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És a nossa Fé!

Auditoria forense (1)

Durante a sua passagem pelo Sporting, entre 2015 e 2018, Jorge Jesus embolsou mais de 20 milhões de euros. No último ano, recebeu quase o dobro do que Sérgio Conceição e Rui Vitória juntos - sem ter conseguido sagrar-se campeão nacional de futebol, ao contrário destes seus colegas de profissão. 

Jesus e a sua equipa técnica custaram, nas três épocas em que permaneceram sob contrato com a SAD leonina, cerca de 25 milhões de euros. Muito acima do que haviam custado Leonardo Jardim e os respectivos adjuntos, que auferiram 844 mil euros em Alvalade na época 2013/2014, ou Marco Silva e a sua técnica, que receberam conjuntamente 872 mil euros pelo desempenho na época 2014/2015. 

De salientar que tanto Sérgio Conceição, no FC Porto, como Rui Vitória, no Benfica, não ultrapassaram 2 milhões de euros por temporada. Apesar de ambos se terem sagrado campeões nacionais, enquanto Jorge Jesus apenas conquistou uma Supertaça e uma Taça da Liga nas três épocas em que orientou o Sporting.

 

Dados hoje divulgados pelo jornal Record, que agora, sob a direcção de Bernardo Ribeiro, revela crescente dinamismo e capacidade de superar a concorrência.

As negas de Ricciardi

Não sei quem é o ex-jornalista que estará neste momento a ajudar José Maria Ricciardi em matéria de comunicação. Seja quem for, suponho que terá metido férias. Só isto explica que o banqueiro, na extensa entrevista que dá hoje ao matutino Record (e saúdo o jornal, agora com novo director, pela matéria exclusiva), tenha cometido dois erros de palmatória. Precisamente em matéria comunicacional.

O primeiro é quando os jornalistas Alexandre Moita e Vítor Almeida Gonçaves, com toda a pertinência, lhe perguntam se esta época já viu um jogo ao vivo, no estádio José Alvalade. Resposta pronta e brusca do homem da banca: «Não.»

O segundo erro, tão grosseiro como o anterior, acontece quando Ricciardi confessa não ter contribuído sequer com um cêntimo para o empréstimo obrigacionista lançado pelo Sporting em Novembro. «Não subscrevi», afirma com toda as letras. Certamente não foi por falta de disponibilidade monetária.

Temos portanto alguém que ambiciona ser uma espécie de "salvador" do Sporting mas que não assiste aos jogos, não frequenta o estádio e marimbou-se para o empréstimo obrigacionista, tão necessário para recapitalizar as finanças leoninas. Depois de tanta nega, ainda pretende ser levado a sério pelos sportinguistas?

Os miúdos da academia

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Noticia o Record (a pérfida Cofina, que anda um bocado abandonada nos comentários aqui no blog) que o Benfica promoveu 4 jogadores da sua formação ao plantel principal. Beneficiando, decerto, do conhecimento do seu treinador principal, anterior responsável pela equipa B. No Benfica tem brilhado aquele miúdo, João Félix, que Vitória lançou e Lage segurou. Um puto que joga muito, não sei se vai ser uma grande estrela mas é uma delícia ver um franzino daqueles jogar - sim, é do Benfica, mas eu gostando de futebol gosto mais de ver um reguila daqueles a jogar do que ler sobre onde irá o presidente do clube assistir ao jogo ou coisas similares habituais nos jornais desportivos, ou ouvir dissertações sobre o que escreveram os "oficiais de comunicação" dos clubes. Confesso, nos jornais desportivos, para além do jogo só me interessam mesmo as abundantes referências às actuais, pretéritas e futuras namoradas ou amigas dos jogadores da bola, está agora muito na berra a namorada de um tipo, Buta, que veio do Benfica aqui para a Bélgica, uma mulher magnífica, que formas generosas, a rapariga dá vida a um proto-morto como eu, e ele é do Benfica, malandro, mas caramba, sim senhora, assim sim, que jeitosa que vai a gaiata ... (estava eu a escrever sobre o quê? ah, já sei ...).

Bem, era sobre os jovens do Benfica. Enfim distraí-me com outros assuntos, mas ... enfim, era só para dizer que o Benfica (malvados, malandros, lampiões, vieiristas, gatunos) despachou alguns jogadores, decerto que a perder algum dinheiro que nestas coisas de contratações falhadas deve ser assim, depois de ter substituído o treinador. Fez o subir o treinador dos miúdos, já lançou um belo artista este ano, e agora promove um punhado de rapazolas, uns terão sucesso outros talvez nem tanto.

Dá-me a sensação que é assim. 

Pronto, era só para dizer isto. Agora vou voltar para os jornais desportivos. Há por lá muita informação, não sei se já vos disse.

You say stop, I say go

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O Record no dia 21 de Janeiro (segunda-feira) publicou um destacável sobre a Taça da Liga que era todo um processo de intenções.

Reparem no primeiro fabuloso a atravessar a passadeira, ingeriu um excesso de vitaminas antes do jogo da final e ficou KO (uma indisposição, dizem eles).

Já o último na passadeira não se dava nada por ele... nunca marcou um golo ao Porto, dizia-se.

Ora aí está, os últimos são os primeiros, Bas Dost afinfou-lhes com dois enquanto Soares recuperava da dor de barriga.

O Record disse-nos: goodbye!

O Sporting disse-lhes: hello!

Ora bolas, "Record"

A condescendência de certa imprensa perante más exibições de futebolistas, além de iludir os factos, só contribui para que esses jogadores acabem por ter maus desempenhos repetidamente, convictos de que encontrarão sempre palavras contemporizadoras neste jornalismo fofinho, que odeia arestas e palavras acutilantes.

 

Pensei nisto ao ver a absurda nota 3 dada pelo diário Record à medíocre exibição de Bruno Fernandes no recente V. Guimarães-Sporting. A grelha de classificações adoptada por este jornal, como algumas vezes já sublinhei aqui, quase não permite diferenciar jogadores: o zero nunca ali se utiliza, o 1 destina-se quase em exclusivo apenas aos jogadores entrados em campo nos últimos minutos - incluindo aqueles que nem chegam a tocar na bola, o 5 é bastante raro. De maneira que tudo oscila entre o 2 e o 4, o que não permite distinguir verdadeiramente o mérito ou o demérito de cada um em campo.

Mas é evidente, mesmo assim, que atribuir nota positiva a Bruno Fernandes, neste jogo em concreto, não faz o menor sentido. É verdade que se trata de um dos melhores elementos do nosso plantel, e também aquele que goza de melhor imprensa, mas esta nota específica avalia um jogo específico - e no caso da partida disputada em Guimarães é inegável que o médio leonino teve uma actuação apagadíssima, muito longe da média a que nos habituou. Faz algum sentido distingui-lo com a mesma nota dada a Renan, de longe o melhor neste desafio, e a Raphinha, o segundo melhor do Sporting? Obviamente que não.

 

Mas foi precisamente o que o jornal fez. Justificando assim a avaliação feita a Bruno Fernandes: «Foi o médio com maior raio de acção e também o mais rematador. Mas a pontaria esteve desafinada.»

Ora bolas, Record.

Só visto, contado ninguém acredita

Passa da uma da manhã e percorro os jornais desportivos online. A Bola consegue não ter uma única, repito, uma única referência ao caso do anteriormente designado por braço direito de Luís Filipe Vieira, depois assessor jurídico do Benfica e agora já mero colaborador do clube ( já faltou mais para não ser de cá, só ter mesmo vindo ver a bola...). Surreal, a tal cabeça na areia ou o estado de negação. Nem nos tempos da ditadura chegamos a tal silêncio ensurdecedor. Até porque nesse tempo a maioria dos jornalistas tinha honra e lutava por, em cada edição, poder relatar fragmentos da realidade então vivida. Agora, nos jornais desportivos, ou têm amos ou têm medo e calam-se. Que vergonha. Só visto, contado ninguém acredita.

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 Entretanto o Record, para que não se diga que faz fora do penico e para não ficar atrás, na versão online apenas publica uma pequena notícia para chamar à história a figura da juíza, referenciando-a como tendo tido entre mãos dois casos que, como este, nada tiveram a ver com o Benfica, o do túnel da luz e da morte de Ficini...

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 Em suma, mau jornalismo, ardiloso e mentiroso, que não merece o desperdício de um único cêntimo na sua compra. 

Leitura recomendada

Para que certas pessoas não pensem e digam que escrevo com intuito de atacar Bruno de Carvalho e a sua Direção, mantendo-me ao mesmo tempo fiel à minha ideia de elogiar o que de bom tem sido feito e de criticar o que acho que deve ser alvo de melhoria, gostaria de elogiar a luta que tem travado (com os seus exageros claro, quando diz para não lermos jornais e só vermos o canal do clube) contra a falta de isenção dos meios de comunicação social e a sua subserviência face aos interesses de um clube rival do lado mau da 2ª Circular.

Mais uma prova de que o nosso presidente tem razão é o artigo escrito hoje, no Record, por Octávio Ribeiro que se encontra visivelmente incomodado pela ausência de Gelson no Dragão, atacando o nosso jogador, alegando a sua falta de educação e valores, males de que claramente padece o diretor do grupo Cofina.

Não deixa de ser curioso que seja uma página associada ao clube do sr. Octávio, Um azar do Kralj, que tantas vezes atacou e tentou ridicularizar o nosso clube e elementos que nele trabalham, a denunciar este tipo de comportamento idiota e descabido. Vale a pena ler a publicação que escreveram a esse propósito, de seu nome Educar Octávio.

Exercício de autofagia

«É um interessante exercício de autofagia o que o Sporting fez ontem na assembleia iniciada quando era ainda primeiro classificado. Sou jornalista há alguns anos e ainda me surpreende a fantástica capacidade que o Sporting tem de implodir e causar problemas a si próprio, mesmo nos bons momentos. Ter antes da difícil deslocação ao Estoril um presidente que ameaça demitir-se quando tem o clube a lutar por títulos em todas as competições e uma oposição a quem também isto pouco interessa e tenta arranjar problemas onde eles não existem e também por tudo e por nada... Jesus e sus muchachos vão ter mesmo de ser "muita fortes". Como se costuma dizer? Contra tudo e contra todos? Escusava de ser até contra os do próprio clube. Impressionante como não houve ali uma alminha capaz de perceber que não era a melhor altura para isto.»

 

Bernardo Ribeiro, hoje, no Record

Um jogo que só o 'Record' viu

Não sei que jogo viu o jornalista do Record que hoje atribui o título de "melhor em campo" a Bruno Fernandes. Não vi este jogador iniciar nenhuma jogada de golo, nem fazer qualquer assistência e muito menos resolver o desfecho do desafio, como aconteceu com Mathieu, improvisado ponta-de-lança que soube mostrar a alguns colegas lá da frente como se ganham jogos.

"Na direita, no meio e até na esquerda: a cruzar, a passar e a rematar. Bruno Fernandes esteve em quase todo o lado e a fazer quase tudo um pouco. Foi incansável e os números mostram-no", escreve esse jornalista, que viu uma partida diferente daquela a que assisti ontem em Alvalade. E anexa dados estatísticos.

No jogo que eu vi, Bruno Fernandes esteve muito longe de ser o melhor em campo. Vi um jogo como assinala o jornalista d' A Bola: "Tentou o golo com remates, mas sem sucesso." Vi-o como hoje descreve o jornalista do Correio da Manhã: "Uma arrancada aos 90'+3 não fez esquecer o desacerto durante grande parte do encontro, quer no passe, quer a rematar."

Um olhar meramente "quantitativo" sobre o desempenho de um jogador é um erro jornalístico cada vez mais comum. E que, por absurdo, conduziria à substituição do repórter por qualquer maluquinho por estatísticas.

Estas devem ser usadas na avaliação dos jogos com a mesma moderação do sal no tempero culinário. Caso contrário, concluímos coisas como esta, avalizadas pelo Goal Point: João Palhinha foi superior a William Carvalho na Liga 2015/16.

Dá para rir, não dá?

Sempre na frente, o Record

Ao que tudo indica, o craque da musgueira foi dispensado do gigante inglês Swansea que no início da época pagou € 8,5M (! só mesmo na PL) por uma época de empréstimo.

10 jogos, 600 minutos e críticas consecutivas (e um passe fabuloso!) foram o bastante para o Swansea perceber que era uma perda de tempo (e de dinheiro) investir num activo de que não iria ter qualquer retorno desportivo.

É um problema de qualidade (ou será de confiança?)!

 

Mas para o Record, não é nada disso!

Afinal parece que o Bayern de Munique é que foi ter com o Swansea para convencê-los a terminar o contrato de empréstimo porque precisa de reforçar o seu meio campo!

 

Notícias d'A Bola, O Jogo, Zerozero. Mas o Record, mantém-se firme na defesa dos seus interesses...

 

Actualização:

A farsa continua!

Sempre o Record a desinformar

Para o Record, Nelson Semedo custou ao Barcelona € 50 Milhões, ao qual acrescem € 5M por cada 50 jogos, aparentemente sem limite para esta componente variável.

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Curioso, porque o comunicado de venda diz algo completamente diferente.

Para os que consideram que é apenas uma questão de interpretação, também deixo o comunicado do Lindelof, para que se perceba com clareza a desinformação com que este pasquim nos brinda diariamente.

Vergonhoso...

Record: quem te viu e quem te vê

Isto de se andar pelo Twitter tem que se lhe diga. Pelo menos dá matéria prima para umas linhas aqui, num sítio sério e recomendável.

Primeira situação- um jornalista do Record "twittou" o seguinte: "Excelentes arranques de #FCPorto e #Benfica. Vitórias justas, sem espinhas. Dragões arrasadores, águias sólidas. Temos campeonato. Cool!".

Claro que vários sportinguistas vieram a terreiro pelo que esse jornalista teve de justificar-se dizendo que só se referiu aos que jogaram hoje e, enfastiado, comentou com desagrado que "já não há pachorra". É verdade, mas enquanto os sportinguistas sentirem que o jornal, em muitas situações, é discriminatório e persecutório relativamente ao Sporting, usando dois pesos e duas medidas no tratamento jornalístico relativamente a outro(s) clube(s), até por questões comerciais pois embarcou na lenga lenga dos 6 milhões de adeptos e achando que assim vende mais umas centenas de jornais, só podemos estar atentos e críticos. E denunciar os atropelos sempre que a manipulação, tão em voga em certos jornais desportivos, nos atinja. Enquanto nos lembrarmos, entre outras coisas, disto:

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Este apagar do símbolo do Sporting Clube de Portugal, intencional, legitima a desconfiança sobre os desígnios do jornal e dos seus responsáveis. Na altura (2011), apenas gerou uma desculpa esfarrapada do então diretor Alexandre Pais. Mas a desigualdade de tratamento desde então não melhorou, pelo contrário. Portanto, que os jornalistas do Record não se surpreendam quando os sportinguistas os criticam. Primeiro, porque não estão livres da crítica, como qualquer outro profissional, e depois porque existem razões fundadas para o fazermos. No caso dou o benefício da dúvida, mas elogiar o arranque de Porto e Benfica, sem falar na vitória do Sporting, a única fora na condição de visitante... 

 

Segunda situação- num twitt do Record lê-se, a propósito do jogo com o Braga e a formação seixalíada: "Fotogalerias - Os jovens da formação lançados por Rui Vitória: Diogo Gonçalves aumenta a lista".

Patético título e enganador. Apenas porque faltou dizer que a jovem promessa do Seixal entrou aos 91 minutos, ou seja, nem deu para tocar na bola. Grande lançamento... ainda se deve estar a ouvir o estrondo da queda do rapaz. Isto é que é formação!

Uma sugestão ao jornal 'Record'

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Amigos do Record: simpatizo com o vosso jornal, que leio com regularidade quase diária, e respeito o trabalho que fazem, por vezes em circunstâncias nada fáceis - sem prejuízo de discordâncias pontuais que já tenho assinalado aqui.

É nesta qualidade de leitor atento que venho sugerir-vos uma alteração de método nas classificações que costumam atribuir aos jogadores no final de cada partida. Faz pouco sentido avaliá-los só com notas de 1 a 5: é uma margem demasiado curta para percebermos as subtilezas da actuação de cada um, num desporto em que muitas vezes o segredo do sucesso (ou do insucesso) está nos pormenores.

Reparem no que sucede hoje na página 6 da vossa edição impressa: todos os jogadores titulares da equipa das quinas recebem nota 3 pelo desempenho nos 120 minutos da partida disputada ontem frente ao Chile, que terminou 0-0 e acabou por ser desempatada com penáltis, favoráveis à selecção sul-americana. Mas alguém acredita que William Carvalho e Cédric, dois gigantes ontem no relvado, mereçam ser contemplados com a mesma nota que o desastrado José Fonte, o inábil André Gomes ou o perdulário André Silva? Claro que não.

Sugiro-vos portanto que alterem a vossa bitola. Adoptem a que vigora nos diários vossos concorrentes (A Bola e O Jogo), que avaliam os jogadores de 1 a 10. Não precisam de pagar direitos de autor: nenhum deles foi pai da ideia. E há que assumir sem complexos nem preconceitos que a concorrência tem por vezes melhor critério que nós. É o caso.

Parece-me a ocasião propícia para tal mudança: estamos no defeso futebolístico, antes do início de uma nova temporada. Ponderem nisto. E recebam as minhas saudações desportivas.

Há razões que a razão desconhece

Há coisas que não entendo de todo nas notas que os jornais atribuem aos jogadores. Hoje, por exemplo, o diário Record reabilita Jefferson, ontem claramente o pior jogador do Sporting frente ao Rio Ave, atribuindo-lhe nota 3 (em 5), claramente positiva. A mesma nota que atribui a Paulo Oliveira, Gelson Martins e Adrien, por exemplo. E apenas um patamar mais abaixo do que o 4 atribuído pelo mesmo jornal a Rui Patrício.

Para mim é incompreensível como um jornal desportivo mantém uma gama classificativa tão reduzida como esta, que leva dois terços dos jogadores a receberem nota 2 ou 3. Sem distinguir, portanto, as verdadeiras diferenças dos desempenhos que tiveram em campo. Eu se fosse responsável editorial do Record ampliava este critério, passando a atribuir notas de 1 a 10 - aliás à semelhança do que fazem os outros jornais.

Mas o que de todo não entendo é como foi possível enaltecer o medíocre Jefferson do jogo de ontem, dando-lhe nota positiva. Há razões que a própria razão desconhece.

A entrevista de que todos falam

Recém-chegado a Lisboa, liguei a televisão ontem à noite durante não mais de cinco minutos. Em três canais de notícias, os habituais programas de debate sobre futebol. De que se falava em qualquer destes programas? Da entrevista com Bruno de Carvalho publicada ontem de manhã no Record. Não na enésima "publi-entrevista" de Luís Filipe Vieira ao diário A Bola, tão previsível e ritual a abrir o ano como a bênção Urbi et Orbi do Papa.

Bastaram-me esse minutos a zapar pelos três canais para perceber qual das duas resultou num êxito mediático. A do Record, única que realmente merece o título de entrevista. Não a do outro diário, auto-apresentada como "conversa com um Luís Filipe Vieira muito sereno, fruto da estabilidade social em que o Benfica está a viver e de uma planificação que coloca os encarnados a salvo do improviso", conclui antes de começar que "o Benfica sabe o que quer, para onde vai e como vai", e arranca com esta espantosa pergunta: "Qual foi o momento mais feliz do seu ano desportivo de 2016"?

Não admira que ninguém tenha falado dela.

Como utilizar um miúdo 15 anos e achar que se fez tudo bem.

Inqualificável o que o jornal Record fez ontem. Dois jornalistas deste diário desportivo, armados em pides,  tratam de vigiar a conta no twitter de um miúdo de 15 anos, apenas e só porque o mesmo é filho do presidente  do conselho de arbitragem. Este miúdo, ter sempre isto presente, falamos de um miúdo, ingressou na academia do Sporting na presente época. Na altura a máquina de propaganda benfiquista logo tratou de aproveitar este facto para atacar Fontelas, usando sem qualquer pudor um miúdo de 15 anos. Ontem dois jornalistas do Record inquiriam o miúdo e rejubilavam por terem descoberto um tweet deste miúdo (não paro de o repetir) onde o mesmo utiliza a já gasta e completamente em desuso expressão “ver a luz a arder”. Um dos jornalistas fez questão de se vangloriar de ter efectuado um print do tweet “Então pois. Já ando nisto há muitos anos” disse em resposta ao colega que lhe pediu “print nisso”. Poucos minutos depois estava plasmado no record Online e a máquina de propaganda benfiquista fez o resto. De salientar que no twitter pouca expressão teve, antes dos próprios jornalistas o difundirem.

É este o estado de podridão em que vivemos no desporto. Jornalistas, pessoas adultas, a devassarem completamente a vida de um miúdo, a transcreverem tweets de um menor de idade sem qualquer pejo, sem qualquer ideia do que deve ser o respeito pelos outros. Há que deitar achas, muitas achas para incendiar o ambiente em semana de derby. Depois, claro, culpam-se os adeptos, as claques violentas e os dirigentes desportivos.

Vemos, ouvimos e lemos

Alguma alminha por aí capaz de explicar-me em que medida exactamente é que esta notícia do Record é relevante? porque é que no dia em que Rui Patrício é nomeado para a Bola de Ouro há um site de um jornal português que considera de absoluta pertinência e essencial essa informação de que "indianos dizem que Rui Patrício não merece estar nos nomeados"?

A sério? Isto é um site muito lido lá India, já percebi, e cá também? é daqueles sites que toooda a gente vai ler a correr quando quer saber notícias do futebol e ninguém me avisou?

É que se for isso prometo penitenciar-me e passar a ler o Sportskeeda ou lá o que é, com todo o afinco, todos os dias ao pequeno-almoço. Mas expliquem-me. De preferência em português, obrigada.

 

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Aprender com quem sabe

Estes são dias em que as transmissões diárias dos desafios do Campeonato da Europa permitem separar o trigo do joio. Ficamos a saber quem é que, no enxame de comentadores e "analistas" dos jogos, entende mesmo de futebol e quem não percebe patavina.

Neste segundo lote destaca-se aquele que é talvez o palrador máximo da pantalha. Fala na proporção inversa do que sabe. Ainda há dias, como se estivesse numa conversa de café, declarava que o problema da selecção nacional é "eles correrem pouco". E concluía, contemplando a própria imagem num monitor de estúdio e repetindo sempre cada frase para preencher tempo de antena: "Deviam correr mais, deviam correr mais..."

 

Entre os que percebem realmente de futebol destaco alguém que não costuma pavonear-se nas televisões. Refiro-me a José Ribeiro, editor-chefe do jornal Record. Na edição de hoje, este jornalista explica de forma consistente e credível por que motivo jogadores como João Mário e William Carvalho renderam muito mais na segunda parte do Portugal-Hungria do que na primeira.

Passo a citar, com a devida vénia:

«William transformou-se, durante a primeira parte, na segunda "vítima" de Moutinho (a primeira fora Danilo): como o médio do Mónaco não está a conseguir ser dinâmico, "esconde-se" em espaços muito recuados, originando redundância de posicionamentos e funções na primeira fase de construção. Portugal voltou a ressentir-se desse problema. (...) Há um jogo com Renato que, neste momento, nunca pode existir com Moutinho. [No segundo tempo] o jogo da selecção transformou-se. O corredor central passou a ter vida e dinâmica. João Mário cresceu para os patamares habituais, de craque. E finalmente viu-se uma equipa com argumentos para poder discutir resultados. Com William vigilante, a cobrir-lhe as costas, este duo dinâmico foi capaz de "queimar" linhas e levar a bola para a zona de finalização. Não foi por coincidência, foi pela acção directa de Renato. E mesmo "sem" André Gomes em campo, aqueles dois carregaram o jogo e levaram a bola para onde ela tinha de estar. Onde ela não chegava com Moutinho.»

 

Palavras de um atento e sábio leitor do jogo. Com ele é possível aprendermos alguma coisa. Com o outro, o tal que adora mirar-se no monitor, ninguém aprende nada.

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