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És a nossa Fé!

Quente & frio

Gostei muito da conquista da Taça de Portugal no termo de uma partida épica, que jamais esqueceremos. Uma das finais mais esforçadas, uma das mais sofridas, uma das mais saborosas. Uma final em que soubemos fazer das fraquezas força, tendo alinhado de início sem nenhum lateral titular e com um banco de suplentes onde era notória a debilidade do plantel leonino. Marcel Keizer merece os nossos parabéns: soube interpretar muito bem estes pontos fracos e adaptá-los ao desígnio estratégico da equipa neste embate contra o FC Porto, fazendo diversas modificações tácticas no decurso da partida. Assim, tivemos uma defesa a quatro e depois uma defesa a três. Chegámos a jogar com dois pontas-de-lança. Jefferson entrou para ponta esquerda. Raphinha andou num vaivém, protegendo a manobra defensiva no seu corredor. Bruno Fernandes foi muito mais formiga do que cigarra, sacrificando o brilho individual em favor do esforço colectivo. Este é o Sporting de que eu mais gosto: o Sporting obreiro, o Sporting que sua, que sofre, que aguenta os embates. O Sporting que vence.

 

Gostei da condição anímica dos nossos jogadores, que foram capazes de superar o profundo trauma ocorrido um ano antes no Estádio Nacional, numa derrota frente ao Aves escassos dias após o assalto da jagunçada a Alcochete. Esta força mental bastou para compensar algumas insuficiências no plano físico, possibilitando que no mesmo palco do Jamor desta vez saíssemos vencedores. E logo frente ao fortíssimo onze portista, cheio de craques (vários deles preparam-se para rumar a Madrid, onde jogarão no Real e no Atlético). Destaco aqueles que para mim foram os maiores heróis desta conquista: desde logo esse gigante que se chama Mathieu, o melhor em campo: intransponível frente às vagas ofensivas da equipa adversária, lideradas por Marega. Mas realço também Renan, que por quatro vezes impediu o golo e ainda defendeu uma grande penalidade no fim. E Coates, que fez uma parceria irrepreensível com Mathieu. E ainda Bas Dost, inicialmente relegado para o banco de suplentes mas que entrou com ganas redobradas, marcando um golo que se revelaria decisivo. E Luiz Phellype, sem vacilar na hora de marcar o penálti que ditou o vencedor da Taça. E o nosso capitão Bruno Fernandes, que em boa hora Sousa Cintra recuperou para o plantel. Eles e os colegas estão todos de parabéns. 

 

Gostei pouco do estado do relvado. Há anos que se fala na má qualidade do tapete verde do Jamor. Tive esperança de que a Federação Portuguesa de Futebol corrigisse o erro a tempo de proporcionar condições aos jogadores para um bom espectáculo. Infelizmente, não foi assim: aquele "ervado" parecia ter sido invadido por toupeiras. Algo que considero inadmissível.

 

Não gostei da actuação do árbitro Jorge Sousa. Mas pior esteve o vídeo-árbitro Rui Costa, que devia ter analisado com atenção as imagens ao seu dispor na Cidade do Futebol, vendo Herrera ajeitar a bola com o braço direito no lance da marcação do primeiro golo portista. Um erro de palmatória, aliás denunciado por diversos especialistas de arbitragem (Duarte Gomes, Jorge Faustino, Jorge Coroado). 

 

Não gostei nada da reacção grosseira de Sérgio Conceição: o treinador do FCP voltou a revelar-se incapaz de aceitar a derrota com dignidade e galhardia. A recusa de cumprimentar o presidente do Sporting, na tribuna de honra do Estádio Nacional, foi o pior exemplo que podia dar a milhares de jovens que acompanhavam as imagens no estádio e pela televisão. O desporto nada tem a ver com isto. Pelo contrário: Sérgio Conceição, com estas atitudes reprováveis, acaba de cometer mais um acto de lesa-desporto. Não pode ter atenuantes pois está longe de ser o primeiro do género que protagoniza. Muito longe.

Quente & frio

Gostei muito daquele golo que ontem à noite levantou o nosso estádio. Um golo já inesquecível de Bruno Fernandes, fazendo uma vez mais uso do seu pontapé de meia distância. Desta vez o esquerdo, mas com a eficácia de sempre. Um tiro muito bem colocado, disparado ao ângulo superior da baliza adversária, junto ao primeiro poste, sem hipóteses para Svilar. Um golo que proporcionou a nossa primeira vitória frente ao Benfica em futebol profissional desde 15 de Novembro de 2015 e nos transporta à final da Taça de Portugal, a decorrer no Jamor a 25 de Maio - quarta presença leonina consecutiva em finais de torneios, somando a Taça da Liga a esta competição. Foi, enfim, um golo que resultou de uma eficaz jogada colectiva, ao primeiro toque, iniciada precisamente com uma recuperação de bola protagonizada por Bruno Fernandes - sempre ele. Vencemos por 1-0 e foi quanto bastou para anularmos a desvantagem que trouxemos do estádio da Luz. Bruno, pelo seu lado, soma 26 golos e 14 assistências nesta temporada. Ontem podia ter marcado mais um: bastaria que aquele seu míssil teleguiado na conversão de um livre, aos 49', tivesse entrado em vez de embater na trave. É obra, não apenas a nível de Portugal mas do conjunto do futebol europeu.

 

Gostei que neste desafio houvesse enfim superioridade táctica do Sporting frente ao Benfica, organização colectiva e mobilidade no terreno, com os nossos alas a travarem a progressão dos extremos do SLB enquanto o corredor central impedia os passes em profundidade para as costas da defesa. Só uma vez Pizzi conseguiu pôr isso em prática, numa das duas situações de perigo que o Benfica foi capaz de criar em 90 minutos. Sem que Renan tivesse necessidade de fazer uma defesa digna desse nome ao longo de todo o jogo, o que diz muito sobre a disponibilidade física e mental da equipa que Marcel Keizer dispôs no relvado, anulando o dispositivo montado por Bruno Lage nesta meia-final onde até os "suspeitos do costume" (Gudelj, Bruno Gaspar e o próprio Diaby) se mostraram em bom nível.

 

Gostei pouco que só no quarto confronto com o Benfica realizado na presente temporada tivéssemos revelado a superioridade reconhecida nos parágrafos anteriores. Após um empate (1-1) na Luz, para o campeonato, uma derrota em Alvalade (2-4), também no âmbito da Liga 2018/2019, e outra derrota (1-2) na primeira mão desta meia-final. E por falar em meia-final: não faz o menor sentido que o desafio da primeira mão tenha ocorrido a 16 de Fevereiro, com esta segunda mão a disputar-se quase dois meses depois. A Federação Portuguesa de Futebol, organizadora da prova, tem de rever isto.

 

Não gostei da condescendência do árbitro Hugo Miguel no campo disciplinar, procurando dirigir o jogo "à inglesa" durante a primeira parte enquanto na segunda, adoptando critério oposto, desatou a exibir cartões a torto e a direito. Enquanto poupava Pizzi a um vermelho directo por entrada grosseira por trás, rasteirando Bruno Fernandes numa clara jogada de perigo aos 47', e deixava um miúdo cheio de borbulhas apontar-lhe o dedo e quase encostar-lhe a testa à cara após ter visto um amarelo. Com apitadores "internacionais" como este, não admira que Portugal continue sem ver representantes da arbitragem nas fases finais dos grandes torneios de futebol. 

 

Não gostei nada que energúmenos da falange de apoio do clube ainda presidido por Luís Filipe Vieira imitem sons de very light assassinos e continuem a frequentar impunemente estádios de futebol. 

Quente & frio

Gostei muito do golo marcado por Bruno Fernandes na segunda mão dos 16 avos de final da Liga Europa, frente ao Villarreal. Um golo surgido mesmo ao cair do pano da primeira parte, coroando a nossa única verdadeira oportunidade de golo, não apenas nos 45 minutos iniciais mas de toda a partida. Uma jogada toda construída pelo próprio capitão do Sporting, que recuperou a bola ainda no meio-campo e correu 35 metros com ela dominada, de olhos na baliza, fuzilando com um remate forte, ainda fora da grande área. Este golo, aos 45'+1, relançava a eliminatória, colocando-nos em igualdade com a turma espanhola (que há uma semana venceu por 1-0 em Alvalade) e fazia a equipa ir para o intervalo em vantagem.

 

Gostei da exibição de Salin, hoje titular da nossa baliza. Fez quatro ou cinco grandes defesas, sempre atento e bem posicionado - uma delas, extraordinária, aos 86'. Transmitiu segurança à equipa, incentivando-a a projectar-se no ataque, mesmo em desvantagem numérica, nos minutos finais, em que era necessário apostar tudo num segundo golo para rumarmos aos oitavos da Liga Europa. E não teve culpa no que sofremos, aos 80'. Foi, para mim, o melhor Leão em campo.

 

Gostei pouco da atitude apática do treinador holandês, que vendo a equipa com menos um, devido à expulsão de Jefferson aos 50', demorou imenso tempo a refrescá-la e não chegou sequer a esgotar as substituições numa partida em que não dispusemos de um único canto e nos limitámos a rematar duas vezes à baliza. A primeira mudança feita por Marcel Keizer ocorreu só aos 77', com a troca de Diaby por Raphinha. Depois, aos 83', mandou trocar Ristovski por Luiz Phellype, ficando-se por aí. Nessa fase o conjunto leonino já estava à beira da exaustão e o discernimento dos jogadores era reduzido, face ao seu notório desgaste físico e mental. Mesmo assim ainda podíamos ter vencido: naquele que foi praticamente o último lance da partida, aos 90'+3, Bruno Fernandes cruzou muito bem da direita para Bas Dost, ao segundo poste. Mas o holandês, em vez de meter a cabeça à bola, tocou-a com a canela. Era o fim das aspirações europeias do Sporting nesta época 2018/2019. Para o ano, se Deus quiser, haverá mais.

 

Não gostei de sentir que esta eliminatória com uma equipa que segue em penúltimo lugar na Liga espanhola e jogou connosco muito desfalcada, cá e lá, acabou por ser perdida no medíocre e deplorável desafio da primeira mão, realizado há uma semana em Alvalade. Hoje, sem deslumbrar nem empolgar, a nossa exibição foi superior - o que nem era nada difícil, em comparação, apesar de não contarmos com Acuña e Mathieu continuar lesionado. Mesmo assim, o balanço global destes dois meses sob a batuta de Keizer está longe de ser positivo: nos últimos nove jogos, empatámos quatro, perdemos três e só vencemos dois.

 

Não gostei nada de jogar quase toda a segunda parte com a equipa reduzida a dez elementos. Jefferson, amarelado logo aos 35', teve uma entrada imprudente aos 50' que lhe valeu a expulsão. Já no desafio da semana passada, frente ao mesmo adversário, Acuña acabou expulso por acumulação de amarelos. Desta vez também Bruno Fernandes viu o amarelo, por protestos, o que lhe valeria estar ausente do jogo seguinte se tivéssemos transitado para os oitavos. Questiono-me o que levará os nossos jogadores a porem-se a jeito para sofrerem tantos castigos - agora numa fase em que só nos resta a Taça de Portugal como objectivo do ano futebolístico. E ainda não foi desta que ganhámos enfim em Espanha, desperdiçando uma das melhores oportunidades de sempre. Viemos de lá com um empate: apesar de tudo, podia ser pior.

Quente & frio

Gostei muito do golo marcado por Bruno Fernandes na primeira mão da meia-final da Taça de Portugal, ontem à noite, frente ao Benfica no estádio da Luz. Foi o melhor golo do desafio, que perdemos por 1-2. Marcado de livre directo, a 30 metros das redes. Um tiraço do nosso capitão, sem defesa possível para o guarda-redes Svilar, dirigido ao canto superior mais distante da baliza. Um livre que nasceu de uma falta sobre o próprio jogador, que foi o nosso melhor em campo neste clássico em que saímos novamente derrotados: segundo desaire consecutivo perante o nosso mais velho e histórico rival.

 

Gostei de ver o Sporting em cima da baliza benfiquista no quarto de hora final, quando o treinador Marcel Keizer apostou sem complexos num 4-4-2, reforçando o ataque com a entrada de Bas Dost, que a partir dos 76' fez parceria com Luiz Phellype (e quando este saiu, aos 90', com Raphinha), completada por Diaby numa espécie de tridente. Foi nesse período que nasceu o nosso golo, marcado aos 82'. E poderia ter ocorrido outro, empatando-se a partida, se o árbitro não anulasse, mesmo à beira do fim, um lance ofensivo leonino por uma pretensa carga de Dost sobre Svilar que nunca existiu. Isto num jogo em que alinhámos sem Mathieu, Nani e Ristovski.

 

Gostei pouco da prestação do colombiano Borja, reforço de Inverno para a nossa lateral esquerda, em estreia absoluta de verde e branco no onze titular escalado por Keizer para este desafio. Naturalmente sem rotinas defensivas, teve responsabilidades directas nos dois golos encarnados: no primeiro, aos 16', foi incapaz de fechar o corredor por onde penetrou Salvio; no segundo, aos 63', estava muito mal posicionado e deixou João Félix centrar como quis. Apesar destes lapsos com indiscutível gravidade, revelou bons pormenores de ordem técnica, mostrando vocação atacante e capacidade de criar desequilíbrios. Merece o benefício da dúvida.

 

Não gostei de saber que a segunda mão desta meia-final, a disputar no nosso estádio, só vai realizar-se a 3 de Abril. Um absurdo, estes dois meses de intervalo: é uma decisão ridícula da Federação Portuguesa de Futebol, organizadora da Taça de Portugal. De qualquer modo, o Sporting mantém em aberto todas as possibilidades de passar à final da competição. Bastará vencermos o Benfica por 1-0 em Alvalade. Será que nessa altura ainda contaremos com Acuña? Actuando como médio-ala, o argentino foi um dos nossos melhores nesta primeira mão.

 

Não gostei nada da nossa primeira parte. Com desempenhos desastrosos no reduto defensivo, sobretudo de Bruno Gaspar, que voltou a ser ultrapassado várias vezes no seu flanco, nomeadamente no golo inaugural dos encarnados, em que escancarou ma avenida para o golo de Gabriel, e do regressado Ilori, que fez parceria com Coates no eixo da defesa e revelou uma arrepiante fragilidade, culminada num autogolo que ditou a nossa derrota. No meio-campo voltou a imperar a mediocridade de Gudelj na posição de médio defensivo, incapaz de travar o ímpeto encarnado e de contribuir para o início de lances ofensivos: o primeiro golo do SLB nasce de uma bola perdida por ele. Nestes primeiros 45 minutos revelámos fragilidades colectivas, concedemos demasiado espaço aos adversários nas alas, fomos incapazes de ganhar segundas bolas e sair em construção organizada, não dispusemos de um único canto e só conseguimos um remate enquadrado (por Bruno Fernandes). Também não gostei nada de um golo desperdiçado por Wendel que, isolado por Acuña e tendo apenas Svilar pela frente, rematou frouxo e muito ao lado no minuto 57. Nem da passividade do treinador, que a perder por 0-2 - frente a um adversário banal, sem Vlachodimos, Fejsa nem Jonas e um puto estreante no eixo da defesa - só aos 71' começou a mexer na equipa. Menos ainda gostei de ter perdido pela segunda vez em quatro dias com o Benfica, com um saldo muito negativo: três golos marcados e seis sofridos. E de só termos vencido, no tempo regulamentar, um jogo dos últimos oito que disputámos.

Quente & frio

Gostei muito  de ver o Sporting entronizado como campeão de Inverno e o nosso grande capitão, Nani, erguer a Taça da Liga no estádio do Braga, mostrando aos adeptos - ali, em todo o País e nas comunidades portuguesas no estrangeiro - o primeiro troféu conquistado na era Varandas e na era Keizer, o primeiro troféu do futebol português em 2019. Um troféu alcançado em circunstâncias duríssimas (perante um forte FC Porto que dispôs de mais um dia de descanso) na sequência da vitoriosa meia-final frente ao Braga. Depois de afastarmos a equipa braguista, hoje batemo-nos com brio e galhardia perante um valoroso adversário, que vendeu cara a derrota e só foi derrubado nas grandes penalidades finais. Pela segunda vez na mesma semana, a grande força mental da nossa equipa veio à superfície: fomos superiores na hora do tira-teimas. E revalidámos o título: duas Taças da Liga em anos consecutivos.

 

Gostei  da emoção que marcou do princípio ao fim esta final. Um verdadeiro clássico, muito disputado no terreno, com dois fortes dispositivos tácticos enfrentados em campo e um inegável espírito colectivo que animou o onze leonino, apontado à partida como menos favorito por quase todos os especialistas do comentário futebolístico cá do burgo. No momento da verdade, contrariando estas pitonisas, fomos superiores. Bas Dost - homem do jogo - converteu com muita competência dois penáltis com poucos minutos de intervalo: um ao cair do pano, que nos transportou para a decisão após o apito final, e o outro a abrir a ronda das grandes penalidades que ditaram o vencedor do troféu. Renan, que defendera três penáltis na meia-final contra o Braga, bloqueou hoje mais uma, convertendo-se numa figura imprescindível do onze titular leonino. Bruno Fernandes e Nani, dois dos jogadores mais categorizados do actual futebol português, cumpriram também a sua obrigação na marca dos onze metros. Um prémio justo para eles - e também para os milhares de adeptos que compareceram na Pedreira em incentivo permanente aos profissionais deste nosso grande clube.

 

Gostei pouco  de ver, por estes dias, que alguns adeptos e simpatizantes do Sporting continuam a chamar "taça da carica" ou "Taça Lucílio" a esta competição, que nos dois últimos anos teve a nossa marca vitoriosa e nos merece novamente o título de campeões de Inverno, consagrado pela própria Liga de Clubes. Não faz o menor sentido, na era do vídeo-árbitro e numa altura em que a Taça da Liga passou enfim a mobilizar as atenções dos desportistas de todo o País, haver entre nós quem se apresse a desvalorizar este troféu.

 

Não gostei  da excessiva superioridade territorial que concedemos ao FC Porto durante 25 minutos da segunda parte em que permanecemos demasiado acantonados no nosso meio-campo defensivo. Foi nessa fase da partida que sofremos o golo solitário, aos 79', em consequência da forte pressão portista. Mas soubemos reagir muito bem à adversidade. E o treinador reagiu da melhor forma, não baixando os braços: mandou sair o médio defensivo, Gudelj, trocando-o pelo extremo Diaby. Seis minutos depois, a ousadia do técnico foi recompensada: o jovem maliano deu profundidade ao nosso ataque, acabando por ser derrubado em falta na grande área azul e branca: por indicação do vídeo-árbitro, João Pinheiro apontou para a marca de penálti. Era o momento decisivo da final, que nos abria o caminho do troféu com a grande penalidade convertida por Bas Dost aos 90'+2. Também não gostei da substituição forçada de André Pinto, por lesão, aos 53': o defesa, que estava a ser um dos nossos melhores em campo, lesionou-se num choque com Marega e acabou por ceder o lugar a Petrovic, que funcionou até ao fim como central improvisado, dando boa conta do recado.

 

Não gostei nada  da falta de desportivismo da equipa do FC Porto - incluindo aqui o técnico Sérgio Conceição - que abandonou o estádio antes da entrega do troféu ao Sporting, sem retribuir a "guarda de honra" que pouco antes os nossos jogadores haviam dedicado no relvado aos adversários, finalistas vencidos. Precisamente ao contrário do que o Sporting fez em Maio, no Jamor, ao perder a Taça de Portugal para o Aves: a desilusão era imensa, mas nenhum dos nossos então arredou pé. Como diria Nani, noutro contexto, quem não sabe perder também não sabe ganhar.

Quente & frio

Gostei muito que o Sporting tenha conseguido qualificar-se - pelo segundo ano consecutivo - para a final da Taça da Liga (e gostaria que os adeptos leoninos deixassem de chamar-lhe "taça da carica", tal como gostava que deixassem de assobiar o hino da Champions em Alvalade). Uma qualificação difícil, suadíssima, e que só ocorreu graças à marcação de pontapés de grande penalidade - aliás à semelhança do que sucedeu duas vezes na época passada, primeiro na meia-final frente ao FCP e depois na própria final contra o V. Setúbal. Como assinalei logo após o jogo, também gostei muito da exibição de Renan, que travou três penáltis do Braga, sagrando-se herói desta partida. Mas já nos 90 minutos regulamentares (que terminaram com um empate 1-1) tinha estado muito bem, com duas grandes defesas aos 67' e aos 75'.

 

Gostei  da luta que soubemos dar à equipa bracarense, que jogava em casa, perante o seu público. Foi um jogo nem sempre bem disputado, e com uma segunda parte muito aquém do que devemos esperar e exigir dos nossos jogadores. Mas a equipa treinada por Marcel Keizer revelou maturidade suficiente para aguentar a pressão alta da turma adversária e levá-la a cometer erros, transferindo a decisão para os penáltis. Aí fomos superiores, uma vez mais. Destaque também para o golo de Coates, aos 37', com um grande cabeceamento ao ângulo superior direito da baliza do Braga: é sempre bom - até por ser raro - vermos os nossos centrais aproveitarem da melhor maneira estes lances de bola parada ofensiva.

 

Gostei pouco dos sustos que sofremos durante a partida. Um golo sofrido logo no terceiro minuto de jogo, por uma imperdoável desconcentração da nossa linha defensiva. Outro golo sofrido - e felizmente anulado pelo árbitro Manuel Oliveira após visionamento da jogada, precedida de falta de Dyego Sousa sobre Acuña - mesmo a abrir a segunda parte. Uma bola a embater-nos com estrondo na trave, estavam decorridos 75'. E tantos passes falhados, sobretudo no meio-campo, com Bruno Fernandes a destacar-se aqui pela negativa.

 

Não gostei  da estreia de Luiz Phellype como titular. O ex-avançado do Paços de Ferreira, hoje inicialmente no lugar de Bas Dost na frente de ataque, só protagonizou um remate que saiu junto ao poste, aos 21', tendo passado ao lado da partida durante o resto do tempo - também, valha a verdade, por ser pouco e mal servido pelos colegas. Aos 69', deu lugar ao holandês, mas sem qualquer melhoria: Dost foi incapaz de criar um só momento de perigo para as redes bracarenses.

 

Não gostei nada  de ver três dos nossos melhores jogadores - Bas Dost, Coates e Nani - falharem penáltis ao serem chamados a decidir, no termo da partida. Uma equipa que se gaba de ser grande não pode claudicar de forma tão gritante num momento decisivo como este: felizmente Bruno Fernandes, Raphinha, Ristovski e Jefferson, por contraste, deram boa conta do recado. Também não gostei nada de ver que Miguel Luís e Jovane, dois jovens jogadores da nossa formação já com provas dadas na equipa principal, deixaram de contar para o treinador: ambos voltaram a ficar fora da convocatória.

Quente & frio

Gostei muito do regresso do Sporting às vitórias folgadas associadas às boas exibições em campo. Aconteceu nesta noite fria e húmida, em Santa Maria da Feira: triunfo leonino por 2-0 para a Taça de Portugal. Com passagem natural da nossa equipa às meias-finais da competição que promete jogo grande: vamos defrontar o Benfica a 5 de Fevereiro. Vencemos e convencemos, com dois grandes golos - o primeiro, aos 64', marcado pelo buliçoso Wendel, que com um tiro indefensável disparado em diagonal, de fora da área, se estreia como artilheiro de verde e branco na Taça verdadeira, coroando uma exibição muito positiva nesta partida; o segundo, aos 66', apontado pelo incansável Bruno Fernandes, num potente remate de ressaca, de meia-distância. Voto no brasileiro para melhor em campo: foi ele que desatou um nó que persistia bem atado, certamente para alguma irritação e muito nervosismo dos adeptos.

 

Gostei  que não tivéssemos sofrido nenhum golo pelo segundo desafio consecutivo. E das mexidas feitas na equipa pelo treinador Marcel Keizer. Apostou em Salin na baliza - e fez muito bem, pois o francês protagonizou grandes defesas aos 39', 71', 84' e 89'. Bruno Gaspar, tocado, deu lugar a Ristovski, que demonstrou ser mais dinâmico e acutilante nas acções ofensivas. Acuña, após castigo, retomou sem surpresa a titularidade como lateral esquerdo, antes confiada a Jefferson. Raphinha destaca-se mais como extremo do que Diaby: o maliano desta vez nem foi convocado. Gostei sobretudo de ver enfim Luiz Phyllipe mostrar o que vale ao serviço do Sporting, hoje com o belo equipamento Stromp: entrou aos 76', rendendo um apático Bas Dost, e mostrou que se pode contar com ele quando disparou um petardo ao poste, iam decorridos 83'. Um grande momento do jogo que merecia ter resultado em golo.

 

Gostei pouco da exibição de Bas Dost, que parece atravessar uma crise de confiança. É certo que marcou um golo, aos 34', mas pareceu-me bem anulado pelo árbitro Fábio Veríssimo por ser precedido de falta (o holandês apoiou-se num defesa adversário no momento do cabeceamento). Aos 44', numa recarga, permitiu a defesa do guarda-redes Brígido. Nada mais conseguiu fazer de relevante nos 76 minutos em que permaneceu em campo. Excepto - pela negativa - numa escandalosa perdida à boca da baliza, desperdiçando um excelente cruzamento de Acuña, que aos 51' lhe proporcionou um meio-golo servido de bandeja. Irreconhecível.

 

Não gostei  de ver o Feirense com dupla linha defensiva estacionada bem atrás da divisória do meio-campo durante praticamente o jogo todo, dominado pelo Sporting do primeiro ao último minuto. Este dispositivo hiper-defensivo, confinando toda a actuação da equipa da casa num espaço de 40 metros, dificultou a manobra ofensiva leonina, com Wendel, Bruno Fernandes, Raphinha, Acuña e Nani a enfrentarem uma floresta de pernas que persistia em encurtar-lhes margem de manobra e anular-lhes linhas de passe. Felizmente os nossos jogadores souberam reagir com maturidade e paciência, insistindo em ataques envolventes não apenas pelas alas mas também pelo corredor central. Esta persistência deu bons frutos. E a vitória impôs-se com toda a naturalidade, para enorme satisfação das claques leoninas, que compareceram em grande número no apoio vibrante à nossa equipa.

 

Não gostei nada  de ver petardos rebentar junto da baliza do Sporting, em clara provocação ao guarda-redes Salin, procurando perturbar a sua actuação ou mesmo causar-lhe danos físicos. É inaceitável que a Federação Portuguesa de Futebol permita agressões deste tipo no decurso de jogos da Taça, competição que organiza. É urgente que as acções punitivas sejam rápidas, eficazes e exemplares. Não podem ficar-se por multas com valor pouco mais do que simbólico: só assim se conseguirá pôr ponto final ao vandalismo que se pratica nos estádios deste país.

Quente & frio

Gostei muito do regresso do Sporting às vitórias após o esporádico desaire em Guimarães. Regressámos também às goleadas: esta noite batemos o Feirense por 4-1, em Santa Maria da Feira. Com golos de Raphinha (5'), Bruno Fernandes (22'), Bas Dost (60', de penálti) e do defesa da equipa anfitriã Luís Machado, na própria baliza, após Miguel Luís ter conduzido uma veloz infiltração no reduto adversário (67'). Destaque para a exibição de Bruno Fernandes,  novamente o melhor em campo: autor de um belíssimo golo, com um chapéu ao guarda-redes Brígido, foi ele o comandante das operações leoninas a partir do meio-campo. Raphinha, ao marcar logo no nosso primeiro lance ofensivo, foi outro elemento nuclear. E Bas Dost confirma a veia goleadora: leva já 16 marcados desde o início desta temporada. São jogadores como eles que fazem a diferença.

 

Gostei  da forma como Marcel Keizer organizou a equipa, povoando muito bem o meio-campo, com Petrovic desta vez como médio titular mais recuado, Miguel Luís como médio interior esquerdo e Bruno Fernandes na posição inicial de médio interior direito. Isto possibilitou as constantes subidas de Acuña pelo seu flanco - de um excelente cruzamento do argentino, elemento nuclear do Sporting, resultou o nosso golo inicial. Os jogadores tinham claramente instruções para pressionarem a saída de bola do Feirense e trocarem-na em ritmo acelerado, condicionando a manobra do adversário. Salin esteve bem entre os postes e regressou aquela que é - de longe - a nossa melhor dupla de centrais, formada por Coates e Mathieu. Ingredientes que estiveram na base desta vitória - a sétima goleada conseguida por Keizer em nove jogos. Com ele ao leme, o Sporting já soma 34 golos. Despedimo-nos da melhor maneira deste ano de 2018, que noutro plano não nos deixa saudades.

 

Gostei pouco da réplica do Feirense, equipa que abusou da "intensidade" física. Phelipe Sampaio recebeu um tardio cartão amarelo só aos 57' após ter sido protagonista de diversos lances à margem das regras e outro defesa, Tiago Silva, acabou expulso por ter dirigido ostensivamente palavras insultuosas ao árbitro Rui Costa. Seguimos assim em frente na Taça da Liga, única competição conquistada pelo antecessor de Keizer, Jorge Jesus, ao longo de três anos no comando técnico em Alvalade. A vitória de hoje qualifica-nos para as meias-finais, em que defrontaremos o Braga. Mantemo-nos, portanto, em todas as frentes.

 

Não gostei  da actuação de Diaby, que continua a revelar um défice de participação nas movimentações defensivas da equipa e desta vez foi incapaz de compensar esta lacuna com eficácia na finalização. O jovem maliano foi protagonista de dois lances pela negativa: falhou o golo aos 65', quando se encontrava na cara do guarda-redes, e uma recarga vitoriosa aos 75', com a baliza aberta, após um tiraço inicial de Jovane que levou a bola a embater no poste.

 

Não gostei nada desta inversão de prioridades que tem vindo a registar-se na organização dos torneios profissionais de futebol. Jogamos ao fim de semana uma competição menor, como é a Taça da Liga, e na próxima quinta-feira vamos receber o Belenenses para o campeonato nacional. Anda alguém aqui com o passo muito trocado.

Quente & frio

Gostei muito de confirmar hoje, com a vitória 5-2 frente ao Rio Ave para a Taça de Portugal, como esta equipa do Sporting desenvolve um jogo alegre, dinâmico, desinibido, com pressão alta, forte organização colectiva, inegável energia anímica e boa condição física. Procurando o golo com processos simples. Tudo por mérito de Marcel Keizer: o treinador holandês devolveu ao Sporting um futebol vistoso e ofensivo como já não víamos desde a época 2015/2016, a primeira sob o comando de Jorge Jesus. Somámos esta noite a oitava vitória consecutiva - sétima sob o comando do técnico holandês - que nos coloca nos quartos-de-final da Taça verdadeira. A de Portugal.

 

Gostei  da sexta goleada verde e branca da era Keizer. Hoje os marcadores de serviço foram Bas Dost (2), Diaby (2) e Bruno Fernandes. O holandês, com mais estes, totaliza já 15 golos na temporada em curso - 85 desde que veio para o Sporting. E com este técnico marcámos 30 em sete desafios (média de 4,2 golos por jogo). Destaque, nesta partida, para Bruno Fernandes - hoje capitão da equipa e o melhor em campo. Marcou o mais espectacular dos nossos cinco golos, o terceiro, com um disparo fortíssimo aos 42'. Foi crucial na construção do quarto golo, apontado por Dost aos 61', e fez a assistência para o último, servindo Diaby aos 77'. Notas muito positivas também para o jovem avançado maliano, que abriu a ronda de remates certeiros logo no terceiro minuto da partida; para Acuña, que regressou à ala esquerda - aos 3' já fazia a assistência para o golo inaugural e bisou com um cruzamento perfeito na construção do terceiro; para Jovane, que iniciou as jogadas do primeiro e do terceiro, além de ter assistido no quarto golo; ainda para Miguel Luís, hoje merecidamente titular, proporcionando maior segurança defensiva à equipa e permitindo libertar Bruno Fernandes para acções ofensivas.

 

Gostei pouco que Fábio Coentrão, hoje de regresso a Alvalade, tivesse voltado como jogador do Rio Ave, aliás o melhor em campo pela equipa forasteira. Preferia bem mais vê-lo novamente integrado no plantel leonino: corresponderia decerto a uma aspiração dos adeptos do Sporting e sem a menor dúvida ao desejo do próprio jogador, assumido adepto das nossas cores.

 

Não gostei que tivéssemos sofrido dois golos (embora o segundo tenha resultado de um penálti que me parece inexistente) e revelado lapsos ocasionais na nossa estrutura defensiva. Também não gostei de ver Nani ausente, não por opção técnica mas devido a uma mialgia de esforço, o que proporcionou a titularidade de Jovane. O jovem sub-21 formado em Alcochete cumpriu com distinção a tarefa, mas espero ver o nosso campeão europeu - também fruto da formação leonina - de regresso ao onze titular já no próximo domingo, a defrontar o V. Guimarães.

 

Não gostei nada que apenas 12.108 espectadores tivessem comparecido hoje em Alvalade. Com jogadores a darem o seu melhor, proporcionando um excelente espectáculo e outro festival de golos para todos os gostos, desta vez só falhou mesmo a chamada "moldura humana".

Quente & frio

Gostei muito do sexto jogo consecutivo do Sporting a ganhar - e oitavo sem perder. Foi esta noite, em Alvalade. Vencemos por 3-0 o Vorskla, que lá tínhamos derrotado por 2-1. Desta vez com golos de Montero e Miguel Luís, além de um autogolo de um defesa ucraniano. Seguimos em frente na Liga Europa, como já estava decidido antes desta partida, o que não impediu que tivéssemos desenvolvido uma toada ofensiva que certamente agradou a todos os adeptos, designadamente na primeira parte. Marcel Keizer continua a conseguir não apenas vitórias folgadas mas também boas exibições como técnico leonino: conduziu a equipa a cinco triunfos em cinco desafios - quatro dos quais por goleada. Com ele ao leme, o Sporting leva 20 golos marcados e apenas quatro sofridos. Imensa satisfação deu-me também hoje a estreia de Pedro Marques e Bruno Paz na equipa principal  - este último, sobretudo, causou excelente impressão. Nota importante: terminámos a partida com seis jogadores da formação, cinco deles sub-23: Miguel Luís, Jovane, Carlos Mané e Thierry Correia, além de Pedro e Bruno Paz. O futuro está assegurado.

 

Gostei  que aos 17' já estivéssemos a vencer, com um golo de Montero. O colombiano também teve participação no segundo, com uma recuperação que denotou mestria técnica e fez uma movimentação quase à boca da baliza, crucial para o terceiro. Considero-o o homem do jogo. Seguido de perto por Bruno Fernandes, que inicia a jogada do primeiro golo, assiste para o segundo e cruza para o terceiro. Grande exibição também de Miguel Luís, que se estreou a marcar pela equipa principal, apontando o segundo, aos 35'. Destaque ainda para Carlos Mané, titular na ponta direita e participante na construção dos nossos três golos.

 

Gostei pouco que não houvesse golos na segunda parte. A vitória foi construída no primeiro tempo e na etapa complementar limitámo-nos a gerir o esforço, com Keizer a fazer entrar Pedro Marques (aos 59') para o lugar de Montero, Thierry (aos 64') para o lugar de Ristovski e Bruno Paz (aos 73') para o lugar de Bruno Fernandes, hoje o capitão por ausência de Nani, que ficou a descansar (depois ficou Coates com a braçadeira). Também Mathieu, Gudelj, Diaby e Bas Dost foram poupados, já a pensar no desafio de domingo para o campeonato, em casa, frente ao Nacional.

 

Não gostei da lesão de Montero. O colombiano magoou-se e acabou por abandonar o campo transportado de maca, sob uma chuva de aplausos do adeptos. Justos e calorosos aplausos a um dos elementos de maior qualidade técnica do plantel leonino.

 

Não gostei nada de ver só 25.504 pessoas a acompanhar este desafio em Alvalade. Esta equipa do Sporting merece ter mais gente a incentivá-la nas bancadas. Ver quase vazia a zona do estádio que costuma estar reservada à Juventude Leonina é ainda mais desolador. Como se este grupo de adeptos, que tem por obrigação apoiar a equipa, estivesse a fazer uma espécie de greve. Com "apoiantes" destes bem podemos dispensar tal claque.

Quente & frio

Gostei muito da goleada desta noite em Baku, frente ao Qarabag, equipa a que impusemos a maior derrota de sempre para as competições europeias. Grande exibição leonina, bem traduzida no resultado: 6-1. O nosso mais dilatado, fora de casa, desde 1986 também para as provas europeias. Com golos marcados por Bas Dost (5'), Bruno Fernandes (20' e 75'), Nani (33') e Diaby (63' e 81'). O Sporting contribui assim para elevar a cotação do conjunto das equipas portuguesas na contabilidade da UEFA, para compensar o descalabro de outras agremiações. Nota máxima para o técnico Marcel Keizer, com duas goleadas consecutivas ao comando do plantel leonino: com ele ao leme, somamos dez golos marcados e dois sofridos. E transitamos para os 16 avos de final da Liga Europa.

 

Gostei  de ver a nossa equipa dominar por completo o corredor central, sem se limitar a conduzir os lances ofensivos só pelos flancos. Da subida de forma de jogadores como Gudelj e Diaby, claramente em ascensão. Da estreia absoluta na equipa principal de Thierry Correia, jovem lateral direito com apenas 19 anos e um futuro muito promissor. Do grande golo marcado por Nani, conduzindo a bola num slalom que deixou para trás quatro adversários antes de fuzilar as redes do Qarabag. E gostei sobretudo da magnífica exibição de Wendel, que fez quatro assistências para golo e merece ser destacado como o melhor em campo. 

 

Gostei pouco das diversas ausências forçadas na nossa equipa. Ou por castigo ou por lesão, Mathieu, Acuña, Montero, Battaglia, Raphinha e Ristovski não integraram a comitiva que viajou ao Azerbaijão. Mas há males que vêm por bem: algumas destas ausências permitiram potenciar novos valores leoninos numa partida em que nunca tirámos o pé do acelerador nem cometemos o erro de "gerir o resultado" à espera que o tempo fosse passando, mesmo estando a ganhar por 3-1 ao intervalo. Não por acaso, terminámos o jogo de hoje com três jovens profissionais formados em Alcochete: Carlos Mané, Thierry Correia e Jovane Cabral. 

 

Não gostei que esta eliminatória europeia se tivesse disputado a 6,5 mil quilómetros de distância de Lisboa, na Transcaucásia, havendo agora necessidade de atravessar todo o continente europeu no regresso à capital portuguesa. Uma travessia que causa inevitável desgaste, tendo em vista a nossa difícil deslocação a Vila do Conde, para o campeonato, na próxima segunda-feira.

 

Não gostei nada de recordar que Wendel - um jogador de inegável qualidade, como agora se comprova - chegou em Janeiro e permaneceu este tempo quase todo desaproveitado por mais de uma equipa técnica. Sobretudo na segunda época da volta passada, quando Jorge Jesus o manteve sistematicamente fora do onze titular. Apetece perguntar por que motivo só agora o jovem brasileiro adquirido ao Fluminense está a ser aproveitado, quase um ano após ter desembarcado em Alvalade.

Quente & frio

Gostei muito da estreia do técnico holandês Marcel Keizer, conduzindo o Sporting à primeira goleada da época: 4-1, contra o Lusitano Vildemoinhos, para a Taça de Portugal, em jogo disputado no estádio do Fontelo, em Viseu. Uma vitória mais que merecida perante uma plateia constituída em grande parte por adeptos leoninos, entoando o cântico "Eu quero o Sporting campeão". Começar com o pé direito é imprescindível: Keizer passou no teste.

 

Gostei  daqueles nove alucinantes minutos em que marcámos três golos, desbloqueando um jogo que permaneceu empatado até aos 71'. Havia que acelerar em busca da vitória e conseguimos concretizar esse objectivo. Sobretudo graças ao suspeito do costume: Bas Dost. O holandês saiu do Fontelo com folha exemplar: mais dois golos somados ao seu pecúlio (leva já sete nesta temporada) e ainda uma assistência para o segundo, marcado por Bruno Fernandes. Diaby, que se encarregou de fechar a contagem, estreou-se enfim a marcar. O melhor em campo foi Dost, único membro deste plantel que estabelece uma diferença digna de registo: há um Sporting com ele e outro sem ele. Destaco ainda Jefferson, que se exibiu em muito bom nível, na luta pela titularidade como lateral esquerdo: três dos nossos quatro golos surgem do flanco dele, com assistências directas do brasileiro para o primeiro e o terceiro.

 

Gostei pouco das exibições de alguns dos nossos jogadores. Bruno Gaspar voltou a demonstrar défice de penetração ofensiva e não sai isento de responsabilidade no golo consentido. Gudelj parece-me deslocado como médio defensivo, faltando-lhe acutilância e velocidade na primeira fase de construção de lances ofensivos. Diaby, apesar do golo marcado, continua a revelar défice posicional como extremo, onde Raphinha ou Jovane se destacam mais que ele.

 

Não gostei da ausência, por castigo ou lesão, de jogadores que são nucleares no onze titular leonino. Desde logo Acuña, que tem sido um dos elementos mais influentes neste surpreendente Sporting 2018/2019, a que nenhum dos especialistas do comentário futebolístico vaticinava futuro brilhante e afinal se vai destacando em todas as frentes internas e na Liga Europa. Também Raphinha faz falta ao núcleo central de jogadores leoninos. Isto sem esquecer Battaglia, afectado por uma lesão muito prolongada que o deverá deixar de fora durante o resto da temporada.

 

Não gostei nada da primeira parte do Sporting neste embate com o Lusitano Vildemoinhos, clube da terra natal do campeoníssimo Carlos Lopes - um dos heróis de sempre em Alvalade. A turma viseense, que alinha na série B do Campeonato de Portugal e é constituída por amadores, deu boa réplica à nossa equipa, que nos 45 minutos iniciais demorou imenso tempo a construir lances ofensivos, fazendo circular a bola com exasperante lentidão. Ao intervalo, registava-se um empate: 1-1. Nada digno dos pergaminhos do Sporting, como o novo técnico holandês certamente não deixou de lembrar aos jogadores no balneário. De alguma coisa terá servido esta pausa: a história do jogo foi bem diferente no segundo tempo.

Quente & frio

Gostei muito deste ponto alcançado pelo Sporting em Londres, ao empatar 0-0 com o Arsenal - talvez o mais sério candidato à conquista da presente edição da Liga Europa, com um plantel de Champions. Foi apenas a terceira vez que empatámos em Inglaterra, o que mais valoriza este empate, conseguido com muita inteligência táctica e grande força colectiva pelo onze leonino ainda comandado pelo técnico interino Tiago Fernandes. Frente a uma equipa que vinha de 15 jogos consecutivos sem perder e luta para a conquista da Premier League, sob o comando do treinador basco Unai Emery: está em quinto lugar na classificação, apenas a seis pontos do líder, Manchester City.

 

Gostei de ver a massa adepta leonina acorrer em grande número ao estádio londrino: eram, oficialmente, 5.385 leões no topo sul da casa do Arsenal e puxaram pela nossa equipa do princípio ao fim do desafio, numa vibrante celebração da festa do futebol. Gostei da exibição da maioria dos nossos jogadores (excepto Diaby e Bruno Fernandes), mas destaco Coates, seguríssimo no comando do bloco defensivo, imperial nos lances aéreos e capaz de travar o ímpeto ofensivo de craques arsenalistas como Welbeck e Aubameyang: voto nele como o melhor Leão em campo. Gostei ainda de ver Tiago Fernandes confiar no jovem Miguel Luís: o médio ala da nossa formação - campeão europeu sub-17 e sub-19 - correspondeu ao repto, nesta estreia como titular da equipa principal. Exibição de bom nível, confirmando que vale a pena apostar na cantera de Alcochete. Depois de Jovane, este é o segundo na época em curso. Nada mau.

 

Gostei pouco do défice ofensivo da nossa equipa, que não deu trabalho ao guardião checo Petr Cech: o contra-ataque leonino nunca funcionou e fomos incapazes de fazer um só remate enquadrado às redes adversárias. Mas o essencial, nesta partida em que retomámos o desenho táctico 4-2-3-1 de José Peseiro, era não sofrermos golos perante o caudal ofensivo do Arsenal. Conseguimos alcançar este desígnio estratégico: dar terreno à turma londrina vedando-lhe em simultâneo o acesso à nossa baliza ao bloquear-lhe a capacidade de disparo. Missão cumprida. Trazemos de Londres um precioso ponto na bagagem. E superámos enfim uma marca de 18 jogos seguidos a sofrer golos nas competições europeias: o anterior desafio em que tínhamos mantido as nossas redes invioladas remontava a Setembro de 2011, quando defrontámos o Zurique.

 

Não gostei da expulsão de Mathieu, que viu o cartão vermelho aos 87', ao travar in extremis, à entrada da nossa grande área, um perigosíssimo lance ofensivo protagonizado por Aubameyang na sequência de um disparatado atraso de bola, do meio-campo, feito por Bruno Fernandes. Uma falta inevitável cometida pelo internacional francês, que foi um dos melhores em jogo, com grandes cortes aos 24', 32' e 77'. Mais injustificado foi o cartão amarelo exibido aos 67' a Acuña, que hoje voltou a actuar como lateral esquerdo. O internacional argentino viu-se punido por protestos, algo nada aceitável num profissional experiente, e minutos depois arriscou um segundo amarelo que o faria tomar duche mais cedo. Tapado com cartões, Acuña fica fora do próximo desafio internacional do Sporting, no Azerbaijão, frente ao Quarabag.

 

Não gostei nada das saídas, por lesão, de Welbeck e Lichsteiner - sobretudo do primeiro, que esteve alguns minutos em evidente sofrimento no relvado, acabando por abandonar de maca. Desaires numa equipa muito bem comandada por um técnico já com três troféus da Liga Europa no seu currículo, ao serviço do Sevilha, e que tem como estrela em ascensão o jovem médio ofensivo francês Guendouzi, que apenas com 19 anos - a idade de Miguel Luís - demonstra notável qualidade de passe e excelente visão de jogo. Haveremos de ouvir falar muito dele.

Quente & frio

Gostei muito de ver Wendel estrear-se a marcar de verde e branco. Havia apenas 9 minutos de jogo em Alvalade, o que prometia uma vitória folgada do Sporting neste jogo da Taça da Liga contra o Estoril, equipa da segunda divisão. Nada mais ilusório.

 

Gostei de ver Bas Dost regressar à condição de titular mais de dois meses depois. Não marcou mas teve movimentações interessantes, pressionando na área ofensiva e auxiliando nas missões defensivas. Aos 62', por precaução, cedeu lugar a Montero.

 

Gostei pouco que a equipa começasse demasiado cedo a tirar o pé do acelerador, defendendo a magra vantagem. Os nossos jogadores demoravam uma eternidade a colocar-se no meio-campo adversário, trocavam displicentemente a bola e actuavam como se estivessem num jogo-treino. Alguns mostravam-se claramente desconcentrados, comportamento inaceitável numa equipa com os pergaminhos do Sporting. Adivinhava-se, a todo o tempo, o golo do Estoril. Que acabou por chegar, aos 71'. E logo chegou outro, aos 82'. Saímos derrotados por 1-2. Foi apenas a terceira vez que esta equipa nos derrotou em nossa casa - as outras foram em 1945 e 2014.

 

Não gostei de ver o técnico do Estoril, que só tem 32 anos, dar uma lição de táctica a José Peseiro, dominando o corredor central, forçando o Sporting a encaminhar o jogo ofensivo pelas alas e explorando de forma muito eficaz o contra-ataque. A nossa equipa foi lenta, apática, previsível, movimentando-se sempre com pouca intensidade. O resultado ficou à vistae é confirmado pelas estatísticas: tivemos apenas três situações de golo, enquanto os estorilistas criaram seis. Parabéns ao jovem Luís Freire: aposto que vai longe como treinador de futebol.

 

Não gostei nada da atitude de muitos dos nossos jogadores, numa partida em que apenas Gudelj e Diaby repetiram a titularidade da anterior partida, para o campeonato, frente ao Boavista. Salin saiu muito mal com a bola, quase a perdendo, aos 62'. Jefferson, sem conseguir um centro em condições, parecia totalmente alheado, talvez a suspirar por férias - e foi substituído por Lumor aos 62'. André Pinto teve clara responsabilidade no primeiro golo do Estoril, em que é batido em velocidade, e fez pouco depois um autogolo: foi uma daquelas noites em que não devia ter saído de casa. Marcelo falhou passes, pecou por extrema lentidão e raras vezes conseguiu sair com a bola controlada. Bruno Gaspar, no corredor direito, revelou-se inofensivo. Petrovic e Gudelj tentaram fuzilar a baliza, mas só conseguiram atirar a bola para a bancada: o segundo continua a ser um corpo estranho neste onze. Carlos Mané ainda acusa a prolongada inactividade de um passado recente: falta-lhe intensidade e consistência. Lumor, sem ritmo competitivo, não aqueceu nem arrefeceu. Conclusão: cada vez mais se confirma que faltam segundas linhas com qualidade a este Sporting. Mas mesmo Montero e Bruno Fernandes (que rendeu Wendel aos 67') pouco adiantaram. O médio ofensivo revelou-se até desastrado na marcação de cantos: nem parece o mesmo da época passada. Ressalvo apenas as exibições de Wendel, pelo golo marcado, e Diaby, mais inconformado e menos passivo do que os seus colegas. É muito pouco. Compreendi, por isso, o coro de assobios aos jogadores e à equipa técnica no final do jogo.

Não por acaso, o estádio esteve quase vazio. Ora bolas: assim não vale a pena ir a Alvalade.

Quente & frio

Gostei muito da exibição de Renan na baliza leonina. Foi ele, de longe, o nosso melhor jogador neste embate com o Arsenal em Alvalade para a Liga Europa que terminou com a vitória da equipa visitante por margem mínima (1-0). Em estreia ao serviço do Sporting numa competição europeia, o guardião brasileiro defendeu quase tudo nesta partida que em diversas fases do segundo temp foi de sentido único, com os ingleses a pressionarem em sequência constante o nosso bloco defensivo. Fez pelo menos três grandes defesas, aos 24', 50' e 72', quando os adeptos do Arsenal - presentes em grande número no nosso estádio - já quase gritavam golo. Só não conseguiu travar o remate de que resultou o golo solitário, na sequência de uma falha de Coates.

 

Gostei de ver o nosso estádio com mais de 40 mil espectadores - num jogo que começou antes das 18 horas durante um dia laboral. Quase todos apoiando sem reservas a equipa, que teve uma prestação aceitável, embora modesta, no primeiro tempo e revelou uma notória queda de qualidade exibicional na etapa complementar, deixando o Arsenal dominar por completo a partida onde se deu ao luxo de manter Ozil no banco e só fazer entrar Lacazette perto do fim. Apesar disto, nunca faltou o apoio dos adeptos que foram incentivando os jogadores e sublinhando com aplausos algumas jogadas mais vistosas - infelizmente poucas. É certo que houve assobios, embora tímidos. Mas só no final do jogo, quando já caíra o pano e a derrota em casa estava consumada. Até nesse momento, porém, repetiram-se os aplausos generalizados aos profissionais leoninos, que deram a volta ao campo, agradecendo.

 

Gostei pouco de ver um desequilibrador como Jovane permanecer 71 minutos no banco, quando era já evidente o profundo desgaste físico da equipa e a quebra de dinâmica de jogadores nucleares, como Nani e Bruno Fernandes. Gostei menos ainda de ver Montero quase sempre isolado lá à frente, a larga distância do resto dos companheiros, essencialmente remetidos a tarefas defensivas. E de perceber que supostos reforços, como Diaby e Wendel, continuam sem oportunidade para demonstrarem o que realmente valem. Ou entram à beira do fim, como no caso do maliano, ou nem chegam a calçar, como acontece em regra com o brasileiro.

 

Não gostei da confirmação de que temos um plantel curto e de qualidade muito irregular, obviamente inferior ao da época passada. Com a agravante de continuarem de fora elementos fundamentais, como Mathieu e Bas Dost, e um dos raros reforços de qualidade, Raphinha. Na ausência do holandês, jogamos sem um verdadeiro artilheiro com características goleadoras. Mesmo assim, isso não explica o facto de termos passado um jogo inteiro sem fazermos um só remate enquadrado à baliza adversária nem um contra-ataque realmente perigoso, falhando passes sucessivos, atirando a bola várias vezes para a bancada e desperdiçando 11 cantos, que não causaram qualquer mossa à turma inglesa. Também não gostei da manifesta falta de qualidade dos dois jogadores sérvios que alilnharam a titulares. Nem, obviamente, do lamentável erro individual de Coates, que ofereceu de bandeja a vitória ao Arsenal.

 

Não gostei nada da atitude temerosa da equipa do Sporting, que demasiado cedo decidiu estacionar o autocarro, em jeito de equipa muito pequena, chegando a ter diversas vezes todos os jogadores - excepto Montero - remetidos à sua metade do relvado. José Peseiro montou um onze titular com três médios de características defensivas (Petrovic, Gudelj e Battaglia), com óbvio prejuízo para a circulação de bola ofensiva, transmitindo de imediato aos pupilos sob o seu comando a imagem de um futebol medroso, capaz de comprazer-se num empate a zero em casa. Este dispositivo táctico aguentou-se penosamente durante 78', até ao golo do Arsenal - equipa que descansou menos 48 horas do que o Sporting pois jogara na segunda-feira. A partir daí percebeu-se que não havia plano B: foi cada um por si, todos a jogarem cada vez pior. A troca de Nani por Diaby, quase ao cair do pano, serviu para coisa nenhuma. O desfecho estava traçado.

Quente & frio

Gostei muito da excelente réplica que o Grupo Desportivo de Loures deu esta noite ao Sporting em jogo da terceira eliminatória da Taça de Portugal, disputado por empréstimo no estádio do Alverca. Ninguém diria que esta equipa disputa o terceiro escalão do futebol português, encontrando-se no 13.º lugar da série C do agora chamado Campeonato de Portugal. Boa exibição deste onze (orientado por André David, um jovem treinador de 33 anos), coroada no golo marcado já em tempo extra, e que fechou o resultado numa vitória tangencial leonina, por 2-1. Resultado pífio, que nos permitiu passar à eliminatória seguinte, é certo, mas sem brilho nem correspondência com os nossos pergaminhos nesta competição.

 

Gostei, apesar de tudo, da exibição de alguns jogadores do Sporting. Destaco Nani, autor de um golo (o da vitória) aos 56', precedido de um precioso gesto técnico, desposicionando o defesa que lhe fazia a marcação, e de uma assistência - aos 42', para o remate de meia-distância de Bruno Fernandes de que resultou o golo inaugural. Gostei também da intensidade e da dinâmica de Jovane Cabral, protagonista de frequentes desequilíbrios - foi ele a ser carregado em falta dentro da grande área do Loures, de que resultou um penálti a nosso favor, e também ele a rematar com força para a defesa incompleta do guardião adversário que permitiu a recarga com êxito de Nani.

 

Gostei pouco das apostas de José Peseiro para fazer descansar vários jogadores (Montero, Coates, Acuña, Battaglia, Ristovski), já a pensar na recepção ao Arsenal para a Liga Europa, na quinta-feira. Bruno Gaspar continua em subrendimento na ala direita, sem demonstrar ser um verdadeiro reforço neste Sporting 2018/2019. Carlos Mané, que alternou com Jovane nas alas ofensivas, acusa em excesso a paragem de 15 meses por lesão grave. Renan, sem culpa no golo sofrido nesta primeira exibição como titular da baliza leonina, causou dois grandes calafrios aos adeptos - com uma saída em falso aos 36' e uma defesa incompleta aos 63'. Marcelo, em estreia absoluta em jogos oficiais pelo Sporting, foi lento, falhou passes e teve responsabilidade objectiva no golo que sofremos. Demonstração cabal de que temos um plantel curto e desequilibrado. Alguém duvida disto?

 

Não gostei do penálti que Bruno Fernandes foi incapaz de converter, aos 50', permitindo a defesa do guarda-redes Miguel Soares, que certamente recordará por muitos anos esta proeza. Também não gostei que o nosso jovem médio ofensivo Miguel Luís - campeão europeu de sub-17 e de sub-19 - tivesse sido lançado por Peseiro só aos 90', numa fase do jogo que já não lhe permitiu sequer tocar na bola. Pedia-se um pouco mais de confiança no talento deste jovem da nossa formação. Repito: jogávamos contra uma equipa que disputa o terceiro escalão do futebol português.

 

Não gostei nada do desempenho em campo de Castaignos. Com ele, está mais que demonstrado, actuamos apenas com dez. Foi o que sucedeu esta noite, em que vestiu a camisola verde e branca pela 17.ª vez. O holandês multi-tatuado - um dos jogadores do Sporting com salário mais elevado - parece ser especialista apenas em falhar golos. Hoje distinguiu-se, sempre pela negativa, aos 65' (duas vezes), aos 73' e aos 90'+1: bem servido pelos colegas, foi incapaz de dar a melhor sequência às jogadas. Mesmo à boca da baliza, como chegou a acontecer. Juninho, marcador do golo do Loures, foi muito superior a ele.

Quente & frio

Gostei muito da vitória conseguida na Ucrânia, com uma temperatura muito fria, em total contraste com este Verão tardio que persiste em Portugal. Vitória por 2-1 arrancada a ferros, nos cinco minutos finais, mas até por isso mais emocionante e saborosa. Totalizamos seis pontos na Liga Europa, onde seguimos invictos. De algum modo, valha a verdade, apenas cumprimos a nossa obrigação pois a equipa adversária, o modesto Vorskla, segue na quarta posição do campeonato ucraniano. 

 

Gostei da forma como José Peseiro apostou tudo na viragem do resultado, quando perdíamos por 0-1 desde o minuto 10. Trocou Petrovic por Jovane e Diaby por Raphinha aos 70', alargando a frente atacante. Era o que a lógica do jogo recomendava e o técnico soube ler os sinais que lhe vinham do campo. Foi recompensado pela ousadia, em claro desmentido à velha alegação de que é um homem azarado. Hoje não houve azar nenhum. Pelo contrário, houve sorte somada à competência de Montero, que - em campo desde os 58' - respondeu da melhor maneira a um passe de 35 metros de Jefferson, amortecendo a bola no peito, fazendo uma simulação com o pé direito e marcando com o esquerdo no último minuto do tempo regulamentar. Competência reforçada com o golo da vitória, apontado pelo incontornável Jovane, aos 90'+3: Raphinha cruzou muito bem, Bruno Fernandes teve uma recepção muito imperfeita, mas a bola sobrou para o jovem caboverdiano, que não perdoou com o seu indesmentível faro pela baliza. É já o segundo melhor marcador leonino na Liga Europa: um golo por jogo. E o colombiano (que estivera perto de marcar, aos 79', com um pontapé de bicicleta) foi o melhor em campo.

 

Gostei pouco da estreia de Carlos Mané e Diaby como titulares. O treinador demonstrou confiança neles, mas não foi correspondido. O jovem da nossa formação, que vem de uma paragem de 15 meses, mostrou-se inofensivo nas duas alas, acabando por ser substituído sem qualquer surpresa aos 58'. O maliano revelou défice no ataque à profundidade e nas movimentações junto da zona de finalização, que lhe estava entregue como elemento mais avançado do onze leonino. Deu o mote pela negativa, logo aos 6', quando falhou o remate no momento em que se isolava perante a baliza adversária. Nada mais fez de relevante nos 70' em que permaneceu no campo. Fica a dúvida: será mesmo aquele ponta-de-lança alternativo a Bas Dost de que o Sporting necessita? Talvez seja, mas não pareceu.

 

Não gostei de mais um "apagão" de Bruno Fernandes, pródigo em perdas de bola e passes sem nexo, nem da exibição do lateral-direito Bruno Gaspar, para mim o pior "leão" em campo. Também não gostei de ver a nossa equipa perder logo a partir do minuto 10, devido a um lapso defensivo originado por um mau alívio de André Pinto e pela apatia de Petrovic (médio defensivo que aqui se limitou a cobrir com os olhos). Gostei menos ainda de verificar que demorámos 35 minutos a reagir verdadeiramente a este resultado desfavorável: a única oportunidade de golo criada pelo Sporting ao longo de toda a primeira parte ocorreu aos 45'+1, quando Jefferson cruzou muito bem e Nani rematou quase sem preparação, propiciando ao guarda-redes do Vorskla a defesa da noite.

 

Não gostei nada de confirmar que temos um défice de qualidade exibicional no plantel. Não é difícil explicar porquê. Basta reparar que só três dos 11 jogadores que hoje entraram em campo (Coates, Acuña e Bruno Fernandes) eram titulares do Sporting na época anterior. Basta reparar também que elementos nucleares da equipa - como Mathieu, Battaglia e Bas Dost - ficaram em Lisboa por evidentes limitações físicas, felizmente superáveis. Há que dar tempo ao tempo. E reconstruir uma equipa que em Junho ficou totalmente destroçada pelos motivos que bem sabemos.

Quente & frio

Gostei muito de ver o nosso novo presidente no lugar que lhe compete: a tribuna presidencial. Tendo consigo vários dos seus ex-opositores na recente corrida à liderança do clube. E acolhendo como anfitrião, com boas maneiras, o seu homólogo do Marítimo. Sem saltar da cadeira nem se pôr eufórico com os nossos golos  isso fazia ele quando era director clínico e se sentava no banco de suplentes. Saber estar é condição inerente a ser do Sporting.

 

Gostei da exibição leonina - talvez a melhor desta era Peseiro. Futebol de ataque, com jogadas bem desenhadas pela movimentação constante das nossas linhas médias em articulação permanente com os jogadores mais avançados no terreno. E o envolvimento do próprio quarteto defensivo, com os centrais a participarem na construção ofensiva. Ninguém diria que estes jogadores, em grande parte, só actuam juntos há poucas semanas. Também gostei das estreias de Jovane e Bruno Gaspar a titulares. Ambos corresponderam - o primeiro, desde logo, com um golo; o segundo, novamente muito influente, sofre a falta de que resulta o penálti e o nosso segundo golo e recupera a bola na jogada de que resultou o primeiro. Gostei ainda de Bruno Fernandes, que parece regressar à boa forma: marca dois golos, recupera a capacidade de iniciativa em campo e merece ser eleito o homem do jogo.

 

Gostei pouco do horário deste Sporting-Marítimo, iniciado às 20 horas de uma noite de domingo. Continuamos a ser penalizados com o calendário dos jogos. Mesmo assim, quase 30 mil pessoas acorreram a Alvalade para incentivarem a equipa na defesa do único título que fomos capazes de vencer na época anterior: esta Taça da Liga, a que alguns agora dão outro nome mas que para mim continua a denominar-se assim: o meu código deontológico proíbe-me de fazer menção a marcas comerciais.

 

Não gostei das ausências dos nossos lesionados Bas Dost, Mathieu (este quase recuperado) e Nani. Uma equipa que se vê forçada a deixar tão talentosos jogadores de fora e mesmo assim se comporta em campo como se nenhum contratempo a afectasse, é uma equipa digna de elogio.

 

Não gostei nada da patada que um tal Lucas aplicou de pitons em riste no peito do Wendel, quase no fim do jogo, quando era óbvio que o resultado (3-1) estava mais que decidido. Um acto indigno de um profissional de futebol, prontamente sancionado pelo árbitro Manuel Mota com vermelho directo. Esta conduta antidesportiva devia ser punida com castigos ainda mais severos do que os actuais.

Quente & frio

Gostei muito de tudo. Do jogo repleto de emoção do princípio ao fim. Das bancadas em Alvalade cheias de adeptos vibrantes. Da nossa capacidade de superar obstáculos - com 55 desafios já disputados nesta temporada, contra apenas 47 dos portistas. Da entrega dos jogadores leoninos à luta pelo segundo troféu mais cobiçado do futebol português. Da nossa superioridade durante quase toda a partida. Do nosso triunfo em campo frente ao FC Porto, por 1-0 - o primeiro clássico que terminamos nesta época com vitória no tempo regulamentar de jogo. Do nosso acesso à final da Taça de Portugal, que disputaremos a 20 de Maio no estádio do Jamor.

 

Gostei do golo de Coates, que nos permitiu empatar a eliminatória, após termos sido derrotados 0-1 na primeira mão, no Porto. O internacional uruguaio, que tinha estado no centro de todas as críticas pela desastrada exibição frente ao Atlético de Madrid, na capital espanhola, soube redimir-se esta noite em Alvalade, não apenas por ter sido o único a meter a bola nas redes adversárias mas também pela sua excelente actuação no plano defensivo, com corte soberbos aos 31', 42' e 111'. Destacou-se ainda, no desempate por penáltis, por ter convertido a nossa quarta grande penalidade. Após Bruno Fernandes, Bryan Ruiz e Mathieu, e antecedendo Montero. Nenhum deles falhou neste momento decisivo.

 

Gostei pouco do sofrimento a que fomos submetidos até este desfecho bem sucedido - o terceiro que conseguimos por marcação de penáltis, após a meia-final da Taça da Liga (contra o FCP) e a final desta competição (contra o V. Setúbal), também decididas por grandes penalidades, com a balança a pender sempre a nosso favor. Prova inequívoca da maturidade competitiva e da força mental do plantel verde e branco, por mais que o cansaço físico prevaleça. Tudo está bem quando acaba bem.

 

Não gostei da ineficácia ofensiva dos nossos avançados, incapazes de marcar um só golo em lances de bola corrida ou bola parada. Bas Dost, anulado pelos centrais portistas, praticamente passou ao lado do jogo. Montero teve bons apontamentos (nomeadamente quando partiu os rins a Alex Telles, numa incursão pelo flanco direito aos 116') mas só foi bem sucedido na ronda dos penáltis finais. Doumbia entrou muito tarde, aos 105', e pouco ou nada fez no escasso tempo em que esteve em campo.

 

Não gostei nada da meia hora inicial desta meia-final em Alvalade, em que o Sporting se mostrou lento, previsível, inofensivo à frente, com notória falta de intensidade. Felizmente soubemos dar a volta por cima e melhorar muito no segundo tempo, culminando no golo aos 84' que levou a partida para prolongamento. Era já meia vitória, antecipando o bom desfecho desta difícil partida que ainda mais valoriza o triunfo leonino. Prenúncio de novas e ainda mais saborosas vitórias.

Quente & frio

Gostei muito da vitória desta noite em Alvalade frente ao Atlético de Madrid, um dos colossos do futebol europeu: o Sporting impôs à equipa adversária a primeira derrota na Liga Europa nesta temporada. Vencemos por 1-0, com golo de Montero logo aos 28' correspondendo muito bem a um cruzamento de Bruno Fernandes: o colombiano redimiu-se assim do falhanço à boca da baliza na capital espanhola, faz hoje oito dias. Também gostei muito de ver a dinâmica colectiva e o espírito solidário dos nossos jogadores, que dominaram toda a partida, condicionando e vulgarizando os colchoneros. Tudo isto na sequência de dias muito complicados para a agremiação leonina.

 

Gostei dos aplausos vibrantes aos nossos jogadores no final do encontro, realizado quase sempre sob chuva intensa. Aplausos mais que merecidos ao colectivo leonino, em que se destacaram as exibições de Acuña, Gelson, Bruno e o marcador do nosso golo solitário, com o argentino a evidenciar-se como o melhor Leão, num desempenho quase perfeito: foi dele o primeiro disparo com muito perigo, rasando o poste aos 4', fez os melhores cruzamentos e assegurou o controlo de todo o nosso corredor esquerdo, tanto na manobra defensiva como na construção ofensiva, ludibriando Juanfran à frente e neutralizando Torres atrás. Jorge Jesus montou muito bem a equipa, com uma linha de três centrais e dois falsos laterais adiantados no terreno em reforço da muralha do meio-campo, ganhando sucessivas segundas bolas em movimentações constantes. Os aplausos finais confirmam: os adeptos estão definitivamente reconciliados com os jogadores, que deram o máximo em campo e bem mereceram este tributo.

 

Gostei pouco que esta vitória tivesse sido insuficiente para nos fazer transportar às meias-finais da Liga Europa. Ficámos por aqui, mas fomos de longe a melhor equipa portuguesa nas competições europeias desta temporada, em que chegámos a defrontar Juventus e Real Madrid. Se Montero não tivesse falhado aquele golo mesmo ao terminar o desafio no estádio do Atlético, ganharíamos sem favor o passaporte para a fase seguinte. Também merece elogio o guarda-redes Oblak, que hoje fez duas monumentais defesas, travando os disparos para golo de Coates (aos 10') e Bryan Ruiz (aos 45').

 

Não gostei que o Sporting tivesse jogado tão desfalcado. Sem quatro titulares habituais, por castigo ou lesão: Bas Dost, Coentrão, Piccini e William Carvalho ficaram de fora. O holandês, que tem marcado cerca de metade dos golos leoninos, foi talvez o que mais fez falta no relvado de Alvalade. Como se isto não bastasse, também Mathieu viria a lesionar-se, abandonando o campo aos 25': felizmente o seu substituto, Petrovic, deu boa conta do recado. E desta vez o bloco defensivo comportou-se muito bem, cumprindo os 90 minutos de forma quase irrepreensível. Destaque negativo apenas para Rúben Ribeiro, lá mais à frente: entrou aos 70', substituindo Bryan Ruiz, e voltou a demonstrar que não tem categoria para integrar o plantel do Sporting. Daí ter sido o único jogador a ouvir assobios nas bancadas.

 

Não gostei nada que a primeira mão destes quartos-de-final tivesse suscitado tanta polémica - como se o Atlético de Madrid fosse um Videoton ou um Skënderbeu. Não havia necessidade, como esta segunda mão bem demonstrou. Agora há que olhar em frente e tentar recuperar os jogadores que estão lesionados ou acusam extrema fadiga física e mental, cumpridos que estão 53 jogos oficiais nesta época - uma das nossas mais desgastantes de sempre.

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