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És a nossa Fé!

Assim, com franqueza, não vamos lá

Boavista, 2 - Sporting, 1

 

Terceira derrota em sete jogos da Liga 2022/2023. Desta vez foi no Bessa, anteontem, frente a um Boavista mais objectivo e eficaz, que soube anular o nosso processo de jogo, demasiado previsível, e ensanduichar o chamado "trio dinâmico" leonino entre as duas linhas mais recuadas.

Perdemos 2-1 - algo que não acontecia neste estádio desde o campeonato 2007/2008.

Nas bolas aos ferros, empatámos. Mas do nosso lado, após 20 minutos prometedores, imperou o cansaço. Potenciado pelo facto de Rúben Amorim ter entrado em campo com o onze inicial que enfrentara o Tottenham quatro dias antes. As primeiras alterações por imperativos tácticos ocorreram só ao minuto 75. 

No nosso melhor lance, construído por Nuno Santos com um magnífico passe de letra para o golo de cabeça de Edwards, à ponta-de-lança, parece ter-se esgotado o fôlego da equipa. Estavam decorridos 55 minutos. A partir daí impunha-se um refrescamento que não aconteceu enquanto o Boavista criava perigo pelo nosso sector mais vulnerável, o corredor direito, onde Porro se adiantava em excesso e Gonçalo Inácio, novamente central à direita, era lento ao acorrer às dobras. 

 

Voltámos a sofrer dois golos.

O primeiro na pior altura possível, aos 45'+2: assim se foi para o intervalo, O segundo de penálti, aos 83'. Nessa altura já estavam em campo Paulinho e Arthur, certamente por fezada do treinador, que procurava reeditar os golos em rajada que nos deram a vitória contra o Tottenham para a Liga dos Campeões na terça-feira da semana passada.

Mas a receita desta vez não resultou. E algumas opções do técnico foram incompreensíveis. Deixar em campo um apagadíssimo Pedro Gonçalves, por exemplo, enquanto fazia sair Nuno Santos, visivelmente contrariado, até porque estava a ser o melhor dos nossos. E teimar na opção por Esgaio, que é extremo de formação, tem rodagem como lateral mas foi chamado para central à direita, com Gonçalo a deslocar-se para o meio tentando compensar a saída de Coates, por lesão.

 

Tudo muito difícil de entender. A verdade é que à sétima jornada o panorama não é nada animador. Já perdemos onze pontos em 21 disputados, seguimos em oitavo lugar no campeonato (atrás de Portimonense, Boavista, Casa Pia e Estoril), temos a quinta pior defesa da Liga (pior, só Marítimo, Paços de Ferreira, Arouca e Rio Ave) e apresentamos agora a terceira pior classificação do século à sétima jornada. Já com tantas derrotas como no total dos 34 jogos disputados em 2021/2022.

Assim, com franqueza, não vamos lá.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Encaixou dois golos (um deles de penálti) sem ter culpa em qualquer dos lances. O primeiro, de Bruno Lourenço, era totalmente indefensável.

Gonçalo Inácio - Regresso à posição de central do lado direito. Deixou-se ultrapassar duas vezes no lance do primeiro golo axadrezado. Atravessa crise de confiança.

Coates - Errou mais passes do que é habitual, mostrando-se longe do fulgor físico. As suspeitas confirmaram-se: saiu aos 70', agarrado à coxa.

Matheus Reis - Central à esquerda, foi um dos jogadores que acusaram maior cansaço e menor discernimento neste embate no Bessa. Longe do brilho contra o Tottenham.

Porro - Voluntarioso, num contínuo vaivém, preocupou-se sobretudo em municiar o ataque. Foi descurando missões defensivas, desguarnecendo o flanco.

Ugarte - Jogador-operário. Eficaz nas recuperações e no apoio ao processo defensivo, mostrou-se sempre muito dificíl de ultrapassar. Cada vez mais útil.

Morita - Combinou bem com Ugarte, completando-o na ligação com o ataque. Serviu Pedro Gonçalves num golo que viria a ser anulado por deslocação de Edwards.

Nuno Santos - O nosso melhor em campo. Veloz, acutilante, intenso, combativo. Assistência para o golo de Edwards, com magnífico passe de letra. Um espectáculo.

Trincão - Apagado, talvez por cansaço. Revela uma tendência irritante para fazer reviengas em vez de jogar simples. Mandou uma bola à trave de pé direito (39').

Pedro Gonçalves - Melhor momento: o golo que marcou aos 23'. Mas não valeu. Isso parece tê-lo desanimado. Esteve muito longe do seu melhor. 

Edwards - Terceiro golo do inglês, naquele seu jeito de quem parece jogar de pantufas. Marcou de cabeça, aos 55'. Mas também ele revelou cansaço.

Esgaio - Entrou aos 71' para render Coates, actuando como central à direita. Quase nada lhe saiu bem. Aos 81' cometeu um penálti escusado. Custou-nos a derrota.

Arthur - O reforço ex-Estoril substituiu Nuno Santos aos 75'. Sem qualquer vantagem para a dinâmica ofensiva da equipa quando precisávamos de marcar.

Paulinho - Rendeu Trincão aos 75'. Amorim deve ter sonhado que o avançado iria reeditar aquele precioso golo ao Tottenham. O sonho não se tornou realidade.

Rochinha - Substituiu Morita aos 86'. Quase sem tempo para mostrar o que vale, quando a equipa já jogava muito com o coração e pouco ou nada com a cabeça.

Primeira goleada em tarde quente

Sporting, 4 - Portimonense, 0

Primeira goleada da época. Em nossa casa, num jogo quase de sentido único em que o Sporting foi a única equipa a ambicionar a vitória perante um Portimonense que até se encontra ainda à nossa frente na classificação e que, já treinado por Paulo Sérgio, na época passada impôs uma derrota ao Benfica na Luz.

O trio móvel delineado por Rúben Amorim para a nossa frente de ataque voltou a dar boas provas. Com Edwards, Trincão e Rochinha - titulares da linha avançada - em contínuas mudanças de posição que foram baralhando e desgastando a defesa adversária.

Pedro Gonçalves recuou, colocando-se um pouco à frente de Morita no meio-campo, com Ugarte a ficar no banco de início, já a pensar no confronto em casa com o Tottenham, na terça-feira, para a Liga dos Campeões. Também Porro (rendido por Esgaio) e Matheus Reis (dando lugar a Nuno Santos) ficara fora do onze titular.

 

Estes jogos pós-rondas europeias costumam causar-nos surpresas desagradáveis devido ao acrescido desgaste físico e anímico dos futebolistas.

Desta vez sucedeu ao contrário. A vitória em Frankfurt por 3-0, três dias antes, funcionou como tónico suplementar para jogadores como Trincão e Nuno Santos, que ontem em Alvalade voltaram a ter sucesso ao procurarem o caminho da baliza. Marcaram na Alemanha e marcaram cá - Trincão bisando, aos 7' e 41', Nuno fechando a contagem: selou a nossa primeira goleada da época, fixando o 4-0 final aos 76'.

Destaque também para Pedro Gonçalves, que fez duas posições. Começou a médio e aos 54', com a saída de Rochinha e a entrada de Ugarte, avançou para interior esquerdo, posição em que mais rende. Foi já dali que marcou o terceiro, aos 72'. Também ele justifica destaque. 

 

Elogio merecido igualmente para a nossa defesa, que já vai na terceira partida consecutiva sem sofrer golos. Amoreira (0-2), Frankfurt (0-3) e Alvalade nesta recepção ao Portimonense (4-0). Parece recuperada a solidez defensiva que tanto contribuiu para conquistarmos o campeonato nacional de futebol há 16 meses após 19 anos de jejum.

Isto apesar das alterações que o treinador se viu forçado a fazer neste sector. Primeiro trocando Gonçalo Inácio por Matheus Reis ao intervalo, depois designando Esgaio para central à direita, fazendo entrar Porro, quando Neto saiu por lesão. Problema acrescido para o técnico, pois St. Juste, o nosso outro central dextro de raiz, nem foi convocado pois lesionou-se contra o Eintracht.

 

Enfim, houve festa do futebol. Num jogo às 18 horas deste quente sábado de Verão, propiciando deslocações em família ao estádio, com a temperatura atmosférica a funcionar como aliciante suplementar. 

Um espectáculo desportivo que merecia ser presenciado ao vivo por mais do que os 29 mil que lá estivemos. Há certamente coisas a rever na organização destes jogos, até porque a curva norte e a curva sul apresentavam grandes clareiras. É necessário dar atenção a isto.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Voltou a exibir grande forma, na sequência do que já tinha demonstrado na partida da Liga dos Campeões. Fundamental para evitar o golo aos 24'.

Neto - Titular sem surpresa, face à ausência de St. Juste. Concentrado e atento às dobras a Esgaio. Alvo de uma falta dura, aos 48', teve de sair pouco depois.

Coates - A eficácia de sempre, como pêndulo da defesa. Desta vez arriscou pouco na saída com bola dominada. Tentou o golo de bola parada, ainda sem sucesso.

Gonçalo Inácio - Atravessa um momento de menor rendimento, revelando intranquilidade e errando passes. Amorim só contou com ele na primeira parte.

Esgaio - Titular como ala direito, deslocou-se para central a partir dos 54'. Cumpriu em ambas as funções, comprovando a sua utilidade no colectivo leonino.

Morita - Funcionou como verdadeiro pivô do nosso meio-campo, cabendo-lhe distribuir jogo e tapar linhas de passe aos de Portimão. Saiu aos 60', já a pensar no Tottenham.

Pedro Gonçalves - Começou a 8, com a missão de servir o trio dianteiro. Mas rende mais na frente. Foi já aí, aos 72', que fez o terceiro golo. E assistiu no quarto.

Nuno Santos - Anda muito motivado - isso nota-se no seu desempenho em campo. Criou desequilíbrios e tentou o golo, acabando por conseguir o quarto, aos 76'.

Edwards - Desta vez não marcou, mas participou nos lances que originaram os dois primeiros golos. É o mais imprevisível e crativo dos nossos avançados.

Rochinha - O menos exuberante do nosso trio da frente, mas revelando utilidade. Aos 41', fez um cruzamento letal assistindo Trincão no segundo golo.

Trincão - Jogou a partida inteira e parecia andar um pouco por toda a parte. O melhor em campo num jogo em que marcou dois e esteve quase a marcar outro (65').

Matheus Reis - Fez toda a segunda parte como central à esquerda, articulando bem com Nuno Santos. Sem necessidade de incursões ofensivas.

Porro - Esteve para ser poupado, mas acabou por entrar aos 54', com Neto lesionado. Dominou o corredor com a genica habitual. Assistiu Pedro Gonçalves no terceiro.

Ugarte - Substituiu Rochinha aos 54'. Entrou cheio de vontade de mostrar serviço e de procurar o golo. Quase o conseguiu, aos 65', com um disparo que raspou na barra.

Sotiris. Rendeu Morita aos 60'. Jogador dinâmico, com propensão ofensiva, voltou a demonstrar bom toque de bola e a impressionar as bancadas de Alvalade.

Paulinho. Após um mês de ausência na Liga, regressou entre aplausos, substituindo Edwards aos 60'. Precioso toque de calcanhar para Trincão aos 65'. Quase deu golo.

Dois golos na Amoreira para espantar a crise

Estoril, 0 - Sporting, 2

Voltámos às vitórias, após dois jogos de jejum. Voltámos a marcar, bisando. Voltámos a concluir uma partida sem sofrer golos. Tudo isto no Estoril-Sporting, disputado na noite de sexta-feira.

O resultado (0-2) foi construído ainda no primeiro tempo, com entrada dominadora, cheia de ímpeto ofensivo e muito confiante dos nossos jogadores. St. Juste, em estreia como artilheiro verde e branco aos 13', e Edwards', aos 21, construíram o resultado.

Ambos com assistências de Pedro Gonçalves, que regressou à posição em que mais rende, do lado esquerdo do tridente atacante. Desfazendo qualquer dúvida que Rúben Amorim pudesse manter em colocá-lo mais recuado, como acontecera na anterior jornada, com derrota frente ao Chaves.

 

Merece elogio o nosso futebol praticado nesta primeira parte. O trio móvel, lá na frente, fez realmente a cabeça em água à defesa adversária. Dinâmica permanente ao longo desse período. Resultou no par de golos e ainda numa bola à barra.

O meio-campo da equipa visitada foi estancado. Francisco Geraldes, cérebro da construção ofensiva estorilista, viu-se manietado pela dupla Ugarte-Morita - parceria muito recente mas que parece funcionar. O uruguaio e o japonês completaram-se bem, actuando em linha no corredor central, enquanto o Sporting atacava pelos flancos.

 

A segunda parte, estragada pelo árbitro Manuel Oliveira com um alucinante carrossel de 12 cartões amarelos exibidos, já foi de contenção pela nossa parte. A pensar no jogo europeu de quarta-feira em Frankfurt.

Mas o domínio, no bom relvado da Amoreira, permaneceu quase sempre nosso. O que ficou demonstrado no facto de o Estoril não ter feito um só remate enquadrado em todo o jogo.

O Sporting garantiu sem grande esforço os três pontos no mesmo estádio onde em 2021 vencemos com imensa dificuldade (1-0) e em 2018 fomos derrotados (0-2), nos gloriosos tempos do fabuloso "mestre da táctica".

Desta forma, demos um pontapé na mini-crise que se vinha esboçando. Aliás, demos um pontapé (Edwards) e uma cabeçada (St. Juste).

 

Seguem-se seis semanas alucinantes até à longa pausa de meados de Novembro para o Mundial do Catar. Com desafios em várias frentes.

Entretanto, esta péssima exibição do apitador no estádio do Estoril serviu para explicar, ao vivo e a cores, por que motivo os árbitros portugueseses ficaram excluídos do Campeonato do Mundo. Como aconteceu no Euro-21, como aconteceu no Mundial anterior.

Simplesmente porque não têm categoria para isso. Vão ficando só por cá, a estragar mais espectáculos de futebol. E talvez a ver qual deles consegue conquistar o Prémio Calabote de 2022.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Outra actuação a provocar alguns calafrios. Saiu duas vezes mal da baliza, originando perigo para as nossas redes, felizmente sem aproveitamento pelo Estoril.

St. Juste - Estreia absoluta como titular no Sporting. Passou no teste. Pelo golo que marcou, pela precisão no passe e pela segurança evidenciada. Melhor em campo.

Coates - Oscilou entre passes mal medidos, sobretudo na saída em construção, com a habitual eficácia no nosso reduto defensivo. Alguns cortes oportunos.

Matheus Reis - Amorim apostou nele, deixando Gonçalo Inácio no banco. O ex-Rio Ave cumpriu. Desequilibrou em lances ofensivos e até cabeceou à trave (11').

Porro - Regressou após castigo, incutindo acutilância e velocidade ao nosso corredor direito. Ia marcando de livre directo (70'). É, pelo terceiro ano, titular indiscutível.

Ugarte - Fez parceria bem articulada com Morita no miolo do terreno. Cabendo-lhe o pelouro das recuperações na divisão de tarefas. Quase ninguém passou por ele.

Morita - Complementa o trabalho do uruguaio atacando com destemor o portador da bola e passando-a com critério e segurança. Vai crescendo de jogo para jogo.

Nuno Santos - Pouco influente neste desafio. Os centros saíram-lhe mal medidos, quase sempre de bola levantada, sendo facilmente anulados pelo adversário.

Trincão - Ainda à procura do registo adequado no Sporting. Bom no drible, mas falta-lhe confiança no último passe. Parece dar sempre um toque a mais na bola.

Pedro Gonçalves - Saiu com queixas físicas num jogo em que teve enorme utilidade. Duas assistências para golo, pormenores de classe, bem entrosado com os colegas.

Edwards - Fixou o resultado num lance em que marcou com enorme frieza depois de sentar o guarda-redes. Tem apetência pelo golo e não se inibe perante as redes.

Rochinha - Entrou aos 57', rendendo Edwards - poupado já a pensar na Champions. Desta vez sem nenhuma intervenção digna de registo. Passou ao lado do jogo.

Neto - Substituiu St. Juste aos 77'. Vinha com a missão de reforçar a solidez defensiva, ajudando a reter a bola. Foi bem-sucedido.

Esgaio - Entrou só aos 89', no lugar de Porro. Sobretudo para dar alguns minutos de descanso ao espanhol. Tempo para fazer dois cortes.

Sotiris. Em campo desde o minuto 89, rendendo Ugarte. Estreia absoluta do reforço grego de verde e branco. Entrou com atitude, o que é desde já um ponto a seu favor.

Fatawu. O jovem ganês substituiu Pedro Gonçalves aos 89'. Mal tocou na bola, mas não escapou ao amarelo do árbitro que adora interromper o jogo e exibir cartões.

Decepcionados, irritados, inconformados

Sporting, 0 - Chaves, 2


Pela primeira vez, fomos derrotados no nosso estádio pelo modesto Chaves, recém-promovido à Liga 1 após estar quatro anos fora do maior escalão do futebol português.

Dois golos sofridos em três minutos, aos 60' e aos 63', ditaram este resultado, testemunhado por mais de 31 mil espectadores no Estádio José Alvalade. E geraram enorme frustração: foi a segunda derrota consecutiva, foi o nosso segundo jogo sem marcar, já levamos oito golos sofridos em quatro jornadas - quase metade (17) do registado em toda a época anterior.

A defesa esteve de novo irreconhecível. O meio-campo foi inoperante. A linha avançada voltou a ressentir-se da ausência de um jogador de referência vocacionado para aproveitar os sucessivos centros, interceptados pela defesa adversária por absoluta incapacidade leonina no jogo aéreo. A equipa produziu 47 cruzamentos, todos infrutíferos.

Descalabro exibicional. Que parece consequência de uma séria quebra anímica.

 

O mais inexplicável é que esta tremideira tem vindo a afectar sobretudo aqueles que já cá estavam, não tanto os que vieram. No sector defensivo, designadamente aquele quarteto inicial que anteontem começou o jogo: Antonio Adán, Gonçalo Inácio, Sebastián Coates e Luís Neto. Todos campeões nacionais em 2021.

A defesa naufragou em Braga, naufragou no Dragão e naufragou agora em Alvalade.

Anda a precisar de nadador-salvador. Ou de um terapeuta emocional.

 

Rúben Amorim pareceu perdido desde o momento em que escalou o onze para este jogo. Deixando no banco St. Juste, o mais caro defesa contratado desde sempre pelo Sporting. Morita, outro reforço, manteve-se também no banco.

Que mais?

Colocou Edwards como avançado-centro sem que o inglês reúna características que o favoreçam nessa posição.

Deu ordem a Pedro Gonçalves - o nosso maior goleador - para recuar no terreno, fixando-o como médio de transição no corredor central. 

Equívocos atrás de equívocos. Com reflexos na leitura do jogo e nas próprias substituições, que não produziram efeito.

Depois foi sempre a derrapar. Até chegar ao ponto de mandar avançar Coates para ponta-de-lança improvisado na meia hora final.

Não admira, neste contexto, que os jogadores derrapassem também.

 

Eis a verdade, cada vez mais indesmentível: o plantel é curto. Perdemos Palhinha, Sarabia, Tabata e Matheus Nunes.

Faltam-nos dois jogadores de qualidade. Um médio posicional, com domínio no jogo aéreo e capacidade de choque, que funcione como primeiro tampão defensivo. E um matador lá na frente, com vocação clara para o golo.

Nenhum dos reforços que chegaram este Verão (Trincão, Rochinha, Morita...) tem estas características.

 

Continuo a considerar também que nos falta um guarda-redes que possa ser de facto substituto e sucessor de Adán a qualquer momento. Basta um castigo, basta uma lesão, para ficarmos com esse lugar desguarnecido. Fazer sentar Israel e André Paulo no banco, em simultâneo, não disfarça esta lacuna.

E a verdade é que também estamos curtos de centrais. Nesta noite de sábado, realmente para esquecer, Gonçalo Inácio fez três(!) posições na defesa, algo impensável numa equipa com os pergaminhos e a ambição do Sporting.

 

Foi um jogo que irritou profundamente a massa adepta.

À hora da despedida, escutou-se uma sonora vaia em Alvalade. Dos adeptos decepcionados, irritados, inconformados com esta derrota.

Injusto para quem já tantas alegrias nos deu? Admito que sim. Mas é a democracia clubística a funcionar no estádio. E um direito inalienável de quem paga bilhete para assistir aos jogos. 

Que o façam no fim, se for o caso, e não no meio das partidas - é o apelo que aqui deixo. 

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Noite infeliz, com responsabilidade no primeiro golo, por deficiente colocação entre os postes, e num lance de que poderia ter resultado o terceiro do Chaves.

Neto - Titular durante a primeira parte, em que foi somando passes errados, jogando com incompreensível nervosismo, sem fazer render a experiência. Saiu ao intervalo.

Coates - Incapaz de fazer sair a bola com qualidade no início das acções ofensivas. Passou a meia-hora final plantado sem préstimo na grande área do Chaves.

Gonçalo Inácio - Talvez a sua pior exibição de sempre na equipa principal. Quase tudo lhe saiu mal - no passe, nas dobras e nos duelos individuais.

Esgaio - Entrou como titular, com Porro a cumprir castigo. Incapaz de acrescentar qualidade no passe lá na frente e sem exibir segurança defensiva.

Ugarte - Canalizou parte do jogo ofensivo na primeira parte. Amarelado num lance em que podia ter visto vermelho, aos 45'+3, saiu para evitar expulsão.

Pedro Gonçalves - Amorim errou ao colocá-lo atrás do tridente ofensivo, mais longe da baliza. Mesmo assim, o remate mais perigoso foi dele: aos 13', atirando ao poste.

Nuno Santos - Desta vez foi titular. Inconformado, jogando mais com o coração do que com a cabeça, centrou muito mas sempre sem perigo. Esforço inglório.

Trincão - Exibição insuficiente. Demonstra boa técnica, mas faltou-lhe intensidade. Nunca foi capaz de fazer a diferença nas diagonais da linha para o centro.

Rochinha - Estreia infeliz como titular. Tentou o golo aos 14', 38', 44' e 45'+3, mas sem conseguir desfazer o nulo. Foi-se apagando, com o conjunto da equipa.

Edwards - Numa equipa sem ponta-de-lança, tentou aproximar-se desta posição. Mas rende mais como interior direito. Activo nos 45' iniciais, apagou-se no segundo tempo 

Matheus Reis - Fez todo o segundo tempo, como central à esquerda, rendendo Neto com Gonçalo a transitar para a direita. Tentou desequilíbrios ofensivos, sem sucesso.

Morita - Fora do onze titular, entrou só aos 60', substituindo Ugarte. Os dois golos surgiram logo a seguir. O japonês, sem culpa nos lances, entrou no pior momento.

St. Juste - Chegou ao Sporting para ser titular da defesa, mas tarda em afirmar-se. Entrou por troca com Esgaio só aos 65'. Continua sem demonstrar ser reforço.

Rodrigo. Foi a última cartada do técnico, entrando aos 74', com Rochinha a sair. Teve ainda tempo para tentar o golo, aos 89', num pormenor de grande classe.

Adán e Porro em noite para esquecer

FC Porto, 3 - Sporting, 0

 

Primeiro clássico da temporada. Correu-nos mal. Viemos do Porto com uma derrota pesada - e que podia ter sido maior ainda se o árbitro não tivesse anulado um golo limpo à turma da casa, quase ao cair do pano. Numa partida em que as oportunidades de golo até se equivaleram. Mas a diferença fundamental esteve entre os postes: Adán fez talvez a pior exibição desde que está no Sporting enquanto o jovem Diogo Costa, novo titular da selecção nacional, brilhou na baliza portista, negando por três vezes o golo aos nossos.

Morita - para mim o melhor Leão em campo - pôs os anfitriões em sentido com um remate de pé esquerdo que levou a bola a embater no poste logo ao minuto 11. Ainda na primeira parte, o guardião azul e branco impediu que Trincão e Gonçalo Inácio marcassem. Já no declinar da partida, aos 83', travou um tiro de Fatawu que também levava selo de golo. 

 

Este foi o primeiro jogo do Sporting sem Matheus Nunes, que entretanto já se estreou pelo Wolverhampton (derrota por 1-0 frente ao Tottenham). Mas o grande problema da equipa não esteve na ausência do luso-brasileiro, que rendeu de imediato 45 milhões de euros aos cofres leoninos. Voltámos a pecar por lapsos defensivos, na linha do que já havia ocorrido nos desafios da pré-temporada. Em três jogos oficiais do campeonato, sofremos seis - dois em média por partida, números impensáveis para uma equipa que sonha com o título.

Neste aspecto, nota muito negativa para Porro. Que anteontem fez tudo mal no Dragão: perdeu a bola, errou atrás de passes, desperdiçou um golo de bandeja que Trincão lhe ofereceu e - cereja em cima do bolo - cometeu um penálti absolutamente disparatado ao desviar a bola com a mão em cima da baliza, com Adán fora dos postes. Fazendo-se expulsar pelo árbitro Nuno Almeida. Nessa altura, aos 75', o jogo estava 1-0. Foi penálti, que o FCP converteu. A partir daí, com menos um, o Sporting resvalou de mal a pior.

Desta vez nem as substituições saíram bem ao treinador, batido em termos tácticos pelo sólido losango que Sérgio Conceição instalou no meio-campo, pautando o ritmo da equipa: os da casa aceleraram quando era preciso e concederam a iniciativa ao Sporting quando lhes interessavam. Sem nunca perderem a supremacia. 

 

Confirma-se: este Sporting de início de temporada - privado de Palhinha, Tabata e agora Matheus Nunes - tem um plantel curto para as frentes em que está envolvido. O que vai notar-se sobretudo quando começarem as nossas partidas da Liga dos Campeões. Falta um central, falta um médio defensivo, falta um ponta-de-lança. E talvez falte também um bom guarda-redes suplente, como há muito venho alertando.

Algumas destas lacunas ficarão colmatadas com a promoção de jovens da formação? É duvidoso. Outras serão resolvidas até ao fecho do mercado ainda em curso? É bem provável.

Agora há que digerir esta derrota no grupo de trabalho. E pensar já no próximo desafio, contra o Chaves. Jogo a jogo, como Amorim dantes dizia. É assim que devemos pensar - e não de outra forma. Lembrando que no fim de Agosto do ano passado quem liderava o campeonato era o Benfica, com mais quatro pontos do que o Sporting e o FC Porto.

Sabemos como tudo terminou.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Lento a reagir, intranquilo entre os postes, provocou um penálti desnecessário. Parece mal recupeado da lesão sofrida no fim da pré-temporada.

Neto - Teve noite difícil por ter acorrido várias vezes a dobrar Porro, que parecia perdido em campo. Batido por Taremi no lance do primeiro golo portista.

Coates - Desta vez, ao contrário do que é costume, não se impôs nos lances aéreos. Corte precioso aos 55', mostrando bons reflexos.

Gonçalo Inácio - O mais regular dos nossos defesas - e também aquele que revelou mais precisão no passe. Ia marcando de cabeça, aos 45'+4. 

Porro - Noite de pesadelo. Entregou a bola aos 13', 23', 24', 27', 31' e 55'. Aos 57', falha o golo que Trincão lhe ofereceu. Expulso aos 75' por confundir futebol com andebol.

Ugarte - Jogou condicionado por ter visto o amarelo logo aos 16' sem qualquer necessidade. Quando era preciso, já não podia pôr o pé. Demasiado nervoso.

Morita - Precisão de passe, boa condução de bola. Capacidade de jogar entre linhas. Recebeu um amarelo injusto. Depois de sair, aos 70', aconteceu o descalabro.

Matheus Reis - Outro jogador muito intranquilo: chegou a pegar-se com um apanha-bolas, algo inaceitável. Podia ter feito melhor em dois dos golos. 

Trincão - Exibiu classe num remate em arco que levava selo de golo (45'+3) e num passe de calcanhar para Porro dentro da área que merecia melhor desfecho (57').

Pedro Gonçalves - Combinou bem com Morita no lance em que a bola vai ao poste. Ao recuar no terreno, na segunda parte, tornou-se menos influente.

Edwards - Falso 9: não é avançado-centro. Muito marcado, foi incapaz de fazer as movimentações de que tanto gosta, da direita para o meio.

Nuno Santos - Substituiu Morita aos 70'. Tentou cruzamentos mas não havia ninguém para receber a bola. E andou algo perdido nos apoios defensivos.

Rochinha - Em campo desde os 70', substituindo Neto. Tentou penetrar na área, recorrendo à finta, mas esbarrou na muralha defensiva portista.

St. Juste - Rendeu Matheus Reis aos 79', passando Gonçalo para central à esquerda. Entrou para estabilizar a defesa, mas ainda não parece em grande forma.

Fatawu. Deu mais nas vistas desde que entrou, aos 79', do que Edwards até então. Podia ter marcado, aos 83', mas permitiu a defesa na cara do guarda-redes.

Esgaio. Entrou aos 90'+1, aparentemente só para evitar que Ugarte recebesse um segundo amarelo que o impedisse de alinhar no próximo jogo. Mal tocou na bola.

Assim é que é: marcar três sem sofrer nenhum

Sporting, 3 - Rio Ave, 0

 

Jogo de sentido único, o de anteontem, contra o campeão nacional da segunda divisão, recém-promovido ao escalão principal. O Rio Ave - onde já jogou o nosso Matheus Reis e que deverá integrar em breve o ainda nosso Pedro Mendes - visitou Alvalade bem arrumado defensivamente, mas sem arriscar incursões ofensivas. Aferrolhou o mais possível as vias de acesso à sua baliza que só começaram a ser abertas a tiro, com disparos fortes dos nossos, ensaiando aquilo que nem sempre praticam: o remate de meia-distância.

Ugarte foi o primeiro, atirando bem colocado embora à figura do guarda-redes. Outros lhe seguiram o exemplo. Trincão - uma das figuras da partida - levou a pontaria ao extremo de acertar em cheio na barra, em remate sem defesa possível com o seu pé-canhão, o esquerdo. 

 

Desta vez não havia Paulinho. O avançado-centro ficou fora, por lesão no treino da véspera. Edwards entrou como titular, tornando a nossa frente ofensiva mais forte, mais dinâmica e mais criativa. Sem necessidade de um elemento vocacionado para «arrastar os defesas» e abrir clareiras: elas foram-se rasgando por acção do trio da frente. Pouco antes do intervalo, em jogada com toque de génio, o inglês que há meses jogava no Guimarães demoliu a muralha defensiva e serviu para Pedro Gonçalves encostar.

Foi aos 36' - assim se chegou ao intervalo.

 

No segundo tempo, já com os de Vila do Conde bastante desgastados na corrida atrás da bola que mal tocavam. o futebol leonino ganhou mais acutilância e um toque suplementar de classe. Os dois golos desse período são a prova disso.

Aos 67', a uns 30 metros da baliza, Matheus Nunes encheu o pé e atirou-a para o ninho da águia, sem que o guarda-redes lhe tocasse: quase todos os 31.760 espectadores se levantaram dos seus lugares em espontânea manifestação de alegria. Era caso para isso: acabavam de assistir a um dos melhores golos deste campeonato ainda mal iniciado.

A alegria redobrou aos 75', quando Pedro Gonçalves bisou, marcando o terceiro. A culminar, à ponta-de-lança, rápida tabelinha com soberba assistência de Trincão. E o transmontano ainda viria a fazê-la tocar no poste, quatro minutos depois. Excelente notícia: temos de volta o melhor artilheiro da Liga 2020/2021.

Confirmando que mesmo sem "avançado de referência" conseguimos ir somando golos. Já vão seis, em apenas dois jogos. Com a vantagem óbvia, na comparação com o de Braga, de neste não termos sofrido nenhum.

 

Houve ainda tempo para cuidar de pormenores, como a troca de Neto por St. Juste para o holandês ganhar ritmo, talvez a pensar no próximo embate com o FC Porto. Também para os minutos concedidos a Fatawu, que tem boa técnica mas ainda revela insuficiências no plano táctico. E sobretudo para a entrada de Esgaio, aos 80', para merecido aplauso após as imerecidas injúrias de que foi alvo pela escumalha do costume nas redes ditas sociais.

O estado anímico de uma equipa também se avalia nestes detalhes, a cargo de um treinador muito perspicaz. 

«Onde vai um, vão todos» continua a ser lema deste Sporting orientado por Rúben Amorim.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Noite tranquila: não chegou a fazer uma defesa digna desse nome. Melhor momento: saiu muito bem da baliza aos 32', anulando um contra-ataque.

Neto - Estreia neste campeonato após cumprir jogo de castigo. Transmitiu segurança e maturidade à equipa. Substituído aos 72'.

Coates - Impôs a sua cadência no plano defensivo, ganhou todos os lances aéreos, foi tranquilo sem ser passivo. Como de costume.

Gonçalo Inácio - Devolvido à ala esquerda dos centrais, sua posição natural, atreveu-se a sair com a bola mais de uma vez. O jogo permitia-lhe tal ousadia. 

Porro - Imparável no domínio do corredor direito. Quis fazer tudo muito rápido, embora nem sempre os cruzamentos lhe saíssem bem. Cedeu lugar a Esgaio, perto do fim.

Ugarte - Estreia a titular no campeonato. Aposta ganha: funcionou como sucessor de Palhinha a recuperar bolas. Primeiro a tentar a meia distância. Saiu amarelado (65').

Matheus Nunes - Assumiu-se pelo segundo jogo consecutivo como patrão do nosso meio-campo. E marcou um golo em forma de tiro imparável que vale a pena rever.

Matheus Reis - Amorim preferiu apostar nele como ala esquerdo, deixando Nuno Santos no banco. O brasileiro parece mais retraído do que na época passada.

Trincão - Ao segundo jogo, prova que é reforço - e pode vir a ser uma das figuras do campeonato. Tiro à trave (26') e assistência para golo (75').

Pedro Gonçalves - Melhor em campo: marcou dois golos, enviou uma bola à barra e ainda teve ocasião soberana de marcar outro (46'). 

Edwards - Com Paulinho ausente, foi ele o titular. E cumpriu com distinção. Não marcou, mas deu a marcar o segundo e o terceiro. Criativo e desequilibrador.

Morita - Desta vez ficou no banco de início. Entrou aos 65', rendendo Ugarte, sem revelar a mesma intensidade do uruguaio como médio defensivo.

Rochinha - Voltou a ser suplente utilizado, substituindo Edwards aos 72'. Cumpriu, mesmo sem brilhar como na partida anterior.

St. Juste - Entrou aos 72' para o lugar de Neto. Amorim procura proporcionar-lhe minutos para que possa ascender a titular. Missão bem-sucedida.

Fatawu. Em campo desde o minuto 80 (rendeu Trincão). Procura com muita insistência o golo abusando da jogada individual. Bons dotes técnicos.

Esgaio - Substituiu Porro aos 80', entrando sobretudo para os aplausos que a massa adepta não lhe regateou. Mostrando-lhe que ele é um dos nossos.

Vitória três vezes desperdiçada na Pedreira

Braga, 3 - Sporting, 3

 

O carteiro toca sempre duas vezes. O comboio, no filme, apitou três vezes.

Nós, ontem, desperdiçámos três ocasiões para trazer uma vitória de Braga. A linha avançada, no geral, cumpriu a missão - com a excepção que não tardarei a referir. Já a defesa, tanto no plano colectivo como individual (e neste aspecto apenas absolvo Coates) esteve muito abaixo daquilo a que nos habituou.

Esta foi apenas a terceira vez em que Rúben Amorim sofreu três golos, pelo Sporting, numa partida do campeonato. É motivo para soarem sinais de alarme em Alvalade: o plantel ainda necessita de reforços. Desde logo no plano defensivo: ontem voltámos a actuar com dois jogadores fora das posições de origem e houve um terceiro (Esgaio) que esteve quase a fazer o mesmo, quando se suspeitava que o estreante St. Juste teria de abandonar o campo por lesão.

A ausência de Palhinha faz-se sentir: estamos também sem um número 6 de origem. Tanto Morita como o próprio Ugarte têm propensão mais ofensiva e menos posicional do que o nosso ex-médio agora lançado na Liga inglesa. A ausência desse ferrolho incentiva as movimentações ofensivas adversárias e torna mais complicado o trabalho à retaguarda.

E é cada vez mais urgente a vinda de um n.º 9. Já sem Tiago Tomás, já sem Jovane, já sem Tabata (que estaria a ser trabalhado para avançado-centro), com Slimani remetido à equipa B e Rodrigo Ribeiro ainda demasiado inexperiente para ser presença habitual na nossa frente de ataque, não é possível termos aspirações ao título contando apenas com Paulinho como pivô ofensivo.

Sobretudo o Paulinho deste jogo em Braga, que foi inexistente.

 

Tudo isto para salientar pontos negativos. Nem poderia ser de outra forma, tendo começado esta Liga 2022/2023 já em desvantagem face a FC Porto e Benfica, que golearam nas respectivas partidas, muito mais fáceis por serem em casa e perante adversários de nível muito inferior.

A comparação é também pouco lisonjeira face à Liga 2021/2022: nessa altura vencemos na Pedreira por 2-1. 

Quanto aos reforços, Morita merece o maior destaque pelo seu desempenho: surgiu como titular, fazendo parceria com Matheus Nunes, e promete ser uma das figuras deste campeonato. Francisco Trincão - também ontem titular - está ainda longe de mostrar o seu valor. St. Juste, que só entrou aos 60', teve apontamentos de qualidade. Oxalá esteja no plano físico tão bem como parece estar no plano técnico.

Também Rochinha merece elogio. Jogou poucos minutos mas foi quanto bastou para construir todo o lance do terceiro golo, oferecido a Edwards. A melhor jogada individual do desafio.

 

Outros pontos positivos? Matheus Nunes voltou às boas exibições: foi ele a criar o nosso primeiro golo, aos 9', isolando Porro que serviu Pedro Gonçalves; foi ele também a fazer a assistência para o segundo, de Nuno Santos, com um passe cruzado de longa distância e alta precisão. 

Também positivo é haver vários jogadores com vocação para a meter lá dentro. Ontem foram três, contribuindo para o excelente espectáculo futebolístico em Braga proporcionado por duas equipas com vocação ofensiva, sem momentos mortos nem antijogo. Parecia quase um desafio da Liga inglesa. Teria sido perfeito, para nós, se soubéssemos gerir a vantagem que mantínhamos até ao fatídico minuto 88. 

Usando outra metáfora: o pássaro esteve três vezes na mão. Mas em todas permitimos que voasse lá na Pedreira. 

E nunca há segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Voltou refeito do problema físico que chegou a assustar. Fundamental para evitar golo a Vitinha (90'+3) que seria um pesadelo para nós.

Gonçalo Inácio - Desconcentrado, somando erros de posicionamento e falhas de intercepção da bola. Não melhorou quando passou da direita à esquerda.

Coates - O melhor do nosso reduto defensivo. Fez até de improvisado guarda-redes, com Adán fora da baliza, num lance que seria anulado.

Matheus Reis - Intranquilo como central à esquerda, incapaz de fazer a diferença na saída de bola. Tem responsabilidades nos dois primeiros golos.

Porro - Dinâmico na ala direita, começa a época a assistir para golos com um centro milimétrico que Pedro Gonçalves converteu. Aos 65', atirou ao poste.

Morita - Precisão no passe, olhar sempre atento ao posicionamento dos colegas, capacidade de movimentar a bola. Estreia promissora de verde e branco.

Matheus Nunes - Após uma pálida pré-temporada, foi o melhor em campo. Com participação em dois golos, assumindo-se como patrão do meio-campo.

Nuno Santos - Fez um golo, o segundo, de levantar o estádio num disparo acrobático aos 18'. Grande cruzamento aos 29', infelizmente sem sequência.

Trincão - Outro estreante oficial com a verde e branca. Tentou ser útil, sem conseguir. Incapaz de criar desequilíbrios ou de jogar com eficácia.

Pedro Gonçalves - Após sete golos na pré-temporada, voltou a fazer o gosto ao pé, logo aos 8'. Precisamos dele como há dois anos, quando fomos campeões.

Paulinho - Incapaz de criar diagonais para desposicionar a defesa, só rematou uma vez - e muito por cima. Inoperante, inofensivo. Destaque pela negativa.

Edwards - Substituiu Paulinho aos 60'. Não brilhou, mas marcou um golo. O nosso terceiro, aos 83'. Cumpriu, portanto. 

Ugarte - Rendeu Morita aos 60'. Substituição algo estranha, pois o japonês estava a ser um dos melhores. Desta vez o uruguaio não se destacou.

St. Juste - Terceira estreia oficial, como central à direita. Venceu lances aéreos e mostrou bom toque de bola. Inicia o nosso terceiro golo.

Rochinha - Outro estreante, em campo desde os 84', substituindo Trincão. Mais útil, mais eficaz, mais combativo. Assiste no terceiro golo, inventado por ele.

Esgaio - Entrou para o lugar de Porro, aos 84'. Perdeu um duelo junto à linha ao ser ultrapassado por Álvaro Djaló. Custou-nos dois pontos.

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