Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

Da nossa primeira derrota no campeonato. Em São Miguel, comportámo-nos no jogo inteiro como na jornada anterior durante o primeiro tempo frente ao Portimonense: cedemos a iniciativa ao adversário, fomos surpreendidos pelo sistema táctico da equipa oponente e vários dos nossos jogadores pecaram por sobranceria ou displicência. Ao ponto de nem terem aproveitado duas ocasiões em que nos adiantámos no marcador: logo aos 10', por golo de Palhinha, e aos 50', quando Sarabia fez o 1-2 frente ao Santa Clara. Saímos derrotados por 3-2, com manifesta superioridade da equipa açoriana. Que no início desta 17.ª jornada estava em 15.º na classificação e tinha o terceiro pior ataque da Liga 2021/2022.

 

De Esgaio. Partida para esquecer do lateral direito, que actuou em vez de Porro, ainda lesionado. Tem culpas nos três golos sofridos. Abre o flanco em jeito de avenida no primeiro (30'), falha a marcação no segundo (51') e está totalmente desposicionado no terceiro (78'), quando o "patrão" Coates já actuava lá na frente, como ponta-de-lança improvisado. Com a saída de Neto, passou de lateral a central sem ter subido de rendimento.

 

De Neto. Regressou à titularidade, por impedimento de Gonçalo Inácio. Esteve muito longe de jogar com a serenidade e a sabedoria que a sua experiência como central faria pressupor. Foi sempre o elemento mais instável, inseguro e intranquilo do nosso trio mais recuado. Parecia jogar sobre brasas. Repartiu com Esgaio responsabilidades nos dois primeiros golos que o Sporting sofreu. Saiu aos 59', certamente consciente de que nada fez para ajudar a equipa.

 

De Paulinho. Uma nulidade. Pensávamos que os três golos apontados frente ao Portimonense tivessem funcionado como tónico, mas não. Voltou ao mesmo, agora sem fazer até as movimentações de área e as diagonais a que nos foi habituando. Nos momentos decisivos, nunca estava no lugar certo. Fez o primeiro (e único) remate aos 90'+4, com a baliza à sua mercê, atirando ao lado. 

 

De Nuno Santos. Muito marcado no seu corredor, fez vários centros mas quase nenhum lhe saiu bem: ou eram muito curtos ou muito longos ou fáceis de interceptar pela defesa adversária. Continua com o péssimo hábito de se atirar para o chão aos gritos simulando falta, atitude antidesportiva a que já devia ter posto fim. 

 

De Pedro Gonçalves. Nono jogo seguido sem marcar - uma diferença assinalável em relação à época anterior. Abusou dos remates inconsequentes e até marcou um livre de forma anedótica, aos 72', quando estávamos empatados 2-2. Compensou diversas falhas com um soberbo passe que funcionou como assistência para o golo de Sarabia, mas é pouco para quem tantas virtudes exibiu na temporada 2020/2021.

 

De Tabata. Única substituição antes da hora do jogo: entrou aos 59', rendendo Neto, para tomar conta do corredor direito com o recuo de Esgaio. Em nenhum momento foi capaz de fazer a diferença, invertendo a tendência da partida. Vai somando oportunidades perdidas. Maldição do n.º 7?

 

De Daniel Bragança. Entrada tardia, só aos 83'. A emenda acabou por ser pior do que o soneto. Muito nervoso, sem evidenciar os dotes a que nos habituou, foi expulso sete minutos depois por pisão num adversário. Inicialmente advertido com amarelo pelo árbitro Rui Costa, esta decisão foi revertida por intervenção do VAR. Passámos a jogar os últimos seis ou sete minutos só com dez quando precisávamos de marcar dois para vencer. 

 

Da ausência de Rúben Amorim. Não será coincidência: a primeira derrota do Sporting em competições internas desde Maio de 2021 ocorre com o treinador impedido de viajar para os Açores por ter covid-19. Foi dando instruções por telemóvel ao seu jovem adjunto Carlos Fernandes, mas isso é insuficiente. Os jogadores necessitam da presença física e da voz de comando do técnico principal. Acompanhar o jogo pelas imagens televisivas, que quase só se limitam a acompanhar a bola, não é a mesma coisa. 

 

Dos golos sofridos. Antes deste jogo, tínhamos sete. Agora já vamos com dez: metade ocorreram nas duas últimas jornadas, o que não augura nada de bom. O que é feito da consistência defensiva que sempre constituiu o principal trunfo deste Sporting de Rúben Amorim?

 

Da desorganização. Não é nada vulgar nesta era Amorim, mas o jogo partiu-se demasiado cedo e foram accionadas medidas de emergência que soaram em excesso a improviso. Sobretudo no quarto de hora final. Coates a ponta-de-lança procurando colmatar a ineficácia de Paulinho, Palhinha recuando para a posição do uruguaio, Esgaio transitando de lateral para central... Tanta baralhação não trouxe nada de bom. 

 

Das substituições. Face ao descalabro deste nosso primeiro jogo disputado em 2022, apenas duas: troca de Neto por Tabata e de Matheus Nunes por Bragança. Ficaram três por fazer. Porquê? Falta de confiança em quem permaneceu no banco? Se alguém tinha dúvidas sobre a insuficiência deste plantel quando enfrentamos quatro provas em simultâneo e se avizinham jogos de selecções que nos desfalcarão ainda mais a equipa, este jogo tornou isso muito evidente.

 

 

Gostei

 

Do nosso primeiro golo, aos 10'. Fortíssimo disparo de João Palhinha, rasteiro, muito bem colocado, aproveitando da melhor maneira um ressalto que levou a bola a sair da grande área do Santa Clara. Este lance começa a ser construído pelo próprio Palhinha com um magnífico passe longo a toda a largura a partir da esquerda a que Sarabia deu a melhor sequência após impecável recepção junto à linha direita.

 

Do nosso segundo golo, aos 50'. A bola bombeada por Pedro Gonçalves sobrevoa a linha defensiva açoriana. Sarabia, esquivando-se à marcação perto do segundo poste, nem a deixa tocar no chão: remata de primeira com o seu pé menos bom (o direito), numa diagonal bem desenhada. Intervenção no primeiro golo e marcador do segundo: o internacional espanhol merece ser destacado como o melhor dos nossos em campo. Ou antes, o menos mau.

Dia de anticiclone

Veio-me à memória Anthimio de Azevedo, cara célebre do "tempo" na RTP, que nos explicava com palavras que todos entendíamos, os letrados e os menos, os segredos do tempo para o dia seguinte.

Aquilo podia dar as voltas que desse, mas lá aparecia sempre o anticiclone dos Açores, que em regra nos trazia vento e chuva, um tempo desgraçado portanto, ainda que a chuva faça muita falta, excepto nas minhas costas, que sem chuva a sério nem vinho de jeito há.

E hoje então, veio-me à memória o anticiclone.

Um anticiclone que deu cabo dos neurónios ao Neto. Ao Esgaio. Ao Pedro Gonçalves. Ao Nuno Santos. Ao Paulinho. Ao Tabata. E quando uma tempestade destas toma conta de uma equipa, e no banco o meteorologista não percebe patavina de prever o tempo, a alta pressão passa a baixa pressão e o facto de ter estado duas vezes acima das nuvens, não foi suficiente para evitar uma enxurrada das antigas.

Mau tempo no (canal)s Açores, diria Vitorino com a sua voz calma e reconfortante.

Mas hoje nem isso, não há bonança que salve esta tempestade.

E sem paninhos quentes, isto não foi apenas uma brisa, foi um fdp dum furacão!

O dia seguinte

Começando pelo fim, foi uma derrota merecida a do Sporting hoje em Ponta Delgada, contra um Santa Clara que deve ter feito o melhor jogo desde há muito, e sem muito que reclamar da arbitragem. 

Patrão fora, dia santo na loja. E até foi um jogo em que o Sporting teve tudo para ganhar, com dois golos bem cedo em cada uma das partes, que em vez de servirem para trazer tranquilidade e confiança, vieram trazer desatenções e asneiras descabidas.

Tudo começou na zona direita da defesa, com Neto e Esgaio numa noite para esquecer, que falhando passes destruiam a saída a jogar habitual do Sporting, e, sem grande ajuda de Sarabia, eram uns passadores a defender. Assim, a bola saía demasiado depressa pelos médios sempre em desvantagem numérica na zona do meio-campo, o Sporting lançava-se no ataque, criava de facto oportunidades, mas deixava partir o jogo, e as bolas perdidas no ataque depressa se transformavam em ocasiões perigosas para o Santa Clara. Marcando primeiro por um remate improvável de Palhinha, ainda mais se acentou esse "jogo de matraquilhos", maravilha para os espectadores da TV mas um monte de nervos para o desgraçado que ficou de fora. 

 

Veio a segunda parte, esperava-se que a excelente primeira parte do Santa Clara tivesse deixado marcas e que o Sporting tivesse outro domínio no terreno do jogo, parecia que as coisas iam nesse sentido, Sarabia marca e normalmente o jogo terminaria ali, mas o que veio foi um falhanço colectivo tremendo, tudo a ver jogar o adversário e o golo do empate. 

E aqui temos que parar para pensar. Tirando Adán, Coates, Palhinha (e este já andava a meio gás) e Sarabia, quem é que estava a justificar a titularidade? E, olhando para o banco, quem é que lá estava para dar a volta ao texto? O plantel é curto ou não é? 

Sim, estavam lá Ugarte e Bragança. Mas quem iria sair? Palhinha ou Matheus Nunes?

Sim estava lá TT. Para sair quem? Sarabia ou Pote?

E quem é que lá estava mais? Algum outro Paulinho, Pote ou Sarabia? 

 

A substituição que se seguiu, habitual em Amorim, nada resolveu. Se Neto estava péssimo do lado direito da defesa, Esgaio péssimo ficou no mesmo sítio e Tabata, de pé contrário sem capacidade de centro à primeira, pouco adiantou. Com o lado direito coxo, o lado esquerdo retraía-se e a despesa ficava por conta dum Matheus Nunes que transportava muito mas sempre falhava no último passe.

O golo do empate deu cabo da equipa. Passou de estar a ganhar e poder gerir o jogo, já na 2.ª parte, para estar empatada um minuto depois e a ter de voltar a sair atrás do prejuízo. Tudo passou a ser feito mais com o coração do que com a cabeça: lá foi Coates para ponta de lança, oportunidades ainda existiram mas outro erro colossal de Esgaio esteve na origem de mais um golo sofrido e a derrota. Cereja em cima do bolo do Santa Clara, Paulinho falha com a baliza escancarada em plenos descontos. 

 

Há quem diga que a equipa não teve atitude, que não correu, que não lutou. Eu acho é que correu de mais e jogou de menos. Faltou confiança, faltou frescura mental, têm sido muitos jogos, muito covid, passagem do ano a distrair um ou outro, desgaste acumulado, e são sempre os mesmos que têm de resolver. Não são de ferro. 

E agora? Agora perdemos três pontos, se tivéssemos empatado perdíamos dois, pelo menos no final desta jornada estaremos em segundo. Os rivais já perderam e vão perder pontos também. Analisar o que correu mal, treinar, focalizar e voltar ao normal. Um Sporting que joga e não deixa jogar. Um Sporting que sofre muito poucos golos.

As grandes equipas são aquelas que depressa recuperam das quedas. Este Sporting de Amorim é uma grande equipa. 

 

PS: O segundo golo do Santa Clara tem de ser visto, revisto e trevisto. O Santa Clara reinicia o jogo com passe para trás, o trio avançado corre à pressão, Nuno Santos também, bola por alto para onde o Nuno devia estar e não estava, quando Matheus Reis lá chega a bola já circulou para o lado contrário, Palhinha falha o corte de carrinho e fica fora do lance, a bola regressa a esse jogador e remate para o golo. Inacreditável... Mas não estávamos a ganhar??? Está alguém farto de ganhar por 2-1???

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

 

Amanhã à noite em Ponta Delgada

22225873_C5tIl.jpeg

 

Voltamos amanhã a Ponta Delgada para mais um encontro da 1.ª Liga, onde continuamos na liderança a par com o Porto e com 7 pontos de vantagem relativamente ao Benfica. 

Com o mercado de Inverno aberto, e uma pandemia que continua a jogar por fora, este mês de Janeiro parece como uma fase de preparação para a corrida aos grandes objectivos da temporada. Neste mês vamos então ter Santa Clara (F), Leça (F), Vizela (F), Braga (C), Santa Clara (TL) e Benfica (?) (TL), e estes 3 primeiros jogos fora em terrenos pesados (ainda agora a ilha de São Miguel foi atingida por um temporal tremendo) vão ser bem complicados para a equipa.

Na época passada os dois jogos com o Santa Clara, na altura orientada por Daniel Ramos, foram bem complicados. Os dois ganhos por 2-1, com golos no final dos jogos por Pedro Gonçalves e Coates (este aos 90+3mn). Esta época o clube açoriano está mal classificado e vai fazer tudo para subir na tabela.

O maldito vírus está a ditar leis, desta vez o próprio Amorim e Gonçalo Inácio vão estar de fora, mas Feddal, Porro e Tabata estão de volta, Vinagre e Jovane continuam a recuperar de lesões.

Assim, o Sporting pode entrar amanhã na máxima força:

Inicial: Adán; Neto, Coates e M. Reis; Porro, Palhinha, M. Nunes e N. Santos; P. Gonçalves, Paulinho e Sarabia.

 

Concluindo,

Amanhã o Sporting entra em campo em Ponta Delgada para tentar continuar na liderança da Liga.

Considerando o sistema táctico de Rúben Amorim, qual seria o vosso onze?

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

O melhor prognóstico

Há semanas assim: registamos aqui dezenas de prognósticos, vários dos quais andam muito perto do resultado do jogo, mas quase ninguém acerta. Excepto um, neste caso: só o nosso leitor Ângelo foi capaz de antecipar o desfecho do Sporting-Santa Clara (2-1). E ainda mencionou Pedro Gonçalves como marcador de um dos golos.

Motivo redobrado para justificar os nossos parabéns.

 

O dia seguinte

Quando liguei a TV e vi um Pedro Gonçalves no chão a contorcer-se com dores aquando do aquecimento da equipa, fiquei com um mau pressentimento, pensei logo que as coisas não iam correr nada bem neste primeiro jogo depois da bem sucedida visita ao Dragão e da descompressão natural do plantel daí decorrente.

Começou o jogo e tudo se confirmou. Os primeiros minutos foram do Santa Clara com uma série de cantos a seu favor, e o Sporting a sair bem em construção mas sem imaginação nem soluções para criar qualquer perigo. Duma situação fortuita, um roubo de bola, um passe curto perfeito, um remate preciso, veio o golo de Pedro Gonçalves, e logo pensei que o mais difícil estava feito, seria aumentar o ritmo, marcar o segundo e fechar a loja. Mas nada disso aconteceu, a equipa continuou na mesma cadência, numa circulação de bola que cansava o adversário mas pouco mais e o intervalo chegou sem qualquer oportunidade para aumentar a vantagem.

Veio a segunda parte e nada melhorou, antes pelo contrário. Os minutos foram passando sem qualquer oportunidade de golo para ambos os lados, fui olhando para o relógio, os 90 minutos nunca mais chegavam para acabar com tão pobre jogo, mas na passagem dos 80 um contra-ataque rápido, um centro largo para o lado contrário, um centro tenso que Feddal cortou para os pés do avançado do Santa Clara e empate. Já fomos, pensei. E fizemos por isso, pensei também. E lá veio um chorrilho de asneiras em voz alta para descomprimir.

Mas o golo do adversário parece que accionou um despertador. Na equipa e em Amorim, que logo recorreu ao plano C (de Caos, de Coates, de C... vamos a eles). Com Jovane e Coates lá na frente, a equipa começou a correr, a bola a circular com critério, o adversário encostado às cordas, primeira oportunidade falhada, segunda falhada, terceira lá dentro. E lá soltei um berro que se ouviu na estação dos comboios.... Uff...

 

Mas então o que correu mal ontem para ser preciso tanto sofrimento?

Podemos falar de desgaste, da tal descompressão, da atitude, mas antes do mais existe uma questão que esta equipa continua a ter dificuldade de resolver: conjugar controlo com intensidade, é intensa quando não pensa em controlar, controla o jogo baixando de intensidade, parece que funciona a uma só velocidade. Ontem isso teve muito a ver com os dois alas que estiveram francamente mal, sem rasgarem pelo corredor nem municiarem um Tiago Tomás também ele sem sem soluções. Com esse triângulo ofensivo sem funcionar, João Mário, Tabata, Pedro Gonçalves agarravam-se à bola no meio de muitos adversários e tornavam-se inconsequentes, com excepção do primeiro golo, cozinhado entre os três. Com Matheus Reis e Nuno Santos finalmente houve flanco esquerdo, mas do lado direito Matheus Nunes foi sempre um peixe fora de água, Plata faz muitíssimo melhor o lugar.

Mas pronto, agora com a santa protectora Maria José Valério a amparar-nos, foram mais 3 pontos neste caminho das pedras para a Champions ou "algo mais".

 

Importa agora recuperar fisicamente Paulinho e Porro, E também, se calhar, mentalmente Jovane e Plata, dar descanso a alguns jovens desgastados que já muito fizeram, e ir ganhar "à minha terra", onde Coates e o Sporting já foram muito felizes também.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Dos três pontos conquistados em Alvalade. Desta vez o triunfo ocorreu contra o Santa Clara. Começado a construir aos 22' e consumado já no tempo extra - uma vez mais - quando estava decorrido o penúltimo dos quatro minutos de compensação concedidos pelo árbitro. Desatando assim o empate que a equipa açoriana ameaçara impor aos 84'. Este Sporting soma e segue. Com estrelinha, sim. Mas não há campeões sem sorte, nunca houve. 

 

De Coates. Foi ele quem nos valeu esta vitória. Actuando novamente como se fosse ponta-de-lança - posição que continua por preencher neste Sporting 2020/2021. Num cabeceamento letal, correspondendo da melhor maneira a um cruzamento de João Mário. Já antes, aos 87', fizera um amortecimento impecável, também de cabeça, para servir Jovane em zona frontal da grande área e aos 89' cabeceara ao lado após um canto. Quando a equipa peca por excesso de juventude, entra ele em cena, impondo a maturidade. Voltou a acontecer. O melhor em campo.

 

De João Mário. Outro desempenho de grande nível do campeão europeu, titular indiscutível deste Sporting que ontem deu mais um passo decisivo para vencer o campeonato nacional. Esteve nos dois golos da equipa: aos 22', recuperando lá na frente, quase junto à linha direita, uma bola que parecia perdida e metendo-a com critério nos pés de Tabata, que assistiu Pedro Gonçalves; aos 90'+3, assistindo Coates com um cruzamento tenso e teleguiado. Recuperou muitas bolas a meio-campo e soube endossá-las aos colegas com superior qualidade técnica. Que diferença para a época passada, quando tínhamos um meio-campo povoado com Eduardos e Doumbias...

 

De Pedro Gonçalves. Até esteve apagado e algo errático. Mas no momento crucial a equipa voltou a contar com ele. Ao marcar o nosso primeiro golo, num remate cruzado, rasteiro, bem assistido por Tabata. Lidera cada vez mais isolado a lista dos marcadores da Liga. Já com 15 golos.

 

Das substituições feitas por Rúben Amorim. Uma vez mais, grande argúcia do treinador ao mexer na equipa. Matheus Reis (substituiu Nuno Mendes aos 57'), Nuno Santos (substituiu Tiago Tomás aos 70'), Daniel Bragança (substituiu Tabata aos 71') e Jovane (substituiu Feddal aos 86') mexeram com o jogo leonino, melhorando a nossa movimentação em campo. Matheus revelou muito mais acutilância no corredor esquerdo, Nuno foi vital no golo da vitória ao cruzar a toda a largura lá na frente para recepção de João Mário, Daniel destacou-se nas movimentações entre linhas e Jovane iniciou a construção do lance decisivo, culminado no cabeceamento de Coates que todos festejámos. Único reparo: o luso-caboverdiano, um dos maiores desequilibradores do plantel, devia ter entrado mais cedo.

 

Da eficácia da equipa. Ao primeiro remate, e único na primeira parte, marcámos o golo inicial, construindo o resultado que se mantinha ao intervalo. Seguiram-se mais três ocasiões, duas das quais desperdiçadas: Nuno Santos quase marcou aos 72' (defesa apertada do guarda-redes); Jovane atirou à figura aos 87' e Coates fez o 2-1 ao cair do pano. Quatro oportunidades, dois golos. Sorte? Sim. Mas talento e mérito também.

 

Do Santa Clara. Entrou muito bem no jogo, complicando a vida ao Sporting a pressionar alto e a condicionar a nossa saída de bola: aos 3', já tinha conquistado três cantos. Sem estacionar o autocarro, jogando de forma descomplexada. A equipa de São Miguel mereceu o golo marcado aos 84' (aproveitando um mau alívio de Feddal) e não teria sido injusto se tivesse saído de Alvalade com um empate. Faltou-lhe a sorte que nós tivemos.

 

Da nossa reacção ao empate. Acelerámos o ritmo, impusemos enfim a nossa superioridade no plano técnico, demonstrámos saber jogar como equipa grande - o que não tinha acontecido até ao Santa Clara empatar. Foram dez minutos de pressão constante sobre a baliza açoriana, com bons lances colectivos e evidente «união de grupo», como acentuou o capitão Coates na zona das entrevistas rápidas após o fim da partida. Frase-chave para definir este Sporting.

 

Do árbitro. Actuação meritória do juiz da partida: Manuel Oliveira impôs um critério largo, coerente do princípio ao fim, numa partida facilitada pela atitude correcta dos jogadores de ambas as equipas. Demonstrando, a outros senhores do apito, que é possível arbitrar com isenção e competência. Fica o elogio, sem favor algum. 

 

De ver mais um recorde batido. Continuamos invictos à 22.ª jornada. Melhor desempenho de sempre do Sporting nesta fase, utrapassando o anterior máximo - 21 jogos seguidos sem derrotas num mesmo campeonato - estabelecido pela equipa campeã liderada por Malcolm Allison na saudosa época 1981/1982. Na Europa, só Rangers (30 jogos consecutivos sem perder) e Estrela Vermelha (23 jogos) estão melhores que nós neste aspecto.

 

De já somarmos 58 pontos. Correspondentes a 18 vitórias e quatro empates. Mais um do que o Benfica na época passada (19V - 0E -3D), mais quatro do que o FC Porto na temporada 2018/2019 (17V - 3E - 2D).

 

Que o Sporting continue a marcar, jogo após jogo. Ainda não ficámos em branco em nenhum dos jogos disputados no nosso estádio nesta Liga 2020/2021.

 

De continuarmos a ser, de longe, a equipa menos batida. Só onze golos sofridos em 22 jornadas. Média exacta: apenas meio golo por desafio. O equilíbrio defensivo é um dos segredos do nosso sucesso.

 

 

Não gostei
 

 

De Nuno Mendes. Talvez a pior exibição do jovem ala esquerdo na equipa principal. Totalmente desinspirado. Falhou passes, desperdiçou cruzamentos, foi incapaz de progredir no terreno, emperrou o jogo no seu corredor. O treinador deu-lhe ordem para sair, aos 57'. Ficou a sensação de que já saía tarde.

 

De Tiago Tomás. Outro jogador que passou ao lado da partida. Deixou-se condicionar pela marcação, foi facilmente anulado pelos centrais adversários e faltou-lhe engenho para vir buscar a bola mais atrás. Teve uma oportunidade soberana de visar as redes, aos 48', mas desperdiçou-a por deficiente recepção. Saiu aos 70', sem ter feito um só remate.

 

Da ausência de Porro. O internacional sub-21 ficou fora da convocatória, por lesão muscular. Matheus Nunes actuou no seu lugar, mas com bastante menos eficácia: foi uma solução de recurso que só confirmou como Porro é indispensável no onze titular e o recém-regressado João Pereira não chega a ser alternativa.

 

Da nossa apatia ofensiva. Tirando o lance do primeiro golo, só fizemos um segundo remate à baliza aos 72', por Nuno Santos. Cinquenta minutos sem tentar alvejar as redes adversárias. Como se a prioridade absoluta fosse defender a magra vantagem conseguida cedo. Jogo pastoso, desenrolado em poucos metros e abusando dos passes à queima para o guarda-redes Adán. Em vez de nos virarmos na direcção contrária.

 

De ouvir a Marcha do Sporting já com a voz póstuma de Maria José Valério. Se o Sporting for campeão, como quase todos desejamos, essa título deverá ser dedicado a ela.

Amanhã à noite em Alvalade

22032754_GsB9w.jpeg

(Ainda falta um pouco para ser assim...)

 

Ultrapassada que foi com sucesso a sempre difícil deslocação ao Dragão, o Sporting começa amanhã um ciclo de sete jogos com equipas acessíveis, fora do grupo dos três perseguidores: Santa Clara (C), Tondela (F),  Guimarães (C), Moreirense (F), Famalicão (C), Farense (F) e B-SAD (C), a que, com excepção do Famalicão, todos venceu na 1.ª volta.

Quanto ao Santa Clara, encontra-se numa situação confortável da classificação, é uma equipa que baixa as linhas e sai rápido para o contra-ataque, e foi assim que chegou ao golo na 1.ª volta aproveitando da melhor forma um mau passe de Coates. Lá em São Miguel,  Pedro Gonçalves resolveu o jogo aproveitando falhas da defesa e do guarda-redes adversário que oxalá se repitam amanhã.

Felizmente, com excepção de Paulinho, não existem lesionados nem infectados. Todo o plantel está disponível. 

Imagino que Amorim convoque os seguintes elementos:

Guarda-redes: Adán e Max.

Defesas Centrais: Neto, Coates, Feddal, Inácio, Matheus Reis e Quaresma.

Alas: Porro, Nuno Mendes e João Pereira.

Médios Centro: Palhinha, João Mário, Bragança e Matheus Nunes.

Interiores: Pedro Gonçalves, Jovane, Nuno Santos e Tabata.

Ponta de lança: Tiago Tomás.

E apostava no seguinte onze, que deixa de fora o desgastado Tiago Tomás para entrar Jovane tal como no jogo da 1.ª volta:

Adán; Inácio, Coates e Feddal; Porro, Palhinha, João Mário e Nuno Mendes; Pedro Gonçalves, Jovane e Nuno Santos.

 

Concluindo,

Amanhã o Sporting entra em campo em Alvalade para ultrapassar o Santa Clara e manter a vantagem pontual na liderança da Liga.

Considerando o sistema táctico de Rúben Amorim, qual seria o vosso onze?

#OndeVaiUmVãoTodos

 

PS: Na última jornada quase todos acertaram. Também não está a ser nada difícil acertar.

SL

Prognósticos antes do jogo

Amanhã, às 20.45, teremos mais um desafio. O 22.º desta Liga 2020/2021.

Vamos receber o Santa Clara, equipa que está a fazer um bom campeonato: segue em sétimo, com 21 pontos. 

O jogo correspondente a este, na época passada, disputou-se a 10 de Julho e terminou com vitória tangencial leonina: 1-0, com golo apontado por Jovane

Será diferente agora?

Venham daí os vossos prognósticos para este Sporting-Santa Clara.

A ver se nos entendemos

As buscas feitas hoje pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público (e finanças e PGR e o diabo a sete) às SAD's de Benfica e Sporting é em tudo semelhante: Um número elevado de inspectores e operacionais "invadiu" as instalações daquelas SAD's ( e também do Santa Clara e soube-se mais tarde, Académica ) em busca de indícios, provas, para acusações já formalizadas anteriormente.

Bom em tudo, em tudo... não! Passo a tentar explicar: A "Judite" foi a Alvalade em busca de provas do suposto branqueamento de 20 milhões de Euros por parte de Álvaro Sobrinho, um dos accionistas de referência da SAD do Sporting, através da sua empresa Holdimo, quando esta comprou grande parte da sua posição. Sporting a ver com isto? Nada, ou pouco mais, pelo menos pela informação prestada pelas autoridades. Já a entrada retumbante pela porta 18 do batalhão de polícias, teve como fito "negócios no futebol". E que "negócios no futebol" serão então esses? Ora bem, "durante a manhã de hoje, a Procuradoria Geral da República (PGR) confirmou a realização de 29 buscas: "oito domiciliárias; uma, a uma fundação; seis, a instalações de três sociedades desportivas; nove, a outros tipos de sociedade; três, a dois clubes desportivos; e duas, a dois escritórios de advogados"." Segundo o Sapo, esta plataforma onde estamos alojados, que consegue misturar o comunicado da Sporting SAD no  meio da notícia sobre o Benfica e Santa Clara. Querem saber o que querem dizer esses "negócios do futebol" que levaram um autocarro de autoridades de polícia criminal e alguns magistrados do MP e inspectores de finanças ao Estádio da Luz e aos Açores e a mais um ror de sítios e locais? Pois bem, lá vai o rol: Participação económica em negócio ou recebimento indevido de vantagem, corrupção ativa e passiva no fenómeno desportivo, fraude fiscal qualificada e branqueamento; Negócios de diversa natureza, todos relacionados com o futebol profissional; Aquisição dos direitos desportivos e económicos de jogadores por parte de clubes nacionais de futebol, empréstimos concedidos a um destes clubes e a uma sociedade desportiva por um cidadão de Singapura com interesses em sociedades sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas e a utilização das contas do mesmo clube e de outro, para a circulação de dinheiro; Pagamento em dinheiro de prémios de jogo, a satisfação de dívidas pessoais de dirigentes, a utilização por estes de valores dos clubes e a omissão declarativa de operações fiscalmente relevantes; A falsificação, através dos meios atrás descritos, da verdade desportiva, concretamente o campeonato 2015/2016 o qual pode ter sido (segundo a acusação) conseguido com recurso a corrupção de jogadores adversários, tudo consubstanciado nos processos e-toupeira e mala ciao.

Como vemos, um pouco diferente, até porque Godinho Lopes (ao tempo dos factos buscados hoje, presidente do Sporting) ao lado de Vieira é um moço de coro e até Bruno de Carvalho, que lhe sucedeu e ainda é "apanhado" por um ano neste assunto, era ao lado de Luís Filipe, um aprendiz de feiticeiro.

O que as notícias não referem e não acredito que por ignorância, é que a provarem-se ambas as acusações, na primeira Álvaro Sobrinho poderá acabar preso (tenho sérias dúvidas que mesmo provando-se, isso venha a acontecer); Na segunda, a provarem-se as acusações, o Benfica e o Santa Clara serão punidos com a despromoção e a consequente descida aos campeonatos amadores. Juro que se isso viesse a acontecer, começaria a acreditar no Pai Natal.

O melhor prognóstico

Houve uma dezena de palpites a apontar para 0-2, quase tantos outros antevendo 1-3. E nem faltaram antevisões de goleadas leoninas em Ponta Delgada.

O resultado deste Santa Clara-Sporting acabou por ser 1-2. Vitória tangencial, com dois golos de Pedro Gonçalves. Parece um resultado banal, mas na nossa jornada de prognósticos surgiu apenas um vencedor isolado: o nosso leitor Luís Ferreira, a quem felicito pela boa pontaria.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Do desafio superado contra o Santa Clara. Vitória leonina por 2-1 no estádio de São Miguel - um  terreno sempre difícil de onde acabamos de trazer mais três pontos. E vão dez, em quatro desafios: três vitórias e um empate (com o FC Porto), com apenas um jogo cumprido em casa.

 

De Pedro Gonçalves. Melhor em campo pelo segundo jogo consecutivo. Decisivo, foi ele a marcar os dois golos, em estreia absoluta de verde e branco. O primeiro, aos 20', muito bem isolado por Jovane: domina, supera a marcação e de um ângulo muito fechado, quase em cima da linha final, dispara com o seu pé menos bom, o esquerdo. O segundo, aos 81', dando a melhor sequência a um passe longo de Feddal e aproveitando a saída extemporânea do guardião adversário. É um caso sério de competência e virtuosismo. 

 

Do nosso meio-campo. Palhinha e Matheus Nunes parecem jogar juntos há muito tempo. E, no entanto, foi apenas a segunda partida em que formaram dueto no miolo da equipa. O português exímio na recuperação de bolas e o jovem brasileiro cada vez mais influente na manobra ofensiva. Ambos com arcaboiço para todos os confrontos imediatamente antes e depois da linha divisória do terreno. 

 

Da nossa primeira parte. Superioridade absoluta do Sporting neste período, em que podíamos ter dilatado mais a vantagem. Com vários jogadores a fazer a diferença, além dos já mencionados: Nuno Mendes como lateral adiantado junto à linha esquerda, Porro em constante vaivém no flanco oposto e Nuno Santos em contínuas acelerações no último terço do terreno, também à esquerda. Criando sucessivos desequilíbrios. 

 

De João Mário. Ainda sem ritmo competitivo, entrou só aos 65', rendendo um fatigado Matheus Nunes. E trouxe inegável qualidade ao processo ofensivo da nossa equipa. Com visão de jogo, precisão de passe, capacidade de drible e frieza quando havia necessidade de temporizar os lances. É um privilégio voltarmos a contar com um campeão europeu nas nossas fileiras. 

 

Da qualidade dos reforços. Nada a ver com o início da época 2019/2020: desta vez houve acerto nas escolhas. Seis dos titulares na partida de hoje em Ponta Delgada não integravam o nosso plantel da temporada anterior: Adán, Porro, Feddal, Palhinha, Nuno Santos e Pedro Gonçalves. Faz toda a diferença.

 

Da aposta na formação. Hoje actuaram seis elementos formados na Academia de Alcochete: Nuno Mendes, Palhinha, Jovane, João Mário, Tiago Tomás (substituiu Neto aos 56', quando Rúben Amorim procurou, com sucesso, desfazer o empate registado ao intervalo) e Gonçalo Inácio (substituiu Nuno Santos aos 88'). O caminho faz-se caminhando.

 

De ver público nas bancadas. Quase oito meses depois, um jogo do Sporting voltou a ter alguma assistência ao vivo. Só é lamentável a disparidade de critérios: a Direcção-Geral da Saúde autoriza nos Açores o que nega no continente. Como se a Liga não fosse uma prova de âmbito nacional, com regras que devem aplicar-se de modo uniforme em todos os estádios da primeira divisão portuguesa.

 

 

Não gostei
 

 

Do erro clamoroso de Coates. Com inaceitável displicência, o capitão leonino depositou a bola em zona proibida nos pés dum adversário, abrindo-lhe uma avenida rumo à nossa baliza. Num momento em que ninguém o pressionava, quando o Sporting dominava por completo a partida. Foi no minuto 42: o uruguaio ofereceu assim de bandeja a única oportunidade de golo ao Santa Clara, que o avançado Thiago Santana não desperdiçou. Falha de principiante protagonizada pelo central, que já no desafio anterior contribuíra para o primeiro golo portista em Alvalade.

 

De Sporar. Nova oportunidade desperdiçada pelo avançado esloveno, lançado pelo técnico leonino ao minuto 56, rendendo Jovane. Estático, sem reflexos, neutralizado pela marcação, falhou dois golos cantados: o primeiro aos 73', num centro teleguiado de Porro, cabeceando para fora quando estava em posição frontal; o segundo aos 77', quando só precisava de encostar o pé para dar a melhor sequência a um soberbo cruzamento de João Mário. Uma nulidade.

 

De termos encaixado o primeiro golo fora de casa. Após duas vitórias com as nossas redes invictas (em Paços de Ferreira e Portimão), o erro infantil de Coates estragou-nos esta média. Ao quarto jogo, levamos oito marcados e três sofridos.

 

Do "ervado" de São Miguel. Vergonhoso, o estado do terreno, empapado e cheio de socalcos: mais parecia uma terra de cultivo, com os jogadores a escorregar e a cair continuamente. Isto contribuiu para a má qualidade do espectáculo, sobretudo na segunda parte. Ainda assim, o Sporting foi de longe a equipa que dispôs de mais oportunidades de golos neste tapete impraticável. A derrota tangencial acaba por ser lisonjeira para a turma açoriana.

Prognósticos antes do jogo

Vamos jogar pela quarta vez na Liga 2020/2021. Com uma difícil deslocação a Ponta Delgada, onde enfrentaremos o Santa Clara este sábado, a partir das 18 horas. 

Na temporada anterior, recordo, fizemos ali o nosso melhor resultado: vitória por quatro golos sem resposta, com Silas ainda a treinar a equipa e um onze titular com seis nomes que já não constam do plantel leonino. Basta lembrar alguns: Mathieu, Acuña, Wendel e Bruno Fernandes. Além de Luiz Phellype, afastado desde Janeiro por lesão. Dois dos nossos golos nesse encontro foram dele. Bolasie e Bruno Fernandes marcaram os restantes.

Venho agora perguntar-vos quais são os vossos prognósticos para o jogo de amanhã.

Era o que faltava

323398_med_estadio_de_sao_miguel.jpg.jpg

Estádio de São Miguel

 

Enfim, quase sete meses depois, boas notícias para o futebol. O próximo jogo Santa Clara-Gil Vicente, do campeonato nacional, e os desafios Portugal-Espanha e Portugal-Suécia, da equipa das quinas no âmbito da Liga das Nações, já poderão contar com público nas bancadas. Por enquanto ainda em versão muito restrita: mil espectadores permitidos no estádio açoriano, e números que oscilam entre 2500 e 5000 mil assistentes nos desafios da selecção, ambos a realizar no estádio José Alvalade. 

O futebol deixa de ser um dos últimos redutos interditos à normalidade possível nestes tempos ainda marcados pela pandemia. Entre múltiplas contradições das autoridades políticas e sanitárias, que foram andando aos ziguezagues nesta matéria, autorizando numas situações (provas hípicas e do desporto motorizado) o que proibiam noutras (quase todas as modalidades, além do futebol). Como não deixei de denunciar aqui.

Ainda há cinco dias escrevi isto: «Não gostei nada de esperar 61 dias pelo regresso do futebol leonino aos jogos oficiais. E menos ainda que este tardio início da temporada tenha ocorrido sem público, à porta fechada, com os sócios banidos do estádio. Quando touradas, circos, comícios, celebrações políticas e religiosas, espectáculos teatrais, sessões de cinema, provas hípicas, corridas de automóveis, shows humorísticos e festarolas diversas já podem contar com público. O futebol - que gera tantas receitas fiscais para o Estado e cria pelo menos 80 mil postos de trabalho directos e indirectos em Portugal - continua a ser tratado como inaceitável filho de um deus menor.»

 

São passos positivos, mas ainda tímidos. Exigem novo protocolo entre a Liga de Clubes e a Direcção-Geral da Saúde para vencer as últimas reticências deste organismo, eivado de preconceitos contra o público que costuma acompanhar ao vivo os jogos de futebol. Não faz o menor sentido que a DGS autorize à Federação o que tem negado à Liga, como se confirma pela luz verde emitida pelas autoridades sanitárias aos jogos da chamada "equipa de todos nós". Nem ninguém perceberá que nos desafios tutelados pela Liga se permita apenas nos Açores - a pretexto da autonomia regional - o que se recusa numa prova desportiva de âmbito nacional, onde as condições de igualdade competitiva são uma exigência irrecusável.

Aberto o precedente insular, não resta opção: também os estádios do continente devem admitir adeptos, em circunstâncias similares. Era o que faltava tolerar-se um cenário alternativo: apenas o estádio de São Miguel, onde joga o Santa Clara, contar com o aplauso e o incentivo do seu público. Como já tenho visto tanta coisa desprovida de sentido e lógica no futebol português, aqui fica desde já o meu alerta.

 

Leitura complementar:

Chutado para canto (3 de Setembro)

De disparate em disparate (10 de Setembro)

 

Sentar-se em cima do resultado

Muitas qualidades diferentes podem ser valorizadas numa equipa de futebol, entre elas, o poder de fogo ofensivo, o domínio do jogo, o contra-ataque, a intensidade, o jogar em todo o terreno, a capacidade defensiva e a tal "nota artística" que cada um avalia conforme entende.

Para além destas, uma qualidade muito importante nas grandes equipas é conseguir "sentar-se em cima do resultado". Num desafio muito complicado, a nossa equipa consegue pôr-se em vantagem na parte final do jogo. Apetece que o árbitro apite e termine ali o jogo. Pois é exactamente isso que a nossa equipa tem que fazer. Passar o tempo arriscando o mínimo sem se acantonar à defesa, esticando-se e encolhendo-se de forma a deixar passar o tempo e a vitória aconteça, ficando sempre mais perto de dilatar a vantagem do que sofrer o empate ou até a derrota.

Pois uma das coisas que vejo nesta equipa de Rúben Amorim com este sistema de que muitos não gostam, o 3-4-3 que tanto se pode tornar em 5-4-1 como em 3-2-5, é exactamente isso. Ontem foi um bom exemplo, mas outros existiram antes. O Jovane marcou (67mn) e o jogo acabou. O Santa Clara não teve hipótese rigorosamente nenhuma de comprometer a vitória.

Exactamente o contrário do que acontecia no Sporting desde há muito. Demasiadas desilusões apanhámos nos finais dos jogos: basta lembrar-nos do que aconteceu no Istambul B-Sporting a 27 de Fevereiro, onde com 3-1 em Alvalade e a reduzir  para 1-2 em Istambul aos 68mn, a equipa atacava alegremente, Ristovski piscinava, Doumbia fazia de ponta de lança e depois levámos com um golo ao cair do pano com o piscineiro como espectador atento. E no prolongamento lá fomos à vida e o Silas também.

Mas mesmo também com Jorge Jesus isso não acontecia. Recordo-me do Benfica-Sporting de 03/01/2018, do Juventus-Sporting de 18/10/2017 ou o Real Madrid-Sporting de 14/09/2016. O Sporting marcou primeiro e foi sempre sofrer até o golo(s) contra acontecer(em).

SL

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

De vencer o Santa Clara. Não esteve fácil, mas derrotámos a turma açoriana que "emigrou" há um mês para o continente, instalando-se na chamada Cidade do Futebol. Por um tangencial 1-0 que fixou o resultado desta partida em Alvalade, contra uma equipa que em Junho derrotou Braga e Benfica.

 

De Jovane. Novamente o melhor em campo. Voltou a valer-nos três pontos ao metê-la lá dentro, dando a melhor sequência a um magnífico passe vertical de Wendel, empurrando a bola para a baliza com o pé esquerdo sem a deixar cair no chão. Estavam decorridos 67'. O jovem caboverdiano fez a diferença não apenas neste lance decisivo mas ao longo de todo o desafio, em que foi sempre o mais criativo e o maior desequilibrador. Soma e segue.

 

De Wendel. Outra partida de grande nível do jovem brasileiro, que em boa hora regressou ao onze titular depois de ter ficado no banco contra o Moreirense. Erro que o técnico corrigiu: este é um jogador que deve actuar sempre de início. Ninguém como ele neste Sporting transporta a bola com tanta qualidade nem exibe tanta precisão de passe, como ficou bem evidente na preciosa assistência dele para o golo.

 

De Nuno Mendes. Outro regresso ao onze titular. Menos exuberante do que os seus colegas já mencionados mas nem por isso menos útil na manobra colectiva da equipa, como médio-ala. Foram dele os melhores cruzamentos (superiores aos de Ristovski, na ala oposta) e protagonizou várias tabelinhas com Jovane que levaram sempre perigo ao reduto açoriano. Pena ter desperdiçado uma soberana oportunidade de ampliar a vantagem, de frente para a baliza, aos 75': lateralizou em vez de disparar, como se impunha. De qualquer modo, vai consolidando a presença na equipa principal depois de se ter destacado na Liga Revelação. Não custa vaticinar-lhe um futuro muito promissor.

 

De Plata. Esteve longe de uma exibição perfeita, mas volta a merecer nota muito positiva. Por ser combativo, veloz e criativo, sobretudo nas movimentações da linha para o centro do terreno, baralhando as marcações adversárias: a qualquer momento pode criar perigo e fazer a diferença. Ao minuto 90', foi claramente derrubado à margem das regras dentro da grande área do Santa Clara. Era penálti, que o árbitro não assinalou.

 

Da nossa organização defensiva. Amorim continua a formatar a equipa de acordo com as suas ideias, construindo-a de trás para a frente. É no reduto mais recuado que já mais se nota a intervenção do técnico: o Sporting deixou de ter os desequilíbrios defensivos que antes evidenciava, nomeadamente nos lances de bola parada, que provocavam calafrios nos adeptos (mesmo em dias quentes, como este foi). Os números confirmam: nos últimos oito jogos, sofremos apenas quatro golos. Nos oito anteriores, tínhamos encaixado nove. As actuais exibições podem não ser ainda muito vistosas, mas são bastante mais seguras.

 

Da contínua aposta em jovens. Terminámos o jogo com oito jogadores sub-23: Luís Maximiano, Eduardo Quaresma, Wendel, Nuno Mendes, Jovane Cabral, Gonzalo Plata, Matheus Nunes e Tiago Tomás. Um facto que merece registo: está a nascer o Sporting do futuro.

 

Da "estrelinha" do treinador. Rúben Amorim, técnico com fama de sortudo, soma agora dezassete jogos sem perder no campeonato. Só é pena que nove desses jogos tenham sido ao serviço do Braga. No Sporting, regista seis vitórias (Aves, Paços de Ferreira, Tondela, Belenenses SAD, Gil Vicente e Santa Clara) e dois empates (em Guimarães e Moreira de Cónegos). Mantém-se invicto.

 

 

Não gostei
 
 

Do empate a zero ao intervalo. O Santa Clara aferrolhou os caminhos para a sua baliza, montando uma dupla linha de três defensores que foi neutralizando os cruzamentos leoninos. Os dois guarda-redes tiveram pouco trabalho durante toda a primeira parte, muito empastelada e com raros momentos de emoção.

 

De Sporar. Quarto jogo consecutivo do internacional esloveno sem marcar. Persiste em estar no local errado à hora errada, sem abrir linhas de passe, incapaz de se libertar das marcações. Como se lhe faltasse instinto goleador. Quando a bola vai ao primeiro poste, ele está junto do segundo - e vice-versa. Parece chegar sempre ligeiramente antes ou ligeiramente depois do preciso instante em que é necessário para a meter lá dentro. E continua sem ganhar lances aéreos, algo pouco recomendável num ponta-de-lança.

 

De Idrissa Doumbia. O técnico deixou desta vez Battaglia no banco, voltando a dar talvez a última oportunidade ao marfinense, que não soube aproveitá-la. Pareceu um elemento estranho à dinâmica da equipa, congelando os lances quando devia acelerá-los. Incapaz de transportar a bola ou de ligar o meio-campo às zonas mais adiantadas, prefere lateralizar as jogadas ou abusar dos atrasos, como voltou a acontecer. Continua a exibir evidentes deficiências técnicas, nomeadamente no posicionamento defensivo. É um sério candidato a abandonar o Sporting no final da época.

 

Do amarelo exibido a Acuña. O internacional argentino, que estava tapado com cartões, falhará o decisivo jogo da próxima semana contra o FC Porto: foi amarelado aos 64', num lance dividido, nesta partida em que actuou como improvisado central esquerdino até ser rendido por Borja, aos 84'. Vai fazer-nos falta no Dragão.

 

Do árbitro. Chama-se António Nobre: apesar de ter nome de poeta, jamais o imaginaríamos a escrever um soneto de amor ao Sporting. Muito pelo contrário, teve um duplo critério no plano disciplinar, contemporizando com o jogo faltoso da turma visitante, e errou em toda a linha ao perdoar um penálti ao Santa Clara por derrube de Plata no minuto 90. Foi a terceira grande penalidade favorável ao Sporting que ficou por assinalar em dois jogos consecutivos. Só por manifesta ingenuidade alguém acreditará que é mera coincidência.

Prognósticos antes do jogo

Isto agora é assim, ao ritmo de dois jogos por semana: chega a jornada 31 deste insólito campeonato a três voltas. Calha-nos amanhã, a partir das 19.15: desta vez recebemos o Santa Clara, simpático clube açoriano que tem o defeito de ostentar um símbolo decalcado do Sport Lisboa. 

Na primeira volta, em Ponta Delgada (onde havia uns jumentos a zurrar "Alcochete sempre!"), impusemos goleada: vitória por quatro sem resposta, a 16 de Dezembro. Os golos foram marcados por jogadores que por um motivo ou outro deixaram de calçar em Alvalade: Luiz Phellype (2), Bolasie e Bruno Fernandes.

Segue-se a pergunta da praxe: quais são os vossos prognósticos para este Sporting-Santa Clara?

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2011
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D