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És a nossa Fé!

Professor Marcel

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O treinador do Sporting conseguiu surpreender tudo e todos com o onze inicial que escolheu para a primeira mão da meia-final da Taça de Portugal, no estádio da Luz. De tal maneira que, apesar das muitas sugestões aqui registadas após ter sido divulgada a convocatória, nem um só leitor do És a Nossa Fé foi capaz de antecipar qual seria o elenco leonino que acabou por entrar em campo. 

Eis um ponto favorável a Marcel Keizer: tendo sido capaz de iludir quem aqui comenta, provavelmente surpreendeu também os responsáveis técnicos do SLB. Seria quase tudo perfeito se não tivéssemos perdido esse jogo.

Pódio: Bruno, Borja, Acuña, Coates

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Benfica-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 17

Borja: 16

Acuña: 15

Coates: 15

Diaby: 14

Wendel: 12

Luis Phellype: 12

Bruno Gaspar: 12

Renan: 12

Bas Dost: 11

Gudelj: 11

Ilori: 11

Jovane: 10

Raphinha 1

 

A Bola  elegeu  Borja como melhor jogador em campo. O Record  optou por  Acuña O Jogo escolheu Bruno Fernandes.

Quinta-feira em Albufeira e em todo o lado

  1. Lage prossegue na sua fase holandês voador como Keizer quando chegou. No ar condicionado do Golfo, Rui Vitória deve andar a dizer “deixa-os poisar” ao seu intérprete, depois de ter visto o resumo e ter confirmado que o golo de Gabriel é 75% de Renan e o de Ilori é 100% de Ilori, que foi queimado um golo limpo ao Sporting e que enfim, coiso.

  2. Na única vez que perdeu, Lage atirou-se à jugular de um pobre mil eurista do CM TV que lhe perguntou se Jonas ia jogar ou algo parecido. Como acontece sempre que há benfiquismos radicais,  assobiou-se para o ar.

  3. Ganhar é fixe e ontem qualquer das equipas podia ter ganho, incluindo o Benfica.

  4. Nos resumos de hoje, nenhuma menção ao “lance” em que Svilar faz asneira e Bas Dost mete golo. Nem o fleumático Lage reparou, entretido que estava a dizer platitudes. Keizer e a estrutura do Sporting também não repararam. Num futebol como deve ser, assim estaria bem. Num futebol que consegue colocar ALEGADAMENTE, TALVEZ, CONSTA, DIZEM, toupeiras num dos alicerces do Estado de Direito, todas as oportunidades de clamar justiça são poucas.

    5. O Benfica chega a empolgar (não estou a ser irónico), tem alma até Almeida, mas abre vias, alas e espaços que uma equipa com bons jogadores e bem organizada saberá aproveitar. Sei lá... tipo um Braga….

    6. Tanta coisa para falar não ter de falar do nosso Sporting, que anda demasiado amador. Por exemplo, até a minha vizinha do 2A, uma senhora nigeriana que nem sabe falar português e só vê críquete, se lembraria de avisar o Ilori para não entrar à Liga Inglesa, que aqui é Liga controlada e se ganha aos cartões (nota: o amarelo aos 10 segundos de jogo foi justo).

    7. Ou a dona Francisca, quase 70 anos e ainda limpa o prédio, também acha que já devia ter sido contratado alguém para controlar a raiva e frustração de Bruno Fernandes, que está feito um autêntico refilador por tudo e por nada.

    8. E este filme de fim de tarde de ninguém ter avisado o Keizer que o Ristovski estava free to go. Ou algo parecido. Quéstamerda, como vi numa t-shirt na Zambujeira. Se não foi nabice interna, atirem-se à Liga ou à FPF ou até à ASAE ou à Fundação Champalimaud, que são tantas organizações que já me perdi.

    9. Ou alguém arranjar narrativas para explicar porque o pendular Miguel Luís não joga. Inventem o que quiserem, atirem-nos areia para os olhos, se bem que a verdade também está bem.

    10. Esta coisa das Xtruturas são importantes, mas fundamental são mesmo os sócios e os adeptos.

Irritações

Tivessemos nós ido à Luz, ontem, com um sector defensivo e talvez tivéssemos ganho o jogo.

Mas também podíamos ter levado o sector ofensivo e talvez conseguíssemos trazer de lá uma vitória.

Bom, podíamos também ter levado o meio-campo, mas como só levámos meio, ele marcou um golo(aço!), mas não chegou.

Nada a dizer quanto à rotação efectuada por Keizer, era o que se vinha a impor e o que vínhamos aqui defendendo, "escribas" e comentadores, mas o sector onde mais dificuldades e deficiências temos, apesar de 50% alterado, continuou a enterrar a equipa. Claro que a culpa não é exclusivamente da defesa, aqueles que estão imediatamente antes, concretamente Gudelj, voltaram a fazer um jogo miserável e por conseguinte a roubar energias a Bruno Fernandes, que é o abono de família desta equipa, para a missão que lhe estará destinada, que é municiar os colegas da frente. E mesmo tendo que ter um olho no "burro", BF não deixa de dar a melhor atenção ao "cigano" e lá à frente foram aparecendo bolas suficientes para que os colegas fizessem o gosto ao pé, mas, incompetentes, falharam pelo menos dois golos cantados (Wendel) e teve que ser ele, com um pontapé canhão, a fazer a redondinha beijar o véu da noiva..

Em conclusão, Gaspar é uma nódoa, Coates está à beira da exaustão física, Ilori não me parece ser aquilo que precisávamos e Borja deixou bons apontamentos; Apesar de o segundo golo do adversário ter sido pelo seu lado, o portão foi escancarado por Gaspar e nenhum dos centrais, concretamente Ilori, que teve uma eternidade para pensar, afastou a bola.

Já falei de Gudelj, referir o seu nome de novo é dar-lhe a importância que ele não tem na equipa. 

Neste jogo em que apesar de o adversário ter falhado, também ele, pelo menos dois golos feitos, teria bastado um mínimo de competência para trazermos um resultado positivo da Luz e lavado a alma da humilhação caseira, três dias antes. Como diz Bruno Fernandes, "cada um tem que pensar muito bem no que anda ali a fazer". Isto vale para toda a estrutura, de cima abaixo, que ou há empenhamento, ou comem todos.

Salvaram-se BF, obviamente, o único cronicamente inconformado (falha muitos passes, desposiciona-se bastas vezes, mas se um dia estiver em campo unicamente para a sua missão será um caso sério de competência) e Acuña e apesar de tudo Coates, que infelizmente tem andado muito mal acompanhado.

A segunda mão será no início de Abril. A esperança é que a equipa encarilhe até lá e consiga ir à final. Com ou sem Keizer... 

Armas e viscondes assinalados: Novas oportunidades mesmo no final do jogo

Benfica 2 - Sporting 1

Taça de Portugal - 1.ª mão da Meia-Final

6 de Fevereiro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,5)

Voltou a quase defender um golo do Benfica, pois ainda tocou na bola rematada por Gabriel, mas não evitou ser vítima de fogo amigo, sofrendo um segundo tento por inteira culpa de Tiago Ilori. Curiosamente, depois da tempestade que o assolou em Alvalade, teve um jogo de (relativa) bonança na Luz, pois as suas principais defesas foram facilitadas pela pontaria dos adversários e uma saída da baliza assaz disparatada, logo após o 1-0, não teve consequências graves.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Desta vez não foi o pior em campo, algo que já é digno de nota. Denotando as limitações técnicas que lhe servem de marca de água, concentrou-se o bastante para não afundar a equipa. Mesmo ajudando pouco ou nada no ataque, tem mais razões de queixa de Jovane Cabral do que o jovem extremo terá razões de queixa dele.

 

Coates (3,0)

A inteligência do uruguaio salvou a equipa de um pénalti ao cair do pano, quando agarrou um adversário que escapava para a baliza mesmo antes de este chegar à grande área. Numa noite de muito trabalho, com mais um novo colega de eixo defensivo ao lado, evitou um 2-0 madrugador ao substituir-se ao despassarado Renan Ribeiro. E mais uma vez não lhe faltou força e vontade para pegar na bola e avançar pelo terreno quando mais ninguém o fazia. Resta saber quem o fará no domingo, em Santa Maria da Feira, pois estará a cumprir um jogo de castigo.

 

Tiago Ilori (1,5)

Foi quem teve de pagar pelas incendiárias palavras proferidas pelo comentador Jorge Andrade na RTP3, vendo um cartão amarelo ao segundo minuto por fazer uma falta sobre João Félix em que a nova coqueluche do Benfica demonstrou que se isto do futebol não correr assim tão bem pode matricular-se na Escola Superior de Teatro e Cinema. Tão mau arranque não desanimou o central regressado ao Sporting, e Ilori até fez um ou outro corte assinalável, mas na segunda parte foi o descalabro. Pouco depois de permitir um cabeceamento de Ruben Dias no coração da área, ao melhor estilo de André Pinto, aproveitou a assistência de João Félix para fazer um autogolo que lhe fez cair o queixo e poderia ter sido o início de uma goleada não fosse o esforço final dos colegas.

 

Borja (2,5)

Estreou-se em circunstâncias difíceis, e durante longos e penosos minutos parecia um violinista talentoso contratado para a orquestra do Titanic. O colombiano demonstrou possuir técnica e velocidade, mas o verdadeiro teste será nos jogos vindouros, sobretudo se um dos melhores jogadores do plantel tiver mesmo de roer a rolha da garrafa do rei da Rússia.

 

Gudelj (2,0)

É difícil aceitar que não tenha confiança e rasgo para sequer fingir que sabe sair com a bola. Na vigilância aos adversários esteve ligeiramente melhor, mas parece cada vez mais o principal (ainda que não único) responsável pelo baixo desempenho do meio-campo do Sporting.

 

Wendel (2,0)

Não deixa de ser estranho, mas é a mais pura verdade: tivesse o jovem brasileiro demonstrado o mesmo discernimento a rematar que teve nas movimentações e o Sporting teria saído do Estádio da Luz com um empate ou mesmo uma vitória mais contra a corrente do jogo do que a desova dos salmões. Desaparecido numa primeira parte de intenso domínio encarnado, Wendel correspondeu a um passe brilhante de Acuña, tendo pela frente apenas Svilar, mas nem na baliza logrou acertar, tal como alguns minutos mais tarde rematou ao lado do poste, servido por Luiz Phellype em posição frontal. Acabou por sair mais cedo, numa altura em que Marcel Keizer optou pelo 4-4-2.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Forçado a jogar mais recuado, não só para conter o adversário mas porque alguém tem de sair com a bola e a ausência de Mathieu torna gritante a falta de apetência de Gudelj para tais afazeres, foi dos menos maus na primeira parte, rematando forte mas à figura de Svilar. Quando o Sporting começou a procurar dar a volta ao jogo, já com dois golos de desvantagem, contribuiu de forma decisiva para que o regresso dos leões ao Jamor seja mais do que uma miragem. Nem o facto de Svilar ser um dos exemplos acabados da fábrica de fazer sobrevalorizados que existe no Benfica desvaloriza a magia de um livre directo que só está ao alcance dos enormes jogadores. Sobretudo dos enormes jogadores que são mesmo enormes e não caem ao chão, exigindo faltas e amarelos, de cada vez que uma rajada de vento sopra por perto.

 

Jovane Cabral (2,0)

Recuperou a titularidade e pouco fez com ela. Muito lento a reagir no lance do primeiro golo, deixou Bruno Gaspar sozinho na direita e estendeu a passadeira para que Gabriel rematasse. Incapaz de ultrapassar os adversários em drible, nomeadamente Grimaldo, não conseguiu fazer melhor do que um passe atrasado para Bruno Fernandes encher o pé. Mantido no relvado mais tempo do que merecia, saiu sem glória nem proveito.

 

Acuña (3,5)

É um dos grandes jogadores do plantel, seja em que posição for. Após lutar contra o marasmo generalizado da primeira parte leonina, na qual não se esqueceu de sublinhar em altos decibéis a dualidade de critérios do árbitro (que, por uma vez, se esqueceu do argentino ao distribuir cartões), fez uma bela segunda parte. Na retina ficou o passe assombroso a que Wendel se encarregou de retirar o valor acrescentado de um 1-1 ou um lance em que apareceu junto à baliza contrária, como se tivesse sido adaptado a ponta de lança, e terá sido carregado por um adversário quando se preparava para cabecear - ou pelo menos assim foi numa realidade paralela em que um lance desses pode dar direito a pénalti contra o Benfica em pleno Estádio da Luz. Se este tiver sido o seu último jogo deixará (muitas) saudades.

 

Luiz Phellype (2,5)

Esteve a um passo de roubar a bola a Svilar num lance em que a encarnação de uma célebre personagem da televisão nos anos 70 - só que com luvas e um género diferente nos documentos de identificação  – teve mais um daqueles excessos de confiança que animam os adversários do Benfica. Sempre muito sozinho, fez o que pôde e a forma como ofereceu posição de remate a Wendel merecia melhor aproveitamento. Tal como a breve aposta no 4-4-2 merece ser testada noutro tipo de jogo.

 

Diaby (2,5)

Entrou com a missão de agitar o ataque leonino e, sem ser minimamente brilhante, conseguiu fazê-lo bem melhor do que o mais lento Jovane Cabral.

 

Bas Dost (2,0)

Ainda meteu a bola no fundo das redes, mas o árbitro assinalara antes uma daquelas faltas ofensivas fora da pequena área que constam da apólice de seguros da equipa da casa.

 

Raphinha (-)

Sem tempo para mostrar nada.

 

Marcel Keizer (2,5)

Arriscou nos reforços de Inverno, acabando por ser traído pela confiança em Ilori, e depois de um período inicial de domínio sufocante viu os seus jogadores equilibrarem minimamente o jogo. Ainda que não raras vezes aparente estar desnorteado no banco de suplentes acertou nas substituições, como sempre tardias, e fica a dever a Bruno Fernandes mais meia garrafa de oxigénio, essencial para preparar a visita de um grupo descrente e pouco organizado de jogadores ao Feirense e a recepção a um Villarreal que ainda está em piores lençóis do que o Sporting. Para Abril fica a segunda mão que lhe pode dar acesso à segunda final de uma taça.

Quente & frio

Gostei muito do golo marcado por Bruno Fernandes na primeira mão da meia-final da Taça de Portugal, ontem à noite, frente ao Benfica no estádio da Luz. Foi o melhor golo do desafio, que perdemos por 1-2. Marcado de livre directo, a 30 metros das redes. Um tiraço do nosso capitão, sem defesa possível para o guarda-redes Svilar, dirigido ao canto superior mais distante da baliza. Um livre que nasceu de uma falta sobre o próprio jogador, que foi o nosso melhor em campo neste clássico em que saímos novamente derrotados: segundo desaire consecutivo perante o nosso mais velho e histórico rival.

 

Gostei de ver o Sporting em cima da baliza benfiquista no quarto de hora final, quando o treinador Marcel Keizer apostou sem complexos num 4-4-2, reforçando o ataque com a entrada de Bas Dost, que a partir dos 76' fez parceria com Luiz Phellype (e quando este saiu, aos 90', com Raphinha), completada por Diaby numa espécie de tridente. Foi nesse período que nasceu o nosso golo, marcado aos 82'. E poderia ter ocorrido outro, empatando-se a partida, se o árbitro não anulasse, mesmo à beira do fim, um lance ofensivo leonino por uma pretensa carga de Dost sobre Svilar que nunca existiu. Isto num jogo em que alinhámos sem Mathieu, Nani e Ristovski.

 

Gostei pouco da prestação do colombiano Borja, reforço de Inverno para a nossa lateral esquerda, em estreia absoluta de verde e branco no onze titular escalado por Keizer para este desafio. Naturalmente sem rotinas defensivas, teve responsabilidades directas nos dois golos encarnados: no primeiro, aos 16', foi incapaz de fechar o corredor por onde penetrou Salvio; no segundo, aos 63', estava muito mal posicionado e deixou João Félix centrar como quis. Apesar destes lapsos com indiscutível gravidade, revelou bons pormenores de ordem técnica, mostrando vocação atacante e capacidade de criar desequilíbrios. Merece o benefício da dúvida.

 

Não gostei de saber que a segunda mão desta meia-final, a disputar no nosso estádio, só vai realizar-se a 3 de Abril. Um absurdo, estes dois meses de intervalo: é uma decisão ridícula da Federação Portuguesa de Futebol, organizadora da Taça de Portugal. De qualquer modo, o Sporting mantém em aberto todas as possibilidades de passar à final da competição. Bastará vencermos o Benfica por 1-0 em Alvalade. Será que nessa altura ainda contaremos com Acuña? Actuando como médio-ala, o argentino foi um dos nossos melhores nesta primeira mão.

 

Não gostei nada da nossa primeira parte. Com desempenhos desastrosos no reduto defensivo, sobretudo de Bruno Gaspar, que voltou a ser ultrapassado várias vezes no seu flanco, nomeadamente no golo inaugural dos encarnados, em que escancarou ma avenida para o golo de Gabriel, e do regressado Ilori, que fez parceria com Coates no eixo da defesa e revelou uma arrepiante fragilidade, culminada num autogolo que ditou a nossa derrota. No meio-campo voltou a imperar a mediocridade de Gudelj na posição de médio defensivo, incapaz de travar o ímpeto encarnado e de contribuir para o início de lances ofensivos: o primeiro golo do SLB nasce de uma bola perdida por ele. Nestes primeiros 45 minutos revelámos fragilidades colectivas, concedemos demasiado espaço aos adversários nas alas, fomos incapazes de ganhar segundas bolas e sair em construção organizada, não dispusemos de um único canto e só conseguimos um remate enquadrado (por Bruno Fernandes). Também não gostei nada de um golo desperdiçado por Wendel que, isolado por Acuña e tendo apenas Svilar pela frente, rematou frouxo e muito ao lado no minuto 57. Nem da passividade do treinador, que a perder por 0-2 - frente a um adversário banal, sem Vlachodimos, Fejsa nem Jonas e um puto estreante no eixo da defesa - só aos 71' começou a mexer na equipa. Menos ainda gostei de ter perdido pela segunda vez em quatro dias com o Benfica, com um saldo muito negativo: três golos marcados e seis sofridos. E de só termos vencido, no tempo regulamentar, um jogo dos últimos oito que disputámos.

Brunista me confesso

Num jogo tremendamente difícil, onde Keizer voltou a teimar numa defesa de cartão, sem um trinco que compense as basculações dos centrais, com um lado direito que foi sempre uma porta aberta para o Benfica criar ocasiões de golo, devido a mais uma exibição deplorável do B. Gaspar e a um Jovane inconsequente e desleixado no apoio defensivo, foi o tal Bruno a que me refiro, o Fernandes, o capitão de equipa que fez mais uma vez de tudo, foi o melhor a defender, foi o melhor a organizar, foi o melhor na transição ofensiva, foi o melhor (e único) a marcar. Um grande golo, mais um.

O Sporting lutou muito, nada a dizer do esforço dos jogadores, os reforços esforçaram-se mas têm de render muito mais para justificarem o que custaram. No final do jogo houve dois lances que podiam ter sido julgados doutra forma e de um ou outro poderia ter saído o empate, mas também antes o Benfica podia ter liquidado o jogo.

A eliminatória está em aberto e muita água correrá por baixo das pontes até ao jogo da segunda mão. O Sporting e Keizer ganharam um tempo precioso para resolver questões essenciais que não podem ser ignoradas, sob pena de comprometermos o resto da época.

Mas agora o tempo é de respirar fundo, esquecer a deprimente jornada anterior e partir para os próximos desafios importantes que esperam o Sporting, particularmente a eliminatória com o Villarreal e a recepção ao Braga.

SL

Qual será o onze titular?

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Está divulgada a convocatória para o clássico da Taça de Portugal que vai disputar-se daqui a umas horas no estádio do SLB. Uma convocatória com algumas originalidades - desde logo por incluir três laterais esquerdos (Acuña, Borja e Jefferson) e apenas dois médios com características ofensivas (Bruno Fernandes e Wendel).

A partir deste conjunto de jogadores, lanço o repto aos leitores: qual deve ser o onze titular do Sporting?

Pódio: Wendel, Acuña, Salin

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Feirense-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Wendel: 19

Acuña: 19

Salin: 19

Bruno Fernandes: 18

Mathieu: 16

Gudelj: 16

Ristovski: 15

Luiz Phellype: 14

Coates: 14

Nani: 14

Raphinha: 14

Petrovic: 11

André Pinto: 11

Bas Dost: 10

 

 

O Jogo e o Record elegeram Acuña como melhor em campo. A Bola optou por Wendel.

Armas e viscondes assinalados: Desperdício abatido com dois tiros disparados de longe

Feirense 0 - Sporting 2

Taça de Portugal - Quartos de final

16 de Janeiro de 2018

 

Salin (4,0)

Os adeptos do Feirense foram os primeiros a levar perigo à sua baliza, fazendo rebentar um petardo junto ao francês, mas logo os jogadores da equipa da casa seguiram o exemplo vindo das bancadas. Conseguir a rara proeza de chegar ao final do jogo sem golos sofridos implicou uma mão-cheia de excelentes intervenções, num festival de classe que arrancou na primeira parte, quando uma das habituais paragens colectivas da defesa leonina fez aparecer um adversário isolado à entrada da pequena área. Ainda melhor esteve nos últimos minutos de jogo, quando a vantagem de 0-2 poderia ter sido escassa para atingir as meias-finais caso o guarda-redes não tivesse desviado remates com selo de golo como se não houvesse amanhã.

 

Ristovski (3,0)

O macedónio não se deixou intimidar pelo cartão amarelo que viu cedo e vá-se lá saber porquê - ao ponto de ser reconhecido como dificilmente explicável pelo comentador da RTP antes de este lavrar a salomónica sentença “também se aceita” - e controlou as movimentações do Feirense sem deixar de dar precioso contributo nas jogadas de ataque. Pena que os cruzamentos nem sempre lhe tenham saído bem.

 

Coates (3,0)

Invejosos irão catalogar como inadvertida a assistência para o golo da relativa tranquilidade, desviando a bola de cabeça para a entrada da área, onde surgiu Bruno Fernandes. Mas foi apenas um dos momentos em que o central uruguaio se integrou bem no ataque, tal como esteve inspirado nos passes longos, oferecendo a Raphinha um golo que o brasileiro não soube marcar. Nos últimos minutos, já com Edinho empenhado em fazer aquilo que lhe valeu um cântico quando estava em Setúbal, acabou por cair também no desnorte que poderia ter causado dissabores ao Sporting.

 

Mathieu (3,5)

Com liberdade suficiente para actuar como lateral-esquerdo em boa parte do tempo, tirando partido da visão de jogo e da qualidade de passe longo, nem uma ou outra fífia lhe retirou mérito nas missões defensivas. Teve direito a alguns minutos de descanso após o segundo golo, e o mínimo que se pode dizer é que a sua ausência foi sentida.

 

Acuña (3,5)

A magnífica assistência para Bas Dost abrir o marcador que teimava em manter-se a zero, após fazer um ‘cabrito’ para ludibriar um adversário, não merecia ficar associada a um desperdício escandaloso. Extremamente lutador, mas desta vez só no bom sentido da palavra, recordou aos sportinguistas o quanto ficarão a perder se 20 milhões de euros chegarem para lhe pagar a viagem para a Rússia.

 

Gudelj (3,0)

Ainda não foi desta que marcou num pontapé de ressaca, mas talvez se possa inspirar naquele que Bruno Fernandes executou para estabelecer o resultado final. Já na posição mais recuada do meio-campo, para a qual acaba de ser contratado Idrissa Doumbia, foi útil no ataque à bola e dedicou-se melhor do que o habitual à ligação entre a defesa e o ataque. Subiu ligeiramente no campo aquando da entrada de Petrovic sem que daí adviesse nada de bom para a sua exibição e para o desempenho da equipa.

 

Wendel (4,0)

Mostrou estar pronto para tudo logo na primeira parte, sendo capaz de se desenvencilhar do árbitro Fábio Veríssimo quando este lhe tentou atrapalhar a progressão com bola. Ainda que não tenha conseguido aproveitar uma boa desmarcação saída dos pés de Nani, permitindo a defesa do guarda-redes, manteve-se sempre em elevada rotação e acelerou o jogo ofensivo do Sporting. Sobretudo quando avançou pela esquerda, tirou um adversário do caminho e rematou em arco para inaugurar o marcador. Recebeu como prémio merecidos 15 minutos de descanso, pois no sábado existe mais um compromisso daquela competição em que também se luta com o FC Porto, Benfica e Braga.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Cedeu protagonismo a Wendel e Nani na primeira parte, o que não o impediu de ficar perto do golo num remate muito forte e de muito longe. Depois do intervalo abriu o livro e encadernou-o a folha de ouro com passes magníficos para isolar colegas e, para não destoar, remates perigosos. O primeiro saiu perto do poste, mas o segundo, na consequência de um canto, alojou-se de forma tão decidida nas redes que talvez pudesse pôr em risco a integridade do guarda-redes caso saísse à figura.

 

Nani (3,0)

Entrou no jogo à patrão, assumindo o controlo tanto nos flancos como no miolo do relvado, para onde flectia com a intenção de servir os colegas. Destaca-se nesse período do jogo um passe para as costas da linha defensiva do Feirense que isolou Wendel. Só que à medida que o cronómetro avançava perdeu protagonismo e discernimento, falhando duas oportunidades de golo em posição frontal, num cabeceamento e num remate em arco. Ficou até ao apito final, pois Keizer preferiu poupar Wendel, mas mais uma vez nada se teria perdido se Jovane Cabral pudesse ter uns minutos para mostrar a sua arte.

 

Raphinha (3,0)

Especializou-se em passes impossíveis que aparenta fazer sem qualquer esforço e mostrou-se muito melhor do que nos minutos finais do Sporting-FC Porto, faltando-lhe o essencial: confiança no momento em que ganha espaço para rematar.

 

Bas Dost (2,0)

Também muito melhor nas trocas de bola com os colegas, teve o azar de Fábio Veríssimo estar mais atento à sua impulsão apoiado nos centrais do que aos agarrões desses mesmos centrais noutros lances, fora e dentro da grande área. O golo de cabeça que lhe foi anulado no primeiro tempo pode ter sido um factor de desestabilização, pois ainda antes do intervalo conseguiu rematar contra o guarda-redes na recarga a um grande remate de Bruno Fernandes, e na segunda parte abraçou a missão impossível de, sem cobertura e a poucos metros da baliza escancarada, desviar para o lado errado do poste a assistência perfeita de Acuña. Que o Sporting esteja a atingir uma fase decisiva da época com a principal referência atacante num tão baixo nível de inspiração não é nada que tranquilize os adeptos...

 

Luiz Phellype (2,5)

Teve direito ao seu primeiro quarto de hora de leão ao peito e fez por aproveitá-lo. Boas movimentações e velocidade na disputa de bola - tivessem os dois péssimos atrasos para o guarda-redes a que Bas Dost nem tentou chegar ocorrido com o brasileiro em campo... - foram o prenúncio de um remate forte, desferido de fora da grande área, que embateu no poste, impedindo uma estreia de sonho.

 

André Pinto (1,5)

Substituiu Mathieu em circunstâncias menos dramáticas do que as habituais, o que talvez tenha contribuído para que fosse muitíssimo menos capaz de desempenhar o papel de ‘understudy’ do francês. Lento e desorientado nas disputas de bola, contribuiu para o ascendente da equipa da casa nos últimos minutos do jogo.

 

Petrovic (2,0)

Costuma dar ordem ao meio-campo e tirar proveito do físico. Tende em regra a resultar, o que não impede que o jogo de Santa Maria da Feira tenha sido a excepção, pois a sua presença no relvado fica ligada a grandes atribulações que só não foram preocupantes porque Salin se preocupou em resolvê-las.

 

Marcel Keizer (3,0)

Começou bem na convocatória, deixando Diaby em Lisboa, e viu a equipa a gerir bem o jogo, não obstante o festival de desperdícios que poderia ter impedido o Sporting de disputar a Taça de Portugal com as mesmas três equipas com que disputa a Taça da Liga e a Liga NOS. Disse que a equipa esteve no melhor que já lhe viu, o que envolve um certo optimismo, mas desta vez até pôde descansar alguns dos mais desgastados (Mathieu e Wendel) ou desinspirados (Bas Dost), com o vírus resultadista a transformar Petrovic no 14.° jogador e a relegar Jovane Cabral para o estatuto de primeiro entre os que nem chegam a entrar no relvado.

Quente & frio

Gostei muito do regresso do Sporting às vitórias folgadas associadas às boas exibições em campo. Aconteceu nesta noite fria e húmida, em Santa Maria da Feira: triunfo leonino por 2-0 para a Taça de Portugal. Com passagem natural da nossa equipa às meias-finais da competição que promete jogo grande: vamos defrontar o Benfica a 5 de Fevereiro. Vencemos e convencemos, com dois grandes golos - o primeiro, aos 64', marcado pelo buliçoso Wendel, que com um tiro indefensável disparado em diagonal, de fora da área, se estreia como artilheiro de verde e branco na Taça verdadeira, coroando uma exibição muito positiva nesta partida; o segundo, aos 66', apontado pelo incansável Bruno Fernandes, num potente remate de ressaca, de meia-distância. Voto no brasileiro para melhor em campo: foi ele que desatou um nó que persistia bem atado, certamente para alguma irritação e muito nervosismo dos adeptos.

 

Gostei  que não tivéssemos sofrido nenhum golo pelo segundo desafio consecutivo. E das mexidas feitas na equipa pelo treinador Marcel Keizer. Apostou em Salin na baliza - e fez muito bem, pois o francês protagonizou grandes defesas aos 39', 71', 84' e 89'. Bruno Gaspar, tocado, deu lugar a Ristovski, que demonstrou ser mais dinâmico e acutilante nas acções ofensivas. Acuña, após castigo, retomou sem surpresa a titularidade como lateral esquerdo, antes confiada a Jefferson. Raphinha destaca-se mais como extremo do que Diaby: o maliano desta vez nem foi convocado. Gostei sobretudo de ver enfim Luiz Phyllipe mostrar o que vale ao serviço do Sporting, hoje com o belo equipamento Stromp: entrou aos 76', rendendo um apático Bas Dost, e mostrou que se pode contar com ele quando disparou um petardo ao poste, iam decorridos 83'. Um grande momento do jogo que merecia ter resultado em golo.

 

Gostei pouco da exibição de Bas Dost, que parece atravessar uma crise de confiança. É certo que marcou um golo, aos 34', mas pareceu-me bem anulado pelo árbitro Fábio Veríssimo por ser precedido de falta (o holandês apoiou-se num defesa adversário no momento do cabeceamento). Aos 44', numa recarga, permitiu a defesa do guarda-redes Brígido. Nada mais conseguiu fazer de relevante nos 76 minutos em que permaneceu em campo. Excepto - pela negativa - numa escandalosa perdida à boca da baliza, desperdiçando um excelente cruzamento de Acuña, que aos 51' lhe proporcionou um meio-golo servido de bandeja. Irreconhecível.

 

Não gostei  de ver o Feirense com dupla linha defensiva estacionada bem atrás da divisória do meio-campo durante praticamente o jogo todo, dominado pelo Sporting do primeiro ao último minuto. Este dispositivo hiper-defensivo, confinando toda a actuação da equipa da casa num espaço de 40 metros, dificultou a manobra ofensiva leonina, com Wendel, Bruno Fernandes, Raphinha, Acuña e Nani a enfrentarem uma floresta de pernas que persistia em encurtar-lhes margem de manobra e anular-lhes linhas de passe. Felizmente os nossos jogadores souberam reagir com maturidade e paciência, insistindo em ataques envolventes não apenas pelas alas mas também pelo corredor central. Esta persistência deu bons frutos. E a vitória impôs-se com toda a naturalidade, para enorme satisfação das claques leoninas, que compareceram em grande número no apoio vibrante à nossa equipa.

 

Não gostei nada  de ver petardos rebentar junto da baliza do Sporting, em clara provocação ao guarda-redes Salin, procurando perturbar a sua actuação ou mesmo causar-lhe danos físicos. É inaceitável que a Federação Portuguesa de Futebol permita agressões deste tipo no decurso de jogos da Taça, competição que organiza. É urgente que as acções punitivas sejam rápidas, eficazes e exemplares. Não podem ficar-se por multas com valor pouco mais do que simbólico: só assim se conseguirá pôr ponto final ao vandalismo que se pratica nos estádios deste país.

Amanhã há Taça

Amanhã à noite, a partir das 20.45, disputamos com o Feirense, em Santa Maria da Feira, os quartos-de-final da única taça que interessa: a de Portugal.

Vale a pena perguntar a quem me lê: estão optimistas ou pessimistas quanto ao desfecho desta eliminatória? Recordo que o Sporting não vencea Taça de Portugal há quatro épocas.

Pódio: Bas Dost, Acuña, Bruno Fernandes

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Rio Ave pelos três diários desportivos:

 

Bas Dost: 20

Acuña: 19

Bruno Fernandes: 19

Diaby: 19

Jovane: 17

Miguel Luís: 16

Mathieu: 15

Renan: 14

Petrovic: 13

Bruno Gaspar: 13

André Pinto: 12

Gudelj: 12

Coates: 12

Ristovski: 7

 

A Bola elegeu Acuña como melhor jogador em campo. O Record optou por Bruno Fernandes. O Jogo escolheu Bas Dost.

Armas e viscondes assinalados: Premissas diferentes para o mesmo resultado

Sporting 5 - Rio Ave 2

Taça de Portugal - Oitavos de final

19 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Voltou a sofrer dois golos sem culpa, pois um autogolo com nota artística e uma grande penalidade nunca seriam propriamente fáceis de defender. Talvez também não conseguisse chegar à bola no livre directo que embateu na barra, mas esteve bem nas manchas, uma das quais impediu Fábio Coentrão de ter um regresso a casa ainda mais feliz.

 

Bruno Gaspar (1,5)

O autogolo vistoso que cometeu pouco antes do intervalo, numa tentativa de corte que resultou num chapéu perfeito ao seu guarda-redes, foi a principal nota de destaque de uma exibição marcada, mais uma vez, pela incapacidade de ajudar o ataque leonino. Se a extinção do dodó foi consequência directa da incapacidade que essa ave demonstrava no momento de voar, o que poderá estar reservado a um lateral que não sabe fazer cruzamentos? 

 

Coates (3,0)

Mesmo a indignação com que reagiu ao pénalti marcado por João Pinheiro, após um ressalto ter levado a bola a embater na sua mão, serve para mostrar a classe do central uruguaio. Nada convencido da justiça da decisão, insistiu de forma insistente mas civilizada com o árbitro, e não deixou que o episódio abalasse a sua concentração. Ficou bem perto de marcar o tantas vezes adiado golo de cabeça, encaminhando a bola para o poste mais distante no lance em que a recarga de Bas Dost selou o 2-0. E manteve a média de cortes de jogadas perigosas que faz de si um ausência muito notada na deslocação a Guimarães.

 

Mathieu (3,0)

Uma desatenção que permitiu ao irrequieto Gelson Dala rematar para fora dentro da grande área foi o pior momento do francês, desta vez incapaz de marcar de livre directo. Acabou por ter direito a alguns minutos de descanso necessários a dar rotina de jogo ao homem com quem irá formar dupla de centrais no próximo jogo do Sporting.

 

Acuña (3,5)

Duas assistências para golo e o incansável contributo para o domínio sobre uma equipa tão perigosa e bem organizada quanto o Rio Ave mereceriam melhor nota não fosse a faceta patologicamente contestatária do argentino. Empenhado em tentativas de comunicação com o auxiliar que mereceram vaias dos poucos mais de 12 mil presentes no estádio, acabou por ver o amarelo devido a uma sucessão de faltas enumeradas pelo árbitro.

 

Gudelj (3,0)

Tinha pela frente adversários valiosos e deu boa conta de si na maior parte do tempo. Sem sorte a rematar de longe, ainda sofreu um toque e viu-se forçado a sair do relvado mais cedo.

 

Miguel Luís (3,5)

As mesmas chuteiras de lã com que ganhou lugar na equipa de Marcel Keizer serviram-lhe para pautar a ligação entre defesa e ataque no meio-campo leonino. Já lhe chamam o novo Adrien, o que é uma péssima notícia para o Adrien propriamente dito.

 

Bruno Fernandes (4,5)

Um golo e uma assistência não chegam para traduzir aquilo que o capitão na ausência de Nani fez neste jogo. Apesar de o 3-0 ter sido o melhor do jogo, num míssil teleguiado com força, efeito e precisão, e apesar de a assistência para Diaby ser uma obra de arte. Todos os seus toques de bola foram excelentes e a assistência que fez para o potencial hat-trick de Bas Dost deveria contar mesmo sem ter sido concretizada. A exibição só não foi perfeita pelas duas ou três ocasiões em que insistiu em passar a bola para a direita quando tinha Jovane Cabral a isolar-se na esquerda.

 

Diaby (4,0)

Mais dois golos plenos de oportunidade, daqueles que o revelam como um avançado capaz de estar no sítio certo à hora certa, fazem pensar onde é que o maliano terá andado durante os seus primeiros meses em Alvalade. 

 

Jovane Cabral (3,5)

Voltou a não estar isento de trapalhadas ao longo de um dos raros jogos que fez do primeiro ao último minuto, mas integrou-se bem na fábrica de fazer goleadas leonina e ainda fez um cruzamento tão perfeito para o segundo golo de Bas Dost que quase dispensou o holandês de tirar os pés do chão no momento de cabecear.

 

Bas Dost (4,0)

Desta vez não sofreu nem converteu pénaltis, dedicando-se à sua especialidade de marcar golos que, sem serem de m..., não são para emoldurar e pendurar na parede. Rápido a encaminhar a bola para as redes no 2-0 e a arrastar os defesas consigo no 3-0, bisou de cabeça e só não chegou ao hat-trick devido ao excesso de ética protestante que lhe mandou devolver a bola a Bruno Fernandes sem que o colega estivesse à espera.

 

Petrovic (3,0)

Entrou para o lugar de Gudelj e interpretou bem o papel de unidade menos criativa de uma equipa concebida para criar. Consciente das suas limitações técnicas, o sérvio contorna essas dificuldades de modo a poder ser útil e a justificar o seu lugar no plantel.

 

André Pinto (2,5)

Teve direito a alguns minutos no relvado como ensaio para a deslocação a Guimarães no próximo domingo. Podia ter corrido melhor, pois ficaram patentes as dificuldades na hora de lidar com avançados velozes.

 

Ristovski (3,0)

Outro que recebeu alguns minutos para ganhar ritmo de jogo. Aproveitou-os bastante bem, nomeadamente nas missões defensivas, ainda que o grau de comparação fosse uma das piores actuações de Bruno Gaspar.

 

Marcel Keizer (4,0)

Repetiu o mesmo resultado do último jogo, ainda que sem o susto dos dois golos iniciais sofridos com o Nacional, e empolgou os poucos sportinguistas que fizeram uma pausa nos afazeres natalícios. Totalmente ganha a aposta em Miguel Luís e as substituições destinadas a dar minutos a jogadores que precisa de ter como opções válidas para o que der e vier. Mas o mais importante é a liberdade que concede aos criativos da equipa e que torna menos relevante a fase em que se encontra o trabalho defensivo.

A Kura para a Krise

Era pouco provável que um careca holandês, vindo das Arábias, com quase 50 anos e sem títulos no currículo, coadjuvado por antigo mediano médio português, pusesse o Sporting no rumo das vitórias. Tenho que dar a mão à palmatória. Keizer foi muito bem escolhido. Leva sete vitórias consecutivas, só sabe marcar três ou mais golos e mesmo com as aselhices defensivas, pôs o Sporting a dar espetáculo. Até deu utilidade a investimentos pesados como Wendel e Diaby, até aqui na garagem. Até lembrou que afinal a Academia ainda não está gasta e deu minutos a Correia, Paz e Marques, continuando a apostar em Miguel Luís. Conté, Djaló ou Bragança estão à espreita. Claro que o plantel é curto e com este ritmo, a fatura terá que ser paga. Claro que não nos podemos achar já os maiores e entrar na habitual roleta sportinguista de euforia e depressão. Mas há que aproveitar o momento e já agora, começar a subir o número de gritantes de golo em Alvalade. No final do dia, a restruturação financeira é vital mas a malta quer é golos. Aos 5 de cada vez. Na Na Na. Keizer é o Kurandeiro da Krise.

Quente & frio

Gostei muito de confirmar hoje, com a vitória 5-2 frente ao Rio Ave para a Taça de Portugal, como esta equipa do Sporting desenvolve um jogo alegre, dinâmico, desinibido, com pressão alta, forte organização colectiva, inegável energia anímica e boa condição física. Procurando o golo com processos simples. Tudo por mérito de Marcel Keizer: o treinador holandês devolveu ao Sporting um futebol vistoso e ofensivo como já não víamos desde a época 2015/2016, a primeira sob o comando de Jorge Jesus. Somámos esta noite a oitava vitória consecutiva - sétima sob o comando do técnico holandês - que nos coloca nos quartos-de-final da Taça verdadeira. A de Portugal.

 

Gostei  da sexta goleada verde e branca da era Keizer. Hoje os marcadores de serviço foram Bas Dost (2), Diaby (2) e Bruno Fernandes. O holandês, com mais estes, totaliza já 15 golos na temporada em curso - 85 desde que veio para o Sporting. E com este técnico marcámos 30 em sete desafios (média de 4,2 golos por jogo). Destaque, nesta partida, para Bruno Fernandes - hoje capitão da equipa e o melhor em campo. Marcou o mais espectacular dos nossos cinco golos, o terceiro, com um disparo fortíssimo aos 42'. Foi crucial na construção do quarto golo, apontado por Dost aos 61', e fez a assistência para o último, servindo Diaby aos 77'. Notas muito positivas também para o jovem avançado maliano, que abriu a ronda de remates certeiros logo no terceiro minuto da partida; para Acuña, que regressou à ala esquerda - aos 3' já fazia a assistência para o golo inaugural e bisou com um cruzamento perfeito na construção do terceiro; para Jovane, que iniciou as jogadas do primeiro e do terceiro, além de ter assistido no quarto golo; ainda para Miguel Luís, hoje merecidamente titular, proporcionando maior segurança defensiva à equipa e permitindo libertar Bruno Fernandes para acções ofensivas.

 

Gostei pouco que Fábio Coentrão, hoje de regresso a Alvalade, tivesse voltado como jogador do Rio Ave, aliás o melhor em campo pela equipa forasteira. Preferia bem mais vê-lo novamente integrado no plantel leonino: corresponderia decerto a uma aspiração dos adeptos do Sporting e sem a menor dúvida ao desejo do próprio jogador, assumido adepto das nossas cores.

 

Não gostei que tivéssemos sofrido dois golos (embora o segundo tenha resultado de um penálti que me parece inexistente) e revelado lapsos ocasionais na nossa estrutura defensiva. Também não gostei de ver Nani ausente, não por opção técnica mas devido a uma mialgia de esforço, o que proporcionou a titularidade de Jovane. O jovem sub-21 formado em Alcochete cumpriu com distinção a tarefa, mas espero ver o nosso campeão europeu - também fruto da formação leonina - de regresso ao onze titular já no próximo domingo, a defrontar o V. Guimarães.

 

Não gostei nada que apenas 12.108 espectadores tivessem comparecido hoje em Alvalade. Com jogadores a darem o seu melhor, proporcionando um excelente espectáculo e outro festival de golos para todos os gostos, desta vez só falhou mesmo a chamada "moldura humana".

Sporting - Rio Ave de amanhã

Entre a vitória épica contra o Nacional e a deslocação extremamente difícil a Guimarães, que equipa irá amanhã Marcel Keizer apresentar?

O meu palpite segue o que vimos no último jogo da Liga Europa:

Salin; Ristovski,  Coates, A. Pinto e Acuña; Petrovic, B. Fernandes e M. Luís; Jovane, Dost e Mané.

E o vosso?

Fica o convite para mais uma vez rumarem a Alvalade. Vale mesmo a pena não ficar em casa.

SL

 

Eu até pensava que fosse do vinho

A gente era todos sportinguistas.

Combinámos que cada um levava da sua "pinga" nova e cada um levava do que tivesse para "fazer bóia". Ele era nozes, ele era amêndoas, ela era passas de figo, ele era passas de uva, ele era bolos dos santos, ele era castanhas, ele era presunto, ele era queijo. Houve alguém que teve o bom senso até de levar umas romãs e uns diospiros. E pão!

Lá se montou a pantalha e aquilo foi uma continuação do almoço e estava tudo tão entusiasmado nas provas dos brancos e dos tintos, que as três chegaram e quase que nem demos pelo início da partida. O ambiente era bastante húmido, tanto em Viseu, como lá fora na rua, que chovia que Deus a dava e também lá dentro, que a gente bem ia molhando a palavra a bom ritmo.

"É pá, não jogamos nada", lá dizia um mais insatisfeito, ind'aquilo tinha acabado de começar (salvo seja!); "Ó pá, deixa q'eles cansam-se e a gente apanha-os à mão", lá respondia outro mais optimista (e caçador de prato). E o jogo foi decorrendo e o tinto e o branco correndo e a "bóia" fazendo a sua função. "O careca não percebe nada disto, atão o Jefferson, um cepo?" e o rapaz, só pra chatear, vai de centrar com conta, peso e medida, para o... coiso, a mandar lá p'ra dentro. Claro que o desgraçado que teve a infelicidade de proferir aquela frase lapidar teve que dar a volta à mesa e servir os restantes de mais uma rodada, p'ra castigo, que não se "invoca" assim o nome de Jefferson em vão! Mas logo a seguir, Bruno Fernandes, que nos pareceu naquele momento ter bebido mais que os dez todos juntos que ali estávamos, estrambelhou e deixou fugir uma bola que por culpa de Bruno Gaspar (faziam-lhe falta umas pingas, para arribar) e também de Renan, que ficou nas covas (provando que o que é de encosta é muito melhor), deu o golo do empate para a segunda equipa de Carlos Lopes. Belo golo, por sinal! "Ó pá, tenham calma, que eles cansam-se, já disse"... "Mas agora vem o intervalo e eles descansam", replicou outro que não deixou de lembrar que as brasas estavam prontas para os rins e o fígado de porco. "Mas eu não vou lá, que eu a grelhar é mais ou menos como o Petrovic a defender."  E lá veio a segunda parte, com o rim e o fígado temperados com azeite, alho e vinagre e uma pitada de coentros que alguém disse que não se podiam gastar muito porque "são verdes". Mai'nada! 

Com mais ou menos atenção "é pá, de quem é este? ganda vinho!", e as nozes e as amêndoas a desaparecerem e as castanhas a estalarem nas brasas, Jefferson lá fez um dos 527 cruzamentos que costuma fazer mal, mas só que desta vez outra vez bem e o... coiso, aquele rapaz holandês que o Jesus ensinou a andar (ele é que disse, não me venham cá com coisas), catrapimbas lá p'ra dentro outra vez. O gajo que disse mal do Jefferson... pois, outra volta à mesa, p'a não se armar em parvo!

E ainda o gajo não tinha servido todos (alguns mexem-se, para o arbitro repetir, que é que pensam?) já o Bruno Fernandes tinha curado a bubadêra e fez ali uma tramóia com o... coiso, aquele rapaz, pois aquele que o Jesus, sim! e marcou o terceiro assim meio de trivela, só para me chatear a mim e a mais dois ou três que insistíamos em afirmar que o gajo não estava em campo, estava era escondido atrás do tonel (não confundir com Tonel, p.f.).

Estava o Zé a pedir "um branquinho agora, para limpar o palato" (fino, o menino...), quando o Nani, que só para chatear não quis ser o melhor mas quis rimar, ofereceu um golo cantado a Diaby e assim, entre uma passa de figo e uma castanha, já estávamos a vencer 4-1. "Eu não disse que eles se cansavam?" Esse não se cansou, não levantou o cu do banco nem no intervalo, mas só pela tirada filosófica, foi condenado a lavar a loiça (eram os copos e pouco mais) no final, que não acabou com o jogo em Viseu, tenham calma, que a seguir jogava a "nossa" Juve, ou melhor o "Ronaldo FC". 

Tenho a dizer em defesa de todos, que apesar das divergências de opinião, todos os vinhos passaram na prova com distinção e todos somos sportinguistas, "à mesma".

E como disse um, "nem c'agente purdesse, conte mais ganhando!" É assim, tudo acaba bem quando se ganha 5-1!*

 

*Contem lá com o golo do Ronaldo, s.f.f.

 

 

Pódio: Bas Dost, B. Fernandes, Jefferson

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Lusitano Vildemoinhos-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Bas Dost: 20

Bruno Fernandes: 18

Jefferson: 18

Wendel: 17

Diaby: 15

Nani: 15

Gudelj: 13

Bruno Gaspar: 13

Coates: 13

Mathieu: 13

Renan: 13

Jovane: 12

Bruno César: 6

Petrovic: 1

 

O Jogo e A Bola elegeram  Bas Dost  como melhor em campo. O Record optou por  Bruno Fernandes.

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