Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Benfica, final da Taça da Liga, por quatro diários desportivos:
Morten: 25
Diomande: 24
Maxi Araújo: 23
Quenda: 22
Israel: 22
St. Juste: 22
Gyökeres: 21
João Simões: 20
Geny: 18
Eduardo Quaresma: 17
Trincão: 15
Debast: 11
Fresneda: 11
Harder: 10
Todos os jornais elegeram Morten como melhor Leão em campo.
E foi um penalti fantasma, porque foi marcado por um fantasma. Por alguém que não esteve em campo durante os noventa e mais uns pós que durou o jogo.
Já aqui escrevi "à atrasado", que Rui Borges nos está a fazer esquecer Amorim. Não porque não tenham perdido esta época cada um o seu troféu, mas porque com muito menos matéria-prima, i.e. jogadores de categoria acima da média, Rui Borges está a fazer mais, com menos.
Ontem estiveram bem, o treinador e a equipa. Só não esteve melhor a equipa, eventualmente, porque o treinador não pôde ter ao seu serviço os melhores ou mais bem capacitados tecnicamente, que acaba por ser a mesma coisa e teve, por exemplo, de recorrer a um esgotado, fisica e mentalmente, Trincão, que acabou por falhar o penalti que deu o troféu ao adversário. Anda completamente esgotado o moço, o que se reflecte também na cabeça e o obrigatório descanso que deveria ter é compensado por cada vez mais minutos de jogo. Tem de ser, chama-se a isto espírito de missão e espírito de grupo. Podia, na minha opinião, ter arriscado mais um pouco e tê-lo-is deixado no banco para a segunda parte, mas foi o que foi, nada a fazer.
Penso termos saído mais fortes deste jogo.
Estou convicto de que estamos mais fortes para esta segunda volta e para chegarmos ao final no topo da classificação.
O jogo? Foi um excelente jogo com uma excelente arbitragem.
Rui Borges mantém-se invicto ao comando da equipa de futebol profissional do Sporting. Mesmo tendo disputado até agora três dos seus quatro jogos enquanto treinador leonino contra os nossos dois históricos rivais.
Esta noite aconteceu mais um: a final da Taça da Liga, tendo o Benfica como adversário. A partida chegou ao fim empatada 1-1 - resultado construído ao intervalo, com golos de Schjelderup (29') e Gyökeres (43').
Final muito intensa, com emotivos duelos em várias zonas do terreno e o resultado em aberto até ao último lance. O empate acabou por desfazer-se só após 13 pontapés de grande penalidade: acabámos por perder 7-6. Com um jogador a fazer a diferença, pela negativa: Trincão rematou sem força, permitindo a defesa de Trubin. Ao contrário do que tinham feito Gyökeres, Morten, Harder, Maxi Araújo, Debast e Quenda.
Entregue o título, concentremo-nos nas competições que ainda disputamos. Sobretudo na Liga: mantemos intactas as aspirações à conquista do bicampeonato.
Com Rui Borges ao leme, claro. Após esta final, tenho confiança reforçada no nosso treinador - e a certeza de que a esmagdora maioria dos adeptos pensa como eu.
Custa muito perder assim uma Taça, no sétimo penálti, mas as coisas são assim mesmo, ganhou a equipa mais competente nesse momento do jogo. Cabia a Trincão fazer o que os "putos" Harder e Quenda fizeram. Mas não é por isso que existem motivos para dar os parabéns a todos, Trincão incluído, pelo excelente jogo que fizeram.
Mesmo sem meia dúzia de jogadores importantes, mesmo com um ou outro jogador muito desgastado, mesmo sem tempo para treinar um novo sistema táctico, a equipa sempre pareceu confortável no jogo, defendendo com competência e intensidade, atacando com objectividade. Pelo meio, várias jogadas de excelência, alguns jogadores numa das suas melhores noites com a camisola do Sporting, como Diomande, Maxi, Hjulmand e Quenda, e um ritmo de jogo sempre em crescendo perante um adversário com alguns jogadores de classe extra.
O jogo foi sempre muito equilibrado e repartido entre as duas áreas, os defesas quase sempre a levar a melhor sobre os avançados contrários, o meio-campo era uma zona de passagem. Muitas chegadas à area, muito poucas ocasiões claras de golo.
Rui Borges conseguiu transformar o modelo de jogo do Sporting, recuperando o melhor da herança táctica e estratégica do Rúben Amorim, colocando os jogadores confortáveis em posições que bem conhecem, dando protagonismo aos melhores, valorizando os jogadores. Falta ainda melhor saída a jogar a partir da defesa, e também melhor gestão da posse, sabendo quando fazer circular a bola e quando atacar a profundidade. Mas isso virá com o tempo.
Assim, depois do pesadelo que foram as seis semanas de João Pereira, temos todas as razões para supor que vamos ser felizes esta época.
Melhor em campo? Hjulmand, um monstro no meio-campo.
Arbitragem? Impecável, desta vez nada a dizer do Pinheiro.
E agora? Temos equipa, mas faltam jogadores importantes a começar pelo "mágico" Pote. Que voltem depressa para podermos ter outra rotação nos titulares e outra frescura nos jogos.
PS: Ia-me esquecendo que no onze inicial do Sporting estavam dois miúdos de 17 anos, Quenda e João Simões, ainda há pouco vice-campeões da Europa em sub17, e no banco estava o Eduardo Felicissimo, também ele da mesma fornada. Assim não vamos ganhar o título de juniores. Bom, por acaso até ficámos fora da série de apuramento de campeão.
Parece praga ou maldição: temos mais dois jogadores lesionados. Matheus Reis e Morita.
O que fazer?
Imaginem-se por momentos no papel do Rui Borges. Como resolveriam este duplo problema no dia em que o Sporting disputa a final da Taça da Liga com o Benfica?
Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Porto, meia-final da Taça da Liga, por quatro diários desportivos:
Gyökeres: 30
Diomande: 25
Quenda: 24
Morten: 24
Fresneda: 23
Geny: 23
St. Juste: 23
Morita: 22
Israel: 21
Maxi Araújo: 21
Trincão: 20
João Simões: 19
Matheus Reis: 9
Eduardo Quaresma: 7
Harder: 1
Todos os jornais elegeram Gyökeres como melhor em campo.
Parece-me, retirada a paragem cerebral em Guimarães dos nossos defesas e GR, que qualquer treinador chegado a um grande desdenharia um começo tão auspicioso como o de Rui Borges: Um dérby e um clássico (ainda que para a taça da carica) depois, tem duas vitórias no bornal contra os adversários eternos e em ambos com distinção.
Se no derby com o Benfica a equipa andou um pouco desnorteada uma parte da segunda parte, passe a redundância, depois de dar um banho de bola na primeira, ontem em Leiria foi claramente superior em todos os momentos e locais do jogo e do campo, demonstrando uma saúde de que alguns de nós duvidávamos, apesar da velocidade de pouco mais que treino a que decorreu o jogo. E por mérito do Sporting, que conseguiu congelar o jogo e conduzi-lo para a velocidade que lhe interessava. Isto é trabalho de treinador, como trabalho de treinador é confiar no GR, depois da casa que deu em Guimarães e também confiar em Fresneda* que cometeu pecados semelhantes no tempo em que esteve em jogo, na cidade-berço.
O jogo decorreu à velocidade a que o Sporting quis e com a dureza que o árbitro permitiu, apesar de disciplinarmente ter estado muito bem e apesar de deixar jogar, pecou por dois ou três lances de falta clara à entrada da área do Porto que poderiam ser perigosos, se os marcasse. Este é o mote para dar um recado a Gyokeres: Rapaz, aprende a cair! Esse espalhafato todo faz crer que estás a fazer teatro, quando sofres realmente falta. Trabalho de casa.
Agora é a final, sábado. E seja com quem for, é para ganhar, não há duas sem três, que eu cá não admito que qualquer equipa do Sporting entre em campo sem ambição. Para isso ficamos em casa.
* Fresneda é dado como certo no Como, de Itália, a partir de amanhã, 9/01, por 10M€ a accionar obrigatoriamente no final da época. Não deixa saudades.
Parceria Quenda-Gyökeres está a funcionar: três golos em dois jogos seguidos
Gostei muito de Quenda, para mim o melhor de ontem, na meia-final da Taça da Liga contra o FC Porto que disputámos em Leiria. Confirma-se a sua vocação para estar no sítio certo à hora certa, e a sua colaboração bem-sucedida com Gyökeres. Ontem fez a terceira assistência em dois jogos consecutivos para o internacional sueco, no golo que nos valeu o acesso à final desta prova - a primeira final da carreira de Rui Borges. Aos 41' já tinha sido ele a municiar o ponta-de-lança para um forte remate cruzado que passou quase a roçar o poste esquerdo da baliza portista. E ainda foi dele um disparo fulminante que forçou Cláudio Ramos à defesa da noite, aos 45'+1. Sem a intervenção do guarda-redes portista teríamos saído para o intervalo já a vencer 1-0 - que acabou por ser o resultado final. Também gostei muito de ver Viktor manter a impressionante regularidade como artilheiro: foi dele o golo da vitória, aos 56', concluindo da melhor maneira um bom lance colectivo do Sporting. Quarto golo dele nestes escassos dias já decorridos de 2025 e o 31.º da temporada em curso. Um craque.
Gostei dos desempenhos de Fresneda (surpreendente escolha de Rui Borges como lateral direito no onze titular) e Maxi Araújo (primeiro como médio-ala e a partir do minuto 14 adaptado a lateral esquerdo). Fizeram ambos as melhores exibições que lhes vi de leão ao peito. O espanhol, que estará de saída, valorizou-se contra o FCP: adaptou-se muito bem à defesa a quatro, enfrentando com êxito Mora e Galeno, tendo também participado no processo ofensivo, com passes a queimar linhas - notável uma abertura para Gyökeres aos 45'. O uruguaio opôs-se sem temor a Martim Fernandes e envolveu-se bem na dinâmica colectiva, mesmo quando foi forçado a recuar devido à lesão de Matheus Reis. É de elementar justiça realçar também a actuação de Morita: enquanto teve fôlego (saiu aos 70') funcionou como pivô do meio-campo, acorrendo às dobras nos corredores laterais e colocando a bola sempre com precisão, rigor táctico e notável visão de jogo. É dele a recuperação que inicia o golo leonino.
Gostei pouco de ver alguns adeptos ainda cépticos quanto ao mérito de Rui Borges. Em três jogos, dois deles clássicos, levou de vencida Benfica e FC Porto: dificilmente haveria teste mais difícil para um novo treinador. E ainda foi empatar a Guimarães, onde tínhamos perdido no campeonato anterior. Tem um discurso sereno, pausado e claro. Atribui sempre o mérito aos jogadores, como compete a um técnico inteligente. Recuperou a alegria de jogar da equipa, que andou mais de um mês em parte incerta. Impôs a sua ideia de jogo, diferente da que vigorava com Ruben Amorim, e está a conseguir pô-la em prática com sucesso. Isso ficou bem visível na superioridade do Sporting em campo contra o FCP: mesmo quando concedemos a iniciativa ao adversário, tivemos a partida sempre controlada, nunca nos desorganizámos.
Não gostei da fraca réplica do FC Porto, num dos desempenhos mais fracos da temporada. Nenhum dos seus jogadores fez a diferença excepto Cláudio Ramos naquela defesa impossível ao tiro de Quenda, mesmo ao terminar a primeira parte. Em contrapartida, Israel quase não se viu forçado a intervir: a primeira defesa digna desse nome do nosso guarda-redes ocorreu só aos 90'+1, parando um remate rasteiro, sem grande perigo. No duelo dos goleadores, Gyökeres impôs-se a Samu: o avançado espanhol, sempre bem vigiado por Diomande, só apareceu no jogo para um remate que passou muito por cima da nossa baliza. Não por acaso, esta foi a segunda derrota consecutiva da turma ainda orientada por Vítor Bruno frente ao Sporting na temporada 2024/2025: há nove anos que não acontecia. E a quarta derrota que impusemos aos portistas noutras tantas meias-finais da Taça da Liga: costumam ter pouca sorte contra nós.
Não gostei nada da inesperada lesão muscular de Matheus Reis, que ficou impossibilitado de jogar logo aos 13', saindo no minuto seguinte. Outra baixa numa equipa que tem sofrido várias - incluindo algumas de longa duração, como as de Nuno Santos, Pedro Gonçalves e Daniel Bragança. Também Morita já esteve de baixa clínica e ainda não recuperou a cem por cento. Felizmente Gonçalo Inácio está de volta: ontem voltou a sentar-se no banco, podendo calçar na final de sábado - contra o Benfica ou o Braga, que irão defrontar-se esta noite. Enquanto começa a ser preocupante a condição física de Trincão e Morten, muito apagados nesta meia-final: já acusam notório cansaço por serem dois dos mais utilizados desde o início da época.
Foi um jogo entre uma equipa cansada e uma equipa medíocre. Ganhou a equipa cansada.
Por estar mesmo cansada, a equipa do Sporting entrou em campo para baixar o ritmo do jogo, de forma a ter recursos na 2.ª parte para resolver a partida. E foi isso mesmo que fez. A equipa do Porto apostou todas as fichas na genialidade do Mora, esta geração sub-campeã europeia de Quenda, J. Simões, Mora e outros é mesmo excelente, e foi apenas ele que criou perigo. O resto são Eustáquios, herdeiros dum Paulinhos Santos mas noutro tempo, que batem quanto baste, de acordo com uma arbitragem que tentou ajudar quanto baste também. Sem dar muito nas vistas.
Não houve muito futebol para comentar. Houve mais uma meia-final para ganhar, o Sporting ganhou e está na final.
Equipa concentrada e competente, com muito menos erros do que nos últimos dois jogos. Fresneda renascido. Ninguém fez um grande jogo, mas foram uma verdadeira equipa.
Isto é mérito de Rui Borges: soube analisar, soube perceber, soube comandar, soube ganhar. Temos homem? Parece que sim.
Melhor em campo? Fresneda. Grande jogo no lugar que sempre reclamou para si.
Arbitragem? Assim nem rouba nem deixa de ser um ladrão. Um pobre coitado.
E agora? Ganhar a Taça da Liga, porque não? Mas tivemos mais um lesionado que vai fazer muita falta.
PS: Pensamento do dia, dum blogue dragão: "Eu fico mesmo obtuso dos cornos e dos tomates como é que AVB tem em conta esta aberração como treinador... nunca imaginei." Imagino que AVB seja André Villas-Boas.
Dois jogos muito complicados, dois testes superados. Parabéns, Rui Borges.
Acabamos de eliminar o FC Porto na meia-final da Taça da Liga. Bastou 1-0, golo de Gyökeres, para remetermos a turma portista para a borda do prato - a mesma equipa que já tinha sido eliminada da Taça de Portugal pelo Moreirense.
Nove dias depois de termos derrotado o Benfica em Alvalade, para o campeonato. No desafio de estreia do novo técnico à frente da nossa equipa.
Que diferença entre este ciclo do Sporting e o que antecedeu a chegada do actual treinador. Repito o que já escrevi: Rui Borges chegou com 44 dias de atraso. Mas ainda a tempo, cada vez estou mais convicto disto.
Mais logo, a partir das 19.45, defrontamos o FC Porto na meia-final da Taça da Liga.
Duas teses se confrontam na antevisão do nosso onze que entrará em campo. Rui Borges deve apostar nos melhores disponíveis, sem fazer poupanças, ou rodar meia equipa, dando oportunidades a quatro ou cinco jovens que costumam alinhar no Sporting B.
Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Nacional, da Taça da Liga, por quatro diários desportivos:
Gyökeres: 26
Morten: 25
Trincão: 23
Harder: 22
Morita: 22
Maxi Araújo: 21
Geny: 21
Vladan: 21
Matheus Reis: 20
Debast: 19
Fresneda: 19
Gonçalo Inácio: 19
Esgaio: 19
Quenda: 18
Edwards; 17
St. Juste: 12
Todos os jornais elegeram Gyökeres como melhor em campo.
Morten e Gyökeres: golos nórdicos na vitória por 3-1 para a Taça da Liga contra o Nacional
Foto: EPA / Rodrigo Antunes
Gostei muito de ver ontem Gyökeres marcar mais dois golos, em Alvalade, perante mais de 32 mil adeptos nas bancadas. Mas um deles não foi um golo qualquer: refiro-me ao segundo (terceiro do Sporting neste desafio da Taça da Liga), marcado de livre directo. Por este simples motivo: há quase quatro anos que não marcávamos desta maneira, desde um inesquecível tiro de Pedro Porro contra o Famalicão em Dezembro de 2020. Foi quebrado o enguiço pelo ponta-de-lança sueco, aos 70', nesta recepção ao Nacional. Cinco minutos antes, já ele tinha marcado, mas de penálti. É um dos melhores avançados que desde sempre envergaram a camisola com o símbolo do Leão: leva 16 golos marcados em 15 jogos desta temporada, mais quatro assistências. Também melhor em campo, claro.
Gostei da vitória por 3-1, naturalmente. Iniciada com um golo de Morten, aos 53': remate cruzado por baixo, sem hipótese de defesa para Lucas França. Seguimos para a final-a-quatro na Taça da Liga: mantemo-nos em todas as frentes. Vitória obtida só no segundo tempo, após o empate a zero registado ao intervalo, com a turma visitante a estacionar o autocarro junto à sua baliza (parece sina, enfrentarmos equipas com semelhante "táctica", o que diz tudo sobre a falta de qualidade do futebol português) e o guarda-redes do Nacional a queimar todo o tempo possível em cada reposição de bola, o que lhe valeu um cartão amarelo ainda na primeira parte. Objectivo cumprido nesta prova, para já. Mas o que mais interessa é o campeonato, onde permanecemos invictos à nona jornada. Segue-se a recepção ao Estrela, depois de amanhã.
Gostei pouco de certas exibições no onze inicial. Fresneda, em estreia como ala esquerdo, esteve totalmente desposicionado, quase sem acertar um centro, tarda em mostrar por que motivo foi contratado. Edwards, de regresso a titular como ponta direito, evidenciou os defeitos que já lhe conhecíamos: alheia-se dos lances, foge da disputa da bola, integra-se com dificuldade no colectivo. Sem surpresa, foram ambos substituídos ao intervalo. E a equipa parecia outra: Trincão muito melhor do que o inglês, Gyökeres incomparavelmente superior ao espanhol (Harder foi remetido à posição de Fresneda com a entrada do sueco para avançado-centro).
Não gostei de ver o onze sem Nuno Santos. Acentuou-se a minha convicção de que o extremo agora lesionado irá fazer-nos muita falta. Matheus Reis (que até quase marcou aos 3') tem mais propensão defensiva, Maxi Araújo ainda não ultrapassou o patamar da vulgaridade no Sporting e Geny é muito mais acutilante quando actua do lado direito, agora com Quenda a fazer-lhe concorrência. Fresneda, à esquerda, não é opção. Problema complicado para o técnico resolver. Já não será Rúben Amorim, ao que tudo indica.
Não gostei nada do ambiente frio no estádio. Estava uma atmosfera estranha, que abrangia o banco leonino e contagiava a própria equipa, a quem faltou desenvoltura e alegria. Havia a noção generalizada de que este talvez fosse o último jogo do Sporting sob o comando de Rúben Amorim após quase quatro anos e oito meses. Espécie de despedida antecipada, com o pano prestes a cair. Pairava ali uma aura de tristeza que noutro contexto talvez deixasse alguém perplexo. Mas todos percebemos o motivo: um ciclo muito feliz está prestes a chegar ao fim.
O jogo de ontem em Alvalade foi tranquilo e triste como uma tarde de outono. A tristeza todos sabemos porquê, mas falo disso noutro post.
O Nacional estacionou o autocarro, com o guarda-redes a queimar tempo de todas as formas possíveis. O Sporting foi rodando a bola e tentando entrar pelas portas e janelas, no caso em tabelinhas pelo centro e em incursões pelas duas alas. As oportunidades de remate foram-se sucedendo mas sempre existia um adversário na trajectória da bola.
Além disso, Fresneda e Maxi na esquerda estiveram bem longe do rendimento de Catamo e Edwards na direita, e na frente não era o dia de Harder. O 0-0 ao intervalo castigava a falta de entrosamento desta linha avançada, com Fresneda claramente fora do seu lugar, e um golo fortuito do Nacional como aquele que iria acontecer mais à frente tornaria tudo complicado.
Com as entradas dos titulares Gyökeres, Debast e Trincão tudo mudou, Maxi foi para o seu lugar, e a linha avançada Catamo/Quenda-Trincão-Gyokeres-Harder-Maxi foi castigando o Nacional. O resultado final de 3-1 foi escasso para o domínio do jogo e as oportunidades criadas.
Assim todos os objectivos foram cumpridos, o Sporting está na final four da Taça da Liga, ninguém se aleijou, alguns menos utilizados e/ou vindos de lesão tiveram minutos, a exibição foi agradável e aplaudida por mais de 30 mil adeptos, incluindo muitos das claques que oficialmente quiseram estar ausentes, mais uma vez deixaram o seu clube para segundo plano em detrimento dos seus objectivos "políticos".
Melhor em campo? Gyökeres, pelo grande golo de livre directo.
Arbitragem? Fraquinha, fraquinha, fraquinha, ninguem percebeu o critério dele. Ainda não revi o jogo na TV, não tenho opinião sobre os lances de possível penálti que ocorreram longe do meu lugar, mas aquele abraço ao Trincão na área se não é falta não sei o que é. Se calhar dava um bom árbitro de andebol, mas para futebol...
E agora? Estrela da Amadora, sexta-feira em Alvalade. Para ganhar, obviamente, e seguir na liderança da Liga.
«Quanto ao peso negativo da Taça da Liga, no calendário, é incompreensivel que a 3.ª jornada da fase de grupos - a 3 Dezembro - tenha sido jogada num fim-de-semana, empurrando o calendario dificil das equipas que conseguem os pontos nas competições europeias. Se à Liga não interessa a carga de jogos para os jogadores pós-término da Taça da Liga, pelo menos considerem as desvantagens que isso traz para os jogos da UEFA/ranking. Honestamente não teria saudades nenhumas da Taça da Liga, pelo que bem poderia ser no Verão, mas acho muito dificil que a Liga altere tanto o modelo "campeão de Inverno".»
Miguel Gonçalves, neste texto do Vítor Hugo Vieira
Essa questão foi abordada recentemente pelo Vítor Hugo Vieira. Aproveitando a oportunidade, recordei-me que já tinha escrito sobre ela há seis anos, no rescaldo da primeira vitória do Sporting na competição, e desde então não mudei de opinião.
Já vários colegas de blogue comentaram a situação, por isso não vou entrar em detalhe na questão dos protestos dos polícias, mas, em resumo, que se querem ganhar as simpatias do público não é a faltar em jogos e a ameaçar que poderão faltar às eleições que as vão ganhar.
Para além da irresponsabilidade policial ao faltar ao Famalicão-Sporting, único jogo da 1.ª Liga adiado (o Sporting tem sempre um grande azar nestas coisas), temos ainda de abordar a incompetência da Liga Portugal para fazer o calendário competitivo, algo para que já tenho alertado noutros anos.
Dividindo as competições por meses, para o Sporting esta época temos:
- 3 jogos em Agosto, todos da 1.ª Liga
- 5 em Setembro, 4 da 1.ª liga e 1 da Liga Europa. Inclui uma pausa de 15 dias para as selecções
- 5 em Outubro- 2 da Liga, 1 da Taça e 2 da Europa. Há uma pausa de 15 dias para as selecções, e o jogo de regresso é para a Taça, que nesta altura costuma ser com um adversário acessível. Ou seja, grande parte dos clubes estátrês semanas sem um jogo ao seu nível.
- 6 em Novembro- 2 da Liga, 2 da Europa, 1 da Taça da Liga e 1 da Taça de Portugal.
- 6 em Dezembro- 4 para a Liga, 1 da Europa e 1 da Taça da Liga
- 6 ou 7 em Janeiro- 4 da Liga, 1 da Taça de Portugal, 1 ou 2 para a Taça da Liga
- 7 ou 8 em Fevereiro- 4 da Liga, 1 ou 2 da Taça de Portugal (depende se passar à meia-final), 2 da Liga Europa. O mês mais curto do ano é o que tem mais jogos.
- Entre 4 a 6 em Março- 4 da Liga, 2 da Liga Europa (se passar). Inclui paragem de 15 dias para as selecções.
- Entre 4 a 7 em Abril. 4 da Liga, 2 da Liga Europa (se passar), 1 da Taça de Portugal (se passar)
- Entre 3 a 5 em Maio. 3 da Liga + Final da Liga Europa (se lá chegar) + Final da Taça (se lá chegar).
É bastante claro que há uma competição que estraga o calendário, de seu nome Taça da Liga que, além dos jogos adicionais que provoca em Dezembro e Janeiro, "empurra" ainda vários jogos das outras competições nacionais para Fevereiro e Março, altura em que os clubes Nacionais que ainda estejam nas competições europeias voltam a jogar nas mesmas, ficando dois meses a jogar de três em três dias, com excepção da pausa para as selecções.
Fica tão mau que um jogo que tenha de ser adiado, como foi o caso deste fim de semana, fica provavelmente mais de dois meses sem poder ser realizado, devido a um calendário tão cheio.
No caso do Sporting estamos a falar de um jogo adiado quando a equipa estava no seu melhor momento da época ( não sabemos como vamos estar daqui a dois meses, com possíveis lesões, castigos e abaixamentos de forma), isto para não falar do factor psicológico de deixar de ser o primeiro classificado durante dois meses, por ter sempre um jogo a menos do que o rival Benfica, que também tem bastante influência na cabeça de jogadores e adeptos.
Defendo uma de duas opções, ou que se acabe com a Taça da Liga ou que a mesma passe a ser uma competição de Verão, que pode substituir alguns jogos de pré-época, com a possibilidade de realizar a fase de grupos em terreno neutro, em zonas do país que normalmente não recebem grandes jogos de futebol.
Sp. Braga e Estoril vão ser os finalistas na Taça da Liga, para desconsolo de muitos Sportinguistas e Benfiquistas que já têm o bilhete na mão e não sabem o que lhe fazer.
E a verdade é que dos três grandes foi o Sporting que menos mereceu estar fora da decisão, não me recordo duma derrota com três bolas aos ferros e mais seis ou sete oportunidades flagrantes para marcar. Saiu a sorte grande ao clube minhoto.
Obviamente que todos os Sportinguistas ficaram desiludidos pela derrota, pelo desempenho de um ou outro, pelas substituições que nada acrescentaram, mas mais uma vez logo veio a corja do costume, alguma que se diz Sportinguista, achincalhar treinador e jogadores, falar em falta de estofo, nos resultados contra "as equipas mais difíceis", como antes do clássico contra o FC Porto vieram elencar estatísticas como se as mesmas ganhassem jogos.
A central de contra-informação dum rival continua a inovar, é a multiplicação de nicks para debitar as mesmas tretas, é a invocação de sportinguismo no nick nunca coincidente com o comentário, é a ignorância da realidade dos jogos mascarada por conhecimento de wikipédia, agora é o roubo canalha de identidade tendo como alvo os comentadores mais fiéis do blogue.
São eles os cães.
As hienas estão bem representadas na tasca do ex-candidato aos órgãos sociais do clube, numa lista com muitos admiradores do padrinho do norte, aquele da central de contra-informação acima referida.
Sobre o jogo, Hjulmand resumiu bem no Instagram tudo o que haveria por dizer. "Merecíamos mais. Estou muito orgulhoso de pertencer a esta equipa e a este clube."
Como eu tenho o maior orgulho de ser do Sporting, ter o Rúben Amorim como treinador e poder contar com este plantel e com um leão em campo como Hjulmand.
Os cães ladram, as hienas chiam e os leões passam.
O nosso Mateus Fernandes, agora emprestado ao Estoril, está de parabéns. Fez excelente exibição ontem, na meia-final da Taça da Liga, contribuindo para eliminar o Benfica. Neste sábado, vai defrontar o Braga. Estarei a torcer por ele, naturalmente.
Daí contarem com o meu apoio. Até porque a conquista desta taça valorizará muito Mateus Fernandes - que espero voltar a ver com a verde e branca novamente vestida na temporada 2024/2025. Há lugar para ele no principal plantel do Sporting, claro que sim.
P. S. - Um tal Marcos Leonardo, recém-contratado pelo Benfica e enaltecido pela imprensa colaboracionista da Luz como se fosse a última coca-cola no deserto, falhou ontem um penálti, contribuindo para a eliminação dos encarnados. Parece ser um "craque" à dimensão do Cabral dos 20 milhões.
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