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És a nossa Fé!

De entrevistas destas à invasão de Alcochete vai um pulinho

A entrevista que Augusto Inácio deu cheia de acusações (não provadas) a Pedro Barbosa revela (para além de uma confrangedora ingenuidade) uma forma de estar no futebol que considero doentia. Considerar-se que, sempre que se perde, é porque houve uma conspiração dos jogadores que  não queriam ganhar é uma atitude doentia. É a mesma atitude que tomou quem insultou os jogadores do Sporting no aeroporto há um ano e, dias depois, invadiu a Academia. Por muito que me custe, por envolver figuras do Sporting (só dentro do Sporting é que ocorrem guerras destas), e ainda mais por dizer respeito a um treinador histórico (que acabou com o enorme jejum de títulos) e uma figura que será sempre muito querida e inesquecível para os sportinguistas, a verdade é que tenho que reconhecer que o resultado desta sentença me parece natural. Espero que o julgamento da invasão da Academia siga pelo mesmo caminho.

Os melhores golos do Sporting (21)

Minuto 1.18 do vídeo.

 

Golo de PEDRO BARBOSA

Sporting 4 - União de Leiria 0

3 de novembro de 2000, Estádio de Alvalade

 

A 3 de novembro de 2000, o campeão nacional recebia a União de Leiria. Eu, ainda a viver no Alentejo e sem acesso quase semanal a jogos em casa, vibrava ainda mais do que hoje com a possibilidade de ver ao vivo o glorioso verde. Tinha-me estreado naquelas bancadas apenas no dia em que fiz 16 anos, na época anterior, quando Acosta, a passe de Vidigal, fez o 1-0 final contra o Belenenses, num passo importante rumo ao título.

Mas, deixemos abril e voltemos a novembro. Quando faltavam 89 minutos para o fim, Sá Pinto, regressado da estadia em San Sebastian, cruza para cabeçada certeira de Bilro, lateral-direito das escolas do Sporting. Pena para o próprio que nesse ano defendesse e capitaneasse a União de Leiria. Por mim, tudo ok.

Saíram dos pés de Pedro Barbosa os golos da noite. No primeiro, tira o pobre Bilro do caminho e remata forte para o 2-0, num golo semelhante ao das Antas, já aqui destacado. Mas foi o 3-0 que me encheu as medidas. Sá Pinto, de novo temível pela direita, cruzou, um defesa (que não Bilro) desviou a bola que acabou em Barbosa. O capitão sportinguista fez um golo de antologia, num volley. Muito semelhante ao golo que Zidane marcaria em 2002 ao Leverkusen, tido como um dos melhores de sempre da história do jogo. André Cruz faria, claro, de livre (que para ele, era como um penalty), o 4-0 e o Sporting fechava uma bela noite de futebol.

Só para vermos como o tempo passa, lembro que essa equipa incluía, além dos já citados, João Pinto, Beto Acosta, Paulo Bento, Nélson ou Dimas. Em Leiria, morava Derlei, que muito daria ao FCP e algo a nós e ainda Costinha, Renato, Leão ou Paulo Alves com passagens mais ou menos infelizes pelo Sporting.

Os melhores golos do Sporting (12)

Golo de PEDRO BARBOSA

FC Porto-Sporting

12 de Janeiro de 2002, Estádio das Antas

 

Não existem muito adjectivos para falar de Pedro Barbosa. O Capitão Pedro para mim foi um dos melhores "artistas da bola" que passou pelo nosso clube.

“Comprava o Pedro só para o pôr a jogar no meu quintal”, terá dito um dia o treinador Quinito . 

Este golo mostra a nossa máxima:  "Esforço, Dedicação, Devoção e Glória"

 

Os nossos ídolos (1): PEDRO BARBOSA, um pouco mais de sol...

 

Conforme o Pedro anunciou aqui, coube-me a sorte alfabética (um karma que me persegue desde a escola) de inaugurar esta série dedicada aos “Ídolos” que marcaram os escribas deste blogue.

 

Acresce a este karma o outro karma, o de nunca ter sido dada a idolatrias. Nem sequer  nas idades em que somos mais tendentes a esses fervores. Sempre fui demasiado eclética, sempre gostei demais de demasiadas coisas, demasiados autores, demasiadas ideias. A humanidade sempre me pareceu  tão rica, tão contraditoriamente rica que regularmente  recusei a ideia de me  fixar num personagem, numa ideia, numa corrente.

 

Claro que a idade tinha que ter alguma vantagem e essa vantagem é a de podermos – e devermos – dar-nos ao luxo de começar a seleccionar o que realmente nos preenche e nos deve acompanhar no resto, que subitamente se anuncia, das nossas vidas. Começamos a recusar conhecer novos escritores, porque dificilmente leremos e releremos aqueles que amamos, começamos a recusar novas experiências musicais porque a nossa alma já está preenchida com replays e reinterpretações de sons que definitivamente já atribuímos a deus.

 

Neste reduzido universo em que me movimento, o do futebol é ainda mais reduzido.  A minha experiência futebolística sempre foi condicionada pelo conflito insanável de ter mãe sportinguista e pai benfiquista. Gostando comme il faut dos dois igual, a minha relação confessa com o clube ficou essencialmente reduzida ao ciclismo e ao hóquei em patins, modalidades em que se consegue sempre ser politicamente correcta.

 

Posto este fastidioso preâmbulo, a minha escolha para esta série recai no jogador que é simultaneamente o meu putativo ídolo  e a essência da alma lusitana, que só  Mário de Sá-Carneiro  conseguiu pôr a rimar. Um pouco mais de sol - eu era brasa/Um pouco mais de azul - eu era além/Para atingir, faltou-me um golpe de asa/Se ao menos eu permanecesse aquém...

 

Isso, estou a falar de Pedro Barbosa, titular do Sporting durante dez anos, quase tantos outros capitão da equipa. O mais inteligente dos jogadores que passou por este clube. O mais amado e o mais mal-amado.  Um ser capaz do mediano e do melhor superlativo. Um jogador que teve uma grande carreira e que passou ao lado de uma grandessíssima carreira. Uma leitura de jogo sempre perfeita, golpes de asa, necessariamente irregulares, má imprensa em geral, vítima dos mitos suburbanos a que nenhum jogador está imune.

 

Pedro Barbosa incorpora a genialidade lusa e o seu eterno estigma. A capacidade de ser grande e único e a irresistível tentação de não o confirmar consistentemente. O arauto do direito à genialidade e à preguiça. A eterna luta entre o direito à poesia e à afirmação da invencibilidade.

 

Pedro Barbosa, um dos nossos. Sempre.

 

PS: E, disse ele recentemente, só marcou dez ou onze penalties na sua longa carreira. E nunca falhou nenhum.

{ Blog fundado em 2012. }

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