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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Coroa de Loures

Numa realidade alternativa, uma figura  da mitologia cintrense como o Rei Peseiro terá duas qualidades: o toque de Midas e a sua magnanimidade. A primeira deriva da sua capacidade como alquimista, expressa na forma como vai fazendo progredir os comuns mortais jogadores que tem a seu cargo. Por exemplo, Bruno Fernandes é hoje uma mistura de Zidane (vejam lá, até falha penáltis) com Platini - quando não deriva para a ala esquerda (moda Outono/Inverno do "estilista", a da Primavera/Verão incluía um pivô com umas calças boca de sino) e veste o fato de um Bruno...Conti - , Ristovski e Bruno Gaspar estão entre um Cancelo e dois Gentile ("ma non troppo") e o Batman do Sporting é muito melhor que o Battaglia da Argentina. Só é pena lhe faltar o Careca, que finalmente daria razão ao seu mentor, afirmando-se nas suas mãos conhecedoras como uma mistura do Eusébio com o Pelé. A segunda tem a ver com a grandeza do seu discurso e a coerência das opções que toma. Desse modo, o internacional italiano Viviano não joga porque não está em condições ("só" está há mais de 3 meses em Alvalade), mas Gudelj é titular desde que chegou, ele que estava parado (e parecendo um bidon no campo, assim continua) desde Abril, após passagem pelo intensíssimo campeonato chinês. Na mesma lógica, com pesar não deu minutos a Miguel Luís, em Poltava, porque o jogo não estava a correr bem e ontem, contra o poderoso Loures, colocou-o em campo em cima do fecho da partida, depois de se ter apanhado a ganhar por 2-0 desde os 56 minutos. Também não lhe ficou mal dar a nonagésima terceira oportunidade de carreira ao goleador Castaignos (Dala foi estender as redes para Vila do Conde, que até é um sítio ideal para tal actividade) ou conceder a primeira possibilidade a Lumor de se sentar no banco de suplentes. Estou certo de que este último ficou com g(h)anas de lhe agradecer, enquanto observava o matraquilho Jefferson a não falhar uma oportunidade de acertar com a bola no defesa contrário mais à mão. Adicionalmente, tirou dois alas e colocou um "6" (a juntar a outro que já por lá andava) e um "8" em campo, a fim de obedecer a uma lógica filantrópica, destinada a engrandecer o valor do seu adversário, ainda que humildemente, no fim do jogo, tenha afirmado não ter percebido porque a sua equipa recuara no relvado. Para finalizar, deu azo a que o filho (Juninho) do ex-leão Mário herdasse a tendência paterna para herói da Taça e marcasse, a fim de todas as partes saírem contentes. Bravo!

 

Tudo isto é lindo e o único inconveniente é haver um conjunto de irredutíveis adeptos, de todas as idades e classes sociais e unidos pelo amor ao Sporting, que se recusam a aceitar esta realidade e que prefeririam que o clube vivesse sob o lema do seu fundador, aliás um dos grandes culpados de só agora estarmos a trilhar o caminho correcto. Confusos? Não. Para quê esforço, dedicação e devoção, quando a glória está ali ao alcance de um toque que tudo transforma em prosperidade? Ontem uma coroa de Loures, amanhã uma palma de ouro...

 

(Segue-se o Arsenal. O do Alfeite daria jeito. Sempre se repararia qualquer coisita, não é?)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (tudo somado, o algodão engana menos que o ouro). Notas positivas para Nani e Jovane.

 

(Nota: é assustador ver que Marcelo e André Pinto não podem jogar com a defesa adiantada, sob pena de virmos a sofrer grandes dissabores. Ontem, mesmo em bloco médio, com uma recuperação defensiva digna de um cágado, por duas vezes permitiram que avançados do Loures surgissem isolados na cara de Renan, guarda-redes que não se destacou pela segurança nos cruzamentos por alto.) 

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Sabia que? - Fernando Puglia

Sabia que Fernando Puglia é um dos 3 jogadores da história do Sporting com pelo menos tantos golos marcados como jogos (>50) efectuados pelo clube? É verdade! Depois de Peyroteo (526 golos em 325 jogos, média de 1,62 golos por jogo) e de Jardel (67 golos em 62 jogos), Fernando Puglia, com 61 golos em 61 jogos, tem a terceira melhor média de golos, inclusivamente à frente do mítico Hector Yazalde, o qual só para o campeonato nacional tem também a média de 1 golo por jogo (104 golos em 104 jogos).

 

Nascido em 23 de Janeiro de 1937, em São José do Rio Pardo (São Paulo), Fernando Puglia iniciou a sua carreira nas camadas jovens do Itobi, passando pelo Casa Branca (o seu pai, Francisco Puglia, foi Prefeito da cidade e o seu irmão, Gaspar, compôs a música do hino do município), até chegar ao Palmeiras, com quem rubricou o seu primeiro contrato como sénior. Aí actuou 3 temporadas, jogando atrás de Mazzola, campeão do mundo em 1958. A seguir, alinhou ainda no Santa Cruz e no São Paulo. Chegou ao Sporting em 1959 e formou uma dupla de atacantes (ele que era originalmente um centrocampista) de sucesso com o "Expresso de Lima", o peruano Juan Seminario. Ambos sairiam em 1961: Seminario para o Saragoça (e mais tarde para o Barcelona), onde aliás logo na sua primeira época se tornou o melhor marcador (Pichichi) do campeonato espanhol, Fernando com destino a Palermo, onde se impôs e ganhou grande destaque (e o epíteto de "Rei") depois dos dois golos que valeram uma vitória (2-4) em Turim, frente à Juventus - ele que já havia marcado ao Inter de Helenio Herrera, treinador que o havia recusado (mais tarde viria a fazer uns particulares pelos "nerazzurri") e a quem, provocatoriamente, foi entregar a bola após o golo - , que aliás lhe viriam a proporcionar uma transferência para a Vecchia Signora, antes de terminar a estadia em Itália jogando pelo Bari. Posteriormente, regressaria ao Brasil, repetindo passagens por Santa Cruz e São Paulo, terminando a carreira no Bangu, clube pelo qual se sagrou campeão carioca. Foi por três vezes internacional canarinho, em 1963, numa época em que o Brasil dominava o futebol mundial.

Morreu em São Paulo, no dia 6 de Abril de 2015.

 

Suspeito que desconhecido para uma larga maioria de adeptos leoninos, Fernando Puglia teve dois anos muito bons no Sporting Clube de Portugal. Hoje trago-o aqui, creio que pela primeira vez na história deste blogue, porque a memória deve ser parte essencial da cultura de um clube.  

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 1959: Fernando com o Rei Pelé, num amigável com o Santos

Hoje giro eu - Elasticidade dos Custos vs Resultados desportivos

O Sporting de Braga SAD irá apresentar, em AG, o Relatório&Contas referente à época desportiva de 2017/18. Segundo o Observador, nele constata-se que os custos com pessoal subiram para cerca de 19M€. Comparando com a Sporting SAD, verificamos que esta gastou com o pessoal cerca de 4 vezes mais (73,8M€) que a sua congénere bracarense, tudo isto para no final do campeonato conseguir apenas mais 3 pontos e uma diferença entre os golos marcados e os sofridos inferior em 6 golos. 

 

Como curiosidade, analisei também a temporada de 2015/16. Enquanto os bracarenses tiveram um custo de 12,5M€ com o pessoal, o Sporting gastou 48,8M€, ficando 28 pontos à frente e com uma diferença de golos superior em 39 golos.

 

Conclusão: os custos com pessoal da SAD leonina têm sido históricamente 4 vezes mais que os da homónima bracarense, mas a elasticidade dos resultados desportivos desportivos desta última face ao aumento dos custos foi bem maior. Bastou para isso aumentar os custos com pessoal em 6,5M€, o que lhe rendeu mais 17 pontos no final do campeonato. Já o Sporting, fez menos 8 pontos e gastou com o pessoal mais 25M€. Elucidativo!

 

Por tudo isto, quando oiço que cerca de 65M€ de orçamento para custos com pessoal é pouco para ser competitivo, dá-me vontade de rir. Ao que parece, há uma zona fronteira onde o orçamento produz uma diferença final na classificação, mas essa área está bem abaixo do que a generalidade dos adeptos pensa. Vejam-se os exemplos bracarense e nosso, quando Leonardo Jardim passou por cá. Não podemos é ter treinadores que permanentemente pedem cromos novos e andarmos sistematicamente a comprar jogadores para não serem utilizados, enquanto outros, da nossa Formação, são ignorados. Também, em vez de perdermos dinheiro permanentemente num "middle-market" de jogadores, onde a versão mais recente são as aquisições de Diaby e de Gudelj (investimento até agora de 8,5M€, fora salários), deveríamos investir, menos em quantidade e mais em qualidade, em jogadores de segmento alto como Bas Dost ou Jardel. Claro que, para isso, não podemos ter treinadores que querem sempre mais um jogador para cada posição, mesmo que já tenham duas ou três opções no plantel, chegando-se ao ridículo de termos neste momento nove jogadores com potencial para jogarem nas posições "6" e "8" e, ainda assim, parecer que nenhum serve. Não sendo isto claro para todos, nomeadamente para os decisores, e constinuando a resistir à mudança, um dia acordaremos a resistir à extinção, momento em que a perda de maioria do clube na SAD será dada como inevitável. Eu não quero isso!

Hoje giro eu - Ciências

... E pronto, parece que o assunto de momento são os méritos da nova Comunicação do Sporting. Ao bom estilo português, como se não houvesse todo um mundo entre a verborreia desenfreada de antigamente e o silêncio dos inocentes (no original, "silence of the lambs", não confundir com "lamps"). Como se a linguagem corporativa, não apenas reactiva, quando centrada em nós e nas nossas realizações, não fosse uma ferramenta essencial da cultura de uma Organização, da sua coesão, no sentido em que pode motivar, entusiasmar e direccionar todos os que directa ou indirectamente com ela se relacionam para um objectivo comum, promovendo assim a união. Sendo um tema a merecer uma maior reflexão, não me vou alongar nele, até porque no domínio das ciências (e da administração) há outras realidades que me preocupam mais e que certamente também preocuparão uma Direcção que apanhou o comboio já em movimento, sem a oportunidade de delinear, desde o início, a sua própria estratégia para o futebol e de pôr o seu cunho pessoal no processo (importante ter isto presente), razão mais do que suficiente para não ser julgada precocemente. A saber:

  • Aritmética - à sétima jornada, estamos a 4 pontos do duo da frente (Benfica e Sporting de Braga), a 2 do FC Porto e a 1 do Rio Ave;
  • Estatística - somos apenas o sétimo melhor ataque e a oitava melhor defesa da Liga 2018/19;
  • Electromagnetismo - não existe magnetismo no nosso futebol, porque a corrente eléctrica é interrompida no meio-campo;
  • Mecânica - em Portimão, foi visível que em alguns jogadores a estática se sobrepôs à dinâmica;
  • Psicologia - em momentos determinantes, a equipa entra apática, como se tivesse receio de ser feliz. Foi assim, no final da época passada, na Madeira, no jogo dos 70 milhões (menos 25 milhões para nós, mais 45 milhões para o Benfica), assim foi Domingo em Portimão, jogo onde, imagine-se, até se viu jogadores a bocejar no campo. Se o ano passado, a razão apontada foi Bruno de Carvalho, este ano queixamo-nos do quê?;
  • Sociologia - o comportamento da Estrutura do futebol perante o meio envolvente e o processo que interliga colaboradores, atletas, sócios, adeptos e simpatizantes com o clube;
  • Economia - o modelo de sustentabilidade do clube, o qual vai ser testado na forma como a Direcção actuar no mercado de Inverno;
  • Finanças - chamado à colação devido ao constante fracasso do modelo de gestão, consequência de uma política desportiva sucessivamente desastrosa. Renegociação das VMOCs, empréstimo obrigacionista e rescisões são os temas mais urgentes;
  • Álgebra - falta uma teoria que explique a desconexão existente entre os números de investimento anual e a metemática que nos é apresentada ano-após-ano, de há 17 temporadas a este parte. E assim, sem sabermos onde falhamos, continuamos a persistir no(s) erro(s);
  • Investigação Operacional - Gestão de stocks: temos uma série de jogadores excedentários por colocar, que pesam na conta de exploração e não têm rendimento desportivo; Filas de espera: os anos que vão passando sem que consigamos chegar na frente - sem que uma qualquer Gertrudes desbloqueie o tráfego - que influenciam a nossa auto-estima e as nossas finanças;

 

Decerto, a econometria poder-nos-ia também dar pistas para a resolução dos nossos problemas. E, em última análise (desespero), o ocultismo, tão do agrado dos supersticiosos do nosso ludopédio. Sim, como diria a Alcina Lameiras, com a bola de cristal sobre a mesa, não negue à partida uma ciência que não conhece. É que eu não creio em bruxas, mas que as há, há...

 

 

Hoje giro eu - Resignação?

"Levantem-se como leões depois da letargia, num número que ninguém haverá de destruir. Vocês são muitos - eles são poucos" - Percy Shelley

 

"Levantem-se, oh leões, e abandonem a ilusão de que são ovelhas. (...) A matéria é vossa serva, e não vós, os servos da matéria" - Swami Vivekananda

 

Incomoda-me o estado de resignação que vejo nos meus consócios sportinguistas. É certo que vimos de um período traumático, que há feridas abertas e de difícil cicatrização, mas a nós coube transportar o facho de uma gesta gloriosa e fazer cumprir a missão expressa nestas palavras premonitórias do nosso fundador: "um grande clube, tão grande como os maiores da Europa". Por isso e para isso, temos de nos reerguer, de lutar, de ousar vencer. Só assim sobreviveremos. Um grande clube como o Sporting tem de ter uma cultura de exigência. Que começa na sua Direcção e tem um elo condutor que liga atletas, funcionários, sócios, adeptos ou simples simpatizantes. Como tal, ninguém pode estar satisfeito quando à sétima jornada estamos em quinto lugar no campeonato e temos apenas o sétimo melhor ataque e a oitava melhor defesa da competição. Particularmente, eu não quero que este seja o "novo normal", até porque o Sporting é um gigante e nada tem a ver com a mediania que caracteriza a maioria dos seus concorrentes. Por isso, que cesse o "ah", "mas" e o "porém" e que sejamos afirmativos com o legado que temos na mão.

 

A equipa de futebol joga muito pouco - isso é uma evidência. Algo tem de mudar. Em primeiro lugar, deve haver uma filosofia de jogo, que respeite os objectivos que são pedidos ao treinador. Não é romântico pensar que quem joga melhor está mais perto de vencer. O Manchester City, o Liverpool e o Chelsea são as equipas que praticam um futebol mais enleante e, concomitantemente, ocupam as primeiras posições da Premier League. Em oposição, o Manchester United, que especula mais com o jogo, está em oitavo lugar na mesma competição. Para além da crueza própria dos números, há um aspecto que deveríamos valorizar e que muito contribuiria para aproximar sócios e clube: um futebol mais vistoso, menos angustiante, levaria mais gente aos estádios e ajudaria a curar as nossas mazelas. Mais do que palavras, são os actos que determinam o destino das lideranças. Precisamos de estabilidade, mas para isso precisamos de a conquistar. Isso não se promove com slogans, muito menos por decreto. Há que criar uma ideia, um conceito, e depois trabalhá-la no dia-a-dia. Não vejo isso, não conheço os objectivos que foram pedidos ao treinador, não sei como ou com que actos concretos se pretende unir a grande familia sportinguista.

 

Uma coisa eu sei: com um orçamento de 60/65 milhões de euros em custos com pessoal, com os FSE nos níveis que estão (22M€) e com amortizações anuais de 28M€ não se pode ser resignado. Não estamos a falar dos tempos de Leonardo ou Marco, mas de uma realidade totalmente oposta. Gastamos muito, logo tem de haver ambição. Temos custos demasiadamente elevados para que se encarem as derrotas como uma fatalidade. Nem a insustentável leveza dos sportinguistas, nem o insustentável peso do Viviano, o Sporting tem de ser grande e actuar como tal, mais a mais quando começamos a época com um défice de exploração de 56M€ (antes de Europa e venda de jogadores) e vemos os nossos adversários encaixarem um mínimo de 50M€ na Champions, algo que a repetir-se no final da temporada criará uma "décalage" muito difícil de preencher no futuro. É, por isso, necessário que Direcção, técnicos e jogadores se aproximem, ajam como um só corpo e comecem a falar e a fazer Sporting. Nos gabinetes como no campo. Se isso acontecer, os sócios, adeptos e simpatizantes deste enorme clube irão aderir. Que ninguém dúvide disso.

O ano do subcão

Parece que este é o Ano do Cão, de acordo com o zodíaco chinês. Talvez também pudesse ser o Ano do Subcão (underdog) no futebol português, mas é difícil. O Sporting já está habituado a ser tratado como uma espécie de perpétuo subcão entre os três grandes. Este ano ainda mais. E com razão: não se vê a equipa a jogar nada. Claro que, em típico formato sportinguista, já se pede a cabeça do treinador. Mas vamos lá a ver uma coisa: não perdeu o Sporting aquele que os sportinguistas consideravam ser o melhor médio defensivo de Portugal e arredores? Não perdeu aquele que os sportinguistas consideravam ser o ala mais espectacular desde o ala mais espectacular que o Sporting produziu desde o ala mais espectacular que o Sporting produziu desde o Cristiano Ronaldo? Não perdeu o melhor guarda-redes do mundo (ou algo do género)? Ainda por cima, Dost e Mathieu não têm jogado.

Pois, o Sporting não joga nada, mas verdade também seja dita que já não se vê o Sporting jogar nada vai para dois anos e tal, desde o primeiro ano do Jesus, quando não havia competições europeias a atrapalhar. Nos anos seguintes, houve sempre uma qualquer desgraça pós- ou pré-europeia, desde os 3-1 em Vila do Conde até aos 3-3 em Guimarães. Ainda por cima, estamos a falar de dois dias de descanso com ida-e-volta à Ucrânia. Ah pois, não serve de desculpa, mas a verdade é que serve. A única coisa que não percebo é porque é que não jogou o Sporting hoje, em vez de ontem.

Ainda tínhamos o Rui, o Coentrão, o William, o Adrien, o Gelson, o Dost e o Mathieu e já jogávamos este futebol de subcão. Muito tem feito o Peseiro para aquilo ainda parecer uma equipa de futebol.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Na paz do Senhor

O Rafael Barbosa havia-se queixado de ter levado uma cabeçada. Não foi (um) casual, o perpetrador identificado pelo jogador tinha sido, alegadamente, o próprio presidente da SAD do Portimonense (um tal de Rodiney), clube a que estava emprestado pelo Sporting. Em sequência, o jovem arrumou as malas e voltou a (nossa) casa. Por isso, na antevisão do jogo, confidenciei a amigos que a Estrutura leonina faria tudo para ganhar este jogo. Assim a modos de um "statement", no sítio apropriado (campo) e sem histerias comunicacionais. 

 

Por vezes, a vida troca-nos as voltas. O Sporting entrou com Battaglia e Gudelj a fazerem o par de médios defensivos e Bruno Fernandes à sua frente. No ataque, os alas Raphinha e Jovane acompanhavam Montero. Atrás, Ristovski e Acuña regressavam, por troca com Gaspar e Jefferson, utilizados na Ucrânia. Mas, desde o início, as equipas pareciam trocadas. Bem sei que o Portimonense é Sporting Clube e que até tem um Leo na baliza, mas os algarvios, antes deste jogo, andavam em último lugar no campeonato. Ainda assim, estiveram sempre por cima. Impulsionados por um moço Manafá(do), ou marafado (estavamos no Algarve), à meia-hora chegaram ao primeiro golo. O traquina do lateral esquerdo combinou com Nakajima, dançou com Coates e marcou. Ristovski acompanhou escrupulosamente tudo. Com os olhos. Olhei para o outro lado e vi anunciar-se grande Tormen(t)a.

 

Tabata trocava os olhos a Acuña e Nakajima sentava Ristovski, o qual parecia (estranhamente) tão surpreendido pelos ataques do nipónico (já cá está há algumas épocas) quanto os americanos em Pearl Harbour. O Portimonense dava baile, com odor(i)* a escola de samba e, em cima do intervalo, chegou ao 2-0: Manafá e Nakajima voltaram a tabelar e desposicionaram Coates e Ristovski. O uruguaio tentou recuperar, mas o macedónio viu-se grego e veio a passo, desistindo olimpicamente, certamente cansado de um jogo em Poltava (Ucrânia) onde não alinhou. Como resultado, desta vez coube ao japonês assinar o remate fatal, ao fim de mais uma carga banzai que co-protagonizou sobre a defensiva leonina. Fatal também poderia ter sido para Salin (trocado por Renan), que num vôo kamikaze, em tentativa desesperada de evitar o golo, embateu com a cabeça no poste, perdendo logo aí os sentidos. Valeu a atenção de Coates, célere a tirar-lhe a lingua para fora, evitando que sufocasse e assim provavelmente salvando-lhe a vida. (Para que não nos esqueçamos que há coisas bem mais importantes do que o futebol.)

 

Raphinha, lesionado e em sub-rendimento (mais um), não voltou para o segundo tempo (substituido por Nani), mas o Sporting continuava sem abdicar do duplo-pivot ou, se quiserem, daquela coisa em forma de assim (como diria Assis Pacheco), que é aquela indefinição de quem é o quê ("6" e/ou "8") no meio-campo leonino. Ainda assim, o Portimonense mostrava uma ingenuidade desarmante, dando espaços para as penetrações leoninas, com Jackson muito desgastado e a fazer figura de corpo presente. Bruno Fernandes, agora no flanco esquerdo, quase marcava num excelente pontapé de fora da área. De seguida, assistiu Jovane para um falhanço escandaloso. Até que Acuña, picado com Tabata, decidiu-se por um "raid" pelo seu lado esquerdo que desorientou a defesa algarvia. A bola sobraria para Nani, que serviu Montero - terceiro golo consecutivo - para o 2-1. O Sporting voltava à partida e a atitude do opositor, de jogar o jogo pelo jogo, tornava o sonho possível. Nesse transe, Gudelj, isolado, dominou mal a bola, perdendo a igualdade, após insistência esforçada de Bruno Fernandes. Só que, na ressaca de um pontapé de canto, Nakajima foi deixado sozinho à entrada da área e não perdoou. Pouco depois, Coates, investido em ponta-de-lança, foi lá à frente reduzir, de cabeça, em nova assistência de Nani. Em campo já estava o velocista Diaby, que veio aprender que importante é a rapidez com bola, que isto não é atletismo, mas sim futebol. Lição que lhe foi dada pelo Oliver Tsubasa de Portimão, o nipónico Nakajima, o qual isolou João Carlos para o 4-2 final.

 

Frustrantemente, o Sporting não aproveitou o deslize do Braga nem a derrota do Porto, acabando assim a sétima jornada em quinto lugar. Pior, a atitude da equipa roçou a indolência. Também na Tribuna, passe o incidente narrado acima, tudo parecia estar na paz do Senhor, com Varandas e Cintra ladeando o accionista maioritário da SAD portimonense, Theodoro Fonseca. Sobre Peseiro, não vou falar. As coisas dizem-se enquanto tal for de utilidade. Depois de consumado, falar para quê? Espero é que quem só olha para os resultados (e não analisa o processo) venha a ter agora um "reality check". É que para não ficarmos nos dois primeiros (e se calhar, estou a ser optimista), 60/65 milhões de custos com pessoal é um "bocadinho" excessivo. Se tiverem dúvidas, perguntem ao Leonardo.

 

Nota: à 7ª jornada, temos o sétimo melhor ataque e a oitava melhor defesa...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Luis Nani (alternativa a Bruno Fernandes, que foi vitima do mau aproveitamento do seu esforço)

 

*Odori: dança tradicional japonesa

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Direito a ser diferente

Saltito entre postais e comentários neste blogue e que leio?

Uma enxurrada de má-educação, de ofensas verbais, de discursos a roçar a ordinarice, maioritariamente nos comentários de adeptos leoninos.

No fundo, no fundo estes são, por assim dizer, os resíduos tóxicos deixados por BdC na mente de alguns Sportinguistas.

O fundamentalismo traduzido na sua forma verbal ou em acções é sempre condenável. Seja em Portugal, no Burkina Fasso ou na Lua.

Nada me move contra outros sócios ou simples adeptos do Sporting que pensem de forma diferente da minha. Nem por expressarem as suas opiniões mesmo que seja contráriaa, desde que apresentadas de forma elevada.

Custa-me por isso entender o que se passa na cabeça destes Sportinguistas que nasceram para a vida do clube após BdC ter sido Presidente, olvidando que quando o Sporting ganha todos ficamos felizes por essa vitória.

Ou será que não ficam?

Portanto caríssimos não contem comigo para baixar o nível do meu discurso. Jamais!

 

Viva o SPORTING!

 

PS – Já estou a imaginar o chorrilho de palavreado e de epítetos com os quais irei ser brindado. Mas tal não me afecta… minimamente!

A gente lê-se por aí!

Um Leão duro de roer

 

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O vencimento do empréstimo obrigacionista de 30 milhões de euros já no próximo mês de Novembro e todas as obrigações financeiras correntes da SAD e do Clube  (salários, fornecedores....) estão a pressionar o presidente do Sporting para encontrar dinheiro fresco. Frederico Varandas dá, no entanto, sinais claros de que não cede a pressões para fazer acordos fáceis sobre activos do Sporting, ainda que tenham rescindido alegando justa causa. O último exemplo é revelado hoje pelo Record, em que os ingleses do Wolverhampton viram rejeitados os 20 milhões de euros brutos (13 milhões líquidos de comissões antigas à Gestifute) pelo acordo de venda de Rui Patrício. Uma nega que merece aplausos até porque se trata de um dos melhores guarda-redes do mundo.

Se não vejamos:

Kepa foi do Atlético de Madrid para o Chelsea por 80 milhões

Alisson Becker foi da Roma para o Liverpool por 62,5 milhões

Buffon foi do Parma para a Juventos por 53 milhões

Ederson foi do Benfica para o Manchester City por 40 milhões

Então, o Rui iria do Sporting para o Wolverhampton por 13 milhões?

As dificuldades financeiras do Sporting não justificam acordos a qualquer preço. Premissa que é válida também para outros como Gelson e Atlético de Madrid.  Varandas sabe bem ser um Leão nesta selva do futebol e começa a mostrar os dentes aos rivais. Até porque uma das promessas feitas nas eleições que lhe deram a cadeira de Presidente foi a de que o Sporting estaria sempre em primeiro lugar.

Estamos acordados e vigilantes para que o Leão seja um osso duro de roer.

Hoje giro eu - Longa se torna a espera

Há 17 anos, o Sporting vinha de uma época traumatizante. A temporada anterior tinha corrido mal, apesar do elevadíssimo investimento. Duscher e Vidigal haviam sido vendidos, mas em compensação entrariam 12 jogadores: João Vieira Pinto, Sá Pinto, Paulo Bento, Phil Babb, Horvath, Rodrigo Fabri, Dimas, Hugo, Bruno Caires, Kirovski, Rodrigo Tello e Alan Mahon. Este último, supostamente, para o lugar de Simone Di Franceschi, com o qual inacreditavelmente não havíamos accionado a cláusula de opção. Luís Duque entrara em choque com José Roquette e este demitira-se, subindo Dias da Cunha à presidência.  

 

Começava uma nova temporada e, com ela, uma nova era. O rigor financeiro substituía o despesismo e Miguel Ribeiro Telles e José Eduardo Bettencourt assumiam o futebol, saindo Duque. A necessidade de contenção financeira levara à não renovação de contrato com Schmeichel e Acosta, e Iordanov acabara a carreira. Bino e Edmilson, outros jogadores importantes no título de 1999/2000, também haviam abandonado. Dir-se-ia que estavamos mais fracos e vínhamos de um terceiro lugar no campeonato anterior, vencido pelo Boavista. 

 

As contratações não foram nada sonantes. Talvez as mais mediáticas tenham sido as de Marius Nicolae e de Rui Bento. Boloni, um romeno relativamente desconhecido como treinador (excelente antigo jogador), chega a Alvalade. Para agravar, apesar de termos começado bem (vitória por 1-0 frente ao Porto), à terceira jornada já registávamos duas derrotas: uma caseira face ao Alverca, outra fora, em Belém. Até que chega Jardel, proveniente do Galatasaray, num negócio que envolveu a cedência de Spehar, Horvath e Mbo Mpenza. Tudo muda! Boloni aposta decisivamente em dois produtos da Formação (Hugo Viana e Quaresma), que se revelariam, conjuntamente com João Pinto, assistentes privilegiados de Mário Jardel. André Cruz brilha a grande altura, com especial incidência na execução de bolas paradas e Nelson e Tiago, revezando-se, não fazendo esquecer Schmeichel, seguram bem as pontas na baliza. 

 

Foi há 17 anos! Desde aí, jamais encontrámos a fórmula certa. Tivemos mais 4 presidentes, mais de uma dezena de treinadores, centenas de jogadores e nada... Curiosamente, as épocas de contenção financeira (4 com Filipe Soares Franco e Paulo Bento, uma com Bruno de Carvalho e Leonardo Jardim) foram as melhores. Registo mais positivo, apenas com Bruno de Carvalho e Jorge Jesus, na temporada 15/16, mas aí já com um orçamento de cerca do dobro. Em contrapartida, a época do "cheque e da vassoura" foi a pior de sempre e a de orçamento mais elevado, a última, não deixa saudades por múltiplos motivos. Dá que pensar!  Será que, contra todas as expectativas, vamos interromper a seca de vitórias esta temporada, vencendo um título em ano ímpar, algo que nos escapa desde 1953 (há 66 anos)? É que já longa se torna a espera...

Pergunta venenosa!

 

Há uns dias fizeram-me uma pergunta sobre BdC, através de uma dessas ferramentas usadas nos telemóveis e que reproduzo aqui, contendo outrossim a minha breve resposta.

 

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Não sei se ainda valerá a pena responder a preceito, mas fica a ideia de que há ainda sportinguistas saudosos da truculência do antigo presidente.

Parece que vai ser muito difícil aplacar esta gente, sempre tão desejosa de conflitos.

Hoje giro eu - Anatomia da Grei leonina

Era uma vez um clube. Mais do que um clube, um clã de irredutíveis leões, mestres na arte de resistência. A falta de presas dividira a tribo ao longo dos anos, a qual, esfomeada, se desunira. A coroa de Rei Leão há já gerações que passava de cabeça em cabeça e resistir, na esperança de um futuro de abundância, era a único elo que ligava estes leões. Tudo o resto era motivo de discórdia. Nesse transe, grassavam as incongruências: quem criticava o défice democrático do líder, ao mesmo tempo condenava os reparos que outros leões faziam à forma como a alcateia se (des)organizava na caçada e, se porventura, o leão procurava silenciosamente atingir os seus objectivos, logo os que anteriormente haviam afirmado que o excesso de rugidos espantava a caça se incomodavam. Quando o insucesso já era evidente, a alcateia dividia-se entre os que criticavam a táctica empregue e os que atacavam os que previamente haviam avisado de que correria mal. Para aqueles, estes eram uns desestabilizadores (mesmo que tivessem 8 milhões de euros de razão) e com isso tinham prejudicado a acção na savana. E assim se passavam os anos...

 

É claro que situações destas só ocorrem no reino animal. Os humanos, e em particular os sportinguistas, têm uma racionalidade que os leva a agirem para prevenir uma crise e a unirem-se quando esta se consuma. Em todo o caso, sobre o Sporting, versão 2018/19, gostaria de Vos dizer o seguinte:

  

  1. José Peseiro teve a coragem de pegar numa equipa em cacos. Contrariando a ideia que eu tinha à partida, do meu ponto-de-vista, o treinador tem sido exemplar nos casos disciplinares. Nenhum jogador (como nenhum sócio) pode estar acima do Sporting Clube de Portugal e tal é válido tanto para um jovem (Matheus Pereira) como para um jogador consagrado (Nani). Se o treinador se impõe e castiga um jogador importante que infringiu as regras, a mensagem ecoa em todo o balneário. Assim tenha o suporte da sua Direcção (vidé o caso que envolveu Mourinho e Baía, aquando da passagem do setubalense pela cidade invicta);
  2. Não é dele a culpa de jogadores já com 23 anos (Palhinha e Geraldes) terem a ansiedade natural de poderem ser opção no clube, visto nunca o terem sido durante os últimos 3 anos (foram usados apenas para mascarar a péssima campanha de 16/17), mas a história dos jogadores quererem sair está claramente mal contada, porque um atleta com contrato só vai embora se o clube quiser ou se alguém bater a cláusula de rescisão. Em sentido contrário, crédito total a Peseiro pela aposta em Jovane, grande revelação até agora do campeonato;
  3. O clamor dos sportinguistas que pediam a utilização de Marcus Acuña como lateral esquerdo foi ouvido, o que não deve ser entendido como um sinal de fraqueza do treinador, mas sim como um acto de inteligência;
  4. É por demais evidente que o duplo-pivô não é um sistema de um candidato ao título, mas é justo dizer que ainda não surgiu um jogador que desse totais garantias na posição "8";
  5. Ainda assim, e enquanto esperamos por Sturaro - melhor hipótese para essa posição, embora também possa ser utilizado na posição "6" e até mesmo como lateral direito -, Wendel deveria ter sido mais testado e mesmo Bruno Fernandes poderia ter recuado no terreno, passando Nani (porque não temos Geraldes) para o apoio ao ponta-de-lança, opções que o técnico entendeu não tomar;
  6. É normal o descontentamento de quem não é resultadista e analisa o processo, dado o que se pode observar no relvado. Não é menos sportinguista quem toca na ferida do que quem prefere a ignorar. Já o ano passado, as criticas a JJ eram mal vistas porque íamos ganhando. No fim, foi o que se viu. E não vale a pena falar do jogo da Madeira, ou de Alvalade contra o Benfica, porque aí o título já tinha fugido. Por vezes, quem está demasiado perto não vê tão bem. O afastamento dá outra perspectiva das coisas e as críticas dos adeptos podem ser úteis desde que não ultrapassem os limites da urbanidade;
  7. Não se pode confundir estabilidade com situacionismo, da mesma forma que não se deve misturar descontentamento ou enfado com assobios;
  8. Sendo certo que o trabalho de Peseiro tem uma série de atenuantes "ex-ante", não nos podemos esquecer que somos o Sporting e que a exigência num clube desta dimensão é sempre o título de campeão nacional, mais a mais numa época, dir-se-ia, decisiva quanto ao futuro do clube como o conhecemos, à luz do desequilíbrio que uma nova não participação na Liga dos Campeões provocaria face aos rivais;
  9. A saída de Piccini não parece ter sido devidamente colmatada, pelo menos no que se refere ao capítulo defensivo. É certo que contratámos Bruno Gaspar, mas este, apesar de ter jogado num campeonato muito táctico como o italiano, parece dar mais que Ristovski apenas no capítulo ofensivo. O macedónio tem mostrado lacunas no posicionamento, preenchimento do espaço interior e acompanhamento das movimentações dos adversários (não pode ter os olhos só na bola), o que esteve na origem dos golos do Benfica (marcou João Félix de costas) e do Braga (não compensou devidamente a ida de emergência de Coates à lateral), para além de ter facilitado contra o Marítimo, em lance salvo "in extremis" por Acuña;
  10. Terminar o jogo contra o Marítimo com três médios defensivos é um excesso de zelo que, como tal, é mais prejudicial do que útil. Por razões conjunturais, estruturais e de estatuto. Conjunturais, porque a margem de dois golos e os cerca de 15 minutos que faltavam de tempo de jogo eram uma base confortável para dar tempo de jogo a elementos que se esperam poder vir opção atacante, no futuro; estruturais, porque dado o excesso de jogadores para as posições "6" e "8" (Battaglia, Petrovic, Gudelj, Sturaro, Wendel, Miguel Luís e até Bruno César, Bruno Fernandes e Acuña), não é crível que Misic, pelo que mostrou até hoje, venha a ter grande espaço no plantel, pelo que a sua utilização terá sido pontual e não a semente de algo que possa dar bons frutos mais para a frente; de estatuto, porque a história do Sporting não se coaduna com a imagem de que joga à clube pequeno, ainda mais quando não defronta o Real Madrid ou Barcelona, mas sim o Marítimo;
  11. Demasiado conservadorismo leva a poucos golos marcados. À sexta jornada, somos apenas o sexto ataque da competição. Com menos 2 golos que o Rio Ave, menos 4 que o Santa Clara, menos 5 que o Benfica, menos 6 que o Braga e menos 7 que o Porto. É que se a nossa estratégia passa por pensar jogo-a-jogo, então não nos esqueçamos que o objectivo do jogo é o golo;
  12. Ponto 12 como o do 12º jogador: sendo certo de que as exibições têm sido muito pouco conseguidas - e atenção que a forma é importante, na medida em que um bom espectáculo atrairá mais sportinguistas ao estádio, o que será importante, não só económicamente mas também como fonte de união -, fundamental será ganharmos o campeonato. Embora não se possa sempre pedir ópera, a generalidade das equipas campeãs tem momentos arrebatadores de bom futebol. (Isso, aliás, deveria fazer parte do nosso ADN de clube.) Para além de que, estou em crer, bons jogos ajudariam a sarar algumas feridas ainda abertas (lá está, a união não se pede, conquista-se com comportamentos). Em todo o caso, pese o aborrecimento ou tédio das nossas prestações, é importante, como nunca, que sócios, adeptos e simpatizantes estejam com o clube. É que, goste-se, ou não, do presidente, da equipa técnica, dos jogadores, nunca daremos a este grande clube na proporção daquilo que ele já nos deu: o imenso privilégio que é fazer parte de algo grandioso, as vivências, amizades, escape, alegrias e, também, algumas tristezas (sim, porque sem estas, como poderíamos valorizar a glória das vitórias?). VIVA O SPORTING !!!

A tradição já não é o que era!

O meu filho mais velho tem um conjunto volumoso de camisolas do Sporting. A cada partida usa uma diferente. No jogo contra o Marítimo não foi excepção! Nas costas o seu nome, assim como um número que é o dia do seu aniversário.

Já a caminho do estádio diz ele a determinada altura:

- Esta camisola está amaldiçoada…

- Porquê?

- Sempre que vim com ela o Sporting nunca ganho!

Ora… tendo em conta que tínhamos acabado de ver a equipa de andebol ser derrotada por uns dinamarqueses de um clube de nome impronunciável, temi que a nefasta tradição se mantivesse.

Pois… mas ou tradição já não é o que era ou a equipa do Sporting não liga a tradições, a verdade é que o jovem saiu de Alvalade com a primeira vitória naquela camisola.

Certamente para mais tarde recordar!

 

Também aqui

Comparações

O futebol é sempre feito de comparações. Há dois meses, por exemplo, o Sporting tinha um plantel destroçado, com nove jogadores a rescindirem unilateralmente. Incluindo o guarda-redes titular do clube e da selecção nacional, campeão europeu, entretanto substituído por um aleijado italiano que se apresentou em Alvalade com seis quilos a mais e está arrumado numa arrecadação qualquer.
Isto tem de funcionar como elemento de comparação. Claro que melhorámos de então para cá. Claro também que ninguém consegue, em tão pouco tempo, transformar um plantel destroçado em potência do futebol nacional. É de elementar honestidade intelectual reconhecer tal facto.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Medo de ser feliz!?

O Sporting bateu o Marítimo, num jogo em que Peseiro experimentou duas tácticas: primeiro, a do Pudim Molotov, com um buraco no meio (espaço compreendido entre Bruno Fernandes e o duplo-pivô) e as zonas envolventes todas cobertas de jogadores; depois, a das Chaves do Areeiro, com trinco, tranca e cadeado. 

 

A primeira táctica tem o seu quê de soviética, na medida em que herda o seu nome de um antigo ministro dos negócios estrangeiros (Vyacheslav Molotov) no tempo de Estaline, famoso pelo pacto de não-agressão que assinou com Joachim Von Ribbentrop, ministro das relações externas da Alemanha nazi. Ora, como sabemos, o sistema económico/político da antiga União Soviética colapsou devido ao excesso de burocracia, má alocação de recursos humanos e contínuo investimento em sectores deficitários, algo que tem paralelismo com o que vem sendo a actuação do Sporting em campo devido ao uso do mal-amado duplo-pivô. Já a segunda táctica é um neomodernismo de inspiração tipicamente portuguesa, que diz que a igualdade é contraditória, remete para um passado que já tem 13 anos e se traduz na interpretação literal do velho adágio popular "depois de casa roubada, trancas à porta".

 

Os leões entraram bem, com Montero a mostrar uma maior amplitude de movimentos e logo a criar problemas à defesa insular. O colombiano começou por cabecear ligeiramente por cima e por roubar uma bola em zona proibida e sacar um cartão amarelo a um maritimista. Aos 12 minutos, Jovane Cabral rasgou a defesa da Madeira com um passe perpendicular que deixou Raphinha isolado perante Amir, num duelo Brasil-Irão de onde resultou uma grande penalidade superiormente transformada por Bruno Fernandes. Assistir a um golo madrugador do Sporting é um privilégio tão raro como ver Petrovic executar com sucesso uma roleta à saída da sua área, mas acreditem, ou não, ambas as situações ocorreram ontem, no espaço de poucos minutos, em Alvalade. Ainda na primeira parte, uma carambola às três tabelas possibilitou a Fredy "Theriaga" Montero dar a estocada final. A tacada original foi de Raphinha. Caminhava a partida para o intervalo quando Ristovski voltou a não ser capaz de fechar por dentro, abrindo uma autoestrada por onde entrou, isolado perante Salin, um maritimista. Passe de morte para a esquerda, mas apareceu Acuña a salvar miraculosamente um golo cantado. Grande garra do argentino!

 

O segundo tempo começou de forma auspiciosa, com o Sporting a dominar a seu bel-prazer. Acuña rematou ao lado, Montero teve um toque de habilidade para Bruno Fernandes que lançou o perigo, uma combinação entre Raphinha e Bruno quase dava o terceiro da noite e Montero (sempre ele!) ainda sacou um livre na meia-lua da área insular. Eis que Peseiro decide mexer e tira Jovane. Esperava-se que fosse a oportunidade de Mané ter minutos no regresso à competição, ou mesmo que Diaby pudesse finalmente mostrar a sua anunciada velocidade, mas o treinador leonino, pouco preocupado com o deleite dos espectadores, optou por dar mais uma volta à fechadura e lançou Misic, alterando o 4-2-1-3 (e não 4-2-3-1) para um 4-3-0-3 (e não 4-3-2-1). Afinal, estavamos a jogar com o Real... Marítimo. A verdade é que, se antes havia um buraco no meio, passou a haver um fosso. Caso insólito, o Sporting alinhava, então, com duas equipas: a dos "retranqueiros", composta por 8 jogadores, confortavelmente instalados na sua trincheira, e o movimento dos não-alinhados (Raphinha, Montero e Bruno Fernandes), deixados sózinhos na frente, isolados, contra o mundo. Bruno, já outrora obrigado a pressionar alto sem bola e a baixar com bola para diminuir a distância para Gudelj e Petrovic, ocupava agora uma nova posição, a de ala esquerdo. É a isto que deveremos chamar de "gestão de plantel". (Ainda o haveremos de ver a jogar com uma máscara de oxigénio e um desfibrilador.) 

 

Salin - Esteve bem, sempre que chamado à acção, entendendo-se aqui acção como uma hipérbole não denotativa da necessidade de um duche após o jogo. 

Nota: Sol

 

Ristovski - Voltou a demonstrar ter "mais olhos que barriga", ou seja, teve olho na bola e pouco estômago para absorver o espaço e os adversários em redor. Como se já não bastasse o buraco a meio campo, também ele, qual toupeira, volta não volta vai escavando roços para os centrais.

Nota:

 

Coates - Imperial, para ele foi apenas mais um dia no escritório em que despachou com brilhantismo todo e qualquer contencioso que lhe passou pela frente. O Ministro da Defesa!

Nota:

 

André Pinto - O Bastos Lopes teve o Humberto Coelho, o Lima Pereira teve o Eurico, o André Pinto tem o Coates. Ontem, foi o Secretário de Estado da Defesa.

Nota: Sol

 

"Muttley" Acuña - Um jogo feito de garra. Morde os calcanhares aos adversários e ainda arranja tempo para solicitar o ataque. Providencial no final da primeira parte.

Nota:

 

Petrovic - Alguns bons cortes na primeira parte e um pormenor com nota artística. Revelou tendência para se encostar a Coates, assim como que a pôr-se a jeito para um cargo de assessor ministerial.

Nota: Sol

 

Gudelj - Como diria o Gabriel Alves, não jogou bem nem mal, antes pelo contrário. 

Nota:

 

Bruno Fernandes - Pode jogar bem ou mal, mas o seu compromisso com a equipa é enorme. No campo, corre quilómetros e dá o exemplo. Marcou um golo de grande classe, a mesma que revelou ao (re)endereçar o prémio de melhor em campo ao regressado Mané. Solidário, não perdeu a oportunidade e mostrou poder vir a ser um bom capitão.

Nota:

 

Raphinha - Estava o jogo ainda no início quando foi derrubado pelo "fundamentalismo" islâmico, ou melhor, por um guarda-redes iraniano que julgou fundamental dessa forma evitar um golo certo. Ainda na primeira parte, esteve na origem do segundo golo. Quase assistiu Bruno, no segundo tempo. De destacar ainda a forma como, com um toque subtil, deu boa sequência a uma bola difícil, comprida e que lhe chegou pelo ar, revelando excelente técnica.

Nota:

 

Jovane - O passe com que rasgou a defensiva insular na jogada do primeiro golo foi a sua afirmação iluminista na defesa da liberdade de criação e da livre posse da bola.

Nota: Sol

 

Montero - Quando o "Cool Dude" se transforma num frio "assassino". Não deu descanso à defesa maritimista. O seu futebol de filigrana ganha fulgor quando a confiança e a capacidade física aumentam. Aí, torna-se uma dor de cabeça para os adversários, impotentes face ao seu futebol feito de toque, refinada técnica e inteligência, ingredientes bem presentes no seu golo. Nesse lance não precisou de rebentar as malhas, fez apenas um passe para a baliza. Subtil.

Nota:

 

Misic - Completou a balcanização do meio campo do Sporting. Como o Melhoral, não fez bem nem fez mal.

Nota:

 

Diaby - Dizem que é rápido, mas com tão poucos minutos, ainda não deu para ver se tem o Diaby no corpo.

Nota: - 

 

Mané - Entrou para o aplauso, naquilo que foi um feliz reencontro com Alvalade. Que seja o (re)início de uma grande amizade!

Nota: - 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fredy Montero

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Hoje giro eu - Bruno Fernandes

A propósito de vários comentários depreciativos que vou lendo na blogosfera (e não só) sobre Bruno Fernandes, gostaria também de emitir a minha opinião. Começo por fazer a minha declaração de interesses: para mim, Bruno Fernandes é o melhor jogador do Sporting. Para chegar a esta conclusão, deixei de fora qualquer sentimento de animosidade que pudesse ter contra o homem que rescindiu, alegando justa causa, o contrato inicial que tinha assinado pelo Sporting. Também não dei especial relevo ao facto de esta época estar a jogar menos, dadas as condicionantes físicas (pré-época sofrível) e a alteração do modelo de jogo. Apenas me baseei no seu valor intrínseco: superior visão de jogo, qualidade de remate, passe de ruptura, capacidade de liderança em campo e intensidade e comprometimento com o jogo, que o tornaram, na temporada 17/18, o jogador leonino mais influente (Ranking GAP) e o melhor jogador do campeonato para o Sindicato dos Jogadores de Futebol, para além de ter recebido a sua primeira internacionalização A e de ter sido integrado na selecção nacional que disputou o Mundial.  

 

Embora haja quem nunca tenha gostado do jogador, algo que devo respeitar, tenho para mim que a maioria dos Leitores dá como certo que Bruno Fernandes está muito abaixo dos parâmetros do ano anterior. Principalmente, é mencionado o facto de estar a falhar demasiados passes, o que não deixa de ser uma evidência. Assim sendo, seguidamente, vou tentar apresentar algumas razões do ponto-de-vista táctico que podem justificar esse abaixamento de forma.

 

O Sporting de 17/18 tinha William como pivot defensivo. Embora este fosse bem menos intenso defensivamente do que Battaglia, a sua qualidade de passe era bem superior. De entre o leque dos seus refinados recursos técnicos destacava-se o passe vertical rasteiro, que entrava entre linhas do adversário, deixando Bruno Fernandes, no meio, de frente para os defesas contrários. Ora, esta época, com Battaglia, as coisas são diferentes. Batta é um jogador de arrastamento de bola, não de passe, muitas vezes evoluindo na perpendicular à baliza contrária, e com isso Bruno acaba por ter de se deslocar para as linhas laterais, não tendo (ainda por cima) Bas Dost para responder aos seus cruzamentos. Apesar disso, se olharmos com atenção, verificaremos que continua a ser o jogador mais influente da equipa, tendo participado em 7 dos 12 golos do leão (Jovane é o segundo com 6). Vendo ainda mais cirurgicamente, concluimos que as melhores acções de Bruno ocorreram quando recebeu a bola na zona central do terreno. Foi daí que marcou e assistiu (Dost) em Moreira de Cónegos, lançou Jovane para uma assistência contra o Vitória de Setúbal, combinou com Montero e marcou contra o Marítimo ou serviu Nani para este centrar de forma geometricamente perfeita para Raphinha contra o Qarabag. Para além do golo de penalty contra a equipa insular. A excepção que confirma a regra ocorreu na Luz, quando sobre a direita assistiu Montero, em lance que terminaria com uma grande penalidade a nossa favor.

 

Considerando este pressuposto como correcto, resta perguntar-nos como pode Bruno Fernandes ser optimizado, recebendo mais bolas no corredor central. Ora, na minha modesta opinião, aqui existe um constrangimento, relacionado com aquilo que me parece ser  o grande calcanhar de aquiles táctico deste novo Sporting: o duplo-pivot não ajuda a mitigar as deficiências de qualidade de passe de Battaglia. Teorizando, a existência de um jogador mais perto de Bruno Fernandes ajudaria este a soltar-se mais, na medida em que Gudelj ou Wendel chamariam a si adversários e libertariam Bruno com esses movimentos, podendo este receber a bola, sem marcação, de frente para a baliza e com opção de passe ou remate. Actualmente, a Bruno é pedido que seja um dois-em-um, que tente ganhar também a segunda bola, ao contrário do que ocorre nos clubes rivais. Enquanto Gedson, Pizzi ou Gabriel, Herrera ou João Novais, tudo números "8", aparecem muitas vezes nas imediações da área contrária, no Sporting, Bruno coloca a bola e ainda tem de ir a correr tentar ganhar um ressalto. Até porque se olharmos para a disposição da nossa equipa em campo, ela parece adoptar a "Táctica do Pudim" (Molotof, na circunstância), que consiste em ter grande cobertura de jogadores à volta do campo, mas com um buraco no meio, concretamente o espaço deixado vazio entre o duplo-pivot e o "10" (Bruno).

 

Evidentemente, nem tudo obedece aos conceitos tácticos e é preciso entender que Bruno não tem estado feliz no passe, não obstante ajudar a equipa na pressão alta e recuperar algumas bolas. Igualmente importante será perceber onde perde a bola. Como jogador experiente que é, sabe onde pode e deve arriscar e, até hoje, de nenhuma das suas perdas de bola resultou algum golo contrário. (Em contraposição, em Braga, uma troca de passes entre Montero e Ristovski, veio a ocasionar o golo bracarense.) No entanto, e receando a menor certeza recente do seu passe, talvez seja pouco prudente apostar actualmente nele para "8". Mais tarde, e na medida em que a sua capacidade física e técnica volte ao normal, tal poderá ser uma boa solução, permitindo que Nani jogue mais interiormente (como "10") e que Jovane emparceire com Raphinha nas alas.

bruno-fernandes.png

 

Hoje giro eu - o Sporting é "só" um

Sporting Clube de Portugal. Não de Lisboa, Carvalho, Godinho, Bettencourt, Franco, Cunha, Roquette, Santana, Cintra, Gonçalves, Freitas ou Rocha. Apenas Sporting. E de Portugal. O Vosso clube, o meu clube, o Nosso clube. 

 

Mais do que nos focarmos no que nos divide, temos de nos concentrar no que nos une. Desde logo, o que nos aproxima é a vontade de ver o clube prosperar e aquele amor que não se explica, sente-se. A maioria dos sócios e adeptos sportinguistas não são políticos, não têm pretensões de poder no clube, apenas querem que as coisas corram bem. Divisões existem sobre a forma de lá chegar. Pessoas, ideias, estratégia. Uns prefeririam ainda Bruno, a maioria escolheu Frederico ou João. Alguns privilegiariam a vertente desportiva, outros quereriam resolver o quanto antes a questão da cultura do clube. Muitos apostariam na Formação e no ecletismo, outros gostariam de obter resultados no imediato e de pôr as fichas todas no futebol. E também há quem defenda que isto só lá vai com a perda de maioria do Sporting na SAD.

 

Como sempre aqui tenho expressado, a união não se pede, conquista-se. Mas não é apenas à Direcção que cabe promover isso, é um desígnio de todos. Cada um, nas suas intervenções públicas, semi-públicas ou privadas, deve procurar encontrar pontos de encontro com outros consócios, em detrimento da exploração das fracturas que nos vão progressivamente afastando.

 

O Sporting tem um problema grave de crise de identidade. Qual é a nossa bandeira, o porquê de estarmos aqui, quais os nossos factores de diferenciação? Enquanto não resolvermos isto, e deveremos fazê-lo internamente, não saberemos qual o nosso posicionamento. E se não se conhece onde se está, como se poderá saber qual o caminho a percorrer para atingir o objectivo que se pretende? Por isso, de pouco valerá prometer conquistas. Primeiro é preciso definir o ponto de partida e apontar um trajecto para a glória.

 

A cultura de um clube mede-se pela sua capacidade em resistir a tudo o que de menos bom gravita à sua volta. Numa cultura forte, existe um elo identificador entre todos os colaboradores, atletas e sócios, os quais absorvem os valores da Organização. No Sporting, a cultura é fraca e isso permite sermos diariamente influenciados negativamente por tudo quanto vem de fora. Sem filtros, completamente à mercê, como os acontecimentos recentes bem o demonstraram. Então, como resolver isto? Em primeiro lugar, e retomando o início do texto, temos de pensar num Sporting uno. Que começa pela abolição dos termos "sportingados", "brunistas" ou "croquettes", os quais só multiplicam a nossa identidade e, por isso, dividem e, assim, minam a nossa coesão. Depois, é preciso chamar e ouvir os sócios, as suas opiniões. Nesse sentido, o Sporting deve afirmar-se como um clube do Renascimento, com uma capacidade criadora, reformadora, de mudança de paradigma (o status-quo) e que valorize todos os seus associados, com respeito pela integridade das competições, o objectivo de promover um desporto melhor, mais justo, equilibrado e íntegro, tudo assente numa cultura de exigência (que deve ser correctamente implementada), mas também de excelência. Nunca, em circunstância alguma, deveremos importar modelos que funcionem com outros, mas que não respeitem a nossa idiossincrasia e/ou os nossos valores e que criem um choque com o que são os valores tradicionais sportinguistas. Como em tempos disse, a cultura de uma organização desportiva não pode estar nos antípodas do que é a personalidade e o carácter dos seus colaboradores, atletas e sócios/adeptos.

 

Concluindo, se é certo que o caminho se faz caminhando, primeiro é preciso saber onde estamos. Caso contrário, andaremos a caminhar para nada, perdidos e, provavelmente, cada vez afastando-nos mais do objectivo pretendido. Procuremos então situar-nos, através do nosso GPS (glória, princípios, sustentabilidade), sabendo que esse é o passo necessário para a afirmação da nossa cultura, leoninidade, do nosso Ser Sporting . Viva o SPORTING !!!

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - O bom Jesus está em Braga

O fim-de-semana havia sido marcado por épicos regressos à ribalta:

  • Milhares de pessoas percorreram o "green" atrás de Tiger Woods, após este vencer o Tour Championship (80ª vitória da carreira), cinco anos depois do seu último triunfo;
  • Old Trafford aplaudiu de pé o regresso de Sir Alex Ferguson, felizmente já recuperado de um AVC quase fatal;
  • "Spiderman" Ruesga voltou ao estrelato (campeão mundial em 2013), após um golo decisivo pelo Sporting que só se julgava ser possível de ver no Cartoon Network.

 

Com estes exemplos bem presentes, desenvolvi uma fézada de que o homem dado como dispensável, acabado, finito diria Tomislav Ivic, destruiria o sonho adolescente do jovem treinador Abel. Bastas vezes acusado de se desligar do jogo, de ser demasiado frio e relaxado, nesse transe pensei que o "Cool Dude" Montero daria lugar ao impiedoso assassino Fred(d)y Krueger, protagonizando o Pesadelo na Pedreira. Mas por mais que este adepto possa viver realidades paralelas, o que o jogo mostrou foi algo completamente diferente. 

 

Montero nunca conseguiu ser influente na área. Também, é difícil sê-lo quando a bola lá não chega. Apesar disso, logrou duas penetrações pela direita, uma em cada parte, ambas concluidas com perigosos centros para o segundo poste. Na segunda, Bruno Fernandes foi egoísta (tinha Raphinha isolado no meio) e rematou a rasar o poste, repetindo a pontaria de um anterior tiro de longa distância. Foi o momento do jogo. Como quem não mata morre, pouco depois sofremos o golo. Numa transição rápida, o recém entrado Eduardo centrou junto à linha de fundo - a bola passou por debaixo das pernas de Coates - , Ristovski preocupou-se mais em esconder os braços do que em reagir com os pés e assim, ao contrário de Duarte de Almeida, o Decepado, estendeu o nosso estandarte ao adversário, no caso Dyego Sousa, que começou a sentenciar a batalha.

 

Em sequência, Peseiro mexeu. Positivamente, quando lançou (tarde?) Jovane , embora tivesse saído Nani, o qual tinha protagonizado a jogada de maior perigo da primeira parte (cabeceamento para fantástica defesa de Tiago Sá); negativamente, ao trocar Montero por...Castaignos. Oh Diaby, não se compreende tanto enfoque na compra de um ponta-de-lança (pretendeu-se dois) para depois o maliano entrar apenas a 5 minutos do fim, preterido na ordem de entrada pelo holandês. Eventualmente, melhor teria sido efectuar apenas uma substituição, trocando Gudelj por Jovane, recuando Bruno Fernandes para o lugar do sérvio e assumindo Nani a posição "10".

 

Os últimos 15 minutos ficaram marcados pela falta de eficácia de ambas as equipas. Com o Sporting a falhar mais. Raphinha esteve em excelente plano (uma vez mais) e tentou visar a baliza bracarense por inúmeras vezes, ficando sempre a escassos centímetros de ser feliz. Adicionalmente, o jovem Cabral sacou um coelho da cartola (que porém não entrou na "gaiola"): "matou" no peito, evitando a carga de dois defesas que chocaram entre si (momento "Candid Camera"), e depois foi driblando todos os adversários (3) que lhe apareceram pela frente, até se decidir por um remate parado com muita dificuldade e alguma sorte por Tiago Sá. Um momento mágico na Pedreira. Do outro lado, Salin continuou irrepreensível, defendendo tudo o que tinha hipótese de ser parado.

 

O Sporting não foi feliz - afinal o Bom Jesus, ou o "bom Jesus" (Abel), está em Braga - e perdeu um jogo que até podia ter ganho, mas isso não nos inibe de reconhecer algumas deficiências. Individualmente, a maior delas todas será Ristovski. Esforçado, mas com péssimo domínio de bola e bastas vezes vidrado no esférico, ignorando assim o espaço circundante (remember João Félix?), o macedónio é o elo mais fraco da equipa, agora que "Muttley" Acuña estabilizou a ala esquerda da defesa, substituindo Jefferson. Para ter um jogador assim, com tantas dificuldades com e sem bola, mais vale apostar já em Thierry Correia, jovem da nossa Formação e português. Ou então, avance o Gaspar: sempre podíamos esperar um presente no Natal. (Se bem que, mais do que um Rei Mago, precisavamos era de um Rei Magos, audacioso, assim ao jeito de Allison.) Imaginem o que seria Raphinha se tivesse por trás alguém que efectivamente o ajudasse...Colectivamente, o Sporting causa mais perigo quando tem, simultaneamente, o ex-vimaranense e Jovane em campo. Com estes alas, o jogo é mais rápido, imprevisível e objectivo e as equipas adversárias sofrem mais, pois não andamos a fazer pastéis de massa tenra a meio campo. Concomitantemente, precisamos de mais presença nas imediações da área adversária, pois a falta de concretização deve-se mais ao modelo de jogo do que propriamente a Montero, que tem muito pouco apoio frontal. (Os alas jogam invertidos, supostamente para promoverem o jogo interior, mas a maioria dos seus movimentos visam remates à baliza e não tabelinhas com o ponta-de-lança.) Para isso, temos de abandonar o duplo-pivô e jogarmos num 4-3-3 com os médios a jogarem de perfil, à semelhança do Porto de Mourinho (Costinha, Maniche, Deco). Em Alvalade, na maioria dos jogos, os 3 do meio poderiam ser Battaglia, Bruno Fernandes e Nani. Fora, Battaglia, Gudelj (Wendel) e Bruno Fernandes. Caso contrário, iremos continuar a perder mais pontos e a ouvir a ladainha da falta de concretização.

 

Ontem, em Braga, vimos o primeiro lugar por um canudo. Um jogo que pode (ou não) ser alegórico da nossa luta pelo campeonato. Um caso de pé frio, mas também de falta de mão nas substituições. Para além das tácticas conservadoras. Uma equipa que se quer campeã não fica à espera que a sorte lhe venha bater à porta, precipita os acontecimentos. É dos livros e os sportinguistas têm memória de elefante: cada vez que deixamos correr o marfim, acabamos a ficar de trombas. Se Peseiro nada mudar, ficaremos assim a modos como a atirar a rasar ao título. Aonde é que eu já vi isto???

 

Tenor "tudo ao molho...": Raphinha

 

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