Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

O ódio do decano

tvi-ingleses-de-norte-a-sul_1-767x427.jpg

 

Desta vez Pinto da Costa esqueceu-se de usar a palavra "vergonha" para qualificar a rebaldaria anglófila no Porto e até motivou críticas expressas do Presidente da República.

As normas sanitárias foram lançadas às malvas, o "dever geral de recolhimento" foi atirado às urtigas e o "uso obrigatório de máscara" foi ignorado por completo pelos ingleses ululantes. Enquanto a polícia acorria às praias para fiscalizar... os portugueses.

 

O decano só emprega o tal vocábulo quando se refere a Lisboa.

Com o ódio que o caracteriza sempre que alude à capital portuguesa, como se estivesse a referir-se a uma cidade estrangeira. E com a duplicidade moral que todos lhe conhecemos.

«Tenho a certeza que tudo irá correr da melhor forma [final da Champions no Dragão com a presença de quase 20 mil ingleses]», dizia ele há dias, depois de lançar mais um escarro contra o Sporting. 

 

Estava redondamente enganado.

O País inteiro viu

E a Europa também.

Crime público

Eu era para ter ficado caladinho neste assunto do arraial de porrada aviado ao um reporter de imagem da TVI pelo Pinto da Costa (se não foi ele, pelo menos estava ao lado e não impediu, nem sequer por palavras), que outros colegas com mais veia já o fizeram.

Mas acabei de ler o comunicado do sindicato de jornalistas e a minha alma ficou parva. E pelo respeito que tenho pela missão e profissão do jornalista (sem género, para me não acusarem de discriminação sexista), os verdadeiros e isentos que os há por aí aos montes felizmente, não posso deixar de ficar inquieto.

Aquilo de ontem, como muito bem diz o sindicato dos jornalistas, é crime público. E então reclama o sindicato dos jornalistas que sendo crime público, deve o ministério da coisa pública agir em conformidade. Assim a modos que "aquele puto bateu-me, toma lá esta pedra e dá-lhe com ela nos cornos". Será que não haverá naquela direcção um jornalista especializado em legislação, justiça, tribunais, o diabo a sete? É que até a minha mãe, que ainda trata o juíz por Vossa Excelência Senhor Doutor Juíz e o conhece desde que o senhor tinha cueiros, sabe que um crime público significa que qualquer pessoa que tenha conhecimento e de preferência testemunho desse crime, pode acorrer junto de qualquer tribunal e dar dele notícia e consequente queixa.

Será que perante um acto de tamanha gravidade, o sindicato dos jornalistas vai esperar sentado pelo ministério público?

Algo vai muito podre, quando uma associação de classe, perante acto tão hediondo, se limita a um comunicadozinho da treta. Até parece que têm rabos de palha, ou devem favores a alguém.

Que diabo, até a TVI diz que vai proceder criminalmente contra os agressores, apesar do peso de gente do Porto na estrutura accionista recente na empresa que a detém.

Um dia depois das comemorações do Dia da Liberdade, o sindicato dos jornalistas, constituido outrora por gente sem medo e que inventava formas de contornar a censura e nos dar novas enfrentando o lápis azul, tem hoje medo de um clube de azul.

À atenção dos homens da profissão. Reflictam...

Diz-me com quem andas...

image.jpg

 

Para o ex-presidente Bruno de Carvalho, "Pinto da Costa foi quem mais me surpreendeu pela positiva". Já para o actual, "Um bandido será sempre um bandido".

Para o saudoso João Rocha também não havia dúvida nenhuma de quem era Pinto da Costa: foi à guerra, ganhou umas batalhas, perdeu outras. Perdemos Futre, Inácio e Eurico, fomos buscar Oliveira, Jaime Pacheco, Sousa (adorava saber a quem Manuel José, outro que conhece bem Pinto da Costa, se referia quando falava dum certo Sporting-Porto onde alguns de verde e branco facilitaram a vitória ao adversário), e no campo perdemos mais do que ganhámos. Para Dias da Cunha, também não havia dúvidas sobre "o sistema" comandado por Pinto da Costa, bem explicado no livro "Golpe de Estádio" de Márinho Neves. Jornalista que foi também ameaçado e agredido.

Entre João Rocha e Bruno de Carvalho sucederam-se presidentes no Sporting da linha Bruno de Carvalho ou da linha Varandas / João Rocha / Dias da Cunha. Negócios foram feitos, uns melhores outros piores. O caso João Moutinho foi exemplar dum "chito" à moda do Porto.

Pinto da Costa sempre percebeu que o Porto nunca teria sucesso contra os dois grandes da capital se eles se unissem, e assim sempre procurou estar em paz com um e em guerra com o outro. Foi assim com Fernando Martins e João Rocha, foi assim também com Luís Filipe Vieira e Bruno de Carvalho.

E a verdade é que com este presidente, que teve a coragem de "chamar os bois pelos nomes" (ao contrário do ex-treinador do B-SAD no túnel do Jamor), 1 Taça de Portugal e 2 Taças da Liga já cá moram, conquistadas a esse "senhor". 

E estou em crer que a coisa não vai ficar por aqui...

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Guarda Abel revisitado

horse-head-godfather.png

Fotograma do filme O Padrinho, de Francis Ford Coppola

 

O velho crocodilo, acolitado pelos jagunços, deu ordem de investida: um repórter de imagem da TVI foi agredido à pantufada no exterior do estádio do Moreirense. Com o País a ver.

Regressam os tempos tenebrosos do guarda Abel e da sarrafada a eito para garantir vitórias mafiosas fora de campo.

Não me admirava que o árbitro Hugo Miguel, que apitou o Moreirense-FC Porto, acordasse amanhã com uma cabeça de cavalo bem aconchegada na cama. 

Se for tudo NORMAL, o Porto é campeão (cont)

Parece realmente que anda por aqui alguma ANORMALIDADE, uma ANORMALIDADE fruto dum treinador arruaceiro e  descontrolado, dum presidente a dar o canto do cisne que não consegue o que dantes conseguia, e dum Sporting que ocupou o lugar que há muito também não conseguia.

ANORMAL é mesmo um VAR anular um golo ao Porto a cair o pano, já não é tanto ANORMAL o labrego treinador do Porto ser expulso,  ANORMAL será mesmo isso ter alguma consequência.

SL

 

Os Costas

22072643_jZTMN.jpeg

 

30 dezembro 1999 - A convicção de Jorge Costa sobre a superioridade do FC Porto é tanta, que, em resposta à pergunta ”por si, podia encomendar-se as faixas de campeão para esta época?”, não ”disfarçou” nada: ”Pela minha confiança na equipa poderiam."

23 abril 2021 - "Estamos de tal maneira envolvidos no campeonato, que penso que ainda vamos ganhar se tudo for normal." 

Se for tudo NORMAL, o Porto é campeão

Foi o que disse Pinto da Costa, e foi o que Soares Dias foi fazer para Braga, impor a NORMALIDADE. Como já tinha feito como VAR em Famalicão.

E conseguiu expulsar o Gonçalo Inácio à 2ª falta, para além de ter posto o Adán e o TT fora do próximo jogo. Quantas vezes já tinhamos visto este filme ? Foram anos a fio, que nos custaram vitórias e títulos.

Foi a tal NORMALIDADE de que falava quem sabe, quem cozinhou estas coisas anos a fio, quem passou por apitos dourados sem problemas de maior. A NORMALIDADE do cozinheiro que escolhe bem os ingredientes, e deixa a comida no lume a apurar em lume brando.

O problema foi Matheus Nunes, o ANORMAL que a meteu lá dentro. E o Coates o GRANDE, o ENORME CAPITÃO.

E todos os outros.

E pode ter a certeza que esta brilhante equipa do Sporting continuará a procurar a ANORMALIDADE,  a felicidade contra TUDO e contra TODOS.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Pinto "Egas Moniz" da Costa, Aio

22039546_QBiiZ.jpeg

 

Ai o carago!

Terá sido esta a exclamação de Pinto da Costa quando soube que uma das suas muitas trafulhices fora descoberta.

A melhor solução quando somos apanhados em falta, quando descobrem as merdas que fazemos, é pedirmos desculpa, pedirmos perdão.

O exemplo que vem à memória é o episódio de Egas Moniz (cf. com canto III dos Lusíadas, estrofes 35-40).

Espero que Pinto da Costa venha até ao Museu do Sporting com a camisola amarela e o título de 2018, acompanhado pelas esposas Filomena, Carolina, Fernanda (provavelmente estou a esquecer-me de alguma), todos vestidos de branco, descalços e com uma corda ao pescoço, entregar os símbolos desse triunfo?

Não.

Não peço tanto, peço que Pinto da Costa peça desculpas ao Sporting, pois ao contrário daquilo que "O Jogo" titulou ontem, na primeira página, a culpa não foi de Alarcón, foi da organização corrupta e trafulha que, justiça lhe seja feita, Bruno de Carvalho denunciou na altura.

Esperemos, então, pelo pedido de desculpas institucional do senhor Pinto da Costa ao doutor Frederico Varandas.

Sobre este assunto ler o postal de AntónioF, especialmente, o comentário do ex-ciclista dos Leões do Nabão, Edmundo Gonçalves.

O Sporting e o "sistema" azul e branco

Faleceu ontem também Reinaldo Teles, o fiel escudeiro de Pinto da Costa, e ficam aqui as minhas condolências à família e ao seu clube de sempre. O "chefinho", como era chamado, era muito querido pelas gentes do FCPorto e por quase todos os que passaram pela sua equipa de futebol, e pelos vistos tinha amigos um pouco por todo o lado que agora manifestam o seu pesar. Paz à sua alma.

Mas não nos podemos esquecer que Reinaldo Teles foi parte integrante e um dos actores principais do "sistema" mafioso que o Porto montou para dominar o futebol português, de braço dado com a Olivedesportos dos manos Oliveira que controlava economicamente os clubes, com personagens como Adriano Pinto, Lourenço Pinto e Guilherme Aguiar nos órgãos federativos.

O aparecimento e desenvolvimento desse "sistema" foi muito bem documentado por Marinho Neves no seu livro "Golpe de Estádio, o romance da corrupção do futebol português", de 1996, trocando os nomes reais por alcunhas bem apanhadas. O "Tony Balboa" (foi na secção de box que Reinaldo Teles e Pinto da Costa se tornaram amigos para a vida) é mesmo a personagem central do livro que acaba com o capítulo "O dia do juízo final",  uma previsão do que seria uns anos depois o "Apito Dourado", mas com um desfecho bem diferente. 

O livro não conheceu sequela, o autor teve azar na vida, parece que escorregou à frente da sua casa, como tiveram alguns árbitros e jornalistas desse tempo. 

Foi o tempo em que João Rocha esteve sozinho contra o tal "sistema", ganhando umas vezes, perdendo outras, com arbitragens vergonhosas, jogadores a falhar em momentos-chave (vide Manuel José) e finalmente metendo a raposa no galinheiro com os manos Oliveira.

Depois vieram outros presidentes que foram contemporizando com a situação, com umas trocas de jogadores pelo meio, e só com Dias da Cunha se ouviu de novo uma denúncia clara e assertiva do "sistema". Depois dele as coisas foram mudando, o "polvo encarnado" começou a ganhar terreno ao "sistema", a diferença de peso institucional dos dois clubes começou-se a fazer sentir e o jogo fora e dentro do campo começou a ser bem diferente.

Com Bruno de Carvalho tivemos primeiro o enxovalho público pelo vice Caldeira, a que se seguiram umas frases mal educadas sobre Pinto da Costa, depois tivemos o episódio das "nádegas", finalmente arranjou-se ali uma bela amizade que está para durar. Um dos princípios do tal "sistema" é que os dois de Lisboa nunca podem estar juntos: a ideia, que se provou de eficácia tremenda, é sempre estar a namorar com um e a lixar o outro. Por isso mesmo, no dividir para reinar, o recente apontar da bazuca ao nosso presidente e passar a mão pelo lombo ao Bruno de Carvalho e à Juveleo.

Voltando ao início, com a saída de cena gradual daquela meia dúzia de personagens que formaram o núcleo duro da equipa de Pinto da Costa, e com a do próprio a acontecer um dia destes pela força da idade, com o aperto financeiro causado por anos e anos de engorda desse núcleo, com a guerra sem quartel do tal "polvo encarnado", o "sistema" já não é o que era e o "macaco" agita-se nervosamente nos "galhos". 

Mas de certeza que não é o Sporting que lhe vai estender a mão para suavizar a queda.

 

Marinho Neves:  https://www.record.pt/futebol/futebol-nacional/detalhe/marinho-neves-tentaram-matar-me-944291

Manuel José: https://www.noticiasaominuto.com/desporto/1499415/manuel-jose-arrasa-f-gomes-nao-tens-vergonha-de-olhar-ao-espelho

Dias da Cunha: https://www.record.pt/futebol/futebol-nacional/liga-nos/sporting/detalhe/dias-da-cunha-e-o-sistema-no-seu-esplendor

Bruno de Carvalho: https://www.futebol365.pt/artigo/110388-bruno-de-carvalho-volta-a-acusar-pinto-da-costa-de-senilidade/

https://www.record.pt/futebol/futebol-nacional/liga-nos/fc-porto/detalhe/adelino-caldeira-nao-pronunciado-no-processo-de-bruno-de-carvalho-963919

 

PS:  Apenas publicarei comentários sobre o tema do post.

SL 

Perceber porque ele fala assim

article-1275643778347-09dea5ca000005dc-274496_362x

 

Em Janeiro de 2019, o Sporting venceu a Taça da Liga, derrotando na final o FC Porto.

 

Em Maio de 2019, o Sporting venceu a Taça de Portugal, derrotando na final o FC Porto.

 

Em Maio de 2019, o Sporting conquistou a Liga Europeia de hóquei em patins, numa emocionante final contra o FC Porto.

 

Em Agosto de 2020, o Sporting contratou Pedro Gonçalves, jogador que estava no topo das preferências do FC Porto para a nova temporada de futebol.

 

Em Agosto de 2020, o Sporting contratou Nuno Santos, jogador que constava da lista de prioridades do FC Porto como reforço para a nova temporada futebolística.

 

Em Outubro de 2020, o Sporting venceu a Taça de Portugal em basquetebol, derrotando na final o FC Porto, que se pretende hegemónico na modalidade.

 

Não é preciso contratar o Sherlock Holmes: eis seis motivos que levaram Pinto da Costa a dizer o que disse sobre o presidente do Sporting

 

Uma fronteira entre o bem e o mal

The-Godfather-Vito.jpg

 

«O Apito Dourado permanece um calcanhar de Aquiles de Pinto da Costa, do futebol e da Justiça portuguesa.

O despique verbal entre o presidente do FC Porto e Frederico Varandas tem origem nesse processo que, quer se queira, quer não, permanece como uma fronteira entre o bem e o mal no mundo da bola.

(...)

Pinto da Costa pode argumentar com a ausência de condenações, mas ainda muita gente se lembra como tudo aconteceu. Basta evocar duas ou três coisas. Quando a operação policial avançou, Pinto da Costa foi alertado que era melhor ir passar um fim de semana a Espanha. Quando rgressou para se apresentar em tribunal, teve a escolta dos Super Dragões, a sua guarda pretoriana, numa das imagens mais sicilianas que a minha memória pode reter em cenas de crime cá pelo burgo.»

(...)

Não sei se um bandido será sempre um bandido, como disse Frederico Varandas, até porque os manuais por onde estudei Direito Penal defendiam o contrário, ou seja, a famosa ressocialização dos delinquentes. Mas sei que, para formar uma opinião sobre o Apito Dourado, não preciso de ir ouvir a canção do bandido sobre a presunção de inocência ou a falta de condenações. E também não preciso de ir ao futebol, de pertencer ou, tão-só, frequentar o seu mundo, para perceber que Varandas, pessoa que não conheço, trava a luta certa contra uma claque. E que Pinto da Costa (ou Luís Filipe Vieira) nunca teria condições para fazer o mesmo e dar um exemplo de grande dignidade moral.»

 

Eduardo Dâmaso, no Record (30 de Outubro)

As queixas do Porto e a luta do Sporting

florida-alligator-523020888.jpg

 

1

Passaram apenas quatro dias e eis o FC Porto - escandalosamente beneficiado pela arbitragem em três dos quatro jogos que já disputou para o campeonato nacional de futebol - aos gritos contra os senhores de apito. Desta vez contra um letão, que ontem arbitrou o Manchester City-FCP, jogo em que os portistas foram derrotados por 1-3 após terem estado dois minutos em vantagem no marcador. Alegam eles (alega o treinador Sérgio Conceição, pois Pinto da Costa desta vez meteu a viola no saco, batendo a bola baixa), e provavelmente com razão, que o apitador teve influência no resultado.

É uma espécie de partida do destino. Na noite de sábado, no clássico em Alvalade, o árbitro Luís Godinho e o vídeo-árbitro Tiago Martins tiveram uma actuação vergonhosa. Em benefício evidente da equipa visitante.

Godinho, ao deixar passar em claro uma entrada de Zaidu sobre Porro, aos 19', que podia ter deixado o nosso ala direito incapacitado para o futebol e ao expulsar o nosso treinador por ter dito a mesma palavra proferida pelo técnico do Porto minutos antes. Num estádio vazio, tudo isto se percebe muito bem - e alguns canais de televisão já demonstraram a chocante disparidade de critérios, com recurso a legendas. Faltando apenas, no caso de Conceição, a parte do vernáculo. Mas só Rúben Amorim foi castigado

Martins, ao recomendar a Godinho, já no tempo extra da primeira parte, que revertesse o penálti assinalado contra o FCP, que levou também à retirada do segundo amarelo a Zaidu - o tal jogador que devia ter sido expulso muito mais cedo com vermelho directo. Ao proceder como procedeu, o vídeo-árbitro violou de modo chocante o protocolo de intervenção do VAR, que só autoriza este a pronunciar-se sobre um lance se houver "erro claro e óbvio", o que não era manifestamente o caso.

 

2

Não deixa de ser curioso - e até divertido - ver os beneficiados de sábado transfigurados em queixosos de quarta-feira. Agora com aparente razão: o letão de apito, com a bênção do VAR, fez vista grossa a um pisão sobre Marchesín (menos evidente, apesar de tudo, do que o de Zaidu a Porro), assinalou um penálti que não devia ter sido marcado e ainda inventou um livre directo em zona frontal, por falta inexistente e do qual resultou o segundo golo do City.

Qual a diferença? 

A diferença é que o FCP interfere há pelo menos 30 anos nos meandros da arbitragem nacional, mas é impotente para inclinar o campo a seu favor nas competições internacionais. Dar duas entrevistas em poucos dias - como acaba de fazer o presidente do FC Porto - com alusões nada veladas a Pedro Proença, presidente da Liga, pode bastar para que o "bafo do dragão" influencie os senhores de apito cá na terra, mas de nada serve a partir de Tui ou Badajoz.

 

3

Tais entrevistas não constituem prova de força: são prova de fraqueza. O FCP perdeu cinco pontos em duas jornadas e soma três jogos consecutivos sem vencer. É quanto basta para fazer soar campainhas de alarme nas Antas. E lá voltam as cumplicidades do costume. O poderio de Pinto da Costa construiu-se nestas décadas num misto de intimidação e impunidade: eles podem dizer e fazer o que querem (no rectângulo português), contando sempre com uma comunicação social reverente - o que não admira, pois já foi tornado público que pagam viagens e hotéis a comentadores afins.

Um dos bitaiteiros que mais tempo passam nos estúdios televisivos fazia ontem e anteontem vénias ao velho crocodilo, expressando-lhe «todo o respeito», enquanto zurzia sem piedade em Frederico Varandas por se ter atrevido a «iniciar uma polémica» com o papa do Apito Dourado. Isto quando a arbitragem nacional ameaça regressar aos tenebrosos anos 90 - talvez a mais vergonhosa década das competições desportivas a nível nacional. 

 

4

«A questão central no lance entre Zaidu e Pedro Gonçalves deixou de ser o possível penálti e passou a ser a de perceber se o protocolo permite que em lances de intensidade discutível possa haver intervenção. A resposta é não. By the book, essa só deve acontecer em situações em que seja cometido um erro claro e óbvio. Claro que há muitos lances subjectivos ou de intensidade que são evidentes e nesses o VAR deve actuar como já actuou. Mas o de Alvalade foi um dos tais impossíveis de carimbar.» [texto infelizmente sem ligação digital].

Palavras desassombradas de uma pena insuspeita de simpatizar com o Sporting: Duarte Gomes, em artigo publicado na edição de terça-feira do jornal A Bola. Um texto em que o ex-árbitro recomenda a divulgação das mensagens trocadas entre o árbitro e o vídeo-árbitro em lances que suscitem controvérsia. «Lá chegará o dia», assegura. Defendendo, para já, «um esclarecimento público sempre que aconteça uma situação atípica, que cause ruído e levante suspeitas». Exactamente ao contrário do que agora sucedeu, com o Conselho de Arbitragem remetido a um inaceitável silêncio.

Na mesma linha, esteve bem o Sporting ao difundir ontem um comunicado anunciando que apresentará medidas, na sede própria, para a adopção de «critérios claros e inequívocos» no âmbito da intervenção do vídeo-árbitro. Eis um: «Os diálogos entre o VAR e o árbitro, com o jogo parado, [devem ser] divulgados em directo, durante a transmissão do encontro, à semelhança do que acontece noutros desportos em que as decisões de VAR e equipas de arbitragem são transparentemente explicadas a todos os intervenientes do espectáculo e aos espectadores.»

 

5

O FC Porto - escandalosamente beneficiado nos jogos que já travou com Braga, Marítimo e Sporting - não aceitará, sou capaz de apostar. Embora seja, também ele, prejudicado nos desafios que disputa além-fronteiras. Como ontem aconteceu.

Isto não deve inibir, de forma alguma, o presidente do Sporting de lutar pelo primado da transparência. Com a certeza prévia de que, nesta matéria, qualquer graçola de Pinto da Costa constitui uma espécie de medalha. Sinal evidente de que Varandas está a incomodar um dos maiores protagonistas de atentados à verdade desportiva desde sempre cometidos no futebol português.

A la calor de la nit

Sem ajudas arbitrais, no calor da noite, é mais difícil.

Eliminar o Manchester City das competições europeias não é para todos.

Kepler Laveran continua bastante eficaz a pontapear os adversários, menos eficaz a pontapear a bola, será este o melhor exemplo, o exemplo que queremos para o capitão da selecção de Portugal?

Uma noite entretida a ver o capitão que sucedeu a Cristiano Ronaldo e o "menino fenomenal" que lhe vai suceder, pena que os companheiros "colchoneros" não acompanhem tanta genialidade.

Aguardo a próxima entrevista de Pinto da Costa; vai para o quarto jogo sem vencer... e a culpa é do Varandas.

D. Bufas, o rei dos chocolatinhos

Pinto da Costa deu uma entrevista ao Record em que desanca nos eternos rivais.

Tudo o que diga contra o Benfica parece-me bem, afinal eles jogam o mesmo jogo sujo, ele e o seu eterno compagnon de route, Filipe Vieira.

Já quando ataca o presidente do Sporting, na minha modesta opinião carregado de razão, aí, alto e pára o baile! Eu quero lá saber de Frederico Varandas e dos ataques de Pinto da Costa, se o que ele acaba por fazer é ajudar Frederico Varandas?

Complicado? Eu explico: Ao atacar o presidente do Sporting, D. Bufas só pretende fomentar ainda mais a divisão interna no Sporting, entre os que apoiam o presidente ainda em exercício e os que pretendem, entre os quais me encontro, destroná-lo do cadeirão presidencial.

E a gente só lá vai, ao objectivo de devolver o Sporting ao seu lugar natural, se nos conseguirmos unir, concordando em discordar muitas vezes, mas sem perder nunca o foco.

Gostemos ou não dele, um ataque ao presidente do Sporting é um ataque ao nosso clube e vindo do maior mafioso, vigarista e pantomineiro do futebol português, ainda me causa mais confusão que ande muita gente "com o pito aos saltos", com esta entrevista.

Democracia? Que democracia?

img_797x448$2020_06_07_21_19_04_630309.jpg

 

Alguns alardeiam o princípio "um sócio, um voto" como expressão máxima da democracia dentro dos clubes. Respeito, mas discordo desta tese. Desde logo porque uma agremiação desportiva não é um partido político, devendo premiar a longevidade e a dedicação de quem paga quotas durante décadas, além de acautelar-se contra a possível inscrição em massa de gente vinda sabe-se lá de onde, sem qualquer relação anterior com o clube, apenas com o objectivo de condicionar um resultado eleitoral.

Veja-se o que sucede com o FCP, que embora tenha esse princípio inscrito nos seus estatutos está muito longe de poder ser apontado como modelo democrático. Não apenas por ter como presidente alguém que já ultrapassou Salazar em longevidade no poder, tendo concorrido sem rivais em 12 das 15 eleições entretanto decorridas, mas também porque PdC recusa debater com quem se atreve a apresentar-se contra ele.

Acaba de suceder isso: confrontado pela primeira vez com duas listas adversárias para a Direcção, o decano do futebol português colocou-se num patamar acima dos concorrentes, não os reconhecendo como interlocutores. Os sócios foram votar sem ter havido confronto directo de ideias por recusa categórica do velho dirigente. «Não tive tempo», limitou-se a justificar quando lhe perguntaram por que motivo vetou qualquer debate.

Foi pena. Teria sido uma excelente oportunidade de ser confrontado com a catastrófica situação financeira da SAD portista, que acumulou prejuízos na ordem dos 52 milhões de euros no primeiro semestre desta época desportiva e viu o passivo ascender a quase 450 milhões, o que a coloca em falência técnica e no limiar da insolvência.

 

ADENDA - Como o Ricardo Roque já aqui assinalou, a "eleição mais participada de sempre" no FCP teve uma afluência muito inferior à última do Sporting. PdC acaba de ser reeleito com 5.377 votos, entre 8.480 votantes. Muito abaixo dos 8.717 votos recolhidos por Frederico Varandas em Setembro de 2018, numa eleição que mobilizou 22.510 sócios.

Urbanismo

Entrou para aprovação um projecto de remodelação urbana da praça fronteira à entrada principal do Estádio da Antas designado como "glória eterna ao imortal Pinto da Costa e seu sereníssimo sucessor o grande líder Rui Moreira" que vos apresentamos aqui em primeira mão.

21828682_nalNO.jpeg

Almas gémeas

 

«Pela postura, pela forma como ele é em termos de anfitrião, [Pinto da Costa] surpreendeu-me muito, muito pela positiva.»

Bruno de Carvalho, em entrevista à Playboy Portugal (27 de Março de 2019)

 

«No dia em que o Bruno de Carvalho foi destituído do Sporting, mandou-me uma mensagem a dizer: "Cuidado, o FC Porto está tramado. O presidente vai ser o Varandas e vão estar alinhados contra o FC Porto.»

Pinto da Costa, em entrevista ao Jornal de Notícias (31 de Maio de 2020)

 

Pinto da Costa e o seu ungido

img_920x518$2020_05_27_20_42_47_1704547[1].jpg

 

Já houve vários presidentes da Câmara de Lisboa sócios do Sporting. Nas últimas três décadas, lembro-me de Jorge Sampaio, Pedro Santana Lopes e António Carmona Rodrigues.

Imaginem a gritaria que não haveria, lá mais para Norte, se o presidente da Câmara de Lisboa, estando no exercício destas funções, aceitasse encabeçar uma lista concorrente a um órgão social do FC Porto. Não faltaria gente a rasgar as vestes, urrando contra a «promiscuidade entre a política e o futebol», exigindo imediata separação de águas.

Pois isso mesmo acaba de acontecer no FC Porto, com o actual alcaide da Invicta a encabeçar a lista para o Conselho Superior da agremiação azul e branca, sem que isso pareça perturbar as boas almas que reclamam linhas divisórias entre bola e política.

Rui Moreira aceitou o encargo, consciente de que isso o coloca na primeira linha dos ungidos, como presumível sucessor de Pinto da Costa, agora reeleito para o 15.º mandato à frente do clube, onde já leva 38 anos como dirigente máximo. Um mandato que, por vontade própria, poderá não levar até ao fim.

O astuto PdC, que nunca dá ponto sem nó, não apenas vence de forma categórica (com mais de dois terços dos votos expressos, 68,7%) a eleição para presidente da Direcção como suplanta a percentagem alcançada por Moreira (65%) na votação para o Conselho Superior. Numa espécie de aviso à navegação interna que evoca os dramas de Shakespeare: convém que o protegido nunca seja mais popular do que o seu mentor.

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D