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És a nossa Fé!

Quente & frio

Gostei muito deste ponto alcançado pelo Sporting em Londres, ao empatar 0-0 com o Arsenal - talvez o mais sério candidato à conquista da presente edição da Liga Europa, com um plantel de Champions. Foi apenas a terceira vez que empatámos em Inglaterra, o que mais valoriza este empate, conseguido com muita inteligência táctica e grande força colectiva pelo onze leonino ainda comandado pelo técnico interino Tiago Fernandes. Frente a uma equipa que vinha de 15 jogos consecutivos sem perder e luta para a conquista da Premier League, sob o comando do treinador basco Unai Emery: está em quinto lugar na classificação, apenas a seis pontos do líder, Manchester City.

 

Gostei de ver a massa adepta leonina acorrer em grande número ao estádio londrino: eram, oficialmente, 5.385 leões no topo sul da casa do Arsenal e puxaram pela nossa equipa do princípio ao fim do desafio, numa vibrante celebração da festa do futebol. Gostei da exibição da maioria dos nossos jogadores (excepto Diaby e Bruno Fernandes), mas destaco Coates, seguríssimo no comando do bloco defensivo, imperial nos lances aéreos e capaz de travar o ímpeto ofensivo de craques arsenalistas como Welbeck e Aubameyang: voto nele como o melhor Leão em campo. Gostei ainda de ver Tiago Fernandes confiar no jovem Miguel Luís: o médio ala da nossa formação - campeão europeu sub-17 e sub-19 - correspondeu ao repto, nesta estreia como titular da equipa principal. Exibição de bom nível, confirmando que vale a pena apostar na cantera de Alcochete. Depois de Jovane, este é o segundo na época em curso. Nada mau.

 

Gostei pouco do défice ofensivo da nossa equipa, que não deu trabalho ao guardião checo Petr Cech: o contra-ataque leonino nunca funcionou e fomos incapazes de fazer um só remate enquadrado às redes adversárias. Mas o essencial, nesta partida em que retomámos o desenho táctico 4-2-3-1 de José Peseiro, era não sofrermos golos perante o caudal ofensivo do Arsenal. Conseguimos alcançar este desígnio estratégico: dar terreno à turma londrina vedando-lhe em simultâneo o acesso à nossa baliza ao bloquear-lhe a capacidade de disparo. Missão cumprida. Trazemos de Londres um precioso ponto na bagagem. E superámos enfim uma marca de 18 jogos seguidos a sofrer golos nas competições europeias: o anterior desafio em que tínhamos mantido as nossas redes invioladas remontava a Setembro de 2011, quando defrontámos o Zurique.

 

Não gostei da expulsão de Mathieu, que viu o cartão vermelho aos 87', ao travar in extremis, à entrada da nossa grande área, um perigosíssimo lance ofensivo protagonizado por Aubameyang na sequência de um disparatado atraso de bola, do meio-campo, feito por Bruno Fernandes. Uma falta inevitável cometida pelo internacional francês, que foi um dos melhores em jogo, com grandes cortes aos 24', 32' e 77'. Mais injustificado foi o cartão amarelo exibido aos 67' a Acuña, que hoje voltou a actuar como lateral esquerdo. O internacional argentino viu-se punido por protestos, algo nada aceitável num profissional experiente, e minutos depois arriscou um segundo amarelo que o faria tomar duche mais cedo. Tapado com cartões, Acuña fica fora do próximo desafio internacional do Sporting, no Azerbaijão, frente ao Quarabag.

 

Não gostei nada das saídas, por lesão, de Welbeck e Lichsteiner - sobretudo do primeiro, que esteve alguns minutos em evidente sofrimento no relvado, acabando por abandonar de maca. Desaires numa equipa muito bem comandada por um técnico já com três troféus da Liga Europa no seu currículo, ao serviço do Sevilha, e que tem como estrela em ascensão o jovem médio ofensivo francês Guendouzi, que apenas com 19 anos - a idade de Miguel Luís - demonstra notável qualidade de passe e excelente visão de jogo. Haveremos de ouvir falar muito dele.

Quente & frio

Gostei muito de ver Wendel estrear-se a marcar de verde e branco. Havia apenas 9 minutos de jogo em Alvalade, o que prometia uma vitória folgada do Sporting neste jogo da Taça da Liga contra o Estoril, equipa da segunda divisão. Nada mais ilusório.

 

Gostei de ver Bas Dost regressar à condição de titular mais de dois meses depois. Não marcou mas teve movimentações interessantes, pressionando na área ofensiva e auxiliando nas missões defensivas. Aos 62', por precaução, cedeu lugar a Montero.

 

Gostei pouco que a equipa começasse demasiado cedo a tirar o pé do acelerador, defendendo a magra vantagem. Os nossos jogadores demoravam uma eternidade a colocar-se no meio-campo adversário, trocavam displicentemente a bola e actuavam como se estivessem num jogo-treino. Alguns mostravam-se claramente desconcentrados, comportamento inaceitável numa equipa com os pergaminhos do Sporting. Adivinhava-se, a todo o tempo, o golo do Estoril. Que acabou por chegar, aos 71'. E logo chegou outro, aos 82'. Saímos derrotados por 1-2. Foi apenas a terceira vez que esta equipa nos derrotou em nossa casa - as outras foram em 1945 e 2014.

 

Não gostei de ver o técnico do Estoril, que só tem 32 anos, dar uma lição de táctica a José Peseiro, dominando o corredor central, forçando o Sporting a encaminhar o jogo ofensivo pelas alas e explorando de forma muito eficaz o contra-ataque. A nossa equipa foi lenta, apática, previsível, movimentando-se sempre com pouca intensidade. O resultado ficou à vistae é confirmado pelas estatísticas: tivemos apenas três situações de golo, enquanto os estorilistas criaram seis. Parabéns ao jovem Luís Freire: aposto que vai longe como treinador de futebol.

 

Não gostei nada da atitude de muitos dos nossos jogadores, numa partida em que apenas Gudelj e Diaby repetiram a titularidade da anterior partida, para o campeonato, frente ao Boavista. Salin saiu muito mal com a bola, quase a perdendo, aos 62'. Jefferson, sem conseguir um centro em condições, parecia totalmente alheado, talvez a suspirar por férias - e foi substituído por Lumor aos 62'. André Pinto teve clara responsabilidade no primeiro golo do Estoril, em que é batido em velocidade, e fez pouco depois um autogolo: foi uma daquelas noites em que não devia ter saído de casa. Marcelo falhou passes, pecou por extrema lentidão e raras vezes conseguiu sair com a bola controlada. Bruno Gaspar, no corredor direito, revelou-se inofensivo. Petrovic e Gudelj tentaram fuzilar a baliza, mas só conseguiram atirar a bola para a bancada: o segundo continua a ser um corpo estranho neste onze. Carlos Mané ainda acusa a prolongada inactividade de um passado recente: falta-lhe intensidade e consistência. Lumor, sem ritmo competitivo, não aqueceu nem arrefeceu. Conclusão: cada vez mais se confirma que faltam segundas linhas com qualidade a este Sporting. Mas mesmo Montero e Bruno Fernandes (que rendeu Wendel aos 67') pouco adiantaram. O médio ofensivo revelou-se até desastrado na marcação de cantos: nem parece o mesmo da época passada. Ressalvo apenas as exibições de Wendel, pelo golo marcado, e Diaby, mais inconformado e menos passivo do que os seus colegas. É muito pouco. Compreendi, por isso, o coro de assobios aos jogadores e à equipa técnica no final do jogo.

Não por acaso, o estádio esteve quase vazio. Ora bolas: assim não vale a pena ir a Alvalade.

Quente & frio

Gostei muito da exibição de Renan na baliza leonina. Foi ele, de longe, o nosso melhor jogador neste embate com o Arsenal em Alvalade para a Liga Europa que terminou com a vitória da equipa visitante por margem mínima (1-0). Em estreia ao serviço do Sporting numa competição europeia, o guardião brasileiro defendeu quase tudo nesta partida que em diversas fases do segundo temp foi de sentido único, com os ingleses a pressionarem em sequência constante o nosso bloco defensivo. Fez pelo menos três grandes defesas, aos 24', 50' e 72', quando os adeptos do Arsenal - presentes em grande número no nosso estádio - já quase gritavam golo. Só não conseguiu travar o remate de que resultou o golo solitário, na sequência de uma falha de Coates.

 

Gostei de ver o nosso estádio com mais de 40 mil espectadores - num jogo que começou antes das 18 horas durante um dia laboral. Quase todos apoiando sem reservas a equipa, que teve uma prestação aceitável, embora modesta, no primeiro tempo e revelou uma notória queda de qualidade exibicional na etapa complementar, deixando o Arsenal dominar por completo a partida onde se deu ao luxo de manter Ozil no banco e só fazer entrar Lacazette perto do fim. Apesar disto, nunca faltou o apoio dos adeptos que foram incentivando os jogadores e sublinhando com aplausos algumas jogadas mais vistosas - infelizmente poucas. É certo que houve assobios, embora tímidos. Mas só no final do jogo, quando já caíra o pano e a derrota em casa estava consumada. Até nesse momento, porém, repetiram-se os aplausos generalizados aos profissionais leoninos, que deram a volta ao campo, agradecendo.

 

Gostei pouco de ver um desequilibrador como Jovane permanecer 71 minutos no banco, quando era já evidente o profundo desgaste físico da equipa e a quebra de dinâmica de jogadores nucleares, como Nani e Bruno Fernandes. Gostei menos ainda de ver Montero quase sempre isolado lá à frente, a larga distância do resto dos companheiros, essencialmente remetidos a tarefas defensivas. E de perceber que supostos reforços, como Diaby e Wendel, continuam sem oportunidade para demonstrarem o que realmente valem. Ou entram à beira do fim, como no caso do maliano, ou nem chegam a calçar, como acontece em regra com o brasileiro.

 

Não gostei da confirmação de que temos um plantel curto e de qualidade muito irregular, obviamente inferior ao da época passada. Com a agravante de continuarem de fora elementos fundamentais, como Mathieu e Bas Dost, e um dos raros reforços de qualidade, Raphinha. Na ausência do holandês, jogamos sem um verdadeiro artilheiro com características goleadoras. Mesmo assim, isso não explica o facto de termos passado um jogo inteiro sem fazermos um só remate enquadrado à baliza adversária nem um contra-ataque realmente perigoso, falhando passes sucessivos, atirando a bola várias vezes para a bancada e desperdiçando 11 cantos, que não causaram qualquer mossa à turma inglesa. Também não gostei da manifesta falta de qualidade dos dois jogadores sérvios que alilnharam a titulares. Nem, obviamente, do lamentável erro individual de Coates, que ofereceu de bandeja a vitória ao Arsenal.

 

Não gostei nada da atitude temerosa da equipa do Sporting, que demasiado cedo decidiu estacionar o autocarro, em jeito de equipa muito pequena, chegando a ter diversas vezes todos os jogadores - excepto Montero - remetidos à sua metade do relvado. José Peseiro montou um onze titular com três médios de características defensivas (Petrovic, Gudelj e Battaglia), com óbvio prejuízo para a circulação de bola ofensiva, transmitindo de imediato aos pupilos sob o seu comando a imagem de um futebol medroso, capaz de comprazer-se num empate a zero em casa. Este dispositivo táctico aguentou-se penosamente durante 78', até ao golo do Arsenal - equipa que descansou menos 48 horas do que o Sporting pois jogara na segunda-feira. A partir daí percebeu-se que não havia plano B: foi cada um por si, todos a jogarem cada vez pior. A troca de Nani por Diaby, quase ao cair do pano, serviu para coisa nenhuma. O desfecho estava traçado.

Quente & frio

Gostei muito da excelente réplica que o Grupo Desportivo de Loures deu esta noite ao Sporting em jogo da terceira eliminatória da Taça de Portugal, disputado por empréstimo no estádio do Alverca. Ninguém diria que esta equipa disputa o terceiro escalão do futebol português, encontrando-se no 13.º lugar da série C do agora chamado Campeonato de Portugal. Boa exibição deste onze (orientado por André David, um jovem treinador de 33 anos), coroada no golo marcado já em tempo extra, e que fechou o resultado numa vitória tangencial leonina, por 2-1. Resultado pífio, que nos permitiu passar à eliminatória seguinte, é certo, mas sem brilho nem correspondência com os nossos pergaminhos nesta competição.

 

Gostei, apesar de tudo, da exibição de alguns jogadores do Sporting. Destaco Nani, autor de um golo (o da vitória) aos 56', precedido de um precioso gesto técnico, desposicionando o defesa que lhe fazia a marcação, e de uma assistência - aos 42', para o remate de meia-distância de Bruno Fernandes de que resultou o golo inaugural. Gostei também da intensidade e da dinâmica de Jovane Cabral, protagonista de frequentes desequilíbrios - foi ele a ser carregado em falta dentro da grande área do Loures, de que resultou um penálti a nosso favor, e também ele a rematar com força para a defesa incompleta do guardião adversário que permitiu a recarga com êxito de Nani.

 

Gostei pouco das apostas de José Peseiro para fazer descansar vários jogadores (Montero, Coates, Acuña, Battaglia, Ristovski), já a pensar na recepção ao Arsenal para a Liga Europa, na quinta-feira. Bruno Gaspar continua em subrendimento na ala direita, sem demonstrar ser um verdadeiro reforço neste Sporting 2018/2019. Carlos Mané, que alternou com Jovane nas alas ofensivas, acusa em excesso a paragem de 15 meses por lesão grave. Renan, sem culpa no golo sofrido nesta primeira exibição como titular da baliza leonina, causou dois grandes calafrios aos adeptos - com uma saída em falso aos 36' e uma defesa incompleta aos 63'. Marcelo, em estreia absoluta em jogos oficiais pelo Sporting, foi lento, falhou passes e teve responsabilidade objectiva no golo que sofremos. Demonstração cabal de que temos um plantel curto e desequilibrado. Alguém duvida disto?

 

Não gostei do penálti que Bruno Fernandes foi incapaz de converter, aos 50', permitindo a defesa do guarda-redes Miguel Soares, que certamente recordará por muitos anos esta proeza. Também não gostei que o nosso jovem médio ofensivo Miguel Luís - campeão europeu de sub-17 e de sub-19 - tivesse sido lançado por Peseiro só aos 90', numa fase do jogo que já não lhe permitiu sequer tocar na bola. Pedia-se um pouco mais de confiança no talento deste jovem da nossa formação. Repito: jogávamos contra uma equipa que disputa o terceiro escalão do futebol português.

 

Não gostei nada do desempenho em campo de Castaignos. Com ele, está mais que demonstrado, actuamos apenas com dez. Foi o que sucedeu esta noite, em que vestiu a camisola verde e branca pela 17.ª vez. O holandês multi-tatuado - um dos jogadores do Sporting com salário mais elevado - parece ser especialista apenas em falhar golos. Hoje distinguiu-se, sempre pela negativa, aos 65' (duas vezes), aos 73' e aos 90'+1: bem servido pelos colegas, foi incapaz de dar a melhor sequência às jogadas. Mesmo à boca da baliza, como chegou a acontecer. Juninho, marcador do golo do Loures, foi muito superior a ele.

Quente & frio

Gostei muito da vitória conseguida na Ucrânia, com uma temperatura muito fria, em total contraste com este Verão tardio que persiste em Portugal. Vitória por 2-1 arrancada a ferros, nos cinco minutos finais, mas até por isso mais emocionante e saborosa. Totalizamos seis pontos na Liga Europa, onde seguimos invictos. De algum modo, valha a verdade, apenas cumprimos a nossa obrigação pois a equipa adversária, o modesto Vorskla, segue na quarta posição do campeonato ucraniano. 

 

Gostei da forma como José Peseiro apostou tudo na viragem do resultado, quando perdíamos por 0-1 desde o minuto 10. Trocou Petrovic por Jovane e Diaby por Raphinha aos 70', alargando a frente atacante. Era o que a lógica do jogo recomendava e o técnico soube ler os sinais que lhe vinham do campo. Foi recompensado pela ousadia, em claro desmentido à velha alegação de que é um homem azarado. Hoje não houve azar nenhum. Pelo contrário, houve sorte somada à competência de Montero, que - em campo desde os 58' - respondeu da melhor maneira a um passe de 35 metros de Jefferson, amortecendo a bola no peito, fazendo uma simulação com o pé direito e marcando com o esquerdo no último minuto do tempo regulamentar. Competência reforçada com o golo da vitória, apontado pelo incontornável Jovane, aos 90'+3: Raphinha cruzou muito bem, Bruno Fernandes teve uma recepção muito imperfeita, mas a bola sobrou para o jovem caboverdiano, que não perdoou com o seu indesmentível faro pela baliza. É já o segundo melhor marcador leonino na Liga Europa: um golo por jogo. E o colombiano (que estivera perto de marcar, aos 79', com um pontapé de bicicleta) foi o melhor em campo.

 

Gostei pouco da estreia de Carlos Mané e Diaby como titulares. O treinador demonstrou confiança neles, mas não foi correspondido. O jovem da nossa formação, que vem de uma paragem de 15 meses, mostrou-se inofensivo nas duas alas, acabando por ser substituído sem qualquer surpresa aos 58'. O maliano revelou défice no ataque à profundidade e nas movimentações junto da zona de finalização, que lhe estava entregue como elemento mais avançado do onze leonino. Deu o mote pela negativa, logo aos 6', quando falhou o remate no momento em que se isolava perante a baliza adversária. Nada mais fez de relevante nos 70' em que permaneceu no campo. Fica a dúvida: será mesmo aquele ponta-de-lança alternativo a Bas Dost de que o Sporting necessita? Talvez seja, mas não pareceu.

 

Não gostei de mais um "apagão" de Bruno Fernandes, pródigo em perdas de bola e passes sem nexo, nem da exibição do lateral-direito Bruno Gaspar, para mim o pior "leão" em campo. Também não gostei de ver a nossa equipa perder logo a partir do minuto 10, devido a um lapso defensivo originado por um mau alívio de André Pinto e pela apatia de Petrovic (médio defensivo que aqui se limitou a cobrir com os olhos). Gostei menos ainda de verificar que demorámos 35 minutos a reagir verdadeiramente a este resultado desfavorável: a única oportunidade de golo criada pelo Sporting ao longo de toda a primeira parte ocorreu aos 45'+1, quando Jefferson cruzou muito bem e Nani rematou quase sem preparação, propiciando ao guarda-redes do Vorskla a defesa da noite.

 

Não gostei nada de confirmar que temos um défice de qualidade exibicional no plantel. Não é difícil explicar porquê. Basta reparar que só três dos 11 jogadores que hoje entraram em campo (Coates, Acuña e Bruno Fernandes) eram titulares do Sporting na época anterior. Basta reparar também que elementos nucleares da equipa - como Mathieu, Battaglia e Bas Dost - ficaram em Lisboa por evidentes limitações físicas, felizmente superáveis. Há que dar tempo ao tempo. E reconstruir uma equipa que em Junho ficou totalmente destroçada pelos motivos que bem sabemos.

Quente & frio

Gostei muito de ver o nosso novo presidente no lugar que lhe compete: a tribuna presidencial. Tendo consigo vários dos seus ex-opositores na recente corrida à liderança do clube. E acolhendo como anfitrião, com boas maneiras, o seu homólogo do Marítimo. Sem saltar da cadeira nem se pôr eufórico com os nossos golos  isso fazia ele quando era director clínico e se sentava no banco de suplentes. Saber estar é condição inerente a ser do Sporting.

 

Gostei da exibição leonina - talvez a melhor desta era Peseiro. Futebol de ataque, com jogadas bem desenhadas pela movimentação constante das nossas linhas médias em articulação permanente com os jogadores mais avançados no terreno. E o envolvimento do próprio quarteto defensivo, com os centrais a participarem na construção ofensiva. Ninguém diria que estes jogadores, em grande parte, só actuam juntos há poucas semanas. Também gostei das estreias de Jovane e Bruno Gaspar a titulares. Ambos corresponderam - o primeiro, desde logo, com um golo; o segundo, novamente muito influente, sofre a falta de que resulta o penálti e o nosso segundo golo e recupera a bola na jogada de que resultou o primeiro. Gostei ainda de Bruno Fernandes, que parece regressar à boa forma: marca dois golos, recupera a capacidade de iniciativa em campo e merece ser eleito o homem do jogo.

 

Gostei pouco do horário deste Sporting-Marítimo, iniciado às 20 horas de uma noite de domingo. Continuamos a ser penalizados com o calendário dos jogos. Mesmo assim, quase 30 mil pessoas acorreram a Alvalade para incentivarem a equipa na defesa do único título que fomos capazes de vencer na época anterior: esta Taça da Liga, a que alguns agora dão outro nome mas que para mim continua a denominar-se assim: o meu código deontológico proíbe-me de fazer menção a marcas comerciais.

 

Não gostei das ausências dos nossos lesionados Bas Dost, Mathieu (este quase recuperado) e Nani. Uma equipa que se vê forçada a deixar tão talentosos jogadores de fora e mesmo assim se comporta em campo como se nenhum contratempo a afectasse, é uma equipa digna de elogio.

 

Não gostei nada da patada que um tal Lucas aplicou de pitons em riste no peito do Wendel, quase no fim do jogo, quando era óbvio que o resultado (3-1) estava mais que decidido. Um acto indigno de um profissional de futebol, prontamente sancionado pelo árbitro Manuel Mota com vermelho directo. Esta conduta antidesportiva devia ser punida com castigos ainda mais severos do que os actuais.

Quente & frio

Gostei muito de tudo. Do jogo repleto de emoção do princípio ao fim. Das bancadas em Alvalade cheias de adeptos vibrantes. Da nossa capacidade de superar obstáculos - com 55 desafios já disputados nesta temporada, contra apenas 47 dos portistas. Da entrega dos jogadores leoninos à luta pelo segundo troféu mais cobiçado do futebol português. Da nossa superioridade durante quase toda a partida. Do nosso triunfo em campo frente ao FC Porto, por 1-0 - o primeiro clássico que terminamos nesta época com vitória no tempo regulamentar de jogo. Do nosso acesso à final da Taça de Portugal, que disputaremos a 20 de Maio no estádio do Jamor.

 

Gostei do golo de Coates, que nos permitiu empatar a eliminatória, após termos sido derrotados 0-1 na primeira mão, no Porto. O internacional uruguaio, que tinha estado no centro de todas as críticas pela desastrada exibição frente ao Atlético de Madrid, na capital espanhola, soube redimir-se esta noite em Alvalade, não apenas por ter sido o único a meter a bola nas redes adversárias mas também pela sua excelente actuação no plano defensivo, com corte soberbos aos 31', 42' e 111'. Destacou-se ainda, no desempate por penáltis, por ter convertido a nossa quarta grande penalidade. Após Bruno Fernandes, Bryan Ruiz e Mathieu, e antecedendo Montero. Nenhum deles falhou neste momento decisivo.

 

Gostei pouco do sofrimento a que fomos submetidos até este desfecho bem sucedido - o terceiro que conseguimos por marcação de penáltis, após a meia-final da Taça da Liga (contra o FCP) e a final desta competição (contra o V. Setúbal), também decididas por grandes penalidades, com a balança a pender sempre a nosso favor. Prova inequívoca da maturidade competitiva e da força mental do plantel verde e branco, por mais que o cansaço físico prevaleça. Tudo está bem quando acaba bem.

 

Não gostei da ineficácia ofensiva dos nossos avançados, incapazes de marcar um só golo em lances de bola corrida ou bola parada. Bas Dost, anulado pelos centrais portistas, praticamente passou ao lado do jogo. Montero teve bons apontamentos (nomeadamente quando partiu os rins a Alex Telles, numa incursão pelo flanco direito aos 116') mas só foi bem sucedido na ronda dos penáltis finais. Doumbia entrou muito tarde, aos 105', e pouco ou nada fez no escasso tempo em que esteve em campo.

 

Não gostei nada da meia hora inicial desta meia-final em Alvalade, em que o Sporting se mostrou lento, previsível, inofensivo à frente, com notória falta de intensidade. Felizmente soubemos dar a volta por cima e melhorar muito no segundo tempo, culminando no golo aos 84' que levou a partida para prolongamento. Era já meia vitória, antecipando o bom desfecho desta difícil partida que ainda mais valoriza o triunfo leonino. Prenúncio de novas e ainda mais saborosas vitórias.

Quente & frio

Gostei muito da vitória desta noite em Alvalade frente ao Atlético de Madrid, um dos colossos do futebol europeu: o Sporting impôs à equipa adversária a primeira derrota na Liga Europa nesta temporada. Vencemos por 1-0, com golo de Montero logo aos 28' correspondendo muito bem a um cruzamento de Bruno Fernandes: o colombiano redimiu-se assim do falhanço à boca da baliza na capital espanhola, faz hoje oito dias. Também gostei muito de ver a dinâmica colectiva e o espírito solidário dos nossos jogadores, que dominaram toda a partida, condicionando e vulgarizando os colchoneros. Tudo isto na sequência de dias muito complicados para a agremiação leonina.

 

Gostei dos aplausos vibrantes aos nossos jogadores no final do encontro, realizado quase sempre sob chuva intensa. Aplausos mais que merecidos ao colectivo leonino, em que se destacaram as exibições de Acuña, Gelson, Bruno e o marcador do nosso golo solitário, com o argentino a evidenciar-se como o melhor Leão, num desempenho quase perfeito: foi dele o primeiro disparo com muito perigo, rasando o poste aos 4', fez os melhores cruzamentos e assegurou o controlo de todo o nosso corredor esquerdo, tanto na manobra defensiva como na construção ofensiva, ludibriando Juanfran à frente e neutralizando Torres atrás. Jorge Jesus montou muito bem a equipa, com uma linha de três centrais e dois falsos laterais adiantados no terreno em reforço da muralha do meio-campo, ganhando sucessivas segundas bolas em movimentações constantes. Os aplausos finais confirmam: os adeptos estão definitivamente reconciliados com os jogadores, que deram o máximo em campo e bem mereceram este tributo.

 

Gostei pouco que esta vitória tivesse sido insuficiente para nos fazer transportar às meias-finais da Liga Europa. Ficámos por aqui, mas fomos de longe a melhor equipa portuguesa nas competições europeias desta temporada, em que chegámos a defrontar Juventus e Real Madrid. Se Montero não tivesse falhado aquele golo mesmo ao terminar o desafio no estádio do Atlético, ganharíamos sem favor o passaporte para a fase seguinte. Também merece elogio o guarda-redes Oblak, que hoje fez duas monumentais defesas, travando os disparos para golo de Coates (aos 10') e Bryan Ruiz (aos 45').

 

Não gostei que o Sporting tivesse jogado tão desfalcado. Sem quatro titulares habituais, por castigo ou lesão: Bas Dost, Coentrão, Piccini e William Carvalho ficaram de fora. O holandês, que tem marcado cerca de metade dos golos leoninos, foi talvez o que mais fez falta no relvado de Alvalade. Como se isto não bastasse, também Mathieu viria a lesionar-se, abandonando o campo aos 25': felizmente o seu substituto, Petrovic, deu boa conta do recado. E desta vez o bloco defensivo comportou-se muito bem, cumprindo os 90 minutos de forma quase irrepreensível. Destaque negativo apenas para Rúben Ribeiro, lá mais à frente: entrou aos 70', substituindo Bryan Ruiz, e voltou a demonstrar que não tem categoria para integrar o plantel do Sporting. Daí ter sido o único jogador a ouvir assobios nas bancadas.

 

Não gostei nada que a primeira mão destes quartos-de-final tivesse suscitado tanta polémica - como se o Atlético de Madrid fosse um Videoton ou um Skënderbeu. Não havia necessidade, como esta segunda mão bem demonstrou. Agora há que olhar em frente e tentar recuperar os jogadores que estão lesionados ou acusam extrema fadiga física e mental, cumpridos que estão 53 jogos oficiais nesta época - uma das nossas mais desgastantes de sempre.

Quente & frio

Gostei muito da exibição de Rui Patrício no jogo desta noite. Único jogador do Sporting que destoou claramente numa exibição global sofrível e até medíocre, com erros defensivos inadmissíveis e sem eficácia na finalização. Aos 22 segundos já estávamos a perder por 0-1. Saímos derrotados da capital espanhola, frente ao Atlético de Madrid, por 0-2, numa partida que torna ainda mais escassas as nossas perspectivas de seguir em frente na Liga Europa. O resultado é lisonjeiro para a turma leonina: só o melhor guarda-redes português impediu um triunfo mais dilatado. Com grandes defesas aos 3', 48' (saindo muito bem aos pés de Diego Costa), 51' e 81' (fazendo a mancha a Juanfran). "São Patrício" foi o melhor em campo.

 

Gostei do apoio vibrante de uma ruidosa claque leonina que compareceu em força no novo estádio da equipa madrilena: foram cerca de 3.600 adeptos ali presentes, numa demonstração clara de que nunca ninguém - presidente, treinador ou jogadores - pode queixar-se da falta de incentivo do público sportinguista, mesmo nas situações mais adversas.

 

Gostei pouco que o Sporting tivesse maior posse de bola: 58%. Uma posse inconsequente, com apenas duas inequívocas oportunidades de golo. A primeira, desperdiçada por Gelson Martins aos 32' quando se isolou frente a Oblak e permitiu a defesa do guardião colchonero. A segunda, aos 90'+2, quando o recém-entrado Montero, à boca da baliza, rematou para a bancada. Lances emblemáticos deste Sporting cordato e macio, fisicamente desgastado e em nítida quebra psicológica, que se atemorizou frente ao Atlético. Na verdade, durante parte do tempo tivemos de facto muita bola. Mas para quê? Para ser chutada para trás e para o lado.

 

Não gostei da exibição de vários jogadores leoninos. Desde logo Coates, que teve a pior prestação de sempre ao serviço do Sporting, oferecendo o golo inaugural a Diego Costa e Koke logo aos 22 segundos e voltou a ser protagonista de arrepiantes deslizes defensivos aos 48' e aos 51'. Mathieu não esteve muito melhor: o segundo golo do Atlético nasceu de um erro dele aos 40', com uma perda de bola que foi um brinde ao goleador Griezmann. Também não gostei de Bryan Ruiz, que se movimentou sempre a passo e andou escondido do jogo: o costarriquenho não merece, de forma alguma, ser titular do Sporting. Jorge Jesus nunca o devia ter incluído no onze que iniciou a partida.

 

Não gostei nada da saída forçada de William Carvalho, ainda antes de soar o apito para o intervalo, por aparente agravamento da sua condição física. Estava a ser um dos melhores jogadores em campo e a sua retirada abrupta fez cair a pique a exibição leonina. Provavelmente não contaremos com ele para a segunda mão, que vai disputar-se de hoje a oito dias em Alvalade. Ausentes estarão também Fábio Coentrão e Bas Dost, que se fizeram amarelar estupidamente em lances sem qualquer perigo para a nossa equipa. O primeiro ao pontapear Griezmann por trás junto à linha do meio campo da equipa espanhola, o segundo ao fazer uma falta totalmente desnecessária, entrando de carrinho, à saída da grande área colchonera. Pareciam ambos de cabeça perdida, como se não soubessem que estavam à bica para ficarem de fora por acumulação de cartões.

Quente & frio

Gostei muito que o Sporting tivesse assegurado esta noite a qualificação para os quartos-de-final da Liga Europa. Num jogo sofrido, desgastante, no deplorável relvado do estádio do Viktoria Plzen. A equipa checa, que partiu para esta segunda mão com uma desvantagem de dois golos, equilibrou a eliminatória com um par de disparos certeiros - o primeiro logo aos 6', o segundo aos 65', deixando o onze leonino intranquilo. Mas conseguimos aguentar o 0-2 até ao fim do tempo regulamentar, forçando o prolongamento. E só nestes 30 minutos suplementares fomos superiores ao campeão checo. No conjunto da eliminatória merecemos a passagem à fase seguinte. Onde somos o único representante português nas competições organizadas pela UEFA.

 

Gostei da capacidade de resistência dos nossos jogadores num ambiente adverso e num terreno quase impraticável, com o desgaste da viagem até à quarta maior cidade da República Checa somado às muitas partidas já efectuadas em diversas frentes nesta temporada. Não viraram a cara à luta e tiveram talento suficiente para superar a eliminatória. Destaco os desempenhos de Rui Patrício (o melhor do Sporting), novamente decisivo ao impedir o golo checo numa excepcional defesa aos 107', Battaglia, que nos valeu a presença nos quartos de final com o golo marcado aos 105'+2, e Gelson Martins, sempre o elemento mais acutilante do nosso ataque, capaz de criar bons lances para a finalização de Bas Dost, como aconteceu aos 19' e aos 109' - infelizmente sem aproveitamento por parte do holandês, que hoje foi o rei dos perdulários.

 

Gostei pouco das inovações de Jorge Jesus para esta partida. Desde logo a colocação de Battaglia como lateral direito, quando estavam no banco Piccini e Ristovski, jogadores rotinados nesta posição. Decisão absurda do técnico, que pareceu apostar na marcha-atrás: só aos 67' o argentino avançou para médio posicional, rendendo o inútil Petrovic, com a entrada de Piccini para o quarteto defensivo. Esta simples mudança operou um duplo benefício na equipa, até aí demasiado passiva: tornou a ala direita mais operacional e o nosso corredor central mais compacto, pois com Petrovic parecíamos jogar só com dez e com Battaglia fora da posição em que mais rende jogávamos com nove e meio. Resta saber por que motivo demorou Jesus tanto tempo a corrigir o erro. E também porque insiste em colocar Bryan Ruiz no onze, apesar da total falta de dinâmica do costarriquenho.

 

Não gostei das ausências de Coates e William Carvalho, impedidos de participar neste jogo por acumulação de cartões amarelos: ficou bem evidente a falta que fazem ao onze leonino. Também não gostei da meia hora suplementar de fadiga física da nossa equipa, que volta a jogar já no domingo, num difícil desafio frente ao Rio Ave para o campeonato. Vários jogadores terminaram esta partida na República Checa com notórios sinais de exaustão - com destaque para Mathieu, Fábio Coentrão e Bruno Fernandes. Não admira: o Sporting tem sido, de longe, a equipa com calendário mais desgastante das três que aspiram à conquista do título de campeão nacional, com 48 jogos disputados desde o início da época e 20 consecutivos já em 2018.

 

Não gostei nada de perder este jogo por 1-2, em grande parte devido ao conjunto de falhas inacreditáveis dos nossos jogadores à beira da baliza, em nova roleta de golos desperdiçados. Desde logo um penálti muito mal convertido por Bas Dost, aos 90': o holandês rematou frouxo e à figura do guarda-redes, com Bruno Fernandes a falhar a recarga, ao tentar um chapéu com a baliza aberta. Foram as perdas mais clamorosas, mas houve outras. Bryan Ruiz - para não fugir à regra - conseguiu atirar para fora com o seu melhor pé quando se encontrava isolado, aos 39'; aos 54', muito bem servido por Dost, rematou ao lado; e aos 98', de novo isolado, permitiu a defesa, desperdiçando mais um golo quase certo. Por sua vez Acuña, hoje um dos piores em campo, conseguiu falhar duas vezes aos 49', em recargas sucessivas: primeiro acertou no poste, depois mandou-a para a bancada. Um autêntico festival de golos falhados no batatal de Plzen.

Quente & frio

Gostei muito da vitória do Sporting esta noite, em Alvalade: derrotámos por 2-0 o Viktoria Plzen, campeão em título e líder do campeonato da República Checa. Um jogo em que fomos claramente superiores do princípio ao fim: mais posse de bola, melhor organização, maior movimentação colectiva, mais oportunidades de golo (aliás os checos não tiveram nenhuma). Cumprimos a nossa missão tanto no plano ofensivo, vencendo por dois golos de diferença, como no plano defensivo, mantendo a baliza leonina invicta. Um resultado que nos abre boas expectativas para a segunda mão, a disputar em Plzen, quarta maior cidade checa. Temos grandes possibilidades de nos qualificarmos para os quartos-de-final da Liga Europa. Todos acreditamos nisso, seguramente.

 

Gostei de ver Montero recuperado como goleador da equipa neste seu regresso a Alvalade após dois anos em que jogou bem longe, primeiro na China e depois no Canadá. Foi ele o homem do jogo ao marcar os dois golos do Sporting - em momentos cruciais da partida. O primeiro aos 45'+1, coroando um excelente lance pelo corredor esquerdo protagonizado por Fábio Coentrão, Bryan Ruiz, novamente Coentrão (com uma assistência acrobática) e finalmente o colombiano, que rematou sem vacilar com o seu pior pé - o direito. O segundo aos 49', dando a melhor sequência a uma oportuna recuperação de bola concretizada por Bruno Fernandes, que o isolou com um soberbo passe: Montero, revelando perfeito domínio técnico, recebeu, driblou e atirou em cheio para o fundo das redes. Estava feito o resultado que anima e encoraja os adeptos leoninos. Com quatro avançados afastados por lesão (Bas Dost, Doumbia, Podence e Rafael Leão), o Sporting só pode congratular-se pela subida de forma do colombiano, que foi derrubado em falta na grande área aos 37': o árbitro bielorrusso fez vista grossa, não assinalando o penálti. Erro inequívoco, que as imagens documentam: era mesmo grande penalidade.

 

Gostei pouco da falta de intensidade que se apoderou da equipa quando faltavam cerca de 20 minutos para o desafio terminar. A vitória parecia consolidada, a réplica dos checos era frouxa e os nossos jogadores começaram a gerir a condição física, limitando-se a trocar a bola no meio-campo. Com isto permitiram o avanço no terreno dos adversários, que se aproximaram com perigo da nossa baliza e acreditaram que podiam marcar pelo menos um golo. Parte dos 26 mil espectadores que se encontravam em Alvalade assobiaram a equipa, que só então pareceu despertar daquele torpor. Funcionou como um tónico. No final não faltaram aplausos: Coentrão, substituído aos 85' por Rúben Ribeiro, recebeu a ovação da noite. Saiu esgotado, mas com o dever cumprido. Como Bruno Fernandes, William, Bryan, Mathieu, Gelson e o marcador de serviço. Todos com nota alta.

 

Não gostei que tivéssemos desperdiçado a oportunidade de marcar um terceiro golo, que nos deixaria muito mais descansados quanto ao desfecho desta eliminatória. Não foi por falta de tentativas, diga-se: foi por um misto de inabilidade, azar e grande exibição do guarda-redes checo, Hruska. Gelson, muito bem assistido por Acuña, podia ter marcado logo aos 7'. O extremo argentino atirou um petardo à barra, iam decorridos 22'. Bruno Fernandes tentou a meia-distância sem sucesso aos 39', 43' e 45'. Bryan Ruiz falhou por pouco o golo aos 65'. E Mathieu, numa impressionante corrida aos 90'+1, isolado por Rúben Ribeiro, desperdiçou talvez a melhor ocasião para o terceiro, rematando colocado mas permitindo a intervenção do guarda-redes. Do mal o menos: tem havido jogos em que tentamos ainda mais concretizando bastante menos.

 

Não gostei nada de saber que Coates e William Carvalho ficarão fora da segunda mão, a disputar na próxima semana, por acumulação de cartões. O uruguaio recebeu o amarelo aos 67', por pontapear sem necessidade uma bola após a marcação de uma falta. O internacional português ficou amarelado cinco minutos depois, na sequência de uma má abordagem a uma bola dividida no meio-campo, muito longe de alguma zona perigosa. Não havia necessidade, em qualquer dos casos. Ambos vão fazer-nos falta. Com André Pinto lesionado, Jorge Jesus terá de improvisar um central para o desafio em Plzen: poderá ser Palhinha, enquanto Battaglia ocupará provavelmente a posição de William. Felizmente poderemos contar com quatro outros jogadores que também estavam à queima e esta noite escaparam incólumes ao quinto amarelo: Acuña, Bruno Fernandes, Coentrão e Gelson Martins.

Quente & frio

Gostei muito do nosso apuramento para os oitavos-de-final da Liga Europa alcançado ao fim da tarde de hoje em Alvalade, com mais de 30 mil espectadores nas bancadas apesar de o jogo ter começado às 18 horas de um dia laboral. Objectivo facilitado pela vitória categórica na primeira mão, em Astana, no Cazaquistão, por 3-1. Em boa verdade, nunca esteve em causa a nossa passagem à fase seguinte, até porque o golo inaugural surgiu logo aos 3', por Bas Dost - o mais rápido golo leonino até agora marcado neste estádio para as competições europeias.

 

Gostei dos três golos que apontámos hoje, repetindo a dose da primeira mão, disputada há uma semana. Com Bas Dost a marcar o seu 27.º golo da temporada em todas as competições - do seu jeito preferido, de cabeça, na sequência de uma rapidíssima jogada pelo flanco esquerdo protagonizada por Coentrão e Bryan Ruiz, com o costarriquenho a centrar de forma perfeita. Os dois outros golos vieram assinados pelo melhor em campo: Bruno Fernandes. Aos 53', na sequência imediata de um pontapé de livre, com um disparo à distância de 30 metros, absolutamente indefensável e com direito a ser proclamado o rei dos golos desta jornada europeia. E aos 63', culminando uma tabelinha rápida com Bas Dost, cabendo a assistência ao holandês. Desta vez o sector mais eficaz do Sporting foi mesmo a sua linha avançada. Cereja em cima do bolo: a estreia de Rafael Leão numa competição da UEFA. Ainda júnior, o jovem da formação leonina recebeu forte ovação quando Jesus o mandou entrar aos 74'. Não marcou, mas protagonizou boas movimentações em campo, actuando sobretudo na ala esquerda do ataque.

 

Gostei pouco da falta de intensidade das nossas alas, que quase não existiram no primeiro tempo - exceptuando no lance do golo de Dost. Sem Gelson nem Acuña, os habituais titulares, Jesus optou por Bryan Ruiz à esquerda e Rúben Ribeiro à direita. Ambos foram flectindo para o eixo do terreno, desguarnecendo os flancos e comprometendo a manobra defensiva da equipa, abrindo espaço às incursões do Astana. O ex-Rio Ave, sobretudo, voltou a evidenciar-se pela negativa: sem capacidade de acelerar e esticar o jogo, enredou-se em toques curtos quase sempre lateralizados, perdeu com frequência os duelos individuais e passou a ser assobiado cada vez que tocava na bola. Jesus, sem surpresa, mandou-o tomar duche ao intervalo. No segundo tempo a equipa melhorou bastante logo com a entrada de Acuña e a partir do minuto 60 com a troca de Ruiz por William Carvalho, passando Bruno Fernandes a imprimir enfim acutilância ao flanco direito, onde Ristovski nunca combinou com Rúben nem fez esquecer o ausente Piccini.

 

Não gostei dos sucessivos lapsos defensivos que nos levaram a sofrer três golos - o primeiro aos 37', o segundo quase ao cair do pano, nesse fatídico minuto 80 que nos tem perseguido diversas vezes ao longo da temporada em curso, e o terceiro - fixando o resultado em 3-3 - na sequência de um canto cobrado na última jogada do desafio, já ultrapassados os três minutos concedidos pelo árbitro húngaro como tempo de compensação. E não podemos queixar-nos da ausência de sorte: no minuto inicial da partida e aos 36', o Astana levou a bola a embater nos nossos ferros. Falta de concentração, falta de marcações eficazes, lentidão de reflexos, incapacidade para prever as movimentações dos adversários: falhas que se pagam caras em alta competição. Hoje, via Sporting, custaram também pontos ao futebol português, que anda bem carecido deles no ranking dos países envolvidos em competições internacionais.

 

Não gostei nada de ver Bas Dost novamente magoado, no fim da partida. Erro de Jesus, que devia tê-lo tirado mais cedo, precisamente quando fez entrar Rafael Leão (Palhinha foi então o preterido), sabendo que o holandês esteve recentemente quase um mês afastado dos relvados devido a lesão. Já Coates, Gelson e Piccini ficaram de fora para prevenir excesso de fadiga muscular - precaução elementar nestes tempos em que o Sporting continua a cumprir dois jogos por semana em termos médios. Gostei menos ainda da falta de atitude competitiva de alguns jogadores, que pareceram desconcentrados e com alguma sobranceria no quarto de hora final da partida, quando vencíamos por 3-1. Como se estivessem a cumprir uma tarefa chata, denotando pouco respeito pelo público ali presente, de bilhete comprado e aplauso nunca regateado à equipa. Essa displicência ajudou a abrir caminho aos dois últimos golos sofridos. Espero que tenha servido de lição aos tais enfadados: um jogo só termina quando o árbitro apita para o fim.

Quente & frio

Gostei muito da vitória do Sporting frente ao Astana, na capital do Cazaquistão, em desafio disputado esta tarde, a mais de seis mil quilómetros de Lisboa. Vencemos por 3-1, com golos de Bruno Fernandes (de grande penalidade), Gelson Martins e Doumbia. Um resultado que abre todas as perspectivas de passagem à fase seguinte da Liga Europa: ninguém imagina a equipa adversária a marcar três golos sem resposta na segunda mão desta eliminatória, a disputar de hoje a uma semana em Alvalade.

 

Gostei da categórica exibição leonina na segunda parte após um início de jogo nada auspicioso. Nos primeiros dez minutos da etapa complementar conseguimos três golos. O primeiro aos 47', na conversão de um penálti, após uma eficaz e vistosa tabelinha na ala direita entre Piccini e Gelson Martins, com um defesa do Astana a meter mão à bola. O segundo aos 50', com Gelson (o melhor em campo) a receber de forma impecável e a dar o desfecho que se impunha a um cruzamento de Acuña a partir da esquerda. O terceiro aos 55', na melhor jogada colectiva do encontro, com a bola jogada ao primeiro toque por quatro jogadores: William, Acuña, Bruno Fernandes e Doumbia, que hoje apontou o seu 29.º golo em competições europeias - e o oitavo desta temporada em quatro competições ao serviço do Sporting. Nota importante: o marfinense marcou em todas as vitórias fora do Sporting nas competições europeias, repetindo agora o que já conseguira em Bucareste e Atenas.

 

Gostei pouco que Rui Patrício, no dia do seu 30.º aniversário, tivesse sofrido um golo logo aos 7' na sequência de um brinde da ala esquerda da nossa equipa, ultrapassada em velocidade, e dos centrais André Pinto e Coates, que pareciam adormecidos, chegando muito tarde às acções de cobertura. Mas o aniversariante fez questão de dar um par de prendas aos seus colegas: aos 32', fez duas enormes defesas consecutivas, evitando assim que o Astana chegasse aos 2-0. Funcionaram como o tónico psicológico de que o Sporting parecia necessitar: a partir daí, embalámos para uma grande exibição europeia no piso sintético do Astana, onde (felizmente) ninguém se lesionou.

 

Não gostei do primeiros vinte minutos da nossa equipa, batida em sucessivos lances pelos adversários. Houve várias falhas de posicionamento, sobretudo no corredor central e na ala esquerda. Bryan Ruiz, bem ao seu estilo, imprimia pouca intensidade e quase nenhuma velocidade enquanto segundo avançado, jogando atrás de Doumbia. Bruno Fernandes foi demasiado discreto. Coentrão esteve longe das suas tardes de glória nas competições da UEFA. E Acuña só começou a funcionar no segundo tempo, quando contribuiu para virar o resultado.

 

Não gostei nada do golo limpo anulado a Doumbia aos 40', na sequência de um canto marcado por Bruno Fernandes e de um remate inicial de Coates, com recarga bem executada pelo marfinense. O juiz da partida considerou que o ponta-de-lança leonino estava deslocado - tese que as imagens desmentem. É preciso ter azar: o mesmo jogador vê dois golos legais invalidados por apitadores em dois jogos seguidos para competições diferentes, repetindo-se hoje o que já havia acontecido no domingo em Alvalade.

Quente & frio

Gostei muito de ver Gelson Martins, já recuperado, de regresso ao onze titular do Sporting. Não está ainda a cem por cento, mas foi o elemento leonino que mais acelerou o nosso jogo e lhe deu profundidade, actuando desta vez sobretudo no corredor central. Fez a diferença nos confrontos individuais, forçando o FCP a manter em guarda o seu núcleo defensivo em geral e Herrera em particular. Serviu muito bem Ristovski aos 40', na nossa melhor jogada da primeira parte: acabou por ser uma grande oportunidade de golo desperdiçada. Excelente cruzamento aos 87' que Doumbia não conseguiu aproveitar. Foi o nosso melhor em campo: ele não merecia esta derrota por 1-0 no estádio do Dragão - primeira volta da meia-final da Taça de Portugal.

 

Gostei, apesar de tudo, que esta derrota tangencial nos permita adiar para a segunda mão o desfecho da eliminatória. Continua perfeitamente ao nosso alcance a conquista da Taça - segundo troféu da temporada de futebol profissional 2017/18. Só dependemos de nós. Mas em Alvalade o FCP já deverá alinhar com Marcano, Danilo e Aboubakar, ausentes esta noite por lesão.

 

Gostei pouco da exibição de Doumbia, novamente titular por força da ausência de Bas Dost, ainda lesionado: o marfinense, em quem Jesus pouco tem apostado, está sem confiança e ainda se mostra desajustado na equipa, desperdiçando as poucas oportunidades de golo que os colegas lhe vão criando: tarda a ser o finalizador alternativo de que o Sporting necessita. Também Bruno Fernandes - hoje como médio de ligação no corredor central - esteve muito abaixo da prestação a que nos tem habituado, nem sequer fazendo a diferença nas bolas paradas.

 

Não gostei de ver William Carvalho afastado deste clássico, por aparente impedimento físico. Nem da ausência dos "reforços de Inverno" no nosso onze inicial: começa a ser altura de nos questionarmos para que foram contratados. É verdade que dois deles acabaram por saltar do banco: Rúben Ribeiro aos 74' e Montero aos 84'. Mas nenhum fez a diferença - muito longe disso. O ex-Rio Ave teve até uma arrepiante perda de bola à entrada da nossa grande área que quase originou golo do Porto. Também não gostei de ver Acuña expulso por acumulação de amarelos, à beira do fim: quando precisávamos de recuperar tempo, o argentino permaneceu em campo a protestar com o árbitro e os adversários, incapaz de perceber que estava a prejudicar a equipa.

 

Não gostei nada que tivéssemos disputado o terceiro jogo contra o FC Porto desta temporada sem conseguirmos marcar um só golo à equipa treinada por Sérgio Conceição: são 270 minutos em branco. Nem de ver o Sporting sofrer a segunda derrota da época em competições nacionais no curto intervalo de quatro dias. Espero que não seja uma tendência já a desenhar-se - coincidindo com o desnorte dos órgãos sociais leoninos, que anunciaram uma absurda pré-demissão em bloco a meio da época desportiva. Mas a verdade é que esta equipa tem vindo a decrescer de rendimento, a exibir preocupantes desequilíbrios e a acusar desgaste físico e psicológico.

Quente & frio

Gostei muito da conquista da Taça da Liga - a primeira que vencemos após duas frustradas presenças em finais deste certame. Ainda mais saborosa porque a final hoje disputada em Braga foi contra o V. Setúbal, precisamente a equipa que nos derrotou na versão inaugural desta competição. Vingámos essa frustrante derrota de 2008 agora num estádio que congregou mais de 20 mil adeptos leoninos, incansáveis no apoio aos jogadores treinados por Jorge Jesus. É oficial: somos os campeões de Inverno da temporada 2017/18.

 

Gostei da nossa segunda parte, em que dominámos por completo e só não marcámos mais de um golo devido à soberba exibição de Trigueira, o guarda-redes sadino. Os últimos 45 minutos desta partida contrastaram em absoluto com a apagada e até medíocre primeira parte do Sporting, em que sofremos um golo logo aos 4'. Entre os nossos jogadores que se revelaram decisivos neste volte face, destaco uma vez mais Bas Dost, o melhor de verde e branco. Foi ele o marcador do penálti que empatou a partida, aos 78', e lançou o onze leonino para o desempate após o apito final do árbitro. Foi também ele a fazer dois grandes remates aos 75' - um dos quais seria travado em cima da linha da baliza, com um braço, pelo defesa sadino Postawski, que devia ter sido expulso de imediato mas acabou por se manter em campo. Foi ainda Dost a converter a primeira das cinco grandes penalidades da ronda do desempate que ditou a equipa vencedora.

 

Gostei pouco que tivéssemos de esperar pelo desempate por grandes penalidades, repetindo-se o que já acontecera há três dias na meia-final frente ao FC Porto. Mas desta vez estivemos ainda melhor: nenhum dos nossos jogadores falhou no momento decisivo. Vale a pena deixar aqui os seus nomes, pela ordem da conversão dos penáltis: Bas Dost, Bruno Fernandes, Mathieu, Coates e William Carvalho. Pormenor a reter: o Sporting continua invicto nas competições internas disputadas nesta temporada.

 

Não gostei que o árbitro Rui Costa demorasse três minutos a reconhecer o óbvio: que Postawski tinha impedido a bola de entrar na baliza do Vitória ao estender o braço quase em cima da linha de baliza. Foi necessária a intervenção do vídeo-árbitro, que impôs a verdade desportiva. Mesmo assim o árbitro voltou a estar péssimo ao exibir apenas o cartão amarelo ao defesa sadino, que devia ter sido expulso.

 

Não gostei nada da nossa primeira parte, com o lesionado Gelson Martins ausente do onze e Montero de regresso à titularidade dois anos depois. Entrámos nervosos, sem conseguirmos ligar os sectores nem ganhar segundas bolas. Consentimos um golo logo no início da partida e deixámos o Vitória impor o seu sistema táctico neste período, em que as nossas alas ofensivas nunca funcionaram e os adeptos leoninos, impacientes, já assobiavam os jogadores. Bryan Ruiz (reincidente na falta de intensidade) e Rúben Ribeiro foram os elementos com exibição mais negativa. O treinador reconheceu isto mesmo ao remetê-los para o duche ao intervalo, fazendo entrar Acuña e Battaglia para aquelas posições. Com vantagem para a equipa, como rapidamente se comprovou: a segunda parte foi de sentido único, apenas com o Sporting em busca do golo. Felizmente conseguido.

Quente & frio

Gostei muito da qualificação do Sporting para a final da Taça da Liga - algo que acontece pela terceira vez. Derrotámos esta noite o FC Porto, que nos deu muita luta e foi um digno vencido. Mas a melhor oportunidade de golo, ao longo dos 90 minutos, foi nossa: Coates, muito bem servido por Fábio Coentrão, cabeceou ao poste no minuto 64. Com 0-0 no tempo regulamentar, o acesso à final decidiu-se por penáltis. Convertidos, da nossa parte, por Bas Dost, Bruno Fernandes, Mathieu e Bryan Ruiz (Coates e William Carvalho falharam). E com Rui Patrício a defender dois (parando remates de Herrera e Aboubakar), confirmando que é o melhor guarda-redes português e um dos melhores da Europa. Aos 74', já tinha feito uma defesa monumental, travando com êxito um disparo de Aboubakar: voto nele como figura deste jogo que funciona como forte tónico psicológico para a equipa. Agora falta disputar a final: será já neste sábado, frente ao V. Setúbal.

 

Gostei do regresso de Montero à equipa do Sporting, dois anos após ter saído, naquela fatal segunda volta do campeonato 2015/2016 em que muita falta nos fez. Jorge Jesus fê-lo entrar aos 78' deste desafio, disputado na Pedreira de Braga. O avançado colombiano ficou certamente satisfeito pela calorosa ovação que escutou ao entrar em campo. Fez pouco nesta partida, mas promete ser um elemento decisivo neste assalto ao título que perseguimos cheios de convicção.

 

Gostei pouco que não tivéssemos conseguido marcar um golo nos 90 minutos regulamentares e gostei ainda menos que saíssemos para o intervalo sem fazer um só remate à baliza. Bas Dost, muito isolado, foi incapaz de se libertar da marcação simultânea de Felipe e Marcano. Bruno Fernandes tentou a meia-distância, mas sem sucesso. Rúben Ribeiro esteve pelo segundo jogo consecutivo aquém das expectativas. Em compensação, podemos congratular-nos por continuarmos invictos no conjunto das competições internas já disputadas nesta época.

 

Não gostei de ver Gelson Martins em má condição física - ao ponto de ter sido forçado a abandonar o campo, coxeando, aos 43', para dar lugar ao banal Battaglia. O jovem ala ofensivo é um jogador imprescindível no onze titular leonino. Esperamos que recupere em tempo útil para continuar a dar o seu contributo ao Sporting nos desafios para o campeonato: sem ele, a equipa é sempre inferior em capacidade de ataque. E por falar em ataque: também não gostei que Doumbia não constasse sequer da ficha do jogo. O clube já o terá dispensado de vez?

 

Não gostei nada que tivesse ficado impune uma falta cometida por Danilo logo aos 5', quando agarrou Bas Dost na grande área do FCP. Um penálti que Nuno Almeida deixou por assinalar, com a conivência de Artur Soares Dias, hoje de piquete como vídeo-árbitro. O Sporting foi claramente prejudicado neste lance: essa grande penalidade daria com muita probabilidade um rumo bem diferente a esta meia-final da Taça da Liga. E o senhor Almeida não tinha seguramente qualquer deficiência no apito, pois interrompeu a partida 53 vezes(!) para assinalar faltas, reais ou imaginárias. Uma, em média, a cada 25 segundos: quem repare nesta estatística sem ter visto o jogo, talvez imagine que aquilo fosse uma batalha campal. Nada disso: houve apenas incontinência do apito do árbitro Almeida. Que só emudeceu quando não devia. E foi péssimo no capítulo disciplinar, poupando cartões amarelos a pelo menos três jogadores do Porto: Oliver, Soares e Alex Telles. Além de um vermelho a Marega, que apertou o pescoço a Fábio Coentrão.

Quente & frio

Gostei muito da qualificação do Sporting para as meias-finais da Taça de Portugal - o que sucede pela 45.ª vez - com uma vitória por 2-1 no estádio do Bonfim frente ao Cova da Piedade, que nos deu muito boa réplica neste confronto. Permanecemos invictos em todas as frentes desportivas nacionais, além de nos termos qualificado para a Liga Europa.

 

Gostei da leitura de jogo de Jorge Jesus, que inicialmente fez descansar quatro jogadores-chave da equipa: Bas Dost, Bruno Fernandes, Gelson Martins e William Carvalho. Ao ver que o resultado permanecia empatado a zero ao intervalo e tendo visto que as melhores oportunidades da primeira parte foram do Cova da Piedade, que mandou duas bolas aos ferros, o técnico mandou de imediato aquecer Bas e Bruno. Isto fez toda a diferença: no segundo tempo o Sporting mandou inequivocamente no jogo, marcou dois golos e podia ter marcado mais, com o guardião adversário a revelar-se o melhor jogador em campo. Dois golos que romperam enfim a muralha defensiva piedense - o primeiro marcado por Bruno numa jogada de insistência, aos 54'; o segundo pelo inevitável Bas após a conversão de um canto, aos 78'. A reviravolta veio do banco.

 

Gostei pouco que esta vitória do Sporting contra uma equipa que milita na Liga de Honra tivesse sido tangencial. Mas foi quanto bastou.

 

Não gostei das ausências de Gelson e William, que nem chegaram a sentar-se no banco de suplentes. É um facto que estes titulares têm sido muito usados e estavam à beira da exaustão. Desse ponto de vista, Jesus fez bem em poupá-los. Mas hoje ficou bem evidente, até para aqueles adeptos que costumam criticá-los, que são dois jogadores imprescindíveis no onze leonino. Com eles em campo o Sporting actua de uma maneira, sem eles actua de outra. Claramente pior.

 

Não gostei nada dos desempenhos de Bruno César e Bryan Ruiz, que hoje figuraram no onze titular. O brasileiro foi uma perfeita nulidade, falhando passes e remates, e o costarriquenho revelou-se de uma lentidão exasperante, sem conseguir municiar a frente de ataque. Com eles em campo, a nossa manobra ofensiva revelou-se inócua e o Cova da Piedade chegou a impor-se no eixo do terreno, procurando a baliza de Rui Patrício em velozes contra-ataques. Enquanto o Sporting não fez um só remate com perigo.

Quente & frio

Gostei muito da qualificação do Sporting para as meias-finais da Taça da Liga - troféu que nunca conquistámos. A nossa equipa, que hoje empatou 1-1 no Restelo com o Belenenses, mantém-se em todas as frentes futebolísticas. O ano que vai começar promete...

 

Gostei do grande golo de Acuña, marcado de fora da área, em condições peculiares. Quando o jogador já tinha recuado no terreno, transitando de médio-ala para lateral esquerdo com a saída de Coentrão, e o disparo a sair-lhe do pé direito, o seu pior. Foi um golaço, aos 74', e decisivo para as aspirações leoninas. Já na primeira parte Acuña tinha feito três fortes remates: um deles, defendido in extremis pelo guardião de Belém aos 14', levava o selo de golo. O argentino merece, sem favor, ser designado o melhor em campo.

 

Gostei pouco da exibição da nossa equipa nesta partida, que funcionou como uma espécie de ensaio geral para o Benfica-Sporting do próximo dia 3. Exibição pálida e frouxa, sobretudo na primeira parte, em que o nevoeiro pairou sobre o estádio. Quanto mais as brumas se adensavam, mais a nossa prestação descoloria. Melhorou um pouco na segunda parte, mas sem nunca empolgar os adeptos leoninos - com excepção do momento em que Acuña marcou o nosso golo.

 

Não gostei de ver Doumbia sem oportunidade de mostrar o que vale. Após ter marcado dois golos na anterior partida desta prova, frente ao União da Madeira, o marfinense merecia ter entrado em jogo, até para permitir algum tempo de descanso a Bas Dost. Teria sido uma substituição certamente mais útil do que a inexplicável entrada de Bryan Ruiz para o lugar de Bruno Fernandes no último minuto do tempo extra concedido pelo árbitro.

 

Não gostei nada da zanga feia entre Coentrão e Acuña, prontamente separados por William Carvalho, que assim fez valer os seus galões de capitão da equipa - e muito bem. Pior só mesmo o autogolo de Coates, que permitiu o empate do Belenenses, aos 76', quando Rui Patrício tinha o lance todo controlado. Não foi a primeira vez que o uruguaio marcou na própria baliza. O que lhe terá passado pela cabeça?

Quente & frio

Gostei muito de quase tudo no Sporting nesta noita gélida em Alvalade frente à União da Madeira, para a Taça da Liga. Do resultado - 6-0, a maior goleada da época até agora. Da atitude em campo - mesmo a ganhar já por larga margem, os nossos jogadores nunca tiraram o pé do acelerador. Da saúde anímica e da capacidade física da equipa. Do carácter, da dinâmica, da intensidade, da movimentação colectiva. E de continuarmos invictos neste quinto mês consecutivo de competição futebolística.

 

Gostei da boa exibição de Doumbia, que hoje foi titular na frente do ataque e correspondeu marcando dois golos: o primeiro, aos 20', e o terceiro, aos 61' - leva já sete nesta temporada, destacando-se como o melhor marcador do plantel por minuto jogado e também como figura deste desafio. Jorge Jesus fez muito bem em apostar nele e em experimentar na segunda parte Acuña na posição de lateral esquerdo: o argentino deu melhor resposta neste lugar do que Bruno César, que saiu aos 53'. Também gostei de ver Bas Dost (em campo desde os 53') assistir Gelson Martins para o quarto golo, aos 67'. E que os nossos dois centrais marcassem: Mathieu, autor do segundo golo, de cabeça, aos 51'; e Coates a rematar vitoriosamente com o pé direito aos 79', fazendo o quinto golo. Gostei ainda do sexto golo, o melhor do encontro, aos 81'. Autor: Iuri Medeiros, dez minutos após entrar em campo, num fortíssimo pontapé cruzado, da direita para a esquerda, coroando um excelente lance individual. Gostei enfim da nossa veia atacante: 27 remates ao longo do jogo.

 

Gostei pouco de ver três bolas desperdiçadas nos ferros da baliza da equipa madeirense. Primeiro por Podence ao poste, no minuto 31. Depois por Coates num petardo que o guarda-redes fez embater na barra, aos 43'. Finalmente por Bas Dost, também à trave, quando estavam decorridos 59'. Três lances que prometiam mas souberam a pouco. Tal como o resultado ao intervalo: um escasso 1-0, o que levou Jesus a mandar sair Bruno César e Bryan Ruiz logo após o recomeço, fazendo entrar (com larga vantagem para a equipa) Bas Dost e Bruno Fernandes. Ainda foi possível ver durante 17 minutos Dost e Doumbia juntos na frente de ataque, algo nada frequente.

 

Não gostei de ver Bruno César como lateral titular, com Fábio Coentrão (tal como Battaglia) em merecido repouso, fora da lista dos convocados. O polivalente brasileiro tem andado pouco inspirado e rende pouco nesta posição. Pior ainda esteve Bryan Ruiz, colocado de início como médio de construção mas sem revelar inspiração nem dinâmica, falhando passes sucessivos. Foi substituído aos 53', já demasiado tarde: não está em forma para integrar o onze inicial leonino, mesmo na Taça da Liga, que o Sporting costuma desvalorizar.

 

Não gostei nada da hora tardia do encontro, iniciado às 21.15, numa noite de semana. Horário absurdo, que afugentou muita gente de Alvalade: as bancadas, compreensivelmente, estavam muito despidas e bastante mais frias do que é habitual, retirando atmosfera e emoção ao desafio que se desenrolava no relvado.

Quente & frio

Gostei muito do resultado do Sporting-Vilaverdense de hoje, sobretudo por ter terminado em goleada: 4-0. Um desfecho sem discussão que premiou a melhor equipa em campo no confronto com o simpático onze da minhota Vila Verde - nome auspicioso - que milita no terceiro escalão do futebol português. Passamos à fase seguinte da Taça de Portugal, com as aspirações intactas à conquista do troféu, que nos foge desde 2015.

 

Gostei da exibição de Doumbia, que regressou à titularidade após lesão prolongada e voltou também aos golos que não marcava desde Setembro, no vitorioso confronto do Sporting com o Olympiacos em Atenas. Pelos vistos valeu a pena tão longa espera: o marfinense mostrou como deve ser um ponta-de-lança, marcando três golos que até pareceram fáceis. Aos 44', empurrando para a baliza a bola deixada à sua mercê pelo guarda-redes adversário após defesa incompleta a um remate de Bryan Ruiz. Aos 64', coroando um excelente lance de bola corrida que teve Gelson Martins e Podence como intervenientes. Aos 74', num ataque continuado, correspondendo a um centro de Ristovski. Noite em cheio para o avançado, só suplantado em qualidade por Gelson - o melhor em campo e para mim o melhor jogador deste Sporting 2017/18. Jorge Jesus tirou-o do banco aos 60', quando o resultado estava 1-0, e logo se viu a diferença - em velocidade e qualidade. Gelson fez assistência para o segundo golo, interveio na construção do terceiro e marcou o quarto, num espectacular contra-ataque lançado por Doumbia. Jogada perfeita, aos 88', confirmando que é imprescindível na equipa.

 

Gostei pouco que a primeira ocasião de golo nesta partida tenha pertencido ao conjunto de Vila Verde, aos 18'. E que o nosso primeiro golo só tenha surgido quase ao cair do pano da primeira parte, quando já estavam decorridos 44 minutos. E que a rotação feita por Jesus na equipa, substituindo dez dos titulares do desafio contra o Boavista (só Bruno César foi repetente) não tenha sido aproveitada por vários jogadores.

 

Não gostei da oportunidade perdida por Iuri Medeiros, que iniciou a partida na posição habitual de Gelson mas pareceu sempre apático, pouco dinâmico e sem capacidade de fazer circular a bola com perigo: saiu aos 73', dando lugar a Acuña, que sem deslumbrar teve um desempenho mais positivo. Também não gostei da actuação de Petrovic, hoje o médio defensivo titular - por onde andará Palhinha? O sérvio parece só ter duas opções no momento do passe: ou atrasa ou lateraliza.

 

Não gostei nada de Alan Ruiz. O treinador insiste em apostar nele e o argentino teima em demonstrar que não merece tal aposta. Segundo avançado titular, jogando atrás de Doumbia, nunca combinou com o ponta-de-lança, nunca criou desequilíbrios, nunca fez acelerar o jogo. Pressiona pouco e mal, leva uma eternidade a decidir o passe, permitindo sempre a colocação da defesa adversária, e parece tão preso de movimentos como certos jogadores em final de carreira. Creio ter o destino traçado: em Janeiro sairá do Sporting. A avaliar pelos assobios que escutou esta noite em Alvalade, ao ser substituído no minuto 60, não deixará saudades.

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