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És a nossa Fé!

Lembrar Marinho

A Taça não está ganha. Pode ser mais fácil defrontar o Aves do que o Braga, Benfica ou Porto mas é preciso jogar com toda a seriedade, para fazer a festa. Não é preciso lembrar o que aconteceu há seis anos quando Cédric, Adrien e Marinho, mesmo tendo sido "criados" em Alvalade, festejaram a Taça pela Académica, pois não?

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O (J)amor nos tempos de cólera

De um lado estava uma Altice equipa, do outro uma equipa a precisar de desatar alguns NOS, mas o destino do jogo teve dois momentos reveladores logo no seu início. Primeiro, Battaglia perseguiu uma bola ombro-a-ombro com Brahimi e abafou-o. De seguida, Acuña rodou como um discóbolo sobre Maxi Pereira, ganhou a bola e viu o seu adversário sair projectado uns bons 3 metros. Dois argentinos do Sporting, dois dos vários sul-americanos em evidência na equipa leonina. 

 

Presságios à parte, o primeiro tempo foi um joguinho. O Porto sufocou de pressão o coração (meio campo) da construção leonina. Com todas as artérias por onde se poderia escoar o futebol do Sporting bloqueadas, o cérebro (Bruno Fernandes) não teve oxigénio para pensar o jogo, o que afectou a motricidade colectiva. Ainda assim, coube aos leões a melhor oportunidade: mesmo com o ar rarefeito, Gelson conseguiu conjugar um pique com a ginga que tem naquele corpo de dançarino e deixou Alex Telles a pedir multa por excesso de velocidade; de seguida, o ala leonino decidiu bem, colocando a bola no sítio certo, na pequena área, mas o lance perder-se-ia perante a complacência de um insolitamente amorfo Dost.

 

A segunda parte já foi um jogo. O Sporting agarrou a partida pelos colarinhos e foi pressionando a equipa portista. Tal intensificar-se-ia após Jorge Jesus ter mexido na equipa, primeiro acidentalmente - fazendo entrar Ristovski por lesão de Piccini - , depois decisivamente, trocando Fábio Coentrão por Montero. Pressentindo a fraqueza do adversário, vendo a presa ali à mercê, o treinador leonino colocou novos desafios à defesa portista. Entretanto, o nosso Exterminador Implacável desparasitava os vírus e bactérias com que outrora a equipa do Dragão contaminara o nosso meio campo, arranjando ainda tempo para combinar com Gelson dentro da área portista ou subir mais alto, após um canto, possibilitando o remate vitorioso, com o pé direito, a Coates. E só não foi ainda mais longe, porque Jorge Sousa lembrou-se de vêr uma falta - após uma recuperação de bola no último terço portista - onde só houve o ímpeto de um homem empenhado em trazer justiça ao povo de Alvalade. Exterminador Implacável, Homem do Bombo ou, simplesmente, Batman, ele é nosso, ele é Rodrigo Battaglia.

 

A partida foi para prolongamento e este foi um jogão. Na primeira metade, o Sporting desperdiçou 3 boas oportunidades, por Gelson, Montero e Bruno Fernandes. Na segunda, Doumbia - acabado de ser lançado em campo, por troca com Dost - foi à procura da fortuna, mas o MÁXImo que conseguiu foi encontrar um mealheiro na cabeça do defesa uruguaio do FC Porto. Entrámos então na "lotaria" das grandes penalidades e os nossos jogadores mostraram uma concentração e pontaria fantásticas, qualificando-se assim para a final do Jamor.

 

No Sporting, destaque para as excelentes exibições de Sebastián Coates - decisivo no desarme sobre Soares, oportuno no golo que empatou a eliminatória e exemplar no penálti marcado (ai Jesus, que sofrimento quando o vi partir para a bola...) - , Marcus Acuña (incontáveis as vezes que percorreu, acima e abaixo o seu corredor) e Rodrigo Battaglia (o melhor que se pode dizer dele é que na sua área de acção a relva não cresce). Muito bem, também, Mathieu, o super intenso Ristovski (que pulmão!!) e Gelson. "Monteiro" (marcou o penálti decisivo com a frieza de um cirurgião, noutro lance, deixou Alex Telles nas urgências de nefrologia e ameaça tornar-se no maior carrasco de Sérgio Conceição em Taças de Portugal), Bryan Ruiz (bom jogo) e Bruno Fernandes (com o corpo a pedir cama e os pulmões uma máscara de oxigénio, foi melhorando durante a partida) também foram decisivos, marcando de forma irrepreensível os seus castigos máximos. Num jogo para homens de barba rija, a nossa equipa nunca se desorientou perante o ímpeto contrário e, tal como Cassius Clay, soube ir dançando com o adversário, desgastando-o até lhe aplicar a estocada fatal. Não deu para k.o., mas ganhámos na decisão por pontos. Está de parabéns, Jorge Jesus.

 

Num tempo de cólera no futebol português, esta vitória do Sporting é o triunfo do enorme amor que os seus adeptos têm pelo jogo e pelo clube, que vai passando de geração para geração, enchendo bancadas ao longo dos anos, independentemente da escassez de títulos e das razões que todos sabemos a justificam. Ontem, jogámos como SEMPRE e ganhámos como NUNCA. Uma força bem viva e indestrutível! Vivó SPORTING !!! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates, Rodrigo Battaglia e Marcus Acuña(*)

 

#savingprivateryan

 

(*) após muita ponderação, hesitação e sono, não consegui desatar o nó, pelo que excepcionalmente atribuí o título de melhor em campo a este trio de sul-americanos.

sportingportotaçaportugal.jpg

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus (especial) - Ganhámos, não foi?

Afastado da primeira equipa para, alegadamente, curar algumas mazelas, eis que Bruno de Carvalho regressa ao terreno de jogo em Soure. Últimamente visto em pavilhões, não se pode dizer que a pequena vila do Concelho de Coimbra lhe possibilite um regresso aos grandes palcos. Ainda assim, não sendo um ambiente de Champions, os espectadores prestam-lhe uma ovação.

 

À primeira vista, Bruno apresenta boa cara, sinal de que o descanso lhe terá feito bem. Mas, a imagem é enganadora. Mal o jogo começa, já combalido e por terra, leva uma primeira pernada:

- "Uma familia não vê um membro no chão e dá-lhe pontapés" -, dirá, posteriormente, no Flash-Interview.

- "Pois não, pois não ... " -, dirão em coro os restantes jogadores, ouvidos na Zona Mista, ainda lembrados dos ecos da derrota em Madrid.

 

No entretanto, Bruno vai tentando galvanizar a restante equipa:

- "Apertem com eles" -, afirma resoluto, pedindo mais vontade em bater o adversário.

- "Apertem com eles como eu achar" -, responde-lhe o árbitro, pouco solícito em anuir à agressividade pedida.

 

O Juíz apita para o intervalo e Bruno aproveita para lêr alguns SMS. Um deles é de Carlos Carneiro, jogador de andebol, e o presidente-treinador-jogador partilha-o com o balneário, enquanto pede mais concentração aos seus defesas, melhor pontaria ao seu avançado, corrige alguns aspectos técnicos e combina umas "bojecas" com Coentrão após o jogo. De seguida, dá uma entrevista à Rádio-Soure, a exigir mais empenhamento aos jogadores. A equipa regressa para o segundo tempo, não sem antes Bruno piscar o olho à assistência, enquanto solta uma tirada filosófica em que põe a um canto o "penso, logo existo" de Descartes, que corrige para "blogo ... , perdão, espicaço, logo ganho". A massa adepta aprova, consciente de que para existir o clube tem de ganhar. É assim, à falta de umas "bojardas" no campo, que Bruno pretende levar a equipa à glória.

 

A verdade é que a segunda parte corre bem e a vitória é assegurada. Em conferência de imprensa, ao presidente-treinador-jogador é transmitido que os jogadores não terão ficado muito satisfeitos com as mensagens ao intervalo. Ufano, Bruno apenas diz:

- "Ganhámos, não foi?".

 

 

Aviso: vêr qualquer semelhança entre este texto e a realidade será um caso de pura ingratidão.

BrunoDeCarvalho.png

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Por cada Bruno que cair, outro se levantará

O jogo começou com quase um quarto de hora de atraso e o Sporting ainda entrou mais tarde. Logo aos 2 minutos, Bruno Paixão caiu ... na tentação de marcar uma grande penalidade após antecipação de Yazalde a Rui Patrício, na sequência de uma primeira defesa de Rui a remate de Licá. Já depois do cabeceamento do avançado, o guardião leonino deu um toque involuntário na cara do avançado e o árbitro marcou "penalty". Yebda converteu, pondo a equipa do Restelo na frente. 

 

Eis senão quando aparece no jogo outro Bruno, o Fernandes. Do lado esquerdo, e ainda dentro do seu meio campo, com a precisão de um relojoeiro suiço, o maiato colocou a bola a tempo e horas, direitinha no pé direito de Bas Dost que não perdoou. Pouco tempo depois, outra vez Bruno ... Fernandes. Com o diabo no corpo, penetrou pelo centro do ataque e assistiu Gelson na meia direita para o segundo dos leões. Estavam decorridos 16 minutos de jogo. O jogo ficou mais dividido, mas o Sporting parecia sempre mais incisivo. Assim, após um canto, Bruno Fernandes (who else?) visou Battaglia que desviou de cabeça rente ao poste. Logo no minuto seguinte, o nosso número 8 serviu Dost entre 2 defesas. O holandês, sem velocidade para sprints, preferiu contemporizar e servir Ristovski na direita. Centro do macedónio, bola deflectida e surgiu Acuña, de pé direito (!) a rematar com êxito.

 

O segundo tempo iniciou-se com um remate muito perigoso, outra vez de Bruno Fernandes, a poucos centímetros do alvo. O médio leonino começava a acusar o desgaste do jogo e da eliminatória europeia e, como ele, também Ruiz parecia dar alguns sinais de cansaço. A verdade é que o Sporting começou a perder o meio-campo e em 3 minutos (entre os 61 e os 64) o Belenenses empatou. Primeiro, num remate de Licá, depois num "penalty" cometido por Acuña sobre (outra vez) Licá e convertido por Fredy.

 

Confesso que temi o costumeiro fadinho leonino, mas, após um canto, Yebda acertou uma cotovelada na cara de Bas Dost na área e Bruno Paixão, após consulta do VAR e visionamento das imagens, assinalou a grande penalidade e expulsou o argelino. Sururu, muitos protestos belenenses e o árbitro a não permitir a reentrada em campo de Dost (antes assistido). Não houve Bas, mas Bruno Fernandes chamado a converter o castigo máximo marcou com categoria o 4-3 para os leões. JJ mexeu na equipa, tirando os dois criativos, Bruno e Ruiz, completamente esgotados, e colocando Petrovic e Lumor em campo, restabelecendo a táctica dos 3 centrais com Coates, Petrovic e André Pinto. O jogo não acabaria sem um remate ao poste de Florent, com São Patrício ainda a dar um pequeno desvio que impediu o golo do empate, numa altura em que parecia que o Belenenses é que tinha um homem a mais.

 

No Sporting, os melhores foram Bruno Fernandes (um golo e duas assistências), Acuña (um golo), Bryan Ruiz (muito bem a gerir os momentos do jogo) e Battaglia (grande pulmão). A defesa esteve muito irregular e Gelson (muito voluntarioso) e Dost complicaram situações fáceis de golo.

 

Numa noite em que houve um Bruno (Carvalho) ausente - mas ainda omnipresente na mente de apoiantes e opositores - e um Bruno (Paixão) que marcou 3 grandes penalidades e iniciou o jogo com grande atraso, valeu o terceiro Bruno, que, com uma exibição espectacular, principalmente no primeiro tempo, ajudou a resolver o jogo para o Leão Rampante, algo que o igualmente endiabrado Licá tentou ao máximo evitar. Uma vitória do Sporting contra os Velhos do Restelo e o segundo lugar já ali à vista. Uma palavra para o excelente futebol implementado em Belém por Silas. Chapeau !

 

Quanto à arbitragem, há argumentos que podem justificar a marcação de cada uma das grandes penalidades. Eu só estranho duas coisas: não me recordo de um "penalty" marcado contra Benfica ou Porto aos 2 minutos de jogo; nem na RTP Memória consigo encontrar dois castigos máximos, marcados no mesmo jogo, contra Benfica ou Porto. Alguém acredita que venhamos a assistir a algo do género, envolvendo os nossos adversários, até final do campeonato? Se virem, avisem, que eu vou estar embrenhado na Torre do Tombo à procura de evidências históricas...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (inevitável)

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Sustentabilidade - As Obrigações da Sporting SAD

Durante a passada semana e a propósito do vencimento em Maio de um empréstimo obrigacionista de 30 milhões de euros do Sporting - já lá iremos - , o jornalista Camilo Lourenço disse que "lhe cheirava a esturro". Num estilo leve, e certamente embalado pela brisa que emanava do rio que lhe servia de enquadramento, Camilo foi por aí fora e chamou a atenção para 4 coisas, das "continhas" (palavras dele) do Sporting. A saber:

 

  1. O Sporting está tecnicamente falido, ou seja, apresenta Capitais Próprios negativos;
  2. O Cash-flow é negativo;
  3. O Sporting tem de, nos próximos meses reembolsar "dívida, nomeadamente obrigações" no valor de 68 milhões de euros;
  4. Existe uma reserva do auditor PWC.

 

Adicionalmente, o jornalista pediu a todos que o ouviam para consultarem o último R&C depositado na CMVM. Confesso que já o tinha feito e daí apresentado resumo na rúbrica Sustentabilidade, mas dado aquilo que foi dito voltei lá, não fosse estar a precisar com urgência de uma consulta no oftalmologista. Dito isto, apresento aqui as minhas conclusões (que qualquer leitor/comentador pode verificar aqui), respondendo ponto-por-ponto ao enunciado por Camilo Lourenço. Então, aqui vai:

 

  1. O Sporting tem Capitais Próprios positivos superiores a 16M€ (exactamente 16.468M€), não estando portanto em situação de falência técnica;
  2. O Cash-Flow libertado no exercício (semestral) foi de 6.45M€, o que faz com que no final do período seja positivo em 12.756M€;
  3. De um analista como Camilo espera-se que saiba separar o que são financiamentos do que são obrigações e que não ponha tudo no mesmo saco. Falou em 12M€, 26M€ e 30M€, mas aqui cometeu diversos erros. Assim, os 2 primeiros valores referem-se, respectivamente, a um empréstimo bancário e ao factoring, sendo que eram arredondadamente (o correcto é, respectivamente, 12.682M€ e 26.19M€) os valores a 30 de Junho de 2017 e não ao período terminado em 31 de Dezembro de 2017 a que Camilo alude (último relatório). Estes valores desceram, sendo agora, respectivamente, de 8.285M€ e de 20.015M€. Quanto ao empréstimo obrigacionista, ele de facto existe e tem a sua maturidade em 25 de Maio deste ano. Sobre ele falaremos a seguir.
  4. Ao contrário do que é dito, não existe qualquer reserva (ou escusa de opinião) do auditor PWC. O que existe é um ênfase. Esse ênfase é dado ao abrigo do nº2, artigo 45º do Estatuto da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas (EOROC), que entre outros pontos diz, nomeadamente, que o auditor deve "referir outros aspectos através de parágrafos de ênfase sem afectar a opinião de auditoria". Nesse sentido, não afectando as conclusões apresentadas, o auditor chamou a atenção para o facto de o Passivo corrente suplantar o Activo corrente em 114.253M€. (por exemplo, no FC Porto este valor é deficitário em 148M€).

 

Arrumado este assunto, falemos agora da polémica em torno da emissão de 30 milhões de euros do Sporting. Em primeiro lugar, é importante dizer que o Sporting é, dos 3 grandes, o clube que tem um valor menor de emissões de obrigações. O FC Porto tem um valor de 79.5M€, o Benfica 152.5M€, o Sporting apenas 30M€. Todos os clubes têm vindo a renovar estas obrigações quando estas atingem a sua maturidade.

No caso do Sporting, a obrigação de 30 milhões de euros vence em 25 de Maio de 2018, foi emitida em 2015 (3 anos) e tem uma taxa de juro associada de 6,25%. Na altura da emissão, ela foi subscrita por 4241 investidores e a procura suplantou a oferta em 2,57 vezes.

Foi anunciado recentemente que devido à situação directiva o clube encarava reembolsar o título 6 meses mais tarde. Esta situação advém, provavelmente, da renitência do banco colocador em renovar a emissão dado o presumível vazio directivo. Esta percepção por parte do banco/investidores decorre primeiramente dos anunciados processos disciplinares e suspensões (que mais tarde não se vieram a se concretizar) a 19 futebolistas do plantel principal, e possíveis consequências financeiras desse acto, e foi muito agravada por declarações proferidas pelo nosso presidente da AG à TSF, em que anunciou a futura convocação de uma Assembleia Geral com o intuíto de demitir o presidente do clube/SAD (o que criou a perspectiva de vazio e concomitante incerteza).

Na minha modesta opinião, o Sporting deveria evitar postecipar o pagamento. Desde logo porque tal seria considerado como uma "moratória". Para os mercados obrigacionistas, uma moratória é considerada um evento de "default" e, como tal, afecta a notação de risco do emitente e terá consequências em futuras emissões, fazendo subir os prémios de risco (spread face à Euribor). O Sporting certamente apostava em conseguir uma taxa de juro bastante mais baixa em Maio e, por isso, nos últimos anos, ter-se-á escusado a emitir mais obrigações. Confrontado com este imponderável, o clube terá de reagir. É certo que a SAD não tem rating e que a colocação não deverá ser feita em mercados internacionais, mas sim em clientes domésticos, mas de qualquer forma dever-se-ia evitar a todo o custo o evento de "default". A liquidez necessária poderia ser encontrada via venda de um jogador. Acredito, no entanto, que a SAD não queira vender um activo ao desbarato, algo que poderia acontecer dada a percepção do mercado do futebol da necessidade do clube em vender. Por outro lado, o comprador raramente entrega a totalidade do dinheiro a pronto, pelo que o problema não se resolveria totalmente. Por tudo isto (e muito mais), tenho vindo a tentar sensibilizar no sentido de os problemas serem resolvidos em casa, evitando-se ao máximo declarações públicas que ponham em causa o clube/SAD perante investidores. A solução para esta crise tem de aparecer em breve, mas até lá pede-se sensatez e ponderação a todos os envolvidos.

 

Respondendo a algumas inquietações, aproveito a oportunidade para esclarecer porque, em certas situações, a um Resultado Liquido positivo pode não corresponder um abatimento de Passivo (ao contrário daquilo que já ouvi em certos comentadores afectos a outro clube da 2ª Circular). Os clubes portugueses ainda devem os seus lucros às vendas de jogadores. Estas vendas aparecem na Demonstração de Resultados como Resultados Extraordinários (rendimento com transação de jogadores). Imaginem agora que o Sporting vende um jogador por 50M€ e que o comprador paga a pronto 15M€. Então, teremos no Balanço, no Activo, em Caixa e Disponibilidades, um valor de 15M€ e, na rúbrica Clientes aparecerão os restantes 35M€, que constituirão um crédito do Sporting sobre o clube comprador. Como a maior parte do dinheiro está por receber, apesar de haver lucro, o clube poderá ter de recorrer a um financiamento, dado que a maior parte dos seus custos são de curto-prazo e existe um défice de exploração operacional (ordinário). O plantel é pago mensalmente e parte dos Fornecimentos e Serviços Externos também. Daí que, pedindo um financiamento, o Passivo aumenta.

 

Termino com uma declaração de interesses: não conheço ninguém do Conselho Directivo do clube e/ou do Conselho de Administração da SAD e apenas recorri ao conhecimento que tenho do funcionamento dos mercados financeiros e ao célebre relatório depositado na CMVM que Camilo Lourenço sugeriu ao seu auditório. 

 

É para ganhar!

Estive em Madrid e estarei hoje em Alvalade.

Porque acredito sempre no Sporting.

Mesmo quando as probabilidades são contra, chega-se ao momento do jogo e o irracional que há em mim vem ao de cima fazendo-me acreditar inexoravelmente que o Sporting vai ganhar!

Hoje estou nesse "mood", novamente.

Vamos ganhar!

Vais ser tu, Montero!

Be Italian!

Há nove anos, o filme Nine de Rob Marshall, com Daniel Day Lewis e beldades várias, tinha um trecho onde se cantava a plenos pulmões: "Be Italian". É a minha sugestão para logo. Dentro das linhas, onde mais interessa estar a nossa paixão, quero um Sporting italiano. Se não formos uma Roma, que sejamos uma Juventus, vivos até ao fim. Depois, se não pudermos pensar em Lyon, que pensemos no Jamor. 

Hoje giro eu - O Sporting e o futuro

Vejo por aqui no blogue muitos sportinguistas cheios de certezas, uns e outros irredutíveis defensores do seu lado da trincheira. Mas, observo igualmente, progressivamente, o crescimento daqueles que têm dúvidas, inquietações e que desejam vêr uma solução equilibrada, que acautele o presente e não prejudique irremediavelmente o futuro.

 

Na contabilidade específica de um clube de futebol, os direitos económicos sobre os jogadores são activos intangíveis do Balanço de uma Sociedade Desportiva. Esses direitos quando alienados a outro clube (venda do jogador), como têm um valor de mercado, vão reflectir-se na Demonstração de Resultados como um Proveito (extraordinário). Existe porém uma fundamental diferença para outro tipo de sociedades. Se eu tiver uma corticeira, não vou ter de negociar com os sobreiros, os quais por sua vez não me vão apresentar o seu empresário, nem chamar o seu sindicato. Muito menos me intimarão com um pedido de rescisão com justa causa e/ou ameaçarão abandonar a propriedade onde se encontram. Vendo ao preço que consigo, para o mercado que mais me interesse e pronto, negócio despachado. Já um futebolista é um ser pensante, tem as suas expectativas, as suas ambições e com ele é necessário estabelecer acordos. Posso ter uma proposta fantástica para o clube proveniente da China e esta não interessar à estratégia desportiva do jogador e o negócio já não se faz. Posso não querer vender o jogador, este começar a fazer birra e não treinar, ter de lhe instaurar um processo disciplinar, suspendê-lo e acabar toda a situação por ser um "loose-loose", visto o jogador, parado, perder valor.

 

Por tudo o que enunciei no parágrafo anterior, é fundamental uma boa gestão destes recursos humanos. Nesse sentido, uma boa cultura corporativa, com valores bem incutidos e regras de conduta bem delineadas e aceites por todos é essencial, na medida em que é a cola que vai unir todo o grupo. Este pormenor não é dispiciendo, porque é exactamente nas organizações em que esta cultura está mais sedimentada que existem menos problemas. Transposto para o futebol, isso significaria que a cultura (no jargão da bola, "a mística") se sobreporia a treinadores e jogadores. Há múltiplos exemplos disso no futebol, mas o Sporting, infelizmente, não é um deles.

 

Um clube sem essa cultura bem incutida está mais dependente do perfil e da personalidade dos elementos de toda a Estrutura. Que engloba Presidente e/ou dirigente responsável pelo futebol, treinador principal e jogadores, entre outras figuras menos mediáticas mas não necessáriamente menos importantes na tal dimensão da mística. Estou convencido que o que está a acontecer ao nosso Sporting tem muito a vêr com isto e não deixa de ser surpreendente. Desde logo, porque o Sporting é, há longos anos, a equipa em Portugal que tem mais jogadores provenientes da sua Formação, o que deveria apertar mais os laços entre jogadores e clube. O clube é reconhecido em Portugal e no mundo como formador de um tipo de jogador especial, ainda não muito formatado tácticamente e estimulado no seu talento, chegando aos séniores ainda com algum "jogo de rua". Ainda assim, na minha ideia, poderá faltar em termos de complemento uma maior cultura de exigência, de excelência e de superação. Esses valores deveriam ser interiorizados desde cedo e fazer parte do ADN futebolistico de cada jogador. 

 

Chegámos à situação que todos conhecemos. Divergências profundas entre presidente (e treinador?) e jogadores ficaram subitamente expostas, faltou senso e temos um problema para resolver. Digo temos, porque cabe aos sócios encontrarem a melhor solução para o clube. Uma solução que não aliene definitivamente o que deve ser a estrutura orgânica e hierárquica de uma organização, mas que também não permita que se possam depreciar importantes activos da SAD/clube. Por isso, é preciso bom senso, equilíbrio e ponderação. Mais estudo e reflexão e menos intervenções públicas provenientes de todos os quadrantes e, especialmente, de dentro do clube. Aproveitar este tempo também para pensar o clube e a sua cultura. Temos uma direcção que foi eleita anteriormente com Bruno de Carvalho, mostrou competência e pode gerir interinamente, sem o actual presidente, o clube. Que, sujeita posteriormente a eleições, poderá vir a ser uma solução definitiva, porque não? O principal papel de um gestor é comprar tempo. Nunca, como agora, essa competência foi tão necessária e será tão posta à prova. É que o algodão não engana e os sportinguistas estarão atentos ao que os actuais Orgãos Sociais e sócios "ilustres" com expressão pública fizerem ao clube. 

 

Chama-lhe burnout...

Continuo aqui à distância. Acompanho tudo de forma muito intermitente, cada vez mais estarrecido com a sucessão de eventos. De qualquer modo, ocorre-me dizer o seguinte:

1) Bruno de Carvalho lembrou-se de voltar a abandonar o facebook, anunciando-o enfastiadamente como um favor que fazia aos sócios e adeptos (pronto, já que tanto insistem, largo o facebook, mas depois não se queixem). Voltou a não perceber nada. O problema não é o facebook, o problema é aquilo que o conteúdo das mensagens do facebook revela. Se o mesmo estilo de gestão continuar a ser seguido e a política de comunicação continuar a ser a mesma embora usando outros meios (Sporting TV, televisões, rádios e jornais), então tanto faz estar como não estar no facebook.

2) Esta coisa de estarem todos por interesse no Sporting excepto ele, revela uma falha fundamental. Numa organização tão grande como o Sporting e nos tempos de hoje, aquilo com que tem de se contar não é com grandes amores à camisola mas com o profissionalismo das pessoas que colaboram com a organização. Por isso, o que se tem de dar a essas pessoas é as condições necessárias para elas gostarem de ser profissionais na organização. Haverá quem queira sair, quem queira entrar, quem queira ficar (na mesma ou pedindo mais dinheiro). O que o gestor tem de fazer é gerir cada uma destas situações sem estar sempre a atirar à cara de profissionais que eles são uns interesseiros e que só querem destruir o Sporting. Eles são profissionais que olham friamente para as suas hipóteses profissionais. Por aquilo que temos visto ultimamente, a pessoa que mais parece querer destruir o Sporting é o incondicionalmente sportinguista Bruno de Carvalho (vê-lo praticamente a torcer para que perdêssemos o último jogo é demais).

3) Os famosos "croquetes" estão a levantar a cabecita. A alternativa não pode ser entre eles e esta alucinação.

Hoje giro eu - O Sporting, sempre!

Há muito tempo que digo que no futebol, depois da bola, o melhor são os jogadores. Enquanto ninguém se desloca a um estádio para ver um presidente ou um treinador, já um passe mágico, um drible enganador ou um bom golo são a ilusão que justifica a militância nas bancadas. Se os jogadores necessitam dos adeptos e da sua paixão pelo jogo para poderem ter bons contratos, também os adeptos precisam dos jogadores para poderem ter algum sortilégio nas suas vidas e assim libertarem as suas muitas vezes, pessoal e profissionalmente, reprimidas emoções.

 

Esta introdução pretende demonstrar a admiração e o respeito que nutro pelos profissionais da bola e as tardes e noites de glória (manhãs é que não, que ainda tenho presente na memória aquele jogo contra o Belenenses) que me têm feito viver. Cresci a tentar imitar as fintas saídas do pé esquerdo de Bruno Conti, a visão de jogo de Platini ou o toque de Midas de Diego Armando Maradona (hoje, já menos activo nas "peladinhas", é Bruno Fernandes quem me encanta) e com eles aprendi uma das minhas primeiras lições: é que prezando muito o valor do trabalho, ainda assim há coisas que só com trabalho não se conseguem obter, é preciso talento e inspiração. 

 

Posto isto, regresso à minha ideia inicial expressa em Posts anteriores: o presidente não deveria ter publicado no Facebook críticas à equipa e os jogadores não deveriam ter reagido de igual forma. Ambos estiveram mal. Agora, é difícil de compreender ou aceitar que o adepto, de tão envolvido com o jogo, ignore um princípio básico de gestão e dê loas ao grito de Ipiranga dos jogadores. Bem sei que falamos de futebol, um fenómeno geralmente acompanhado de paixões exacerbadas, mas em que empresa é que esse comportamento seria tolerado? O que se vem passando por estes dias em Alvalade abre um perigosíssimo precedente, só não o vê quem está sedento de ver Bruno de Carvalho pelas costas e acha que vale a pena tudo, pois nenhuma organização resiste à inversão da hierarquia de comando.

 

É certo que o presidente procedeu mal em primeiro lugar (um péssimo acto de gestão de recursos humanos) e que, de seguida, entrou num descontrolo emocional de múltiplas publicações no Facebook - a primeira irreflectida e mortal, decretando a suspensão dos jogadores - e conferência de imprensa que, na minha opinião, não aconselham a sua continuidade, no sentido em que se tornou mais um problema do que uma solução para o clube. Mas o facto de ter sido o causador da rebelião que se seguiu não justifica que, qual circo romano, Alvalade tenha vaiado de polegar para baixo o seu presidente enquanto glorificava os seus "gladiadores", ao mesmo tempo que nos estúdios da SportTV, Carlos Manuel e Sousa gozavam com as suas "dores nas costas".

 

Nas últimas horas quem me conhece sabe que é genuino o meu sofrimento. Sofro por ver um clube dividido, com um presidente autista na avaliação da situação e uma vasta maioria de antigos apoiantes a serem instrumentalizados pela oposição do costume e pela imprensa e a não saberem criar condições para que o presidente saia com a dignidade devida. É verdade que Bruno de Carvalho já poderia e deveria ter saído pelo seu pé, mas é publico e notório o seu cansaço, o seu desgaste (aparentemente estará também doente) e, neste momento, o seu pouco discernimento e instabilidade emocional.

 

Bruno de Carvalho não voltará a ter o meu voto. Já houve presidentes que saíram devido aos maus resultados desportivos e/ou financeiros, o actual presidente desaparecerá da liderança do clube de Alvalade por questões essencialmente comunicacionais. Não parece real, mas é, e só isso já dá a entender o conjunto de diatribes que protagonizou e que terminou de uma forma absolutamente insólita com o presidente em rota de colisão com os principais activos da SAD/clube. Na minha opinião, nos próximos tempos seria importante que o presidente se afastasse e que abrisse espaço para que a sua Direcção restabeleça a natural hierarquia de comando, apoiando treinador e jogadores nas importantes batalhas que se avizinham, até que se encontre uma solução definitiva.

 

Tenho muita pena que tenhamos chegado aqui, mas permitam-me que não me junte ao coro de virgens ofendidas que anda por aí. A começar no do costume e a continuar na figura do presidente da AG do clube, que tão mal tratou, na Assembleia Estatutária, os sócios que pediram para falar contra Bruno de Carvalho, ameaçando cortar-lhes o microfone. O Sporting jamais encontrará um paradigma de sucesso enquanto as vaidades, as ambições pessoais e a pequena política se sobrepuserem ao interesse do clube. Para mim, o clube estará sempre em primeiro lugar. Por isso, embora não queira que Bruno de Carvalho continue e compreenda a indignação quase generalizada, não vaio, não apupo, não injurio. Apenas fico triste, muito triste.

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Acima de todos, o Sporting

Uma semana.

Foi o que bastou para que viesse à tona tudo o que de mal está dentro de portas do nosso Sporting.

Surreal ver o presidente Bruno de Carvalho insinuar que há um jogador, sem o nomear, presumimos que seja William ou Rui Patrício, que de forma declarada boicota o trabalho de toda a equipa. Mas soube-o apenas agora? E se não, porque raio continua esse jogador como capitão da equipa?

Surreal ouvir e ler todos os dislates que de forma agora diária Bruno de Carvalho profere, atacando tudo e todos que não o apoiam incondicionalmente, num trajecto que apenas ele julga imaculado.

Surreal como conseguiu dividir adeptos e sócios, numa altura crucial da temporada, a qual ainda pode, e todos o desejamos, culminar com a conquista de mais troféus.

Surreal ouvir o presidente da MAG a anunciar via imprensa que retira o apoio a esta direcção.

Surreal ouvir a resposta desbragada, mais uma entre tantas, de BdC a afirmar que quem vai convocar a AG será ele, para destituir a mesa em funções.

Uma semana. Vemos que afinal toda a união que era proclamada em torno de um projecto, afinal nem pés de barro tinha.

Hoje o que sabemos é que Bruno de Carvalho apenas e só se interessa por aqueles que, acefalamente, o seguem e que nunca por nunca têm a ousadia de o questionar, de dele discordar. Todos os outros são inimigos a quem deve ofender e denegrir.

É inadmissível pensar-se que quem hoje discorda de Bruno de Carvalho seja apelidado de croquete, de querer voltar a entregar o clube a todos aqueles que por aqui andaram e causaram a sua quase destruição.

Há no nosso Sporting muito mais massa crítica do que pelos vistos Bruno de Carvalho pensa.

Somos um clube com adeptos e sócios independentes, que sabem qual o caminho para que o clube cresça, que seja respeitado e que acima de tudo tenha uma postura séria, que respeite todos os outros, adversários ou não. Temos uma história imensa, da qual nos orgulhamos.

Não somos, nunca seremos, apenas uns meros seguidistas de tendências, de espumas do dia e de populismos. Não cedemos a ameaças, nem a chantagens.

Aqui estaremos, sempre, para apoiar quem achemos que deva ser apoiado, nunca deixando de criticar quem ou o que deva ser criticado.

E que nunca haja alguém que pense que o Sporting se resume a dois lados.

Sem título

Fui a Alvalade. Com algum receio de uma recaída, já que a noite estava "excomungada".

Assisti a tudo do meu lugar com calma, já que cheguei com pouco menos de uma hora de antecedência, não fosse difícil encontrar lugar para o carro. Foi fácil e isso quer dizer alguma coisa.

Já no estádio dei conta da última publicação facebookiana do presidente. Confesso que nunca prestei muita atenção ao que publica e presto cada vez menos. De inconveniente, passou à fase patética (reflectida na imagem em que abandonou o banco de suplentes no final do jogo).

O Pedro Azevedo refere e muito bem que o poder caiu na rua. Eu diria que hoje quem detem o poder no Sporting são os jogadores, o que não sendo diferente é igualmente grave. A recusa em atacar quando o adversário ficou sem guarda-redes, ao contrário de parecer um acto solidário (que teria o seu mérito noutro contexto qualquer), foi uma marcação de posição clara, inclusive contra o próprio treinador. Aliás, hoje o treinador foi Patrício, se muito bem estiveram atentos às suas instruções e até à sua intervenção junto do árbitro. Juro que me comoveu tanto empenho. Se Jesus pensa que tem os jogadores na mão, bem pode ir pregar para outra freguesia. Os aplausos dos anti-brunistas hoje, deram-lhes a força que não sabiam ter antes de entrarem em campo.

Achei alguma piada (desconforto, melhor dizendo) ouvir as claques chamarem "filho da puta" ao presidente do seu clube e exigirem a sua demissão. Dizem em comunicado que estão apenas com o clube. Acredito, desde que impediram a contratação de Mourinho e esconderam os votos numa eleição, que se têm portado como meninos de coro. Desde que vá pingando...

Ah! reparei que não era apenas eu que estava engripado, houve muitos senhores que mostraram os lenços e ou sofriam do mesmo mal que eu ou estavam solidários comigo. Se assim foi, agradeço desde já, porque me parece que não foi para mandar embora o presidente, que não é assim que as coisas se fazem. Lembro que o anterior, que tanto mal fez ao clube, só de lá saiu depois de uma AG em que se decidiu antecipar eleições. É apenas para lembrar que nos clubes "de bem", as coisas se devem fazer dentro das regras, se há que fazê-las, que eu ainda não tenho certeza absoluta disso. Do que eu tenho certeza é que deixámos de ser um clube de viscondes na bancada, para passarmos a ser um clube de viscondes no balneário. Pelo menos há uma pequena diferença, graças aos ordenados que o clube lhes paga a tempo e horas (apesar de não ganharem nada nos últimos anos), são uns viscondes ricos, não haverá necessidade do croquete para o lanchinho.

Bom, lá ganharam. Imaginem se a coisa corresse para o torto, o cabo dos trabalhos que não seria. Mas hoje, mesmo cansados, deram o litro, gostei de ver; Pressão alta, posse de bola, troca constante de posições evitando o passe para o lado e para trás em que se tornaram peritos nos últimos tempos. Aposto que hoje até ao Atlético ganhavam, o que me leva a pensar se não teria sido incompetência do presidente em vez de se ir despedir deles ao aeroporto e desejar-lhes sorte, não ter postado no "face" algo semelhante ao que postou no dia seguinte. É que ele às vezes há coisas...

Confesso que estou expectante para assistir a esta novela. Um, teimoso, não se demitirá e duvido que em AG vença quem o quer ver fora, os outros em auto-gestão, querendo vencer para demonstrar que é do seu lado que está a razão, irão finalmente jogar pelas suas vidas. Vão por mim, não percam os próximos jogos do Sporting, vai ser um sufoco para os adversários. E até para nós, que estamos tão pouco habituados a ver jogar alguma coisa de jeito.

Sei que não interessará muito a quem lê, mas é só para dizer que não assobiei nem filhadaputei um, nem sequer aplaudi os outros. Festejei os golos, que era a minha obrigação.

E agora vou dar lugar àquela rapaziada que raramente aqui vem quando é preciso.

Uma boa semana de trabalho para todos.

Ingratidão contra a tirania?

Ouvi, já sem me surpreender, a conferência de imprensa do ainda Presidente do Sporting e concluo que estamos na presença de um verdadeiro Tirano! Na filosofia política ensina-se que o Tirano deve ser deposto sempre que através da sua acção viola o bem comum.

Bruno Carvalho é um indivíduo perigoso que corre atrás de moinhos de vento como um D. Quixote! Os sócios e adeptos têm de reagir e impedir a continuação deste exercício de loucura. Já deu para perceber que Bruno de Carvalho está agarrado ao poder (que julga deter por direito divino) pelo que é necessário agir de acordo com os estatutos do clube para impedir que continue este acto de destruição do Sporting.

 

Tão grande como as maiores bardamerdas da Europa

Confirmo: aqui na Europa (mais ou menos: Inglaterra) fala-se muito do Sporting, embora não por boas razões. Perguntam-me se é verdade que há um clube em Portugal onde o "dono", em vez de despedir o treinador, despediu os jogadores todos. Eu bem explico que não é assim, mas não vale a pena: a história de um qualquer "dono" alarve de um clube que faz aquilo que nunca se viu na história do futebol pegou (ilustração: https://www.theguardian.com/football/2018/apr/07/sporting-lisbon-president-suspends-19-players-after-social-media-spat). Ainda tive esperança de que este ano o Sporting seria falado por chegar à final da Liga Europa. Afinal não: o presidente gasta tanto tempo (segundo diz) a trabalhar para o Sporting que não tem um segundo que seja para pensar. Por muito que se lhe deva a ressurreição do Sporting das catacumbas do sétimo lugar, não é possível ver o clube continuar refém de explosões de personalidade, aleatórias e inesperadas, que podem acabar por devolvê-lo ao sítio de onde foi retirado.

Hoje giro eu - E o Sporting?

Parece-me óbvio que as partes - presidente e jogadores - estão condenadas a entender-se. Todo o ruído altamente vexatório para o Sporting e os sportinguistas acabará por ser desvalorizado, à laia de um "fait-divers". No entanto, é difícil encontrar algo de positivo neste pesadelo mediático a que clube e adeptos foram submetidos nas últimas horas. Em primeiro lugar, ficou bem visível que o ambiente já não seria o melhor. Estas coisas não acontecem de geração espontânea, vão crescendo e há um dia em que detonam. O presidente já tinha criticado a atitude da equipa por esta não ter correspondido a um pedido para se juntarem a uma campanha de solidariedade. Simultaneamente, as palavras azedas dirigidas por Bruno de Carvalho a Adrien também não terão caído bem. O ex-capitão é percepcionado por todos como um líder de balneário e a sua influência ainda estará bem presente na memória de quem com ele privou no balneário. Agora aconteceu isto...

 

Em Post anterior critiquei também os jogadores (aqui), porque independentemente das razões que lhes assistiam nunca, em nenhuma circunstância, deveriam ter tornado esse sentimento público. Adicionalmente, os sócios e adeptos estão agastados por verem que o potencial da equipa não se consuma nos relvados e isso não me parece que seja culpa do presidente.

 

Uns e outros estiveram mal e subordinaram o Sporting ao seu interesse pessoal, tentando influenciar as massas no sentido de apoiarem a sua posição, em vez de resolverem em privado as suas divergências em nome do respeito que deveriam ter pelo clube.

 

Bruno de Carvalho não pode continuar com este seu registo "single", ao ritmo de 45 revoluções por minuto. Não pode ser um Che Guevara, doente e isolado na selva (há dúvidas?) do futebol português. Também não se deve sujeitar a si, e ao clube, a fazer aquela figura do cavaleiro do "Em busca do Cálice Sagrado", decepado e já com a cabeça separada do tronco, a desafiar tudo e todos em busca da glória da conquista do campeonato nacional. Pelo contrário, o presidente pode aproveitar a sua reconhecida energia para ser o agente de mudança que o futebol português precisa. Como um estadista e de uma forma reformista, reunindo apoios, não confundindo linguagem acessória com a mensagem fundamental.

 

Se sócios e adeptos compreendem a luta pela verdade desportiva e as suas múltiplas batalhas que vão desde os vouchers aos emails e aos jogos para perder, já as guerras intestinas com epicentro em Alvalade soam à maioria como pura autofagia.

 

Publicamente, o presidente preside, os jogadores jogam, sócios e adeptos criticam e avaliam o trabalho de todos, este deve ser o princípio básico de uma Organização com estas características. No resguardo dos gabinetes e do balneário é diferente e o presidente tem todo o direito de se dirigir aos jogadores e de os espicaçar. Mas deverá ter cuidado com a forma como o faz, nunca deixando no ar a hipótese de se querer pôr de fora: uma coisa é ter poder - Bruno foi eleito pelos sócios - outra é ser uma autoridade. Esta última é uma qualidade reconhecida (ou não), por quem é dirigido, ao seu líder e nunca deve ser confundida com autoritarismo. 

 

O Sporting é nosso!

Nos últimos meses tenho escrito poucas vezes neste nosso blogue! Creio que a razão para tal reside no facto de andar desiludido com a forma como se trata o futebol no nosso país. Dezenas de programas e comentadores que ao invés de discutirem o jogo, passam o tempo a trocar insultos uns com os outros. Não foi assim que fui educado pela minha família não me revendo, portanto, nesta forma de estar.

Votei Bruno de Carvalho duas vezes. Apesar dos dislates permanente do ainda Presidente do nosso clube, até ao processo da última Assembleia Geral fui fazendo a sua defesa. Afinal, foi Bruno de Carvalho o responsável pela construção do Pavilhão João Rocha e pela forma como as nossas modalidades têm demonstrado competitividade em todas as circunstâncias e pelo aparente equilíbrio financeiro do clube.

O que aconteceu na sequência do jogo de Madrid é inenarrável. À medida que me foram pondo a par das declarações de Bruno de Carvalho fui negando a possibilidade de serem verdadeiras. Afinal, ninguém no seu perfeito juízo pode dizer e escrever tudo aquilo com que fomos confrontados nos últimos dois dias. Foi a gota que fez transbordar o copo. Para mim não dá mais!

O Sporting, como tem sido dito por muitos de nós, não é de Bruno de Carvalho, é nosso! Nós não podemos ser cúmplices desta loucura. Se optarmos pelo silêncio e por uma atitude passiva teremos de assumir com o ainda Presidente do clube a solidariedade pelos danos que este está a causar a uma instituição centenária.

Bruno Carvalho tem de pedir a demissão! Mas se não o fizer, os sócios têm de exigi-la. O jogo de amanhã, em casa, com a equipa B ou com os juniores, é o lugar indicado, num primeiro momento, para que os sócios e adeptos demonstrem o que pensam sobre este assunto. Depois há que seguir os Estatutos. Isto não pode continuar.

Amanhã, todos a Alvalade! É que o Sporting é nosso!

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