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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O (J)amor nos tempos de cólera

De um lado estava uma Altice equipa, do outro uma equipa a precisar de desatar alguns NOS, mas o destino do jogo teve dois momentos reveladores logo no seu início. Primeiro, Battaglia perseguiu uma bola ombro-a-ombro com Brahimi e abafou-o. De seguida, Acuña rodou como um discóbolo sobre Maxi Pereira, ganhou a bola e viu o seu adversário sair projectado uns bons 3 metros. Dois argentinos do Sporting, dois dos vários sul-americanos em evidência na equipa leonina. 

 

Presságios à parte, o primeiro tempo foi um joguinho. O Porto sufocou de pressão o coração (meio campo) da construção leonina. Com todas as artérias por onde se poderia escoar o futebol do Sporting bloqueadas, o cérebro (Bruno Fernandes) não teve oxigénio para pensar o jogo, o que afectou a motricidade colectiva. Ainda assim, coube aos leões a melhor oportunidade: mesmo com o ar rarefeito, Gelson conseguiu conjugar um pique com a ginga que tem naquele corpo de dançarino e deixou Alex Telles a pedir multa por excesso de velocidade; de seguida, o ala leonino decidiu bem, colocando a bola no sítio certo, na pequena área, mas o lance perder-se-ia perante a complacência de um insolitamente amorfo Dost.

 

A segunda parte já foi um jogo. O Sporting agarrou a partida pelos colarinhos e foi pressionando a equipa portista. Tal intensificar-se-ia após Jorge Jesus ter mexido na equipa, primeiro acidentalmente - fazendo entrar Ristovski por lesão de Piccini - , depois decisivamente, trocando Fábio Coentrão por Montero. Pressentindo a fraqueza do adversário, vendo a presa ali à mercê, o treinador leonino colocou novos desafios à defesa portista. Entretanto, o nosso Exterminador Implacável desparasitava os vírus e bactérias com que outrora a equipa do Dragão contaminara o nosso meio campo, arranjando ainda tempo para combinar com Gelson dentro da área portista ou subir mais alto, após um canto, possibilitando o remate vitorioso, com o pé direito, a Coates. E só não foi ainda mais longe, porque Jorge Sousa lembrou-se de vêr uma falta - após uma recuperação de bola no último terço portista - onde só houve o ímpeto de um homem empenhado em trazer justiça ao povo de Alvalade. Exterminador Implacável, Homem do Bombo ou, simplesmente, Batman, ele é nosso, ele é Rodrigo Battaglia.

 

A partida foi para prolongamento e este foi um jogão. Na primeira metade, o Sporting desperdiçou 3 boas oportunidades, por Gelson, Montero e Bruno Fernandes. Na segunda, Doumbia - acabado de ser lançado em campo, por troca com Dost - foi à procura da fortuna, mas o MÁXImo que conseguiu foi encontrar um mealheiro na cabeça do defesa uruguaio do FC Porto. Entrámos então na "lotaria" das grandes penalidades e os nossos jogadores mostraram uma concentração e pontaria fantásticas, qualificando-se assim para a final do Jamor.

 

No Sporting, destaque para as excelentes exibições de Sebastián Coates - decisivo no desarme sobre Soares, oportuno no golo que empatou a eliminatória e exemplar no penálti marcado (ai Jesus, que sofrimento quando o vi partir para a bola...) - , Marcus Acuña (incontáveis as vezes que percorreu, acima e abaixo o seu corredor) e Rodrigo Battaglia (o melhor que se pode dizer dele é que na sua área de acção a relva não cresce). Muito bem, também, Mathieu, o super intenso Ristovski (que pulmão!!) e Gelson. "Monteiro" (marcou o penálti decisivo com a frieza de um cirurgião, noutro lance, deixou Alex Telles nas urgências de nefrologia e ameaça tornar-se no maior carrasco de Sérgio Conceição em Taças de Portugal), Bryan Ruiz (bom jogo) e Bruno Fernandes (com o corpo a pedir cama e os pulmões uma máscara de oxigénio, foi melhorando durante a partida) também foram decisivos, marcando de forma irrepreensível os seus castigos máximos. Num jogo para homens de barba rija, a nossa equipa nunca se desorientou perante o ímpeto contrário e, tal como Cassius Clay, soube ir dançando com o adversário, desgastando-o até lhe aplicar a estocada fatal. Não deu para k.o., mas ganhámos na decisão por pontos. Está de parabéns, Jorge Jesus.

 

Num tempo de cólera no futebol português, esta vitória do Sporting é o triunfo do enorme amor que os seus adeptos têm pelo jogo e pelo clube, que vai passando de geração para geração, enchendo bancadas ao longo dos anos, independentemente da escassez de títulos e das razões que todos sabemos a justificam. Ontem, jogámos como SEMPRE e ganhámos como NUNCA. Uma força bem viva e indestrutível! Vivó SPORTING !!! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates, Rodrigo Battaglia e Marcus Acuña(*)

 

#savingprivateryan

 

(*) após muita ponderação, hesitação e sono, não consegui desatar o nó, pelo que excepcionalmente atribuí o título de melhor em campo a este trio de sul-americanos.

sportingportotaçaportugal.jpg

 

Hoje giro eu - Sporting, o mais indisciplinado (!?)

Analisando os 27 jogos disputados até agora dos 3 grandes concluimos que o Sporting é o clube cujos jogadores mais vezes foram contemplados com a cartolina amarela. Assim, a equipa leonina já viu 55 amarelos, contra 49 do Porto e 43 do Benfica. Ao contrário dos seus concorrentes, o factor casa não parece ser decisivo nas admoestações, pois os leões viram 25 amarelos e 2 vermelhos em Alvalade, enquanto o Benfica, na Luz, tem 17 amarelos e nenhum vermelho e o Porto, no Dragão, foi contemplado com apenas 15 amarelos (sem vermelhos).

 

Outro pormenor que não deixará de causar algum espanto tem a ver com os jogos disputados fora de casa. Nos jogos fora, o Sporting é o único dos grandes que teve mais cartões amarelos atribuidos aos seus jogadores do que aqueles que os seus adversários averbaram. Assim, nas 13 partidas disputadas, os sportinguistas foram admoestados com o cartão amarelo por 30 vezes contra apenas 28 vezes dos seus adversários conjunturais (1-1 em vermelhos), ao passo que o "score" benfiquista é de 26-29 (1-4 em vermelhos) e o do Porto é de 34-39 (3-2 em vermelhos).

 

Os números globais dos jogos de cada um dos 3 grandes, no que respeita aos "amarelos", são estes: Sporting 55-66 (3-2 em vermelhos), Benfica 43-59 (1-7 em vermelhos), Porto 49-70 (3-4 em vermelhos). Não deixa de ser curioso que uma equipa que vem sendo acusada de ser pouco intensa sofra tantas infrações disciplinares. Por comparação, os jogos do Benfica parecem amigáveis, sendo a equipa encarnada a que menos cartões sofre e os seus adversários aqueles que menos vezes são admoestados (com excepção dos cartões vermelhos). Os adversários do Sporting têm um rácio de vermelhos/total de cartões de 2,9%, ao passo que o rácio dos adversários do Porto é de 5,4% e o dos adversários do Benfica é de 10,6%. O Porto é o clube com maior diferença favorável entre cartões amarelos e a maior diferença favorável no total de cartões (nesta última, empatado com o Benfica, com 22). O Sporting tem só mais 10 cartões atribuidos aos seus adversários do que aos seus jogadores.

 

Haverá alguma razão para a equipa leonina ser, destacada, aquela que viu mais cartões lhe serem atribuidos? E que justificação existirá para a disparidade face aos seus concorrentes no que diz respeito à diferença entre os cartões vistos e aqueles atribuidos aos seus adversários?

O que é que os nossos Leitores/Comentadores pensam disto?

Assim não vale

Este campeonato vai ficar marcado por dois episódios caricatos, no mínimo: a cena na bancada do Estoril, seguida de invasão do relvado por parte de uma claque telecomandada; e o atraso de um guarda redes para um determinado jogador marcar. Há coisas que não mudam e a regulação do futebol português é uma delas.

 

Hoje à noite temos que ser superiores a tudo isto e vencer o Rio Ave sem margem para quaisquer dúvidas.

Sustentabilidade - as Contas dos 3 Grandes

Infelizmente, só ontem consegui analisar os Relatórios&Contas, referentes ao semestre terminado a 31 de Dezembro de 2017, dos 3 Grandes, publicados no pretérito 28 de Fevereiro. Aqui ficam algumas notas, bem como uma tabela comparativa de rúbricas relevantes:

 

No combinado entre investimento e custos com o pessoal, o Sporting foi o clube que mais "despendeu" no período compreendido entre 30 de Junho de 2017 e 31 de Dezembro de 2017. No entanto, e antes que soem as trombetas, é preciso explicar esse(s) valor(es). Assim, o Sporting parece estar apenas a tentar recuperar a "décalage" que tem para os seus competidores. Nesse sentido, analisando as Contas dos 3 clubes, verificamos que o valor bruto do plantel do Benfica é de 222M€ - a que corresponde uma amortização acumulada de 114M€ e uma amortização+imparidades no exercício de 19,6M€ - , o do FC Porto é de 179,7M€ - a que corresponde uma amortização acumulada de 86,4M€ e uma amortização+imparidades no exercício de 17,6M€ - e o do Sporting Clube de Portugal é de 97,7M€, a que corresponde uma amortização acumulada de 31,8M€ e uma amortização+imparidades de 11,4M€ no exercício semestral findo a 31/12/2017, este último um valor consideravelmente mais baixo do que o dos seus concorrentes, o que na comparação melhora a sua Demonstração de Resultados. Importa explicar que a compra de um jogador é considerada um investimento. Como tal, afecta apenas a Demonstração de Resultados através da rúbrica de amortizações, sendo este um valor anual que corresponde ao valor de aquisição dividido pelo número de anos de contrato de cada jogador.

 

Um ponto que tem sido de alguma discórdia, relacionado com o Factoring a que o Sporting tem recorrido, como forma de antecipação de futuras receitas de DireitosTV (acordo NOS), mostra que este número reduziu-se para 22M€. Como comparação, o FC Porto tem uma dívida com o Factoring de 66,3M€. O Benfica não tem Factoring(*), mas tem um programa de Papel Comercial (financiamento de curto-prazo), em vigor, no valor de 56,9M€.

 

Expurgando dos Resultados, as vendas de jogadores (Proveitos Extraordinários), verificamos que o Sporting seria o clube com o melhor Resultado antes de impostos, no valor de -15,8M€. O Benfica perderia 20,8M€ e o FC Porto teria um resultado negativo de 28,7M€. Em resumo, todos os clubes são deficitários na sua exploração e necessitam de vender activos intangíveis (jogadores) para equilibrarem as suas contas. 

 

O investimento global do Sporting nesta época desportiva de 17/18 foi até agora de 63,7M€, dos quais 26,8M€ (aquisições de Bruno Fernandes, Doumbia, Battaglia, Piccini e Mattheus) entraram ainda nas contas semestrais referentes a 30 de Junho de 2017. No período a que se refere o R&C em análise, houve um investimento de 21M€, em jogadores (Acuña, Mathieu, Ristovski e outros). Já posteriormente a este período, os números correspondentes às aquisições do mercado de Inverno (entrarão no R&C semestral a 30/6/2018)- envolvendo os jogadores Ruben Ribeiro, Wendel, Misic, Montero e Lumor - foram de 15,9M€ (informação privilegiada enviada à CMVM em 12 Fev 2018 - mais um bom exemplo de transparência e boas práticas de gestão), colocando o investimento total efectuado na época desportiva de 17/18 nos 63,7M€ (inclui comissões e encargos), o valor mais elevado de sempre do clube.

 

Vale a pena, também, abordar o tema da liquidez, algo tantas vezes apontado como o "calcanhar de Aquiles" do Sporting: olhando para os números inscritos no Activo, na rúbrica de Caixa, verificamos que o Sporting tem um valor de 12,8M€ (dos quais 5,1M€ numa conta restrita para pagamento de VMOCs), o Benfica de 4,7M€ e o Porto de 12,1M€.

 

Em termos de Passivo, todos os clubes reduziram o seu endividamento, sendo que o Benfica, na medida do desinvestimento que fez esta época desportiva, foi o que abateu mais dívida, no caso 52,9M€. Segue-se o Sporting, com uma redução de 40,4M€ e o Porto, que cortou apenas 7,3M€. No entanto, o Sporting foi o que reduziu mais a dívida bancária, no montante de 16,8M€ (adicionalmente, as provisões cairam 9,6M€ e a dívida a Fornecedores desceu 12,9M€) . O Benfica apenas reduziu este item em 7,9M€ e o Porto em apenas 1,6M€.

 

Em termos do Activo, este diminuiu em todos os clubes. No Sporting, 29,5M€; no Benfica, 33M€ e no Porto, 31,3M€. No Sporting, destacam-se os abatimentos na rúbrica Clientes - dívidas de outros clubes - , essencialmente devido aos pagamentos de 20M€, pelo Inter de Milão (João Mário), e de 8,5M€, pelo Villareal (Ruben Semedo). Na rúbrica "outros Activos correntes", onde constavam os 17,1M€ retidos pela Uefa, 11M€ foram pagos à Doyen, sendo os restantes 6,1M€ restituidos ao clube.

 

O Volume de Negócios (PO+PE) do Sporting foi de 81,6M€, enquanto o do Benfica foi de 109,6M€ e o do Porto foi de 70,8M€. Por outro lado, em termos de Fornecimentos e Serviços Externos (FSE), o Sporting gasta sensivelmente metade do que Benfica e Porto despendem, o que tem consequências positivas, comparativamente falando, nos Resultados Liquidos da Sociedade e, em termos gerais, nos seus Resultados Operacionais.

 

Será de prever, dado o afastamento dos 3 clubes da Champions, que os resultados de todos piorem substancialmente no 2º Semestre (os Resultados Operacionais descerão por certo), devendo tal ser colmatado com mais vendas de jogadores. Sublinhe-se, no entanto, que o Sporting ainda terá os proveitos inerentes a estar na Liga Europa, pese embora essas receitas sejam bastante inferiores às da Champions a não ser que o clube chegue à final da competição, facto que lhe garantiria mais cerca de 10M€.

 

Em resumo, não me parece que o Sporting fique a perder na comparação com qualquer dos seus concorrentes, antes pelo contrário, não justificando de todo o apodo de ter "descoberto um poço de petróleo", que me parece ter sido dado por quem não soube (ou não quis) fazer o trabalho de casa. A operação de conversão de dívida bancária em VMOCs, no valor de 127,9M€ e as melhorias substanciais do Volume de Negócios criaram condições que viabilizaram um maior investimento. No entanto, uma eventual não presença do clube na Champions do próximo ano obrigará certamente a refrear futuros investimentos e aconselhará alguma redução nos Custos com Pessoal, apesar de entrar em vigor o novo contrato com a NOS, que nos fará crescer na rúbrica de Proveitos Ordinários. Relembro que, nas duas primeiras épocas de Bruno de Carvalho, este valor (Custos com Pessoal) estava em 25M€ e, projectando o valor semestral para o ano, agora triplica. Por outro lado, não deixa de ser extraordinário que o clube em 3/4 anos tenha criado este tipo de condições. 

 

Uma última nota para, uma vez mais, enaltecer a elaboração do R&C do Sporting, o qual na minha opinião continua a ter um nível de detalhe superior aos do Benfica e Porto, constituindo uma muito boa prática que merece aqui ser destacada.

  contas.png

 Legenda: (valores em milhões de euros-M€) 

PO=Proveitos Operacionais; VPS=Vendas de Produtos e Serviços; OPO=Outros Proveitos Operacionais; FSE=Fornecimentos e Serviços Externos; CP=Custos com Pessoal; RO=Resultados Operacionais; PE-COM=Proveitos Operacionais menos Comissões e encargos; RL=Resultados Liquidos; Div Banc.=Dívida Bancária; Div Obrig=Dívida Obrigacionista; Inv=Investimento; K próprio=Capitais Próprios

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Realidades paralelas

Num célebre filme sobre as transformações na Alemanha, pós perda da influência soviética (Good bye, Lenin!), uma familia do leste de Berlim (antiga RDA) tenta esconder da sua ortodoxa matriarca - acabada de sair de um prolongado coma e ainda convalescente - a recente queda do Muro, recreando todo um mundo paralelo. Antes, já Kusturica tinha explorado o tema da realidade alternativa, no extraordinário "Underground", onde um secretário do Partido Comunista Soviético mantinha num subterrâneo, sequestrados, uma série de cidadãos russos que lá se tinham refugiado durante a 2ª Grande Guerra, aquando da invasão pela Alemanha de Hitler. Já tendo a guerra terminado há muito, esse facto fora convenientemente escondido desses seus camaradas, cujo único elo de ligação com o exterior era esse membro do partido. O hilariante da situação é que, um dia, alguns cidadãos decidem ousar subir à superfície onde acabam por encontrar "alemães" - figurantes de um filme sobre a Guerra que está a ser rodado naquele momento - acabando por matá-los, confundindo assim a ficção com a realidade.

Toda esta parábola introdutória vem a propósito das 3 realidades alternativas (ou 3 jogos paralelos) a que hoje assistimos no Dragão. A primeira destas "realidades" foi o jogo visto por Luis Freitas Lobo: o comentador da SportTV conseguiu vêr o Sporting a jogar com 5 defesas, nunca entendendo que Ristovski, embora com preocupações defensivas, foi sempre mais ala do que lateral direito - este foi Piccini, enquanto no flanco oposto muitas vezes Coentrão também se adiantava, formando-se ocasionalmente uma linha de apenas 3 defesas - , de forma a libertar o ainda convalescente Gelson (que actuou numa posição mais central) das constantes subidas e descidas por este corredor; outra "realidade" foi a forma como João Pinheiro viu a partida: na óptica do árbitro, qualquer toque sobre um jogador do Sporting raramente foi merecedor de falta. Assim foi, logo no início, quando Ristovski foi carregado por Alex Telles, em falta que se iniciou dentro da área portista e que terminou já fora da mesma, prosseguindo na não observação de uma falta clara sobre Gelson nas imediações da área do FC Porto, para não referir as inúmeras infrações cometidas sobre Bruno Fernandes que passaram sem punição ou a desigualdade do critério disciplinar; finalmente, tivemos a  "realidade" segundo Jorge Jesus: este conseguiu transformar um 6-2 em oportunidades para o Porto numa injustiça de um resultado que "deveria ter terminado 2-2 ou 3-3".

Alucinações à parte, vamos ao jogo que todos nós pudemos observar: o Sporting raramente conseguiu ter posse e trocar a bola dentro do meio-campo adversário. Ao fim de 2/3 toques, a nossa equipa era sufocada pela entreajuda da defesa e miolo portistas e perdia a bola. Isso foi criando um ascendente do Porto, o qual só não se materializou mais cedo no marcador devido à acção de Rui Patrício e a alguma inépcia dos avançados portistas.

Bruno Fernandes jogou demasiadamente recuado, desgastando-se sem sentido, na posição "8" (terminou a "trinco" !!!). Alinhando longe de uma zona de maior influência, parecendo fora da sua melhor forma e muito vigiado pelo par de médios portista, Bruno não conseguiu ser o motor de jogo que a equipa precisava. Sem ele a equipa definhou, ficando muito dependente da velocidade e capacidade de drible de Gelson. Este foi conseguindo encontrar espaços, mas quando procurou tabelar com Doumbia encontrou neste um par de tijolos impossível de cimentar algo de positivo. 

As substituições também não melhoraram a equipa. Ruben Ribeiro, quando não entretido a entregar a bola ao adversário, por vezes nas imediações da sua própria área, recreava-se com toques de praia a fazer lembrar aquele "free-styler" que um dia Jorge Gonçalves trouxe da Costa da Caparica para Alvalade para animar os intervalos dos jogos. Por fim, quando, isolado, teve a oportunidade de visar a baliza de Casillas, assustou-se e entregou a bola a um jogador dos andrades. Montero bem que poderia ter sido enquadrado no lote das realidades alternativas, pois não há memória de ter tocado na bola, nos cerca de 10 minutos em que esteve em campo. Bruno César ainda assim foi o melhor dos substitutos, ele que só jogou 7 minutos.

A nossa defesa teve o seu bom comportamento habitual, embora Mathieu tenha estado no lance do golo, devido a um mau alívio.

Acuña mostrou a sua qualidade de lutador, bem como a insuficiência já conhecida enquanto desequilibrador. Battaglia e Ristovski não deslumbraram e o melhor foi mesmo Rui Patrício, providencial em 3 lances: duas "manchas" e uma defesa extraordinária, em vôo.

O realizador deste filme continua no reino da invenção: depois de uma derrota atribuida ao vento, criou agora uma nova realidade paralela, feita de um placebo ilusório para que os "pacientes" (adeptos leoninos) se sintam bem. Eu também tenho uma: na minha, o treinador não é o Dr. Feelgood (nem o Professor Pardal), não "muda as características(!?)" dos jogadores, não vê ameaças onde podem haver oportunidades (se as alternativas estiverem minimamente rodadas, o que não é o caso) e as suas soluções não são o problema. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rui Patrício

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Hoje giro eu - (São) Jorge e o Dragão

Desde o último fim-de-semana, todos temos vivido emoções muito fortes. Subitamente, e sem que nada o fizesse prever - bem, não será tanto assim, nós somos Sporting, não é? - uma tempestade se abateu sobre nós. Os ventos, ciclónicos, fizeram-se especialmente sentir na Amoreira e... no Campo Grande. Agora é hora de respirar fundo, de reparar os danos causados por tal intempérie e de tentar regressar a uma vida normal. Um tempo de bonança. Logo à noite, começaremos a reconstruir o nosso edifício. Que toda a raiva (e frustração) contida que temos dentro de nós se liberte de uma forma sublime e gloriosa, que não se consuma num fogo-fátuo. Enquanto a bola rolar no terreno de jogo não haverão facções, nem egos, só a causa que nos une: o nosso amor pelo ENORME Sporting Clube de Portugal. Que o nosso Jorge (Jesus) e os seus cavaleiros façam vergar o Dragão!

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Dia de São Patricio empata a imaculada táctica de Conceição

Ontem em Alvalade, o Porto começou por vencer por falta de comparência o duelo dos africanos. Assim, enquanto os dragões apresentaram um tridente no ataque, formado por internacionais da Argélia, do Mali e dos Camarões, os leões preferiram manter no exílio, em Alcochete, um titular da selecção de Angola - acabadinho de realizar um hat-trick contra o líder do campeonato da 2ª Liga - , ao mesmo tempo que Doumbia, costa-marfinense, também esteve ausente dado ter-se lesionado numa actividade extracurricular relacionada com mergulhos.

Assim, consumou-se a segunda derrota do emblema do leão rampante em apenas dois dias, porque já na véspera Sérgio Conceição tinha batido Jorge Jesus nos "mind games", vulgo bate-boca, quando, usando de ironia fina, afirmou que tinha informado os seus jogadores que talvez fosse melhor poupar algum dinheiro ao clube, não fazendo a viagem para Lisboa, dado o treinador leonino ter dito que estava certo de que iria ganhar o jogo.

Neste transe, tenho de admitir que o empate verificado no campo foi lisonjeiro e soube a vitória, até porque entrámos em campo com apenas 10 jogadores e sem alternativa para Bas Dost, caso este se tivesse lesionado. Assim, o fantasma de Fábio Coentrão andou muito tempo a passear-se pelo relvado, apenas eclipsando-se por momentos quando acometido por umas súbitas mialgias. Já o espirito do "Bas Dost do ano passado" não parou um segundo de assombrar a mente dos nossos adeptos.

 

A equipa:

 

Rui Patrício - Oh Captain!, my captain!, em dia de visita de Adrien Silva, Rui foi simplesmente perfeito na passagem do testemunho. Na primeira parte, duas defesas no chão, perante tentativas de Brahimi e Aboubakar, e outra, no ar, por reflexo, a remate de Marega. De salientar, também, a atenção patenteada após uma "rosca" de Jonathan Silva, este já com a "cabeça feita num torno". Na segunda parte, ainda impediria Marega e Layún de marcarem, após mancha e estirada fotogénica, respectivamente. Uma das suas melhores exibições de sempre e garante do empate registado no final.

Nota: Dó Maior

 

Piccini - Se o jogo fosse um bolo-rei, Jonathan estaria cristalizado - como a fruta - e ao italiano calhar-lhe-ia a fava (Brahimi). No entanto, nunca virou a cara à luta até se impor definitivamente, com o apoio da ASAE, perdão, de Acuña, na segunda parte. Ajudou no ataque, ganhando alguns pontapés-de-canto e realizando diagonais interessantes já previamente testadas face ao Barcelona.

Nota: Sol

 

Coates - Não apontou nenhum golo na própria baliza e isso já lhe daria uma nota razoável, mas não se ficaria por aí realizando cortes providenciais que ajudaram a equipa a manter-se no jogo até ao fim. Voltou à sua condição de Ministro da Defesa, gerindo politicamente o cargo, delegando no seu Secretário de Estado, Jeremy Mathieu, o embate com as forças armadas inimigas.

Nota:

 

Mathieu - Insuperável por terra (recorrendo até ao carrinho) e, principalmente, pelo ar - em vários momentos pareceu ter asas - não tem nota máxima dado ter tido a maldade de expor de forma cruel as inúmeras insuficiências de Jonathan na saída de bola para o ataque. Razão: ter colocado a bola sempre um centímetro à frente daquilo que são as actuais (?) possibilidades do argentino.

Nota: Si

 

Jonathan - O argentino é esforçado - basta olhar para a sua cara, parecendo sempre um balão pronto a rebentar - mas manifestamente não tem vida para estas guerras. Com ele em campo, a lateral esquerda parece um produto da nossa imaginação, uma alucinação onde julgamos observar este jovem gaúcho que, não fora ser exasperantemente lento, não ter domínio e recepção de bola e falhar frequentemente no seu posicionamento, até poderia jogar no Sporting. Um bom centro à procura de Bas Dost evitou a nota mínima.

Nota:

 

Battaglia - A qualidade do seu passe neste jogo esteve ao nível das escolhas de Passos Coelho para as eleições autárquicas de ontem. Compensou com várias recuperações de bola, nomeadamente na segunda parte, quando o cansaço de companheiros e adversários fez emergir a sua imponente condição física.

Nota:

 

William - O Sir teve momentos arrepiantes, envolvendo escorregadelas comprometedoras em saídas para o ataque e na contenção defensiva, mas acabou como um dos mais influentes em campo, ajudando a equipa leonina a impor-se no meio campo e dominar a segunda parte do jogo. Aspecto a melhorar é o seu remate que continua ao nível do pontapé aos postes realizado pelos melhores médios de abertura do rugby mundial.

Nota: Sol

 

Bruno Fernandes - Muito marcado por Danilo e sempre com outro dos médios do Porto por perto, não teve grandes oportunidades para se mostrar. Denota cansaço, mais mental que físico, e isso ficou demonstrado quando, depois de ter roubado a bola a Danilo, entrou na área pela direita e podendo assistir Dost - isolado no centro - faltou-lhe discernimento e preferiu rematar de ângulo difícil por cima. 

Nota:

 

Gelson - Faz lembrar um disco de 33 r.p.m. tocado a 45 rotações por minuto. O seu jogo continua confuso, demasiado sôfrego, como se quisesse exprimir numa só jogada todo o leque de truques que aprendou na sua vida futebolística ou, voltando a recorrer ao cenário musical, como se - sendo já um artista consagrado - tentásse cantar todos os Greatest Hits de uma carreira em 15 segundos. O resultado é um amontoado de movimentos para a esquerda, para a direita, spins e o regresso, invariavelmente, à casa de partida, num "loop" de repetições que eterniza durante os 90 minutos. Precisa urgentemente de reencontrar a estabilidade psicológica que lhe permita voltar a mostrar o seu inegável talento.

Nota: Sol

 

Acuña - Estava o jogo no início, Jonathan e os outros voltaram as costas a uma bola que se perdia pela linha final no lado esquerdo da defesa leonina e eis que esta bate na bandeirola, suspense no estádio, mas Acuña foi o único que acreditou que tal pudesse acontecer e estava lá para evitar o pânico e aliviar a bola para o meio campo adversário. Esta jogada é paradigmática do que um jogo de futebol significa para este argentino: concentração máxima, espirito de missão, compromisso, atenção a todos os pormenores. A melhoria do Sporting na segunda parte muito se ficou a dever a ele, principalmente quando Jesus decidiu mudá-lo de flanco, opção que permitiu a Acuña constituir-se como precioso auxiliar de Piccini na missão de "secar" Brahimi. Grande raça, um dos melhores da equipa.

Nota:

 

Bas Dost - Lutou bravamente nos ares contra a aliança ibero-americana adversária, ganhando e perdendo bolas, mas nunca virando a cara à luta. Menos feliz nas combinações pelo chão com os colegas e ainda mais apagado nas antecipações aos defesas portistas nos cruzamentos. Neste último item perdeu três boas oportunidades, demorando a entender o que era requerido - surgir ao primeiro poste e desviar a bola para a baliza. Parece demorar a encontrar o seu alter-ego que aqui jogou na época transacta.

Nota:

 

Bruno César - Entrou a render o outro Bruno - Jesus, agora que o presidente está suspenso, continua a gostar de manter ao seu lado no banco um Bruno - e revelou-se uma agradável surpresa. Jogando muitas vezes de primeira, criou algumas auspiciosas oportunidades de exploração do flanco esquerdo do nosso ataque que não tiveram a continuidade devida (e fiquemos por aqui).

Nota: Sol

 

Podence - Jesus disse na conferência de imprensa que lhe deu 10 minutos, assim a modos como se pede a um patrocinador um relógio alegando que o nosso não está a funcionar bem. Oficialmente, entrou aos 89 minutos e esteve 2 minutos a assistir à preparação de um perigoso livre contra nós, pelo que ter-se-á mexido durante 2 minutos, suficiente para ter tocado uma vez na bola, insuficiente para tal poder ser considerado como uma oportunidade.

Nota: -

 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rui Patrício 

Entusiasmos

Acho que tenho de discordar do grande entusiasmo da nação sportinguista com a exibição frente ao Barcelona. Não que não tenha sido uma bela exibição, mas esse é o problema dos jogos contra o Barcelona ou o Real Madrid ou outra equipa do género: a exibição das nossas vidas quase nunca basta diante delas; elas têm recursos que nós não temos e, quase invariavelmente, conseguem arranjar maneira de ganhar (se não é pelos jogadores, que são melhores, é pelo complexo de inferioridade, que aparece sempre num ou noutro momento, ou então é pelos árbitros, que gostam de lhes estender o tapete). O jogo do Barcelona está dentro de um ciclo, que começou de maneira horrorosa contra o Moreirense e só termina no domingo, contra o Porto. Ora, por ter "batido o pé" ao Barcelona, por ter jogado "olhos nos olhos", a equipa vai chegar a domingo mais cansada (porque o jogo do Porto com o Mónaco não foi tão cansativo) e com menos um dia de descanso. Esse jogo é que era para tentar ganhar com todas as nossas forças, e não as vamos ter. Assim como era para ganhar mesmo contra o Moreirense. Até agora, isto está muito parecido com o ano passado, quando"batemos o pé" ao Real, jogámos "olhos nos olhos", e depois fomos perder escandalosamente com o Rio Ave por 3-1. A redenção deste ciclo está, portanto, no jogo com o Porto. Lembro-me bem quando, há três anos, "batemos o pé" ao Wolfsburgo (então uma das melhores equipas da Europa) e, no jogo imediatamente a seguir, fomos perder 3-0 às Antas, visivelmente por exaustão da equipa. Só espero que desta vez sobrem as forças. Felizmente para o meu coração, não vou poder ir ao estádio, por ter sido convocado para uma mesa de voto: durante o tempo em que decorre o jogo, devo estar a contar votos. Acho que vou ter uma boa surpresa no fim.

Três seguidas

Em oito dias os nossos rapazes (para quem ainda não se deu conta, os melhores jogadores de futebol do Mundo) vão ter três possibilidades de se realizarem em pleno. Que não lhes faltem as forças, que três seguidas, não sendo nada de extraordinário para rapazes de vintes com sangue na guelra, será mister de grande proeza, dada a valia das adversárias, ainda que uma delas seja uma velha senhora, de quem, pela experiência e ratice, não será de esperar facilidades no escancarar das partes baixas; Aliás é até bastante conhecida pelo seu desempenho na defesa das bolas adversárias, roubando-lhe até a iniciativa, fazendo demorar o acto até ficarem por cima e vencerem o adversário por exaustão.

Sendo necessário um desempenho perfeito nestas três sortidas, parece-me que a catalã, que agora está um pouco em convulsão e talvez até irritadiça, apesar de estar no melhor lugar em Espanha, quererá talvez alguém que lhe afague o colo e lhe faça um cafunézinho. É apanhá-la distraída e zás, toma lá disto! Uma ou duas lá dentro, que é para verem de que raça são feitos os lusitanos! Isto se a Pulga que usam atrás da orelha não lhe der para "parvar" e começar  a ir dentro-e-fora, dentro-e-fora e dê cabo do vigor dos nossos meninos e da sua retaguarda, levando Patrício a apanhar com elas a torto-e-a-direito.

A do Porto, que vai à frente, tem que ter cuidado porque a carruagem da frente nestes comboios costuma ser complicada e tem também uma jornada tripla (não confundir com tripa, p.f.), pelo que me parece que todos os esforços, não descurando o piscar de olho às estrangeiras, devem estar centrados nesta equipa, que neste momento me parece de fácil conquista. Esteja o desempenho dos rapazes ao seu melhor nível e parece-me um affair para facturar o pleno.

Temos portanto possibilidade, remota é certo, de fazer nove pontos, mas eu já me dava por satisfeito com cinco, ou mesmo quatro, desde que violasse a do norte no próximo Domingo, dia do Senhor e de eleições. Seria uma abençoada.

Vitória, claro está!

 

Nota: Qualquer possível associação a algo eventualmente sexual é da inteira responsabilidade dos leitores...

Os impunes

O blog “oficioso” do Benfica decretou ontem, depois de aturada “investigação” (hehehe, peço desculpa), que nada de nadinha vai acontecer ao Benfica, nem na justiça desportiva (hehehe, peço desculpa outra vez) nem na civil. O blog onde os adversários são insultados diariamente, com toda a espécie de adjectivos, onde todos os comentadores e autores são anónimos, é onde se pratica a forma mais ignóbil da cartilha: Lançam umas postas de pescada muito indignadas, para inglês ver, e com isso pretendem afirmar a sua independência em relação à actual direcção. Têm sempre muitos exclusivos, a piada que isto tem, usam e abusam de interjeições exclamativas, que de forma natural são muito bem aceites por quem os lê. A adoração de que são alvo nas imundas caixas de comentários, onde a boçalidade domina, revela a cepa da maioria dos adeptos daquele clube. Mas o mais curioso, ou não, ou não, é que um dos vários “anónimos” que escrevinha naquela imundice, que passa por ser um, senão o maior, analista técnico-desportivo, deste triste panorama em Portugal, escreve, orgulhoso, que nada vai acontecer ao Benfica porque… bem, porque a justiça desportiva acabou de decretar a absolvição do Porto e seus dirigentes, no famoso processo do Apito Dourado. Uma verdadeira pescadinha de rabo na boca, os que no passado tanto criticavam, e bem, a forma como o Porto conseguiu a maioria dos seus títulos, agora que pelos mesmos processos, senão piores, também ganham, servem-se de uma absolvição, um mero acto administrativo, depois da justiça civil já há muito ter decretado como ilegais as escutas onde se baseava toda a acusação, para justificar os seus próprios actos e poder afirmar que nada lhes acontecerá.

Dúvidas houvesse, que não há, este Benfica é de facto o herdeiro natural do Porto dos anos 90 e 00. Limpinho, limpinho.

Apito dourado, alguém se lembra?

Retomámos relações institucionais com os dirigentes do Porto que, convém lembrar, são os mesmos que aqui há uns anos, e não foram tantos assim, só não foram todos presos e irradiados porque houve um juiz que não considerou válidas as escutas que sustinham a acusação. Mas elas existem e provam a cepa de que são feitos os actuais dirigentes do Porto.

Assim mais vale baixar os braços.

O "fim" de Peter

Ontem à noite, ao assistir ao jogo FCPorto vs VFClube, dei por mim a lembrar-me de tantas noites em Alvalade.

Aquela possibilidade de passar para a frente e ver a impotência dos nossos a desperdiçar oportunidade atrás de oportunidade de ultrapassar os adversários.

E também o autocarro. O que levaram, mais um ou dois que pediram emprestados aos STCP, estacionados pachorrentamente em frente à baliza.

E a "ronha". O teatro.

O futebol é mesmo uma ciência do arco-da-velha. Quando já todos faziam o funeral ao moribundo, veio uma vaca e levou-o.

Diz-se que se encontra ainda nos cuidados intensivos, mas com duas semanas para recuperar... sei não!

Ó p'ra eles a encararem a realidade

"FC Porto SAD anuncia prejuízo de 58,4 milhões de euros

O FC Porto chamou esta quarta-feira os jornalistas ao Dragão Caixa para apresentar as contas anuais da SAD e anunciar um prejuízo de 58,4 milhões de euros.

Trata-se de um resultado negativo enorme, que ameaça bater recordes, mas que o administrador Fernando Gomes garante ser assumido. Ou seja, de acordo com o responsável das finanças portistas o clube preferiu assumir o prejuízo superior a 58 milhões de euros, de forma a não desinvestir e, com isso, enfraquecer o valor da equipa para esta época.

Fernando Gomes garantiu ainda que esta época é encarada no FC Porto como o ano zero: a partir da próxima época, a SAD portista vai reduzir progressivamente os salários, ajustando-se à realidade atual. Em dois anos, o FC Porto quer poupar vinte milhões de euros em ordenados."

in Maisfutebol

Portanto, aquilo que nós começámos a fazer há três anos e qualquer coisa e que tão bons resultados tem dado, cedo ou tarde todos terão que fazer. Estes já apresentaram o timming. Esperemos pelos relatórios dos restantes.

Rapidamente e em força

A conversa da arbitragem é areia para os olhos. Não estavam habituados à normalidade de o Sporting ganhar clássicos. Pois é melhor habituarem-se. Rui Vitória, Nuno Espírito Santo, Casillas são verdadeiros gentlemen, na conversa habitual do comentário desportivo. Mas a verdade é que mal perdem (ou empatam) um jogo transformam-se em versões bem-falantes de José Mota, jorrando culpas para cima do árbitro. À terceira jornada, já vai um chinfrim sobre os árbitros que não acaba. E os calimeros somos nós.

 

O Porto perdeu porque não dá para mais. Começaram melhor, mas porque usaram uma táctica que ninguém aguenta 90 minutos contra equipas grandes: a pressão alta (altíssima). Toda a gente fala dos passes falhados do Sporting nessa altura. Não foram falhados. Foram interceptados pelos jogadores do Porto, que não deixavam o Sporting jogar. Pois, a pressão alta é muito gira, mas dá cabo do corpinho. Foi uma táctica tão boa no curto-prazo quanto péssima no longo-prazo. À meia hora de jogo estavam rebentados, tanto mais que já tinham feito uma coisa do género contra a Roma na terça-feira. Tal como no jogo com a Roma, ao fim de 20 minutos começaram a defender cá atrás e o Sporting começou a mandar. O Sporting joga melhor, tem mais rotinas. O Porto não tem. Os golos foram naturais e podiam ter sido mais, sobretudo na segunda parte. Na segunda parte, aliás, os jogadores do Porto não podiam com uma gata pelo rabo. Foi por causa disto, e duns jeitinhos que o Jesus deu no meio-campo, que perderam. Não foi por causa do árbitro.

 

Siga para bingo, que o pior está para vir: João Mário foi-se, Slimani foi-se e diz que Adrien também está a caminho. Jesus, agora é que é preciso mostrares o que vales: terás de montar um meio-campo novinho. Rapidamente e em força.

E do Espírito Santo

O campeonato começa a definir-se: a contratação de Nuno Espírito Santo pelo velho Porto já lhes garantiu o terceiro lugar. Há que ter fé: Jorge Mendes há-de lá ter mais restos em carteira, talvez até alguns daqueles jogadores que fazem do Porto um longo estágio de pré-época antes de irem para as equipas onde realmente querem estar. Aí vão eles para o fundo do poço: abram alas.

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