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És a nossa Fé!

Ben(e)dito seja o teu silêncio!

O podcast Sporting 160 está a levar a cabo uma série de entrevistas, bastante interessantes, a jogadores que integraram os dois últimos plantéis campeões. Esta semana o convidado foi o grande André Cruz.

Já na parte final, o antigo patrão da defesa leonina foi questionado sobre uma recente abordagem à sua disponibilidade para integrar uma lista candidata às próximas eleições. André Cruz, recorde-se, integrou a candidatura de João Benedito nas últimas eleições, nela figurando como o próximo director desportivo do clube.

Pois bem, André Cruz, à semelhança dos anos em que jogou futebol, não fugiu à questão e confirmou essa abordagem, referindo, no entanto, que de momento não se poderia comprometer com qualquer projecto, até porque não sabe se João Benedito, que apoiou nas últimas eleições, se irá recandidatar.

Pois, ninguém sabe o que pensa ou tenciona fazer João Benedito.

Há uns tempos, várias vozes reclamaram contra o silêncio ensurdecedor de Benedito. Tendo sido o candidato votado por mais sportinguistas e conhecidas que são as suas ambições em ter uma participação no futuro do clube, seria expectável que, a qualquer momento, dissesse de sua justiça.

Diz-se que os votos são dos candidatos até ao acto eleitoral. Mas não é totalmente bem assim. Quando um candidato alcançou um número expressivo de votos e mantém disponibilidade para uma próxima contenda, não pode atirar para trás das costas esses votos. Há um certo crédito que se adquire e tem de ser trabalhado.

Aceito que João Benedito tenha posição contrária, mas julgo que muitos que votaram nele não repetirão o voto num próximo acto eleitoral, salvo se os outros candidatos forem todos maus.

Pessoalmente, tendo votado em João Benedito, aguardo com expectativa uma sua próxima candidatura, mas que estou um tanto ou quanto desapontado neste momento, lá isso estou...

Nani não merecia isto

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O presidente ainda não falou: limitou-se a mandar dizer que só romperá o silêncio na próxima sexta-feira. Nem sequer emitiu duas frases de público alento aos jogadores e à equipa técnica antes do confronto de logo com o Braga. Ao menos para ajudar a compor as bancadas, que deverão estar bastante desguarnecidas. Tal como o plantel, agora sem Montero e sobretudo já sem Nani - decisivo para a conquista da Taça da Liga, há um par de semanas. Justificar a partida do nosso capitão, formado no Sporting e campeão europeu em título, pela necessidade de "poupar dinheiro" à SAD leonina, é culminar com uma pitada de inaceitável injúria este episódio tão pouco edificante.

Nani não merecia isto.

 

O silêncio, num momento destes, dá pasto a todas as especulações. Não falta portanto, entre os que são próximos de Frederico Varandas, quem se apresse a emitir mensagens contraditórias: por um lado sopram-se "notícias" para os jornais garantindo que o holandês está de pedra e cal; por outro, nas redes, já se conclui que o homem afinal não serve. Tudo e o seu contrário. É uma regra básica da comunicação: se quem devia falar se cala, alguém menos qualificado para o efeito acaba por preencher esse vazio.

Acreditam que isto possa dar saúde anímica à nossa triste equipa? Pois: eu também não.

No livro "Silêncio" de Shusaku Endo...

... que deu origem ao filme de Martin Scorcese com o mesmo título, encontro duas passagens que, por certo, os nossos «amigos» de outras cores que gostam de visitar este espaço, se sentirão reconfortados com a leitura. Para eles:

 

 

«Ao longe, ouviam-se vozes de crianças a cantar. Aguçando o ouvido, conseguiu mesmo apanhar-lhes o estribilho:

 

Lampião, meu lampião,

Se alguém te apedrejar

Logo fique sem a mão.

 

Era como um lamento entrecortado, a canção das crianças.»

 

(…)

 

«Até ao fim desse dia não largou a janela, observando o movimento das crianças. Uma delas, segurando o cordel de um papagaio, corria encosta acima, mas, sem vento, o papagaio tombou preguiçosamente no chão.

Ao cair da noite, abriu-se um rasgão nas nuvens e o sol filtrou-se por elas com languidez. Já cansadas de brincar com o papagaio, as crianças batiam agora à porta das casas, cantarolando:

 

Vamos caçar a toupeira,

Que bicho danado é.

Viva a gente desta casa,

Trai-lari, lari-lolé...»

 

 

SHUSAKU ENDO - Silêncio. 2ª ed. rev. Lisboa : D. Quixote, 2010. pp. 184 e 259

 

shiu!

Já não vai haver conferência de imprensa diária após o treino?? Ó deus, e agora como encher páginas coloridas, minutos on air, lucubrações especializadas, sem declarações decisivas, tais como: “estamos preparados”, “o balneário está unido”, “o mister é que sabe”. Um descalabro noticioso, um atentado aos arquivos, obrigados a encontrar vetustas imagens do “grupo” a correr à volta do campo ou a fazer o meiínho durante o treino. Sobreviveremos a tamanho silêncio?

Desculpem lá qualquer coisinha...

... mas eu concordo a cem por cento com o 'black out', nesta fase. A política de comunicação do Sporting deve levar em conta os media, mas não ficar prisioneira dos interesses especulativos dos media. Os jogadores, em cada conferência de imprensa a serem chateados com perguntas sobre amantes, espiões, vida privada, etc. E os dirigentes com as mesmas e mesmas perguntas à Rui Santos. O Sporting ja disse tudo o que de essencial havia a dizer, neste momento. E é tudo. Ao menos, aprenda-se com o 'papa'. E não nos armemos num bando de falabaratos. Acho eu.

A decisão

 

O Sporting entrou hoje em blackout. Por norma não sou defensor dos cortes na comunicação entre as instituições e o seu público-alvo, que neste caso são sobretudo os adeptos sportinguistas. Percebo a indignação que reina em Alvalade com o tratamento noticioso do caso PPC e com a sua repercussão pública, mas esta não me parece ser a melhor solução. Esta é apenas a solução típica de quando não se sabe o que dizer, quando dizer, como dizer. Ora, o Sporting está fora de esquemas, é uma instituição acima de qualquer suspeita. O Sporting está também numa fase decisiva e pode ganhar muito ou perder tudo. É preciso, por isso, continuar a agir com determinação e convicção, o resto resolve-se com o tempo e com o apuramento de responsabilidades.

 

Seria melhor blindar o Sporting lá dentro, tornando-o forte, coeso e unido. E não cortar a sua ligação ao exterior. Mas isto sou só eu a pensar alto, quero acreditar que a decisão tenha sido tomada pesando todos estes factores e pensando no Sporting em primeiro lugar. Sempre.

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