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És a nossa Fé!

Jesualdo Ferreira e Rúben Amorim

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Primeira página do Record de 17 de Abril de 2013

 

Tenho lido, até por aqui em diversas caixas de comentários, que Rúben Amorim «falhou os objectivos» para que foi contratado. Porque foi incapaz de impedir que o Sporting ficasse «no pior lugar de sempre» do campeonato português. O quarto, após FC Porto, Benfica e Braga.

Estes dislates só podem ser provocados pela ignorância ou pela falta de memória, ampliadas pela estupidez que corre à solta nas redes sociais. Amorim foi contratado à 23.ª jornada da época passada não para qualquer objectivo de curto prazo mas para preparar um plantel capaz de conquistas desportivas. 

Mesmo assim, nesses 11 jogos que a equipa ainda fez sob o seu comando para a Liga 2019/2020, registou seis vitórias, três empates e duas derrotas - ambas, neste caso, frente a FC Porto e Benfica. Melhoria face aos 11 desafios anteriores (seis vitórias, um empate e quatro derrotas). E já sem contar com Bruno Fernandes, nosso melhor jogador dessa temporada.

 

O problema estava no plantel, como muitos de nós assinalámos desde o primeiro dia. Aliás bastava lembrar como se mostrava a equipa em campo: lenta, apática, sem iniciativa, sem nervo, sem alegria.

O trabalho do técnico só pode ser avaliado a partir do momento em que tem intervenção activa na escolha dos jogadores para a nova temporada. Verdadeiros reforços, não nomes sacados de algum fundo de catálogo, como sucedera um ano antes.

O resultado está à vista. Quatro anos depois, o Sporting volta a comandar isolado o campeonato, com mais golos marcados e menos golos sofridos do que qualquer outra equipa. Pedro Gonçalves - um desses reforços - já é apontado como melhor jogador da Liga. Há uma aposta decisiva nos talentos da formação leonina. E voltamos a ter um campeão europeu no onze titular.

 

Apontar responsabilidades a Rúben Amorim pelo quarto lugar do campeonato anterior - em que foi o quarto técnico a orientar a equipa, após Marcel Keizer, Leonel Pontes e Silas - equivale a atribuir culpa a Jesualdo Ferreira pelo péssimo desempenho leonino na Liga 2012/2013, quando o veterano técnico foi também o quarto e último treinador da temporada, após Sá Pinto, Oceano e Franky Vercauteren. Ou seja: não faz qualquer sentido. Mesmo tendo Jesualdo assumido, ainda no mês de Dezembro de 2012, as funções de manager desportivo - portanto já então com efectivas responsabilidades no futebol leonino.

Essa, sim, foi a nossa pior temporada de sempre. Não só pelo inédito e humilhante sétimo lugar do Sporting, mas também pela pontuação alcançada no final do campeonato: apenas 42 pontos. Menos 18 do que em 2019/2020. 

Aliás, conferindo o desempenho da equipa leonina no último quarto de século - desde que a vitória passou a valer três pontos nas competições futebolísticas portuguesas -, verifica-se esta evidência: as piores pontuações, além da já mencionada, ocorreram nas épocas 1997/1998 (56 pontos), 2002/2003 (59), 2007/2008 (55) e 2011/2012 (59). 

Quanto ao nosso quarto lugar da época passada, basta consultar a mesma tabela estatística. Nestes últimos 25 anos, ocorreu também em 1997/1998, 1998/1999, 2009/2010 e 2011/2012. Nada de novo, infelizmente.

Depois da tempestade vem a bonança

Texto de Salgas

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Fui muito crítico no início de temporada 2019/2020, primeiro por não me rever na política de transferências, depois por ver confirmado que as piores expectativas dos reforços se vieram a confirmar.

Depois de uma temporada em que vencemos dois troféus, esperava um caminho a subir, pelo que foi uma tremenda desilusão.

De positivo no ano passado destaco a chegada de Rúben Amorim, cujo trabalho em Braga não me passou despercebido e segui com muita atenção. Convenceu-me que o seu sucesso não era fruto do acaso. Fiquei contente que viesse para o Sporting, apesar de considerar muito elevado o valor a pagar por ele.

 

A sua vinda foi uma lufada de ar fresco, a começar no discurso. A equipa demonstrou em campo o que não tinha feito sob o comando dos seus antecessores. Ainda estava muita coisa por olear, mas vislumbrava-se trabalho do técnico na equipa.

Novo ano e muito receio de mais um mercado como os anteriores. Só que não. Amorim pegou na pasta do futebol e começou a influenciar diversas esferas, inclusive equipa B. Um homem de projecto. Dispensou quem achou que era para dispensar, mesmo que tal tenha significado encostar jogadores caros como Camacho ou Ilori. Trouxe jogadores para acrescentar, promoveu miúdos para formar, criou uma verdadeira equipa.

 

Está tudo muito no início, contudo há já tempo para algumas fortes convicções. O Nuno Mendes tem tudo para ser o futuro lateral esquerdo da selecção nacional e os 45M da cláusula parecem pouco para o segurar, mesmo em tempos de pandemia. O Pedro Gonçalves é um craque e os 6,5M que pagámos por ele são uma pechincha. Temos o treinador ideal para o modelo de gestão que acredito ser o melhor para o Sporting, com craques oriundos da formação e que no futuro possam significar encaixes importantes de modo a garantir a sustentabilidade do clube.

Um Sporting que entusiasma, cuja onda positiva se está a estender a outras modalidades onde lideramos em diversas frentes. Depois da tempestade vem a bonança. Que esteja dado o mote para um período de união em que rumamos todos para o mesmo lado, jogo a jogo, nos bons e maus momentos.

 

Texto do leitor Salgas, publicado originalmente aqui.

manteiga de amendoim

Rúben Amorim conseguiu meter os seus jogadores a correr numa pista diferente.

Como? Não faço a menor ideia. Não faço mesmo. Mas é como se o Sporting deslizasse em manteiga de amendoim. Há uma objetividade e uma noção que tornam a bola do jogo numa bola de flippers. O adversário vê jogar, ou nem vê, e quando dá por ela ou foi golo ou foi quase golo.

Antecipo grandes dificuldades, em especial quando os adversários compreenderem que um certo jogo subterrâneo poderá ser eficiente.

Os nossos grandes testes serão com as equipas com os melhores valores individuais e ainda acho que, entre SLB, FCP e Braga, somos os quartos pretendentes ao trono. Essas equipas são mais adultas, mais manhosas, têm mais individualidades, mais soluções, mais nervo, mais agressividade, mais experientes. Mas a verdade é que os jogos começam com zero a zero e acredito que essas equipas, seus dirigentes, técnicos e jogadores, tenham Sport tv em casa.

Amorim está a criar uma alquimia entre novatos, aquisições e veteranos. Dos que têm jogado, não há um único que possamos dizer que é uma segunda escolha. Como diz o José Navarro, não entram para "rodar" ou para que outros descansem. Entram porque chegou a vez deles.  É um pouco como nas seleções que vão longe ou vencem torneios: todos contam de facto. Ora isso é espantoso e extraordinário e não me lembro de uma coisa assim no Sporting.

Sem reservas

Era só para realçar um pormenor a partir das palavras de Neto, claramente um dos líderes mentais desta equipa: no Sporting não há suplentes. Quem entra melhora, não remenda nem substitui. Quem entra introduz ao momento mais acutilância entretanto perdida pelo esforço de quem sai. Quem entra acrescenta ao jogo aquilo que o seu estilo e personalidade têm para dar, não adapta o jogo às suas características. Por exemplo, quando o magnífico Bragança entra em campo não é para ganhar rodagem ou outra qualquer inutilidade, é para intervir a sério na dinâmica durante o tempo que lhe foi concedido.

O Sporting não joga com 11, joga com 16. 

Ou seja, Rúben Amorim não é competente por causa da táctica e lá dessas bolas de bingo do 3-5-2 ou 4-7-3 que a malta gosta de recitar; ele é distinto por causa do treino. E, mais uma vez, o treino e nada mais é a alma do futebol, o resto são peaners para entreter pedreiros.

O factor Amorim

Classificação e pontuação do Sporting à sexta jornada do campeonato nacional de futebol, nas últimas dez épocas:

 

2011/2012:

6.º lugar, 11 pontos (12 golos marcados, 8 sofridos)

2012/2013:

12.º lugar, 6 pontos (5 golos marcados, 7 sofridos)

2013/2014:

2.º lugar, 14 pontos (15 golos marcados, 4 sofridos)

2014/2015:

7.º lugar, 10 pontos (9 golos marcados, 4 sofridos)

2015/2016:

2.º lugar, 14 pontos (9 golos marcados, 4 sofridos)

2016/2017:

2.º lugar, 15 pontos (13 golos marcados, 6 sofridos)

2017/2018:

2.º lugar, 18 pontos (15 golos marcados, 3 sofridos)

2018/2019:

4.º lugar, 13 pontos (9 golos marcados, 4 sofridos)

2019/2020:

9.º lugar, 8 pontos (10 golos marcados, 9 sofridos)

2020/2021:

1.º lugar, 16 pontos (15 golos marcados, 4 sofridos)

 

Conclusão: em termos absolutos, este é o melhor desempenho do Sporting. Único primeiro posto da década à sexta jornada. 

Em termos relativos, nesta mesma fase do campeonato, só estamos atrás da temporada 2017/2018 (terceira e última sob o comando de Jorge Jesus), então com mais dois pontos e menos um golo sofrido.

Mas na avaliação global das três épocas sob o comando de Jesus, os números à sexta ronda são menos lisonjeiros para o actual técnico do Benfica: 15,6 pontos, 12,3 golos marcados e 4,3 sofridos. 

Na comparação com a época anterior, a vantagem é arrasadora para a actual: o dobro dos pontos, mais 50% dos golos marcados, menos 56% dos golos sofridos. 

Estamos perante o quê? Factor Amorim, a fazer a diferença.

O que mais gostei

O que mais gostei no jogo com o Tondela, foi o que mais gostei do jogo com o Gil e até com o Portimonense: as mexidas no banco melhoram efetivamente a equipa.

Ler um jogo e saber mexer as peças parece-me uma skill bastante rara e que o nosso treinador e a sua equipa técnica parecem ter.

Ontem também vi o jogo do Bessa e – por comparação  - isso ficou ainda mais claro.

Outra coisa que a nossa equipa técnica parece dominar é aquilo que no meu tempo se chamava de preparação física. Pedro Gonçalves andava por ali aos 90 minutos como se tivesse começado a jogar há dez minutos. Ainda me lembro no ano passado como era.

A época começa melhor do que muitos julgaríamos, mas tenhamos atenção ao nosso valor médio na órbita desse grande mistério do universo que são as arbitragens e os Vars.

No momento, é um valor inferior ao do Braga, como se viu ontem pelos esforços hercúleos do VAR para expulsar (com sucesso) um famalicense e validar (com sucesso) um golo.

Para nós, são de esperar cartões, expulsões e outras decisões.  

Futurologia

Já não é "à condição", pois não? Aliás, tivessem outra cor as camisolas de quem deu tamanho sarau no Domingo e já haveria parangonas sobre o "campeão de Outono." Mas como diz sabiamente Rúben Amorim: "Peço aos jogadores para não ligarem ao que se fala." Conselho que bem poderíamos todos adoptar; se pusermos de lado essas folhas de couve que por aí andam a dar cabo das florestas para lhes dar papel, se não as comprássemos nem as comentássemos elas desapareceriam à míngua - olha a falta que faziam...

Também é ajuizada a outra recomendação de Amorim para não embandeirarmos em arco. Ele sabe o que nós estamos fartos de saber: vem aí a marabunta. Qualquer corte de Palhinha vai dar falta, os centrais vão levar com amarelos e vermelhos mal soprem nas orelhas do adversário, o qual terá síncopes súbitas dessas de ficar a espernear no chão, João Mário e Pedro Gonçalves vão levar porrada em barda impunemente e terá força constitucional que nenhum penalty seja marcado a favor do Sporting, mesmo em caso de sangue. E então os pasquins farão manchete com "bluff" e "descalabro."

Vai uma apostinha que o festival começa já no próximo fim-de-semana?

Da sabedoria popular: "As cadelas apressadas parem os filhos cegos."

Estamos na frente à condição e não fora o descarado roubo de igreja no jogo em casa com o Fruta Clube do Porto, estaríamos com mais dois pontos, o que nos permitiria estar na frente invictos, fosse qual fosse o resultado de mais logo daqueles vizinhos pouco recomendáveis.

Esta posição na tabela entusiasma, tal como o futebol que ontem, repito, ontem, foi praticado. A equipa tem funcionado como isso mesmo, uma equipa e que apesar de em valores individuais ser claramente inferior (por enquanto), funciona mais como bloco solidário e menos sob a dependência de um ou outro virtuoso do passado recente.

Está tudo bem e já somos campeões? Nada, longe disso! Fazendo parte do nosso ADN acreditar e entrar em euforia sempre que os resultados são mais animadores, convém não esquecer que temos no grupo de jogadores três defesas, os que têm sido titulares, um pouco mais que mediano e dois ao nível da segunda liga e não temos um ponta de lança matador. O Sporting ontem rematou um ror de vezes (nem escrevo aqui o número de remates enquadrados para fazer quatro golos, por vergonha) e apesar do homem do jogo ter sido o GR do Tondela, ou por isso mesmo, o jogo acabou em apenas 4-0. Dir-me-ão que sem criar oportunidades não se marcam golos... pois bem, e desperdiçando tantas oportunidades podem-se perder jogos!

-Olha ele a dizer mal outra vez! Não, pela primeira vez esta época estava calmamente no sofá a ver o jogo com a convicção de que cedo ou tarde "elas entrariam lá dentro", só ficando chateado por o cântaro ter ido demasiadas vezes ao poço e de água, nada. Ou muito, de tanta que metemos...

Resumindo, não fomos assim tão incompetentes no jogo com o Gil Vicente, que acabámos por ganhar com folga, mas que corremos o risco de não ganhar e não fomos tão competentes ontem em que "espetámos" quatro ao Tondela e onde nem os deixámos "levantar os pés do chão".

O nosso PL demorou uns longos quase noventa minutos (se contarmos o tempo extra, mais de 90 minutos) para marcar um golo, apesar de até ter feito um bom jogo, o que demonstra que se quisermos ser mesmo competitivos, em Dezembro teremos que ir às compras e garantir uma bela dupla de centrais que não tenham o cú pesado como o Coates, que ontem apenas por 11 cm não foi o causador de mais um golo adversário e que tenham alguma qualidade a defender e a transportar a bola e que, se não for pedir muito, marquem um golito ou outro num canto ou livre e um verdadeiro ponta de lança matador, daqueles de "cada tiro, cada melro", aproveitando-se para tentar vender todo o entulho que por lá ficou (eu espero sinceramente que tenham continuado a trabalhar no assunto...).

Custa-me escrever isto e abomino que se vá propagando a ideia de que o Sporting é a surpresa do campeonato, a equipa sensação. O Sporting terá que ser sempre uma grande equipa, equipa sensação será o Braga, o Guimarães, o Rio Ave, etc. sem desprimor por estes clubes, que por uma vez podem estar na mó de cima. O topo é o nosso lugar, é por lá que deveremos andar sempre. Este ano e depois da miserável época anterior, sem embandeirar em arco, acreditando na equipa e no seu desempenho, apoiando sempre, mandando uns berros ao Coates de vez em quando (falo por mim mas faz parte, no final somos todos amigos). E apreciando o trabalho do treinador que creio, loucura do valor da sua contratação à parte, se revelará uma peça fundamental nesta equipa e no seu desejado êxito e que teve, pasme-se, a frontalidade de afirmar que o que os jornais dizem é mais aldrabice que outra coisa, portanto que "caguemos" no que eles escrevem. E isto "passou como cão por vinha vindimada". Bom sinal.

Bom, mas esqueçam tudo o que eu escrevi, este ano é que é c...!

A táctica do martelo

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Na conferência de imprensa de antevisão do jogo de ontem, quando lhe pediram para comentar a escolha de Jovane em detrimento de Sporar para o jogo inicial, Rúben Amorim disse o seguinte: «São jogadores de características diferentes. Estamos a apostar de início no Jovane que com a sua indisciplina tática cria espaço e depois temos dois jogadores, como o Pedro Gonçalves e o Nuno Santos, que estão a saber ler bem as movimentações do Jovane. Quando é o Sporar é porque escolhemos ter uma pessoa mais fixa no centro e que apareça mais vezes na área do que o Jovane. Depende muito do que o jogo está a pedir. Aliás, tem-se visto que nos últimos jogos tenho substituído sempre o Jovane pelo Sporar. Não porque um está a jogar mal, mas porque é o que o jogo está a pedir».

Quando as coisas não estão a funcionar, Amorim, mantendo o sistema táctico, mas trocando jogadores e alterando posições, ao mesmo tempo que coloca o tal ponta de lança que ocupa o espaço, parece de alguma forma também apostar na tal indisciplina táctica como forma de desmontar bloqueios e marcações, e fazer com que o talento dos jogadores resolva os problemas que o modelo de jogo definido não consegue resolver.

Nestes três últimos jogos, não há dúvida que a fórmula da tal indisciplina táctica funcionou. Foram um empate e duas vitórias conseguidas nos últimos minutos das partidas, sinal que os jogadores estão com ele e acreditam na mensagem que lhes é passada. Nunca é de mais lembrar que muitos desses jogadores são jovens nados e criados em Alcochete, não são Alans nem Bryans Ruizes (que me perdoe o Bryan pela companhia), vindos de longe e pagos a peso de ouro.

No entanto, cada vez mais se nota que os adversários estudam a forma de jogar do Sporting, sabem como anular as suas dinâmicas e falta a tal via alternativa ou a "táctica do martelo", ou seja, ter a capacidade de num remate de longe, na sequência dum canto, dum livre frontal ou lateral, num lançamento de bola lateral, pôr a bola lá dentro e assim, meio do nada, dar uma martelada forte na moral do adversário. Pelo contrário, as tais marteladas temos sofrido nós: logo com o Lask levámos uma e ainda ontem, num desvio de classe do gilista, que deixou Adán sem reacção, levámos outra que nos ia custando a derrota. Sem resolver esta questão nas duas áreas, marcar assim e não sofrer assim, não podemos ter grandes veleidades. 

Para isso, além do treino específico que Palhinha, Coates, Feddal e Neto terão de fazer,  bem como os especialistas do remate de meia distância, há uma coisa que me parece essencial: entrarmos em campo com um ponta de lança.

E como Acosta, Jardel, Liedson, Slimani ou Bas Dost não podem, já cá não estão, então temos de entrar em campo com... Sporar. 

SL

O Sporting de Rúben Amorim (parte 2)

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Quase dois meses depois do meu primeiro post (10/09/2020), já com o mercado fechado e um arranque de época deveras atribulado, muito marcado pela pandemia, e uma pré-eliminatória que resultou numa derrota humilhante em casa com austríacos que nos custou a Liga Europa e um percurso até agora quase impecável na 1.ª Liga, torna-se interessante rever a minha análise de então e perspectivar o que virá aí.

A primeira observação é que com Rúben Amorim, e dentro dos condicionalismos existentes, o Sporting teve um dos melhores mercados de verão de sempre, conseguindo vender alguns por quase 50 milhões de euros e emprestar outros com pagamento de vencimentos, ao fim e ao cabo um conjunto de jogadores, alguns com vencimentos inflacionados pelo assalto a Alcochete, que duma forma ou de outra tinham chegado ao fim do ciclo em Alvalade, não representando uma clara indispensabilidade.

E assim sairam definitamente Matheus Pereira, Acuña, Wendel, Vietto, Mané, Dala, e quase definitivamente Misic, Battaglia, Diaby e Pedro Mendes. Por cerca de metade desses 50M€, entrou um misto de jogadores, entre os experientes para consolidar o balneário e "educar" os jovens, Adán, Feddal e Antunes, e as apostas sérias na competividade do plantel, Pedro Gonçalves, Nuno Santos, Tabata, Porro e João Mário.

Ficou claramente a faltar o tal ponta de lança, tão farto estou de falar no assunto que não vou insistir. Ficou também a faltar a colocação de alguns excendentes, alguns verdadeiras "mulas" que se recusaram a sair por muito que o Sporting lhes acenasse com empréstimos, mas estão no seu pleno direito. Quem contratou por alguns milhões de euros nulidades como Bruno Gaspar ou Ilori, é que tem a culpa. Quando alguém contrata uma nulidade destas um par de dias antes de ser destituído, então devia pagá-los por inteiro.

 

Em segundo lugar vem a capacidade de liderança de Amorim, a exigência colocada no desempenho e na atitude em campo, o espírito de grupo que se pretende inculcar, que faz com que a equipa lute e acredite, e parta ao encontro do sucesso.

Em terceiro, vem a construção a partir de trás, que enfastia muitos e expõe a equipa a perigos óbvios, algo que vi a cores e ao vivo a Juventus em Turim fazer muito bem, e um Belenenses com o treinador espanhol ainda em Belém e Silas no Jamor a fazer muitíssimo mal e nos dois casos levar uma cabazada. Um destes dias, a fazer zapping de canais, deparei-me com Carlos Carvalhal, o tal que chegou ao Sporting e pôs o Miguel Veloso a extremo direito, agora treinador do Braga, a explicar a forma de jogar do Rio Ave do ano passado, a explicar a desmontagem do sistema de marcações do adversário através da circulação paciente da bola desde trás e a de saber chegar a bola com qualidade a zonas onde a aceleração para golo seria efectuada.

 

Carvalhal e Amorim têm um entendimento similar do jogo e bem diferente dos treinadores mais "clássicos", como os últimos que tivemos: Leonardo Jardim, Marco Silva, Marcel Keizer, e mesmo Jorge Jesus, este com uma ideia muito própria e intransmissível. Enquanto, por exemplo, com Keizer era um 4-3-3 "Kiss" (Keep it simple and stupid) que apenas se fugia do trivial pelos extremos de pé trocado, este sistema de Amorim não é nada fácil e requer inteligência e muito treino dos interpretes. A começar pelos defesas.

Por vezes os erros acontecem, sofrem-se golos e perdem-se pontos. Ainda agora o Rio Ave entregou o jogo ao Benfica a tentar jogar "by the book" Carvalhal. Estando o sistema bem afinado, alternando a construção com a solicitação em profundidade, e a lateralização com o passe em rotura, este 3-4-3 que está a ser trabalhado por Amorim é um sistema moderno com muito para dar ao Sporting.

 

Por último, e em quarto, vem a tão falada rigidez táctica de Amorim. Nestes dois últimos jogos, contra adversários tão diferentes como o Porto em casa e o Santa Clara fora, não falando das condições dos relvados, o Sporting alinhou com o mesmo onze e na mesma disposição táctica, um 3-4-3 com um falso ponta de lança que recua e convida à entrada em velocidade dos dois interiores na grande área, qualquer deles com apetência para atirar ao golo. Nos dois casos marcou primeiro, mas não conseguiu evitar, muito pelos tais erros defensivos evitáveis, a recuperação do adversário, indo para o intervalo a ter que pensar em correr atrás do prejuízo.

Quando as pernas já vão pesando e a equipa começa a engasgar-se, Amorim mexe na equipa de forma eficaz. Sai o defesa central direito e toda a defesa roda à esquerda,  Coates à direita, Feddal ao centro e Nuno Mendes à esquerda. Com isso, a equipa começa desde trás a ter um futebol muito mais directo, com solicitações em profundidade.

Mais à frente, sai o tal falso ponta de lança para vir um verdadeiro, e toda a equipa continua no tal 3-4-3 mas com uma dinâmica bem mais ofensiva. A troca do médio box-to-box por um médio mais organizador, de Matheus Nunes por João Mário, permitiu também ter finais de partida com futebol de qualidade e ocasiões de golo que chegaram para conseguir o empate num caso (Vietto falhou a vitória) e a vitória noutro. Por outro lado, e eu não esperava tanto, Palhinha veio efectivamente trazer uma mais-valia crucial à equipa, dando-lhe o poder de choque e a capacidade de desarme a tempo inteiro que faltavam ao meio-campo. 

 

Agora vou falar daquele que considero o calcanhar de Aquiles deste Sporting de Amorim, muito mais do que a propalada falta de qualidade do trio de defesas (claro que com 20M€ compra-se um melhor defesa central do que com 3M€):

Para mim uma grande equipa não tem de jogar sempre bem, tem é que ganhar quase sempre, mesmo a jogar mal. E para isso acontecer tem de não cometer erros na defesa, e de aproveitar muito bem todas as situações atacantes, em particular os remates de meia-distância, as situações de bola parada, cantos, livres e lançamentos de linha lateral. Para isso precisa de ter movimentos estudados, mas de ter também jogadores com essas características.

Sendo assim, pensando nos golos que se vão sofrendo e nos golos que não se vão marcando, não vejo ainda neste Sporting de Amorim essa grande equipa.

Mas está no bom caminho e, como diz aqui o Pedro Correia, o caminho faz-se... caminhando.

SL

No Sporting-Porto

Vi o Sporting-Porto, e não via um jogo nosso há já meses. Fi-lo em casa de grande amigo, como tantas vezes acontece, dos jogos fazendo pretexto para petiscaria fina. O melhor camarote que há, onde congregamos grupo de sportinguistas amigos desde a infância. Teoricamente seria eu o mais atento, dado que os meus "manos" estão mais mergulhados nas proezas do Miguel Oliveira. De facto, talvez nem tenha sido assim tanto, dado que após o lance de Godinho me encontrei distraído sentado à mesa, costas dadas ao ecrã, bebericando, tasquinhando e palrando com as senhoras presentes, as amigas de décadas casadas com os aficionados ali espojados nos sofás, elas sempre algo superiores, ainda que solidárias, à nossa futebolite.

Mas lá me reintegrei na "moldura humana". Tenho entre aquele plantel algum prestígio futebolístico pois, ainda que todos da mesma idade, sou o único que me lembro do Manaca, Alhinho, Bastos e Carlos Pereira e, presumo, até mesmo do Miguel Garcia. E, cume dos cumes, escrevo no És a Nossa Fé, dimensão autoral que dá crédito às minhas doutas opiniões sobre o jogo. E como tal - entre o bom vinho (Douro Post Scriptum 2018, muitíssimo bebível a preço nada proibitivo), a muito composta tábua de queijos, um apreciável cajú (Loja Cafélia, ao que fui informado), alguns produtos de fumeiro de origem bem referenciada, e ainda antes da aguardente de excelência, a qual só depois assomou, a lavar a alma do desgosto do empate - lá fui, com sageza de especialista, resmungando com as desatinadas opções tácticas do treinador Ruben Amorim. A compor uma equipa sem avançado centro, que é coisa que Jovane Cabral não é nem será, a moldar um esquema assente no Adan para Coates, Coates pontapé para a frente há espera que algum extremo em correria a consiga apanhar, o que tanto me lembra as desventuras de Anderson Polga durante as infindas décadas em que infernizou o meu sono adepto. 

Depois vieram as substituições, a fazerem-me engasgar entre a devolução dos caroços de azeitona. E logo assinalei aos amadores espectadores que me ombreavam que "o gajo" (o Amorim) meteu uma série de jogadores avançados (Vietto, Tiago Tomás, Plata, João Mário e Sporar), típica solução desesperada aquando inexistem soluções tácticas. E assim partiu a equipa toda, o Sporting deixou de jogar para além dos repelões, a derrota - ainda para mais diante de um Porto algo sabido e ríspido - estava garantida. Enfim, a nossa tradicional incompetência, aliada à influência da manha arbitral. E todos anuíram a esta minha análise, mais avisada do que a deles.

Depois, lá para o fim do jogo, surgiu este golo, antecedido de uma bela Esporada à Sporar, já agora ... Riu-se o dono da casa e clamou(-me) "ouve lá, foram os tais avançados que fizeram o golo ..."! Escorropichei o copo, reenchi-o. "G'anda Rúben Amorim!", "que coragem", sublinhei, e viva ele pois "meteu a carne toda no assador", como agora se diz. Temos Homem! E plantel!

O meu aplauso a Rúben Amorim

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Na própria noite de sábado, nas redes sociais, alguns putativos "adeptos do Sporting" desataram a espumar contra o "rabolho Amorim" e o "lampião Amendoim", aplaudindo que tenha sido expulso pelo incompetente que, de apito na boca, transformou um penálti justíssimo contra o FC Porto em cartão vermelho ao nosso treinador. Como se estivéssemos de volta aos negros anos 90.

Pecado do técnico? Ter considerado "vergonhosa" esta reversão, imposta pelo VAR Tiago Martins em clara violação do protocolo que regula a vídeo-arbitragem. Quando, minutos antes, o treinador portista usara linguagem muito mais "colorida" - leia-se: ofensiva e grosseira - ao ser marcada a grande penalidade logo anulada. A intenção era óbvia e teve sucesso: usar o calão (bem audível num estádio sem público) para pressionar a equipa de arbitragem perante a perspectiva de o FCP perder o segundo jogo consecutivo.

 

Há que dizer, sem rodeios: Rúben Amorim foi expulso por estar a defender não apenas a nossa equipa e os nossos jogadores, mas também a verdade desportiva, cada vez mais enlameada no futebol português.

Aqui lhe deixo, portanto, o meu aplauso: ao ser expulso por Luís Godinho, o treinador ganhou uma medalha ao serviço do Sporting.

Aliás merece outra por ter feito tudo para impedir a vitória portista em Alvalade. Enquanto Sérgio Conceição ia tentando aguentar a magra vantagem conseguida ainda na primeira parte, Amorim não hesitou em desfazer o seu sistema táctico para meter em campo cinco jogadores com características ofensivas: Vietto, Tiago Tomás, Plata, João Mário e Sporar. Sempre de olhos fitos na baliza adversária, o que viria a ser recompensado em tempo útil. 

E merece ainda outra por, já injustamente remetido à bancada, ter festejado desta maneira o golo de Vietto que selou o resultado do clássico.

Gostei de ver.

 

Enquanto isso acontecia, a turba anónima ia rabiscando coisas como estas nas redes:

«Já se expulsam lampiões!»

«Pagámos 16 milhões por aquele rabolho de merda.»

«Com este lampião ganhamos... bola.»

«Nunca vi um treinador tão medíocre.»

«Ele pode voltar para o Braga.»

«Vai terminar o curso, treinador de pacotilha!»

 

No fim, estes letais estavam mais furiosos do que muitos adeptos tripeiros. Porque o FCP não venceu em Alvalade.

Quando me falam em "união entre todos os sportinguistas", jamais me peçam qualquer aproximação aos canalhas que - até durante os jogos - aproveitam cada pretexto para enterrar o Sporting, fazendo coro com os inimigos do nosso clube.

Made in Alcochete

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Era um fim de semana solarengo de Junho de 2005, e com algum tempo livre “deu-me na cabeça” rumar a Odivelas. Aí, no relvado anexo ao velho estádio e meio empoleirado num prédio em construção, tive o prazer de ver o Sporting esmagar o Benfica por 4-1 e assegurar o título de Juniores dessa época.

Era uma equipa orientada por Paulo Bento e Leonel Pontes, comandada em campo por Miguel Veloso, e que contava com Nani e João Moutinho. Na mesma época, a equipa de Juvenis assegurava também o título da categoria, uma equipa orientada por João Couto, que contava com Rui Patrício, Adrien e Pereirinha. Cédric Soares estava nos iniciados, que falharam o triplo.

Dois anos antes Beto e José Fonte jogavam na equipa B, orientados por Jean Paul e Leonel Pontes, . Ronaldo e Quaresma por lá tinham passado pontualmente em épocas anteriores, e nessa altura já tinham rumado a outras paragens.

Onze anos depois, também rumei a Marselha para ver Portugal derrotar a Polónia e abrir caminho para a vitória final em Paris, com uma equipa que contava com todos aqueles jogadores já citados, com excepção de Miguel Veloso, que deu lugar ao também nosso William Carvalho,  fazendo com que a formação do Sporting fosse predominante na selecção e fundamental para o título alcançado.

 

Depois de 2005 muita água passou por debaixo das pontes, Alcochete foi conhecendo um lento definhamento, feito de incúria e falta de visão estratégica, com Aurélio Pereira mais ou menos desconsiderado. Ainda conseguimos ter a melhor equipa B de sempre, que contava com João Mário, Esgaio, Bruma, Dier e alguns outros, mas depois disso foi sempre a descer, para cinco anos depois batermos no fundo, com a equipa B extinta e os expoentes da formação no plantel principal (Rui Patrício, William Carvalho, Gelson Martins, Podence e Rafael Leão) em debandada, algum tempo depois de outros, como João Mário, Cédric e Adrien, terem sido vendidos.

Pelo meio surgiu em Alcochete uma cartilha na linha da frase idiota que continua mais ou menos vandalizada na estátua do leão, que parecia pretender transformar os jovens jogadores em aspirantes à bancada da Juveleo e que provocou a repulsa nos pais dos mesmos. Por onde andará essa coisa filha de pai incógnito?

Foi preciso então reconhecer o óbvio: Alcochete estava com falta de tudo, e não só de relvados e colchões em condições, mas também do capital humano que tinha fugido para alimentar o rival e duma cultura Sporting enraizada, que incluía jogadores a passear-se em Alcochete com camisolas doutros clubes. Depois disso, ainda se via assaltada por elementos da principal claque do clube, com os jogadores agredidos no seu local de trabalho.

Mais ou menos três anos depois, ou seja anteontem, e novamente em Paris, Alcochete estava reduzida ao Cristiano Ronaldo e aos dois ex-capitães fugitivos, enquanto o Seixal se podia gabar de Rúben Dias, Bernardo Silva, João Félix, Nelson Semedo e Renato Sanches. Nos suplentes estava lá apenas o Domingos Duarte, o novo José Fonte, que foi andando de empréstimo em empréstimo até à venda final.

 

Seria mesmo mau demais pensar nisto, se não soubéssemos que existe em Alcochete uma nova geração, que foi primeiro seleccionada e fidelizada, depois trabalhada na pré-época do ano anterior por Marcel Keizer e agora definitivamente lançada por Rúben Amorim, este claramente o novo Paulo Bento do Sporting.

Assim, olhando para o potencial de Luís Maximiano, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Tiago Tomás, Daniel Bragança, Matheus Nunes (que ainda andou pelos sub23 e um dia destes estará naturalizado), Jovane Cabral e Joelson Fernandes, mais um ou outro dos que estão a rodar na nova equipa B e nos sub23, não custa imaginar que, daqui a alguns anos, teremos uma selecção nacional mais uma vez dominada pela formação do Sporting.

E das coisas que mais me fascinam nesta nova geração de Alcochete, muito ao contrário do apregoado pelos ressabiados do costume, que falam em meninos ingratos e mimados, é ver que demonstram ter as ideias bem arrumadas, um discurso objectivo e assertivo, uma valorização da camisola que vestem e do clube que representam. No fundo, demonstram o seu ADN Sporting. Dizem que Tomaz Morais tem feito um trabalho notável em Alcochete na área da formação comportamental para o alto rendimento, que inclui valores e princípios de vida. Pode ser esse um factor essencial nesta situação.

Apenas como exemplo, disse o Nuno Mendes depois do golo genial em Portimão: “Cada lance é como se fosse o último e foi assim que o encarei. (...) É um orgulho jogar no Sporting, vou guardar este dia para sempre.(...)  O meu trabalho é jogar dentro de campo, o que se passa fora não interessa.”

É mesmo isso, Nuno. Continua assim que vais bem longe. E a Selecção Nacional aguarda por ti.

SL

Ficamos mais distantes do Benfica

Texto de Pedro Sousa

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O mercado fechou para os jogadores com contrato. Existe ainda a hipótese de recorrer a um atleta sem clube para a posição que ficou deficitária, que é o centro do ataque. Existem alguns nomes interessantes que estão livres.

O Sporting está mais forte, em teoria, na baliza, na lateral direita, no meio-campo. Ficou mais fraco no centro/esquerda da defesa e continua muito aquém nos atacantes.

Em teoria, João Mário é a melhor aquisição e será o melhor jogador do plantel.

 

Vamos disputar esta primeira parte da época com o segundo pior conjunto de avançados que o Sporting teve na sua história (ou desde que eu acompanho futebol).

Falhou a contratação para a posição mais deficitária, onde a qualidade é menor. Simultaneamente, ainda bem que não veio o Paulinho. Lamentavelmente, não veio o Slimani ou outro que trouxesse golos e valor.

O nosso scouting e prospecção só conhece jogadores da Peninsula Ibérica, com especial incidência na cidade de Bracara Augusta.

Pagamos, por alguns atletas, valores de 100% por 50%.

 

Boa venda de Wendel, má venda de Acuña e incapacidade para colocar os excedentários. Quase tudo de borla, sem taxas de empréstimo ou opção de compra obrigatória.

A rigidez de Amorim, adivinho, fará do Sporting uma equipa com poucos golos sofridos e poucos golos marcados. Com dificuldades contra equipas que se apresentem num bloco baixo ou médio baixo. Terá mais facilidade com aquelas que quererão jogar o jogo pelo jogo, que pressionarão o Sporting na saída de bola, deixando algum espaço nas costas.

 

Em nomes e em teoria, ficamos mais distantes do Benfica e, surprendemente, do Porto, que recorrendo a empréstimos deu um salto significativo de qualidade. Sarr, Grujic, Evanilson, Taremi, e principalmente Filipe Anderson, são muito bons jogadores. Veremos se cabem nos ideais de [Sérgio] Conceição. É tão [ou] mais esquisito e teimoso que o nosso treinador. Quem não se lembra do internacional brasileiro Jorge ou do internacional holandês Bazoer?

Em teoria, pelo orçamento e pelo individual dos jogadores, a nossa posição no campeonato será o terceiro lugar. Na prática, espero que Rúben e os seus jogadores se superem e consigam, no mínimo, o segundo lugar. Acho essencial atingirmos esse objectivo. O terceiro lugar não é garantia de entrada na fase de grupos da Champions e respectivos milhões.

Leonardo Jardim conseguiu.

 


P. S. Espero que o jogo com o Gil Vicente não seja adiado. Se é verdade que ficamos com menos tempo para preparar o jogo com o Porto e com algum desgaste físico, por outro lado, enfrentar o Porto com três vitórias e mais três pontos na tabela classificativa significará maior confiança e aparente superioridade. Não é só nos relvados que se ganham jogos.

 

Texto do leitor Pedro Sousa, publicado originalmente aqui.

O menos culpado de todos

O menos culpado de todos se o Sporting destinar 15 ou mais milhões de euros para a contratação do avançado Paulinho?

O próprio jogador, sem dúvida, que procurará mostrar que é capaz de fazer golos e representar um clube com uma grandeza que nem uma multiplicação de Varandas consegue aniquilar.

No que toca à actual gerência, um negócio nesses moldes, beneficiando mais uma vez de forma irracional o clube que procura intrometer-se na luta pela conquista de títulos e de entradas na Champions, acaba com a minha derradeira esperança de que aquilo está em curso no Sporting é apenas um exercício de brutal incompetência de deslumbrados que não sabem fazer melhor. E a alternativa é demasiado terrível.

Uma equipa à Sporting

Ontem à noite em Portimão assistiu-se a uma demonstração cabal do ADN Sporting, onde se misturou o talento e irreverência da juventude formada em Alcochete, a competência e capacidade de sacríficio sempre discreta de alguns consagrados, e a liderança de alguém que sabe muito bem onde está e o que precisa para ter sucesso.

Depois duma derrota humilhante em Alvalade contra uns austríacos com outra capacidade de momento para dar ao pedal, o Sporting entrou em Portimão como deve entrar perante todos ou quase todos os adversários domésticos: a todo o gás, com pressão alta, desmarcações constantes do trio atacante, tentando chegar depressa à vantagem, sem dar tempo ao adversário para pensar e corrigir marcações. Foram dois golos, dois belos golos, mais dois podiam ter acontecido, e foi preciso muita pancada tolerada pelo apitador de serviço para fazer parar o vendaval atacante comandado por Matheus Nunes.

A segunda parte foi necessariamente diferente, o desgaste fez-se sentir pela primeira parte e pelos motivos que conhecemos e Rúben Amorim teve de fazer entrar sangue fresco para segurar a vitória.

Estes três primeiros jogos oficiais da temporada mostraram um Sporting a renovar-se, ainda bem longe do que pode render, desde logo porque está debilitado fisicamente, castigado que foi pela pandemia, com um plantel ainda carente de ajustamentos e dum ponta de lança em condições, mas também mostraram uma equipa solidária, combativa e com imenso potencial que importa desenvolver.

Tacticamente o 3-4-3 inicial de Amorim, com ponta de lança bem definido, tem-se vindo a transformar num 3-4-1-2, com um falso ponta de lança (Jovane ou Vietto) a recuar e a jogar entre linhas, lançando os dois interiores, e mais à frente no jogo mesmo num 3-5-2 com a entrada de Daniel Bragança. Ganha-se em mobilidade o que se perde na luta nas duas áreas.

Diz Amorim que "estes jogadores precisam da ajuda de todos". Mas o que tiveram à entrada do estádio foi uma "comissão de recepção" daquela malta que assaltou Alcochete e que bateu nalguns colegas seus, com cânticos de "joguem à bola". E a verdade é que precisam mesmo. Se não os ajudarmos, quem o vai fazer? Os lampiões?

SL

Imaturidade total

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O Sporting perdeu com o Lask mas não perdeu de uma maneira qualquer. Perdeu humilhado por imaturidade dos seus dirigentes, técnicos e jogadores.

Comecemos pelos menos culpados, os jogadores. Há bolas que entram e bolas que não entram. Há erros em campo que até se compreendem. Mas não se compreende a desconcentração total após a expulsão de Coates. Se os jogadores do Sporting não são capazes de manter a cabeça limpa com um mau árbitro, o campeonato vai ser terrível. É que este árbitro não é diferente de um João Pinheiro ou de um Hugo Miguel.

A imaturidade dos jogadores não se limitou aos mais novos. Adán orientou uma barreira como se estivesse num interturmas. Neto viu o clássico cartão amarelo que o condiciona para o resto do jogo. Sporar, apesar de ter entrado tarde, ainda conseguiu falhar dois golos fáceis. Quando Jorge Jesus chegou ao Sporting trouxe um psicólogo que fez maravilhas na cabeça dos jogadores. O aspecto mental é cada vez mais importante no futebol moderno e o Sporting parece não estar minimamente preparado para a mínima adversidade.

Avançando para a equipa técnica. Inicío de época e os mesmos onze jogadores (com excepção de Jovane) em três jogos numa semana. Equipa fisicamente de rastos, como seria de esperar, a jogar contra gajos que punham  qualquer um dos nossos debaixo do braço. Mesmo aceitando que este é o melhor onze para Rúben Amorim, ao intervalo já devia ter percebido que estávamos muito longe de controlar o jogo. A inoperância, que já se viu em jogos da época passada (Setúbal e Moreirense), agravou toda a situação. Amorim tem uma excelente ideia de jogo mas não consegue (ainda?) mexer convenientemente na equipa.

Já sobre a direção há tão mais a dizer. Até se pode compreender que não valorizem a Liga Europa, principalmente em ano de COVID, mas a gestão dessa hipotética decisão é para lá de ridícula. Também não se compreende como é que ninguém dá a cara depois duma derrota com o estrondo desta. Frederico Varandas tem obrigação de aparecer, no final do jogo, a pedir desculpa a todos os adeptos do Clube pelo que aconteceu. Os Presidentes não são necessários para cortar fitas. São necessários para dar a cara em alturas como esta.

Mas não foi só nisso que a direção falhou. Falta menos de uma semana para o final do mercado e vamos começar a época, tal como a anterior, só com um ponta de lança operacional. Piora se considerarmos que nos três jogos oficiais, esse ponta de lança nunca foi titular. Parece óbvio que Rúben Amorim está a querer passar uma mensagem. Infelizmente estão mais preocupados em vender Wendel ou Jovane.

Nesta época, ou todos começam a perceber que trabalham para o Sporting Clube de Portugal ou vamos ainda sofrer muitos dissabores. Não peço a demissão, peço coragem para falar aos adeptos e competência para gerir o Clube. Será que eles as têm para dar?

O Sporting de Rúben Amorim

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Pode ser benfiquista, pode não ter o 4.º nível de treinador, pode ter custado o que nunca custou um treinador em Portugal, pode ter estado associado a uma dívida desprestigiante a um clube regional que nos tem como alvo a abater, agora o que não há dúvida é que é um jovem treinador com as ideias bem arrumadas, assertivo, corajoso e determinado, com uma proposta de jogo interessante e da qual não abdica.

Muitos criticam-no pela rigidez táctica. Nesse aspecto, Amorim lembra os grandes treinadores ingleses que passaram pelo Sporting: explicam e treinam exaustivamente o seu sistema. Quando chegam ao jogo, seja qual for o adversário, o sistema é aquele; quando querem alterar qualquer coisa, trocam de jogadores, não trocam de sistema.

Muitos criticam-no por ser um treinador defensivo e apostar em três centrais. Ora os três centrais servem para defender melhor mas também para libertar os restantes para o processo ofensivo, eliminando a necessidade dum médio mais fixo e recuado, e promovendo um ataque com cinco elementos bem adiantados a ocupar toda a largura do terreno.

Muitos criticam-no pela sua inexperiência e não ter ganho nada de substancial, quando se esquecem que o Porto obteve muitos dos seus títulos e sucessos com treinadores jovens que foi buscar a clubes menores quando nada tinham ganho e muito menos derrotado sucessivamente os três grandes, como José Mourinho e Fernando Santos.

Poucos treinadores têm vocação ou capacidade para lançar jovens, e menos ainda para construir equipas à base de jovens. No Sporting lembramo-nos de alguns que fizeram mais ou menos isso com resultados excelentes, como Paulo Bento, Boloni ou Malcolm Allison. Como em tudo na vida, aprender demora tempo, os erros acontecem e fazem parte do processo de aprendizadem. Nem todos os treinadores estão para engolir erros que custam pontos. Cristiano Ronaldo e Quaresma, quando tinham a idade de Plata e Camacho, também falhavam muito e pouco produziam comparativamente com o que fizeram depois. 

Para mim, Rúben Amorim é de longe o melhor treinador com que Varandas contou, mesmo considerando que Marcel Keizer ganhou duas taças e poderia ter ganho mais se lhe dessem condições. 

Infelizmente também é de longe o que conta com menor número de jogadores de classe diferenciada. Os jovens são excelentes e serão craques algum dia, mas os craques de hoje, excepto Coates, foram-se embora ou estão em vias disso. Feddal não é Mathieu, Vietto não é Bruno Fernandes, Antunes não é Acuña, Sporar não é Bas Dost e Nuno Santos não é Nani. Ia a dizer que nem existe um jogador poderoso tipo Gudelj no meio-campo, mas a última exibição de Palhinha deixou-me com água na boca. Por isso mesmo, o futebol produzido por este Sporting de Amorim por vezes deixa muito a desejar, faltam os melhores intérpretes para as boas ideias, principalmente no processo ofensivo.

Infelizmente também nem todos os jovens são Nuno Mendes, altos e robustos. Não fiz as contas, mas o poder físico do plantel do Sporting (cms e kgs) é inferior à concorrência e mesmo de equipas bem abaixo da tabela. Isto nota-se na luta nas alturas e nas divididas.

Então há que ter paciência, aceitar que nem sempre vai existir ópera, valorizar as vitórias e a capacidade competitiva da equipa e a forma como estão a ser obtidas, com um aumento do valor de mercado do plantel em cerca de 30% desde que ele chegou e que pode chegar facilmente a muito mais, basta ver a evolução de jogo para jogo dum ou doutro jovem.

Mesmo contando com o desprezo e oportunismo de grande parte da classe política pelo futebol, bem representada pelo inútil secretário de estado, espero ansiosamente pelo dia em que me possa voltar a sentar em Alvalade para voltar a ver Amorim e estes jovens a cores e ao vivo, num ambiente despoluído de vírus e daquelas criaturas que não fazem lá falta nenhuma. 

SL

Sporting e Braga anunciam acordo por Rúben Amorim

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O Sporting e o Sporting de Braga acabaram de publicar um comunicado conjunto onde informam sobre o acordo para o pagamento de Rúben Amorim.

A Sporting Clube de Braga - Futebol, SAD e a Sporting Clube de Portugal - Futebol, SAD informam que chegaram hoje a acordo sobre a forma de regularização de todos os montantes devidos em função da contratação do treinador Rúben Amorim.

Depois do lucro do R&C, mais uma má notícia para os que desejam o mal do Clube.

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