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És a nossa Fé!

Palhaço, javardo, imbecil

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Francisco Seixas da Costa, reconhecido adepto do Sporting, acaba de ser condenado por ter escrito em 2019, numa rede social, um vocábulo visando o treinador do FC Porto. Sérgio Conceição sentiu-se difamado, tendo accionado um processo contra o embaixador para efeitos de reparação na justiça civil. 

A condenação foi tornada pública no Tribunal do Portoque deu como provado o delito de difamação agravada, condenando agora o antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus a uma reparação ao técnico portista em forma de multa. 

 

Tomo conhecimento da notícia com preocupação. Por concluir que configura um recuo da liberdade de expressão em Portugal.

À luz da lógica perfilhada pela juíza do Porto, vários textos já publicados neste blogue estariam eventualmente sujeitos a condenação: o técnico que se sentiu difamado por Seixas da Costa já terá sido aqui contemplado com expressões tão ou mais duras.

E o que dizer do presidente da Câmara Municipal da Cidade Invicta, Rui Moreira, que sendo em simultâneo membro do Conselho Superior do FC Porto, brindou há poucos dias um jornalista da Sport TV com a elegantíssima expressão «perfeito imbecil»?

Será mais benigna do que «javardo»?

 

A sentença que condena Seixas da Costa não transitou em julgado: seguirá para apreciação em recurso. Onde - estou convicto - vai imperar a jurisprudência que vigora, em larga medida, nos nossos tribunais.

Recordo que em Maio de 2013 um notório adepto portista, Miguel Sousa Tavares, chamou «palhaço» a Cavaco Silva, à época Presidente da República. Fê-lo em afirmação reproduzida em letras garrafais, na manchete dum jornal diário. Dias depois deixou claro que não tencionava pedir desculpa por tal frase.

O processo nem chegou a prosseguir: foi arquivado à nascença pelo Ministério Público.

 

Há também jurisprudência estabelecida neste domínio no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Que tem sancionado o Estado português por sentenças judiciais que vêm comprimindo a liberdade de expressão entre nós. Foi o que se verificou aquiaqui, aqui e aqui - só a título de exemplo.

Tudo isto, que ultrapassa em larga medida a questão clubística ou o universo do futebol, justifica atenção. Pela minha parte, assim o farei. Fica prometido.

"Nunca entrarei no balneário!"

Esta frase foi publicada na edição de "Record" do dia 27 de Outubro de 2018.

Foi cumprida até ontem, vindo uma carrada de anos depois dar razão ao inefável Pimenta Machado, que dizia que "no futebol, o que hoje é mentira, amanhã é verdade".

Nada contra, mas terei algumas dúvidas se Ruben Amorim terá gostado da visita.

Aliás, não sendo, como sabe quem me lê, adepto das teorias da conspiração, parece-me que o que se está a preparar é um esticar de corda com o treinador, com o objectivo de o colocar num grande da Europa. No Benfica, o lugar está ocupado, os adeptos dessoutra teoria conspirativa podem estar descansados.

Algumas vozes já me segredaram o nome do "barbas" Espírito Santo, para render Amorim.

Não sei. O que sei é que a paciência tem limites e parece-me que o jovem treinador está a ficar de saco cheio.

O presidente foi ao balneário depois de uma dorrota copiosa no terreno de um directo competidor. O balneário é grande, com paredes grossas, não se terão ouvido gritos, nem consta que tenha havido.

A mosca que enviei ao Porto mandou-me um telegrama (eu sou antigo...) cujo teor transcrevo na íntegra: "pres stop baln stop ning stop entendeu stop q stop disse stop Não gritou stop culpa Matheus stop e herança pesada stop".

O presidente, ou alguém mandatado por ele, deveria explicar-nos por que carga de água temos um excelente ponta de lança inscrito pela equipa B. A mosca não me deu conta de o tema ter sido abordado naquela visita que supostamente nunca existiria.

Já algumas más línguas dizem que o senhor foi ao balneário para salvaguardar o telemóvel, apenas. Eu cá, se não fosse o telegrama da enviada especial mosca, tenderia a crer nesta versão...

Bom, pelo menos publicamente o treinador não "escoicinhou" como o mestre da táctica, o que não quer dizer que não tenha ficado agastado.

Aguardam-se cenas dos próximos capítulos.

 

O discurso de Varandas

Texto de Sol Carvalho

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O discurso de Varandas foi lido. Logo tem de se assumir que foi algo pensado e não “a quente”. Não acredito que não tenham sido medidas eventuais consequências, nomeadamente as legais.

O discurso de Varandas foi feito quando já se sabia o resultados das competições máximas do futebol. Logo não pode ser acusado de uma qualquer manobra para o jogo seguinte...

O discurso de Varandas é uma pedra no charco na intoxicação que os média fazem aos cidadãos nesta altura do ano atirando-lhes lama e mais lama de boatos e jogadas de empresários sobre o “mercado”.

O discurso despertou imediatamente um coro de comentários dos doutos cronistas alinhando 1) na ideia de que o discurso não alimentava a “pacificação” mas sim “o incêndio”; 2) Que PdC não deve ser criticado por ser o presidente mais titulado de Portugal.

 

Se bem percebo, o argumento defende que é preferivel uma paz podre a uma tentativa de limpeza da podridão. Será? Os mesmo que criticam “o causador de incêndios” afirmam e reafirmam que a violência, a corrupção, as lavagens de dinheiro e a cobertura do crime têm de ser banidas, mas depois, quando chega o momento da acção, já defendem que o melhor é parar e não “criar ondas”. Belo exercicio de coerência!

Mas digam-me ainda: Se não é para denunciar e promover a acção de limpeza agora é para quando?

 

Salazar tambem esteve no poder 40 anos. Então não o deveríamos criticar por isso?

Sobre a democracia, o comentador portista Rudolfo foi claro: «Ai daquele adepto do FCP que cumprimentar Varandas.» O implícito está claro: «Vai levar porrada!» Ora, isso diz tudo sobre os métodos democráticos que usa a actual direcção do Porto.

E depois, Lance Amostrang não deve ser criticado porque ganhou seis Voltas à França, apesar do doping? E a descida de divisão na Itália? E o Bernardo Tapie em França? Foram campeões e por isso não são corruptos ou são corruptos e por isso foram campeões?

 

Duas notas ainda.

Há muitos sportinguistas que apoiam o discurso mas não acreditam na mudança. Discordo e digo. A mentalidade de aceitação do «sou pobre e honesto mas não vale a pena lutar» é cancerosa...

No Porto houve, há e haverá, seguramente, jogadores, treinadores, dirigentes e técnicos que honraram a camisola, a cidade e o clube, que são genuínos portistas e esse têm de saber que não existe nem pode existir qualquer problema em serem respeitados pelos sportinguistas que se revêem na integridade defendida no discurso de Varandas. Por isso desacordo profundamente em muito adjectivos aqui usados para minimizar a instituição ou a cidade e/ou a paixão portista.

Importa claramente separar as águas.

Mas que estamos na presença de um momento histórico, disso não tenho dúvidas.

 

Texto de Sol Carvalho, publicado originalmente aqui.

40 anos disto

Futebol Clube do Porto prepara-se para ser campeão nacional de futebol. Basta-lhe conquistar 1 ponto em 6 possíveis. Mesmo não pontuando no estádio do Benfica, na última jornada recebe o Estoril Praia, clube amigo e que está a meio da tabela, com a situação resolvida.

Foi um campeonato a recordar os velhos tempos do reinado de Pinto da Costa, que tinha sido interrompido pelo Benfica de Luís Filipe Vieira, seu herdeiro e sucessor, caído em desgraça por causa dos seus “negócios” na sua vida profissional. Ao contrário de Pinto da Costa, o ex-líder do Benfica cometeu o erro de continuar a ser proprietário de um vasto conjunto de empresas, para poder alardear em público que não ganhava um cêntimo do clube a que presidia. Mais tarde todos soubemos que afinal ganhou e não foi pouco. Mas com a queda de Luís Filipe Vieira, Pinto da Costa pôde retomar os velhos hábitos do Porto, na forma como alcançou a grande maioria dos seus títulos.

Jaime Pacheco, antiga glória do Porto e uma personagem do mundo do futebol luso, veio esta semana definir sem rodeios a forma como se deve estar no futebol. Se queres ganhar não podes ter ética no que fazes. A ética não ganha títulos. Preto no branco, Jaime Pacheco definiu o seu clube.

O triste espetáculo a que assistimos todas as semanas nos jogos do Porto não é mais que a confirmação do que disse Jaime Pacheco. Agressões, ameaças, confrontos, provocações. Ganham porque são piores. Ganham porque não respeitam o adversário. Ganham porque incentivam e promovem a ameaça a árbitros e dirigentes. O comportamento e forma de estar do seu treinador e do inenarrável Luís Gonçalves, este último administrador do clube, são o espelho do clube. Não há nenhuma linha que não se passe. Se preciso for, agride-se verbal e fisicamente. É este o Futebol Clube do Porto. Pinto da Costa comemora este ano 40 anos de presidência do clube. Está a chegar ao final o seu reinado e a sua herança é esta. Agressões, ameaças, confrontos. Para este dirigente vale tudo, mesmo tudo para ganhar, porque no fim, pensa ele, só contam as vitórias e os troféus conquistados.

Engana-se.

O Futebol Clube do Porto de Pinto da Costa vai ficar na história como o clube da fruta, do café com leite, o clube do macaco, do apito dourado, das agressões, dentro e fora do estádio, do terror dos árbitros e das suas famílias, perseguidos por gangs apoiados pelo clube, das chantagens a outros clubes mais pequenos.

No fim de 40 anos o legado do pior dirigente que tivemos em Portugal vai ser este.

O Soares tem Dias

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Tem dias que prejudica o Sporting.

Tem dias que beneficia o Porto.

Tem dias que é declaradamente peça do polvo.

O título deste post poderia ser também "Se queres ter um bom amigo, dá-lhe porrada". 

Soares Dias ainda sente os calos apertados pelas festas que lhe fizeram num célebre treino e do que o Soares Dias tem preocupação todos os dias, é de que a montra, a sua e a da pastelaria, no final dos dias continue inviolável. Afinal ele lembra-se que anda por aí um que ficou sem dentes...

Tudo a bem da nação, que é como quem diz do clube que diz que é de uma cidade que é uma Nação.

E ainda há por aí quem acredite que eles vão perder pontos.

Esperem sentados.

 

Nota: Neste lance Soares Dias foi avisado pelo VAR de que o cartão a mostrar teria que ser mais escuro que amarelo. O senhor foi ver na televisão e achou que a integridade física do jogador do Boavista não foi molestada. Sabem porquê? Porque quando olhou para o ecran a primeira coisa que lhe veio à memória foi a imagem da montra e o macaco a arrear-lhe. A ele e à montra.

Bolsa de valores

Recebi há bocado por e-mail mais uma edição do jornal do clube. Já agora convém recordar, o mais antigo de todos os clubes em actividade.

Para não vos fazer perder muito tempo, transcrevo parte do editorial de Miguel Braga, director de comunicação do Sporting:

"Ficámos a saber que para o CD, um pontapé de Agustín Marchesín é menos grave que uma estalada de João Palhinha: o internacional argentino foi castigado com dois jogos, o internacional português com três (falhando por isso o confronto com o FC Porto para a Taça de Portugal). Este é o mesmo CD que castigou Uribe com apenas um jogo quando este agrediu violentamente Ricardo Esgaio com uma cabeçada no nariz. Ou seja, uma cabeçada violenta deu direito a um jogo de suspensão, um pontapé a dois jogos, já a estalada corresponde a três jogos (o triplo da cabeçada de Uribe digna de um filme de Steven Seagal).

O expedido CD também anunciou que Matheus Reis – o mesmo jogador que foi agredido por mais do que uma vez por elementos dos coletes azuis e cor de laranja – tem um processo disciplinar "por gesto incorrecto executado no decorrer do jogo, amplamente divulgado na comunicação social e que não foi relatado em relatórios oficiais". Certamente que o CD achou normal e recomendável o comportamento de Otávio que, em directo, insultou e desafiou consecutivamente Bruno Tabata para um duelo nos balneários. Recordemos também um jogo do ano passado, no mesmo estádio e com as mesmas equipas, quando este CD já estava em funções, e onde o filho do treinador do FC Porto cuspiu na direcção de Pedro Porro, insultando a mãe deste. Foi aberto processo? Não. Aliás, os nomes que se chamam aos familiares dos jogadores servem apenas para abrir processos aos jogadores do Sporting CP, Nuno Santos que o diga. O mesmo jogador que foi suspenso em tempo recorde por um gesto descrito em relatório que as imagens de jogo desmentem.

As imagens também desmentem de forma escandalosa o amarelo que vai retirar Sebastián Coates do próximo jogo com o Estoril. No mesmo lance, Taremi não só pisou de forma grosseira o central uruguaio, como conseguiu voar posteriormente, rebolando no chão cinco vezes sobre si próprio, tal era a dor provocada pelo pisão… que deu. A injustiça decorrente deste lance caricato e revoltante, que marcou o jogo e possivelmente este campeonato, e que foi amplamente divulgado na comunicação social, segundo este Conselho de Disciplina é para manter. Coerência, acima de tudo: que a verdade objectiva das imagens não se sobreponha a erros clamorosos dos homens do apito ou a descritivos subjectivos de um qualquer relatório".

Portanto, em resumo, na bolsa de valores do douto CD, as eminências pardas têm esta tabela:

Chapada - 3 jogos de suspensão (se o agressor for do Sporting Clube de Portugal);

Pontapé - 2 jogos de suspensão, castigo aplicado apenas se o prevaricador for suplente na sua equipa;

Cabeçada - 1 jogo de suspensão, apenas se partir o nariz ao adversário e se ele for jogador do Sporting.

Claro que se espera recurso desta canalhice toda seja para onde for.

Ou um dia destes um tiro nos cornos de alguma eminência parda, por parte de alguém que se sinta injustiçado.

Estão à rasquinha. Ou a mala devolvida...

O Famalicão é uma filial do fcporto. Nada contra, os grandes têm imensas filiais, foi assim no início dos tempos da bola.

Eu próprio fui presidente da direcção de um notável clube de bairro em Caneças que se chama Botafogo (Sociedade Recreativa Unidos ao Botafogo) que adoptou o nome porque os seus fundadores enviaram uma carta a grandes clubes solicitando equipamentos e apenas o Botafogo, lá do Brasil, respondeu afirmativamente enviando dois equipamentos completos e lá temos em Portugal uma filial do Botafogo de Futebol e Regatas. Provavelmente por lá haveria um dirigente nosso patrício com saudades da Pátria e tomou esse gesto bonito. A bem da verdade desportiva, o Botafogo de Caneças nunca fez qualquer favor dentro de campo ao Botafogo original, nem abusando do "doping" antes dos jogos contra os futuros adversários dos patronos, nem "baixando as calças" em jogos entre si. Seria impossível por duas ordens de razão: Primeira, porque os de cá nunca colocariam a honestidade acima de qualquer benfeitoria, nem por um contentor de equipamentos e os de lá suponho que não o exigiriam, já que foram tão desinteressados no início.

Ora em Portugal e com algumas filiais de alguns clubes que não vou nomear, mas que vestem de azul e de vermelho, vai sendo um forrobodó desgraçado. Ora dão o litro, como ontem uns rapazes de Vila Nova de Famalicão e tentam provocar mossa nos jogadores mais preponderantes do adversário, que a seguir vai jogar com a casa-mãe, ora baixam os calções de forma descarada, impúdica diria eu, quando jogam "contra" a sede.

Eu não sei o que levava a mala que enviaram com os equipamentos para o jogo de ontem, mas pelas reacções do Jóta no Twitter, desta vez uma filial vai ter que devolver os equipamentos, mala e restante conteúdo, mesmo suados que eles voaram que nem dragões, que a coisa, apesar do conseguido afastamento do melhor defesa direito a jogar em Portugal do jogo do próximo dia 11, não correu como estava combinado. O gajo do apito ainda colaborou, mas como defende o Jóta, já não teve cara para mandar repetir um penalti que só existiu na cabeça dele e do VAR e que à luz das recomendações, se repetido, seria mais um roubo de igreja.

Quem ainda recentemente foi tão descaradamente beneficiado no Estoril e no Jamor, quem joga em Faro, ou em Portimão, ou antes em Setúbal e com o coiso B-Sad e antes Os Belenenses como se jogasse sempre em casa, publicar um tweet com os defesas do Sporting dez centimetros dentro da área aquando da marcação dum penalti fantasma, só demonstra uma coisa: Estão acagaçados com o próximo jogo! E agora que ficaram sem o GR titular ainda mais acagaçados estão. Esta semana vai ser um fartote de "merda" nos jornais, nas televisões, nas redes sociais. Porque estão à rasquinha.

Não há fruta nem chocolatinhos que lhes valham, vão perder! E por saberem disso, começaram a disparar em todas as direcções. Sem problema, a gente tem um escudo forte, chamado... HONESTIDADE!

A culpa é do Sporting

Lembram-se de ouvirem as vozes histéricas clamando contra os festejos do título do Sporting a 11 de Maio?

Lembram-se dos adeptos do FC Porto - começando pelo presidente dessa agremiação - a disparar contra a "vergonha" dessas ruas e praças cheia de gente em alegre confraternização?

Lembram-se dos urubus da pantalha soltando gritinhos de aflição contra o "inevitável aumento de contágios" que esses festejos causariam?

Pois tomem lá esta série de lindos postais da Invicta com milhares de briosos cidadãos cumprindo galhardamente as normas sanitárias - distanciamento físico e máscara - neste fim de semana em que lá se disputou a final da Liga dos Campeões.

No fim de tudo, se os contágios dispararem, não se esqueçam de dizer que a culpa é do Sporting.

 

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O ódio do decano

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Desta vez Pinto da Costa esqueceu-se de usar a palavra "vergonha" para qualificar a rebaldaria anglófila no Porto e até motivou críticas expressas do Presidente da República.

As normas sanitárias foram lançadas às malvas, o "dever geral de recolhimento" foi atirado às urtigas e o "uso obrigatório de máscara" foi ignorado por completo pelos ingleses ululantes. Enquanto a polícia acorria às praias para fiscalizar... os portugueses.

 

O decano só emprega o tal vocábulo quando se refere a Lisboa.

Com o ódio que o caracteriza sempre que alude à capital portuguesa, como se estivesse a referir-se a uma cidade estrangeira. E com a duplicidade moral que todos lhe conhecemos.

«Tenho a certeza que tudo irá correr da melhor forma [final da Champions no Dragão com a presença de quase 20 mil ingleses]», dizia ele há dias, depois de lançar mais um escarro contra o Sporting. 

 

Estava redondamente enganado.

O País inteiro viu

E a Europa também.

Crime público

Eu era para ter ficado caladinho neste assunto do arraial de porrada aviado ao um reporter de imagem da TVI pelo Pinto da Costa (se não foi ele, pelo menos estava ao lado e não impediu, nem sequer por palavras), que outros colegas com mais veia já o fizeram.

Mas acabei de ler o comunicado do sindicato de jornalistas e a minha alma ficou parva. E pelo respeito que tenho pela missão e profissão do jornalista (sem género, para me não acusarem de discriminação sexista), os verdadeiros e isentos que os há por aí aos montes felizmente, não posso deixar de ficar inquieto.

Aquilo de ontem, como muito bem diz o sindicato dos jornalistas, é crime público. E então reclama o sindicato dos jornalistas que sendo crime público, deve o ministério da coisa pública agir em conformidade. Assim a modos que "aquele puto bateu-me, toma lá esta pedra e dá-lhe com ela nos cornos". Será que não haverá naquela direcção um jornalista especializado em legislação, justiça, tribunais, o diabo a sete? É que até a minha mãe, que ainda trata o juíz por Vossa Excelência Senhor Doutor Juíz e o conhece desde que o senhor tinha cueiros, sabe que um crime público significa que qualquer pessoa que tenha conhecimento e de preferência testemunho desse crime, pode acorrer junto de qualquer tribunal e dar dele notícia e consequente queixa.

Será que perante um acto de tamanha gravidade, o sindicato dos jornalistas vai esperar sentado pelo ministério público?

Algo vai muito podre, quando uma associação de classe, perante acto tão hediondo, se limita a um comunicadozinho da treta. Até parece que têm rabos de palha, ou devem favores a alguém.

Que diabo, até a TVI diz que vai proceder criminalmente contra os agressores, apesar do peso de gente do Porto na estrutura accionista recente na empresa que a detém.

Um dia depois das comemorações do Dia da Liberdade, o sindicato dos jornalistas, constituido outrora por gente sem medo e que inventava formas de contornar a censura e nos dar novas enfrentando o lápis azul, tem hoje medo de um clube de azul.

À atenção dos homens da profissão. Reflictam...

Rui Moreira

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São 40 anos disto. O historial das influências manipuladoras dos resultados desportivos nunca será completado, muitas esquecidas na voragem dos tempos, outras silenciadas, por falta de provas e de coragens. Modo de estar amparado por acólitos que tendiam a sovar jornalistas - ainda me recordo da impunidade com que, no Aveiro de 1988, foi agredido o grande jornalista Carlos Pinhão, aos seus 64 anos. E modo de estar catapultado pela inércia judicial e pela cumplicidade política, em particular autárquica - poucos ainda se lembrarão quando o presidente da câmara Fernando Gomes, encavalitado no clube, desceu a Lisboa arvorado em ministro e com sonhos de conquistar não o Jamor mas sim São Bento. Foi-lhe breve o enleio, logo tendo regressado, capachinho entre as pernas, para a administração do F.C. Porto entre outras sinecuras. 

Neste longo consulado de "Jorge Nuno", como o saúdam os apaniguados, o hábito de atiçar jagunços para espancar jornalistas seguiu algo viçoso nas suas duas primeiras décadas. Depois feneceu, pois a sucessão de triunfos internos desestruturou clubes rivais, amainou a competição. Nesse rumo mais favorável impôs-se a procura de respeitabilidade pública. E nisso o culto da "mística" do clube foi apelando cada vez mais a uma qualquer "alma" feita de arreganho desportivo, depurando-se da imagem de corsários em abordagem: a fleuma de Robson e a sua versão lusa, por isso algo mais arisca, em Santos, Jesualdo Ferreira, e mesmo no júnior Villas-Boas, foi-se sedimentando, apesar da alguma irascibilidade bem-sucedida de Pereira ou Mourinho.

É certo que a vigência de uma placidez - democrática - nunca foi absoluta, e que a vertigem provocatória e agressiva nunca desapareceu, com a própria conivência da imprensa. Lembro-me que há alguns anos um conhecido comentador televisivo atreito ao SLB foi "abanado" num restaurante portuense por um famigerado líder de claque portista. Como tantos deixei eco disso no meu mural de FB, lamentando o facto. De imediato recebi um bem-disposto comentário desvalorizando o abanão no sexagenário mediático, algo tipo "foi coisa pouca". Respondi-lhe, indignado, "como é possível que sendo V. o nº 1 da Lusa desvalorize uma situação destas em nome do seu clubismo?". Logo o arauto me insultou e cortou a ligação-FB. Lembro este "fait divers" para sublinhar isso da vontade agressora não residir apenas nos aprendizes de proxeneta medrados na Invicta, pois sempre seguiu robusta naquele mundo de "senhores doutores".

As décadas passaram. O natural ocaso do octogenário "Jorge Nuno" é este, o que agora acontece. O controlo do jogo algo se reduziu, devido à dança de poderes nos meandros nacionais mas também à introdução de tecnologias electrónicas na arbitragem. E nisso, no envelhecimento do prócere e no crescimento do imprevisto futebolístico, voltou-se ao culto do "pancadarismo". O rufia treinador, desde ontem cognominado "Sérgio Confusão", cujo histrionismo passa incólume, afirma-se como "imagem de marca" do clube ressuscitando a velha ideia da tal "mística" corsária. O que inclui, claro, o espancamento avulso de jornalistas - agora já não por obscuros seguranças de bordéis portuenses mas por "empresários" montados em carros de estatuto, uma óbvia gentrificação da escroqueria portista.

No meio de tudo isto, antigo exaltado porta-voz televisivo das manobras clubísticas e agora eleito figura-maior dos órgãos do clube - apesar da propalada actual renitência do poder político em associar-se aos mariolas do futebol -, qual putativo Delfim, flana Rui Moreira, o presidente da Câmara do Porto. De (quase) tudo soube, de tudo sabe, a tudo anui. E assim ... a tudo conspurca.

Pinto "Egas Moniz" da Costa, Aio

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Ai o carago!

Terá sido esta a exclamação de Pinto da Costa quando soube que uma das suas muitas trafulhices fora descoberta.

A melhor solução quando somos apanhados em falta, quando descobrem as merdas que fazemos, é pedirmos desculpa, pedirmos perdão.

O exemplo que vem à memória é o episódio de Egas Moniz (cf. com canto III dos Lusíadas, estrofes 35-40).

Espero que Pinto da Costa venha até ao Museu do Sporting com a camisola amarela e o título de 2018, acompanhado pelas esposas Filomena, Carolina, Fernanda (provavelmente estou a esquecer-me de alguma), todos vestidos de branco, descalços e com uma corda ao pescoço, entregar os símbolos desse triunfo?

Não.

Não peço tanto, peço que Pinto da Costa peça desculpas ao Sporting, pois ao contrário daquilo que "O Jogo" titulou ontem, na primeira página, a culpa não foi de Alarcón, foi da organização corrupta e trafulha que, justiça lhe seja feita, Bruno de Carvalho denunciou na altura.

Esperemos, então, pelo pedido de desculpas institucional do senhor Pinto da Costa ao doutor Frederico Varandas.

Sobre este assunto ler o postal de AntónioF, especialmente, o comentário do ex-ciclista dos Leões do Nabão, Edmundo Gonçalves.

A sair do armário

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Considero que aos 56 anos chegou o momento de me libertar, de me assumir tal qual sou, de finalmente ter a coragem de "sair do armário". Até hoje sempre proclamei, em público mas também, e quantas vezes, apenas para mim próprio, face ao ecrã feito espelho, que quando o F. C. Porto joga sempre torço para que perca. Seja contra qualquer clube, nacional ou estrangeiro. Excepto, claro, se o seu adversário for o inominável SLB. Minha posição oficial, minha página de missal, minha pessoa e "persona" para todos, para mim mesmo. Sempre negando quem isso pusesse em dúvida, sempre ripostando ferino a quem me criticasse a postura. 

Ontem mais uma vez isso vivi. Contra a bela "velha Senhora", do nosso amado Cristiano Ronaldo, surgiu o tétrico Porto, sob uma presidência que há 40 anos manipula o futebol nacional - e com tantos danos para o Sporting mas também com custos para a cultura nacional, na perversão desse culto do "vale tudo". Com um arrogante e ríspido treinador, irritante de soberba azeda. Com um feixe de jogadores medianos e de irascível comportamento, como o patético filho-família dos escarros, ou  o ressabiado Sérgio Oliveira do tão recente mau fígado naquilo da invectiva ao "empate com sabor a Champions" aos nossos jogadores. Que fossem eliminados, e que levassem 5 ou  6 se possível, foi o meu sincero desejo e prognóstico. Com um tricórnio do nosso CR7, para ser ainda mais saboroso.

E depois, neste camarote sofá, lá me encontrei a exclamar, veemente, "penálti!!!" quando o nosso desperdício Demiral abalroou aquele qualquer sempre-aldrabão avançado andrade. E cuspindo impropérios ao árbitro e sua ascendência, holandeses claro (dessa gente sempre ressentida após a Batalha de Nuremberga), quando expulsou o tipo do Irão, "que nunca o faria se fosse um Chiesa ou outro assim". Para culminar no esganiçado e bem audível "Gooooolo!!!!" aquando daquilo do chuto do Sérgio Oliveira - sim, esse mesmo, o pateta do "empate com saber a Champions". E, já em pé, para a frente e para trás, cigarro trémulo, nos  últimos segundos, clamando "gatuno, está na hora", diante do olhar espantado da companhia teleespectadora, ouvindo resmungos "f...-se, saíste-nos um nacionalista...". "Não, é por causa dos pontos do ranking de clubes", ainda me tentei justificar, manter a pose. Mas não, tenho que me assumir tal qual vou sendo.

Enfim, ainda que esta Juventus não seja áurea, grande jogo, grande Porto o de ontem. E, já agora, e porque em momento de difíceis confissões: fabuloso Pepe, aos 38 anos ainda por cima. Se já fora o melhor jogador do (nosso) campeonato europeu de 2016, se tem sido a base das excelentes campanhas da selecção, agora ainda mais brilha neste seu nada ocaso. É o melhor central da história do futebol português. Mesmo melhor do que ... Humberto Coelho.

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