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És a nossa Fé!

Luís Filipe e Jorge Nuno

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Jorge Nuno Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira fizeram, durante largos anos, um percurso comum no futebol. Com muito mais encontros do que desencontros. Houve até um tempo em que Vieira foi sócio do FC Porto: para onde ia um, seguia o outro. Depois amuaram, fizeram birrinha, houve uns arrufos entre eles. Coisa sem grande importância. A prova é que voltaram a ser compinchas e a partilhar suculentos repastos de leitão na Mealhada. 

Seguem linhas tão convergentes que até recebem visitas da Polícia Judiciária e do Ministério Público com poucos meses de intervalo. Em Julho, Vieira foi detido no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de burla, abuso de confiança e branqueamento de capitais - juntamente com o filho, o Rei dos Frangos e o "empresário" Bruno Macedo. A operação Cartão Vermelho, como lhe chamou a Judiciária - nome bem apropriado.

 

Ontem houve buscas policiais à sede da SAD portista e à residência de Pinto da Costa. Cumprindo 33 mandados de busca numa operação conjunta da PJ e da Autoridade Tributária. Por suspeitas da prática de crimes de fraude fiscal, burla, abuso de confiança e branqueamento relacionados com transferências de jogadores de futebol e com circuitos financeiros que envolvem os intermediários nesses negócios. Que, segundo o Expresso, envolverão pelo menos 40 milhões de euros. Revela o Observador que Pinto da Costa é suspeito de desviar fundos da SAD e o filho, Alexandre, também está sob mira das autoridades. Além do tal "empresário" Bruno Macedo, que parece estar em todas. Será coincidência?

 

Unidos na prosperidade e no infortúnio: parece uma fórmula matrimonial. Um já caiu, o outro está em vias disso. Até nisto estão próximos. É mais que tempo.

Alguns capangas podem lamentar, mas nenhum deles faz falta ao futebol português. O desporto não se quer obscuro e trapaceiro: quer-se limpo. Dentro e fora dos relvados, agora e sempre.

Organizações Zé Rocha, Lda

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A foto até saiu engraçada, logo à primeira tentativa, mas não é isso que interessa agora.

Ganhámos por quatro outra vez e com a baliza inviolada, mas para a análise aqui virão os "experts".

A foto foi obtida às 19.45 horas. As bancadas estavam despidas.

Do que eu quero falar é da vergonha de a quinze minutos do início do jogo estarem na rua, amontoados, diria enjaulados, milhares de sportinguistas que, alguns deles, se sentaram já o jogo ia longo de mais de vinte minutos.

A organização do jogo, seja lá quem ela for mas terá a mão da UEFA, do Sporting e da polícia têm que ser responsabilizadas pelo desprezo com que foram tratadas milhares de pessoas que queriam apenas assistir a um jogo de futebol. E até chegaram a horas. Eu estive 45 minutos à espera que a polícia metesse dentro do estádio meia dúzia de turcos e mesmo assim, com tanto aparato de segurança, lá estavam os artefactos pirotécnicos... Esperei como algumas centenas que chegámos pela rua que desce do hospital Pulido Valente e tivemos sorte, pois quando nos deixaram passar lá estava uma mole imensa do lado da Padre Cruz, aqueles que acedem ao estádio pela porta 1.

Essa gente viria a entrar tarde, já o disse e parece não ser caso virgem, ao meu lado estava um consócio que diz que não viu o golo do último Sábado porque entrou mais de vinte minutos depois do jogo ter começado.

Parece-me que o Sporting tem que fazer-se ouvir e respeitar, concretamente no que a revistas diz respeito, que parece que noutros palcos é tudo ao molho.

Eu fui revistado, numa operação que demorou longos segundos, de tal forma que disse ao senhor que aquilo que encontrasse no meio das pernas seriam os tomates. Assim mesmo, que a irritação já era muita. Felizmente o resultado e a exibição da equipa excomungaram-na, mas que diabo...

Porra, até parece que nos querem fazer ficar em casa.

Pelo Sporting, contra as mentiras (sempre)

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O semanário Expresso, em peça assinada pelo jornalista David Dinis, põe em foco as mentiras com selo oficial propaladas pelo titular da pasta da Administração Interna que pretenderam atingir a reputação e a credibilidade do Sporting.

Recordo que as inaceitáveis declarações deste ministro, na sexta-feira da semana passada, procuraram imputar ao nosso clube os desacatos ocorridos na noite de 11 de Maio e na madrugada do dia 12, a propósito da celebração do título, alimentando implicitamente o mito de que o Sporting é responsável pela proliferação da chamada "variante delta" em Portugal.

Declarações proferidas a propósito da divulgação do relatório da Inspecção Geral da Administração Interna àqueles acontecimentos que o ministro recebeu na segunda-feira e só entendeu divulgar quatro dias depois, no final da semana, convocando os jornalistas sem lhes fornecer cópias do documento - só recebidas mais tarde, nas redacções. E com nomes rasurados, também por decisão ministerial: ficamos sem saber quem disse o quê nas reuniões realizadas. Qualquer semelhança entre este lamentável comportamento e a transparência governativa é pura coincidência.

Destaco de seguida trechos desta peça, sob o título "Ninguém defendeu a proibição dos festejos". Para que os leitores concluam, uma vez mais, quem falta à verdade neste caso.

Os sublinhados a negro são da minha responsabilidade.

 

«O Sporting pediu uma reunião em Março ao Ministério da Administração Interna mas a resposta foi que era cedo. A Câmara de Lisboa pediu uma reunião à PSD em Abril, mas a resposta foi que era cedo e que o Governo podia "proibir" os festejos por causa da pandemia.»

..........

«As duas reuniões para decidir o que fazer na noite em que o Sporting se tornaria campeão nacional de futebol só aconteceriam a cinco e quatro dias do jogo decisivo, já com o País fora do estado de emergência, com a vacinação dos mais idosos avançada e sem que alguém defendesse que não deveria haver qualquer festa com adeptos

..........

«Depois de [Fernando] Medina dizer claramente que preferia um evento com adeptos organizado ("é melhor organizar um festejo do que nada preparar"), o número dois da DGS chegou a quantificar as propostas em cima da mesa: se os festejos com adeptos fossem no interior do estádio, com as regras de distanciamento em vigor para outros eventos (nos estádios ainda estão proibidos), só seria permitida a entrada de 2500 pessoas; se fosse uma festa limitada no Marquês, não caberiam mais do que seis mil.»

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«Foi quando Medina perguntou como se controlariam os milhares que se juntariam à volta do estádio que o encontro chegou a um impasse. Esta hesitação repetiu-se na reunião do dia seguinte, no salão nobre do MAI: aí, nem o chefe de gabinete do secretário de Estado do MAI (que presidiu à reunião) nem o do secretário de Estado da Saúde - ou seja, ninguém do Governo - deram indicação para não haver festa com adeptos

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«O impasse acaba por se desfazer na véspera do jogo: a Secretaria de Estado do MAI enviou um e-mail às forças de segurança para prepararem tudo o que estava "acordado entre a Câmara e o Sporting" e garantirem a segurança das comemorações. Em anexo seguia um ofício, assinado pelo ministro Eduardo Cabrita, que aceitava a solução da autarquia e do clube

 

 

Leitura complementar: Pelo Sporting, contra as mentiras.

Pelo Sporting, contra as mentiras

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Confesso-me farto de tanta mentira com selo oficial pondo em causa a reputação e a credibilidade do Sporting. Neste blogue a discussão partidária está ausente, pois aqui se reúne gente das mais diversas sensibilidades políticas. Mas questões políticas podem - e devem - ser discutidas sempre que estiver em causa o Sporting. 

Vem isto a propósito das inaceitáveis declarações do ministro da Administração Interna tentando imputar ao nosso clube os desacatos ocorridos na noite de 11 de Maio e na madrugada do dia 12, a propósito da celebração do título, alimentando implicitamente o mito de que o Sporting é responsável pela proliferação da chamada "variante delta" em Portugal.

Destaco de seguida trechos de uma longa peça ontem divulgada pelo diário Público, assinada pela jornalista Mariana Oliveira, sob o título "Eduardo Cabrita validou festejos do Sporting que PSP desaconselhou". Para que os leitores concluam quem falta à verdade neste caso.

Os sublinhados a negro são da minha responsabilidade.

 

«O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, validou na véspera da conquista do campeonato de futebol pelo Sporting os festejos dos leões exactamente nos modos em que estes vieram a ocorrer, com um desfile dos jogadores de vários quilómetros pela cidade de Lisboa com um trio eléctrico a acompanhar. O despacho de Cabrita foi comunicado às 22h30 de 10 de Maio por email à PSP (...) Ou seja, a PSP recebeu a ordem apenas 22h antes do início do jogo em que o Sporting se sagrou campeão.»

..........

«A resposta de Cabrita é remetida à PSP pelo gabinete do secretário de Estado adjunto e da Administração Interna, Antero Luís, o membro do Governo que dirigiu todo o processo dos festejos. Curioso é que a própria IGAL [Inspecção Geral da Administração Interna] dá como facto provado que a reunião que decorreu nesse dia no Ministério da Administração Interna - e que foi presidida pelo chefe de gabinete de Antero Luís - acabou "por terminar após as 19h, sem qualquer decisão". Igualmente interessante é o facto de os nomes dos participantes no encontro (e de todas as pessoas referidas ao longo das 81 páginas do relatório) terem sido rasurados com a justificação da "salvaguarda dos dados pessoais", o que não permite perceber quem tomou algumas decisões.»

..........

«A posição de Cabrita é levada ao conhecimento de Antero Luís, que dá as seguintes orientações: "Deve a PSP articular com a CML [Câmara Municipal de Lisboa] e o SCP no sentido de promover as medidas consideradas adequadas para garantir a segurança dos festejos propostos pelo promotor (SCP), insistindo-se nas recomendações enviadas ontem." Sobre estas recomendações, a IGAL, uma entidade integrada no Ministério da Administração Interna, nada diz. Admite, contudo, que no dia 9, domingo, já o Sporting tinha recebido a "notícia informal" de que haveria autorização para realizar o cortejo

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«A IGAL foca as suas críticas sobre os festejos na CML e no próprio Sporting, legitimando a actuação da PSP que, contabiliza, efectuou 617 disparos de armas de munições de menor letalidade, nomeadamente balas de borracha. (...) Não faz qualquer análise ou crítica à actuação da sua tutela política, directamente envolvida nesta polémica. E concentra grande parte da culpa no facto de a Câmara de Lisboa não ter recusado a "manifestação" que a Juventude Leonina pretendia fazer junto ao estádio, com a transmissão do jogo num ecrã gigante e com instalação sonora.»

..........

«O relatório deixa claro que foi o clube que, dois meses antes de conquistar o título, contactou o gabinete de Antero Luís para realizar uma reunião preparatória dos eventuais festejos, que apenas se realiza cinco dias antes de o clube se sagrar campeão. A 6 de Maio é igualmente dito que foi o Sporting a ter a iniciativa de marcar uma reunião com o gabinete do secretário de Estado, encontro que se realiza nesse dia na Câmara de Lisboa. No dia seguinte, nova reunião, desta vez no MAI.»

..........

«A cronologia torna perceptível que houve diversos erros na actuação da polícia. Isso é reconhecido pela própria inspecção-geral, que escreve que a planificação dos festejos "evidencia alguma desarticulação, quer interna (na PSP), quer com a realidade no terreno no dia dos festejos." (...) Uma parte substancial do contingente policial destacado para o evento [estava] desde o fim da tarde no Marquês de Pombal, onde só começaram a surgir grupos significativos a partir das 22h30. Já junto ao estádio, onde havia milhares de pessoas desde meio da tarde, havia poucas equipas que tiveram de ser reforçadas com elementos deslocados do Marquês.»

Burla, falsificação, branqueamento, fraude

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Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica desde 2003, foi ontem detido por suspeita da prática de diversos crimes: abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

É a primeira vez que um presidente em exercício de um grande clube de futebol português recolhe aos calabouços pela alegada prática de crimes desta natureza.

O Ministério Público ordenou também a detenção do filho do líder benfiquista, Tiago Vieira, do empresário José António dos Santos, maior accionista individual da SAD encarnada, e do putativo empresário Bruno Macedo, que tem funcionado como agente desportivo de Jorge Jesus.

 

Admirado com isto? Nem por sombras. 

Basta lembrar vários textos que fui publicando aqui ao longo dos anos. Nomeadamente os que passo a recordar.

 

Uma imensa desvergonha: «Quem assim fala é o mesmo que sustenta uma rede de cartilheiros municiada por um profissional da intriga. Quem assim fala é o mesmo que tutela uma estrutura de comunicação capaz de difundir vídeos manipulados, como ainda há dias todo o País testemunhou. (...) Quem assim fala é precisamente o mesmo que se permite alimentar claques ilegais que andam há anos a cometer crimes de ódio, com lamentável impunidade, nos principais estádios portugueses.» (29 de Novembro de 2017)

 

Cerco apertado a Vieira: «Nada ficará na mesma no futebol português depois disto. Não pode valer tudo: os atentados à verdade desportiva têm de ser duramente punidos. Tolerância zero com a batota. Já.» (7 de Março 2018)

 

O estertor do vieirismo: «Haverá quem vislumbre requintes de brilhantismo nesta absurda estratégia comunicacional que confirma os restantes membros da administração da SAD lampiânica como vulgares verbos de encher. Por mim, creio ser um sintoma evidente de que o vieirismo entrou enfim no seu estertor.» (30 de Novembro de 2018)

 

Vale tudo: «Envolvido em escândalos, uns atrás dos outros. (...) Como se encabeçasse uma espécie de estado dentro do Estado.» (7 de Dezembro de 2019)

 

Da absoluta falta de vergonha: «Até onde chega o desespero. E, sobretudo, até onde chega a absoluta falta de vergonha.» (20 de Julho de 2020)

 

Daria para rir se não fosse obsceno: «Vieira ainda se atreve a proclamar que o Benfica "é um clube do povo", em jeito de slogan eleitoral. Daria até para rir se não fosse obsceno.» (5 de Agosto de 2020)

 

Está no Governo a fazer o quê?

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A 6 de Maio, o alegado secretário de Estado do Desporto garantia publicamente que a festa do título do Sporting estava a ser convenientemente preparada para não se registarem problemas de ordem pública nem riscos sanitários.

«Sabemos que será muito difícil evitar essas manifestações e o melhor é enquadrá-las e dar-lhes as melhores condições. É possível juntarmos pessoas com segurança», declarou o governante, confirmando ter havido reuniões nesse sentido entre a Câmara Municipal de Lisboa, o Ministério da Administração Interna, o comando das forças policiais e a Direcção do Sporting.

 

O Sporting cumpriu: não se registaram desacatos no interior das instalações do clube - única parcela que se encontra sob a sua jurisdição.

No espaço exterior aconteceu aquilo que sabemos: desacatos provocados por membros ligados à Juventude Leonina - que aparentemente tiveram autorização da Câmara, da Direcção-Geral da Saúde e da PSP para instalarem uma fan zon com ecrã gigante e bebidas à discrição no exterior do estádio - e reacção incompetente da polícia, que errou antes e errou depois. Demorou horas a assistir a tudo impávida e carregou desalmadamente quando a situação que devia prevenir já fugia por completo do seu controlo

 

Agora o presidente da Câmara assobia para o lado, a senhora da DGS faz voto de silêncio, o ministro da Administração Interna finge-se de morto. Só o alegado secretário de Estado do Desporto, voltando a abrir a boca, confirma a sua total irrelevância: «O apelo que fiz a uma responsabilidade dos adeptos manifestamente não foi atendido.» E logo sacode a água do capote, dizendo nada ter a ver com o que aconteceu.

Apetece perguntar de novo: este senhor está no Governo a fazer o quê?

Tarda mas não falha?

 

 

Quem me lê por aqui, sabe da minha real confiança na justiça. Tenho-o afirmado e defendido que a justiça, sendo o conjunto de todos os que nela interferem e trabalham sérios e honestos, pode, aqui e ali padecer de um ou outro furúnculo que o corpo, sempre, se encarregará de esvaziar e expulsar.

Foram finalmente detidos uns membros (sete) daquela claque que não existe que responde por um nome que não tem e que o presidente do clube de que não fazem parte diz e muito bem que a esse respeito nada se passou se.

Quero realçar os termos com que as autoridades policiais e da justiça adjectivaram os crimes pelos quais esta gente foi detida. "Especial perversidade" foi o termo mais simpático, denotando que a premonição dos ataques aos alvos, quase sempre adeptos do Sporting, uns das claques outros só porque sim, era a ocupação principal dum grupo que se diz ser tresmalhado do grupo principal.

Tentativas claras de homicídio com espancamentos cruéis, visando a agonia e eventual morte dos agredidos, denota um perfil psicológico (digo eu que não sou da área) de assassino nato!

Vários de nós, autores do blogue, aqui fomos escrevendo contra a lentidão das polícias e da justiça no seu todo, neste-assunto-da-claque-do-Benfica-que-não-existe-e-sobre-a-qual-nada-se-pode-fazer, como diz aquele que se a justiça funcionar bem, em breve irá bater com os costados no xelindró, Luis Filipe Vieira, por alcunha D. Orelhas, o Grande. Finalmente os nossos gritos de revolta (e de muitos outros) foram ouvidos e eu só espero que esta demora angustiante por uma justiça clamada, se alicerce num caso de betão que não abra qualquer brecha causada por um qualquer advogado de defesa (no seu direito profissional, obviamente). Espero que a investigação criminal da PSP tenha actuado de forma muito profissional e tenha deixado em cima da mesa do Ministério Público material que permita que de uma vez por todas o Estado comece a tratar do assunto claques com a seriedade que ele merece e que quem mata uma, duas e tenta a terceira, quarta, quinta e perpetra outras mais, conforme se demonstra nas informações que possuiam sobre alvos a abater, seja definitivamente banido do desporto e por muito tempo da sociedade!

Agora a claque do Benfica tem rostos, não há mais desculpa para o beija-mão, o deixar andar, o laxismo, a deferência para com um clube que se vivêssemos num país de gente honesta, já teria sido extinto!

 

É ver na plataforma que nos aloja, nem uma nota de rodapé, até à hora a que este post foi publicado.

Sentido de oportunidade

Seis meses depois do dia mais horrível que vi no Sporting,  a investigação policial detém Bruno de Carvalho e o líder da Juve Leo.

Em dia de jogo, à hora do jogo, a investigação instala um cordão policial ostensivo e realiza buscas na sede da claque.

Defendo, melhor, exijo que esta investigação chegue ao fim e esclareça tudo o que há  a esclarecer, condene todos os responsáveis pelo que sucedeu. Mas pergunto se era necessário fazer isto, seis meses depois, em dia de jogo, à hora de jogo, com milhares de famílias Sportinguistas na zona do Estádio.

Hoje giro eu - O jogo da mala

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Não, não me refiro ao jogo imortalizado pela "amiga Olga" (uma querida e respeitável senhora), mas é importante despertar. Terá soado o gongo? É pagar para perder? É pagar para ganhar? O que tem a dizer o Sindicato dos Jogadores sobre as denúncias dos atletas e pronta negação dos alegados corruptores? Quem são estes empresários/alegados intermediários e quem os regula? O que têm Liga e FPF a dizer sobre a prevenção disto? O que se está a passar no futebol português? Corrupção ou contra-informação? Eu pago para ver...

"Tetra" ou treta?

Cento e sessenta e três jogos de cinco épocas estão a ser investigados pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público.

As mais altas instâncias da investigação criminal portuguesa.

 

Pormenor fundamental: são todos jogos do Benfica. Campeão "tetra". Ou melhor: campeão da treta.

Como ficará demonstrado, estou certo disso.

Desculpem a insistência

A propósito disto que escrevi, tenho passado aí por alguns sítios do universo sportinguista, onde em regra o tom é de condenação. Não esperaria outra coisa, obviamente!

Mas, meus senhores, tenho lido cada comentário!

De Sportinguistas espero rivalidade para com os adversários; daquela mesmo à séria, contundente, picando onde lhes dói, mostrando os podres que têm e magoando-os aí, com força, sem dó nem piedade.

Já não me parece muito cordial que sportinguistas, a coberto de pseudónimos (e sim, são sportinguistas, não vale a pena tergiversar), venham branquear a atitude cobarde de um agente da autoridade que empurra, soca e agride com dois bastões (um deles de aço que pode ser letal) dois indivíduos, mesmo que um deles, supostamente, tenha insultado o polícia, apenas e só pelo facto de os agredidos seram adeptos do Benfica. Atitude execrável de adeptos, a coberto de uma suposta rivalidade, onde os valores do Sporting são "chutados para canto". O Sporting não tem estes valores. Os valores do Sporting são os da lealdade, do fair play, da justiça e é por eles que tem pugnado ao longo dos seus mais de cem anos de existência.

Mais ou menos pela altura da fundação do Sporting Clube de Portugal, um tipo russo de seu nome Maiakovsky escrevia isto:

 

"Na primeira noite eles aproximam-se

E colhem uma flor do nosso jardim.

E não dizemos nada.

 

Na segunda noite já não se escondem

Pisam as flores e matam o nosso cão.

E não dizemos nada

 

Até que um dia

O mais frágil deles entra sozinho em nossa casa.

Rouba-nos a Lua e conhecendo o nosso medo,

Arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,

Já não podemos dizer nada."

 

Para reflexão daqueles que acham que vale tudo.

O seu a seu dono

Já muito foi escrito sobre os tristes acontecimentos que ocorreram durante os festejos dos adeptos benfiquistas. Quero apenas mencionar alguns pontos que andam fugidos.

A rotunda do Marquês de Pombal não tem quaisquer condições para que ali seja organizada qualquer festa daquela dimensão. Uma coisa é haver um ajuntamento onde se espera que passe um autocarro com os jogadores, as pessoas vão espalhar-se pelas avenidas circundantes, evitando uma grande aglomeração num espaço sem qualquer hipótese de controlo. A montagem de um palco, por onde desfilaram os jogadores e dirigentes levou a que todos se concentrassem durante horas apenas na rotunda. Aqui a culpa passa por quem tomou esta decisão e quem a autorizou.

Soube ontem que as bárbaras agressões que aconteceram a uma família em Guimarães passaram nos écrans gigantes que estavam montados na rotunda. O canal que as passou foi a benficaTV. Juntem milhares de pessoas, algumas porventura já com ideias de provocar estragos, álcool a rodos, horas e horas de espera e passem em loop imagens de agressões policiais a adeptos do mesmo clube. Se calhar o que aconteceu até foi suave.

Pode o Benfica estar a querer passar entre os pingos da chuva, mas parte da culpa dos graves acontecimentos acontecidos na rotunda do Marquês de Pombal, cabem-lhe.

 

Adenda: Pelos vistos a PSP tinha dado um parecer negativo a este modelo de festa. A confirmar-se esta informação, cada vez mais a culpa vai direitinha para quem organizou e autorizou os festejos naqueles moldes. 

Medo de ir à bola

A prosa que se segue escrevi-a originalmente noutro poiso mas há aqui algo que tem a ver connosco, mais que não seja porque daqui a 14 dias vamos tentar ir ao jamor (com as nossas famílias?) a um palco onde no ano passado pouco faltou para haver uma grande desgraça. Pessoalmente continuo angustiado entre levar ou não a criançada que gostava que visse ao vivo o seu primeiro título do Leão...

Ontem no Marquês um grupo no meio de dezenas de milhar visou intencionalmente a polícia. Atirando garrafas e petardos para o chão em direção da polícia. Obtive vários relatos de malta que tenho por credível que testemunhou o evento. Talvez esse grupo estivesse particularmente motivado depois da cena da detenção à bruta do pai de família em Guimarães, talvez não. Seja como for, a questão nesse caso já estava perdida, fossem quais fossem os motivos ou os pretextos.
Será que a única opção tática da polícia ontem no Marquês era a que aplicou começando a varrer a praça do Marquês procurando dispersar as dezenas de milhar de pessoas a poder de bastão? Reduzir visivelmente o efetivo (mas não saindo das imediações do local) não era viável? Pergunto, não afirmo. Sublinho: não há relato de violência entre as pessoas na praça, mas sim ataques diretos à polícia.

O que sei é que a defesa da integridade dos polícias nem sempre se faz de forma mais eficaz reagindo à violência com a violência. E a defesa da honra do corpo não está acima de uma avaliação criteriosa e a cada momento da segurança pública. Há circunstâncias em que reagir a uma garrafa atirada é a pior solução. Por mais justificável que seja a atitude. O mesmo se aplica a quem eventualmente vendo o que se passou em Guimarães com a família detida, tenha resolvido tirar desforço junto do polícia que tinha mais à mão, a coberto de uma multidão.

Quem agride ou tenta agredir a polícia deve ser preso? Claro! Mas nem sempre tentar uma detenção imediata é a melhor forma de garantir a segurança pública.
Uma solução destas num sítio como o Jamor, por exemplo, terá elevadas probabilidades de gerar mortos e feridos. E a polícia sabe disso, também por isso modernizou o seu conjunto de opções de ações e de instrumentos no controlo de massas nos últimos anos introduzindo outro tipo de agentes especializados e promovendo outro tipo de relacionamento com grupos de risco mais elevados. Ontem espero que o dia seja encarado para fazer uma profunda avaliação dos procedimentos pois a confiança na polícia pelo menos na parte que me toca ficou seriamente afetada. Que venham melhores dias, depressa.

Sinto-me infeliz!

As imagens estão por aí à disposição de quem as queira ver, nas várias plataformas.

A história é repugnante: um adepto do Benfica e o seu pai, que aparenta ser septuagenário, são agredidos, o mais novo brutalmente, em frente aos filhos menores de nove e treze anos, em Guimarães, sem razão aparente (como se houvesse razão para alguém ser barbaramente agredido, mas pronto).

Ao que consta o agredido terá sido constituído arguido.

Primeira pergunta: é arguido por se ter tentado desviar e não levou com todas as que o chefe da polícia lhe queria ter dado?

Segunda pergunta: será que quatro pessoas, que ao que parece saíram do estádio porque o ambiente não era o melhor para três deles, o idoso e os menores, não podem fazê-lo pacificamente, sem que sejam abordados de forma selvagem por agentes da "autoridade"?

Terceira pergunta: alguém em seu perfeito juízo continuará a levar a família ao futebol, depois de tantos exemplos de violência?

Quarta pergunta: será que com o tempo teremos todos que ir de armadura para os estádios?

Quinta pergunta: a senhora ministra da administração interna vai fazer o quê, fingir que não viu?

 

Não ponho as mãos no lume por ninguém, e muito provavelmente as coisas teriam o mesmo fim se tivéssemos sido nós a estar no Marquês, mas porque raio se mistura comemoração com violência? Ou terá sido esta tempestade causada pelo vento que o chefe da polícia de Guimarães, de forma bárbara, semeou? Fica a sexta pergunta...

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