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És a nossa Fé!

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Dos três pontos arrancados em Faro. Contra a briosa equipa do Farense, nossa filial n.º 2, alcançámos uma vitória difícil mas mais que merecida. Num estádio onde o Benfica tropeçou, empatando a zero, e o FC Porto foi incapaz de fazer melhor que nós, vencendo também por 0-1

 

De Adán. Um dos dois melhores jogadores em campo (o outro foi Beto, guarda-redes do Farense). Magistral a defender a nossa baliza com duas intervenções dignas do saudoso Vítor Damas, aos 53' e aos 84' - além de outras duas, aos 29' e aos 79', em lances que acabariam por ser anulados por terem decorrido em fora-de-jogo. Ao ver a exibição do magnífico espanhol lembrei-me de Schmeichel, que foi baluarte do nosso título do ano 2000.

 

De Pedro Gonçalves. Temi o pior, na jornada anterior, ao vê-lo surgir em campo de cabelo oxigenado: em regra, é mau sinal quando os jogadores andam a exibir penteados ridículos e tatuagens fajutas. Receios infundados: segunda jornada consecutiva com o nosso n.º 28 a dar nas vistas não apenas pelo amarelo do cabelo mas também pelos golos que vai marcando. Ontem, mais um, aos 35': valeu-nos três pontos. E recupera a liderança da lista dos goleadores da Liga 2020/2021. Já soma 17 na sua conta.

 

De João Mário. Alguns adeptos do Sporting embirram com ele, alegando que "não corre". Já diziam isso de Pedro Barbosa, Nani e William Carvalho, entre tantos outros. Mas o campeão europeu - único que resta nas fileiras leoninas - é o que melhor temporiza, transporta e segura a bola neste onze titular. Foi o primeiro a ameaçar as redes adversárias, aos 9': só Beto o impediu de inaugurar o marcador. Aos 31', excelente condução de lance ofensivo que merecia melhor desfecho. Aos 57', ofereceu um golo a Paulinho que Beto evitou com defesa monstruosa. Quando saiu, aos 71', a equipa perdeu discernimento e lucidez.

 

De Matheus Reis. Alinhou pela primeira vez de início, como central mais encostado à esquerda. Preenchendo a vaga de Feddal, ausente por lesão. Cumpriu a missão, no essencial, apesar de estar rotinado como lateral esquerdo. E não descurou a construção ofensiva.

 

De Beto e Ryan Gauld. Dois jogadores que já passaram pelo Sporting: por motivos diferentes, não houve lugar para eles. Destacaram-se, por mérito próprio, neste confronto algarvio. Vestidos de branco. Mas eu preferia vê-los de verde e branco.

 

Do árbitro Hugo Miguel. Deixou jogar, com critério largo, sem incentivar a ronha dos jogadores que adoram deixar-se cair simulando faltas. Precisamente o desempenho que tanto elogiamos em árbitros estrangeiros, designadamente em Inglaterra. O futebol português precisava de outros como ele.

 

De ver o Sporting com novo recorde batido. Superámos a marca estabelecida em 2002, quando fomos pela última vez campeões, sob o comando de Laszlo Bölöni: vamos agora em 27 jogos seguidos sem perder. Registo nunca antes alcançado, numa mesma prova desportiva, em 87 anos de participações da nossa equipa em campeonatos nacionais de futebol. 

 

Dos 69 pontos já somados. Para já, fica matematicamente garantido o quinto lugar da Liga 2020/2021. A sete jornadas do fim da prova. Ainda podemos totalizar 90 pontos, se vencermos todos os jogos até ao fim. À condição, levamos agora nove de avanço sobre o FC Porto, 12 sobre o Benfica e 15 sobre o Braga.

 

 

Não gostei

 

 

Dos golos desperdiçados. Beto fez pelo menos três enormes defesas, evitando que o Sporting marcasse: aos 9', negando o golo a João Mário num remate cruzado; aos 35', parando in extremis um cabeceamento letal de Coates na sequência de um canto; e aos 57', anulando um disparo de Paulinho. Três ocasiões perdidas para ampliarmos a vantagem. Outra aconteceu aos 50', quando Paulinho, em posição frontal, decidiu da pior maneira: lateralizou para o segundo poste, onde João Mário não poderia chegar. O ex-artilheiro do Braga tarda a impor-se como rematador no Sporting.

 

Do nervosismo de vários jogadores. Quase todos, valha a verdade - até alguns dos habituais melhores, como Coates e Palhinha. Perante o penúltimo classificado do campeonato. Passes falhados, perdas comprometedoras, remates disparatados a meia distância. Não havia necessidade. 

 

Do sistema táctico. Amorim voltou a prescindir do seu tradicional 3-4-3 para impor um 3-5-2 que a defender se transformava em 5-3-2. Os jogadores, menos rotinados neste sistema, acumulavam-se em zonas do terreno enquanto desguarneciam outras. As alas voltaram a não funcionar, sobretudo a direita, com um Porro irreconhecível. E abdicámos de extremos, agora que temos um ponta-de-lança, algo ainda mais difícil de entender.

 

Das substituições. Desta vez não resultaram: a equipa passou a jogar pior cada vez que o técnico fazia alterações. Tanto na troca de João Mário por Matheus Nunes, aos 71', como nas entradas de Nuno Santos para render Daniel Bragança e de Tiago Tomás para o lugar de Paulinho, ambas aos 83'. Matheus e Nuno não chegaram verdadeiramente a entrar no jogo. E perdemos os dois jogadores que melhor sabem segurar a bola na fase da partida em que mais precisávamos de estar com ela.

 

Da fraca produtividade lá na frente. Só cinco golos marcados nos últimos cinco jogos. Desta vez bastou para conseguir os três pontos. Mas há que melhorar a média ofensiva: não basta um remate enquadrado a cada quarto de hora.

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

 

Do empate em casa contra o Famalicão. Segundo consecutivo, o que já não acontecia desde Janeiro: acabamos por perder quatro pontos nestas duas jornadas. Ontem o resultado (1-1) foi construído muito antes do intervalo, com um golo de Pedro Gonçalves aos 25' seguido de um lapso defensivo da nossa equipa que se deixou empatar dois minutos depois. No primeiro lance ofensivo da turma minhota, que só voltaria a rematar uma outra vez até ao fim da partida.

 

Da atitude dos nossos jogadores. Entre o golo marcado e os vinte minutos finais, em que acentuaram enfim a pressão sobre a baliza adversária, voltaram a abusar da "posse de bola" inconsequente, feita de saída a passo, sucessivas trocas entre os centrais, passes curtos no miolo do terreno, lateralizados e à retaguarda, sem variações de flanco, sem explorar as alas, sem arriscar no remate de meia-distância. Dando quase a sensação de que o empate já servia.

 

De Feddal. Talvez por falta de condição física, esteve irreconhecível. Logo aos 2', fez um atraso de bola inconcebível, gerando situação de perigo. Falha a cobertura no lance do golo do Famalicão. Foi substituído ao intervalo, dando lugar a Matheus Reis, que esteve num plano superior.

 

Da nossa ala esquerda. Toda confiada a Nuno Mendes, que vinha de lesão e foi incapaz de assegurar em simultâneo o vaivém que aquele dispositivo táctico lhe impunha. Com prejuízo evidente para as acções ofensivas. A prestação da equipa neste sector melhorou claramente com a entrada - demasiado tardia - de Nuno Santos, que aos 76' rendeu Tiago Tomás e se fixou como extremo no flanco esquerdo.

 

Da ausência de Gonçalo Inácio. Sofreu uma entorse num treino e ficou fora da convocatória. Fez falta. Neto, que jogou na sua posição, é incapaz de assegurar a saída com passe longo e preciso, como o jovem esquerdino faz. A equipa ressentiu-se desta ausência.

 

Dos golos desperdiçados. Só podemos queixar-nos de nós próprios: perdas escandalosas à boca da baliza, quase sempre por lapsos de ordem técnica que nem nos juvenis são toleráveis. Aos 56', Tiago Tomás falha a 10 metros da baliza, disparando para as nuvens. Aos 80', Porro prefere rematar de ângulo difícil, também a uns 10 metros da linha de meta, quando tinha um colega isolado em posição frontal, acabando por atirá-la para a bancada. Aos 90'+1, a perda mais escandalosa: Jovane, sem marcação a 5 metros da linha de golo, põe o pé de forma deficiente, conseguindo o mais difícil - atirar torto, muito ao lado. Assim, sem golos, não há vitórias. E sem vitórias a nossa distância torna-se menos dilatada. Já estivemos a dez pontos do segundo, agora vamos com mais seis.

 

Dos dois golos sofridos nestas duas jornadas. Mesmo assim continuamos, de longe, a ser a equipa menos batida do campeonato. Só vimos as nossas redes violadas 13 vezes em 26 jornadas.

 

De continuarmos sem derrotar o Famalicão. Desde que os minhotos regressaram à Liga 1, após longa ausência, fomos incapazes de os vencer.

 

 

Gostei

 

De Pedro Gonçalves. Surgiu com novo visual, que o torna inconfundível em campo, e talvez isso tenha contribuído para o devolver às boas exibições. Pareceu ocupar o campo todo, influente não só nas manobras ofensivas mas também no processo defensivo, fazendo jus ao facto de ser o nosso jogador menos posicional em campo. Voltou aos golos, marcando o seu 16.º neste campeonato, desta vez com assistência de Paulinho - o que o mantém na corrida pelo título de artilheiro da Liga 2020/2021. Um golo que começou a ser construído por ele, com uma excelente recuperação de bola.

 

De Coates. Nem sempre o passe longo lhe saiu com precisão, e não está isento de culpa no golo do Famalicão, à semelhança dos seus parceiros no eixo da defesa. Mas fez duas quase-assistências, servindo de forma exemplar Tiago Tomás aos 56' e Jovane aos 90'+1 em lances que os colegas desperdiçaram. E aos 88' protagonizou a habitual incursão pelo meio-campo ofensivo em forma de slalom, tirando vários adversários do caminho e mostrando aos companheiros qual é a atitude correcta a ter em campo.

 

De Daniel Bragança. Ajudou a dar equilíbrio e acutilância ao meio-campo leonino na segunda parte, quando o treinador o mandou render Palhinha, já amarelado. É um dos nossos jogadores tecnicamente mais evoluídos. E podia mesmo ter marcado, aos 90'+1. Mas o problema principal do Sporting não estava no corredor central, onde ele actua: estava nas alas.

 

Do regresso de Eduardo Quaresma. Voltou após longa ausência, entrando aos 76' para render Neto, que saiu com queixas físicas. Não tremeu nem comprometeu. 

 

De termos feito melhor do que na época passada. No campeonato 2019/2020 fomos derrotados em casa pelo Famalicão, num jogo que acabou 1-2. Já é um progresso.

 

De ver o Sporting ainda imbatível. Igualamos a nossa melhor série sem derrotas alguma vez alcançada num campeonato. O melhor registo, nunca repetido até agora, foi alcançado pelo Sporting campeão em 2001/2002, sob o comando de Laszlo Bölöni. É o que voltarmos a ter agora: 26 jogos consecutivos sem perder.

 

Dos 66 pontos já somados. Levamos seis de avanço face ao FC Porto de Sérgio Conceição, nove ao Benfica de Jorge Jesus e 12 ao Braga de Carlos Carvalhal. 

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

 

De perder dois pontos em Moreira de Cónegos. Empate 1-1 perante uma equipa habitualmente difícil nos confrontos que ali travamos. Nas últimas quatro épocas só vencemos uma vez o Moreirense no seu terreno.

 

De termos sofrido o empate mesmo ao cair do pano. A celebrada "estrelinha", desta vez, funcionou a nosso desfavor. Com o golo da equipa anfitriã marcado por Walterson ao minuto 90. E também nos terrenos onde os nossos principais adversários actuaram nesta jornada: o FC Porto venceu 2-1 o Santa Clara, no Dragão, com o golo que lhes valeu três pontos apontado no minuto final do tempo extra. E o Benfica viu-se aflito para derrotar o Marítimo na Luz, por 1-0, com um penálti mais que duvidoso e outro evidente perdoado à turma da Luz. Que já anda a ser levada ao colo para aceder aos milhões da Champions.

 

Da atitude da equipa na segunda parte. Começámos cedo a ganhar vantagem, podíamos ter marcado o segundo (e marcámos mesmo) aos 45', e após o intervalo adquirimos a convicção de que bastaria gerir o resultado para virmos do Minho com os três pontos. Nos 20 minutos finais, a equipa usou e abusou das trocas de bola entre os centrais e dos atrasos ao guarda-redes, atitude imprópria de um emblema que sonha ser campeão nacional. Tentar segurar 1-0 com tão estéril "posse de bola" conta apenas para as estatísticas. E basta um deslize para correr mal. Foi precisamente o que aconteceu.

 

De Feddal. Nem estava a fazer má exibição, apesar de não lhe saírem bem os passes verticais a queimar linhas, mas no mesmo minuto falha o 2-0 ao cabecear para fora na sequência de um canto e acaba por oferecer o golo ao Moreirense com um alívio mal concretizado na nossa grande área. A pausa para jogos de selecção parece ter sido prejudicial ao internacional marroquino.

 

Do árbitro João Pinheiro. Este nosso velho conhecido, oriundo da Associação de Braga mas adepto confesso do Benfica, deixou passar incólume uma entrada assassina sobre Nuno Mendes que lesionou o jovem jogador e poderia tê-lo inutilizado para a prática do futebol. Forçando Rúben Amorim a queimar uma substituição logo aos 39', trocando-o por Matheus Reis. O jogador do Moreirense, um tal Gonçalo Franco, devia ter visto vermelho directo, mas nem amarelo recebeu por esta conduta lesa-desporto. Com a chancela do mesmo árbitro que no recentíssimo Braga-Benfica expulsou Fransérgio aos 39' por acumulação de amarelos, sancionando por duas vezes o jogador braguista em lances de gravidade muito inferior a este.

 

De ver dois golos anulados ao Sporting. O primeiro, marcado por Paulinho ainda na primeira parte, por alegada deslocação de Pedro Gonçalves que ninguém conseguiu ver nas imagens da Sport TV: seria o 2-0 num momento crucial do jogo, acabando praticamente por decidir o destino da partida. O segundo, por suposta deslocação ao mesmo jogador, autor do golo, que o VAR Bruno Esteves considerou estar 2 cm - dois centímetros! - fora de jogo. Estes árbitros e estes vídeo-árbitros andam a fazer tudo para matar o futebol em Portugal.

 

De ver o FC Porto menos distante. A turma azul-e-branca, segunda classificada da Liga, tem agora menos oito pontos que o Sporting. Quando faltam cumprir nove jornadas.

 

 

Gostei

 

De Paulinho. Merece ser designado como melhor em campo. Pelos dois golos que marcou, aos 21' e aos 45', embora só o primeiro tivesse sido validado. O segundo, anulado pelo VAR por motivos que ninguém entendeu, foi um prodígio de requinte técnico, ao picar a bola no momento crucial quando o guarda-redes Pasinato já lhe havia reduzido margem de manobra. Quebrou enfim um jejum de nove jogos oficiais sem marcar, ainda pelo Braga e já pelo Sporting, e estreou-se como artilheiro de Leão ao peito. Faço votos para que tenha sido o primeiro de muitos.

 

De João Mário. O campeão europeu cumpriu com a eficácia habitual, assegurando a ligação entre o meio-campo e o ataque. Todas as acções ofensivas passaram pelos pés deste jogador, o terceiro maior recuperador e quarto médio da Liga portuguesa em eficácia de passe. Transmite segurança à equipa no transporte de bola, que nos pés dele nunca é desperdiçada. Muito bom também na marcação de cantos.

 

De Daniel Bragança. Enquanto teve pernas, foi um dos nossos melhores em campo. Não precisa de correr com a bola: a sua melhor arma é colocá-la no sítio certo. Assim foi na primorosa assistência para o golo leonino, num passe longo com precisão cirúrgica para o coração da grande área, onde estava Paulinho. Como se jogassem juntos há muito tempo. Este jovem oriundo da nossa formação merece figurar no onze titular, mesmo que isto implique alterar o sistema habitual de Rúben Amorim de 3-4-3 para 3-5-2, como ontem aconteceu. Com missão cumprida mas já desgastado fisicamente, Daniel deu lugar a Tiago Tomás aos 60', voltando a equipa ao molde clássico embora sem vantagem aparente para a eficácia colectiva.

 

De ver o Sporting ainda imbatível. Concluimos a 25.ª jornada sem derrotas. Somos a equipa com melhor registo defensivo não apenas de toda a história leonina mas também ao nível do futebol europeu actual: apenas 12 golos encaixados nas nossas redes. Balanço até ao momento: 20 vitórias e cinco empates. 

 

Dos 65 pontos já somados. Oito de avanço face ao FC Porto de Sérgio Conceição, 11 ao Benfica de Jorge Jesus e 12 ao Braga de Carlos Carvalhal. 

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De voltar a vencer o V. Guimarães, agora em casa. Domínio total do jogo e conquista de mais três pontos nesta recepção à turma minhota, apanhada de surpresa pela mudança do sistema táctico intoduzida por Rúben Amorim na nossa equipa, que actuou sobretudo em 3-5-2, com Daniel Bragança como médio colocado logo atrás do duo de avançados (Pedro Gonçalves e Tiago Tomás). Desta forma o corredor central foi todo nosso. E os de Guimarães viram-se incapazes de desatar o nó. 

 

De Gonçalo Inácio. Grande exibição do jovem promovido por Amorim à equipa principal. Para este jogo, o treinador atribuiu-lhe uma pesada responsabilidade: substituir Coates no eixo defensivo, ficando Neto (regressado ao onze titular, como capitão) à direita e Feddal à esquerda. Ele cumpriu com brilho e distinção: rendeu o internacional uruguaio como patrão do sector mais recuado, foi de longe o que mais acertou nos passes longos e ainda foi à frente, marcar de cabeça o golo da vitória, aos 42', na sequência de um livre.

 

De Palhinha. Para a enorme eficácia da nossa equipa, que lidera há 18 jornadas o campeonato, muito contribuiu o nosso médio defensivo, enfim chamado à selecção nacional, mesmo nunca tendo sido convocado para a selecção sub-21. Parece estar em todo o lado: tão depressa vai à dobra de um central apanhado fora de posição como integra uma segunda linha ofensiva. Mas é sobretudo ele quem domina no meio-campo: ganha ali todos os duelos, impedindo a progressão dos adversários. Excelentes e sucessivos cortes do princípio ao fim: aos 11', 14', 16', 22', 54', 56', 86' e 90'+5. É dele a assistência para o golo. E ainda esteve quase a marcar, num disparo a meia-distância que rasou a barra aos 46'. Melhor em campo.

 

De Tiago Tomás. Dois momentos de exemplar nota artística, driblando adversários na grande área com toques de calcanhar, demonstram que este avançado ainda júnior não é apenas combativo e tem faro de golo: vem requintando também os seus atributos no domínio técnico. Marcou um belo golo aos 26', coroando a melhor jogada colectiva do Sporting - infelizmente viria a ser anulado, por intervenção correcta do vídeo-árbitro, porque a bola havia saído totalmente de campo antes de Porro cruzar para Nuno Mendes que tocou em Daniel Bragança que deixou em Pedro Gonçalves que assistiu para o golo que não valeu. Saiu aos 71', dando lugar a Paulinho: uma vez mais, com a missão cumprida.

 

De Daniel Bragança. Em estreia absoluta como titular no campeonato, o médio leonino revelou os seus melhores atributos sobretudo na primeira parte: visão periférica, capacidade técnica, velocidade de execução em cada lance. Quebrou fisicamente a partir da hora de jogo, dando lugar a Tabata aos 71'. Mas merece nota muito positiva.

 

Da estreia de Dário Essugo. Ainda juvenil, cumpridos os 16 anos poucos dias antes, o jovem médio entrou aos 84' para render João Mário. Foi um momento emocionante para os adeptos: desde logo por ser um acto de coragem de Amorim, quando o resultado ainda era incerto. E também por representar um marco histórico: nunca um jogador tão jovem havido actuado no principal escalão do futebol português. Emocionante sobretudo para ele: Dário não conteve as lágrimas após o apito final, proporcionando as melhores fotos desta partida que ele guardará para sempre na memória. E nós também.

 

Do remate rasteiro de João Mário aos 15'. Levava selo de golo: só difícil intervenção de Bruno Varela, guardando a baliza vimaranense, travou a bola in extremis. Três minutos depois, foi Pedro Gonçalves a enviá-la com estrondo ao poste. Para compensar, os de Guimarães viram a bola embater duas vezes nos nossos ferros, aos 34' - numa das ocasiões após enorme defesa de Adán, outra vez baluarte do onze leonino. Estrelinha? Talvez. Mas muita competência, acima de tudo.

 

Da confiança da equipa. Excelente primeira parte, com um dos nossos melhores desempenhos colectivos nesta Liga 2020/2021. Na segunda, o Sporting quase se limitou a guardar a bola e a impedir as rotas de acesso à nossa baliza. Pausando o jogo, sempre com segurança, sem nervosismo nem ansiedade. Parecia exibição de campeão antecipado. 

 

Da aposta sempre renovada na formação leonina. Começámos o jogo com oito portugueses no onze titular (Gonçalo, Neto, Palhinha, João Mário, Nuno Mendes, Daniel Bragança, Pedro Gonçalves e Tiago Tomás). Seis formados na Academia de Alcochete, portanto. Aos quais se juntaram Dário e Jovane (que entrou aos 89' para substituir Pedro Gonçalves). Outros proclamam a "aposta na formação", nós praticamo-la. Sem complexos. Com muito orgulho.

 

Do árbitro. Tiago Martins apitou pouco e quase sempre bem. Dizem alguns, em futebolês, que isto é "arbitar à inglesa". Prefiro dizer que é arbitrar com competência. Pena acontecer tão poucas vezes no campeonato português.

 

De ver o Sporting ainda imbatível. Concluimos a 24.ª jornada sem derrotas. Somos a equipa com melhor registo defensivo não apenas de toda a história leonina mas também ao nível do futebol europeu actual: apenas 11 golos encaixados nas nossas redes. Não sofremos golos em 15 destes 24 jogos. E já somamos 12 jornadas sem perder em casa. 

 

De já somarmos 64 pontos. Correspondentes a 20 vitórias e quatro empates. Mantemos dez pontos de avanço face ao FC Porto, segundo classificado. Levamos agora 14 de avanço ao Braga e 16 ao Benfica de Jorge Jesus, que se enfrentarão esta noite.

 

 

Não gostei
 

 

Deste resultado em comparação com o da primeira volta. Soube a pouco, este 1-0 em Alvalade, após termos derrotado o Vitória por 4-0 em Guimarães há quatro meses.

 

De Paulinho. Recuperado de lesão, o ex-artilheiro do Braga regressou quatro jogos depois. Entrou aos 71', mas quase só se viu em missões defensivas. Desperdiçou um golo cantado, após impecável assistência de Jovane: rematou para as nuvens quando tinha apenas Bruno Varela à sua frente. Foi o último lance do desafio - pouco lisonjeiro para a sua fama como goleador.

 

Da ausência de Coates. Primeiro jogo desta Liga 2020/2021 em que não pudemos contar com o nosso capitão, excluído por acumulação de amarelos: Adán é agora o único titular absoluto da equipa no campeonato. Mas Gonçalo Inácio deu boa conta do recado. 

 

De ver Matheus Nunes e Antunes fora da convocatória. Ambos acusaram positivo em teste à Covid-19. Oxalá recuperem depressa. E bem.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da vitória em Tondela. Haverá quem pense que estes jogos são fáceis: pura ilusão. Neste mesmo estádio, onde ontem vencemos por 1-0, só Benfica e V. Guimarães tinham saído antes com três pontos na Liga 2020/2021. Nós próprios perdemos lá nos dois campeonatos anteriores: 1-2 em Janeiro de 2019 e 0-1 em Novembro de 2019. O que torna esta vitória ainda mais saborosa. Foi a décima nos últimos 11 jogos.

 

Do golo da vitória. Exemplar lance de futebol colectivo, aos 81', numa fase do jogo em que a equipa anfitriã já estava muito desgastada. Com envolvimento de Daniel Bragança a recuperar, Nuno Mendes a conduzir e a centrar a toda a largura da esquerda para o poste do lado contrário, e Pedro Gonçalves a recolher assistindo Tiago Tomás que, livre de marcação, a meteu lá dentro. Sinal de maturidade e competência numa equipa muito jovem.

 

De Nuno Mendes. Depois de alguns jogos com exibição apagada, ontem ressurgiu em Tondela como um dos pilares do nosso onze titular - e, quanto a mim, o melhor em campo. Compensando Porro, que no corredor oposto acusava ainda os efeitos da recente lesão. O jovem ala esquerdo foi sólido a defender e acutilante nas acções ofensivas. Destaque para um excelente centro aos 45'+1 que atravessou toda a área do Tondela, infelizmente sem ninguém para a meter lá dentro. E, claro, para o lance do golo, em que teve um papel decisivo.

 

De Palhinha. Fundamental na nossa organização colectiva. No preenchimento de espaços, na recuperação da bola, no desenho de passes longos, no modo prático e eficiente como inicia os lances ofensivos, sem nunca complicar. Tem visto o seu nome associado a "casos" mediáticos, mas nota-se em campo que isso não o afecta. Ainda bem.

 

De Tiago Tomás. Merece destaque pelo golo que marcou: desde 27 de Dezembro, frente ao Belenenses SAD, que não fazia o gosto ao pé. Sempre muito batalhador, implacavelmente rodeado de adversários que lhe tolhiam os movimentos na grande área, compensou com a conquista dos três pontos um cabeceamento deficiente, de olhos fechados, quando podia ter posto o Sporting em vantagem aos 43'. Está em processo de amadurecimento numa posição nada fácil, onde é alvo de constantes faltas à margem das regras: ontem voltou a acontecer, aos 76', quando sofreu um pisão dentro da área. Era penálti, não assinalado pelo árbitro Nuno Almeida.

 

Das substituições feitas por Rúben Amorim. O treinador voltou a acertar quando decidiu mexer na equipa para desfazer o empate a zero que teimava em prolongar-se. Daniel Bragança (substituiu Nuno Santos aos 60'), Tabata (substituiu Porro aos 73'), Matheus Reis (substituiu Feddal aos 73'), Jovane (substituiu João Mário aos 73') e Matheus Nunes (substituiu Pedro Gonçalves aos 85') imprimiram rapidez de processos e maior objectividade ao nosso jogo colectivo. Já tínhamos encostado o Tondela ao seu reduto: faltava só marcar. E assim aconteceu. Levamos 38% dos golos marcados (17 em 45) após o minuto 80. Será só "estrelinha"? Tenho a certeza que não.

 

Da eficácia da equipa. Duas oportunidades claras de golo, uma das quais aproveitada. Ambas por Tiago Tomás: desperdiçou a primeira, concretizou a segunda. Continuamos muito próximos da eficiência máxima. Em evidente contraste com o que sucedia noutras épocas.

 

Da aposta deliberada na juventude. Terminámos o jogo com Tiago Tomás (18 anos), Nuno Mendes (18 anos), Gonçalo Inácio (19 anos), Daniel Bragança (21 anos), Matheus Nunes (22 anos), Jovane (22 anos) e Bruno Tabata (23 anos). Com outros treinadores, estavam na bancada. Ou andavam a "rodar" por outros clubes.

 

De ver mais um recorde batido. Continuamos sem derrotas à 23.ª jornada. Uma marca que iguala o melhor registo de sempre do Sporting nesta fase de um campeonato nacional de futebol. Se há palavra que dá motivação a uma equipa e alegria aos verdadeiros adeptos, é esta: a palavra invictos.

 

De já somarmos 61 pontos. Correspondentes a 19 vitórias e quatro empates. Ultrapassámos a classificação de toda a época passada, quando faltam ainda 11 jornadas para concluir a Liga 2020/2021. Lideramos o campeonato há 17 jornadas. Estamos a oito vitórias de nos sagrarmos campeões.

 

De nos mantermos como equipa menos batida. Sofremos apenas 11 golos em 23 desafios já disputados. Menos de meio golo por jogo. Um dos nossos melhores registos defensivos de sempre.

 

 

Não gostei
 

 

Do 0-0 ao intervalo. Primeira parte com pouca acutilância ofensiva, quando tínhamos os corredores tapados pela boa organização defensiva do Tondela. Nesse período abusámos da troca de bola entre os nossos defesas, com sucessivos atrasos ao guarda-redes, na aparente (e fracassada) tentativa de chamar a equipa adversária ao nosso meio-campo. E nunca tentámos o remate de meia-distância para quebrar a muralha. O espectáculo foi prejudicado. Felizmente o mais importante acabou por se conseguir, na etapa complementar. 

 

Da ausência de Paulinho. É verdade que já temos um ponta-de-lança. Mas, por enquanto, só em teoria: o ex-avançado do Braga continua lesionado e ficou fora da convocatória para este jogo. Faz cada vez mais falta.

 

De Nuno Santos. Recuperou a titularidade, mas acabou por ser rendido aos 60': teve um desempenho muito abaixo daquilo a que já nos habituou. Os corredores estavam muito bem cobertos pelos defensores adversários e não teve engenho para procurar outros espaços, fora da sua zona de incursão habitual. Deu lugar a Daniel Bragança, quando Amorim percebeu que tinha de desembrulhar o jogo. 

 

Do amarelo a Coates. O nosso capitão, que andava há várias jornadas em risco de ser excluído, recebeu ontem o quinto cartão. Vai ficar fora da próxima partida, frente ao V. Guimarães em Alvalade.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Dos três pontos conquistados em Alvalade. Desta vez o triunfo ocorreu contra o Santa Clara. Começado a construir aos 22' e consumado já no tempo extra - uma vez mais - quando estava decorrido o penúltimo dos quatro minutos de compensação concedidos pelo árbitro. Desatando assim o empate que a equipa açoriana ameaçara impor aos 84'. Este Sporting soma e segue. Com estrelinha, sim. Mas não há campeões sem sorte, nunca houve. 

 

De Coates. Foi ele quem nos valeu esta vitória. Actuando novamente como se fosse ponta-de-lança - posição que continua por preencher neste Sporting 2020/2021. Num cabeceamento letal, correspondendo da melhor maneira a um cruzamento de João Mário. Já antes, aos 87', fizera um amortecimento impecável, também de cabeça, para servir Jovane em zona frontal da grande área e aos 89' cabeceara ao lado após um canto. Quando a equipa peca por excesso de juventude, entra ele em cena, impondo a maturidade. Voltou a acontecer. O melhor em campo.

 

De João Mário. Outro desempenho de grande nível do campeão europeu, titular indiscutível deste Sporting que ontem deu mais um passo decisivo para vencer o campeonato nacional. Esteve nos dois golos da equipa: aos 22', recuperando lá na frente, quase junto à linha direita, uma bola que parecia perdida e metendo-a com critério nos pés de Tabata, que assistiu Pedro Gonçalves; aos 90'+3, assistindo Coates com um cruzamento tenso e teleguiado. Recuperou muitas bolas a meio-campo e soube endossá-las aos colegas com superior qualidade técnica. Que diferença para a época passada, quando tínhamos um meio-campo povoado com Eduardos e Doumbias...

 

De Pedro Gonçalves. Até esteve apagado e algo errático. Mas no momento crucial a equipa voltou a contar com ele. Ao marcar o nosso primeiro golo, num remate cruzado, rasteiro, bem assistido por Tabata. Lidera cada vez mais isolado a lista dos marcadores da Liga. Já com 15 golos.

 

Das substituições feitas por Rúben Amorim. Uma vez mais, grande argúcia do treinador ao mexer na equipa. Matheus Reis (substituiu Nuno Mendes aos 57'), Nuno Santos (substituiu Tiago Tomás aos 70'), Daniel Bragança (substituiu Tabata aos 71') e Jovane (substituiu Feddal aos 86') mexeram com o jogo leonino, melhorando a nossa movimentação em campo. Matheus revelou muito mais acutilância no corredor esquerdo, Nuno foi vital no golo da vitória ao cruzar a toda a largura lá na frente para recepção de João Mário, Daniel destacou-se nas movimentações entre linhas e Jovane iniciou a construção do lance decisivo, culminado no cabeceamento de Coates que todos festejámos. Único reparo: o luso-caboverdiano, um dos maiores desequilibradores do plantel, devia ter entrado mais cedo.

 

Da eficácia da equipa. Ao primeiro remate, e único na primeira parte, marcámos o golo inicial, construindo o resultado que se mantinha ao intervalo. Seguiram-se mais três ocasiões, duas das quais desperdiçadas: Nuno Santos quase marcou aos 72' (defesa apertada do guarda-redes); Jovane atirou à figura aos 87' e Coates fez o 2-1 ao cair do pano. Quatro oportunidades, dois golos. Sorte? Sim. Mas talento e mérito também.

 

Do Santa Clara. Entrou muito bem no jogo, complicando a vida ao Sporting a pressionar alto e a condicionar a nossa saída de bola: aos 3', já tinha conquistado três cantos. Sem estacionar o autocarro, jogando de forma descomplexada. A equipa de São Miguel mereceu o golo marcado aos 84' (aproveitando um mau alívio de Feddal) e não teria sido injusto se tivesse saído de Alvalade com um empate. Faltou-lhe a sorte que nós tivemos.

 

Da nossa reacção ao empate. Acelerámos o ritmo, impusemos enfim a nossa superioridade no plano técnico, demonstrámos saber jogar como equipa grande - o que não tinha acontecido até ao Santa Clara empatar. Foram dez minutos de pressão constante sobre a baliza açoriana, com bons lances colectivos e evidente «união de grupo», como acentuou o capitão Coates na zona das entrevistas rápidas após o fim da partida. Frase-chave para definir este Sporting.

 

Do árbitro. Actuação meritória do juiz da partida: Manuel Oliveira impôs um critério largo, coerente do princípio ao fim, numa partida facilitada pela atitude correcta dos jogadores de ambas as equipas. Demonstrando, a outros senhores do apito, que é possível arbitrar com isenção e competência. Fica o elogio, sem favor algum. 

 

De ver mais um recorde batido. Continuamos invictos à 22.ª jornada. Melhor desempenho de sempre do Sporting nesta fase, utrapassando o anterior máximo - 21 jogos seguidos sem derrotas num mesmo campeonato - estabelecido pela equipa campeã liderada por Malcolm Allison na saudosa época 1981/1982. Na Europa, só Rangers (30 jogos consecutivos sem perder) e Estrela Vermelha (23 jogos) estão melhores que nós neste aspecto.

 

De já somarmos 58 pontos. Correspondentes a 18 vitórias e quatro empates. Mais um do que o Benfica na época passada (19V - 0E -3D), mais quatro do que o FC Porto na temporada 2018/2019 (17V - 3E - 2D).

 

Que o Sporting continue a marcar, jogo após jogo. Ainda não ficámos em branco em nenhum dos jogos disputados no nosso estádio nesta Liga 2020/2021.

 

De continuarmos a ser, de longe, a equipa menos batida. Só onze golos sofridos em 22 jornadas. Média exacta: apenas meio golo por desafio. O equilíbrio defensivo é um dos segredos do nosso sucesso.

 

 

Não gostei
 

 

De Nuno Mendes. Talvez a pior exibição do jovem ala esquerdo na equipa principal. Totalmente desinspirado. Falhou passes, desperdiçou cruzamentos, foi incapaz de progredir no terreno, emperrou o jogo no seu corredor. O treinador deu-lhe ordem para sair, aos 57'. Ficou a sensação de que já saía tarde.

 

De Tiago Tomás. Outro jogador que passou ao lado da partida. Deixou-se condicionar pela marcação, foi facilmente anulado pelos centrais adversários e faltou-lhe engenho para vir buscar a bola mais atrás. Teve uma oportunidade soberana de visar as redes, aos 48', mas desperdiçou-a por deficiente recepção. Saiu aos 70', sem ter feito um só remate.

 

Da ausência de Porro. O internacional sub-21 ficou fora da convocatória, por lesão muscular. Matheus Nunes actuou no seu lugar, mas com bastante menos eficácia: foi uma solução de recurso que só confirmou como Porro é indispensável no onze titular e o recém-regressado João Pereira não chega a ser alternativa.

 

Da nossa apatia ofensiva. Tirando o lance do primeiro golo, só fizemos um segundo remate à baliza aos 72', por Nuno Santos. Cinquenta minutos sem tentar alvejar as redes adversárias. Como se a prioridade absoluta fosse defender a magra vantagem conseguida cedo. Jogo pastoso, desenrolado em poucos metros e abusando dos passes à queima para o guarda-redes Adán. Em vez de nos virarmos na direcção contrária.

 

De ouvir a Marcha do Sporting já com a voz póstuma de Maria José Valério. Se o Sporting for campeão, como quase todos desejamos, essa título deverá ser dedicado a ela.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do resultado que trouxemos do Dragão. Neste clássico, correspondente à 21.ª jornada da Liga 2020/2021, dois objectivos nos serviam: a vitória ou o empate. Prevaleceu o segundo (0-0), confirmando que os portistas são incapazes de nos vencer esta época: em três confrontos, perderam um e empataram nos restantes. Ao contrário do que sucedeu na temporada anterior. Mantemos os dez pontos de vantagem em relação ao FCP, ainda segundo. Estamos a dez triunfos de nos sagrarmos campeões nacionais de futebol. Nota a reter: não empatávamos neste estádio desde 2008/2009.

 

De Rúben Amorim. O treinador leonino montou uma estratégia para este clássico que resultou em pleno. Concedeu iniciativa ao adversário, tapando-lhe todos os acessos à nossa baliza. A espaços, alterou o habitual dispositivo táctico da equipa, fazendo o Sporting alinhar num 5-4-1 (fazendo recuar Nuno Santos e Pedro Gonçalves como reforços para o meio-campo) e anulando espaços entre linhas para os mais criativos do FCP, como Otávio e Corona. Sérgio Conceição só pode estar satisfeito com o empate. Até porque, em termos tácticos, saiu derrotado do Dragão. 

 

De Coates. Elejo o nosso capitão como o melhor em campo. Ele merece. A primeira acção digna de nota do onze visitante foi protagonizada por ele, com um desarme impecável a Marega, logo aos 4'. Antecipando, de algum modo, o que viria a ser este clássico. O internacional uruguaio é a imagem perfeita da serenidade. Lidera com extrema competência o nosso bloco defensivo, que em 21 jogos só sofreu dez golos e em 13 desafios, incluindo neste, não sofreu nenhum - melhor marca de sempre do futebol leonino. Voltou a revelar eficácia máxima neste confronto. Merece ser distinguido antes de qualquer outro.

 

De Feddal. O central marroquino, que tantas críticas injustas recebeu de alguns "verdadeiros adeptos" no início da temporada, tem-se revelado o complemento perfeito de Coates: até parece que jogam juntos há longos anos. Esta parceria voltou a funcionar na perfeição, para desespero dos portistas, incapazes de penetrar naquela muralha defensiva. O marroquino, além da exemplar disciplina posicional, tem ainda o mérito de tentar uma vez e outra o passe longo, para as costas da defesa adversária, solicitando os colegas lá mais na frente.

 

De Adán. Continua a ser um baluarte da nossa equipa: transmite segurança, evidencia personalidade, intimida os avançados contrários. Fundamental, neste jogo, a travar o mais perigoso ataque do FCP, desviando para canto um remate de Manafá aos 27' que levava selo de golo. Saiu muito bem dos postes aos 30' e aos 82'. E neutralizou um cabeceamento de Taremi, aos 89'. Merece destaque, para não variar.

 

De João Mário. Actuou como verdadeiro campeão europeu, cumprindo a missão que Amorim lhe transmitiu: arrefecer o caudal ofensivo adversário, temporizar o jogo, segurar a bola, passá-la com segurança. Missão fundamental, nem sempre compreendida pelos adeptos (os mesmos que tantas vezes assobiaram Nani no nosso estádio). O internacional formado em Alcochete revela sobriedade e maturidade, atributos fundamentais numa equipa muito jovem. Substituído aos 86' por Jovane: saiu de campo seguramente com a noção do dever cumprido. Foi um dos elementos mais em foco neste clássico.

 

De Palhinha. Amorim fez muito bem em exigir à SAD a manutenção deste jogador, que já conhecia bem de Braga: o nosso médio defensivo titular voltou a ser fundamental num confronto com os portistas. Impecável sentido posicional, em complemento perfeito com João Mário. Fundamental nas recuperações, mesmo tendo errado alguns passes. E praticamente sem necessidade de recorrer a faltas: cometeu apenas duas neste jogo. 

 

Da entrada de Matheus Nunes. De todos os jovens que vêm actuando neste Sporting 2020/2021 o que mais tem evoluído é o luso-brasileiro que em boa hora fomos buscar ao Estoril. Ontem entrou aos 64', para render Nuno Santos, e logo se fez notar com diversos movimentos de ruptura. Aos 73' protagonizou a melhor oportunidade de golo de todo o encontro, ao conduzir a bola durante cerca de 40 metros na ala direita deixando vários opositores para trás: faltou-lhe apenas pontaria certeira no momento do remate. Voltou a causar desequilíbrios aos 78' e aos 79', revelando enorme capacidade de progressão com bola e confirmando que nunca se esconde nos grandes jogos. Merece ser titular.

 

Do árbitro. Antes do jogo, lancei aqui um alerta contra João Pinheiro - responsável por anteriores arbitragens ardilosas em prejuízo do Sporting. Tenho de reconhecer, no entanto, que o árbitro se mostrou à altura da importância deste jogo: não cometeu nenhum erro digno de nota, não inclinou o campo, não teve influência no resultado.

 

Deste obstáculo felizmente superado. O FCP-Sporting de ontem era um dos três jogos à partida mais difíceis que tínhamos nesta segunda metade do campeonato. Talvez fosse até o mais complicado. Faltam o Braga-Sporting e o Benfica-Sporting. O caminho rumo ao título tornou-se menos árduo. E continuamos sem perder com os três principais rivais, o que é uma excelente notícia.

 

Que o Sporting continue invicto. Nenhuma derrota até ao momento no campeonato. Temos agora 55 pontos amealhados, o que nos garante desde já um "lugar europeu". 

 

Do caminho percorrido. Desde a já longínqua época 1981/1982 (em que fomos campeões nacionais, com o fabuloso tridente ofensivo Jordão-Manuel Fernandes-Oliveira) não estávamos há 21 jogos sem perder no campeonato. Parabéns aos jogadores, parabéns ao treinador.

 

 

Não gostei
 

 

Da ausência de Paulinho. Lesionado num treino antes do jogo anterior a este, o reforço recentemente contratado ao Braga continua fora das opções de Amorim. Viajamos ao Dragão sem nenhum ponta-de-lança de raiz: Tiago Tomás foi o elemento mais adiantado no terreno, mas não tem características de avançado posicional. O que mais valoriza este nosso resultado.

 

De Pedro Gonçalves. Sinal menos para o nosso médio criativo, que passou praticamente ao lado do jogo. Anulado pelas marcações cerradas, perdeu muitos passes, atrapalhou-se com a bola, acusou algum excesso de individualismo. Aos 14', em zona frontal, decidiu muito mal, rematando para muito longe da baliza. Redimiu-se em algumas acções defensivas, mas não o suficiente para merecer nota positiva. Esperávamos muito mais dele.

 

Da primeira parte. Jogo mastigado e monótono, que não evoluía do meio-campo, sempre com a baliza muito longe. Felizmente houve um pouco mais de emoção nos 45' finais.

 

Da ausência de golos. Futebol sem eles sabe sempre a pouco. Em 21 desafios da Liga 2020/2021, este foi o primeiro em que ficámos em branco. 

 

De ausência de público. É confrangedor olhar para as bancadas dos nossos estádios e continuar a vê-las vazias. Há quase um ano que é assim. Até quando?

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da conquista de mais três pontos, novamente em Alvalade. Desta vez derrotámos o Portimonense por 2-0, repetindo o resultado obtido em Portimão na primeira volta. A vantagem foi fixada antes do intervalo, como se fosse a coisa mais natural do mundo, com golos marcados em quatro minutos: primeiro por Feddal (27'), após conversão dum livre por Pedro Gonçalves e assistência de cabeça por Coates, depois por Nuno Santos (31'), aproveitando da melhor maneira um erro defensivo adversário.

 

De Palhinha. Elemento fundamental do onze titular leonino, não apenas na manobra defensiva (desta vez com cinco recuperações de bola no corredor central), onde é o rei dos desarmes, mas também nas acções ofensivas, com inegável qualidade de passe e acutilante visão de jogo. Apresenta-se em excelente forma física, com pulmão inesgotável. O melhor em campo.

 

De Nuno Santos. Uma das melhores exibições do ala leonino, muito dinâmico no corredor esquerdo, onde pôs em sentido a equipa rival. Bom remate rasteiro logo aos 6' dirigido à baliza, suscitando boa defesa do guarda-redes. Fez uma quase-assistência para golo, aos 48', servindo Nuno Mendes, que desperdiçou com um remate disparatado. E marcou ele próprio o segundo, com um disparo bem colocado, de meia-distância, após duas simulações com bola no corredor central. Fatigado, deu lugar a Tabata aos 71'.

 

De Feddal. O central marroquino atravessa a melhor fase desde que joga de verde e branco. Outra grande exibição, coroada com o seu primeiro golo ao serviço do Sporting. Um golo à ponta-de-lança clássico, compensando a ausência de Paulinho. E ainda serviu de bandeja Tiago Tomás, com um remate cruzado que podia ter sido assistência, aos 22'. Só não foi golo por centímetros.

 

De Adán. Voltou a ser fundamental, desta vez ao abortar a única real oportunidade que o Portimonense teve para depositar a bola nas nossas redes. Aconteceu aos 66', quando saiu muito bem aos pés de Salmani, concentrado e rápido de reflexos. É um dos baluartes deste Sporting 2020/2021.

 

Do árbitro. Rui Costa teve o defeito - infelizmente generalizado nos estádios portugueses - de apitar em excesso. Mas adoptou critérios uniformes, sem inclinar o campo, e poupou os nossos jogadores aos cartões: este foi um dos raros jogos em que nenhum saiu amarelado. Incluindo Coates, Nuno Santos e Matheus Nunes, já com quatro cada. Assim qualquer deles poderá defrontar o FC Porto na próxima jornada.

 

Da atitude inteligente da equipa. Procurámos adiantar-nos no marcador tão cedo quanto possível. Alcançado o 2-0 antes do intervalo, soubemos gerir a vantagem durante todo o segundo tempo, defendendo em bloco compacto e garantindo com inegável competência a posse de bola, sem riscos desnecessários, até porque a chuva ia caindo com intensidade e o relvado de Alvalade foi-se tornando impraticável para a prática de um futebol artístico.

 

Das alternativas que vamos encontrando. Com o ponta-de-lança titular lesionado, soubemos apontar mais dois golos - um deles marcado por um defesa e novamente na sequência de uma bola parada. Mais uma prova da existência de várias soluções no plantel. E reforça-se a tendência: até agora, neste campeonato, o Sporting nunca ficou em branco. Temos marcado em todos os jogos.

 

De ver o Sporting ainda invicto. Vinte jogos, 17 vitórias, oito triunfos consecutivos em duas competições (Liga e Taça da Liga), nenhuma derrota até ao momento no campeonato. E reforçamos o nosso estatuto de equipa com menos golos sofridos: apenas dez, o que perfaz a excelente média de meio golo por desafio. Zero derrotas, 54 pontos amealhados: basta-nos um para atingirmos um "lugar europeu" nesta Liga 2020/2021.

 

Da contínua aposta na formação leonina. Rúben Amorim destacou Nuno Mendes (18 anos), Tiago Tomás (18 anos) e Gonçalo Inácio (19 anos) para o onze inicial. Que tinha mais dois jogadores formados em Alcochete (Palhinha e João Mário). E que incluía dois outros portugueses (Pedro Gonçalves e Nuno Santos). Depois entraram mais três, dois deles oriundos da nossa Academia (Joavane, Daniel Bragança e Matheus Nunes). Um contraste cada vez mais gritante com Benfica e FC Porto.

 

Da esperança que se vai consolidando. Reforçamos o nosso estatuto de equipa favorita a vencer o campeonato, que lideramos há 14 jornadas. Faltam-nos 11 vitórias em campo para conquistar o título. O próximo desafio será no Dragão, contra um rival directo.

 

 

Não gostei
 

 

Da ausência de Paulinho. Lesionado num treino antes do jogo, o ponta-de-lança recentemente contratado ao Braga não pôde alinhar contra o Portimonense. Também deverá ficar de fora no clássico da próxima jornada. Não será tão cedo, portanto, que o veremos marcar de verde e branco.

 

Da tendência crescente para o futebol "aquático". Começa a tornar-se banal que joguemos sob o signo do dilúvio nesta temporada. Voltou a acontecer neste desafio em Alvalade, com chuva forte do princípio ao fim. Todos sabemos que o futebol é um desporto de Inverno, mas já apetece ver uma partida da nossa equipa sem o terreno tão enlameado.

 

De Paulo Sérgio. No final do jogo, o treinador do Portimonense atribuiu a vitória leonina a meros erros defensivos da sua equipa e declarou que não tivemos qualquer oportunidade antes da marcação do nosso primeiro golo, esquecendo que Nuno Santos esteve quase a inaugurar o marcador, aos 6', e Tiago Tomás falhou por escassos centímetros o pontapé goleador à boca da baliza, aos 22'. Confirma-se: este é um técnico sem sucesso em Alvalade. Até a falar.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da conquista de mais três pontos, desta vez em Alvalade. Vencemos o Paços de Ferreira, equipa que muitos comentadores da bola apontam como "a sensação" deste campeonato. Uma vitória que nada se deveu ao acaso: foi a terceira vez que defrontámos o onze de Paços nesta temporada, repetindo agora o triunfo por 2-0 da primeira volta. Somados ao 3-0 da nossa vitória contra a mesma equipa para a Taça de Portugal, estes jogos têm um balanço totalmente favorável às nossas cores: sete golos marcados e nenhum sofrido. 

 

Da nossa eficácia. Quatro oportunidades de golo, duas concretizadas. Aos 20', na conversão de um penálti, por João Mário - que apontou muito bem o castigo máximo. E aos 48', por Palhinha, naquele que é desde já um dos melhores golos deste campeonato. Na sequência de um canto, o que merece ser assinalado: foi a primeira vez que aproveitámos da melhor maneira um pontapé de canto nesta Liga 2020/2021.

 

De Palhinha. O melhor em campo. Não apenas pelo grande golo que marcou, com um remate em vólei - estreando-se como goleador no campeonato em curso - mas, uma vez mais, pela extrema competência que revelou no bloqueio da manobra ofensiva do Paços, cobrindo sempre muito bem o espaço. É um jogador que merece, sem qualquer favor, ser convocado para o Campeonato da Europa. À atenção do seleccionador Fernando Santos.

 

De Porro. Outra grande exibição do nosso ala direito, internacional sub-21 espanhol. Os melhores cruzamentos saíram dos pés dele, os lances de maior perigo conduzidos junto às linhas laterais também foram dele, com destreza técnica rara nesta posição. E foi ainda ele a marcar o canto de que resultou o segundo golo. 

 

De Feddal. Brindado injustamente com um cartão amarelo logo no início da partida, não se deixou condicionar. Esteve ligado aos dois golos da equipa: no primeiro, aos 19, fazendo o passe vertical a grande distância para Pedro Gonçalves que seria derrubado dentro da área; no segundo, ao assistir de cabeça para Palhinha na sequência da marcação do canto. É um dos baluartes da nossa defesa, de longe a menos batida do campeonato.

 

De Adán. Muito atento e de reflexos rápidos, fez uma grande defesa aos 42', impedindo o golo de Luther Singh. Controlou todo o jogo pelo ar, transmitindo sempre tranquilidade e segurança à equipa.

 

Do nosso reduto defensivo. Os números dizem tudo: apenas dez golos sofridos à jornada 19. Voltámos a terminar uma partida mantendo as nossas redes invioladas. O que já tinha acontecido em dez outros desafios deste campeonato. Somos ainda a única equipa sem derrotas: é um dos melhores desempenhos até a nível europeu.

 

Da maturidade da equipa em campo. Construída a vitória aos 48', fizemos a partir daí uma gestão tranquila dessa vantagem. Sem nervosismo, sem ansiedade, sem desorganização. As substituições efectuadas pelo treinador destinaram-se essencialmente a refrescar o onze: trocou Paulinho por Nuno Santos (62'), João Mário por Matheus Nunes (73'), Tiago Tomás por Jovane (73'), Pedro Gonçalves por Tabata (73') e Nuno Mendes por Matheus Reis (85'). Mantendo intocável o sistema de jogo.

 

Da contínua aposta na formação leonina. Rúben Amorim destacou Nuno Mendes (18 anos), Tiago Tomás (18 anos) e Gonçalo Inácio (19 anos) para o onze inicial. Que tinha mais dois jogadores formados na Academia de Alcochete (Palhinha e João Mário). E que incluía dois outros portugueses (Pedro Gonçalves e Paulinho). Um contraste cada vez mais gritante com os nossos principais rivais.

 

De termos consolidado a nossa liderança à 19.ª jornada. Somamos agora 51 pontos - mais dez do que o FC Porto, mais onze do que o Braga, mais treze do que o Benfica. Estamos num ciclo (inédito esta época) de sete triunfos consecutivos - cinco para o campeonato e dois para a Taça da Liga, que conquistámos. Com eficácia de 89,5%. Desde a remota temporada 1950/1951 que não tínhamos uma vantagem tão dilatada face ao segundo classificado na principal prova do futebol português.

 

Da esperança cada vez mais reforçada. Ninguém duvida: somos neste momento a equipa favorita para vencer o campeonato nacional de futebol, que lideramos há 13 jornadas. Faltam-nos 12 vitórias em campo para conquistar o título. Todos esperamos que a próxima seja já sábado que vem, novamente em Alvalade, frente ao Portimonense.

 

 

Não gostei
 

 

Que Paulinho continue sem marcar de verde e branco. Titular na frente do nosso ataque, o ex-bracarense esteve quase a inaugurar o marcador, de calcanhar, logo aos 10' após tabelinha com Pedro Gonçalves. Mas o guarda-redes impediu-lhe o golo com uma defesa por instinto. Ainda não foi desta.

 

Da inflação de cartões amarelos. Nada menos de oito: cinco para o Sporting, três para o Paços. Aos 22' já tínhamos dois jogadores amarelados: Nuno Mendes (8') e Feddal (14'). Depois chegou a vez de Porro (54'), Adán (75') e Jovane (88'). Critério absurdo de André Narciso, um árbitro que apita a propósito de tudo e de nada: graças a ele houve 47 interrupções de jogo ocasionadas por faltas e faltinhas (27 para o Sporting, 20 para o Paços) - algumas das quais ninguém mais além dele conseguiu descortinar. Árbitros como este fazem mal ao futebol enquanto espectáculo. É assim que se valoriza o desporto em Portugal?

 

De ver o nosso estádio ainda vazio. Mais de meia época foi disputada e as bancadas em Alvalade permanecem interditadas aos sócios e adeptos por imposição estatal. Há compreensíveis razões de confinamento sanitário na origem desta interdição, mas nem por isso deixa de ser muito triste. Logo num ano como este, em que a nossa equipa tem um dos melhores desempenhos de sempre.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Dos três pontos arrancados a ferros frente ao Gil Vicente. Num campo que não costuma ser fácil (basta lembrar que na época passada perdemos 1-3 em Barcelos), impusemos o nosso futebol com domínio total na segunda parte, após 45' em que claudicámos bastante. Acreditámos sempre e virámos um resultado desfavorável (0-1, que se manteve até aos 83') conseguindo uma vitória por 2-1. Como sucedera no jogo da primeira volta, em Alvalade, quando abrimos o marcador só aos 82'. Agora, tal como então, os minutos finais tiveram recorte épico: houve emoção até mesmo ao cair do pano.

 

De Coates. O melhor em campo. Esta vitória leonina frente ao Gil Vicente - daqueles jogos que contribuem muito para conquistar ou perder campeonatos - deve-se antes de mais ninguém ao nosso capitão, autor dos dois golos. O primeiro aos 83', com um pontapé rasteiro aproveitando um ressalto na grande área, em posição frontal. O segundo aos 90'+1, de cabeça, na sequência de um livre em jeito de canto mais curto apontado por Porro. O primeiro bis do uruguaio para o campeonato de Leão ao peito. Uma forma soberba de assinalar o seu 225.º jogo pelo Sporting.

 

Da capacidade de reacção de Rúben Amorim. Vendo o Sporting perder ao intervalo, o treinador tentou tudo para virar o rumo da partida. E conseguiu: esgotou as substituições e, a cada mexida que fazia, o Sporting foi ficando melhor. Saíram jogadores mais fatigados ou desinspirados, entraram outros mais velozes e acutilantes. Foi assim logo no minuto inicial da segunda parte, quando Gonçalo Inácio e Tiago Tomás renderam Neto e Antunes. A tendência reforçou-se aos 55', quando Amorim decidiu trocar Matheus Nunes por Daniel Bragança. E manteve-se aos 74', com as entradas de Matheus Reis (em estreia absoluta no Sporting) e João Mário para os lugares de Feddal e Palhinha. Saber ler o jogo é isto. E acreditar até ao fim também.

 

Da aposta na juventude. Pormenor a assinalar: quatro dos cinco jogadores que saltaram do banco são da formação leonina. Gonçalo Inácio (que talvez tenha agarrado ontem a titularidade, como central encostado mais à direita), Tiago Tomás, Daniel Bragança e João Mário. Este Sporting não se limita a ganhar jogos atrás de jogos: vai vencendo com a chamada prata da casa. Que não é prata: é ouro.

 

Do árbitro Nuno Almeida. Actuação irrepreensível do juiz da partida, desta vez numa demonstração clara de competência. Vários dos seus colegas - João Pinheiro, Luís Godinho, Fábio Veríssimo - deviam seguir-lhe o exemplo.

 

De termos consolidado a nossa liderança à 18.ª jornada. Nesta entrada na segunda volta da Liga 2020/2021, amealhámos sete pontos: os três agora conquistados em Barcelos somados aos quatro que FC Porto e Braga perderam, em partes iguais, no confronto que terminou empatado 2-2 na capital do Minho. Neste momento, com 48 pontos, temos oito de avanço sobre o FCP, que segue em segundo, e estamos com mais onze do que Braga e Benfica, que disputam o terceiro posto. E destacamo-nos também como a equipa com melhor registo pontual fora de casa: 28 conseguidos em 30 possíveis (a excepção foi o empate 2-2 em Famalicão).

 

De continuarmos invictos. Dezoito partidas, nem uma derrota. E levamos 18 jogos sempre a marcar: até agora nunca ficámos em branco. Temos o segundo melhor ataque do campeonato (38 golos, menos três do que o FCP) e a melhor defesa (dez golos sofridos, menos quatro do que Paços de Ferreira e V. Guimarães). 

 

Da esperança que se reforça. Ninguém duvida: somos neste momento a equipa favorita para conquistar o campeonato nacional de futebol, que lideramos há 12 jornadas. Faltam-nos 16 jogos que serão para nós verdadeiras finais. Nove dessas partidas serão disputadas no Estádio José Alvalade.

 

 

Não gostei
 

 

Da nossa primeira parte. Exibição medíocre do onze leonino, acusando falta de intensidade e ausência de soluções ofensivas, com vários elementos em claro défice de rendimento: Neto, Antunes, Feddal, Palhinha, Matheus Nunes (bem substituídos). Também Pedro Gonçalves esteve bastante abaixo do nível a que nos habituou, embora tenha sido fundamental para a conquista dos três pontos: é ele quem sofre a falta aos 90' de que resultou o livre e o nosso golo da vitória.

 

Do golo sofrido aos 36'. O lado esquerdo da nossa defesa permitiu livre circulação ao japonês Fujimoto, que se infiltrou com rapidez na área e rematou à queima-roupa, sem hipótese para Adán. Décimo golo sofrido pelo Sporting no campeonato: ainda assim continuamos com uma média baixíssima. Mas não evitámos ir para o intervalo a perder - algo que já não nos sucedia há quatro meses no campeonato, desde que recebemos o FCP em Alvalade.

 

Das péssimas condições atmosféricas. O futebol, reza o chavão, é um desporto de Inverno. Mas o mau tempo vem-se prolongando jornada após jornada, prejudicando a qualidade do espectáculo. Ontem, em Barcelos, houve chuva diluviana, vento, granizo e até trovoada. Em certas ocasiões arrepiava só de olhar. Felizmente não há novas lesões a registar no plantel leonino.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Da vingança consumada contra o Marítimo. Fechamos com chave de ouro a primeira volta, derrotando sem discussão a equipa madeirense, que a 11 de Janeiro nos eliminara da Taça de Portugal, em partida também disputada no estádio dos Barreiros. A desforra foi requintada: dominámos esta partida do primeiro ao último minuto e saímos vencedores por 2-0 - invertendo os números da derrota anterior, única até agora sofrida frente a uma equipa portuguesa na temporada em curso. As estatísticas desta partida dizem tudo. Marítimo: cinco remates, nenhum enquadrado. Sporting: 19 remates, quatro enquadrados. Aproveitámos metade das oportunidades de golo.

 

De Pedro Gonçalves. Outra excelente partida do nosso médio criativo, que volta a bisar. Marcou o primeiro logo aos 9', conduzindo a bola dominada quase desde a linha divisória e fazendo um túnel ao guarda-redes antes de a meter lá dentro. As 56', sentenciou a partida com um remate rasteiro, culminando uma rápida jogada de futebol colectivo, com a bola trocada sempre ao primeiro toque. Melhor em campo e agora reforçado como líder dos marcadores do campeonato, mesmo sem ser ponta-de-lança: já leva 14 golos no seu pecúlio. E transmite todos os sinais de que não pretende parar aqui.

 

De Matheus Nunes. Outra excelente exibição do jovem luso-brasileiro, desta vez numa sólida parceria com Palhinha a meio do campo. Segura sempre bem a bola, transporta-a com qualidade, nunca dá um lance por perdido. Exibe um domínio técnico e uma segurança muito acima da média, sendo um dos responsáveis pela grande dinâmica da equipa. É um caso sério de progressão espectacular neste campeonato, às ordens de Rúben Amorim.

 

De Antunes. Titular devido a lesão de Nuno Mendes, o n.º 55 cumpriu plenamente a missão que lhe estava incumbida como ala esquerdo, dominando por completo o seu corredor. Exibição coroada na assistência para o segundo golo, cruzando com intenção da esquerda para o corredor central. Bom também em vários outros centros (13', 39' e 83', por exemplo) e nos pontapés de canto. Ainda tentou o golo, num remate aos 4' que passou a curta distância do poste direito da baliza adversária. Saiu aos 87', cansado mas consciente do bom contributo que deu à equipa.

 

De Gonçalo Inácio. Foi uma das quatro novidades no onze titular para este jogo, rendendo o castigado Luís Neto (as outras apostas de Amorim em comparação com o jogo anterior foram Paulinho, Antunes e Palhinha, este compensando a ausência de João Mário). Cumpriu com brilhantismo a missão que lhe foi atribuída como central mais encostado à direita. Ponto alto: assistência para o primeiro golo, com um passe vertical, de 30 metros, a que Pedro Gonçalves deu a melhor sequência. Isto apesar de ser esquerdino, o que valoriza ainda mais a sua actuação.

 

Da estreia de Paulinho. Rúben Amorim apostou nele, sem reservas de qualquer espécie, como titular no nosso vértice mais ofensivo. O ex-bracarense não marcou mas teve bons apontamentos, mostrando-se já entrosado com os colegas apesar de esta ser a sua primeira partida de Leão ao peito. Eficaz a arrastar os defesas, competente na recepção e no passe, ensaiando até dois toques artísticos, de calcanhar, esteve 66 minutos em campo, dando então lugar a Tiago Tomás. A primeira impressão foi positiva.

 

Do regresso de João Pereira. É a sua terceira passagem por Alvalade. Com quase 37 anos, o veterano internacional cumpriu hoje o 150.º jogo oficial com a camisola do Sporting, que sempre envergou com dedicação e devoção. Entrou só ao minuto 87, substituindo Antunes, mas percebia-se que o fazia com o entusiasmo de sempre. E até acabou brindado com um cartão amarelo por Hugo Miguel num dos raros momentos de desacerto deste árbitro, que no geral merece nota muito positiva. 

 

De continuarmos na frente. Estamos há onze jornadas consecutivas no primeiro posto. E continuamos a marcar em todos os jogos desta Liga 2020/2021, que comandamos com brilho e competência, contrariando todos os profetas da desgraça. Sublinhemos, sem falsas modéstias: hoje somos a equipa a jogar melhor futebol em Portugal.

 

Da nossa pontuação. Chegamos ao fim da primeira volta com 45 pontos amealhados. Mais seis do que o FC Porto, mais nove do que o Braga, mais onze do que o Benfica e o Paços de Ferreira. Com mais 37, portanto, do que estes nossos quatro rivais somados. É a melhor pontuação da história do futebol leonino nesta fase dum campeonato desde a época 1946/1947, em que jogavam os Cinco Violinos: motivo não apenas de legítima satisfação mas de imenso orgulho. Sabendo, ainda por cima, que esta proeza é conseguida com uma equipa muito jovem e formada em larga medida por portugueses. Basta reparar na ficha deste jogo: o Marítimo, em 20 jogadores, só tinha um português; no Sporting, pelo contrário, eram 15. Todos menos Adán, Porro, Coates, Feddal e Tabata.

 

De chegarmos a esta fase sem derrotas. Dezassete jogos cumpridos, vamos exactamente a meio do campeonato. Somando 14 vitórias e apenas três empates - dois dos quais (frente a FCP e Famalicão) com pontos injustamente perdidos, devido à intervenção incompetente dos árbitros. Outro indicador que merece destaque: temos só nove golos sofridos. Motivo, desde logo, para elogiar o trio de centrais (Coates, Feddal e Neto) e, naturalmente, o guarda-redes titular, Antonio Adán. Que tem confirmado no Sporting a boa fama que trouxe como profissional oriundo da formação do Real Madrid.

 

De ver o Sporting ainda invicto. Extraordinário: somamos 17 jogos sem perder no campeonato. Estamos há onze jornadas consecutivas no primeiro posto. E continuamos a marcar em todos os jogos desta Liga 2020/2021, que comandamos com brilho e competência. Mérito do treinador e de toda a equipa de trabalho, que revela uma unidade inquebrantável. E uma alegria que é bem visível em todos os estádios onde vai exibindo o seu talento.

 

 

Não gostei
 

 

Do resultado ao intervalo. Vencíamos apenas por 1-0, número que não reflectia o domínio total do Sporting durante os primeiros 45 minutos. Sabia a pouco, aliás à semelhança do 2-0 final - bastante aquém da superioridade revelada pela nossa equipa frente ao Marítimo durante o jogo todo. 

 

Da ausência de Nuno Mendes. O nosso promissor ala esquerdo, massacrado pelo sarrafeiro Gilberto quatro dias antes no clássico de Alvalade, nem chegou a viajar para o Funchal. Amorim, por precaução, deixou fora da convocatória o jogador, que acusava dores numa coxa. Esperemos que recupere a tempo da partida contra o Gil Vicente, a disputar terça-feira em Barcelos. Mas cumpre reiterar que Antunes deu muito boa conta do recado.

 

De termos visto Tabata desperdiçar um golo. Em campo desde os 77', tendo substituído Nuno Santos, o brasileiro isolou-se tendo apenas pela frente o guarda-redes Amir, que foi incapaz de desfeitear. Um golo cantado, daqueles que não se devem falhar. Seria o terceiro - e teria feito inteira justiça à exibição da nossa equipa num estádio onde voltámos a ser felizes.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do nosso triunfo em casa frente ao velho rival. Derrotámos o Benfica por 1-0 (ao minuto 92, fatal para Jorge Jesus) num jogo que dominámos quase por inteiro. O SLB, com reforços de 100 milhões, foi levado ao tapete por um Sporting que gastou apenas cerca de 14 milhões para formar o plantel desta temporada. Comprovando-se, uma vez mais, que não basta contratar jogadores caros: é preciso haver também quem saiba orientá-los. No início da época, Jesus prometeu "arrasar": afinal a equipa dele é que está arrasada. 

 

De termos terminado um jejum de nove anos. Desde Abril de 2012 (Godinho Lopes era o presidente e Sá Pinto era o treinador) que não vencíamos o Benfica, em casa, para o campeonato. Tinham Nuno Mendes e Tiago Tomás apenas nove anos. Era mais que tempo de pôr fim a isto. E faço desde já votos para que um tão grande período sem derrotarmos as papoilas em Alvalade nunca mais volte a acontecer.

 

De Matheus Nunes. Há males que vêm por bem: a inacreditável sanção disciplinar a Palhinha no jogo anterior, decidida pelo árbitro Fábio Veríssimo, forçou Rúben Amorim a apostar no jovem luso-brasileiro como titular do nosso meio-campo defensivo. Aposta ganha: ele foi o melhor em campo. Não apenas por ter cumprido de modo exemplar a sua primeira missão, segurando muito bem a bola e transportando-a com qualidade e critério, como foi ele a fazer a diferença num espectacular mergulho em zona frontal a aproveitar um mau alívio do guarda-redes Vlachodimos. Assim surgiu o golo solitário que nos consolida no comando da Liga, com 42 pontos - mais nove do que o Benfica. Desde 1951 não havia uma diferença pontual tão grande entre as duas equipas nesta mesma fase do campeonato.

 

De Nuno Mendes. Outra excelente exibição do nosso ala esquerdo, que entrou em 2021 com o mesmo fulgor que já havia evidenciado no final da temporada anterior ao ser lançado por Amorim na equipa principal. Hoje ganhou sucessivos duelos a Gilberto, causou constantes desequilíbrios no seu corredor e aos 44' esteve a centímetros de marcar um golaço num chapéu que Vlachodimos só travou in extremis, em cima da linha da baliza.

 

De Coates. Revela segurança olímpica, controlo absoluto do sector defensivo e natural capacidade de comando junto dos companheiros que o complementam nessa missão, novamente coroada de sucesso. Excelente leitura de jogo, como se comprovou num corte magnífico feito aos 62'. Os números não enganam: o Sporting é - de longe - a defesa menos batida do campeonato, com apenas nove golos sofridos em 16 jogos. O capitão uruguaio é um dos grandes responsáveis por estes números que as outras equipas tanto nos invejam.

 

De Adán. Seguríssimo entre os postes. Atento aos cruzamentos. Antecipou-se sempre aos adversários, reduzindo (por exemplo) Darwin a uma inutilidade em campo. Confere tranquilidade a toda a equipa, até pela sua linguagem gestual. Um dos pilares deste Sporting que cada vez mais sonha com o título de campeão.

 

De Porro. Imprescindível neste onze titular, voltou a fazer a diferença em diversos lances - incluindo o momento decisivo da partida. Grande passe a isolar Tiago Tomás, aos 23'. Uma quase-assistência para Pedro Gonçalves, aos 31'. Autor de um disparo com selo de golo, aos 35', desviado no limite por Otamendi. Cereja em cima do bolo: é ele quem centra no lance que culmina no golo que nos valeu três pontos. Outra partida em grande nível.

 

De Tiago Tomás. Muito combativo, deu sempre imenso trabalho aos três centrais adversários (sistema agora implantado por Jesus no Benfica, copiando o que Amorim trouxe há quase um ano para o Sporting). Com um desvio de cabeça dentro da área, aos 40', ofereceu um golo que Neto desperdiçou. Atacou a profundidade com inegável competência, quase fazendo esquecer-nos que tem apenas 18 anos. 

 

De Rúben Amorim. Menos de um ano depois, já conseguiu silenciar todos os críticos. Até aqueles que não há muito tempo murmuravam que ele era incapaz de vencer as equipas situadas nos cinco primeiros lugares da tabela. Os factos só destas semanas mais recentes falam por si: derrotámos o FC Porto, derrotámos o Braga (duas vezes), derrotámos agora o Benfica, conquistámos a Taça da Liga. E não vamos parar aqui. Já com os críticos caladinhos.

 

De ver o Sporting ainda invicto. Extraordinário: somamos 16 jogos sem perder no campeonato. Estamos há dez jornadas consecutivas no primeiro posto. E continuamos a marcar em todos os jogos desta Liga 2020/2021, que comandamos com brilho e competência. Mérito do treinador e de toda a equipa de trabalho, que revela uma unidade inquebrantável.

 

 

Não gostei
 

 

Do Benfica. Péssimo a atacar, medíocre a defender, sem consistência, sem fio de jogo, sem uma verdadeira oportunidade de golo, estreando neste clássico o sistema de três centrais em que não está rotinado, numa demonstração evidente de temor reverencial pelo Sporting, esta equipa que agora segue em quarto no campeonato abandonou qualquer hipótese de conquistar o título - que agora vê à distância de 14 pontos (nove do Sporting e cinco do FC Porto). No início da época, Jesus tinha prometido aos adeptos jogar "três vezes mais". Mera publicidade enganosa, algo em que o veterano técnico é exímio, como nós infelizmente bem sabemos.

 

De todo o "folhetim" em torno do cartão a Palhinha. O jogador estava fora da convocatória, mas a meio da tarde soube-se que o Tribunal Administrativo Central do Sul autorizara uma providência cautelar que suspendia o efeito do castigo imposto pelo Conselho de Disciplina. Acabou convocado, entrando aos 60' para render João Mário. É um dos jogadores com mais talento do campeonato português, não merecia todo este injustíssimo desgaste em redor do seu nome. 

 

Da ausência de público. Os números trágicos da pandemia não permitem outro cenário senão o actual, mas voltou a ser profundamente triste ver o nosso Estádio José Alvalade palco do maior clássico do futebol português com todas as bancadas vazias. E nós, adeptos, acabámos por fazer a festa como foi possível, confinados mais que nunca, entre as quatro paredes domésticas. Festejo a sério, agora, só em sonhos.

Rescaldo do jogo de anteontem

Gostei

 

Da nossa concludente vitória sobre o Boavista. Domínio total do Sporting do princípio ao fim da partida do Bessa, quase sempre de sentido único. Com Adán a fazer apenas uma defesa digna desse nome (82'). O resultado ao intervalo (1-0) era muito lisonjeiro para a equipa da casa. No mesmo estádio onde o Boavista vencera o Benfica por 3-0.

 

Do golo marcado cedo. Marcador inaugurado aos 22', por Nuno Santos, correspondendo da melhor maneira a um soberbo cruzamento de Nuno Mendes. Com notável sentido de posicionamento e desmarcação. 

 

De Porro. Para mim, o melhor em campo. Pelo extraordinário golo que marcou aos 77', fixando o resultado (2-0) e comprovando a sua inegável mais-valia neste plantel leonino. Pega na bola e à meia volta, a 30 metros da baliza, faz um disparo fortíssimo, indefensável. Desde já candidato a um dos melhores golos da Liga 2020/2021. E deste ano civil há pouco iniciado.

 

De Nuno Mendes. Temos de volta o nosso ala esquerdo após algumas semanas de menor brilho. Exibição de luxo coroada por três soberbos centros que levavam selo de quase-golo, aos 18', 22' e 33'. Infelizmente só um encontrou o melhor desfecho.

 

De Matheus Nunes. De jogo para jogo revela-se um dos jogadores mais consistentes deste Sporting 2020/2021, mesmo quando lhe cabe uma missão de especial dificuldade, como foi neste caso a de render Palhinha na posição de médio defensivo titular. Deu boa conta do recado, tanto no capítulo das recuperações de bola como na qualidade de passe. Nunca dá um lance por perdido: é um Leão da cabeça aos pés.

 

De Nuno Santos. Outro golo para a sua contabilidade pessoal. Aos 53' assistiu Sporar, entregando-lhe a bola de bandeja com um passe cirúrgico: só a inépcia do esloveno o impediu de empurrá-la lá para dentro. Jornada após jornada, vai-se confirmando como um dos elementos mais influentes do plantel. 

 

De continuarmos invictos. Somos a única equipa da Liga que prossegue sem derrotas, o que faz toda a diferença.

 

De ver a nossa liderança reforçada. Somamos já 39 pontos, em 45 possíveis. Estamos há nove jornadas consecutivas no primeiro posto - e assim continuaremos pelo menos até à entrada na segunda volta desta Liga 2020/2021. Continuamos a marcar em todas as partidas do campeonato. Conservamos a vantagem de quatro pontos face ao segundo classificado, o FC Porto, e ampliámos para seis pontos a distância que nos separa do Benfica, que empatou em casa com o Nacional. Se vencermos o SLB no dérbi de segunda-feira em Alvalade, passaremos a ter mais nove do que o nosso mais velho rival.

 

 

Não gostei
 

 

De Sporar. Exibição péssima do ponta-de-lança esloveno, que continua divorciado do golo. Desta vez não pode queixar-se de não ter sido servido pelos colegas, que lhe puseram a bola nos pés só para ele empurrar. Aos 33', falhou a emenda, a passe de Nuno Mendes. Aos 53', voltou a ser desastrado, desperdiçando uma quase-assistência de Nuno Santos. Não ataca a profundidade, não antecipa os movimentos dos companheiros, reage quase sempre tarde às solicitações que lhe fazem. É hoje, claramente, o principal ponto fraco da equipa.

 

Dos falhanços de João Mário. Também o campeão europeu mantém uma relação muito problemática com o golo, desperdiçando oportunidades sucessivas. Desta vez mais duas para a sua conta pessoal: aos 43', em posição frontal, optou pelo tiro-ao-boneco; aos 60', com Jovane desmarcado, atirou para a bancada. Além disso também não lhe saiu nada bem a marcação de um livre.

 

Do "critério largo" do árbitro Fábio Veríssimo. Deixou os jogadores do Boavista "distribuir fruta" desde o início do jogo, com 20 faltas deixadas impunes - metade das quais sobre Jovane, que passou grande parte do primeiro tempo estendido no relvado transformado em lamaçal. Aos 79', subitamente, decidiu mudar de critério, amarelando Palhinha - entrado três minutos antes - num lance de bola dividida, similar a dezenas do género que ocorrem em qualquer jogo. Por causa deste injustíssimo cartão, o nosso médio defensivo será em princípio excluído do Sporting-Benfica - um dos jogos grandes da temporada. Um acto de lesa-futebol. As imagens de Palhinha abandonando o campo lavado em lágrimas já fazem parte da iconografia leonina.

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei
 

 

De termos cedido dois pontos em casa. Deixámo-nos empatar frente ao Rio Ave, segunda equipa com pior ataque do campeonato. Dois pontos perdidos, com um sabor muito amargo. Ainda por cima tivemos o jogo na mão: ao intervalo vencíamos por 1-0. Inexplicavelmente, entrámos muito mal no recomeço, cedendo terreno ao adversário, que se foi aproximando da nossa baliza e marcou aos 61'. Na meia hora final fomos incapazes de mostrar eficácia para operar a reviravolta.

 

De Rúben Amorim. No primeiro desafio desde que assumiu enfim o estatuto formal de técnico principal, por estar inscrito no curso de nível 4 da Federação Portuguesa de Futebol, o treinador montou um onze titular com manifestas lacunas. É verdade que não podia contar com Neto e Nuno Mendes, infectados com Covid-19, nem com Feddal, afastado por acumulação de cartões. Optou por Borja e Eduardo Quaresma para formarem o trio de centrais com Coates, quando tinha Gonçalo Inácio como alternativa viável ao colombiano, e podia ter apostado em Porro como central mais próximo da ala direita, fazendo entrar Matheus Nunes para médio-ala. Mais controversa ainda foi a sua aposta em Plata para fazer o corredor esquerdo, habitualmente entregue a Nuno Mendes: o jovem equatoriano falha clamorosamente nas missões defensivas e andou perdido na missão táctica que lhe cabia. Teria sido preferível pôr Nuno Santos nesse flanco, em posição mais recuada, com Jovane lá na frente frente, como interior esquerdo.

 

Das substituições. Tal como já sucedera contra o Marítimo, no desafio que nos pôs fora da Taça de Portugal, Amorim demorou a reagir - e só mexeu na equipa quando já precisava de correr atrás do prejuízo, após o golo do empate vilacondense. Começou por fazer entrar Tabata, fazendo sair Quaresma, sem produzir efeitos práticos. E só aos 78' trocou enfim Plata por Jovane, quando a equipa já estava partida e acusava forte quebra psicológica. Reacção tardia, difícil de entender. Tanto mais que tinha sido Jovane a confirmar a nossa vitória anterior, no épico jogo da Choupana, com um golo marcado três minutos depois de entrar.

 

Da falta de poder de fogo do Sporting. O nosso primeiro remate enquadrado ocorreu só aos 38', num pontapé de Palhinha que foi morrer às mãos do guarda-redes. Nuno Santos e Tabata, entre outros, abusaram dos pontapés disparatados, para bem longe da baliza. E só Tiago Tomás esteve perto de ampliar a nossa magra vantagem - aos 44', 78' e 85'. 

 

Do abuso de passes para o lado e para trás. Jogadores como Borja e Eduardo Quaresma, por exemplo, pareceram incapazes de fazer progredir o jogo leonino para linhas mais avançadas. A fluidez da nossa construção ofensiva começava a morrer nos pés deles. Prestação insuficiente de ambos: o colombiano continua sem dar a mínima prova de ser reforço digno desse nome - e já teve um ano para o demonstrar - e o jovem Eduardo teve uma estreia pouco auspiciosa na Liga 2020/2021. Melhores dias virão.

 

De ver Pedro Marques tão desaproveitado. O jovem avançado formado na nossa Academia desta vez até se sentou no banco. Mas voltou a não ter oportunidade de dar o seu contributo à equipa. E neste jogo bem precisaríamos dele, dada a inoperância ofensiva global do onze leonino. Não é fácil perceber porque continua sem calçar. Alguma espécie de punição por ter marcado dois golos ao Sacavenense?

 

Do bom desempenho de jogadores ex-Sporting. Carlos Mané, Francisco Geraldes e Gelson Dala foram protagonistas do golo do Rio Ave que nos roubou dois pontos esta noite em Alvalade. Parece ser sina nossa: dispensar profissionais que brilham quando voltam a enfrentar-nos, já ao serviço de outros emblemas.

 

Do árbitro Helder Malheiro. Este cavalheiro entrou em campo disposto a estragar o espectáculo e a inclinar o campo. Aos 7' exibiu um amarelo a Plata num lance em que não houve qualquer falta do nosso jogador: o internacional equatoriano fez um corte limpo, tendo sido brindado de forma inaceitável com aquele cartão, passando a jogar condicionado. Aos 24', num lance casual, também João Mário - um dos jogadores mais correctos do nosso campeonato - viu o amarelo, exibido por este apitador medíocre. Com árbitros destes, nunca o futebol português poderá evoluir para novos patamares de qualidade.

 

 

Gostei 

 

Do golo de Pedro Gonçalves. Bom lance de futebol colectivo, iniciado com um magnífico passe lateral de Porro que atravessou toda a largura do terreno e prosseguido por Plata, com um centro ao primeiro toque. A bola sofreu um ligeiro desvio por embater num defensor do Rio Ave e o nosso n.º 28, com reflexos muito rápidos, evoluiu na área e meteu-a lá dentro, estavam decorridos 42 minutos. Confirmando assim o seu estatuto como goleador máximo da Liga: 12 golos (e duas assistências) em 13 jogos. Motivo suficiente para designá-lo o melhor do Sporting em campo. 

 

De Palhinha. Muito combativo, uma vez mais. Compensa a inferioridade numérica da equipa no meio-campo com uma admirável entrega ao jogo, nunca desistindo de disputar a bola. Grandes recuperações aos 17' e aos 28'. O nosso primeiro remate enquadrado sai dos pés dele. E é também ele quem começa a construir dois lances de muito perigo, aos 44' e aos 45'+1, a que só faltou o golo.

 

De ver Coates, Palhinha e Nuno Santos poupados ao amarelo. Os três andam há várias jornadas tapados com cartões, mas ainda não foi desta que ficaram impedidos de alinhar no desafio seguinte. 

 

De mantermos a liderança intocável. Somamos agora 36 pontos, em 42 possíveis. Há 17 jogos que não perdemos em casa para a Liga. Estamos há oito jornadas consecutivas no primeiro posto. E conservamos a vantagem pontual face aos segundos classificados, FC Porto e Benfica, que esta noite empataram 1-1 no Dragão, permanecendo ambos a quatro pontos do Sporting.

 

De continuarmos invictos. Somos a única equipa da Liga que prossegue sem derrotas. E marcámos golos em todos os jogos já disputados para o campeonato nacional 2020/2021. São motivos mais que suficientes para incutir moral aos nossos jogadores. esperemos que esta quebra de forma seja apenas momentânea. Queremos que regressem rapidamente às boas exibições. E às vitórias, acima de tudo.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Da grande vitória do Sporting na Choupana. Num terreno absolutamente impróprio para a prática desportiva, muito menos para uma competição de futebol profissional, o onze leonino dominou do primeiro ao último minuto, vulgarizando o Nacional, que não produziu qualquer lance de perigo para a nossa baliza. Vencemos por 2-0, com um golo em cada parte, e podíamos ter marcado pelo menos mais dois. Mas melhor do que o resultado foi a exibição, num autêntico futebol de lama, sob um dilúvio implacável que se abateu sobre o Funchal: triunfo da vontade, da atitude competitiva, do espírito colectivo, da garra leonina. Quem vence um jogo destes arrisca-se mesmo a ganhar o campeonato.

 

Da inegável superioridade da nossa equipa. Grande parte do jogo foi disputado só em metade do terreno, designadamente na segunda parte, quando o vento soprou com força a nosso favor. O Nacional quase não conseguiu sair do seu meio-campo. Uma diferença que pode medir-se, por exemplo, no número de cantos: dez a nosso favor e apenas um para os madeirenses.

 

Da adaptação da equipa ao lamaçal. Rúben Amorim percebeu de imediato que, dado o péssimo estado do terreno e a chuva que caía sem cessar, não podia impor aos jogadores o habitual futebol controlado, com a bola a sair em passes curtos desde a baliza. Até porque muitas vezes ela não rolava, ficando presa em diversas partes daquele relvado absolutamente impróprio para consumo. Restava o pontapé para a frente, à moda antiga, imitando o fio de jogo dos campeonatos distritais. Os nossos jogadores rapidamente se adaptaram às circunstâncias, nunca virando a cara à luta, apesar do risco acrescido de lesões. A verdade é que ganhámos quase sempre os lances divididos e foi irrepreensível a nossa reacção a ocasionais perdas de bola.

 

De Pedro Gonçalves. Para mim, o melhor em campo. Veio buscar a bola atrás, actuando como terceiro médio na faixa central. Desta vez sem rendilhados nem virtuosismo técnico, pois o campo não permitia, mas sempre com fulgor ofensivo. É dele a primorosa assistência para o primeiro golo, marcado por Nuno Santos aos 43', indo recuperar quase junto à linha final, do lado direito, a bola centrada por Nuno Mendes e colocando-a nos pés do colega, que só teve de empurrar à boca da baliza. Aos 34' e aos 64', com remates rasteiros, pôs à prova os reflexos do guardião Daniel Guimarães. E aos 83' fez embater a bola no poste - seria um golo bem merecido.

 

De Palhinha. Absolutamente indispensável no onze titular leonino - e jogos como este ainda o tornam mais imprescindível. Muito eficaz nas acções de cobertura, funcionou como dique para travar a manobra ofensiva do Nacional. E foi mantendo acesa a vontade de marcar, quase o conseguindo: aos 36', cabeceou ligeiramente ao lado, na sequência de um canto; aos 78', num disparo de meia distância, fez a bola roçar o poste.

 

De Nuno Santos. Poço de energia, pulmão inesgotável, vontade indómita. Funcionou como acelerador permanente do jogo leonino, procurando eficácia máxima. Esforço recompensado com o nosso golo inaugural. É já o seu quinto de Leão ao peito. E promete muitos mais.

 

Do regresso de Jovane. Já tínhamos saudades dele, após mês e meio de afastamento - primeiro por lesão, depois por opção técnica. Entrou aos 87', substituindo Nuno Santos, e três minutos bastaram para marcar o golo da tranquilidade, fixando o resultado. Não podia ter sido mais feliz.

 

Do nosso bloco defensivo. Voltou a funcionar com simetria perfeita e uma irrepreensível organização, sem tremer perante as péssimas condições atmosféricas nem temer a lama que crescia no lugar da relva. Não é por acaso que o Sporting apresenta a melhor defesa da Liga 2020/2021: apenas oito golos sofridos em 13 jogos já disputados. Continuamos a ser a única equipa invicta no campeonato. 

 

De Rúben Amorim. Uma vez mais, o treinador soube ler muito bem o jogo e fazer as alterações que se impunham, sobretudo para refrescar a equipa - mas sem esgotar as substituições. Aos 66', trocou Sporar por Tiago Tomás. Aos 76', fez entrar Matheus Nunes por troca com João Mário. Aos 87, deu ordem para Jovane substituir Nuno Santos. Dois dos jogadores que saltaram do banco - Tiago Tomás a assistir, Jovane a marcar - foram cruciais para ampliar o resultado e consolidar a vitória. Haverá "estrelinha" do técnico, decerto. Mas há sobretudo muita competência - desde logo nas instruções iniciais que deu à equipa para posicionar-se em campo, adaptando-a aos obstáculos concretos deste desafio.

 

De ver seis portugueses no onze titular. Neto, Palhinha, João Mário, Nuno Mendes, Pedro Gonçalves e Nuno Santos. Com a entrada de Tiago Tomás e Jovane, esta noite alinharam oito. Que diferença em relação aos nossos principais rivais, que entram em campo quase só com estrangeiros.

 

Que só um dos nossos tivesse visto o amarelo. Feddal, somando cinco cartões, fica fora do próximo jogo. Mas poderemos contar com Coates, Neto, Nuno Santos e Palhinha, que passaram incólumes.

 

De vermos a liderança reforçada. Somamos já 35 pontos, em 39 possíveis. Cumprimos a sexta vitória consecutiva, há 16 jogos que não perdemos em casa para a Liga. Vencemos 11 dos últimos 12 jogos do campeonato. Estamos há sete jornadas consecutivas no primeiro posto. E continuamos a marcar em todas as partidas já cumpridas desde o início da temporada. 

 

 

Não gostei
 

 

Das condições do terreno. Reza o lugar-comum que o futebol é desporto de Inverno. Mas hoje abusou-se da invernia - ainda por cima no Funchal, que costuma ser terra de clima ameno: chuva torrencial, vento fortíssimo, granizo, trovoada, muito frio. Mas pior foi o estado miserável do tapete que em vez de ser verde, como mandam os regulamentos, era afinal castanho. Indigno de futebol da primeira divisão. Noutros países, onde as condições atmosféricas são muito mais inclementes, não se encontra nada disto. Uma vergonha. E um perigo, até por potenciar lesões de alto risco.

 

Do adiamento do jogo. Este Nacional-Sporting devia ter-se disputado ontem. Mas as rajadas de vento quase ciclónico que ontem se registavam na Choupana, a 632 metros de altitude, tornaram impossível a utilização do estádio, que só hoje pôde ser utilizado. Passámos assim do péssimo para o simplesmente mau. E a nossa equipa fica com menos 24 horas para preparar o próximo desafio, que irá desenrolar-se também no Funchal: o Marítimo-Sporting, dos oitavos-de-final da Taça de Portugal, a realizar nesta segunda-feira.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Do triunfo do Sporting sobre o Braga. Vitória leonina em Alvalade, por 2-0, contra um dos nossos mais temíveis adversários na Liga 2020/2021. Não esqueçamos que os vermelhos do Minho, há cerca de dois meses, venceram o Benfica na Luz (2-3). Superado este obstáculo, estamos agora oito pontos acima dos braguistas, que na época passada ficaram um lugar à nossa frente. 

 

De Porro. Melhor em campo: o jovem internacional espanhol superou com distinção o confronto individual com Galeno. Distinguiu-se nos desarmes, nas acções ofensivas pela ala direita, nos cruzamentos lá à frente. E com uma condição física invejável. É, naquele corredor, o melhor lateral do Sporting neste século. E nunca dá um lance por perdido. Quase no fim do jogo, celebrou com um punho no ar quando ganhou uma bola dividida que resultou em lançamento. Mal soou o apito final, foi exuberante e contagiante a sua alegria. À Leão.

 

De Adán. Grande exibição do nosso guarda-redes, que foi decisivo para bloquear o fluxo atacante do Braga nos momentos mais complicados da partida, nos últimos 15 minutos da primeira parte e no início da segunda. Duas enormes defesas, aos 32' e aos 63'. É um dos pilares desta equipa, que se apresenta em campo cada vez mais coesa e motivada.

 

De João Mário. Pura classe: fez o melhor jogo desde que regressou ao Sporting, imperando no meio-campo - tanto na construção ofensiva como no apoio à manobra defensiva. Superiorizou-se nos duelos com Musrati, incapaz de lhe travar o passo. Atravessa um excelente período também do ponto de vista físico: chegou ao fim do jogo sem acusar cansaço.

 

De Matheus Nunes. É um dos mais combativos jogadores leoninos, o que voltou a confirmar-se nesta partida. Entrou aos 72' para reforçar o nosso meio-campo e desta vez foi ainda mais eficaz do que já nos habituou: seis minutos depois, marcava o segundo golo, aparecendo com muita oportunidade em posição frontal. Ganhou o ressalto após excelente lance individual protagonizado por Sporar no corredor esquerdo e meteu-a lá dentro. Merecida estreia como goleador pela nossa equipa principal.

 

De mais um golo de Pedro Gonçalves. O médio ofensivo, alvo de marcação cerrada, teve uma primeira parte apagadíssima. Mas bastou-lhe uma oportunidade para aproveitá-la da melhor maneira, metendo a bola na baliza - o que já não sucedia há três jogos. Foi aos 54', convertendo em golo uma bola que vinha dos pés de Nuno Santos, já em desequilíbrio. Com este, já leva 11 marcados. Reforça assim a liderança na lista dos goleadores da Liga.

 

Do nosso bloco defensivo. Funcionou em sincronia perfeita, deixando os jogadores adversários em constante fora-de-jogo e neutralizando Paulinho, principal artilheiro do Braga. Qualquer dos centrais - Coates, Feddal e Neto - fez cortes providenciais e cirúrgicos. Não é por acaso que o Sporting mantém a melhor defesa da Liga: apenas oito golos sofridos em 12 jogos. Também não é por acaso que somos a única equipa invicta no campeonato nacional de futebol. 

 

Da nossa eficácia. Tivemos três oportunidades de golo, convertemos duas. Equipa com fome de títulos é mesmo assim: aproveita o que houver, sem desperdícios.

 

Da nossa sorte. Rúben Amorim costuma dizer que é um técnico "com estrelinha". Voltou a acontecer neste jogo: aos 40', na jornada mais perigosa do Braga, Musrati fez a bola embater no poste. Se entrasse, a história deste desafio teria sido diferente.

 

Da forma como Amorim mexeu na equipa. Mal marcámos o primeiro golo, o treinador trocou um desgastado Tiago Tomás por Sporar e Nuno Santos por Tabata aos 57'. A mudança produziu efeito, dando consistência à equipa: o Sporting passou a assumir o controlo definitivo do jogo, o que ainda mais se acentuou com a troca de Pedro Gonçalves por Matheus Nunes aos 72'.

 

De saber que nenhum dos jogadores tapados com cartões viu o amarelo. Coates, Feddal, Neto, Nuno Santos e Palhinha vão poder jogar contra o Nacional.

 

De ver sete portugueses no nosso onze titular. De início alinharam Neto, Palhinha, João Mário, Nuno Mendes, Pedro Gonçalves, Nuno Santos e Tiago Tomás. Em nítido contraste com Benfica e FC Porto, que têm entrado em campo com equipas quase só compostas por jogadores estrangeiros.

 

De ver a liderança reforçada. Somamos já 32 pontos, em 36 possíveis. Cumprimos a quinta vitória consecutiva, há 15 jogos que não perdemos em casa para a Liga. Vencemos dez dos últimos 11 jogos do campeonato. Estamos há seis jornadas consecutivas no primeiro posto. E continuamos a marcar em todas as partidas já cumpridas desde o início da temporada. 

 

 

Não gostei
 

 

Da nossa primeira parte. Entrámos bem, com aparente intenção de resolver cedo o desafio, mas por volta dos 20 minutos deixámos o Braga avançar no terreno e assumir o domínio do jogo, o que nos provocou alguns calafrios. Foi o período menos bem conseguido do Sporting. Ao intervalo, registava-se um empate a zero que castigava sobretudo o nosso desempenho, só com dois remates nesse período da partida - e nenhum deles enquadrado com a baliza. 

 

Da arbitragem. Fábio Veríssimo foi complacente e conivente com o comportamento antidesportivo de jogadores como Raul Silva (que fez várias faltas duríssimas mas só viu o amarelo aos 59'), Galeno (que rasgou propositadamente a sua camisola, quando já estava amarelado, e regressou ao campo vestindo a camisola de um colega, provocando duas paragens consecutivas no jogo sem receber sanção disciplinar) e o guarda-redes Matheus (que devia ter recebido vermelho directo quando entrou de sola às pernas de Sporar, junto à linha lateral, pondo em risco a integridade física do esloveno). 

 

Da vídeo-arbitragem. João Pinheiro, com os ecrãs à sua frente na chamada "cidade do futebol", não viu um empurrão de Rolando a Feddal, uma mão na bola de Fransérgio e um derrube de Tiago Tomás, sem bola, na grande área braguista. Três penáltis que ficaram por assinalar - dois dos quais, o primeiro e o terceiro, sem qualquer margem para dúvida. O VAR volta a inclinar o campo contra o Sporting. Já começamos a estar habituados.

 

De ver o nosso estádio sem público. Este Sporting-Braga merecia assistência ao vivo em Alvalade. Nem que fosse apenas 10% ou 20% da lotação habitual das bancadas. Lamentavelmente, as autoridades sanitárias que continuam a autorizar todo o género de espectáculos mantêm em quarentena sine die o futebol. É algo cada vez mais inaceitável.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da vitória difícil desta noite. O Sporting foi surpreendido por um Belenenses SAD muito avançado no terreno e que nunca abandonou a pressão atacante. Confronto difícil no Jamor, em noite gelada e com chuva na segunda parte, contra um adversário que há duas jornadas venceu o Braga naquele mesmo cenário. Soube a pouco em termos exibicionais, mas a nossa equipa cumpriu no essencial: venceu por 2-1, amealhando mais três pontos. Isso é o que mais importa.

 

De Tiago Tomás. Rúben Amorim voltou a apostar nele como titular da posição mais avançada. E o jovem cumpriu, actuando com velocidade atrás do bloco defensivo adversário. Foi crucial, em dois momentos, para a construção desta vitória: primeiro logo aos 5', correspondendo da melhor maneira a uma excelente iniciativa individual de Tabata, com boa recepção e óptima finalização para golo após rodar sobre si próprio em posição frontal; depois, ao conquistar a grande penalidade, sem discussão possível, estavam decorridos 23 minutos. Esteve quase a marcar de novo, aos 37'.

 

De Adán. O melhor em campo. Foi crucial para que o Sporting garantisse a vitória. Desde logo ao defender um penálti - pela primeira vez de Leão ao peito - aos 19'. Voltou a fazer duas enormes defesas, aos 28' e aos 39', impedindo golos azuis. Tem muito mérito neste triunfo leonino.

 

De João Mário. Com Palhinha condicionado pela soma de quatro cartões amarelos e o terreno em estado deplorável, coube-lhe uma missão ainda mais difícil do que é habitual, segurando a bola em momento defensivo e distribuindo jogo na construção ofensiva, sempre com qualidade de passe apesar de o Belenenses SAD ter beneficiado de vantagem numérica no corredor central em grande parte do desafio. Mas o seu melhor momento ocorreu na marcação do penálti, aos 24'. Foi o reencontro do campeão europeu com os golos, vestido de verde-e-branco. Algo que não acontecia desde Abril de 2016.

 

De Porro. Em perfeita antítese com o seu colega do lado oposto, venceu a maioria dos confrontos individuais no corredor direito, sacudindo a apatia que se apoderou da equipa ainda no primeiro tempo com jogadas de insistência e passes bem medidos. Roçou o brilhantismo aos 64', protagonizando um lance individual que incluiu um túnel a um jogador adversário e um disparo que saiu a rasar o poste. Por sinal, foi o único sinal de perigo do Sporting na segunda parte.

 

De ver Palhinha poupado ao quinto amarelo. O nosso médio mais recuado actuou desta vez com movimentos bastante contidos e sem tentar sequer meter o pé nas acções de desarme: percebia-se que recebera instruções para evitar um cartão que o impediria de defrontar o Braga. Missão cumprida: iremos contar com ele no próximo sábado. À cautela, Amorim trocou-o por Matheus Nunes ao minuto 78. Melhor assim.

 

De ver Tabata e Gonçalo Inácio como titulares. Ambos em estreia absoluta no onze inicial leonino para jogos do campeonato. O primeiro correspondeu à confiança que nele depositou o treinador, fazendo assistência para golo aos 5', embora tenha caído bastante na etapa complementar. O segundo - que rendeu o lesionado Feddal - teve azar: viu a bola bater nele e trair Adán no lance do golo azul, aos 14', e foi prejudicado pela apatia de Nuno Mendes, o que o forçou a intensificar as dobras para comatar os falhanços do colega. Um e outro, de qualquer modo, merecem palavras de incentivo da massa adepta: são dois jovens com inegável valor.

 

De chegar ao fim de 2020 com o Sporting na frente. Lideramos o campeonato com 29 pontos em 33 possíveis - fruto de nove vitórias e dois empates. Somos a única equipa invicta na principal prova do futebol português, com 26 golos marcados e oito sofridos. Marcámos em todas as partidas disputadas na época em curso. E já somamos 14 jogos sem perder nas competições internas: as 11 do campeonato mais duas da Taça de Portugal (Sacavenense e Paços de Ferreira) e outra referente à Taça da Liga (Mafra). Números que não enganam.

 

 

Não gostei
 

 

Do vergonhoso estado do terreno. Chamar relvado àquilo, só mesmo por sarcasmo. O pantanal do Jamor apresentou-se em condições impróprias para a prática do futebol, sendo potencial factor de lesões graves: isto impediu logo à partida qualquer hipótese de bom espectáculo. A bola não circulava em condições, os jogadores escorregavam a todo o momento, o tecnicismo ficou condenado neste lamentável cenário. Mais grave ainda por ocorrer em instalações pertencentes ao Estado. Incúria e desleixo que confirmam o desamor das instituições públicas pela prática desportiva em Portugal.

 

De Pedro Gonçalves. Onde pára o nosso artista principal? Já na partida anterior, frente ao Farense, quase não se viu o n.º 28 em campo. Este apagão prosseguiu ontem no Jamor: encostado ao corredor esquerdo, sem criar linhas de passe em espaços interiores, o transmontano passou ao lado do jogo  - mesmo quando o técnico o fez desviar para o corredor central, já no segundo tempo. Deu lugar a Nuno Santos aos 68': já saiu tarde.

 

De Nuno Mendes. O ala esquerdo tem sido uma sombra do que foi no final da época passada. Apático, mal posicionado, chegando atrasado às bolas, perdeu sucessivos confrontos individuais com Silvestre Varela (que, aos 35 anos, tem quase o dobro da sua idade) e Calila: em diversas ocasiões ambos viram abrir-se autênticas avenidas à sua frente. O jovem formado na nossa Academia, a dado momento, apontou para a coxa direita, dando a entender que estaria tocado: Antunes acabou por entrar para o seu lugar a partir dos 78'. Compreende-se mal que, estando em suposta debillidade física, Nuno continue a ser chamado para titular da equipa.

 

Do quarto de hora final. O Sporting vencia por 2-1 e o Belenenses SAD estava reduzido a dez unidades, por expulsão de Tomás Ribeiro aos 77'. Mesmo assim, a pressão ofensiva partiu da equipa azul, que nunca cessou de procurar as nossas redes, enquanto os jogadores leoninos se limitavam a "gerir a posse de bola", como agora se diz em futebolês, evitando a baliza adversária. Atitude de equipa pequena apenas vocacionada para segurar a magra vantagem. A verdade é que este objectivo foi conseguido - isso acaba por ser o que mais importa.

 

Do árbitro Rui Costa, fiel à sua imagem de marca. Aos 13'', mal soara o apito inicial, deixou impune um pisão de Yaya sobre Palhinha que poderia ter inutilizado o jogador para esta partida. Aos 18', castigou o Sporting com penálti (e Adán com amarelo) num lance de choque casual com Miguel Cardoso, em que a bola está controlada pelo nosso guarda-redes e nunca devia ter merecido castigo máximo. Felizmente o espanhol defendeu e assim um dos piores apitadores portugueses evitou a acusação de interferir no resultado.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De mais uma vitória. Derrotámos esta noite o Farense, talvez a equipa que nos deu mais luta até agora no campeonato em curso. Vitória escassa, por apenas 1-0, e conseguida após se ter esgotado o período regulamentar de jogo, já em tempo de prolongamento. Mas é quanto basta para seguirmos na frente da Liga 2020/2021, que comandamos há cinco jornadas consecutivas, desde 1 de Novembro. Quase 20 anos depois, voltamos a ser líderes isolados no Natal: a última vez foi em 2001/2002, quando fomos campeões.

 

De Tabata. Após dois jogos consecutivos a marcar, manteve-se fora do onze inicial. Mas ao saltar do banco, aos 57', fez a diferença: incutiu dinâmica à equipa, acentuou a vertente ofensiva, colocou em sentido a defesa adversária. Sacou livres perigosos aos 67', 75' e 85'. Fez um passe teleguiado para Pedro Gonçalves aos 74', colocando-o em situação de golo. Ele próprio esteve prestes a marcar num cruzamento em arco apontado ao segundo poste que levou Defendi a fazer a defesa da noite. Voto no jovem internacional olímpico brasileiro como melhor em campo: ninguém desequilibrou como ele.

 

De Sporar. Afastado desta vez do onze titular, dando lugar a um Tiago Tomás muito intranquilo, entrou aos 79, rendendo João Mário, quando o técnico leonino desmanchou o seu habitual dispositivo táctico com três centrais, trocou Neto por Plata e ordenou à equipa que subisse no terreno. O esloveno só teve uma acção influente nos 18 minutos que esteve em campo, mas foi precisamente essa que nos garantiu os três pontos: a conversão de um penálti, castigando faltas sobre Feddal e Coates dentro da área do Farense aos 86'. Chamado à linha dos 11 metros, o ponta-de-lança leonino não vacilou. Marcando o seu quarto golo desta época.

 

De Palhinha. Uma vez mais, foi um dos nossos jogadores mais influentes, irrepreensível do ponto de vista táctico, ocupando muito bem o espaço que lhe está confiado, junto à linha divisória no corredor central, e dotado de excelente visão de jogo. Não se limita a recuperar bolas: adianta-se com critério. E foi praticamente o único a tentar rematar de meia-distância num jogo em que os nossos elementos mais avançados se revelaram demasiado contidos.

 

Do Farense. Há 18 anos que a turma algarvia não vinha a nossa casa: na última vez, em 2002, ainda existia o velho estádio José Alvalade. Neste regresso tardio apresentou-se bem arrumada, muito organizada e com um sistema defensivo quase intransponível. Destaque para o seu melhor jogador, Ryan Gauld, que esteve quatro anos sob contrato do Sporting mas foi desperdiçado, actuando apenas cinco vezes na nossa equipa principal. Ele, como tantos outros que não quisemos, brilha agora noutros clubes.

 

Do resultado. Foi bastante melhor do que a exibição. Sobretudo na frouxa e lenta primeira parte.

 

De termos cumprido mais um jogo sem sofrer golos. Levamos 12 seguidos sem perder, continuamos invictos nas competições internas, já temos 38 golos marcados nesta época e apenas sofremos quatro nos últimos oito desafios. Pormenor muito importante: o Sporting, até agora, marcou em todos os jogos efectuados.

 

 

Não gostei
 

 

Do zero-a-zero que se verificava ao intervalo. E menos ainda de ver o empate nulo prolongado até aos 90'+1. Muitos adeptos já pensavam certamente que veríamos voar dois pontos, o que felizmente não aconteceu. Mas foi até agora o golo mais tardio do Sporting em 2020/2021, naquele que terá sido o nosso jogo com exibição mais pálida ao nível das competições internas.

 

De ver três jogadores tapados com amarelos. Num jogo que foi mais de 40 vezes interrompido pelo apito, Palhinha, Coates e Nuno Santos (além de Tiago Tomás, em estreia) viram o árbitro exibir-lhes cartões. Qualquer deles já soma quatro, ficando portanto à bica para um jogo de suspensão. Oxalá isso não ocorra num daqueles desafios que acabam por decidir um campeonato, como os confrontos com o Braga e o Benfica.

 

Da primeira parte de Nuno Santos e Pedro Gonçalves. Os dois médios interiores estiveram anulados durante este período do jogo pelo eficaz sistema defensivo adversário: nenhum deles conseguiu fazer a diferença. O primeiro acabou por render bastante mais ao passar a ala esquerdo: substituiu Nuno Mendes a partir do minuto 57', dando mais profundidade ao corredor. Já Pedro Gonçalves mal conseguiu superar a marcação cerrada que lhe fizeram. Dispôs de duas oportunidades, aos 52' e aos 63', mas desta vez não fez a diferença.

 

De Nuno Mendes. Saiu aos 57', por aparente opção técnica que surtiu efeito. Enquanto esteve em campo o nosso corredor esquerdo quase não funcionou. Vários passes falhados, solicitações de colegas que ficaram sem resposta, inexistência de eficácia ofensiva. Preso de movimentos, algo apático, o jovem lateral leonino não atravessa um bom momento. Foi bem substituído.

 

Da ausência de Rúben Amorim. O treinador cumpriu o terceiro - e último - jogo de castigo que lhe foi aplicado na sequência da expulsão pelo árbitro Luís Godinho à beira do intervalo do Famalicão-Sporting. Um castigo injusto, que no entanto parece ter motivado ainda mais o colectivo leonino: esses três jogos, para competições diferentes, resultaram em três triunfos: 3-0 ao Paços de Ferreira para a Taça de Portugal, 2-0 ao Mafra para a Taça da Liga e agora 1-0 ao Farense para o campeonato. Seis golos marcados, nenhum sofrido.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Da nossa superioridade frente ao Famalicão. Empatámos 2-2 no mesmo estádio onde na época passada havíamos perdido por 1-3. Infelizmente o resultado da partida de hoje não traduz a qualidade da exibição leonina. Este nosso primeiro empate fora de casa da Liga 2020/2021 acaba por saber a pouco.

 

Dos nossos golos. O primeiro, apontado aos 37' por Pedro Gonçalves num excelente remate rasteiro, desenhando uma soberba diagonal com o pé esquerdo, após contornar uma floresta de pernas, para o ângulo mais difícil da baliza adversária. O segundo, um espectacular disparo de Porro na conversão de um livre directo quando estavam já decorridos 45'+4, no último lance da primeira parte, que terminou com o Sporting a vencer 2-1.

 

De Pedro Gonçalves. Vão escasseando os adjectivos para qualificar a actuação do ex-famalicense, o melhor jogador do campeonato. Hoje marcou o seu décimo golo em oito jogos da Liga: leva cinco partidas consecutivas a facturar, liderando destacado a lista dos goleadores. Infelizmente, no campeonato português os artistas como ele são tratados com desprezo e raiva pelos árbitros mais incompetentes, como o que hoje nos calhou pela segunda vez em nove jornadas.

 

De Porro. Incansável a controlar o nosso corredor direito, onde dá largas à sua vocação ofensiva. Mas o livre que transformou em golo foi marcado do lado esquerdo: é, sem dúvida um dos melhores do Sporting neste ano prestes a chegar ao fim. Já tinha ajudado a construir o nosso golo inicial, com uma recuperação de bola. E logo aos 7' cruzou de forma exemplar para Sporar, no que podia ter sido uma assistência para golo caso o esloveno não andasse em greve de remates. O jovem internacional sub-21 espanhol foi, para mim, o melhor em campo.

 

De Palhinha. Outra boa exibição do nosso médio defensivo, que no entanto parece algo desacompanhado naquela zona do terreno cada vez que Matheus Nunes fica fora do onze inicial. A sua influência na equipa mede-se não apenas pelos cortes que protagoniza e pelas recuperações que consegue, mas também pelas faltas que obriga os adversários a fazer. Desta vez, só à sua conta, foram amarelados três: aos 69', 83' e 87'. Destacou-se ainda por dois potentes remates com selo de golo, aos 32' e aos 54', forçando o guardião a defesas muito difíceis. Anda com vontade de marcar: não custa prever que vai conseguir metê-la lá dentro num dos próximos jogos.

 

Do centésimo jogo de João Mário pelo Sporting. O campeão europeu formado na Academia de Alcochete estreou-se na nossa equipa principal há nove anos, tendo sido lançado pelo treinador Domingos Paciência a 14 de Dezembro de 2011. Uma longa ligação, intensificada neste seu regresso ao clube em que espera sagrar-se campeão. Pena ter hoje falhado um remate crucial quando tinha só o guarda-redes pela frente, aos 78', atirando a bola para a bancada.

 

De ver o Sporting no comando da Liga. Aconteça o que acontecer nesta jornada, e apesar dos dois pontos hoje perdidos em Famalicão, manteremos o primeiro lugar. Continuamos a ser a única equipa invicta. E até agora marcámos em todas as jornadas do campeonato.

 

 

Não gostei
 

 

Do árbitro Luís Godinho. Saiu-nos na rifa pela segunda vez em nove jogos: é caso para dizer que andamos com azar. À terceira ronda do campeonato, o clássico Sporting-FC Porto, foi ele a inclinar o campo com uma arbitragem calamitosa, poupando o defesa portista Zaidu a duas expulsões ainda no primeiro tempo. Não contente com isso, expulsou Rúben Amorim ao intervalo por palavras em tudo idênticas às do treinador do FCP que fingiu não ter ouvido. Desta vez voltou a fazer estragos, novamente contra o Sporting: expulsou Pedro Gonçalves aos 80', por acumulação de amarelos com o primeiro cartão a ser exibido por alegada "simulação" que só existiu na cabeça dele, e aos 90' anulou um golo limpo a Coates que nos daria os três pontos. E voltou a expulsar o nosso técnico, imitando o que fizera em Alvalade, como se Amorim fosse uma espécie de hooligan dos treinadores portugueses. Uma vergonha haver sujeitos como este, que tudo fazem para lesar os virtuosos da bola e conspurcar o nosso futebol. 

 

De Adán. Muito intranquilo, o guarda-redes espanhol saiu disparatadamente dos postes, falhando o salto e permitindo que o Famalicão fizesse um golo no primeiro remate à nossa baliza, na sequência de uma bola parada, quando estavam decorridos 43'. Aos 89' sofreu o segundo golo - ao segundo remate - na conversão de um livre em que pareceu mal colocado na baliza e reagir tarde na tentativa de bloquear a bola.

 

De Sporar. Uma nulidade: com ele em campo, parecíamos jogar só com dez. Incompreensível, a decisão do técnico de mantê-lo em campo até ao minuto 63. Logo aos 7', incapaz de fazer a emenda frente à baliza, desperdiçou um cruzamento milimétrico de Porro. Aos 57', isolado por Coates, atrapalhou-se com a bola na grande área e acabou por oferecê-la a um adversário. E ainda foi ele a falhar a marcação a Gustavo Assunção no livre de que resultou o primeiro do Famalicão: ficou parado, de braços caídos, a "marcar" com os olhos. Merece ir para o banco.

 

Do penálti falhado por Nuno Santos. Estavam decorridos 22 minutos quando o ala canhoto, chamado a converter uma grande penalidade, rematou de modo muito denunciado, permitindo a defesa do guarda-redes. Teria sido o nosso primeiro golo - e, com a bola lá dentro, a história desta partida seria bem diferente. Mas é revelador que tenha sido Nuno Santos a marcar o penálti e não Sporar, ponta-de-lança, como seria mais lógico. Uma prova - mais uma - da falta de confiança do esloveno nos seus atributos goleadores.

 

Do nosso primeiro empate fora de casa. Até agora, só contávamos por vitórias todos os desafios na condição de equipa visitante. Não admira este desaire, pois passámos a jogar com menos um numa fase decisiva do jogo e ainda tivemos o apitador a actuar contra nós, permitindo entradas violentas, a todo o momento, aos jogadores do Famalicão enquanto mandou para a rua Pedro Gonçalves, um dos profissionais menos faltosos do campeonato português.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da nossa vitória desta noite em Alvalade. Vencemos o Moreirense por 2-1 num jogo que dominámos por completo e em que o nosso guarda-redes, Adán, não fez uma só defesa digna desse nome. Partida bem dirigida pelo árbitro Vítor Ferreira, que merece uma referência elogiosa.

 

De Pedro Gonçalves. A melhor contratação do Sporting desde a vinda de Bruno Fernandes. Voltou a bisar - é a quarta vez que comete tal proeza nesta Liga 2020. Marcou logo aos 8', num lance de insistência, à ponta-de-lança, e assinou o golo da vitória com um remate potente e bem colocado aos 55'. E ainda atirou à barra, aos 69', num disparo que esteve a centímetros de ser um dos melhores golos do campeonato. Veio de lesão, mas nem se deu por isso. Mantém os olhos fixos na baliza e o resultado está à vista: nove golos em sete jogos, quinta partida seguida a marcar. O melhor em campo.

 

De Palhinha. Grande exibição do nosso médio mais recuado, figura pendular da equipa tanto no domínio defensivo como no momento da construção ofensiva. Mandou no meio-campo e voltou a ser excelente nas acções de desarme e nas recuperações de bola. Cada vez mais influente no onze titular.

 

De Nuno Santos. Outra boa exibição. Foi dele a assistência para o primeiro golo - a sétima com a sua assinatura nesta temporada. Impôs-se pela velocidade e pela qualidade dos cruzamentos, sobretudo na primeira parte, tendo servido de bandeja Sporar aos 22' num lance que o esloveno desperdiçou isolado frente ao guarda-redes. Tomou conta de todo o corredor esquerdo desde que saiu Nuno Mendes, aos 61', até à entrada de Antunes, aos 84'.

 

Da nossa reacção ao golo sofrido. Um autogolo de Neto, quando estavam decorridos apenas 3', colocou em vantagem o Moreirense, que chegou ao fim sem ter criado uma oportunidade de marcar. Vantagem que durou só cinco minutos: a nossa equipa nunca se atemorizou nem deixou de acreditar na reviravolta, mesmo com alguns jogadores abaixo do nível a que nos habituaram.

 

De ver o Sporting firme no comando. Continuamos a liderar o campeonato, agora com 22 pontos - mais seis que o FC Porto, mais sete (à condição) do que Benfica e Braga. Facto a registar: esta é a nossa melhor pontuação à oitava jornada desde que as vitórias passaram a valer três pontos, na já distante época 1995/1996.

 

Das estatísticas favoráveis. Os números confirmam: com 21 golos marcados e só cinco sofridos, mantemos o melhor ataque e a melhor defesa da Liga. Conseguimos a sétima vitória em oito jogos, com o melhor registo ofensivo desde 1990/1991, quando a equipa era treinada por Marinho Peres. E continuamos invictos na prova cimeira do futebol português.

 

 

Não gostei
 

 

Das duas bolas à trave. Primeiro por Sporar, que desperdiçou um golo cantado aos 22'. Depois por Pedro Gonçalves, num disparo com selo de golo aos 69'. Merecíamos um triunfo mais volumoso neste jogo de recomeço do campeonato após três semanas de paragem.

 

Do desempenho de Neto e Feddal. O primeiro, precipitando-se, colocou em jogo um adversário e acabou por introduzir a bola na própria baliza. O segundo, mostrando-se muito intranquilo, perdeu duas vezes a bola em zonas proibidas, possibilitando contra-ataques perigosos do Moreirense e nunca fez a diferença com passes bem colocados na fase de construção. No mercado de Inverno é fundamental a vinda de um reforço para o eixo da defesa neste Sporting que sonha ser campeão.

 

De Sporar. Outro desempenho medíocre do avançado esloveno, que falhou várias vezes no momento da decisão. Mesmo isolado perante o guarda-redes, o melhor que fez foi cabecear à trave. Péssimas decisões aos 50' e aos 57'. Matou uma excelente oportunidade criada por Nuno Santos aos 58', optando por um passe ao guardião. Incapaz de uma recarga aos 69'. Lento a reagir, sem antecipar as jogadas nem capacidade de atacar a bola. Falta-lhe instinto goleador, algo imperdoável num ponta-de-lança.

 

De Nuno Mendes. Talvez a partida menos conseguida do nosso ala esquerdo, que pareceu inferiorizado em termos físicos - o que não admira, pois veio de lesão contraída ao serviço da selecção sub-21. Saiu aos 61', com a noção clara de ter passado ao lado do jogo, nomeadamente quando abriu uma avenida ao ala adversário no lance que culminou no autogolo de Neto.

 

Da ausência de Pedro Marques. Após ter marcado dois golos em 20 minutos no desafio contra o Sacavenense, para a Taça de Portugal, o jovem avançado merecia pelo menos ter integrado a lista dos 18 convocados para esta oitava jornada do campeonato. Mas nem no banco se sentou, o que só parece explicar-se por algum problema físico.

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