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És a nossa Fé!

Sporar deve encostar?

O Sporting goleou o Sacavenense para a Taça de Portugal: 7-1. Mas nem um desses golos foi marcado pelo suposto artilheiro de serviço, o esloveno Sporar. O mesmo que dispôs de pelo menos quatro oportunidades flagrantes de a meter lá dentro na partida seguinte - contra o Moreirense, para o campeonato - e falhou todas.

Único suposto ponta-de-lança operacional no actual plantel leonino, o ex-avançado do Slovan Bratislava leva apenas dois golos marcados nesta época 2020/2021. Atrás de Pedro Gonçalves, Nuno Santos, Tiago Tomás, Jovane e Coates. Algo aqui não bate certo.

É o momento de perguntar: deve Sporar ser remetido ao banco de suplentes por falta de aptidão para o golo? E, nessa hipótese, quem deveria jogar no lugar dele? Fica a questão, aguardando respostas.

Cada vez mais difícil

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(Foto de Bola na Rede, https://bolanarede.pt/nacional/sporting/sporting-cp-2-1-moreirense-fc-um-leao-com-garras-menos-afiadas-mas-que-acabou-por-vencer/)

 

Está realmente cada vez mais difícil manter a sequência de vitórias. A forma de jogar do Sporting é por demais conhecida, os pontos fortes e fracos também, e as equipas adversárias aparecem motivadas para fazer o que outros não fizeram. Sendo assim, o Sporting precisa de todo o onze a render e a inspiração dum ou outro a fazer a diferença. Um dia destes isso não vai acontecer e o Sporting vai perder. Não pode é acontecer no próximo jogo. Esse é mesmo para ganhar.

Ontem, e para quem acusava Rúben Amorim de ser um treinador defensivo, o que vimos foi um Sporting em turbilhão ofensivo desde o apito inicial, com a defesa bem subida e os três avançados em linha com os defesas adversários, com sucessivas bolas nas costas da defesa adversária e incursões do João Mário e dos dois alas que criavam situações locais de superiodidade numérica. Mas tudo tem um preço: um passe perfeito para as costas da linha defensiva, uma incursão rapidissima, um corte na queima, um auto-golo, o objectivo de marcar primeiro falhado e a necessidade de correr atrás do prejuízo.

Ao contrário do que poderia ter acontecido, a equipa continuou como se nada fosse, confiante no seu processo de jogo. As oportunidades foram-se sucedendo e Sporar ia falhando. Foi preciso Pedro Gonçalves fazer de ponta de lança, aproveitando uma defesa incompleta do guarda-redes adversário, para chegarmos ao intervalo empatados.

Foi uma bela primeira parte de futebol bem jogado, em que o Sporting passou ao lado duma vantagem folgada.

 

A segunda já foi completamente diferente. O ritmo da primeira deixou marcas, o Moreirense encolheu o campo confinando-se à sua metade, imperou a batalha de meio-campo onde Palhinha foi o imperador, a velocidade baixou, os passes errados sucederam-se, foi preciso mais uma vez Pote resolver o assunto: um chapéu soberbo que bateu na linha de golo, um remate traiçoeiro que passou mesmo a dita linha. Tempo para Amorim pôr trancas na porta e, depois dum desastrado Jovane, fazer entrar Tiago Tomás, Matheus Nunes e Antunes para matar o jogo.

Melhor em campo, com um bis e o tal chapéu terá mesmo de ser Pedro Gonçalves. Mas Palhinha esteve imperial nos 90 minutos: um trinco subido que desempenha um papel essencial neste modelo de Amorim. A continuar assim, Danilo e William têm o lugar em perigo no onze da selecção. 

Quem esteve mal mesmo foi Sporar e a ala esquerda, Feddal e Nuno Mendes, estes com a desculpa de virem de lesões que desconcentram e quebram o ritmo. Sporar cada vez mais parece um segundo avançado para concorrer com Jovane e Tiago Tomás: recua, bascula, tabela, assiste, mas lá no sítio não está quando a bola chega. Ou está mas a bola não chega. Ou chega à bola mas falha. 

O que seria desta equipa com Mathieu e Bas Dost quando chegaram ao Sporting? Fica à imaginação de cada um.

SL

Um passeio em Alvalade

Foi uma noite tranquila que tivemos ontem em Alvalade, contra um adversário que se espalhou pelo terreno todo libertando o talento dos nossos jovens, os lances de golo foram-se sucedendo, a falta de pontaria dos nossos e o engenho ou a sorte do guarda-redes deles ditaram o resultado final. A Bola conta 21 remates enquadrados do Sporting contra um do adversário. Tratou-se dum Tondela tenrinho, bem diferente para pior daqueles de Petit, Pepa ou do espanhol do ano passado que nos roubaram pontos preciosos, desde logo com aquele golo a cair do pano em Alvalade no primeiro ano de Jorge Jesus que deu o empate.

Teríamos sido campeões com esses dois pontos.

 

Mas também fizemos por isso. Rúben Amorim acudiu às nossas preces e voltámos a ter ponta de lança.

Numa simulação Sporar começou por dar o golo a marcar a Pedro Gonçalves que falhou na cara do guarda-redes, esteve no seu sítio no 1.º golo, se calhar teria sido penálti se o Pedro não tivesse marcado, assistiu para o 2.º, marcou o 4.º. Ainda falhou um golo que não devia falhar, mas lutou muito e foi a referência atacante que faltava. João Mário voltou aos tempos de voz de comando do meio-campo, como fazia na equipa B anos atrás, com a classe do campeão europeu que é (salvo no capítulo do remate), Tiago Tomás foi um operário muito útil na faixa direita, e Pedro Gonçalves (a melhor aquisição do Sporting depois de Bruno Fernandes?) mais uma vez fez a diferença.

 

Todos os outros estiveram mais ou menos bem, Porro e Palhinha mesmo muito bem, e os três defesas cumpriram a sua missão,  Coates conseguiu mesmo provocar o fora de jogo que evitou o golo contra.

Até nas bolas paradas estivemos bem, criando perigo nessas situações com Coates a falhar o alvo por muito pouco numa delas. Onde continuamos a não estar bem é nos remates de longe, ou por falta de sorte, ou de treino, ou de jeito ou doutra coisa qualquer.

Uma palavra para a arbitragem, sóbria e competente, nos antípodas dos artistas de apito na boca que sempre nos enviam. Nada a dizer sobre os amarelos. Completamente escusados nos casos de Matheus Nunes e Nuno Santos.

 

Enfim, há dias assim, têm sido é muito poucos. Aproveitemos o momento, mas não nos esqueçamos que o caminho é longo e difícil, a começar pelo Guimarães. E o Braga continua próximo.

2.ª feira, 2 de Novembro de 2020: o Sporting a liderar  a 1.ª Liga. Quem diria?

SL

Soube a pouco

Desculpem lá mas este resultado contra o Tondela foi escandaloso. Podia e devia ter sido 8 ou 9 a zero, pelo menos. 

Sporar, que foi maravilhoso nas 3 assistências que fez a Pedro Gonçalves, a primeira bastando abrir as pernas deixando-lhe a bola limpa e a baliza escancarada para Pote falhar, não pode desperdiçar tantas oportunidades e até o golo que acabou por marcar foi às 3 pancadas. João Mário, formidável de lucidez e visão como maestro, não pode atirar tantos remates para a cadeira 17 da fila 21 do topo norte.

O Tondela, fosse por uma táctica aparvalhada fosse por desmembramento provocado pelo carrossel sportinguista, ficou tão escachado como um peru de Natal - fizemos o que nos apeteceu dele. Aquilo por volta do minuto 60' já não era futebol, era matrecos, com tiro atrás de tiro ao boneco. Lembrava o BrasilxAlemanha do mundial de 2014.

Este é o melhor Sporting dos últimos 5 anos, mesmo com jogadores que aparentemente chegaram ao limite das suas capacidades como Jovane ou Matheus (comparável à homeopatia: gosta-se dele por crença não por prova) e um TT que ainda está aquém da média do colectivo (mas a este tudo se perdoa, pois se não jogar não evoluirá como promete.)

A diferença que um Palhinha faz: por ali não passa nada, ali tudo começa. E a surpresa que Nuno Santos é: parecia ter vindo para ser suplente e conquistou o lugar de maneira indiscutível, mesmo que só jogue 20'.

Por fim comprova-se que ser sportinguista é mesmo maldição: agora que daria tanto gozo ir aos jogos é quando não podemos.

A táctica do martelo

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Na conferência de imprensa de antevisão do jogo de ontem, quando lhe pediram para comentar a escolha de Jovane em detrimento de Sporar para o jogo inicial, Rúben Amorim disse o seguinte: «São jogadores de características diferentes. Estamos a apostar de início no Jovane que com a sua indisciplina tática cria espaço e depois temos dois jogadores, como o Pedro Gonçalves e o Nuno Santos, que estão a saber ler bem as movimentações do Jovane. Quando é o Sporar é porque escolhemos ter uma pessoa mais fixa no centro e que apareça mais vezes na área do que o Jovane. Depende muito do que o jogo está a pedir. Aliás, tem-se visto que nos últimos jogos tenho substituído sempre o Jovane pelo Sporar. Não porque um está a jogar mal, mas porque é o que o jogo está a pedir».

Quando as coisas não estão a funcionar, Amorim, mantendo o sistema táctico, mas trocando jogadores e alterando posições, ao mesmo tempo que coloca o tal ponta de lança que ocupa o espaço, parece de alguma forma também apostar na tal indisciplina táctica como forma de desmontar bloqueios e marcações, e fazer com que o talento dos jogadores resolva os problemas que o modelo de jogo definido não consegue resolver.

Nestes três últimos jogos, não há dúvida que a fórmula da tal indisciplina táctica funcionou. Foram um empate e duas vitórias conseguidas nos últimos minutos das partidas, sinal que os jogadores estão com ele e acreditam na mensagem que lhes é passada. Nunca é de mais lembrar que muitos desses jogadores são jovens nados e criados em Alcochete, não são Alans nem Bryans Ruizes (que me perdoe o Bryan pela companhia), vindos de longe e pagos a peso de ouro.

No entanto, cada vez mais se nota que os adversários estudam a forma de jogar do Sporting, sabem como anular as suas dinâmicas e falta a tal via alternativa ou a "táctica do martelo", ou seja, ter a capacidade de num remate de longe, na sequência dum canto, dum livre frontal ou lateral, num lançamento de bola lateral, pôr a bola lá dentro e assim, meio do nada, dar uma martelada forte na moral do adversário. Pelo contrário, as tais marteladas temos sofrido nós: logo com o Lask levámos uma e ainda ontem, num desvio de classe do gilista, que deixou Adán sem reacção, levámos outra que nos ia custando a derrota. Sem resolver esta questão nas duas áreas, marcar assim e não sofrer assim, não podemos ter grandes veleidades. 

Para isso, além do treino específico que Palhinha, Coates, Feddal e Neto terão de fazer,  bem como os especialistas do remate de meia distância, há uma coisa que me parece essencial: entrarmos em campo com um ponta de lança.

E como Acosta, Jardel, Liedson, Slimani ou Bas Dost não podem, já cá não estão, então temos de entrar em campo com... Sporar. 

SL

Pódio: P. Gonçalves, Sporar, Bragança

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Gil Vicente pelos três diários desportivos:

 

Pedro Gonçalves: 18

Sporar: 17

Daniel Bragança: 16

Tiago Tomás: 16

Nuno Santos: 16

Nuno Mendes: 14

Adán: 13

Palhinha: 13

Porro: 12

Coates: 12

Feddal: 12

Neto: 11

Matheus Nunes: 11

Jovane: 11

Gonçalo Inácio: 6

 

O Jogo e A Bola elegeram  Sporar  como melhor em campo. O Record optou por Pedro Gonçalves.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De ver o Sporting somar mais três pontos no campeonato. A vitória foi difícil, mas foi nossa. Derrotámos o Gil Vicente em Alvalade por 3-1 num jogo em que só marcámos o primeiro golo aos 82'. Até ao apito final, 14 minutos depois, surgiram mais dois. O triunfo mais expressivo da nossa equipa até agora na Liga 2020/2021. Nesta partida, a turma de Barcelos sofreu mais golos do que nas quatro jornadas anteriores.

 

De Sporar. Merece ser designado como melhor em campo. Porque soube fazer a diferença desde que entrou, aos 61': arrastou marcações, abriu linhas de passe, movimentou-se bem dentro da área - e pôs fim ao seu prolongado jejum de golos, acorrendo ao segundo poste para a meter lá dentro. E teve ainda uma intervenção decisiva no segundo, ao temporizar e endossar a bola a Daniel Bragança, autor da assistência para Tiago Tomás. Terá reconquistado a titularidade que vira fugir-lhe desde o início da temporada.

 

Da forma como o técnico mexeu na equipa. Vendo-se a perder, na sequência de um livre directo aos 52' (que acabou por ser a única oportunidade do Gil Vicente em todo o jogo), Rúben Amorim não perdeu tempo nas substituições: mandou sair Neto e Matheus Nunes, trocando-os por Tiago Tomás e Sporar. Dez minutos depois, aos 71', substituiu Porro por Daniel Bragança. Aos 86', trocou Jovane por Gonçalo Inácio. Alterações que foram decisivas para virar o jogo, transformando o 0-1 no 3-1 final.

 

Daqueles dois preciosos minutos. Aos 82', o avançado esloveno marcou. Aos 84', ainda estávamos a festejar o golo anterior, Tiago Tomás ampliou a vantagem - correspondendo da melhor maneira a um belo passe vertical de Daniel Bragança a solicitar-lhe a deslocação, ludibriando o guardião adversário com um toque subtil que alterou a trajectória da bola. Consumava-se a reviravolta.

 

De Nuno Santos. Muito batalhador, foi sempre um dos jogadores mais inconformados na primeira parte, período em que o Sporting mal conseguiu ultrapassar a teia defensiva urdida pelos de Barcelos. Com as alterações efectuadas no segundo tempo, Amorim pediu-lhe que recuasse junto ao flanco esquerdo, transitando de extremo para médio-ala. Mas foi então que o ex-rioavista mais sobressaiu, com duas assistências para golo - o primeiro e o terceiro. Consolidando assim a sua influência no onze titular leonino.

 

De Pedro Gonçalves. Soma e segue: já tem três golos marcados na Liga, onde é o melhor artilheiro da nossa equipa. O terceiro foi o último desta noite, apontado mesmo ao cair do pano, num disparo fulminante após entrega de Nuno Santos. E foi dele o cruzamento bem calibrado que esteve na origem do golo inicial. Balanço positivo numa partida em que teve fraco desempenho na primeira parte, aliás à semelhança de todos os seus colegas.

 

Da nossa formação. Voltou a fazer a diferença, como esteve à vista no golo que nos deu três pontos, articulado entre Daniel Bragança e Tiago Tomás - dois dos seis jogadores formados na Academia de Alcochete que ontem actuaram em Alvalade.

 

Do resultado. Muito melhor do que a exibição perante um adversário que pusera o FC Porto em sentido na jornada anterior e que defendeu sempre com os onze jogadores atrás da linha da bola. Só no quarto de hora final, apostando na velocidade e na antecipação, fomos claramente dominantes.

 

De ver um Sporting superior ao da época passada. No Liga anterior, à quinta jornada, só tínhamos amealhado oito pontos. Agora somamos 13, tendo já defrontado o FC Porto e disputado mais jogos fora do que em casa. 

 

Do balanço até ao momento. Quatro vitórias, um empate. Continuamos invictos, com apenas quatro golos sofridos. Estamos a escassos dois pontos do Benfica, com mais três do que o FCP e quatro acima do Braga. Isolados na segunda posição do campeonato.

 

 

Não gostei
 

 

Da hora do jogo. Este Sporting-Gil Vicente, correspondente à primeira jornada do campeonato, acabou por decorrer mais de um mês após a data inicialmente prevista. O apertado calendário das competições futebolísticas não permitiu alternativa a esta quarta-feira, dia em que se disputaram desafios da Champions, forçando a partida a começar às 21.45 e a terminar quase à meia-noite. Mesmo sem público no estádio, é um horário impróprio - sobretudo a meio de uma semana de trabalho.

 

Da falta de um ponta-de-lança. Amorim até tinha três no banco (Sporar, o jovem Tiago Tomás e Pedro Marques, que vem actuando na equipa B e já justificava a convocatória, apesar de não ter chegado a calçar nesta partida), mas preferiu apostar de novo num onze sem avançado posicional. Porro, Pedro Gonçalves e Nuno Santos desperdiçavam cruzamentos sem haver nenhuma figura de referência na grande área. Esta carência só foi suprida quase a meio do segundo tempo com a entrada de Sporar. Como obteve sucesso talvez ajude o técnico a mudar de ideias.

 

De Jovane. Amorim voltou a confiar nele como avançado-centro, deixando Sporar no banco. Mas o luso-caboverdiano não parece talhado para esta posição em que o técnico insiste em colocá-lo. Passou ao lado do jogo: falhando passes, chegando atrasado a um cruzamento perfeito de Porro aos 30' em que bastaria encostar o pé e perdendo sucessivos lances de bola dividida. Saiu só aos 86', demasiado tarde para tão fraca prestação.

 

De Coates. Preso de movimentos, lento, duro de rins, o capitão leonino atravessa um mau momento. O golo do Gil Vicente resulta de uma falha posicional: é ele quem coloca Mineiro em jogo, repetindo um erro já cometido frente ao FC Porto. Abusou do pontapé sem nexo para a frente, despejando bolas que eram recebidas pelo guardião adversário. Crise de confiança? Se for o caso, esperemos que passe depressa.

 

Do árbitro. Chama-se André Narciso e apitou pela primeira vez um jogo com a participação de um clube grande. Esteve mal: aos 36 segundos(!) já amarelava Palhinha numa disputa de bola a meio-campo sem qualquer intensidade especial. Aos 6' e aos 12' viu um dos seus assistentes assinalar fora-de-jogo a Pedro Gonçalves e a Nuno Santos quando as imagens confirmam que estavam ambos em posição legal. Aos 64', mostrou o amarelo a Feddal num lance em que o marroquino nem tocou no adversário. Aos 68', amarelou Sporar por suposta "simulação" impossível de provar. Má estreia, portanto.  

Balanço (27)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre SPORAR:

 

- Francisco Chaveiro Reis: «Aos 25 anos, o esloveno tem pouco cartel mas, pago a preço de ouro (deve estar no topo das vendas mais caras da poderosa liga eslovaca), só pode ser craque. Certo?» (23 de Janeiro)

- Luís Lisboa: «Entrou sem ritmo competitivo mas com pormenores de ponta de lança.» (28 de Janeiro)

Leonardo Ralha: «Estreou-se a marcar na Liga NOS, dias após marcar na Liga Europa, com um toque oportuno que desviou da melhor forma o livre marcado por um equatoriano de que já talvez tenham ouvido falar. Mas também garantiu espaços para os colegas e continua a aumentar os níveis de confiança, o que vem mesmo a calhar numa altura em que se descobre que os bónus previstos na sua transferência podem fazer de si a contratação mais cara de sempre do Sporting.» (26 de Fevereiro)

Eu: «Move-se bem dentro da área, baralhando as marcações, revela faro de golo e evidencia bons dotes técnicos. Se Bas Dost tinha direito a música própria em Alvalade, Sporar pode seguir-lhe o exemplo quando o nosso estádio voltar aos dias grandes, enchendo-se de público. Ele já provou merecer. E nós também.» (1 de Junho)

- JPT: «Nem Sporar nem o rapaz brasileiro de nome estranho são pontas de lança para uma equipa de topo.» (12 de Julho)

- António de Almeida: «Rende muito pouco.» (16 de Julho)

- Paulo Guilherme Figueiredo: «Portanto este jogador pelo qual pagámos mais ou menos o mesmo do que recebemos por Bas Dost (que rendia mais de 30 golos por época) não é fraco. Está é... cansado! Sporar esteve parado entre Março e Junho e está cansado?? Sim, cansado ao fim de oito jogos desde o retomar da Liga!» (17 de Julho)

Armas e viscondes assinalados: Tudo está mal quando acaba mal

Benfica 2 - Sporting 1

Liga NOS - 34.ª Jornada

25 de Julho de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Adiou o mais possível o desfecho esperado, estabelecendo-se um novo recorde de derrotas do Sporting na mesma temporada, marcada por zero pontos no confronto directo com os dois rivais que viram escancarar-se as portas do duopólio por uma sucessão de decisões que seriam consideradas demasiado perigosas até por pilotos kamikaze. Uma excelente defesa com os pés manteve o marcador a zeros, tal como mais tarde impediria o avolumar do resultado de igual forma, mas nada pôde fazer quando Seferovic e Carlos Vinicius lhe surgiram pela frente. Termina a temporada de afirmação na baliza leonina com o ónus do perdedorismo varandista e sob a sombra da iminente contratação de um eterno suplente da filial madrilena do carrossel.

Eduardo Quaresma (2,0)

Voltou a sentir o peso da responsabilidade a toldar-lhe os movimentos, fazendo alguns cortes desajustados e contribuindo pouco para a circulação de bola. Mas o potencial está lá, a técnica também, e beneficiará de uma pré-temporada em que possa lançar melhores bases para a sua afirmação.

Neto (2,0)

Prova de que tudo acontece ao Sporting é a lesão de Coates no aquecimento, elevando o internacional português à titularidade. Procurou estar à altura dos acontecimentos, esforçou-se muito, mas falhou demasiado nos passes e chegou a fazer cortes de cabeça para remates em posição frontal de jogadores do Benfica. Como patrão da defesa afigura-se insuficiente, o que não implica que não tenha lugar no plantel. Sobretudo num plantel com tão gritantes debilidades.

Acuña (2,5)

É mais do que provável que tenha feito o último jogo pelo Sporting, e logo com a braçadeira de capitão, num triste e simbólico crepúsculo de uma época dourada que o juntou a Bas Dost, Bruno Fernandes e Mathieu, aos rotativos Nani e Montero, aos rescisores Rui Patrício, William Carvalho e Gelson Martins, e ao sobrevivente Coates. Remetido a central, sem hipóteses de impor a sua marca lá à frente, limitou-se a cumprir e a respeitar a camisola que tão bem vestiu ao longo destes anos.

Ristovski (1,5)

Prosseguiu a sucessão de exibições medíocres que servem para realçar o fraco nível das alternativas Rosier e Rafael Camacho. Permissivo a defender e inoperante a atacar, o macedónio especializou-se nas perdas de bola junto à grande área que só por incompetência alheia não cavaram um fosso inultrapassável entre as duas equipas logo nos primeiros minutos do derby.

Matheus Nunes (2,5)

Estava a ser um dos melhores do Sporting quando a sua chuteira branca denunciou ao videoárbitro – infelizmente mais atento na noite de sábado do que naquele penúltimo lance do Moreirense-Sporting em que Coates foi agarrado frente à baliza – que o jovem brasileiro deixará Carlos Vinicius em posição regular no momento em que rematou para o 2-1. Dizer que o erro milimétrico de posicionamento custou 2,9 milhões de euros e o apuramento directo para a fase de grupos da triste Liga Europa seria ignorar a sucessão impressionante de erros de gestão do futebol leonino ao longo desta vergonhosa temporada, mas o lance lançou uma mancha peganhenta numa exibição positiva, cheia de personalidade, em que Matheus Nunes não se deixou assustar pelas papoilas saltitantes que o rodeavam, sendo decisivo no lançamento do contra-ataque do lance do efémero empate.

Wendel (2,0)

Mais uma vez não se conseguiu impor num “jogo grande”, deixando-se retrair excessivamente com as más circunstâncias à sua volta. Está ainda por provar se é capaz de subir ao patamar seguinte e tornar-se um substituto à altura dos melhores do meio-campo que foram deixando Alvalade.

Nuno Mendes (3,5)

Será mera coincidência que o Sporting tenha sofrido o segundo golo e perdido o pódio da Liga Nos depois de o lateral-esquerdo ser substituído? Para trás ficou mais uma boa exibição do ainda adolescente, uma vez mais a combinar velocidade, técnica e inteligência táctica para desbaratar adversários. Pena é que não tenha tido engenho para ultrapassar Vlachodimos após uma boa triangulação com Sporar e que não tenha arriscado “fazer algo de esquerda” em vez de servir Ristovski, livre de cobertura do outro lado da área, para que o macedónio visasse as cadeiras do segundo anel.

Gonzalo Plata (1,5)

Agraciou os colegas com a sua presença na primeira metade, primando pelos movimentos erráticos que nos últimos jogos elevaram o número de contratações falhadas que terão de ser feitas nos próximos meses. Incapaz de combinar em condições com os colegas, leva como melhor recordação do Estádio da Luz uma recuperação de bola com pronta entrega a Sporar, cabendo ao esloveno o remate sem consequências.

Jovane Cabral (2,5)

Há que reconhecer que tentou fazer algo, mas os remates saíram sempre fracos ou desenquadrados com a baliza, mantendo-se a ideia feita de que o melhor jogador da Liga NOS em Junho é mais talhado para resolver encontros quando o adversário é de uma certa dimensão. Uma ideia que levaria a aumentar ainda mais a lista de Bolasies e Jesés a caminho de Alvalade.

Sporar (2,5)

Deu por finda a longa seca com um golo em que a bola passou por entre as pernas do guarda-redes do Benfica, e combinou bem com Nuno Mendes noutra jogada de perigo. Pena é que tenha deixado Seferovic em jogo no lance do primeiro golo, que tenha voltado a demonstrar capacidade quase nula de levar a sua avante no confronto directo com os adversários e que tarde em justificar o investimento avultado no seu passe.

Tiago Tomás (3,0)

Tantas vezes mereceu a aposta do treinador que acabou por trazer dividendos. Poderia ter feito melhor do que o violento remate ao poste quando ficou sozinho na grande área depois na sequência de uma fífia de Jardel, mas no lance do 1-1 lançou Sporar de forma perfeita, quase se diria que à prova de falhanço.

Vietto (-)

Andou pelo relvado poucos minutos, com ainda menor participação no jogo, ao nível do homem invisível valorizado em 7,5 milhões de euros por metade dos direitos desportivos.

Borja (1,5)

Entrou para o lugar do melhor jogador do Sporting. Poderá dizer que a culpa não é dele e sim de quem lhe fez sinal para parar de aquecer.

Battaglia (-)

Foi colocado para segurar o resultado, opção táctica que tende a nunca resultar no Sporting. Caso houvesse racionalidade na gestão do futebol leonino, e o edifício da SAD não estivesse ocupado por personagens de “O Feiticeiro de Oz”, às quais faltam cérebro, coragem e coração, também ele teria feito o último jogo de leão ao peito.

Ruben Amorim (1,5)

Perdeu nos últimos seis jogos a oportunidade de deixar uma boa primeira impressão, não conseguindo melhor do que duas sofridas vitórias caseiras com Gil Vicente e Santa Clara, dois tristes empates com Moreirense e Vitória de Setúbal e duas derrotas com FC Porto e Benfica. Perdeu o terceiro lugar que ajudara a reconquistar nos seus primeiros jogos devido à fraqueza do plantel construído por incapazes, a alguns erros cirúrgicos de arbitragem, a azares extremos nas lesões que acabaram com a carreira de Mathieu e afectaram a afirmação de Jovane, mas também por muitas decisões erradas. Sobretudo nas substituições, como neste derby em que se viu na contingência de sair da Luz com um ou três pontos antes de sucumbir ao medo, procurando baixar linhas e repetir com o Benfica aquilo que o Vitória de Setúbal lhe fizera dias antes. Só que sem a competência dos pupilos do inegável Lito Vidigal. Sendo crível que se imagine a dar a volta na próxima temporada, todas as notícias que chegam quanto a reforços de segunda linha vindos de Espanha faz temer que o plantel continue sem soluções capazes de fazer a diferença. Continuará também a carregar a responsabilidade da cláusula de rescisão absurda que Frederico Varandas decidiu, por motivos que talvez gelassem o sangue de quem os decifrasse, (prometer) pagar ao Sporting de Braga. É uma responsabilidade pesadíssima e oxalá esteja à altura de alterar o guião de tragicomédia que lhe entregaram.

Armas e viscondes assinalados: Jogo mexido resolveu-se nas bolas paradas

Sporting 2 - Tondela 0

Liga NOS - 27.ª Jornada

18 de Junho de 2020

Luís Maximiano (3,0)

Na primeira parte foi o único espectador permitido no estádio de Alvalade, tanto que só Mathieu o conseguiu inquietar ao atirar ao poste no desvio de um canto. Só depois do intervalo provou que integrava a ficha de jogo, aplicando-se em algumas boas defesas, a melhor das quais ao desviar com a ponta dos dedos um remate em arco, tendo sido o melhor que o Tondela conseguiu fazer num jogo em que nem parecia aquela equipa que nasceu para subtrair pontos ao Sporting.

Eduardo Quaresma (3,0)

O adolescente que ameaça tornar-se uma lenda, e que já nem foi o mais jovem de entre os titulares, não só policiou a contento a sua área de jurisdição como voltou a mostrar uma capacidade de saída rápida e criteriosa na condução de jogo que, se não existir um desastre na gestão de carreira habitual entre os verdes e brancos,  fará dele um futuro capitão de equipa e um indiscutível da seleção de Portugal. Mesmo sem grande ajuda de Rafael Camacho teve arrancadas que poucos esperam de um central.

Coates (3,5)

O central uruguaio terá levado ao engano aqueles que ouviam o relato, pois tantas vezes ouviram “corte de Coates” que poderão ter esquecido que Sebastián é o seu verdadeiro nome próprio. O gigante que enverga a braçadeira de capitão executou corte após corte, tirando partido da altura e do timing de abordagem aos lances, e contribuiu de forma decisiva para que o ataque do Tondela fosse uma nulidade na primeira parte e não tenha obtido resultados na segunda. Para que tudo tivesse corrido da î de drible invulgar, Jovane Cabral provocou tremores à defesa adversária até sair de campo, deixando as faltas como único recurso para o tentar impedir.

Mathieu (3,0)

Sendo certo que foi o autor do lance de maior perigo para a baliza do Sporting, cabeceando ao poste no desvio de um canto, e que fez alguns cruzamentos em direcção incerta, mesmo assim notou-se a diferença de contar com a classe do veterano francês. Tendo o condão de sair com a bola controlada pelo flanco esquerdo, o que potenciou as melhores exibições da equipa, o central regressou em boa hora à equipa titular. Só não conseguiu ficar até ao fim, pois o estouro físico num contra-ataque que o deixou furioso com a má execução de Ristovski levou a que fosse substituído pelo esforçado Borja.

Nuno Mendes (3,5)

A estreia a titular, na véspera de celebrar 18 anos e horas antes de renovar contrato com uma cláusula de rescisão milionária, só poderia ter sido ainda mais positiva caso tivesse direcionado melhor um remate de ressaca à entrada da grande área do Tondela. O lateral-esquerdo combinou às mil maravilhas com Jovane Cabral, ficando numa dessas jogadas isolado a poucos metros da baliza de Cláudio Ramos. Em vez de rematar preferiu servir um colega, tendo a bola sido cortada pelo braço de um adversário, o que levou à cobrança do pénalti que selou o resultado final. No resto do jogo mostrou-se incansável nas recuperações e antecipações ao adversário, com a particularidade de não ter cometido uma única falta.

Matheus Nunes (3,0)

Conseguiu uma exibição bem conseguida, na qual sobressaiu a qualidade de passe longo, procurando cumprir da melhor forma a missão de servir de pêndulo entre defesa e ataque, o que contribuiu para o jogo fosse bem mais mexido do que os adeptos leoninos estão habituados a ver nos tempos mais recentes. A continuar assim terá a titularidade garantida e merecida apesar da sombra do decreto presidencial.

Wendel (3,0)

Há ocasiões em que a inferioridade numérica no meio-campo imposta pelo esquema táctico de Ruben Amorim se torna particularmente ingrata. Assim sucedeu com o internacional olímpico brasileiro na recepção ao Tondela, ainda que tenha demonstrado em vários momentos a qualidade intrínseca que o acompanha.

Gonzalo Plata (3,0)

Bailou com a bola, deixando vários adversários a rodopiar, na jogada em que tiveram de o ceifar para impedir que entrasse na grande área. Daí nasceu o livre que desbloqueou o resultado e tornou mais fácil um encontro em que voltou a dar-se melhor no miolo do que na linha, no que é uma característica algo insólita para um extremo.

Jovane Cabral (4,0)

Habituado ao estatuto de protagonista, apoderou-se na bola com voragem de açambarcador, patente no segundo golo de livre directo consecutivo, desta vez (ainda) mais em jeito do que em força. Antes já tinha caído na grande área, e logo a seguir executou a assistência de calcanhar que deixou o seu "discípulo" Nuno Mendes isolado na baliza. E mesmo quando a equipa começou a perder gás, algures por meados da segunda parte, encontrou reservas de energia que lhe permitiram conduzir contra-ataques venenosos. O jovem que deve o lugar no plantel a José Peseiro, e aos seus desentendimentos com Matheus Pereira, agora irremediavelmente perdido para a pérfida Albion.

Sporar (3,0)

Marcou o pénalti com tanta força que pouco importou Cláudio Ramos ter percebido o lado para onde a bola seguia. Mas deu sobretudo nas vistas a sua vontade de sair em drible. Na primeira parte terminou caído no relvado, sem que o videoárbitro desse devida nota do empurrão que lhe deram, mas na segunda parte teve tudo para fazer o 3-0 e acabou por rematar ao lado depois de passar por um punhado de adversários.

Ristovski (2,0)

Entrou para o lugar do desinspirado Rafael Camacho e pouco mais ofereceu à manobra ofensiva leonina. Mau nos cruzamentos e no entendimento com os colegas, falhou a oportunidade de reconquistar o lugar.

Battaglia (2,0)

Regressou aos relvados com mais confiança do que havia deixado. Mas tarda em reencontrar-se.

Francisco Geraldes (1,5)

Uma espécie de assistência mal amanhada a que Ristovski não chegaria nem se tivesse asas foi o exemplo acabado do desaproveitamento do quarto de hora a que o talentoso meio-campista teve direito.

Pedro Mendes (-)

Entrou muito tarde e não teve tempo para fazer absolutamente nada.

Ruben Amorim (3,5)

A primeira parte foi o seu melhor momento desde que trocou o Sporting de Braga pelo Sporting. Apesar de o Tondela não ser propriamente um Barcelona, o domínio das operações foi extraordinário e a aposta em adolescentes como Eduardo Quaresma e Nuno Mendes totalmente conseguida. Ainda que o plantel não tenha melhorado com a pandemia, e de o meio-campo ficar por vezes à deriva, certo é que apareceram sete pontos nos últimos três desafios e o seu ex-clube passou a estar atrás na luta pelo terceiro lugar da Liga NOS.

Armas e viscondes assinalados: Juventude não chegou para triunfar no berço

Vitória de Guimarães 2 - Sporting 2

Liga NOS - 25.ª Jornada

4 de Junho de 2020

 

Luís Maximiano (2,0)

Nada poderia ter feito no golo que selou o resultado final, e ao longo da segunda parte deu segurança aos colegas com boas intervenções, o que não apaga a sua oferta do golo que permitiu ao Vitória de Guimarães empatar pela primeira vez. Está visto que a desenvoltura com os pés é o calcanhar de Aquiles do jovem guarda-redes, mas a aposta continuada na sua titularidade, desejada pelos adeptos, dependerá de progressos significativos nesse domínio.

Eduardo Quaresma (3,5)

Integrar uma linha defensiva que sofreu dois golos não é propriamente sinónimo de estreia de sonho? Talvez assim seja, mas o jovem de 18 anos assumiu como um mestre a missão de ser o central descaído para a direita, demonstrando segurança no desarme dos adversários e uma capacidade de. saída com bola que só surpreendeu quem nunca tinha visto as suas arrancadas na equipa de sub-23. Ficou na retina um lance de contra-ataque que urdiu em “joint venture” com Sporar, reforçando a ideia de que o Sporting será doravante Edu mais dez e o temor de que possa vir a ser “carrosselizado” no verão tardio que antecederá a próxima temporada.

Coates (3,0)

O capitão uruguaio foi o patrão que dele se pede que seja, impondo a sua presença no novo esquema táctico. Nem os dois golos do adversário, resultantes de uma oferta de Luís Maximiano e de um ressalto, beliscam o mérito de quem deverá ficar em Alvalade se a ideia passar por voltar a ver os milhões da Champions antes da próxima década.

Mathieu (2,5)

Várias foram as ocasiões em que o veterano francês não teve pernas para reagir aos adversários, numa quebra física após a paragem ditada pela pandemia de Covid-19 que se pode explicar pelo facto de ser provavelmente o único elemento do plantel leonino a ter convivido com sobreviventes da gripe espanhola. Intocada está a sua relação privilegiada com a bola, ainda que a ideia de o adiantar para ponta de lança (em vez de apostar na entrada do suplente Pedro Mendes quando o Sporting tinha vantagem numérica) não tenha surtido efeito.

Rafael Camacho (3,0)

Preferido por Ruben Amorim na escolha entre Ristovski e Rosier, o jovem que não quis ser lateral-direito ofensivo no Liverpool provou ser mais afoito na parte ofensiva da missão, formando com Eduardo Quaresma e Jovane Cabral a ala direita mais dinâmica que Portugal viu nos últimos meses. Esteve perto de fazer a assistência para o golo da vitória, impedida pela defesa de Douglas ao cabeceamento de Jovane, num dos vários bons cruzamentos que assinou. Pior nas missões defensivas, como Quaresma pode testemunhar, poderia ter servido Sporar para o “hat trick” mas, talvez possuído pela camisola 7 que carrega, tentou complementar duas belas fintas com um remate idêntico ao que ajudou a levar o Sporting à “final four” da Taça da Liga. Idêntico, claro está, tirando na parte de a bola entrar na baliza.

Acuña (3,0)

Bastante mais contido do que o colega da direita, até porque Mathieu e Vietto também não ajudaram por aí além, o argentino distinguiu-se pelo passe longo que o excesso de confiança de Douglas e o sentido de oportunidade de Sporar fizeram abrir o marcador. E também pela atenção redobrada que deu às veleidades vimaranenses na sua área de influência, não se esquecendo de protestar com todos os elementos da equipa de arbitragem. As saudades que já teria...

Battaglia (2,0)

Raras foram as ocasiões em que ganhou posição sem cometer falta, escassas as saídas com bola que tenham levado a equipa para a frente. Dir-se-ia que o médio argentino se arrisca a ficar carimbado como problema irresolúvel, tendo em conta o seu elevado vencimento, a não ser que o homem que mais lucrou com o ataque a Alcochete cometa a improvável bondade de o “carrosselizar” numa “bitola Thierry Correia” e sem prodígios do estilo David Wang envolvidos na equação.

Matheus Nunes (2,0)

Lá se estreou na equipa principal o meio-campista a quem Frederico Varandas encarregou de custear a multimilionária cláusula de rescisão de Ruben Amorim, e o treinador encomendou a compra de uma casa à sua mãe, pelo que talvez a senhora Nunes pretenda que o filho encerre o ciclo comprando uma peruca ao presidente do Sporting. Convém referir que a estreia esteve muito longe de ser brilhante, tal como longe de cintilantes eram as alternativas disponíveis no banco. Espera-se que faça melhor em próximas oportunidades.

Jovane Cabral (4,0)

Acelerador-mor do futebol leonino, partindo da direita para vagabundear por todo o relvado, o jovem extremo mostrou que é capaz de fintar adversários dentro de uma cabina telefónica e deixou bem mais do que um ar da sua graça. Para a história do jogo ficou o passe longo e rasteiro com que isolou Sporar no lance do 1-2 e o remate de cabeça que esteve perto de render três pontos num estádio que continua a ser complicado mesmo sem adeptos municiados de armas brancas. Pena é que grande parte das suas melhores iniciativas tenham morrido nos pés de Vietto.

Vietto (2,0)

Quis a infelicidade do destino que o avançado mais perdulário do plantel leonino tenha recebido alguns dos melhores passes feitos pelos colegas ao longo do jogo. A baliza parece tornar-se demasiado pequena quando Vietto tem a bola nos pés, sendo incerto se a solução passará por um ortopedista, um psicólogo ou uma influenciadora das redes sociais.

Sporar (4,0)

É notável que tenha convertido em dois golos igual número de remates, bastando-lhe empurrar a bola para a baliza vazia. E com inegável mérito, pois aproveitou da melhor forma a burrice de Douglas na primeira parte, roubando-lhe a bola que controlou com o peito, e desmarcou-se de forma perfeita (o fiscal de linha ainda ensaiou o fora de jogo, mas o videoárbitro oficializou o golo) na segunda parte, contornando o guarda-redes com enorme frieza. Além disso, integrou-se bem nas manobras ofensivas e criou a esperança de que Bruno Fernandes não chegue ao final da temporada como melhor marcador do Sporting apesar de ter voado para Manchester no final de Janeiro.

Idrissa Doumbia (2,5)

Honra lhe seja feita: cometeu menos erros do que os titulares do meio-campo. Mas também era um objectivo fácil de cumprir...

Gonzalo Plata (2,0)

Inconsequente, viciado em remates contra as pernas dos adversários e incapaz de ajudar a “quebrar” um Vitória de Guimarães reduzido a dez graças ao irrequieto Jovane Cabral, que parece ter aproveitado o confinamento para treinar mais do que um certo e determinado extremo sul-americano.

Ruben Amorim (3,0)

Os meses vão passando e o terceiro treinador mais valioso do mundo mantém o bom hábito de não perder, ainda que desta vez não tenha somado os três pontos que conseguira antes do fim do mundo tal como o conhecíamos, naquele final de tarde em Alvalade em que se verificaram as expulsões de dois jogadores do Desportivo das Aves nos primeiros 20 minutos de jogo e um “wardrobe malfunction” de Wendel mais revelador do que o de Janet Jackson no Super Bowl. Louva-se-lhe a coragem de apostar em Eduardo Quaresma e Matheus Nunes, ainda que o segundo tenha ficado bastante aquém das expectativas, e o trabalho visível no entendimento entre vários jogadores, mas a relação complicada de Vietto com o golo e o estado de calamidade em vigor no meio-campo não permitiram mais. Felizmente chegou para o empate que permitiu reduzir de quatro para três pontos a desvantagem em relação ao Sporting de Braga na luta pelo lugar mais triste do pódio da Liga NOS.

Conseguimos ver e ter uma ideia de jogo

Texto de Pedro Sousa

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O esquema táctico de 3-4-2-1 é, talvez, o mais difícil de interpretar. Os princípios tácticos de Rúben Amorim assentam numa primeira fase de construção paciente e de passes verticais. Os movimentos de ruptura, dos três da frente (Vietto?), para explorar a profundidade era uma constante.

Este modelo de jogo, não tenho dúvidas, é muito mais fácil de fazer resultar no Braga. Pelo plantel diferente, mas também porque a maior parte dos adversários do Sporting se apresenta num bloco baixo. As "zonas de criação" entre a linha defensiva e do meio-campo do adversário não podem ficar exclusivas de um Sporar, que baixa para tocar e criar espaço nas costas. A chegada dos médios centrais é essencial para podermos jogar de forma mais apoiada e compacta.

De qualquer das formas, tivemos treinador antes do jogo [de quinta-feira em Guimarães]. Foi audaz e correcto na escolha do 11 inicial. No jogo não foi capaz de "inventar novas dificuldades" para apresentar ao Guimarães. Limitou-se a fazer cumprir o guião pré-estabelecido. Principalmente, quando ficámos em superioridade numérica, tinha que pedir algo diferente.

Gostei imenso do Quaresma. Não foi uma surpresa, mas a confirmação de que estamos perante o jovem de maior potencial dos sub-23, juntamente com Joelson.

Sporar esteve muito bem, apesar de ser um atleta que não me convence. Talvez a minha opinião esteja condicionada pelo seu preço (6M quando valia 2,5M) e pelas passagens falhadas pela 2.ª divisão alemã e campeonato suíço. Acho curto para um Sporting que se quer campeão.
Gostei do esforçado Jovane e do atrevido Plata.

Não gostei, nem tenho gostado, do Max. É o nosso Moreira. Precisamos de um Quim, no mínimo.

Não gostei de Camacho. Apesar de ser a posição ideal para ele, estava a fazer um frete. E quando tem a oportunidade de fazer algo, a bola é só dele. Egoísta.

Não gostei de Vietto. É um "pila mole".

Não gostei dos dois do centro do terreno. Imagino ali um Uros Racic e o Adrien Silva (Wendel).

O excelente Acuña, tinha a pilha gasta.

Pela primeira vez nesta temporada, conseguimos ver e ter uma ideia de jogo.

Não é suficiente para um Sporting campeão, mas podemos ter aqui uma base interessante.

 

Texto do nosso leitor Pedro Sousa, publicado originalmente aqui.

Pódio: Sporar, Jovane, Rafael Camacho

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no V. Guimarães-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Sporar: 19

Jovane: 18

Rafael Camacho: 15

Coates: 15

Eduardo Quaresma: 15

Vietto: 14

Acuña: 14

Battaglia: 14

Mathieu: 14

Plata: 11

Idrissa Doumbia: 11

Matheus Nunes: 10

Luís Maximiano: 10

 

A Bola e o Record elegeram  Sporar  como melhor sportinguista em campo. O Jogo optou por  Jovane.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da aposta clara e deliberada na formação. É um reiterado apelo dos adeptos: o Sporting só reencontra o melhor da sua vocação como equipa vencedora se apostar mais nos jovens que são formados na Academia de Alcochete. Foi precisamente o que aconteceu ontem, frente ao V. Guimarães. Rúben Amorim escalou um onze titular com cinco destes jovens: Luís Maximiano (21 anos), Eduardo Quaresma (18 anos), Matheus Nunes (21 anos), Rafael Camacho (20 anos) e Jovane Cabral (21 anos). E ainda fez entrar Gonzalo Plata (19 anos). Uma equipa virada para o futuro, como se exige para honrar as melhores tradições leoninas. Só isto faz a diferença. 

 

De Eduardo Quaresma. Entre os dois estreantes no campeonato nacional (o outro foi Matheus Nunes), sobressaiu este jovem, sobre quem (permitam-me a autocitação), eu já havia escrito há quase um ano, na pré-temporada 2019: «Ainda júnior, revelou alguns pormenores que atestam a sua qualidade futebolística não apenas como central mas até como lateral improvisado. Nome a reter num futuro próximo.» Assim foi, colocado na ala direita do sistema de defesa a três concebido por Amorim, dando boa conta do recado. Não se atemorizou sequer ao ter pela frente o extremo Davidson, um dos melhores elementos do plantel vitoriano. E acabou até por permanecer os 90 minutos em campo.

 

De Sporar. Temos artilheiro: já regista cinco golos. Ontem, mais dois. Aproveitando da melhor maneira duas das três oportunidades de que dispôs: a primeira aos 18', aproveitando uma fífia incrível do experiente guardião vitoriano Douglas; a segunda aos 52', dando a melhor sequência a um excelente passe de Jovane a rasgar a defesa adversária. O esloveno merece ser considerado o homem do jogo. Falta-lhe pouco para ter direito a música própria entre os adeptos.

 

De Jovane. Grande exibição do jovem ala nascido em Cabo Verde, aproveitando da melhor maneira esta oportunidade para se firmar no onze titular. Foi o elemento mais desequilibrador durante a partida, revelando excelente condição física e sem nunca perder a noção de que importa acima de tudo trabalhar para a equipa. Protagonista de lances dignos de registo aos 37', 39', 45', 52', 59' e 76' - neste, levou à exibição de um cartão vermelho ao adversário. Nem o facto de sofrer faltas sucessivas lhe travou o ímpeto. E quase marcou, aos 84', num lance bloqueado por Douglas, autor da defesa da noite em Guimarães.

 

De Camacho. Actuando um pouco mais recuado na direita, em evidente apoio à manobra defensiva da equipa na defesa a três - tanto mais que actuava na ala do estreante Eduardo Quaresma -, revelou combatividade e disciplina táctica, ajudando a fechar o corredor. Mas só quando recebeu autorização para progredir no terreno se viu melhor a sua utilidade na criação de desequilíbrios, partindo os rins a quem encontrava pela frente. Dos pés dele saíram os melhores cruzamentos leoninos, aos 84' e aos 88'. Ele próprio esteve quase a marcar aos 89'. Também parece ter agarrado a titularidade.

 

Da condição física dos jogadores. Havia os maiores receios neste capítulo, tanto mais que a equipa vinha de uma longa paragem competitiva, após quase três meses sem jogos - uma paragem duas vezes mais longa do que o habitual defeso do Verão. Mas neste capítulo o teste não podia ser mais positivo, tanto entre os veteranos (Mathieu, com 36 anos, actuou 90 minutos em missão de contínuo desgaste, cabendo-lhe a ala esquerda da defesa a três) como entre os mais jovens. Ao ponto de Amorim não ter sequer esgotado as substituições: limitou-se a trocar Matheus Nunes (já amarelado) por Idrissa Doumbia, aos 66', e o apagado Vietto por Plata, aos 73'.

 

Da qualidade do jogo. Foi até agora, de longe, a partida mais intensa e bem disputada desde o recomeço deste insólito campeonato, cuja "25.ª jornada" se vai desenrolando em dias consecutivos, ao ritmo de duas partidas diárias. Num estádio sem público, com quase todos os elementos da equipa técnica com máscaras (incluindo Amorim) e os adeptos deixados do lado de fora, acompanhando certamente o jogo através dos dispositivos tecnológicos. A qualidade do futebol praticado não se ressentiu desta estranha circunstância ainda em tempo de pandemia.

 

Da "estrelinha" do treinador. Rúben Amorim, técnico com fama de sortudo, soma agora onze jogos sem perder no campeonato. Só é pena que nove desses onze tenham sido ao serviço do Braga.

 

 

Não gostei
 
 

Do resultado. Empatámos 2-2 em Guimarães. Bem sei que no mesmo estádio em que havíamos perdido 0-3 na temporada 2014/2015, com uma equipa onde se integravam seis futuros campeões da Europa (Rui Patrício, Cédric, William, Adrien, João Mário e Nani). Mesmo com essa memória ainda fresca, foi frustrante vermos o Sporting colocar-se por duas vezes em vantagem e não saber aproveitá-la ou mesmo ampliá-la no momento próprio. Bastaria que Douglas não tivesse defendido com tanta competência o remate à queima de Jovane. Ou que Mathieu tivesse dado a melhor sequência aos dois livres directos que apontou. 

 

De Vietto.  O elemento mais apagado do nosso onze. Pareceu quase sempre alheado do jogo, com índices de concentração muito reduzidos. Precipitou-se aos 27', rematando por cima, quando tinha todas as condições para dar a melhor sequência a esse lance ofensivo. Desperdiçou duas ocasiões de golo oferecidas por Jovane, aos 39' e aos 45'. Acabou por dar lugar a Plata - uma substituição que pareceu só ter pecado por tardia.

 

Da falta de intensidade inicial.  Demorámos meia hora a sacudir a pressão vitoriana, que impedia a progressão da nossa equipa logo a partir da primeira fase de construção. Amorim quer que os jogadores saiam de trás sempre com a bola dominada, sem chutões para a frente. Um bom princípio mas que pode desmoronar-se ao enfrentar um muro de adversários, como ontem sucedeu. Foi numa destas constantes trocas de bola entre a defesa e o guarda-redes, quando já vencíamos por 1-0, que nasceu um deslize fatal: jogando mal com os pés, Max acabou por colocá-la num adversário em zona proibida, logo aproveitando o Vitória para empatar.

 

Do segundo golo sofrido.  Se o primeiro resultou de um erro individual, desculpável num jovem guardião em início de carreira, o segundo ocorre na sequência de uma tremideira colectiva da nossa defesa, numa confusão de protagonistas à molhada, sem que ninguém soubesse ou conseguisse atirar a bola, de qualquer maneira, dali para fora. Acabou por sobrar para Edwards, que não perdoou, fuzilando a nossa baliza. Naquele lance víamos a nossa vantagem por 2-1 atirada borda fora. E mais dois pontos a voar. O facto de o FC Porto ter perdido três na deslocação a Famalicão e o Benfica ter perdido dois em casa frente ao modesto Tondela não pode servir de circunstância atenuante. 

 

De termos desperdiçado a vantagem numérica. Jogámos os últimos 20 minutos com mais um jogador. Mas a exibição não esteve em linha com a aritmética: nesse período abusámos das trocas de bola em vez de visarmos a baliza contrária em ritmo incessante.

 

Da ausência de público. Futebol sem assistência ao vivo não chega a ser espectáculo. Não se entende nem se aceita como é que as bancadas dos estádios, ao ar livre, continuam sem espectadores nesta fase de "desconfinamento" do País. Quando já cinemas, teatros, salas de concertos, restaurantes e centros comerciais estão de portas abertas.

Os jogadores de Varandas (14)

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SPORAR

Foi o último a desembarcar: a sua contratação, por seis milhões de euros, foi anunciada a 23 de Janeiro. Veio já no mercado de Inverno, quando a pandemia iniciava a sua expansão a partir da China para o resto do mundo, seis semanas antes do prolongado "apagão" que se abateu no futebol devido ao novo coronavírus, agora prestes a ser retomado, num momento em que se registam cerca de 120 mil novas infecções diárias à escala global.

Andraz Sporar é esloveno mas jogava na Eslováquia, onde foi eleito jogador do ano em 2019. Enquanto outros chegavam com "cadastro", ele chegou mesmo com currículo, trazendo boa fama como exímio marcador de golos. Ao serviço do Sporar Bratislava marcou 34 na temporada 2018/2019. Quando saiu do clube, trocando a capital eslovaca por Lisboa, já levava 21 nesta atribulada época - incluindo 12 no campeonato, liderando a lista dos melhores marcadores. E, com seis golos apontados, mantém-se no topo dos artilheiros da Liga Europa, partilhando esta posição com Visca (Basaksehir), Morelos (Rangers), Jota (Wolverhampton) e Bruno Fernandes (Sporting e Manchester United).

Agora com 26 anos, Sporar colmatou uma inaceitável lacuna no plantel leonino. Com a saída de Bas Dost e a não-inscrição de Pedro Mendes nas competições nacionais, um Sporting em manifesta crise de golos actuou quase meia temporada sem ponta-de-lança alternativo: só havia Luiz Phellype para esta posição.

Mais depressa chegasse, mais depressa jogava. A 27 de Janeiro, o brasileiro lesionou-se gravemente, no início de uma partida em Alvalade frente ao Marítimo, ficando fora da competição para o resto da temporada. Estavam decorridos 15 minutos, Sporar teve de equipar-se e entrar de imediato em campo. Mas só marcou quase um mês depois, a 20 de Fevereiro, na vitória caseira contra os turcos do Basaksehir, para a Liga Europa. Teve ainda tempo para fazer o gosto ao pé mais duas vezes, marcando contra Boavista e Aves - neste já sob o comando de Rúben Amorim, mesmo antes da suspensão do campeonato.

Move-se bem dentro da área, baralhando as marcações, revela faro de golo e evidencia bons dotes técnicos. Se Bas Dost tinha direito a música própria em Alvalade, Sporar pode seguir-lhe o exemplo quando o nosso estádio voltar aos dias grandes, enchendo-se de público. Ele já provou merecer. E nós também.

 

Nota: 7

Armas e viscondes assinalados: O silêncio é de outros e a alegria é de Plata

Sporting 2 - Boavista 0

Liga NOS - 22.ª Jornada

23 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Teve que esperar pelo tempo de compensação da segunda parte para ser verdadeiramente posto à prova, evitando o contacto da bola com as redes com a mesma determinação do irmão mais velho de uma adolescente afoita. A estirada que desviou para canto um remate de fora da área que levava carimbo de golo de honra boavisteira serviu para recordar os compradores de bilhetes e recebedores de convites que o jovem guarda-redes é o único dos supostos suplentes da linha defensiva leonina aquando do início da temporada – todos eles titulares neste jogo – que se tornou titular indiscutível. Só precisa mesmo de melhorar o jogo de pés, como mais uma vez demonstrou, num jogo em que pouco mais fez do que encaixar escassos remates saídos à figura, para superar o actual guarda-redes do Wolverhampton nesta fase da carreira e dar início à luta pela baliza de Portugal.

 

Rosier (3,0)

A primeira intervenção do lateral-direito francês foi inaceitável num profissional de futebol, mas a verdade é que não demorou a carburar, combinando de forma muito positiva com o endiabrado Gonzalo Plata. Regressado à titularidade após prolongada ausência, tirou proveito da oportunidade e até chegou a rematar. Mas ainda tem hesitações na hora de avançar para a grande área adversária e sofre com as limitações físicas (já conhecidas aquando da sua contratação, e que conduziram à precoce titularidade e posterior entrada no carrossel de Thierry Correia) que aconselharam a sua substituição.

 

Neto (3,0)

Patrões fora, dia santo na loja? Acabou por assim ser, com a ausência de Coates e Mathieu a passar despercebida. Ainda que a ineficácia do ataque boavisteiro tenha dado uma ajuda, a experiência do central português contribuiu para o desfecho. Neto antecipou-se ao perigo, executou sem adornos e até procurou contribuir para a construção de jogo. Fossem todos os jogos assim.

 

Ilori (3,0)

Ainda teve uma hesitação e um atraso de bola arriscado, mas Luís Maximiano resolveu as duas situações sem problemas de maior. Posto isso... digamos que o central resgatado do esquecimento pela infinita generosidade de Frederico Varandas e Hugo Viana sossegou todos quantos temiam vê-lo lançar sete palmos de terra sobre a equipa. Intervenções certas e desassombradas, aqui e acolá merecedoras daquele tipo de aplausos que são reservados a quem supera (baixas) expectativas, contribuíram para manter o lado correcto do marcador a zeros. Se conseguir repetir o feito na Turquia é possível que lhe façam uma estátua equestre.

 

Borja (3,0)

Raras coisas são tão comoventes quanto o esforço do lateral-esquerdo colombiano para transcender as suas capacidades. Neste caso, ainda que se tenha remetido sobretudo a funções defensivas, prejudicado pela ênfase dada a Gonzalo Plata no lado contrário e pela tendência de Jovane Cabral flectir para o centro do meio-campo adversário, foram dos pés de Borja que saíram os bons cruzamentos com que Plata assinou o 2-0 e Jovane descartou o 3-0. Eis um caso paradigmático de um jogador que honra o Sporting mesmo que, pelo menos idealmente, possa não ter sequer lugar no plantel.

 

Battaglia (3,0)

Mais uma exibição positiva do médio argentino, mexido o bastante para fornecer linhas de passe aos colegas mais atrás e inteligente o suficiente para arranjar soluções aos colegas mais à frente. Acabou por não ser poupado para a segunda mão dos dezasseis-avos de final da Liga Europa, numa decisão que só pode ser aplaudida: além de melhorar o coeficiente na UEFA, já de olhos postos no regresso à Champions em 2021/2022, o Sporting tem de assegurar que para o ano poderá competir na Liga Europa. E alcançar o Sporting de Braga ou manter à distância Rio Ave, Vitória de Guimarães e Famalicão está longe de ser uma mera formalidade para este Sporting de pé descalço.

 

Wendel (3,0)

Terá feito um dos seus melhores jogos nos últimos meses, demonstrando sabedoria na condução de bola, ausência da recorrente e irritante displicência na movimentação e no posicionamento e vontade de conduzir os colegas ao “só mais um” que erros alheios mantiveram no registo “dois é bom, três é de mais”. Só não merece melhor nota pela forma infantil como viu o cartão amarelo que o afasta da deslocação a Famalicão, onde o Sporting tem demasiado em jogo para não contar com todos os melhores.

 

Gonzalo Plata (4,0)

No final do jogo, recomposto da tentativa perpetrada pelo central boavisteiro Ricardo Costa de lhe desatarraxar a perna (sem que o infame Nuno “Ferrari Vermelho” Almeida, um dos maiores escroques apitadores nacionais, discernisse mais do que um pontapé de canto apesar da insistência do videoárbitro), o jovem extremo equatoriano ouviu o mesmo treinador que lhe nega oportunidades de afirmação dizer que poderá encontrar-se em Alvalade um futuro caso sério do futebol mundial. Inequívoco homem do jogo, Gonzalo Plata fez mais do que cobrar de forma irrepreensível o livre que permitiu a Sporar inaugurar o marcador e do que rubricar o 2-0 num lance em que a execução do remate ficou em segundo plano perante a rapidez e inteligência com que se dirigiu para as “sobras” do cruzamento de Borja. Mais do que isso, devolveu alegria ao Estádio de Alvalade, que pela primeira vez em muito tempo teve momentos de comunhão nas bancadas, juntando “escumalha”, “croquetes” e milhares de convidados que ali estavam para a média de ocupação do estádio parecer menos desoladora. Quando Plata for o jogador que já acredita ser, apesar da taxa de sucesso nas iniciativas individuais ainda ter considerável margem de progresso, é possível que seja um dos pilares de um Sporting que conte para o Totoloto. Mas mesmo nestes dias sombrios pode e deve contribuir para a obtenção dos poucos objectivos que restam à equipa, o que passa necessariamente por mais do que 10 ou 20 minutinhos em campo, quase sempre numa fase em que o resto dos colegas já desmobilizaram.

 

Jovane Cabral (3,0)

Repetiu a titularidade sem repetir os resultados virtuosos obtidos no jogo com o Basaksehir. Voltou a mostrar-se mexido e a pôr os outros em movimento, mas pouco lhe saiu bem ao longo do jogo. O momento mais paradigmático da exibição foi o falhanço dentro da grande área, em posição frontal, após um bom cruzamento de Borja. Ainda assim, poderia ter mantido a série consecutiva de contribuições para o placard, isolando de forma perfeita Gonzalo Plata frente a frente com o guarda-redes do Boavista. Mas calhou ser o momento do jogo em que o equatoriano não esteve à altura.

 

Vietto (3,5)

Promovido a força tranquila da manobra ofensiva leonina, muito ele fez jogar, ainda que não tenha concretizado uma oportunidade flagrante de golo, servido com requinte pelo rompante Plata. Tem muito em si de futura referência leonina e cabe-lhe escrever um melhor futuro em que deixe de passar pela vida futebolística como uma esperança adiada.

 

Sporar (3,5)

Estreou-se a marcar na Liga NOS, dias após marcar na Liga Europa, com um toque oportuno que desviou da melhor forma o livre marcado por um equatoriano de que já talvez tenham ouvido falar. Mas também garantiu espaços para os colegas e continua a aumentar os níveis de confiança, o que vem mesmo a calhar numa altura em que se descobre que os bónus previstos na sua transferência podem fazer de si a contratação mais cara de sempre do Sporting. Lá seria mais um recorde batido pela presidência de Frederico Varandas...

 

Pedro Mendes (2,0)

Teve direito a 20 minutos pelo segundo jogo consecutivo, e pelo segundo jogo consecutivo padeceu de ter entrado numa fase em que o Sporting abandonara a nobre arte do ataque continuado. Voltou a fazer o possível por deixar boa impressão ao estádio, ainda que pouco mais tenha feito além de pressionar o início da construção de jogo dos adversários.

 

Ristovski (2,0)

Saltou do banco de suplentes para fazer face aos problemas físicos de Rosier e ajudou a manter uma rara ausência de golos concedidos. Segue-se a viagem à Turquia, onde viria a calhar repetir a proeza.

 

Francisco Geraldes (2,0)

A ovação que recebeu quando entrou para o descanso de Vietto é o tipo de fenómeno sportinguista que carece de estudo académico. Além de ser um futebolista com talento inato, “Chico” não se limita a ser o leão aspiracional, capaz de conciliar a bola com os estudos, mais dado a leituras do que a vídeos , como também simboliza na perfeição o Sporting dos nossos dias, com o seu potencial (ainda) por concretizar, em grande parte por culpas alheias (treinadores avessos à aposta na formação, péssima gestão de activos do clube) mas decerto também por culpa própria. Nos dez minutos que lhe couberam em sorte procurou e conseguiu mostrar serviço, lamentando-se apenas que num lance de contra-ataque não tenha sentido a confiança suficiente para rematar ou tentar irromper na grande área boavisteira, optando por assistir um colega que não entendeu o passe. Fica de fora na Liga Europa, mas pode ser que o castigo de Wendel leve a que Silas lhe dê uma hipótese de provar valor na deslocação a Famalicão. Embora seja mais provável que regresse a um daqueles meios-campos a tresandar de medo da própria sombra que juntam Battaglia a Idrissa Doumbia e Eduardo.

 

Silas (3,5)

Teve a inteligência de apostar numa táctica alicerçada no célebre princípio de jogo “metam a bola no miúdo e logo se vê”, retirando faustosos dividendos da aposta em Gonzalo Plata. Vendo-se a ganhar desde cedo, e a dominar as manobras no meio-campo, respirou de alívio e nem o facto de apresentar uma linha defensiva composta quase exclusivamente por suplentes trouxe um décimo das preocupações que esperaria. Numa semana em que exibiu dotes de comunicação quase tão fracos quanto os do responsável pela sua contratação, pondo em causa o empenho de um dos melhores jogadores de sempre do futebol leonino, Silas ganhou algum oxigénio. Para encher a botija terá de selar o apuramento para os oitavos-de-final da Liga Europa em Istambul e regressar de Famalicão com mais três pontos de vantagem em relação a um dos adversários directos na luta pelo terceiro, quarto ou quinto lugares. Mas para tal seria aconselhável que resolvesse a recorrente quebra que faz das segundas partes do Sporting o equivalente táctico de uma pessoa remediada que (sobre)vive de rendimentos.

Armas e viscondes assinalados: Disseram sim à vida enquanto aprovavam a eutanásia

Sporting 3 - Basaksehir 1

Liga Europa - 1.ª mão dos dezasseis-avos de final

20 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Passou quase toda a primeira parte como um espectador, sendo praticamente o único naquele sector do estádio que conseguiu presenciar o jogo desde o apito inicial – e presumivelmente sem lhe revistarem as chuteiras. A segunda parte foi mais parecida com o registo da equipa leonina nos tempos mais recentes, e fez uma defesa providencial antes de não conseguir travar o pontapé de pénalti que tornou ligeiramente menos certo que a melhor exibição do Sporting nesta temporada garanta que não haverá Alvaladexit após a viagem à Turquia.

 

Ristovski (3,5)

Além da assistência que terminou a seca de golos de Sporar, o macedónio destacou-se pelo contributo na construção de ataques, provando conseguir ser mais perigoso no 4-3-3 ou 4-2-3-1 ou lá o que é do que no 3-5-2. Do ponto de vista defensivo viu-se acossado com a presença de muita actividade subversiva no seu quadrante ao longo da segunda parte. Mas não foi por aí que os turcos chegaram ao cuscuz.

 

Coates (4,0)

O Sporting estava à beira do abismo e o central uruguaio deu o passo em frente. No sentido em que se adiantou aos adversários, esticou a perna e desviou o pontapé de canto cobrado de forma irrepreensível por Acuña. Colocou a equipa em vantagem logo no arranque e depois esmerou-se nos passes longos e na custódia da sua grande área, acumulando mais triunfos nos duelos aéreos com os turcos do que a aviação do regime sírio. Próximo desafio, depois de não poder ajudar na recepção ao Boavista: garantir que os leões passam aos oitavos de final da Liga Europa com Tiago Ilori no onze titular.

 

Neto (2,5)

Realizou dois ou três cortes importantes “à queima”, fruto da contra-ofensiva turca na segunda parte, pelo que não deixa de ser irónico que lhe tenha sido assinalada uma grande penalidade num lance em que está muito longe de ser evidente que tenha cometido qualquer infracção. Assustou os adeptos que puderam entrar a tempo em Alvalade ao parecer tocado durante o aquecimento, numa antecipação do que será ver Ilori elevado à titularidade nos próximos dois jogos.

 

Acuña (4,0)

Executou o canto que arrombou o marcador “à patrón” e nunca mais deixou de fazer coisas acertas e de pôr tudo aquilo que é nas mais pequenas coisas que faz. Intratável apenas na conquista, manutenção de posse e endosse de bola, pareceu possuído pelo espírito de Maradona (é possível que qualquer familiar de Diego que estivesse a ver o Sporting-Basaksehir tenha corrido a aproximar um espelho da sua boca para verificar se este se havia finado) numa arrancada junto à linha. Ter o lateral-esquerdo, médio, extremo e tudo no plantel é uma das maiores alegrias que restam aos sportinguistas que preferem vencer as equipas adversárias a derrotar as suas próprias claques.

 

Battaglia (3,5)

Vincou a sua principal diferença em relação à concorrência interna: sabe o que fazer com uma bola de futebol. Mais do que ser uma primeira barreira ao ataque turco – incipiente na primeira parte, mas cada vez mais constante na segunda –, revelou-se um primeiro urdidor de futebol ofensivo, no sentido da palavra que não gera assobiadelas. E ainda voltou a ficar perto de marcar, num remate dentro da grande área que foi desviado pelo guarda-redes turco.

 

Wendel (3,0)

Foi o mais discreto da equipa na fulgurante primeira parte, sem por isso deixar de cumprir na circulação criteriosa de bola que foi uma das chaves do sucesso depois de sucessivos jogos feitos de marasmo. E o certo é que tirou proveito das reservas de energia de que ainda dispunha no final da segunda parte, altura em que diversos colegas já davam sinais de desgaste preocupantes.

 

Vietto (4,0)

Regressou à equipa titular com intenção de deixar marca e assumiu-se como o substituto de Bruno Fernandes que teria sido desde o início da temporada caso a transferência do capitão tivesse ocorrido em Agosto e Raphinha e Bas Dost ainda trajassem de leão ao peito. Rei do meio-campo ofensivo e municiador dos colegas, ficou perto de marcar logo no início do jogo, sendo atrapalhado por Bolasie. Nem por um instante esmoreceu, impondo a sua construção, tijolo por tijolo, para gáudio das bancadas e desconforto dos visitantes. Quando na segunda parte chegou a hora de marcar, vendo-se frente a frente com o guarda-redes, agiu com uma frieza difícil de encontrar em quem tantas vezes se vê legitimamente acusado de “não ter golo”. Provou que não teria de ser necessariamente assim e agradeceu com uma vénia aos milhares que o aplaudiram, sem distinguir entre “croquetes” e “escumalha”. Mantenha a qualidade de jogo, a assertividade de decisão, e a inteligente leitura do ambiente que o rodeia e poderá ser uma das chaves para um Sporting mais saudável. Juntou-se, para já, a Coates na equipa da semana da Liga Europa e, tendo até em conta que a sua transferência é desaconselhada pelo acordo que Jorge Mendes engendrou, convém que por Alvalade se mantenha por muitos e bons.

 

Jovane Cabral (3,5)

Ciente de que a aura de “arma secreta” o condena a longos minutos de banco e aquecimento, acelerou o futebol leonino desde o primeiro instante, em absoluto contraste com a contemplativa placidez demonstrada por Rafael Camacho enquanto titular recorrente. Sendo verdade que nem sempre decide da forma mais perfeita, ao ponto de o seu melhor remate ter sido precisamente a recarga para o golo apenas anulado por ter sido antecedido por fora de jogo de Sporar, teve o condão de nunca se esconder e de fazer tudo para resolver a eliminatória. Detalhes como o toque de calcanhar que serviu de alicerce ao terceiro golo do Sporting impõem que seja a primeira opção, ainda que o seu tipo de desgastante movimentação desaconselhe que permaneça em campo muito mais do que uma hora.

 

Bolasie (3,0)

O “trapalhonismo” que dele irradia custou um golo cantado que teria ampliado o marcador nos primeiros minutos de jogo, pois não aproveitou a assistência de Sporar e não deixou que Vietto a aproveitasse. Também voltou a enredar-se na sua afamada finta, quase tão autofágica quanto a incapacidade de voar foi para os extintos dodós, e até a assistência que assinou para o terceiro golo teve o seu quê de mal-amanhada. Dito isto, voltou a dar o seu melhor, a impor a estampa física e a recorrer à velocidade em prol da equipa, numa exibição a todos os níveis positiva, ainda que nada se tivesse perdido caso tivesse saído mais cedo, permitindo a progressão daquele moço Gonzalo Plata que por Alvalade continuará se não for entretanto trocado por um punhado de feijões mágicos. Aquele seu remate que estremeceu os ferros da baliza como nenhuma pirotecnia conseguiria simboliza a falta de sorte que Bolasie carrega nos ombros.

 

Sporar (3,5)

A persistente seca de golos parecia destinada a terminar logo após o apito inicial, mas o esloveno preferiu contornar o guarda-redes e servir os colegas, tendo o supremo azar de haver demasiados pés para uma só bola. Mas o recado estava dado: Sporar consegue render quando a equipa agrega talento suficiente para carrilar jogo ofensivo que, mais do que cruzamentos para a cabeça (como nos tempos de goleadores trocados por feijões mágicos), assenta na bola a rolar na relva. Começou por atirar ao lado, depois rematou ao poste (em posição ligeiramente irregular, o que invalidou a recarga certeira de Jovane) e finalmente marcou o que se espera ser o melhor de muitos, tirando o melhor proveito de um cruzamento em esforço de Ristovski. Quebrado o encanto, o que lhe permitiria apanhar o melhor marcador da Liga Europa, graças aos cinco golos marcados pela anterior equipa, permaneceu envolvido nos muitos contra-ataques até ser poupado por Silas para o jogo de domingo em que poderá perceber-se quais são as hipóteses de Bruno Fernandes vir a ser suplantado como melhor marcador do Sporting na Liga NOS.

 

Pedro Mendes (2,5)

Teve direito a mais de duas dezenas de minutos para demonstrar a sua arte. Pena é que esses minutos tenham coincidido com a pior fase do Sporting, pelo que o jovem avançado teve sobretudo de ser o primeiro factor dissuasório das incursões turcas. Esteve à altura da missão, e tratou de apoiar os colegas, de costas para a baliza, a levar perigo aos visitantes.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Entrou para tentar travar o avanço do Basaksehir e não se pode dizer que tenha sido particularmente incompetente nessa missão. Mas não restam dúvidas de que não deve ser considerado como mais do que um suplente de Battaglia ou, se tudo correr melhor para o ano, de João Palhinha.

 

Gonzalo Plata (3,0)

Há que ovacionar o aproveitamento dos poucos minutos a que teve direito. Diversas acções em que mostrou velocidade e capacidade de finta serviram de aperitivo para um belíssimo remate que o desmancha-prazeres turco evitou que se convertesse num merecido 4-1.

 

Silas (3,0)

Retirou dividendos imediatos de uma ideia muito louca e inovadora chamada colocar os melhores jogadores disponíveis na equipa titular (só Bolasie poderia ter tal estatuto posto em causa pelo jovem Gonzalo Plata). É uma incógnita que tenha dado conta disto, por muito que seja difícil não reparar na diferença entre o futebol castrado e lamentável demonstrado em Vila do Conde e as jogadas empolgantes testemunhadas pelos compradores de bilhete e receptores de borlas presentes em Alvalade na tarde de quinta-feira, agarrando a equipa à vida ao mesmo tempo que a despenalização da eutanásia era aprovada na Assembleia da República. Bafejado pelo talento dos bons jogadores que restam no plantel (faltava Mathieu, mas Neto esteve à altura até ter que a arbitragem vislumbrou o pénalti sem falta que culminou no tento de honra do Basaksehir), ainda que não pela sorte (outros tantos golos ficaram por marcar), tardou a refrescar a equipa na segunda parte, o que resultou num ascendente do adversário que se vai tornando natural em quem enfrenta o Sporting. Continua, assim, na corda bamba e com a garantia de que será o próximo saco de areia a atirar por Frederico Varandas para manter acima do solo (e ao sabor do vento) o balão de uma presidência feita de ar quente.

Armas e viscondes assinalados: Não têm barqueiro nem em que remar, procuram um caminho novo para andar

Sporting de Braga 1 - Sporting 0

Liga NOS - 19.ª Jornada

2 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,5)

Continua a afirmar o seu potencial como uma perseverança só comparável à da vegetação que consegue irromper por entre as fendas do asfalto. Com toda a sua defesa condicionada pela febre amarela do árbitro Jorge Sousa e com o esquema táctico com que Silas sonhou sair de Braga ainda no lugar mais miserável do pódio, Maximiano viu-se muitas vezes desamparado e deu conta do recado com defesas vistosas que adiaram o desfecho esperado. Mas quis o destino cruel que a equipa da casa marcasse na única ocasião em que perdeu o controlo dos acontecimentos, impedindo-lhe uma noite de glória que só não estava a ser melhor devido às estruturais dificuldades nos lançamentos longos.

 

Ristovski (2,0)

Aquela célebre profecia do “sem o nosso capitão estamos fodidos” acabou por ser autocumprida pelo macedónio, que abriu muitos espaços à direita com as suas incursões pela linha, o que também contribuiu para que o pânico tomasse conta da equipa. Com a agravante de que Wendel privilegiou sempre a ala esquerda, levando a que Ristovski avançasse no terreno quase sempre em vão, acabando por ser sacrificado na hora de correr atrás do prejuízo que se vai tornando tão habitual quanto a “hora Coca-Cola light”.

 

Coates (2,0)

Ainda o jogo mal havia começado e já estava amarelado, recebendo como prenda de Jorge Sousa pela subida a capitão a garantia de que poderia juntar-se ao visitante Bruno Fernandes nos camarotes se cometesse mais alguma infração. Terá sido isso, aliado a uma notória prisão de rins, que o levou a ser mais permissivo do que o habitual com os avançados contrários, compreensivelmente mais apostados em manter a bola junto à relva do que a aventurarem-se pelos ares. No final, quando tudo estava perdido, inovou no desespero, pois além de ponta de lança improvisado também chegou a aparecer na posição de lateral-direito numa ou noutra jogada.

 

Neto (2,5)

Merece mais meio ponto pelo corte que esteve quase a evitar o golo que selou a perda do terceiro lugar e, sobretudo, pelo grito de revolta na “flash interview” que decerto lhe valerá uns quantos jogos de suspensão – abrindo caminho, se a tendinite de Mathieu não melhorar, à titularidade de Ilori na recepção ao assim menos aflito Portimonense – e forçou Frederico Varandas a presentear os sportinguistas com dotes de oratória que ombreiam com os dotes para a gestão do futebol leonino. Esforçado e atento, o internacional português funcionou durante quase todo o jogo como uma espécie de libero que foi chegando para as encomendas, pese embora as limitações na saída com bola desaconselharem tal papel.

 

Borja (2,0)

Depois de uma exibição muito agradável enquanto lateral-esquerdo, face à ausência de Acuña, manteve a titularidade enquanto... falso lateral-esquerdo. Claramente empenhado em errar da melhor forma possível, o colombiano procurou ajudar Coates e Neto a afastarem o perigo da baliza do Sporting. Sabendo-se como a história terminou é evidente que não lhe correu totalmente bem. Tal como foi tragicamente expectável que, já depois da saída de Acuña, se tenha esquecido de que passava a ser ele o verdadeiro lateral-esquerdo.

 

Acuña (2,5)

Começou muito bem, combinando com Rafael Camacho para a primeira oportunidade de golo, e demonstrou que os seus cruzamentos podem servir para algo quando existe um avançado na área, mas começou a apagar-se e a enervar-se com a arbitragem. Terá sido o segundo factor que pesou numa substituição precoce, sobretudo porque o argentino é um dos cada vez mais raros activos valiosos que a presente gerência de Alvalade recebeu como pesada herança.

 

Battaglia (2,5)

Voltou a regressar a uma casa onde já foi feliz, contrabalançando o contingente de “made in Alcochete” que fez da Pedreira a sua casa, e nos primeiros minutos fez valer a qualidade na posse de bola que o distingue de Idrissa Doumbia e torna impossível que o confundam com os pinos utilizados nos treinos. Não chegou, no entanto, para assegurar a vitória na batalha a um meio-campo órfão daquele mago que trocou a crise leonina pela crise de um clube que tanto fez pela formação de Cristiano Ronaldo e Nani.

 

Eduardo (3,0)

Surpresa indigesta no onze titular, só não marcou num dos primeiros lances do jogo devido a um desvio de um defesa bracarense. Melhor esteve na construção de jogada, na medida que revelou uma rapidez na progressão com bola que chegou a parecer fora de sincronia com o futebol deste Sporting. Sem dar espectáculo, ou sequer justificar os milhões que foram gastos no seu passe, o médio brasileiro terá sido o jogador que mais entendeu a necessidade de crescer após a saída de Bruno Fernandes.

 

Wendel (3,0)

Pedia-se-lhe que assumisse a batuta do meio-campo do Sporting e o jovem brasileiro assumiu a tarefa com mais querer do que saber. Sendo legítimo perguntar o motivo de tantas vezes ter ignorado o posicionamento de Ristovski, preferindo servir a ala esquerda, ainda mais legítimo será inquirir como é que escapou a ser expulso ao gritar com Jorge Sousa a escassos centímetros da cara do árbitro. Ficou em campo e poderia ter sido herói, aparecendo na grande área servido por Sporar, mas Matheus rechaçou a tentativa de chapéu.

 

Rafael Camacho (3,0)

Cabia-lhe ser o “joker” da equipa e fez por desempenhar bem o papel, ficando na retina o cruzamento para o coração da área, onde Eduardo fez suar os adeptos da casa, e remates traiçoeiros, ainda que sem selo de golo. Mas também ele acabou por esmorecer quando o Sporting de Braga descodificou aquilo que Silas pretendeu fazer na Pedreira, perdendo protagonismo até ser retirado de campo.

 

Sporar (2,5)

Chegará o dia em que o esloveno fará mais do que deixar boas indicações e demonstrações de técnica apurada. Infelizmente, tal dia não foi o domingo passado. O guarda-redes do Sporting de Braga opôs-se bem aos seus remates e com o decorrer do jogo foi ficando cada vez mais sozinho no ataque.

 

Vietto (3,0)

Avaliado em 7,5 milhões de euros por cada perna, o argentino regressado de lesão assistiu a grande parte do jogo no banco de suplentes. Quando finalmente foi lançado por Silas foi fundamental para que o Sporting encostasse a equipa da casa às cordas, embora persista a falta de golo que ameaça deixar Bruno Fernandes como o goleador da equipa quando esta triste temporada terminar.

 

Jovane Cabral (3,0)

Merecia ter marcado o golo do empate, mas a muralha defensiva bracarense impediu que a bola se alojasse nas redes. Entrou, tarde e a mais horas, para agitar e cumpriu nesse agito. Talvez convenha apostar na sua velocidade e capacidade de execução mais cedo. Ou até desafiar a superstição que não rende absolutamente quando lhe é concedida a titularidade.

 

Gonzalo Plata (2,0)

Derradeira aposta de Silas, numa altura em que Rafael Camacho tornara gritante o quanto estava arrasado, integrou-se no ataque leonino com mais vontade do que acerto. Veja-se o pontapé assaz deficiente que teve, no entanto, o condão de servir de assistência inadvertida para o “quase empate” de Jovane Cabral.

 

Silas (2,5)

Enganou a Sport TV e o adversário durante alguns minutos, dispondo a equipa num 3-5-2 que a realidade foi transformando em 5-3-2, e mesmo as apostas em Eduardo e Rafael Camacho começaram por dar frutos no primeiro jogo após a saída de Bruno Fernandes. Mas voltou a nada conseguir alterar quando a equipa da casa se adaptou à surpresa inicial, vendo impávido e sereno como o Braga se foi acercando da baliza de Luís Maximiano até cumprir o objectivo. Tarde mexeu na equipa, desgastada pelo vírus do perdedorismo, e mais uma vez pôde constatar que a sorte não protege quem não prima pela audácia. Regressado ao quarto lugar, com Famalicão, Rio Ave e Vitória de Guimarães à espreita, com os recordes negativos de maior número derrotas e maior distância em relação ao primeiro classificado à espreita, Silas ainda teve de lidar com a presença de Leonardo Jardim na tribuna da Pedreira, mesmo atrás de António Salvador e Frederico Varandas, sendo que após a sequência de vitórias consecutivas não parece que seja Ruben Amorim quem mais deverá temer a chicotada psicológica...

 

Cansaço

Uma equipa do Sporting cansada mental e fisicamente sofreu muito para levar de vencida um Marítimo que muito lutou e pouco jogou e um árbitro que deixou bem vincado que estava ali para ser mais uma dificuldade. Nas bancadas notou-se a falta de muita gente, também ela cansada com este estado de coisas.

Foi uma noite de sofrimento também pelos dois golos anulados e o remate à trave, que só terminou quando o herói improvável, Borja, dum ângulo difícil, a meteu lá dentro. E assim as claques em guerra (desta vez a Torcida Verde fez um número ridículo para justificar a sua cobardia e demissão no apoio à equipa) já se puderam concentrar nos insultos ao presidente do Sporting à vontade, deixando os "palhaços que jogam à bola" em paz e sossego.

O Sporting até começou bem, com vontade de resolver as coisas depressa e criando situações sucessivas de potencial perigo, goradas por um último passe, cruzamento ou remate mal feitos, mas a lesão estúpida do LP29 (volta depressa, és o segundo marcador da equipa e precisamos de ti) desconcentrou a equipa que pouco a pouco foi deixando o Marítimo recuperar, sentir-se confortável no jogo e criar um par de oportunidades.

Sporar entrou sem ritmo competitivo mas com pormenores de ponta de lança, e as substituições desta vez resultaram, Plata e Jovane trouxeram coisas novas à equipa, Jovane acabou por fazer a assistência para golo.  Bruno Fernandes, mesmo com o vai-não-vai-fica-não-fica, foi mais uma vez o melhor em campo com uma grande remate à trave, Acuña e Mathieu fizeram muita falta (que se passa, Neto, são apenas nervos ?), Wendel e Doumbia correram muito e jogaram pouco, e tudo somado foi mais uma exibição que deixou muito a desejar.

Mas o que importa são os três pontos. Famalicão e Guimarães perderam em casa, o Braga tem uma deslocação complicada onde pode perder pontos, vamos chegar a Braga no terceiro lugar e pelo menos com dois pontos de vantagem esperando um desfecho bem diferente no terreno de jogo. Não há sorte que sempre dure.

Que Silas veja e reveja o jogo da Taça da Liga, e que faça tudo diferente também. E que o Bruno... fique!

SL

Sporar quase ao cair do pano

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Um ponta-de-lança acaba de chegar ao Sporting. O tão ansiado ponta-de-lança. Aquele por quem esperávamos desde o funesto defeso de Verão -  o mais caótico, incompetente e desastrado de que alguma vez me lembro no clube.

Infelizmente, embora não por culpa própria, o esloveno Sporar ingressa em Alvalade imitando o antigo 7.º de Cavalaria norte-americano no combate contra os índios: com irremediável atraso. Quando o Sporting, a meio da época futebolística, já se encontra afastado de quase todos os objectivos da época. Por falta de muita coisa, incluindo a falta de golos.

Perdemos a Supertaça. Fomos eliminados da Taça de Portugal por uma equipa do terceiro escalão. Estamos fora da Taça da Liga. Em Outubro, qualquer esperança mais remota de virmos a discutir o título já tinha desaparecido. Resta-nos lutar por um posto digno na campanha da Liga Europa e competir para o acesso na próxima época a um lugar desta competição com quatro equipas: Famalicão, Braga, V. Guimarães e Rio Ave. Com a óbvia desvantagem de ainda termos de nos deslocar aos estádios de todas elas até ao fim do campeonato - além de irmos ao Dragão e à Luz.

 

Sporar chega ao Sporting, aparentemente, por seis milhões de euros. Ao contrário do que já li e ouvi nos habituais fóruns de discussão leonina, não é um preço caro para um ponta-de-lança - longe disso. Esta é a posição mais valiosa no futebol e, portanto, também a mais dispendiosa para o clube comprador. O que torna ainda mais ridículo o inaceitável preço a que a administração da SAD leonina vendeu Bas Dost em Agosto. Como se estivesse a aliviar-se de um fardo em vez de potenciar um valioso activo.

 

O internacional esloveno - que actuava no Slovan Bratislava, da Eslováquia - tem números muito interessantes. Nesta época leva já 22 golos contabilizados - um dos quais ao serviço da sua selecção. Com 12 golos (média de um por jogo), lidera a lista dos marcadores do campeonato eslovaco - média que mantém na Liga Europa, em que é também o rei dos goleadores, com cinco apontados até agora. Dois dos quais ao Braga. Além de seis assistências, aspecto igualmente a realçar.

Nada a ver com o trio de "mosqueteiros" que a dupla Varandas-Viana inventou como "reforços" do Sporting no início de Setembro: Jesé, Bolasie e Fernando (este já recambiado) somavam oito golos na época anterior - o que bastava para se perceber que eram contratações falhadas.

 

O problema com Sporar é mesmo a data em que chega. Quase encerrado o mercado de Inverno, inaugurado três semanas antes. E logo após termos defrontado sucessivamente Porto, Benfica e Braga - desafios em que o "matador" Luiz Phellype evidenciou uma patológica fobia aos golos e Pedro Mendes continuou fora do onze titular. Como se fosse mesmo para não levar a sério a "aposta na formação" prometida por Frederico Varandas.

Por ter marcado dois ao Braga ao serviço do Slovan, Sporar poderia ter funcionado como tónico psicológico do onze leonino na meia-final que disputámos na Pedreira. Infelizmente, além de não ter chegado a tempo, ainda aterrou em Portugal praticamente à hora em que saíamos derrotados da Cidade dos Arcebispos.

Oxalá este jovem artillheiro de 25 anos, entretanto já fotografado de Leão ao peito, não seja supersticioso. Por mim, só posso desejar-lhe a maior das sortes.

 

Leitura complementar:

Diz que são reforços, texto meu aqui publicado a 3 de Setembro.

Balanço provisório, texto meu aqui publicado a 4 de Setembro.

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