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És a nossa Fé!

Três nulidades

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Portugal encerrou a participação nesta fase da Liga das Nações com uma derrota - a primeira em quatro jogos, a nossa primeira neste ano civil que está quase a meio. Na Suíça, com golo sofrido logo no primeiro minuto - no único remate digno desse nome que a turma helvética fez à baliza de Rui Patrício. Depois disso, eles limitaram-se a «gerir o resultado», como se diz agora. Enquanto a selecção nacional foi incapaz de reagir na primeira parte, calamitosa.

A segunda foi diferente: tentou-se muito mas a bola não entrou, em larga medida devido à brilhante exibição do guarda-redes suíço Omlin, que impediu quatro golos.

 

Com Cristiano Ronaldo em campo, talvez tudo tivesse sido diferente. Mas o melhor do mundo não estava lá: o seleccionador dispensou-o deste jogo.

Opção insólita: em Alvalade, contra a Suíça, foi ele o autor de dois dos nossos quatro golos e ainda teve intervenção directa noutro ao apontar muito bem um livre de que resultaria a recarga de William, após defesa incompleta.

Outra opção incompreensível: Bernardo Silva ficou desta vez no banco até ao minuto 62. 

 

Mantemos intacta a esperança da qualificação para a final-a-quatro desta competição, que só irá disputar-se em Julho de 2023. Mas teremos de superar ainda dois confrontos, em Setembro: primeiro com a Espanha, em Portugal; depois na República Checa.

Só dependemos de nós, mas fomos ultrapassados no primeiro posto do Grupo 2 pelos espanhóis, que venceram os checos por 2-0 (com mais um golo do "nosso" Sarabia) e têm agora mais um ponto do que a equipa das quinas.

Dir-se-á que França e Inglaterra estão bem pior nos respectivos grupos. A turma gaulesa segue em último, com apenas dois pontos (ainda sem vitórias), tal como os ingleses. Também a Alemanha ainda não conseguiu vencer no Grupo 3.

Mas com o mal dos outros podemos nós bem.

 

Como tantas vezes digo, se os dados estatísticos vencessem jogos e campeonatos, o nosso seleccionador ideal deveria ser contratado no Instituto Nacional de Estatística. Eis alguns números deste Suíça-Portugal: «vencemos» 20-5 em remates, «goleámos» 10-0 em cantos e exibimos manifesta superioridade na famigerada «posse de bola»: 58%.

Para o nosso desaire de ontem em Genebra muito contribuiu o facto de o seleccionador português ter incluído três nulidades no onze inicial: Otávio, Vitinha e Rafael Leão.

Estranhamente o primeiro só ao intervalo foi substituído e os outros dois apenas receberam ordem de saída quando já tinha decorrido mais de uma hora de jogo.

Esqueçamos as estatísticas: é quanto basta para explicar esta derrota.

Vá lá entender-se esta gente

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Se o Estádio José Alvalade não é escolhido para jogos da selecção nacional de futebol, protestam porque o Sporting está a ser discriminado.

Se é escolhido para jogos da selecção, resmungam porque o relvado fica em mau estado e pode haver espectadores "inimigos" sentados nas bancadas.

Se o seleccionador mantém os mesmos jogadores no onze inicial, atiram-se a ele por ser imobilista. Se faz alterações profundas, cascam-lhe por não fixar uma equipa-base.

Se o seleccionador promove futebol defensivo, reclamam contra a falta de espectáculo. Se o seleccionador estrutura uma equipa para atacar, dominar e somar vitórias (59 remates portugueses contra 29 checos, no mais recente jogo, e 87% de eficácia de passe luso), fazem de conta que não viram nada.

O regresso de Ronaldo a Alvalade

Melhor do mundo bisa contra a Suíça (4-0)

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Foi uma das melhores exibições da selecção nacional nos últimos anos. Na noite de ontem, em Alvalade - confirmando que o nosso estádio funciona como talismã da equipa das quinas. Cilindrámos a Suíça por 4-0 e poderíamos ter duplicado a goleada, tão deslumbrante foi a exibição portuguesa, com bola a circular ao primeiro toque, em progressão acelerada, numa demonstração viva de futebol de ataque. Perante o aplauso entusiástico de mais de 42 mil espectadores.

Figura da partida? O suspeito do costume: o melhor jogador do mundo. Cristiano Ronaldo bisou, aos 35' e aos 39', perante a visível emoção da sua mãe, presente na tribuna. Leva já 117 golos ao serviço da selecção - marca extraordinária num profissional que aos 37 anos regressou ao estádio onde começou a ser feliz, quase duas décadas volvidas.

Voltando a silenciar os idiotas que nunca perdem uma oportunidade de repetir que ele está «acabado» e «já deu o que tinha a dar».

 

Grandes exibições também de William Carvalho (que marcou o primeiro, aos 15'), Nuno Mendes, Rúben Neves e João Cancelo (que fechou a conta, aos 68', numa jogada de antologia, iniciada e concluída por ele).

Mas todo o onze nacional esteve muito bem. Segredo? O excelente desempenho colectivo potenciado pelas seis alterações que o seleccionador fez entre o desafio anterior, contra a Espanha (1-1), e este, que redundou na nossa maior goleada de sempre frente à Suíça. Que já tinha sofrido contra nós, fez ontem três anos, na meia-final da Liga das Nações. Com outra exibição sublime de CR7, autor dos três golos nesse triunfo por 3-1.

 

O nosso próximo desafio será na quinta-feira, também em Alvalade, contra os checos que ontem impuseram um empate (2-2) à selecção espanhola.

Feitas as contas, vamos em primeiro no grupo A. Uma vitória, um empate, cinco golos marcados e apenas um sofrido. E capazes de dar espectáculo, ao contrário do que alguns temiam. Os mesmos que aparecem sempre na hora dos desaires e se eclipsam quando há triunfo nacional. Como se tivessem vergonha de ser portugueses, algo que jamais entenderei.

Com a selecção, sempre

Ao contrário do que alguns receiam, ninguém se torna menos sportinguista por apoiar sem reservas a selecção nacional.

É o que eu faço, desde miúdo. Considerando-a a equipa de todos nós, jogue quem jogar.

Formei-me nesta cultura desportiva e assim prossigo, sem a renegar. 

 

Durante décadas, festejei segundos e terceiros lugares. Eram festejos menores, que souberam a pouco. No Europeu de 1984, em França. No Europeu de 2004, em Portugal. No Europeu de 2012, na Ucrânia.

Tive a imensa alegria de celebrar enfim a conquista de um Campeonato da Europa, quando erguemos o caneco em Paris, a 10 de Julho de 2016. 

Um festejo a sério. Sem desculpas nem entretantos.

Sem vitórias morais.

Com um onze titular que integrava vários jogadores do Sporting, com um plantel onde havia dez elementos formados na Academia leonina.

 

Mas sem isso teria celebrado à mesma, teria aplaudido sem reservas a subida das cores nacionais ao posto mais elevado do pódio, concretizando um sonho tantas vezes adiado.

Irei continuar assim.

Joga enfim - e marca

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Ostracizado durante longo tempo sem explicação plausível pelo seleccionador nacional apesar de ser um dos melhores jogadores portugueses actuais, Ricardo Horta foi enfim chamado à equipa das quinas. No jogo de estreia da nossa participação na Liga das Nações, contra a Espanha, ontem em Sevilha.

Jogou - e marcou. O único golo português, que nos valeu o empate (1-1) e o consequente ponto conseguido fora de casa.

Tenho razões acrescidas para reiterar o que escrevi há dias: gostaria muito de vê-lo no Sporting.

Continuo a crer que não sou o único a pensar assim.

Grande filho da puta

Foi com um golo dum filho da puta que Portugal conseguiu um empate sofrido com a Espanha.

Pelo menos foi o que aquele trauliteiro naturalizado a martelo publicou da festança, aquele que foi substituído sem nada acrescentar à selecção no jogo de hoje em Sevilha.

E o que cantou o guarda-redes tripeiro na emoção dos festejos.

Entre os filhos da puta e a puta desta máfia que controla tudo e todos, fica uma selecção cada vez mais divorciada de todos nós.

Digo eu, que sempre soube separar clube e selecção, e que na campanha de França vibrei com Renato Sanches e muitos outros que de Sportinguistas não tinham nada.

SL

As selecções totalistas

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Apenas dez selecções garantiram a presença em todas as fases finais de Campeonatos do Mundo neste século. 

Uma delas é a portuguesa.

 

Estivemos em 2002 (com António Oliveira), 2006 (com Luiz Felipe Scolari), 2010 (com Carlos Queiroz), 2014 (com Paulo Bento) e 2018 (com Fernando Santos). Estaremos no Mundial do Catar, no fim deste ano, novamente com Santos ao leme da selecção.

Além da nossa, eis as outras selecções totalistas: Alemanha, Argentina, Brasil, Coreia do Sul, Espanha, França, Inglaterra, México e Japão.

 

Seis campeões do mundo, portanto.

Estamos bem acompanhados.

Que onze para logo?

Tenho esperança de que desta vez haja alguém a acertar nos titulares que entrarão em campo mais logo, no decisivo confronto com a Macedónia do Norte - selecção que há um ano venceu a Alemanha e acaba de eliminar a Itália, apesar de figurar em 67.º lugar na tabela classificativa da FIFA.

Há cinco dias, houve aqui muita gente a tentar mas ninguém conseguiu melhor do que antecipar nove dos onze. Espero que isto agora corra melhor.

 

ADENDA, às 23.40: Ninguém acertou no onze titular, como há cinco dias. Mas agora houve cinco leitores a prever dez: Daniel Borges, Francisco Gonçalves, Leão de Queluz, Luís Ferreira e PV.

A sorte protege os lorpas

A hecatombe esteve por um triz, mas no ínfimo período de 7' a Turquia falha o penalty que lhe daria o empate num jogo em que já estava por cima e a Macedónia marca o golo que atirou a Itália para fora do Mundial. São insondáveis os acasos do universo.

Só um obtuso seria capaz de trocar Bruno Fernandes por William deixando Vitinha e Matheus Nunes no banco. Só a um casmurro lembraria substituir Jota por Félix preterindo Leão e André Silva. Mas foi com o coração nas mãos que vimos Fernando Santos executar em dobrado tamanha cretinice. E nem a justiça poética de o terceiro e tranquilizador golo ter sido obra de Leão e Nunes o deve ter feito cair em si.

Estes jogadores merecem muito, Santos não merece nada, nem o bambúrrio de sorte que ontem gozou. Agora só nos resta esperar que a Macedónia não seja o despertador que faça a FPF cair numa realidade para a qual já devia estar acordada há muito tempo.

Parabéns, Ristovski

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Estás de parabéns, meu caro: contra todas as expectativas, a tua selecção - a Macedónia do Norte - venceu ontem a squadra azzurra que assim fica de fora do Mundial do Catar, falhando pela segunda vez consecutiva uma qualificação para a prova máxima do futebol a nível planetário.

Confesso que me deu muito gozo este vosso triunfo, ainda por cima numa partida disputada em solo italiano. Roberto Mancini, o seleccionador transalpino, deve estar de orelhas a arder, com milhões de adeptos no seu país a exigir que se demita. 

Nós, portugueses, pelo contrário, vencemos. Mas supreendentemente, ou talvez não, muitos compatriotas assumem que preferiam ter perdido. Porque gostariam de «ver corrido o seleccionador», porque garantem que só iremos ao Catar «perder tempo», porque o fracasso é uma espécie de bandeira para adeptos incapazes de conviver com o sucesso.

Vá-se lá saber porquê.

 

Eu sou de um tempo em que púnhamos a selecção acima das paixões clubísticas. Um tempo em que as pulsões identitárias de matriz tribal ainda não tinham contaminado o futebol: nos jogos contra equipas estrangeiras, fosse a nível de clubes ou de selecções, apoiávamos os emblemas portugueses - sempre vistos como rivais, nunca como inimigos. Guardávamos a saudável rivalidade para as competições internas.

Por isso vibrei com a vitória portuguesa desta noite frente aos turcos. Numa equipa em que o melhor em campo foi o portista Otávio e em que o nosso Matheus Nunes se estreou a marcar com as cores nacionais, saltando do banco para apontar o terceiro golo português.

Enquanto a Itália se afundava, nós despachávamos os turcos por 3-1. E podíamos ter ampliado a vantagem: Cristiano Ronaldo fez a bola embater na barra no último lance do desafio.

 

Tenho agora esperança reforçada de que estaremos no Mundial. Marcando presença, uma vez mais, num grande certame desportivo a nível de selecções - algo que acontece ininterruptamente desde 2000. O período mais longo de sempre de sucesso da chamada "equipa de todos nós".

Habituei-me a chamar-lhe assim em miúdo e já não mudo. É contra a corrente dominante? Quero lá saber. Faço questão em continuar assim.

 

Desejo-te tudo de bom. Excepto, claro, a qualificação da tua Macedónia no embate que travaremos na próxima terça-feira.

Espero que torças depois por Portugal no Campeonato do Mundo. Para mim és um português adoptivo. E serás Leão, sempre. É quanto basta para te deixar aqui um forte abraço.

Que onze para logo?

Lugar no quadro de honra do És a Nossa Fé a quem antecipar o onze da selecção nacional para logo, no embate contra a Turquia que (espero) deve terminar em vitória portuguesa.

Querem arriscar um palpite?

 

ADENDA, às 22.50: Ninguém acertou no onze titular. Desde logo porque o guarda-redes foi Diogo Costa, não Rui Patrício. 

Não nos vem a calhar nada

Ou muito me engano ou esta convocatória para um mini-torneio de apuramento ainda para o Mundial do Catar, prestes a ser divulgada, beneficiará pouco o Sporting. No sentido de nos retirar jogadores indispensáveis para mantermos acesa a esperança no bicampeonato. Toda a nossa energia anímica deve estar centrada nisto.

Ainda por cima trata-se de um campeonato que ninguém consegue hoje garantir que irá mesmo efectuar-se na data prevista (de 21 de Novembro a 12 de Dezembro), sabendo-se como anda o mundo por estes dias. 

Recordo que neste mini-torneio de "repescagem" das selecções que não conseguiram apuramento directo a equipa das quinas terá de derrotar inicialmente a Turquia (daqui a uma semana) e eliminar a Itália caso superemos o adversário anterior (jogo marcado para o próximo dia 29).

Lanço o tema, aguardando reflexões dos leitores.

 

ADENDA: Divulgada a convocatória, aqui. Gonçalo Inácio e Matheus Nunes foram chamados, como ontem previ.

Falta renovação urgente na selecção

Texto de Ulisses Oliveira

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Temo que a mentalidade "pobrezinha" que temos apresentado nos venha a tramar. Itália seria um adversário péssimo para nós. Mas mesmo Polónia, Áustria, Suécia ou Rep. Checa, são difíceis.

Contudo, mais preocupante que a qualificação para o Mundial é o facto da selecção ter quase estagnado. Parou, mesmo. Continuamos a ter convocatórias com jogadores que neste momento já não acrescentam nada a uma selecção que se pretende ganhadora, lutadora e irreverente.

Sem querer ser muito injusto, jogadores como William, Danilo, Fonte ou Moutinho não deviam pertencer ao lote de convocáveis (muito menos, titulares). É que depois juntam-se a outros como Patrício, Ronaldo, Pepe, mesmo João Mário, que, sendo importantes, não podem olhar para o lado e ver jogadores que estão em fim de carreira.

Falta uma renovação, que devia ter sido feita paulatinamente logo após o último Euro (até antes). É que agora, a renovar, vai ser de forma mais radical.

 

Outra coisa que me faz alguma espécie (talvez por ser sportinguista) é que da equipa campeã do ano passado as apostas feitas foram-no quase por favor.

Nuno Mendes tinha meio mundo atrás até ser chamado, Palhinha foi a medo (nada comparado com Danilo ou William quando foram lançados), Matheus precisou do empurrão do Brasil (comparemos com Renato Sanches quando foi lançado). Outros, como Pedro Gonçalves (só o melhor marcador do campeonato) e Gonçalo Inácio, ainda não calçaram, ainda que tenham sido convocados.

Jogamos actualmente com Danilo a central (!!!), fazendo parelha com Fonte (e/ou Pepe), quando o futuro dos centrais da selecção pode estar aqui à mão de semear, seja com Inácio, seja com Domingos Duarte e outros. E haveria muitos mais exemplos.

Comenta-se à boca cheia que esta seleção é dos amigos de Fernando Santos…

 

Não podemos portanto admirar-nos que jogadores de topo mundial nos seus clubes cheguem à selecção e pareçam outros. Ronaldo lá tira um coelho de vez em quando da cartola, Bernardo Silva tem muitas dificuldades e Bruno Fernandes chega ao ponto de ficar no banco em alguns jogos... damo-nos ao luxo de pôr o Bruno Fernandes no banco!!!

Uma selecção que conta com Nuno Mendes, Cancelo (segundo FS, o melhor lateral do mundo... só para rir, certo?), Rúben Dias, Pepe, Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Ronaldo - e outros que, sendo segundas linhas, são altamente cobiçados, como Palhinha, Matheus, André Silva, Renato, Otávio, Leão, etc - não pode ter a mentalidade pequenina que tem demonstrado.

 

Espanha é um bom exemplo. Deixou de lado algumas vacas sagradas e aparentemente tem conseguido evoluir bem.

Por isso, acho que Rui Jorge poderia ser um bom seleccionador. Parece-me que não tem o síndrome da clubite aguda e que que também não deve nada a empresários, caso contrário já estaria noutras paragens. Já FS tenho muitas dúvidas que não esteja numa espécie de dança do ventre promíscua (peço desculpa pela imagem, se calhar vívida demais), flexível a tudo e a todos, a ir para onde sopra o vento, sem pensar apenas e só por si.

Isto, claro, sem esquecer que foi com ele que ganhámos troféus importantes. Terá sempre o meu agradecimento. Mas tudo tem um fim… e a perpetuação das coisas leva a mais desgaste e a menor lucidez.

 

Texto do leitor Ulisses Oliveira, publicado originalmente aqui.

Fim de ciclo

Se todos concordam que o jogo de ontem foi horrível, já cada um tem a sua opinião sobre as causas e mais ainda sobre o que deveria acontecer.

Para mim, e por muito mérito que tenha tido e teve anteriormente, o fim de Fernando Santos como seleccionador nacional aconteceu com a derrota estrondosa com a Alemanha no último Euro, onde falhou em toda a linha. Devia ter mesmo sido substituído no final dessa competição.

Mas não apenas ele. Portugal teria também de agradecer o contributo de muitos dos campeões europeus em França mas dar como finda a sua participação na selecção, e apostar na nova geração (abaixo dos 30 anos) que está a fazer pela vida em Portugal e em clubes de topo europeus. Ficariam apenas Rui Patrício, Pepe e Cristiano Ronaldo que já conquistaram outro patamar, fazem parte da solução e não do problema, o problema são os outros "de barriga cheia" que não "carregam o piano" para que aqueles atrás citados possam dar o seu melhor.

Uma selecção não é uma colecção de cromos. Não se colocam a jogar 11 Bernardos Silvas, só um deles tem lugar no onze e no lugar dele e não noutro qualquer para acomodar outro Bernardo. Não se escolhem jogadores por prémio pelo que fizeram nos clubes, e muito menos para reabilitar jogadores que falharam nos clubes. Escolhem-se porque fazem falta à equipa de acordo com o modelo de jogo ou sistema táctico que se tenha.

Por outro lado, uma selecção terá sempre de apoiar-se em rotinas que vêm dos clubes, não pode passar ao lado de pequenas sociedades em plena laboração como a de Bruno Fernandes e Cristiano Ronaldo no ManUnited, de Cancelo e Bernardo Silva no ManCity ou a de Palhinha e Matheus Nunes no Sporting.

Fernando Santos foi um grande seleccionador, campeão europeu em França, vencedor da Taça das Nações, não soube retirar-se a tempo, se calhar depois do último Euro onde falhou rotundamente, agora está a estragar a boa imagem que conquistou, resume-se a um critério de selecção errático e impossível de entender e às tristes figuras que faz nas conferências de imprensa, especialmente quando lhe perguntam "Porque é que Portugal com tanto talento joga tão pouco futebol?

Precisamos dum seleccionador nacional com grande experiência, espírito de missão e capacidade para lutar contra a clubite, contra a "empresarite", contra a "amiguite", mas também com capacidade de pôr a selecção a jogar futebol, fazer do todo muito mais do que a soma das individualidades.

Precisamos mesmo dum novo seleccionador nacional, mas para fazer diferente, para fazer melhor. Se é para baralhar e dar de novo conforme as viciadas regras, não vale a pena.

SL

Obrigado e até sempre, Fernando Santos

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1

Um dos maiores defeitos da espécie humana é a ingratidão. Por mim, estou e estarei agradecido a três seleccionadores nacionais de futebol: Luiz Felipe Scolari, que nos levou à primeira final de um Campeonato da Europa e ao quarto lugar do Mundial 2006; Paulo Bento, que comandou a equipa das quinas até às meias-finais do Euro-2012 (perdida nos penáltis frente à Espanha de Casillas, Sergio Ramos, Busquets, Xavi Alonso, Iniesta e David Silva que viria a sagrar-se campeã); e Fernando Santos, que nos conduziu enfim a duas vitórias em provas de selecções - o Euro-2016 e a Liga das Nações 2019. 

Serei sempre grato a estes seleccionadores, que lideraram a equipa nacional em grande parte destes últimos 20 anos - o período em que Portugal transformou a excepção em regra. Durante décadas, só nos qualificávamos para fases finais de campeonatos do Mundo e da Europa em períodos excepcionais ou acidentais; desde 2000 (ainda com Humberto Coelho), temos ido lá sempre. 

Todos foram contestadíssimos desde o primeiro minuto. A inveja, a maledicência, o mero passatempo do dizer-mal praticam-se com desenvoltura neste país de dez milhões de seleccionadores de bancada, sempre à espera do senhor que se segue para dizerem dele o que disseram do anterior. Foi assim com Scolari, foi assim com Bento, é assim com Santos. Será assim com o sucessor do actual.

Como gosto de remar contra a maré, apoiei todos sem reservas. Sem ilusões, no entanto: nesta era das redes sociais, os ciclos de poder no futebol, tal como acontece na política, são cada vez mais curtos. Porque a gritaria é constante e tudo se exige para ontem. Haver ou não títulos, é indiferente. Haver ou não valorização constante dos jogadores portugueses no mercado internacional (veja-se, a título de exemplo, a quotação de João Mário no pós-Europeu de 2016), é irrelevante. 

 

2

Feito este prelúdio, reafirmando o que sempre pensei, é inegável que o ciclo de Fernando Santos ao comando da nossa principal selecção de futebol terminou ontem, em atmosfera tristemente simbólica, ao minuto 90 do Portugal-Sérvia, num estádio cheio de fervorosos apoiantes da equipa nacional. Coroando uma semana de pesadelo após um empate a zero com sabor a derrota na Irlanda em que jogámos "para o pontinho", como critiquei aqui.

«A maneira mais estúpida de perder, muitas vezes, é mesmo essa: quando se joga só para o pontinho», alertei. Antevendo o desastre que viria a ocorrer no relvado da Luz. Com a equipa das quinas alinhada num 3-5-2 nunca testado, incapaz de controlar a bola, incapaz de sustentar uma jogada digna desse nome, incapaz de resistir à pressão sérvia. A ganhar desde o minuto 2, graças a Renato Sanches, os nossos jogadores comportaram-se a partir daí como se receassem ser goleados. Recuaram linhas, assumiram-se perante os sérvios (em 29.º lugar na tabela classificativa da FIFA) como equipa de terceira.

Defender a todo custo o empate (1-1 ao intervalo) foi a palavra de ordem. Nunca tinha visto tantos excelentes jogadores actuarem tão mal: Rui Patrício, Cancelo, Nuno Mendes, Jota, o próprio Cristiano Ronaldo. Moutinho funcionando a gasóleo, como há longos anos acontece. Palhinha, espantosamente, fora do onze titular. Danilo como central improvisado, entre Fonte e Rúben Dias, abrindo uma clareira a meio-campo onde os adversários circularam como quiseram. O desespero apossando-se da equipa, que terminou o jogo com três trincos de origem: Danilo, Palhinha e Rúben Neves. 

A derrota de ontem começou a construir-se em Dublin. Quando o seleccionador, improvisando sempre, decidiu mudar seis jogadores da equipa-base, que actuou sem qualquer esquerdino. Dalot, Danilo, Matheus Nunes, Nelson Semedo, Gonçalo Guedes (fora da convocatória inicial) e André Silva alinharam de início. Ontem, nova alteração radical com sete outros titulares: Cancelo, Fonte, Rúben Dias, Nuno Mendes, Renato, Moutinho e Jota.

 

3

Consumada a derrota, Bernardo Silva disse logo tudo numa curta frase: «Péssimo jogo de Portugal.» Não adianta iludir as evidências: são palavras dirigidas, antes de mais ninguém, ao seleccionador.

É, portanto, um ciclo que chega ao fim. 

Tal como defendi a saída de Paulo Bento - que sempre havia merecido o meu aplauso - após a nossa humilhante derrota em casa frente à Albânia, no início da campanha para o apuramento do Euro-2016, que tanta alegria nos haveria de dar, concluo agora que o mandato de Fernando Santos se esgotou na prática. É um seleccionador cansado, resignado e cuja ambição se confina ao tal "pontinho" que nos fez resvalar para uma confrangedora mediocridade e um humilhante fracasso em quatro dias. 

 

4

No final de Março haverá um mini-torneio de apuramento que ainda poderá repescar a equipa das quinas para o Mundial do Catar, a disputar em Novembro e Dezembro: serão qualificadas três selecções em doze. Ignoro ainda quem teremos como adversários. Mas estou convicto de que o seleccionador deve ser diferente.

Se eu mandasse - e ele quisesse - promoveria Rui Jorge dos escalões mais jovens à selecção A. Esse é o debate que deve abrir-se a partir de agora.

Reitero a minha consideração, o meu apreço e a minha gratidão por Fernando Santos. E digo-lhe, com toda a sinceridade: chegou o tempo de sair de cena e dar lugar a outro. A vida é assim, o futebol também.

Quando apenas se ambiciona o empate

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Espero que mais logo a equipa das quinas faça bem melhor, na recepção à turma da Sérvia, do que fez na quinta-feira, em Dublin. Lamento a paupérrima exibição no empate a zero frente à da Irlanda, tanto mais que o meio-campo era "leonino": Palhinha e Matheus Nunes reproduziam na selecção a habitual dupla do nosso onze titular, tendo pela frente Bruno Fernandes, que mesmo no Manchester United continua a respirar Sporting por todos os poros.

Não funcionou. Fernando Santos mandou descansar os jogadores à bica do terceiro amarelo (menos Palhinha, que escapou à sanção nesta partida, mantendo-se apto a defrontar os sérvios) e assim transmitiu a mensagem errada aos jogadores, aliás reproduzida na conferência de imprensa após o desafio: tanto fazia vencer por cinco como empatar a zero, o pontinho bastava. Como se não estivesse em causa a reputação do emblema das quinas, que subiu ao posto mais elevado do pódio no Campeonato da Europa de 2016 e na Liga das Nações em 2019. Convém não esquecer que somos uma das quatro selecções do continente que neste século ainda não falhou uma fase final do Euro ou de um Mundial.

 

Espectáculo deprimente, pois. Bruno - lamento reconhecer - jamais consegue na selecção o nível de virtuosismo e de eficácia alcançado nos clubes que tem representado. André Silva, outra nulidade com a camisola das quinas - talvez por ter que jogar a extremo. Um tal Rafael de erróneo apelido Leão, entrado aos 56' e saído aos 83', parece ter calçado só por afronta ao Sporting: mal tocou na bola. João Félix, em campo desde o minuto 75, evidenciou no batatal irlandês a gloriosa mediocridade que tem exibido no Atlético madrileno. 

Danilo adaptado a central na selecção não lembra ao careca, havendo o campeão europeu José Fonte no banco. Dez jogadores de campo sem um só esquerdino é outra aberração: dos onze que entraram de início, apenas Rui Patrício joga com o pé canhoto.

Pepe, ainda pior: sofreu um apagão mental como se tivesse apenas 18 suaves primaveras e fez-se expulsar de modo infantil. Parecendo ter medo de defrontar hoje a Sérvia. Comportamento inqualificável manchando o dia em que o central portista se tornou o jogador mais velho de sempre a vestir a camisola da selecção nacional, com 38 anos, oito meses e 16 dias. Ultrapassando por 13 dias a anterior marca, de Vítor Damas.

 

A Irlanda jogava só pelo brio, tentando cair de pé já sem a menor hipótese de qualificação para o Mundial do Catar. Com futebolistas de nível muito inferior aos nossos: basta lembrar que dois dos onze que alinharam de início actuam na terceira divisão lá do país. 

Mesmo assim foi deles a melhor oportunidade para desfazer o nulo. Aos 26', num remate de Callum Robinson, com Rui Patrício a voar para evitar o golo. Dos portugueses, só o guarda-redes merece nota positiva. Desta vez nem acompanhado por Cristiano Ronaldo, que teve duas oportunidades de marcar, perto do fim: na primeira, cabeceou a rasar o poste; na segunda, rematou de ângulo apertado, permitindo a defesa. 

É verdade que passámos a liderar o nosso grupo de apuramento para o Mundial e apenas dependemos de nós. No entanto, há que fazer muito melhor frente aos sérvios, logo à noite, para garantir o apuramento. Basta um empate, como disse Fernando Santos. Mas a maneira mais estúpida de perder, muitas vezes, é mesmo essa: quando se joga só para o pontinho.

João Palhinha

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Em boa hora Palhinha foi convocado por Fernando Santos para a selecção nacional. Já fez esquecer todos os possíveis concorrentes para a mesma posição, incluindo Danilo, Rúben Neves e William Carvalho: o lugar é dele.

Basta ver os números do recente Portugal-Luxemburgo: Palhinha revelou 94% de eficácia de passe e protagonizou sete recuperações de bola neste desafio, que reforçou a nossa expectativa de apuramento directo para o Mundial do Catar: continuamos invictos, somamos 16 pontos - ainda um ponto abaixo da Sérvia, mas com menos um jogo disputado. Só dependemos de nós.

Mais importante ainda: nesta sua terceira internacionalização, Palhinha marcou um grande golo - o quarto da nossa goleada por 5-0 frente à selecção luxemburguesa. À ponta-de-lança, confirmando o que muitos já sabíamos: ele não se limita a destruir jogo alheio, também constrói, demonstrando virtuosismo técnico. Com treinadores capazes de lhe proporcionar o guião certo, consegue dar sempre o seu melhor.

Parabéns, João Palhinha. Sempre acreditei em ti, campeão. Tenho a certeza de que vais cada vez mais longe.

Este homem não paga, ri de quê?

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Lembram-se de uma publicidade que dizia: "Este homem paga, ri de quê?".

Ria-se porque pagava com o cartão multibanco, que apareceu pouco tempo depois da chave 24 do Montepio, estávamos nos finais dos anos oitenta do século passado.

Não serei tão radical como o meu colega/camarada de "blog"  Paulo, uns "posts" abaixo; aquilo que penso, ajudaria a melhorar o ambiente na selecção, era que podiam fazer uma "vaquinha" para ajudar o rapaz, para ele poder jogar com a cabeça mais limpa.

Fernando Santos daria o exemplo, "eu avanço com dois milhões", "se o Fernando dá dois, eu dou quatro" dizia João Mário, e por aí fora até aos 18 milhões, depois de terem reunido os 18 milhões, dizia Cristiano Ronaldo: "não disse nada até agora, queria ver até onde ia a vossa solidariedade, os 18 milhões estão reunidos e eu apesar das despesas que tive com a demolição da marquise, avanço com mais 18 milhões para o meu Sporting".

Fica a ideia, a selecção que resolva, rapidamente, o problema que têm com o Sporting ou então qualquer dia convocam o João Rendeiro, ele vem dar uns pontapés na bola, depois volta para Belize ou para Singapura e, aparentemente, está tudo bem.

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