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És a nossa Fé!

Rally tascas

 
Oitenta a noventa por cento dos jogos dos três grandes são contra equipas galhardas, manhosas e de contra-ataque, que se atiram para o chão aos 70 minutos quando se apanham a ganhar. É uma estratégia e também não é criticável (à luz dos seus interesses). Os ditos grandes não fazem outra coisa a não ser disputar jogos de solteiros e casados e não jogos como o Sporting-PSV, o Young Boys-Porto ou o Leipzig-Benfica. Pouco importa quem ganhou. Vi os três jogos, corridos, disputados, sem manhosice e chico-espertice, além da adulta, própria do futebol de alto nível, bem filmado, vivo.
Como espetáculo desportivo, a nossa bola é televisivamente deplorável. Estádios quase todos horrendos, mal iluminados, com ervados indiscritíveis, com cornetas e bombos em cima do comentário, público que vaia o árbitro por tudo e por nada, que quer ganhar de preferência com golos com a mão, dão ao nosso futebol uma atmosfera de tasca que não se compara com as ligas inglesa, espanhola, francesa, holandesa até a grega (do que vi). É curioso que o brilho de Ronaldo tenha diminuído na Liga que tem das piores imagens televisivas destas todas, a italiana.
Dois ou três jogos por ano assim teriam graça, como tem graça comer em roulottes nos festivais, mas ser quase sempre assim puxa a nossa Liga muito lá para baixo. Acabamos por ver os jogos à espera que o nosso clube vença e o rival perca, não para ver e fruir futebol.  
Porque hoje lá estaremos em Barcelos para mais um solteiros e casados

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Um Cavani à solta

O futebol tem destas coisas. Durante a semana, todos os especialistas advertiam para o perigo das bolas paradas uruguaias, mas acabámos por ser nós a marcar, após um canto marcado à maneira curta. Os mesmos teóricos perspectivavam um duelo entre os dois poderosos avançados sul americanos e os nossos centrais Pepe e Fonte. Acontece que Cavani foi decisivo, mas apenas quando entrou alternadamente nos espaços ocupados por Raphael e Ricardo, dois laterais.

 

Na primeira parte, a Portugal, o que faltou em profundidade sobrou em lateralização. Assim, sem comprimento e só com largura, aos lusos faltou área, mais concretamente, grande área. Tal como uma equipa de rugby, os portugueses chegavam às imediações do último reduto uruguaio mas depois passavam a bola, uns aos outros, sempre para trás. Dispostos num 4-4-2 com os avançados muito abertos, os nossos só faziam cócegas à defesa adversária. Guedes foi igual a si próprio - uma nulidade neste Mundial -, João Mário mostrou a incapacidade habitual de queimar linhas e jogar para a frente e Bernardo, na primeira parte colocado na ala direita, continuava a sentir a falta dos movimentos específicos criados pelos seus colegas do Manchester City para o libertar.

 

Na segunda parte, finalmente Fernando Santos - três jogos e meio depois - colocou Bernardo a ver o jogo de frente para a baliza contrária. Com isso, a nossa equipa melhorou bastante, passando a ter um jogador capaz de perfurar pelo centro e de dar critério ao jogo ofensivo, com as costas protegidas por um William imponente e batalhador na sua zona de acção. O problema é que nos continuou a faltar espontaneidade na cercania da área uruguaia. Fernando Santos ainda tentou alterar este status-quo colocando em campo Quaresma, mas infelizmente retirou Adrien em vez de João Mário, este último transformado num insuportável burocrata do passe curto e rodriguinho inconsequente. 

 

Servidos por Bernardo, Quaresma e Ricardo centravam com perigo mas Godin e Gimenez eram Adamastores apostados em nos retirar a (boa) esperança. Do outro lado, Raphael, Guedes e João Mário mastigavam o jogo, perdendo sucessivas oportunidades de cruzamento.

Fernando Santos substituiu Guedes por André Silva e, mais tarde, João Mário por Manuel Fernandes. Este, em apenas 10 minutos, fez mais remates e passes para a frente que o jogador do West Ham no jogo todo, mas já não foi a tempo de alterar o fado português.

 

Um dia marcante para o futebol mundial, assim a modos de um render da guarda de Bolas de Ouro, com Cristiano Ronaldo e Leonel Messi a estenderem a passadeira aos seus sucessores. O mundo esperava um duelo Messi-Ronaldo mas vai ter de se contentar com um despique Mbappé-Cavani. E Neymar está à espreita...

Há aquela velha anedota do homem que reiteradamente se queixava a Deus da falta de sorte, por nunca ganhar o Euromilhões. Um dia, o Senhor, cansado, respondeu-lhe, pedindo-lhe para jogar. É que sem jogar, não se pode ganhar. Mesmo jogando pouco, ainda assim Portugal ganhou o Euro(milhões). Hoje, mesmo com mais posse de bola, faltaram soluções de jogo interior, combinações e apoios frontais e Deus premiou um homem e o seu sofrimento: Oscar Tabarez. Fez-se justiça. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bernardo Silva

 

 

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Perguntem ao Queiroz (o "elbow")

A partida disputava-se em Saransk, na Mordóvia, região russa que Gerard Depardieu escolheu para residir, trocando o imposto para ricos em França (75%) por uns meros 13%.

 

Fernando Santos é um homem justo, um meritocrata e, por isso, lançou Quaresma e André Silva de início, em detrimento de Bernardo e Guedes que têm passado ao lado deste Mundial. Portugal começou bem, a circular a bola com rapidez. Ronaldo lançou-se em velocidade entre três adversários e rematou com perigo. Pouco tempo depois, João Mário mostrou que a sua relação com o golo é semelhante à que um gato tem com a água.

 

Após esta entrada forte, o jogo tornou-se previsível. A equipa lusa voltou à lentidão de processos a meio campo que nos vem habituando. A excepção era Adrien, que ia ligando os sectores e criando alguma dinâmica. Numa dessas acções tabelou magistralmente, de calcanhar, com Quaresma e a defesa iraniana estendeu o tapete (persa) para a trivela do Mustang. Bola no ângulo superior esquerdo. Um golo magistral!

 

Na segunda parte, Portugal regressou a dominar as operações mas com pouca profundidade no seu jogo. Após uma penetração na área de Ronaldo, o VAR entrou em cena pela primeira vez. Penálti! Cristiano partiu para a bola e, para espanto de todos, mostrou que é humano. Aliás, o craque português não esteve feliz no jogo como se lhe faltasse uma concorrência do outro lado que o motivasse para ir mais longe.

 

Os iranianos nunca baixaram os braços, mas infelizmente Ronaldo e Cedric também não. Penso que o árbitro "trocou as voltas": à primeira, salvamo-nos de perder o nosso capitão e melhor jogador (segunda decisão do VAR); à segunda, penálti, forçado, contra (terceira decisão do VAR) e golo do Irão. Festa breve dos persas pois, quase em simultâneo, a Espanha empataria contra Marrocos, voltando a pôr os os pupilos de Queiroz fora do Mundial. Nos últimos minutos, os iranianos ainda podiam ter ganho mas o remate acertou na malha...lateral, apurando-se assim os portugueses para os oitavos-de-final, onde defrontarão o Uruguai, Sábado, em Sochi, no Mar Negro.  

 

Em conferência de imprensa, Carlos Queiroz mostrou ainda haver sequelas do episódio "perguntem ao Queiroz", da África do Sul. Queixou-se de que só 3 jogadores portugueses o cumprimentaram e usou mil e uma vezes, numa longa narrativa, a expressão "elbow", referindo-se ao lance que envolveu Cristiano Ronaldo. A mim, soou-me a dor de cotovelo...

 

Adrien e Pepe foram os nossos melhores jogadores. Ricardo Quaresma foi o génio da lâmpada que soltou a magia esta noite na Mordóvia. Os restantes não deslumbraram, embora se registe a melhoria de Raphael Guerreiro. As entradas de Bernardo e de Moutinho foram mais para arrefecer o jogo. Guedes mal aqueceu, sequer.

 

O juíz, paraguaio, mostrou fraca personalidade.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Adrien Silva

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - A estrelinha de Santos

Muita reza deverá ter feito D. Fernando, o infante Santo(s) da lusa nação, que nunca viu a equipa por si liderada libertar-se da masmorra táctica engendrada pelos mouros comandados por Hervé Renard. Sem bola, Portugal foi para uma batalha com as pantufas de João Mário contra uns magrebinos armados até aos dentes. Nesse sentido, não foi surpreendente para ninguém assistir às constantes invasões marroquinas, que privilegiaram flanquear os portugueses pelo seu lado esquerdo, onde o nosso Guerreiro (Raphael) sentiu o poder das garras de um adversário com o diabo no corpo (Amrabat).

 

Enquanto o jogo foi jogo e não foi guerra, Portugal dominou. Assim, e para não variar, voltámos a marcar cedo. Ronaldo (quem mais?) compareceu a uma assistência de Moutinho (o melhor luso) e concretizou um "penalty" de cabeça. Pouco tempo depois, correspondendo a um passe de Raphael Guerreiro, CR7 rematou rente ao poste. O problema é que o domínio da equipa das quinas só duraria uns 10 minutos...

 

A partir daí, os avanços marroquinos seriam uma constante. Aos 11 minutos, Rui Patrício defendeu um cabeceamento perigoso e, logo depois, foi o eminente Moutinho a salvar um golo iminente. Até ao intervalo, a equipa liderada por Renard tomou conta do meio campo e Amrabat colocou a cabeça de Guerreiro a andar à roda, perfurando uma e outra vez e centrando com intenção maldosa. A excepção à regra foi um passe açucarado de Cristiano para Guedes, isolado, que se perdeu por falta de eficácia do valenciano.

 

Para a segunda parte, voltámos com os mesmos jogadores, apenas com umas "nuances" de troca de posicionamento entre João Mário e Gonçalo Guedes. O 4-4-2 luso não funcionava e Guedes, João Mário e Bernardo Silva eram totalmente inoperantes. Assim, após uma defesa salvadora de Rui Patrício, Fernando Santos tentou alterar algo, colocando Gelson (saiu Bernardo) na ala direita e alterando o esquema para um 4-3-3 ou, mais concretamente, um 4-2-3-1. Nada de significativo se alterou até porque o jovem da Formação do Sporting nunca conseguiu ter espaço para aplicar a sua velocidade. Em conformidade, o treinador português voltou a mexer, desta vez fazendo entrar Bruno Fernandes para o lugar de um desinspiradíssimo e pouco combativo João Mário. Mais uma vez, não resultaria. Desde os 70 minutos, os magrebinos instalar-se-iam nas imediações da baliza de Rui Patrício, em sucessivas vagas de ataque, e de lá não sairiam praticamente até ao fim do jogo. Adrien ainda refrescaria o miolo, substituindo o esgotado Moutinho, um homem que se entregou à luta sem vacilar.

 

Em resumo, mais uma exibição descolorida da selecção nacional. Hoje valeu a atenção e reflexos de Rui Patrício, a combatividade de Moutinho e o habitual engodo pelo golo de Cristiano Ronaldo. E, claro, a já lendária estrelinha da sorte de Fernando Santos, a qual se sobrepôs à existente na bandeira marroquina. Destaques ainda para Cedric, bem melhor a defender que Guerreiro e para Fonte, mais esclarecido que Pepe. William tentou arrumar a casa, ganhando e perdendo bolas a meio campo.

 

Triunfo muito lisonjeiro para Portugal que tem agora quatro pontos, fruto de uma vitória e de um empate, bastando uma igualdade frente ao Irão para a tão desejada qualificação para os Oitavos-de-final. 2 jogos, 4 golos marcados, todos "by CR7". Precisamos de mais, de muito mais. Temos capacidade de sofrimento mas está a faltar a magia dos desequilibradores. Sem eles, não teremos condições de ir muito mais longe. É que Ronaldo é excelente, mas nem sempre pode valer por três...

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Moutinho

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Ronaldo unlimited

Estava o jogo na sua alvorada e já Cristiano Ronaldo "comia" Nacho(s) como aperitivo para o que viria a seguir. Finta, falta, penálti e primeiro golo. De seguida, servido por Bruno Fernandes, CR7 assistiu auspiciosamente Gonçalo Guedes mas ao valenciano faltou espontaneidade. Portugal era mais perigoso mas a Espanha marcou numa jogada atípica, que foi uma traição ao seu tiki taka: lançamento longo para Diego Costa e este, sozinho contra três defesas, conseguiu empatar.

 

Os "nuestros hermanos" ficaram por cima do jogo e Portugal não mais conseguiu atinar com o passe/repasse espanhol. Acontece que o futebol é imprevisível e após um remate forte de Cristiano, De Gea abriu a capoeira, permitindo aos lusos irem para o intervalo na frente. 

 

No segundo tempo intensificou-se a pressão espanhola. Os portugueses defenderam um livre como se fossem uma equipa dos regionais e de uma forma simples a Espanha chegaria a nova igualdade. Quase de seguida, os comandados de Fernando Santos mostraram falta de intensidade defensiva, desperdiçaram duas/três oportunidades de aliviarem a bola das imediações da sua área e esta sobrou para Nacho que marcou um golaço. 

 

Subitamente, estávamos pela primeira vez em desvantagem no marcador e a Espanha parecia uma Armada Invencível. Mas, o nosso Francis Drake, o capitão Cristiano Ronaldo não dorme em serviço. O madeirense ganhou uma falta à entrada da área e ele próprio a converteu, aplicando um remate potente com a parte de dentro do seu pé direito que contornou sublimemente a barreira espanhola e entrou junto ao ângulo superior da baliza espanhola. De Gea, colocado do outro lado, permaneceu imóvel, olhando, qual controlador aéreo. O mundo inteiro pôs as mãos na cabeça, Florentino Perez colocou as mãos na carteira. É que tudo leva a crer que este "hat-trick" lhe vai sair muito caro.

 

E assim terminaria um jogo em que, se a Espanha foi como o ferro (Hierro, em castelhano), Ronaldo foi como o aço.

 

Portugal revelou desinspiração na frente (Guedes e Bernardo), falta de intensidade no miolo (William e Moutinho) e fragilidade na zona central (Pepe e Fonte). É justo dizer que hoje (ou quase sempre?) Cristiano foi o salvador da pátria.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Cristiano Ronaldo

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Uma Laranja amarga

Vêr a bola rolando sobre a relva num jogo da Selecção é natural, o que não é natural é vêr Rolando sobre a relva a jogar à bola pela Selecção. Mas não foi só o marselhês que esteve mal, visto que ao seu lado a Fonte secou. Acrescente-se a presença de André Gomes como trinco, de um ainda pouco rodado Adrien no centro do campo e de um(a) Cancelo(a) sempre aberto(a) às investidas holandesas e já não haveria seguradora que pudesse cobrir o risco de acidente. 

 

Portugal, ao contrário do que costuma ser a nossa atitude contra a Holanda, decidiu tentar assumir as despesas da partida, mas com as linhas muito distantes entre si acabou por facilitar o invulgarmente cínico jogo holandês, permitindo transições cirúrgicas donde resultaram três golos sofridos na primeira parte.

 

A segunda parte foi um pouco melhor, mas os golos de Ronaldo não apareceram, as trivelas de Quaresma continuaram no balneário e, para piorar a situação, do outro lado esteve um inspiradíssimo Jasper Cillessen a manter a sua baliza inviolável. Paradoxalmente, os melhores jogadores da nossa Selecção foram os que jogam em Portugal: Gelson Martins, incansável a fazer todo o corredor pós-expulsão de Cancelo, foi de longe o melhor e Bruno Fernandes tentou remar contra a maré. Nota positiva também para São Patrício que não sofreu qualquer golo  nesta dupla jornada helvética...

 

Derrota importante para recentrar os pés na terra e perceber que temos um longo trabalho pela frente. A defesa, nomeadamente a sua zona central, preocupa e muito. Volta Pepe!!! E, já agora, talvez não seja mal pensado o regresso de Éder. Embora falhe golos a 2 metros da baliza como André Silva, pelo menos tem a meia distância. E é talismâ! 

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Hoje giro eu - Campeões da Europa!!!

Portugal é CAMPEÃO DA EUROPA de futsal!!!

 

Num "remake" quase perfeito da final do Euro 2016 de futebol, o nosso melhor jogador (Ricardinho) lesionou-se, mas a cerca de 1 minuto do fim do prolongamento surgiu o golo da vitória (3-2). O nosso 1º campeonato europeu.

 

PORTUGAL!!!

 

Um pequeno GRANDE país é, simultaneamente, campeão da Europa em futebol e futsal. Parabéns a todos e, em especial, aos NOSSOS André Sousa, Pedro Cary, João Matos e Pany Varela.

 

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"Fogo amigo" sobre Cristiano Ronaldo

 

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Dizem-me que as "redes sociais" cá do burgo se encheram nas últimas horas de tugas indignados a disparar sarcasmos em diversos tons contra Cristiano Ronaldo, ontem eleito pela quinta vez melhor profissional de futebol do mundo. Preferiam talvez o argentino Messi, como se o nosso compatriota não tivesse conquistado só neste último ano a Liga dos Campeões, o campeonato espanhol e o Mundial de clubes, além de ter integrado a selecção portuguesa que subiu ao pódio da Taça das Confederações.

É sina nossa: quando alguém cá nascido e aqui criado se destaca, erguendo-se acima da mediania, logo sente os conterrâneos a crivá-lo de "fogo amigo", com palavras quase tão mortíferas como punhais. A inveja é uma espécie de passatempo nacional exercido com prodigalidade. E quanto mais alto está o alvo, mais se enfurece a legião de detractores.

Uma das críticas recorrentes a Cristiano Ronaldo, no vespeiro das redes, relaciona-se com o idioma: acusam-no de ter um domínio insuficiente do português. Tomaram muitos destes anónimos internautas que o apontam de dedo em riste - analfabetos funcionais - exprimirem-se tão bem não apenas na nossa língua mas também em inglês e castelhano, como se expressa o mais célebre n.º 7 do futebol à escala planetária.

Por mim, gostaria de ver muitos dos nossos políticos, que mal chegam a Badajoz desatam logo a palrar "estrangeiro", comunicar em português perante plateias internacionais como Ronaldo fez na gala da FIFA, recorrendo com orgulho ao idioma de Camões com o mundo a escutá-lo. Senti-me orgulhoso enquanto compatriota. E senti também orgulho pelo miúdo pobre do Funchal que subiu a pulso no desporto e na vida, à custa de muito talento, muito esforço e muito brio. Dando autênticas lições de tenacidade a milhões de meninos pobres que sonham conseguir o mesmo nos mais diversos recantos do planeta.

Tento imaginar os adeptos argentinos a torcer por Ronaldo enquanto lançam impropérios a Messi. Não consigo: esta é uma originalidade cá do torrão, nada transmissível. Padecemos de endémica alergia ao mérito enquanto prestamos tributo recorrente à mediocridade mais rasteira. Se existe sintoma do nosso atraso estrutural, no capítulo das mentalidades, é precisamente este. Que nos tem levado, geração após geração, a marcar golos consecutivos na própria baliza.

 

Texto publicado originalmente aqui

Entre Marcelo e o Barbas

Para o fanatismo lampiónico, o facto de Portugal ter conquistado o Campeonato da Europa e qualificar-se para a Taça das Confederações - tudo pela primeira vez na história mais que centenária do nosso futebol - é uma "novela". Basta consultar as caixas de comentários deste blogue para se confirmar isso.
Estes lampiões mal conseguem esconder a azia, que aliás se compreende: viram a selecção nacional subir ao pódio europeu, a 10 de Julho, sem um só jogador encarnado no onze titular...
Por aqui se vê o "portuguesismo" desta gente. Cega pela clubite, põe a agremiação à frente do País. Entre o Barbas e o Presidente da República, representante máximo dos portugueses, eles preferem abraçar o Barbas.

Fazer a diferença também nisto

Uma diferença que não vi ser muito acentuada no jogo que disputámos sábado passado: de um lado, o do Sporting, a equipa entrou em campo com sete titulares portugueses; do outro, o da equipa insular, o onze inicial incluía sete brasileiros. Até no comando técnico das duas equipas esta diferença era notória: treinador português no Sporting e brasileiro no Marítimo.

A revolução tranquila que tem vindo a processar-se no Sporting também passa por isto: prioridade ao mérito e à competência dos profissionais portugueses. Tanto a treinar como a jogar. Porque é possível e desejável, também no futebol, confiar nos valores nacionais. Queremos fazer a diferença igualmente neste plano. Não por acaso, fomos o clube que contribuiu com mais profissionais dos seus quadros para a conquista do recente campeonato que inscreveu o nome de Portugal na nobre galeria dos campeões da Europa.

Os trunfos da guerra psicológica

Desculpem insistir, mas, quanto mais penso na noite mágica de 10 de Julho de 2016, mais fico convencida de que muito daquele jogo se jogou fora do campo.

 

A final do Euro 2016 teve dois momentos decisivos, que Portugal, com uma perspicácia incrível, soube aproveitar em seu favor. O primeiro foi a entrada dura de Payet, que lesionou Ronaldo, um rude golpe para a equipa e para todos nós, que tanto sonhávamos com o triunfo. E, ironia do destino, foi mesmo aí que ele começou! Fernando Santos e Ronaldo souberam virar o feitiço contra o feiticeiro. A partir do momento em que o nosso capitão deixou o campo numa maca, desfeito em lágrimas, Portugal tomou conta do estádio de Saint Denis. Uma nuvem de mau agoiro passou a pairar em cima dos franceses, muitos se devem ter perguntando se tinham ido longe demais, naquela estratégia combinada de antemão (talvez com o árbitro). E tiveram mais dificuldades em superar o sentimento de culpa, do que os portugueses em compensar o golpe.

 

Quem pode imaginar o que se passou nos balneários portugueses, durante o intervalo? Não sou mosca, nem tenho qualidades de vidente, mas arrisco dizer o seguinte:

Ronaldo não estava, afinal, seriamente lesionado. Não seria lógico que ele assistisse à segunda parte do encontro no banco dos suplentes? Não o fez! Porquê? Porque, em conjunto com Fernando Santos, disse aos colegas: segurem o jogo, o mais importante é não sofrer golos, enquanto se desgastam os franceses e se força o prolongamento; nessa altura, Ronaldo aparecerá.

 

Durante a segunda parte, todos se perguntavam onde estaria Ronaldo, imaginando os cenários mais pessimistas. Sim, o comentador alemão da ARD, que nunca morreu de amores por ele, perguntava-se onde estaria, se já teria ido para o hospital… E lamentava não ter informações.

 

Quase no final dos regulamentares 90 minutos, aquela bola ao poste dos franceses dançou sobre a linha, mas não entrou - a confirmação de que, desta vez, a sorte estava do nosso lado. E, acabado o jogo, Ronaldo fez a sua entrada triunfal, de joelho ligado, mas pelo próprio pé!

 

A fénix renascia das cinzas, o segundo momento decisivo da noite! Nunca me esquecerei da surpresa que senti, quando as câmaras o mostraram. Ele e Fernando Santos davam o segundo golpe naquela guerra psicológica. E os franceses acabaram por capitular. Na segunda parte do prolongamento, foram eles que começaram a rezar pelos penáltis, não nós! Éder, o herói, teve sangue-frio, teve pontaria… Depois de ludibriar a defesa abananada de uma equipa de rastos.

 

Na sua guerra psicológica, Fernando Santos e Ronaldo correram muitos riscos. Mas o que tinham a perder?

 

Jogaram os trunfos certos, nos momentos certos. Tudo é psicologia, nesta vida.

Felizmente, há sempre quem tenha a cabeça no lugar...

Como os colaboradores e os leitores deste blogue já sabem, este Euro não tem sido fácil para mim, em terras germânicas. Uma campanha contra Portugal, por parte dos media alemães, que quase se pode apelidar de difamatória, cai como faísca em seara seca num país que, apesar de adorar as praias portuguesas, nunca gostou de Ronaldo, vá-se lá saber porquê.

 

Por isso mesmo, é com muito gosto que venho hoje aqui afirmar que há quem reme contra a maré. Porque, afinal, e como também já disse, eu gosto de viver na Alemanha.

 

Através de uma nossa colega de blogue, a Helena Ferro de Gouveia, tomei contacto com dois artigos do site da Stern que, para utilizar uma expressão alemã (adaptada a Português), "expuseram aquilo que me vai na alma".

 

Num deles, assinado por Tim Sohr, e mais focado na prestação da nossa equipa, rebate-se a ideia de que o futebol português carece de qualidade, elogiando as diferentes táticas: contra a Croácia, desgastar o adversário com uma defesa eficiente e dar o golpe perto do final; contra a Polónia, aguentar-se até à marcação de penáltis e ganhar; contra Gales, fazer valer a receita centro-cabeçada-golo. Mais simples e eficiente não há.

 

Tim Sohr acrescenta ainda que o 3-3 contra a Hungria, ainda na fase de grupos, persiste, até ao momento, como o jogo mais espetacular deste Euro.

 

Um outro artigo, de autoria de Finn Rütten, centra-se em Ronaldo, não encontrando razão para tanta má-língua. Aliás, Finn Rütten mostra-se apreensivo com o ódio que encontra nas redes sociais, perguntando: como se pode dizer odiar alguém, sem nunca sequer se ter falado com essa pessoa? E afinal, qual é o problema com Ronaldo? Com três golos e duas assistências, ele é, sem dúvida, um dos melhores jogadores deste Euro.

 

Finn Rütten chama ainda a atenção para as qualidades humanitárias do nosso melhor jogador (dando alguns exemplos, como o de dar sangue regularmente, ou pagar operações a crianças necessitadas) e, se admite que Ronaldo seja vaidoso, ou mesmo convencido, com gestos escusados em campo, pergunta porque é que os alemães, por outro lado, acham tanta piada ao sueco Zlatan Ibrahimovitch, que se deve ter banhado num pote de vaidade quando era criança.

 

Na Alemanha, como em todo o lado, há gente estúpida e gente inteligente; gente que vê e gente que não quer ver.

Assustador continua o facto de ser tão fácil manipular a opinião pública...

A final

Confesso que nunca pensei que Portugal estivesse em Saint-Denis este domingo, a disputar o título europeu, pela segunda vez, em doze anos. Mas está e a felicidade dos adeptos portugueses já está garantida. Temos ambição de conquistar mais do que o segundo lugar. Ambição aumentada pela pressão que os franceses fazem nos seus media (Pepe e Ronaldo atores ou o futebol nojento) e pelo seu chauvinismo (a vitória estará garantida).

 

A França é uma boa equipa, jogou bom futebol nos últimos dois jogos (não esquecer jogos maus com Roménia, Albânia, Suíça e Rep. Irlanda, potências muito superiores a Islândia, Austria, Hungria ou Croácia) e não tendo nenhum Zidane tem no seu seio bons jogadores como Pogba, Matuidi, Payet ou Griezmann (sabiam que tem um avô português - Amaro Lopes - que jogou no Paços de Ferreira?). Dito isto, não me parece que seja impossível de vencer. Vejamos o possível onze.

 

LLoris (Tottenham) mostrou ontem os seus predicados com defesas que pareciam impossíveis. É um guarda-redes maduro e de grande classe. Na defesa, Sagna (City) e Evra (Juventus) são veteranos mas têm, até aqui, mostrado muita resistência física e grande qualidade de jogo, sendo dos melhores franceses na prova. Ainda assim, o pouco descanso das meias para a final pode se decisivo. No centro, onde já não estavam Mathieu (Barcelona), Zouma (Chelsea) e Varane (Real Madrid) antes do Euro, deixou de estar Rami (Sevilha). A dupla tem sido Umtiti (Lyon, já prometido ao Barcelona) e Koscielny (Arsenal), pilar do setor. Ronaldo poderá aproveitar a pouca experiencia de Umtiti que apesar da qualidade vai apenas a caminho da terceira internacionalização.

 

No meio, Deschamps apostou primeiramente num trio – Kanté (Leiscester), Matuidi (PSG) e Pogba (Juventus) mas nas últimas duas partidas retirou o primeiro e colocou Sissoko (Newcastle) defende bem (era médio defensivo no Toulouse) mas também ataca (tornou-se num quase extremo na Premier League).

 

Na frente está o perigo maior. Giroud (Arsenal) não é nenhum Benzema mas cumpre perfeitamente (a França foi campeã do mundo tendo “cepos” bem piores como Guivarc´h ou Dugarry). Nas alas, Payet, que explodiu para o futebol mundial no West Ham este ano, aos 28 anos e é um perigo na marcação de livres e pela sua velocidade e, claro, Griezmann, o pequeno avançado móvel do Atlético de Madrid que começou mal a prova (suplente no segundo jogo), leva já seis golos e está a dar sequencia à grande época que fez em França. Com Martial (United) encostado pelo selecionador, Coman (Bayern) e Gignac (Tigres) são as armas atacantes que podem sair do banco.

 

Do nosso lado, aposta na continuidade. Patrício na baliza. Cédric, Pepe (espera-se), Fonte e Raphael na defesa. No meio, Danilo esteve muito bem mas William deve regressar. João Mário, Adrien Silva e João Moutinho devem ser o meio-campo (acredito que Sanches não será titular, devendo Santos apostar numa opção mais conservadora num jogo de tantos nervos). Nani e Ronaldo, não avançados que levam três golos cada um, serão os titulares. Sanches e Quaresma são as armas prontas a entrar em campo.

A vaca do Fernando

Soa por aí à boca cheia que Fernando Santos levou uma vaca para França.

Suja, apelidaram-na logo os franceses, chauvinistas como só eles.

Hoje demos conta da existência de outra, que já se tinha insinuado até, a que Deschamps tem trazido pela trela.

Ao contrário da vaca de Fernando Santos, esta vaca, para disfarçar o cheiro a bosta, vem embalada em Chanel, n.º 5.

Vaca, mas bem cheirosa.

Puta fina!

À laia de comparação

Não sou perita em futebol, por isso, costumo deixar as análises para os meus colegas de blogue que entendem muito mais disso. Porém, gostava de deixar aqui algumas notas sobre o percurso da nossa seleção neste Euro, fazendo ainda uma pequena comparação com os alemães (que, neste caso, ainda me estão atravessados).

 

Sim, a fase de grupos não foi famosa. Mas as regras eram claras: um terceiro lugar dava boas hipóteses de passar aos oitavos. Vencer todos os jogos, alcançando o número máximo de pontos, era mais bonito? Era. Mas não levávamos nenhuma taça para casa por tal proeza.

 

Tivemos de ir ao prolongamento no jogo contra a Croácia e passámos aos quartos sem ter ganho um único jogo nos regulamentares 90 minutos. E depois? O Quaresma marcou um verdadeiro "Golden Goal", já perto do fim, não dando à Croácia hipótese de conseguir o empate. É preciso mais eficácia?

 

Contra a Polónia, mais um empate que até teve de ser clarificado por penaltis. Pelo menos, não precisámos mais do que os cinco regulamentares, todos os jogadores escalados para os marcarem cumpriram a sua missão. Ao contrário dos alemães! Contra a Itália, houve três prestigiados jogadores alemães que falharam a sua grande penalidade: Müller, Schweinsteger e Özil. Ninguém fala disso, neste país. E, no entanto, quando o Ronaldo falhou o penalti contra a Áustria, todos se riram dele!

 

Estamos na final. Sem medo, por favor, seja qual for o adversário!

 

Força Portugal!

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