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És a nossa Fé!

Já andam todos a imitar Amorim

Texto de Francisco Gonçalves

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Aos seus detractores, aos nostálgicos de outros momentos vividos no Templo do “foi quase”, aos apologistas de “um presidente acima do clube”, ou aos eternos insatisfeitos, Rúben Amorim causa comichão. Claro que sim. Para esses, é quase ultrajante que um indivíduo jovem, inexperiente nas funções e, ainda por cima, adepto confesso do clube rival, possa ficar na História do Sporting Clube de Portugal ao fim de quase nada. Sim, quase nada, em espaço temporal, mas quase tudo, em conquistas. Mas já lá está e lá há de ficar. Aos mais inconformados, uma só palavra: habituem-se.

Para os sportinguistas, é fácil encontrar uma diferença abismal entre Rúben Amorim e a maior parte dos treinadores leoninos, nos últimos cinquenta anos: foi campeão nacional.

 

Mas, além disso, Rúben Amorim tem sido uma pedrada no charco, no panorama do futebol nacional. As suas conferências de imprensa começaram por ser escutadas pelos seus colegas de profissão. Hoje, são imitadas. Nunca, antes de Amorim, ouvi Sérgio Conceição dizer “jogo a jogo”. Essa quebra de arrogância e petulância no treinador do FC Porto revela a influência que a forma de estar de Rúben Amorim teve nos outros treinadores e essa evidência é boa para o ambiente do futebol em Portugal.

O sistema táctico 3-4-3 vai fazendo o seu caminho e já há outros treinadores portugueses convencidos disso.

 

Rúben Amorim incutiu um cunho de credibilidade ao seu discurso.

Se for necessário reconhecer que o seu guarda-redes foi o melhor em campo, mesmo que isso signifique reconhecer alguma sorte no resultado obtido, fá-lo sem hesitações.

Se for necessário atribuir os méritos de um jogo ao adversário, não tem pruridos em fazê-lo. Assim como não hesita em atribuir aos seus jogadores o mérito maior nas conquistas e a si próprio a maior responsabilidade nas derrotas.

 

A descontracção que Rúben Amorim coloca nas suas intervenções públicas desconcerta e irrita o cinzentismo do futebol nacional, incluindo-se, aqui, um certo tipo de sportinguistas. À descontracção adiciona bom humor e quanto mais bom humor coloca nas suas palavras, mais irritação provoca nos seus detractores.

Rúben Amorim foi o primeiro treinador que vi verter uma lágrima de emoção, quando nada ainda estava ganho a não ser o seu grupo de trabalho, do qual ele se orgulhava e que o fazia suspeitar, sem ainda ter admtido em público, que aqueles leões seriam campeões nacionais e não havia de demorar muito tempo.

 

Texto do leitor Francisco Gonçalves, publicado originalmente aqui.

Avisei

6 de Agosto:

«Quanto ao plantel, é mesmo curto. Basta uma lesão de Coates e uma exclusão de Palhinha em simultâneo para a trave mestra ficar abalada. Andamos a jogar sem um central de pé direito há muito tempo.»

«Vieram Vinagre e Esgaio mas continuamos com carências no plantel. Falta-nos, obviamente, outro central que jogue preferencialmente com o pé direito. Neto - que nem tem jogado - é manifestamente insuficiente. Andarmos a jogar com três centrais esquerdinos é solução de recurso. Que tem os seus riscos, como se viu no golo do Braga na Supertaça.»

«No ano passado, que eu tivesse reparado, nunca ouvi o treinador dizer que o plantel era curto. Agora já disse, o que faz bastante diferença. É uma espécie de aviso, também aos adeptos cujo ânimo varia muito: tanto põem a equipa nos píncaros como a rasgam de alto a baixo, conforme os casos.»

 

11 de Agosto:

«Quantos avançados tem o Porto? Quantos tem o Benfica? Quantos tem o Sporting? Porto e Benfica precisam de colocar defesas lá na frente para dar a volta a jogos quando faltam golos? Basta responder a estas perguntas, creio, para se iluminar o dilema de Amorim neste início da nova época.»

 

(perdoem as autocitações...)

Isto anda tudo ligado - Capítulo segundo

Publicar as contas da SAD, com um prejuízo de mais de 30 Milhões de Euros, num dia de estreia na Liga dos Campeões não lembraria ao diabo, mas lembrou a Zenha.

A gente fica sem saber se era incentivo para os rapazes ganharem o jogo e fazerem mais uns cobres, ou se foi apenas mais da mesma capacidade intuitiva de que o senhor já deu mostras em ocasiões anteriores.

O subtítulo deste post poderia ser "Amorim, bem vindo ao teu primeiro banho de realidade", o que tem a ver com a forma displicente como o treinador "estudou" o adversário, ao contrário do seu colega, que nos conhecia de olhos fechados e virado para o camarote presidencial, a piscar o olho ao Zenha, a modos que a dizer-lhe "já te gamei um milhão, ó pateta!" nem precisava de orientar os seus que sabiam de cor as nossas fragilidades. Ou melhor, sabiam das deles e fizeram por não nos deixar explorá-las. Percebeste Ruben? Não sei se sabes, deves saber, que fizémos a primeira falta aos... 28 minutos, já perdias por dois.

Ah, mas os nossos são verdes nisto da Liga dos Campeões. Verdade, mas eles tiveram lá um que parece que jogou pela primeira vez nesta competição e em cinco remates fez quatro golos.

Ah, mas o orçamento deles... Pois, o ano passado fomos campeões com um orçamento de brincadeira comparado com os directos competidores e jogador por jogador não somos inferiores a eles, aos holan...neerlandeses.

Houve portanto uma gritante falha do treinador. Não lembra ao diabo não ter um ferrolho na centro esquerda para ajudar o Vinagre, que azedou um pouco mais logo no primeiro minuto, mas se Amorim diz que mandou a maltinha jogar num 5x4x1 mas eles não quiseram, a coisa é muito mais complicada e grave do que a copiosa derrota por 5-1.

Mandará ele na equipa, ou os jogadores? Ou Zenha? Eu acho que o Zenha queria o milhãozito da vitória, para dar um reforço a Amorim, mas como não há graveto, diz ele que não há pão para malucos. Diz o gajo que publica as contas de caca no dia da estreia da equipa na Liga milionária, onde poderia fazer mais uns cobrezitos e ter uma montra para o mercado de Inverno.

Percebem como isto está tudo ligado?

In Amorim we trust

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Obviamente que Amorim não é Deus, nem sequer é Sportinguista de coração. Algum dia partirá rumo a novos desafios, mas não há dúvida que, no que a projecto desportivo de sucesso diz respeito, depois de Boloni há quase 20 anos, da sua dobradinha e do lançamento de jovens como Quaresma, Ronaldo e Hugo Viana, existe um Antes de Amorim e um Depois de Amorim.

Não é que não tenham passado bons treinadores pelo Sporting, não é que alguns deles não tenham feito um trabalho notável, mas nenhum conseguiu o que Amorim conseguiu em termos de títulos e de aproveitamento da Academia.

Amorim chega ao Sporting para substituir, no meu entender, uma das piores equipas técnicas de sempre que passou pelo Sporting, tendo que enfrentar um balneário fragmentado (vide "leak" de Bruno Fernandes) com muitos sem valor para ali estar, outros com valor mas com vontade ir para outro lado, e mais algumas eternas promessas que não passavam disso.

Amorim teve de ir à procura do seu plantel e da sua equipa. Encontrou um grupo de elite de jovens que tinha começado a pré-época com Keizer mas que nunca tinha sido testado ao mais alto nível, pegou neles e foi ao que interessava, deu oportunidades a todos, aprovou uns e riscou definitivamente outros. Arriscou ficar, como ficou, em 4.º lugar da Liga mas lançou os alicerces para o que viria depois.

O plantel foi reestruturado a seu jeito, a época seguinte começa sob o signo do Covid, ficámos fora das competições europeias mas depois foi jogo a jogo rumo à conquista da Taça da Liga, do Campeonato Nacional e (já nesta época) da Supertaça. Os "backstages" são testemunho do excelente ambiente que se vive naquele balneário.

 

Amorim é um campeão. Mas é um campeão pensando pela sua cabeça e não pela dos outros. Apostou num sistema táctico estranho à nossa Liga, o 3-4-3 de que não abdica e que os adversários têm muita dificuldade em desmontar. Como mais uma vez foi demonstrado no último clássico: o Porto só na base do jogo rasteiro, da arbitragem comprometida e da inspiração dum seu jogador conseguiu sair de Alvalade sem sofrer a derrota.

Algumas das suas decisões são discutíveis. O plantel desta temporada pode ser exageradamente curto: dispensou um ou outro de que gostamos, ficou com um ou outro mais controverso, se calhar exagera na versatilidade deste ou daquele, mas os jogadores acreditam nele e se não fazem mais é porque não podem. Obviamente que se o Sporting tivesse a capacidade de gastar o que gastam os dois rivais se calhar Nuno Mendes não tinha saído e havia mais meia dúzia de jogadores de qualidade ao gosto dele no plantel, entre defesas centrais e pontas de lanças. E tudo seria mais fácil aquando das lesões e dos castigos.

 

Vamos começar amanhã a campanha da Champions. Estou muito curioso para ver como é que o 3-4-3 do Sporting se vai comportar no confronto com equipas de futebóis que contam com jogadores fisicamente poderosos e estão habituados a esse modelo de jogo, se vai conseguir dominar os adversários como domina a nível nacional, reduzindo o Porto a dois remates enquadrados, ou se vai implodir como a selecção portuguesa no Euro contra a Alemanha.

Não vamos começar na máxima força pelos motivos conhecidos. Dois dos jogadores mais influentes estarão de fora contra o Ajax, o craque espanhol acabou de chegar e ainda está a conhecer os cantos à casa.

Mas acredito em Amorim, acredito neste Sporting. Amanhã lá estarei em Alvalade e em Dortmund só mesmo se não puder.

Chegámos à Champions com imenso esforço, não temos de ter medo de nada. Vamos agora desfrutar, vamos ser dignos da mensagem do fundador. E com a sorte dos audazes, sempre necessária nestas coisas, vamos conseguir. Vamos a eles!

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

O jogo-treino de ontem

O Sporting mostrou ontem em campo porque foi campeão a época passada e acima de tudo porque é a equipa que melhor joga neste início de temporada.

Razões para esta minha ideia serão obviamente diversas, mas creio que não estarei muito longe da verdade se disser que a equipa joga o que o treinador realmente pretende e não os que os adeptos querem.

Todavia, e para que tal aconteça, o Sporting demonstra que sabe o que quer e como fazê-lo, sem aquela necessidade de correrias loucas que vimos com outros treinadores leoninos e que desgastava muito os jogadores.

Depois há uma segurança no passe que não via neste Sporting há muuuuuuuuuuuitos anos. Raramente agora a bola espirra na canela e sai desmandada. Aquilo só pode ser treino… muito treino. Daí mérito para Rúben Amorim.

Outra ideia que encontrei foi a forma como os adeptos agora aceitam o jogo leonino. Pausadamente o Sporting vai tentando desfazer a defesa contrária usando de algo que não é comum no futebol e da qual pouca gente aprecia: paciência. Deste modo os assobios com os quais os adeptos brindavam antigamente a equipa são agora substituídos por palavras de apoio. Finalmente!

Termino com a ideia de que a BSAD não merece estar neste campeonato. Desde aquele célebre jogo contra o Vitória de Setúbal de Domingos Paciência, em que ganhámos 3 a zero, que eu não via um adversário tão fraco. Nem mesmo equipas de escalões mais baixos.

Os jogadores sabem que a paz neste clube custou-nos muito

Ontem voltei a Alvalade, não para o meu lugar de Gamebox mas para outro não muito distante.

A última vez que lá tinha estado foi em 8/3/2020, no primeiro jogo do Rúben Amorim ao serviço do Sporting.

Um jogo marcado por uma manifestação contestatária à porta, um ambiente crispado nas bancadas, uma irritação geral a que nem a vitória fácil e facilitada contra o Desportivo das Aves pôs cobro.

Depois o futebol parou, voltou, uma época acabou com o Sporting em quarto lugar, outra começou com o Sporting eliminado das competições europeias e terminou com o Sporting campeão nacional e uma viagem triunfal pelas ruas de Lisboa.

Outra entretanto começou. Os sócios e adeptos voltaram às bancadas, e o ambiente agora é completamente diferente, uma comunhão perfeita entre equipa e sócios e adeptos, uns a puxar pelos outros, as bancadas funcionam como o 12.º jogador que devem sempre ser. Obviamente com algumas questões a resolver, mas há uma grande paz, apesar de tudo, naquelas bancadas.

Para que essa paz fosse possível muito devemos a Rúben Amorim, o autor destas palavras: «Os jogadores sabem que a paz neste clube custou-nos muito.» Não nos esqueçamos disso.

Muito obrigado a todos.

E vamos ao que interessa. Muitos objectivos para conquistar este ano. Vamos a eles!!!

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Venham mais dias assim...

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Dezassete meses depois, os políticos hipocondríacos que governam Portugal permitiram que regressasse a um local de culto, onde me sinto em casa. Por mim, nunca teria deixado de ir, mas isso são outras contas que não quero aqui discutir. Digo apenas que nunca tive medo de estar com os meus e considero que faço parte da família leonina desde 1973/74.

Nem tudo foi perfeito. Continuo impedido de cumprir um ritual que pratico desde os tempos em que, criança, ia pela mão do meu pai, refiro-me a degustar uma bela bifana e saborear um fino, bem, aqui para ser verdadeiro tenho que admitir que quando comecei a ir ao futebol era mais um Sumol, passe a publicidade. Para cúmulo da pouca sorte, até os bares onde tomo sempre um café estavam encerrados por ordem da tirania sanitária. Melhores dias virão em Alvalade...

Mas foi um fim de tarde, início de noite, que superou em muito as expectativas, começando pelo prazer que me deu olhar para as cadeiras verdes, assim que entrei no estádio. A cerimónia de abertura da Liga, com as bandeiras de todos os clubes participantes evoluindo no relvado, motivou da minha parte um sorriso de confiança no trabalho que está a ser feito na construção do plantel e sobretudo na liderança técnica do mister Ruben Amorim. Vamos jogo a jogo e no final, quem sabe...

E por falar em jogo a jogo, ontem foi apenas o primeiro, diante do primodivisionário F.C.Vizela, que aguentou um nulo até ao intervalo, muito por demérito dos nossos avançados.

No intervalo, pude assistir e aplaudi de pé à justa homenagem ao judoca Jorge Fonseca, pela conquista da medalha olímpica de bronze.

E na 2.ª parte fomos brindados com uma excelente exibição da equipa, corolada com 3 golos, destaque para mais dois de Pedro Gonçalves, que inicia a época da mesma forma que terminou a anterior, marcando.

Durante todo o jogo deu para sentir que aquele grupo de trabalho é verdadeiramente uma equipa, unida e motivada.

Ontem senti-me feliz e dei o tempo por bem empregue. Venham mais dias assim.

 

Fotos minhas.

Alerta de Amorim: «O plantel é curto»

«Nós temos um plantel bastante curto.» Não se repararam, mas Rúben Amorim fez ontem esta declaração na conferência de imprensa destinada a lançar o Sporting-Vizela de logo à noite. Uma frase que ganha ainda mais premência caso se confirmem as notícias que dão como certa a saída de Matheus Nunes até ao final do mês. Neste cenário, ficamos com dois rombos no meio-campo - o primeiro foi a partida de João Mário, sem surpresa o melhor em campo no Spartak-Benfica da passada quarta-feira.

Neste contexto, venho perguntar-vos que posições devem ser reforçadas com mais urgência no plantel leonino que hoje inaugura a temporada futebolística 2021/2022. E, se quiserem, adiantem nomes de eventuais alternativas que podem chegar a Alvalade.

Rúben Amorim – o comunicador campeão!

Estava desejoso de ouvir Rúben Amorim na sua primeira conferência de imprensa oficial, isto é, antes de um jogo a sério.

De antemão tínhamos que os parâmetros do discurso do ano passado do nosso treinador, foram todos derrubados quando o Sporting se tornou campeão. Deste modo o verbo teria de ser, quiçá, diferente. Ou provavelmente não.

Ontem escutei com a devida atenção o treinador do Sporting. Muito assertivo, como sempre aliás, com uma linha de raciocínio muito prática e coerente. Não fugiu às questões. Manteve um discurso sereno, nada empolgante nem derrotista, apenas consciente das dificuldades que se aproximam.

A diferença escutou-se apenas nas palavras em que assumiu que o Sporting, este ano, partirá para o próximo campeonato mais forte do que no ano passado. Nem melhor nem pior que os seus adversários. Portanto a matriz foi a equipa leonina de há um ano. Touché!

Referiu ainda que haverá maior exigência, tendo em conta as competições em que o Sporting estará envolvido, maior contestação com a eventualidade da presença de público, mas outrossim maior apoio do público leonino.

Eis um Rúben Amorim, treinador campeão, ao seu melhor nível e a manter o mesmo foco do ano passado: jogo a jogo!

Até à vitória final (acrescento eu).

 

Também aqui

Polvo à Amorim


Devo dizer que Amorim é o treinador que mais me impressionou desde sempre. Pela primeira vez, verifico factualmente que é a mão de alguém exterior (ele e a sua equipa técnica) quem torna homens mais ou menos comuns numa equipa eficiente, competitiva e objetiva. Se há equipa onde se vê "treino" é nesta do Sporting. 

Também é a primeira vez que verifico que uma pré-época é mesmo para preparar - e não para mostrar, rodar, dar oportunidade a novos, velhos e assim-assim, fazer vibrar o coração do adepto ou faturar em camisolas. É ver como as substituições de ontem tiveram um propósito, não serviram para dar minutinhos a este ou aquele. É assinalar como Bragança não entrou nos descontos como "prémio" de uma coisa qualquer. É de sublinhar que Max não jogou a segunda parte para "qualquer eventualidade".

Não sei se vamos vencer a Supertaça (o sortilégio do futebol é a sua magia), mas sei que Carvalhal deve ter dormido mal esta noite. A dinâmica da equipa do SCP, o trabalho coletivo, o posicionamento de vários jogadores, a quantidade de soluções que há no banco são impressionantes. A equipa funciona como um polvo, cheia de tentáculos que pressionam, roubam bolas, passam, desmarcam, executam e se ajudam. E nada parecem temer.

A imagem que guardo de ontem é do melão de RA quando sofremos o segundo. Foi um golo bem trabalhado pelo Lyon, excelente passe, bela desmarcação de Slimani - que estava na zona morta entre a defesa e o meio campo – e boa execução do argelino, mas Amorim estava pior que estragado. Porque uma pré-epoca é para preparar e não para entusiasmar a malta.

Se estou a ver bem, este foi o adversário mais forte que o SCP defrontou em muito tempo. Certamente a melhor equipa não portuguesa. Há um ano levamos quatro de uns austríacos bem organizados. Agora foi quase ao contrário. São tempos estranhos, estes de ver o nosso Sporting tão determinado, sem que possamos dizer que temos lá um craque daqueles que valem um alqueire de dezenas de milhões e sem o qual tudo desmorona. Dentro do campo, quero dizer, porque cá fora temos.

E se o Rúben fosse seleccionador?

Vou lendo por aqui e por ali diversas e diferentes opiniões sobre os jogadores que foram convocados, mas acima de tudo sobre as tácticas usadas por Fernando Santos. Não faço qualquer juízo de valor sobre o trabalho do seleccionador até porque, como disse o Edmundo, sou outrossim dono de um nível zero de treinador.

Posto isto gostaria de perguntar ao "nosso" treinador Rúben Amorim que jogadores colocaria em campo e, mais do que tudo, qual a táctica que colocaria em campo?.

Digam o que disserem, Rúben Amorim foi o único que conseguiu fazer de um conjunto de jogadores uma boa e temível equipa.

E logo à tarde/noite deveria estar em Sevilha uma equipa e não só um conjunto de meros jogadores de futebol

Um furriel que nunca chegará a sargento

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José Pereira, autoproclamado "furriel de Abril", recusa felicitar Rúben Amorim por se ter sagrado treinador campeão da principal prova de futebol em Portugal. 

O fracassado sujeito aproveitou para mandar mais umas farpas ao bem-sucedido técnico leonino, que aos 36 anos já tem muito melhor currículo do que ele. O ódio a Amorim é tanto que tresanda à inveja mais rasteira.

Atitude típica de um furriel rendido à realidade: sabe perfeitamente que nunca chegará a sargento. 

 

ADENDA: Sem surpresa, a ANTF distinguiu ontem Jorge Jesus com um prémio, talvez por ter conseguido o terceiro lugar da Liga e zero troféus com o plantel mais caro da história do futebol português. Sem surpresa também, Amorim ficou de fora. Há coisas que não mudam. 

Época 2021/2022

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A História não entra em campo para jogar, mas tem um peso tremendo. Há quem goste de a reescrever, não é o meu caso, mas também não a considero um karma, se tirarmos as devidas ilações e nos prepararmos para enfrentar as dificuldades que se avizinham, pode ser uma ferramenta de grande utilidade.

Passada a euforia dos festejos pela conquista do campeonato, acredito que Frederico Varandas, Hugo Viana e Ruben Amorim, estejam já a preparar a próxima época, que nos apresentará novos e difíceis desafios.

Desde logo, a defesa do título que brilhantemente conquistámos, contra tudo e todos. Na próxima época, os rivais não olharão o Sporting C.P. como outsider, irão procurar colocar pressão na nossa equipa, mesmo antes da bola começar a rolar, com a narrativa que o campeão é sempre o principal favorito. Mesmo que não seja bem assim, em 86 edições da prova, segundo a lista oficial da FPF,* apenas 31 vezes, o campeão revalidou o título. No caso do Sporting C.P., nos 18 campeonatos que disputou defendendo o título, apenas revalidou 5, o último na época 1953/54. E mesmo o 2º lugar, partindo como campeão, foi alcançado apenas 3 vezes, a última em 1970/71.

Face ao exposto, não nos poderemos distrair com o canto da sereia que seguramente iremos ouvir, há que meter mãos à obra e enfrentar jogo a jogo, com a mesma determinação que mostrámos esta época, lutando de igual para igual, com rivais que têm poder financeiro, superior ao nosso. Sem perder o pé, o Sporting C.P. precisa crescer, vender 2 ou 3 jogadores com critério, manter uma política salarial equilibrada e muito rigor nas contratações, continuando a apostar na Academia, lançando jovens talentos.

Não vale a pena ter ilusões na conquista da champions, mas é possível ultrapassar a fase de grupos. Não seremos o principal favorito à conquista do título nacional, mas somos candidatos a vencer qualquer adversário e lutar pela defesa do título e conquista de lugar na UCL. As taças são sempre imprevisíveis, mas se o nosso palmarés crescer, tanto melhor.

Estamos hoje melhores, do que estávamos quando o presidente Frederico Varandas, iniciou funções. Mas ainda está muito por fazer...

 

 

*Para efeitos estatísticos, segui a lista oficial da FPF, não colocando o Campeonato de Portugal. 

O momento Paulinho


Era provável que um dos heróis de um título de campeão nacional do Sporting fosse o Paulinho, mas não se imaginaria que fosse o jogador que começou a época no Minho, ao serviço do Braga. O outro Paulinho, técnico de equipamentos, é uma figura carismática do desporto em Portugal, mas defendo que foi a contratação do avançado, na chamada janela de janeiro, que deu o título ao Sporting, dezanove anos depois do último.

Mais: até defendo que o Momento Paulinho entre para o léxico da gestão autóctone, para definir aquela decisão em que o CEO demonstra que confia na equipa que tem, a ponto de investir a sério. Com  o objetivo “Champions”, a gestão do Sporting já cometera uma loucura, ao contratar um treinador por (cerca de) 15 milhões de euros (mais o salário). Em futebol profissional, e espantosamente, não se costuma fazer isso, embora 15 milhões por um jogador de que nunca ninguém ouviu falar não levante o sobrolho a ninguém.

O futebol paga por executantes, mas não é costume pagar por pensantes e estrategistas. Curioso, não é?

Rúben Amorim, o treinador do Sporting, beneficiou de ser um homem de ideias fixas. A seu favor, o facto de estar bem na vida e poder aceitar os desafios profissionais que entende, impondo condições. Treinava o Braga, depois de vindo do Casa Pia, e terá aceitado o Sporting talvez porque pensasse que há comboios que não passam duas vezes, porque acreditasse que em dois ou três anos conseguiria chegar à Champions e houvesse então dinheiro para disputar a liga doméstica, ombro a ombro com os rivais.

Escudados pelos dirigentes que o compraram caro, Amorim teve a intuição certa e, na constituição do plantel, usou de uma pragmática que deveria ser óbvia. Em caso de dúvida, privilegiou os jovens da formação, que conhecem as especificidades da liga portuguesa, têm custo zero e salários muito menos pesados, em detrimento de jogadores de outros países e campeonatos, mais caros, com vencimentos superiores e que precisam de se acostumar. A somar a esses miúdos da formação, os dirigentes do Sporting, do presidente ao treinador, escolheram meia dúzia de jogadores mais velhos que aportassem calo, sabedoria, manha e experiência ao grupo. Sendo o Sporting um clube pobre, nenhum dos jogadores que chegaram era propriamente disputado pelos potentados europeus.   

A meio do trajeto, mais ou menos por janeiro, o Sporting liderava por larga margem, mas ainda era possível soçobrar e contrata Paulinho, um português de Barcelos, que fará 29 anos em novembro. Os adeptos não exultaram e muitos acharam que não fazia falta nenhuma.

Discreto, com ar de boa pessoa, sem pinta de futebolista mediático, nem lento, nem veloz, joga na posição mais ingrata de todas (ponta de lança) e tornou-se no jogador mais caro de sempre para o Sporting. A contratação do internacional português ao Braga foi vista como uma exigência do treinador, a que a direção finalmente anuiu, supostamente com travo amargo.

O que me parece que não se percebeu foi que este momento Paulinho marca o instante em que dirigentes e treinador compreendessem e aceitassem mutuamente que estavam mesmo comprometidos a ser campeões. A direção comprou Paulinho para o treinador e este deixou de ter capital de queixa (e a comichão) de não o ter e pôde concentrar-se na conquista do campeonato. 

Que o Momento Paulinho sirva de inspiração e ilustração para duas verdades elementares. Para se vencer é preciso investir. Pode ser pouco ou muito, mas é preciso investir. E para se vencer é preciso dar condições e confiança a quem se escolhe para estar ao leme.

 

p.s. Outra dinâmica que tem passada despercebida é a alusão que Amorim faz à sua equipa técnica. Guarda-redes, linha defensiva, bolas paradas para meter golos, linha atacante, tudo isto (e por certo muito mais) tem liderança de Amorim e ciência e competência dos seus tenentes. Ninguém faz nada sozinho. 

Creio que foi isto que sucedeu...

Amorim fez o primeiro teste com um adversário tipo Champions. 

Supondo que pode perder Palhinha para o mercado e João Mário (porque está emprestado), talvez Amorim queira ter percebido se as segundas linhas estariam à altura.

 

Individualmente, o Benfica tem alguns excelentes jogadores, muito melhores que todas as outras equipas portuguesas e que fizeram gato sapato de alguns dos nossos, ali na primeira meia-hora. É evidente que se não entrassemos já resolvidos, a nossa equipa e tática teriam sido outras.

Deste modo foi possível testar um "jogo Champions", em que as duas equipas mostraram lacunas individuais e até coletivas.

 

Creio que a importância de Feddal, Palhinha e João Mário no título ficou sublinhada com tinta ainda mais grossa.

Talvez Amorim tenha convencido Varandas a lutar mais por João Mário.

Talvez Pote tenha convencido Fernando Santos.

E talvez João Mário mereça voltar a fazer parte da equipa das Quinas. 

Quo Vadis, Amorim?

Não estarei a mentir se disser que há um ano ninguém, nem mesmo os sportinguistas nos seus sonhos mais optimistas, imaginaria que o Sporting fosse ora o novel Campeão Nacional. E nem necessito enumerar as razões para tal, pois creio que todos sabem de sobra a que me refiro.

Só que a pandemia (e as autoridades!!!!) retirou os adeptos dos estádios, originando que os campos de futebol passassem a ser uma espécie de “terra de ninguém” onde jogar em casa ou fora parecia a mesmíssima coisa.

Entretanto Rúben Amorim pegou num conjunto de jogadores esfrangalhados psicológica e animicamente, juntou-os, acrescentou outros, mesmo que jovens e inexperientes, e o resto já toda a gente sabe o que aconteceu.

Faltam somente dois jogos para acabar a 1.ª Liga e o Sporting poderá chegar a um feito inédito que seria terminar o campeonato sem derrotas. Um record que poderá ter repercussões futuras pois se isso vier a acontecer desconfio que dificilmente a direcção do Sporting conseguirá aguentar este jovem timoneiro à frente da nossa equipa, já que depressa virão equipas, assaz gulosas, dispostas a bater a altíssima cláusula de rescisão, no sentido de  contratarem este competente treinador campeão.

Por tudo isto é que me pergunto: Quo Vadis, Amorim?

Sinceramente preferia que não saísse… mesmo que financeiramente pudesse ser um bom negócio!

E se corre bem?

Sei que ainda faltam duas jornadas para o fim do campeonato, mas se no cimo da tabela as coisas estão definidas, na cauda ainda há muita coisa para decidir. Seja como for, e tendo em consideração a vitória de ontem no jogo e consequentemente no campeonato, sinto que é a hora de fazer um balanço, obviamente muito pessoal, desta época leonina.

Realisticamente o Sporting ganhou esta época dois títulos ou se preferirem um troféu e um título: a Taça da Liga e o Campeonato Nacional. Para uma equipa quase destroçada não foi pouco. Rúben Amorim entrou em Alvalade já tarde na época 2019/2020, mas ainda a tempo de perceber com que ingredientes iria trabalhar no futuro. Na conferência de imprensa da sua apresentação o treinador pergunta: “E se corre bem? O que podemos mexer com esta gente…”

E correu bem… Como foi então possível? Eis as minhas razões:

Liderança – Rúben Amorim desde cedo soube transmitir aos seus jogadores as suas ideias, não de forma impositiva, mas sendo um verdadeiro pedagogo;

Crença – Acreditar no seu trabalho é meio caminho andado para a vitória e deste modo o treinador do Sporting mostrou sempre muita crença;

Conhecimento – ter sido jogador é sempre um factor a somar, pois percebe os sentimentos de quem está no campo;

Visão de jogo – quantos jogos o Sporting esteve em desvantagem e conseguiu superar o adversário após alterações, provando deste modo que saber ler o jogo é muito importante;

Comunicação – o modo que Rúben Amorim arranjou para se bater com os jornalistas semanalmente tornou-o num mestre de comunicação. Jogo a jogo foi sempre a fórmula correcta, não criando com isso anseios desmedidos;

Querer – a maneira como o treinador leonino festejava os golos leoninos mostrou a força e o querer que havia na sua alma;

Humildade – o assumir alguns dos erros da equipa (por exemplo contra o Marítimo que culminou na eliminação do Sporting da Taça de Portugal) mostrou quão importante é percebermos onde erramos, libertando com isso responsabilidade dos jogadores.

 

É assim de Rúben Amorim a maior quota-parte dos sucessos leoninos. Sem este verdadeiro líder de homens, provavelmente, nenhum sportinguista estaria hoje tão feliz.

Agora basta manter a atitude!

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