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És a nossa Fé!

Maquiavel para meditar na Choupana

 

Rui Alves tem a intenção, sublinhada ontem em entrevista ao Record, de vir um dia a substituir Alberto João Jardim como presidente do Governo Regional da Madeira. Pode sonhar à vontade: cada um deve correr para onde gosta. Mas nenhum sportinguista lhe reconhece o direito de procurar popularidade fácil abusando do nome do nosso clube. Nesta entrevista, o presidente do Nacional acusa - naturalmente sem provas - o SCP de "tentativa de coacção" e "embaraço psicológico" (seja lá o que isso for) sobre os árbitros, considerando "ilegítima a participação do Sporting na Taça de Portugal". E vai ao ponto de afirmar isto: "Por muito menos o Boavista desceu de divisão."

De insinuação em insinuação, o homem que permanece há mais tempo como dirigente desportivo em Portugal logo após Pinto da Costa tem ainda o desplante de confessar "simpatia pelo Sporting" enquanto procura obrar na secretaria o que não consegue em campo. Estas declarações, que visavam perturbar os jogadores orientados por Sá Pinto a poucas horas do jogo contra o Nacional, produziram afinal o efeito oposto: mesmo desfalcado de vários titulares, o nosso clube ganhou na Choupana.

Como aprendiz de Maquiavel, o presidente do Nacional ainda gatinha. É bom que se aconselhe com dois mestres: o único mais antigo que ele à frente de um clube de futebol do escalão principal e aquele cujo lugar gostaria de ocupar na Quinta Vigia. Ambos somam 66 anos nos respectivos cargos e qualquer deles subscreverá este aforismo do autor do Príncipe: «Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis.»

Aqui fica à consideração de Rui Alves. Para uma sessão de meditação na Choupana neste rescaldo de mais uma derrota em casa do Nacional.

Disparates lapidares

 
Rui Alves: «O Sporting não tem legitimidade para estar na final da Taça de Portugal. Este caso passar sem consequências é uma atrocidade e um atropelo à verdade desportiva.»   
 

 

Carlos Pereira: «Se houvesse justiça, o Sporting já não estaria na Taça. A decisão da FPF tem que ser tomada antes da final no dia 20 de Maio... Queremos defender o bom nome do clube e da região.»

Rui Santos: «No caso em apreço (Cardinal), há sério risco de a investigação revelar novos contornos. O problema é que nessa forte hipótese, o Sporting será arrastado para o fundo e nada restará.» 

Os homens nas sombras do futebol

É uma característica curiosa, uma espécie de incoerência paradoxal, que os homens que operam nas sombras do futebol via acções obscuras, procurem, em simultâneo, o maior protagonismo público possível. Será apenas um caso de sobranceria menosprezadora, desprovimento de valores éticos e morais ou meramente a necessidade do engrandecimento da mentalidade retrocessiva. Caso intrigante para um estudo sobre o funcionamento humano assente em questões de ordem psicológica e sociológica.
Entre diversos outros sombrios empreendimentos e já depois de ter sido apanhado a comprar árbitros nas escutas do processo Apito Dourado (17-02-2004) e acusado pelo Ministério Público de ter utilizado contas de uma empresa por si fundada, para engendrar fraude fiscal relativamente à cobrança de impostos sobre os rendimentos pagos a jogadores e técnicos, o presidente do Nacional da Madeira ainda tem o indecoroso desplante de vir a público com acusações e insinuações dirigidas ao Sporting sob o tema da corrupção de árbitros. Além do que já foi devidamento descrito no post de Adelino Cunha, esta insólita figura ainda foi mais longe ao afirmar que «o Sporting não tem legitimidade para jogar na Taça». O uso do termo «legitimidade», por Rui Alves, faz acreditar que a sua impunidade, até ao momento, leva-o a fundamentar-se na premissa de que a (falta de) vergonha não provém de nenhuma condição, mas que desempenha o seu papel, por muito torto que seja, para distrair a audiência das verdades. 
P.S. Entretanto, surge uma outra figura em cena... Carlos Pereira, presidente do Marítimo: «Se houvesse justiça, o Sporting já não estaria na Taça.»

O silêncio dos cúmplices

 

O presidente do Nacional disse isto: "Paulo Pereira Cristóvão não viajou com a equipa [do Sporting] para a Madeira [para jogar com o Nacional a meia final da Taça de Portugal]. Viajou com Pedro Proença [o árbitro desse jogo] e privaram durante o voo". Rui Alves disse mais. Disse que as decisões do árbitro prejudicaram o Nacional". É aqui que quero chegar: Pedro Proença vai tornar-se grevista como o seu colega João Ferreira? O árbitro que enxovalhou o futebol em Portugal por ter a pele demasiado sensível à crítica? Os restantes árbitros internacionais vão solidarizar-se com Pedro Proença e boicotar os jogos do Nacional como fizeram com o Sporting? Vamos lá ver se nos entendemos, o que o presidente do Nacional não disse mas quis dizer (coisa feia, a insinuação) deve ter sido mais ou menos isto: o vice-presidente do Sporting aliciou Pedro Proença durante a viagem para a Madeira e o árbitro agiu em consequência e agiu com dolo para favorecer o Sporting. Isto é grave? A mim parece que sim, embora uma dor de dentes também possa ser grave. Já agora, no domingo, vamos jogar com esta gente novamente na Madeira. Eu, se fosse o Paulo Pereira Cristóvão, desta vez ia mesmo ao lado do árbitro. Caso contrário, já sabemos a história do jogo. E isto tudo por causa da merda de um quarto lugar.

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