Uma proeza que tanto Ruben Amorim como Rui Borges conseguiram foi esta: sagraram-se campeões no Sporting sem queixas, sem lamúrias, sem desculpas. Nunca os ouvimos culpar os árbitros, ou a chuva, ou o vento, ou o destino. Nunca os ouvimos alimentar teorias da conspiração.
Ganharam sem dramas nem cataclismos, simplesmente por terem sido melhores. Esta acabou por ser uma conquista suplementar de ambos: o contributo para extinguir a lamentável cultura da calimerice que ainda persiste no Clube.
Como sócio, devo-lhes isto também. E faço questão de o exprimir aqui.
Desde o dia em que Rúben Amorim entrou no Sporting que o 3-4-3 foi o sistema táctico da equipa, com excepção de alguns dos primeiros jogos com Rui Borges. Antes disso só com John Toshack em 84/85 e não durou muito.
A passagem do 4-3-3 para o 3-4-3 tem implicações óbvias nos perfis dos jogadores, e obriga a ajustamentos na formação e no scouting que demoram tempo a dar resultados.
Desaparecem os defesas laterais e os extremos, surgem os alas e os interiores, os defesas centrais constroem como médios, os interiores defendem como médios também.
E este plantel do Sporting tem exactamente os jogadores com essas características, como Maxi Araújo, Catamo, Pedro Gonçalves e Trincão. Não estou a ver os primeiros como defesas laterais, nem os últimos como extremos colados à linha. Não estou a ver o Quaresma fazer aqueles raides como central numa defesa a 4.
Já o 4-4-2 ensaiado e abandonado por Rui Borges limitou-se a acentuar a nuance que Ruben Amorim tinha introduzido no 3-4-3, adiantando um ala e cobrindo o flanco com um central. Catamo nunca percebeu bem o que tinha que fazer quando recuava a defender, e abriu-se uma cratera do lado direito da defesa. Por outro lado Trincão, mais junto ao ponta de lança, deixou de ter o espaço para embalar que tinha antes.
No meu entender, o 3-4-3 é uma mais-valia importante para o Sporting no futebol português. Nenhum outro clube o pratica de forma continuada. Obriga os adversários a adaptações que conduzem a erros e falhas.
Por outro lado, o 3-4-3, como dizia Ruben Amorim, é apenas o ponto de partida para muita coisa, conforme as dinâmicas dos jogadores. Com ele tivemos formas de diferentes de defender e atacar. Até para o 4-4-2 em determinados momentos dos jogos.
Alguns dizem que o Sporting de Ruben Amorim jogava bem melhor do que o Sporting de Rui Borges, mas o que me parece é que o Sporting de Pedro Gonçalves joga bem melhor do que o Sporting sem ele. Porque joga e faz jogar. Gyökeres à parte, é de longe o melhor jogador da equipa. Rui Borges nunca teve o melhor Pedro Gonçalves.
Concluindo, o que eu espero ver é o 3-4-3 continuar a ser o modelo táctico das equipas A e B, ao mesmo tempo que o 4-3-3 se mantém na formação, incluindo os sub23 (que cada vez menos percebo para que servem).
Na semana passada, ao apreciar as exibições impressionantes de Nuno Mendes, fiquei a pensar na qualidade que o plantel do Sporting teria se os principais craques não tivessem saído.
Aproveitando a saída de Ruben Amorim, formei um plantel, que seria de sonho, que tem como critério escolher os melhores jogadores que ele orientou, ao mesmo tempo que assim se evita recuar demasiadas épocas para ir buscar jogadores como Bruno Fernandes ou Rafael Leão.
Rui Silva seria a escolha mais óbvia para titular da baliza, mas não o incluí porque foi adquirido após a saída de Amorim.
São impressionantes algumas posições, como as de meio-campo ou as dos laterais, onde teríamos várias opções de grande qualidade. Ao invés, na posição de Pote, tive problemas para arranjar um suplente, acabando por deslocar um jogador que prefere jogar na esquerda, sinal das dificuldades que fomos tendo para encontrar uma opção credível a Pedro Gonçalves.
É também evidente que alguns destes jogadores nunca teriam jogado juntos, mesmo sem vendas, porque o jogador A só veio para colmatar a saída do jogador B, mas para efeitos deste exercício, vamos ignorar esse facto.
Penso que ninguém no Sporting percebeu muito bem na altura porque falhou João Pereira de forma tão clamorosa como sucessor de Rúben Amorim.
Primeiro, porque era público e assumido que ele estava a ser preparado para sucessor. O próprio Rúben Amorim o tinha revelado, ainda há pouco tinha feito parte do plantel, era conhecido de quase todos e de certeza amigo de alguns.
Segundo, porque estava a replicar na equipa B com sucesso o mesmo modelo de jogo de Amorim, com algumas nuances é certo, de onde podiam sair como saíram novas caras para a equipa A.
Terceiro, porque estava motivado e era-lhe reconhecida aquela raça que podia fazer esquecer o Rúben, empolgar o plantel e conduzi-lo aos sucessos.
Tudo saiu ao contrário. A derrota pesada com o Arsenal minou-lhe a confiança, colou-se a ele e confundiu a equipa, tentou vencer com a sua cabeça e deixar a sua marca, as lesões sucederam-se e aconteceram duas derrotas seguidas que destruiram a vantagem adquirida na Liga.
Logo a seguir, Frederico Varandas, na gala dos Stromps, deu o sinal de que o reinado do João Pereira estava por dias. O empate em Barcelos pôs ponto final na questão.
Nas recentes entrevistas, vários jogadores do Sporting vieram agora tentar responder à questão. Daniel Bragança terá sido o mais assertivo.
Disse ele:
«Com a saída do míster, as coisas começaram a abanar um bocadinho, perdemos dois jogos, andámos um bocadinho a desconfiar de nós, mas conseguimos aguentar o barco e seguimos em frente. A verdade é que as coisas começaram a melhorar outra vez e conseguimos ser campeões.»
Não me lembro de equipas que, a meio da época, fiquem sem treinador por as coisas estarem a correr muito bem. Às vezes, quando as coisas correm mal, vem outro treinador e tudo passa a correr melhor. Aqui foi diferente: o choque foi outro. Perdemos um treinador que estava há cinco épocas, que mudou a história e a vida do Sporting. Foi um choque para nós. Aceitámos e compreendemos.
Ficámos um bocado desemparados, sem saber bem o que estava a acontecer, com dúvidas sobre como seria sem ele. A verdade é que depois de tantas saídas importantes - o Seba (Coates), o Paulinho, o Adán, que eram capitães, o Neto também... - o grupo abanou um bocadinho. E Amorim, no início do ano, fazia o papel de treinador e de capitão. Nunca sentimos a falta disso até ele sair. Quando vai embora, o grupo abana, e tivemos de puxar mais por nós. Morten (Hjulmand) foi importante nisso. Acho que nem foi tanto por causa do João Pereira que as coisas começaram a correr mal, acho que o nosso psicológico abanou um bocadinho.
Lesões atrás de lesões, perante a vontade de contrariar os acontecimentos, também não foram ajuda.
Tudo começa a ser uma bola de neve. Mas a verdade é que, quando o míster Rui Borges chega, trouxe-nos a calma, serenidade e a confiança de que o grupo precisava naquele momento. Chegou na hora certa. Não teve uma vida fácil (...), conseguiu superar todas as dificuldades que teve ao cair aqui de chapa e tem muito mérito neste campeonato. Apareceu na altura certa, quando o grupo mais precisava, e as coisas correram muito bem porque ele fez muito bem o trabalho dele e tem muito mérito nesta conquista.»
Assim ficou tudo mais claro.
No fundo, Rui Borges foi o "padastro" amigo e confidente que ajudou a equipa ultrapassar o abandono súbito do "pai", enquanto João Pereira foi apenas um "parente próximo" que apareceu para ajudar.
Alguns comentadores desportivos dizem que foi Rúben Amorim o grande responsável pela construção deste Sporting confiante e ganhador.
Os ressabiados (e alguns são comentadores desportivos também) dizem ou dão a entender que este Sporting existe apesar de Frederico Varandas e não graças a ele.
O que dizem de Rúben Amorim não deixa de ser verdade. Foi ele que definiu um plantel, um modelo de jogo e um estilo de liderança que ganhou títulos e troféus sem deixar de suportar o crescimento financeiro do clube. Foi claramente o melhor treinador do Sporting nos últimos 50 anos (pelo menos). O Sporting "voava" alto esta época na Liga e na Champions no momento em que ele saiu para assumir o lugar de treinador do Manchester United.
O que não quer dizer que não tenha cometido erros, como trocar um ponta-de-lança alto e forte por um "ataque móvel" como aconteceu na 3.ª época.
Mas a verdade também é que com Frederico Varandas e Marcel Keizer o Sporting já tinha alguns troféus, e com Frederico Varandas e Rui Borges continuou a ganhar. E nas modalidades encontramos outros “Rubens Amorins”, como Ricardo Costa e João Coelho, também apostas deste presidente.
Por outro lado, no Manchester United Rúben Amorim não tem conseguido dar a volta à situação que o clube atravessa. Acabou de perder a final da Liga Europa e vai estar fora das competições europeias na próxima época. Muitos adeptos desse clube já consideram que ele está a fazer mais parte do problema do que da solução.
Sendo assim, parece-me que o grande responsável pela construção deste Sporting confiante e ganhador foi mesmo Frederico Varandas. Foi ele que arriscou a contratação de Rúben Amorim, sem curriculum nem diploma, e lhe deu - com o apoio do seu braço-direito Hugo Viana - todas as condições para crescer e vencer.
Foi ele também que deixou o orgulho de lado e contratou no momento certo Rui Borges para ultrapassar a situação João Pereira.
Foi ele também que montou a estrutura de scouting que fisgou e não largou Diomande, Gyökeres, Hjulmand, Debast e Rui Silva, entre outros.
Foi ele também que reconstruiu a academia de Alcochete que produziu Geovany Quenda e João Simões, entre outros, e que logo quando entrou fidelizou um grupo de elite onde estavam Nuno Mendes e Gonçalo Inácio.
Não sei se neste momento Rúben Amorim precisa mais dum Frederico Varandas no Manchester United do que Frederico Varandas dum Rúben Amorim no Sporting.
"Remontada" épica hoje em Manchester. Jogadores saíram a chorar, adeptos extasiados nas bancadas.
Ainda há pouco ele saiu e só podemos ter sentimentos de saudade e gratidão, como temos de Bruno Fernandes, Manuel Ugarte e daqui a nada iremos ter de Viktor Gyökeres.
Um grande clube revela-se também pelos grandes sentimentos, gratidão por quem muito contribuiu, compreensão pelos trajectos profissionais de cada um, saber que quem sai leva saudades do tempo que passou entre nós.
Muitos parabéns a Ruben Amorim, extensivos aos outros dois citados.
Não gosto muito da personagem. Foi um enorme jogador mas também um agente-duplo que contribuiu para o triste fim de João Rocha, mas a frase é muito feliz e adaptando-a fica "por cada leão que sair, outro se levantará".
Foi o que disse Rúben Amorim depois do empate ontem concedido pelo Man.United frente ao Lyon, com dois "frangos" de Onana.
Rui Borges disse outra coisa do Conrad Harder depois do empate concedido frente ao Sp. Braga num jogo em que o Trincão não passa a bola a Gyökeres completamente desmarcado, o Maxi esquece-se da marcação ao homem que faz o centro fatal, o Quaresma fica a olhar para a bola que vai no ar ignorando o adversário que importava bloquear, o Catamo passou o jogo a fugir do seu lugar em slaloms quase sempre inconsequentes, e ele mesmo, Rui Borges, não viu o evidente: Moutinho era o motor do adversário que importava fazer gripar.
Conrad Harder não é extremo nem nunca foi, mas o Sporting que eu saiba joga com extremos de origem em posições interiores.
Conrad Harder é um avançado-centro completamente compatível com Gyokeres, alternando movimentos e confundindo as defesas contrárias, com remate fácil e se calhar com melhor jogo aéreo do que o próprio Gyökeres. Foi fundamental na vitória em Braga.
Também Paulinho não era extremo e jogou com Gyökeres, Slimani com Paulinho, Manuel Fernandes com Jordão, Yazalde com Dé, etc, etc.
No ano passado na Luz, a ganhar por 1-0 em inferioridade numérica quase no final do jogo, Rúben Amorim não mete um defesa: mete o Paulinho. Para defender mais à frente. Não correu bem, acabámos por perder o jogo em dois lances de inspiração individual de jogadores contrários. Mas ficou a ideia.
Conrad Harder é aquele tipo de jogador que encaixa como uma luva nos valores do Sporting. Humilde, esforçado, jogador de equipa, galvanizador das bancadas.
Mas muito mais do que aquilo que disse de Harder, a conferência de imprensa de Rui Borges foi marcada por uma inesperada desorientação e dificuldade do treinador de assumir e explicar o desaire aos Sportinguistas.
Ficou a ideia de que foi apanhado de surpresa num jogo que estava controlado, quando qualquer um que tenha estado como eu nas bancadas de Alvalade passava o tempo a olhar para o relógio a ver os ponteiros passar lentamente enquanto Moutinho ia correndo solto pelo campo fora.
Liderança é aquilo de que Rúben Amorim mais uma vez deu provas e não é de todo o que aconteceu com Rui Borges.
Vamos ver a conferência de imprensa dele de hoje na antevisão do jogo contra o Santa Clara, esperando que seja um voltar de página que permita encarar o resto do campeonato com a maior confiança. Neste momento estou bem mais preocupado com ele do que com o "estudante" Cláudio Pereira ou o idiota Malheiro.
Rúben Amorim foi de longe o melhor treinador do Sporting dos últimos 50 anos, transformou o seu futebol, ganhou dois títulos nacionais em quatro épocas, além doutros, e este ano estava em óptimas condições de ganhar o terceiro.
De Rúben Amorim, que defino como visionário, muito lamentamos a saída extemporânea, mas agradecemos todas as conquistas e recordamos a visão clara do caminho a seguir para o sucesso, a obsessão pela perfeição, o espírito de equipa, a capacidade de decisão nas maiores dificuldades, a sua enorme capacidade de comunicação.
Depois duma aposta falhada em João Pereira, veio Rui Borges do V. Guimarães, e são já 16 jogos, com 7V 6E 3D, sendo as três derrotas uma no desempate por penáltis na final da Taça da Liga com o Benfica, e duas em jogos fora da Champions League (Leipzig, Dortmund), vitórias na Liga com Benfica e Porto, com o Porto na Taça de Liga. O saldo de golos está em 26-18, bem longe dos números de Amorim.
Rui Borges apanhou um bólide em alta velocidade a soluçar e perder peças, e não tem sido nada fácil mantê-lo em pista rumo à vitória final. Nunca contou com Pedro Gonçalves, teve de gerir o físico de Gyökeres, deixou de contar para o resto da temporada com Daniel Bragança e João Simões, muitas lesões aconteceram num calendário muito intenso que cortaram o ritmo de muitos e impediram o consolidar dum onze.
O primeiro elogio que posso fazer a Rui Borges é que percebeu o que o esperava e soube muito bem atacar os problemas existentes, conjugando um novo sistema táctico 4-4-2 com o respeito pelos grandes princípios do modelo de jogo treinado por Amorim, recolocando os jogadores nas suas zonas de conforto e dando-lhes todo o protagonismo nos pequenos sucessos que foram acontecendo.
Sempre entendi que um bom treinador não é apenas aquele que ganha mas é também aquele que pela sua capacidade de liderança projecta os jogadores de que dispõe para outros patamares de rendimento. Fresneda e Debast são dois casos de subida tremenda de rendimento sob o comando de Rui Borges, com Maxi, Quenda e João Simões logo a seguir. E os maiores craques do plantel (Diomande, Hjulmand e Gyökeres) não estão piores do que antes. Esgaio acaba de fazer o melhor jogo de que me lembro dele no Sporting.
Um bom treinador é também alguém comprometido com o clube, cuja escolha de jogadores vai bem além do curto prazo, mas obedece a um perfil e um projecto. Rui Silva e Biel vão nesse sentido, vêm preencher espaços vazios no plantel e não existem na B jogadores com esse perfil/maturidade, nos jovens tem promovido a rotatividade de oportunidades para os conhecer a todos. Falta saber que reforços vamos ter para o próximo ano e que repescagem vai fazer dos emprestados.
Tendo quase sempre a equipa entrado bem em campo e dominado as primeiras partes dos jogos, o ponto fraco de Rui Borges tem sido a demora a reagir quando a equipa começa a derrapar pelo cansaço ou pela força do adversário, ou porque não consegue antecipar os problemas, ou porque o banco não lhe dá garantias de mudança para melhor. Jogadores que sofreram amarelos duvidosos acabaram por ser expulsos, jogadores que entraram comprometeram a equipa.
No que respeita a bolas paradas, defensivas e atacantes, não tendo feito as contas, não me parece que a situação actual seja pior do que a que existia com Amorim, digamos que seja idêntica e pode bem melhorar.
No que respeita à Comunicação, ainda se nota imenso a falta de Amorim. O Sporting está a falar por várias vozes, o que se diz no balneário salta para os jornais, as lesões não são explicadas, existem jogadores que desmentem boatos. Amorim sozinho dava conta do recado. Rui Borges não tem essas valências, muita falta faz um novo Octávio Machado na estrutura.
Resumindo, Rui Borges é o pragmático que sucedeu ao visionário. Prático, objectivo, sensato, funciona por tentativa e erro. Não tem médios para o 4-4-2? Vai em 3-4-3 e "siga a marinha".
Isso pode dar a ideia, aqui e ali, de falta de convicções, de vistas curtas, de falta do "golpe de asa" que define os treinadores de topo.
Mas se calhar é o treinador certo no momento certo para conduzir o Sporting ao sucesso esta época.
E se com todos os problemas que tivemos a época acaba por correr bem?
O Man.United foi eliminado nos penáltis pelo Fulham na Taça de Inglaterra, e Rúben Amorim veio dizer: "O objectivo é ganhar a Premier League outra vez. Não sei quanto tempo irá demorar. Temos um objectivo e continuamos em frente, aconteça o que acontecer."
O Milan sofreu mais uma derrota para a Liga, a terceira seguida, depois de ter tentado com um arraial de pancadaria (vulgo atitude) opor-se ao melhor futebol da Lazio. Ainda teve um jogador expulso com uma entrada digna das artes marciais mistas, e o Sérgio Conceição veio dizer: "Sinto muito pelos tiffosi, porque estou habituado a vencer desde criança e isto dói. Não me sinto bem..."
Depois parece que se o Amorim for despedido, entre ele e a equipa técnica encaixarão cerca de 20M€.
Se o Conceição for despedido, parece que por contrato é um "bye, bye e num boltes".
Enfim, nada que não se esperasse no percurso dum e doutro.
PS: O treinador do Fulham é o tal Marco Silva, aquele que nos deu uma Taça de Portugal no Jamor e que depois foi corrido ao pontapé pelo nosso ex-presidente porque não vestia o fato... Onde é que já vi isso ultimamente?
"Não está a ser fácil a transição entre os dois sistemas tácticos, por muito que Rui Borges tenha procurado simplificar o modelo de jogo e ter os jogadores confortáveis nas posições e movimentos solicitados. Rúben Amorim teve quatro anos e quatro pré-épocas para montar e aperfeiçoar um modelo de jogo vencedor, Rui Borges só teve duas semanas, não falando do período de profunda confusão do tempo do João Pereira entre o trabalho dos dois.
Se formos pelos resultados, Rui Borges sai em vantagem na comparação: leva 1V 1E, 5-4 em golos, em campos que Rúben Amorim na época passada conseguiu 1V 1D, 4-4 em golos. Não foi dele a responsabilidade de 1V 1E 2D, 4-4 em golos.
Também não é dele a responsabilidade da indisponibilidade de jogadores importantes como Nuno Santos, Pedro Gonçalves, Gonçalo Inácio e Daniel Bragança.
Nestes dois jogos a equipa começou bem, com intensidade e objectividade na chegada à baliza adversária. Conquistou vantagem sobre o adversário mas na 2.ª parte foi quebrando fisicamente, sem que as substituições permitissem o regresso ao ritmo inicial. 3-1 golos na 1.ª parte, 2-3 golos na 2.ª. Dos quatro golos sofridos, dois foram na sequência de lances de bola parada.
Qual tem sido o melhor e o pior deste Sporting de Rui Borges?
Melhor:
1.Modelo de jogo simples e objectivo, aproveitando bem a largura do campo e a capacidade de desmarcação de Gyökeres. Entrada forte nos jogos com criação de várias oportunidades de golo.
2.Jogadores nos seus lugares, confortáveis com o que lhes é solicitado. Quenda está a progredir a jogar do lado do seu pé natural, Quaresma não está pior a lateral direito do que estava como defesa do lado direito no 3-4-3 de Amorim. Trincão joga onde jogava com Amorim.
Pior:
1.Incapacidade físicada equipa para aguentar 90 minutos em ritmo intenso, sem saber descansar com bola, fazendo-a circular por todo o campo. Nos dois jogos, o tempo de posse de bola foi bem inferior ao adversário.
2.Desorganização defensiva decorrente da perda dos automatismos e referências associadas à linha de 3, e falta de capacidade nas bolas paradas defensivas.
3.Encolhimento do plantel, com jogadores de valor sem jogar como Debast e Edwards, ao mesmo tempo que são dados minutos a um Fresneda com empréstimo alinhavado. Neste último jogo, com a equipa em evidente perda física, foram feitas apenas quatro substituições, três delas nos últimos 15 minutos de jogo útil.
Além disto, é evidente a necessidade de reforçar a equipa com a abertura do mercado de Inverno. Fresneda estará de saída e é preciso encontrar uma solução para Edwards. Duvido que algum dos nossos craques saia, pelas cláusulas elevadas e as questões de regulamentação da Premier League e de outras Ligas.
Jogadores como Gustavo Sá (Famalicão), Alberto Costa e Manu (V. Guimarães) seriam muito bem vindos para dar outra capacidade defensiva pelas laterais e de controlo do jogo a meio-campo.
No ataque a troca de Edwards por um jogador mais possante e com capacidade goleadora, nomeadamente na concretização de livres directos.
Na baliza, Israel continua a lutar contra o mau início de época por lesão. Fazia sentido vir um concorrente mais experiente tipo Adán, até porque a defesa é muito nova e precisa de orientação constante.
Enfim, é o que me apetece dizer sobre o assunto. Fica aqui aberto o debate."
Quase um mês depois: que evolução?
1. O Sporting com Rui Borges regista 4V2E1D, 13-7 em golos. Marca cerca de 2 golos por jogo e sofre 1.
2. Nos pontos que considerei melhores, podia agora dizer o mesmo.
3. A equipa está mais disponível fisicamente, já não se vê aquela quebra abrupta a meio da 2.ª parte. Neste último jogo marcou um golo ao cair do pano.
4. O problema principal da defesa tem sido na articulação entre o defesa lateral e o médio (ex-ala) do mesmo lado. Os golos sofridos contra o Benfica na Taça da Liga e o 1.º contra o Leipzig demonstram que Catamo ou não sabe o que tem de fazer quando a bola chega ao extremo contrário desmarcado ou, se tem instruções para fechar no meio e deixar o extremo ao cuidado do lateral, não consegue sair do guião que recebeu. Acabou por fazer que vai e não vai. No último jogo já vi Fresneda sair mesmo ao extremo, penso que será essa a ideia, diferente do que acontecia com Amorim. Em termos da bola parada defensiva, a equipa tem estado muito bem ultimamente.
5. Rui Borges tem procurado alargar o plantel. Desde logo na colocação de Debast como segundo médio centro ao lado de Hjulmand, o que permite na falta deste ter ali uma solução. Deu a titularidade a Harder deixando descansar Gyökeres. João Simões continua a contar. Recuperou Fresneda, que pouco contava para Amorim. Tentou também dar nova oportunidade a Esgaio, com o triste resultado que se conhece. Colocou Rui Silva a titular no campeonato, deixando Israel com a Champions. Todos os jogadores do plantel estão a ser aproveitados, com excepção de Edwards por motivos que desconhecemos, mas que devem ter mais a ver com o jogador do que com o treinador.
6. Os únicos jogadores que poderão sair por interesse das duas partes são Kovacevic, Esgaio e Edwards. O Sporting não facilitará na saída dos craques. Fresneda é para manter, não vejo onde se vai buscar melhor por pouco dinheiro, vide o caso de Bellerin. Continuo a ver nele um projecto de lateral direito internacional A por Espanha, muito melhor a defender do que Porro, com chegada à área contrária para remate frontal ao golo (já teve algumas oportunidades para marcar) mas que continua a pecar na definição das jogadas ofensivas, centrando tarde e mal, tentando fintar sem sucesso.
7. Veio Rui Silva, guarda-redes tipo Adán, mais velho e experiente, para concorrer com Israel (não quer dizer que seja muito melhor). O plantel continua curto, fazem falta jogadores para colmatar lesões e castigos. Com a mudança de sistema táctico e as idas e vindas à enfermaria, é difícil perceber as posições a reforçar. Há pouco eram o meio-campo e as laterais defensivas, agora parece ser o ataque nas alas. Ou seja, substituir Edwards, sendo que o Afonso Moreira da B vai ser emprestado e o Mauro Couto está ainda muito verdinho.
8. Falando em enfermaria, agora andam por lá Nuno Santos, Pedro Gonçalves, St. Juste e Morita. Quatro jogadores num plantel curto de cerca de 20. Tem sido assim ou pior depois da saída do Amorim, é muita gente.
Vai acontecer alguma coisa até ao fecho do mercado? Vamos ver.
Era a última coisa que queríamos. Mas alguma vez teria de ser. Aconteceu no ano que passou, em Novembro: Ruben Amorim, o treinador português que conquistou mais troféus ao serviço do Sporting, disse adeus e partiu. Ou terá dito "goodbye", pois rumou à Premier League, contratado pelo Manchester United. O histórico emblema inglês ultrapassou até a sua cláusula de rescisão, pagando cerca de 13 milhões de euros pelo conjunto da equipa técnica: todos acompanharam o líder.
Amorim partia ao fim de quatro anos e oito meses: nenhum outro treinador aguentou tanto tempo seguido no Sporting. E nenhum outro soube aproveitar tão bem o tempo: dois campeonatos conquistados, tantos como os que o nosso clube vencera nas quatro décadas anteriores. Daí a sensação de perda, entre os adeptos, ter sido ainda mais acentuada.
Do mal, o menos: Frederico Varandas convenceu-o a ficar mais três jogos antes de passar a bola a João Pereira. Ainda sob o comando de Amorim, para o campeonato, o Sporting goleou em casa, por 5-1, o Estrela da Amadora (1 de Novembro) e teve um jogo épico em Braga, igualmente da Liga 2024/2025, com triunfo leonino por 2-4 (10 de Novembro). Com onze vitórias em onze jogos, igualava o melhor começo de sempre da nossa equipa na competição máxima do futebol português. Há 34 épocas que não começávamos tão bem, desde 1990/1991.
Mas a cereja em cima do bolo foi a goleada ao Manchester City, que saiu de Alvalade vergado a uma derrota por 4-1 (5 de Novembro). Uma das páginas mais brilhantes inscritas pelo Sporting na poderosa Liga dos Campeões. Outra noite épica. Infelizmente, a última do jovem treinador no nosso estádio.
Amorim saiu só com cerca de um terço da época disputada. Campeão nacional em título, com a equipa em todas as frentes. No campeonato, isolada no comando: 33 pontos, 39 golos marcados, só cinco sofridos. Invicta na Liga dos Campeões, com três vitórias e um empate - segundo lugar entre 36 clubes.
Não perdeu um só jogo de leão ao peito durante todo o ano de 2024.
Nada voltaria a ser igual. Muitos de nós ficámos com a convicção de que tão cedo não teremos um treinador tão bem-sucedido. Oxalá Rui Borges possa demonstrar-nos o contrário.
Quando oiço por aí falar em "desertor", ou leio palavras como "fugitivo" ou "foragido" nestas caixas de comentários, questiono-me se os adeptos quererão falar de Ruben Amorim ou de Rui Borges.
Seja o visado quem for, estão errados.
Na sexta à noite, em Guimarães, o novo técnico leonino foi recebido com gritos (e tarjas) a chamarem-lhe "traidor". Nestas alturas verifico a enorme semelhança que pode haver entre um clube de futebol e uma seita religiosa - com os seus fiéis, os seus anátemas, os seus hereges. "Traidores", "desertores", "renegados" e expressões do género são típicas de seitas vocacionadas para espalhar o ódio.
Essa é a parte do futebol que menos me interessa. Aliás, é uma parte do futebol de que não gosto nada.
É inevitável: teria de ser ele o eleito. Foi o melhor ano de Ruben Amorim (escrito sem acento em Ruben, como apenas soubemos, insolitamente, no dia em que ele nos deixou) no Sporting. Quando ele conquistou o segundo campeonato nacional para o nosso clube desde que iniciou funções. Conseguindo tanto em cinco anos incompletos como tínhamos alcançado nos 40 anos anteriores.
Soube tão bem como em 2021. Ou ainda melhor. Porque desta vez havia espectadores nos estádios e pudemos apreciar a equipa ao vivo. Mas também porque tínhamos um plantel com mais qualidade, o que bem se reflectiu nas exibições. E fomos mais longe na dimensão do triunfo, conseguindo a nossa maior pontuação de sempre: 90 pontos. Segunda maior de que há registo, em termos absolutos, num campeonato nacional.
Dominámos do princípio ao fim. Numa dinâmica imparável sob a batuta de Amorim. Concluímos as 34 jornadas com 29 vitórias, 3 empates e apenas 2 derrotas. Golos marcados? 96. Sofridos? Apenas 29.
Dez pontos de avanço sobre o Benfica, segundo classificado. Dezoito sobre o FC Porto, que ficou em terceiro.
Amorim não se limitou a imprimir categoria, talento e classe aos seus jogadores campeões na Liga 2023/2024. Fez o mesmo nas onze jornadas da Liga seguinte, agora quase a meio.
Liderou essas rondas só com vitórias, somando 33 pontos. Mais oito do que o Benfica e mais seis do que o FC Porto.
Uma das maiores proezas de sempre do Sporting em competições da UEFA. Sem precisarmos do calcanhar do Xandão.
Amorim deixou-nos a 11 de Novembro rumando à Premier League, onde estão outros compatriotas: Marco Silva (igualmente ex-técnico do Sporting), Nuno Espírito Santo e agora Vítor Pereira. Foi um trauma para os adeptos.
Mas saiu como o treinador português com mais títulos e troféus alcançados em Alvalade. Com números quase inacreditáveis. Não perdeu qualquer jogo da Liga em 2024. E alcançou 71% de vitórias durante os quatro anos e oito meses que permaneceu entre nós - nenhum outro português aguentou tanto tempo no Sporting.
Em comparação, recorde-se que José Peseiro conseguiu 64%, Silas não foi além dos 61%, Marcel Keizer ficou-se pelos 60% e João Pereira - fugaz sucessor de Amorim - quedou-se nuns ínfimos 37,5%.
Mais ainda: legou-nos um plantel em grande parte escolhido por ele que continua a dar cartas no campeonato nacional. Basta referir alguns nomes: Morten, Morita, Gyökeres, Diomande, Geny, Harder, Nuno Santos e Pedro Gonçalves. Multifuncionais, em vários casos. Jogarão bem em qualquer sistema táctico.
Quem faz o que pode, a mais não é obrigado. Amorim fez muito. Por mim, ser-lhe-ei sempre grato. Aconteça o que acontecer.
Não ter deixado Ruben Amorim sair no momento próprio. Saía campeão, com a maior pontuação de sempre, após quatro anos muito exigentes no Sporting.
2
Deixar Hugo Viana sair em diferido. Anúncio feito em Outubro, mas para vigorar só em Maio. Incompreensível. Entretanto, ia andando cá e lá. Não faz sentido.
3
Preparar João Pereira como sucessor. Mas porquê ele? Não havia outros no mercado, com habilitação específica? O que revelou este técnico de extraordinário no trabalho com os sub-23 e a equipa B? Percebe-se agora: foram reduzidos os contactos com Amorim. Pouco prolongamento entre um e outro, como não tardou a notar-se em campo.
4
Deixar sair Amorim mas aguentá-lo mais duas semanas, orientando outros três jogos. Assim deu-se um péssimo sinal ao plantel: quem vai seguir-se não tem plena confiança da direcção, é solução precária, não assegura verdadeira continuidade.
5
Varandas atravessar-se por Pereira com palavras descabidas que o aprisionam ao futuro do técnico. Não faz o menor sentido.
Penso que ninguém terá dúvidas que um dos pilares do modelo de jogo de Rúben Amorim é a linha defensiva de três elementos comandada pelo elemento central, sempre muito coesa e alinhada para forçar o fora de jogo dos adversários.
Com a saída de Coates foi Diomande que quase sempre assumiu o lugar. Trata-se do defesa mais poderoso, mais forte no jogo aéreo defensivo, mais confiante, mais focado no jogo, naturalmente ainda com aspectos para melhorar. Vale 40M€ no TM, Inácio 45M€, Debast 22M€, Quaresma 14M€, Matheus Reis 8M€, St. Juste 8M€. Preços que me parecem correctos e que têm em conta as idades e os desempenhos.
Dado que no modelo de jogo de Amorim os alas são extremos adaptados que fazem todo o corredor, ele sempre procurou ter um mais defensivo e outro mais ofensivo, de forma a poder formar uma linha de 4 a defender sempre que necessário. Na época passada, as duplas eram Catamo/Matheus Reis e Esgaio/Nuno Santos.
No Man.United ele chegou e rapidamente fez o mesmo. Neste último derbi com o Man.City o comandante foi Maguire, com De Ligt e Martinez de cada lado. Nas alas Dalot mais defensivo e Diallo mais ofensivo, acabando este por ser decisivo no jogo ao sofrer o penálti no primeiro golo e marcando o segundo.
No Sporting veio João Pereira e mudou para pior. Dois alas ofensivos bem avançados no campo, Catamo e Maxi, e o trio defensivo entregue a si próprio.
Quando depois um dos defesas abandona a posição acontece isto. A linha recta transforma-se num ziguezague...
Assim, são já 12 golos os sofridos pelo Sporting em 6 jogos (6-0, 1-5, 0-1, 1-2, 1-2 e 3-2) com João Pereira. Média de dois por jogo.
Esta foi a jornada em que os poderes ocultos, as toupeiras, os dragões, os devoradores da morte sob o manto da invisibilidade, impediram o Sporting Clube de Portugal de vencer.
É fácil acusar João Pereira mas não é fácil dizer que em Manchester, Rúben Amorim está a destruir o legado de Ruud van Nistelrooy, em quatro jogos o holandês, somou três vitórias e um empate (com o Chelsea) em três jogos, o português, empatou, venceu e perdeu, parece não ter "mãos para o Ferrari".
Nesta jornada destaco mais uma vitória de Marreco desta vez sobre o Amadora/Sintra e a goleada dos conquistadoras sobre os galos (oxalá façam o mesmo às galinhas).
Mais logo um duelo entre dois ex-colegas, esperemos que seja bem jogado e bem arbitrado.
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