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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O Renascimento by Keizer

Num passado não tão longínquo, um jogo contra uma equipa menor na Liga Europa, do género de um Skenderbeu, um Astana ou um Plzen, seria um sofrimento. Entrando em campo sem 8 titulares e com Battaglia e Wendel lesionados (a quem hoje se juntou Montero), os dias anteriores seriam pródigos em desculpas antecipadas e desvalorização da competição uefeira, até porque já estávamos qualificados. Os miúdos dos Sub23 teriam sido convocados apenas para mostrar à Direcção que eram necessários reforços e a partida terminaria com uma derrota, um empate ou uma vitória tirada a ferros, tudo muito carpido e de modo a manter os adeptos permanentemente ligados ao desfibrilador. Nesse tempo, futebol era sinónimo de condicionamento e não de golo, e os artistas eram os treinadores e não os jogadores. O futebol como anti-futebol.

 

Algo mudou em Alvalade, pois Marcel Keizer na preparação do jogo começou a ganhá-lo e a conquistar os jovens que teve ao seu dispôr. Ele pediu-lhes que mostrassem que podiam ser opção e eles corresponderam, mostrando grande atitude. E, pormenor importante, num jogo europeu, terminámos o encontro com 6 jogadores made-in Alcochete, tudo isto sem sofrermos qualquer golo. Mantendo apenas Coates, Acuña e Bruno Fernandes na equipa inicial, o Sporting mostrou desde o início a qualidade do seu jogo interior. Miguel Luís e Bruno Fernandes iam trocando sistemáticamente de posição e baralhando as marcações do Vorskla, sempre com o apoio por dentro de um dos alas e com os laterais em simultâneo a darem profundidade e, com isso, a deslocarem adversários do centro do terreno. O maiato, hoje capitão, foi o maestro que pautou o compasso de todo o jogo dos leões: de calcanhar, começou por isolar Miguel Luís na cara do guarda-redes ucraniano para mais tarde servir Acuña no lance em que Montero inaugurou o marcador; depois, em jogada iniciada por uma recepção de bola prodigiosa de "El Avioncito", tabelou com Mané e ofereceu de bandeja para Miguel Luís concretizar; a finalizar a primeira parte, recebeu de Jovane e colocou na dividida entre Montero e Dallku para o terceiro da noite; já no segundo tempo, e imediatamente antes de ter sido poupado a mais esforço, brindou-nos a todos com uma roleta russa digna de causar um traumatismo ucraniano aos dois oponentes com quem dividiu o lance. 

 

Não se pense que o Sporting foi só o seu maestro. Já depois deste sair, a orquestra continuou a tocar boa música até ao fim, com destaque para Petrovic e os jovens Thierry Correia, Jovane Cabral e Pedro Marques, este último por duas vezes, os quais tiveram nos pés e na cabeça oportunidades para dilatarem o marcador, sinal de que hoje em dia os espectáculos são entendidos como longas-metragens e não como festivais de curtas. Para além destes, cumpre realçar o bom jogo de pés de Salin, a raça de Acuña (por vezes a complicar o que torna fácil), os desdobramentos de Miguel Luís e a classe e inteligência de Montero, hoje saído prematuramente dado o infortúnio de uma lesão no tornozelo. Bons pormenores também de Bruno Paz, na condução de bola e passe. Uma última menção para a diagonal para a área protagonizada por Pedro Marques nos últimos minutos do encontro, com dois adversários em cima, que não está seguramente ao alcance de muitos. Ficou-me na retina, até por não ser rotina (vêr esse tipo de movimento).

 

Respira-se um óptimo ar no balneário do Sporting e nota-se que os jogadores desfrutam em campo, sinal de que já foram conquistados pelos métodos de Keizer. Há uma cultura em que todos são importantes e cada jogo é valorizado e visto como uma oportunidade para quem joga menos. A vontade com que os miúdos entraram em campo mostrou à saciedade que sentem que o treinador conta com eles e que não estão a ser usados como uma chiclete que se prova, mastiga e deita fora (sem demora).

 

Não deixa de ser curioso que na quadra natalícia se esteja a assistir ao nascimento de um novo Sporting. Em época de Jesus (Cristo, não o "Lawrence" das Arábias), o protagonista desta mudança de paradigma é Marcel Keizer, o nosso Mona Lisa. Onde outros viam ameaças ou pediam meses, ele vê oportunidades e não perde tempo com vaidades ou minudências. A arte de transformar o complexo em simples é um dom só ao alcance de poucos e requer apurada inteligência. Keizer tem-na. Podemos nem ganhar o campeonato, mas a satisfação que hoje tiramos ao vêr um jogo do nosso clube mostra à evidência que o holandês foi o presente antecipado que o Pai Natal verde (o original, não o da Coca-Cola) nos colocou este Natal no sapatinho. Há 20 golos, 20 razões que justificam esta afirmação.

Então, até à próxima! (que agora vou tomar uma "túlipa".)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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Hoje giro eu - A "vaca verde"

O Sporting é conhecido por ser um vulcão em permanente actividade. A lava produzida não lava a alma e a tragédia está sempre ali ao pé da porta (10A). Frederico Varandas fala em proteger o Sporting, mas essa é uma ideia difusa e sujeita à interpretação de cada um. O melhor para o futuro do clube será investir, sim, na conectividade. Uma ideia é uma rede, espalha-se, dissemina-se, chega a milhões de pessoas. Nesse sentido, a escolha de Marcel Keizer foi genial: se andarmos pelo campo e virmos uma vaca, provavelmente não lhe iremos ligar nenhuma. Agora, imaginemos que a vaca é verde...Tal vai ser notado, a diferença vende. Na vida, às vezes o mais arriscado é optar pelo seguro. Ser notável é o segredo. Keizer, com as suas tácticas e forma diferente de estar no futebol, já incomoda alguns dos nossos treinadores e jornalistas. Isso é um excelente sinal de influência e o treinador holandês arrisca-se a revolucionar o panorama futebolistico nacional. Em breve veremos seguidores, isso irá criar um "momentum"  que só beneficiará o nosso futebol e o Sporting será visto como o líder dessa mudança de paradigma. E tudo começou por uma ideia...

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Jogo da Glória

O jogo iniciou-se com o Sporting a jogar a passo e o Aves de Mota a voar baixinho. Com Wendel e Bruno Fernandes muitas vezes em linha, aos centrais e a Gudelj faltava um médio que se aproximasse da bola e ajudasse na construção, a sua ausência fazendo com que o jogo fosse constantemente lateralizado e longe dos princípios impostos pelo novo treinador leonino. O jogo a um/dois toques não aparecia - bitoque de menos e bife nervoso e muito mastigado de mais - e o Aves aproveitava para contra-atacar sempre com grande velocidade, explorando preferencialmente o lado direito da defesa leonina e as costas de Bruno Gaspar (em tempo natalício, um Rei Mago sempre pronto a distribuir presentes). É que Marcel Keizer tentara criar um “joker” no meio-campo com o adiantamento do lateral, mas a estratégia estava a ter um efeito “boomerang”. Não surpreendeu assim que os avenses se tivessem adiantado no marcador, seguindo a velha máxima futeboleira de que melhor Defendi é (n)o ataque. Valeu que, na hora H, a Amilton faltou a consoante para dilatar o marcador. Já Renan foi herói, resistindo a cair, evitando que lhe picassem a bola por cima do corpo.

 

O Sporting sentia muitas dificuldades em ligar o seu jogo, mas um penálti desnecessário cometido por Vitor Costa sobre Diaby permitiria a Dost equilibrar as contas. Nesse transe, Mota perdeu os travões e deixou a sua equipa apeada. Coates – já ficara mal no golo - não se conformou, e acometido de uma recorrente gripe das aves (ainda consequência de um anterior contacto com o "galo" Griezmann em Madrid) isolou um avançado adversário. Desta vez, o lance acabaria nas malhas…laterais da baliza à guarda de Renan. A partida caminhava para o fim da primeira parte, quando Nani tirou um coelho da cartola e aplicou uma folha seca muito indigesta e que trouxe água no bico ao guardião das Aves, adiantando o Sporting no marcador.

 

O reatamento viu o Sporting fazer o terceiro: Bruno Fernandes rodopiou entre dois adversários e junto à linha lateral do lado esquerdo do ataque leonino centrou de canhota para Dost (goleadores assim são espécies em via de extinção) bater as Aves no seu habitat natural. Logo de seguida, Acuña foi expulso por acumulação de amarelos, ele que no primeiro tempo tinha mostrado ainda precisar de algumas lições adicionais de controlo de raiva, certamente a serem leccionadas numa viagem mais longa do que aquela entre Vila do Conde e o José Alvalade.  Curiosamente, em inferioridade numérica o Sporting jogou melhor, com maior aproximação entre os sectores e mais trocas de bola rápidas. Num desses lances, Bruno Fernandes (médio completo, outra ave rara) isolou Diaby sobre a direita e este teve tempo para flectir para dentro e assinar uma obra de arte digna do Renascimento de um grande Sporting, o quarto dos leões e que sentenciou a partida.

 

O Sporting pareceu estar a disputar o Jogo da Glória: ontem caímos num poço e só começámos a jogar depois de sermos ultrapassados no marcador. Ainda assim, a morte esteve ali bem perto. Depois, empatámos e lá voltámos à casa de partida (1-1), pela quarta vez desde que Keizer é o nosso treinador (a primeira em que saímos atrás). Os dados estavam lançados e fomos bonificando e avançando mais ainda. Até que, ultrapassados o Inferno e o Purgatório, já era certo que atingiríamos a Glória. Por fim, já sem emoção, desligámos e limitámo-nos a aguardar pelo inevitável desfecho. Mas atenção: o nosso peão chegou à frente, mas não passou a ser um camPEÃO. Todavia, o que se pode dizer quando o pior Keizer da época se traduz num triunfo por 4-1 contra a equipa que, por via de um Jamor de perdição, há meses atrás sovou a prima do mestre-de-obras que andou lá por Alvalade a que era amante de arte românica? Uma palavra final para José Mota: utilizou bons ingredientes e o cozinhado teria sido de primeira se não lhe tivesse faltado a mão (de Ronny?) no tempero. É o que dá abusar da canela(da)...

 

Tenor “Tudo ao molho...”: Bas Dost

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Hoje giro eu - O som do silêncio

Para mim, que desde tenra idade me habituei a identificar o Sporting com os futebolistas e atletas que semanalmente via representar o clube nos estádios, pavilhões e pistas deste país, este momento de crispação da massa associativa é particularmente doloroso. Primeiramente, porque é mais do que óbvio que o foco dos adeptos está deslocado do essencial, o apoio às equipas que ostentam o nosso símbolo no peito; em segundo lugar, porque o ruído insuportável e a radicalização de discurso das facções, com constante adjectivação, não auguram nada de positivo para o futuro; em terceiro, porque não há criação que perdure no tempo quando a motivação de base assenta no ódio e não no amor. 

Quando temos dúvidas sobre um caminho é sempre bom voltar aos "básicos". Os tempos de criança e as razões pelas quais fizemos uma escolha. Somos do Sporting pelo mimetismo da verde-e-branca, o sortilégio do leão rampante, os valorosos atletas que ao longo de gerações defenderam as nossas cores e protagonizaram gestas de glória. A grande maioria dos adeptos leoninos são moderados, não se revêem em posições extremadas (dos dois lados da barricada) de gente que pensa que, falando mais alto, melhor se faz ouvir. Como tal, e apelando à reflexão serena, inspirado pela versão que o Ministro da Cultura e das Artes australiano - um exemplo de como a criatividade pode ser usada para fazer passar uma mensagem - fez há dias sobre o imortal "The sound of silence", de Paul Simon e Art Garfunkel, aqui deixo o meu "O som do silêncio", que deve ser acompanhado pela música original. Com os votos de um Santo Natal para toda a familia leonina, com muita saúde e paz. Viva o Sporting Clube de Portugal!!!

 

"O som do silêncio"

 

"Olá, Sporting, velho amigo,

vim falar-te uma vez mais.

De momentos de eterna glória

e de percalços da nossa história.

A visão de que todos não serão demais,

quando cais e só se importam contigo.

 

Com as eleições, um novo rumo,

nasce esperança e fé em prumo,

mas viver num cerco permanente

é sinal de um clube decadente

 

E os meus olhos ainda choram

o facho daquela tocha ardente.

E toda a gente

rasgou o som do silêncio

 

A partir daí eu vi

cento e setenta mil ou mais.

Sócios falam sem dialogar.

Sócios ouvem sem nada escutar.

 

Há quem erga a voz

só p`ra emitir ruído,

um alarido.

Não dão voz ao silêncio.

 

Tolos nós que já esquecemos

que aquele ruído vai crescendo.

Logo nós que até já o vivemos,

não é o Sporting que nós merecemos.

Escutem, não gritem, dêem as mãos, em união.

 

Assim deve ser o Sporting!

 

Curvando-se e louvando,

o novo leão que rugia.

E os sinais mostravam o caminho,

todos os sócios davam o seu carinho.

 

E os sinais ecoavam

as palavras do Visconde escritas em letras de ouro,

desígnio vindouro,

não mais sussurradas em silêncio."

 

Ser Sporting - Sporting é campeão europeu de judo

O Sporting sagrou-se hoje campeão europeu de judo, ao bater na final os russos do Yamara-Neva, até aí campeões em título, por 3-2. Antes de atingirem a fase derradeira, os leões venceram os espanhóis do Valência (3-2) e os igualmente russos do Edel-Weiss (devem ter a música no coração...), por 4-1, numa competição que decorreu em Bucareste, na Roménia. David Reis (-66Kg), Ganbaatar (-73Kg) e Sherazadishvili (-90Kg) ganharam os combates decisivos. É o 30º título europeu do clube, o 1º de uma das modalidades olímpicas com mais praticantes no mundo inteiro. Parabéns aos protagonistas, os judocas, a Pedro Soares, responsável técnico da secção, à anterior Direcção que reabilitou a modalidade e a dotou dos recursos financeiros e humanos necessários e, obviamente, à Direcção presidida por Frederico Varandas e que tem Miguel Albuquerque como Director-Geral para as modalidades, a qual deu continuidade ao investimento e proporcionou condições de estabilidade. Com este triunfo, o judo torna-se a sexta modalidade do clube campeã europeia, após andebol (2 títulos), atletismo (16 em corta-mato, 3 em pista), hóquei em patins (6), futebol (1) e goalball (1). Estamos TODOS de parabéns, isto é o Sporting Clube de Portugal! (não confundir com o Sporting política de Portugal no qual não tenho afiliação.)

 

Hoje giro eu - Ranking GAP

As recentes derrotas de Cristiano Ronaldo nos prémios "The Best" e "Bola de Ouro", da FIFA e do France Football, respectivamente, reavivam a discussão sobre os critérios pelos quais um jogador deve ser avaliado. Embora os puristas do jogo continuem de alguma forma a renegar o que as estatísticas nos mostram e a observação contemplativa ainda se sobreponha à forma como os americanos, por exemplo, analisam um jogo, a verdade é que causa muita confusão que um jogador que venceu a Champions League e foi o melhor marcador dessa competição (15 golos), para além de ter feito um bom Mundial (4 golos), não tenha vencido os prémios de desempenho do ano. Com este recente encorajamento, cá continuarei a mostrar os indicadores ofensivos quantitativos dos jogadores do nosso Sporting, segundo o critério GAP que em tempos criei. Então aqui vai:

 

Nesta temporada de 2018/2019, o Sporting disputou até agora 20 jogos - 11 para o Campeonato Nacional, 2 para a Taça de Portugal, 2 para a Taça da Liga e 5 para a Liga Europa -, obtendo 14 vitórias (70%), 2 empates (10%) e 4 derrotas (20%), com 41 golos marcados (média de 2,05 golos/jogo) e 19 golos sofridos (0,95 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP: Bruno Fernandes (10,3,9), Bas Dost (9,1,0), Nani (7,5,3);

2) MVP: Bruno Fernandes (45 pontos), Nani (34), Bas Dost (29);

3) Influência: Bruno Fernandes (22 contribuições), Nani (15), Jovane (12);

4) Goleador: Bruno Fernandes (10 golos), Bas Dost (9), Nani (7);

5) Assistências: Nani (5), Wendel (4), Fredy Montero, Jovane e Bruno Fernandes (3).

 

De realçar que, desde que Keizer pegou na equipa, o Sporting disputou 3 jogos para 3 competições diferentes (Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Liga Europa) e venceu os 3 jogos, com 13 golos marcados (média de 4,33 golos/jogo) e 3 golos sofridos (média de 1 golo/jogo). Bruno Fernandes e Bas Dost foram os goleadores de serviço deste curto período (4 golos cada), com a curiosidade de terem marcado em todos os jogos.

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

 

  G A P Pontos
Bruno Fernandes 10 3 9 45
Bas Dost 9 1 0 29
Nani 7 5 3 34
Jovane Cabral 4 3 5 23
Fredy Montero 3 3 3 18
Diaby 3 1 0 11
Raphinha 2 1 4 12
Wendel 1 4 0 11
Acuña 1 2 1 8
Sebastian Coates 1 0 1 4
Jefferson 0 2 1 5
Ristovski 0 2 0 4

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Arco do triunfo

O Sporting deslocou-se a Vila do Conde e logo se inspirou com os Arcos do estádio do Rio Ave. Os vilacondenses bem tentaram absorver o futebol de (bi)toque do Sporting, mas a digestão revelou-se difícil - o problema terá sido do ovo a cavalo (ovo=huevo, em castelhano, alcunha argentina de Acuña, que após cavalgar todo o campo ofereceu a Dost o golo que repôs o Sporting na frente do marcador) - e no final a vitória foi dos suspeitos do costume, os pupilos de Keizer (Soze?). O arco do triunfo começou a ser erigido logo aos 8 minutos, quando Bruno Fernandes - lançado por Coates - tabelou com Nani e acabou a finalizar na área de pé esquerdo. Infelizmente, pouco tempo depois, num livre directo em que a barreira pareceu mal definida, o Rio Ave empatou. O jogo estava bom e em três minutos o Sporting teve quatro oportunidades: Dost (por cima), Bruno Fernandes (enorme defesa de Leo Jardim), Diaby (outra vez Leo) e Dost (outra vez por cima). Até que, ao quarto desses alucinantes minutos (entre os 18 e os 22), Bas Dost marcou (grande centro de Acuña). Todos os jogadores jogavam mais a dois do que a um toque, mas Diaby cometia a proeza de dar dois toques num, com a bola invariavelmente a ressaltar-lhe do pé esquerdo para a canela direita e a perder-se. Em cima do intervalo, os vilacondenses podiam ter empatado após um momentâneo lapso de razão, eufemismo para paragem cerebral, de Renan.

 

Ao intervalo, soube-se uma coisa do arco da velha (senhora): a Bola de Ouro de 2018 não havia sido atribuída a Cristiano Ronaldo, preterido por Modric. Parabéns ao France Football por ter adoptado a causa da diversidade, dado que o conjunto de votantes formou o arco do cego. Bom, na verdade, invisuais não eram, pois estes têm os (outros) sentidos bem despertos e isso teria sido suficiente para uma boa decisão. Apenas não quiseram vêr o óbvio, o que não fez qualquer sentido. Enfim, anda um homem a fazer acrobacias com uma bicicleta, a 2 metros de altura, para isto...

 

O Sporting reentrou bem no segundo tempo e marcou imediatamente, mas Bas Dost estava ligeirissimamente adiantado em relação ao passe de Acuña e o golo foi invalidado. Este viria a ser rendido à hora de jogo por o nosso "mona lisa" ter temido que o argentino (já amarelado) lhe estragasse a obra-prima de Mestre. O pior foi que entrou Jefferson e com ele o cabo dos trabalhos. Valeu o "arqueiro" (guarda-redes brasileiro) Renan, já recomposto da comoção da primeira parte, que evitou por duas vezes o golo do empate, primeiro, e mais tarde a reentrada no jogo dos vilacondenses (negando o golo a Coentrão que ainda recargou perante a apatia do lateral esquerdo leonino). Mas o Sporting jogava melhor, agora com a preocupação de privilegiar só um toque e com a entrada de Jovane (saída de Diaby) viria a sentenciar a partida. O ala formado em Alcochete, de fora da área, fez tiro ao arco com o seu pé esquerdo e a bola entrou como uma flecha "lá onde a coruja dorme" (ângulo superior). Uma obra de arte digna de figurar na ArCo.

 

Com alguns aspectos ainda a corrigir, a equipa leonina continua a ganhar e ontem superou aquilo que os doutos comentadores do televisivo ludopédio luso chamavam de "prova de fogo". Como se já não bastasse este escriba tratar o Keizer como um personagem de ficção cinematográfica ou uma figura do Renascimento, agora é bombeiro...

 

No Sporting, destaque para Bruno Fernandes e Coates, este último um muro de betão onde embateram e se esbateram todas as ofensivas vilacondenses. Nani também esteve bem, apoiando atrás e à frente, apenas com o senão de por vezes ter temporizado sem sentido (ao contrário da leitura correcta da desmarcação de Acuña no lance do 2º golo). Gudelj continua a subir de rendimento e Wendel trabalhou muito, embora tenha sido menos vistoso que anteriormente. Renan, que me fez exasperar no primeiro tempo, acabou por ser providencial. Bas dostou e ofereceu-se ao jogo, tanto em largura como em profundidade. E claro, last but the least, uma menção especial para o jovem Cabral. No geral, os jogadores foram menos felizes que no jogo anterior nos movimentos de aproximação à bola (desgaste do jogo europeu) e, quando em posse, demoraram mais o passe. Adicionalmente, nem sempre a pressão alta foi bem executada, pois algumas vezes as linhas média e defensiva não acompanharam os avançados, estabelecendo-se espaço por onde o Rio Ave assustou o nosso último reduto. Ainda assim, jogámos bem (face ao passado é um nirvana), ganhámos, temos 13 golos marcados em 3 jogos com Keizer, e continuamos a perseguir o pote de ouro no fim do arco-iris. FIM.

 

P.S. Que tal um estádio cheio para receber a equipa no próximo Domingo?

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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Hoje giro eu - Concílio leonino

O Sporting é hoje (outra vez) um clube desunido, desavindo com o seu passado recente, onde o ruído, o excesso e a intransigência se sobrepõem à reflexão, temperança e tolerância. Como em todos os períodos pós-revolucionários, estão ainda abertas chagas profundas entre sócios e adeptos em geral. Estas feridas advêm dos traumatizantes acontecimentos de Alcochete que levaram à destituição do antigo presidente, mas também da incontinência verbal que marcou o acto eleitoral subsequente. Ora, a pior coisa que se pode fazer numa situação destas é deitar sal em cima do problema, pois isso só irá aumentar a dor, a aflição ou a mágoa das pessoas e acentuará o mal que está instalado.

 

O que se passou em Alcochete foi mau demais. Os sócios mostraram que queriam uma clarificação sobre o governo do clube. As coisas demoraram a acontecer e os Tribunais foram chamados a dirimir o diferendo. Houve uma assembleia geral destitutiva e os sócios, por esmagadora maioria, votaram na saída de Bruno de Carvalho. E seguimos para eleições, onde foi eleita uma nova Direcção presidida por Frederico Varandas. O problema é que se mudou a liderança mas não se virou a página. E porquê?

 

Eu creio que as coisas correram muito mal nos últimos 3 meses de Bruno de Carvalho. Tal acabou por fazer instalar a Lei de Murphy e levou ao descarrilar de toda a situação. Chegados aqui, é preciso dizer que do meu ponto-de-vista foi inconcebível esse último trimestre de presidência de Bruno e que isso, só por si, avalizaria a sua destituição ou derrota eleitoral. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Os excessos próprios da campanha eleitoral levaram à diabolização do antigo presidente, entretanto impedido de participar no acto eleitoral. Vários indicadores sobre a gestão da anterior Direcção foram adulterados ou, no mínimo, truncados. Desde a insinuação sobre irregularidades nas contas até à falácia da dívida a Fornecedores (onde se olvidou propositadamente que se tratava de planos de pagamento de transferência de jogadores, algo corriqueiro no futebol), passando pelo "buraco" das modalidades ou necessidades de financiamento. À boa maneira portuguesa misturou-se tudo, porque tudo valia para afastar o homem caído em desgraça. Comparações perfeitamente desajustadas foram feitas sobre o desempenho financeiro face às duas imediatamente anteriores Direcções e tudo o que de bom foi feito foi silenciado de uma forma quase estalinesca, como se se reescrevesse a história. Adicionalmente, uma e outra e ainda outra vez se tocou na ferida aberta de Alcochete. A detenção para interrogatório de Bruno de Carvalho foi recebida por muitos com regozigo. Testemunhos houve de que era "o melhor dia" das suas vidas. Mas não era o cidadão Bruno que estava preso e sim o ex-presidente do Sporting Clube de Portugal, e na vida estas coisas pagam-se no futuro, com juros bem mais elevados do que aqueles a que estamos sujeitos no empréstimo obrigacionista.

 

Na minha opinião, antes da união vai ser necessário promover o concílio da familia leonina. Para tal, será necessário muito equilíbrio, moderação, inteligência e bom-senso. Há que necessariamente reconhecer alguns excessos, algumas inverdades que foram proferidas, como primeira medida para acalmar as hostes. Nestas, não me refiro à claque que esteve na origem de tudo isto, obviamente, a qual tanto prejudicou o clube e que não deverá merecer nos tempos próximos qualquer concessão. Falo do adepto/sócio comum que se revia (e ainda se revê) em Bruno de Carvalho na presidência do Sporting. De cada vez que espalhamos boataria e falsidade sobre Bruno e sua equipa de gestão estamos a adensar a chaga, a deitar gasolina para a fogueira, a dar azo ao extremismo. Desumanidade cria desumanidade. No tempo do Bruno presidente como agora. Nesse sentido, creio que esta Direcção e restantes Orgãos Sociais têm dado alguns passos num caminho positivo. Mesmo enfrentando algumas críticas de inquisidores do anterior regime, julgo terem compreendido que a reconciliação seria o mais importante. Mais até do que Frederico Varandas, Francisco Salgado Zenha tem tido oportunidade, nas suas intervenções públicas, de desmistificar alguns labéus acusatórios, contribuindo assim para a pacificação do clube. Rogério Alves terá também feito algumas "démarches" de bastidores apaziguadoras. Mais passos terão de ser dados, mesmo sabendo-se que o calendário coloca para Dezembro uma assembleia geral onde se irão apreciar as sanções propostas/impostas pela Comissão de Fiscalização. 

 

Sendo certo que um clube de futebol, e o Sporting em particular, não é fácil de gerir, a liderança musculada de Bruno de Carvalho teve o fim que todos sabemos. Precisamos de paz. E de tempo, embora este no futebol não cure tudo, nomeadamente se os títulos não aparecerem. O bom futebol que a equipa agora orientada por Marcel Keizer vem apresentando, embora contribua para a união, pode não ser suficiente. De uma vez por todas temos de deixar para a Justiça aquilo que é da Justiça e seguirmos o nosso caminho. Andar para a frente. Virar a página. Sem termos de estar sempre a olhar para o retrovisor. A mim, envergonha-me a exposição pública constante, por maus motivos, a que vejo o clube sucessivamente sujeito. Muitas vezes regada a gasolina por sportinguistas, alguns deles sempre dispostos a maldizer o clube nas televisões em troca de trinta moedas de prata e sem arrependimento. Preocupa-me o que aconteceu anteontem e o que está a ser preparado para o futuro plebiscito, onde já se estão a arregimentar os lados das trincheiras. É preciso, portanto, pôr o clube em primeiro lugar. Regresso ao "virar de página": a coisa é relativamente simples e ou o conseguimos fazer com equidade e respeito ou seremos no futuro um rodapé das páginas do futebol português, um qualquer canto de "sportingados", "brunistas", "croquetes" ou "melancias", subdenominações que enegrecem a história gloriosa do Sporting, do qual não rezará a história. Eu prefiro um livro de ouro escrito por leões rampantes, a nossa única identidade. Têm a palavra todos os sportinguistas.

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Carrossel em Baku

A semana europeia começou com o jogo entre o Hoffenheim e o Braga, perdão, entre o Bayern e o Benfica, ou seja, entre o quinto classificado do campeonato alemão e o quarto do campeonato português. Todavia, julgo que há que dar desconto à derrota do Benfica: depois do Black Friday tivemos o Benfica Tuesday, uma mão-cheia de presentes de fazer corar qualquer e-Toupeira, que veio confirmar que o Benfica não se dá bem com arianos, pois já no Jamor - where the teams have no name - havia perdido com uma SAD de marca branca. A continuar assim, iremos ouvir mais o "venham mais cinco" do Zeca que o "papoilas saltitantes..." (Ser Benfiquista) do Piçarra...

 

De seguida, o Porto não alinhou em brindes  venceu o Schalke, qualificando-se para a próxima fase da Champions. E chegámos a Quinta-feira e ao jogo dos leões. O Sporting é um clube "sui-generis", onde se discute mais o número de horas que um presidente deve dormir do que se os jogadores estão acordados em campo. Mas a verdade é que com Keizer eles parecem bem despertos. Há quem diga que jogamos fácil, mas no futebol o mais difícil é jogar fácil, ao primeiro/segundo toque, com movimentação constante dos jogadores a darem linhas de passe e com a baliza sempre na mira. Tal exige recepção de bola, leitura de jogo e passe, capacidade de remate e muita disponibilidade física.

 

Hoje, de um lado estava o Qarabag, do outro um clube que quer "bago". E a verdade é que a jogar assim estamos mais próximos de melhorarmos as nossas finanças. O jogo praticamente começou com o golo de Bas Dost: Bruno Gaspar foi solicitado na direita por Diaby, olhou, e não vendo ninguém na área centrou atrasado para Dost. O holandês rodou sobre a bola e foi carregado já na grande área. Na conversão do "penalty" dostou como de costume. Um-azeri para o Sporting. O Qarabag não acusou o toque e aproveitou uma falha de Bruno Gaspar, que não respeitou a linha de fora-de-jogo, para igualar o marcador. Temia-se a tremideira, mas a partir daí só deu Sporting: Bruno Fernandes, a passe de Wendel e com a colaboração do guarda-redes islandês dos azeris, marcou o segundo, e Nani, num grande trabalho individual (iludiu 4 azeris), novamente servido por Wendel, o terceiro. De referir que essa jogada teve ainda a participação de Coates, Diaby e Dost e que foi feita sempre em progressão. Ainda houve tempo para o brasileiro perder o quarto e para Bruno Fernandes salvar sobre o risco um golo da equipa do Azerbeijão. No segundo tempo, Wendel (sempre ele) serviu Diaby para o poker de golos e voltou a aparecer (uff) para servir Bruno Fernandes para a "manita". Pelo meio voltou a desperdiçar uma boa oportunidade. Finalmente, numa jogada iniciada por Bruno Fernandes e continuada por Jovane Cabral, Diaby facturou o sexto com um bom apontamento técnico. 

 

Respira-se ar fresco hoje em Alvalade. Em muito pouco tempo, Keizer conseguiu pôr o Sporting a jogar à bola. Um futebol fuido, de passe e desmarcação, num carrossel mágico assente no centro do terreno. Para além disso, a reacção à perda de bola melhorou bastante desde Viseu, o que mostra que os jogadores estão a assimilar bem os processos. Todavia, há um aspecto que cumpre melhorar e que se prende com a deficiente cobertura do segundo poste, aquando dos cruzamentos.

O treinador leonino deu ainda durante o jogo oportunidade a miúdos saídos da nossa Formação, fazendo entrar o renascido Mané, Jovane Cabral e o estreante Thierry Correia. E depois há o caso Wendel: um jogador "lost in translation" de mandarim, mas que parece ter aprendido bem o holandês...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Wendel

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Hoje giro eu - Isto é o Sporting!!!

Um fim-de-semana à Sporting: se o futebol é pé, o andebol é mão e o hóquei é stick, em comum têm o objectivo de pôr a bola na rede mais vezes do que o adversário. E a missão foi amplamente cumprida: no Sábado, o ludopédio leonino visitou a cidade de Viriato e saiu de lá com uma vitória por 4-1 frente ao Lusitano de Vildemoinhos, em jogo a contar para a Taça de Portugal; pouco mais tarde, no Pavilhão João Rocha, os leões alcançaram o feito histórico para o andebol nacional de se qualificarem para a fase seguinte da Liga dos Campeões (e a uma jornada do fim da fase de grupos), batendo os turcos do Besiktas por 34-28; hoje de manhã, os nossos leõezinhos iniciados colocaram mais uma cruz no mito da superioridade da Formação encarnada ao vencerem o rival por concludentes 4-0; finalmente, à hora de almoço, em jogo a contar para o campeonato nacional da modalidade, os nossos hóquistas degustaram a forte equipa portista, com um triunfo por 5-3, caso para dizer que correu tudo sobre rodas. 

 

P.S. E agora, por favor, não elogiem contra ninguém nem caluniem a favor de alguém. É que importante é o SPORTING. Sempre!

Hoje giro eu - O amor acontece (Love actually)

O filme começa (prólogo) com a voz do "primeiro ministro" narrando que cada vez que fica deprimido com o estado da nação (lampiânica) pensa no terminal de chegadas do Aeroporto de Lisboa, e no amor com que amigos e familias recebem os seus entes queridos. Enquanto a realização nos dá a vêr excertos avulsos desses reencontros, a narração é entrecortada por "Wouldn`t it be nice" dos Beach Boys.  A fita evolui então para a "história de amor" entre Jorge e Luís.

 

O primeiro acto aborda a aposta arriscada que Luís fez em Jorge há 10 anos atrás, o "big break" da carreira do veterano treinador até aí sempre afastado dos grandes palcos. Preparando o novo enlace e a data previsível para tal acontecer, a cena é acompanhada pela audição de "Christmas is all around", um "cover" canastrão de Love is all around dos Wet, Wet, Wet.

 

O segundo acto narra o "casamento" entre Jorge e Bruno e os ciúmes sentidos por Luís durante esse período. O divórcio esteve para ser litigioso, mas no fim um acordo acabou por ser selado. Um pungente "Bye bye baby (baby goodbye)", tocado pelos Bay City Rollers, acompanha o enredo.

 

O terceiro acto centra-se em Luís e Rui e como o primeiro voltou a ser feliz, apesar de um primeiro encontro que não pareceu muito prometedor. Dois anos de extrema alegria, esfusiantemente passados para o ecran ao som de "All you need is love". No entanto, ao terceiro ano a relação começa a ter os seus percalços e a ameaça de adultério ou divórcio paira no ar. O realizador ilustra esse momento com o soberbo "Both sides now" de Joni Mitchell.

 

Epílogo: a acção foca-se na época de Natal. Jorge Jesus regressa a Portugal, por entre anteriores juras de amor do tipo "o bom filho a casa torna", terminado o seu exílio forçado nas arábias, e tem um reencontro emotivo no Aeroporto de Lisboa com Luís Filipe Vieira. Ao longe, em ruído de fundo, os Beach Boys tocam "God only knows"...

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Hoje giro eu - Tiago, o fanfarrão humilde

O oxímoro (paradoxo) do título caracteriza aquilo que têm sido as intervenções públicas do até há pouco tempo atrás treinador (interino) do Sporting, um homem aparentemente avesso ao som do silêncio (outro oxímoro) e que não parece fazer da discrição uma forma de vida.

 

Há um lado "fofinho" em Tiago Fernandes que humildemente transmite “estar sempre pronto a ajudar”, logo entrecortado pelo gabarola “é difícil chegar algum treinador e ensinar-me mais de futebol do que eu percebo”. Ora, alguém que está sempre pronto a ajudar e a quem é difícil ensinarem-lhe mais de futebol do que ele percebe terá de seguir uma carreira a solo, como treinador principal, porque a alternativa, a de ser um adjunto que presume saber mais do que o líder da equipa técnica - algo com que Peseiro terá tido de lidar, ele que até já tinha um outro presume (Nuno, com P grande) na sua equipa técnica – parece redutora para tanto saber e poderia pôr em causa a prazo a hierarquia de comando.

 

Peseiro saiu, Tiago ficou. E logo tentou dar o seu cunho pessoal às coisas. Na organização do meio campo, na saída de bola, no sistema de jogo houve alterações significativas e positivas face ao passado recente, sinal de que Tiago possui ideias próprias (boas, diga-se) e não tem rebuço em as pôr à prova. Tem, no entanto, e ao contrário do que transmite e a crueza dos resultados mostra, ainda muito que aprender. A primeira grande lição do resto da sua vida ocorreu em Londres, no Emirates, onde levou “um banho de bola” da equipa comandada por Unai Emery, incapaz que foi de pôr em prática as ideias ofensivas que teria para os leões nesse jogo, acabando por as fazer capitular em função do chutão para a frente e sem que a equipa realizasse um único remate enquadrado com a baliza, algo não visto quando alguns dias depois o Wolverhampton, comandado por outro técnico português (Nuno Espírito Santo), visitou a capital londrina e defrontou a, então sim, equipa titular do Arsenal. Acresce também que na época passada ficaram algumas questões no ar sobre a gestão da equipa de juniores, nomeadamente no que concerne à pouca utilização dos mais promissores jogadores de primeiro ano (Diogo Brás e Bernardo Sousa à cabeça), os quais vinham num percurso ascendente (e com 3 títulos consecutivos conquistados nos escalões de iniciados e juvenis) e pareceram regredir (Diogo Brás foi repescado na parte final da época por Luís Martins para a equipa B), preteridos em função de jogadores 1 ano mais velhos mas com muito menos talento e que dificilmente virão a ser uma opção de futuro no Sporting. Como em tudo na vida, uma coisa são as ideias, outra a sua execução prática e a resiliência que é necessária para, acreditando num caminho, não dele descarrilar.

 

Tendo sido anunciado pelo próprio que ficará ao leme dos Sub-23, algo que tem o seu quê de insólito pois deveria ter sido inicialmente transmitido pelo clube e acompanhado da solução pública para José Lima (anterior treinador do escalão), resta-me desejar que realize um bom trabalho e contribua para o crescimento dos jovens jogadores a seu cargo e sua futura integração na equipa A. Não deixo de pensar, no entanto, que a melhor solução seria tentar colocá-lo como treinador principal numa equipa da 1ªLiga, assegurando um direito de opção. Isso permitir-lhe-ia crescer e aprimorar os seus princípios de jogo ao mesmo tempo que a Estrutura leonina poderia ir aferindo o seu progresso num nível competitivo mais elevado, podendo um dia tornar a Alvalade, mais rodado, pronto para cumprir o desígnio pessoal a que aparentemente se propôs, até porque boas bases ele tem. Até lá, deixemo-nos de idolatrias para com quem, apesar de talentoso, ainda tem todo um percurso a fazer e, sem autofagias, criemos condições para que Keizer se integre e possa trabalhar sem sombras e em paz. Não é de todo um nome sonante, mas é um homem de projecto (e uma decisão corajosa de Frederico Varandas) e o Sporting necessita de seguir uma filosofia que lhe assegura a sustentabilidade presente e futura, sem descurar a competitividade desportiva. Obviamente, um nome menos conhecido dará menos garantias no curto-prazo, pelo que a chave do sucesso desta escolha recairá muito no apoio, determinação, cobertura e resiliência que a administração da SAD, com Varandas à cabeça, mostrar para com ele. Que sejam todos felizes, pois tal encheria de alegria a vastíssima maioria dos sportinguistas, que merecem como ninguém momentos de glória no futebol. 

Hoje giro eu - Sporting na Final Four (Futsal)

Um empate frente ao Benfica (1-1) foi suficiente para garantir à equipa leonina a presença na Final Four da Champions de Futsal. Cardinal, de livre directo, marcou o golo do Sporting. Numa partida muito sofrida - a bola "beijou" a nossa barra a apenas 17 segundos do fim -, de destacar o apoio incansável dos nossos adeptos presentes no Pavilhão João Rocha. Com efeito, comparecendo em número superior a 2700, catapultaram os nossos jogadores para mais este sucesso. O grande ausente foi o "mago" Merlim, castigado por acumulação de amarelos nos dois primeiros jogos (vitórias por 4-0 e 6-0 frente a russos e croatas, respectivamente). Parabéns a Nuno Dias pela terceira qualificação consecutiva para a fase derradeira desta competição, onde nos juntaremos a Inter Movistar, Barcelona e Kairat Almaty. Será desta? Há um ditado português que diz que "à terceira é de vez"...

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Antonomásias - O sorriso do "mona lisa"

Leonardo foi o criador (da oportunidade) e Frederico Varandas, que procurava um treinador de projecto, capaz de trazer um futebol vistoso, positivo e com aposta nos jovens da Academia, aceitou a recomendação do nosso antigo treinador e contratou-o.

Marcel Keizer, membro do trio de intrépidos calvos (Peter Bosz, ele próprio e Erik Ten Hag) que sucedeu a Frank de Boer ao leme do Ajax de Amesterdão, é o novo treinador do Sporting. Dada a influência de Leonardo, é o "mona lisa" original, o que num clube com os pergaminhos do Sporting nunca pode ser menos que um GioCONDE. Que a sua chegada a Alvalade tenha o mesmo contexto da antonomásia (epíteto) que aqui aplico: o RENASCIMENTO (da Vinci) do grande Sporting Clube de Portugal no futebol nacional. E que todos juntos, pelo Sporting, sempre, no final possamos sorrir.

Marcel Keizer, o "mona lisa". Bem-vindo! Welkom! Sorte! Geluk!

 

P.S. Noutro plano, muitíssimo boa a entrevista de ontem à TVI24 de Francisco Salgado Zenha. Seguro, quase didáctico (a célebre polémica da rúbrica Fornecedores que desmontou com maestria), pondo as coisas no devido contexto (comparação com a concorrência no tema antecipação de receitas), correcto com quem o precedeu e com elevação. Assim também se conquista a união. Chapeau!

 

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Hoje giro eu - Eminências pardas

O regozigo e júbilo com que a detenção de Bruno de Carvalho foi acolhida por vários sportinguistas é uma indignidade e uma vergonha. Desde logo, porque alguns dos seus mais indefectíveis apoiantes directos de outrora são agora os mais ruidosos e palavrosos na acusação pública sumária, mostrando uma falta de pudor, capacidade adaptativa e situacionismo dignos de indivíduos que constituem um "case-study" para a ciência pela forma como se mantêm de pé. Depois, porque caberá às instituições judiciárias - Ministério Público, Juíz de Instrução e Juíz do Julgamento - , e só a estas, investigar (MP), inquirir, verificar da adequação (JI) e decidir sobre condenação ou absolvição (JJ) de um arguido e isso não deve ser confundido com ajustes de contas entre facções de leões. Finalmente, porque a cegueira, ódio e revanchismo com que se ataca um anterior presidente do clube serve todos os desejos e propósitos menos os do Sporting Clube de Portugal (e seu bom nome e honorabilidade), seus sócios, adeptos e simpatizantes, para além de induzir uma cortina de fumo sobre o início da fase de instrução de um processo muito mediático que envolve o rival Benfica. Dito isto, e em sentido contrário, é preciso louvar, isso sim, a grandiosa massa anónima de sportinguistas que exigiram uma clarificação pós-acontecimentos de Alcochete, pediram eleições e, mais tarde, votaram no sentido da destituição de Bruno de Carvalho e restante Direcção, provando que no seu seio souberam fazer vingar as normas do clube e fazer cumprir a democracia interna, deixando à Justiça a averiguação de eventuais responsabilidades para além das decorrentes de se ter permitido, por negligência e/ou omissão, os horrendos acontecimentos de Alcochete. 

 

O Sporting é de facto um clube "sui-generis". A forma como sportinguistas se acotovelam para aparecer na televisão, não cuidando de poupar no verbo e colocando ódios pessoais sempre à frente dos superiores desígnios do clube, nunca deixa de surpreender. Rei morto, Rei posto, a próxima vitima deste autofágico processo leonino será Frederico Varandas. Já são aliás visíveis os primeiros sinais disso. Em diferentes contextos, aparecem sempre umas forças de bloqueio, provenientes de uma série de eminências pardas de um certo sportinguismo que nem governa o clube nem o deixa ser governado e que apenas procura manter influência pessoal. A dramatização à volta da situação financeira do clube e o efeito que isso provoca nos putativos investidores, no momento em que a Direcção do Sporting prepara um empréstimo obrigacionista, é apenas mais uma intentona num processo de desgaste constante, consciente ou inconsciente, inflingido a quem tenha poder no clube. Antes (ainda no tempo de João Rocha) como agora. [Adicionalmente, causa estranheza que já nem o presidente da AG do clube seja poupado, apenas e só porque, alegadamente, terá procurado no silêncio dos gabinetes articular condições justas para a audição dos membros do antigo Conselho Directivo aquando da futura AG que irá deliberar sobre a ratificação (ou não) dos processos de suspensão intentados pela Comissão de Fiscalização.] Se em relação a Bruno de Carvalho se pode dizer que se pôs a jeito, principalmente desde Fevereiro deste ano, independentemente dos méritos da sua gestão (Reestruturação Financeira, Pavilhão, vendas record de jogadores, exercícios equilibrados de gestão até final de 16/17,...), já no que concerne a Frederico Varandas as criticas da nomenclatura do costume são manifestamente prematuras e um sinal de que o terreno já está, propositadamente, a ser minado. É contra tudo isto que os sócios e adeptos do Sporting se deverão rebelar. E como? Pacificamente, comparecendo em massa a apoiar todas as equipas do Sporting Clube de Portugal. Nos estádios, nos pavilhões, fazendo cumprir o desígnio do nosso fundador: um clube tão grande como os maiores da Europa.

 

P.S. à hora em que termino este arrazoado, acaba de ser divulgado que Bruno de Carvalho sairá hoje em liberdade, com a medida de coação de comparecimento diário às autoridades e uma caução de 70.000 euros. 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Notas do Professor Marcel

Mal o jogo se iniciou, ambas as equipas mostrarem tendências suicidas: um flaviense confundiu um colega com uma bola de futebol e Mathieu atrasou uma bola venenosa para o seu guarda-redes. O Sporting apresentou-se com 3 médios de perfil, em bloco médio-alto, procurando o "campo pequeno", a fim de chegar mais facilmente em defensores de Chaves. 

 

A meio da primeira parte, quando se sucediam os passes falhados, na intersecção entre a linhas lateral e divisória do meio-campo Bruno Fernandes encontrou Acuña isolado pela esquerda. O argentino fez uma recepção orientada, centrou com régua e esquadro para a cabeça de Bas Dost e o holandês voador não perdoou. O Sporting poderia ter resolvido o jogo ainda no primeiro tempo mas, tal como a bola, o último passe nunca entrou.

 

O segundo tempo seguia numa toada morna até que Daniel Ramos lançou Niltinho na partida. Com a entrada do brasileiro, os flavienses encontraram as Chaves do Areeiro que lhes permitiram arrombar a trave (fechadura) da baliza leonina. O jogo aproximava-se do fim, não sem que antes o árbitro marcasse um penalty favorável ao Sporting. Na conversão, o suspeito do costume dostou, garantindo assim uma vitória e a ultrapassagem ao Braga para o segundo lugar do campeonato nacional.

 

No Sporting, Bas Dost e Acuña foram os melhores. Miguel Luís voltou a ser titular e mostrou consistência no passe, embora não tenha arriscado passes de ruptura. Gudelj continua a crescer defensivamente, mas dá pouco ao jogo a nível ofensivo. Nani e Bruno Fernandes alternaram boas cantorias com momentos dignos de ópera bufa e Jovane mostrou bons pormenores, no que terá sido um dos seus melhores jogos partindo de títular. Diaby, entrado em "modo morto de sono" a substituir o cabo-verdiano, foi a nulidade a que já nos habituou.

 

Marcel Keizer assistiu de camarote a esta partida cinzenta e algumas notas terá tirado. Em noite de Tiagos, um despediu-se a chorar e o outro deve estar a chorar a esta hora para não ser despedido. É que, sem que o (Bruno) Gallo já pudesse cantar, Tiago Martins (e o VAR), hoje muito infeliz nas decisões, renegou a (boa) arbitragem por duas vezes. Mais uma e o homem do apito ainda teria de mudar o nome para Pedro... Enfim, alguma vez haveria de "tocar" a nós...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bas Dost (lapidar no fim do jogo: "agora mais futebol, depois o título")

 

P.S. Diálogo mantido com um amigo benfiquista que me telefonou após o jogo:

- "Então o que `passou-se`?" -, perguntou-me ele como quem não quer a coisa, esboçando umas lágrimas de crocodilo.

- "Não sei, vocês é que estão (mal) habituados a isto..." -, retorqui-lhe eu, sem ponta de emoção (já chegava de choradeira por uma noite...).

 

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Hoje giro eu - Não há coincidências

Ontem, em Alcochete, a equipa de juniores do Sporting recebeu e venceu o Vitória de Setúbal, tradicionalmente uma equipa forte neste escalão, por 5-0 (4-0 ao intervalo), em mais uma partida do campeonato nacional da categoria. Pouco antes, no mesmo local, em jogo a contar para a Liga Revelação, a nossa equipa de sub-23 havia batido o mesmíssimo adversário por 3-2. 

 

Mais do que os resultados em si, percebeu-se a motivação dos miúdos, subitamente tomados por um novo suplemento de alma. Jogadores muito promissores e que têm estado apagados, como Diogo Brás (1 golo e duas assistências), Bernardo Sousa (2 golos, a juntar aos 3 da semana passada) ou os mais velhos Elves Baldé (hat-trick) e Daniel Bragança apareceram em grande nível.

 

Creio estarmos a assistir aos primeiros sinais daquilo que denominaria como Efeito Keizer. Muito se tem falado no decréscimo de qualidade da nossa Formação e vários são os sócios a ecoá-lo, inclusivé aqueles que nunca viram um jogo da Formação, os que conciliam tal opinião com um saudosismo mais ou menos disfarçado a Jorge Jesus e ainda alguns politiqueiros com interesse evidente em espalhar a teoria do caos, mas creio que erramos ao abordar o tema numa perspectiva "bottom-up", em detrimento de "top-down".

 

Se do ponto-de-vista físico e táctico parece evidente que ficamos a perder face ao Benfica, é também verdade que continuamos a produzir jogadores com muita criatividade e liberdade para criar. Nota-se que o jogador encarnado é geralmente mais desenvolvido muscularmente, que tem outra leitura do jogo, mas os nossos continuam a ser mais desequilibradores e imprevisíveis. São, essencialmente, duas escolas de Formação diferentes que, apesar disso, têm um número de títulos praticamente equivalente nas camadas jovens nos últimos 5 anos. 

 

O que eu penso ter acontecido nos últimos dois anos da Formação foi uma grande desmotivação. Havendo um fúnil demasiado apertado nos séniores e sabendo-se da pouca disponibilidade do treinador do nosso principal escalão em apostar em jovens, estes começaram a perder a fé em chegar lá acima. Viram o que aconteceu aos seus colegas hoje nos seus 22/23 anos, uma geração perdida de empréstimo em empréstimo, e perceberam que essa viria a ser a sua realidade brevemente, pois por muito que mostrassem tal nunca seria suficiente. A chegada de Marcel Keizer a Alvalade, técnico que não teve rebuço em reforçar a aposta que Peter Bosz, seu antecessor, tinha feito nas escolas do Ajax, tem tudo para ser o detonador de uma nova crença dos nossos jovens jogadores. Será por isso com renovada expectativa que Bragança, Elves, Brás ou "Benny" encararão o futuro próximo. Perspectivando oportunidades, certamente trabalharão mais e melhor. A vantagem de uma política desportiva alicerçada na Formação é essa e os nossos jovens jogadores saberão que a partir de agora, esforçando-se para isso, verão chegada a sua hora de provar ao mais alto nível. E os pais também terão isso em mente na hora de escolherem o clube que os seus filhos, ainda crianças ou adolescentes, irão representar. 

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Sarilhos pequenos (os leões, um a um)

Renan Ribeiro - Vendo Santa Clara a debater-se com o vento, usou de caridade cristã e ofereceu uma esmola aos açorianos. Na etapa complementar, manteve-se recluso no seu Mosteiro, dada a pobreza franciscana das ofensivas insulares. 

Nota: Mi

 

Bruno Gaspar - Tem nome de Rei Mago (Gaspar, não Bruno), mas continua muito contido, meio envergonhado e ansioso, como um miúdo antes de um primeiro exame. E que exame! É que o peso da listada verde-e-branca não é para qualquer um, facto que é do "incenso" comum para Gaspar. 

Nota:

 

Coates - Cumpriu sem brilhantismo, mas teve uma preocupação com a segurança digna de um Ministro da Defesa, solenidade que o fez aventurar-se menos em terrenos inimigos.

Nota: Sol

 

Mathieu - No lance do golo açoriano, procurou o "pas de deux" com Coates e deixou entrar Zé Manuel nas suas costas. Inconformado, realizou algumas investidas ao último reduto adversário e distribuiu jogo essencialmente pela esquerda, fixando o ala insular e procurando a posição mais avançada de Lumor em relação à restante defesa leonina. 

Nota:

 

Lumor - Enganado pelo vento ou confiante de que Renan far-se-ia à bola, deixou Zé Manuel entrar pela sua frente no lance do golo do Santa Clara. Insuperável nos duelos individuais pelo chão (10 em 10), procurou sempre municiar o ataque. Mostrou velocidade e remate potente. Tem g(h)ana de vencer, o miúdo.

Nota:

 

Battaglia - "Gone with the wind". Uma lástima para a equipa. Que volte depressa e bem!

Nota:

 

Bruno Fernandes - Anda com a transmissão avariada. Patina, quando põe a mudança e as suas desmultiplicações não saem. Não está a ficar bem no retrato ou, no caso, no PASSE-partout...

Nota: Mi

 

Acuña - Cresceu muito no segundo tempo. Com o argentino em campo, o Rei Leão entoou "Acuña" (no original, Hakuna) Matata, que em dialecto suaíle significa "sem problemas".

Nota: Lá (Melhor em campo)

 

Nani - Procurou o espaço entrelinhas e deixou a sua marca no jogo (e não, não me refiro só às pernas de Mamadu). Foi um verdadeiro capitão e nunca se rendeu.

Nota:

 

Diaby - No "Convento" de Santa Clara não há lugar para o Diaby...

Nota: (u)

 

Bas Dost - Procurou a bola em toda a primeira parte e, quando ela finalmente lhe chegou, deslumbrou-se e falhou um golo fácil. Dostou exemplarmente de (re)paradinha, após "(re)falta" (foram dois insulares...) cometida sobre ele. 

Nota: Sol

 

Gudelj - Entrou ainda na primeira parte para render Batman e o mínimo que se pode dizer é que fez jus à condição de novo Vigilante dos de Alvalade. Necessita de maior tracção à frente.

Nota: Sol

 

Jovane - Já se sabia que Cabral era nome de navegador intrépido e Jovane não foge à regra. Mudou por completo o cariz do jogo, descobrindo novos caminhos para a nau leonina, entre ventos e marés adversos. 

Nota:

 

Miguel Luís - Tempo apenas para se estrear pelo Sporting em jogos a contar para o campeonato nacional.

Nota:

 

(notas de Dó Menor a Dó Maior)

 

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Treinador de gestão

A situação de Peseiro no Sporting sempre foi precária. Mais do que precária: a sua saída era inevitável, fosse durante a época ou no final. Todo o sportinguista detesta o Peseiro (eu incluído): aquele ano de 2005 nunca será esquecido. Portanto, o Peseiro sempre foi um treinador de gestão, como Sousa Cintra foi um presidente de gestão.

Eu sei que o pessoal gosta mesmo é de malhar. Por isso, o Peseiro já foi brindado com as mocadas da ordem, mesmo agora na despedida. Ora, por uma vez, parece-me que Peseiro é merecedor de um agradecimento, como Sousa Cintra o foi também: naquele ambiente lunático do final da época passada, depois do que aconteceu, com meia equipa e meia direcção em debandada, em que nenhum jogador ou teinador decentes queriam vir para o Sporting, veio Peseiro. Claro que isso foi um sinal de desespero do Sporting, mas a verdade é que veio, para um sítio onde mais ninguém queria vir.

Portanto, nalgum momento Peseiro tinha de ir. O que já não percebo é o timing da saída: depois de uma derrota a jogar com a equipa Z para uma taça sem interesse (ganhámos uma vez: acho que basta para picar o ponto), depois de duas exibições convincentes, uma contra o Boavista e outra contra o Arsenal (alguém legitimamente estava à espera de ganhar ao Arsenal com esta equipa, mesmo em Alvalade?), a um ponto do Benfica, com possibilidade de o ultrapassar este fim-de-semana, a dois dos líderes do campeonato. Porquê agora? Sobretudo quando se percebe que não foi pensada nenhuma alternativa. Lá voltámos ao nosso fétiche, que é arranjar treinadores com nome holandês que ninguém sabe o que valem (e em geral não valem um caracol; a propósito, alguém me explica esta fixação: é porque os nomes soam bem? Vercauteren, por exemplo, soa tão bem). Ora, se é para arranjar um qualquer Peseiro holandês, não se percebe para que foi isto tudo.

Esperemos que Frederico Varandas não tenha cometido aqui o seu primeiro erro grave.

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