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És a nossa Fé!

Vencer e convencer onde o SLB empatou

Moreirense, 0 - Sporting, 2

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Geny cumprimenta Morita, que abriu o marcador logo ao terceiro minuto do jogo

Foto: Hugo Delgado / Lusa

 

Nada melhor, para começar a crónica de mais um jogo do nosso contentamento, do que descrever um belo lance de futebol colectivo. Precisamente aquele que deu origem ao golo da tranquilidade, confirmando o total domínio do Sporting sobre o Moreirense, sexto classificado do campeonato, num estádio onde raras equipas têm facilidade em jogar.

Aconteceu ao minuto 23.

Morten recupera a bola, na linha divisória, e atrasa-a para Coates. O capitão, pressionado, devolveu-a com o pé esquerdo. O dinamarquês, apertado por dois adversários quase em cima da linha esquerda, faz um exímio passe de calcanhar, para Gonçalo Inácio, que logo a adianta uns 20 metros, pondo-a em Gyökeres. Este toca atrasado para Trincão, no corredor central, e o minhoto, após grande recepção no peito, coloca a "redondinha" nos pés de Geny, que progride na ala direita. Trincão desmarca-se entretanto com velocidade, proporcionando uma linha de passe ao jovem moçambicano já perto do limite do campo e num toque subtil entrega-a a Pedro Gonçalves, bem posicionado, e que no interior da área, muito à sua maneira, a introduz na baliza. Mais em jeito do que em força.

Neste excelente lance colectivo - um hino ao futebol - intervieram sete dos nossos dez jogadores de campo. Proporcionando a quem viu o jogo esta certeza cada vez mais inabalável: estamos perante a melhor equipa já treinada por Rúben Amorim. Superior até à que conquistou o campeonato há três anos.

 

Os números não deixam lugar a dúvidas. Com esta vitória por 2-0 em Moreira de Cónegos, anteontem, Amorim cumpriu o oitavo desafio seguido da Liga 2023/2024 a vencer: ainda não perdeu qualquer ponto neste ano civil.

Marcámos 28 golos nas últimas seis partidas que contribuíram para a nossa classificação actual: 55 pontos. A par com o Benfica, por enquanto, mas com menos um jogo disputado. E sem esquecer que o SLB ainda terá de visitar Alvalade.

Desde a época 1975/1976 não havia uma equipa portuguesa a marcar tantos golos à 21.ª jornada. Temos melhores marcas do que tínhamos, nesta fase, na época 2020/2021, em que fomos campeões. Há três anos, 17 vitórias e 4 empates; com 42 golos marcados e 10 sofridos. Agora, 18 vitórias, um empate e duas derrotas; com 60 golos marcados e 19 sofridos.

 

Convém lembrar: o FCP foi a Moreira vencer à tangente, por 0-1 e o SLB tropeçou lá (0-0). Nós, aos 23', já tínhamos o jogo resolvido. O primeiro, marcado logo aos 3' por Morita na sequência de um canto apontado por Trincão, o melhor em campo.

Depois, houve que gerir o resultado - mas sem baixar linhas, controlando sempre as operações com o estado-maior instalado na linha do meio-campo, confiado ao capitão Morten, bem auxiliado pelo tenente Morita. Sem o sapador Viktor insistir nas missões de infiltração em terreno adversário, desta vez num estádio menos ajustado à sua acção desequilibradora. Mas cheio de adeptos leoninos que não se cansaram de incentivar e aplaudir a nossa equipa. Verdadeira equipa de todos nós.

 

É sempre assim quando o Sporting marca golos. E tem marcado em todos os jogos das competições internas na temporada em curso. E há cerca de meio século que não marcava tantos golos.

É sempre assim, quando o Sporting ganha. E há muitos anos que não ganhava tanto.

Estamos aptos a receber amanhã o Young Boys. Sem lesões: até nisto a estrelinha de Rúben voltou a reluzir. Porque não há campeão sem sorte.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Ao contrário do que ele certamente suporia, teve pouco trabalho nesta partida. Só fez a primeira defesa, aliás fácil, ao minuto 88. O único calafrio aconteceu no minuto final, após um canto, aos 90'+6.

Eduardo - Mais contido do que nas partidas anteriores, o que em nada prejudicou a nossa organização colectiva. Quando a linha defensiva avançava, ficava ele a resguardar a retaguarda. Missão cumprida.

Coates - Um pilar de estabilidade. Após um jogo em que foi poupado, tendo em atenção este intenso calendário de Fevereiro, voltou em grande forma como patrão da defesa. Cortes cirúrgicos, concentração total.

Gonçalo Inácio - Inesperadamente, foi o mais intranquilo do nosso sector mais recuado. Nem sempre acertou nos passes e teve uma perda de bola comprometedora. Mas interveio bem no segundo golo.

Geny - Já sentou Esgaio como titular da nossa ala direita. Muito mais ofensivo do que o nazareno, pôs o lateral adversário sempre em sentido durante toda a primeira parte. Só lhe faltou o golo. Mas vai tentando sempre.

Morten - Joga sempre de cabeça bem levantada, com visão panorâmica do terreno. Teve pormenores de inegável classe. Dominou o corredor central, impondo voz de comando. Vital para o equilíbrio da equipa.

Morita - Complemento ideal do dinamarquês no controlo do meio-campo. Menos subtil do que o companheiro, não hesitou em usar o corpo para travar investidas do Moreirense. E foi dele o golo inaugural.

Nuno Santos - O batalhador do costume em missão atacante. Foi tentando o golo. E esteve prestes a conseguir aos 32', num remate ao canto da baliza que o guarda-redes travou com brilhantismo.

Pedro Gonçalves - Regressado ao trio mais ofensivo, é lá que exibe os seus melhores atributos. Confirmados com o golo da tranquilidade, aos 23'. Já marcou 13 nesta epoca. E ainda mandou uma bola ao poste (47'). 

Trincão - Melhor em campo: está a ser uma das grandes figuras do Sporting. Embora sem marcar, assistiu duas vezes. Ao cobrar o canto que deu golo e ao pôr a bola bem redondinha nos pés de Pedro Gonçalves.

Gyökeres - Esforçou-se muito, num campo menos comprido do que os restantes, o que lhe condicionou alguns movimentos. Tentou o golo, desta vez sem conseguir. Mas sem nunca baixar os braços.

Matheus Reis - Em campo desde o minuto 82, substituindo Nuno Santos, já amarelado. Muito concentrado, demonstrou a sua utilidade com um corte oportuníssimo aos 90'+5.

Daniel Bragança - Substituiu Morita ao minuto 89. O nipónico estava muito fatigado, havia que refrescar o meio-campo para evitar desequilíbrios. Funcionou.

Edwards - Rendeu Pedro Gonçalves aos 89'. Entrou sobretudo para segurar a bola no tempo extra, que durou seis minutos.

Leão dobra o Braga com goleada à chuva

Sporting, 5 - Braga, 0

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Eduardo Quaresma muito aplaudido na estreia como goleador ao marcar o segundo ao Braga

Foto: Filipe Amorim / Lusa

 

Foi um festival de golos em Alvalade. Uma vez mais. Aqueles que nos faltaram no recente encontro com o Braga na meia-final da Taça da Liga, disputada em Leiria, apesar das seis ou sete oportunidades claras que tivemos nessa partida quase de sentido único, desta vez aconteceram. E de que maneira: goleámos a turma minhota por 5-0, reeditando o resultado obtido no Sporting-Braga do campeonato anterior e a vitória pela mesma marca, também no nosso estádio e contra a mesma equipa, na edição da Taça da Liga 2022/2023.

A saúde do onze leonino é notória: vulgarizámos por completo o conjunto comandado por Artur Jorge. Entrada fulgurante dos leões, com pressão intensa sobre os visitantes, confinados ao seu reduto defensivo. Cedo este domínio se traduziu num golo: Trincão, aproveitando da melhor maneira um passe transviado perto da linha da grande área, tomou conta da bola e aplicou-lhe o tratamento adequado em remate cruzado e rasteiro, encaminhando-a para as redes. 

Estavam decorridos 8 minutos: começava a festa em Alvalade, anteontem com quase 40 mil espectadores neste jogo iniciado às 18 horas do Domingo de Carnaval. Sem que os do Braga tivessem qualquer motivo para rir. 

 

O segundo não tardou. E foi uma obra-prima: Eduardo Quaresma recuperou a "gordinha" lá atrás, junto à linha direita defensiva, e conduziu-a em ziguezague com nota artística campo fora, contornando todas as tentativas de intercepção. Na grande área braguista, a bola foi tocada para Pedro Gonçalves que tentou centrar já em desequilíbrio: sobrou para Edu, que prosseguira sem pisar o travão: com ela novamente nos pés, não perdoou: estreava-se assim como artilheiro na equipa principal do Sporting ao fim de 25 desafios como profissional de leão ao peito. O estádio explodiu de euforia. E o jovem jogador também: escutou aplausos prolongados, mais do que merecidos.

Assim se foi para o intervalo sem que Adán tivesse sido importunado. Tinhamos a noção de que os três pontos estavam garantidos, mas aquele 2-0 sabia a pouco.

 

O Braga voltou do balneário a tentar finalmente discutir o jogo: durou cerca de 20 minutos esta veleidade. O Sporting, que fingira estar adormecido, voltou a carregar no acelerador, conduzindo ataques alternados pelos corredores laterais, baralhando as marcações dos minhotos, novamente empurrados para os 30 metros do seu reduto.

Aí voltou a brilhar Trincão, o melhor em campo. Tomou posse da bola na meia-direita e já não a largou, fintando dois adversários e atirando-a teleguiada para a zona do primeiro poste, onde Gyökeres rematou com êxito a meia altura, sem hipóteses para Matheus. O astro sueco voltava a brilhar, já sem José Fonte nem Paulo Oliveira a policiá-lo, aumentando o seu registo como rei dos artilheiros do campeonato.

Foi aos 71'. Bastaram dois minutos para a bola se anichar outra vez nas redes braguistas, desta vez muito bem encaminhada por Daniel Bragança, pouco depois de render Morita. «Só mais um!», gritavam os adeptos.

Nuno Santos fez-lhes a vontade aos 85' com um tiro de trivela, igualmente indefensável. Aquecendo ainda mais a chuvosa noite de Inverno no nosso estádio. 

 

Havia nas bancadas quem falasse em "vingança". Mas aconteceu algo maior do que isso: uma exibição de exuberante superioridade das nossas cores. Não demos a menor oportunidade ao Braga para medir forças connosco. Confirmando que o recente tropeção em Leiria foi mero infortúnio que não deixou marcas. 

Quem duvide, fará bem em espreitar a classificação do campeonato nacional. O Sporting segue em primeiro, em igualdade pontual com o Benfica (ambos com 52 pontos), mas menos um jogo disputado - o que faz muita diferença. 

E o Braga? Segue em quarto, com menos 12 pontos. Deve acautelar-se com o V. Guimarães, já a morder-lhe os calcanhares. Quase tão mal está o FC Porto, que ontem sofreu a primeira derrota de sempre em Arouca (3-2) e está agora 7 pontos abaixo do Sporting - que podem ser 10 quando se disputar finalmente o nosso desafio em Famalicão.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Partida relativamente tranquila para o guardião espanhol, que brilhou aos 62', protagonizando excelente defesa ao negar o golo a Álvaro Djaló quando vencíamos por 2-0.

Eduardo - Enorme capacidade de chegada à área braguista, excelente visão de jogo, atrevimento no melhor sentido. Estreia a marcar como profissional leonino. Mereceu por completo.

Coates - Desta vez só se destacou no sector recuado: lá na frente, nos cantos, não fez a diferença. Mas cumpriu com o zelo habitual na defesa. Cortes oportunos aos 34', 51' e 66'.

Gonçalo Inácio - Dobrou Nuno Santos quando este se adiantava no corredor esquerdo, fez parceria perfeita com Coates e inicia a construção do quarto golo com soberbo passe vertical.

Geny - Foi o primeiro a criar desequilíbrios pondo o Braga em sentido com várias acções de ruptura na ponta direita. Sem nunca descurar as missões defensivas enquanto manteve o fôlego.

Morten - Exímio no passe, olhando o jogo de frente, sem virar a cara à luta. E com capacidade de aparecer lá na frente, como quando sacou um livre directo aos 28' quase à entrada da área.

Morita - O menos exuberante do onze inicial, ainda a acusar algum desgaste da participação na Taça Asiática ao serviço do Japão. Irá com certeza recuperar a forma no próximo jogo.

Nuno Santos - Batalhador. Foi um dos principais obreiros da avalancha ofensiva leonina. Quase marcou aos 60, num remate cruzado que rasou o poste. Aos 85', meteu-a mesmo lá dentro.

Pedro Gonçalves - Rúben Amorim devolveu-o ao trio atacante. E foi lá que ele teve participação directa em dois dos golos - o segundo e o quarto. No essencial, missão cumprida.

Trincão - Sexto golo nos últimos cinco jogos da Liga. Foi ele a abrir a goleada em lance que construiu do princípio ao fim. Fez a assistência para o terceiro. Já convence até os mais cépticos. 

Gyökeres - Atacou a profundidade e deu largura ao ataque leonino, sem se deixar intimidar pelas marcações. Na primeira oportunidade de que dispôs, meteu-a lá dentro. À campeão.

Daniel Bragança - Aos poucos, vai-se tornando mais influente. Substituiu Morita aos 51': bastaram-lhe 12 minutos para marcar o quarto golo leonino. O seu quarto da temporada. 

Matheus Reis - Sempre jogador útil. Em campo desde o minuto 75', quando rendeu Quaresma, três minutos depois protagonizou grande corte pondo fim a uma situação de perigo.

Edwards - Substituiu Pedro Gonçalves aos 75'. Abusa dos lances individuais, tentando fintar meia equipa. Aos 90'+1, desperdiçou oportunidade de marcar o sexto.

Esgaio - Em campo desde o minuto 84, preenchendo o lugar de Geny. Entrou bem: no minuto seguinte centrou com precisão, dando início ao lance do quinto golo. Outro bom centro aos 90'.

Paulinho - Rendeu Gyökeres aos 84'. Sem pontaria, falhou cabeceamento em zona de decisão (90'). Em cima da linha final, assistiu Edwards de calcanhar: esteve quase a ser golo (90'+1).

Cabazada histórica num hino ao futebol

Sporting, 8 - Casa Pia, 0

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Momento de celebração em Alvalade: acabava de marcar-se um dos oito golos contra o Casa Pia

Foto: Rodrigo Antunes / Lusa

 

Foi um jogo histórico. Basta olhar para o resultado: há meio século que não se registava um desfecho destes, em nossa casa para o campeonato. Temos de recuar a Fevereiro de 1974 para encontrar outro 8-0 como o de anteontem: nessa altura cilindrámos o Oriental, com cinco golos de Yazalde, já mítico craque argentino que no final dessa época se sagrou melhor artilheiro dos campeonatos europeus, tendo apontado 46 com a Verde e Branca nessa inesquecível competição em que a festa leonina se confundiu com a Festa da Liberdade. Recebeu justamente a Bota de Ouro pela proeza.

Desta vez não temos um argentino, mas um sueco. Craque também. De longe o astro maior desta Liga 2023/2024, que o Sporting comanda isolado há várias jornadas. Anteontem foi ele o melhor em campo, já sem surpresa. Surpreendente foi a amplitude do nosso triunfo face a um Casa Pia a que não demos a menor hipótese, do primeiro ao último momento da partida. A mais volumosa goleada desta Liga.

O vitorioso Viktor Gyökeres faz jus ao nome próprio: leva já 24 golos marcados nesta temporada - 15 só no campeonato. Mais dois do que a sua melhor marca anterior na carreira, ao serviço do Coventry, da segunda divisão inglesa. Agora marcou mais dois: novo bis de Leão ao peito. Primeiro aos 23', correspondendo da melhor maneira a um cruzamento milimétrico de Pedro Gonçalves; depois de penálti, aos 32', punindo falta cometida sobre ele próprio, numa das suas numerosas incursões na grande área casapiana.

 

Numa antítese clara do desafio anterior, frente ao Braga para a Taça da Liga, em que tivemos sete ou oito oportunidades de golo sem concretizar nenhuma, desta vez transformámos em golos quase todas quantas construímos. Tal como Viktor, também Coates (13' e 81') e Trincão (43' e 90'+4) bisaram, provocando saudáveis explosões de euforia nos mais de 32 mil espectadores presentes nas bancadas. Pedro Gonçalves (25') e Geny (64') completaram a contagem.

Selando o desfecho deste encontro de sentido único, autêntico hino ao futebol. Valorizado também pelo desempenho do jovem árbitro Helder Carvalho.

Uma cabazada, como se dizia antigamente. E pode continuar a dizer-se, sem problema algum. É expressão que faz todo o sentido perante o que se passou no tapete verde de Alvalade.

 

Com este triunfo, o Sporting mantém-se invicto no plano doméstico: dez desafios para a Liga 2023/2024 terminados da melhor maneira, todos com vitórias em casa. Continuamos no topo, com Benfica um ponto atrás e FC Porto já cinco ponto abaixo de nós. Reforçamos a liderança isolada também do nosso ataque, de longe o mais concretizador da prova: 53 golos já convertidos. Mais 11 do que o Braga, já num distante segundo posto. 

Outro dado relevante: temos um índice médio de 2,71 golos por jogo após 31 partidas oficiais já realizadas nesta época para quatro competições. Muito acima - vale a pena notar - do que ficou registado em 2020/2021, quando fomos campeões: 1,96 golos por jogo no conjunto das provas então disputadas. Números que revelam muito bem a grande evolução registada de então para cá sob o comando de Rúben Amorim. Já hoje um dos melhores treinadores de sempre do Sporting.

Quem ainda não percebeu isto, nada percebe de futebol. Ou padece de miopia talvez irreversível. No primeiro caso, poderá registar progressos. No segundo, infelizmente, talvez já não.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Foi uma das jornadas mais tranquilas, até agora, para o guardião espanhol. Quase se limitou a uma defesa fácil aos 49'. Manteve as nossas redes intactas: ninguém o perturbou.

Eduardo Quaresma - De repente, o miúdo ficou adulto. E de que maneira. Outra exibição segura, cheio de confiança. Ao minuto 25 já tinha protagonizado quatro cortes e recuperações.

Coates - Tornou-se o segundo defesa mais goleador da história leonina. Ao bisar contra o Casa Pia soma já 35 golos no seu currículo português. Iniciou a cabazada com golpe de cabeça certeiro.

Gonçalo Inácio - Vai-se especializando no início da construção lançando Gyökeres com passes longos, explorando a desmarcação do sueco. Interveio assim no golo 2. Dobrou bem Coates.

Esgaio - Tinha Eduardo Quaresma a resguardar-lhe a retaguarda. Mas nem assim o nazareno foi muito afoito no ataque. Pecou por défice ofensivo. Não interveio em qualquer dos golos.

Morten - Protagonizou um dos melhores momentos da partida ao fazer sobrevoar a bola, com classe, sobre a defesa casapiana, oferecendo o golo a Pedro Gonçalves. Cada vez mais influente.

Pedro Gonçalves - Ainda com queixas físicas, só fez a primeira parte. Exibição de luxo: marcou, deu a marcar (no segundo) e fez pré-assistência (no quinto). Com ele o nosso jogo é mais fluido.

Nuno Santos - Assistiu Coates no primeiro, marcando livre. Aos 30', recuperou uma bola em lance que daria penálti, fazendo túnel a Lameiras. Cobrou o canto que gerou o golo 6. Incansável.

Edwards - Mais discreto do que noutras partidas, ofereceu golo a Morten (38') que só o guardião Baptista impediu. Uma incursão sua, aos 43', esteve na origem do 5-0. Resultado ao intervalo.

Trincão - Uma das suas melhores exibições no Sporting. Bisou, marcando o nosso melhor golo do mês à beira do apito final. Foi ele a recuperar a bola no segundo golo. Útil de várias formas.

Gyökeres - Um espectáculo. Bisou, ultrapassando Banza como artilheiro-mor da Liga. Aos 90'+1 ainda ofereceu um golo a Paulinho e logo a seguir esteve quase a marcar ele próprio outra vez.

Daniel Bragança - Fez toda a segunda parte, substituindo Pedro Gonçalves. Quando a equipa já geria o resultado. Explorou com eficácia o espaço entre linhas. Ajudou a construir o golo 7.

Geny - Substituiu Esgaio (57'). Ausente durante um mês, voltou em forma. Sete minutos após entrar já assinava um golão - estreia a marcar em casa. E assistiu o capitão no penúltimo golo.

Paulinho - Rendeu Edwards aos 57'. Muito apagado. Falhou emenda, com a baliza à frente, aos 59'. Dominou mal a bola que Gyökeres lhe ofereceu já no tempo extra. Devia ter feito mais.

Matheus Reis - Entrou aos 81', rendendo Gonçalo. Tempo para protagonizar um grande cruzamento, sentando o defesa adversário e assistindo Trincão a fechar a contagem.

Dário - Substituiu Morten aos 86'. Entrou sobretudo para se despedir do público leonino antes do empréstimo ao Chaves no resto da temporada. Mas vai com bilhete de regresso.

Imparáveis no início da segunda volta

Vizela, 2 - Sporting, 5

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Coesão colectiva, alegria a jogar, moral em alta: terceira goleada em quatro jogos, desta vez em Vizela

Foto: José Coelho / Lusa

 

O Sporting começa a segunda volta do campeonato como terminou: em grande. Com a 23.ª vitória em 29 jogos já disputados desde o início da temporada. Mantendo o posto de comando no campeonato e aspirações intactas em todas as outras provas. Com um futebol de ataque como raras vezes nos recordamos. Impulsionado, em larga medida, por Gyökeres, que consolida o lugar - indiscutível - de melhor futebolista da Liga 2023/2024.

Futebol de ataque, sim. Comprovado com números, num registo impressionante: 76 golos marcados nestas 29 partidas, portanto com média de 2,62 por jogo. Muito acima do desempenho do Benfica (59 golos, com o mesmo número de desafios disputados) e do FC Porto (53 golos, idem).

Vendo a questão de modo mais abrangente: somos neste momento a quinta equipa com melhor índice goleador do futebol europeu. Só atrás do Leverkusen (3,15 golos por jogo), Fenerbahce (2,94), PSV (2,93) e Bayern de Munique (2,76). É obra.

 

Mérito de quem?

Do treinador, acima de todos. Rúben Amorim tem moldado este conjunto de jogadores à sua imagem e semelhança, transformando-o numa equipa coesa, inspirada, motivada. Imparável. Com um balneário que irradia optimismo, uma alegria de jogar que contagia as bancadas e capaz de pôr em sentido qualquer adversário, como bem se viu no clássico contra a turma portista em Alvalade.

Sábia combinação entre a dinâmica colectiva e o aproveitamento dos talentos individuais. Tudo isto ficou evidente no desafio de anteontem em Vizela, frente ao penúltimo classificado, que tanto trabalho nos tinha dado no embate da primeira volta (vencemos à tangente, por 3-2, com o golo vitorioso a surgir só nos instantes finais).

Dominámos do primeiro ao último som do apito. Com muita vontade de garantir os três pontos em pouco tempo. Mas, contra a corrente de jogo, sofremos um golo, nascido de livre a cobrar falta inexistente - decisão infeliz do árbitro André Narciso, péssimo sobretudo no capítulo disciplinar e nada auxiliado pelo vídeo-árbitro Rui Costa.

A perder desde o minuto 13, pressionámos ainda mais. Chegando a suceder o impensável: Gyökeres falhou um golo de baliza aberta, à queima-roupa, fazendo a bola subir para a barra, aos 18'. Mas adivinhava-se a todo o momento que o internacional sueco estava em dia sim: ia desatar o nó. E desatou mesmo. Empatando a partida aos 45'+7, quase no limite do tempo extra.

 

No segundo tempo acentuou-se a nossa pressão ofensiva. Com Trincão em alta rotação: deixou de ser o Trinquinho de jogos anteriores e despachou o segundo golo logo a abrir a segunda parte. Paulinho exibiu sempre confiança lá na frente, ja não só para arrastar defesas mas também para a meter no sítio certo. É dele o terceiro golo e ajudou a construir outros dois. Também Pedro Gonçalves se destacou, com duas assistências. 

O quarto foi apontado por Coates, em estreia como artilheiro neste campeonato - para compensar um erro individual que minutos antes o levara a perder a bola, possibilitando o segundo e último do Vizela. É o único problema que subsiste: ainda sofremos demasiados golos. Dezanove, só na Liga.

O jogo não terminou sem novo momento alto de Gyökeres, fixando o resultado com o seu quarto bis da temporada. Um espectáculo: acaba de igualar a sua melhor época de sempre, em que marcou 22 pelo Coventry. Agora atingiu a mesma marca, em apenas 25 jogos.

Resta acrescentar: entrámos em campo sem três titular habituais. Diomande, Geny e Morita continuam ausentes, ao serviço das respectivas selecções. Mas quase não se deu por isso. É outra forma de comprovar como o Sporting está forte.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Quase não foi incomodado. Não podia fazer nada nos dois golos sofridos: no primeiro, Esgaio falha a intercepção; no segundo, Coates perde a bola. De resto, noite tranquila.

Eduardo Quaresma - Está cada vez mais confiante - e o treinador contribui, apostando nele. Toda a partida como central à direita neste seu centésimo jogo como profissional (21.º pelo Sporting).

Coates - Esteve muito mal ao perder duelo com Essende que nos custou o segundo golo (63'). Mas redimiu-se marcando, à ponta-de-lança, o nosso quarto (72') na sequência de um livre.

Gonçalo Inácio - Exibe crescente maturidade. Não só na dinâmica defensiva, desta vez fazendo também de lateral para compensar avanço de Nuno Santos, mas também no passe longo.

Esgaio - Apático, deixou Soro movimentar-se à vontade no sector defensivo à sua guarda no lance de que resultou o golo inicial do Vizela. Défice também no capítulo ofensivo.

Morten - Imprescindível no controlo do corredor central, colando linhas. Atento nas acções de corte e recuperação, seguidas de passes verticais. Injustamente amarelado aos 16'.

Pedro Gonçalves - Médio muito activo no apoio da linha da frente. Soube trabalhar para a equipa. Assistiu nos dois últimos golos - o primeiro num livre marcado de forma exemplar.

Nuno Santos - Actuou como extremo, tendo Gonçalo a vigiar-lhe a retaguarda. Desta vez os centros não lhe saíram com a precisão habitual. Deu nas vistas com uma trivela aos 38'.

Trincão - Segundo jogo a dar nas vistas, destacando-se como um dos melhores. Exibição coroada com o segundo golo, ao minuto 46. E assistiu no terceiro, com excelente cruzamento.

Paulinho - Uma das suas melhores actuações da época. Recupera a bola no lance do primeiro golo, marca o terceiro impondo-se no jogo aéreo (57'). E viu outro talvez mal anulado (45'+1).

Gyökeres - De novo o melhor em campo: começa a tornar-se monótono. Sai de Vizela com um bis (45'+7 e 86'). Ninguém se entrega tanto ao jogo como ele, ninguém exibe tanta pujança física.

Daniel Bragança - Substituiu Morten aos 60'. Deixou marca de qualidade no jogo, em posição mais adiantada do que o dinamarquês. Participação decisiva no quinto golo.

Edwards - Substituiu Paulinho (79'). Ainda a tempo de protagonizar acção ofensiva que foi travada em falta já dentro da área. Devia ter sido penálti, mas o árbitro não viu e o VAR fingiu não ver.

Dário - Rendeu Pedro Gonçalves aos 90'+1. Entrou essencialmente para queimar tempo. Chutou para ninguém aos 90'+2, perdendo a bola de forma infantil.

Portelo - O brasileiro recém-contratado ao Leixões estreou-se na Liga 1 aos 90'+1, rendendo Coates. Entrou só para a equipa queimar alguns segundos com esta troca.

Somamos e seguimos, já de olhos no título

Chaves, 0 - Sporting, 3

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Pedro Gonçalves, Trincão e Nuno Santos: três jogadores em foco no desafio transmontano

Foto Pedro Sarmento Costa / Lusa

 

Alguns não acreditavam. Os mesmos de sempre. Mas conseguimos. O Sporting entra na segunda volta deste campeonato como líder isolado. Lá em cima, no primeiro posto, passe a redundância. Com 43 pontos. Apenas menos dois do que os conquistados nesta mesma fase na gloriosa época de 2020/2021, já sob o comando de Rúben Amorim, em que nos sagrámos campeões. Só menos um do que os obtidos, também concluída a primeira volta, na Liga 2015/2016, quando o treinador era Jorge Jesus.

No cômputo geral, é a quarta melhor temporada do Sporting, à primeira volta, desde que cada triunfo passou a valer três pontos, em 1995/1996.

Amorim tem motivos redobrados para se sentir satisfeito. Anteontem, nesta vitória em Chaves por 3-0, ultrapassou outra marca como técnico leonino: ninguém antes dele conseguiu somar 14 triunfos na primeira volta em mais de duas épocas ao leme da equipa. Superando um recorde já muito antigo de Cândido Oliveira alcançado em 1948 e 1949.

Os números da temporada em curso ilustram bem a competência do treinador: 28 jogos já realizados esta época, com o Sporting a sair vencedor em 22. Houve ainda três empates e três derrotas, com 78,5% de percentagem global de vitórias.

 

E vão seis partidas consecutivas sempre a vencer, para quatro competições diferentes. Anteontem, na tarde-noite invernosa em Chaves, só tardou o primeiro golo, ocorrido aos 44'. Aconteceu de bola parada, por Paulinho, na sequência de um canto bem convertido por Trincão. Assim chegou o intervalo: este 1-0 sabia a pouco. Até porque não haviam faltado oportunidades: por Gyökeres e Esgaio aos 11', novamente pelo sueco aos 12' e - a mais clamorosa perda - por Pedro Gonçalves, só com o guarda-redes Hugo Souza pela frente, aos 27'.

Mas o transmontano - que nasceu para o futebol em Chaves - redimiu-se com enorme exibição nesta partida em que foi o melhor em campo. Bola a rasar o poste aos 20', remate que o guardião desviou in extremis para a barra aos 76' e golo, fechando a contagem, aos 56'. Naquele seu jeito peculiar de parecer produzir passes à baliza levando a bola com efeitos a anichar-se nas redes. Não festejou, por respeito aos patrícios transmontanos.

Ao ser substituído (79'), foi ovacionado por todo o estádio, onde havia 5.690 espectadores. Palmas bem merecidas.

 

Quem também mereceu aplausos foi Francisco Trincão. Muito em jogo sobretudo na ponta direita, substituindo no onze o engripado Edwards, fez jus à convocatória com uma das melhores exibições da temporada. Foi ele a marcar o canto para Paulinho facturar antes do intervalo. Foi também ele a marcar o segundo, o mais belo golo deste encontro, num remate indefensável, muito bem colocado, que desenhou um arco antes de chegar às redes, aos 52'. Assim aqueceu a fria noite flaviense.

Nesta partida iniciada sem cinco titulares (Diomande, Morita e Geny estão ao serviço das respectivas selecções e Coates só fez a segunda parte, além do convalescente Edwards, que assistiu ao desempenho dos colegas bem agasalhado no banco de suplentes) ficou comprovado que temos soluções de recurso para diversas posições. Quando ainda decorre o mercado de Inverno que talvez proporcione um ou dois reforços ao treinador.

Para já, Amorim vai sorrindo. E nós com ele. 

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - O seu maior combate em Chaves foi contra o frio. Sem uma defesa digna desse nome numa partida em que a equipa adversária não fez um único remate enquadrado. 

Eduardo Quaresma - Cumpriu durante toda a primeira parte, neste terceiro jogo a titular: acertou 42 dos 44 passes. Cedeu lugar a Coates para evitar más surpresas no jogo aéreo.

Gonçalo Inácio - Enquanto o capitão esteve ausente, foi ele a comandar a defesa. Com brilho e distinção: destacou-se como maior recuperador leonino, exímio na precisão do passe.

Matheus Reis - Completou o trio de centrais, sem problema no controlo do seu sector. Lá na frente, podia ter feito melhor aos 43': em vez de remate, saiu-lhe passe ao guarda-redes.

Esgaio - Regular, previsível, sem inventar nem atrapalhar. Podia ter marcado numa recarga aos 11'. Nem sempre lhe saiu bem o duelo com Sanca, o extremo adversário. Mas cumpriu.

Morten - Voltou a destacar-se como pêndulo da equipa, assegurando o controlo total do corredor central junto à linha divisória. Cada vez mais útil nas recuperações de bola.

Pedro Gonçalves - Regressou ao meio-campo, sem tirar os olhos da baliza. Marcou o terceiro, aos 56': o seu décimo golo da temporada. Terceiro jogo seguido a facturar. Melhor em campo.

Nuno Santos - Grande exibição, sempre ligado à corrente. Foi o grande minuciador do ataque com os seus cruzamentos da esquerda. Um deles gerou o nosso segundo golo. 

Trincão - Uma das melhores partidas do minhoto nesta temporada. Cobra o canto de que nasceu o golo inaugural e marca o segundo, aos 52'. Protagonizou numerosos desequilíbrios.

Paulinho - Saiu também de Chaves com merecidos elogios. Por ter regressado aos golos. Abriu o marcador aos 44': o mais dificil estava feito. Três jogos fora seguidos sempre a marcar.

Gyökeres - Tentou muito, sem conseguir. Stefen Vitória fez-lhe marcação cerrada. Rondou o golo (11', 12', 78'), sempre em movimento acelerado, mas os heróis acabaram por ser outros.

Coates - Regressado após lesão, actuou só na segunda parte - por troca com Quaresma. Lento, ainda longe da melhor forma. Viu cartão amarelo aos 71'.

Daniel Bragança - Substituiu Pedro Gonçalves aos 79'. Cumpriu no essencial, ligando o meio-campo ao ataque. O péssimo relvado não favoreceu o seu requinte técnico.

Neto - Substituiu Esgaio aos 85'. Tempo suficiente para reforçar a tranquilidade no nosso reduto defensivo, quando as más condições do terreno impunham máxima cautela para evitar lesões.

Dário - Rendeu Matheus Reis aos 85'. Actuou como ala direito, com a missão prioritária de contribuir para fechar aquele corredor. Ganhou mais uns minutos de experiência.

A nossa maior goleada deste campeonato

Sporting, 5 - Estoril, 1

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Gyökeres assistiu, Edwards marcou: duas figuras em destaque máximo numa grande exibição leonina

Foto Lusa

 

Havia algum receio, entre os adeptos leoninos, em torno desta visita do Estoril a Alvalade. Com alguma lógica: os canarinhos já tinham vencido o FC Porto no Dragão (em Novembro) e eliminado os portistas da Taça da Liga (em Dezembro). Carrascos de Sérgio Conceição em duas provas diferentes.

Mas foi rebate falso: a turma orientada por Vasco Seabra vergou-se desde o primeiro minuto ao domínio absoluto do Sporting num jogo que se saldou pela nossa quinta vitória consecutiva. E nona em casa neste campeonato, em que ainda não perdemos qualquer ponto na condição de equipa visitada.

Este domínio, note-se, ocorreu mesmo estando desfalcados de três titulares habituais: Diomande, Morita e Coates. Os dois primeiros agora ao serviço das respectivas selecções, enquanto o internacional uruguaio recupera de uma lesão que ainda o impediu de actuar.

 

As notícias sobre as supostas dificuldades que o Estoril poderia criar-nos eram manifestamente exageradas. O que se reflectiu no marcador: 5-1, mais duas bolas aos ferros (por Edwards e Trincão) e um punhado de oportunidades desperdiçadas do nosso lado. Desde a vitória por 5-0 ao Braga há onze meses, no campeonato anterior, não criávamos um resultado tão desnivelado. Com sete flagrantes oportunidades de golo. 

Foi a segunda maior goleada na Liga protagonizada por Rúben Amorim como treinador do Sporting. E a sua maior na prova agora em curso. Bem demonstrativa da saúde anímica de que a equipa goza quando falta apenas uma jornada para concluir a primeira volta da mais importante competição do futebol português.

 

Gyökeres desta vez não assistiu, mas fez três passes para golo e contribuiu para os dois restantes. Melhor jogador da LIga 2023/2024, vai construindo rapidamente a sua lenda em Alvalade. Quando partir, será lembrado por longos anos. 

É ele quem municia Edwards nos dois primeiros - fixando o 2-0 ao intervalo. No terceiro, ao contrário do que alguns imaginavam, acelerámos ainda mais o ritmo e o caudal ofensivo. Com golos de Pedro Álvaro (autogolo, desviando remate de Nuno Santos), Pedro Gonçalves e Trincão (também este com assistência de Gyökeres).

Já marcámos 37 neste campeonato - mais seis do que o Benfica, mais 14 do que o FC Porto. Revelando a maior veia goleadora à 16.ª jornada em campeonatos deste século. Só no de 1995/1996 conseguimos mais nesta fase da competição.

 

Tudo estaria perfeito se não tivéssemos sofrido um golo, aos 82' em lance de bola parada. O Estoril ficou-se por aí, mas há certamente algo a rever na nossa organização defensiva em jogadas como esta. 

Não deixa de ser mero pormenor quando se triunfa por margem tão categórica como anteontem nos aconteceu. Com uma nota de optimismo suplementar: esta é apenas a oitava vez em que contamos só por vitórias os desafios disputados em casa para o campeonato. Em seis das anteriores ocasiões conquistámos o título: aconteceu em 1947, 1949, 1954, 1970, 1974 e 1980. Vai sendo tempo de voltar ao mesmo.

Desenha-se uma tendência. Em que todos acreditamos cada vez mais. Até alguns cépticos que aqui apareciam no início da época a resmungar com quase tudo. Esses ou mudaram de opinião ou foram pregar para outras paragens. Sem deixar saudades.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Atento, com bons reflexos, fez defesas seguras aos 20' e aos 70'. Negou o golo aos 78'. Nada podia fazer na recarga de Cassiano que aos 82' fixou o 5-1 final, reduzindo para o Estoril.

Eduardo Quaresma - Titular como central à direita, decidiu tudo com processos simples. Muito concentrado, respondeu com eficácia às investidas estorilistas pelo seu corredor.

Gonçalo Inácio - Supriu ausência de Coates, voltando ao onze. Assumiu-se sem complexos como patrão da defesa. Cortes preciosos. Só lhe faltou o golo, que tentou duas vezes (2' e 42').

Matheus Reis - Mais discreto mas não menos eficaz do que os seus colegas no trio de centrais. Melhor momento, aos 42': centro quase junto à linha final, para Gonçalo, com selo de golo. 

Geny - Titular antes de rumar a Moçambique, ao serviço da selecção. Grande recuperação aos 47'. Desperdiça ao atirar por cima (57'). Aos 71', passou da ala direita para a esquerda.

Morten - Outro regresso após um jogo de castigo. Passes a rasgar, verticais, de olhos lá na frente. Chegou para as encomendas como médio defensivo, desta vez sem Morita ao lado.

Daniel Bragança - Com o colega nipónico a representar a selecção do seu país, saiu-se bem como médio ofensivo titular. Grande desmarcação para Nuno Santos (26'). Não falhou um passe.

Nuno Santos - Impetuoso, às vezes em excesso. Nele, a emoção sobrepõe-se à razão. Provocou dois cantos disparatados (24' e 43'). Mas interveio, com sorte, na jogada do terceiro golo.

Edwards - Assistido a dobrar por Gyökeres, não vacilou: marcou os dois primeiros (21' e 45'+2). Rasou o poste num remate cruzado (33'). Mandou um petardo ao poste (75'). Grande exibição.

Pedro Gonçalves - Tirou do chapéu toda a construção do quarto golo, aos 69', conduzindo a bola muito bem dominada durante 25m. Quando já tinha recuado, actuando como médio.

Gyökeres - Assistiu (21', 45'+2 e 78'). Serviu num lançamento lateral Nuno Santos no que viria a ser o golo 3. E arrastou marcações no quarto. É já o rei das assistências do campeonato.

Trincão - Entrou aos 52', substituindo Bragança. Jogou na meia esquerda do ataque, posição em que mais rende. Marcou o golo mais vistoso, o quinto. Em estreia como artilheiro nesta Liga.

Neto - Substituiu Quaresma aos 71'. Manteve a nossa defesa isenta de sobressaltos usando a veterania como factor de segurança. Grande abertura para Paulinho aos 84'.

Dário - Rendeu Morten aos 71'. Vem exibindo mais confiança e maior destreza técnica. Grande recuperação aos 76', sublinhada com aplausos dos 37.400 espectadores.

Esgaio - Substituiu Nuno Santos aos 71'. Ajudando a fechar o nosso corredor direito, enquanto Geny transitava para a esquerda. Seguro, sem inventar nem improvisar.

Paulinho - Saltou do banco aos 81' para render Edwards. Aos 84' desperdiçou flagrante oportunidade de marcar, muito bem servido por Neto.

Tiro sueco derrubou muralha algarvia

Portimonense, 1 - Sporting, 2

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Gyökeres, mesmo sob marcação cerrada, voltou a brilhar: por vezes cansa só de o ver

Foto Luis Forra / Lusa

 

A expressão "estacionar o autocarro" parece ter sido inventada por Paulo Sérgio. O treinador do Portimonense - que passou há mais de dez anos por Alvalade, sem deixar saudades - adoptou nesta recepção à nossa equipa um sistema hiper-defensivo. Espécie de 6-3-1, anichando os seus pupilos numa extensão máxima de 25 metros, deixando toda a iniciativa atacante ao Sporting. Dois defesas receberam a missão de patrulhar Gyökeres a tempo inteiro, roubando-lhe espaço de manobra e remetendo-o a zonas mais recuadas.

Muralha própria de equipa pequena, receando ser goleada em casa pelo onze que pratica melhor futebol da temporada.

Funcionou, mas só até ao intervalo. O primeiro tempo decorreu com os nossos jogadores à procura de uma fresta naquela muralha, sem sucesso. O melhor que conseguiram foi já no tempo extra, quando Edwards rematou forte mas por cima.

É verdade que anteontem nos faltavam três titulares: Coates estava ausente por lesão, Gonçalo Inácio e Morten cumpriam castigo. Mas isto não explica a nossa lentidão de processos neste primeiro tempo nem a inoperância do corredor direito do Sporting, onde Edwards e Geny por vezes se atropelavam e o moçambicano parecia estar já com a cabeça na selecção do seu país, que representará nas próximas semanas. 

Também não explica a incapacidade de gerarmos perigo nos lances de bola parada, que apareceram em catadupa: dez cantos nos primeiros 45 minutos, igualando o registo máximo da prova até ao momento.

 

Rúben Amorim soube puxar pelos jogadores na prelecção que lhes fez ao intervalo. Surgiram com outro ânimo no excelente tapete verde de Portimão. Beneficiando também dos primeiros sinais de fadiga física revelados pela turma algarvia. Aí o eficaz Sporting desta Liga 2023/2024 voltou à tona. 

O nosso ponto forte era o corredor esquerdo, com boa articulação entre Matheus Reis e Nuno Santos. Pedro Gonçalves, novamente remetido ao meio-campo, tentava infilitrar-se entre linhas, beneficiando da solidez posicional de Morita: o japonês brilhou como n.º 6 improvisado num dos seus melhores desempenhos de sempre ao serviço do Sporting. É um dos jogadores mais completos deste plantel. E um dos obreiros deste percurso vitorioso que já produziu 19 triunfos em 25 partidas nas quatro frentes futebolísticas e nos confirma no comando do campeonato à entrada deste ano novo. 

Algo que não acontecia desde 2021. Sabemos o final feliz dessa história.

 

A insistência foi tanta que acabou por produzir bons frutos. Num magnífico passe teleguiado de Pedro Gonçalves aproveitando uma das raras ocasiões em que Gyökeres dispôs de espaço de manobra em posição frontal. O sueco, letal como poucos, não perdoou: num par de segundos, meteu-a lá dentro. Inaugurando o marcador naquele minuto 59. Confirma-se a tendência: cumprimos 15 jornadas sem nunca ficar em branco.

Lá teve Paulo Sérgio de tirar o autocarro do parque de estacionamento, procurando enfim - também ele - esticar o jogo. Aproveitando sobretudo deslizes defensivos dos nossos. Houve três. À primeira, o Portimonense marcou. Na cobrança de um livre a punir falta desnecessária de Diomande na meia esquerda e o mau posicionamento da barreira. Depois, aos 78' e aos 85', brilhou Adán ao fazer a mancha e cortar ângulo de remate aos adversários que se isolavam. Beneficiando, no primeiro lance, da preciosa ajuda de Eduardo Quaresma.

 

Estava escrito que não sairíamos do Algarve sem os três pontos. Assim foi: a bola voltou a entrar na baliza certa, coroando a melhor jogada colectiva do desafio, também desenrolada no corredor esquerdo. Com a "gordinha" a girar de Matheus para Nuno e deste para Morita com o internacional nipónico a cruzar para o centro da área: Paulinho, de costas para as redes, pôs a funcionar o calcanhar. Era noite de sorte: a bola tabelou caprichosamente num defesa e traiu o guarda-redes Vinicius. Que cinco minutos antes, num voo espectacular, impedira Morita de marcar.

Paulinho esteve no melhor e também no pior, quando falhou golo cantado após centro milimétrico do suspeito do costume. Gyökeres voltou a terminar um jogo da forma que já começa a tornar-se habitual: parece ter energia para começar tudo de novo. 

"Cansa só de ver", deve ter pensado o tristonho Paulo Sérgio. O sueco - melhor em campo - derrubou-lhe a muralha. Bastou um tiro só.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Ainda não é desta que o nosso guarda-redes mete os papéis para a reforma. Bons reflexos a impedir golos aos 78' e aos 85'. Sem culpa no que sofreu, aos 68'.

Neto - Fez só a primeira parte, como central à direita. Amarelado aos 34', ficou condicionado. Já tinha abusado dos passes à queima e de falta de fluidez na construção.

Diomande - Supriu ausência de Coates. Seguro excepto em dois momentos: entrada fora de tempo aos 67' (valeu-lhe um amarelo) e falta desnecessária aos 68' (custou-nos o golo).

Matheus Reis - Completou trio de centrais, actuando pela esquerda. Foi o que teve melhor desempenho, articulando muito bem com Nuno Santos. Iniciou construção do segundo golo.

Geny - Titular na ala direita, demasiado discreto. Complicou alguns lances, pecou por falta de entendimento com Edwards. Quando saiu, aos 83', parecia que já não estava lá.

Morita - Com Morten ausente, foi ele o número 6. Mas fez muito mais do que isso: variou flancos com visão de jogo e precisão de passe, recuperou 14 bolas, assistiu no golo 2. Exemplar.

Pedro Gonçalves - Médio de construção, tentou explorar zonas interiores. Marcou mal vários cantos. Mas redimiu-se com espectacular assistência para Gyökeres no primeiro golo.

Nuno Santos - Dinâmico, dominou o corredor esquerdo num constante vaivém à procura de espaços para colocar a bola. Interveio no segundo golo, em passe açucarado para Morita.

Edwards - Apagado no primeiro tempo. Ainda assim, foi dele o nosso único remate digno desse nome (45'+1). Melhorou muito após o intervalo. Ofereceu três golos que Paulinho desperdiçou.

Paulinho - Esteve no melhor (o golo-carambola, de calcanhar, que nos valeu três pontos) e no pior (desperdiçou três ou quatro). Voltou a marcar na Liga após quase dois meses de jejum.

Gyökeres - Quase sem espaço para se movimentar, aos 59' libertou-se enfim do espartilho e meteu-a lá dentro. Nada egoísta, construiu golo para Paulinho (90'+5), mas o colega falhou.

Eduardo Quaresma - Rendeu Neto no segundo tempo. Exibição muito positiva. Deu nas vistas com um carrinho que tirou o pão da boca ao Portimonense, a meias com Adán (78').

Daniel Bragança - Substituiu Pedro Gonçalves, com lesão no pé esquerdo, aos 75'. Pareceu condicionado, no plano físico ou psicológico. Errou passe aos 85': podia ter corrido mal.

Esgaio - Entrou aos 83', rendendo Geny. Jogo importante por simbolismo: foi a 150.ª vez que actuou pela equipa principal do Sporting. Não falhou nenhum dos 15 jogos desta Liga.

Trincão - Entrou aos 90'+1, substituindo Edwards. Só para queimar tempo. Mal tocou na bola.

Como Rúben venceu duelo com Conceição

Sporting, 2 - FC Porto, 0

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Pedro Gonçalves acaba de marcar o segundo golo, apontando para Gyökeres, que o assistiu

Foto Miguel A. Lopes / Lusa

 

Foi um clássico que nos correu muito bem. O melhor desde que afastámos o FC Porto das meias-finais da Taça da Liga, está quase a fazer três anos. Vencemos anteontem a turma azul-e-branca em Alvalade. E convencemos, sem margem para discussão.

Desmentindo os prognósticos das aves agoirentas que piavam por aí, o Sporting dominou com toda a naturalidade, foi claramente a equipa mais pressionante. Derrotámos o adversário por 2-0 (golos de Gyökeres e Pedro Gonçalves), poderíamos ter ganho por 4-0, estivemos sempre mais próximo de ampliar a vantagem do que os portistas de a reduzirem. 

 

O FCP marcou um golo ilegal, bem anulado, em flagrante deslocação. Nós marcámos quatro limpos: num deles o vídeo-árbitro Tiago Martins transformou uma tentativa de falta defensiva em falta atacante, anulando um belíssimo golo de Gyökeres - e anulando também o magnífico trabalho de Eduardo Quaresma na construção desse lance.

O jovem central bem merecia que tivesse sido validado. Não apenas em respeito à verdade desportiva, mas para recompensar a excelente exibição neste que foi o seu primeiro jogo como titular leonino em três anos.

Ele secou Galeno, o mais perigoso e competente dos portistas.

Pepe - expulso com vermelho directo por flagrante agressão a Matheus Reis, aos 51' - nunca conseguiu travar (sem falta) Gyökeres, o nosso abre-latas, com impressionante dinâmica do princípio ao fim. Claramente o melhor em campo. Claramente o homem do jogo. Claramente o grande jogador desta Liga 2023/2024.

 

Resultado e exibição confirmam que Rúben Amorim preparou melhor a partida, leu melhor o jogo, esteve superior ao colega do FC Porto. E contornou com talento a súbita dificuldade nascida da lesão de Coates, afectado por mialgia na última sessão de treino antes deste clássico. Parecia um golpe de azar, mas não foi.

O infortúnio de uns propicia oportunidades a outros. Vamos precisar de Quaresma nos difíceis meses de Janeiro e Fevereiro, mesmo que venha novo defesa (Eric Dier?) neste mercado de Inverno. Convém lembrar que Diomande e Geny estarão ausentes, ao serviço das respectivas selecções, enquanto St. Juste é um lesionado crónico e Coates, em bom rigor, anda preso por arames há muito tempo.

 

Enfim, fomos superiores em todos os processos de jogo. Na manobra defensiva, na construção apoiada, nos lances em profundidade, no controlo do corredor central, no domínio das alas - e até na finalização, algo que costumava desequilibrar estes clássicos a nosso desfavor.

Vitória não só dos jogadores: também do treinador, nomeadamente ao incluir sem receio Eduardo Quaresma no onze inicial. Arriscou, foi recompensado.

Conclusão: Rúben Amorim venceu no duelo muito particular que mantém com Sérgio Conceição. Foi outro triunfo que celebrámos em Alvalade. Nós, os que desejamos mesmo ver o Sporting novamente campeão.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Capitão por ausência do uruguaio, só fez duas defesas com elevado grau de dificuldade (45'+4 e 64'), respondendo bem. Assim transmitiu confiança redobrada aos companheiros.

Eduardo Quaresma - No primeiro jogo como titular da equipa principal em três anos, secou Galeno, o melhor portista. Sete duelos ganhos, seis desarmes conseguidos. Grande exibição.

Diomande - Voltou a passar com distinção o difícil teste de substituir Coates como comandante do nosso bloco defensivo, apesar de ter apenas 20 anos. Vencedor absoluto nos duelos aéreos.

Gonçalo Inácio - Aos 22 anos, era o mais idoso dos nossos centrais neste clássico. Cumpriu a missão que lhe cabia na meia esquerda. Ao ver um quinto amarelo, fica fora do próximo jogo.

Geny - Ala titular pela direita, ajudou a anular Galeno. Vem melhorando no processo defensivo, preenchendo bem os espaços. Com um belo passe vertical, foi ele a iniciar o segundo golo.

Morten - Talvez a sua melhor exibição de leão ao peito. Excelente nas recuperações (20' e 82'), protagonizou um desarme perfeito na nossa grande área (42'). Exímio nos passes longos.

Morita - Combinação perfeita com o internacional dinamarquês, seu parceiro no domínio do meio-campo: graças a eles, o corredor central foi nosso. Essencial para neutralizar Pepê.

Matheus Reis - Vem-se revelando mais influente. Com toque de classe, assistiu Gyökeres no primeiro golo. Anulou João Mário. Agredido por Pepe aos 49', levou o FCP a jogar só com dez.

Pedro Gonçalves - Voltou aos golos, marcando o segundo aos 60', neste seu jogo 150.º pelo Sporting. Mas permitiu defesa (64') e rematou ao lado (82') quando podia fazer bem melhor.

Edwards - Agarrou-se demasiado à bola, com pouca propensão colectiva. Aos 58', porém, esteve à beira de marcar um grande golo, de pé direito: Diogo Costa fez a defesa da noite neste lance.

Gyökeres - Outra exibição superlativa. Marcou (11'), deu a marcar (60'), viu um golo limpo ser anulado (44'). Balanço provisório: 17 golos e sete assistências em 20 jogos. Uma máquina.

Nuno Santos - Quando entrou (61'), substituindo Quaresma, já estava amarelado: portou-se mal no banco ao reter uma bola. Quis redimir-se com um centro perfeito para Pedro Gonçalves (64').

Esgaio - Entrou aos 75', rendendo Geny, já exausto. Também teve sucesso a neutralizar Galeno, seu competidor directo. Viu um cartão amarelo desnecessário aos 90'+6.

Paulinho - Em campo desde o minuto 75, por troca com Edwards, até marcou um golo, aos 90'+3. Que o vídeo-árbitro Tiago Martins deu indicação para anular, de modo errado. Era golo limpo.

Daniel Bragança - Substituiu Morita aos 84'. Envolvido no lance do nosso segundo golo anulado, erradamente invalidado por suposta falta que não cometeu.

Trincão - Entrou aos 84', substituindo Pedro Gonçalves. Teve o mérito de ajudar a suster jogo quando já tínhamos uma vantagem confortável: o resultado estava construído.

A jornada 13 não nos trouxe sorte alguma

V. Guimarães, 3 - Sporting, 2

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Rúben Amorim debaixo de chuva e com ar preocupado em Guimarães: tinha razões para isso

Foto Lusa

 

Segunda derrota do Sporting no campeonato nacional em curso. Tal como a anterior - quando deixámos perder os três pontos em três fatídicos minutos do tempo extra, de modo quase inacreditável - também nesta foram cometidos demasiados erros para fazermos de conta que não existiram.

O primeiro foi do treinador. Vem insistindo em Esgaio como titular quando é cada vez mais óbvio que este não é um jogador que mereça tal distinção. Rúben Amorim faz excessivas mudanças na defesa - neste caso só uma que se impunha pela ausência de Coates por castigo, mas as alterações voltaram a ser mais extensas. E - erro maior - potenciou um buraco enorme no nosso meio-campo quando mandou sair Morten, talvez com receio de o ver amarelado no próximo clássico com o FC Porto em Alvalade, trocando-o por Paulinho, sem capacidade de retenção da bola nem de conter o caudal ofensivo vitoriano.

Houve jogadores que erraram. Gonçalo Inácio perdeu duas vezes a bola em zona proibida. Matheus Reis é parco em cruzamentos e quando arrisca geralmente sai-se mal. Edwards perdeu todos os confrontos individuais. Trincão mal existiu. Adán - intranquilo, lento a reagir - teve fortes responsabilidades no terceiro golo sofrido. Aquele que nos custou a derrota no Estádio D. Afonso Henriques.

Em noite muito chuvosa, sábado passado. Mais para lembrar do que para esquecer.

 

Foi um desafio intenso, quase sem pausas, sem tempos mortos, sem antijogo, sem autocarros estacionados. As duas equipas queriam vencer.

No caso do Sporting, a vontade era tanta que o treinador fez tudo para sair de lá com um triunfo quando podia ter trabalhado para o empate que se registava ao minuto 77. Confirma-se que querer não é sinónimo de poder. Razão tem o povo naquele ditado: mais vale um pássaro na mão do que dois a voar.

Deixámos voar o pássaro. À beira do fim, aos 81', no tal lance em que Adán tremeu. Frente a um Vitória que soube dar sempre luta rija em campo, agora sob a liderança do técnico Álvaro Pacheco, com a sua inconfundível boina.

 

Péssimo na fotografia ficou João Pinheiro, absurdamente considerado "melhor árbitro português". Só se for na playstation: no futebol não é nem nunca o foi.

Voltou a lesar o Sporting no último lance do primeiro tempo ao assinalar um penálti contra nós que só ele viu, por hipotético derrube de Adán a Mangas. Nenhuma imagem o confirma, pelo contrário: o nosso guarda-redes fez tudo para evitar o contacto após uma saída algo atabalhoada. E o vimaranense já ia em queda no momento em que Pinheiro, certamente vítima de alucinação, terá visto a tal grande penalidade que não existiu.

Com esse golo os do Minho ganharam ânimo: ao intervalo havia empate a uma bola. No segundo tempo lutámos, mas sem dar a réplica devida à turma anfitriã. Que teve a sabedoria de secar o nosso maior trunfo: Gyökeres bem tentou, mas quase nada conseguiu fazer no encharcado relvado de Guimarães.

Bem melhor esteve Nuno Santos, lutador incansável enquanto esteve em campo, durante todo o segundo tempo. O nosso melhor Leão à chuva.

 

Em suma: estivemos a ganhar, concedemos o empate, acabámos por perder. Numa partida cheia de emoções fortes. Talvez demasiado fortes para nós.

Para já, continuamos no comando da Liga 2023/2024. Mas valha a verdade: esta jornada 13 não nos trouxe sorte alguma. Melhores dias virão.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Sofreu três golos, mas só teve culpa evidente num - precisamente aquele que nos fez sair sem qualquer ponto de Guimarães. Grandes defesas aos 73' e aos 88': aqui esteve muito bem.

Esgaio - Surpreendente central pela direita, permitindo adiantar Geny. Esteve longe de render assim. Aos 12' escapou por um triz ao amarelo. Aos 17' foi mesmo amarelado. Saiu ao intervalo.

Diomande - O melhor do reduto defensivo. Também o mais jovem, confirmando ser mesmo reforço. Fez de Coates, no centro da defesa. Protagonizando bons cortes e desarmes impecáveis.

Gonçalo Inácio - Quebrou jejum: marcou o primeiro golo da época, de pé direito (41'). Culminando bom lance colectivo de ataque. Pior lá atrás: perdeu a bola em dois golos sofridos.

Geny - Ala titular pela direita, não conseguiu articular-se com um Edwards quase eclipsado. Evidenciou-se em alguns lances individuais. É ele a iniciar a jogada do nosso segundo golo.

Morten - Boa exibição como médio posicional, formando duplo pivô com Morita. Eficaz para tolher movimentos dos adversários no corredor central. Inexplicável, a sua saída aos 61'.

Morita - Esteve no melhor e no pior. É ele quem disputa a bola que sobra para Gonçalo no golo 1. É ele também quem a desvia, de modo infeliz, no segundo golo do Vitória (73').

Matheus Reis - Muito contido nas manobras de ruptura no corredor esquerdo, que lhe foi confiado. Desgastou-se no confronto com Jota Silva nessa ala. Perdendo alguns duelos decisivos.

Edwards - Tão depressa se mostra em grande nível, cotando-se como melhor em campo, como desaparece por completo, incapaz de vencer um duelo. Foi este segundo Edwards a ir ao Minho.

Pedro Gonçalves - Um dos melhores em jogo ingrato: voltou a fazer mais de uma posição, o que o desfavorece. Lá na frente, quase marcou aos 8', inicia o primeiro golo e assiste no segundo.

Gyökeres - Tentou, mas desta vez sem conseguir. Neutralizado pelo croata Borevkovic (atenção, Hugo Viana!). Falhou duas finalizações: aos 57' (servido por Geny) e aos 61' (por Nuno Santos).

Nuno Santos - Melhor leão em campo. Substituiu Esgaio: fez todo o segundo tempo. Marcou o segundo num grande remate (77'). Construiu golos falhados por Gyökeres (61') e Trincão (71').

Paulinho - Amorim tomou decisão difícil de entender aos 61', quando retirou Morten e mandou entrar o avançado. Criou uma cratera no meio-campo sem compensar na qualidade ofensiva.

Trincão - Em campo desde o minuto 61', por troca com Edwards. Se um nada fez, o outro também praticamente não existiu. Desperdiçou soberana ocasião de golo (71'), depois sumiu-se.

Gyökeres e mais dez no topo da Liga

Sporting, 3 - Gil Vicente, 1

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Internacional sueco está a ser a grande figura da equipa leonina e do próprio campeonato

Foto: Miguel A. Lopes / EPA

 

Temos sem discussão a melhor equipa actual do campeonato. Isso ficou claramente demonstrado nesta partida em que recebemos o Gil Vicente. Vitória indiscutível, com cinco golos marcados - embora apenas três tenham valido. Os dois restantes foram invalidados por deslocação milimétrica.

Pormenor que merece ser assinalado: todos estes golos, excepto um, saíram dos pés do nosso maior craque, aquele que é de longe o melhor elemento em acção nesta Liga 2023/2024: Viktor Gyökeres, o ponta-de-lança que já leva 15 golos marcados na temporada, além de cinco assistências. Por outras palavras: interveio em 20 dos 48 que temos registados desde o pontapé de saída desta época em que parecemos embalados para recuperar o tão desejado título de campeões nacionais de futebol. 

O sueco marcou o segundo, marcou o terceiro, apontou os tais que acabaram invalidados por meia polegada ou perto disso. Excepção foi o nosso primeiro, os 43': autogolo de Pedro Tiba, defesa gilista que teve o azar de desviar a trajectória da bola disparada do pé "cego" de Nuno Santos - o direito. Ia para fora, mas a carambola encaminhou-a para o fundo das redes.

O nosso ala esquerdo festejou como se fosse dele e até teria motivos para isso, mas em estrito rigor foi o golo credenciado ao adversário. Justo castigo para um fiteiro que passou meio jogo a rolar no chão, fazendo ronha para deixar correr o tempo: o tal medíocre futebolzinho à portuguesa de que equipas como este Gil Vicente usam e abusam. O que ajuda a explicar por que motivo há cada vez menos países estrangeiros a seguirem as transmissões desportivas cá da terra.

 

Rúben Amorim montou uma equipa de tracção à frente, atacando no primeiro quarto de hora com cinco jogadores em simultâneo. O Gil Vicente foi resistindo a estas investidas como pôde, procurando esticar o jogo sobretudo através de Félix Correia, o seu melhor elemento - formado na Academia de Alcochete. Numa dessas incursões esporádicas, Gonçalo Inácio, desconcentrado, perdeu o controlo do lance e viu-se forçado a fazer falta. Desse livre, marcado da direita para o centro, resultou o golo da turma de Barcelos, aos 34''. Contra a corrente do jogo. 

Estiveram a vencer durante 10 minutos. Até o chouriço de Nuno Santos restabelecer o empate.

 

Amorim aproveitou o intervalo para fazer grandes mudanças. De uma assentada saíram Esgaio, Nuno e Gonçalo. Entraram Geny, Matheus Reis e St. Juste. O nosso jogo tornou-se mais fluido, mais ligado, mais objectivo. Sem rodriguinhos nem redundâncias. Com uma palavra de ordem: municiar Gyökeres. O internacional sueco cumpriu: foi a figura do jogo, melhor em campo, cada vez mais indiscutível.

Coadjuvado por Edwards, partiu tudo lá na frente. Ambos bem escudados em Morten, eficaz recuperador. Foram as estrelas da segunda parte, redimindo a equipa de uma certa apatia que se instalara no primeiro tempo.

Até ao fim, só deu Sporting. O período crucial ocorreu entre os minutos 52 e 56, com o nosso ponta-de-lança a marcar o segundo e o terceiro, servido por Morten e Pedro Gonçalves. Consumava-se a reviravolta. Num desafio em que estivemos sempre mais perto de marcar o quarto e até o quinto do que o Gil Vicente de reduzir.

 

Embalados para o título?

Se não é, parece. Concluída esta jornada 12, lideramos isolados. Com mais dois pontos do que o Benfica e três do que o FC Porto. Só perdemos cinco até agora. 

Segue-se a deslocação a Guimarães no sábado. Estamos confiantes, claro. Alguém duvida?

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Volta a sofrer um golo: é raro o jogo em que consegue manter as nossas redes intactas. Desastrado em várias reposições de bola. Está longe da forma revelada quando fomos campeões.

Diomande - Começou como central à direita, depois viria a jogar todo o segundo tempo do lado esquerdo. Mantendo, no essencial, o controlo do espaço à sua guarda. No dia em que fez 20 anos.

Coates - O não-português que até hoje mais vezes vestiu a camisola do Sporting. É caso para celebrar: são já 344 jogos. Toda a equipa vestiu camisola com assinatura dele. Justa homenagem.

Gonçalo Inácio - Andará a sonhar em excesso com outros campeonatos? Desconcentrado, quase irreconhecível, provocou a falta de que resultou o golo sofrido. Já não regressou do intervalo.

Esgaio - Começou bem, mais audaz nas incursões ofensivas do que nos habituou. Mas, amarelado aos 39', forçou o treinador a mandá-lo tomar duche mais cedo. A equipa não perdeu com isso.

Morten - Grande exibição do internacional dinamarquês, com 11 passes verticais de frente para a baliza. Vai-se tornando figura pendular do nosso meio-campo. Assistiu Gyökeres no segundo golo.

Morita - Complementou Morten da melhor maneira: andam a formar uma parceria muito eficaz. Trabalham ambos para a equipa, não para colherem aplausos fáceis da bancada. Assim é que é.

Nuno Santos - Com um remate de ressaca fora da área, com o seu pior pé, viu a bola embater num adversário e rumar caprichosamente para a baliza. Abriu o marcador. Mas saiu logo a seguir.

Edwards - Atravessa um dos melhores momentos no Sporting. Protagonizou vários lances de ruptura. Interveio no golo 3 com uma grande recuperação. Quase marcou aos 49'.

Pedro Gonçalves - Evoluiu bastante nesta partida, mas ainda longe da melhor forma: parece sofrer crise de confiança, continua sem marcar. Mas foi dele a assistência para o terceiro golo. 

Gyökeres - É o "abono de família" desta equipa. Correu mais de 10km, sempre de olhos na baliza. Marcou quatro (só dois valeram), disparou a rasar o poste aos 86'. Lutou do princípio ao fim.

Geny - Jogou todo o segundo tempo, articulando bem com Edwards no corredor direito. Supera Esgaio na capacidade de criar desequilíbrios. Falta-lhe ainda alguma consistência táctica.

Matheus Reis - Rendeu Nuno Santos no segundo tempo. Mais contido, arriscando pouco, mas conferiu solidez ao bloco defensivo, atento às dobras a Diomande. Cumpriu no essencial.

St. Juste - Esteve em campo cerca de 20 minutos. Substituiu Gonçalo Inácio, ficando como central à direita. Mas o fantasma das lesões continua a persegui-lo. Saiu aos 67', com uma entorse.

Eduardo Quaresma - Entrou como solução de recurso, com St. Juste aleijado. Mais de meia hora em campo. Algum nervosismo. Nem tudo lhe saiu bem, mas o balanço da sua actuação é positivo.

Paulinho - Último a entrar, só aos 84': rendeu Pedro Gonçalves. Na prática, tocou duas vezes na bola. Aos 90'+4 roubou-a a Edwards e deu a impressão de tentar o golo, mas atirou para fora.

Balde de água gelada no inferno da Luz

Benfica, 2 - Sporting, 1

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Edwards, o maior desequilibrador do Sporting, conduz lance de ataque: não merecia esta derrota

Foto: Tiago Petinga

 

Que balde de água gelada. Que decepção tão profunda. Tivemos o pássaro na mão, controlámos a partida durante o tempo quase todo, mesmo com um jogador a menos, e vimos três pontos voar nos últimos quatro minutos, já na segunda metade do tempo extra. 

Dificilmente esqueceremos este dérbi de anteontem, disputado no Estádio da Luz. Chegámos ao intervalo a vencer 1-0, com um golaço de Gyökeres marcado no último lance desse primeiro tempo. Nesse minuto 45, dezenas de milhares de adeptos benfiquistas assobiavam a equipa, vaiavam o treinador e preparavam uma onda de lenços brancos a esvoaçar nas bancadas, exigindo a demissão de Roger Schmidt.

Soçobrámos mesmo ao cair do pano. Foi traumático - ao nível daquele monumental falhanço de Bryan Ruiz a dois metros da baliza também frente ao Benfica, em Alvalade, que nos custou o campeonato de 2016. 

 

Este jogo - o clássico dos clássicos do futebol português - começou com alguns erros da nossa equipa, que rapidamente equilibrou as forças. E ficou por cima. Com duas grandes hipóteses de golo, por Diomande e Pedro Gonçalves. Chegámos ao intervalo não só a vencer: também com melhor exibição do que o velho rival.

Tudo parecia correr bem. Mas temos uma vocação inata para darmos tiros nos pés quando o cenário é mais favorável. Desta vez começou com uma desconcentração de Gonçalo Inácio, que ao minuto 49 - sem qualquer necessidade, longe da baliza - provocou falta passível de amarelo. O problema é que, desde os 22', já tinha outro cartão desta cor. O árbitro Artur Soares Dias mostrou-lhe o vermelho. Ficámos a jogar só com dez desde o minuto 52.

Mesmo assim, fomos superiores. Controlámos o jogo, anulámos a desvantagem numérica, nem parecia que tínhamos um a menos. Lá na frente, Gyökeres trabalhava por dois. No meio-campo, Morten e Morita travavam as investidas encarnadas.

Quando o árbitro concedeu seis minutos de compensação, a massa adepta benfiquista fervilhava de indignação contra o técnico e vários jogadores, brindando-os com insultos.

 

Estranhamente, foi então que naufragámos. Termos um a menos não explica tudo, não explica isto.

Houve substituições inexplicáveis. Edwards, o mais criativo e desequilibrador, recebeu ordem de saída aos 57' para entrar St. Juste - não haveria outro jogador, menos influente, a retirar de campo? Aos 73', Rúben Amorim decide trocar Pedro Gonçalves por Trincão. Matheus Reis, visivelmente esgotado, teve de ceder lugar a Nuno Santos.

A mudança mais incompreensível aconteceu aos 85', quando o técnico leonino mandou sair Morita e fez entrar Paulinho. Não dava mesmo para entender. Sobretudo porque precisávamos de defender aquela magra vantagem e Daniel Bragança estava sentado no banco de suplentes, de onde não saiu.

 

E veio o descalabro. Quando já se dobrara metade do tempo extra, João Neves - o melhor do SLB - apareceu solto, livre de marcação, a 11 metros da nossa baliza. Teve tempo para tudo: num pontapé rasteiro, de ressaca, meteu-a lá dentro. Aos 90'+4.

Do mal, o menos: o empate ainda nos servia. Deixaria a classificação na mesma, mantendo o Sporting no comando com três pontos de vantagem sobre a equipa adversária.

Só era necessário conservar a bola em nossa posse, trocando-a, durante cerca de dois minutos. Se fosse necessário, praticava-se algum antijogo: nenhum sportinguista levaria a mal.

Mas nem isso conseguimos: aos 90'+7, deixámos via aberta para o Benfica virar o resultado. Passando de equipa derrotada, com seis pontos de atraso, para vencedora, estando agora no comando do campeonato - em igualdade pontual com o Sporting, mas com vantagem em golos.

 

Claro que nos faltou frescura física nessa fase crucial do jogo. Mas faltou sobretudo mentalidade competitiva.

Faltou espírito de sacrifício. Faltou competência. 

Até porque alguns dos elementos que mais erraram ou nada adiantaram, nesses fatídicos minutos finais, tinham saltado do banco minutos antes. Estavam frescos. Refiro-me a Nuno Santos, St. Juste, Paulinho e Trincão. Incapacidade total para fechar linhas de passe do Benfica. Incapacidade para marcar com eficácia nas bolas paradas. Incapacidade de comando em campo: ninguém coordenou as manobras, era cada um por si. 

Foi a nossa primeira derrota neste campeonato: desde Fevereiro que não perdíamos em competições nacionais. Mas foi também uma derrota muito amarga. E não vale a pena atirar as culpas para cima da equipa de arbitragem: os dois lances cruciais que oferecemos de bandeja ao Benfica não são dignos de uma equipa que sonha ser campeã nacional.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Monumental defesa em voo, aos 78', desviando um míssil disparado por Di María. Aos 12', tinha visto Rafa rematar ao ferro. Sem culpa nos golos sofridos.

Diomande - Travou duelos difíceis com Rafa. Arriscou penálti ao pisar Musa (9'). Criou a primeira oportunidade de golo num grande cabeceamento aos 30', para defesa apertada de Trubin.

Coates - Condicionado por ter visto amarelo logo aos 15', não se atemorizou. Fez valer a experiência em cortes precisosos, aos 55' e 61'. Não merecia aquele descalabro defensivo final.

Gonçalo Inácio - Duas vezes amarelado, por faltas desnecessárias (22' e 52'). Na primeira (pisão a João Neves) arriscou ver o vermelho. Já sem ele, jogámos mais de 40' só com dez. Para esquecer.

Esgaio - Esforçado mas sem grande rasgo, contribuiu para anular João Mário. Teve mais dificuldade em travar Guedes, a partir dos 85'. Défice no plano ofensivo, sem surpresa.

Morten - Pendular, organizador de jogo, distinguiu-se nas recuperações. Soube controlar e pausar o ritmo da equipa. Não está isento de culpa, também ele, no naufrágio à beira do fim.

Morita - Regressou de uma lesão, ainda com índices físicos aquém do desejável. Enquanto teve pulmão, cumpriu no essencial. Venceu duelos com Florentino. Saiu esgotado (85').

Matheus Reis - Cumpriu sobretudo no plano defensivo, com rigor e acerto nas marcações, neutralizando Di María. Substituido por Nuno Santos aos 73': saiu esgotado e magoado.

Edwards - Fez belo passe para golo que Pedro Gonçalves desperdiçou. Assiste no golo de Gyökeres. Injustamente amarelado aos 56' por simulação inexistente. Saiu logo a seguir.

Pedro Gonçalves - Soube a pouco. Não foi o desequilibrador que a equipa exigia, também por ter actuado em zonas mais recuadas. Desperdiçou um golo cantado aos 33'. Saiu aos 73'.

Gyökeres - O melhor Leão. Levou o Sporting para o intervalo em vantagem com um tiro do seu pé-canhão (o direito) sem defesa possível. Deu imenso trabalho a Otamendi e António Silva.

St. Juste - Rendeu Edwards (57') para compensar a expulsão de Gonçalo. Não se deu bem como central à esquerda. Cortes aos 67' e 69'. Mas falhou intercepção no segundo golo encarnado.

Nuno Santos - Substituiu Matheus Reis, sem vantagem para a equipa. Passivo no primeiro golo, deixou João Neves mover-se à vontade. No segundo, estendeu a passadeira no seu corredor.

Trincão - Entrou para o lugar de Pedro Gonçalves (73'). O melhor que conseguiu foi uma rosca lá na frente, fazendo a bola sair ao lado. Incapaz de segurar a bola nos minutos finais.

Paulinho - Saiu Morita, entrou ele. Aos 85'. Sem que ninguém compreendesse porquê. Andou engolido no meio-campo, incapaz de ganhar um lance aéreo. Atrapalhou mais do que ajudou.

Soma e segue: nona vitória em dez jogos

Sporting, 3 - Estrela da Amadora, 2

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Edwards foi o herói da noite em Alvalade: marcou um, assistiu noutro e deu espectáculo

Foto: José Sena Goulão / Lusa

 

De repente, parecia que Lionel Messi tinha entrado em campo. Ou que Diego Maradona havia ressuscitado. 

Momento de magia futebolística no Estádio José Alvalade, ao minuto 71 do Sporting-Estrela da Amadora, na noite de anteontem. Protagonizado por um inglês, não por um argentino: foi Marcus Edwards a pegar na "gorducha" no meio-campo da equipa adversária, conduzindo-a da linha para o centro em progressão acelerada e depois entrou na grande área sem afrouxar o ritmo em busca do ângulo perfeito para fuzilar a baliza com o seu pé esquerdo.

Driblou um, dois, três, quatro - até ter só pela frente o guarda-redes António Filipe, impotente para travar o remate.

Os mais de 38 mil que assistiam ao  jogo no estádio nem queriam acreditar: foi um dos mais belos golos já marcados por algum jogador de Leão ao peito. Puro futebol-espectáculo. Com a vantagem acrescida, neste caso, de ter contribuído para reverter um resultado que nos estava a ser desfavorável. 

Não satisfeito com isso, Edwards, ainda protagonizou outro lance de génio, aos 79', num cruzamento teleguiado para a cabeça de Paulinho. Era o nosso terceiro golo, que fixou o resultado. Pondo fim a alguma atmosfera de nervosismo que pairava no estádio desde que o Estrela da Amadora, virando o 1-0 registado ao intervalo, marcou dois golos de rajada (50' e 52'). 

 

Como os números indiciam, foi um desafio emocionante, aberto, muito disputado. Nem a chuva outonal que foi caindo esfriou a vontade das duas equipas em conquistar pontos. Mérito que não pode ser negado ao Estrela, que na época anterior andava no segundo escalão do futebol português e é orientado por um treinador muito competente, Sérgio Vieira.

Durante quase todo o primeiro tempo, dando prioridade absoluta à manobra defensiva, a turma adversária fechou bem os nossos corredores atacantes, bloqueando linhas de passe. Até que Gyökeres tirou um coelho da cartola: num lance de insistência, levou a bola à meia esquerda, quase junto da linha final, para cruzar recuado vendo Daniel Bragança subitamente livre de marcação. O nosso médio criativo não perdoou: usou da melhor maneira o pé esquerdo para se estrear como artilheiro neste campeonato.

Corria o minuto 33. O que fez o onze da Amadora abrir o jogo, alterando a dinâmica.

Na segunda parte, depois do susto provocado por dois golos consentidos quase de rajada, foi a vez de o Sporting se modificar. Aí funcionou na perfeição o dedo de Rúben Amorim. Sempre para dar mais tracção à frente ao onze leonino. Que avançou todas as linhas e chegou a atacar com quatro: Gyökeres, Edwards, Paulinho e Trincão - estes dois saltaram do banco para ajudar na reviravolta. Por algum motivo somos já a segunda equipa mais goleadora: só o Braga marcou mais.

 

Muita gente se terá enervado ao longo desta partida. Por mim, não me importo de sofrer dois golos desde que marquemos pelo menos três. Foi o que aconteceu frente ao Estrela. E podiam ter sido seis sem favor algum. Consumando-se um facto digno de registo muito especial: somos a única equipa invicta na Liga 2023/2024.

Balanço até ao momento: dez jogos, nove vitórias, 28 pontos conquistados. Mais nove do que à 10.ª jornada da época anterior.

Lideramos pela quinta ronda consecutiva, agora mais isolados e mais firmes no comando. Temos equipa para ganhar o campeonato, sem a menor dúvida.

Até já levamos dois pontos a mais do que tínhamos na mesma fase em 2020/2021 - época de excelente memória.

Além disso desde 1976/1977 que não tínhamos tantos pontos de avanço face ao segundo na décima jornada. E vamos com seis pontos acima do terceiro - o FCP dos "fabulosos reforços" David Carmo e Fran Navarro.

Para ir celebrando? Claro que sim. 

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Sofreu dois golos, mas sem responsabilidade em nenhum deles - desde logo o primeiro, de penálti. Saiu muito bem dos postes aos 33', impedindo Leo Jabá de marcar.

Diomande - Continua a ser um pilar defensivo. Quer alinhando mais à direita, como começou neste jogo, quer mais ao meio, quando Coates saiu. Cumpriu com nota muito elevada.

Coates - Noite infeliz do capitão uruguaio. É ele a provocar o penálti, metendo a mão na bola aos 49', é ele também a ser batido em velocidade no lance do segundo. Saiu aos 59'.

Matheus Reis - Desempenho adequado ao padrão habitual. Regular, certinho, mas sem rasgos. Rende menos a central do que a lateral, mas desta vez foi Nuno Santos a ocupar a ala.

Esgaio - Com Geny ausente por lesão, coube-lhe actuar como lateral direito. Muito contido, sem arriscar um drible, dos pés dele partiram raros cruzamentos com eficácia. Saiu aos 59'.

Daniel Bragança - Rendendo o ausente Morita, teve o melhor desempenho da temporada. Coroado aos 33' com um golo de  belo efeito - o seu golo de estreia no campeonato. Saiu aos 64'.

Morten - Cada vez mais seguro e mais influente. Muito útil na recuperação e na distribuição, tentou também o remate de meia-distância. Quase marcou numa recarga a 3m da baliza (58').

Nuno Santos - No seu  jogo 150 de Leão ao peito, foi tendo mais vontade do que engenho. Mas fez enfim um cruzamento perfeito, aos 90', quando apontou à cabeça de Trincão.

Edwards - Criou-se o mito de que trabalha pouco para o colectivo. Não é verdade: fez nove passes para finalização. Assistiu Paulinho no golo. E marcou ele próprio - uma obra-de-arte.

Pedro Gonçalves - O mais errante dos nossos jogadores, como de costume, movimentou-se muito entre linhas. Quase marcou aos 82: o guarda-redes negou-lhe o golo num voo espectacular.

Gyökeres - Desta vez foi menos violinista do que carregador de piano. Sem vedetismos. Este seu trabalho como operário da equipa resultou numa exemplar assistência para o primeiro golo.

St. Juste - Substituiu Matheus Reis aos 59' e ocupou o seu lugar como central à direita. Vai recuperando das sequelas da lesão que o afectou. Seguro, sólido e útil nos passes verticais.

Gonçalo Inácio - Amorim deixou-o fora do onze inicial por vir aí o clássico na Luz e ele estar tapado com amarelos. Mas rendeu Coates aos 59' - e cumpriu com brilhantismo esta missão.

Paulinho - Saiu Daniel, entrou ele. Para marcar também, ouvindo o seu cântico de louvor em Alvalade. Merece ainda boa nota pelo que trabalhou lá na frente, com bola e sem bola. 

Trincão - Rendeu Esgaio aos 59'. Anda cheio de vontade de voltar aos golos. Esteve a milímetros de o conseguir, de cabeça: o guarda-redes, por instinto, quase a tirou de dentro da baliza.

Cantámos vitória onde o Benfica perdeu

Boavista, 0 - Sporting, 2

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Pedro Gonçalves, melhor em campo no Bessa: golo de calcanhar valeu-lhe nota artísrica

Foto: José Coelho / Lusa

 

Contraste enorme entre esta época e a anterior, bem reflectida na nossa posição à nona jornada: vamos agora no comando do campeonato, com mais nove pontos do que há um ano na mesma fase da prova. Na comparação, ganhamos um ponto por jornada. É obra. 

Talvez a nossa mais saborosa vitória até ao momento, na Liga 2023/2024, tenha sido este Boavista-Sporting, disputado anteontem num relvado muito maltratado em estádio sempre difícil. Há poucas semanas a equipa comandada por Petit derrotou ali o Benfica, por 3-2. 

Rúben Amorim surpreendeu o técnico rival, apresentando o seu onze titular disposto de maneira inabitual no terreno, numa espécie de 4-3-3 em que o lateral esquerdo formava muitas vezes linha defensiva enquanto Diomande encostava ao lado oposto, compensando o adiantamento de Geny, muito mais extremo do que ala, sobretudo na primeira parte.

 

Esta alteração táctica funcionou. O Sporting teve quase sempre superioridade nas diversas fases do encontro. Fomos para o intervalo a vencer 1-0 e podíamos ter marcado mais dois ou três, enquanto Adán não fez uma defesa digna desse nome nos primeiros 45'. 

Não fomos apenas eficazes: também soubemos dar espectáculo. Como comprovou precisamente esse lance do nosso golo inaugural, primor de futebol colectivo construído com 46 segundos ininterruptos de posse de bola: 17 passes que envolveram oito jogadores. Culminando num magnífico centro de Matheus Reis que Geny aproveitou da melhor maneira estreando-se como artilheiro leonino em desafios do campeonato.

 

No segundo tempo agigantou-se Pedro Gonçalves, que já estivera envolvido no primeiro golo. Foi ele a fixar o resultado aos 85', em lance de insistência iniciado numa oportuna recuperação de Morten que levou o n.º 8 a rematar ao poste, sentado no relvado. No ressalto retomámos a posse de bola e aí destacou-se Esgaio a assistir. Pedro Gonçalves estava no sítio certo, embora de costas para a baliza. Num toque de génio, à Madjer, marcou de calcanhar.

Valeu-lhe nota artística. E justa menção como melhor em campo.

 

Não nos limitámos a vencer: também convencemos.

Pela primeira vez, neste campeonato, não sofremos golos fora de casa. Impusemos ao Boavista a primeira derrota no Bessa. Reforçámos a liderança da prova, ainda mais isolados - com mais três pontos do que Benfica e FC Porto, também com mais três pontos do que na nossa inesquecível campanha de 2020/2021 que culminou no título. 

Motivos mais do que suficientes para a equipa estar de parabéns.

 

A verdade é que o Sporting não perde um jogo em provas nacionais desde Abril - facto relevante. 

Entretanto, com este triunfo no Bessa, Rúben Amorim tornou-se o treinador português com mais vitórias em toda a história do nosso clube: já são 118. Acabou de ultrapassar Paulo Bento, precisando de menos jogos para esse efeito.

Agora, acima dele, apenas se destaca o húngaro Joseph Szabo, treinador que passou onze épocas no Sporting - a última das quais em 1954/1955, ainda jogavam alguns dos Cinco Violinos. 

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Só aos 83' fez uma defesa apertada. Exibiu segurança neste regresso à titularidade após duas partidas em que viu Israel assumir protagonismo entre os postes.

Diomande - Impecável nas dobras a Geny, que tinha ordens para actuar como extremo, sem recuar. Pilar na organização defensiva. Passou a central ao meio com a saída de Coates.

Coates - Exibição um pouco mais apagada do que o habitual do capitão uruguaio. Cedeu a braçadeira a Adán ao sair (69'), por precaução, queixando-se de uma dor na perna.

Gonçalo Inácio - Iniciou construção do primeiro golo com um passe de ruptura que originou soberba jogada colectiva. Sabe usar cada vez melhor o seu pé esquerdo para queimar linhas.

Geny - Titular por mérito neste jogo que lhe correu muito bem. Aos 8' ameaçou marcar num forte disparo à malha lateral. Aos 37' passou da ameaça ao acto: foi o seu golo de estreia na Liga.

Morten - Exibição segura do internacional dinamarquês, que protagonizou sete recuperações. Vital no lance do segundo golo, que ajudou a construir com boa visão de jogo e precisão de passe.

Morita - Organizador do meio-campo, esteve em nível muito elevado até as forças lhe começarem a faltar, por volta dos 70'. De uma tabelinha entre ele e Matheus Reis nasceu o primeiro golo.

Matheus Reis - Primou pela disciplina táctica, compensando em consistência defensiva o adiantamento de Geny na ala oposta. Mas brilhou na frente ao assistir o moçambicano no golo.

Edwards - Criou desequilíbrios no reduto adversário. Soberba execução técnica ao picar a bola aos 31', fazendo-a sobrevoar a defesa. Mas desperdiçou um golo cantado aos 53'. Intermitente.

Pedro Gonçalves - Metade dos nossos quatro remates enquadrados foram dele. Aos 31', isolado, chutou para a bancada. Redimiu-se num excepcional golo de calcanhar que fixou o resultado.

Gyökeres - A partida menos conseguida do craque sueco desde que chegou ao Sporting. Muito marcado, desperdiçou duas ocasiões de golo (11' e 61'). Mas foi lutando sempre.

St. Juste - Substituiu Coates aos 69', tomando conta do lado direito da defesa. Desta vez sem brilhantismo. Após longa lesão, parece estar ainda algo preso de movimentos.

Esgaio - Rendeu Edwards (74'). Não falhou um passe e brilhou ao assistir Pedro Gonçalves no golo. Já fez mais assistências nesta Liga do que os laterais do SLB e do FCP somados.

Nuno Santos - Entrou aos 75', substituindo Matheus Reis. Teve logo um lapso defensivo que nos poderia ter saído caro. Mas redimiu-se com um par de centros bem medidos.

Paulinho - Substituiu Gyökeres aos 86'. Pressionou, movimentou-se bem na área, rematou com convicção aos 87'. Mas, servido por Nuno Santos, falhou emenda aos 90'+2: bastaria encostar.

Trincão - Entrou ao minuto 86', ocupando o lugar de Geny.  Protagonizou dois lances que nada renderam pelo seu defeito do costume: perde-se em fintas e acaba por ficar sem bola.

Gyökeres joga que se farta e volta a marcar

Sporting, 2 - Arouca, 1

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Gyökeres saudado por Morten após ter marcado o golo de abertura contra o Arouca em Alvalade

Foto: Patrícia de Melo Moreira / AFP

 

Que diferença um ano faz. Na época 2022/2023 fomos incapazes de vencer o Arouca - que acabou por ficar em quinto na classificação final, só um lugar abaixo de nós. Empatámos lá (1-1) e perdemos cá (0-1).

Desta vez, tudo diferente. Triunfo por margem mínima (2-1), mas sem qualquer contestação. Com golos marcados por Gyökeres - who else? - aos 31', com assistência de Edwards, e por Morita aos 68', com assistência de Pedro Gonçalves. Os de Arouca marcaram aos 52', no nosso único lapso defensivo digno de registo.

Consumou-se a vingança.

 

Noutras partidas, antes desta oitava ronda disputada em Alvalade perante quase 37 mil espectadores, fomos menos pressionantes, menos enérgicos. Mas não nesta, que dominámos do princípio ao fim, com fome de bola e sede de conquistar pontos para mantermos a liderança a que ascendemos à sexta jornada. 

Objectivo concretizado. Com os centrais actuando num desenho mais largo do que é habitual, dois interiores muito móveis (Pedro Gonçalves à esquerda, Edwards à direita) e Gyökeres sempre como referência atacante, prendendo dois ou até três defesas adversários. Mas sem estar plantado na grande área: o internacional sueco - melhor em campo - veio várias vezes buscar jogo a zonas mais recuadas e até junto da linha, tanto à esquerda como à direita. Paulinho desta vez não calçou: ninguém sentiu a falta dele. 

 

Foi um Sporting veloz e compacto, sem perder a consistência, que se mostrou ao seu público. Que - vá lá - desta vez não assobiou a equipa. Guardou as vaias para o árbitro António Nobre, que entrou em campo decidido a dar show de cartões. Prejudicando o espectáculo. E penalizando sobretudo Diomande, castigado com dois amarelos exibidos injustamente. No primeiro lance, aos 29', houve um breve desaguisado entre o jovem defesa marfinense e um adversário. No segundo, aos 42', o apitador de turno mostrou-lhe o segundo amarelo - e mandou-o para a rua - por falta inexistente. Que o vídeo-árbitro não pôde reverter por estar fora do seu âmbito a análise de duplos amarelos.

Expulsão injusta, sim. Num péssimo momento para nós, a escassos minutos do intervalo. Mas era o que faltava se mesmo só com dez não fôssemos capazes de derrotar o Arouca no nosso estádio.


Houve quem dissesse que estes três pontos foram «arrancados a ferros». Discordo. O golo da vitória leonina entrou nas redes arouquenses aos 68'. Depois, com um jogador a menos, gerimos bem a vantagem - sem qualquer oportunidade adicional para a turma forasteira.

«Arrancada a ferros» foi a vitória do Benfica no Estoril, com o golo solitário marcado por um central aos 90'+3. «Arrancada a ferros» foi a vitória do Braga em casa contra o Rio Ave: aos 90' perdia 0-1, tendo marcado dois golos no tempo extra.

Há aspectos a melhorar no Sporting? Claro que sim.

Mas à oitava jornada sinto a irresistível tentação de olhar para o copo e vê-lo meio cheio, não meio vazio. 

Alguns dados:

- Estamos invictos há 22 semanas;

- Marcamos golos há 16 jornadas seguidas;

- Temos mais nove pontos do que há um ano.

Poderá haver ainda alguém capaz de negar que a época em curso está a ser a melhor desde a inesquecível campanha de 2020/2021 em que conquistámos três títulos e troféus, incluindo o campeonato nacional de futebol?

Este desafio contra o Arouca só confirmou isso.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Sem culpa no golo sofrido, quase à queima-roupa, após descoordenação dos centrais. Defesa apertada aos 83'. Já no período extra, repôs muito mal a bola duas vezes, com os pés.

Diomande - Saiu aos 42', por acumulação de amarelos, de modo totalmente injusto. No segundo lance, nem sequer faz falta: o árbitro foi na péssima fita antidesportiva do jogador do Arouca. 

Coates - Exibição de bom nível apenas maculada pela deficiente cobertura de Mújica, que fez o  que quis frente à baliza, fuzilando Adán. Por mau entendimento entre o capitão e Matheus Reis.

Gonçalo Inácio - Cada vez mais maduro, mostrando a Roberto Martínez que tem lugar no onze titular da selecção. Destacou-se na qualidade dos seus passes longos em fase de construção.

Esgaio - Actuação suficiente, mas sem rasgo. Falta de capacidade para criar desequilibrios no corredor direito e centrar com perigo lá na frente. Jogou quase sempre só pelo seguro.

Morten - Voltou a mostrar qualidades após duas péssimas exibições em que já não voltou do intervalo. Destacou-se sobretudo nas recuperações e na precisão do passe.

Morita - Tornou-se elemento nuclear deste Sporting 2023/2024. Fundamental para assegurar a ligação entre o meio-campo e o ataque. Marcou o golo da vitória, à ponta-de-lança.

Nuno Santos - Desperdiçou duas ocasiões soberanas de golo. Anda num período complicado: não devia ter mudado a cor do cabelo. Passou ao lado do jogo. O treinador mandou-o sair aos 58'.

Edwards - O avançado algo apático que pecava por falta de entusiasmo parece ter emigrado. O inglês volta a estar em grande forma. Serviu Gyökeres, de forma exemplar, no primeiro golo.

Pedro Gonçalves - Tentou protagonizar lances de ruptura entre linhas, nem sempre com sucesso, mas foi sempre batalhador. Recompensado com a brilhante assistência para o golo de Morita.

Gyökeres - Alguém duvida que é o melhor jogador desta fase inicial do campeonato? Marca há cinco jogos consecutivos. E não desiste de um lance. Fôlego inesgotável do princípio ao fim.

Matheus Reis - Substituiu Edwards na segunda parte, compensando a inesperada ausência de Diomande. Distraiu-se no lance do golo sofrido. No capítulo do passe, só cumpriu os mínimos.

Geny - Voltou a entrar bem. Em campo desde os 58', substituindo Nuno Santos, esteve muito próximo de marcar num tiro que levava selo de golo (85'), travado in extremis pelo guarda-redes.

Eduardo Quaresma - Estreou-se esta época na equipa principal rendendo Esgaio (58'). Nervoso, intranquilo, algo atabalhoado. Viu o amarelo aos 62'. Saiu meia-hora após ter entrado.

Daniel Bragança - Substituiu Morten aos 82'. Desta vez não foi contemplado com nenhum cartão, ao contrário dos jogos anteriores. Grande recuperação aos 87'.

Neto - O veterano internacional entrou aos 88', substituindo Quaresma. Apenas com a missão de contribuir para segurar a bola quando o Sporting já aguardava o fim do jogo.

Isolados no comando 862 dias depois

Farense, 2 - Sporting, 3

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Gyökeres voltou a ser o melhor Leão em campo: marcou dois golos e foi ele quem mais lutou

Foto: Luís Forra / Lusa

 

Os leitores do És a Nossa Fé, sempre muito optimistas em matéria de prognósticos, vaticinaram uma vitória clara - e nem faltaram previsões de goleada. Contra o Farense, anteontem, no sempre difícil estádio de São Luís. 

É verdade que esta equipa andou pela Liga 2 e só no início desta época retomou o convívio com os chamados grandes. Mas não é menos factual que constitui sempre um adversário duro.

Já tinha derrotado, ali mesmo, o Braga por 3-1.

Já quase tinha imposto um empate ao FC Porto no Dragão, em desafio que chegou aos 12 minutos de tempo extra: só um golo mesmo ao cair do pano permitiu aos portistas amealharem três pontos nessa partida.

 

Manda a prudência não embandeirar em arco, atendendo sobretudo a estes precedentes que não podem ser ignorados. No entanto, pareceu-me ver alguma sobranceria do Sporting em campo. Talvez devido ao facto de termos iniciado a jornada no comando do campeonato - em igualdade pontual com o FCP, é certo, mas com maior vantagem em golos marcados e sofridos.

Sobranceria que se ampliou com a vantagem por duas bolas conseguida muito cedo.

Primeiro golo na conversão de um penálti, por Gyökeres, aos 21' - acrescido do bónus de termos passado a jogar com um a mais devido à expulsão do defesa da turma algarvia que travou a bola com o braço.

Segundo golo - um golaço - marcado aos 35' por Pedro Gonçalves, que parece ter recuperado a boa relação com a baliza adversária. 

 

Tínhamos dupla vantagem: onze contra dez no relvado e dois de avanço no marcador. Durou pouco, muito pouco: aos 36', sofremos um golo, de livre directo, punindo falta totalmente desnecessária cometida por um Morten em noite não. O dinamarquês foi poupado a um segundo amarelo por entrada imprudente que poderia - e talvez devesse - ter-lhe valido a expulsão. Fez bem Rúben Amorim em deixá-lo de fora ao intervalo.

O segundo tempo voltou à toada mole, pastosa e previsível evidenciada pelo Sporting noutras partidas. Apenas Nuno Santos e Gyökeres pareciam cheios de vontade de sair de Faro com os três pontos.

No meio-campo, Morita não chegava para as encomendas. À frente, Paulinho tentava marcar sem conseguir. O nosso corredor direito não funcionava: Esgaio teve fraca prestação e Geny, que o substituiu, conseguiu fazer pior.

Para cúmulo, tínhamos perdido o nosso capitão logo aos 11': Coates saiu com queixas musculares. 

 

Mas estava escrito nas estrelas (a tal estrelinha) que não era dia para perdermos pontos. Aos 90', Edwards introduziu-se na grande área e sacou o segundo penálti da noite - logo assinalado pelo árbitro Luís Godinho sem que o VAR, Manuel Mota, o contrariasse. 

Chamado a batê-lo, Gyökeres voltou a brilhar fixando o resultado: 2-3. Saiu do São Luís com o seu segundo bis de verde e branco, subiu para o topo da lista dos nossos melhores artilheiros desta época e devolveu a alegria aos adeptos que já desesperavam com a desinspirada exibição do colectivo leonino.

A verdade é que reforçámos a nossa posição no comando do campeonato, que agora lideramos isolados beneficiando da derrota do FCP na Luz. Algo que não sucedia desde 19 de Maio de 2021 - data em que terminou o campeonato de melhor memória dos últimos 20 anos.

Estamos por cima, com todas as outras equipas atrás de nós, 862 dias depois. Motivo mais do que suficiente para haver alegria. Excepto entre aqueles que fazem questão de andar com o passo trocado: celebram quando perdemos, entristecem-se quando ganhamos.

Felizmente são muito poucos. Autêntica minoria absoluta.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Mattheus Oliveira, ex-Sporting, derrubou-o com dois livres directos (36' e 55'): o espanhol é já o guarda-redes que mais sofre golos destes na Liga. Fez boa defesa aos 81', mas soube a pouco.

Diomande - Não comprometeu, mas foi incapaz de marcar a diferença num dos seus trunfos: o início de construção progredindo com a bola controlada. Grande desarme aos 79'.

Coates - Integrou o onze, mas parou de súbito aos 10' sem conseguiu jogar mais. Talvez devido a sobrecarga muscular. Forçou o treinador a mudar bem cedo o trio defensivo. 

Gonçalo Inácio - Central à esquerda, passou para o meio com a saída de Coates. Desta vez não se distinguiu com os seus passes longos. Amarelado, está à bica: já é o quarto.

Esgaio - Actuação insuficiente. Não apenas no capítulo ofensivo, com pouca eficácia nos cruzamentos que foi tentando, mas também nos confrontos individuais: nem um só duelo ganho.

Morten - De longe a pior exibição de Leão ao peito. Amarelado aos 36', por falta inútil de que resultou o livre e o primeiro golo do Farense, reincidiu seis minutos depois. Podia ter sido expulso.

Morita - O desnorte do dinamarquês, seu parceiro no meio-campo, prejudicou o nipónico, chamado a apagar fogos num raio de acção demasiado longo. A equipa perdeu com isso.

Nuno Santos - Um dos mais inconformados. Tentou marcar, sem sucesso (24'' e 50'). Impecável a servir Paulinho (69'). Amarelado por jogo perigoso, aos 55': esse livre contra nós gerou golo.

Edwards - Após ter brilhado no jogo anterior, baixou neste - devido à forte marcação de que foi alvo. Grande cruzamento para Paulinho (57'). É ele a sacar o penálti que nos valeu a vitória (87').

Pedro Gonçalves - Assinou um golão, num disparo rasteiro e muito bem colocado, pondo o SCP a vencer por 2-0 em Faro. O nosso primeiro penálti nasceu de um remate dele à baliza. 

Gyökeres - O mais batalhador dos nossos: nunca desiste de um lance, mesmo a lutar contra dois ou até três. Irrepreensível na marcação das grandes penalidades, ambas indefensáveis.

Matheus Reis - Entrou aos 12', substituindo Coates mas jogando como central à esquerda. Demasiado contido, sem fazer a diferença. Parece atravessar uma crise de confiança.

Paulinho - Fez toda a segunda parte, colmatando a saída de Morten. Podia ter marcado em duas ocasiões: numa cabeceou por cima, noutra viu a bola travada pelo guarda-redes Ricardo Velho.

Geny - Entrou aos 58', rendendo Esgaio. Sem benefício para a equipa. Demasiado colado à linha, demasiado agarrado à bola, demasiado permeável no confronto com os adversários.

Daniel Bragança - Substituiu Nuno Santos aos 83'. No minuto seguinte já estava a ver o amarelo por falta desnecessária. Incapaz de se evidenciar no controlo, transporte e passe de bola.

Vencer e convencer mesmo sem Gyökeres

Sporting, 2 - Rio Ave, 0

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Sporting soma e segue: seis vitórias em sete jogos até agora, o que faz vibrar os adeptos

Foto: José Sena Goulão / EPA

 

Terá sido a melhor exibição do Sporting nos primeiros 45 minutos em todos os sete jogos já disputados nesta temporada - seis para o campeonato, um para a Liga Europa. O nosso onze entrou em campo como um verdadeiro rolo compressor, usando todos os corredores como via de ataque rápido, ousado, audaz. Nuno Santos, em excelente forma, desequilibrou por completo à esquerda enquanto Edwards imperava nas movimentações da direita para o meio do terreno, levando o pânico à muralha defensiva dos vilacondenses. Com Pedro Gonçalves a movimentar-se um pouco por toda a parte, abrindo linhas de passe, Paulinho desta vez fixo como ponta-de-lança e Morita a situar-se entre linhas, mostrando todo o seu valor na ligação entre o meio-campo e o trio mais ofensivo.

Foi assim, com o astro Gyökeres remetido ao banco de suplentes, que o Sporting cumpriu aquilo que se impunha: derrotar o Rio Ave em Alvalade. E deste modo assumir o comando do campeonato, em igualdade pontual com o FC Porto mas tendo melhor quociente entre golos marcados e sofridos. Vamos no 21.º desafio seguido sem derrotas, no terceiro em casa sem sofrer golos e com 16 pontos somados em 18 possíveis.

Fácil? Não. Há um ano, por esta altura, tínhamos apenas 10 pontos. Faz uma diferença enorme. Comparando com o onze que anteontem entrou em campo, houve apenas dois reforços, ainda ausentes de Alvalade em Setembro de 2022: o central Diomande e o médio defensivo Morten. Todos os outros já lá estavam. E nem por isso as coisas correram bem.

É verdade que o marfinense e o dinamarquês, ambos internacionais pelos seus países, contribuíram para aumentar a qualidade da nossa prestação face ao que ocorria na época anterior. Mas isto não basta para explicar a diferença. A verdade é que esta nossa equipa joga mais ligada, mais entrosada, com maior determinação e sobretudo com muito mais alegria. Contagiando os adeptos: estavam mais de 34 mil no estádio apesar de o jogo ter começado às 20.15 da passada segunda-feira. Horário que certamente contribuiu para que este tenha sido o nosso desafio com mais reduzida assistência na temporada em curso.

 

Destaques? Morita, pêndulo da equipa: quase todos os lances passam por ele. Iniciou o primeiro golo e assistiu para Paulinho empurrar, logo aos 10' - e figurar de novo entre os melhores marcadores da Liga 2023/2024. Edwards, protagonista dos lances mais vistosos - que culminaram no segundo golo, saído dos pés dele após túnel bem medido ao defesa que tentava cobri-lo, marcando de ângulo quase impossível. Obra de arte, deixando evidente que o inglês está de volta às grandes exibições. Voto nele como melhor em campo.

Nuno Santos, já mencionado, justifica também registo elogioso. Criativo, desequilibrador, sem nunca virar a cara à luta. Mas aquilo que vai fazendo deste Sporting um caso muito sério entre os assumidos candidatos à conquista do campeonato, reeditando a proeza de 2021, é a solidez do bloco defensivo. Diomande, Coates e Gonçalo Inácio parecem jogar de olhos fechados, tão bem combinam entre eles.

Com Gonçalo a destacar-se nos passes longos, Diomande na condução com a bola dominada e Coates nas acções de desarme. 

 

Tudo bem? Nem por isso. Caímos demasiado na segunda parte, após chegarmos ao intervalo a vencer por 2-0 - resultado que se manteria até ao apito final. De permeio, sofremos um sério sobressalto quando surgiu um golo do Rio Ave, aos 49', entretanto sem efeito por alegado fora-de-jogo de 6 cm. Pretexto ridículo para anular um golo: é tempo de pôr fim a esta palhaçada, tal como já acontece na Premier League. Tanto faz, para o caso, que o Sporting seja beneficiado (como agora foi) ou prejudicado (como já aconteceu mais do que uma vez).

Mas fizemos mais do que o suficiente para que ninguém possa discutir este triunfo. Basta olhar para a classificação para percebermos como isso é capaz de ser um excelente tónico psicológico. Não apenas para os jogadores: também para os adeptos.

Que diferença em relação ao que se passava faz agora um ano...

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Noite quase sem trabalho, exceptuando no golo vilacondense que viria a ser anulado por escassos 6 cm. Continua a evidenciar problemas a jogar com os pés.

Diomande - Desinibido com a bola, não apenas a defender mas a iniciar ataques. Lesionou-se no tempo extra, acabando substituído. Oxalá não seja nada de grave. Ele faz-nos falta.

Coates - O comandante da nossa muralha defensiva fez jus à fama. Dois lances justificam destaque: desarme perfeito aos 70' e grande passe longo aos 82', a lançar Geny.

Gonçalo Inácio - Sólido, intransponível. Fixou-se finalmente no espaço onde mais rende - o que o tem favorecido até como candidato a titular da selecção nacional. 

Esgaio - Conduziu um bom ataque aos 45'+2, mas esteve quase sempre mais contido do que o seu colega do corredor esquerdo. Não inventou, jogou pelo seguro.

Morten - A sua mais discreta exibição no plano individual desde que chegou ao onze titular. Ganha em concentração e eficácia no desarme o que parece faltar-lhe ainda na condição física.

Morita - Assombrosa exibição, com um raio de acção cada vez mais largo. O primeiro golo é quase todo construído por ele. Equilibra a defesa, municia o ataque, joga bem com os dois pés.

Nuno Santos - Outra actuação a merecer aplauso. Quase marcou em duas ocasiões - aos 14' e aos 56'. Vigoroso, criativo, destaca-se pelo espírito combativo que parece faltar a alguns colegas.

Edwards - Participa nos dois golos leoninos. No primeiro, como um dos construtores do lance tão bem-sucedido. No segundo, surgindo ele próprio a metê-la lá dentro. Fez levantar o estádio.

Pedro Gonçalves - Útil a abrir espaços e arrastar marcações, participou também no processo defensivo. Perdulário no último toque, incapaz de marcar. O melhor que fez foi atirar à trave (30').

Paulinho - Fixou-se como ponta-de-lança, compensando a ausência de Gyökeres. Cumpriu o essencial da sua missão com golo logo aos 10'. Merecido, pois trabalhou bem para a equipa.

Daniel Bragança - Substituiu Morten aos 67'. Não conseguiu imprimir maior acutilância ao nosso meio-campo, incapaz de fazer passes de ruptura. Contribuiu para gerirmos a vantagem.

Trincão - Entrou aos 67', substituindo Edwards. Há que assinalar o contraste entre um e outro, desmentindo aqueles que os equiparam em quase tudo. O ex-Braga foi totalmente inofensivo.

Matheus Reis - Substituiu Nuno Santos (77'). No seu estilo muito mais discreto, menos atrevido, cuidando mais da missão defensiva do que da vertigem ofensiva. 

Geny - Entrou aos 77', rendendo Esgaio. Contribuiu para acelerar o jogo no seu flanco. É um extremo de raiz, o que bem se nota. Mas tem melhorado no plano defensivo.

Neto. Entrou aos 90'+2, compensando a ausência do lesionado Diomande. Poucos minutos em campo, o que bastou para lhe merecer calorosos aplausos dos adeptos.

Melhor exibição e maior vitória até agora

Sporting, 3 - Moreirense, 0

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Gyökeres: mais um golo (e vão três) e uma assistência para Morten. Nenhuma dúvida: é craque

Foto: Rodrigo Antunes / Lusa

 

Valeu a pena este compasso de espera, imposto no calendário futebolístico pelos jogos das selecções. No Sporting houve vários ausentes - desde logo Gonçalo, na selecção nacional. Mas também Gyökeres pela Suécia, Morten pela Dinamarca, Morita pelo Japão, Diomande pela Costa do Marfim e até Geny por Moçambique.

Certamente não por acaso, todos estes jogadores surgiram em campo com grande frescura mental, disponibilidade táctica e robustez física. Fundamentais naquele que foi até ao momento o nosso melhor desafio da Liga 2023/2024 e na construção da mais dilatada vitória que registámos igualmente até agora nesta prova.

Certamente não por acaso, três deles revelaram veia goleadora nesta recepção ao Moreirense, que ocupava o 12.º lugar da tabela classificativa antes da deslocação a Alvalade. Morten estreou-se a marcar com um disparo fortíssimo de meia-distância (55'). Gyökeres confirmou vocação para artilheiro ao fuzilar de cabeça a baliza forasteira (61'). Diomande, também de cabeça, selou a contagem no último suspiro do desafio (90'+6), concluindo da melhor maneira um canto... marcado por Geny.

Não há coincidências.

 

Custa-me entender por que motivo alguns adeptos do Sporting resmungam sempre contra os jogos das selecções. Representar os países de origem é um factor de motivação adicional para qualquer profissional de futebol que não opte pela "deserção", imitando os maus exemplos de Rafa e João Mário.

Eu gosto muito do meu clube. E também gosto muito das selecções do meu país - não apenas da selecção A. Nada disto é incompatível.

Por isso aplaudi o seleccionador Roberto Martínez ao convocar Gonçalo Inácio como titular contra o Luxemburgo. Foi recompensado: impecável a defender, o nosso esquerdino brilhou também como goleador, bisando contra o onze do grão-ducado. É fácil prever que agarrou a titularidade na equipa das quinas.

 

Voltando ao Moreirense-Sporting. Desde logo, há que sublinhar isto: a turma visitante deu-nos muito trabalho na primeira parte, que terminou empatada a zero.

Os minhotos actuaram com as linhas muito avançadas, travando a nossa progressão sobretudo nos corredores laterais. E até causaram perigo num par de oportunidades. Mas a partir da meia-hora começaram a acusar o esforço físico, o que os levou a recuar e gerou alguma desorganização da equipa.

Nós aproveitámos. Poderíamos até ter marcado mais cedo. Logo aos 14', quando Morita atirou ao ferro após cobrança de livre lateral. Depois Morten disparou ao mesmo poste (29'). Esgaio, numa emenda quase perfeita a um passe cruzado do médio japonês, introduziu a bola na baliza (31'). Mas o VAR invalidou por suposta "deslocação" de 5 centímetros! Já escrevi e repito: decisões destas são um atentado ao futebol sem prestarem o menor serviço à verdade desportiva. 

 

Após o  intervalo, fomos para cima deles - com alegria, desenvoltura, velocidade, abertura constante de linhas de passe, progressão com bola. Num sufoco que se traduziu nos golos. Que poderiam ter sido ainda mais. Paulinho (que só entrou aos 75') cabeceou à trave (79'), confirmando o velho ditado: não há duas sem três.

Rúben Amorim gostava do que ia vendo. Os mais de 36 mil espectadores no estádio também. As substituições desta vez não prejudicaram o nosso fio de jogo. E foi possível até haver poupanças pontuais com vista ao desafio de quinta-feira na Áustria para a Liga Europa. Havendo ainda tempo para o tal golo mesmo no último suspiro do desafio. Golo de estreia de Diomande nesta temporada. Já Morten também se estreara como artilheiro de Leão ao peito.

Esta vontade, esta energia, esta capacidade de entrega à luta até ao apito final caracteriza as equipas com aspirações ao título. É o que vemos e sentimos neste Sporting 2023/2024. Para alegria de todos nós.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Saiu em falso num lance que poderia ter gerado um golo totalmente imerecido para o Moreirense (51'). Antes, havia visto a bola embater no poste (6'). Parece longe da melhor forma.

Diomande - Impecável a defender, útil na construção de jogo, irrepreensível no passe. E agora até goleador de mérito. Foi ele a marcar o terceiro, justa recompensa para uma óptima exibição.

Coates - O patrão Coates está de volta. Comandou com pé seguro o trio defensivo. Fez cortes providenciais (33', 64', 90'+3) e ainda tentou o golo de cabeça (85', 90+4), desta vez sem êxito.

Gonçalo Inácio - O jogador leonino com maior acerto no passe, segundo rezam as estatísticas. Cometeu apenas um deslize, logo aos 6', mas foi melhorando sempre. Merece nota elevada.

Esgaio - Seguro, disciplinado. Muito útil. Dono absoluto do corredor direito, ainda marcou um golo que devia ter sido validado. Saiu muito desgastado, mas com a certeza do dever cumprido.

Morten - Boa leitura de jogo, eficaz nas recuperações. Anda de pé quente, como mostrou duas vezes, com fortes disparos. Na primeira, acertou no poste. Na segunda foi lá para dentro.

Morita - Eficaz parceria com Morten: parece que actuam juntos há anos. Enquanto o colega joga de frente para a baliza, o japonês cobre todo o meio-campo, ligando ao ataque. Grande exibição.

Nuno Santos - Ninguém cruzou tanto e tão bem como ele. Um desses cruzamentos resultou em assistência para o segundo golo. Quase marcou, num disparo aos 42'. Está em grande forma.

Pedro Gonçalves - Foi útil, sobretudo, a abrir espaços para os colegas. Mas teve uma exibição demasiado apagada e revelou-se algo displicente no capítulo do passe. Dele exige-se mais.

Edwards - O mais fraco do onze titular. Funcionou como elemento dissonante, parecendo sempre algo desligado da equipa. Sem fazer a diferença nos lances individuais. Facilmente desarmado.

Gyökeres - Um poço de energia. Segunda parte sempre em crescendo. Assistiu no primeiro golo, marcou o segundo e nunca deixou de disputar a bola. Com força e técnica. Melhor em campo.

Paulinho - Fora do onze titular, substituiu Edwards aos 75'. Já a equipa estava com a vitória garantida e o Moreirense mantinha-se acantonado. Ainda teve tempo de cabecear à barra.

Matheus Reis - Substituiu Nuno Santos (75'). Protagonizou lance de cinco estrelas quatro minutos depois ao ir à linha final e centrar a meia altura para Paulinho. Assistência para um quase-golo.

Geny - Entrou aos 60', rendendo Esgaio. Actuando como extremo, num momento em que a turma minhota já quase não saía, venceu vários duelos. É dele o pontapé de canto que gerou o golo 3.

Daniel Bragança - Substituiu Morten aos 82'. Não deu nas vistas nem isso já era necessário.

Trincão - Entrou aos 82', substituindo Pedro Gonçalves. Sem nada de especial a registar.

Com poucos remates é mais difícil marcar

Braga, 1 - Sporting, 1

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Pedro Gonçalves regressou aos golos marcando logo aos 25' na Pedreira

Foto Lusa

 

Comecemos pela boa notícia. À quarta jornada, vamos no topo do campeonato nacional de futebol. A par de Boavista e FC Porto - que nesta ronda arrancou a ferros um pontinho no Dragão em jogo que deve ter constituído escandaloso recorde mundial: 25 minutos de prolongamento, frente ao Arouca (3 na primeira parte, 22 na segunda). Com o empate portista a ocorrer aos 19' deste inacreditável tempo extra final.

Em doze possíveis, conquistámos dez pontos até agora. Muito acima do que estávamos precisamente na mesma fase do campeonato anterior: concluídas as primeiras quatro partidas, o título tornou-se logo então praticamente impossível para nós, com oito pontos perdidos. Nada a ver com os dois que agora deixámos pelo caminho. Precisamente na partida contra o Braga, em casa do adversário. Na mesma casa onde tínhamos empatado logo a abrir a Liga 2022/2023, então por 3-3.

Comparando este Braga-Sporting (1-1) com o da época anterior, mantém-se um padrão: estivemos a vencer mas fomos incapazes de segurar essa vantagem. Por incapacidade absoluta de resolver a questão em tempo útil, quando os índices motivacionais e psicológicos estavam em alta. Logo no primeiro tempo, em que fomos superiores - vantagem traduzida no 0-1 registado ao intervalo. Com Pedro Gonçalves, no regresso aos golos, a facturar logo aos 25' - correspondendo da melhor maneira a primorosa assistência de Diomande.

Houve um segundo golo, aos 38', mas não valeu. Seria uma estreia em grande de Morten como artilheiro leonino, mas o VAR invalidou-o alegando que Pedro Gonçalves, em fora-de-jogo posicional, interferiu no ângulo de visão do guarda-redes Matheus. Tese que todos os especialistas em arbitragem, sem excepção, validaram na imprensa de ontem.

 

Após a interrupção, repetiu-se um filme que já vimos demasiadas vezes.

O Sporting recuou as linhas, deixou à equipa anfitriã a iniciativa do jogo e tentou desatar o nó com ataques à profundidade, procurando explorar o avanço dos braguistas. Já sem Paulinho em campo mas com Gyökeres disponível para tal função. Acontece que o internacional sueco foi pouco e mal servido, além de andar muito distante da zona de tiro. Ao contrário do que devia acontecer.

Para agravar o problema, o nosso ataque fluiu pouco pelas alas e o meio-campo perdeu capacidade de choque com as substituições que Rúben Amorim foi fazendo - nenhuma delas com vantagem para a equipa. Ressalvo apenas a entrada, aliás muito tardia, do jovem Fresneda, que assim se estreou de verde e branco. Parece ter bom toque de bola, mas é cedo para avaliações.

 

Foi aí, nessa débil segunda parte, que deixámos fugir dois pontos. Pena: uma vitória na Pedreira ter-nos-ia dado a liderança isolada do campeonato como único emblema invicto à quarta ronda. Faltou-nos aquele suplemento de energia anímica indispensável para superar os obstáculos mais difíceis. Isto funciona também como elogio ao Braga, que tem uma bela equipa, aliás reforçada com vários elementos ex-Sporting - com destaque para José Fonte, impecável como patrão da defesa, enquanto Bruma mantém intactas as qualidades que já o distinguiam na Academia de Alcochete.

Muita incapacidade de jogo directo, muito drible inconsequente, muito rodriguinho com a bola sem saber ao certo o que fazer com ela. Muitos passes falhados - aqui, infelizmente, Daniel Bragança distinguiu-se pela negativa. E, acima de tudo, muita incapacidade de acertar no alvo. Ou sequer de o tentar. Basta reparar neste dado: chegámos ao fim com apenas cinco remates. Não rematávamos tão pouco desde Agosto de 2021 em desafios do campeonato.

Assim tudo se torna mais difícil. Apetece perguntar: será que nos treinos da nossa equipa o remate à baliza é aspecto secundário? A pergunta pode parecer absurda, mas pelo sofrível futebol que anteontem exibimos na segunda parte deste confronto em Braga talvez faça algum sentido.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Sofreu um golo indefensável, de livre directo, marcado de forma irrepreensível por Álvaro Djaló (78'). Logo aos 13', desviou com defesa aparatosa um tiro de Ricardo Horta.

Diomande - Um dos melhores em campo. É dele a assistência para o nosso golo, numa das ocasiões em que saiu com bola dominada, pleno de confiança. Impecável a defender: anulou Pizzi.

Coates - Outra grande exibição do capitão uruguaio, decisivo em recuperações, muito atento à manobra ofensiva do Braga. Deu nas vistas sobretudo com um duplo corte aos 66'. Pura classe.

Gonçalo Inácio - Jogando agora enfim na metade do terreno que mais potencia as suas características, travou duelo bem sucedido com Ricardo Horta. Corte oportuníssimo aos 55'.

Esgaio - Claro défice no capítulo ofensivo, parecendo sempre mais preocupado com as marcações ao extremo adversário. Quando progredia, via-se sem soluções e optava por recuar a bola.

Morten - Médio de equilíbrio, permitiu soltar Morita para fazer a ligação ao ataque. Tem bom remate, como evidenciou no golo (anulado) aos 38'. Saiu cedo de mais, talvez por fadiga física.

Morita - Excelente actuação do médio nipónico, sobretudo na primeira hora de jogo. Notável assistência para o golo (anulado) do dinamarquês. Joga muito e faz jogar, abrindo linhas de passe.

Nuno Santos - Tal como Esgaio no corredor contrário, abusou dos passes à retaguarda e pareceu várias vezes não saber ao certo o que fazer com a bola. Atravessa um período de menor fulgor.

Pedro Gonçalves - Integrando o trio da frente, onde sempre rende mais, fez jus à sua boa fama ao marcar o primeiro golo da temporada (25'). Muito festejado. Que seja o primeiro de muitos.

Paulinho - Terá entrado condicionado no plano físico, o que suscita a interrogação: por que motivo figurou no onze? Apático, sem iniciativa, acabou por não regressar do intervalo.

Gyökeres - Outro jogo sem marcar. Poderia tê-lo feito, isolado por Edwards, aos 57'. Aos 63', foi desarmado por Fonte. Desgasta-se em excesso a procurar a bola. Devia ser ele a recebê-la.

Edwards - Fez toda a segunda parte, substituindo Paulinho. Mantém as intermitências a que já nos habituou e o péssimo hábito de se agarrar demasiado à bola, como se jogasse sozinho.

Geny - Entrou aos 60', rendendo Nuno Santos. Substituição pré-agendada, repetindo ao minuto o que sucedera na partida anterior. Desta vez manteve-se na ala esquerda. Sem deslumbrar.

Daniel Bragança - Substituiu Morten aos 60'. Pouco ou nada lhe saiu bem. Desperdiçou lances de ataque, entregou duas vezes a bola, fez um livre desnecessário de que nasceu o golo do Braga.

Trincão - Entrou aos 72', substituindo Pedro Gonçalves. Com os defeitos do costume: rodopia com a bola, entretém-se com ela, vai-se esquecendo do jogo colectivo. Bateu muito mal um livre.

Fresneda - Estreia absoluta pelo Sporting, rendendo Esgaio ao minuto 85. Ganhou um canto aos 90'+7. Pouco tempo em campo para merecer uma opinião fundamentada. Venham mais jogos.

Paulinho soma e segue: já vão quatro

Sporting, 1 - Famalicão, 0

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Paulinho, com três jogos sempre a marcar, vai sendo um sério candidato a lugar na selecção

Miguel A. Lopes / EPA

 

Alguns adeptos andam descontentes. Ainda não consegui perceber porquê. Vamos com nota máxima nesta temporada, assim chegamos ao fim de Agosto. Três vitórias, nove pontos, estamos no topo do campeonato. Há um ano, na mesma fase, seguíamos só com quatro pontos. Menos de metade do que somamos agora.

Todos os jogos têm merecido nota artística? Não. Actuação irrepreensível dos nossos jogadores? Também não. Mas o essencial vai-se cumprindo: ganhar sempre, nem que seja por um golo de diferença.

E foi isso que voltou a acontecer, anteontem, no Estádio José Alvalade. Recebemos uma equipa tradicionalmente muito difícil, o Famalicão, e cumprimos o objectivo. Triunfo tangencial, tal como os anteriores - desta vez por 1-0. Com a vantagem óbvia de ser o primeiro em que marcamos sem sofrer nenhum. É um progresso que se regista.

 

Para esta recepção à equipa minhota, Rúben Amorim convocou aquele que é talvez o melhor onze leonino do momento: Adán; Diomande, Coates, Gonçalo Inácio; Esgaio, Morten, Morita, Nuno Santos; Pedro Gonçalves, Paulinho e Gyökeres. Na tribuna, assistindo à partida, o jovem Fresneda, vindo do Valladolid. No próprio dia da sua chegada a Lisboa, já contratado pelo Sporting. Deverá ser ele o novo titular da ala direita.

Novidade: a estreia como titular de Morten Hjulmand, o reforço nórdico que veio suprir uma lacuna aberta com a partida, em Maio, de Ugarte. Estávamos a precisar muito dele. A posição de médio defensivo, sobretudo num meio-campo a dois como Amorim tanto gosta, é fulcral. E o internacional dinamarquês, vindo do Lecce, parece ter sido bem escolhido: desempenhou com inegável competência a missão que lhe foi confiada, actuação a merecer nota alta. Nomeadamente na articulação com Morita: vendo-os jogar, nem parece que só se conhecem há poucos dias.

 

Mas o destaque principal vai para Paulinho. Marcou mais um golo decisivo - o que nos valeu a conquista dos três pontos. Apontado aos 52', à ponta-de-lança (sim, agora justifica-se mesmo chamá-lo assim), na cobrança de um livre, por Nuno Santos, a castigar falta sobre o infatigável Gyökeres. Com este, o ex-Braga já leva quatro golos apontados em apenas três rondas do campeonato. Na Liga 2022/2023 só à 26.ª jornada conseguiu esta marca.

Confirma-se, portanto, que lhe faz bem esta parceria recém-estabelecida com o internacional sueco. Gyökeres desta vez não marcou, mas foi um dos obreiros desta vitória. Parece estar em todo o lado, lá na frente. Faz de interior, faz de extremo, faz de segundo avançado, faz de ponta-de-lança. Trabalha para a equipa, com indiscutível mérito. 

Na tribuna de Alvalade estava o seleccionador Roberto Martínez. Paulinho, se continua assim, será um sério candidato à equipa das quinas, na qual já actuou.

Outro jogador que justifica elogio: Coates cumpriu aqui a sua melhor partida até ao momento na Liga em curso. Comandante da defesa, impecável nas recuperações. Bem coadjuvado por Diomande (outra excelente contratação da SAD leonina) e Gonçalo Inácio. Termos o meio-campo mais calibrado ajuda muito. 

 

Quem não tivesse visto o jogo, reparando só no resultado, ficaria a pensar que foi tremido para nós. Puro engano. O Sporting foi sempre a equipa dominadora e tudo fez para ampliar a vantagem. Que só não aconteceu porque o guardião famalicense, Luiz Júnior, fez enormes defesas. Impedindo golos a Paulinho (19'), Gyökeres (65') e Daniel Bragança (85'). Além de ter visto, sem intervir, um livre de Pedro Gonçalves levar a bola à barra (49'). 

A verdade é que o Famalicão - talvez a quinta melhor equipa portuguesa do momento - viu-se incapaz de criar oportunidades de jogo em todo o desafio, de tal modo foi neutralizado pelo Sporting. Nem parecia o mesmo emblema que derrotou o Braga, na Pedreira, na jornada inaugural.

Em suma, nesta ronda não necessitámos de estrelinha. Bastaram o talento, o mérito, a vontade e a garra dos nossos jogadores. 

É isso que lhes pedimos. É isso que lhes exigimos. Vencer sempre, superar todos os obstáculos. Que seja pela margem mínima, tanto faz. A gente não se importa.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Praticamente sem trabalho: limitou-se a estar atento entre os postes. Nos minutos finais, correspondendo a um pedido expresso do treinador, lançou bolas na profundidade. Fez bem.

Diomande - Consegue ser muito seguro mantendo-se imperturbável. Como se ser central do Sporting fosse a tarefa mais fácil do mundo. Forma bom trio com os colegas na linha defensiva.

Coates - O capitão regressou à boa forma. Atento, interventivo, comandante indiscutível da linha mais recuada. Fez sete recuperações. Uma delas mesmo ao cair do pano, aos 90'+7.

Gonçalo Inácio - Está a praticar um futebol mais solto e criativo, potenciando as suas qualidades na construção como central do lado esquerdo. Alguns lapsos menores não lhe roubaram o brilho.

Esgaio - Actuação esforçada na primeira parte, em que foi o ala com maior propensão ofensiva. Faltou-lhe fazer a diferença nos cruzamentos. Acusou fadiga física na segunda parte.

Morten - O reforço dinamarquês estreou-se como titular e vai certamente ser dono da posição de médio defensivo. Sempre em jogo, com passes precisos e de cabeça bem levantada. 

Morita - Boa parceria com Morten, dando solidez e consistência ao nosso meio-campo. Compete-lhe a ligação à linha avançada. Sabe conduzir a bola e pensar o jogo. Trabalha para a equipa.

Nuno Santos - Exibição pálida, talvez por não estar ainda em plena forma desde que voltou da lesão. Muito contido a subir no corredor esquerdo. Mas foi ele a marcar o livre que deu golo.

Pedro Gonçalves - Ainda nos deve uma exibição de encher o olho nesta Liga. Continua meio trapalhão, meio apático. Bateu bem um livre: a bola foi à barra. Mas falhou golo fácil (90'+4).

Paulinho - A figura do jogo. Nunca se exibiu tão bem no Sporting. Muito perto de marcar aos 19' (defesa aparatosa de Luiz Júnior). Meteu-a lá dentro, de cabeça, aos 52'. Está imparável.

Gyökeres - O avançado sueco é um todo-o-terreno. Vai a todas, não desiste de um lance. Derrubado em falta, sacou livre que nos valeu golo. Esteve muito perto de marcar ele também.

Geny - Entrou aos 60', rendendo Nuno Santos. Seis minutos depois rumou ao seu lugar, na ala direita, onde teve exibição muito positiva. Construiu lance de golo para Pedro Gonçalves (90'+4).

Matheus Reis - Substituiu Esgaio aos 66'. Mas actuou no corredor esquerdo, seu posto natural. Não inventou, não atrapalhou, não improvisou. Ajudou a manter posse de bola, tarefa útil.

Daniel Bragança - Regressado de lesão, entrou aos 84', rendendo Morten. No minuto seguinte esteve perto de marcar com remate de pé direito. Soube segurar a bola e entregá-la com critério.

Trincão - Entrou aos 84', substituindo Paulinho. O resultado estava construído, o essencial estava feito. Mal se reparou nele.

Ter "concorrente" faz muito bem a Paulinho

Casa Pia, 1 - Sporting, 2

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Jogadores leoninos festejam golo de Paulinho, herói desta partida disputada em Rio Maior

 

Faz muito bem a Paulinho, ter um concorrente interno. Melhorou - e de que maneira - com a chegada de Gyökeres. Agora como segundo avançado, olhando a baliza mais de frente, o ex-Braga vem revelando veia goleadora. Anteontem bisou no estádio municipal de Rio Maior, onde o Casa Pia fez de anfitrião. Cumprida a segunda jornada, já a meteu três vezes lá dentro. No campeonato anterior foi preciso esperar pela 23.ª ronda para que isso acontecesse.

Figura do jogo que vencemos por 1-2, sem dúvida. Mas não o único a merecer elogios neste difícil embate com os casapianos - que na Liga 2022/2023 já nos tinham dado muito trabalho. O internacional sueco voltou a protagonizar uma partida digna de realce: abrindo linhas de passe, procurando a bola, evidenciando robustez física e inegável capacidade técnica. Desta vez não marcou, mas mandou um petardo à barra (29') e fez a bola rasar os postes em duas outras ocasiões.

 

O Sporting começou muito bem: com jogo fluido, rápido, eficaz. Materializado no primeiro golo, logo aos 3'. Incursão ofensiva de Esgaio, como interior direito improvisado, assistindo Paulinho, que disparou sem deixar a bola tocar na relva - fulminando o guardião Ricardo Batista, ex-Sporting. Golo validado pelo árbitro Nuno Almeida e pelo vídeo-árbitro Hugo Miguel. Assim nos pusemos em vantagem.

Fomos controlando as operações até ao intervalo, que terminou com esta vantagem tangencial. Só uma vez Adán foi chamado a intervir, aos 45'+7, correspondendo com excelente defesa. O longo tempo extra desta primeira parte deveu-se a uma interrupção de 11 minutos forçada pela assistência urgente ao ex-presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, Silvino Sequeira, acometido de doença súbita quando se encontrava atrás do banco do Sporting - ele que é fervoroso adepto leonino. Reanimado, foi prontamente conduzido de ambulância ao hospital mais próximo.

 

A qualidade do espectáculo baixou devido a esta súbita interrupção, perdendo-se parte do fio do jogo da nossa equipa, reforçada com o regresso de Nuno Santos após cerca de um mês de lesão. Fraca dinâmica de Pedro Gonçalves, que voltou a ter prestação sem brilho, enquanto Edwards não conseguia melhor do que uns lances intermitentes.

Mas o menos bom estava lá atrás.

Em novo lapso da nossa organização defensiva, o Casa Pia desenvolveu um ataque rápido que apanhou Gonçalo Inácio encostado à linha esquerda, abrindo uma cratera que Coates foi incapaz de colmatar e Adán agravou ao abandonar precipitadamente a baliza. Assim permitiram que Clayton - o melhor dos "gansos" - empatasse, aos 58'.

Estes erros defensivos pagam-se caros. Felizmente soubemos reagir com mais rapidez do que no jogo contra o Vizela, em que o golo só surgiu no último instante. O segundo de Paulinho nesta sexta-feira concretizou-se aos 61', culminando bom lance colectivo com a bola a rodar rápida até chegar a Nuno Santos, que centrou com precisão geométrica para o colega a meter no sítio certo.

 

Daí até ao fim a equipa limitou-se a gerir a vantagem. Já com as alas renovadas (Geny substituiu Esgaio e Matheus Reis rendeu Nuno) e a estreia absoluta de Leão ao peito do nosso mais recente reforço, Morten Hjulmand. Alto e loiro, o dinamarquês causou boa impressão. Simplificando o jogo com frieza e precisão de passe.

Triunfo difícil mas merecido frente a um emblema que na época passada derrotou o FC Porto e impôs um empate ao Braga no Minho. As chamadas equipas pequenas estão a estudar cada vez melhor os adversários e a impor-se sem complexos frente aos favoritos. O que é muito salutar para o futebol português.

Já depois do apito final, surgiu a notícia: o golo inicial havia sido mal validado, Paulinho estaria 9 cm deslocado, o que mereceu até um inédito comunicado do Conselho de Arbitragem, bem como o anúncio de que Hugo Miguel entrará em "quarentena" prolongada. Haverá novas intervenções tão céleres e mediatizadas daquele organismo quanto estiverem em causa outras cores? Veremos, atentamente.

Mas dos erros dos árbitros o Sporting não tem culpa alguma. Era mesmo só o que faltava. Seguimos na frente após duas vitórias consecutivas. Vamos com mais dois pontos do que na mesma fase do campeonato anterior. O importante é isto.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Grande momento aos 45'+7, quando impediu com instinto felino o Casa Pia de marcar. Mas aos 58' saiu mal da baliza, desguarnecendo-a. Teve culpa nesse golo sofrido. Já vão três.

Diomande - O melhor do nosso trio defensivo. Com apenas 19 anos, revela já muita maturidade. Não apenas a cortar lances perigosos, mas também na saída com bola. Vai longe.

Coates - Continua a acusar excesso de lentidão, preso de movimentos. Desposicionado no lance do golo do Casa Pia, demorou muito a reagir. Fez vários passes longos, com péssima pontaria.

Gonçalo Inácio - Desempenho intermitente. Visão de jogo em passes de ruptura, a sua maior especialidade. Mas também ele com responsabilidade no golo sofrido. Devia ter feito melhor.

Esgaio - Nota positiva. Cumpriu no essencial a missão de patrulhar com eficácia o seu corredor. E destacou-se sobretudo no lance do primeiro golo: a assistência para Paulinho é dele. 

Morita - Trabalho de formiguinha a ligar sectores, como trinco improvisado. Sempre em jogo, eficaz nas recuperações. É um elemento muito útil - autêntico "carregador de piano" desta equipa.

Pedro Gonçalves - Após estreia infeliz neste campeonato, voltou a estar muito apagado. Quase irreconhecível. Participa na construção do segundo golo, mas dele espera-se sempre mais.

Nuno Santos - Ei-lo de volta. Depois de ter falhado parte da pré-temporada e o jogo inaugural, regressou ao onze. Ainda com falhas de ritmo, mas já influente. Assistiu no segundo golo.

Edwards - Substituiu Trincão na equipa titular. Iniciou a construção do segundo golo, serviu primorosamente Gyökeres (63'), sofreu penálti não assinalado. Mas demasiado intermitente.

Paulinho - Uma das suas melhores exibições pelo Sporting. Há longos meses que não bisava: a última vez tinha sido para a Taça da Liga. Está mais solto e de pé quente. Foi a figura do jogo.

Gyökeres - Permanente disponibilidade. Não para brilhar individualmente, mas para se integrar no jogo colectivo. Foi alternando com Paulinho na frente de ataque. Mandou um tiro à barra (29').

Geny - Em campo desde os 64', rendendo Esgaio. Exibição sem mácula, confirmando-o como elemento útil sobretudo na manobra ofensiva. Esteve perto de marcar aos 90'+6.

Matheus Reis - Substituiu Nuno Santos aos 64'. Com mais cautelas defensivas do que Geny no flanco oposto, destacou-se num bom cruzamento para Gyökeres aos 84'.

Morten - Boa notícia: temos enfim um médio defensivo de raiz. Em estreia no Sporting, substituiu Edwards aos 75'. Jogou 22', deixando boa imagem. Na qualidade do passe e na leitura de jogo.

Trincão - Entrou aos 87' para o aplauso das bancadas a Paulinho. Pareceu ter surgido em campo já cansado: não conseguiu melhor do que um remate muito frouxo aos 90'+4.

Mateus Fernandes - Substituiu Pedro Gonçalves aos 87'. Disponível para o jogo colectivo, com manifesta vontade de acertar e de se afirmar na equipa. Boa recuperação de bola (90'+1).

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