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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Televisão e outras cenas

O futebol português é um negócio sui-generis, onde os estádios estão às moscas e os cafés, pastelarias, bares e tascas enchem à hora dos jogos. Neste ramo de actividade, e sem que a Liga ligue o suficiente ao que se passa, os consumidores de futebol não dão dinheiro aos clubes, mas sim ao sector de restauração e bebidas. (Às televisões também, embora mesmo assistindo do sofá contribuam indirectamente para os proveitos dos clubes via valor da venda dos direitos de transmissão televisiva.)

 

O público que aí se concentra funciona como caixa de ressonância do que se passa num campo por vezes distante em muitas centenas de quilómetros. De facto, há todo um mimetismo a acompanhar este fenómeno: uma grande penalidade a favor da nossa equipa é usualmente comemorada com um “penalty” numa taça de vinho branco - a sua concretização merece logo um golo num cálice de Brandymel (o Santo Graal do “merchandising da bola” no seu estado líquido) - e o seu grau de conformidade, que no estádio envolve a figura do VAR, pode ser atestado por uma visita de um perito da ASAE. E todo o adepto impersonifica o treinador sentado no banco e emite comentários mais ou menos doutos e elaborados sobre o que vê e o que é preciso fazer, como se o simples acto de escovar os dentes e neles passar fio dentário numa base diária lhe desse automaticamente qualificação como estomatologista. Isto não acontece por acaso: é que, de todas as ciências, o futebol é a mais intuitiva, aquela em que o conhecimento se democratizou e se estendeu ao homem comum. Por exemplo, no que concerne aos sportinguistas, toda a gente sabe que em cada um de nós há um treina-(a)-dor. Também “olheiro”, ou membro do Scouting como agora pomposamente se diz, aparentemente qualquer um pode ser. Proponho até que se passe a designar de “zarolho”, principalmente a partir do momento em que um clube do sul de Itália (Nápoles) ultrapassou os nossos e foi o primeiro a ver valor num tal de Carlos Vinícius que jogava no Real (Massamá) e agora anda por aí, emprestado ao Rio Ave, a levantar as redes adversárias, perante alguns defesas que mais valia se dedicarem à pesca, de tal maneira são infernizados em terra por esse dianteiro brasileiro.

 

Tal como nos filmes, é da ilusão de se estar lá dentro que se faz o sortilégio do futebol. Disso e de se fazer parte de algo grandioso, maior do que nós e do que as nossas vidas, razão pela qual em Portugal (Guimarães talvez seja a excepção) quase todos escolhem um “grande” como clube da sua paixão (razão?), mesmo que o estádio do clube da nossa cidade esteja ali ao virar da esquina.

Passada esta introdução, esta noite o Sporting desloca-se a Tondela, uma cidade do distrito de Viseu com cerca de 29000 habitantes e um clube na Primeira Liga. Ao contrário da época de 2016/17, em que após uma viagem acidentada de carro, que envolveu o rebentamento de um pneu a cerca de 200 km/h (os senhores da Brigada de Trânsito queiram fazer o favor de saltar esta parte) e a concomitante impossibilidade de degustação prévia de um leitãozinho, ainda assim observei os leões a vencerem ao vivo os tondelenses, em Aveiro, com um golo marcado nos últimos minutos por Adrien e, no fim, celebrei…a vida - e de uma noite longa (golo de Coates aos 98 minutos) na temporada passada em que acabei com um nó no estômago e quase agarrado ao desfibrilador - , desta vez o jogo disputar-se-á no estádio João Cardoso, em Tondela, e eu, com essas emoções fortes ainda bem presentes (e de novo sem leitão), irei optar pelo conforto do sofá cá de casa para acompanhar a partida através das imagens, que não os sons, que me chegarão por via da SportTV. Que venha a décima (vitória de Keizer)!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O Renascimento by Keizer

Num passado não tão longínquo, um jogo contra uma equipa menor na Liga Europa, do género de um Skenderbeu, um Astana ou um Plzen, seria um sofrimento. Entrando em campo sem 8 titulares e com Battaglia e Wendel lesionados (a quem hoje se juntou Montero), os dias anteriores seriam pródigos em desculpas antecipadas e desvalorização da competição uefeira, até porque já estávamos qualificados. Os miúdos dos Sub23 teriam sido convocados apenas para mostrar à Direcção que eram necessários reforços e a partida terminaria com uma derrota, um empate ou uma vitória tirada a ferros, tudo muito carpido e de modo a manter os adeptos permanentemente ligados ao desfibrilador. Nesse tempo, futebol era sinónimo de condicionamento e não de golo, e os artistas eram os treinadores e não os jogadores. O futebol como anti-futebol.

 

Algo mudou em Alvalade, pois Marcel Keizer na preparação do jogo começou a ganhá-lo e a conquistar os jovens que teve ao seu dispôr. Ele pediu-lhes que mostrassem que podiam ser opção e eles corresponderam, mostrando grande atitude. E, pormenor importante, num jogo europeu, terminámos o encontro com 6 jogadores made-in Alcochete, tudo isto sem sofrermos qualquer golo. Mantendo apenas Coates, Acuña e Bruno Fernandes na equipa inicial, o Sporting mostrou desde o início a qualidade do seu jogo interior. Miguel Luís e Bruno Fernandes iam trocando sistemáticamente de posição e baralhando as marcações do Vorskla, sempre com o apoio por dentro de um dos alas e com os laterais em simultâneo a darem profundidade e, com isso, a deslocarem adversários do centro do terreno. O maiato, hoje capitão, foi o maestro que pautou o compasso de todo o jogo dos leões: de calcanhar, começou por isolar Miguel Luís na cara do guarda-redes ucraniano para mais tarde servir Acuña no lance em que Montero inaugurou o marcador; depois, em jogada iniciada por uma recepção de bola prodigiosa de "El Avioncito", tabelou com Mané e ofereceu de bandeja para Miguel Luís concretizar; a finalizar a primeira parte, recebeu de Jovane e colocou na dividida entre Montero e Dallku para o terceiro da noite; já no segundo tempo, e imediatamente antes de ter sido poupado a mais esforço, brindou-nos a todos com uma roleta russa digna de causar um traumatismo ucraniano aos dois oponentes com quem dividiu o lance. 

 

Não se pense que o Sporting foi só o seu maestro. Já depois deste sair, a orquestra continuou a tocar boa música até ao fim, com destaque para Petrovic e os jovens Thierry Correia, Jovane Cabral e Pedro Marques, este último por duas vezes, os quais tiveram nos pés e na cabeça oportunidades para dilatarem o marcador, sinal de que hoje em dia os espectáculos são entendidos como longas-metragens e não como festivais de curtas. Para além destes, cumpre realçar o bom jogo de pés de Salin, a raça de Acuña (por vezes a complicar o que torna fácil), os desdobramentos de Miguel Luís e a classe e inteligência de Montero, hoje saído prematuramente dado o infortúnio de uma lesão no tornozelo. Bons pormenores também de Bruno Paz, na condução de bola e passe. Uma última menção para a diagonal para a área protagonizada por Pedro Marques nos últimos minutos do encontro, com dois adversários em cima, que não está seguramente ao alcance de muitos. Ficou-me na retina, até por não ser rotina (vêr esse tipo de movimento).

 

Respira-se um óptimo ar no balneário do Sporting e nota-se que os jogadores desfrutam em campo, sinal de que já foram conquistados pelos métodos de Keizer. Há uma cultura em que todos são importantes e cada jogo é valorizado e visto como uma oportunidade para quem joga menos. A vontade com que os miúdos entraram em campo mostrou à saciedade que sentem que o treinador conta com eles e que não estão a ser usados como uma chiclete que se prova, mastiga e deita fora (sem demora).

 

Não deixa de ser curioso que na quadra natalícia se esteja a assistir ao nascimento de um novo Sporting. Em época de Jesus (Cristo, não o "Lawrence" das Arábias), o protagonista desta mudança de paradigma é Marcel Keizer, o nosso Mona Lisa. Onde outros viam ameaças ou pediam meses, ele vê oportunidades e não perde tempo com vaidades ou minudências. A arte de transformar o complexo em simples é um dom só ao alcance de poucos e requer apurada inteligência. Keizer tem-na. Podemos nem ganhar o campeonato, mas a satisfação que hoje tiramos ao vêr um jogo do nosso clube mostra à evidência que o holandês foi o presente antecipado que o Pai Natal verde (o original, não o da Coca-Cola) nos colocou este Natal no sapatinho. Há 20 golos, 20 razões que justificam esta afirmação.

Então, até à próxima! (que agora vou tomar uma "túlipa".)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Jogo da Glória

O jogo iniciou-se com o Sporting a jogar a passo e o Aves de Mota a voar baixinho. Com Wendel e Bruno Fernandes muitas vezes em linha, aos centrais e a Gudelj faltava um médio que se aproximasse da bola e ajudasse na construção, a sua ausência fazendo com que o jogo fosse constantemente lateralizado e longe dos princípios impostos pelo novo treinador leonino. O jogo a um/dois toques não aparecia - bitoque de menos e bife nervoso e muito mastigado de mais - e o Aves aproveitava para contra-atacar sempre com grande velocidade, explorando preferencialmente o lado direito da defesa leonina e as costas de Bruno Gaspar (em tempo natalício, um Rei Mago sempre pronto a distribuir presentes). É que Marcel Keizer tentara criar um “joker” no meio-campo com o adiantamento do lateral, mas a estratégia estava a ter um efeito “boomerang”. Não surpreendeu assim que os avenses se tivessem adiantado no marcador, seguindo a velha máxima futeboleira de que melhor Defendi é (n)o ataque. Valeu que, na hora H, a Amilton faltou a consoante para dilatar o marcador. Já Renan foi herói, resistindo a cair, evitando que lhe picassem a bola por cima do corpo.

 

O Sporting sentia muitas dificuldades em ligar o seu jogo, mas um penálti desnecessário cometido por Vitor Costa sobre Diaby permitiria a Dost equilibrar as contas. Nesse transe, Mota perdeu os travões e deixou a sua equipa apeada. Coates – já ficara mal no golo - não se conformou, e acometido de uma recorrente gripe das aves (ainda consequência de um anterior contacto com o "galo" Griezmann em Madrid) isolou um avançado adversário. Desta vez, o lance acabaria nas malhas…laterais da baliza à guarda de Renan. A partida caminhava para o fim da primeira parte, quando Nani tirou um coelho da cartola e aplicou uma folha seca muito indigesta e que trouxe água no bico ao guardião das Aves, adiantando o Sporting no marcador.

 

O reatamento viu o Sporting fazer o terceiro: Bruno Fernandes rodopiou entre dois adversários e junto à linha lateral do lado esquerdo do ataque leonino centrou de canhota para Dost (goleadores assim são espécies em via de extinção) bater as Aves no seu habitat natural. Logo de seguida, Acuña foi expulso por acumulação de amarelos, ele que no primeiro tempo tinha mostrado ainda precisar de algumas lições adicionais de controlo de raiva, certamente a serem leccionadas numa viagem mais longa do que aquela entre Vila do Conde e o José Alvalade.  Curiosamente, em inferioridade numérica o Sporting jogou melhor, com maior aproximação entre os sectores e mais trocas de bola rápidas. Num desses lances, Bruno Fernandes (médio completo, outra ave rara) isolou Diaby sobre a direita e este teve tempo para flectir para dentro e assinar uma obra de arte digna do Renascimento de um grande Sporting, o quarto dos leões e que sentenciou a partida.

 

O Sporting pareceu estar a disputar o Jogo da Glória: ontem caímos num poço e só começámos a jogar depois de sermos ultrapassados no marcador. Ainda assim, a morte esteve ali bem perto. Depois, empatámos e lá voltámos à casa de partida (1-1), pela quarta vez desde que Keizer é o nosso treinador (a primeira em que saímos atrás). Os dados estavam lançados e fomos bonificando e avançando mais ainda. Até que, ultrapassados o Inferno e o Purgatório, já era certo que atingiríamos a Glória. Por fim, já sem emoção, desligámos e limitámo-nos a aguardar pelo inevitável desfecho. Mas atenção: o nosso peão chegou à frente, mas não passou a ser um camPEÃO. Todavia, o que se pode dizer quando o pior Keizer da época se traduz num triunfo por 4-1 contra a equipa que, por via de um Jamor de perdição, há meses atrás sovou a prima do mestre-de-obras que andou lá por Alvalade a que era amante de arte românica? Uma palavra final para José Mota: utilizou bons ingredientes e o cozinhado teria sido de primeira se não lhe tivesse faltado a mão (de Ronny?) no tempero. É o que dá abusar da canela(da)...

 

Tenor “Tudo ao molho...”: Bas Dost

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Arco do triunfo

O Sporting deslocou-se a Vila do Conde e logo se inspirou com os Arcos do estádio do Rio Ave. Os vilacondenses bem tentaram absorver o futebol de (bi)toque do Sporting, mas a digestão revelou-se difícil - o problema terá sido do ovo a cavalo (ovo=huevo, em castelhano, alcunha argentina de Acuña, que após cavalgar todo o campo ofereceu a Dost o golo que repôs o Sporting na frente do marcador) - e no final a vitória foi dos suspeitos do costume, os pupilos de Keizer (Soze?). O arco do triunfo começou a ser erigido logo aos 8 minutos, quando Bruno Fernandes - lançado por Coates - tabelou com Nani e acabou a finalizar na área de pé esquerdo. Infelizmente, pouco tempo depois, num livre directo em que a barreira pareceu mal definida, o Rio Ave empatou. O jogo estava bom e em três minutos o Sporting teve quatro oportunidades: Dost (por cima), Bruno Fernandes (enorme defesa de Leo Jardim), Diaby (outra vez Leo) e Dost (outra vez por cima). Até que, ao quarto desses alucinantes minutos (entre os 18 e os 22), Bas Dost marcou (grande centro de Acuña). Todos os jogadores jogavam mais a dois do que a um toque, mas Diaby cometia a proeza de dar dois toques num, com a bola invariavelmente a ressaltar-lhe do pé esquerdo para a canela direita e a perder-se. Em cima do intervalo, os vilacondenses podiam ter empatado após um momentâneo lapso de razão, eufemismo para paragem cerebral, de Renan.

 

Ao intervalo, soube-se uma coisa do arco da velha (senhora): a Bola de Ouro de 2018 não havia sido atribuída a Cristiano Ronaldo, preterido por Modric. Parabéns ao France Football por ter adoptado a causa da diversidade, dado que o conjunto de votantes formou o arco do cego. Bom, na verdade, invisuais não eram, pois estes têm os (outros) sentidos bem despertos e isso teria sido suficiente para uma boa decisão. Apenas não quiseram vêr o óbvio, o que não fez qualquer sentido. Enfim, anda um homem a fazer acrobacias com uma bicicleta, a 2 metros de altura, para isto...

 

O Sporting reentrou bem no segundo tempo e marcou imediatamente, mas Bas Dost estava ligeirissimamente adiantado em relação ao passe de Acuña e o golo foi invalidado. Este viria a ser rendido à hora de jogo por o nosso "mona lisa" ter temido que o argentino (já amarelado) lhe estragasse a obra-prima de Mestre. O pior foi que entrou Jefferson e com ele o cabo dos trabalhos. Valeu o "arqueiro" (guarda-redes brasileiro) Renan, já recomposto da comoção da primeira parte, que evitou por duas vezes o golo do empate, primeiro, e mais tarde a reentrada no jogo dos vilacondenses (negando o golo a Coentrão que ainda recargou perante a apatia do lateral esquerdo leonino). Mas o Sporting jogava melhor, agora com a preocupação de privilegiar só um toque e com a entrada de Jovane (saída de Diaby) viria a sentenciar a partida. O ala formado em Alcochete, de fora da área, fez tiro ao arco com o seu pé esquerdo e a bola entrou como uma flecha "lá onde a coruja dorme" (ângulo superior). Uma obra de arte digna de figurar na ArCo.

 

Com alguns aspectos ainda a corrigir, a equipa leonina continua a ganhar e ontem superou aquilo que os doutos comentadores do televisivo ludopédio luso chamavam de "prova de fogo". Como se já não bastasse este escriba tratar o Keizer como um personagem de ficção cinematográfica ou uma figura do Renascimento, agora é bombeiro...

 

No Sporting, destaque para Bruno Fernandes e Coates, este último um muro de betão onde embateram e se esbateram todas as ofensivas vilacondenses. Nani também esteve bem, apoiando atrás e à frente, apenas com o senão de por vezes ter temporizado sem sentido (ao contrário da leitura correcta da desmarcação de Acuña no lance do 2º golo). Gudelj continua a subir de rendimento e Wendel trabalhou muito, embora tenha sido menos vistoso que anteriormente. Renan, que me fez exasperar no primeiro tempo, acabou por ser providencial. Bas dostou e ofereceu-se ao jogo, tanto em largura como em profundidade. E claro, last but the least, uma menção especial para o jovem Cabral. No geral, os jogadores foram menos felizes que no jogo anterior nos movimentos de aproximação à bola (desgaste do jogo europeu) e, quando em posse, demoraram mais o passe. Adicionalmente, nem sempre a pressão alta foi bem executada, pois algumas vezes as linhas média e defensiva não acompanharam os avançados, estabelecendo-se espaço por onde o Rio Ave assustou o nosso último reduto. Ainda assim, jogámos bem (face ao passado é um nirvana), ganhámos, temos 13 golos marcados em 3 jogos com Keizer, e continuamos a perseguir o pote de ouro no fim do arco-iris. FIM.

 

P.S. Que tal um estádio cheio para receber a equipa no próximo Domingo?

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Carrossel em Baku

A semana europeia começou com o jogo entre o Hoffenheim e o Braga, perdão, entre o Bayern e o Benfica, ou seja, entre o quinto classificado do campeonato alemão e o quarto do campeonato português. Todavia, julgo que há que dar desconto à derrota do Benfica: depois do Black Friday tivemos o Benfica Tuesday, uma mão-cheia de presentes de fazer corar qualquer e-Toupeira, que veio confirmar que o Benfica não se dá bem com arianos, pois já no Jamor - where the teams have no name - havia perdido com uma SAD de marca branca. A continuar assim, iremos ouvir mais o "venham mais cinco" do Zeca que o "papoilas saltitantes..." (Ser Benfiquista) do Piçarra...

 

De seguida, o Porto não alinhou em brindes  venceu o Schalke, qualificando-se para a próxima fase da Champions. E chegámos a Quinta-feira e ao jogo dos leões. O Sporting é um clube "sui-generis", onde se discute mais o número de horas que um presidente deve dormir do que se os jogadores estão acordados em campo. Mas a verdade é que com Keizer eles parecem bem despertos. Há quem diga que jogamos fácil, mas no futebol o mais difícil é jogar fácil, ao primeiro/segundo toque, com movimentação constante dos jogadores a darem linhas de passe e com a baliza sempre na mira. Tal exige recepção de bola, leitura de jogo e passe, capacidade de remate e muita disponibilidade física.

 

Hoje, de um lado estava o Qarabag, do outro um clube que quer "bago". E a verdade é que a jogar assim estamos mais próximos de melhorarmos as nossas finanças. O jogo praticamente começou com o golo de Bas Dost: Bruno Gaspar foi solicitado na direita por Diaby, olhou, e não vendo ninguém na área centrou atrasado para Dost. O holandês rodou sobre a bola e foi carregado já na grande área. Na conversão do "penalty" dostou como de costume. Um-azeri para o Sporting. O Qarabag não acusou o toque e aproveitou uma falha de Bruno Gaspar, que não respeitou a linha de fora-de-jogo, para igualar o marcador. Temia-se a tremideira, mas a partir daí só deu Sporting: Bruno Fernandes, a passe de Wendel e com a colaboração do guarda-redes islandês dos azeris, marcou o segundo, e Nani, num grande trabalho individual (iludiu 4 azeris), novamente servido por Wendel, o terceiro. De referir que essa jogada teve ainda a participação de Coates, Diaby e Dost e que foi feita sempre em progressão. Ainda houve tempo para o brasileiro perder o quarto e para Bruno Fernandes salvar sobre o risco um golo da equipa do Azerbeijão. No segundo tempo, Wendel (sempre ele) serviu Diaby para o poker de golos e voltou a aparecer (uff) para servir Bruno Fernandes para a "manita". Pelo meio voltou a desperdiçar uma boa oportunidade. Finalmente, numa jogada iniciada por Bruno Fernandes e continuada por Jovane Cabral, Diaby facturou o sexto com um bom apontamento técnico. 

 

Respira-se ar fresco hoje em Alvalade. Em muito pouco tempo, Keizer conseguiu pôr o Sporting a jogar à bola. Um futebol fuido, de passe e desmarcação, num carrossel mágico assente no centro do terreno. Para além disso, a reacção à perda de bola melhorou bastante desde Viseu, o que mostra que os jogadores estão a assimilar bem os processos. Todavia, há um aspecto que cumpre melhorar e que se prende com a deficiente cobertura do segundo poste, aquando dos cruzamentos.

O treinador leonino deu ainda durante o jogo oportunidade a miúdos saídos da nossa Formação, fazendo entrar o renascido Mané, Jovane Cabral e o estreante Thierry Correia. E depois há o caso Wendel: um jogador "lost in translation" de mandarim, mas que parece ter aprendido bem o holandês...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Wendel

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Arte traiu Viriatos

Em terras de Viriato, os irredutíveis lusitanos lutaram para defender o seu território frente a um adversário mais poderoso e que estreava o Professor Marcel ao comando. De um lado, os lusitanos, ostentando a Cruz de Cristo ao peito, do outro, os leões na era depois de Jesus mas com um Diaby capaz de dar cabo da paciência a um santo adepto. Para infelicidade dos viriatos, habituados históricamente a bater o pé à influência da Roma antiga (agora deslocada para o Oriente), as tácticas italianas do seu opositor haviam sido abandonadas. Agora imperava a escola holandesa, (re)conhecida pelo fomento das suas artes - onde o mecenato a terceiros não vai além da oferta da sua parte da receita do jogo -, mas também dada a alguns excessos burgueses como se viu durante a primeira parte. Assim, depois de uma Primavera/Verão marcada literal e metaforicamente pelo triângulo das bermudas – dentro e fora do campo –, após o Black Friday o estilista Keizer estreava a tendência de moda guerreira para a estação Outono/Inverno: os losangos (os neerlandeses são vizinhos dos exóticos "diables rouges" e sua extravagante indumentária), um futebol jogado a 1/2 toques, preferencialmente pelo centro e de apoio frontal e lateral ao portador da bola. 

 

O Sporting iniciou o jogo com Renan na baliza e Coates e Mathieu como centrais. Nas laterais, Gaspar e Jefferson (um dos melhores em campo), este último o primeiro a beneficiar do período de Renascimento que se vive entre os leões. Meio-campo a 3 linhas, com Gudelj mais recuado e a novidade de Bruno Fernandes jogar nas costas de Wendel. Diaby e Nani dividiam as alas e Bas Dost era o ponta-de-lança. A primeira imagem deste novo Sporting surgiu quando Wendel, Bruno Fernandes e Jefferson combinaram e Dost empurrou para as redes desertas. A segunda imagem mostrou a má reacção à perda de bola característica das equipas de Keizer: Bruno Fernandes perdeu a bola e Nani e Jefferson ficaram a ver jogar até a bola chegar a Diogo Brás, que não perdoou. A segunda parte começou no tom lento da primeira. Estávamos nisto até que Bruno Fernandes deu duas pinceladas de Rembrandt e marcou o segundo para o Sporting. Logo de seguida, Jefferson, a passe de Bruno Fernandes, traçou o azimute para Dost e o holandês dostou como de costume. A catarse prosseguiu quando Bruno Fernandes primeiro tabelou com Dost, depois com Nani, e o ala serviu no centro, onde Diaby assinou o quarto. Entraram ainda Bruno César, Jovane e Petrovic, este último (mal entrou) capaz de protagonizar uma entrada a pés juntos enquanto o Diaby esfregava um olho. Pobre rapaz, que pode ter levado a mal(i)...

 

Parece um paradoxo, mas logo agora que se deslocaram à terra do campeoníssimo atleta Carlos Lopes, os jogadores leoninos não se limitaram a correr os 10 km do costume, também jogaram à bola. Afinal, parece que não é tão difícil, pois não?

 

Nada mal para estreia, Varandas e companhia (os Keizer Chiefs) devem ter ficado contentes.

 

Tenor "Tudo ao molho": Bruno Fernandes

 

P.S. Ao vencer o Besiktas por 34-28, o Sporting protagonizou um feito histórico do andebol português, por ser a primeira equipa lusa a apurar-se para a fase final da Liga dos Campeões (desde que esta tem este formato), quando ainda falta uma jornada para terminar a fase de grupos, facto só possível devido à expressiva derrota da equipa eslovaca (louca?) do Presov na Rússia, frente ao Chekhovskiye  (é mesmo verdade) Medvedi.

P.S.2: A Formação do Sporting aplicou um "correctivo" de 4-0 à Formação do Benfica, em jogo a contar para a segunda fase do campeonato nacional de iniciados. Lá se vai a teoria do caos. Pedro Pontes (infantis, Torneio da Pontinha), Pedro Coelho (campeão em título de iniciados), João Couto (multi-campeão nacional pelo Sporting) e José Lima (campeão de juniores pelo Sporting e pelo...Alverca) estão de parabéns pelo trabalho que diariamente realizam em prol do Sporting Clube de Portugal. Que se criem condições para que todo o talento gerado não se perca num fúnil demasiadamente apertado aquando da passagem para os seniores. As nossas finanças agradecerão.

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Notas do Professor Marcel

Mal o jogo se iniciou, ambas as equipas mostrarem tendências suicidas: um flaviense confundiu um colega com uma bola de futebol e Mathieu atrasou uma bola venenosa para o seu guarda-redes. O Sporting apresentou-se com 3 médios de perfil, em bloco médio-alto, procurando o "campo pequeno", a fim de chegar mais facilmente em defensores de Chaves. 

 

A meio da primeira parte, quando se sucediam os passes falhados, na intersecção entre a linhas lateral e divisória do meio-campo Bruno Fernandes encontrou Acuña isolado pela esquerda. O argentino fez uma recepção orientada, centrou com régua e esquadro para a cabeça de Bas Dost e o holandês voador não perdoou. O Sporting poderia ter resolvido o jogo ainda no primeiro tempo mas, tal como a bola, o último passe nunca entrou.

 

O segundo tempo seguia numa toada morna até que Daniel Ramos lançou Niltinho na partida. Com a entrada do brasileiro, os flavienses encontraram as Chaves do Areeiro que lhes permitiram arrombar a trave (fechadura) da baliza leonina. O jogo aproximava-se do fim, não sem que antes o árbitro marcasse um penalty favorável ao Sporting. Na conversão, o suspeito do costume dostou, garantindo assim uma vitória e a ultrapassagem ao Braga para o segundo lugar do campeonato nacional.

 

No Sporting, Bas Dost e Acuña foram os melhores. Miguel Luís voltou a ser titular e mostrou consistência no passe, embora não tenha arriscado passes de ruptura. Gudelj continua a crescer defensivamente, mas dá pouco ao jogo a nível ofensivo. Nani e Bruno Fernandes alternaram boas cantorias com momentos dignos de ópera bufa e Jovane mostrou bons pormenores, no que terá sido um dos seus melhores jogos partindo de títular. Diaby, entrado em "modo morto de sono" a substituir o cabo-verdiano, foi a nulidade a que já nos habituou.

 

Marcel Keizer assistiu de camarote a esta partida cinzenta e algumas notas terá tirado. Em noite de Tiagos, um despediu-se a chorar e o outro deve estar a chorar a esta hora para não ser despedido. É que, sem que o (Bruno) Gallo já pudesse cantar, Tiago Martins (e o VAR), hoje muito infeliz nas decisões, renegou a (boa) arbitragem por duas vezes. Mais uma e o homem do apito ainda teria de mudar o nome para Pedro... Enfim, alguma vez haveria de "tocar" a nós...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bas Dost (lapidar no fim do jogo: "agora mais futebol, depois o título")

 

P.S. Diálogo mantido com um amigo benfiquista que me telefonou após o jogo:

- "Então o que `passou-se`?" -, perguntou-me ele como quem não quer a coisa, esboçando umas lágrimas de crocodilo.

- "Não sei, vocês é que estão (mal) habituados a isto..." -, retorqui-lhe eu, sem ponta de emoção (já chegava de choradeira por uma noite...).

 

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Canhões de pólvora seca

Grande jogo, Skok em grande na segunda parte e brilhante vitória (24-31) em Skopje, frente ao Metalist, a quinta a contar para a Champions nesta época. Ah, andebol mão, futebol pé? Peço desculpa...

"Now for something completely different"! Rebobina...

 

A actuação do Sporting, ontem no Emirates, podia resumir-se a duas frases feitas e a uma metáfora: não encheu o olho, o resultado foi bem melhor que a exibição e executar 3 passes consecutivos pareceu missão mais espinhosa que os 12 trabalhos de Hércules. Não fizemos boa figura, mas fizemos uma figura de estilo...

 

Tiago Fernandes até mostrou boas ideias: procurou sair com a bola desde trás e usou 3 linhas no meio campo (com o estreante a titular Miguel Luis mais perto de Gudelj do que de Bruno Fernandes). É certo que nem todos podem acrescentar neologismos ao dicionário como Peseiro e o seu trivote, mas Tiago tentou, pelo menos, jogar à "grande". O que falhou, então? Face a uma equipa do Arsenal que só manteve 2 jogadores (Holding, premonitoriamente "aguentando" em inglês, e Mkhitaryan) do onze titular do último Sábado contra o Liverpool, a equipa leonina mostrou ausência de rotinas, condição física deficiente e um meio campo sem intensidade competitiva que não conseguiu dar fluidez nem controlou os momentos do jogo, com um Gudelj de menos na construção, um jovem ainda muito verde e pouco rodado e um Bruno completamente "fora dela". Assim, em vez de escondermos as deficiências dos nossos jogadores, ainda as expusemos mais, fazendo-os parecer piores do que na realidade são. Prefiro assim, antes cair por tentar andar do que gatinhar toda a vida.

 

Embora se possa questionar a não presença de Bas Dost no onze titular, preterido por um inoperante Montero, a escolha de Diaby - já tinha passado ao lado do jogo nos Açores - em detrimento de Jovane Cabral foi a opção mais discutível do interino treinador dos leões: é que se a ideia era ter um velocista, talvez tivesse sido melhor contratar Usain Bolt, pois assim sempre teríamos dinheiro a entrar (patrocinadores) e não a sair. Mais concretamente, cinco milhões e meio de euros pela borda fora. Sim, porque não é preciso ser Brugge para ver o que irá acontecer.

 

Os "Gunners" (canhões) jogaram o suficiente para ganharem, nunca pondo demasiada intensidade no jogo, o qual por vezes se assemelhou a um meinho, com os nossos à rabia. Tiveram 64% de posse de bola, 12 remates (contra 1), 568 passes completos (183) e 7 cantos a favor (1). Infelizmente, este nosso cantinho de Londres não foi o de Morais, mas sim curto como o jogo do Sporting. Salvou-nos um intratável Coates e um indomável Acuña, sul-americanos de raça, bem como a deficiente finalização dos londrinos. E Mathieu, que se sacrificou pela equipa, após o que teria sido uma genial assistência de Bruno Fernandes - um general preso no seu próprio labirinto (quiçá psicológico) - para Aubameyang, não fosse o caso do gabonês jogar pelo Arsenal, no que terá sido a desforra por o maliano Diaby ter desviado um remate seu que teria sido o único a constar da estatística como direccionado para a  baliza do Arsenal. Africanices...

 

O resultado acabou por ser bem interessante, pondo-nos em posição privilegiada para seguir em frente na Liga Europa. Agora venha a pré-época com Keizer, treinador que tem uma boa e ousada ideia de jogo, privilegiando sempre a saída de bola pelo centro do terreno, com os centrais (e não o trinco) a conduzirem a bola. Terá jogadores para isso? O risco que coloca no jogo resistirá à falta de rotinas iniciais? Haverá paciência para com ele nas derrotas? A sua falta de currículo pesará se as coisas começarem mal? É aqui que, mais do que um Keizer, vai ser necessário um Kaiser, alguém que para além de não ler blogues também não "leia" lenços brancos e que se mantenha firme nas suas convicções (já que o escolheu). Isso e uma equipa técnica muito solidária, que alerte o nóvel técnico para as manhas do futebol português, a sagacidade táctica dos seus treinadores e a precaridade da transição defensiva dos seus princípios de jogo, a qual pode resultar em outra transição...de treinador. Em entrevista recente, Keizer disse que precisou de 4 meses para dar rotinas à equipa do Ajax que o deixassem satisfeito. Que lhe demos esse tempo antes de um primeiro julgamento, até porque já temos todos saudades de ver bom futebol, algo que não tem abundado em Alvalade desde a primeira época de JJ. 

 

Uma última palavra para os incansáveis adeptos leoninos que se fizeram bem ouvir ontem nos Emirates. Pelo menos esse jogo dominámos, com muita alma e sem recorrer a entradas a pés juntos. À Sporting !!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Coates

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Sarilhos pequenos (os leões, um a um)

Renan Ribeiro - Vendo Santa Clara a debater-se com o vento, usou de caridade cristã e ofereceu uma esmola aos açorianos. Na etapa complementar, manteve-se recluso no seu Mosteiro, dada a pobreza franciscana das ofensivas insulares. 

Nota: Mi

 

Bruno Gaspar - Tem nome de Rei Mago (Gaspar, não Bruno), mas continua muito contido, meio envergonhado e ansioso, como um miúdo antes de um primeiro exame. E que exame! É que o peso da listada verde-e-branca não é para qualquer um, facto que é do "incenso" comum para Gaspar. 

Nota:

 

Coates - Cumpriu sem brilhantismo, mas teve uma preocupação com a segurança digna de um Ministro da Defesa, solenidade que o fez aventurar-se menos em terrenos inimigos.

Nota: Sol

 

Mathieu - No lance do golo açoriano, procurou o "pas de deux" com Coates e deixou entrar Zé Manuel nas suas costas. Inconformado, realizou algumas investidas ao último reduto adversário e distribuiu jogo essencialmente pela esquerda, fixando o ala insular e procurando a posição mais avançada de Lumor em relação à restante defesa leonina. 

Nota:

 

Lumor - Enganado pelo vento ou confiante de que Renan far-se-ia à bola, deixou Zé Manuel entrar pela sua frente no lance do golo do Santa Clara. Insuperável nos duelos individuais pelo chão (10 em 10), procurou sempre municiar o ataque. Mostrou velocidade e remate potente. Tem g(h)ana de vencer, o miúdo.

Nota:

 

Battaglia - "Gone with the wind". Uma lástima para a equipa. Que volte depressa e bem!

Nota:

 

Bruno Fernandes - Anda com a transmissão avariada. Patina, quando põe a mudança e as suas desmultiplicações não saem. Não está a ficar bem no retrato ou, no caso, no PASSE-partout...

Nota: Mi

 

Acuña - Cresceu muito no segundo tempo. Com o argentino em campo, o Rei Leão entoou "Acuña" (no original, Hakuna) Matata, que em dialecto suaíle significa "sem problemas".

Nota: Lá (Melhor em campo)

 

Nani - Procurou o espaço entrelinhas e deixou a sua marca no jogo (e não, não me refiro só às pernas de Mamadu). Foi um verdadeiro capitão e nunca se rendeu.

Nota:

 

Diaby - No "Convento" de Santa Clara não há lugar para o Diaby...

Nota: (u)

 

Bas Dost - Procurou a bola em toda a primeira parte e, quando ela finalmente lhe chegou, deslumbrou-se e falhou um golo fácil. Dostou exemplarmente de (re)paradinha, após "(re)falta" (foram dois insulares...) cometida sobre ele. 

Nota: Sol

 

Gudelj - Entrou ainda na primeira parte para render Batman e o mínimo que se pode dizer é que fez jus à condição de novo Vigilante dos de Alvalade. Necessita de maior tracção à frente.

Nota: Sol

 

Jovane - Já se sabia que Cabral era nome de navegador intrépido e Jovane não foge à regra. Mudou por completo o cariz do jogo, descobrindo novos caminhos para a nau leonina, entre ventos e marés adversos. 

Nota:

 

Miguel Luís - Tempo apenas para se estrear pelo Sporting em jogos a contar para o campeonato nacional.

Nota:

 

(notas de Dó Menor a Dó Maior)

 

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Contra o vento marcar, marcar!

Estreando Tiago Fernandes ao leme, o Sporting viu-se em sarilhos grandes para navegar com o vento pelas costas. O treinador interino leonino alterou o habitual sistema de 4-2-3-1, para um 4-4-2 que na realidade acabou por ser um 4-4-1, dado que Diaby foi uma unidade a menos durante toda a primeira parte, uma gentileza que o Santa Clara viria a retribuir na etapa complementar, com Patrick a fazer-se expulsar aos 64 minutos de jogo.

 

No primeiro tempo, o Sporting não soube aproveitar as condições atmosféricas, destacando-se apenas os tiros de canhão de Bruno Fernandes e de Lumor que causaram sensação de golo. Acrescente-se um desvio de Bas Dost, sozinho na pequena área, que quase dava à costa e pouco mais a equipa leonina fez nesse período. Em compensação, a Delegação do Benfica na Ilha de São Miguel marcou um golo, beneficiando de uma série de equívocos dos leões: Rashid colocou a bola por cima dos nossos defesas, Mathieu preocupou-se em marcar um ponta-de-lança que já estava controlado por Coates, Lumor não acompanhou a movimentação de Zé Manuel e Renan ficou, entre os postes, a filmar tudo para a posteridade. Diga-se desde já que Lumor - a grande surpresa no elenco de Tiago Fernandes - foi uma das figuras da partida, pese esse erro partilhado. Contabilizei um total de 10 duelos disputados com quem lhe apareceu pelo flanco e todos foram ganhos pelo ganês, que ainda teve ganas para ir lá à frente e provocar desequilíbrios como no lance do primeiro golo do Sporting, provando que de um ódiozinho de estimação (Jefferson) para um Lumor de Perdição basta um pequeno passo. Um pequeno passo para o homem (treinador interino), um grande passo para a Humanidade (leonina).

 

Tudo o vento levou na primeira parte, incluindo Battaglia, lesionado com gravidade num joelho, e Diaby que já não voltaria do balneário. Saiu o homem que joga mal(iano), pelo menos quando colocado como segundo avançado, e entrou o jovem Cabral, o qual teve um impacto imediato no jogo. Jogando inteligentemente contra o vento, de forma rasa (exceptuando Renan e, a espaços, Bruno Fernandes) mas sem "baixar a bolinha", e procurando trocá-la de pé para pé, os leões foram aproveitando a disponibilidade física de Lumor e de Jovane para ganharem metros dentro do meio-campo micaelense. Numa dessas jogadas, Lumor viu Nani desmarcado na face lateral esquerda da área açoriana e colocou-lhe lá a bola. O capitão olhou e procurou a entrada de rompante de Bas Dost, o qual viria a ser desequilibrado por dois adversários. Manuel Mota apitou para grande penalidade e Bas Dost marcou à primeira...e à segunda, esta finalmente sancionada pelo árbitro. Pouco tempo depois, mais uma incursão de Lumor e lançamento para o Sporting. O ganês deu a Jovane e este centrou maravilhosamente para o segundo poste, onde Marcus Acuña apareceu surpreendentemente a marcar de cabeça. 

 

O Sporting ainda poderia ter dilatado o marcador, mas para não variar ficou à mercê de um capricho da sorte ou do vento. Assim, num último estertor, o Santa Clara esteve à beira de marcar por duas vezes, com pontapés que fizeram a bola passar muito perto do poste direito da baliza à guarda de Renan Ribeiro.

 

Nos leões, destaques para Acuña, Lumor, Jovane e Nani, este último um capitão que sempre procurou lutar contra ventos e marés, devendo apenas refrear algumas abordagens mais próprias de piratas. Gostei da entrada de Gudelj, hoje mais intenso defensivamente, embora continue a faltar-lhe participação ofensiva. Vitória justa do Sporting e estreia auspiciosa de Tiago Fernandes, para quem a viagem aos Açores acabou por se revestir de sarilhos pequenos. Nada como ser fiél às origens, portanto.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Marcus Acuña 

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - (Estoril) Praia em dia de chuva

Estoril Praia em dia de chuva e frio é coisa para dar cabo da saúde a qualquer um e o Sporting não foi imune a isso. A visita dos canarinhos à mina de carvão em que está transformado o Estádio de Alvalade veio revelar que o ar está saturado, pelo que o perigo de derrocada da equipa é iminente.

 

No fim do jogo, Peseiro criou uma realidade alternativa. Nessa narrativa, o Sporting teria feito uma boa exibição - o que estabelece um novo paradigma para quem durante um jogo inteiro não consegue fazer uma jogada com princípio, meio e fim contra uma equipa da 2ª Liga - e tinha o jogo controlado até, pequeno pormenor, ter sofrido os dois golos do Estoril. Se sobre a qualidade da nossa actuação, o melhor será usar um eufemismo e dizer que Peseiro faltou à verdade, já em relação à máxima de "ter o jogo controlado" importa dizer que se trata de uma expressão da mitologia do ludopédio que é, obviamente, uma falácia e consiste em ficar na retranca e deixar de pressionar o portador da bola. Tal como a saúde, um estado transitório que não augura nada de bom. Ou uma Boa Morte, que foi o que aconteceu, mesmo que não tenha sido o Ailton a assinar a certidão de óbito. E depois, quando foi necessário o "chuveirinho", já lá não estava Bas Dost para ressuscitar a equipa. 

 

Falemos agora de Jefferson, um jogador que deveria ter saído 62 minutos antes. Dir-me-ão que sofremos os golos após já não estar em campo, o que não deixa de ser verdade, embora os dois erros que André Pinto cometeu tenham sido semelhantes aos que Jefferson fez na primeira parte e na mesma jogada. Simplesmente, graças a Salin, não deram em golo. Analisemos o jogo do brasileiro: logo de início, isolado por Mané, em vez de acelerar para a baliza, engrenou a marcha-atrás; aos 13 minutos, servido por Wendel, inexplicavelmente deixou a bola sair pela linha lateral; no supracitado lance foi ultrapassado duas vezes por Ailton Boa Morte, valendo o nosso guarda-redes; aos 20 minutos, após excelente abertura de Petrovic, cruzou para trás da baliza estorilense, a chamada assistência para o apanha-bolas; aos 43 minutos, teve uma recepção de bola desastrosa; finalmente, aos 55 minutos, Petrovic veio à lateral esquerda, em esforço, cortar de carrinho, enquanto Jefferson lá seguia no seu traje de passeio. Escusado será dizer que pelos padrões do treinador leonino terá realizado uma boa exibição. Dado o contexto. O contexto ou com texto de Jefferson é levar sempre o guião errado para campo ou então ser um mau aluno.

 

Diz Peseiro que há jogadores que não têm jogado e que é natural que acusem um pouco. Terá sido o caso de Wendel, que acusou no marcador, obtendo o único golo do Sporting na partida, ou de Lumor, que no último minuto avançou em velocidade pelo seu flanco, driblou dois adversários e colocou a bola na área, algo que, está bom de ver, Jefferson nunca conseguiu.

 

É difícil destacar algum jogador no Sporting. No entanto, pelas movimentações verticais durante o jogo, recuperação de bola e remate no lance do golo escolheria Wendel, dando também nota positiva a Petrovic, Mané, Salin e Bas Dost. No plano oposto, continuo a não perceber o que Peseiro vê em Gudelj. Diaby continua a ser demasiadamente inconsequente, embora tenha registado mais um bom centro atrasado, à semelhança do ocorrido no domingo. André Pinto, que até está rodado e habitualmente é pendular, teve um jogo para esquecer. Bruno Fernandes entrou apático e Montero movimentou-se, mas nunca foi servido em condições. Quanto a Peseiro, integrou-se bem no espírito da noite, contou-nos umas histórias assustadoras e dirigiu um filme de terror, enfim, pregou-nos (mais) uma verdadeira partida de Halloween.

 

Tenor "tudo ao molho...": Wendel

 

P.S. Parece que a altas horas, madrugada adentro, José Peseiro foi despedido. Teve a coragem de pegar no leme numa hora difícil e terá dado o seu melhor nessas circunstâncias, o que, infelizmente para todos, não foi o suficiente. Bem sei que amanhã é Dia de Finados, mas é chegada a hora de cuidar dos "vivos". O Sporting necessita e com urgência. O meu desejo é que Frederico Varandas cumpra a sua promessa de que não mudaria por mudar e que só substituiria o treinador por alguém indubitavelmente melhor.

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - NA NA NA NA NA NANI !

O fim de semana havia começado sob a tónica SAD. De um lado, a vitória da sociedade anónima desportiva renegada pelo clube (Belenenses) que lhe deu origem, do outro, as águias tristes (“sad”, em inglês, língua em que se correspondem com a Google) pela derrota. Este resultado, mais o empate do Braga no derby do Minho, dava ao Sporting a possibilidade de voltar a tentar um xeque-ao(s)-rei(s) no tabuleiro axadrezado. Essa era a expectativa para o jogo de hoje.

 

O controlo do centro é fundamental num jogo de xadrez e Peseiro conseguiu-o ao dispôr os seus peões de maneira diferente daquilo que tem sido usual. Com Gudelj mais solto, Battaglia teve o espaço atrás de que tanto gosta para estabelecer a sua zona de pressão e Bruno Fernandes um apoio mais próximo do que aquilo que vem sendo comum. Adicionalmente, as movimentações de Fredy Montero baralharam por completo os boavisteiros. Após várias trocas com Acuña, o "Rei Cafetero" (grande exibição) ensaiou um roque (jogada que envolve a movimentação contrária de duas peças) com Nani e este fez de Torre ao cabecear com êxito para golo. 

 

No segundo tempo, o Sporting manteve a toada atacante, destacando-se a capacidade de envolver mais peões nos movimentos ofensivos. "El Avioncito" ganhou um livre à entrada da área e Bruno Fernandes cobrou-o directamente contra a barra. Logo de seguida, o colombiano cabeceou para uma defesa "in-extremis" de Helton (bom centro de Bruno Gaspar). Montero estava com o Diaby ao pé da orelha e serviu-o, após mais uma vez ter ganho espaço entre as linhas axadrezadas. O maliano centrou atrasado e Bruno Fernandes marcou um golo de bandeira. A tranquilidade viria somente dois minutos depois, quando um remate de Bruno Fernandes prensado num defesa (após novo bom centro de Bruno Gaspar) ressaltou para os pés de Nani, que não perdoou, aplicando um remate picado a fazer lembrar o segundo golo de Jordão contra a França no Euro84. De destacar neste lance o facto de o Sporting ter conseguido juntar 5 jogadores em zona de perigo, algo inédito nesta temporada. 

 

Tempo ainda para a recriação de um antigo "hit" dos AC/DC voltar a Alvalade com o regresso de Bas Dost à competição. O holandês desta vez não dostou, mas não foi por falta de tentativa por parte dos colegas, que a partir da sua entrada em campo praticamente só jogaram para ele. Mas a noite era de Nani (pelos golos) e de Montero (pela influência no jogo), claramente os melhores em campo esta noite. Saúde-se também o regresso de Mathieu e as boas exibições de "Muttley" Acuña, "X-Terminator" Battaglia e Bruno Fernandes. Nota acima da média também para Diaby, que alinhou hoje de início, trouxe velocidade ao jogo e fez uma assistência, embora por vezes revele um lado trapalhão. A rever. A melhorar com o decorrer da partida esteve Bruno Gaspar, o qual pareceu mais confiante. O resto da equipa esteve regular.

 

Vitória concludente e a melhor exibição da época. Contente pelo Sporting e por Peseiro, que hoje, apropriadamente contra um adversário que equipa de xadrez, foi finalmente um Grande-Mestre.  

 

Tenor(es) "Tudo ao molho...": Luís Nani e Fredy Montero

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Arsenal do Alfeite

Desde que o Cova fez a Folha, sem Piedade, ao Super-Portimonense do nosso descontentamento que já não sei onde enterrar o meu desgosto. Nesse sentido, tinha a ideia fisgada de que o jogo de ontem oferecia-se como uma oportunidade de dar a volta por cima. Ao fim de uma série de jogos a tratar Davids como Golias, nada como medir forças com um verdadeiro gigante do futebol europeu. 

 

De um lado tínhamos o poderoso Arsenal de Londres, do outro o Arsenal do Alfeite, a nova identidade da equipa de futebol do nosso Sporting. Que até poderia ser coisa boa, caso tal reflectisse a reparação e reconstrução de uma grande equipa, mas afinal é tão só um estaleiro. De jogadores. Ontem, Ristovski foi a nova baixa, a juntar a Mathieu, Bas Dost, Wendel, Battaglia e Raphinha, tudo jogadores que já pararam por lesão desde que a época começou.

 

O Sporting iniciou o jogo com três tristes trincos(*), dispostos sob a forma de um triângulo de área mínima. Petrovic era o elemento mais recuado, Battaglia e Gudelj jogavam a par. Na frente, Montero no meio, Nani e o armador Bruno Fernandes, desterrado, a revezarem-se nas alas. A defesa foi a habitual, com Acuña no lado canhoto, e na baliza a novidade Renan. (É verdade, o futebol evoluiu muito desde os meus tempos de juventude. Nas "peladas", que fazia com os amigos, o gordo ia sempre à baliza(*), agora não deixam o Viviano jogar.) 

 

O Arsenal, que tinha tido um jogo na segunda-feira (Leicester) e terá outro no Domingo (West Ham) parecia disposto a cumprir os serviços mínimos, isto é, a jogar para o pontinho. Deste modo, a primeira parte arrastou-se sem grandes oportunidades de golo e com o Sporting a conseguir dar réplica e dividir a posse de bola. A melhor oportunidade até terá sido um remate muito bem executado por Nani, com força e colocação, que passou muito perto da barra da baliza defendida por Leno. O pior viria depois. Desde logo porque Gudelj, que já não estivera famoso, não voltou do balneário, fazendo-se substituir por um holograma, projecção de um jogador cheio de estilo mas com intensidade nula. Assim, a equipa partia-se constantemente em duas, com 3 elementos praticamente inofensivos no ataque e os restantes barricados uns bons 20 metros atrás. Exceptuando Montero, que conseguiu variadas vezes segurar a bola e (des)esperar por uma linha de passe, toda a equipa parecia amorfa. Mesmo a melhor unidade do primeiro tempo, o argentino Acuña, parecia reclamar por uma botija de oxigénio, tal o cansaço que começou a aparentar. Peseiro demorou, mas acabou por fazer o óbvio: retirou Gudelj e colocou Jovane em campo. A ideia parecia boa, mas a forma como o treinador mexeu na disposição da equipa no terreno estragou o resto: Petrovic, outra das melhores unidades, passou a jogar a par com Battaglia e Bruno Fernandes assumiu o meio, só que foi jogar muito perto de Montero, cavando um fosso ainda maior no meio campo. Assim, embora ganhando com a agitação que Jovane trouxe ao jogo, as perdas foram superiores, dado que deixou de haver qualquer tipo de ligação entre sectores. Aproveitando este desnorte táctico, o Arsenal, que entrou no segundo tempo a todo o gás e já vira Renan negar-lhe duas ou três ocasiões e o árbitro outra, acabou por marcar, num lance em que, primeiramente, Aubameyang beneficiou do duplo-pivot leonino para com um subtil toque de calcanhar colocar a bola entrelinhas e, seguidamente, aproveitou uma fífia de Coates (um clássico a este nível) para marcar, por Welbeck, ocasião não desperdiçada por Peseiro para dar os 5 minutos da praxe a Diaby, o tal jogador que Cintra escolheu com o "Dr Pedro Pires que é uma enciclopédia de futebol" e afirma que encanta o treinador, mas que cheira a "flop" por todos os poros.

 

No Sporting, Montero foi o melhor. Renan esteve bem, mas a sua colocação de pés, no lance do golo inglês, não pareceu pacífica (bola entre as pernas). Petrovic e Acuña desceram muito de produção no tempo complementar. Os piores terão sido mesmo a equipa - nenhuma desmultiplicação na transição ofensiva - e o árbitro, que deixou passar em claro, ainda na primeira parte, uma falta de um "gunner" sobre Montero, quando este corria isolado para a baliza, lance que, na minha opinião, mereceria a amostragem do cartão encarnado e poderia ter mudado o jogo.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fredy Montero

 

(*) Agradecimento aos Leitores JG e Rute Rockabilly pela inspiração

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Eleições

Contagem dos votos - O voto electrónico é já uma figura da mitologia leonina, um placebo para o sócio do Sporting se sentir melhor, uma espécie de máquina de fazer "plim", imortalizada pelos Monty Python em "O sentido da vida". Na verdade, e  após sucessivas Noites Longas Eleitorais, os sportinguistas chegaram à conclusão de que não temos sistema informático, temos ábacos. Bom, dirão vocês, antes ábacos do que ácaros ("hackers"), do Benfica. É que, concomitantemente, não havendo email, e tendo de comunicar por Post-Its, também não nos violam a correspondência. Mas estamos bem assim. E mantemos semelhanças com o rival: se o Benfica tem o Varandas Fernandes, nós agora temos o Varandas mais a Papelaria Fernandes.

 

Jaime Marta Soares - "Marta attack" no seu melhor. Nem uma palavra (sobre o atraso na contagem) aos sócios durante a Noite Longa Eleitoral. Apareceu após as 02:30 e achou conveniente dissertar para um pequeno grupo de sócios com insónias. Como, enquanto bombeiro, está sempre a pedir chuva, demorou-se a explicar como um candidato com mais votantes pode não ser o que tenha mais votos. 

 

Rui Jorge Rêgo - Teve uma excelente ideia ao convidar um lateral esquerdo para Director Desportivo, mas enganou-se na escolha. Assim, ficou sem votantes ou cem votantes (exactamente 98). Trouxe um tal de Roberto Carlos, mas Jefferson teria sido uma melhor opção. Sempre nos víamos livres dele, no campo.

 

Tavares Pereira - Teve três vezes e meia menos votantes do que tem funcionários. Bastaria ter tornado sócios todos os seus funcionários para ter ficado à frente de Dias Ferreira, pelo menos no número de votantes. Um ano de quotas pago a todos, a doze euros a peça, ter-lhe-ia custado a módica quantia de 109 200 euros, bem menos do que se ouve falar que custaram algumas campanhas de comunicação. Menos ainda, se fossem apenas sócios correspondentes. Num país que muitas vezes não valoriza os seus, merece todo o respeito e admiração pelo empresário que é, mas parece ter corrido sempre por fora. E por escolha própria, ao que consta.

 

Dias Ferreira - O maior paradoxo eleitoral. O candidato com mais idade, mais anos de militância leonina e mais cargos no Sporting teve a sua base de apoio no voto dos associados mais jovens. O problema é que foram tão poucos que cabiam todos nas matinés do Teatro Maria Matos.

 

José Maria Ricciardi - O seu número de votantes não deu para encher o (Pavilhão) João Rocha, mas ontem já se deve ter equipado para amanhã, ou seja, hoje, visto termos jogo de andebol com o ABC. 

 

João Benedito - Se o processo eleitoral fosse a Miss Universo, ele teria sido a Miss Simpatia. À entrada da última semana e à frente nas sondagens, faltou-lhe "killer instinct" para explorar a divulgação de uma certa peça de áudio. Habituado a defender, faltaram-lhe rotinas de avançado. Não que isso seja necessariamente um ponto negativo, bem pelo contrário, a sua postura institucional foi um exemplo nestas eleições. Curiosamente, rematou com chave d`ouro a sua participação nestas eleições, com um discurso agregador e de apoio ao novo presidente. Chapeau!

 

Frederico Varandas - Alto e pára o baile, que agora falamos a sério. É o novo presidente do Sporting e, como tal, o meu presidente. Desejo-lhe as maiores felicidades e a máxima inspiração. Terá todo o meu apoio e lealdade, o que não deverá confundir com comportamento acrítico. Porque é tempo de o clube se voltar de novo, realmente, para os sócios. De os escutar, reter as suas impressões, fazê-los sentirem-se, efectivamente, parte de um todo. Não vendo em cada opinião divergente uma potencial oposição, algo que infelizmente se foi acentuando nos últimos anos. Só assim se conseguirá unir a briosa família leonina. O sucesso de Frederico Varandas será o meu sucesso, o nosso sucesso. Todos desejamos um clube tão grande quanto os maiores da Europa e todos temos consciência da dificuldade dos tempos que se avizinham. Que o momento histórico, que ontem Frederico disse estar a viver, seja também um momento histórico para o centenário Sporting Clube de Portugal. E que honra e privilégio deverá ser servir um clube com esta grandeza... Oxalá, portanto, seja feliz na(s) estratégia(s) que implementará. May the force be with you!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O jovem Cabral

Ontem, em Alvalade, o Sporting mostrou os problemas já habituais, que nos fazem antecipadamente rezar um terço composto por cinquenta avé-marias intercaladas por cinco padre-nossos, face a um treinador do Feirense que com um orçamento para aí umas dez vezes inferior, mesmo numa noite quente, soube estender a Manta o mais que pôde, sem entrar em "burn-out". Manietados os nossos dois laterais, que revelaram as dificuldades já conhecidas em dar profundidade ao jogo ofensivo, e sem Bas Dost para ocorrer aos cruzamentos de Nani, Raphinha ou Bruno Fernandes, a equipa leonina não mostrou soluções alternativas de jogo interior (combinações 2x1, usando Montero) que permitissem encontrar espaços na área feirense. Restou o remate de fora da área, mas a mira esteve desafinada.

 

O nosso meio campo teve grandes dificuldades na organização do jogo: Bruno Fernandes, chegado mais tarde, está fora dela, "Muttley" Acuña, embora "morda as canelas" aos adversários, é mais jogador de passe e centro do que do arrastamento de bola típico de um box-to-box e Battaglia tem muita vontade, presença física, mas não tem "timing" de passe. Mais uma vez, os centrais tentaram compensar, nomeadamente André Pinto (agradável exibição), que nunca se coibiu de subir no terreno.

 

No ataque, Raphinha criou mais dificuldades à equipa fogaceira que Nani, mostrando velocidade e maior imprevisibilidade de movimentos, mas foi Jovane Cabral - um produto da nossa Formação -, saído do banco (substituiu o inoperante Jefferson, recuando Acuña para lateral), que acabaria por resolver o jogo, correspondendo a um bonito detalhe técnico de Raphinha, bem complementado por uma assistência de Ristovski, numa das poucas vezes que o macedónio se libertou. 

 

No final da partida, Peseiro, em conferência de imprensa, usou uma versão pós-moderna da "palavra" inspirada em alguns versículos bíblicos dedicados aos jovens, nomeadamente estes: "é bom que o homem suporte o jugo enquanto é jovem" (lamentações 3:27) e "ninguém o despreze pelo facto de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza" (Timóteo 4:12).

"Dão tudo e não escrevem nada", dito por três vezes, foi a frase encontrada pelo coruchense para, simultaneamente, elogiar o jovem Cabral e dar uma alfinetada a outros produtos da nossa Formação. Mesmo repetida é bem mais económica que o terço, que ameaça vir a ser um rosário, orado pelos adeptos sempre que se avizinham de Alvalade. Parece que Jovane não escreve. Não que não tenha formação para isso. Mas não escreve. Ainda. Estivesse ele há 4 anos para ter uma oportunidade na equipa principal como Palhinha ou Geraldes e, se calhar, até escreveria alguma coisita. Para já, escreve no campo e ajuda a aquecer a garganta de José Peseiro - que tem o mérito de nele ter apostado - da mesma forma que Palhinha também vai escrevendo em Braga. E, se pensarmos bem, se um Jovane ajuda muita gente, mais Jovanes ajudariam muito mais. 

 

P.S.: Parece que para alguns, querer Palhinha e Geraldes significa não querer Battaglia ou Bruno Fernandes. Nunca ouvi tal entre amigos e sportinguistas em geral, mas já li por aí. Se quisermos dividir, é um bom caminho. A verdade é que a maioria dos sportinguistas quer apostar na Formação, na medida em que é o único caminho possível para garantir a sustentabilidade do clube, algo que funciona como um axioma, isto é, de tão evidente nem necessita de ser provado. Mas também quer Batta, Bruno e todos os bons jogadores que nos possam ajudar, obviamente. O que não quer são desperdícios e acumulação de stocks de jogadores não muito bons, contratados por treinadores que querem os cromos todos e acabam por não ter uma equipa e que desprezam a nossa cantera e deixam os cofres do clube depauperados. E não, a nossa Formação não é de Marte. Até porque Marte, para quem não sabe, é o planeta vermelho, da cor das camisolas daquele clube que nos últimos anos lançou Ederson, Lindelof, Ruben Dias, Renato Sanches, Gedson e João Felix, entre outros. Não, a nossa Formação é da Terra. E, um dia, quem tiver os pés bem assentes na Terra vai ter de apostar nela. Rather sooner than later, I hope...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jovane Cabral (Raphinha seria uma boa alternativa)

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Notas musicais

Salin - Em dois jogos apenas passou de herói a vilão, de bestial a besta. Não digo que não fosse previsível. É que uma solução Salin(a) envolve sempre meter água. Ora, como bem sabemos, sal e água são produtos de uma reacção ácido/base, também denominada de neutralização. Neutralizado o francês, que avance Viviano. Esse sim, precisa de justificar o elevado investimento nele efectuado.

Nota: Ré(u)

 

Ristovski - Com a bola nos pés demonstra o à vontade que um comum mortal tem em cima de uma cama de pregos. Assim, para lateral ofensivo, precisa melhorar a sua recepção orientada. Sem bola é um grande jogador, precioso a encurtar espaços aos adversários, esforçado e muito combativo. É nesta ambivalência que se faz a análise deste macedónio.

Nota: Sol

 

Coates - Se os pivots se anulam, o uruguaio invade os seus terrenos em transporte de bola e faz do box-to-box que Peseiro insiste em não pôr em campo. Além disso, cumpre com distinção na função defensiva ou não fosse ele o nosso Ministro da Defesa.  

Nota: Lá

 

Mathieu - Sugestionado pelo seu colega de sector, o francês também foi visto em raids ao meio campo sadino. Um ano e picos depois, continua comprometido em desmentir todos aqueles que quando souberam da sua contratação apontaram ao défice de velocidade. Nada de mais, julgo que é esse tipo de opinião conhecedora que faz deles "especialistas" com direito a aparecerem no pequeno ecrã. 

Nota: Si

 

Jefferson - Na sua actual condição, defende mal e ataca pior. Na defesa, frequentemente deixa espaço nas suas costas; no ataque, não temporiza e geralmente centra quando não tem uma única camisola listada verde-e-branca na área adversária. Num clube tão empenhado em discutir questões de Direito, não há quem ponha uma providência cautelar contra esta decisão de José Peseiro?

Nota: Dó Menor

 

Battaglia - É como se o Batman tivesse que dividir a vigilância de Gotham City com John Lennon. Um a advertir que "a relva não cresce aqui", outro a cantar "let it be". Simplesmente, não resulta. Liberto do Lennic, perdão, Misic, subiu de produção.

Nota: Fá

 

Misic - Elogiei-o aqui após o jogo com o Marselha, mas o croata simplesmente não tem o nível de intensidade requerido a um candidato ao título. É pena, mas desta vez, "when the Misic`s over" tudo melhorou.

Nota: Ré(u)

 

Bruno Fernandes - A surpresa foi ter feito um jogo menos bom. Condicionado pela táctica vitoriana, pareceu meio perdido em campo. Correu muito sem bola, pouco com ela. Chegou a recebê-la na marca de penalty, completamente isolado, mas definitivamente a noite não era dele e uma má recepção deitou tudo a perder. Noutra ocasião, serviu na perfeição Jovane, mas o jovem temeu estar em fora-de-jogo e não se fez ao lance. Não deixa de ser um enorme jogador por causa de uma noite menos conseguida.

Nota: Fá

 

Acuña - Hakuna ("Acuña") Matata é uma frase no idioma suaíle, que significa "não se preocupe". Esteve à altura das expectativas.

Nota: Mi

 

Nani - O que se pode dizer de quem não esteve particularmente inspirado na maioria do tempo, mas marcou dois golos e enviou uma bola ao ferro? Merecida ovação, aquando da sua saída.

Nota: Si

 

Bas Dost - A notícia foi que ontem não "dostou". Ao intervalo percebeu-se que estava condicionado.

Nota: Mi

 

Fredy Montero - Se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé. Se bem o pensou, melhor o executou. Como a bola não lhe chegava, recuou e ajudou a aproximar linhas, algo que não tinha acontecido no primeiro tempo. Com isso, a equipa melhorou. Disponibilidade, também, para procurar os flancos, arrastando marcações.

Nota: Sol

 

Jovane Cabral - Entrou e electrizou logo o relvado. Excelente temporização (está entendido, Jefferson?) e centro no lance do segundo golo, bom remate à baliza, atenta recuperação de bola e veloz arrancada após livre desfavorável às nossas cores. Tal como em Moreira de Cónegos, mostrou que joga perante o exigente público leonino como se estivesse a recrear-se no jardim. Pressão nula. 

Nota: Lá

 

Petrovic - Tão pouco tempo em campo que não deu nem para o petróleo. Ou para o Petromax, no caso concreto.

Nota: -

 

Tenor "Tudo ao molho...": Nani 

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