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És a nossa Fé!

O Calabote do século XXI

 

Nunca é de mais lembrar um dos mais escandalosos roubos de que fomos vítimas. Aconteceu na final da Taça da Liga em 2009, quando um tal Lucílio Baptista - espécie de Inocêncio Calabote do século XXI - ofereceu de bandeja o título ao Benfica no momento em que inventou um penálti contra o Sporting e deu ordem de expulsão ao nosso lateral direito, Pedro Silva. Um penálti a pedido de um jogador encarnado, Di Maria, que logo levantou o polegar em sinal de agradecimento.

É instrutivo rever este vídeo para jamais esquecermos o obsceno nível de degradação a que chegou a descer a arbitragem em Portugal nesse tempo anterior ao VAR. Sob o irónico lema "limpinho, limpinho", imortalizado pelo neobenfiquista Jorge Jesus na sua primeira passagem pelo clube da Luz, onde nunca deixou de ser bafejado pelos apitadores de turno.

 

Neste caso concreto, lamento dizê-lo, a incompetência dolosa não foi apenas de Baptista: foi também dos jornalistas da SIC que narravam em directo esta final e que logo validaram a versão fraudulenta do herdeiro espiritual de Calabote. «Que é um facto que a bola bate na mão de Pedro Silva, é verdade: bate», apressou-se a declarar um deles. «A bola parece que bate claramente na mão esquerda do defesa do Sporting», corroborou o outro. Ambos coniventes com o atentado à verdade desportiva.

Não esqueçamos nunca. Porque estes (árbitros e jornalistas-comentadores) até já podem nem andar por aí, mas outros - pouco diferentes - tardam a sair de cena. Sempre prontos a embaciar a transparência desportiva ao serviço do emblema a que prestam vassalagem.

 

ADENDA: Alertado por um leitor, verifico que Baptista ainda anda por aí. Como vice-presidente da Secção de Classificações do Conselho de Arbitragem da FPF. Medalha por bons serviços?

Nunca mais

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Bruno Fernandes inconsolável, no momento da derrota em Alverca

 

Esta é uma época falhada, a vários níveis. 

Falhada a nível da gestão desportiva, com uma calamitosa pré-época, condicionada desde o primeiro instante pela iminente transferência de Bruno Fernandes, afinal não concretizada no mercado de Verão.

Para "manter" o então capitão leonino foram despachados três jogadores: Bas Dost, Raphinha e Thierry Correia. E logo a equipa que vencera dois troféus (Taça de Portugal e Taça da Liga) começou a jogar coxa: o goleador holandês cedeu palco a Luiz Phellype, Raphinha abriu terreno a Plata, Thierry foi rendido por um tal Rosier, entretanto posto fora de combate. No apeadeiro de Alvalade desembarcaram outros, sem a menor qualidade para o Sporting: Eduardo, Jesé, Bolasie, Fernando. O último era tão mau que nem chegou a calçar.

Afinal, no mercado de Inverno, perdemos também Bruno, o que invalidou toda a lógica anterior. Representou o nosso maior encaixe financeiro de sempre, escassas semanas antes da paralisação geral forçada pela pandemia, mas causou um rombo desportivo no futebol leonino até agora irreparável. 

 

Falhada também ao nível dos resultados, com dois instantes calamitosos: a goleada sofrida a 4 de Agosto frente ao nosso mais velho rival, na Supertaça, que custou o lugar a Marcel Keizer, e a humilhante eliminação, a 18 de Outubro, na Taça de Portugal perante o Alverca (equipa do terceiro escalão do futebol pátrio), que logo ditaria o fim de Silas em Alvalade. Ainda mais meteórica foi a passagem do fugaz Leonel Pontes pelo comando técnico da equipa, entre Keizer e Silas. Muito mais surpreendente (e dispendiosa) foi a chegada de Rúben Amorim, no início de Março.

Com tanta rotação no banco dos treinadores, confirmando o Sporting como uma espécie de cemitério desta classe profissional, valeu-nos apesar de tudo ter em campo dois talentos fora-de-série: Bruno (até ao fim de Janeiro) e Mathieu (prematuramente retirado por lesão, em 24 de Junho). Ambos foram disfarçando como puderam as gritantes lacunas no plantel.

 

Mais quatro momentos mancharam o percurso do Sporting nesta terrível temporada em que batemos o recorde das derrotas sofridas:

- 5 de Janeiro, com Silas: queda aos pés do FC Porto, ao perdermos por 1-2 no nosso próprio estádio para o campeonato, algo que há 11 épocas não sucedia com este adversário.

- 17 de Janeiro, com Silas: outro dia traumático, com a vitória imposta pelo Benfica em Alvalade, por 2-0. O SLB ultrapassou-nos em número de vitórias e golos marcados no reduto leonino.

- 21 de Janeiro, com Silas: derrota (e eliminação) frente ao Braga na meia-final da Taça da Liga, troféu de que éramos detentores desde a temporada 2017/2018.

- 27 de Fevereiro, ainda com Silas: eliminação na fase de grupos da Liga Europa, após goleada imposta em Istambul pelo modestíssimo Basaksehir. 

 

Para esquecer? Não: para lembrar. Só assim poderá ser evitada a repetição dos erros cometidos - e foram em quantidade inaceitável, insuportável.

Não queremos mais disto. Nunca mais.

Braga vence Taça da Liga com ajuda de Bruno de Carvalho e Sousa Cintra

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O Sporting de Braga acaba de se sagrar campeão de Inverno, conquistando a Taça da Liga. E não vale a pena dizer que é uma competição menor pois ainda está para nascer o título do qual nós podemos abdicar.

O onze inicial do Braga contou com João Palhinha e Ricardo Esgaio. No banco esteve Wilson Eduardo. Três jogadores que o Sporting ofereceu, de borla, ao Sporting de Braga.

Estes três jogadores hoje conquistaram um título enquanto nós estamos no sofá. Obrigado, Jorge Jesus e José Peseiro. Obrigado, Sousa Cintra e Bruno de Carvalho. Reforçaram um rival, goste-se ou não, e contribuiram directamente para esta conquista.

Uma lição para a maneira como gerimos os nossos recursos. Quanto mais talento vamos ver desperdiçado a vencer títulos por outros clubes?

Armas e viscondes assinalados: Em vez da pedrada no charco, o charco na pedreira

Sporting 1 - Sporting de Braga 2

Taça da Liga - Meia-final

21 de Janeiro de 2020

 

Luís Maximiano (2,0)

Incapaz de se esticar o suficiente para desviar o (muito bom) remate com que Ricardo Horta inaugurou o marcador, o guarda-redes leonino revelou-se exímio na ciência de desviar com a força da mente, impávido e sereno, os livres directos que os adversários iam cobrando. Face ao domínio que o Braga intensificou quando se viu a jogar contra dez, dedicou-se a demonstrar melhoras nas saídas aos cruzamentos e estagnação nas reposições de bola, por vezes destinadas a uma terra de ninguém de verde e branco vestido. Certo é que esteve quase a manter o empate que levaria a que fosse substituído, pois a melhor forma que Silas encontrou para motivar o jovem foi colocar Renan Ribeiro a fazer exercícios de aquecimento, reservando a substituição final para uma entrada destinada ao desempate por grandes penalidades que nunca viria a suceder. Uma falha colectiva da defesa do Sporting permitiu ao Braga recuperar a vantagem quase em cima dos 90 minutos e abriu caminho a um tempo de compensação que veio trazer ainda mais vergonha a uma época de pesadelo.

 

Ristovski (2,0)

A estranha táctica com que o Sporting entrou em campo entregava-lhe todo o flanco direito, sob a vigilância não necessariamente executiva do descaído Bruno Fernandes, sempre disposto a gesticular para que o amigo macedónio subisse no terreno. Claro está que tais subidas criaram buracos na linha defensiva, expondo Coates a riscos tormentosos, mas quando depois do intervalo voltou a ter alianças à direita, com a entrada de Bolasie, este encarregou-se de fazer com que fosse sol de pouca dura. Seguiu-se meia-hora de resistência contra o que veio a suceder, numa jogada em que toda a linha defensiva esteve abaixo do exigível. Mal sabia Ristovski no ano passado, à saída do Jamor aonde só voltará para enfrentar o Belenenses SAD, que mesmo com o capitão também estamos f...

 

Coates (2,5)

Amarelado desde cedo, num derrube a um adversário supersónico, o central uruguaio foi o melhor da defesa, compensando em colocação e técnica o défice de velocidade. Se o Sporting esteve perto a cumprir a tradição de vencer jogos da “final four” nas grandes penalidades em muito deve ao acerto nos cortes de quem voltou a terminar o jogo enquanto ponta de lança designado.

 

Mathieu (1,0)

Apontar o golo do empate do Sporting, numa movimentação rápida e remate eficaz que tirou partido da cobrança de um livre por Bruno Fernandes, tornou-o o mais velho marcador de sempre na “final four” da Taça da Liga e ameaçava fazer dele o herói que abriria portas à qualificação para a terceira final consecutiva. Também seria a melhor forma de fazer esquecer os diversos erros de cobertura, que infelizmente se manifestaram nos dois golos que afastaram o Sporting. Pior do que isso, apesar das desculpas públicas a Ricardo Esgaio, foi a entrada violenta que levou à sua expulsão e provavelmente o afastará não só da recepção ao Marítimo como da nova visita à Pedreira, desta vez a contar para a Liga NOS e que pode levar à perda do quarto lugar para o Sporting de Braga. Que o elemento mais experiente e titulado do plantel tenha sido capaz daquilo é o espelho do desvario pantanoso em que se tornou todo o futebol leonino. Tirando Paulinho, que ainda não entrega bolas furadas e calções esburacados...

 

Acuña (2,5)

Esteve regular, sem grandes erros e mesmo o amarelo que o afasta da recepção ao Marítimo (junta-se a Bolasie, Mathieu, Eduardo e talvez Bruno Fernandes e Vietto, o que não é o início de segunda volta mais propício à conquista dos três pontos) só ocorreu num sururu final em que até se comportou relativamente bem. Mas a verdade é que as circunstâncias, sobretudo após a expulsão de Bolasie, exigiam aquele Acuña que se transcende, valendo por dois ou adversários. E essa entidade não foi avistada em Braga.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Saiu ao intervalo para que a equipa voltasse a ter mais gente na direita do que o Chega na Assembleia da República, com as consequências que todos sabemos. No tempo em que esteve no relvado não deslumbrou, mas revelou sentir muito menos pânico devido à presença de Battaglia por perto e até se integrou de forma eficiente em algumas tentativas de construção de jogo que culminaram no empate que permitia sonhar com o único “tri” possível em tempos de Frederico Varandas.

 

Battaglia (3,0)

Em boa hora regrssado à titularidade, aparenta estar refeito da longa recuperação do azar que o persegue e esconde-se à espreita. Pressionante no melhor sentido da palavra, capaz de combinar com os colegas mais criativos, ainda ficou perto de marcar num cabeceamento que foi um dos escassos aproveitamentos das bolas cruzadas para a área.

 

Wendel (3,0)

Também ele estava cheio de vontade de virar a página após exibições muito pouco conseguidas que fazem deste Janeiro de 2020 um novo Setembro de 2019. Rápido e criterioso no transporte de bola e criação de jogadas, lutou com todas as forças mesmo quando o jogo se desequilibrou de vez, com a inferioridade numérica a juntar-se a tantas outras inferioridades que fazem desta época aquilo que é.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Quem inventou a expressão “não há uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão” não poderia imaginar a quantidade de oportunidades que Bruno Fernandes tem tido para deixar uma boa última impressão. Desta vez até juntou mais uma assistência ao pecúlio, servindo Mathieu para o golo do empate, e não ficou longe de aplicar o remate de longa distância, mas todo o esforço para virar o resultado foi traído pela imbecilidade de Bolasie e pelas insuficiências de Silas. A imagem final do capitão do Sporting a gesticular para um agente da PSP enquanto decorria a batalha campal no tempo de compensação animou a Internet e serve de espelho ao descalabro reinante no clube e cada vez menos circunscrito ao futebol jogado. Um dia depois, um cavalheiro que não é agente de Bruno Fernandes nem presidente da SAD prestou declarações sobre o “timing” da saída do capitão do Sporting. Sendo tal fenómeno tão aberrante quanto a demonstração de como o complexo agencial-mediático destruiu um Sporting que está agora mais interessado em infinitas purgas internas, sobressai a espantosa coincidência de esse porta-voz do futuro de Bruno Fernandes ser a pessoa que mais lucrou, em poder e em euros, com o Alcácer-quibir que conduziu à presente situação directiva e que serve de escudo às suas gritantes e catastróficas incapacidades.

 

Rafael Camacho (2,0)

Tinha a missão de ser um “joker” no corredor esquerdo e quase cumpriu num lance que culminou com um remate perigoso. Mexido e cheio de vontade de justificar os milhões de euros empregues no seu regresso a Alvalade, viu-se condenado à irrelevância quando, após a expulsão de Bolasie, lhe foi entregue a missão de fingir ser a referência de ataque. Incapaz de ganhar duelos aéreos e de suplantar os centrais arsenalistas, quase todas as bolas despejadas para as suas imediações terminaram em “turnovers” para o adversário e imediata construção de novo ataque.

 

Luiz Phellype (1,0)

A forma como se arrasta em campo é potenciada pelos esquemas tácticos de Silas e pela descrença que reina entre os colegas, mas o brasileiro tende a ser sempre o primeiro a deixar cair a toalha. Será que Bruno Fernandes estaria a fazer participação ao agente da PSP do desaparecimento do avançado competente e sua substituição por um gémeo incapaz de fazer aquilo que se pede a esse tipo de futebolista?

 

Bolasie (0,0)

Um quarto de hora de jogo bastou para cometer a imprudência que deixou a equipa a jogar com menos um. E ainda que a entrada assassina sobre o adversário possa ter sido causada por uma escorregadela, nem isso perdoa a falta de inteligência do franco-congolês que se propunha revitalizar a direita  de uma entidade que anda pelas ruas da amargura sem que o seu presidente siga o exemplo de Assunção Cristas quando conduziu o CDS-PP a igual destino.

 

Neto (2,0)

Os minutos que passou em campo, num esquema de três centrais que visava levar o jogo até ao desempate por grandes penalidades não foram perfeitos, mas tiveram o condão de sossegar os sportinguistas: a expulsão de Mathieu não implica necessariamente a titularidade de Ilori.

 

Silas (1,0)

Além de ter entrado no jogo com a sua equipa inspirada no decepado da Batalha de Toro, abdicando do braço direito, demorou eternidades para corrigir posicionamentos e rechaçar o domínio do Sporting de Braga, animado pelo golo madrugador. Quando finalmente deu indicações aos jogadores nesse sentido até viu a equipa empatar, deixando tudo em aberto para uma segunda parte em que apostou (bem) na entrada de Bolasie. Ora, se o infeliz treinador do Sporting não tem culpa da burrice do jogador que se fez expulsar, a aposta em Rafael Camacho como avançado desterrado não só foi um erro de “casting” como contribuiu para emperrar o contra-ataque, ficando desprovido de um jogador rápido como o jovem extremo, como empurrou a equipa adversária para a grande área até que o destino se cumpriu. E ainda por cima numa altura em que se tornara evidente que poupara a terceira substituição para a entrada de Renan Ribeiro a tempo do desempate por pénaltis. Ignora-se em que manual de motivação leu tal estratégia, mas a verdade é que Luís Maximiano sofreu o 2-1. E embora a falta de competência do actual treinador do Sporting possa parecer uma nota de rodapé face ao nível do Conselho Directivo, do departamento de futebol profissional e do próprio plantel, a triste verdade é que Silas ainda não está preparado para a missão que lhes entregaram e que ele aceitou.

Um drama em três actos

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Acto 1: Supertaça, 4 de Agosto

«Saímos do estádio do Algarve goleados por 0-5 - resultado inédito, para nós, num clássico disputado em campo neutro e 33 anos após o último desfecho por esta marca, numa partida desenrolada na Luz. Como equipa pequena, temerosa, inofensiva, irrelevante, adoptando um esquema táctico que não fora testado e um índice de aproveitamento ofensivo miserável, em comparação com o SLB. Num jogo em que podíamos ter sofrido mais dois ou três. Coroando uma desastrosa pré-temporada - a pior de que me lembro desde sempre, sem uma vitória sequer para amostra em seis jogos, com sucessivos (e inaceitáveis) colapsos defensivos e uma chocante apatia da equipa técnica, incapaz de reagir ao infortúnio.»

 

Acto 2: Taça de Portugal, 18 de Outubro

«Ainda em Outubro, já o Sporting está fora de todos os objectivos relevantes na temporada futebolística: goleados na Supertaça, excluídos sem remissão da liderança do campeonato, agora fomos eliminados da Taça de Portugal pelo Alverca, que actua no terceiro escalão do futebol luso. É uma noite de pesadelo para o desvanecido emblema leonino: a queda acaba de ocorrer no nosso jogo de estreia nesta competição. Se analisarmos com rigor, devemos concluir: entrámos em campo derrotados. Para ser mais preciso: esta época começou logo sob o signo da derrota - fruto da improvisação, do amadorismo e da incompetência da SAD leonina. Que planeou mal, contratou pior, despediu quem não devia, apostou em quem jamais devia ter apostado.»

 

Acto 3: Taça da Liga, 21 de Janeiro

«Tudo muito mau. O adeus do Sporting à Taça da Liga, nesta meia-final em Braga, após dois anos de conquista do troféu. A meio da época, todos os objectivos internos redundaram em fracasso. (...) Esta equipa cheia de fragilidades e desequilibrios. Mal construída, mal apetrechada, mal orientada, desmotivada e triste, no segundo pior Inverno de que há memória em Alvalade.»

Pódio: Acuña, Max, Bruno, Coates

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Braga-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Acuña: 15

Luís Maximiano: 15

Bruno Fernandes: 14

Coates: 14

Wendel: 13

Battaglia: 12

Camacho: 12

Ristovski: 12

Neto: 11

Mathieu: 10

Idrissa Doumbia: 10

Luiz Phellype: 9

Bolasie: 6

 

A Bola  elegeu   Acuña  como melhor sportinguista em campo. O Record  optou por  Wendel. O Jogo escolheu Coates.

Tudo muito mau

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A entrada do Sporting em campo contra o Braga, ontem à noite, na Taça da Liga - em casa da equipa adversária e só perante 10 mil pessoas. Concedendo total domínio territorial ao adversário.

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Os 20 minutos que Silas demorou a rectificar os erros posicionais da equipa, com sucessivos passes falhados, quando o Braga dominava por completo o encontro, impedindo a saída do Sporting. Numa dessas perdas de bola, por Battaglia logo aos 8', nasceu o golo inicial da equipa anfitriã.

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O reconhecimento tardio de que o sistema de duplo pivô da primeira parte não funcionava, como se comprovou quando o técnico trocou Idrissa Doumbia por Bolasie logo após o intervalo.

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A inoperância dos homens da frente - ao ponto de ter sido Mathieu a marcar o golo leonino, aos 44', desmarcando-se com rapidez, a solicitação de Bruno Fernandes, numa bola parada. Luiz Phellype, que esteve 69 minutos em campo, voltou a ser uma nulidade.

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A tremideira no nosso processo defensivo, exemplificada no lance que conduziu à merecida expulsão de Bolasie, aos 61'.

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A defesa com linha de cinco a partir daí, com toda a equipa remetida ao seu meio-campo durante a meia hora final, na esperança de defender o empate (1-1), cedendo toda a iniciativa ao Braga. E sem chegarmos uma só vez nesse período à baliza adversária.

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A permanente atitude de equipa pequena, como se a turma minhota metesse medo a alguém. Mesmo com um jogador a menos, não havia justificação para isso: quem abdica por completo do ataque arrisca-se ainda mais a sofrer golo. Como se viu.

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O tempo de salto errado de Mathieu no golo da vitória do Braga, aos 90', permitindo que Paulinho a metesse lá dentro.

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A nossa equipa de cabeça perdida nos minutos finais, com expulsões de Mathieu e de Eduardo (que estava no banco).

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O péssimo ensaio geral de ontem contra o Braga para o campeonato: esse jogo vai disputar-se a 2 de Fevereiro.

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O adeus do Sporting à Taça da Liga, nesta meia-final em Braga, após dois anos de conquista do troféu. A meio da época, todos os objectivos internos redundaram em fracasso.

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Esta equipa cheia de fragilidades e desequilibrios. Mal construída, mal apetrechada, mal orientada, desmotivada e triste, no segundo pior Inverno de que há memória em Alvalade.

Ponto final parágrafo.

Jantei fora, grande amigo estrangeiro chegado de um outro longínquo estrangeiro, que fica cá em casa. Fomos jantar fora. Regressado a casa sei da derrota. Abro as notícias, entre blog e jornais. O Aqui d'El-Rei do costume, que o o vermelho etc. e tal (etc. et al). Foda-se, isto é um vermelho directo, sem tirar nem por. Ponto final parágrafo. Os atrasados mentais que resmunguem.

Amanhã à noite em Braga

Amanhã à noite, na casa do adversário, a equipa do Sporting entra em campo para ganhar o acesso à final da Taça da Liga, uma das duas Taças ganhas no último ano.

Silas já tornou pública a seguinte lista de  convocados:


Guarda-redes: Renan Ribeiro, Luís Maximiano e Diogo Sousa;
Defesas: Tiago Ilori, Sebastián Coates, Marcos Acuña, Stefan Ristovski, Luís Neto, Jérémy Mathieu e Cristian Borja;
Médios: Eduardo Henrique, Bruno Fernandes, Rodrigo Battaglia, Marcus Wendel e Idrissa Doumbia;
Avançados: Rafael Camacho, Gonzalo Plata, Luiz Phellype, Pedro Mendes e Yannick Bolasie.

 

Assim, enquanto esperamos pela noite de amanhã, gostaria de vos perguntar o seguinte:

Silas à parte, e com os jogadores convocados, qual seria o vosso onze e qual a disposição do mesmo em campo?

SL

Um fim de ano cheio de preços certos

Um dia destes tivemos na televisão que todos pagamos uma amostra clara do que se usa chamar benfiquistão. Um apresentador de televisão, sportinguista, sem dúvida conhecedor das vigarices perpretadas por um dos seus convidados, presidente do clube rival, ter-se-á visto obrigado a convidar tal personagem para abrilhantar o seu programa. Não quero crer que Fernando Mendes se tenha vendido por um prato de lentilhas. Sabendo bem como funciona o futebol em Portugal, não gostei de ver um conhecido sportinguista fazer a apologia do rei do benfiquistão.

O benfiquistão, e tudo o que à volta dele circula, teve mais um episódio caricato revelador do estado das coisas no mundo da bola: Bolasie, que foi expulso em Portimão de forma caricata e injusta, foi hoje castigado com um jogo de suspensão por ter sido partenaire numa rábula de teatro de revista de duvidosa qualidade levada a cabo no estádio do Portimonense Futebol Clube.

Toda a gente viu as imagens, elas são claras sobre a inocência de Bolasie neste lance que lhe valeu um segundo amarelo e o consequente vermelho. Num país onde o futebol deveria querer ser parte da modernidade e da evolução, castiga-se um jogador com base no relatório do árbitro, que toda a gente viu, inclusive quem impôs o castigo, que errou de forma grosseira. Não virá ao caso, mas este incompetente faz parte daquela fornada que o concursante do Preço Certo lá de cima pagou ao INATEL para formar. Ou terá alguma coisa a ver?

Exige-se que o Sporting peça a despenalização do jogador. É o mínimo, apresentando as imagens de que a FPF dispõe, não precisa de outras. É ridículo? É! É o futebol português no seu melhor.

Armas e viscondes assinalados: Foram realistas e exigiram de si próprios o impossível

Portimonense 2 - Sporting 4

Taça da Liga - Fase de Grupos 3.ª Jornada

21 de Dezembro de 2019

 

Luís Maximiano (3,5)

Ainda mal o jogo começara e já tinha desviado para canto um remate perigoso de Jackson Martínez, voltando a distinguir-se com uma defesa de recurso que, infelizmente, inspirou Rafael Camacho a cometer grande penalidade. Adivinhou o lado para onde o avançado colombiano iria marcar, mas nada pôde fazer, tal como no autogolo de Mathieu, não obstante a tentativa de golpear os seus rins. Tudo parecia apontado para mais uma das recorrentes humilhações que polvilham a temporada do Sporting, mas o jovem guarda-redes entendeu que não seria esse o dia. Uma excelente defesa no início da segunda parte, quando o 3-1 parecia inevitável, deu impulso para a improvável recuperação que abriu portas à terceira “final four” da Taça da Liga. Segurança e maturidade são os nomes do meio de quem promete tornar-se uma lenda.

Ristovski (3,0)

Chegou atrasado no lance do 2-0, claro está, mas nem por isso deixou de mostrar que é muito superior ao outro lateral-direito do plantel. Ainda que aquilo que sucedeu após ter saído do relvado, sacrificado para a aposta total no ataque, mostre que poderá encontrar forte concorrência de onde já não se adivinhava.

Coates (3,5)

Foi como se fosse um Maradona tão desengonçado como bafejado pelos deuses do futebol que irrompeu pelo meio-campo do Portimonense, ainda com o resultado em 2-1, ludibriou vários adversários e serviu Vietto, capaz de falhar o que era mais fácil. O compromisso do subcapitão não rendeu golo nesse momento, ainda que se possa tecnicamente atribuir-lhe uma assistência diferida pela forma como descobriu Rafael Camacho na direita no lance que selou o empate. Também teve erros e perdas de bola escusadas, mas voltou a encher o relvado com a sua exibição.

Mathieu (3,0)

Desta vez coube-lhe preencher a quota de autogolos que fazem parte das habituais desgraças que recaem sobre o Sporting, o que bastaria para fazer cair um francês mais dado a rendições. Em vez disso, sendo Mathieu quem é, dedicou-se a fazer cortes que valem pontos, um dos quais ainda roubou literalmente o golo da cabeça de um adversário.

Acuña (3,0)

A primeira, a segunda e a terceira regra do seu clube coincidem: ninguém lhe tira a bola dos pés. Utilizou esse poder de forma mais decisiva a defender do que a atacar, mas também contribuiu na ala esquerda para fazer com que a inferioridade numérica se reduzisse a um detalhe estatístico ao longo da segunda parte.

Idrissa Doumbia (3,0)

É possível que a presença de Battaglia no banco de suplentes sirva de incentivo para melhorar a sua presença no relvado. Desta vez revelou-se mais interventivo do que é habitual na construção de jogadas, acabando por ser alvo de faltas duras ao driblar adversários. Sacrificado na hora do tudo por tudo, voltou a deixar boa imagem.

Wendel (3,0)

Tão discreto quanto influente, o jovem brasileiro continua a dar mostras de grande amadurecimento táctico. Excelente posicionamento, qualidade na circulação de bola e muito esforço ajudaram a levar a equipa para a frente até receber merecido descanso para a entrada de Battaglia.

Bruno Fernandes (4,0)

Começou por deixar Bolasie na cara do golo, sem que o franco-congolês lograsse ludibriar o guarda-redes do Portimonense, mas quando o resultado já ia em 2-0 e o Sporting parecia dispensado do compromisso em Braga no final de Janeiro, traçou o 2-1 executado por Vietto como se tivesse um compasso na chuteira. E como se fosse fácil seria para outros liderou a resistência leonina no segundo tempo, correndo mais do que permitia a força humana, somando uma nova assistência, daquelas que só ele poderia fazer tão bem e depressa, para a reviravolta no resultado. O abraço que deu e recebeu a Gonzalo Plata, a quem corrigira movimentos minutos antes, como um líder e como um mestre, ilustra a insubstituível importância que tem na equipa. Pena é que o rumo ao “tri” ocorra na menos festejada de todas as competições.

Rafael Camacho (3,5)

Tendo em conta que começou por fazer o tipo de pénalti que seria assinalado mesmo que vestisse de papoila saltitante no Estádio da Luz, arrastando a equipa para o desastre iminente, dificilmente poderia ter corrido melhor o jogo ao resgatado ao Liverpool. Mas é curioso que o melhor de Rafael Camacho tenha ocorrido quando passou a lateral-direito com jurisdição alargada à ala inteira, justamente aquela posição em que Klopp, que mais ou menos à mesma hora disputava o Mundial de Clubes contra o Flamengo de Jorge Jesus, tanto o quis experimentar. Certo é que o lance do 2-2, com movimentos momentaneamente perpétuos dentro da grande área do Portimonense a antecederem o remate em arco, foi a demonstração mais perfeita do que deve sair dos pés de um camisola 7 que o Sporting viu em muitos e muitos anos.

Vietto (3,5)

Depois da elevação que conseguiu para cabecear o cruzamento de Bruno Fernandes seria de esperar que conseguisse bisar após ver-se servido por Coates em posição frontal para a baliza. Assim não foi, prolongando o sufoco de uma equipa que se dava ao luxo de desperdiçar golos feitos estando a correr atrás do prejuízo e com menos um em campo. Certo é que o argentino se redimiu da falta de pontaria nessa (a bem dizer, não só nessa) ocasião e ainda fez a assistência para o 2-4 que confirmou o bilhete dourado para Braga, carimbado com a vitória do Gil Vicente sobre o Rio Ave.

Bolasie (2,5)

Vítima da expulsão mais ridícula de um futebolista do Sporting desde que Ristovski viu o vermelho directo por ter sido agredido, há que valorizar a contenção demonstrada pelo franco-congolês perante a sabujice do árbitro João “I Want to Believe” e a vergonhosa pantominice do “agredido” do Portimonense. Escolhido para ponta de lança móvel devido aos problemas gástricos de Luiz Phellype e ao nascimento de mais um filho de Jesé Rodríguez – capaz de competir com o ex-colega de equipa Cristiano Ronaldo no que toca à prole –, Bolasie estava preparado para lutar até ao limite das suas limitadas capacidades, ainda que tenha permitido a defesa ao ver-se isolado frente ao guarda-redes. Talvez pudesse redimir-se do falhanço não fosse a tal expulsão que o motivou a descarregar no Twitter.

Luiz Phellype (3,5)

Poupado para os últimos vinte minutos de jogo devido aos efeitos de uma gastroenterite, o brasileiro ainda lançou o contra-ataque que permitiu a reviravolta e fez um grande golo, tranquilizando a equipa em tudo o que estava ao seu alcance. Desferiu um remate na passada, sem dar hipóteses ao guarda-redes, quase como se fosse o goleador de nível mundial que nada permite garantir que virá a ser.

Gonzalo Plata (3,5)

O jovem extremo equatoriano entrou sem instruções para ficar colado à linha, tornando-se um apoio para o ponta de lança. Nem sequer acertou à primeira, o que motivou uma palestra instantânea do treinador-em-campo, mas no lance do 2-3 não só contribuiu para que o Portimonense perdesse a posse de bola (numa acção quase decerto faltosa, há que reconhecer...) como finalizou de forma simples e perfeita o contra-ataque. Começava a parecer esquecido no plantel, mas terá feito com que se lembrem dele.

Battaglia (2,5)

Entrou para recompor o meio-campo defensivo e cumpriu com a missão. É bom vê-lo a reconquistar o seu espaço na equipa.

Silas (4,0)

Capaz do bom e do muito mau, o treinador leonino não menosprezou as escassas hipóteses de qualificação. Tudo jogava a favor da vitória do Rio Ave no grupo, mas a incapacidade dos vilacondenses e a desgraça que o azar, o destino e o Pinheiro iam fazendo no Algarve encaminhavam o Portimonense para a “final four”. Aquilo que mudou na segunda parte, com os jogadores a serem realistas ao ponto de exigirem o impossível, teve muito de raça da rapaziada de leão ao peito mas também houve dedo do treinador. Ultrapassado o primeiro embate da equipa que tinha vantagem no marcador e na contagem de cabeças, Silas começou a alterar as circunstâncias com substituições arriscadas e apropriadas a quem nada tinha a perder. Espera-se que retenha a boa experiência de Rafael Camacho a lateral e de Gonzalo Plata como segundo avançado. E que goze bem as férias de Natal, ciente de que Janeiro é o tipo de pesadelo em potência que só muito trabalho e engenho poderão transformar na matéria de que os sonhos são feitos.

Pódio: Camacho, Luís Maximiano, Plata

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Portimonense-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Camacho: 19

Luís Maximiano: 19

Plata: 18

Luiz Phellype: 17

Bruno Fernandes: 17

Vietto: 16

Coates: 15

Battaglia: 14

Wendel: 14

Idrissa Doumbia: 12

Mathieu: 12

Acuña: 11

Bolasie: 10

Ristovski: 10

 

A Bola  elegeu   Max  como melhor jogador em campo. O Record  optou por  Bruno Fernandes. O Jogo escolheu Rafael Camacho.

O que o árbitro não viu

O incompetente Pinheiro de Natal ontem plantado no estádio de Portimão "viu" uma bofetada que Bolasie não deu a um tal Willyan, expulsando o nosso jogador e forçando o Sporting a disputar toda a segunda parte só com dez.

O mesmo apitador não viu outras bofetadas, essas sim bem reais, aplicadas na segunda parte por jogadores da equipa da casa a Coates e Bruno Fernandes - esta com a agravante de ter ocorrido dentro da grande área do Portimonense.

Recordo que este senhor foi o mesmo que marcou três penáltis contra o Sporting no mesmo jogo, quando seguíamos em primeiro no campeonato.

Árbitros deste calibre são letais ao futebol português. Merecem ir para a jarra a título definitivo.

Há (outra vez) dias assim...

Em que tudo corre bem, e mesmo quando algum percalço acontece, conseguimos dar a volta por cima.

Se já fomos para Portimão com poucas hipóteses de seguirmos em frente na Taça da Liga, menos ainda ficámos quando entrámos em campo sem ponta de lança, com o único que temos debilitado no banco, e ainda menos quando no final duma primeira parte onde o adversário foi superior e onde voltámos aos erros primários na saída a jogar, o árbitro nos reduziu por incompetência ou maldade a 10. 

Mas depois tivemos uma segunda parte (tirando o lance inicial que ia sentenciando o jogo) de garra, sofrimento e muito talento, verdadeiramente "à Sporting", e chegámos ao fim com uma vitória justissima selada por belos golos, de quatro dos reforços contratados já este ano.

Como o Gil Vicente nos fez o favor de ganhar em Vila de Conde, assim chegámos à fase final da Taça da Liga, com Porto, Braga e Guimarães, Benfica de fora. Estamos assim na luta para reeditar a conquista do ano passado.

E assim chegámos ao final do ano no terceiro lugar da Liga, com lugar assegurado na Final Four da Taça da Liga e na fase de eliminatórias da Liga Europa onde iremos defrontar uma equipa acessível, o Istambul BB. Enfim, é o tal copo meio cheio, que alguns persistem em ver vazio.

Diz o Record que o nosso presidente, revoltado com a expulsão, desceu da tribuna ao intervalo para confrontar o árbitro e intervir no balneário. Se foi assim, pois fez muito bem e já devia ter feito isso há mais tempo. A equipa tem que ter quem, com educação e competência, a defenda e se quem o devia fazer não faz porque não quer ou não sabe, então só lhe resta a ele fazer o trabalho.

Que Silas aproveite esta pausa para fazer um balanço do que tem sido o seu trabalho, que perceba duma vez por todas a importância de ter um onze estabilizado e rotinas de jogo consolidadas de forma a podermos enfrentar com sucesso os grandes desafios que se avizinham.

SL 

Quente & frio

Gostei muito  da grande vitória alcançada hoje pelo Sporting em Portimão, numa alucinante segunda parte em que virámos o resultado desfavorável registado ao intervalo (1-2, após termos estado a perder 0-2) para uma quase goleada: 4-2. E a jogarmos com menos um devido à injustíssima expulsão de Bolasie aos 45' por falta inexistente. Os nossos golos foram marcados por Rafael Camacho (77'), Plata (83') e Luiz Phellype (90'+5). O de Camacho, que se estreia a marcar de verde e branco, é uma obra de arte: o jogador, vindo da ala direita para o centro, sentou três defesas adversários numa sucessão de dribles e rematou cruzado, em arco, com o pé esquerdo para um ângulo de impossível defesa. O primeiro tinha sido marcado por Vietto aos 37'. Curiosidade: quatro goleadores que chegaram já este ano ao Sporting. E já somamos oito golos nestes últimos dois jogos.

 

Gostei  que todas as expectativas tivessem sido contrariadas: o Sporting qualificou-se para as meias-finais da Taça da Liga e  vai defender um título que venceu nas duas últimas épocas, beneficiando para o efeito da derrota caseira do Rio Ave frente ao Gil Vicente em jogo disputado à mesma hora. Também gostei do modo como Silas conseguiu reorganizar a equipa e motivar os jogadores, incutindo-lhes ânimo com as substituições operadas, ao trocar um lateral (Ristovski) por um avançado posicional (Luiz Phellype), aos 67', e um médio defensivo (Idrissa) por um ala ofensivo (Plata), aos 74', mesmo a jogar em inferioridade numérica. Ousadia coroada de êxito: três minutos depois da segunda substituição, o Sporting empatava; e nove minutos depois o jovem equatoriano, que não actuava há três meses na equipa principal, estreou-se a marcar, apontando o golo que ditou a vitória. E ainda viria assistir Luiz Phellype para fechar a contagem. Um golo e uma assistência em apenas vinte minutos: Gonzalo Plata merece ser considerado o jogador da noite.

 

Gostei pouco  de ver o Sporting entrar sem ponta-de-lança no onze inicial, por aparente indisposição momentânea de Luiz Phellype, que só pisou o relvado já decorrida mais de uma hora de jogo. Ficou novamente bem claro como o plantel leonino é curto para as nossas exigências competitivas. Lacuna a corrigir com urgência no mercado de Janeiro, esperando-se que também não voltem a esquecer-se de inscrever Pedro Mendes nas competições de âmbito nacional.

 

Não gostei  que o senhor João Pinheiro tivesse punido Bolasie por uma falta que o avançado leonino não cometeu: com gritante incompetência, o apitador levou a sério a medíocre farsa antidesportiva desempenhada no relvado pelo jogador Willyan, do Portimonense. Este péssimo profissional é que merecia ser severamente sancionado. Emtretanto, o presidente da Liga de Clubes deve a todos os adeptos portugueses uma explicação detalhada sobre a ausência de vídeo-arbitragem nesta fase de grupos da Taça da Liga. Se houvesse VAR, o erro grosseiro cometido pelo árbitro em Portimão teria sido prontamente rectificado com o recurso aos monitores instalados na Cidade do Futebol.

 

Não gostei nada  que os imbecis do costume tivessem desenrolado nas bancadas do estádio algarvio uma enorme faixa onde se lia "Varandas rua". Iam decorridos apenas 34 minutos, a nossa equipa perdia então por 0-2 (com um penálti convertido por Jackson Martínez aos 16' e um infeliz autogolo de Mathieu aos 31'). Em vez de apoiarem os jogadores, incentivando-os a virar o resultado, estes energúmenos voltaram a colocar o ódio vesgo ao presidente acima de tudo o resto - algo ainda mais inaceitável quando ocorre em casa alheia, transmitindo assim ânimo adicional às equipas adversárias. Comportamento miserável desta turba letal ao Sporting.

Armas e viscondes assinalados: “Fast-forward” para o minuto 88

Gil Vicente 0 - Sporting 2

Taça da Liga - 2.ª Jornada da Fase de Grupos

4 de Dezembro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Acabou por ter uma noite de relativo sossego, apesar do lamentável e já expectável ascendente que os suplentes da equipa da casa chegaram a ter na primeira parte, e até foi o guarda-redes brasileiro a encarregar-se de arranjar calafrios, cabeceando à entrada da área uma bola directamente para os pés de um avançado do Gil Vicente que teve a infelicidade de sair do Seixal antes do complexo futebolístico-mediático encarregue de produzir “golden boys” estar devidamente oleado. Certo é que chegou ao apito final sem ir buscar a bola ao fundo das redes, o que por estes dias passa por ser um homem que mordeu o cão.

Ristovski (3,0)

É combativo, aparenta sentir o peso da camisola bem mais do que a média do plantel e não tem culpa de não haver um lateral-direito melhor do que ele, transformando-o naquilo que é: um profissional digno, com talento quanto baste, que dá o melhor que tem - e até aparenta ter abandonado a maré de azar e descontrolo que lhe valeu tantas expulsões na época passada.

Coates (3,5)

O xerife uruguaio voltou à equipa e impôs a sua lei aos galos de Barcelos, anulando sucessivas tentativas de ataque pelo ar e ainda mais pela relva, demonstrando um “timing” perfeito nos muitos cortes que se encarregou de fazer. Ter um dos poucos jogadores de elevado nível que restam no plantel em campo é sempre uma garantia.

Neto (3,5)

Espera-se que tenha retirado de vez qualquer dúvida quanto à ordem hierárquica dos centrais leoninos. Em vez da calamidade protagonizada por Tiago Ilori no domingo, Neto distinguiu-se pela voz de comando, por alguns cortes incisivos e bem arriscados e até pela forma como suplicou em vão a Rui Costa que não expulsasse Acuña.

Acuña (2,0)

Ultrapassado em velocidade por Romário Baldé, e provocado de modo sistemático pelos jogadores do Gil Vicente ao longo do jogo, o argentino depressa se viu à cunha do segundo amarelo. Descontrolado como há muito não se via, conseguiu manter-se no relvado bem mais do que seria expectável, sendo já em tempo de descontos que selou o destino – que o excluirá da recepção ao Moreirense no domingo – ao berrar com o quarto árbitro após ser esbofeteado por um adversário. No outro prato da balança está a garra de um dos raros elementos do plantel que nenhum Vítor Oliveira consegue rebaixar.

Idrissa Doumbia (2,5)

Aguentou melhor os suplentes do Gil Vicente do que tinha controlado os titulares no jogo anterior, o que também não quer dizer muito. Mas o certo é que desta vez não houve golos contrários a registar.

Miguel Luís (2,5)

Talvez tenha regressado à equipa titular por motivos estritamente regulamentares, pois não abundam formados na Academia de Alcochete que não tenham rescindido contrato ou entrado no carrossel dos empréstimos com cláusula de compra manhosa, mas não demorou a fazer-se notar. Pena é que tenha sido por um lance a que só um laureado com o Nobel da Paz pode chamar remate e por levar uma reprimenda do capitão de equipa. Melhorou ao longo do jogo, destacando-se um bom cruzamento para a cabeça de Luiz Phellype, o que não impediu que fosse o candidato óbvio à saída logo que Silas percebeu o impasse que por ali ocorria.

Wendel (3,0)

Tem mais talento do que tende a demonstrar, ainda que provavelmente menos do que considera ter, o que voltou a ser demonstrado neste segundo jogo da fase de grupos da Taça da Liga. Ganha pontos pela dinâmica que procurou dar ao anémico fio de jogo da equipa e por uma desmarcação genial que Bruno Fernandes encontrou forma de desperdiçar à boca da baliza.

Bruno Fernandes (4,0)

Falhou dois grandes golos, um dos quais numa tentativa de surpreender o guarda-redes do Gil Vicente ainda aquém da linha de meio-campo e o outro num excesso de confiança que o levou a tentar um toque acrobático quando bastava empurrar a bola para a linha de golo mesmo em frente. Pelo meio ainda fez a bola balançar as redes, só que em posição irregular, e serviu Luiz Phellype para um daqueles “expected goals” de que o inferno sportinguista está cheio. Pouco importa: façamos “fast forward” para o minuto 88, quando foi carregado por um adversário junto à grande área, encarregando-se de desfazer com um livre directo impecável o empate que retirava ao Sporting qualquer hipótese (ainda que remota) de defender os dois títulos consecutivos de “campeão de Inverno” na fase final da Taça da Liga. Não satisfeito, numa altura em que a equipa tinha menos um em campo, serviu Vietto para o argentino fazer o resultado final. Não tem o número 31 na camisola, mas tal como no célebre fado como ele não há nenhum.

Bolasie (3,0)

Chegou a ser o melhor da equipa na primeira parte, devendo-se-lhe um excelente remate que poderia ter desbloqueado o marcador, e lutou com todas as forças que tinha contra a desgraça que mais uma vez se anunciava. Ninguém lhe pode questionar o empenho, mesmo sem se traduzir necessariamente em resultados práticos.

Luiz Phellype (2,0)

Atravessa uma má fase e mesmo quando cabeceou como mandam as regras a bola cruzada por Miguel Luís não impediu a boa defesa do guardião do Gil Vicente. Pior foi a sua tentativa de inaugurar o marcador com um toque de calcanhar que lhe saiu truncado, num símbolo cruel das limitações técnicas que já deu provas de conseguir ultrapassar com força de vontade e capacidade de trabalho.

Rafael Camacho (2,5)

Continua a ser o talismã de Silas, sendo apenas triste que raras vezes traga sorte. Desta vez teve mais minutos, aproveitando-os melhor do que é hábito, tanto nas alas como no miolo.

Jesé Rodríguez (3,0)

Entrou para o lugar do infeliz Luiz Phellype, numa lógica “és avançado-centro e não sabias” que lembra um cartaz do Iniciativa Liberal, e não se lhe pode negar impacto no resultado final. No lance de contra-ataque que culminou no livre directo cobrado por Bruno Fernandes foi ceifado por um adversário (que recebeu um amarelo do daltónico Rui Costa) quando se encaminhava para a baliza, e a jogada do 0-2 começa com uma recuperação de bola quando a equipa lidava com a expulsão de Acuña.

Vietto (3,0)

Entrou, viu e venceu. Muito bem servido por Bruno Fernandes, não hesitou perante a tentativa de mancha do guarda-redes e sossegou os corações leoninos.

Silas (3,0)

Os trejeitos que fez quando Bruno Fernandes tentou marcar de antes da linha de meio-campo ficaram-lhe mal, mas há que reconhecer que montou a equipa melhor do que no embate anterior com o Gil Vicente, assumindo o objectivo de manter a esperança na qualificação para a “final four” da Taça da Liga. Dito isto, não há motivos para optimismo quando falta um mês para os embates com o FC Porto e o Benfica, restando-lhe sobreviver aos próximos jogos, pois como tantas vezes se diz em Portugal, “depois mete-se o Natal”...

Pódio: Bruno Fernandes, Coates, Bolasie

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Gil Vicente-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 18

Coates: 16

Bolasie: 15

Neto: 15

Renan: 15

Vietto: 14

Ristovski: 13

Jesé: 12

Miguel Luís: 12

Luiz Phellype: 12

Idrissa Doumbia: 12

Wendel: 11

Camacho: 10

Acuña: 8

 

Os três jornais elegeram Bruno Fernandes como melhor sportinguista em campo.

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