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És a nossa Fé!

Peyroteo, o melhor de sempre

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No dia em que se inicia o campeonato nacional de futebol 2017/2018 aqui se presta uma singela mas mais que merecida homenagem ao maior goleador de sempre da modalidade em Portugal: o inigualável Fernando Baptista de Seixas de Vasconcelos Peyroteo, cinco vezes campeão leonino.

Era "uma máquina de fazer golos", como dele disse mestre Cândido de Oliveira, que o treinou no nosso clube e na selecção nacional. Em doze temporadas, sempre ao serviço do Sporting Clube de Portugal, o homem-golo dos Cinco Violinos disputou 334 jogos oficiais em que marcou 544 golos - marca que se mantém imbatível desde 1949, ano em que abandonou as competições. De então para cá ninguém andou sequer lá perto.

Faço votos para que este seja um campeonato que honre a memória e os pergaminhos desta inesquecível figura do desporto nacional.

Espero também que em 2018, ano do centenário do seu nascimento, os restos mortais de Peyroteo - que repousam no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa - possam enfim ser trasladados para o Panteão Nacional, local reservado aos portugueses de excepção. Como ele era sem a menor sombra de dúvida.

Aqui fica a sugestão aos responsáveis leoninos, caso entendam promover esta iniciativa junto da Assembleia da República. Lembrando que o centenário ocorre a 10 de Março.

A propósito de Neymar

Noticia a pasquinagem que o Sporting assinou contrato com um jovem moçambicano (18 anos), que estava à experiência e vai integrá-lo na equipa de juniores, podendo também fazer uma perninha na equipa B.

Até aqui nada de novo, é normal contratar jovens promessas.

O que me espanta é o epíteto do jovem. Passo a explicar: Sendo oriundo de um país que deu ao mundo Eusébio, um futebolista considerado no seu tempo um dos melhores do mundo e uma lenda planetária para os adeptos do desporto-rei, porque carga de água é este rapaz conhecido por Neymar moçambicano?

Qués ver que o outro não é tão querido lá, como cá?

E terá isso a ver com alguma negação das origens?

Bem vindo, Amâncio Canhembe. Uma coisa terás certa meu rapaz, dês as voltas que deres, vindo para o Sporting, nem que metas o Neymar e o outro num chinelo, nunca terás via aberta para o panteão!

Peyroteo no Panteão

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Chegou o momento de lançarmos um movimento destinado a trasladar para o Panteão Nacional os restos mortais de um futebolista português de eleição: Fernando Baptista de Seixas Peyroteo de Vasconcelos. O homem-golo dos "cinco violinos". O maior goleador de que há memória no futebol português.

Vencedor de cinco campeonatos nacionais, quatro Taças de Portugal e sete campeonatos de Lisboa para o Sporting. Disputou 393 jogos com a camisola leonina em 12 épocas (1937-49), tendo marcado 635 golos (média de 1,61 por jogo, imbatível até hoje). Ao longo da carreira disputou 432 jogos marcando 700 golos (1,62 por jogo). Só no campeonato nacional de 1947/48 marcou 43 - recorde que durou mais de um quarto de século, até aos 46 golos de outro sportinguista, Yazalde, no campeonato 1973/74.

 

Fernando Peyroteo jogou vinte vezes pela selecção nacional, marcando 14 golos. É, ainda hoje, o português com melhor média de golos na selecção: 0,7 por jogo.

Outros máximos:

- É o jogador português com mais golos registados na história do nosso campeonato: 331.

- Foi ele quem mais golos marcou desde sempre num só jogo do campeonato: nove contra o Leça, em Fevereiro de 1942.

- Autor de mais golos consecutivos numa só partida do campeonato: cinco ao Vitória de Guimarães, também em Fevereiro de 1942.

- Marcou quatro golos num só jogo 17 vezes.

- Marcou cinco golos num só jogo 12 vezes.

 

Foi um dos melhores do mundo da sua geração. E só não se distinguiu ainda mais no capítulo internacional devido à II Guerra Mundial (1939-45).

Merece o Panteão, ninguém duvida.

Peyroteo no panteão no dia 3 de Julho

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 "O verdadeiro desportista é correcto, leal e franco, embora por vezes, tenha de ser um tanto... duro - como é próprio do futebol"

Fernando Peyroteo, no livro Memórias de Peyroteo, escrito pelo próprio (sim, sabia escrever) e dado à estampa em 1957.

Não vou acrescentar muito ao que Pedro Correia escreveu e bem aqui.

Acrescentar, apenas, que se poderia aproveitar a data prevista - 3 de Julho - e colocar no lugar que merece, o décimo primeiro filho de José de Vasconcelos Peyroteo e de Maria da Conceição de Seixas Peyroteo.

O goleador com maior média de golos marcados de sempre, numas contas, relativamente, fáceis de fazer; número de jogos vs. números de golos.

Bartali e o Paraíso

 

Inspirado por mais algumas discussões sobre a legitimidade de sepultar no Panteão Nacional este ou aquele cidadão, fui, à semelhança do que tem acontecido com tantos e tantos militantes de tais escolhas, seus opositores ou simplesmente curiosos, consultar a lei que disciplina a matéria. Dispõe o artº 2º da Lei nº28/2000, de 29 de Novembro, que

 

       1 — As honras do Panteão destinam-se a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao País, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade.
          2 — As honras do Panteão podem consistir:
              a) Na deposição no Panteão Nacional dos restos mortais dos cidadãos distinguidos;
              b) Na afixação no Panteão Nacional da lápide alusiva à sua vida e à sua obra.

 

Quem quiser realmente ler o que a lei determina e não se dispuser a ser enganado pela confusão induzida por mais um exemplo de pontuação desleixada, verificará facilmente que os restos mortais de um desportista profissional só poderão ser depostos no Panteão se, não tendo ele exercido altos cargos públicos, não tendo prestado altos serviços militares, não se tendo distinguido na expansão da cultura portuguesa ou na criação literária, científica ou artística, se, não se tendo notabilizado em nenhum destes domínios, tiver marcado a defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade. Como é claro, nada disto tem remotamente que ver com a importância popular de quem lá repousar, com a sua resistência na memória colectiva ou com a projecção de Portugal no mundo. Estes factores assumirão, quando muito, alguma relevância se a personalidade de que falarmos puder ser incluída numa das categorias previstas na lei. 

 

Tal regime fez-me procurar desportistas susceptíveis de preencherem os critérios enunciados e, naturalmente para mim - peço desculpa pela insistência num nome provavelmente desconhecido da maioria dos leitores - o pensamento dirigiu-se, de imediato, para Gino Bartali, não que este grande campeão pudesse figurar no Panteão, já que, entre outros motivos menos óbvios, não era cidadão português, mas porque me veio à memória o que sobre ele, para além do que já sabia e me fora transmitido pelo meu pai, seu grande admirador, li no Malomil, num post a que já me referi em texto anterior

 

Bartali morreu em 2000, com 86 anos. Mas deixava também uma história só muito tarde revelada. Durante a guerra, sem Giro para correr, treinava-se na estrada, passando com facilidade as patrulhas alemãs. Mas o treino era muitas vezes ficção. Fazia parte de uma organização de apoio aos judeus. Transportava, escondidos na bicicleta, documentos para fazer passaportes falsos. Terá contribuído para salvar 800 judeus. Tem um lugar na Álea dos Justos, em Jerusalém.

       Jorge Almeida Fernandes
 
Gino Bartali ganhou por várias vezes o Giro e o Tour, entre muitos outros troféus, e a sua rivalidade com o também extraordinário Fausto Coppi tornou-se lendária. Mas não foram os pedais, foi o modo como, chegada uma hora decisiva, escolheu usá-los, foi o seu contributo para a defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade, que lhe permitiram uma ascensão muito mais gloriosa do que as das duríssimas montanhas da sua velha Itália. 

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