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És a nossa Fé!

KISS - Keep it Simple, Stupid !

Com origem num engenheiro da indústria de defesa americana dos anos 60, este princípio diz que a grande maioria dos sistemas trabalham melhor se forem simples e não sofisticados e portanto que a simplicidade deveria ser um princípio base do seu desenho e toda a complexidade desnecessária evitada.

Isto para dizer o quê? Depois do brilhante génio de Jorge Jesus, e das suas complicadérrimas fórmulas  técnico/tácticas, muito para lá da compreensão de muitos dos jogadores que lhe passaram pelas mãos, que muito custaram e pouco produziram, e do duplo pivot do Peseiro, temos agora um holandês que parece adepto daquele princípio, a táctica é 4-3-3, o modelo é jogar rápido a 1-2 toques e centrar para o Bas Dost. E assim, primeiro jogo, primeira goleada. E quando abriu a boca, antes e depois do jogo, o que se ouviu foram também conceitos claros e simples.

Olhando para trás, os nossos treinadores campeões das dobradinhas, M.Lino, Allison e Boloni também não eram nada de complicar. Muito antes pelo contrário.

Será isso suficiente para o que aí vem ? Claro que não. Mas já deu para deixar de lado as minhas reticências curriculares sobre o Marcel Keizer, e ficar ansioso para ver o que se segue...

 

PS: Entretanto e como é o meu primeiro post aqui, quero agradecer ao Pedro Correia a oportunidade que me deu de integrar o grupo que me fui habituando a ouvir e respeitar, comentando, apoiando ou criticando sob o pseudónimo de SportingSempre, aproveitando também a oportunidade de reafirmar que sou sócio do Sporting há muito, adepto de bancada ainda há mais, leio os jornais e vejo os programas de TV que me apetece e não penso pintar o meu carro (prateado) de verde.

 

Saudações Leoninas,

Luis Lisboa

Sporting Sempre !!!

Hoje giro eu - O melhor de Jesus

As sucessivas alterações do modelo de jogo introduzidas por Jorge Jesus nos seus três anos de Sporting levam-me a escrever estas linhas, na esperança de que possa ser visível para toda a gente aquele que é o ponto mais forte do treinador: a riqueza táctica que imprime às suas equipas.

 

Em 2015/16, Jesus implementou o 4-4-2 em Alvalade. Não exactamente aquele que tinha introduzido no Benfica, com dois alas bem abertos (Salvio e Gaitán), mas outro, bem mais complexo, com dois alas alternadamente a procurarem movimentos interiores, sendo que quando um procurava o centro do campo, o outro estendia-se na linha. A profundidade era assegurada pelo lateral adjacente ao ala que migrava para o meio. João Mário e Bryan Ruiz eram falsos alas, ou melhor, a ala era apenas o ponto de partida. Na frente, Teo Gutierrez (ou Montero) jogava por detrás de Slimani, assim ao jeito do que Jonas fazia com Mitroglou no Benfica da época passada. As diagonais dos alas, e consequente aproximação a Adrien e William, acabavam por provocar superioridade numérica no meio-campo e o resto da dinâmica era assegurada pelos movimentos circulares do(s) colombiano(s), exímio(s) a baralhar(em) marcações. Este 4-4-2 foi realmente inovador nos grandes em Portugal, pois diferia do Clássico (o de Jesus no Benfica) e do Losango (introduzido por Peseiro).

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Em 2016/17, JJ ficou privado de João Mário e de Teo. Para compensar essas saídas, Jesus lançou Gelson e Alan Ruiz, respectivamente. O sistema alterou-se: Gelson é um jogador muito mais vertical do que João Mário e isso alterou a dinâmica. Por outro lado, Alan Ruiz é um misto de terceiro médio e segundo avançado, e joga mais recuado do que Teo, o que roubou espaço no meio a Bryan, condenando-o a converter-se num ala clássico, o que não resultou e explica em parte o "flop" em que se constituiu o costa-riquenho na última época. Esse sistema era um 4-2-3-1.

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Este ano, o treinador leonino voltou a mudar o sistema. Com a chegada de Bruno Fernandes, Jorge Jesus remeteu o sistema do ano anterior para Plano B e adoptou como Plano A, o 4-3-3. Inicialmente, com Battaglia por detrás, assemelhava-se ao sistema implementado por Mourinho no Porto (Costinha, Maniche, Deco), com Batta, Adrien e Bruno Fernandes, sendo BF o mais avançado, Adrien logo atrás e Batta como último homem. Com a saída de Adrien e regresso pós lesão de William por vezes os 3 do meio parecem fazer um triângulo, com Batta mais recuado, junto a William. A mim, parece-me que a equipa desenvolve mais o seu futebol quando os 3 jogam de perfil (ilustração em baixo com o que consegui na net, curiosamente a equipa do Barcelona) ou em escadinha, sistema amplamente vitorioso em Guimarães e Bucareste (em Atenas, o argentino já jogou quase em linha com William).

tactica3.png

Enfim, diversos sistemas que comprovam a versatilidade, criatividade e imaginação do técnico leonino. Fica a faltar, para tudo se aproximar da perfeição, melhor preparação dos jogos, maior conhecimento dos adversários e dos terrenos de jogo e alternativas aos actuais titulares. Resolvidos estes problemas, o título não nos fugirá. 

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Lost in translation (Jesus não entendeu o manuel machadês)

Em terra de Cónegos, Jesus não ordenou o plano de jogo correcto, falhando em toda a linha na abordagem (estratégia) a este desafio.

A coisa explica-se em 3 penadas:

1) Bruno Fernandes só pode jogar num meio-campo a 2 se tiver Battaglia nas suas costas. William é excelente com a bola nos pés, mas não tem a intensidade sobre a bola e a rapidez que lhe permitam estancar as vagas de ataque dos adversários, sem uma "muleta" do tipo Adrien ou Battaglia por perto a auxiliá-lo. A dado momento, vimo-lo a correr ao lado de Ruben Lima durante 50 metros, movimento que fez lembrar duas rectas paralelas que, como se sabe, só se encontram no infinito (ou no caso, no fundo das redes de Rui Patricio, se Piccini não tivesse intervido);

2) Ao tentar encaixar o adinâmico Alan Ruiz, em vez de Bruno Fernandes naquela posição, num jogo com estas condicionantes - relva em mau estado e campo mais estreito da 1ª Liga - Jesus entregou logo a rainha antes de começar a mover as suas peças no tabuleiro de xadrez verde-e-branco moreirense;

3) Acuña, um jogador raçudo, que luta por cada palmo de terreno, característica que seria ideal para esta partida, foi preterido em razão de uma pretensa gestão física quando deveria, isso sim, ter sido poupado na pretérita terça-feira contra o Maritimo, para a Taça da Liga. Também em gestão, mas psíquica, acabámos por ficar todos nós, adeptos, após o abalo emocional que a estratégia de Jesus nos provocou (menos mal que, depois deste inesperado desaire, não devemos vêr tão cedo um número humorístico protagonizado pelo presidente).

 

Assim, a equipa jogou sempre muito estendida no campo, abrindo crateras entrelinhas para as penetrações dos médios moreirenses, com os defesas completamente desprotegidos e à mercê de sucessivos contra-ataques originados por constantes perdas de bola de Alan Ruiz. Por outro lado, Manuel Machado teve a inteligência de não recuar linhas e de pressionar a saída de bola leonina, aproveitando a superioridade numérica no meio-campo, dificultando ainda mais a criação do nosso jogo.

 

Os jogadores:

 

Rui Patricio - Ainda a TV nos mostrava repetições do golo do Sporting e já Patricio se via obrigado a mais uma grande defesa. Sem ele em campo, a desgraça teria sido maior, reflexo de ter sido o único a efectivamente pisar o relvado do Comendador Joaquim de Almeida Freitas. Nesse contexto, pareceu fazer sentido que os 10 hologramas arranjados para lhe fazerem companhia tivessem sido pintados com cores berrantes, numa tentativa vã de encandear os adversários. As referências em braille é que pareceram desnecessárias pois ninguém conseguiu "ler" a equipa em campo. Já meritório foi o código Morse introduzido, o qual desta vez conteve uma única mensagem: SOS!

Nota: Sol

 

Piccini - Continua a padecer do estranho mal que consiste em autoflagelar-se, tentando introduzir a bola nas próprias redes. Tem mais ao menos a média de uma tentativa por jogo e ontem cumpriu com essa estatística. Mesmo em terra de Cónegos, não foi possível encontrar um exorcista que o libertasse desse desígnio. Paralelamente, na única vez que conseguiu encontrar a linha de fundo do adversário motivou um canto de onde resultaria o único golo leonino, aliás um autogolo, o que não deixa de ser irónico.

Nota:

 

Coates - Provoca diversos AVCs nos espectadores com aquele seu jeito de conduzir a bola, meio competente meio desplicente, em que a liberta exactamente um centésimo de segundo antes de ser desarmado, quando não existe ninguém a separá-lo das redes de Patricio. Na pré-época, contra o Guimarães, falhou essa fracção de tempo e acabaria expulso, facto que não se esquece tão facilmente e que nos faz subir a pressão arterial quando o vemos a recrear-se em excesso com a bola.

Nota:

 

Mathieu - Não ficou mal na fotografia pelo simples facto de que não ficou na fotografia. Confuso? Por vezes, a invisibilidade é uma arte e o gaulês pareceu dominá-la ontem em Moreira de Cónegos, conseguindo não ficar ligado a nenhum momento relevante do jogo.

Nota:

 

Fábio Coentrão - Em condições de pressão e temperatura constantes, Coentrão é um jogador importante. Vai daí, Jesus coloca-o durante a semana numa redoma, algo que se torna difícil de replicar num terreno de jogo e que leva o treinador a permanentemente equacionar "queimar" uma substituição, mandando aquecer Jonathan desde cedo. O Dr. Varandas é obrigado assim a dividir-se entre a câmara hiperbárica do caxineiro, a máscara de oxigénio do argentino e o desfibrilhador para acudir os adeptos em stress com esta situação. Terminado o jogo, permaneceu imóvel, deitado no terreno, permanecendo a dúvida se o INEM terá sido chamado ou se apenas estava a regularizar o sono (treino invisível).

Nota:

 

William - Jesus conseguiu expor todas as suas fraquezas ao deixá-lo praticamente sozinho no meio-campo. A dado momento pareceu fascinado com as dinâmicas no relvado, constituindo-se mais como um observador do que como um elemento actuante. Fez alguns esforços vãos de tentar organizar o que não tinha organização possível, pois a táctica de Jesus fez jus ao título desta rubrica. Providencial no golo de carambola do Sporting, o que lhe melhora a nota.

Nota:

 

Bruno Fernandes - Quando um jogador que vem dando sinais de cansaço é lançado num meio-campo a 2, com William por detrás, num campo pesado, com uma relva deficiente e adversários que correm muito, está tudo dito sobre a forma como Jesus preparou ente encontro. Quase marcou, na execução competente de um livre directo. 

Nota: Mi

 

Gelson - Pareceu, desde o início, tocado, não sei se fisicamente ou se psicologicamente, dada a táctica que Jesus lhe reservou. Nunca ganhou a linha de fundo e as constantes mudanças de flanco também não ajudaram o seu jogo, nem o da equipa, a qual necessitava mais de um jogador que executasse cruzamentos para a área à procura dos dois pontas-de-lança. Desinspirado, voltou a acertar na barra, especialidade onde ainda se vai doutorar no futuro.

Nota: Mi

 

Bruno César - O seu duelo com o pequeno Koffi (Annan?) foi uma recriação pós-moderna de "a lebre e a tartaruga", em que nem a tartaruga, nem a lebre chegam à meta. A lebre, coitada, saiu de pista desossada e cheia de dores. A tartaruga (Bruno) foi substituida por um miúdo a "atirar aos cágados", não lhe valendo de nada a desistência do seu contendor. Relevante no passe para William donde resultaria o golo.

Nota: Mi

 

Alan Ruiz - Destacou-se por ter prejudicado inúmeros lances de ataque leonino permitindo transições perigosas aos moreirenses. Quando não desarmado, optou por fazer faltas sobre os adversários. Uma nulidade! Mostrou-se tão deslocado no campo como Coco Chanel a passear na Brandoa. Num terreno onde era preciso lutar muito, quem tem a culpa de escalar de início este jogador que continua a equipar de saltos-altos?

Nota: Dó menor

 

Bas Dost - Tentou ganhar bolas pelos ares, nunca virando a cara à luta. Quando teve oportunidades de visar a baliza preferiu altruisticamente assistir Doumbia (especialidade que começou a desenvolver aquando da visita do Vitória sadino), mas o entendimento entre os dois é neste momento semelhante ao que existe entre o azeite e a água. Eu, sinceramente, prefiro o Bas que "dosta" egoisticamente e que nos dá vitórias com os seus golos.

Nota: Mi

 

Doumbia - Não foi ponta-de-lança, nem médio. Pareceu não ter levado guião, ou pelo menos o guião certo, para dentro do campo. Pesado, não mostrou a sua célebre aceleração em espaços curtos, tornando-se presa fácil para os defensores locais.

Nota:

 

Battaglia - Conseguiu estabilizar aquilo que parecia não ter conserto: o meio-campo defensivo leonino, o qual voltou a mostrar músculo após a sua entrada. No entanto, recorreu demasiadamente à falta, o que não ajudou à fluência do nosso jogo. Acabou a central, no "tudo ao molho" com que Jesus terminou a partida, em coerência aliás com o que foi a sua estratégia para todo o jogo.

Nota:

 

Iuri - Entre o medo cénico que entrar em campo com a camisola do Sporting lhe cria e os ares de grande vedeta, o açoriano parece estar a passar ao lado de uma grande carreira. Não consegue mostrar em campo o que lhe víramos em Arouca, no Moreirense ou no Bessa, aparentando não ter estofo psicológico para tão árduo desafio. Estragou todas as jogadas promissoras pelo seu flanco, particularmente três em profusão, o que deixou os adeptos à beira de uma ataque de nervos.

Nota: Dó menor

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rui Patricio

 

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Hoje giro eu - De noite se faz luz sobre o dia

Começo por dizer que me estou "nas tintas" para as comissões que o Benfica paga de intermediação de jogadores (olho é para as nossas e vejo que neste mercado de Verão subiram face aos 2 "reports" anteriores), pelo que entendo que a nossa Comunicação não tinha de invocar publicamente isso, como se não fosse suficiente para nós a transparente divulgação do desagregado das transferências do mercado de Verão, isso sim um motivo de orgulho. É um tema do Benfica que, a preocupar alguém, deve ser os seus adeptos, o(s) regulador(es) e as autoridades, com o qual nós, sportinguistas, não temos de nos ocupar neste momento. Devo, no entanto, referir que ouvir (e vêr) Pedro Adão e Silva, no programa Aposta Tripla, da SportTV (onde gosto muito de Paulo Baldaia e, já agora, de Pedro Henriques, na minha opinião, o melhor comentador televisivo de futebol), "matar" o tema, dizendo que o Benfica paga mais comissões que os outros, porque vende mais - lá está aproveitando a "deixa" (supérflua) de Nuno Saraiva, que acabou por esvaziar mediáticamente a transparência do "report" do Sporting, o essencial - me deixou entre a incredulidade e a marcação urgente de uma consulta no otorrino. Passo a explicar: o facto de um clube vender mais, não justifica que pague quatro vezes mais comissões do que outro num determinado período, a não ser que tenha vendido ( e comprado?) também quatro vezes mais, o que manifestamente não foi o caso. Mais tarde, no mesmo programa, António Macedo, com igual leveza, diria que tinha pena que não fosse o Sporting a pagar mais comissões, mostrando não perceber isto. Uma coisa é achar que o tema não nos diz respeito - embora se possa ter uma opinião sobre ele - outra é tomarem-nos por lorpas e escamotear que o barómetro deve ser a taxa média de intermediação paga por um clube, algo que poderia futuramente constar nos Relatórios e Contas das sociedades desportivas. Adiante...

 

Rui Vitória diz que um clube tetracampeão não pode estar em crise, nessa situação estarão aqueles que não ganham há muito tempo. Eu fico muito contente com esta "crise" que vem assolando o Sporting esta época. Como o futebol é o momento, muito contente. Os adeptos do Benfica, por outro lado, também estão contentes porque ganharam nos últimos 4 anos. Antes assim, estamos todos contentes, exceptuando o Rui Gomes da Silva, aparentemente o único que está zangado. 

 

Falando de futebol, o que eu vejo é que o Benfica não colmatou as saídas na sua defesa (baliza incluida) e que o seu meio-campo está em falência. Como resolver isso? Eventualmente, recorrendo a um terceiro médio - Krovinovic? - , o que lhe permitiria gerir o miolo do terreno de outra forma, mas como compatibilizar isso com Jonas, de longe o melhor jogador do clube (se não do Campeonato)? Poderá Jonas jogar sozinho na frente (o que significaria a saída de Seferovic ou Jimenez)? Se fosse benfiquista também me intrigaria porque Cervi não joga mais. De todas as opções nas alas é o jogador com maior entrega e rigor táctico, mas parece contar menos este ano.

 

Finalmente, a questão do vídeo-árbitro. Uma inovação que veio melhorar muito o futebol português, adicionando-lhe transparência. Há ainda alguma coisa a fazer, até do ponto-de-vista de meios tecnológicos para análise, mas já não há dúvidas que é um instrumento muito útil. Aqui também parece agora haver consenso, embora ainda recentemente no Bessa se tenha ouvido que a culpa era do VARela.

 

 

Hoje giro eu - A doutrina de Jesus

Jorge Jesus pode ter alguns defeitos, mas a verdade é que doutrina entre os treinadores portugueses. Andava Rui Vitória desesperado - na indefinição entre o 4-3-3, modelo táctico que lhe tinha dado bons resultados em Guimarães, e o 4-4-2 com alas bem abertos, legado e fórmula de sucesso de JJ nos dois anos anteriores - quando decidiu adoptar (chamemos-lhe assim) a inovação que, entretanto, Jorge Jesus introduzira no Sporting: João Mário na ala, partindo daí para movimentos interiores, criando superioridade numérica no meio-campo. Estávamos em 2015 e o recurso a Pizzi, jogando no corredor direito, viria a valer um campeonato. Antes, colocara Guedes e Gaitán nas alas, na Luz contra o Sporting (Pizzi a "8"), e o resultado tinha sido desastroso...

Ontem, em jogo da Taça da Liga frente ao Braga, Rui Vitória experimentou pela primeira vez este ano o 4-3-3 (os entendidos dirão que é um 4-2-3-1), com Krovinovic a fazer de Bruno Fernandes, mais uma vez replicando tardiamente (em 15/16 ainda foi a tempo) o que JJ vem fazendo desde o início da época. Este detalhe é importante porque RV tinha Gabigol disponível para fazer de Jonas e preferiu metê-lo numa ala. Não será tão fácil, no entanto, este modelo vingar e por uma simples razão: Jonas, o segundo avançado no modelo 4-4-2, é só o melhor jogador do Benfica e por uma larga margem. Assim sendo, como coabitar Jonas neste sistema? A única solução seria abdicar do ponta-de-lança puro (Seferovic ou Jimenez) e deixar Jonas solto na frente, jogando com um meio-campo a 3 formado por Fejsa, Pizzi e Krovinovic, apoiados nas alas por Sálvio e Cervi (ou Zivkovic). Esta solução tem prós e contras. A favor, a idade de Jonas e a necessidade de poupá-lo a uma excessiva deriva por caminhos extenuantes longe da baliza; contra, o facto bem provável de o brasileiro render mais quando não é uma referência fixa na frente. Apesar de tudo, não me admirava nada que Rui Vitória testásse este modelo em Basileia.

Uma coisa é certa: com melhores ou piores resultados, Jesus doutrina. Que continue, mas desta vez de olhos bem abertos, sem soberbas e a dar o devido mérito aos seus jogadores (algo que tem sido uma realidade este ano).

 

image[1].jpg

Os nossos comentadores merecem ser citados

«Adrien ficou sem apoio na construção do jogo. Foi aí que esteve o principal problema do Sporting: defensivamente esteve fraco, é verdade, mas especialmente porque sabia que se recuperasse a bola não conseguiria fazer muito com ela. 4-4-2: quando se joga neste sistema é necessário ter alas que o sejam mesmo ou, em alternativa, ter alas que se movam para o centro do terreno. O Sporting teve uma mistura, sem ter nenhum.»

 

João André, neste meu texto

A amarga tentação do Plano B

Lembro-me perfeitamente das declarações de Leonardo Jardim no final do jogo de Guimarães. Jogo esse que, como se devem recordar, ganhámos por 1-0 com um golo de Slimani nos instantes finais.

Nessa altura, Leonardo Jardim respondendo ao porquê de só ter colocado Slimani nos últimos minutos, disse algo semelhante com isto: efectuámos algumas alterações no modelo de jogo da equipa de maneira a prepará-la para a entrada de Slimani e consequentemente passar a jogar com dois avançados.

Relembro que Slimani foi a terceira substituição desse jogo, entrando para o lugar de André Martins apenas aos 83 minutos. E Leonardo Jardim quando se referiu à preparação da equipa não se referiu apenas à troca de jogadores que anteciparam a entrada de Slimani, mas sim à forma de jogar.

 

Ontem, Leonardo Jardim fez exactamente o contrário, não preparou a equipa para o 4-4-2, apenas o implementou retirando um médio e colocando em campo um avançado. Provavelmente cedendo à tentação da facilidade e dos bons resultados que normalmente tem tido a entrada do argelino.

Na minha opinião foi um erro. Wilson Eduardo e Mané são extremos que procuram muito o jogo interior, logo, a possibilidade de maximizar o 4-4-2 diminuem. Além disso, Mané, com todo o potencial que tem, ainda não está preparado para jogar de início em jogos com esta importância, que são completamente diferentes dos jogos para a Taça da Liga.

 

Mas esta questão leva-me a outra mais importante. A qualidade de jogo do Sporting em 4-4-2. E neste caso, provavelmente ao contrário de muitos leitores, considero que sempre que passamos para o 4-4-2 perdemos imensa qualidade de jogo. Pode resultar nalguns casos, como já resultou, mas a probabilidade de manter qualidade de jogo em 4-3-3 é muito maior que em 4-4-2. Mesmo com a devida preparação que ontem não aconteceu. Porque o 4-3-3 é o sistema mais rotinado, porque é o sistema em que encaixam melhor as características dos jogadores do plantel, mas acima de tudo porque a posição mais fraca do plantel neste momento, não contando com os reforços para esta análise, é a de extremo. O que se pede a um extremo em 4-4-2 é completamente diferente do que se pede em 4-3-3 e os extremos do Sporting, exceptuando Carrillo pela sua capacidade de explosão, têm muita dificuldade em actuar em 4-4-2, por várias razões, desde cruzarem mal, até à (falta de) capacidade técnica. Provavelmente terá sido este último o motivo da entrada de Mané no onze inicial.

                             

Posto isto, há duas formas óbvias de Slimani entrar em jogo (quando começa como suplente): 1) em 4-3-3 substituindo Montero; 2) em 4-4-2 jogando com Montero nas suas costas.

 

Leonardo Jardim, na maioria das vezes, tem optado pela segunda opção. Ontem fê-lo novamente. Slimani ainda teve uma oportunidade flagrante de golo, mas nada mais do isso. O impacto não foi o esperado, e não o foi porque a equipa não estava convenientemente preparada para a sua entrada e porque a qualidade de jogo em 4-4-2 é muito inferior à do 4-3-3. Não tem que ver com Slimani directamente, até porque gostava de o ver jogar de início em 4-3-3 para o campeonato.

Ganhar a segunda bola!

Este título poderia ser incluído na secção "Chavões da Bola" que o Pedro criou, mas lembrei-me dele após ter visto, esta noite, o Barcelona ganhar ao Real Madrid.

 

Na realidade muitos dos jogos ganham-se não só pela qualidade dos jogadores (a maior parte!), mas claramente pela forma como uma equipa se dispõe e predispõe em campo.

 

Já vejo futebol há demasiados anos para perceber diversas coisas:

 

1 - os jogos só estão ganhos quando o árbitro apita para o fim (nunca mais esqueci aquela final Manchester-Bayern de 1999):

2 - respeitar o adversário é o primeiro passo para se vencer (a displicência com que o Sporting enfrentou o Rio Ave deu-lhe apenas um empate);

3 - não deixar que a equipa contrária tenha a iniciativa do jogo é um passo de gigante para a vitória (no México em 1986 Espanha derrota a Dinamarca com um concludente 5-1, após um jogo em que os espanhóis não autorizaram a equipa adversária ter a bola);

 

Assim sendo, é bom que o Sporting amanhã não deixe a defesa do Porto ganhar a segunda bola quando ataca. Uma recuperação leonina pode descompensar o último reduto dos dragões e criar situações de golo evidentes.

Havíamos era de...


O que é mesmo bom é ser treinador de bancada, seja a cuspir cascas de tremoço no café, seja a deitar perdigotos aos microfones de uma TV, seja, mesmo de bancada a sério, a pagar. Estes, convenhamos, têm um pouco mais de ciência, porque lhes fica a arder na carteira a frustração do mau espectáculo.

O treinador de bancada não tem dilemas, só tem que resolver na generalidade uns problemas gerais. Por isso dedica-se ao regalado exercício de sudoku que é o de fazer tácticas com jogos numéricos: ó a dinâmica do 4X4X2, o ímpeto do 4X3X3, a astúcia do 4X1X3X2 e por aí fora. Entrega-se também a formar equipas imaginárias, que no Football Manager levam tudo à frente. Um exercício fantástico, literalmente, para quem não convive de segunda a sexta, das 8H30 às 20h30, com um bando de rapazes sobrevitaminados, de ego inflamado e qual deles de psique mais melindrosa.

Dilemas a sério têm os que estão obrigados a tomar decisões (conhecem o conceito? Decidir…), que torraram 4 milhõesitos em ludopedistas e agora os vêem à deriva sem saber onde param os outros quando têm a bola nos pés. No futebol, como no resto que conta, há um detalhe infame, bem sei, chamado resultados. Não é o azar de a bola bater na trave e está o caldo entornado, isso seria fácil, é a bola bater sempre na trave, um facto cuja persistência tem que transcender o mero azar. Até no poker há campeões e nem tudo é uma questão de sorte.

Domingos era boa pessoa? Certamente. Era escorreito? Diz-se que sim. Tinha boa vontade? Concorde-se for the sake of the argument. Mas Domingos, porra (pardon my french) it’s results, stupid, e estes não apareceram, nem estavas com cara e conversa de os encontrar. Bem esperámos e esperámos por eles, chegámos a acreditar neles, mas nada. Ao fim e ao cabo, estamos onde estávamos no ano passado, com um pé frio à frente da equipa e uma equipa que pedia meças à do Rio Ave. Mau, ou melhor: pior.

Por isso, aqui vos digo: bem fez quem manda no Sporting em dar asas às botas de Domingos. E mais vos digo que fez bem em fazer depressa, o que deve ter sido chato para os vendedores de papel e comentaristas adjacentes, que ganham à hora e ao quilo – quanto mais a novela se arrastasse melhor ficariam eles.

Chama-se a isto ter um dilema e resolvê-lo. Para resolver problemas há muitos e todos sabem perfeitamente o que os outros devem fazer.

Agora venham lá os resultados.

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