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És a nossa Fé!

A voz do leitor

«Também deu verde no Brasil, Palmeiras: - 10.º campeonato do Brasileirão com , imagine-se, Scolari. Um amigo brasileiro, adepto do Palmeiras e sócio do Sporting, está em festa. Abração, Ledemar. O cara que só compra Peugeot porque... tem Leão.»

 

Leão de Queluz, neste texto do José da Xã

Viva Dunga

 

O Brasil de Scolari caiu nas meias-finais do Campeonato do Mundo de 2014.

Sai Scolari, treinador campeão em 2002, e entra Dunga, ex-seleccionador. Sob o seu comando, o Brasil caiu nos quartos-de-final do Campeonato do Mundo de 2010.

Quem dizia "abaixo Scolari" diz agora "viva Dunga".

Não podia haver indício mais auspicioso para a "renovação" da selecção brasileira...

A ver o Mundial (30)

Escutei já hoje o que se disse ontem à noite nas televisões portuguesas sobre o Brasil-Holanda. Num dos canais - por sinal aquele que, de longe, pior trata o futebol - todo o espaço de comentário foi utilizado para pendurar Luiz Felipe Scolari no pelourinho. Um dos intervenientes chegou ao ponto de dizer que a conquista da Taça das Confederações em 2013, já com Scolari ao leme do escrete, foi péssima para o Brasil pois travou a indispensável renovação dos canarinhos, blablablablá patati patatá.

Ainda esperei que, numa lógica simétrica, todos quantos degolaram, vergastaram e lapidaram Scolari - tornando o treinador já não só o responsável máximo mas o responsável único dos desaires de uma equipa - saíssem em elogio e louvor do seleccionador holandês, Louis van Gaal. Nada disso: nem uma palavra sobre o tema. Os treinadores, na óptica do painel deste canal, só merecem menção pela negativa, nunca pela positiva.

 

Toda a linha de raciocínio deste programa de rescaldo e análise do encontro de ontem para a obtenção do terceiro lugar no pódio do Mundial decorreu em obediência à lógica do demérito brasileiro, sem invocação expressa (e mais que justificada) do mérito holandês.

Como se fosse por acaso que a Holanda se despediu do Mundial sem uma derrota.

Como se fosse por acaso que os holandeses tivessem renovado em grande parte a sua selecção, eliminada no Euro-2012 ainda na fase de grupos.

Como se fosse por acaso que Robben se sagrou o maior valor individual deste torneio, correndo em cada jogo como se fosse o último (e no Brasil-Holanda sofreu uma grande penalidade cometida por Fernandinho à qual o árbitro fez vista grossa, talvez para poupar a turma anfitriã a uma segunda goleada consecutiva).

 

Os erros grosseiros cometidos pelos brasileiros em campo foram igualmente escamoteados por estes comentadores.

Nem uma palavra sobre a falta cometida por Thiago Silva sobre Robben logo aos dois minutos (e que o árbitro, amiguinho, sancionou apenas com cartão amarelo quando devia ter exibido o vermelho).

Nem uma palavra sobre o absurdo alívio de David Luiz aos 17' que funcionou como assistência ao segundo golo holandês.

Nem uma palavra sobre as exibições apagadíssimas de Jo e Willian, os "reforços" que os críticos de Scolari mais vinham reclamando para o onze titular.

 

Toda a análise foi feita à luz da putativa obrigação do Brasil em sagrar-se vencedor.

Como se houvesse triunfadores antecipados em futebol.

Como se a Holanda não existisse.

O escrete comandado por Scolari sai do Mundial no quarto lugar. Como saiu em 1974, no Campeonato do Mundo que se seguiu à brilhante conquista do troféu Jules Rimet no México, ainda com vários jogadores titulares da conquista desse tricampeonato. E em melhor posição do que conseguiu a tão elogiada selecção de 1982, eliminada antes das meias-finais mesmo com o brilhantismo de Sócrates, Falcão e Zito.

 

Falar assim de futebol, sem critério nem memória, é demasiado fácil. Os cafés portugueses estão cheios de comentadores deste género: qualquer mediano olheiro televisivo pode recrutá-los lá.

A ver o Mundial (27)

A selecção brasileira que compareceu neste Mundial não chegou a funcionar como uma verdadeira equipa. Com jogadores como Marcelo, suplente de Fábio Coentrão no Real Madrid, David Luiz, que parece jogar quase sempre fora da sua posição natural, e Fred, a ineficácia personalizada no campo ofensivo.

Como era de esperar, as principais críticas centram-se no seleccionador Luiz Felipe Scolari. O empresário de Neymar, segundo declarações transcritas pelo jornal O Globo, recorre mesmo ao insulto para o contestar, chamando-lhe "velho arrogante e asqueroso".
E no entanto - não esqueçamos - esta foi a mesma selecção que já sob o comando de Scolari, após o despedimento de Mano Menezes, venceu no ano passado a Taça das Confederações batendo na final a Espanha, então orgulhosa campeã mundial em título e bicampeã europeia, com fama e proveito no desporto-rei.
O facto é que os dois únicos jogadores que hoje fazem realmente a diferença na selecção brasileira - Thiago Silva e Neymar - estiveram ausentes da meia-final contra a Alemanha. Não há coincidências.

 

As análises que tenho ouvido e lido dão no entanto demasiada ênfase aos erros do Brasil sem atribuírem o devido destaque ao mérito alemão. Já havia sucedido o mesmo, aliás, após o jogo Alemanha-Portugal.
Convém sublinhar uma evidência, como realcei aqui, logo após a histórica meia-final de ontem: a selecção alemã beneficia, e de que maneira, das rotinas e dos automatismos propiciados pelo facto de grande parte dos seus elementos actuar diariamente em conjunto, formando a espinha dorsal do poderoso Bayern de Munique.
Também aqui não há coincidências. A selecção portuguesa de 1966, que ficou em terceiro lugar no Campeonato do Mundo, tinha por base a equipa do Benfica. A selecção comandada por Scolari que foi à final do Euro-2004 tinha por base a equipa do FC Porto. Nada a ver com a manta de retalhos do nosso onze-base deste Mundial, por exemplo. E a avaliar pelo que já se percebe da pré-época, com a aposta deliberada em jogadores estrangeiros por parte dos principais clubes portugueses, esta tendência só irá acentuar-se.

Temos de mentalizar-nos para isso desde já.

Crónica de uma derrota anunciada

A coisa vinha a chamar a atenção desde o primeiro jogo. É certo que o resultado (3 - 1) com a Croácia é dilatado, mas houve por ali muita condescendência e apoio do senhor do apito (coisa que aliás se verificou até ao jogo de ontem, onde com um árbitro menos simpático pelo menos três amarelos e um vermelho teriam saído do bolso), e o resultado não traduz o que se passou em campo; no segundo, com o México, mais uma vez uma pobreza franciscana e uma passagem sem mérito algum; no terceiro jogo da fase de grupos, lá ganharam por 4-1 aos Camarões, mas a coisa esteve bastante tremida.

 

Ora nos oitavos levaram um banho de bola do Chile! O "nosso" Pinilla ia resolvendo a coisa mesmo no finalzinho, com uma bola ao poste e tinham ficado por ali as aspirações do Brasil; mas quis o destino que, nos penaltis, Júlio César fosse determinante; e passaram...

Nos quartos, apanhou uma Colômbia bem armada, mas algo ingénua e mais uma vez, com uma ajudinha, num jogo quezilento que levou ao afastamento de Neymar, lá venceram por 2-1, no seu melhor jogo, mas sem convencer, mais uma vez.

 

Questionado no final do jogo das meias, na CI, se algo deveria mudar no futebol brasileiro, Scolari disse com ênfase que não! Scolari já nos habituou ao seu temperamento teimoso, mas depois da desgraça como treinador de clubes, na Europa e no Brasil, e ainda na canarinha, não me parece que tenha alguma capacidade para continuar.

 

Repare-se que este "ocaso" do futebol brasileiro não é de agora. Já o ano passado o vencedor da Libertadores, o Corinthians, salvo erro, perdeu com o Raja Casablanca (3-1) na Taça do Mundo de Clubes; e, pior ainda, o Santos levou "chapa" 8 sem resposta do Barça, no jogo de apresentação em Camp Nou e a coisa ficou por aí porque, como ontem a Alemanha, o Barça "tirou o pé"...

 

Tenho que fazer por aqui um inevitável termo de comparação entre Portugal e o Brasil; ou melhor, entre P. Bento e Scolari: ambos teimam em seleccionar um grupo de (seus) amigos, em detrimento de seleccionar os melhores no momento. Os resultados de ambos estão à vista.

Há no entanto, numa selecção e noutra, alguns valores. E porque não rendem esses valores nestas selecções, se são titulares de grandes clubes europeus? Pois penso que a resposta não será difícil: tanto Scolari como Bento não acrescentaram nada às suas equipas! Antes pelo contrário. Não fora Neymar e o Brasil nem aos quartos chegava e Portugal ainda teve um arremedo de discussão da passagem da fase de grupos, porque Ronaldo, no jogo com os EUA, finalmente jogou...

Serve isto para dizer que tanto Brasil, como Portugal, que teimaram em prosseguir com a política anterior, têm forçosamente que mudar, que renovar os seus jogadores e mais que tudo, mudar métodos. De jogo, de treino, de actuação, de escolha de jogadores, de mentalidade e isto inevitavelmente só poderá ser feito com outros responsáveis, a começar pelos seleccionadores e, no caso português, até da equipa federativa!

 

Para terminar, o jogo de ontem demonstrou-nos duas evidências: o Brasil descaracterizou-se, deixou de ser a equipa de posse, passe certeiro curto e eficaz, de troca de bola e que "levava porrada de criar bicho" e passou a ser uma equipa mais quezilenta, ela própria muito faltosa e praticando um futebol directo, de passe longo, à procura da referência Neymar, à volta de quem foi construida e armada a equipa; e a Alemanha deixou de ser a equipa que deixava jogar, que via os adversários acumular posse de bola e que "só lá ia" pela certa, normalmente em contra-ataque venenoso e ganhava os jogos de forma algo cínica, até, o que levou ao são onze contra onze e no fim ganha a Alemanha, e passou a ser uma equipa de posse, de cobertura total do terreno de jogo, de excelente troca de bola e de ataque continuado, com qualidade de passe e pressão constante. Haverá por aqui alguma influência de Guardiola, já que a espinha dorsal é Bayern?

 

E logo continuo a torcer pela Holanda... a ver vamos.

A ver o Mundial (26)

Nunca nenhum de nós tinha alguma vez visto um jogo assim. Muito provavelmente, nenhum de nós voltará a ver um jogo como esta meia-final. O Alemanha-Brasil disputado esta noite no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, mergulha o país anfitrião do Campeonato do Mundo em estado de choque. Comparada com o que hoje sucedeu, a derrota frente ao Uruguai na final do Mundial de 1950 facilmente será esquecida a partir de agora. Mas daqui a meio século, daqui a um século, este desafio ainda será lembrado. Como símbolo de humilhação do Brasil à escala planetária.

Foi a maior goleada deste Mundial. A maior goleada do Brasil registada numa meia-final de um Campeonato do Mundo. E o resultado mais desnivelado sofrido pelos brasileiros em quase cem anos. Números impressionantes que perseguirão como um estigma o seleccionador Luiz Felipe Scolari e os jogadores que acabam de sucumbir frente aos germânicos, infinitamente superiores na arte, na técnica, na táctica e na estratégia desta modalidade desportiva que apaixona o mundo e a que damos o nome de futebol.

Este foi o pior Brasil de sempre.

 

Como sucedeu tal descalabro? A que se deve o naufrágio brasileiro?

Desde logo, como já sublinhei, à inapelável superioridade da Alemanha. Muito bem organizados, os comandados por Joachim Löw, que vinham acumulando resultados positivos (quatro vitórias, uma das quais contra Portugal, e apenas um empate, com dez golos marcados e só três sofridos), apresentaram-se no Brasil com uma verdadeira máquina de jogar futebol, aproveitando o essencial do trabalho desenvolvido pelos profissionais do Bayern de Munique: Manuel Neuer, Boateng, Lahm, Schweinsteiger, Toni Kroos e Thomas Müller. Com Khedira, Özil e Schurrle também em excelente plano. No domingo, marcarão presença na oitava final da Alemanha em campeonatos do mundo.

E merecem.

 

 Foto David Gray/Reuters

 

Começou por ser um jogo histórico aos 23', quando Miroslav Klose marcou o 2-0. Batia-se mais um recorde num Campeonato do Mundo - o de Ronaldo, que conseguira 15 golos em fases finais do Mundial. Klose superou-o, apontando o golo nº 16 em 23 desafios disputados em cinco fases finais, desde o campeonato de 1998.

Nos cinco minutos seguintes, houve mais três golos alemães. À meia hora, perdendo por 5-0, era já evidente que o Brasil seria afastado do Mundial com uma derrota de dimensão inédita. Devido à incomparável superioridade do adversário, é certo, mas também a colossais erros próprios. Porque repetiu contra a Alemanha a estratégia inicial de pressão alta desenvolvida contra a Colômbia mas já sem o efeito surpresa. Porque se mostrou disposto a arrumar o jogo nos primeiros minutos sem medir as consequências dessa aposta temerária que desguarnecia o centro do terreno, estimulando o contra-ataque germânico. Porque permitiu defesas em funções de médios ou até como inesperados candidatos a avançados, como Marcelo e David Luiz, continuamente fora de posição, incapazes de recuperar o processo defensivo quando o Brasil perdia a bola. Foram-se abrindo autênticas auto-estradas no meio-campo brasileiro que a Alemanha, única equipa de cabeça fria, aproveitou da melhor maneira nas costas da defesa adversária.

 

Quando os (des)comandados de Scolari caíram em si estavam já mergulhados num pesadelo: a defesa ruiu por completo, começando pelo impotente Dante, com a mobilidade de uma estátua, e por um desvairado David Luiz, sempre ausente em parte incerta. A frágil organização de jogo eclipsou-se por completo. Jogadores como Fred e Hulk pareciam implorar para saírem dali. O descalabro psicológico contribuiu para afundar ainda mais o escrete, com prestações medíocres de quase todos. Na segunda parte Paulinho e Bernard ainda tentaram remar contra a maré, mas não era possível.

Sofreram sete golos. Podiam ter levado mais dois: Thomas Müller só não marcou aos 60' devido a uma magistral defesa de Júlio César e Özil, isolado aos 89', enviou a bola a um metro do poste.

Desporto colectivo, o futebol vive muito de valores individuais. Que por vezes podem fazer toda a diferença. Esta selecção de remendos, sem Neymar (ausente por lesão) nem Thiago Silva (ausente por castigo), parecia um Brasil de outro campeonato. E foi mesmo.

 

Nunca mais esqueceremos esta hecatombe: ficará para sempre gravada na memória de todos nós, do lado de lá e do lado de cá do Atlântico.

 

Alemanha, 7 - Brasil, 1

A ver o Mundial (23)

No jogo dos quartos-de-final desta noite, disputado em Fortaleza entre duas equipas sul-americanas, houve emoção e sofrimento mútuo do princípio ao fim - exactamente ao contrário do que sucedera na insípida partida da tarde entre duas selecções europeias.

O Brasil foi superior à Colômbia e mereceu a vitória, que ainda assim foi muito suada e com resultado incerto até ao apito definitivo do árbitro. Com Maicon no lugar de Dani Alves, Scolari ordenou aos seus jogadores para iniciarem o desafio a grande velocidade e manterem pressão alta. Missão cumprida. E até facilitada, quando Thiago Silva apontou o primeiro golo, num lance de bola parada, logo aos 12'. A Colômbia - jogando em casa alheia e em estreia absoluta nuns quartos-de-final de um Campeonato do Mundo - demorou demasiado a equilibrar o jogo, sem explorar a sua principal arma: a rapidez nos flancos. O corredor direito quase não foi utilizado durante o primeiro tempo e jogadores de inegável qualidade, como Cuadrado, estiveram abaixo do nível habitual.

O Brasil, pelo contrário, fez o seu melhor jogo neste Mundial, funcionando como um verdadeiro colectivo. Isto apesar de Neymar ter estado menos acutilante, Fred continuar tão ineficaz como sempre e os golos terem sido marcados por dois defesas (o segundo, um livre marcado pelo pontapé-canhão de David Luiz aos 68', viria a ser o lance decisivo).

James Rodríguez abandona o torneio apontando mais um golo, de penálti. E vão seis, o que faz dele o melhor marcador até ao momento. Tem motivos para sair satisfeito apesar de a Colômbia ficar pelo caminho: revelou-se um dos astros indiscutíveis do Mundial.

O Brasil joga terça-feira a primeira meia-final, em Belo Horizonte, contra a Alemanha. Sem Thiago Silva, por acumulação de cartões, e talvez sem Neymar, que hoje saiu lesionado. Mesmo perante o seu público, sob a liderança carismática de Scolari e os ventos dominantes soprando a seu favor terá de mostrar mais do que revelou até agora para conseguir conquistar o hexa. Os milagres já não são o que eram - nem sequer no futebol.

 

Brasil, 2 - Colômbia, 1

Mais um troféu para Scolari

 

Houve quem os considerasse imbatíveis, com manifesto exagero. Imbatíveis, os jogadores espanhóis? Pelo contrário, foram vulgarizados pela excelente selecção brasileira, que hoje (hora portuguesa) se sagrou vencedora da Taça das Confederações, no mítico palco do Maracanã. A tal ponto que no último quarto de hora já se arrastavam em campo, aguardando penosamente o apito final.

Para mim, que torcia pelos brasileiros, foi uma excelente forma de começar a semana. Neymar, Paulinho, Fred, Óscar, Júlio César, David Luiz e tutti quanti deram a quem os acompanhava em todo o mundo uma lição de futebol. E desde logo uma lição táctica, no confronto entre os dois técnicos - Luiz Felipe Scolari e Vicente del Bosque: enquanto o espanhol insistia no esquema de sempre, concentrando jogadores no centro do relvado, o brasileiro ordenava aos seus pupilos o preenchimento constante das alas, onde dominaram do princípio ao fim, faziam movimentar a bola a uma velocidade estonteante e subiam em bloco cada vez que os campeões do mundo cediam um só palmo de terreno.

Ao ver este concludente triunfo, que coloca o Brasil na pole position dos vencedores do próximo Mundial, lembrei-me de um passado recente. Em Outubro, circulou na imprensa a hipótese de Godinho Lopes contratar Scolari para treinador do Sporting. Logo surgiram dezenas de sportinguistas a insurgir-se contra este cenário, alegando que o campeão do mundo de 2002, seminafinalista do Europeu de 2004 e semifinalista do Mundial de 2006 não tinha qualidade nem categoria para treinar o nosso clube. Aconteceu tantas vezes no passado, continua a acontecer: teimamos em recusar alguns dos melhores profissionais do futebol com argumentos que não resistem a dois segundos da mais elementar lógica.

Claro que tudo não passou de cenário. Scolari, talvez o mais popular treinador de sempre em Portugal, custava demasiado aos cofres leoninos para ser encarado como hipótese séria. Quem lucrou com isso foi a selecção brasileira, para onde entrou como sucessor do contestado Mano Menezes.

E logo se viu a diferença.

Quando começaremos finalmente a conceder mérito a quem merece?

O segredo é a alma do negócio

De certo modo complementando o breve escrito do Diogo Agostinho, não deixo de reconhecer alguma ironia no facto de terem surgido tantos nomes para a função de treinador do Sporting, alguns declaradamente a oferecerem-se, no entanto, nenhum deles nem nenhum empresário confirma a existência de quaisquer contactos. Das duas uma, ou foram muitos contactados ou não foram nenhuns - mesmo os nomes mais em voga - o que significaria que o Sporting não irá ter treinador tão breve quanto é desejado e necessário. Dá asas ao velho provérbio: «O segredo é a alma do negócio», algo que não tem sido muito fértil para os lados de Alvalade no passado.

 

Com tudo isto, é igualmente plausível que só um tenha sido contactado e, para dar termo ao suspenso e ao tormento, chama-se Luiz Felipe Scolari, assinará um vínculo com validade até 30 de Junho de 2014, mais um ano de opção e o seu salário será 1,2 milhões, mais objectivos.

 

Se não se confirmar, retirarei tudo o que aqui adianto e repreenderei, severamente, a minha fonte.

 

P.S. Será possível voltar atrás com o negócio?... Visto que Rui Santos sugere que Jorge Jesus seria o treinador ideal para o Sporting!

A «guerra» não surpreende

 

O debate sobre quem deve ser o próximo treinador do Sporting é perfeitamente natural, até imperativo, diria, mas os meus «botões» dizem-me que a decisão já foi tomada e que a preferência recai sobre o brasileiro Luiz Felipe Scolari, mais recente ao serviço do Palmeiras no Brasil. As próximas horas/dias esclarecerão se os meus «botões» me enganaram ou não.

Scolari? Por favor vão ao Google

Gostem ou não de Felipão, o que é um direito que assiste a todos, antes de escreverem que ele não tem currículo vão ao Google. E leiam o currículo do homem, CLUBES e seleções, para depois escreverem e argumentarem com verdade. Não há nada que mais me enxofre que ler comentários fundados em erros de facto. Tudólogos?, sim. Mas conhecendo o «tudo». Depois disso, a opinião é livre e respeitável.

Põe os olhos nele Paulo!

bolas não lhe faltaram

 

Em Portugal está tudo tão distorcido que até a verdade parece inverosímil. Mesmo quando exibe um módico de evidência.

Reza a lenda que no Europeu de 2000 o treinador batia à porta da cabine antes dos jogos a perguntar se a linha já estava feita. A maior parte dos jogadores tinha uma carreira internacional, pelo que a querela Lisboa-Porto perdia sentido face aos superiores interesses do protagonismo em palco internacional.

Ao fêquêpê, acolitado pelas altas, médias e sobretudo muito baixas instâncias da FPF, este relaxamento era de todo inconveniente, pelo que em 2002 fomos à Coreia sob os auspícios do sr. Pinto da Costa, por interposta pessoa do sr. Oliveira Irmão, onde nem o abundante fornecimento de cabeças de alho disseminadas pelos cantos da cabine de modo a garantir a abstenção dos maus espíritos, logrou evitar a humilhação.

Com estas lições muito bem aprendidas, o sr. Scolari ou ia na conversa dos maus-olhados ou retomava o espírito de 2000: todo o poder aos jogadores, comigo a mandar neles. Foi o que fez, no que libertou imensa raiva e espuma dos donos do luso-ludopédico, bem acolitados pelos habituais patetas úteis. Os resultados, objetivos, tangíveis e patentes, foram os que se sabem e só espero que alguém consiga melhor tabela.

Claro que em Portugal há o costume peripatético de tanto opinar que mesmo sobre o que é irrefutável se derrama opinião. Ficámos em 2º em 2004? Ah, que poderíamos ter ficado em 1º; ah e se o Nuno Gomes tivesse entrado contra a França em 2006 íamos à final; ah e se a minha avó tivesse rodas seria um Ferrari.

Quem viu tudo isto com olhos de ver e sem óculos azuis às pintinhas encarnadas, ficará desconsolado com as recentes declarações do sr. Scolari – são uma perfeita banalidade, um autêntico truísmo.

O que dizem eles

29 de Maio de 2012 - «As declarações de Scolari não têm pés nem cabeça.»
30 de Maio de 2012 - «Recordo-me de uma única situação que eu saiba, e até não foi o presidente (Pinto da Costa) mas pessoas ligadas à estrutura do FC Porto. Neste caso, até foi legítimo, porque tinham jogo passado um dia ou dois. Estavam convocados quatro ou cinco jogadores para um jogo particular da Selecção em Coimbra, se a memória não me falha, e foi-nos chamado a atenção para o facto de o FC Porto ir disputar esse jogo, mas o sr. Scolari acabou por convocá-los. Se os pôs a jogar a tempo inteiro isso já não sei.» 
 -    Gilberto Madaíl    - 
 
29 de Maio de 2012 - (Em síntese, no programa Trio de Ataque): «Isto não tem pés nem cabeça... Scolari no seu pior... Diz muito e não concretiza nada... Acho que Scolari é um verdadeiro aldrabão, um pantomimeiro...Espero que a direcção do FC Porto diga qualquer coisa.»
-    Rui Oliveira e Costa    -
Observação: É sempre missão espinhosa quando se pretende encobrir verdades e, por vezes, nessa tentativa, a memória falha, no mínimo, atrapalha-se. Primeiro Gilberto Madaíl diz que as declarações do ex-seleccionador nacional não têm pés nem cabeça, no dia seguinte recorda-se de uma única interferência, mas legítima. Acontece que o FC Porto de facto disputou um jogo europeu com o Deportivo da Corunha, que até venceu por 0-1, no dia 4 de Maio de 2004. A Selecção Nacional jogou um particular, em Coimbra, no dia 28 de Abril. O problema com a versão do ex-presidente federativo é que dos 20 jogadores convocados por Felipe Scolari não se encontrava um único atleta portista. Após a entrevista concedida à RTP por Scolari, era de esperar que Gilberto Madaíl viesse a público refutar as declarações e defender aquilo que o público português sabe que é indefensável. Nunca existiram dúvidas que ao longo dos anos Pinto da Costa tem vindo a influenciar, ou pelo menos a tentar influenciar, dirigentes da FPF, incluindo seleccionadores nacionais, visando a defesa dos interesses do FC Porto, em detrimento do desporto nacional.
Quanto a Rui Oliveira e Costa e a sua representação no programa Trio de Ataque, se é que ainda existiam dúvidas, foram definitivamente esclarecidas, que não é um digno representante do Sporting Clube de Portugal, simbólico que seja e como Conselheiro Leonino. O seu usual discurso ambíguo, neste dia, evidenciou-se pela sua ausência, na reforçada defesa do... FC Porto. Por impossível que pareça, até conseguiu exceder Miguel Guedes que, por norma, surge com recados encomendados e muito bem estudados. É por demais desconcertante que o universo sportinguista seja exposto às intrujices de egos vazios a desfilar na passarela mediática, em pretensa representação do seu Clube.

Três em um (parte dois)

Sinto cada vez mais dificuldade em distinguir quais são as cores que Rui Oliveira e Costa verdadeiramente defende. As minhas dúvidas, confesso, avolumaram-se no passado dia 15, ao ouvi-lo sair em defesa aberta do Benfica no programa Trio d' Ataque (RTP i) dizendo que este clube não pode de forma alguma ser conotado com o regime derrubado a 25 de Abril de 1974, não se esquecendo também de elogiar Luís Filipe Vieira.

Mais confusão ainda me faz o apreço que o referido comentador exterioriza pelo presidente do FC Porto. Nesse mesmo programa, aliás, não teve dúvidas em afirmar o seguinte: «Muitos sportinguistas me criticam por eu apreciar Pinto da Costa. (...) Trinta anos de poder e dezanove campeonatos.» Manuel Serrão, Miguel Guedes e José Guilherme Aguiar não dirão algo muito diferente.

Mal refeito ainda destas monumentais sessões de graxa simultânea aos presidentes do Benfica e do FC Porto, ouvi ontem Oliveira e Costa insurgir-se abertamente no mesmo programa contra o ex-seleccionador nacional de futebol Luiz Felipe Scolari. Nestes termos exactos: «Scolari é um verdadeiro aldrabão, um pantomineiro.»

Estranhei esta linguagem, nada habitual num comentador que costuma aveludar cada frase que profere. Até porque tenho boa memória e não me esqueci que Oliveira e Costa foi um dos mais entusiásticos apoiantes de Scolari enquanto o brasileiro comandou o onze nacional (2003-08). É certo que o actual treinador do Palmeiras se encontra hoje muito longe de Lisboa e é sempre mais fácil criticar alguém que está a oito mil quilómetros de distância.

Mas cedo percebi o motivo de tanta animosidade. Scolari limitou-se a dizer em voz alta aquilo que todos já suspeitávamos: o presidente do FC Porto condiciona as escolhas da selecção nacional de futebol. Os portistas não gostaram desta revelação, claro - o que não admira. Oliveira e Costa também não - o que já espanta um pouco mais. Ou talvez não.

«A direcção do FCP tem-nos habituado a ser ágil a reagir», ia elogiando este sportinguista tão rendido ao duvidoso charme das agremiações rivais. Deixando-me cada vez mais confundido sobre a sua verdadeira afición clubística.

O que dizem eles

 

«Ele (Pinto da Costa) tinha influência nas escolhas da seleçção. Toda a gente sabe que tinha. Ele pode opinar sobre este ou aquele jogador, ele pode numa conversa muito interessante com o presidente da Federação sugerir a ideia de jogar aqui ou lá. Senti muito destas influências e por isso tive esta rixa.»

 

-    Luiz Felipe Scolari    -

 

Observação: Depois de tantos anos ainda com a Selecção Nacional em mente. Tem razão, toda a gente sabia, ou pelo menos suspeitava, as nebulosas acções do presidente do FC Porto, não obstante a nega de Gilberto Madaíl, que considerou a afirmação de Scolari «sem pés nem cabeça». Esperamos que tenham cessado com Paulo Bento, uma vez que foram por de mais evidente com Carlos Queirós, nomeadamente pelo conluio que levou à exclusão de João Moutinho do Mundial 2010. Comentou ainda o caso de Ricardo Carvalho que, segundo ele, já imaginava que acontecesse mais tarde ou mais cedo, pelas atitudes repentinas que o jogador assumia ocasionalmente.

Caro Paulo Bento

Pessoalmente, desde o princípio que me manifestei contra a tua exclusão do Hugo Viana dos selecionados. Tu és um gajo único em muitos sentidos, e também nisto: és o único treinador do mundo que prefere o Rúben Micael (o exemplo acabado do "brinca-na-areia") ao Hugo Viana. Será por ser madeirense e ter um nome duplo invulgar, algo americanizado e de gosto duvidoso? Enfim, tu lá sabes. São as tuas opções. Independentemente de nem sempre concordar com elas (tal como no Sporting), sempre te considerei um bom treinador.

De qualquer maneira não creio que as devas justificar. Deves responder que é um critério teu e é para isso que te pagam. Quando te ouvi, conciliador, como se estivesses a pedir desculpas pelo teu trabalho, a dizeres que o Hugo Viana "não tem lugar neste grupo", pensei logo que ia haver barraca. E eis que a barraca aconteceu - não com o Rúben Micael mas com o Carlos Martins. Se o Hugo Viana não tinha lugar, não tinha lugar e ponto final. Então basta sair o Carlos Martins para afinal o Hugo já ter lugar? Qualquer pessoa vê, Paulo, que aqui te cobriste de ridículo. Deverias aprender com o antecessor do teu antecessor, Scolari, que foi responsável por exclusões bem mais polémicas que a do Hugo Viana, e nunca o ouvimos justificar nenhuma. Nem tinha de o fazer! Nunca se viu por isso numa situação como esta em que tu te meteste.

Com votos de felicidades para a seleção e estima pessoal,

Filipe Moura.

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