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És a nossa Fé!

Balanço (3)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre PORRO:

 

- Paulo Guilherme Figueiredo: «Depois vem aquela arrancada do Porro em direção ao meio, o tiro de fora de área em direção ao canto superior esquerdo da baliza dos ingleses e a estirada perfeita do Lloris... e o que era certo parecia finalmente incerto.» (14 de Setembro)

- Francisco Almeida Leite: «Amorim teima em incluir Esgaio nas opções, mesmo tendo Pedro Porro recuperado.» (13 de Outubro)

- Pedro Boucherie Mendes: «Não [há] dentro de campo quem saiba mandar e meter sentido naquilo. Coates nunca foi um líder – é um jogador de grande envergadura e dedicação, mas não um daqueles que sigamos até à morte - talvez só Porro ou Nuno Santos se assemelhem ao que poderíamos ter.» (2 de Novembro)

- Eu: «Voltou a ser herói. Foi ele a querer marcar, naquele instante decisivo. Foi ele a arrancar a ferros estes três pontos que nos permitem consolidar o quarto lugar, agora com o Casa Pia um pouco mais distante. Foi ele a tornar possível a nossa primeira vitória de 2023 - após derrota no Funchal e o empate na Luz. Foi ele a demonstrar ser um dos raros heróis leoninos desta triste primeira volta do campeonato.» (21 de Janeiro)

- Filipe Moura: «De vez em quando surge um jogador de quem temos noção, claramente, que pertence a uma dessas realidades mais competitivas. Enquanto temos a sorte de tais jogadores estarem no Sporting, temos que aproveitar a bênção de poder contar com eles e esperar que ganhem títulos. São raros os jogadores indiscutivelmente assim, mas Pedro Porro foi sem dúvida, desde o primeiro momento, um deles. E no entanto foi sempre um verdadeiro leão, sem tiques de vedeta. Será sempre lembrado.» (31 de Janeiro)

- Luís Lisboa: «Foi para mim o melhor defesa/ala direito do Sporting desde que comecei a frequentar as bancadas de Alvalade. A sua saída enfraquece o plantel e torna ainda mais complicado alcançar os objectivos desta época desportiva.» (31 de Janeiro)

- Marta Spínola: «Tem tudo para ser um ídolo  - sou dessas, que apreciam ídolos no futebol - , como os que havia antigamente, não um ídolo fabricado. Desejo-lhe a melhor carreira, agradecendo a sua passagem pelo nosso, agora também seu, Sporting.» (1 de Fevereiro)

A voz do leitor

«As maiores felicidades e sucessos para o Pedro Porro, é o que lhe desejo. Grande jogador, o melhor ala direito que vi jogar no SCP, e uma excelente pessoa e profissional. Será uma perda desastrosa desportivamente, mas pelos valores envolvidos e pelo futuro do jogador, temos de aceitar, não havia alternativa à sua saída. Parece que vem um substituto credenciado, pelo menos até final da época, veremos a sua prestação.»

 

António 1969, neste meu texto

Breve, brevíssimo post de apreciação (e despedida, ai de nós) a Pedro Porro

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Não foi preciso muito para Pedro Porro nos cativar. Sangue quente e velocidade todo ele, não deixou muitas dúvidas, tínhamos lateral, possivelmente o melhor nessa posição dos últimos-muitos-anos. Entregou-se-nos com paixão e ganas, este espanhol emotivo e emocionado tantas vezes. Dramático por vezes, dirão alguns, um apaixonado vejo eu. Divertia-me o seu ar incrédulo quando estalava alguma confusão no campo. Dir-se-ia que nunca as começava e no entanto ali estava ele, no meio, sem crer que adversários entrassem assim em conflito... não deixava de ser engraçado ver.

Porro tem tudo para ser um ídolo  - sou dessas, que apreciam ídolos no futebol - , como os que havia antigamente, não um ídolo fabricado. Desejo-lhe a melhor carreira, agradecendo a sua passagem pelo nosso, agora também seu, Sporting.

Saliento as despedidas, porque foram duas ou três, que o Sporting lhe fez nas suas redes sociais, numa das quais nem os famosos calções faltaram. Terei saudades, em igual medida, dos seus arranques e sorriso rasgado.

Posto isto, rumemos a Alvalade que é dia de jogo (toda a gente sabe que eu vou).

"Informação" leonina

 

30 de Janeiro, 6.16:

«Reviravolta à vista? Saída de Porro do Sporting pode "cair" a qualquer altura.»

 

30 de Janeiro, 7.20:

«Enquanto a transferência para o Tottenham não ata nem desata, Porro pede ajuda a... Amorim; técnico do Sporting pode facilitar saída. Lateral espanhol está impaciente com o rumo das negociações.»

 

30 de Janeiro, 9.40:

«Bronca das grandes: Sporting "cancela" saída de Porro para o Tottenham e espanhol estará furioso. Britânicos irritadíssimos com o clube de Alvalade.»

 

30 de Janeiro, 17.35:

«Pedro Porro em guerra com o Sporting; espanhol quer sair, mas dire[c]ção faz força para o "prender" em Alvalade.»

 

30 de Janeiro, 21.00:

«Fim da novela: Sporting vende Porro ao Tottenham e reforça percentagem do passe de Edwards. Saiba os valores do negócio. Leões vão mesmo despedir-se do ala espanhol que se torna numa das maiores vendas da história do Clube.»

O projecto Sporting

Como já aqui disse, Pedro Porro foi para mim o melhor defesa/ala direito do Sporting desde que comecei a frequentar as bancadas de Alvalade. A sua saída enfraquece o plantel e torna ainda mais complicado alcançar os objectivos desta época desportiva.

Mas esta grande venda para um também grande clube inglês é sem dúvida mais um enorme feito para o projecto desportivo do Sporting, transversal a todas as modalidades, que tem como base a formação desde idades mais baixas complementada com o recrutamento e desenvolvimento de jovens de grande potencial e com jogadores mais experientes e líderes de balneário. No caso do futebol, precisa de grandes vendas para manter a máquina a funcionar a boa velocidade.

 

Pedro Porro sai depois de Matheus Nunes, João Palhinha, Nuno Mendes e Bruno Fernandes, todos para grandes clubes ou pelo menos grandes campeonatos, mas sai depois de ter ajudado o clube a ter êxito desportivo. O mesmo irá acontecer mais tarde ou mais cedo com Inácio, Ugarte, Marsà, Fatawu, Tanlongo, talvez também com Diomandé que ainda agora vai entrar, e muitos outros.

O sucesso do projecto desportivo do Sporting, enquanto não existir um investidor que ajude a mudar as regras do jogo, está em conseguir conjugar os títulos e a Champions com as vendas, conquistando mais para vender melhor, vender melhor para conquistar mais.

Mas para haver boas vendas tem de haver boas compras, e as boas compras são proporcionadas pela qualidade da formação e pela qualidade do scouting, nas quais o treinador principal terá sempre um enorme papel, como está a assumidamente a ter Rúben Amorim.

E as boas compras não são nada fáceis. O barato sai caro, as aparências iludem, os jogadores são como os melões, as lesões surgem quando menos se espera, etc, etc, etc.. Algumas têm tudo para serem boas compras mas revelam-se desastrosas, outras parecem não fazer sentido e revelam-se um achado.

Como aconteceu com este Pedro Porro. Entrou de calções rotos depois duma época em que pouco jogou, foi imediatamente alvo da chacota de muitos, e sai "à matador".

 

Olé, Pedro Porro!!! A melhor sorte do mundo para ti! E manda cumprimentos ao Eric Dier.

SL 

Obrigado, Porro

José Alvalade manifestou a ambição de que o Sporting fosse um clube tão grande como os maiores da Europa. Devemos ter tal ambição sempre presente, sem perdermos a noção de que há campeonatos, clubes, realidades mais competitivas. Há poderios financeiros com os quais não podemos. E de vez em quando surge um jogador de quem temos noção, claramente, que pertence a uma dessas realidades mais competitivas. Enquanto temos a sorte de tais jogadores estarem no Sporting, temos que aproveitar a bênção de poder contar com eles e esperar que ganhem títulos. São raros os jogadores indiscutivelmente assim, mas Pedro Porro foi sem dúvida, desde o primeiro momento, um deles. E no entanto foi sempre um verdadeiro leão, sem tiques de vedeta. Será sempre lembrado. Muito obrigado e muitas felicidades.

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Até sempre, Pedro Porro

Quinto lateral direito mais valioso de sempre

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Pedro Porro sai do Sporting para o Tottenham por um valor superior à cláusula de rescisão, que estava fixada em 45 milhões de euros.

É a segunda maior venda de sempre de um passe de jogador leonino, só ultrapassada pela saída de Bruno Fernandes para o Manchester United, faz agora três anos.

Mais significativo ainda: Porro torna-se o quinto lateral direito mais caro, a nível mundial, na história do futebol. Acima dos preços pagos por Hakimi, Danilo, Rúben Semedo e Dani Alves, por exemplo (ver quadro).

«Se for por estes valores, a transferência de Porro é inacreditável», observava ontem Luís Vilar na CNN Portugal. E com razão.

O valor superior à cláusula cifra-se em 47,5 milhões de euros. Acrescidos disto: o acordo com o clube londrino contempla a cedência do Tottenham ao Sporting de 15% dos direitos económicos de Edwards. Ficaremos assim com 65% do passe do avançado inglês.

Se isto não é um bom negócio, francamente, não sei o que seja um bom negócio. Recordo que Porro, à época internacional sub-21 espanhol, chegou ao Sporting em Agosto de 2020, tendo-se sagrado campeão nacional nove meses depois. A SAD pagou por ele 8,5 milhões de euros ao Manchester City.

Resta-me desejar a Pedro Porro, que deixa muitas saudades em Alvalade, toda a sorte do mundo. Bem a merece.

Quente & frio

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Marcano acaba de marcar o segundo, aos 86', selando o resultado: Sporting perdeu final

Foto: Paulo Novais / Lusa

 

Gostei muito da exibição global do Sporting na primeira parte desta final da Taça da Liga disputada em Leiria com o FC Porto. Superioridade no terreno, aliás traduzida em número de remates: oito, contra apenas um da equipa adversária. Neste período tivemos duas bolas aos ferros (Porro mandou um petardo à trave, a mais de 30 metros de distãncia, Pedro Gonçalves viu uma bola desviar-se para o poste e um passe soberbo a isolar Edwards aos 13' dar golo, infelizmente anulado por deslocação de 41 cm). Partida disputada taco a taco até à expulsão de Paulinho, aos 71'. Mesmo com um a menos na meia hora final, o jogo terminou com superioridade leonina em remates: 11-4. Infelizmente, superioridade que não se traduziu no resultado: 0-2. Final perdida, após três vencidas - uma com Marcel Keizer, duas com Rúben Amorim. Pior: até agora, nesta época, fomos incapazes de marcar ao FCP. Balanço destes confrontos: dois jogos, duas derrotas, cinco golos sofridos. Nem um golito conseguimos marcar-lhes nesta que está a ser a nossa segunda mais negativa temporada de sempre.

 

Gostei das exibições de Pedro Gonçalves, já salientado, e de Edwards. Fizeram pressão alta, ganharam diversos lances individuais e revelaram boa reacção à perda de bola. Mas o nosso melhor, sem sombra de dúvida, foi Pedro Porro. Precisamente no dia em que se despediu dos adeptos, como ficou bem evidente na sua reacção emotiva junto da bancada no fim desta partida. Jogou e fez jogar, sempre em rendimento máximo. No primeiro tempo imperou no seu corredor, neutralizando Wendell. Grandes passes longos, infelizmente desaproveitados, para Nuno Santos (28') e Morita (31'). O petardo à barra foi dele (36'). Tentou novamente o golo num remate rasteiro que Cláudio Ramos só à segunda defendeu (47'). O melhor em campo. Infelizmente, na despedida.

 

Gostei pouco do desempenho de alguns dos nossos jogadores, que revelaram défice de inteligência emocional. Com destaque para Adán, um dos protagonistas - pela negativa - desta final perdida. Monumental frango logo aos 10', vendo a bola rematada à distância por Eustáquio escapar-lhe entre as luvas - a fazer lembrar aquela tarde negra em Marselha para a Liga dos Campeões. Também para Paulinho: após falhar o golo da praxe, aos 42', viu dois amarelos em oito minutos (63' por falta táctica e 71' por conduta antidesportiva ao acertar com um cotovelo na cara de Otávio quando conduzia a bola), levando-nos a ficar reduzidos a dez e pondo o campo inclinado em definitivo para o FCP. E ainda para Matheus Reis, que chegu a encostar o nariz à cara do árbitro aos 90'+6, totalmente descontrolado: viu só amarelo quando podia ter visto vermelho directo. Fala-se muito dos jovens, mas foram alguns dos jogadores mais experientes a enterrar a equipa nesta final. 

 

Não gostei da arbitragem de João Pinheiro, confirmando a sua inaptidão para esta tarefa e demonstrando por que motivo não houve apitadores portugueses no recente Mundial do Catar. Disparidade clara no critério disciplinar: poupou cartões a Pepê por tentativa grosseira de simulação de penálti e a João Mário por travar ataque prometedor a Fatawu, que lhe fez um túnel (65'). Poupou Wendell à expulsão (67') após o portista esmurrar Pedro Gonçalves no peito - sendo aqui a falha imputável sobretudo ao vídeo-árbitro, Tiago Martins. É certo que podia ter feito o mesmo ao  imprudente Tanlongo, que teve o mesmo gesto contra Otávio à beira do fim, mas aí o jogo já estava definitivamente estragado por acção e omissão do árbitro.

 

Não gostei nada de comprovar que as substituições feitas por Rúben Amorim não acrescentaram qualidade à equipa: é um problema estrutural, existente desde o primeiro dia desta triste temporada 2022/2023. Nem do clamoroso falhanço colectivo da nossa defesa que levou Marcano, central portista, a sentenciar a partida aos 86' isolado perante Adán. Gostei ainda menos de ver uma larga franja de membros da Juventude Leonina, uma vez mais, transformar o incentivo à equipa em berraria rasca contra a turma adversária gritando «O Porto é merda!» Comportamento indigno de um clube com as tradições e os pergaminhos do Sporting que acaba por dar moral à equipa que enfrentamos. Muito pior foi o arremesso de tochas, a partir dos 55', vindas do sector do estádio onde se concentravam esses elementos - em direcção ao nosso banco de suplentes, ainda por cima. Esta gente está a mais no futebol. Esta gente afugenta o cidadão comum dos estádios. Esta gente, que no final também queimou cadeiras, devia experimentar, na pele, as novas medidas punitivas para quem usa material pirotécnico em recintos desportivos: prisão até cinco anos ou multa até 600 dias

O que fazer depois de Porro?

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E se perdermos mesmo Porro?

O que deve ser feito sem demora para colmatar este eventual rombo - que promete ser quase irreparável - no já curto plantel leonino 2022/2023?

A Bola noticiou ontem com destaque, na sua edição digital, a contratação iminente de Tariq Lamptey, lateral ganês de 22 anos (1,63m) formado no Chelsea e agora no Brighton - em sexto na Premier League. Internacional A pelo Gana, que recentemente defrontou a nossa selecção no Mundial do Catar, pode vir por empréstimo.

Por sua vez o Record garantia há três dias, com manchete de capa quase inteira, que o escolhido seria Van Ewijk, também de 22 anos (1,77m), oriundo do Heerenveen e internacional sub-21 pela Holanda.

Convém recordar que a SAD leonina mandou entretanto regressar a Alvalade Gonçalo Esteves, de 18 anos (1,71m) que esteve meia época emprestado ao Estoril, onde teve utilização residual. Este jovem formado no FC Porto é hoje apresentado como «aposta a longo prazo», faltando saber-se em que moldes.

Chegou a falar-se noutro regresso: o de Tiago Santos, agora com 20 anos (1,75m), formado na Academia de Alcochete mas que renovou em Setembro com o Estoril, onde é titular como lateral direito. Tiago cumpriu quase todos os escalões de formação no Sporting, tendo sido cedido há um ano aos estorilistas.

Claro que há Esgaio. Mas será sempre um pálido sucessor de Porro. Daí a pergunta que renovo: deve ser feito o quê? E outra, que se segue a esta: alguém acredita que mudaremos para melhor?

Outra vitória arrancada a ferros

Sporting, 2 - Vizela, 1

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Porro acaba de marcar o golo da nossa vitória muito sofrida frente ao Vizela

Foto: António Pedro Santos / Lusa

 

Parece sina nossa esta época: fechamos a primeira volta do campeonato com outra exibição cheia de momentos a roçar a mediocridade, com jogadores que não cumprem os mínimos em campo. Frente a uma equipa com um orçamento incomparavelmente inferior ao nosso (já que agora a moda é comparar orçamentos), vimo-nos aflitos para marcar um golito, que só surgiu quando estava decorrida quase uma hora de jogo. Depois, como é costume, recuámos muito no terreno e deixámos a turma adversária crescer - e marcar. E lá voltou o carrossel dos aflitos, incluindo o capitão Coates em "comissão de serviço" lá na frente, tentando nos dez minutos finais conseguir aquilo que Paulinho foi incapaz de fazer.

Valeu-nos um penálti. Mais um, pelo segundo jogo consecutivo. Obtido já nessa fase do desespero, em que o mandamento táctico parecia ser "tudo lá na frente e seja o que Deus quiser". As orações foram escutadas: a grande penalidade caiu do céu ao minuto 90'+5. Mas concretizada de modo impecável, num pontapé bem terreno. Não por um avançado, mas por um defesa. O nosso lateral direito Pedro Porro, que podemos estar quase a perder para um emblema da Premier League.

Mais um, após Palhinha e Matheus Nunes. Parece sina também.

 

E no entanto até entrámos a pisar o acelerador, reagindo com eficácia à pressão alta que os vizelenses ousaram fazer naqueles minutos iniciais em Alvalade. Conseguimos esticar o jogo e colocar a bola lá na frente. O problema, para não variar, ocorreu na zona decisiva, a de finalização. Logo aos 5', Paulinho teve soberba oportunidade de abrir o marcador: fez tanta pontaria que acertou, isolado, na cabeça do guarda-rede.

Seguiu-se um festival de desperdício que pôs os nervos em franja nas bancadas de Alvalade, escassamente povoadas: apenas 23 mil espectadores na noite fria de anteontem - incluindo cerca de meio milhar de adeptos do Vizela. Jogo iniciado às 21.15 - horário absurdo para Inverno, mesmo sendo sexta-feira. Não admira que tenha sido o pior registo da temporada, até ao momento, em número de lugares preenchidos no nosso estádio.

 

Foi exasperante continuar a ver tanto golo desperdiçado naquela primeira parte que terminou com o resultado ainda em branco. Paulinho voltou a ter o golo nos pés ou na cabeça sem conseguir dar a melhor sequência à bola: ou mandava para fora ou lhe acertava tão de raspão que aquilo resultava em nada. Aos 20', 32' e 44'. Trincão seguia-lhe o exemplo, com um par de clamorosos falhanços aos 11' e aos 19'.

Ouviam-se os primeiros assobios. E não faltou quem gritasse «Joguem à bola!»

Rúben Amorim decidiu mexer mais cedo do que é costume. Deixou no balneário o inconsistente Edwards, que por vezes parece alheado do jogo, e mandou entrar Morita - regresso aplaudido após longa lesão na sequência do Mundial do Catar, onde esteve em evidência. O japonês deu estabilidade ao meio-campo, onde faz boa parceria com Ugarte. E permitiu libertar Pedro Gonçalves para o lugar onde mais rende: lá na frente.

Sem surpresa, voltou a ser o transmontano a desbloquear o jogo. Mostrando a Paulinho e a Trincão como se faz: recebido mais um centro milimétrico de Porro, meteu-a lá dentro ao primeiro toque, à ponta-de-lança. Estavam decorridos 59 minutos. Podia-se respirar enfim de alívio em Alvalade.

 

Mas não por muito tempo. Porque o segundo golo ia tardando. Paulinho, puxando a culatra atrás, ensaiou um golo artístico. Faltou-lhe apenas o essencial: a pontaria. Seria um grande golo, esse, aos 63'. Se entrasse. O problema é que a bola foi direita ao poste - e voltou a não entrar.

Percebemos que o problema é mesmo grave sempre que o treinador decide mandar sair Trincão. Tinha sucedido isso já aos 56', quando o minhoto deu lugar a Arthur, que mostrou mais acutilância e menos displicência. Substituição que só pecou por tardia: devia ter ocorrido logo ao  intervalo. 

Talvez também por instruções do treinador, a equipa foi cedendo terreno ao Vizela.

Estaríamos já a defender o magro 1-0 quando faltava jogar meia hora? Podia não ser, mas parecia.

 

Foi nesse contexto que surgiu o golo adversário. Com toda a linha defensiva a parar, quando a bola saiu dos pés de um vizelense e foi embater noutro vizelense após ter tabelado de modo fortuito no árbitro. Os nossos detiveram-se, reclamando bola ao solo, esquecendo-se que o jogo só pára quando se ouve o apito. Os adversários prosseguiram e ela lá foi anichar-se nas redes, com Adán batido à queima-roupa.

Instalava-se o nervosismo novamente, em doses reforçadas. Paulinho via amarelo por protestos, a frase «somos sempre roubados» ia sendo proferida nas bancadas. Até que, talvez para contrariar tal convicção de muitos adeptos, conseguimos um penálti mesmo ao cair do pano: um puxão ostensivo à camisola de Coates e um pontapé acima da cintura atingindo Paulinho na cabeça deram origem ao castigo máximo, sancionado pelo vídeo-árbitro.

Rui Costa apitou para a marca dos 11 metros, tal como Artur Soares Dias fizera no domingo anterior, no clássico da Luz.

 

E Porro voltou a ser herói. Foi ele a querer marcar, naquele instante decisivo. Foi ele a arrancar a ferros estes três pontos que nos permitem consolidar o quarto lugar, agora com o Casa Pia um pouco mais distante. Foi ele a tornar possível a nossa primeira vitória de 2023 - após derrota no Funchal e o empate na Luz. Foi ele a demonstrar ser um dos raros heróis leoninos desta triste primeira volta do campeonato.

Foi ele a festejar de modo tão exuberante, voltando-se para os adeptos enquanto levava a mão ao emblema, que fiquei com a convicção de que o teremos entre nós pelo menos até Maio. Que seja assim, desejamos todos. Do mal o menos.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Podia ter feito melhor no lance do golo? Podia. Mas o remate seco foi disparado tão perto que seria muito difícil travá-lo. De resto, atento e competente entre os postes.

Gonçalo Inácio - Foi um dos que pararam, reclamando bola ao solo, no lance do golo sofrido. Comportamento digno de uma defesa amadora, não profissional. Lamentável.

Coates - Também claudicou naquele momento decisivo, mas destacou-se em cortes e desarmes. Missão de sacrifício nos 10 minutos finais, como ponta-de-lança improvisado.

Matheus Reis - Destacou-se pela positiva num lance crucial: aos 59' foi lá à frente, como um extremo, e cruzou da esquerda para o centro, movimento crucial no nosso primeiro golo.

Porro - De longe o melhor em campo. Uma assistência (já soma onze) e um golo. Além de uma mão-cheia de cruzamentos que outros desperdiçaram. Impossível pedir-lhe mais.

Ugarte - Sólido no meio-campo, vital a estancar movimentos ofensivos do adversário, funcionou muito melhor com Morita do que com Pedro Gonçalves. Só lhe falta golo.

Nuno Santos - Foi pouco exuberante, algo discreto. Tentou a meia-distância aos 22': a bola rasou a barra. Excelente passe vertical aos 27'. Saiu por motivos tácticos aos 87'.

Pedro Gonçalves - É evidente que rende muito mais lá na frente, integrando o trio de avançados, do que no meio-campo. Marcou aos 59'. Isola-se como artilheiro da equipa.

Edwards - Marcou de forma displicente um canto aos 16', como se estivesse a jogar na praia. Falta-lhe intensidade na disputa da bola. Foi substituído ao intervalo, sem surpresa.

Trincão - Ouviu assobios ao falhar o segundo golo cantado, aos 19', optando por um passe ao guarda-redes. Já haviado falhado aos 11'. Saiu sem palmas nem glória aos 56'.

Paulinho - É bom a conquistar penáltis: voltou a acontecer aos 89'. Menos bom a marcar golos. Mandou uma bola ao poste, outra à cara do guarda-redes. Mais um jogo em branco.

Morita - Muito aplaudido, regressou aos 46' após mais de um mês afastado por lesão. Contribuiu para dar consistência ao meio-campo e maior eficácia na ligação ao ataque.

Arthur - Substituiu Trincão aos 56'. Menos apático e perdulário do que o minhoto, é ele a iniciar o nosso primeiro golo num passe a aproveitar bem a desmarcação de Matheus Reis.

Chermiti - Estreia em Alvalade, como jogador da equipa principal, substituiu Pedro Gonçalves aos 77'. Deu algum dinamismo à frente atacante. Parece promissor.

Tanlongo - Outra estreia, esta em absoluto de Leão ao peito. O reforço argentino rendeu Ugarte aos 77'. Parece ter bom toque de bola: passes acertados, denotando visão de jogo.

St. Juste - Substituiu Nuno Santos aos 87' para libertar Coates como avançado improvisado. Tempo insuficiente para mostrar o que vale ou o que não vale. 

Pódio: Porro, Pedro Gonçalves, Ugarte

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Vizela pelos três diários desportivos:

 

Porro: 18

Pedro Gonçalves: 15

Ugarte: 15

Coates: 15

Nuno Santos: 14

Adán: 14

Gonçalo Inácio: 14

Paulinho: 13

Matheus Reis: 13

Chermiti: 12

Arthur: 12

Morita: 12

Tanlongo: 11

Trincão: 11

Edwards: 10

St. Juste: 1

 

Os três jornais elegeram Porro como melhor em campo.

Rescaldo do jogo de ontem

 

Gostei

 

Da vitória arrancada a ferros. Derrotámos o Vizela (2-1) graças a um penálti convertido aos 90'+5. Após outro jogo muito sofrido e em grande parte medíocre do nosso lado, exasperando os escassos 23.358 adeptos que ali compareceram em noite fria de Inverno e em horário impróprio (apito inicial às 21.15). Primeiro triunfo em 2023 neste regresso a casa após uma derrota (com Marítimo) e um empate (com Benfica). E a pior assistência até agora registada nesta Liga em Alvalade.

 

De Porro. Outra vez o melhor em campo. É hoje, inegavelmente, o elemento com mais qualidade no plantel leonino. Transferi-lo neste mercado de Inverno será outra machadada no "projecto do Sporting", que implica exibir um futebol atractivo e eficaz para poder aceder a títulos e à injecção financeira que só eles proporcionam. Marcou de modo exemplar o penálti da vitória. Já tinha assistido no golo inicial e tentado ele próprio o golo num remate forte aos 45'+2. Fez vários cruzamentos irrepreensíveis mas quase todos desaproveitados. Soma agora 11 assistências no campeonato. O modo exuberante como festejou o golo, apontando para o emblema, indica que quer continuar em Alvalade.

 

De Pedro Gonçalves. Soma e segue: outro golo, desta vez em bola corrida. À ponta-de-lança, aos 59', dando a melhor sequência, em ângulo recto para a baliza, ao centro de Porro. Aos 20', serviu muito bem Paulinho num dos lances que o avançado-centro desperdiçou. O seu desempenho foi muito superior na segunda parte, quando Morita entrou para fazer parceria com Ugarte no meio-campo e o ex-Famalicão avançou no terreno: é ali que deve jogar sempre. Nos últimos quatro jogos, marcou em três.

 

Do regresso de Morita. O internacional japonês, que esteve mais de um mês lesionado após ter participado dignamente no Campeonato do Mundo, funciona como complemento ideal a Ugarte no meio-campo leonino. Fazendo a ligação ao ataque, enquanto o uruguaio resguarda a componente defensiva. Em campo durante toda a segunda parte. Cumpriu a missão. E permitiu libertar Pedro Gonçalves para o triângulo ofensivo, onde mais rende.

 

De Tanlongo. Estreia absoluta de Leão ao peito do jovem médio argentino, recém-chegado ao Sporting. Entrou aos 77', rendendo Ugarte, e mostrou boa atitude em campo - com visão de jogo e qualidade de passe. Parece ter maturidade superior aos seus 19 anos. E é um dextro entre vários canhotos, o que registo com agrado.

 

Da estreia de Chermiti em Alvalade. Tal como Tanlongo, entrou quando o resultado estava 1-1 e quase todos temíamos novo empate pelo segundo jogo consecutivo. O jovem açoriano da nossa formação substituiu Pedro Gonçalves aos 77', o que causou alguma estranheza entre os adeptos mas confirma que Rúben Amorim aposta mesmo nele, mesmo sem contrato renovado. Protagonizou uma exuberante recepção de cabeça (90'+9). No mesmo minuto viu um amarelo por falta táctica que se impunha quando o Vizela tentava a todo o custo o 2-2.

 

De ver três dos nossos sem cartão. Coates, Nuno Santos e Porro, que estão "tapados" com quatro amarelos, passaram incólumes, sem castigo. Podemos contar com eles para o próximo desafio - a meia-final da Taça da Liga, terça-feira, frente ao Arouca. 

 

Deste segundo penálti em dois jogos. Valeram-nos três pontos nestas duas jornadas. O que foi convertido no domingo contra o Benfica, permitindo o empate na Luz, e este que nos fez passar do empate à vitória no embate com a turma vizelense. 

 

Da homenagem a Meszaros antes do jogo. Minuto de silêncio em memória do histórico guarda-redes leonino transformado em merecida ovação nas bancadas.

 

 

Não gostei

 

Do resultado ao intervalo. O nulo inicial mantinha-se nesta partida contra o oitavo classificado da Liga 2022/2023. Consequência do eficaz sistema táctico adoptado pelo Vizela em Alvalade, numa inédita (para eles) formação com três centrais, e sobretudo do enorme desperdício dos nossos atacantes. Com destaque para Paulinho e Trincão, incapazes de a meter no fundo das redes. Edwards nem tentou.

 

Da extrema lentidão a partir dos 20' iniciais. Fracassadas as tentativas de marcar, decidimos "pausar o jogo", passando a "construir de trás" com a passividade do costume, já com assobios a escutarem-se nas bancadas. Como se apenas soubéssemos correr atrás do prejuízo. A rapidez só regressou após o intervalo - e acentuou-se, com mais nervos do que cabeça, a partir do golo do empate, aos 75'.

 

De Edwards e Trincão. Foi exasperante vê-los em campo. Edwards, só na primeira parte. O ex-Barcelona até ao minuto 56. Falta de intensidade, falta de energia anímica, falta de espírito competitivo - ao invés dos alas, Porro e Nuno Santos. O inglês marcou de forma displicente um canto, aos 16', entregando-a ao guarda-redes. O minhoto, bem colocado, transformou aos 19' um possível golo num passe ao guardião Buntic. Aos 54', após falhar um passe de forma caricata, ouviu ainda mais assobios e acabou por ir tomar duche mais cedo.

 

De Paulinho. Voltou a sacar um penálti. Mandou uma bola ao poste (63'). Mas é inacreditável a quantidade de golos que falha - como aquele, logo aos 5', em que apareceu isolado e conseguiu acertar com a bola... na cara do guarda-redes. Chega ao fim da primeira volta do campeonato, ontem cumprida para nós, com apenas dois golos marcados nesta prova máxima a nível nacional. Números inaceitáveis para um avançado-centro.

 

De Rui Costa. A bola bateu nele 10 segundos antes do golo vizelense. Devia ter interrompido o jogo e recomeçá-lo com bola ao solo, mas fez de conta que nada tinha acontecido. Estavam decorridos 75 minutos, o Vizela empatava graças à preciosa ajuda e este árbitro confirnava o que já sabíamos: está a mais nos relvados portugueses. Por ter ultrapassado o limite de idade e ter superado o patamar aceitável de competência.

 

Da nossa defesa. Parou toda, pregada ao chão, à espera que Rui Costa interrompesse o jogo no lance do golo sofrido. Atitude inaceitável: deviam ter continuado a disputar a bola. Assim não admira que o Sporting, quarto classificado no campeonato, tenha agora só a oitava melhor defesa, com 19 golos sofridos em 17 jogos. Até o Vizela está à nossa frente.

 

De ver Coates novamente como "ponta-de-lança" improvisado. Aconteceu nos minutos finais, após St. Juste ter entrado - aos 87', por troca com Nuno Santos. Por falta de alternativas no banco, volta a solução de recurso. Por sinal numa época em que o nosso capitão ainda não conseguiu marcar qualquer golo.

 

Da comparação. À 17.ª jornada, temos menos 12 pontos do que na mesma fase do campeonato anterior. Queda abrupta.

O dia seguinte

Foi uma primeira parte estranha. Do encaixe entre o 3-4-3 do Sporting e o 5-3-2 do Vizela com a linha defensiva bem subida no campo resultou o domínio da equipa adversária no meio-campo estrangulando o nosso jogo, mas através de bolas longas colocadas atrás da linha defensiva conseguimos cinco oportunidades claras de golo contra uma do adversário.

Paulinho acertou na cabeça do guarda-redes numa, falhou o desvio noutra a passe de Trincão, penteou para Trincão ver a bola passar noutra. Trincão falhou duas vezes frente ao guarda-redes adversário.

Quando o desperdício é tanto, o resultado costuma ser a derrota.

 

Com 0-0 ao intervalo, impunha-se retirar os dois interiores que estavam num dia negro e colocar mais um médio libertando Pedro Gonçalves das funções que apenas o prejudicam. Foi isso que Rúben Amorim fez, primeiro com Morita e depois com Arthur Gomes. E logo o Sporting começou a chegar com a bola controlada à àrea adversária. Dum lance de Arthur surgiu o golo de Pedro Gonçalves, que já tivera uma ocasião de golo cortada por um adversário. 

Pouco tempo depois Paulinho, isolado, acertou no poste. A equipa relaxou demasiado, foi deixando o tempo correr, pondo-se a jeito para a falta de vergonha dum árbitro "dourado" que interceptou uma bola dum jogador do Vizela que viria ter a um jogador do Sporting, a equipa ficou à espera do apito que não surgiu, o Vizela aproveitou para centrar e marcar.

Tudo o que poderia correr mal estava mesmo a correr, o fantasma do Murphy pairava em Alvalade.

 

Foi então que Amorim, com a vitória estupidamente comprometida por erros próprios e pelo portuense irmão do outro que o nomeia, puxou da cartada kamikaze, tirou dois dos melhores em campo, Ugarte e Pedro Gonçalves, para pôr em jogo dois "passarinhos", Tanlongo e Chermiti.

Previa-se o pior, até porque a Juveleo foi aproveitando para cantarolar o "joguem à bola, joguem à bola...joguem à bola, joguem à bola... " (e depois queixam-se que os jogadores não vão lá agradecer o "apoio"), e quando entrou St.Juste para pôr Coates a fazer dum Bas Dost que não existe nem se equaciona a compra, então parecia ser mesmo o fim, e mais um dia de vergonha para o Sporting em Alvalade.

Já assisti a tantos que seria apenas mais um.

 

Mas não. Mesmo no final duma confusão na área contrária Paulinho surge agarrado à cabeça, o apitador irmão do outro que o nomeia para estas encomendas ignora, o VAR chama-o ao monitor e lá é forçado a engolir o apito e marcar o penálti. Além do pontapé na cabeça de Paulinho ainda tinha havido um agarrão a Coates.

E assim o Sporting conquistou 3 pontos que inacreditavelmente ia conseguindo desperdiçar.

Melhor em campo? Porro, sempre a perceber o que tinha de ser feito e a marcar muito bem o penálti.

Pior em campo? O apitador "dourado" que nunca mais é reformado com justa causa. Além do lance do segundo golo, aquela falta marcada a Coates pelo teatro do Bruno Wilson é de bradar aos céus. Só espero que não vá fazer companhia ao irmão na nomeação dos árbitros. Pode ir fazer palestras aos jogadores do Porto como aldrabar os árbitros como ele.

 

PS: Primeira vez que vi jogar Tanlongo, parece ser outro Ugarte, gostei. Chermiti já conheço, atributos físicos de eleição mas muito para evoluir.

SL

Porro e a lei do mercado

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O mercado de Inverno está aberto. Pedro Porro poderá sair rumo ao Tottenham e à Premier League caso o clube inglês o decida. Basta chegar-se à frente com o valor da cláusula de rescisão. Se esse for o caso, e espero que não, será mais um jogador de imensa qualidade a desfalcar o plantel, depois de Bruno Fernandes, Nuno Mendes, João Palhinha e Matheus Nunes. 

Vender regularmente os melhores jogadores é uma inevitabilidade para os três grandes, pela necessidade de equilibrarem as contas, porque não contam com donos estrangeiros para bancar os investimentos, pelo prestígio que apesar de tudo tem o futebol português e ao nível das suas principais equipas, empresários, treinadores e jogadores. E porque corresponde aos planos de carreira dos jogadores e aos anseios dos empresários respectivos.

Portanto, mais que a possível venda dum ou doutro, importa é questionar como foi preparada a mesma e o futuro da equipa na posição.

Um plantel bem formado deve contemplar dois jogadores de valor aproximado por posição, preferencialmente com um jogador mais novo como suplente a poder assumir o papel do titular em qualquer momento. E também ele contar com um jovem "sombra" a ser preparado para ocupar o seu lugar de suplente quando for necessário.

No caso de Palhinha isso foi feito e bem. Veio Ugarte que depois de alternar com ele na posição assumiu o lugar na sua saída, foi-se preparando Essugo e contratando Tanlongo para o futuro da posição, onde Veiga poderá ainda ter uma palavra a dizer. Isto não significa que a saída de Palhinha não tenha tido custos desportivos, todos os grandes jogadores que sairam deixaram saudades, quer apenas dizer que foi preparado o futuro na posição.

No caso de Edwards também existem várias alternativas no plantel. Arthur, Rochinha, Fatawu qualquer um deles pode fazer a posição, e ainda temos o Afonso Moreira na B.

Mas no caso de Pedro Porro a sua "linha de sucessão", ou seja, Esgaio, Gonçalo Esteves e Travassos, defronta-se com vários problemas. Esgaio esgotou a paciência dos adeptos devido a falhas graves, Gonçalo falhou no empréstimo ao Estoril e recupera o tempo perdido na B, obrigando um ainda muito "verde" Travassos a mudar de lado.

Assim, a saída de Pedro Porro, se Rúben Amorim não tirar mais um coelho da cartola e por exemplo adaptar St.juste ou Arthur a ala direito, vai obrigar o Sporting a ir ao mercado e gastar bem para encontrar alguém com rendimento comparável. Sem garantia de rendimento no imediato. Veja-se o fiasco que foi a contratação de Vinagre para substituir Nuno Mendes.

Sendo assim o melhor mesmo é que Pedro Porro fique até ao final da temporada. Ou até mais tempo.

O melhor defesa/ala direito de todo o meu tempo de frequentador das bancadas de Alvalade.

SL

A voz do leitor

«Quanto ganharia Pedro Porro no Tottenham? Três, quatro vezes mais do que no Sporting. O assunto tem de ser bem gerido; ficar com um jogador insatisfeito não interessa, acabará por sair ainda por menos. O amor à camisola terminou com os 5 Violinos. Se já tivemos maus exemplos em jogadores da Academia, que devem tudo ao clube, não vamos agora querer levar Porro ao "altar".»

 

Leão de Queluz, neste meu postal

Rescaldo do jogo de ontem

 

Gostei

 

Do ponto que obtivemos com este empate na Luz. Foram os primeiros pontos perdidos pelo Benfica em casa no campeonato, que os encarnados lideram isolados. Este 2-2 soube-nos a pouco, mas foi bem melhor do que termos perdido antes com Boavista, Tondela e Marítimo. 

 

Dos 20 minutos iniciais. Bom jogo leonino, sem complexos frente ao líder da Liga 2022/2023, perante 62.295 espectadores nas bancadas. Equipa  veloz, compacta, com lances ofensivos bem medidos.

 

De ter estado duas vezes em vantagem. Abrimos o marcador aos 27', graças a autogolo de Bah, em bola dividida com Trincão à boca da baliza. Ao intervalo, havia 1-1. Na segunda parte, voltámos a pôr-nos na frente, desta vez de penálti, aos 53', a punir carga de António Silva sobre Paulinho quatro minutos antes. O árbitro, Artur Soares Dias, teve dúvidas: alertado pelo vídeo-árbitro Tiago Martins, considerou grande penalidade. As imagens comprovam o acerto da decisão.

 

De Porro. Exibição muito positiva do internacional espanhol, que só não foi ao Mundial do Catar por absurda incapacidade do seleccionador Luis Enrique (já afastado dessas funções) de perceber que está ali um dos melhores laterais direitos do futebol europeu. Marcou de forma exemplar um livre directo, aos 6', forçando Vlachodimos a voar para a defesa da noite. E é ele a iniciar o nosso primeiro golo numa primorosa abertura de pé esquerdo para Edwards que depois centraria de pé direito. Com sucesso.

 

De Pedro Gonçalves. Relegado para o meio-campo, fora da zona de tiro que o notabilizou no Sporting, desempenhou a missão com abnegação e espírito de sacrifício, transportando bem a bola, sem virar a cara à luta. Aos 4', já arrancava um amarelo a Otamendi. E aos 53', bem à sua maneira, converteu de modo irrepreensível o penálti. Agora com dez golos na temporada, recupera o estatuto de maior goleador leonino.

 

De Ugarte. Missão de sacrifício do jovem internacional uruguaio, que se bateu como verdadeiro Leão contra os adversários no corredor central. Recuperações e cortes de bola providenciais. Apoiou a defesa sem descurar a construção ofensiva. Um poço de energia do princípio ao fim do jogo. Voto nele como o melhor dos nossos neste clássico.

 

Da estreia de Chermiti. Surpresa total: Rúben Amorim promoveu outro miúdo da formação à equipa principal. E logo num jogo desta responsabilidade, substituindo um fatigado Paulinho aos 78'. A verdade é que o jovem açoriano, de 18 anos, teve o golo da vitória nos pés, mesmo ao cair do pano (90'+2). Recebeu muito bem um passe longo, livre de marcação, mas pecou pela deficiente finalização ao rematar por cima. Esperemos que seja o primeiro de muitos jogos de Leão ao peito entre os "adultos". E que nos próximos  demonstre pontaria mais afinada.

 

De termos disputado este clássico só com um titular habitual de fora. A excepção foi Morita, que embora já regressado há mais de um mês do Catar, onde alinhou pela selecção do Japão no Mundial, ainda não atingiu os níveis de recuperação muscular necessários para a competição no campeonato português. Todos os outros estavam aptos, sem lesões nem castigos.

 

 

Não gostei

 

De termos alcançado pior resultado do que há um ano. Na época passada, vale a pena recordar, fomos vencer por 3-1 à Luz. Num jogo que dominámos por completo.

 

De termos sido incapazes de segurar a vantagem. Duas vezes adiantados no marcador, deixámo-nos empatar. Repetiu-se o padrão que já havia sucedido no início do campeonato, quando empatámos (3-3) em Braga, estando sempre em vantagem que acabaria por ser anulada. 

 

Da nossa defesa. Desconcentração, falta de comunicação, lapsos individuais (Gonçalo Inácio voltou a comprometer), incapacidade para travar o melhor ponta-de-lança actual do futebol português: Gonçalo Ramos movimentou-se como quis na nossa área e pôde assim marcar por duas vezes, aos 37' e aos 64'. Nem parecia que estávamos a jogar com três centrais rotinadíssimos. Este foi ontem, de longe, o pior sector da nossa equipa.

 

De Trincão. É verdade que pressionou no lance do primeiro golo, provocando o erro de Bah que nos adiantou no marcador. Mas voltou a ter uma exibição abaixo dos níveis de exigência de uma equipa com o perfil competitivo do Sporting - algo bem espelhado na forma inacreditável como, com a frente ganha, se deixou antecipar por António Silva, que vindo de trás lhe roubou a bola (e o golo) aos 38'. Substituído só aos 89' por Jovane, já saiu tarde.

 

De termos perdido outros dois pontos. Vemos o segundo lugar cada vez mais distante (o Braga está com mais oito que nós e o FC Porto tem mais sete). E até podemos perder o quarto lugar no campeonato se o Casa Pia vencer hoje o Estoril. 

 

Dos 19 pontos perdidos à 16.ª jornada. Ainda antes de concluída a primeira volta, estamos já pior do que estivemos em todo o campeonato anterior, quando concluímos as 34 rondas com apenas 17 pontos desperdiçados. A diferença é brutal.

 

Do nosso péssimo registo nos jogos fora. Já sofremos 14 golos em terreno adversário neste campeonato. Só os dois últimos, Marítimo e Paços de Ferreira, sofreram mais que nós.

Rescaldo do jogo de ontem

 

Não gostei

 

Da derrota no Funchal. O Sporting naufragou ontem frente ao Marítimo, num estádio que nos traz más recordações. Após sete vitórias consecutivas em duas competições, tropeçámos frente à equipa local. Esta derrota (0-1) é ainda mais frustrante por ser contra o penúltimo classificado do campeonato, a segunda equipa com pior defesa e que até agora não tinha registado qualquer vitória em casa. 

 

Da falta de atitude competitiva. Se vencêssemos o Marítimo, como era nossa obrigação, reforçávamos o quarto lugar na Liga, ficando a dois escassos pontos do FC Porto - que ontem empatou com o Casa Pia - e a três do Braga. Passávamos a depender só de nós para atingir um posto com acesso à próxima Liga dos Campeões - o terceiro ou mesmo o segundo, pois braguistas e portistas ainda terão de vir a Alvalade. Esta derrota torna esse objectivo cada vez mais distante. Decepção total.

 

De Rúben Amorim. Perdeu o jogo do ponto de vista táctico antes de o perder no relvado. Ao ver a nossa equipa encurralada no meio-campo defensivo, sem conseguir sair com a bola (só aos 17' chegámos pela primeira vez à frente), devido à pressão altíssima da turma de casa, não desfez o previsível sistema habitual nem mexeu no onze titular - a primeira substituição foi aos 57', mal sofremos o único golo do desafio, de penálti. Com os nossos alas condicionados e o meio-campo aturdido face ao domínio maritimista, a passividade do treinador só acentuou o problema.

 

De Trincão. Quase todos os nossos jogadores - vindos de dez dias sem competição, demasiado relaxados e desconcentrados - estiveram mal. Mas o extremo canhoto passou por completo ao lado da partida. Incapaz de fazer a diferença num só lance enquanto esteve em campo. Perdeu bolas, entregou-as ao adversário, falhou emendas - enfim, um desastre.

 

De Paulinho. O avançado que é ainda o melhor marcador da Taça da Liga parece não ter entrado no estádio dos Barreiros. Vimos, isso sim, aquele Paulinho a que já estamos familiarizados: a pecar na finalização. É certo que a única verdadeira oportunidade de golo foi dele, aos 17', em posição frontal - a que o guarda-redes adversário Marcelo Carné, em estreia no Marítimo, correspondeu com a defesa da tarde. Mas dois minutos depois falhou um golo cantado que lhe foi oferecido por Arthur, ao calcular mal a impulsão para cabecear. Apanhado em fora-de-jogo nuns lances e posicionando-se de forma errada noutros, teve exibição fraquíssima.

 

De Mateus Fernandes. Partida infeliz do jovem médio leonino, lançado apenas pela segunda vez como titular na equipa A, em inédita parceria com Ugarte. Vem habituado a jogar num meio-campo a 3 no Sporting B e parece ainda mal adaptado ao sistema de Amorim. Não conseguiu estancar o fluxo ofensivo do Marítimo e teve algumas decisões disparatadas - com maior destaque para o penálti totalmente desnecessário cometido aos 53'. Daí nasceria o golo solitário do Marítimo, aos 56'. E mais três pontos perdidos para nós.

 

Da falta de banco. É cada vez mais gritante a ausência de suplentes qualificados, como há meses vimos alertando aqui. Na ausência de dois habituais titulares (desta vez Pedro Gonçalves, a cumprir castigo, e Morita, lesionado) o onze nunca consegue ser o mesmo. Sem reforços nesta janela de Inverno, restar-nos-á uma temporada medíocre em perspectiva. A qualidade paga-se. E a falta de qualidade também.

 

De Rochinha e Jovane. O Sporting quer pô-los no mercado tão cedo quanto possível. E a exibição de ambos neste jogo só confirma que estão a mais no plantel. Rochinha, em campo desde o minuto 65, voltou a ser incapaz de fazer a diferença: o seu desempenho é sempre irrelevante. Jovane, que entrou aos 75', parece irremediavelmente perdido para o futebol leonino: teve até um pormenor patético, digno dos "apanhados", quando marcou um canto directamente para fora.

 

Da substituição de Coates. Amorim deu-lhe ordem de saída aos 75', aparentemente com receio de que ele visse um amarelo no quarto de hora final, afastando-o da próxima jornada no estádio da Luz. Mas o capitão leonino - o elemento de  maior estatura da equipa - saiu precisamente no momento em que mais falta nos fazia lá na frente, tentando marcar em lance aéreo ao menos o golo do empate. Ninguém compreendeu.

 

Do penálti perdoado ao Marítimo. Um empurrão óbvio nas costas de Porro, derrubado em falta na grande área aos 50', passou despercebido ao árbitro Helder Malheiro e ao respectivo árbitro auxiliar - decisão errada que o vídeo-árbitro Cláudio Pereira decidiu não reverter. Inclinando o campo claramente a favor da equipa da casa.

 

Dos cartões por protestos. É inconcebível vermos cenas destas repetirem-se, com prejuízo óbvio para a nossa equipa. Ontem, mais três: Porro, Matheus Reis e Esgaio viram amarelos por este motivo. O caso de Esgaio roça o absurdo: amarelado por protestar no banco de suplentes, do qual não saiu. A falta de atitude competitiva de uma equipa também se nota nestes aspectos.

 

Da classificação. Vemos agora - à 15.ª jornada - o Benfica já com mais 12 pontos. E temos o Casa Pia apenas um ponto abaixo de nós, ameaçando ultrapassar-nos no modesto quarto lugar.

 

De 2023. Começou da pior maneira para o Sporting. Com uma derrota logo ao primeiro jogo. É a quinta que sofremos neste campeonato: um terço dos desafios foram perdidos.

 

 

Gostei

 

Do Marítimo, agora com novo treinador. O onze insular, que passou a ser orientado por José Gomes, mereceu esta vitória. Foi superior ao Sporting do princípio ao fim.

 

De Porro. O menos mau dos nossos. Atitude combativa nunca lhe faltou. E teve um adversário directo à altura: o brasileiro Leo Pereira, recém-chegado ao Funchal - eis um verdadeiro reforço. O internacional espanhol voltou a servir bem os colegas pelo menos em três cruzamentos - aos 17', 81' e 90'+2. Mereciam ter sido aproveitados.

 

De Gonçalo Inácio. Desempenho também acima da média do jovem central leonino, que voltou a fazer duas posições: à direita, até à saída de Coates; e ao centro na fase final (com St. Juste, há muito afastado, enfim de regresso). Grandes cortes, em lances perigosos, aos 70' e aos 78'.

 

De Nuno Santos. Fora do onze inicial para acautelar um eventual quinto amarelo que o pudesse deixar fora do próximo desafio, frente ao Benfica, o ala esquerdo acabou mesmo por entrar, rendendo Arthur aos 57'. Dois bons cruzamentos: um pelo ar (67'), outro rasteiro (89'), infelizmente desaproveitados.

Alegre despedida de um ano agridoce

Sporting, 3 - Paços de Ferreira, 0

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Nuno Santos, em grande forma, celebra o segundo golo leonino da noite de anteontem

Foto: Miguel A. Lopes / Lusa

 

Acabou por saber a pouco. Com 3-0 ao intervalo, e o triunfo a começar a ser construído logo aos 3', num golo de cabeça de Porro correspondendo a primoroso passe de Nuno Santos, adivinhava-se goleada em Alvalade. Acabou por não acontecer. No segundo tempo tirámos o pé do acelerador e passámos a gerir o resultado contra ao Paços de Ferreira, "lanterna vermelha" do campeonato, que apenas tem 2 pontos em 14 jogos.

É verdade que o primeiro tempo decorreu a um ritmo vertiginoso, com o Sporting a acelerar pelas alas: os dois extremos deram nas vistas. Pareciam concorrer ao título de melhor em campo, competição acentuada quando Nuno Santos marcou o segundo, de frente para a baliza, empurrando-a por gentileza de Edwards. Estávamos no minuto 22: os 31 mil adeptos presentes no nosso estádio tinham motivos para se sentirem satisfeitos.

Em ambos os golos Pedro Gonçalves - que fez duo com Dário na linha do meio-campo, competindo-lhe a ligação imediata à linha ofensiva - marcou presença. No primeiro, foi ele a servir Nuno Santos, em pré-assistência. No segundo, conduziu o veloz contra-ataque colectivo. 

Faltou ao transmontano brilhar naquilo em que foi exímio na sua primeira época de verde-e-branco: metê-la lá dentro. Teve duas oportunidades para isso: aos 48', após centro milimétrico de Nuno Santos, fez a bola rasar o poste; e aos 72', quando o excesso de ansiedade o levou a rematar por cima. Não podemos pedir-lhe que construa jogo e converta, tudo em simultâneo. Ao jogar mais recuado, por imperativo táctico, a veia goleadora vai esmorecendo.

 

Quem parece renascido como goleador é Paulinho. Neste encontro com o Paços encerrou a contagem, aos 45', desta vez com assistência de Porro, num cabeceamento cheio de pontaria. Foi o seu sétimo golo em seis partidas consecutivas, contando com a Taça da Liga. Este é o Paulinho dos melhores tempos em Braga. Mereceu brinde e ovação dos adeptos ao ser substituído, aos 79'. Cinco minutos antes, o lateral esquerdo Antunes, da equipa forasteira, teve o mesmo tratamento das bancadas: os adeptos não esquecem que ele foi um dos obreiros do nosso título de campeão em 2020/2021.

O nosso sector mais recuado esteve irrepreensível (Adán fez a primeira defesa aos 41'), o meio-campo interior não se ressentiu da inédita parceria Dário-Pedro Gonçalves e ao trio mais ofensivo só faltou maior produção de golos: Trincão e Edwards desta vez ficaram em branco, com o inglês a centímetros de marcar aos 8' e aos 38'. 

 

Rúben Amorim está a cumprir o que prometeu: aposta mesmo nos jovens. Além de Dário, desta vez titular, mandou saltar do banco Rodrigo, Mateus Fernandes (aos 79') e Sotiris (em campo desde os 85'). O jovem médio, de apenas 17 anos, assumiu o papel mais ingrato na desgastante missão de substituir Ugarte, ausente por castigo. Já muito fatigado, acabou por entrar de sola num lance dividido junto à linha do meio-campo, o que lhe valeu um vermelho directo. Saiu em lágrimas, confortado com os aplausos do público. É assim que se cresce. É assim que se ganha experiência.

Mateus Fernandes, em menos de um quarto de hora, voltou a demonstrar que merece a confiança do técnico com pormenores de classe. Como quando isolou Rodrigo na grande área, aos 89'. Não custa vaticinar que vai ser craque na equipa principal.

Assim nos despedimos, em ambiente alegre e até festivo, de um ano agridoce para o futebol leonino. Com Coates a ser distinguido pelo presidente Frederico Varandas com um brinde especial, após o fim do jogo, pela tricentésima partida já feita de Leão ao peito. O mais veterano da equipa, um verdadeiro capitão, um verdadeiro campeão.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Foi pouco mais que um espectador durante grande parte do encontro. Mas, quando chamado a intervir, revelou bons reflexos. Renovou contrato: é um bastião desta equipa.

Gonçalo Inácio - O mais discreto dos nossos defesas, pautou a sua exibição pela segurança e pela eficácia. Sem falhas nem deslizes. Canhoto à direita: não tem concorrentes ali.

Coates - Inspira tranquilidade e segurança como comandante da defesa e patrão da equipa. Acalma os colegas quando estão mais ansiosos, pauta o ritmo de jogo na construção.

Matheus Reis - Combina cada vez melhor com Nuno Santos na ala esquerda. Impõe o físico nas bolas divididas. Grande passe para Edwards (8'). Tentou o golo de meia-distância (49').

Porro - Autêntico dínamo do onze titular leonino. Marcou o primeiro, à ponta-de-lança, de cabeça, o que lhe deu ainda mais confiança para uma grande exibição. Assistiu no terceiro.

Dário - Desta vez substituiu como titular o ausente Ugarte. E cumpriu a missão, no essencial, como médio defensivo. Viu o vermelho directo aos 82' por falta desnecessária.

Pedro Gonçalves - Sacrifica a veia goleadora pela construção de lances ofensivos em prol do colectivo. Missão de sacrifício bem executada: dois dos golos começaram nos pés dele.

Nuno Santos - Está em grande forma: isso nota-se cada vez que busca a bola e a endossa aos colegas lá na frente. Foi assim logo aos 3'. E também marca: o segundo foi dele.

Edwards - Parece às vezes algo apático e até fora das jogadas, mas é uma questão de estilo. Porque poucos tratam bem a bola como ele neste onze. Assistiu no segundo, aos 22'.

Trincão - Rende mais como interior esquerdo, onde evidencia todos os seus dotes técnicos. Bom trabalho aos 31' e 36'. Podia ter feito melhor aos 60', quando atirou ao lado.

Paulinho - Estará, em definitivo, recuperado como goleador? Se não é, parece. Desperdiçou aos 31, mas aos 45' meteu-a lá dentro. E podia ter bisado, aos 58', num remate à queima.

Jovane - Primeiro suplente utilizado, em estreia na Liga 2022/2023, rendeu Edwards aos 71'. Ainda distante da boa forma que chegámos a ver-lhe noutras épocas. Falta-lhe confiança.

Arthur - Substituiu Nuno Santos aos 71' já em fase de alguma contenção da nossa parte. Desta vez não protagonizou nenhum daqueles vistosos lances a que nos tem habituado.

Mateus Fernandes - Entrou muito bem, substituindo Pedro Gonçalves aos 79'. Tem bom toque de bola, visão estratégica, gosta de disputar a bola. Está no rumo certo.

Rodrigo - Rendeu Paulinho aos 79'. Cheirou o golo aos 89', quando atirou ao lado. Agora que renovou contrato será certamente utilizado bastante mais vezes.

Sotiris - Último a entrar: substituiu Trincão aos 85'. Continua a não saber utilizar da melhor maneira a força física. Podia ter visto novo cartão amarelo em lance dividido.

Pódio: Porro, Nuno Santos, Paulinho

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Paços de Ferreira pelos três diários desportivos:

 

Porro: 20

Nuno Santos: 20

Paulinho: 18

Edwards: 17

Matheus Reis: 17

Trincão: 16

Pedro Gonçalves: 15

Coates: 15

Adán: 14

Gonçalo Inácio: 14

Arthur: 12

Jovane: 12

Dário: 10

Mateus Fernandes: 6

Rodrigo: 5

Sotiris: 1

 

O Jogo e o Record elegeram Porro como melhor em campo. A Bola optou por Nuno Santos.

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