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És a nossa Fé!

Dos patrocinadores

A minha colega de blogue, Zélia Parreira, já se pronunciou, e bem, sobre o tema, aqui.

Vou acrescentar apenas algumas ideias.

O patrocínio é uma modalidade de marketing cuja eficácia para o patrocinador está dependente da reputação do patrocinado. Há uma implícita associação de imagem e de valores. Quando o patrocinado vê a sua reputação manchada, os patrocinadores tendem a querer afastar-se, desligar-se de uma associação com valores potencialmente negativos. 

Acontece que esta reacção de desvinculação está normalmente associada a figuras públicas (o chamado celebrity endorsement) individuais que estão ligadas às marcas. Foi o caso célebre do Tiger Woods no golfe, por exemplo, quando foi acusado de comportamentos sociais desviantes e perdeu grandes patrocinadores como a AT&T, a Accenture, a Gatorade e a Gillette. Ou da Sharapova que, numa primeira fase foi abandonada pela Nike e mais tarde recuperada, o que também demonstra que a precipitação é má conselheira nestas matérias.

No caso de uma instituição como o Sporting, um patrocinador está a desvincular-se não de uma individualidade de reputação manchada, mas de uma comunidade inteira que não representa, nem se reconhece, em atitudes claramente localizadas num grupo específico de pessoas que agem nefastamente em nome do Sporting. Não faz por isso sentido, nem para os adeptos nem para a opinião pública em geral, que os patrocinadores abandonem o clube num momento tão difícil. São apenas ratos que abandonam o barco.

No caso concreto, estamos, para já, a falar de marcas sem projecção, uma delas ligada, inclusive, ao judo, modalidade onde, tanto quanto se sabe, não existem problemas.

Pode ser uma forma de pressão sobre a actual direcção, pode até ser uma manobra para ganharem alguma notoriedade, mas é, sobretudo, uma má decisão de marketing.

E patrocinadores destes não precisamos.

Por falar em Titanic

Os patrocinadores começam a abandonar o navio.

Ora, o patrocínio tem como objectivo a angariação de novos clientes entre os associados/consumidores de uma determinada instituição ou serviço. Enquanto as coisas correram bem no Sporting, os seus patrocinadores mantiveram-se porque tinham a expectativa de aumentar a clientela entre os adeptos do Clube. O abandono do Clube, sem tolerância nem margem de manobra, terá de ter uma leitura inversa. E sempre somos 3 milhões e meio de potenciais clientes que estas empresas acabam de rejeitar.

Sem prejuízo de toda a culpa recair numa direção agarrada ao poder, sabe-se lá porquê, a verdade é que nos viraram as costas, sem apelo nem agravo, no momento em que, pela primeira vez, repito, pela primeira vez, a imagem e credibilidade do Sporting são afectadas. Pela minha parte, saberei retirar as ilacções: na minha casa e à minha volta, desde aquele infeliz anúncio de uma marca de cerveja com o Capitão Rui Patrício, nem mais uma gota daquela mistela se bebeu.

A senhora eurodeputada

O Paulo Gorjão e o Luciano Amaral já falaram aqui e aqui, de forma clara e escorreita sobre o tema, mas como a senhora eurodeputada Ana Gomes anda tão preocupada com o financiamento da próxima época do Sporting, que tal preocupar-se também com o financiamento do seu clube do coração? E já agora fazer uma ou duas questões sobre a cadeia de lavandarias da qual esse mesmo clube faz parte.

Ou será que está apenas a fazer favores a amigos e quer distrair-nos disto?

É que ele às vezes há coisas que não se entendem muito bem...

Mal por mal

Sobre a diferença entre a Guiné Equatorial e os Emirados Árabes Unidos, o Paulo Gorjão já explicou o que havia a explicar: são dois regimes repugnantes. Convém reforçar o seguinte: a Emirates não é uma companhia comercial que por aí ande a fazer pela vida como tantas outras; é propriedade do governo do Dubai (o tal governo repugnante), que a financia a fundo perdido, como um capricho de milionário. Os clubes de futebol podem agradecer que o governo do Dubai faça chegar esse capricho até eles, mas escusam de vir com grandes moralidades a esse respeito. Parabéns pelo pilim, mas acabem com a converseta, sff. A única diferença entre a Guiné Equatorial e os Emirados Árabes Unidos é que uns têm uns tipos bem vestidos, proficientes em inglês, que falam em nome deles e os outros não.

 

Mas aproveito para fazer daqui um aviso à Emirates: se fosse a vocês tinha mais cuidado onde põem o dinheiro. Se é para serem vistos na Europa, não sei se vão gostar do resultado. O percurso europeu do Benfica este ano era mais para ser financiado pela Casa de Frangos de Moscavide.

Espera lá!

A Liga considera a possibilidade de, em caso de emergência, Benfica e Porto sustentarem o campeonato de futebol. Ou seja, na ausência de um patrocinador, seriam aqueles dois clubes a manter a competição em funcionamento. Espera lá. Eu peço que me ajudem, porque a minha burrice limita muito o meu entendimento. Isto é sequer passível de consideração? Digamos, em vez da Liga Zon Sagres ou lá o que é, passaríamos a ter a Liga Benfica/Porto (de emergência, claro), na qual Benfica e Porto seriam directos interessados. Dá-me a impressão de que não pode haver definição mais perfeita de conflito de interesses. Por muito desesperada que seja a situação da Liga, parece-me que a mera consideração desta hipótese revela o estado de autêntico futebol das bananas a que isto chegou.

{ Blog fundado em 2012. }

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