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És a nossa Fé!

Quente & frio

Gostei muito da nossa vitória (2-0) contra o Tottenham desta noite em Alvalade. Segundo triunfo consecutivo na Liga dos Campeões após a recente goleada frente ao Eintracht na Alemanha. Já lideramos o nosso grupo da Champions, com seis pontos, cinco golos marcados e nenhum sofrido. Ganhamos balanço para fazermos a nossa melhor prestação de sempre na prova máxima do futebol, embolsámos mais 2,8 milhões de euros graças a esta vitória e voltamos a apresentar uma equipa que faz lembrar a da conquista do campeonato há 16 meses. Mudam as peças, mas o colectivo mantém-se sólido. Agora com organização defensiva reforçada (apesar de termos dois centrais lesionados), a procura do golo acentua-se e o conjunto leonino demonstra não recear nenhum adversário, seja em que prova for: enfrentamos qualquer um de olhos nos olhos. Para alegria dos adeptos.

 

Gostei de quase todos os jogadores, embora alguns mereçam menção especial. Começando por Nuno Santos, que fez talvez a sua melhor exibição de Leão ao peito. Combativo, batalhador, recuperou bolas, ganhou duelos, sem dar um lance por perdido, partiu os rins a Emerson em vários confrontos individuais, fazendo-lhe marcação cerrada. E criando constantes desequilíbrios no seu corredor, que patrulhou com eficácia. Destaque também para Edwards, protagonista do mais belo lance do jogo, aos 45'+2, parecendo imitar Maradona ou Messi ao entrar como faca por manteiga pela defensiva do Tottenham - clube onde se formou. Lance que só não deu golo (tal como outro, aos 67') devido a magníficas defesas de Lloris. Adán, Ugarte, Pedro Gonçalves e Matheus Reis também estiveram muito bem. Mas o Sporting ganha o jogo devido à visão de Rúben Amorim, que lançou do banco os marcadores dos dois golos: Paulinho entrou aos 76' e meteu-a lá dentro de cabeça, na sequência de um canto, aos 90'; e o estreante Arthur Gomes, que entrou aos 90'+2. Em estreia absoluta de verde e branco, marcou o seu golo inaugural no primeiro (e único) minuto em que esteve em campo e na primeira vez que tocou na bola, partindo meia defesa do Tottenham. Estreia de sonho: o céu é o limite.

 

Gostei pouco que o número de espectadores ontem em Alvalade estivesse abaixo de 40 mil. Em rigor, havia 39.899 nas bancadas - número inferior às expectativas, atendendo ao facto de recebermos uma das cinco melhores equipas da Premier League. Também é verdade que o horário do jogo, nesta terça-feira, não ajudou: a partida tinha início marcado às 17.45 - creio que foi a primeira vez que o Sporting jogou em casa a esta hora para a Liga dos Campeões. Mas o mais importante é que quem lá esteve não regateou incentivos em forma de cânticos e de aplausos aos jogadores.

 

Não gostei do desempenho dos craques do Tottenham, uma das melhores equipas inglesas da última década: o Sporting conseguiu anular Son, Richarlison e Harry Kane. Que até estavam bem mais folgados que os nosso craques, pois a turma londrina não disputou a jornada do passado fim-de-semana, com o Manchester City como adversário. Também não gostei de ver Eric Dier, que esteve nove anos em Alvalade, jogar desta vez contra nós: mantenho a esperança de voltar a vê-lo de verde e branco.

 

Não gostei nada, uma vez mais, de ouvir o Hino da Champions ser assobiado por centenas ou até milhares de adeptos no nosso estádio. Insisto: é uma enorme estupidez. Esta gente parece que preferia ver o Sporting excluído da liga milionária. Questiono-me se também exigirão à administração da SAD que devolva de imediato os 5,6 milhões de euros que receberemos só pelos primeiros dois jogos nesta prova 2022/2023. Tão elevado encaixe financeiro também lhes dará vontade de assobiar?

Quente & frio

Gostei muito da nossa vitória neste jogo de estreia na Liga dos Campeões, ontem, em Frankfurt. Derrotámos o Eintracht por 3-0, com todos os golos a serem marcados na segunda parte, e amealhámos 2,8 milhões de euros para os cofres leoninos graças a este triunfo. Iniciamos assim da melhor maneira a nossa campanha europeia da nova temporada, conseguindo enfim vencer na Alemanha - meta nunca alcançada nos 14 anteriores desafios que ali disputámos. Acresce que não se trata de uma equipa qualquer, mas da detentora da Liga Europa 2021/2022. É um jogo que vai perdurar na memória da massa adepta sportinguista - sobretudo a segunda parte, que teve diversos momentos a roçar a perfeição, com inequívoca classe, incluindo nos três lances de golo. 

 

Gostei da exibição de Edwards, o melhor em campo. Foi ele a marcar o primeiro, aos 65', rasgando a linha defensiva germânica, e o autor da assistência no segundo, dois minutos depois, num passe lateral para Trincão, que se estreou a marcar de Leão ao peito. Também Morita se destacou nesta sua estreia na Liga dos Campeões: mesmo amarelado aos 5', não se deixou condicionar e foi fundamental na construção dos dois primeiros golos. Destaque ainda para Adán, que regressou às grandes exibições, logo com uma enorme defesa aos 2', revelando-se muito seguro entre os postes. Porro, que aos 83' constrói o lance do terceiro golo, assistindo Nuno Santos após galgar 50 metros com a bola dominada junto à linha, foi outro herói do jogo. Destaque enfim para a maturidade de Coates, a combatividade de Ugarte e o regresso de Paulinho (só aos 79') após um mês de ausência por lesão.

 

Gostei pouco da primeira parte, em que segurámos bem os caminhos para a nossa baliza, mas só fizemos um remate, desperdiçando demasiado tempo em trocas de bola no nosso meio-campo defensivo e abusando de passes à queima que causam sempre sobressaltos, sobretudo nas linhas recuadas. Faltou baliza nesse primeiro tempo e alguma ousadia táctica assim que se percebeu que o Eintracht estava longe de ser a equipa dominadora e até avassaladora que alguns temiam. Felizmente Rúben Amorim soube dar um saudável abanão aos jogadores, motivando-os na conversa que travou com eles ao intervalo. Como se percebeu mal a partida foi reatada.

 

Não gostei do desempenho de Gonçalo Inácio, que continua a entrar em campo intranquilo e a errar passes em doses inaceitáveis - mesmo a jogar na sua posição natural, que é a de central à esquerda. Trincão ficou aquém do exigível na primeira parte, mantendo a tendência para adornar lances em excesso e revelando algum défice de intensidade no ataque ao portador da bola, embora acabasse por redimir-se quando marcou o golo. 

 

Não gostei nada da lesão de St. Juste, ocorrida aos 50'. O central holandês, que foi titular em Frankfurt e estava a ter uma exibição muito positiva, viu-se forçado a abandonar o campo, cedendo lugar a Neto (que se mostrou à altura). Parece andar em onda de pouca sorte: viu-se impedido de actuar na pré-época por uma lesão traumática contraída num treino, atrasando a sua integração no grupo. Agora volta a parar, esperemos que não por muito tempo. Porque faz falta.

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Coates começou a central e terminou a ponta-de-lança: mudança inútil

 

Gostei muito de Adán. O nosso melhor em campo, ontem no Dragão. Sem culpa no golo sofrido, protagonizou duas grandes defesas (negando o golo a Fábio Vieira aos 57' e a Vitinha aos 72') e fez muito bem a mancha, fechando o ângulo a Zaidu, que esteve a centímetros de marcar aos 38'. Se algum dos nossos pode orgulhar-se do desempenho nesta segunda mão com o FCP que nos afasta da final da Taça de Portugal (derrota por 0-1 após perdermos em Alvalade por 1-2 no desafio da primeira mão) é o guarda-redes espanhol. Valor seguro da baliza leonina. 

 

Gostei de Matheus Reis. Exibição quase irrepreensível do lateral esquerdo, recuperando a titularidade no Porto após um jogo de castigo que o afastou da derrota anterior, para o campeonato, frente ao Benfica. Batalhador, seguro a defender e acutilante a atacar numa partida que decorreu sob chuva forte do princípio ao fim. Talvez o futebolista do Sporting que mais se valorizou nesta época.

 

Gostei pouco da primeira parte, única em que demos luta à equipa da casa. Criámos desequilíbrios e bons lances ofensivos, mas falhámos sempre no momento decisivo, lá na zona em que se resolvem os jogos. Apenas um remate enquadrado nesses 45' iniciais, sem qualquer oportunidade de golo. Mas pelo menos conseguimos manter a turma portista quase sempre afastada da nossa baliza. Uma coisa e outra explicam o empate a zero que se registava ao intervalo.

 

Não gostei dos desempenhos de vários futebolistas, que pareciam alheados do jogo ou nem sequer estar em campo. Paulinho mal tocou na bola, chegou ao fim desta partida sem fazer um só remate. Pedro Gonçalves voltou a ser um corpo estranho na equipa: não está em forma, tanto do ponto de vista físico como psicológico, e não merece tanta insistência do treinador em integrá-lo no onze inicial. Gonçalo Inácio é comido no solitário golo portista, marcado aos 82' por Toni Martínez, que tinha entrado no minuto anterior. Também não gostei da lentidão do treinador em reagir ao mau desempenho colectivo à medida que se mantinha o empate a zero e o tempo se escoava. A primeira alteração que Rúben Amorim fez, num jogo em que precisávamos de marcar pelo menos dois golos, foi uma troca de defesas ao minuto 56: saiu Neto, entrou Esgaio. Incompreensível.

 

Não gostei nada da falta de golos: pelo segundo jogo consecutivo, ficamos em branco. Nem de ver novamente o técnico mandar Coates avançar para ponta-de-lança, em desespero final, por ausência de soluções alternativas: Tiago Tomás foi emprestado, Slimani parece ter sido excluído do plantel. Nem daquela falta injustificada de Porro, que o levou a ser expulso aos 89', quando a nossa equipa já aliava o desequilíbrio defensivo à inoperância atacante. Nem de termos cedido cerca de 60 metros de terreno ao adversário durante quase toda a segunda parte: até parecia que estávamos a defender o resultado. Mas aquele resultado só interessava ao FCP, não tínhamos nada para defender assim acantonados no nosso reduto lá atrás. 

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Edwards: boa exibição em Manchester 

 

Gostei muito da vibrante atmosfera nas bancadas do estádio do Manchester City, onde alguns milhares de adeptos leoninos nunca deixaram de puxar pela nossa equipa. Um exemplo do que deve ser uma verdadeira claque - neste caso alargada praticamente a todos os portugueses ali presentes. Que motivaram e galvanizaram a nossa equipa neste que foi o nosso melhor resultado de sempre na Liga dos Campeões. Empatámos lá, sem golos, frente a um dos emblemas milionários do futebol contemporâneo que actuou com um naipe de craques: Ederson, Stones, Laporte, Fernandinho, Sterling, Bernardo, Foden, Gundogan e Gabriel Jesus. Nada a ver com o desafio da primeira mão, em que fomos goleados pelo campeão inglês.

 

Gostei do nosso jogo colectivo, sempre compacto e bem organizado, com Rúben Amorim a distribuir bem cada jogador no terreno, encurtando distâncias e anulando linhas de passe aos adversários. Com dois capítulos diferentes: a primeira parte desenrolou-se quase apenas no nosso meio-campo defensivo enquanto na segunda fomos arriscando acções ofensivas, em contra-ataques que até podiam ter ditado a vitória leonina. No nosso lance mais perigoso, Paulinho falhou o golo, permitindo a defesa do "ressuscitado" Scott Carson, substituto de Ederson. Edwards, que substituiu Sarabia aos 58', foi um dos elementos em maior destaque: fez grande cruzamento a sobrevoar a área para Matheus Reis (73'), picou a bola no tal lance que Paulinho desperdiçou (76'), serviu Slimani (82') e lançou bem Nuno Santos (90'). Imprimiu velocidade ao jogo, desequilibrou, protagonizou aqueles três passes de rotura. Gonçalo, Coates, Ugarte e Porro foram obreiros incansáveis. Adán negou um golo a Sterling com uma defesa monumental (38'). Mas o meu destaque nesta partida vai para o veterano Luís Neto, numa das suas melhores exibições de verde e branco: cortes providenciais ao 8', 38', 54', 63', 64' e 69'. Nunca se atemorizou por ver Sterling como adversário directo. Exemplar.

 

Gostei pouco da primeira parte, em que resistimos às investidas do City mas fomos quase sempre incapazes de transpor a linha do meio-campo, com todos os jogadores atrás da bola. A fase inicial do plano estava cumprida: faltava a outra, que falhara por completo em Alvalade, quando não fizemos um remate à baliza dos ingleses. Desta vez isso não aconteceu. As primeiras investidas, muito tímidas, resultaram em quase-passes para Ederson aos 57' (por Tabata) e aos 60' (por Edwards). Mas a partir daí as oportunidades sucederam-se. Podíamos ter marcado por Matheus Reis (73'), Porro (74') e Esgaio (90'+1), além do tal lance de Paulinho, que envolveu também Porro e Edwards. O 5-4-1 apresentado em campo por Amorim desta vez funcionou, para satisfação de todos nós. Ficou comprovado que Slimani e Paulinho podem actuar juntos, ao contrário do que alguns diziam. E ainda vimos o treinador lançar em estreia absoluta na equipa principal - e logo num cenário destes - o jovem avançado Rodrigo Ribeiro, ainda júnior, que promete fazer furor já na próxima época leonina. Entrou aos 89', para render Slimani: jamais esquecerá.

 

Não gostei que tivéssemos sido eliminados da Liga dos Campeões. Mas foi o nosso melhor desempenho nesta prova, em que afastámos Besiktas e Borussia Dortmund, além do empate agora alcançado em Manchester. É assim, por etapas, que uma equipa cresce e ganha prestígio também nos palcos internacionais. Bónus adicional: o 0-0 de ontem valeu meio milhão de euros aos cofres leoninos e reforçou a pontuação das equipas portuguesas na UEFA pouco depois de o FC Porto ter sido derrotado em casa pelo Lyon, nono classificado da Liga francesa.

 

Não gostei nada do resultado da primeira mão, que logo nos impediu de disputar o acesso aos quartos-de-final: por mais que fizéssemos, seria impossível superar uma diferença tão desnivelada frente ao líder do campeonato inglês. Até porque voámos para Manchester sem elementos nucleares: Matheus Nunes (castigado), Palhinha, Daniel Bragança e Pedro Gonçalves (lesionados). Também não gostei nada de ver o City introduzir a bola na nossa baliza, aos 47': felizmente o golo foi invalidado, por fora-de-jogo milimétrico do marcador, Gabriel Jesus. E o empate a zero prevaleceu até ao fim, confirmando a pista que eu tinha aqui lançado ontem: fomos mesmo capazes de fazer um brilharete em Manchester.

Quente & frio

Gostei muito da reacção calorosa e vibrante da massa adepta leonina no final deste Sporting-Manchester City. Grande ambiente. Comunhão plena com jogadores e equipa técnica mesmo após termos sido goleados em casa frente àquele que é hoje talvez o mais temível adversário que pode ser encontrado num estádio de futebol no continente europeu. Este é o verdadeiro espírito: para onde vai um, vão todos. Nos momentos maus como nos momentos bons. Os adeptos sabem que, apesar dos tropeções e das quedas, os jogadores campeões nacionais comandados por Rúben Amorim mantêm enorme crédito. E continuam a merecer aplausos, já a pensar no desafio seguinte.

 

Gostei de ver o nosso estádio quase com lotação esgotada: 48.129 espectadores - uma das melhores casas de sempre em Alvalade. Nisto, pelo menos, foi uma grande noite europeia. Pena só ter sido nisto.

 

Gostei pouco que tivéssemos chegado aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões para tombarmos logo na primeira mão desta eliminatória com um resultado tão negativo como foi o Sporting-Bayern de má memória, em Fevereiro de 2009, quando Paulo Bento comandava a nossa equipa. 

 

Não gostei que Rúben Amorim tivesse mantido inalterado o seu habitual sistema de jogo, planeando o embate com o City como se estivesse a enfrentar o Vizela ou o Tondela na noite de ontem. Nem da justificação que deu após a derrota, em conferência de imprensa: «Eu não quis tirar as rotinas aos jogadores.» Se há desafio que não podia ser encarado como rotineiro, à semelhança de mais um dia no escritório, era precisamente este, contra um dos maiores colossos do futebol europeu e mundial. Também não gostei do onze inicial, com Esgaio claramente deslocado como lateral esquerdo sem ser canhoto, perdendo quase todos os confrontos com Mahrez e cruzando lá na frente de forma defeituosa. Nem que o treinador tivesse feito apenas uma substituição (troca de Pote por Ugarte) antes do minuto 75, quando já perdia 0-5. Nem das exibições desastrosas de alguns jogadores, como Pedro Gonçalves, incapaz de travar João Cancelo ou Bernardo Silva, incapaz de fazer um passe bem medido. Toda a equipa derrapou perante o City - de Adán a Paulinho. O menos mau acabou por ser Porro, que ensaiou alguns lances ofensivos no seu corredor, ainda no primeiro tempo.

 

Não gostei nada que tivéssemos chegado ao intervalo com apenas três faltas cometidas e ao fim do jogo com nove: a estatística parece demonstrar que queríamos facilitar a vida ao adversário. Quando soou o apito final, não tínhamos um só remate enquadrado nem sequer conquistado um pontapé de canto. Na baliza do City, o ex-benfiquista Ederson foi mero espectador, sem nunca ter sido solicitado: neste capítulo, não cumprimos os mínimos. Na defesa, outro descalabro - pior ainda que na goleada em casa contra o Ajax, que se deveu em larga medida a erros individuais de Vinagre na ala esquerda. Desta vez o falhanço foi colectivo. Coates, Gonçalo Inácio e Matheus Reis, que compunham a linha de três centrais, estiveram irreconhecíveis. Adán tremeu em duas ocasiões. E Neto, que entrou aos 82' para render Porro, ia marcando um autogolo, evitado in extremis pelo guarda-redes três minutos depois. Se as "bombas" de Bernardo Silva aos 17' (golo 2) e de Sterling aos 58' (golo 5) eram absolutamente indefensáveis em qualquer estádio, Mahrez dispôs de imenso espaço para a meter lá dentro aos 7' (golo 1) enquanto Reis e Esgaio paravam de braço no ar alegando fora-de-jogo, o mesmo jogador centrou sem que Esgaio, Reis e Coates conseguissem interceptar a bola, empurrada por Foden em zona frontal aos 32' (golo 3) e Bernardo, novamente, viu Sterling chegar à linha de fundo e servi-lo sem que ambos tivessem sido importunados aos 44' (golo 4).

Quente & frio

Gostei muito de ver o Sporting qualificar-se ontem, em Leiria, para a final da Taça da Liga, a disputar no próximo sábado contra o Benfica - com menos 24 horas de descanso para o nosso lado. Somos favoritos à conquista do troféu: nas últimas quatro épocas levámos três destas taças para o museu leonino. A maior responsabilidade, portanto, é nossa. Queremos sagrar-nos novamente campeões de Inverno.

 

Gostei dos primeiros 20 minutos da actuação do Sporting nesta partida contra o Santa Clara, que vencemos 2-1. Pressão alta, velocidade, passes de ruptura, bom desempenho de Matheus Reis e Nuno Santos na ala esquerda. Infelizmente, neste melhor período não construímos qualquer lance de verdadeiro perigo. E foi até a equipa açoriana a marcar primeiro, aos 32', de livre directo, aproveitando a deficiente formação da nossa barreira. 

 

Gostei pouco que só tivéssemos chegado à vitória graças à "estrelinha" do nosso treinador, que ontem voltou a brilhar. Fixámos o resultado sem criar uma só oportunidade de golo. O primeiro, aos 40', entrou na baliza do Santa Clara devido a um caricato lapso do central Villanueva, que apareceu na área como se fosse ponta-de-lança leonino, metendo-a lá dentro na sequência de um cruzamento de Nuno Santos, sem nenhum jogador nosso a pressionar a bola. O segundo resultou de um penálti assinalado por António Nobre, após advertência do VAR, Nuno Almeida: lance que com outros árbitros talvez passasse em claro. Somado a isto, foi expulso Rui Costa, o jogador que fez a falta. Chamado a converter, Sarabia não falhou: a nossa passagem à final deve-se ao internacional espanhol, para mim o melhor em campo também pelos desequilíbrios que criou à frente em jogadas de bom recorte técnico. Além de ter sido ele a pressionar o adversário no lance de que resultou a grande penalidade.

 

Não gostei da falta de energia anímica dos nossos jogadores, que mesmo em superioridade numérica desde o minuto 65 (e houve oito minutos de tempo extra) quase se limitaram só a trocar a bola no meio-campo ofensivo, sem aproximação à baliza, proporcionando um espectáculo deplorável aos 7332 adeptos presentes no estádio leiriense. E fiquei perplexo por termos entrado em campo com dois médios defensivos, Palhinha e Ugarte. Nada digno de um plantel que é campeão nacional. Atitude de equipa pequena, resultadismo no seu pior.

 

Não gostei nada de um falhanço inacreditável de Paulinho em recarga à boca da baliza, a um metro da linha de golo e sem opositor pela frente: fez quase o impossível, atirando ao lado com o seu melhor pé. Parecia uma rábula humorística, para os "apanhados". Mas sem graça alguma. Desta vez fora do onze titular, o ex-avançado do Braga entrou aos 67' para substituir Pedro Gonçalves, que andou perdido no campo, sem nada ter feito digno de nota. Paulinho desperdiçou três oportunidades para o 3-1: aos 83' optou por um passe ao guarda-redes; aos 89' rematou sem eficácia, permitindo a defesa; no minuto seguinte, teve aquela perdida incrível. Não nos iludamos: temos um sério problema lá na frente. E a nossa consistência defensiva deixou de ser o que já foi, como comprova o golo sofrido de bola parada. Sem a tal "estrelinha" que costuma acompanhar o nosso técnico, não teríamos vingado ontem a derrota sofrida frente ao Santa Clara para o campeonato a 7 de Janeiro. Foi aí que a maré baixa começou.

Quente & frio

Gostei muito da goleada (0-4) do Sporting frente ao Leça, em Paços de Ferreira. Uma goleada que aqui exigi horas antes, enquanto adepto leonino, para ajudar a superar a derrota anterior, perante o Santa Clara. A equipa correspondeu ontem àquilo que eu esperava dela: quatro golos, dois em cada parte, domínio total do jogo. Era mesmo esta a nossa obrigação, atendendo ao facto de o adversário militar no quarto escalão do futebol luso, agora denominado Campeonato de Portugal. Para a vitória tão robusta contribuiu - tenho a certeza - o facto de Rúben Amorim ter voltado ao banco, já recuperado do coronavírus. Seguimos para as meias-finais da Taça de Portugal, único troféu que o actual treinador ainda não conquistou em Alvalade. Esta foi a nossa primeira vitória no ano civil agora iniciado. A primeira de muitas, todos esperamos.

 

Gostei da exibição de Tabata, de longe o melhor em campo. O brasileiro, ex-internacional olímpico, marcou dois grandes golos - o primeiro, aos 12', culminando uma excelente jogada individual, e o terceiro, aos 80', após cruzamento impecável de Esgaio - que já soma sete assistências de verde e branco. Quase marcou outro, aos 43', num belíssimo remate que proporcionou ao guardião do Leça a defesa da noite. E ainda fez uma assistência para o segundo, marcado por Matheus Nunes aos 31'. Merece, sem dúvida, mais oportunidades neste Sporting 2021/2022: estou certo que Amorim tomou boa nota do seu desempenho esta noite. Tal como terá gostado das actuações de Ugarte (magnífica, aquela recuperação de bola ultrapassando três adversários no início do segundo golo), Matheus Nunes (inegável qualidade na ligação entre o meio-campo e o ataque) e Nuno Santos (actuando desta vez como avançado e marcando o quarto golo aos 90'+2). Também merecem registo positivo Feddal e Gonçalo Inácio, ambos regressados. O primeiro de lesão prolongada, o segundo após ter testado positivo à covid-19.

 

Gostei pouco de algumas exibições. Tiago Tomás, desta vez titular, esteve 90' em campo sem fazer um só remate enquadrado: outra oportunidade desperdiçada para mostrar o que vale, parecendo ter regredido face à época anterior. Vinagre, regressado ao onze inicial após longa ausência, continua a parecer carta fora do baralho: é uma espécie de corpo estranho nesta equipa. Ala esquerdo, actuou sem rasgo, sempre muito colado à linha, e desperdiçou vários cruzamentos - excepto o último, que funcionou como assistência para o golo de Nuno Santos, embora ainda tenha sofrido desvio num defesa do Leça. Também a exibição de João Virgínia - desta vez no lugar de Adán - deixou a desejar: não sofreu golos, mas teve duas saídas em falso e entregou uma bola em zona proibida por deficiente jogo de pés.

 

Não gostei da hora do jogo. Em noite fria de semana, com início às 20.45. Mesmo assim as bancadas estiveram animadas, com cerca de cinco mil espectadores, boa parte dos quais adeptos leoninos. Também não gostei da súbita lesão de Porro, quando já aquecia para entrar: Esgaio acabou por ser titular na ala direita, ao contrário do que fora anunciado uma hora antes do início da partida. Amorim aproveitou para descansar sete jogadores: Adán, Coates, Matheus Reis, Palhinha, Pedro Gonçalves, Sarabia e Paulinho (tendo este entrado aos 83', substituindo um Matheus Nunes já muito fatigado).

 

Não gostei nada que até esta fase da Taça de Portugal, segunda mais importante competição do futebol nacional, a vídeo-arbitragem estivesse ausente. Algo totalmente incompreensível, quando todos dizem pugnar pela verdade desportiva e é inquestionável que este instrumento se tornou decisivo para trazer transparência e equidade às decisões assumidas pelos árbitros de campo. Felizmente o desafio de ontem já contou com o VAR. Espero que na próxima edição da Taça os novos meios tecnológicos apareçam mais cedo nesta competição. 

Quente & frio

Gostei muito de confirmar que o Sporting chega ao Natal mantendo-se em todas as frentes desportivas, algo que não aconteceu no ano passado. Seguimos no topo do campeonato, permanecemos na Liga dos Campeões, transitámos para as meias-finais da Taça da Liga e esta noite chegámos aos quartos--de-final da Taça de Portugal derrotando o Casa Pia por 2-1 no estádio Pina Manique. Com boa réplica da equipa visitada, que ocupa o quarto lugar na Liga 2. Além disso continuamos invictos nas competições nacionais desta temporada: nem uma derrota sofrida.

 

Gostei de três desempenhos em particular. Coates, um dos centrais mais goleadores da história do Sporting, voltou a ser decisivo ao desbloquear o 1-0 que se mantinha desde os 8'. Desta vez o nosso capitão não marcou de cabeça, na sequência de um canto: o seu golo, aos 33', foi com o pé direito. Sarabia marcou hoje pela quarta vez nos últimos cinco jogos - um golão que fez a bola embater com estrondo na barra, ultrapassar por centímetros a linha de baliza e voltar a subir à trave, tal foi a potência do remate: estavam decorridos 58', selava-se o resultado do encontro. Destaco ainda o desempenho de Daniel Bragança, para mim o melhor em campo: respira classe tanto na recepção como no passe no corredor central, desta vez com mais liberdade para avançar no terreno. Serviu sempre bem os colegas e tentou ele próprio o golo em dois disparos bem colocados, aos 23' e aos 42'.

 

Gostei pouco da lentidão da nossa equipa na primeira parte, com vários jogadores presos de movimentos. Nazinho, como ala esquerdo titular, não resultou. Pedro Gonçalves andava meio perdido. Sarabia mal se viu neste período inicial. Após o intervalo, Rúben Amorim trocou Nazinho por Paulinho: rima e bateu certo. O n.º 21 fez a diferença assim que entrou, arrastando marcações e abrindo diagonais em movimentações constantes. Não tardou muito para que o empate a uma bola registado ao intervalo se desfizesse: foi, de longe, o melhor período do Sporting. Durou até ao minuto 71, quando Tabata viu o cartão vermelho. Depois, imperou a preocupação de segurar a vantagem tangencial e até de recorrer a expedientes típicos do futebol português para queimar tempo à espera que soasse o apito final. Terá sido eficaz, mas não foi bonito.

 

Não gostei de verificar que o Sporting continua a marcar poucos golos. Estivemos a perder durante um quarto de hora, a partir dos 8', empatámos e após o intervalo carimbámos a vitória contra o Casa Pia. Sem ambição de ampliar a vantagem. É verdade que tivemos um a menos nos 20 minutos finais, mas defrontávamos uma equipa do segundo escalão do futebol português. Também não gostei que se cumprisse o sétimo jogo seguido sem Pedro Gonçalves a marcar. É certo que mandou uma bola ao poste, aos 53', e foi ele a pontapear o canto de que resultou o primeiro golo, mas habituou-nos a ser mais acutilante e concretizador do que mostrou nesta difícil vitória frente ao Casa Pia.

 

Não gostei nada da actuação de Rui Costa, um dos piores árbitros ainda em actividade quando já podia e devia ter arrumado as botas. Perdoou dois penáltis à turma da casa, esteve prestes a anular o golaço limpo de Sarabia (valeu-nos a intervenção da vídeo-arbitragem, já existente nesta fase da Taça de Portugal) e tomou uma decisão desproporcionada ao expulsar Tabata num lance em que apenas se impunha o amarelo. De qualquer modo, o brasileiro deve rectificar o comportamento em campo: esta é a segunda vez em que é expulso num intervalo curto. Só é útil para a equipa quando está em jogo, não quando recebe ordem de expulsão.

Quente & frio

Gostei muito que o Sporting confirmasse esta noite, em Penafiel, o acesso à final-a-quatro da Taça da Liga, que confere o título de campeão de Inverno no futebol português. Nas duas últimas épocas, este troféu foi nosso: queremos revalidá-lo, estamos no bom caminho. Continuamos invictos, nesta temporada 2021/2022, nas várias competições nacionais.

 

Gostei que Tiago Tomás tivesse regressado aos golos: foi dele o único desta partida, marcado aos 16'. Esteve quase a marcar um segundo aos 60', num remate em arco muito bem colocado que o guarda-redes adversário impediu. O nosso jovem avançado entregou-se ao jogo, revelou óptima condição física: elejo-o como melhor em campo. Nota muito positiva também para Gonçalo Esteves neste seu terceiro jogo de verde e branco em apenas nove dias: actuou como titular na ala direita aproveitando as ausências de Porro (por lesão) e Esgaio (infectado com covid-19), ganhando sucessivos duelos individuais tanto à frente como atrás. Destaque ainda para Ugarte, que recuperou sucessivas bolas, impondo-se no corredor central. 

 

Gostei pouco da falta de intensidade de alguns jogadores leoninos, em notório sub-rendimento, sobretudo na segunda parte. Admito que estivessem a poupar-se para o próximo desafio do campeonato, a decorrer este sábado em Barcelos. Mas os cerca de dois mil adeptos que compareceram nas bancadas do estádio 25 de Abril, incentivando sempre a nossa equipa, mereciam maior entrega ao jogo, menos lentidão na condução da bola e um espectáculo de maior qualidade no bom relvado de Penafiel.

 

Não gostei do resultado: este 0-1 é poucochinho. Além do golo, fruto de um bom trabalho de Tabata que Tiago Tomás soube aproveitar, tivemos só duas outras oportunidades flagrantes. A primeira aos 8', quando Coates cabeceou ao poste: esteve a centímetros de marcar o seu quinto desta época. A segunda no já mencionado lance que Tiago protagonizou. Soube a pouco.

 

Não gostei nada da actuação do árbitro Cláudio Pereira, recém-promovido à primeira categoria - sem revelar qualidade para o efeito. Começou por amarelar Tabata aos 20', por "simulação" inexistente: o brasileiro é derrubado dentro da área. Depois amarelou Neto, aos 35', num lance em que o central leonino só toca na bola. Aos 74', expulsa Tabata por acumulação de amarelos, forçando o Sporting a jogar com menos um nos 20 minutos finais, numa partida sem vídeo-arbitragem - como é possível isto existir no futebol português quase em 2022? Destes três cartões, apenas o último se justificava - mas nunca para excluir o jogador da partida. Assim, defrontaremos o Gil Vicente com oito baixas. Além de Vinagre e Jovane, lesionados de longa duração, iremos sem Palhinha, Porro, Esgaio, Feddal e provavelmente também sem Paulinho, ainda a recuperar do coronavírus. E de certeza sem Tabata, cumprindo castigo injusto por culpa deste apitador incompetente. Apesar disso - ou por causa disso - não me admirava que lhe impusessem a curto prazo as insígnias FIFA. Há razões que a razão desportiva desconhece.

Quente & frio

Gostei muito que o Sporting transitasse para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, o que aliás já era garantido antes do desafio desta noite contra o Ajax. O que nos situa entre as 16 melhores equipas do futebol europeu nesta temporada 2021/2022, ao contrário do que sucedeu com o FC Porto, eliminado em casa pelo Atlético de Madrid.

 

Gostei que tivéssemos marcado dois golos: o primeiro aos 22' por Nuno Santos, o segundo aos 78' por Tabata. Este, que selou o resultado em 4-2, resultou de um vistoso disparo do pé canhoto do brasileiro, que elejo como melhor Leão em campo: já tinha sido dele a assistência para o nosso golo inaugural. Por ironia, mesmo derrotado, o Sporting consegue ser a única equipa a bisar até agora contra o Ajax numa época imparável para o campeão da Holanda, que em 15 jogos do campeonato ainda só sofreu dois golos. Gostei também que nos tivéssemos apresentado em campo com a nossa mais jovem equipa de sempre na principal prova organizada pela UEFA a nível de clubes. Quatro estreantes na Liga dos Campeões: João Virgínia (22 anos), Ugarte (20 anos), Gonçalo Esteves (17 anos) e Dário (16 anos). Nenhum deles esquecerá o dia de ontem. Para os jogadores, é importante ganhar experiência. Para o clube, é fundamental apostar no futuro.

 

Gostei pouco de ver tantas alterações à equipa titular promovidas pelo nosso treinador. Entrámos em campo com apenas dois dos habituais onze: Gonçalo Inácio e Matheus Reis. João Virgínia, Neto, Gonçalo Esteves, Esgaio, Bragança, Ugarte, Tabata, Nuno Santos e Tiago Tomás têm sido suplentes em grande parte dos jogos. Algumas poupanças foram forçadas, por lesão (Feddal, Palhinha) ou covid-19 (Coates). Outras para prevenir acumulação de amarelos (Matheus Nunes e Porro), o que também se justifica. Menos compreensíveis as ausências iniciais de Adán, Paulinho, Pedro Gonçalves e Sarabia - aliás os três últimos acabaram por saltar do banco entre os minutos 60 e 73, quando a pressão do Ajax ameaçava tolher por completo a nossa equipa. As mudanças produziram efeito: marcámos o segundo golo e podíamos até ter marcado um terceiro, por Bragança, a passe de Tabata (76').

 

Não gostei dos excessivos erros individuais contra o Ajax. Aos 8', Daniel Bragança falha a intercepção na grande área e comete penálti infantil sobre Haller, logo convertido no primeiro golo contra nós. Aos 42', Gonçalo Inácio entrega literalmente a bola a Antony em zona proibidíssima, quando a partida estava empatada 1-1, ditando assim o destino do Sporting em Amesterdão. Aos 58', Nuno Santos culmina uma noite de desacerto (apesar do golo que marcou) perdendo a bola no meio-campo defensivo, o que abriu uma avenida para o terceiro da turma holandesa, marcado por Neres. Tiago Tomás mostrou-se perdulário, desligado do conjunto e com fraquíssima pontaria. Tudo isto tem um preço elevado quando se disputa um desafio da Champions. Enfim, terminou um notável ciclo de 12 vitórias consecutivas da nossa equipa em diversas competições.

 

Não gostei nada das bancadas vazias e do deprimente silêncio no estádio Johan Cruyff que até parecem ter contagiado quem narrava e comentava o jogo na TVI. Picou-se o ponto mas a festa esteve ausente, confirmando que o pesadelo da Covid-19 continua a marcar o quotidiano europeu em geral e o futebol em particular. Andamos há quase dois anos nisto.

Quente & frio

Gostei muito de quase tudo. Antes de mais nada, da histórica vitória contra o Borussia Dortmund, actual segundo classificado do campeonato alemão: vencemos por 3-1, com golos nossos apontados por Pedro Gonçalves (30' e 39') e Porro (81'). E do apuramento directo para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões quando ainda falta disputar uma jornada - algo que não nos sucedia desde a temporada 2008/2009 - já com três triunfos e 12 golos marcados em cinco desafios. E da nossa décima vitória consecutiva, em várias competições. E de termos cumprido o 32.º jogo seguido sempre a marcar em casa. 

 

Gostei do desempenho de Pedro Gonçalves, que volta a bisar, algo que lhe sucede pela quarta vez nesta época: homem do jogo, foi ele o grande obreiro deste triunfo no plano individual, somando já quatro remates certeiros em três desafios da Liga dos Campeões. Gostei, uma vez mais, da exibição superlativa de Coates, autor do excepcional passe de 50 metros que funcionou como assistência para o primeiro golo, obra-prima da eficácia, construída com apenas dois toques na bola. Mas gostei sobretudo de ver a equipa consistente, compacta e muito bem organizada, sobretudo no plano defensivo. Sem esquecer o encaixe financeiro que este triunfo nos proporcionou: mais 12,4 milhões de euros entram de imediato nos cofres leoninos - 2,8 milhões pela vitória, 9,6 milhões pelo apuramento. Rúben Amorim está mais que pago: não restam dúvidas nem ao mais feroz militante antivarandista. 

 

Gostei pouco de ver a equipa desconcentrada, pela primeira vez, no longo tempo extra (sete minutos) concedido pelo árbitro quando vencíamos por 3-0 nos 90' regulamentares. E da aposta arriscada em excesso de Amorim, que estreou o ala esquerdo Flávio Nazinho aos 88'. É outro talento da formação lançado na equipa principal: merece aplauso. Mas talvez devesse ter ocorrido noutro palco. A verdade é que foi neste período que o Borussia marcou o golo de consolação, quando já estava reduzido a dez por justa expulsão de Emre Cam.

 

Não gostei da equipa alemã, que actuou sem ponta-de-lança e exibiu uma defesa precária e alas pouco acutilantes. A verdade é que o Borussia apresentou em Alvalade um onze muito desfalcado, com várias baixas: Haaland, Hummels, Thorgan Hazard e Raphael Guerreiro - em benefício da "estrelinha" deste Sporting treinado por Rúben Amorim. Mas alegados craques, como Reinier e Witsel, passaram ao lado do jogo.

 

Não gostei nada das "coreografias" com tochas e petardos que algumas claques insistem em exibir na topo sul do estádio, o que levará o Sporting - uma vez mais - a ser alvo de duras sanções pecuniárias da UEFA, que nestas coisas não perdoa. Nem do tapete verde, que continua a provocar perigosas escorregadelas mesmo após a intervenção de emergência ali ocorrida desde a recepção ao Varzim. Eram também escusados aqueles "olés" finais, muito mais apropriados para praças de toiros do que para estádios de futebol: acabaram por desconcentrar os jogadores num período crucial da partida e revelar uma arrogância mais própria de outros emblemas.

Quente & frio

Gostei muito de Pedro Gonçalves. Não foi titular, só entrou aos 58' (substituindo o lesionado Jovane), mas não tardou a desembrulhar o jogo. Por duas vezes. Na primeira, emendando da melhor maneira um cruzamento atrasado de Sarabia (após falhanço de Paulinho): parece fácil, mas só ele consegue. Foi aos 67': esperámos mais de uma hora para abrir o marcador. Após o inesperado empate do Varzim, foi ainda o nosso n.º 28 a solucionar, carimbando a vitória. De penálti, impecavelmente marcado aos 88', fixando o resultado em Alvalade: 2-1. Terceiro bis da temporada para o jovem transmontano. Melhor em campo. Foi ele de novo a fazer a diferença.

 

Gostei dos nossos alas, à esquerda e à direita. Nuno Santos incansável a percorrer o corredor esquerdo e a centrar quase sempre com precisão, Gonçalo Esteves (com apenas 17 anos) confirmando que é um jovem muito promissor: arrisca no confronto individual, não vira a cara à luta, é tecnicamente muito evoluído. Gostei da boa réplica do Varzim, sem esquecer que é penúltimo classificado da Segunda Liga. Gostei também que o Sporting transitasse para a quinta eliminatória da Taça de Portugal. Somamos já 36 jogos sem perder em Alvalade para as competições internas (desde o Sporting-Benfica de 17 de Janeiro de 2020), cumprimos 31 jogos seguidos sempre a marcar em casa e alcançámos o nono triunfo consecutivo. Aguarda-nos o decisivo confronto de quarta-feira contra o Borussia, com a possibilidade de ascendermos ao segundo lugar do nosso grupo da Liga dos Campeões. Só dependemos de nós.

 

Gostei pouco de ver quatro oportunidades flagrantes de golo ficarem por concretizar para o nosso lado. Três travadas pelo guarda-redes Isma, com exibição superlativa em Alvalade: só ele impediu Daniel Bragança (aos 29'), Matheus Nunes (aos 41') e Matheus Reis (56') de a meterem lá dentro - sem esquecer um tiro de Jovane à barra, na conversão de um livre directo (36'). Ficou também evidente que a rotação de jogadores ensaiada por Rúben Amorim para poupar parte dos titulares já a pensar no desafio de quarta-feira ficou aquém do pretendido. Seis que não costumam integrar o onze inicial alinharam desta vez de início: João Virgínia, Esgaio, Gonçalo Esteves, Daniel Bragança, Tabata e Jovane. Mas perante o empate a zero registado ao intervalo que ameaçava prolongar-se pelo segundo tempo o treinador mexeu na equipa. Entraram Pedro Gonçalves, Sarabia e Porro (estes dois aos 66') e logo o Sporting se revelou mais dinâmico. Sarabia assistiu para o golo um minuto depois de entrar, Pedro marcou e Porro ganhou o penálti que nos permitiu a vitória. Os três fizeram a diferença.

 

Não gostei de Paulinho. Exibição medíocre do nosso avançado-centro, que voltou a ficar em branco apesar de se ter mantido em campo até ao apito final. Pior: não fez sequer um remate à baliza. Mal posicionado, sem presença na área, foi incapaz de aproveitar um só dos numerosos cruzamentos feitos por Nuno Santos e Matheus Reis pela esquerda e Gonçalo Esteves pela direita. Falta-nos claramente um homem de área, que não é o ex-avançado do Braga. Reforço urgente e eficaz, precisa-se.

 

Não gostei nada do sofrimento desnecessário na noite fria de Alvalade, onde só compareceram 9786 adeptos - incluindo uma ruidosa falange de varzinistas. Esperar mais de uma hora para ver o Sporting marcar frente a uma equipa de um escalão inferior torna-se penoso. Pior só a deplorável condição do relvado, sobretudo na segunda parte - mesmo sem ter chovido. Jovane sofreu uma lesão no joelho esquerdo que parece ser grave devido aos buracos que se abriam na terra castanha, outrora verde. Podia ter acontecido o mesmo, pouco depois, a Matheus Nunes e Matheus Reis. Inaceitável que o tapete do nosso estádio se apresente assim, quase despromovido a pelado.

Quente & frio

Gostei muito da espectacular noite europeia do Sporting ontem em Alvalade. Goleámos o Besiktas, desta vez por 4-0 - no desafio de Istambul tínhamos vencido por 4-1. A primeira parte, que terminou com 3-0, foi uma das melhores da nossa equipa de que me recordo em muitos anos de competições da UEFA. Vencemos também no plano financeiro: estes dois triunfos asseguram 5,6 milhões de euros aos cofres leoninos. Garantimos desde já presença na Liga Europa. Mas continuamos com expectativas intactas em transitar para os oitavos da Liga dos Campeões: basta derrotarmos o Borussia Dortmund quando recebermos a turma alemã no próximo dia 24, aproveitando o facto de ter sido derrotada (1-3) pelo Ajax. Certamente o Sporting-Borussia contará com tanto público como desta vez, em que mais de 40 mil adeptos acorreram às bancadas incentivando a equipa do princípio ao fim.

 

Gostei do profissionalismo da nossa equipa: este era um jogo decisivo, em que só a vitória interessava. E entrámos em campo com essa atitude, decididos a marcar tão cedo quanto possível. Os golos foram aparecendo: aos 31', de penálti, por Pedro Gonçalves; aos 38', também marcado por ele, num remate muito bem colocado precedido de simulação; aos 41', por Paulinho; num disparo de meia-distância que fez levantar o estádio; e aos 56', por Sarabia, de pé direito, aproveitando da melhor maneira um ressalto em posição frontal. Pedro Gonçalves, que se estreou a marcar na Champions, regressa aos golos após um jejum de quase três meses: foi ele a sofrer o penálti e a construir excelentes jogadas que podiam ter inaugurado o marcador aos 8' e aos 10'. Merece, sem favor, o título de melhor em campo. Quando saiu, aos 72', escutou uma justíssima ovação - aliás à semelhança de Paulinho. 

 

Gostei pouco que tivéssemos posto o pé no travão na meia-hora final, desperdiçando uma oportunidade soberana de ampliarmos o resultado, como o público ia pedindo e o próprio treinador também. Mesmo assim registámos a segunda goleada consecutiva na Champions e cumprimos uma série de 30 jogos sempre a marcar no nosso estádio para todas as competições - algo que não nos sucedia há 27 anos. Com este, já são sete desafios seguidos a vencer na temporada 2021/2022. E temos melhor quociente de golos (9-7) na comparação com o Borussia (4-8), o que pode ser fundamental como critério de desempate para prosseguirmos na Liga dos Campeões.

 

Não gostei de ver vários golos desperdiçados. Foram pelo menos três. Por Paulinho, que atirou ao poste aos 8' após excelente centro de Sarabia; por Daniel Bragança, que fez a bola rasar o poste aos 77'; e por Nuno Santos, ao rematar para fora quando estava isolado, aos 85'. Em qualquer dos casos, fizeram o mais difícil. Quase-golo aconteceu também, aos 48', quando Sarabia (outra exibição superlativa) fez a bola embater na barra. Também não gostei de ver sair Porro logo aos 17, por lesão: felizmente foi bem substituído por Esgaio.

 

Não gostei nada de continuar a ver uma parte da bancada sul despovoada. Ninguém frequenta aquela espécie de reserva de índios destinada àquilo a que o Governo atribuiu o nome de "cartão de adepto". Iniciativa totalmente fracassada, sem qualquer adesão. Aguardo que o secretário de Estado do Desporto, antes de cessar funções, anuncie o fim desta medida inútil que nunca devia ter sido tomada.

Quente & frio

Gostei muito da vitória do Sporting em Alvalade, esta noite, frente ao Famalicão. Estamos praticamente qualificados para a meia-final da Taça da Liga - ao contrário do FC Porto, agora eliminado desta competição pelo Santa Clara. Falta-nos apenas empatar no estádio do Penafiel, a 15 de Dezembro, para seguirmos em frente. Domínio claro da nossa equipa, que venceu por 2-1. Contrariando uma tendência recente: nos cinco desafios anteriores, desde 2017, nunca tínhamos conseguido derrotar o Famalicão. Já lá tínhamos perdido dois pontos em Agosto, na quarta jornada do campeonato.

 

Gostei da excelente jogada colectiva que culminou no nosso segundo golo, aos 61'. Tabelinha entre Esgaio e Matheus Nunes, que conduz a bola pela ala ofensiva direita, cruzando para Sarabia, que remata forte com o seu pé menos bom (o direito) para defesa incompleta do guarda-redes e excelente recarga de Nuno Santos, metendo-a lá dentro. Foi o melhor lance da partida, culminando uma superioridade indiscutível da nossa equipa até ao quarto de hora final, com boas exibições de Ugarte (melhor em campo e estreante como artilheiro de verde e branco, logo aos 8'), Gonçalo Inácio, Sarabia e Nuno Santos - estes últimos precisamente os três que repetiram presença no onze titular após o embate de sábado com o Moreirense, também em casa. Amorim decidiu rodar os outros oito, fazendo descansar jogadores como Adán, Coates, Porro e Palhinha - embora este acabasse por entrar, rendendo Ugarte aos 68'.

 

Gostei pouco das exibições de dois dos nossos titulares: Vinagre, que se perdeu em fintas inconsequentes sem soltar a bola, e Jovane, que foi acumulando passes errados e decisões precipitadas lá na frente. Têm ambos de fazer muito melhor se ambicionam mais protagonismo neste Sporting 2021/2022.

 

Não gostei de voltar a ver Paulinho embrulhar-se com a bola em zona de decisão, acabando por matar um lance promissor sem sequer tentar metê-la lá dentro. Aconteceu aos 77', nove minutos depois de entrar em campo para substituir Sarabia: isolado, perdeu tempo e ângulo de remate, desperdiçando nova oportunidade para demonstrar dotes de artilheiro vestido de verde e branco. Hoje com o belo equipamento Stromp, agora de marca Nike, em estreia absoluta nesta temporada.

 

Não gostei nada da arbitragem de Manuel Mota, célebre entre os apitadores portugueses pelas piores razões. Aos 8', perdoou um penálti evidente ao Famalicão, quando um defesa da equipa visitante desviou com o braço um remate cruzado de Sarabia. No quarto de hora final, fez vista grossa a uma bola jogada com a mão a curta distância da grande área famalicense, perdoando-lhes um livre directo certamente muito perigoso. Finalmente, aos 90' validou o golo da equipa minhota marcado por um jogador que parece em fora-de-jogo. É inaceitável não haver vídeo-árbitro nesta fase da Taça da Liga: parece que o futebol retrocedeu muitos anos, a uma época que não deixou saudades.

Quente & frio

Gostei muito da goleada do Sporting em Istambul. Vencemos o Besiktas por 4-1: foi o primeiro triunfo leonino desde sempre na Turquia e a primeira vez que espetamos quatro golos em baliza alheia na Liga dos Campeões. Jornada grande para o nosso emblema. Com exibições superlativas de três jogadores. Desde logo o grande Coates - melhor em campo, um dos nossos melhores centrais de todos os tempos, autor dos dois primeiros golos (16' e 27') e com eficácia máxima no capítulo do passe: não falhou um. Depois, Palhinha: encheu o campo todo em sucessivas recuperações e sete desarmes, sem jamais desistir de um lance. Destaque ainda para Porro, felizmente sem sequelas da entrada sofrida contra o Belenenses na Taça de Portugal. Foi ele a marcar o canto de que nasce o nosso primeiro golo. Foi ele também a dominar por completo o seu corredor, vulgarizando a equipa adversária e ajudando a encostá-la às cordas.

 

Gostei que Paulinho tivesse regressado aos golos. E da maneira como voltou, marcando um golaço em Istambul - o nosso quarto, aos 89', que selou o triunfo sobre o Besiktas. Num jogo em que fez assistência para o segundo golo e mandou duas bolas aos ferros (67' e 72'). Gostei também de Sarabia, que se estreou a marcar pelo Sporting apontando um penálti aos 44', e da forma eficaz como o nosso bloco defensivo colocou nove vezes (!) em fora de jogo os atacantes da equipa turca: regular como um pêndulo, poupando muito trabalho a Adán, que voltou a mostrar-se em excelente nível. 

 

Gostei pouco de termos falhado vários golos cantados: se tivessem sido convertidos, facilmente venceríamos por sete ou oito. Além das bolas aos ferros, Pedro Gonçalves, Matheus Reis, Tiago Tomás (no último lance do jogo) e o próprio Porro foram perdulários. Há correcções a fazer no domínio da pontaria, sem retirar brilho a este saborosíssimo triunfo que enche de orgulho todos os verdadeiros sportinguistas.

 

Não gostei de rever Rosier, agora titular do Besiktas. Deu algum trabalho, sobretudo a Matheus Reis, no quarto de hora inicial da partida, mas é jogador vulgar, que não deslumbra. A sua contratação - como várias vezes aqui se disse - foi um erro felizmente rectificado quase sem prejuízo financeiro para o Sporting. Em Alvalade, não deixou saudades. Que seja feliz na Turquia: está à distância certa.

 

Não gostei nada do golo turco, validado pela equipa de arbitragem com a concordância do VAR. Aconteceu aos 25'. As imagens não enganam: Larin apoia-se em Matheus Reis, carregando-o nos ombros e impedindo-o de saltar com ambas as mãos. Falta evidente que passou impune. Só assim, à margem das regras, eles conseguiram não ficar em branco.

Quente & frio

Gostei muito da nossa primeira goleada da época. Num dos mais belos estádios da Europa - o do Restelo, infelizmente há muito arredado de grandes confrontos futebolísticos. Casa do Belenenses verdadeiro, não dessa contrafacção que anda aí a tentar usurpar-lhe o nome. Bom relvado, bancadas com mais de 12 mil adeptos dos dois clubes, atmosfera entusiástica, verdadeira festa do futebol. Com um onze composto por seis suplentes, o Sporting impôs hoje a sua superioridade desde o minuto 2, quando Tiago Tomás inaugurou o marcador, e controlou sempre a partida. Resultado: triunfo por quatro golos sem resposta. As nossas redes voltaram a ficar invictas. Os três outros golos foram marcados por TT, bisando aos 68', Jovane (77') e Nuno Santos (80'), os dois últimos na conversão de grandes penalidades.

 

Gostei de algumas exibições. Começando pela de Rúben Vinagre, que regressou ao onze titular após a malograda actuação frente ao Ajax em Alvalade. Esta é uma das melhores notícias da noite: temos o jogador recuperado. Foi, para mim, o melhor Leão em campo. Assistiu TT no golo inicial e serviu-lhe a bola de bandeja aos 79' no lance que originou o segundo penálti a nosso favor - e o quarto golo do Sporting. Excelentes cruzamentos de Vinagre também aos 14', 53' e 62' - infelizmente desperdiçados pelos colegas. Tiago Tomás também merece destaque, naturalmente, pelos dois golos que marcou: concorre cada vez mais com Paulinho para ponta-de-lança titular. Também gostei dos regressos de Pedro Gonçalves (substituído aos 63' por Nuno Santos) e Gonçalo Inácio (que fez de Coates e esteve em campo até aos 83'), ambos recuperados de lesões. Destaque ainda para as boas estreias de Gonçalo Esteves (como ala direito titular: aos 17 anos, promete ser craque), João Virgínia (substituindo Adán na baliza, sem muito trabalho) e João Goulart (central, capitão da nossa equipa B, entrando aos 83' para render Gonçalo Inácio).

 

Gostei pouco de termos chegado ao intervalo a vencer só por 1-0 no Restelo. E do festival de golos desperdiçados (quase todos devido à excelente intervenção do guarda-redes azul Marcelo Valverde, o melhor em campo). Anotei estes: Jovane aos 14', Feddal aos 24', Pedro Gonçalves aos 36', Gonçalo Inácio aos 44', Nuno Santos aos 89', Tiago Tomás aos 43', 86' e 90'+3. Apesar da goleada, frente a uma equipa do quarto escalão do futebol português, continuamos a pecar no capítulo da finalização.

 

Não gostei de continuar a ver um defeito que venho notando neste Sporting 2021/2022: escassa presença na área em momentos decisivos. Excepto em lances de bola parada, muitas vezes mantínhamos apenas Tiago Tomás naquela zona. Não faltaram centros bem medidos que acabaram por não ter desfecho positivo devido à ausência de um elemento que pressionasse  junto ao segundo poste. Demasiada contenção ofensiva, que o resultado de algum modo disfarça por termos beneficiado de dois penáltis - o primeiro, quanto a mim, algo forçado. Se há coisa de que não podemos queixar-nos, em tempos recentes, é de falta de grandes penalidades a nosso favor.

 

Não gostei nada da entrada assassina de um jogador do Belenenses chamado Frias. Aplicou uma tesoura na tibiotársica de Pedro Porro, que entrara minutos antes em campo e saiu de maca, contorcendo-se com dores, ao minuto 75. Provável lesão grave do internacional espanhol que poderá afastá-lo dos relvados durante algumas semanas. Começando já no desafio de terça-feira, frente ao Besiktas, para a Liga dos Campeões. O tal sujeito, espantosamente, nem levou vermelho directo nesse lance - como se impunha. Viu-o pouco depois, ao fazer falta sobre Tiago Tomás, na jogada que nos rendeu o segundo penálti. Mancha vergonhosa numa noite que devia ser apenas de celebração e festa.

Quente & frio

Gostei muito do apoio incessante dos adeptos à equipa durante todo o tempo, ontem à noite, mesmo estando o Sporting já a perder por 0-2 logo aos 9' nesta nossa partida inaugural da fase de grupos da Liga dos Campeões, quatro anos depois da última participação na prova. Até no fim, copiosamente derrotados, os jogadores receberam aplausos que chegaram a comover o treinador. Isto sim, é apoiar. Num estádio com metade da lotação - máximo previsto segundo as regras actuais, ainda restritas devido à pandemia. 

 

Gostei da excelente exibição do Ajax em Alvalade: foi sempre superior na técnica, na táctica, na velocidade, na condição física e anímica. O extremo brasileiro Antony e o avançado franco-marfinense Haller fizeram o que quiseram da nossa equipa - sobretudo o segundo, com uma estreia de sonho na Liga dos Campeões, com quatro golos em cinco oportunidades. Do nosso lado, nota positiva para Matheus Nunes, único que tentou quase sempre remar contra a maré, destacando-se com uma assistência primorosa no nosso golo, aos 33'. Em bom plano também Porro, com um par de oportunidades soberanas para marcar, e Paulinho, que a meteu duas vezes lá dentro embora só uma tenha contado.

 

Gostei pouco de ver Sarabia ausente do onze inicial da nossa equipa. O internacional espanhol tem 33 jogos de Liga dos Campeões - experiência muito maior a este nível do que o resto do plantel leonino. Não ignoro que chegou há pouco tempo, mas estas são as partidas em que profissionais com o seu currículo mais podem fazer a diferença. Quando entrou, já na segunda parte, perdíamos por 1-3 e o descalabro colectivo era praticamente irremediável. Também gostei pouco de confirmar aquilo que já havia escrito no És a Nossa Fé: temos um plantel demasiado curto para as exigências da temporada. Com Coates ausente por castigo e Pedro Gonçalves de fora por lesão, além da saída de Nuno Mendes, entretanto transferido para o PSG, há demasiadas pedras basilares fora do caminho. Ontem tínhamos no banco três jogadores da equipa B: João Goulart, Geny Catamo e Gonçalo Esteves. 

 

Não gostei de ver o Sporting entrar em campo com o desenho táctico de sempre, incapaz de adaptá-lo às características específicas da equipa adversária, finalista da Liga Europa em 2017 e semifinalista da Liga dos Campeões em 2019. Faltou um reforço na organização defensiva, que deixasse Palhinha menos desamparado nesse sector, faltaram instruções aos alas para recuarem no terreno e aos extremos para fecharem o corredor, faltou o realismo para se perceber que não é possível este Sporting desfalcado de alguns dos seus melhores valores jogar de igual para igual com o poderoso Ajax. 

 

Não gostei nada da exibição de Vinagre, péssimo: tem culpa óbvia nos dois primeiros golos e permaneceu demasiado tempo em campo (Matheus Reis rendeu-o após o intervalo). Nem dos erros defensivos globais: Feddal atravessa um mau momento, talvez devido a problemas físicos, Gonçalo Inácio, condicionado, não devia sequer ter alinhado de início (saiu aos 21', por aparente lesão traumática). Também foi demasiado óbvio que o Ajax estudou muito melhor o Sporting na preparação para o jogo do que o inverso: os holandeses surpreenderam a nossa equipa, neutralizando-a. Rúben Amorim chumbou no teste nesta sua estreia na Liga dos Campeões como treinador: goleado em casa por 1-5, a nossa segunda pior prestação de sempre nesta prova (pior só mesmo a derrota por 0-5 frente ao Bayern em 2009). 

Quente & frio

Gostei muito do início da nova temporada com o pé direito - isto é, com a conquista do nosso terceiro troféu neste já inesquecível ano de 2021. Vencemos (por 2-1) e convencemos no decisivo confronto com o Braga, o nosso mais frequente adversário. Confirmando que nada havia de fortuito ou ocasional nos triunfos alcançados na época anterior. Pelo contrário, há aqui muito e bom trabalho de toda a equipa técnica, liderada por Rúben Amorim. Temos neste momento um dos melhores plantéis leoninos de todos os tempos. A conquista da Supertaça, anteontem, é mais uma etapa neste processo de restituição do Sporting à glória prolongada e duradoura. Nós, adeptos, merecemos isto.

 

Gostei de ver intacta, para já, a espinha dorsal do Sporting campeão da época 2020/2021. Com Coates a pontificar no bloco defensivo, Nuno Mendes a brilhar no flanco esquerdo, Palhinha a destacar-se entre os médios e Pedro Gonçalves (melhor em campo) sempre imprevisível e genial nas linhas avançadas. Sem esquecer Adán, Feddal e Gonçalo Inácio, naturalmente. E de observar a promoção de Matheus Nunes e Jovane ao onze titular: ambos merecem. Além da estreia de Esgaio neste regresso aos jogos oficiais pelo Sporting, confirmando ser um verdadeiro reforço. Seria excelente que este grupo tão sólido permanecesse intacto pelo menos até ao próximo mercado de Inverno.

 

Gostei pouco do regresso do público ao futebol, devidamente autorizado pela FPF e pela Direcção Geral de Saúde, no moldes em que aconteceu. A distribuição paritária dos bilhetes para Braga e Sporting resultou no que já se esperava: escassez de procura por parte dos minhotos, que acabaram por devolver grande parte dos ingressos à FPF, enquanto alguns milhares de adeptos leoninos ficaram sem oportunidade de assistir à partida, disputada no estádio municipal de Aveiro, onde por motivos sanitários só um terço dos lugares nas bancadas podiam ser preenchidos. De qualquer modo, foi muito bom voltar a ver ali animação e colorido, mesmo em dose reduzida. Espero que o confinamento no desporto português tenha mesmo chegado ao fim.

 

Não gostei dos 20 minutos iniciais nesta partida destinada a atribuir o primeiro troféu da nova temporada. O Sporting concedeu excessivo espaço e demasiada iniciativa à equipa minhota, que viria a marcar primeiro. Felizmente esse golo pareceu despertar-nos: embalámos logo a seguir para uma exibição convincente, que em certos momentos mereceu mesmo "nota artística", como costumava dizer o outro. O tal que falava muito e ganhou quase nada nos três anos que passou em Alvalade. 

 

Não gostei nada do lamentável gesto do benfiquista André Horta, único jogador do Braga que recusou passar pela guarda de honra formada pela equipa campeã nacional no final da partida. Uma atitude "à Benfica" que contrastou com o clima de fair play ali dominante. Felizmente nenhum dos seus colegas imitou tão triste exemplo. E alguns dos nossos, como Porro e Nuno Santos, não deixaram de criticar Horta. Que não revelou só mau-perder: também demonstrou falta de educação.

Quente & frio

Gostei muito desta conquista da Taça da Liga - o nosso terceiro título de campeões de Inverno em quatro temporadas, primeiro conseguido sem recurso ao desempate por grandes penalidades. Uma vitória que culmina a excelente organização colectiva do futebol leonino, com reflexos dentro e fora do campo. E que é um triunfo, acima de tudo, do actual treinador. Rúben Amorim, em apenas 11 meses, conseguiu renovar por completo a equipa, incutindo-lhe dinâmica e força competitiva sem perder qualidade técnica. Apostou nos jovens, acreditou na formação, trouxe ambição para Alvalade. Não por acaso, lideramos o campeonato, onde somos o único emblema sem derrotas à 14.ª jornada. Não por acaso, deixámos para trás o FC Porto nas meias-finais desta competição que voltamos a ganhar após um ano de interregno, batendo o Braga na final disputada em Leiria. Uma final com exibição magnífica de Coates, pilar da nossa estrutura defensiva, verdadeiro patrão do onze, capaz de travar todo o fluxo ofensivo adversário. Neste jogo decisivo protagonizou 14 recuperações de bola e quatro intercepções. Um gigante. Sem favor, o melhor em campo.

 

Gostei do desempenho de Porro, autor do único golo da partida, que carimbou a conquista do título. Golo marcado aos 41', com um soberbo remate cruzado após magnífica assistência de Gonçalo Inácio, hoje alinhando como central descaído para a direita apesar de ser esquerdino: aquele livre convertido em passe vertical de 35 metros para o internacional sub-21 espanhol equivaleu a meio golo. Palhinha foi outro pilar desta conquista, incansável nas acções de cobertura do nosso meio-campo defensivo: é de uma falta indiscutível que sofreu, junto à linha divisória, que surge aquele livre. Lá atrás, Feddal complementou muito bem o trabalho de Coates. Adán - cada vez mais indiscutível na baliza - fez quatro grandes defesas (26', 69', 90'+4, 90'+6). Nuno Mendes revelou acerto e acutilância como ala esquerdo neste regresso à titularidade. Já na frente, Pedro Gonçalves fez magia numa jogada individual ao findar a primeira parte, com Matheus a rubricar a defesa impossível da noite. E Tiago Tomás, muito castigado por faltas que ficaram sem sanção (ao ponto de o árbitro ter marcado contra ele uma cotovelada que lhe abriu o sobrolho e o forçou a sair do campo por estar a sangrar), mostrou-se inexcedível nos duelos lá na frente. Estes foram os jogadores que mais se distinguiram numa final que infelizmente não contou com um relvado à altura e ficou manchada por uma actuação medíocre do árbitro, que tudo fez para estragar o espectáculo.

 

Gostei pouco novamente de João Mário. Numa partida em que se impunha muito esforço físico, muita luta tenaz pela posse de bola, muita capacidade de choque, o campeão europeu voltou a revelar défice competitivo: quando foi substituído por Matheus Nunes, aos 69', dava a sensação de que já saía demasiado tarde. Outro jogador que ficou aquém do que lhe era exigido foi Nuno Santos: actuou em toda a segunda parte, rendendo Jovane, mas transmitiu a ideia de que nunca chegou a entrar verdadeiramente na partida, talvez por inadaptação àquele lodaçal a que só por ironia alguém poderia chamar relvado. Finalmente, uma vez mais, nota nada positiva para Sporar, que aos 59' entrou para o lugar de Tiago Tomás. O esloveno não pressiona, não rouba a bola, não ganha uma dividida, não causa perigo. E, pior que tudo, continua sem marcar golos. Ontem, servido por Matheus Nunes num cruzamento atrasado em que só lhe bastaria empurrar a bola, aos 81', matou o lance com um passe ao guarda-redes. Para esquecer.

 

Não gostei que esta final tivesse sido disputada quase sempre sob chuva incessante e num terreno em condições impróprias para a prática desportiva. É difícil compreender como é que a Liga de Clubes escolhe para palco de uma final um ervado que vira charco, sem um sistema de drenagem eficaz: a bola não rolava, ficava presa nas covas que se iam cavando à medida que chovia, potenciando eventuais lesões e prejudicando de modo irreversível a qualidade do espectáculo, transformado num festival de chutões sem passes de ruptura nem dribles. Algo inaceitável num país que é detentor do título de campeão da Europa em futebol. Os jogadores não mereciam isto. E nós, espectadores, também não.

 

Não gostei nada da miserável actuação do árbitro Tiago Martins, nosso velho conhecido, que fez tudo para tirar brilho a esta final - como se já não bastasse aquela lama outrora chamada relva. Aos 24' este senhor exibiu um cartão amarelo a Jovane num lance em que a falta ocorre ao contrário: foi o nosso jogador a ser empurrado e pisado, passando a jogar condicionado até ao intervalo, quando Amorim decidiu prescindir dele. Deixou passar impunes duas agressões a Tiago Tomás - uma delas, com um murro na face, devia ter valido a expulsão imediata de Fransérgio. Mas o momento mais negro ocorreu aos 33': assumindo-se como protagonista da final, Martins expulsou em simultâneo o nosso treinador e o técnico braguista, Carlos Carvalhal, por palavras que trocaram entre eles e lhe terão ferido os delicadíssimos tímpanos - ambos foram brindados com vermelho directo. É a terceira expulsão de Amorim desde que está ao comando do Sporting - ele que nunca tinha visto um cartão desta cor em toda a sua carreira como jogador nem no anterior percurso enquanto técnico, o que diz quase tudo sobre a perseguição que nos move esta gente do apito. Mais esclarecedoras ainda são as estatísticas do jogo: o Sporting fez 22 faltas, que geraram sete amarelos e dois vermelhos; o Braga, com 24 faltas, ficou-se por dois amarelos e um vermelho. Números que dizem tudo sobre a chocante disparidade de critérios. 

Quente & frio

Gostei muito da vitória do Sporting esta noite, no estádio municipal de Leiria: eliminámos o FC Porto na meia-final da Taça da Liga e disputaremos a final no próximo domingo contra Benfica ou Braga. Foi um triunfo sofrido, esforçado, mas que revelou o melhor da dinâmica leonina e da entreajuda de uma equipa que sabe funcionar em bloco, fazendo das fraquezas força quando é necessário. Mesmo a perder por 0-1, após uma rosca bem sucedida de Marega que traiu Adán aos 80', soubemos ir para cima deles e acreditar até ao fim. Tornando ainda mais saborosa a vitória, conseguida com dois extraordinários golos de Jovane em oito minutos: o primeiro aos 86', com um remate colocadíssimo, em arco, que sobrevoou toda a defesa adversária; o segundo aos 90'+4, coroando um rápido contra-ataque lançado por Coates e prosseguido com assistência de Pedro Gonçalves, a escassos segundos do apito final, fixando o resultado. Desta vez não houve necessidade de apurar o finalista por grandes penalidades. E ultrapássamos um mini-ciclo de dois jogos sem ganhar (derrota contra o Marítimo, na Madeira, para a Taça de Portugal e empate em casa com o Rio Ave para o campeonato).

 

Gostei das substituições feitas por Rúben Amorim, insatisfeito com o ritmo do nosso jogo - e sobretudo com a nossa incapacidade de ganhar bolas divididas a meio-campo. O treinador acertou nas alterações produzidas, confiando nos jogadores vindos do banco e no brilho da sua estrelinha da sorte, que voltou a funcionar. Matheus Nunes (que entrou aos 69', substituindo João Mário) trouxe adrenalina e velocidade à nossa zona intermédia, impondo-lhe dinâmica ofensiva. Jovane (que entrou aos 78', para o lugar de Tiago Tomás) trouxe golo, bisando contra o FCP neste clássico em que se estreia como goleador e se sagra como figura da partida. Daniel Bragança (que entrou aos 85', rendendo um fatigado Palhinha) veio reforçar a qualidade técnica no corredor central e Plata (que entrou aos 85', substituindo Antunes) causou desequilíbrios lá na frente, sacando um livre muito perigoso aos 90'+2. Também gostei da eficácia que revelámos: em três ocasiões de golo, aproveitámos duas. Quantas vezes podemos gabar-nos disto?

 

Gostei pouco de algumas exibições da nossa equipa. Sobretudo de João Mário, que voltou a pecar por falta de intensidade. O campeão europeu perdeu quase todos os duelos individuais: muito passivo, foi incapaz de dar verticalidade ao jogo leonino. Também Antunes, que desta vez alinhou a titular, ficou muito aquém daquilo que o Sporting necessita no corredor esquerdo: parece muito mais um lateral à moda antiga, especializado em anular o jogo adversário, do que o ala dinâmico exigido pelo sistema táctico de Amorim. Incompreensível a incapacidade que revelou em dominar bolas que lhe iam chegando ou de fazer um cruzamento bem medido.

 

Não gostei das ausências de quatro jogadores nossos por Covid-19: Neto, Nuno Mendes, Sporar e Tabata. E ainda gostei menos que dois deles - Nuno e o esloveno - tenham continuado sem ir a jogo mesmo após o laboratório de análises ter admitido um lapso nos testes efectuados e logo desmentidos por dois outros, que se revelaram negativos. Estranho lapso que merece ser investigado até à exaustão, até porque o director-geral da Unilabs é um fervoroso adepto portista. Incompreensível, a decisão tomada pela Direcção-Geral de Saúde de proibir quase à última hora aqueles dois jogadores de disputarem esta meia-final apesar de não haver qualquer indício de que estejam infectados. Cedendo aparentemente à chantagem do FC Porto, que fez birra ao ponto de ameaçar não entrar em campo. Como se fosse Dono Disto Tudo.

 

Não gostei nada da falta de fair play revelada por Sérgio Conceição, confirmando que continua sem saber perder. Em vez de dar os parabéns ao Sporting por ter vencido, o treinador campeão nacional foi à zona de entrevistas rápidas, logo após o fim da partida, dizer que «o adversário [Sporting] não fez nada para conseguir» este triunfo, que a seu ver terá «caído do céu». O técnico portista tinha motivos para sentir azia: esta derrota frente ao Sporting quebrou-lhe uma sucessão de 17 jogos sem perder. É um facto que jogou sem vários titulares: Marchesin, Otávio, Sérgio Oliveira, Luis Díaz e Taremi estiveram ausentes por castigo, por Covid ou por opção técnica. Mas também é verdade que três dos nossos ficaram igualmente de fora. E fica-lhe muito mal tamanha falta de desportivismo, imprópria de um verdadeiro líder.

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