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És a nossa Fé!

De saudades me vesti...

Sei que tenho andado um tanto afastado destas lides de escrita sobre o Sporting. Todavia gosto muito de futebol, andebol, hóquei, atletismo e tudo o seja desporto e que essencialmente envolva o Sporting. Gosto muito pouco das outras coisas e que ultimamente têm sido a maioria....

Vai daí afastei-me um pouco. Porém hoje... 

... estive em Alvalade, no estádio do Sporting onde existe nas suas instalações, como todos sabem, uma clínica privada. E foi ao passar por aquele que percebi do que tenho actualmente muitas, mas muitas saudades. Assim, estou saudoso:

- de ir “à bola”;

- de comer aquele hambúrguer com ovo e beber uma imperial (ou mais);

- de sentir o pulsar de um clube através dos seus adeptos;

- dos pregões dos vendedores de cachecóis e bonés;

- de subir aquelas escadas e sentar-me no meu lugar e ver aquele estádio e o seu relvado;

- de cantar a plenos pulmões “O mundo sabe que…”;

- de gritar “goooooooooooooooooooolo” até ficar rouco;

- de abraçar o meu filho nos festejos;

- de barafustar contra tudo e todos;

- daquele nervoso miudinho do final de um jogo electrizante;

- do incentivo das claques que nunca se calam;

- de vencer um jogo por margem alargada;

- de sair do estádio a comentar o bom resultado;

- de comer aquele pão quente com chouriço que alguém vende na rua;

- de chegar a casa à pressa para rever os golos na televisão.

E, finalmente, tenho muitas saudades de ver o Sporting novamente Campeão.

Faltas e Amarelos

Sporting: 1 Jogo - 12 Faltas  - 6 Amarelos

Benfica: 2 Jogos - 21 Faltas - 4 Amarelos

Porto: 2 Jogos - 36 Faltas - 1 Amarelo

É assim que se inclinam campos. É assim que há equipas que podem sempre apresentar o seu melhor onze em todos os jogos e o Sporting, daqui a meia duzia de jogos, já vai ter jogadores titulares impedidos de jogar por acumulação de amarelos. É desta forma que durante um jogo se corta o ritmo atacante de uma equipa, se impede que uma equipa domine o seu adversário.

Vamos aqui acompanhar, jornada a jornada, esta "classificação", com a garantia que quando Benfica ou Porto já não necessitarem deste aditivo, começam a carregar nos cartões, de modo a que no final da época pareça tudo equiparado.

 

Teorias da conspiração

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Não deve haver clube em Portugal - e talvez até no mundo - tão fértil em teorias da conspiração como o Sporting.

O que quer que possa ser dito ou decidido, em Alvalade, obedece sempre a uma lógica oculta e maquiavélica. É assim que muitos pensam.

 

Ontem, ao escrever aqui no blogue a minha posição favorável à atribuição do nome de Cristiano Ronaldo à Academia leonina, neste assunto em divergência com um texto anterior do Filipe Moura, logo fui brindado por amáveis leitores com a suspeita de que estaríamos perante uma decisão anunciada agora - antes do início do nosso primeiro jogo oficial da época e a duas semanas do fecho do mercado de transferências - «para distrair» os adeptos dessa magna questão que é a votação, em assembleia geral ordinária, do relatório de gestão e contas do exercício financeiro anterior e do orçamento para o próximo exercício.

 

Salvo o devido respeito, como agora é norma dizer-se em todos os programas de debate futebolístico, imaginar que os sócios do Sporting possam confundir as contas do clube com uma homenagem onomástica a Cristiano Ronaldo equivale a tomar-nos por imbecis. Uma coisa nada tem a ver com outra. 

Mas é inútil contrariar a tendência hoje em voga: as redes não tardaram a fervilhar de indignação. E lá veio o argumento habitual: Cristiano Ronaldo «é para distrair». Como se esta homenagem não valesse por si própria.

Voltaremos a ouvir esta narrativa quando o melhor jogador do mundo vier assistir à inauguração simbólica da Academia Cristiano Ronaldo, sabendo-se que faz questão em estar presente mas só poderá viajar de Itália a Alcochete quando o calendário das suas provas desportivas permitir.

 

Este é um tema que, por analogia, me suscita uma catadupa de interrogações.

A estátua do Leão inaugurada junto ao estádio em Junho de 2017 também terá sido «para distrair»?

A rotunda Visconde de Alvalade e a rua Mário Moniz Pereira, descerradas no mesmo dia com estes nomes ilustres, também terão sido assim denominadas, naquele preciso momento, «para distrair»?

A solene atribuição do cartão "em tons dourados" de sócio n.º 100.000 do Sporting Clube de Portugal a Cristiano Ronaldo, em Novembro de 2016, terá sido «para distrair»?

O baptismo da baliza poente do estádio José Alvalade com o nome do inesquecível Vítor Damas, em Julho de 2009, foi «para distrair»?

A justa homenagem a Aurélio Pereira, como passou a ser conhecido o principal relvado da Academia de Alcochete desde Setembro de 2012, também terá sido «para distrair»?

A decisão de atribuir ao antigo presidente João Rocha o nome do pavilhão destinado às modalidades, assumida em Julho de 2012, foi igualmente «para distrair»?

 

Se as respostas a estas perguntas forem positivas, deixa de haver dúvidas: tudo no Sporting está envolvido em teorias da conspiração.

Sendo antes de uma assembleia geral, é «para distrair» do que estará em debate.

Sendo depois de uma assembleia geral, é «para distrair» de algum voto negativo que ali ocorra.

Sendo a meio da época, é «para distrair» de maus resultados desportivos.

Sendo no final de um mandato, é «para distrair» da campanha eleitoral que vai seguir-se.



Quando até Cristiano Ronaldo separa, nada pode unir. Esta é a principal nuvem negra que paira sobre o Sporting.

Eis o que deixo à consideração dos "verdadeiros adeptos". Sobretudo aos que vivem num mundo de permanentes conspirações. Um mundo onde se dispara primeiro e só se pensa depois. 

Do desejo, à esperança, com raízes

O dia em que o João (de Mação) se tornou leão

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Um João, o João Pedro de Mação, no dia em que se tornou leão.

Outro João, profissional de televisão, num dia que o encheu de satisfação.

(pareço o António Aleixo, com menos talento, claro, eh, eh, eh)

Por último, não menos importante, pelo contrário, como escreve Ricardo Rodrigues (um abraço para o Ricardo, para todos os Ricardos deste país, a quem o "Estado" não deu quinze milhões de euros, que fazem jornalismo, jornalismo verdadeiro, em jornais como Abarca): «O mais importante traduz-se no olhar (...) de Nuno: "Fiquei muito feliz"».

Vídeo, aqui.

Até já, Beto

Beto Severo estará de saída da estrutura do Sporting. Para já, parece que deixa o posto de Team Manager, seja lá o que isso for. Depois, espera-o a porta de saída. Para mim, Beto não é dirigente, é um antigo capitão, campeão e defesa de excelência que fez 241 jogos e marcou 21 golos pelo Sporting.  Ajudou a vencer dois campeonatos (um como central, a sua posição de quase sempre, e outro como defesa-direito, dando o centro à dupla Cruz-Babb); uma Taça e duas Supertaças. Ainda andou por Huelva, Bordéus e Belém, mas a sua casa sempre foi Alvalade. Não há como apagar isso.

 

PS: A saída de um Beto sportinguista era boa oportunidade para a entrada de outro, livre de contrato e desejoso de acabar a carreira em "casa". 

Sporting em todo o lado!

Não obstante as tristes figuras que o nosso clube vai fazendo, seja dentro ou fora de campo, certo é que os adeptos leoninos jamais se escondem ou olvidam o seu amor pelo clube.

Há uns dias andei, mais uma vez, por algumas ilhas açorianas. E a exemplo do que vi o ano passado quer no Faial quer em S. Jorge, também este ano tive a oportunidade de sentir o Sporting naquele arquipélago.

Primeiro na bela ilha Amarela de Santa Maria onde existe um núcleo do Sporting ali na rua principal da Vila do Porto.

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Depois e já na Ribeira Grande na inolvidável ilha verde de S. Miguel e no restaurante “Esgalha” dei também conta da paixão leonina.

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Exemplos destes precisam-se e cada vez mais!

A batida ao leão

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"Pedro, um leão nunca dispara contra outro leão".

Foi no dia 19 de Janeiro de 1973, eu tinha quatro anos e tal e perguntei ao meu avô Jacinto: "amanhã vai caçar o leão para Rio Maior" (na altura as crianças não tuteavam os avós, outro século).

O meu avô, só muito mais tarde o soube, nunca foi caçador, tinha uma "flóber" [anos mais tarde a professora Ivone que me apoiava/ensinava nas aulas da telescola (da outra, a preto e branco) disse-me que era uma palavra francesa que se escrevia flaubert] pois sim, para mim será será sempre a "flóber" do meu avô Jacinto, nisto sou dogmático, sou como aquelas pessoas que se opõem ao acordo ortográfico, "no meu tempo não havia gloco".

Ora bem, o meu avô que tinha uma "flóber" para espantar a passarada que tentava abicar o sustento de quatro filhos e duas filhas, não foi para Rio Maior disparar contra o leão, no entanto, amanhã serão muitos a fazê-lo.

Dum lado da barricada os conservadores, os legitimistas, aqueles que acham que um presidente é eleito e enquanto não violar os estatutos, enquanto não tiver indícios de demência, continua a ser o presidente até às próximas eleições, são os Sportinguistas; do outro lado, amanhã, estarão todos os outros, os benfiquistas, pretendem derrotar o adversário em campo, os portistas, nada têm a perder, podem ganhar algo, a notícia da contratação de Bruno Wilson não apareceu por acaso, os braguistas, legitimamente, pretendem chegar ao terceiro lugar, vão jogar tudo dentro e fora do campo (já falei do Bruno Wilson?) e todas as outras falanges, claques, cliques e assim que se dizem "sportinguistas" mas que na verdade são anti-presidente do Sporting; "há presidente, sou contra", como diria Marx.

Amanhã, temos de ser todos Sportinguistas sem aspas, todos juntos a levarmos o Sporting à vitória, à conquista do terceiro lugar, pode parecer pouco, infelizmente, é o que alguns de nós queremos alcançar (outros nem por isso).

Muito faço eu, ser Sporting

scp2020.pngUma janela, um autocolante.

Foi ali, naquele quarto que o meu menino ouviu (estávamos sem televisão e a bem da verdade ele adormeceu muito antes do final do jogo, estava 0-0, na altura) a primeira derrota do Sporting.

Do nosso Sporting.

Faz hoje, precisamente, dois meses, que nasceu, telefonei ao meu pai, nesse dia, as minhas palavras foram estas: "nasceu um sportinguista, é saudável" o meu pai sorriu, engasgado, choroso (não se pode dizer) e disse algo do género: "o menino que escolha, não o pressiones, é uma grande responsabilidade".

Como se fosse responsabilidade querer que o meu filho seja um homem bom, honesto e respeitável.

Qual era a alternativa?

Luís Filipe Vieira?

Pinto da Costa?

Felizmente em 2020.05.20 o presidente do Sporting não é razão de vergonha para ninguém.

Era um bocadinho, totó, papá" dir-me-á o rebento daqui a uns anos.

Sorrirei, encolherei os ombros, dir-lhe-ei: "e o que estava antes?"

 

(não fiz as contas, se o campeonato tivesse começado no dia 20 de Maio, se só tivessem contado os jogos que vi em directo na televisão [todos, excepto o último com o Porto] em que lugar estaria o Sporting do "malandro" Varandas, treinado pelo lampião Amorim?)

Tranquilidade

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Adoro estas manhãs a seguir aos jogos do Sporting, quando ganhamos.

 

Cinco desafios superados sob o comando do actual treinador - 13 pontos conquistados em 15 possíveis. Somos a equipa com melhor desempenho pontual desde o recomeço da competição, apesar de termos perdido vários jogadores cruciais desde o início da segunda volta - desde logo Bruno Fernandes, mas também Acuña e Vietto (entretanto lesionados) e Mathieu (que acaba de abandonar prematuramente a profissão, também devido a lesão).

Temos, em simultâneo, a nossa equipa mais jovem desta Liga: ontem o mais velho em campo era o capitão Coates, com 29 anos. Média de idades no onze titular: 22,8.

"Apostar na formação" deixou de ser um slogan vazio e tornou-se realidade.

 

É sempre assim: o Sporting ganha e poucos aparecem.

Quanto mais vai ganhando, mais tranquilas são estas águas. 

 

Se tivéssemos empatado, já rondavam vozes agoirentas por aí. 

Se tivéssemos perdido - por um golo que fosse, até marcado com a mão - e nestas caixas de comentários logo desaguava um caudal de "verdadeiros adeptos" (reais ou virtuais) a ferver de indignação, urrando aos quatro ventos, exigindo decapitações "para ontem". Do presidente, do treinador, dos jogadores, se calhar até do roupeiro.

Tudo aos gritinhos.

 

Prefiro assim. Manhã calma, sem vuvuzelas anónimas na posta restante cá do blogue. E mais três pontos amealhados.

Mar chão e ventos de feição. Bom para singrar. 

Sporting Clube de Vichy

Texto de Joaquim Vicêncio e Paulo Correia

Quando há praticamente oito décadas foi assinado o fatídico armistício, depois da invasão da França pela Alemanha nazi, que terminou com uma parada militar em plenos Campos Elíseos, o acordo previa a criação no sul de França daquilo a que se chamou de “Estado Fantoche”. Este tinha sede em Vichy, e era liderado pelo General Pétain. Estávamos perante uma novidade estrutural. Transpondo para o plano da vida interna do nosso clube, desafiamos o leitor a fazer uso da expressão para criar uma analogia com o futebol português e o estado em que se encontra o Sporting Clube de Vichy... perdoem-nos, o Sporting Clube de Portugal.

No primeiro caso, organizado através de afinidades da mais variada índole, este é constituído por estruturas que, por norma, dizem-se independentes, mas que assumem posições que as vinculam a interesses tantas vezes a raiar a opacidade. Tal seria já de si deprimente, não fosse o caso de estarmos perante uma novidade: a inclusão do Sporting Clube de Portugal no lote de clubes cuja estratégia e pensamento para o futebol português é acéfala. Pior, rege-se pelo ondular entre as boas relações que os seus dirigentes, para infelicidade de quem pugna por um clube com uma reputação acima de qualquer dúvida, pretendem reatar ou fortalecer com quem tem levado os níveis éticos da modalidade para um grau catastrófico.

As últimas semanas trouxeram à liça mais uma demonstração da total dependência do Sporting Clube de Portugal face a interesses terceiros, e que em nada dignificam a modalidade. A disputa de poder, mais uma, no interior da Liga Portugal mereceria uma reação forte. Colocar o dedo na ferida, um bater de punho na mesa. Mas os punhos de renda de quem governa um clube com 114 anos e mais de 3 milhões de adeptos não lhes permite, como sabemos há muito tempo, sequer o esforço mental de tentar abandonar a órbita de mais um dos muitos coveiros do futebol português.

Apenas a última de tantas e tantas demonstrações de falta de alma e sentimento verde-e-branco! Basicamente, estamos a assumir a nossa posição de clube fantoche.

Triste clube que se permite, mais uma vez, ter à frente dos seus destinos quem não se preocupa em encontrar soluções que visem ultrapassar as dificuldades (conjunturais ou não), antes preferindo comunicar, constantemente, em canais amigos (?) os dramas da pesada herança. E, não vá alguém ter dúvidas do destino previamente definido, aqui e ali, cada vez mais desprovidos de falta de pudor, surgem os arautos da venda da SAD. Até já se discorre sobre exemplos tão extraordinários como o Wolverhampton (oh! Ironia) para justificar tamanho desiderato. Não se preocupem, caros amigos, a memória não é curta, também conhecemos o destino do Málaga, do Rangers ou do Parma. E nem precisamos de ir muito longe, por certo que Beira Mar, ou Belenenses, vos diz algo.

Triste sina de viver em constante convulsão interna, o famoso dividir para reinar. Os exemplos são tantos que nem um encarte especial do jornal do clube teria espaço suficiente para enumerá-los. Mas deixamos uns poucos à consideração do caro leitor, desde as claques como origem de todo o mal, aos adeptos a quem se exige que retirem o calçado antes de entrar no estádio, sem esquecer o desplante de considerar o Sporting Clube de Portugal um simples ponto de passagem para um grande da Europa; o Valência, talvez, eventualmente o Mónaco ou, hélas, o tão famoso Wolverhampton.

Temos no nosso seio demasiados interesses. Interesses que fogem ao critério de quem sofre, vibra e sonha com muito mais para um clube que, ainda que em constante confronto autofágico, tem todas as condições para se assumir como a verdadeira potência desportiva. Tal como acontece até nos Estados Fantoche, as populações inevitavelmente têm um assomo de dignidade e vontade de serem livres, acreditamos que, um dia, ousaremos lutar juntos pelo Sporting Clube de Portugal.

Sempre fomos autofágicos e intolerantes

Texto de Nuno Saraiva

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Jogadores leoninos no V. Guimarães-Sporting

 

Na quinta-feira, em Guimarães, vi, finalmente, uma equipa. Com debilidades? Com certeza. Com muito por e para trabalhar? Óbvio que sim. Já se nota dedo do treinador? Evidente, a começar pelo sistema táctico que utilizou e pelos jogadores que escolheu. Recordo que Jorge Silas tentou o mesmo 3-4-3 e falhou. Com o mesmo plantel, mas com Rúben Amorim ao leme, a diferença qualitativa é total e absoluta, para melhor.

Como já disse, e cito-me, “gosto de um treinador que transborda de confiança sem arrogância, que transpira inteligência sem sobranceria, que extravasa crença em si próprio e na equipa sem soberba. O Rúben é, desde o dia em que entrou no Sporting Clube de Portugal, o meu treinador. Assim será até ao dia em que, inevitavelmente, sairá”.

 

Claro que já vi por aí muita gente a apontar a “mediocridade” de alguns jogadores, a falta de intensidade, os erros defensivos e ofensivos (que existiram), até as escolhas de um treinador que nos custou “14 milhões”.

Mas estavam à espera de quê após 90 dias de paragem? Alguém deu por alguma janela de mercado que se tivesse aberto durante este período e que nos permitisse reforçar-nos? E os génios que, atrás do teclado, debitam postas de pescada têm, porventura, a noção do que é não competir nem treinar (não é fazer corridinhas e manutenção, é não treinar) durante 90 dias? Têm, por acaso, consciência de que aquilo de que estamos a falar corresponde a três vezes mais o tempo de férias habitual, e, ainda por cima, sem pré-época, que está a ser feita em competição? Alguém julga que o regresso poderia ser diferente?

Quem assim o exige, e isto é válido para os espertalhões de todos os clubes, é porque de duas, uma: ou é ignorante ou está de má fé.

 

Vamos a factos: dos chamados “três grandes”, o Sporting Clube de Portugal era o que tinha o adversário mais cotado e mais difícil. Nenhum dos três ganhou, o que não pode obviamente servir-nos de desculpa, mas é um facto. No que diz respeito às principais estatísticas de jogo, e apesar de haver, obviamente, diferenças, aquilo que se verifica, no que respeita quer a índices físicos quer a remates à baliza, repito, remates à baliza, é um grande equilíbrio.

O Sporting foi o único que mudou de sistema táctico e estreou jogadores que deram ótimas indicações para o futuro. Além disto, começámos com cinco jogadores da formação no 11 titular – Max, Eduardo Quaresma, Rafael Camacho, Matheus Nunes e Jovane – e tínhamos mais dois no banco – Plata e Pedro Mendes – tendo, um deles, entrado na segunda parte. Há quanto tempo isto não acontecia?

Aqui está o caminho que defendo, como já escrevi em artigo publicado no Record: montar uma equipa que equilibre experiência e formação, não como uma fatalidade, mas como uma oportunidade.

 

Para o fim, deixo aquilo que sempre me preocupou, e que nada tem que ver com a dimensão desportiva: a militância ou falta dela. No Sporting Clube de Portugal sempre fomos assim, autofágicos e intolerantes connosco próprios.

Bem sei que nos falta o cimento das vitórias e das conquistas, mas há razões objectivas para que assim seja e que todos conhecemos. Por isso é que defendo que se deve falar verdade, não por falta de ambição, mas por realismo e pragmatismo.

Ontem, como é hábito, o discurso mais praticado por muitos Sportinguistas foi o da maledicência e da detracção. Ainda para mais, numa noite em que os jogadores e staff dos nossos rivais foram alvos de uma tentativa de homicídio por parte, alegadamente, de elementos das claques que não existem, mas que eles insistem em apoiar, apesar de não existirem. E, perante isto, o que é que vários de nós fazemos? Ficamos entretidos a dizer mal de nós próprios.

Isto para já não falar de uma grupeta que, além de pretender dar-me lições de Sportinguismo que não admito a ninguém, ainda me brinda com insultos e calúnias, só porque me limito a ser militante do Sporting Clube de Portugal e, ao contrário deles, quero que o Sporting ganhe sempre.

 

Ou seja, isto é que é a falta de militância que sempre existiu no nosso Clube, e sobre a qual tantas vezes falei enquanto servi o Sporting. Este comportamento é a contradição absoluta dos que passam a vida a encher a boca com o chavão da militância no Clube, mas que depois são militantes de tudo menos do Sporting Clube de Portugal.

Isto é o paradoxo completo dos que passam a vida a encher a boca com os chavões da “defesa dos superiores interesses do Sporting” ou de que “ninguém está acima do Sporting”, mas que depois colocam agendas pessoais e individuais acima do Sporting Clube de Portugal.

 

Enquanto continuarmos assim não vamos, seguramente, a lado nenhum.

Eu, por mim, estou onde sempre estive, isto é, no Sporting Clube de Portugal, com Esforço, Dedicação e Devoção.

Eu, por mim, é desta causa que sou militante, e nunca me ouvirão denegrir ou fragilizar a imagem da Instituição no espaço público.

Falo com a autoridade de quem defendeu, publicamente, que, seja qual for o ângulo ou perspectiva por que se analise a absolvição de um ex-Presidente e de um ex-funcionário do Clube, esta foi uma excelente notícia para o Sporting Clube de Portugal, na medida em que manteve sem qualquer mácula o nome e a reputação desta Instituição mais do que centenária.

Eu, por mim, não alinho em cultos de personalidade, porque, para mim, ninguém é maior do que o Clube.

 
 

Sporting Sempre!

 

Texto de Nuno Saraiva, publicado originalmente ontem, na Tribuna Expresso

Parábola

Uma casa começou a arder.

De imediato se levantam vozes indignadas exigindo que se descubra e castigue exemplarmente quem lhe pegou fogo.

Outros, que se presumem sensatos, advogam que é fundamental perceber porque arde a casa.

O grupo dos muito inteligentes propõe um comité de reflexão para estudar os meios e os métodos mais actuais e consagrados para apagar fogos.

Os pragmáticos reclamam que se vá ao fundo da questão e pretendem uma restruturação completa do corpo de bombeiros.

Lá vêm os filósofos pôr a questão essencial: o que é um incêndio? 

Ninguém se lembrou de ir apagar o fogo.

A casa ardeu.

Andou ao engano

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Um ex-presidente do Sporting veio dizer que o Sporting Clube de Portugal sempre foi uma monarquia e só fez uma pausa entre 2013 e 2018. Curiosamente também disse que foi durante esse período que mais se enalterceram os valores do Sporting.

Ora, se o Sporting sempre foi uma monarquia com todos esses defeitos, de que serve enaltecer os valores definidos pelos "nefastos" monarcas?

Durante esta quarentena tem-se visto muitas fotografias das campanhas europeias do Sporting com o velhinho José de Alvalade cheio. Inclusivamente ganhámos uma Taça europeia no "tempo da monarquia".

O Sporting, com as suas qualidades e defeitos, nasceu em 1906 e desde então sempre foi enorme. Querer reduzir a sua grandeza ao período pós-2013 é um periogoso reescrever da história. Se não percebeu isto, andou claramente ao engano.

Ler em tempo de isolamento, 3

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Texto de Rui Miguel Tovar sobre Manuel Fernandes:

“De suspeito a herói, é um ápice. Nem dura 90 minutos a eventual desconfiança. É o tal hat-trick à Académica. Nessa época de estreia pelo Sporting (1975-1976), há mais quatro desses, vs. União de Tomar (4-1), Braga (4-1), Leixões (3-0) e Académica (3-3). Todos em Alvalade. É a sua casa até 1987”.

In.: TOVAR, Rui Miguel – Fome de golo. 1ª ed. Clube do Autor, 2018. p. 173

Não há mais tempo

Depois da entrevista de Frederico Varandas tivemos no jornal Expresso, uma pequena entrevista do responsável financeiro do Sporting. Entre contradições e lugares comuns, a única certeza com que ficamos é que os dois acham que, embora com alguns erros cometidos, desvalorizados por ambos, o caminho a seguir será o definido há cerca de dezasseis meses. Isto é, a política desportiva vai ter por base o histórico apresentado por esta direcção. 

Como o Pedro Azevedo aqui explica de forma tão clara, o grande problema do nosso clube está a montante, isto é, na gestão desportiva que assenta em custos com pessoal, vulgo salários de jogadores e equipa técnica, totalmente incomportáveis para a actual realidade do nosso clube. A juntar a esta opção suicida, temos o péssimo planeamento, digno do mais incompetente gestor, que transforma um investimento de cerca de 47 (quarenta e sete) milhões de euros, fruto da incompetência generalizada, num dos piores planteis de que há memória. Como se isto não bastasse, assistimos, incrédulos, a declarações surreais sobre a menor valia da nossa formação e ao desbaratar de jogadores valiosos, vendidos por valores que até os clubes compradores acharam estranhos, de tão baixos. 

O caminho que esta direcção está a trilhar leva-nos, de uma forma imparável, a défices anuais crónicos e monstruosos. O fim desta gestão imprudente, amadora e danosa só pode acabar com a inevitável entrada de um qualquer fundo que esteja disposto a injectar umas centenas de milhões de euros para "salvar" a sad da falência. Mas, há sempre um mas, as centenas de milhões de euros nada resolverão, antes pelo contrário. Sabemos, pela experiência de outros clubes, que o aparecimento destes fundos, com reservas de capitais prontos a "investir" em clubes em pré falência, nada trazem de mais valias aos clubes. Se num curto prazo existe a ilusão de um super plantel, do fim das dificuldades de tesouraria, a médio prazo o resultado é sempre o mesmo, um aumento astronómico da dívida, jogadores que afinal não acrescentam nada e o final definitivo da ligação entre clube e sad. 

É para este cenário que esta direcção nos está a levar. 

E eu questiono: vamos esperar quanto tempo mais? 

 

Claques, trincheiras e o que é mais importante

O presidente Frederico Varandas foi há dois dias entrevistado no jornal da noite da TVI. O que era anunciado pela própria estação como um entrevista onde seriam abordados diversos temas, entre eles a política de contratações, a venda de Bruno Fernandes, a planificação desta época, limitou-se a ter um tema único, durante os cerca de vinte minutos que o presidente Frederico Varandas teve disponível no jornal da noite de um dos canais com maior audiência na televisão portuguesa. O presidente Frederico Varandas resumiu a realidade do Sporting a um tema. Alguém acredita que se por um acaso o actual presidente conseguisse resolver este problema, o Sporting teria pela frente épocas de sucesso desportivo e financeiro? Claro que não. Aliás o tema das claques, da sua violência, dos seus actos criminosos, não é exclusivo do nosso clube, bem pelo contrário. É um problema transversal da sociedade portuguesa e que reflecte em muito essa mesma sociedade. É por isso um tema que extravasa um clube e os seus dirigentes. Não se compreende assim que o presidente Frederico Varandas queira tomar a rédea de um problema do qual é apenas uma das vítimas, em que pela cargo que ocupa, representa o clube, nos representa. Um presidente do Sporting, pela dimensão que o nosso clube tem, deve conseguir perceber que neste caso concreto, a responsabilidade na sua resolução cabe inteiramente ao poder político e judicial. É ao governo, às autoridades policiais e judiciais que o presidente do Sporting deve pedir responsabilidades. Nestes cerca de dezasseis meses que leva de mandato o presidente Frederico Varandas não teve ainda tempo de solicitar uma audiência ao primeiro-ministro? Ao presidente da república? Ser recebido por um desconhecido secretário de estado, sem qualquer autoridade na tomada de qualquer decisão, só nos mostra que o presidente Frederico Varandas não percebeu, ainda ou de todo, o cargo para o qual foi eleito. 

Ao Sporting cabe apenas identificar os membros das claques que prejudicaram de forma concreta o nosso clube e, de acordo com os estatutos, expulsá-los de sócios. Para tudo o resto o clube não tem instrumentos oficiais e legais para resolver o que quer que seja. Por tudo isto pede-se ao actual presidente do Sporting que entregue a quem de direito este problema e que se centre na gestão do clube.

Mas, infelizmente, pelo histórico desta direcção, já percebemos que porventura este presidente quer mesmo continuar a cavalgar este tema e apenas este tema. Cavou uma trincheira e está a tentar abafar as justas críticas de que a sua direcção é alvo. Se Bruno de Carvalho extremou e radicalizou muitos dos adeptos seus apoiantes, Frederico Varandas está a seguir o mesmo caminho, ou estão comigo ou estão contra mim e com as claques. Alguma comunicação social já foi atrás desta fraca versão do "dr. coragem" tecendo loas de herói a Frederico Varandas. O que eu como sócio e adepto do Sporting gostaria de saber é qual o plano, se o tem, para inverter a situação catastrófica do nosso clube. Se para a próxima época os custos com pessoal vão reduzir de forma drástica, se vamos ou não apostar na formação ou se pelo contrário vamos voltar a seguir o modelo desta época. Se os FSE's vão ser efectivamente escrutinados e fortemente reduzidos. Se existe, se há alguma política concreta relativa aos sócios, aos núcleos, qual a política para conseguir inverter a notória redução das assistências no estádio?

São apenas poucas questões, mas muito mais importantes para a vida e para o futuro próximo do nosso clube, do que o problema das claques.

 

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