Daqui a, cerca de, uma hora podemos conhecê-lo melhor, talvez, com uma dica de outro Pedro, o nosso colega/camarada de blog Pedro Boucherie Mendes, aqui:
Desde o dia em que Rúben Amorim entrou no Sporting que o 3-4-3 foi o sistema táctico da equipa, com excepção de alguns dos primeiros jogos com Rui Borges. Antes disso só com John Toshack em 84/85 e não durou muito.
A passagem do 4-3-3 para o 3-4-3 tem implicações óbvias nos perfis dos jogadores, e obriga a ajustamentos na formação e no scouting que demoram tempo a dar resultados.
Desaparecem os defesas laterais e os extremos, surgem os alas e os interiores, os defesas centrais constroem como médios, os interiores defendem como médios também.
E este plantel do Sporting tem exactamente os jogadores com essas características, como Maxi Araújo, Catamo, Pedro Gonçalves e Trincão. Não estou a ver os primeiros como defesas laterais, nem os últimos como extremos colados à linha. Não estou a ver o Quaresma fazer aqueles raides como central numa defesa a 4.
Já o 4-4-2 ensaiado e abandonado por Rui Borges limitou-se a acentuar a nuance que Ruben Amorim tinha introduzido no 3-4-3, adiantando um ala e cobrindo o flanco com um central. Catamo nunca percebeu bem o que tinha que fazer quando recuava a defender, e abriu-se uma cratera do lado direito da defesa. Por outro lado Trincão, mais junto ao ponta de lança, deixou de ter o espaço para embalar que tinha antes.
No meu entender, o 3-4-3 é uma mais-valia importante para o Sporting no futebol português. Nenhum outro clube o pratica de forma continuada. Obriga os adversários a adaptações que conduzem a erros e falhas.
Por outro lado, o 3-4-3, como dizia Ruben Amorim, é apenas o ponto de partida para muita coisa, conforme as dinâmicas dos jogadores. Com ele tivemos formas de diferentes de defender e atacar. Até para o 4-4-2 em determinados momentos dos jogos.
Alguns dizem que o Sporting de Ruben Amorim jogava bem melhor do que o Sporting de Rui Borges, mas o que me parece é que o Sporting de Pedro Gonçalves joga bem melhor do que o Sporting sem ele. Porque joga e faz jogar. Gyökeres à parte, é de longe o melhor jogador da equipa. Rui Borges nunca teve o melhor Pedro Gonçalves.
Concluindo, o que eu espero ver é o 3-4-3 continuar a ser o modelo táctico das equipas A e B, ao mesmo tempo que o 4-3-3 se mantém na formação, incluindo os sub23 (que cada vez menos percebo para que servem).
Pedro Gonçalves agradece ao Céu a exibição de luxo no jogo do título: a lesão passou à história
Foto: Filipe Amorim / Lusa
Este sim, foi o jogo do título. Que desfez as últimas dúvidas. Que varreu todos os vestígios de pessimismo militante. Que levou enfim os mais renitentes a "apoiar" a equipa - quando já não era preciso, pois acabavámos de consolidar o primeiro posto na Liga 2024/2025, que se tingiu de verde e branco.
Triunfo natural em nossa casa, com estádio cheio, sobre a turma de Guimarães, orientada por um técnico que não aqueceu o lugar: ontem foi anunciado que a direcção do clube minhoto dispensou os serviços de Luís Freire. Derrotado pelo Sporting, o Vitória Sport Clube falhou o acesso à quinta posição, superado pelo Santa Clara. Nem à Liga da Conferência irá na próxima temporada.
Antes deste desafio de encerramento do campeonato, alguns temerosos diziam recear o desempenho dos minhotos em Alvalade. Aludiam a supostas "malas" que dariam motivação extra à equipa adversária. Tretas. Nada disso aconteceu, eles nem foram capazes de gerar uma situação de perigo em todo o encontro. Acabaram por ser uma das mais fracas equipas que nos visitaram em 17 jornadas entre Agosto e Maio.
Partimos para a última ronda em igualdade pontual com o Benfica, mas em clara vantagem no desempate. Por termos vencido os encarnados em casa e empatado na Luz. Nenguma dúvida: só dependíamos de nós para tornarmos o sonho realidade. De ninguém mais. Como é próprio de equipas campeãs.
Mas eles foram amiguinhos: até fizeram questão de nos dar uma ajuda, deixando-se empatar no derradeiro desafio. Foram a Braga e não conseguiram melhor do que um empate diante da equipa que na primeira volta os levara ao tapete no estádio da Luz. Nem tendo jogado durante parte deste encontro só contra dez conseguiram a vitória.
Os tais derrotistas do Sporting que imaginam conspirações em todo o lado e já supunham ver o Braga "abrir as pernas" perante o SLB tiveram de meter a viola no saco uma vez mais.
Quanto ao nosso jogo, ocorrido há quatro dias com boa arbitragem de Fábio Veríssimo, o pior foi termos chegado ao intervalo empatados a zero.
Resultado imerecido.
Os pessimistas mais irredutíveis roíam as unhas até ao cotovelos. São aqueles que estão sempre prontos a antever o pior. Coitados, este ano não acertaram uma. Podem penhorar a bola de cristal...
Pedro Gonçalves desfez o nulo. Aos 55, em lance iniciado por Eduardo Quaresma tocando para Debast e este com passe milimétrico para Maxi, que assistiu o transmontano. Sem preparação, este colocou-a no sítio certo, em lugar inacessível ao guardião, mais em jeito do que em força. Explodiu de alegria, tal como todo o estádio. Já tínhamos saudades de um golo destes. já tínhamos saudades de um golo dele. E o Pedro mais que ninguém: desde Setembro que não marcava.
A longa lesão passou à história.
Os de Guimarães, que já pouco faziam, viram-se impotentes perante o ímpeto ofensivo leonino. Que só não se traduziu em golo aos 65' porque Geny rematou em arco, de modo espectacular, mas encaminhou a bola para o ferro, não para a rede. Foi pena: teria sido um dos golos mais vistosos deste campeonato.
Não arrumou a questão, mas o goleador sueco tratou do assunto. Aos 82', em brilhante incursão na área, trocou as voltas aos centrais antes de fuzilar. A alegria colectiva redobrou, a celebração de Gyökeres teve toques épicos. Deduzíamos porquê: foi, provavelmente, o seu último golo em Alvalade. Havia ali um misto de júbilo e de saudades antecipadas.
Houve, acima de tudo, uma felicidade inesquecível. Este jogo confirmou a conquista do bicampeonato. O primeiro bicampeonato das nossas vidas. Ficará gravado para sempre nas doces memórias e nos corações de todos nós.
Breve análise dos jogadores:
Rui Silva (6) - Foi praticamente um espectador da partida. Nenhuma defesa digna desse nome perante um adversário inofensivo.
Eduardo Quaresma (8). Batalhador. Várias recuperações. Anulou Gustavo Silva. Deu espectáculo aos 50' e aos 69' com lances de ruptura. Inicia o primeiro golo.
Diomande (4) - Lesionou-se num joelho em choque aos 23'. Teve de ser substituído dois minutos depois.
Gonçalo Inácio (7) - Quase marcou de cabeça aos 8'. Muito activo. Lançou Gyökeres aos 34' e aos 45'+5 em lances que rondaram o golo.
Geny (6) - Destacou-se em dois momentos: num grande centro para Gyökeres (15') e numa bola ao ferro (65'). Podia ter feito mais.
Morita (7) - Substituiu o ausente Morten. Fez a bola roçar a trave, de cabeça, aos 49'. Neutralizou todos os ataques minhotos. Até à exaustão aos 77'.
Debast (7) - Estabilizador do nosso meio-campo. Muito cerebral, com precisão geométrica. Intervenção vital no primeiro golo, em pré-assistência.
Maxi Araújo (8) - Grande desarme aos 28'. Quase marcou de cabeça, aos 41'. Assistiu Pedro Gonçalves no golo inicial. Intrerveio no segundo.
Trincão (6) - Tentou o golo aos 34' em remate rasteiro. Isolou Gyökeres aos 80'. Menos influente do que noutras partidas.
Pedro Gonçalves (8) - Regressou aos golos, oito meses depois. No momento certo para se sagrar melhor em campo. Marcou primeiro, assistiu depois.
Gyökeres (8) - Despedida em grande de Alvalade a confirmar o nosso triunfo - e o bicampeonato. Merece todos os aplausos da massa adepta.
Sr. Juste (6) - Veloz, atento, concentrado. Substituiu muito bem Diomande aos 25'. Antecipou-se sempre a Nelson Oliveira.
Quenda (5)- Entrou aos 77', rendendo Morita. Foi ele a iniciar o segundo golo.
Harder (-) - Substituiu Pedro Gonçalves aos 88'.
Matheus Reis (-) - Entrou aos 88, substituindo Geny.
Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-V. Guimarães (2-0) por quatro diários desportivos:
Pedro Gonçalves: 27
Gyökeres: 27
Maxi Araújo: 26
Debast: 25
Eduardo Quaresma: 24
St. Juste: 21
Trincão: 21
Gonçalo Inácio: 21
Geny: 20
Rui Silva: 20
Morita: 18
Quenda: 13
Diomande: 12
Fresneda: 1 *
Harder: 1 *
Matheus Reis: 1 *
Três jornais elegeram Pedro Gonçalves como melhor em campo. O ZeroZero escolheu Gyökeres.
* Entraram aos 88' e mal tocaram na bola. Só são aqui mencionados devido ao ridículo critério pontual do jornal Record, que atribui sempre nota 1 (em 5) desde que um jogador entre em campo.
Pedro Gonçalves festeja com os adeptos em Alvalade: golo do título foi dele, oito meses depois
Foto: Lusa
Gostei
Da vitória categórica do Sporting em Alvalade, sagrando-se campeão. Cumpriram-se as expectativas: não iríamos perder este jogo em casa, frente ao sexto classificado da Liga, numa partida em que precisávamos mesmo de derrotar o V. Guimarães para conquistarmos o título. Assim foi: a turma minhota perdeu 0-2, disse adeus à Liga da Conferência e ficou até atrás do Santa Clara. E nem precisaríamos de ter vencido, pois à mesma hora o Benfica encalhou na Pedreira: 1-1 frente ao Braga, confirmando-se que terá de ir à pré-eliminatória da Liga dos Campeões.
Do bicampeonato agora conquistado. A última vez que tínhamos alcançado dois títulos consecutivos de campeão foi nas temporadas 1952/1953 e 1953/1954. Há 71 anos que não repetíamos esta proeza. Já muito poucos, entre os vivos, puderam testemunhar tal feito, agora justamente celebrado por adeptos de todas as idades nas mais diversas parcelas do mundo, não apenas em Portugal. É uma estreia para quase todos nós.
De Pedro Gonçalves. Foi ele o desbloqueador do jogo. Melhor em campo. Marcou o golo inicial do Sporting, aos 55' - um golaço coroando da melhor maneira excelente lance colectivo. Já tínhamos saudades de o ver meter a bola no sítio certo: desde 13 de Setembro que não marcava. E ainda é dele o passe para golo no segundo. Temos enfim de volta, em excelente forma, o nosso n.º 8 - pedra essencial do plantel leonino e (assim o exigimos) também da selecção nacional nos tempos que vão seguir-se.
De Gyökeres. Despediu-se do campeonato - e talvez também do público de Alvalade - fazendo o gosto ao pé, à sua maneira, marcando o segundo e último nesta partida frente à turma vimaranense. Excelente finalização, aos 82', dissipando as últimas dúvidas que restavam: o título seria mesmo nosso. Conclui assim o campeonato com 39 golos em 33 jogos. Desde que chegou ao Sporting, marcou 96 em 101 partidas. E ainda falta disputar a final da Taça. Inesquecível.
De Eduardo Quaresma. Símbolo da raça leonina. Exibição irrepreensível do jovem central, que bem merece ser convocado para a equipa das quinas. Não apenas cumpriu no plano defensivo mas foi também ele a protagonizar vários movimentos de ruptura, queimando linhas com a bola bem dominada. Num destes lances começou a construir o nosso primeiro golo. Merece um prolongado aplauso.
Do meio-campo. Morten ficou de fora, por acumulação de cartões, mas a dupla Morita-Morten deu boa conta do recado, controlando o corredor central com eficácia: impediu o fluxo ofensivo do Vitória, quase inexistente. Destacaram-se ambos nas recuperações, acentuando a estabilidade do onze leonino. Não era fácil, mas cumpriram.
De ver a nossa baliza intacta. Total inoperância ofensiva do V. Guimarães. Rui Silva não teve de fazer qualquer defesa digna desse nome.
Do árbitro. Boa actuação de Fábio Veríssimo. Cumpriu, fazendo aquilo que se esperava dele: geriu a partida sem falhas relevantes nem qualquer interferência no resultado.
Do incessante apoio dos adeptos. Começou logo com as bancadas repletas de público: 49.144 pessoas assistiram ao jogo no estádio. A festa começou ali.
Do treinador. Rui Borges manteve-se invicto como responsável máximo da equipa leonina em competições nacionais. Cinco meses e dezanove jornadas sem perder. Mesmo com vários jogadores lesionados, com ele ao leme nunca a equipa deixou de pontuar. Dos 82 pontos conquistados pelo Sporting, 45 têm a marca dele.
De todo este percurso percorrido. Foi o Sporting que esteve à frente durante quase toda a época: 30 das 34 jornadas no comando. Indiscutível supremacia sobre o Benfica. E já nem falamos do pobre FC Porto, que chega ao fim com menos 11 pontos que nós.
Deste justíssimo título.Equipa mais pontuada, com mais golos marcados, menos golos sofridos, o maior goleador da Liga (e neste momento da Europa) e o rei das assistências. Vitória em toda a linha, indiscutível. Confirmando o Sporting como força dominante do futebol português nesta década de 20: três campeonatos ganhos, contra apenas um para o Benfica e outro para o FC Porto.
Não gostei
Da ausência de Morten. O nosso capitão, que cumpria castigo por ter visto o nono cartão amarelo, merecia ter participado neste desafio do título. Ele é um dos grandes obreiros do bicampeonato verde-e-branco.
Da lesão de Diomande. O central marfinense, magoado num joelho, teve de abandonar o campo aos 25': resta saber se recupera a tempo de disputar a Taça. Mas St. Juste jogou bem no lugar dele.
Do 0-0 registado ao intervalo. Sabia a pouco.
Do V. Guimarães. Alguns, mais temerosos e sempre a prever o pior, receavam que os minhotos pudessem dar-nos luta. Não deram nenhuma. Totalmente apagados no momento ofensivo, nunca chegaram à frente com perigo. Ficam fora das competições europeias na próxima época: nem isso conseguiram. Perderam muito com a saída de Rui Borges.
Craque sueco soma e segue: 47 golos e 11 assistências em 46 jogos de leão ao peito nesta época
Foto: Lusa
Vingança consumada. Esperámos quatro meses, mas valeu a pena. Após termos sido injustamente derrotados em Dezembro pela equipa de Moreira de Cónegos, mostrámos o nosso verdadeiro valor na desforra ocorrida Sexta-Feira Santa, há quatro dias, em Alvalade.
Foi talvez a melhor primeira parte do Sporting sob o comando de Rui Borges, que sucedeu ao infortunado interregno de João Pereira: era este o treinador quando perdemos em Moreira. Desde então, a equipa parece ter mudado da noite para o dia.
Numa partida bem arbitrada por Fábio Veríssimo, os 45 minutos iniciais foram todos nossos. Pressão sufocante sobre o portador da bola, blindagem às saídas do Moreirense, domínio absoluto nos corredores, supremacia indiscutível nos duelos. Tabelinhas constantes entre os três da frente: Geny, Trincão e Gyökeres.
Ao intervalo vencíamos por 2-0. Sabia a pouco: tivemos pelo menos quatro outras hipóteses de golo. Infelizmente o internacional moçambicano e o virtuoso minhoto estiveram perdulários: na hora da decisão, permitiam a defesa ou atiravam para a bancada.
Valeu-nos, como quase sempre, o craque sueco. Enquanto os colegas exibiam pontaria desafinada, ele acertava no alvo. Foi assim aos 12', começando bem cedo por tranquilizar os adeptos. Num belo lance de futebol colectivo iniciado por Eduardo Quaresma, prosseguido junto à lateral direita por Quenda, que a passou a Morten e este, como se fosse avançado, colocou-a na zona de rigor ao alcance de Geny que, estando em noite não, ficou sem ela. Felizmente Viktor estava mesmo ao lado e não perdoou.
Repetiu a dose aos 25'. Em lance de fulminante contra-ataque dos leões. Trincão fez tudo bem na condução da bola, só claudicando no remate que embateu na perna de um adversário. Mas Viktor, ali bem perto, tratou do assunto: remate bem colocado, desferido a meia altura ao ângulo mais distante do guardião - e lá foi ela, aninhar-se nas redes.
No segundo tempo tirámos o pedal do acelerador. Mas, mesmo com linhas mais recuadas, mantivemos o domínio da partida. Coroado com o terceiro - nosso e do avançado sueco, autêntica galinha dos ovos de ouro deste Sporting 2024/2025 que sonha ser bicampeão nacional de futebol.
Foi aos 52'. Gyökeres, carregado em falta quase à entrada da área, na meia esquerda, encarregou-se da marcação do livre. E tão bem o fez que o guarda-redes mal a viu passar. Viktor está a tornar-se especialista na conversão de livres directos. Ainda bem: não tínhamos nenhum desde a partida de Bruno Fernandes, que tantas saudades deixou.
Chegávamos ao 3-0. Até os adeptos mais pessimistas suspiravam de alívio.
Mas quatro minutos depois, num lance fortuito, a equipa visitante chegou ao golo solitário. De modo mais simples do mundo: extremo cruza do lado esquerdo, avançado infiltra-se na área e dispara, solto de marcação. Maxi Araújo chegou tarde ao lance. Rui Silva pareceu hesitar entre sair dos postes ou ficar. Dois segundos depois estava lá dentro.
E o pior foi ver quase tudo repetido aos 60', com a pequena diferença de ter sido a partir do corredor direito do Moreirense. O ala cruza, sem intercepção de Gonçalo Inácio, e o avançado cabeceia, vencendo Eduardo Quaresma no jogo aéreo. Felizmente não conseguiu melhor do que fazer a bola roçar o poste.
Não havia necessidade.
Voltámos a pisar no acelerador. Já com Pedro Gonçalves de regresso a Alvalade, cinco meses depois, entre aplausos vibrantes das bancadas. Fez logo a diferença, numa tabelinha com Trincão aos 82' que merecia ter dado em golo.
Fresneda, recém-entrado, ainda tentou um chapéu aos 90'+2: não entrou por pouco, teria sido um dos golos do ano.
Quando soou o apito final, estávamos por cima. Mais perto do 4-1 do que do 3-2.
Quase 45 mil adeptos ovacionaram a equipa. Crentes, mais que nunca, que o título será nosso. A esperança é verde - e, como sabemos, é a última a morrer.
Breve análise dos jogadores:
Rui Silva (5) - Poderia ter feito melhor no golo sofrido? Fica a incógnita. No resto, mostrou-se sempre seguro.
Eduardo Quaresma (5). Interventivo, voluntarioso. Inicia primeiro golo. Só demonstra ainda lacunas no jogo aéreo: aconteceu no golo deles.
Diomande (6) - Viu cartão amarelo logo aos 3'. Mas não ficou afectado: exibição em bom nível no comando da defesa.
Gonçalo Inácio (5) - Poderia ter fechado o ângulo no lance do golo sofrido. Mas cumpriu no essencial.
Quenda (6)- Marcou muito bem livre aos 5'. Interveio no primeiro golo, dando largura. Compromisso defensivo.
Debast (7) - Agarrou a posição de médio-centro. Segundo golo começa com recuperação dele. Bom no passe e nas recuperações.
Morten (8) - Intervenção decisiva no primeiro golo. Garantiu controlo do corredor central. Ganhou nas divididas.
Maxi Araújo (5) - Oscilante. Bons apontamentos técnicos, dignos de aplauso. Falhou marcação no golo sofrido.
Geny (4) - Prometeu muito, cumpriu quase nada. Falhou golos aos 15', 23', 44', 77' e 79'. Péssimas decisões.
Trincão (5) - Muito bom a conduzir, fraco a decidir. Golos falhados aos 9', 18' e 25' - no último, Viktor emendou.
Gyökeres (9) - Melhor em campo, melhor da Liga. Leva 47 golos marcados em 46 jogos - três agora. E ainda 11 assistências.
Pedro Gonçalves (5) - Substituiu Quenda aos 69'. Brilhou em tabelinha com Trincão aos 82'. Fazia-nos falta.
St. Juste (6) - Substituiu Quaresma aos 69'. Destacou-se num corte aos 79'. Trouxe tranquilidade e segurança.
Fresneda (5) - Substituiu Debast aos 84'. Tentou marcar de chapéu aos 90'+2. Um "quase golo" de belo efeito.
Esgaio (5) - Rendeu Trincão aos 84'. Jogou a médio-centro. Grande passe longo (87'). Boa recuperação (90'+1).
Matheus Reis (5) - Entrou aos 87', rendendo Maxi Araújo. Contribuiu para refrescar e estabilizar ainda mais a equipa.
Como estamos na época pascal e temos certamente crentes a visitar o blogue, do título deste postal faz parte a palavra FÉ, que em concomitância é também a palavra que define este blogue. Não custa nada apelar a uma crença, que quando a gente se vê em apertos, somos todos crentes e essa é uma verdade universal e insofismável.
Eu prefiro confiança, é menos abstracto e reflecte aquilo que sinto para estas derradeiras quatro jornadas.
Invoco a calma, porque nada ainda está conseguido, apesar de a candeia que vai à frente alumiar duas vezes, ainda que logo atrás venha um lampião que até mora na Luz.
E ontem foi dado mais um passinho em direcção ao Marquês. Sem espinhas, sem motivo para dúvidas, com uma limpeza digna do mais competente cantoneiro, ou duma daquelas imigrantes que se levanta de madrugada num bairro degradado para limpar com esmero um qualquer edifício de escritórios, sem ter a certeza se quando voltar não terá a barraca onde (sobre)vive deitada abaixo.
Esboroou-se a narrativa do penalti, do lance duvidoso, da má prestação do árbitro. Quero dizer que Fábio Veríssimo me deixa sempre de pé atrás, mas hoje, talvez por intervenção da divina providência, a sua actuação não teve qualquer interferência no resultado, tendo até deixado jogar e tendo uma elogiosa atitude de desprendimento, ao prescindir de ser o elemento mais focado em campo. Muito bem, pena que fora dos dias santos não seja bem assim.
Ontem tivemos uma actuação plena de competência, firmeza, objectividade e foco e quarenta e cinco mil a apoiar, sem foguetório o que é de saudar e como mereceria Mestre Aurélio, que tanto apoiou as claques e tanto lhes pediu que tivessem tino.
Faltam quatro vitórias para o êxtase. Três se uma delas for no estádio da Luz. Há que acreditar. E à cautela, ter fé, que como disse lá atrás, em hora de aperto, vale tudo.
Quero deixar uma palavra a/sobre Pedro Gonçalves: Aquilo sob a sua batuta é outro andamento.
Geny, autor do nosso solitário golo em São Miguel, voltou a ser herói do relvado
Foto: Eduardo Costa / Lusa
Não é fácil enfrentar o Santa Clara. Por um motivo evidente: é a equipa mais sarrafeira do campeonato português. Até foi alvo de estudo: faz, em média, 16 faltas por jogo. Deve ser efeito do "anticiclone dos Açores".
Infelizmente é também uma equipa que tem contado demasiadas vezes com a condescendência e até benevolência dos árbitros. Na primeira volta, por exemplo, a turma micaelense viu dois penáltis perdoados pela equipa de arbitragem chefiada por Cláudio Pereira - em ambos os casos por responsabilidade principal do vídeo-árbitro Helder Carvalho, pessoa sem qualificação para o exercício desta função tão relevante.
Desta vez Cláudio Pereira terá deixado um penálti por marcar, mas em sentido inverso. Por aparente falta de Eduardo Quaresma, imprudente também ele: arriscou muito. Mecanismo involuntário das compensações por parte do juiz da partida, que chegou a ser remetido para a jarra em Dezembro, durante uma jornada, após a calamitosa prestação em Alvalade? Admito que sim.
Mesmo assim, continuamos em défice na comparação com o Santa Clara. E ainda houve um inacreditável cartão vermelho exibido a Harder já depois do apito final só porque o jovem dinamarquês, no natural festejo pela difícil vitória nos Açores, se atreveu a gritar «ié!» Ainda bem que este árbitro nem sequer era nascido quando existiam os Beatles: teria varrido os quatro de Liverpool com cartolina encarnada. Ié, ié, ié!
O jogo dividiu-se claramente em duas partes. Fraquinha a primeira, muito bem conseguida, bastante disputada e com incerteza até ao fim a segunda. De comum, apenas a agressividade do "Benfica açoriano", que parece ter colhido inspiração em "deuses (de barro) da bola" como Jaime Pacheco e Petit em obediência ao grito de guerra «canela até ao pescoço!» A bola pode passar, mas o homem fica estendido.
Andámos nisto naquele primeiro tempo.
O Sporting tinha potencial ajuda por jogar a favor do vento, que soprava forte. Mas não soubemos aproveitar a suposta vantagem, tantos foram os passes em profundidade despejados para lá da linha de fundo. Em teoria, deviam servir Gyökeres. Mas o sueco limitou-se a vê-las passar: levavam demasiada força, sofriam desvios de trajectória em função dos caprichos das rajadas e havia um "guarda-costas" chamado Luís Rocha sempre pronto a limitar o raio de acção do melhor avançado do futebol português.
O goleador máximo desta vez ficou em branco. Também tem direito. Mas ainda enviou um petardo à trave (66').
O nosso flanco esquerdo, confiado a um Maxi Araújo muito trapalhão, não funcionava. O direito, entregue a Fresneda, pecou por falta de largura. Felizmente o corredor central nunca claudicou: Debast e Morten formaram um duo quase perfeito, destacando-se o jovem internacional belga pela precisão do passe e pelo sucesso nos duelos individuais.
Sabia a muito pouco o empate a zero registado ao intervalo. E de nada nos servia para manter acesa a chama do título.
Aí interveio o treinador. Rui Borges desviou Geny de interior esquerdo para direito, onde passou a funcionar como segundo avançado. Fresneda descolou-se da linha para fazer movimentos interiores, alternando com Trincão. Posições trocadas para dificultar as marcações e cansar ainda mais os adversários.
Funcionou na perfeição precisamente na ala que foi mexida: recuperação do espanhol, entrega ao minhoto e desmarcação perfeita do internacional moçambicano que rematou muito bem colocado, num remate cruzado, indefensável. Aconteceu ao minuto 50: Geny voltava a ser herói no relvado.
Vencíamos. Para alegria dos milhares de adeptos leoninos, em maioria absoluta nas bancadas.
A vantagem foi ampliada na sequência de um livre apontado por Debast - melhor em campo. Diomande dominou no jogo aéreo e meteu-a lá dentro, de cabeça, aos 68'. Balde de água gelada: o golo acabou invalidado. Deslocação milimétrica: 13 centímetros.
Mas a robustez anímica da equipa manteve-se - como já se tinha percebido, desde o primeiro toque na bola: o anterior empate em casa, com o Braga, não deixou sequelas no plano psicológico. O regresso de Pedro Gonçalves, após cinco meses de paragem por lesão, foi tónico suplementar. Só entrou aos 87' mas foi ovacionado como se a partida estivesse a começar naquele momento.
Aconteceu há quatro dias. Mas parecem ter decorrido só quatro horas: a vibração deste regresso perdura desde sábado.
Trouxemos os três pontos. Recuperámos a liderança, beneficiando do empate caseiro do Benfica, na noite seguinte, frente ao Arouca. O sonho do bicampeonato, que nos foge há sete décadas, está cada vez mais próximo de tornar-se realidade.
Os números contam. Não perdemos na Liga há 16 jogos. Registámos cinco triunfos nas últimas seis jornadas. Este, nos Açores, foi o quarto consecutivo fora de casa.
Dos três pontos que trouxemos dos Açores.Pontos preciosos, que nos devolveram à liderança do campeonato após brevíssimo interregno benfiquista. Triunfo sem discussão da melhor equipa em campo, a única que tudo fez para alcançar a vitória.
De Debast. Para mim, o melhor em campo. Central adaptado a médio, vindo de um jogo pouco conseguido contra o Braga, agigantou-se em Ponta Delgada chegando a superar Morten, que fez parceria com ele no eixo do terreno. Pôs a turma açoriana em sentido aos 38' com um tiro disparado na conversão de livre directo. Recuperou várias bolas, ganhou quase todos os duelos, mostrou-se insuperável no passe à distância, esteve irrepreensível nas marcações de livres e cantos. Num destes lances, aos 68', o pontapé de livre funcionou como assistência para golo de Diomande - que viria a ser anulado por 130 milímetros. Num livre lateral, aos 85', esteve quase a marcar - só uma grande intervenção do guarda-redes Gabriel Batista evitou o golo.
De Geny. Uma vez mais, valeu-nos pontos. Tal como já tinha sucedido contra o Benfica por duas vezes. Marcou (de pé direito!) aos 50', num remate cruzado indefensável. Comprovou a sua utilidade como segundo avançado no aproveitamento de espaços interiores, na meia direita. É ali que o internacional moçambicano deve jogar.
De Trincão. Exibição de luxo na segunda parte. Foi dele a assistência para o golo aproveitando bem o espaço de que dispôs junto à linha direita. Fez mais dois passes que podiam ter aumentado a vantagem: aos 58', de trivela, solicitou Fresneda no flanco oposto, isolando o espanhol que centrou para Gyökeres; aos 60', serviu Geny num lance infelizmente desperdiçado. Ainda no primeiro tempo, aos 43', tentara ele próprio o golo, num disparo que roçou o ferro. É deste Trincão que precisamos para a conquista do bicampeonato.
De Fresneda. Apagado no primeiro tempo, tal como toda a nossa equipa, mal adaptada ao vento forte que soprava a nosso favor, impedindo o domínio de bolas a meia altura. Soltou-se após o intervalo com uma notável recuperação aos 50' e pré-assistência para o golo. Ofereceu outro, em cruzamento milimétrico, que Gyökeres desperdiçou em disparo à trave (66'). Boa combinação com Trincão nas movimentações do lado direito. Cumpriu com distinção.
Do regresso de Pedro Gonçalves. Aconteceu só aos 87', quando o jogo já estava quase decidido. Mas valeu pela injecção de moral que trouxe à equipa e à massa adepta do Sporting. Após cinco meses e 29 jogos de paragem, temos o nosso "Pote" de volta.
Da celebração de Harder. O jovem dinamarquês, que saiu do banco aos 77', mostrou-se combativo, actuando com a energia que todos lhe conhecemos. No final, mesmo admoestado com um injusto cartão vermelho, foi ele o mais exuberante nos festejos da vitória ainda no relvado. As infelizes declarações de Rui Borges estão já esquecidas.
Do apoio dos adeptos. Quase dez mil espectadores no estádio de São Miguel. Na maioria, apoiantes do Sporting. Fizeram-se escutar do princípio ao fim, funcionando mesmo como "12.º jogador" da nossa equipa. Felizmente, desta vez, sem material pirotécnico - que nunca devia entrar nos recintos desportivos.
Da merecida homenagem a Aurélio Pereira. O onze leonino entrou no estádio envergando camisolas com o retrato e o nome do falecido mestre, descobridor de alguns dos maiores talentos de sempre no Sporting. Foi um momento comovente. E de inteira justiça à memória desse grande Leão que há dias nos deixou.
Do regresso à liderança. Este triunfo nos Açores foi vital para pressionar a equipa do Benfica, pressionando-a. Sem confiança, sem energia anímica, os jogadores encarnados deixaram-se empatar em casa pelo brioso Arouca. Perderam a vantagem de que dispunham, sendo de novo remetidos para o segundo lugar da classificação. Faltam cinco finais.
Não gostei
Da circulação lenta na meia hora inicial. Tínhamos o vento a favor, mas não aproveitámos essa suposta vantagem nem a soubemos explorar como devíamos. Neste período, jogadores como Gonçalo Inácio abusaram dos passes que se perdiam na linha de fundo. Mas fomos muito a tempo de rectificar. E melhorámos muito no segundo tempo, quando passámos a ter o vento contra nós.
De ver Gyökeres em branco. O melhor que o craque sueco conseguiu desta vez foi mandar um petardo à barra. Muito policiado por Sydney e Luís Rocha, centrais do Santa Clara, que o seguiam como sombras e não hesitavam em recorrer a faltas, acabando punidos com amarelos - o primeiro logo aos 25', o segundo aos 83'. Mas Viktor teve participação indirecta no nosso golo, arrastando marcações que abriram espaço a Geny. É útil mesmo quando não marca.
Do 0-0 ao intervalo. Sabia a pouco quando já tínhamos feito três disparos à baliza adversária - por Debast (38'), Trincão (43') e Geny (45'+2). Enquanto o Santa Clara só produziu uma situação de perigo, aos 42', após livre que Rui Silva anulou sem problema.
Do golo anulado. Belo cabeceamento de Diomande aos 68'. Após intervenção do VAR acabou invalidado por deslocação de 13 cm. Mais dez do que o golo anulado a Gyökeres, contra o Braga, na jornada anterior.
Retomamos a liderança, à condição. Agora com 69 pontos. Acabamos de derrotar o Santa Clara nos Açores. Golo decisivo de Geny (50'). Um segundo (belo cabeceamento de Diomande) anulado por 13 cm. Gyökeres, isolado, falhou outro rematando à trave - algo raro nele.
E o melhor de tudo: Pedro Gonçalves voltou a calçar, cinco meses e 29 jogos depois.
Segunda-feira, nove menos um quarto da noite. Eis a hora "festiva", em véspera de dia laboral, a que terá início o Sporting-Braga.
É jogo crucial - aliás como serão todos até final do campeonato.
Restam sete, este é o primeiro dos últimos.
O desafio da primeira volta, a 10 de Novembro, foi para nós alegre e triste ao mesmo tempo.
Alegre porque fomos a Braga vencer por 4-2, na nossa maior reviravolta no marcador desde 2019. Ao intervalo perdíamos 0-2. Depois Morita (58'), Morten (81') e Harder (89' e 90'+4) trataram do assunto.
Triste também por ali se ter lesionado Pedro Gonçalves, logo aos 23'. Já lá vão cinco meses e continua sem jogar. Algo incompreensível.
No campeonato anterior goleámos a equipa minhota em Alvalade: 5-0. Golos de Trincão, Eduardo Quaresma, Gyökeres, Daniel Bragança e Nuno Santos. Desta vez os dois últimos, lesionados de longa duração, não poderão repetir a proeza.
Qual o desfecho do embate de amanhã? Venham daí os vossos prognósticos. Só para sportinguistas, claro. Lampiões e morcões serão chutados daqui para fora.
Excelente notícia: Pedro Gonçalves prepara-se para regressar à nossa equipa após mais de quatro meses de ausência por lesão, ocorrida no último jogo que Ruben Amorim comandou no Sporting. Recordo que o actual treinador ainda não pôde contar com ele. Aliás já tinha acontecido o mesmo no interregno de João Pereira.
Todos saudamos este regresso.
Mas impõe-se a pergunta: quem deverá sair de titular para que ele recupere o lugar no onze? E outra, associada à primeira: em que posição Pedro Gonçalves poderá ser mais útil?
Questões que deixo à consideração dos leitores. Dá um bom debate.
Dois pardais dentro do ninho, um coração, uma seta, os pardais somos nós dois, não te esqueças de mim.
Esqueceu-se, Pedro.
Esqueceu-se de ti, aliás esqueceu-se de nós, sportinguistas. Levou o Gonçalo e eu, na altura, escrevi aqui aquilo que Gonçalo devia ter feito, "onde vai um, vão todos"; "onde não vão Quenda, Gonçalves e Trincão não vai nenhum irmão".
Gonçalo Inácio fez mal, tal como Rui Patrício, por exemplo, sabiam que não iam jogar, que seriam descartados, não aceitavam.
Deixavam a selecção para os Diogos, para os Pepes, para os espalha-brasas, para os Tóinos Silva, para os mini Neves, para os sauditas e para outros "felixardos".
Não o fizeram, aí em cima estão o nome dos fracassados na visita de estudo à Alemanha.
Aqui estão o nome dos contemplados na próxima excursão.
Há um parque infantil, em Lisboa, que é conhecido como o parque do careca (uma croissanteria famosa em Belém/Restelo), foi desse parque que me lembrei quando saiu esta convocatória.
Um careca à porta do parque com um chupa-chupa a aliciar um menor, "podes vir comigo?", "posso? posso levar os meus amigos Gonçalo, Francisco e Pedro?" "podes, podem vir todos, o Gonçalo já foi comigo à Alemanha".
Parece uma conversa degradante, não é?
É tão degradante como estas convocatórias e, infelizmente, o Sporting Clube de Portugal não tomou nenhuma atitude firme e inequívoca sobre elas.
A Federação Portuguesa de Futebol e o senhor Roberto não podem andar à rédea solta, não podem fazer o que querem, sem contraditório, sem terem de justificar os erros que cometem.
Na convocatória para a Alemanha foram convocados seis jogadores do campeonato português, só um do Sporting. Agora com os mesmos seis provenientes do nosso campeonato, quatro são do clube que perdeu a Taça e a Supertaça, qual é o critério?
Quem cala, consente. O Sporting Clube de Portugal não devia calar nem consentir.
Trincão, momentos após marcar o quarto golo, muito cumprimentado pelos companheiros
Foto: Homem de Gouveia / Lusa
Poucos previam que pudesse ser tão fácil. Muito mais do que em Janeiro de 2021, quando nos deslocámos à Choupana e arrancámos lá, a ferros, uma vitória esforçada mas mais do que merecida em inesquecível noite de vendaval. Depois o Nacional baixou de divisão, andou três épocas no escalão secundário. Regressa agora, com o estatuto de campeão da Liga 2 e sete reforços no plantel, o que não parece ter empolgado os seus adeptos: abundavam as clareiras no estádio onde o Sporting fez anteontem a sua primeira deslocação fora de portas neste campeonato.
Havia receios sobre a prestação leonina por parte dos pessimistas do costume. Eram infundados, como se viu. Numa primeira parte que dominámos sem discussão entre os minutos 5 e 35, tendo recuperado a supremacia após quatro minutos vacilantes. E sobretudo ao longo de todo o segundo tempo, em que marcámos quatro golos e podíamos ter concretizado outros tantos. Desfecho: primeira goleada da época, por 6-1. E já o comando da Liga 2024/2025, logo à segunda jornada.
Rúben Amorim, numa adaptação ao seu modelo habitual, deu instruções aos alas para actuarem sobretudo como extremos - Geny à esquerda, Quenda à direita. O que alargava a nossa frente de ataque, à semelhança dum rolo compressor. Com Gyökeres no meio do ataque enquanto Pedro Gonçalves e Trincão preenchiam os espaços, abrindo linhas de passe e desgastando o bloco defensivo adversário.
Neste modelo que anda a ser posto em prática com sucesso, Gonçalo Inácio acorria com frequência a dobrar o companheiro da ala esquerda e Eduardo Quaresma fazia o mesmo no flanco oposto, compensando os adiantamentos. No duelo do meio-campo, com Morten ausente por lesão, Morita e Daniel Bragança deram conta do recado. Com o internacional japonês a desdobrar-se também em movimentos de recuo, reforçando os companheiros da defesa.
Resultou. E de que maneira.
Pedro Gonçalves, numa jogada individual que o confirma como o melhor português da actual equipa leonina, fez uma exibição fulgurante de virtuosismo técnico ao inventar o nosso primeiro golo. Estavam decorridos 16': o transmontano pegou nela, deixou cinco adversários pelo caminho e já em desequilíbrio ainda conseguiu dar-lhe o rumo certo, anichando-a no fundo das redes. Estava aberto o caminho para a vitória.
O Nacional tentou dar luta. E chegou a criar a ilusão de que isso seria possível quando empatou a partida num bom disparo a meia altura, aproveitando uma momentânea falha de cobertura do nosso corredor esquerdo. Mas os profetas da desgraça mal tiveram tempo de gritar «Eu não dizia?!» Pedro Gonçalves, novamente protagonista, criou um desequilíbrio e serviu Trincão: o minhoto estava marcado pelos centrais mas desembaraçou-se deles e fuzilou, em remate cruzado. Repondo a justiça no marcador e fixando o resultado ao intervalo: 2-1.
Depois só deu Sporting. Com Quenda a confirmar o seu talento muito acima da média: temos aqui um menino prodígio. Outro tesouro da Academia de Alcochete. Derrubado em falta quando fazia uma incursão para o centro, já dentro da área, possibilitou o nosso terceiro golo. Penálti concretizado aos 51' por Gyökeres: o craque sueco marcou-o de modo irrepreensível.
Adivinhava-se goleada. E aconteceu mesmo, em vertiginosa sucessão. Trincão finalizou sem problema, aos 57', após oferta de Geny. Daniel Bragança - com braçadeira de capitão - deu espectáculo ao receber de Pedro Gonçalves na meia-direita e serpentear entre a defesa contrária antes de fuzilar com nota artística aos 66'. E Gyökeres bisou também, aos 76', num disparo fortíssimo, isolado com passe vertical de Debast a merecer aplauso. O jovem defesa belga começa a dar nas vistas pelos melhores motivos.
Pela segunda época consecutiva, o Sporting emerge como vencedor nas duas jornadas inaugurais da Liga: é um bom auspício para o que vai seguir-se. Temos 12 golos marcados em três jogos oficiais - melhor marca ofensiva desde a temporada 1990/1991, mesmo sem termos contratado ainda o tal avançado grego que tanto se aguarda.
Rúben Amorim soma e segue: 216 jogos oficiais, 150 triunfos no seu currículo em Alvalade. O melhor do século, um dos melhores da história do nosso clube.
O Nacional, que vinha de 14 jogos sem perder, sofreu a maior derrota de sempre em casa. Talvez muitos dos seus adeptos adivinhassem, daí nem sequer terem optado por comparecer no estádio. Temos pena.
Breve análise dos jogadores:
Vladan - Boas defesas aos 31' e aos 47'. Talvez pudesse ter feito melhor no golo solitário que sofremos.
Eduardo Quaresma - Atento e seguro: o melhor do trio de centrais. Espectacular corte de carrinho aos 30'.
Diomande - Algumas falhas de cobertura: não é Coates quem quer. Faltou-lhe velocidade no lance do golo.
Gonçalo Inácio - Central projectado na ala, influente na construção. Desposicionado no golo da turma madeirense.
Quenda- Excelente técnica, maturidade táctica. Cava o penálti que sentenciou o jogo. Quase marcou aos 24': bola roçou no poste.
Morita - Médio mais recuado, apoiou os centrais. Perdeu a bola aos 49': podia ter dado empate ao Nacional.
Daniel Bragança - Capitão, foi ele a gerir e organizar jogo no corredor central. Marcou um golaço - o nosso quinto.
Geny - Parece cada vez mais adaptado à ala esquerda. Recupera, domina e assiste no quarto golo leonino.
Trincão - Muito confiante. Estreia-se a marcar nesta nova época, e logo com um bis. Esteve quase a fazer outro golo, aos 74'.
Pedro Gonçalves - Marcou um, deu dois a marcar. Soma 80 golos e 54 assistências em quatro anos no Sporting. Cada vez mais influente, cada vez mais maduro. Melhor em campo.
Gyökeres- Também ele bisou. Primeiro de penálti, depois num fabuloso pontapé de meia distância. Em excelente forma.
Debast - Substituiu Eduardo aos 69'. Destacou-se ao assistir no sexto golo: pontapé vertical de 40 metros.
Dário - Entrou para o lugar de Morita aos 79'. Mostrou-se confortável no corredor central. Primeiros minutos da época.
Matheus Reis - Rendeu Geny aos 79'. Discreto, controlou ala esquerda. Sem sobressaltos.
Edwards - Substituiu Trincão aos 85'. Quase sem tempo para se mostrar: o resultado estava construído.
Fresneda - Entrou aos 85', rendendo Diomande, só para ganhar algum ritmo.
Da goleada na Choupana. Segunda jornada da Liga 2024/2025, primeiro jogo do Sporting fora de casa. Contra o Nacional, mais de três anos depois. Não podia ter corrido melhor. Fomos lá vencer por 6-1, sem dar hipóteses ao adversário. Há cinco anos que, nesta condição de equipa visitante, não vencíamos no campeonato com pelo menos seis golos apontados - desde 5 de Maio de 2019, quando derrotámos B-SAD por 8-1.
Do nosso domínio indiscutível. Protagonizámos um festival de jogo ofensivo: a nossa equipa sempre confiante, motivada e com índices físicos dignos de registo contra o anterior campeão da Liga 2, que não perdia há 14 jogos e se reforçou com sete jogadores. Domínio absoluto registado mesmo sem Morten no onze, por lesão, e mesmo sem ter chegado ainda o anunciado reforço para a frente de ataque.
De Pedro Gonçalves. Voltou a estar em foco: melhor em campo, justificadamente. Foi ele a marcar o primeiro golo, aos 16'. Grande golo, em que o trabalho foi todo dele, conduzindo sabiamente a bola, com súbitas alterações de velocidade e uma simulação, deixando cinco adversários pelo caminho. Fez ainda duas assistências. Para o segundo e o quinto. Atravessa um dos melhores períodos da sua carreira: quatro golos marcados em três jogos da temporada oficial. É imperdoável continuar fora das convocatórias da selecção.
De Gyökeres. Um dos obreiros desta goleada leonina. Incansável, sempre de olhos fitos na baliza. Marcou por duas vezes - aos 51', convertendo um penálti, e aos 76', fechando a contagem, numa bomba disparada pelo seu pé-canhão após fantástica arrancada com assistência milimétrica de Debast. Esteve a centímetros do tri, aos 87', quando recuperou a bola e rematou ao ferro. Pode festejar também por este motivo: foi a sua estreia como artilheiro na Madeira. Tem números galácticos, à nossa escala: já marcou 46 golos em 53 partidas de Leão ao peito.
De Quenda. Confirma-se: temos craque. Grande exibição como ala direito, encarregado sobretudo de missões ofensivas mas fechando sempre também o seu corredor em despique vitorioso com o lateral esquerdo adversário. Com pleno domínio técnico e notável maturidade táctica para um jovem de apenas 17 anos. Aos 49' protagonizou um lance dentro da grande área em que foi derrubado com toque ostensivo no pé de apoio. Daqui nasceria o nosso terceiro golo.
De Daniel Bragança. Com Morten ausente, coube-lhe ser o capitão e gerir a manobra ofensiva do Sporting. Sobretudo na primeira parte quase toda a acção atacante passou por ele, organizando, distribuindo com critério, promovendo variações de flanco. Cereja em cima do bolo: o espectacular golo que marcou. Foi o nosso quinto, aos 66': num espaço curto, conseguiu mudar duas vezes de pé e fazer uma decisiva finta de corpo sem se atemorizar com os três defesas que tinha pela frente, rematando com colocação e força. Golaço que premiou o seu excelente desempenho.
De Trincão. Inicialmente muito vigiado ao actuar nas costas de Gyökeres, foi-se libertando da marcação cerrada até exibir toda a qualidade do seu futebol. Estreou-se como artilheiro neste campeonato, e logo a bisar: o segundo golo, aos 40', num remate cruzado sem hipóteses para o guarda-redes, e o quarto, aos 57', encaminhando-a para as redes em posição frontal, saíram do seu pé canhoto. Com preciosas ajudas de Pedro Gonçalves e Geny, em qualquer dos casos. É assim que queremos vê-lo, de pé quente e com boa pontaria no remate.
De ver quatro da nossa formação no onze inicial. Para alguns adeptos, isto nada conta. Não é o meu caso. Gostei que Rúben Amorim apostasse em Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Bragança e Quenda. E ainda entrou Dário, aos 79', quando o resultado já estava construído.
Da arbitragem. Boa actuação de Luís Godinho, adoptando o chamado critério largo que há muito devia vigorar no primeiro escalão do futebol português. Uma espécie de inverso de Fábio Veríssimo, que continua a protagonizar autênticos festivais de apito sem perceber que só árbitros sem nível procedem assim.
De ver o Sporting marcar há 44 jogos seguidos. Sem falhar um, para desafios do campeonato, desde a Liga 2022/2023. Números impressionantes, próprios de um campeão em toda a linha.
De termos disputado 23 partidas consecutivas sem perder na Liga. Marca extraordinária: a nossa última derrota aconteceu na distante jornada 13 do campeonato anterior, disputada em Guimarães, a 9 de Dezembro.
Não gostei
Do golo sofrido. Único falhanço defensivo do Sporting, com Gonçalo fora de posição a dobrar Geny e Diomande também muito adiantado, incapaz de interceptar o passe de ruptura para Thomas, aos 36'. O remate saiu a meia altura e sem força excessiva: ficou a sensação de que Vladan podia ter feito melhor. Já sofreu seis golos em três jogos oficiais na temporada, há motivos para questionarmos o seu desempenho entre os postes.
Da ausência de Morten. O internacional dinamarquês ficou fora da convocatória devido a uma lesão que não é grave. Medida de precaução compreensível: vêm aí desafios muito mais complicados do que este. De qualquer modo, mal se sentiu a sua ausência: Daniel Bragança, chamado a substituí-lo, deu boa conta do recado.
Do 2-1 registado ao intervalo. Sabia a pouco.
Do cartão amarelo exibido a Gonçalo Inácio a segundos do fim. Absolutamente desnecessário. Mesmo a ganhar 6-1, é fundamental que os jogadores percebam isto: toda a desconcentração deve ser evitada, do princípio ao fim.
Antes de falar sobre o jogo de há pouco, uma confissão. Tinha pensado aproveitar para ir à Madeira, tinha até acolhimento de familiares, se tivesse ido teria como de costume deixado o carro no parking do Prior Velho, e gostaria de ter ido à "taberna da poncha" na Serra de Água. Mas as "férias" da Galiza deixaram-me com vontade de ficar por casa antes das novas "férias" no Algarve onde conto estar na sexta-feira para não perder o próximo jogo no Estádio do Algarve.
Assim não fiquei com o carro irremediavelmente queimado, nem sem vontade para passear na Madeira com o incêndio. Restou-me apenas o prazer de ver no sofá, pela Sport TV, o Sporting esmagar o Nacional naquele espectacular, pela geografia do local, estádio da Choupana.
Sobre o jogo, o início parecia confirmar os meus piores receios. Foram três bolas que sairam bem perto do poste direito da baliza guardada por Kovacevic, como entrou mais tarde um remate que teria de ser defendido por um guarda-redes do Sporting.
Depois o futebol do Sporting assentou- Começou a circular a bola com critério, cansando o adversário e causando desequilíbrios que causaram mossa na defesa adversária.
De qualquer maneira, toda a primeira parte ficou marcada pela falta de pressão e incapacidade de ganhar os lances no eixo central. Os principais culpados foram os dois médios, Morita e Bragança, mas todo o trio avançado foi também muito responsável, até porque o balanceamento ofensivo do Nacional começava nos centrais.
O 2-1 a favor do Sporting ao intervalo de alguma forma era lisonjeiro. Os golos resultaram de lances de inspiração individual, cada canto contra era um susto, o melhor da equipa nessa altura eram mesmo os dois alas, sempre a saber como e quando arriscar, muito poucas vezes perdendo a bola.
Na 2.ª parte o desgaste físico do Nacional ditou leis, a começar pelo ex-Porto Bruno Costa, e quando cometeu um penálti mais que evidente sobre um Quenda que está cada vez mais um belíssimo jogador, e Gyokeres marcou, o jogo terminou. E logo saíram três jogadores completamente de rastos.
Depois, o Sporting passou a defrontar um Nacional em regime de "galinha sem pescoço" e as oportunidades foram surgindo umas atrás das outras. Acabou em 6-1 apenas porque o sueco, apesar do míssil com que marcou, não estava nos seus dias. Com ele ao nível da época passada seriam 9 ou 10.
De qualquer maneira, quem do jogo se limite a ver os golos, tem material de primeira com que se regalar. Todos de nota máxima, mas o primeiro do Pedro Gonçalves é (mais uma) obra-prima do (globalmente) melhor futebolista do Sporting desde que cá chegou. Só mesmo Martínez pode explicar como é que um jogador assim não é titular da selecção de Portugal.
Entraram já na recta final Debast e Fresneda para a defesa, Matheus Reis para a ala esquerda, Essugo para médio e Edwards para o ataque. Rúben Amorim explicou que Mateus Fernandes está de saída do Sporting, soube-se depois por 15+3M€ para o Southampton. Cá por mim, sem entrar em considerações sobre o valor futebolístico de cada um, acho que este plantel do Sporting precisa bem mais do Essugo do que do Mateus, e não se pode dar ao luxo de ter no banco, como quarta opção, um jogador que para outro clube vale 18M€.
Sobre a arbitragem nada a dizer. Deixou jogar dentro dum critério uniforme, desta vez o culpado pelo cartão amarelo foi mesmo Inácio, que já tem idade para não embarcar em cenas daquelas.
Melhor em campo? Pedro Gonçalves pelo primeiro golo e as duas assistências, mas Quenda está a tornar-se um jogador fabuloso. Sempre em movimento, defende com eficácia, ataca com critério, raramente falha um passe, remata com intenção. Estou mesmo impressionado. Incrível a transformação desde a época passada que Amorim conseguiu E dura os 90 minutos a correr acima e abaixo. Como é que vai sair do onze titular? Assim não vai, de certeza, mas a época é longa e são precisos quase sempre quatro alas por jogo.
Preocupação maior? Kovacevic... Aquele golo do Nacional... Israel vai voltar à titularidade? De resto Diomande pareceu-me pouco confiante, se vai com tudo é golo, se não vai é golo também, querem que faça o quê exactamente?
E agora? Corrida aos bilhetes para o estádio do Algarve. Pelo menos para os "croquetes de camarote" como eu que pagam quotas, gameboxes, gasóleo e hotéis e não aqueles "puros" tasqueiros que se enjoam com as camisolas e vêem os jogos aos saltos na "TV Inácio" mais próxima.
O mês de Agosto tinha o número de Viktor nas costas, quando começou o campeonato. Começou bem.
Quatro golos de bola corrida [o contrário de bola parada, expressão em futebolês utilizada para penalties, livres, cantos e lançamentos da linha lateral. Em boa verdade, não há golos de bola parada, tem de existir movimento para a bola entrar na baliza] um jogo sem casos, se excluirmos os agarrões e a pancada que jogo após jogo vitima o sueco, sem isso teria sido uma arbitragem perfeita sem faltas nem faltinhas, a deixar jogar. Da noite no Alvalade temos de sublinhar o segundo golo de Pedro Gonçalves, parece fácil, imagino o Roberto Martinez a dizer: "isso até eu fazia". "Fazias, fazias, Roberto".
Logo no dia seguinte voltaram as arbitragens a que estamos habituados, as duas equipas da cidade do Porto beneficiaram de três penalties e da expulsão de um adversário, as equipas de arbitragem que apitaram FC Porto e Boavista mostraram boa forma e um entrosamento notável. No mesmo dia, na Vila das Aves a equipa de Vila Franca de Xira empatou com o Nacional da Madeira.
O domingo seria sorridente, Sorriso alegrou todos os desportistas excepto os benfiquistas. Em Famalicão houve ainda outro motivo para sorrir, dois sorrisos a zero, portanto. No Estoril a única equipa dos Açores goleou embora, a exemplo das equipas da cidade do Macaco, tenha beneficiado de um penalty. Farense e Braga seriam as grandes desilusões da jornada, os algarvios foram derrotados, vítimas de uma bola parada, apesar do Moreirense ter jogado com menos um quase toda a segunda parte. O Benfica do Minho começa o campeonato a empatar e a despedir o treinador (o Benfica de Benfica não deve demorar a fazer o mesmo, dispensar o "mister").
Ontem foi jogado o Arouca com o Vitória e aí aconteceu a grande surpresa da jornada e, provavelmente, do campeonato, o "ex-futuro melhor avançado português de sempre", Nélson Oliveira, marcou um golo.
Doze golos para os visitados, onze golos para os visitantes, dois penalties e uma expulsão a beneficiar o FC Porto e dois sorrisos que apagaram a Luz, eis o resumo desta jornada.
Enquanto colegas festejam golo inicial, Pedro Gonçalves parece já com vontade de marcar outro
Foto: Rodrigo Antunes / Lusa
É muito importante começar com o pé direito. Foi assim que iniciámos há três dias, na sexta-feira, a nossa participação na Liga 2024/2025: com uma vitória clara, inequívoca, sobre o Rio Ave - equipa bem arrumada e bem orientada, com alguns talentos individuais, mas que foi incapaz de fazer frente ao onze leonino.
Sobretudo na primeira parte, o Sporting dominou por completo. Num futebol vertiginoso, veloz, de olhos na baliza. Boas movimentações, com bola e sem ela. Aqui imperou Pedro Gonçalves, que manteve a tradição de se estrear como marcador inicial dum campeonato: tem sido assim em três dos últimos cinco, todos de Leão ao peito.
Com ele, tudo parece mais fácil. Aconteceu logo aos 6', ao receber um passe teleguiado de Gyökeres a que só precisou de dar o melhor caminho à gorduchinha. Voltou a ser assim aos 26', ao interceptar uma bola muito mal reposta em jogo por Jhonatan, guardião rioavista, encaminhando-a para o fundo das redes com um toque de habilidade: finalização de classe. Dispôs de mais duas ocasiões de golo, aos 21' (novamente a passe do craque sueco) e aos 61' (muito bem servido por Geny). Foi quanto bastou para ser o melhor em campo, sem discussão.
Ao intervalo, 2-0. Mais de 35 mil adeptos nas bancadas ao início duma noite de Verão, ainda com resto de sol em Alvalade. O público estava satisfeito, ninguém previa a repetição do descalabro da partida anterior, quando deixámos fugir a Supertaça perdendo por 3-4 após confortável vantagem por 3-0.
Rúben Amorim tirou lições desse desaire, tão doloroso para a massa adepta. Deixou Debast no banco, trocando-o por Diomande: assim deu sinal ao central belga, apontando-o como principal responsável por aquele troféu nos ter fugido. A nossa defesa ficou mais sólida, com óbvia voz de comando: o marfinense não é Coates, claro, mas ninguém mais do que ele se aproxima desse estatuto neste Sporting 2024/2025.
Os corredores externos continuaram entregues a Geny (esquerdo) e Quenda (direito), ambos com boa dinâmica ofensiva. O miúdo de 17 anos, em estreia absoluta como titular em jogos de equipa adulta, deu excelente conta do recado. Não marcou, mas deu a marcar: é dele o magnífico passe de ruptura a desmarcar Gyökeres no lance do primeiro golo. Com uma maturidade táctica e um desenho técnico muito acima do que é habitual para a sua idade.
Foi um dos heróis do jogo.
Outro foi o próprio Viktor, que pôde enfim matar a fome de golos. Após assistir Pedro no primeiro, fez ele o gosto ao pé, apontando o terceiro que desfez as últimas dúvidas no estádio sobre o destino dos três pontos. Após remate inicial de Trincão, que sofreu um desvio, a bola sobrou para o sueco, que lhe deu o melhor caminho, com alguma colaboração do guarda-redes. E ainda mandou uma bola à trave, logo a abrir a segunda parte.
Destaque ainda para a formação leonina - que andaria a ser desprezada, na opinião de alguns. Terminámos com seis jogadores formados em Alcochete: Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Quenda, Mateus Fernandes, Daniel Bragança e Rodrigo Ribeiro. Fica tudo dito sobre o tema.
Estava o resultado quase feito. E teria soado a perfeição se não fosse o golo consentido mesmo ao cair do pano, no minuto 90. Única oportunidade para a turma forasteira no desafio: com a nossa equipa adiantada no terreno, abriu-se uma avenida que Clayton aproveitou para a meter lá dentro. Haveria deslocação se Diomande tivesse prestado atenção à linha de fora-de-jogo, como lhe competia. E lá encaixou Vladan mais um golo: incapaz de fazer a mancha, limitou-se a vê-la passar.
Já são cinco sofridos em apenas duas partidas oficiais da temporada.
Nada é hoje mais prioritário no Sporting do que garantir a estabilidade defensiva. É verdade que ainda nos falta contratar outro avançado-centro, mas nenhuma equipa pode sonhar ser campeã a sofrer tantos golos.
E nós sonhamos com o bicampeonato, que nos foge há 70 anos. É isso que nos anima, acima de tudo o resto. Acreditamos que vamos conseguir.
Eu, pelo menos, acredito. E vocês?
Breve análise dos jogadores:
Vladan - Teve muito pouco trabalho. Só tocou na bola ao minuto 28'. E agarrou-a aos 83'. No golo, teria sido difícil - mas não impossível - fazer melhor.
Eduardo Quaresma - Está mais maduro, gere melhor o esforço, domina melhor o tempo de intervenção. Quer ser titular e trabalha para isso.
Diomande - Voltou ao onze, após a Supertaça. Imperou no jogo aéreo. Impôs bem o físico. Só falhou no lance do golo sofrido: pôs Clayton em jogo.
Gonçalo Inácio - Certinho, controlou o lado esquerdo do bloco defensivo, acorrendo às dobras de Geny sempre que foi necessário. Bom no passe longo.
Quenda- É um caso sério, como já se viu. Agarrou titularidade aos 17 anos, relegou Geny para ala oposta. Desequilibrador nato. Fez magnífica pré-assistência no primeiro golo.
Morten - Capitão desde a partida de Coates, impôs autoridade no meio do terreno, recuperando e distribuindo jogo. Trabalho desgastante: cumpriu com zelo.
Morita - Mantém parceria perfeita com o dinamarquês. Correu para trás quando foi preciso reforçar defesa. E quase marcou, de ângulo apertado, aos 18'.
Geny - Com Nuno Santos ausente por lesão, adaptou-se bem à ala esquerda, servindo Gyökeres (21') e Pedro Gonçalves (61'). Falta-lhe afinar pontaria à baliza.
Trincão - No seu centésimo jogo pelo Sporting, exibição muito positiva. Inicia primeiro golo ao tocar para Quenda e é dele o remate inicial no terceiro. Quase marcou, em arco, aos 67'.
Pedro Gonçalves - Dois golos, plenos de oportunidade. Finaliza bem no primeiro, recupera e coloca-a no ninho da águia no segundo. Especialista a trabalhar entre linhas.
Gyökeres- Marcou o terceiro golo: justo prémio para o seu trabalho incessante. Assistiu no primeiro, mandou bola à trave aos 46', arrancou um amarelo aos 35'. Fôlego impressionante.
Mateus Fernandes - Substituiu Pedro Gonçalves aos 65'. É, sobretudo, um transportador de bola: bons apontamentos no corredor central.
Edwards - Entrou para o lugar de Trincão aos 76'. Disputou bem uma bola, mas depois não soube o que fazer com ela: centrar ou rematar? Nem uma coisa nem outra.
Daniel Bragança - Substituiu Morten aos 76', recebendo braçadeira de capitão. Bem servido por Quenda, quase marcou num tiro aos 89'.
Matheus Reis - Rendeu Geny aos 76'. Discreto, controlou ala esquerda. Sem sobressaltos.
Rodrigo Ribeiro - Substituiu Morita aos 90'. Pouco mais do que três minutos em campo - o suficiente para mandar uma bola à trave (90'+3). Merece manter-se no plantel.
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