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És a nossa Fé!

O Sporting de Rúben Amorim

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Pode ser benfiquista, pode não ter o 4.º nível de treinador, pode ter custado o que nunca custou um treinador em Portugal, pode ter estado associado a uma dívida desprestigiante a um clube regional que nos tem como alvo a abater, agora o que não há dúvida é que é um jovem treinador com as ideias bem arrumadas, assertivo, corajoso e determinado, com uma proposta de jogo interessante e da qual não abdica.

Muitos criticam-no pela rigidez táctica. Nesse aspecto, Amorim lembra os grandes treinadores ingleses que passaram pelo Sporting: explicam e treinam exaustivamente o seu sistema. Quando chegam ao jogo, seja qual for o adversário, o sistema é aquele; quando querem alterar qualquer coisa, trocam de jogadores, não trocam de sistema.

Muitos criticam-no por ser um treinador defensivo e apostar em três centrais. Ora os três centrais servem para defender melhor mas também para libertar os restantes para o processo ofensivo, eliminando a necessidade dum médio mais fixo e recuado, e promovendo um ataque com cinco elementos bem adiantados a ocupar toda a largura do terreno.

Muitos criticam-no pela sua inexperiência e não ter ganho nada de substancial, quando se esquecem que o Porto obteve muitos dos seus títulos e sucessos com treinadores jovens que foi buscar a clubes menores quando nada tinham ganho e muito menos derrotado sucessivamente os três grandes, como José Mourinho e Fernando Santos.

Poucos treinadores têm vocação ou capacidade para lançar jovens, e menos ainda para construir equipas à base de jovens. No Sporting lembramo-nos de alguns que fizeram mais ou menos isso com resultados excelentes, como Paulo Bento, Boloni ou Malcolm Allison. Como em tudo na vida, aprender demora tempo, os erros acontecem e fazem parte do processo de aprendizadem. Nem todos os treinadores estão para engolir erros que custam pontos. Cristiano Ronaldo e Quaresma, quando tinham a idade de Plata e Camacho, também falhavam muito e pouco produziam comparativamente com o que fizeram depois. 

Para mim, Rúben Amorim é de longe o melhor treinador com que Varandas contou, mesmo considerando que Marcel Keizer ganhou duas taças e poderia ter ganho mais se lhe dessem condições. 

Infelizmente também é de longe o que conta com menor número de jogadores de classe diferenciada. Os jovens são excelentes e serão craques algum dia, mas os craques de hoje, excepto Coates, foram-se embora ou estão em vias disso. Feddal não é Mathieu, Vietto não é Bruno Fernandes, Antunes não é Acuña, Sporar não é Bas Dost e Nuno Santos não é Nani. Ia a dizer que nem existe um jogador poderoso tipo Gudelj no meio-campo, mas a última exibição de Palhinha deixou-me com água na boca. Por isso mesmo, o futebol produzido por este Sporting de Amorim por vezes deixa muito a desejar, faltam os melhores intérpretes para as boas ideias, principalmente no processo ofensivo.

Infelizmente também nem todos os jovens são Nuno Mendes, altos e robustos. Não fiz as contas, mas o poder físico do plantel do Sporting (cms e kgs) é inferior à concorrência e mesmo de equipas bem abaixo da tabela. Isto nota-se na luta nas alturas e nas divididas.

Então há que ter paciência, aceitar que nem sempre vai existir ópera, valorizar as vitórias e a capacidade competitiva da equipa e a forma como estão a ser obtidas, com um aumento do valor de mercado do plantel em cerca de 30% desde que ele chegou e que pode chegar facilmente a muito mais, basta ver a evolução de jogo para jogo dum ou doutro jovem.

Mesmo contando com o desprezo e oportunismo de grande parte da classe política pelo futebol, bem representada pelo inútil secretário de estado, espero ansiosamente pelo dia em que me possa voltar a sentar em Alvalade para voltar a ver Amorim e estes jovens a cores e ao vivo, num ambiente despoluído de vírus e daquelas criaturas que não fazem lá falta nenhuma. 

SL

Sporting e Braga anunciam acordo por Rúben Amorim

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O Sporting e o Sporting de Braga acabaram de publicar um comunicado conjunto onde informam sobre o acordo para o pagamento de Rúben Amorim.

A Sporting Clube de Braga - Futebol, SAD e a Sporting Clube de Portugal - Futebol, SAD informam que chegaram hoje a acordo sobre a forma de regularização de todos os montantes devidos em função da contratação do treinador Rúben Amorim.

Depois do lucro do R&C, mais uma má notícia para os que desejam o mal do Clube.

Honradez, dignidade e vergonha na cara, ou falta dela...

Comparar a história do Sporting Clube de Portugal à história do Sporting Clube de Braga equivaleria a comparar a estrada da Beira com a beira da estrada. Nenhuma dúvida a respeito da diferença de grandeza entre os emblemas, mas também não poderemos escamotear a aproximação que o clube minhoto tem conseguido realizar nos últimos anos aos três grandes. Conseguiu disputar uma final da Liga Europa, eliminando nas meias-finais o SLB treinado por Jorge Jesus e presidido por Luís Filipe Vieira, e conquistou duas taças da Liga. Se é verdade que está longe de poder ser considerado um grande, ao considerarmos apenas a última década, um período razoável, encurtou e muito a distância para os três maiores clubes portugueses, em particular para o nosso querido SCP, que não atravessa um bom momento e não se pode gabar de grandes feitos na segunda década do século XXI.

Não gosto de ver o SCP comportar-se como os fidalgos arruinados do final da Idade Média, a quem sobrava título mas faltava dinheiro. Arrogância e soberba jamais conduziram alguém a porto seguro e, francamente, não é bonito ficarmos com fama de caloteiros. O mundo do futebol é relativamente pequeno e pior será quando nos enxovalharem, o que talvez aconteça mais rapidamente do que prevemos ou seguramente desejamos. Aos mais distraídos ou esquecidos, relembro o tempo em que um rival contratou ao Manchester United o médio Poborsky. À época, respeitando a grandeza do clube a quem havia vencido uma taça dos campeões, os ingleses confiaram na palavra e ficaram a ver navios. Não demorou muito até que um clube norueguês de que nem lembro o nome exigisse garantias bancárias para que um jogador entretanto esquecido viesse experimentar o campeonato português. E, claro, nunca chegou. Esse rival foi sendo humilhado, gozado, até se livrar do presidente, para recuperar a credibilidade, passariam anos. Qualquer cidadão sabe que, se entrar em incumprimento, terá problemas sérios que poderão demorar muito tempo a resolver.

Lá diz o povo,  “quem não tem dinheiro, não tem vícios.” O COVID19 não justifica tudo, temos disputas com o Braga por Battaglia, com a Sampdoria por Bruno Fernandes, com o Slovan de Bratislava por Sporar. Ainda existe a questão dos impostos com Sinisa Mihajlovic. E agora a novela Rúben Amorim. Demasiado fumo para acreditar que não exista fogo.

Antes que apareça por aqui a seita do youtuber labrego iluminado, apoiando o que escrevo, relembro que durante o consulado do destituído também foi utilizada estratégia idêntica no caso Doyen.

Não tenho bola de cristal e sou incapaz de prever o futuro, mas desde já afirmo, caso o SCP venha a ser sancionado desportivamente nas instâncias do futebol nacional ou internacional, ou menos grave, apenas penalizado financeiramente, os actuais dirigentes da SAD poderão vir a ser responsabilizados por má-gestão, ou mesmo gestão danosa. Não se financiam concorrentes directos, mas compromissos são para honrar. Parecem-me dois princípios simples, só que, infelizmente, por vezes esquecidos.

Tenho aqui defendido antecipação de eleições, sem sucesso. O mais provável será que os actuais órgãos sociais levem o mandato até final, mas o SCP é demasiado grande para não sobreviver. Ao longo dos 114 anos que a nossa história já conta passámos por muito. Não contem é comigo para votar favoravelmente i-voting, orçamento, relatório & contas, ou qualquer proposta que apresentem, à excepção de eventual proposta para realizar 2.ª volta nas próximas eleições, caso ninguém obtenha a maioria na 1.ª volta. E continuo espectador atento ao mercado de transferências e construção do plantel para a próxima época, mas sobre esse assunto escreverei em próximo post.

 

Saudações leoninas

Primeiras impressões 2020/21

Ainda é cedo para formar opinião definitiva sobre o plantel para a próxima época, o mercado está aberto, não sabemos quem ainda pode entrar ou sair, os valores envolvidos. Mas desde já deixo as minhas primeiras impressões:

- Sobre o episódio Rúben Amorim, espero que o SCP honre o quanto antes o compromisso que assumiu com o SCB e não faça mais negócios com o clube em questão, pelo menos enquanto o trolha for presidente da agremiação.

- Quanto a reforços, a meu ver, Adán não oferece mais que Max na defesa da nossa baliza. A contratação do espanhol fez-me até lembrar a contratação de Stojokovic, quando também existia alguma relutância em apostar no então considerado demasiado jovem Rui Patrício. O resultado financeiro e desportivo da operação, como sabemos, pouco ou nada trouxe ao SCP. A meu ver, Luís Maximiano deverá continuar a merecer a titularidade. Antunes oferece bem menos qualidade que Nuno Mendes, pelo que, salvo qualquer lesão ou castigo, o lugar pertence à jovem pérola da academia.

Estas duas contratações não eram prioritárias, mas percebo-as numa lógica de gestão de plantel com época longa e demasiadas incertezas pela frente

Feddal dificilmente conseguirá fazer esquecer Mathieu, mas é tarefa dificílima que poucos conseguiriam. Sendo um jogador que ao longo da carreira teve demasiados problemas disciplinares, adivinha-se que se torne um “cliente habitual” dos árbitros portugueses, ontem já recebeu um primeiro aviso ao ser-lhe assinalada falta com lugar à marcação de grande penalidade. Terá que aprender a refrear algum ímpeto e perceber que em Portugal nem todos os centrais beneficiam da mesma complacência por parte dos senhores do apito. Em princípio será titular, tal como Porro, que deverá conquistar o lugar a Ristovski. Se é ou não o lateral-direito que precisamos, apenas o tempo o dirá, mas fazer melhor que o macedônio não parece muito difícil, apesar do falhanço absoluto que se revelou Rosier, contratação que se revelou dinheiro atirado fora, prejuízo que dificilmente algum dia será recuperado.

Nuno Santos é um jogador de plantel, que mostra empenho e oferece alternativas ao treinador. Mas neste SCP 2020/21 dois reforços merecem destaque, o regressado D. Bragança e Pote. Ambos possuidores de inegável classe, são daqueles que não enganam, capazes de ler o jogo e acrescentar criatividade ao meio-campo. Face à apatia que Wendel mostra na maioria dos jogos, poderemos assistir a uma verdadeira revolução no jogo do SCP. Assim Rúben Amorim não tenha medo das vacas sagradas e aposte em quem denotar maior empenho e mostre trabalho. Outros, como I. Doumbia ou G. Plata, têm que mostrar bem mais para calçarem, ou terão destino idêntico.

Globalmente, o plantel parece mais equilibrado que no início da época anterior. Falta principalmente um avançado com golo, que concorra com Sporar. Se sair mais alguém, poderá ser necessário ir ao mercado, mas sou da opinião que alguns jogadores deveriam ser considerados inegociáveis, só saindo pelo valor da cláusula de rescisão, nomeadamente os jovens que podem crescer, valorizar e muito neste SCP comandado por Amorim.

Meirim revisitado em Portimão

Bastaram pouco mais de 20 minutos para o Sporting conseguir deixar umas sementes de esperança de que um plantel insuficiente para disputar o título talvez tenha algumas hipóteses de atingir o terceiro lugar que destranca a primeira das portas de acesso à Liga dos Campeões que seria o início de um caminho de regresso à vida.

Nuno Mendes, Pedro Gonçalves e Matheus Nunes mostraram que têm de ser titulares, Daniel Bragança trouxe uma dinâmica no meio-campo que contrastou com a modorra de Wendel, Tiago Tomás revelou-se mais letal do que Sporar e até Borja pareceu eficaz quando comparado com Feddal, a quem o árbitro até um pénalti-fantasma assinalou.

Da equipa titular só estiveram claramente melhor Luís Maximiano (apesar de uma fífia esteve à altura quando o Portimonense fazia gato-sapato da rapaziada) e Coates, com Pedro Porro e Nuno Santos a deixarem indicações interessantes e Neto melhor à direita do que Feddal à esquerda (enquanto o suplente Eduardo Quaresma voltou a transparecer um certo nervosismo, tal como nos últimos jogos da época passada).

Olhando para os 70 minutos em que Ruben Amorim prescindiu de alguns dos melhores que tem no plantel, com os resultados que ficaram à vista de todos, lembrei-me da velha história do mítico Meirim a explicar ao suplente "melhor do mundo" que ele ficava no banco pois o titular era o "melhor da Europa". Substituindo por "melhor do plantel" e "melhor da SAD".

Que plantel vamos ter este ano?

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Começou ontem a época em Alcochete com o regresso de férias dos jogadores sob contrato e os respectivos testes físicos, logo marcados por um episódio que não deveria ter acontecido, Vietto e Battaglia que foram passar férias a Espanha a testar positivo ao Covid19.

Começaram a chegar os reforços: Porro (20), Antunes (33), Feddal (31) e Pedro Gonçalves (22), seguem-se Adam (33) e mais um ou outro. Completamente dispensável aqueles calções rotos do Porro da apresentação, já temos a nossa dose de Alan Ruizes, não precisamos de mais. 

Não fica bem à estrutura do futebol do Sporting num caso e noutro.

 

Este arranque fica marcado pelo aperto financeiro que o Sporting atravessa, muito agravado pela pandemia, com muitas contas para pagar no curto prazo, o que, conjuntamente com compromissos com jogadores e empresários, deve conduzir à venda de Acuña, Palhinha, talvez Joelson, para além de Matheus Pereira, e à libertação via venda ou empréstimo com opção de compra dos muitos excedentes existentes, frutos de apostas falhadas ou de estagnações.

Dos contratados por Hugo Viana, Amorim apontou a Ilori, Doumbia, Eduardo e Rosier a porta de saída.

Mas há mais, muito mais, para despachar, incluindo Bruno Gaspar e Diaby.

 

Rúben Amorim chegou, implementou com sucesso um novo modelo táctico e lançou meia dúzia de jovens de grande potencial. Mas entretanto Mathieu arrumou as botas, Acuña parece ter outros planos de carreira e Battaglia nunca mais se reencontrou depois da lesão grave que sofreu. Dos cinco craques que Sousa Cintra deixou no plantel (Nani, Bruno Fernandes, Acuña, Mathieu e Coates) pode restar apenas este último. E nenhum jogador com a classe desses cinco ou parecida entrou com Hugo Viana. 

Pensando no tal plantel de 24 jogadores referido por Frederico Varandas, suportado por uma equipa B em sintonia táctica com a principal a preparar jogadores para poderem ser chamados a qualquer altura para a equipa A, que plantel vamos ter?

 

Qualquer coisa como:

Guarda-Redes:

1. Max (21anos, 1,90m de altura, oriundo da formação, valor de mercado TransferMark 3M€)

2. Adan (33, 1,90m, ex-Atl. Madrid, Real Madrid, etc, 0,8M€)

Lateral Direito:

3. Porro (20, 1,76m, ex-ManCity, 9M€)

4. Apresentaram-se Rosier (23), André Geraldes (29), Ristovski (28) e Bruno Gaspar (27). Todos se mostraram insuficientes para as necessidades do Sporting, péssimos a defender e inconsequentes a atacar. Escolher o menos mau ou contratar? 

Defesa Central Direito:

5. Eduardo Quaresma (18, 1,85m, formação, svTM)

6. Fala-se em Lyanco (23, 1,86m, Torino, 6,5M€) ex-capitão dos sub-23 do Brasil

Defesa Central:

7. Coates (29, 1,96m, ex.Liverpool, 8M€)

8. Neto (32, 1,85m, ex.Zenit, 1,6M€)

Defesa Central Esquerdo:

9. Borja (27, 1,80m, ex-Toluca, 2,8M€)

10. Feddal (30, 1,92m, ex-Betis, 3M€)

Lateral Esquerdo :

11. Nuno Mendes (18, 1,84m, formação, svTM)

12. Antunes (33, 1,76m, ex-Getafe, Din.Kiev, 1,6M€)

Médios Centro:

13. Wendel (22, 1,80m, ex.Fluminense, 8M€)

14. Matheus Nunes (21, 1,83m, ex-Estoril, svTM)

15. Daniel Bragança (21, 1,69m, formação, 0,48M€)

16. Pedro Gonçalves (22, 1,73m, ex-Famalicão, Wolverhampton, 1,8M€)

Interiores Direitos / Esquerdos:

17. Vietto (26, 1,73m, ex-AtlMadrid, 6M€)

18. Plata (19, 1,79m, ex-Independiente Equador, 0,9M€)

19. Jovane (22, 1,76m, formação, 4,5M€) 

20. Camacho (20, 1,75m, ex-Liverpool,  3,6M€) 

21. Contratação: Nuno Santos ?

Pontas de lança:

22. Sporar (26, 1,86m, ex-Slovan Bratislava, 3,2M€)

23. Tiago Tomás (18, 1,80m, formação, svTM)

24. Contratação?

 

A julgar pelas contratações, a ideia parece ser apostar a fundo nos jovens e ter uma rectaguarda de jogadores experientes, fiáveis e de bom balneário. A ideia é boa mas não chega de forma nenhuma para lutar pelo título e pode não chegar para o objectivo mínimo, que é o 3.º lugar. Faltam os jogadores de classe extra, falta quem faça a diferença, a começar pela posição 24, o "artilheiro".

Importa também perceber que equipa B vamos ter. Parece que é onde Joelson vai ficar, depois desta rábula com o Arsenal que impediu a assinatura do novo contrato e só serviu para o desfocar e se calhar desmotivar. 

PS: Os valores de mercado apresentados foram actualizados ontem no site Transfermarkt já depois da recolha de dados que efectuei, pelo que já não correspondem aos actuais. 

SL

O Rúben Amorim também quer o Arco da Porta Nova? E o Bom Jesus?

Pelos vistos, o treinador pelo qual o Sporting (ainda não) pagou dez milhões de euros mais juros é daqueles que só sabem trabalhar com um grupo restrito de jogadores. Será por isso que não quer o Adrien (o tipo de jogador que faz falta no balneário do Sporting)? Será por medo de que lhe faça sombra? Eu não gosto de treinadores com medo de jogadores.

Amorim precisa de meia equipa nova

Texto de João Gil

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Rúben Amorim é um tipo com autoconfiança. Isso é bom, para ele, para a equipa e para o Sporting. Se fosse Mourinho a dizer o que diz Amorim, teciam-se os maiores elogios à clarividência do treinador sobre o plantel à disposição. A constatação de que muitos dos jogadores não têm técnica de passe e recepção da bola deve fazer reflectir os supra-sumo técnicos portugueses que por cá ensinam os jogadores e se acham os maiores do mundo.

Aqui há uns anos lembro-me de ver uma reportagem sobre os métodos de trabalho e de ensino de Cruyff aos jogadores no Barcelona. Uma das coisas que ele ensinava era a recepcionar a bola e a rematar à baliza. E há um universo inteiro de diferença entre o que faziam o Xavi e o Iniesta e o De La Pena e o que vemos fazer aos jovens jogadores do Sporting. A malta não gostou do Keizer, mas ele dizia exactamente a mesma coisa, apenas em modos mais soft.


No Sporting andamos há anos a querer ensinar os jogadores a tornarem-se homens honestos e honrados (lembro de uma entrevista recente de Eric Dier a recordar a passagem pela Academia e a importância que os técnicos davam a cada uma das vertentes da formação). Mas a Academia de Alcochete é uma escola de futebol. Tem de ensinar os jovens a serem bons jogadores de futebol, ao mesmo tempo que lhes ensina maneiras à mesa (como diria o antigo presidente João Rocha).

Rúben Amorim sabe que a equipa que tem não chega para a encomenda. Se vai ter melhor, não depende assim tanto dele, visto que não é ele a passar o cheque das contratações.

 

Pessoalmente não sou fã do sistema de três centrais, mas é o do treinador e ele já disse que não abdica dele. Resta esperar que apareçam os jogadores certos para o interpretar.

Que o Sporting precisa de meia equipa nova para competir melhor na próxima época, parece óbvio de mais até. (...) Mau será se não vierem jogadores de nível para a equipa.

Aguardemos serenamente.

 

Texto do leitor João Gil, publicado originalmente aqui.

Quarto com vista para o terceiro



Resulta evidente para mim que no próximo ano vamos lutar com o Braga pelo quarto lugar.
E não vai ser nada fácil. Braga tem ambiente mais calmo, mais estrutura, é um clube empoderado por vir a crescer e a morder os calcanhares ao terceiro grande, tem bom plantel, tem um futebol físico, paga salários muitos mais baixos, não tem a imprensa e as redes 24 horas por dia em cima, tem boas individualidades que “resolvem” e terá um treinador com ideia de jogo e conhecedor do futebol português.
Ruben Amorim parte bastantes degraus abaixo em experiência, calo, quantidade e qualidade de jogadores, organização e quantidade de pressão (no Sporting é cem mil vezes maior que no Braga, um clube sem adeptos). Além disso, as nossas Finanças coiso. 
A perspetiva para a próxima época é, pois, aterradora. Doidos a fingir que somos um grande, e com o Braga sempre a soltar o bafo para cima de nós, temos é de ter cuidado com Rio Ave, Guimarães e talvez outro clube “sensação”. Até podemos ficar em quinto, digo eu.
É culpa do Varandas? Não acho. Nem acho culpa do Bruno ou sequer do Godinho. Enfim, é obviamente culpa de todos um bocadinho, mas não acho que seja culpa de ninguém especificamente. Há décadas que estamos numa trajetória descendente e a ganhar velocidade para aterrar de vez numa espécie de limbo entre o pódium e os chatos que disputam connosco o apuramento para a Liga Europa.
A solução? Sorte. Só isto, sorte. E fazer por isso, como é evidente.
Claro que precisamos de ter bons jogadores, boa equipa, boa estrutura, essas coisas, mas no nosso caso precisamos de lutar por ter sorte. Como preparamos mal a época, ficamos sem o Luiz Phellype por lesão e ficamos tão descalços que meter um golo que fosse se tornou um acontecimento. O Braga, por exemplo, sendo competente, acabou por ter sorte no último minuto com aquele pezinho que meteu o Vinícius em jogo e deu a vitória ao Benfica.
Embora possa dar essa ideia, não estou a desconversar nem com mensagens enigmáticas. Apenas a dizer que precisamos de admitir que nos falta a sorte e estarmos preparados para a reconhecer - um dia que esta apareça.

Armas e viscondes assinalados: Tudo está mal quando acaba mal

Benfica 2 - Sporting 1

Liga NOS - 34.ª Jornada

25 de Julho de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Adiou o mais possível o desfecho esperado, estabelecendo-se um novo recorde de derrotas do Sporting na mesma temporada, marcada por zero pontos no confronto directo com os dois rivais que viram escancarar-se as portas do duopólio por uma sucessão de decisões que seriam consideradas demasiado perigosas até por pilotos kamikaze. Uma excelente defesa com os pés manteve o marcador a zeros, tal como mais tarde impediria o avolumar do resultado de igual forma, mas nada pôde fazer quando Seferovic e Carlos Vinicius lhe surgiram pela frente. Termina a temporada de afirmação na baliza leonina com o ónus do perdedorismo varandista e sob a sombra da iminente contratação de um eterno suplente da filial madrilena do carrossel.

Eduardo Quaresma (2,0)

Voltou a sentir o peso da responsabilidade a toldar-lhe os movimentos, fazendo alguns cortes desajustados e contribuindo pouco para a circulação de bola. Mas o potencial está lá, a técnica também, e beneficiará de uma pré-temporada em que possa lançar melhores bases para a sua afirmação.

Neto (2,0)

Prova de que tudo acontece ao Sporting é a lesão de Coates no aquecimento, elevando o internacional português à titularidade. Procurou estar à altura dos acontecimentos, esforçou-se muito, mas falhou demasiado nos passes e chegou a fazer cortes de cabeça para remates em posição frontal de jogadores do Benfica. Como patrão da defesa afigura-se insuficiente, o que não implica que não tenha lugar no plantel. Sobretudo num plantel com tão gritantes debilidades.

Acuña (2,5)

É mais do que provável que tenha feito o último jogo pelo Sporting, e logo com a braçadeira de capitão, num triste e simbólico crepúsculo de uma época dourada que o juntou a Bas Dost, Bruno Fernandes e Mathieu, aos rotativos Nani e Montero, aos rescisores Rui Patrício, William Carvalho e Gelson Martins, e ao sobrevivente Coates. Remetido a central, sem hipóteses de impor a sua marca lá à frente, limitou-se a cumprir e a respeitar a camisola que tão bem vestiu ao longo destes anos.

Ristovski (1,5)

Prosseguiu a sucessão de exibições medíocres que servem para realçar o fraco nível das alternativas Rosier e Rafael Camacho. Permissivo a defender e inoperante a atacar, o macedónio especializou-se nas perdas de bola junto à grande área que só por incompetência alheia não cavaram um fosso inultrapassável entre as duas equipas logo nos primeiros minutos do derby.

Matheus Nunes (2,5)

Estava a ser um dos melhores do Sporting quando a sua chuteira branca denunciou ao videoárbitro – infelizmente mais atento na noite de sábado do que naquele penúltimo lance do Moreirense-Sporting em que Coates foi agarrado frente à baliza – que o jovem brasileiro deixará Carlos Vinicius em posição regular no momento em que rematou para o 2-1. Dizer que o erro milimétrico de posicionamento custou 2,9 milhões de euros e o apuramento directo para a fase de grupos da triste Liga Europa seria ignorar a sucessão impressionante de erros de gestão do futebol leonino ao longo desta vergonhosa temporada, mas o lance lançou uma mancha peganhenta numa exibição positiva, cheia de personalidade, em que Matheus Nunes não se deixou assustar pelas papoilas saltitantes que o rodeavam, sendo decisivo no lançamento do contra-ataque do lance do efémero empate.

Wendel (2,0)

Mais uma vez não se conseguiu impor num “jogo grande”, deixando-se retrair excessivamente com as más circunstâncias à sua volta. Está ainda por provar se é capaz de subir ao patamar seguinte e tornar-se um substituto à altura dos melhores do meio-campo que foram deixando Alvalade.

Nuno Mendes (3,5)

Será mera coincidência que o Sporting tenha sofrido o segundo golo e perdido o pódio da Liga Nos depois de o lateral-esquerdo ser substituído? Para trás ficou mais uma boa exibição do ainda adolescente, uma vez mais a combinar velocidade, técnica e inteligência táctica para desbaratar adversários. Pena é que não tenha tido engenho para ultrapassar Vlachodimos após uma boa triangulação com Sporar e que não tenha arriscado “fazer algo de esquerda” em vez de servir Ristovski, livre de cobertura do outro lado da área, para que o macedónio visasse as cadeiras do segundo anel.

Gonzalo Plata (1,5)

Agraciou os colegas com a sua presença na primeira metade, primando pelos movimentos erráticos que nos últimos jogos elevaram o número de contratações falhadas que terão de ser feitas nos próximos meses. Incapaz de combinar em condições com os colegas, leva como melhor recordação do Estádio da Luz uma recuperação de bola com pronta entrega a Sporar, cabendo ao esloveno o remate sem consequências.

Jovane Cabral (2,5)

Há que reconhecer que tentou fazer algo, mas os remates saíram sempre fracos ou desenquadrados com a baliza, mantendo-se a ideia feita de que o melhor jogador da Liga NOS em Junho é mais talhado para resolver encontros quando o adversário é de uma certa dimensão. Uma ideia que levaria a aumentar ainda mais a lista de Bolasies e Jesés a caminho de Alvalade.

Sporar (2,5)

Deu por finda a longa seca com um golo em que a bola passou por entre as pernas do guarda-redes do Benfica, e combinou bem com Nuno Mendes noutra jogada de perigo. Pena é que tenha deixado Seferovic em jogo no lance do primeiro golo, que tenha voltado a demonstrar capacidade quase nula de levar a sua avante no confronto directo com os adversários e que tarde em justificar o investimento avultado no seu passe.

Tiago Tomás (3,0)

Tantas vezes mereceu a aposta do treinador que acabou por trazer dividendos. Poderia ter feito melhor do que o violento remate ao poste quando ficou sozinho na grande área depois na sequência de uma fífia de Jardel, mas no lance do 1-1 lançou Sporar de forma perfeita, quase se diria que à prova de falhanço.

Vietto (-)

Andou pelo relvado poucos minutos, com ainda menor participação no jogo, ao nível do homem invisível valorizado em 7,5 milhões de euros por metade dos direitos desportivos.

Borja (1,5)

Entrou para o lugar do melhor jogador do Sporting. Poderá dizer que a culpa não é dele e sim de quem lhe fez sinal para parar de aquecer.

Battaglia (-)

Foi colocado para segurar o resultado, opção táctica que tende a nunca resultar no Sporting. Caso houvesse racionalidade na gestão do futebol leonino, e o edifício da SAD não estivesse ocupado por personagens de “O Feiticeiro de Oz”, às quais faltam cérebro, coragem e coração, também ele teria feito o último jogo de leão ao peito.

Ruben Amorim (1,5)

Perdeu nos últimos seis jogos a oportunidade de deixar uma boa primeira impressão, não conseguindo melhor do que duas sofridas vitórias caseiras com Gil Vicente e Santa Clara, dois tristes empates com Moreirense e Vitória de Setúbal e duas derrotas com FC Porto e Benfica. Perdeu o terceiro lugar que ajudara a reconquistar nos seus primeiros jogos devido à fraqueza do plantel construído por incapazes, a alguns erros cirúrgicos de arbitragem, a azares extremos nas lesões que acabaram com a carreira de Mathieu e afectaram a afirmação de Jovane, mas também por muitas decisões erradas. Sobretudo nas substituições, como neste derby em que se viu na contingência de sair da Luz com um ou três pontos antes de sucumbir ao medo, procurando baixar linhas e repetir com o Benfica aquilo que o Vitória de Setúbal lhe fizera dias antes. Só que sem a competência dos pupilos do inegável Lito Vidigal. Sendo crível que se imagine a dar a volta na próxima temporada, todas as notícias que chegam quanto a reforços de segunda linha vindos de Espanha faz temer que o plantel continue sem soluções capazes de fazer a diferença. Continuará também a carregar a responsabilidade da cláusula de rescisão absurda que Frederico Varandas decidiu, por motivos que talvez gelassem o sangue de quem os decifrasse, (prometer) pagar ao Sporting de Braga. É uma responsabilidade pesadíssima e oxalá esteja à altura de alterar o guião de tragicomédia que lhe entregaram.

O futebol é assim

Depois duma jornada em que não tivemos arte nem engenho para ultrapassar uma equipa típica do Vidigal, que tal como no Bessa contou com a ajuda duma arbitragem medíocre que permitiu o anti-jogo do adversário e reduziu drasticamente o tempo útil de jogo, entramos para a última jornada com 3 pontos de vantagem sobre o adversário directo ao 3.º posto.

Com o Porto e Benfica com a situação resolvida qualquer resultado será plausível, no final dos jogos ficaremos a saber, mas só no caso do Braga ganhar e do Sporting perder ficaremos fora do podium, e obrigados às eliminatórias da Liga Europa.

Pois eu continuo a acreditar neste treinador e nesta equipa, mesmo reconhecendo a enorme falta de qualidade nalgumas posições-chave. Com Rúben Amorim os jogadores sabem o que devem fazer em campo, defendemos bem, conseguimos esticar jogo com facilidade, mas pecamos tremendamente nos últimos passes e centros que raramente chegam ao destinatário, e assim marcamos golos pela inspiração individual dum ou doutro.

Por outro lado, o Rúben está a construir o seu plantel para a próxima época, testando alguns nas posições em que ele aposta e não naquelas em que o jogador se sentiria mais confortável. Por exemplo, ter o melhor jogador do plantel a defesa central só faz sentido a pensar na chegada de jogadores de outro nível e capacidade dos actuais para jogar na frente. O único remate perigoso contra o Setúbal foi do... Acuña, obviamente.

Francisco Geraldes ocupou a posição natural do Acuña, mas é um peixe fora de água nessa posição e neste sistema do Rúben. Que mais uma vez esteve muito bem na conferência de imprensa. 

Voltando ao empate, que deixou os Sportinguistas tristes e frustados e os do costume muito excitados. O Man United, na véspera de visitar um concorrente directo pela Champions, recebendo em casa o 15.º classificado da Premier League e a precisar de ganhar, empatou. E não entrou em campo com seis sub-23... Entrou com o nosso Bruno, o Progba, o Martial e os do costume...

Mas mesmo assim empataram e por pouco não perdiam. O futebol é assim.

SL

Armas e viscondes assinalados: A triste realidade estava mesmo ali ao canto

FC Porto 2 - Sporting 0

Liga NOS - 32.ª Jornada

17 de Julho de 2020

 

Luís Maximiano (2,5)

Um resultado positivo frente ao inevitável novo campeão nacional passaria por uma exibição gigantesca do jovem guarda-redes leonino. E se é verdade que até à hora de jogo tudo correu bastante bem, destacando-se uma oportuna saída aos pés de Pepe, quando Danilo Pereira aproveitou um pontapé de canto para desfazer o nulo já o marcador poderia estar desequilibrado, pois na jogada anterior Maximiano ficou a observar a forma como Fábio Vieira fez estremecer a barra. No 2-0 pouco havia a fazer e, em boa verdade, pouco foi feito.

Eduardo Quaresma (2,5)

Danilo Pereira apareceu solto numa terra de ninguém entre o jovem central e o impassível Sporar, sendo a distribuição de culpas bastante subjectiva. Certo é que pouco tardou até ser retirado de campo, no âmbito de uma reconfiguração táctica bastante infeliz que não impediu Ruben Amorim de ver acabar a sua ausência de derrotas na Liga NOS e de ficar ligado ao recorde negativo de número de derrotas do Sporting numa só época. Até ao lance do 1-0 esteve tão bem quanto seria de esperar num jovem mesmo muito talentoso que está a fazer o seu primeiro “clássico”, ainda que bastante mal acompanhado na direita.

Coates (3,0)

Tornou-se a referência ofensiva do Sporting em todos os lances de bola parada, o que não diz muito dos recursos existentes no plantel leonino e seria melhor notícia caso o central uruguaio aprimorasse um pouco mais a sua aptidão de cabecear para o espaço delimitado entre os dois postes e a barra. Nas missões defensivas esteve tão bem quanto nos últimos tempos, evitando um golo madrugador do FC Porto mesmo em cima da linha de baliza e impondo voz de comando sobre colegas e adversários. Mas no lance do 2-0 deixou fugir Marega, sem imaginar que tinha ao lado quem o estivesse a colocar em posição regular.

Borja (2,0)

Estava o jogo a correr-lhe bem melhor do que o temido quando resolveu deixar Marega em posição regular para sentenciar a derrota que nessa altura parecia inevitável. Até então concentrou-se a jogar simples e a afastar o perigo tão bem quanto consegue.

Ristovski (2,0)

O mais grave da exibição fraca do macedónio, tão incipiente no ataque quanto permeável na defesa, é a constatação de que não existe uma alternativa melhor no plantel após o investimento de quase uma dúzia de milhões de euros realizado pela actual gerência.

Matheus Nunes (3,0)

Integrou o curto rol de jogadores do Sporting que se transcenderam na visita ao Dragão, controlando bem a bola e manobrando por entre uma floresta de adversários. Tem nos próximos dois jogos novas oportunidades para provar que pode fazer parte da solução em vez de contribuir para o problema da próxima época.

Wendel (2,5)

Os azuis e brancos eram muitos, tal como quase acontece com todos os adversários que encontra pela frente desde a alteração táctica, e também não eram propriamente de se deitar fora, apesar das muitas ausências forçadas que tornavam plausível que o Sporting conseguisse pelo menos o empate que bastaria para os anfitriões festejarem. Mas a verdade é que o jovem brasileiro foi mais um dos que não tiveram engenho para mais.

Nuno Mendes (3,0)

Protagonizou a melhor jogada do Sporting logo nos primeiros segundos de jogo, entrando pela grande área do FC Porto, em registo “eu contra o mundo”, e fazendo um cruzamento para Sporar chegar atrasado e um remate na insistência que Marchesín só logrou rematar para a frente, valendo-lhe a posição irregular do esloveno na recarga que abanou as redes. Feitas as devidas apresentações, o lateral-esquerdo recém-chegado à maioridade continuou a mostrar que é o mais preparado de todos os jovens da formação que Ruben Amorim tem aproveitado, conciliando velocidade, inteligência táctica, “timing” de abordagem ao adversário e aquela pitada de descaramento necessária em quem tem a intenção de se afirmar.

Jovane Cabral (2,5)

O melhor jogador da Liga NOS no mês de junho tinha a oportunidade de se assumir como protagonista. Até ficou muito perto do golo, cabeceando (mal) após se livrar (bem) da cobertura na área do FC Porto, mas a triste realidade é que se retraiu demasiado quando a equipa mais necessitava de que se soltasse, acrescentando pouco mais de concreto do que um remate fácil para as mãos do guarda-redes argentino.

Gonzalo Plata (1,5)

Inconsequência em estado puro é a forma mais delicada de descrever a passagem do extremo sul-americano pelo relvado do Dragão. Afinar o seu talento e potencial é um dos principais desafios da próxima temporada.

Sporar (1,5)

Até encaminhou a bola para o fundo das redes, logo no primeiro minuto, mas encontrava-se em posição irregular. No resto do tempo também não esteve assim tanto em jogo, revelando-se presa fácil para uma linha defensiva do FC Porto assaz remendada. Ruben Amorim bem pode assumir a culpa pelo alarmante sub-rendimento, mas o esloveno começa a parecer mais um passageiro no vagão de contratações falhadas da actual gerência.

Francisco Geraldes (1,5)

Entrou para dar cérebro à manobra ofensiva do Sporting e não se pode dizer que tenha melhorado o que não estava a ser brilhante.

Rafael Camacho (1,5)

Voltou a demonstrar que é uma alternativa a Ristovski. Uma alternativa pior, bem entendido.

Tiago Tomás (1,5)

Foi para a frente na hora do desespero. 

Joelson Fernandes (2,0)

Único suplente a deixar alguma marca, não tem medo de assumir o jogo, mesmo sem parecer preparado para a alta roda, o que não deixa de ser compreensível em quem só na próxima temporada será um júnior de primeiro ano.

Ruben Amorim (1,5)

Perdeu a oportunidade de prolongar o seu recorde de invencibilidade enquanto treinador, agravando o recorde de derrotas do Sporting numa só temporada, ao enfrentar um FC Porto desfalcado e não particularmente ambicioso. Não se lhe pode assacar responsabilidade nas flagrantes deficiências do plantel, duvidoso de raiz e dizimado por lesões prolongadas ou definitivas, mas a forma como mexeu na equipa após o 1-0 foi muito má, estando por compreender, por exemplo, os motivos profundos de Borja continuar em campo, em vez de Eduardo Quaresma, sendo entregue ao colombiano o lado direito da zona central. Resta-lhe vencer o Vitória de Setúbal, assegurando o terceiro lugar que garante acesso directo à fase de grupos da Liga Europa e descomplica a preparação da próxima época. E, já agora, ir à Luz causar mais problemas ao seu clube de coração.

Oito jornadas com Rúben Amorim

Nas oito anteriores jornadas - somando a que se realizou antes da interrupção imposta pela pandemia às sete decorridas desde o reatamento da competição - as 18 equipas amealharam estes pontos no campeonato nacional de futebol:

 

SPORTING - 20

FC Porto - 17

Moreirense - 15

Famalicão - 13

Rio Ave - 13

Braga - 13

Marítimo - 13

Paços de Ferreira - 12

V. Guimarães - 12

Portimonense - 11

Boavista - 10

Benfica - 10

Gil Vicente - 10

Santa Clara - 9

Belenenses SAD - 6

Tondela - 6

Aves - 4

V. Setúbal - 3

 

Aqueles "adeptos" leoninos que adoram festejar derrotas são forçados, por estes dias, a meter a viola no saco.

É chato.

Sentar-se em cima do resultado

Muitas qualidades diferentes podem ser valorizadas numa equipa de futebol, entre elas, o poder de fogo ofensivo, o domínio do jogo, o contra-ataque, a intensidade, o jogar em todo o terreno, a capacidade defensiva e a tal "nota artística" que cada um avalia conforme entende.

Para além destas, uma qualidade muito importante nas grandes equipas é conseguir "sentar-se em cima do resultado". Num desafio muito complicado, a nossa equipa consegue pôr-se em vantagem na parte final do jogo. Apetece que o árbitro apite e termine ali o jogo. Pois é exactamente isso que a nossa equipa tem que fazer. Passar o tempo arriscando o mínimo sem se acantonar à defesa, esticando-se e encolhendo-se de forma a deixar passar o tempo e a vitória aconteça, ficando sempre mais perto de dilatar a vantagem do que sofrer o empate ou até a derrota.

Pois uma das coisas que vejo nesta equipa de Rúben Amorim com este sistema de que muitos não gostam, o 3-4-3 que tanto se pode tornar em 5-4-1 como em 3-2-5, é exactamente isso. Ontem foi um bom exemplo, mas outros existiram antes. O Jovane marcou (67mn) e o jogo acabou. O Santa Clara não teve hipótese rigorosamente nenhuma de comprometer a vitória.

Exactamente o contrário do que acontecia no Sporting desde há muito. Demasiadas desilusões apanhámos nos finais dos jogos: basta lembrar-nos do que aconteceu no Istambul B-Sporting a 27 de Fevereiro, onde com 3-1 em Alvalade e a reduzir  para 1-2 em Istambul aos 68mn, a equipa atacava alegremente, Ristovski piscinava, Doumbia fazia de ponta de lança e depois levámos com um golo ao cair do pano com o piscineiro como espectador atento. E no prolongamento lá fomos à vida e o Silas também.

Mas mesmo também com Jorge Jesus isso não acontecia. Recordo-me do Benfica-Sporting de 03/01/2018, do Juventus-Sporting de 18/10/2017 ou o Real Madrid-Sporting de 14/09/2016. O Sporting marcou primeiro e foi sempre sofrer até o golo(s) contra acontecer(em).

SL

O seu a seu dono

A/C de um certo e manhoso tipo de treinador de bancada

 

É fácil acertar no Totobola às segundas, não é?

Oh... não fiques nesse estado. Respira fundo. Conta até dez e enquanto isso esvazia essa indignação inflamada. Mas, sim, leva lá a bibicleta. Tens razão. Não é às segundas-feiras, pois não. Agora, é a qualquer dia da semana que se pode acertar no Totobola. Afinal, para a Covid-19 ainda não se arranjou treinador à altura, menos ainda de bancada.

Mas, tens razão, toda a razão. Enfim, não nos chateemos por causa disto. Adiante.

Posto isto, diz-me lá, confessa, sff, quantas vezes chamaste nomes ao Wendel? Não te pergunto se o renomeaste, se o rebaptizaste, não quero saber se no decorrer do jogo gritaste qualquer coisa do tipo: "Passa a bola, Wanderlei! Não mastigues o jogo, Wanilson! Não fintes mais, Wanderson!"

Nada disso. Nomes do tipo palavrão é sobre esses que indago. Peço-te que partilhes connosco do alto da cátedra que tiraste no lugar que tens no primeiro ou no segundo anel de Alvalade, no aconchego do teu sofá ou da lamuriosa mesa de um qualquer café com Sporttv que frequentas; diz-nos lá: Quantas vezes chamaste nomes ao Wendel e à mãe dele, já agora? 

Muitas, calculo. Muitas mesmo. Tantas que parecerão ainda mais quando comparadas com as nulas vezes em que vislumbraste no brasileiro o maestro da orquestra que ele é hoje. Mas tu podias lá vislumbrar esse talento. Podias lá fazê-lo quando talento para o futebol só tens o de dizer mal. A mesma estafada maledicência que não reconhece que foi preciso chegar a Alvalade alguém que é mesmo treinador, e que é visto da bancada, para revelar um Wendel de batuta nas botas. 

E ao Jovane? Ainda a ele não lhe passava pela cabeça descolorá-la e tu o que dizias que ele tinha nela? Nada, não era? Não gritavas tu que a cabeça do caboverdiano era incapaz de ordenar dribles imparáveis ou sprints de bola dominada no pé rumo à baliza adversária? Não sentenciavas tu que a cabeça do Jovane não tinha capacidade para executar rápido a jogada mais improvável ou o remate mais certeiro? Não declaravas tu que ele era mais um brinca-na-areia inconsequente? 

Tenho a certeza que tudo isto que gritavas, às vezes urravas, do alto do teu douto desconhecimento do esférico, o repetias para o Plata. 

Os três já estavam em Alvalade antes de cá chegar Rúben Amorim, não estavam? Mas ninguém os pôs a jogar bem, verdadeiramente bem, pois não? 

No entanto, mesmo que esta tripla encante o verdadeiro adepto de futebol com o belíssimo futebol que nos oferece, tu continuas a dizer mal. Dos três jogadores e de tudo o resto.

Talvez o faças, afinal, roído de inveja. Inferior ao facto de que quem revela os fantásticos dotes futebolísticos dos três craques acima enunciados é um treinador que custou uma fortuna, que tem pouco currículo e ainda uma costela do grande rival. Todos estes rótulos para ti serão sempre mais fortes, relevantes e importantes do que a evidência da qualidade técnica-táctica e de liderança do treinador que chegou ao clube pela mão de um presidente que tu reprovas. E reprovarás sempre, mesmo que o Sporting venha a ser campeão durante o seu mandato. O mesmo presidente que parece estar a acertar o passo e a apostar definitivamente na formação. Essa mina de coisa preciosa achada em Alcochete e que põe ainda em campo craques como Eduardo Quaresma, Matheus Nunes ou Nuno Mendes. 

Já sei, já sei...! Já os conhecias a todos. Pois, olha, humildemente te digo, que eu passei a conhecê-los pela batuta do Rúben Amorim, durante a presidência de Frederico Varandas.

O seu a seu dono.

Perceber a diferença

Quando Rúben Amorim pegou na nossa equipa, o Sporting tinha menos 19 pontos que o Benfica e menos 4 pontos que o Braga. Agora segue a 11 pontos do Benfica e tem mais três pontos que o Braga.

Em sete jornadas, portanto, recuperou 15 pontos a estas duas equipas. Não é coisa pouca.

Mais: com Amorim ao leme, o Sporting registou cinco vitórias e dois empates, 12 golos marcados e 4 sofridos.

Nas sete jornadas anteriores, tinha averbado 3 vitórias, dois empates e duas derrotas. Sete golos marcados e seis sofridos. Mesmo contando com Bruno Fernandes, que entretanto rumou ao Manchester United.

Já dá para perceber a diferença.

A pré-época

Chamem-me o que quiserem mas para mim estamos já na pré-época 2020/2021. Esta é, parece-me, a aposta e orientação da Direcção e da Equipa Técnica, e concordo com ela. Afinal, no final desta tão atípica temporada resta-nos deixarmos de fazer figuras tristes em campo, abandonando definitivamente o péssimo e errático jogo que durante meses, meses de mais, foi sendo praticado por um conjunto de jogadores, e substituirmos aquilo que tantas vezes nos envergonhou e exasperou por uma equipa de futebol com cabeça, tronco e membros. Uma equipa que saiba o que está a fazer em campo - que já tantas vezes o faz bem! Uma equipa que nos dê indicações que no futuro estará melhor. Uma equipa, enfim, que nos dê esperança e horizonte.

Antes de Rúben Amorim, e pegando na ilustração anatómica, cabeça não havia. Nem nos jogadores e treinadores, e menos ainda na massa adepta, que a perdíamos com os nervos a cada jornada de novo e repetido desaire e desnorte. Quanto ao tronco, esse, só o comum. Do qual quase todos partilhávamos que aquilo era tudo um desastre. E membros faltavam sempre aos nossos na hora do passe certeiro, do remate decisivo, no momento tão ansiado do chuto matador. Goleador.

Ontem, em Moreira de Cónegos, faltou-nos acerto, sim, é verdade, mas também o é que essa conclusão tiramo-la sem termos de recorrer a bitolas antigas de anos, décadas mesmo, mas porque temos já a bitola Amorim.

Como tantos, também não gostei de ver Wendel e Nuno Mendes no banco. Muitos defendem que em equipa ganhadora não se mexe. Outros sentenciarão que não é preciso aplicar a rotatividade no plantel.

Devo confessar que concordo com essas máximas, mas quando seguidas e aplicadas em tempos de casa arrumada e totalmente definida. Infelizmente, o Sporting ainda não está assim. Mas felizmente para lá caminha. Caminha, acredito e tudo farei para que assim seja, para alcançar vitórias de forma consistente e, por isso, natural. O desejado reencontro com o estatuto de clube grande ganhador.

Posto isto, aceito e aplaudo a experiência e até mesmo experimentalismo que Rúben Amorim tem realizado nas equipas que monta. 

Há nele consistência. As equipas têm todas por base a formação. E esta aposta continuada e reforçada nos nossos principais activos é preciosa. É a que verdadeiramente nos dá futuro e inda rumo. É raro, muito raro, que ao discurso, às palavras se juntem os actos. O clube, esta direcção, disse-nos em tempos que iria apostar na Academia e suas muitas jóias e (depois de enganos e atrasos) está finalmente a fazê-lo.

Acreditando que não mais voltaremos a fazer figuras tristes esta temporada, convicto que no pódio ficaremos (fraco consolo!), espero e disso estou mesmo convencido que estas derradeiras jornadas estão já a ser a preparação de uma época vitoriosa.

Começámos 2020/2021 mais cedo que os outros. Tiremos proveito disso e assim sendo nem a incompetência (será só isso?) dos árbitros como os de ontem em Moreira de Cónegos nos impedirá de alcançar a glória que inscrevemos na nossa insígnia. 

Keizer versus Amorim

Ruben Amorim tem muito boa imprensa. É um facto incontroverso.

Mas hoje gostaria de falar dos seus resultados.

Já aqui disse que a contratação de um treinador sem experiência por 10 milhões é um absurdo. Um luxo a que não nos podemos dar. Continuo a pensar o mesmo.

Para que não me acusem de ser "brunista" por abordar os muitos erros da actual gestão, vou comprar os resultados de Amorim com os do treinador que Varandas disse ser o seu, há pouco mais de um ano, depois de uma analise apuradissima de alternativas.

Vejamos os primeiros resultados de Keizer:

Screenshot_20200707-190831.png

Resumindo: em 7 jogos, Keizer tinha 30 golos marcados e apenas vitórias. Todos nos recordamos de grandes jogos de futebol, com Nani e Bruno Fernandes em grande plano. Bem como outros jogadores entretanto vendidos, como Raphinha ou Bas Dost. A defesa, essa sempre foi um problema para Keizer - e viria a custar-lhe a Supertaça 2019, contra o SLB - e, mais tarde, o lugar.

Pois bem, ontem Amorim completou o seu 7.º jogo ao comando do Sporting. O balanço é de 5 vitórias (todas com clubes da segunda metade da tabela) e dois empates (com duas equipas da parte inferior da primeira metade da tabela) . 

Longe de querer criticar Amorim, que apanhou uma equipa destroçada e acabada de ficar sem o seu capitão e melhor jogador, é preciso fazer a ressalva de que a equipa desta segunda metade da época nada tem a ver com a que Keizer herdou (e com a qual ganhou dois troféus). 

Para colmatar as muitas debilidades do plantel actual do Sporting, Amorim foi inteligente ao arriscar nos jovens, o que coloca os adeptos do seu lado. E não é preciso ser um génio da bola para ver que Nuno Mendes, Quaresma e outros são mais-valias. 

Mas ontem voltou a insistir em Borja, um jogador demasiado trapalhão para uma linha de 3 defesas. Em Battaglia, que hoje é um jogador triste e aborrecido, aparentemente desligado do clube. E parece não saber o que fazer de Sporar (um jogador que, na minha opinião, terá de suar muito para se manter titular quando o limitado Phellype estiver de regresso). 

Para Amorim, começa agora o teste a sério, com visitas aos estádios dos dois clubes no topo da tabela em poucas semanas. Que lhe corra bem, é o que todos desejamos. 

Para Varandas, o grande teste virá no final da época:  reconstruir uma equipa vendida aos poucos desde 2018, e para a qual não tem sido capaz de recrutar jogadores de qualidade; e conseguir manter as expectativas baixas e a ambição ao mínimo, num clube cuja maioria dos adeptos não se conforma com o segundo ou terceiro lugar, e tendo já uma enorme e ruidosa oposição dentro de casa. 

A boa imprensa talvez amaine a contestação à direcção (ou ao que resta dela, depois das demissões dos últimos meses), mas Varandas dificilmente sobreviverá a um início de época como a de 2019-20, quando Keizer ainda era o eleito. 

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