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És a nossa Fé!

A ver o Europeu (21)

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BÉLGICA ELIMINA PORTUGAL

No primeiro jogo do tudo-ou-nada, houve um tropeção. Que nos foi fatal. Frente à selecção belga, classificada como número 1 do mundo pela FIFA. Derrota tangencial em Sevilha, perante 14 mil espectadores nas bancadas: os belgas marcaram na única verdadeira oportunidade que tiveram num brilhante lance individual de Thorgan Hazard, aos 42'. Enquanto nós fomos incapazes de a meter lá dentro: houve 24 remates, grande parte dos quais por cima ou ao lado. O melhor - por Raphael Guerreiro, de pé direito - embateu no poste, aos 83', já com Courtois batido. Aos belgas, com apenas 44% de posse de bola e sem um só canto a seu favor, bastou rematar seis vezes para vencer.

Claro domínio português na segunda parte que foi crescendo de intensidade até ao apito final. Mas que só se tornou indiscutível quando Fernando Santos, com manifesto atraso, fez as substituições que se impunham: tirou Bernardo Silva e João Moutinho, os elementos mais fracos do onze titular, metendo em campo João Félix e Bruno Fernandes, que refrescaram a equipa e lhe deram alguma acutilância. Sobretudo só a partir daí os nossos flancos passaram a funcionar em dinâmica ofensiva. 

Bernardo nunca conseguiu acelerar o jogo e foi incapaz de fazer a diferença lá na frente. E teve também responsabilidade no golo belga: Thorgan bateu-o em velocidade e o avançado do City ficou a marcar com os olhos, consentindo o remate de meia-distância. Também Rui Patrício pareceu algo lento a reagir e mal posicionado, apesar de a bola ter entrado no centro da baliza.

 

Dos onze que entraram de início, neste jogo em que tivemos menos 48 horas para descansar do que os "diabos vermelhos", havia seis campeões europeus: Rui Patrício, Pepe, Guerreiro, Moutinho, Renato Sanches e Cristiano Ronaldo. O capitão português, muito marcado, desta vez foi incapaz de fazer a diferença - excepto num livre directo que levava selo de golo mas acabou interceptado por Courtois, o melhor em campo. Estavam decorridos 25 minutos: era o nosso primeiro remate enquadrado. O que resume em larga medida a nossa primeira parte, em que abdícámos da iniciativa atacante, sobretudo pelos corredores laterais. E só despertámos para a pressão no segundo tempo, correndo atrás do prejuízo.

Tivemos 88% de eficácia de passe. Mas a finalização, do nosso lado, parecia ter rumado a parte incerta. Palhinha, João Félix, Bruno Fernandes e o próprio Ronaldo falharam neste capítulo. Bernardo nem tentou. Mas o destaque pela negativa vai para Diogo Jota, uma autêntica nulidade. Isolado por Renato logo no minuto 6, num passe em lance corrido que cheirava a assistência para golo, o avançado do Liverpool rematou muito torto, bem para longe da baliza. Titular absoluto neste Europeu, nunca demonstrou ter qualidade para merecer a confiança que o seleccionador lhe deu. Aos 58', voltou a falhar com estrondo - desta vez assistido por Cristiano.

 

Pepe anulou bem Lukaku, o adversário mais temível. Palhinha neutralizou De Bruyne, um dos melhores jogadores do mundo. Guerreiro chegou e sobrou no confronto individual com Meunier. O problema da nossa equipa residia lá na frente: demasiados nervos à solta, demasiada intranquilidade, demasiada incompetência.

Campeões europeus desde 2016, cinco anos depois vamos ceder o título a outra selecção. Que bem pode ser a belga, embora também italianos e franceses sejam sérios candidatos. É verdade que nunca a Bélgica apresentou uma equipa tão forte num Campeonato da Europa. Mas não é menos certo que esta é a primeira vez em que somos afastados em fase tão prematura de um Europeu. Os nossos piores desempenhos antes deste aconteceram em 1996 e 2008, quando caímos nos quartos-de-final.

Todos os ciclos têm o seu fim. O do seleccionador Fernando Santos - que prescindiu de Nuno Mendes e Pedro Gonçalves, campeões nacionais pelo Sporting que nunca calçaram neste Euro-2021 - aproxima-se do epílogo. Mas esse é outro debate: haverá tempo e espaço para o fazer. Talvez só após o Mundial que vai disputar-se no Catar em 2022.

 

Bélgica, 1 - Portugal, 0

.................................................

 

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Frente à selecção n.º 1 da FIFA, acabou por ter pouco trabalho. O golo belga foi a única ocasião em que enfrentou verdadeiro perigo. Infelizmente teve reflexos mais lentos do que Courtois na baliza contrária ao negar golos a Cristiano Ronaldo e André Silva.

 

Diogo Dalot - Estreia absoluta a titular pela selecção A. No essencial, cumpriu no capítulo defensivo. Mas foi demasiado tímido nas incursões ofensivas, sobretudo no primeiro tempo. Comportamento infantil aos 51', chutando a bola com o jogo parado: custou-lhe o cartão amarelo.

 

Pepe - O mais velho jogador de campo do Euro-2021, com 38 anos, voltou a ser pedra basilar. Imbatível no eixo da defesa, enfrentou com êxito Lukaku. Corte exemplar aos 66', negando o golo ao artilheiro do Inter. No quarto de hora final foi jogar lá na frente, como se fosse avançado.

 

Rúben Dias - Fez boa parceria com Pepe. Ambos tinham pela frente uma selecção que marcou 40 golos na fase de apuramento e não se deixaram atemorizar por isso. Cabeceou com perigo, aos 82', após canto de Bruno Fernandes. Com outro guarda-redes talvez tivesse entrado.

 

Raphael Guerreiro - A sua melhor exibição do Europeu ocorreu neste desafio. Corte impecável aos 40'. Redobrou de protagonismo ofensivo na segunda parte, com vários cruzamentos bem medidos. Esteve quase a marcar aos 83': Courtois já estava batido mas a bola foi ao poste.

 

Palhinha - Ganhou estatuto na selecção, como ficou comprovado neste jogo - o seu primeiro como titular no Europeu. Infelizmente, foi também o último. Não merecia voltar já para casa: bom desempenho na recuperação e no desarme. Só falhou no disparo de meia-distância.

 

João Moutinho - Incompreensível, esta reiterada aposta do seleccionador. Precisávamos de um acelerador de jogo no eixo do terreno: rápido, vertical, incisivo. Moutinho não tem nenhuma destas características. Saiu aos 56', comprovando que o tempo dele na selecção acabou.

 

Renato Sanches - Com 91% de eficácia de passe, talvez o melhor português neste jogo. No primeiro tempo foi o que mais tentou remar contra a maré: desequilibrou, transportou com qualidade, nunca deu um confronto por perdido. Quase assistiu para golo aos 6'. Saiu aos 78'.

 

Bernardo Silva - Outro mistério: como é que foi titular nos quatro jogos de Portugal neste Europeu? Voltou a ter uma exibição medíocre, tanto no flanco direito ofensivo como em missão defensiva: tem clara responsabilidade no golo belga, ao deixar fugir Hazard. Saiu só aos 56'.

 

Diogo Jota - Divide com Bernardo o "prémio" de pior em campo. Pedia-se goleador - e falhou em toda a linha. A ala esquerda, onde actuou, ficou sempre desequilibrada: quase não ganhou um confronto individual e parecia até fugir da bola. Espantosamente, esteve em campo até aos 70'.

 

Cristiano Ronaldo - Nem ele conseguiu fazer a diferença. Mas se há jogador que não merecia ir mais cedo para casa é precisamente o capitão. A primeira clara oportunidade de golo foi dele, na marcação de um livre, aos 25': Courtois defendeu in extremis. Aos 58', assistiu para Jota falhar.

 

João Félix - Saltou do banco (56'), rendendo Bernardo. Procurou a bola mas faltou-lhe talento na zona da decisão. Cabeceou à figura, aos 61'. Atirou por cima aos 82', rematou ao lado aos 90'+4. Tentou mergulhar para a piscina, cavando um livre. O árbitro não se deixou enganar.

 

Bruno Fernandes - O que se passa com o melhor jogador da Liga inglesa? Desta vez só entrou aos 56', por troca com Moutinho. Aos 82', marcou bem um canto que podia ter dado golo. Mas falhou remates quando se exigia mais precisão: atirou muito por cima aos 62' e aos 90'+2.

 

André Silva - Imperdoável, a escassíssima utilização neste Europeu do segundo melhor artilheiro da Liga alemã. Neste jogo entrou aos 70', substituindo o inútil Jota. Desperdiçou um bom passe de Bruno Fernandes (80'). Mas quase marcou aos 88': Courtois, atento, impediu o empate.

 

Sérgio Oliveira - Entrou aos 78', para refrescar o meio-campo, substituindo um exausto Renato Sanches. Tentou dar consistência e acutilância às nossas acções ofensivas, infelizmente sem oportunidade para testar o seu famoso pontapé de meia-distância.

 

Danilo - Entrou aos 78', rendendo Palhinha, já amarelado. Útil nas dobras defensivas, numa fase em que Pepe já actuava lá na frente, como se fosse um avançado. Desarmou Lukaku aos 86'. Esteve melhor ainda, abortando uma ofensiva muito perigosa de Carrasco, aos 90'+4.

Santa Clara, black lives matter

A freguesia de Santa Clara, Lisboa está em calamidade, em emergência, em qualquer coisa assim.

Deve evitar-se.

Evitar entrar na antiga Musgueira, Galinheiras, enfim, uma zona com fama e proveito, a que agora se chama, pomposamente: "Alta de Lisboa".

Foi, precisamente, numa das zonas mais perigosas de Portugal (quiçá do mundo) que Renato Sanches decidiu passar férias.

Decidiu mal, contraiu a "covid 19".

Um abraço para o Renato, com a devida distância física; social, também, que o Renato ganha mais num dia que eu num ano, toma juízo, pá, para a próxima escolhe um destino menos perigoso.

As melhoras, saúde.

Fracasso travestido de sucesso

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Festejámos agora o quarto aniversário da maior proeza de todos os tempos do futebol português: a conquista do Campeonato da Europa em 2016, proeza engrandecida por ter sido alcançada numa final épica, contra o onze do poderoso país anfitrião e com o nosso melhor jogador inutilizado logo no primeiro quarto de hora.

Recapitulando tão saborosa conquista, reafirmo que o facto de dez desses campeões europeus - que continuam a sê-lo em título - terem sido formados no nosso clube constitui motivo de legítimo orgulho para todos os adeptos do Sporting. Orgulho ainda mais justificado por sabermos que quatro deles (Adrien, João Mário, Rui Patrício e William Carvalho) integravam, à época, o plantel leonino. 

 

Tentei lembrar-me qual foi o contributo do Benfica para essa magnífica proeza do futebol nacional. Ficou difícil. Socorri-me, portanto, de um meritório trabalho jornalístico - intitulado "Que aconteceu em quatro anos aos 23 do Europeu de França", publicado na passada sexta-feira e assinado por Rogério Azevedo, talvez a melhor pena do momento no jornal A Bola - para me avivar a memória.

Dos 23 jogadores portugueses que participaram nessa proeza em França, apenas três estavam associados ao SLB: Eliseu (entretanto retirado), André Gomes e Renato Sanches.

Gomes completou a formação enquanto jogador nos encarnados, embora seja essencialmente produto da escola boavisteira, e Sanches é o único verdadeiro "menino da Luz" inserido neste lote. Integrava aliás o plantel benfiquista por alturas do Euro-2016.

 

O que têm feito Gomes e Sanches de então para cá? Recorro ao referido trabalho jornalístico para fornecer a resposta.

Gomes, agora no plantel do Everton, após uma passagem falhada pelo Barcelona, marcou apenas quatro golos em clubes (à média de um por ano) e nenhum pela selecção.

Sanches, hoje a actuar pelo Lille após prolongadas passagens pelos bancos de suplentes do Bayern e do Swansea, tem exactamente a mesma marca do seu antigo companheiro do Benfica: quatro golos nos clubes por onde passou nestes quatro anos e nem um só para amostra ao serviço da selecção.

 

Números esclarecedores, como se percebe. Mas ninguém diria, se déssemos crédito à propaganda encartilhada. Que transforma qualquer fracasso no maior sucesso, com alguns basbaques a bater palminhas.

Ras'tas partam, Fernando

Dir-me-ão:

- Qual a razão para só agora escreveres sobre isto, Pedro?

A resposta é:

Estava em reflexão (a mim não me basta um sábado para pensar, sou lento [no sentido de Coetzee])

É bom ter razão.

Passaram três anos.

Fernando Santos viu o mesmo que eu vi, há três anos.

RS sim; RS não (o engraçado é que o primeiro RS já não é do Sporting)

A renatosanchização do futebolista lusitano, versão pre época 2017

A renatosanchização do futebolista lusitano

Leio na imprensa desportiva que o treinador do Milan comparou André Silva a Van Basten. Hoje vejo um vídeo com os melhores momentos de André Silva no jogo de ontem (entrou aos 71’). Não marcou golo, não assistiu. Leio que o Juve vai buscar Cancelo para o lugar de Dani Alves. Que Mourinho quer André Gomes. Que há 100 clubes atrás de Renato Sanches, alguns dos quais em planetas fora do sistema solar. Que a Juve quer William. Que o Tottenham quer Adrien. Que o PSG pode chegar aos 30 milhões por Patrício.
Mas os nossos jornalistas dos desportivos são doidos? Não seria mais honesto, com os leitores, jogadores, agentes, dirigentes, escrever preto no branco que a) por mais talento que tenha, o jogador português jovem não tem pedal imediato para ligas mais fortes ponto final e b) com excepção de Ronaldo ou Pepe, os outros lusitanos fora da pátria – por melhores que sejam como Bernardo Silva é - não são jogadores de primeira linha nas suas equipas? O exemplo do pobre Renato Sanches, um jogador que é excitante, mas que tem zero cultura táctica e pouca maturidade, e que no ano passado nos jornais mais parecia a reencarnação do filho que Maradona e Pelé nunca tiveram, não chegou? 

Fenómeno do Entroncamento

Depois de termos, há um ano, lido sobre a transferência de Renato Sanches para o Bayern e os valores envolvidos, 35M€ com fantasias de mais x milhões por objetivos (podia chegar aos 80...) e feito o balanço no final da época dos minutos jogados e a avaliação dos sócios e do próprio clube do jogador, bem como pela imprensa estrangeira, repito estrangeira, aqui está um fenómeno do Entroncamento, a fazer inveja aos pastorinhos de Fátima. Rummenigge, presidente do clube bávaro, afirmou: «Pelo menos 10 equipas estão atrás de Renato Sanches.» Que pena o Bayern de Munique não reconhecer o valor do seu jogador, pondo-o a jogar. Depois do Milan e dos hipotéticos 40M€ que estariam dispostos a pagar, agora é o leilão do empréstimo. Hoje é o Chelsea. Não tem fim. Lamento por Renato Sanches, que considero um bom jogador. A força que têm os agentes/empresários no futebol... talvez o verdadeiro fenómeno do Entroncamento do futebol!

Os melhores e o pior

Quatro golos da cantera leonina contra a Macedónia no Europeu de sub-21: Bruma (2), Edgar Ié e Podence - este com uma soberba assistência de Iuri Medeiros. A selecção venceu 4-2, resultado no entanto insuficiente para transitar para as meias-finais, na sequência da anterior derrota frente à Espanha (1-3).

O pior em campo - a larga distância de qualquer outro - foi um tal Renato Sanches, que o treinador mandou retirar de campo aos 55 minutos. Uma nulidade.

Carrossel mágico

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Já se fala no Mónaco.

Mas também pode ser o Atlético de Madrid. Ou o Valência. 

Não creio que volte a Portugal, porque sendo desonra regressar à base, pior seria ir para Vila do Conde ou para Braga.

A desgraça completa seria o Deportivo.

Uma coisa é certa, uma vez na lavandaria, para sempre na lavandaria.

Bom, depende do fisco espanhol.

O melhor espanta-moscas do Bayern

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"Se o Benfica não for campeão prefiro que ganhe o Porto em vez do Sporting." Adivinhem quem falou assim. Pedro Guerra? O Barbas? Carlos Janela? José Manuel Delgado?

Nada disso: a sentença foi proferida pelo maior flop do ano no futebol europeu, o craque Sanches, exímio em exibições num certo banco de suplentes em Munique, onde vai driblando as teias de aranha. Nada que faça recuar a devoção que o lampiónico diário A Bola sempre demonstrou por ele: hoje o matutino da Queimada dedica-lhe 80% da capa e oito(!) páginas de entrevista. Nunca um suplente esteve tão em foco naquele que já foi o melhor jornal desportivo português.

O debate eleitoral de ontem entre os candidatos à presidência do Sporting ocupa na capa desta mesma edição pouco mais que um selo em rodapé. O que é isso comparado com os bitaites do melhor espanta-moscas do banco do Bayern? Espero que Pinto da Costa já tenha enviado um bilhetinho de agradecimento ao rapaz...

Os números verdadeiros

Do que se vai sabendo do relatório & contas do Benfica referente ao exercício financeiro 2015/16 - estrategicamente divulgado só após a reeleição de Luís Filipe Vieira - destacam-se desde já as cifras relacionadas com a venda de Renato Sanches ao Bayern de Munique, onde o jogador tem vindo a fazer uma época muito abaixo das expectativas dos adeptos bávaros.

Na altura da transferência, a máquina de intoxicação e propaganda da equipa encarnada logo pôs a circular informações que suscitaram títulos como estes: "Venda de Renato Sanches pode render 80 milhões ao Benfica".

Só agora, com os verdadeiros números enfim ao dispor da opinião pública, ficamos a saber quanto o SLB verdadeiramente recebeu: 31,5 milhões. Para informações adicionais sobre a discrepância de verbas, é favor contactar o hipersupermegaempresário Mendes, detentor da chave do cofre.

O príncipe do nada

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Não é a primeira vez que me refiro neste "blog" ao desempenho de Renato Sanches, faço-o para desmontar uma máquina de propaganda que começou em Portugal mas que, neste momento, vai estendendo os seus tentáculos até à Alemanha. O Bayern tenta livrar-se do barrete que enfiou e este folclore, estes prémios fazem parte.

Antes de continuar, esclareço que o título do "post" está relacionado com um poema de Sérgio Godinho, chamado Maré Alta, concretamente, com o verso: "aprende a nadar, companheiro".

Vejamos então se Renato sabe nadar e para isso recuemos à época anterior.

Na época passada representou duas equipas: o Benfica B e o Benfica, o primeiro esteve quase a descer de divisão (só não desceu devido a mais uma golpada de secretaria, desta vez envolvendo o Farense. Desportivamente, com os resultados conseguidos dentro das quatro linhas, descia de divisão) o segundo venceu a Liga da forma como sabemos, sem praticar o melhor futebol, sem ser superior, nem ao Sporting, nem ao Porto, nos confrontos directos. A vitória nessa Liga está a ser investigada pela Polícia Judiciária.

Na selecção nacional não participou em nenhum jogo da fase de apuramento mas foi passear a França, onde o seu grande momento é no jogo da final, foi substituído para entrar Éder.

Desde essa substituição não voltaria a calçar na selecção.

Vejamos, agora, qual tem sido o percurso de Renato Sanches no Bayern München (BM).

Parece claro que nos jogos mais complicados, Renato não joga, foi assim com o Werder Bremen, com o Hertha e com o Atlético de Madrid, nesses jogos o BM marcou dez golos e não sofreu nenhum.

Nos outros seis jogos do campeonato alemão e nos restantes dois da "Champions", Renato jogou mas sempre como titular substituído ou como suplente utilizado, Ancelotti não confia nele para os 90' e os números dão razão ao treinador.

Nestes oito jogos em que participou (exceptuando um que referirei mais à frente) o desempenho do BM foi sempre pior ou igual com Renato em campo. Há jogos, por exemplo, com o Hamburger SV que Sanches é substituído aos 61' com o resultado em 0-0, o futebol do BM melhora com a entrada de Vidal e vence o jogo.

Importa realçar que o melhor jogador europeu sub-21 da Europa em oito jogos (incompletos, é certo) não marcou nenhum golo, nem fez nenhuma assistência; o que nos leva ao tal jogo (o único) em que o futebol do BM melhorou com a entrada do "golden boy", foi no Allianz Arena, no dia 13 de Setembro, o BM recebia os russos do Rostov.

Renato entra aos 71', ainda a tempo de ver Juan Bernat ampliar a vantagem de 4 para 5-0.

Era o jogo ideal para Renato Sanches brilhar, mais uma vez ficou a ver os colegas brilharem, nesse dia foi o defesa esquerdo espanhol, um desconhecido para a maior parte de nós que saiu do banco para fazer uma assistência (para o 4-0 de Kimmich) e marcar o quinto a passe de Ribéry.

Conclusão, A Bola pode fazer as capas que desejar, chamar-lhe "Príncipe" na capa e "Menino de Ouro" na pág. 2, pode atirar pedras ao Record (pág. 3) Renato foi primeiro para 20 das 30 referidas publicações e só quatro deixaram-no de fora [sic]: Sport Foot Magazine (Bélgica), Komanda (Ucrânia), Fanatik (Turquia) e Record (Portugal)" que isso não vai mudar para melhor o desempenho do jogador.

Quanto a Renato Sanches desejo que consiga provar em campo as imerecidas honrarias que tem conquistado fora dele; aprende a nadar, companheiro.

Do coq de Paris ao galo de Barcelos

Há pessoas que vêem mais com um olho que outras com os dois, Camões escreveu mais ou menos isto:

"Já no largo Oceano navegavam,

As inquietas ondas apartando;

Os ventos brandamente respiravam"

Respiremos, brandamente, então e concentremo-nos, este "post" num plácido domingo, sem futebol, conterá uma analepse e uma prolepse.

Barcelos, 6 de Setembro de 2016, cerca das 18h25.

Paris, 10 de Julho de 2016, cerca das 21h35.

Vamos então para Paris, para o dia 10 de Julho, o que aconteceu às 21H35, hora de Portugal continental, saiu a carraça e entrou Éder, o resto já sabemos...

Então e no dia 6 de Setembro em Barcelos?

O que aconteceu?

Aconteceu Gelson.

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