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És a nossa Fé!

Amorim e o charme parisiense

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Le Parisien, diário com muito boas fontes no Paris Saint-Germain, garantia ontem que Rúben Amorim é o preferido no clube campeão de França para suceder a Pochettino. Especificando: «O jovem treinador português do Sporting é a prioridade de Luís Campos, o futuro director desportivo do PSG. Poderá substituir nas próximas semanas Mauricio Pochettino, que não permanecerá quando falta um ano para terminar o contrato.»

O milionário clube parisiense acaba de conquistar o oitavo campeonato em dez anos e tem como proprietário o magnata catari Nasser Al-Khelaifi, que ontem anunciou a renovação de Mbappé por três temporadas, gorando-se a hipótese de transferência do avançado para o Real Madrid na próxima temporada.

Pochettino, mesmo sendo campeão, estará na porta de saída por ter voltado a falhar a conquista da Liga dos Campeões após ter sido eliminado pelo clube madrileno.

 

O diário parisiense exibe o invejável cartão-de-visita de Amorim em três épocas como treinador: cinco troféus conquistados, o primeiro dos quais ainda ao serviço do Braga. E lembra a sua cláusula de rescisão: 30 milhões de euros.

Estará o PSG disposto a batê-la?

Este é o preço do sucesso. A SAD do Sporting deve estar preparada para qualquer cenário - também para este, evitando ser apanhada desprevenida. A primeira obrigação dos responsáveis leoninos é reafirmar o apoio ao técnico, que tem contrato até 2024, mas sem ilusões quanto à sua continuidade a longo prazo. Na melhor das hipóteses, sejamos realistas, Amorim ficará mais uma época.

E depois dele? Como estamos em férias futebolísticas, podemos especular à vontade. Adianto cinco nomes que deixo à vossa consideração: Abel Ferreira, Bruno Lage, Carlos Carvalhal, Leonardo Jardim e Paulo Sousa. Imaginariam algum deles no comando técnico da nossa equipa principal?

O Ferguson do Sporting

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Já disse aqui que Rúben Amorim devia ficar no Sporting pelo menos até ao seu miudo entrar no liceu.

Pelas suas qualidades humanas, nas antípodas dos batoteiros malcriados doutras paragens, pela sua forma tranquila e determinada de ser e estar na liderança do grupo, pela defesa intransigente que faz do espírito de corpo "Onde vai um vão todos" e pelo seu enorme potencial enquanto treinador.

É mesmo por causa deste último item que Amorim deve ficar esse tempo todo, porque se é verdade que já demonstrou muita coisa, tem ainda imenso para crescer e evoluir, e capacidade e vontade para tanto. Isso pode ser fundamental para o Sporting dos próximos anos.

Amorim afirma, e eu assino por baixo, que o futebol do Sporting evoluiu substancialmente da época passada para esta, com muito mais controlo sobre o jogo e os adversários, conseguindo ganhar mais jogos por dois ou mais golos, criar maior perigo em situações de ataque organizado. Mas reconhece também que se marcaram poucos golos quer por falta de inspiração individual quer também por falta de sistematização ofensiva, e que apenas o upgrade permanente do modelo de jogo (as tais variantes de que fala) e a introdução de jogadores novos a fazer coisas diferentes impede a sua estagnação e o seu bloqueio por adversários preparados que muito o estudam e tentam anular.

 

Se bem se recordam, Amorim chegou na fase final da época de 2019/2020, apanhou com os cacos do que tinha sido a equipa vencedora do Jamor um ano antes, e focou-se no casting interno para o 3-4-3 que queria implantar, testando, escolhendo, dando guia de marcha aos restantes e deixando bem claro que tipo de reforços seriam necessários para o Sporting triunfar.

A época seguinte, já com um plantel ao seu jeito, foi de afirmação plena do seu modelo de jogo diferenciado e dalguma forma estranho à realidade nacional, com uma construção desde trás pelo guarda-redes e os três defesas que atraía o adversário e logo dava cabo dele através de lançamentos directos para os atacantes ou de contra-golpes venenosos pelos alas, com um verdadeiro predador lá na frente, Pedro Gonçalves, que em cada duas oportunidades marcava três.

Em caso de emergência, Amorim recorria ao plano B, anarquia total, médios para a defesa, Coates para ponta de lança, como dizia o Estebes "vamos lá cambada, todos à molhada, qu'isto é futebol total." E a coisa até funcionou, fomos campeões nacionais.

 

Nesta época o modelo de jogo teria forçosamente de ser diferente, os adversários já não iriam ao engano, havia a Champions para disputar e tentar a passagem à fase seguinte.

Então, mantendo a arrumação base dos jogadores em campo do 3-4-3, toda a equipa avançou no terreno e houve muito muito menos contra-ataque rápido e ataque à profundidade e muito mais ataque organizado, a equipa até preferia pausar o ataque para melhor eficácia do mesmo e melhor reacção a uma possível perda de bola.

Este atrevimento estratégico funcionou bem a nível interno na 1ª parte da época, com destaque para a vitória por 3-1 na Luz. A nível da Champions, a derrota pesada com o Ajax, que se repetiu depois com o Man.City, demonstrou que havia ainda muito para melhorar.A linha defensiva subida convidava a lançamentos em profundidade que desmanchavam a linha de fora de jogo, no ataque a equipa perdia-se em improvisações, faltavam movimentos estudados que colocassem jogadores vindos de trás frente ao golo.

Se no início da época todos dizíamos que o plantel era curto, que faltava pelo menos um defesa central de pé direito e um ponta de lança que soubesse jogar de cabeça, ainda mais curto se tornou, apesar de gratas surpresas como Sarabia e Matheus Reis, com lesões de uns, como Feddal, Porro e Pedro Gonçalves, desadaptações de outros a uma nova forma de jogar, como TT e Jovane, e aquisições falhadas, como Vinagre.

Além disso parecia que Coates tinha esgotado a sua quota de milagres na época anterior, não ficou um para amostra. 

Quando finalmente vieram os reforços Edwards e Slimani o Sporting já tinha hipotecado a vitória no campeonato, os 6 pontos perdidos no início de Janeiro demonstraram-se irrecuperáveis.

 

Sempre com base no tal 3-4-3 do primeiro dia de Amorim no Sporting, que muito exige dos dois médios para contrariar a superioridade numérica do adversário no miolo, podemos dizer que nesta época tivemos basicamente três formas de organização ofensiva :

Fórmula A - A do pivot ofensivo, com Paulinho deambulando entre o espaço do 3.º médio e o do ponta de lança, ajudando os dois médios nas recuperações, lançando os avançados interiores, aparecendo na área para tentar o golo. Foi aquele que prevaleceu na 1.ª parte da temporada e permitiu a passagem à fase seguinte da Champions. E foi aquele que nos deu a vitória na Luz, por um claro 3-1. Para mim esteve na base do melhor futebol praticado pelo Sporting.

Fórmula B -  A do "bulldozer" ofensivo, com Slimani a infernizar os defesas e Paulinho a alternar entre interior e segundo ponta de lança. Começou mal no Funchal e acabou ainda pior no dérbi lisboeta pelas razões que conhecemos. Mas num ou noutro jogo deu sinais bem positivos, com tempo e melhor conhecimento e articulação com Paulinho e Sarabia podia estar ali um tridente ofensivo bem interessante. E finalmente havia um avançado com razoável jogo de cabeça para acudir aos centros de Porro ou Nuno Santos.

Fórmula C - A dos três baixinhos lá na frente, com Sarabia (ou Tabata) a ser aquele vagabundo que costuma ser na selecção espanhola, que surgiu mais no final da temporada muito pela quebra de rendimento de Paulinho e falência de Slimani. Sem referência ofensiva, os centrais dos adversários ficam a marcar-se uns aos outros, dando espaço e tempo para trocas e combinações. 

 

Penso que será muito por aqui que Amorim irá prosseguir na próxima época, mantendo o 3-4-3 e as bases do modelo de jogo, cada vez mais interiorizado pelo plantel, e ajustando a organização ofensiva ao momento e aos avançados disponíveis, porque o resto está bem e recomenda-se.

Na baliza será Adán mais uns anitos e depois o Callai (até a altura é a mesma) quando estiver pronto. Na defesa, Coates e dois ajudantes que corram mais do que ele e que alternarão conforme o momento. Nas alas serão dois "piscineiros" colados à linha que saibam defender como defesas laterais e atacar como extremos clássicos. No meio-campo, dois todo-o-terreno com enorme capacidade nos duelos individuais e chegada à area contrária.

No ataque as palavras-chave são mobilidade e adaptabilidade. O Sporting não pode atacar da mesma forma perante diferentes tipos de adversários, os que jogam no campo inteiro e os que se fecham lá atrás, e não pode andar a centrar bolas para a cabeça do Edwards. Precisa dum ponta de lança forte no jogo aéreo, que definitivamente não é o Paulinho. E depois a constituição da linha atacante obriga toda a restante equipa a ajustar-se às suas características. No fundo, trazer de novo ao relvado o tal Sporting camaleónico que confundia os adversários, e antes deles derem conta, já foram.

Para já, ficando Paulinho, Edwards, Pedro Gonçalves e Tabata (este até acho que podia ser um dos dois médios, mas Amorim é que sabe), importa substituir Sarabia e Slimani. Mas se viesse mais alguém não seria demasiado, porque muitas vezes as vitórias e títulos são decididos por quem acabou de saltar do banco e pouco jogou durante a época.

Depois temos alguns projectos interessantes de avançado, mas apenas isso. 

 

Concluindo, Amorim pode e deve ser o Ferguson do Sporting.

E deve ter, da Direcção do Sporting, por um lado confiança total nas suas escolhas, por outro dotar o clube/SAD de profissionais que o consigam complementar, para termos, por exemplo, a equipa B de volta à 2.ª Liga a servir de retaguarda operacional ao plantel principal e uma capacidade de recrutamento diversificado, sempre percebendo bem a pessoa que está por detrás do jogador, para evitar um ou outro erro de casting que têm acontecido nos últimos tempos.

 

PS: Podem ler aqui a história de Ferguson no Man. United e apontar as semelhanças: https://pt.wikipedia.org/wiki/Manchester_United_Football_Club#A_Era_Ferguson

SL

A época em 10 pontos!

Terminou a Liga Portugal 2021/2022 de futebol, ou melhor falta saber apenas se Moreirense fica ou cai por troca com o Chaves. Deste modo eis uma dezena de breves considerações sobre a época que ora findou. Assim:

1 – Ruben Amorim mostrou, mesmo sem ganhar o campeonato, porque é actualmente o melhor treinador português;

2 – a seu lado colocaria Álvaro Pacheco (aquele primeiro jogo do Vizela em Alvalade no dealbar da época mostrou que treinador seria):

3 – melhor jogador do campeonato: Sarabia;

4 – pior jogo da época: Porto – Sporting. Nem necessito dar mais explicações, pois não?;

5 – vergonha do campeonato: BSAD-Benfica. Até o David Borges, confesso benfiquista, criticou os lampiões;

6 – pior treinador não obstante ter sido campeão: Sérgio Conceição. Num país a sério o “Ceição” nem miúdos treinaria;

7 – pior jogador: Pepe. Com a idade que tem deveria ser um bom exemplo em campo. Nunca o foi. O futebol sem ele ficará muuuuuuuuuuuuuuuuuito melhor;

8 – o VAR não parece ser solução. Só serve para safar os mesmos;

9 – a arbitragem mostrou o seu pior;

10 – Finalmente... Óscar para melhor actor: Taremi.

Treinador de bancada - Novo sistema táctico?

Desde que Rúben Amorim chegou ao Sporting o 3-4-3 passou a ser o sistema táctico: três defesas, dois alas, dois médios e três avançados. O modelo de jogo sempre incluiu construção desde atrás, convite à pressão dos adversários para alargar o campo, circulação de bola sempre a procurar o lado contrário, mobilidade dos avançados. Depois diferentes jogadores nas posições deram coisas diferentes à equipa, umas vezes jogou-se melhor, outras pior, mas sempre mais ou mesmo da mesma forma. Excepto no final dalguns jogos que importava ganhar e em que imperou a anarquia deliberada, com melhores resultados na época passada do que nesta.

Jogos houve em que o 3-4-3 não funcionou de todo, a começar pelo Sporting-Ajax. A grande questão  deste sistema é a permamente inferioridade numérica dos dois médios que necessitam de ajuda permanente de alas e avançados para darem conta do recado e não rebentarem por exaustão.

Se o adversário consegue vantagem no marcador e parte o jogo, com extremos a prender os alas, o 3-4-3 transforma-se num 5-2-3 em que os avançados apenas atacam e os dois médios abandonados à sua sorte são presa fácil para o meio-campo contrário. O Famalicão-Sporting e o Santa Clara-Sporting também demonstraram a dificuldade da equipa quando deixa partir o jogo: quer atacar depressa sem a equipa junta, convidando ao contra-ataque adversário. Então por mais duma vez se falou da necessidade do terceiro médio, num sistema alternativo 3-5-2 onde Daniel Bragança ou Pedro Gonçalves ocupassem o vértice avançado do triângulo do meio-campo. Ao que Rúben Amorim sempre resistiu, se calhar lembrando-se das poucas vezes na época passada em que o tentou e não resultou de todo.

 

Vem agora na imprensa que Amorim está a equacionar um novo sistema táctico. Já ouvi até falar num 4-4-2, como sistema alternativo ou até principal. Ainda agora lhe foi perguntado na conferência de imprensa e ele fugiu um pouco à questão respondendo que muito tem trabalhado em variantes para o 3-4-3.

Sendo assim, há aqui alguns aspectos interessantes para comentar:

1. Se os ataques ganham jogos, e as defesas ganham campeonatos, e o Sporting tem a melhor defesa de Portugal, não estou a ver muito bem Amorim desmanchar o trio de defesas, até pelas dificuldades de Coates quando joga mais exposto. O único defesa lateral que defende e ataca bem é Matheus Reis. Porro e Esgaio atacam melhor do que defendem, quanto a Vinagre nem vale a pena comentar. E perde-se a possibilidade de ter Nuno Santos na ala em determinado tipo de jogos. Se calhar vamos apenas assistir à substituição do Feddal canhoto por um dextro. Por falar em dextros, ainda ontem vi um pouco do Paços-Tondela, com um Quaresma a fazer aquele tipo de disparates que o levaram a ser emprestado. Ainda tem muito que amadurecer para voltar.

2. Se de facto os dois "cavalões" do meio-campo saírem, Palhinha e Matheus Nunes, e vier o Morita, ficando Ugarte, Daniel Bragança, Tabata e Pedro Gonçalves como outras opções, realmente vai ser complicado jogar apenas com dois médios. É tudo mais levezinho e pé no pé.

3. Com a saída de Slimani perdeu-se a oportunidade de rotinar uma dupla de pontas de lança possantes no ataque. Sarabia está de saída também. Edwards e Pedro Gonçalves são avançados de entre-linhas, o que Tabata também sabe fazer, o único extremo do plantel é Nuno Santos. Paulinho é Paulinho, assunto já por demais aqui debatido. Jovane, Plata, Sporar e TT parecem cartas fora do baralho, quanto muito serão "jokers" para lançar pontualmente. Rodrigo Ribeiro, como Essugo, é para ir crescendo entrando aqui e ali. Faltam claramente dois ou três avançados. Resta saber em que tipo de avançados está a pensar Amorim.

 

Concluindo, deixo aqui a seguinte questão à consideração de todos:

De acordo com os objectivos para a próxima época e o plantel existente ou previsível, deve Rúben Amorim pensar seriamente em pôr a equipa do Sporting a jogar num sistema táctico diferente do actual?

SL

Parabéns, Rúben Amorim

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1

O futebol leonino acaba de superar um recorde negativo que durava há mais de meio século no Sporting: desde 1970/1971 que a nossa equipa não se classificava em segundo lugar na época imediatamente seguinte àquela em vencia o campeonato. Acaba de acontecer enfim. Cinquenta e um anos depois.

Parabéns, Rúben Amorim.

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2

Há quase década e meia que o Sporting não se qualificava em duas temporadas seguidas com apuramento directo para a Liga dos Campeões. Sucedeu com Paulo Bento em 2007 e 2008. Esta é apenas a sétima vez que conseguimos acesso directo à Liga milionária neste século. As restantes três aconteceram também com Paulo Bento em 2006, Leonardo Jardim em 2014 e Jorge Jesus em 2016. 

Parabéns, Rúben Amorim.

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3

A duas jornadas do fim do campeonato, o futebol leonino já ultrapassou a cifra dos cem golos marcados nas diversas competições desta época - o centésimo golo foi marcado anteontem, no Estádio José Alvalade, por Edwards. Algo banal? Longe disso. Sucede-nos apenas pela sétima vez neste século.

Parabéns, Rúben Amorim.

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4

Desde que as vitórias passaram a valer três pontos no campeonato português, em 1995/1996, nunca a equipa de futebol profissional do Sporting conseguiu pontuações tão elevadas em duas temporadas consecutivas como nestas mais recentes - 85 na anterior, 79 na actual ainda antes de chegarmos ao fim, podendo igualar a de 2020/2021. O que, a concretizar-se, ascenderá a uns inéditos 170 pontos. Nestes 26 anos, o biénio mais pontuado tinha sido o de 2015/2016 e 2016/2017, em que atingimos 162 pontos com Jorge Jesus ao leme da equipa. Marca já superada.

Parabéns, Rúben Amorim.

Rúben Amorim: «Se calhar as pessoas já não gostam tanto de mim, mas quero ficar no Sporting»

A antevisão de Rúben Amorim ao duelo com o Gil Vicente - Sporting - Jornal  Record

 

Mas quais pessoas, ó Amorim? As do Benfica, as do Porto? Não sejas Octávio Machado, diz lá quem são.

Deixa-te disso, nem o Jesus (não o JJ, o outro que acabou na cruz) foi consensual, se calhar as pessoas também já não gostavam tanto dele na altura. Dizem até que o Pilatos deu a escolher à multidão entre Jesus e Barrabás e ela escolheu o outro para ser libertado. Se calhar porque o Jesus desagradava a uns tantos poderes instalados da altura.

Deixa-te disso, os Sportinguistas em Alvalade e fora dele não se cansam de te aplaudir (não o viste em Tondela, por exemplo?) e começa mas é a alinhavar o novo contrato. Ainda és muito novinho, muito para aprender, muitas nuances e variantes para enfeitar o 3-4-3, muitos títulos para pôr no museu do Sporting, podes muito bem ficar aqui mais uns anitos (sei lá, por exemplo até o teu filho chegar ao liceu) antes de ires para um grande europeu com carta branca para teres um plantel ao teu jeito e limpares tudo lá no sítio.

SL

Vigoroso e Poderoso

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2006, Joana Vasconcelos

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Fotograma retirado daqui

Leões em espelho.

Em traços largos, são iguais. Duas perspectivas da mesmíssima realidade.

Em essência, a mesma laboriosa teia de bonitas e diferentes formas. Não causa estranheza, não pode causar estranheza, que o que de mais distintivo e belo surge na tela em branco, forma de todas as formas, se apresente a negro. Não é do lodo que nasce a flor de lótus? 

Não são exactamente iguais, não podem ser exactamente iguais. Ainda que tecidas tivessem sido pelas mesmas mãos. É essa diferença, inicialmente subtil, entre teias, que os faz Vigoroso e Poderoso. 

Ao Poderoso, que só pode sê-lo por ter conseguido integrar a capacidade potencialmente (auto)destrutiva do vigor desgovernado, pediria que encontrasse, desenhasse, forma de nos despedirmos condignamente. É a responsabilidade inerente a ser poderoso no reino das formas. E às formas leoninas, que à distância assistimos e sentimos pesarosas pela ruptura entre as forças motrizes que nos trazem a flor de lótus, deve-se mais do que o esforço, deve-se a materialização do reconhecimento de que somos a forma maior. A que dá corpo e sentido à vossa existência enquanto forma(s) no reino do Leão. 

Arranje forma, Poderoso. Ou, se preferirem, rearranjem-se. 

Desta feita ouvi a conferência de imprensa e o esclarecimento de que seria a última vez que responderia a uma pergunta sobre Slimani.

Common ground, holy ground

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Imagem retirada da internet

Se for possível chegar-se a um entendimento bom para todas as partes, genial. Talvez ainda se vá a tempo de evitar males maiores. Para o todo maior do que as partes e que, invariavelmente e como seria de esperar, fica refém dos egos de uns e de outros.

Se não for, que fique de lembrete: "forçar" soluções não muito desejadas por uma parte importante da equação, raramente dá bom resultado. Demorar tão pouco tempo a dar de si é só, completamente, Sporting.

 

P.S. A (minha) alternativa seria publicar um 'Nas colunas':

Hello dramalhão our old friend, 

You've come to talk with us again...

Em duas frases

Sérgio Conceição, com bloco defensivo adiantado, impedindo as saídas de bola do Sporting e acertando quando mexeu na equipa, deu um banho táctico a Rúben Amorim, muito passivo no banco. Vitória (1-0) merecida do FCP na segunda mão da meia-final da Taça de Portugal, que nos elimina da competição após a derrota (1-2) que já havia imposto em Alvalade.

Coisas dispersas

1.

Rúben: acalma os rapazes. No ano passado tivemos várias vitórias nos últimos minutos. Todos, incluindo os rapazes, sabíamos que o golo chegaria, sobretudo porque a equipa jogava com segurança, união e alegria. Hoje vemos uma ansiedade enorme, um nervosismo que tolda o raciocínio e a espontaneidade. O maior exemplo disso é Pedro Gonçalves. Tranquilo é uma máquina de fazer golos, pressionado é uma lesão em potência. 

2.

(Parece contraditório mas...) Rúben: o objectivo é marcar golos na baliza. Lateralizar e lateralizar e lateralizar é engraçado, desconcentra o adversário, mas não marca golos. 

3.

Rúben: nunca discutas com um porco. Ele enche-te de lama e ganha-te pela experiência em chafurdar.

4.

Rúben: agora é que estás realmente a ver o que é estar deste lado. Não imaginavas que isto fosse mesmo possível, não é? Mas eu acredito que tu podes ser a pessoa capaz de dar a volta a isto, por duas razões: pelas tuas capacidades e porque a vida é feita de ciclos e tu chegaste no momento certo para preparar um Sporting forte,  apto para a mudança de ciclo que se avizinha. 

5.

Enquanto o Pepe fizer parte da selecção nacional, reservo-me o direito de não a apoiar. Mas podem contratá-lo para "achador" de objectos, já que encontra as coisas mais inusitadas no relvado. Imagino que ande à procura de um pouco de decência, mas já a perdeu há tanto tempo, duvido que a recupere.

6.

Entretanto, o Palhinha ficou a ver os outros todos a jogar.

7.

Perder e sair do Estádio com orgulho não é para todos. É só para quem joga contra quem não traz nada de positivo aos valores do desporto. Aconteceu ontem.

8.

Claques que "apoiam" o clube com comportamentos que sabem que vão resultar em multas e penalizações para o Clube que tanto "amam" são fenómenos que não consigo compreender. 

9.

Sábado lá "estou outra vez".

 

Muitos equívocos e algumas certezas

Texto de Francisco Gonçalves

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Noite de muitos equívocos e de algumas certezas.

 

Primeiro equívoco: ao contrário do que é habitual, Rúben Amorim não esteve muito bem, na antevisão do jogo contra os ingleses [Sporting-Manchester City]. A forma como ele se referiu à equipa adversária e, principalmente, ao seu treinador, pecou por excesso, naquilo que é uma apreciação positiva do seu adversário.

Rúben Amorim poderia, quiçá, transportar essa apreciação para o plano da admiração, não necessitando, contudo, de enveredar por um discurso que esteve muito próximo da vassalagem.

 

Segundo equívoco: a forma como Rúben Amorim reconheceu as abissais diferenças entre a qualidade das duas equipas e dos próprios treinadores não teve reflexo na planificação das dinâmicas da equipa para o jogo.

Se, na opinião do nosso jovem treinador, o Manchester City é assim tão superior ao Sporting Clube de Portugal, competir-lhe-ia armar a equipa para esse cenário. Ao invés, o que se viu foi o conjunto leonino a jogar como se do outro lado estivesse uma equipa da sua igualha.

 

Terceiro equívoco: as adaptações de jogadores a posições que não são as suas. Na Liga portuguesa, ou em situações de ausência de outras soluções, percebe-se que o treinador proceda às adaptações julgadas plausíveis para enfrentar um compromisso.

Ontem [terça-feira], em Alvalade, jogava-se a Liga dos Campeões, havia soluções para preencher, naturalmente, todas as posições e, por conseguinte, não havia necessidade de inventar – Ricardo Esgaio é um excelente jogador, é polivalente, mas essa circunstância de ser adaptável não pode prevalecer se estiver no banco quem, vocacionalmente, desempenha bem a posição.

 

Quarto equívoco: não utilizar o banco de suplentes quando o resultado já é, escandalosamente, mau: Rúben Amorim deveria ter procedido a algumas alterações que pudessem tentar inverter o sentido das coisas. O intervalo teria sido o momento ideal para fazer alguns ajustes e introduzir novos artistas para os segundos 45 minutos.

Merece destaque especial a forma como Pedro Gonçalves não esteve no jogo e, ainda assim, regressou para a segunda parte.

 

Primeira certeza: o Sporting Clube de Portugal não tem, ainda, pedalada para esta fase da competição. É verdade que está muito mais próximo de atingir essa capacidade do que estava há um ano, mas continua longe do valor médio das equipas que, por norma, estão neste patamar.

Seria necessário que, por sorte, o sorteio indicasse uma daquelas equipas outsiders, com menor qualidade, para que os leões pudessem ambicionar os quartos-de-final.

 

Segunda certeza: Matheus Nunes é um jogador fantástico e nem sequer repara contra quem está a jogar.

Para ele, são todos iguais. Foca-se no seu jogo e quem estiver por perto que saia da frente. Fabuloso.

 

Texto do leitor Francisco Gonçalves, publicado originalmente aqui.

Estado de Graça

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Depois da tempestade de ontem podem-se tirar algumas conclusões. Sobre o passado, o presente e o futuro. 

A conclusão sobre o passado é óbvia: no final de época 20/21 algo vingou a narrativa - até irónica - de que o inusitado (e mesmo inesperado) título nacional tinha sido possível porque a equipa jogara... sem os espectadores do Alvalade. Penso que a espantosa demonstração de fervor clubístico dos 48 mil adeptos que ontem foram ao estádio, numa enormérrima ovação aos jogadores após o pesado desaire, bem mostra que isso não era verdade. Os sportinguistas estão com a equipa, e de modo total e veemente.

Sobre o presente, a verdadeira manifestação de ontem deixa também concluir que o clube está pacificado, vive em verdadeiro estado de graça. Os inúmeros títulos nas várias modalidades desportivas, a acalmia administrativa e a coerência das medidas tomadas no futebol sénior, os vários títulos que este vem alcançando, criaram esse ambiente, cerziram as aparentes fracturas no Universo Sporting. Mas este é muito sedimentado pela bonomia do nosso treinador Amorim. E isso é necessário frisar, também com vista ao futuro: o clube precisa de firmeza das suas direcções e dos seus profissionais. Mas as derivas abrasivas, confrontacionais, são prejudiciais, pois minam a própria articulação interna.

Sobre o futuro, o que se retira do que aconteceu ontem? Na sua conferência de imprensa - como sempre excelente, mas esta ainda um pouco mais - Amorim deixou entender que se prepara para continuar no clube. Claro que há sempre a hipótese de algum colosso europeu chegar com malas de gazodólares ou quejandas moedas, querendo contratá-lo. Mas pelo seu ênfase na preparação do futuro não me parece que o ainda jovem treinador esteja com pressa disso - além de que os colossos não só estão "ocupados" por gente quase inamovível (os três espanhóis, o Bayern, o City, o Chelsea, o Liverpool, o Arsenal, o Tottenham, e ao que parece o PSG como Zidane, indo Pochetino para o United, restando o complicado "calcio" cujo topo é pouco dado a estrangeirismos técnicos). E para além disso há que pensar que, por mais que gostemos de Amorim, ele ainda não terá dado provas suficientes para algum desses grandes o contratar para gerir essas armadas hipermultimilionárias.

Dito isto, há que mimar este treinador e seu grupo. Não só preservar o seu contrato como manter este "estado de graça", esta disposição amável. Mesmo que não se ganhem os dois títulos ainda à disposição nesta época. Nisso pouco importa se ontem aquilo foi demasiadamente mau, num inesperado espalhanço, até pior a exibição do que o resultado, algo mesmo injustificado - o City domina o futebol inglês mas não espeta 5 secos aos clubes do meio e do fim da tabela. E, acima de tudo, esses clubes - tendo piores equipas do que a nossa - enfrentam-no com muito mais competência. 

Ora para esse mimo com o treinador faltam 3 ou 4 coisas. Mas não sei se haverá disponibilidade para as obter. Duas delas são óbvias: um Porro para a esquerda, um excelente central. Para além de desencantar alguém para substituir Matheus Nunes. E reforçar o ataque, incrementar a concorrência no sector. Com a argúcia das contratações dos dois últimos anos isto será possível para aí com o equivalente ao que se ganhou com o trespasse da licença desportiva de Nuno Mendes, ou talvez até menos.

E se tudo isso acontecer poderemos dizer, a partir de hoje e durante muitos anos: que magnífica noite, aquela em que jogámos com o City! Levámos uma cabazada mas foi-se Sporting como nunca. Mas se nos destrambelharmos com os resmungos sobre a argúcia táctica de Amorim ou a falta de qualidade da A ou B? Num ápice voltaremos à estaca "zero". Que tão bem conhecemos no clube.

Verdadeiro ou falso


Vistas as coisas de um ângulo muito diferente, porque não vemos o Bernardo Silva de ontem, na seleção? Qual o verdadeiro Mourinho – aquele que liderou o Real e foi campeão contra a melhor equipa da história, o Barça de Guardiola; ou este de agora, meio estranho, que refila com árbitros, jornalistas e seus jogadores?

E o City? Ontem foi verdadeiro ou apesar de tudo teve a sorte cada-tiro-cada-melro?

Rúben tem um plano e não se quer desviar, sabendo ele próprio que tem muito por aprender e viver. Se a vida fosse uma série de televisão, estaríamos a meio da temporada, em que ele ganha umas mas é sempre copiosamente derrotado com os mais fortes. Qual é o verdadeiro Rúben? O que controla totalmente a coisa internamente e sofre KOs com os lá de fora, porque plano é plano, ou um Rúben paciente – porque plano é plano - que sabe que mais tarde ou mais cedo os KOs passam a decisões de juízes e, empates e, quem sabe, a vitórias?

Por falar nisso, os jogadores dele acham-se melhores do que aquilo que são ou estas derrotas, que têm muito de treinador, são também medo cénico? Contra SLB e Porto, somos hoje dominadores e até favoritos, contra Ajax e City parecíamos a equipa do bairro no torneio na cidade a enfardar goleadas atrás de goleadas. Serão os nossos três grandes assim tão piores que os colossos europeus ou são os nossos jogadores que ainda têm de sair da casca e ir para lá do plano quando é para ir para lá do plano?

O que é melhor no fim destes massacres? Pissadas públicos violentas nos jogadores ou carinho?

E o que é ser grande e o que é ser pequeno? Os adeptos tiveram razão nos aplausos no fim do jogo ou foram levados pela emoção?

 

P. S. Até agora, o Ajax sofreu 5 golos na Champions e 5 golos na liga neerlandesa. Três desses golos foram marcados pelo Sporting

Eu estive lá!

Não será uma boa recordação a noite de ontem, daquelas que gostamos de recordar aos nossos netos.

No entanto a equipa do Sporting poderá ter aprendido alguma coisa na noite passada. Assim o perceba Ruben Amorim que ontem inventou um bocadinho com o Esgaio à esquerda quando tinha o Nuno Santos.

A primeira lição é que não obstante estar a ganhar por 3 ou 4, o City não perdeu o foco em marcar mais. Carregou sempre como se estivesse a perder.

A segunda é que a ganhar por 5 a equipa de Pepe Guardiola defendia a sua baliza como se o resultado estivesse empatado.

Estas duas simples lições deverão ser aprendidas pela equipa técnica do Sporting a fim de evitar casos recentes ocorridos contra o Santa Clara e Braga.

Portanto nem tudo foi mau ontem… assim queira o treinador leonino.

Finalmente… grande, grande ambiente em Alvalade.

Já sentia saudades de ver o estádio repleto!

Podres de espírito


Incrível como Rúben Amorim e a sua equipa técnica são tão melhores que os outros treinadores na nossa Liga. Menos incrível como a fraqueza das instituições permite que eventos pós-jogo como os de ontem se repitam. A sensação de impunidade de muitos dos indivíduos deve-se apenas e só a isso. Pensemos quem tem sido favorecido nas últimas décadas por tanta tibieza e podridão nas decisões de arbitragem, castigos e organização e chegamos depressa à resposta. Achar que um árbitro pode, sozinho, parar esta maré, é ingenuidade.

Nunca supus que o jogo de ontem viesse a ser fácil, disputado ou pacífico. Não me admira nada do que aconteceu, muito menos a simplicidade com que um fulano de colete azul, que não faz parte da ficha de jogo, dá um soco num dos jogadores. Já cá ando há muito anos e nada daquilo espanta, como não espantará que o castigo seja uma multinha ou uma interdição quando já não houver risco de afetar nada. Nada lhe vai acontecer, zero. O mais certo é estar a receber palmadas nas costas e promessas de almoços pagos. Apostaria bom dinheiro em como está a viver um dos melhores dias da sua vida, feito herói da esperteza, rei dos pobres do espírito, efémero herói da barbárie. Não ganhará centenas de milhar de euros ao longo de décadas, mas estas migalhas de importância vão valer ouro na sua existência.

Há várias razões para sermos um país pobre. Esta podridão e impunidades de décadas numa atividade tão importante para a população como é o futebol é tanto um sintoma como uma causa.   

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