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És a nossa Fé!

Balanço (3)

Os melhores jogadores da época passada

Balanço dos jogadores do Sporting que mais se destacaram em cada desafio do campeonato 2024/2025:

 

Gyökeres: 14 (Farense, FC Porto, AVS, Estrela Amadora, Moreirense, V. Guimarães, AVS, Estoril, Casa Pia, Famalicão, Estrela Amadora, Braga, Moreirense, Boavista)

Trincão 4 (Arouca, Casa Pia, Boavista, Nacional)

Pedro Gonçalves: 3 (Rio Ave, Nacional, V. Guimarães)

Harder: 3 (Braga, Farense, Arouca)

Geny 3 (Estoril, Santa Clara, Benfica)

Quenda 3 (Famalicão, Rio Ave, FC Porto)

Morten 2 (Gil Vicente, Benfica)

Debast 1 (Santa Clara)

Eduardo Quaresma 1 (Gil Vicente)

 

Na época 2014/15, os melhores jogadores foram Nani, William Carvalho e Montero.

Na época 2015/16, os melhores jogadores foram Slimani, Adrien e João Mário.

Na época 2016/17, os melhores jogadores foram Gelson Martins, Bas Dost e Adrien.

Na época 2017/18, os melhores jogadores foram Gelson Martins, Bruno Fernandes e Rui Patrício.

Na época 2018/19, os melhores jogadores foram Bruno Fernandes, Raphinha e Nani.

Na época 2019/20, os melhores jogadores foram Bruno Fernandes, Jovane e Coates.

Na época 2020/21, os melhores jogadores foram Pedro Gonçalves, Coates e Palhinha.

Na época 2021/22, os melhores jogadores foram Sarabia, Porro e Nuno Santos.

Na época 2022/23, os melhores jogadores foram Pedro Gonçalves, Trincão e Porro.

Na época 2023/24, os melhores jogadores foram Gyökeres, Pedro Gonçalves e Trincão.

Rescaldo do jogo de ontem

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Pedro Gonçalves festeja com os adeptos em Alvalade: golo do título foi dele, oito meses depois

Foto: Lusa

 

Gostei

 

Da vitória categórica do Sporting em Alvalade, sagrando-se campeãoCumpriram-se as expectativas: não iríamos perder este jogo em casa, frente ao sexto classificado da Liga, numa partida em que precisávamos mesmo de derrotar o V. Guimarães para conquistarmos o título. Assim foi: a turma minhota perdeu 0-2, disse adeus à Liga da Conferência e ficou até atrás do Santa Clara. E nem precisaríamos de ter vencido, pois à mesma hora o Benfica encalhou na Pedreira: 1-1 frente ao Braga, confirmando-se que terá de ir à pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

 

Do bicampeonato agora conquistado. A última vez que tínhamos alcançado dois títulos consecutivos de campeão foi nas temporadas 1952/1953 e 1953/1954. Há 71 anos que não repetíamos esta proeza. Já muito poucos, entre os vivos, puderam testemunhar tal feito, agora justamente celebrado por adeptos de todas as idades nas mais diversas parcelas do mundo, não apenas em Portugal. É uma estreia para quase todos nós.

 

De Pedro Gonçalves. Foi ele o desbloqueador do jogo. Melhor em campo. Marcou o golo inicial do Sporting, aos 55' - um golaço coroando da melhor maneira excelente lance colectivo. Já tínhamos saudades de o ver meter a bola no sítio certo: desde 13 de Setembro que não marcava. E ainda é dele o passe para golo no segundo. Temos enfim de volta, em excelente forma, o nosso n.º 8 - pedra essencial do plantel leonino e (assim o exigimos) também da selecção nacional nos tempos que vão seguir-se.

 

De Gyökeres. Despediu-se do campeonato - e talvez também do público de Alvalade - fazendo o gosto ao pé, à sua maneira, marcando o segundo e último nesta partida frente à turma vimaranense. Excelente finalização, aos 82', dissipando as últimas dúvidas que restavam: o título seria mesmo nosso. Conclui assim o campeonato com 39 golos em 33 jogos. Desde que chegou ao Sporting, marcou 96 em 101 partidas. E ainda falta disputar a final da Taça. Inesquecível.

 

De Eduardo Quaresma. Símbolo da raça leonina. Exibição irrepreensível do jovem central, que bem merece ser convocado para a equipa das quinas. Não apenas cumpriu no plano defensivo mas foi também ele a protagonizar vários movimentos de ruptura, queimando linhas com a bola bem dominada. Num destes lances começou a construir o nosso primeiro golo. Merece um prolongado aplauso.

 

Do meio-campo. Morten ficou de fora, por acumulação de cartões, mas a dupla Morita-Morten deu boa conta do recado, controlando o corredor central com eficácia: impediu o fluxo ofensivo do Vitória, quase inexistente. Destacaram-se ambos nas recuperações, acentuando a estabilidade do onze leonino. Não era fácil, mas cumpriram.

 

De ver a nossa baliza intacta. Total inoperância ofensiva do V. Guimarães. Rui Silva não teve de fazer qualquer defesa digna desse nome.

 

Do árbitro. Boa actuação de Fábio Veríssimo. Cumpriu, fazendo aquilo que se esperava dele: geriu a partida sem falhas relevantes nem qualquer interferência no resultado. 

 

Do incessante apoio dos adeptos. Começou logo com as bancadas repletas de público: 49.144 pessoas assistiram ao jogo no estádio. A festa começou ali. 

 

Do treinador. Rui Borges manteve-se invicto como responsável máximo da equipa leonina em competições nacionais. Cinco meses e dezanove jornadas sem perder. Mesmo com vários jogadores lesionados, com ele ao leme nunca a equipa deixou de pontuar. Dos 82 pontos conquistados pelo Sporting, 45 têm a marca dele.

 

De todo este percurso percorrido. Foi o Sporting que esteve à frente durante quase toda a época: 30 das 34 jornadas no comando. Indiscutível supremacia sobre o Benfica. E já nem falamos do pobre FC Porto, que chega ao fim com menos 11 pontos que nós.

 

Deste justíssimo título. Equipa mais pontuada, com mais golos marcados, menos golos sofridos, o maior goleador da Liga (e neste momento da Europa) e o rei das assistências. Vitória em toda a linha, indiscutível. Confirmando o Sporting como força dominante do futebol português nesta década de 20: três campeonatos ganhos, contra apenas um para o Benfica e outro para o FC Porto.

 

 

Não gostei

 

Da ausência de Morten. O nosso capitão, que cumpria castigo por ter visto o nono cartão amarelo, merecia ter participado neste desafio do título. Ele é um dos grandes obreiros do bicampeonato verde-e-branco.

 

Da lesão de Diomande. O central marfinense, magoado num joelho, teve de abandonar o campo aos 25': resta saber se recupera a tempo de disputar a Taça. Mas St. Juste jogou bem no lugar dele.

 

Do 0-0 registado ao intervalo. Sabia a pouco.

 

Do V. Guimarães. Alguns, mais temerosos e sempre a prever o pior, receavam que os minhotos pudessem dar-nos luta. Não deram nenhuma. Totalmente apagados no momento ofensivo, nunca chegaram à frente com perigo. Ficam fora das competições europeias na próxima época: nem isso conseguiram. Perderam muito com a saída de Rui Borges.

Rescaldo do jogo de anteontem

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Otamendi, bem ao seu estilo, tenta travar Trincão. Mas o minhoto destacou-se ao marcar o golo leonino

Foto: Tiago Petinga / Lusa

 

Gostei

 

Deste empate (1-1) que soube a vitória na Luz com lotação esgotadaCumpriu-se a tradição desta época: o Sporting não perdeu nenhum dos chamados jogos grandes. Vencemos Benfica e FC Porto em Alvalade, e empatámos com ambos nas deslocações aos estádios deles. No sábado, viemos do reduto encarnado com um ponto precioso: temos agora 79. Há seis desafios seguidos que eles não conseguem vencer-nos em campo. Sinal dos tempos.

 

De começar a vencer. Inferno? Vulcão? Nada disso: a Luz gelou logo aos 4', com o golo leonino, concretizado na primeira oportunidade. Grande arrancada de Gyökeres na meia-esquerda, como ele tanto gosta. Atraiu Tomás Araújo e António Silva, sem nenhum deles conseguir roubar-lhe a bola, e centrou para Trincão, que fuzilou de pé esquerdo, para o ângulo mais inatingível. Trubin tentou voar, sem sucesso. E Carreras, do outro lado, limitou-se a marcar com os olhos. Estava escrito nas estrelas: a sorte iria sorrir-nos.

 

De Morten. Grande partida do internacional dinamarquês, melhor em campo. Mesmo tendo visto muito cedo o cartão amarelo, aos 19', não se deixou intimidar. Combativo, foi o maior obstáculo às incursões ofensivas da equipa da casa. E não apenas no corredor central: parecia estar um pouco em todo o lado. No segundo tempo, reforçou com eficácia a linha defensiva. E foi campeão nas recuperações de bola: doze, só à conta dele.

 

De Rui Silva. Quando foi preciso, estava lá. No sítio certo. Impedindo o golo de Aktürkoglu, aos 28'. Sem essa extraordinária defesa, a história do jogo teria sido diferente. No lance do empate (63'), sem hipótese de defesa ao remate enrolado do mesmo jogador que tabelou na cabeça de Maxi Araújo e entrou caprichosamente nas nossas redes. Exibição muito positiva. Confirma-se: foi o nosso grande reforço de Inverno.

 

De Trincão, já mencionado acima. Melhor época como profissional do avançado leonino. Os números confirmam: dez golos e 16 assistências na temporada. No campeonato, destaca-se como rei do último passe. Os letais detestam-no, mas qualquer outra equipa gostaria de contar com ele nas suas fileiras.

 

Da nossa organização defensiva. Impecável, excepto no golo sofrido, fruto de grande trabalho individual de Pavlidis. Gonçalo à esquerda, Diomande no meio, Eduardo Quaresma à direita cumpriram com distinção, num esforço bem complementado por Maxi Araújo na ala esquerda, sem hipóteses para Di María, e no corredor direito por Geny, que deu luta cerrada a Carreras.

 

Do treinador. Rui Borges continua invicto como responsável máximo da equipa leonina em competições nacionais. Cinco meses sem perder. 

 

De chegar à última jornada no comando. Em 33 rondas disputadas, só não liderámos em quatro desde o início da prova. Sinal inequívoco da hegemonia leonina. Dependemos de nós, em exclusivo. Faltam-nos 90 minutos para concretizarmos um sonho que nos foge há mais de 70 anos: ser bicampeões.

 

 

Não gostei

 

Do golo sofrido. Durante 63 minutos, enquanto se manteve a nossa vantagem, fomos campeões virtuais. A festa poderia ter sido feita na Luz. Mas é melhor esperar mais uma semana e fazê-la em nossa casa, com o estádio cheio.

 

Do amarelo a Morten. Por acumulação de cartões, não poderemos contar com ele na recepção à turma vimaranense. Mas teremos certamente um excelente onze em campo nessa partida decisiva.

 

Que Gyökeres ficasse em branco. Mas trabalhou muito, sobretudo na primeira parte, pondo sempre os defensores encarnados em sentido. Essencial na construção do nosso golo - a sua oitava assistência na Liga. Já soma 13 no conjunto da temporada.

 

Do sururu final. Deu direito a quase tudo: até a invasão de campo por parte de um adepto mais fanático do SLB, que se dirigiu ao árbitro João Pinheiro com a clara intenção de injuriá-lo e agredi-lo. Espero que seja devidamente punido - e que o clube acabe responsabilizado por esta inadmissível falha de segurança. Com multa a sério, não a fingir.

Rescaldo do jogo de ontem

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Eduardo Quaresma no momento em que marcava o golo da nossa alegria: valeu três pontos

Foto: Lusa

 

Gostei

 

Da reviravolta no marcador. Teve um sabor épico, o nosso triunfo da noite passada em Alvalade. Perante um Gil Vicente que parecia apostado em fazer o melhor jogo da temporada, virámos o resultado desfavorável, cerrámos fileiras, fomos para cima deles, agimos com inegável dinâmica colectiva, acentuada após Rui Borges ter refrescado a equipa e corrigido erros de posicionamento. Conseguimos os três pontos. Nem por terem sido arrancados a ferros foram menos saborosos, muito pelo contrário. E demos uma lição ao treinador da equipa adversária, que havia confessado sem rodeios desejar ver o seu Benfica campeão. 

 

De Eduardo Quaresma. Herói da noite leonina. Foi ele a apontar o golo da vitória - seu primeiro golo da temporada - num magnífico pontapé de ressaca, aproveitando da melhor maneira uma bola que sobrara da marcação de um canto. De fora da área, municiou o pé-canhão para um remate indefensável que fez levantar o estádio ao minuto 90'+3. Depois correu para os festejos e chorou lágrimas de genuína alegria. Melhor em campo: bem merece aplauso em uníssono da massa adepta. É com futebolistas como ele que se conquistam campeonatos.

 

De Maxi Araújo. Não teve actuação perfeita, longe disso. Mas foi ele a quebrar o enguiço quando o nervosismo e a ansiedade já se instalavam nas bancadas. Ao marcar o nosso primeiro golo, num remate por instinto, sem preparação, de posição quase acrobática com o seu acutilante pé esquerdo. Virou a corrente do jogo, que não voltou a ser a mesma. A partir daí tomámos de assalto a grande área da turma de Barcelos: queríamos conseguir. E conseguimos.

 

De Debast. Marcou o canto que originou o golo. Mas fez muito mais. Recuperou bolas. Fez um passe primoroso para Harder aos 88'. Tentou o golo de meia-distância com um remate cheio de intenção (90'+2) já prenunciando o que se seguiria um minuto depois. Cumpriu com distinção em duas posições: primeiro como meiocampista e a partir dos 64' como central ao meio. Ganhou lugar cativo no onze titular.

 

De Morten. Rui Borges poupou-o de início, procurando gerir o internacional dinamarquês, que está tapado com cartões amarelos, por recear vê-lo de fora no desafio seguinte, frente ao Benfica. Mas, passada uma hora, deu-lhe ordem para entrar. E fez muito bem. Porque o Sporting melhorou muito com o capitão em campo - em organização, em intensidade, em robustez psicológica. Interveio no primeiro golo e escapou incólume, sem advertência disciplinar: contaremos com ele na Luz.

 

De Harder. Saltou do banco para ajudar a construir a vitória. Dinâmico, foi um dos obreiros destes três pontos. Esteve no primeiro golo, ao fazer o remate inicial que daria a bem-sucedida recarga. Tentou o golo com um remate em arco aos 75' com a bola a passar ligeiramente ao lado. Cabeceou com perigo aos 88'.

 

Do treinador. Rui Borges completou uma volta inteira ao serviço do Sporting e pode gabar-se desta proeza: com ele no comando, nunca sofremos uma derrota em competições nacionais. Ontem, quando o resultado se mantinha desfavorável, soube detectar os problemas e encontrar soluções adequadas. Com três trocas simultâneas aos 64': Morita por Morten, St. Juste por Quenda e Pedro Gonçalves por Harder. A equipa melhorou de imediato. O resultado viu-se.

 

Da estrelinha. Não era exclusiva de Ruben Amorim. Ontem voltou para iluminar-nos.

 

Da homenagem inicial a José Carlos. Saudoso capitão leonino, há dias falecido com 83 anos. Como defesa central, conquistou a Taça das Taças em 1964, dois campeonatos nacionais e duas Taças de Portugal pelo Sporting. Foi também exemplar ao serviço da selecção nacional, que representou por 36 vezes, tendo-se destacado como titular da equipa das quinas que subiu ao pódio no Mundial de 1966. Mereceu por inteiro este reconhecimento póstumo.

 

De mantermos a liderança. Temos agora 78 pontos quando faltam só duas rondas para o fecho do campeonato - correspondentes a 24 vitórias em 32 desafios. Faltam jogar 180 minutos, cruciais para a conquista do bicampeonato que nos foge há mais de 70 anos. Duas finais em perspectiva: a primeira no sábado, perante o Benfica; a outra em nossa casa, na recepção ao V. Guimarães. 

 

 

Não gostei

 

Da nossa primeira parte. Nem um remate enquadrado à baliza adversária. Daí o resultado desfavorável (0-1) registado ao intervalo. 

 

Do golo sofrido. De penálti, aos 26'. Marcado por um antigo jogador nosso, Félix Correia, que eu bem gostaria de voltar a ver de leão ao peito.

 

De St. Juste. Muito nervoso, deixou-se dominar pela ansiedade. Aos 22' provocou um penálti totalmente desnecessário que o árbitro Tiago Martins só assinalou após alerta do vídeo-árbitro. 

 

De Gonçalo Inácio. Capitão, por ausência de Morten, o central canhoto esteve em noite não. Protagonizando um festival de passes falhados - aos 20', 35', 37', 43', 45+3', 48' e 70'. Pelo menos estes. Dele exige-se bem mais. E melhor.

 

De Morita e Pedro Gonçalves. Ambos ainda longe da melhor forma, após lesões prolongadas - mês e meio no caso do internacional nipónico, cinco meses no caso do craque transmontano.

 

Da ausência de Diomande. Excluído desta partida por acumulação de cartões, notou-se bem a falta dele no eixo da nossa defesa. Substituído por St. Juste, ficou evidente que a equipa nada ganhou com a troca.

 

Da inoperância de Gyökeres. Raras vezes o melhor artilheiro da Liga 2024/2025 vem mencionado na secção "Não gostei". Desta vez justifica-se por ter sido incapaz de se libertar das marcações: teve sempre dois adversários a condicionar-lhe a manobra, policiando-o com rigor. A chuva copiosa que caiu durante grande parte da partida também nada ajudou as suas habituais arrancadas. Desta vez nem os passes lhe saíram bem. 

Rescaldo do jogo de ontem

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Foto: Manuel Fernando Araújo / Lusa

 

Gostei

 

Da nossa goleada no Bessa. Exibição modelar de futebol colectivo que deitou por terra o Boavista liderado por um técnico que havia prometido fazer vida difícil ao Sporting. Coitado do sujeito: só conseguiu fazer vida difícil aos seus próprios jogadores, incapazes de formar uma equipa realmente digna desse nome. Levaram uma cabazada: 0-5. A maior goleada que já impusemos neste campeonato. A nossa maior goleada de sempre naquele estádio.

 

De Gyökeres. Um dos nossos melhores jogadores de sempre. Exibiu talento no relvado do Bessa, onde se agigantou ainda mais. Com um póquer que o projecta para a liderança da Bota de Ouro europeia, em disputa directa com Salah. Não precisou de muito tempo para tranquilizar os adeptos: abriu o activo logo aos 6'. Prosseguiu a contagem aos 45'+1, ao correr meio campo com a bola dominada e fuzilando as redes axadrezadas. Depois facturou aos 50' e aos 90'+2. E ainda intervém no único que não marcou, o quarto leonino: é dele o remate inicial, para defesa incompleta e golo de Maxi. Tem agora 38 marcados na Liga: ninguém havia chegado a esta marca desde 2002 no campeonato português. Vale cada cêntimo da sua cláusula de cem milhões.

 

De Trincão. Um jornal titula, com argúcia e notável capacidade de síntese: «Trincão disse "mata", Gyökeres disse "esfola"». Excelente resumo deste jogo. O craque sueco é genial, mas não actua sozinho: precisa de colegas com talento a colocar-lhe bem a bola. Trincão - o jogador do Sporting mais odiado pela matilha letal - foi um precioso municiador do futebol ofensivo que Viktor tão bem traduziu em golos. Dois excelentes passes para golo - o segundo e o terceiro - confirmam-no como rei das assistências: já tem 16 na temporada. Ofereceu dois outros, não concretizados: aos 33' novamente a Gyökeres, com um centro de inegável virtuosismo técnico a fazer a bola sobrevoar a defesa para a cabeça do sueco, e aos 48', soltando-a para Quenda. Exibição de luxo.

 

De Maxi Araújo. Talvez a melhor actuação do jovem internacional uruguaio de leão ao peito. Começou por assistir no primeiro golo: quase todo o trabalho foi dele junto à lateral esquerda, culminando num excelente cruzamento. E foi ele a marcar o quarto, aos 57', numa oportuníssima recarga de cabeça completando a tarefa que Viktor deixara incompleta. Dominou o flanco esquerdo, sem dar hipótese a investidas adversárias.

 

Do regresso de Morita. Após mês e meio de afastamento por lesão, o internacional japonês saltou do banco aos 69', substituindo o amarelado Morten. Esteve em campo tempo suficiente para demonstrar que podemos mesmo contar com ele nesta recta final do campeonato. Faltam 270 minutos decisivos.

 

De ver as nossas redes intactas. Em boa verdade, Rui Silva não necessitou de fazer qualquer defesa. O Boavista foi uma perfeita nulidade, tanto no plano ofensivo como defensivo.

 

Do apoio incessante dos adeptos. Cerca de 10 mil sportinguistas pintaram de verde as bancadas do Bessa. Parecia que jogávamos em casa. Isto ajuda a explicar o motivo de ainda só termos perdido uma vez (com João Pereira) fora de Alvalade neste campeonato.

 

De Miguel Nogueira. Boa arbitragem, pondo em prática o chamado critério largo, à inglesa. Fossem todas assim em Portugal e teríamos certamente pelo menos uma equipa de arbitragem no próximo mundial de clubes. 

 

De mantermos a liderança. Temos agora 75 pontos, quando faltam três rondas para o fecho do campeonato - correspondentes a 23 vitórias em 31 desafios. Ainda não perdemos com Rui Borges ao leme da equipa. O Benfica segue com os mesmos pontos, mas atrás de nós segundo os critérios de desempate: perdeu no clássico de Alvalade e tem menos três golos marcados (nós 83, eles 80). Pormenor relevante: o Sporting acumula agora mais 26 golos do que o FC Porto. Alguém ainda se lembra quando um tal Samu era apontado como suposto "rival" do nosso Viktor Gyökeres?

 

 

Não gostei

 

Do amarelo a Morten. Peça muito influente do onze leonino, o meiocampista fica agora à bica por acumulação de cartões, ao contrário do colega Diomande, que nesta partida "limpou o cadastro" quando viu o quinto que o deixa de fora na recepção ao Gil Vicente mas o torna disponível na ida à Luz, uma semana depois. Dilema para Rui Borges: excluir o internacional dinamarquês da próxima ronda para podermos contar com ele contra o Benfica? Por mim, nem hesito: diria já que sim.

 

Do resultado exíguo ao intervalo. Apenas vencíamos por 2-0 num jogo de sentido único. Gyökeres merecia ter marcado pelo menos mais um: aconteceu aos 12', num espectacular pontapé de bicicleta ainda algo distante da baliza mas pleno de colocação, para defesa muito apertada do guarda-redes boavisteiro.

 

Do reencontro com Diaby. Alinha agora pela turma do Bessa. Mal se deu por ele. Não deixou saudades em Alvalade.

 

Do Boavista. O tal sujeito mencionado no parágrafo inicial, numa bravata para consumo da imprensa, anunciou que a turma que ainda comanda seria «uma ameaça» em campo ao Sporting. A afirmação, à partida já ridícula, tornou-se caricata no fim do jogo: os do Bessa não conseguiram fazer um remate enquadrado até ao apito final.

Rescaldo do jogo de anteontem

 

Gostei

 

Da nossa "vingança" frente ao Moreirense. Na primeira volta perdemos lá, ainda com João Pereira no precário comando da equipa: custou-nos muito vermos voar esses três pontos. A desforra chegou quatro meses depois: vencemos e convencemos, em Alvalade, por 3-1.

 

De Gyökeres. Um gigante. Voltou a ser totalista nos nossos golos: meteu três vezes a bola no sítio certo. Nas duas primeiras vezes, aos 12' e aos 25', de ressalto, mostrando aos colegas como se faz. O terceiro é uma obra-prima, na conversão de um livre directo, aos 52': começa a tornar-se especialista em golos destes - sem esquecer que tinha sido ele próprio a sofrer a falta. Melhor em campo, pois claro. Leva 34 golos marcados na Liga, 47 em 46 jogos de leão ao peito nesta temporada. Herói leonino.

 

Do nosso meio-campo. Magnífico desempenho da dupla formada por Morten e Debast, dominando por completo o eixo do terreno. O internacional belga fazendo a diferença nos passes de média e longa distância, o internacional dinamarquês brilhando nas recuperações - e até em protagonismo ofensivo, como demonstrou com intervenção decisiva no primeiro golo. Aplausos prolongados para ambos.

 

Do nosso primeiro tempo. Talvez a melhor metade inicial de jogo da nossa equipa sob o comando de Rui Borges. Aos 10' já tínhamos conseguido quatro oportunidades flagrantes de golo. Pressão alta, linhas muito avançadas, ataque sufocante às tentativas de saída de bola da equipa adversária, supremacia evidente em todos os duelos. Um espectáculo. O resultado ao intervalo (2-0) não traduzia, de todo, a superioridade leonina. Merecíamos muito mais.

 

Do regresso de Pedro Gonçalves a Alvalade. Mais de cinco meses depois, o bicampeão transmontano recebeu estrondosos aplausos quando saltou do banco, aos 69'. Tempo suficiente para mostrar que regressou em boa forma e continua a exibir o precioso toque de bola que bem lhe conhecemos. Contamos com ele para a reconquista do título.

 

De Fábio Veríssimo. Arbitragem irrepreensível. Fossem todas assim e teríamos certamente pelo menos uma equipa de arbitragem no próximo mundial de clubes. 

 

Do nosso fluxo ofensivo. Cumprimos 82 jornadas do campeonato nacional de futebol sempre a marcar em Alvalade. Acontece há quase cinco anos. O futebol é, acima de tudo, a festa do golo. Nós, adeptos, leoninos, estamos felizmente bem habituados a festejar.

 

Da homenagem a Aurélio Pereira. O onze leonino entrou no estádio envergando camisolas com o retrato e o nome do falecido mestre, descobridor de alguns dos maiores talentos de sempre no Sporting. Seguiu-se um minuto de silêncio, com a presença dos familiares no relvado (incluindo seu irmão, o nosso bem conhecido Carlos Pereira), e a merecida ovação dos quase 45 mil espectadores. 

 

De mantermos a liderança. Temos agora 72 pontos, quando faltam quatro rondas para o fecho do campeonato - correspondentes a 22 vitórias em 30 desafios. Restam-nos quatro finais, não vale a pena ter dúvidas. Queremos, mais que nunca, conquistar o bicampeonato que nos foge há mais de sete décadas. Vale a pena lutar por isso. Com lealdade, ousadia, tenacidade e brio - como é próprio dos leões verdadeiros. Sem lamúrias, sem calimerices.

 

 

Não gostei

 

Da inépcia de Geny à frente da baliza. Despediçou vários golos cantados. No primeiro quarto de hora, o moçambicano já tinha definido mal em três ocasiões. Rematou muito por cima aos 23', finalizou pessimamente aos 77', permitiu defesas fáceis do guarda-redes aos 44' e aos 79'. Livre disparatado aos 89'. Noite para esquecer.

 

De Trincão. Também estava com a pontaria avariada. Acertou mal na bola aos 9', desperdiçando soberbo passe de Maxi Araújo. Falha o golo aos 18', oferta de Gyökeres. Repete o falhanço aos 25' - desta vez o craque sueco emendou o erro do colega, marcando. Aos 38', atirou à figura. Noite muito desinspirada.

 

Do golo sofrido. Na primeira oportunidade do Moreirense, aos 56'. Com a nossa defesa desposicionada e Rui Silva também surpreendido. Aos 60' esteve quase a acontecer outro, praticamente nos mesmos moldes: ataque adversário pela direita, superioridade no jogo aéreo frente à nossa baliza. Felizmente da segunda vez a bola roçou o poste e rumou para fora.

Rescaldo do jogo de anteontem

 

Gostei

 

Dos três pontos que trouxemos dos Açores. Pontos preciosos, que nos devolveram à liderança do campeonato após brevíssimo interregno benfiquista. Triunfo sem discussão da melhor equipa em campo, a única que tudo fez para alcançar a vitória. 

 

De Debast. Para mim, o melhor em campo. Central adaptado a médio, vindo de um jogo pouco conseguido contra o Braga, agigantou-se em Ponta Delgada chegando a superar Morten, que fez parceria com ele no eixo do terreno. Pôs a turma açoriana em sentido aos 38' com um tiro disparado na conversão de livre directo. Recuperou várias bolas, ganhou quase todos os duelos, mostrou-se insuperável no passe à distância, esteve irrepreensível nas marcações de livres e cantos. Num destes lances, aos 68', o pontapé de livre funcionou como assistência para golo de Diomande - que viria a ser anulado por 130 milímetros. Num livre lateral, aos 85', esteve quase a marcar - só uma grande intervenção do guarda-redes Gabriel Batista evitou o golo.

 

De Geny. Uma vez mais, valeu-nos pontos. Tal como já tinha sucedido contra o Benfica por duas vezes. Marcou (de pé direito!) aos 50', num remate cruzado indefensável. Comprovou a sua utilidade como segundo avançado no aproveitamento de espaços interiores, na meia direita. É ali que o internacional moçambicano deve jogar. 

 

De Trincão. Exibição de luxo na segunda parte. Foi dele a assistência para o golo aproveitando bem o espaço de que dispôs junto à linha direita. Fez mais dois passes que podiam ter aumentado a vantagem: aos 58', de trivela, solicitou Fresneda no flanco oposto, isolando o espanhol que centrou para Gyökeres; aos 60', serviu Geny num lance infelizmente desperdiçado. Ainda no primeiro tempo, aos 43', tentara ele próprio o golo, num disparo que roçou o ferro. É deste Trincão que precisamos para a conquista do bicampeonato.

 

De Fresneda. Apagado no primeiro tempo, tal como toda a nossa equipa, mal adaptada ao vento forte que soprava a nosso favor, impedindo o domínio de bolas a meia altura. Soltou-se após o intervalo com uma notável recuperação aos 50' e pré-assistência para o golo. Ofereceu outro, em cruzamento milimétrico, que Gyökeres desperdiçou em disparo à trave (66'). Boa combinação com Trincão nas movimentações do lado direito. Cumpriu com distinção.

 

Do regresso de Pedro Gonçalves. Aconteceu só aos 87', quando o jogo já estava quase decidido. Mas valeu pela injecção de moral que trouxe à equipa e à massa adepta do Sporting. Após cinco meses e 29 jogos de paragem, temos o nosso "Pote" de volta.

 

Da celebração de Harder. O jovem dinamarquês, que saiu do banco aos 77', mostrou-se combativo, actuando com a energia que todos lhe conhecemos. No final, mesmo admoestado com um injusto cartão vermelho, foi ele o mais exuberante nos festejos da vitória ainda no relvado. As infelizes declarações de Rui Borges estão já esquecidas.

 

Do apoio dos adeptos. Quase dez mil espectadores no estádio de São Miguel. Na maioria, apoiantes do Sporting. Fizeram-se escutar do princípio ao fim, funcionando mesmo como "12.º jogador" da nossa equipa. Felizmente, desta vez, sem material pirotécnico - que nunca devia entrar nos recintos desportivos.

 

Da merecida homenagem a Aurélio Pereira. O onze leonino entrou no estádio envergando camisolas com o retrato e o nome do falecido mestre, descobridor de alguns dos maiores talentos de sempre no Sporting. Foi um momento comovente. E de inteira justiça à memória desse grande Leão que há dias nos deixou.

 

Do regresso à liderança. Este triunfo nos Açores foi vital para pressionar a equipa do Benfica, pressionando-a. Sem confiança, sem energia anímica, os jogadores encarnados deixaram-se empatar em casa pelo brioso Arouca. Perderam a vantagem de que dispunham, sendo de novo remetidos para o segundo lugar da classificação. Faltam cinco finais.

 

 

Não gostei

 

Da circulação lenta na meia hora inicial. Tínhamos o vento a favor, mas não aproveitámos essa suposta vantagem nem a soubemos explorar como devíamos. Neste período, jogadores como Gonçalo Inácio abusaram dos passes que se perdiam na linha de fundo. Mas fomos muito a tempo de rectificar. E melhorámos muito no segundo tempo, quando passámos a ter o vento contra nós.

 

De ver Gyökeres em branco. O melhor que o craque sueco conseguiu desta vez foi mandar um petardo à barra. Muito policiado por Sydney e Luís Rocha, centrais do Santa Clara, que o seguiam como sombras e não hesitavam em recorrer a faltas, acabando punidos com amarelos - o primeiro logo aos 25', o segundo aos 83'. Mas Viktor teve participação indirecta no nosso golo, arrastando marcações que abriram espaço a Geny. É útil mesmo quando não marca.

 

Do 0-0 ao intervalo. Sabia a pouco quando já tínhamos feito três disparos à baliza adversária - por Debast (38'), Trincão (43') e Geny (45'+2). Enquanto o Santa Clara só produziu uma situação de perigo, aos 42', após livre que Rui Silva anulou sem problema.

 

Do golo anulado. Belo cabeceamento de Diomande aos 68'. Após intervenção do VAR acabou invalidado por deslocação de 13 cm. Mais dez do que o golo anulado a Gyökeres, contra o Braga, na jornada anterior.

Rescaldo do jogo de ontem

 

Não gostei

 

Deste empate com o Braga em casa. Não é derrota, mas parece. Contra uma equipa que tínhamos goleado por 5-0 nos três anos anteriores. Empate (1-1) consentido aos 88', na única verdadeira oportunidade de golo dos visitantes. Um duche de água gelada para os 45 mil adeptos no estádio - e para centenas de milhares de sportinguistas que acompanharam o desafio pela televisão. Sem que a turma braguista tenha actuado melhor do que na visita à Luz, no início do ano, quando venceu o Benfica por 2-1.

 

De Trincão. Péssima exibição do avançado minhoto, que pareceu tremer defronte da baliza adversária. Mais facilmente o víamos fazer dobras no sector recuado, como se fosse essa a sua missão, do que na zona onde devia fazer a diferença. Pareceu despertar só no quarto de hora final, mas mesmo aí foi acumulando más decisões. Nem marcava nem libertava a bola para colegas em melhor posição. Aos 74', isolado, acabou por fazer um passe ao guarda-redes. Exasperando as bancadas - e com razão.

 

De Debast. Ontem percebeu-se sem margem para dúvida que é um central adaptado a médio. Habituado a posicionar-se de frente para o jogo, revelou muita dificuldade em receber a bola vinda de trás. Lento a tomar decisões, preso de movimentos, incapaz de municiar o fluxo atacante, deixou muitas vezes Morten isolado nos decisivos duelos do corredor central.

 

Da nossa defesa. Imperdoável desconcentração do nosso bloco mais recuado, que falhou por completo no lance do golo bracarense, marcado por um miúdo que nunca tinha facturado na equipa A. Maxi Araújo, que parecia já cansado apesar de ter entrado pouco antes, abriu uma avenida na ala direita do Braga. Gonçalo Inácio concedeu espaço e tempo a Zalazar para centrar com calma e precisão a partir dali. Diomande não comandou as operações como devia. E Eduardo Quaresma falha por completo a abordagem ao lance, deixando o jovem artilheiro (Afonso Patrão, 18 anos) cabecear à vontade. Foi ele o improvável herói do jogo.

 

Do golo anulado a Gyökeres. Logo aos 3', coroando uma impressionante arrancada do craque sueco - novamente o melhor Leão em campo. O golo acabou anulado pelo árbitro Luís Godinho, seguindo intervenção do VAR Bruno Esteves. Por alegada "deslocação" de 3 centímetros! Uma vez mais protesto: estas decisões, visem a equipa que visarem, constituem um atentado ao futebol. 

 

Do treinador. Inexplicável, a apatia de Rui Borges, que assistiu sem reacção ao recuo das nossas linhas depois de uma péssima entrada do Sporting na segunda parte, com o Braga a mandar no meio-campo depois de o treinador adversário, Carlos Carvalhal, ter desviado Ricardo Horta da ala para o centro, desequilibrando as forças. Num jogo que precisávamos em absoluto de vencer, o técnico leonino pareceu apostado sobretudo em defender o precário 1-0, abdicando das trocas que se impunham para conferir dinâmica ofensiva à equipa. Tinha tudo para correr mal - e correu.

 

Da exclusão de Harder. Rui Borges ainda estava então em Guimarães, mas não pode ignorar este facto: devemos ao dinamarquês - que ontem festejou o 20.º aniversário - a vitória contra o Braga, por 4-2, ao bisar na emocionante partida da primeira volta. Em vez de ser recompensado, o jovem atacante pareceu ter ficado agora de castigo o tempo quase todo. Foi já em desespero que o técnico o mandou saltar do banco ao minuto 90 - apenas com os seis de prolongamento para mostrar o que vale. Mesmo assim, ainda conseguiu fazer expulsar João Moutinho, facto raríssimo na carreira do antigo capitão do Sporting, agora com 38 anos.

 

Da escumalha das claques. Decorria o minuto 79, o Sporting protagonizava um rápido lance ofensivo visando a baliza do Braga, quando da Curva Sul começam a ser lançadas tochas para o relvado, forçando o árbitro a interromper o jogo. O fumo demorou vários minutos a dissipar-se, a jogada de ataque perdeu-se. São assim estes energúmenos: letais ao Sporting. Vão tornando o Estádio José Alvalade infrequentável.

 

De ver o Sporting relegado para o segundo posto a seis jornadas do fim. O sonho não morreu, mas fica agora mais distante. O sonho de conquistarmos o bicampeonato que nos foge há 73 anos. Após a goleada imposta pelo Benfica no Dragão, dependemos só de nós para celebrar o título. Antes desta jornada, poderíamos ir à Luz, na penúltima ronda da Liga 2024/2025, e sair de lá com um empate. Agora, com menos dois pontos do que os encarnados, não nos resta alternativa: temos mesmo de vencer. Não exigimos menos do que isto aos jogadores e à equipa técnica.

 

 
 

Gostei

 

De Gyökeres. Ele, mais do que ninguém, merecia ter saído de Alvalade com os três pontos. Fez por isso. Foi dele o nosso golo solitário, apontado com inegável classe de livre directo, castigando um derrube de Geny à margem das regras. Teve outra soberba oportunidade de marcar, aos 37', de ângulo apertado: só uma grande intervenção do guardião checo Horníček, melhor em campo, impediu a bola de rumar às redes. Sexto jogo seguido do campeonato a marcar, 31.º golo dele neste campeonato. Ainda está connosco e já figura para sempre no Quadro de Honra do Sporting.

 

De Quenda. Jogando encostado à linha direita, precisamente onde mais rende, foi incansável a subir e a descer o corredor. Não por acaso, o Braga não criou dali qualquer lance de perigo. Rematou com força para golo, aos 58': só Horníček o impediu. Aos 74', serviu Trincão de bandeja: infelizmente a cabeça do colega parecia não estar lá. Nem a cabeça nem o pé.

 

Da meia-hora inicial. Domínio claro do Sporting neste período, em que marcámos dois - mas só um valeu. Antes do adormecimento que viria a ser fatal para as aspirações da nossa equipa.

Rescaldo do jogo de anteontem

 
 

Gostei

 

De outra vitória do Sporting. Triunfo justissimo na Amadora, perante um Estrela que luta para não descer (antepenúltimo). Com melhor resultado (0-3) do que o alcançado no campeonato anterior, também na Reboleira (1-2), faz amanhã um ano.

 

De Gyökeres. É uma máquina de marcar golos, mestre na arte de jogar futebol. Um dos melhores avançados do longo e prestigiado historial leonino. A grande figura da partida, melhor em campo uma vez mais. Interveio nos três golos - marcando dois de penálti (52') e 89'), assistindo no restante e tendo ele próprio conquistado a segunda grande penalidade, tão indiscutível como a primeira. Apresenta números extraordinários: 42 golos em 42 jogos nesta época desportiva, elevando-se a 51 golos em 48 partidas se contarmos com a sua prestação ao serviço da selecção sueca. Extraordinário.

 

Do golaço de Quenda. Bem servido por Gyökeres na ponta direita, rematou de ângulo já muito apertado encaminhando a bola na direcção certa, vencendo com inegável classe o duelo com o ex-benfiquista Ferro, agora lateral esquerdo na Reboleira. Aconteceu aos 81', carimbando já sem lugar a dúvidas a vitória do Sporting na Amadora. Um dos mais belos golos do mês de Março em Portugal.

 

Das nossas redes invioladas. Rui Silva não teve necessidade de fazer qualquer defesa digna desse nome. Desde 25 de Janeiro, na recepção ao Nacional, que não mantínhamos a nossa baliza a zero. 

 

De Rui Borges. Quinta vitória consecutiva - quarta no campeonato. Continua sem perder na Liga como treinador do Sporting, mesmo com a equipa sempre desfalcada de alguns dos melhores elementos.

 

De rever Jovane. Formado em Alcochete, joga agora pelo Estrela mas continua a merecer o respeito e a consideração da massa adepta leonina.

 

Da arbitragem. Bom desempenho de Gustavo Correia, que soube impor-se no capítulo disciplinar. Merece elogio.

 

Da nossa liderança reforçada. Continuamos isolados em primeiro. Com 65 pontos. Conseguimos 20 vitórias nestas 27 rondas. Só faltam sete para concretizarmos o maior sonho: a conquista do bicampeonato que nos foge há 74 anos.

 

De mantermos o melhor ataque da Liga. Já com 73 golos registados. Mais onze do que o Benfica, mais vinte (!) do que o FC Porto.

 

 

Não gostei

 

Das ausências. Morten e Maxi Araújo castigados. Morita e Pedro Gonçalves ainda lesionados. Nuno Santos, João Simões e Daniel Bragança impossibilitados de dar contributo ao clube até à próxima temporada. Demasiadas ausências no onze titular, ainda muito longe do ideal.

 

Do zero-a-zero ao intervalo. Merecíamos ter chegado ao descanso já a vencer, após duas grandes oportunidades por concretizar: um disparo de Gyökeres logo aos 32 segundos travado in extremis por João Costa e uma bola rematada ao ferro por Matheus Reis, aos 6'.

 

De termos mantido dois médios defensivos (Debast e Felicíssimo) até ao minuto 90. Não havia necessidade de manter uma linha média tão recuada perante a total inoperância ofensiva do Estrela e quando já jogávamos com mais um desde os 34', por expulsão de Montóia.

 

Dos incendiários das claques. Voltou a acontecer, desta vez aos 72': dez tochas arremessadas da bancada, três das quais atingiram o relvado. Estes energúmenos continuam a passear impunemente de estádio em estádio, causando prejuízos crescentes ao clube, que é nosso e não deles. Letais ao Sporting, como sempre.

 

Do amarelo a Matheus Reis. Impede-o de actuar na próxima jornada, contra o Braga.

 

De Alan Ruiz. Agora no Estrela, passou há uns anos pelo Sporting sem deixar saudades, numa fase de má memória. Avançado, só conseguiu marcar sete golos em 34 jogos. Não melhorou nada de então para cá.

 

Do Estrela da Amadora. Bons na sarrafada, péssimos no futebol: nem um remate à nossa baliza fizeram. Não admira que continuem sem vencer uma partida desde 23 de Dezembro. Se descerem de divisão ninguém se admira. Nem eles.

Rescaldo do jogo de anteontem

 
 

Gostei

 

De outra vitória do Sporting. Terceiro triunfo consecutivo leonino sob o comando de Rui Borges, o que acontece pela primeira vez desde a chegada do actual técnico, no final de Dezembro. Como anfitriões, acabamos vencemos anteontem o Famalicão por 3-1, marca igual à do nosso anterior triunfo frente ao Casa Pia. Na senda do desafio em que eliminámos o Gil Vicente em Barcelos nos quartos-de-final da Taça de Portugal e da vitória sobre o Estoril em casa, para o campeonato. Caso mesmo para dizer: o Sporting soma e segue.

 

De começar a ganhar muito cedo. Bastaram 61 segundos para a metermos lá dentro, logo no nosso primeiro lance de ataque. Proeza de Fresneda, que abriu o activo em Famalicão como se fosse ponta-de-lança. Projectado na ala, graças ao 3-4-3 retomado há um mês por Rui Borges, funcionou como saca-rolhas num desafio que muitos anteviam ser complicado. Afinal não foi, em boa parte graças ao defesa espanhol, que ganhou vida em Alvalade com a chegada do actual treinador. Já leva três golos marcados. É bem provável que não pare aqui.

 

De Gyökeres. Começa a tornar-se monótono: voltou a ser o melhor em campo. Com as suas arrancadas que suscitam aplauso unânime, o sueco pôs os adeptos em delírio encostando a turma minhota às cordas. Outro golo marcado - de penálti, o décimo neste campeonato, sem menor hipótese para o guarda-redes Carevic. Aconteceu aos 64', desfazendo o empate que subsistia desde o minuto 35. E foram também dele os passes para os restantes golos: o primeiro, ainda no minuto inicial do desafio, cruzando a partir da esquerda para Fresneda, e o terceiro, aos 88', oferecendo-o de bandeja a partir da direita para Geny. Números extraordinários: 28 golos nesta Liga, 40 no conjunto das competições, 49 contando com os que já apontou na selecção sueca. Desde Peyroteo, há 78 anos, que o Sporting não tinha um jogador a apontar 40 ou mais golos em duas temporadas consecutiva. Viktor é o maior: ainda está connosco e já temos saudades dele.

 

De Quenda. Alguns imaginariam vê-lo mais contido, agora que acaba de ver o seu passe adquirido pelo Chelsea, naquele que é talvez o mais lucrativo negócio de sempre do Sporting. Puro engano: foi um dos mais activos, dos mais acutilantes, dos que souberam criar mais desequilíbrios até ser rendido, aos 90'+2, numa substituição destinada sobretudo a ouvir aplausos. Bem merecidos. Forçou Carevic à defesa da noite, aos 55', num remate colocadíssimo que levava selo de golo e acabou por embater no ferro já depois da intervenção do guarda-redes. Serviu muito bem Morita (25'), Gyökeres (62' e 67') e Maxi Araújo (68'). Sempre em jogo, melhor sobretudo nas movimentações no corredor direito.

 

De Rui Silva. Outro excelente desempenho: já se tornou num dos pilares da equipa. Boas defesas aos 17' e aos 29', travando remates de Gustavo Sá. Intervenção decisiva aos 86', negando o golo a Sorriso em remate rasteiro e com ressaltos na relva. Veio para ficar.

 

Da nossa segunda parte. Domínio absoluto do Sporting, com vários momentos de puro brilhantismo, com cinco (e às vezes seis) envolvidos na manobra ofensiva. Com os regressos dos lesionados Gyökeres, Morten, Morita e Geny, a equipa recuperou a plena alegria de jogar. É, sem dúvida, a melhor do campeonato em curso. 

 

De Rui Borges. Muito bem novamente a ler o jogo. Fez a mudança que se impunha à hora do jogo, retirando Fresneda por troca com Geny, remetendo o moçambicano à ala esquerda e deslocando Quenda para a direita. Assim pressionámos ainda mais a saída de bola do Famalicão e mesmo a jogar só com dez a partir da expulsão de Maxi Araújo nunca deixámos de manter o domínio da partida. O que se concretizou no terceiro golo, culminando a melhor jogada colectiva do encontro com intervenções de Morten, Trincão, Gyökeres e Geny, que fuzilou as redes e fez as bancadas explodir de alegria, indiferentes à chuva forte que não cessou de cair.

 

De já termos actuado quase com o melhor onze. Faltou Gonçalo Inácio, a cumprir castigo. E falta recuperar Pedro Gonçalves: todos desejamos que o seu regresso esteja para muito breve, logo após esta paragem para jogos das selecções.

 

Do Famalicão. Apresentou-se em Alvalade com uma equipa compacta e organizada, trocando bem a bola e pecando apenas na finalização. O melhor deles é sem dúvida o jovem médio Gustavo Sá, internacional sub-21. Tem apenas 20 anos e já vale 10 milhões de euros, segundo o Transfermarkt. Confesso que não me importaria nada de o ver no plantel leonino.

 

Da nossa liderança reforçada. Continuamos isolados em primeiro. Com 62 pontos. Conseguimos 19 vitórias nestas 26 rondas. Só faltam oito para concretizarmos o maior sonho: a conquista do bicampeonato que nos foge há 74 anos.

 

 

Não gostei

 

Do penálti de Diomande. O jovem central marfinense tem inegável qualidade, mas precisa de corrigir com urgência o seu posicionamento dentro da área. Num lance inofensivo, saltou à bola atingindo Sejk na nuca com o cotovelo. Penálti sem discussão: Aranda converteu-a aos 35'. Assim fomos para o intervalo, empatados 1-1. Sabia a pouco. Naturalmente, instalou-se o nervosismo nas bancadas. Não havia necessidade.

 

Do cartão exibido a Morten. O capitão protestou junto do árbitro de forma demasiado exuberante, gesticulando muito, o que lhe valeu um amarelo aos 38'. Não poderemos contar com ele na próxima jornada, frente ao Estrela da Amadora.

 

De Maxi Araújo. É ele a ganhar aos 62' o penálti que viria a ser convertido por Gyökeres dois minutos depois. Mas não merece nota positiva. Falhou dois golos cantados, aos 45' e aos 45'+3. E fez-se expulsar, sem margem para dúvida, ao calcar de sola o calcanhar de Gustavo Sá em zona livre de perigo. Viu vermelho directo aos 80', forçando o Sporting a jogar 18 minutos com menos um. Outra baixa para o próximo jogo.

 

Do árbitro Miguel Nogueira. Não respeitou elementares regras de equidade, faltando-lhe acção disciplinar sobre os centrais do Famalicão, que placaram Gyökeres confundindo futebol com luta livre. E fez vista grossa a um derrube de Maxi, aos 13', por Rodrigo Pinheiro: ficou um penálti por marcar.

Rescaldo do jogo de ontem

 
 

Gostei

 

Da nossa vitória de ontem. Terceiro triunfo consecutivo leonino sob o comando de Rui Borges, o que acontece pela primeira vez desde a chegada do actual técnico, no final de Dezembro. Como visitantes, vencemos o Casa Pia por 3-1. Na senda do desafio em que eliminámos o Gil Vicente em Barcelos nos quartos-de-final da Taça de Portugal e da vitória sobre o Estoril em casa, para o campeonato. Caso mesmo para dizer: o Sporting soma e segue.

 

De ter começado a ganhar cedo. Concretizámos na primeira oportunidade disponível - e logo após um lance de bola parada, algo pouco frequente. Isto ajudou muito a tranquilizar a equipa e os próprios adeptos.

 

De Gyökeres. Que mais se pode dizer sobre o craque sueco? Voltou ontem a deslumbrar os adeptos, bisou pelo segundo desafio consecutivo e voltou a ser o melhor em campo, deixando qualquer outro a larga distância. Foi dele o nosso segundo golo, apontado aos 34' após uma das velozes arrancadas a que já nos habituou, e o terceiro surgiu também do pé direito dele, aos 77', convertendo de modo exemplar uma grande penalidade - a nona que concretiza neste campeonato. Já a meteu 27 vezes lá dentro na Liga 2024/2025. Já marcou 39 em todas as competições de Leão ao peito na presente temporada - em 40 jogos. E 12 vezes em 2025. Esteve ontem muito perto de apontar mais um, aos 79', com o central Tchamba a salvar em cima da linha de golo, já com o guarda-redes Patrick Sequeira batido.

 

De Gonçalo Inácio. Segundo jogo consecutivo a marcar, impondo-se como o nosso futebolista mais capaz no jogo aéreo. Abriu o marcador aos 12', bem servido por Quenda na sequência de um canto. E nem se mostrou condicionado por um absurdo cartão amarelo que lhe foi exibido logo aos 7' pelo árbitro Helder Malheiro. Revelou fibra leonina.

 

De Rui Silva. Confirma-se: foi o nosso grande reforço de Inverno, quando tínhamos apenas Vladan, entretanto emprestado ao Légia de Varsóvia, e Israel, que ontem nem no banco de suplentes se sentou. Enorme defesa aos 52', anulando remate de José Fonte. Outra boa defesa aos 57'. Foi um dos obreiros desta vitória.

 

Do regresso de Morten. Voltou ao meio-campo, após lesão, o que é desde logo boa notícia. Ainda longe do ritmo competitivo a que nos habituou, e sem a forma física que lhe conhecíamos, mostrou no entanto toda a sua classe num soberbo passe longo, em diagonal, isolando Gyökeres no início do segundo golo. É um dos imprescindíveis deste Sporting campeão.

 

Do regresso de Morita. Voltou às opções do técnico após três jogos de paragem no campeonato - e veio em boa forma, como se percebeu na meia hora final, quando foi chamado à equipa com a missão de orientar as transições entre o meio-campo e o ataque, mantendo-se Debast mais posicional no meio-campo. Outra boa notícia. Agora falta recuperar Pedro Gonçalves e Eduardo Quaresma.

 

Do treinador. Rui Borges fez muito bem em manter o 3-4-3 que passou a adoptar, com sucesso, nos jogos mais recentes - recuperando o modelo em boa hora implantado no futebol leonino por Ruben Amorim. Saldo muito positivo: duas vitórias na Liga e uma na Taça - não será coincidência. E mexeu com muito acerto no onze, trocando jogadores fatigados e desgastados por outros que acentuaram a dinâmica da equipa e reforçaram a nossa mobilidade colectiva: Morten por Morita (64'), Quenda por Geny (64'), Matheus Reis por Maxi Araújo (78'), Trincão por Harder (88') e Esgaio por Felicíssimo (88'). 

 

Do incessante incentivo do público. Havia muito mais adeptos do Sporting do que da alegada equipa "da casa" (que, sendo de Lisboa, assentou praça em Rio Maior). Todos em vibrante apoio ao onze leonino do princípio ao fim. Como se jogássemos em Alvalade.

 

Do Casa Pia. Tem uma boa equipa, sem dúvida. Não por acaso, segue em sétimo na Liga. Não por acaso, estava há sete meses sem perder "em casa" para o campeonato. Conta com Fonte, veterano campeão europeu formado no Sporting, o ex-leão João Goulart também como central, o lateral direito Larrazábal (tem 27 anos, não me importaria de vê-lo em Alvalade) e o ponta-de-lança Cassiano, que ontem não jogou - felizmente para nós - por continuar lesionado. Sem esquecer que perdeu Nuno Moreira, um dos maiores talentos do plantel (também oriundo do viveiro de Alcochete), há dias transferido para o Vasco da Gama.

 

Da nossa liderança reforçada. Continuamos isolados em primeiro. Com 59 pontos. Conseguimos 18 vitórias nestas 25 rondas. Só faltam nove para concretizarmos o maior sonho: a conquista do bicampeonato que nos foge há mais de sete décadas.

 

 

Não gostei

 

De Esgaio. Foi ele a marcar o golo solitário do Casa Pia num lance de total desconcentração, em que tinha toda a possibilidade de ganhar o duelo a Miguel Sousa mas acabou por fazer aquilo que o adversário não conseguiu, traindo Rui Silva. Aconteceu aos 45': por causa dele, fomos para o intervalo a ganhar só 2-1. Reafirmo o que já escrevi: não tem nível para integrar o plantel leonino - mesmo com a desculpa de ser lateral adaptado a central. Aliás, esteve quase a marcar um segundo autogolo, em tudo semelhante ao primeiro, no reatar da partida, logo aos 47'. Arrepiante.

 

Do golo que sofremos. Desde 25 de Janeiro, dia da recepção ao Nacional, que não chegamos ao fim de uma partida, em desafios do campeonato, com as nossas redes intactas. Daí já não sermos a equipa com menos golos sofridos, embora continuemos a ser a que contabiliza mais golos marcados. Mais onze do que o Benfica, concretamente. E mais dezoito do que o péssimo FC Porto.

 

Do quinto amarelo de Gonçalo Inácio. Este cartão deixa-o fora da próxima partida, em Alvalade, contra o Famalicão. Debast pode recuar para central, deslocando-se do meio-campo, mas não deixa de ser uma baixa importante.

Rescaldo do jogo de ontem

 
 

Gostei

 

Do nosso triunfo incontestável da noite de ontem. Vencemos o Estoril em casa, por 3-1. Pondo fim a uma sequência de oito jogos da equipa adversária sem perder: a última derrota dos canarinhos havia sido a 23 de Dezembro. Deram boa réplica, valorizaram o espectáculo em Alvalade, mas só conseguiram uma ocasião de golo - precisamente a que foi concretizada. Porque, excepto nesse lance, os jogadores leoninos souberam bloquear o acesso à nossa baliza. Bateram-se com agressividade bem doseada, combatividade, capacidade de luta e vontade de ganhar segundas bolas, sem dar nenhum duelo como perdido. Quando foi preciso gerir, em períodos da segunda parte, soubemos agir com inteligência e competência.

 

De Gyökeres. Quem disse que ele já tinha rebentado e havia perdido a capacidade goleadora? Enorme disparate. Foi o melhor em campo, a grande figura do encontro: marcou dois golos, o segundo e o terceiro, e desperdiçou outros tantos. Mas é justo que seja distinguido como obreiro maior destes três pontos no nosso estádio. Golaço aos 36', sentando dois defesas e ludibriando o guarda-redes Joel Robles com forte remate rasteiro. Fechou a contagem aos 90'+6, num penálti também conquistado por ele e convertido de modo irrepreensível. Já tinha marcado a todas as equipas da Liga portuguesa, excepto uma: o Estoril. Acaba de fazer o pleno. Reforça o comando na lista de artilheiros do campeonato 2024/2025: já marcou 25. E 37 no total da época, em 39 jogos. Números impressionantes.

 

De Debast. Médio de construção improvisado, dada a ausência simultânea de Morten, Morita e Daniel Bragança. Deu muito boa conta do recado, sobretudo no capítulo do passe longo, com pontaria calibrada. Duas assistências - a primeira na marcação dum livre lateral, para a cabeça de Gonçalo Inácio, logo aos 5'; a segunda num soberbo passe à distância, traçando uma diagonal perfeita para a desmarcação de Gyökeres. E ainda mandou um petardo ao ferro, na ressaca de um canto, aos 63'. Exibição de grande nível.

 

De Gonçalo Inácio. Com braçadeira de capitão, assumiu desta vez a liderança da defesa, impondo-se na orientação dos colegas sempre que tinha início um movimento defensivo. Regressou aos golos, fulminando de cabeça o guardião do Estoril, aos 5', em notável exibição de jogo aéreo após conversão dum livre lateral muito bem batido por Debast. Evidenciou segurança e confiança nesta partida em que foi distinguido pela sua participação em 200 desafios de Leão ao peito como profissional de futebol.

 

Da estreia de Felicíssimo como titular. Bom jogo do jovem médio defensivo, suprindo a ausência de todos os titulares do nosso meio-campo e até também a do jovem João Simões, que o precedeu na ascensão à equipa principal. Seguro, sem complicar, movimentando-se bem sem bola, não acusou nervosismo após ter sido amarelado aos 33'. Tem atitude, boa presença em campo e inegável destreza técnica. 

 

De José Silva, também em estreia. Entrou só aos 79, substituindo Quenda, mas teve tempo suficiente para mostrar qualidade. Veloz, combativo, sem fugir aos duelos na ala direita. Poucos diriam que era este o seu primeiro jogo na Liga portuguesa de futebol. Outra aposta de Rui Borges na formação: merece aplauso.

 

De ter começado a ganhar cedo. Concretizámos na primeira oportunidade disponível - e logo num lance de bola parada, algo pouco frequente. Isto ajudou muito a tranquilizar a equipa e os próprios adeptos.

 

Da primeira parte, com domínio absoluto nosso. Chegámos ao intervalo a vencer 2-0. Sem dar hipótese aos estorilistas de fazerem um só remate enquadrado. E poderíamos ter goleado, tantas foram as falhas defensivas do Estoril.

 

De vencermos com sete jogadores da formação. E também com nove - em 15 - jogadores sub-23: Diomande (21 anos), Gonçalo Inácio (23), Fresneda (20), Debast (21), Felicíssimo (18), Quenda (17), Harder (19), Arreiol (19) e José Silva (19).

 

Da presença de mais de 36 mil adeptos em Alvalade. Apoio entusiástico e sem desfalecimentos do princípio ao fim. Foi a melhor maneira de aquecer numa noite fria de Inverno. 

 

Da nossa liderança reforçada. Concluídas 24 jornadas, vamos isolados em primeiro. Com 56 pontos. Conseguimos 17 vitórias nestas 24 rondas. Só faltam dez para concretizarmos o maior sonho: a conquista do bicampeonato que nos foge há 74 anos.

 

 

Não gostei

 

Do golo solitário que sofremos, aos 84'. Único momento de descoordenação da nossa defesa, bem aproveitado por Gonçalo Costa para a meter lá dentro - em lance validado por apenas 5 cm. O lateral esquerdo não festejou, em respeito pelo Sporting: esteve 12 épocas na Academia de Alcochete, onde percorreu todos os escalões de formação, chegando a jogar na equipa B. Saiu, sem oportunidade de subir à equipa A, mas demonstrou não ser ingrato. Merece toda a sorte na profissão.

 

Da longa lista de lesões. Nove jogadores impedidos de ser convocados por motivos de ordem física. O mais recente? O jovem Alexandre Brito, recém-estreado como médio na equipa principal: também ele já está fora de combate. Parece uma maldição que se abateu nesta época sobre Alvalade.

 

Da ausência de Maxi Araújo. Impedido de actuar nesta recepção ao Estoril por acumulação de cartões, o jovem uruguaio fez-nos falta nas movimentações junto à linha esquerda. Quenda, ali titular à frente de Matheus Reis, esteve vários pontos abaixo, perdendo bolas e pecando por falta de compromisso defensivo. Atravessa claramente um período de menor fulgor.

 

Das oportunidades falhadas. Umas por inépcia no momento da decisão, outras goradas devido a boas intervenções do guarda-redes adversário. As quatro na meia hora inicial de jogo. Duas protagonizadas por Gyökeres, aos 22' e aos 30' - a segunda após impressionante corrida de Esgaio, que galgou cerca de 40 metros para assistir o craque sueco. Outras duas por Trincão, em noite pouco inspirada, aos 23' e aos 30', no primeiro caso desperdiçando o facto de só ter Joel Robles pela frente.

Rescaldo do jogo de anteontem

 

 

Não gostei

 

De perder dois pontos fora de casa. Em Vila das Aves, frente ao antepenúltimo da classificação - uma "coisa" que nem é clube: é uma SAD, praticamente condenada à descida. Deixámos seis pontos a voar nas últimas três partidas. Inadmissível. 

 

De nos deixarmos empatar a minuto e meio do fim. Repetiu-se quase ao segundo o que já sucedera no nosso empate (1-1) no Dragão. Equipa incapaz de segurar a bola em linhas avançadas, perdendo-a em zona proibida, acometida por tremideira geral. Cada lance de bola parada defensiva parece semear o pânico nos nossos jogadores, algo incompreensível.

 

Da segunda parte. O onze leonino veio irreconhecível do intervalo. Com vantagem confortável mas sempre arriscada (vencíamos 2-0 nos primeiros 45 minutos), deixámos deliberadamente a turma anfitriã assumir a iniciativa do jogo, recuámos a linha média em cerca de 30 metros e apenas mantivemos um solitário Gyökeres lá na frente, na vã esperança de que alguma bola lhe fosse despejada de chutão. Comportamento de equipa que luta para não descer - nada a ver com uma equipa que sonha conquistar o bicampeonato nacional de futebol. Neste período fomos incapazes de fazer um só remate à baliza adversária.

 

De Diomande. Comportamento calamitoso do nosso defesa, que até foi um dos heróis da primeira parte ao inaugurar o marcador, de cabeça, na sequência de um canto. Infelizmente, descarrilou no segundo tempo. Aos 67', agride à chapada um adversário dentro da área - o que nos custou um penálti e o primeiro golo do AVS, aos 71'. Abusando da sorte (o marfinense devia ter visto o vermelho, e não apenas o amarelo), Rui Borges manteve o central em campo. Deu asneira: aos 77', junto à linha do meio-campo, Diomande volta a cometer falta absolutamente desnecessária: um pisão que lhe valeu o segundo cartão - e consequente expulsão. Volta a ficar de fora: outra baixa importante na nossa equipa. Actuámos só com dez durante meia hora.

 

Da ausência de Morten. Ausente por castigo, pela primeira vez neste campeonato, fez-nos falta. Sem ele, o nosso meio-campo não tem, nem de longe, a mesma eficácia. Aliás toda a nossa linha média interior era adaptada, com Debast e Alexandre Brito nos lugares habitualmente ocupados pelo internacional dinamarquês ou pelos lesionados Morita e Daniel Bragança.

 

Da ausência de Biel. Sentou-se no banco, mas não calçou. Estranhamente, parece que o treinador não conta com ele. Como se não tivesse sido o mais propalado "reforço de Inverno" do Sporting.

 

De outro lesionado. Não há jogo do Sporting sem vermos sair um futebolista mais cedo, rumo à enfermaria de Alvalade. Desta vez foi Eduardo Quaresma, que só durou 45 minutos. Já não regressou para a segunda parte, sendo substituído por Matheus Reis. Novo período de lesão, ainda incerto, para o jovem central, tão combativo quanto azarado.

 

Da infeliz estreia de Felicíssimo. O jovem médio defensivo, presença habitual na Liga 3 como titular do Sporting B, foi promovido por mérito (e devido à extensa onda de lesões) à equipa principal. Mas não lhe correu bem este "baptismo de fogo". Nervosíssimo, perdeu a bola no início da construção, dando origem ao golo do empate do AFS. Assim deixámos fugir mais dois pontos.

 

De Rui Borges. Quinto jogo seguido sem ganhar. Muito passivo no banco, incapaz de dar resposta aos problemas em tempo útil e até de antecipá-los. Assistiu impávido ao recuo das linhas, pairando a sensação de que os jogadores obedeciam a insólitas instruções suas. Fez quatro alterações no onze: nenhuma melhorou a equipa. Esperou até aos 90'+2 para mandar Harder saltar do banco, talvez esquecido de que o dinamarquês tinha sido o melhor em campo no desafio anterior, contra o Arouca. E não esgotou as substituições no longo tempo extra (9 minutos da etapa final), nem sequer para queimar tempo. Algo também incompreensível.

 

De termos perdido a liderança isolada. Após este terceiro empate (2-2), vimos o Benfica igualar-nos na pontuação da Liga 2024/2025. A onze jornadas do fim.

 

 

Gostei

 

Do primeiro tempo. Bom futebol, dinâmico, veloz, com os flancos a funcionarem e a bola a sair dominada ao primeiro toque. Pressão alta sobre a saída da equipa da casa, que raras vezes se libertou para a manobra de construção e dispôs apenas de uma oportunidade de golo neste período - grande defesa de Rui Silva, aos 14', a remate de Zé Luís.

 

De Gyökeres. Recuperou a boa forma e voltou a exibir os dotes de goleador, que não demonstrava há cerca de um mês. Protagonizou duas arrancadas, aos 18' e aos 21', desposicionando por completo a defesa, na segunda culminando em remate com selo de golo que só uma enorme defesa do internacional mexicano Ochoa impediu. Meteu-a mesmo lá dentro aos 33', coroando brilhante jogada colectiva. Na segunda parte ninguém o serviu: não teve culpa. Cada vez mais isolado na lista dos artilheiros deste campeonato: são já 23 golos a seu crédito. Melhor em campo.

 

De Trincão. Jogador mais utilizado do plantel, continua a ser útil. Esteve nos dois golos. No primeiro, aos 8', é dele o passe certeiro para a cabeça de Diomande. O segundo começa a ser construído por ele: soberba variação de flanco para Maxi assistir o sueco. E ainda foi ele a isolar Gyökeres no lance que quase deu golo aos 21'. Líder das assistências na Liga: são já 12.

 

De Maxi Araújo. Cada vez mais útil, cada vez mais acutilante, cada vez mais imprescindível na ala esquerda. É dele o passe para o segundo golo. Foi dos poucos que não naufragaram no segundo tempo. 

 

De continuarmos no comando. O Benfica conseguiu igualar-nos, dois meses depois, mas mantemos a liderança da Liga devido ao critério de desempate. E o FC Porto - que ainda não ganhou em casa neste ano de 2025 - mantém-se seis pontos atrás de nós após ter empatado no Dragão (1-1) com o V. Guimarães.

Inaceitável

Voltou a acontecer. Depois de uma primeira parte em que dominámos por completo, culminando com o 2-0 registado ao intervalo, entrámos em derrocada nos 45 minutos posteriores. Recuámos linhas, concedemos toda a iniciativa de jogo à equipa adversária, descansámos em cima do resultado - a gerir aquela vantagem ilusória. Nessa segunda metade abdicámos por completo do ataque: nem um remate à baliza anfitriã em Vila das Aves. 

Atitude de equipa pequena.

Inaceitável.

 

Pior ainda: continuamos a tremer em cada lance de bola parada. Num desses lances, aos 70', Diomande - desnorteado - provoca um penálti escusado. Sete minutos depois - de cabeça perdida - o central marfinense comete falta óbvia, que lhe valeu o segundo amarelo, e consequente expulsão. O que impõe esta pergunta: por que motivo o treinador não o tirou de campo mal ele foi amarelado na primeira vez? Inexplicável.

Assim, durante 20 minutos, tivemos um a menos. Lance muito semelhante ao protagonizado no desafio anterior por Morten, hoje ausente precisamente por estar castigado.

Rui Borges fez quatro substituições: nenhuma delas surtiu efeito. A entrada de Esgaio aos 84' - com o "reforço" Biel no banco - é inexplicável.

Aos 90'+6, num pontapé de canto, sofremos o golo que nos custou dois pontos. Com a defesa aos papéis e Rui Silva mal batido: fez-se tarde ao lance.

 

Balanço: três jornadas seguidas, três empates. Primeiro FC Porto-Sporting (1-1). Depois, Sporting-Arouca (2-2). Hoje, mais um. Frente ao modestíssimo AVS, no 16.º lugar da Liga.

Os seis pontos que tínhamos de vantagem face ao Benfica há 20 dias foram anulados. A onze jornadas do fim do campeonato.

Custa ver a equipa baixar os braços desta maneira.

Assim, só a jogarmos metade, tudo se torna mais difícil.

Rescaldo do jogo de anteontem

 

 

Não gostei

 

De perder dois pontos em casa. Contra o modesto Arouca, que segue em 12.º no campeonato nacional de futebol. E da forma como perdemos, com aspectos caricatos. 

 

De St. Juste. Exibição calamitosa do central holandês, que parece ter ludibriado a equipa técnica garantido estar apto para a recepção ao Arouca. Não estava, como se viu mal tocou na bola. Sem capacidade física, em vez de se sentar na relva ou atirar para fora, fez um arriscadíssimo passe à retaguarda, em balão, traindo o guarda-redes, que estava adiantado. Rui Borges mandou-o sair de imediato. Dificilmente voltaremos a ver este defesa de 29 anos, com mais ano e meio de contrato, alinhar pelo Sporting. Está novamente lesionado: é quase inacreditável.

 

Do frango de Rui Silva. Cometeu autogolo aos 8', quando St. Juste fez aquele atraso disparatado: estava afastado dos postes, quis deter a bola com o pé mas acabou por tocar-lhe de calcanhar e ela entrou onde não devia. Um lance para os "apanhados", segundo muita gente. Mas sem ponta de graça para nós.

 

Da lesão de Daniel Bragança. Magoou-se sozinho, logo aos 12'. Forçado a sair, amparado. Coisa grave, garante-lhe paragem por vários meses: rotura de ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo. Que mais nos irá acontecer?

 

De Morten. Noite infeliz do capitão. Nada lhe saiu bem. Cometeu um penálti aos 45'+1, permitindo o segundo golo arouquense - outro oferecido de bandeja no mesmo jogo: Henrique Araújo, emprestado pelo Benfica, converteu o castigo quatro minutos depois. Amarelado nesse lance, o médio dinamarquês fez falta absolutamente desnecessária que lhe valeu o segundo cartão e consequente expulsão, aos 62'. Passámos a jogar só com dez e não contaremos com ele na próxima partida. 

 

Da ausência de Diomande, castigado. Fez falta. Sem ele ao comando, a nossa linha defensiva ressente-se. St. Juste foi um desastre. Debast, que o substituiu, esteve muito nervoso e sem confiança. Gonçalo Inácio, central à esquerda, acumulou passes falhados (5', 15', 24') e limitou-se a marcar com os olhos numa jogada em que a turma forasteira fez a bola embater na trave.

 

De ver Chico Lamba jogar contra nós. Excelente exibição do lateral direito do Arouca, produto da formação leonina. Esteve onze épocas no Sporting, foi internacional júnior e capitão da equipa B, mas acabou transferido por falta de utilização na equipa A, onde apenas calçou uma vez. Saiu cedo de mais. Tem apenas 21 anos e qualidade para integrar o plantel leonino.

 

Do nosso segundo empate seguido. Na ronda anterior tínhamos empatado no Dragão com o FC Porto (1-1), agora aconteceu o mesmo na recepção ao Arouca (2-2). Aproveitou o Benfica para encurtar distâncias: está só a dois pontos.

 

 

Gostei

 

De Harder. Melhor em campo. Ao contrário de vários outros, aparenta excelente forma física. Lutador incansável, fez tudo para conseguirmos os três pontos. Marcou o nosso primeiro golo, num bom remate cruzado aos 17', assistiu no segundo e esteve quase a oferecer o terceiro a Gyökeres aos 90'+2. Deixou bem claro este recado em campo ao treinador: merece ser titular.

 

De Trincão. É o nosso jogador mais utilizado: Rui Borges continua a contar com ele. E é recompensado: depois de ter marcado golos cruciais ao Nacional e ao V. Guimarães, o avançado minhoto voltou a ser muito útil, numa fase do jogo em que muitos adeptos já não acreditavam que fosse possível conseguirmos o empate. Fixou o resultado aos 74', num pontapé forte e cheio de pontaria. Mais um ponto que fica a seu crédito.

 

De Quenda. Muito boa exibição do jovem extremo, o elemento mais desequilibrador do nosso plantel, capaz de criar movimentos de ruptura junto à linha, sobretudo do lado esquerdo. Inicia o segundo golo num desses movimentos e esteve ele próprio quase a marcar, aos 42', num disparo que o guardião do Arouca defendeu com dificuldade.

 

De Gyökeres. Enfim, recuperado. Sem o fulgor que já lhe vimos, mas sem virar cara à luta nem perder de vista a baliza adversária. Foi dele o passe para o golo de Harder. Viu o guarda-redes negar-lhe dois golos com boas defesas aos 35' e aos 74'. Pena ter falhado a emenda à boca da baliza, já no tempo extra: teria sido o 3-2.

 

Da estreia de Alexandre Brito. Médio defensivo, com apenas 19 anos, teve agora oportunidade de se mostrar na equipa principal: entrou aos 85', substituindo João Simões - ainda mais jovem do que ele. Esperemos que não fique por aqui.

 

Das palmas no fim do jogo. Impressionante manifestação de confiança dos adeptos na equipa, apesar de dois pontos terem ficado pelo caminho. Apoio é isto.

 

De continuarmos no comando. Temos o Benfica dois pontos atrás de nós e o FC Porto com menos oito. Faltam 12 jornadas para o fim.

Rescaldo do jogo de ontem

 

Gostei

 

De impor ao FC Porto um empate no Dragão. Quando faltava um minuto e meio para o apito final vencíamos por 1-0. 

 

De ampliar a distância para a turma portista. Antes deste clássico tínhamos oito pontos de vantagem sobre o FCP, actual terceiro na classificação. Continuamos assim, mas na prática levamos agora nove pontos de avanço, pois no confronto directo eles ficam a perder connosco. Em Alvalade, vencemos 2-0. Lá, ontem à noite, registou-se empate (1-1). Resultado mais positivo para nós do que para os da freguesia da Campanhã, naturalmente.

 

De Quenda. Melhor em campo, confirmando-se como o grande desequilibrador da nossa equipa. Aos 42' protagonizou um lance genial, junto à linha esquerda, deixando sucessivamente para trás João Mário, Zé Pedro e Neuhén, impotentes para o travar. Foi à linha final e cruzou com precisão para a grande área, oferecendo a oportunidade que Fresneda não desperdiçou. Sempre envolvido no compromisso defensivo sem nunca desperdiçar uma oportunidade de contra-ataque. Podia ter marcado no minuto final: ia embalado para a baliza quando Zé Pedro o ceifou em zona proibida, ficando impune.

 

De Fresneda. Quando o nosso grande goleador não está, improvisa-se outro. Por vezes o mais inesperado. Pela segunda jornada consecutiva o jovem lateral espanhol faz a diferença passando de defesa direito a ponta-de-lança. Foi assim que apareceu na área aos 42', aproveitando da melhor maneira a oferta de Quenda. Remate sem preparação, de pé esquerdo, sem hipóteses para Diogo Costa. Assim fixou o resultado ao intervalo: 1-0. E até já se exprime num português quase fluente, como demonstrou nas declarações após o jogo. Confirma-se: deixou de ser peça descartável no plantel leonino.

 

De Morten. Parece estar em todo o lado. Incansável, infatigável. Toda a construção ofensiva passou por ele. Fundamental também no trabalho sem bola, controlando as operações no plano táctico como prolongamento do treinador em campo. Oportuníssimo corte aos 45'+5, notáveis recuperações aos 74' e aos 75'. 

 

De Diomande até aos dois minutos finais. Impressionante, o seu domínio do terreno defensivo, sobretudo no jogo aéreo. Cortou tudo quanto havia para cortar numa alucinante sucessão de lances de elevado risco, sobretudo na segunda parte. Aos 54', 63', 82', 83', 89 e 90'+1. 

 

De uma excelente defesa de Rui Silva. Teste aos seus reflexos entre os postes superado: aos 68' voou para a esquerda impedindo um cabeceamento de Pepê que levava selo de golo. São momentos como este que definem os grandes guarda-redes. No golo sofrido, nada podia fazer.

 

De ver seis portugueses no onze titular. Foram estes: Rui Silva, Gonçalo Inácio, João Simões, Trincão, Daniel Bragança e Quenda. Há quem considere isto irrelevante. Não é o meu caso, como adepto do Sporting Clube de Portugal. 

 

De registar 51 pontos à 21.ª jornada. Superado outro obstáculo na rota do título. E na conquista do bicampeonato que nos foge há 74 anos. 

 

De Rui Borges. Empate em terreno sempre difícil após três triunfos consecutivos - contra Rio Ave, Nacional e Farense. Continua sem conhecer o sabor da derrota em partidas do campeonato. 

 

 

Não gostei

 

Do empate consentido quando só faltava minuto e meio para o fim do jogo. Dois erros individuais perturbaram a dinâmica colectiva, retirando-nos dois pontos que já pareciam garantidos. Algo que se costuma pagar caro em alta competição. 

 

Da lesão de João Simões. Em cada jogo, perdemos um elemento do plantel. Desta vez foi logo aos 22': o jovem médio magoou-se seriamente num joelho em disputa de bola com Eustáquio. Ainda tentou prosseguir, mas três minutos depois sentou-se no chão, já em lágrimas: teve de ser substituído por Debast, central improvisado como médio de recurso. Não foi a mesma coisa. 

 

Das ausências iniciais de Gyökeres e Morita. Ambos ainda sem condição física para jogarem 90 minutos. Começaram sentados no banco, de onde só saltaram aos 69'. Naturalmente sem a influência revelada noutros desafios

 

De Gonçalo Inácio. É um central muito acima da média, mas tem inexplicáveis lapsos de concentração nos momentos mais inoportunos. Ontem, aos 27', ofereceu a bola a Samu, o que nos ia custando um golo de Eustáquio: felizmente a bola foi ao ferro. Aos 90'+4, quase à boca da baliza, permitiu que Namaso se movimentasse livre de marcação no golo do empate. 

 

De Harder. Não era a noite dele. Maxi Araújo ofereceu-lhe o golo aos 52', mas desaproveitou com um remate desajeitado, muito por cima. Cinco minutos depois, após pontapé de canto por Quenda, tentou dar o melhor caminho à bola em lance acrobático, sem conseguir. Teve estas duas hipóteses, sem concretizar nenhuma. Saiu aos 69', certamente frustrado. 

 

De Diomande nos dois minutos finais. É ele a pôr Samu em linha na jogada do golo portista. Depois, na baliza contrária, descontrolou-se em absoluto quando já estava amarelado cedendo às provocações de Fábio Vieira. Recebeu o segundo amarelo, foi expulso e falha o jogo contra o Arouca. Tornando ainda mais difícil a vida a Rui Borges.

 

De Matheus Reis. Rendeu um esgotado Maxi Araújo aos 86'. Mais valia não ter entrado. Excedeu-se em protestos aos 90'+6, acabando expulso. Outra baixa no desafio contra o Arouca. E não pode sequer invocar a extrema joventude como atenuante: já tem 29 anos.

 

De terminar só com nove em campo. Como se não bastassem as lesões prolongadas de Nuno Santos e Pedro Gonçalves, a lesão recente de Geny e a lesão de João Simões já no decurso do jogo, além de termos Morita e Gyökeres muito longe da melhor forma.

 

Da arbitragem. João Pinheiro abandonou o critério largo protagonizando um festival de cartões: começou por arbitrar "à inglesa", acabou por apitar à pior maneira tuga. O mais grave foi ter feito vista grossa a dois penáltis: um sobre Gyökeres, agarrado por Tiago Djaló em posição frontal à baliza, outro sobre Quenda, derrubado por Zé Pedro em lance que prometia golo. Culpas repartidas, em qualquer dos casos, com o vídeo-árbitro Tiago Martins. Um dos piores árbitros portugueses não se torna competente quando passa a VAR, longe disso - como estas situações comprovam.

Rescaldo do jogo de ontem

 

Gostei

 

De mais um triunfo claro e tranquilo. Recebemos, dominámos e vencemos o Farense, penúltimo classificado, numa partida quase de sentido único. Resultado: 3-1. Melhor do que o do jogo homólogo do campeonato anterior, quando também batemos a nossa segunda filial, mas com menor diferença: 3-2.

 

De Harder. Melhor em campo. Fuzilou as redes pelo segundo jogo consecutivo, suprindo a ausência do artilheiro-mor da equipa. Quando Gyökeres não está, o jovem dinamarquês, de apenas 19 anos, avança para o seu lugar e dá conta do recado. Voltou a acontecer ontem: foi ele a confirmar a vitória leonina, aos 88', com um original golo marcado com o peito em posição frontal, correspondendo com eficácia máxima a um cruzamento de Matheus Reis. Assim culminou uma bela jogada colectiva que ele próprio havia iniciado. Mas não se limitou a marcar: também assistiu. Providencial passe para golo, logo aos 11', dando início à vitória.

 

De Fresneda e Diomande. Figuram aqui em simultâneo por terem apontado os nossos primeiros golos, sendo ambos defesas. O lateral espanhol em estreia absoluta como goleador enquanto jogador profissional: inaugurou o marcador aos 11', à ponta-de-lança. O internacional marfinense meteu-a lá dentro num cabeceamento fulminante na sequência de um canto, aos 26' - também em estreia, mas na época em curso. É bom haver vários jogadores prontos a ser homem-golo compensando as ausências que continuam a registar-se por lesão.

 

De Trincão. Grande partida do avançado minhoto, que antes deste embate com o Farense já registava 2930' de utilização em 2024/2025. Comandou as operações do meio-campo para a frente, assistou no segundo golo marcando o canto e revelou sempre compromisso defensivo. Ofereceu duas vezes o golo a Harder (33' e 80'). Esteve a centímetros de marcar ele também, aos 17', numa excelente recepção seguida de rotação e remate de primeira, com a bola quase a roçar o ferro.

 

De Maxi Araújo. Vai-se mostrando mais adaptado ao posto de lateral esquerdo e mais entrosado com os colegas, melhorando de jogo para jogo. Muito eficiente nas missões defensivas, nunca perde de vista a manobra ofensiva. Magnífica combinação com Matheus Reis no lance do terceiro golo: a pré-assistência é dele.

 

Da estreia de Afonso Moreira, esta época, na equipa A. O brioso ala esquerdo leonino, presença habitual na equipa B, saltou do banco substituindo Maxi Araújo aos 90'. Só actuou cerca de 5 minutos, mas foi uma oportunidade para mostrar o que vale entre os "adultos". 

 

De confirmar a aposta na formação. Cinco jogadores oriundos da Academia Cristiano Ronaldo marcaram presença nesta partida: Gonçalo Inácio, Daniel Bragança, Quenda, João Simões e Afonso Moreira. O caminho faz-se caminhando.

 

Do apoio dos adeptos à equipa. Mais de 43 mil espectadores em Alvalade demonstrando a crença inabalável de que este Sporting vai conquistar o bicampeonato que nos foge há 74 anos. Só faltam 14 jornadas.

 

De Rui Borges. Mais três pontos conquistados, balanço muito positivo destas suas cinco semanas ao serviço do Sporting. Os números não deixam lugar a dúvidas: nove jogos disputados, com cinco vitórias, três empates e apenas uma derrota. No campeonato, vamos com três triunfos consecutivos - contra Rio Ave, Nacional e Farense.

 

Da arbitragem. António Nobre merece nota positiva. Deixou jogar, adoptando critério largo - precisamente o que vigora na esmagadora maioria dos melhores jogos internacionais. Sem exibir cartões a torto e a direito nem interromper a partida mal vê alguém atirar-se para o chão.

 

Do reforço da nossa liderança. Benfica e FC Porto continuam à distância. Lideramos isolados, agora com 50 pontos à 20.ª jornada. Apenas menos dois do que tínhamos na mesma fase do campeonato anterior.

 

 

Não gostei

 

Da ausência de Gyökeres. O craque sueco assistiu ao desafio num camarote de Alvalade. Foi apenas o segundo jogo desta época em que não pudemos contar com ele, comprovando que esteve a jogar nos limites da resistência muscular. Também Morita continua lesionado. São ausências de monta, tais como as de Nuno Santos (indisponível até ao fim da época) e de Pedro Gonçalves.

 

Da lesão de Geny. Parece bruxedo: também ele se lesionou. Abandonou o relvado de maca, aos 25', aparentemente devido a uma entorse que pode afectá-lo com gravidade. Mais uma dor de cabeça para o nosso treinador.

 

Do golo do Farense. Aconteceu aos 45'+2, fixando o resultado ao intervalo: 2-1. Lucas Áfrico movimentou-se à vontade dentro da nossa área, com Gonçalo Inácio a falhar a marcação e Diomande a pô-lo em jogo. Fechou-se o círculo: em Agosto, no Algarve, o mesmo jogador tinha marcado para o Sporting num infeliz autogolo. A "retribuição" ocorreu agora.

 

De ver Rui Silva sofrer o primeiro golo de Leão ao peito. Alguma vez havia de acontecer. Mas o guarda-redes internacional vindo do Bétis não teve culpa. 

 

De ver jogadores que formámos em Alcochete jogarem contra nós. Desta vez foram o avançado Elves Baldé (25 anos) e o médio Miguel Menino (22 anos). Nem todos podem ficar, como sabemos. É a vida...

Rescaldo do jogo de ontem

 

Gostei

 

De termos ultrapassado mais um obstáculo. Recebemos e vencemos o Nacional - a mesma equipa que há duas semanas, na Choupana, derrotou o FC Porto numa partida em que a turma portista foi incapaz de fazer um só remate enquadrado. Quem pensava que seriam favas contadas estava a ver mal o filme: a equipa madeirense apresentou-se em Alvalade num 5-4-1 muito difícil de transpor, mesmo quando já perdia 0-1 - resultado que se registava ao intervalo.

 

De Trincão. Tantas vezes mal amado pelos adeptos, foi ele mais uma vez a desbloquear um jogo, valendo-nos os três pontos. Perante a muralha madeirense, solucionou o problema de modo brilhante: com um tiro disparado a mais de 30 metros, com a bola a descrever trajectória em arco a partir da meia-direita e a anichar-se no sítio certo. Um golaço que quebrou a resistência do Nacional quando já decorria o minuto inicial do tempo extra da primeira parte e começavam a escutar-se manifestações de impaciência nas bancadas. O avançado minhoto volta a ser crucial após o fabuloso golo do empate que apontou em Guimarães mesmo à beira do apito final dessa trepidante partida. Melhor em campo.

 

De Morten. Outra actuação superlativa do internacional dinamarquês. Fundamental para impedir a construção ofensiva do Nacional. Protagonizou recuperações aos 6', 17', 22', 45'+3 e 51' - sempre com elevadíssimo grau de eficácia. Ostenta com todo o mérito a braçadeira de capitão: é um elemento crucial deste Sporting que sonha com a reconquista do bicampeonato.

 

De Diomande. Ao vê-lo com tanta personalidade e tanta autoridade natural em campo, até nos esquecemos que só tem 21 anos. O internacional marfinense voltou a ser dono e senhor do nosso bloco defensivo, que comanda com segurança e desenvoltura. Transmite tranquilidade à equipa.

 

Da estreia de João Simões a marcar na equipa A. Funcionou o dedo experiente do treinador Rui Borges: tripla substituição aos 89', um dos que entraram foi João Simões, que no minuto seguinte marcou de pé esquerdo o segundo golo, fixando o resultado: 2-0. Primeiro golo pela equipa principal do médio com 18 anos recém-festejados: foi a maior nota de alegria numa noite que encerrou em clima de festa. Fica para a história a corrida de 50 metros do João em direcção aos apanha-bolas, que abraçou efusivamente enquanto chorava lágrimas de genuína e compreensível felicidade.

 

Da nossa reacção à perda da bola. Em nenhum momento do jogo deixámos de dominar por completo o controlo das operações. Em nenhum momento nos desorganizámos. Em nenhum momento perdemos a noção do fundamental: era preciso metê-la lá dentro para conseguirmos os três pontos. Concentração total que deu frutos, mesmo com exibições menos conseguidas e o estigma do cansaço por excesso de jogos sempre a pairar sobre a equipa.

 

De Rui Borges. Facto que merece ser assinalado: na Liga, o nosso treinador ainda não perdeu qualquer jogo à frente do Sporting. Mantendo uma atitude serena, própria dos verdadeiros líderes, soube ler bem o jogo e fazer as mudanças que se impunham. Qualidades que se prolongam fora de campo, nas declarações aos jornalistas. Com um discurso claro, directo, sem "futebolês". Confirma em Alvalade o bom trabalho que já havia demonstrado em Guimarães.

 

Que mantivéssemos a baliza intacta. Pelo segundo jogo consecutivo da Liga (acontecera o mesmo na deslocação a Vila do Conde), Rui Silva não teve de fazer uma defesa digna desse nome. Onze dos nossos 19 desafios disputados neste campeonato terminaram assim: sem o Sporting sofrer golos.

 

De ver Mathieu de regresso a Alvalade. O excelente central francês, que tão bem serviu o Sporting durante três épocas, entre 2017 e 2020, assistiu ao jogo num camarote. Será sempre bem-vindo.

 

De ver as bancadas muito preenchidas. Mais de 42 mil adeptos acompanharam ao vivo, no estádio, este Sporting-Nacional.

 

De reforçar a nossa posição a liderar a Liga. Comandamos com 47 pontos - apenas menos dois do que na mesma fase do campeonato anterior. Aumentámos a distância para o Benfica, que segue com menos seis - há um ano, tinha apenas menos um. Somos a equipa com mais vitórias e menos derrotas. Temos o melhor ataque (53 golos, mais dez do que o Benfica) e a melhor defesa. Temos o maior goleador. Todos os números indicam: vamos no bom caminho. Para que o sonho se torne realidade.

 

 

Não gostei

 

De termos esperado 45'+1 para vermos o nosso primeiro remate enquadrado. Mas valeu a pena: o impasse foi quebrado pela bomba de Trincão. Nota máxima no plano artístico.

 

Do atraso do jogo. Começa a tornar-se um mau hábito em Alvalade: desta vez a partida começou com 6 minutos de atraso.

 

De Fresneda. Ele esforça-se, mas voltou a ter exibição insuficiente. Quando sobe no corredor, não dribla nem cruza. O mais provável é vê-lo perder a bola. A defender, não transmite segurança: abusa dos passes à queima e mostra-se muito intranquilo. Precisamos com urgência dum lateral direito melhor que ele.

 

De ver sair Morita com problemas musculares. Aconteceu aos 68': o internacional japonês abandonou o jogo com cara de sofrimento, queixando-se de dores numa coxa. Outra lesão à vista ou recaída da anterior? Convém lembrar que ele é um dos elementos mais importantes do Sporting, nada fácil de substituir.

 

Dos assobios. Alguns adeptos, sempre à beira de um ataque de nervos, começaram a vaiar certos jogadores (Fresneda foi um deles) a meio da segunda parte, indiferentes ao facto de estarmos a vencer e de o Benfica, pouco antes, ter sido derrotado (1-3) pelo Casa Pia. Estes adeptos tardam em perceber que assim nada conseguem de positivo: em vez de apoiarem, só desapoiam. Volto a perguntar: se é para assobiar, por que raio não ficam em casa?

Rescaldo do jogo de hoje

 

Gostei

 

Desta vitória tranquila e concludente (3-0) do Sporting em Vila do Conde. Há quase 15 meses, desde Outubro de 2023, que o Rio Ave não perdia em casa. Vinte jogos depois, quebrou-se este recorde: impusemos a nossa classe à turma anfritrã numa partida de sentido único, actuando sempre em pressão alta, com o onze leonino sempre compacto e bem organizado. Como as estatísticas demonstram: fizemos 27 remates, 16 dos quais enquadrados. E eles? Nem um para amostra.

 

De Gyökeres. Pela primeira vez ficou fora dos titulares num jogo da Liga 2024/2025. Mas ainda entrou a tempo de marcar o terceiro e último do desafio. Bastaram-lhe sete minutos para fazer o gosto ao pé, no minuto 88. E ainda mandou uma bola ao poste (90'+2). Cumprindo o seu quarto desafio consecutivo a marcar. Soma 42 golos na temporada (nove dos quais pela selecção sueca), 22 no campeonato. Sozinho, já marcou mais até agora do que 12 equipas completas da Liga. Um craque.

 

De Quenda. Melhor em campo. Fazendo parceria de luxo com Maxi Araújo no corredor esquerdo, não deu qualquer hipótese de progressão à turma vilacondense por essa ala. Exibe enorme disponibilidade física e uma impressionante maturidade táctica - nem parece ter apenas 17 anos. Foi dele o passe inicial no lance que aos 3' inaugurou o marcador - autogolo de Aderlan Santos, veterano central do Rio Ave. Serviu Harder em três ocasiões - aos 39', 52' e 55' - que o avançado dinamarquês desperdiçou. Aos 38' mandou a bola ao ferro, num remate potente e bem colocado. Merecia que tivesse entrado.

 

De Maxi Araújo. Ao vê-lo hoje em campo, naquele duo perfeito com Quenda, até parece que jogam juntos há dois anos, não apenas há duas ou três partidas. Ficou na retina uma acção individual dentro da grande área, na meia-esquerda, aos 52', sentando pelo menos três adversários. Pena só aquele cartão amarelo por protestos no último lance do jogo, aos 90'+4, já com o resultado feito: não havia necessidade. 

 

De Morten. Com Viktor sentado no banco, foi ele a protagonizar um momento decisivo: a cobrança de um penálti indiscutível, assinalado pelo árbitro Luís Godinho ao central Petrasso por desviar a bola com o braço. O capitão bateu de modo irrepreensível o pontapé da marca dos 11 metros, aos 23': daí surgiu o 2-0, resultado que se mantinha ao intervalo. Assim se estreou como artilheiro em grandes penalidades neste campeonato. E confirmou que não vacila na hora das decisões.

 

De Debast. Exibição muito positiva do central belga, lançado como médio adaptado por Rui Borges. Com a missão específica de completar e proteger as acções de Morten no miolo do terreno mas também de servir o ataque com a precisão dos seus passes à distância. Cumpriu com nota alta: será ele o tal reforço da nossa linha média de que tanto se falava? Se não é, imita bem.

 

Da estreia de Rui Silva. Acabado de chegar ao Sporting, vindo do Bétis, o internacional português assumiu-se de imediato como dono da baliza. Tranquilo, com boa estampa física e eficiente jogo de pés, tocou pela primeira vez na bola só aos 35'. E chegou ao fim da partida sem necessidade de fazer qualquer defesa. Transmite confiança, atributo fundamental num guarda-redes.

 

Do regresso  de Daniel Bragança. O médio criativo voltou após mais de um mês de ausência por lesão. Em boa hora, também ele confirmando o seu elevado grau de eficácia: substituiu Geny aos 81' e sete minutos depois assistiu Viktor para fechar a conta leonina no Estádio dos Arcos. Fazia-nos falta.

 

De reforçar a nossa posição como melhor ataque da Liga. Registamos 51 golos marcados em 18 jornadas (média: 2,83 golos por jogo). Há quem não goste? É lidar...

 

 

Não gostei

 

Do guarda-redes rioavista, Miszta. Por impedir vários golos leoninos, destacando-se como o melhor elemento da equipa anfitrã, que hoje jogou sem o artilheiro Clayton por acumulação de cartões. O polaco negou golos a Morten (11' e 60'), Trincão (70') e sobretudo ao perdulário Harder (10', 39', 58', 67' e 68'). A ansiedade tomou conta do jovem dinamarquês, titular em vez de Viktor mas sem fazer esquecer o sueco. Sem isso, teríamos saído de Vila do Conde com goleada - o que não escandalizaria ninguém.

 

Da ausência de Eduardo Quaresma. Ficou fora da ficha do jogo por lesão muscular. Mais uma, a somar-se a tantas outras.  

 

De lá ter ido empatar no campeonato anterior (3-3). Mas isso já foi há um ano. Desta vez fizemos bem melhor.

Rescaldo do jogo de ontem

 

Gostei

 

Da nossa fulgurante entrada no difícil desafio em GuimarãesAntes de concluído o segundo minuto da partida, neste jogo final da primeira volta, já tínhamos a bola enfiada no fundo das redes da equipa anfitriã. Antes de se esgotar o quarto de hora inicial, estava lá outra. Difícil conceber um começo mais fulgurante do que este - crédito por inteiro à nossa linha ofensiva.

 

De Gyökeres. Voltou às grandes noites de leão ao peito. Melhor em campo, autor de três golos: aos 2' (a passe de Quenda), aos 14' (novamente a passe de Quenda) e aos 57' (servido de cabeça por Morita dentro da área). Batalhador incansável, recuou sempre que necessário, nomeadamente para apoios defensivos nas bolas paradas. É um fenómeno: leva 21 golos apontados neste campeonato que só agora chegou a meio - e 30 no conjunto da temporada. Não merecia este empate no Minho. Merecia que tivéssemos ganho por goleada.

 

De Morita. Escasseiam os adjectivos para a prestação do  internacional nipónico, um dos grandes obreiros da primeira hora desta partida disputada sempre em ritmo muito intenso. Na primeira parte foi vital para accionar o nosso jogo ofensivo, mas soube recuar quando era necessário em apoio dos centrais. Vital a sua intervenção no terceiro golo, numa prodigiosa tabelinha com Gyökeres, a quem ofereceu o brinde. Como aconteceu a outros colegas, estoirou a partir da hora do jogo. Infelizmente para o treinador, nada temos equivalente a Morita no banco de suplentes.

 

De Quenda. Adaptado a médio-ala, do lado esquerdo, fabricou dois golos no quarto de hora inicial - proeza que merece ser assinalada. Não está ao alcance de qualquer um, ainda por cima sabendo-se que o jovem esquerdino costuma render mais quando actua do lado direito. No segundo golo não se limitou a assistir: o lance começa com uma recuperação dele. Infelizmente começou a quebrar fisicamente à beira do intervalo: decide mal aos 45'+1, atirando a bola para a bancada, quando tinha um colega livre de marcação. Mas justifica nota positiva.

 

Do golaço de Trincão. Andou meio eclipsado durante parte do jogo, mas ao contrário de quase todos os companheiros ganhou evidência à medida que este Vitória-Sporting se aproximava do fim. Aos 57' foi vital na recuperação, corrigindo erro de Geny, e encaminhando-a para o sítio certo no lance do terceiro golo. E nos instantes finais (90'+5) marcou um golo soberbo, o que nos permitiu sair de Guimarães com mais um ponto do que no desafio da época anterior, ao rematar em arco a partir da meia direita, com perfeita colocação, ao ângulo mais inacessível para Bruno Varela. Desde já candidato a um dos golos do ano, mal 2025 ainda começou.

 

De termos ido para o intervalo a vencer por 2-1. O cenário melhorou ainda mais quando ampliámos a vantagem, antes da hora do jogo. Ao ponto de muitos de nós já pensarmos que trazíamos os três pontos de Guimarães. O pior foi que vários jogadores do Sporting parecem ter pensado o mesmo: facilitaram, relaxaram, desconcentraram-se. Asneira grossa: nenhuma vitória está no papo antes do apito final.

 

Dos golos. Não choveu, ao contrário do que chegou a recear-se, mas houve chuva de golos no relvado: oito. Três na primeira parte, cinco na segunda. Para quase todos os gostos. Há quase seis anos não havia tantos num desafio do campeonato nacional de futebol. E desta vez foram todos golos limpos, sem discussão.

 

Da vibração nas bancadas. Maior número de espectadores até agora, nesta época, no estádio D. Afonso Henriques: 26.549 lugares preenchidos. Prova da capacidade de mobilização dos adeptos vimaranenses e do inegável prestígio do Sporting em todos os palcos nacionais.

 

Do árbitro. Trabalho competente de João Gonçalves, tanto do ponto de vista técnico como disciplinar. Começa a impor-se como um dos melhores árbitros desta nova geração.

 

 

Não gostei

 

De Israel. Vai-se consolidando a convicção de que nos falta um guarda-redes de indiscutível categoria, na linha de tantos que se celebrizaram no Sporting. O jovem uruguaio orientou muito mal a barreira no livre directo de que nasceu o primeiro golo vimaranense, aos 7', e reagiu tarde ao disparo de Tiago Silva. Teve também uma atitude demasiado passiva no quarto que sofremos, aos 85': nem esboça uma saída à bola para reduzir o ângulo de remate.

 

De Matheus Reis. Prestação calamitosa do lateral esquerdo, totalmente batido em velocidade no lance do segundo golo da turma anfitriã, aos 70': não teve pernas para acompanhar Telmo Arcanjo nem a argúcia de perceber que se impunha cometer falta defensiva para compensar a sua falta de velocidade. No quarto golo, falhou por completo a marcação a Dieu-Merci, que só precisou de decidir para que lado mandaria a bola. 

 

De Fresneda. Voltou a demonstrar falta de classe para integrar o plantel leonino. Aos 86' substituiu um esgotado Eduardo Quaresma. Exibindo nervosismo à flor da pele. Quando mais precisávamos de tempo para virar o resultado, já de cabeça perdida, envolveu-se numa picardia disparatada junto à nossa linha defensiva que lhe valeu o amarelo aos 90'+3. Parece cada vez mais uma carta fora do baralho.

 

Da nossa desorganização defensiva. Além dos erros individuais já referidos, todo o nosso sector mais recuado merece nota negativa. Incapaz de sair com bola, incapaz de dominar a pressão, incapaz de definir linhas de fora de jogo, a partir de certa altura começou a aliviar de qualquer maneira: saía balão, saía charutada. Como se estivessem a defrontar o Arsenal ou o Bayern de Munique. E sucediam-se as bolas entregues aos adversários, aqui sobressaindo Diomande e Quaresma. E, claro, foram-se sucedendo os golos: três num quarto de hora - 70', 82' e 85'. Inaceitável.

 

De ter sofrido tantos golos. Foi a primeira vez que o V. Guimarães nos marcou tanto em jogos do campeonato. Ironia do destino: um Vitória "fabricado" nesta dinâmica pelo nosso actual treinador.

 

Do excessivo recuo das nossas linhas. Após marcarmos o 3-1, houve ordem geral para arrefecer o jogo e recuarmos as linhas, concedendo iniciativa ao adversário. Talvez já a pensar no desafio contra o FCP, da meia-final da Taça da Liga. Foi um erro: havia mais de meia hora para jogar, essa é estratégia de equipa pequena. Tal como as múltiplas tentativas de queimar segundos nas reposições de bola, tanto pelo guarda-redes como nos lançamentos laterais. No Sporting, estamos pouco habituados a isto. Aliás, não serviu para nada: o Vitória, sentindo-se confortável com o espaço que lhe concedíamos, cresceu de intensidade e foi para cima de nós. O jogo quase começou a perder-se aí. E só não se perdeu de todo devido à magia do pé esquerdo de Trincão.

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