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És a nossa Fé!

Sociologia do Futebol

 

Sempre me fez muita confusão ver que quase nenhum adepto do Porto, mesmo aqueles que me pareciam inteligentes, era capaz de confessar a corrupção que toda a gente sabia que o Porto fez durante muito tempo. Por exemplo, ver o Rui Moreira, que agora é presidente da Câmara do Porto, a levantar-se e ir-se embora do Triod'Ataque (https://www.youtube.com/watch?v=2gX_VfmyThI) porque não queria ouvir nem falar sobre as escutas do Apito Dourado, impressionou-me muito, especialmente porque não consigo perceber qual é o gozo de se ganhar qualquer coisa em que não se foi necessariamente o melhor, mas o que conseguiu contornar melhor as regras. Eu percebo que, depois de se ganhar muita coisa, confessar que houve batota envolvida é reconhecer que o tempo passado a sofrer e a festejar (que sabe tão bem) foi baseado, pelo menos parcialmente, numa mentira. Mas a ideia de qualquer competição devia ser premiar quem mostrou ser melhor e a subversão de regras faz com que nunca se perceba bem quem foi.

Isto podia ser um fenómeno específico dos adeptos do Porto, mas ultimamente tenho chegado à conclusão que não é. Por mais que digam, com razão, que se há clube que não tem moral para acusar outros de adulterar a verdade desportiva é o Porto, que os emails foram obtidos de forma ilegal e que há poucas provas indiscutíveis de tráfico de influências e de corrupção nos emails, não devia haver dúvidas para ninguém que o Benfica tem feito, depois do Apito Dourado, muitas coisas que acusava o Porto de fazer, e outras que ainda não conhecíamos. Ou seja, sendo os emails verdadeiros, e ninguém com um mínimo de cabeça e de honestidade intelectual acha que não são, percebe-se que, se aquelas conversas existem, é porque o Benfica montou um esquema de controlo de muita coisa que não devia controlar. Com a diferença, para o Porto dos tempos do Apito Dourado, de ter muitos mais apoiantes nos adeptos de futebol e na comunicação social.

E o que eu tenho visto em praticamente todos os adeptos benfiquistas é o mesmo que via nos portistas: assim que se fala no caso dos emails, ativam o modo de defesa e de racionalização de uma decisão previamente tomada. Ou seja, decidem à partida que é impossível que o clube de que tanto gostam use práticas ilegais e interpretam toda a informação que existe de forma a que possam concluir que não se passa nada de anormal. E não estou a falar de pessoas como o Pedro Guerra, que têm noção do que se passa e mentem conscientemente (e às vezes de forma ridícula), estou a falar de adeptos normais que, genuinamente, não querem acreditar que aquilo de que se fala seja verdade.

Por isso, é possível que a parcialidade que eu sempre soube que há nos adeptos de futebol seja mais forte do que eu pensava. É óbvio que, ao longo do tempo, vai-se formando na nossa cabeça uma maneira de ver o futebol que nos faz gostar do nosso clube e não adorar os clubes rivais, e que isso nos leva a pensar naqueles que fazem parte do nosso grupo como os "bons" e os outros como os "maus". Eu tento ser o mais imparcial e racional em tudo na minha vida, mas tenho a noção que no futebol não sou. Mas quero acreditar que, se o Apito Dourado ou o caso dos emails acontecessem com o Sporting, eu era capaz de dizer "ganhámos, mas com batota, por isso quero que estes dirigentes se vão embora, e ganhar de maneira limpa". Por exemplo, já se percebeu que o Paulo Pereira Cristóvão mandou depositar 2.000€ na conta de um árbitro assistente para depois denunciá-lo e impedi-lo de arbitrar um Marítmo - Sporting, da Taça de Portugal (https://www.ojogo.pt/futebol/1a-liga/sporting/noticias/interior/como-e-que-pereira-cristovao-tentou-incriminar-jose-cardinal-4263029.html). E que isto configura um crime, denúncia caluniosa, que vem descrito assim no artigo 365º do Código Penal: "Quem, por qualquer meio, perante autoridade ou publicamente, com a consciência da falsidade da imputação, denunciar ou lançar sobre determinada pessoa a suspeita da prática de crime, com intenção de que contra ela se instaure procedimento, é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa." (http://bdjur.almedina.net/item.php?field=item_id&value=80253). Tenho pena e vergonha que isto tenha acontecido, mesmo tendo a noção que não houve aqui corrupção, e espero que não volte a acontecer. E, se alguma vez o Sporting fizer algum dos crimes de que o Porto e o Benfica foram acusados, espero que se descubra e que eu tenha a capacidade de o reconhecer e de pedir que as pessoas que os fizeram sejam afastadas e que os títulos ganhos durante essa altura sejam retirados. Mas, com os exemplos que eu tenho visto de portistas e benfiquistas, já não consigo garantir nada.

Entretanto, pedia uma coisa a quem anda a estragar o futebol há muitos anos: vão-se embora, deixem o futebol ser aquilo que é suposto ser, um desporto, e deixem de me criar dúvidas existenciais. Obrigado.

Terça-feira de Carnaval

1. Godinho Lopes quebra o silêncio para atacar Ricciardi, em plena sintonia com Madeira Rodrigues.

 

2. O desaparecido Paulo Pereira Cristóvão também reaparece para dar uma mãozinha ao rival de Bruno de Carvalho.

 

3. O candidato alternativo apresenta enfim o seu treinador.

 

4. "Juande Ramos vai ganhar menos que Jesus." Alguém explica a Madeira Rodrigues que a língua portuguesa é muito traiçoeira?

O crime não compensa

Defendemos aqui claramente que a posição enquanto sportinguistas ( e cidadãos ) não passa por vencer a qualquer preço.

Condenamos aqui todas as tramóias de que vamos tendo conhecimento, tendentes a falsear a verdade desportiva em concreto e a justiça, de um modo geral.

Seguindo esse princípio, estive sempre do lado dos que condenaram a acção, agora provada em tribunal, de Paulo Pereira Cristóvão, que o levou a uma condenação pesada e a pagar uma indemnização considerável aos ofendidos.

O sentimento dos verdadeiros sportinguistas não passa por actos deste tipo. Se é verdade que por vezes, perante enormes injustiças de que temos sido alvo, o que nos apetece, num repente, é utilizar as mesmas armas que o "inimigo" (adversário, obviamente), o bom senso e o sentido do decoro, da justiça e do cumprimento da Lei, devem nortear sempre a nossa forma de estar no desporto: De cabeça levantada.

Não vale tudo.

As notícias e a importância delas

Por dever de ofício, chego bastante cedo ao meu local de trabalho. Antes das seis e trinta, mais concretamente.

Em regra escuto a Rádio Comercial.

Ouvi as notícias às 06.30h e uma delas era sobre Paulo Pereira Cristóvão; Basicamente e em resumo, a estória do vice-presidente do Sporting ter sido detido e ir ser hoje interrogado; Esperei. Às 07.00h, repetiu-se a notícia, nos mesmos moldes (aliás era a mesma, como é usual na informação). Entendi mandar um e-mail para a Radio Comercial; Usei o texto do post da Alda Telles, que roubei descaradamente e enviei:

"Bom dia,
A propósito da notícia da detenção de Paulo Pereira Cristóvão, fui esperando que o brio profissional se fosse sobrepondo à agenda anti-Sporting que vai vigorando pela maioria dos órgãos de “informação”, mas pelos vistos não é assim. Eu espero da informação da Comercial a mesma qualidade e rigor que do “entretenimento” e desculpem-me, mas neste como noutros casos, o rigor tem sido um pouco espezinhado, para ser simpático.
Ora vamos lá ver, Paulo Pereira Cristóvão foi agente/inspector da Polícia judiciária durante 16 anos e vice-presidente do Sporting durante 16 meses. O Sporting não pode apagar da sua história a passagem de alguns personagens pouco recomendáveis pela sua casa, como não o pode fazer nenhuma outra organização, mas iria jurar que para o cidadão consumidor de informação seria bastante mais relevante saber que um polícia, com responsabilidades de investigação em crimes graves e até uma especialização em crime económico, concretamente no combate à corrupção, é suspeito da prática dos crimes de associação criminosa, sequestro, roubo qualificado, usurpação de funções, abuso de poderes e detenção de armas proibidas, sendo que nenhum destes crimes de que é acusado terá sido praticado no exercício de funções ou com mandato do Sporting Clube de Portugal.
Sejamos rigorosos, sim?"

Notícias das 07.30h. A notícia repete-se. Outro e-mail:

"Lamentavelmente, insistem no teor da notícia.
Eu sei que é mais fácil ler o texto das agências, mas eu faço um desenho: para a notícia sobre José Sócrates, é relevante o facto de ter sido primeiro-ministro, uma vez que os crimes de que está indiciado terão alegadamente sido cometidos no exercício dessas funções.
Já Paulo Pereira Cristóvão terá cometido os crimes de que é acusado, fora da esfera do Clube de que foi vice-presidente, cargo do qual foi afastado precisamente por alegadamente ter cometido o crime de corrupção para com um árbitro auxiliar, situação que é completamente diversa da que agora se noticia. Se sobre aquele acontecimento seria legítimo referir a sua condição de ex-dirigente, na detenção ora levada a cabo, é desnecessário, eivado de má fé e um péssimo trabalho jornalístico relacionar PPC com a sua passagem pelo Sporting.
Passem bem"
Notícias das 08.00h. A notícia desapareceu, não foi dada. Bem como nas das 08.30h, bem como nas das 09.00h. Merecia outro e-mail:

"Bom, parece que a notícia desapareceu. Longe de mim ter a pretensão de influenciar o alinhamento noticioso da Comercial, não é isso que se pretende, como se poderá intuir pelos dois e- mails que enviei anteriormente. Parece-me de todo o interesse que os cidadãos que consomem informação e são ouvintes da Comercial, devem ser informados que um ex-polícia da PJ foi detido e acusado de vários crimes.
Esta deveria ter sido a atitude da Comercial; O redactor perdia dois minutos e redigia a notícia, mas é mais fácil retirá-la. Assim já não se atura o “gajo sportinguista que anda aqui a chatear”.
Duplo mau serviço!"

Moral da história: vale o que vale, mas encher-lhes os mails e chamar-lhes a atenção para a necessidade de rigor, por vezes resulta. E a notícia não voltou ao ar, pelo menos até às 11.00h!

 

Nota: houve posteriormente uma troca de e-mails com o jornalista, cujo conteúdo, por versar outros assuntos, é irrelevante para o post.

Dissipando o nevoeiro...

Porque existiram cenas de grotesca pancadaria entre membros da Juve Leo depois do jogo SCP-Beira Mar? 

As "compras" e os "negócios" de quem se habituou a ganhar fraudulentamente correm sempre mal, o que torto começa, tarde ou nunca se endireita! Nem com todas as agências de comunicação do mundo e a pagar ordenados a peso de ouro a amigos...

 

Porque é que a actual mono-direcção do Engenheiro Godinho não teve mão no novo jogador do FCP que marcou o segundo golo no último encontro desta colectividade desportiva da cidade invicta?

Assim "premeiam-se" as birras dentro do balneário e mostra-se o verdadeiro código de moral e conduta, o do mercenário!

 

Alguém sabe explicar porque é que o SCP não se constituiu como assistente do processo das sete acusações ao homem-de-mão-amparo-de-segurança do Engenheiro Godinho, Paulo Pereira Cristóvão?

A espionagem a soldo e a incriminação a pedido envergonham demasiado ou manda quem tem mais "sujidade escondida" no "cofre"?

 

Por acaso alguém sabe porque foi vendido João Pereira antes de um grande evento-montra por uma verdadeira bagatela?

Pelo que dizem ser o valor oferecido ao SCP pelos 30 ou 35% de Insúa... então o lateral direito titular da seleção nacional, agora titularíssimo do Valência, não foi vendido, foi "dado"!

A casa começou a ser arrumada há muito tempo... mas mal!

A alegada existência de irregularidades no derradeiro ato eleitoral continua a suscitar polémica e opiniões (ou análises de factos) distintas. Eduardo Barroso, presidente da Assembleia Geral (AG), levantou o cenário de fraude visando o ex-‘vice’ Paulo Pereira Cristóvão, que recusou a acusação. O antigo inspetor da PJ explicou ao Expresso que os votos estiveram seis meses selados e guardados por polícia e Prosegur à guarda de Barroso, e que não foi pedida recontagem. Mas existem versões distintas.

“Não houve recontagem de votos porque foi argumentado pelo presidente da assembleia eleitoral que tal não constava dos estatutos e, quanto muito, poderia ser pedida a impugnação. Mas a recontagem foi discutida”, explica ao Expresso um dos elementos da atual AG. “Houve uma diferença de 400 sócios, não de um ou dois, entre o que foi registado nos computadores e os votos apurados, e não foi feita contagem dos votantes que constavam dos cadernos eleitorais. A justificação dada para tal facto não foi convincente, acrescenta.

A mesma fonte aponta outra irregularidade. “Os votos foram colocados numa sala, lacrados e selados, e ninguém poderia mexer neles. Foi assinado um documento onde, para abrir essa sala, teriam de estar presentes um membro da AG eleita, um da direção e outro da assembleia geral eleitoral. O que se passou então? Os votos foram queimados – e não destruídos – antes dos seis meses previstos para a impugnação e sem a presença dos representantes previstos”, diz.

Sporting não é assistente

O Sporting ainda não solicitou qualquer pedido para se constituir assistente no processo que envolve o antigo ‘vice’ Pereira Cristóvão, acusado, entre outros crimes, de burla qualificada e branqueamento de capitais.

 

Fonte: Expresso

2012 em balanço (6)

 

ARGUIDO DO ANO: PAULO PEREIRA CRISTÓVÃO

Não foi a primeira demissão ocorrida na heterogéna equipa directiva de Godinho Lopes: quatro meses antes já Carlos Barbosa tinha saído, batendo com a porta. Mas esta foi muito mais séria e deveu-se sobretudo a motivos muito mais graves: Paulo Pereira Cristóvão, até aí apontado como braço direito de Godinho Lopes, renunciou às funções de vice-presidente na sequência do chamado 'caso Cardinal', ocorrido quando o árbitro assistente José Cardinal denunciou a existência de dois mil euros de proveniência desconhecida alegadamente depositados na sua conta bancária.

Constituído arguido pela suposta prática de sete crimes, o ex-vice-presidente remeteu-se durante seis meses ao silêncio, quebrado entretanto numa extensa entrevista ao Expresso cheia de recados internos a partir de uma pretensa superioridade moral que ninguém lhe reconhece. Sendo intocável o princípio da presunção da inocência, torna-se caricato ver Pereira Cristóvão distribuir ralhetes a figuras daquilo a que agora chama "um clube de loucos" enquanto lamenta não ter "nascido adepto de um clube 300 quilómetros a norte", onde já teria sido eleito "dirigente do ano".

Depois os outros é que são "papagaios"...

Mais uma questão sobre PPC

 

Pegando no post de Luis Aguiar Fernandes de há três dias, e nos comunicados e notas informativas em que o conselho directivo se tem desdobrado, penso que nos está a falhar o essencial.

 

O essencial não é se o Sporting está a pagar a defesa de Paulo Pereira Cristóvão - e parece-me que tal seria, simplesmente, inadmissível. 

 

O que eu não consigo lobrigar é porque carga d' água o Sporting tem de indicar (sic, aqui) um advogado para o processo ao qual se pretende alheio. E não indica um advogado qualquer, indica um proeminente e influente sportinguista (pelo menos, ele faz por isso).
Não é preciso fazer nenhuma declaração de interesses, que aliás não tenho, para ter as maiores dúvidas sobre a transparência deste processo e achar que em nada ele abona a favor do clube.
E sentir que de cada comunicado-barra-nota informativa sai uma minhoca.

PPC: decisão tardia, mas bem vinda

Em nome do Sporting, segundo ele frisou, PPC demitiu-se. Tarde, mas finalmente bem. Ele deveria tê-lo feito, usando os mesmos argumentos que utilizou agora, quando Godinho Lopes lho pediu e era sensato que o fizesse. Recorde-se: num governo socialista, António Vitorino demitiu-se, por ter sido acusado pelo MP; anos depois (é sempre anos depois...) foi inocentado pelo tribunal. Recorde-se: Fátima Felgueiras foi condenada por acusações graves do MP e ilibada, depois, pela Relação - estava inocente, segundo o coletivo de juízes. E o mesmo se passou com Godinho Lopes.

Vitorino e Felgueiras foram 'julgados' três vezes, antes de o serem. Uma, pelos que arquitetaram fugas (da polícia, dos magistrados?) para a imprensa. Outra, pela imprensa, que transforma a acusação em factos provados, junto da opinião pública, e cria nesta a ideia de que, se o acusado for inocentado, em sede de julgamento, a justiça falhou. Finalmente, pelos tribunais, a quem compete a tarefa de julgar, em nome da justiça. E os tribunais, nestes dois casos (e no de Godinho Lopes, também) absolveram os acusados. Mas, estes, já tinham sido sujeitos ao vexame do julgamento público, baseado em factos (ainda) não provados.

Há um comportamento fascistóide dos media? A meu ver, há. Os cidadãos não estão protegidos, não pelo que se informa (direito base nas democracias), mas pelo como se informa. Há um conflito óbvio entre o livre direito a informar e o respeito pelos fundamentais direitos dos cidadãos. Esperemos pelo julgamento de Paulo Pereira Cristóvão. Certos de que, inocente ou culpado, a sua demissão tem de ser saudada, mesmo quando tardia. Não havia outro caminho, em nome da ética e do sportinguismo.

Era inevitável

 

Paulo Pereira Cristóvão anunciou esta tarde a sua demissão do cargo de vice-presidente do Conselho Directivo do Sporting. Reafirmando a sua inocência, sublinhou reconhecer que era o único caminho a seguir e que o «timing» foi da sua escolha. Indiferente dos actuais contornos do «caso Cardinal» e do seu eventual desfecho jurídico, terá sido, de facto, a opção mais salutar para o Clube e que facultará maior disponibilidade ao presidente Godinho Lopes para consolidar o seu grupo de trabalho, algo que ele pretendia já há algum tempo.

Sobre a responsabilidade dos homens (II)

 

 "Por tudo isto, que os perversos se retirem, se separem dos homens de bem, se juntem num só lugar e que uma muralha, enfim, como já o proclamei tantas vezes, os mantenha separados de nós; que deixem de armar traições ao cônsul na sua própria casa, de bloquear o tribunal do pretor urbano, de assediar com armas a Cúria, de preparar dardos incendiários e archotes para deitar fogo à cidade; numa palavra, que na fronte de cada um se mostrem gravados os seus sentimentos políticos. Garanto-vos, senadores egrégios, que a nossa vigilância de cônsules há-de ser bastante, e espero que haja em vós tal autoridade, nos cavaleiros romanos tamanha coragem, em todos os homens de bem a conformidade de sentimentos necessária para poderdes ver que, com a retirada de Catilina, tudo fica descoberto, esclarecido, subjugado, punido." (Cícero)

Reduzir a nada o uso da razão

De tempos a esta parte e por razões que só ele poderá explicar, mas que não explica, Vicente Moura, presidente do Comité Olímpico de Portugal, sócio do Sporting e antigo conselheiro leonino, presume tomar sobre si a legitimidade à observância rigorosa dos deveres, da sensatez e da integridade intelectual, a fim de desfeitear a gestão e os administradores do clube que alega apoiar, ao mais pequeno ensejo. Têm sido várias as ocasiões em que se inspira a vir «molestar» o auditório com os seus discursos supérfluos e irreflectidos que resultam, simples e penosamente, em reduzir a nada o uso da razão. A sua mais recente investida peca, não tanto pelo que disse, mas pelo facto de ter sentido a necessidade de, mais uma vez, emitir opiniões que não preservam a imagem e a união que tanto clama defender. «Não é aceitável prejudicar a imagem do clube e acho que o Sporting está a ser altamente prejudicado» pelo não afastamento de Paulo Pereira Cristóvão até a situação relacionada com o caso Cardinal ficar esclarecida. Revelou, ainda, que vai votar contra a fusão da sociedade Património e Marketing com a SAD na Assembleia Geral que se realiza hoje. «Acho que é mais uma engenharia financeira, há anos que é assim».
Tem direito à sua opinião, com certeza, mas num muito delicado momento para o clube, tanto no que concerne às questões de ordem estrutural como desportiva, as figuras mais visíveis associadas ao Sporting deveriam ter a sensatez de evitar enunciar pareceres que serão, inevitavelmente, aproveitados para provocar acrescido sensacionalismo em torno do clube. Não deixa de ser estranho que esta personagem apareça frequentemente a enodoar o padrão comportamental que preza impor aos elementos sob a sua alçada no organismo nacional a que preside. Lamentavelmente, este cariz de intervenção não é inédito no seio da família sportinguista, levando qualquer desinteressado observador à conclusão de que a insaciável procura do protagonismo, por vezes, o aprazimento de interesses materiais e sociais e, sobretudo, a proverbial estimulação do «consagrado» ego, supera o bom senso e preenche o leque de considerações egoisticamente soberanas, indiferente aos danos ao Sporting.

Uma entrevista importante

I

 

O jornal Record está de parabéns. Pela entrevista ao presidente do Sporting, (bem) conduzida pelos jornalistas António Magalhães, António Bernardino e Alexandre Carvalho. Uma entrevista importante tanto pelo que se diz nas linhas como nas entrelinhas. Uma entrevista em que Luís Godinho Lopes não hesita em apontar o seu próprio exemplo ao vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão: «Aconselhei várias vezes Pereira Cristóvão a preservar a sua posição inicial [de renúncia à vice-presidência]. Cada um age segundo a sua consciência. (...) Eu próprio, por causa de um assunto que nada tinha a ver com o Sporting, tomei a decisão de me demitir.»

É uma longa entrevista de nove páginas, com muito para ler. Uma entrevista com várias revelações. Eis uma: o presidente do Sporting soube que o clube estava sob investigação no momento em que conversava com os três capitães das modalidades que disputam as meias-finais das competições europeias [futebol, futsal e andebol]. Para quem acredita em coincidências...

Outra revelação: antes do decisivo jogo contra os bascos do Athletic, Godinho Lopes recebeu duas chamadas telefónicas de incentivo de dois presidentes de clubes. Pinto da Costa (FC Porto) e António Salvador (Sp. Braga). «Foram os únicos líderes que me ligaram exclusivamente para esse efeito...»

A destacar ainda: a equipa B do SCP «vai avançar» já na próxima época: «Temos vários jogadores cedidos a equipas um pouco por todo o lado, no Cercle de Brugges, no Deportivo, e a várias equipas portuguesas. Com a criação da equipa B esses jogadores podem prosseguir os respectivos processos de formação connosco, competindo pelo nosso clube», justifica o presidente dos leões.

 

II

Há, por outro lado, a garantia de que Ricardo Sá Pinto permanecerá como treinador da equipa principal de futebol até 2014. Mas é uma promessa que vale o que vale: tudo depende dos resultados em campo. Este é, aliás, o ponto mais fraco da entrevista: o Record não conseguiu arrancar uma palavra a Godinho Lopes sobre o atribulado processo de substituição de Domingos Paciência pelo actual treinador. O presidente deixou entretanto claro que só não tomou já a decisão de convocar eleições antecipadas por motivos de âmbito desportivo e financeiro: «Temos eliminatórias que nos podem dar acesso a três finais europeias, estou em plenas negociações com investigadores e tomaria uma decisão contrária à estabilidade que pode permitir o acesso a tudo isso?»

Discordo em alguns pontos de Godinho Lopes. Do silêncio imposto ao clube nas relações com os órgãos de informação (silêncio que ele em boa hora quebrou agora) até aos elogios feitos a Wolfswinkel, o campeão dos golos falhados no jogo de Alvalade contra os bascos. Mas nesta entrevista o presidente do SCP lembra dois pormenores essenciais: há um ano, o clube estava a 32 pontos do primeiro - e não a 13, como agora. E as assistências em Alvalade aumentaram muito nos últimos meses - sinal inequívoco de reencontro entre os adeptos e a equipa.

É muito? É pouco? Esperemos pelo jogo de Bilbau para retomar a conversa. Para já não falta matéria de reflexão.

Sobre a responsabilidade dos homens

 

 

"Os nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos de que dispomos para enfrentar podem ser novos. Mas os valores dos quais depende o nosso sucesso, trabalho esforçado e honestidade, coragem e fair play, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo, esses, são bem antigos. Esses são verdadeiros. Têm sido a força silenciosa do progresso ao longo da nossa História. Aquilo que se exige, pois, é um regresso a essas verdades. O que nos é exigido agora é uma nova era de responsabilidade." (Barack Obama)

Com clareza

"Sá Pinto pôs todos a remar para o mesmo lado". A frase é de Luís Godinho Lopes e encaixa que nem uma luva no que se está a passar com a equipa de futebol. O mesmo não se passa, contudo, com o caso Cardinal e o alegado envolvimento de um vice-presidente do clube. Também aqui é preciso que alguém ponha todos a remar para o mesmo lado, porque a decisão de aceitar o regresso de Paulo Pereira Cristóvão à direcção do SCP vai continuar a fazer correr rios de tinta. É preciso explicar a decisão, nem que seja em termos informais e mais pedagógicos, com o recurso ao spin. Agora o Sporting não pode ficar calado, em blackout, a ser atacado por tudo e por todos.

 

Se é verdade que existe a presunção de inocência de Cristovão até prova em contrário, e isso é de um valor inquestionável, também é verdade que esta novela está a prejudicar o Sporting em termos públicos e mediáticos, numa fase crucial da época e com jogos importantes pela frente. Por isso, há que defender os superior interesses do SCP.

 

É preciso que fique claro se este volte-face no pedido de suspensão se deve ao facto dos estatutos do Sporting não permitirem que um vice-presidente se afaste daquela forma. É preciso que fique claro que a renúncia não avançou porque teria de ser o próprio a pedir para ser afastado ou porque, no limite, essa renúncia só poderia ser levada à assembleia-geral do clube porque poderia colocar problemas técnicos em termos de direito desportivo e associativo (não esqueçamos que o SCP já perdeu um vice-presidente com a saída de Carlos Barbosa). Mais importante: é ainda preciso que fique bem claro que não houve qualquer forma de pressão interna ou externa que tenha levado à decisão que, diz-se por aí, levou nove horas a tomar.

 

O Sporting é livre, responsável e não abdica da defesa do seu bom nome. Que ninguém esqueça isso.

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