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És a nossa Fé!

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Da grande vitória do Sporting na Choupana. Num terreno absolutamente impróprio para a prática desportiva, muito menos para uma competição de futebol profissional, o onze leonino dominou do primeiro ao último minuto, vulgarizando o Nacional, que não produziu qualquer lance de perigo para a nossa baliza. Vencemos por 2-0, com um golo em cada parte, e podíamos ter marcado pelo menos mais dois. Mas melhor do que o resultado foi a exibição, num autêntico futebol de lama, sob um dilúvio implacável que se abateu sobre o Funchal: triunfo da vontade, da atitude competitiva, do espírito colectivo, da garra leonina. Quem vence um jogo destes arrisca-se mesmo a ganhar o campeonato.

 

Da inegável superioridade da nossa equipa. Grande parte do jogo foi disputado só em metade do terreno, designadamente na segunda parte, quando o vento soprou com força a nosso favor. O Nacional quase não conseguiu sair do seu meio-campo. Uma diferença que pode medir-se, por exemplo, no número de cantos: dez a nosso favor e apenas um para os madeirenses.

 

Da adaptação da equipa ao lamaçal. Rúben Amorim percebeu de imediato que, dado o péssimo estado do terreno e a chuva que caía sem cessar, não podia impor aos jogadores o habitual futebol controlado, com a bola a sair em passes curtos desde a baliza. Até porque muitas vezes ela não rolava, ficando presa em diversas partes daquele relvado absolutamente impróprio para consumo. Restava o pontapé para a frente, à moda antiga, imitando o fio de jogo dos campeonatos distritais. Os nossos jogadores rapidamente se adaptaram às circunstâncias, nunca virando a cara à luta, apesar do risco acrescido de lesões. A verdade é que ganhámos quase sempre os lances divididos e foi irrepreensível a nossa reacção a ocasionais perdas de bola.

 

De Pedro Gonçalves. Para mim, o melhor em campo. Veio buscar a bola atrás, actuando como terceiro médio na faixa central. Desta vez sem rendilhados nem virtuosismo técnico, pois o campo não permitia, mas sempre com fulgor ofensivo. É dele a primorosa assistência para o primeiro golo, marcado por Nuno Santos aos 43', indo recuperar quase junto à linha final, do lado direito, a bola centrada por Nuno Mendes e colocando-a nos pés do colega, que só teve de empurrar à boca da baliza. Aos 34' e aos 64', com remates rasteiros, pôs à prova os reflexos do guardião Daniel Guimarães. E aos 83' fez embater a bola no poste - seria um golo bem merecido.

 

De Palhinha. Absolutamente indispensável no onze titular leonino - e jogos como este ainda o tornam mais imprescindível. Muito eficaz nas acções de cobertura, funcionou como dique para travar a manobra ofensiva do Nacional. E foi mantendo acesa a vontade de marcar, quase o conseguindo: aos 36', cabeceou ligeiramente ao lado, na sequência de um canto; aos 78', num disparo de meia distância, fez a bola roçar o poste.

 

De Nuno Santos. Poço de energia, pulmão inesgotável, vontade indómita. Funcionou como acelerador permanente do jogo leonino, procurando eficácia máxima. Esforço recompensado com o nosso golo inaugural. É já o seu quinto de Leão ao peito. E promete muitos mais.

 

Do regresso de Jovane. Já tínhamos saudades dele, após mês e meio de afastamento - primeiro por lesão, depois por opção técnica. Entrou aos 87', substituindo Nuno Santos, e três minutos bastaram para marcar o golo da tranquilidade, fixando o resultado. Não podia ter sido mais feliz.

 

Do nosso bloco defensivo. Voltou a funcionar com simetria perfeita e uma irrepreensível organização, sem tremer perante as péssimas condições atmosféricas nem temer a lama que crescia no lugar da relva. Não é por acaso que o Sporting apresenta a melhor defesa da Liga 2020/2021: apenas oito golos sofridos em 13 jogos já disputados. Continuamos a ser a única equipa invicta no campeonato. 

 

De Rúben Amorim. Uma vez mais, o treinador soube ler muito bem o jogo e fazer as alterações que se impunham, sobretudo para refrescar a equipa - mas sem esgotar as substituições. Aos 66', trocou Sporar por Tiago Tomás. Aos 76', fez entrar Matheus Nunes por troca com João Mário. Aos 87, deu ordem para Jovane substituir Nuno Santos. Dois dos jogadores que saltaram do banco - Tiago Tomás a assistir, Jovane a marcar - foram cruciais para ampliar o resultado e consolidar a vitória. Haverá "estrelinha" do técnico, decerto. Mas há sobretudo muita competência - desde logo nas instruções iniciais que deu à equipa para posicionar-se em campo, adaptando-a aos obstáculos concretos deste desafio.

 

De ver seis portugueses no onze titular. Neto, Palhinha, João Mário, Nuno Mendes, Pedro Gonçalves e Nuno Santos. Com a entrada de Tiago Tomás e Jovane, esta noite alinharam oito. Que diferença em relação aos nossos principais rivais, que entram em campo quase só com estrangeiros.

 

Que só um dos nossos tivesse visto o amarelo. Feddal, somando cinco cartões, fica fora do próximo jogo. Mas poderemos contar com Coates, Neto, Nuno Santos e Palhinha, que passaram incólumes.

 

De vermos a liderança reforçada. Somamos já 35 pontos, em 39 possíveis. Cumprimos a sexta vitória consecutiva, há 16 jogos que não perdemos em casa para a Liga. Vencemos 11 dos últimos 12 jogos do campeonato. Estamos há sete jornadas consecutivas no primeiro posto. E continuamos a marcar em todas as partidas já cumpridas desde o início da temporada. 

 

 

Não gostei
 

 

Das condições do terreno. Reza o lugar-comum que o futebol é desporto de Inverno. Mas hoje abusou-se da invernia - ainda por cima no Funchal, que costuma ser terra de clima ameno: chuva torrencial, vento fortíssimo, granizo, trovoada, muito frio. Mas pior foi o estado miserável do tapete que em vez de ser verde, como mandam os regulamentos, era afinal castanho. Indigno de futebol da primeira divisão. Noutros países, onde as condições atmosféricas são muito mais inclementes, não se encontra nada disto. Uma vergonha. E um perigo, até por potenciar lesões de alto risco.

 

Do adiamento do jogo. Este Nacional-Sporting devia ter-se disputado ontem. Mas as rajadas de vento quase ciclónico que ontem se registavam na Choupana, a 632 metros de altitude, tornaram impossível a utilização do estádio, que só hoje pôde ser utilizado. Passámos assim do péssimo para o simplesmente mau. E a nossa equipa fica com menos 24 horas para preparar o próximo desafio, que irá desenrolar-se também no Funchal: o Marítimo-Sporting, dos oitavos-de-final da Taça de Portugal, a realizar nesta segunda-feira.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Do triunfo do Sporting sobre o Braga. Vitória leonina em Alvalade, por 2-0, contra um dos nossos mais temíveis adversários na Liga 2020/2021. Não esqueçamos que os vermelhos do Minho, há cerca de dois meses, venceram o Benfica na Luz (2-3). Superado este obstáculo, estamos agora oito pontos acima dos braguistas, que na época passada ficaram um lugar à nossa frente. 

 

De Porro. Melhor em campo: o jovem internacional espanhol superou com distinção o confronto individual com Galeno. Distinguiu-se nos desarmes, nas acções ofensivas pela ala direita, nos cruzamentos lá à frente. E com uma condição física invejável. É, naquele corredor, o melhor lateral do Sporting neste século. E nunca dá um lance por perdido. Quase no fim do jogo, celebrou com um punho no ar quando ganhou uma bola dividida que resultou em lançamento. Mal soou o apito final, foi exuberante e contagiante a sua alegria. À Leão.

 

De Adán. Grande exibição do nosso guarda-redes, que foi decisivo para bloquear o fluxo atacante do Braga nos momentos mais complicados da partida, nos últimos 15 minutos da primeira parte e no início da segunda. Duas enormes defesas, aos 32' e aos 63'. É um dos pilares desta equipa, que se apresenta em campo cada vez mais coesa e motivada.

 

De João Mário. Pura classe: fez o melhor jogo desde que regressou ao Sporting, imperando no meio-campo - tanto na construção ofensiva como no apoio à manobra defensiva. Superiorizou-se nos duelos com Musrati, incapaz de lhe travar o passo. Atravessa um excelente período também do ponto de vista físico: chegou ao fim do jogo sem acusar cansaço.

 

De Matheus Nunes. É um dos mais combativos jogadores leoninos, o que voltou a confirmar-se nesta partida. Entrou aos 72' para reforçar o nosso meio-campo e desta vez foi ainda mais eficaz do que já nos habituou: seis minutos depois, marcava o segundo golo, aparecendo com muita oportunidade em posição frontal. Ganhou o ressalto após excelente lance individual protagonizado por Sporar no corredor esquerdo e meteu-a lá dentro. Merecida estreia como goleador pela nossa equipa principal.

 

De mais um golo de Pedro Gonçalves. O médio ofensivo, alvo de marcação cerrada, teve uma primeira parte apagadíssima. Mas bastou-lhe uma oportunidade para aproveitá-la da melhor maneira, metendo a bola na baliza - o que já não sucedia há três jogos. Foi aos 54', convertendo em golo uma bola que vinha dos pés de Nuno Santos, já em desequilíbrio. Com este, já leva 11 marcados. Reforça assim a liderança na lista dos goleadores da Liga.

 

Do nosso bloco defensivo. Funcionou em sincronia perfeita, deixando os jogadores adversários em constante fora-de-jogo e neutralizando Paulinho, principal artilheiro do Braga. Qualquer dos centrais - Coates, Feddal e Neto - fez cortes providenciais e cirúrgicos. Não é por acaso que o Sporting mantém a melhor defesa da Liga: apenas oito golos sofridos em 12 jogos. Também não é por acaso que somos a única equipa invicta no campeonato nacional de futebol. 

 

Da nossa eficácia. Tivemos três oportunidades de golo, convertemos duas. Equipa com fome de títulos é mesmo assim: aproveita o que houver, sem desperdícios.

 

Da nossa sorte. Rúben Amorim costuma dizer que é um técnico "com estrelinha". Voltou a acontecer neste jogo: aos 40', na jornada mais perigosa do Braga, Musrati fez a bola embater no poste. Se entrasse, a história deste desafio teria sido diferente.

 

Da forma como Amorim mexeu na equipa. Mal marcámos o primeiro golo, o treinador trocou um desgastado Tiago Tomás por Sporar e Nuno Santos por Tabata aos 57'. A mudança produziu efeito, dando consistência à equipa: o Sporting passou a assumir o controlo definitivo do jogo, o que ainda mais se acentuou com a troca de Pedro Gonçalves por Matheus Nunes aos 72'.

 

De saber que nenhum dos jogadores tapados com cartões viu o amarelo. Coates, Feddal, Neto, Nuno Santos e Palhinha vão poder jogar contra o Nacional.

 

De ver sete portugueses no nosso onze titular. De início alinharam Neto, Palhinha, João Mário, Nuno Mendes, Pedro Gonçalves, Nuno Santos e Tiago Tomás. Em nítido contraste com Benfica e FC Porto, que têm entrado em campo com equipas quase só compostas por jogadores estrangeiros.

 

De ver a liderança reforçada. Somamos já 32 pontos, em 36 possíveis. Cumprimos a quinta vitória consecutiva, há 15 jogos que não perdemos em casa para a Liga. Vencemos dez dos últimos 11 jogos do campeonato. Estamos há seis jornadas consecutivas no primeiro posto. E continuamos a marcar em todas as partidas já cumpridas desde o início da temporada. 

 

 

Não gostei
 

 

Da nossa primeira parte. Entrámos bem, com aparente intenção de resolver cedo o desafio, mas por volta dos 20 minutos deixámos o Braga avançar no terreno e assumir o domínio do jogo, o que nos provocou alguns calafrios. Foi o período menos bem conseguido do Sporting. Ao intervalo, registava-se um empate a zero que castigava sobretudo o nosso desempenho, só com dois remates nesse período da partida - e nenhum deles enquadrado com a baliza. 

 

Da arbitragem. Fábio Veríssimo foi complacente e conivente com o comportamento antidesportivo de jogadores como Raul Silva (que fez várias faltas duríssimas mas só viu o amarelo aos 59'), Galeno (que rasgou propositadamente a sua camisola, quando já estava amarelado, e regressou ao campo vestindo a camisola de um colega, provocando duas paragens consecutivas no jogo sem receber sanção disciplinar) e o guarda-redes Matheus (que devia ter recebido vermelho directo quando entrou de sola às pernas de Sporar, junto à linha lateral, pondo em risco a integridade física do esloveno). 

 

Da vídeo-arbitragem. João Pinheiro, com os ecrãs à sua frente na chamada "cidade do futebol", não viu um empurrão de Rolando a Feddal, uma mão na bola de Fransérgio e um derrube de Tiago Tomás, sem bola, na grande área braguista. Três penáltis que ficaram por assinalar - dois dos quais, o primeiro e o terceiro, sem qualquer margem para dúvida. O VAR volta a inclinar o campo contra o Sporting. Já começamos a estar habituados.

 

De ver o nosso estádio sem público. Este Sporting-Braga merecia assistência ao vivo em Alvalade. Nem que fosse apenas 10% ou 20% da lotação habitual das bancadas. Lamentavelmente, as autoridades sanitárias que continuam a autorizar todo o género de espectáculos mantêm em quarentena sine die o futebol. É algo cada vez mais inaceitável.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da vitória difícil desta noite. O Sporting foi surpreendido por um Belenenses SAD muito avançado no terreno e que nunca abandonou a pressão atacante. Confronto difícil no Jamor, em noite gelada e com chuva na segunda parte, contra um adversário que há duas jornadas venceu o Braga naquele mesmo cenário. Soube a pouco em termos exibicionais, mas a nossa equipa cumpriu no essencial: venceu por 2-1, amealhando mais três pontos. Isso é o que mais importa.

 

De Tiago Tomás. Rúben Amorim voltou a apostar nele como titular da posição mais avançada. E o jovem cumpriu, actuando com velocidade atrás do bloco defensivo adversário. Foi crucial, em dois momentos, para a construção desta vitória: primeiro logo aos 5', correspondendo da melhor maneira a uma excelente iniciativa individual de Tabata, com boa recepção e óptima finalização para golo após rodar sobre si próprio em posição frontal; depois, ao conquistar a grande penalidade, sem discussão possível, estavam decorridos 23 minutos. Esteve quase a marcar de novo, aos 37'.

 

De Adán. O melhor em campo. Foi crucial para que o Sporting garantisse a vitória. Desde logo ao defender um penálti - pela primeira vez de Leão ao peito - aos 19'. Voltou a fazer duas enormes defesas, aos 28' e aos 39', impedindo golos azuis. Tem muito mérito neste triunfo leonino.

 

De João Mário. Com Palhinha condicionado pela soma de quatro cartões amarelos e o terreno em estado deplorável, coube-lhe uma missão ainda mais difícil do que é habitual, segurando a bola em momento defensivo e distribuindo jogo na construção ofensiva, sempre com qualidade de passe apesar de o Belenenses SAD ter beneficiado de vantagem numérica no corredor central em grande parte do desafio. Mas o seu melhor momento ocorreu na marcação do penálti, aos 24'. Foi o reencontro do campeão europeu com os golos, vestido de verde-e-branco. Algo que não acontecia desde Abril de 2016.

 

De Porro. Em perfeita antítese com o seu colega do lado oposto, venceu a maioria dos confrontos individuais no corredor direito, sacudindo a apatia que se apoderou da equipa ainda no primeiro tempo com jogadas de insistência e passes bem medidos. Roçou o brilhantismo aos 64', protagonizando um lance individual que incluiu um túnel a um jogador adversário e um disparo que saiu a rasar o poste. Por sinal, foi o único sinal de perigo do Sporting na segunda parte.

 

De ver Palhinha poupado ao quinto amarelo. O nosso médio mais recuado actuou desta vez com movimentos bastante contidos e sem tentar sequer meter o pé nas acções de desarme: percebia-se que recebera instruções para evitar um cartão que o impediria de defrontar o Braga. Missão cumprida: iremos contar com ele no próximo sábado. À cautela, Amorim trocou-o por Matheus Nunes ao minuto 78. Melhor assim.

 

De ver Tabata e Gonçalo Inácio como titulares. Ambos em estreia absoluta no onze inicial leonino para jogos do campeonato. O primeiro correspondeu à confiança que nele depositou o treinador, fazendo assistência para golo aos 5', embora tenha caído bastante na etapa complementar. O segundo - que rendeu o lesionado Feddal - teve azar: viu a bola bater nele e trair Adán no lance do golo azul, aos 14', e foi prejudicado pela apatia de Nuno Mendes, o que o forçou a intensificar as dobras para comatar os falhanços do colega. Um e outro, de qualquer modo, merecem palavras de incentivo da massa adepta: são dois jovens com inegável valor.

 

De chegar ao fim de 2020 com o Sporting na frente. Lideramos o campeonato com 29 pontos em 33 possíveis - fruto de nove vitórias e dois empates. Somos a única equipa invicta na principal prova do futebol português, com 26 golos marcados e oito sofridos. Marcámos em todas as partidas disputadas na época em curso. E já somamos 14 jogos sem perder nas competições internas: as 11 do campeonato mais duas da Taça de Portugal (Sacavenense e Paços de Ferreira) e outra referente à Taça da Liga (Mafra). Números que não enganam.

 

 

Não gostei
 

 

Do vergonhoso estado do terreno. Chamar relvado àquilo, só mesmo por sarcasmo. O pantanal do Jamor apresentou-se em condições impróprias para a prática do futebol, sendo potencial factor de lesões graves: isto impediu logo à partida qualquer hipótese de bom espectáculo. A bola não circulava em condições, os jogadores escorregavam a todo o momento, o tecnicismo ficou condenado neste lamentável cenário. Mais grave ainda por ocorrer em instalações pertencentes ao Estado. Incúria e desleixo que confirmam o desamor das instituições públicas pela prática desportiva em Portugal.

 

De Pedro Gonçalves. Onde pára o nosso artista principal? Já na partida anterior, frente ao Farense, quase não se viu o n.º 28 em campo. Este apagão prosseguiu ontem no Jamor: encostado ao corredor esquerdo, sem criar linhas de passe em espaços interiores, o transmontano passou ao lado do jogo  - mesmo quando o técnico o fez desviar para o corredor central, já no segundo tempo. Deu lugar a Nuno Santos aos 68': já saiu tarde.

 

De Nuno Mendes. O ala esquerdo tem sido uma sombra do que foi no final da época passada. Apático, mal posicionado, chegando atrasado às bolas, perdeu sucessivos confrontos individuais com Silvestre Varela (que, aos 35 anos, tem quase o dobro da sua idade) e Calila: em diversas ocasiões ambos viram abrir-se autênticas avenidas à sua frente. O jovem formado na nossa Academia, a dado momento, apontou para a coxa direita, dando a entender que estaria tocado: Antunes acabou por entrar para o seu lugar a partir dos 78'. Compreende-se mal que, estando em suposta debillidade física, Nuno continue a ser chamado para titular da equipa.

 

Do quarto de hora final. O Sporting vencia por 2-1 e o Belenenses SAD estava reduzido a dez unidades, por expulsão de Tomás Ribeiro aos 77'. Mesmo assim, a pressão ofensiva partiu da equipa azul, que nunca cessou de procurar as nossas redes, enquanto os jogadores leoninos se limitavam a "gerir a posse de bola", como agora se diz em futebolês, evitando a baliza adversária. Atitude de equipa pequena apenas vocacionada para segurar a magra vantagem. A verdade é que este objectivo foi conseguido - isso acaba por ser o que mais importa.

 

Do árbitro Rui Costa, fiel à sua imagem de marca. Aos 13'', mal soara o apito inicial, deixou impune um pisão de Yaya sobre Palhinha que poderia ter inutilizado o jogador para esta partida. Aos 18', castigou o Sporting com penálti (e Adán com amarelo) num lance de choque casual com Miguel Cardoso, em que a bola está controlada pelo nosso guarda-redes e nunca devia ter merecido castigo máximo. Felizmente o espanhol defendeu e assim um dos piores apitadores portugueses evitou a acusação de interferir no resultado.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De mais uma vitória. Derrotámos esta noite o Farense, talvez a equipa que nos deu mais luta até agora no campeonato em curso. Vitória escassa, por apenas 1-0, e conseguida após se ter esgotado o período regulamentar de jogo, já em tempo de prolongamento. Mas é quanto basta para seguirmos na frente da Liga 2020/2021, que comandamos há cinco jornadas consecutivas, desde 1 de Novembro. Quase 20 anos depois, voltamos a ser líderes isolados no Natal: a última vez foi em 2001/2002, quando fomos campeões.

 

De Tabata. Após dois jogos consecutivos a marcar, manteve-se fora do onze inicial. Mas ao saltar do banco, aos 57', fez a diferença: incutiu dinâmica à equipa, acentuou a vertente ofensiva, colocou em sentido a defesa adversária. Sacou livres perigosos aos 67', 75' e 85'. Fez um passe teleguiado para Pedro Gonçalves aos 74', colocando-o em situação de golo. Ele próprio esteve prestes a marcar num cruzamento em arco apontado ao segundo poste que levou Defendi a fazer a defesa da noite. Voto no jovem internacional olímpico brasileiro como melhor em campo: ninguém desequilibrou como ele.

 

De Sporar. Afastado desta vez do onze titular, dando lugar a um Tiago Tomás muito intranquilo, entrou aos 79, rendendo João Mário, quando o técnico leonino desmanchou o seu habitual dispositivo táctico com três centrais, trocou Neto por Plata e ordenou à equipa que subisse no terreno. O esloveno só teve uma acção influente nos 18 minutos que esteve em campo, mas foi precisamente essa que nos garantiu os três pontos: a conversão de um penálti, castigando faltas sobre Feddal e Coates dentro da área do Farense aos 86'. Chamado à linha dos 11 metros, o ponta-de-lança leonino não vacilou. Marcando o seu quarto golo desta época.

 

De Palhinha. Uma vez mais, foi um dos nossos jogadores mais influentes, irrepreensível do ponto de vista táctico, ocupando muito bem o espaço que lhe está confiado, junto à linha divisória no corredor central, e dotado de excelente visão de jogo. Não se limita a recuperar bolas: adianta-se com critério. E foi praticamente o único a tentar rematar de meia-distância num jogo em que os nossos elementos mais avançados se revelaram demasiado contidos.

 

Do Farense. Há 18 anos que a turma algarvia não vinha a nossa casa: na última vez, em 2002, ainda existia o velho estádio José Alvalade. Neste regresso tardio apresentou-se bem arrumada, muito organizada e com um sistema defensivo quase intransponível. Destaque para o seu melhor jogador, Ryan Gauld, que esteve quatro anos sob contrato do Sporting mas foi desperdiçado, actuando apenas cinco vezes na nossa equipa principal. Ele, como tantos outros que não quisemos, brilha agora noutros clubes.

 

Do resultado. Foi bastante melhor do que a exibição. Sobretudo na frouxa e lenta primeira parte.

 

De termos cumprido mais um jogo sem sofrer golos. Levamos 12 seguidos sem perder, continuamos invictos nas competições internas, já temos 38 golos marcados nesta época e apenas sofremos quatro nos últimos oito desafios. Pormenor muito importante: o Sporting, até agora, marcou em todos os jogos efectuados.

 

 

Não gostei
 

 

Do zero-a-zero que se verificava ao intervalo. E menos ainda de ver o empate nulo prolongado até aos 90'+1. Muitos adeptos já pensavam certamente que veríamos voar dois pontos, o que felizmente não aconteceu. Mas foi até agora o golo mais tardio do Sporting em 2020/2021, naquele que terá sido o nosso jogo com exibição mais pálida ao nível das competições internas.

 

De ver três jogadores tapados com amarelos. Num jogo que foi mais de 40 vezes interrompido pelo apito, Palhinha, Coates e Nuno Santos (além de Tiago Tomás, em estreia) viram o árbitro exibir-lhes cartões. Qualquer deles já soma quatro, ficando portanto à bica para um jogo de suspensão. Oxalá isso não ocorra num daqueles desafios que acabam por decidir um campeonato, como os confrontos com o Braga e o Benfica.

 

Da primeira parte de Nuno Santos e Pedro Gonçalves. Os dois médios interiores estiveram anulados durante este período do jogo pelo eficaz sistema defensivo adversário: nenhum deles conseguiu fazer a diferença. O primeiro acabou por render bastante mais ao passar a ala esquerdo: substituiu Nuno Mendes a partir do minuto 57', dando mais profundidade ao corredor. Já Pedro Gonçalves mal conseguiu superar a marcação cerrada que lhe fizeram. Dispôs de duas oportunidades, aos 52' e aos 63', mas desta vez não fez a diferença.

 

De Nuno Mendes. Saiu aos 57', por aparente opção técnica que surtiu efeito. Enquanto esteve em campo o nosso corredor esquerdo quase não funcionou. Vários passes falhados, solicitações de colegas que ficaram sem resposta, inexistência de eficácia ofensiva. Preso de movimentos, algo apático, o jovem lateral leonino não atravessa um bom momento. Foi bem substituído.

 

Da ausência de Rúben Amorim. O treinador cumpriu o terceiro - e último - jogo de castigo que lhe foi aplicado na sequência da expulsão pelo árbitro Luís Godinho à beira do intervalo do Famalicão-Sporting. Um castigo injusto, que no entanto parece ter motivado ainda mais o colectivo leonino: esses três jogos, para competições diferentes, resultaram em três triunfos: 3-0 ao Paços de Ferreira para a Taça de Portugal, 2-0 ao Mafra para a Taça da Liga e agora 1-0 ao Farense para o campeonato. Seis golos marcados, nenhum sofrido.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Da nossa superioridade frente ao Famalicão. Empatámos 2-2 no mesmo estádio onde na época passada havíamos perdido por 1-3. Infelizmente o resultado da partida de hoje não traduz a qualidade da exibição leonina. Este nosso primeiro empate fora de casa da Liga 2020/2021 acaba por saber a pouco.

 

Dos nossos golos. O primeiro, apontado aos 37' por Pedro Gonçalves num excelente remate rasteiro, desenhando uma soberba diagonal com o pé esquerdo, após contornar uma floresta de pernas, para o ângulo mais difícil da baliza adversária. O segundo, um espectacular disparo de Porro na conversão de um livre directo quando estavam já decorridos 45'+4, no último lance da primeira parte, que terminou com o Sporting a vencer 2-1.

 

De Pedro Gonçalves. Vão escasseando os adjectivos para qualificar a actuação do ex-famalicense, o melhor jogador do campeonato. Hoje marcou o seu décimo golo em oito jogos da Liga: leva cinco partidas consecutivas a facturar, liderando destacado a lista dos goleadores. Infelizmente, no campeonato português os artistas como ele são tratados com desprezo e raiva pelos árbitros mais incompetentes, como o que hoje nos calhou pela segunda vez em nove jornadas.

 

De Porro. Incansável a controlar o nosso corredor direito, onde dá largas à sua vocação ofensiva. Mas o livre que transformou em golo foi marcado do lado esquerdo: é, sem dúvida um dos melhores do Sporting neste ano prestes a chegar ao fim. Já tinha ajudado a construir o nosso golo inicial, com uma recuperação de bola. E logo aos 7' cruzou de forma exemplar para Sporar, no que podia ter sido uma assistência para golo caso o esloveno não andasse em greve de remates. O jovem internacional sub-21 espanhol foi, para mim, o melhor em campo.

 

De Palhinha. Outra boa exibição do nosso médio defensivo, que no entanto parece algo desacompanhado naquela zona do terreno cada vez que Matheus Nunes fica fora do onze inicial. A sua influência na equipa mede-se não apenas pelos cortes que protagoniza e pelas recuperações que consegue, mas também pelas faltas que obriga os adversários a fazer. Desta vez, só à sua conta, foram amarelados três: aos 69', 83' e 87'. Destacou-se ainda por dois potentes remates com selo de golo, aos 32' e aos 54', forçando o guardião a defesas muito difíceis. Anda com vontade de marcar: não custa prever que vai conseguir metê-la lá dentro num dos próximos jogos.

 

Do centésimo jogo de João Mário pelo Sporting. O campeão europeu formado na Academia de Alcochete estreou-se na nossa equipa principal há nove anos, tendo sido lançado pelo treinador Domingos Paciência a 14 de Dezembro de 2011. Uma longa ligação, intensificada neste seu regresso ao clube em que espera sagrar-se campeão. Pena ter hoje falhado um remate crucial quando tinha só o guarda-redes pela frente, aos 78', atirando a bola para a bancada.

 

De ver o Sporting no comando da Liga. Aconteça o que acontecer nesta jornada, e apesar dos dois pontos hoje perdidos em Famalicão, manteremos o primeiro lugar. Continuamos a ser a única equipa invicta. E até agora marcámos em todas as jornadas do campeonato.

 

 

Não gostei
 

 

Do árbitro Luís Godinho. Saiu-nos na rifa pela segunda vez em nove jogos: é caso para dizer que andamos com azar. À terceira ronda do campeonato, o clássico Sporting-FC Porto, foi ele a inclinar o campo com uma arbitragem calamitosa, poupando o defesa portista Zaidu a duas expulsões ainda no primeiro tempo. Não contente com isso, expulsou Rúben Amorim ao intervalo por palavras em tudo idênticas às do treinador do FCP que fingiu não ter ouvido. Desta vez voltou a fazer estragos, novamente contra o Sporting: expulsou Pedro Gonçalves aos 80', por acumulação de amarelos com o primeiro cartão a ser exibido por alegada "simulação" que só existiu na cabeça dele, e aos 90' anulou um golo limpo a Coates que nos daria os três pontos. E voltou a expulsar o nosso técnico, imitando o que fizera em Alvalade, como se Amorim fosse uma espécie de hooligan dos treinadores portugueses. Uma vergonha haver sujeitos como este, que tudo fazem para lesar os virtuosos da bola e conspurcar o nosso futebol. 

 

De Adán. Muito intranquilo, o guarda-redes espanhol saiu disparatadamente dos postes, falhando o salto e permitindo que o Famalicão fizesse um golo no primeiro remate à nossa baliza, na sequência de uma bola parada, quando estavam decorridos 43'. Aos 89' sofreu o segundo golo - ao segundo remate - na conversão de um livre em que pareceu mal colocado na baliza e reagir tarde na tentativa de bloquear a bola.

 

De Sporar. Uma nulidade: com ele em campo, parecíamos jogar só com dez. Incompreensível, a decisão do técnico de mantê-lo em campo até ao minuto 63. Logo aos 7', incapaz de fazer a emenda frente à baliza, desperdiçou um cruzamento milimétrico de Porro. Aos 57', isolado por Coates, atrapalhou-se com a bola na grande área e acabou por oferecê-la a um adversário. E ainda foi ele a falhar a marcação a Gustavo Assunção no livre de que resultou o primeiro do Famalicão: ficou parado, de braços caídos, a "marcar" com os olhos. Merece ir para o banco.

 

Do penálti falhado por Nuno Santos. Estavam decorridos 22 minutos quando o ala canhoto, chamado a converter uma grande penalidade, rematou de modo muito denunciado, permitindo a defesa do guarda-redes. Teria sido o nosso primeiro golo - e, com a bola lá dentro, a história desta partida seria bem diferente. Mas é revelador que tenha sido Nuno Santos a marcar o penálti e não Sporar, ponta-de-lança, como seria mais lógico. Uma prova - mais uma - da falta de confiança do esloveno nos seus atributos goleadores.

 

Do nosso primeiro empate fora de casa. Até agora, só contávamos por vitórias todos os desafios na condição de equipa visitante. Não admira este desaire, pois passámos a jogar com menos um numa fase decisiva do jogo e ainda tivemos o apitador a actuar contra nós, permitindo entradas violentas, a todo o momento, aos jogadores do Famalicão enquanto mandou para a rua Pedro Gonçalves, um dos profissionais menos faltosos do campeonato português.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da nossa vitória desta noite em Alvalade. Vencemos o Moreirense por 2-1 num jogo que dominámos por completo e em que o nosso guarda-redes, Adán, não fez uma só defesa digna desse nome. Partida bem dirigida pelo árbitro Vítor Ferreira, que merece uma referência elogiosa.

 

De Pedro Gonçalves. A melhor contratação do Sporting desde a vinda de Bruno Fernandes. Voltou a bisar - é a quarta vez que comete tal proeza nesta Liga 2020. Marcou logo aos 8', num lance de insistência, à ponta-de-lança, e assinou o golo da vitória com um remate potente e bem colocado aos 55'. E ainda atirou à barra, aos 69', num disparo que esteve a centímetros de ser um dos melhores golos do campeonato. Veio de lesão, mas nem se deu por isso. Mantém os olhos fixos na baliza e o resultado está à vista: nove golos em sete jogos, quinta partida seguida a marcar. O melhor em campo.

 

De Palhinha. Grande exibição do nosso médio mais recuado, figura pendular da equipa tanto no domínio defensivo como no momento da construção ofensiva. Mandou no meio-campo e voltou a ser excelente nas acções de desarme e nas recuperações de bola. Cada vez mais influente no onze titular.

 

De Nuno Santos. Outra boa exibição. Foi dele a assistência para o primeiro golo - a sétima com a sua assinatura nesta temporada. Impôs-se pela velocidade e pela qualidade dos cruzamentos, sobretudo na primeira parte, tendo servido de bandeja Sporar aos 22' num lance que o esloveno desperdiçou isolado frente ao guarda-redes. Tomou conta de todo o corredor esquerdo desde que saiu Nuno Mendes, aos 61', até à entrada de Antunes, aos 84'.

 

Da nossa reacção ao golo sofrido. Um autogolo de Neto, quando estavam decorridos apenas 3', colocou em vantagem o Moreirense, que chegou ao fim sem ter criado uma oportunidade de marcar. Vantagem que durou só cinco minutos: a nossa equipa nunca se atemorizou nem deixou de acreditar na reviravolta, mesmo com alguns jogadores abaixo do nível a que nos habituaram.

 

De ver o Sporting firme no comando. Continuamos a liderar o campeonato, agora com 22 pontos - mais seis que o FC Porto, mais sete (à condição) do que Benfica e Braga. Facto a registar: esta é a nossa melhor pontuação à oitava jornada desde que as vitórias passaram a valer três pontos, na já distante época 1995/1996.

 

Das estatísticas favoráveis. Os números confirmam: com 21 golos marcados e só cinco sofridos, mantemos o melhor ataque e a melhor defesa da Liga. Conseguimos a sétima vitória em oito jogos, com o melhor registo ofensivo desde 1990/1991, quando a equipa era treinada por Marinho Peres. E continuamos invictos na prova cimeira do futebol português.

 

 

Não gostei
 

 

Das duas bolas à trave. Primeiro por Sporar, que desperdiçou um golo cantado aos 22'. Depois por Pedro Gonçalves, num disparo com selo de golo aos 69'. Merecíamos um triunfo mais volumoso neste jogo de recomeço do campeonato após três semanas de paragem.

 

Do desempenho de Neto e Feddal. O primeiro, precipitando-se, colocou em jogo um adversário e acabou por introduzir a bola na própria baliza. O segundo, mostrando-se muito intranquilo, perdeu duas vezes a bola em zonas proibidas, possibilitando contra-ataques perigosos do Moreirense e nunca fez a diferença com passes bem colocados na fase de construção. No mercado de Inverno é fundamental a vinda de um reforço para o eixo da defesa neste Sporting que sonha ser campeão.

 

De Sporar. Outro desempenho medíocre do avançado esloveno, que falhou várias vezes no momento da decisão. Mesmo isolado perante o guarda-redes, o melhor que fez foi cabecear à trave. Péssimas decisões aos 50' e aos 57'. Matou uma excelente oportunidade criada por Nuno Santos aos 58', optando por um passe ao guardião. Incapaz de uma recarga aos 69'. Lento a reagir, sem antecipar as jogadas nem capacidade de atacar a bola. Falta-lhe instinto goleador, algo imperdoável num ponta-de-lança.

 

De Nuno Mendes. Talvez a partida menos conseguida do nosso ala esquerdo, que pareceu inferiorizado em termos físicos - o que não admira, pois veio de lesão contraída ao serviço da selecção sub-21. Saiu aos 61', com a noção clara de ter passado ao lado do jogo, nomeadamente quando abriu uma avenida ao ala adversário no lance que culminou no autogolo de Neto.

 

Da ausência de Pedro Marques. Após ter marcado dois golos em 20 minutos no desafio contra o Sacavenense, para a Taça de Portugal, o jovem avançado merecia pelo menos ter integrado a lista dos 18 convocados para esta oitava jornada do campeonato. Mas nem no banco se sentou, o que só parece explicar-se por algum problema físico.

Rescaldo do jogo de ontem

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Da segunda goleada seguida, desta vez em Guimarães. Triunfo leonino frente ao Vitória minhoto, num terreno sempre difícil, e quase sempre sob chuva copiosa, o que em nada facilita a tarefa de equipas tecnicistas. Depois de termos dado quatro ao Tondela em Alvalade, repetimos a marca: 4-0. Com golos apontados por Nuno Santos (11'), Pedro Gonçalves (43' e 55') e Jovane (75'). No mesmo estádio onde há seis anos saímos derrotados por 0-3. Pormenor a destacar: todos os nossos golos nasceram de transições rápidas.

 

Da nossa entrada neste jogo. Pressão alta e fulgurante do Sporting no mesmo palco onde nos anteriores seis confrontos só tínhamos vencido um (em 2017/2018). Logo no primeiro minuto podíamos ter marcado duas vezes, primeiro por Sporar e logo a seguir por João Mário. Destaque para o disparo do campeão europeu, que foi bater com estrondo na trave.

 

Do onze titular. Rúben Amorim parece ter estabilizado o elenco-base da equipa: foi aquele que jogou desta vez de início. Com Adán na baliza; Neto, Coates e Feddal no tridente defensivo; Porro e Nuno Mendes nas alas; Palhinha e João Mário no meio-campo; Pedro Gonçalves e Nuno Santos como interiores ofensivos; e Sporar a ponta-de-lança. 

 

De Pedro Gonçalves. Caminha, a passos largos, para se tornar um digno sucessor de Bruno Fernandes, confirmando-se como o melhor reforço desta temporada. Marcou mais dois, facturou sete golos em sete jornadas e figura já no topo dos artilheiros do campeonato. E ainda assistiu Nuno Santos a iniciar esta goleada em Guimarães. Novamente o melhor em campo.

 

De Sporar. Desta vez não marcou, mas revelou-se essencial na manobra ofensiva da equipa. De uma tabelinha sua com Porro nasce a assistência para o segundo golo. Cria desequilíbros lá à frente e mantém sempre em sentido os defensores contrários. A equipa melhorou bastante desde que passou a contar com ele a titular.

 

De Nuno Santos. Foi ele o primeiro a empurrar o Sporting para a baliza adversária, logo a abrir o jogo, ganhando a bola na velocidade. Notável a movimentação no primeiro golo, com a sua assinatura. É já o terceiro que marca de Leão ao peito. Não custa vaticinar que vários outros virão a caminho.

 

De João Mário. Primeira parte muito positiva do nosso médio criativo. Além do petardo à barra, destacou-se a criar lances ofensivos, com bom domínio técnico e segurança no transporte de bola. Numa dessas ocasiões, correu 50 metros com ela, galgando terreno e driblando adversários, dando assim início à construção do segundo golo. Quebrou na etapa complementar, acusando desgaste físico, sendo bem substituído aos 58' por Matheus Nunes, autor da assistência a Jovane no remate que selou a nossa goleada em Guimarães.

 

De Adán. O guarda-redes espanhol - outro bom reforço desta temporada - já merece destaque. Notável, a assistência que fez para o terceiro golo, com um passe longo a que Pedro Gonçalves deu a melhor sequência, lá na frente. Golo marcado com apenas dois toques na bola. Como de costume, transmitiu segurança à equipa. Grande defesa aos 22', a parar um livre apontado por Ricardo Quaresma. Saiu muito bem dos postes aos 64', anulando uma situação de perigo. É um dos principais responsáveis pelo facto de o Sporting ser neste momento a equipa menos batida do campeonato, com apenas quatro golos sofridos.

 

Da nossa dinâmica ofensiva. Este foi o nosso quarto jogo seguido a ganhar. Foi também a nossa quarta vitória consecutiva fora de casa na Liga 2020/2021 - algo que não acontecia à sétima jornada desde a época 1996/1997, sob o comando técnico do belga Robert Waseige. Somos a equipa com mais golos marcados: 19. 

 

De terminar este jogo com cinco jogadores da formação. Mantém-se a aposta nos jovens oriundos da Academia de Alcochete: quando soou o apito final, estavam em campo Nuno Mendes, Palhinha, Jovane, Daniel Bragança e Tiago Tomás.

 

De continuar a ver o Sporting no comando da Liga. Desde Setembro de 2016 que não estávamos duas jornadas seguidas isolados no primeiro posto. Ficaremos assim pelo menos mais três semanas, devido à pausa para jogos das selecções. Neste momento temos mais quatro pontos do que o Benfica e mais nove do que o FC Porto, que ainda não actuou na sétima ronda do campeonato.

 

 

Não gostei
 

 

Do V. Guimarães. Prometia muito no início da época, exibindo até um vídeo algo ridículo com Quaresma montado a cavalo junto ao paço ducal. Reforçou-se com jogadores como Bruno Varela e Sílvio, que já foram do Benfica, e o ex-Leão Miguel Luís (que continua sem agarrar a titularidade). Mas está muito longe do brilho de outras épocas, algo bem reflectido nas estatísticas: até agora ainda só marcou um golo em casa, de penálti. 

 

Das bancadas vazias. Cada vez acho mais incompreensível que as mesmas autoridades sanitárias que autorizam espectadores nas competições motorizadas, provas hípicas, circos, touradas, manifestações de várias tonalidades e até em jogos de futebol da selecção nacional e das equipas que disputam competições europeias persistam na interdição absoluta de público quando se trata de jogos do campeonato. Absolutamente deplorável, ver o Estádio D. Afonso Henriques assim deserto.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Desta goleada em casa. Derrotámos por 4-0 o Tondela, equipa que nas cinco épocas anteriores viera empatar três vezes em Alvalade. Triunfo claro e sem a menor margem de discussão do onze leonino, que só peca pela escassez dos números: face às oportunidades criadas, com domínio total da nossa equipa, poderíamos ter vencido por sete ou oito. Não marcávamos quatro golos na Liga há 11 meses, desde a vitória frente ao Santa Clara, nos Açores, na primeira volta do campeonato anterior.

 

Da exibição. O Sporting não empolgou apenas pelo resultado, mas também pela exibição, a melhor desde que o actual técnico foi contratado. Conjunto organizado, com boas movimentações colectivas, simplicidade de processos e sem perder de vista a baliza adversária. Também a evoluir na condição física, após os percalços iniciais desta temporada. É uma equipa jovem, coesa, confiante, ambiciosa - e que promete ir longe, sob a condução de Rúben Amorim. Que hoje apostou num onze titular com nove jogadores que há um ano não integravam o plantel principal leonino: só Coates e Neto já cá estavam. Mas todos parecem jogar juntos há muito tempo. E mostram uma alegria em campo que vem contagiando os adeptos.

 

Das mudanças na equipa. Amorim deixou no banco Jovane, Matheus Nunes e Nuno Santos, por opção técnica, fazendo alinhar Sporar, João Mário e Tiago Tomás. Acerto do treinador, em termos globais: a equipa funcionou com mais acutilância do meio-campo para a frente, como os números bem demonstram.

 

De Pedro Gonçalves. Alguém tinha dúvidas de que era mesmo reforço? Se tinha, já as dissipou. O jovem ex-Famalicão marcou mais dois golos - os nossos primeiros nesta partida, aos 45' e aos 49', ambos à ponta-de-lança. Terceiro jogo consecutivo a facturar. Destaca-se já como o nosso artilheiro desta época, ainda no início: cinco golos só à sua conta. E continua em excelente nível nos duelos individuais. Volta a ser o melhor em campo.

 

De Sporar. Falhou algumas oportunidades claras nesta sua primeira actuação como titular em 2020/2021, mas foi sempre um elemento de grande utilidade no ataque leonino. Fez a assistência para o segundo golo com um cruzamento perfeito e marcou enfim, acreditando sempre, aos 90'+3. Era a referência no ataque posicional que estava a faltar ao jogo do Sporting. Útil também no trabalho sem bola, arrastando marcações e abrindo opções de passe. 

 

De Porro. Outro reforço que já ninguém se atreve a discutir. O jovem internacional sub-21 espanhol traz um evidente acréscimo de qualidade em relação às anteriores opções leoninas naquela posição - basta lembrar Bruno Gaspar, Ristovski e Rosier para se fazer a comparação. Hoje esteve em três dos quatro golos. No primeiro, centra com precisão milimétrica. No segundo, inicia o lance com um passe vertical de 40 metros junto à linha que Sporar recolheu lá à frente, livre de marcação. E o terceiro é dele, na sua estreia como goleador de verde-e-branco, com um remate de primeira aos 79', após centro de Nuno Santos. Excelente exibição - mais uma. 

 

De João Mário. Pura classe em campo. Faz toda a diferença termos de novo um campeão europeu na nossa equipa. Alinhando pela primeira vez a titular, desde o seu regresso ao Sporting, o médio criativo traz um futebol artístico mas também eficaz, imprimindo fluidez ao jogo leonino e funcionando como referência para os mais jovens, incutindo-lhes confiança e espírito de grupo. Tentou, sem conseguir, o golo de meia-distância. Mas foi dele a assistência para o quarto, no último minuto da partida, com um passe longo a isolar Sporar. É um prazer vê-lo de volta a uma casa onde foi muito feliz.

 

Da contínua aposta na formação. Outros prometeram sem cumprir, mas Amorim continua firme nas suas convicções nesta matéria. Entre titulares e suplentes, havia 11 elementos oriundos da Academia de Alcochete convocados para este Sporting-Tondela.

 

Da veia goleadora da equipa. Levamos 15 golos marcados à sexta jornada - tantos, até agora, como o Benfica e o FC Porto. Continuamos a marcar pelo menos dois em cada ronda do campeonato. E permanecemos invictos, com cinco vitórias e um empate.

 

De ver o Sporting em primeiro. Pelo menos por 24 horas, à condição, lideramos isolados a Liga 2020/2021. Algo que já não acontecia desde o início do campeonato 2016/2017. E levamos seis pontos de avanço ao FC Porto. Uma diferença inédita, à sexta ronda, desde que as vitórias passaram a valer três pontos, na já longínqua temporada 1995/1996.

 

 

Não gostei
 

 

Do tardio golo inicial. O marcador só foi inaugurado nos instantes finais da primeira parte, quando já tínhamos criado 12 oportunidades e pensávamos ir para o intervalo com o resultado ainda em branco. Muito desperdício, sobretudo nessa fase da partida. O remate vitorioso de Pedro Gonçalves acabou por funcionar como uma espécie de saca-rolhas, pondo fim à débil oposição do Tondela, que desta vez não nos causou qualquer verdadeiro problema em Alvalade. Se não marcámos mais cedo, foi só por alguma falta de pontaria - e graças à excelente exibição do guarda-redes Pedro Trigueira.

 

Dos cartões amarelos. É incompreensível que o Sporting, sendo apenas a 13.ª equipa mais faltosa da Liga portuguesa, seja a primeira em número de cartões. Desta vez o árbitro exibiu mais três - um a Palhinha, outro a Matheus Nunes (que rendeu o primeiro aos 66'), outro a Nuno Santos (em campo também desde os 66', tendo substituído Tiago Tomás). Balanço: 21 amarelos à sexta jornada. Parece uma turma de vândalos, mas nada pode estar mais distante da realidade. É apenas consequência do duvidoso critério dos senhores do apito, que teimam em inclinar o campo, sempre em benefício dos mesmos.

 

Do público mantido à distância. Continuamos escorraçados do nosso estádio. O mesmo estádio que, apesar da pandemia, chegou a ter cinco mil espectadores num recente Portugal-Suécia, disputado a 14 de Outubro, com organização da Federação Portuguesa de Futebol. Mas para o campeonato, prova organizada pela Liga, nem cinco são admitidos nas bancadas de Alvalade. Alguém consegue descortinar o menor sentido nesta absurda discriminação imposta pelas mesmas autoridades sanitárias que há poucos dias autorizaram 27 mil pessoas no autódromo de Portimão? Eu não. 

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De ver o Sporting somar mais três pontos no campeonato. A vitória foi difícil, mas foi nossa. Derrotámos o Gil Vicente em Alvalade por 3-1 num jogo em que só marcámos o primeiro golo aos 82'. Até ao apito final, 14 minutos depois, surgiram mais dois. O triunfo mais expressivo da nossa equipa até agora na Liga 2020/2021. Nesta partida, a turma de Barcelos sofreu mais golos do que nas quatro jornadas anteriores.

 

De Sporar. Merece ser designado como melhor em campo. Porque soube fazer a diferença desde que entrou, aos 61': arrastou marcações, abriu linhas de passe, movimentou-se bem dentro da área - e pôs fim ao seu prolongado jejum de golos, acorrendo ao segundo poste para a meter lá dentro. E teve ainda uma intervenção decisiva no segundo, ao temporizar e endossar a bola a Daniel Bragança, autor da assistência para Tiago Tomás. Terá reconquistado a titularidade que vira fugir-lhe desde o início da temporada.

 

Da forma como o técnico mexeu na equipa. Vendo-se a perder, na sequência de um livre directo aos 52' (que acabou por ser a única oportunidade do Gil Vicente em todo o jogo), Rúben Amorim não perdeu tempo nas substituições: mandou sair Neto e Matheus Nunes, trocando-os por Tiago Tomás e Sporar. Dez minutos depois, aos 71', substituiu Porro por Daniel Bragança. Aos 86', trocou Jovane por Gonçalo Inácio. Alterações que foram decisivas para virar o jogo, transformando o 0-1 no 3-1 final.

 

Daqueles dois preciosos minutos. Aos 82', o avançado esloveno marcou. Aos 84', ainda estávamos a festejar o golo anterior, Tiago Tomás ampliou a vantagem - correspondendo da melhor maneira a um belo passe vertical de Daniel Bragança a solicitar-lhe a deslocação, ludibriando o guardião adversário com um toque subtil que alterou a trajectória da bola. Consumava-se a reviravolta.

 

De Nuno Santos. Muito batalhador, foi sempre um dos jogadores mais inconformados na primeira parte, período em que o Sporting mal conseguiu ultrapassar a teia defensiva urdida pelos de Barcelos. Com as alterações efectuadas no segundo tempo, Amorim pediu-lhe que recuasse junto ao flanco esquerdo, transitando de extremo para médio-ala. Mas foi então que o ex-rioavista mais sobressaiu, com duas assistências para golo - o primeiro e o terceiro. Consolidando assim a sua influência no onze titular leonino.

 

De Pedro Gonçalves. Soma e segue: já tem três golos marcados na Liga, onde é o melhor artilheiro da nossa equipa. O terceiro foi o último desta noite, apontado mesmo ao cair do pano, num disparo fulminante após entrega de Nuno Santos. E foi dele o cruzamento bem calibrado que esteve na origem do golo inicial. Balanço positivo numa partida em que teve fraco desempenho na primeira parte, aliás à semelhança de todos os seus colegas.

 

Da nossa formação. Voltou a fazer a diferença, como esteve à vista no golo que nos deu três pontos, articulado entre Daniel Bragança e Tiago Tomás - dois dos seis jogadores formados na Academia de Alcochete que ontem actuaram em Alvalade.

 

Do resultado. Muito melhor do que a exibição perante um adversário que pusera o FC Porto em sentido na jornada anterior e que defendeu sempre com os onze jogadores atrás da linha da bola. Só no quarto de hora final, apostando na velocidade e na antecipação, fomos claramente dominantes.

 

De ver um Sporting superior ao da época passada. No Liga anterior, à quinta jornada, só tínhamos amealhado oito pontos. Agora somamos 13, tendo já defrontado o FC Porto e disputado mais jogos fora do que em casa. 

 

Do balanço até ao momento. Quatro vitórias, um empate. Continuamos invictos, com apenas quatro golos sofridos. Estamos a escassos dois pontos do Benfica, com mais três do que o FCP e quatro acima do Braga. Isolados na segunda posição do campeonato.

 

 

Não gostei
 

 

Da hora do jogo. Este Sporting-Gil Vicente, correspondente à primeira jornada do campeonato, acabou por decorrer mais de um mês após a data inicialmente prevista. O apertado calendário das competições futebolísticas não permitiu alternativa a esta quarta-feira, dia em que se disputaram desafios da Champions, forçando a partida a começar às 21.45 e a terminar quase à meia-noite. Mesmo sem público no estádio, é um horário impróprio - sobretudo a meio de uma semana de trabalho.

 

Da falta de um ponta-de-lança. Amorim até tinha três no banco (Sporar, o jovem Tiago Tomás e Pedro Marques, que vem actuando na equipa B e já justificava a convocatória, apesar de não ter chegado a calçar nesta partida), mas preferiu apostar de novo num onze sem avançado posicional. Porro, Pedro Gonçalves e Nuno Santos desperdiçavam cruzamentos sem haver nenhuma figura de referência na grande área. Esta carência só foi suprida quase a meio do segundo tempo com a entrada de Sporar. Como obteve sucesso talvez ajude o técnico a mudar de ideias.

 

De Jovane. Amorim voltou a confiar nele como avançado-centro, deixando Sporar no banco. Mas o luso-caboverdiano não parece talhado para esta posição em que o técnico insiste em colocá-lo. Passou ao lado do jogo: falhando passes, chegando atrasado a um cruzamento perfeito de Porro aos 30' em que bastaria encostar o pé e perdendo sucessivos lances de bola dividida. Saiu só aos 86', demasiado tarde para tão fraca prestação.

 

De Coates. Preso de movimentos, lento, duro de rins, o capitão leonino atravessa um mau momento. O golo do Gil Vicente resulta de uma falha posicional: é ele quem coloca Mineiro em jogo, repetindo um erro já cometido frente ao FC Porto. Abusou do pontapé sem nexo para a frente, despejando bolas que eram recebidas pelo guardião adversário. Crise de confiança? Se for o caso, esperemos que passe depressa.

 

Do árbitro. Chama-se André Narciso e apitou pela primeira vez um jogo com a participação de um clube grande. Esteve mal: aos 36 segundos(!) já amarelava Palhinha numa disputa de bola a meio-campo sem qualquer intensidade especial. Aos 6' e aos 12' viu um dos seus assistentes assinalar fora-de-jogo a Pedro Gonçalves e a Nuno Santos quando as imagens confirmam que estavam ambos em posição legal. Aos 64', mostrou o amarelo a Feddal num lance em que o marroquino nem tocou no adversário. Aos 68', amarelou Sporar por suposta "simulação" impossível de provar. Má estreia, portanto.  

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Do desafio superado contra o Santa Clara. Vitória leonina por 2-1 no estádio de São Miguel - um  terreno sempre difícil de onde acabamos de trazer mais três pontos. E vão dez, em quatro desafios: três vitórias e um empate (com o FC Porto), com apenas um jogo cumprido em casa.

 

De Pedro Gonçalves. Melhor em campo pelo segundo jogo consecutivo. Decisivo, foi ele a marcar os dois golos, em estreia absoluta de verde e branco. O primeiro, aos 20', muito bem isolado por Jovane: domina, supera a marcação e de um ângulo muito fechado, quase em cima da linha final, dispara com o seu pé menos bom, o esquerdo. O segundo, aos 81', dando a melhor sequência a um passe longo de Feddal e aproveitando a saída extemporânea do guardião adversário. É um caso sério de competência e virtuosismo. 

 

Do nosso meio-campo. Palhinha e Matheus Nunes parecem jogar juntos há muito tempo. E, no entanto, foi apenas a segunda partida em que formaram dueto no miolo da equipa. O português exímio na recuperação de bolas e o jovem brasileiro cada vez mais influente na manobra ofensiva. Ambos com arcaboiço para todos os confrontos imediatamente antes e depois da linha divisória do terreno. 

 

Da nossa primeira parte. Superioridade absoluta do Sporting neste período, em que podíamos ter dilatado mais a vantagem. Com vários jogadores a fazer a diferença, além dos já mencionados: Nuno Mendes como lateral adiantado junto à linha esquerda, Porro em constante vaivém no flanco oposto e Nuno Santos em contínuas acelerações no último terço do terreno, também à esquerda. Criando sucessivos desequilíbrios. 

 

De João Mário. Ainda sem ritmo competitivo, entrou só aos 65', rendendo um fatigado Matheus Nunes. E trouxe inegável qualidade ao processo ofensivo da nossa equipa. Com visão de jogo, precisão de passe, capacidade de drible e frieza quando havia necessidade de temporizar os lances. É um privilégio voltarmos a contar com um campeão europeu nas nossas fileiras. 

 

Da qualidade dos reforços. Nada a ver com o início da época 2019/2020: desta vez houve acerto nas escolhas. Seis dos titulares na partida de hoje em Ponta Delgada não integravam o nosso plantel da temporada anterior: Adán, Porro, Feddal, Palhinha, Nuno Santos e Pedro Gonçalves. Faz toda a diferença.

 

Da aposta na formação. Hoje actuaram seis elementos formados na Academia de Alcochete: Nuno Mendes, Palhinha, Jovane, João Mário, Tiago Tomás (substituiu Neto aos 56', quando Rúben Amorim procurou, com sucesso, desfazer o empate registado ao intervalo) e Gonçalo Inácio (substituiu Nuno Santos aos 88'). O caminho faz-se caminhando.

 

De ver público nas bancadas. Quase oito meses depois, um jogo do Sporting voltou a ter alguma assistência ao vivo. Só é lamentável a disparidade de critérios: a Direcção-Geral da Saúde autoriza nos Açores o que nega no continente. Como se a Liga não fosse uma prova de âmbito nacional, com regras que devem aplicar-se de modo uniforme em todos os estádios da primeira divisão portuguesa.

 

 

Não gostei
 

 

Do erro clamoroso de Coates. Com inaceitável displicência, o capitão leonino depositou a bola em zona proibida nos pés dum adversário, abrindo-lhe uma avenida rumo à nossa baliza. Num momento em que ninguém o pressionava, quando o Sporting dominava por completo a partida. Foi no minuto 42: o uruguaio ofereceu assim de bandeja a única oportunidade de golo ao Santa Clara, que o avançado Thiago Santana não desperdiçou. Falha de principiante protagonizada pelo central, que já no desafio anterior contribuíra para o primeiro golo portista em Alvalade.

 

De Sporar. Nova oportunidade desperdiçada pelo avançado esloveno, lançado pelo técnico leonino ao minuto 56, rendendo Jovane. Estático, sem reflexos, neutralizado pela marcação, falhou dois golos cantados: o primeiro aos 73', num centro teleguiado de Porro, cabeceando para fora quando estava em posição frontal; o segundo aos 77', quando só precisava de encostar o pé para dar a melhor sequência a um soberbo cruzamento de João Mário. Uma nulidade.

 

De termos encaixado o primeiro golo fora de casa. Após duas vitórias com as nossas redes invictas (em Paços de Ferreira e Portimão), o erro infantil de Coates estragou-nos esta média. Ao quarto jogo, levamos oito marcados e três sofridos.

 

Do "ervado" de São Miguel. Vergonhoso, o estado do terreno, empapado e cheio de socalcos: mais parecia uma terra de cultivo, com os jogadores a escorregar e a cair continuamente. Isto contribuiu para a má qualidade do espectáculo, sobretudo na segunda parte. Ainda assim, o Sporting foi de longe a equipa que dispôs de mais oportunidades de golos neste tapete impraticável. A derrota tangencial acaba por ser lisonjeira para a turma açoriana.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De termos enfrentado sem temor o Porto no clássico disputado em Alvalade. Dominámos no quarto de hora inicial, em que marcámos um golo e estivemos quase a marcar outro (Marchesín, com uma grande defesa, impediu aos 7' que Matheus Nunes a metesse lá dentro), e estivemos por cima durante quase toda a segunda parte, em que o melhor jogador adversário foi de longe o veterano central Pepe. Superioridade traduzida no segundo golo, o do empate, já com os campeões nacionais encostados às cordas. O empate 2-2 acabou por nos saber a pouco.

 

De Pedro Gonçalves. Para mim, o melhor em campo. Foi o elemento mais acutilante da nossa equipa, sempre em jogo, criando sucessivos desequilíbrios. Viu Marchesín negar-lhe o golo com uma defesa muito apertada, aos 37', e foi carregado em falta dentro da grande área portista no tempo extra da primeira parte - lance que originou um penálti afinal revertido por intervenção do VAR, lesando a verdade desportiva. Incansável, foi ainda este jogador - verdadeiro reforço do Sporting - a cruzar para o nosso segundo golo, aos 87', marcado por Vietto, à ponta-de-lança.

 

De Porro. Tornou-se já indiscutível como titular da ala direita leonina. Mesmo tendo sido alvo de um pisão por Zaidu logo aos 20', em lance que o deixou em evidente inferioridade física até ao intervalo, nunca virou a cara à luta nem deixou de criar perigo pelo seu flanco. Fez a assistência para o nosso golo inicial e esteve ele mesmo quase a marcar, aos 75', rematando a rasar o poste direito já com Marchesín batido.

 

De Palhinha. Regressou enfim a Alvalade, num jogo oficial, após o longo empréstimo ao Braga, durante duas temporadas. E cumpriu a missão que lhe foi pedida, funcionando como tampão do fluxo ofensivo portista no corredor central. Em excelente forma física, muito combativo, protagonizou várias recuperações de bola. Uma delas foi decisiva, aos 87', abortando a construção ofensiva da equipa adversária e dando logo início ao contra-ataque que origina o golo do empate. 

 

De Adán. Sem culpa nos golos, revelou segurança entre os postes e também a repor a bola, tanto com as mãos como com os pés. Decisivo a evitar que o Porto marcasse logo no minuto inicial, fez outra grande defesa aos 22'. Ao 85', funcionando como um líbero, saiu muito bem da baliza, gorando um ataque adversário que prometia ser perigoso.

 

Do golo de Nuno Santos. Surgiu cedo, aos 9', e foi mais um golo de grande qualidade - o segundo marcado no Sporting por este reforço leonino, correspondendo da melhor maneira a um centro de Porro: disparou ao primeiro poste, com o pé esquerdo, sem deixar a bola tocar na relva. Um golo de fazer levantar o nosso estádio - se houvesse público nas despidas bancadas de Alvalade, neste nosso primeiro jogo em casa para a Liga 2020/2021.

 

Do regresso de João Mário. Voltamos a ter um campeão europeu em título a jogar de verde e branco. Emprestado pelo Inter ao Sporting, o médio formado em Alcochete entrou em campo aos 77'. Tempo suficiente para mostrar toda a sua capacidade técnica em espaços curtos e a uma excelente leitura de jogo. Ajudou a empurrar a equipa para a frente com critério e qualidade, contribuindo para a reviravolta no marcador: conseguimos empatar a partida quando o Porto já acreditava que sairia do nosso estádio com os três pontos.

 

De ver um Sporting superior ao da época passada. Em Janeiro, perdemos 1-2 com o FCP em Alvalade. E saímos derrotados de todos os embates com Benfica e Porto nessa triste época 2019/2020. Melhorámos logo ao primeiro jogo grande da temporada em curso. Apesar de termos em campo cinco jogadores que só agora disputaram o primeiro clássico do futebol profissional em Portugal: Adán, Feddal, Pedro Gonçalves, Porro e Nuno Santos.

 

 

Não gostei
 

 

Do árbitro Luís Godinho. Fez tudo para influenciar o resultado - e conseguiu. Aos 20', poupou Zaidu a um vermelho directo por falta clamorosa sobre Porro que podia ter causado uma lesão prolongada no nosso jogador. Aos 45'+1, perdoou ao mesmo defesa do FCP - que já nem devia estar então em campo - outra expulsão por ter cometido penálti sobre Pedro Gonçalves: quando este se encontrava à sua frente, já com a posição ganha, colocou-lhe a mão no ombro, travando-lhe a impulsão no momento da recepção de uma bola na grande área. Inicialmente, o apitador exibiu o vermelho e apontou para a marca dos 11 metros. Mas foi sensível ao reparo do VAR Tiago Martins, revertendo tudo. E, para coroar este péssimo desempenho, expulsou logo de seguida Rúben Amorim, forçado a acompanhar toda a segunda parte nas bancadas, bem longe do relvado.

 

De ver o FCP marcar por duas vezes. Falhanços da nossa organização defensiva em dois momentos cruciais do jogo permitiram que a equipa adversária marcasse, por Uribe aos 25' e por Corona aos 44'. Em jogos desta importância, qualquer falta de sincronização no bloco mais recuado pode causar danos, como se comprovou.

 

De termos consentido os primeiros golos. Após duas vitórias (em casa do Paços de Ferreira e do Portimonense) sem golos sofridos, empatamos ao terceiro jogo. Ainda com um desafio em atraso - a recepção ao Gil Vicente, que vai ocorrer só no dia 28. 

 

De Jovane. Amorim apostou nele como falso ponta-de-lança, abdicando de Sporar no onze titular, mas o luso-caboverdiano - que regressou de uma lesão - parece não estar calhado para esta missão de desgaste e sacrifício, pressionado entre os centrais. Foi o elemento mais apagado da nossa equipa. Quando cedeu o lugar a Vietto, aos 56', dava a sensação de já sair tarde

 

De continuar a haver jogos sem público. Uma tristeza, vermos o nosso estádio vazio num jogo grande do campeonato. O mesmo estádio que já acolheu espectadores em dois recentes desafios da selecção nacional. Não se entende tal disparidade de critérios, com a chancela da Direcção-Geral da Saúde. Até parece que a Federação Portuguesa de Futebol é filha e a Liga de Clubes é enteada.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do nosso segundo triunfo consecutivo no campeonato. Fomos a Portimão vencer por 2-0 a equipa treinada por Paulo Sérgio - precisamente a mesma marca alcançada na partida anterior, em casa do Paços de Ferreira. Esta vitória, além de nos colocar no já restrito grupo das equipas ainda invictas e sem golos sofridos na Liga 2020/2021, tem ainda o mérito de funcionar como tónico psicológico para a equipa, abalada pela derrota caseira frente ao Lask Linz. Há seis anos que não ganhávamos tão cedo, por esta marca, fora de casa. 

 

Da nossa meia hora inicial. Há muito que não via o Sporting jogar tão bem: velocidade na transição, pressão alta lá à frente, bola trocada ao primeiro toque, organização colectiva, grande mobilidade. Neste período ficou sentenciada a sorte do desafio no Algarve. Com golos marcados bem cedo e gestão de bola no resto da partida, embora sofrendo alguns sobressaltos defensivos na segunda parte.

 

Dos golos. Surgiram cedo - e ambos excelentes. O primeiro, logo aos 4', fruto do esforço individual de Nuno Mendes, que driblou três adversários e fuzilou o guarda-redes após recuperar uma bola junto à ala esquerda. O segundo, aos 11', em consequência de um óptimo lance colectivo que levou Tiago Tomás a servir Vietto, o argentino a cruzar de forma impecável para o centro da área e Nuno Santos a surgir em velocidade ao primeiro poste, marcando de cabeça, à ponta-de-lança.

 

De Nuno Mendes. Estreou-se - com todo o mérito - a marcar pela equipa principal do Sporting. Sendo ainda júnior: tem apenas 18 anos e três meses. Vale a pena rever vezes sem conta este magnífico lance, que faz lembrar um dos mais célebres golos de Pelé: em dribles sucessivos, o jovem formado em Alcochete vai deixando sucessivos opositores para trás e não perdoa no momento de atirar à baliza. Melhor em campo, também com prestação muito positiva no plano defensivo, não tardará muito a ser chamado à selecção nacional dos mais crescidos. 

 

De Coates. Podia ter ficado desgastado em termos psicológicos por ter cometido um penálti e visto um cartão vermelho, prejudicando a equipa, no desafio ocorrido três dias antes contra a equipa austríaca em Alvalade. Mas não se notou nada disso neste jogo de Portimão, em que teve um desempenho irrepreensível no comando da defesa - bem complementado desta vez por Neto, à sua direita. E ainda foi à frente, marcar um golo de cabeça aos 81' que o árbitro entendeu invalidar, usando um critério oposto ao do seu colega que pouco antes arbitrara o jogo Benfica-Farense (3-2) num lance muito semelhante, culminado em golo marcado por Seferovic. 

 

De Adán. Concentração, eficácia, solidez. Três palavras que caracterizam o desempenho do guarda-redes espanhol, vital para garantir que a nossa baliza permanecesse intocável. Boas defesas aos 15', 45' e 88'. Grande intervenção no último minuto da partida, aos 90'+4, evitando um golo. Nota muito positiva.

 

Da primeira parte de Matheus Nunes. Talvez a melhor exibição do jovem brasileiro, desta vez no comando das operações do meio-campo devido à saída de Wendel para o futebol russo. Ousado no passe longo, rápido a tomar decisões, dominando a bola com critério, sem receio de ir ao choque. Caiu no segundo tempo, por notório desgaste físico, à semelhança de alguns colegas, como Vietto e Tiago Tomás.

 

Da aposta contínua nos jovens. Rúben Amorim contou neste desafio com nove jogadores sub-23: Porro, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Pedro Gonçalves (em estreia como titular, ocupando a vaga deixada por Wendel), Tiago Tomás, Daniel Bragança, Gonçalo Inácio, Plata e Tabata (em estreia absoluta de verde e branco, tendo entrado aos 71' para render Vietto). Quatro destes jovens fizeram toda a formação na Academia de Alcochete. 

 

 

Não gostei
 

 

Do critério disciplinar do árbitro. Manuel Oliveira permitiu que os jogadores do Portimonense se sentissem à vontade para fazerem sucessivas faltas destinadas a travar lances do Sporting em momentos cruciais do jogo, deixando-os impunes. Há muitas maneiras de arbitrar mal: ser permissivo com os lances faltosos é uma delas. 

 

De Feddal. Foi claramente o elemento mais intranquilo da linha defensiva a três, faltando-lhe velocidade nas acções de cobertura e precisão de passe na fase de construção, abusando dos chutões para onde estivesse virado. Acabou por dar lugar a Gonçalo Inácio, aos 62', tendo saído com queixas de ordem física.

 

De Tabata. Estreia infeliz de verde-e-branco do extremo que escolheu jogar com o n.º 7 na camisola, em confronto com a sua anterior equipa. Isolado aos 86', em posição privilegiada para fazer o terceiro golo do Sporting, imitou Sporar no jogo contra o Lask: em vez de um remate potente, saiu-lhe um frouxo passe ao guarda-redes. Parece faltar capacidade de finalização ao mais recente reforço da nossa equipa.

 

Das ausências. Não pudemos contar ainda com Jovane (que recupera de lesão muscular) e Palhinha (recém-saído de quarentena por ter sido contagiado com Covid-19). Dois elementos nucleares: qualquer deles tem lugar garantido no onze titular leonino. Faltou ainda Sporar, aparentemente afectado por uma tendinite: nem sequer figurou na ficha do jogo. Esperemos que o mercado de transferências não feche sem recebermos um reforço para o nosso sector mais ofensivo. Há que preencher esta lacuna.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De começar o campeonato com uma vitória. Três pontos conquistados, num estádio sempre difícil: triunfo claro e sem margem para discussão do Sporting frente ao Paços de Ferreira, na Mata Real, por 2-0. Mais expressivo do que o suado 2-1 que lá conseguimos na época anterior, num onze que ainda integrava Bruno Fernandes, Mathieu e Acuña.

 

Da nossa organização defensiva. As equipas começam a construir-se de trás para a frente. É o que tem vindo a acontecer neste Sporting 2020/2021. Sem esquecer que a manobra defensiva, para ter sucesso, deve iniciar-se na zona mais adiantada do relvado. Os números confirmam que estamos no bom caminho: dois jogos oficiais disputados com apenas três dias de diferença, nenhum golo sofrido e apenas uma defesa do guardião Adán (no desafio anterior, em Alvalade, frente ao Aberdeen). Já quer dizer alguma coisa.

 

De Coates. Incansável na posição de libero, em que comanda o sector mais recuado, o nosso capitão insiste em marcar presença nas bolas paradas ofensivas e até consegue marcar em lance corrido, como desta vez aconteceu, ao sentenciar a vitória com um remate certeiro, aos 63', às redes do Paços. Foi o nosso segundo golo, pondo fim às dúvidas sobre o desfecho da partida. Voto nele como melhor em campo.

 

De Nuno Mendes. É um caso muito sério de talento, energia e disponibilidade criativa posta ao serviço da equipa. Com apenas 18 anos, assenta-lhe como uma luva a função de titular da ala esquerda neste sistema táctico, cabendo-lhe a pesada responsabilidade de suceder a Acuña nesta posição. Teve intervenção directa no segundo golo e fez uma sucessão de excelentes cruzamentos. O primeiro, logo aos 2', foi a régua e esquadro para Tiago Tomás, que desperdiçou a oportunidade isolado perante o guarda-redes. A partir dos 79', com a entrada de Antunes, fixou-se na ala direita, onde continuou a dar boa conta do recado.

 

De Wendel. Nem sempre se dá por ele, mas é um elemento pendular no onze do Sporting. Pauta o ritmo e o modo do ataque com a sua visão de jogo e a sua inegável capacidade técnica: com a  bola nos pés, é talvez o melhor elemento do plantel leonino. Isto permite-lhe pausar e acelerar o jogo, adequando-o às prioridades tácticas da equipa, e fazer variações de flanco com uma capacidade de passe muito acima da média. Desempenho positivo, uma vez mais.

 

De Daniel Bragança. O jovem médio entrou aos 65', rendendo Vietto, e posicionou-se no eixo do trio de avançados, contribuindo para a eficácia ofensiva da equipa, que nunca cessou de pressionar a saída de bola do Paços. Grande pormenor aos 75', deixando pregado ao chão um adversário com o seu virtuosismo técnico. Merecia uma ovação das bancadas, que continuam lamentavelmente vazias por incompreensível discriminação da Direcção-Geral da Saúde contra o futebol.

 

Dos reforços. Dos que jogaram hoje de início, todos aprovados. Adán muito seguro na baliza, com bons reflexos e competente a jogar com os pés. Porro, dono e senhor do corredor direito, confirmando a excelente impressão que já causara no jogo contra o Aberdeen. Feddal fazendo boa parceria com Coates - o que até ficou confirmado no lance do segundo golo. Nota positiva também para Nuno Santos, que entrou aos 31', substituindo o lesionado Jovane.

 

Do nosso jogo colectivo. A equipa joga mais ligada, mais organizada e até com mais alegria do que na época anterior. Exemplo disto é o lance do nosso segundo golo: Nuno Santos toca para Tiago Tomás junto à linha direita, o jovem avançado dribla um adversário e cruza em arco para o segundo poste, com a bola a ser aliviada em esforço e a sobrar para Nuno Mendes, que mesmo de pé direito a devolve à área, onde Feddal a recolhe e assiste de cabeça para Coates, que se liberta de marcação e a mete lá dentro. Este lance ilustra a magia do futebol como desporto colectivo.

 

Da contínua aposta em jovens. Média de idades do conjunto leonino neste jogo: 24 anos. Com seis jogadores sub-23 no onze titular: Porro, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Wendel, Jovane e Tiago Tomás. Três deles oriundos da nossa formação. E ainda contámos com um quarto elemento da Academia de Alcochete: Daniel Bragança.

 

 

Não gostei
 

 

Da ausência de Rúben Amorim. O técnico leonino, diagnosticado com Covid-19, mantém-se de quarentena, afastado fisicamente da equipa. Um obstáculo que já deve ser superado na próxima jornada da Liga, a 4 de Outubro, quando nos deslocarmos a Portimão.

 

Do curto intervalo entre o jogo anterior e este. Decorreram apenas 69 horas entre o fim da partida em Alvalade frente ao Aberdeen, na passada quinta-feira, e o apito inicial deste Paços de Ferreira-Sporting. Sem sequer serem cumpridas as 72 horas recomendadas nos manuais para atenuar os índices de fadiga física. E segue-se outro desafio, já na quinta-feira: vamos receber o Lask Linz na campanha de pré-qualificação para a Liga Europa.

 

De Vietto. O argentino teve bons apontamentos ocasionais, mas foi o que esteve menos em evidência na nossa frente atacante: o melhor que fez foi um passe de calcanhar para Tiago Tomás aos 38'. Continua mal adaptado ao sistema táctico de Rúben Amorim - à semelhança do que sucede com Sporar, que ontem só entrou aos 79' (substituindo TT). E parece estar longe da melhor condição física: aos 65', visivelmente esgotado, foi rendido por Daniel Bragança.

 

Da lesão de Jovane. O luso-caboverdiano saiu aos 31', com muitas queixas musculares, agarrado a uma coxa. Já depois de ter marcado o nosso primeiro golo, convertendo da melhor maneira um penálti, logo aos 23'. Esperemos que não seja nada de grave. Este Sporting precisa de um Jovane na melhor forma.

 

Do árbitro Fábio Veríssimo. Típico apitador à portuguesa. Interrompeu o jogo a todo o momento e demonstrou uma chocante dualidade de critérios, aliás bem expressa nas estatísticas: os jogadores do Paços cometeram 18 faltas e só viram dois cartões, enquanto os do Sporting, com apenas 12 faltas, foram brindados com seis amarelos. Entre eles, um a Adán por "retardar" a reposição de bola (aos 48') e outro a Porro por falta inexistente. Estes árbitros que teimam em dar nas vistas pelos piores motivos deviam ver muitos jogos do campeonato inglês. Para aprenderem como e quando devem apitar.

Balanço (38)

Antes do arranque do campeonato nacional de futebol 2018/2019, relembro os meus apontamentos da época passada. Para recordar os jogadores que se evidenciaram mais em cada desafio.

 

27 de Janeiro (Sporting, 1 - Marítimo, 0): BORJA

«O lateral colombiano regressou à titularidade, aproveitando a ausência de Acuña, afastado por acumulação de cartões. Cumpriu com distinção a incumbência, não apenas no plano defensivo, com boas acções de cobertura, mas sobretudo nas movimentações ofensivas que culminaram com a sua estreia a marcar esta época ao serviço do Sporting, correspondendo da melhor maneira a um cruzamento de Jovane.»

 

2 de Fevereiro (Braga, 1 - Sporting, 0): LUÍS MAXIMIANO

«O jovem guarda-redes formado na Academia leonina foi o nosso melhor em campo. Seguro e atento, sem qualquer responsabilidade no golo sofrido, fez três grandes defesas - aos 55', 60' e 63' - retardando o mais possível os três pontos que o Braga acabaria por conquistar.»

 

9 de Fevereiro (Sporting, 2 - Portimonense, 1): MATHIEU

«É, aos 36 anos, o maior baluarte do onze leonino, como ontem voltou a confirmar-se em campo. Sobretudo pelo grande golo que marcou - de livre directo, com o seu potente pé esquerdo, num remate muito bem colocado e totalmente indefensável - e ajudou a desbloquear a partida, aos 32', recolocando o empate no marcador e abrindo caminho ao triunfo. Mas também pela forma como comandou o nosso reduto.»

 

15 de Fevereiro (Rio Ave, 1 - Sporting, 1): LUÍS MAXIMIANO

«Outra partida muito positiva do nosso guarda-redes. Sem culpa no golo, quase à queima-roupa, e com defesas dignas de registo aos 16' e aos 90'.»

 

23 de Fevereiro (Sporting, 2 - Boavista, 0): PLATA

«O jovem equatoriano respondeu da melhor maneira, destacando-se como figura do jogo. Foi dele a assistência para o primeiro golo, aos 13', na marcação irrepreensível de um livre directo, e encarregou-se ele próprio de marcar o segundo, aos 42', dando a melhor sequência a uma boa jogada colectiva iniciada por Jovane que tocou para Borja na ala esquerda e este cruzou para a área onde Plata apareceu, livre de marcação, rematando de primeira com o pé esquerdo.»

 

3 de Março (Famalicão, 3 - Sporting, 1): COATES

«Pareceu-me o menos mal dos sportinguistas. Por ter marcado o nosso golo solitário, aos 45'+1. E por ter feito preciosos cortes e desarmes aos 32', 60' e 63', evitando danos maiores.»

 

8 de Março (Sporting, 2 - Aves, 0): ACUÑA

«O primeiro grande cruzamento partiu dos pés dele, logo aos 7'. Aos 45'+3, constrói o lance que culmina no tiro de Vietto à trave. E é também o argentino que inicia a jogada que dá origem ao primeiro golo, colocando a bola em Wendel, que depois a centra para o esloveno.»

 

4 de Junho (V. Guimarães, 2 - Sporting, 2): SPORAR

«Temos artilheiro: já regista cinco golos. Ontem, mais dois. Aproveitando da melhor maneira duas das três oportunidades de que dispôs: a primeira aos 18', aproveitando uma fífia incrível do experiente guardião vitoriano Douglas; a segunda aos 52', dando a melhor sequência a um excelente passe de Jovane a rasgar a defesa adversária.»

 

12 de Junho (Sporting, 2 - Paços de Ferreira, 0): JOVANE

«Marcou um golão, de livre directo, aos 65': a bola embateu na barra, cheia de colocação e força, entrando de seguida. No último minuto do tempo extra (97') esteve quase a repetir a proeza, mas em lance corrido. No entanto a bola, caprichosamente, voltou a embater na trave, agora sem entrar. Ainda (48') ofereceu um golo a Sporar que o esloveno desperdiçou.»

 

18 de Junho (Sporting, 2 - Tondela, 0): JOVANE

«Segundo jogo consecutivo a marcar, segundo jogo a apontar o golo de livre directo, com uma bomba indefensável que contornou a barreira adversária e se foi anichar ao fundo das redes, deixando o guardião de pés no solo. Dos nossos quatro golos de livre registados neste campeonato, metade têm já a assinatura do jovem caboverdiano.»

 

26 de Junho (Belenenses SAD, 1 - Sporting, 3): JOVANE

«Novamente o melhor, decisivo ao ponto de ter marcado dois golos - o segundo e o terceiro. E talvez não ficasse por aqui se tivesse permanecido em campo durante a segunda parte. Rúben Amorim mandou-o sair ao intervalo, por precaução, verificando que o jovem caboverdiano acusava um problema muscular. A missão dele estava cumprida, uma vez mais com.»

 

1 de Julho (Sporting, 2 - Gil Vicente, 1): PLATA

«Destacou-se nesta partida, em que teve o melhor desempenho desde a chegada do novo técnico. É dele a assistência para o primeiro golo, com um cruzamento atrasado para a grande área, e é ele quem consegue os três pontos ao apontar o segundo, aproveitando muito bem um atraso disparatado de um defesa adversário, batendo em velocidade os seus opositores.»

 

6 de Julho (Moreirense, 0 - Sporting, 0): COATES

«Foi o mais perigoso lá à frente, nas bolas paradas. Venceu um lance aéreo aos 37', cabeceando por cima, e viu-se impedido de disputar uma bola ao ser ostensivamente agarrado dentro da grande área, mesmo no fim da partida, num lance que o árbitro ignorou. Num jogo em que quase todos os seus colegas estiveram abaixo do nível que nos habituaram, foi dos raros que se mantiveram em bom estilo e grande classe.»

 

10 de Julho (Sporting, 1 - Santa Clara, 0): JOVANE

«Voltou a valer-nos três pontos ao metê-la lá dentro, dando a melhor sequência a um magnífico passe vertical de Wendel, empurrando a bola para a baliza com o pé esquerdo sem a deixar cair no chão. Estavam decorridos 67'. O jovem caboverdiano fez a diferença não apenas neste lance decisivo mas ao longo de todo o desafio, em que foi sempre o mais criativo e o maior desequilibrador.»

 

15 de Julho (FC Porto, 2 - Sporting, 0): COATES

«Fez impor a sua presença nos lances aéreos, não apenas no sector defensivo (bons cortes aos 16' e 22') mas também junto à baliza adversária, nas bolas paradas. Aos 19', anulou as marcações na trincheira portista, embora cabeceando por cima. Muito eficaz no controlo da profundidade excepto nos minutos finais, em que já estava mais à frente por indicação técnica, na fase do tudo-por-tudo.»

 

21 de Julho (Sporting, 0 - V. Setúbal, 0): COATES

«Não cometeu nenhum erro grave e pareceu sempre um dos raros jogadores incoformados com o empate a zero. Merece por isso ser destacado como o melhor Leão numa partida em que passou os últimos dez minutos a jogar sobretudo à frente, como reforço improvisado da nossa linha atacante.»

 

25 de Julho (Benfica, 2 - Sporting, 1): TIAGO TOMÁS

«Esteve nos dois melhores momentos da prestação leonina: aos 65', numa rápida incursão na grande área aproveitando um monumental lapso defensivo de Jardel, atirou a bola ao poste de um ângulo muito apertado; aos 69', fez um soberbo passe que funcionou como assistência para o golo de Sporar.»

 

(Conclusão do balanço iniciado ontem)

Balanço (37)

Antes do arranque do campeonato nacional de futebol 2019/2020, relembro os meus apontamentos da época passada. Para recordar os jogadores que se evidenciaram mais em cada desafio.

 

11 de Agosto (Marítimo, 1 - Sporting, 1): BRUNO FERNANDES

«Foi dele o primeiro grande passe em profundidade, isolando Raphinha logo aos 2'. Foi dele também o primeiro remate do Sporting que levava selo de golo: uma bomba disparada aos 28', travada pelo guardião adversário com a defesa da noite. Foi ainda ele que cruzou para o golo de Coates, parecendo com vontade de voltar a ser na nova época o rei das assistências da nossa equipa.»

 

18 de Agosto (Sporting, 2 - Braga, 1): RENAN

«Foi decisivo nesta conquista dos três pontos para o Sporting em várias defesas que confirmaram a sua classe e os seus reflexos. Destaque para um voo que impediu Pablo de marcar, aos 30', e o golo "cantado" que travou in extremis a Hassan, aos 40'.»

 

25 de Agosto (Portimonense, 1 - Sporting, 3): RAPHINHA

«Voto nele como o melhor em campo. Por ter bisado, desde logo, sendo a partir de agora o marcador mais destacado da nossa equipa. Mas sobretudo pela qualidade dos golos que marcou. Merece especial destaque o primeiro, com um remate muito forte desferido do bico da área, em arco, sem defesa possível para o guardião adversário. O segundo também justifica aplauso, pela impecável recepção a um passe longo de Bruno Fernandes, metendo-a lá dentro sem a deixar bater no chão - ainda por cima com o seu pior pé, que é o direito.»

 

31 de Agosto (Sporting, 2 - Rio Ave, 3): BRUNO FERNANDES

«Voltou a ser o melhor dos nossos jogadores em campo - atributo bem reflectido no nosso primeiro golo, aos 20', que começa a ser desenhado nos pés dele e é concluído também por ele, com um remate forte e bem colocado, a passe de Acuña, enquanto Luiz Phellype se movimentava bem sem bola, arrastando metade da defesa adversária. Foi o 50.º golo oficial de Bruno Fernandes com a camisola do Sporting. Desejamos que marque muitos mais.»

 

15 de Setembro (Boavista, 1 - Sporting, 1): BOLASIE

«Foi dele a única oportunidade do Sporting na primeira parte, aos 27', forçando o guarda-redes Bracali a uma defesa muito apertada. Desviado para a ala esquerda no segundo tempo, continuou a criar desequilíbrios. Aos 70', conduziu um rápido contra-ataque e disparou fortíssimo, em arco, fazendo a bola roçar a barra. Impressionante a imagem dele junto à linha final, incentivando o aplauso dos adeptos.»

 

23 de Setembro (Sporting, 1 - Famalicão, 2): VIETTO

«Melhor sportinguista em campo - um dos raros que merecem nota positiva. Na ausência de Bruno Fernandes, foi ele o único a causar desequilíbrios e a fazer passes de ruptura lá na frente. De um desses movimentos, em que recuperou a bola, nasce o nosso golo - o primeiro golo dele de verde e branco.»

 

30 de Setembro (Aves, 0 - Sporting, 1): BOLASIE

«Mesmo com ocasionais lapsos de ordem técnica, mostrou-se sempre muito activo. Podia ter marcado por três vezes (aos 53', 59' e 73'). E é ele quem conquista a grande penalidade que viríamos a transformar em golo, com uma oportuna desmarcação aos 81'.»

 

27 de Outubro (Sporting, 3 - V. Guimarães, 1): MATHIEU

«Um esteio na organização defensiva do Sporting, que conferiu equilíbrio e confiança ao conjunto. Teve uma exibição irrepreensível, cortando tudo quanto havia para cortar, impondo-se designadamente nos lances aéreos.»

 

31 de Outubro (Paços de Ferreira, 1 - Sporting, 2): BRUNO FERNANDES

«É dele a assistência para o golo de Luiz Phellype, com um remate cruzado de longa distância. Serviu também da melhor maneira o brasileiro aos 68', num lance que poderia ter terminado igualmente em golo, como já havia acontecido logo aos 3'. E foi ainda ele a apontar de modo impecável a grande penalidade que nos assegurou os três pontos, estavam decorridos 79'.»

 

3 de Novembro (Tondela, 1 - Sporting, 0): BRUNO FERNANDES

«O nosso jogador menos mau.»

 

10 de Novembro (Sporting, 2 - Belenenses SAD, 0): VIETTO

«Aos 75', é ele quem inicia o lance mais decisivo, com um soberbo passe longo esticando o jogo para a ala direita. E é ele quem finaliza essa jogada com um pontapé acrobático, sem deixar a bola cair ao chão, na sequência de um ressalto dentro da grande área. Um golo que fez levantar o estádio e encheu de alegria os verdadeiros adeptos, que já desesperavam de ver futebol a sério nesta noite fria em Alvalade.»

 

1 de Dezembro (Gil Vicente, 3 - Sporting, 1): BRUNO FERNANDES

«Limitou-se a ser o menos mau neste primeiro jogo da Liga em que não fez qualquer remate à baliza nem ensaiou um só tiro de meia-distância.»

 

8 de Dezembro (Sporting, 1 - Moreirense, 0): MATHIEU

«O mais maduro, o mais eficaz,  o mais acutilante: aos 36 anos, é um excelente exemplo para jogadores com metade da idade dele.»

 

16 de Dezembro (Santa Clara, 0 - Sporting, 4): BOLASIE

«Grande partida do ala franco-congolês, que revelou atitude, compromisso com a equipa e entrega ao jogo. Destacou-se logo aos 3', confundindo as marcações no corredor direito. Aos 22', foi ceifado em falta noutra ofensiva perigosa. Falhou o cabeceamento aos 35' e aos 50',  mas redimiu-se aos 54', apontando o melhor golo da noite, na sequência de um canto, ao saltar quase de costas, dirigindo a bola para o canto superior esquerdo da baliza.»

 

5 de Janeiro (Sporting, 1 - FC Porto, 2): ACUÑA

«Se alguém não merecia perder este jogo, foi ele. Autor do solitário golo do Sporting, aos 44', fuzilando Marchesin num remate indefensável, de um ângulo muito difícil, após assistência de Vietto. A recuperação de bola, neste lance, foi dele também. Tal como dos pés dele nasceram os cruzamentos mais perigosos da nossa equipa.»

 

11 de Janeiro (V. Setúbal, 1 - Sporting, 3): BRUNO FERNANDES

«Não há volta a dar: é um jogador de excepção, um dos mais categorizados que vestiram desde sempre a camisola verde e branca. Os três pontos que trazemos de Setúbal devem-se essencialmente a ele: marcou o segundo golo, de grande penalidade, aos 34'; e fechou o resultado já no tempo extra, culminando a melhor jogada colectiva do Sporting nesta partida.»

 

17 de Janeiro (Sporting, 0 - Benfica, 2): RAFAEL CAMACHO

«Desta vez actuou como titular e fez jus à prova de confiança que o técnico nele manifestou. Imperou no corredor direito, sobretudo na primeira parte, destacando-se igualmente em tarefas defensivas. Foi protagonista das duas únicas ocasiões de golo do Sporting: aos 13', levou a melhor no duelo com Ferro e rematou com força, levando a bola a embater no poste; aos 33', cabecou como mandam as regras à boca da baliza, forçando Vlachodimos a uma grande defesa.»

 

(Conclui amanhã)

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei
 
 

De encerrar a época com uma derrota. Começámos a perder na Supertaça, contra o SLB, e terminamos batidos pelo mesmo clube, ao cair do pano desta Liga 2019/2020, a mais comprida e para nós uma das mais penosas de sempre.

 

Dos erros individuais. Dois cantos, dois jogadores mal posicionados a colocar em jogo adversários em fracções de segundo, ditaram esta derrota por 2-1 frente ao Benfica na Luz. Aos 28', Sporar, desconcentrado, permite que Seferovic se movimente em posição legal; aos 88', Matheus Nunes, desatento, põe em jogo Vinicius, no lance capital da partida, que selou o desfecho. E que nos atirou para fora do pódio deste campeonato.

 

De Plata. Jogou só a primeira parte, mas esteve 45 minutos a mais em campo. Sem a menor articulação com Ristovski no pavoroso corredor direito leonino, errou passes, chegou tarde aos lances, perdeu sempre na disputa das bolas divididas e entregou-as de forma displicente aos adversários. Vem piorando de jogo para jogo, ao ponto de ser lícito questionar se não deverá ser emprestado para rodar noutra equipa da Liga.

 

De Eduardo Quaresma. O jovem defesa tem vindo a acusar pressão em excesso, o que o leva a cometer erros impensáveis quando o víamos actuar na Liga Revelação, há poucos meses. Desta vez sem ter a seu lado Coates, que costuma estar sempre atento às dobras, os seus deslizes tornaram-se mais preocupantes: aos 44', falhou uma recepção fácil de bola; aos 48', entregou-a a um adversário. Raras vezes saiu com ela dominada, raras vezes foi capaz de construir com qualidade. Uma noite para esquecer.

 

De Wendel. Noutras partidas funcionou como eficaz pêndulo da equipa, nesta mostrou-se como pêndulo avariado, tantos foram os erros cometidos. Apático, inerte, causou perigo no sector defensivo aos 21'. Entregou a bola várias vezes à equipa contrária: aos 30', 49' e 76', por exemplo. Sem qualidade de passe nem ao menos demonstrar desta vez mais-valia no transporte. 

 

Da lesão de Coates. Como se já não bastasse termos perdido Bas Dost, Raphinha, Bruno Fernandes e Mathieu - jogadores decisivos - em momentos diferentes da época, o último jogo foi disputado com outra baixa, esta totalmente inesperada: Coates lesionou-se no aquecimento, momentos antes do apito inicial, e viu-se forçado a entregar a braçadeira de capitão a Acuña e a sua posição como defesa central na linha mais recuada a Neto, que se confirmou como pálido sucedâneo do internacional uruguaio. 

 

De ver Acuña como central. Há jogadores polivalentes, como o internacional argentino sem dúvida é, mas convém aproveitá-los sempre nas posições em que são capazes de render mais à equipa. Acuña começou no Sporting como ala-esquerdo, actuando várias vezes como extremo; depois recuou para lateral, desaproveitando-se assim boa parte do seu potencial atacante; agora recua ainda mais, fixando-se como o mais esquerdino (e mais baixo) dos três centrais. É um desperdício. Ou um erro de casting, como se diz no cinema.

 

Dos últimos três jogos. Em nove pontos possíveis, só conquistámos um: derrota no Dragão frente ao FC Porto (0-2), miserável empate caseiro com V. Setúbal (0-0) e derrota na Luz (1-2). Eis o Sporting de Rúben Amorim cada vez mais idêntico ao Sporting de Silas. Perdeu-se o efeito novidade, voltou-se à mediocridade anterior, agravada por uma arrepiante falta de poder de fogo: nos últimos cinco jogos, só conseguimos marcar dois golos.

 

Do balanço da temporada. Dezassete derrotas no conjunto das competições da época - novo recorde negativo registado pelo futebol do Sporting. Perdemos pontos em metade dos jogos da Liga 2019/2020, com seis empates e dez derrotas. Perdemos os cinco confrontos contra FCP e SLB (só dois golos marcados e 13 sofridos). E nem sequer conseguimos ganhar ao Rio Ave (5.º classificado) e ao Famalicão (6.º classificado). Talvez para compensar, tivemos quatro treinadores - tantos como o da nossa pior época de sempre, a de 2012/2013.

 

 

Gostei

 

De Tiago Tomás. Entrou na segunda parte, rendendo o péssimo Plata, e teve uma exibição muito positiva. Esteve nos dois melhores momentos da prestação leonina: aos 65', numa rápida incursão na grande área aproveitando um monumental lapso defensivo de Jardel, atirou a bola ao poste de um ângulo muito apertado; aos 69', fez um soberbo passe que funcionou como assistência para o golo de Sporar, que assim quebrou um ciclo de cinco jogos sem marcar. Destaco o jovem avançado, com apenas 18 anos, como o melhor do Sporting neste clássico.

 

De Nuno Mendes. Parece ser o mais regular e o mais competente dos cinco jovens que Rúben Amorim lançou na equipa principal desde o recomeço do campeonato. Pouco ousado na manobra atacante pelo seu flanco esquerdo, levou no entanto quase sempre perigo quando ultrapassava a linha do meio-campo, com mudanças de velocidade e a bola bem controlada. Foi ele a criar a nossa primeira oportunidade de golo, quando já estavam decorridos 52 minutos, numa tabelinha com Sporar. Também esteve bem na marcação de cantos. Incompreensível, a decisão do técnico de mandá-lo sair aos 82', trocando-o por Borja: estava a ser um dos nossos raros jogadores com exibição positiva.

 

De ter estado em terceiro no campeonato... até ao minuto 88. Foi bom enquanto durou. Pena ter durado tão pouco.

Rescaldo do jogo de hoje

Não gostei
 
 

Da medíocre exibição do Sporting. Em casa, contra o periclitante V. Setúbal, não conseguimos melhor do que um empate a zero. Num jogo em que o nosso primeiro "remate enquadrado" ocorreu aos 65' - um autêntico passe ao guarda-redes, feito por Vietto. E em que não tivemos uma só oportunidade de golo. Quase todos os nossos jogadores merecem nota negativa. 

 

Do desperdício de uma oportunidade. Dependíamos só de nós para alcançar um lugar no pódio deste campeonato, consolidando o terceiro lugar - que nos garante o ingresso imediato na Liga Europa 2020/2021. Para tanto, bastar-nos-ia vencer a equipa de Setúbal pela margem mínima. Nem isso conseguimos. Tudo fica adiado para a próxima jornada, a última, em que defrontamos o Benfica na Luz fazendo figas para que o Braga não vença o FC Porto. 

 

De Ristovski. É um jogador que não tem lugar no plantel de uma equipa com as aspirações do Sporting. Voltou a demonstrar a sua falta de categoria nesta partida em que o Sporting se despediu de Alvalade (com as bancadas vazias) na Liga 2019/2020. Incapaz de um cruzamento em condições, incapaz de um passe bem orientado, incapaz de dominar bem a bola na maior parte das vezes em que é convocado pelos colegas, ficou no balneário ao intervalo, dando lugar a Vietto.

 

De Plata. Outra exibição péssima do jovem internacional equatoriano, que prometia muito mas tem oferecido muito pouco ao Sporting. Desconcentrado, alheado da manobra colectiva, sem capacidade para criar desequilíbrios, desperdiçou um sem-número de ocasiões na posição de extremo direito. Pareceu mais um brinca-na-areia do que um profissional qualificado. Incompreensível, ter ficado em campo até ao fim do jogo.

 

De Wendel. Tem sido um dos nossos melhores elementos, mas desta vez não conseguiu fazer a diferença - muito longe disso. Agarrado à bola, sem dinâmica, incapaz de passes de ruptura, revelando má articulação com Matheus Nunes no centro do terreno, cometeu um erro arrepiante ao entregar a bola a um adversário à entrada da área, aos 90'+2. Um disparate que podia ter-nos valido a derrota, com a nossa equipa a sair de cabeça ainda mais baixa.

 

De Francisco Geraldes. Com Jovane ausente, aparentemente por gestão de esforço, Rúben Amorim apostou nele como titular. Uma oportunidade perdida: este jogador formado em Alcochete nunca foi o médio criativo que o jogo pedia. Incapaz de desfazer o bloqueio setubalense, não arriscou remates de meia distância, não tentou passes em profundidade e nem sequer conseguiu ser derrubado em falta para obter livres - a hipótese mais viável de derrubar a muralha defensiva adversária. Foi inócuo: continua a passar ao largo de uma promissora carreira.

 

Dos pontas-de-lança. Com Sporar magoado e Luiz Phellype ainda longe da recuperação, Amorim recorreu a Tiago Tomás como elemento mais avançado no onze titular. Teste falhado: o melhor que este jovem de 18 anos conseguiu foi logo no minuto inicial, quando tentou um "chapéu" ao guarda-redes que lhe saiu muito acima da baliza. Andou perdido na grande área durante o resto do jogo, tal como Pedro Mendes, que entrou aos 78' (substituindo Nuno Mendes) e quase nem tocou na bola. 

 

Da ausência de Jovane. Eleito melhor jogador e melhor jogador jovem do campeonato no mês de Junho, é o elemento que mais tem feito a diferença neste plantel leonino. Amorim terá optado por o deixar de fora para o poupar com vista ao último jogo, em que defrontaremos o Benfica. Mas o jovem lusocaboverdiano talvez fizesse mais falta nesta partida, em que uma vitória nos facultaria o acesso directo à Liga Europa e aos cerca de três milhões de euros a ele associados.

 

Da falta de golos. Só marcámos um (em casa, contra o Santa Clara) nos últimos quatro jogos. Uma média impensável para qualquer equipa com algumas aspirações a vencer troféus. Assim não dá.

 

 

Gostei

 

De Coates. Não cometeu nenhum erro grave e pareceu sempre um dos raros jogadores incoformados com o empate a zero. Merece por isso ser destacado como o melhor Leão numa partida em que passou os últimos dez minutos a jogar sobretudo à frente, como reforço improvisado da nossa linha atacante. Merecia, ele sim, a vitória neste desafio em que vestiu pela 200.ª vez a camisola do Sporting.

 

De Acuña. Não foi brilhante, longe disso, mas também tentou quase sempre remar contra a maré do conformismo e da apatia que parece ter tolhido a nossa equipa. O único remate que levou algum selo de perigo à baliza setubalense saiu dos pés dele, iam já decorridos 67' - só aí o guardião sadino foi posto à prova. Ficou a impressão que teria rendido mais se Amorim apostasse nele como médio-ala neste desafio, por troca com Nuno Mendes no corredor esquerdo.

 

De Joelson. É bom que não se elevem expectativas em excesso sobre este jovem jogador, que tem apenas 17 anos e quatro meses - é o benjamim da equipa. Mas voltou a ter uma actuação positiva pelo segundo jogo consecutivo, saltando desta vez do banco aos 63' (substituindo Matheus Nunes). Um par de boas acções individuais e cruzamentos para a área, a partir da ponta esquerda, justificam a nota positiva, embora tenha pecado também no capítulo da finalização. 

Rescaldo do jogo de anteontem

Não gostei
 
 

Da derrota do Sporting no Dragão por 0-2. Resistimos durante mais de uma hora, mas aos 64' um lance de bola parada - a cobrança dum canto, seguida de cabeceamento de Danilo, impondo-se perante um Sporar que falhou a marcação nesse momento crucial - sentenciou este clássico, em que o empate bastaria para o FCP se sagrar campeão duas jornadas antes do fim. O segundo golo sofrido, já no tempo extra, ocorreu num rápido contra-ataque, quando a nossa equipa estava quase toda lá na frente, procurando conseguir um ponto, com um apático Borja a deixar Marega em jogo. Dois lapsos individuais num jogo desta importância revelaram-se fatais para as nossas cores. 

 

De Sporar. O internacional esloveno leva cinco jogos consecutivos sem marcar. Persiste em não se adaptar ao modelo táctico posto em prática pelo actual técnico leonino e perde bolas por falhas de recepção. Preso de movimentos, rendendo-se às marcações, lento na decisão, voltou a ficar muito aquém daquilo que o Sporting deve exigir a um ponta-de-lança. No primeiro lance da partida, meteu-a lá dentro, aproveitando um ressalto, mas o golo foi anulado por flagrante fora de jogo. Isolado aos 7', demorou tanto a decidir que permitiu o corte. Aos 81', falhou o desvio num canto bem cobrado por Joelson. Teve culpas no primeiro golo portista. Nada lhe anda a correr bem.

 

De Ristovski. A pior exibição de verde e branco: até parecia que estávamos a jogar com dez. Aos 3', passou para ninguém. Aos 9', um mau cruzamento. Aos 20', aos 22' e aos 33', entregou a bola aos adversários. Falhou um passe longo aos 51'. Batido sistematicamente nos duelos com Luis Díaz, numa dessas ocasiões (aos 25') esteve quase a surgir um golo do Porto. É difícil compreender por que motivo Rúben Amorim demorou 73' a retirá-lo do campo.

 

De Plata. O jovem internacional equatoriano nunca se entendeu com o seu colega de ala: foi algo que se percebeu muito cedo neste clássico. Houve um lance emblemático desta falta de articulação entre ambos, quando aos 52' Plata tentou servir Ristovski de calcanhar, já dentro da grande área, matando assim um lance promissor, o que lhe valeu uma dura reprimenda do macedónio. Anulado por Pepe, nada trouxe de útil à equipa. Foi o primeiro a ser substituído, logo aos 54'. 

 

Do nosso ataque. Começámos bem, com ímpeto ofensivo, mas as pilhas esgotaram-se demasiado cedo. Na segunda parte, o Sporting só concretizou dois remates à baliza adversária. Nenhum clássico consegue ser vencido com números destes.

 

Das substituições. Amorim tentou revitalizar a equipa, que acusava quebra física e anímica após o empate a zero registado ao intervalo, mas desta vez o banco não ajudou muito. Francisco Geraldes (entrou para o lugar de Plata), Rafael Camacho (rendeu Ristovski) e Tiago Tomás (em campo desde o minuto 78', substituindo Jovane) pouco ou nada contribuíram para o rendimento da equipa. A excepção foi Joelson, de quem falarei mais abaixo.

 

Do fim da estrelinha do treinador. Amorim, que se estreou como técnico do principal escalão do futebol português no início do ano, conheceu agora a primeira derrota, ao fim de 18 jogos. Como ele próprio já tinha avisado, algum dia havia de ser. 

 

Da má tradição que se cumpriu. Nos últimos dez campeonatos, o Sporting só conseguiu vencer uma vez no Dragão: na temporada 2015/2016, quando ali derrotámos o FCP por 3-1. De resto, nove derrotas. Com treinadores tão diferentes como José Couceiro, Sá Pinto, Oceano Cruz, Leonardo Jardim, Marco Silva, Jorge Jesus, Marcel Keizer e agora Rúben Amorim.

 
 

Gostei

 

Da boa entrada em campo. Surpreendemos a equipa anfitriã logo no primeiro lance da partida, com um excelente slalom de Nuno Mendes que fez tremer toda a defensiva portista. Esta dinâmica inicial estendeu-se por 20 minutos: nessa fase tínhamos concretizado dois remates (contra zero do FCP) e superávamos a equipa adversária em número de cantos (3-1). Infelizmente não voltámos a ter superioridade neste clássico, excepto por breves minutos da segunda parte numa boa mas efémera reacção ao primeiro golo.

 

De Coates. O nosso capitão fez jus à braçadeira, revelando-se o melhor sportinguista em campo. Com Max já batido, evitou um golo portista logo aos 25' com um corte providencial junto à linha de baliza. Fez impor a sua presença nos lances aéreos, não apenas no sector defensivo (bons cortes aos 16' e 22') mas também junto à baliza adversária, nas bolas paradas. Aos 19', anulou as marcações na trincheira portista, embora cabeceando por cima. Muito eficaz no controlo da profundidade excepto nos minutos finais, em que já estava mais à frente por indicação técnica, na fase do tudo-por-tudo. No golo de Danilo, não tem qualquer responsabilidade: a parte que lhe cabia estava bem coberta.

 

De Nuno Mendes. Tem só 18 anos, mas mostra em campo uma maturidade muito superior à idade que consta dos seus documentos de identificação. Pôs a funcionar a ala esquerda leonina, em notório contraste com a inoperância do nosso flanco oposto. O primeiro sinal de perigo, no minuto inicial, partiu dos pés dele. Ganhou vários duelos individuais (nomeadamente com Fábio Vieira) e nunca se mostrou intimidado por se estrear num clássico da primeira divisão. Não custa vaticinar-lhe um futuro muito promissor.

 

De Matheus Nunes. Foi a melhor exibição do jovem médio brasileiro desde que joga no primeiro escalão. Seguro, com personalidade, articulando bem os lances com Wendel no meio-campo defensivo e sem fugir aos confrontos individuais, destacou-se a roubar bolas aos adversários e foi um dos nossos raros jogadores a arriscar passes de ruptura, servindo os colegas de ambas as alas. Bom também no transporte de bola. E ainda tentou o remate de meia-distância, embora sem sucesso.

 

De Joelson. Entrada fulgurante do júnior recém-estreado por Amorim na equipa principal: aos 17 anos e quatro meses, tornou-se o mais jovem jogador de sempre a actuar num clássico do nosso futebol. Substituiu Eduardo Quaresma aos 78' quando o técnico leonino desmanchou o seu habitual dispositivo táctico para imprimir uma toada mais ofensiva na procura do golo do empate. Actuando como um extremo puro, sobretudo na ala esquerda, aos 81' fez um bom cruzamento infelizmente não aproveitado, aos 88' sacou um livre muito perigoso e ainda tentou o remate aos 90'+5. Devia ter entrado mais cedo.

 

De ver em construção uma equipa com futuro. Neste jogo, seis jovens leões estrearam-se num clássico. E sete dos nossos onze titulares no Dragão são sub-23. Mesmo derrotados, todos eles aproveitaram seguramente a experiência para colherem lições que lhes serão muito úteis já na próxima temporada futebolística. Dá gosto vê-los com verdadeiras oportunidades de mostrarem o que valem, confirmando a vocação do Sporting para ser um clube formador. O caminho faz-se caminhando.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

De vencer o Santa Clara. Não esteve fácil, mas derrotámos a turma açoriana que "emigrou" há um mês para o continente, instalando-se na chamada Cidade do Futebol. Por um tangencial 1-0 que fixou o resultado desta partida em Alvalade, contra uma equipa que em Junho derrotou Braga e Benfica.

 

De Jovane. Novamente o melhor em campo. Voltou a valer-nos três pontos ao metê-la lá dentro, dando a melhor sequência a um magnífico passe vertical de Wendel, empurrando a bola para a baliza com o pé esquerdo sem a deixar cair no chão. Estavam decorridos 67'. O jovem caboverdiano fez a diferença não apenas neste lance decisivo mas ao longo de todo o desafio, em que foi sempre o mais criativo e o maior desequilibrador. Soma e segue.

 

De Wendel. Outra partida de grande nível do jovem brasileiro, que em boa hora regressou ao onze titular depois de ter ficado no banco contra o Moreirense. Erro que o técnico corrigiu: este é um jogador que deve actuar sempre de início. Ninguém como ele neste Sporting transporta a bola com tanta qualidade nem exibe tanta precisão de passe, como ficou bem evidente na preciosa assistência dele para o golo.

 

De Nuno Mendes. Outro regresso ao onze titular. Menos exuberante do que os seus colegas já mencionados mas nem por isso menos útil na manobra colectiva da equipa, como médio-ala. Foram dele os melhores cruzamentos (superiores aos de Ristovski, na ala oposta) e protagonizou várias tabelinhas com Jovane que levaram sempre perigo ao reduto açoriano. Pena ter desperdiçado uma soberana oportunidade de ampliar a vantagem, de frente para a baliza, aos 75': lateralizou em vez de disparar, como se impunha. De qualquer modo, vai consolidando a presença na equipa principal depois de se ter destacado na Liga Revelação. Não custa vaticinar-lhe um futuro muito promissor.

 

De Plata. Esteve longe de uma exibição perfeita, mas volta a merecer nota muito positiva. Por ser combativo, veloz e criativo, sobretudo nas movimentações da linha para o centro do terreno, baralhando as marcações adversárias: a qualquer momento pode criar perigo e fazer a diferença. Ao minuto 90', foi claramente derrubado à margem das regras dentro da grande área do Santa Clara. Era penálti, que o árbitro não assinalou.

 

Da nossa organização defensiva. Amorim continua a formatar a equipa de acordo com as suas ideias, construindo-a de trás para a frente. É no reduto mais recuado que já mais se nota a intervenção do técnico: o Sporting deixou de ter os desequilíbrios defensivos que antes evidenciava, nomeadamente nos lances de bola parada, que provocavam calafrios nos adeptos (mesmo em dias quentes, como este foi). Os números confirmam: nos últimos oito jogos, sofremos apenas quatro golos. Nos oito anteriores, tínhamos encaixado nove. As actuais exibições podem não ser ainda muito vistosas, mas são bastante mais seguras.

 

Da contínua aposta em jovens. Terminámos o jogo com oito jogadores sub-23: Luís Maximiano, Eduardo Quaresma, Wendel, Nuno Mendes, Jovane Cabral, Gonzalo Plata, Matheus Nunes e Tiago Tomás. Um facto que merece registo: está a nascer o Sporting do futuro.

 

Da "estrelinha" do treinador. Rúben Amorim, técnico com fama de sortudo, soma agora dezassete jogos sem perder no campeonato. Só é pena que nove desses jogos tenham sido ao serviço do Braga. No Sporting, regista seis vitórias (Aves, Paços de Ferreira, Tondela, Belenenses SAD, Gil Vicente e Santa Clara) e dois empates (em Guimarães e Moreira de Cónegos). Mantém-se invicto.

 

 

Não gostei
 
 

Do empate a zero ao intervalo. O Santa Clara aferrolhou os caminhos para a sua baliza, montando uma dupla linha de três defensores que foi neutralizando os cruzamentos leoninos. Os dois guarda-redes tiveram pouco trabalho durante toda a primeira parte, muito empastelada e com raros momentos de emoção.

 

De Sporar. Quarto jogo consecutivo do internacional esloveno sem marcar. Persiste em estar no local errado à hora errada, sem abrir linhas de passe, incapaz de se libertar das marcações. Como se lhe faltasse instinto goleador. Quando a bola vai ao primeiro poste, ele está junto do segundo - e vice-versa. Parece chegar sempre ligeiramente antes ou ligeiramente depois do preciso instante em que é necessário para a meter lá dentro. E continua sem ganhar lances aéreos, algo pouco recomendável num ponta-de-lança.

 

De Idrissa Doumbia. O técnico deixou desta vez Battaglia no banco, voltando a dar talvez a última oportunidade ao marfinense, que não soube aproveitá-la. Pareceu um elemento estranho à dinâmica da equipa, congelando os lances quando devia acelerá-los. Incapaz de transportar a bola ou de ligar o meio-campo às zonas mais adiantadas, prefere lateralizar as jogadas ou abusar dos atrasos, como voltou a acontecer. Continua a exibir evidentes deficiências técnicas, nomeadamente no posicionamento defensivo. É um sério candidato a abandonar o Sporting no final da época.

 

Do amarelo exibido a Acuña. O internacional argentino, que estava tapado com cartões, falhará o decisivo jogo da próxima semana contra o FC Porto: foi amarelado aos 64', num lance dividido, nesta partida em que actuou como improvisado central esquerdino até ser rendido por Borja, aos 84'. Vai fazer-nos falta no Dragão.

 

Do árbitro. Chama-se António Nobre: apesar de ter nome de poeta, jamais o imaginaríamos a escrever um soneto de amor ao Sporting. Muito pelo contrário, teve um duplo critério no plano disciplinar, contemporizando com o jogo faltoso da turma visitante, e errou em toda a linha ao perdoar um penálti ao Santa Clara por derrube de Plata no minuto 90. Foi a terceira grande penalidade favorável ao Sporting que ficou por assinalar em dois jogos consecutivos. Só por manifesta ingenuidade alguém acreditará que é mera coincidência.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da nossa organização defensiva. Há números que não se alcançam por acaso: levamos sete jogos consecutivos sem perder. Isto deve-se ao facto de o actual técnico estar a construir uma equipa, como mandam as regras: de trás para diante. Mesmo tendo perdido o grande esteio do nosso bloco defensivo - Mathieu, internacional francês ex-Barcelona - Rúben Amorim tem sabido apetrechar o sector mais recuado de um dispositivo táctico eficaz, traduzido em números: apenas quatro golos sofridos nos últimos sete jogos, contra 12 marcados. Apenas sofremos em três desses sete desafios. Ontem, fora de casa contra o Moreirense, a nossa baliza manteve-se intocável (0-0).

 

De Coates. Destacou-se no jogo como baluarte da defesa, dando-lhe voz de comando. É o mais veterano desde a saída de Mathieu, que abandonou o futebol por lesão. Atento, sempre que foi necessário, a limpar qualquer investida adversária - assim foi, com cortes providenciais, aos 15' e aos 53'. E ainda foi o mais perigoso lá à frente, nas bolas paradas. Venceu um lance aéreo aos 37', cabeceando por cima, e viu-se impedido de disputar uma bola ao ser ostensivamente agarrado dentro da grande área, mesmo no fim da partida, num lance que o árbitro ignorou. Num jogo em que quase todos os seus colegas estiveram abaixo do nível que nos habituaram, foi dos raros que se mantiveram em bom estilo e grande classe. O melhor em campo.

 

De Wendel. Ficou, estranhamente, sentado no banco e só entrou aos 61'. Erro do técnico, que viu a equipa jogar mais de uma hora sem o seu pêndulo no meio-campo, que organiza jogo e transporta a bola com qualidade. Mal entrou, viu-se a diferença: a equipa ganhou fôlego ofensivo, subiu o patamar de qualidade e só não alcançou os três pontos por imperícia na finalização e incompetência do dono do apito.

 

De Nuno Mendes. Outro jogador que devia ter alinhado de início. Difícil de entender a opção de Rúben Amorim, que o manteve sentado no banco de suplentes até ao minuto 61', quando entrou para render o inoperante Borja. Só aí passámos verdadeiramente a ter um ala esquerdo: Acuña, ontem muito apagado, nunca pareceu combinar com o colombiano e funcionou melhor quando recuou para a posição de central esquerdino, enquanto o jovem da formação leonina se adiantava no terreno, acelerando o jogo no corredor e cruzando com intenção deliberada de servir os companheiros na grande área.

 

Das substituições. Contra uma equipa que não fez um só remate enquadrado à nossa baliza e ficou reduzida a dez aos 51', só conseguimos ocupar com eficácia o corredor central após mais de uma hora de jogo, quando o treinador fez as substituições que há muito se impunham. Tempo desperdiçado, quando a energia física já não era a mesma e a capacidade anímica do colectivo leonino estava longe do seu melhor. Além das já mencionadas, registou-se ainda a troca de Ristovski pelo ainda júnior Joelson, em campo desde os 66'. Benjamim do plantel, teve bons pormenores, dinamizando o flanco direito do nosso ataque e ganhando mais meia hora de experiência entre os adultos.

 

De Plata. Foi sempre um dos mais inconformados, causando sucessivos desequilíbrios ao transitar da ala para o centro, com a bola dominada no pé esquerdo, na habitual manobra que costuma confundir os defesas adversários, tentando servir Sporar - e assim foi, num bom centro aos 33´, infelizmente desperdiçado. Alvo de faltas consecutivas: uma delas levou à expulsão de Halliche, aos 51'.

 

Da contínua aposta na formação. Terminámos o jogo com cinco jovens oriundos da Academia em campo: Luís Maximiano (que não fez qualquer defesa digna desse nome durante toda a partida), Matheus Nunes, Jovane, Nuno Mendes e Joelson. Só assim, dando-lhes oportunidades, estes jovens conseguirão evoluir e mostrar aquilo que realmente valem.

 

Da "estrelinha" do treinador. Rúben Amorim, técnico com fama de sortudo, soma agora dezasseis jogos sem perder no campeonato. Só é pena que nove desses jogos tenham sido ao serviço do Braga. No Sporting, regista cinco vitórias (Aves, Paços de Ferreira, Tondela, Belenenses SAD e Gil Vicente) e dois empates (em Guimarães e Moreira de Cónegos).

 

 

Não gostei
 
 

Do empate a zero. Não apenas pela ausência de golos mas também pela quase inexistência de verdadeiras oportunidades de os criar. Só fizemos dois remates dignos desse nome: aos 69', quando Sporar, num remate cruzado da direita, atirou com força mas à figura do guarda-redes, e aos 84', quando Wendel também foi incapaz de ludibriar o guardião do Moreirense. Voltámos a perder pontos, quatro jogos depois: soube a muito pouco.

 

De Sporar. Terceiro jogo consecutivo do internacional esloveno sem marcar. Pareceu estar sempre no local errado à hora errada, sem abrir linhas de passe, incapaz de se libertar das marcações. Como se lhe faltasse instinto goleador. Demorou mais de uma hora a conseguir o primeiro remate e, quando o fez, permitiu intervenção fácil do guarda-redes. De algum modo símbolo da partida, nesta que foi a pior exibição do Sporting na era Rúben Amorim.

 

De Battaglia. O técnico apostou nele como titular, enquanto médio mais próximo do eixo da defesa, numa partida em que não precisávamos de um trinco, dadas as características da equipa adversária, nada vocacionada para o ataque. O argentino está em manifesta quebra de forma: nunca combinou com Matheus Nunes, seu parceiro no meio-campo, foi incapaz de fazer passes de ruptura e pareceu perdido naquela função de funcionar como tampão de um fluxo ofensivo que nunca existiu.

 

De Matheus Nunes. Amorim continua a confiar nele, mas desta vez o jovem brasileiro não correspondeu: falta de intensidade no transporte de bola, falta de criatividade para desenhar lances, manifesta incapacidade para ligar sectores. Passe disparatado aos 60', péssimos remates para a bancada aos 72' e aos 75', pontapé sem nexo aos 78'. Custa perceber por que se manteve em campo durante todo o jogo.

 

De Borja. Central improvisado desde a saída de Mathieu neste rígido sistema de defesa a três (ou a cinco) imposto pelo novo treinador, o colombiano nunca sai da chamada "zona de conforto", incapaz de acelerar o jogo ou de iniciar a construção com qualidade. Disto se ressentiu Acuña, o elemento que actuava mais próximo dele no corredor esquerdo e que acabou por substituí-lo quando o técnico alterou enfim o inoperante onze inicial. Cada vez se percebe com mais nitidez que precisamos de um verdadeiro central esquerdino como reforço do plantel.

 

Do árbitro Tiago Martins. Deixou passar em claro uma grande penalidade cometida sobre Jovane, logo aos 3', sendo ainda mais incompreensível que o vídeo-árbitro (ontem era Jorge Sousa) não o tenha advertido para este lance. Quase ao cair do pano, voltou a fazer vista grossa a outro penálti, sobre Coates, numa bola disputada dentro da área. Aqui foi avisado e ainda se dignou espreitar as imagens, mas manteve a decisão inicial: tratou como "casual" um derrube à margem das leis do jogo. Péssima actuação, confirmando ser um dos piores apitadores que se pavoneiam na Liga portuguesa.

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