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És a nossa Fé!

Substituível

Com a saída de Antero Henrique, o homem-forte da estrutura futebolística do FC Porto, vários conhecidos adeptos portistas apressaram-se a dizer na praça pública que "não há ninguém insubstituível".

Talvez alguns não tenham percebido que estas palavras, por maioria de razão, se aplicam como uma luva a Pinto da Costa.

Cada vez mais fundo

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Jogando em casa, numa badalada entrevista ao canal portista, Pinto da Costa confidenciou que se recandidata ao cargo que exerce há 34 anos porque o FC Porto bateu no fundo... com ele ao leme.

Extraordinário raciocínio do tiranossauro rex.

Daqui para a frente, portanto, será sempre a descer no bunker azul. Do rés-do-chão à cave, da cave à subcave, da subcave ao subterrâneo. Do calor da noite ao frio polar.

One down

Eu sei que há ciclos e que as coisas começam e acabam, mas cheguei a desesperar que aquela máquina de verdadeira javardice futebolística que Pinto da Costa criou lá pelos fins da década de 70 no Porto alguma vez chegasse ao fim. Finalmente, está com ar disso. Se os estudos me serviram para alguma coisa, dá-me a impressão de que o Porto se confronta com o clássico problema do ditador: não tem regra de sucessão clara. Nas democracias há eleições, nas monarquias segue-se o rei posto ao rei morto. Nas ditaduras (sobretudo as bem sucedidas), segue-se o caos.

 

Uma nádega parece estar a ir-se, portanto. Falta a outra.

O esperado fim deste porto

Pinto da Costa foi ontem "eleito" com 99,9995% dos votos Sim, leu bem, houve 0.0005% dos votos que não o escolheram para presidente da agremiação portista. Foi porventura um sócio que ao apor a cruzinha se excedeu no comprimento de um dos tracitos, na mesa de escrutínio apanhou um mais diligente membro que considerou aquela perninha da cruz, e só aquela, como voto parcialmente nulo. Sabemos que naquela casa tudo é possível, desde dirigentes que, num gesto típico de solidariedade familiar, permitem que os seus possam lucrar com negócios na venda e compra de activos tangíveis do clube ou da sad, a membros da claque a terem acesso ao campo de treinos para aconchegar jogadores e treinadores nas alturas de maior aperto meteorológico.

O porto é hoje uma casa esburacada, um navio à deriva e pasme-se os seus sócios, 99.9995% deles, acham que assim estão bem. O conformismo é a melhor resposta quando vemos a nossa casa a afundar, é este o lema dos actuais sócios do porto, aliás o sócio do tracito mal desenhado já foi identificado e, azar, é dono de um restaurante. 

A queda do porto já vem sendo anunciada há uns anos, não é apenas desta época ou da anterior. Ao contrário dos hipócritas que deixavam cair lágrimas de crocodilo a afirmar que o Sporting era preciso ao futebol português, quando depois por trás tudo faziam para que o nosso clube desaparecesse, sinceramente espero bem que a queda seja valente, tão valente que não seja possível reerguer-se. Estamos a falar do clube que é o maior responsável pelo estado do futebol português. Que caiam e que o façam com estrondo. Os adeptos deste clube que se deixem ficar assim, amorfos e conformados, fieis como caninos ao chefe da tribo que os conduz ao precipício. Depois podem sempre fundar um novo clube, com gente que queira mesmo ganhar dentro de campo e até podem, querendo, daqui a umas décadas alterar a data de fundação para 1893.

 

Alertado pelo Artista do dia, corrijo que estas eleições foram para a sad. Assim foram os accionistas da mesma e não os sócios que voltaram a eleger o actual presidente. Em tudo o resto não mudo uma vírgula.

Ah, tão amigos que eles agora são

«Ontem, todos os dirigentes presentes no Conselho de Presidentes vislumbraram o cumprimento de mãos dos líderes do Benfica e do FC Porto.»

 

«Aliás, o cenário montado no restaurante Pedra Bela, situado na zona da Malaposta, a cinco quilómetros do Europarque, só reforçou a ideia de que a diplomacia impera entre presidentes dos blocos encarnado e azul e branco.»

 

«No almoço oferecido pela autarquia de Santa Maria da Feira, Pinto da Costa e Vieira sentaram-se à mesma mesa, convívio novamente testemunhado pelos demais dirigentes, que se distribuíram por outras mesas na mesma sala.»

 

(Excertos da ternurenta prosa hoje publicada no jornal A Bola à qual só faltou o número de telefone do restaurante como "informação útil" aos leitores)

Contra o Sporting

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Godinho Lopes, ex-presidente do Sporting. Ao lado de Pinto da Costa. Como testemunha da Doyen em tribunal.

Contra o Sporting.

O mesmo Godinho Lopes que ainda há dias se atrevia a dar lições a outros em matéria de carácter.

Podia - e talvez devesse - expressar com clareza o que senti há pouco, ao ler aquela notícia. Mas tudo quanto penso sobre Godinho Lopes ficou enumerado em devido tempo, ainda durante o consulado dele. Aqui.

Descubra as diferenças

«Artur Soares Dias tem que deixar a arbitragem ou pedir escusa dos jogos do FC Porto.»

Pinto da Costa, 16 de Janeiro de 2014

 

«Árbitro Jorge Tavares ou é cego ou não tem competência.»

Luís Filipe Vieira, 28 de Setembro de 2013

 

«O Sr. Pedro Proença presta um grande favor ao Benfica se não apitar mais nenhum jogo do Benfica.»

Luís Filipe Vieira, 2 de Março de 2012

 

«Bruno Paixão há muito tempo não tem condições para arbitrar jogos de futebol e devia ter sido suspenso logo às primeiras asneiras.»

Pinto da Costa, 25 de Fevereiro de 2000

O grão-duque

O Sporting é muitas vezes acusado de ter feito panelinha com Pinto da Costa. Não nego que o tenha feito, e isso é algo que não honra quem o fez. Mas nunca o Sporting escancarou as portas do sistema a Pinto da Costa como Manuel Damásio fez enquanto presidente do Benfica nos anos 90. Foi a aliança de Damásio com Pinto da Costa que deu origem à segunda grande vaga de domínio do futebol português pelo FCP. Agora, o Benfica, pela mão de Luís Filipe Vieira, volta ao local do crime. Acho que estamos conversados quanto a moralidade para acusar o Sporting de pactuar com o pior do nosso futebol.

 

É claro que há muito tempo que Benfica e Porto participam na panelinha da "bipolarização", cujo grande propósito é tornar o Sporting irrelevante. O Benfica sempre foi o clube do sistema desde os anos 60, com maior ou menor controlo do dito; o Porto criou o seu sistema local, que depois conseguiu expandir para o nível nacional, chegando mesmo a destronar o Benfica no topo dos meandros sistémicos. Podem rivalizar em muitas coisas, mas numa estão de acordo: o futebol português é deles, e o Sporting é um empecilho para a concretização disso. A coisa até parecia estar a correr bem nos últimos anos, com o Sporting a tornar-se efectivamente cada vez mais uma memória do passado, umas meras camisolas listadas a arrastarem-se por aí. A impertinência da actual direcção do Sporting foi recusar esse papel. Os meninos não têm gostado nada disso e têm-no feito saber. A materialização mais clara desta reacção é Luís Duque na presidência da Liga, uma coisa feita com requintes de provocação. A história é triste, mas tem uma vantagem: obrigou a mostrar onde estamos e quem está com quem. Como é que era a história das nádegas?

 

Quanto a Luís Duque, nem sei bem o que dizer. Percebo que ser processado pela direcção do Sporting, tenha esta ou não razão, é algo a que ele não poderia ficar indiferente. E seria mais do que suficiente para romper de forma bem violenta com a direcção. Mas uma coisa é demonstrá-lo através, por exemplo, da luta interna, de artigos de jornal, da constituição de uma equipa de oposição à actual direcção. Outra é oferecer-se para capacho de um projecto cujo óbvio propósito é arrasar o Sporting enquanto clube. Estamos esclarecidos.

Uma pátria de poetas (a minha pátria é a língua portuguesa)

Muito se tem falado e escrito sobre o momento Bocage de Bruno de Carvalho (BC), contudo, ao esmiuçarmos a questão, constatamos que já outros, antes dele, elaboraram acerca do futebol e poesia.

Manuel Alegre, sobre Eusébio:

Buscava o golo mais que golo: só palavra.

Abstracção. Ponto no espaço. Teorema.

Despido do supérfluo rematava

e então não era golo: era poema

Lá está, Cristiano Ronaldo (põe-te bom, pá) e Pauleta podem ser os maiores marcadores de golos da selecção mas Eusébio continuará a ser o maior marcador de poemas.

Já falei no momento Bocage de BC mas ainda não falei no momento Gabriel, o Pensador, de Jorge Nuno Pinto da Costa, o silêncio, a ausência de comentário, Nádegas a declarar, portanto. 

Enfim, melhor seria, pensarmos antes de falarmos, seguirmos o conselho de Romário a Pelé:

Calado é um poeta ou adaptando a frase a grande parte dos protagonistas do futebol indígena; calados seriam uns poetas

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