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És a nossa Fé!

Mijando palavras, emociando-nos

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Alcateia de leões?

O novo jornalismo, o jornalismo que aprendeu os substantivos colectivos com o bando do bosque e o bando do mar (pingo doce).

A primeira imagem é do Record de hoje, p. 13, a segunda foi obtida no sábado, FC Porto e Sporting defrontavam-se num "campo neutro", a terceira é o extracto de um poema de Fernando Assis Pacheco, jornalista e escritor, a sério.

(a emoção do título é minha, o Sporting a perder, o mundo a arder, há dias que correm mal, muito mal)

Jogar futebol é um risco

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Deixa-me lá abalar

Jogar futebol é um risco

Eu não quero acabar 

Cuma lesão no menisco

 

Sinto-me falsificado

Mole da contrafacção

Sinto-me desperdiçado

Quero no peito o leão

 

Sinto-me cópia pirata

Da pessoa que já fuim

Não sou aristocrata

Mas na bola não sou ruim

 

Deixa-me lá abalar 

Jogar futebol é um risco

Eu não quero acabar 

Cuma lesão no menisco

 

Estou uma versão de mim 

Jogador comó Buarque 

Eu preciso do Amorim

Pra voltar a fazer arte

 

Leão desprovido de garras

Preso a uma tela de papel

Amorim ou me agarras

Ou vou jogar padel

 

Deixa-me lá abalar

Jogar futebol é um risco

Eu não quero acabar

Cuma lesão no menisco

 

Ando em bibelot armado

Um yes man, um sim senhor

Ainda não estou acabado 

Posso jogar muito melhor

 

Quero ir pró Sporting

Ser goleador implacável

Marcar golos não é boring

É uma sensação formidável

 

Deixa-me lá abalar

E seguir o meu destino

No Sporting quero jogar

Ou então eu desatino

Para aqueles que previam o fim...

... de Cristiano Ronaldo, A. M. Pires Cabral tem um poema em que podem rever:

 

«VIOLA NO SACO

 

Mil luzes acendi - e a radiosa

escuridão prevaleceu intacta.

 

Mil palavras disse - e o silêncio

reboou nas longas arcadas sombrias.

 

Mil passadas dei - e o que estava longe

não ficou um milímetro mais perto.

 

... ... ... ... ... ... ...

 

Conclusão: é tempo de meter, meu caro,

a viola no saco.»

 

 

Cabral, A. M. Pires - Frentes de fogo. Lisboa: Tinta-da-china, 2019. p. 28

Quatro bastam, cinco são

É jogar p’ra conquistar!

Quatro bastam, cinco são.

Porque quase não ganhar

Faz perder o coração!

 

Começou com tremideira.

Foi penoso o seguimento.

E apitadice matreira

Em jogo de sofrimento.

 

Esforço e dedicação,

Resistir e combater,

Crença e determinação,

Não quebrar e não ceder!

 

Rebentar com a Pedreira

Em rugido de leão.

Grita a equipa inteira:

«O Sporting quer ser campeão!»

Devoção...

... uma palavra do universo sportinguista, vista por Louise Glück, Prémio Nobel de Literatura 2020.

 

«UM MITO DE DEVOÇÃO

 

Decidido a amar aquela rapariga,

Hades construiu-lhe um duplicado da terra,

tudo igual, até o prado,

mas com uma cama no meio.

 

Tudo igual, incluindo a luz do sol,

pois não seria fácil a uma rapariga nova

passar tão bruscamente da luz intensa à completa escuridão.

 

Aos poucos, pensou ele, faço entrar a noite,

primeiro as sombras das folhas agitadas.

Depois a lua, depois as estrelas. Depois sem lua, sem estrelas.

Que Perséfone se habitue lentamente ao escuro.

No fim, pensou ele, ser-lhe-á reconfortante.

 

Uma réplica da terra,

mas com uma excepção: amor.

Não é amor o que toda a gente deseja?

 

Ele esperou muitos anos,

construiu um mundo, observou

Perséfone no prado.

Perséfone, que amava os cheiros, os sabores.

Quem tem um apetite, pensou ele,

tem todos.

 

Não é o que toda a gente deseja sentir à noite —

o corpo amado, bússola, estrela polar,

ouvir a respiração tranquila, que significa

estou vivo, que significa ainda

estás vivo, porque me escutas,

porque estás aqui comigo. E quando um se volta,

volta-se o outro também —

 

Era o que ele pensava, o senhor das trevas,

ao contemplar o mundo que

construíra para Perséfone. Nunca lhe ocorreu

que já nada haveria ali para cheirar,

muito menos para comer.

 

Culpa? Terror? Medo de amar?

Nada disto podia ele conceber;

nenhum amante o concebe.

 

Ele sonha, pergunta-se que nome há-de pôr àquele lugar.

Primeiro pensa: O Novo Inferno. Depois: O Jardim.

Finalmente decide chamar-lhe

A Mocidade de Perséfone.

 

Uma luz ténue ergue-se acima do prado liso,

por detrás da cama. Ele toma-a nos braços.

Deseja dizer-lhe amo-te, nada te ferirá

 

mas compreende

que é mentira, e acaba por dizer

estás morta, nada te ferirá

o que lhe parece

um começo mais auspicioso, mais verdadeiro.»

 

Poemas de Louise Glück traduzidos por Rui Pires Cabral

In: Telhados de vidro, n. 12, maio 2009. Lisboa: Averno, 2009. pp. 79 - 81. ISSN: 1646-334-X

Futebol sem atacadores

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A noiva já de noiva, a noiva já na igreja

e tu não encontras os atacadores!

Já viste na caixa dos sobejos, na mão dos bocejos?
Já viste na gaveta da cómoda?
Já viste nas pregas da imaginação?

Ganha os campos, foge, precede-te a ti mesmo
como um homem legalmente espavorido
por anos de critério,
sê repentino como um menino!

Convém-te não encontrar os atacadores?

Há noivas que esperam até murcharem as flores,
noivas de pé, muito brancas e já a fazer beicinho…

Procura… Procura sempre, pobrezinho!...
Procura mas não encontres os
atacadores…

Nem sempre para beijar o véu da noiva são necessários muitos atacadores.

Será que Šporar, Luiz Phellype e TT (Tiago Tomás) não são suficientes?

A balada de Vinícius de Murrais

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"Se trocava o Vinícius pelo Bas Dost? A resposta é um redondo [vocábulo?] não. (...) o Vinícius tem uma abrangência maior em termos de jogo [ai tem, tem, consegue dar porrada com as mãos, consegue fazer entradas a partir joelhos; tem uma abrangência maior, nisso eu e José Gomes estamos de acordo] 

Julgo que a luta será até ao fim" [e foi mesmo, no fim do jogo Vinícius depois de ter agredido por duas vezes Acuña ainda teve forças para tentar partir a perna a Jefferson] .

Do braço foge a tresloucada mão

O que restará de ti, homem triste, que não seja a tua tristeza. Fruto sobre a terra morta. Não pensar, talvez... Caminhar ciliciando a carne

E o homem vazio se atira para o esforço desconhecido. Impassível. A treva amarga o vento (...) e o seu crime é cruel, lúcido e sem paixão.

Para memória futura.

Um treinador e o seu labirinto, um treinador que coloca uma pressão incompreensível num jogador, um jogador que não conseguindo provar com futebol a sua "categoria", passa um jogo a agarrar, a esmurrar [daí o Murrais do título] e a pontapear os colegas de profissão.

 

Já que não se fala de futebol, lugar à poesia

 O QUINTO IMPÉRIO

 

Triste de quem vive em casa,

Contente com o seu lar,

Sem que um sonho, no erguer de asa,

Faça até mais rubra a brasa

Da lareira a abandonar!

 

Triste de quem é feliz!

Vive porque a vida dura.

Nada na alma lhe diz

Mais que a lição da raiz —

Ter por vida a sepultura.

 

Eras sobre eras se somem

No tempo que em eras vem.

Ser descontente é ser homem.

Que as forças cegas se domem

Pela visão que a alma tem!

 

E assim, passados os quatro

Tempos do ser que sonhou,

A terra será teatro

Do dia claro, que no atro

Da erma noite começou.

 

Grécia, Roma, Cristandade,

Europa — os quatro se vão

Para onde vai toda idade.

Quem vem viver a verdade

Que morreu D. Sebastião?

 

Fernando Pessoa

Viagem à demência dos pássaros

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Este domingo é ao mesmo tempo o primeiro dia da semana e o último do ano.

Votos de um excelente 2018 para todas as pessoas que caminham pela vida sem subornarem e sem se deixarem subornar.

Termino com a partilha de um poema (ligeiramente adaptado por mim).

Afligem-me os pássaros que voam

quando as árvores já não são suas.

A biografia do coração

raramente esquece a queda das folhas.

E o que é o voo para lá do Outono?

Não me digam para guardar

o vento na garganta

ou que as tempestades 

são retratos de um hospício.

A vida ensinou-me,

a verdade é um felino

e a hierarquia das garras

só o tempo a sabe.

 

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