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És a nossa Fé!

Sobre o Covid-19

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Hoje é o fim deste exagerado "estado de emergência". No És a Nossa Fé eu não escrevo sobre política, considero que aqui podemos muito discordar mas por razões de clubismo, não por razões outras. Mas acabo de escrever um texto em que aludo à contratação de Ruben Amorim. Não é sobre o Sporting, mas também sobre o Sporting. Tem um posição política mas deixo a ligação, para aqueles que mesmo assim o queiram ler: "Taça Covid-19?".

 

O "caso Rúben Amorim" e os motivos de "força maior"

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Na sequência do que escrevi ontem aqui, continuo com a suspeita - e não passa disso mesmo, de uma suspeita - de que a direção do Sporting Clube de Portugal invocou um incidente de Force Majeure ("força maior", em português) para não saldar a primeira prestação (cinco milhões de euros) da transferência de Rúben Amorim do Braga para o nosso Clube. A confirmar-se esta decisão, muito arrojada para o que conhecemos até aqui da equipa de Frederico Varandas, o SCP está a seguir os passos de muitas empresas e instituições por essa Europa fora e também nos EUA.

 

As cláusulas de "força maior" - que o contrato de Rúben Amorim deve obrigatoriamente incluir, caso contrário aplica-se a Lei geral no País onde se celebrou - prevêem justamente este tipo de situações extraordinárias, como a pandemia que estamos todos a viver, e na prática alteram as obrigações e as liabilities quando se dá esse evento ou circunstância que muda tudo.

 

Esta informação só poderia ser confirmada na carta que o SCP dirigiu ao Braga, que julgo ainda não ser pública, já que nos dados fornecidos à CMVM não consta nada sobre isto. No entanto, quer ontem as fontes da direção leonina, em off, quer hoje a análise das capas d' A Bola e do Record indiciam isso mesmo. O jornal mais próximo do SCP diz "Leão falha Amorim", em antetítulo diz que "o Sporting alega que não pagou porque não quis" e em subtítulo: "SAD assume que se trata de medida de gestão". Já o jornal mais lampião escreve em manchete "Rúben Amorim está por pagar" e diz no antetítulo, com gravidade, "Sporting falha 1.ª prestação e fica a dever de imediato €12,3 milhões" [em vez dos dez milhões, cláusula de indemnização do treinador por rescindir com o Braga].

 

O assunto é sério e deveria ter merecido uma estratégia de contenção de danos por parte da direção, tentando que estas falhas de comunicação não se fizessem sentir. Uma medida de boa gestão é cumprir com as obrigações e os contratos assinados e, caso assim não seja, por qualquer motivo, mesmo que de "força maior", o SCP deve informar a opinião pública para não acontecer o que vimos ontem em todas as televisões e serviços noticiosos. Passou a imagem de que o SCP não é cumpridor, falhou com o Braga e terá consequências inacreditáveis aos olhos de todos nós, como o aumento do seu passivo, a expulsão das competições da UEFA e outras sanções do tipo. A pior, no entanto, é a machadada na sua credibilidade e os efeitos reputacionais disso mesmo perante os diversos stakeholders: à cabeça de tudo os sócios, mas também os parceiros e patrocinadores, outros clubes, os seus profissionais, as associações do setor nacionais e estrangeiras e as entidades financeiras.

 

Se o Sporting está a tomar medidas excepcionais de gestão prudencial e resolveu, extraordinariamente, não honrar os seus compromissos com terceiros porque outras partes também não estão a cumprir com o Clube - duvido que o Manchester United, por exemplo, com a liquidez que tem, não esteja a pagar rigorosamente tudo o que é suposto pagar pela saída de Bruno Fernandes -, então isso deve ser muito bem explicado, com argumentos jurídicos e financeiros inatacáveis. Essa explicação urge ser dada aos sócios e ao País.

 

Estamos a falar do Sporting Clube de Portugal e não de uma qualquer instituição de segunda ou terceira categoria. O que levou quase 114 anos a construir não pode ruir de repente por causa de uma pandemia, como também não ruiu com a passagem de outros "vírus" pelo nosso Clube.

Rúben Amorim é motivo de "força maior"?

É notícia um pouco por todo o lado: "Sporting falha pagamento da primeira prestação de Rúben Amorim". Não sei que argumentos jurídicos a equipa de Frederico Varandas estará a usar para não proceder ao pagamento da primeira prestação (cinco milhões de euros) da transferência do treinador do Braga para o Sporting, mas a verdade é que me parece que os dirigentes leoninos poderão estar a querer invocar um incidente de Force Majeure, o que, a confirmar-se, irá fazer correr rios de tinta e será mais um foco de tensão - incluindo uma batalha jurídica, dentro e fora de portas - entre os dois clubes. 

Ao JN, fonte da direção de Varandas já dá a entender que isto é para resolver mais à frente. "Um ato de gestão excecional motivado pelo atual estado de emergência", define este dirigente em off. A confirmar-se, repito, a decisão do SCP vai dar muito que falar, vamos ver se pelas melhores razões e sobretudo espera-se que esteja, no mínimo, devidamente sustentada em termos jurídicos porque terá sem dúvida um impacto na credibilidade do Clube e na sua posição creditícia.

Divagações em tempo de quarentena (3)

Considerando as consequências desta paragem forçada do futebol para a vida dos clubes e as perspectivas existentes em termos de conclusão dos campeonatos, se calhar o Sporting fez o mais importante do que devia ter sido feito neste mercado de inverno:

1. Vendeu por uma verba significativa o seu melhor jogador mas que muito se iria desvalorizar nesta conjuntura.

2. Com esse dinheiro, depois de descontado cerca de 1/3 em compromissos diversos, resolveu vários problemas, o aperto de tesouraria e a resolução dos problemas mais importantes existentes no plantel e estrutura técnica.

3. Os problemas foram resolvidos nas duas posições mais críticas, treinador e ponta de lança.

4. A contratação de Sporar, o artilheiro da Liga Europa, acabou por ser ainda mais decisiva dada a lesão estúpida do LP29 logo a seguir. Ficávamos reduzidos ao ainda muito "verde"  Pedro Mendes.

5. Ficámos assim neste momento de paragem com um treinador jovem moralizado e com grande potencial, que ainda há pouco ganhou 5 jogos aos 3 grandes comandando uma equipa com um plantel bem inferior ao nosso, e que vai ter uma pré-época, mini ou não, para pôr a equipa a jogar ao seu jeito.

Tudo ao contrário do que foi feito no mercado de Verão, onde se deixou partir Bas Dost por tuta e meia, se trocou um Raphinha a caminho duma época fantástica por três tristes e coxos emprestados, e um Keizer que tinha ganho duas taças por um Silas sem capacidade para o lugar. 

Importa agora tratar do resto, baixar a folha salarial libertando jogadores que nada acrescentam, assegurar a manutenção de Mathieu, "peixe na água" neste sistema de três centrais, fazer regressar os emprestados e dar oportunidades aos melhores jovens dos sub-23.

Ou seja, de alguma forma voltarmos ao tempo das "vacas magras" do Leonardo Jardim, onde com a continuidade da espinha dorsal do plantel (Rui Patrício, Rojo, Adrien, Cédric, Carrillo), o regresso de alguns emprestados (William Carvalho, Wilson Eduardo), o melhor que havia na equipa B (Mané, Esgaio) e uma ou outra aquisição da "loja dos 300" (Montero, Slimani, Maurício) foi possível montar uma equipa barata e competitiva.

Para já parece que temos... o novo Leonardo Jardim.

SL

 

Indiscutível

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Rúben Amorim chegou a Alvalade oriundo do Braga (e pouco antes do Casa Pia), como técnico da equipa principal de futebol. Custou aos cofres leoninos 10 milhões de euros (mais IVA, mais juros da fatia que só será paga em Setembro). Veio com um contrato de três épocas, por 2,7 milhões de euros em salários por temporada. Mas como esta oficialmente ainda não terminou, receberá 1,1 milhões extra até ao próximo 30 de Junho, contando a partir de 5 de Março. Isto, claro, sem contar com os salários dos dois jovens adjuntos que trouxe para o Sporting e da indemnização acordada entre a SAD e Silas, o treinador cessante.

Pelas minhas contas, ronda os 22 milhões. Mas é hoje indiscutível que foi uma boa contratação. Como sabemos, ainda não perdeu um jogo.

A todos os níveis parece uma decisão má

Texto de Sol Carvalho

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A contratação de Rúben Amorim é "gestão danosa", independentemente de poder vir a dar certo ou não.

Explico-me. Dizem as regras do investimento que qualquer acto desse tipo deve obedecer a uma due diligence que avalia os seus diversos ângulos. Neste caso, contexto, organização, financeiro, desportivo, legal, ético, impacto na organização, etc. Faz também a avaliação do que se deve fazer para que o tal investimento dê certo.

Por tudo o que tem vindo a lume, para sustentar esta decisão de investir, a tal due diligence foi... zero! Derivou do rápido e fugaz sucesso em uma dezena de jogos e nada mais. Foi baseada num feeling de que pode resultar a partir de pressupostos psicológicos de quem tomou a decisão (porque até esses aspectos psicológicos deveriam constar da due diligence).

Dê certo ou errado (é obvio que espero que dê certo mas é apenas uma esperança), não é legítimo avaliar a decisão em função dum futuro resultado. A todos os níveis me parece uma decisão má. Logo, um acto de gestão danosa. Claro que, se der certo, todo o mundo vai dizer que foi um acto fantástico mas não se pode deixar que se tomem decisões assim numa sociedade por quotas que deve dar lucros.

 

O segundo aspecto é ético: Se não nos diferenciamos dos outros e usamos também as "margens legais" para desenvolver as nossas acções, que direito temos a atirar pedras quando o outro se esquece de assinalar um penálti? Pois é, foi tudo legal e o que interessa é o resultado.

 

Finalmente: num governo, um primeiro-ministro, quando toma uma decisão de fundo, tem pelo menos de se confrontar com o parlamento até para melhorar a proposta. Que mecanismos existem no Sporting (e no futebol em geral) para evitar que as decisões de um só homem (os presidentes) sejam tomadas com tamanha leviandade e sem escrutínio, como este exemplo demonstra? Como é que uma sociedade por quotas deixa que um só homem, sem qualquer due diligence séria, tome uma decisão que pode chegar a um investimento de 20 milhões? Ah sim, já me esquecia: é que o dinheiro não é dele...

Pois a anunciada mudança de paradigma deveria começar pelo estabelecimento de regras internas de gestão a que todos deveriam ser obrigados.

O dilema

Foi um acto de gestão irresponsável e desesperado a contratação de Ruben Amorim. Mas gostaria que Ruben Amorim tivesse êxito.

Não creio que Ruben Amorim tenha as condições mínimas para o êxito, quer quanto ao plantel, medíocre e desunido, quer quanto à estrutura, uma cambada de diletantes, quer quanto ao planeamento e ao projecto (quais?). Mas gostaria que Ruben Amorim tivesse êxito.

Creio pouco menos do que impossível a tarefa de Ruben Amorim de suster nos próximos 3 meses a avalanche de desgraças que vem de trás, de modo a ter um mínimo de crédito para lhe ser entregue a próxima época. Mas gostaria que Ruben Amorim tivesse êxito.

Não me lembro de outro treinador tão sujeito à desconfiança dos sócios como Ruben Amorim: lampião convicto, inexperiente e sem provas dadas consistentemente,  escolhido por um Presidente errático e contestado, caríssimo, e contratado num processo no mínimo inquietante. Mas gostaria que Ruben Amorim tivesse êxito.

Maldita seja a direcção do Sporting que me pôs nesta situação. Mas gostaria que Ruben Amorim tivesse êxito.

Primeiras impressões

A vinda de Rúben Amorim foi sem dúvida uma grande pedrada no charco que tem sido a triste realidade desta época do Sporting. Toda a gente tem opinião sobre o assunto, nos comentadeiros afectos ao clube domina a hipocrisia habitual de quem prefere ter palco com o clube a aprodrecer, do que remetido à sua insignificância com o clube a ter sucesso.

Esta aquisição pelo Sporting dum treinador ao tal clube que publicamente o desconsidera, concorrente directo pelo 3.º lugar da Liga, foi muito mal preparada e explicada por Frederico Varandas, e continua a ser muito mal explorada na Comunicação Social com mais ou menos responsabilidade do clube, falando-se em compras e vendas e alterações de estrutura que mais não fazem que complicar o trabalho do treinador ainda agora contratado.

Decisão tomada e concretizada a vinda, o que para mim me importa não é se o Rúben é do Benfica desde pequenino, se custou 5 ou 10, ou se vai custar 20 ou 30. Não se poder levantar no banco e comandar a equipa já me incomoda, mas o que me importa mais é perceber se é o treinador que o Sporting precisa para rentabilizar económica e desportivamente este plantel, que vale muito mais do que até agora tem demonstrado. Se o Rúben é o líder capaz de pôr ponto final naquilo que Bruno Fernandes, Plata e Neto denunciaram, um plantel de grupinhos com alguns que andam por ali, recusando saídas negociadas do clube e não metendo o pé nas divididas. Se o Rúben é capaz de construir uma equipa que nos volte as dar as alegrias que Keizer deu em Braga e no Jamor, e que, não falando noutros, antes dele nos deram num registo ainda bem maior: Malcom Allison, Inácio e Boloni.

Pois pelo que vi ao vivo na bancada de Alvalade e depois ouvi na conferência de imprensa, Rúben demonstrou um conjunto de atributos que significam liderança, pragmatismo e consistência. Para o Rúben quem manda é ele, o responsável é ele, quem dá a cara perante sócios e presidente é ele, os jogadores não tem de estar preocupados com classificações: só têm que pensar em treinar bem e jogar melhor.

O Francisco Geraldes jogou; vai voltar a jogar? Se demonstrar ser melhor que os outros nos treinos, sim. Para Rúben, no sistema táctico e modelo de jogo não se mexe, jogadores diferentes nas mesmas posições dão as variantes necessárias de acordo com o adversário: há que treinar, rotinar, repetir e voltar a repetir, e tudo acontecerá de bom a partir daí. Primeiro ganha-se e torna-se a ganhar e depois joga-se bem, porque só com a confiança das vitórias vêm os bons jogos.

Isto chega para o Rúben Amorim ter sucesso?  Quando o plantel, já de si desequilibrado e com um claro deficit de quantidade de qualidade, está fragilizado por uma época de derrotas e insucessos, pela saída do seu capitão e pela adaptação a quatro lideranças com orientações completamente distintas? Quando a estrutura criada por Varandas falha em toda a linha, e Beto assiste indiferente a Ristovski fugir para o balneário? Quando uma fatia do estádio enerva e insulta os jogadores do próprio clube dentro e fora de casa? Não faço ideia, vai ser mesmo complicado. 

Em Guimarães esta nova liderança vai ser posta à prova. Depois é comparar com o que aconteceu em Vila do Conde e em Famalicão e tirar conclusões.

Que Rúben tenha a sorte que teve no Braga, porque a sorte dele é a sorte de todos nós, ou pelo menos daqueles que põem o Sporting à frente de tudo.

Sporting sempre!

SL

Rúben Amorim, a primeira antevisão

Screenshot_20200307-172657.pngRúben Amorim


“Sabia que tinha apenas dois dias para trabalhar e, por isso, tínhamos de ser muito intensos, claros e directos. Não queria passar muita informação porque isso poderia confundir os jogadores. Não fizemos nenhuma preparação especial para o encontro, fomos directos à nossa ideia de jogo e vamos arriscar nesse sentido. Queremos jogar de acordo com as nossas ideias, mas sabemos que dois dias não dá para fazer muito,

Senti claramente que os jogadores estavam abertos a novas ideias, mas em dois dias não se consegue passar tudo e isso pode criar alguma confusão nos atletas, o que é normal. O importante é que senti que eles estavam abertos a um novo modelo de jogo e teremos tempo para trabalhá-lo. Tivemos dois dias muito bons, mas sabemos que isso ainda não se vai reflectir no primeiro jogo. O importante é vencer.

 

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Vi alguns jovens, mas o Gonzalo Plata, por exemplo, é um jovem, ou seja, já temos alguns na equipa. Penso que é importante criar uma boa dinâmica na equipa porque para sermos justos com esses jovens temos de ganhar, jogar bem e só depois lançá-los. A idade não conta e quando se tem qualidade, é isso que interessa. Não chamei esses jogadores aos treinos para dizer que lanço jovens. Faço-o quando eles são melhores do que os outros e, quando isso acontecer, vão certamente jogar".

 

Texto e primeira imagem, retirados do site do Sporting. 

Segunda imagem, instastories do perfil IG de Pedro Mendes

Força Rúben Amorim!

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Há cerca de um ano o director da SIC Daniel Oliveira teve a iniciativa, surpreendente, de contratar a apresentadora televisiva Cristina Ferreira, então conhecida por ser a coadjuvante do veterano e reconhecido Manuel Luís Goucha, parelha actuante na rival TVI, e campeã dessa actividade.

Quando a transferência foi anunciada os conservadores - eu próprio, claro - contestaram-na. Na ânsia do opinar, catapultada por estas possibilidades tecnológicas das redes sociais, invectivaram (invectivámos) os custos milionários dessa tranferência, que fez da apresentadora a mais bem paga dos animadores televisivos. E puseram (pusemos) em causa a pertinência dessa opção, face ao âmbito da sua especialidade - os programas de entretenimento matinal, preferencialmente dedicados à terceira idade e um público consumidor de baixo poder de compra (influenciando o tipo de publicidade convocada) e com uma apetência pela "cultura popular" (influenciando o tipo de conteúdos a propagar). E face ao próprio perfil da apresentadora, considerando-a quanto muito uma figura "agradável" (dado o seu fenotipo, valorizado nas apreciações estéticas predominantes no Portugal actual) e "simpática" (dada a jovialidade que sempre apresentou), mas muito dependente do profissionalismo competente do seu parceiro veterano e, quiçá, mentor Goucha. Em suma, considerou-se (consideraram, considerámos) que aquela contratação "da" Cristina (e é notável como este artigo definido, constantemente usado para se lhe referir, mostra o quanto a apresentadora faz parte do nosso quotidiano, vejamos ou não o seu programa), era uma medida irresponsável, incompetente, talvez mesmo  desesperada, da SIC e do seu director.

Um ano depois os resultados estão à vista. Impulsionada por esta transferência, que serviu como locomotiva da alteração dos hábitos de consumo televisivo da grandes parcelas da população nacional, e acompanhada de alguns outros reforços entretanto conseguidos, a estação SIC tornou-se líder das audiências televisivas. Campeã do seu campeonato, por assim dizer. Apesar dos veementes resmungos dos caturras, esses "jpt"s mais ou menos intelectuais que procuram fazer valer as suas vácuas opiniões neste novo-mundo da opinião (auto)publicada.

É-me inevitável o paralelismo com esta inesperada e aparentemente excêntrica contratação de Rúben Amorim por parte de Frederico Varandas. Que, dissipado o meu primeiro (autocentrado) estupor reactivo, já tendo algo reflectido sobre o assunto, me enche de esperanças.

Pois, de facto, foi uma grande jogada! Força Rúben Amorim! Para o ano é que é!

 

Mudança de paradigma

Antes.

Clube de malucos”,

foram as palavras, que o actual presidente do Sporting não se inibiu de repetir, quando um treinador português definiu o actual estado do Sporting, abordado para subsituir o treinador Marcel Keiser.

A presidência de Frederico Varandas não desmente estas palavras.

 

Depois... 10M€, dez milhões de euros, depois.

Mudança de paradigma”,

diz o mesmo presidente.

Para que sentido?

Vamos aguardar.

 

Ruben Amorim.

O sensato:

“€10 milhões era o valor que tinha na cláusula, quando o pusemos comecei-me a rir: quem iria pagar isto por mim?”, disse, com razão.

O corajoso:

Assumir este desafio, para um treinador com o seu histórico, num clube “de malucos” é um acto de coragem… ou será antes de loucura?

Quero acreditar na coragem.

 

Quero acreditar que tudo lhe irá correr bem e desejo-lhe, obviamente: boa sorte. Toda a boa sorte do treinador do Sporting, seja ele quem for, é a boa sorte do clube.

Só vendo é que acreditei

Pagar uma boa maquia por um treinador consagrado, como Bruno de Carvalho fez com Jorge Jesus, seria uma opção discutível e polémica num clube que dispensa jogadores de indiscutível categoria,  alguns dos quais seus símbolos, por motivos financeiros. Mas seria uma opção válida.

Pagar uma fortuna - uma das maiores da história em todo o mundo - por alguém que treinou doze ou treze jogos como sénior na vida está para além da incompetência.

A diferença entre não pagar nada - como com o Silas - e pagar uma fortuna - como com o Rúben Amorim - é que, no primeiro caso, pensa-se "pode ser que corra bem". No segundo, é inevitável questionar "e se correr mal?" Se foi assim com o Jesus, muito mais com o Rúben. Convencer os sportinguistas a pensarem só que "pode correr bem", como se fosse a mesma coisa não pagar nada ou pagar dez milhões, como se fosse a mesma coisa o Rúben ou um consagrado, é gozar com a nossa inteligência.

Não será com fé que lá iremos

Eu quero lá saber se o rapaz é lampião.

Outros lampiões por cá já passaram e cumpriram com maior ou menor distinção a sua função.

O que me incomoda mesmo é que o rapaz saiu há seis meses da "casota" dos suplentes do Casa Pia, castigado por ter-se assumido treinador da equipa não tendo para isso habilitação e rumando a Braga, orientou a equipa em apenas meia-dúzia de jogos.

Comparam-no (têm a esperança que seja) a Mourinho e Villas-Boas, esquecendo-se que o primeiro bebeu tudo o que Sir Bobby Robson lhe tinha para dar, tendo sido seu adjunto por 78 jogos entre Sporting, Porto e Barcelona e de Louis van Gaal, também no Barcelona por... 170 jogos! Foi até adjunto de Manuel Fernandes nos primórdios da sua carreira, embora isso não abone muito a seu favor, que MF como treinador foi uma quase nulidade. Já André Villas-Boas foi durante cinco anos adjunto/observador nas equipas técnicas de José Mourinho no FCPorto, Chelsea e Inter de Milão, o que lhe terá dado o traquejo para se abalançar numa carreira que teve alguns momentos altos. Mourinhos e Villas-Boas e Jardins e Silvas e "Jesuses", é como os Ronaldos e Messis, não aparecem quando a gente quer, aparecem quando calha e de tempos a tempos.

Ter fé numa contratação destas e esperar que Ruben Amorim, que está a anos-luz da experiência acumulada por estes dois treinadores antes de se lançarem como chefes de equipa, é mesmo só e apenas, fé. Eu como sou agnóstico, limito-me a observar o óbvio: Ruben Amorim não tem currículo para ser, neste momento, treinador do Sporting Clube Portugal! Dar dez milhões de Euros, acrescidos de IVA e juros de 6% ao ano, por este projecto de treinador, não é uma questão de fé, é uma enorme, terrível e talvez funesta irresponsabilidade.

Se mau era trazer Ruben Amorim, pior um pouco foi juntar-lhe dois rapazotes projectos de adjuntos, um deles sem qualquer referência até, na profissão.

Vamos ser realistas, alguém acredita que estes dois miúdos serão levados a sério pelos da sua idade que estão dentro de campo, ou até nos treinos? (talvez o sejam pelos mais velhos, com outra maturidade e conhecimento da profissão, mas e os outros?).

Este achismo do presidente do clube, que apostou todas as fichas com dinheiro que não é dele num projecto de treinador que é uma incógnita, terá consequências graves num futuro a curto ou médio prazo: Se não cair antes, Varandas não passará das AG's do Verão e tomando esta decisão hoje, está a hipotecar (tal como o seu antecessor com Sinisa) uma mais que certa nova direcção que irá entrar em funções após a sua mais que certa queda. Haverá uma "pequena" diferença: O plantel não vale 1/10 e o cofre da NOS já só tem um bolo a que falta uma enorme fatia.

Espero no entanto que apesar desta armadilha, outros sportinguistas se juntem a Pedro Azevedo, na corrida à presidência do Sporting.

Perguntarão se eu não quero que Amorin dê certo. Claro que quero, mas já disse lá acima, fé não é bem o meu departamento. O meu desejo que Amorin se faça treinador do Sporting, no Sporting, é ultrapassado pelo meu pragmatismo, que observa a falta de experiência e percebe que tem tudo para correr mal.

E a culpa até nem é dele, seja ele lampião ou não.

Força equipa (domingo lá estarei)

Tenho sido muito crítico desta presidência. Noto-lhe incompetência e errância na gestão do futebol. Amadorismo exasperante em tantas decisões. Insegurança, noutras. E arrogância em muitas das tomadas de posição, umas públicas, outras silenciosas, num ruidoso cala consente feito de  soberba. Mas não será com isso em mente que vou estar na bancada no próximo domingo. Rumarei ao nosso estádio apostado (como sempre) em apoiar a nossa equipa e (como sempre, sempre!) com a esperança de que vamos ganhar. A vitória vou festejá-la intensamente. Ai vou, vou.

A par das críticas e ataques que posso e devo fazer à liderança do nosso clube, posso e deve dar o benefício da dúvida ao novo treinador e equipa técnica.

Gostei da postura de Rúben Amorim na apresentação do mesmo como novo timoneiro do nosso principal grupo de atletas: Directo. Sem floreados. Franco. Seguro. Sensato. Moderado. Consciente do trabalho hercúleo que tem pela frente porque acompanhado da enorme grandeza do clube que, a partir de hoje, passará a defender com o único objectivo, disse-o ele, de ganhar a todos os nossos adversários. Categoria, aliás, à qual Rúben Amorim pertenceu. Pertenceu. Passado. A tantos treinadores aconteceu isto mesmo, já. Leonardo Jardim,  Marco Silva e Jorge Jesus são os exemplos mais recentes (nomes escolhidos pela bitola de bom futebol que jogámos com eles líderes).

"Toda a gente diz: 'E se correr mal? A isto digo: E se correr bem?" Perguntou-nos Rúben Amorim esta tarde sobre as reservas que muitos de nós têm sobre a sua contratação.

Talvez imbuído da fezada que há sempre nisto de se ser sportinguista ou de outra cor qualquer; talvez por ser um optimista sem fim;  não sei, - embora desconfie que por causa das duas -, mas assisti à apresentação de RA e acreditei que podemos melhorar o nosso futebol e que esta pode ser uma solução de futuro.

Sei que Varandas deixa cair treinadores, fazendo deles escudos humanos que o protegem dos estilhaços provocados pela destruição levada a cabo por ele próprio, no entanto, espero sinceramente ter-me enganado sobre a crítica que a seu tempo fiz sobre a noticiada contratação do antigo treinador do Braga.

Haverá eleições, poderemos de novo escolher uma liderança, e por isso, para já, darei o benefício da dúvida. "E se correr bem?", perguntou-nos o novo técnico. Espero que sim, que corra bem. Muito bem, mesmo. Quero muito mais isso do que confirmar as críticas faço. Quero muito ter-me enganado. Quero acreditar que desta vez Varandas emendou a mão e aposta finalmente num projecto para o futuro, que ele tenha sido 100% verdadeiro quando nos anunciou que a preparação da época 2020/2021 começa agora. 

Não me acenem, por isso, com outras presidências que nada ganharam de relevante, a começar pela anterior, que gastou milhões e milhões e foi incapaz de nos devolver o título de campeão. Mais. Apesar de tudo, Varandas terá de fazer muito pior para chegar sequer perto da lastimosa e deplorável presidência de Bruno de Carvalho.

Uma série de vitórias e de bom futebol mudam tudo. É isso que espero que comece no próximo domingo. Viva o Sporting.

  

Entrada de leão?

 

«Fui adversário do Sporting toda a minha vida.»

 

«Temos de ganhar tempo, precisamos de tempo para preparar a próxima época. Sabendo que, não ganhando jogos, pode não haver próxima época.»

 

«Era o valor que eu tinha na cláusula [10 milhões de euros]. Quando a pusemos [no Braga], eu comecei a rir... [porque] podiam pôr 20 ou 30, ninguém ia gastar dinheiro comigo... Aconteceu isto.»

 

Rúben Amorim, às 15.16 de hoje, ao dirigir-se pela primeira vez aos adeptos na qualidade de recém-contratado treinador do Sporting

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