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És a nossa Fé!

Sem Defesa

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Bem sei que a tendência em momentos como o actual é ceder ao sentimento de frustração. Quando não ao insulto (aos jogadores, direcção, etc)... Mas talvez seja mais útil trocar umas ideias sobre o jogo de ontem. Continuamos sem defesa, dois meses depois do desastre da supertaça no Algarve. Ontem, o Rio Ave fez 2 (dois) remates à baliza (mais um livre à figura do GR). Dois golos em duas jogadas de perigo. No segundo golo, o jogador do RA remata sem oposição. No primeiro, Ilori fica a ver o jogador do RA rematar, a três metros da baliza. Depois de Rosier ficar nas covas... Ilori, muito inseguro, e Neto, esforçado mas com pouco poder físico, mostram que não são solução. Coates, cuja última época foi a pior no SCP, agora é um mono caro. Logo, temos um central que cumpre - Mathieu. É preciso coragem para mudar de protagonistas lá atrás. E trabalhar processos defensivos, que não há. Sem querer recriminar, não se pode deixar aqui de lembrar as vendas de Demiral (hoje na Juve...), Domingos Duarte (hoje no Granada, surpresa da La Liga) e o enésimo empréstimo de Ivanildo (depois de uma excelente temporada emprestado). Já nem falo de Tobias ou Tiago Djaló. O SCP criou mais do que oportunidades para marcar ontem. Falhou muito. Agora, ou começa a marcar três ou quatro golos por jogo ou, a sofrer em média dois golos por jogo, vai continuar sem ganhar.

À deriva

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Mais um jogo, mais um desaire. Desta vez num estádio quase deserto, triste símbolo do crescente desencontro entre os adeptos e este medíocre agrupamento que se arrasta em campo, de derrota em derrota.

Esta noite voltámos a perder com o Rio Ave - que já nos tinha vencido em Alvalade para o campeonato - na partida de estreia da Taça da Liga 2019/2020. Resultado: 1-2. Reflectindo a paupérrima exibição deste grupo de jogadores a que não consigo chamar equipa.

Foi o nono jogo oficial do Sporting nesta temporada. Quinto seguido sem vencer, terceira derrota consecutiva, quinta vez em que escutamos o apito final sob o signo do fracasso. Só uma vitória até agora em Alvalade. Só 13 golos marcados, enquanto já levamos 19 sofridos - 2,1 golos por jogo, em média. O pior registo defensivo desde a década de 1950. 

Desolação total: o futebol leonino está à deriva. Até quando?

Os prognósticos passaram ao lado

Registei dezenas de prognósticos sobre o recente Sporting-Rio Ave, de má memória. Emitidos, não esqueçamos, quando seguíamos provisoriamente no topo do campeonato, com sete pontos em três jornadas - os mesmos do Famalicão, agora líder isolado.

Não faltou até quem antevisse goleadas da equipa que (soube-se depois) seria comandada pela última vez em campo por Marcel Keizer.

Infelizmente, ninguém acertou. A nenhum de nós passou pela cabeça que sairíamos derrotados de Alvalade por 2-3.

É a vida, como costumava dizer o outro.

 

Quem não tem dinheiro caça com rato?

Depois de ver como o Rio Ave jogou, organizado, cada um consciente e ciente do que tinha para fazer, bom de bola, capaz de obrigar o adversário a oscilar, tranquilo e confiante mesmo depois de termos virado o resultado; depois de ouvir as declarações do seu treinador no final; que pena não termos Carvalhal à frente do Sporting.

Se o Rio Ave teve dinheiro para ele, quem sabe se o Sporting não teria também.

Rescaldo do jogo de ontem

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Não gostei

 
 

Da derrota em casa frente ao Rio Ave. À quarta jornada, cinco pontos perdidos: dois contra o Marítimo no Funchal e agora mais três, perante a equipa vilacondense, muito bem organizada e treinada por Carlos Carvalhal. Uma derrota por 2-3 que acontece quando seguíamos em primeiro na Liga (já fomos ultrapassdos pelo Famalicão e até pelo Boavista) e quando vencíamos por 2-1 a sete minutos do fim do tempo regulamentar. Um verdadeiro balde de água gelada testemunhado ao vivo pelos 37.942 adeptos que nos deslocámos a Alvalade. Pormenor a reter: não perdíamos em casa com o Rio Ave desde a temporada 2012/2013, de péssima e ultrajante memória.

 

De Coates. Noite de pesadelo para o central uruguaio: jamais esquecerá este desafio, que não deveria ter jogado. É ele quem está na origem dos três golos do Rio Ave - todos marcados de grandes penalidades, assinaladas aos 4', 83' e 86'; todos originados em faltas ou supostas faltas cometidas por ele próprio. Expulso aos 89', saiu de campo com a noção de ter provocado o naufrágio da equipa. É verdade, em boa parte. Mas a culpa principal nem sequer é dele.

 

Do nosso processo defensivo. Em cinco jogos, 11 golos sofridos. Motivo mais do que suficiente para que se acendam todas as luzes de alarme em Alvalade. Na linha do que já sucedera na pré-temporada. Sem que se tivessem registado melhorias de então para cá.

 

De Wendel. Pela segunda partida consecutiva, voltou a revelar-se um dos piores em campo - imitando a paupérrima exibição de Portimão. Recuado no terreno, cobrindo a ala esquerda do nosso meio-campo defensivo, desposicionou-se a todo o momento, contribuindo para franquear o caminho aos velozes adversários, que devido à falta de oposição do brasileiro (e também de Idrissa, seu parceiro na dupla de pivôs defensivos) colocavam com toda a facilidade a bola nas costas dos nossos defesas. Wendel não tem talento nem vocação para médio defensivo, como é evidente. Um erro de casting tão clamoroso que custa a entender por que motivo Keizer insiste nele para essa função e também porque não o deixou no balneário ao intervalo.

 

Da escandalosa perdida de Acuña. O internacional argentino, que começou a lateral e avançou para ala aos 79', quando Vietto deu lugar a Borja, até teve intervenção preciosa no nosso primeiro golo, ao fazer um notável sprint que lhe permitiu evitar que a bola saísse pela linha final e cruzar para a grande área, possibilitando o pontapé de meia distância disparado por Bruno Fernandes. Mas aos 88', com a baliza à sua mercê, não conseguiu melhor do que cabecear ao poste direito da baliza do Rio Ave. Se a bola entrasse, ficaríamos a ganhar 3-2 e o desfecho do jogo teria sido bem diferente.

 

Do árbitro João Pinheiro. Este apitador, que já não devia ter lugar nos relvados portugueses, inventou o segundo penálti, validando o mergulho do avançado iraniano Taremi, sem sequer se dar ao incómodo de visualizar as imagens do lance, que estavam à sua disposição. Em vez de lhe exibir o amarelo por simulação, apontou para a marca dos 11 metros. Ninguém duvida: nenhum árbitro português se atreveria a marcar três penáltis ao Benfica na Luz ou ao FC Porto no Dragão. Mais vergonhoso ainda foi verificar que esta decisão manifestamente errada, no segundo lance, passou sem uma correcção do vídeo-árbitro. Tal como ficou impune um claro derrube de Raphinha, empurrado pelas costas na grande area, aos 25', por um adversário que usou as duas mãos para o efeito. Pinheiro teve clara influência no resultado, sonegando dois pontos ao Sporting. Espantosamente, o ainda treinador da nossa equipa deixou passar isto em claro, por manifesta falta de coragem, na conferência de imprensa. Valeu-nos o corajoso protesto de Bruno Fernandes, em declarações à Sport TV, logo após o desafio.

 

De Marcel Keizer. Só uma conclusão é possível: este treinador não serve para o Sporting. Inapto no aproveitamento dos jogadores (preferiu Diaby a Vietto nas primeiras partidas), recorrendo a um discurso sem a menor capacidade de motivar ninguém, revelando deficiente interpretação de jogo em que tivemos menos posse de bola, lento a reagir, incapaz de assumir riscos, o holandês levou um banho táctico de Carlos Carvalhal. Repetindo-se o que já sucedera frente a Bruno Lage na Supertaça, Nuno Manta Santos no Funchal e até com Sá Pinto em Alvalade, durante a segunda parte do Sporting-Braga, que só por manifesta infelicidade da equipa braguista não terminou empatado. Keizer parece encarar o Sporting como uma equipa pequena. Ontem, a ganhar por 2-1, pôs a aquecer dois defesas, Neto e Borja. Mexeu tarde e a más horas, e com as opções erradas: aos 79', mandou sair o eficiente Vietto, trocando-o pelo lateral colombiano; aos 90'+2, já com o Sporting a perder 2-3 e com apenas dez dos nossos em campo, faz entrar enfim Plata, em estreia absoluta: substituição inútil, queimando desnecessariamente o jovem jogador equatoriano numa espécie de lance desesperado. Outro pormenor incompreensível: pelo segundo jogo consecutivo, Keizer optou por não esgotar as substituições. Ninguém tenha dúvidas: o principal responsável por esta derrota é ele.

 

 

Gostei

 

De ter estado a ganhar durante mais de meia hora. Entre o nosso segundo golo, apontado por Luiz Phellype aos 53', e a conversão da segunda grande penalidade pelo Rio Ave, aos 86'. Parecia que iríamos conservar o primeiro lugar na Liga. Infelizmente, não foi assim.

 

De Vietto. Embora mais marcado do que no confronto anterior, em Portimão, voltou a revelar apontamentos de grande qualidade na leitura do jogo, na capacidade de passe, na qualidade dos dribles e até no apoio a situações defensivas. Parece render mais quando joga em apoio directo ao ponta-de-lança, embora nesta partida tenha actuado preferencialmente nas movimentações entre a ala esquerda e o corredor central.

 

De Bruno Fernandes. Culminando uma semana em que o seu nome continuou a dominar todas as notícias, numa espécie de leilão permanente em torno da sua suposta transferência do Sporting, admira como toda esta intranquilidade não afecta o essencial do seu rendimento. Voltou a ser o melhor dos nossos jogadores em campo - atributo bem reflectido no nosso primeiro golo, aos 20', que começa a ser desenhado nos pés dele e é concluído também por ele, com um remate forte e bem colocado, a passe de Acuña, enquanto Luiz Phellype se movimentava bem sem bola, arrastando metade da defesa adversária. Foi o 50.º golo oficial de Bruno Fernandes com a camisola do Sporting. Desejamos que marque muitos mais.

E ainda só estamos em Agosto

Saí com a sensação de que poderia ter sido eu se estivesse no lugar de Coates. Levar de frente com tudo, assim à bruta, porque quem estava à minha frente devia ter tapado alguma coisa e não tapou nada é coisa que mói o discernimento do mais maduro.

No fim do jogo tive também pena de Wendel, o principal culpado em campo do descontrole que acabou por toma conta da equipa. Pena porque na verdade foi como pedir a um canhoto que passe a escrever com a mão direita sem lhe dar tempo para se adaptar. Pena ainda de Doumbia porque já deve ter percebido que assim não consegue aprender, evoluir, melhorar.

Foi preciso uma arbitragem sinistra e malévola para descarnar a absoluta inépcia de Keizer em todos, mas todos mesmo, aspectos do jogo. Desde Vercauteren que não se sentava tamanho idiota no banco do Sporting.

 

PS - Por falar em idiota, quem teve a ideia idiota de atrasar a entrada de "O mundo sabe que..." de modo termos de cantá-lo com o jogo já em andamento?

Changing Time

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Há mais ou menos um ano José Peseiro perdeu um jogo em casa para a Taça da Liga com o Estoril, com dois golos sofridos muito da responsabilidade de André Pinto, e hoje Marcel Keizer perdeu um jogo em casa para a Liga com o Rio Ave, com dois golos sofridos (o segundo penálti marcado é de bradar aos céus) muito da responsabilidade de Coates. E José Peseiro foi, na minha opinião mal no momento que foi, despedido.

Tentando esquecer o resultado final e a falta de sorte naquela cabeçada de Acuña, que só estava naquela posição pela entrada de Borja minutos antes, hoje em Alvalade dum lado estavam onze jogadores do outro uma equipa e um treinador. Como os jogadores (pelo menos alguns) são muito bons, assim tivemos os dois golos do Sporting e por pouco tínhamos mais dois para chegar ao resultado que tinha vaticinado 4-2.

Mas como do outro lado existia uma equipa e um treinador, que soube muito bem jogar com o espaço e o tempo, e como a capacidade do Sporting jogar 90 minutos num ritmo elevado é pouca ou nenhuma, e em vez dum trinco tem dois médios de transição incapazes de gerir o ritmo do jogo, aconteceu o que aconteceu. Confortável a sair a jogar mesmo a perder, provocar o erro da defesa do Sporting colocando um jogador (o Marega ao pé deste iraniano é uma doçura) em aceleração em cima dum central lento, o Rio Ave colocou sempre o coração dos Sportinguistas como eu em sobressalto.

Por muito que me custe, pela gratidão que tenho pelas vitórias da época passada, e pela minha insistência (à Pinto da Costa) na estabilidade dos treinadores, acho sinceramente que o tempo de Marcel Keizer acabou à frente do Sporting.

Estou mesmo chateado. Por aqui me fico.

SL

Keizer tem de ser corrido já

Será uma estupidez insistir em Keizer para líder da equipa. O mais acertado é despedir Keizer e já. Porque já será tarde.

Keizer é medroso. Lê mal o jogo.

Não reage no decorrer dos embates. É passivo. E quando decide ser activo é constrangedor. A saída de Vietto para entrada de Borja é vergonhosa, servindo apenas para reforçar a atitude defensiva em casa, consolidando a ideia de papéis trocados dentro das quatro linhas. Afinal, hoje, mais uma vez, (à semelhança do jogo com o Braga) quem mandou em Alvalade foi o visitante. Depois, a ida a jogo de Plata para lá dos 90’. Essa disparatada acção foi só a estocada final, a assinatura do mau artista Keizer na obra miserável que nos serviu e à qual nos sujeitou. Se Keizer não for corrido vamos passar por muitas e mais vergonhas como a de hoje. A coisa é óbvia: a equipa do Rio Ave, como muitas outras equipas do nosso campeonato, é muito mais bem preparada, trabalhada, orientada, do que a nossa. E isso é inadmissível. Manter Keizer no comando da equipa, também.

Os melhores prognósticos

Esta foi uma das jornadas com mais vaticínios correctos desde o início da actual temporada: nada menos de cinco palpites bateram certo. Subscritos pelos leitores Ambrósio Geraldes, Fernando Albuquerque, José Vieira e Luís Ferreira, além do meu colega José da Xã. Todos vaticinaram o 3-0 final.

Aplicado o critério de desempate, relacionado com os marcadores de golos, destaca-se este trio: Ambrósio Geraldes, José da Xã e Luís Ferreira

Parabéns a todos.

Armas e viscondes assinalados: Para quê pedir a Lua se temos as estrelas?

Sporting 3 - Rio Ave 0

Liga NOS - 28.ª Jornada

7 de Abril de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Voltou a terminar um jogo sem sofrer golos, mas desta vez não contou com as facilidades decorrentes da inépcia dos avançados benfiquistas, pelo que teve mesmo de se esforçar para travar as investidas do Rio Ave. Deu nas vistas ao antecipar-se a um avançado com um corte de cabeça à saída da grande área e, já com o resultado feito, ao encaixar um remate muito forte e colocado, tendo ainda reflexos suficientes para impedir a bola de passar leve, levemente, pela linha de golo.

 

Ristovski (2,5)

Não foi um jogo em que os laterais se tenham destacado muito. Mas no caso do macedónio pode falar-se em culpa por associação, pois a presença de Diaby na direita não só impediu jogadas com cabeça, tronco e membros como levou a que o resto da equipa optasse por uma saudável ostracização desse sector.

 

Coates (3,0)

Melhor seria se não tivesse apostado em incursões catastróficas com bola pelo meio-campo contrário. Não estava no seu dia para aventuras dessas, ao contrário do que sucedeu na prestação defensiva, novamente ao nível dos seus pergaminhos pela relva e pelo ar.

 

Mathieu (3,5)

Não só desfez uma ou duas asneiras cometidas pelo parceiro de eixo central como cumpriu a habitual quota de cortes e antecipações. Mas ainda mais impressionante foi a qualidade com que iniciou jogadas e deu cartas enquanto lateral-esquerdo (e logo num jogo em que Marcel Keizer teve três colegas diferentes a desempenhar essa posição), conquistando a linha e cruzando como se fosse um adolescente tardio.

 

Borja (2,0)

Presenteado pela impetuosidade adversária logo nos primeiros minutos, viu-se retirado de maca, regressou ao relvado e não raras vezes pareceu estar a mais entre Acuña e Wendel. Saiu ao intervalo e tarda em afirmar-se como verdadeira solução.

 

Gudelj (3,0)

Não lhe peçam para dar início a uma jogada de ataque, mas na parte de destruir e condicionar jogo alheio está irreconhecível de há umas semanas para cá. Quase como aqueles funcionários que demonstram as qualidades mais escondidas quando se aproxima o momento da renovação de contrato.

 

Wendel (4,0)

Muitas vezes jogador de equipa, o jovem brasileiro resolveu ser jogador que faz a equipa ganhar com sossego. Não satisfeito com a assistência brilhante para o primeiro golo, vendo Acuña e Luiz Phellype a desmarcarem-se, assinou o primeiro golo na Liga NOS com um remate em arco, ogiva, cristal. O guarda-redes não sabe, nem sonha, como a bola colorida foi parar uma terceira vez ao fundo das redes.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Igualou o recorde de Frank Lampard como meio-campista mais goleador de sempre na Europa ao cobrar um daqueles pénaltis em que o guarda-redes melhor faria em beber uma chávena de chá de tília. E, entre muitas demonstrações aleatórias de grandeza, ganhou a linha, entrou na grande área do Rio Ave pela esquerda e centrou rasteiro e atrasado para o golo de Wendel. Até ao final do jogo várias vezes tentou que os colegas dilatassem o marcador além da conta que Deus fez, mas ninguém quis fazer a desfeita ou se lembrou de devolver a bola para que o tal recorde do inglês passasse a ser história medieval. O “Lampardexit” fica para a próxima.

 

Diaby (1,5)

O Sporting venceu por três golos de diferença, e sem nunca causar apertos no coração dos poucos mais de 26 mil irredutíveis alvaladenses nas bancadas, apesar de contar com o maliano em noite não de tendência nunca. Trapalhão, atrapalhado, quando não simplesmente alheado, manteve-se até ao apito final. Será que Marcel Keizer teme intervenções sacerdotais na luta pelo terceiro lugar e resolveu treinar a possibilidade de se ver a jogar com menos um campo?

 

Acuña (4,0)

Será possível retirar a bola ao polivalente argentino? As estatísticas provam que não é muito fácil, e nem se pode falar em falta de dados, tantas foram as vezes que Acuña bailou com a bola frente a um, dois ou três adversários, talvez inspirado num moço com quem por vezes divide balneário chamado Lionel. Para a história de um jogo que procurou sempre descomplicar fica o domínio de bola com que facilitou a missão de Luiz Phellype no lance do primeiro golo, aberturas traçadas a régua e esquadro e a disponibilidade para ser extremo, lateral e tudo. Tal como Mathieu, teve direito a uns minutos de descanso e a uma ainda mais merecida ovação.

 

Luiz Phellype (3,5)

Mais um golo, concluindo com calma glaciar um contra-ataque que ajudara a lançar, e o pénalti que sofreu, ao ser abalroado por um defesa após um cabeceamento em esforço, são as faces mais visíveis de uma exibição muito positiva. O feitiço parece ter sido quebrado de vez, e o brasileiro peitudo e raçudo da lei dos erros de casting se vai libertando.

 

Jovane Cabral (3,0)

Entrou para agitar a esquerda e quase que o conseguiu, ficando muito perto de servir Luiz Phellype para o mais próximo de 4-0 que se viu na segunda parte. Ainda não é o milagreiro de Peseiro, mas ninguém lhe pode contestar a utilidade.

 

Bruno Gaspar (2,5)

O prémio por ter segurado o forte na meia-final da Taça de Portugal foram minutos enquanto lateral-esquerdo. Não se portou mal do lado contrário, jogando seguro, e até poderia ter marcado, servido por Bruno Fernandes. Mas como não é o homónimo optou por alvejar as bancadas.

 

André Pinto (2,5)

Entrou para o descanso (e aplauso das bancadas) de Mathieu. Sem ser aquele rapaz turco que marca golos em Itália e que Cintra & Peseiro resolveram emprestar com uma cláusula de compra acessível ao mesmo tempo que preferiam contratar Diaby em vez de Fábio Coentrão, também não esteve nada mal.

Marcel Keizer (3,5)

Adiantou-se aos críticos e reconheceu que o Sporting não jogou tão bem quanto na quarta-feira. Mas jogou bastante bem, venceu com folga e sem qualquer tremelique, e só ficou a dever a si próprio uma goleada das antigas. Do treinador só se questiona a necessidade de fazer descansar Acuña e não Bruno Fernandes, elevando a fasquia para “vencer três a zero com Diaby e Bruno Gaspar em simultâneo”. Será que Francisco Geraldes foi apanhado a ler um romance durante uma das palestras do holandês?

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

 

Da nossa quinta vitória consecutiva na Liga. Derrotámos facilmente o Rio Ave em casa, por 3-0, num jogo com domínio leonino do primeiro ao último minuto. Mais três pontos amealhados e a certeza de que a equipa não perdeu embalagem após ter afastado o Benfica do acesso à final da Taça de Portugal. 

 

De Bruno Fernandes. Voltou a ser um elemento fundamental. É ele quem marca o segundo golo, de grande penalidade. E é ele quem faz a assistência para o terceiro. Já contabiliza 27 golos nesta temporada (15 dos quais na Liga), igualando nesta marca - rara para quem actua na sua posição - o inglês Frank Lampard, um dos melhores médios de sempre do futebol europeu.

 

De Luiz Phellype. Está de pé quente: segundo jogo como titular no campeonato, três golos amealhados. Desta vez inaugurou o marcador logo aos 12', abrindo caminho para uma vitória segura, dando a melhor sequência a um lance rapidíssimo, aliás iniciado por ele ainda na nossa zona defensiva. Tudo jogado ao primeiro toque, com o ponta-de-lança a descobrir Wendel na ala esquerda, este a executar um fabuloso passe longo, Acuña a amortecer a bola já na grande área e o avançado brasileiro a fazer um sprint rapidíssimo e a metê-la lá dentro. Polegar ao alto.

 

De Wendel. O melhor em campo. Utilíssimo na construção de lances ofensivos, progredindo com a bola dominada e capaz de distribuí-la com precisão. Sempre em jogo, sempre acutilante. Foi dele o passe que funcionou como assistência para o primeiro golo e foi ele também a fechar a conta, marcando o terceiro com um disparo muito bem colocado, aos 54'. Primeiro golo do jovem brasileiro nesta Liga 2018/2019. Mais que merecidos, os fortes aplausos que recebeu enquanto apontava para o emblema do Sporting na sua camisola. É o jogador que mais tem evoluído sob a orientação de Marcel Keizer.

 

De Mathieu. Outra exibição de grande classe. Fundamental em vários cortes - aos 7', aos 11' e aos 30'. Muito influente também na fase de construção, dando por vezes ele próprio o exemplo ao transportar a bola com segurança e eficácia. Substituído por precaução aos 72', atendendo ao seu desgaste físico. Foi aplaudido de pé pelos adeptos. Mereceu esta ovação.

 

De não termos sofrido golos. Segunda partida consecutiva sem vermos as nossas redes trespassadas.

 

Que o jogo tivesse terminado sem cartões. Nem um só amarelo para amostra nesta partida dirigida pelo árbitro Luís Godinho. Merece registo por ser cada vez mais raro no nosso futebol. 

 

De ver Fábio Coentrão novamente em Alvalade. Pena não estar a jogar com a nossa camisola, mas pela equipa adversária. Teria certamente lugar neste Sporting 2018/2019.

 

De ver a alegria de regresso ao nosso estádio. A vitória de quarta-feira contra o Benfica funcionou como um poderoso tónico: os cânticos de incentivo à equipa foram incessantes. Pena não haver mais gente: éramos apenas 26.194 nas bancadas. Mas houve atenuantes para as clareiras que se registavam no estádio: noite chuvosa, num domingo, com o apito inicial a soar só às 20 horas. Continuamos a ser o clube mais prejudicado por estes horários, o que é inaceitável.

 

Do balanço dos últimos nove jogos. Sete vitórias e dois empates. Positivo, claro.

 

De estarmos isolados no terceiro lugar. Após novo tropeção do Braga, derrotado pelo Moreirense, levamos agora três pontos de vantagem face à turma minhota. Três que, na prática, são quatro. Porque nos confrontos entre as duas equipas a vantagem é nossa.

 

 

 

Não gostei

 
 
 

De ver entrar o Rio Ave com mais elementos da formação leonina. Rúben Semedo, ex-defesa do Sporting, alinhou pela equipa de Vila do Conde. O Sporting não tinha ninguém formado em Alcochete no onze titular.

 

Que três jogadores ocupassem a posição de lateral esquerdoO titular foi Borja, que teve de ser rendido por lesão. Acuña recuou no corredor mas acabou por sair também, aos 65', com problemas físicos. Com Jefferson fora da convocatória, Keizer viu-se forçado a improvisar outra solução, mandando entrar Bruno Gaspar em estreia na ala oposta àquela que costuma ocupar.

 

Que Bruno Fernandes não pudesse ter sido poupado, mesmo após o 3-0Noutras circunstâncias, talvez o capitão recolhesse mais cedo ao balneário. Mas havia que gerir a condição física de Acuña e Mathieu, que mereceram prioridade. Percebe-se a decisão do treinador.

 

De Jovane. Desperdiçou uma boa oportunidade, revelando-se uma sombra do que foi no desafio da primeira volta frente à mesma equipa, quando marcou um golaço ao Rio Ave. Keizer apostou nele na segunda parte, por troca com Borja, mas o jovem luso-caboverdiano teve uma exibição fraquinha. Aos 52', bem servido por Bruno Fernandes, em posição frontal, fez um autêntico passe ao guarda-redes. Aos 57', dominou mal a bola cruzada por Diaby, permitindo a Coentrão neutralizar o lance. Está sem confiança, como ficou bem evidente. 

Que tédio

Sair pé do mar, num domingo à nôte para ir assistir a um jogo de bola, fazer para isso cerca de 100 km, pagar 5,80€ de portagem e regressar devagarinho porque chovia que Deus a dava (a 60 km/h quase todo o caminho), para quem estava ali mesmo à babuje do estádio, por enquanto, que o hábito ainda não está enraizado, é um grande incómodo.

Mas como quem corre por gosto não cansa e eles até se portaram lindamente na quarta-feira, lá saí eu de casa (eu e mais 26 mil e qualquer coisa, muito poucos) e a que é que assisti? A uma pasmaceira de jogo.

Assisti a um jogo sem cartões amarelos para nenhum dos nossos (coisa nunca vista esta época, parece-me), nem sequer para os rapazes de Vila do Conde, com apenas 30 faltas (19 nossas e 11 do Rio Ave), sem um único caso para amostra, um penálti indiscutível e indiscutido, uma equipa que calmamente chegou ao 3-0 e depois descansou, que fez uma exibição tão certinha, tão certinha, que o momento de êxtase que quase esteve para acontecer, o inevitável golo do adversário, foi evitado in extremis pelo Renan, que não sei o que lá esteve a fazer, sinceramente, o Kaizer é um nabo, p'ra quê guarda-redes?

E assim se passou mais uma jornada, sem nada a acrescentar, sem se poder dizer mal do treinador, sem cascar no Gudelj, sem azucrinar as orelhas do Wendel. Até as claques hoje se portaram bem. Até houve hola, até houve luzinhas. Que pasmaceira...

Vá lá que o Braga perdeu, única nota dissonante nesta jornada.

2018 em balanço (9)

 

 

GOLO DO ANO

Felizmente não podemos queixar-nos da falta de muitos e bons golos em 2018. De tal maneira que o mais difícil é escolher só um. O meu critério foi seleccionar não apenas um golo bonito ou até magistral, mas que resultasse do esforço colectivo, da nossa organização ofensiva, desta imensa vontade de vencer que o Sporting de Frederico Varandas transporta consigo, sobretudo desde a contratação de Marcel Keizer.

Poderia ter elegido grandes golos de Bruno Fernandes e Nani, aliás já representados nesta antologia anual do És a Nossa Fé. Mas decidi seleccionar o golaço de Jovane que confirmou a nossa vitória por 3-1 contra o Rio Ave, a 3 de Dezembro, no estádio dos Arcos - um dos mais difíceis da Liga portuguesa, como bem sabemos. De tal modo que não ganhávamos lá desde 2004 por dois de diferença.

Escolhi este golo também porque 2018 foi o ano de Jovane, júnior da formação de Alcochete promovido ao primeiro escalão e estreado na equipa principal do Sporting, para o campeonato, durante o curto período em que José Peseiro comandou o plantel leonino. Keizer tem reiterado esta aposta, traduzida em resultados: Jovane continua a funcionar como uma espécie de talismã. Quando entra, geralmente a sorte vira-se a nosso favor.

Foi, uma vez mais, o que aconteceu aqui. O jovem caboverdiano entrou aos 69' e três minutos volvidos já estava a marcar este belíssimo golo, que vale a pena ver e rever. Corolário de uma jogada de insistência do onze leonino, inicialmente conduzida por Nani na ponta esquerda. A bola sobrou para Bruno Fernandes, autêntica inteligência em movimento, que numa fracção de segundo resistiu à tentação do remate, percebendo que o colega à direita estava solto de marcação, endossando-lhe a bola. Mal a recebeu, Jovane desferiu um potente remate com o pé esquerdo, sem tomar balanço, conduzindo a redondinha ao canto superior mais distante da baliza do Rio Ave: nenhuma guarda-redes seria capaz de travá-la.

Fez-nos vibrar de alegria. Com golos destes, o céu é o limite. Tudo se torna possível neste Sporting 2018/2019.

 

 

Golo do ano em 2012: Xandão, contra o Manchester City

 Golo do ano em 2013: Montero, contra a Fiorentina

Golo do ano em 2014: Nani, contra o Maribor

Golo do ano em 2015: Slimani, na final da Taça de Portugal

Golo do ano em 2016: Bruno César, contra o Real Madrid

Golo do ano em 2017: Bruno Fernandes, contra o V. Guimarães

Pódio: Bas Dost, Acuña, Bruno Fernandes

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Rio Ave pelos três diários desportivos:

 

Bas Dost: 20

Acuña: 19

Bruno Fernandes: 19

Diaby: 19

Jovane: 17

Miguel Luís: 16

Mathieu: 15

Renan: 14

Petrovic: 13

Bruno Gaspar: 13

André Pinto: 12

Gudelj: 12

Coates: 12

Ristovski: 7

 

A Bola elegeu Acuña como melhor jogador em campo. O Record optou por Bruno Fernandes. O Jogo escolheu Bas Dost.

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