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És a nossa Fé!

Futebol é a tristeza que balança

E a tristeza tem sempre uma esperança

Ontem, a esta hora, era a pessoa mais infeliz do mundo.

Hoje olho para a televisão, oiço as palavras do grande Vinícius: "é melhor ser alegre que ser triste", oiço o grande mestre responder: "porque bebo whisky? bebo porque é líquido se fosse sólido eu o comia".

Sorrio, sinto-me a sambar em Vila do Conde, cidade geminada com Olinda, com Rio de Janeiro e, também, com Lobata em São Tomé e Príncipe, com Mansoa, na Guiné-Bissau, com Mindelo em Cabo Verde e com Baucau em Timor-Leste.

Hoje é dia de sambar na portugalidade.

Hoje foi o dia em que a verdade goleou a mentira.

Os melhores prognósticos

O Sporting venceu o Rio Ave na estreia em casa, neste campeonato, por 3-0. Não faltou quem tivesse acertado no resultado, entre as largas dezenas de palpites aqui chegados

Fica o registo, por ordem alfabética, do quinteto triunfador: Leão do XangaiLeão 79Madalena Dine, Manuel Parreira e Maximilien Robespierre. Porque acertaram nos marcadores de dois dos três golos (bis de Pedro Gonçalves, no caso da Madalena; um do Pedro e outro de Matheus Nunes, nos restantes).

O leitor João Grácio acertou no resultado, mas apenas mencionou Matheus entre os marcadores. Enquanto os leitores Fernando, João Gil e Paulo Batista, antecipando igualmente o desfecho, só atribuíram a Pedro Gonçalves a autoria de um dos golos.

Menção honrosa também para o leitor Vasco Sousa. Anteviu o 3-0 final, faltando-lhe no entanto acertar em quem marcou.

Assim é que é: marcar três sem sofrer nenhum

Sporting, 3 - Rio Ave, 0

 

Jogo de sentido único, o de anteontem, contra o campeão nacional da segunda divisão, recém-promovido ao escalão principal. O Rio Ave - onde já jogou o nosso Matheus Reis e que deverá integrar em breve o ainda nosso Pedro Mendes - visitou Alvalade bem arrumado defensivamente, mas sem arriscar incursões ofensivas. Aferrolhou o mais possível as vias de acesso à sua baliza que só começaram a ser abertas a tiro, com disparos fortes dos nossos, ensaiando aquilo que nem sempre praticam: o remate de meia-distância.

Ugarte foi o primeiro, atirando bem colocado embora à figura do guarda-redes. Outros lhe seguiram o exemplo. Trincão - uma das figuras da partida - levou a pontaria ao extremo de acertar em cheio na barra, em remate sem defesa possível com o seu pé-canhão, o esquerdo. 

 

Desta vez não havia Paulinho. O avançado-centro ficou fora, por lesão no treino da véspera. Edwards entrou como titular, tornando a nossa frente ofensiva mais forte, mais dinâmica e mais criativa. Sem necessidade de um elemento vocacionado para «arrastar os defesas» e abrir clareiras: elas foram-se rasgando por acção do trio da frente. Pouco antes do intervalo, em jogada com toque de génio, o inglês que há meses jogava no Guimarães demoliu a muralha defensiva e serviu para Pedro Gonçalves encostar.

Foi aos 36' - assim se chegou ao intervalo.

 

No segundo tempo, já com os de Vila do Conde bastante desgastados na corrida atrás da bola que mal tocavam. o futebol leonino ganhou mais acutilância e um toque suplementar de classe. Os dois golos desse período são a prova disso.

Aos 67', a uns 30 metros da baliza, Matheus Nunes encheu o pé e atirou-a para o ninho da águia, sem que o guarda-redes lhe tocasse: quase todos os 31.760 espectadores se levantaram dos seus lugares em espontânea manifestação de alegria. Era caso para isso: acabavam de assistir a um dos melhores golos deste campeonato ainda mal iniciado.

A alegria redobrou aos 75', quando Pedro Gonçalves bisou, marcando o terceiro. A culminar, à ponta-de-lança, rápida tabelinha com soberba assistência de Trincão. E o transmontano ainda viria a fazê-la tocar no poste, quatro minutos depois. Excelente notícia: temos de volta o melhor artilheiro da Liga 2020/2021.

Confirmando que mesmo sem "avançado de referência" conseguimos ir somando golos. Já vão seis, em apenas dois jogos. Com a vantagem óbvia, na comparação com o de Braga, de neste não termos sofrido nenhum.

 

Houve ainda tempo para cuidar de pormenores, como a troca de Neto por St. Juste para o holandês ganhar ritmo, talvez a pensar no próximo embate com o FC Porto. Também para os minutos concedidos a Fatawu, que tem boa técnica mas ainda revela insuficiências no plano táctico. E sobretudo para a entrada de Esgaio, aos 80', para merecido aplauso após as imerecidas injúrias de que foi alvo pela escumalha do costume nas redes ditas sociais.

O estado anímico de uma equipa também se avalia nestes detalhes, a cargo de um treinador muito perspicaz. 

«Onde vai um, vão todos» continua a ser lema deste Sporting orientado por Rúben Amorim.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Noite tranquila: não chegou a fazer uma defesa digna desse nome. Melhor momento: saiu muito bem da baliza aos 32', anulando um contra-ataque.

Neto - Estreia neste campeonato após cumprir jogo de castigo. Transmitiu segurança e maturidade à equipa. Substituído aos 72'.

Coates - Impôs a sua cadência no plano defensivo, ganhou todos os lances aéreos, foi tranquilo sem ser passivo. Como de costume.

Gonçalo Inácio - Devolvido à ala esquerda dos centrais, sua posição natural, atreveu-se a sair com a bola mais de uma vez. O jogo permitia-lhe tal ousadia. 

Porro - Imparável no domínio do corredor direito. Quis fazer tudo muito rápido, embora nem sempre os cruzamentos lhe saíssem bem. Cedeu lugar a Esgaio, perto do fim.

Ugarte - Estreia a titular no campeonato. Aposta ganha: funcionou como sucessor de Palhinha a recuperar bolas. Primeiro a tentar a meia distância. Saiu amarelado (65').

Matheus Nunes - Assumiu-se pelo segundo jogo consecutivo como patrão do nosso meio-campo. E marcou um golo em forma de tiro imparável que vale a pena rever.

Matheus Reis - Amorim preferiu apostar nele como ala esquerdo, deixando Nuno Santos no banco. O brasileiro parece mais retraído do que na época passada.

Trincão - Ao segundo jogo, prova que é reforço - e pode vir a ser uma das figuras do campeonato. Tiro à trave (26') e assistência para golo (75').

Pedro Gonçalves - Melhor em campo: marcou dois golos, enviou uma bola à barra e ainda teve ocasião soberana de marcar outro (46'). 

Edwards - Com Paulinho ausente, foi ele o titular. E cumpriu com distinção. Não marcou, mas deu a marcar o segundo e o terceiro. Criativo e desequilibrador.

Morita - Desta vez ficou no banco de início. Entrou aos 65', rendendo Ugarte, sem revelar a mesma intensidade do uruguaio como médio defensivo.

Rochinha - Voltou a ser suplente utilizado, substituindo Edwards aos 72'. Cumpriu, mesmo sem brilhar como na partida anterior.

St. Juste - Entrou aos 72' para o lugar de Neto. Amorim procura proporcionar-lhe minutos para que possa ascender a titular. Missão bem-sucedida.

Fatawu. Em campo desde o minuto 80 (rendeu Trincão). Procura com muita insistência o golo abusando da jogada individual. Bons dotes técnicos.

Esgaio - Substituiu Porro aos 80', entrando sobretudo para os aplausos que a massa adepta não lhe regateou. Mostrando-lhe que ele é um dos nossos.

3 notas

Três notas sobre o jogo de ontem.

1) Diz a estatística que o Sporting cometeu 15 faltas e o Rio Ave 6. De facto os números dizem que o árbitro apitou 15 vezes contra o Sporting e 6 contra o RA. Convido-vos a reverem o jogo na box e é possível que concordem que o miserável Mota soprava no apito cada vez que um avícola se espojava no chão a espernear de dores excruciantes depois de perder a bola, ao passo que, por exemplo, uma falta evidente sobre Trincão à entrada ou já dentro da área passou em claro, além de outras trancadas desferidas com impunidade. O cartão amarelo a Ugarte foi outra indignidade que ele já trazia preparada, além dos olhares coruscantes lançadas a Pote e a Matheus Nunes, danadinho para os admoestar. Este Mota é um finório e perpetrou uma arbitragem subtil, mas não menos acintosa. Não se deixem enganar. 

2) Os primeiros 20' do jogo do Sporting foram penosos. Circulação de bola exaustiva no meio-campo e nenhum remate à baliza. Na verdade, aqueles minutos puseram o autocarro do RV e o atrelado estacionados à frente dele, a abanarem para cá e para lá, feitos parvos a correrem atrás da bola, até se desengoçarem. As contas fazem-se no fim e aquilo que parece um problema afinal pode ser uma solução. O futebol vê-se com paciência.

3) É sina dos sportinguistas viverem rodeados de lampiões e tripeiros no dia-a-dia. Ir a Alvalade deveria ser, por isso, entrar numa zona livre dessa peste. Mas os cretinos da JuveLeo lá estão para trazer à baila cânticos sobre a vida matrimonial dos lampiões e sobre as práticas sexuais do tripeiros. Porra, que até em Alvalade o nome dessa gente acaba por aparecer. E o pior é que apesar das vaias incomodadas da maioria do estádio, eles insistem, insistem... Quando é que a máfia das claques é erradicada?

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Das alterações promovidas pelo treinador. Uma forçada, duas por opção técnica. Paulinho, lesionado, cedeu lugar a Edwards no onze titular. Neto foi central à direita, com St. Juste no banco, permitindo a Gonçalo Inácio alinhar à esquerda, sua posição natural. Ugarte foi o médio defensivo inicial, ficando Morita no banco. Três mudanças face ao onze titular que começou na jornada anterior, contra o Braga. Todas resultaram.

 

Da vitória clara contra o Rio Ave. Dir-se-ia que era o adversário ideal para esta nossa estreia nos jogos em casa da Liga 2022/2023. Não teria de ser assim: nos três jogos anteriores, para duas competições, a equipa de Vila do Conde agora regressada à principal divisão do futebol português tinha-nos imposto empates em Alvalade. Desta vez o enguiço quebrou-se. Com triunfo leonino por 3-0.

 

De Pedro Gonçalves. Errante na nossa frente de ataque, começando por integrar o tridente ofensivo pela esquerda, como mais gosta, voltou a ser crucial para nos render os três pontos. Com dois golos: o primeiro à ponta-de-lança clássico, encostando em posição frontal para desfazer o nulo que se mantinha aos 36'; o segundo após tabelinha de luxo com Trincão fixando o resultado aos 75' num toque de classe à mercê de poucos. E ainda mandou uma bola à barra, quatro minutos depois. O homem do jogo.

 

Do golão de Matheus Nunes. A partir dos 20 minutos, dada a dificuldade do Sporting em romper linhas perante a compacta muralha defensiva vilacondense, terá havido instruções expressas do treinador para recorrer aos remates de meia-distância. E assim aconteceu, pondo à prova a resistência adversária e a pontaria dos nossos jogadores. Nenhum tão brilhante como Matheus Nunes, que marcou o segundo - primeiro da sua conta pessoal nesta Liga - num espectacular tiro, absolutamente indefensável, que fez levantar o estádio aos 67'. Candidato desde já a um dos melhores golos do ano.

 

De Edwards. Começou na frente do ataque, como falso ponta-de-lança, mas cedo descaiu para as alas, em movimentos de ruptura, criando desequilíbrios. Em duas dessas situações assistiu para golo. Foi ele a desenhar o primeiro, em brilhante manobra da direita para o centro perto da linha final, limitando-se Pedro Gonçalves a encostar para as redes; foi ele a assistir Matheus, no flanco oposto, para o segundo. Só lhe faltou marcar também para ser o melhor em campo. Sério candidato a manter-se no onze titular.

 

De Trincão. Começa a ver-se aquele que foi o reforço mais sonante deste Sporting da nova temporada. De início algo inconsistente, preso às marcações. Mas foi-se soltando, evidenciando boa técnica individual, neste seu segundo jogo oficial de verde e branco. Aos 26', num pontapé cheio de colocação, desferiu um tiro à trave. E assistiu Pedro Gonçalves no terceiro, em combinação perfeita com o colega. Como se jogassem juntos há vários anos. Mereceu os aplausos escutados aos 80', quando foi substituído.

 

De Ugarte. Regressado de lesão que o impediu de integrar o lote inicial de jogadores na partida contra o Braga, recuperou o lugar no onze. E cumpriu a missão de que Rúben Amorim o investiu: fazer de Palhinha, como primeiro dos nossos defensores, embora uns metros mais à frente pois o Rio Ave fechou-se muito no seu reduto. Foi ele o primeiro a tentar romper a muralha adversária num pontapé de meia-distância, aos 21'. Aos 40', noutro remate, fez a bola rasar a trave. Campeão das recuperações: destacou-se neste domínio. Já amarelado, deu lugar a Morita aos 65'. Missão cumprida.

 

Do nosso domínio absoluto. Desta vez não nos limitámos a exibir "posse de bola": soubemos mesmo o que fazer com ela. Criando oportunidades em série que podiam até ter duplicado o número de golos. Enquanto o Rio Ave não dispôs sequer de uma situação concreta para marcar.

 

De termos mantido as redes imaculadas. Nem uma ameaça séria à nossa baliza: folha limpa após os três sofridos em Braga. Assim é que é.

 

Dos seis golos em dois jogos. Começamos bem neste domínio, revelando capacidade ofensiva superior à da época passada. Há que manter este registo, mesmo sem ponta-de-lança titular. Numa equipa que adoptou como lema «onde vai um, vão todos» a palavra de ordem passa a ser «se um marca, os outros marcam também». 

 

Da arbitragem de Manuel Mota. Com critério largo, sem interromper a partida por tudo e por nada no excelente relvado de Alvalade nem procurar ser ele o protagonista com recurso ao apito, permiitiu que os lances fluíssem. Foi ajudado pelos jogadores, há que reconhecer. O espectáculo saiu valorizado: poucas paragens, 62' de tempo útil de jogo - média muito superior ao habitual. Só assim nos aproximaremos dos melhores parâmetros do futebol europeu.

 

Da sentida homenagem inicial a Chalana. Exemplar desportivismo num estádio com 31.760 espectadores quando se honrou a memória do craque do Benfica - e da selecção nacional - há dias falecido.

 

Do aplauso do estádio a Esgaio. O lateral nazareno entrou aos 80', rendendo Porro. Ocasião apropriada para uma das notas desta noite amena em Alvalade: ovação vibrante ao jogador, que teve um deslize em Braga e foi injuriado pela matilha do costume nas redes ditas sociais. Estas palmas a um brioso jogador da nossa formação funcionaram também como expressiva vaia à tal matilha, letal ao Sporting.

 

 

Não gostei

 

Do resultado ao intervalo. Aquele 1-0 sabia a pouco. E não dava garantias suficientes de que a vitória tangencial pudesse ser mantida num lance fortuito do Rio Ave capaz de encaminhar a bola para a nossa baliza. Merecíamos mais face às oportunidades criadas. 

 

Dos 20 minutos iniciais. Demasiada troca inconsequente da bola, para o lado e para trás, enquanto os de Vila do Conde cortavam com eficácia as nossas linhas de passe. Era preciso romper aquele cerco. O primeiro a lançar o aviso foi Ugarte, de meia distância. Edwards seguiu-lhe o exemplo três minutos depois, aos 24'. Estava dado o mote para o que viria a ser uma vitória que até pareceu demasiado fácil. 

 

De St. Juste. Segundo jogo oficial, novamente relegado para o banco sem integrar o onze inicial. Desta vez, com Gonçalo bem encaixado como central à esquerda, Neto teve prioridade à direita. O holandês entrou só aos 72', claramente para ganhar minutos que possam compensar o facto de quase não ter feito pré-temporada por lesão. Está ainda longe da melhor forma, indiciando que também não será titular na próxima ronda, no Dragão.

O dia seguinte

Quem tivesse dúvidas sobre a capacidade de Rúben Amorim não apenas como treinador mas como manager do futebol do Sporting, ontem deveria tê-las tirado.

Porque não se tratou apenas de resolver o problema da lesão de Paulinho e substitui-lo por um Edwards qualquer.

Tratou-se de pôr em prática um plano de ataque alternativo, o tal plano B, pensado e trabalhado a um ano de distância, ensaiado primeiro com Sarabia à imagem da selecção espanhola, depois indo à procura de jogadores como Edwards, Rochinha e Trincão para se juntarem a Pedro Gonçalves nessa ideia de ataque móvel, com permanentes recuos no terreno e trocas de posição na frente de ataque. O jogo com a Roma no Algarve foi um teste muito importante desse plano, no qual Edwards se sente como peixe na água.

Antes do mais convém alertar que o plano tem limitações evidentes: incapacidade no jogo aéreo na área adversária, incapacidade de criação de espaços por arrasto de defesas pelo ponta de lança, apelo à imprevisibilidade dos atacantes que tanto perturba a equipa adversária como exponencia as próprias falhas, e convite à defesa contrária a fechar espaços no centro e a aguardar o inevitavel drible ou passe perdido numa floresta de pernas.

 

O jogo de ontem foi assim. Contra um Rio Ave fechado num 5-3-2 o Sporting tentou por um lado e por outro, com os jogadores muito presos às posições, mas teve muitas dificuldades em criar perigo, e apenas aos 20 minutos rematou à baliza por Ugarte. Mas esse lance animou a equipa, os jogadores libertaram-se, o domínio tornou-se avassalador e as oportunidades sucederam-se por Edwards (remate enquadrado), Porro (idem), Trincão (tiraço na barra) e Pedro Gonçalves (completamente isolado passa ao guarda-redes), até que numa dessas trocas de posição dos atacantes, com Edwards à direita e Trincão no centro, Edwards solicitado por Porro faz tudo bem feito e oferece o golo a Pedro Gonçalves. E, ainda com um bom remate de Ugarte à figura, chegámos ao intervalo, com um resultado que sabia a muito pouco para uma tão boa segunda metade da 1.ª parte.

Depois do intervalo, o Rio Ave manteve o autocarro bem estacionado lá atrás. O Sporting entrou mal no jogo outra vez, a perder passes, para logo voltar ao domínio avassalador a explorar o progressivo cansaço do adversário até Matheus Nunes alçar da perna e pôr ponto final na discussão dos pontos. Um golaço do nosso MVP, é impossível não perceber a qualidade do jovem que fomos buscar ao Estoril e acabámos de formar nos sub23.

Depois disso foi tempo de descansar em cima do resultado e rodar jogadores, sempre numa toada de ataque que ainda deu mais um golo de Pedro Gonçalves.

 

Melhor em campo? O colectivo. Ou então Matheus Nunes pelo golaço. Pedro Gonçalves marcou dois e falhou outros tantos. Edwards é um espectáculo dentro do espectáculo.

E se, jogando muitas vezes para trás e para os lados, marcámos três golos e falhámos bem mais, enquanto o adversário ficou a zero sem sequer ter tido qualquer oportunidade de marcar, de quem é o mérito máximo afinal?  De Rúben Amorim e do modelo de jogo que escolheu.

Impossível não mencionar também o grande ambiente em Alvalade, com muitos emigrantes com os filhos pela mão, e o grande aplauso ao Ricardo Esgaio quando entrou. O nazareno merece mesmo, aposto que um dia destes ainda vamos ver o melhor Esgaio para alguns engolirem de vez o que têm vindo a dizer.

SL

A talocha do "jagós"*

https://www.youtube.com/watch?v=OXbx0ZJSXm8

 

Quem não soubesse que "o rapaz", como lhe chamou o treinador do West Ham United, foi funcionário da, passe a publicidade, Pão da Vila, pensaria que antes de sair do Ericeirence, Matheus Nunes se dedicava à nobre arte de maçon, tal a qualidade da "talocha"* que apresentou esta noite em Alvalade. E eu fui um dos sortudos que viu aquela obra de arte, porque foi mesmo ali à minha frente... Há noites felizes. Também ali mesmo à minha frente vi o excelente chapeau de Pedro Gonçalves que daria o terceiro da noite.

Não quero hoje discutir tácticas, jogadores, lesões "cirúrgicas" e o diabo a sete. Quero destacar o trabalho colectivo que me pareceu muito bom. A defesa que com as pedras no lugar mudou da noite para o dia e a par da vitória, quero saudar duas grandes ovações nesta noite amena em Alvalade. A merecida e sentida homenagem a Fernando Chalana e o conforto dos aplausos para Ricardo Esgaio. Pelo primeiro momento demonstramos que somos diferentes e pelo segundo, que temos um treinador que está atento, ao colocá-lo em campo.

E pronto, prá semana lá estou outra vez!

 

*Talocha é um instrumento utilizado pelo pedreiro para pousar massa de cimento antes de a aplicar numa superfície. Usa-se pelo menos em Tomar para designar uma acção rápida e forte, como o remate aplicado por M.N. ou para uma "solha" nas "trombas" de um qualquer rival;

Jagós - Já o havia escrito em post anterior, é um natural da Ericeira.

 Nota: Os direitos do vídeo são da Sportv, não é permitida a reprodução. Logo que haja possibilidade...

 

Prognósticos antes do jogo

Voltemos ao futebol jogado. Ou a jogar. Já este sábado, a partir das 20.30, no nosso estádio. Vamos defrontar o Rio Ave na segunda jornada da Liga 2022/2023.

A última vez que recebemos a equipa de Vila do Conde, agora recém-regressada ao primeiro escalão do futebol português, foi na época em que conquistámos o campeonato. Por acaso num jogo que não nos correu muito bem - a tal ponto que cedemos um empate (1-1). Com golo de Pedro Gonçalves.

E agora como será? Aguardo os vossos prognósticos.

Os melhores prognósticos

Não me recordo de uma jornada em que tantos tivessem acertado - e já ando pedir-vos prognósticos há vários anos, como é sabido. 

Desta vez foram 17. Repito, por extenso: dezassete. Nada menos.

Vou enumerá-los todos, por ordem decrescente.

 

O Leão do Algarve previu o resultado mas não mencionou jogadores.

Chalana e Leoa 6000 também anteciparam a vitória leonina em Vila do Conde por 0-2 mas sem acertarem nos nomes dos marcadores.

Carlos CorreiaLeão do FundãoPaulo Batista mencionaram Paulinho como marcador de um dos nossos golos.

David RodriguesLeão 79Madalena Dine e Rafael Marques especificaram que Pedro Gonçalves seria um dos goleadores.

Mas nesta ronda o "título" vai para sete magníficos que previram não apenas o desfecho da partida mas quem contribuiu para esta 24.ª vitória do Sporting na Liga 2020/2021.

 

Eis, portanto, o quadro de honra: João SantosJosé VieiraPedro BatistaRicardo Roque, Smiley LionTiago OliveiraVerde Protector.

Uns anteciparam que a sequência dos golos viria dos pés de Pedro Gonçalves e Paulinho (como aconteceu), outros referiram a ordem inversa, o que para o caso é irrelevante. Mas na próxima época, quando houver vários vencedores, talvez venha a servir como critério suplementar de desempate.

Vou ponderar nisto enquanto aproveito para felicitar todos. 

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do triunfo tranquilo do Sporting em Vila do Conde. Pela segunda semana consecutiva, vencemos por 2-0. Domínio leonino absoluto na primeira parte, em que condicionámos toda a manobra do Rio Ave. A vantagem começou a ser construída aos 34', na conversão de uma grande penalidade (a nona de que beneficiámos nesta época), por Pedro Gonçalves, e ficou selada aos 63', quando Paulinho marcou um grande golo. Que só não fez levantar o estádio porque - apesar do desconfinamento geral - o público continua impedido de frequentar as bancadas.

 

Da nossa solidez defensiva. Não é por acaso que o Sporting mostra os melhores números nesta matéria de todos os campeonatos europeus: apenas 15 golos consentidos em 31 jogos, menos de meio golo por partida. Fora de casa, até agora, só sofremos seis. Uma vez mais, este desafio travado no estádio dos Arcos demonstrou a excelente organização da nossa equipa no plano defensivo, desta vez com um trio de centrais composto por Gonçalo Inácio (regresso em boa forma), Coates e Feddal. Com Neto a entrar aos 83', para ala direito, sem alterações no sistema táctico.

 

De Paulinho. Sem favor algum o melhor em campo. É ele que ganha o penálti aos 32', numa jogada de insistência em que fez embater a bola no braço de um defensor adversário (a falta foi assinalada pelo vídeo-árbitro Tiago Martins, que levou o árbitro Fábio Veríssimo a ver com atenção as imagens no monitor). E é ele a apontar o grande golo que ficou o 2-0 como resultado desta partida. Excelente disparo de meia distância, fortíssimo e muito bem colocado, fazendo jus à fama de artilheiro do jogador que veio do Braga. Foi o seu segundo vestido de verde e branco.

 

De Pedro Gonçalves. Irrequieto, sem posição definida, funcionou como abre-latas na muralha rioavista, articulando muitos lances com Paulinho, definindo linhas de passe. Sem nunca deixar de participar na manobra defensiva. Momento alto: chamado a converter o penálti, cumpriu a missão da melhor maneira, rematando sem hipóteses para o guarda-redes. Foi o seu 18.º golo deste campeonato - e o primeiro de penálti - que o recoloca no topo da lista dos artilheiros da Liga 2020/2021.

 

De Palhinha. Parece imune ao desgaste físico que começa a notar-se em certos jogadores. Varreu com mestria toda a zona do terreno que lhe estava confiada, desarticulando com desarmes cirúrgicos a construção ofensiva do Rio Ave. Excelente no desarme e nas recuperações, também se destacou nos passes longos. Podia ter marcado aos 87, num forte pontapé de recarga que saiu por cima.

 

Do regresso de João Pereira. Estreia a titular, nesta época, do veterano defesa leonino agora na terceira passagem pelo Sporting. Aos 37 anos, demonstra não ter perdido qualidades. Destacou-se num centro aos 13' que permitiu a Pedro Gonçalves recolher a bola junto à linha final do lado esquerdo. Entregou muito bem a Paulinho, aos 56'. Grande corte aos 69'. Manteve-se 83 minutos em campo. Missão cumprida.

 

De ver Rúben Amorim de volta ao banco. O Conselho de Disciplina fez tudo, uma vez mais, para afastar o nosso treinador. Mas o diligente departamento jurídico do Sporting trocou as voltas ao incompetente órgão ainda liderado pela deputada benfiquista Cláudia Santos, interpondo uma providência cautelar prontamente aceite pelo Tribunal Administrativo. E lá esteve o técnico, como lhe compete, a dirigir a equipa em directo, ao vivo e a cores. Também no capítulo jurídico vamos somando pontos. 

 

De termos garantido o acesso à Liga dos Campeões. Meta cumprida à 31.ªjornada, quando assegurámos também o segundo posto no campeonato. Regressamos à prova máxima do futebol europeu de que estávamos afastados desde a época 2017/2018. O que garante à SAD leonina cerca de 25 milhões de euros logo de início.

 

De ver mais um recorde batido. Trinta e uma jornadas consecutivas sem perder: acabamos de bater um máximo absoluto no futebol português. Rúben Amorim supera assim a fasquia de 30 jogos sem derrotas alcançada por quatro treinadores: dois do Benfica (Jimmy Hagan e John Mortimore) e dois do FC Porto (André Villas-Boas e Vítor Pereira). Mérito absoluto do nosso técnico, que devolveu a alegria e a esperança aos adeptos. Balanço da Liga até agora: 24 vitórias e sete empates. Nenhuma derrota.

 

De estarmos à beira de conquistar o título. Faltam-nos três partidas: contra Boavista, Benfica e Marítimo. Mas bastam quatro pontos para nos sagrarmos campeões nacionais de futebol. Uma vitória e um empate. Se o FC Porto perder hoje, no clássico da Luz, facilita-nos a tarefa. E se empatar contra o Farense, na próxima segunda-feira, podemos desde logo celebrar o título ainda antes do nosso confronto contra o Boavista.

 

Dos 79 pontos que já somámos. A fria linguagem dos números diz tudo sobre o desempenho do Sporting após 31 jornadas, quando só faltam três rondas para o campeonato chegar ao fim. Ainda podemos ultrapassar a melhor pontuação alcançada desde sempre pela nossa equipa - na Liga 2015/2016, quando somámos 86 pontos.

 

 

Não gostei

 

Dos golos falhados. Podíamos ter ampliado a vantagem pelo menos quatro vezes. Em duas ocasiões a bola foi aos ferros, por cabeceamentos de Coates aos 7' e Palhinha aos 15'. Aos 13', Nuno Santos disparou para as redes mas Kieszek defendeu muito bem. E Paulinho podia ter marcado aos 29'.

 

Da ausência de Porro. O internacional espanhol, por fadiga muscular, não pôde participar neste desafio. Mas João Pereira - jogador com mais 16 anos - cumpriu bem como seu substituto.

 

De ver quatro sportinguistas na equipa errada. Jogaram de verde e branco, mas as riscas são verticais. Quatro Leões que alinharam pelo Rio Ave: Fábio Coentrão (o melhor da equipa adversária), Francisco Geraldes, Gelson Dala e Carlos Mané.

O dia seguinte

Muitas vezes os bons desempenhos não correspondem a bons resultados, jogos houve onde o Sporting foi feliz no resultado para aquilo que conseguiu fazer, e outros, bem mais, onde fomos mesmo infelizes tendo em conta o que produzimos.

Mas ontem juntou-se "a fome à vontade de comer", tivemos uma das melhores senão a melhor exibição da época que conduziu a uma vitória tranquila: o resultado só pecou por escasso. O Rio Ave não teve uma única oportunidade de golo durante todo o encontro. O Sporting teve, para além dos golos, duas bolas nos postes e mais algumas a que só faltou sorte na conclusão.

Para que isso acontecesse, e além do grande desempenho de todos, os que entraram de início e os que vieram depois, houve uma peça que se revelou essencial no bom funcionamento da máquina 3-4-3: um avançado-centro que tardava em demonstrar o seu valor e que ontem conquistou o penálti que deu o primeiro golo e marcou o segundo, a todos os títulos um golão. Paulinho mistura coisas de médio avançado com a de ponta de lança, nada egoísta, defende, bascula e assiste, articula muito bem com Pedro Gonçalves, e marca golos. Slimani era assim, Bas Dost era assado, Paulinho é outra coisa, e provou finalmente que era a peça que faltava nesta máquina concebida por Amorim.

Esta máquina, além de ser a melhor do campeonato português, está na calha para ter sucesso também na Champions, uma equipa muito bem articulada no tal 3-4-3, um plantel que roda nas posições conhecendo bem o que tem de fazer em cada uma delas, um balneário coeso ancorado numa estrutura de capitães liderada por "El Patrón" Coates. Claro que poderá sair um ou outro, mas alguns hão-de vir também, a estrutura está montada.

Tal como no futsal, esta nova fórmula Sporting (um grande treinador, uma grande estrutura de capitães, um conjunto de miúdos formados no clube "com a força toda") está a conduzir-nos às maiores vitórias, aos maiores sucessos. Nuno Mendes no futebol, Zicki Té no futsal, são os porta-bandeiras da nova geração. Simplesmente fantásticos.

E sendo assim... segue-se o Boavista. Mas antes disso temos mais logo... Será que mais logo os deuses me farão a vontade e a viúva vai mesmo para o frigorífico?

 

#OndeVaiUmVãoTodos

PS: Por alguma desincronização da plataforma relativamente ao meu portátil, o post saiu com data diferente daquela que era suposto acontecer. Para todos os efeitos, considerem este meu post como de 6/5/2021.

SL

Prognósticos antes do jogo

Jornada 31 da histórica Liga 2020/2021 - a primeira que decorreu sem público, com as claques mantidas à distância e o factor casa tornado irrelevante.

Se o Sporting vencer mais logo o Rio Ave, numa partida em Vila do Conde com início previsto para as 21.15, conquista o acesso directo à próxima Liga dos Campeões, garantindo o segundo lugar do campeonato. 

Venho pedir-vos prognósticos para este jogo.

Amanhã à noite em Vila do Conde

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Ultrapassado que foi o Nacional, e com 6 pontos que na prática são 5 de vantagem relativamente ao Porto, segue-se a segunda de cinco verdadeiras finais: Nacional (C), Rio Ave (F), Boavista (C), Benfica (F) e Marítimo (C). Na primeira volta foram 4V e 1E. Se isso acontecer de novo, conquistaremos o título. Vamos com 1V.

O jogo contra o Nacional teve muito a ver com a parte final do último jogo em casa com o Belenenses: foi mesmo preciso recorrer às segundas linhas de enorme talento - Jovane, Matheus Nunes e Plata - para conquistar os 3 pontos.

Segue-se então o Rio Ave, que luta pela permanência e conta com Fábio Coentrão, Francisco Geraldes, Carlos Mané e Gelson Dala, que vão querer mais uma vez demonstrar que têm valor suficiente para pensar que poderiam estar do outro lado a lutar pelo título.

Quanto ao plantel disponível, penso que vamos poder contar com todos, excepto os lesionados Tabata e TT.

 

Imagino então que Amorim convoque os seguintes elementos:

Guarda-redes: Adán e Max.

Defesas Centrais: Neto, Inácio, Quaresma, Feddal, Matheus Reis e Coates.

Alas: Porro, Nuno Mendes e Antunes.

Médios Centro: Palhinha, João Mário, Bragança e Matheus Nunes.

Interiores: Pedro Gonçalves, Jovane, Nuno Santos e Plata.

Ponta de lança: Paulinho.

 

A forma como o Nacional entrou em campo, o jogo duro praticado, não favoreceu em nada as características de Bragança. Ele passou um pouco ao lado do jogo, além do amarelo encaixado por não poder impor o físico nas divididas. Imagino então que o Rúben volte a recorrer a João Mário, que teve uma passagem pelo banco para poupar o físico e refrescar as ideias.

A minha equipa seria então a seguinte:

Adan; Neto, Coates e Feddal; Porro, Palhinha, João Mário e Nuno Mendes; Pedro Gonçalves, Paulinho e Nuno Santos.

 

Concluindo,

Amanhã o Sporting entra em campo para ultrapassar o Rio Ave e manter a vantagem pontual na liderança da Liga.

Considerando o sistema táctico de Rúben Amorim, qual seria o vosso onze?

 

#OndeVaiUmVãoTodos

 

SL

Falta intensidade

Texto de Sol Carvalho

Não ha crucificações até porque não estamos no calvário. Mas não posso deixar de fazer duas notas: 

- Plata é um jogador típico de futebol de rua... quando são génios disfarçam dando ao futebol toda a beleza do inesperado, da "ginga". Quando não o são têm de perceber que a dinâmica do futebol moderno é outra, sob o risco de serem mais nocivos do que úteis.

- A segunda é uma péssima memória que me vem de Silas. Na obsessão do ataque organizado é preciso organizar as malas, as roupas, os sapatos e tudo antes de partir para a frente. Nas calmas (??). Só que, com esse tempo todo, os outros já lá estão... Falta intensidade e perceber que 1-0 nunca é resultado seguro e devemos partir para cima deles quando se mostram mais frágeis. Mas fizemos precisamente ao contrário...

 

Têm a palavra o treinador e os jogadores.

Mantenho intactas as esperanças mesmo admitindo que um terceiro objectivo se possa perder para a semana. O que não me espantaria desde que se "coma a relva". Como já o fizemos em momentos recentes.

O dia seguinte

Uma das verdades que existem no futebol, aquelas verdades que vem da experiência de muitos anos, e que ninguém com dois dedos de testa se atreve a negar, é que "Chegar lá acima é difícil. Manter-se lá em cima é muito mais difícil ainda". Poucos são aqueles que se atrevem a desafiar esta verdade e a reinvertar-se todos os dias, como o nosso Cristiano Ronaldo.

No final de Novembro já eu antecipava aqui que isto estava cada vez mais difícil. Na altura vários criticaram, ou porque era sinal de desconfiança na equipa ou porque era fazer de inteligente a antecipar futuro fracasso. 

Mas não era nada disso. Estou cada vez mais convencido da capacidade de Rúben Amorim, e da valia da nossa equipa, a questão é que simplesmente não podemos ir de VW Golf a competir com um Porsche (a empresa mãe é a mesma, o meu carro é doutra) numas "24 horas de Le Mans". Até podemos conseguir por um tempo, mas as peças não são as mesmas e vão cedendo e depois...  

O Sporting perdeu ontem dois pontos que claramente não devia ter perdido, mas entrou em campo sem ponta de lança de raiz, apenas com um avançado móvel de 18 anos a fazer que fazia (e no Benfica entraram Núñez e Sfererovic no Benfica e no Porto Marega e Taremi, com Tony Martinez e Evanilson no banco), com Porro, Quaresma, Plata, Pedro Gonçalves, Tiago Tomás sub-23, entraram depois Tabata e Jovane sub-23. Com quantos sub-23 é que entraram Porto e Benfica em campo? No Benfica conto dois, no Porto conto... zero.

É verdade que Pedro Gonçalves e Porro estiveram muito aquém do que tinham feito anteriormente e que lhes tinha permitido ganhar prémios de desempenho. Mas querem o quê? Sol todos os dias?

É verdade que Quaresma, Plata e Tiago Tomás jogaram muito menos do que vão jogar daqui a uns anos. Mas alguém pensaria outra coisa? Alguma vez o Ristovski ou o Bruno Gaspar em muitos jogos fizeram quatro assistências para golo como fez o Plata em dois jogos, um marcado, outro falhado em cima da linha por Sporar, dois falhados no remate?

Isto está cada vez mais difícil porque a equipa do Sporting é cada vez mais analisada e descodificada, e faltam os argumentos extra, que são a qualidade superlativa dum ou doutro. No tempo de Marinho, Yazalde e Dinis, ou de Quaresma, Jardel e João Pinto toda a gente sabia como jogavam, o problema é que faziam o mesmo de sempre e era golo ou perto disso. 

No Sporting de hoje, a equipa constrói desde trás, cria os espaços, circula pacientemente, procura a oportunidade, mas depois e muitas vezes... a referência não existe para colocar a bola, a cabeça paralisa e o passe não surge, ou o passe surge e é mal feito. A equipa contrária preenche bem os espaços críticos. E a posse e circulação de bola torna-se estéril, não resulta em oportunidades reais de golo.

O futebol de Amorim no Braga não era este. Falta o ponta de lança, falta a referência ofensiva, falta a dimensão extra do jogo aéreo (no último jogo tivemos Coates na hora da desgraça, neste até tivemos João Mário a fazer de Jardel ao segundo poste, só que em vez de acertar com a cabeça acertou com o ombro). Não acredito em futebol sem ponta de lança, como não acredito em andebol sem pivot. Quanto a futsal pouco percebo, não me pronuncio.

Além de tudo, e assim o Covid o permita, falta uma pausa para assentar ideias e lançar as bases para uma segunda metade da temporada que vá de encontro ao maior objectivo de todos, a presença na Champions no próximo ano.

A Taça da Liga neste contexto é mesmo para puxar pelos menos utilizados e poupar os mais desgastados, física e psicologicamente. Penso eu de que.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei
 

 

De termos cedido dois pontos em casa. Deixámo-nos empatar frente ao Rio Ave, segunda equipa com pior ataque do campeonato. Dois pontos perdidos, com um sabor muito amargo. Ainda por cima tivemos o jogo na mão: ao intervalo vencíamos por 1-0. Inexplicavelmente, entrámos muito mal no recomeço, cedendo terreno ao adversário, que se foi aproximando da nossa baliza e marcou aos 61'. Na meia hora final fomos incapazes de mostrar eficácia para operar a reviravolta.

 

De Rúben Amorim. No primeiro desafio desde que assumiu enfim o estatuto formal de técnico principal, por estar inscrito no curso de nível 4 da Federação Portuguesa de Futebol, o treinador montou um onze titular com manifestas lacunas. É verdade que não podia contar com Neto e Nuno Mendes, infectados com Covid-19, nem com Feddal, afastado por acumulação de cartões. Optou por Borja e Eduardo Quaresma para formarem o trio de centrais com Coates, quando tinha Gonçalo Inácio como alternativa viável ao colombiano, e podia ter apostado em Porro como central mais próximo da ala direita, fazendo entrar Matheus Nunes para médio-ala. Mais controversa ainda foi a sua aposta em Plata para fazer o corredor esquerdo, habitualmente entregue a Nuno Mendes: o jovem equatoriano falha clamorosamente nas missões defensivas e andou perdido na missão táctica que lhe cabia. Teria sido preferível pôr Nuno Santos nesse flanco, em posição mais recuada, com Jovane lá na frente frente, como interior esquerdo.

 

Das substituições. Tal como já sucedera contra o Marítimo, no desafio que nos pôs fora da Taça de Portugal, Amorim demorou a reagir - e só mexeu na equipa quando já precisava de correr atrás do prejuízo, após o golo do empate vilacondense. Começou por fazer entrar Tabata, fazendo sair Quaresma, sem produzir efeitos práticos. E só aos 78' trocou enfim Plata por Jovane, quando a equipa já estava partida e acusava forte quebra psicológica. Reacção tardia, difícil de entender. Tanto mais que tinha sido Jovane a confirmar a nossa vitória anterior, no épico jogo da Choupana, com um golo marcado três minutos depois de entrar.

 

Da falta de poder de fogo do Sporting. O nosso primeiro remate enquadrado ocorreu só aos 38', num pontapé de Palhinha que foi morrer às mãos do guarda-redes. Nuno Santos e Tabata, entre outros, abusaram dos pontapés disparatados, para bem longe da baliza. E só Tiago Tomás esteve perto de ampliar a nossa magra vantagem - aos 44', 78' e 85'. 

 

Do abuso de passes para o lado e para trás. Jogadores como Borja e Eduardo Quaresma, por exemplo, pareceram incapazes de fazer progredir o jogo leonino para linhas mais avançadas. A fluidez da nossa construção ofensiva começava a morrer nos pés deles. Prestação insuficiente de ambos: o colombiano continua sem dar a mínima prova de ser reforço digno desse nome - e já teve um ano para o demonstrar - e o jovem Eduardo teve uma estreia pouco auspiciosa na Liga 2020/2021. Melhores dias virão.

 

De ver Pedro Marques tão desaproveitado. O jovem avançado formado na nossa Academia desta vez até se sentou no banco. Mas voltou a não ter oportunidade de dar o seu contributo à equipa. E neste jogo bem precisaríamos dele, dada a inoperância ofensiva global do onze leonino. Não é fácil perceber porque continua sem calçar. Alguma espécie de punição por ter marcado dois golos ao Sacavenense?

 

Do bom desempenho de jogadores ex-Sporting. Carlos Mané, Francisco Geraldes e Gelson Dala foram protagonistas do golo do Rio Ave que nos roubou dois pontos esta noite em Alvalade. Parece ser sina nossa: dispensar profissionais que brilham quando voltam a enfrentar-nos, já ao serviço de outros emblemas.

 

Do árbitro Helder Malheiro. Este cavalheiro entrou em campo disposto a estragar o espectáculo e a inclinar o campo. Aos 7' exibiu um amarelo a Plata num lance em que não houve qualquer falta do nosso jogador: o internacional equatoriano fez um corte limpo, tendo sido brindado de forma inaceitável com aquele cartão, passando a jogar condicionado. Aos 24', num lance casual, também João Mário - um dos jogadores mais correctos do nosso campeonato - viu o amarelo, exibido por este apitador medíocre. Com árbitros destes, nunca o futebol português poderá evoluir para novos patamares de qualidade.

 

 

Gostei 

 

Do golo de Pedro Gonçalves. Bom lance de futebol colectivo, iniciado com um magnífico passe lateral de Porro que atravessou toda a largura do terreno e prosseguido por Plata, com um centro ao primeiro toque. A bola sofreu um ligeiro desvio por embater num defensor do Rio Ave e o nosso n.º 28, com reflexos muito rápidos, evoluiu na área e meteu-a lá dentro, estavam decorridos 42 minutos. Confirmando assim o seu estatuto como goleador máximo da Liga: 12 golos (e duas assistências) em 13 jogos. Motivo suficiente para designá-lo o melhor do Sporting em campo. 

 

De Palhinha. Muito combativo, uma vez mais. Compensa a inferioridade numérica da equipa no meio-campo com uma admirável entrega ao jogo, nunca desistindo de disputar a bola. Grandes recuperações aos 17' e aos 28'. O nosso primeiro remate enquadrado sai dos pés dele. E é também ele quem começa a construir dois lances de muito perigo, aos 44' e aos 45'+1, a que só faltou o golo.

 

De ver Coates, Palhinha e Nuno Santos poupados ao amarelo. Os três andam há várias jornadas tapados com cartões, mas ainda não foi desta que ficaram impedidos de alinhar no desafio seguinte. 

 

De mantermos a liderança intocável. Somamos agora 36 pontos, em 42 possíveis. Há 17 jogos que não perdemos em casa para a Liga. Estamos há oito jornadas consecutivas no primeiro posto. E conservamos a vantagem pontual face aos segundos classificados, FC Porto e Benfica, que esta noite empataram 1-1 no Dragão, permanecendo ambos a quatro pontos do Sporting.

 

De continuarmos invictos. Somos a única equipa da Liga que prossegue sem derrotas. E marcámos golos em todos os jogos já disputados para o campeonato nacional 2020/2021. São motivos mais que suficientes para incutir moral aos nossos jogadores. esperemos que esta quebra de forma seja apenas momentânea. Queremos que regressem rapidamente às boas exibições. E às vitórias, acima de tudo.

Desperdício

Era uma obrigação ganharmos ao Rio Ave, mas faltou-nos estofo de campeão. Não há volta a dar a esta evidência.
Equipa jovem ainda a lamber as feridas da eliminação da Taça e com a possibilidade de reforçar a liderança da Liga foi uma mistura pesada, demasiado pesada de suportar.
Com o empate no Dragão entre Andrades e lampiões, tivéssemos ganho ao Rio Ave, teríamos mais 6 pontos que os principais rivais. Mas marcámos passo.
Ganhando ao Rio Ave daria sempre para aumentar o fosso para Benfica e ou Porto. 

Estas contas todos as fizemos antes da fraquinha partida que disputámos com os de Vila do Conde. 

Os campeonatos perdem-se com desperdícios destes. 

Prognósticos antes do jogo

Amanhã vamos mergulhar em novo confinamento generalizado, devido à dramática progressão das infecções e mortes provocadas pela pandemia, mas desta vez o futebol profissional não será afectado. Ao contrário do que sucedeu entre Março e Junho do ano passado, quando todas as competições estiveram suspensas.

Vai assim disputar-se o Sporting-Rio Ave, com apito inicial previsto para as 18.30, sabendo-se já que pelo menos três dos nossos jogadores estarão excluídos da lista de convocados por terem contraído Covid-19: Neto, Nuno Mendes e Sporar.

Sabendo-se também que em caso algum o Sporting abandonará o comando do campeonato, que lideramos com mais quatro pontos do que o duo Benfica-FC Porto, venho pedir-vos prognósticos para este embate com a turma de Vila do Conde. Lembrando que ali actuam agora três ex-jogadores nossos (Carlos Mané, Francisco Geraldes e Gelson Dala) e que na época passada essa equipa nos derrotou em casa por 2-3, com Marcel Keizer pela última vez no comando do onze leonino e arbitragem do famigerado João Pinheiro.

Amanhã à tarde em Alvalade

Realmente ao Sporting tudo acontece e há coisas que se repetem ao longo dos anos que de tão vistas já chateiam. Duas deslocações consecutivas à Madeira transformaram-se por culpa duma Filomena qualquer numa atribulada jornada dupla, com dois jogos intervalados em menos de um dia do previsto, um primeiro jogo num lamaçal que deixou marcas e a equipa exposta a riscos acrescidos em termos de pandemia, o que se traduziu em três jogadores infectados. Além disso, uma eliminação da Taça para a qual muito contribuiu um "Mantorras" qualquer, reforço apalavrado do Benfica que marcou um e assistiu para mais dois (um falhado). Se calhar nunca mais fará nada parecido, mas teve o seu dia de glória.

Mas agora há que olhar para a frente, importa ultrapassar o Rio Ave e manter a liderança na Liga. Trata-se daquela equipa que veio ganhar a Alvalade na época passada, que este ano esteve quase a eliminar o Milan, mas que depois caiu de rendimento e já com um novo treinador acabou de ser eliminada em casa para a Taça pelo Estoril. O Rio Ave conta com Carlos Mané, Francisco Geraldes e Gelson Dala que vão dar o litro e meio, não haja dúvidas a esse respeito, e nos podem causar dissabores.

Sendo assim, e atendendo a que Neto, Nuno Mendes, Sporar e Feddal estão indisponíveis, imagino que o treinador convoque os seguintes elementos:

Guarda-redes: Adán e Max.

Defesas Centrais: Quaresma, Coates, Borja, Inácio e... João Silva?

Alas: Porro, Plata e Antunes.

Médios Centro: João Mário, Palhinha, Bragança e Matheus Nunes.

Interiores: Tiago Tomás, Jovane, Tabata e Pedro Gonçalves e... Rafael Camacho?

Ponta de lança: Pedro Marques.

 

E apostava no seguinte onze:

Adán; Quaresma, Coates e Inácio; Porro, Palhinha, João Mário e Antunes;  Pedro Gonçalves, Tiago Tomás e Nuno Santos.

 

Concluindo,

Amanhã o Sporting entra em campo em Alvalade para prosseguir na liderança da Liga.

Considerando o sistema táctico de Rúben Amorim, qual seria o vosso onze?

 

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