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És a nossa Fé!

Nunca saberemos

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Há sempre um ponto de viragem, seja qual for. 

Com Rúben Amorim, fiquei com a sensação de que esse ponto fez agora um ano, quando o treinador do Sporting decidiu dispensar Islam Slimani da equipa. Após três jogos seguidos a marcar. Como nos velhos tempos.

Em pleno Ramadão, cumprido pelo craque argelino, o treinador entendeu que o Sporting ficaria melhor sem ele. Quando tinha sido o melhor em campo no Sporting-Arouca do ano passado, precisamente. Quando tinha sido eleito melhor avançado do campeonato em Março pelos treinadores da Liga.

Talvez esta precipitada e controversa decisão nos tenha custado o bicampeonato que nos foge há 70 anos. Talvez nos tenha custado este penoso quarto lugar da Liga 2022/2023.

Nunca saberemos.

Balanço (24)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre SLIMANI:

 

- Edmundo Gonçalves: «Para começar, esperamos nós, já a partir a loiça toda, o nosso Slimani.» (1 de Fevereiro)

- Eu: «Prefiro jogadores como o craque argelino. Que só têm um objectivo: ver a bola entrar na baliza adversária. Tem pouca técnica? Não sabe fintar? Quero lá saber, desde que a meta no sítio certo.» (1 de Março)

Luís Lisboa: «Não há dúvida de que o regresso de Slimani foi excelente.» (6 de Março)

- Filipe Santos: «Julgo que [o regresso de Slimani ao Sporting] deveria ter acontecido há mais tempo, até porque fizemos esforços, e preparamo-nos por fazer, por outros futebolistas que em termos de rendimento têm ficado bastante aquém para o investimento.» (17 de Março)

- CAL: «"Forçar" soluções não muito desejadas por uma parte importante da equação, raramente dá bom resultado. Demorar tão pouco tempo a dar de si é só, completamente, Sporting.» (24 de Abril)

Vigoroso e Poderoso

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2006, Joana Vasconcelos

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Fotograma retirado daqui

Leões em espelho.

Em traços largos, são iguais. Duas perspectivas da mesmíssima realidade.

Em essência, a mesma laboriosa teia de bonitas e diferentes formas. Não causa estranheza, não pode causar estranheza, que o que de mais distintivo e belo surge na tela em branco, forma de todas as formas, se apresente a negro. Não é do lodo que nasce a flor de lótus? 

Não são exactamente iguais, não podem ser exactamente iguais. Ainda que tecidas tivessem sido pelas mesmas mãos. É essa diferença, inicialmente subtil, entre teias, que os faz Vigoroso e Poderoso. 

Ao Poderoso, que só pode sê-lo por ter conseguido integrar a capacidade potencialmente (auto)destrutiva do vigor desgovernado, pediria que encontrasse, desenhasse, forma de nos despedirmos condignamente. É a responsabilidade inerente a ser poderoso no reino das formas. E às formas leoninas, que à distância assistimos e sentimos pesarosas pela ruptura entre as forças motrizes que nos trazem a flor de lótus, deve-se mais do que o esforço, deve-se a materialização do reconhecimento de que somos a forma maior. A que dá corpo e sentido à vossa existência enquanto forma(s) no reino do Leão. 

Arranje forma, Poderoso. Ou, se preferirem, rearranjem-se. 

Desta feita ouvi a conferência de imprensa e o esclarecimento de que seria a última vez que responderia a uma pergunta sobre Slimani.

Common ground, holy ground

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Imagem retirada da internet

Se for possível chegar-se a um entendimento bom para todas as partes, genial. Talvez ainda se vá a tempo de evitar males maiores. Para o todo maior do que as partes e que, invariavelmente e como seria de esperar, fica refém dos egos de uns e de outros.

Se não for, que fique de lembrete: "forçar" soluções não muito desejadas por uma parte importante da equação, raramente dá bom resultado. Demorar tão pouco tempo a dar de si é só, completamente, Sporting.

 

P.S. A (minha) alternativa seria publicar um 'Nas colunas':

Hello dramalhão our old friend, 

You've come to talk with us again...

Porque hoje é sábado

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E ao contrário da previsão meteorológica está um sol lindo aqui na Ericeira, às vezes temperado com uns pingos de chuva que teima em ajudar-nos neste problema de seca que vivemos. Assim sendo vamos lá falar da seca.

Não da seca da falta de água, mas da "seca" que tem sido assistir aos jogos do nosso clube nos últimos tempos.

De uma pobreza franciscana os dois últimos (derrotas com Benfica em casa, 0-2 e no Porto, 1-0), com exibições a fazer lembrar o meu União de Tomar dos maus momentos, mas também pouco melhor após pelo menos a derrota copiosa com o Manchester City por cinco batatas, aí então com uma prestação a roçar um GD Matrena do meu tempo de jovem.

E como nestas coisas a culpa não pode morrer solteira, há que apontar culpados para este deplorável estado de coisas.

Começando pelo fim, o City, que veio em força a Alvalade demonstrar porque é uma das melhores equipas do Mundo e não nos deu hipóteses de despir o fato de treino, trazendo à tona debilidades que todos nós já vínhamos apontando, nomeadamente na defesa e no ataque. Pena o jogo com o City não ter sido depois do jogo com o Benfica, Amorim teria aprendido com Veríssimo como é que um pequeno pode ganhar a um grande, mas pronto foi antes, nada a fazer. Esta derrota humilhante (porque poderia ter sido por números bastante superiores) parece ter anestesiado alguns dos nossos jogadores que depois disso têm andado com o fantasma dos de Manchester na cabeça sempre que entram em campo a sério porque, segundo o nosso treinador, nos treinos, dentro de quatro paredes portanto, o empenho tem sido inexcedível. Não se percebe é porque depois quando é "a doer" a gente joga sempre com um ou dois a menos (colocando os nomes nos boys, Pedro Gonçalves e Paulinho).

Os jogadores. Como disse atrás, há alguns que, perdoem-me a deselegância, andam a pastar em campo, sendo que só atrapalham os colegas que querem execer a sua profissão com brio e empenho. Se o fazem conscientemente é gravíssimo (não creio que assim seja), se não o fazem conscientemente, alguém deveria tomar mão naquilo. E pelo que se tem visto não tem tomado.

O treinador. Em relação ao treinador eu até sou insuspeito, sempre acreditei que teria sido uma boa contratação (embora em abono da verdade sempre tivesse criticado os números envolvidos) e que faria coisas boas no clube, o que para bem da nossa sanidade desportiva veio a acontecer. Conquistou títulos, o de campeão que nos fugia ia para quatro lustros e trouxe um acréscimo de confiança a toda a "nação" sportinguista, conseguindo unir-nos a todos em torno da equipa. E como isso era e foi difícil, honra lhe seja feita!

Sendo que o Sporting com Amorim entra em todas as competições internas para ganhar, exige-se de Amorim que não defraude as expectativas dos sportinguistas. Para mim isso consiste em motivar a equipa, colocá-la a praticar bom futebol e a também jogar mal quando for necessário, às vezes fechadinhos lá atrás, tipo Benfica, para garantir os três pontos da vitória. Consiste em colocar sempre onze jogadores em campo, i.e. onze rapazes que estejam lá com a cabeça e que sintam e saibam o que estão a fazer, não os que se mostram nos treinos e se escondem nos jogos e Amorim, que tem a idade do meu filho mais velho, já tem idade para perceber isso.

Também tem já experiência e a constatação de que o seu sistema de "para trás e para o lado", revivendo os primeiros tempos do jogo em que não se podia passar a bola para a frente, estão ultrapassados e mais que estudados pelos adversários, tendo que urgentemente procurar um "plano B" para quando este esquema não seja eficaz. O treinador do Benfica usou de um sistema alternativo nos últimos jogos e deu-se bem, basta copiar e quando se copia o que funciona, não é vergonha...

Tem todo o meu apoio no entanto nas questões de liderança do balneário. Quem deve liderar o balneário é o treinador, sob pena de se partir tudo em cacos e grupinhos e grupetas que em menos de um fósforo dão cabo de uma época ou mais. Há ainda assim uma questão importantíssima nesta questão de liderança que me parece (pode ser só impressão e, se for, as minhas humildes desculpas) que deixou de ser o factor primordial na equação: Quando antes não havia "vacas sagradas", i.e. jogadores com lugar cativo, mostrem ou não bom desempenho durante os jogos, o factor justiça, equidade, igualdade de oportunidade foi colocado em causa. E que me perdoe Amorim, se assim foi(r), a culpa é exclusivamente sua! Não conhecendo os contornos do "caso" Slimani não me vou alongar muito, mas que diabo, o gajo que foi o avançado do mês de Março, que marcou 4 golos em 3 jogos, é preterido em detrimento de outro que nem sequer remata à baliza? Até pode, mas tem que ser muito bem explicado, o empenho ou falta dele nos treinos é curto e a gente gostava de saber mais. Já agora e a talhe de foice, lembro alguns jogadores que treinos não era com eles e no campo passeavam magia: Romário, Maradona, os Ronaldos brasileiros, Cruyff, etc. Ok, Slimani perto destes é um pau de sebo, mas é um pau de sebo que as mete lá dentro. Já Paulinho, não!

Não sendo de todo o meu desejo, antes pelo contrário quero ver Amorim ser campeão pelo Sporting pelo menos mais uma vez, as declarações do treinador no final do jogo no Porto colocaram-no como um homem a prazo no Sporting. E não está a prazo pela contestação dos sócios (a minha definitivamente não!), sequer por algum mal-estar da direcção que creio estar satisfeita com o pecúlio até agora alcançado, mas pelo balneário. Recordo o que têm dito alguns ex-jogadores, lembro-me de Maniche por exemplo, que os treinadores só estão nos seus postos enquanto os jogadores quiserem. Fomentar esta espécie de injustiça que é colocar sempre os mesmos, joguem ou não bem, pode ser a "morte" de Amorim no Sporting.

Espero sinceramente que não e que já no dia da Liberdade, mesmo sem ponta de lança, venhamos do Bessa com os três pontos no bornal, para descanso das nossas almas e para a garantia do segundo lugar, que nos dará acesso a milhões que podem ajudar Amorim a ser também melhor.

O capital acumulado por Rúben Amorim no Sporting coloca-o nos patamares mais altos do clube, mas não o isenta de crítica quando é caso disso e parece-me que esta é altura de fazer este reparo. Mais vale cedo que tarde, quando já não houver retorno.

Slimani: que solução?

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Será um problema mais complicado do que parece? Produzirá efeitos negativos no grupo de trabalho? Ou, pelo contrário, trata-se de algo com solução fácil?

Vêm estas interrogações a propósito de Slimani, posto a treinar à parte por Rúben Amorim, na véspera do jogo em Tondela, para o qual nem viria a ser convocado. O treinador, sempre sem fugir às questões que lhe são colocadas, admitiu que o avançado argelino - com quatro golos marcados desde que voltou ao Sporting - não terá revelado na preparação do jogo de sábado o empenho e a determinação que a equipa técnica exige.

Gostaria que os leitores do És a Nossa Fé se pronunciassem.

Consideram ou não que este problema será rapidamente ultrapassado?

Slimani poderá ser convocado já para o clássico de domingo?

Sinto-me argelino

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Gosto muito de camarão, mas desta vez sinto-me argelino. Por isso vibrei com a vitória da selecção da Argélia, que acaba de derrotar os Camarões na partida da primeira mão da qualificação para o Mundial pelo continente africano. 

O facto de esta ronda inicial ter sido disputada no país adversário não inibiu o craque leonino. Slimani apontou o golo solitário que valeu a vitória argelina.

Já marcou nove pela selecção nesta temporada, consagrando-se como o maior artilheiro de sempre em desafios oficiais do seu país.

Será que volta a fazer o mesmo na segunda mão, a disputar terça-feira? 

Fundamental é que não se lesione. Porque precisamos dele no ponto certo para continuar com esta fome de golos. De verde e branco, desde que regressou a Alvalade no final de Janeiro, já soma quatro.

O regresso de Slimani ao Sporting

Texto de Filipe Santos

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Julgo que [o regresso de Slimani ao Sporting] deveria ter acontecido há mais tempo, até porque fizemos esforços, e preparamo-nos por fazer, por outros futebolistas que em termos de rendimento têm ficado bastante aquém para o investimento.

Mas dou por mim, nestes dois anos de Amorim/Viana, a ficar contente por cada janela de transferência, e a constatar que ficamos, regral geral, sempre mais fortes.

E isso é um grande sinal.

Tanto para dentro do grupo, como para o adepto.

É sinal de que as químicas funcionam, que há um alinhamento estratégico e um planeamento cuidado para que, se não formos campeões todos os anos, o seremos, com certeza, mais vezes que nos últimos 20 ou 30 anos.

E isso dá alento. Moral, confiança. Afinal, tudo aquilo que um adepto de futebol quer.

 

Quanto às "opiniões" que, regularmente, o Pedro aqui apresenta, vindos de outros fóruns, blogs e afins, são os mesmos que vão vaiar os sócios, órgãos sociais na assembleias, que atiram tochas aos nossos jogadores, que intimidam jogadores nas garagens e aeroportos.

Felizmente, minorias. De revoltados com tudo e com todos, orfãos de alguém que lhes dava, como Nero, algo que incendiar.

É algo que existe em todo o lado: "dizer mal por dizer mal". O gangue do teclado.

Eu, como eterno adepto do Sporting, estou feliz. Poderia estar mais se estivesse em primeiro.

 

Texto do leitor Filipe Santos, publicado originalmente aqui.

Então não valeu a pena?

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Sempre defendi o regresso de Islam Slimani ao Sporting. Nomeadamente em dois textos recentes que geraram polémica.

Este, a 28 de Janeiro; e este, a 1 de Fevereiro. 

 

Recordo alguns comentários anónimos recolhidos em reacção ao primeiro desses textos. Rasgavam o craque argelino com expressões sarcásticas próprias de gente imbecil, como se fosse um futebolista sem préstimo para o Sporting: 

 

«Obrigado Slimani, sem ti continuaria a desconhecer essa exótica república africana do Djibuti!»

«Foi um flop. Nunca foi campeão, tal como o Patrício e o William.»

«O SCP precisa de ter uma gestão rigorosa, ainda para mais agora que voltámos à receita que nos levou à falência, andarmos com metades de passe, dando a camisola do SCP para valorizar jogadores de outros clubes.»

«Não entendo o problema que invocam no vencimento. O Rúben Amorim ganha o dobro do que ganha o Slimani.»

«Simples, vem confirmar a política desportiva do Sporting, com esta aposta e aproveitamento dos produtos da formação de Alcochete. O Slimani é jovem, promissor, está dentro das possibilidades económicas do Sporting, e também é nado e criado em Alcochete, aliás surge na linha da política desportiva seguida à risca pelo presidente, Hugo Viana e Rúben Amorim.»

«Se for para despachar o TT e ir buscar o Slimani se calhar mais vale mandar embora o Rúben Amorim e ir buscar o JJ.»

 

Tomei a liberdade de corrigir erros ortográficos na transcrição destas bojardas. E aproveito para reproduzir aqui em baixo os retratos de alguns desses comentadores, já devidamente identificados.

 

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Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Dos três pontos alcançados num estádio difícil. Vencemos o Moreirense como visitantes, algo que não nos acontecia desde a época 2018/2019. Há dois anos, empatámos ali 0-0 e na época passada - em que fomos campeões - não conseguimos melhor do que outro empate, desta vez a uma bola. Agora foi um triunfo indiscutível, sem qualquer margem de contestação. Por 2-0, resultado construído em dez minutos de domínio avassalador, aos 29' e aos 39'. A segunda parte foi de contenção, com ocasionais concessões de iniciativa de jogo ao adversário mas sem nunca perder o controlo da partida.

 

De Slimani. Soma e segue: três jogos consecutivos a marcar. Volta a ser decisivo, valendo pontos. Foi ele o autor do nosso primeiro, num cabeceamento impecável ao segundo poste, bem servido por Edwards. Merece ser distinguido como melhor em campo, também pela pressão intensa que fez lá na frente, dificultando a saída de bola do Moreirense, e do apoio que nunca deixou de dar aos colegas, nomeadamente nas bolas paradas defensivas. Grande passe aos 67' para Sarabia: podia ter dado golo. Enfim, temos ponta-de-lança.

 

De Porro. Enorme intensidade competitiva: brilhou no primeiro tempo. Dominou na ala direita, impondo a sua técnica superior, aliada à velocidade. O nosso segundo golo resulta de um cruzamento perfeito do jovem internacional espanhol, teleguiado para Paulinho. Deram nas vistas outros centros, aos 28' e ao 34'. Na segunda parte quebrou de rendimento, arriscando menos nas acções ofensivas, mas manteve-se como um dos elementos mais em destaque.

 

Da estreia de Edwards a titular. Reforço de Inverno, o ex-vimaranense está finalmente a demonstrar que merece figurar no onze leonino. Rúben Amorim transmitiu-lhe esta prova de confiança e o inglês correspondeu da melhor maneira, com uma grande exibição no primeiro tempo. Está nos dois golos leoninos: no primeiro, é dele a assistência directa; no segundo, inicia a jogada com um soberbo passe de calcanhar para Porro a justificar nota artística com distinção. Promete tornar-se imprescindível.

 

Do inédito trio de avançados. Pela primeira vez, Amorim desenhou uma equipa titular contando com um triângulo ofensivo composto por Edwards, Paulinho e Slimani - com o argelino em zona mais central. Teste superado com distinção: acertou à primeira. Quem dizia que estes jogadores poderiam não combinar se actuassem juntos estava a ver o filme errado. Deixou de ser necessário inventar expedientes alternativos, como quando Coates tinha de avançar para ponta-de-lança improvisado. Foi assim que perdemos dois pontos em casa contra o Braga.

 

De Neto. Com Gonçalo Inácio ausente, voltou a ser titular como central à direita. Está em grande, confirmando a excelente nota da recente partida de Manchester. Foi o melhor elemento da nossa defesa, com cortes decisivos aos 58' e aos 86'. Competente a construir jogo, não perdeu um duelo. 

 

Dos regressos de João Palhinha e Pedro Gonçalves. Estiveram no banco até aos 64' mas acabaram por entrar - o primeiro para render Ugarte, já amarelado; o segundo para substituir Paulinho. Ambos de volta à equipa: Palhinha não jogava há 27 dias, Pedro permanecia fora desde 20 de Fevereiro. Estão ainda longe da melhor forma, mas já é bom saber que o técnico volta a contar com eles. 

 

De consolidarmos o nosso estatuto de equipa menos batida. Em 26 jornadas da Liga 2021/2022, apenas 16 golos sofridos. Menos três que o FC Porto, líder da prova, e menos oito que o Benfica.

 

Do nosso banco. Desta vez tínhamos como suplentes os seguintes jogadores: Palhinha, Tabata, Nuno Santos, Sarabia, Pedro Gonçalves, Esgaio e Daniel Bragança - além dos guarda-redes. Quase todo o plantel disponível, vale a pena sublinhar. É pouco frequente nesta fase do campeonato.

 

 

Não gostei

 

De alguns períodos da segunda parte. Excessiva retenção de bola, um certo adormecimento talvez ditado pela sensação de que o resultado estava construído (de facto assim era) e escassa ambição para ditar a vantagem alcançada antes do intervalo. Alguns suplentes utilizados pouco adiantaram - como Nuno Santos, que rendeu o amarelado Feddal aos 75'. Felizmente o Moreirense, incapaz de fazer um remate enquadrado nesta etapa complementar do jogo, deu pouca luta.

 

De Matheus Nunes. Pode ser mera coincidência, mas parece uma sombra do que já foi desde que Pep Guardiola lhe fez rasgados elogios na visita a Lisboa do Manchester City, ao considerá-lo um dos melhores médios actuais do futebol europeu. O luso-brasileiro empastelou o jogo, continuou a abusar do individualismo no corredor central e entregou duas vezes a bola ao adversário no minuto 82, dando origem a contra-ataques perigosos. Comportamento a rever.

 

Da imprevista ausência de Gonçalo Inácio. O jovem internacional, titular indiscutível deste Sporting 2021/2022, ficou de fora por estar com gripe.

 

De continuarmos seis pontos atrás do FC Porto. É verdade que ainda há 24 pontos em disputa até ao fim do campeonato, mas deixámos de depender de nós e temos de aguardar por duas derrotas do nosso principal adversário. Esta é a parte má. A parte boa é que nesta jornada ampliámos a vantagem face ao Benfica, agora situados seis pontos atrás de nós, com menos hipóteses de atingir um lugar que dá acesso directo à cobiçada Liga dos Campeões.

Pódio: Slimani, Matheus N., Nuno Santos

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Arouca pelos três diários desportivos:

 

Slimani: 20

Matheus Nunes: 18

Nuno Santos: 18

Paulinho: 17

Porro: 16

Ugarte: 16

Sarabia: 16

Adán: 16

Dário: 15

Gonçalo Inácio: 15

Matheus Reis: 15

Coates: 14

Neto: 13

Esgaio: 11

Vinagre: 10

Tabata: 6

 

Os três jornais elegeram Slimani como melhor em campo.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do regresso às vitórias. Estava a ficar difícil: apenas um triunfo nos cinco desafios anteriores. Quebrámos o enguiço, mas só na segunda parte do jogo de ontem contra o Arouca, perante 25 mil espectadores que assistiram ao vivo em Alvalade, e após o treinador ter feito algo muito raro: mudar três futebolistas ao intervalo. Mudanças que dinamizaram o onze leonino, projectando-o para a frente, depois de 45 minutos oferecidos à equipa adversária.

 

De Slimani. Como sempre acontece no Sporting, onde nunca falta quem se apresse a contestar qualquer acto de gestão desportiva, seja qual for, multiplicaram-se as críticas ao regresso do argelino. Nem vale a pena perder tempo a observar como essas críticas eram injustas. Basta anotar isto: o craque volta a marcar neste seu segundo jogo como titular. E agora bisou, algo que não lhe acontecia com a camisola verde e branca desde 30 de Abril de 2016. Recém-chegado à Liga 2021/2022, com cerca de 250 minutos em campo, já leva três golos marcados. Ontem batalhou do princípio ao fim, revelando excelente condição física. E fez jus aos seus dotes como ponta-de-lança, metendo-a lá dentro aos 46' e aos 52' - com ele, até parece fácil. Desfez o nulo inicial e valeu-nos três pontos: temos agora 61. O melhor em campo.

 

De Porro. Com ele, tudo melhora. Amorim manteve-no no banco durante toda a primeira parte, talvez para o poupar com vista ao embate em Manchester na quarta-feira para a Liga dos Campeões. Mas como persistia o empate inicial, deu-lhe ordem para entrar logo após o intervalo. Uma decisão muito acertada. Logo no primeiro minuto do segundo tempo, o internacional espanhol justificou a entrada em cena na impecável marcação de um canto que funcionou como assistência para a cabeça de Slimani. Sempre batalhador, nunca dá um lance por perdido. Com louvável intensidade competitiva. 

 

Da estreia de Dário como titular. Ainda júnior, foi o mais jovem de sempre a  começar no onze inicial leonino - com apenas 16 anos, 11 meses e 17 dias. Boas movimentações em campo, na recuperação e na pressão da saída de bola do Arouca. Recebeu um amarelo injusto aos 26' por um desarme limpo: o cartão acabou por condicioná-lo na manobra como médio defensivo. Fez bem o treinador em retirá-lo ao intervalo, mas o miúdo justificou os aplausos recebidos.

 

De Ugarte. O jovem internacional uruguaio fez todo o segundo tempo, no lugar de Dário, e justificou a chamada. Merece nota alta pela intensidade e pela qualidade técnica das suas intervenções, tanto a cortar linhas de passe como a sair com bola. Vai evoluindo de jogo para jogo, assumindo-se como o sucessor natural de João Palhinha.

 

De Adán. Quando é preciso, está lá. Por vezes com intervenções que valem pontos. Aconteceu ontem aos 37', com uma espectacular defesa em voo evitando que a bola violasse as nossas redes em lance de bola parada. Se entrasse, o Arouca passaria a vencer 0-1 e tudo se tornaria mais complicado para nós. Graças em grande parte ao guardião espanhol, reforçamos o nosso estatuto de equipa menos batida: apenas 16 sofridos em 25 desafios na Liga. Somos o emblema do campeonato que há mais tempo não sofre golos em casa.

 

De Neto. Entrou aos 63', quando Gonçalo Inácio começava a revelar desgaste muscular, e cumpriu bem a missão, confirmando que não se deixa afectar por ser suplente dum jogador bastante mais jovem. Grandes acções defensivas aos 90'+3 e aos 90'+4, protagonizando cortes arriscados mas limpos. E até ousou ir lá à frente, conduzindo a bola. Um exemplo para muitos.

 

De Rúben Amorim. A efeméride terá passado despercebida, até porque ontem também se disputaram eleições para a presidência do Sporting, mas neste sábado cumpriram-se dois anos da chegada do actual treinador a Alvalade. Dois anos de conquistas, de reencontro com os adeptos, de valorização global do plantel, de profunda modificação dos processos de jogo, de recuperação do Sporting como candidato ao triunfo em todas as competições nacionais, de contínua valorização do nosso emblema junto dos mais jovens. Amorim esteve muito bem na leitura deste Sporting-Arouca ao trocar Esgaio, Dário e Vinagre por Porro, Ugarte e Paulinho, dando acutilância e dimensão ofensiva ao colectivo leonino.

 

Da segunda parte. Foi a antítese da primeira. Marcámos dois e ficaram pelo menos mais dois por marcar. Matheus Nunes (aos 72') e Slimani (75') andaram lá perto.

 

Do estádio. Cadeiras todas verdes, pondo-se fim àquela inenarrável "paleta" taveiresca, e relvado em óptimas condições. Dois motivos para elogiar.

 

 

Não gostei

 

Da primeira parte. Após dez minutos iniciais prometedores, voltámos ao ritmo lento, arrastado, pastoso e previsível que havia caracterizado várias fases das anteriores partidas. Deixando até que o Arouca começasse a tomar a iniciativa do jogo. Isto porque as alas não funcionavam, os passes erravam a pontaria e a bola circulava com dificuldade de pé para pé. O melhor, neste período, foi mais um espectacular golo de Sarabia, servido por Matheus Nunes, logo aos 9'. Infelizmente, seria anulado após intervenção do vídeo-árbitro, por suposto adiantamento de 10 centímetros. Esta regra tem de ser revista com urgência: deslocações milimétricas, amputando a dimensão atacante do futebol, ferem a verdade desportiva. Até porque ninguém pode jurar, em momento algum, que naquele micro-segundo de captação de uma imagem fixa exista realmente uma situação de fora-de-jogo.

 

De Vinagre. Quatro meses depois, Amorim voltou a apostar nele como titular. E, uma vez mais, esta aposta foi condenada ao fracasso. Adensa-se o mistério: por que motivo terá o técnico insistido nesta aquisição, já em vias de se tornar definitiva? O jogador emprestado pelo Wolverhampton foi anulado por Tiago Esgaio, seu opositor no corredor esquerdo, e mostrou-se incapaz de municiar o ataque e até de fazer um cruzamento digno de registo nos 45 minutos em que esteve em campo. Bem substituído ao intervalo: foi outra oportunidade falhada.

 

De Esgaio. Cometeu lapsos simétricos aos de Vinagre no flanco oposto. Errando passes, falhando centros, incapaz de actuar com a dinâmica exigida numa equipa que é campeã em título. Na segunda parte Porro mostrou-lhe por que motivo é o titular da posição como lateral direito. 

 

De ver o Sporting entrar sem cinco titulares. Pedro Gonçalves e Palhinha por lesões, Feddal, Porro e Paulinho por opção inicial. Também Daniel Bragança está lesionado. São consequências, em parte, dos numerosos jogos já disputados nesta temporada. 

 

De novo remate de Paulinho aos ferros. Parece sina: a pontaria do ex-atacante do Braga é tanta que continua a levar a bola a embater nos postes ou na barra. Desta vez aconteceu aos 50', disparando contra a trave. Isolado aos 61', decidiu mal. E, aos 90'+5, atirou muito por cima. Mas teve intervenção decisiva no nosso segundo golo ao colocar bem a bola nos pés de Nuno Santos, que viria a assistir para Slimani.

 

Do regresso de Alan Ruiz. Entrou aos 75', curiosamente menos pesado do que quando o conhecemos nas duas épocas em que prestou serviço no Sporting, entre 2016 e 2018, com um registo de sete golos em 34 jogos. Mas agora actua de amarelo, pelo Arouca. Deu mais nas vistas aos 83', quando recebeu um vermelho directo por carga sobre Porro - bem revertido para amarelo após intervenção do VAR.

 

Dos assobios no fim da primeira parte. Não foram muitos, mas deu para escutá-los enquanto os jogadores recolhiam ao balneário. Insisto: os espectadores que agem deste modo só demonstram a sua imensa estupidez.

O dia seguinte

Perante uma equipa do Arouca treinada por alguém com a mesma ideia de jogo de Rúben Amorim, o Sporting, com um onze diferente do titular, até entrou muito bem e procurou explorar a profundidade proporcionada pela linha defensiva subida do adversário. 

Os primeiros 10 minutos foram de sucessivas vagas de ataque só travadas pela bandeirinha do fiscal de linha, como aconteceu no golo anulado a Sarabia. A anulação do golo por escassos 10 cm foi mais uma martelada que muito custou à equipa digerir.

Como também custou o amarelo completamente descabido a um Essugo que ganhou o lance de forma limpíssima. Mais uma demonstração de incompetência arbitral, para ser simpático, ou então de ideia corporativa preconcebida para agradar aos donos e tramar o concorrente Sporting. Que depois foi continuando jogo fora, não sabendo gerir a lei da vantagem, com incoerência total na avaliação do jogo duro, deixando a ideia que podia estragar o encontro à primeira oportunidade, como aconteceu depois, já quase no fim do jogo, nesse caso a desfavor do Arouca com Alan Ruiz (o irmão também veio desta vez?), felizmente travado pelo VAR.

Os últimos 15 minutos da primeira parte foram penosos para o Sporting. Com Essugo limitado, Coates justamente amarelado e o jogo a não fluir pelos corredores, com os dois alas (Esgaio e Vinagre) francamente mal, mas também Sarabia e Nuno Santos a acumular passes errados.

Veio o intervalo, Rúben sentiu o perigo iminente e fez o que era preciso. Saíram o injustiçado e amarelado juvenil Essugo (está ali outro Nuno Mendes em potência, capacidade física, técnica, inteligência, humildade, a caminho duma brilhante carreira, vai valer muitos milhões), e os ineficazes Esgaio e Vinagre. Entraram Porro, Ugarte, Paulinho e tivemos uma das melhores partes da época.

Futebol de tracção à frente, com um Slimani a lembrar os seus melhores tempos, Paulinho e Sarabia a assistir na perfeição, Porro e Nuno Santos a rasgar, Ugarte e Matheus Nunes a alimentar, o que logo deu frutos com um bis de Slimani.

Se o 1º golo foi mesmo à ponta de lança no seguimento dum canto do Porro, o 2º golo foi um tratado de contra-golpe, Nuno Santos-Paulinho-Nuno Santos-Slimani, com um Paulinho bem solto a fazer o que mais gosta. E toda a 2ª parte foi de domínio total e completo do Sporting, Paulinho estoirou na trave, Slimani falhou o "hat-trick" por poucos cms, e mais ocasiões aconteceram para aumentar o score.

Não há dúvida de que o regresso de Slimani foi excelente. Com Pedro Gonçalves, Paulinho, Slimani e Sarabia ficámos com diferentes formas de formar o tridente ofensivo característico do 3-4-3 de Amorim, todas bem interessantes. E com isso orientar Nuno Santos e Tabata para outro tipo de funções, mais nas alas, com Edwards a ser o "furão" adequado para determinados jogos.

Matheus Nunes fez um belo jogo mas podia ter rematado melhor em duas ocasiões, Ugarte entrou muito bem, Adán foi o abono de família do costume, toda a defesa esteve muito bem, mas o melhor em campo foi o mesmo o em boa hora regressado Slimani. O nosso leão da Argélia.

 

#JogoAJogo

SL

Slimani

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Islam Slimani valeu-nos o ponto que trouxemos do Funchal - idêntico ao do FC Porto quando lá jogou.

Marcou, portanto, no primeiro jogo em que alinhou como titular desde o regresso ao Sporting. No jogo anterior, só em campo desde o minuto 70, assistiu para um golo e participou na construção de outro.

Já tem melhor média ofensiva que Paulinho. Este, no sábado, voltou a atirar-se para o chão num momento crucial, desperdiçou um belo centro de Porro num passe ao guarda-redes (49') e atrapalhou-se com a bola noutro cruzamento (aos 85', servido por... Slimani).

Mas os adeptos preferem ver jogadores que "adornam" os lances. Como Matheus Nunes, que resolveu armar em vedeta parecendo querer a bola só para ele, e Daniel Bragança, que com a baliza à sua mercê (21') adornou tanto que ficou sem ela.

Eu, ao contrário desses adeptos, prefiro jogadores como o craque argelino. Que só têm um objectivo: ver a bola entrar na baliza adversária. Tem pouca técnica? Não sabe fintar? Quero lá saber, desde que a meta no sítio certo.

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

De perder dois pontos no Funchal. Voltámos a tropeçar frente ao Marítimo, a equipa que nos afastou da Taça de Portugal na época passada. No desafio da primeira mão, em Alvalade, conseguimos vencer com muita sorte, graças a um penálti convertido aos 98' por Porro. Desta vez o mesmo jogador enviou um petardo à barra com a bola a fazer ricochete num poste sem transpor a linha de golo, aos 75'. A estrelinha ficou em Lisboa: empatámos 1-1 - resultado que já estava construído ao intervalo. Mais dois pontos perdidos, após as recentes derrotas contra Santa Clara e Braga, além do empate no Dragão. 

 

De Matheus Nunes. Fez-lhe mal ouvir aquele rasgado elogio de Pep Guardiola. Pelo segundo jogo consecutivo, teve uma exibição apagadíssima. Agarrou-se em excesso à bola, abusando do individualismo. Falhou numerosos passes. Foi incapaz de criar um verdadeiro lance de perigo. Perde automatismos quando actua sem Palhinha, seu habitual parceiro no meio-campo. 

 

De Nuno Santos. O golo do Marítimo, logo aos 5', nasce de um mau alívio dele em zona frontal à nossa baliza. Parece ter acusado em demasia este erro individual: nunca mais se reencontrou na partida. Tentou alguns ataques pelo seu flanco, mas foram sempre inócuos.

 

Do nosso início. O que começa mal tarde ou nunca se endireita. Assim aconteceu ao Sporting nesta partida no estádio dos Barreiros. Exibimos um fio de jogo previsível, sonolento, burocrático e desinspirado, concedendo demasiada iniciativa ao adversário. Erro que se pagou caro.

 

Do sistema táctico de Amorim. Confrontado com várias ausências de titulares, o treinador leonino dispôs desta vez os jogadores num 3-5-2 inédito em início de partidas nestes dois anos em que orienta o Sporting. Talvez também para potenciar Paulinho e Slimani em simultâneo lá na frente enquanto entregava a Daniel Bragança a missão de ser o médio mais criativo. Faltam rotinas neste processo, como se foi tornando evidente à medida que o jogo se desenrolava.

 

Da condição física da equipa. Neste seu 40.º jogo oficial da temporada, o onze titular acusou claro desgaste. As pernas já vão pesando em vários jogadores, muito ao contrário do que aconteceu em 2020/2021.

 

Da nossa lentidão em campo. O conceito de "ataque rápido" parece ter rumado a parte incerta no futebol leonino.

 

Das ausências. Quatro das nossas peças nucleares ficaram de fora: Sarabia, Palhinha (por castigos), Feddal e Pedro Gonçalves (por lesões). Não é de somenos, longe disso. Basta referir que dois deles incluem-se entre os nossos três melhores marcadores actuais. 

 

Do banco de suplentes. Amorim só fez duas trocas: Nuno Santos por Edwards (76') e Daniel Bragança por Vinagre (80'). Meter mais quem? Além dos que entraram e de dois guarda-redes, tinha apenas Neto, Esgaio e Dário. 

 

De Edwards e Vinagre. Nada adiantaram: continuam ambos à procura de exibições convincentes no Sporting.

 

 

Gostei

 

De voltar a ver Slimani como titular. Seis anos depois, o craque argelino voltou a integrar o onze inicial. Está fortemente motivado, o que se reflecte na sua atitude em campo, pressionando a saída em construção da equipa adversária. Esforço recompensado aos 38', quando marcou o nosso golo - à ponta-de-lança, muito bem servido por Matheus Reis. Ei-lo a facturar na terceira vez que veste de verde e branco desde o seu regresso, após uma assistência no jogo anterior, em que foi suplente utilizado. E aguentou os 90 minutos. Exibição muito positiva.

 

De Matheus Reis. O melhor em campo. Voltou a evidenciar-se como um dos grandes valores deste Sporting 2021/2022. Sobretudo no seu envolvimento em lances ofensivos bem desenhados, com ponto alto na assistência para o golo. Aos 85' voltou a fazer um cruzamento perfeito, solicitando Coates, quando o capitão já actuava lá na frente, como ponta-de-lança improvisado.

 

De Porro. Deu-nos os três pontos contra o Marítimo na primeira volta e bem tentou repetir a proeza na partida de ontem. Aquele seu tiro que bateu duas vezes nos ferros merecia melhor desfecho. Tal como o lance aos 49' em que isolou Paulinho na cara do golo, infelizmente desperdiçado.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da nossa vitória categórica frente ao Estoril. Grande exibição no regresso - que já tardava - dos jogos no José Alvalade ainda com horário solar. Vencemos um emblema que impôs um empate ao Benfica e esteve a vencer o FC Porto por 2-0 antes de uma reviravolta de contornos duvidosos. A superioridade leonina foi indiscutível: o 1-0 que se registava ao intervalo só pecava por escasso. Consumou-se assim o 18.º triunfo do Sporting nesta Liga 2021/2022. Num embate em que a equipa adversária não fez um só remate à baliza leonina.

 

Do resultado. Não esperava menos que isto: derrotámos a equipa que joga de amarelo por 3-0. Igualando assim a nossa melhor marca deste campeonato alcançada nos desafios em casa. E levamos 46 remates vitoriosos - mais um do que os da Liga 2020/2021 nesta mesma fase.

 

Do regresso de Pedro Gonçalves aos golos. Foi só encostar, é verdade, mas revelou reflexos muito rápidos e concentração total para marcar o nosso primeiro. Estavam já decorridos 40', aproveitando da melhor maneira um mau alívio do guarda-redes Dani Figueira, que largou a bola em zona frontal. O melhor artilheiro do campeonato 2020/2021 confirma-se assim como primeiro goleador do Sporting também nesta temporada. Esperemos que este jogo tenha contribuído para o vermos recuperar confiança em si próprio.

 

De Sarabia. Não faz malabarismos em campo para suscitar o aplauso fácil das bancadas nem se perde em rodriguinhos com a bola. Mas o internacional espanhol tem uma extraordinária capacidade técnica que põe sempre ao serviço da equipa. Foi dele o fortíssimo remate rasteiro, de meia-distância, que provocou uma defesa incompleta e a consequente recarga originando o nosso primeiro golo. E marcou essa obra-prima que foi o nosso terceiro, aos 81' - um disparo fabuloso, ao ângulo mais distante, que fez levantar o estádio. Soma e segue: foi o melhor em campo. Infelizmente não o veremos em acção na próxima jornada: ficará de fora por ter visto o quinto amarelo.

 

De Matheus Reis. Outra magnífica exibição. Regressou à ala esquerda, da qual foi dono e senhor, e destacou-se sobretudo na manobra ofensiva, nunca deixando os créditos por pés alheios. Fez excelentes cruzamentos aos 12' e 24' (dois) que mereciam ter sido mais bem aproveitados. E encarregou-se ele próprio de marcar o segundo, beneficiando de uma primorosa assistência de calcanhar de Paulinho, rematando sem hipótese de defesa aos 76'. Quase bisou dois minutos depois. Parece crescer de jogo para jogo, sempre em benefício do colectivo leonino.

 

De Slimani. O treinador mandou-o entrar aos 70', quando Ugarte se lesionou, dando instruções a Paulinho para se fixar na ala esquerda do nosso ataque. O argelino cumpriu, deixando bem evidente a sua vontade de ser útil à equipa. E foi. Primeiro como um dos intervenientes do segundo golo, iniciando o ataque no corredor central com um passe para Matheus Reis, que corria junto à linha. Depois, servindo Sarabia no terceiro. Foi a sua primeira assistência neste regresso ao Sporting, incentivado pelos 35.270 espectadores ali presentes.

 

De Porro. Muito dinâmico, sempre inconformado. Conduziu numerosos ataques pela ala direita, sempre encostado à linha, e destacou-se por cruzamentos bem medidos aos 28', 61' e 68'. O nosso segundo golo tem início nos pés dele, com uma longa diagonal de 30 metros. Com algumas queixas físicas, agravadas após ter sofrido um pisão, foi substituído aos 82' por Gonçalo Esteves. Sob merecidos aplausos.

 

Do reencontro com alguns jogadores que passaram pelo Sporting. Cinco, nesta partida: Francisco Geraldes, André Franco, Joãozinho, Leonardo Ruiz e Romário Baró. Gostei mais de rever uns do que outros, como é natural.

 

De termos reforçado o nosso estatuto de melhor defesa do campeonato. Apenas 15 golos sofridos em 23 jogos. Todos merecem elogio - incluindo Neto, ontem nosso capitão: não falhou qualquer passe na primeira parte contra o Estoril.

 

 

Não gostei

 

Das ausências. Entrámos desfalcados para este jogo, com quatro futebolistas castigados em simultâneo: Coates, Palhinha, Esgaio e Tabata. Pode ser coincidência, mas não parece.

 

De Matheus Nunes. Ter-lhe-á feito mal o rasgado elogio que lhe tributou Pep Guardiola? A verdade é que esteve muito apagado no meio-campo, errando passes, travando o ritmo de jogo e agarrando-se em excesso à bola quando lhe competia conduzir ali a manobra ofensiva num dueto que partilhou desta vez com Ugarte (Palhinha não jogou por estar castigado). Rúben Amorim trocou-o aos 60' por Daniel Bragança, muito mais acutilante e objectivo. Não por acaso, o segundo e o terceiro golos ocorreram já com o substituto em campo.

 

Da lesão de Ugarte. Após a disputa de uma bola, caiu desamparado e esteve dois minutos estendido no relvado. Acabou por sair, visivelmente aturdido, e foi de imediato conduzido ao balneário para um exame clínico. Esperemos que o jovem internacional uruguaio recupere depressa. 

 

De Raul Silva. Emprestado pelo Braga ao Estoril, o maior sarrafeiro da equipa minhota confirmou a sua péssima fama mal foi lançado no jogo, aos 60': três minutos depois, na disputa de uma bola com Porro, aplicou-lhe um pisão que poderia tê-lo lesionado gravemente, acabando expulso aos 65' por Helder Malheiro - com desempenho competente como juiz da partida, sobretudo quando comparado com a maioria dos seus colegas que já apitaram jogos do Sporting.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De termos quebrado o enguiço contra o Famalicão. Vencemos enfim a equipa minhota após cinco jogos na Liga em que fomos incapazes de a derrotar. Aliás os nossos dois primeiros pontos perdidos neste campeonato ocorreram precisamente em Famalicão. Hoje, em Alvalade, fomos superiores sem sermos dominadores. Mas deu para conseguir os três pontos: vitória por 2-0. Fundamental antes da próxima ronda, em que iremos ao Dragão.

 

Do penálti a nosso favor logo aos 4'. Derrube claro de Paulinho em zona proibida que o árbitro André Narciso prontamente assinalou. O jogo começava para nós da melhor maneira. Infelizmente não soubemos gerir essa vantagem tão prematura e permitimos em diversas ocasiões que a equipa adversária condicionasse a nossa saída de bola e a ligação entre a defesa e o ataque. 

 

Da segunda parte. Só nos últimos 45 minutos fomos claramente superiores ao Famalicão. E marcámos o segundo golo, que fixou o resultado e nos trouxe a tão necessária tranquilidade. Bem precisávamos dela.

 

De Adán. O homem do jogo. Foi crucial para devolver equilíbrio e estabilidade à equipa no quarto de hora final da primeira parte, quando o Famalicão nos caiu em cima com mais intensidade. Momento alto: defendeu um penálti assinalado após o minuto 45, já no tempo extra. É um grande guarda-redes, ninguém duvida. Foi ainda crucial aos 90'+3, ao desviar com a ponta dos dedos uma bola que levava selo de golo.

 

De Sarabia. Quarto jogo seguido a marcar. Desta vez foi de penálti, aos 6', convertendo de forma impecável o castigo máximo. Está a assumir-se de jogo para jogo como o comandante do nosso ataque. Os passes com maior precisão, lá na frente, são dele. Serviu muito bem os colegas aos 28', 62' e 72' em lances que mereciam outro desfecho. Confirma-se como um dos melhores jogadores a actuar no campeonato português.

 

De Matheus Reis. Estreou-se a marcar de verde e branco. Bem mereceu este golo, aproveitando da melhor maneira uma bola que sobrou à entrada da área e à qual ele deu o melhor caminho com um disparo fortíssimo com o seu pé canhoto. Um golaço, aos 63', festejado com euforia por quase todos os 25.640 adeptos presentes no estádio. O ex-Rio Ave voltou a fazer duas posições: começou como lateral esquerdo, terminou como central. Rende em qualquer delas.

 

Do regresso de Slimani. Cinco anos e meio depois, o craque argelino voltou a pisar o relvado de Alvalade. Saudado em clima de festa pelos adeptos, entrou aos 74', rendendo Porro, e passou a actuar no centro do ataque, com Paulinho descaído para a ponta direita. Está nitidamente à procura de entrosamento com a equipa, mal conhece ainda a ideia de jogo de Rúben Amorim, mas nota-se intensidade em campo e vontade de mostrar muito em breve aos adeptos aquilo que ele melhor sabe fazer: golos.

 

De termos superado o Famalicão sem sofrer golos. Há cinco jogos que não mantínhamos a baliza a zero: desta vez foi possível conservá-la intacta. Para isso muito contribuiu o regresso de Coates, após convocatória para a selecção do Uruguai. Com ele em campo a equipa melhora em concentração competitiva, na pressão aos atacantes adversários e no controlo da profundidade. Já fazia falta.

 

Desta nossa quarta vitória consecutiva. Vencemos Santa Clara e Benfica (ambos por 2-1) para a Taça da Liga, que conquistámos, o B-SAD no Jamor (por 4-1) e agora o Famalicão. Dez golos marcados e três sofridos nestas quatro partidas que antecedem o clássico do Dragão.

 

Que quatro dos nossos cinco jogadores em risco de exclusão tenham saído incólumes. Palhinha, Sarabia e Pedro Gonçalves, que foram titulares, e Esgaio, que substituiu Feddal no segundo tempo, ficariam de fora do próximo desafio se vissem amarelo. Mas não viram.

 

 

Não gostei

 

Do amarelo a Porro. O lateral direito teve uma primeira parte apagada, talvez por se saber quase tapado por cartões, o que o deixou condicionado. Podia ter sido castigado ao fazer falta punida com o penálti que Adán viria a defender, mas o árbitro deixou passar. No entanto, acabaria mesmo por ver o amarelo aos 56', num lance perfeitamente escusado em que tentava disputar a bola junto à linha, longe da zona de perigo. Amorim mandou-o sair demasiado tarde, aos 74'. Vai falhar o jogo contra o FC Porto: será a nossa maior baixa nesse clássico.

 

De Pedro Gonçalves. Nova exibição muito abaixo do nível que demonstrou na época passada, em que foi um dos principais obreiros do título de campeão. Umas vezes parece intranquilo, ansioso, agarra-se demasiado à bola; outras vezes mostra-se algo apático, chegando tarde aos lances. Anda a atravessar a sua pior fase desde que chegou ao Sporting. Substituído por Tabata aos 64', aparentou sair com queixas físicas.

 

Da nossa primeira parte. A equipa partiu-se com frequência, desorganizou-se em períodos vários, pareceu conformada em excesso com a magra vantagem conseguida muito cedo no golo de penálti por um brinde infantil de Marín, do Famalicão. Perdeu-se dinâmica colectiva que alguns jogadores tentaram compensar com excesso de individualismo. Felizmente quase tudo foi corrigido na segunda parte, que nos correu francamente melhor.

 

Do excesso de queixinhas. Os nossos jogadores passam demasiado tempo a cair para o chão, esperando ouvir o apito a indicar falta por tudo e por nada, e em protestos dirigidos aos adversários e às próprias equipas de arbitragem. Eu gostaria de ouvir menos queixas em campo e de ver reforçados os índices de concentração naquilo que realmente interessa.

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