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És a nossa Fé!

Depois do jogo de hoje

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Jogadores do Sporting festejam o golo da vitória (2-1) contra o Valladolid

 

O quarto jogo de preparação do Sporting, desta vez contra a equipa espanhola do Valladolid, levou-me a concluir que tenho agora ainda mais razão para reiterar, linha por linha, tudo quanto escrevi aqui há dois dias, não apenas no texto principal como nas caixas de comentários: João Palhinha deve ficar e tem lugar de caras no onze titular do Sporting, como médio defensivo. Está bem adaptado ao modelo de jogo de Rúben Amorim, com quem trabalhou no Braga, e a nossa equipa precisa dele.

Esta noite o Sporting teve duas faces: uma sem Palhinha, até ao minuto 66'; outra com ele em campo. Mal o treinador o mandou ocupar o lugar no meio-campo que antes estivera confiado a um apático e errático Matheus Nunes, a equipa transfigurou-se. Virámos um resultado desfavorável (o Valladolid vencia por 1-0), marcámos dois golos (por Feddal e Jovane), houve um terceiro (por Vietto) invalidado por decisão errada do árbitro Tiago Martins e ainda atirámos uma bola ao poste (por Nuno Santos, bom nas bolas paradas). Quase todos os jogadores cresceram em rendimento - com destaque para Jovane Cabral e Pedro Porro, o novo lateral direito que a partir do minuto 80 recuou para central. Tudo terminou bem, com a terceira vitória consecutiva nesta pré-temporada, num estádio (o do Alverca) de péssima memória para nós.

Por isso repito: não consigo vislumbrar qualquer lógica na alegada intenção de enviar Palhinha para longe de Alvalade. Se isso acontecer, será um grande erro desta SAD leonina. Mais um.

Tiago, Nuno, Gonçalo... e Pote

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Tiago e Jovane festejam segundo golo (foto: Ricardo Nascimento/Lusa)

 

Confirma-se: está a ser a melhor pré-temporada leonina das últimas três épocas. Segundo jogo de preparação, segunda vitória consecutiva que pudemos ver em directo na SportTV.

Desempenho superior do Sporting, desta vez frente ao Belenenses SAD no Estádio do Algarve, em comparação com a partida de há dois dias, em que enfrentámos o Portimonense.

No jogo anterior, de positivo, só os 20 minutos finais - aqueles em que Rúben Amorim decidiu mudar todos os jogadores de campo. Nesse período conseguimos o golo da vitória frente ao clube de Portimão, marcado por Tiago Tomás. O anterior teve assinatura de Sporar, na conversão de um penálti.

 

Desta vez o onze que entrou em campo foi esse que finalizou o anterior embate. E as impressões voltaram a ser dignas de elogio: equipa dinâmica, veloz, a desdobrar-se em passes verticais, de olhos fitos na baliza adversária. Quase nada daquela "filosofia de posse" estéril que marcou o Sporting da temporada 2019/2020.

Sem surpresa, marcámos logo aos 14' num lance rápido concluído pelo recém-chegado Pedro Gonçalves, também conhecido por Pote (confirmando que é mesmo reforço), bem servido por Tiago Tomás em zona frontal à baliza após iniciativa de Jovane, crucial no aproveitamento dos espaços permitidos pelo Belenenses. Nove minutos depois, Tiago marcou o segundo, culminando outra bela sequência de futebol de ataque, iniciada em Nuno Mendes e conduzida por Jovane, que fez a assistência.

O terceiro foi apontado aos 73' por Sporar: um golo à ponta-de-lança, com o esloveno a isolar-se, ultrapassando com êxito a linha defensiva algarvia. E aos 87' quase viria a marcar outro, de remate cruzado: Moreira, o guarda-redes adversário, defendeu in extremis, fazendo a bola embater no poste.

 

Balanço destes dois jogos de preparação: cinco golos marcados, dois sofridos (um deles devido a um penálti inexistente). Mais robusta, esta vitória por 3-1 contra um adversário orientado por Petit, um treinador que nunca facilita.

Melhores? Desde logo Pedro Gonçalves. E também um trio de miúdos formados em Alcochete que merecem um lugar ao sol: Gonçalo Inácio, Nuno Mendes e Tiago Tomás. Este, com um par de golos e uma assistência em dois meios-jogos, promete ser um forte concorrente de Sporar.

Quem disse que a nossa Academia não formava goleadores?

 

ADENDA: A jumentude leonina continua a marcar a diferença. Sempre pela negativa. Qualquer semelhança entre isto e uma claque verdadeira é mera coincidência.

Zidanes e Pavones

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Na era dos “galácticos”, com Carlos Queiroz como treinador, o presidente do Real Madrid prometeu uma equipa de “Zidanes y Pavones”, que misturava craques feitos com jovens talentos da academia. A ideia não resultou.

Nesta nova era do Sporting, com Rúben Amorim a substituir um desorientado e desorientador Jorge Silas como treinador, a promessa do presidente tem alguma coisa de parecido com a do Real Madrid, só que os Zidanes são quase todos Ristovskis, não é bem a mesma coisa. E só com Pavones, por muito bons que sejam e são, a coisa não vai lá, como se viu nos recentes confrontos com os rivais.

Não vai lá pelo menos em termos desportivos, porque a jogarem assim daqui a um ano estamos a falar de muitas dezenas de milhões de euros de valorização do plantel. O Sporting conseguiu ontem pôr em campo toda uma equipa de jogadores abaixo dos 23 anos de grande potencial: Max, Porro, Quaresma, Inácio, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Pedro Gonçalves, Wendel, Plata, Tiago Tomás, Jovane,  Daniel Bragança e Rodrigo Fernandes (este parece primo do Ilori, precisa duma lavagem ao cérebro).

O problema é que, dos mais velhos, apenas Coates está noutro nível. Todos os outros são iguais ou piores que os putos, e nalguns casos muito teriam que aprender com eles se tivessem idade para isso.

Alguns dos dispensados ou colocados no mercado seriam titulares nesta equipa? Acuña, claramente, mas a jogar mais à frente do que ia acontecendo com Amorim, a ala ou interior esquerdo. Mas existe Nuno Mendes e veio Nuno Santos.

Palhinha tirava o lugar a Wendel ou a Matheus Nunes? Nem pensar. Seria um suplente para determinados jogos, como seriam Battaglia ou Doumbia se ficassem.

Algum outro? Diaby, Bruno Gaspar, Misic? Francamente não vejo.

Enfim. Zidanes (ou novos Slimanis) precisam-se. 

SL

Talvez seja bom sinal

Bons 20 minutos - os últimos - deste Portimonense-Sporting. Primeiro jogo de preparação a sério desta pré-temporada, com vitória leonina, por 2-1, em desafio disputado no estádio municipal de Portimão.

 

Começou tudo com demasiada lentidão: passes transviados, excessiva "lateralização", sem fio condutor para a baliza. Max, numa fífia, quase ofereceu a bola, redimindo-se logo a seguir com uma grande defesa. Wendel parecia anestesiado. Plata, com a mesma falta de atitude competitiva que já lhe conhecíamos: parece um brinca-na-areia. Neto com preocupante tendência para cortar em falta.

Num penálti inexistente, inventado pelo árbitro ao imaginar ter visto falta de Feddal para castigo máximo, o Portimonense adiantou-se no marcador, aos 54'.

O nosso empate surge também de penálti - com a diferença de este não ter sido falsificado. Sporar invade a área, com a bola dominada, e é derrubado em falta, convertendo a grande penalidade, aos 65', de forma impecável.

 

Rúben Amorim decide então mudar todos os jogadores de campo (na baliza, Max já cedera lugar a Adán logo no recomeço da partida) e só então o Sporting carrega no acelerador e exibe todo o potencial do seu jogo colectivo. Pormenor a destacar: tinha então apenas três jogadores com mais de 23 anos em campo.

Com pouco mais de três toques na bola, metêmo-la lá dentro, aos 75', e vencemos a partida. Gonçalo Inácio (em estreia na equipa principal) serve na perfeição Pedro Gonçalves, este progride junto à linha e cruza de forma impecável para o centro da área, onde Tiago Tomás aparece a disparar em cheio.

Parece fácil, mas não é. E neste vistoso lance de futebol ofensivo já se viu bom trabalho da equipa conduzida por Amorim.

 

Há três anos que não vencíamos um desafio na pré-temporada: talvez seja bom sinal.

 

Nota muito positiva para Pedro Gonçalves, que tem a titularidade garantida no Sporting 2020/2021.

Dos restantes reforços falarei mais tarde. Mas o meu maior elogio vai para estes miúdos que em pouco mais de 20 minutos mostraram ser leões em campo: Nuno Mendes, Tiago Tomás, Jovane Cabral, Daniel Bragança (outra estreia na equipa A), Matheus Nunes, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio.

O futuro está na nossa formação. Alguém tem dúvidas?

Os ausentes que fazem sombra

Estou a ver o jogo do Sporting contra o Portimonense e fico a pensar na enorme falta que fazem a esta equipa os nossos 'ativos' Acuña e Palhinha. Ainda não estão vendidos e as alternativas são, para já, bem piores. Deviam estar a jogar com a nossa camisola e depois logo se via o que poderia aparecer em termos de negócio para o clube. Rafael Camacho também merecia outra oportunidade, tem qualidade e sempre podia ir ganhando alguma raça e músculo. O resto está lá.

Que plantel vamos ter este ano? (3.ª parte)

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O Sporting iniciou no sábado o seu estágio de pré-época, desta vez no Algarve e no mesmo local onde estagiou na época passada o FC Porto, estágio esse que conta com um total de 28 jogadores e inclui alguns encontros com clubes da zona.

Como tem sido habitual ultimamente no Sporting, o que seria motivo de entusiasmo e optimismo para os Sportinguistas veio logo marcado por questões inoportunas e desmotivadoras, como a não participação do melhor jogador do plantel por estar de saída do clube, a saída de Beto das funções que mal ou bem ia desempenhando, as apresentações descuidadas deste ou daquele jogador,  os testes positivos ao Covid, um recém-entrado apanhado em excesso de velocidade e a primeira derrota da temporada às mãos do "nosso" Ryan Gauld. Enfim somos Sportinguistas, somos resilientes, a tudo resistimos. Mas haja paciência.

Rúben Amorim foi bem claro há algumas semanas, quando disse que estava num processo de selecção daqueles que queriam e podiam estar com ele neste novo ano. Pois há de tudo, alguns podem e não querem, outros querem e não podem, outros nem querem nem podem e ficaram os outros, que esperamos possam corresponder aos objectivos e dar-nos as alegrias de que bem precisamos.

 

Além dos 28 que seguiram para o Algarve, e não falando em sub-23 que podem rodar na equipa B, como Joelson, Camacho, Miguel Luís e Pedro Mendes, ficam assim muitos jogadores para colocar (um ou outro já colocado):

1. Rodrigo Battaglia (29 anos, 5M€ ?) - Um médio possante e polivalente, que teve o azar duma lesão grave o ter encontrado no melhor momento da carreira, já na calha para titular da selecção da Argentina. Precisa mesmo de relançar a carreira. Emprestado para Espanha com opção de compra?

2. André Geraldes (29 anos, ?) - Um defesa lateral muito fraquinho, o último resistente do autocarro de Sackos e Dramés que Inácio descobriu para o Sporting.

3.  Acuña  (27 anos, 15M€ ?) - Este vai fazer mesmo muita falta: titular da selecção da Argentina, o melhor jogador do plantel, polivalente, intenso, deixa a pele em campo. Dos melhores argentinos que passaram pelo Sporting, com a raça do Acosta. Vai deixar saudades. Pretenderá outros desafios e está no seu direito.

4. Ilori (27 anos, ?) - Um enorme flop, a jogar pior do que jogava dez anos antes, quando saiu do Sporting duma forma menos bonita. Incompreensível o regresso. Para colocar. Inglaterra?

5. Bruno Gaspar (27 anos, ?) - Um dos piores defesas direitos que passaram pelo Sporting, 5M€ de prejuízo.

6.. Chaby (26 anos, ?) -  Andou emprestado pelo Belenenses, Estoril e Académica. Por colocar.

7. Misic (26 anos, ?) - Mais uns 3 M€. Sem oportunidades no clube.

8. Diaby (25 anos, ?) - Este pé-frio, capitão da selecção do Mali, custou 7M€. Que fazer com ele?

9. Palhinha (25 anos, 15M€ ?) - Um trinco possante embora lento, com poucas oportunidades dentro de casa e que foi evoluindo nos empréstimos. Também pretenderá outros desafios.

10. F. Geraldes (25 anos, 0) - Entre a falta de oportunidades em Alvalade e empréstimos melhor ou pior conseguidos, teve o seu teste com Rúben Amorim e não conseguiu corresponder, aliás já tinha ele mesmo previsto isso. Vai para o Rio Ave mantendo percentagem do passe.

11. Gelson Dala (25 anos, 0) - Um segundo ponta de lança promissor com golo. Este não chegou verdadeiramente a ser testado nem ter qualquer oportunidade. Vai para o Rio Ave mantendo percentagem do passe.

12. Rafael Barbosa (25 anos, 0) - Andou emprestado pelo Portimonense, Paços Ferreira e Estoril, sem grande destaque. Saiu a custo zero para o Tondela.

13. Eduardo (25 anos, ?) - Outro desastre, outros 3 M€. Por colocar. 

14. Bruno Paulista (25 anos, ?) - Andou por aí. Mais um caso estranho, como o do Spalvis e o do Castaignos.

15. Mattheus Oliveira (25 anos, ?) - Neste caso, o Jesus deve-o ter confundido com o pai. Andou emprestado ao Guimarães sem grande destaque. Por colocar.

16. Ivanildo Fernandes (24 anos, ?) - Andou emprestado pelo Moreirense e pela Turquia, sem grande destaque. Por colocar.

17. Rosier (24 anos, ?) - Um enorme flop, por falta de adaptação ou outro motivo qualquer, nunca mostrou argumentos para justificar o estatuto de internacional francês nem os 7M€ que custou. Por colocar. França?

18. Carlos Jatobá (24 anos, ?) - Alguém sabe quem é ? Talvez o Inácio.

19. Lumor (24 anos, ?) - Mais um que nunca se percebeu por que veio. Se calhar nem Jesus sabe. Para colocar. Alemanha?

 

A saída deste lote de jogadores (se calhar ainda há mais por aí de que não me recordo) e mais um ou outro mais dispensável do lote dos 28 que foram para estágio poderá render ao clube um encaixe de cerca de 40 milhões de euros, além de aliviar substancialmente a folha salarial.

Isso será obviamente muito importante para acudir às necessidades de tesouraria, pagar as dívidas existentes e reforçar o plantel em duas ou três posições ainda carentes, a começar pela do "abono de família", o ponta de lança.

Oxalá isso aconteça.

SL

Receio o pior

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Temo o pior neste curtíssimo defeso agora iniciado. Porque as decisões serão tomadas pelos mesmos que conduziram a catastrófica pré-temporada do Verão anterior. 

Sem surpresa, já se acumulam os maus indícios. Na imprensa amiga, a administração da SAD pôs a circular que Acuña e Palhinha serão vendidos. Soa a asneira.

Acuña é um dos raros internacionais que subsistem no plantel leonino. Em entrevista ao Record de hoje, Frederico Varandas sublinha a necessidade de «encontrar jogadores experientes»: isto não cola com a prioridade atribuída à saída do argentino.

Por outro lado Palhinha - que fez duas épocas de alto nível no Braga, como emprestado - preenche uma das mais gritantes lacunas do actual onze titular: a de médio defensivo posicional. Despachá-lo já constitui um duplo risco: prescindimos de mais um profissional formado na Academia de Alcochete e continuamos a precisar com urgência de alguém para aquela posição, que pode vir a ser preenchida por outro perna-de-pau importado (lembremos os maus precedentes de Idrissa e Eduardo).

 

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Já que fiz alusão à entrevista do Record, deixo um apontamento rápido sublinhando a minha estranheza: afinal para que serve a Sporting TV? O presidente da SAD leonina manteve-se vários dias em silêncio, após o fim do campeonato, e rompe-o só agora para prestar declarações a um jornal diário quando tem à sua disposição a televisão do clube. Eis algo incompreensível.

Nesta entrevista, Varandas garante fazer «exercícios de autocrítica diariamente». Não parece. Voltou, por exemplo, a desperdiçar uma oportunidade de elogiar a Comissão de Gestão que o precedeu e conduziu o Sporting no turbulento Verão quente de 2018. Graças a essa equipa, liderada por Artur Torres Pereira no clube e Sousa Cintra na SAD, os estilhaços de Alcochete foram minorados, vários jogadores regressaram a Alvalade e foi possível formar um plantel competitivo.

Varandas já apanhou o comboio em andamento - de tal maneira que o Sporting até liderava a Liga no dia em que os actuais corpos sociais tomaram posse.

 

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Vangloria-se o presidente de ter conseguido «vencer duas Taças no futebol» e de ter superado o difícil teste da «renovação do plantel devido às rescisões». Vai mesmo ao ponto de proclamar: «No ano passado, alcançámos a melhor época dos últimos 17 anos.»

Lamentavelmente, nem uma palavra de apreço por Sousa Cintra - obreiro dessa época que deixou um treinador (José Peseiro) despedido por Varandas quando o Sporting ia a dois pontos do primeiro já depois de termos jogado em Braga e na Luz. Outra oportunidade desperdiçada, portanto, para "unir o Sporting" - lema da candidatura à presidência do antigo director clínico do consulado Bruno de Carvalho.

A prova do algodão da actual gerência não foi a época 2018/2019: foi aquela que agora terminou, a primeira em que este presidente da SAD e este director desportivo lideraram todo o processo do princípio ao fim. Uma época em que se prometeu muito mas chegámos à meta com um recorde de derrotas numa temporada e todos os objectivos falhados: Supertaça, Taça de Portugal, Taça da Liga, Liga Europa e campeonato.

 

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Ainda mal se iniciou o defeso e já receio o pior.

Por serem os mesmos a liderar o processo. E por ter a plena convicção de que a actual equipa dirigente nada quis aprender com a sucessão de erros acumulados.

A pré-época

Chamem-me o que quiserem mas para mim estamos já na pré-época 2020/2021. Esta é, parece-me, a aposta e orientação da Direcção e da Equipa Técnica, e concordo com ela. Afinal, no final desta tão atípica temporada resta-nos deixarmos de fazer figuras tristes em campo, abandonando definitivamente o péssimo e errático jogo que durante meses, meses de mais, foi sendo praticado por um conjunto de jogadores, e substituirmos aquilo que tantas vezes nos envergonhou e exasperou por uma equipa de futebol com cabeça, tronco e membros. Uma equipa que saiba o que está a fazer em campo - que já tantas vezes o faz bem! Uma equipa que nos dê indicações que no futuro estará melhor. Uma equipa, enfim, que nos dê esperança e horizonte.

Antes de Rúben Amorim, e pegando na ilustração anatómica, cabeça não havia. Nem nos jogadores e treinadores, e menos ainda na massa adepta, que a perdíamos com os nervos a cada jornada de novo e repetido desaire e desnorte. Quanto ao tronco, esse, só o comum. Do qual quase todos partilhávamos que aquilo era tudo um desastre. E membros faltavam sempre aos nossos na hora do passe certeiro, do remate decisivo, no momento tão ansiado do chuto matador. Goleador.

Ontem, em Moreira de Cónegos, faltou-nos acerto, sim, é verdade, mas também o é que essa conclusão tiramo-la sem termos de recorrer a bitolas antigas de anos, décadas mesmo, mas porque temos já a bitola Amorim.

Como tantos, também não gostei de ver Wendel e Nuno Mendes no banco. Muitos defendem que em equipa ganhadora não se mexe. Outros sentenciarão que não é preciso aplicar a rotatividade no plantel.

Devo confessar que concordo com essas máximas, mas quando seguidas e aplicadas em tempos de casa arrumada e totalmente definida. Infelizmente, o Sporting ainda não está assim. Mas felizmente para lá caminha. Caminha, acredito e tudo farei para que assim seja, para alcançar vitórias de forma consistente e, por isso, natural. O desejado reencontro com o estatuto de clube grande ganhador.

Posto isto, aceito e aplaudo a experiência e até mesmo experimentalismo que Rúben Amorim tem realizado nas equipas que monta. 

Há nele consistência. As equipas têm todas por base a formação. E esta aposta continuada e reforçada nos nossos principais activos é preciosa. É a que verdadeiramente nos dá futuro e inda rumo. É raro, muito raro, que ao discurso, às palavras se juntem os actos. O clube, esta direcção, disse-nos em tempos que iria apostar na Academia e suas muitas jóias e (depois de enganos e atrasos) está finalmente a fazê-lo.

Acreditando que não mais voltaremos a fazer figuras tristes esta temporada, convicto que no pódio ficaremos (fraco consolo!), espero e disso estou mesmo convencido que estas derradeiras jornadas estão já a ser a preparação de uma época vitoriosa.

Começámos 2020/2021 mais cedo que os outros. Tiremos proveito disso e assim sendo nem a incompetência (será só isso?) dos árbitros como os de ontem em Moreira de Cónegos nos impedirá de alcançar a glória que inscrevemos na nossa insígnia. 

Estado de emergência e treino - incompatível ou não?

Vivemos tempos difíceis e o estado de emergência exige limitações de circulação e de contacto.

Além disso, a alteração das nossas rotinas diárias no trabalho e nas relações familiares/sociais implica graves mudanças.   

Os atletas profissionais devem estar preocupados com a sua condição física e psíquica à data mas também com os efeitos que esta pausa pode acarretar no seu futuro.

Manter uma alimentação saudável e respeitar períodos de descanso são regras de ouro mas num caso destes a rotina de treino e de competição são condições essenciais. Neste nível, treinar em casa não é solução.

Já compreendemos que não é possível manter a rotina de competição, mas será impossível afastar a rotina de treino?

Durante anos, assistimos às pausas das Ligas durante o mesmo período, quando os jogadores aproveitavam para gozar as suas merecidas férias. Por acaso alguém acha possível que este ano os jogadores não gozem um período de férias no Verão? Até poderá ser mais curto do que é habitual mas vão gozar.

Este ano a realidade é diferente e como tal, também devíamos equacionar o que podemos fazer diferente. Não sabemos qual o modelo adoptado para a conclusão da Liga ou para o apuramento de competições internacionais mas devíamos estar a preparar o futuro.

Durante anos, após as férias, a regra era os jogadores saírem de Portugal em estágio com os seus colegas, no intuito de treinarem e ganharem rotinas de equipa.

Por vezes, e quando existiam fracos recursos económicos, as equipas chegavam a realizar pré-temporadas nas Academias. Até tivemos um clube em Portugal que pretendeu utilizar a Academia de Alcochete na sua pré-época.

Alias, os treinadores são unânimes quando referem que a pré-temporada é um dos momentos mais importantes da época e que uma equipa sem pré-temporada não é equipa.  

Assim, indo diretamente ao que interessa, qual a razão de o período de quarentena não ter sido passado em Alcochete, a treinar e trabalhar com os atletas?

Podiam ter ficado todos em Alcochete a dormir, comer, trabalhar e descansar. Seria injusto para os profissionais? Compreendo o sacrifício de estarem fechados no local de trabalho, sem acesso à sua família. Mas já não fazem tudo isso quando vão para as pré-temporadas?

Seria uma exceção à regra num período em que todos fazemos sacrifícios.

Se não queriam ficar todos em Alcochete, podiam ter optado por uma solução alternativa. O futebol americano treina os sectores (defensivo e ofensivo) em separado.

Por exemplo, durante os primeiros quinze dias de quarentena, permanecia em Alcochete a equipa técnica com os jogadores do sector defensivo e os restantes ficariam em casa. Volvido esse período, o sector atacante permanecia em Alcochete na companhia da equipa técnica e o sector defensivo ficava em casa durante o período de quarentena.

Será esta ideia tão descabida, nomeadamente num clube onde a equipa técnica é recente e necessita tempo para conhecer o plantel e treinar com os jogadores?

Para mim não é.

Onze jogos sem vencer em campo

11 de Maio: Sporting, 1 - Tondela, 1

Jogo da 33.ª jornada da Liga 2018/2019. Golo de Bruno Fernandes (de penálti).

 

18 de Maio: FC Porto, 2 - Sporting, 1

Jogo da última jornada da Liga 2018/2019. Golo de Luiz Phellype.

 

25 de Maio: Sporting, 2 - FC Porto, 2

Final da Taça de Portugal, com autogolo de Danilo e golo de Bas Dost. Nos penáltis, após o prolongamento, desempate por 5-2. Grandes penalidades convertidas por Bruno Fernandes, Mathieu, Raphinha, Coates e Luiz Phellype.

 

10 de Julho: FC Rapperswil, 2 - Sporting, 1

Jogo de preparação, no âmbito do estágio da equipa na Suíça, frente a uma turma da terceira divisão helvética. Golo de Bruno Fernandes.

 

13 de Julho: St. Gallen, 2 - Sporting, 2

Segundo jogo da pré-temporada, ainda na Suíça. Golos de Bruno Fernandes e Wendel.

 

16 de Julho: Sporting, 0 - Estoril, 1

Jogo-treino na Academia de Alcochete, frente a uma equipa da segunda divisão.

 

19 de Julho: Club Brugge, 2 - Sporting, 2

Regresso aos jogos de preparação da pré-temporada e regresso aos empates. Golos de Bruno Fernandes (de penálti) e Jovane.

 

25 de Julho: Liverpool, 2 - Sporting, 2

Partida disputada em Nova Iorque, ainda na pré-temporada, frente ao campeão europeu em título. Golos de Bruno Fernandes e Wendel.

 

28 de Julho: Sporting, 1 - Valência, 2

Troféu Cinco Violinos, perdido no Estádio José Alvalade em confronto com o quarto classificado da Liga espanhola. Golo de Bas Dost.

 

4 de Agosto: Benfica, 5 - Sporting, 0

Supertaça, perdida no Estádio do Algarve em goleada infligida pelo SLB.

 

11 de Agosto: Marítimo, 1 - Sporting, 1

Início da Liga 2019/2020, com empate no Funchal. O nosso golo foi marcado por Coates.

 

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Balanço destes três meses:

- Seis empates (um deles desfeito nos penáltis, a nosso favor, na final do Jamor);

- Cinco derrotas.

Treze golos marcados, 22 golos sofridos.

Segunda e última

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Sofremos ontem a segunda humilhação frente ao Benfica em seis meses. No início de Fevereiro, fomos derrotados em Alvalade por 2-4 para o campeonato. Eu estava lá e senti-me envergonhado, como tantos outros adeptos.

Ontem foi ainda pior: saímos do estádio do Algarve goleados por 0-5 - resultado inédito, para nós, num clássico disputado em campo neutro e 33 anos após o último desfecho por esta marca, numa partida desenrolada na Luz. Como equipa pequena, temerosa, inofensiva, irrelevante, adoptando um esquema táctico que não fora testado e um índice de aproveitamento ofensivo miserável, em comparação com o SLB. Num jogo em que podíamos ter sofrido mais dois ou três. Coroando uma desastrosa pré-temporada - a pior de que me lembro desde sempre, sem uma vitória sequer para amostra em seis jogos, com sucessivos (e inaceitáveis) colapsos defensivos e uma chocante apatia da equipa técnica, incapaz de reagir ao infortúnio. Aqueles que desvalorizam as pré-temporadas deviam ter estado atentos logo aos primeiros sinais negativos - quando fomos derrotados por uma equipa amadora, da terceira divisão suíça.

Para mim, com este treinador, esta segunda humilhação seria a última. Por muito menos Frederico Varandas correu com José Peseiro em Outubro do ano passado.

 

P. S. -- Dezasseis golos sofridos nos mais recentes sete jogos.

Novidades da pré-época: breve balanço

Seguem-se as minhas impressões dos jogadores apresentados como reforços do Sporting na chamada "janela de Inverno" ou no defeso de Verão. Fica o desafio aos leitores: se quiserem, partilhem aqui as vossas opiniões sobre o mesmo tema.

 

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Cristián Borja. O internacional colombiano chegou no defeso de Inverno mas está longe de gerar consensos em Alvalade. Sobretudo no capítulo ofensivo: arrisca pouco e cruza mal. Acuña faz muito melhor que ele.

 

Eduardo Henrique. Expectativa. Transmitiu sinais positivos, a ler o jogo e a conduzir a bola. Terá vindo para ocupar funções de médio defensivo, mas parece dar-se melhor em zonas mais adiantadas do terreno. 

 

Eduardo Quaresma. Promissor. Ainda júnior, revelou alguns pormenores que atestam a sua qualidade futebolística não apenas como central mas até como lateral improvisado. Nome a reter num futuro próximo.

 

Gonzalo Plata. Talento. O jovem extremo equatoriano é daqueles que não enganam: tecnicamente evoluído, aguerrido nos confrontos individuais, agradou de imediato aos adeptos. É fácil augurar-lhe uma época em grande.

 

Idrissa Doumbia. Combativo. Chegou no mercado de Inverno e tem sido um dos jogadores que mais evoluíram em Alvalade. A partida de Gudelj coloca-o na primeira linha da titularidade como médio defensivo. 

 

Luciano Vietto. Discreto. Primeiro como extremo, depois no corredor central, mostrou-se sempre aquém daquilo que o ataque do Sporting necessita. Poderá não ter vida fácil num clube que já idolatrou outros argentinos.

 

Luís Maximiano. Promoção. Depois de ter dado nas vistas em escalões jovens, abre-se enfim a porta da equipa principal ao guarda-redes formado no Sporting. É já o segundo na hierarquia da baliza, logo após Renan.

 

Luís Neto. Maturidade. Estando Coates ainda ausente, dividiu com Mathieu o eixo da defesa, exibindo concentração e confiança. É reforço digno deste nome: a sua veterania ajuda a equilibrar um plantel muito jovem. 

 

Luiz Phellype. Útil. Foi seguramente uma contratação barata. E já confirmou no Sporting saber marcar golos, como fizera no Paços de Ferreira. Veio de férias com peso a mais. Há que confiar num rápido regresso à boa forma.

 

Matheus Pereira. Eclipsado. O que se passa com este extremo formado em Alcochete? Keizer parece ter boa impressão do brasileiro, que apesar disso não foi apresentado aos adeptos nem consta do plantel. Tudo muito opaco.

 

Nuno Mendes. Desenvoltura. Diz-se que Keizer ficou muito satisfeito com as prestações do jovem formado em Alcochete, que respondeu bem sempre que foi chamado. Movimentando-se sem complexos na ala defensiva.

 

Rafael Camacho. Insuficiente. Mostrou vontade de agarrar a posição, embora tendo actuado na ala esquerda em vez de preencher o corredor oposto, em que se sentirá mais à-vontade. Uma lesão travou-lhe o passo.

 

Thierry Correia. Revelação. Aposta deliberada do técnico, aproveitou as ausências de Ristovski e Bruno Gaspar para se mostrar em bom nível, sobretudo contra o Liverpool e o Valência. Merece ser lateral direito titular.

 

Tiago Ilori. Sofrível. Oportunidades não lhe têm faltado neste seu regresso ao Sporting seis anos após a infausta aventura em Inglaterra. Infelizmente o defesa oriundo da nossa formação ainda não quis ou não soube agarrá-las.

 

Valentin Rosier. Mistério. O defesa francês veio aureolado de craque e muitos já antecipavam que lhe estaria reservado o posto titular na ala direita. Afinal chegou lesionado e tem permanecido oculto. Promete gerar polémica.

 

Xutos e Pontapés

Terminaram ontem as Festas de Loures. Desculpem puxar a brasa à minha sardinha, mas é um dos maiores acontecimentos culturais da área metropolitana de Lisboa, talvez do país. Terminaram com chave de ouro, com um enorme concerto dos Xutos, agora sem Zé Pedro fisicamente, mas lá de cima a controlar os ânimos e as emoções, bem patenteadas em Tim quando o evocou com três temas emblemáticos e se mostrou bastante comovido. Um alinhamento como é habitual, interventivo e engajado, que entusiasmou os milhares que, gratuitamente, tiveram acesso a mais uma intensa performance da banda que até tem estúdios no concelho, onde ensaia. Estavam portanto a jogar em casa e não desmereceram do apoio inequívoco e incondicional de quem ali se deslocou para os apreciar e às suas músicas, novas e menos novas. Tive o imenso privilégio de lá estar e vibrar também.

Três horas antes, praticamente com a mesma linha e precisamente no mesmo registo de (quase) sempre, assisti a outro espectáculo onde a qualidade esteve arredia e onde, salvo as raras excepções do costume e o também apoio incondicional e inequívoco, não passou mesmo de um espectáculo de chutos e pontapés, a maior parte deles para a bancada. Safou-se mesmo o homem do leme, que nunca verga e nunca desiste e se ele cai, a vida pode ser malvada e o tempo pode ser um mar de Outono e o mundo pode virar-se ao contrário. Que ele não seja o único, é o que desejo, mas parece-me que a coisa será mesmo à sua maneira. No circo de feras que é hoje o futebol, convém saber quem é quem e remar, remar e também voar. E dar Xutos a sério para chegar na frente ao dia de são receber. Como ontem, dificilmente sairemos da nossa casinha.

Vamos ver dia 4, se eles respondem ao nosso se me amas e nos presenteiam finalmente com um concerto digno desse nome! E não serão precisos contentores de golos. Basta um a mais que o adversário e, falo por mim, ficaremos felizes para sempre.

 

Um plantel do presente ou do futuro?

Não tendo visto o último jogo, não vou comentar a táctica e o desempenho de um ou outro jogador. À distância parece-me que, com a novela Bruno Fernandes, Marcel Keizer se encontra entre a espada e a parede, a rezar para que o dia 8 chegue depressa duma forma ou doutra.

De qualquer modo, a responsabilidade primeira pelo que se passou ontem em Alvalade é mesmo dele, quer pela organização (ou falta dela) da equipa em campo ou por apostar em jogadores que fazem a diferença ou por apostar naqueles de quem se espera sempre o pior, e o pior quase sempre acontece.

Mas a responsabilidade primeira pela constituição do plantel é do presidente, e é por aí que deveremos analisar a estratégia para o futebol do Sporting para esta época e seguintes.

Foram apresentados 29 jogadores, com uma média etária de 23,8 anos e um valor de mercado de 194 M€:  31% 17-20, 17% 21-23, 24% 24-26, 17% 27-29, 10% 30-35

Trata-se, como mais uma vez venho dizer, duma grande aposta na formação: 48% do plantel é sub-23, sendo que 60% desses, oito no total, são mesmo produtos de Alcochete (considerando Camacho de fora). 

Depois é um plantel equilibrado em termos etários, com apenas três jogadores a ultrapassar os 30 anos.

Quanto a jogadores de classe extra, existem apenas cinco: Bruno Fernandes, Coates, Mathieu, Acuña e Bas Dost. Qualquer saída neste sector vai ser muito difícil de colmatar.

Quanto a jogadores sem classe para jogar no Sporting, de capacidade insuficiente para os objectivos do clube, infelizmente existem alguns no plantel. Uns que escaparam à triagem do entulho da era Bruno/Jesus, outros que chegaram mais recentemente e sabe-se lá porquê. Bruno Gaspar, Ilori, Ristovski, Diaby e Vietto têm muito que mostrar para provarem a sua utilidade e serem mais-valias para a equipa em vez de pesos mortos.

Sendo assim, vamos ter um plantel à altura dos desafios desta época ou vamos ter um ano zero de algum futuro qualquer?

SL

Os destaques: Bruno, Idrissa, Thierry

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Terminamos a pré-temporada sem uma vitória. Nem ao menos o Troféu Cinco Violinos conseguimos ganhar no nosso estádio. Ontem defrontámos o Valência - detentor da Taça de Espanha e quarto classificado no mais recente campeonato do país vizinho - e até começámos a vencer, logo aos 4', mas acabámos derrotados por 1-2. E ainda vimos Renan defender um penálti, algo em que já se especializou.

Destaque para a entrada de Thierry como titular na lateral direita: o ex-campeão europeu sub-17 e sub-19 deu boa conta do recado. Bruno Fernandes foi remetido para a ala esquerda, o que funciona nele como um espartilho, para ceder protagonismo a Vietto no corredor central. Foi uma experiência para esquecer: nem o capitão rende aquilo de que a equipa necessita encostado à linha nem o argentino conseguiu demonstrar até agora que é um verdadeiro reforço neste Sporting 2019/2020.

Aspecto mais positivo: o grande golo de Bas Dost, culminando um eficaz lance colectivo em que avultou um soberbo passe de ruptura de Bruno Fernandes, variando o flanco, seguido de boa recepção de Raphinha, que tocou para o holandês potenciar o pé canhão - sem defesa possível para o guardião Domenech. Exibições muito positivas de Idrissa, que parece ter agarrado a posição de médio mais recuado, e do regressado Acuña, que só jogou no segundo tempo. O melhor em campo, embora longe do brilhantismo a que já nos habituou, voltou a ser o capitão da equipa.

Destaque, pela negativa, para Borja - com responsabilidade evidente no primeiro golo espanhol - e para a incapacidade finalizadora de Vietto. Nas substituições, Diaby (outro regresso) e Luiz Phellype nada acrescentaram. E é inaceitável a tremideira que se apodera do onze leonino nas bolas paradas defensivas, uma das quais resultou em golo nesta partida presenciada ao vivo por mais de 32 mil adeptos. Também inaceitável é continuamos a sofrer, em média, dois golos por jogo: uma equipa que aspira a títulos não pode ser tão permeável no sector mais recuado. Eis o aspecto a rectificar com mais urgência.

 

............................................................................................

 

Os jogadores, um a um:

 

Renan (29 anos).

Mais: defendeu uma grande penalidade aos 55'. Excelente defesa aos 27, negando o golo ao Valência.

Menos: é sempre ingrato sofrer dois golos, embora sem culpa própria.

Nota: 6

 

Thierry (20 anos).

Mais: titular na lateral direita, neutralizou Gonçalo Guedes. Muito concentrado e veloz, fez um grande corte aos 36'. Integrou-se bem no ataque.

Menos: aos 66' deixou escapar Rodrigo, que centrou para o segundo golo do Valência.

Nota: 7

 

Coates (28 anos).

Mais: grande corte logo aos 5'.

Menos: ainda preso de movimentos, por ter estado ausente durante quase toda a pré-temporada. O primeiro golo sofrido nasce de um canto totalmente desnecessário provocado pelo uruguaio.

Nota: 5

 

Mathieu (35 anos).

Mais: aos 33, marcou um livre que rasou a barra da baliza adversária. 

Menos: duas "roscas" com o seu pé menos bom, o direito.

Nota: 6

 

Borja (26 anos).

Mais: esforçou-se para centrar lá à frente, sempre sem êxito.

Menos: deixou Kondogbia elevar-se à vontade para marcar o golo inaugural do Valência, aos 9'.

Nota: 4

 

Idrissa Doumbia (21 anos).

Mais: sempre interventivo na primeira fase de construção, soube também recuperar muitas bolas.

Menos: o impulso ofensivo leva-o por vezes a abandonar a posição, desequilibrando o seu sector.

Nota: 7

 

Wendel (21 anos).

Mais: alguns lances vistosos, denotando técnica individual.

Menos: pouco influente nas movimentações colectivas durante os 68' em que esteve em campo.

Nota: 5

 

Raphinha (22 anos).

Mais: assistiu Dost no golo leonino.

Menos: muito preso à bola, denotando individualismo em excesso: aspecto a corrigir.

Nota: 6

 

Bruno Fernandes (24 anos).

Mais: o passe longo para Raphinha, aos 4', foi quase meio golo. Rematou com selo de golo, aos 85': o seu disparo só foi travado por uma defesa "impossível" de Cillessen.

Menos: o segundo golo espanhol nasce de um passe errado dele, aos 66'.

Nota: 7

 

Vietto (25 anos).

Mais: um bom passe de ruptura, aos 48': Raphinha desperdiçou.

Menos: continua a pecar por deficiente finalização: atirou ao lado aos 30' e aos 43'.

Nota: 5

 

Bas Dost (30 anos).

Mais: regressou aos golos e fez levantar o estádio, com os adeptos a gritarem o seu nome.

Menos: muito discreto durante o resto do jogo: pouco e mal servido pelos companheiros.

Nota: 6

 

Neto (31 anos).

Mais: desde os 61' em campo, rendendo Mathieu: estreia de verde e branco em Alvalade. Bom corte aos 81'.

Menos: falhou a intercepção a Kevin Gameiro, marcador do segundo do Valência.

Nota: 5

 

Acuña (27 anos).

Mais: em campo desde os 61', substituindo Borja, com óbvia vantagem para a equipa. Aos 70', soberbo passe longo a que Bruno Fernandes não soube dar boa sequência.

Menos: nesta estreia na pré-temporada leonina, a sua actuação soube a pouco: devia ter entrado mais cedo.

Nota: 6

 

Luiz Phellype (25 anos).

Mais: substituiu Dost aos 61', procurando movimentar-se mais na área do que o holandês, sem o conseguir.

Menos: continua muito distante dos golos.

Nota: 4

 

Diaby (28 anos).

Mais: estreia na pré-temporada, recém-vindo de férias. Substituiu Vietto aos 61', permitindo libertar Bruno Fernandes para o centro do terreno.

Menos: tendência insólita para escorregar em momentos decisivos. O ex-Leão Piccini ganhou-lhe todos os duelos. Bem servido por Bruno, falhou o golo aos 84', quando lhe bastava encostar o pé.

Nota: 4

 

Ilori (26 anos).

Mais: em campo desde os 67', rendendo Coates. Bom corte aos 78'.

Menos: só pode ter ficado desmotivado ao ouvir vários assobios no estádio, até por terem sido imerecidos desta vez.

Nota: 5

 

Eduardo (24 anos).

Mais: substituiu Wendel aos 67' nesta sua estreia em Alvalade de Leão ao peito. Participou na construção de um lance muito perigoso, aos 76'.

Menos: falta-lhe ganhar entrosamento com os colegas.

Nota: 5

 

Miguel Luís (20 anos).

Mais: só entrou aos 88', substituindo Idrissa. Tentou - sem conseguir - dar dinâmica ao nosso meio-campo.

Menos: um passe errado, aos 90'+1, podia ter resultado no terceiro golo espanhol.

Nota: 4

 

Eduardo Quaresma (17 anos).

Mais: substituiu Thierry aos 88', sem comprometer.

Menos: devia ter entrado mais cedo.

Nota: 5

 

Daniel Bragança (20 anos).

Mais: coube-lhe substituir Bruno Fernandes, aos 88': não acusou o peso da responsabilidade.

Menos: nada a registar.

Nota: 5

 

Plata (18 anos).

Mais: em campo só aos 88', por troca com Raphinha, mostrou-se muito dinâmico e com vontade de acelerar o jogo.

Menos: merecia mais tempo.

Nota: 6

Bruno e Tiago

Não sei se repararam. Um dos melhores momentos do Liverpool-Sporting em Nova Iorque foi a descasca dada por Bruno Fernandes a Tiago Ilori depois de vir cá atrás, em corrida rapidíssima, impedir um golo quase certo, perante a apatia total do nosso lateral direito, que parecia ter sido acometido de uma paragem cerebral.
E Bruno é mais novo que Ilori. Que diferença entre a maturidade competitiva de um e outro...

Os destaques: Bruno, Wendel, Mathieu

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Foi uma tarde-noite (madrugada em Portugal) de estreias. Primeiro embate alguma vez ocorrido entre o Sporting e o Liverpool, primeira exibição da nossa equipa no mítico Yankee Stadium, em Nova Iorque. Primeira exibição realmente convincente da pré-temporada, traduzida no resultado: 2-2.

Talvez não por acaso, também a primeira vez em que Marcel Keizer dispôs a equipa em 4-4-2, durante o primeiro tempo. Com Bruno Fernandes encostado à ala esquerda, Raphinha mantendo-se como extremo-direito e Vietto enfim deslocado para o corredor central, atrás do ponta-de-lança, desta vez Luiz Phellype.

O Sporting dificilmente poderia ter começado melhor num estádio com dimensões estranhas para os nossos padrões, com as linhas do relvado mais estreitas do que estamos habituados, e perante umas bancadas muito bem compostas de público, incluindo alguns milhares de sportinguistas, bem visíveis com adereços do nosso clube.

 

Aos 5' vencíamos, com golo do inevitável Bruno Fernandes: disparo forte de meia distância, com a bola a tomar efeito e o guarda-redes adversário a colaborar com um frango (que mais pareceu peru) de Mignolet, substituto de Alisson, guardião titular da selecção brasileira recém-vencedora da Copa América. O Liverpool apresentou-se neste desafio ainda desfalcado de Salah, Mané e Firmino. Mas também o Sporting entrou em campo sem quatro titulares: Acuña e Ristovski (que não calçaram), Coates e Bas Dost (que só surgiriam no segundo tempo). E o onze inglês actuou com figuras de respeito: Alexander-Arnold, Matip, Fabinho, Henderson, Wijnaldum, Milner e Origi. Além de Van Dijk, considerado o melhor central do mundo e proto-candidato à Bola de Ouro 2019.

Foi sem temor perante os campeões europeus em título que o Sporting cedeu iniciativa ao Liverpool perante uma muralha defensiva liderada por um Mathieu próximo da excelência - e na qual só destoou Ilori, uma vez mais desastrado como lateral direito adaptado - e contra-ataques protagonizados por Wendel e Bruno, perante um Vietto muito apático e um Raphinha "ausente" durante todo o primeiro tempo.

Soava a injustiça o 1-2 registado ao intervalo, com o Liverpool a marcar aos 20' e aos 44'. E se é certo que Renan - único do Sporting que permaneceu em campo durante os 90 minutos - fez uma enorme defesa aos 18', também é verdade que Wendel foi autor de um excelente remate que levou a bola a bater no poste, iam decorridos 35'.

 

A segunda parte começou com Thierry substituindo Borja como lateral esquerdo. Boa exibição do nosso campeão europeu sub-19, mesmo na ala oposta àquela em que costuma jogar. Vários jogadores subiram de produção neste segundo tempo: Raphinha apareceu enfim, Vietto mostrou bons pormenores pontuais e Idrissa Doumbia perdeu o nervosismo inicial, soltando-se para uma exibição positiva. 

O golo do empate surgiu aos 54', naquela que terá sido a nossa melhor jogada colectiva ao longo de toda a pré-temporada. Lance iniciado com recuperação de bola por Idrissa, envolvimento de Mathieu com Thierry, que endossou a Wendel, seguindo-se tabelinha com Bruno, que a conduziu pelo flanco esquerdo, libertou-se de marcação, temporizou e devolveu ao brasileiro num centro bem medido: Wendel não se fez rogado, alvejando a baliza inglesa. Estava feito o justo empate que perdurou até ao apito final.

 

O Sporting soube segurar este resultado, já disposto em campo num 4-2-3-1, com Bruno de regresso ao corredor central: continuamos sem vencer, mas desta vez a equipa convenceu. A partir dos 61', quando começou o habitual carrossel de substituições, Keizer confirmou que dispõe de boas segundas linhas. Se as trocas de Luiz Phellype por Bas Dost e de Idrissa por Miguel Luís não resultaram, merecem destaque as exibições de Nuno Mendes (substituto de Mathieu), Eduardo Quaresma (no lugar de Ilori, novamente o pior do Sporting) e Plata (que rendeu Raphinha).

O melhor em campo - e muito cumprimentado pelo treinador do Liverpool, Jürgen Klopp - voltou a ser Bruno Fernandes: um golo, uma assistência.

Ainda está de Leão ao peito e já começamos a sentir saudades dele.

 

............................................................................................

 

Os jogadores, um a um:

 

Renan (29 anos).

Mais: grande defesa aos 18' e golo adiado aos 20': só não pôde evitar a recarga à queima-roupa.

Menos: é sempre ingrato sofrer dois golos, embora sem culpa própria.

Nota: 6

 

Ilori (26 anos).

Mais: bom corte aos 41'.

Menos: falhou a intercepção nos lances dos dois golos ingleses.

Nota: 3

 

Neto (31 anos).

Mais: transmite segurança no eixo defensivo: é um bom reforço.

Menos: livrou-se à justa de um segundo cartão, quando já estava amarelado desde os 30'.

Nota: 6

 

Mathieu (35 anos).

Mais: grande patrão da defesa leonina, intransponível, e sempre atento às dobras a Borja na ala esquerda.

Menos: ainda falta criar automatismos com Neto.

Nota: 7

 

Borja (26 anos).

Mais: estreia do colombiano nesta pré-temporada: procurou jogar sempre pelo seguro.

Menos: raras vezes arriscou incursões no seu flanco, cedeu um canto disparatado aos 17'. Já não voltou do intervalo.

Nota: 5

 

Idrissa Doumbia (21 anos).

Mais: melhorou muito no segundo tempo, nomeadamente no capítulo da recuperação de bolas.

Menos: começou muito nervoso, mostrando-se incapaz de fazer passes a mais de dois metros.

Nota: 5

 

Wendel (21 anos).

Mais: vai mostrando a sua veia goleadora. Hoje marcou o segundo do Sporting e esteve quase a marcar aos 35', com um grande remate que foi embater no poste.

Menos: falta-lhe alguma robustez física para os embates no meio-campo.

Nota: 7

 

Bruno Fernandes (24 anos).

Mais: um golo, logo aos 5', e uma excelente assistência para o golo de Wendel, aos 54'. Ainda salvou uma bola muito perigosa, aos 45', mostrando a Ilori como devia ter feito.

Menos: desta vez não foi feliz na marcação de livres.

Nota: 8

 

Raphinha (22 anos).

Mais: quase marcou, aos 70': Mignolet evitou o golo in extremis.

Menos: primeira parte quase irreconhecível do brasileiro, falhando passes, demasiado preso à bola.

Nota: 5

 

Vietto (26 anos).

Mais: conduziu com eficácia um contra-ataque no primeiro minuto do tempo extra da primeira parte.

Menos: falhou dois golos à boca da baliza - um de cabeça, outro com o pé direito - no segundo tempo. 

Nota: 4

 

Luiz Phellype (25 anos).

Mais: só um bom remate: aos 27', ligeiramente ao lado da baliza.

Menos: lento de reflexos e na decisão. Veio de férias com peso a mais: precisa de perder um bom par de quilos.

Nota: 4

 

Thierry (20 anos).

Mais: jogou com destemor como lateral esquerdo, rendendo Borja no segundo tempo, e participou no excelente lance colectivo que resultou no nosso golo do empate. Aos 83', passou a jogar na ala direita.

Menos: nem sempre o passe lhe saiu com precisão, o que não afecta a nota positiva.

Nota: 6

 

Bas Dost (30 anos).

Mais: rendendo Luiz Phellype aos 61', fez duas tabelinhas e procurou pressionar à frente.

Menos: desligado do jogo, perdido num sistema táctico que não o servia, foi incapaz de se libertar das marcações.

Nota: 3

 

Coates (28 anos).

Mais: substituiu Neto aos 61', introduziu frescura e tranquilidade na linha defensiva.

Menos: só agora pudemos contar com ele: acabou de gozar merecidas férias após a Copa América.

Nota: 6

 

Jovane (21 anos).

Mais: em campo desde os 61', substituindo Vietto, mostrou-se mais em jogo do que o argentino.

Menos: dele costumamos esperar um golo ou um grande passe de ruptura: desta vez não aconteceu.

Nota: 5

 

Nuno Mendes (17 anos).

Mais: descomplexado a jogar, ocupou aos 76' a lateral esquerda (por troca com Mathieu, passando então Ilori a central e Thierry a lateral direito) como se fosse titular. Bom corte aos 80'.

Menos: teve poucos minutos de jogo: merecia mais.

Nota: 6

 

Miguel Luís (20 anos).

Mais: substituiu Idrissa aos 76', boa recuperação de bola aos 87'.

Menos: muito apático, perdeu a bola em zona perigosa aos 81': dá a sensação de que está a falhar a pré-temporada.

Nota: 4

 

Eduardo (24 anos).

Mais: entrou só aos 83', para o lugar do exausto Wendel: iniciou um bom lance de ataque aos 90'.

Menos: falta-lhe jogar mais para ganhar entrosamento com os colegas.

Nota: 5

 

Eduardo Quaresma (17 anos).

Mais: entrou aos 83', rendendo o desastrado Ilori: mostrou vontade de cumprir.

Menos: nada a registar.

Nota: 5

 

Daniel Bragança (20 anos).

Mais: coube-lhe substituir Bruno Fernandes, aos 83': não acusou o peso da responsabilidade.

Menos: nada a registar.

Nota: 5

 

Plata (18 anos).

Mais: em campo só aos 83', por troca com Raphinha, mostrou-se muito dinâmico e com vontade de acelerar o jogo.

Menos: algo individualista: um aspecto a corrigir.

Nota: 6

Aproveitar ou desperdiçar oportunidades

Há entre os sportinguistas quem conteste que estes jogos da pré-temporada, ainda com o plantel a ser alvo de experiências várias dentro do campo, sejam transmitidos em directo nas televisões (Sporting TV incluída). Não é o meu caso: gosto que isso aconteça. Nós, adeptos, matamos saudades da equipa nestas transmissões, que nos permitem observar atentamente os reforços entretanto contratados e os miúdos que andaram a rodar noutras paragens.
O que contesto nestes jogos é a falta de empenho de certos jogadores. Sabendo que as partidas são televisionadas, isso deveria constituir um factor motivacional acrescido para eles. Acontece que nem todos aproveitam: alguns mostram-se apáticos, desconcentrados, descomprometidos. Lamento que desperdicem excelentes oportunidades nestes desafios ditos de preparação. Que são mais importantes do que muitos imaginam.

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