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És a nossa Fé!

Tempos de incerteza

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A recente entrevista de Francisco Salgado Zenha a um diário desportivo deixou-me, enquanto leitor, uma sensação de fim de ciclo. Pela quantidade de vezes que este dirigente do clube e da SAD alude à complexa gestão do futebol leonino - agravada no cenário de emergência sanitária que leva hoje cerca de um quinto da população mundial a viver em isolamento forçado, imposto pelo combate à pandemia.

Neste contexto, qualquer gestor responsável tem o estrito dever de baixar expectativas. Nada mais razoável, portanto, do que haver palavras de prudência no actual momento, cheio de incógnitas quanto ao futuro das agremiações desportivas, confrontadas com situações impensáveis há escassas semanas. O anúncio de um lay-off por parte da administração do Barcelona que poderá conduzir à decapitação do milionário plantel catalão é talvez o exemplo mais evidente de que as coisas mudaram no futebol. Como na sociedade em geral.

Mas nas declarações do n.º 2 do Sporting - e principal responsável pela área financeira - não vejo apenas cautela e prudência. Julgo detectar nelas algum desânimo - o que, associado ao anúncio da saída de Miguel Cal do Conselho de Administração da SAD e à presente impossibilidade física de Frederico Varandas assegurar a gestão corrente dos assuntos leoninos, prenuncia mudanças mais vastas. 

 

Vou destacar os trechos que me pareceram mais significativos da entrevista, que preencheu quatro páginas da edição de 23 de Março do Record:

  • «Não restem dúvidas: vão ser tempos difíceis para o futebol.»
  • «Se esta situação se estender pela próxima época, ninguém faz ideia das consequências. Serão seguramente dramáticas.»
  • «Em termos de geração de receitas, é quase impossível fazer mais, porque está tudo parado.»
  • «Temos feito um esforço e estamos mais preparados, mas vai ser muito difícil.»
  • «Temos muita dificuldade para fazer previsões sobre esses projectos [de reestruturação financeira]. Não sabemos como o mercado vai reagir depois desta crise, quanto tempo, sequer, vai durar esta crise, que impactos vai ter.»
  • «Há muitos dossiês que estão completamente parados.»
  • «Estas decisões, por vezes, não são fáceis [aludindo à recente contratação do técnico leonino, Rúben Amorim].»
  • «Tenho muitas dúvidas de que sairemos desta situação com igual ou maior capacidade do que tínhamos antes.»
  • «Vai continuar a haver Brunos Fernandes todos os anos? Não, isso é mais diícil. Infelizmente, é muito difícil que aconteça.»
  • «Vai ser uma janela de mercado [no Verão] muito difícil, devido à conjuntura em que estamos.»
  • «Confesso que não estou a pensar para além deste mandato. Se terminar o mandato e não ficar aqui, quem vier a seguir terá a responsabilidade de terminar aquilo que foi o princípio e o meio do processo de reestruturação e reorganização financeira do Sporting.»

 

São exemplos suficientes e esclarecedores para se perceber o que senti ao ler esta entrevista, que tem «difícil» como palavra-chave - até no título escolhido pelo jornalista João Lopes, que conduziu a conversa. Soaram-me a palavras de balanço e pré-despedida, tanto mais que o vice-presidente leonino assegura não pensar em prolongar o vínculo ao clube (e à SAD) para além do período previsto no mandato em curso.

O adjectivo "difícil" parece, aliás, cruzar-se com frequência no percurso de Zenha enquanto dirigente leonino. Noutra entrevista ao Record, publicada a 30 de Setembro de 2019, já tinha usado este vocábulo para encimar outro título: «Se a cada bola na barra se coloca tudo em causa, assim será difícil.» 

 

Articulou-se com Varandas e Cal no agendamento da mais recente entrevista? Não creio. Caso contrário, faria pouco ou nenhum sentido vê-la publicada na mesma semana em que um deles inicia uma nova "comissão de serviço" como médico do Exército e o outro anuncia a renúncia ao cargo de administrador da SAD - aliás não formalizada em qualquer comunicado interno até à data, mas apenas impressa em notícias de jornais.

São, pois, circunstâncias do acaso. Nestes tempos de incerteza à escala global, em que se torna inútil encontrar causas racionais para o que nos sucede, andamos assim. À mercê do imprevisto.

Na roulote de Varandas e Zenha, é sempre a servir freguês

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"6 milhões de euros" Por Ruben Amorim. "No negócio entram ainda o passe de Gelson Dala (80%), Ivanildo (50%) e Palhinha (30%)" (fonte: Record)
record.pt/futebol/futebol-nacional/liga-nos/sporting/detalhe/sporting-negoceia-ruben-amorim-proposta-de-6-milhoes-em-cima-da-mesa

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(A Bola)

Retiro o que disse sobre o Processo de Godinho-Lopização em Curso (PGEC): https://sporting.blogs.sapo.pt/pgec-processo-de-godinho-lopizacao-em-5423108

Esta, nem o Godinho Lopes!

Esta é mesmo de vendedor de rulotes - https://sporting.blogs.sapo.pt/a-rulote-de-zenha-5387551

 

PS - Com o maior respeito por quem ganha a vida honesta e honradamente vendendo bifanas e imperiais, componente essencial do futebol.

PS2 - Foto - www.orientre.pt

Os rostos do fracasso

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Todos os anos, jornada após jornada, anoto aqui os jogadores que a imprensa desportiva elege como melhores em cada partida disputada pelo Sporting. Estive há pouco a lembrar a lista dos eleitos na temporada 2018/2019: Bruno Fernandes, Raphinha e Nani

 

Oito meses depois, nenhum deles está no Sporting. Nani até saíra antes, por motivos nunca explicados, quando era capitão da equipa e peça vital do plantel reconstruído durante a gestão provisória protagonizada por Sousa Cintra na SAD leonina que possibilitou a conquista da Taça de Portugal e da Taça da Liga. A 19 de Fevereiro de 2019, o Sporting anunciou a saída deste campeão europeu em simultâneo com o afastamento definitivo de um tal Castaignos, o que me levou a protestar: «Isto não é forma de tratar os nossos. Refiro-me aos que são verdadeiramente nossos, não aos que só passam por cá para fazer turismo.»

Com razão ou sem ela, circulou o rumor de que Nani fora afastado por incompatibilidade com Bruno Fernandes. Um rumor que dava jeito à Direcção liderada por Frederico Varandas, pelos vistos incapaz de gerir dois egos na mesma equipa - como se isso fosse um problema quando a qualidade impera. À época, a narrativa dominante - e que logo dois papagaios de turno se apressaram a difundir nos seus púlpitos televisivos - jurava que Varandas «faria tudo» para manter Bruno Fernandes no Sporting. Isto quando o Daily Mirror já noticiava que Bruno iria rumar ao Manchester United por 63 milhões de libras.

 

Raphinha foi, precisamente, um dos jogadores-chave na conquista da Taça de Portugal ao marcar uma das grandes penalidades ao FC Porto no Jamor. Também ele acabou por ser despachado de Alvalade, a 2 de Setembro de 2019, numa transferência para o Rennes concretizada no último dia do mercado que apanhou de surpresa o próprio atleta, dias antes fundamental para a vitória do Sporting contra o Portimonense no Algarve - jogo em que marcou dois golos e nos colocou na liderança do campeonato, à condição. 

Capitalização financeira, mas descapitalização no plano desportivo: a equipa então orientada por Marcel Keizer perdia outra peça essencial para a conquista de objectivos na época futebolística ainda mal iniciada. Mas a narrativa anterior manteve-se: Raphinha saía para que Bruno ficasse. Tal como sucedera com Nani.

 

Afinal Bruno Fernandes também não ficou, o que invalidava tudo quanto antes se dissera. Saiu a 28 de Janeiro de 2020, por 55 milhões de euros (mais objectivos fixados no acordo entre as partes), precisamente para o clube que o Mirror assinalara seis meses antes num furo jornalístico de longo alcance.

E assim, em etapas desenroladas ao longo de onze meses, perdemos os três jogadores nucleares da temporada 2019/2020. Assim passámos da liderança à condição no campeonato para o quarto posto na tabela, com Rio Ave e V. Guimarães a morderem-nos os calcanhares. Assim passámos de titulares de duas taças para a eliminação na reconquista desses troféus.

Tudo envolto numa retórica com mais buracos do que um queijo suíço: Nani saía para se manter Bruno; Raphinha saía para que Bruno ficasse; o próprio Bruno saía afinal porque nada do que se dissera antes fazia sentido.

 

O rumo errante aqui lembrado comprova que os fracassos não sucedem por acaso. Ocorrem por más escolhas, opções desastradas e incompetente gestão dos recursos disponíveis. Conduzindo o Sporting à irrelevância desportiva e aprofundando o divórcio entre equipa e adeptos, com a consequente deserção dos lugares no estádio e fatal perda de receita.

Este fracasso concreto tem rostos e nomes. Por esta ordem: Frederico Varandas, Salgado Zenha e Hugo Viana.

Varandas, Zenha e o dinheiro

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Salgado Zenha, vice-presidente do Sporting, rectificou ontem mais um erro de Frederico Varandas. Anunciando, em declarações à Rádio Observador que os membros da administração da SAD abdicarão das novas remunerações propostas pela comissão de accionistas. «Não queremos passar a mensagem de que estamos aqui por dinheiro», declarou o responsável pelas finanças no Conselho de Administração leonino. Contrariando o que dissera a 10 de Setembro, à agência Lusa, quando justificou tal medida como uma forma de «atrair talento» para os cargos de cúpula da SAD.

Foi uma declaração importante, necessária neste contexto de crescente impopularidade dos actuais gestores do Sporting, e que só pecou por tardia. Porque impunha-se que tivesse sido feita 48 horas antes por Varandas na lastimável entrevista à SIC. Repetindo o que aqui escrevi no domingo, o presidente devia ter aproveitado esta entrevista, sem esperar por pergunta alguma, para comunicar aos sócios e adeptos do Sporting que abdicaria do aumento salarial que lhe havia sido proposto.

Ainda bem que Zenha emendou o erro. Mais vale tarde que nunca.

O que diz Salgado Zenha

«Os desequilíbrios financeiros ainda não desapareceram na totalidade.»

«Este ano tivemos um défice operacional na ordem dos 30 milhões de euros.»

«[Foi preciso] Fazer ajustes essenciais na massa salarial, sobretudo de jogadores excedentários.»

«Os encargos com salários, incluindo de jogadores de futebol, correspondiam no início da época a cerca de 100% das receitas operacionais. O recomendado pela UEFA é um limite de 70%.»

«Vamos ter uma redução da massa salarial na ordem dos 12 milhões de euros.»

«Procuramos eficiência na gestão do desporto e manter a qualidade no futebol. Não queremos cortar por cortar.»

«Não vamos cometer loucuras. Mas também não vamos apertar o cinto de forma desmesurada e sem estratégia.»

«Um clube no mercado português, para ser competitivo, tem de vender jogadores de futebol. Porque não temos as receitas de outros mercados, como o inglês ou o espanhol.»

«O Sporting tem capitais próprios negativos. Mas não é insolvente. Tem activos muito valiosos e uma situação de alguma estabilidade financeira desse ponto de vista. Tendo um activo como o Bruno Fernandes, se tiver algum aperto sei que o posso vender quando quiser. Daí a solvência.»

«O Sporting não está neste momento numa situação de folga financeira. Não está porque nos últimos anos cometeu excessos e o que aconteceu no ano passado fez o Sporting dar vários passos atrás. Nós agora estamos a corrigir esta situação. Mas estamos a corrigi-la com pés e cabeça.»

 

Declarações de Francisco Salgado Zenha, vice-presidente do Sporting com o pelouro financeiro, ontem, no Jornal das 8 da TVI

O rumo certo

Tendo visto a conferência de imprensa da Direcção do Sporting Clube de Portugal e o que se disse dela, parece-me que a mensagem essencial ficou um pouco diluída no que foi a defesa do clube face àqueles que foram responsáveis por um colossal rombo financeiro e desportivo e que continuam a ser responsáveis pelo clima de guerrilha aos órgãos eleitos e à estrutura de futebol profissional do clube. 

E a mensagem essencial de Varandas é que com esta Direcção o Sporting tem um rumo bem diferente do que vinha a ser seguido por Bruno de Carvalho. Um clube honesto e com gente honesta à frente do clube, um clube que quer respeitar e ser respeitado, um clube de trabalho e competência, um clube contido no discurso, um clube sustentável, um clube formador, um clube ganhador. 

Falou do investimento que está a ser feito na Academia, em infra-estruturas, em técnicos, em especialistas de alto-rendimento, em coaching comportamental. Para que não existam mais Podences, Rafaeis Leões e Tiagos Djalós, prontos a fugir à primeira oportunidade, acrescento eu.

Falou na reestruturação do plantel principal, juntando o ganho financeiro ao equilíbrio competitivo, na aposta num treinador duma escola de futebol ofensivo, na integração gradual dos poucos jovens sub-23 que já atingiram o nível mínimo para o efeito, da Taça da Liga já ganha aos rivais. 

Miguel Cal falou na reestruturação organizativa do clube, deixando perceber que muito irá melhorar nessa área, tornando o Sporting um clube moderno e funcional, no estádio, no pavilhão, na internet, na relação com os sócios, o que manifestamente agora não é.

Zenha abriu muito pouco o livro, pelos motivos conhecidos, e ficou por saber-se qual o rumo financeiro do Sporting. Falou nas contas que Bruno de Carvalho deixou por pagar, não falou nem podia falar de quanto e quando é que o Sporting pensa receber (ou pagar) pelas rescisões, não falou nem podia falar da reestruturação da dívida com base no contrato com a NOS ou doutra forma qualquer, não falou nos orçamentos das modalidades.

Muito mais importante do que comunicar bem é fazer bem. O que não quer dizer que a comunicação não tenha que melhorar também. 

Cão que ladra não morde. O destino dos touros bravos é o talho. 

Que o Sporting possa prosseguir o rumo apresentado, com a estabilidade e tranquilidade necessárias para ganhar, trabalhando mais e falando menos, e nunca se deixando tourear pelos Vieiras e Pintos da Costa deste mundo. 

Nós aqui estaremos para apoiar o que for de apoiar, criticar o que for de criticar, mas Sempre Sporting e Sporting Sempre.

SL

Zenha

Bom, sem duvidar dos números (cada um lança os que quer) que agora Salgado Zenha apresenta e até admitindo que estão certos, que esta é a situação do Sporting, por que carga de água veio o senhor, no final de 2018, dizer que o Sporting respirava saúde financeira?
Desculpem os leitores, mas só posso concluir uma de duas: Ou é distraído, ou mentiroso. Ou ainda uma terceira: É incompetente! Confesso que não sei, que eu de contas bastam-me as minhas.
De qualquer forma, o que se pretendia era a apresentação de um plano, não para ganhar campeonatos que isso ninguém pode nem deve prometer, mas para sanar a (a ser verdade e já disse que não ponho em causa os números) degradada situação financeira do clube. Essa informação, se é que a há, era devida aos sócios.
O passado, sendo passado, deixou contudo um rasto que implica com o futuro e era esse futuro que eu esperava ver explanado nesta ocasião.
A sério, para quem quer união, preocupa-se demasiado com o passado recente. É da sabedoria popular que não se apanham moscas com vinagre, mas ao que assistimos diariamente no Sporting é ao lavar de roupa de tal forma que um dia destes ela se esgaça, de tanto bater na pedra.
Há uma auditoria que já devia estar concluída, e aí, após resultados, que se tomem medidas se elas tiverem que ser tomadas. Não formo juízo de intenções, não infiro que daqui se quer outra coisa que não o que foi dito e feito, mas não é isto que os sócios querem, o que os sócios querem é que o clube avance e que me desculpem, mas assim nunca passaremos da cepa torta.

O que disse Francisco Salgado Zenha

Dívida a fornecedores herdada superior a 40 milhões

«Quando tomámos posse, encontrámos o clube numa situação de tesouraria muitíssimo difícil.»

«Herdámos uma dívida a fornecedores, até Junho de 2019, de mais de 40 milhões de euros. A maior parte desta dívida é com clubes e agentes. Herdámos o pagamento de metade do valor contabilístico do plantel profissional do Sporting. Ou seja: tivemos de pagar este ano metade do plantel do Sporting.»

Já não havia dinheiro para pagar salários

«A gestão feita em 2018 foi completamente irresponsável. Em Janeiro de 2018, o Sporting estava a antecipar uma receita futura para comprar um jogador. Um par de meses depois, não tinha dinheiro para pagar salários e teve de recorrer à conta-reserva que servia teoricamente para pagar os VMOCs [valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis].»

«Estamos a falar de pagamentos de jogadores como Misic, Ristovski, Coentrão, Acuña, Battaglia, Piccini, Mattheus Oliveira, Lumor - só para enumerar alguns. Nada disto estava pago.»

 

Da intervenção de Francisco Salgado Zenha, vice-presidente do Sporting com o pelouro financeiro, esta tarde, em conferência de imprensa

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