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És a nossa Fé!

Rescaldo do jogo de anteontem

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Sarabia aplaudido no estádio e saudado pelo treinador aos 63': saída em grande

 

Gostei

 

Da desforra. Serviu-nos de pouco, de quase nada. Mas soube muito bem, em nossa casa, derrotar (por 4-0) a única equipa que nos impôs um desaire fora de Alvalade na Liga 2021/2022, mesmo ao cair do pano da primeira volta: o Santa Clara, de Ponta Delgada, agora mergulhado numa convulsão interna que afastará o quarto treinador da temporada e boa parte dos jogadores. Desejo-lhes boa sorte, apesar de tudo.

 

Da goleada. Não bastava vencer: era preciso convencer. E foi isso que fizemos em campo. Após um período algo titubeante, em que andámos a mastigar jogo e sofremos pelo menos um calafrio, impusemos o nosso domínio e os golos foram saindo de rajada. Marcados por Tabata (41'), Porro (51'), Sarabia (56') e Edwards (78'). Muito bons, todos. O último, com um disparo do inglês a meia distância sem tomar balanço, é uma obra de arte.

 

De Sarabia. Voltou a fazer a diferença. Sempre a espalhar classe em campo. Entregando-se ao jogo ao serviço de um emblema que envergou por empréstimo mas que serviu com inegável profissionalismo durante toda a temporada. Jogou mesmo, não fingiu que jogava. Inclusive neste seu último desafio de verde-e-branco. Marcou o nosso terceiro da noite de sábado, elevando para 21 o número de vezes que a pôs lá dentro com a camisola do Sporting. Foi brindado com duas ovações: ao minuto 17, o número que ostentou na camisola, e ao minuto 63, quando deu lugar a Rodrigo, visivelmente comovido com a justa homenagem.

 

De Porro. O melhor em campo. Marcou (o segundo) e deu a marcar (o terceiro). Com uma energia imensa, parecia estar a iniciar agora a temporada. No último lance do desafio, ainda tentou bisar. Espectacular passe longo aos 28'. Centro perfeito aos 82' para Rodrigo: bastaria ao benjamim da equipa contornar o guarda-redes, mas acabou por rematar fraco, à figura, talvez em homenagem implícita ao ausente Paulinho. Novo cruzamento impecável aos 90'. O jovem internacional espanhol, agora já sob contrato do Sporting, promete ser uma das grandes figuras da próxima época.

 

De Nuno Santos. Outro jogador que parece estar a iniciar a temporada, tão boa é a sua condição física - das pernas aos pulmões. Grande centro de trivela (45'+1), outro óptimo cruzamento (76'), assistência para o segundo golo. É daqueles que nunca baixam os braços e vão sempre à luta, pressionando continuamente o adversário: o Sporting precisa de jogadores como ele.

 

De Tabata. Voltou a marcar, desbloqueando um jogo que parecia condenado a ir para o intervalo com o empate a zero. Golo precioso, de execução perfeita, com um remate acrobático sem deixar a bola tocar no chão. Colocando o ex-internacional olímpico brasileiro no patamar dos jogadores desde já candidatos à titularidade na época 2022/2023.

 

De Gonçalo Inácio. Actuou quase todo o tempo na posição certa: como central, do lado esquerdo, onde pode dar o melhor uso ao seu pé mais dotado. E assim fez, com um fabuloso passe vertical de 65 metros para Pedro Gonçalves assistir Tabata no golo que desbloqueou a partida. Cortes impecáveis aos 7' e aos 13'. Passou a jogar no eixo quando Coates cedeu lugar a Marsà.

 

Das estreias ao cair do pano. Houve três: João Virgínia, pela primeira vez no lugar de Adán numa partida do campeonato; André Paulo, que o substituiu na baliza aos 79' só para não ficar fora do retrato de grupo; e José Marsà, que tem actuado na equipa B e rendeu Coates como central, também aos 79', numa prova de confiança que o treinador lhe manifesta. Veremos, no caso do jovem defesa catalão, se é para ter continuidade na época que vai seguir-se.

 

Das palmas a Morita. O japonês do Santa Clara pode jogar de verde-e-branco na próxima época. Ao ser substituído, aos 73', recebeu calorosos aplausos dos adeptos leoninos. Será bom indício?

 

Da nossa segunda parte. Com três golos e alguns momentos espectaculares. Energia positiva à solta no relvado, boa vibração nas bancadas. Futebol-festa: fechou-se com chave de ouro.

 

De mais uma vitória. Foram, no total, 27 em 34 desafios na Liga que agora terminou. Igualando a nossa melhor soma de triunfos de sempre num campeonato nacional de futebol, registada em 2015/2016. E conseguindo mais um do que na época passada. No conjunto das competições, vencemos 39 dos 53 jogos.

 

De outro jogo sem sofrer golos. Registo que merece destaque: as nossas redes permaneceram intocadas em 18 destes 34 desafios. Notável. E fomos a equipa menos batida em casa, com apenas oito golos encaixados. Nenhuma outra conseguiu melhor.

 

Do quarto jogo seguido a marcar pelo menos três golos. Depois do 0-3 no Boavista-Sporting, do 4-1 no Sporting-Gil Vicente e do 2-3 no Portimonense-Sporting. Catorze nas últimas quatro partidas da Liga 2021/2022. Foi pena esta veia goleadora ter estado ausente noutros períodos: fez-nos falta.

 

De chegarmos ao fim com 85 pontos. Igualamos a nossa segunda melhor pontuação de sempre num campeonato - precisamente aquela que nos permitiu ser campeões há um ano. Melhor, só na Liga 2015/2016, quando chegámos aos 86, mas também na segunda posição. De qualquer modo, jamais havíamos conseguido somar 170 em duas épocas consecutivas - sinal inequívoco de que o trabalho que se vai fazendo em Alvalade é consistente e não fruto do acaso.

 

 

Não gostei

 

De termos esperado mais de 40 minutos pelo primeiro golo. Mas valeu a pena. E abriu caminho para os três que se seguiram, todos no segundo tempo.

 

De Pedro Gonçalves. Assistiu no terceiro golo, é certo, e teve intervenção no primeiro. Mas desperdiçou três ocasiões de marcar: aos 45'+1, aos 72' e aos 76'. Na segunda, em que lhe bastaria encostar, concluiu com um remate disparatado para a bancada. Termina a época pior do que começou: com má relação com a baliza, ao contrário do que havia sucedido em 2020/2021, quando se sagrou melhor rematador do campeonato.

 

De Daniel Bragança. Fez toda a partida no posto habitualmente reservado a Matheus Nunes, mas nunca foi o acelerador do jogo ou o municiador do ataque que a equipa exigia. Falta-lhe compleição física e poder de choque para actuar naquela zona do terreno, ao lado de Palhinha. Renderá melhor se avançar uns metros no relvado, mas aí a concorrência aumenta. Conclusão óbvia: se Matheus continuar no plantel, não irá tirar-lhe o lugar.

 

Dos falhanços. Houve alguns, felizmente sem consequências de pior. O mais arrepiante foi uma entrega de bola de Coates a Ricardinho, aos 30', que deixou um colega do Santa Clara isolado perante João Virgínia. Felizmente para nós, o jogador vestido de encarnado rematou mal, fazendo a bola rasar o poste. 

 

Que Feddal não pudesse despedir-se a jogar. Um problema físico impediu o central marroquino de dizer adeus ao público nesta partida final da temporada. Cessa contrato no Sporting, irá ter novo destino clubístico. Não nos esqueceremos dele: foi um dos obreiros do título de campeão após 19 anos de jejum. Cumpriu 34 jogos na época passada (com dois golos) e 26 nesta. Tudo de bom para ele nas etapas pessoais e profissionais que irão seguir-se.

 

De ver a casa a "meio gás". Apenas 28.942 espectadores em Alvalade numa noite amena de sábado: sabe a pouco. É verdade que o título já estava entregue ao FC Porto desde a jornada anterior, mas esta equipa vice-campeã nacional que conquistou dois troféus na temporada (Supertaça e Taça da Liga), teve o mais destacado desempenho leonino de sempre na Liga dos Campeões e uma exibição colectiva ao nível do campeonato 2020/2021, até com melhor saldo entre golos marcados e sofridos, merecia mais adeptos a aplaudi-la neste desafio final.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De vencer em Portimão. Contra uma equipa que soube bater-se bem, trouxemos três pontos do Algarve (vitória por 2-3). Reforçámos o segundo lugar na Liga, agora com uma vantagem de 11 pontos em relação ao distante terceiro, o Benfica.

 

De Sarabia. Fez a diferença. Espalhando classe em campo, confirmando que é o melhor futebolista a actuar na Liga portuguesa. Em campo apenas desde o minuto 56, entrou quando perdíamos e foi capaz de protagonizar a reviravolta, marcando dois golos, aos 71' e aos 76' - ambos com o pé direito, o menos bom dele. O primeiro é um prodígio de sabedoria táctica, iniciado e concluído por ele, sem nunca tirar os olhos da bola. Também sem nunca assumir ares de vedeta, como se estivesse apenas a cumprir o seu dever. Segue com 20 golos marcados nesta temporada - superando a sua anterior melhor época, ao serviço do Sevilha, em 2018/2019. O melhor em campo. 

 

De Tabata. Enfim, o treinador apostou nele como titular num jogo do campeonato. Foi só à penúltima jornada, mas ainda chegou a tempo. O ex-internacional júnior brasileiro correspondeu: marcou um golo - o primeiro, logo aos 12', e assistiu Sarabia num cruzamento perfeito para o terceiro golo. E aos 37' cabeceou à trave, solicitado por Matheus Nunes. Do trio ofensivo, que integrava Edwards e Pedro Gonçalves, foi o que esteve em melhor nível e também o que mais actuou no centro do ataque. Desta vez sem ponta-de-lança, pois Slimani já não está e Paulinho voltou a não comparecer.

 

De Porro. Actuando muito mais como extremo do que como lateral, o jovem internacional espanhol voltou a fazer uma exibição de grande nível, sempre em alta rotação. Esteve quase a marcar, na conversão de um livre directo, aos 39': Samuel Portugal, o bom guardião do Portimonense, impediu-o a custo de atingir o objectivo. Dois minutos antes, num cruzamento a régua e esquadro, ofereceu de bandeja um golo que Pedro Gonçalves desperdiçou com um pontapé disparatado. 

 

De Nuno Santos. Extremo à moda antiga, com óptima prestação de novo. Cruzou várias vezes com perigo, mas faltava à equipa mais presença na área. Aos 61', serviu muito bem Edwards. É ele quem inicia o terceiro golo, aos 76', com uma recuperação de bola. E ainda marcou um quarto, que não valeu, por deslocação. Um dos jogadores em melhor condição física neste final de época. Promete, desde já, para 2022/2023.

 

De Edwards. Por vezes dá a ideia que gosta de complicar aquilo que é simples, mostrando-se algo lento a decidir. Mas teve uma prestação muito positiva. Assistiu no primeiro golo tocando para Tabata e fez um excelente remate na passada aos 61' que só não beijou as malhas devido a uma enorme intervenção de Samuel Portugal. Vai-se enturmando mais com os colegas e assimilando os processos de jogo do Sporting.

 

Da reviravolta. Estivemos a perder entre os minutos 30 e 76. Soubemos virar o resultado contra um Portimonense bem apetrechado e que deu muita luta - nada a ver com a miserável prestação de há dias, no amigável frente ao FC Porto em que entrou em campo já resignado à derrota, com o consentimento expresso do treinador Paulo Sérgio.

 

De termos terminado o jogo com quatro da formação. Estavam em campo Gonçalo Inácio, Esgaio (substituiu Matheus Reis no recomeço), Daniel Bragança (entrou aos 61', substituindo um fatigado Matheus Nunes, e teve nota muito positiva) e Rodrigo Ribeiro (mais uns minutos entre os adultos, a partir dos 84', quando rendeu Tabata).

 

Do árbitro. Nota positiva para Rui Costa, que adoptou o chamado "critério largo", para os dois lados, algo que tarda em impor-se nos estádios portugueses. Ajuizou bem os lances, não atrapalhou nem quis ser a estrela do desafio. 

 

Do relvado. Sem favor algum, o Portimonense tem sido distinguido por apresentar o melhor "tapete" dos estádios portugueses. Volta a merecer este destaque: está de parabéns por isto, o que favorece bons espectáculos como o que ontem ali ocorreu.

 

De Samuel Portugal. Apesar do apelido, é brasileiro. E um dos melhores a jogar no campeonato português na sua posição. Não me importaria nada, confesso, de vê-lo actuar de Leão ao peito.

 

De somarmos agora 82 pontos. Depois de termos assegurado o segundo lugar na Liga 2021/2022 e nova presença directa na Liga dos Campeões, ainda podemos igualar a pontuação da época passada, algo jamais antes conseguido. Todos esperamos isso.

 

 

Não gostei

 

De entrar em campo sabendo que já não chegávamos ao primeiro lugar. O objectivo era muito remoto, mas ainda havia possibilidade aritmética de conquistar o título. A vitória do FC Porto na Luz, frente ao Benfica, desfez por completo esse sonho. 

 

De sofrer dois golos de rajada. Aos 25', de livre directo, e aos 33', marcado por Welinton sem qualquer oposição da nossa defesa nem a menor hipótese para Adán.

 

De Coates. Cometeu uma falta absolutamente desnecessária, quase à entrada da nossa área, quando Palhinha tinha acorrido à dobra e o atacante da equipa algarvia estava controlado: do livre resultou o primeiro golo algarvio. Depois falhou a recepção no passe à queima que Gonçalo lhe fez, dando origem à cavalgada que culminou no segundo golo do Portimonense. Noite para esquecer.

 

De Gonçalo Inácio. Começou como central à direita, muito intranquilo. Tem grande responsabilidade no segundo golo dos adversários: no nosso meio-campo ofensivo, com dois colegas (Edwards e Porro) a darem-lhe linha de passe, preferiu tocar para trás, oferecendo a bola a Coates num toque mal medido. Aparente desconcentração de ambos num lance que nos custou o segundo golo - e deixarmos de ser a equipa menos batida do campeonato. Melhorou no segundo tempo, quando Amorim o colocou do lado esquerdo, sua posição natural.

 

De Pedro Gonçalves. Uma nulidade. Com ele em campo, só tínhamos dez. Porro ofereceu-lhe um golo aos 37': ele, só com o guarda-redes pela frente, desperdiçou por completo com um pontapé digno dos "apanhados". Saiu aos 56': devia ter ficado no balneário ao intervalo. Está sem condição física nem anímica para ser titular.

 

Que Sarabia só entrasse aos 56'. Opção insólita do treinador: não faz qualquer sentido deixar o melhor jogador do Sporting no banco durante toda a primeira parte e mais de dez minutos da segunda. Quando entrou, fez a diferença.

 

Do 2-1 registado ao intervalo. Entrámos no segundo tempo a perder. E não foi fácil dar a volta ao resultado.

 

Da escumalha. Os mesmos de sempre. Letais ao Sporting. Quando Porro conduzia um ataque prometedor junto à linha, bombardearam o craque leonino com uma chuva de tochas que obrigou o árbitro a parar o jogo. Quando é que estes canalhas começam a ser impedidos de frequentar os estádios?

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da goleada em Alvalade. Vencemos por 4-1 - sem margem para discussão - a brava equipa de Barcelos, que ocupa o quinto lugar no campeonato e ambiciona aceder à Liga Europa. Este Gil que tinha vencido em Braga e na Luz, e conseguiu impor um empate no Dragão mesmo a jogar só com dez durante quase toda a partida. Fomos, portanto, o único dos três "grandes" a derrotar este conjunto muito bem orientado por Ricardo Soares - treinador que desta vez não esteve no banco por cumprir castigo. 

 

Do nosso caudal atacante. Dominámos todo o desafio - desde os minutos iniciais, em que entrámos de pé no acelerador. Tivemos posse de bola com qualidade, fazendo-a rolar rumo à baliza adversária, sem a desperdiçar com trocas inconsequentes e estéreis no nosso reduto. No final da primeira parte já tínhamos 12 remates, sete dos quais enquadrados.

 

Do bom registo ofensivo sem ponta-de-lança. Nestes dois últimos jogos, marcámos sete golos dispensando um avançado fixo dentro da grande área. Eficaz ataque móvel, com dinâmica colectiva e constantes rotações de posição funcionaram para baralhar as defesas adversárias. Os resultados falam por si.

 

De Nuno Santos. Excelente exibição do filho da D. Fátima - desta vez os jogadores tinham os nomes das mães estampados nas camisolas - com transbordante energia, impondo-se no seu corredor como extremo à moda antiga, em contínuo desgaste da defesa contrária. Numa das suas movimentações cheias de velocidade, foi derrubado em falta: o lance, aos 20', originou penálti, convertido por Sarabia no minuto seguinte. Destacou-se pela qualidade dos seus cruzamentos - aos 24', 60' e 75' (este a partir do corredor direito). Um desses passes a rasgar, lá na frente, originou autogolo de Lucas Cunha, aos 53'. O nosso terceiro. Mesmo sem marcar, desta vez, destacou-se como melhor em campo.

 

De Porro. O  jovem internacional espanhol está de volta às grandes exibições. O filho de D. Carmen recuperou bolas, ganhou lances divididos, acelerou o jogo na ala direita, fez soberbos cruzamentos aos 26' e aos 51'. Novamente em grande forma.

 

De Adán. Sem culpa no golo sofrido, aos 45'+2, o filho de D. Toni merece destaque por este simples facto: tornou-se ontem no único jogador de todas as equipas utilizado em todos os minutos da Liga 2021/2022, cumprida agora a 32.ª jornada. Demonstração inequívoca da sua extrema utilidade e da sua qualidade entre os postes. Titular indiscutível, a ele muito devemos o facto de o Sporting ser a equipa menos batida do campeonato, com apenas 21 golos sofridos.

 

De Edwards. Não deslumbrou, mas justifica destaque por ter apontado o segundo golo leonino, num remate de ressaca, aproveitando da melhor maneira uma bola que lhe sobrou após defesa incompleta do guardião gilista a cabeceamento de Neto, aos 36'. Um golo importante: foi a estreia do inglês vindo de Guimarães como goleador de Leão ao peito no nosso estádio. 

 

Do regresso de Pedro Gonçalves aos golos. Ganhou um penálti e foi ele a convertê-lo, aos 63'. O filho da D. Maria voltou assim a fazer o gosto ao pé após mais de dois meses de jejum, selando o resultado desta partida após uma primeira parte muito apagada. Os adeptos compensaram-no com fortes aplausos ao ser substituído por Vinagre, ia decorrido o minuto 67.

 

De Rodrigo Ribeiro. Estreia do promissor júnior formado em Alcochete, com 17 anos recém-festejados, como sénior em Alvalade. Rendeu Sarabia aos 84' e correspondeu às expectativas com um remate cruzado muito perigoso a rasar a baliza, aos 86' e uma boa acção individual aos 89', empolgando os adeptos. O filho da D. Mariana tem bom toque de bola, sem margem para dúvida. Valor a ter em conta no Sporting do futuro.

 

Dos remates de meia-distância. Tem havido vários jogos sem um só para amostra, do nosso lado. Desta vez houve pelo menos três. Por Nuno Santos (5'), Porro (32') e Pedro Gonçalves (57'). A merecer destaque pela positiva.

 

De Andrew. O jovem guarda-redes da equipa minhota, com apenas 20 anos, foi uma das figuras da partida. Impedindo o Sporting de avolumar a vantagem. Eis um nome a reter.

 

Do árbitro. Estreia de Miguel Nogueira, aos 28 anos, a apitar um jogo com equipa grande. Merece nota positiva. E votos para que tenha sucesso nesta actividade. 

 

De termos assegurado o segundo maior objectivo da época. Com esta vitória, garantimos o acesso directo à próxima edição da Liga dos Campeões. Segunda presença consecutiva na prova máxima do futebol europeu ao nível de clubes. E mais cerca de 40 milhões de euros a caminho do cofre de Alvalade.

 

De vermos adiada a decisão definitiva do título. O FCP, que jogará com o Benfica na tarde do próximo sábado, queria celebrar por antecipação. O nosso triunfo frente ao Gil Vicente impediu os portistas de concretizarem este sonho. Agora, concentração máxima para o nosso embate. Também no sábado, mas só após o outro jogo: vamos enfrentar o Portimonense.

 

De somarmos agora 79 pontos. Podemos igualar a pontuação da época passada, que nos garantiu o título de campeões nacionais. Faltam dois jogos.

 

 

Não gostei

 

Da ausência de Coates. Com queixas físicas, o nosso capitão desta vez ficou de fora. E fez falta. O Gil Vicente marcou três golos, dois dos quais anulados por foras-de-jogo milimétricos, dando a ideia, sobretudo na primeira parte, que podia desestabilizar o nosso reduto defensivo, ontem desprovido do seu líder natural.

 

Do amarelo a Neto. Capitão em vez do internacional uruguaio, o filho da D. Rosa ficará ausente do próximo desafio por acumulação de cartões. Foi bem sancionado por falta dura - e desnecessária - aos 83'. Mas até podia tê-lo visto mais cedo, noutro lance ríspido que protagonizou.

 

Do 2-1 que se registava ao intervalo. Sabia a pouco.

 

De outro desperdício de Paulinho. Suplente utilizado, o avançado ex-Braga rendeu Edwards aos 56'. Com uma actuação que voltou a saber a pouco. Isolado por Sarabia aos 60' com um primoroso toque de calcanhar, rematou sem a devida acutilância, permitindo a defesa de Andrew a cerca de 6 metros da baliza. De golo "cantado" a golo falhado. As oportunidades perdidas vão-se acumulando no seu currículo.

 

Da fraca adesão dos adeptos. Bancadas demasiado despidas nesta bem disputada partida de futebol. Apenas 25.425 espectadores no Estádio José Alvalade.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do regresso às vitórias. Soube muito bem sair do Bessa com três pontos e um triunfo confortável, sem discussão, por 3-0. Após duas derrotas consecutivas para competições diferentes sem termos marcado um só golo. 

 

Que o nosso golo inaugural surgisse no primeiro remate. Estava já a tardar, mas concretizou-se enfim. Foi aos 37', por Matheus Nunes, num pontapé rasteiro sem muita força mas bem colocado, com vistosa assistência de calcanhar de Pedro Gonçalves. Até ao intervalo, tivemos outra oportunidade de golo, num disparo em arco de Sarabia, aos 40', só travado pelo veterano guardião Bracali (41 anos) naquela que foi a defesa da noite.

 

De Coates. Para mim, o melhor em campo. Durante os primeiros 35', conteve todas as tentativas de ataque do Boavista. Dois desarmes preciosos no minuto 31' transmitiram confiança a toda a equipa. Também foi ele o mais lúcido e eficaz no início da nossa construção ofensiva, não hesitando em progredir no terreno com a bola controlada e a distribuir jogo numa sucessão de passes longos. Se alguém mereceu esta vitória foi o nosso grande capitão. 

 

De Nuno Santos. Recuperou a titularidade e cumpriu a missão como dono do corredor esquerdo, indiferente aos assobios que lhe dirigiam os adeptos boavisteiros. Ganhou várias bolas divididas e soube cruzar com critério, sempre muito combativo. Saiu aos 68', já fisicamente desgastado, mas com a certeza de ter merecido nota positiva.

 

De Tabata. Tem jogado pouco, merece jogar mais. Entrou aos 68', rendendo Pedro Gonçalves, e logo mostrou como se marca um canto: aos 79', colocou a bola na cabeça de Palhinha, que atirou à trave. Depois mostrou como se marca um penálti, conquistado por ele próprio ao ser derrubado em zona proibida. Chamado a convertê-lo, aos 83', enfiou-a no fundo das redes como mandam as regras. E ainda teve talento para comandar um belo lance ofensivo, aos 90', que só não resultou em golo por fora-de-jogo de Gonçalo Inácio. 

 

De Ugarte e Daniel Bragança. Saltaram ambos do banco, como suplentes utilizados. O primeiro aos 57', substituindo um fatigado Matheus Nunes, o segundo só aos 77', rendendo Sarabia. Estiveram bem.

 

Do autogolo de um defesa axadrezado. Abascal, por infelicidade, marcou na própria baliza, traindo Bracali, num desvio daquilo que parecia um centro falhado de Edwards. Aconteceu aos 58' e assinalou um momento de viragem da nossa equipa, que até aí esteve bastante desinspirada e depois ganhou vivacidade e alegria, com domínio total do jogo. 

 

De não termos sofrido golos. Voltamos a encabeçar - a par com o FC Porto - a lista das equipas menos batidas desta Liga 2021/2022.

 

De somarmos agora 76 pontos. Nesta jornada conquistámos três ao FCP (derrotado em Braga) e dois ao Benfica (que empatou com o Famalicão na Luz). Nas três rondas que faltam, podemos atingir um total de 85 pontos - a mesma pontuação da Liga anterior. Se assim for, será uma marca inédita: nunca antes tivemos dois campeonatos seguidos tão bem pontuados.

 

De vermos outro objectivo da época quase concretizado. Falta-nos apenas um ponto, nestas três rondas finais, para garantirmos o acesso directo à Liga dos Campeões. E aos largos milhões de euros que esta qualificação nos proporciona.

 

 

Não gostei

 

Da ausência de Matheus Reis. Um dos nossos melhores jogadores desta temporada nem chegou a integrar a convocatória para o Bessa. Juntando-se assim a Porro, ausente por ter visto cartão vermelho na ronda anterior, e a Paulinho, que ficou fora por acumulação de amarelos. 

 

De Pedro Gonçalves. Assistiu Matheus Nunes no nosso primeiro golo, é certo. Mas nada mais fez de relevante. Deixou-se desarmar aos 18' e aos 19', atirou para fora aos 21', falhou a recarga à queima-roupa aos 24', fez um passe para ninguém aos 36', entregou-a com displicência aos 55', permitiu a intervenção do guarda-redes aos 66'. Outro jogo em que ficou em branco.

 

De Vinagre. Voltou a calçar, mas continua sem demonstrar qualidade para integrar o plantel leonino. Em campo desde o minuto 68', cruzou no lance em que Tabata viria a ser derrubado na grande área. Mas ficou-se por ali. Tem uma estranha tendência para se pôr a bambolear junto à linha lateral, lá no fundo do campo, confundindo futebol com bailado, em vez de jogar simples. 

 

Das tochas. Uma vez mais, houve "festival de pirotecnia" organizado por elementos de algumas claques do Sporting. Visando, nomeadamente, o guarda-redes do Boavista. Conduta antidesportiva com a agravante de ser reiterada e continuar a custar pesadas multas ao nosso clube. Quem se comporta assim nem parece ser adepto leonino.

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

De perder o clássico em Alvalade. Fomos justamente derrotados pelo Benfica (0-2) no nosso estádio. Encerrando um longo período de 42 jogos sempre a marcar golos. Derrota táctica de Rúben Amorim no confronto com o técnico adversário, Nelson Veríssimo: o Sporting foi incapaz de encontrar antídoto contra uma equipa encarnada remetida a um bloco defensivo reforçado e muito eficaz nos vertiginosos lances de contra-ataque. 

 

De termos entregado o título. Acabou o sonho do bicampeonato: o FC Porto, agora a nove pontos de distância, pode sagrar-se campeão na próxima ronda, quando ainda faltam quatro jornadas para o fim da Liga 2021/2022. 

 

Das oportunidades que fomos incapazes de criar. Uma única situação de golo, da nossa parte, em todo o desafio. Mais nada.

 

Do desperdício das bolas paradas. Não soubemos aproveitar um lance de canto ou de livre - Nem um para amostra. E dispusemos de muitos neste jogo. 

 

De termos oferecido o primeiro golo. Um pontapé longo para a frente, na conversão dum livre, bastou para o Benfica inaugurar o marcador logo aos 14'. Com dois toques na bola, de Vertonghen a assistir e Darwin a marcar. Apanhando toda a nossa equipa desposicionada. 

 

Da incapacidade de sairmos em ataque rápido. Dávamos sempre um toque a mais na bola, pausávamos, retrocedíamos, quebrávamos a nossa própria dinâmica ofensiva enrolando os lances a meio-campo e permitindo que a equipa adversária se reorganizasse nos raros momentos em que assumia a iniciativa de jogo.

 

Da estéril «posse de bola». Foi de 61% a nosso favor, dizem as estatísticas. Isto serve para quê?

 

Das nossas substituições. Nenhuma delas mudou a equipa para melhor. Recapitulemos quais foram: Slimani rendeu Pedro Gonçalves (59'), Ugarte entrou para o lugar de Neto (59'), Edwards substituiu Sarabia (69'), Esgaio colmatou a saída de Palhinha (69') e Daniel Bragança preencheu a vaga de Nuno Santos mesmo ao cair do pano (89'). Foi já no período extra (90'+3) que sofremos o segundo golo.

 

Deste banho de água gelada. Mais de 40 mil adeptos compareceram em Alvalade em noite de domingo de Páscoa para ver aquele que foi o nosso pior jogo desta época em competições internas. O jogo em que entregámos de bandeja o título ao FC Porto e reabrimos a discussão para o segundo lugar na Liga, permitindo a aproximação do Benfica - agora com menos seis pontos.

 

 

Gostei

 

Da homenagem a Mathieu. Merecida, calorosa e vibrante ovação ao excelente central francês antes do início da partida. Há quase dois anos fora do Sporting, tendo abandonado a prática do futebol por opção própria, Jérémy Mathieu actuou 106 vezes com a camisola verde e branca, tendo regressado ontem, como convidado, para assistir ao clássico e ser distinguido pelo seu profissionalismo que deixou saudades. Merecia ter sido brindado com uma vitória em campo.

 

De Sarabia. Esteve muito longe de fazer uma grande exibição, mas foi o menos mau dos nossos. É dele a única oportunidade de golo do Sporting, ao fazer a bola embater na trave aos 49'. Percebe-se mal por que motivo Amorim retirou aos 69' o internacional espanhol - melhor jogador do actual plantel leonino - enquanto manteve o perdulário Paulinho até ao apito afinal. 

 

Da arbitragem. Nota positiva para Fábio Veríssimo. Ninguém poderá dizer que foi por causa dele que perdemos.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De mais uma vitória. Foi a quinta consecutiva do Sporting nesta Liga 2021/2022. A 23.ª em 29 desafios já disputados. E a 11.ª fora de casa - desta vez em Tondela, onde há um ano passámos à tangente, por 1-0, com golo marcado por Tiago Tomás. Desta vez o triunfo foi mais inequívoco e tranquilo: 3-1, com 2-0 ao intervalo. Dois golos em quatro minutos, aos 29' e aos 33', resolveram o problema. Missão cumprida nesta nossa antepenúltima saída antes de cair o pano. Restam-nos cinco finais. Há 15 pontos em disputa.

 

Da primeira parte. Exibição de classe da nossa equipa, com domínio absoluto no terreno bem reflectido nas estatísticas dos remates: nove do Sporting, nem um para amostra do Tondela. Sem ponta-de-lança, com três avançados em constante mobilidade (Edwards, Sarabia e Pedro Gonçalves) a baralhar as marcações adversárias, e o nosso trio defensivo muito subido, actuando perto da linha do meio-campo, sufocámos o Tondela, incapaz de sair do seu reduto nestes 45 minutos iniciais.

 

De Sarabia. Novamente o homem do jogo. Bisou, com todo o mérito. Primeiro aos 33', culminando uma excelente jogada colectiva: deu o melhor caminho à bola que lhe foi oferecida por Pedro Gonçalves. Depois de penálti, aos 69' - grande penalidade que ele próprio havia conquistado. Chamado a converter, não vacilou. Soma e segue. É líder destacado dos marcadores leoninos, com 17 golos nesta época.

 

De Ugarte. Titular como médio mais recuado, voltou a fazer uma exibição de grande nível. Já é peça-chave nesta equipa: toda a dinâmica ofensiva passou por ele. Espectaculares recuperações aos 16' e aos 24', anulando lances de construção do Tondela. Tentou o golo num remate cruzado aos 22' que passou rente ao poste. À bica com quatro amarelos, Rúben Amorim decidiu retirá-lo aos 56'. E fez bem: precisamos dele no Domingo de Páscoa, contra o Benfica.

 

De Gonçalo Inácio. Começou onde mais rende: na sua posição natural, como central colocado à esquerda. Exibição quase irrepreensível, aliás à semelhança de Neto e Coates, que com ele compunham o trio defensivo. Receberiam mesmo nota máxima se não fosse o deslize colectivo no solitário golo do Tondela, aos 71'. Mas Gonçalo merece o destaque sobretudo pelo magnífico golo que marcou, num fortíssimo disparo rasteiro com o pé esquerdo, a 30 metros das redes. Desmentindo aqueles que se queixam de «não haver remates de meia-distância» neste Sporting.

 

De Edwards. Titular pela segunda vez, após o jogo contra o Moreirense. Correspondeu por inteiro à confiança que o técnico lhe transmitiu nesta convocatória, praticando a arte de bem conduzir a bola. É ele quem inicia o contra-ataque que culmina no segundo golo. Aos 37', assiste Coates, que desperdiça atirando por cima. Grande jogada individual aos 44', esquivando-se aos adversários com notável capacidade de drible. Serve muito bem Pedro Gonçalves aos 58'. Ainda teve energia e capacidade para a colocar em óptima posição nos pés de Tabata, aos 81'. Saiu sob calorosos aplausos aos 90'+2. Merece integrar o onze inicial nas próximas partidas.

 

De outra estreia oriunda da nossa Academia. Desta vez foi o jovem Rodrigo Ribeiro, ainda com 16 anos. Já tinha actuado uns minutos na Liga dos Campeões, mas só ontem começou a marcar presença no campeonato. Entrou apenas aos 90'2+, mas ainda a tempo de exibir boa técnica num lance ofensivo. Mereceu a chamada, que vai servir-lhe de incentivo para novos voos.

 

Da capacidade ofensiva do Sporting. Marcamos há 42 jornadas consecutivas na Liga portuguesa. Um dado estatístico que merece ser destacado.

 

De ver o estádio cheio. Lotação esgotada em casa do Tondela: foi a melhor receita da equipa beirã nesta temporada. Com grande presença e vibração dos adeptos leoninos.

 

De Rúben Amorim. Cumprido o centésimo desafio ao serviço do Sporting. Com um triunfo - o resultado mais habitual neste treinador, um dos melhores que passaram por Alvalade desde sempre.

 

 

Não gostei

 

Do amarelo a Matheus Reis. O lateral esquerdo, que estava tapado com cartões, fica fora do clássico em Alvalade. Por uma falta absolutamente escusada, a meio do terreno, ao entrar de sola num lance dividido quando já vencíamos por 2-0. Não havia necessidade.

 

Das ausências. Palhinha a cumprir castigo pelo quinto amarelo (estará disponível contra o Benfica). Nuno Santos por ter dito «uma obscenidade» a um adversário - coisa jamais vista num estádio de futebol. Slimani por alegada quebra de intensidade num treino de véspera. Amorim não facilitou: deixou-o fora da convocatória. Esperamos que este problema tenha solução rápida.

 

Do golo do Tondela. Aconteceu aos 71', praticamente na única vez em que a equipa beirã desenhou uma jogada de perigo, rápida e envolvente. Remate muito bem colocado, ao ângulo superior esquerdo da nossa baliza, sem hipótese de defesa para Adán. Mas continuamos a exibir a melhor defesa do campeonato: apenas 18 golos sofridos em 29 jogos.

 

De Daniel Bragança. Em campo desde os 56', quando o treinador decidiu poupar Ugarte ao risco de ver cartão amarelo. Mas o jovem médio entrou mal, protagonizando logo duas perdas de bola. Desconcentrado, sem ritmo, assim torna mais difícil o sonho de ser titular no Sporting.

 

De Vinagre. Voltou a ter uma oportunidade, entrando aos 71' para substituir Gonçalo Inácio (com Matheus Reis a transitar de lateral para central). Mais de 20 minutos sem um só lance que ficasse na memória dos espectadores. Continua a distinguir-se por fazer sempre a mesma manobra, a mesma finta, os mesmos passes inconsequentes. É um dos mistérios deste plantel: o tempo passa e ele continua igual, sem evolução visível.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do triunfo em casa. Derrotámos o Paços de Ferreira por 2-0 num jogo quase de sentido único em que a equipa adversária não fez um só remate enquadrado. O resultado foi superior à exibição, mas o que importa são os três pontos: já somamos 70. Colocamos pressão sobre o FC Porto, que recebe hoje o Santa Clara.

 

De Sarabia. Tornou-se, neste desafio, o maior marcador leonino desta temporada 2021/2022. Apontou o nosso primeiro, aos 20', de grande penalidade: chamado a convertê-la, cumpriu o que lhe competia com categoria e sem sombra de hesitação. Nesta partida, fez sete dos 13 remates do Sporting - números que confirmam a sua influência no onze titular. Protagonista de um dos melhores lances individuais ao conduzir a bola dominada durante cerca de 40 metros, aos 70', culminando com um disparo à baliza que embateu na barra: esteve a centímetros de marcar o que seria um dos melhores golos deste campeonato.

 

De Ugarte. O nosso meio-campo funcionava a meio-gás, com um Palhinha longe da melhor forma física e Matheus Nunes sempre a abusar do individualismo, quando Amorim fez entrar aos 57' o jovem internacional uruguaio, que com um par de recuperações esticou o jogo leonino, tornando-o mais ofensivo e veloz. Grande remate aos 65'. Aos 72', assistiu para o segundo golo com um espectacular passe de 40 metros. Merece jogar de início. 

 

De Nuno Santos. Dinâmico, acutilante, influente tanto na manobra defensiva como na condução do ataque pelo seu corredor. Bons cruzamentos aos 32' e aos 68'. Regressou aos golos, marcando o segundo com uma magnífica recepção orientada e um perfeito tempo de intervenção, tirando o guarda-redes do caminho. É já o quarto melhor marcador do Sporting.

 

De Edwards. Entrou bem quando Amorim lhe deu ordem para saltar do banco, aos 57'. Ele e Ugarte sacudiram o torpor que parecia ter-se apoderado da equipa desde o recomeço da partida. Grande passe de calcanhar para Matheus Nunes dentro da área aos 66'. No mesmo minuto, fez a bola embater duas vezes nos ferros. É um futebolista de inegável destreza técnica, acima da média.

 

De confirmar que temos um banco com qualidade. Neste aspecto estamos ainda melhor do que na época passada. Como ficou evidente com as entradas de Ugarte (57'), Edwards (57'), Slimani (75') e Daniel Bragança (84'). Qualidade a duplicar em quase todas as posições.

 

Da nossa defesa de betão. Outro jogo termina com as redes leoninas imaculadas. Em 28 jogos da Liga 2021/2022, este foi o 16.º em que não sofremos golos. Reforçamos a nossa posição como equipa mais intransponível. Elogio para o trio de centrais desta recepção ao Paços: Gonçalo Inácio, Coates e Matheus Reis. Além de Adán, claro. 

 

De somarmos 22 vitórias em 28 jogos. Marca muito positiva. Reforçada com este quarto triunfo consecutivo no campeonato. E com o facto de marcarmos há 41 jogos seguidos em várias competições. 

 

De termos dado um passo de gigante para garantir um lugar na Champions. O segundo lugar na Liga dificilmente nos fugirá: temos agora mais nove pontos do que o Benfica, derrotado em Braga (2-3) nesta jornada. Algo importantíssimo para assegurar os milhões da liga milionária. Deixando a larga distância uma equipa que tem quase o dobro do orçamento da nossa.

 

 

Não gostei

 

De termos estado 35' sem fazer um remate. A equipa afrouxou desde o golo de penálti, marcado cedo, e abrandou de tal maneira que acabou por conceder iniciativa de jogo e domínio de bola ao adversário. Os nossos jogadores pareciam adormecidos, sem vontade de procurar a baliza do Paços. Pedia-se mexida no onze - fez bem Amorim em fazer duas trocas antes de se esgotar a hora do jogo.

 

De Pedro Gonçalves. Apagadíssimo. Com falta de ritmo, falta de dinâmica, incapacidade de criar desequilíbrios. Voltou a ser titular mas não justificou a aposta: o melhor que fez foi um remate frontal, aos 33', fazendo a bola sobrevoar a baliza. Passou ao lado do jogo, dando lugar a Edwards.

 

De Porro. Outro jogador em défice exibicional. Evidencia má forma física desde a mais recente lesão muscular. Foi incapaz de fazer a diferença, sobretudo nas movimentações rápidas junto à linha a que habituou os adeptos. 

 

Do 1-0 registado ao intervalo. Apenas uma oportunidade de golo nos 45 minutos iniciais - tirando o penálti convertido. Muito pouco.

 

Das quatro bolas aos ferros. Matheus Nunes atirou ao poste aos 66'. No mesmo minuto, Edwards viu o golo travado duas vezes pelo guarda-redes, que desviou em sequência para o poste e para a barra. Aos 70', foi a vez de Sarabia acertar em cheio na trave. Pontaria a mais, mas não no sítio certo.

 

Dos assobios. O jogo não estava a ser brilhante, o espectáculo era pobre, mas foi um sintoma de estupidez ouvir adeptos vaiarem os jogadores no minuto 53. Algo que já não acontecia há muito tempo e não fazia falta, surpreendendo até Rúben Amorim. Conclusão: entre os 28.788 presentes nas bancadas, havia pelo menos algumas centenas de imbecis. Quase tão mau como a debandada mal terminou o jogo: poucos foram os que ficaram para aplaudir a equipa.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da reviravolta operada em Guimarães. Estivemos a perder desde o minuto 23, na única falha colectiva da nossa equipa no plano defensivo, mas fomos capazes de dar a volta. Chegando ao empate mesmo à beira do intervalo e fazendo dois excelentes golos no segundo tempo. Há 13 anos que não conseguíamos virar o resultado neste estádio, sempre difícil para as equipas forasteiras. Após este triunfo por 1-3, levamos agora 67 pontos na classificação do campeonato, aumentando a pressão sobre o FC Porto.

 

De Paulinho. Destacou-se como melhor Leão em campo. Vai no segundo jogo consecutivo a marcar - e desta vez merece nota artística sem qualquer discussão, com um golo de letra aos 70'. Batalhou muito, abriu espaços, baralhou marcações - sobretudo desde que Rúben Amorim trocou Slimani por Pedro Gonçalves, devolvendo-o ao centro do ataque. O golo fez esquecer uma perdida aos 56', quando falhou o chapéu ao guarda-redes ao encaminhar-se isolado para a baliza.

 

De Pedro Gonçalves. Era a arma secreta do treinador. E funcionou nesse papel. Em campo desde o minuto 56, abriu linhas de passe e teve o condão de confundir a defesa vitoriana, já desgastada e condicionada por três amarelos. É de uma jogada de insistência dele, junto à linha final, que nasce a assistência para o nosso segundo golo. 

 

De Sarabia. Outra partida em excelente nível neste seu regresso ao onze titular. Chamado a converter o penálti, não vacilou na linha dos 11 metros, inaugurando o marcador. Tem intervenção directa no segundo golo, viu o guarda-redes negar-lhe outro e ainda sofreu falta para grande penalidade que ficou por assinalar aos 58' - aqui o erro é sobretudo do vídeo-árbitro. Como se já não fosse pouco, ainda esteve na origem de dois amarelos exibidos a jogadores adversários que o travaram à margem das regras.

 

Da estreia de Edwards a marcar de Leão ao peito. O ex-vitoriano desta vez ficou de início no banco. E só entrou aos 86' - aliás brindado com generosos aplausos de muitos adeptos da equipa da casa, lembrando as duas épocas e meia que passou em Guimarães. Mas apareceu a tempo de marcar o primeiro golo ao serviço do Sporting. Um golaço, em arco ao ângulo superior esquerdo da baliza, sem hipótese de defesa. Aconteceu aos 90'+8: a partida terminava da melhor maneira para nós.

 

De termos agora três jogadores entre os melhores artilheiros da equipa. Acontece pela primeira vez nesta temporada: Pedro Gonçalves, Sarabia e Paulinho estão igualados no topo dos goleadores leoninos - todos com 14 já marcados em diversas competições. Uma "luta" que vale a pena ir acompanhando com atenção.

 

De Bruno Varela. Não costumo destacar jogadores da equipa adversária, mas abro uma excepção para elogiar o guardião vitoriano, um dos melhores portugueses na sua posição. Sem ele, a nossa vantagem teria sido mais dilatada. Com grandes intervenções, negou golos a Sarabia (21'), Slimani (27') e Paulinho (62'). Merece elogio.

 

De consolidarmos o nosso estatuto de equipa menos batida. Em 27 jornadas da Liga 2021/2022, apenas 17 golos sofridos. Menos dois que o FC Porto, líder da prova, e menos sete que o Benfica quando estes nossos dois rivais ainda não jogaram.

 

 

Não gostei

 

Dos 23 minutos em que estivemos a perder. Entre o golo marcado por Estupiñán aos 23' e o empate estabelecido por Sarabia já no tempo extra da primeira parte, concedemos demasiada iniciativa de jogo ao Vitória, sempre muito incentivado pelo seu público. No segundo tempo voltou a haver períodos ocasionais de predomínio vimaranense, embora inconsequente: a nossa equipa fechou-se bem atrás, apostando sem complexos no contra-ataque que produziu bons frutos. 

 

De Matheus Nunes. Volta a fazer uma partida muito apagada, em que foi incapaz de revelar todos os seus dotes técnicos que chegaram a merecer um elogio público do treinador do Manchester City. Demasiado remetido à linha esquerda, foram raros os desequilíbrios que conseguiu criar no meio-campo, exceptuando um bom cruzamento aos 57'. Dele espera-se muito mais.

 

De Nuno Santos. Outro jogador em défice exibicional. Tirando um centro bem medido para Slimani, que só Varela impediu que se transformasse em golo, esteve muito discreto na sua missão de municiar o ataque a partir do corredor esquerdo. Ao falhar o domínio de uma bola, permitiu o rápido contra-ataque de que resultou o solitário golo vimaranense. Parece longe da melhor forma física.

 

Da ausência de Porro. O internacional espanhol voltou a ficar fora do onze titular por debilidade física, desta vez queixando-se de uma tendinopatia na anca direita. Uma ausência que forçou Amorim a trocá-lo por Esgaio, jogador claramente mais limitado no plano ofensivo, o que afectou o nosso rendimento colectivo.

 

Dos desacatos nas bancadas. Já na metade final do segundo tempo, o jogo esteve interrompido mais de seis minutos devido a uma intervenção musculada da polícia de intervenção que distribuiu bastonadas a eito, forçando a evacuação de parte da bancada central do estádio. Os adeptos vitorianos responderam arremessando largas dezenas de cadeiras. Já antes tinham brindado alguns jogadores com uma chuva de isqueiros. Cenas lamentáveis num estádio que começa a ficar tristemente célebre pela falta de civismo de muitos espectadores, havendo também a suspeita de que a polícia terá revelado excesso de zelo naquela actuação.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Dos três pontos alcançados num estádio difícil. Vencemos o Moreirense como visitantes, algo que não nos acontecia desde a época 2018/2019. Há dois anos, empatámos ali 0-0 e na época passada - em que fomos campeões - não conseguimos melhor do que outro empate, desta vez a uma bola. Agora foi um triunfo indiscutível, sem qualquer margem de contestação. Por 2-0, resultado construído em dez minutos de domínio avassalador, aos 29' e aos 39'. A segunda parte foi de contenção, com ocasionais concessões de iniciativa de jogo ao adversário mas sem nunca perder o controlo da partida.

 

De Slimani. Soma e segue: três jogos consecutivos a marcar. Volta a ser decisivo, valendo pontos. Foi ele o autor do nosso primeiro, num cabeceamento impecável ao segundo poste, bem servido por Edwards. Merece ser distinguido como melhor em campo, também pela pressão intensa que fez lá na frente, dificultando a saída de bola do Moreirense, e do apoio que nunca deixou de dar aos colegas, nomeadamente nas bolas paradas defensivas. Grande passe aos 67' para Sarabia: podia ter dado golo. Enfim, temos ponta-de-lança.

 

De Porro. Enorme intensidade competitiva: brilhou no primeiro tempo. Dominou na ala direita, impondo a sua técnica superior, aliada à velocidade. O nosso segundo golo resulta de um cruzamento perfeito do jovem internacional espanhol, teleguiado para Paulinho. Deram nas vistas outros centros, aos 28' e ao 34'. Na segunda parte quebrou de rendimento, arriscando menos nas acções ofensivas, mas manteve-se como um dos elementos mais em destaque.

 

Da estreia de Edwards a titular. Reforço de Inverno, o ex-vimaranense está finalmente a demonstrar que merece figurar no onze leonino. Rúben Amorim transmitiu-lhe esta prova de confiança e o inglês correspondeu da melhor maneira, com uma grande exibição no primeiro tempo. Está nos dois golos leoninos: no primeiro, é dele a assistência directa; no segundo, inicia a jogada com um soberbo passe de calcanhar para Porro a justificar nota artística com distinção. Promete tornar-se imprescindível.

 

Do inédito trio de avançados. Pela primeira vez, Amorim desenhou uma equipa titular contando com um triângulo ofensivo composto por Edwards, Paulinho e Slimani - com o argelino em zona mais central. Teste superado com distinção: acertou à primeira. Quem dizia que estes jogadores poderiam não combinar se actuassem juntos estava a ver o filme errado. Deixou de ser necessário inventar expedientes alternativos, como quando Coates tinha de avançar para ponta-de-lança improvisado. Foi assim que perdemos dois pontos em casa contra o Braga.

 

De Neto. Com Gonçalo Inácio ausente, voltou a ser titular como central à direita. Está em grande, confirmando a excelente nota da recente partida de Manchester. Foi o melhor elemento da nossa defesa, com cortes decisivos aos 58' e aos 86'. Competente a construir jogo, não perdeu um duelo. 

 

Dos regressos de João Palhinha e Pedro Gonçalves. Estiveram no banco até aos 64' mas acabaram por entrar - o primeiro para render Ugarte, já amarelado; o segundo para substituir Paulinho. Ambos de volta à equipa: Palhinha não jogava há 27 dias, Pedro permanecia fora desde 20 de Fevereiro. Estão ainda longe da melhor forma, mas já é bom saber que o técnico volta a contar com eles. 

 

De consolidarmos o nosso estatuto de equipa menos batida. Em 26 jornadas da Liga 2021/2022, apenas 16 golos sofridos. Menos três que o FC Porto, líder da prova, e menos oito que o Benfica.

 

Do nosso banco. Desta vez tínhamos como suplentes os seguintes jogadores: Palhinha, Tabata, Nuno Santos, Sarabia, Pedro Gonçalves, Esgaio e Daniel Bragança - além dos guarda-redes. Quase todo o plantel disponível, vale a pena sublinhar. É pouco frequente nesta fase do campeonato.

 

 

Não gostei

 

De alguns períodos da segunda parte. Excessiva retenção de bola, um certo adormecimento talvez ditado pela sensação de que o resultado estava construído (de facto assim era) e escassa ambição para ditar a vantagem alcançada antes do intervalo. Alguns suplentes utilizados pouco adiantaram - como Nuno Santos, que rendeu o amarelado Feddal aos 75'. Felizmente o Moreirense, incapaz de fazer um remate enquadrado nesta etapa complementar do jogo, deu pouca luta.

 

De Matheus Nunes. Pode ser mera coincidência, mas parece uma sombra do que já foi desde que Pep Guardiola lhe fez rasgados elogios na visita a Lisboa do Manchester City, ao considerá-lo um dos melhores médios actuais do futebol europeu. O luso-brasileiro empastelou o jogo, continuou a abusar do individualismo no corredor central e entregou duas vezes a bola ao adversário no minuto 82, dando origem a contra-ataques perigosos. Comportamento a rever.

 

Da imprevista ausência de Gonçalo Inácio. O jovem internacional, titular indiscutível deste Sporting 2021/2022, ficou de fora por estar com gripe.

 

De continuarmos seis pontos atrás do FC Porto. É verdade que ainda há 24 pontos em disputa até ao fim do campeonato, mas deixámos de depender de nós e temos de aguardar por duas derrotas do nosso principal adversário. Esta é a parte má. A parte boa é que nesta jornada ampliámos a vantagem face ao Benfica, agora situados seis pontos atrás de nós, com menos hipóteses de atingir um lugar que dá acesso directo à cobiçada Liga dos Campeões.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do regresso às vitórias. Estava a ficar difícil: apenas um triunfo nos cinco desafios anteriores. Quebrámos o enguiço, mas só na segunda parte do jogo de ontem contra o Arouca, perante 25 mil espectadores que assistiram ao vivo em Alvalade, e após o treinador ter feito algo muito raro: mudar três futebolistas ao intervalo. Mudanças que dinamizaram o onze leonino, projectando-o para a frente, depois de 45 minutos oferecidos à equipa adversária.

 

De Slimani. Como sempre acontece no Sporting, onde nunca falta quem se apresse a contestar qualquer acto de gestão desportiva, seja qual for, multiplicaram-se as críticas ao regresso do argelino. Nem vale a pena perder tempo a observar como essas críticas eram injustas. Basta anotar isto: o craque volta a marcar neste seu segundo jogo como titular. E agora bisou, algo que não lhe acontecia com a camisola verde e branca desde 30 de Abril de 2016. Recém-chegado à Liga 2021/2022, com cerca de 250 minutos em campo, já leva três golos marcados. Ontem batalhou do princípio ao fim, revelando excelente condição física. E fez jus aos seus dotes como ponta-de-lança, metendo-a lá dentro aos 46' e aos 52' - com ele, até parece fácil. Desfez o nulo inicial e valeu-nos três pontos: temos agora 61. O melhor em campo.

 

De Porro. Com ele, tudo melhora. Amorim manteve-no no banco durante toda a primeira parte, talvez para o poupar com vista ao embate em Manchester na quarta-feira para a Liga dos Campeões. Mas como persistia o empate inicial, deu-lhe ordem para entrar logo após o intervalo. Uma decisão muito acertada. Logo no primeiro minuto do segundo tempo, o internacional espanhol justificou a entrada em cena na impecável marcação de um canto que funcionou como assistência para a cabeça de Slimani. Sempre batalhador, nunca dá um lance por perdido. Com louvável intensidade competitiva. 

 

Da estreia de Dário como titular. Ainda júnior, foi o mais jovem de sempre a  começar no onze inicial leonino - com apenas 16 anos, 11 meses e 17 dias. Boas movimentações em campo, na recuperação e na pressão da saída de bola do Arouca. Recebeu um amarelo injusto aos 26' por um desarme limpo: o cartão acabou por condicioná-lo na manobra como médio defensivo. Fez bem o treinador em retirá-lo ao intervalo, mas o miúdo justificou os aplausos recebidos.

 

De Ugarte. O jovem internacional uruguaio fez todo o segundo tempo, no lugar de Dário, e justificou a chamada. Merece nota alta pela intensidade e pela qualidade técnica das suas intervenções, tanto a cortar linhas de passe como a sair com bola. Vai evoluindo de jogo para jogo, assumindo-se como o sucessor natural de João Palhinha.

 

De Adán. Quando é preciso, está lá. Por vezes com intervenções que valem pontos. Aconteceu ontem aos 37', com uma espectacular defesa em voo evitando que a bola violasse as nossas redes em lance de bola parada. Se entrasse, o Arouca passaria a vencer 0-1 e tudo se tornaria mais complicado para nós. Graças em grande parte ao guardião espanhol, reforçamos o nosso estatuto de equipa menos batida: apenas 16 sofridos em 25 desafios na Liga. Somos o emblema do campeonato que há mais tempo não sofre golos em casa.

 

De Neto. Entrou aos 63', quando Gonçalo Inácio começava a revelar desgaste muscular, e cumpriu bem a missão, confirmando que não se deixa afectar por ser suplente dum jogador bastante mais jovem. Grandes acções defensivas aos 90'+3 e aos 90'+4, protagonizando cortes arriscados mas limpos. E até ousou ir lá à frente, conduzindo a bola. Um exemplo para muitos.

 

De Rúben Amorim. A efeméride terá passado despercebida, até porque ontem também se disputaram eleições para a presidência do Sporting, mas neste sábado cumpriram-se dois anos da chegada do actual treinador a Alvalade. Dois anos de conquistas, de reencontro com os adeptos, de valorização global do plantel, de profunda modificação dos processos de jogo, de recuperação do Sporting como candidato ao triunfo em todas as competições nacionais, de contínua valorização do nosso emblema junto dos mais jovens. Amorim esteve muito bem na leitura deste Sporting-Arouca ao trocar Esgaio, Dário e Vinagre por Porro, Ugarte e Paulinho, dando acutilância e dimensão ofensiva ao colectivo leonino.

 

Da segunda parte. Foi a antítese da primeira. Marcámos dois e ficaram pelo menos mais dois por marcar. Matheus Nunes (aos 72') e Slimani (75') andaram lá perto.

 

Do estádio. Cadeiras todas verdes, pondo-se fim àquela inenarrável "paleta" taveiresca, e relvado em óptimas condições. Dois motivos para elogiar.

 

 

Não gostei

 

Da primeira parte. Após dez minutos iniciais prometedores, voltámos ao ritmo lento, arrastado, pastoso e previsível que havia caracterizado várias fases das anteriores partidas. Deixando até que o Arouca começasse a tomar a iniciativa do jogo. Isto porque as alas não funcionavam, os passes erravam a pontaria e a bola circulava com dificuldade de pé para pé. O melhor, neste período, foi mais um espectacular golo de Sarabia, servido por Matheus Nunes, logo aos 9'. Infelizmente, seria anulado após intervenção do vídeo-árbitro, por suposto adiantamento de 10 centímetros. Esta regra tem de ser revista com urgência: deslocações milimétricas, amputando a dimensão atacante do futebol, ferem a verdade desportiva. Até porque ninguém pode jurar, em momento algum, que naquele micro-segundo de captação de uma imagem fixa exista realmente uma situação de fora-de-jogo.

 

De Vinagre. Quatro meses depois, Amorim voltou a apostar nele como titular. E, uma vez mais, esta aposta foi condenada ao fracasso. Adensa-se o mistério: por que motivo terá o técnico insistido nesta aquisição, já em vias de se tornar definitiva? O jogador emprestado pelo Wolverhampton foi anulado por Tiago Esgaio, seu opositor no corredor esquerdo, e mostrou-se incapaz de municiar o ataque e até de fazer um cruzamento digno de registo nos 45 minutos em que esteve em campo. Bem substituído ao intervalo: foi outra oportunidade falhada.

 

De Esgaio. Cometeu lapsos simétricos aos de Vinagre no flanco oposto. Errando passes, falhando centros, incapaz de actuar com a dinâmica exigida numa equipa que é campeã em título. Na segunda parte Porro mostrou-lhe por que motivo é o titular da posição como lateral direito. 

 

De ver o Sporting entrar sem cinco titulares. Pedro Gonçalves e Palhinha por lesões, Feddal, Porro e Paulinho por opção inicial. Também Daniel Bragança está lesionado. São consequências, em parte, dos numerosos jogos já disputados nesta temporada. 

 

De novo remate de Paulinho aos ferros. Parece sina: a pontaria do ex-atacante do Braga é tanta que continua a levar a bola a embater nos postes ou na barra. Desta vez aconteceu aos 50', disparando contra a trave. Isolado aos 61', decidiu mal. E, aos 90'+5, atirou muito por cima. Mas teve intervenção decisiva no nosso segundo golo ao colocar bem a bola nos pés de Nuno Santos, que viria a assistir para Slimani.

 

Do regresso de Alan Ruiz. Entrou aos 75', curiosamente menos pesado do que quando o conhecemos nas duas épocas em que prestou serviço no Sporting, entre 2016 e 2018, com um registo de sete golos em 34 jogos. Mas agora actua de amarelo, pelo Arouca. Deu mais nas vistas aos 83', quando recebeu um vermelho directo por carga sobre Porro - bem revertido para amarelo após intervenção do VAR.

 

Dos assobios no fim da primeira parte. Não foram muitos, mas deu para escutá-los enquanto os jogadores recolhiam ao balneário. Insisto: os espectadores que agem deste modo só demonstram a sua imensa estupidez.

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

De perder dois pontos no Funchal. Voltámos a tropeçar frente ao Marítimo, a equipa que nos afastou da Taça de Portugal na época passada. No desafio da primeira mão, em Alvalade, conseguimos vencer com muita sorte, graças a um penálti convertido aos 98' por Porro. Desta vez o mesmo jogador enviou um petardo à barra com a bola a fazer ricochete num poste sem transpor a linha de golo, aos 75'. A estrelinha ficou em Lisboa: empatámos 1-1 - resultado que já estava construído ao intervalo. Mais dois pontos perdidos, após as recentes derrotas contra Santa Clara e Braga, além do empate no Dragão. 

 

De Matheus Nunes. Fez-lhe mal ouvir aquele rasgado elogio de Pep Guardiola. Pelo segundo jogo consecutivo, teve uma exibição apagadíssima. Agarrou-se em excesso à bola, abusando do individualismo. Falhou numerosos passes. Foi incapaz de criar um verdadeiro lance de perigo. Perde automatismos quando actua sem Palhinha, seu habitual parceiro no meio-campo. 

 

De Nuno Santos. O golo do Marítimo, logo aos 5', nasce de um mau alívio dele em zona frontal à nossa baliza. Parece ter acusado em demasia este erro individual: nunca mais se reencontrou na partida. Tentou alguns ataques pelo seu flanco, mas foram sempre inócuos.

 

Do nosso início. O que começa mal tarde ou nunca se endireita. Assim aconteceu ao Sporting nesta partida no estádio dos Barreiros. Exibimos um fio de jogo previsível, sonolento, burocrático e desinspirado, concedendo demasiada iniciativa ao adversário. Erro que se pagou caro.

 

Do sistema táctico de Amorim. Confrontado com várias ausências de titulares, o treinador leonino dispôs desta vez os jogadores num 3-5-2 inédito em início de partidas nestes dois anos em que orienta o Sporting. Talvez também para potenciar Paulinho e Slimani em simultâneo lá na frente enquanto entregava a Daniel Bragança a missão de ser o médio mais criativo. Faltam rotinas neste processo, como se foi tornando evidente à medida que o jogo se desenrolava.

 

Da condição física da equipa. Neste seu 40.º jogo oficial da temporada, o onze titular acusou claro desgaste. As pernas já vão pesando em vários jogadores, muito ao contrário do que aconteceu em 2020/2021.

 

Da nossa lentidão em campo. O conceito de "ataque rápido" parece ter rumado a parte incerta no futebol leonino.

 

Das ausências. Quatro das nossas peças nucleares ficaram de fora: Sarabia, Palhinha (por castigos), Feddal e Pedro Gonçalves (por lesões). Não é de somenos, longe disso. Basta referir que dois deles incluem-se entre os nossos três melhores marcadores actuais. 

 

Do banco de suplentes. Amorim só fez duas trocas: Nuno Santos por Edwards (76') e Daniel Bragança por Vinagre (80'). Meter mais quem? Além dos que entraram e de dois guarda-redes, tinha apenas Neto, Esgaio e Dário. 

 

De Edwards e Vinagre. Nada adiantaram: continuam ambos à procura de exibições convincentes no Sporting.

 

 

Gostei

 

De voltar a ver Slimani como titular. Seis anos depois, o craque argelino voltou a integrar o onze inicial. Está fortemente motivado, o que se reflecte na sua atitude em campo, pressionando a saída em construção da equipa adversária. Esforço recompensado aos 38', quando marcou o nosso golo - à ponta-de-lança, muito bem servido por Matheus Reis. Ei-lo a facturar na terceira vez que veste de verde e branco desde o seu regresso, após uma assistência no jogo anterior, em que foi suplente utilizado. E aguentou os 90 minutos. Exibição muito positiva.

 

De Matheus Reis. O melhor em campo. Voltou a evidenciar-se como um dos grandes valores deste Sporting 2021/2022. Sobretudo no seu envolvimento em lances ofensivos bem desenhados, com ponto alto na assistência para o golo. Aos 85' voltou a fazer um cruzamento perfeito, solicitando Coates, quando o capitão já actuava lá na frente, como ponta-de-lança improvisado.

 

De Porro. Deu-nos os três pontos contra o Marítimo na primeira volta e bem tentou repetir a proeza na partida de ontem. Aquele seu tiro que bateu duas vezes nos ferros merecia melhor desfecho. Tal como o lance aos 49' em que isolou Paulinho na cara do golo, infelizmente desperdiçado.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da nossa vitória categórica frente ao Estoril. Grande exibição no regresso - que já tardava - dos jogos no José Alvalade ainda com horário solar. Vencemos um emblema que impôs um empate ao Benfica e esteve a vencer o FC Porto por 2-0 antes de uma reviravolta de contornos duvidosos. A superioridade leonina foi indiscutível: o 1-0 que se registava ao intervalo só pecava por escasso. Consumou-se assim o 18.º triunfo do Sporting nesta Liga 2021/2022. Num embate em que a equipa adversária não fez um só remate à baliza leonina.

 

Do resultado. Não esperava menos que isto: derrotámos a equipa que joga de amarelo por 3-0. Igualando assim a nossa melhor marca deste campeonato alcançada nos desafios em casa. E levamos 46 remates vitoriosos - mais um do que os da Liga 2020/2021 nesta mesma fase.

 

Do regresso de Pedro Gonçalves aos golos. Foi só encostar, é verdade, mas revelou reflexos muito rápidos e concentração total para marcar o nosso primeiro. Estavam já decorridos 40', aproveitando da melhor maneira um mau alívio do guarda-redes Dani Figueira, que largou a bola em zona frontal. O melhor artilheiro do campeonato 2020/2021 confirma-se assim como primeiro goleador do Sporting também nesta temporada. Esperemos que este jogo tenha contribuído para o vermos recuperar confiança em si próprio.

 

De Sarabia. Não faz malabarismos em campo para suscitar o aplauso fácil das bancadas nem se perde em rodriguinhos com a bola. Mas o internacional espanhol tem uma extraordinária capacidade técnica que põe sempre ao serviço da equipa. Foi dele o fortíssimo remate rasteiro, de meia-distância, que provocou uma defesa incompleta e a consequente recarga originando o nosso primeiro golo. E marcou essa obra-prima que foi o nosso terceiro, aos 81' - um disparo fabuloso, ao ângulo mais distante, que fez levantar o estádio. Soma e segue: foi o melhor em campo. Infelizmente não o veremos em acção na próxima jornada: ficará de fora por ter visto o quinto amarelo.

 

De Matheus Reis. Outra magnífica exibição. Regressou à ala esquerda, da qual foi dono e senhor, e destacou-se sobretudo na manobra ofensiva, nunca deixando os créditos por pés alheios. Fez excelentes cruzamentos aos 12' e 24' (dois) que mereciam ter sido mais bem aproveitados. E encarregou-se ele próprio de marcar o segundo, beneficiando de uma primorosa assistência de calcanhar de Paulinho, rematando sem hipótese de defesa aos 76'. Quase bisou dois minutos depois. Parece crescer de jogo para jogo, sempre em benefício do colectivo leonino.

 

De Slimani. O treinador mandou-o entrar aos 70', quando Ugarte se lesionou, dando instruções a Paulinho para se fixar na ala esquerda do nosso ataque. O argelino cumpriu, deixando bem evidente a sua vontade de ser útil à equipa. E foi. Primeiro como um dos intervenientes do segundo golo, iniciando o ataque no corredor central com um passe para Matheus Reis, que corria junto à linha. Depois, servindo Sarabia no terceiro. Foi a sua primeira assistência neste regresso ao Sporting, incentivado pelos 35.270 espectadores ali presentes.

 

De Porro. Muito dinâmico, sempre inconformado. Conduziu numerosos ataques pela ala direita, sempre encostado à linha, e destacou-se por cruzamentos bem medidos aos 28', 61' e 68'. O nosso segundo golo tem início nos pés dele, com uma longa diagonal de 30 metros. Com algumas queixas físicas, agravadas após ter sofrido um pisão, foi substituído aos 82' por Gonçalo Esteves. Sob merecidos aplausos.

 

Do reencontro com alguns jogadores que passaram pelo Sporting. Cinco, nesta partida: Francisco Geraldes, André Franco, Joãozinho, Leonardo Ruiz e Romário Baró. Gostei mais de rever uns do que outros, como é natural.

 

De termos reforçado o nosso estatuto de melhor defesa do campeonato. Apenas 15 golos sofridos em 23 jogos. Todos merecem elogio - incluindo Neto, ontem nosso capitão: não falhou qualquer passe na primeira parte contra o Estoril.

 

 

Não gostei

 

Das ausências. Entrámos desfalcados para este jogo, com quatro futebolistas castigados em simultâneo: Coates, Palhinha, Esgaio e Tabata. Pode ser coincidência, mas não parece.

 

De Matheus Nunes. Ter-lhe-á feito mal o rasgado elogio que lhe tributou Pep Guardiola? A verdade é que esteve muito apagado no meio-campo, errando passes, travando o ritmo de jogo e agarrando-se em excesso à bola quando lhe competia conduzir ali a manobra ofensiva num dueto que partilhou desta vez com Ugarte (Palhinha não jogou por estar castigado). Rúben Amorim trocou-o aos 60' por Daniel Bragança, muito mais acutilante e objectivo. Não por acaso, o segundo e o terceiro golos ocorreram já com o substituto em campo.

 

Da lesão de Ugarte. Após a disputa de uma bola, caiu desamparado e esteve dois minutos estendido no relvado. Acabou por sair, visivelmente aturdido, e foi de imediato conduzido ao balneário para um exame clínico. Esperemos que o jovem internacional uruguaio recupere depressa. 

 

De Raul Silva. Emprestado pelo Braga ao Estoril, o maior sarrafeiro da equipa minhota confirmou a sua péssima fama mal foi lançado no jogo, aos 60': três minutos depois, na disputa de uma bola com Porro, aplicou-lhe um pisão que poderia tê-lo lesionado gravemente, acabando expulso aos 65' por Helder Malheiro - com desempenho competente como juiz da partida, sobretudo quando comparado com a maioria dos seus colegas que já apitaram jogos do Sporting.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De ver a nossa equipa bater-se contra doze. Fomos ao Dragão arrancar o empate mais difícil e suado deste campeonato. Não por causa do poder de fogo do adversário - que perdeu ontem os primeiros dois pontos em casa - ou da sua superioridade técnica ou táctica, mas porque ficámos reduzidos a dez durante mais de 45 minutos, quase toda a segunda parte acrescida de 12 (!) minutos de tempo complementar. E enfrentámos doze: não apenas o onze portista, que se manteve incólume até ao apito final, como seria de esperar sobretudo em casa, mas também o inefável João Pinheiro, um dos mais incapazes e incompetentes árbitros portugueses.

 

De começar o clássico com eficácia máxima. Duas ocasiões de golo, ambas concretizadas antes do minuto 35. Em ataque rápido, muito bem organizado, com a bola de pé para pé, perante o descalabro da defensiva portista, que nos concedeu imenso espaço. Nós aproveitámos da melhor maneira. Balanço final: quatro remates, dois golos. Difícil conseguir melhor.

 

Dos nossos dois golos. Jogadas magistrais, que merecem ser revistas. O primeiro, aos 8', começa a ser construído com um magnífico passe longo de Esgaio lá atrás, junto à linha direita, cruzando para Matheus Reis no flanco oposto. O nosso ala esquerdo progride com ela e faz um cruzamento perfeito para a cabeça de Paulinho, que muito bem colocado, à ponta-de-lança, dispara de cabeça para o fundo das redes, inutilizando o esforço de Diogo Costa para a deter. O segundo, aos 34', merece ser inscrito em compêndios e revela como é competente o treino de Rúben Amorim nas sessões de trabalho em Alcochete: 42 segundos de puro futebol, com a bola a transitar de baliza a baliza sempre ao primeiro toque, com toda a equipa envolvida (14 toques no total). O desfecho foi assim: Matheus Nunes coloca-a em Matheus Reis (novamente ele), que a leva a sobrevoar a área portista para Sarabia, atento ao segundo poste, cruzar recuado e ali surgir Nuno Santos a encostar sem contemplações. Tudo bem feito. 

 

Do resultado ao intervalo. Vencíamos por 2-1 em casa do adversário. E convencíamos nesta partida em que nos colocámos em vantagem logo aos 8'. Quando os jogadores se dirigiam para o balneário tinham reduzido em três pontos a diferença face à equipa anfitriã, líder do campeonato.

 

De Adán. Uma vez mais, imprescindível. Se saímos com um ponto do Dragão, neste desafio de dez contra doze, em boa parte se deve ao nosso guarda-redes. Sem responsabilidade nos golos sofridos aos 38' e 78', fez uma defesa magistral a uma cabeçada de Grujic num dos últimos lances da partida, aos 90'+10, impedindo a vitória portista que seria totalmente injusta.

 

De Matheus Reis. Elejo-o como melhor em campo. Não apenas por ter intervenção directa - e fundamental - na construção dos nossos golos, e por ter sido competentíssimo nas duas posições em que actuou (foi lateral e central). Mas sobretudo pela garra e pelo brio revelados num dos estádios mais difíceis do País, sem se deixar condicionar pelos 45 mil espectadores que puxavam pela equipa da casa, nem pelas provocações do banco adversário, nem sequer pelo tendencioso desempenho do senhor de apito que inclinou o campo. Quando foi preciso cerrar fileiras e defender em desequilíbrio de forças, ele valeu por dois.

 

De Ugarte. Amorim apostou nele como médio de contenção em vez de Palhinha, desta vez fora do onze titular. Aposta ganha: o jovem internacional uruguaio bateu-se como um verdadeiro Leão no relvado portista. Vencendo vários duelos, recuperando a bola, nunca dando um lance por perdido. Já com Palhinha em jogo, a partir do minuto 55, formou com ele uma parede eficaz contra o ímpeto ofensivo do adversário que beneficiava de vantagem numérica. Saiu só aos 90'+2, exausto, dando lugar a Tabata. Dever cumprido.

 

De Matheus Nunes. Trabalho mais discreto do luso-brasileiro, mas não menos eficaz na elaboração da teia leonina no corredor central, sobrepondo-se com frequência aos adversários directos naquela zona do terreno. Fundamental no início da construção do segundo golo, obra-prima de organização colectiva.

 

De termos disputado o 27.º jogo seguido sempre a marcar. A última partida em que ficámos em branco foi o Borussia-Sporting, para a Liga dos Campeões, em 28 de Setembro.

 

De termos anulado a vantagem do FCP. Após este 2-2, o desempate será a nosso favor em caso de igualdade pontual no fim da Liga 2021/2022. No jogo da primeira mão, a turma azul e branca foi empatar 1-1 a Alvalade.

 

 

Não gostei

 

Do árbitro. João Pinheiro inaugurou novo método de apitar os jogos: primeiro exibe o cartão amarelo sem qualquer justificação, depois pede desculpa aos amarelados talvez para aliviar a má consciência. Teve influência directa não apenas no desfecho da partida como no caos disciplinar subsequente, num espectáculo lamentável que todo o País presenciou pelas imagens televisivas. Aos 27' mostrou amarelo a Coates na disputa de uma bola com Taremi em que o agredido foi o nosso capitão leonino, vítima de um pisão do iraniano, que escapou sem castigo. Sabendo que errara (e após pedir desculpa, sem retirar o cartão), Pinheiro volta a exibir o cartão ao uruguaio, expulsando-o aos 49'. Manifesta injustiça, delito de lesa-futebol. Viria também a amarelar Palhinha por falta inexistente, aos 71'. Se houvesse um mecanismo justo e sério de avaliação dos árbitros, este não voltava a apitar desafios da Liga principal até ao fim da época.

 

De termos jogado só com dez durante mais de metade do clássico. Devido à injustíssima expulsão de Coates, Amorim teve de organizar a equipa num 5-3-1 de emergência, fazendo sair Sarabia e reforçando o meio-campo defensivo com a inclusão de Palhinha. Aos 66', Neto substituiu Nuno Santos, regressando Matheus Reis à lateral esquerda. Do mal, o menos: deu para minimizar os estragos.

 

Do empate. Os portistas só por duas vezes conseguiram furar a nossa muralha defensiva. Infelizmente para nós, foi quanto bastou para perdermos dois pontos no Dragão. E mantermos assim a distância de seis face à turma anfitriã. Estamos agora dependentes de duas derrotas - ou de três empates - do FCP para conquistarmos o bicampeonato. Não é impossível, mas tornou-se mais difícil. E não podemos voltar a ter percalços, como aconteceu com as derrotas sofridas contra Santa Clara e Braga.

 

De não termos contado com Porro e Pedro Gonçalves. Ficaram preservados para o próximo embate do campeonato, a recepção ao Estoril. Males que vieram por bem. E há que reconhecer: Esgaio e Nuno Santos foram substitutos à altura, dando boa conta do recado.

 

De vermos mais de meia equipa excluída do próximo desafio. Coates, Tabata e Palhinha por expulsões (os médios já no sururu que se seguiu ao jogo), Esgaio por ter visto o quinto amarelo e provavelmente Nuno Santos e Matheus Reis por alegado "comportamento antidesportivo" (um disse um palavrão e outro fez um gesto obsceno, coisas jamais vistas em estádios de futebol). Pelo menos estes. Falta saber como estarão os restantes jogadores no capítulo físico. 

 

Do péssimo final do jogo. Simplesmente vergonhoso. E totalmente inaceitável, até com agressões de elementos da estrutura portista a jogadores do Sporting. O "dragão" no seu pior: merecia ser interditado se houvesse coragem para enfrentar esta gente ao nível da justiça desportiva portuguesa. Mas não há, como bem disse Frederico Varandas nas desassombradas palavras que proferiu depois do jogo, sujeitando-se ele próprio a ser agredido por aquela turba sempre impune.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De termos quebrado o enguiço contra o Famalicão. Vencemos enfim a equipa minhota após cinco jogos na Liga em que fomos incapazes de a derrotar. Aliás os nossos dois primeiros pontos perdidos neste campeonato ocorreram precisamente em Famalicão. Hoje, em Alvalade, fomos superiores sem sermos dominadores. Mas deu para conseguir os três pontos: vitória por 2-0. Fundamental antes da próxima ronda, em que iremos ao Dragão.

 

Do penálti a nosso favor logo aos 4'. Derrube claro de Paulinho em zona proibida que o árbitro André Narciso prontamente assinalou. O jogo começava para nós da melhor maneira. Infelizmente não soubemos gerir essa vantagem tão prematura e permitimos em diversas ocasiões que a equipa adversária condicionasse a nossa saída de bola e a ligação entre a defesa e o ataque. 

 

Da segunda parte. Só nos últimos 45 minutos fomos claramente superiores ao Famalicão. E marcámos o segundo golo, que fixou o resultado e nos trouxe a tão necessária tranquilidade. Bem precisávamos dela.

 

De Adán. O homem do jogo. Foi crucial para devolver equilíbrio e estabilidade à equipa no quarto de hora final da primeira parte, quando o Famalicão nos caiu em cima com mais intensidade. Momento alto: defendeu um penálti assinalado após o minuto 45, já no tempo extra. É um grande guarda-redes, ninguém duvida. Foi ainda crucial aos 90'+3, ao desviar com a ponta dos dedos uma bola que levava selo de golo.

 

De Sarabia. Quarto jogo seguido a marcar. Desta vez foi de penálti, aos 6', convertendo de forma impecável o castigo máximo. Está a assumir-se de jogo para jogo como o comandante do nosso ataque. Os passes com maior precisão, lá na frente, são dele. Serviu muito bem os colegas aos 28', 62' e 72' em lances que mereciam outro desfecho. Confirma-se como um dos melhores jogadores a actuar no campeonato português.

 

De Matheus Reis. Estreou-se a marcar de verde e branco. Bem mereceu este golo, aproveitando da melhor maneira uma bola que sobrou à entrada da área e à qual ele deu o melhor caminho com um disparo fortíssimo com o seu pé canhoto. Um golaço, aos 63', festejado com euforia por quase todos os 25.640 adeptos presentes no estádio. O ex-Rio Ave voltou a fazer duas posições: começou como lateral esquerdo, terminou como central. Rende em qualquer delas.

 

Do regresso de Slimani. Cinco anos e meio depois, o craque argelino voltou a pisar o relvado de Alvalade. Saudado em clima de festa pelos adeptos, entrou aos 74', rendendo Porro, e passou a actuar no centro do ataque, com Paulinho descaído para a ponta direita. Está nitidamente à procura de entrosamento com a equipa, mal conhece ainda a ideia de jogo de Rúben Amorim, mas nota-se intensidade em campo e vontade de mostrar muito em breve aos adeptos aquilo que ele melhor sabe fazer: golos.

 

De termos superado o Famalicão sem sofrer golos. Há cinco jogos que não mantínhamos a baliza a zero: desta vez foi possível conservá-la intacta. Para isso muito contribuiu o regresso de Coates, após convocatória para a selecção do Uruguai. Com ele em campo a equipa melhora em concentração competitiva, na pressão aos atacantes adversários e no controlo da profundidade. Já fazia falta.

 

Desta nossa quarta vitória consecutiva. Vencemos Santa Clara e Benfica (ambos por 2-1) para a Taça da Liga, que conquistámos, o B-SAD no Jamor (por 4-1) e agora o Famalicão. Dez golos marcados e três sofridos nestas quatro partidas que antecedem o clássico do Dragão.

 

Que quatro dos nossos cinco jogadores em risco de exclusão tenham saído incólumes. Palhinha, Sarabia e Pedro Gonçalves, que foram titulares, e Esgaio, que substituiu Feddal no segundo tempo, ficariam de fora do próximo desafio se vissem amarelo. Mas não viram.

 

 

Não gostei

 

Do amarelo a Porro. O lateral direito teve uma primeira parte apagada, talvez por se saber quase tapado por cartões, o que o deixou condicionado. Podia ter sido castigado ao fazer falta punida com o penálti que Adán viria a defender, mas o árbitro deixou passar. No entanto, acabaria mesmo por ver o amarelo aos 56', num lance perfeitamente escusado em que tentava disputar a bola junto à linha, longe da zona de perigo. Amorim mandou-o sair demasiado tarde, aos 74'. Vai falhar o jogo contra o FC Porto: será a nossa maior baixa nesse clássico.

 

De Pedro Gonçalves. Nova exibição muito abaixo do nível que demonstrou na época passada, em que foi um dos principais obreiros do título de campeão. Umas vezes parece intranquilo, ansioso, agarra-se demasiado à bola; outras vezes mostra-se algo apático, chegando tarde aos lances. Anda a atravessar a sua pior fase desde que chegou ao Sporting. Substituído por Tabata aos 64', aparentou sair com queixas físicas.

 

Da nossa primeira parte. A equipa partiu-se com frequência, desorganizou-se em períodos vários, pareceu conformada em excesso com a magra vantagem conseguida muito cedo no golo de penálti por um brinde infantil de Marín, do Famalicão. Perdeu-se dinâmica colectiva que alguns jogadores tentaram compensar com excesso de individualismo. Felizmente quase tudo foi corrigido na segunda parte, que nos correu francamente melhor.

 

Do excesso de queixinhas. Os nossos jogadores passam demasiado tempo a cair para o chão, esperando ouvir o apito a indicar falta por tudo e por nada, e em protestos dirigidos aos adversários e às próprias equipas de arbitragem. Eu gostaria de ouvir menos queixas em campo e de ver reforçados os índices de concentração naquilo que realmente interessa.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da nossa vitória clara no Jamor. Goleámos por 4-1 aquela aberração que responde pela sigla B-SAD. Num Estádio Nacional só com adeptos do Sporting. 

 

Da nossa entrada com grande dinâmica ofensiva. Dois golos logo a abrir o jogo. O primeiro aos 11', por Paulinho, o segundo aos 17', por Porro. Ao intervalo, vencíamos por 3-1. A segunda parte começou com mais um golo, aos 47'. A partir daí, imperou a gestão da condição física dos jogadores, mas sempre a mantermos a posse de bola. Deu até para Rúben Amorim esgotar as substituições, ao contrário do que costuma fazer: trocou Porro por Gonçalo Esteves (52'), Matheus Nunes por Daniel Bragança (52'), Pedro Gonçalves por Tabata (58'), Nuno Santos por Vinagre (58') e Sarabia pelo estreante Edwards (71').

 

De Paulinho. Regressou aos golos. E logo a bisar. No primeiro, com Sarabia a construir para ele no lado direito, bastou-lhe encostar. O segundo, a abrir a etapa complementar, foi de excelente execução técnica, com assistência perfeita de Porro: golo de cabeça do avançado leonino. Faz-lhe bem ter a concorrência do recém-regressado Slimani.

 

De Porro. Voltou à titularidade e voltou às grandes exibições. Confirma-se como o melhor ala direito a actuar na Liga portuguesa e um dos melhores que jogaram desde sempre nesta posição no futebol do Sporting. Marcou um extraordinário golo aos 17' - indefensável bomba disparada de meia distância com o seu potente pé direito após assistência de Ugarte. E foi dele o passe para o segundo de Paulinho. Merece ser distinguido como melhor em campo.

 

De Sarabia. É um prazer ver jogar este titular da selecção espanhola, emprestado ao Sporting pelo Paris Saint-Germain. Tem classe, tem categoria, tem excelente técnica, tem apurada visão de jogo. E tem golo: marcou mais um nesta partida - o terceiro, aos 45'+1, após cruzamento de Nuno Santos, no seu terceiro jogo consecutivo a facturar nesta Liga 2021/2022. Já tinha assistido no primeiro, de Paulinho. Outra actuação de grande nível. Soma nove golos e oito assistências no Sporting.

 

De Gonçalo Esteves. Quando Amorim retirou Porro, decidindo poupá-lo a desgaste extra já a pensar na partida de domingo frente ao Famalicão, o miúdo que veio do Porto deu boa conta do recado. Vencendo sucessivos confrontos individuais, confirmando duas características fundamentais: intensidade e velocidade. E nem hesitou em tentar o golo: aos 83', concretizou um belo remate que rasou a trave. Por vezes faz-nos esquecer que ainda é júnior.

 

Da estreia de Edwards. O ex-internacional sub-20 inglês foi brindado com vibrante ovação dos adeptos neste seu jogo inaugural de verde e branco, recém-chegado de Guimarães. É um grande reforço, ninguém duvida. Terá tempo de assimilar os processos de jogo em Alvalade, sob o comando de Amorim. Fez bem o treinador em proporcionar-lhe minutos numa fase em que não pairava a menor dúvida sobre o desfecho desta partida no Jamor.

 

Da grande atitude da equipa. Futebol alegre e vertical, demonstrando que aquele período de mini-crise em que perdemos dois jogos (contra o Santa Clara nos Açores e contra o Braga em casa) está superado. O facto de nos termos sagrado campeões de Inverno, derrotando o Benfica na final da Taça da Liga, ajudou muito.

 

Da nossa regularidade na marcação de golos. Já levamos 35 jogos a facturar nesta época, até ao momento só ficámos uma vez em branco.

 

De termos aumentado a distância que nos separa do Benfica. Os encarnados, ontem derrotados na Luz pelo Gil Vicente (1-2), voltam a estar seis pontos abaixo de nós. E começam a ter o Braga à perna, ameaçando disputar-lhes o terceiro lugar.

 

Do árbitro Gustavo Correia. Deixou jogar, adoptando um critério largo, à inglesa, sem apitar sempre que um jogador se atira para o chão. Ao contrário de vários dos seus colegas, que param o jogo a todo o momento por supostas faltas que noutros campeonatos jamais mereciam o som do apito.

 

 

Não gostei

 

De termos sofrido um golo. Foi aos 21': belo golo de Camará, sem qualquer hipótese de defesa para Adán. Seis minutos depois, o nosso guarda-redes, com uma intervenção oportuníssima, impediu o B-SAD de fazer o 2-2: se tal não tivesse acontecido, o desfecho deste encontro talvez fosse bem diferente. A verdade, de qualquer modo, é que reforçamos a nossa posição como defesa menos batida do campeonato: apenas 13 golos sofridos em 20 jogos.

 

De Pedro Gonçalves. O que se passa com o nosso atacante, que brilhou no campeonato anterior e foi elemento essencial da conquista do título que nos fugia há 19 anos? Anda a rematar frouxo, um pouco perdido no campo, sem a mesma atracção pela baliza. É verdade que foi ele a iniciar o lance do terceiro golo, mas falhou dois que o Pedro Gonçalves de 2020/2021 teria concretizado.

 

De Vinagre. Continua a parecer um corpo estranho na equipa. Joga sempre da mesma forma, correndo colado à linha esquerda, faz sempre a mesma finta de corpo, cruza a bola sempre do mesmo modo e falha por sistema esses centros por ter deficiente noção das movimentações dos colegas na área. Desta vez esteve mais de meia hora em campo mas aproveitou-se pouco do que fez.

 

De mantermos cinco jogadores à bica. Sarabia, Palhinha, Porro, Esgaio e Pedro Gonçalves estão à beira de ser excluídos por acumulação de amarelos. Nenhum deles "limpou" o castigo. Esperemos que não venham a ser amarelados no próximo domingo, frente ao Famalicão, o que os impediria de comparecer no clássico do Dragão, marcado para o dia 11.

 

Deste inenarrável B-SAD. Vai descer de divisão no final da época, seguramente. Mas é penoso continuar a ver em campo onze jogadores que não são de nenhum clube nem formam uma verdadeira equipa, sob contrato de uma entidade sem nome nem emblema nem bandeira nem estádio nem sócios nem adeptos. Um abcesso no futebol português.

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

Desta estreia em 2022 no nosso estádio com uma derrota. Saímos vencidos (1-2) frente ao Braga após uma segunda parte calamitosa e um tempo extra (quase 10') em que andámos de mal a pior. Perante a mais fraca equipa braguista dos últimos anos, classificada antes deste jogo 15 pontos abaixo da nossa, com o treinador Carlos Carvalhal ausente por castigo e desfalcada de vários jogadores (David Carmo, Paulo Oliveira, Iuri Medeiros). Fomos derrotados em campo e levámos um banho táctico, sobretudo após o intervalo, em que o onze leonino surgiu irreconhecível: desligado, desconcentrado e displicente.

 

De mais dois golos consentidos. Onde foi parar a muralha defensiva leonina, ainda há pouco tão elogiada pela sua segurança e consistência? Sete golos sofridos nos últimos quatro desafios do campeonato (dois contra o Portimonenses, três contra o Santa Clara, agora outros dois). Mais do que nas 15 partidas anteriores.

 

De Coates. Segundo jogo consecutivo com o nosso capitão em má forma. Na ronda anterior, perante o Vizela, viu-se forçado a fazer uma falta desnecessária logo aos 3' que lhe valeu o amarelo. Agora ia enterrando a equipa com uma entrega de bola em zona proibida aos 47' que só não deu golo por falha clamorosa do Braga. Nos 20 minutos finais, já em desespero, o treinador mandou-o avançar como ponta-de-lança improvisado, mas desta vez o pronto-socorro estacionou na berma: a eficácia não estava lá. Tapado com cartões, falha a próxima partida do campeonato.

 

De Gonçalo Inácio. A pior partida de Leão ao peito: exibição calamitosa do central que actua há demasiado tempo de pés trocados. Começou mal, oferecendo a bola ao adversário aos 3' e aos 9'. Errou passes, foi incapaz de construir com qualidade. Insistiu nos disparates aos 77' e aos 87', dando brindes ao Braga. Anda a precisar de uma pausa urgente no banco leonino. Mas onde está o suplente se ele próprio já funciona como uma adaptação?

 

Do golo aos 52'. De grande penalidade, muito duvidosa, assinalada pelo VAR João Pinheiro por alegado toque de Matheus Reis no pé de apoio de Galeno e após consulta às imagens pelo árbitro Hugo Miguel. O mesmo que aos 24' tinha "visto" uma alegada deslocação de Pedro Gonçalves no lance do legalíssimo golo leonino, felizmente revertida por intervenção do vídeo-árbitro. O penálti, justo ou injusto, foi convertido repondo o empate para o Braga. Depois tivemos mais de 40 minutos para virar o resultado, mas não fomos competentes para atingir tal fim. E ainda sofremos o segundo, aos 90'+7, marcado por Gorby, um miúdo em estreia absoluta pelos minhotos.

 

De Paulinho. Outro jogo sem marcar: já nem é notícia. Quando precisávamos dele dentro da área, para a meter lá dentro, andava colado à linha, na zona do meio-campo, como se fosse um ala, transmitindo a ideia de algum desnorte posicional. Aos 13', Palhinha ofereceu-lhe o golo: com um remate inútil, ele foi incapaz de fugir à marcação. Matheus Reis ofereceu-lhe outro, aos 60': o melhor que fez foi cabecear para que a bola rasasse o poste. No minuto seguinte Pedro Gonçalves serviu-o de bandeja com um cruzamento a partir da direita: ele ficou em posição de estátua, imóvel, permitindo que o defesa anulasse o lance. Aos 90'+7, novamente com a baliza à sua mercê, atirou para o lado. Volta a ser um avançado sem golo quando o primeiro que tem obrigação de marcar é ele.

 

Das substituições. Enquanto o treinador-adjunto do Braga, seguindo as  instruções do ausente Carvalhal, melhorava a equipa a cada troca de jogadores, no Sporting ia sucedendo ao contrário. Amorim não esgotou as substituições: deixou Daniel Bragança no banco mantendo um esgotado Matheus Nunes em campo, mandou sair Sarabia, trocando-o por Jovane, que não tocava na bola desde meados de Novembro. Tabata substituiu Feddal actuando como lateral com todo o corredor esquerdo a seu cargo mas minutos depois passou a ser ala-direito. Matheus Reis deslocou-se de lateral para central. Coates avançou para ponta-de-lança (estando Tiago Tomás no banco) e Ugarte, que rendeu Palhinha, passou a funcionar como central. Um caos em termos de organização que só conseguiu partir ainda mais o nosso jogo. Terminámos a partida com uma inútil linha avançada composta por cinco elementos, um meio-campo quase inexistente e... a sofrer o segundo golo. 

 

Do fim do toque de Midas. A "estrelinha" migrou para parte incerta: acabou-se a invencibilidade de Rúben Amorim nas partidas disputadas em casa. Foi bom enquanto durou: quase dois anos. Trinta e cinco jogos sem perder.

 

De vermos o título ainda mais longe. Já não dependíamos só de nós antes do apito inicial deste Sporting-Braga. Após esta segunda derrota em três desafios seguidos do campeonato, preparamo-nos para ver o FC Porto ainda mais longe: seis pontos de distância, se os portistas hoje ultrapassarem o Famalicão em casa. Teremos de vencer no Dragão, mas nem isso basta: há que aguardar por um tropeção dos azuis-e-brancos, que estão em muito melhor forma do que na época passada. E temos agora o fraco Benfica apenas a três pontos. 

 

Das ausências de Porro e Nuno Santos. O primeiro por lesão que tem vindo a prolongar-se, o segundo por castigo. Não há jogadores insubstituíveis, mas o Sporting tem melhor dinâmica colectiva com estes dois futebolistas em campo, dominando cada qual as suas alas, à direita e à esquerda. 

 

 

Gostei

 

Do resultado ao intervalo (1-0). Era até lisonjeiro para o Braga. Matheus Nunes comandou o meio-campo, transportando a bola com qualidade e assinando um passe magistral para o regresso de Pedro Gonçalves aos golos em Alvalade - não marcava desde a recepção ao Borussia Dortmund, em Novembro. Este golo relativamente madrugador, aos 24', abria boas perspectivas para um triunfo confortável. Que acabou por não acontecer.

 

De Pedro Gonçalves. Segundo jogo consecutivo a marcar, procurando compensar as insuficiências do nosso avançado-centro. Impecável gesto técnico na recepção da bola e um espectacular túnel ao guarda-redes Matheus, metendo-a lá dentro. Foi sempre o mais inconformado do onze leonino, mantendo acesa a chama até ao fim. Grandes cruzamentos aos 61' e 73'. Aos 90'+2, fez pontaria à baliza mas permitiu a defesa do guardião braguista. Dos nossos, foi o melhor. 

 

Da primeira parte de Matheus Nunes. Arrancou calorosos aplausos dos 26 mil adeptos que enfrentaram o frio no estádio com a sua dinâmica neste regresso ao onze titular. Queimando linhas, saindo com qualidade, desequilibrando, assistindo para o golo. Anulado na segunda parte: o Braga, com Al Musrati mandatado para esse efeito, cortou-lhe espaço. E o cansaço começou a pesar-lhe nas pernas, roubando-lhe discernimento.

 

De ver o Sporting marcar há 32 jornadas seguidas. Desta vez, infelizmente, serviu-nos de pouco. Ou nada.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Da nossa vitória em Vizela (0-2). Três pontos arrancados sem grande dificuldade à equipa minhota, que já havíamos vencido por 3-0, em Alvalade, no início deste campeonato. Agora com os dois golos marcados ainda na primeira parte por Pedro Gonçalves (28') e Daniel Bragança (42'). 

 

De Pedro Gonçalves. Regresso aos golos após um jejum de nove jogos sem marcar. Já fazia falta, o Pedro artilheiro. Marcou no estilo a que nos habituou: mais em jeito do que em força, com um remate muito bem colocado, para o ângulo superior direito da baliza vizelense. Que seja o primeiro de muitos em 2022.

 

De Sarabia. Muito influente, o internacional espanhol. Com pormenores de pura classe. Assiste Pedro Gonçalves no primeiro golo, faz um excelente cruzamento que inicia o segundo e oferece outro, aos 50', que o n.º 28 desperdiça. Esteve ele próprio quase a marcar, aos 88', num remate travado com dificuldade pelo guarda-redes Pedro Silva, formado em Alcochete.

 

De Matheus Reis. Vai refinando a exibição de jogo para jogo. Hoje foi o melhor do nosso quinteto defensivo. Excelentes cortes aos 69', 72' e 80'. Muito seguro no passe e na condução da bola. Tem a titularidade agora sempre garantida, quer como central (a posição a que regressou nesta partida), quer como lateral esquerdo.

 

De Daniel Bragança. O melhor em campo. Rúben Amorim surpreendeu ao colocá-lo como titular, deixando Matheus Nunes no banco. O jovem médio criativo formado em Alcochete correspondeu da melhor forma à confiança do técnico: organizou jogo, teve sempre precisão no passe e marcou um soberbo golo, num disparo forte com o seu pé esquerdo, coroando magnífica jogada colectiva que teve também Sarabia e Nuno Santos como intervenientes. 

 

Deste início da segunda volta. Voltámos às vitórias, depois do percalço ocorrido em Ponta Delgada na jornada anterior, num jogo que dominámos por completo a partir do quarto de hora inicial. Na segunda parte limitámo-nos a segurar a vantagem, aspecto em que somos muito fortes. Continuamos a fazer marcação cerrada ao FC Porto e ampliámos a distância face ao Benfica, terceiro classificado da Liga, agora seis pontos abaixo de nós.

 

De não termos sofrido qualquer golo. Continuamos a ser a equipa menos batida deste campeonato 2021/2022: só dez golos em 18 desafios. Os dois jogos anteriores, em que sofremos cinco, terão sido incidentais.

 

De ver o Sporting marcar há 31 jornadas seguidas. Sinal inequívoco da grandeza desta nossa equipa, tão bem orientada por Rúben Amorim.

 

 

Não gostei

 

Dos 15 minutos iniciais. Entrada forte do Vizela, que nos remeteu ao reduto defensivo nessa fase da partida em que podíamos ter sofrido um golo, logo aos 7'. Felizmente Adán estava atento e anulou o lance com uma enorme defesa, confirmando que continua em excelente forma.

 

De Coates. Entrada displicente do nosso capitão, forçado a fazer falta que lhe valeu amarelo logo aos 3', passando a actuar condicionado a partir daí. Parece em má condição física.

 

Da falta de golos na segunda parte. A nossa vitória acabou por saber a pouco com tanto domínio. 

 

Daquele sururu no final. Já no tempo extra, gerou-se enorme confusão junto ao banco leonino com jogadores e membros das equipas técnicas a trocarem insultos - e também com altercações entre adeptos das duas equipas na bancada central do estádio. Não havia necessidade.

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

Da nossa primeira derrota no campeonato. Em São Miguel, comportámo-nos no jogo inteiro como na jornada anterior durante o primeiro tempo frente ao Portimonense: cedemos a iniciativa ao adversário, fomos surpreendidos pelo sistema táctico da equipa oponente e vários dos nossos jogadores pecaram por sobranceria ou displicência. Ao ponto de nem terem aproveitado duas ocasiões em que nos adiantámos no marcador: logo aos 10', por golo de Palhinha, e aos 50', quando Sarabia fez o 1-2 frente ao Santa Clara. Saímos derrotados por 3-2, com manifesta superioridade da equipa açoriana. Que no início desta 17.ª jornada estava em 15.º na classificação e tinha o terceiro pior ataque da Liga 2021/2022.

 

De Esgaio. Partida para esquecer do lateral direito, que actuou em vez de Porro, ainda lesionado. Tem culpas nos três golos sofridos. Abre o flanco em jeito de avenida no primeiro (30'), falha a marcação no segundo (51') e está totalmente desposicionado no terceiro (78'), quando o "patrão" Coates já actuava lá na frente, como ponta-de-lança improvisado. Com a saída de Neto, passou de lateral a central sem ter subido de rendimento.

 

De Neto. Regressou à titularidade, por impedimento de Gonçalo Inácio. Esteve muito longe de jogar com a serenidade e a sabedoria que a sua experiência como central faria pressupor. Foi sempre o elemento mais instável, inseguro e intranquilo do nosso trio mais recuado. Parecia jogar sobre brasas. Repartiu com Esgaio responsabilidades nos dois primeiros golos que o Sporting sofreu. Saiu aos 59', certamente consciente de que nada fez para ajudar a equipa.

 

De Paulinho. Uma nulidade. Pensávamos que os três golos apontados frente ao Portimonense tivessem funcionado como tónico, mas não. Voltou ao mesmo, agora sem fazer até as movimentações de área e as diagonais a que nos foi habituando. Nos momentos decisivos, nunca estava no lugar certo. Fez o primeiro (e único) remate aos 90'+4, com a baliza à sua mercê, atirando ao lado. 

 

De Nuno Santos. Muito marcado no seu corredor, fez vários centros mas quase nenhum lhe saiu bem: ou eram muito curtos ou muito longos ou fáceis de interceptar pela defesa adversária. Continua com o péssimo hábito de se atirar para o chão aos gritos simulando falta, atitude antidesportiva a que já devia ter posto fim. 

 

De Pedro Gonçalves. Nono jogo seguido sem marcar - uma diferença assinalável em relação à época anterior. Abusou dos remates inconsequentes e até marcou um livre de forma anedótica, aos 72', quando estávamos empatados 2-2. Compensou diversas falhas com um soberbo passe que funcionou como assistência para o golo de Sarabia, mas é pouco para quem tantas virtudes exibiu na temporada 2020/2021.

 

De Tabata. Única substituição antes da hora do jogo: entrou aos 59', rendendo Neto, para tomar conta do corredor direito com o recuo de Esgaio. Em nenhum momento foi capaz de fazer a diferença, invertendo a tendência da partida. Vai somando oportunidades perdidas. Maldição do n.º 7?

 

De Daniel Bragança. Entrada tardia, só aos 83'. A emenda acabou por ser pior do que o soneto. Muito nervoso, sem evidenciar os dotes a que nos habituou, foi expulso sete minutos depois por pisão num adversário. Inicialmente advertido com amarelo pelo árbitro Rui Costa, esta decisão foi revertida por intervenção do VAR. Passámos a jogar os últimos seis ou sete minutos só com dez quando precisávamos de marcar dois para vencer. 

 

Da ausência de Rúben Amorim. Não será coincidência: a primeira derrota do Sporting em competições internas desde Maio de 2021 ocorre com o treinador impedido de viajar para os Açores por ter covid-19. Foi dando instruções por telemóvel ao seu jovem adjunto Carlos Fernandes, mas isso é insuficiente. Os jogadores necessitam da presença física e da voz de comando do técnico principal. Acompanhar o jogo pelas imagens televisivas, que quase só se limitam a acompanhar a bola, não é a mesma coisa. 

 

Dos golos sofridos. Antes deste jogo, tínhamos sete. Agora já vamos com dez: metade ocorreram nas duas últimas jornadas, o que não augura nada de bom. O que é feito da consistência defensiva que sempre constituiu o principal trunfo deste Sporting de Rúben Amorim?

 

Da desorganização. Não é nada vulgar nesta era Amorim, mas o jogo partiu-se demasiado cedo e foram accionadas medidas de emergência que soaram em excesso a improviso. Sobretudo no quarto de hora final. Coates a ponta-de-lança procurando colmatar a ineficácia de Paulinho, Palhinha recuando para a posição do uruguaio, Esgaio transitando de lateral para central... Tanta baralhação não trouxe nada de bom. 

 

Das substituições. Face ao descalabro deste nosso primeiro jogo disputado em 2022, apenas duas: troca de Neto por Tabata e de Matheus Nunes por Bragança. Ficaram três por fazer. Porquê? Falta de confiança em quem permaneceu no banco? Se alguém tinha dúvidas sobre a insuficiência deste plantel quando enfrentamos quatro provas em simultâneo e se avizinham jogos de selecções que nos desfalcarão ainda mais a equipa, este jogo tornou isso muito evidente.

 

 

Gostei

 

Do nosso primeiro golo, aos 10'. Fortíssimo disparo de João Palhinha, rasteiro, muito bem colocado, aproveitando da melhor maneira um ressalto que levou a bola a sair da grande área do Santa Clara. Este lance começa a ser construído pelo próprio Palhinha com um magnífico passe longo a toda a largura a partir da esquerda a que Sarabia deu a melhor sequência após impecável recepção junto à linha direita.

 

Do nosso segundo golo, aos 50'. A bola bombeada por Pedro Gonçalves sobrevoa a linha defensiva açoriana. Sarabia, esquivando-se à marcação perto do segundo poste, nem a deixa tocar no chão: remata de primeira com o seu pé menos bom (o direito), numa diagonal bem desenhada. Intervenção no primeiro golo e marcador do segundo: o internacional espanhol merece ser destacado como o melhor dos nossos em campo. Ou antes, o menos mau.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do nosso triunfo esta noite em Alvalade. Espectacular reviravolta conseguida já na segunda parte, depois de termos estado a perder por 0-1 frente ao Portimonense entre os 21' e os 65'. Aos 84', vencíamos por 3-1. Pena termos sofrido um segundo golo, aos 90'+2. Faltava pouco mais de um minuto para terminar a partida. Mas vitória incontestada da nossa equipa.

 

Do nosso segundo tempo. Total domínio leonino, com três golos construídos em transições rápida, sem os momentos de apatia registados nos 45 minutos iniciais. A equipa veio do intervalo com vontade indómita de virar o jogo e manter-se no topo da classificação, aguardando agora o desfecho do FC Porto-Benfica de amanhã. Partimos com vantagem, seja qual for o resultado dessa partida. E temos, para já, garantidas 24 horas no comando isolado do campeonato.

 

De Paulinho. O homem do jogo. Noite de gala para o avançado que fomos buscar ao Braga: nunca tinha marcado sequer dois golos num mesmo desafio vestido de verde e branco. Desta vez marcou três - aos 65', 76' e 84'. Graças a ele, conquistámos mais três pontos: já amealhámos 44 neste campeonato. Tinha anteriormente demonstrado ser muito útil nas movimentações dentro da área, a fazer tabelinhas e a arrastar marcações. Mas desta vez o n.º 21 mostrou aos adeptos aquilo que todos pretendemos dele acima de tudo o resto: instinto goleador. Passou com distinção.

 

De Nuno Santos. Grande partida do nosso ala esquerdo que neste jogo actuou quase sempre como extremo. Tem intervenção directa nos três golos do Sporting - o primeiro com assistência directa. Mentalidade competitiva e pulmão inesgotável. Pena a grande maioria dos cruzamentos dele terem sido desperdiçados por falta de sequência na área do Portimonense. Merece ser titular sem favor algum.

 

De Matheus Reis. Teve um mau momento ao marcar involuntariamente na própria baliza, dando vantagem ao Portimonense, quando tentava ir à dobra de Gonçalo Inácio, batido em velocidade num fulminante contra-ataque. Mas não revelou qualquer fragilidade psicológica decorrente desse lance: pelo contrário, voltou a rubricar outra excelente exibição. É ele a sacar o cartão vermelho a Pedro Sá, que travou à margem da lei do jogo uma perigosa condução com bola do brasileiro. E é ele também a iniciar o lance do golo 2, com um passe vertical muito bem medido. Começa a tornar-se imprescindível.

 

De Daniel Bragança. Saltou do banco aos 55', rendendo Palhinha, e fez a diferença. Com clarividência na condução da bola, exemplar visão de jogo e grande capacidade de queimar linhas, funcionou como talismã da equipa. Com ele em campo, todo o colectivo melhorou. É ele a iniciar o nosso primeiro golo.

 

Da estreia de Geny. O jovem moçambicano, com apenas 20 anos, vestiu pela primeira vez a verde e branca numa partida do primeiro escalão. Confirmando como Rúben Amorim confia nos jogadores formados na Academia leonina. Entrou aos 59' para o lugar de Esgaio, quando a equipa ainda estava a perder, e deu nas vistas com os desequilíbrios que foi criando no flanco direito, apesar de ser esquerdino. Momento alto: o livre directo que conseguiu aos 72'. Descomplexado, mostra confiança na condução da bola. 

 

Do Portimonense. A equipa algarvia deu-nos boa réplica em Alvalade e foi recompensada com dois golos, algo que não sofríamos há oito meses em casa, para o campeonato. Foi uma digna vencida. Convém não esquecer que o onze comandado por Paulo Sérgio já impôs uma derrota ao Benfica, na Luz, nesta Liga 2021/2022.

 

Do árbitro António Nobre. Não quis ser a estrela da partida, adoptou um critério largo na avaliação dos lances, ajuizou bem nos momentos capitais. Em perfeito contraste com o habitual desempenho de muitos dos seus colegas.

 

Da nossa 11.ª vitória consecutiva na Liga. Igualamos um recorde já com mais de 30 anos, alcançado na época 1990/1991, quando Marinho Peres era o nosso treinador. Amorim soma e segue, mantendo-se invicto enquanto treinador do primeiro escalão nas partidas disputadas em casa.

 

De ver o Sporting marcar há 29 jornadas seguidas. É um prazer redobrado ver esta nossa equipa em campo. Segura atrás, criativa a meio, eficaz à frente.

 

De terminar 2021 sob o signo das vitórias. Ano encerrado com dupla chave de ouro: este triunfo contra o Portimonense no futebol e a concludente vitória por 7-2 frente ao Benfica que pouco antes nos havia garantido a 10.ª Supertaça de futsal

 

 

Não gostei

 

Da primeira parte. Praticamente não construímos uma oportunidade de golo neste período. Vimos o Portimonense adiantar-se no marcador e ainda desperdiçar um segundo quando Nakajima dispara um petardo muito bem colocado que Adán desviou com brilhantismo, fazendo a bola embater no poste.

 

De Matheus Nunes. Foi talvez o nosso elemento mais apagado. Falhou passes, acusou falta de dinâmica, revelou-se incapaz de fazer a diferença nas acções ofensivas. Muito abaixo do que tem demonstrado noutros jogos.

 

Dos dois golos sofridos. Já não estávamos habituados. Foi a primeira vez que se registou tal facto nas competições internas desta temporada. Com a agravante de o primeiro ter sido autogolo.

 

De só ver cerca de 21 mil adeptos em Alvalade. Consequência directa das mais recentes medidas governamentais, que forçam quem queira ir ao futebol não apenas a apresentar um certificado digital de vacinação completa anti-covid mas também a fazer um teste PCR ou um teste rápido de antigénio antes de comparecer no estádio - além do uso obrigatório de máscara e da medição de temperatura. Tudo conjugado para manter um número máximo de pessoas em casa, evitando que assistam a espectáculos desportivos. Uma vez mais, o futebol como suspeito. Quando não existem normas similares nas fábricas, nos transportes públicos, nas grandes superfícies ou nos centros comerciais. 

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da nossa vitória categórica em Barcelos. Triunfo por 3-0 num campo sempre muito difícil, onde há duas épocas saímos derrotados por 1-3. Os golos tardaram mas apareceram, todos na segunda parte. Confirma-se: este Sporting que persegue o sonho do bicampeonato está ainda melhor do que aquele que em Maio conquistou o título nacional.

 

Do nosso segundo tempo. Mandámos por completo no jogo, desboqueámos o nulo inicial e podíamos até ter terminado a partida com goleada. Destaque para os 11 minutos em que fizemos dois golos e para o quarto de hora final, com domínio absoluto do Sporting, continuamente incentivado por muitos adeptos presentes no estádio.

 

De Nuno Santos. Lançado na partida aos 31', quando jogávamos já só com dez, passou a dominar o corredor esquerdo em movimentos pendulares que tão bem conhece. Mas os frutos desta sua entrada em campo só foram colhidos na segunda parte, quando o esquerdino funcionou como abre-latas da nossa equipa: recuperou uma bola já no meio-campo ofensivo, progrediu alguns metros com ela e disparou uma bomba que foi aninhar-se nas redes adversárias. Aconteceu ao minuto 64: assim começou a construir-se o triunfo leonino, com Nuno Santos a revelar-se o melhor em campo.

 

De Ugarte. Saiu cedo, aos 57', por já estar amarelado. Mas voltou a destacar-se com uma exibição muito positiva, confirmando a validade da aposta de Rúben Amorim nele como titular a médio defensivo. Extremamente útil na recuperação da bola e a colocá-la na frente, transportando-a por vezes ele também. Numa destas incursões foi derrubado em falta, aos 33', originando uma grande penalidade para o Sporting.

 

De Matheus Reis. Continua a confirmar-se como um dos melhores elementos deste Sporting 2021/2022, para surpresa de muitos adeptos. Voltou a fazer duas posições e em ambas - lateral e  central - teve exibição impecável. Competente na construção, eficaz no passe, seguro no domínio de bola. É um dos jogadores que mais têm progredido sob o comando de Amorim.

 

De Daniel Bragança. Foi um dia grande para o jovem médio formado em Alcochete: ontem, actuando como médio ofensivo, marcou pela primeira vez de verde e branco para o campeonato. Um grande golo, aos 90'+3, correspondendo da melhor maneira a um passe milimétrico de Paulinho. Em campo desde o minuto 77, substituindo Gonçalo Esteves, fez três quase-assistências para Pedro Gonçalves (86', 88', 90'+1), infelizmente desperdiçadas, antes de ele próprio marcar. Impecável com e sem bola. Fez tudo para merecer o golo.

 

Da estreia de Gonçalo Esteves como titular no campeonato. Com apenas 17 anos e 9 meses, tornou-se o mais jovem no onze inicial do Sporting desde Cristiano Ronaldo, estreante em 2002. Correspondeu às expectativas do treinador, sobretudo no segundo tempo, em que actuou com maior liberdade de movimentos, quase como um extremo. Saiu aos 77', já muito fatigado, tendo aproveitado da melhor maneira esta oportunidade gerada pelo impedimento simultâneo de Porro e Esgaio. Não custa augurar-lhe uma carreira de grande sucesso.

 

Dos regressos de Paulinho e Palhinha. O primeiro recuperado do coronavírus, o segundo já recomposto da lesão que o tinha afastado dos cinco jogos anteriores. O avançado jogou o tempo todo e revelou ainda energia para construir toda a jogada que viria a resultar no terceiro golo, o médio defensivo entrou aos 57' para render Ugarte e cumpriu no essencial, embora ainda longe do nível a que nos habituou.

 

De concluir outra partida sem qualquer golo sofrido. Em 15 desafios deste campeonato que vai quase a meio, apenas sofremos cinco: só um a cada três jogos.

 

Da nossa décima vitória consecutiva na Liga. Há 15 anos que não conseguíamos uma campanha interna com tanto sucesso como esta. Sem perder qualquer ponto desde 11 de Setembro.

 

De ver o Sporting no comando do campeonato. Com 41 pontos em 45 possíveis, lideramos isolados - pelo menos até amanhã. Já com melhor registo na comparação com a 15.ª jornada da época anterior enquanto nos mantemos em todas as frentes desportivas, ao contrário do que sucedia nesta mesma altura em 2020/2021. Tendo já defrontado os nossos dois rivais directos e o Braga. Este vai ser, para nós, um Natal ainda mais doce.

 

 

Não gostei

 

Da primeira parte. Péssimo futebol, com a bola quase sempre parada e o jogo interrompido. Duas expulsões, uma para cada lado. E o 0-0 inicial a manter-se ao intervalo, como espelho de tudo isto.

 

De Pedro Gonçalves. Onde anda o implacável goleador de outros jogos? Falhou (pela segunda vez) um penálti, aos 37', permitindo a defesa do guardião adversário. E desperdiçou diversas oportunidades soberanas de que foi dispondo, sobretudo nos sete minutos finais, assistido por Daniel Bragança. É verdade que o segundo golo nasce de um pontapé rasteiro dele, aos 64', na ressaca de um lance confuso na grande área do Gil Vicente, mas mesmo aí a bola só entra por tabelar em Gonçalo Inácio, a quem a proeza foi creditada.

 

De Neto. Expulso aos 22' por ter encostado a cabeça em Pedrinho, do Gil Vicente, quando o Sporting estava em superioridade numérica, desde a expulsão de Fujimoto aos 12'. Atitude inaceitável do segundo elemento mais velho e experiente do plantel, que tem a obrigação de resistir a todas as provocações. Obrigou Amorim a alterar primeiro o sistema, jogando dez minutos com uma defesa a quatro, e depois a trocar Sarabia por Nuno Santos, repondo a linha de três centrais mas vendo-se forçado a prescindir do internacional espanhol, que vinha de três jogos consecutivos a marcar. Desta vez viu-se condenado a ficar em branco.

 

De ver meia equipa amarelada. Além de Neto, brindado com vermelho directo, cinco dos nossos também foram "premiados" com cartões: Pedro Gonçalves (7'), Ugarte (20'), Matheus Nunes (45'+3), Coates (61') e Gonçalo Esteves (63'). Cortesia do senhor Tiago Martins, incapaz de perceber que o futebol é um jogo de contacto e que o árbitro não está em campo para ser a figura em máximo destaque, como ele tanto gosta.

 

Das lacunas no plantel. Por lesão, por covid ou por impedimento disciplinar, Amorim não contou nesta partida com sete jogadores: Jovane, Vinagre, Feddal, Porro, Esgaio, Tabata e Tiago Tomás. Por isso viu-se forçado a sentar no banco três juniores: Geny, Nazinho e Marsà. É urgente haver dois reforços cirúrgicos já no mês que vem.

 

De Tiago Martins. Confirma-se: é um dos piores árbitros portugueses. Actuação lamentável em Barcelos: quase tudo de relevante lhe passou ao lado. Não viu uma agressão de Fujimoto a Matheus Reis evidente para qualquer pessoa que acompanhasse o jogo, passou-lhe ao lado uma grande penalidade cometida contra Ugarte, exibiu indevidamente um cartão vermelho (forçado depois a retirar) ao jovem internacional uruguaio, teve um critério errático no plano disciplinar, continua a ser o árbitro que mais apita em desafios da Liga. Acabou por ser salvo em momentos cruciais pelo vídeo-árbitro João Pinheiro: este sugeriu-lhe que observasse as imagens da agressão a Matheus (mesmo assim demorou quatro minutos a decidir!) e do penálti cometido sobre Ugarte, além de impedir a expulsão deste jogador. Uma noite negra para este incompetente que continua a arrastar-se nos relvados portugueses.

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