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És a nossa Fé!

Pódio: Pedro Gonçalves, Palhinha, Coates

Em jeito de balanço, aqui fica a lista dos jogadores que receberam a menção de melhores em campo no último campeonato, em resultado da soma das classificações atribuídas pelos diários desportivos após cada jornada.

 

Pedro Gonçalves foi o grande protagonista da temporada 2020/2021: liderou destacado as classificações de todos os jornais desportivos. Sucede assim a Bruno Fernandes, que tinha sido primeiro nas três épocas anteriores.

O pódio integra ainda Palhinha e Coates, nas posições imediatas. É consensual: este trio - completado com o guarda-redes Adán - formou a espinha dorsal da equipa do Sporting que conquistou o campeonato nacional após 19 anos de jejum. Comprovando assim que estas classificações da imprensa desportiva fazem sentido.

Recordo que em 2019/2020 o segundo e o terceiro posto foram ocupados por Jovane e Vietto. E há duas épocas foram Raphinha e Nani a fazer companhia ao actual craque do Manchester United neste grupo dos três mais votados.

 

Em relação ao ano passado, verifica-se uma descida de Jovane (de 14 para 4 pontos) e uma subida muito significativa de Coates - que em 2019/2020 foi considerado o melhor em campo apenas duas vezes, num total de 102 menções dos três diários desportivos, e na temporada anterior nem sequer havia sido mencionado.

Nuno Mendes também sobe (de 3 para 8). 

Plata (quarto em 2019/2020), Luís Maximiano e Neto desaparecem deste quadro, ao contrário do que sucedera há um ano.

Uma curiosidade: Sporar mantém a pontuação, apesar de ter jogado apenas meia época desta vez.

 

Em relação aos reforços, e para além de Pedro Gonçalves, destaque para a entrada directa de Adán (quinto este ano). Além das boas posições alcançadas por Nuno Santos e Porro.

Paulinho, embora tendo chegado mais tarde, está também presente.

 

Nuno Mendes, Tiago Tomás e Gonçalo Inácio não ficaram esquecidos. 

Wendel, que só fez dois jogos de verde e branco, deu nas vistas apesar disso. 

João Mário nem aparece. Omissão total.

 

Finalmente, pequenos apontamentos.

A Bola embirrou claramente com Nuno Santos - foi o único jornal que omitiu por completo o extremo leonino (que tinha passado pelo Benfica) na escolha dos melhores em campo. Enquanto deu duas vezes a melhor nota a Sporar, depois transferido para o Braga.

O Jogo só elegeu Palhinha e Nuno Mendes uma vez cada, em nítido contraste com as opções dos outros jornais. Percebe-se que nenhum deles é muito apreciado pelo diário conotado com o FC Porto. Que - talvez para compensar - atribuiu, em exclusivo, votos isolados a Tabata e Daniel Bragança. 

 

Pedro Gonçalves: 31

Palhinha: 10

Coates: 9

Nuno Mendes: 8

Adán: 6

Tiago Tomás: 6

Nuno Santos: 5

Porro: 4

Jovane: 4

Matheus Nunes: 4

Paulinho: 4

Sporar: 3

Wendel: 2

Feddal: 2

Gonçalo Inácio: 2

Tabata: 1

Daniel Bragança: 1

 

A BOLA: Pedro Gonçalves (9), Palhinha (5), Coates (3), Nuno Mendes (3), Adán (3), Sporar (2), Tiago Tomás (2), Wendel, Porro, Matheus Nunes, Feddal, Gonçalo Inácio, Jovane, Paulinho.

RECORD: Pedro Gonçalves (11), Nuno Mendes (4), Palhinha (4), Coates (3), Nuno Santos (2), Porro (2), Tiago Tomás (2), Paulinho (2), Jovane, Gonçalo Inácio, Adán, Matheus Nunes.

O JOGO: Pedro Gonçalves (11), Nuno Santos (3), Coates (3), Jovane (2), Adán (2), Tiago Tomás (2), Matheus Nunes (2), Wendel, Nuno Mendes, Sporar, Porro, Tabata, Feddal, Palhinha, Daniel Bragança, Paulinho.

 

Há um ano  foi assim: Bruno Fernandes, Jovane, Vietto

Há dois anos foi assim: Bruno Fernandes, Raphinha, Nani.

Há três anos foi assim: Bruno Fernandes, Bas Dost, Gelson Martins.

Há quatro anos foi assim: Bas Dost, Gelson Martins, Bruno César. 

Há cinco anos foi assim: Slimani, João Mário, Gelson Martins.

Patinho feio

 

Neste momento estamos a perder por 1-0. Fernando Santos resolveu mexer na equipa e efectuou uma dupla subsituição, entraram Bruno Fernandes e o "menino 120 milhōes".

Interrogo-me: será Pedro Gonçalves o patinho feio desta equipa? Não será o melhor marcador do campeonato português digno de jogar nesta equipa?

 

P.S.-1: Entrou agora, para reforçar o que digo, na equipa portuguesa, o melhor marcador do campeonato alemão.

P.S.-2: Agora entraram Danilo e Sérgio Oliveira...

 

P.S.-3: Adeus, até à próxima!

Balanço (17)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre PEDRO GONÇALVES:

 

- Leonardo Ralha: «Nuno Mendes, Pedro Gonçalves e Matheus Nunes mostraram que têm de ser titulares.» (29 de Agosto)

- João Goulão: «A bola chega a Pedro Gonçalves, a esperança e a força que fazemos para que a coisa corra bem no passe ou no remate alivia um pouco o stress.» (29 de Outubro)

- José Navarro de Andrade: «Não pode desperdiçar tantas oportunidades.» (1 de Novembro)

Pedro Boucherie Mendes: «Outra coisa que a nossa equipa técnica parece dominar é aquilo que no meu tempo se chamava de preparação física. Pedro Gonçalves andava por ali aos 90 minutos como se tivesse começado a jogar há dez minutos.» (3 de Novembro)

- Pedro Oliveira: «Adán tiki, Pote taka.» (8 de Novembro)

Filipe Arede Nunes: «Há talento nesta equipa do Sporting: Pedro Gonçalves, Nuno Santos, Pedro Porro, João Mário acrescentaram muita qualidade ao plantel leonino.» (9 de Novembro)

Luís Lisboa: «Melhor em campo, com um bis e o tal chapéu terá mesmo de ser Pedro Gonçalves.» (29 de Novembro)

Eu: «É fácil vaticinar um percurso brilhante a este médio criativo com faro de golo e que não pede licença para rematar à baliza. Não fará esquecer Bruno Fernandes. Mas é, desde já, um seu digno sucessor neste Sporting que volta a sonhar com o título de campeão.» (29 de Dezembro)

- José Cruz: «Desde as defesas do Adán aos golos de Pedro Gonçalves, passando pelo esteio que Palhinha mostrou ser, não há um jogador que se possa dizer que não tenha sido importante.» (12 de Maio)

Ordem de Mérito Liga 1ª Liga

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Finalizada esta edição da 1ª Liga, com base nas apreciações dos três jornais desportivos diários que o Pedro Correia aqui nos traz, e se não me enganei a transcrever alguma pontuação, podemos então estabelecer a seguinte ordem de mérito:

1. Pontuação Total:

Pedro Gonçalves523
Coates519
Palhinha489
Adan486
Porro457
Nuno Santos438
Nuno Mendes432
Feddal411
Tiago Tomás405
10 João Mário399
11 Matheus Nunes389
12 Jovane304
13 Neto299
14 Daniel Bragança265
15 Inácio233
16 Tabata203
17 Paulinho200
18 Matheus Reis181
19 Sporar167
20 Antunes95
21 Plata95
22 João Pereira53
23 Wendel45
24 Vietto44
24 Max33
25 Eduardo Quaresma23
26 Borja15
27 Tomás Silva13
28 André Paulo 12
29 Dário Essugo11

 

2. Desempenho Médio:

Max16,5
Pedro Gonçalves16,3
Coates15,7
Palhinha15,3
Porro15,2
Adan15,2
Wendel15,0
Nuno Mendes14,9
Feddal14,7
10 Vietto14,7
11 Paulinho14,3
12 João Mário14,3
13 Nuno Santos14,1
14 Inácio13,7
15 Neto13,6
16 Tiago Tomás13,5
17 João Pereira13,3
18 Tomás Silva13,0
19 Matheus Nunes13,0
20 Sporar12,8
21 Tabata12,7
22 Jovane12,7
23 Daniel Bragança12,6
24 Matheus Reis12,1
25 André Paulo 12,0
26 Antunes11,9
27 Plata11,9
28 Eduardo Quaresma11,5
29 Dário Essugo11,0
30 Borja7,5

 

3. Número de vezes os Melhores em campo :

Pedro Gonçalves12
Coates 6
Porro4
Palhinha4
Adán3
Nuno Mendes3
Matheus Nunes2
Jovane2
Nuno Santos2
10 Wendel1
11 Tabata1
12 Feddal1
13 Paulinho1

 

Os números não mentem. No pódium têm de estar e por esta ordem Pedro Gonçalves, Sebastián Coates e João Palhinha.

Tirando o caso de Luís Maximiniano, com a pontuação média inflacionada pelo pequeno número de jogos efectuado, Pedro Gonçalves surge como o melhor em tudo, melhor pontuação global, melhor pontuação média, mais vezes melhor em campo a grande distância dos seguintes, tudo complementado com o título de melhor marcador. Contratação assim, só mesmo a de Bruno Fernandes. 

Depois vem Sebastián Coates. Já falei tanto dele que não sei mais o que dizer. Respect! O captain! My captain!

E depois João Palhinha. Uma época que começou de forma atribulada, uma mistura de situações e indefinições, e acabou da melhor forma, foi o pêndulo da equipa, o homem dos equilíbrios, o garante da estrutura táctica, muitas vezes penalizado injustamente por arbitragens sem dimensão europeia. Um jogador de nível Champions.

Note-se também que nos dez primeiros da pontuação total estão sete contratações / regressos desta época. Se recuarmos ao plantel vencedor da Taça de Portugal de há dois anos, então desses dez só um integrava o plantel. O capitão. Uma prova do excelente trabalho realizado este ano pelo director desportivo Hugo Viana.

Depois temos a maior riqueza deste plantel: os jovens da academia de Alcochete, do Nuno Mendes ao Max, uns que chegaram mais novinhos outros mais tarde, uns nascidos em Portugal outros não. São muitos, são mesmo bons, e muito melhores vão ainda ser. Até porque contam com Rúben Amorim que acredita neles e lhes dá todas as oportunidades. E assim se constrói o futuro do Sporting.

Fica então aqui aberta a discussão sobre estas pontuações.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Pódio: Pedro Gonçalves, Jovane, Plata

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Marítimo pelos três diários desportivos:

 

Pedro Gonçalves: 23

Jovane: 20

Plata: 18

Palhinha: 17

João Pereira: 17

Coates: 17

Paulinho: 16

Luís Maximiano: 16

Antunes: 16

Matheus Reis: 16

Daniel Bragança: 15

Matheus Nunes: 15

Neto: 15

Tiago Tomás: 13

Tomás Silva: 13

André Paulo: 12

 

Os três jornais elegeram Pedro Gonçalves como melhor jogador em campo.

O dia seguinte

O Sporting encerrou da melhor maneira este campeonato, com uma vitória concludente contra a equipa que meses antes nos tinha eliminado da Taça e levando Pedro Gonçalves ao topo dos melhores marcadores.

Com um onze muito diferente do habitual, o Sporting entrou rápido e pressionante, os lances de perigo sucediam-se e rapidamente se chegou ao 3-0. Enquanto isso no Marítimo os jogadores caíam a bom ritmo agarrados a tudo o que podia doer, na tentativa de quebrar o ritmo e escapar à goleada. Na 2.ª parte o Sporting tentou voltar ao ritmo inicial mas já foi um jogo mais dividido, ainda chegou ao 5-1 com um golão de Plata mas cedeu o "ponto de honra" ao cair do pano.

Além da noite mágica de Pedro Gonçalves, com três golos plenos de oportunidade e frieza na concretização, Jovane esteve muitíssimo bem, com arranques poderosos e muito mais empenhado no jogo colectivo, e aquele passe para o terceiro golo de Pedro Gonçalves é deveras magistral. Paulinho como de costume a fazer tudo bem menos marcar nas oportunidades que vão aparecendo, em jeito não acerta na baliza, em força bate em alguém, todos os outros em plano bastante aceitável. O meio-campo com Matheus Nunes e Bragança funciona só num sentido, qualquer dos dois precisa dum jogador mais posicional nas costas. E lá teve que voltar Palhinha para pôr ordem na casa.

Percebe-se bem o discurso de Amorim. Saindo Nuno Mendes e João Mário, para equilibrar as contas e ter capacidade de investimento em novos craques, não pode sair mais ninguém do núcleo duro da equipa. E mesmo assim vai ser difícil substituir esses dois: a intensidade e os cruzamentos mortíferos do primeiro e a capacidade de comando do segundo vão fazer muita falta. Mas o mercado é que manda: jogadores inegociáveis é coisa que não existe, e se alguns colossos europeus se chegarem à frente eles irão mesmo. Mas quem trocaria a situação de hoje, com o Sporting campeão, um treinador vencedor e uma equipa estruturada com a situação de um ano atrás, um Sporting em 4º lugar, um treinador acabado de chegar, e uma equipa onde os miúdos eram mesmo miúdos e os melhores dos outros estavam de partida?

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

De terminar a época com uma goleada. Vencemos ontem o Marítimo em Alvalade por 5-1. Num desafio em que comandámos do princípio ao fim, em que desenvolvemos um futebol de ataque, solto, alegre, bem ligado. E com frescura física, quase como se a equipa estivesse em início de temporada. Aconteceu a nossa maior goleada da Liga 2020/2021, com um dos mais belos golos da prova, uma das melhores assistências que vimos nos últimos meses e um extraordinário quase-golo que merecia outro desfecho, lá no fundo das redes adversárias.

 

De Pedro Gonçalves. Melhor jogador em campo. Maior goleador do campeonato. Marcou três golos nesta partida (17', 20', 64') e demonstrou a Fernando Santos que merece ser convocado para o Campeonato da Europa: não acredito que o seleccionador o deixe de fora da lista que divulgará mais logo. Chega ao fim da Liga 2020/2021 como autor de mais de um terço dos nossos golos, ultrapassando o benfiquista Seferovic como rei dos artilheiros ao apontar 23 (cinco dos quais nestes dois últimos jogos). É a primeira vez que um médio ofensivo vence a Bola de Prata. E há 25 anos que não era um português a vencer este troféu (o último tinha sido Domingos Paciência, pelo FCP, na temporada 1995/1996).

 

De Jovane. Rúben Amorim desta vez apostou nele como titular - e o jovem caboverdiano correspondeu à prova de confiança do treinador. Foi um dos motores do nosso ataque, partindo os rins aos defesas insulares. Faz duas assistências para golo - o primeiro e o quarto, ambos marcados por Pedro Gonçalves. A última, num passe vertical teleguiado, denota pura classe: se houvesse público, faria levantar o estádio. Como se estivesse em campo um Pirlo.

 

De Antunes. Desta vez foi ele a envergar a braçadeira de capitão - talvez pela última vez no Sporting. Correspondeu à responsabilidade. Desde logo com um disparo de meia-distância logo aos 2' que fez a bola embater com estrondo na trave. Teria sido, sem favor, um dos golos do ano. É também ele a iniciar o lance que dá origem ao primeiro golo, numa boa condução pela ala esquerda.

 

Do golaço de Plata. O equatoriano voltou a ter uma oportunidade, alinhando a partir dos 59' (substituiu João Pereira). E cumpriu, como ala direito, fazendo o vaivém no seu corredor. Exibição coroada com um golo magnífico, o nosso quinto, aos 75', fazendo um chapéu sobre o guarda-redes do Marítimo. A ver e rever: foi um dos grandes golos leoninos desta temporada.

 

Da estreia de André Paulo e Tomás Silva na equipa principal. Amorim concedeu ao terceiro guarda-redes do plantel e ao médio que se tem destacado na B a oportunidade de se sagrarem também campeões nacionais. Entraram ambos ao minuto 66 (o primeiro rendendo Max, o segundo para o lugar de Matheus Nunes) e certamente nunca esquecerão este dia.

 

Da despedida de João Pereira. O veterano lateral, com 40 chamadas à selecção nacional A, concluiu com êxito esta terceira passagem pelo Sporting. Foi dos últimos a chegar ao plantel mas integrou-se bem apesar de já ter 37 anos (mais velho que o treinador, e com o dobro da idade de Nuno Mendes e Tiago Tomás). Ontem foi titular e jogou até aos 59'. Recebeu aplausos prolongados dos colegas, da equipa técnica e dos dirigentes. No final, teve até direito a um vídeo especial: benfiquista de origem, tornou-se sportinguista por adopção e é agora um dos nossos de coração, sem favor algum. Permanecerá em Alvalade, integrado na equipa técnica. Bem merece.

 

De concluir o campeonato com 85 pontos. Foi a nossa segunda melhor pontuação de sempre. Chegamos ao fim com apenas 20 golos sofridos. E absolutamente invictos no nosso estádio. E campeões após um longo jejum que durou 19 anos.

 

 

Não gostei

 

Da hora do jogo. Começou às 21.45 e terminou perto da meia-noite. Horário impróprio, a meio de uma semana de trabalho. Anedótico, patético, quase ofensivo. 

 

Do guarda-redes do Marítimo. Charles tem culpas objectivas em pelo menos dois dos golos. Mas o seu pior momento é aquele que origina o nosso terceiro, num atraso de Karo ao guardião que este não consegue parar com o pé e fica a ver a bola a encaminhar-se lentamente para a baliza. Decorria o minuto 21: este autogolo parecia uma cena para os "apanhados".

 

Do golo sofrido. Aos 89', mesmo ao fechar da cortina, sem culpa para o estreante André Paulo. Mas fica-nos a saborosa sensação de termos visto as nossas redes invioladas em 20 dos 34 jogos disputados neste campeonato.

 

Da ausência de público. Se houve dia em que merecia ter havido espectadores nas bancadas de Alvalade, foi este. Por ser o da despedida de uma época gloriosa, por terminar da melhor maneira com uma exibição de luxo da nossa equipa, pela estreia de dois jovens que poderão singrar ao melhor nível e pela emocionante homenagem a João Pereira. 

Pódio: Pedro, Nuno S., João Mário, Palhinha

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Benfica-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Pedro Gonçalves: 20

Nuno Santos: 17

João Mário: 15

Palhinha: 15

Nuno Mendes: 15

Paulinho: 15

Adán: 13

Coates: 13

Jovane: 12

João Pereira: 11

Gonçalo Inácio: 11

Matheus Nunes: 11

Daniel Bragança: 10

Matheus Reis: 9

 

Os três jornais elegeram Pedro Gonçalves como melhor jogador em campo.

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

Da nossa primeira parte. Entrámos a pressionar, mas com incompreensíveis falhas posicionais. Sobretudo na linha defensiva do meio-campo, onde se abriam crateras entre Daniel Bragança e Matheus Nunes - ontem titulares em vez de João Mário e Palhinha - e entre estes dois jogadores e o trio de centrais. O Benfica explorou inteligentemente estes espaços vazios lançando ataques demolidores que produziram estragos. À meia hora de jogo, já perdíamos 0-2. Ao intervalo, perdíamos 1-3. Com o nosso golo surgido mesmo ao cair do pano.

 

De termos perdido este clássico. Este jogo entre os mais históricos rivais do futebol português pôs fim ao nosso mais longo ciclo enquanto equipa invicta: 32 jornadas sem um só desaire em campo. Precisamente desde o anterior Benfica-Sporting, ocorrido na última ronda da época anterior. Estivemos quase uma temporada inteira sem conhecer o sabor da derrota. 

 

Do onze montado por Rúben Amorim. Incompreensíveis, tantas mudanças - salvaguardando situações internas de que nós, adeptos, não temos conhecimento. Vendo de fora, faria muito mais sentido compensar as ausências de Porro (por fadiga muscular) e Feddal (por castigo) com uma linha de centrais composta por Luís Neto, Coates e Gonçalo Inácio (este devolvido ao lado esquerdo do terreno, que é a sua posição natural) em vez de insistir em Gonçalo pela direita e iniciar a partida com Matheus Reis, lateral de raiz, como central mais à esquerda. E, claro, incluir Palhinha e João Mário no onze - como aliás viria a acontecer na segunda parte, quando o técnico rectificou o erro, quase conseguindo virar o jogo. Com 45 minutos de atraso.

 

De Daniel Bragança. Tem bom toque de bola e é exímio no passe a meio do terreno. Mas falta-lhe intensidade e arcaboiço físico para enfrentar com sucesso uma equipa em contra-ataque rápido, como ontem se viu. Foi bem substituído ao intervalo.

 

De Matheus Nunes. É um médio com características ofensivas cujo sucesso está muito dependente de uma boa articulação com um colega como Palhinha, que funciona como tampão no meio-campo defensivo. Chamado ontem a exercer essa função, sem rotinas de jogo com Daniel, não foi bem-sucedido, tendo perdido várias bolas. E cometeu um erro grave, actuando já como ala direito, ao provocar um penálti totalmente desnecessário que acabou por permitir o golo da vitória encarnada aos 50' e ao suíço Seferovic marcar o 20.º nesta Liga, dando-lhe vantagem sobre Pedro Gonçalves (também com 20 golos mas com mais minutos jogados, o que o desfavorece para efeitos de desempate).

 

De Paulinho. É verdade que foi dele a assistência para o segundo golo. Mas ele está lá para os marcar, não para assistir. Sujeito à apertada vigilância de Otamendi, voltou a ficar mais um jogo em branco. Começam a ser de mais para o avançado mais caro da história do Sporting - embora não tão caro como o inútil Darwin que ainda equipou uns minutos de encarnado.

 

De sofrer quatro golos num jogo do campeonato. Nem três tínhamos sofrido numa só partida desta Liga 2020/2021, agora a uma jornada do fim.

 

De estarmos há quase seis anos sem vencer na Luz. O nosso último triunfo lá ocorreu no início da temporada 2015/2016, quando o actual treinador do Benfica orientava a equipa do Sporting. 

 

 

Gostei

 

Da nossa segunda parte. Se só esta valesse, teríamos vencido por 2-1 em vez de termos perdido por 3-4. Amorim rectificou os erros cometidos: trocou João Pereira e Daniel Bragança por Palhinha e João Mário, mais tarde mandou sair Matheus Reis para a entrada de Jovane. O Sporting foi a melhor equipa em campo neste segundo tempo: o jogo terminou com o Benfica a despachar bolas, acantonado no seu reduto defensivo, perante a pressão contínua da nossa equipa. Fica a lição para todos os adeptos que tanto gostam de denegrir João Mário: ele é um elemento indispensável como titular deste Sporting que acaba de se sagrar campeão nacional.

 

De Pedro Gonçalves. Melhor sportinguista em campo - e aquele que mais lutou para inverter a dinâmica ofensiva benfiquista, dando luta aos nossos velhos rivais ao movimentar-se muito bem entre linhas. Se todos tivessem estado ao nível dele, teríamos saído vencedores. Mais dois golos para o seu pecúlio: o primeiro aos 45'+1, após slalom que rompeu a defensiva adversária, disparando com sucesso de pé esquerdo na cara de Helton Leite; o segundo aos 78', convertendo uma grande penalidade que havia sido cometida sobre ele. Esteve a centímetros de marcar um terceiro golo - aos 52', quando rematou com força, fazendo a bola embater no poste.

 

De Nuno Santos. Deu importante contributo para inverter a maré do jogo fazendo canalizar pela sua ala grande parte do nosso caudal ofensivo. Exibição coroada por um golo de difícil execução técnica aos 63', em posição frontal, com assistência de Paulinho. Era o nosso segundo, reduzindo para 2-4 e permitindo discutir o resultado até ao fim.

 

De Nuno Mendes. Fundamental tanto na construção ofensiva, articulando bem com Nuno Santos no seu flanco, como na manobra defensiva. Pena não ter conseguido evitar o primeiro golo do Benfica: bem se esforçou, logo aos 12', já com Adán ausente da baliza, mas sem conseguir. Se há jogador que não merecia a derrota, é ele. 

 

Do cumprimento inicial entre Rúben Amorim e Jorge Jesus. Não houve a tal "guarda de honra" de que tanto se falou, mas houve desportivismo. 

 

De termos visitado a Luz já como campeões nacionais. Não me lembro se alguma vez tinha acontecido. Por mim, voltaria a trocar a vitória num jogo como este pela conquista antecipada do campeonato. Todos os anos, se pudesse ser.

 

Da qualidade do jogo. Sete golos, intenso combate em todo o terreno, resultado incerto e emoção até ao fim. Um verdadeiro clássico - mesmo quando lhe chamam "dérbi" - é mesmo isto. Um verdadeiro hino à modalidade, um cartaz à promoção do futebol. 

Em resumo

Jogo descomunal de Pedro Gonçalves.

Fora isso não sei se Matheus Nunes alguma vez não terá dado a bola ao adversário, além de lhe ter oferecido o penalty da vitória, e gostaria de saber se o xG de Paulinho será tão mau como presumo que seja. 

Foi pena não sermos campeões invictos, sobretudo depois do que a equipa fez a partir dos 70'.

Pedro Gonçalves é a antítese de João Mário

Texto de Jô

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Tenho para mim que o Pedro Gonçalves é a antítese do João Mário.

O João Mário dá-se ao jogo como poucos, está sempre com a bola nos pés, mas erra muito na definição e, talvez por ter percepção disso mesmo, acaba quase sempre por jogar pelo seguro, sendo muito raro ver um passe de ruptura ou um remate.

O Pedro Gonçalves aparece pouco em jogo e passa largos períodos sem sequer tocar na bola, mas quando a bola lhe chega aos pés, sai quase sempre magia: ainda no último jogo, isolou o Paulinho com um passe de génio.

Um sabe segurar a bola, o outro sabe soltá-la com mestria.

Enfim, dois grandes jogadores, com características bem diferentes. Como não há jogadores perfeitos, uma equipa faz-se disto mesmo: jogadores que se complementam e que dão coisas diferentes ao jogo.

E este Sporting tem sabido aproveitar bem o que cada um tem de melhor.

Se há quem não goste do Pedro Gonçalves, paciência. Gostamos nós e isso é que interessa.

 

Texto do leitor Jô, publicado originalmente aqui.

Parece que têm raiva ao "Pote"

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Em certas alturas, questiono-me se alguns jornalistas que analisam os jogos na imprensa - e atribuem notas individuais aos profissionais do Sporting - terão visto os mesmos desafios que eu. Aconteceu-me ontem, uma vez mais, ao folhear o Record. Este diário atribui nota 2 (em 5) a Pedro Gonçalves. Um dos jogadores com melhor desempenho no Sporting-Nacional realizado na noite de sábado.

Justifica assim este jornal a nota negativa que entendeu dar ao médio leonino: «Fica a ideia de que poderia passar a noite a "mandar postais" e nalgum momento algo iria correr mal. Podia ter marcado aos 21' e aos 45'+1.»

O que significa isto? Alguém entende esta prosa? Eu tentei meter explicador, mas mesmo assim não consegui perceber patavina.

 

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Defeito meu? Terei visto um jogo diferente?

Parece que não. Porque, consultando os dois outros diários desportivos, verifico que afinal eles coincidem com o meu ponto de vista: o desempenho do nosso n.º 28 foi muito positivo.

Escreve O Jogo: «Fez a diferença entrelinhas e com movimentos de ruptura, só pecou na finalização, apesar de dispor de várias oportunidades. Sem egoísmos, assistiu várias vezes colegas.» Dando-lhe nota 7 (em 10). 

Escreve A Bola: «Abriu as hostilidades com grande tiro para defesa de António Filipe, partiu como um foguete para oferecer o golo a Paulinho, mas estava fora de jogo, voltou a fazer belíssima assistência para o n.º 21 desperdiçar na cara de António Filipe. Pelo meio, teve lances perigosos.» Dando-lhe também nota 7 (em 10). 

 

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Parece mesmo que o Record embirra com Pedro Gonçalves. Ao ponto de nunca o tratar sequer pelo nome, mas por uma alcunha depreciativa. Escreve sempre "Pote", referindo-se ao jogador, desde que ele chegou a Alvalade. Antes, quando actuava no Famalicão, chamava-lhe Pedro Gonçalves. Com nome e apelido, sem alcunhas. Tal como trata Cebolinha, do Benfica, por Everton - evitando a alcunha. 

Dois pesos, duas medidas. E más notas.

Que raio de critério este. Parece que têm raiva ao "Pote". 

Um dia tentarei esclarecer o mistério. Talvez algum leitor me ajude.

 

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"Este Sporting"

Fazendo um voo rasante por redes sociais de supostos adeptos do SCP, leio diversas frases depreciativas para a nossa equipa. Que começam, várias vezes, pela expressão "este Sporting". Escrita com aparente desprezo.

Pois "este Sporting" acaba de superar um recorde de 87 anos da história leonina em campeonatos de futebol: 27 jogos seguidos sem perder na mesma prova.

"Este Sporting" tem de momento o maior artilheiro da Liga: Pedro Gonçalves, com 17 golos. E a defesa menos batida: só 13 golos sofridos.

"Este Sporting" não sofreu golos em 16 das 27 partidas disputadas.

"Este Sporting" acaba de somar mais três pontos, tendo agora 69. Para já, nove acima do FC Porto e 12 acima do Benfica.

"Este Sporting" lidera há 21 jornadas, isolado, a prova máxima do futebol português.

"Este Sporting" está a cinco vitórias do título de campeão nacional.

O dia seguinte

Começando pelo princípio, o Sporting continua na liderança da Liga, invicto, com uma margem ainda confortável relativamente ao mais directo perseguidor e só depende dele mesmo para assegurar o título. Nesta recta final nota-se também um cerrar de fileiras do universo Sportinguista à volta duma equipa maioritariamente jovem e sem experiência nestas andanças, treinadores incluídos, mas de enorme valor. O que nos fez chegar até aqui tem de servir para nos levar a bom porto, não podemos duvidar das nossas qualidades.

Mas parece-me evidente que esta pausa da Liga pelos compromissos das selecções fez mal ao plantel. Por um lado distraiu aqueles que como Nuno Mendes ou Porro foram justamente promovidos à titularidade das selecções respectivas, e falham o que dantes acertavam, por outro impediu a melhor integração de Paulinho. E se é verdade que o Paulinho já contribuiu com um golo e uma assistência para golo, também é que a equipa parece que joga como dantes, quando não tinha ponta de lança. Quantos centros de Nuno Mendes ou Porro já encontraram nestes dois jogos a cabeça ou os pés de Paulinho? Zero? Ontem até o Tiago Tomás, com o Paulinho completamente desmarcado atrás da linha da defesa, centra entre essa linha defensiva e o guarda-redes.

 

Por outro lado, e sabendo que os adversários chegam com a lição bem estudada, Rúben Amorim tem tentado algumas trocas posicionais que sinceramente penso que têm baralhado mais a própria equipa do que o adversário. Ontem até tivemos uma troca de alas que durou alguns minutos sem qualquer proveito. João Mário, nesta altura da carreira e até porque não tem golo, rende muito mais em posições recuadas. E golo é coisa que Daniel Bragança também não tem.

Pelo contrário, Pedro Gonçalves é o melhor marcador da equipa, não pode abandonar a zona onde faz a diferença. Também Nuno Santos rende golos e faz assistências, o Tiago joga mal de cabeça e desperdiça mais oportunidades do  que marca. Marcar golos fica mais fácil contando com quem tem mais facilidade de os marcar...

E ontem a questão passou muito por aqui. Com este treinador e alguns reforços o Famalicão acertou agulhas e mostrou-se uma equipa organizada e perigosa, muito pelo talento dum ou doutro, tapando bem a sua baliza e lançando contra-ataques venenosos. O Sporting na primeira parte, num 3-5-2 muito assimétrico, sentiu muitas dificuldades em assentar o seu jogo, o amarelo cirúrgico a Palhinha cedo o condicionou, na ala esquerda a articulação Nuno Mendes-João Mário deixava muito a desejar, na outra ala a coisa era ainda pior. Pedro Gonçalves, vagabundo, compensava muita coisa, como no lance do golo onde caiu em cima e desarmou o miúdo adversário e ainda foi receber o passe de Paulinho para encostar para golo.

Mas logo a seguir veio o golo muito consentido do Famalicão: mais uma falha de Porro, no princípio daquilo tudo, impediu que a equipa serenasse e estabilizasse o seu jogo. 

 

Veio o intervalo e o Rúben entendeu (e bem) que tinha de agitar o jogo. Tentou melhorar a construção desde trás com Matheus Reis e Daniel Bragança. E tivemos um segundo tempo com menos controlo e mais intensidade, mais oportunidades de golo, mas todas ingloriamente desperdiçadas por outros jogadores que não Paulinho. A equipa parecia ignorá-lo na sua pressa para despachar o assunto.

Aqui temos de falar na saída de João Mário que levou Pedro Gonçalves para organizador de jogo. O melhor marcador do Sporting foi trocado por mais um Daniel Bragança. Os dois chegaram a atropelar-se em campo. E depois o Pedro falhava aquela bola que Jovane falhou? Se calhar não.

 

Concluindo, parece-me - e o meu sofá concorda - que nesta fase final do campeonato se deveria insistir na fórmula que nos ajudou a conquistar a liderança, o 3-4-3, com três avançados claramente assumidos, se calhar Nuno Santos - Paulinho - Pedro Gonçalves, e apostar num futebol menos rendilhado e mais directo aproveitando a capacidade de centro dos dois alas. Mas Rúben é que sabe, ou não tivesse sido ele quem inventou a dita fórmula.

Mas chega de resmunguices. Este período em que os remates saem prensados e os cabeceamentos para longe da baliza vai ter de terminar: Faro será o melhor local do mundo para voltarmos às vitórias. 

 

Força rapazes, nós acreditamos em vocês !!!

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Pódio: Pedro Gonçalves, Daniel, Adán

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Famalicão pelos três diários desportivos:

 

Pedro Gonçalves: 17

Daniel Bragança: 15

Adán: 15

Nuno Mendes: 15

Coates: 14

Paulinho: 14

Neto: 13

Tiago Tomás: 13

Matheus Reis: 12

João Mário: 12

Porro: 12

Eduardo Quaresma: 11

Jovane: 10

Feddal: 10

Palhinha: 10

Nuno Santos: 8

 

Os três jornais elegeram Pedro Gonçalves como melhor jogador em campo.

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

 

Do empate em casa contra o Famalicão. Segundo consecutivo, o que já não acontecia desde Janeiro: acabamos por perder quatro pontos nestas duas jornadas. Ontem o resultado (1-1) foi construído muito antes do intervalo, com um golo de Pedro Gonçalves aos 25' seguido de um lapso defensivo da nossa equipa que se deixou empatar dois minutos depois. No primeiro lance ofensivo da turma minhota, que só voltaria a rematar uma outra vez até ao fim da partida.

 

Da atitude dos nossos jogadores. Entre o golo marcado e os vinte minutos finais, em que acentuaram enfim a pressão sobre a baliza adversária, voltaram a abusar da "posse de bola" inconsequente, feita de saída a passo, sucessivas trocas entre os centrais, passes curtos no miolo do terreno, lateralizados e à retaguarda, sem variações de flanco, sem explorar as alas, sem arriscar no remate de meia-distância. Dando quase a sensação de que o empate já servia.

 

De Feddal. Talvez por falta de condição física, esteve irreconhecível. Logo aos 2', fez um atraso de bola inconcebível, gerando situação de perigo. Falha a cobertura no lance do golo do Famalicão. Foi substituído ao intervalo, dando lugar a Matheus Reis, que esteve num plano superior.

 

Da nossa ala esquerda. Toda confiada a Nuno Mendes, que vinha de lesão e foi incapaz de assegurar em simultâneo o vaivém que aquele dispositivo táctico lhe impunha. Com prejuízo evidente para as acções ofensivas. A prestação da equipa neste sector melhorou claramente com a entrada - demasiado tardia - de Nuno Santos, que aos 76' rendeu Tiago Tomás e se fixou como extremo no flanco esquerdo.

 

Da ausência de Gonçalo Inácio. Sofreu uma entorse num treino e ficou fora da convocatória. Fez falta. Neto, que jogou na sua posição, é incapaz de assegurar a saída com passe longo e preciso, como o jovem esquerdino faz. A equipa ressentiu-se desta ausência.

 

Dos golos desperdiçados. Só podemos queixar-nos de nós próprios: perdas escandalosas à boca da baliza, quase sempre por lapsos de ordem técnica que nem nos juvenis são toleráveis. Aos 56', Tiago Tomás falha a 10 metros da baliza, disparando para as nuvens. Aos 80', Porro prefere rematar de ângulo difícil, também a uns 10 metros da linha de meta, quando tinha um colega isolado em posição frontal, acabando por atirá-la para a bancada. Aos 90'+1, a perda mais escandalosa: Jovane, sem marcação a 5 metros da linha de golo, põe o pé de forma deficiente, conseguindo o mais difícil - atirar torto, muito ao lado. Assim, sem golos, não há vitórias. E sem vitórias a nossa distância torna-se menos dilatada. Já estivemos a dez pontos do segundo, agora vamos com mais seis.

 

Dos dois golos sofridos nestas duas jornadas. Mesmo assim continuamos, de longe, a ser a equipa menos batida do campeonato. Só vimos as nossas redes violadas 13 vezes em 26 jornadas.

 

De continuarmos sem derrotar o Famalicão. Desde que os minhotos regressaram à Liga 1, após longa ausência, fomos incapazes de os vencer.

 

 

Gostei

 

De Pedro Gonçalves. Surgiu com novo visual, que o torna inconfundível em campo, e talvez isso tenha contribuído para o devolver às boas exibições. Pareceu ocupar o campo todo, influente não só nas manobras ofensivas mas também no processo defensivo, fazendo jus ao facto de ser o nosso jogador menos posicional em campo. Voltou aos golos, marcando o seu 16.º neste campeonato, desta vez com assistência de Paulinho - o que o mantém na corrida pelo título de artilheiro da Liga 2020/2021. Um golo que começou a ser construído por ele, com uma excelente recuperação de bola.

 

De Coates. Nem sempre o passe longo lhe saiu com precisão, e não está isento de culpa no golo do Famalicão, à semelhança dos seus parceiros no eixo da defesa. Mas fez duas quase-assistências, servindo de forma exemplar Tiago Tomás aos 56' e Jovane aos 90'+1 em lances que os colegas desperdiçaram. E aos 88' protagonizou a habitual incursão pelo meio-campo ofensivo em forma de slalom, tirando vários adversários do caminho e mostrando aos companheiros qual é a atitude correcta a ter em campo.

 

De Daniel Bragança. Ajudou a dar equilíbrio e acutilância ao meio-campo leonino na segunda parte, quando o treinador o mandou render Palhinha, já amarelado. É um dos nossos jogadores tecnicamente mais evoluídos. E podia mesmo ter marcado, aos 90'+1. Mas o problema principal do Sporting não estava no corredor central, onde ele actua: estava nas alas.

 

Do regresso de Eduardo Quaresma. Voltou após longa ausência, entrando aos 76' para render Neto, que saiu com queixas físicas. Não tremeu nem comprometeu. 

 

De termos feito melhor do que na época passada. No campeonato 2019/2020 fomos derrotados em casa pelo Famalicão, num jogo que acabou 1-2. Já é um progresso.

 

De ver o Sporting ainda imbatível. Igualamos a nossa melhor série sem derrotas alguma vez alcançada num campeonato. O melhor registo, nunca repetido até agora, foi alcançado pelo Sporting campeão em 2001/2002, sob o comando de Laszlo Bölöni. É o que voltarmos a ter agora: 26 jogos consecutivos sem perder.

 

Dos 66 pontos já somados. Levamos seis de avanço face ao FC Porto de Sérgio Conceição, nove ao Benfica de Jorge Jesus e 12 ao Braga de Carlos Carvalhal. 

O dia seguinte

Com quatro levezinhos de Palhinha para a frente, a táctica do Sporting só podia ser o "tikitaka", e foi isso que houve na primeira parte do jogo de ontem: grande mobilidade do quarteto no meio-campo adversário, altenando a circulação com o ataque interior à base de tabelinhas, com Porro e Nuno Mendes a dar a necessária largura e Palhinha imperial na recuperação.

O Guimarães, também uma equipa levezinha que joga e deixa jogar, foi vendo os minutos passar sempre à beira de sofrer golo, até que quase do nada teve duas bolas na trave. O Sporting continuou como se nada fosse e finalmente conseguiu marcar num lance de bola parada de "laboratório".

Chegámos ao intervalo em vantagem no marcador, com 70% de posse, uma bola na trave, um golo bem anulado a culminar uma grande jogada colectiva e mais duas ou três oportunidades. Grande primeira parte de Pedro Gonçalves e Tiago Tomás.

Na segunda parte o Sporting controlou o jogo, baixou de velocidade, tentou não cometer erros e não incorrer em riscos desnecessários, esteve sempre mais perto de marcar do que de sofrer até porque não consentiu qualquer oportundidade ao Guimarães, deixou os minutos passar, refrescando a equipa no final e anda dando uns minutos ao rapazinho de 16 anos que tinha acabado de assinar contrato de profissional. 

Claro que muitos sócios e adeptos torceram mais uma vez o nariz: é como começar com champagne da viúva e depois passar para um espumante Aliança, mas... podia ser diferente? Se calhar podia, mas se é esta a formula que comprovadamente dá resultados, com estes jogadores que não são os do Bayern ou os do Barcelona, para quê alterar?

E lá vieram mais três pontos. Ainda faltam uns quantos... vamos com calma.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Pódio: P. Gonçalves, Antunes, Matheus

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Marítimo-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Pedro Gonçalves: 20

Antunes: 18

Matheus Nunes: 18

Porro: 18

Coates: 17

Gonçalo Inácio: 17

Paulinho: 16

Nuno Santos: 15

Adán: 15

Feddal: 15

Palhinha: 15

Tabata: 12

Tiago Tomás: 12

Daniel Bragança: 11

João Pereira: 10

 

Os três jornais elegeram Pedro Gonçalves como melhor jogador em campo.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Da vingança consumada contra o Marítimo. Fechamos com chave de ouro a primeira volta, derrotando sem discussão a equipa madeirense, que a 11 de Janeiro nos eliminara da Taça de Portugal, em partida também disputada no estádio dos Barreiros. A desforra foi requintada: dominámos esta partida do primeiro ao último minuto e saímos vencedores por 2-0 - invertendo os números da derrota anterior, única até agora sofrida frente a uma equipa portuguesa na temporada em curso. As estatísticas desta partida dizem tudo. Marítimo: cinco remates, nenhum enquadrado. Sporting: 19 remates, quatro enquadrados. Aproveitámos metade das oportunidades de golo.

 

De Pedro Gonçalves. Outra excelente partida do nosso médio criativo, que volta a bisar. Marcou o primeiro logo aos 9', conduzindo a bola dominada quase desde a linha divisória e fazendo um túnel ao guarda-redes antes de a meter lá dentro. As 56', sentenciou a partida com um remate rasteiro, culminando uma rápida jogada de futebol colectivo, com a bola trocada sempre ao primeiro toque. Melhor em campo e agora reforçado como líder dos marcadores do campeonato, mesmo sem ser ponta-de-lança: já leva 14 golos no seu pecúlio. E transmite todos os sinais de que não pretende parar aqui.

 

De Matheus Nunes. Outra excelente exibição do jovem luso-brasileiro, desta vez numa sólida parceria com Palhinha a meio do campo. Segura sempre bem a bola, transporta-a com qualidade, nunca dá um lance por perdido. Exibe um domínio técnico e uma segurança muito acima da média, sendo um dos responsáveis pela grande dinâmica da equipa. É um caso sério de progressão espectacular neste campeonato, às ordens de Rúben Amorim.

 

De Antunes. Titular devido a lesão de Nuno Mendes, o n.º 55 cumpriu plenamente a missão que lhe estava incumbida como ala esquerdo, dominando por completo o seu corredor. Exibição coroada na assistência para o segundo golo, cruzando com intenção da esquerda para o corredor central. Bom também em vários outros centros (13', 39' e 83', por exemplo) e nos pontapés de canto. Ainda tentou o golo, num remate aos 4' que passou a curta distância do poste direito da baliza adversária. Saiu aos 87', cansado mas consciente do bom contributo que deu à equipa.

 

De Gonçalo Inácio. Foi uma das quatro novidades no onze titular para este jogo, rendendo o castigado Luís Neto (as outras apostas de Amorim em comparação com o jogo anterior foram Paulinho, Antunes e Palhinha, este compensando a ausência de João Mário). Cumpriu com brilhantismo a missão que lhe foi atribuída como central mais encostado à direita. Ponto alto: assistência para o primeiro golo, com um passe vertical, de 30 metros, a que Pedro Gonçalves deu a melhor sequência. Isto apesar de ser esquerdino, o que valoriza ainda mais a sua actuação.

 

Da estreia de Paulinho. Rúben Amorim apostou nele, sem reservas de qualquer espécie, como titular no nosso vértice mais ofensivo. O ex-bracarense não marcou mas teve bons apontamentos, mostrando-se já entrosado com os colegas apesar de esta ser a sua primeira partida de Leão ao peito. Eficaz a arrastar os defesas, competente na recepção e no passe, ensaiando até dois toques artísticos, de calcanhar, esteve 66 minutos em campo, dando então lugar a Tiago Tomás. A primeira impressão foi positiva.

 

Do regresso de João Pereira. É a sua terceira passagem por Alvalade. Com quase 37 anos, o veterano internacional cumpriu hoje o 150.º jogo oficial com a camisola do Sporting, que sempre envergou com dedicação e devoção. Entrou só ao minuto 87, substituindo Antunes, mas percebia-se que o fazia com o entusiasmo de sempre. E até acabou brindado com um cartão amarelo por Hugo Miguel num dos raros momentos de desacerto deste árbitro, que no geral merece nota muito positiva. 

 

De continuarmos na frente. Estamos há onze jornadas consecutivas no primeiro posto. E continuamos a marcar em todos os jogos desta Liga 2020/2021, que comandamos com brilho e competência, contrariando todos os profetas da desgraça. Sublinhemos, sem falsas modéstias: hoje somos a equipa a jogar melhor futebol em Portugal.

 

Da nossa pontuação. Chegamos ao fim da primeira volta com 45 pontos amealhados. Mais seis do que o FC Porto, mais nove do que o Braga, mais onze do que o Benfica e o Paços de Ferreira. Com mais 37, portanto, do que estes nossos quatro rivais somados. É a melhor pontuação da história do futebol leonino nesta fase dum campeonato desde a época 1946/1947, em que jogavam os Cinco Violinos: motivo não apenas de legítima satisfação mas de imenso orgulho. Sabendo, ainda por cima, que esta proeza é conseguida com uma equipa muito jovem e formada em larga medida por portugueses. Basta reparar na ficha deste jogo: o Marítimo, em 20 jogadores, só tinha um português; no Sporting, pelo contrário, eram 15. Todos menos Adán, Porro, Coates, Feddal e Tabata.

 

De chegarmos a esta fase sem derrotas. Dezassete jogos cumpridos, vamos exactamente a meio do campeonato. Somando 14 vitórias e apenas três empates - dois dos quais (frente a FCP e Famalicão) com pontos injustamente perdidos, devido à intervenção incompetente dos árbitros. Outro indicador que merece destaque: temos só nove golos sofridos. Motivo, desde logo, para elogiar o trio de centrais (Coates, Feddal e Neto) e, naturalmente, o guarda-redes titular, Antonio Adán. Que tem confirmado no Sporting a boa fama que trouxe como profissional oriundo da formação do Real Madrid.

 

De ver o Sporting ainda invicto. Extraordinário: somamos 17 jogos sem perder no campeonato. Estamos há onze jornadas consecutivas no primeiro posto. E continuamos a marcar em todos os jogos desta Liga 2020/2021, que comandamos com brilho e competência. Mérito do treinador e de toda a equipa de trabalho, que revela uma unidade inquebrantável. E uma alegria que é bem visível em todos os estádios onde vai exibindo o seu talento.

 

 

Não gostei
 

 

Do resultado ao intervalo. Vencíamos apenas por 1-0, número que não reflectia o domínio total do Sporting durante os primeiros 45 minutos. Sabia a pouco, aliás à semelhança do 2-0 final - bastante aquém da superioridade revelada pela nossa equipa frente ao Marítimo durante o jogo todo. 

 

Da ausência de Nuno Mendes. O nosso promissor ala esquerdo, massacrado pelo sarrafeiro Gilberto quatro dias antes no clássico de Alvalade, nem chegou a viajar para o Funchal. Amorim, por precaução, deixou fora da convocatória o jogador, que acusava dores numa coxa. Esperemos que recupere a tempo da partida contra o Gil Vicente, a disputar terça-feira em Barcelos. Mas cumpre reiterar que Antunes deu muito boa conta do recado.

 

De termos visto Tabata desperdiçar um golo. Em campo desde os 77', tendo substituído Nuno Santos, o brasileiro isolou-se tendo apenas pela frente o guarda-redes Amir, que foi incapaz de desfeitear. Um golo cantado, daqueles que não se devem falhar. Seria o terceiro - e teria feito inteira justiça à exibição da nossa equipa num estádio onde voltámos a ser felizes.

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