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És a nossa Fé!

Melhor que Eusébio e que Cristiano Ronaldo

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Hoje tem estado tudo muito assanhado, a discutir o desempenho de Paulinho.

Percam (ou ganhem) um pouco de tempo,  passem pelo sítio da Federação Portuguesa de Futebol.

A média de golos de Paulinho, pela selecção A, é superior à de Eusébio e à de Cristiano Ronaldo, não sou eu nem o Luís Lisboa que o dizemos, são os factos, a frieza dos números.

Três perguntas sobre Paulinho

Texto de António Pereira

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Em relação a Paulinho, e sendo evidente que como goleador não está a atravessar um bom momento, gostava de deixar aqui algumas reflexões:

- Paulinho. Tem carácter, empenha-se, dá tudo, para além do que ajuda a equipa noutras tarefas, esforça-se, luta, aparece, dá a cara, para tentar inverter o ciclo negativo em que está como goleador;
- Rúben Amorim. Escolheu Paulinho: é um jogador que conhece, que seleccionou para aquela posição porque considera que é o que se encaixa melhor na forma de jogar do Sporting. Rúben confia em Paulinho, eu confio em Rúben;

Direcção. Confia no treinador, nas suas escolhas e decisões. Um treinador que na altura, com uma equipa baseada na formação, já tinha ganho a Taça da Liga e ia em primeiro no campeonato. Fez um esforço para lhe dar o jogador que ele queria: custou 16 milhões (13, se abatermos os 3 de Borja, que para mim valia zero, era um custo em salários). Satisfez o pedido do treinador com o melhor negócio possível.

 

Deixo as seguintes questões:

- Se Paulinho tivesse custado 8 ou 10 milhões em vez dos 13/16 milhões, já podia falhar golos? O problema do Sporting ficava resolvido?

- Se fossem um dos dos três envolvidos, Paulinho, Rúben e Direcção, o que faziam de diferente?

 

Texto do leitor António Pereira, publicado originalmente aqui.

Toma nota, Paulo

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Perdoa a franqueza, mas interessa-me pouco o teu "trabalho sem bola". Quero é que marques golos de verde e branco. 

Quero que deixes de ser Paulinho e passes a ser Paulão. Que rima com Leão.

Se não te sentes em forma, por algum motivo, pede ao treinador para fazer avançar o Tiago Tomás. Tu ficas no banco a ganhar balanço. Talvez te faça bem.

Nada muda para que tudo mude

Ontem saí de Alvalade encantado (muito) e decepcionado (um pouco) pelas mesmíssimas razões. 
A decepção, para aviar já este assunto, vem da parcimónia de golos para tão grande domínio. Aquela aberração do BSAD, que envergonharia qualquer campeonato civilizado, deveria ter saído com uns seis golos no bucho e era uma sorte. Paulinho é fantástico a jogar para a equipa, a deslaçar as defesas adversárias, como se revela medonho a dar o último piparote na bola para a baliza.

O encanto vem de ver a máquina a funcionar. O Sporting de Rúben Amorim mandou a táctica às malvas, toda a gente sabe que o esquema é 5-2-3 a defender, ou na "transição defensiva" em paleio de cátedra, e 3-4-3 a atacar. Ora isto não quer dizer absolutamente nada e tornou-se conversa para adormecer o boi. O que verdadeiramente conta é o que cada peça faz no seu lugar. Por exemplo: quando joga Jovane em vez de Nuno Santos, porque são jogadores diferentes, que fazem coisas diferentes na mesma posição, é claro que a bola tem de lá chegar de maneira diferente e é óbvio que sairá de lá de maneira também diferente. Tudo muda quando mudam os jogadores sem que nada mude na organização. Ora isto funciona porque toda a equipa, de Adán a Paulinho, joga em função dessa diferente expectativa do que um ou o outro irão fazer. E isto é prodigioso, quer dizer, é treino, muito treino.

Continuem rapazes, é só calibrar um bocado mais a pontaria.

O dia seguinte

Como todos se recordarão, o Sporting foi campeão na época passada com muito esforço, dedicação e devoção, mas também muito sofrimento, especialmente contra as equipas mais pequenas do campeonato.

A equipa tinha muita dificuldade em meter intensidade e velocidade no jogo sem comprometer o controlo do mesmo. Depois via os minutos a passar, a vitória por acontecer e tinha mesmo de arriscar tudo num pressing final. Até fazer de Coates o ponta de lança que resolvia jogos.

Este Sporting, no mesmo modelo de jogo da época passada, consegue ser diferente porque Matheus Nunes joga a outro ritmo que João Mário, porque os processos de jogo estão muito mais consolidados, porque Paulinho, Esgaio e Vinagre têm também essas características.

E assim ontem tivemos um jogo que o Vizela (e Jovane) complicaram até não conseguir manter o pressing defensivo a todo o campo, desgastado pelas variações constantes de flanco de jogo, e até o mágico do costume ter dado início ao espectáculo. Foram dois golos do outro mundo, ao nível dum Messi. E depois lá veio o Harry Kane de Alvalade dar início à corrida de melhor marcador desta temporada. Marcou um, outro só não entrou porque foi penálti, falhou outro de cabeça que o original se calhar não falhava (mas são 200M€ e parece que faltou aos treinos) mas foi mais uma vez o pivot de toda a manobra ofensiva.

Como diz Álvaro Magalhães n' A Bola, Esgaio, Vinagre e Ugarte são contratações magníficas de jogadores "nacionais" que se encaixam imediatamente no jogo e no balneário. Como diz Dias Ferreira, e digo eu também, o problema não é o custo deles, o problema é isso poder ser um problema para o Sporting e para as finanças da sua SAD.

 

#OndeVaiUmVaoTodos

SL

O dia seguinte

O Sporting conquistou ontem o Troféu 5 Violinos, vencendo com tranquilidade uma das melhores equipas de França, e apresentando um onze já próximo da qualidade necessária para enfrentar uma época exigente a todos os níveis.

Este jogo fechou uma pré-época muito bem conseguida. Por um lado promovendo a participação duma base alargada de jovens que continuarão a competir ao longo da época nas diferentes equipas do clube ou que serão emprestados a clubes da 1.ª Liga, por outro entrosando todo o plantel num modelo de jogo cada vez mais aperfeiçoado e onde todos se sentem confortáveis a jogar quando são chamados.

Assim é possível ver um Jovane ou um Matheus Nunes muito mais jogadores de equipa do que na temporada passada, cumprindo diferentes funções em diferentes pontos do terreno, um Esgaio e um Vinagre a fazerem esquecer os titulares das posições e um Tabata a cumprir na posição de box-to-box.

 

Voltando ao jogo de ontem, depois de algum sofrimento contra uma equipa que acelerava em cima da defesa do Sporting, com Feddal e Nuno Mendes (este ainda em jet-lag da vertigem do Euro) com muitos problemas e Coates a tentar resolvê-los sem o conseguir, a partir do golo sofrido a equipa pegou no jogo com Paulinho como pivot ofensivo em torno do qual todo o jogo fluia. As oportunidades de golo foram-se sucedendo, chegámos ao ao intervalo em vantagem no marcador.

No segundo tempo, também porque o Lyon quebrou um pouco, o Sporting foi ganhando embalagem e teve momentos de elevada nota artística, como dizia o outro, com a bola a circular rápido e a chegar com critério à área adversária para o remate com sucesso, como foi o caso do terceiro golo.

Vieram depois as substituições e o grande leão Slimani entrou a tempo duma grande desmarcação e um golo muito bem conseguido. Um lance parecido com alguns outros que o Lyon foi tentando, muitos a terminar em fora-de-jogo.

 

Que dizer mais ? Este Sporting está num nível bem superior àquele que iniciou a época passada, o estatuto de campeão traduz-se em determinação e confiança, o modelo de jogo do Amorim está muito mais interiorizado e aperfeiçoado, e muita gente, especialmente os mais jovens, conheceram uma evolução tremenda.

Um guarda-redes sóbrio e seguro, seja Adán ou Max, alas muito completos ofensiva e defensivamente, um trio de centrais com um Coates imperial e um "Benkenácio" a caminho, um "polvo" Palhinha complementado com um box-to-box Matheus Nunes ou Tabata a acelerar jogo pelo meio, um pivot de grande classe que até marca golos, Paulinho e um pequeno mágico, Pedro Gonçalves, que vai por ali andando sem se dar por ele até marcar golos ou dar a marcá-los, enquanto um interior, como Nuno Santos, Jovane ou Plata assume o papel de desestabilizador da defesa contrária.

Com mais um ou outro que ficaram no banco, temos um plantel muito equilibrado. Nota-se um grande ambiente e espírito de equipa.

 

O fecho do mercado ainda vem longe e o Sporting terá de ser sempre um clube vendedor, o que não pode mesmo é comprar caro e pior do que vende a preço de saldo. A venda de Rosier e a não continuidade de João Mário equivalem de algum modo ao reforço de Esgaio, Vinagre e Ugarte, mas são precisas mais vendas para equilibrar as contas.

No meu entender, as vendas daqueles que fazem mais falta deveriam ficar para o ano, depois de outra boa época. Convinha encontrar outras fontes de financiamento para segurar o barco até lá. A saúde financeira não existe sem sucesso desportivo, e é neste que é indispensável apostar. Com este (brilhante) treinador e este plantel, além de todas as dificuldades que enfrentam os dois rivais, temos uma oportunidade de ouro que não pode ser desperdiçada.  

O primeiro troféu da época está ganho. Vamos ao segundo, segue-se a Supertaça. 

 

#OndeVaiUmVãoTodos

 

PS: Alvalade está ficar a pouco e pouco como o Pavilhão Rocha, a libertar-se da piroseira e mosaicada e a adoptar uma estética que prestigia o clube. Como ficou o espaço entre os dois, só vendo ao vivo para ter opinião. Que saudades de lá voltar, a um e a outro. E enquanto o equipamento principal se estranha, o alternativo depressa se entranha.

SL

Pré-época começou bem e acabou melhor

Sporting, 3 - Lyon, 2 (Troféu Cinco Violinos)

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Paulinho em foco: bisou frente ao Lyon

 

Terminamos da melhor maneira a pré-época. Com uma vitória sobre o Lyon - quarto classificado do campeonato francês - alcançada ontem em Alvalade, num estádio infelizmente ainda sem público. Um triunfo que nos permitiu conquistar o Troféu Cinco Violinos pela sétima vez em nove edições. 

Os franceses abriram o marcador logo aos 8', numa boa jogada pelo seu flanco direito. Mas o Sporting reagiu muito bem: antes do intervalo já tínhamos virado o resultado a nosso favor, com golos de Paulinho (31') e Pedro Gonçalves (35'). Após o intervalo acentuou-se o domínio leonino, coroado com o nosso terceiro golo, aos 49', apontado também por Paulinho - desta vez o melhor de verde e branco. Do lado francês, brilhou um guarda-redes bem nosso conhecido: Anthony Lopes, que evitou por quatro vezes o golo.

Mesmo ao cair do pano, na última jogada do encontro, oportunidade também para brilhar uma figura muito familiar entre os sportinguistas: Islam Slimani, que fixou o resultado com um excelente chapéu a Adán. Foi o reencontro do argelino com Alvalade, onde se destacou como goleador em três épocas, entre 2013 e 2016. Desta vez marcou contra nós, mas merece aplauso à mesma.

Balanço desta pré-temporada: oito vitórias e apenas um empate. Positivo, claro. Começou bem e acabou melhor. Com os campeões nacionais confirmando os predicados anteriores e os reforços já a darem um ar da sua graça.

A partir de agora será a sério: no sábado joga-se a Supertaça.

 

Análise muito sumária do desempenho dos jogadores:

ADÁN. Noite de pouco trabalho para o espanhol, isento de culpa no primeiro golo. No segundo, Slimani apanhou-o adiantado. Dois lapsos na saída com a bola a jogar com os pés.

GONÇALO INÁCIO. Teve um momento precioso na assistência para o nosso segundo golo, com um passe vertical de 50 metros. Reforça a posição como central do lado direito.

COATES. Regressou enfim, após férias tardias no rescaldo da Copa América em que alinhou pela selecção do Uruguai. Voltou em forma: foi vital em vários cortes. Saiu aos 69'.

FEDDAL. Central à esquerda, terminou o jogo ao meio, após a saída de Coates. Falhou algumas dobras a Nuno Mendes e podia ter feito melhor no lance do primeiro golo.

ESGAIO. Boa condição física: o corredor direito foi todo dele, parecendo totalmente ambientado. Único reforço que alinhou como titular. Deu nas vistas com um par de centros.

PALHINHA. Melhorou imenso desde a partida frente ao Angers. Tanto na recuperação como no passe. Nunca dá um lance por perdido. Substituído aos 69'.

MATHEUS NUNES. Parece o principal candidato a ocupar o lugar que João Mário deixou vago. Cumpriu no essencial, articulando bem com Palhinha.

NUNO MENDES. Exibição irregular. Perdeu vários duelos na ala esquerda, onde várias vezes foi apanhado em contrapé. Viu amarelo aos 23'. Saiu tocado, aos 63'.

PEDRO GONÇALVES. Quando menos se espera, tira um coelho da cartola. Participou no primeiro golo, marcou o segundo e assistiu no terceiro. É isto que se quer dele. Saiu aos 57'.

JOVANE. O treinador apostou nele como titular. E decerto não se arrependeu. Inicia o primeiro golo num magnífico passe de trivela. Excelentes lances ofensivos aos 46' e 56'. Saiu aos 69'.

PAULINHO. Os adeptos exigem-lhe golos - e ele está a corresponder. Desta vez com um bis, à ponta-de-lança. Boas movimentações na área. Saiu aos 69', com missão cumprida.

NUNO SANTOS. Entrou aos 57', substituindo Pedro Gonçalves. Encostado à ala, revelou-se menos dinâmico do que noutros desafios. Está a competir com Jovane para extremo titular. 

VINAGRE. Entrou aos 63', para o lugar de Nuno Mendes. Dinâmico, veloz, competente a cruzar. Aos 71' assistiu para um golo de Tiago Tomás, anulado por deslocação. 

PLATA. Primeiros minutos do jovem equatoriano nesta pré-temporada. Substituiu Jovane aos 69', alinhando como extremo direito. Discreto, não causou desequilíbrios.

TABATA. Rendeu Palhinha aos 69', confirmando que actua melhor no corredor central. Aos 82', excelente passe a isolar Nuno Santos. Marcou muito bem um livre aos 90'+3.

TIAGO TOMÁS. Entrou para o lugar de Paulinho, aos 69'. Deu muito trabalho à defesa adversária. Ainda marcou, mas estava adiantado. Anthony Lopes impediu-lhe o golo aos 77'.

MATHEUS REIS. Central à esquerda a partir dos 69'. Distinguiu-se num passe certeiro, aos 77', para Tiago Tomás. Prestação positiva.

 

Notas finais:

- Mantém-se acesa a disputa pela posição 8, vaga com a saída de João Mário. Matheus Nunes e Tabata são os principais candidatos. Daniel Bragança, que ontem não calçou, perde terreno.

- Também interessante, o duelo entre Jovane e Nuno Santos para uma das posições de extremo. Rúben Amorim parece ter renovado a confiança no luso-caboverdiano, que vai progredindo no capítulo táctico.

- Nuno Mendes ainda não reeditou as exibições da temporada anterior. Saiu tocado, suscitando alguma preocupação. Na posição dele, vai-se exibindo Rúben Vinagre.

- A partir do minuto 69 passámos a jogar com três centrais esquerdinos: Gonçalo Inácio, Feddal e Matheus Reis. Facto raro, mas que não parece afectar o equilíbrio da equipa.

Pode acontecer, aconteceu

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Gosto de pensar no futebol como uma metáfora da vida.

Num primeiro momento jogadores vestidos de vermelho e branco tentam contrariar o destino.

Num segundo momento os jogadores vermelhos e brancos vêem aquilo que têm de mais precioso a encaminhar-se para uma prisão (a baliza) com umas grades (o quadriculado da rede).

A vida, se pensarmos bem, é isto.

Mais cedo ou mais tarde os nossos actos têm consequências.

Tantas vezes a bola bate no poste que um dia é o poste que nos bate na bola, com força.

Balanço (24)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre PAULINHO:

 

Luís Barros: «Não consigo perceber e aceitar a paixão pelo jogador mediano do Braga, que nunca fez parte do pódio dos melhores marcadores nacionais.» (5 de Janeiro)

- Francisco Chaveiro Reis: «Não é mau jogador, mas tem quase trinta anos e um custo absurdo, pronto a ir para os cofres de um clube da mesma liga.» (28 de Janeiro)

- Gonçalo Ferreira: «É o melhor marcador do Braga e internacional português. Poderoso na grande área. Habituado ao nosso campeonato. Por este preço arranjavam melhor ou viria um Sporar 2?» (3 de Fevereiro)

Luís Lisboa: «Com Paulinho, o Sporting tem enfim uma coluna vertebral a sério: Adán-Coates-Palhinha-Paulinho.» (6 de Fevereiro)

- Zélia Parreira: «Há jogadores talismã... e há o Paulinho.» (21 de Abril)

- Eu: «É ele a apontar o grande golo que ficou o 2-0 como resultado desta partida. Excelente disparo de meia distância, fortíssimo e muito bem colocado, fazendo jus à fama de artilheiro do jogador que veio do Braga. Foi o seu segundo vestido de verde e branco.» (6 de Maio)

- Pedro Boucherie Mendes: «Que o Momento Paulinho sirva de inspiração e ilustração para duas verdades elementares. Para se vencer é preciso investir. Pode ser pouco ou muito, mas é preciso investir. E para se vencer é preciso dar condições e confiança a quem se escolhe para estar ao leme.» (18 de Maio)

O momento Paulinho


Era provável que um dos heróis de um título de campeão nacional do Sporting fosse o Paulinho, mas não se imaginaria que fosse o jogador que começou a época no Minho, ao serviço do Braga. O outro Paulinho, técnico de equipamentos, é uma figura carismática do desporto em Portugal, mas defendo que foi a contratação do avançado, na chamada janela de janeiro, que deu o título ao Sporting, dezanove anos depois do último.

Mais: até defendo que o Momento Paulinho entre para o léxico da gestão autóctone, para definir aquela decisão em que o CEO demonstra que confia na equipa que tem, a ponto de investir a sério. Com  o objetivo “Champions”, a gestão do Sporting já cometera uma loucura, ao contratar um treinador por (cerca de) 15 milhões de euros (mais o salário). Em futebol profissional, e espantosamente, não se costuma fazer isso, embora 15 milhões por um jogador de que nunca ninguém ouviu falar não levante o sobrolho a ninguém.

O futebol paga por executantes, mas não é costume pagar por pensantes e estrategistas. Curioso, não é?

Rúben Amorim, o treinador do Sporting, beneficiou de ser um homem de ideias fixas. A seu favor, o facto de estar bem na vida e poder aceitar os desafios profissionais que entende, impondo condições. Treinava o Braga, depois de vindo do Casa Pia, e terá aceitado o Sporting talvez porque pensasse que há comboios que não passam duas vezes, porque acreditasse que em dois ou três anos conseguiria chegar à Champions e houvesse então dinheiro para disputar a liga doméstica, ombro a ombro com os rivais.

Escudados pelos dirigentes que o compraram caro, Amorim teve a intuição certa e, na constituição do plantel, usou de uma pragmática que deveria ser óbvia. Em caso de dúvida, privilegiou os jovens da formação, que conhecem as especificidades da liga portuguesa, têm custo zero e salários muito menos pesados, em detrimento de jogadores de outros países e campeonatos, mais caros, com vencimentos superiores e que precisam de se acostumar. A somar a esses miúdos da formação, os dirigentes do Sporting, do presidente ao treinador, escolheram meia dúzia de jogadores mais velhos que aportassem calo, sabedoria, manha e experiência ao grupo. Sendo o Sporting um clube pobre, nenhum dos jogadores que chegaram era propriamente disputado pelos potentados europeus.   

A meio do trajeto, mais ou menos por janeiro, o Sporting liderava por larga margem, mas ainda era possível soçobrar e contrata Paulinho, um português de Barcelos, que fará 29 anos em novembro. Os adeptos não exultaram e muitos acharam que não fazia falta nenhuma.

Discreto, com ar de boa pessoa, sem pinta de futebolista mediático, nem lento, nem veloz, joga na posição mais ingrata de todas (ponta de lança) e tornou-se no jogador mais caro de sempre para o Sporting. A contratação do internacional português ao Braga foi vista como uma exigência do treinador, a que a direção finalmente anuiu, supostamente com travo amargo.

O que me parece que não se percebeu foi que este momento Paulinho marca o instante em que dirigentes e treinador compreendessem e aceitassem mutuamente que estavam mesmo comprometidos a ser campeões. A direção comprou Paulinho para o treinador e este deixou de ter capital de queixa (e a comichão) de não o ter e pôde concentrar-se na conquista do campeonato. 

Que o Momento Paulinho sirva de inspiração e ilustração para duas verdades elementares. Para se vencer é preciso investir. Pode ser pouco ou muito, mas é preciso investir. E para se vencer é preciso dar condições e confiança a quem se escolhe para estar ao leme.

 

p.s. Outra dinâmica que tem passada despercebida é a alusão que Amorim faz à sua equipa técnica. Guarda-redes, linha defensiva, bolas paradas para meter golos, linha atacante, tudo isto (e por certo muito mais) tem liderança de Amorim e ciência e competência dos seus tenentes. Ninguém faz nada sozinho. 

Pódio: Paulinho, Coates, Palhinha

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Rio Ave-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Paulinho: 20

Coates: 18

Palhinha: 18

Gonçalo Inácio: 17

Pedro Gonçalves: 16

Feddal: 16

Nuno Mendes: 16

João Mário: 15

Adán: 15

João Pereira: 15

Matheus Nunes: 15

Jovane: 13

Nuno Santos: 13

Daniel Bragança: 7

Neto: 6

 

Os três jornais elegeram Paulinho como melhor jogador em campo.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do triunfo tranquilo do Sporting em Vila do Conde. Pela segunda semana consecutiva, vencemos por 2-0. Domínio leonino absoluto na primeira parte, em que condicionámos toda a manobra do Rio Ave. A vantagem começou a ser construída aos 34', na conversão de uma grande penalidade (a nona de que beneficiámos nesta época), por Pedro Gonçalves, e ficou selada aos 63', quando Paulinho marcou um grande golo. Que só não fez levantar o estádio porque - apesar do desconfinamento geral - o público continua impedido de frequentar as bancadas.

 

Da nossa solidez defensiva. Não é por acaso que o Sporting mostra os melhores números nesta matéria de todos os campeonatos europeus: apenas 15 golos consentidos em 31 jogos, menos de meio golo por partida. Fora de casa, até agora, só sofremos seis. Uma vez mais, este desafio travado no estádio dos Arcos demonstrou a excelente organização da nossa equipa no plano defensivo, desta vez com um trio de centrais composto por Gonçalo Inácio (regresso em boa forma), Coates e Feddal. Com Neto a entrar aos 83', para ala direito, sem alterações no sistema táctico.

 

De Paulinho. Sem favor algum o melhor em campo. É ele que ganha o penálti aos 32', numa jogada de insistência em que fez embater a bola no braço de um defensor adversário (a falta foi assinalada pelo vídeo-árbitro Tiago Martins, que levou o árbitro Fábio Veríssimo a ver com atenção as imagens no monitor). E é ele a apontar o grande golo que ficou o 2-0 como resultado desta partida. Excelente disparo de meia distância, fortíssimo e muito bem colocado, fazendo jus à fama de artilheiro do jogador que veio do Braga. Foi o seu segundo vestido de verde e branco.

 

De Pedro Gonçalves. Irrequieto, sem posição definida, funcionou como abre-latas na muralha rioavista, articulando muitos lances com Paulinho, definindo linhas de passe. Sem nunca deixar de participar na manobra defensiva. Momento alto: chamado a converter o penálti, cumpriu a missão da melhor maneira, rematando sem hipóteses para o guarda-redes. Foi o seu 18.º golo deste campeonato - e o primeiro de penálti - que o recoloca no topo da lista dos artilheiros da Liga 2020/2021.

 

De Palhinha. Parece imune ao desgaste físico que começa a notar-se em certos jogadores. Varreu com mestria toda a zona do terreno que lhe estava confiada, desarticulando com desarmes cirúrgicos a construção ofensiva do Rio Ave. Excelente no desarme e nas recuperações, também se destacou nos passes longos. Podia ter marcado aos 87, num forte pontapé de recarga que saiu por cima.

 

Do regresso de João Pereira. Estreia a titular, nesta época, do veterano defesa leonino agora na terceira passagem pelo Sporting. Aos 37 anos, demonstra não ter perdido qualidades. Destacou-se num centro aos 13' que permitiu a Pedro Gonçalves recolher a bola junto à linha final do lado esquerdo. Entregou muito bem a Paulinho, aos 56'. Grande corte aos 69'. Manteve-se 83 minutos em campo. Missão cumprida.

 

De ver Rúben Amorim de volta ao banco. O Conselho de Disciplina fez tudo, uma vez mais, para afastar o nosso treinador. Mas o diligente departamento jurídico do Sporting trocou as voltas ao incompetente órgão ainda liderado pela deputada benfiquista Cláudia Santos, interpondo uma providência cautelar prontamente aceite pelo Tribunal Administrativo. E lá esteve o técnico, como lhe compete, a dirigir a equipa em directo, ao vivo e a cores. Também no capítulo jurídico vamos somando pontos. 

 

De termos garantido o acesso à Liga dos Campeões. Meta cumprida à 31.ªjornada, quando assegurámos também o segundo posto no campeonato. Regressamos à prova máxima do futebol europeu de que estávamos afastados desde a época 2017/2018. O que garante à SAD leonina cerca de 25 milhões de euros logo de início.

 

De ver mais um recorde batido. Trinta e uma jornadas consecutivas sem perder: acabamos de bater um máximo absoluto no futebol português. Rúben Amorim supera assim a fasquia de 30 jogos sem derrotas alcançada por quatro treinadores: dois do Benfica (Jimmy Hagan e John Mortimore) e dois do FC Porto (André Villas-Boas e Vítor Pereira). Mérito absoluto do nosso técnico, que devolveu a alegria e a esperança aos adeptos. Balanço da Liga até agora: 24 vitórias e sete empates. Nenhuma derrota.

 

De estarmos à beira de conquistar o título. Faltam-nos três partidas: contra Boavista, Benfica e Marítimo. Mas bastam quatro pontos para nos sagrarmos campeões nacionais de futebol. Uma vitória e um empate. Se o FC Porto perder hoje, no clássico da Luz, facilita-nos a tarefa. E se empatar contra o Farense, na próxima segunda-feira, podemos desde logo celebrar o título ainda antes do nosso confronto contra o Boavista.

 

Dos 79 pontos que já somámos. A fria linguagem dos números diz tudo sobre o desempenho do Sporting após 31 jornadas, quando só faltam três rondas para o campeonato chegar ao fim. Ainda podemos ultrapassar a melhor pontuação alcançada desde sempre pela nossa equipa - na Liga 2015/2016, quando somámos 86 pontos.

 

 

Não gostei

 

Dos golos falhados. Podíamos ter ampliado a vantagem pelo menos quatro vezes. Em duas ocasiões a bola foi aos ferros, por cabeceamentos de Coates aos 7' e Palhinha aos 15'. Aos 13', Nuno Santos disparou para as redes mas Kieszek defendeu muito bem. E Paulinho podia ter marcado aos 29'.

 

Da ausência de Porro. O internacional espanhol, por fadiga muscular, não pôde participar neste desafio. Mas João Pereira - jogador com mais 16 anos - cumpriu bem como seu substituto.

 

De ver quatro sportinguistas na equipa errada. Jogaram de verde e branco, mas as riscas são verticais. Quatro Leões que alinharam pelo Rio Ave: Fábio Coentrão (o melhor da equipa adversária), Francisco Geraldes, Gelson Dala e Carlos Mané.

O dia seguinte

Muitas vezes os bons desempenhos não correspondem a bons resultados, jogos houve onde o Sporting foi feliz no resultado para aquilo que conseguiu fazer, e outros, bem mais, onde fomos mesmo infelizes tendo em conta o que produzimos.

Mas ontem juntou-se "a fome à vontade de comer", tivemos uma das melhores senão a melhor exibição da época que conduziu a uma vitória tranquila: o resultado só pecou por escasso. O Rio Ave não teve uma única oportunidade de golo durante todo o encontro. O Sporting teve, para além dos golos, duas bolas nos postes e mais algumas a que só faltou sorte na conclusão.

Para que isso acontecesse, e além do grande desempenho de todos, os que entraram de início e os que vieram depois, houve uma peça que se revelou essencial no bom funcionamento da máquina 3-4-3: um avançado-centro que tardava em demonstrar o seu valor e que ontem conquistou o penálti que deu o primeiro golo e marcou o segundo, a todos os títulos um golão. Paulinho mistura coisas de médio avançado com a de ponta de lança, nada egoísta, defende, bascula e assiste, articula muito bem com Pedro Gonçalves, e marca golos. Slimani era assim, Bas Dost era assado, Paulinho é outra coisa, e provou finalmente que era a peça que faltava nesta máquina concebida por Amorim.

Esta máquina, além de ser a melhor do campeonato português, está na calha para ter sucesso também na Champions, uma equipa muito bem articulada no tal 3-4-3, um plantel que roda nas posições conhecendo bem o que tem de fazer em cada uma delas, um balneário coeso ancorado numa estrutura de capitães liderada por "El Patrón" Coates. Claro que poderá sair um ou outro, mas alguns hão-de vir também, a estrutura está montada.

Tal como no futsal, esta nova fórmula Sporting (um grande treinador, uma grande estrutura de capitães, um conjunto de miúdos formados no clube "com a força toda") está a conduzir-nos às maiores vitórias, aos maiores sucessos. Nuno Mendes no futebol, Zicki Té no futsal, são os porta-bandeiras da nova geração. Simplesmente fantásticos.

E sendo assim... segue-se o Boavista. Mas antes disso temos mais logo... Será que mais logo os deuses me farão a vontade e a viúva vai mesmo para o frigorífico?

 

#OndeVaiUmVãoTodos

PS: Por alguma desincronização da plataforma relativamente ao meu portátil, o post saiu com data diferente daquela que era suposto acontecer. Para todos os efeitos, considerem este meu post como de 6/5/2021.

SL

Todos somos Paulinho.

O que alguns pseudo-adeptos do nosso clube fizeram ao ponta-de-lança é incompreensível e só prejudica o próprio e a equipa do Sporting Clube de Portugal. Nestes seis jogos que faltam temos que estar unidos mais que nunca e não podemos estar desavindos, não devemos apontar o dedo a ninguém e vamos dar tudo. Mas tudo mesmo.

 

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Rescaldo do jogo de anteontem

Não gostei

 

 

Do resultado do Sporting-Belenenses SAD. Terminou empatado 2-2: foi o nosso terceiro empate nos últimos quatro jogos, indício evidente de quebra global da equipa. Mas pior foi a exibição: só por volta dos 70' os nossos jogadores parecem ter despertado da letargia que se apoderou deles em campo. Jogando sem ritmo, falhando passes, abusando dos atrasos ao guarda-redes, com lentíssima circulação de bola. Pareciam estar a cumprir uma tarefa burocrática na repartição. Como se não quisessem ser campeões. 

 

De Adán. Tinha brilhado no jogo anterior. Desta vez borrou a pintura, com um erro inadmissível, daqueles que podem custar campeonatos: apertado por Cassierra, hesitou quanto ao pé a utilizar na saída de uma bola e acabou por chutar no ar, desequilibrando-se. Ofereceu assim ao Belenenses SAD o segundo golo. Iam decorridos 54', passávamos a perder 0-2. Nos minutos imediatos instalou-se o descontrolo emocional na equipa. A partir daí foi tremideira até ao fim.

 

De João Mário. Exibição apática do campeão europeu, que abusou de jogar a passo e das lateralizações sem rasgo, incapaz de queimar linhas ou de um passe de ruptura. Pior ainda: ao ser chamado para converter um penálti, aos 42', permitiu a defesa de Kritciuk. Foi substituído aos 67', tendo saído tarde de mais.

 

De Gonçalo Inácio. O pior jogo do jovem central desde que ascendeu à nossa equipa principal. Está de algum modo envolvido nos dois golos: no primeiro, logo aos 13', deixou-se fintar por Miguel Cardoso, que colocou a bola na área; no segundo, quando o Sporting precisava de construir um rápido lance ofensivo, optou por mais um burocrático atraso a Adán num passe de risco, que precipitou o erro do guarda-redes.

 

De Tiago Tomás. Outra exibição para esquecer. Aos 4' já estava a ser amarelado por uma entrada negligente, por trás, no meio-campo defensivo do Belenenses SAD, sem qualquer necessidade. Depois falhou três vezes a possibilidade de atirar com sucesso às redes azuis: aos 18' chutou para a bancada; aos 23', saiu-lhe um remate frouxo; aos 28', bem servido, desperdiçou a melhor oportunidade. Péssimo no capítulo da finalização. Foi bem substituído ao intervalo.

 

De Paulinho. Uma nulidade. Sucedem-se as jornadas com o nosso ponta-de-lança sem demonstrar em campo as qualidades que fizeram dele a contratação mais cara do Sporting. Atravessa uma evidente crise de confiança: nunca está no sítio certo quando é necessário. Foi preciso Coates, um central, ir lá à frente mostrar-lhe como se faz. O ex-artilheiro do Braga já parece ter esquecido. E nem serve para marcar penáltis. Como se implorasse ao treinador para o deixar fora do onze titular.

 

De Palhinha e Porro. Dois dos nossos melhores jogadores nesta época 2020/2021 vieram irreconhecíveis da mais recente pausa para desafios das selecções A em que ambos se estrearam. Em nítida quebra de forma, contribuíram ambos para a apagada exibição da equipa. 

 

Dos ataques inconsequentes. Em remates, o desequilíbrio neste dérbi lisboeta dificilmente podia ter sido maior: 28 do nosso lado e apenas três do Belenenses SAD. Problema: os nossos foram quase todos muito ao lado ou resultaram em pontapés frouxos que o guarda-redes deles facilmente interceptou. 

 

Das substituições tardias. Este desafio, contra uma equipa que defende com linhas muito baixas, pedia desequilibradores e criativos. Mas eles estavam quase todos no banco. E só foram lançados na segunda parte, por esta ordem: Nuno Santos (46'), Tabata (61'), Jovane (67'), Daniel Bragança (67') e Matheus Nunes (77'). Foi quanto bastou para o empate, alcançado no último lance do desafio. Mas já não chegou para a reviravolta que se impunha: ficaram mais dois pontos pelo caminho.

 

Das hesitações do treinador. Rúben Amorim, ausente do banco por castigo, demorou muito a desmanchar o sistema dos três centrais que já não fazia qualquer sentido com a nossa equipa a perder por 0-2 e o Belenenses SAD totalmente remetido ao seu reduto defensivo. Impunha-se reforçar as linhas dianteiras, o que só aconteceu aos 77', quando Coates - quase em desespero táctico - passou de central a ponta-de-lança improvisado. Lá atrás ficavam Gonçalo e Matheus Reis, que chegaram e sobraram. Não fazia falta mais nenhum.

 

 

Gostei

 

De Coates. Voltou a fazer a diferença, marcando o seu sétimo golo desta temporada. Este Sporting 2020/2021 - que já conquistou nove pontos no tempo extra - deve muito ao internacional uruguaio, não apenas no domínio defensivo, onde é um baluarte, mas também quando é preciso desatar os nós lá na frente. O nosso primeiro golo resultou de um forte cabeceamento do nosso capitão, elevando-se acima da muralha defensiva azul, aos 83'. Voto nele como melhor em campo.

 

De Jovane. Parece ser uma espécie de patinho feio no Sporting de Rúben Amorim. A verdade, porém, é que costuma corresponder quando é chamado. Voltou a acontecer: entrou aos 67', rendendo Palhinha, e funcionou como talismã leonino. Aos 90'+4 ganhou um penálti que ele próprio converteu num pontapé imparável. Valeu-nos um ponto e mostrou a João Mário como se faz. 

 

De Nuno Santos. Faltava quem soubesse cruzar com critério e qualidade. E foi do pé esquerdo dele que saiu esse centro que tanta falta nos fazia. Com precisão cirúrgica, a partir da linha, para a cabeça de Coates. Outra assistência para golo de um jogador que tão útil nos foi na primeira volta mas deixou de ser titular com a chegada de Paulinho. Tem de voltar ao onze inicial. O Sporting precisa dele em campo, não no banco.

 

De Nuno Mendes. Foi o único que na primeira parte sobressaiu da mediocridade e da mediania. Se alguém merecia a vitória, era ele. Bom nos duelos individuais, sem ter medo de transportar a bola, aos 41' foi ele a sofrer a falta que deu origem ao primeiro penálti de que beneficiámos neste jogo - o tal que João Mário foi incapaz de converter.

 

De termos cumprido o 28.º jogo seguido sem perder. Outro máximo ultrapassado: continuamos a ser a única equipa invicta na Liga 2020/2021. A seis jornadas do fim. 

 

Dos 70 pontos já atingidos. Estamos a três vitórias de conseguir o acesso directo à Liga dos Campeões.

 

De Nuno Almeida. Actuação impecável do árbitro algarvio, com critério largo e sem hesitar nos momentos potencialmente mais controversos, apontando duas vezes para a marca da grande penalidade. 

 

Da atitude da equipa nos 20 minutos finais. A perder por 0-2, os nossos jogadores encheram-se de brios, carregaram no acelerador e fizeram enfim enorme pressão sobre o Belenenses SAD, que passou a aliviar de qualquer maneira. Só foi pena terem esperado tanto tempo para mostrarem como se deve fazer. Não podiam ter despertado mais cedo?

 

De termos contrariado Petit. O benfiquista que treina o falso Belenenses, com a boçalidade que o caracteriza, tinha expressado na véspera do jogo o desejo de «tirar a virgindade» ao Sporting. A ele é que ninguém consegue tirar a grunhice. Trata-se de um caso irrecuperável.

O dia seguinte

Começando pelo princípio, o Sporting continua na liderança da Liga, invicto, com uma margem ainda confortável relativamente ao mais directo perseguidor e só depende dele mesmo para assegurar o título. Nesta recta final nota-se também um cerrar de fileiras do universo Sportinguista à volta duma equipa maioritariamente jovem e sem experiência nestas andanças, treinadores incluídos, mas de enorme valor. O que nos fez chegar até aqui tem de servir para nos levar a bom porto, não podemos duvidar das nossas qualidades.

Mas parece-me evidente que esta pausa da Liga pelos compromissos das selecções fez mal ao plantel. Por um lado distraiu aqueles que como Nuno Mendes ou Porro foram justamente promovidos à titularidade das selecções respectivas, e falham o que dantes acertavam, por outro impediu a melhor integração de Paulinho. E se é verdade que o Paulinho já contribuiu com um golo e uma assistência para golo, também é que a equipa parece que joga como dantes, quando não tinha ponta de lança. Quantos centros de Nuno Mendes ou Porro já encontraram nestes dois jogos a cabeça ou os pés de Paulinho? Zero? Ontem até o Tiago Tomás, com o Paulinho completamente desmarcado atrás da linha da defesa, centra entre essa linha defensiva e o guarda-redes.

 

Por outro lado, e sabendo que os adversários chegam com a lição bem estudada, Rúben Amorim tem tentado algumas trocas posicionais que sinceramente penso que têm baralhado mais a própria equipa do que o adversário. Ontem até tivemos uma troca de alas que durou alguns minutos sem qualquer proveito. João Mário, nesta altura da carreira e até porque não tem golo, rende muito mais em posições recuadas. E golo é coisa que Daniel Bragança também não tem.

Pelo contrário, Pedro Gonçalves é o melhor marcador da equipa, não pode abandonar a zona onde faz a diferença. Também Nuno Santos rende golos e faz assistências, o Tiago joga mal de cabeça e desperdiça mais oportunidades do  que marca. Marcar golos fica mais fácil contando com quem tem mais facilidade de os marcar...

E ontem a questão passou muito por aqui. Com este treinador e alguns reforços o Famalicão acertou agulhas e mostrou-se uma equipa organizada e perigosa, muito pelo talento dum ou doutro, tapando bem a sua baliza e lançando contra-ataques venenosos. O Sporting na primeira parte, num 3-5-2 muito assimétrico, sentiu muitas dificuldades em assentar o seu jogo, o amarelo cirúrgico a Palhinha cedo o condicionou, na ala esquerda a articulação Nuno Mendes-João Mário deixava muito a desejar, na outra ala a coisa era ainda pior. Pedro Gonçalves, vagabundo, compensava muita coisa, como no lance do golo onde caiu em cima e desarmou o miúdo adversário e ainda foi receber o passe de Paulinho para encostar para golo.

Mas logo a seguir veio o golo muito consentido do Famalicão: mais uma falha de Porro, no princípio daquilo tudo, impediu que a equipa serenasse e estabilizasse o seu jogo. 

 

Veio o intervalo e o Rúben entendeu (e bem) que tinha de agitar o jogo. Tentou melhorar a construção desde trás com Matheus Reis e Daniel Bragança. E tivemos um segundo tempo com menos controlo e mais intensidade, mais oportunidades de golo, mas todas ingloriamente desperdiçadas por outros jogadores que não Paulinho. A equipa parecia ignorá-lo na sua pressa para despachar o assunto.

Aqui temos de falar na saída de João Mário que levou Pedro Gonçalves para organizador de jogo. O melhor marcador do Sporting foi trocado por mais um Daniel Bragança. Os dois chegaram a atropelar-se em campo. E depois o Pedro falhava aquela bola que Jovane falhou? Se calhar não.

 

Concluindo, parece-me - e o meu sofá concorda - que nesta fase final do campeonato se deveria insistir na fórmula que nos ajudou a conquistar a liderança, o 3-4-3, com três avançados claramente assumidos, se calhar Nuno Santos - Paulinho - Pedro Gonçalves, e apostar num futebol menos rendilhado e mais directo aproveitando a capacidade de centro dos dois alas. Mas Rúben é que sabe, ou não tivesse sido ele quem inventou a dita fórmula.

Mas chega de resmunguices. Este período em que os remates saem prensados e os cabeceamentos para longe da baliza vai ter de terminar: Faro será o melhor local do mundo para voltarmos às vitórias. 

 

Força rapazes, nós acreditamos em vocês !!!

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

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