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És a nossa Fé!

Made in Alcochete

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Era um fim de semana solarengo de Junho de 2005, e com algum tempo livre “deu-me na cabeça” rumar a Odivelas. Aí, no relvado anexo ao velho estádio e meio empoleirado num prédio em construção, tive o prazer de ver o Sporting esmagar o Benfica por 4-1 e assegurar o título de Juniores dessa época.

Era uma equipa orientada por Paulo Bento e Leonel Pontes, comandada em campo por Miguel Veloso, e que contava com Nani e João Moutinho. Na mesma época, a equipa de Juvenis assegurava também o título da categoria, uma equipa orientada por João Couto, que contava com Rui Patrício, Adrien e Pereirinha. Cédric Soares estava nos iniciados, que falharam o triplo.

Dois anos antes Beto e José Fonte jogavam na equipa B, orientados por Jean Paul e Leonel Pontes, . Ronaldo e Quaresma por lá tinham passado pontualmente em épocas anteriores, e nessa altura já tinham rumado a outras paragens.

Onze anos depois, também rumei a Marselha para ver Portugal derrotar a Polónia e abrir caminho para a vitória final em Paris, com uma equipa que contava com todos aqueles jogadores já citados, com excepção de Miguel Veloso, que deu lugar ao também nosso William Carvalho,  fazendo com que a formação do Sporting fosse predominante na selecção e fundamental para o título alcançado.

 

Depois de 2005 muita água passou por debaixo das pontes, Alcochete foi conhecendo um lento definhamento, feito de incúria e falta de visão estratégica, com Aurélio Pereira mais ou menos desconsiderado. Ainda conseguimos ter a melhor equipa B de sempre, que contava com João Mário, Esgaio, Bruma, Dier e alguns outros, mas depois disso foi sempre a descer, para cinco anos depois batermos no fundo, com a equipa B extinta e os expoentes da formação no plantel principal (Rui Patrício, William Carvalho, Gelson Martins, Podence e Rafael Leão) em debandada, algum tempo depois de outros, como João Mário, Cédric e Adrien, terem sido vendidos.

Pelo meio surgiu em Alcochete uma cartilha na linha da frase idiota que continua mais ou menos vandalizada na estátua do leão, que parecia pretender transformar os jovens jogadores em aspirantes à bancada da Juveleo e que provocou a repulsa nos pais dos mesmos. Por onde andará essa coisa filha de pai incógnito?

Foi preciso então reconhecer o óbvio: Alcochete estava com falta de tudo, e não só de relvados e colchões em condições, mas também do capital humano que tinha fugido para alimentar o rival e duma cultura Sporting enraizada, que incluía jogadores a passear-se em Alcochete com camisolas doutros clubes. Depois disso, ainda se via assaltada por elementos da principal claque do clube, com os jogadores agredidos no seu local de trabalho.

Mais ou menos três anos depois, ou seja anteontem, e novamente em Paris, Alcochete estava reduzida ao Cristiano Ronaldo e aos dois ex-capitães fugitivos, enquanto o Seixal se podia gabar de Rúben Dias, Bernardo Silva, João Félix, Nelson Semedo e Renato Sanches. Nos suplentes estava lá apenas o Domingos Duarte, o novo José Fonte, que foi andando de empréstimo em empréstimo até à venda final.

 

Seria mesmo mau demais pensar nisto, se não soubéssemos que existe em Alcochete uma nova geração, que foi primeiro seleccionada e fidelizada, depois trabalhada na pré-época do ano anterior por Marcel Keizer e agora definitivamente lançada por Rúben Amorim, este claramente o novo Paulo Bento do Sporting.

Assim, olhando para o potencial de Luís Maximiano, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Tiago Tomás, Daniel Bragança, Matheus Nunes (que ainda andou pelos sub23 e um dia destes estará naturalizado), Jovane Cabral e Joelson Fernandes, mais um ou outro dos que estão a rodar na nova equipa B e nos sub23, não custa imaginar que, daqui a alguns anos, teremos uma selecção nacional mais uma vez dominada pela formação do Sporting.

E das coisas que mais me fascinam nesta nova geração de Alcochete, muito ao contrário do apregoado pelos ressabiados do costume, que falam em meninos ingratos e mimados, é ver que demonstram ter as ideias bem arrumadas, um discurso objectivo e assertivo, uma valorização da camisola que vestem e do clube que representam. No fundo, demonstram o seu ADN Sporting. Dizem que Tomaz Morais tem feito um trabalho notável em Alcochete na área da formação comportamental para o alto rendimento, que inclui valores e princípios de vida. Pode ser esse um factor essencial nesta situação.

Apenas como exemplo, disse o Nuno Mendes depois do golo genial em Portimão: “Cada lance é como se fosse o último e foi assim que o encarei. (...) É um orgulho jogar no Sporting, vou guardar este dia para sempre.(...)  O meu trabalho é jogar dentro de campo, o que se passa fora não interessa.”

É mesmo isso, Nuno. Continua assim que vais bem longe. E a Selecção Nacional aguarda por ti.

SL

O contraste não podia ser maior

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AUGUSTO INÁCIO:

«O Sporting tem um plantel muito fraco e só pode lutar pelo quarto, quinto lugar. O Braga vai ficar à frente do Sporting.»

Ex-treinador do Sporting em entrevista ao programa de Youtube O Espartano

«A pergunta que se coloca agora é: "vai para lá o treinador e não é milagreiro." Ok, mas tem que lhe dar jogadores para fazer uma equipa a sério. Será que o Sporting terá dinheiro? Houve gente que não gostou quando eu disse que o Braga tem melhor plantel que o Sporting. Não disse mal do Sporting. E é verdade.»

«O Sporting tem de lutar pelo terceiro lugar. No campo das hipóteses, e se o Sporting não conseguir apanhar o Braga? Que força, que imagem, que impacto terá o treinador que custou 10 milhões?»

«É uma loucura pagar esse valor por um treinador, mas é uma decisão de quem gere o clube e certamente tem mais informação do que eu para poder falar sobre a parte financeira.»

Ex-treinador do Sporting, em entrevista à rádio Observador

 

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PAULO BENTO:

«É público aquilo que o Sporting significou, significa e significará para mim, em termos pessoais e profissionais. Foi um clube onde acabei uma carreira de 15 anos de jogador e iniciei outra de treinador. Primeiro na formação, depois na equipa principal.»

«Espero e desejo, por ser um clube que me diz muito, que o Rúben Amorim tenha essa estabilidade e essa pontinha de sorte que é preciso ter e que as pessoas de uma vez por todas tenham paciência para poder suportar um projecto a longo prazo. Por isso estarei eternamente grato a pessoas que trabalharam comigo e me deram essa estabilidade. Nada disso teria acontecido se o Carlos Freitas não se tivesse lembrado de mim para treinar a equipa do Sporting e não tivesse pessoas como Soares Franco e Ribeiro Telles. Pessoas que nos momentos em que as coisas não correram bem tiveram a capacidade de acreditar em mim. Sem isso não teria estado tanto tempo no Sporting.»

«Não será o facto de [Amorim] ter custado 10 milhões de euros que o vai segurar no Sporting. O que verdadeiramente o vai suportar será o trabalho que vai desenvolver e a capacidade e crença de quem manda. O que será decisivo é a coragem do presidente - que já demonstrou ter para lidar com outras coisas - para segurar um treinador de uma vez por todas.»

Ex-treinador do Sporting, em entrevista ao jornal Record

Disse Paulo Bento

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Disse Paulo Bento no programa 'Mais Futebol', da TVI24:

"Aquilo que fica à distância é que o Sporting é um clube desunido, partido, que está permanentemente numa guerra. Durante muitos anos, até antes de eu ser treinador, e depois também, era um sítio onde os treinadores aguentavam muito pouco; agora parece que é um sítio onde os presidentes aguentam muito pouco também. Isso é traumático (...) Se fico surpreendido [Ataque à Academia]? Não me surpreende. Apesar de achar que aquilo que sucedeu na Academia foi o momento mais negro da história do Sporting. Foi algo que veio em crescendo. Não queria ter razão, mas creio que em novembro de 2009, após a minha saída do Sporting, disse algo parecido com isto: enquanto não se pensar que 60 mil são mais importantes do que 6 mil, ou enquanto deixarem que 6 mil sejam mais importantes do que 60 mil, o Sporting vai ter problemas. E a verdade é que os teve. Deixou que uma minoria ruidosa pusesse o nome do Sporting na lama. Acho que isso é deplorável e triste. Não nasci sportinguista, mas tenho um carinho muito grande por aquela instituição e custa-me ver o Sporting no estado em que está. (....)  Vivi momentos extremamente desagradáveis, não a este nível porque não calhou. Mas tive de meter as minhas filhas dentro do carro na garagem do Sporting para não verem certos episódios. Tive de ser escoltado até minha casa para não haver qualquer tipo de consequência; tivemos de estar com as famílias fechadas num balneário ao lado do balneário equipa da casa, para que estivessem um bocadinho mais tranquilas. Tive a seguir à famosa eliminatória, pela negativa, dos 12-1 uma espera na Academia onde parei para falar com as pessoas.... Estas são situações são como bola neve, crescem... (...) Quando se permite que haja poder no clube para destituir treinadores e fazer determinadas manifestações, isto está invertido. Não sou contra as claques, mas elas não podem ter direitos e não cumprirem os seus deveres. Estive num país [Grécia] onde os adeptos do clube visitante não podem ir ao estádio, acho que estamos a caminhar para isso. Já tivemos pedras a voar nas autoestradas quando as camionetas vão para cima ou para baixo, estamos a fechar os olhos até que aconteça mais alguma tragédia. O que estamos a fazer é tirar as famílias do futebol, a impedir que possam ir as crianças e a senhora e não apenas o homem. Estamos a subverter tudo isto, em vez de irmos para uma festa, parece que estamos a ir para um sítio de terror. Alguém tem de meter mão nisto", finalizou.

Não é preciso dizer mais nada, e eu não diria melhor.

Parabéns Paulo Bento.

SL

Que treinador seria bom para o Sporting, sem recursos para ir ao mercado?

Se se verifica que Silas não funciona, vejo apenas (sublinho apenas) três possibilidades:

Paulo Bento, casmurro o suficiente para não deixar que façam dele gato sapato. Sabe armar equipas em função dos recursos que tem e detesta vedetismo.

Carlos Queiroz, idem, com a nuance de ser mais atacante, mas também mais arisco com a media.

Abel Ferreira, idem, com a nuance de ser mais moderno e conhecer melhor a realidade do futebol português. Será o que tem mais anticorpos junto dos adeptos (mas todos têm).

Como opção extra, o filho do Manuel Fernandes, que tem sangue na guelra e parece ser competente. Não sei é se não se enfarilhará depressa com a direção (seja esta qual for) 

Paulo Bento

O anúncio da despedida de Paulo Bento do Cruzeiro não apanhou ninguém de surpresa. Os sucessivos maus resultados apontavam a esse desfecho. Definitivamente, Brasil e Paulo Bento não combinam.

Apesar de já não fazer parte da vida activa do Sporting, não deixo de manter estima e apreço por Paulo Bento. Como jogador e técnico foi sempre de enorme dedicação e lealdade ao clube. Por isso, é com pena que vejo este falhanço na sua carreira.

Depois da saída sem glória da Selecção, pedia-se a Paulo Bento o tantas vezes necessário passo atrás para depois poder dar dois à frente. Sempre tive dúvidas sobre se o Cruzeiro seria a melhor aposta. Confirma-se, agora, que não foi.

Paulo Bento está num momento crítico da sua carreira. A próxima aposta terá que resultar, isto se ainda mantém aspirações de regressar à elite onde esteve durante os anos em que treinou o Sporting. Doutro modo, será mais um daqueles treinadores que vão parar à Grécia, Turquia, China e Arábias, sem nunca mais voltarem a atingir brilhantimo no futebol português.

 

P.S.: O Sporting troca de directores de comunicação como quem muda de camisa e os tiros nos pés mantêm-se. Não teria sido muito mais inteligente, no sábado passado, não apresentar os 3 campeões europeus, precisamente para não dar azo a quaisquer polémicas (como acabou por suceder)? Ou apresentavam-se todos ou então nada. Ainda por cima os jogadores estão de férias, para quê interromperem o descanso?

Será o mesmo jogador? (Parte 2)

É impressão minha ou o Ricardo Quaresma agora proclamado "herói do Dragão" por ter marcado dois golos ao Bayern de Munique é o mesmo jogador que o ex-seleccionador Paulo Bento excluiu da convocatória do Mundial do Brasil, contrariando as mais naturais expectativas de quem se habituou a admirar este jogador desde os tempos da formação em Alcochete e em boa hora regressou à selecção pela mão de Fernando Santos?

Obrigado Paulo Bento - II

Mais uma vez um comentário que se tornou demasiado extenso a este post do Pedro Correia e que foi promovido:

É claro que Paulo Bento não fez tudo mal, antes pelo contrário. Mas como em tudo na vida, há que saber ler os sinais e o homem não o soube fazer (ou não quis, ou não o deixaram).

Depois da vergonhosa prestação no mundial deste ano, tivesse Paulo Bento feito uma introspecção, superficial que fosse, e chegaria à fácil conclusão de que o seu tempo passara; é que esse combóio passa sempre a horas e Paulo Bento ter-se-á perdido algures no caminho.

Até se pode argumentar que Italia, Inglaterra e Espanha também não passaram da primeira fase. Mas, exceptuando talvez a Espanha, tenho pra mim que as outras duas, apesar dos resultados, praticaram um excelente futebol e dariam aos nossos, naquela altura, o mesmo "tratamento" que a Alemanha! e ao contrário de Paulo Bento, Del Bosque soube aprender com a adversidade. Pois...

O sistema de jogo e algumas convocatórias/não convocatórias sem nexo contribuiram também para a desorientação que o impediu de chegar à estação a tempo. O seu temperamento (e ainda há por aí quem diga que Manuel José é irascível...) também não terá contribuído; vide casos Adrien, Dani, Ricardo Carvalho ou mesmo Quaresma, e a "malapata" contra o Sporting e por aí fora, numa clara demonstração de intolerância sobreposta aos interesses da selecção.

Paulo Bento tem efectivamente um score manifestamente positivo à frente da selecção! Levou-a aos lugares cimeiros do ranking da FIFA, mas caramba, com o melhor do mundo nas suas fileiras não fez, digo eu, mais que a sua obrigação! Mas... e o apuramento para as fases finais? convém não esquecer as orações que todos nós, até os agnósticos como eu, fizeram aos seus santinhos (eu fiz a todos, não fosse algum deles falhar).

E convém não esquecer que a selecção foi ao Brasil "apenas" porque Cristiano Ronaldo, mesmo lesionado, não quis prescindir de estar presente e arrancou dois jogos para não mais esquecer, um deles talvez o seu melhor jogo de sempre, na Suécia!

 

 

Temos que lhe estar reconhecidos? admito que sim, mas repito, com o melhor do mundo na equipa, com alguns "craques" do Porto e do Benfica e estrelas dos melhores clubes da Europa, Paulo Bento esteve para a selecção um pouco como Mário Wilson esteve para o Benfica, ou Jesualdo e Vitor Pereira para o Porto ou qualquer dos que treinou os Cinco Violinos para o Sporting: estava condenado ao sucesso. E o que é facto é que, apesar dos números positivos, fica um sabor a pouco na sua passagem pela selecção! E não será pelos resultados, que esses, como disse, até são relevantes; será sim, pelas más exibições, pelo mau futebol praticado, pela falta de visão táctica, pela casmurrice em nunca admitir que se enganou, pelas injustiças nas convocatórias, por ter deixado, por vezes, os melhores de fora em favor de um suposto espírito de grupo que em bom rigor, nunca existiu!

 

Não vem ao caso, mas apenas duas linhas para o Paulo Bento treinador do Sporting: com a mesma casmurrice, conseguiu quatro apuramentos para a liga dos campeões e só não foi campeão pelos motivos que todos conhecemos; mas convenhamos (apesar de que o que fica para a história sejam os resultados), comparadas com as equipas do seu antecessor, José Peseiro, as suas não jogavam nadinha...

 

Em resumo, e a ser verdade que a iniciativa de sair partiu dele próprio (e que até prescindiu de grande parte da verba a que teria direito), obrigado Paulo Bento, vais, pelo menos, um jogo atrasado!

Obrigado, Paulo Bento

Como é costume em Portugal, mal uma figura pública cai em desgraça logo se apressam os "corajosos" de turno, que nada disseram antes, a apedrejá-lo com fúria desmedida.

Apetece-me, portanto, remar em direcção contrária. Apesar de ter criticado no momento oportuno as opções do técnico no decepcionante Mundial do Brasil e de considerar que após a derrota contra a Albânia em casa ele deixara de reunir condições para se manter como seleccionador, este é o momento de expressar aqui uma palavra de apreço a Paulo Bento.

Os motivos são fáceis de enumerar.

 

O balanço da sua actuação, em quase quatro anos, é muito positivo: 47 jogos, 26 vitórias, 12 empates e apenas nove derrotas. É o terceiro seleccionador português com mais jogos disputados, o segundo com mais vitórias (62% de triunfos) e o terceiro com mais golos. Com ele ao leme da equipa nacional, Portugal ascendeu ao quarto lugar no ranking das selecções a nível mundial.

Iniciou funções já com a campanha de apuramento para o Campeonato da Europa em curso, quando tínhamos uma derrota contra a Noruega e um empate em casa (4-4) contra o modestíssimo Chipre. Apesar desses cinco pontos perdidos, conseguimos a qualificação e no Euro-2012 atingimos as meias-finais, tendo sido derrotados na marcação de penáltis - após prolongamento - frente à Espanha, que era campeã mundial em título e se sagraria campeã da Europa.

Uma das maiores proezas de sempre do futebol português a nível de selecções.

Depois conseguimos a qualificação para o Campeonato do Mundo de 2014. Só no Brasil a estrela de Paulo Bento começou a empalidecer, com a turma das quinas a tropeçar na fase de grupos. Tal como sucedeu com outras selecções muito prestigiadas - Itália, Inglaterra e Espanha, por exemplo.

 

Mas repito: não devemos pecar por ingratidão. Por mim, lembrarei os motivos de júbilo que a selecção treinada por Paulo Bento nos proporcionou. É isso que mais importa.

Era inevitável

Como alguns de nós tínhamos antecipado - incluindo eu, há quatro dias - Paulo Bento deixou de ter condições para permanecer no comando técnico da selecção nacional de futebol, humilhada em casa frente à Albânia.

Era inevitável. A Federação Portuguesa de Futebol acaba de anunciar, em comunicado, o fim do contrato com o treinador que levou Portugal às meias-finais do Campeonato da Europa de 2012 mas tropeçou na fase de grupos do Mundial do Brasil, este Verão.

Vira-se uma página. Quem será o próximo seleccionador? Por cá, antecipámos seis nomes: Fernando Santos, Jesualdo Ferreira, José Peseiro, Manuel José, Paulo Sousa e Vítor Pereira.

Paulo Bento: eterno seleccionador?

A saída de Paulo Bento do comando da selecção, por muitos solicitada, incluindo eu próprio, jamais se consumará.

 

Esta minha conclusão deve-se a uma questão que eu coloquei a mim mesmo: saindo Paulo Bento quem estará em condições de o substituir?

 

Ora candidatos não faltarão, como é óbvio. Porém será mais do mesmo, pois o problema na selecção não está (apenas???) no actual seleccionador mas em toda a Federação, Liga, Associações Distritais e outros…

 

Andam claramente todos a comer da mesma gamela, isso é certo!

 

A ida da selecção portuguesa ao Mundial rendeu uns cobres por via da FIFA, mais os contratos de publicidade e de apoio em material desportivo e não só, fez com que todos os que estão ligados ao dirigismo associativo queiram aceder a estas chorudas verbas.

 

Deste modo qualquer treinador que possa eventualmente via a substituir Paulo Bento irá forçosamente sofrer dos mesmos (actuais) dissabores desportivos, porque terá se ser conivente com quem lhe paga. A costumada trapalhada à portuguesa. 

 

… Até que um dia alguém dê um valente murro na mesa e coloque esta pandilha sem nível nem categoria, refém até à medula de empresários e quejandos, no seu devido lugar, que é, naturalmente, o olho da rua.

Já não dá mais, Paulo Bento

É com pena que o digo, mas após o jogo de ontem Paulo Bento definitivamente não pode continuar à frente da seleção portuguesa. Não se espere que só com o afastamento do selecionador tudo passe a correr às mil maravilhas, mas claramente Bento não tem condições. O resultado de ontem é bem pior do que perder 4-0 com a Alemanha: é o pior que eu me lembro da seleção portuguesa.

Carta aberta a Paulo Bento

Caro (ainda) seleccionador,

 

Após o jogo de hoje percebi qual o problema da nossa equipa e para o qual o meu caro Paulo não tem obviamente solução. Esse problema chama-se: equipa adversária. Isso mesmo que leu… a selecção contrária.

 

Não fossem os jogadores das outras equipas jamais os jogadores portugueses teriam problemas. Parece que os adversários quando jogam contra Portugal fazem-no para nos aborrecer. E nos ganhar! Uma chatice…

 

Num passado não muito distante foram Chipre e Israel. Hoje foi a Albânia. É realmente demais!

 

Repito o que disse atrás ao referir que o caríssimo Paulo tem um problema em mãos sem solução à vista…

 

Há uma remota hipótese, que passaria por a FPF apresentar à UEFA ou à FIFA um novo modelo de futebol jogado pela equipa do meu caro seleccionador e que se resumiria apenas na entrada em campo de duas equipas: a (mal) treinada por si e a equipa de arbitragem.

 

Desta forma os jogadores lusos entretinham-se a atirar umas bolas de uns para os outros e de vez em quando lançavam uma para a baliza, supostamente adversária, para ver se acertavam e marcavam golo…

 

Talvez não fosse muito emocionante, mas provavelmente seria eficaz!

 

Pense nisso!

 

Um abraço deste treinador de sofá,

 

Zé Adepto

 

Também aqui

Dez notas sobre o jogo de hoje

 

1. Foi o pior jogo da selecção nacional em jogos oficiais neste século. Um jogo lamentável a todos os títulos: não só pelo resultado (derrota em casa contra a Albânia) mas também pela paupérrima exibição.

 

2. Portugal não teve ataque digno desse nome. Rematou muitas vezes, mas sempre mal. A Albânia só rematou uma - e marcou. Fez toda a diferença.

 

3. Depois de um Mundial medíocre, impunha-se a renovação da selecção nacional. Paulo Bento não renovou praticamente nada: apenas uma estreia no onze titular.

 

4. Para este jogo contra a modestíssima Albânia, em que era decisivo apostar no ataque, o seleccionador só convocou um ponta-de-lança: Éder, que em 12 jogos foi incapaz de marcar até hoje um golo pela selecção. Nem no banco havia outro.

 

5. O golo albanês beneficia de um clamoroso falhanço do nosso eixo defensivo. Ricardo Costa - convocado sem competição digna desse nome, com apenas um jogo disputado na Liga do Catar, longe da alta competição - não estava lá.

 

6. João Pereira não joga no campeonato espanhol, mas foi titular na selecção. Miguel Veloso não joga no campeonato ucraniano, mas voltou a ser aposta de Paulo Bento: foi o primeiro a saltar do banco.

 

7. Por que motivo não se aposta em Ruben Neves, que está a ser uma das sensações deste campeonato, ou Carlos Mané, elogiado pela crítica mais insuspeita, ou José Fonte, capitão do Southampton, ou Danilo, um médio de grande qualidade, ou Bruma, cuja vocação goleadora ninguém discute?

 

8. Adrien continua sem se estrear na selecção A. Começo a questionar-me se fará parte de alguma lista negra de Paulo Bento. Como já fazem Danny, Ricardo Carvalho, Bosingwa, Quaresma e Manuel Fernandes. Talvez só assim se explique.

 

9. Ficaram desfeitas as dúvidas de uma vez para sempre: há uma selecção com Cristiano Ronaldo e outra sem ele. Quando ele não joga, como hoje aconteceu, o resultado é sempre pior.

 

10. A partir de hoje, Paulo Bento deixa de ter condições para se manter como seleccionador nacional. Tal como sucedeu com Carlos Queiroz no desastroso início da campanha rumo ao Euro-2012, é tempo de sair pelo seu pé. Espero sinceramente que faça isso.

As coisas vão mudando

Entre os nomes convocados por Paulo Bento para a (ainda tímida) renovação da selecção nacional de futebol incluem-se alguns que foram oportunamente indicados no És a Nossa Fé: Bruma, Anthony Lopes, Luís Neto, Vitorino Antunes, Ivan Cavaleiro, Ricardo Horta, André Gomes e Ruben Vezo. Além de William Carvalho e Adrien, que já destaquei aqui.

Aos poucos, as coisas vão mudando. Só aos poucos.

Quatro do Sporting na selecção

O Sporting é o clube mais representado na lista dos jogadores chamados ao próximo desafio da selecção nacional, contra a Albânia, a 7 de Setembro, no início da campanha para o apuramento do Europeu de 2016. Com a convocação de Rui Patrício, William Carvalho, Adrien e Nani.

No caso de Adrien, Paulo Bento quererá pôr termo a uma clamorosa injustiça. Parece um bom começo.

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