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És a nossa Fé!

Nalitzis, viu-se grego para ser campeão

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Era Abril, 21 de Abril (como hoje).

Não havia covid, havia muitas coisas que nos convidavam a não ficar em casa.

Nesse dia em Alvalade, o Sporting seria campeão (Martins dos Santos não o permitiria [é pá estou a fazer "spoiler" como se diz no estrangeiro] nesse jogo Nalitzis poderia ter marcado golo, Armando Sá (ah pois é, quem é que se lembra deste fabuloso produto do Seixal [que na altura ainda se situava na margem norte]) não o permitiu, qual Vata amãozou-se com a bola (opss, outro "spoiler" como se diz no estrangeiro) impedindo Nalizis da glória, do golo do empate, conquistado com esforço, dedicação e devoção.

Foi Jardel que o marcou (ao golo), num dia de felicidade, nesse dia não houve guaraná, houve uma mensagem sentida, certeira: "Será pelo João Pinto?" (rais partam os "spoilers").

Nalitzis ainda teria outro momento de glória, uma recepção fantástica, um passe sublime, um golo cantado, apesar da assistência, apesar dum tal Moreira na baliza, Jardel faz o pior remate de toda a carreira e falha a veia, o nariz, o beijo da bola na rede (eu sei, estou a antecipar os comentários malévolos, só quem nunca passou por situações semelhantes, com pessoas próximas, demasiado próximas, pode achar piada a isto, portanto, poupem-me, obrigado).

Dizia eu, Nalitzis, um quase herói, num quase título (nesse dia) obviamente, seríamos campeões, nessa época, a melhor equipa, o melhor futebol jogado e a mais, a mais prejudicada pelas arbitragens.

Nesse ano, o Benfica ficaria fora da Europa, a assistir pela televisão aos jogos na Intertoto de potências como o Santa Clara dos Açores ou a União de Leiria de Bartolomeu (um tal Luís Filipe Vieira já andava por lá [pelo Benfica] acolitando Vilarinho).

Passados dezoito anos, precisamente, termino com duas frases, uma de José Navarro de Andrade: "não sei qual a razão para darem tanta importância a esses gajos de camisola encarnada que vão a Alvalade (salvo caprichos dos sorteios das taças, acrescento eu) uma vez por época" e outra ainda mais pragmática de  Bölöni: "Antes do jogo com o Benfica tínhamos três pontos de vantagem [para o segundo (que era o Boavista)] agora temos quatro"
(para quem quiser e tiver oportunidade este jogo está disponível na Sport Tv 1, passou hoje).

Baralhado

A falta de profissionalismo é tramada. E a displicência, quando se fala aos microfones dum canal televisivo, é um dos sinais inequívocos da falta de profissionalismo. Aconteceu no domingo, na Sport TV, durante a transmissão em directo do Sporting-Boavista: o narrador-comentador cometeu a proeza de, na mesma jogada, chamar Borja ao Wendel, Jovane ao Borja e Wendel ao Jovane.

A este baralhado chamei, também eu, um nome diferente do que tem. Mas, por uma questão de elementar decoro, não vou reproduzi-lo aqui.

Há pequenos gestos libertadores...

Ato contínuo ao final do jogo com o Aves, cancelei a minha subscrição da Sporttv, de que era cliente desde o seu início. Já tinha estado tentado, a propósito de uma das muitas vezes em que o Sporting foi vilipendiado naquele serviço mas dei uma segunda oportunidade. Escrevi-lhes a protestar e a ameaçar que me tornaria ex cliente. Não se preocuparam em dizer nada de volta. No sábado, foi de vez. O meu dinheiro não servirá para alimentar os que nos atacam, ferem e dividem.

E desabafei no Twitter: 

“Sinto-me liberto. Já estava prometido mas hoje foi a gota de água. Os comentários na @SPORTTVPortugal no jogo do Sporting obrigaram-me, finalmente, a carregar no botão e ganharam menos um cliente de muitos anos. Não nos respeitam? Nós respondemos-lhes assim! Eu 1 - 0 Sporttv”.

Não fazia ideia de quão popular é arrasar com a Sporttv pois foi o twitt que mais simpatia gerou desde que me fiz “twittante”. 

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Convém não acordar o telespectador

Quem disse ao Simão Sabrosa que ele tem vocação para comentador de futebol devia estar a gozar com ele ou, na melhor das hipóteses, estava profundamente equivocado. Motivo? Sabrosa é uma negação absoluta neste domínio.

Escrevo estas linhas enquanto assisto ao jogo Espanha-República Checa na Sport TV. O locutor, cujo nome ignoro, e Sabrosa, suposto comentador, disputam entre si o título de vozes mais soporíferas da pantalha nacional. Falam com voz pausada, monocórdica, arrastada, molengona, como que tentando incutir sono a quem assiste. Quase nem falam: sussurram. Nem parece que estão a assistir a um bom jogo num dos maiores cartazes mundiais do futebol.

O prémio, para mim, vai para Sabrosa. Pouco se escuta a voz dele. E quando "comenta" é para proferir banalidades em frases sucintas, carregadas de reticências: "A Espanha... tem que... que ser rápida na transição defesa-ataque para poder... ter mais espaço... no meio-campo da República Checa."

Em tom baixinho, não vá algum telespectador despertar.

Negócio NOS/benfica

400 milhões euros por dez anos. De 2016 a 2026. Fim da benficatv como projecto de ruptura com o chamado controlo da Sporttv, inegável canal desportivo com raízes profundas no universo do porto. As transmissões dos jogos do benfica voltam asim ao canal controlado pelo porto. Destes 400 milhões, segundo avançaram ontem várias publicações, o valor dos direitos de transmissão dos jogos do benfica ficam-se pelos 25 milhões com o remanescente a ser atribuído à compra dos conteúdos da benficatv,  principalmente os direitos da liga inglesa e liga italiana. Este é de facto um negócio da china, para a NOS, que não nos esqueçamos, é dona de 50% do canal Sporttv. Acaba com um suposto concorrente, volta a ficar com os direitos de transmissão do benfica, pelo inacreditável período de 10 anos e mais, fica com o exclusivo de transmissão da benficatv, podendo se quiser revender esse direito a outros operadores. Os custos da benficatv ficam, claro está, do lado do benfica.

A cereja no topo do bolo vem no comunicado da NOS à cmvm, onde qualquer das partes pode prolongar este contrato sem a anuência do outro ao fim de três anos. A NOS atou o benfica com um nó górdio.

A estratégia de mascarar este ruinoso acordo, que dita de forma clara a derrota do benfica na sua luta contra o sistema montado em Portugal, começou logo ontem com os principais OCS a destacar o valor de 400 milhões. 

Comer gelados com a testa come quem quer. 

Que o actual presidente do benfica se eternize como tal é o meu maior desejo.

Até o microfone treme - nota de rodapé

 

Lamento verificar que o Pedro Correia não percebe nada de ciência futebolística nem de semiótica linguística. Vejo-me, assim, obrigado a vir aqui, em prol da verdade e dos legítimos interesses dos leitores, converter o que disse o magistral geómetra Freitas Lobo na língua própria dos treinadores e restantes profissionais da bola, quando gritam aquilo que Lobo interpreta. Senão vejamos:

Quando o Freitas Lobo diz: «O Porto neste início de encontro define uma zona de pressão média-baixa.»; Lopetegui, na verdade, exclamou: "Ponham-se à retranca cabr$#&!!" 

FL: «Lopetegui não pediu largura a André André, pede-lhe que apareça por dentro a pegar na bola.»; Polesegui: "Ou deixas de fazer ronha ou estás fod&%$# comigo!!!"

FL: «O jogador russo já lhe tinha ganho a frente.»; Lobrecusi: "O panasc$#% do russo está-te a comer e tu a ver!!!"

FL: «O Porto baixou a zona de pressão.»; Tropegosi: "Estão todos borrados, mas é."

FL: «Embora jogando com dois pivôs, há sempre a possibilidade de um deles bascular um pouco para fazer essa cobertura.» Telogueti: "O gajo é um buraco do tamanho da &%$# da mãe dele, tapa-me isso, car&ª$#!!!"

FL: «André André procura sempre associar-se a outras linhas, juntando as pontas do meio-campo.» Petelogui: "Mas o qué'que esta palhaço está prá'li a fazer???"

FL: «É uma transição individual, feita apenas por um jogador em posse, sem a ligação colectiva que a equipa deve ter nessa construção mais apoiada.» Tetelegui: "Passa a bola, fução do ca&/*$!!!"

FL: «Ruben Neves tem que esticar o jogo mais rapidamente no flanco.» Pipilogui: "Corre, panel$#%&, andáste ontem nos copos e não podes com uma gata pelo rabo!!!"

FL: «André André adapta-se a tudo isto com a sua intensidade e qualidade de interpretação dos espaços.» Lepegoti: "Vai-te a eles, caral&%$#!!!"

Como vêem falta ao Pedro Correia um ou dois mestrados em futebolês para chegar ao nível hermenêutico que eu, felizmente para vós, já adquiri.

Até o microfone treme

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Não vi o jogo, mas conservei a música de fundo. Não era Mozart, nem a Callas, nem sequer Ella Fitzgerald

Era o que se arranjava: Luís Freitas Lobo.

Enquanto trabalhava, mantive ontem o som da partida Dínamo de Kiev-Futebol Clube do Porto, transmitida pela Sport TV: forneceu a atmosfera ideal para me me concentrar naquilo que fazia.

Freitas Lobo é muito mais do que um comentador do esférico: é um verdadeiro poeta da pantalha, artífice da metáfora, ourives do rendilhado oral.

Fala de futebol como se discorresse sobre física quântica. Ficamos a perceber o mesmo: nada. Mas não deixamos de admirar aquela catarata de palavras com o seu cunho inconfundível.

 

Aqui estão algumas das suas pérolas, que fui escrevinhando enquanto o escutava de costas para a televisão: 

«O Porto neste início de encontro define uma zona de pressão média-baixa.»

«Lopetegui não pediu largura a André André, pede-lhe que apareça por dentro a pegar na bola.»

«O jogador russo já lhe tinha ganho a frente.»

«O Porto baixou a zona de pressão.»

«Embora jogando com dois pivôs, há sempre a possibilidade de um deles bascular um pouco para fazer essa cobertura.» 

«André André procura sempre associar-se a outras linhas, juntando as pontas do meio-campo.»

«É uma transição individual, feita apenas por um jogador em posse, sem a ligação colectiva que a equipa deve ter nessa construção mais apoiada.»

«Ruben Neves tem que esticar o jogo mais rapidamente no flanco.»

«André André adapta-se a tudo isto com a sua intensidade e qualidade de interpretação dos espaços.»

 

Outros diriam: por qué no te callas? Mas eu não. Considero aliás que Lobo está para a bola como algumas divas estão para a ópera: com ele ao leme, até o microfone treme. De reconhecimento e emoção.

Só lamento que actue em transição individual, feita apenas por um jogador em posse, sem a ligação colectiva que a equipa deve ter nessa construção mais apoiada. Signifique isto o que significar.

Também aqui

Só faltou a Marcha Fúnebre...

Às vezes tenho pena da rapaziada da Sport TV. Ontem ainda começaram a relatar e comentar com entusiasmo o Moreirense-Sporting, no minuto inicial da partida, exaltando-se perante uma "oportunidade" de João Pedro. Mas logo no minuto seguinte pareciam estar num velório enquanto viam Carlos Mané marcar o primeiro golo do Sporting. A partir daí reinou uma atmosfera de notória tristeza no estúdio. Tristeza acentuada a partir do minuto 34, quando Montero marcou o segundo. "Numa fase do jogo em que o Moreirense estava claramente por cima, mais confortável, e o Sporting sentir até dificuldade em sair para o ataque", diziam eles. Testemunhas de um jogo que só eles viam.

Eles e Manuel Queiroz, aos microfones da Antena 1. Eis a síntese da primeira parte (que terminou com o Sporting a vencer 3-1) feita ao intervalo por este comentador: "O Sporting, sem jogar bem, fez três golos; o Moreirense, sem jogar mal, só fez um."

Extraordinário resumo. Ainda condimentado, apesar disso, por uma réstia de solidariedade nortenha: "Acredito que o jogo ainda está aberto."

Pois estava: o Sporting voltaria a marcar na segunda parte, fechando a conta em 4-1. Na Sport TV só faltava tocarem a Marcha Fúnebre...

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