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És a nossa Fé!

Amorim falhou nas opções que fez

Texto de Luís Barros

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Aqui está um dos fulcrais destes dois resultados menos positivos: deixamos de jogar pelas alas. Quando temos um ponta de lança, deixamos de "fazer" jogo para a área.

Ontem [anteontem] vi um defesa/ala esquerdo com 18 anos a jogar sozinho contra três adversários e mesmo assim sem comprometer. Vi igualmente um defesa/ala direito, sozinho, sem chama e descoordenado, que depois de ser chamado à seleção desaprendeu de jogar e que comprometeu. Foi a segunda vez em dois jogos seguidos que sofremos golos a partir do lado direito.

Vi também um João Mário a jogar naquele estilo muito peculiar de não se querer gastar muito nem sujar os calções.

Por último, vi uma defesa completamente perdida a sofrer um golo de forma indesculpável.

 

Já afirmei mais do que uma vez: neste momento o Sporting não tem ninguém além de Plata que faça a diferença no um-para-um e para desbloquear jogos precisam-se de artistas. Jovane, mais uma vez, não aproveitou para fazer a diferença e mostra que o caminho em Alvalade já não deve ser muito mais longo.

Continuo a não perceber o súbito desaparecimento de Matheus Nunes, um dos poucos que seguram e transportam a bola em condições.

Pedro Gonçalves, com uma das melhores exibições dos últimos tempos, jogando solto sem ficar amarrado a uma posição no terreno, fez-me lembrar um pouco o Adrien mas com mais golo.

 

Concluíndo. Amorim falhou pela segunda vez nas opções que fez e demonstrou algum nervosismo durante quase todo o jogo.

Se é verdade que ainda estamos à frente por seis pontos, também é verdade que vejo os principais adversários a jogar com mais atitude e contando ainda com mais soluções no banco.

 

Nota final. Pela primeira vez não gostei do discurso de Amorim. A ideia de que o Sporting já "ganhou" o campeonato com a valorização de alguns jogadores e, se o perder efectivamente, é o treinador que o perde, não me parece a política mais correcta. Na prática nada está ganho: o Sporting e seus jogadores só ganham se forem campeões e chegarem à liga milionária.

 

Texto do leitor Luís Barros, publicado originalmente aqui.

Empresários e comissões

Um destes dias, em conversa com alguém que passou brevemente pela presidência dum clube de Lisboa há uns bons anos, ele dizia que uma vez pegou no telefone para falar com um jogador que até conhecia, para o convidar a vir para o clube, ele sim senhor que sim a tudo, até que no dia seguinte recebeu uma chamada do empresário a dizer que podia esquecer o jogador e qualquer um representado por ele. E aconteceu assim mesmo. Se calhar por isso mesmo não durou lá muito.

Recordo-me também duma conversa telefónica mesmo ao meu lado enquanto esperava pela abertura de portas do estádio do Bonfim no tempo de Keizer, do empresário ou de alguém ligado a ele, do Matheus Pereira, num frenesim para falar com Hugo Viana sobre o regresso imediato do jogador do empréstimo mal sucedido da Alemanha, coisa que acabou por não se concretizar.

Quer se concorde ou não com a situação, ou que se tente impor regras, no futebol profissional de hoje os jogadores funcionam como pequenas (?) empresas onde o CEO é o empresário. Claro que o dono da empresa (o jogador) pode mudar de empresário, mas o que não pode é pensar que pode fazer o que quer e o que lhe apetece. E assim, um clube sabe que ao lado dum seu jogador está sempre o seu empresário. O que me faz lembrar um tinto da minha terra... 

 

Quando se analisam as boas ou má compras e vendas do Sporting nos últimos tempos, não se pode simplesmente dizer que o Sporting não devia ter vendido A ou B pelos valores que conseguiu sem perceber a dinâmica da relação com jogador e empresário.

Para um empresário é insustentável ter um jogador com potencial como Matheus Pereira, Domingos Duarte ou tantos outros, a saltar de empréstimo em empréstimo sem perspectivas de chegar a titular do seu clube e depois até dar o salto para a alta roda, e vai tentar forçar a saída de todas as formas para um clube que o recompense a ele e ao jogador. O Sporting tem de entender isto: ou os convence que é para apostar a sério ou tem mesmo que vender. Se não o fizer corre o risco de o ver sair a custo zero para a concorrência, como aconteceu com Carrillo. 

Agora está a acontecer algo semelhante com Gonzalo Plata e Rafael Camacho, dois extremos talentosos com dificuldades em imporem-se no esquema sem extremos de Amorim, e com os dois pontas de lança emprestados, Pedro Marques e Pedro Mendes. Ou o Sporting cria as condições para que os jogadores evoluam na equipa principal, e Amorim já veio dizer que está disposto a isso no caso de Plata, ou vai ter mesmo que vender. 

 

Falar de empresários é falar de comissões. E como hoje nada se faz sem eles, há comissões nas compras, nas vendas, nos primeiros contratos, nas renovações, cada caso é um caso, não existem regras definidas.

O esforço que o Sporting está a fazer na fidelização dos jovens e dos mais importantes do plantel obviamente tem custos de intermediação, aos quais acrescem as compras e as colocações de quem se pretende colocar. 

 

Com tudo isso é bom saber algumas coisas:

1. Que a fase dos "negócios" de corda ao pescoço decorrentes do assalto a Alcochete está ultrapassada, e é coisa para não mais repetir, apenas para responsabilizar quem lá foi assaltar e quem criou as condições para o assalto. 

2. Que não estão a acontecer compras "esquisitas" de "iniciativa presidencial", tipo Spalvis e Castaignos, nem autocarros de "promessas" para a equipa B, tipo Sackos, Dramés e Gazelas, mesmo nas piores compras se pode entender a racionalidade das mesmas.

3. Que segundo a FPF (https://maisfutebol.iol.pt/servicos-de-intermediacao/fc-porto/negocios-sad-do-benfica-continua-a-ser-a-que-mais-paga-em-comissoes) o Sporting é o clube que dos 4 maiores portugueses menos pagou em comissões nos últimos tempos:

                      1. Benfica : 20,3 M€

                      2. Porto: 15,4 M€

                      3. Braga: 9,9 M€

                      4. Sporting: 8.5 M€

 

Longe vão os tempos em que o ex-presidente na sequência do caso Adrien mandava os jogadores defenderem os seus interesses, porque ele estava lá para defender os interesses do Sporting. Claro que depois alguns fizeram... isso mesmo, e quem se lixou foi... ele mesmo. E também o Sporting.

Agora o que se vê é um Sporting próximo dos jogadores e dos seus diferentes empresários, sem qualquer posição dominante da Gestifute/Jorge Mendes, e é assim que deve acontecer. Obviamente quando for o momento das grandes vendas lá aparecerá o maior empresário do mundo a intervir no negócio, mas isso pelos vistos é incontornável, e servindo os interesses do Sporting nada a opor.

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Falta intensidade

Texto de Sol Carvalho

Não ha crucificações até porque não estamos no calvário. Mas não posso deixar de fazer duas notas: 

- Plata é um jogador típico de futebol de rua... quando são génios disfarçam dando ao futebol toda a beleza do inesperado, da "ginga". Quando não o são têm de perceber que a dinâmica do futebol moderno é outra, sob o risco de serem mais nocivos do que úteis.

- A segunda é uma péssima memória que me vem de Silas. Na obsessão do ataque organizado é preciso organizar as malas, as roupas, os sapatos e tudo antes de partir para a frente. Nas calmas (??). Só que, com esse tempo todo, os outros já lá estão... Falta intensidade e perceber que 1-0 nunca é resultado seguro e devemos partir para cima deles quando se mostram mais frágeis. Mas fizemos precisamente ao contrário...

 

Têm a palavra o treinador e os jogadores.

Mantenho intactas as esperanças mesmo admitindo que um terceiro objectivo se possa perder para a semana. O que não me espantaria desde que se "coma a relva". Como já o fizemos em momentos recentes.

O dia seguinte

O Sporting conquistou ontem mais uma vitória e, mesmo com arbitragens tendenciosas, chega ao Natal muito justamente como líder destacado da 1.ª Liga. Há quantos anos isso não acontecia? Aproveitemos.

Mas o jogo de ontem deixou muito a desejar, a equipa de alguma forma regrediu relativamente ao que vinha a mostrar, mesmo com um adversário com a lição bem estudada e um árbitro que foi pactuando com o teatro constante dos jogadores do adversário.

Neste modelo de Amorim os alas estão bem adiantados e a bola tem de entrar rápido no ala oposto, de forma a dar-lhe espaço e tempo para a melhor decisão. Ontem parecia que a bola era "entregue ao domicílio", e quando lá chegava já toda a equipa adversária estava posicionada, dali nada poderia sair. O losango central - João Mário, Pedro Gonçalves, Nuno Santos, Tiago Tomás - é todo ele muito igual, baixinho e levezinho, e não pode mesmo jogar a gasóleo. Tem de acelerar para desequilibrar.

Por outro lado, jogar sem ponta de lança implica que quem vai centrar tenha de decidir no momento para quem e para onde. Ou que nem centre mesmo e jogue para trás.

Pois ontem na 1.ª parte o Sporting atacou mal e defendeu pior, podia muito bem ter saído para o intervalo em desvantagem, felizmente Ryan Gauld (porque não trazê-lo de volta ?) falhou dois golos cantados.

A 2.ª parte já foi bem diferente, o cansaço dos jogadores do Farense abriu espaços, Tabata entrou muito bem, Plata e Sporar também, e o golo foi ficando cada vez mais perto. E surgiu quando o guarda-redes do Farense saiu a murro meio na bola e meio na cara de Feddal, num lance em que também Coates sofreu falta para penálti.

E assegurámos os três pontos jogando bem pior do que jogámos em Famalicão donde saimos só com um. Se calhar é a tal estrelinha de candidato a campeão que começa timidamente a luzir.

Mas isso agora não interessa. Interessa é ganhar o próximo jogo no Jamor contra o B-SAD e chegarmos a 2021 na liderança da Liga. Depois logo se vê.

Boas Festas para todos, muito especialmente para os que como eu são sócios do Sporting Clube de Portugal.

#OndeVaiUmVaiTodos

SL

Pódio: Plata, Sporar, Daniel Bragança

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Mafra (Taça da Liga) pelos três diários desportivos:

 

Plata: 16

Sporar: 16

Daniel Bragança: 16

Nuno Mendes: 15

Eduardo Quaresma: 15

Tabata: 15

Gonçalo Inácio: 14

Pedro Gonçalves: 13

Borja: 13

Luís Maximiano: 13

João Mário: 12

Tiago Tomás: 12

Palhinha: 11

Porro: 11

Matheus Nunes: 11

Antunes: 10

 

A Bola e o Record elegeram  Plata  como melhor jogador em campo. O Jogo optou por  Sporar.

Aposta ganha

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(Foto do jornal Record)

 

Não deixou de ser uma aposta arriscada a de ontem: entrar na eliminatória de acesso à Taça da Liga, contra uma equipa que ocupa um dos lugares de topo da 2.ª Liga, com apenas um titular e oito sub-23. Todos se recordarão que jogos deste tipo no passado correram muito mal, um deles custou até a cabeça de Peseiro, além da instabilidade que iria produzir agora uma eliminação do Sporting.

Mas o onze escalado por Amorim portou-se muito bem, no modelo de jogo habitual e repetindo os mesmos movimentos, embora numa velocidade menor e também com menor precisão no passe. Alas bem avançados, alternando circulação de bola com ataque à profundidade e assim convidando o adversário à pressão dum lado e doutro e ao inevitável desgaste. Mesmo com um meio-campo em sub-rendimento, pois a articulação entre Matheus Nunes e Daniel Bragança não foi a melhor, Amorim preferiu substituir ao intervalo duas peças de desgaste nas alas. Assim, vieram duas frescas que acenturam o desgaste do adversário e ajudaram a uma vitória tranquila, que só pecou por escassa. Sporar teve oportunidades para facilmente fazer um "hat-trick".

Desta forma Amorim assentou ideias sobre a qualidade do plantel de que dispõe  e deu uma injecção de moral importante aos menos utilizados, todos importantes para o que aí vem.

O que aproveitou melhor a oportunidade, a jogar no lugar do Porro, foi Plata, a ultrapassar facilmente o defesa adversário, a criar lances de perigo algumas vezes e pecar na decisão noutras, é o tal "jogador de rua" que joga na improvisação permanente, nem ele sabe o que vai sair quando enfrenta o defesa contrário. Ontem deu o segundo golo a marcar e tem uma assistência fabulosa para o Sporar que daria o terceiro. Além disso, jogou na direita, jogou na esquerda, defendeu e atacou, tem físico, tem técnica, tem futebol para ser um enorme jogador. Mas também tem 20 anos, não chegou a Alcochete com a mesma idade de Nuno Mendes, diz Amorim que lhe falta "formação técnico-táctica", mas já é internacional A por uma selecção bem colocada para chegar ao Mundial. Tem de crescer. Mas daqui a uns anitos quanto valerá? Se calhar mais do que Pedro Gonçalves ou o próprio Nuno Mendes.

Além de Plata, Tabata e Nuno Mendes entraram muito bem, Bragança deslumbra aqui e ali, mas falta-lhe estofo físico para a guerra do meio-campo. Quaresma está a voltar ao seu normal. Mais uma vez gostei bastante de Gonçalo Inácio, que tem tudo para vir a ser o futuro comandante da defesa do Sporting.

SL

Balanço (21)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre PLATA:

 

- Luís Lisboa: «Nuno Mendes e Eduardo Quaresma são valores seguros a médio prazo. Plata e Camacho poderão surpreender esta época.» (5 de Agosto)

Leonardo Ralha: «Quando Plata for o jogador que já acredita ser, apesar da taxa de sucesso nas iniciativas individuais ainda ter considerável margem de progresso, é possível que seja um dos pilares de um Sporting que conte para o Totoloto. Mas mesmo nestes dias sombrios pode e deve contribuir para a obtenção dos poucos objectivos que restam à equipa, o que passa necessariamente por mais do que 10 ou 20 minutinhos em campo, quase sempre numa fase em que o resto dos colegas já desmobilizaram.» (26 de Fevereiro)

- Paulo Guilherme Figueiredo: «É verdade que Plata ainda pode vingar, mas é cedo para lhe pôr sobre os ombros a responsabilidade de referência da equipa.» (28 de Fevereiro)

Eu: «As incógnitas são imensas, dada a pandemia que está a mudar por completo as nossas vidas, mas não custa vaticinar um futuro auspicioso a este ala criativo ainda no início da carreira como futebolista profissional. Assim não lhe falte a sorte, pois talento já tem.» (26 de Março)

- António de Almeida: «É uma perfeita nulidade.» (26 de Julho)

- Eduardo Hilário: «É jovem, irreverente e tem qualidade. Falta-lhe o mesmo que Wendel (acompanhamento) e o seu destino apenas depende dele. Pode ser um dos melhores.» (5 de Agosto)

Pedro Barbosa, Carrillo e Plata

Texto de AHR

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Vou falar de jogadores, que é o que mais gosto de fazer. Para o bem ou para o mal.

O que define um bom jogador? Esta é uma pergunta infinitamente repetida e que, pela sua (aparente) simplicidade de resposta, bem podia figurar num exame do curso para treinador de futebol, no qual parece não haver reprovações.

 

Independente da ordem, Força, Técnica e Velocidade são alguns dos atributos mais comummente utilizados como resposta. Entrando um pouco mais em detalhe, "visão de jogo", "capacidade de passe", "facilidade, força e precisão no remate", "recepção orientada" (termo inventado na era pós-Gabriel Alves) são qualidades que definem a Técnica e que devem ser devidamente avaliadas antes de se avançar para a contratação de um jogador.

Ora bem, um jogador pode reunir todos estes atributos, mas se só fizer uso deles no "dia em que o rei faz anos" (para parafrasear uma canção de festival do José Cid) será que isso faz dele um bom jogador? Estamos todos de acordo que não.

Pois bem, existem muitos jogadores em que este pequeno grande pormenor acontece, o que, para além de ofuscar as suas qualidades, torna-os jogadores irritantes aos olhos da massa adepta. Existem muitos exemplos de jogadores que, pelo motivo de só jogarem quando o rei faz anos, são muito irritantes e fazem esgotar a paciência dos adeptos.

Vou dar apenas três exemplos.

Um num passado distante, um num passado recente e outro no presente.

 

Pedro Barbosa foi um jogador que às vezes me encheu as medidas e que, muitas vezes, esgotou a minha paciência.

Todos se lembram das jogadas incríveis que por vezes saíam daquela forma lânguida de jogar e dos golos que resultavam dos seus remates teleguiados a partir da esquina da área. Eu gostava de o ver jogar sempre assim. Mas não, tínhamos que esperar que o rei fizesse anos. Os adeptos desses tempos lembram-se que circulava aquela máxima que o Pedro Barbosa só jogava quando se aproximava o termo do contrato. Enfim, um jogador que podia ter sido muito maior do que foi, tivesse ele querido.

 

André Carrillo, jogador que chegou ao Sporting bastante jovem, de inegáveis qualidades inatas mas que esgotava a paciência dos adeptos. Também jogava quando o rei fazia anos, o que era profundamente irritante porque todos lhe reconhecíamos capacidade para mais.

Atingiu o auge em meia dúzia de jogos com o Jorge Jesus. Convenceu-se que era uma vedeta. Recusou assinar pelo Sporting e foi colocado de lado. O Benfica foi no engodo de o recrutar, à espera que jogasse bem, mesmo nos dias em que o rei não fizesse anos. Mas nada disso, Carrillo foi sempre igual a si próprio, e nunca aprendeu. Poderia ter tido uma brilhante carreira, tivesse ele querido.

 

Finalmente, chegamos ao presente e provavelmente já adivinharam o jogador que seleccionei: Gonzalo Plata.

Será pessimismo meu dizer que já não acredito neste jogador? Capaz das maiores fantasias e ao mesmo tempo das jogadas mais inconsequentes. O treinador tem-no colocado sempre a jogar, na esperança que chegue o dia em que o rei faz anos. Mas será que vale a pena insistir num jogador destes? Será que o Plata vai pelo mesmo caminho do Carrillo - passar de jovem a velho sem nada aprender?

Até agora, o que tem dado a ver tem mostrado que sim. Não sei se ainda vai a tempo de se modificar. Pode ser que aconteça um milagre.

 

Texto do leitor AHR, publicado originalmente aqui.

Armas e viscondes assinalados: Três pontos ali mesmo na ponta da chuteira

Sporting 1 - Santa Clara 0

Liga NOS - 31.ª Jornada

10 de Julho de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

O Santa Clara teve três ocasiões flagrantes de golo, chegando a levar a bola a entrar na baliza num golo invalidado por evidente posição irregular, mas os açorianos desterrados deixaram a eficácia na Cidade do Futebol. Sem grandes defesas para executar, Maximiano revelou-se bem melhor no jogo de pés, ao ponto de deixar de ser arriscado atrasar-lhe a bola. Terá certamente mais trabalho na recta final do campeonato, a começar na visita ao FC Porto, e espera-se que dê boa conta de si.

Eduardo Quaresma (3,0)

Retomou a titularidade que se tornou garantida, somando boas acções defensivas e qualidade aliada à precisão na hora de lançar jogo. Há um "golden boy" a nascer em Alvalade.

Coates (3,0)

Além dos cortes e da voz de comando ainda teve ensejo de cabecear com muito perigo num canto, levando a que Idrissa Doumbia encaminhasse a recarga para o fundo das redes já depois de o árbitro assinalar uma falta na área do Santa Clara bem difícil de discernir.

Acuña (3,0)

Interpretou muito bem o papel de terceiro central descaído para a esquerda, mostrando-se intratável no desarme e na posse de bola. Só se esqueceu daquilo que está nas tábuas da lei: qualquer jogador do Sporting que esteja “à calha” em véspera de jogo com o FC Porto ou Benfica verá um cartão amarelo.

Ristovski (3,0)

Sempre muito criticado por não ser um César Prates, um Abel, um Cédric Soares ou sequer um Piccini, muito se esforça quem não tem culpa de que contratações que custaram mais aos cofres leoninos lhe ofereçam a titularidade. Boa recuperação de bola e lançamento de Gonzalo Plata para uma das maiores oportunidades de golo da primeira parte, já agora.

Idrissa Doumbia (2,5)

Chutou para a baliza já depois de o árbitro apitar, impedindo o videoárbitro de esclarecer quem raio fez o quê antes do cabeceamento de Coates. Com o jogo a decorrer não fez melhor, permitindo apenas que o também nada resplandecente Matheus Nunes pudesse repousar.

Wendel (3,5)

Inventou uma nesga de relvado para assistir Jovane Cabral no lance do golo que alimenta as esperanças de manutenção do terceiro lugar. Foi o melhor momento de um jogo de esforço intenso, impondo clarividência no meio-campo e juntando-se sempre que possível ao esforço ofensivo dos extremos endiabrados que jogam à sua frente.

Nuno Mendes  (3,0)

Incansável e inesgotável, voltou a combinar bem com Jovane Cabral, ainda que o ascendente que o novo patrão da equipa exerce sobre o lateral-esquerdo tenha impedido que este rematasse para golo depois de se apoderar da bola na grande área do Santa Clara. O caminho faz-se caminhando.

Jovane Cabral (3,5)

Conquistou os três pontos na raça, ganhando posição na grande área e esticando a perna para desviar a bola para as redes mesmo com a ponta da chuteira. Bastaria para ser o homem do jogo, mas também foi o mais rematador, o mais intenso e o mais capaz de ser ídolo de adeptos cada vez mais órfãos de referências.

Gonzalo Plata (3,0)

Num belo remate no primeiro tempo, bem servido por Ristovski, ficou perto de inaugurar o marcador. No resto do jogo foi mexido, como é de seu timbre, mas não tão desequilibrador como se lhe pede que seja.

Sporar (2.0)

Começou por falhar a emenda de cabeça a um excelente livre indirecto de Jovane Cabral, desviando-a com as costas por cima da barra. E há que reconhecer que o mais perto que esteve de marcar sucedeu quando o guarda-redes do Santa Clara chutou contra as suas pernas, levando a bola a sair caprichosamente ao lado. Muito escasso para quem é titular do Sporting e não saiu propriamente de brinde na compra de um pacote de corn flakes.

Tiago Tomás (2,0)

Tão insuficiente foi o avançado esloveno que Rúben Amorim o substituiu por mais um adolescente, tendo este procurado combinar com os colegas sem consequências particularmente palpáveis.

Matheus Nunes (2,5)

Entrou para retomar o lugar que deverá ser seu nos últimos desafios desta Liga de má memória. Muito do futuro imediato do jovem brasileiro recrutado na Ericeira jogar-se-á no Dragão e na Luz.

Borja (2,5)

Acuña já ficara de fora do jogo seguinte e uma lesão muscular retirou-o também deste. Coube ao internacional colombiano, agora e sempre apavorado como o coiote dos desenhos animados, reocupar o lugar que deixou de ser de Mathieu e deverá passar a pertencer a um marroquino trintão.

Rúben Amorim (3,0)

Mais três pontos para o Sporting, mais uma ou outra experiência, mais uma constatação de que tem graves problemas para resolver no centro do terreno e no centro do ataque. Toda a sua estratégia fica bloqueada pelo fraco desempenho de elementos-chave e as opções no banco são limitadas, por muito que Francisco Geraldes e Pedro Mendes pudessem merecer maior confiança. Certo é que chegou ao fim da fase tranquila do futebol pós-pandemia com vitórias em todos os jogos que não implicaram deslocações ao Minho e sem conhecer a experiência de perder. Caso consiga manter-se assim na visita ao Dragão adiará a festa do FC Porto por uns dias e aumentará as hipóteses de não perder o terceiro lugar que em muito facilitaria, pela entrada directa na fase de grupos da Liga Europa, a preparação da incerta temporada seguinte.

O seu a seu dono

A/C de um certo e manhoso tipo de treinador de bancada

 

É fácil acertar no Totobola às segundas, não é?

Oh... não fiques nesse estado. Respira fundo. Conta até dez e enquanto isso esvazia essa indignação inflamada. Mas, sim, leva lá a bibicleta. Tens razão. Não é às segundas-feiras, pois não. Agora, é a qualquer dia da semana que se pode acertar no Totobola. Afinal, para a Covid-19 ainda não se arranjou treinador à altura, menos ainda de bancada.

Mas, tens razão, toda a razão. Enfim, não nos chateemos por causa disto. Adiante.

Posto isto, diz-me lá, confessa, sff, quantas vezes chamaste nomes ao Wendel? Não te pergunto se o renomeaste, se o rebaptizaste, não quero saber se no decorrer do jogo gritaste qualquer coisa do tipo: "Passa a bola, Wanderlei! Não mastigues o jogo, Wanilson! Não fintes mais, Wanderson!"

Nada disso. Nomes do tipo palavrão é sobre esses que indago. Peço-te que partilhes connosco do alto da cátedra que tiraste no lugar que tens no primeiro ou no segundo anel de Alvalade, no aconchego do teu sofá ou da lamuriosa mesa de um qualquer café com Sporttv que frequentas; diz-nos lá: Quantas vezes chamaste nomes ao Wendel e à mãe dele, já agora? 

Muitas, calculo. Muitas mesmo. Tantas que parecerão ainda mais quando comparadas com as nulas vezes em que vislumbraste no brasileiro o maestro da orquestra que ele é hoje. Mas tu podias lá vislumbrar esse talento. Podias lá fazê-lo quando talento para o futebol só tens o de dizer mal. A mesma estafada maledicência que não reconhece que foi preciso chegar a Alvalade alguém que é mesmo treinador, e que é visto da bancada, para revelar um Wendel de batuta nas botas. 

E ao Jovane? Ainda a ele não lhe passava pela cabeça descolorá-la e tu o que dizias que ele tinha nela? Nada, não era? Não gritavas tu que a cabeça do caboverdiano era incapaz de ordenar dribles imparáveis ou sprints de bola dominada no pé rumo à baliza adversária? Não sentenciavas tu que a cabeça do Jovane não tinha capacidade para executar rápido a jogada mais improvável ou o remate mais certeiro? Não declaravas tu que ele era mais um brinca-na-areia inconsequente? 

Tenho a certeza que tudo isto que gritavas, às vezes urravas, do alto do teu douto desconhecimento do esférico, o repetias para o Plata. 

Os três já estavam em Alvalade antes de cá chegar Rúben Amorim, não estavam? Mas ninguém os pôs a jogar bem, verdadeiramente bem, pois não? 

No entanto, mesmo que esta tripla encante o verdadeiro adepto de futebol com o belíssimo futebol que nos oferece, tu continuas a dizer mal. Dos três jogadores e de tudo o resto.

Talvez o faças, afinal, roído de inveja. Inferior ao facto de que quem revela os fantásticos dotes futebolísticos dos três craques acima enunciados é um treinador que custou uma fortuna, que tem pouco currículo e ainda uma costela do grande rival. Todos estes rótulos para ti serão sempre mais fortes, relevantes e importantes do que a evidência da qualidade técnica-táctica e de liderança do treinador que chegou ao clube pela mão de um presidente que tu reprovas. E reprovarás sempre, mesmo que o Sporting venha a ser campeão durante o seu mandato. O mesmo presidente que parece estar a acertar o passo e a apostar definitivamente na formação. Essa mina de coisa preciosa achada em Alcochete e que põe ainda em campo craques como Eduardo Quaresma, Matheus Nunes ou Nuno Mendes. 

Já sei, já sei...! Já os conhecias a todos. Pois, olha, humildemente te digo, que eu passei a conhecê-los pela batuta do Rúben Amorim, durante a presidência de Frederico Varandas.

O seu a seu dono.

Armas e viscondes assinalados: Em equipa que mexe não se ganha

Moreirense 0 - Sporting 0

Liga NOS - 30.ª Jornada

7 de Julho de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

A principal intervenção do jovem guarda-redes consistiu em resolver um atraso mal calculado de Gonzalo Plata que o apanhou em contramão. Houve momentos de maior perigo, devido à inquietante superioridade aérea do Moreirense na grande área do Sporting, mas nesses lances Maximiano pouco ou nada poderia fazer e coube à sorte que ninguém dirigisse a bola para o fundo das redes, limitando-se numa ocasião a acertar nas redes laterais.

Neto (3,0)

Resgatado do esquecimento a que foi votado enquanto suplente de Coates, aproveitou a necessidade imperiosa de fazer descansar um fatigado adolescente para voltar a jogar. Sem a desenvoltura na saída com bola demonstrada por Eduardo Quaresma, há que reconhecer que o veterano internacional português esteve bastante acertado no passe longo, nada catastrófico na construção de jogo e razoavelmente eficiente nas tarefas defensivas.

Coates (3,0)

Mais uns excelentes cortes e desarmes para a exposição permanente do Museu Sebástian Coates de Cortes e Desarmes, com posicionamento irrepreensível e serenidade quase irritante. Referência número 1 para os cruzamentos e bolas paradas, venceu nas alturas mas não nas trajetórias de cabeceamento, não conseguindo melhor contributo para o ataque leonino do que ser pública e notoriamente agarrado pela camisola na pequena área da equipa da casa em tempos de desconto. O videoárbitro Jorge Sousa chamou a atenção para o facto e o apitador Tiago Martins encarregou-se de ignorar a falta para grande penalidade que poderia valer os três pontos que manteriam o sonho do segundo lugar durante uns dias mais.

Borja (2,5)

Além do pânico que irradia quando tem a bola sob a custódia das chuteiras, pouco de errado fez durante os longos minutos que permaneceu no relvado. Não foi pelo colombiano que ficaram mais dois pontos esquecidos no Minho.

Ristovski (2,5)

Menos incisivo e eficaz no apoio ao ataque do que nos últimos jogos, o macedónio também esteve longe de ser a muralha capaz de conter um Moreirense que esteve melhor do que o Sporting em partes significativas do encontro. Quando foi substituído nem ele pareceu capaz de apresentar recurso da decisão para uma instância superior.

Matheus Nunes (2,0)

Faltou-lhe um terceiro remate em zona frontal para conseguir levar a bola a sair do estádio em vez de ficar nas últimas filas da bancada vazia. E na manobra do meio-campo também ficou longe de ser brilhante, reforçando a impressão de que as notícias acerca da futura venda que pagará a cláusula de rescisão de Ruben Amorim talvez sejam manifestamente exageradas.

Battaglia (2,0)

Mais um jogo excessivamente faltoso e desinspirado, demonstrando que o elenco do miolo do terreno é um calcanhar de Amorim no sistema táctico em implementação.

Acuña (3,0)

Regressou ao onze titular sem a disponibilidade física do adolescente que o substituiu nos últimos jogos, mas com a qualidade técnica e combatividade que lhe foram cozidas à pele. Não deixa de ser curioso que nos últimos minutos tenha sido mais útil à equipa enquanto terceiro central descaído para a esquerda. Ainda estamos a tempo, antes de o argentino ser vendido a preço de amigo, na sequência da notícia sobre o “apertão” que deu a Jovane Cabral, de experimentar o que valerá enquanto ponta de lança.

Jovane Cabral (3,0)

Pode muito bem padecer de excesso de individualismo, como tende a acontecer aos futebolistas que fazem muitos golos, assistências e são eleitos jogadores do mês, mas o regresso do extremo que aprecia flectir para o centro foi uma lufada de ar fresco no futebol do Sporting. Derrubado na grande área do Moreirense logo ao início, provavelmente quando o videoárbitro ainda degustava uma francesinha, procurou levar a equipa consigo, mas não raras vezes pareceu ressentir-se das ausências de Nuno Mendes e de Wendel. Quando um e outro saíram do banco de suplentes melhorou de rendimento, ainda que sem repetir a precisão nos livres directos, e mesmo depois do segundo pénalti sonegado ao Sporting ficou muito perto de desfazer a empate a zero no remate em arco que encerrou o jogo.

Gonzalo Plata (2,5)

A mesma velocidade que lhe permitiu marcar ao Gil Vicente em Alvalade forçou Halliche a derrubá-lo e a ver o cartão vermelho após perder a bola em zona proibida. Mago das fintas ainda com défice de pragmatismo, o jovem equatoriano acabaria por terminar o jogo como uma espécie de lateral-direito, funções nas quais não se distinguiu por aí além.

Sporar (2,5)

Ficou em posição em remate uma vez ao longo do jogo, disparando de ângulo complicado para defesa do guarda-redes caseiro. Sendo admissível que o sistema não privilegie quem ocupa a sua posição, é impossível não exigir mais a quem trabalha para a equipa e demais chavões.

Wendel (2,5)

Entrou tarde e não conseguiu impor completamente o seu jogo, mas a maior presença do Sporting no meio-campo contrário teve a ver, em partes iguais, com a superioridade numérica depois da expulsão de Halliche e com a influência do jovem-mas-já-não-tão-jovem brasileiro.

Nuno Mendes (3,0)

Foi um regalo ver entrar o recém-chegado à maioridade que joga como se pertencesse ao plantel principal há uns quantos anos, que centra como mais nenhum dos colegas – o que faria o Bas Dost pré-invasão com aqueles cruzamentos... – e que combina inteligência táctica e disponibilidade física. Com tantas lacunas no plantel é de pensar se Acuña não poderá ser aproveitado noutra posição.

Joelson Fernandes (2,0)

Alguns fogachos de quem poderá ter muito futuro e deverá ser gerido com cuidado, entrando sobretudo em jogos em que os três pontos já estejam no cofre.

Ruben Amorim (2,0)

Saberá melhor do que os observadores externos o motivo profundo para mexer tanto na equipa titular, retirando quem jogou mal e quem jogou bem, mas dificilmente poderá questionar que o resultado não foi brilhante. O regresso de Jovane Cabral até poderia ter garantido tranquilidade desde cedo, em vez do crescente domínio da equipa da casa, motivado pela superioridade numérica no meio-campo e desinspiração dos poucos que por lá andavam. Sem a inteligência do suplente Wendel ou dos lesionados Francisco Geraldes e Vietto, dependeu demasiado do individualismo dos extremos e nem ver-se com mais um em campo melhorou por aí além o desempenho da equipa. Nota final para o facto de só ter realizado 60% das substituições permitidas, o que diz bastante acerca da confiança que deposita num plantel construído de forma desastrosa e que foi perdendo pelo caminho alguns dos melhores (Bruno Fernandes, Raphinha e até o período azul de Bas Dost) e ainda está a criar alternativas. Certo é que, com ajuda do árbitro Tiago Martins e da saída de Bruno Lage do Benfica, o sonho do acesso à Champions esfumou-se e o Sporting de Braga ficou mais parte de recuperar o lugar no pódio que já foi seu.

Pódio: Plata, Coates, Wendel

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Moreirense-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Plata: 15

Coates: 15

Wendel: 14

Jovane: 14

Matheus Nunes: 14

Nuno Mendes: 13

Borja: 13

Ristovski: 13

Acuña: 13

Luís Maximiano: 13

Neto: 13

Sporar: 12

Battaglia: 11

Joelson: 9

 

O Jogo e A Bola elegeram  Plata  como melhor sportinguista em campo. O Record optou por  Jovane.

Armas e viscondes assinalados: Prendas para adolescentes em dia de 114.º aniversário

Sporting 2 - Gil Vicente 1

Liga NOS - 29.ª Jornada

1 de Julho de 2020

 

Luís Maximiano (3,5)

Mais uma boa exibição só se não se traduziu no proverbial lençol limpo porque alguém se lembrou de cometer uma grande penalidade e permitir que um fulano de cabelo oxigenado sem dotes de rapper fizesse mais em Alvalade do que quando foi assalariado do Sporting. Certo é que o jovem guarda-redes esteve à altura com uma série de defesas, uma das quais a evitar um espectacular golo olímpico, que asseguraram sossego num jogo em que Coates e Wendel foram os únicos titulares que restaram da equipa-base do início da temporada.

Eduardo Quaresma (3,5)

Mostrou que os deslizes frente ao Belenenses SAD foram apenas um contratempo, revelando-se uma muralha intransponível com notável “timing” nos desarmes e com visão de jogo necessária para passes de ruptura de longa distância. Na segunda parte deu um ar da sua graça na condução de um contra-ataque que deveria servir de exemplo para jogadores pouco mais velhos e que custaram um punhado de milhões de euros.

Coates (3,0)

Novamente patrão de uma linha defensiva que começa a estabilizar, procurou sempre descomplicar e impôs a sua qualidade,sendo digno do apelido Stromp que carregava na camisola. Pena que tenha sido menos eficaz a ajudar o ataque do que no jogo anterior.

Borja (2,5)

Cada bola que lhe vai parar aos pés é encarada pelo colombiano como se fosse uma mina anti-pessoal que ameaça rebentar-lhe as pernas. Dito isto, poderia ter feito bem pior.

Ristovski (3,0)

Esteve muito activo no apoio ao ataque, mas também fez sentir a sua presença nas missões defensivas, como poderá comprovar um ex-colega de balneário de cabelo oxigenado e sem dotes de rapper.

Matheus Nunes (2,5)

Ainda não foi desta que deslumbrou, limitando-se a pressionar os adversários e a garantir circulação de bola. Mas com demasiados passes errados.

Wendel (3,5)

Muitíssimo oportuno no lance do primeiro golo, no qual acorreu ao cruzamento atrasado de Gonzalo Plata, desperdiçou uma excelente oportunidade para bisar, novamente servido pelo equatoriano, mas permitiu a defesa do guarda-redes e falhou a recarga de cabeça. No resto do jogo procurou controlar as operações no meio-campo desguarnecido pelas opções tácticas de Ruben Amorim.

Nuno Mendes (3,0)

O jovem lateral-esquerdo é outro que não engana, conjugando velocidade de execução e inteligência táctica. Quando engrenar no um-contra-um poderá ser um caso muito sério.

Gonzalo Plata (3,5)

Um golo e uma assistência foram a resposta do adolescente equatoriano ao desafio de substituir o lesionado Jovane Cabral como acelerador do futebol leonino. Particularmente oportuno no lance do 2-0, que se deve à sua rapidez e perseverança, também cometeu umas quantas parvoíces, a maior das quais um passe de calcanhar quando Wendel lhe passou a bola de modo a que pudesse seguir isolado para a baliza.

Rafael Camacho (1,5)

Titular na ala esquerda, na sequência de mais um azar de Francisco Geraldes - ressentiu-se de um toque pouco antes de assumir a titularidade -, o fugitivo de Alcochete resgatado ao Liverpool por não querer ser lateral-direito voltou a demonstrar uma desconcertante apetência para as perdas de bola, passes disparatados e deficiência na atitude competitiva. É um crime de lesa-simbolismo atribuir-lhe a camisola 7, mas ainda fica mais aberrante com o nome de Luís Figo nas costas.

Sporar (2,5)

Embora tenha “lutado muito pela equipa” e todos os chavões do género, é bastante preocupante que um ponta-de-lança do Sporting, num jogo em casa, contra uma equipa de fundo da tabela, não faça um único remate à baliza.

Idrissa Doumbia (1,5)

Entrou para segurar a vantagem de 2-0 e não se lembrou de melhor do que cometer uma grande penalidade que deu um mínimo de “frisson” aos derradeiros minutos de jogo.

Battaglia (2,0)

Voltou a entrar para ganhar ritmo. E, provavelmente, para dar prova de vida na esperança de uma transferência que garanta alguma entrada de dinheiro e alivie a folha salarial.

Tiago Tomás (2,0)

O avançado com idade de junior estreou-se na equipa principal e procurou integrar-se na manobra ofensiva.

Joelson Fernandes (2,0)

O extremo com idade de juvenil estreou-se na equipa principal já nos descontos e assumiu a cobrança de um livre directo que saiu ao lado da baliza do Gil Vicente. Ainda bem. Se tivesse sido golo talvez tivesse já embarcado para um país com menos sol.

Ruben Amorim (3,0)

Muitas ausências dificultaram a convocatória e a escolha do onze titular. Mas a equipa-base está escolhida, a aposta na juventude é assumida e vai dando frutos, e o Sporting voltou a aproximar-se de quem está à frente e a afastar-se de quem está atrás. Com os verdadeiros testes – as deslocações ao Dragão e à Luz – cada vez mais próximos, o treinador ainda sem derrotas na Liga NOS precisa de aprimorar aspectos importantes como os livres indirectos.

Os "verdadeiros adeptos" (3)

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Gonzalo Plata, internacional equatoriano com apenas 19 anos de idade, é claramente uma das melhores contratações feitas por Frederico Varandas para o futebol leonino, como aqui assinalei há mais de três meses.

A imprensa desportiva da passada quinta-feira, analisando o confronto da véspera entre o Sporting e o Gil Vicente, não teve a menor dúvida: elegeu-o como melhor em campo. Confirmando a minha observação, publicada hora antes.

Não custa perceber porquê: ele marcou um dos golos e fez assistência para o outro: foi decisivo para os três pontos conquistados pela nossa equipa. 

 

Valeu-lhe - e valeu-nos - que este jogo fosse disputado à porta fechada em Alvalade, sem a presença de público. Se não fosse assim, este talentoso jovem que vem completando a sua formação desportiva no Sporting teria sido assobiado do princípio ao fim. Confirmando uma das piores tradições praticadas por um ruidoso núcleo da massa adepta: apupar quem veste de verde e branco, dando moral às equipas adversárias.

Plata teve sorte: assim os assobios só foram virtuais. Mas não deixaram de ser estridentes, como se comprova num dos espaços onde costumam albergar-se alguns "verdadeiros adeptos", que olham mais para o teclado do que para o relvado durante os jogos.

 

Visitei esse espaço depois do Sporting-Gil Vicente e deparei com imensos "piropos" dirigidos ao internacional equatoriano - e ao próprio treinador Rúben Amorim.

Transcrevo alguns desses dislates, já com erros ortográficos devidamente corrigidos e os substantivos próprios devolvidos à letra maiúscula imposta pelas boas regras gramaticais:

 

«O Plata e o Camacho podem ser zero jogo após jogo que têm sempre um lugar na equipa do lampião.» [antes do jogo]

«Camacho e Plata são zero. Outra vez…» [momentos antes da marcação do primeiro golo]

«Teve um pouco de sorte no drible o Plata.» [logo após a assistência de Plata para esse golo]

«O Plata toma (mais) uma decisão absurda, tem a sorte de ganhar o ressalto.»

«O Plata… ludibriou o defesa com um tropeção.»

«Tenho a impressão que só vi dois jogos completos dele mas já se tornou o meu odiozito de estimação. Muito bem estamos quando podemos dar a titularidade a quem decide tão mal.»

«Plata dá o quê?»

«Até agora deu um engano que resultou em golo…»

«Ó Plata… Manda-te ao mar e diz que eu te empurrei. F***-*e!»

«Plata coitado .. completamente perdido…»

«O Rúben Amorim está vestido de palhaço?»

«Que tem na cabeça este Plata?»

«Plata mentalmente está de rastos... Zero confiança.»

«F***-*e, e eu perdi a segunda parte do WH-Chelsea para ver isto…»

«P***a, não fizeram nada nos últimos 20 minutos. Tirando aquela cagada do Plata.»

«Não vejo como [Joelson] pode fazer pior que Plata.»

«Plata e Camacho são embaraçosamente maus.»

«Max e Wendel os melhores, Plata um desastre.»

«Plata pouco mais que isso [nulidade], com muitas decisões incorrectas.» [ao intervalo]

«O Plata toma decisões péssimas o jogo todo, mas nesta jogada só com o redes na frente teve a frieza de levantar a cabeça e colocar para golo.» [momentos após Plata ter marcado o segundo]

«Este Camacho também parece que está a aprender com o Plata. Cruzes credo!»

«Agora é que reparei. Estamos com o Peyroteo a central. Este treinador bate mal.»

«Este Plata é mesmo estúpido f***-*e.»

«Vá-se lá saber como, acaba por ser o homem do jogo. Aos tropeções e às cambalhotas mas dois golos são dois golos.» [quase no fim]

«Alguém ofereça um pé direito ao Plata…» [no fim]

«Plata com um golinho, um engano que deu outro golo e mais dois remates que podiam ter dado golo.»

«O Plata marcou um golo, mas fez tan-ta porcaria.»

«Max o melhor em campo diz muita coisa.»

«Jogo ao nível do Varandas.»

«Pós-covid a liga tuga está a bater todos os recordes de mediocridade.»

 

Pódio: Plata, Wendel, Coates, Max

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Gil Vicente pelos três diários desportivos:

 

Plata: 18

Wendel: 17

Coates: 16

Luís Maximiano: 16

Matheus Nunes: 15

Eduardo Quaresma: 15

Battaglia: 14

Sporar: 14

Borja: 14

Nuno Mendes: 14

Ristovski: 14

Rafael Camacho: 10

Idrissa Doumbia: 9

Joelson: 7

Tiago Tomás: 5

 

Os três jornais elegeram Plata como melhor jogador em campo.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da vitória desta noite, em casa, contra o Gil Vicente. Derrotámos por 2-1 a equipa que tinha vencido o FCP na primeira jornada da Liga 2019/2020 e que nos dobrou (1-3) na primeira volta, em Barcelos. Desta vez com domínio total do jogo: foi, oficialmente, o nosso triunfo n.º 1500 no primeiro escalão do campeonato nacional de futebol. O resultado - que por este motivo será sempre lembrado no futuro - começou a ser construído aos 21', com golo de Wendel. Plata ampliou a vantagem aos 49'. A equipa minhota reduziu aos 90', marcando de penálti.

 

De Plata. Destacou-se nesta partida, em que teve o melhor desempenho desde a chegada do novo técnico. É dele a assistência para o primeiro golo, com um cruzamento atrasado para a grande área, e é ele quem consegue os três pontos ao apontar o segundo, aproveitando muito bem um atraso disparatado de um defesa adversário, batendo em velocidade os seus opositores. Podia ter marcado outro, aos 85', na sequência de um excelente centro de Nuno Mendes. O melhor em campo.

 

De Wendel. Foi ele a pautar o jogo leonino, liderando as transições ofensivas, bem entrosado com Matheus Nunes. Precisão de passe, argúcia na leitura de jogo e capacidade de variação de flanco, baralhando marcações e dando criatividade ao processo ofensivo. Parece estar um pouco em toda a extensão do terreno, como se verificou no golo inicial, quando ganhou o ressalto, após falhanço de Sporar, e rematou com êxito. Fez um excelente passe em velocidade isolando Plata, num lance que o jovem equatoriano desperdiçou.

 

De Nuno Mendes. Vem subindo de rendimento jogo após jogo, tornando-se cada vez mais influente. A jogada do primeiro golo tem início num excelente lançamento lateral, das mãos dele. Actuando sobretudo como médio-ala no corredor esquerdo, neste sistema implantado por Rúben Amorim, destacou-se em duas iniciativas ofensivas aos 6' e aos 85'. Transpira confiança e boa condição física, parecendo bem articulado com Borja, que lhe assegura as dobras no seu flanco.

 

De Coates. O capitão da equipa não é apenas o patrão da defesa: aos 29 anos, é o mais veterano do onze titular, que hoje apresentava uma idade média de 22,6 anos. Domina todos os momentos de jogo no reduto mais recuado, ganhando lances aéreos e nunca desperdiçando uma oportunidade de ajudar a equipa no plano ofensivo, nomeadamente durante as marcações de cantos. Cortes muito oportunos aos 19', 63' e 68'.

 

De Ristovski. Foi titular pelo segundo jogo consecutivo e confirmou que tem vontade e energia para agarrar o lugar, que neste modelo 3-4-3 estimula o seu pendor ofensivo. Características bem patentes na jogada rápida que desenvolveu na construção do primeiro golo, recebendo a bola de Sporar e colocando-a nos pés de Plata, numa demonstração clara de bom futebol de ataque. Dois cruzamentos, aos 61' e aos 83', mereciam ter sido mais bem aproveitados.

 

De Max. Exibição segura e consistente. Fez duas grandes defesas: aos 35', quando revelou óptimos reflexos ao travar um tiro de Barayé disparado já dentro da área; e aos 64', quando evitou que o Gil Vicente marcasse de livre directo.

 

De mais duas estreias na equipa principal. Aos 81', Amorim mandou sair Matheus Nunes e lançou Tiago Tomás, que na época passada marcou 28 golos pela equipa sub-17 e este ano apontou três na Liga Revelação. Tem 18 anos e promete tornar-se um avançado de referência no Sporting. Aos 90'+1 entrou Joelson: com apenas 17 anos, é um dos nossos mais brilhantes jogadores do escalão júnior. Substituiu Sporar, ainda a tempo de marcar um livre directo. Nem um nem outro esquecerão este dia de estreia. Que foi também o dia do 114.º aniversário do Sporting.

 

Da contínua aposta na formação. Rúben Amorim fez alinhar quatro jogadores oriundos da Academia leonina no onze inicial (Luís Maximiano, Eduardo Quaresma, Nuno Mendes e Rafael Camacho), mais três sub-23 que têm completado a formação em Alvalade (Matheus Nunes, Wendel e Plata). Com Tomás e Joelson, já são cinco os jogadores que o actual treinador leonino estreou nos últimos desafios. Sem inibições nem complexos de qualquer espécie.

 

Da homenagem a grandes Leões em dia de aniversário. Excelente, a ideia de imprimir nas camisolas dos jogadores os nomes de craques históricos do futebol do Sporting. Max, por exemplo, apareceu como Damas. E os nossos golos foram marcados por Jesus Correia (Wendel) e Balakov (Plata). Tiago Tomás tinha o nome de Cristiano Ronaldo estampado na camisola e Joelson estreou-se em homenagem explícita a Yazalde - era o nome que trazia escrito nas costas.

 

De somarmos quatro jogos seguidos a ganhar, pela primeira vez na temporada em curso.  Além disso levamos uns inéditos (nesta época) seis jogos consecutivos sem perder. Indício evidente de que continuamos no bom caminho, por mais que isso faça perder as estribeiras a alguns - ao presidente do Braga, por exemplo, que ontem tentou visar o Sporting num patético comunicado em que anunciava o despedimento do treinador Custódio, sucessor de Rúben Amorim, ao fim de apenas seis jogos.

 

De consolidarmos o terceiro posto. Temos agora cinco pontos de avanço em relação ao Braga, novamente derrotado (perdeu 2-3 com o Rio Ave), e encurtámos a distância face ao Benfica, que nesta ronda soçobrou perante o Marítimo (0-2). O segundo lugar está agora a nove pontos. É difícil alcançá-lo, mas não impossível. Algo impensável há um mês.

 

Da "estrelinha" do treinador. Rúben Amorim, técnico com fama de sortudo, soma agora quinze jogos sem perder no campeonato. Só é pena que nove desses quinze tenham sido ao serviço do Braga. No Sporting, regista cinco vitórias (Aves, Paços de Ferreira, Tondela, Belenenses SAD e Gil Vicente) e um empate (em Guimarães).

 

 

Não gostei
 
 

De ver a equipa tão desfalcada. Já não nos bastava termos perdido Bruno Fernandes (que brilha em Manchester, onde acaba de marcar pela primeira vez dois golos ao serviço do United) e Mathieu (recém-retirado do futebol). Vietto e Luiz Phellype continuam afastados por lesões. Francisco Geraldes magoou-se no último treino antes deste jogo. Acuña (já recuperado) e Jovane ficaram de fora, por opção técnica. Por um ou outro motivo, não pudemos contar com pelo menos quatro jogadores considerados imprescindíveis no onze titular do início da época.

 

Do excesso de golos falhados. Em pelo menos três ocasiões, desperdiçámos oportunidades soberanas de sentenciar o jogo, que manteve o desfecho incerto até final. Sporar falhou um golo cantado na sequência de um canto, aos 14'. Plata decidiu mal aos 45', quando tinha apenas o guarda-redes pela frente. Aos 47', também isolado, Wendel rematou com força mas à figura do guardião gilista.

 

De Camacho. Amorim optou por trazê-lo de volta aos titulares, mas o jovem que já actuou no Liverpool não foi feliz neste regresso ao onze. Trapalhão, desligado dos colegas, pareceu sempre desconfortável na ala esquerda, onde o técnico o colocou de início. Anda a faltar-lhe acerto e consistência. E nem o facto de ter jogado com o nome de Figo nas costas (último n.º 7 que obteve sucesso no Sporting) pareceu inspirá-lo. Quando saiu, aos 69', já parecia ter ido tarde.

 

De Idrissa Doumbia. Substituiu Camacho e nos minutos iniciais até parecia embalado para uma boa exibição, reforçando o meio-campo para compensar um Wendel já muito desgastado. Mas teve uma péssima intervenção quase ao cair do pano, ao cometer um penálti absolutamente desnecessário, quando a bola já se encaminhava para fora da área e o Gil Vicente continuava sem causar real perigo à nossa organização defensiva. Deste modo não apenas permitiu que a equipa minhota marcasse como deu oportunidade a que o autor do golo fosse um tal Rúben Ribeiro, que anda há dois anos em litígio aberto com o Sporting e teve a sorte de regressar a Alvalade com as bancadas sem público. Se alguém merece uma vaia monumental dos sportinguistas é este indivíduo que faz da ingratidão um lema.

Quem rende Vietto?

Com Luciano Vietto no "estaleiro", provavelmente até fim da época, quem é o seu substituto no onze do Sporting? Gonzalo Plata, como extremo pela esquerda, trocando com Jovane Cabral durante o jogo e baralhando as defesas? Francisco Geraldes, como organizador de jogo a partir da esquerda, um pouco como o argentino? Ou uma terceira opção? Qual a vossa opinião? 

Os jogadores de Varandas (5)

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PLATA

Vai-se tornando consensual, entre os adeptos, que Gonzalo Plata terá sido a melhor contratação da era Varandas. A SAD leonina fechou contrato a 31 de Janeiro de 2019 com o jovem jogador, que dera nas vistas no campeonato sul-americano de sub-23 enquanto membro da selecção do Equador.

Avançado esquerdino, embora actue preferencialmente pelo corredor direito, chegou com apenas 18 anos, tendo assinado contrato válido até 2024, resguardado por uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros. Custou-nos 1,1 milhões, mas o Sporting é apenas titular de metade do seu passe.

Alguns viram logo nele, a prazo, o substituto natural de Gelson Martins. Mas com Marcel Keizer ainda ao leme da nossa equipa, Plata foi remetido para a equipa sub-23, sem oportunidade de mostrar o que valia entre os maiores. Fácil de explicar: o holandês contava ainda com Raphinha para essa posição.

Com Silas, e já sem Raphinha no plantel, o equatoriano encontrou enfim o seu espaço entre os "adultos". Começou a 21 de Dezembro, contra o Portimonense para a Taça da Liga, quando se revelou decisivo para virar um resultado de 0-2 para 4-2. Plata só actuou nos 20 minutos finais, mas foi quanto bastou para marcar um golo e fazer assistência para outro, revelando-se o melhor em campo.

A 23 de Fevereiro, desfez as últimas dúvidas com uma exibição de luxo perante o Boavista, em Alvalade, quando o treinador apostou nele como titular. Marcou um golo, assistiu noutro ao cobrar um livre de forma irrepreensível e revelou-se incansável nos 90 minutos, dominando todo o nosso corredor direito e tendo até resistido a uma entrada violenta de Ricardo Costa, que podia tê-lo inviabilizado para a prática do futebol.

«Espero que seja o primeiro de muitos», declarou no final, aludindo a este seu golo de estreia pelo Sporting no campeonato. Era o terceiro Leão mais jovem a marcar neste século, depois de Eric Dier e Diego Rubio.

No dia seguinte, sem surpresa, a imprensa desportiva rendia-se ao seu talento, dando-lhe a melhor nota por unanimidade.

Em Setembro, estreara-se na selecção principal do seu país num amigável contra o Peru disputado em Nova Iorque que terminou com a vitória equatoriana. Dias depois, num encontro frente à Bolívia, marcou o primeiro golo ao serviço da selecção A. Vai ficar-lhe certamente na memória.

Veremos o que irá seguir-se. As incógnitas são imensas, dada a pandemia que está a mudar por completo as nossas vidas, mas não custa vaticinar um futuro auspicioso a este ala criativo ainda no início da carreira como futebolista profissional. Assim não lhe falte a sorte, pois talento já tem.

 

Nota: 8

Divagações em tempo de quarentena (1)

Tenho para mim que a fórmula de sucesso para o futebol do Sporting está há muito inventada, um plantel com 1/3 de jovens de elevado potencial, 1/3 de jogadores de classe com alguns anos de casa e o resto de "carregadores de piano" que saibam compensar com a garra e força do seu carácter as suas limitações técnicas, e por cima disso tudo um treinador disciplinador, exigente e inspirador. Foi assim com Malcolm Allison, foi assim com Boloni, podia ter sido assim com Bobby Robson.

Olhamos para o plantel actual do Sporting: dos 26 contam-se 9 sub-23, dos quais se destacam Wendel e Plata, um da selecção olímpica do Brasil, outro da selecção A do Equador, entre todos imagino que tenham um valor de mercado de cerca de 50M€. O terço de jovens de elevado potencial está lá.

Já quanto aos craques, e com boa vontade, apenas posso vislumbrar quatro: Mathieu, Acuña, Coates e Vietto.

E quanto aos carregadores de piano, os que lutam até ao fim e raramente comprometem, apenas posso vislumbrar cinco: Renan, Neto, Battaglia, Sporar e Luiz Phellype.

Sobram assim 8 em 26 que se afastam desta tipificação e que em meu entender pouco acrescentam ao plantel. Já têm 23 ou mais anos, e ou não são suficientemente bons ou não são suficientemente fortes psicologicamente, raramente resolvem e muitas vezes comprometem.

É muita gente e é gente que custou muito dinheiro. Não falando no caso muito especial de Francisco Geraldes, temos Ristovski, Rosier, Ilori, Borja, Eduardo, Bolasie (emprestado) e Jesé (emprestado) que penso que custaram cerca de 25M€. Salários à parte, excepto nos emprestados.

Obviamente que, com Rúben Amorim, um ou outro destes jogadores poderá revelar qualidades nunca vistas e demonstrar a sua importância, mas quando falamos num plantel pobre para as necessidades do Sporting este é o maior problema.

O outro é que com as saídas de Bas Dost e de Bruno Fernandes ficaram apenas quatro para fazer a diferença. E se Mathieu arrumar as botas, restarão apenas três...

SL

Armas e viscondes assinalados: O silêncio é de outros e a alegria é de Plata

Sporting 2 - Boavista 0

Liga NOS - 22.ª Jornada

23 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Teve que esperar pelo tempo de compensação da segunda parte para ser verdadeiramente posto à prova, evitando o contacto da bola com as redes com a mesma determinação do irmão mais velho de uma adolescente afoita. A estirada que desviou para canto um remate de fora da área que levava carimbo de golo de honra boavisteira serviu para recordar os compradores de bilhetes e recebedores de convites que o jovem guarda-redes é o único dos supostos suplentes da linha defensiva leonina aquando do início da temporada – todos eles titulares neste jogo – que se tornou titular indiscutível. Só precisa mesmo de melhorar o jogo de pés, como mais uma vez demonstrou, num jogo em que pouco mais fez do que encaixar escassos remates saídos à figura, para superar o actual guarda-redes do Wolverhampton nesta fase da carreira e dar início à luta pela baliza de Portugal.

 

Rosier (3,0)

A primeira intervenção do lateral-direito francês foi inaceitável num profissional de futebol, mas a verdade é que não demorou a carburar, combinando de forma muito positiva com o endiabrado Gonzalo Plata. Regressado à titularidade após prolongada ausência, tirou proveito da oportunidade e até chegou a rematar. Mas ainda tem hesitações na hora de avançar para a grande área adversária e sofre com as limitações físicas (já conhecidas aquando da sua contratação, e que conduziram à precoce titularidade e posterior entrada no carrossel de Thierry Correia) que aconselharam a sua substituição.

 

Neto (3,0)

Patrões fora, dia santo na loja? Acabou por assim ser, com a ausência de Coates e Mathieu a passar despercebida. Ainda que a ineficácia do ataque boavisteiro tenha dado uma ajuda, a experiência do central português contribuiu para o desfecho. Neto antecipou-se ao perigo, executou sem adornos e até procurou contribuir para a construção de jogo. Fossem todos os jogos assim.

 

Ilori (3,0)

Ainda teve uma hesitação e um atraso de bola arriscado, mas Luís Maximiano resolveu as duas situações sem problemas de maior. Posto isso... digamos que o central resgatado do esquecimento pela infinita generosidade de Frederico Varandas e Hugo Viana sossegou todos quantos temiam vê-lo lançar sete palmos de terra sobre a equipa. Intervenções certas e desassombradas, aqui e acolá merecedoras daquele tipo de aplausos que são reservados a quem supera (baixas) expectativas, contribuíram para manter o lado correcto do marcador a zeros. Se conseguir repetir o feito na Turquia é possível que lhe façam uma estátua equestre.

 

Borja (3,0)

Raras coisas são tão comoventes quanto o esforço do lateral-esquerdo colombiano para transcender as suas capacidades. Neste caso, ainda que se tenha remetido sobretudo a funções defensivas, prejudicado pela ênfase dada a Gonzalo Plata no lado contrário e pela tendência de Jovane Cabral flectir para o centro do meio-campo adversário, foram dos pés de Borja que saíram os bons cruzamentos com que Plata assinou o 2-0 e Jovane descartou o 3-0. Eis um caso paradigmático de um jogador que honra o Sporting mesmo que, pelo menos idealmente, possa não ter sequer lugar no plantel.

 

Battaglia (3,0)

Mais uma exibição positiva do médio argentino, mexido o bastante para fornecer linhas de passe aos colegas mais atrás e inteligente o suficiente para arranjar soluções aos colegas mais à frente. Acabou por não ser poupado para a segunda mão dos dezasseis-avos de final da Liga Europa, numa decisão que só pode ser aplaudida: além de melhorar o coeficiente na UEFA, já de olhos postos no regresso à Champions em 2021/2022, o Sporting tem de assegurar que para o ano poderá competir na Liga Europa. E alcançar o Sporting de Braga ou manter à distância Rio Ave, Vitória de Guimarães e Famalicão está longe de ser uma mera formalidade para este Sporting de pé descalço.

 

Wendel (3,0)

Terá feito um dos seus melhores jogos nos últimos meses, demonstrando sabedoria na condução de bola, ausência da recorrente e irritante displicência na movimentação e no posicionamento e vontade de conduzir os colegas ao “só mais um” que erros alheios mantiveram no registo “dois é bom, três é de mais”. Só não merece melhor nota pela forma infantil como viu o cartão amarelo que o afasta da deslocação a Famalicão, onde o Sporting tem demasiado em jogo para não contar com todos os melhores.

 

Gonzalo Plata (4,0)

No final do jogo, recomposto da tentativa perpetrada pelo central boavisteiro Ricardo Costa de lhe desatarraxar a perna (sem que o infame Nuno “Ferrari Vermelho” Almeida, um dos maiores escroques apitadores nacionais, discernisse mais do que um pontapé de canto apesar da insistência do videoárbitro), o jovem extremo equatoriano ouviu o mesmo treinador que lhe nega oportunidades de afirmação dizer que poderá encontrar-se em Alvalade um futuro caso sério do futebol mundial. Inequívoco homem do jogo, Gonzalo Plata fez mais do que cobrar de forma irrepreensível o livre que permitiu a Sporar inaugurar o marcador e do que rubricar o 2-0 num lance em que a execução do remate ficou em segundo plano perante a rapidez e inteligência com que se dirigiu para as “sobras” do cruzamento de Borja. Mais do que isso, devolveu alegria ao Estádio de Alvalade, que pela primeira vez em muito tempo teve momentos de comunhão nas bancadas, juntando “escumalha”, “croquetes” e milhares de convidados que ali estavam para a média de ocupação do estádio parecer menos desoladora. Quando Plata for o jogador que já acredita ser, apesar da taxa de sucesso nas iniciativas individuais ainda ter considerável margem de progresso, é possível que seja um dos pilares de um Sporting que conte para o Totoloto. Mas mesmo nestes dias sombrios pode e deve contribuir para a obtenção dos poucos objectivos que restam à equipa, o que passa necessariamente por mais do que 10 ou 20 minutinhos em campo, quase sempre numa fase em que o resto dos colegas já desmobilizaram.

 

Jovane Cabral (3,0)

Repetiu a titularidade sem repetir os resultados virtuosos obtidos no jogo com o Basaksehir. Voltou a mostrar-se mexido e a pôr os outros em movimento, mas pouco lhe saiu bem ao longo do jogo. O momento mais paradigmático da exibição foi o falhanço dentro da grande área, em posição frontal, após um bom cruzamento de Borja. Ainda assim, poderia ter mantido a série consecutiva de contribuições para o placard, isolando de forma perfeita Gonzalo Plata frente a frente com o guarda-redes do Boavista. Mas calhou ser o momento do jogo em que o equatoriano não esteve à altura.

 

Vietto (3,5)

Promovido a força tranquila da manobra ofensiva leonina, muito ele fez jogar, ainda que não tenha concretizado uma oportunidade flagrante de golo, servido com requinte pelo rompante Plata. Tem muito em si de futura referência leonina e cabe-lhe escrever um melhor futuro em que deixe de passar pela vida futebolística como uma esperança adiada.

 

Sporar (3,5)

Estreou-se a marcar na Liga NOS, dias após marcar na Liga Europa, com um toque oportuno que desviou da melhor forma o livre marcado por um equatoriano de que já talvez tenham ouvido falar. Mas também garantiu espaços para os colegas e continua a aumentar os níveis de confiança, o que vem mesmo a calhar numa altura em que se descobre que os bónus previstos na sua transferência podem fazer de si a contratação mais cara de sempre do Sporting. Lá seria mais um recorde batido pela presidência de Frederico Varandas...

 

Pedro Mendes (2,0)

Teve direito a 20 minutos pelo segundo jogo consecutivo, e pelo segundo jogo consecutivo padeceu de ter entrado numa fase em que o Sporting abandonara a nobre arte do ataque continuado. Voltou a fazer o possível por deixar boa impressão ao estádio, ainda que pouco mais tenha feito além de pressionar o início da construção de jogo dos adversários.

 

Ristovski (2,0)

Saltou do banco de suplentes para fazer face aos problemas físicos de Rosier e ajudou a manter uma rara ausência de golos concedidos. Segue-se a viagem à Turquia, onde viria a calhar repetir a proeza.

 

Francisco Geraldes (2,0)

A ovação que recebeu quando entrou para o descanso de Vietto é o tipo de fenómeno sportinguista que carece de estudo académico. Além de ser um futebolista com talento inato, “Chico” não se limita a ser o leão aspiracional, capaz de conciliar a bola com os estudos, mais dado a leituras do que a vídeos , como também simboliza na perfeição o Sporting dos nossos dias, com o seu potencial (ainda) por concretizar, em grande parte por culpas alheias (treinadores avessos à aposta na formação, péssima gestão de activos do clube) mas decerto também por culpa própria. Nos dez minutos que lhe couberam em sorte procurou e conseguiu mostrar serviço, lamentando-se apenas que num lance de contra-ataque não tenha sentido a confiança suficiente para rematar ou tentar irromper na grande área boavisteira, optando por assistir um colega que não entendeu o passe. Fica de fora na Liga Europa, mas pode ser que o castigo de Wendel leve a que Silas lhe dê uma hipótese de provar valor na deslocação a Famalicão. Embora seja mais provável que regresse a um daqueles meios-campos a tresandar de medo da própria sombra que juntam Battaglia a Idrissa Doumbia e Eduardo.

 

Silas (3,5)

Teve a inteligência de apostar numa táctica alicerçada no célebre princípio de jogo “metam a bola no miúdo e logo se vê”, retirando faustosos dividendos da aposta em Gonzalo Plata. Vendo-se a ganhar desde cedo, e a dominar as manobras no meio-campo, respirou de alívio e nem o facto de apresentar uma linha defensiva composta quase exclusivamente por suplentes trouxe um décimo das preocupações que esperaria. Numa semana em que exibiu dotes de comunicação quase tão fracos quanto os do responsável pela sua contratação, pondo em causa o empenho de um dos melhores jogadores de sempre do futebol leonino, Silas ganhou algum oxigénio. Para encher a botija terá de selar o apuramento para os oitavos-de-final da Liga Europa em Istambul e regressar de Famalicão com mais três pontos de vantagem em relação a um dos adversários directos na luta pelo terceiro, quarto ou quinto lugares. Mas para tal seria aconselhável que resolvesse a recorrente quebra que faz das segundas partes do Sporting o equivalente táctico de uma pessoa remediada que (sobre)vive de rendimentos.

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