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És a nossa Fé!

Mais uns tiros de pólvora seca

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Bruno de Carvalho disparou de novo em todas as direcções. Exigiu aos sportinguistas que deixassem de comprar todos os jornais desportivos (excepto o do Sporting) e deixassem de ver todos os canais de TV (excepto a Sporting TV).
É uma tontice.

Por vários motivos.


Em primeiro lugar, porque isso não irá acontecer. Trata-se portanto de um combate inútil, destinado apenas a consumir energias tão necessárias noutras frentes.
Em segundo lugar, porque o presidente do Sporting comporta-se como se fosse dono das consciências e do livre arbítrio dos sócios de um clube que sempre foi livre.
Em terceiro lugar, porque congrega todos os profissionais da comunicação social contra ele. Quando precisar de dar uma entrevista, ele que tanto gosta de aparecer, vai dá-la a quem? Já se esqueceu do modo como passou de figura anónima a celebridade num par de anos graças precisamente aos jornalistas que ele agora tanto abomina?
Finalmente, porque ao dizer o que disse hostiliza a NOS, que é parceira estratégica do Sporting. Como é que este nosso generoso patrocinador reagirá aos apelos para deixarmos de ver os canais de televisão desta operadora?


Apetece perguntar: será que Bruno de Carvalho vai rasgar o contrato que valeu 515 milhões de euros ao clube e retirar o logótipo da NOS das camisolas dos jogadores ou afinal limitou-se a disparar mais uns tiros de pólvora seca?

Uma noite com muita azia

 

Jorge Baptista, SIC Notícias: «Não há grandes motivos para grandes celebrações do Sporting.»

 

Diamantino Miranda, TVI 24: «O Sporting foi feliz durante os 90 minutos.»

 

Manuel Queiroz, Antena 1: «O Sporting não foi a melhor equipa em campo. (...) Ainda se vai discutir muito o golo do empate.»

 

Ribeiro Cristóvão, SIC Notícias: «A haver um vencedor, o Vitória de Setúbal era o mais justo vencedor.»

 

Os zaragateiros

Já vai sendo tempo de alguém o dizer. Seja com Rui Vitória, Conceição ou JJ, começa a ser demasiado grave o que repórteres, pivots e comentadores fazem pelas audiências. Ignorando jogo, as opções estratégicas ou táticas, a escolha de jogadores, fazem uma pergunta geral inicial sobre o jogo, para logo depressa passarem a escarafunchar a ferida que estiver mais aberta – a substituição do Soares, a ida para os balneários, o diabo a 7 – fingindo-se de sonsos e anjinhos, jornalistas impolutos que procuram a verdade, quando o que querem é molho.
A verdade é que procuram picar e espicaçar os intervenientes no jogo, para logo de seguida moralizarem. Provocam, provocam, provocam, perguntando o que o outro perguntou há dois minutos, insistem, teimam em temas que sabem ser polémicos e de resposta tensa, à espera que Vitória, JJ ou Conceição se passem dos carretos, para depois dizerem “Ontem Vitória, JJ ou Conceição, reagiu assim quando lhe perguntaram não sei o quê”.
O que a abundância de televisões em diretos manhosos de pré-match, pós-match e comentário de bola estão a fazer é indigno da profissão de jornalista.
Ainda por cima muito criticam, em textos de opinião e outras intervenções, o “Guerra”, ou o “Serrão” (e demais comentadores que só lá estão uma vez por semana), quando são eles quem rega com gasolina todo o ambiente de modo intensivo e sistemático à espera da primeira faísca.  

 

Nada melhor do que cuspir-lhe na cara

Cinco noites consecutivas com o País suspenso: Bruno de Carvalho cuspiu ou não cuspiu? Eis a melhor prova de que não existem verdadeiros problemas neste torrão à beira-mar plantado: no ano em que a douta Academia de Oxford elegeu pós-verdade como palavra do ano, três canais televisivos quiseram transformar o presidente do Sporting em bombo da festa a propósito de um não-facto - numa manobra concertada que teve como maestro o principal impulsionador da campanha de reeleição de Luís Filipe Vieira no SLB.

Um gato mal escondido com um enorme rabo de fora.

Como diria o Sherlock Holmes para o doutor Watson, não há coincidências.

 

Um desses canais, procurando bater a concorrência, simulou uma "experiência" em estúdio com o Paulo Futre a fumar um cigarro electrónico em imitação de Bruno de Carvalho numa aparente tentativa de demonstrar que da boca do presidente saiu água destilada, propileno glicol e glicerina vegetal - substâncias contidas na fugaz onda de vapor que se forma em vez do presumível fumo.

A experiência, obviamente, foi inconclusiva. Nem poderia ser de outra maneira para manter a panela de pressão bem acesa em lume vivo.

 

Por mim, acho tudo isto insuficiente. Da próxima vez sugiro ao Futre que escarre na cara de alguém. Em directo, ao vivo e a cores. Pode ser na mimosa face do tal director da campanha de reeleição de Vieira, que costuma ser seu companheiro de painel. Tudo filmado com várias câmaras, de diversos ângulos e repetido as vezes que forem necessárias. Nada melhor do que uma experiência destas para se dissiparem as derradeiras dúvidas.

Se o tipo aguentar estóico, não lhe rachar a cana do nariz à cabeçada nem se queixar do facto em conferência de imprensa versão pós-verdade, fica cabalmente demonstrado que Bruno de Carvalho fez o que não devia se quer continuar saudável: inalou e exalou.

 

Cuspidela, apenas na imaginação delirante dos peões de brega de Vieira, emprestados à corte de bandarilheiros da famiglia Pinho.

Pensem só qual seria a vossa reacção se alguém vos escarrasse na cara.

 

{ Blog fundado em 2012. }

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