa merecem todo o nosso apoio. Não vale a pena colocarmos exigências descabidas senão parecemos aquele pobre habituado a sardinha de lata a quem saiu a lotaria e que depois, no melhor restaurante, protesta sobre a frescura do "robalo ao sal". Mas se calhar é apenas este nervoso miudinho que se está a apoderar de nós, o desgaste de toda a temporada a fazer-se sentir, o estamos perto mas nunca mais lá chegamos. A "última milha".

Temos que pensar como o Carlos Lopes: demos o esticão, ganhámos vantagem, vamos em primeiro, mantemos a passada, tranquilos e serenos. Os outros que corram atrás se quiserem e puderem.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

2020 em balanço (3)

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PROMESSA DO ANO: TIAGO TOMÁS

Tem apenas 18 anos mas joga como gente grande. E é hoje o segundo melhor artilheiro da nossa equipa principal. Já marcou em desafios de três competições diferentes: Liga Europa (Aberdeen e Lask Linz), campeonato nacional (Gil Vicente e B SAD) e Taça de Portugal (Paços de Ferreira). Cumprindo sempre a principal missão que lhe é confiada pelo técnico: visar sem temor a baliza adversária.

É algo que Tiago Barreiros de Melo Tomás - nascido em Cascais sob o signo Gémeos em Junho de 2002 - assegura sem angústias existenciais. Vendo as redes mais como aliadas do que adversárias. Já era assim nos escalões juniores, quando começou a distinguir-se entre os talentos forjados na Academia de Alcochete. Marcou sete golos pelos sub-15, 28 pelos sub-17 e 13 pelos sub-19. Agitou a chamada Liga Revelação, no melhor dos sentidos. Havia forçosamente de dar nas vistas.

Também teve sorte ao encontrar Rúben Amorim, treinador sem medo de trabalhar com jogadores jovens e dar-lhes a projecção que merecem. Daí à estreia de Tiago Tomás na equipa principal foi um curto passo: aconteceu em dia de aniversário do Sporting, a 1 de Julho. Uma data de bom augúrio.

Entrou com o pé direito, na vitória leonina contra o Gil Vicente, num estádio José Alvalade então já sem público devido à pandemia. A estreia a marcar ocorreu também em casa, na qualificação para a Liga Europa, a 24 de Setembro. E foi de tal maneira bem-sucedida que lhe valeu menção quase unânime na imprensa desportiva, como melhor em campo. Poucos podem gabar-se do mesmo.

Se há valor seguro, entre os jovens que despontaram para o primeiro plano do futebol profissional neste ano em que as autoridades sanitárias mantiveram os espectadores à distância, é precisamente o jovem Tiago. Promessa já tornada realidade. Irá muito longe? Tudo depende dele, mas não custa vaticinar que sim.

 

 

Promessa do ano em 2012: Eric Dier

Promessa do ano em 2013: William Carvalho

Promessa do ano em 2014: Carlos Mané

Promessa do ano em 2015: Gelson Martins

Promessa do ano em 2016: Francisco Geraldes

Promessa do ano em 2017: Rafael Leão

Promessa do ano em 2018: Jovane

Promessa do ano em 2019: Rafael Camacho

Tiago Tomás soube fazer a diferença

Texto de Orlando Marinho

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Relativamente à qualidade do campo, o jogo [B SAD-Sporting] foi, principalmente na primeira parte, muito bom. Nem o árbitro foi tão mau como o estado do relvado.

É em decisões como a do penalty atribuído ao B SAD que constatamos o quanto longe estamos do estatuto que outros têm.

Como é que um árbitro, digno desse nome, pode ter certezas numa jogada daquelas?

 

Mas daqui a uma semana já ninguém se lembra, porque Ádan defendeu.

Mais uma vez, não acredito que esta jogada fosse penalty se as cores da camisola fossem diferentes.

Notem que neste caso o VAR não aconselhou o árbitro a ver as imagens.

 

João Mário tem tanta qualidade técnica que, quando tocava na bola, até parecia estar a jogar no relvado do Portimonense.

Neto, com muitas limitações técnicas, neste jogo teve muitas dificuldades e devia ter as chuteiras erradas: passou o jogo todo a escorregar.

Inácio teve dificuldades principalmente na coordenação com os outros defesas, nos limites de fora de jogo, embora tenha sido Coates, ligeiramente desalinhado com os restantes defesas, a colocar os avançados do B-SAD em jogo.

 

Pedro Gonçalves, não era o seu dia.

Felizmente apareceu Tiago Tomás para fazer a diferença. É um jogador que sabe fazer de tudo e está sempre pronto a chutar.

Nuno Mendes ainda não voltou [à forma] do início do ano, mas já esteve melhor.

Palhinha tinha ordens para não arriscar nada. Quando isso acontece, os adversários andam mais tranquilos.

 

A ala direita funcionou melhor porque Tabata ajudou mais (e melhor) Porro do que Pedro Gonçalves ajudou Nuno Mendes.

O Inverno é mais duro para as equipas menos experientes, quase sempre associado a menor porte físico. Nos jogos com terrenos mais pesados, a bola anda mais devagar e a velocidade perde importância.

 

Texto do leitor Orlando Marinho, publicado originalmente aqui.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da vitória difícil desta noite. O Sporting foi surpreendido por um Belenenses SAD muito avançado no terreno e que nunca abandonou a pressão atacante. Confronto difícil no Jamor, em noite gelada e com chuva na segunda parte, contra um adversário que há duas jornadas venceu o Braga naquele mesmo cenário. Soube a pouco em termos exibicionais, mas a nossa equipa cumpriu no essencial: venceu por 2-1, amealhando mais três pontos. Isso é o que mais importa.

 

De Tiago Tomás. Rúben Amorim voltou a apostar nele como titular da posição mais avançada. E o jovem cumpriu, actuando com velocidade atrás do bloco defensivo adversário. Foi crucial, em dois momentos, para a construção desta vitória: primeiro logo aos 5', correspondendo da melhor maneira a uma excelente iniciativa individual de Tabata, com boa recepção e óptima finalização para golo após rodar sobre si próprio em posição frontal; depois, ao conquistar a grande penalidade, sem discussão possível, estavam decorridos 23 minutos. Esteve quase a marcar de novo, aos 37'.

 

De Adán. O melhor em campo. Foi crucial para que o Sporting garantisse a vitória. Desde logo ao defender um penálti - pela primeira vez de Leão ao peito - aos 19'. Voltou a fazer duas enormes defesas, aos 28' e aos 39', impedindo golos azuis. Tem muito mérito neste triunfo leonino.

 

De João Mário. Com Palhinha condicionado pela soma de quatro cartões amarelos e o terreno em estado deplorável, coube-lhe uma missão ainda mais difícil do que é habitual, segurando a bola em momento defensivo e distribuindo jogo na construção ofensiva, sempre com qualidade de passe apesar de o Belenenses SAD ter beneficiado de vantagem numérica no corredor central em grande parte do desafio. Mas o seu melhor momento ocorreu na marcação do penálti, aos 24'. Foi o reencontro do campeão europeu com os golos, vestido de verde-e-branco. Algo que não acontecia desde Abril de 2016.

 

De Porro. Em perfeita antítese com o seu colega do lado oposto, venceu a maioria dos confrontos individuais no corredor direito, sacudindo a apatia que se apoderou da equipa ainda no primeiro tempo com jogadas de insistência e passes bem medidos. Roçou o brilhantismo aos 64', protagonizando um lance individual que incluiu um túnel a um jogador adversário e um disparo que saiu a rasar o poste. Por sinal, foi o único sinal de perigo do Sporting na segunda parte.

 

De ver Palhinha poupado ao quinto amarelo. O nosso médio mais recuado actuou desta vez com movimentos bastante contidos e sem tentar sequer meter o pé nas acções de desarme: percebia-se que recebera instruções para evitar um cartão que o impediria de defrontar o Braga. Missão cumprida: iremos contar com ele no próximo sábado. À cautela, Amorim trocou-o por Matheus Nunes ao minuto 78. Melhor assim.

 

De ver Tabata e Gonçalo Inácio como titulares. Ambos em estreia absoluta no onze inicial leonino para jogos do campeonato. O primeiro correspondeu à confiança que nele depositou o treinador, fazendo assistência para golo aos 5', embora tenha caído bastante na etapa complementar. O segundo - que rendeu o lesionado Feddal - teve azar: viu a bola bater nele e trair Adán no lance do golo azul, aos 14', e foi prejudicado pela apatia de Nuno Mendes, o que o forçou a intensificar as dobras para comatar os falhanços do colega. Um e outro, de qualquer modo, merecem palavras de incentivo da massa adepta: são dois jovens com inegável valor.

 

De chegar ao fim de 2020 com o Sporting na frente. Lideramos o campeonato com 29 pontos em 33 possíveis - fruto de nove vitórias e dois empates. Somos a única equipa invicta na principal prova do futebol português, com 26 golos marcados e oito sofridos. Marcámos em todas as partidas disputadas na época em curso. E já somamos 14 jogos sem perder nas competições internas: as 11 do campeonato mais duas da Taça de Portugal (Sacavenense e Paços de Ferreira) e outra referente à Taça da Liga (Mafra). Números que não enganam.

 

 

Não gostei
 

 

Do vergonhoso estado do terreno. Chamar relvado àquilo, só mesmo por sarcasmo. O pantanal do Jamor apresentou-se em condições impróprias para a prática do futebol, sendo potencial factor de lesões graves: isto impediu logo à partida qualquer hipótese de bom espectáculo. A bola não circulava em condições, os jogadores escorregavam a todo o momento, o tecnicismo ficou condenado neste lamentável cenário. Mais grave ainda por ocorrer em instalações pertencentes ao Estado. Incúria e desleixo que confirmam o desamor das instituições públicas pela prática desportiva em Portugal.

 

De Pedro Gonçalves. Onde pára o nosso artista principal? Já na partida anterior, frente ao Farense, quase não se viu o n.º 28 em campo. Este apagão prosseguiu ontem no Jamor: encostado ao corredor esquerdo, sem criar linhas de passe em espaços interiores, o transmontano passou ao lado do jogo  - mesmo quando o técnico o fez desviar para o corredor central, já no segundo tempo. Deu lugar a Nuno Santos aos 68': já saiu tarde.

 

De Nuno Mendes. O ala esquerdo tem sido uma sombra do que foi no final da época passada. Apático, mal posicionado, chegando atrasado às bolas, perdeu sucessivos confrontos individuais com Silvestre Varela (que, aos 35 anos, tem quase o dobro da sua idade) e Calila: em diversas ocasiões ambos viram abrir-se autênticas avenidas à sua frente. O jovem formado na nossa Academia, a dado momento, apontou para a coxa direita, dando a entender que estaria tocado: Antunes acabou por entrar para o seu lugar a partir dos 78'. Compreende-se mal que, estando em suposta debillidade física, Nuno continue a ser chamado para titular da equipa.

 

Do quarto de hora final. O Sporting vencia por 2-1 e o Belenenses SAD estava reduzido a dez unidades, por expulsão de Tomás Ribeiro aos 77'. Mesmo assim, a pressão ofensiva partiu da equipa azul, que nunca cessou de procurar as nossas redes, enquanto os jogadores leoninos se limitavam a "gerir a posse de bola", como agora se diz em futebolês, evitando a baliza adversária. Atitude de equipa pequena apenas vocacionada para segurar a magra vantagem. A verdade é que este objectivo foi conseguido - isso acaba por ser o que mais importa.

 

Do árbitro Rui Costa, fiel à sua imagem de marca. Aos 13'', mal soara o apito inicial, deixou impune um pisão de Yaya sobre Palhinha que poderia ter inutilizado o jogador para esta partida. Aos 18', castigou o Sporting com penálti (e Adán com amarelo) num lance de choque casual com Miguel Cardoso, em que a bola está controlada pelo nosso guarda-redes e nunca devia ter merecido castigo máximo. Felizmente o espanhol defendeu e assim um dos piores apitadores portugueses evitou a acusação de interferir no resultado.

Pódio: Tiago Tomás, Tabata, Coates

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Paços de Ferreira (Taça de Portugal) pelos três diários desportivos:

 

Tiago Tomás: 18

Tabata: 18

Coates: 18

Palhinha: 17

Nuno Santos: 16

Nuno Mendes: 15

João Mário: 15

Adán: 15

Feddal: 15

Porro: 14

Neto: 14

Matheus Nunes: 12

Antunes: 12

Sporar: 11

Plata: 9

Gonçalo Inácio: 1

 

O Jogo e A Bola elegeram  Tiago Tomás como melhor em campo. O Record optou por  Tabata.

Quente & frio

Gostei muito da exibição do Sporting, ao triunfar ontem frente ao Paços de Ferreira em Alvalade, por 3-0, cumprindo a quarta eliminatória da Taça de Portugal e transitando para os oitavos da competição que conquistámos em 2015 (com Marco Silva) e em 2019 (com Marcel Keizer). Mandámos no jogo do princípio ao fim: ao intervalo já vencíamos por 2-0 e estivemos sempre mais perto de marcar o quarto do que o Paços de marcar o primeiro. Notável desempenho da nossa equipa, acolhida com entusiásticos aplausos no exterior do estádio, quando o autocarro chegou a Alvalade: organização colectiva, velocidade de execução, constante abertura de linhas de passe, bola ao primeiro toque, boa condição física de quase todos os titulares. Levamos dez jogos consecutivos sem perder e marcámos 35 golos nos 12 desafios disputados esta temporada: em nenhum deles ficámos em branco.

 

Gostei de ver mais um jogo em que não sofremos golos. E da promissora estreia de Tabata como titular, rendendo Pedro Gonçalves, ausente por castigo: o ex-Portimonense cumpriu, com uma exibição de grande nível coroada com um soberbo golo marcado aos 44' - disparo fortíssimo, com o pé canhoto, confirmando que existem diversas soluções neste Sporting 2020/2021 em matéria de rematadores. Gostei também de ver Palhinha estrear-se esta época como goleador ao metê-la de cabeça lá dentro, aos 64', dando a melhor sequência a um livre cobrado por João Mário. Mas o melhor em campo foi Tiago Tomás, em boa hora escolhido como titular na frente do ataque. Foi ele a marcar o nosso primeiro, batendo em velocidade a defesa adversária e rematando sem hipóteses ao ângulo superior direito da baliza, após preciosa assistência de Nuno Santos. O jovem avançado da formação leonina tem participação nos restantes golos: no segundo, é ele quem assiste Tabata; no terceiro, conquista o livre directo que sentenciará a partida - e a nossa continuação na Taça de Portugal.

 

Gostei pouco, uma vez mais, do desempenho de Sporar. Em boa hora ficou fora do onze titular, cedendo lugar a Tiago Tomás - que deu conta do recado muito melhor do que ele daria. Entrando enfim aos 72', como substituto de Tabata, o esloveno conseguiu dar nas vistas pela negativa em dois lances que noutros pés produziriam golos. Bem servido por Feddal em posição frontal, aos 77', desperdiçou a oportunidade atirando para a bancada. Novamente isolado, aos 82', não soube o que fazer com a bola, atrapalhando-se e permitindo a intercepção. Outro jogo para esquecer.

 

Não gostei do árbitro, sobretudo no critério disciplinar. Numa partida sem qualquer problema digno de registo, João Pinheiro conseguiu exibir quatro cartões amarelos, três dos quais a elementos leoninos (Porro, Palhinha, Nuno Santos). Foi fazendo soar o apito durante todo o jogo, insistindo em roubar protagonismo aos jogadores, vislumbrando faltas em qualquer bola disputada, esquecendo-se de aplicar a lei da vantagem em diversos lances prometedores do Sporting. Arbitragem "à portuguesa", sem noção de que o futebol é um desporto de contacto físico, cada vez mais afastada dos exigentes padrões europeus.

 

Não gostei nada de novo jogo à porta fechada no estádio José Alvalade, há nove meses interditado ao público. Quando noutros países, como em Inglaterra, já se permite o regresso de espectadores às bancadas, naturalmente em número escasso e em rigoroso cumprimento das normas sanitárias. Também não gostei nada de ver o nosso treinador, Rúben Amorim, remetido para um lugar discretíssimo na bancada, sem possibilidade de aceder ao banco, cumprindo assim o primeiro dos três jogos de castigo a que o condenou o incompetente árbitro Luís Godinho. O direito ao trabalho, consagrado na Constituição da República, no futebol é posto em causa a todo o momento por qualquer senhor com apito na boca.

 

Pódio: Tiago Tomás, Nuno Santos, Wendel

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Lask Linz pelos três diários desportivos:

 

Tiago Tomás: 15

Nuno Santos: 13

Wendel: 13

Nuno Mendes: 12

Neto: 11

Pedro Gonçalves: 10

Vietto: 10

Matheus Nunes: 10

Adán: 10

Feddal: 10

Antunes: 9

Sporar: 9

Coates: 9

Porro: 9

 

Os três jornais elegeram Tiago Tomás como melhor jogador do Sporting em campo.

Francisco Geraldes e Gelson Dala

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O Rio Ave esteve a um passo de entrar na fase de grupos da Liga Europa. Enfrentou em Vila do Conde, nesta noite chuvosa, o Milan - um dos gigantes do futebol europeu e mundial. Só caiu após a marcação de 24 penáltis, no termo do prolongamento: ao minuto 119 vencia por 2-1. Com dois golos marcados por jogadores da formação leonina dispensados por Frederico Varandas, Hugo Viana e Rúben Amorim. Este triste trio considerou que Francisco Geraldes e Gelson Dala não tinham qualidade para integrar o plantel leonino.

Erro crasso. Mais um, entre tantos outros.

 

Na mesma noite em que o futebol leonino naufragou às portas da mesma prova frente ao Lask Linz: desde 2005 que não saíamos tão cedo de uma competição europeia, ainda na fase das pré-eliminatórias da Liga Europa. Desta vez em clima de pesadelo, goleados em casa por 1-4 pela mesma equipa que tínhamos vencido à tangente há um ano, também em Alvalade, ainda sob o comando de Silas. Antes de Varandas ter sacado Amorim da cartola.

Parabéns, em qualquer caso, ao Rio Ave e aos vilacondenses. Parabéns aos "nossos" Geraldes, Dala - e Carlos Mané (que integrou o onze titular no estádio dos Arcos). Jogadores formados na Academia de Alcochete e que o Sporting despachou, em épocas diferentes, como se não prestassem. Enquanto íamos comprando inútil entulho (de)formado sabe-se lá onde.

 

Quanto ao Sporting, não é tempo para felicitar ninguém, muito pelo contrário. Excepto o benjamim da equipa, com apenas 18 anos e três meses: Tiago Tomás, marcador do nosso golo solitário nesta noite catastrófica. Único que merece nota positiva dos 14 que alinharam em Alvalade.

Não me admirava nada que um dia destes vá jogar para o Rio Ave...

Pódio: Tiago Tomás, Coates, Porro

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Aberdeen pelos três diários desportivos:

 

Tiago Tomás: 17

Coates: 17

Porro: 17

Neto: 15

Vietto: 15

Wendel: 14

Adán: 14

Feddal: 14

Jovane: 13

Nuno Mendes: 13

Matheus Nunes: 12

Sporar: 11

Daniel Bragança: 6

Plata: 1

 

A Bola e o Record elegeram  Tiago Tomás  como melhor jogador em campo. O Jogo optou por  Coates.

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