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És a nossa Fé!

Até com o Loures, senhores?

Fiz uma cura de Sporting durante uma semana, por culpa de uma viagem maravilhosa de autocaravana pela Galiza, as Astúrias e os Picos da Europa e o Gerês.

Fiz a mim próprio a promessa de não ouvir nem ler nada sobre o Sporting e, com alguma dificuldade, consegui.

E só ontem à noite me liguei à realidade.

E podem acreditar que o que eu queria, talvez inconscientemente, era que esta minha semana sabática fizesse com que alguma coisa tivesse mudado no futebol (ao menos nisso) do Sporting.

Não mudou.

Infelizmente.

Quinta-feira lá estarei, mas temo que a coisa não corra bem, sejam lá quem forem os intérpretes do duplo, infinito e inútil pivot.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Coroa de Loures

Numa realidade alternativa, uma figura  da mitologia cintrense como o Rei Peseiro terá duas qualidades: o toque de Midas e a sua magnanimidade. A primeira deriva da sua capacidade como alquimista, expressa na forma como vai fazendo progredir os comuns mortais jogadores que tem a seu cargo. Por exemplo, Bruno Fernandes é hoje uma mistura de Zidane (vejam lá, até falha penáltis) com Platini - quando não deriva para a ala esquerda (moda Outono/Inverno do "estilista", a da Primavera/Verão incluía um pivô com umas calças boca de sino) e veste o fato de um Bruno...Conti - , Ristovski e Bruno Gaspar estão entre um Cancelo e dois Gentile ("ma non troppo") e o Batman do Sporting é muito melhor que o Battaglia da Argentina. Só é pena lhe faltar o Careca, que finalmente daria razão ao seu mentor, afirmando-se nas suas mãos conhecedoras como uma mistura do Eusébio com o Pelé. A segunda tem a ver com a grandeza do seu discurso e a coerência das opções que toma. Desse modo, o internacional italiano Viviano não joga porque não está em condições ("só" está há mais de 3 meses em Alvalade), mas Gudelj é titular desde que chegou, ele que estava parado (e parecendo um bidon no campo, assim continua) desde Abril, após passagem pelo intensíssimo campeonato chinês. Na mesma lógica, com pesar não deu minutos a Miguel Luís, em Poltava, porque o jogo não estava a correr bem e ontem, contra o poderoso Loures, colocou-o em campo em cima do fecho da partida, depois de se ter apanhado a ganhar por 2-0 desde os 56 minutos. Também não lhe ficou mal dar a nonagésima terceira oportunidade de carreira ao goleador Castaignos (Dala foi estender as redes para Vila do Conde, que até é um sítio ideal para tal actividade) ou conceder a primeira possibilidade a Lumor de se sentar no banco de suplentes. Estou certo de que este último ficou com g(h)anas de lhe agradecer, enquanto observava o matraquilho Jefferson a não falhar uma oportunidade de acertar com a bola no defesa contrário mais à mão. Adicionalmente, tirou dois alas e colocou um "6" (a juntar a outro que já por lá andava) e um "8" em campo, a fim de obedecer a uma lógica filantrópica, destinada a engrandecer o valor do seu adversário, ainda que humildemente, no fim do jogo, tenha afirmado não ter percebido porque a sua equipa recuara no relvado. Para finalizar, deu azo a que o filho (Juninho) do ex-leão Mário herdasse a tendência paterna para herói da Taça e marcasse, a fim de todas as partes saírem contentes. Bravo!

 

Tudo isto é lindo e o único inconveniente é haver um conjunto de irredutíveis adeptos, de todas as idades e classes sociais e unidos pelo amor ao Sporting, que se recusam a aceitar esta realidade e que prefeririam que o clube vivesse sob o lema do seu fundador, aliás um dos grandes culpados de só agora estarmos a trilhar o caminho correcto. Confusos? Não. Para quê esforço, dedicação e devoção, quando a glória está ali ao alcance de um toque que tudo transforma em prosperidade? Ontem uma coroa de Loures, amanhã uma palma de ouro...

 

(Segue-se o Arsenal. O do Alfeite daria jeito. Sempre se repararia qualquer coisita, não é?)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (tudo somado, o algodão engana menos que o ouro). Notas positivas para Nani e Jovane.

 

(Nota: é assustador ver que Marcelo e André Pinto não podem jogar com a defesa adiantada, sob pena de virmos a sofrer grandes dissabores. Ontem, mesmo em bloco médio, com uma recuperação defensiva digna de um cágado, por duas vezes permitiram que avançados do Loures surgissem isolados na cara de Renan, guarda-redes que não se destacou pela segurança nos cruzamentos por alto.) 

louressporting.jpg

 

Hoje giro eu - Levantar a cabeça

Num jogo feito de garra, rigor, perseverança e competência, o Sporting deslocou-se à Eslováquia para bater o até aí líder do grupo C da Liga dos Campeões de andebol, o Tatran Presov, por 30-27, com Frankis Carol (10 golos) em grande plano. Depois da derrota na Maia, frente ao modesto ISMAI, isto sim deu significado à expressão "levantar a cabeça".

 

No mesmo dia, Peseiro, em entrevista a "A Bola", diz que perdemos em Portimão por termos querido praticar um "futebol exuberante, ofensivamente avassalador". A isto chama-se não aprender nada com as derrotas. Também alega que Wendel tem imenso potencial, mas perde bolas em "zonas proibidas" (creio que se estaria a referir ao camarote dos jogadores). Por isso, o brasileiro (custou 8,7 milhões de euros) vai continuando a aprender nos treinos, enquanto em competição, o macedónio Ristovski, com bem menos cartel, vai (des)aprendendo a não fechar o espaço interior e a não compensar o central. Faz sentido! Finalmente, afirma que Coates tem "estrutura, estatuto para ser capitão, mas que prefere um português". Tudo bem, entende-se, embora Javier Zanetti - 15 anos como capitão do Inter de Milão - se possa estar a rebolar a rir, mas então por que raio é que Palhinha foi preterido a Petrovic e Geraldes teve de emigrar? Será que a condição de luso só terá relevância na questão da braçadeira, mesmo que depois o balneário seja uma babilónia de nações?

 

Adiar o inevitável.

A ver se nos entendemos. Ao contrário do que parece ser a maioria neste blog, eu sou claramente a favor da saída do Peseiro. E isso não vem de Portimão, de todo.


Se olharmos de forma desapaixonada para o que tem sido o futebol do Sporting, não há grande coisa para destacar. Jogo longo dos defesas, médios e extremos a correr atrás da bola, avançado perdido. Jogo após jogo, saímos do estádio a pensar que tivemos sorte. Foi assim com o Moreirense, Setúbal, na Luz, em casa com o Marítimo, na Ucrânia... Provavelmente só vencemos bem o Qarabag, e mesmo esse podia ter corrido bastante mal.
 
Tivemos sorte nas vitórias (o facto de termos jogadores muito melhores que os nossos adversários ajuda), tivemos muita sorte no empate, e as derrotas foram justas. Alguém me consegue dizer um jogo em que merecíamos ganhar e isso não aconteceu? É que eu consigo dizer uns poucos em que não merecíamos o resultado que tivemos.
 
Dizer que Bas ou Mathieu vão mudar o comportamento de toda a equipa é querer acreditar no que não existe: num processo, numa ideia de jogo, numa forma de estar que os ajude. Podemos estar mais fracos que no ano passado (e estamos), mas estamos muito mais forte que todos os adversários que já defrontámos (com excepção do nosso empate).
 
Dizer que ainda estamos em todas as competições também não ajuda. É precisamente por ainda estarmos vivos em todas as competições é que eu defendo a saída do Peseiro, o quanto antes, porque por este andar, vai ser sol de pouca dura.
 
Esta época ainda não está perdida, de todo. Mas a continuarmos assim, vai estar em breve. Podemos tratar disto agora, enquanto estamos vivos, ou depois de sermos humilhados em Londres, como infelizmente me parece que vai acontecer, se nada mudar. O que preferem?
 
Paulo Sousa está livre. E consta que Leonardo Jardim, que até se dá bem com o nosso novo Presidente, também está prestes a ficar sem clube. Porquê adiar o inevitável?

Sejamos claros!

Argumento 1: A equipa no final da época estava no estado que todos sabemos (foi em Julho que regressaram os jogadores que rescindiram!).

Argumento 2: Não temos jogado com Mathieu e Bas Dost, dois dos melhores jogadores da equipa.

Argumento 3: Mudámos de treinador e jogamos com 2/3 titulares da época passada.

 

Pergunta(s): Quais destes argumentos justificam o facto da equipa não conseguir fazer 3 passes seguidos do meio campo para a frente? Ou de não conseguir fazer uma jogada apoiada desde a defesa? Ou que a organização ofensiva seja baseada em chutos do Coates e do André Pinto (Mathieu)? Ou que os comportamentos colectivos sejam completamente arbitrários e caóticos sem qualquer relação com a bola?

 

Até poderia aceitar argumentos como os de cima num cenário em que estivéssemos a ver a equipa a tentar jogar futebol, a tentar jogar apoiado, a criar lances de perigo, mas que por falta de qualidade individual se perdessem bolas que resultassem em golos, falhassem transições, não conseguirmos finalizar à boca da baliza, falhar o último passe... Isso demonstraria que há ideias a serem trabalhadas, que se estavam a desenvolver princípios de jogo, que os comportamentos colectivos tinham um rumo... 

 

Que se encontrem outros argumentos para defender a posição de Peseiro, tudo bem, aceito. Mas nenhum dos acima mencionados pode justificar o facto da equipa não jogar nada!

 

Por fim, e como mais uma demonstração falaciosa do argumentário acima exposto, questiono:

Os jogadores com que temos estado a jogar são melhores ou piores que os do Guimarães ou do Rio Ave? Qual das equipas, Sporting, Guimarães ou Rio Ave, apresenta melhores princípios de jogo? E os comportamentos colectivos estão melhor definidos no Sporting, Guimarães ou Rio Ave?

E falo destes duas equipas porque também elas trocaram de treinador e jogam com 2/3 titulares da época passada...

 

Peseiro está a ser...Peseiro! Nunca foi, não é e nunca será a solução para nenhum clube, apenas uma transição (e Cintra sabia-o!). Basta ver o seu percurso...

 

Sejamos claros.

O ano do subcão

Parece que este é o Ano do Cão, de acordo com o zodíaco chinês. Talvez também pudesse ser o Ano do Subcão (underdog) no futebol português, mas é difícil. O Sporting já está habituado a ser tratado como uma espécie de perpétuo subcão entre os três grandes. Este ano ainda mais. E com razão: não se vê a equipa a jogar nada. Claro que, em típico formato sportinguista, já se pede a cabeça do treinador. Mas vamos lá a ver uma coisa: não perdeu o Sporting aquele que os sportinguistas consideravam ser o melhor médio defensivo de Portugal e arredores? Não perdeu aquele que os sportinguistas consideravam ser o ala mais espectacular desde o ala mais espectacular que o Sporting produziu desde o ala mais espectacular que o Sporting produziu desde o Cristiano Ronaldo? Não perdeu o melhor guarda-redes do mundo (ou algo do género)? Ainda por cima, Dost e Mathieu não têm jogado.

Pois, o Sporting não joga nada, mas verdade também seja dita que já não se vê o Sporting jogar nada vai para dois anos e tal, desde o primeiro ano do Jesus, quando não havia competições europeias a atrapalhar. Nos anos seguintes, houve sempre uma qualquer desgraça pós- ou pré-europeia, desde os 3-1 em Vila do Conde até aos 3-3 em Guimarães. Ainda por cima, estamos a falar de dois dias de descanso com ida-e-volta à Ucrânia. Ah pois, não serve de desculpa, mas a verdade é que serve. A única coisa que não percebo é porque é que não jogou o Sporting hoje, em vez de ontem.

Ainda tínhamos o Rui, o Coentrão, o William, o Adrien, o Gelson, o Dost e o Mathieu e já jogávamos este futebol de subcão. Muito tem feito o Peseiro para aquilo ainda parecer uma equipa de futebol.

Com o pé que tem mais à mão

Diz e com toda a propriedade o Francisco  Melo num post mesmo aqui em baixo, que nada está perdido quanto às frentes em que estamos envolvidos diz respeito.

Eu concordo. Tenho até esperança que a vaca que desertou (também ela farta de aturar um gajo que usa e abusa da sua paciência) volte muito em breve e lhe garantam pelo menos mais um fardo de palha e erva fresca pela manhã e que os deuses, que provavelmente estavam fartos de amparar a equipa e lhe fizeram um manguito, sejam resgatados rapidamente, sob pena de isto ficar tudo esfrangalhado e nos próximos seis jogos se desbarate uma época inteira.

Quando digo que concordo com o Francisco Melo, concordo mesmo. Acho que esta paragem pode servir para a equipa ganhar rotinas e garantir o regresso de Bas Dost e Mathieu e se conseguir ficar pelo menos numa das frentes, a mais importante, o campeonato, que em Janeiro se façam regressar os que estão a dar mostras de que foi não só não acertada como precipitada a sua saída e tratar de pelo menos dois rapazes para os dois lados da defesa e alguém para sustituir Bas Dost, se por qualquer eventualidade tiver outro encontro imediato com alguma fivel... perdão, com os pitons de algum adversário e ficar indisponível mais uns meses.

Se porventura for tudo para o beleléu nestes seis jogos depois da paragem, temos uma época quase inteira para preparar a seguinte, coisa que tenho uma vaga ideia de que é o que andamos a fazer há mais de quarenta anos, com um interregno de dois anos ali pelo meio.

Portanto, não sendo adepto da mudança de treinador como se muda de camisa, há um tipo perfeito para tomar essa decisão: Frederico Varandas.

Claro que depois vai sofrer as consequências do seu acto, mas isso decorre da sua vontade, sufragada pelos votos dos sócios, de ser presidente de um grande clube como o nosso. Eu, com a minha modesta experiência de vida, só lhe posso dizer que uma má decisão é sempre melhor do que nenhuma decisão. Mesmo que nenhuma decisão, seja uma decisão... Se me fiz entender.

Os deuses devem estar loucos

Ora vejam se não é verdade:

Marcámos muito cedo, o que não tem sido hábito;

Jovane entrou de início, o que quer dizer que Peseiro ouviu o coro de gente que reclamava a titularidade do jovem;

Montero marcou e fez um belo jogo (o melhor em campo, para mim);

E por fim, Petrovic fez um jogo memorável (atendendo a que é Petrovic e a fasquia está muito baixa...), talvez o seu melhor jogo de verde vestido (o que vai obrigar o nosso colega Leonardo Ralha a retratar-se).

 

Até uma bola que poderia dar golo ao marítimo percorreu a linha de baliza e num ressalto foi morrer nas mãos de Salin.

E na CI, Peseiro, que deve ter recebido o recado do Pedro Correia, resistiu ao "ataque" dos jornalistas e não respondeu a qualquer pergunta sobre Nani.

 

Os deuses hoje estiveram loucos mesmo, em Alvalade. Que assim continuem.

 

Nota final: Concordo com Peseiro, estou farto de o dizer aqui, se quiserem assobiar que o façam no fim. Assobiar os nossos é ajudar o adversário.

{ Blog fundado em 2012. }

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