Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

O efeito Amorim…

… nas equipas adversárias!

Desde que o futebol parou nunca mais vi um jogo. Nem sequer na televisão. Futebol, futebol é no estádio.

Entretanto vou lendo uns apontamentos aqui, outros ali sobre a nossa equipa e parece-me que de todas as que regressaram do confinamento a nossa parece a que está a dar melhor conta do recado.

Estávamos na classificação atrás do Braga e já o ultrapassámos. Lá para a frente as coisas parecem não estar muito bem, mas como ganharam tanta vantagem… estão confiantes de que nada lhes acontecerá. Veremos até porque estão ainda 18 pontos em disputa...!

Entretanto Ruben Amorim tem mostrado coragem e olho clínico para a nossa equipa. Mesmo com a ausência de grandes figuras como Acuna ou Vietto, já para não falar de Mathieu, o actual treinador tem conseguido levar a água a um bom moinho.

E as equipas adversárias estão um tanto espantadas com esta evolução positiva do Sporting. Nota-se por isso o tal efeito Amorim…

Espero sinceramente que seja para continuar!

Tranquilidade

unnamed.jpg

 

Adoro estas manhãs a seguir aos jogos do Sporting, quando ganhamos.

 

Cinco desafios superados sob o comando do actual treinador - 13 pontos conquistados em 15 possíveis. Somos a equipa com melhor desempenho pontual desde o recomeço da competição, apesar de termos perdido vários jogadores cruciais desde o início da segunda volta - desde logo Bruno Fernandes, mas também Acuña e Vietto (entretanto lesionados) e Mathieu (que acaba de abandonar prematuramente a profissão, também devido a lesão).

Temos, em simultâneo, a nossa equipa mais jovem desta Liga: ontem o mais velho em campo era o capitão Coates, com 29 anos. Média de idades no onze titular: 22,8.

"Apostar na formação" deixou de ser um slogan vazio e tornou-se realidade.

 

É sempre assim: o Sporting ganha e poucos aparecem.

Quanto mais vai ganhando, mais tranquilas são estas águas. 

 

Se tivéssemos empatado, já rondavam vozes agoirentas por aí. 

Se tivéssemos perdido - por um golo que fosse, até marcado com a mão - e nestas caixas de comentários logo desaguava um caudal de "verdadeiros adeptos" (reais ou virtuais) a ferver de indignação, urrando aos quatro ventos, exigindo decapitações "para ontem". Do presidente, do treinador, dos jogadores, se calhar até do roupeiro.

Tudo aos gritinhos.

 

Prefiro assim. Manhã calma, sem vuvuzelas anónimas na posta restante cá do blogue. E mais três pontos amealhados.

Mar chão e ventos de feição. Bom para singrar. 

PED Talks

O Pedro Azevedo está no seu blog pessoal a dinamizar as PED Talks - Princípios, Estratégia, Desporto.

Quem quiser ficar a conhecer ainda melhor o projeto estrutural que o Sporting precisa, pode e deve passar pelo Castigo Máximo.

Quando vemos surgir candidaturas sem ideias, sem qualquer projecto, quando temos o silêncio estratégico de muitos dos que se consideram candidatos eternos, temos o Pedro Azevedo a oferecer aos Sportinguistas um projecto que visa levar de novo o nosso clube às conquistas. 

É fundamental para o nosso clube que mais e mais Sportinguistas se inteirem do projecto Ser Sporting do Pedro Azevedo, o questionem, discutam e contribuam.

O nosso clube merece.

Sporting, Sad, Maioria e Investidor

Muito se tem falado nos últimos tempos sobre a questão da perda ou não da maioria do capital da SAD pelo clube.

Importa primeiro esclarecer que o Sporting clube não detém, directamente, a maioria do capital da SAD. Quando se fala em perder a maioria do capital da SAD, está se a falar não da maioria das acções mas sim da cedência, pelo Clube, da prerrogativa de apenas este e só este, poder deter acções preferenciais de categoria A. Esta acções, que actualmente representam 26,656% do capital da SAD, dão ao Sporting Clube o poder de veto em determinadas matérias, consideradas vitais para o clube, o poder de nomear um elemento da administração da SAD, os outros são eleitos em AG da SAD e o poder de veto, deste elemento, na eleição dos outros elementos da administração da SAD. Esta protecção, em vigor, permite ao clube controlar os destinos da SAD e do futebol profissional. Actualmente já temos um investidor, a Holdimo, que detém 29,851% do capital da SAD e tem um representante na administração, Nuno Correia da Silva, administrador não executivo.

Em 2026 vão vencer as famosas VMOC´S. Se o Sporting Clube não adquirir estas acções, conforme está estipulado no acordo efectuado com as entidades bancárias, a percentagem que deterá do capital social da SAD irá diminuir, mas não o seu poder de veto e nomeação por via das acções de categoria A que, reforço, pelos estatutos em vigor, apenas o clube pode deter. Assim, em tese, o clube até poderia ter apenas 1 acção da SAD e não veria os seus poderes e direitos diminuídos.

O Sporting clube só perderá este direito especial que detém na SAD se os estatutos da mesma forem alterados e para isso é obrigatório que o clube, os seus dirigentes, obtenham esse mandato em assembleia do clube. Está assim na mão dos sócios.

Agora sobre o investidor, ou a entrada de novos investidores.

Os defensores da entrada de novos investidores na SAD argumentam, entre outras considerações, que apenas com um reforço do capital da SAD, a entrada de gestores profissionais, com outra experiência na gestão de grandes empresas, é que será possível voltar a ter contas equilibradas e por isso, ou também, conseguir ganhar títulos no futebol profissional.

Importa aqui realçar alguns pontos que julgo importantes.

O Sporting, pelo menos desde a entrada de José Roquette e do seu famoso projecto (foi na sua presidência que se criou a SAD) que é dirigido por gestores profissionais. Temos tido na direcção do nosso clube e da SAD gestores profissionais, detentores de empresas e na sua maioria administradores de empresas privadas. Assim, não vejo que seja relevante a entrada de um novo investidor para que cheguem ao Sporting gestores profissionais. O que precisamos, isso sim, é de uma nova política desportiva e financeira. São coisas diferentes.

Com a entrada de um investidor, o que se espera, pela perda de controlo da sociedade, é um retorno financeiro, isto é, entrada de capital.

Neste momento, de acordo com o último relatório de Maio de 2020 a SAD tem um passivo corrente e não corrente, superior a 300 milhões de euros.

É isto que actualmente temos para oferecer a um investidor. Uma dívida gigantesca. Numa eventual negociação, com este passivo, quais seriam os argumentos que o Sporting clube teria para conseguir convencer um investidor a colocar capital na SAD? Será este cenário atractivo para quem tem disponibilidade financeira para investir? Quanto vale hoje a nossa SAD com mais de 300 milhões de passivos? Podemos argumentar que em causa está o maior clube de Portugal. Mas tal não é verdade, neste caso, pois aqui apenas estamos a ceder a nossa posição na SAD que controla o futebol profissional. A formação é do clube (até aos 16 anos), os sócios são do clube, as modalidades são do clube, o estádio, embora com o direito de superfície da SAD, e o pavilhão são do clube. O que temos para “oferecer” é a equipa de futebol profissional, os sub-23, o futebol feminino e porventura a equipa B, toda a gestão destes activos. Sempre com os 300 milhões de passivos. Parece-me óbvio que estamos em clara desvantagem negocial nas condições actuais.

Mas, imaginando que apareceria algum investidor interessado em entrar para o capital da SAD, o que aconteceria ao dinheiro investido? Serviria principalmente para diminuir o passivo de 300 milhões actual. Assim o cenário seria: Sporting clube sem o controlo da SAD do futebol profissional, a SAD sem dinheiro para investir e com o passivo reduzido. O mais sensato será sempre, se se optar pela venda do controlo da SAD, fazê-lo apenas com uma sociedade com saúde financeira, podendo nessa altura encaixar um valor muito mais significativo com a alienação pretendida. Porque no presente, sejamos honestos, um valor aceitável pelo controlo da SAD seria 1€.

Depois levanta-se a questão sobre o tipo de investidor. Qual seria na perspetiva do Sporting clube o investidor ideal? O histórico do investimento em clubes e sad´s, na Europa em particular, leva-nos a concluir que a maioria dos investidores são pessoas totalmente estranhas ao fenómeno desportivo em si. É isto que queremos? Qual o nosso interesse em ter alguém a controlar o futebol profissional do Sporting sem qualquer experiência em gestão desportiva? Queremos apostar no mesmo modelo  de gestão que nos trouxe até aqui?

O que precisamos mesmo é de alterar de forma definitiva a gestão desportiva do nosso clube. O que precisamos é de uma equipa que consiga gerir os destinos do clube e que entenda o que uma gestão rigorosa significa.

Somos 3.5 milhões de Sportinguistas.

Queremos perder o controlo do futebol profissional para quê?

24 de Junho, Dia de Ricardo I, O Labreca

O penalty mais famoso do futebol português foi marcado por um inglês. E, claro, defendido por um guarda-redes do Sporting, no caso, sem luvas. Passam hoje 16 anos desde que Ricardo I, O Labreca, vestiu a pele de herói e de goleador (marcou o golo decisivo na baliza de David James), ao defender um penalty marcado pelo avançado Darius Vassell. Nessa partida, jogou um jogador do Sporting - Ricardo - e três – Valente, Figo e Ronaldo – das escolas. Simão, também ele criado no reino do leão, entrou na segunda parte, a tempo de converter um dos castigos máximos.

Sporting Clube de Vichy

Texto de Joaquim Vicêncio e Paulo Correia

Quando há praticamente oito décadas foi assinado o fatídico armistício, depois da invasão da França pela Alemanha nazi, que terminou com uma parada militar em plenos Campos Elíseos, o acordo previa a criação no sul de França daquilo a que se chamou de “Estado Fantoche”. Este tinha sede em Vichy, e era liderado pelo General Pétain. Estávamos perante uma novidade estrutural. Transpondo para o plano da vida interna do nosso clube, desafiamos o leitor a fazer uso da expressão para criar uma analogia com o futebol português e o estado em que se encontra o Sporting Clube de Vichy... perdoem-nos, o Sporting Clube de Portugal.

No primeiro caso, organizado através de afinidades da mais variada índole, este é constituído por estruturas que, por norma, dizem-se independentes, mas que assumem posições que as vinculam a interesses tantas vezes a raiar a opacidade. Tal seria já de si deprimente, não fosse o caso de estarmos perante uma novidade: a inclusão do Sporting Clube de Portugal no lote de clubes cuja estratégia e pensamento para o futebol português é acéfala. Pior, rege-se pelo ondular entre as boas relações que os seus dirigentes, para infelicidade de quem pugna por um clube com uma reputação acima de qualquer dúvida, pretendem reatar ou fortalecer com quem tem levado os níveis éticos da modalidade para um grau catastrófico.

As últimas semanas trouxeram à liça mais uma demonstração da total dependência do Sporting Clube de Portugal face a interesses terceiros, e que em nada dignificam a modalidade. A disputa de poder, mais uma, no interior da Liga Portugal mereceria uma reação forte. Colocar o dedo na ferida, um bater de punho na mesa. Mas os punhos de renda de quem governa um clube com 114 anos e mais de 3 milhões de adeptos não lhes permite, como sabemos há muito tempo, sequer o esforço mental de tentar abandonar a órbita de mais um dos muitos coveiros do futebol português.

Apenas a última de tantas e tantas demonstrações de falta de alma e sentimento verde-e-branco! Basicamente, estamos a assumir a nossa posição de clube fantoche.

Triste clube que se permite, mais uma vez, ter à frente dos seus destinos quem não se preocupa em encontrar soluções que visem ultrapassar as dificuldades (conjunturais ou não), antes preferindo comunicar, constantemente, em canais amigos (?) os dramas da pesada herança. E, não vá alguém ter dúvidas do destino previamente definido, aqui e ali, cada vez mais desprovidos de falta de pudor, surgem os arautos da venda da SAD. Até já se discorre sobre exemplos tão extraordinários como o Wolverhampton (oh! Ironia) para justificar tamanho desiderato. Não se preocupem, caros amigos, a memória não é curta, também conhecemos o destino do Málaga, do Rangers ou do Parma. E nem precisamos de ir muito longe, por certo que Beira Mar, ou Belenenses, vos diz algo.

Triste sina de viver em constante convulsão interna, o famoso dividir para reinar. Os exemplos são tantos que nem um encarte especial do jornal do clube teria espaço suficiente para enumerá-los. Mas deixamos uns poucos à consideração do caro leitor, desde as claques como origem de todo o mal, aos adeptos a quem se exige que retirem o calçado antes de entrar no estádio, sem esquecer o desplante de considerar o Sporting Clube de Portugal um simples ponto de passagem para um grande da Europa; o Valência, talvez, eventualmente o Mónaco ou, hélas, o tão famoso Wolverhampton.

Temos no nosso seio demasiados interesses. Interesses que fogem ao critério de quem sofre, vibra e sonha com muito mais para um clube que, ainda que em constante confronto autofágico, tem todas as condições para se assumir como a verdadeira potência desportiva. Tal como acontece até nos Estados Fantoche, as populações inevitavelmente têm um assomo de dignidade e vontade de serem livres, acreditamos que, um dia, ousaremos lutar juntos pelo Sporting Clube de Portugal.

Sempre fomos autofágicos e intolerantes

Texto de Nuno Saraiva

739369.png

Jogadores leoninos no V. Guimarães-Sporting

 

Na quinta-feira, em Guimarães, vi, finalmente, uma equipa. Com debilidades? Com certeza. Com muito por e para trabalhar? Óbvio que sim. Já se nota dedo do treinador? Evidente, a começar pelo sistema táctico que utilizou e pelos jogadores que escolheu. Recordo que Jorge Silas tentou o mesmo 3-4-3 e falhou. Com o mesmo plantel, mas com Rúben Amorim ao leme, a diferença qualitativa é total e absoluta, para melhor.

Como já disse, e cito-me, “gosto de um treinador que transborda de confiança sem arrogância, que transpira inteligência sem sobranceria, que extravasa crença em si próprio e na equipa sem soberba. O Rúben é, desde o dia em que entrou no Sporting Clube de Portugal, o meu treinador. Assim será até ao dia em que, inevitavelmente, sairá”.

 

Claro que já vi por aí muita gente a apontar a “mediocridade” de alguns jogadores, a falta de intensidade, os erros defensivos e ofensivos (que existiram), até as escolhas de um treinador que nos custou “14 milhões”.

Mas estavam à espera de quê após 90 dias de paragem? Alguém deu por alguma janela de mercado que se tivesse aberto durante este período e que nos permitisse reforçar-nos? E os génios que, atrás do teclado, debitam postas de pescada têm, porventura, a noção do que é não competir nem treinar (não é fazer corridinhas e manutenção, é não treinar) durante 90 dias? Têm, por acaso, consciência de que aquilo de que estamos a falar corresponde a três vezes mais o tempo de férias habitual, e, ainda por cima, sem pré-época, que está a ser feita em competição? Alguém julga que o regresso poderia ser diferente?

Quem assim o exige, e isto é válido para os espertalhões de todos os clubes, é porque de duas, uma: ou é ignorante ou está de má fé.

 

Vamos a factos: dos chamados “três grandes”, o Sporting Clube de Portugal era o que tinha o adversário mais cotado e mais difícil. Nenhum dos três ganhou, o que não pode obviamente servir-nos de desculpa, mas é um facto. No que diz respeito às principais estatísticas de jogo, e apesar de haver, obviamente, diferenças, aquilo que se verifica, no que respeita quer a índices físicos quer a remates à baliza, repito, remates à baliza, é um grande equilíbrio.

O Sporting foi o único que mudou de sistema táctico e estreou jogadores que deram ótimas indicações para o futuro. Além disto, começámos com cinco jogadores da formação no 11 titular – Max, Eduardo Quaresma, Rafael Camacho, Matheus Nunes e Jovane – e tínhamos mais dois no banco – Plata e Pedro Mendes – tendo, um deles, entrado na segunda parte. Há quanto tempo isto não acontecia?

Aqui está o caminho que defendo, como já escrevi em artigo publicado no Record: montar uma equipa que equilibre experiência e formação, não como uma fatalidade, mas como uma oportunidade.

 

Para o fim, deixo aquilo que sempre me preocupou, e que nada tem que ver com a dimensão desportiva: a militância ou falta dela. No Sporting Clube de Portugal sempre fomos assim, autofágicos e intolerantes connosco próprios.

Bem sei que nos falta o cimento das vitórias e das conquistas, mas há razões objectivas para que assim seja e que todos conhecemos. Por isso é que defendo que se deve falar verdade, não por falta de ambição, mas por realismo e pragmatismo.

Ontem, como é hábito, o discurso mais praticado por muitos Sportinguistas foi o da maledicência e da detracção. Ainda para mais, numa noite em que os jogadores e staff dos nossos rivais foram alvos de uma tentativa de homicídio por parte, alegadamente, de elementos das claques que não existem, mas que eles insistem em apoiar, apesar de não existirem. E, perante isto, o que é que vários de nós fazemos? Ficamos entretidos a dizer mal de nós próprios.

Isto para já não falar de uma grupeta que, além de pretender dar-me lições de Sportinguismo que não admito a ninguém, ainda me brinda com insultos e calúnias, só porque me limito a ser militante do Sporting Clube de Portugal e, ao contrário deles, quero que o Sporting ganhe sempre.

 

Ou seja, isto é que é a falta de militância que sempre existiu no nosso Clube, e sobre a qual tantas vezes falei enquanto servi o Sporting. Este comportamento é a contradição absoluta dos que passam a vida a encher a boca com o chavão da militância no Clube, mas que depois são militantes de tudo menos do Sporting Clube de Portugal.

Isto é o paradoxo completo dos que passam a vida a encher a boca com os chavões da “defesa dos superiores interesses do Sporting” ou de que “ninguém está acima do Sporting”, mas que depois colocam agendas pessoais e individuais acima do Sporting Clube de Portugal.

 

Enquanto continuarmos assim não vamos, seguramente, a lado nenhum.

Eu, por mim, estou onde sempre estive, isto é, no Sporting Clube de Portugal, com Esforço, Dedicação e Devoção.

Eu, por mim, é desta causa que sou militante, e nunca me ouvirão denegrir ou fragilizar a imagem da Instituição no espaço público.

Falo com a autoridade de quem defendeu, publicamente, que, seja qual for o ângulo ou perspectiva por que se analise a absolvição de um ex-Presidente e de um ex-funcionário do Clube, esta foi uma excelente notícia para o Sporting Clube de Portugal, na medida em que manteve sem qualquer mácula o nome e a reputação desta Instituição mais do que centenária.

Eu, por mim, não alinho em cultos de personalidade, porque, para mim, ninguém é maior do que o Clube.

 
 

Sporting Sempre!

 

Texto de Nuno Saraiva, publicado originalmente ontem, na Tribuna Expresso

Chega de saudade

 Vinicius de Moraes escreveu uma bela letra sobre saudade, aquele sentimento bem português que espalhamos por muito mundo, e substantivo que só a língua portuguesa soube honrar. De seguida, a tensão de quem tem saudade e da, por muitos atribuída, condição pejorativa do saudosista.

Pois bem, neste período de emergência e agora de calamidade em que o mundo virou do avesso e que as nossas certezas foram irremediavelmente abaladas (foram?), em que consegui quase distanciar-me da problemática Sporting, com pouca frequência do palco de guerra que é o Twitter e da algo feira de vaidades que é o Facebook,  entrados nesta nova fase de desconfinamento e de regresso a uma nova "normalidade", não há como fugir. Aí está de volta as letrinhas mágicas SCP!

O cheiro a verde, a leões resistentes e lutadores, ainda que em guerras palacianas ou civis, fazem-me reentrar na órbitra, qual SpaceX (sim, não é só o nosso drone português que falha à primeira, que se compreende pois a gravidade é tramada...a alta tecnologia americana também, por uma simples nuvenzinha.- tinham, talvez, medo que fosse Juno e que este andasse a tomar hidroxicloroquina...), e a perceber que há mais vida para além da pandemia.

E que a saudade começa a bater forte pelo Sporting, pelo aplauso compassado e ritmado pelo tambor no Pavilhão João Rocha, pela esperança de que voltaremos a ver a equipa principal de futebol a jogar futebol, com conta, peso e medida e a lutar com honra em campo.

Não há como a ausência, o não ter, a distância para perceber e nos fazer sentir a importância da presença, do ter, da proximidade. Tem tudo a ver com sentimentos, a que paixão e amor não se podem dissociar. É verdade, estou com saudades do Sporting. Sem saudosismo nem sendo saudosista. Mas com saudades. Por isso digo, como cantava João Gilberto, esse monstro pai da bossa nova, "Vai minha tristeza... chega de saudade...". Quero o Sporting Clube de Portugal de volta!

Era só isto, e sem falar em Alcochete, Tribunal, Bruno, Varandas, pilares, frustração e desilusão. Só Sporting e saudades de Sporting!

Esclarecimento

Um Post escrito por uma autora deste blogue, onde para além da inserção de alguma documentação sobre publicações de Miguel Poiares Maduro é incluída uma sua reacção à suposta utilização por si de ideias minhas invocada por outro autor deste blogue, deixou no ar, ainda que residual no sentir conhecedor e cavalheiresco do próprio (MPM), a suspeição de que, a ter havido plágio, o plagiador teria sido eu. Na sequência, em caixa de comentários da autora, vi-me forçado a ter de falar sobre a minha carreira profissional, logo eu que não tenho apreço por quem se ponha em bicos de pés para reinvindicar galões (eles ganham-se todos os dias) mas que também não gosto que me tratem como o Wally ou o John Doe, de forma a justificar a razão da génese destas e de outras ideias que tenho para o clube. Acontece que eu escrevo neste blogue desde Julho de 2017 e lembrava-me de ter perorado várias vezes sobre os temas que originaram o tal meu Post de 24 de Julho de 2018 (complementar a outros 4 sobre Sustentabilidade e Cultura corporativa), posterior a um artigo de 20 de Maio do mesmo ano que vim a saber anteontem ter sido escrito por Miguel Poiares Maduro no Público. Ora, uma simples ainda que incompleta, embora tardia para meu mal-estar ou enfado, consulta do arquivo deste blogue permitiu-me encontrar rapidamente 9(!) Posts meus alusivos a esses temas, quase todos datados do ano de 2017 e anteriores à tal publicação do Público (20 de Maio de 2018), os primeiros dos quais de Setembro de 2017, que mostram a tal intenção por mim referida na caixa de comentários da autora de suscitar reiteradamente a discussão sobre esses temas. Aqui ficam para consulta de quem esteja interessado:

https://sporting.blogs.sapo.pt/etica-isto-so-video-3480979

https://sporting.blogs.sapo.pt/hoje-giro-eu-a-integridade-e-a-3644426

https://sporting.blogs.sapo.pt/etica-opinadores-que-nao-regulam-3465566

https://sporting.blogs.sapo.pt/etica-a-educacao-e-o-desporto-3527170

https://sporting.blogs.sapo.pt/hoje-giro-eu-apaf-de-apito-mudo-ou-3551586

https://sporting.blogs.sapo.pt/hoje-giro-eu-e-galo-3628241

https://sporting.blogs.sapo.pt/hoje-giro-eu-bons-exemplos-3631368

https://sporting.blogs.sapo.pt/hoje-giro-eu-bruno-e-o-futuro-3765606

https://sporting.blogs.sapo.pt/hoje-giro-eu-seleccao-o-iceberg-do-3859491

 

Quero deixar claro que não ponho minimamente em causa a honorabilidade de Poiares Maduro, pessoa com uma carreira pública reconhecida e que com toda a certeza terá opinião (bem) formada sobre o tema, e lamento muito o episódio ocorrido que precedeu a sua natural e compreensível reacção pública, mas também não posso deixar de nenhuma forma que penda sobre mim o estilo de torpe insinuação mesclada de toque brasileiro que já li por aí em caixas de comentários, algo perfeitamente incomum antes de ter tomado a posição pública de mostrar disponibilidade para me apresentar a eleições assim que elas sejam convocadas no meu clube. Será uma infeliz coincidência. Também eu tenho o direito à minha honorabilidade e ao meu bom nome. Acrescento que, embora por vezes crítico aos actos de gestão, os Leitores deste e doutro blogue onde escrevo aceitarão que não o faço "ad-hominem" e procuro com contenção um tipo de linguagem que não fira, tendo sempre presente não só a forma como fui educado como o momento especial que vive o clube e a doutrina que entendo se dever fazer nessa matéria. Foi por saber que há muito tempo venho trazendo estes temas que o Tiago Cabral, a quem enquanto colega de blogue devo respeito e a possível solidariedade, revendo-se neles desde o primeiro dia e igualmente desconhecendo o tal artigo do Público tomou uma posição, baseando-se naquilo que escrevi em Julho de 2018. Acresce que num jantar do blogue há uns tempos atrás ambos nos tínhamos dado conta da coincidência de ideias por mim apresentadas com algum grau de complexidade (não estas que motivam esta prosa) andarem a circular por aí sem chancela de autor (compreendam, essa apropriação indevida ao fim de algum tempo causa desgaste, por muito que a feira das vaidades nos diga pouco e encontremos consolo nas ideias poderem ser úteis ao clube), o que me deu a percepção, para além das palavras de um Post, do que poderia ter ocorrido, evitando em sequência ter para com ele uma reacção (julgamento) imediata, porventura desprovida de humanidade, e que ainda o ferisse mais. Eu sei que no fundo o Tiago apenas quis mostrar que estes e outros temas de estratégia que na blogosfera venho trazendo reflectem uma visão original e mereciam ser reconhecidos. Não por uma vaidade, mas pelo Sporting. A razão pela qual não o são, é por mim desconhecida, mas talvez Poiares Maduro, sempre tão solícito em promover a discussão sobre o clube, agora já saiba quem eu sou e me convide para uma troca de ideias que aceitaria de bom grado por serem pró-Sporting. Até porque a minha reflexão compacta de Julho de 2018 já o teria merecido antes. Penso eu, não terão pensado assim os organizadores do Sporting Talks há 2 anos atrás. Também desde já Vos digo: não será por falta de reconhecimento público que deixarei de nos espaços que me são conferidos destes blogues aportar a minha visão para o clube. Da mesma forma que garanto a todos que serei sempre independente e a minha intenção será sempre única: ajudar o clube. Até porque o que eu verdadeiramente gostaria de um dia ver discutido no Sporting era as ideias, não as pessoas. Salvaguardando que atrás da ideia está o pensamento de alguém que a construiu através de um conjunto de ferramentas que foi desenvolvendo ao longo da sua vida profissional. Como eu. Como Poiares Maduro.

 

Obrigado pela Vossa atenção e prometo não voltar ao tema. Os desafios que se colocam ao Sporting são e serão bem mais importantes do que qualquer tipo de protagonismo deste género. Aliás, como digo muitas vezes, as razões do Sporting serão sempre mais importantes do que as minhas razões pessoais.

 

Peço-Vos encarecidamente desculpa por tê-los maçado com estas questões e espero que compreendam o esclarecimento que entendi dar. Fico-me por aqui nesta matéria, mesmo perante a iminência de alguém um dia poder trazer um documento histórico produzido no tempo dos mamutes. (Esta foi só para desanuviar um bocadinho.)

 

Prospecto de venda da SAD

Quatro pilares.

Pessoas; Estrutura; Sistemas de Suporte e Interacção com o Sócio.

É clara a intenção por parte desta direcção de continuar a cavalgar a onda da culpabilização alheia. Este pobre documento, hoje apresentado, demonstra-nos a incapacidade desta direcção. Ao fim de quase dois anos é aqui que estamos, num documento de 14 páginas em que para lá do folclore habitual desta direcção, ficamos a saber que vai ser desta. Não sabemos é o que é que vai ser. O documento - Visão estratégica para o futuro - traz-nos as ideias que esta direcção demorou quase dois anos a preparar. Ficamos a saber que as pessoas são importantes, devem ser retidos os talentos, e farão esta retenção dos melhores, por um processo holístico na transformação organizacional interna. Nem sei que diga a isto. Qualquer clube, qualquer empresa poderia ter esta visão. Os talentos? São para reter, claro. Como? através da nossa organização. Bem vindos à Varandas & Filhos, Lda., fazemos por medida.

Depois temos a Estrutura, a famosa estrutura. Era dela que Varandas falava, no início da época passada, sentado no meio do relvado do nosso estádio, e afirmava que esta época havia já uma estrutura sólida, silenciosa, que permitia almejar o sucesso. Afinal não havia, os reforços foram um flop, a equipa foi dizimada, os seus melhores jogadores foram vendidos e da formação apenas outros clubes puderam aproveitar. Bem, mas afinal parece que vai ser para o ano e ainda por cima uma estrutura eco-friendly. Sim, no prospecto de venda da sad a nossa estrutura aspira a ser eco-friendly. É óbvio que isto nada quer dizer, mas havia espaço em branco para preencher.

Vamos ao terceiro pilar, Sistemas de Suporte. Não, não pense que é aqui que entram os Sócios, ainda não. Aqui somos informados que vão implementar um software. É verdade, esta direcção considerou que a implementação de um software é um dos pilares do Sporting. Uma dica: não é a implementação do software que é o pilar, mas sim o modelo de gestão integrado, que um ERP permite. Não havendo um modelo integrado de gestão, um software de nada serve. 

Por fim temos os Sócios. Não é bem assim. Temos a interacção com o Sócio. Basicamente passámos a clientes do nosso clube. Bem sei que sim, o somos de certa forma. Somos aqueles para quem, em teoria, a direcção trabalha. Mas o conceito de interacção diz-nos muito. Diz-nos que de sócios, passámos a experiências. Vamos experimentar, ser experimentados.

Isto está na página 1 do prospecto de venda da SAD. As outras 13 páginas não passam de exercícios de mitómanos, distorcendo a realidade a seu favor.

Precisamos urgentemente de parar isto. 

Precisamos urgentemente de salvar o nosso clube.

Precisamos urgentemente de Ser Sporting.

 

Ser Sporting. A cultura de clube

A aparente ultrapassagem pelo Porto em número de adeptos (digo aparente porque sou um céptico das sondagens), relegando-nos para terceiro grande, será fruto de um sem número de razões, mas é sobretudo fruto da perda de uma cultura de clube que paulatinamente se tem vindo ao longo de anos verificando.

Os dezoito anos entre João Rocha e José Roquette, não me parece terem sido muito significativos em termos de perda de massa adepta, os números foram sempre empíricos atribuindo uma preferência clubística a cada um dos portugueses, quando sabemos que os há que ou não têm clube, ou torcem pelo clube da terra, mas fomos sempre o segundo grande, apesar das vitórias "douradas" do FCPorto. A perda de cultura de clube tornou-se mais evidente após Dias da Cunha (porque entre Roquette e Cunha se ganharam dois campeonatos quase seguidos) e com a chegada, por cooptação (sem a audição dos sócios nas urnas - se calhar não havia ninguém, se calhar foi uma golpada...) de Soares Franco ao poder. Se desportivamente o consulado de Soares Franco não se pode considerar trágico antes pelo contrário, não sendo grandioso cumpriu os mínimos, já em termos de gestão foi uma tragédia. Não tanto pelos números, mas pelo início da venda de património. Aquilo que os sócios e adeptos consideravam como adquirido, a grandeza também patrimonial do clube, começou a ser delapidada. E foi aqui que os sócios começaram a ser oficialmente (lembro-me claramente de o ter ouvido da boca de FSF) tratados como clientes. Sobrepôs-se o interesse dos novos clientes ao interesse dos sócios que não quiseram ser clientes e as pessoas começaram a afastar-se. Lembro da miséria de assistências, apesar das boas prestações das equipas de Paulo Bento, que não fora uma mão atrevida de Rony e teria sido campeão.

E seguiu-se a tragicomédia Bettencourt, que sem pulso deixou sair um treinador (amado/odiado, faz parte) forever e contratou mais três em pouco mais de ano e meio, acelerando a dança de cadeiras no banco (passe o absurdo) que é hoje a imagem de marca do Sporting. É verdade que Bettencourt levou a efeito uma campanha de angariação de sócios que nos fez atingir os 100 mil, mas rapidamente esse capital foi desbaratado por ele próprio e também pelo seu sucessor no cargo, Godinho Lopes, outra tragédia enquanto presidente, que conseguiu levar o clube quase à extinção. Em boa hora apareceu Bruno de Carvalho, com uma nova ideia de clube e de relação com os sócios e adeptos, colocando-os no centro da vida do clube, em suma devolvendo-lhes o que era deles. E as hostes, apesar dos resultados serem os mesmos de sempre naquilo que a quase todos nós importa, o caneco no futebol, andaram entusiasmadas durante cinco anos, encheram estádios, o nosso e outros um pouco por todo o país, o número de sócios quase que chegou aos 200 mil. Parecia que finalmente se via uma ideia de clube, um caminho a traçar para as tão desejadas vitórias, concordasse-se ou não com ele e mais de 90% dos votantes concordaram, numa segunda eleição. Depois... Depois o resto é história, eu tenho a minha opinião muito bem formada sobre o que aconteceu, não tenho que maçar os leitores com ela.

E chegámos, após um mandato de gestão de Torres Pereira que para o assunto pouco conta, a Frederico Varandas, que se apresentou a eleições com um programa que conseguiu cativar a maioria dos votos em renhida corrida com João Benedito, convencendo sócios que haviam estado incondicionalmente com Bruno de Carvalho e que, desapontados com o seu desnorte (para ser simpático) viram no programa e na pessoa de Varandas, um meio de equilibrar o clube e a SAD no campo financeiro, mas também para juntar os cacos que em nove meses se partiu o clube.

São esses sócios que hoje reclamam e bem, pela saída de Frederico Varandas. Porque estão desiludidos, porque se sentem traídos e sobretudo porque a cultura de clube que estava a enraizar-se na gestão anterior, se perdeu por completo. Hoje o estádio é uma enorme e vazia tristeza, a militância clubística anda pelas ruas da amargura, as notícias que vão aparecendo apenas desqualificam o clube, as entrevistas que vão sendo dadas por dirigentes cavam ainda mais o fosso entre sócios e adeptos e o clube, a tragédia é uma inevitabilidade, querem-nos fazer crer (já escrevi no post anterior sobre o afã de vender a maioria da SAD).

De bode expiatório em bode expiatório, primeiro BdC, depois as claques, o consulado de Varandas tem conseguido afastar do clube aqueles sócios que o seu antecessor conquistou. O número de sócios que deixaram de pagar quotas é disso "O" exemplo! O simples facto de se apelidarem, estratificando, aqueles que não se revendo neste desgoverno, de brunistas, brunecos, etc. revela uma enorme falta de sentido de cultura de clube, o da agregação de todos em torno do mesmo objectivo. Foi isso que Varandas prometeu, "Unir" o Sporting. Tem-se visto...

Ser Sporting - A ética

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.

(Mário Sá-Carneiro)

 

Ontem ne edição escrita do Record, Miguel Poiares Maduro, político, ex-ministro, professor, comentador de temas vários, deu a sua opinião sobre o estilo de governação que deverá ser a ideial para o nosso clube. Como gosto sempre de ler, lá fui e qual não foi o espanto quando, ao ler, ficar com a sensação que nada do que lia era novidade. Como podem ver aqui Pedro Azevedo numa publicação neste blog, em 2018, sim em 2018, leram bem, já tinha elencado, e de forma original, a sua visão, o caminho que ele próprio, com as suas ideias, achava, e sei que continua a achar, ser o caminho ideal para o nosso clube, sobre o que deve ser um presidente, o que se deve esperar dele.

Custa um pouco, admito, porque não é a primeira vez que alguém que "mete a cabeça de fora" numa putativa candidatura não anunciada, utiliza ideias publicadas pelo Pedro Azevedo. Não estou a afirmar que as ideias quando tornadas publicas não devam ser utilizadas por outros. É alias essa umas das intenções de as publicar. Mas não custa, deve ser sempre assim, reconhecer a sua autoria. 

Até porque o original é sempre melhor que a cópia. Sempre.

Andou ao engano

confuso-na-vida.jpg

 

Um ex-presidente do Sporting veio dizer que o Sporting Clube de Portugal sempre foi uma monarquia e só fez uma pausa entre 2013 e 2018. Curiosamente também disse que foi durante esse período que mais se enalterceram os valores do Sporting.

Ora, se o Sporting sempre foi uma monarquia com todos esses defeitos, de que serve enaltecer os valores definidos pelos "nefastos" monarcas?

Durante esta quarentena tem-se visto muitas fotografias das campanhas europeias do Sporting com o velhinho José de Alvalade cheio. Inclusivamente ganhámos uma Taça europeia no "tempo da monarquia".

O Sporting, com as suas qualidades e defeitos, nasceu em 1906 e desde então sempre foi enorme. Querer reduzir a sua grandeza ao período pós-2013 é um periogoso reescrever da história. Se não percebeu isto, andou claramente ao engano.

Ler em tempo de isolamento, 3

manuel-fernandes-jogador-400x300.jpeg

Texto de Rui Miguel Tovar sobre Manuel Fernandes:

“De suspeito a herói, é um ápice. Nem dura 90 minutos a eventual desconfiança. É o tal hat-trick à Académica. Nessa época de estreia pelo Sporting (1975-1976), há mais quatro desses, vs. União de Tomar (4-1), Braga (4-1), Leixões (3-0) e Académica (3-3). Todos em Alvalade. É a sua casa até 1987”.

In.: TOVAR, Rui Miguel – Fome de golo. 1ª ed. Clube do Autor, 2018. p. 173

Não há mais tempo

Depois da entrevista de Frederico Varandas tivemos no jornal Expresso, uma pequena entrevista do responsável financeiro do Sporting. Entre contradições e lugares comuns, a única certeza com que ficamos é que os dois acham que, embora com alguns erros cometidos, desvalorizados por ambos, o caminho a seguir será o definido há cerca de dezasseis meses. Isto é, a política desportiva vai ter por base o histórico apresentado por esta direcção. 

Como o Pedro Azevedo aqui explica de forma tão clara, o grande problema do nosso clube está a montante, isto é, na gestão desportiva que assenta em custos com pessoal, vulgo salários de jogadores e equipa técnica, totalmente incomportáveis para a actual realidade do nosso clube. A juntar a esta opção suicida, temos o péssimo planeamento, digno do mais incompetente gestor, que transforma um investimento de cerca de 47 (quarenta e sete) milhões de euros, fruto da incompetência generalizada, num dos piores planteis de que há memória. Como se isto não bastasse, assistimos, incrédulos, a declarações surreais sobre a menor valia da nossa formação e ao desbaratar de jogadores valiosos, vendidos por valores que até os clubes compradores acharam estranhos, de tão baixos. 

O caminho que esta direcção está a trilhar leva-nos, de uma forma imparável, a défices anuais crónicos e monstruosos. O fim desta gestão imprudente, amadora e danosa só pode acabar com a inevitável entrada de um qualquer fundo que esteja disposto a injectar umas centenas de milhões de euros para "salvar" a sad da falência. Mas, há sempre um mas, as centenas de milhões de euros nada resolverão, antes pelo contrário. Sabemos, pela experiência de outros clubes, que o aparecimento destes fundos, com reservas de capitais prontos a "investir" em clubes em pré falência, nada trazem de mais valias aos clubes. Se num curto prazo existe a ilusão de um super plantel, do fim das dificuldades de tesouraria, a médio prazo o resultado é sempre o mesmo, um aumento astronómico da dívida, jogadores que afinal não acrescentam nada e o final definitivo da ligação entre clube e sad. 

É para este cenário que esta direcção nos está a levar. 

E eu questiono: vamos esperar quanto tempo mais? 

 

Claques, trincheiras e o que é mais importante

O presidente Frederico Varandas foi há dois dias entrevistado no jornal da noite da TVI. O que era anunciado pela própria estação como um entrevista onde seriam abordados diversos temas, entre eles a política de contratações, a venda de Bruno Fernandes, a planificação desta época, limitou-se a ter um tema único, durante os cerca de vinte minutos que o presidente Frederico Varandas teve disponível no jornal da noite de um dos canais com maior audiência na televisão portuguesa. O presidente Frederico Varandas resumiu a realidade do Sporting a um tema. Alguém acredita que se por um acaso o actual presidente conseguisse resolver este problema, o Sporting teria pela frente épocas de sucesso desportivo e financeiro? Claro que não. Aliás o tema das claques, da sua violência, dos seus actos criminosos, não é exclusivo do nosso clube, bem pelo contrário. É um problema transversal da sociedade portuguesa e que reflecte em muito essa mesma sociedade. É por isso um tema que extravasa um clube e os seus dirigentes. Não se compreende assim que o presidente Frederico Varandas queira tomar a rédea de um problema do qual é apenas uma das vítimas, em que pela cargo que ocupa, representa o clube, nos representa. Um presidente do Sporting, pela dimensão que o nosso clube tem, deve conseguir perceber que neste caso concreto, a responsabilidade na sua resolução cabe inteiramente ao poder político e judicial. É ao governo, às autoridades policiais e judiciais que o presidente do Sporting deve pedir responsabilidades. Nestes cerca de dezasseis meses que leva de mandato o presidente Frederico Varandas não teve ainda tempo de solicitar uma audiência ao primeiro-ministro? Ao presidente da república? Ser recebido por um desconhecido secretário de estado, sem qualquer autoridade na tomada de qualquer decisão, só nos mostra que o presidente Frederico Varandas não percebeu, ainda ou de todo, o cargo para o qual foi eleito. 

Ao Sporting cabe apenas identificar os membros das claques que prejudicaram de forma concreta o nosso clube e, de acordo com os estatutos, expulsá-los de sócios. Para tudo o resto o clube não tem instrumentos oficiais e legais para resolver o que quer que seja. Por tudo isto pede-se ao actual presidente do Sporting que entregue a quem de direito este problema e que se centre na gestão do clube.

Mas, infelizmente, pelo histórico desta direcção, já percebemos que porventura este presidente quer mesmo continuar a cavalgar este tema e apenas este tema. Cavou uma trincheira e está a tentar abafar as justas críticas de que a sua direcção é alvo. Se Bruno de Carvalho extremou e radicalizou muitos dos adeptos seus apoiantes, Frederico Varandas está a seguir o mesmo caminho, ou estão comigo ou estão contra mim e com as claques. Alguma comunicação social já foi atrás desta fraca versão do "dr. coragem" tecendo loas de herói a Frederico Varandas. O que eu como sócio e adepto do Sporting gostaria de saber é qual o plano, se o tem, para inverter a situação catastrófica do nosso clube. Se para a próxima época os custos com pessoal vão reduzir de forma drástica, se vamos ou não apostar na formação ou se pelo contrário vamos voltar a seguir o modelo desta época. Se os FSE's vão ser efectivamente escrutinados e fortemente reduzidos. Se existe, se há alguma política concreta relativa aos sócios, aos núcleos, qual a política para conseguir inverter a notória redução das assistências no estádio?

São apenas poucas questões, mas muito mais importantes para a vida e para o futuro próximo do nosso clube, do que o problema das claques.

 

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D