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És a nossa Fé!

O apagamento de Bruno

Portugal acaba de dar um passo decisivo para chegar à fase final do Europeu 2020 ao vencer a difícil selecção da Sérvia por 4-2 em jogo lá disputado. Com golos de William Carvalho, Gonçalo Guedes, Cristiano Ronaldo e Bernardo Silva.

Bruno Fernandes - solitário representante do Sporting - figurou no onze titular, na posição de segundo avançado. Mas, uma vez mais, esteve muito apagado, abaixo do nível a que nos habituou nas competições internas vestido de verde e branco. O segundo golo sérvio resultou, aliás, de uma entrega de bola do nosso capitão, a meio-campo, gerando um rápido contra-ataque da selecção anfitriã.

Peço aos leitores que me ajudem a reflectir: por que motivo Bruno continua sem brilhar ao serviço da selecção?

O inútil e o inenarrável

«Noite de horror» no futebol português: a imprensa internacional não poupa a péssima exibição da selecção nacional na noite de ontem. A segunda consecutiva - primeiro contra a Ucrânia, agora contra a Sérvia - naquele que se tornou o "estádio oficial" da Federação Portuguesa de Futebol, onde os assobios foram mais audíveis do que os aplausos (e é muito bem feito).

Dois jogos, dois empates perante adversários situados muito abaixo do nosso patamar internacional neste arranque da campanha de qualificação para o Europeu de 2020. Lamento reconhecer, mas nunca vi tanto desinteresse colectivo em redor da selecção neste século XXI que leva duas décadas quase cumpridas. O que até se compreende. Basta anotar que o onze das quinas terminou a partida com Pizzi e Guedes em campo, além do inútil Cancelo. E - pior ainda - entrou em jogo com um inenarrável Dyego Sousa, incapaz de fazer um só passe em condições. É para mim totalmente incompreensível que Fernando Santos o tenha mantido 58 minutos sobre o relvado.

Em suma, tivemos o que merecemos. Só lamento a lesão de Cristiano Ronaldo, um enorme jogador que aos 34 anos continua a entregar-se como um recém-chegado a cada momento do jogo - e ontem pagou por isso. Nem assim funcionou como exemplo para alguns dos colegas que se arrastaram miseravelmente em campo.

A ver o Mundial (4)

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O FIM DA HEGEMONIA ALEMÃ

 

A primeira grande surpresa do Mundial aconteceu há pouco: a Alemanha foi derrotada em Moscovo pelo México de Ochoa, Herrera, Vela, Chicharito e Layún. Uma partida emocionante em que os mexicanos souberam impor a sua organização colectiva frente à superioridade germânica. Em campo estavam seis titulares da final de 2014, em que a selecção alemã derrotou a Argentina: Neuer, Boateng, Hummels, Ozil, Kroos e Müller.

Foi um bom espectáculo de futebol, emotivo do princípio ao fim, com a turma germânica a dispor de mais posse de bola mas quase sempre de modo inconsequente. Os mexicanos nunca deixaram de explorar o contra-ataque, em ofensivas perigosas que poderiam ter-lhes valido um segundo golo.

A vitória foi construída aos 35', num desses lances de futebol rápido, desenrolado ao primeiro toque, com a defesa alemã demasiado subida, sem rins para acompanhar a velocidade de Chicharito, que assistiu, e Lozano, que fuzilou a baliza à guarda de Neuer.

Há 36 anos que a poderosa Alemanha não perdia uma partida inicial de um Campeonato do Mundo - a anterior fora em 1982, no inesquecível certame disputado em terras espanholas, ao ser derrotada 1-2 frente à Argélia. Nos últimos quatro mundiais, em jogos de estreia, os alemães golearam sempre. Essa hegemonia terminou hoje. E torna este Mundial mais emocionante.

 

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O primeiro jogo do dia opôs a Costa Rica à Sérvia. Confesso: estava a torcer pela simpática selecção costarriquenha, que no Mundial do Brasil exibiu um futebol de grande qualidade e mantém quase intocável o seu onze-base. O maestro é o "nosso" Bryan Ruiz", que saiu entretanto de Alvalade envolto na máxima discrição, quase sem ninguém dar por isso.

Jogo pastoso, com maior acutilância sérvia mas superioridade técnica da Costa Rica, onde Bryan continua a ter bons pormenores - embora nem sempre com a intensidade necessária, como muito bem sabemos. Outro nosso velho conhecido, Joel Campbell, entrou a meio da segunda parte e também se mostrou igual a si próprio: muita finta no entretanto, mas quase sempre condenado a perder a bola na hora da decisão. Já vimos este filme.

 

Alemanha, 0 - México, 1

Costa Rica, 0 - Sérvia, 1

Os servos da Sérvia ficaram com azia

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Pus-me a pensar, neste serão, que alguns dos comentadores televisivos de futebol alinham pela bitola daqueles involuntários companheiros de almoço do Pedro Oliveira, dias atrás. Vi-os com tamanha cara de enterro, com expressões tão graves, com críticas tão azedas aos jogadores portugueses que pareciam ter torcido pela vitória sérvia no confronto desta noite com vista ao apuramento para o Europeu de 2016.

Não vimos o mesmo jogo. Naquele que eu vi, Portugal levou de vencida a Sérvia com toda a justiça. Triunfámos por 2-1 e estivemos muito perto de um terceiro golo, apontado por Cristiano Ronaldo na marcação de um livre que motivou um voo quase impossível do guardião sérvio para a evitar a bola a fuzilar as redes. Rui Patrício, tanto quanto me lembro, só fez uma defesa.

 

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Os nossos golos resultaram de lances estudados, revelando entrosamento entre os jogadores. Bola parada no primeiro caso, com centro de Fábio Coentrão para o oportuno remate de cabeça de Ricardo Carvalho. Excelente contra-ataque no segundo caso, com Cristiano Ronaldo a lançar João Moutinho que faz uma excepcional assistência para Coentrão, bem desmarcado na grande área sérvia.

João Pereira, Raul Meireles e Miguel Veloso - três intocáveis da era Paulo Bento - não foram convocados nem deixaram saudades. Quatro jogadores recuperados pelo actual seleccionador - Bosingwa, Ricardo Carvalho, Tiago e Danny - alinharam como titulares. Ricardo Carvalho abriu caminho à vitória com o golo, marcado logo aos 11'. Tiago voltou a deixar óptima imagem em campo. Bosingwa esteve seguro a defender na ala direita - oxalá se pudesse dizer o mesmo de Eliseu, na ala esquerda: no golo sérvio, marcado por esse lado, o lateral do Benfica primou pela ausência. Dos jogadores recuperados, só Danny continua a não justificar a convocatória.

José Fonte - que substituiu Ricardo Carvalho aos 16', por lesão - teve uma actuação impecável, confirmando hoje na Luz a boa fama alcançada no campeonato inglês. William Carvalho jogou os últimos dez minutos, entrando para o lugar de Danny: tempo suficiente para dar nas vistas com as recuperações de bola e os passes cirúrgicos que tão bem lhe conhecemos em Alvalade.

 

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Resumindo e abreviando: terceiro jogo da selecção sob o comando de Fernando Santos, terceira vitória consecutiva. Agora a Sérvia, após a Dinamarca e a Arménia. Seguimos em primeiríssimo lugar no nosso grupo de apuramento, com nove pontos, enquanto albaneses e dinamarqueses têm apenas sete.

Ficamos quase todos satisfeitos, naturalmente. Excepto os tais comentadores com cara de enterro e aqueles comensais que se confessaram servos da Sérvia lá para as Portas de Benfica.

A esta hora estão a engolir pastilhas contra a azia. Oxalá lhes façam bem.

Os nossos, os deles

os nossos.jpg

os deles.jpg

Sexta-feira, 27 de Março de 2015, o destino levou-me a almoçar ao concelho da Amadora mas bastante próximo dumas Portas com nome de clube de bairro, Portas de Benfica.

Enquanto brigava com umas lulas grelhadas, tentando afogá-las num branco, impecavelmente, fresco, chegam-me as seguintes palavras, trazidas da mesa do lado:

"Domingo, domingo quero que se fo**m, aquilo é só lagartada, quero é que ganhem os nossos, que ganhem ca*a*ho! o nosso Matic, o nosso Markovic, o nosso Durossic (tradução: Djuricic)"

Os companheiros de mesa riram, alarvemente, mostrando o bolo alimentar e umas bocas com poucos dentes.

Confesso que as lulas se me enrolaram no estomâgo...

Acabei o vinho (que não tinha culpa nenhuma) e pedi a conta, o café seria tomado num sítio mais civilizado.

Levantei-me e atirei com um:

"Boa sorte para os vossos e vamos lá a ver se desta vez o vosso estádio não acaba de cair e não acabam todos à porrada no campo como é vosso costume."

Virei costas e saí.

Não me apetecia escrever este "post" mas ao ler " A Bola" de hoje, percebi que aqueles involuntários companheiros do meu almoço, provavelmente, são jornalistas, escrevem no pasquim da Travessa da Queimada. O que terá uma eventual vitória da Sérvia hoje a ver com o hipotético título do Benfica? 

"Vitória da Sérvia, título do Benfica" diz-nos um Matic vestido cor de papoila saltitante; noutra página um Patrício vestido de verde, defende a baliza de Portugal.

Para muitos neste país (jornalistas incluídos) é o Sporting Clube de Portugal que vai jogar fora, mais logo, no estádio da Sérvia/Benfica.

Que vençam os nossos (o Sporting) e que percam os deles, ca*a*ho! (como diria o almoçante de sexta-feira).

 

{ Blog fundado em 2012. }

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