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És a nossa Fé!

Vinte e três

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O FC Porto, neste campeonato, já perdeu 23 pontos. Dezassete dos quais frente a emblemas que se arriscam quase sempre a descer de divisão.

Perdeu seis contra o Estoril. Perdeu cinco com o Arouca. Perdeu dois com o Boavista. Perdeu dois com o Gil Vicente. Perdeu dois com o Rio Ave.

Vale a pena sublinhar: são equipas com orçamentos incomparavelmente inferiores ao da agremiação azul-e-branca, cujo plantel actual está avaliado em 97,5 milhões de euros.

 

Tanto milhão, confirma-se agora, não chega para as encomendas.

A turma portista, que perdeu contra o Estoril sábado passado, sofreu a quinta derrota neste campeonato. Já cumpriu oito desafios sem marcar um só golo. E é hoje o segundo clube da Liga com mais jogadores punidos com cartões vermelhos - o que diz tudo sobre a "cultura desportiva" ali reinante.

Diogo Costa e Chico Conceição, expulsos, falham amanhã o confronto com o V. Guimarães da meia-final da Taça de Portugal. Outros dois, Evanilson e Otávio, falham também por motivos disciplinares o jogo da Liga, contra a mesma equipa, a disputar domingo no Dragão.

E o filho de Sérgio Conceição ainda teve sorte: foi expulso por acumulação de amarelos quando devia ter visto o vermelho directo por chamar «filho da puta», de forma bem perceptível, ao árbitro António Nobre. 

 

Com tudo isto, o clube de Fernando Madureira e Manuel Serrão já se despediu em Março da corrida ao título: não lhe resta a menor hipótese de lá chegar. Nem terá acesso à Champions da próxima época: a distância que o separa do segundo classificado é já de nove pontos. E deve acautelar-se com o Braga, agora apenas com menos dois. 

Noites de pesadelo lá na freguesia da Campanhã. Cá por baixo, alguns verdazuis andam de rastos. Não tenho pena alguma, nem de uns nem de outros.

 

ADENDA. De mal a pior: CMVM suspende acções da SAD do FCP após entrevista de PdC à SIC.

Amores e ódios do velho portodilo

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«Quero deixar um abraço ao Fernando Madureira e à sua mulher, porque os amigos são para as ocasiões.»

«Foi e espero que irá ser um grande chefe da claque a apoiar o FC Porto.»

«Como amigo mando-lhes um grande abraço de solidariedade porque eles foram fundamentais no apoio que os Super Dragões deram às nossas equipas nos vários momentos.»

 

Dois jornalistas foram atingidos por isqueiros na apresentação da recandidatura de Pinto da Costa, no poder portista há 42 anos. Agressão ocorreu quando o recandidato fazia vários ataques verbais à comunicação social.

O rei vai nu

Algures no ano passado fui jantar com a minha esposa a um conhecido restaurante de Espinho, ia passando os olhos num jogo da Champions quando por causa da escolha do vinho veio à baila o futebol, do futebol o Sporting, e logo chamou outro empregado, sportinguista de coração, com muitas "piscinas" para Alvalade ao longo dos anos. E porquê o vinho? Porque acabei por escolher um vinho verde branco que desconhecia do produtor... António Oliveira. O mesmo que tem a placa no estádio de Alvalade e que acaba de produzir n´A Bola um artigo do mais lambe-botas que pode existir para com Pinto da Costa. António Oliveira, excepcional jogador à parte, acabou por ser um dos vários "submarinos" que o velho padrinho do norte enviou para destruir João Rocha e o Sporting Clube de Portugal. Já agora o Manuel José podia contar o que sabe daquele Sporting-Porto com Jaime Pacheco e Sousa uns anitos depois.

Mas adiante. 

A conversa com o tal empregado continuou, e derivou para a candonga de bilhetes para os jogos do Porto, chegava este e aquele daqui e dali, era só dizer, logo alguém ligava para alguém e combinava-se a hora para junto ao Shopping das Antas, alguém abrir a mala do carro e fazia-se logo ali a transacção. Só num emigrante, família e amigos, mudavam logo ali de mão algumas centenas de euros sem qualquer registo ou factura.

Enfim, não havia cão nem gato no Porto e à volta, nem juiz, procurador ou polícia, que não conhecesse a candonga de bilhetes e a vida faustosa do Macaco, que incluía carros topos de gama. Estava até a construir a sua mansão "Cristiano Ronaldo" bem perto da praia e com vista para o mar. Como também não conhecessem a realidade do tráfico de droga na zona do grande Porto. Ainda agora que lá estive para ver o Boavista, e além dos desgraçados que andam pelas esquinas, estava eu estacionado, um deles me exigiu um euro para pôr combustivel no BMW velho, e como não lho dei rosnou uma série de ameaças que me levou a sair depressa dali para regressar inteiro a Lisboa. Quem vive no Porto, infelizmente, sofre bem mais com a situação do que eu. E como se financia o tráfico? E como se lava o dinheiro? Pelos bancos?

Como também não há cão nem gato, nem juiz, procurador ou polícia que não conheça o processo de coacção e corrupção desportiva organizado por Pinto da Costa e pelo falecido Reinaldo Teles, e que teve como apogeu o "Apito Dourado". Que ainda agora Pinto da Costa trouxe à baila, ameaçando com um livro comprometedor para o dia em que sair do Porto. Para quem, não sei.

Então porque é que até agora nem juizes, nem procuradores, nem polícias mexeram uma palha para pôr cobro à situação? Foi preciso Villas-Boas ter a coragem de vir dizer que "o rei vai nu"?

 

PS: “Não me lembro de ver o nosso rival FC Porto vencer um campeonato e o Sporting e o seu presidente serem o  alvo da sua comunicação e o centro da sua atenção. Não só não é motivo de preocupação como é reconfortante, motivador e encorajador. É a confirmação de que estamos no rumo certo, de que o Sporting já não é visto como o ‘terceiro grande’. Como o terceiro e ‘simpático’ grande. E como é maravilhoso ouvir o senhor Pinto da Costa com saudades, a elogiar o Sporting do passado recente. Há gente que por muito que ganhe continuará sempre a ser muito pequena e sobretudo muito pobre. Não existe maior pobreza do que a pobreza do carácter, da integridade e de valores. São e serão sempre gente muito pobre, ao contrário da grandíssima e honrosa instituição que representam." Frederico Varandas, 28/05/2022, no núcleo do Sporting de Carregal do Sal.

SL

(Mau) Serviço público

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A RTP,  televisão pública que todos nós pagamos na factura da electricidade e provavelmente por subvenções estatais (nada contra esta última se o objectivo for manter isenção democrática na programação), prestou-se ontem ao serviço de, em ocasião de campanha eleitoral para as eleições no FCPorto, conceder em horário nobre mais de uma hora de tempo de antena a Pinto da Costa, um dos candidatos.

Uma entrevista em tom meloso, sem tocar, ou a tocar pela rama, nos assuntos que realmente interessavam. Quem estava a ser entrevistado não era o cidadão Pinto da Costa, que não fora o acaso (como o próprio confiou) de ter sido nos últimos quase 50 anos presidente do FCPorto, seria mais um cidadão como tantos na cidade do Porto e no país.

Esteve mal a RTP e a jornalista, ao prestarem-se a este papel de branqueamento de uma carreira de dirigente marcada por casos gritantes e provados de corrupção activa que ao contrário do que afirma, não foi absolvido por estar inocente, foi absolvido porque as escutas que ficarão para a posteridade não foram consideradas em julgamento, por alegadamente não terem sido obtidas de forma conforme a Lei.

No dia em que vem à luz uma operação que detém gente ligada a si Pinto da Costa e ao FCPorto, o mínimo que a RTP deveria ter feito, era meter o programa na gaveta.

Que as TV's privadas recorram a estratagemas manhosos para conseguir audiências já não é muito "católico", que a RTP o faça, é condenável.

Um Valente presente, parabéns presidente

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Hoje é dia de aniversário, um pouco, a sul da Galiza.

Podia escolher vários jogos, este é ilustrativo do poder do "padrinho" que hoje completa 86 anos.

Dum lado um Sporting embalado para a conquista do título, do outro uma aliança Manuel Damásio e Pinto da Costa, "abençoada" por Carlos, valente, de nome.

3 de Maio de 1994, no ano anterior o Marselha vencera a Taça dos Campeões Europeus mas devido a manigâncias internas, foi-lhe retirado o título de campeão francês e o presidente Tapie (ver série na Netflix) foi preso, isso impediu Damásio e Pinto da Costa de fazerem o mesmo ou pior?

Claro que não.

Nesse jogo, da jornada 27, campeonato 1993/1994, o FC Porto alinhou com meia equipa de talhantes (cf. com o filme de Scorcese, Gangs de Nova Iorque) Fernando Couto, Secretário, João Pinto (o dos prognósticos) Aloísio, André, Paulinho Santos, jogadores que não sabiam controlar uma bola mas sabiam e bem, dar porrada.

Onze contra onze o jogo estava dominado pelo Sporting que esteve sempre mais perto de marcar, a expulsão de Juskowiak, com o jogo empatado, aos trinta e poucos minutos de jogo (depois de ter sido pontapeado e agarrado por Fernando Couto) começou a desequilibrar o desafio. Ainda assim resistimos até aos 52'.

Porto a vencer 1-0, Balakov, Figo, Marinho, Capucho a colocarem os caceteiros do Porto em apuros, o aniversariante a mostrar dois dedos para dentro do relvado.

"Tenho de expulsar mais dois?" perguntava-se Carlos Valente e assim fez.

No final do jogo com a ironia que todos lhe reconhecem, dizia o presidente: "estava a mostrar dois dedos mas era para o Drulovic, estava a dizer que tínhamos de fazer o dois zero".

O cambalacho

Estive para não abordar este assunto, até porque detesto teorias da conspiração, mas o tema é incontornável - e há, portanto, que o trazer a debate.

O próximo campeonato vai começar já manchado devido ao negócio estabelecido entre o Braga e o FC Porto a propósito da transferência de David Carmo do Minho para as Antas. Segundo foi tornado público, uma das cláusulas deste acordo obriga o FCP a pagar ao Braga 500 mil euros adicionais por época (perfazendo um total de 2,5 milhões em cinco temporadas, período de vigência do contrato) se vier a sagrar-se campeão.

Isto significa que os braguistas terão a lucrar por ver a agremiação azul e branca subir ao primeiro lugar do pódio. Teremos então a equipa que ficou em quarto na Liga 2021/2022 a torcer pela que ficou em primeiro. Distorcendo a verdade desportiva.

Haverá quem considere normal este cambalacho entre António Salvador e Pinto da Costa. Eu não. Estranho até o silêncio de tantas almas que por aí se indignam, em tribunas várias, a propósito de temas muito mais irrelevantes e sobre isto estão caladinhas, fazendo de conta que nada se passou.

Salazar das Antas já com proto-sucessor

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O FCP está em pé de guerra. Nunca vendeu tanto e nunca, ao mesmo tempo, a dívida da SAD portista disparou para níveis tão elevados. Uma charada que talvez só alguém pertencente ao bunker do parque jurássico saiba explicar.

Aquilo já não é um buraco: é uma cratera.

Dois dos "tesouros" da formação estão na porta de saída: ainda há pouco beijavam o emblema e já se preparam para dizer "hasta la vista, baby" à massa adepta que tanto os acarinhava. A caótica situação financeira do clube explica esta rápida dissolução do plantel recém-vencedor do título, já com quatro ou cinco baixas conhecidas. O que deve encher de alegria o maldisposto treinador.

Entretanto, um carismático pré-candidato à liderança quebra o tabu mandando o respeitinho às malvas e atreve-se a dizer que irá avançar para a presidência na próxima contagem de boletins. Anuncia-se enfim um sucessor do Salazar das Antas: André Marcello Caetano Villas-Boas.

 

O 25 de Abril ficará para mais tarde.

Mesmo assim, o mero anúncio de uma primavera "marcelista" bastou para pôr aquela gentinha a tremer. E levou até o dinossauro excelentíssimo a mobilizar o vice-grunho para dar as primeiras cacetadas - por enquanto só verbais - a quem se atreveu a desafiá-lo.

De caminho, o dito cujo dedicou-se à arte que pratica com mais esmero: a mentira. Dizendo que o antigo técnico de sonho foi afinal um quase-traidor por ter abandonado o barco a meia dúzia de dias do início de uma nova época. Quando os factos são bem diferentes: saiu cerca de dois meses antes e permitiu à agremiação empochar 15 milhões de euros, depositados pelo Chelsea para o tirar de lá.

Enfim, a coisa promete. É bom que eles, lá em cima, apertem os cintos de segurança. A turbulência será enorme.

Um aplauso ao Eduardo Dâmaso

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«Passaram esta quinta-feira 18 anos de um dos maiores escândalos da justiça e mais uns quantos da perpetuação de uma das maiores mentiras que alimenta o mundo do futebol.

Há dezoito anos, incomodado com as escutas do Apito Dourado, o Governo de Durão Barroso despachou os dois coordenadores da investigação, Teófilo Santiago e Massano de Carvalho. As escutas a Valentim Loureiro revelavam a velha central de favores no futebol mas também na política. Isso incomodou o governo. De telemóvel na mão, o major metia cunhas para a sua vida de autarca, pedia ajuda para o seu amigo Sousa Cintra construir na paisagem protegida da Costa Vicentina, exigia favores a ministros e secretários de Estado, insultava funcionários do Estado mais apegados a cumprir a lei.

A PJ do Porto respeitou escrupulosamente a investigação, resistiu a pressões e respeitou a separação de poderes, nada dizendo ao Governo sobre o que estava no processo. Os coordenadores do caso foram afastados, o director da PJ do Porto exonerado e quase ia sendo preso.

Esses dias negros para a Justiça ficam por conta do Governo de Barroso e é, também por isso, que estas escutas são importantes. Para memória futura. É nesse momento, aliás, que começa a grande mentira sobre a propalada ilegalidade das escutas. Esse primeiro ataque ao processo abriu a porta para quem tinha interesse em destruí-lo, sobretudo na parte mais quente, no que mostrava sobre o poder de Pinto da Costa.

As escutas do Apito Dourado foram totalmente legais, autorizadas e validadas judicialmente. Serviram, aliás, para condenar os arguidos no processo que envolvia o Gondomar. O que aconteceu foi que não eram, como não são, admissíveis para processos disciplinares na justiça desportiva, essa aberração, não apenas portuguesa, onde os estados abdicam de parte da sua própria soberania, entregando a justiça ao mundo do futebol e retirando-a dos tribunais.

O ónus da sua utilização está, portanto, em quem quis fazê-lo na dita justiça desportiva e não no processo judicial, nem nos investigadores. Elas não só foram completamente legais como, sim, é verdade, mostraram a corrupção activa e passiva reinante no futebol. Mostraram o ‘sistema’ de poder que fabricava resultados, a fruta que o alimentava e as cumplicidades que dispunha na construção e destruição de carreiras de árbitros, dentro da própria Federação Portuguesa de Futebol e nas associações. Mostraram, finalmente, dirigentes desportivos que, pese embora os sucessos desportivos ao longo de 40 anos, são tudo menos exemplares. De resto, ao contrário do que disse há dias um membro do actual governo e, de outro modo, confirmando tudo o que pensa e disse o presidente de um dos três grandes sobre a dita corrupção activa.»

 

Na edição de 3 de Junho do Record

As contas que ninguém fez

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Frase chave:

"Nunca fui eleito sem ter o maior número de votantes".

Como a farpa é para Frederico Varandas, comparemos então as duas eleições em que participou e as duas últimas eleições disputadas pelo lançador da boca.

Em 2016, Pinto da Costa foi eleito por cerca de 1500 votantes.

Em 2018, Frederico Varandas foi eleito por cerca de 8700 votantes.

Em 2020, Pinto da Costa foi eleito por cerca de 5400 votantes.

Em 2022, Frederico Varandas foi eleito por cerca de 12 500 votantes.

Maior número de votantes?

Honestamente, quem teve mais votantes, Pinto da Costa ou Varandas?

«Um país que reconhece Pinto da Costa como referência é um país sem valores»

O que diz Frederico Varandas

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«A base do Sporting Clube de Portugal são os valores. (...) Os nossos valores são a nossa força motriz.»

«O caminho da vitória do Sporting é sempre um caminho difícil, duro, mas sempre assente na integridade, na rectidão e na honra. Não procuramos atalhos assentes em condutas ilícitas.»

«Mais valiosos do que os 23 títulos do futebol, do que os 42 títulos europeus, do que os milhares de títulos nas modalidades, são os nossos valores, a nossa integridade e o nosso carácter.»

«Como é motivador, hoje, os nossos sócios e adeptos já só ficarem realmente realizados com o título de campeão...»

«Temos hoje um clube mais bem preparado do que há um ano. Temos um clube mais forte, mais estável, mais sustentável e batemos vários recordes de receitas, como a do merchandising, da bilhética e da quotização. Temos também o maior número de sócios com as quotas em dia da história do Sporting.»

«Há quatro anos, era unânime que o Sporting estava a grande distância dos seus dois rivais. Hoje é igualmente unânime que o Sporting passou a ser um natural, sério e óbvio candidato ao qualquer título em Portugal.»

«É maravilhoso ouvir o senhor Pinto da Costa [PdC] com saudades e a elogiar o Sporting do passado recente.»

«Há gente que, por muito que ganhe, continuará sempre a ser muito pequena e muito pobre. Não existe maior pobreza do que a pobreza do carácter, da integridade e de valores. Serão sempre gente muito pobre, ao contrário da grandíssima e honrosa instituição que representam - instituição essa que jamais será chamada em Alvalade, pelo nosso speaker, por outro nome que não seja Futebol Clube do Porto e jamais terá os seus jogadores agredidos por elementos da organização do Sporting (...), instituição essa que jamais verá em Alvalade jornalistas agredidos, ameaçados, coagidos por colocarem questões no exercício da sua profissão.»

«Sobre o senhor PdC sou obrigado a discordar veementemente do senhor secretário de Estado do Desporto, que recentemente tomou posse. O senhor PdC não é nem nunca poderá ser uma referência do desporto nacional.»

«Convido o senhor secretário de Estado do Desporto a ouvir apenas uma escuta - uma entre várias que estão disponíveis para qualquer pessoa na internet, do processo Apito Dourado. Destaco esta, de 24 de Janeiro de 2004, horas antes do FC Porto-Estrela da Amadora, (...) onde o senhor PdC, por intermédio do empresário de jogadores António Araújo, ofereceu os serviços sexuais de três prostitutas à equipa de arbitragem liderada pelo árbitro Jacinto Paixão, a quem PdC, nessa escuta, chama carinhosamente JP.»

«Se é verdade que essas escutas não puderam ser usadas como prova, também é verdade que são reais e aconteceram mesmo. Aqui, senhor secretário de Estado, não é preciso a justiça portuguesa dizer o que quer que seja. Porque sabemos que o senhor PdC é um corruptor activo e alguém que devia estar banido do dirigismo desportivo há décadas. Difícil é explicar a qualquer cidadão como é que uma pessoa apanhada a dizer isto não é condenada.»

«Eu aqui estarei para lhe recordar, até ao último dia da sua presidência, que é um corruptor activo e uma vergonha para o desporto português. Ao mesmso tempo que aguardarei com expectativa o desfecho do processo Cartão Azul.»

«Um país que reconhece o senhor PdC como referência é um país sem valores. E um país sem valores é um país sem futuro.»

 

Declarações de Frederico Varandas, proferidas domingo, na comemoração do 19.º aniversário do núcleo leonino de Carregal do Sal

Os amigos de Pinto

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«Foram várias [as mensagens que mais o tocaram quando o FC Porto venceu o campeonato]. Do D. Américo Aguiar, que é agora bispo auxiliar "lá de baixo", e de grande parte dos dirigentes... do Valentim Loureiro, de antigos presidentes do Sporting... e recebi uma que me sensibilizou muito, do José Maria Ricciardi.»

Pinto da Costa, ontem, no Jornal da Noite da SIC. Quem teriam sido os ex-presidentes do Sporting que se apressaram a felicitá-lo, tal como fez Ricciardi?

O Porto-Sporting

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Escrevi um postal sobre o recente Porto-Sporting. Alguns amigos (sportinguistas e lampiões) leram e responderam-me, grosso modo resmungando: "pois, lá estás tu com as tuas croniquetas, a escrever redondo mas sem falar do que realmente aconteceu" e depois lançam-se, cada um à sua maneira, a botar impropérios sobre aquelas ocorrências. Eu encolho os ombros: blogo há 18 anos, no És a Nossa Fé! há 10, já botei tudo que teria para dizer, já só ando a rapar o tacho e a requentar restos bolorentos do que me ocorreu, in illo tempore. Ainda por cima porque - como é tão visível a quem me leia - tenho uma espantosa capacidade para prever o futuro, áugure aclamado que venho sendo. E provo-os, a esses meus dotes divinatórios: no dia 27 de Abril de 2021 botei a antevisão do Porto-Sporting de 11 de Fevereiro de 2022. Está ali tudo o que agora ocorreu. E replico o texto aqui mesmo, para que todos possam apreciar e comprovar essas minhas capacidades. 

Chamei então ao texto "Rui Moreira", o qual acalenta o desejo de ser califa no lugar do califa. E agora vou-me preparar para jogo com o Manchester City: 

São 40 anos disto. O historial das influências manipuladoras dos resultados desportivos nunca será completado, muitas esquecidas na voragem dos tempos, outras silenciadas, por falta de provas e de coragens. Modo de estar amparado por acólitos que tendiam a sovar jornalistas - ainda me recordo da impunidade com que, no Aveiro de 1988, foi agredido o grande jornalista Carlos Pinhão, aos seus 64 anos. E modo de estar catapultado pela inércia judicial e pela cumplicidade política, em particular autárquica - poucos ainda se lembrarão quando o presidente da câmara Fernando Gomes, encavalitado no clube, desceu a Lisboa arvorado em ministro e com sonhos de conquistar não o Jamor mas sim São Bento. Foi-lhe breve o enleio, logo tendo regressado, capachinho entre as pernas, para a administração do F.C. Porto entre outras sinecuras. 

Neste longo consulado de "Jorge Nuno", como o saúdam os apaniguados, o hábito de atiçar jagunços para espancar jornalistas seguiu algo viçoso nas suas duas primeiras décadas. Depois feneceu, pois a sucessão de triunfos internos desestruturou clubes rivais, amainou a competição. Nesse rumo mais favorável impôs-se a procura de respeitabilidade pública. E nisso o culto da "mística" do clube foi apelando cada vez mais a uma qualquer "alma" feita de arreganho desportivo, depurando-se da imagem de corsários em abordagem: a fleuma de Robson e a sua versão lusa, por isso algo mais arisca, em Santos, Jesualdo Ferreira, e mesmo no júnior Villas-Boas, foi-se sedimentando, apesar da alguma irascibilidade bem-sucedida de Pereira ou Mourinho.

É certo que a vigência de uma placidez - democrática - nunca foi absoluta, e que a vertigem provocatória e agressiva nunca desapareceu, com a própria conivência da imprensa. Lembro-me que há alguns anos um conhecido comentador televisivo atreito ao SLB foi "abanado" num restaurante portuense por um famigerado líder de claque portista. Como tantos deixei eco disso no meu mural de FB, lamentando o facto. De imediato recebi um bem-disposto comentário desvalorizando o abanão no sexagenário mediático, algo tipo "foi coisa pouca". Respondi-lhe, indignado, "como é possível que sendo V. o nº 1 da LUSA desvalorize uma situação destas em nome do seu clubismo?". Logo o arauto me insultou e cortou a ligação-FB. Lembro este "fait divers" para sublinhar isso da vontade agressora não residir apenas nos aprendizes de proxeneta medrados na Invicta, pois sempre seguiu robusta naquele mundo de "senhores doutores".

As décadas passaram. O natural ocaso do octogenário "Jorge Nuno" é este, o que agora acontece. O controlo do jogo algo se reduziu, devido à dança de poderes nos meandros nacionais mas também à introdução de tecnologias electrónicas na arbitragem. E nisso, no envelhecimento do prócere e no crescimento do imprevisto futebolístico, voltou-se ao culto do "pancadarismo". O rufia treinador, desde ontem cognominado "Sérgio Confusão", cujo histrionismo passa incólume, afirma-se como "imagem de marca" do clube ressuscitando a velha ideia da tal "mística" corsária. O que inclui, claro, o espancamento avulso de jornalistas - agora já não por obscuros seguranças de bordéis portuenses mas por "empresários" montados em carros de estatuto, uma óbvia gentrificação da escroqueria portista.

No meio de tudo isto, antigo exaltado porta-voz televisivo das manobras clubísticas e agora eleito figura-maior dos órgãos do clube - apesar da propalada actual renitência do poder político em associar-se aos mariolas do futebol -, qual putativo Delfim, flana Rui Moreira, o presidente da Câmara do Porto. De (quase) tudo soube, de tudo sabe, a tudo anui. E assim ... a tudo conspurca.

Futebol ou quadrilha de meliantes?

Como gostaria que fosse o futebol?

Em primeiro lugar, que cenas como as de ontem não acontecessem nunca. Que os jogadores se limitassem a jogar futebol e que não se atirassem para o chão e tentassem enganar os árbitros, que os treinadores treinassem e que os dirigente cumprissem a sua função de representação dos associados.

Em segundo lugar, que os prevaricadores (aqueles que destroem o jogo) fossem punidos e que em relação a actividades moralmente inaceitáveis houvesse um juízo de condenação generalizado e não um sistemático movimento tribal de defesa dos nossos contra os outros.

Infelizmente, o futebol em Portugal não é significativamente diferente de outras actividades. Talvez seja pior.

Há um conluio permanente entre responsáveis políticos, judiciais, económicos e desportivos (dos maiores aos mais pequenos) e um regime de impunidade quase absoluto. Desde que comecei a ver futebol que assisto a cenas absolutamente lamentáveis e, em alguns casos (demasiados) criminosas. O mais grave, creio, é a placidez com que tanta gente convive tranquilamente com tudo. Gente, em muitos casos, que é geralmente cordata, capaz e inteligente. Isto é uma porcaria. Quem me dera nunca ter entrado num estádio de futebol.

A invasão do Dragão pelo macacão

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O FC Porto em comunicado oficial afirma que Pinto da Costa nunca se aproveitou da invasão de um treino.

Ai aproveitou, aproveitou.

Não só aproveitou como, provavelmente, fomentou a invasão de um treino no Dragão no início da época 2004/2005.

Cerca de 40 meliantes comandados pelo Macaco invadiram o estádio do Dragão e disseram isto aos jogadores (pág. 182 e 183):

"Quando a equipa perde toda a gente tem de ficar fodida e revoltada"

"No próximo domingo com o Guimarães, têm de ganhar, senão vai ser o caralho, alertei de forma directa e frontal'

(palavras de Fernando Madureira, o Macaco).

Pinto da Costa e as macacadas, a fama e o proveito.

Luís Filipe e Jorge Nuno

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Jorge Nuno Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira fizeram, durante largos anos, um percurso comum no futebol. Com muito mais encontros do que desencontros. Houve até um tempo em que Vieira foi sócio do FC Porto: para onde ia um, seguia o outro. Depois amuaram, fizeram birrinha, houve uns arrufos entre eles. Coisa sem grande importância. A prova é que voltaram a ser compinchas e a partilhar suculentos repastos de leitão na Mealhada. 

Seguem linhas tão convergentes que até recebem visitas da Polícia Judiciária e do Ministério Público com poucos meses de intervalo. Em Julho, Vieira foi detido no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de burla, abuso de confiança e branqueamento de capitais - juntamente com o filho, o Rei dos Frangos e o "empresário" Bruno Macedo. A operação Cartão Vermelho, como lhe chamou a Judiciária - nome bem apropriado.

 

Ontem houve buscas policiais à sede da SAD portista e à residência de Pinto da Costa. Cumprindo 33 mandados de busca numa operação conjunta da PJ e da Autoridade Tributária. Por suspeitas da prática de crimes de fraude fiscal, burla, abuso de confiança e branqueamento relacionados com transferências de jogadores de futebol e com circuitos financeiros que envolvem os intermediários nesses negócios. Que, segundo o Expresso, envolverão pelo menos 40 milhões de euros. Revela o Observador que Pinto da Costa é suspeito de desviar fundos da SAD e o filho, Alexandre, também está sob mira das autoridades. Além do tal "empresário" Bruno Macedo, que parece estar em todas. Será coincidência?

 

Unidos na prosperidade e no infortúnio: parece uma fórmula matrimonial. Um já caiu, o outro está em vias disso. Até nisto estão próximos. É mais que tempo.

Alguns capangas podem lamentar, mas nenhum deles faz falta ao futebol português. O desporto não se quer obscuro e trapaceiro: quer-se limpo. Dentro e fora dos relvados, agora e sempre.

Tão amigos (2)...

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... que eles andam!

 

«[Manuel Fernandes] nota que está a imperar o silêncio a respeito do almoço de trabalho entre Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa. “Calou-se tudo”, nota Manuel Fernandes, desafiando a imprensa a perceber o que aconteceu nesse repasto.

“É preciso descodificar esse almoço, tem que se saber o que se passou nesse almoço”, sublinhou o ex-jogador verde e branco, dizendo que se foi para tratar de assuntos que interessam ao futebol português, então, outros clubes deveriam ter sido chamados.»

Eu acho que Manuel Fernandes está enganado. Esse jantar foi de amigos e tratou-se disso mesmo: de um jantar de amigos, somente isso. Quiçá falou-se de um ou outro jogador que pode trocar de camisola.

Por certo alguém do SLBenfica irá vestir a camisola do FCPorto, para gáudio dos adeptos de ambos os clubes.

 

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