O presidente ainda não falou: limitou-se a mandar dizer que só romperá o silêncio na próxima sexta-feira. Nem sequer emitiu duas frases de público alento aos jogadores e à equipa técnica antes do confronto de logo com o Braga. Ao menos para ajudar a compor as bancadas, que deverão estar bastante desguarnecidas. Tal como o plantel, agora sem Montero e sobretudo já sem Nani - decisivo para a conquista da Taça da Liga, há um par de semanas. Justificar a partida do nosso capitão, formado no Sporting e campeão europeu em título, pela necessidade de "poupar dinheiro" à SAD leonina, é culminar com uma pitada de inaceitável injúria este episódio tão pouco edificante.
Nani não merecia isto.
O silêncio, num momento destes, dá pasto a todas as especulações. Não falta portanto, entre os que são próximos de Frederico Varandas, quem se apresse a emitir mensagens contraditórias: por um lado sopram-se "notícias" para os jornais garantindo que o holandês está de pedra e cal; por outro, nas redes, já se conclui que o homem afinal não serve. Tudo e o seu contrário. É uma regra básica da comunicação: se quem devia falar se cala, alguém menos qualificado para o efeito acaba por preencher esse vazio.
Acreditam que isto possa dar saúde anímica à nossa triste equipa? Pois: eu também não.
... que deu origem ao filme de Martin Scorcese com o mesmo título, encontro duas passagens que, por certo, os nossos «amigos» de outras cores que gostam de visitar este espaço, se sentirão reconfortados com a leitura. Para eles:
«Ao longe, ouviam-se vozes de crianças a cantar. Aguçando o ouvido, conseguiu mesmo apanhar-lhes o estribilho:
Lampião, meu lampião,
Se alguém te apedrejar
Logo fique sem a mão.
Era como um lamento entrecortado, a canção das crianças.»
(…)
«Até ao fim desse dia não largou a janela, observando o movimento das crianças. Uma delas, segurando o cordel de um papagaio, corria encosta acima, mas, sem vento, o papagaio tombou preguiçosamente no chão.
Ao cair da noite, abriu-se um rasgão nas nuvens e o sol filtrou-se por elas com languidez. Já cansadas de brincar com o papagaio, as crianças batiam agora à porta das casas, cantarolando:
Vamos caçar a toupeira,
Que bicho danado é.
Viva a gente desta casa,
Trai-lari, lari-lolé...»
SHUSAKU ENDO - Silêncio. 2ª ed. rev. Lisboa : D. Quixote, 2010. pp. 184 e 259
Já não vai haver conferência de imprensa diária após o treino?? Ó deus, e agora como encher páginas coloridas, minutos on air, lucubrações especializadas, sem declarações decisivas, tais como: “estamos preparados”, “o balneário está unido”, “o mister é que sabe”. Um descalabro noticioso, um atentado aos arquivos, obrigados a encontrar vetustas imagens do “grupo” a correr à volta do campo ou a fazer o meiínho durante o treino. Sobreviveremos a tamanho silêncio?
... mas eu concordo a cem por cento com o 'black out', nesta fase. A política de comunicação do Sporting deve levar em conta os media, mas não ficar prisioneira dos interesses especulativos dos media. Os jogadores, em cada conferência de imprensa a serem chateados com perguntas sobre amantes, espiões, vida privada, etc. E os dirigentes com as mesmas e mesmas perguntas à Rui Santos. O Sporting ja disse tudo o que de essencial havia a dizer, neste momento. E é tudo. Ao menos, aprenda-se com o 'papa'. E não nos armemos num bando de falabaratos. Acho eu.
O Sporting entrou hoje em blackout. Por norma não sou defensor dos cortes na comunicação entre as instituições e o seu público-alvo, que neste caso são sobretudo os adeptos sportinguistas. Percebo a indignação que reina em Alvalade com o tratamento noticioso do caso PPC e com a sua repercussão pública, mas esta não me parece ser a melhor solução. Esta é apenas a solução típica de quando não se sabe o que dizer, quando dizer, como dizer. Ora, o Sporting está fora de esquemas, é uma instituição acima de qualquer suspeita. O Sporting está também numa fase decisiva e pode ganhar muito ou perder tudo. É preciso, por isso, continuar a agir com determinação e convicção, o resto resolve-se com o tempo e com o apuramento de responsabilidades.
Seria melhor blindar o Sporting lá dentro, tornando-o forte, coeso e unido. E não cortar a sua ligação ao exterior. Mas isto sou só eu a pensar alto, quero acreditar que a decisão tenha sido tomada pesando todos estes factores e pensando no Sporting em primeiro lugar. Sempre.
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