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És a nossa Fé!

Que parceiro estratégico?

Realizou-se há poucos dias a AG da SAD do Sporting, tudo aprovado com 99,98% dos votos, reestruturação financeira finalmente encerrada, Sporting detentor de 88% das acções da SAD, novo empréstimo obrigacionista viabilizado. Abre-se então a porta para entrada no capital, de forma minoritária, dum parceiro estratégico que traga valor e permita outros voos, coisa que os actuais accionistas minoritários não demonstram a mínima capacidade de fazer. Alguns só servem mesmo para arranjar problemas e confusão.

O futebol profissional, aquele que é a razão de ser da SAD, vive um bom momento, seguimos na luta pelo título interno e na Liga Europa com um plantel avaliado pelo TM em 302M€, a meio caminho entre os 250M€ do FC Porto e os 365M€ do Benfica.

A nossa academia conseguiu recuperar grande parte ou quase todo o atraso que registava relativamente ao Seixal há cinco anos, em todos os termos: infraestruturas, técnicos, organização e foco. As nossas equipas competem taco a taco com o rival nos diferentes escalões, nalguns casos até ganham por goleada como acabou agora por acontecer nos sub23. Já exportamos regularmente talento destas equipas, jogadores trabalhados em Alcochete mas sem condições para se imporem no plantel principal, por muitos milhões de euros. 

 

Então o que pode atrair um parceiro estratégico para investir no Sporting?

1. Um clube que produziu alguns dos maiores jogadores de sempre do futebol mundial, como Cristiano Ronaldo e Luís Figo, com uma academia de excelência premiada internacionalmente e que continua a enviar o melhor talento para os grandes clubes europeus, como Bruno Fernandes, Porro e Ugarte?

2. Um clube financeiramente atractivo pela capacidade de desenvolver e exportar talento, um pouco à semelhança do Ajax, e com valor estratégico em termos de parcerias como acontece na mundo da aviação com as suas "alianças"? 

3. Um clube com uma grande base de adeptos espalhados por todos os cantos do mundo, que o Cristiano Ronaldo muito ajudou a alargar, receptivos a comprar artigos dos mais variados tipos como aconteceu com a camisola Sporting CR7 da Nike? 

4. Um clube são e honesto, de contas claras, livre de máfias e mafiosos?

Ainda há pouco Klopp teve palavras muito elogiosas para o futebolista português, a nossa selecção é forte candidata a vencer o Europeu, todo este contexto ajuda também a alavancar a marca Sporting Clube de Portugal.

De Portugal mesmo, não duma cidade ou duma região.

 

Concluindo, deixo aqui a pergunta:

Que tipo de investidor ou parceiro estratégico gostariam de ver entrar minoritariamente na SAD do Sporting?

SL 

Para jogar, ou para...?

O Sporting informou que adquiriu perto de cinquenta e um milhões de acções da Sporting SAD ao Novo Banco, ficando assim detentor de 88% do capital da sociedade, tendo para isso antecipado receitas do contrato de direitos de transmissão, com a NOS (belo contrato, a propósito, nem tudo foi mau no reinado do antecessor). 

Quase em simultâneo, a bem dizer no mesmo comunicado, abre-se caminho a um ou vários investidores, com participação minoritária, de modo a, cito " (existir) um reforço da política de investimento, da melhoria da experiência de todos os Sócios e da globalização do Clube."

Parece-me bem que o plano tenha sido cumprido.

Atendendo à realidade do futebol actual, o reforço de investimento que deduzo que seja em boa parte em jogadores que marquem a diferença e na academia Sporting, sendo bem vindo, não trará grandes benefícios se os vícios de que enferma o futebol português continuarem a persistir. Isto é, arbitragens condicionadas por pressão de gabirus que se têm vindo a encher de dinheiro e de títulos, ambos viciados. É verdade que timidamente, o Sporting tem dado alguns passos no sentido de pressionar para alterar este estado de coisas, mas pouco se tem conseguido, a corporação é forte e o arroz de polvo consolida os seus alicerces.

Adiante. Dizia que face à realidade do futebol, que a alto nível de desporto já tem muito pouco, seria inevitável que um dia chegariam ao Sporting dinheiros de quem não sabe bem o que lhe fazer, se me faço entender. Esperemos que não, esperemos que quando alguém se chegar à frente, seja verificada a sua idoneidade, seja verificada a fonte e a legalidade do seu dinheiro. Lavandarias não, obrigado!

E vamos lá então explicar o título do post: Será que o D. Sebastião por quem tantos clamam (eu incluído) que deveria terminar a sua carreira como jogador do Sporting, não virá mais cedo, como dono de uma parte substancial da SAD? O que acham desta hipótese?

 

Um excelente 2024 para todos e que lá para Maio estejamos na rua a comemorar o título.

Um defeso tranquilo demais

Enquanto no defeso passado houve uma grande limpeza no quadro de jogadores profissionais e mais de 30 abandonaram o clube, neste reina a maior tranquilidade. Alguns (poucos) sairão, alguns (poucos) entrarão para termos um plantel mais equilibrado do que no ano passado.

No meu entender, a incompetência ou às vezes coisa pior da gestão do futebol tem pouco a ver com contratados que não rendem o esperado, o custo das contratações, a partilha de passes, e muito mais com jogadores que aparecem não se sabe de onde e o treinador ignora e saídas a custo zero.

Dos últimos quatro períodos que tivemos, Bruno de Carvalho / Inácio, Bruno de Carvalho / Jorge Jesus, Frederico Varandas / Hugo Viana e Frederico Varandas / Rúben Amorim, este último é de longe o melhor. Muito mais acerto nas contratações, muito mais projecção de jogadores para grandes vendas. 

Nuno Mendes (PSG), Matheus Nunes (Wolves), Palhinha (Fulham), Porro (Tottenham), Ugarte (PSG), talvez Edwards, espero que não Pedro Gonçalves nem Gonçalo Inácio, demonstram o reconhecimento da qualidade do "produto" Sporting pelos grandes clubes europeus, especialmente pelos ingleses devido aos confrontos recentes com ManCity, Arsenal e Tottenham.

Mas isso não chega. É preciso que o equilíbrio financeiro da SAD agora registado através destas vendas e das duas boas campanhas europeias se mantenha e se conjugue com maior investimento e maior valor do plantel.

Segundo o TM, precisamos de crescer uns 30% para podermos competir com os dois rivais em condições.

Talvez isso só seja possível abrindo uma fatia considerável do capital da SAD a um investidor como o dono do Chelsea, mantendo o clube como sócio maioritário e acordando com Sobrinho uma retirada digna. Sobre os restantes investidores, actualmente de pouco mais servem do que para fazer barulho nas AGs da SAD. Não sei que valor poderão e quererão  ter no futuro.

Para mim isto é mais importante do que o ponta de lança sueco cuja namorada sueca parece que também joga na Juventus. Não é que o sueco ou ate o parzinho não sejam interessantes, mas é preciso mais do que um sueco para nos qualificarmos para a Champions.

SL

Ainda sobre o mesmo assunto

Ainda sobre a indigna proposta de aumentos salariais da Direcção do Sporting, que numa canhestra manobra de spin declara-se agora como "moldura" em vez de aumentos efectivos.

Está a tentar fazer caminho um argumento por demais incorrecto, se não mesmo falacioso. Vem ele exposto num post de José Duarte, no seu blog "Norte de Alvalade" que o meu prezado colega e consócio Pedro Correia cita.

Por extenso, o argumento reza assim:

"Se o Sporting quer atrair bons administradores deve ter uma política de remunerações atractiva e que proporcione uma previsibilidade mínima, que permita os pretendentes olharem para o Sporting como um projecto, onde a necessária  interrupção das  suas carreiras profissionais não signifique uma atitude suicida e comprometedora das suas vidas e respectivos familiares."

Este raciocínio assenta num equívoco de fundo que é, no caso objectivo do Sporting, confundir cargos executivos com cargos administrativos. Na contratação de quadros executivos (um director desportivo, um director financeiro, um director para as modalidades) pode o Sporting tentar estipular uma moldura de remunerações na procura do melhor perfil para preencher esse lugar. Poderia, mas obviamente não o faz porque não são essas as regras habituais desse mercado de trabalho: um treinador contrata-se através de um processo negocial individual, mediante as condições apresentadas e as disponibilidades do clube, e seria uma excentricidade trazer no bolso uma tabela salarial.

Ora a Direcção do Sporting não é contratada, mas eleita. Vai a votos tentando convencer os sócios de que tem um programa capaz e é uma equipa capaz de o executar. A remuneração que irá auferir não é mais nem menos atractiva para os candidatos, pura e simplesmente não é um factor. A profissionalização dos quadros executivos não tem nada a ver com a profissionalização dos dirigentes. Alguém candidatar-se-ia a Presidente do Sporting porque o ordenado é interessante? Os sócios votariam num candidato competentíssimo que fosse um reputado lampião, feito sócio à última hora para poder concorrer?

Por outro lado, pertencer à Direcção do Sporting em que afecta as carreiras profissionais dos seus elementos? No caso desta Direcção bastaria olhar para os CVs para perceber de imediato que representa, isso sim, um upgrade no seu percurso profissional. Fazer parte da Direcção do Sporting não é uma interrupção, como ser deputado ou ministro, é a aplicação das suas competências a uma indústria.

Por fim, há sempre a solução mais prática: quem não gosta das condições do cargo a ele não se candidata.

"Pinares"

Amanhã vai chegar à minha caixa de correio electrónico o meu recibo de vencimento.

Mal pago como a grande maioria dos trabalhadores deste país, vai ser com um enorme entusiasmo que verificarei que o meu pecúlio mensal vai levar um aumento substancial de 1%.

Para não começarem com merdas, aviso já que o sindicato quando negociou isto foi municiado para as reuniões com o patronato com um estudo efectuado por consultoria independente, que justifica por A + B que eu e os meus colegas todos temos um vencimento muito abaixo da mediana e por isso se justifica este aumento substancial de vencimentos.

Por isso não me incomoda, ao contrário do Zé Navarro e do Tiago Cabral, que os excelsos administradores da Sporting Clube de Portugal, futebol SAD, se tivessem, ontem, aumentado 32% Varandas e 45% Zenha e Bernardo. Tenho a absoluta certeza que para a aprovação desta medida estão confortáveis com a consultoria* que contrataram para o efeito e de que foi consultado o maior accionista da sociedade, um clube que é uma instituição de utilidade pública e os seus donos, os sócios, uma vez que por lapso este pormenor foi esquecido no programa eleitoral da lista onde estavam integrados, ou bem, talvez tenha desaparecido na revisão e isto é só má vontade dos meus colegas detractores.

Deduzo que nas conclusões dessa bendita auditoria haja uma comparação com Porto e Benfica e, convenhamos, se com os do Norte pode haver algumas inconformidades, com os gajos do outro lado da rua a nossa vantagem é visível, durante o tempo que leva Varandas em presidente, o que ganharam os gajos? Nada! Um campeonato, o que é isso? E venderam uns trocos, portanto não sei quanto ganha o presidente-adepto, mas o nosso merece ganhar bem mais! E vá lá, as contas do Porto são uma valente merda, sempre debaixo do olho da UEFA, Varandas merece ganhar mais do que o velho crocodilo e Zenha mais do que o Fernando Gomes e o Bernardo mais do que o Baía. Eles ganharam o campeonato duas vezes e a Taça de Portugal outras duas, mas o que é isso comparado com a Taça da Liga?

Eu sinceramente não entendo as críticas a este aumento. Há dias demonstrei aqui que as contas estão um mimo, por exemplo que por vontade própria estas sumidades que a consultoria demonstra (e bem) que são mal pagos, não consideraram o aumento de juros do serviço da dívida, mas também o que são três milhões de euros a mais num ano? "Pinares", como diria o génio da táctica.

Dizem por aí alguns, parece que se intitulam de sócios ou assim, que não foram consultados sobre esta pequeno ajuste nos vencimentos dos administradores da Sporting, SAD. Não foram consultados e muito bem, querem lá ver agora os sócios a meterem-se na vida do clube que é accionista maioritário da SAD?! Qualquer dia ainda destituem um presidente e o expulsam de sócio, qués ver? Ãnh? Já?... Ó pá, então já vai doer menos.

Sobre conflitos de interesses falaremos para a semana, para isto não se tornar muito fastidioso.

E para a seguinte, já com os campeonatos terminados, faremos o balanço da época, antes das férias para desopilarmos e evitarmos um AVC.

 

*As consultorias e os pareceres são como os burros, que são albardados à vontade do dono. Em tempos, aquando da construção do IC2 (a via que liga a zona oriental de Lisboa/Loures à A1 em Sta Iria de Azóia), foi solicitado parecer jurídico a duas sumidades do Direito, uma já falecida e outra ocupando um cargo político de relevo na actualidade, que arrasaram os argumentos contra os de uma associação ambientalista que ainda assim não desistia. Resolveu-se a coisa com os dois pareceres e um cargo de relevo oferecido ao presidente da tal associação, que, claro não estava nada relacionado com o assunto, como convém nestas coisas. 

Acuso.

Todos os anos a Direcção do Sporting tem vendido activos importantes do clube com a justificação de que é crucial equilibrar as finanças.

Neste contexto, e numa situação em que a massa salarial dos portugueses tem vindo a decrescer e afastar-se ainda mais da média europeia, a Direcção do Sporting decidiu aumentar as suas remunerações: Varandas em 32%, 45% para Salgado Zenha e André Bernardo - um ser particularmente estúpido que afirmou querer mudar o emblema do clube mesmo que os sócios se oponham - louvando-se num relatório de consultadoria que é uma autêntica fraude. Está para nascer o consultor que faça recomendações contrárias aos propósitos de quem o contratou.

Com esta manobra ignóbil e infame Frederico Varandas, Salgado Zenha e André Bernardo desmascararam-se como uma camarilha de oportunistas da pior espécie, que esbulha o Sporting e, por conseguinte, os seus sócios, que lesa o Clube, provando que o seu intuito é servirem-se do Sporting, sacarem dele o mais possível o mais depressa possível, e não servir o Sporting como qualquer executivo e administrador decente.

Com este acto de pura rapina Frederico Varandas, Salgado Zenha e André Bernardo puseram-se ao nível mais baixo atingido pelo Sporting, o nível demencial e delinquente de um Bruno Carvalho de má memória.

É esta a desgraçada sina dos sportinguistas: ter ano após ano crápulas abancados na Direcção a roubarem o Sporting sem um pingo de vergonha.

Assim sendo desde já declaro que jamais votarei em qualquer um destes meliantes para qualquer cargo, e anseio para que cheguem as eleições, porque é no voto que os sócios do Sporting manifestam as suas intenções.

Ou vendes, ou fechas a porta

Os meus caros pensam que nos ficaremos pela venda do Ugarte?

Vão ao relatório e contas e, olhem, façam as contas!

Querem que levante um bocadinho a ponta do véu? Então lá vai:

Segundo semestre de 2022. Entre parentesis resultados do segundo semestre de 2021(como os R&C reflectem a época desportiva, estes segundos semestres correspondem aos primeiros das épocas desportivas de 21/22 e 22/23). Os primeiros valores são de fecho a 31 de Dezembro de 2022 (época 22/23) e os entre parentesis são de 31 de Dezembro de 2021 (época 21/22):

Rendimentos e ganhos operacionais sem transação de jogadores, com Champions - 74,4 M€ (79,7M€);

Custos e perdas operacionais : 65M€ (58,8M€);

Amortizações de passes de jogadores: 16,0M€ (11,8M€);

Rendimento com transações de jogadores: 73,9M€ (9,M€);

Serviço da dívida: 8,6M€ (6,9M€).

Ou seja, no semestre terminado a Dez/22 as receitas ordinárias desceram, os custos com pessoal e fornecimentos e serviços externos subiram (este valor semestral está nos 17,9M€, em 2018 no ano todo era de 22,4M€) e o custo com o serviço da dívida também. Porém, vende-se as pratas e dêem cá um aumentozinho.

Depois despedem-se uns funcionários e absorve-se o custo, sem problema.

Foi tudo contra:

Menos receitas;

Mais custos com pessoal e fornecimento de serviços externos (só em combustível foram 800K€, não se sabe quanto em colchões).

Mais amortizações (comprámos mais e mais caro);

Mais custos de financiamento (juros mais altos e os competentes administradores a não cobrirem o risco de subida das taxas de juro, diz no relatório que por opção, coisa boa para mim que não vejo um boi de contas e tal).

Para resolver o assunto, vendemos uns jogadores e já está. A situação real vai perceber-se no final do primeiro semestre, a Junho deste ano, 2023. Vendeu-se o Porro por 47,5M€ e provavelmente os resultados até descerão do resultado actual porque já não haverá Champions e os custos não irão desaparecer (cada vez que se abre a porta da academia há contas para pagar, estejamos ou não na Champions ou em quarto lugar no campeonato) bem como as amortizações e os custos financeiros, que até subirão, o que tem a ver com a subida dos juros e o factoring (recebimento através de financiador terceiro) do Porro.

Este cenário obriga a vender um jogador até Junho de 2023, para compor o ramalhete e o cenário não parecer tão catastrófico e bem, para não se notarem os 240K€/ano de Varandas.

Façam um esforço e pensem comigo que também não sou nenhum expert na matéria: se fizemos 47,4M€ de vendas líquidas de jogadores (62,8M€ antes de comissões) e 36,4M€ da Champions, agora sem Champions e só com os 47,5M€ do Porro, que deverão ser 40M€ após comissões,  deveremos perder uns 11M€, pelo que a época anual ficará nuns 36M€ positivos, se não vendermos mais ninguém até Junho de 2023.

(Mais um parentesis para dizer que um passarinho me assobiou ao ouvido que a venda do Porro foi feita nestes moldes: Empréstimo até ao fim da época por 5M€, opção de compra pelo Tottenham/opção de venda pelo Sporting por 40 ou 42,5M€ na época seguinte. Ou seja, 40M€ entrarão nas contas de 23/24, já a pensar em atenuar (ou não tornar tão evidente ao público) o buraco entre custos e receitas. A ser assim, esta época desportiva, que começou com o semestre a dar 47M€, terminará a zero. Daí o empenho na venda de alguém até 30 de Junho, de modo a entrar ainda neste exercício anual)

Façamos agora um exercício: Sem 40M€ da Champions e sem 102,8M€ de vendas líquidas, são menos 142,8M€. Ora, subtraindo ao ganho anual deste ano de 36M€, teremos um prejuízo de cerca de 107M€ em 2023, antes de vendas e da Liga Europa.

Estão a ver o que teremos de vender em 23/24? Continuam a achar que isto se fica pelo Ugarte?

A verdade é que os custos não param de subir, as receitas ordinárias apesar da propaganda, desceram e os custos de financiamento aumentaram bem como os custos com as amortizações.

Resumindo os dados publicados acima: As receitas ordinárias caíram 5,3M€, os custos subiram 6,2M€, as amortizações subiram 4,2M€, os custos financeiros subiram 1,7M€ ou seja, num semestre a coisa piorou em 17,4M€ (projeção num ano de 34,8M€). Ora, se o buraco já estava nos 70M€, agora passou para mais de 100M€. E a malta aplaude. E o Varandas aumenta-se!

Ou seja, só há um caminho e só não vê quem não quer: Vender, vender, vender. E lutar pelo terceiro lugar. E a malta, em vez de assobiar quem nos conduz para este cenário, assobia o Chermiti e os miúdos imberbes que são lançados às feras.

 

É aumentar, vilanagem!

Este que aqui vão ler se tiverem pachorra, é há um ror de anos trabalhador da Administração Local.

É avaliado por um sistema manhoso que funciona como uma pirâmide, impedindo que alguns, sendo ainda assim muito bons no seu desempenho, nunca cheguem ao topo da carreira numa vida normal de trabalho, digamos que iniciando a sua vida laboral aos 25 anos e terminando-a na idade legal para a aposentação. 

No último biénio este que vos fala teve um desempenho considerado relevante (que tem sido constante, modéstia à parte), ou seja na perspectiva do seu avaliador cumpriu e nalguns parâmetros ultrapassou os objectivos pré-definidos e contratualizados.

Pois este trabalhador o ano passado teve um aumento de 0.9% no seu ordenado e este ano teve cerca de 4% e agora mais 1% (a inflação foi de cerca de 10% em 2022), que sinceramente irá ser gasto numas putas dumas férias nas Maldivas! Ou em casa, vá...

Eu sei que se estão borrifando para a minha vida e os meus problemas, portanto vamos ao que interessa, à mulher de César.

É um facto que a legislação não obriga a que a administração da SAD consulte em AG ou doutra forma o seu maior accionista, o Sporting Clube de Portugal e por isso os seus associados, em bom rigor os "donos" do clube, logo os accionistas maioritários da SAD, em quaisquer assuntos relacionados com aquela sociedade anónima e muito em concreto com esta proposta de aumentos de 32% para o presidente da SAD e do clube e de 45% para os demais administradores.

Sendo o presidente da SAD em acumulação presidente do clube, bem como acumulando administradores cargos nos OS do clube e cargos na SAD seria, a exemplo das sociedades que se regem por princípios de transparência, de bom tom que este conflito de interesses fosse eliminado por uma concordância emanada de uma consulta aos associados. Não é obrigatório, repito, mas retiraria quaisquer dúvidas de legitimidade moral num assunto que se tornou mais sensível quando, numa época em que não se atingiu qualquer objectivo desportivo, os OS da SAD se pretendem aumentar escudados numa comissão de remunerações que dá ela também o flanco, ao recomendar os aumentos atrás propostos. Como digo lá atrás, é a eterna questão da mulher de César.

Não me dei ao trabalho de verificar qual o valor dos vencimentos dos administradores da SAD, calculo que pela justificação apresentada sejam inferiores à concorrência e não me causa engulho de qualquer espécie que os seus vencimentos sejam aumentados. Se queremos gente competente a dirigir, teremos de lhe pagar em conformidade, a questão está em procurar onde se afere da competência numa sociedade anónima desportiva: Nos resultados económicos e financeiros, nos resultados desportivos, em ambos? Creio que, leigo na matéria, o ideal seria a terceira opção, já que ter uma SAD rica sem títulos não atrai ninguém ao estádio, não atrai novos e actuais associados ao clube e desvaloriza a marca, logo os patrocínios, logo a facturação da SAD e do clube. Ora se no ponto de vista económico e financeiro a coisa não esteve muito má, no ponto de vista desportivo esteve péssima, se calhar porque se venderam activos (jogadores) para potenciar a primeira questão e a delapidação do património humano que porventura acontecerá no final da época, indo por este caminho, tende a agudizar os maus resultados desportivos verificados.

Parece-me que se anda por aqui a meter o carro à frente dos bois, ou seja, descurando resultados desportivos em detrimento dos resultados financeiros, sem pensar/perceber que o adepto comum quer é ganhar títulos ou no mínimo ser competitivo, interessando a uma pequena minoria as questões "do dinheiro". A ideia de que o universo dos adeptos sportinguistas é diferente dos adeptos dos outros clubes é uma completa falácia, bem como a ideia de que somos todos "doutores". Felizmente a maior parte dos adeptos do Sporting é o comum cidadão, onde cabem os doutores e todos os outros e por isso é tão importante que o presidente do clube os interrogue no sentido de saber se eles concordam com o seu aumento de ordenado no cargo que ocupa SÓ porque é presidente do clube, na empresa que é deles todos.

Eu faria isso, mas eu rejo-me por outros princípios. 

Sporting SAD

Com a constituição obrigatória de SADs cotadas em bolsa, o futebol profissional em Portugal entrou numa era de organização empresarial e profissionalização em termos de gestão, que alguns teimam em esquecer. Se calhar ficaram no tempo em que João Rocha assinava os cheques, avalizava pessoalmente os investimentos e punha e dispunha a seu bel-prazer sem prestar contas a ninguém.

No entanto, como o futebol português não tem a projecção e os mercados doutros futebois, nunca apareceram investidores com poder financeiro que justificasse uma aposta forte nas maiores SADs e participação activa na gestão. E quando apareceram, como nos casos do Belenenses, do Desp. Aves e doutros, a coisa correu mesmo mal e o clube acabou por se divorciar da SAD.

No caso da SAD do Sporting, o clube, que já era maioritário, depois da resolução das VMOCS passou a deter a maioria esmagadora do capital. Os investidores actuais nada acrescentam à SAD (Sobrinho, que chegou à SAD pela mão do ex-presidente, terá oferecido em tempos um autocarro) nem intervém na gestão executiva da mesma. Pelos vistos servem apenas para se pôr em bicos de pés e fazer barulho aquando das AGs e até gravar e passar para fora o que se passa lá dentro.

Por pouco mais do que me custaram os bilhetes para a Juventus também eu me podia tornar accionista e ir à AG protestar e chamar nomes a Varandas, mas passo ao lado. Acho que não tenho nada que lá estar e tenho mais onde gastar o meu dinheiro.

De forma diferente ao que acontece no Benfica e já aconteceu no Sporting com Luís Duque, são os OS eleitos no clube, em particular o presidente e o vogal "financeiro", que asseguram remuneradamente a sua gestão. E existe uma Comissão de Remunerações que propõe esses valores de acordo com os standards de mercado e os concorrentes próximos, que depois são decididos em AG convocada para o efeito. É isto basicamente que está a acontecer na SAD do Sporting.

Do meu ponto de vista é um tema que tem de ser visto independentemente de quem é hoje o presidente e quem são hoje os órgãos sociais, mas do que é a SAD e do que queremos que seja, e esta época é claramente elucidativa desse ponto de vista. Faltou claramente investimento para as necessidades desportivas da época.

Com o estreitamento em curso do gargalo do acesso à Champions, o Sporting tem de escolher entre investir para conseguir lá chegar ou apostar na formação e correr o risco de andar a competir com Braga e V.Guimarães para o acesso à Liga Europa, trocando de treinador várias vezes por ano devido aos maus resultados e à insatisfação dos sócios.

Para isso tem de evoluir na profissionalização da SAD (desde logo pelas figuras de Administrador Financeiro e de Administrador Desportivo, que deveriam ser profissionais de carreira nas respectivas áreas e independentes do clube, como acontece no Benfica)  e conseguir atrair um parceiro internacional que se interesse pelo capital histórico, social e humano do clube, participe na gestão e abra outros horizontes financeiros. 

Conseguir essa parceria, mantendo o controlo da SAD pelo clube e o envolvimento activo dos sócios, recusando qualquer cenário de "clientização" dos mesmos, é o grande desafio colocado ao Sporting nos próximos tempos.

É isto que vale a pena discutir. Andar a discutir o ordenado de Varandas, de Zenha, de Hugo Viana, de Amorim, de Paulinho ou qualquer outro, para mim é mesmo de clube menor e autofágico, e querer convocar AGs para decidir sobre os mesmos então não faz o mínimo sentido.

Além disso revela falta de memória também. Bruno de Carvalho teve todas as condições para presidir, mesmo os polémicos estatutos foram aprovados com grande maioria. Se meses depois se "espalhou ao comprido" a responsabilidade foi toda dele e não dos Sportinguistas como eu que o reelegeram e lhe deram todas as condições para governar.

Nas recentes eleições os sócios pronunciaram-se e legitimaram estes órgãos sociais para cumprir o mandato. Nas próximas tudo o que fizerem de bom e de mau vai ser tomado em conta. Eu lá estarei para votar de acordo com a minha avaliação do que foi o desempenho deles, até para ajudar a expulsá-los de sócio se for caso disso.

SL

Sábado o Sporting tem que vencer

Mais um fim de semana chegou ao fim, com as diferentes equipas do Sporting em competição no futebol profissional e nas modalidades, que muitos Sportinguistas como eu acompanharam ao vivo nos estádios e pavilhões respectivos ou pela TV. Foi mais uma oportunidade para reforçar a ideia que tenho, as diferentes equipas respiram saúde, têm um comportamento em campo impecável, e estão entregues a técnicos não apenas competentes mas também com uma postura que honra o clube e nos enche de orgulho.

Os resultados têm traduzido isso. Tivemos no ano passado uma das melhores épocas desportivas de sempre e começámos esta época sob o signo da conquista de troféus e de triunfos sobre os rivais.

Obviamente que os resultados podiam ainda ser melhores se o Sporting pudesse ter orçamentos parecidos com um desses rivais ou apostar selectivamente em determinadas modalidades como faz o outro, que nem Academia tem, rival esse que veio aliciar e nalguns casos levar alguns bons jogadores que muito falta nos fazem. 

Com todas as consequências da pandemia, é completamente descabido desfrutar do sucesso desportivo e depois vir atacar a competência dos responsáveis máximos e os suportes formais para esse mesmo sucesso. 

Mas se isso é completamente descabido numa AG do clube, mas facilmente entendível pela mobilização dum pequeno grupo ressabiado e órfão do seu expulso líder, ainda mais é numa AG da SAD onde alguns investidores "de trocos" foram indignar-se com o saldo negativo das contas, o custo que atribuem ao Paulinho, o prémio de renovação de Matheus Nunes, e depois disso tudo, com o facto de os seus votos não contarem para muito, dado que o Sporting é maioritário na SAD (!!!). Isto depois dum ano em que o Sporting foi Campeão Nacional depois de quase 20 anos, vencedor da Taça da Liga e já neste ano da Supertaça.

Mas afinal qual foi o motivo que os levou a comprar acções duma Sociedade Desportiva, se estão completamente alheados do seu sucesso desportivo?  Ganhar dinheiro e enriquecer com os dividendos? Bater palmas com o assalto a Alcochete que delapidou a SAD em muitos milhões? Aparecerem e serem vistos? Trampolim para presidentes? Estes "investidores" servem para quê exactamente? 

Já agora quanto é que eu tenho de investir para ir à próxima AG da SAD dizer umas coisas também e passá-las em directo para as redes sociais? 100€ chega? Mais algum? Gostava de saber...

Mas voltando à AG do clube no próximo sábado, tenho estado em todas ultimamente, a começar por aquela que o ex-presidente de forma caricata deu por finda, mas desta vez - com muita pena minha - não poderei estar presente. Eu e alguns amigos, incluindo Sportinguistas com tantos ou mais votos do que eu, já tinhamos uma viagem marcada e paga e infelizmente não será ainda possível poder votar no Núcleo da zona. 

Mas tenho a certeza de que os Sportinguistas vão acorrer em massa à AG de sábado, aguentar as javardices do costume e com o seu voto transmitir a mensagem de estabilidade e confiança que dirigentes, treinadores e atletas necessitam para conseguirem o sucesso desportivo da época.

Saudações Leoninas

Wendel, o “soldado 20 mil milhões” na frente Leste

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Sabem vossas excelências porque é que a SAD do Sporting teve de fazer uma rectificação do comunicado da venda do passe de Wendel que enviou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários?
Cheguei a temer que a comissão paga se tivesse multiplicado em questão de minutos, que os 20,3 milhões de euros viesse encolhido ou que se tivessem equivocado na grafia do nome do internacional olímpico brasileiro, mais um dos jogadores de valor que partem depois de se terem recusado a aderir ao “toca a rescindir” no pós-ataque a Alcochete.
Nada disso. Pura e simplesmente, em mais uma demonstração de incompetência gritante, enganaram-se no número de casas decimais, pelo que o montante pago pelo Zenit ascendia a 20,3 mil milhões de euros...

Palavras para quê, são artistas portugueses.

Sonho de uma noite de Verão

Ontem, como milhões de pessoas no Mundo inteiro, assisti à final da Liga dos Campeões disputada no nosso país, ali naquele estádio junto ao Colombo.

Frente a frente dois conceitos de clube completamente antagónicos: O Bayern de Munique um clube dos sócios, há muito dirigido por ex-jogadores (deve ser coisa quase inédita no mundo do futebol), agora por Karl-Heinz Rummeningge e antes por Franz Beckenbauer e o Paris Saint-Germain, propriedade de um magnata do Qatar, que diziam os papagaios da TVI ter investido nos últimos anos 1,2 mil milhões de Euros em aquisições (alô fair-play financeiro!).

Nem sempre se pode ganhar por oito golos e mesmo que os golos sejam o sal do jogo, a final de ontem pareceu-me muito bem disputada, principalmente até ao golo dos alemães, curiosamente marcado por um miúdo que começou nos franceses, pelo qual foi duas vezes campeão, até. Depois disso, veio ao de cima o factor "equipa" do Bayern, e foi por aí abaixo o factor "conjunto" do PSG, que passou a praticar um futebol desgarrado, à procura do milagre Neymar que não apareceu.

Ganhou quem eu gostava que ganhasse. Não por ter uma simpatia por aí além com os bávaros, mas porque plasmam o que eu entendo dever ser um clube de futebol, nesta época mercantilista e da ditadura do dinheiro associada ao desporto. Um clube detido pelos sócios, terá sempre mais "um bocadinho assim" de energia na hora da verdade, porque a força dos seus associados está também lá dentro, onde os onze lutam pelo emblema. E porque o futebol é paixão e por uma questão de princípio, não me estou a ver um dia a torcer por um clube propriedade dum fulano qualquer, ou duma sociedade por quotas qualquer.

Chegámos ao ponto: Adormecida com a época das contratações, que desta vez foram cautelosas e aparentemente acertadas, que isto sendo como os melões, há sempre uma probabilidade de dar certo e bem se os contratados não forem cromos do catálogo de um qualquer fornecedor e sim analizados por quem vai trabalhar com eles, adormecida, dizia eu, está a venda da maioria do capital da SAD do Sporting a investidores. A coisa por cá, com vários exemplos atrozes, não tem dado certo e como não estou a ver um Xeique do Qatar ou das vizinhanças que gaste o mesmo que o do PSG no Sporting, a venda do capital, tida por uns como inevitável, por outros como necessária e por outros vital para a sobrevivência do clube, não será mais que, salvo as devidas proporções, criar um PSG em Lisboa que precisou de mais de 400 jogos na era "qatarense" para chegar à final da LC (numa situação muito especial de pandemia), para a perder de forma clara para um clube poderoso. Já havia passado os "quartos" com alguma felicidade, no tempo suplementar. Tem ganho a nível interno, os factos demonstram-no, é inegável, mas será caso para perguntar a que custo. A sua superioridade evidente entre portas, ter-lhe-á retirado a competitividade e a rotina de enfrentar equipas da sua igualha e a questão que se coloca é esta mesmo: Haverá necessidade de gastar tanto dinheiro, "apenas" para ganhar campeonatos? Não será essa "gastança" uma necessidade de fazer rodar dinheiro com objectivos pouco claros a que inevitavelmente o nome do Sporting estaria associado, não apenas a comissões pagas a um sem número de abutres que pairam sobre o futebol, mas a lavagem de dinheiro oriundo de actividades ilícitas, algumas de crimes de sangue?

O PSG contorna o problema do fair play financeiro com pagamentos "em géneros", tanto nas transferências como nos vencimentos aos jogadores, numa manobra que de transparente não tem absolutamente nada. Eu não quero isto para o Sporting, porque para aqueles que defendem a venda da SAD, se não for para ganhar sempre como ganha o PSG, para quê então? Não, eu prefiro continuar a ter a ilusão (sim, nos tempos que correm é apenas ilusão dos sócios pensarem que mandam no clube, mas podem a qualquer momento decidir mandar, podem fazê-lo) de que posso contribuir para que o clube (por consequência a SAD detida maioritariamente por ele) seja uma entidade de bem.

E como é Verão e o tempo vai estando agradável, sonhar que um dia o clube tem dinheiro para pagar aos investidores privados e compre o capital da SAD que anda disperso e feche a porta da sociedade, assumindo-se como um Bayern! Sonhar não custa, pois não?

O prémio pela extraordinária época

Em Outubro de 2019 levantou grande celeuma uma proposta de um significativo aumento da remuneração dos administradores da SAD do Sporting. 

Na altura foram os próprios accionistas da SAD que escreveram ao presidente da mesa da assembleia da SAD a questionar a oportunidade daquele aumento. A proposta não foi retirada e foi mesmo aprovada pela maioria dos accionistas da SAD. Salgado Zenha na altura, vendo toda a controvérsia que existiu, veio logo informar que embora aprovado este grande aumento das remunerações da administração, tinham decidido suspender por uma época estes aumentos.

Pois bem, a época terminou e não havendo qualquer outra novidade, a partir deste mês de Julho a administração da SAD foi recompensada, e bem recompensada, por esta extraordinária época.

Assim, no meio de todas as notícias sobre incumprimentos com terceiros, que arrastam o bom nome do nosso clube para a lama, a administração da SAD vai a partir deste mês ter as suas contas mais compostas, premiando deste modo a excelente gestão que foi feita ao longo desta extraordinária época. 

É este o Sporting que hoje temos. É esta direcção que está na frente dos destinos do nosso clube. Que aceita este aumento salarial depois de uma das piores épocas de que há memória.

 

 

Revelação em Espanha

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Leio que Domingos Duarte, antigo jogador do Sporting, foi eleito para a equipa revelação da I Liga espanhola. Saúdo o facto, dada a simpatia que voto aos jogadores formados no clube. E não venho contestar a sua transferência. Por vezes os jogadores jovens saem porque não se prevê a sua utilização ou por necessidades de tesouraria ou porque assim o exigem, ou pressionam. Julgo saber que Duarte saiu por decisão interna. Legítima e nada dolosa, ainda que a possamos resmungar. No entanto também é possível que se Duarte tivesse ficado no plantel não se tivesse desenvolvido tanto, "tapado" por uma consistente e experiente parelha de defesas-centrais titulares e por um suplente de excelente currículo.

Venho saudar o facto também por outra ideia. Abaixo fui lembrando que nem todos os jogadores da formação cabem no plantel sénior, algo defendido pelo treinador La Palice. Mas também esta prática de fazer dos clubes uma placa giratória de jogadores é economicamente catastrófica. É uma deriva que implica dispensar jogadores da formação que podendo não ser Ronaldos ou Figos caberiam perfeitamente nos plantéis, seriam mais baratos - independentemente das remunerações, pois não haveria comissões e licenças desportivas a pagar.  E lembro dois jogadores que este ano foram notícia, Daniel Carriço e Wilson Eduardo, pois terminaram contratos de longa duração com as equipas para as quais se transferiram do Sporting. Sobre ambos correu o parecer colectivo de que "não eram jogadores para o Sporting". Carriço por razões de altura, perfeitamente estapafúrdias como o seu percurso posterior veio a demonstrar. Ambos são excelentes jogadores, muito melhores do que imensos contratados nos últimos anos. Teriam sido importantes para o clube. Isso poderá ser uma lição sobre como enquadrar estes novos jogadores. Não lhes exigir genialidade, titularidades absolutas. Mas perceber que, mesmo não tendo uma excepcional qualidade, será melhor integrá-los do que ir contratar fogos fátuos ...

Já agora, outro assunto: a trapalhada que acontece no Aves, que vem no seguimento do que se tem passado em vários outros clubes que independentizaram as suas "SAD"'s, mostra bem os riscos dessa suicidária opção. Também aqui o referi. Tenhamos muito cuidado com os defensores dessa opção, que nos vendem a ideia de que é o único caminho para o sucesso na bola. Alguns serão meros aldrabões, interesseiros na pilhagem do património espiritual do clube. Outros são bem-intencionados. Estes últimos são os piores, pois, como é consabido, são sempre agentes do demo.

Mais um clube ao fundo

Para os defensores da venda da maioria da SAD a um investidor, este final de campeonato não está a correr nada bem.

O Desportivo das Aves viu os donos da sua SAD fazer tudo o que podiam para que a equipa não dispute os últimos jogos desta liga. Esta situação surreal, em que os acionistas de uma SAD em sérias dificuldades financeiras, tudo fazem para a liquidar de vez, acontece em Portugal e não é caso único. Já existe uma longa lista de clubes que cederam a maioria do capital da sua SAD e que depois resulta no final da ligação da SAD com o clube, ou que leva mesmo o clube a descer aos distritais para de novo começar o caminho das pedras.

É sabido que os investidores que surgem a acenar com notas a clubes desesperados não estão, no fundo, muito interessados no real sucesso desportivo a longo prazo. Falamos de investidores obscuros, de quem nada ou pouco se sabe. O fim tem sido sempre o mesmo, separação litigiosa do clube, dívidas, falências, rescisões de contratos, salários em atraso.

O caso do Aves é o mais recente, não será o último. Foi um clube que não se importou de servir os interesses do Benfica, acolhendo jogadores supostamente vendidos, mas que depois de documentos apreendidos em casa da mãe de um dos seus dirigentes, foi descoberto que as vendas não eram bem vendas. Adulterou-se assim a verdade desportiva de uma competição, com jogadores que pela lei em vigor estavam impedidos de jogar contra o Benfica, a fazerem-no. E foram estes dirigentes, que aceitaram estas condições para o seu próprio clube que foram os responsáveis pela actual situação. Penso que já não há qualquer dúvida que resta ao clube Desportivo das Aves o mesmo caminho do Belenenses. Começar lá em baixo. Pelo meio há uma SAD, ou o que resta dela à venda, por 5 milhões de euros, que são a totalidade das dívidas. Aguardam mais um “investidor”.

Uma das equipas revelação desta época foi o Famalicão, cuja sad também não pertence ao clube. Ainda está, tal como a maioria dos clubes que optaram por esta via esteve, a viver a euforia da chegada de dinheiro fresco, de jogadores com um custo claramente acima das reais possibilidades de um clube da dimensão do Famalicão. A história diz-nos como vai acabar esta parceria do Famalicão.

No meio desta dimensão de casos, olhamos atónitos para o silêncio da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga. Se se verificar a não comparência do Desportivo das Aves nos dois últimos jogos do campeonato, os dirigentes da Liga devem de imediato pedir a demissão e não voltar a pensar em ocupar qualquer cargo no dirigismo desportivo nacional. É inacreditável que seja possível num campeonato profissional de futebol que esta situação ocorra e de forma corrente.

Quando o clube Os Belenenses chegar à primeira liga e por cá ainda estiver o Belenenses SAD, como vai a liga descalçar esta bota? O mais certo é ignorar e fazer de conta que sempre foram clubes diferentes.

É este o estado do futebol português.

 

It´s the football, stupid (adaptado de James Carville, 1992)

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Faz-me alguma confusão que alguns Sportinguistas, se calhar ainda a pensar nos tempos de João Rocha, continuem a não entender que o futebol é a mola real do clube, que não existe futuro digno sem uma equipa que consiga disputar com os dois rivais os títulos, as Taças e o acesso à Champions, que nos tempos que correm qualquer proposta que seja desistir desse confronto, desinvestir, e vender uma fórmula conformista aos sócios e adeptos está condenada ao insucesso.

Despedindo Silas e contratando Amorim pelo balúrdio que se conhece, obviamente também como uma pandemia à mistura, Frederico Varandas passou em pouco tempo de presidente contestado à beira da demissão e em vias de sair de Alvalade pela porta dos fundos, para possível candidato à reeleição. As claques ressabiadas e desmamadas meteram a viola no saco, os brunistas como Alexandre Godinho ficaram com sensações agridoces, os outros candidatos ou não existem ou como Nuno Sousa já perceberam isso mesmo e iniciaram a sua maratona. Obviamente também tudo isto irá mudar se os resultados voltarem a ser o que foram com Silas.

No sentido inverso, foi também devido ao futebol e não a outra coisa qualquer que Bruno de Carvalho passou em poucos meses de presidente eleito por mais de 90% dos votos para sócio expulso por mais de 70% dos mesmos. Nesse caso a exponencial de investimento esbarrou na incapacidade do treinador (numa relação promíscua com o presidente do clube rival) traduzir isso em títulos, e deu na guerra que deu, com o desfecho conhecido.

Também por causa do futebol esse mesmo presidente lá no clube dele passou de repente de "dono daquilo tudo" para um dirigente contestado, com orçamento chumbado e a reeleição em risco.

E lá pelo Porto, o presidente vitalício Pinto da Costa, perdendo aqui ou ali, e tendo as finanças do Porto num poço sem fundo e património reduzido ao mínimo, lá continua de pedra e cal. Ninguém esquece o que o clube ganhava antes dele no futebol e o que passou a ganhar com ele, incluindo títulos europeus. E o que continua a ganhar, como vai ser este ano mais uma vez o caso. 

Então, muito mais que as finanças, muito mais que o património, muito mais que o ecletismo, muito mais que as modalidades de pavilhão, o futebol é a mola real dos três grandes clubes de Portugal. Com o futebol a ter sucesso, o estádio enche, a base de sócios aumenta, novos adeptos se criam, as crianças aderem, o clube pode ter maior orçamento para estimular o ecletismo e ter modalidades de pavilhão competitivas. 

E o futebol no Sporting tem que querer dizer formação. Mas para transformar a formação em sucesso desportivo e financeiro, é necessário implementar uma cultura de excelência a nível técnico, estrutural e metodológico, uma aposta na prospecção, recrutamento, formação, retenção e venda de talento jovem nacional e estrangeiro, e uma escolha criteriosa de jogadores experientes e consagrados que venham fazer a diferença desportivamente e ajudem na evolução dos jovens. Dito doutra forma: ter bons colchões, mas ter ainda melhor capital humano lá deitado. 

Só depois disso vem a questão do financiamento e do modelo de propriedade da SAD. Francamente ainda não me explicaram as vantagens do Sporting ceder a sua posição maioritária a um investidor qualquer, abundam os exemplos de conflito de interesses dos donos com os clubes e o consequente afastamento dos sócios. Se olharmos para outros sectores, casos como a TAP, a EDP ou a Altice demonstram a dificuldade de conciliar o interesse público com o privado. 

Mas obviamente que terão de ser encontradas formas de financiamento da actividade da SAD que não passem pela venda precoce do talento existente e que permitam mais e muitos mais momentos como o retratado na foto.

SL

Sporting, Sad, Maioria e Investidor

Muito se tem falado nos últimos tempos sobre a questão da perda ou não da maioria do capital da SAD pelo clube.

Importa primeiro esclarecer que o Sporting clube não detém, directamente, a maioria do capital da SAD. Quando se fala em perder a maioria do capital da SAD, está se a falar não da maioria das acções mas sim da cedência, pelo Clube, da prerrogativa de apenas este e só este, poder deter acções preferenciais de categoria A. Esta acções, que actualmente representam 26,656% do capital da SAD, dão ao Sporting Clube o poder de veto em determinadas matérias, consideradas vitais para o clube, o poder de nomear um elemento da administração da SAD, os outros são eleitos em AG da SAD e o poder de veto, deste elemento, na eleição dos outros elementos da administração da SAD. Esta protecção, em vigor, permite ao clube controlar os destinos da SAD e do futebol profissional. Actualmente já temos um investidor, a Holdimo, que detém 29,851% do capital da SAD e tem um representante na administração, Nuno Correia da Silva, administrador não executivo.

Em 2026 vão vencer as famosas VMOC´S. Se o Sporting Clube não adquirir estas acções, conforme está estipulado no acordo efectuado com as entidades bancárias, a percentagem que deterá do capital social da SAD irá diminuir, mas não o seu poder de veto e nomeação por via das acções de categoria A que, reforço, pelos estatutos em vigor, apenas o clube pode deter. Assim, em tese, o clube até poderia ter apenas 1 acção da SAD e não veria os seus poderes e direitos diminuídos.

O Sporting clube só perderá este direito especial que detém na SAD se os estatutos da mesma forem alterados e para isso é obrigatório que o clube, os seus dirigentes, obtenham esse mandato em assembleia do clube. Está assim na mão dos sócios.

Agora sobre o investidor, ou a entrada de novos investidores.

Os defensores da entrada de novos investidores na SAD argumentam, entre outras considerações, que apenas com um reforço do capital da SAD, a entrada de gestores profissionais, com outra experiência na gestão de grandes empresas, é que será possível voltar a ter contas equilibradas e por isso, ou também, conseguir ganhar títulos no futebol profissional.

Importa aqui realçar alguns pontos que julgo importantes.

O Sporting, pelo menos desde a entrada de José Roquette e do seu famoso projecto (foi na sua presidência que se criou a SAD) que é dirigido por gestores profissionais. Temos tido na direcção do nosso clube e da SAD gestores profissionais, detentores de empresas e na sua maioria administradores de empresas privadas. Assim, não vejo que seja relevante a entrada de um novo investidor para que cheguem ao Sporting gestores profissionais. O que precisamos, isso sim, é de uma nova política desportiva e financeira. São coisas diferentes.

Com a entrada de um investidor, o que se espera, pela perda de controlo da sociedade, é um retorno financeiro, isto é, entrada de capital.

Neste momento, de acordo com o último relatório de Maio de 2020 a SAD tem um passivo corrente e não corrente, superior a 300 milhões de euros.

É isto que actualmente temos para oferecer a um investidor. Uma dívida gigantesca. Numa eventual negociação, com este passivo, quais seriam os argumentos que o Sporting clube teria para conseguir convencer um investidor a colocar capital na SAD? Será este cenário atractivo para quem tem disponibilidade financeira para investir? Quanto vale hoje a nossa SAD com mais de 300 milhões de passivos? Podemos argumentar que em causa está o maior clube de Portugal. Mas tal não é verdade, neste caso, pois aqui apenas estamos a ceder a nossa posição na SAD que controla o futebol profissional. A formação é do clube (até aos 16 anos), os sócios são do clube, as modalidades são do clube, o estádio, embora com o direito de superfície da SAD, e o pavilhão são do clube. O que temos para “oferecer” é a equipa de futebol profissional, os sub-23, o futebol feminino e porventura a equipa B, toda a gestão destes activos. Sempre com os 300 milhões de passivos. Parece-me óbvio que estamos em clara desvantagem negocial nas condições actuais.

Mas, imaginando que apareceria algum investidor interessado em entrar para o capital da SAD, o que aconteceria ao dinheiro investido? Serviria principalmente para diminuir o passivo de 300 milhões actual. Assim o cenário seria: Sporting clube sem o controlo da SAD do futebol profissional, a SAD sem dinheiro para investir e com o passivo reduzido. O mais sensato será sempre, se se optar pela venda do controlo da SAD, fazê-lo apenas com uma sociedade com saúde financeira, podendo nessa altura encaixar um valor muito mais significativo com a alienação pretendida. Porque no presente, sejamos honestos, um valor aceitável pelo controlo da SAD seria 1€.

Depois levanta-se a questão sobre o tipo de investidor. Qual seria na perspetiva do Sporting clube o investidor ideal? O histórico do investimento em clubes e sad´s, na Europa em particular, leva-nos a concluir que a maioria dos investidores são pessoas totalmente estranhas ao fenómeno desportivo em si. É isto que queremos? Qual o nosso interesse em ter alguém a controlar o futebol profissional do Sporting sem qualquer experiência em gestão desportiva? Queremos apostar no mesmo modelo  de gestão que nos trouxe até aqui?

O que precisamos mesmo é de alterar de forma definitiva a gestão desportiva do nosso clube. O que precisamos é de uma equipa que consiga gerir os destinos do clube e que entenda o que uma gestão rigorosa significa.

Somos 3.5 milhões de Sportinguistas.

Queremos perder o controlo do futebol profissional para quê?

A voz do leitor

«Não me choca o Sporting ceder a maioria da sua posição na SAD. Como em tudo na vida e até na morte, nem tudo é bom ou mau. Há exemplos de casos de sucesso, assim como existem maus exemplos. Há mais de 30 anos que somos mal governados, culpa em exclusivo dos sócios que são soberanos no que respeita ao destino do Sporting. Quem não se sabe governar muitas vezes tem que ceder a sua quota do negócio, sob pena desse mesmo negócio nem sequer subsistir.»

 

Balakov-Oceano, neste meu texto

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