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És a nossa Fé!

Balanço (4)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre ROSIER:

 

Luís Lisboa: «Parece sólido a defender mas inconsequente a atacar.» (20 de Setembro)

JPT: «Li, e muito aqui também, que Bruno Gaspar era dos piores, ou talvez mesmo o pior, dos jogadores que passaram pelo clube (centenário). Foi despachado e foi-se buscar um Rosier que custou o que se poupou com Bas Dost. Já viram como joga?, é assim tão melhor do que o Bruno Gaspar?» (18 de Outubro)

- José Cruz: «Um Esgaio é melhor que um Rosier.» (18 de Janeiro)

Leonardo Ralha: «Existe uma realidade alternativa, tal qual no “The Man in the High Castle” de Philip K. Dick, em que Mama Baldé fez igual ou melhor do que o francês e algum empresário perdeu comissões relativas a uma mão-cheia de milhões de euros.» (8 de Março)

Eu: «Tem-lhe faltado condição física. Falta-lhe também ousadia ofensiva e capacidade para arriscar o centro lá à frente, a partir da linha. Num campeonato tão assimétrico como o português, compensa pouco ter um lateral com características tão posicionais e de reduzida mobilidade como Rosier. O preço que custou exige muito mais que isso.» (26 de Maio)

- Eduardo Hilário: «É um jogador intermitente e que não consegue fazer mais do que um jogo em condições. Assim sendo, está a ocupar um espaço que não é dele.» (5 de Agosto)

Os jogadores de Varandas (9)

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ROSIER

Desde a saída de Cédric Soares para Inglaterra, 13 meses antes de se sagrar campeão europeu de futebol ao serviço da selecção nacional, a posição de lateral direito tem sido uma espécie de calcanhar de Aquiles no Sporting. Com muitos titulares, a girarem ali como carrossel, mas nenhum deles indiscutível. O que mais se aproximou disso foi Piccini, na temporada 2017/2018. Despachado este, foi-se evidenciando a espaços Ristovski, enquanto Bruno Gaspar se revelava mais uma contratação falhada. 

Chegou então Valentin Rosier, de 22 anos. Vinha do Dijon e não foi nada barato: custou 5,3 milhões de euros mais a cedência do passe do extremo luso-guineense Mama Baldé, formado na Academia leonina. Valeria a pena tamanho esforço financeiro e a cedência de um miúdo com potencial, que na época seguinte viria a cumprir 24 jogos e a marcar seis golos na Ligue 1?

«Estou muito orgulhoso em representar o Sporting Clube de Portugal, estas cores e todos os seus adeptos. Farei o máximo para trazer todos os títulos possíveis», declarou o lateral francês recorrendo às habituais palavras pré-formatadas quando assinou um contrato válido por cinco temporadas, a 27 de Junho de 2019

Vinha com peso a mais e preso de movimentos: uma lesão logo o forçou a manter-se fora das quatro linhas. Nada de novo, no currículo dele: passara 465 dias lesionado nas três épocas anteriores. Na temporada 2018/2019 apenas jogara dez minutos em Fevereiro. Ao contrário do que sucedera com Boateng, Lucas Silva e Sturaro, todos rejeitados, o clube liderado pelo nosso ex-director clínico revelou-se desta vez bem mais tolerante.

Rosier calçou dois meses depois, no final de Agosto, e ao serviço da equipa sub-23, na Liga Revelação. Ristovski tomara posse do lugar, embora sem nunca convencer por completo. Só em Setembro o francês seria chamado à equipa principal, sempre com carácter intermitente, cedendo espaço ao macedónio. Sem nunca se firmar como titular da posição: até ao momento, cumpriu apenas nove jogos no campeonato, correspondentes a 714 minutos de actuação no relvado.

O próprio jogador reconhece ter falhado nesta época que parece interminável. «A temporada está a ser complicada para mim», admitiu a 9 de Maio numa conta de Instragram ligada ao seu antigo clube. Bem pode dizê-lo. E a culpa, neste caso, não é da pandemia.

Tem-lhe faltado condição física. Falta-lhe também ousadia ofensiva e capacidade para arriscar o centro lá à frente, a partir da linha. Num campeonato tão assimétrico como o português, compensa pouco ter um lateral com características tão posicionais e de reduzida mobilidade como Rosier. O preço que custou exige muito mais que isso. 

 

Nota: 4

Rescaldo do jogo de ontem

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Gostei

 

Da estreia vitoriosa de Rúben Amorim.  O quarto técnico do Sporting desta temporada entrou com o pé direito, mas num cenário favorável: defrontou o último classificado do campeonato, praticamente já despromovido, e viu a equipa do Aves reduzida a nove a partir do minuto 20 por expulsões inquestionáveis. Nem assim foi fácil este triunfo em Alvalade: o golo inicial só surgiu após mais de uma hora de jogo e o segundo nasceu de um penálti, convertido por Vietto aos 66'.

 

De termos chegado ao fim sem sofrer qualquer golo. Quinta vitória consecutiva em casa, segundo triunfo seguido por 2-0 (há duas semanas tinha sido contra o Boavista), embora com um treinador diferente. Amorim acabou de substituir Silas, é ainda muito cedo para extrair conclusões. Mas já foi possível perceber que os sectores estão mais ligados e que há uma reacção mais intensa à perda da bola. Além das apostas - que esperemos sejam consistentes e não conjunturais - em Plata como titular e Francisco Geraldes como suplente utilizado ainda a tempo de deixar marca no encontro. 

 

De Sporar. Terceiro golo leonino do internacional esloveno, único reforço de Inverno do Sporting. Frente ao Aves, foi fundamental o seu cabeceamento que levou a bola ao fundo das redes, desbloqueando assim o nulo inicial. Estavam decorridos já 62' e este golo foi muito saudado pelos adeptos no estádio, muitos dos quais já desesperavam. Aos 44', estivera quase a marcar, na melhor oportunidade da primeira parte, mas acabou por finalizar de forma deficiente.

 

De Mathieu. Melhor jogador em campo na primeira parte, em que tomou parte activa na construção ofensiva com a qualidade de passe a que já nos habituou e uma leitura de jogo que merece ser assinalada. Já não voltou do intervalo, aparentemente devido a problemas físicos após ter estado cerca de um mês afastado dos relvados.

 

De Acuña. Elejo-o como figura do jogo. Pela determinação, pela combatividade, por nunca desistir de um lance, por saber empurrar a equipa para a frente com oportunidade e critério. O primeiro grande cruzamento partiu dos pés dele, logo aos 7'. Aos 45'+3, constrói o lance que culmina no tiro de Vietto à trave. E é também o argentino que inicia a jogada que dá origem ao primeiro golo, colocando a bola em Wendel, que depois a centra para o esloveno.

 

De Wendel.  Foi um dos elementos que subiram claramente de rendimento em relação a exibições anteriores, querendo mostrar serviço ao novo técnico. As duas expulsões de jogadores do Aves (Macedo e Luiz Fernando) ocorrem por faltas cometidas contra ele, quando conduzia a bola no meio-campo. E é o brasileiro quem faz a assistência para o golo de Sporar, num cruzamento com precisão cirúrgica.

 

De Plata e Francisco Geraldes. O jovem equatoriano parece enfim ter a oportunidade, mais que merecida, de figurar entre os titulares da equipa: não foi certamente por acaso que Rúben Amorim o incluiu no onze inicial. O português, formado na Academia de Alcochete, teve também oportunidade de mostrar o que vale, actuando pela primeira vez 45 minutos nesta temporada, ao substituir Mathieu na segunda parte. Revelou bons pormenores - com destaque para um passe de ruptura, servindo Sporar, aos 89'.

 

De termos conquistado dois pontos a quatro equipas nesta jornada. O Benfica empatou em Setúbal, FC Porto e Rio Ave empataram no Dragão, o Famalicão foi incapaz de superar o 0-0 inicial, fora de casa, contra o Belenenses SAD. Entre as que ocupam os sete primeiros lugares da tabela, só Sporting, Braga e V. Guimarães amealharam três pontos.

 

 

Não gostei
 
 

Do 0-0 que se mantinha ao intervaloApesar de jogarmos contra dez desde os 11' e contra nove desde os 20', nesse primeiro tempo fomos incapazes de derrubar a muralha defensiva do Aves, que passou a actuar com duas linhas de quatro jogadores, confinando a partida a uma área de 30 metros. Com óbvios reflexos na qualidade do espectáculo desportivo, que chegou a ser confrangedor.

 

Que o nosso primeiro remate digno desse nome só tivesse ocorrido aos 34'.  Mesmo com clara superioridade numérica, fomos incapazes de dar expressão prática a esta vantagem. E a primeira oportunidade clara de golo surgiu apenas aos 45'+3, com uma bomba de Vietto que foi embater na barra.

 

Da reacção de Ristovski ao ser substituído.  O macedónio recebeu ordem de saída aos 25' para a entrada de Jovane. Uma troca que fazia todo o sentido: a jogar contra nove, Rúben Amorim precisava muito mais de um ala do que de um lateral para tornar mais acutilante o corredor direito. Ristovski parece não ter entendido esta troca, embora tivesse obrigação de a perceber, e rumou de imediato ao balneário, sem cumprimentar os colegas, recusando sentar-se no banco. Uma atitude inaceitável.

 

Do nervosismo de Max.  O guarda-redes pareceu estranhamente intranquilo numa partida em que o Aves abdicou quase por completo do ataque. A tal ponto que protagonizou o momento mais insólito do jogo, aos 16', ao abandonar a sua área para tentar interceptar a bola, sem a conseguir, permitindo que Matos Milos lhe fizesse um chapéu potencialmente muito perigoso. Felizmente para nós, o jogador do Aves acertou mal na bola.

 

Da falta de talento de alguns jogadores.  O patético Jesé, o irrelevante Bolasie e o inútil Eduardo ficaram fora da convocatória, o que foi útil para separar águas logo à partida. Mesmo assim, continua a notar-se muita falta de talento nesta equipa. Dois exemplos: Ilori revela recorrentes lapsos de concentração e uma exasperante falta de intensidade competitiva; e Rosier (que substituiu Acuña aos 78') continua sem demonstrar qualquer atributo que o torne digno de figurar no plantel leonino - muito menos ao preço a que a Direcção o foi buscar.

 

Dos assobios.  Estavam decorridos apenas 15 minutos quando começaram a escutar-se, de forma bem audível, vaias insistentes aos jogadores leoninos, cruzadas com gritos como "joguem à bola", "corram", "chutem". Quando será que estes adeptos perceberão que um ambiente tão hostil só perturba e desconcentra a equipa?

 

De só haver 26 mil espectadores, numa tarde de domingo, Dia da Mulher.  Havia o aliciante da estreia de Rúben Amorim, embora apenas o adjunto Emanuel Ferro se tivesse mostrado junto à linha. Mas defrontar o último da classificação quando já não temos objectivos nesta época desportiva, em boa verdade, é um fraco incentivo para atrair gente ao estádio.

The Next Big Thing

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Se o que os jornais proclamam é verdade é porque a direcção do Sporting - os 2Vs, Varandas & Viana - está absolutamente convicta de que Ruben Amorim é mesmo "the next big thing". Entenda-se, o "novo Mourinho". Têm informações sobre isso, relatórios sobre a sua extraordinária metodologia e testemunhos da sua (quase) inédita capacidade de liderança, já demonstrados na equipa secundária do Braga, e confirmados nesta sua ainda breve passagem pelo plantel principal do "Arsenal minhoto". Pois dar meia dúzia de milhões de euros, a um rival directo ainda para mais, juntando-lhe as licenças desportivas de central, trinco e avançado que poderão, se com maus fígados de Salvador e dedo de Mendes, chegar a valer 30 ou 45 milhões de euros no "mercado" futebolístico actual (para além do que jogam e jogarão pelo clube), é totalmente excêntrico. Para não dizer mais.

Não digo que seja disparate, pois se o homem Amorim é mesmo "The Next Big Thing" valerá o investimento. Não será um disparate mas decerto que completamente imprudente, pois haverá sempre a hipótese de que Amorim seja apenas um bom, ou mesmo excelente, treinador. Ou seja, que não valha tamanho pagamento a um, repito, rival directo. Enfim, se isto é verdade é mais uma varandice, uma "fézada!", concordante com a forma como tem (têm) gerido o futebol. Suicidária, dir-se-ia. Dir-se-á.

O meu contributo para a lida dos 2Vs? Amorim é para contratar? Não há dinheiro para pagar a sua cláusula de rescisão? Venda-se, pelos tais 6 milhões e tal de euros que custou, este Rosier, outra das "fézadas" dos 2Vs. E passe-se o dinheiro ao Braga. E então que venha o Amorim, que bem poderá treinar o clube sem este lateral-direito suplente.

Agora, pagar e ainda por cima dar 3 jogadores daqueles? Estes 2Vs estão loucos? Ou a gozar connosco? Cada vez mais me inclino pela segunda opção.

Adenda: que fique explícito, que me parece não o ter ficado no postal, pois sei que a minha ironia, infelizmente, é pouco talentosa. Estas notícias são falsas (só o podem ser). E foram "plantadas" (especulo, claro) para que, a posteriori, se louve uma qualquer outra decisão relativa à contratação de um novo técnico. Que será menos onerosa. E, sempre, muito menos irracional. Mas tudo isto se trata de uma estratégia comunicacional indigna, desrespeitando os associados (e a massa adepta) do qual a direcção depende e face aos quais está obrigada à lisura de comportamentos. Ou seja, à lealdade na comunicação. Entenda-se bem, se isto está a ser veiculado por fontes da direcção, como é tão óbvio que o esteja a ser, seguindo esta estratégia confusionista, é razão suficiente para a sua demissão. Não digo razão estatutária, jurídica. Mas razão moral.

Armas e viscondes assinalados: O silêncio é de outros e a alegria é de Plata

Sporting 2 - Boavista 0

Liga NOS - 22.ª Jornada

23 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Teve que esperar pelo tempo de compensação da segunda parte para ser verdadeiramente posto à prova, evitando o contacto da bola com as redes com a mesma determinação do irmão mais velho de uma adolescente afoita. A estirada que desviou para canto um remate de fora da área que levava carimbo de golo de honra boavisteira serviu para recordar os compradores de bilhetes e recebedores de convites que o jovem guarda-redes é o único dos supostos suplentes da linha defensiva leonina aquando do início da temporada – todos eles titulares neste jogo – que se tornou titular indiscutível. Só precisa mesmo de melhorar o jogo de pés, como mais uma vez demonstrou, num jogo em que pouco mais fez do que encaixar escassos remates saídos à figura, para superar o actual guarda-redes do Wolverhampton nesta fase da carreira e dar início à luta pela baliza de Portugal.

 

Rosier (3,0)

A primeira intervenção do lateral-direito francês foi inaceitável num profissional de futebol, mas a verdade é que não demorou a carburar, combinando de forma muito positiva com o endiabrado Gonzalo Plata. Regressado à titularidade após prolongada ausência, tirou proveito da oportunidade e até chegou a rematar. Mas ainda tem hesitações na hora de avançar para a grande área adversária e sofre com as limitações físicas (já conhecidas aquando da sua contratação, e que conduziram à precoce titularidade e posterior entrada no carrossel de Thierry Correia) que aconselharam a sua substituição.

 

Neto (3,0)

Patrões fora, dia santo na loja? Acabou por assim ser, com a ausência de Coates e Mathieu a passar despercebida. Ainda que a ineficácia do ataque boavisteiro tenha dado uma ajuda, a experiência do central português contribuiu para o desfecho. Neto antecipou-se ao perigo, executou sem adornos e até procurou contribuir para a construção de jogo. Fossem todos os jogos assim.

 

Ilori (3,0)

Ainda teve uma hesitação e um atraso de bola arriscado, mas Luís Maximiano resolveu as duas situações sem problemas de maior. Posto isso... digamos que o central resgatado do esquecimento pela infinita generosidade de Frederico Varandas e Hugo Viana sossegou todos quantos temiam vê-lo lançar sete palmos de terra sobre a equipa. Intervenções certas e desassombradas, aqui e acolá merecedoras daquele tipo de aplausos que são reservados a quem supera (baixas) expectativas, contribuíram para manter o lado correcto do marcador a zeros. Se conseguir repetir o feito na Turquia é possível que lhe façam uma estátua equestre.

 

Borja (3,0)

Raras coisas são tão comoventes quanto o esforço do lateral-esquerdo colombiano para transcender as suas capacidades. Neste caso, ainda que se tenha remetido sobretudo a funções defensivas, prejudicado pela ênfase dada a Gonzalo Plata no lado contrário e pela tendência de Jovane Cabral flectir para o centro do meio-campo adversário, foram dos pés de Borja que saíram os bons cruzamentos com que Plata assinou o 2-0 e Jovane descartou o 3-0. Eis um caso paradigmático de um jogador que honra o Sporting mesmo que, pelo menos idealmente, possa não ter sequer lugar no plantel.

 

Battaglia (3,0)

Mais uma exibição positiva do médio argentino, mexido o bastante para fornecer linhas de passe aos colegas mais atrás e inteligente o suficiente para arranjar soluções aos colegas mais à frente. Acabou por não ser poupado para a segunda mão dos dezasseis-avos de final da Liga Europa, numa decisão que só pode ser aplaudida: além de melhorar o coeficiente na UEFA, já de olhos postos no regresso à Champions em 2021/2022, o Sporting tem de assegurar que para o ano poderá competir na Liga Europa. E alcançar o Sporting de Braga ou manter à distância Rio Ave, Vitória de Guimarães e Famalicão está longe de ser uma mera formalidade para este Sporting de pé descalço.

 

Wendel (3,0)

Terá feito um dos seus melhores jogos nos últimos meses, demonstrando sabedoria na condução de bola, ausência da recorrente e irritante displicência na movimentação e no posicionamento e vontade de conduzir os colegas ao “só mais um” que erros alheios mantiveram no registo “dois é bom, três é de mais”. Só não merece melhor nota pela forma infantil como viu o cartão amarelo que o afasta da deslocação a Famalicão, onde o Sporting tem demasiado em jogo para não contar com todos os melhores.

 

Gonzalo Plata (4,0)

No final do jogo, recomposto da tentativa perpetrada pelo central boavisteiro Ricardo Costa de lhe desatarraxar a perna (sem que o infame Nuno “Ferrari Vermelho” Almeida, um dos maiores escroques apitadores nacionais, discernisse mais do que um pontapé de canto apesar da insistência do videoárbitro), o jovem extremo equatoriano ouviu o mesmo treinador que lhe nega oportunidades de afirmação dizer que poderá encontrar-se em Alvalade um futuro caso sério do futebol mundial. Inequívoco homem do jogo, Gonzalo Plata fez mais do que cobrar de forma irrepreensível o livre que permitiu a Sporar inaugurar o marcador e do que rubricar o 2-0 num lance em que a execução do remate ficou em segundo plano perante a rapidez e inteligência com que se dirigiu para as “sobras” do cruzamento de Borja. Mais do que isso, devolveu alegria ao Estádio de Alvalade, que pela primeira vez em muito tempo teve momentos de comunhão nas bancadas, juntando “escumalha”, “croquetes” e milhares de convidados que ali estavam para a média de ocupação do estádio parecer menos desoladora. Quando Plata for o jogador que já acredita ser, apesar da taxa de sucesso nas iniciativas individuais ainda ter considerável margem de progresso, é possível que seja um dos pilares de um Sporting que conte para o Totoloto. Mas mesmo nestes dias sombrios pode e deve contribuir para a obtenção dos poucos objectivos que restam à equipa, o que passa necessariamente por mais do que 10 ou 20 minutinhos em campo, quase sempre numa fase em que o resto dos colegas já desmobilizaram.

 

Jovane Cabral (3,0)

Repetiu a titularidade sem repetir os resultados virtuosos obtidos no jogo com o Basaksehir. Voltou a mostrar-se mexido e a pôr os outros em movimento, mas pouco lhe saiu bem ao longo do jogo. O momento mais paradigmático da exibição foi o falhanço dentro da grande área, em posição frontal, após um bom cruzamento de Borja. Ainda assim, poderia ter mantido a série consecutiva de contribuições para o placard, isolando de forma perfeita Gonzalo Plata frente a frente com o guarda-redes do Boavista. Mas calhou ser o momento do jogo em que o equatoriano não esteve à altura.

 

Vietto (3,5)

Promovido a força tranquila da manobra ofensiva leonina, muito ele fez jogar, ainda que não tenha concretizado uma oportunidade flagrante de golo, servido com requinte pelo rompante Plata. Tem muito em si de futura referência leonina e cabe-lhe escrever um melhor futuro em que deixe de passar pela vida futebolística como uma esperança adiada.

 

Sporar (3,5)

Estreou-se a marcar na Liga NOS, dias após marcar na Liga Europa, com um toque oportuno que desviou da melhor forma o livre marcado por um equatoriano de que já talvez tenham ouvido falar. Mas também garantiu espaços para os colegas e continua a aumentar os níveis de confiança, o que vem mesmo a calhar numa altura em que se descobre que os bónus previstos na sua transferência podem fazer de si a contratação mais cara de sempre do Sporting. Lá seria mais um recorde batido pela presidência de Frederico Varandas...

 

Pedro Mendes (2,0)

Teve direito a 20 minutos pelo segundo jogo consecutivo, e pelo segundo jogo consecutivo padeceu de ter entrado numa fase em que o Sporting abandonara a nobre arte do ataque continuado. Voltou a fazer o possível por deixar boa impressão ao estádio, ainda que pouco mais tenha feito além de pressionar o início da construção de jogo dos adversários.

 

Ristovski (2,0)

Saltou do banco de suplentes para fazer face aos problemas físicos de Rosier e ajudou a manter uma rara ausência de golos concedidos. Segue-se a viagem à Turquia, onde viria a calhar repetir a proeza.

 

Francisco Geraldes (2,0)

A ovação que recebeu quando entrou para o descanso de Vietto é o tipo de fenómeno sportinguista que carece de estudo académico. Além de ser um futebolista com talento inato, “Chico” não se limita a ser o leão aspiracional, capaz de conciliar a bola com os estudos, mais dado a leituras do que a vídeos , como também simboliza na perfeição o Sporting dos nossos dias, com o seu potencial (ainda) por concretizar, em grande parte por culpas alheias (treinadores avessos à aposta na formação, péssima gestão de activos do clube) mas decerto também por culpa própria. Nos dez minutos que lhe couberam em sorte procurou e conseguiu mostrar serviço, lamentando-se apenas que num lance de contra-ataque não tenha sentido a confiança suficiente para rematar ou tentar irromper na grande área boavisteira, optando por assistir um colega que não entendeu o passe. Fica de fora na Liga Europa, mas pode ser que o castigo de Wendel leve a que Silas lhe dê uma hipótese de provar valor na deslocação a Famalicão. Embora seja mais provável que regresse a um daqueles meios-campos a tresandar de medo da própria sombra que juntam Battaglia a Idrissa Doumbia e Eduardo.

 

Silas (3,5)

Teve a inteligência de apostar numa táctica alicerçada no célebre princípio de jogo “metam a bola no miúdo e logo se vê”, retirando faustosos dividendos da aposta em Gonzalo Plata. Vendo-se a ganhar desde cedo, e a dominar as manobras no meio-campo, respirou de alívio e nem o facto de apresentar uma linha defensiva composta quase exclusivamente por suplentes trouxe um décimo das preocupações que esperaria. Numa semana em que exibiu dotes de comunicação quase tão fracos quanto os do responsável pela sua contratação, pondo em causa o empenho de um dos melhores jogadores de sempre do futebol leonino, Silas ganhou algum oxigénio. Para encher a botija terá de selar o apuramento para os oitavos-de-final da Liga Europa em Istambul e regressar de Famalicão com mais três pontos de vantagem em relação a um dos adversários directos na luta pelo terceiro, quarto ou quinto lugares. Mas para tal seria aconselhável que resolvesse a recorrente quebra que faz das segundas partes do Sporting o equivalente táctico de uma pessoa remediada que (sobre)vive de rendimentos.

Os escarros dos papagaios

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Dada a argumentação agora em curso que alude à necessidade imperiosa de «alívio salarial» na SAD leonina para estancar o seu alegado «sufoco financeiro», vale a pena fazer algumas perguntas na expectativa de que possam ser respondidas.

Por fontes autorizadas, não por bonecos de ventríloquos.

 

- Porque dispensámos Nani - capitão do Sporting, prestigiado internacional português e campeão europeu em título - a "custo zero"?

- Porque aceitámos, no âmbito da negociação com o Atlético de Madrid como hipotética forma de compensação pela aquisição fraudulenta de Gelson Martins por aquele clube, metade do passe de Vietto avaliado em 7,5 milhões de euros, quando este jogador tem um valor global de mercado de apenas sete milhões?
- Porque adquirimos, igualmente por 7,5 milhões de euros (acrescidos da dispensa de Mama Baldé a título definitivo), o lesionado lateral direito francês Rosier, que passou 465 dias lesionado nas últimas três épocas, este ano só jogou cerca de dez minutos em Fevereiro e pretende preencher uma posição para a qual já existem pelo menos três jogadores sob contrato?

- Porque não houve prioridade máxima à contratação de um novo ponta-de-lança se é verdade que Bas Dost terá comunicado à equipa técnica a intenção de abandonar o Sporting ainda em Maio, mês em que estava recém-valorizado devido ao decisivo golo que marcou ao FC Porto na final da Taça de Portugal?

- Por que motivo - aceitando ainda a tese de que a SAD já sabia desde Maio que o jogador pretendia sair - deixámos arrastar a resolução do assunto durante três meses, acabando por estabelecer com o Eintracht, em vésperas do fecho do mercado, um acordo que fontes do clube alemão qualificam de «pechincha», pois terá baixado dos 20 milhões de euros exigidos no início para os sete milhões finais?

 

Eis vários temas que deviam justificar séria reflexão aos loquazes papagaios "multicolores" (de bico encarnado) que agora debitam suposta propaganda verde em incessante verborreia nas pantalhas.

Se eles soubessem reflectir, claro. O problema é que só sabem... papaguear.

 

São úteis a qualquer poder, enquanto estiver na mó de cima.

Quando fica na mó de baixo, acotovelam-se para figurarem na primeira fila dos que irão escarrar em quem antes serviram.

Bruno de Carvalho que o diga.

Três perguntas

 

Por que motivo Marcel Keizer deixou Matheus Pereira fora do jogo de hoje do Sporting na Bélgica?

 

Rosier e Camacho, recém-chegados ao Sporting, já estão fora das opções do técnico porquê?

 

O que se passa com Battaglia, que continua sem comparecer nestes jogos da pré-temporada?

 

Obrigado, desde já, pelas informações que puderem prestar-me enquanto sócio e adepto do Sporting.

 

Valentin Rosier, calça à parte

Uma das grandes incógnitas desta época, o novo lateral direito.

O que se passa com Rosier?

Enquanto não temos respostas, podemos conhecer melhor Valentin, neste artigo. Meio mexicano (de Guadalupe) meio italiano, nacionalidade francesa.

As lesões são mesmo a maior dúvida em Rosier. O lateral esteve 18 meses lesionado [sic] devido a lesões em 3 anos, números demasiado elevados para um jogador de 22 anos. Estando ainda a recuperar da última lesão sofrida, Rosier pode partir atrasado na pré-época leonina, sendo necessário esperar pelos primeiros jogos para ver o nível do jogador.

Mas num clube tão preocupado com o nível físico dos jogadores, não tivesse a presidente o seu antigo diretor clínico, o Sporting já deixou bem patente que só entram jogadores a 100%, com os casos de Sturaro, Lucas Silva e Boateng a demonstrarem isto mesmo.

in Fair Play, 2019.Junho.28

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