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És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Foram realistas e exigiram de si próprios o impossível

Portimonense 2 - Sporting 4

Taça da Liga - Fase de Grupos 3.ª Jornada

21 de Dezembro de 2019

 

Luís Maximiano (3,5)

Ainda mal o jogo começara e já tinha desviado para canto um remate perigoso de Jackson Martínez, voltando a distinguir-se com uma defesa de recurso que, infelizmente, inspirou Rafael Camacho a cometer grande penalidade. Adivinhou o lado para onde o avançado colombiano iria marcar, mas nada pôde fazer, tal como no autogolo de Mathieu, não obstante a tentativa de golpear os seus rins. Tudo parecia apontado para mais uma das recorrentes humilhações que polvilham a temporada do Sporting, mas o jovem guarda-redes entendeu que não seria esse o dia. Uma excelente defesa no início da segunda parte, quando o 3-1 parecia inevitável, deu impulso para a improvável recuperação que abriu portas à terceira “final four” da Taça da Liga. Segurança e maturidade são os nomes do meio de quem promete tornar-se uma lenda.

Ristovski (3,0)

Chegou atrasado no lance do 2-0, claro está, mas nem por isso deixou de mostrar que é muito superior ao outro lateral-direito do plantel. Ainda que aquilo que sucedeu após ter saído do relvado, sacrificado para a aposta total no ataque, mostre que poderá encontrar forte concorrência de onde já não se adivinhava.

Coates (3,5)

Foi como se fosse um Maradona tão desengonçado como bafejado pelos deuses do futebol que irrompeu pelo meio-campo do Portimonense, ainda com o resultado em 2-1, ludibriou vários adversários e serviu Vietto, capaz de falhar o que era mais fácil. O compromisso do subcapitão não rendeu golo nesse momento, ainda que se possa tecnicamente atribuir-lhe uma assistência diferida pela forma como descobriu Rafael Camacho na direita no lance que selou o empate. Também teve erros e perdas de bola escusadas, mas voltou a encher o relvado com a sua exibição.

Mathieu (3,0)

Desta vez coube-lhe preencher a quota de autogolos que fazem parte das habituais desgraças que recaem sobre o Sporting, o que bastaria para fazer cair um francês mais dado a rendições. Em vez disso, sendo Mathieu quem é, dedicou-se a fazer cortes que valem pontos, um dos quais ainda roubou literalmente o golo da cabeça de um adversário.

Acuña (3,0)

A primeira, a segunda e a terceira regra do seu clube coincidem: ninguém lhe tira a bola dos pés. Utilizou esse poder de forma mais decisiva a defender do que a atacar, mas também contribuiu na ala esquerda para fazer com que a inferioridade numérica se reduzisse a um detalhe estatístico ao longo da segunda parte.

Idrissa Doumbia (3,0)

É possível que a presença de Battaglia no banco de suplentes sirva de incentivo para melhorar a sua presença no relvado. Desta vez revelou-se mais interventivo do que é habitual na construção de jogadas, acabando por ser alvo de faltas duras ao driblar adversários. Sacrificado na hora do tudo por tudo, voltou a deixar boa imagem.

Wendel (3,0)

Tão discreto quanto influente, o jovem brasileiro continua a dar mostras de grande amadurecimento táctico. Excelente posicionamento, qualidade na circulação de bola e muito esforço ajudaram a levar a equipa para a frente até receber merecido descanso para a entrada de Battaglia.

Bruno Fernandes (4,0)

Começou por deixar Bolasie na cara do golo, sem que o franco-congolês lograsse ludibriar o guarda-redes do Portimonense, mas quando o resultado já ia em 2-0 e o Sporting parecia dispensado do compromisso em Braga no final de Janeiro, traçou o 2-1 executado por Vietto como se tivesse um compasso na chuteira. E como se fosse fácil seria para outros liderou a resistência leonina no segundo tempo, correndo mais do que permitia a força humana, somando uma nova assistência, daquelas que só ele poderia fazer tão bem e depressa, para a reviravolta no resultado. O abraço que deu e recebeu a Gonzalo Plata, a quem corrigira movimentos minutos antes, como um líder e como um mestre, ilustra a insubstituível importância que tem na equipa. Pena é que o rumo ao “tri” ocorra na menos festejada de todas as competições.

Rafael Camacho (3,5)

Tendo em conta que começou por fazer o tipo de pénalti que seria assinalado mesmo que vestisse de papoila saltitante no Estádio da Luz, arrastando a equipa para o desastre iminente, dificilmente poderia ter corrido melhor o jogo ao resgatado ao Liverpool. Mas é curioso que o melhor de Rafael Camacho tenha ocorrido quando passou a lateral-direito com jurisdição alargada à ala inteira, justamente aquela posição em que Klopp, que mais ou menos à mesma hora disputava o Mundial de Clubes contra o Flamengo de Jorge Jesus, tanto o quis experimentar. Certo é que o lance do 2-2, com movimentos momentaneamente perpétuos dentro da grande área do Portimonense a antecederem o remate em arco, foi a demonstração mais perfeita do que deve sair dos pés de um camisola 7 que o Sporting viu em muitos e muitos anos.

Vietto (3,5)

Depois da elevação que conseguiu para cabecear o cruzamento de Bruno Fernandes seria de esperar que conseguisse bisar após ver-se servido por Coates em posição frontal para a baliza. Assim não foi, prolongando o sufoco de uma equipa que se dava ao luxo de desperdiçar golos feitos estando a correr atrás do prejuízo e com menos um em campo. Certo é que o argentino se redimiu da falta de pontaria nessa (a bem dizer, não só nessa) ocasião e ainda fez a assistência para o 2-4 que confirmou o bilhete dourado para Braga, carimbado com a vitória do Gil Vicente sobre o Rio Ave.

Bolasie (2,5)

Vítima da expulsão mais ridícula de um futebolista do Sporting desde que Ristovski viu o vermelho directo por ter sido agredido, há que valorizar a contenção demonstrada pelo franco-congolês perante a sabujice do árbitro João “I Want to Believe” e a vergonhosa pantominice do “agredido” do Portimonense. Escolhido para ponta de lança móvel devido aos problemas gástricos de Luiz Phellype e ao nascimento de mais um filho de Jesé Rodríguez – capaz de competir com o ex-colega de equipa Cristiano Ronaldo no que toca à prole –, Bolasie estava preparado para lutar até ao limite das suas limitadas capacidades, ainda que tenha permitido a defesa ao ver-se isolado frente ao guarda-redes. Talvez pudesse redimir-se do falhanço não fosse a tal expulsão que o motivou a descarregar no Twitter.

Luiz Phellype (3,5)

Poupado para os últimos vinte minutos de jogo devido aos efeitos de uma gastroenterite, o brasileiro ainda lançou o contra-ataque que permitiu a reviravolta e fez um grande golo, tranquilizando a equipa em tudo o que estava ao seu alcance. Desferiu um remate na passada, sem dar hipóteses ao guarda-redes, quase como se fosse o goleador de nível mundial que nada permite garantir que virá a ser.

Gonzalo Plata (3,5)

O jovem extremo equatoriano entrou sem instruções para ficar colado à linha, tornando-se um apoio para o ponta de lança. Nem sequer acertou à primeira, o que motivou uma palestra instantânea do treinador-em-campo, mas no lance do 2-3 não só contribuiu para que o Portimonense perdesse a posse de bola (numa acção quase decerto faltosa, há que reconhecer...) como finalizou de forma simples e perfeita o contra-ataque. Começava a parecer esquecido no plantel, mas terá feito com que se lembrem dele.

Battaglia (2,5)

Entrou para recompor o meio-campo defensivo e cumpriu com a missão. É bom vê-lo a reconquistar o seu espaço na equipa.

Silas (4,0)

Capaz do bom e do muito mau, o treinador leonino não menosprezou as escassas hipóteses de qualificação. Tudo jogava a favor da vitória do Rio Ave no grupo, mas a incapacidade dos vilacondenses e a desgraça que o azar, o destino e o Pinheiro iam fazendo no Algarve encaminhavam o Portimonense para a “final four”. Aquilo que mudou na segunda parte, com os jogadores a serem realistas ao ponto de exigirem o impossível, teve muito de raça da rapaziada de leão ao peito mas também houve dedo do treinador. Ultrapassado o primeiro embate da equipa que tinha vantagem no marcador e na contagem de cabeças, Silas começou a alterar as circunstâncias com substituições arriscadas e apropriadas a quem nada tinha a perder. Espera-se que retenha a boa experiência de Rafael Camacho a lateral e de Gonzalo Plata como segundo avançado. E que goze bem as férias de Natal, ciente de que Janeiro é o tipo de pesadelo em potência que só muito trabalho e engenho poderão transformar na matéria de que os sonhos são feitos.

Armas e viscondes assinalados: Foram à Áustria, levaram valsa e caíram no tanque dos tubarões

LASK Linz 3 - Sporting 0

Liga Europa - Fase de Grupos 6.ª Jornada

12 de Dezembro de 2019

 

Renan Ribeiro (1,0)

Inaceitável e indigna do profissional limitado mas competente que já demonstrou ser é a forma mais leve de qualificar a abordagem ao lance em que cometeu pénalti e foi expulso, com inteira justiça, pois derrubou o adversário que ficaria isolado frente à baliza. Até então não tivera ocasião de justificar o regresso à titularidade, pouco podendo fazer no lance do 1-0. Sendo certo que deixou a equipa com menos um e, na prática, com dois golos de desvantagem, é natural que muitos queiram vê-lo coberto de alcatrão e penas, mas há que reconhecer que não é o único culpado.

Rosier (1,5)

“Esteve” nos lances dos dois primeiros golos ao isentar-se de cobrir adversários directos que cabecearam para golo ou foram derrubados por Renan. Igualmente permeável a defender junto à linha, esteve menos mau no recurso à velocidade para tentar lançar as raríssimas jogadas de um Sporting que parecia empenhado em desprestigiar-se.

Coates (3,0)

Único dos quatro futebolistas acima de qualquer suspeita que restam no plantel chamado a jogo (Acuña ficou no banco, Mathieu foi resguardado para a visita ao Santa Clara e Bruno Fernandes cumpriu castigo), o uruguaio tentou manter os mãos no leme enquanto o navio naufragava. Decerto que sem ele teria sido pior, pese embora a incapacidade de evitar o 3-0 que antecedeu o apito final.

Tiago Ilori (2,5)

Muita boa gente, incluindo alguém que aparece no espelho quando o autor destas linhas faz a barba, preferiria que fosse Eduardo Quaresma a ser chamado para suprir a fadiga muscular de Mathieu e a hospitalização de Neto. Tal não sucedeu e o Sporting voltou a perder um jogo em que levou valsa do início ao fim. Convém, no entanto, reconhecer que Ilori teve pouca culpa, tendo cumprido no limite das suas capacidades. Na retina ficou um corte arriscado, ainda que providencial e feito com determinação, logo na primeira parte.

Borja (2,0)

Esforçou-se por cumprir os mínimos, numa tarefa complicada pela deriva experimentalista do treinador, nomeadamente na arrumação do flanco esquerdo. Esteve uns furos abaixo da exibição no jogo anterior, mas não comprometeu tanto quanto outros.

Rodrigo Fernandes (2,0)

A titularidade voltou a ser amarga para o promissor “made in Alcochete”. Estava a tentar ganhar o seu espaço no meio-campo do Sporting, com alguns erros à  mistura, quando a expulsão de Renan forçou que alguém saísse para voltar a haver guarda-redes na baliza.

Eduardo (1,5)

Chega a ser comovente observar como o brasileiro leva sempre o esforço demasiado longe, perdendo a bola depois de se desembaraçar de um ou dois adversários. Autor de um cruzamento dentro da grande área adversária que poderia ter rendido pontos noutra modalidade praticada em relvados que não o futebol, Eduardo tarda em provar que tenha qualidade mesmo para esta versão “redux” do Sporting que utiliza derrotas como resultados habituais.

Miguel Luís (2,0)

Mais uma oportunidade desperdiçada, reforçando a tendência negativa que aconselharia um empréstimo quanto antes ao jovem meio-campista a quem já apontaram o destino de ser o novo João Moutinho. Pouco conseguiu numa zona do terreno dominada pelos austríacos, e quando a bola lhe chegava aos pés não revelava engenho e arte bastantes para contrariar o destino.

Rafael Camacho (2,0)

Teve nos pés um 2-1 que poderia reanimar a equipa em busca do empate que chegaria para comandar o grupo, manter estatuto de cabeça de série nas eliminatórias e evitar a visita de um tubarão a Alvalade. Infelizmente perdeu ângulo após desviar-se do guarda-redes e rematou às malhas laterais. Num jogo em que serviu de “Joker” a Silas, tendo a liberdade de aparecer por onde queria, assinou um remate frouxo, denunciado e tristonho logo nos primeiros minutos. Talentoso e persistente quanto baste na circulação de bola, falta-lhe critério e qualidade de execução necessários para pôr fim à maldição da camisola 7. Acabou por terminar como uma espécie de avançado solto, mais ou menos como aquele moço trespassado para o Championship chamado Matheus Pereira, tirando a parte de marcar golos.

Pedro Mendes (2,5)

Condenado à irrelevância e à solidão no início do jogo, ao ser colocado como extremo, o que em tese seria como se Sérgio Sousa Pinto passasse para a bancada parlamentar do Bloco de Esquerda, viu-se condenado à irrelevância e à solidão na segunda parte, ao ser colocado como avançado ligeiramente mais fixo e em constante inferioridade numérica. Mesmo assim lutou contra as circunstâncias e chegou a fazer uma assistência magistral a que Rafael Camacho não deu o devido seguimento.

Jesé Rodríguez (1,5)

Teve nos seus pés lentos e indecisos a hipótese de marcar o golo que daria alguma incerteza a uma derrota anunciada. Demorou o tempo suficiente para que um defesa se interpusesse entre bola e baliza, impedindo que a atribuição de nova titularidade ao espanhol tivesse alguma consequência positiva. No resto dos quarenta e tal minutos foi igual a si próprio, o que diz tudo.

Luís Maximiano (3,0)

Nem teve tempo para aquecer, mas quase conseguia defender o pénalti que ditou a sua entrada em campo. Havendo uma conjugação de factores capaz de resultar numa humilhação histórica ao nível do 7-1 desferido por outra equipa que fala alemão, coube a Maximiano dizer que não seria esse o dia. Fez uma série de defesas que mantiveram o resultado em níveis meramente maus e não merecia sofrer aquele terceiro golo.

Idrissa Doumbia (2,0)

O mesmo treinador que retirara Rodrigo Fernandes resolveu colocá-lo no início da segunda parte, procurando desfazer o desequilíbrio no meio-campo que criara minutos antes. E se é verdade que o LASK Linz não embalou para uma goleada, deu a impressão de estar quase sempre desenquadrado em relação às ocorrências, tal como toda a equipa.

Luiz Phellype (1,5)

Entrou tarde e sem esperança de alterar o rumo dos acontecimentos. Tal como Pedro Mendes, não fez nenhum remate, o que não é propriamente o melhor de cartão de visitas de um ponta-de-lança.

Silas (1,0)

A tenebrosa atitude com que encarou o sexto e último jogo da fase de grupos da Liga Europa diz muito sobre o treinador, a estrutura que o sustenta e a direcção que escolheu uns e outros. Estando o Sporting apurado, e bastando um empate para assegurar a liderança do grupo que livraria a equipa dos “tubarões” oriundos da Liga dos Campeões, Silas pareceu empenhado em oferecer aos adeptos uma “masterclass” da Ciência do Insucesso. Além da poupança de praticamente todos os titulares (sendo que alguns deles já não são de si cintilantes), resultando num meio-campo que não convenceria se o verde e branco das camisolas fosse o do Vitória de Setúbal, planeou um trio de ataque com uma lógica cifrada e intrigante ao ponto de passar por aleatória. O resultado de tudo isto foi o esperado, as substituições erráticas e a entrada de Luiz Phellype, quando a dinâmica do jogo pedia a velocidade de Bolasie – ou, eventualmente, uma oportunidade para Gonzalo Plata –, deveria dar origem a uma junta médica para avaliar o estado de saúde do treinador leonino. Se houver um único adepto confiante e ansioso por ver a equipa jogar contra o Santa Clara na próxima segunda-feira já será um milagre.

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