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És a nossa Fé!

Pinto "Egas Moniz" da Costa, Aio

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Ai o carago!

Terá sido esta a exclamação de Pinto da Costa quando soube que uma das suas muitas trafulhices fora descoberta.

A melhor solução quando somos apanhados em falta, quando descobrem as merdas que fazemos, é pedirmos desculpa, pedirmos perdão.

O exemplo que vem à memória é o episódio de Egas Moniz (cf. com canto III dos Lusíadas, estrofes 35-40).

Espero que Pinto da Costa venha até ao Museu do Sporting com a camisola amarela e o título de 2018, acompanhado pelas esposas Filomena, Carolina, Fernanda (provavelmente estou a esquecer-me de alguma), todos vestidos de branco, descalços e com uma corda ao pescoço, entregar os símbolos desse triunfo?

Não.

Não peço tanto, peço que Pinto da Costa peça desculpas ao Sporting, pois ao contrário daquilo que "O Jogo" titulou ontem, na primeira página, a culpa não foi de Alarcón, foi da organização corrupta e trafulha que, justiça lhe seja feita, Bruno de Carvalho denunciou na altura.

Esperemos, então, pelo pedido de desculpas institucional do senhor Pinto da Costa ao doutor Frederico Varandas.

Sobre este assunto ler o postal de AntónioF, especialmente, o comentário do ex-ciclista dos Leões do Nabão, Edmundo Gonçalves.

A sair do armário

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Considero que aos 56 anos chegou o momento de me libertar, de me assumir tal qual sou, de finalmente ter a coragem de "sair do armário". Até hoje sempre proclamei, em público mas também, e quantas vezes, apenas para mim próprio, face ao ecrã feito espelho, que quando o F. C. Porto joga sempre torço para que perca. Seja contra qualquer clube, nacional ou estrangeiro. Excepto, claro, se o seu adversário for o inominável SLB. Minha posição oficial, minha página de missal, minha pessoa e "persona" para todos, para mim mesmo. Sempre negando quem isso pusesse em dúvida, sempre ripostando ferino a quem me criticasse a postura. 

Ontem mais uma vez isso vivi. Contra a bela "velha Senhora", do nosso amado Cristiano Ronaldo, surgiu o tétrico Porto, sob uma presidência que há 40 anos manipula o futebol nacional - e com tantos danos para o Sporting mas também com custos para a cultura nacional, na perversão desse culto do "vale tudo". Com um arrogante e ríspido treinador, irritante de soberba azeda. Com um feixe de jogadores medianos e de irascível comportamento, como o patético filho-família dos escarros, ou  o ressabiado Sérgio Oliveira do tão recente mau fígado naquilo da invectiva ao "empate com sabor a Champions" aos nossos jogadores. Que fossem eliminados, e que levassem 5 ou  6 se possível, foi o meu sincero desejo e prognóstico. Com um tricórnio do nosso CR7, para ser ainda mais saboroso.

E depois, neste camarote sofá, lá me encontrei a exclamar, veemente, "penálti!!!" quando o nosso desperdício Demiral abalroou aquele qualquer sempre-aldrabão avançado andrade. E cuspindo impropérios ao árbitro e sua ascendência, holandeses claro (dessa gente sempre ressentida após a Batalha de Nuremberga), quando expulsou o tipo do Irão, "que nunca o faria se fosse um Chiesa ou outro assim". Para culminar no esganiçado e bem audível "Gooooolo!!!!" aquando daquilo do chuto do Sérgio Oliveira - sim, esse mesmo, o pateta do "empate com saber a Champions". E, já em pé, para a frente e para trás, cigarro trémulo, nos  últimos segundos, clamando "gatuno, está na hora", diante do olhar espantado da companhia teleespectadora, ouvindo resmungos "f...-se, saíste-nos um nacionalista...". "Não, é por causa dos pontos do ranking de clubes", ainda me tentei justificar, manter a pose. Mas não, tenho que me assumir tal qual vou sendo.

Enfim, ainda que esta Juventus não seja áurea, grande jogo, grande Porto o de ontem. E, já agora, e porque em momento de difíceis confissões: fabuloso Pepe, aos 38 anos ainda por cima. Se já fora o melhor jogador do (nosso) campeonato europeu de 2016, se tem sido a base das excelentes campanhas da selecção, agora ainda mais brilha neste seu nada ocaso. É o melhor central da história do futebol português. Mesmo melhor do que ... Humberto Coelho.

Azia? Anti-ácido!

Um tal de Oliveira, que leva um ror de golos à conta de penaltis manhosos, foi hoje o porta-voz da equipa do Porto. Se calhar porque não lhe calhou o tal penalti da ordem (às vezes dois), o chavalo estava chateado na flasheinterviu. Que ganhámos a champions e o carago, dizia ele com sotáque du nuorte, mas esquecendo-se que a única oportunidade de golo foi nossa, do Sporting. E a seguir veio o Ceição, que pelo seu desejo, à hora a que escrevo isto, ainda o jogo durava... "Que fomos melhores, que merecemos ganhar, que o Soares Dias deveria estar no campo e não em Oeiras, que o jogo deveria ter mais meia hora pelo menos"... Tenham tino cuaralho, vocêses, sem o penaltezinho da orde, num valem a ponta dum corno!

Como eu disse em postal anterior, cara a cara num são hómes pra nós, cralhes!

Por sorte, são apenas três pontos

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São apenas três pontos, os que iremos disputar no próximo sábado no Porto.

Quer isto dizer que se o jogo nos correr mal, apesar de tudo só perderemos três pontos.

Não haverá penalti que marquem a favor deles que dê mais do que isso. E como sabemos que para o lado deles os penaltis caem que nem figos maduros, com estrondo; À pála deles, dos penaltis, têm pelo menos 16 pontos a mais no seu pecúlio, conforme podem ver na imagem que o Ricardo Roque desencantou não sei onde e que demonstra bem a importância dos penaltis para o lugar que ocupam na classificação. E isto chorando baba e ranho de que têm sido prejudicados. Olha, se têm sido beneficiados, onde é que já não iriam. Vai daí até teriam mais pontos do que os vinte jogos disputados dariam...

Atrevendo-me a meter foice em seara alheia, eu aconselharia Amorim a dar gás ao meu amigo Jorge Vital para que o Adán não fizesse mais nada até sexta à noite que não treinar a defesa de penaltis.

Porque, como diz o povo, só se for à falsa fé, porque cara-a-cara, não têm jogo para nós. E se não ficaram ontem a 12, ficarão a 13! Ou a 10, ou a 7. Estarão longe, de qualquer forma. Só dependerá da banca dos chocolates e da fruta.

E nós dependemos apenas de nós próprios, trilhando o nosso caminho, step by step...

Um treinador à Porto

Mais uma vez ontem o treinador do Porto foi expulso, mais uma vez justificaram a perda de pontos com a arbitragem, mais uma vez tiveram um penalti mais que duvidoso assinalado. Esta forma de estar naquele clube não é nova. Todos sabemos, uns por que o viveram, outros pelos registos que ficaram, a forma como este clube conseguiu conquistar a grande maioria dos troféus que expõe no seu museu. A táctica sempre consistiu no que se vê, a ameaça, a vitimização, a coacção a todos os árbitros. Para quem comanda o Porto desde a década de 80 do século passado, vale tudo, mesmo tudo para ganhar. Que se lixe a ética, que se lixe o desportivismo e a seriedade. O actual treinador do Porto é a imagem perfeita desta forma de estar, agressivo, conflituoso, mal educado, sem qualquer respeito pelos outros clubes, pelos jogadores e treinadores. Nunca tem a culpa de nada, há sempre uma teoria da conspiração que o impede de ganhar. Quando perde um jogo foi por culpa do sistema que está contra o seu clube, quando ganha foi apenas pelo seu mérito. O ódio que transparece no seu olhar ameaçador revela-nos uma pessoa agressiva, sem respeito por quem o rodeia. Era assim como jogador, é assim como treinador.

Encaixa na perfeição no adn daquele clube.

Godinhices

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O título deste post podia ser mais uma vez "Os filhos da puta", mas eles são tantos que desta vez vale a pena individualizar. O filho da puta de hoje foi um rapaz de nome Godinho e apelido Gatuno.

Mas não foi apenas ele, outros em Oeiras fizeram parte da pandilha que mais uma vez descaradamente nos roubou, uma pandilha que se intitula de VAR (Vamos Ali Roubar).

Esta jogada, a ser analisada correctamente, daria a possibilidade de o Sporting marcar, a expulsão do jogador que cometeu o penalti e a do treinador Sérgio Conceição, pelo "vai pó caralho, pá!" com o que isso poderia significar com toda uma segunda parte para jogar.

Ao contrário, o animal não só reverteu a decisão, como fingiu não ouvir a boca de Conceição. Mas ouviu um "vergonha" vindo do banco do Sporting, que atribuiu a Ruben Amorin, expulsando-o.

E eis como um filho da puta consegue em dois minutos esfrangalhar uma equipa e moralizar a outra.

Assim, vai ser muito difícil. Assim e receber um campeão europeu e não o meter de início na equipa, mas esses são outros quinhentos.

Ainda não acabou

Vamos ser realistas. A derrota de ontem no Porto, apesar de amarga como todas as derrotas, pode considerar-se normal. Jogámos com uma equipa de um outro campeonato, aspirante ao título e até resistimos mais que outras equipas que connosco rivalizam por um lugar na Liga Europa. Também é verdade que outras que lutam para não descer, deram muito mais trabalho ao FCPorto, mas isso é normalmente atípico, os jogadores terem brio e vontade de ganhar. Os nossos ontem tiveram essa enorme vontade de ganhar durante... um minuto, curiosamente o primeiro.

Temos a triste sina de jogar sempre com menos um (às vezes contra 14 o que agrava mais as coisas). Ontem o que costuma desiquilibrar esteve ao nível do jogo anterior e terá ficado nos Carvalhos, não fosse algum andrade louco nas festividades da conquista do título sarapintar-lhe o cabelo de louro. Ah, já tem? Desculpa, Jovane...

E damos por nós, todos, a desejar que o Braga perca seja lá com quem porque é, hoje por hoje, o nosso maior "inimigo".

Claro que isto não é apenas culpa de Frederico Varandas, as coisas já têm anos, o espírito conformista tão característico do sportinguista que se traveste no "perder ou ganhar é desporto", demonstrando depois uma superioridade moral que sendo real e que nos deve orgulhar, não chega para ganhar campeonatos, que é o que nos faz a todos entusiasmar. 

Não começa em Frederico Varandas, mas terá que acabar com Frederico Varandas! Não fisicamente, que aqui não se fazem linchamentos populares, mas acabar com a presidência de Frederico Varandas é imperioso! Deixemo-nos de paninhos quentes, quem não conseguiu fazer nada de jeito, antes pelo contrário e conduziu o clube para um ponto de onde muito dificilmente retornará a breve prazo (temos que ir-nos preparando para esta dura realidade), vendendo todas as jóias da coroa e contratando nulidades, paus de sebo e até, coisa nunca vista, um fantasma, dificilmente arrepiará caminho e fará melhor. E até pode ter vontade, mas já demonstrou que é incompetente para o exercício do cargo! Urge, enquanto não descemos a linha que já é ténue entre nós e Braga e Rio Ave e... Famalicão e Guimarães, que refletamos bem no que queremos para o clube: A continuação de Frederico Varandas e do valete (ou ás de trunfo!) Rogério Alves (os outros pouco contam, apesar de Zenha perceber de excel), ou que venha alguém preparado para o desafio, com conhecimento na área de gestão empresarial, que tenha noções do que é básico no jogo e nos seus meandros e que se saiba rodear de gente capaz, honesta e empenhada, de modo a manter o clube e a SAD financeiramente viáveis e em consequência disso que construa uma equipe que nos orgulhe? E que ganhe!

Temos hoje um grupo de miúdos muito promissores, alguns emprestados que deverão obrigatoriamente regressar, mas iremos confiar em Frederico Varandas e Hugo Viana para irem ao mercado à procura da qualidade e experiência que terá que complementar esta juventude? Não, por mim, definitivamente não! Lá diz o povo e com toda a razão, que quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita.

Batemos esta época vários recordes negativos e ontem lá apareceu mais um: O maior número de derrotas numa só época. E ainda nos falta ir à Luz. Ainda não acabou o pesadelo.

 

Estamos nisto sozinhos?

Hoje o Sporting perdeu. Jogou o suficiente para não perder mas perdeu. É a dura realidade. Acabamos esta jornada de volta ao quarto lugar, a dezasseis pontos do primeiro lugar e a doze do segundo. Não faz sentido atirar a toalha ao chão mas também não faz sentido andar a fazer sugar coating.

Para mim, a grande derrota da noite não foi em campo. Foi no momento imediatamente a seguir. Alex Telles devia ter sido expulso ainda na primeira parte. Nem falta Jorge Sousa assinalou. E nós nem um piu. Silêncio, calados, resignados, vergados.

 

Eu, como outros Sportinguistas, não preciso que a direção critique a arbitragem para saber se foi boa ou má. Mas, depois de um fim-de-semana onde há um penalty não assinalado de Rúben Dias e uma expulsão perdoada a Alex Telles, é deprimente ver Sportinguistas a dar o peito, olhar para trás e não ver ninguém. É deprimente perceber que não exigimos que nos respeitem.

Eu acredito que esta direção ainda pode dar muitas alegrias ao Sporting. Mas não é aceitável que não exija o respeito dos restantes stakeholders do futebol português. Termos Sportinguistas lixados (com F) com isto e ver a direção calada é pior que um murro no estômago. É uma chapada da dura realidade. Estamos nisto sozinhos?

Jogar como nunca

Perder como sempre.

E até não jogaram mal a maior parte do tempo, apesar de sofrerem o primeiro como uns passarinhos (não fui eu que disse, foi o Silas!). Conseguiram empatar e poderiam ter enviado o FCPorto para o Dragão com o bornal cheio, mas como tantas e tantas vezes já assistimos em Alvalade, falharam-se golos cantados atrás de golos cantados e numa cavadela sem aparente importância, o Porto encontrou a minhoca e levou os três pontos para a Invicta.

Diz o Silas que não se importa de perder assim (ou o Ferro, já não sei bem) e então para resolver a coisa, entendeu que segurar o melhor jogador em campo (Acuña) na defesa esquerda e Bruno Fernandes (?) na defesa direita seria uma forma excelente de fazer jus a esta máxima. E aqueles que poderiam pelo menos levar a equipa ao empate, passaram a ser uns empatas. Bravo, Silas!

Freak show

Aterro em Lisboa por volta das 18 horas de sábado, vindo de umas retemperadoras férias, e preparo-me para ver confortavelmente em casa o jogo da consolidação da liderança do Sporting no campeonato. Afinal, não foi bem assim. Em contrapartida, tive o privilégio de assistir a mais um momento de pioneirismo sportinguista: parece que o Sporting é o primeiro clube na história da Primeira Liga a sofrer três golos de penálti marcados por um visitante e o primeiro dos grandes a sofrer três golos de penálti, em casa ou fora. Parabéns Sporting! Chupem Benfica e Porto! Este é um recorde que nunca baterão.

Enfim, uma pessoa sente-se logo em casa. Mas faltava ainda mais qualquer coisa para completar o quadro: no dia seguinte, começo a ver o Porto-Guimarães. Felizmente, pude ir fazer outra coisa qualquer ao fim de 50 segundos, quando o árbitro decidiu expulsar um jogador do Guimarães. Se não é outro lance pioneiro, para lá caminha. Quase no fim do jogo, volto a ligar a televisão e vejo o Guimarães com dois jogadores expulsos e o Porto a ganhar apenas por 1-0. Pois, o Sporting não joga nada, mas pelos vistos o Porto também não parece grande coisa. A diferença talvez não esteja na qualidade de jogo.

Para terminar o agradável regresso ao lar, logo a seguir dizem-me que o Benfica aplicou mais uma das habituais cabazadas ao proclamado "quarto Grande" do futebol português. Bem-vindo a casa, Luciano! Deleita-te com o freak show do futebol pátrio.

A estranha anatomia dos jogadores de futebol

Começo por dizer que não vi futebol este fim-de-semana, senão uns poucos minutos ao longe do Sporting vs Setubal, os golos do Boavista vs Benfica, e a repetição do penalti a favor do Porto no jogo com os Belenenses, que foi no mínimo polémico. A minha análise a este lance, tem que ser precedida por uma declaração de interesse: se fosse um jogador do Setúbal a protagonizar aquele lance, para mim seria penalti claro, ponto final parágrafo. Assim, não posso ter uma segunda opinião em relação a este lance e tenho que considerar que o VAR esteve bem. 

O que está mal e tem que ser rapidamente alterado é a regra da "mão". Não se pretende contrariar Paulo Bento ("andebol, mão; futebol, pé), mas há que de uma vez por todas definir critérios (a estória da intenção ou intensidade também não pega). Na jogada de ontem, por exemplo, o jogador de Belém estava em impulsão, de costas para a bola e efectivamente cortou a bola com o braço. Já o afirmei, à luz das actuais regras, parece-me penalti. Eu sou do tempo em que um não era apenas um não, mas também de que uma "mão" era apenas "A" mão, era apenas penalizada a acção intencional de cortar a bola com a mão. a "MÃO", não o pedaço de osso, músculo e tendões e veias e artérias e o diabo a sete que a prendem ao ombro. Ao penalizar o corte com o braço, principalmente quando o jogador está em impulsão (experimentem lá saltar com os braços encostados ao corpo para ver o que vos acontece), o International Board prejudicou o espectáculo e prestou o futebol a interpretações casuísticas e nalguns casos a la carte, com cada árbitro a interpretar a coisa conforme o seu sentimento em relação à regra.

Se a FIFA vai alterando as regras em função da obtenção do golo, o sal do jogo, deve ser apoiada; Mas terá que haver algum cuidado nessa alteração, porque corre-se o risco de no futuro, assim como que arremedando a teoria evolucionista de Darwin, os filhos dos jogadores de futebol, que hoje já têm mão até ao ombro tornando-lhes o uso do braço desnecessário, corre-se o risco, dizia, de os filhos dos jogadores irem progressivamente aparentando-se com pinguins e eu acho que o futebol não teria tanta piada. Lembram-se dum jogo de tabuleiro, chamado salvo erro Subbuteo? Seria um pouco pior, basta imaginar.

Hoje giro eu - Que a bola comece a rolar

Arranca o campeonato, temporada 2018/19, e com ele a análise aos principais favoritos:

  1. O Porto é uma nação, cujos alicerces estão assentes nas chuteiras dos jogadores de futebol do clube mais representativo da cidade. De pitões de alumínio, que até ao pescoço é canela e a alma portista voltou a ser a cola que une as peças todas. Como tal, parte à frente;
  2. No Benfica, Rui Vitória é o Arquimedes do futebol português. Versão melhorada. A sua máxima é "dêem-me três pontos de apoio (um pode não ser suficiente) e eu levantarei o `caneco`". A ter sempre em atenção, mesmo com o VAR;
  3. O Sporting parte como `underdog`. Poderá vir a melhorar com o decurso da competição, mas precisa ultrapassar o "complexo de vira-lata", como um dia classificou o genial Nelson Rodrigues a actuação do escrete brasileiro nas Copas do Mundo até 1958. Mais do que "ladrar", é preciso começar a "morder";
  4. Debaixo de água, no que toca à luta pelo título, mas ainda assim a respirar por um(a) Palhinha está o outro Sporting. O de Braga. A verdadeira razão pela qual o Sporting desistiu da sua equipa B. Abel, Ricardo Esgaio, Wilson Eduardo e... Palhinha estão aí para o provar.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O (J)amor nos tempos de cólera

De um lado estava uma Altice equipa, do outro uma equipa a precisar de desatar alguns NOS, mas o destino do jogo teve dois momentos reveladores logo no seu início. Primeiro, Battaglia perseguiu uma bola ombro-a-ombro com Brahimi e abafou-o. De seguida, Acuña rodou como um discóbolo sobre Maxi Pereira, ganhou a bola e viu o seu adversário sair projectado uns bons 3 metros. Dois argentinos do Sporting, dois dos vários sul-americanos em evidência na equipa leonina. 

 

Presságios à parte, o primeiro tempo foi um joguinho. O Porto sufocou de pressão o coração (meio campo) da construção leonina. Com todas as artérias por onde se poderia escoar o futebol do Sporting bloqueadas, o cérebro (Bruno Fernandes) não teve oxigénio para pensar o jogo, o que afectou a motricidade colectiva. Ainda assim, coube aos leões a melhor oportunidade: mesmo com o ar rarefeito, Gelson conseguiu conjugar um pique com a ginga que tem naquele corpo de dançarino e deixou Alex Telles a pedir multa por excesso de velocidade; de seguida, o ala leonino decidiu bem, colocando a bola no sítio certo, na pequena área, mas o lance perder-se-ia perante a complacência de um insolitamente amorfo Dost.

 

A segunda parte já foi um jogo. O Sporting agarrou a partida pelos colarinhos e foi pressionando a equipa portista. Tal intensificar-se-ia após Jorge Jesus ter mexido na equipa, primeiro acidentalmente - fazendo entrar Ristovski por lesão de Piccini - , depois decisivamente, trocando Fábio Coentrão por Montero. Pressentindo a fraqueza do adversário, vendo a presa ali à mercê, o treinador leonino colocou novos desafios à defesa portista. Entretanto, o nosso Exterminador Implacável desparasitava os vírus e bactérias com que outrora a equipa do Dragão contaminara o nosso meio campo, arranjando ainda tempo para combinar com Gelson dentro da área portista ou subir mais alto, após um canto, possibilitando o remate vitorioso, com o pé direito, a Coates. E só não foi ainda mais longe, porque Jorge Sousa lembrou-se de vêr uma falta - após uma recuperação de bola no último terço portista - onde só houve o ímpeto de um homem empenhado em trazer justiça ao povo de Alvalade. Exterminador Implacável, Homem do Bombo ou, simplesmente, Batman, ele é nosso, ele é Rodrigo Battaglia.

 

A partida foi para prolongamento e este foi um jogão. Na primeira metade, o Sporting desperdiçou 3 boas oportunidades, por Gelson, Montero e Bruno Fernandes. Na segunda, Doumbia - acabado de ser lançado em campo, por troca com Dost - foi à procura da fortuna, mas o MÁXImo que conseguiu foi encontrar um mealheiro na cabeça do defesa uruguaio do FC Porto. Entrámos então na "lotaria" das grandes penalidades e os nossos jogadores mostraram uma concentração e pontaria fantásticas, qualificando-se assim para a final do Jamor.

 

No Sporting, destaque para as excelentes exibições de Sebastián Coates - decisivo no desarme sobre Soares, oportuno no golo que empatou a eliminatória e exemplar no penálti marcado (ai Jesus, que sofrimento quando o vi partir para a bola...) - , Marcus Acuña (incontáveis as vezes que percorreu, acima e abaixo o seu corredor) e Rodrigo Battaglia (o melhor que se pode dizer dele é que na sua área de acção a relva não cresce). Muito bem, também, Mathieu, o super intenso Ristovski (que pulmão!!) e Gelson. "Monteiro" (marcou o penálti decisivo com a frieza de um cirurgião, noutro lance, deixou Alex Telles nas urgências de nefrologia e ameaça tornar-se no maior carrasco de Sérgio Conceição em Taças de Portugal), Bryan Ruiz (bom jogo) e Bruno Fernandes (com o corpo a pedir cama e os pulmões uma máscara de oxigénio, foi melhorando durante a partida) também foram decisivos, marcando de forma irrepreensível os seus castigos máximos. Num jogo para homens de barba rija, a nossa equipa nunca se desorientou perante o ímpeto contrário e, tal como Cassius Clay, soube ir dançando com o adversário, desgastando-o até lhe aplicar a estocada fatal. Não deu para k.o., mas ganhámos na decisão por pontos. Está de parabéns, Jorge Jesus.

 

Num tempo de cólera no futebol português, esta vitória do Sporting é o triunfo do enorme amor que os seus adeptos têm pelo jogo e pelo clube, que vai passando de geração para geração, enchendo bancadas ao longo dos anos, independentemente da escassez de títulos e das razões que todos sabemos a justificam. Ontem, jogámos como SEMPRE e ganhámos como NUNCA. Uma força bem viva e indestrutível! Vivó SPORTING !!! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates, Rodrigo Battaglia e Marcus Acuña(*)

 

#savingprivateryan

 

(*) após muita ponderação, hesitação e sono, não consegui desatar o nó, pelo que excepcionalmente atribuí o título de melhor em campo a este trio de sul-americanos.

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Hoje giro eu - Sporting, o mais indisciplinado (!?)

Analisando os 27 jogos disputados até agora dos 3 grandes concluimos que o Sporting é o clube cujos jogadores mais vezes foram contemplados com a cartolina amarela. Assim, a equipa leonina já viu 55 amarelos, contra 49 do Porto e 43 do Benfica. Ao contrário dos seus concorrentes, o factor casa não parece ser decisivo nas admoestações, pois os leões viram 25 amarelos e 2 vermelhos em Alvalade, enquanto o Benfica, na Luz, tem 17 amarelos e nenhum vermelho e o Porto, no Dragão, foi contemplado com apenas 15 amarelos (sem vermelhos).

 

Outro pormenor que não deixará de causar algum espanto tem a ver com os jogos disputados fora de casa. Nos jogos fora, o Sporting é o único dos grandes que teve mais cartões amarelos atribuidos aos seus jogadores do que aqueles que os seus adversários averbaram. Assim, nas 13 partidas disputadas, os sportinguistas foram admoestados com o cartão amarelo por 30 vezes contra apenas 28 vezes dos seus adversários conjunturais (1-1 em vermelhos), ao passo que o "score" benfiquista é de 26-29 (1-4 em vermelhos) e o do Porto é de 34-39 (3-2 em vermelhos).

 

Os números globais dos jogos de cada um dos 3 grandes, no que respeita aos "amarelos", são estes: Sporting 55-66 (3-2 em vermelhos), Benfica 43-59 (1-7 em vermelhos), Porto 49-70 (3-4 em vermelhos). Não deixa de ser curioso que uma equipa que vem sendo acusada de ser pouco intensa sofra tantas infrações disciplinares. Por comparação, os jogos do Benfica parecem amigáveis, sendo a equipa encarnada a que menos cartões sofre e os seus adversários aqueles que menos vezes são admoestados (com excepção dos cartões vermelhos). Os adversários do Sporting têm um rácio de vermelhos/total de cartões de 2,9%, ao passo que o rácio dos adversários do Porto é de 5,4% e o dos adversários do Benfica é de 10,6%. O Porto é o clube com maior diferença favorável entre cartões amarelos e a maior diferença favorável no total de cartões (nesta última, empatado com o Benfica, com 22). O Sporting tem só mais 10 cartões atribuidos aos seus adversários do que aos seus jogadores.

 

Haverá alguma razão para a equipa leonina ser, destacada, aquela que viu mais cartões lhe serem atribuidos? E que justificação existirá para a disparidade face aos seus concorrentes no que diz respeito à diferença entre os cartões vistos e aqueles atribuidos aos seus adversários?

O que é que os nossos Leitores/Comentadores pensam disto?

Assim não vale

Este campeonato vai ficar marcado por dois episódios caricatos, no mínimo: a cena na bancada do Estoril, seguida de invasão do relvado por parte de uma claque telecomandada; e o atraso de um guarda redes para um determinado jogador marcar. Há coisas que não mudam e a regulação do futebol português é uma delas.

 

Hoje à noite temos que ser superiores a tudo isto e vencer o Rio Ave sem margem para quaisquer dúvidas.

Sustentabilidade - as Contas dos 3 Grandes

Infelizmente, só ontem consegui analisar os Relatórios&Contas, referentes ao semestre terminado a 31 de Dezembro de 2017, dos 3 Grandes, publicados no pretérito 28 de Fevereiro. Aqui ficam algumas notas, bem como uma tabela comparativa de rúbricas relevantes:

 

No combinado entre investimento e custos com o pessoal, o Sporting foi o clube que mais "despendeu" no período compreendido entre 30 de Junho de 2017 e 31 de Dezembro de 2017. No entanto, e antes que soem as trombetas, é preciso explicar esse(s) valor(es). Assim, o Sporting parece estar apenas a tentar recuperar a "décalage" que tem para os seus competidores. Nesse sentido, analisando as Contas dos 3 clubes, verificamos que o valor bruto do plantel do Benfica é de 222M€ - a que corresponde uma amortização acumulada de 114M€ e uma amortização+imparidades no exercício de 19,6M€ - , o do FC Porto é de 179,7M€ - a que corresponde uma amortização acumulada de 86,4M€ e uma amortização+imparidades no exercício de 17,6M€ - e o do Sporting Clube de Portugal é de 97,7M€, a que corresponde uma amortização acumulada de 31,8M€ e uma amortização+imparidades de 11,4M€ no exercício semestral findo a 31/12/2017, este último um valor consideravelmente mais baixo do que o dos seus concorrentes, o que na comparação melhora a sua Demonstração de Resultados. Importa explicar que a compra de um jogador é considerada um investimento. Como tal, afecta apenas a Demonstração de Resultados através da rúbrica de amortizações, sendo este um valor anual que corresponde ao valor de aquisição dividido pelo número de anos de contrato de cada jogador.

 

Um ponto que tem sido de alguma discórdia, relacionado com o Factoring a que o Sporting tem recorrido, como forma de antecipação de futuras receitas de DireitosTV (acordo NOS), mostra que este número reduziu-se para 22M€. Como comparação, o FC Porto tem uma dívida com o Factoring de 66,3M€. O Benfica não tem Factoring(*), mas tem um programa de Papel Comercial (financiamento de curto-prazo), em vigor, no valor de 56,9M€.

 

Expurgando dos Resultados, as vendas de jogadores (Proveitos Extraordinários), verificamos que o Sporting seria o clube com o melhor Resultado antes de impostos, no valor de -15,8M€. O Benfica perderia 20,8M€ e o FC Porto teria um resultado negativo de 28,7M€. Em resumo, todos os clubes são deficitários na sua exploração e necessitam de vender activos intangíveis (jogadores) para equilibrarem as suas contas. 

 

O investimento global do Sporting nesta época desportiva de 17/18 foi até agora de 63,7M€, dos quais 26,8M€ (aquisições de Bruno Fernandes, Doumbia, Battaglia, Piccini e Mattheus) entraram ainda nas contas semestrais referentes a 30 de Junho de 2017. No período a que se refere o R&C em análise, houve um investimento de 21M€, em jogadores (Acuña, Mathieu, Ristovski e outros). Já posteriormente a este período, os números correspondentes às aquisições do mercado de Inverno (entrarão no R&C semestral a 30/6/2018)- envolvendo os jogadores Ruben Ribeiro, Wendel, Misic, Montero e Lumor - foram de 15,9M€ (informação privilegiada enviada à CMVM em 12 Fev 2018 - mais um bom exemplo de transparência e boas práticas de gestão), colocando o investimento total efectuado na época desportiva de 17/18 nos 63,7M€ (inclui comissões e encargos), o valor mais elevado de sempre do clube.

 

Vale a pena, também, abordar o tema da liquidez, algo tantas vezes apontado como o "calcanhar de Aquiles" do Sporting: olhando para os números inscritos no Activo, na rúbrica de Caixa, verificamos que o Sporting tem um valor de 12,8M€ (dos quais 5,1M€ numa conta restrita para pagamento de VMOCs), o Benfica de 4,7M€ e o Porto de 12,1M€.

 

Em termos de Passivo, todos os clubes reduziram o seu endividamento, sendo que o Benfica, na medida do desinvestimento que fez esta época desportiva, foi o que abateu mais dívida, no caso 52,9M€. Segue-se o Sporting, com uma redução de 40,4M€ e o Porto, que cortou apenas 7,3M€. No entanto, o Sporting foi o que reduziu mais a dívida bancária, no montante de 16,8M€ (adicionalmente, as provisões cairam 9,6M€ e a dívida a Fornecedores desceu 12,9M€) . O Benfica apenas reduziu este item em 7,9M€ e o Porto em apenas 1,6M€.

 

Em termos do Activo, este diminuiu em todos os clubes. No Sporting, 29,5M€; no Benfica, 33M€ e no Porto, 31,3M€. No Sporting, destacam-se os abatimentos na rúbrica Clientes - dívidas de outros clubes - , essencialmente devido aos pagamentos de 20M€, pelo Inter de Milão (João Mário), e de 8,5M€, pelo Villareal (Ruben Semedo). Na rúbrica "outros Activos correntes", onde constavam os 17,1M€ retidos pela Uefa, 11M€ foram pagos à Doyen, sendo os restantes 6,1M€ restituidos ao clube.

 

O Volume de Negócios (PO+PE) do Sporting foi de 81,6M€, enquanto o do Benfica foi de 109,6M€ e o do Porto foi de 70,8M€. Por outro lado, em termos de Fornecimentos e Serviços Externos (FSE), o Sporting gasta sensivelmente metade do que Benfica e Porto despendem, o que tem consequências positivas, comparativamente falando, nos Resultados Liquidos da Sociedade e, em termos gerais, nos seus Resultados Operacionais.

 

Será de prever, dado o afastamento dos 3 clubes da Champions, que os resultados de todos piorem substancialmente no 2º Semestre (os Resultados Operacionais descerão por certo), devendo tal ser colmatado com mais vendas de jogadores. Sublinhe-se, no entanto, que o Sporting ainda terá os proveitos inerentes a estar na Liga Europa, pese embora essas receitas sejam bastante inferiores às da Champions a não ser que o clube chegue à final da competição, facto que lhe garantiria mais cerca de 10M€.

 

Em resumo, não me parece que o Sporting fique a perder na comparação com qualquer dos seus concorrentes, antes pelo contrário, não justificando de todo o apodo de ter "descoberto um poço de petróleo", que me parece ter sido dado por quem não soube (ou não quis) fazer o trabalho de casa. A operação de conversão de dívida bancária em VMOCs, no valor de 127,9M€ e as melhorias substanciais do Volume de Negócios criaram condições que viabilizaram um maior investimento. No entanto, uma eventual não presença do clube na Champions do próximo ano obrigará certamente a refrear futuros investimentos e aconselhará alguma redução nos Custos com Pessoal, apesar de entrar em vigor o novo contrato com a NOS, que nos fará crescer na rúbrica de Proveitos Ordinários. Relembro que, nas duas primeiras épocas de Bruno de Carvalho, este valor (Custos com Pessoal) estava em 25M€ e, projectando o valor semestral para o ano, agora triplica. Por outro lado, não deixa de ser extraordinário que o clube em 3/4 anos tenha criado este tipo de condições. 

 

Uma última nota para, uma vez mais, enaltecer a elaboração do R&C do Sporting, o qual na minha opinião continua a ter um nível de detalhe superior aos do Benfica e Porto, constituindo uma muito boa prática que merece aqui ser destacada.

  contas.png

 Legenda: (valores em milhões de euros-M€) 

PO=Proveitos Operacionais; VPS=Vendas de Produtos e Serviços; OPO=Outros Proveitos Operacionais; FSE=Fornecimentos e Serviços Externos; CP=Custos com Pessoal; RO=Resultados Operacionais; PE-COM=Proveitos Operacionais menos Comissões e encargos; RL=Resultados Liquidos; Div Banc.=Dívida Bancária; Div Obrig=Dívida Obrigacionista; Inv=Investimento; K próprio=Capitais Próprios

 

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