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És a nossa Fé!

Pelo Sporting, contra as mentiras

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Confesso-me farto de tanta mentira com selo oficial pondo em causa a reputação e a credibilidade do Sporting. Neste blogue a discussão partidária está ausente, pois aqui se reúne gente das mais diversas sensibilidades políticas. Mas questões políticas podem - e devem - ser discutidas sempre que estiver em causa o Sporting. 

Vem isto a propósito das inaceitáveis declarações do ministro da Administração Interna tentando imputar ao nosso clube os desacatos ocorridos na noite de 11 de Maio e na madrugada do dia 12, a propósito da celebração do título, alimentando implicitamente o mito de que o Sporting é responsável pela proliferação da chamada "variante delta" em Portugal.

Destaco de seguida trechos de uma longa peça ontem divulgada pelo diário Público, assinada pela jornalista Mariana Oliveira, sob o título "Eduardo Cabrita validou festejos do Sporting que PSP desaconselhou". Para que os leitores concluam quem falta à verdade neste caso.

Os sublinhados a negro são da minha responsabilidade.

 

«O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, validou na véspera da conquista do campeonato de futebol pelo Sporting os festejos dos leões exactamente nos modos em que estes vieram a ocorrer, com um desfile dos jogadores de vários quilómetros pela cidade de Lisboa com um trio eléctrico a acompanhar. O despacho de Cabrita foi comunicado às 22h30 de 10 de Maio por email à PSP (...) Ou seja, a PSP recebeu a ordem apenas 22h antes do início do jogo em que o Sporting se sagrou campeão.»

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«A resposta de Cabrita é remetida à PSP pelo gabinete do secretário de Estado adjunto e da Administração Interna, Antero Luís, o membro do Governo que dirigiu todo o processo dos festejos. Curioso é que a própria IGAL [Inspecção Geral da Administração Interna] dá como facto provado que a reunião que decorreu nesse dia no Ministério da Administração Interna - e que foi presidida pelo chefe de gabinete de Antero Luís - acabou "por terminar após as 19h, sem qualquer decisão". Igualmente interessante é o facto de os nomes dos participantes no encontro (e de todas as pessoas referidas ao longo das 81 páginas do relatório) terem sido rasurados com a justificação da "salvaguarda dos dados pessoais", o que não permite perceber quem tomou algumas decisões.»

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«A posição de Cabrita é levada ao conhecimento de Antero Luís, que dá as seguintes orientações: "Deve a PSP articular com a CML [Câmara Municipal de Lisboa] e o SCP no sentido de promover as medidas consideradas adequadas para garantir a segurança dos festejos propostos pelo promotor (SCP), insistindo-se nas recomendações enviadas ontem." Sobre estas recomendações, a IGAL, uma entidade integrada no Ministério da Administração Interna, nada diz. Admite, contudo, que no dia 9, domingo, já o Sporting tinha recebido a "notícia informal" de que haveria autorização para realizar o cortejo

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«A IGAL foca as suas críticas sobre os festejos na CML e no próprio Sporting, legitimando a actuação da PSP que, contabiliza, efectuou 617 disparos de armas de munições de menor letalidade, nomeadamente balas de borracha. (...) Não faz qualquer análise ou crítica à actuação da sua tutela política, directamente envolvida nesta polémica. E concentra grande parte da culpa no facto de a Câmara de Lisboa não ter recusado a "manifestação" que a Juventude Leonina pretendia fazer junto ao estádio, com a transmissão do jogo num ecrã gigante e com instalação sonora.»

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«O relatório deixa claro que foi o clube que, dois meses antes de conquistar o título, contactou o gabinete de Antero Luís para realizar uma reunião preparatória dos eventuais festejos, que apenas se realiza cinco dias antes de o clube se sagrar campeão. A 6 de Maio é igualmente dito que foi o Sporting a ter a iniciativa de marcar uma reunião com o gabinete do secretário de Estado, encontro que se realiza nesse dia na Câmara de Lisboa. No dia seguinte, nova reunião, desta vez no MAI.»

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«A cronologia torna perceptível que houve diversos erros na actuação da polícia. Isso é reconhecido pela própria inspecção-geral, que escreve que a planificação dos festejos "evidencia alguma desarticulação, quer interna (na PSP), quer com a realidade no terreno no dia dos festejos." (...) Uma parte substancial do contingente policial destacado para o evento [estava] desde o fim da tarde no Marquês de Pombal, onde só começaram a surgir grupos significativos a partir das 22h30. Já junto ao estádio, onde havia milhares de pessoas desde meio da tarde, havia poucas equipas que tiveram de ser reforçadas com elementos deslocados do Marquês.»

O Meu Sporting

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(Matadouro, Ilha de Moçambique, Maio de 2008)

Blogo desde 2003. Ao longo dos anos fui colocando alguns textos sobre o Sporting. Há cerca de uma década o Pedro Correia convidou-me para integrar o És a Nossa Fé!. O que aumentou a minha atenção sobre o clube e o número de textos que lhe fui dedicando. Para mim o futebol é um placebo, sarando as agruras da vida. Ou seja, quanto mais ando em futebóis pior estou, isso é garantido. E não sigo muito institucional, qual adepto exemplar, mergulhado na vida associativa e no acompanhamento das actividades desportivas. Mas vou botando sobre o assunto, numa mistura entre o adepto, que finge tão completamente que chega a fingir que é clubismo o clubismo que deveras sente, e o bloguista, que julga ser o Sporting, mais do que qualquer outro clube, um verdadeiro microcosmos do país, dos processos vigentes em Portugal. Também por isso me vou deixando levar pelas várias crises directivas do clube.

Agora fiz uma colecção de 41 textos sobre o Sporting e o futebol, escritos entre 2004 e 2021. Chamei-lhe “O Meu Sporting”. Quem nela tiver interesse bastar-lhe-á "clicar" neste título e gravar o documento pdf.

Tal como todas as outras seis colecções de textos de blogs e jornais que fiz, e que fui colocando na minha conta na rede academia.edu,  esta é uma memória, dedicada à minha filha Carolina. Pois pode ser que um dia venha a ter curiosidade sobre o que o pai andou a botar em blogs e jornais, nesta escrita inútil e desinteresseira. E se outros encontrarem motivos de interesse e mesmo prazer no aqui agreguei isso ser-me-á agradável. Bastante, mesmo, digo-o desprovido de qualquer pingo desse blaseísmo que tanto abomino.

Eu dou…

… é que esteve escrito, na parte inferior das camisolas do Sporting, conforme se pode constatar nas costas de Matheus Nunes: um slogan de uma campanha que promove a dádiva de sangue.

Fico contente e muito orgulhoso de ler esta notícia, e invejoso ao constatar que as cadeiras do IPST, de Lisboa, aparentam ser mais confortáveis que as do CHUC, em Coimbra:

«O Sporting Clube de Portugal assinou, na quarta-feira, uma parceria com o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) que prevê que o emblema Leonino ajude na divulgação da causa – como aconteceu no jogo diante do CS Marítimo em que os jogadores da equipa principal de futebol utilizaram a expressão “Eu Dou” nas camisolas –, realize acções de colheita de sangue e dê ainda formação junto de jovens atletas.»

Euro 2020. Que leões vão marcar presença?

Logo, Fernando Santos anuncia os 26 que vão defender o título europeu. Sabendo que Santos é tradicionalmente conservador e que vai (quase de certeza) chamar alguns suplentes como Cédric (eu levava Esgaio) ou Félix (Lucas João ou Paulinho poderiam dar mais jeito) e outros que não fizeram grandes épocas como Rafa (tentava a sorte com Nuno Santos), haverá espaço para surpresas? Que jogadores do Sporting serão chamados? Mendes e Palhinha devem ter lugar garantido. E Pote deve (tem que ser) uma das novidades. Será que ainda há esperança para João Mário, Nuno Santos ou Paulinho?

Formados na escola do Sporting, já se sabe, para além dos dois (Mendes e Palhinha) já referidos atrás, estarão Patrício, Cédric, Fonte, Domingos, Moutinho, Ronaldo e, quem sabe, Nani. Com passagem pela equipa principal do Sporting, estarão no Euro, quase de certeza, Patrício, Cédric, Palhinha, Fernandes, Moutinho, Pote, Ronaldo e Nani. Por outras seleções, estarão Ristovski (Macedónia do Norte) e Dier (Inglaterra). Gauld (Escócia) ainda sonha com a chamada. O Sporting não deverá ter mais jogadores no Euro, mesmo que Adán e Porro (Espanha) ainda tenham fé, o que não quer dizer que terá o plantel completo no regresso aos trabalhos já que Max, Inácio, Bragança e Tomás devem ir ao Euro sub-21 e Coates e Plata devem jogar a Copa América. 

Um só clube, o Sporting Clube de Portugal

Do futebol ao voleibol, do estádio ao pavilhão, das pistas aos tartans, das mulheres aos homens, do profissionalismo ao amadorismo, da SAD ao clube, uma coisa apenas existe, tal como foi sonhada pelos fundadores, o Sporting Clube de Portugal.

Inventar que existe um Sporting puro, o das modalidades, e um impuro, o do futebol profissional, é uma enorme estupidez. As modalidades sobrevivem com as quotas dos sócios, e os sócios não conseguem imaginar um futebol profissional que não consiga ficar nos três primeiros, temporada a temporada. Quando isso acontece, temos o Sporting em guerra civil, quaisquer sejam os resultados das modalidades.

Para mim existe apenas um Sporting. Um Sporting onde treinadores, capitães e jogadores das diferentes modalidades, homens e mulheres, se conhecem e se apoiam uns aos outros, um Sporting que modalidade a modalidade aplica a mesma receita: um grande treinador, uma estrutura de capitães à prova de bala, um grande peso da formação, alguns estrangeiros que fazem a diferença. 

Depois do título europeu do futsal, aconteceu agora o do hóquei, com o título nacional do futebol profissional pelo meio. Glória para Nuno Dias, João Paulo Freitas e Rúben Amorim como treinadores. Glória para João Matos, Pedro Gil e Sebastián Coates como capitães. Glória para os jogadores que conquistaram os feitos.

Obviamente nem todas as modalidades estão no mesmo momento, se no basquetebol temos tudo para vencer no plano nacional, no andebol a pandemia tirou-nos um grande treinador e alguns dos melhores estão no fim de percurso no clube. Mas também no andebol se procura aplicar a mesma fórmula. Temos um base de jogadores da casa que entusiasmam, e é por aí que temos de ir.

Onde Vai Um Vão Todos. É um lema que serve para o futebol, mas também para o Sporting como um todo. Do futebol ao berlinde, a mentalidade tem de ser a mesma, a fórmula de sucesso também. O respeito por quem veste a nossa camisola e defende as nossas cores tem de ser o mesmo.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Amorim em tempos de cólera

 

O que somos, para onde vamos, que fazemos aqui?

Também não faço ideia, mas durante os últimos dois meses consigo dizer que sou do Sporting, que somos campeões e que, para aqui chegar, sofremos juntos, no cantinho de cada um. Já acabou, somos campeões, estamos campeões.

Entre o fim do inverno e o princípio desta primavera, houve momentos em que não me apeteceu ser do Sporting, em que desejei nem sequer ligar a futebol, o disparate de passar os dias ansioso, inquieto e irritadiço, são onze homens de calções atrás de uma bola, que valor naquilo pode haver que valha a pena. Ninguém fala disso, mas ser espectador, observador, testemunha, custa e faz adoecer. Como outros, há semanas que venho dormindo mal, exausto pelo sofrimento de jogos vencidos nos últimos minutos, com a cabeça a fumegar pela aritmética de pontos e jogos que faltam e pela espionagem aos próximos adversários, nossos e deles, tudo centrifugado por otimismos, pessimismos, ilusionismos e realismos. A sportinguite, quando é aguda, toma conta de nós e não larga.

 

No princípio desta história, a ideia nem era acreditar. Não ia ser desta, naturalmente. Noutro maio, o de 2018, o clube sucumbiu à cólera e perdemos tanta coisa que ninguém justo nos exigiria mais do que sobreviver para depois sim, enrijecer. Regeneramos, mas passou tão pouco tempo que os projetos desta temporada eram projetos para o futuro. Estávamos todos de acordo que não ia ser este o maio em que seríamos campeões. É preciso ter o coração aberto à felicidade, mas não se viam nesta equipa os epígonos dos grandes jogadores que haviam de nos levar ao campeonato. Tudo bem. Estávamos preparados. Este haveria de ser mais um ano na vida do sportinguista.
Nestes anos, aconteceu-me de tudo, até coisas inimagináveis, como a tanta gente. Se isto do sportinguismo fosse de ser medido, nem sempre tive o ponteiro no máximo, em especial depois do que nos aconteceu. A única utilidade da barbárie e a violência é permitir que pensemos sobre o que andamos a fazer. Apesar da consciência da importância da pacatez, mantive-me adepto e sócio. Nunca vivi, por exemplo, a bipolaridade de ligar e desligar a Sport TV, esse termómetro de fezada, porque há mais para ver que futebol doméstico, com as suas peculiaridades, o seu caciquismo e os seus pelotões de medrosos, que obsta a modernidade e a civilidade.

Não pequei em atos e omissões, mas em pensamentos não poderei dizer o mesmo. Enquanto víamos jogos, olhei muitas vezes para o meu filho e pedi-lhe desculpa em silêncio por tê-lo feito do Sporting. Do meu sportinguismo nunca duvidei, mas queremos o melhor para os filhos e olhá-lo a sofrer, a chorar de tristeza, por vezes era demasiado. Julguei, nos momentos escuros, que eu e ele nunca seríamos, afinal, campeões juntos. Ele chegou cá em 2003, já o último campeonato ia longe. Dos pensamentos terríveis que temos sobre o futuro, este era o que mais me custava e quando me acometeu, há meia dúzia de anos, recordo ter-me sentido infinita e irremediavelmente triste.

Ganhar não é tudo, ser do Sporting chega bem e todos os anos, no verão, íamos comprar a nova camisola à loja Verde, até que deixámos de ir, porque se meteram outras coisas, novos hábitos. Aquele 2018 adubou em nós este sportinguismo não praticante e construiu a convicção de que o sofrimento de outrora jamais viria a ser sentido. Mais valia parar com isto, a vida quer-se calma, há outros desportos, outras afinidades, outras adesões, no caso dele, um mundo inteiro para viver.
Cada um tem a sua relação, a minha cinde-se entre a imensa alegria, na plenitude, no orgulho, na partilha da tradição e do legado, na memória das conquistas e a resignação enervante e prolongada, vivida como uma maldição que transformei em parte de mim. Fui adepto de posters colados no quarto, com fita cola de má qualidade, de saber o nome completo dos jogadores, de onde eram, quanto golos marcaram. Fui adepto de comprar jornais cedo no verão, para decorar o sortido de novas estrelas. Morreu há pouco tempo o Saucedo, e ainda me lembrava que vinha do Desportivo de Quito, que fora o melhor marcador no Equador. Eu era desses.

Em setembro, coisas começaram bem e continuaram bem, mas haveria de voltar a acontecer (não era?), que interesse tinha o Sporting estar à frente à quinta jornada? Ou continuar à sexta, à sétima, oitava, nona, à décima…? Ou até dobrar a primeira volta em primeiro. Não é o primeiro milho que é dos pardais? A este Sporting, com alguns veteranos e muitos miúdos e um treinador sem carta, não faltavam pardalitos. Erros nossos, má fortuna, não haveria de haver amor ardente que nos valesse. 
No princípio de março, uma vitória nas barbas do cronómetro contra o Santa Clara sucedia a um empate no campo do Porto. A seguir outra vitória escassa em Tondela, bis com o Guimarães, até que a 5 de abril, o cão morde a cauda, deixamos dois pontos em Moreira de Cónegos e mais quatro contra Belenenses e Famalicão.

O fim da ilusão está próxima, misericórdia, haveria ser como sempre tem sido.

O sportinguista aprende a ver o lado positivo, se não ganhássemos o campeonato, ao menos o sofrimento acabava. Alguns adeptos iam cantando “façam-nos acreditar”, uma das canções de apoio ao clube, tão portuguesa na sua transferência de responsabilidade, e cantavam muito bem. Caramba, o avanço ainda era grande, mas a sombra do passado era maior e, atravessando abril, terei ativado todos os mecanismos de defesa emocional conhecidos pela psiquiatria para domar o meu sportinguismo.

A 25 de abril, de noite, no fim do jogo em Braga, o Sporting marca no único remate à baliza e ameaça vencer um jogo improvável. No fim do jogo, chorei de raiva e alívio, de alegria imensa pela vitória, lágrimas e soluços de quem ou explode de vez ou sobrevive. O que nos está a acontecer é real. É justo e apropriado. Toda uma equipa a fazer-nos acreditar, liderada por Ruben Amorim, já um dos maiores heróis dos sportinguistas.

Nos tempos da cólera, para sermos campeões, era de Amorim que precisávamos.  Um homem novo, ambicioso, determinado, de ideias fixas, disposto a lutar por elas, sem tempo ou paciência para olhar para o nosso passado. Que lhe interessa a ele que o Sporting não vencesse há 19 anos? No dia em que chegou e lhe perguntaram como seria se “corresse mal”, deu a resposta que o melhor dos poetas não escreveria. “E se corre bem”, devolveu o nosso Ruben à pergunta. Meses depois, foi ele o poeta que nos ofereceu a divisa, onde vai, vão todos, só por isso merecia estátua, busto e placa. 

Se corre bem? O que sinto em mim, sem a angustiosa espera, é que se acabou a melancolia, o lamber das feridas, este ano é nosso. É dos velhos engelhados, dos que sempre acreditaram, dos moderados e excessivos, dos derrotistas e dos fanfarrões, dos céticos e dos otimistas. É dos homens e mulheres que mesmo sem acreditar sempre, nunca deixaram de ser leões, dos jovens adultos e dos adolescentes a quem o futuro pertence e dos muitos, e são tantos, miúdos que andam por aí, de camisola vestida, a gritar pelo nosso Spotingue.

Correu bem, o campeonato é nosso, Ruben, és o maior, obrigado!

 

Há muitos, muitos anos, um homem bom, numa cave, ouvia o relato de um Sporting em noite europeia. O rádio era excelente, apesar da antena entortada, um Panasonic, com botões em aço e as cidades do mundo escritas no sintonizador. Nunca se sabe se um dia não seria preciso ouvir a onda curta de Adis Abeba ou as rádios da Escandinávia. Os filhos estavam noutro país, provavelmente desinteressados do Sporting europeu, ocupados com a viagem e as maravilhas do país onde estavam.

O jogo deve ter sido emocionante, talvez um daqueles comentados pelo Alves dos Santos, dos que enchiam a capa de A Bola do dia seguinte, porque houve um tempo em que só as quartas-feiras eram europeias e só A Bola do tamanho de toalhas de banho saía no dia seguinte. Ali sozinho, com o seu Sporting, o homem lembrou-se dos filhos e gravou o relato numa cassete Sonovox que por ali havia.

Hoje, sempre que o Sporting joga, é do meu pai que me lembro e daquele relato em cassete que ele gravou. Um relato de futebol gravado numa cassete, podem imaginar uma coisa assim?

Sporting? Sporting, sempre. 

 

(Texto que publiquei na Tribuna, na quarta-feira, a seguir ao jogo com o Boavista)

Passos seguros, sem neurose

Agora que a cabeça está mais fria, permitam-me dizer duas ou três coisas. O último jogo não foi pior do que os dois ou três anteriores, em termos de jogo de equipa, oportunidades criadas, domínio e jogo. Foi pior em termos de eficácia na "caro do golo", no essencial. O resultado mais justo era claramente a vitória. E não foi mais fácil do que qualquer um dos dois ou três anteriores. Pelo contrário, o Famalicão teve uma entrega, abnegação e organização impecáveis.

Dito isto, não tenho bodes expiatórios. Desculpem. Nem Paulinhos, nem Rúbem Amorim, nem Jovane.
Não sei se vamos ser campeões, não estou com uma fé desmesurada. Mas também é verdade que há muitos anos não sentia o Sporting tão firme num lugar a que chegou jornada após jornada, com a regularidade refletida em 20 vitórias e seis empates. Não foi um acaso. Uma estrelinha. Foi algo construído, jornada após jornada, que ninguém antecipava e que se prolongará até às últimas jornadas do campeonato que está a cerca de um mês do seu termo.

Também não tenho a sensação de que estamos em perda, desculpem. Talvez alguns não me acompanhem, mas a verdade é que ainda ninguém ganhou nada, neste campeonato. Assegurámos a presença nas competições europeias, vá. 

Dito isto estou com uma vontade enorme de apoiar a equipa e acho que temos excelentes condições para conseguir ganhar, naturalmente, este campeonato.

O pior que nos pode acontecer é hipotecar essa excelente posição com excesso de nervosismo, dúvidas existênciais absurdas onde se possa querer começar a pôr em causa tudo que de bom se fez e onde se perca a capacidade de identificar o que de bom está a ser feito e deverá ser mantido e melhorado.

É preciso confiar para que o trabalho renda e, do que vejo, o trabalho que se tem feito tem sido do melhor que se poderia pedir face aos recursos que temos, ao histórico do clube e ao enquadramento mal cheiroso do nosso futebol.


O próximo jogo é, de longe, o mais importante da época. Tal como foi o último. Isto não é um jogo de palavras, é o único caminho que podemos ter. E vamos encontrar até ao fim da época 8 jogos assim. Ou contra adversários diretos ou contra equipas desesperadas por sacar um pontinho para assegurar a manutenção.

Talvez nem todas tenham a qualidade organizativa do Fama mas desconfio que todas terão a abnegação e entrega que temos visto. A nossa capacidade de sacrifício e de uso inteligente dos nossos recursos tem de ser pelo menos igual, de preferência melhor à do adversário de cada jogo (se for humanamente possível).

Como bem sabemos, caso ambas as equipas tenham a mesma fome de disputar a partida, nem sempre, pela sorte do jogo e seus ajudantes mal convidados, a melhor qualidade é suficiente para desequilibrar o jogo a nosso favor. Por isso, querer um bocadinho mais é fundamental.
 
Que venham as 24 melhores arbitragens da época nos jogos dos três da frente e que venham pelo menos mais 19 pontos dos 24 possíveis, para o Sporting, até ao final do campeonato.

Saudações leoninas.

Como uma brincadeira de crianças

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O futebol praticado por crianças é uma brincadeira.

Duas pedras no chão chegam para marcar a baliza ou em casos mais sofisticados, como o da imagem, dois pinos.

Olhemos com atenção, o pino verde com a estrela em cima tem o algarismo um.

O pino vermelho com uma bola (ganhar bola [zero]) em cima tem o algarismo cinco.

Será premonição?

O verde em primeiro com a estrelinha de campeão, o vermelho em quinto a ganhar bola?

Não sejas André

Aos 52 anos, um livre de André Cruz, não só não foi direto à baliza, como foi para as nuvens. O simpático e sobretudo talentoso brasileiro, campeão há demasiado tempo, cometeu o maior erro que um sportinguista pode cometer em 2021. Cruz acha que o Sporting não pode não ser campeão e já deu os parabéns a Viana e Varandas. O sportinguista sabe que há sempre uma Lei de Murphy particular que pode fazer da euforia, depressão, através de “erros meus” e de “má fortuna”. Eu também estou confiante, mas com cautelas, que as galinhas ainda podem fazer um caldinho. A festa, para já, é apenas interna. Mesmo que o seja em milhões de pessoas.

Perspetiva

O Sporting caiu na Taça de Portugal. A meu ver, faltam opções para rodar a equipa e manter a qualidade. O jogo desgastante de sexta-feira, também não terá ajudado. Mas, o facto é que o Sporting não mereceu seguir em frente. Sexta-feira há novo jogo, em casa, com o Rio Ave, para o campeonato. Campeonato esse, do qual somos líderes isolados e temos o melhor ataque, melhor marcador e melhor defesa. O Sporting caiu na Taça de Portugal, não está tudo bem, mas há muito que está melhor e há muito que está bem.

Ainda há estrelas no céu

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Ainda há estrelas no céu para dourar o meu caminho, por mais inimigos que tenha vou à frente e vou sozinho.

O parágrafo anterior poderia ser um desabafo do Sporting, um clube honrado, por isso roubado.

"Mais vale só que mal acompanhado" neste caso, o Sporting está mal acompanhado, em futebol praticado, em julgamentos justos dos juízes no campo e fora do campo, em dignidade, seriedade, em paineleiros isentos/independentes.

Neste campeonato, o Sporting é o único soldado (dos da primeira fila) com o passo certo, no sentido que referi atrás e, também, pela razão, que é o único nos campeonatos "a sério" que ainda não perdeu, já nos fizeram perder pontos, ainda não nos fizeram perder jogos.

Temos de estar preparados, esse dia chegará.

Há uns anos tive um sonho, um pesadelo na verdade, que foi assim: "o Sporting estava numa final, no último minuto de jogo há um canto a favor do Sporting, o guarda-redes do adversário defende com um chuto para a frente, a bola bate na cabeça do bandeirinha com tanta força que se encaminha para a baliza deserta (o guarda-redes do Sporting tinha subido à área contrária)".

O árbitro valida o golo, o VAR não intervém (esse tipo de lances não estão previstos no protocolo).

Tenho pesadelos futebolísticos mas, também, sonhos; 2020/2021, campeões, por razões pessoais, é o principal.

Por razões pessoais, sim, mas principalmente, por razões gerais, nossas, de todos nós, os que escrevemos e comentamos neste "blog".

Que 2021 seja o ano da Glória, depois de muito Esforço, muita Devoção e muita Dedicação.

#OndeVaiUmVãoTodos

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Mais do que a liderança, o ataque mais produtivo ou um bom futebol, com muitos jovens portugueses, a primeira metade da época trouxe uma novidade com quem ninguém contava: há finalmente uma sensação de união e parece que "enganos" como aqueles que ViRAm em Famalicão só servem para aumentar essa união.

{ Blog fundado em 2012. }

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