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És a nossa Fé!

O primeiro bicampeonato das nossas vidas

Sporting, 2 - V. Guimarães, 0

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Pedro Gonçalves agradece ao Céu a exibição de luxo no jogo do título: a lesão passou à história

Foto: Filipe Amorim / Lusa

 

Este sim, foi o jogo do título. Que desfez as últimas dúvidas. Que varreu todos os vestígios de pessimismo militante. Que levou enfim os mais renitentes a "apoiar" a equipa - quando já não era preciso, pois acabavámos de consolidar o primeiro posto na Liga 2024/2025, que se tingiu de verde e branco.

Triunfo natural em nossa casa, com estádio cheio, sobre a turma de Guimarães, orientada por um técnico que não aqueceu o lugar: ontem foi anunciado que a direcção do clube minhoto dispensou os serviços de Luís Freire. Derrotado pelo Sporting, o Vitória Sport Clube falhou o acesso à quinta posição, superado pelo Santa Clara. Nem à Liga da Conferência irá na próxima temporada.

 

Antes deste desafio de encerramento do campeonato, alguns temerosos diziam recear o desempenho dos minhotos em Alvalade. Aludiam a supostas "malas" que dariam motivação extra à equipa adversária. Tretas. Nada disso aconteceu, eles nem foram capazes de gerar uma situação de perigo em todo o encontro. Acabaram por ser uma das mais fracas equipas que nos visitaram em 17 jornadas entre Agosto e Maio.

Partimos para a última ronda em igualdade pontual com o Benfica, mas em clara vantagem no desempate. Por termos vencido os encarnados em casa e empatado na Luz. Nenguma dúvida: só dependíamos de nós para tornarmos o sonho realidade. De ninguém mais. Como é próprio de equipas campeãs.

Mas eles foram amiguinhos: até fizeram questão de nos dar uma ajuda, deixando-se empatar no derradeiro desafio. Foram a Braga e não conseguiram melhor do que um empate diante da equipa que na primeira volta os levara ao tapete no estádio da Luz. Nem tendo jogado durante parte deste encontro só contra dez conseguiram a vitória.

Os tais derrotistas do Sporting que imaginam conspirações em todo o lado e já supunham ver o Braga "abrir as pernas" perante o SLB tiveram de meter a viola no saco uma vez mais. 

 

Quanto ao nosso jogo, ocorrido há quatro dias com boa arbitragem de Fábio Veríssimo, o pior foi termos chegado ao intervalo empatados a zero.

Resultado imerecido.

Os pessimistas mais irredutíveis roíam as unhas até ao cotovelos. São aqueles que estão sempre prontos a antever o pior. Coitados, este ano não acertaram uma. Podem penhorar a bola de cristal...

 

Pedro Gonçalves desfez o nulo. Aos 55, em lance iniciado por Eduardo Quaresma tocando para Debast e este com passe milimétrico para Maxi, que assistiu o transmontano. Sem preparação, este colocou-a no sítio certo, em lugar inacessível ao guardião, mais em jeito do que em força. Explodiu de alegria, tal como todo o estádio. Já tínhamos saudades de um golo destes. já tínhamos saudades de um golo dele. E o Pedro mais que ninguém: desde Setembro que não marcava.

A longa lesão passou à história.

Os de Guimarães, que já pouco faziam, viram-se impotentes perante o ímpeto ofensivo leonino. Que só não se traduziu em golo aos 65' porque Geny rematou em arco, de modo espectacular, mas encaminhou a bola para o ferro, não para a rede. Foi pena: teria sido um dos golos mais vistosos deste campeonato.

 

Não arrumou a questão, mas o goleador sueco tratou do assunto. Aos 82', em brilhante incursão na área, trocou as voltas aos centrais antes de fuzilar. A alegria colectiva redobrou, a celebração de Gyökeres teve toques épicos. Deduzíamos porquê: foi, provavelmente, o seu último golo em Alvalade. Havia ali um misto de júbilo e de saudades antecipadas.

Houve, acima de tudo, uma felicidade inesquecível. Este jogo confirmou a conquista do bicampeonato. O primeiro bicampeonato das nossas vidas. Ficará gravado para sempre nas doces memórias e nos corações de todos nós.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (6) - Foi praticamente um espectador da partida. Nenhuma defesa digna desse nome perante um adversário inofensivo.

Eduardo Quaresma (8). Batalhador. Várias recuperações. Anulou Gustavo Silva. Deu espectáculo aos 50' e aos 69' com lances de ruptura. Inicia o primeiro golo. 

Diomande (4) - Lesionou-se num joelho em choque aos 23'. Teve de ser substituído dois minutos depois.

Gonçalo Inácio (7) -  Quase marcou de cabeça aos 8'. Muito activo. Lançou Gyökeres aos 34' e aos 45'+5 em lances que rondaram o golo.

Geny (6) - Destacou-se em dois momentos: num grande centro para Gyökeres (15') e numa bola ao ferro (65'). Podia ter feito mais.

Morita (7) - Substituiu o ausente Morten. Fez a bola roçar a trave, de cabeça, aos 49'. Neutralizou todos os ataques minhotos. Até à exaustão aos 77'.

Debast (7) - Estabilizador do nosso meio-campo. Muito cerebral, com precisão geométrica. Intervenção vital no primeiro golo, em pré-assistência.

Maxi Araújo (8) - Grande desarme aos 28'. Quase marcou de cabeça, aos 41'. Assistiu Pedro Gonçalves no golo inicial. Intrerveio no segundo.

Trincão (6) - Tentou o golo aos 34' em remate rasteiro. Isolou Gyökeres aos 80'. Menos influente do que noutras partidas.

Pedro Gonçalves (8) - Regressou aos golos, oito meses depois. No momento certo para se sagrar melhor em campo. Marcou primeiro, assistiu depois.

Gyökeres (8) - Despedida em grande de Alvalade a confirmar o nosso triunfo - e o bicampeonato. Merece todos os aplausos da massa adepta.

Sr. Juste (6) - Veloz, atento, concentrado. Substituiu muito bem Diomande aos 25'. Antecipou-se sempre a Nelson Oliveira.

Quenda (5) - Entrou aos 77', rendendo Morita. Foi ele a iniciar o segundo golo.

Harder (-) - Substituiu Pedro Gonçalves aos 88'.

Matheus Reis (-) - Entrou aos 88, substituindo Geny.

Fresneda (-) - Rendeu Trincão aos 88'.

Impotência encarnada em fortaleza leonina

Benfica, 1 - Sporting, 1

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Trincão tentou e conseguiu: aos 4' gelou o chamado "inferno da Luz" com um grande golo

Foto: Rodrigo Antunes / Lusa

 

O Sporting pode orgulhar-se deste percurso no campeonato, que se prepara para conquistar pela terceira vez em cinco anos. Nomeadamente nos jogos com as outras equipas consideradas grandes. Não perdeu nenhum: venceu dois e empatou outros dois. O último empate ocorreu sábado passado, há três dias, no estádio da Luz.

Foi um desafio que nos correu bem desde o apito inicial. Com um grande golo, concretizado por Trincão aos 4'. Em lance colectivo de cinco estrelas, iniciado com uma recuperação de Morten à frente do eixo defensivo, prosseguido por Pedro Gonçalves com soberbo passe de 30 metros a isolar Gyökeres. Este atraiu de imediato dois polícias, Tomás Araújo e António Silva, incapazes de travá-lo. O craque sueco faz passe lateral com precisão cirúrgica, aproveitado da melhor maneira por Trincão, que desfere remate certeiro para ângulo de defesa impossível: o gigante Trubin esticou-se em vão. Enquanto Carreras ficou nas covas, a ver navios: o avançado leonino fez o que quis, liberto de marcação.

Assim gelámos o "inferno da Luz".

 

Este foi o lance decisivo do clássico.

Lance que nos confirmou no topo do campeonato, para não destoar: comandámos a classificação em 29 das 33 jornadas decorridas. O Benfica só conseguiu precárias e esporádicas lideranças por três vezes: nenhuma delas teve sequência.

No primeiro tempo só deu Sporting. Com a nossa equipa muito bem organizada a defender: merece elogio o trio formado por Eduardo Quaresma, Diomande e Gonçalo Inácio. Anulámos por completo Di María, proclamado como maior craque benfiquista. Primeiro no corredor esquerdo, por Maxi Araújo; depois na ala oposta, em que Eduardo Quaresma tomou conta dele. O argentino perdeu 19 vezes a posse de bola, só venceu três duelos e foi inofensivo nos cruzamentos, forçando o treinador a substituí-lo ao intervalo.

Mérito nosso.

 

No segundo tempo, a equipa da casa viu-se pressionada a subir no terreno, procurando cruzar bolas sobre a área. Sem produzir resultado. Nas bancadas, com lotação esgotada, os adeptos encarnados não escondiam o nervosismo. Percebia-se porquê: à medida que os minutos se escoavam, diziam adeus à hipótese de conquistar o título. Tendo perdido em Alvalade por 0-1, o Benfica precisaria sempre de vencer: só o Sporting poderia beneficiar também com o empate em casa alheia.

E o golo do empate lá surgiu, aos 63'.

Brilhante jogada individual de Pavlidis pela ala esquerda, beneficiando de duas escorregadelas quase simultãneas no nosso reduto - primeiro Quaresma, depois Diomande. Cruzou para Aktürkoglu, que lá a meteu após ressalto em Maxi Araújo.

Único momento de infelicidade leonina no capítulo defensivo. Não houve outro até ao fim.

 

Desempenho muito positivo do Sporting, para alegria da massa adepta e frustração da tribo benfiquista. Para eles, ao contrário do que sucedeu connosco, foi um empate com sabor a derrota.

Tinham razões para se sentir frustrados, como os números confirmam. Remates enquadrados: quatro para o Sporting, apenas um para este medíocre Benfica de Bruno Lage. Posse de bola para os encarnados. 67%. Mas foi domínio consentido da nossa parte. E também inconsequente, como o empate final comprova.

O Benfica só "venceu" em faltas cometidas: 24, contra apenas 14 da nossa equipa. Até nisto digna de elogio.

 

E agora?

Vamos à última ronda. A definitiva. Sábado, às 18 horas.

Recebemos o V. Guimarães, que luta para manter o quinto posto da Liga. O Benfica vai a Braga, onde a turma local procura honrar o quarto lugar após ter perdido o acesso ao pódio perante o mais fraco FC Porto do último decénio.

Não concebemos outro cenário senão o triunfo na recepção aos minhotos. Permitindo-nos conquistar o título - primeiro bicampeonato em mais de sete décadas. Merecido e justo. Não pensamos noutra coisa.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (6) - Basta a sua presença entre os postes para transmitir segurança à equipa. Nada pôde fazer no golo deles (63').

Eduardo Quaresma (7). Anulou Aktürkoglu na primeira parte. Grande desarme aos 76'. Só não travou Pavlidis no golo por ter escorregado.

Diomande (7) - Regressou ao onze confirmando-se como pilar da defesa. Um verdadeiro líder. Ganhou todos os duelos com Pavlidis na primeira parte.

Gonçalo Inácio (7) -  Crucial na solidez defensiva da equipa. Grande desarme a Pavlidis aos 31'. Excelente corte aos 60'. Nunca tremeu.

Geny (7) - Sacou amarelo a Otamendi logo aos 15'. Deu luta cerrada a Carreras no nosso corredor direito, neutralizando o espanhol.

Morten (8) - O capitão destacou-se por ser o melhor em campo. Calibrou e pautou todo o jogo leonino, mesmo amarelado aos 19'. Recuperou 12 bolas. Inicia o nosso golo.

Debast (6) - Completou bem o trabalho de Morten, embora sem a combatividade do internacional dinamarquês. Consolida-se como médio.

Maxi Araújo (7) - Travou e venceu vários duelos. Vulgarizou Di María, que viria a sair ao intervalo. Infeliz no lance do golo encarnado: a bola tabelou nele.

Trincão (8) - Grande golo, logo a abrir o jogo. Movimentou-se muito bem sem bola e apareceu no sítio certo. Condicionou o Benfica a partir daí até ao apito final.

Pedro Gonçalves (6) - Ainda longe da melhor forma física. Mas faz excelente passe para Gyökeres no nosso golo. E sofre falta de Otamendi aos 17': penálti por assinalar.

Gyökeres (7) - Desta vez não marcou. Mas assistiu Trincão no golo, mesmo condicionado por Tomás Araújo e António Silva. Remate bem colocado aos 85': Trubin defendeu.

Morita (5) - Substituiu Debast aos 57'. Pouco intenso: falta-lhe recuperar a forma anterior à lesão. Aos 70', levou Aktürkoglu a fazer-lhe falta para amarelo.

Quenda (5) - Entrou aos 72', rendendo Pedro Gonçalves. Boa vontade, mas revelando problemas na definição.

Harder (5) - Substituiu Trincão aos 82'. Dinâmico, enérgico. Vai lutando para poder ascender a titular na próxima época.

Matheus Reis (5) - Entrou aos 82, substituindo Maxi Araújo. Vinha com instruções para trancar o corredor esquerdo e cumpriu.

Sr. Juste (5) - Substituiu Eduardo Quaresma aos 82'. Entrou com ganas suficientes para neutralizar Schjelderup. Kokçu foi amarelado ao travá-lo em falta (90'+3).

Eduardo resolveu: alegria para todos nós

Sporting, 2 - Gil Vicente, 1

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Quaresma acabou de marcar o golo decisivo e inicia festejos: explosão de júbilo em Alvalade

Foto: Lusa

 

O futebol é assim: montanha-russa de emoções. Em menos de duas horas experimentamos todo o tipo de sensações: vamos da alegria à tristeza e regressamos ao sentimento inicial. A ansiedade domina-nos, a fúria por vezes assalta-nos, as dúvidas persistem até ao apito final.

Há os eternos optimistas, que não chegam a preocupar-se: têm a certeza antecipada de que tudo terminará bem. Confesso incluir-me nesse lote, que admito ser minoritário. A larga maioria de adeptos do Sporting é pessimista militante. Eu que o diga: enfrento-os há treze anos e meio por cá, sei bem como é muito mais difícil arrancar-lhes uma palavra de esperança do que centenas de frases a puxar para baixo. 

Costumo dizer-lhes que acreditam sempre mais nas equipas adversárias do que na própria equipa que dizem apoiar. Muitos, ao cantarem «Farei tudo o que puder / pelo meu Sporting», depressa esquecem estes versos para se porem a criticar duramente os nossos jogadores enquanto o jogo decorre.

 

Voltou a acontecer neste Sporting-Gil Vicente, domingo à noite, faz hoje três dias: começou mal mas acabou bem. Muito bem. 

Aos 26', perdíamos. No único verdadeiro remate da turma visitante à nossa baliza: de Félix Correia, convertendo um penálti totalmente desnecessário cometido por St. Juste quatro minutos antes. O jovem extremo, de apenas 24 anos, não festejou. Por respeito digno de aplauso: lembrou-se que esteve dez anos na Academia de Alcochete, onde cumpriu todos os escalões de formação.

Gostava muito de voltar a vê-lo de leão ao peito. Anda a perder os melhores anos da carreira profissional a jogar em equipas como a de Barcelos.

 

Falava eu da impaciência dos adeptos. Foi algo que neste jogo deu nas vistas. E nos ouvidos. Tornou-se notória a insatisfação e o nervosismo nas bancadas, ainda antes de soar o apito para o intervalo. A cada passe falhado, a cada entrega mal medida, a cada duelo perdido, a cada ofensiva abortada. 

Valha a verdade: alguns jogadores pareciam fazer tudo para exasperar a massa adepta. Destacou-se Gonçalo Inácio, protagonizando um festival de passes longos para terra de ninguém. Desperdício completo: o Gil Vicente agradecia. Enquanto ia dominando Gyökeres com dois patrulheiros incansáveis: o artilheiro sueco, tolhido por esta apertada vigilância, quase não dispôs de uma oportunidade.

 

Reatada a partida, mais do mesmo. Gil Vicente trancado, vedando os acessos à baliza, em defesa intransigente da vantagem mínima caída quase do céu. Teríamos de fazer pela vida se quiséssemos rumar à Luz, no sábado que vem, em igualdade pontual com o Benfica mas com melhor registo de golos, o que nos confere vantagem.

Aos 64', Rui Borges fez as mudanças que se impunham. A triplicar. Entraram Morten (para o lugar de Morita), Harder (substituindo Pedro Gonçalves) e Quenda (com a saída de St. Juste). Logo se notou a diferença: equipa virada para o ataque contínuo, explorando todos os corredores, mais veloz, mais intensa, mais objectiva. 

Só poderia traduzir-se em golos. E assim aconteceu. Por Maxi Araújo, num remate de primeira, sem preparação, aproveitando da melhor maneira um ressalto.

Bola no local adequado: o fundo das redes.

 

Terminou a sensação de intenso nervosismo que pairava nas bancadas. E despertaram os rugidos de leão, ecoando por todo o estádio, empurrando a equipa para diante. O Gil Vicente defendia-se como podia: pontapé para cima, para longe, para o lado, para fora. Nós acentuávamos a pressão, que não diminuiu com a troca de Geny por Biel aos 83'. 

Minuto 90 esgotado: cinco minutos de tempo extra. 

Estava escrito nos astros que o desafio não terminaria sem conquistarmos os três pontos.

Aconteceu aos 90'+3, na conversão de um canto por Debast. Bola rechaçada de qualquer maneira pelos defensores gilistas. Sobrou para Eduardo Quaresma, que resolveu o problema de fora da área: pontapé fortíssimo, a redondinha ainda resvalou num adversário e foi aninhar-se, cheia de efeitos, no ângulo mais longínquo para o incrédulo guarda-redes Andrew. 

 

Cumpria-se o destino do Leão: comparecer na Luz em vantagem.

Queremos muito o bicampeonato que nos foge há 74 anos. E merecemos muito essa conquista. 

Eduardo Quaresma chorou de emoção: tinha sido protagonista, pelo melhor motivo, naquele que até agora foi o desafio da sua vida. Lágrimas de alegria compartilhadas por imensos adeptos. Milhares, talvez milhões.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (6) - Sofreu o penálti: ainda adivinhou para onde a bola iria, mas sem hipóteses. Seguro, atento e concentrado no resto do jogo.

Eduardo Quaresma (9). Competente trabalho defensivo, nas recuperações e no passe. Coroa de glória: o golaço da vitória, aos 90'+3. Melhor em campo.

Sr. Juste (3) - Substituiu Diomande, ausente por castigo. Sem cumprir como central do meio. Cometeu penálti aos 22'. Sem necessidade.

Gonçalo Inácio (4) -  Capitão inicial, com Morten ausente do onze. Nervoso, protagonizou um festival de passes falhados. Arriscou amarelo aos 90'+1.

Geny (5) - É capaz de bem melhor. Foi dele a primeira tentativa de rematar ao alvo (33'), acertando na malha lateral. Pouco mais fez, pouco mais tentou.

Debast (7) - Destacou-se nas recuperações (34', 75'). Grande passe para Harder aos 80'. Tentou marcar de longe (90'+2). Bateu o canto de que nasceu o golo decisivo.

Morita (5) - Regressou a titular mês e meio depois. Ainda longe da melhor forma física, faltou-lhe o suplemento de qualidade que bem lhe conhecemos.

Maxi Araújo (7) - Travou duelos com Félix Correia na ala esquerda, nem sempre levando a melhor. Crucial ao marcar o primeiro, de ressalto, aos 81'.

Trincão (6) - Assinalou o primeiro sinal de perigo, aos 2'. Quase marcou aos 14': grande defesa de Andrew. Atirou ao ferro na marcação de um livre (87').

Pedro Gonçalves (5) - Ainda preso de movimentos: nota-se que esteve cinco meses parado. Grande lance aos 53': recebeu, rodou e rematou fazendo-a roçar o poste.

Gyökeres (4) - Irreconhecível. Muito marcado. Só uma vez a bola lhe chegou em condições (aos 59', por Trincão) mas decidiu mal. E falhou vários passes.

Morten (7) - Substituiu Morita aos 64'. Em benefício da equipa: arrumou o meio-campo, impôs ali a sua autoridade. Interveio no primeiro golo.

Harder (6) - Substituiu Pedro Gonçalves aos 64'. Dinâmico, com vontade de facturar. Fez remate inicial no primeiro golo leonino. Cabeceou com perigo aos 88'.

Quenda (5) - Entrou aos 64', rendendo St. Juste (Debast recuou para central, Geny foi para ala esquerdo). Ficou aquém das expectativas.

Biel (4) - Entrou aos 83', substituindo Geny. Tentou integrar-se bem no ataque, nem sempre com sucesso.

Matheus Reis (-) - Entrou aos 90+7', rendendo Trincão. Só para podermos queimar uns segundos e amarrar o triunfo.

Craque sueco vale cada cêntimo do passe

Boavista, 0 - Sporting, 5

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Viktor Gyökeres, melhor marcador da Liga desde 2002: filme de terror para as defesas adversárias

Foto: Manuel Fernando Araújo / Lusa

 

Nesta altura do campeonato, confesso, chego a ter pena dos letais. Por mais que inventem, por mais que rasguem as vestes, por mais ódio que alimentem há sete anos ao presidente do Sporting, o que dirão eles contra esta equipa que ainda não perdeu em competições nacionais sob o comando de Rui Borges e persiste em manter-se no comando da Liga 2024/2025, a três jornadas do fim? É chato.

Anteontem fizemos um jogo quase perfeito, do princípio ao fim. Vedámos a saída de bola do Boavista, vencemos quase todos os confrontos individuais, assegurámos a supremacia nos corredores, bem confiados à arte e engenho de Maxi Araújo e Geny, alas projectados que funcionavam como extremos.

Pedro Gonçalves como avançado interior esquerdo, Trincão à direita. Viktor todo-o-terreno no seu apego apaixonado à bola: não pode passar sem ela.

 

O treinador da turma axadrezada, cujo nome ainda não fixei, havia jurado dar luta ao Sporting. Numa daquelas bravatas que técnicos inaptos costumam proferir antes das partidas, aproveitando os fugazes minutos de ilusória fama, o senhor assegurou que iria assumir-se como força de bloqueio às aspirações leoninas de renovar o título. 

Afinal, coitado, só deu mais um passo - talvez decisivo - rumo ao trambolhão na Liga 2. É a vida...

 

Aqueles adeptos que adoram sofrer com os jogos, em vez de desfrutarem deles, assistiram a uma partida imprópria para masoquistas.

Porquê?

Porque o Sporting fez o primeiro remate com perigo à baliza aos 2', com Trincão a protagonizar o disparo, e meteu-a lá dentro logo depois, aos 6'. Pelo suspeito do costume: Viktor Gyökeres. Bastou-lhe encostar, porque o trabalho mais digno de aplauso ficou a cargo de Maxi, em brilhante parceria com Pedro Gonçalves na meia esquerda da área: recuperou, venceu duelo com o lateral direito e cruzou com selo de perfeição. 

Seguiu-se vendaval leonino em desafio de sentido único. O Boavista era incapaz de transpor a linha do meio-campo e nunca incomodou Rui Silva neste primeiro tempo.

 

Do lado deles destacou-se o guardião Vaclik, negando três golos ao sueco. Primeiro aos 12', num vistoso pontapé de bicicleta que entusiasmou os mais de dez mil adeptos do Sporting nas bancadas do Bessa. Depois, aos 18', também por Gyökeres. Faria o mesmo aos 73'. E ainda viu um cabeceamento do nosso craque sair ligeiramente ao lado, no minuto 33.

Mas aos 45'+1 não houve hipótese de o travar. Viktor recebeu a bola num soberbo passe vertical de Trincão e correu cerca de 40 metros com ela, imparável, até a bombardear com sucesso até ao fundo das malhas boavisteiras.

Golaço made in Suécia com tempero minhoto. 

 

Ao intervalo, 2-0. Dava alegria, mas sabia a pouco: pouco antes, na Luz, o Benfica goleara o AVS por 6-0, colocara-se em igualdade pontual connosco e ameaçava superar-nos em golos marcados, um dos critérios de desempate.

Era imperioso ampliarmos a vantagem, goleando também.

Assim sucedeu.

 

Este segundo tempo foi um festival de futebol ofensivo. 

Aos 50', o terceiro. Repetiu-se a dose: Trincão a assistir, isolando o colega lá da frente desta vez a partir do corredor central, e Gyökeres a rematar cruzado, com êxito, libertando-se da marcação. Tê-lo pela frente é uma espécie de filme de terror em sessões contínuas para as defesas adversárias.

Aos 57', o quarto. Nova parceria Maxi-Viktor, com o primeiro a conduzi-la, bem dominada, e servindo o colega de bandeja. Houve disparo, com Vaclik a bloquear à primeira, mas já sem conseguir impedir a recarga, feita pelo uruguaio de cabeça. Prémio bem merecido para Araújo neste que foi talvez o seu melhor jogo até agora de leão ao peito.

Aos 90'+2, o quinto que encerrou a conta e confirmou a goleada. Excelente lance colectivo com a bola ao primeiro toque entre Quenda, Trincão, Harder e... ele de novo, o inevitável Viktor. Vitorioso.

As nossas redes permaneceram intactas. A equipa anfitriã não conseguiu um remate enquadrado em todo o jogo.

 

Contas feitas, quando faltam 270 minutos para cair o pano, continuamos em primeiro. Com tantos pontos como o Benfica, mas em vantagem no desempate. Porque ganhámos o embate em Alvalade e temos mais três golos marcados. Graças a Gyökeres, a melhor contratação das últimas duas décadas no Sporting. 

Palmarés provisório do sueco: 38 apontados em 31 jornadas - faltam-lhe quatro para igualar a marca do século, estabelecida por Jardel em 2001/2002. E já marcou 52 golos no conjunto da temporada.

Vale cada cêntimo do seu passe, avaliado em cem milhões de euros.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (5) - Sem trabalho. Limitou-se a controlar a profundidade, sempre bem articulado com os colegas.

Eduardo Quaresma (7). Muito combativo, sem dar hipótese de progressão ao adversário na sua ala.

Diomande (6) - Atento, tranquilo, concentrado. Viu amarelo aos 88' para limpar cartões. Saiu logo a seguir.

Gonçalo Inácio (7) -  Em boa forma. Momento alto: o magnífico passe longo que inicia o quarto golo. 

Geny (6) - Protagonizou alguns desequiíbrios à direita, mas sem envolvimento em nenhum dos golos.

Debast (7) - Poucos já se lembram que chegou para central. Médio-centro muito eficaz. Agarrou o lugar.

Morten (6) - Contribuiu para o nosso domínio do corredor central. Viu um amarelo escusado aos 45'+3.

Maxi Araújo (8) - Muito activo, influente, desequilibrador. Ofereceu o primeiro golo, iniciou e concluiu o quarto. 

Trincão (8) - Pura classe. Participa em três golos: assistiu no segundo e no terceiro, pré-assistência no último.

Pedro Gonçalves (5) - Intervém no primeiro golo, tentou marcar em remate que sai por cima (29'). Ainda só dura 45'.

Gyökeres (10) - Melhor em campo, novamente. Mais quatro para o seu pecúlio. Lidera Bota de Ouro europeia.

Quenda (6) - Fez toda a segunda parte, rendendo Pedro Gonçalves. Duas pré-assistências - no terceiro e no quinto.

Morita (5) - Substituiu Morten aos 69'. Regresso após mês e meio de ausência. Temporizou e pausou o jogo.

Matheus Reis (5) - Entrou aos 69', rendendo Maxi Araújo. Aos 79', sacou amarelo a Bozenik, melhor jogador de campo boavisteiro.

Harder (6) - Substituiu Geny aos 79'. Chegou a tempo de protagonizar o decisivo passe para Viktor fechar a conta.

St. Juste (-) - Preencheu lugar de Diomande aos 90'. Exercitou-se nos três minutos de tempo extra.

Três tiros de Viktor: sonho continua vivo

Sporting, 3 - Moreirense, 1

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Craque sueco soma e segue: 47 golos e 11 assistências em 46 jogos de leão ao peito nesta época

Foto: Lusa

 

Vingança consumada. Esperámos quatro meses, mas valeu a pena. Após termos sido injustamente derrotados em Dezembro pela equipa de Moreira de Cónegos, mostrámos o nosso verdadeiro valor na desforra ocorrida Sexta-Feira Santa, há quatro dias, em Alvalade. 

Foi talvez a melhor primeira parte do Sporting sob o comando de Rui Borges, que sucedeu ao infortunado interregno de João Pereira: era este o treinador quando perdemos em Moreira. Desde então, a equipa parece ter mudado da noite para o dia. 

Numa partida bem arbitrada por Fábio Veríssimo, os 45 minutos iniciais foram todos nossos. Pressão sufocante sobre o portador da bola, blindagem às saídas do Moreirense, domínio absoluto nos corredores, supremacia indiscutível nos duelos. Tabelinhas constantes entre os três da frente: Geny, Trincão e Gyökeres. 

Ao intervalo vencíamos por 2-0. Sabia a pouco: tivemos pelo menos quatro outras hipóteses de golo. Infelizmente o internacional moçambicano e o virtuoso minhoto estiveram perdulários: na hora da decisão, permitiam a defesa ou atiravam para a bancada.

 

Valeu-nos, como quase sempre, o craque sueco. Enquanto os colegas exibiam pontaria desafinada, ele acertava no alvo. Foi assim aos 12', começando bem cedo por tranquilizar os adeptos. Num belo lance de futebol colectivo iniciado por Eduardo Quaresma, prosseguido junto à lateral direita por Quenda, que a passou a Morten e este, como se fosse avançado, colocou-a na zona de rigor ao alcance de Geny que, estando em noite não, ficou sem ela. Felizmente Viktor estava mesmo ao lado e não perdoou.

Repetiu a dose aos 25'. Em lance de fulminante contra-ataque dos leões. Trincão fez tudo bem na condução da bola, só claudicando no remate que embateu na perna de um adversário. Mas Viktor, ali bem perto, tratou do assunto: remate bem colocado, desferido a meia altura ao ângulo mais distante do guardião - e lá foi ela, aninhar-se nas redes.

 

No segundo tempo tirámos o pedal do acelerador. Mas, mesmo com linhas mais recuadas, mantivemos o domínio da partida. Coroado com o terceiro - nosso e do avançado sueco, autêntica galinha dos ovos de ouro deste Sporting 2024/2025 que sonha ser bicampeão nacional de futebol.

Foi aos 52'. Gyökeres, carregado em falta quase à entrada da área, na meia esquerda, encarregou-se da marcação do livre. E tão bem o fez que o guarda-redes mal a viu passar. Viktor está a tornar-se especialista na conversão de livres directos. Ainda bem: não tínhamos nenhum desde a partida de Bruno Fernandes, que tantas saudades deixou.

Chegávamos ao 3-0. Até os adeptos mais pessimistas suspiravam de alívio.

 

Mas quatro minutos depois, num lance fortuito, a equipa visitante chegou ao golo solitário. De modo mais simples do mundo: extremo cruza do lado esquerdo, avançado infiltra-se na área e dispara, solto de marcação. Maxi Araújo chegou tarde ao lance. Rui Silva pareceu hesitar entre sair dos postes ou ficar. Dois segundos depois estava lá dentro.

E o pior foi ver quase tudo repetido aos 60', com a pequena diferença de ter sido a partir do corredor direito do Moreirense. O ala cruza, sem intercepção de Gonçalo Inácio, e o avançado cabeceia, vencendo Eduardo Quaresma no jogo aéreo. Felizmente não conseguiu melhor do que fazer a bola roçar o poste.

Não havia necessidade. 

 

Voltámos a pisar no acelerador. Já com Pedro Gonçalves de regresso a Alvalade, cinco meses depois, entre aplausos vibrantes das bancadas. Fez logo a diferença, numa tabelinha com Trincão aos 82' que merecia ter dado em golo. 

Fresneda, recém-entrado, ainda tentou um chapéu aos 90'+2: não entrou por pouco, teria sido um dos golos do ano.

Quando soou o apito final, estávamos por cima. Mais perto do 4-1 do que do 3-2.

Quase 45 mil adeptos ovacionaram a equipa. Crentes, mais que nunca, que o título será nosso. A esperança é verde - e, como sabemos, é a última a morrer.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (5) - Poderia ter feito melhor no golo sofrido? Fica a incógnita. No resto, mostrou-se sempre seguro.

Eduardo Quaresma (5). Interventivo, voluntarioso. Inicia primeiro golo. Só demonstra ainda lacunas no jogo aéreo: aconteceu no golo deles.

Diomande (6) - Viu cartão amarelo logo aos 3'. Mas não ficou afectado: exibição em bom nível no comando da defesa.

Gonçalo Inácio (5) - Poderia ter fechado o ângulo no lance do golo sofrido. Mas cumpriu no essencial.

Quenda (6) - Marcou muito bem livre aos 5'. Interveio no primeiro golo, dando largura. Compromisso defensivo.

Debast (7) - Agarrou a posição de médio-centro. Segundo golo começa com recuperação dele. Bom no passe e nas recuperações.

Morten (8) - Intervenção decisiva no primeiro golo. Garantiu controlo do corredor central. Ganhou nas divididas.

Maxi Araújo (5) - Oscilante. Bons apontamentos técnicos, dignos de aplauso. Falhou marcação no golo sofrido.

Geny (4) - Prometeu muito, cumpriu quase nada. Falhou golos aos 15', 23', 44', 77' e 79'. Péssimas decisões.

Trincão (5) - Muito bom a conduzir, fraco a decidir. Golos falhados aos 9', 18' e 25' - no último, Viktor emendou.

Gyökeres (9) - Melhor em campo, melhor da Liga. Leva 47 golos marcados em 46 jogos - três agora. E ainda 11 assistências.

Pedro Gonçalves (5) - Substituiu Quenda aos 69'. Brilhou em tabelinha com Trincão aos 82'. Fazia-nos falta.

St. Juste (6) - Substituiu Quaresma aos 69'. Destacou-se num corte aos 79'. Trouxe tranquilidade e segurança.

Fresneda (5) - Substituiu Debast aos 84'. Tentou marcar de chapéu aos 90'+2. Um "quase golo" de belo efeito.

Esgaio (5) - Rendeu Trincão aos 84'. Jogou a médio-centro. Grande passe longo (87'). Boa recuperação (90'+1).

Matheus Reis (5) - Entrou aos 87', rendendo Maxi Araújo. Contribuiu para refrescar e estabilizar ainda mais a equipa.

A vitória foi difícil, mas foi nossa

Santa Clara, 0 - Sporting, 1

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Geny, autor do nosso solitário golo em São Miguel, voltou a ser herói do relvado

Foto: Eduardo Costa / Lusa

 

Não é fácil enfrentar o Santa Clara. Por um motivo evidente: é a equipa mais sarrafeira do campeonato português. Até foi alvo de estudo: faz, em média, 16 faltas por jogo. Deve ser efeito do "anticiclone dos Açores". 

Infelizmente é também uma equipa que tem contado demasiadas vezes com a condescendência e até benevolência dos árbitros. Na primeira volta, por exemplo, a turma micaelense viu dois penáltis perdoados pela equipa de arbitragem chefiada por Cláudio Pereira - em ambos os casos por responsabilidade principal do vídeo-árbitro Helder Carvalho, pessoa sem qualificação para o exercício desta função tão relevante.

O novo Conselho de Arbitragem, tão pouco clarividente como o anterior, cometeu a imprudência de nomear para este Santa Clara-Sporting o mesmo árbitro do Sporting-Santa Clara. Imprudência que merece reparo crítico.

 

Desta vez Cláudio Pereira terá deixado um penálti por marcar, mas em sentido inverso. Por aparente falta de Eduardo Quaresma, imprudente também ele: arriscou muito. Mecanismo involuntário das compensações por parte do juiz da partida, que chegou a ser remetido para a jarra em Dezembro, durante uma jornada, após a calamitosa prestação em Alvalade? Admito que sim.

Mesmo assim, continuamos em défice na comparação com o Santa Clara. E ainda houve um inacreditável cartão vermelho exibido a Harder já depois do apito final só porque o jovem dinamarquês, no natural festejo pela difícil vitória nos Açores, se atreveu a gritar «ié!» Ainda bem que este árbitro nem sequer era nascido quando existiam os Beatles: teria varrido os quatro de Liverpool com cartolina encarnada. Ié, ié, ié!

 

O jogo dividiu-se claramente em duas partes. Fraquinha a primeira, muito bem conseguida, bastante disputada e com incerteza até ao fim a segunda. De comum, apenas a agressividade do "Benfica açoriano", que parece ter colhido inspiração em "deuses (de barro) da bola" como Jaime Pacheco e Petit em obediência ao grito de guerra «canela até ao pescoço!» A bola pode passar, mas o homem fica estendido.

Andámos nisto naquele primeiro tempo.

O Sporting tinha potencial ajuda por jogar a favor do vento, que soprava forte. Mas não soubemos aproveitar a suposta vantagem, tantos foram os passes em profundidade despejados para lá da linha de fundo. Em teoria, deviam servir Gyökeres. Mas o sueco limitou-se a vê-las passar: levavam demasiada força, sofriam desvios de trajectória em função dos caprichos das rajadas e havia um "guarda-costas" chamado Luís Rocha sempre pronto a limitar o raio de acção do melhor avançado do futebol português.

O goleador máximo desta vez ficou em branco. Também tem direito. Mas ainda enviou um petardo à trave (66').

O nosso flanco esquerdo, confiado a um Maxi Araújo muito trapalhão, não funcionava. O direito, entregue a Fresneda, pecou por falta de largura. Felizmente o corredor central nunca claudicou: Debast e Morten formaram um duo quase perfeito, destacando-se o jovem internacional belga pela precisão do passe e pelo sucesso nos duelos individuais.

 

Sabia a muito pouco o empate a zero registado ao intervalo. E de nada nos servia para manter acesa a chama do título.

Aí interveio o treinador. Rui Borges desviou Geny de interior esquerdo para direito, onde passou a funcionar como segundo avançado. Fresneda descolou-se da linha para fazer movimentos interiores, alternando com Trincão. Posições trocadas para dificultar as marcações e cansar ainda mais os adversários.

Funcionou na perfeição precisamente na ala que foi mexida: recuperação do espanhol, entrega ao minhoto e desmarcação perfeita do internacional moçambicano que rematou muito bem colocado, num remate cruzado, indefensável. Aconteceu ao minuto 50: Geny voltava a ser herói no relvado.

Vencíamos. Para alegria dos milhares de adeptos leoninos, em maioria absoluta nas bancadas.

 

A vantagem foi ampliada na sequência de um livre apontado por Debast - melhor em campo. Diomande dominou no jogo aéreo e meteu-a lá dentro, de cabeça, aos 68'. Balde de água gelada: o golo acabou invalidado. Deslocação milimétrica: 13 centímetros.

Mas a robustez anímica da equipa manteve-se - como já se tinha percebido, desde o primeiro toque na bola: o anterior empate em casa, com o Braga, não deixou sequelas no plano psicológico. O regresso de Pedro Gonçalves, após cinco meses de paragem por lesão, foi tónico suplementar. Só entrou aos 87' mas foi ovacionado como se a partida estivesse a começar naquele momento. 

Aconteceu há quatro dias. Mas parecem ter decorrido só quatro horas: a vibração deste regresso perdura desde sábado.

 

Trouxemos os três pontos. Recuperámos a liderança, beneficiando do empate caseiro do Benfica, na noite seguinte, frente ao Arouca. O sonho do bicampeonato, que nos foge há sete décadas, está cada vez mais próximo de tornar-se realidade.

Os números contam. Não perdemos na Liga há 16 jogos. Registámos cinco triunfos nas últimas seis jornadas. Este, nos Açores, foi o quarto consecutivo fora de casa.

Estamos na luta, portanto. Nem poderia ser de outra forma.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (6) - Primeira intervenção, a soco, aos 33'. Aos 42', tapou o caminho da baliza após cabeceamento de Rocha.

Eduardo Quaresma (5). Pecou por alguma imprudência. Viu amarelo aos 56', o seu primeiro na Liga. 

Diomande (7) - Dominou jogo aéreo. Seguro e confiante a defender. Marcou golo de cabeça aos 68', anulado por 13 cm.

Gonçalo Inácio (6) - Desperdiçou alguns passes longos. Mas foi seguro na defesa, sempre muito concentrado.

Fresneda (7) - Esteve no início do golo, com recuperação e pré-assistência. Aos 66', centro milimétrico para Viktor.

Morten (6) - Ajudou a fechar corredor central e recuperou algumas bolas. Mas longe da perfeição revelada noutros jogos.

Debast (7) - Perfeito no passe, nos duelos, nos livres. Serviu Fresneda aos 66' e Diomande aos 68'. Melhor em campo.

Maxi Araújo (4) - Perdeu muitas bolas, foi errático nos cruzamentos. Pareceu sempre jogar sobre brasas.

Trincão (7) - Na segunda parte conduziu a equipa à vitória. Passe para o golo - a sua 14.ª assistência da temporada.

Geny (7) - Voltou a garantir os 3 pontos, como sucedera em Dezembro na Luz. Podia ter bisado aos 60', servido por Trincão.

Gyökeres (5) - Muito policiado, ficou em branco. Desperdiçou única oportunidade, aos 66', atirando com força à trave.

St. Juste (6) - Substituiu Quaresma aos 66'. Destacou-se no controlo do jogo aéreo. Boa recuperação aos 86'.

Quenda (6) - Entrou aos 66', substituindo Fresneda. Bom trabalho, sobretudo no capítulo defensivo.

Harder (5) - Rendeu Geny aos 77'. Muito combativo, ajudou a conter contra-ataques açorianos. 

Matheus Reis (-) - Entrou aos 87', rendendo Trincão. Contribuiu para refrescar a equipa.

Pedro Gonçalves (-) - Enfim recuperado. Só entrou aos 87', substituindo Maxi. Mas ouviu calorosos aplausos. Sem surpresa.

Empate com sabor a derrota na pior altura

Sporting, 1 - Braga, 1

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Gyökeres fez tudo para vencer: não merecia, de todo, o ponto perdido frente ao Braga

Foto: Lusa

 

Nenhum momento é bom para perder pontos. Mas este foi pior ainda: ocorreu quando precisávamos mesmo de vencer para mantermos a liderança no campeonato, prolongando uma proeza só interrompida por breves dias em Dezembro, quando o Benfica ocupou fugazmente o comando. 

Só uma vitória nos interessava. Estava perfeitamente ao nosso alcance, contra um Braga que havíamos vencido com brilhantismo na primeira volta, por 4-2 lá na pedreira. A mesma equipa que no campeonato anterior foi goleada em Alvalade por 5-0.

É certo que a turma orientada por Carlos Carvalhal, já em 2025, foi à Luz vencer o Benfica (1-2) e derrotou o FC Porto no seu terreno (1-0). Mas nada que devesse atemorizar os leões nessa noite de segunda-feira.

 

O jogo dificilmente poderia ter começado melhor.

Logo aos 3', numa das suas emocionantes arrancadas pelo lado esquerdo, Gyökeres conduziu a bola com o brilhantismo técnico a que nos habituou e disparou com excelente colocação, metendo-a lá dentro. Balde de água gelada: o golo foi anulado por alegada "deslocação"... de 30 milímetros. Atentado ao futebol de ataque, como sempre sustentei. Nenhuma "linha virtual" pode comprovar a existência dum fora-de-jogo milimétrico. É algo anti-científico: andam a vender-nos gato por lebre.

E atenção: isto tanto vale nos casos em que somos prejudicados (Pedro Gonçalves viu, em 2021, um golo ao Moreirense anulado por 20 milímetros!) como quando somos beneficiados (lembro o nosso desafio em Barcelos contra o Gil Vicente, para a Taça de Portugal, em que a equipa visitada viu o que seria o golo do empate invalidado por 30 milímetros).

Esta gente anda a assassinar o futebol de ataque.

Esta gente, que desatou a aplicar regras absurdas, anda a dar cabo do futebol. 

 

Voltemos ao Sporting-Braga, ocorrido há três dias. A anulação do que deveria ser golo limpo não desmoralizou o avançado sueco, novamente melhor leão em campo. Aos 15', Viktor marcou mesmo - e dando espectáculo, de livre directo, levando a bola rasteira a um ângulo de acesso impossível ao guarda-redes Horníček. Soou um clamor de alegria nas bancadas: dir-se-ia que estava aberto o caminho a goleada.

Mas as aparências iludem. É certo que o Sporting dominou toda a meia hora inicial do jogo, com Geny e Quenda tomando conta das alas em missão ofensiva, mas o talento do guardião checo dos braguistas (que não me importaria de ver um dia no Sporting) impediu que a nossa maré ofensiva se traduzisse em novos golos. Ainda na primeira parte, travou novo remate perigoso de Gyökeres (37'). Impedindo-o de apontar o 45.º golo da temporada.

Já no segundo tempo, manteve a baliza incólume perante uma investida de Quenda (58').

 

Ao intervalo, vantagem tangencial.

Precisávamos de voltar do descanso com ímpeto de campeões para impedir o Benfica de se isolar no topo. Infelizmente, sucedeu ao contrário: recuámos linhas, deixámos o Braga tomar conta do meio-campo (onde só tínhamos "um e meio", Morten sem o devido apoio de Debast) e fomos abrindo uma avenida no flanco direito da turma minhota. Matheus Reis era constantemente atraído para posições interiores deixando a ala livre e Gonçalo Inácio revelava-se demasiado hesitante nas dobras. 

Estava escrito que viria dali má surpresa.

Assim aconteceu, na única verdadeira oportunidade de que o Braga dispôs em todo o jogo. Zalazar cruzou à vontade daquele corredor e centrou para a área, onde havia dois colegas: Diomande marcou um, Eduardo Quaresma esqueceu-se de anular o outro - precisamente o que estabeleceu o empate. Um miúdo de 18 anos, em estreia absoluta como artilheiro na Liga 1. Miúdo com nome de craque: Afonso Patrão. Tornou-se ele o herói do jogo - ao dar o empate, um ponto e um lugar no pódio ao Braga. 

 

Aconteceu aos 88'. Quase todos receávamos o que iria acontecer, tanta era a passividade dos nossos jogadores. Que pareciam ter recebido ordem do técnico para "segurar a vantagem mínima", reter a bola, pausar jogo, tentar adormecer o adversário. Com Viktor Gyökeres na frente sem ser servido e Trincão a trocar remates por passes a Horníček. 

Rui Borges só tinha mexido uma vez na equipa, trocando Geny por Maxi Araújo e Debast por Felicíssimo. Já com o desafio empatado, ainda se atreveu a nova mudança: saiu Matheus Reis, entrou Harder. Mas era já tarde para inverter a marcha do resultado

Vários jogadores pareciam cansados - mesmo assim ficaram duas substituições por fazer. Das duas uma: ou o treinador não acredita em vários elementos do plantel ou reage muito ao retardador. Até que o provável se torna impossível.

Desta vez o Benfica só pode agradecer.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (5) - Boa defesa a remate de Zalazar (42'). No golo sofrido aos 88' nada pôde fazer.

Eduardo Quaresma (4). Lapso grave ao deixar o jovem Afonso Patrão livre para marcar o golo.

Diomande (5) - Não comanda como Coates, mas cumpriu no essencial. À frente, não fez a diferença.

Gonçalo Inácio (4) - Regressou ao onze titular longe dos seus melhores dias. Deixou Zalazar cruzar para golo.

Geny (5) - Demasiado intermitente. Momentos de rasgo alternando com falta de envolvimento colectivo. 

Morten (6) - Protagonizou boas recuperações (11', 30', 67'). Mas foi mal auxiliado: não podia fazer tudo.

Debast (4) - Passivo, muito posicional. Deixou claro que é um central adaptado, ainda sem rotinas de médio.

Matheus Reis (5) - Titular em vez de Maxi para dar consistência defensiva à ala esquerda. Resultou até aos 88'.

Trincão (4) - Esbanjou duas oportunidades de golo, aos 74' e aos 83'. Notória falta de confiança na finalização.

Quenda (6) - Imperou na faixa direita, onde o Braga não criou perigo. Quase marcou (58'). Serviu Trincão aos 74'.

Gyökeres (7) - Marcou dois: o primeiro foi anulado por 3 cm. Horníček impediu novo golo dele, aos 37'.

Felicíssimo (4) - Rendeu Debast aos 73'. Sem melhorar o meio-campo. Estático, intranquilo.

Maxi Araújo (4) - Substituiu Geny aos 73'. Falhou oportunidade de marcar no minuto seguinte.

Harder (5) - Rendeu Matheus Reis aos 90'. Entrou demasiado tarde. Mas ainda fez expulsar Moutinho.

Depois da sarrafada, a alegria da vitória

Estrela da Amadora, 0 - Sporting, 3

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Gyökeres voltou a brilhar, com mais um par de golos e a assistência para Quenda marcar também

Foto: José Sena Goulão / Lusa

 

Vários sportinguistas confessam «sofrer muito» enquanto assistem aos jogos do Sporting. Não irei contestá-los, mas confesso que comigo é ao contrário.

Não sofro: desfruto. 

Voltou a acontecer há três dias, na deslocação à Reboleira. Defrontando o Estrela, que no campeonato 2023/2024 havíamos vencido por um tangencial 2-1. 

Sofrer como, se a equipa da casa não chegou a fazer sequer um ataque digno desse nome e nem ousou um remate enquadrado à nossa baliza?

Viemos de lá com um triunfo mais dilatado do que o do ano anterior. Três golos sem resposta.

 

É verdade que o corredor central do Sporting foi guardado com duplo ferrolho: Debast e Felicíssimo compuseram uma original dupla de médios defensivos, improvisada por motivo de força maior. Nenhum dos nossos habituais médios estava disponível para este embate na Reboleira.

Quem não tem cão, caça com gato: Debast, central de raiz, voltou a avançar uns largos metros no terreno, instalando-se no meio-campo interior.

A seu lado, o jovem Felicíssimo, recém-chegado de três partidas como internacional sub-19. Costuma ser presença assídua na equipa B, mas a necessidade levou-o de novo ao onze titular dos "adultos". 

 

Tivemos o jogo controlado desde o minuto inicial, logo com uma oportunidade de golo aos 32 segundos, construída pelo suspeito do costume: Viktor Gyökeres, novamente o melhor em campo. Podia ter aberto o marcador logo ali, num forte disparo que o guardião do Estrela impediu com notória dificuldade.

Qual o plano de jogo da turma anfitriã? Não se vislumbrou. A menos que fosse distribuir sarrafada.

Aí excederam-se, há que reconhecer. Aos 21' o argentino Montóia viu o primeiro cartão por derrube ostensivo a Fresneda. Insistiu em jogar à margem das leis repetindo a graça aos 34'. O árbitro, atento, cumpriu o regulamento: segundo amarelo e consequente vermelho.

Passámos a jogar contra dez, o Estrela fechou-se no último reduto. 

Isto ajuda a explicar o nulo que se mantinha ao intervalo.

 

O jogo reatou-se com mais do mesmo: sarrafada dos da casa. Destaque para o ex-sportinguista Alan Ruiz, que não deixou saudades em Alvalade. Em disputa de bola na nossa área, atingiu ostensivamente Diomande com uma cotovelada na garganta. 

Parecia penálti - e foi mesmo. Gustavo Correia, o senhor do apito, não vacilou. 

Convocado a marcá-lo, aos 52', Gyökeres cumpriu a missão com o brilho habitual. Continua sem falhar um penálti de leão ao peito. 

Seguiu-se um período algo incaracterístico, faltando do nosso lado um médio com vocação ofensiva para municiar a linha dianteira. No corredor direito, Fresneda já não voltou do intervalo: foi rendido por Geny, que passou a manobrar na ala esquerda com Quenda transferido para a direita.

Trincão demasiado discreto: mal se deu por ele.

 

Foi Quenda quem desfez as incertezas. Num remate cruzado, rasteiro e muito bem colocado: golaço que empolgou as bancadas. Corria o minuto 81', já ninguém duvidava da nossa vitória. Nem os mais pessimistas.

Faltava o terceiro para a tranquilidade final. Partiu de Gyökeres, noutro penálti a castigar derrube do próprio sueco, agarrado sem cerimónia em zona proibida por um central do Estrela - punido com vermelho directo.

Aos 89', Viktor tomou balanço e meteu-a lá dentro. 

O jogo terminou pouco depois.

 

Vamos com 65 pontos.

Vinte vitórias em 27 jornadas.

Só duas derrotas, no triste interregno João Pereira. Rui Borges mantém-se invicto no campeonato. 

Faltam sete rondas, que serão sete finais. Jogo a jogo, sem queimar etapas.

Desfrutando os desafios. Sem necessidade de sofrer.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (5) - Sem uma defesa. Foi praticamente só um espectador.

Eduardo Quaresma (5). Cumpriu no essencial, sem rasgos nem lapsos.

Diomande (5) - Conquistou um penálti ao ser agredido por Alan Ruiz aos 47'.

Gonçalo Inácio (5) - Capitão por ausência de Morten. Atento como central à esquerda.

Fresneda (5) - Bom centro para Matheus Reis (6'). Sofreu duas faltas de Montóia, que acabou expulso.

Debast (6) - Seguro e sólido no meio-campo interior. Até já ganha duelos aéreos.

Felicíssimo (5) - Certinho nesta segunda vez como titular. Falta-lhe ousadia no passe para a frente.

Matheus Reis (5) - Bola ao ferro (6'). Depois retraiu-se. Atento a defender na ala esquerda.

Quenda (7) - Exibição em crescendo. Grande passe para Gyökeres aos 30'. Marcou o segundo: um golaço (81').

Trincão (4) - Expectativas altas após brilharete na selecção. Mas goradas: passou ao lado do jogo.

Gyökeres (8) - Marcou o primeiro (52'). Assistiu no segundo. Marcou o terceiro (89'). Melhor em campo.

Geny (6) - Jogou todo o segundo tempo, rendendo Fresneda. Acutilante na ponta esquerda. Quase marcou aos 60'.

Harder (5) - Rendeu Trincão (84'). Remate fortíssimo (87'). Na recarga, Viktor foi carregado em falta para penálti.

Esgaio (-) - Substituiu Matheus Reis aos 84'. Mal se deu por ele.

Arreiol (-) - O jogo estava mais que decidido quando entrou por troca com Felicíssimo (90').

Biel (-) - Entrou para o lugar de Quenda aos 90'. O jogo acabou logo a seguir.

Futebol de ataque com Viktor a liderar

Sporting, 3 - Famalicão, 1

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Gyökeres: mais duas assistências e outro golo na sua conta pessoal. Já marcou 40 esta época

Foto: José Sena Goulão / Lusa

 

À medida que prossegue a contagem decrescente para o fim do campeonato, aumenta o nervosismo dos adeptos.

Há semanas abundavam os prognósticos pessimistas: dizia-se que iríamos ser vítimas da onda de lesões, antecipava-se que este mês de Março seria "terrível" para as nossas aspirações ao título. E - como sempre acontece no Sporting, onde nunca falta quem tenha o vício de arrasar quem está enquanto suspira de saudades por quem já foi - medraram até uns palermas a denegrir Rui Borges, alegando que "não é treinador para o Sporting".

Enfim, o costume. Com adeptos destes, não precisamos de inimigos.

Para azar dos derrotistas militantes, a equipa está novamente a jogar muito bem. E a demonstrar o talento que já lhe conhecíamos. Com provas dadas: há três dias recebemos e vencemos o Famalicão, equipa bem orientada e acima da média para o futebol português. Quarto triunfo consecutivo - três na Liga, um na Taça de Portugal. A melhor série com Rui Borges. A isto não é estranho o facto de vários jogadores que estiveram indisponíveis por lesão continuarem a regressar. Já aconteceu com Gyökeres, Morten, Geny, Morita. Agora voltou também Eduardo Quaresma, suplente utilizado.

Falta Pedro Gonçalves: está quase.

 

Seria difícil começar melhor. Haviam decorrido apenas 61 segundos quando Gyökeres, bem ao seu jeito, conduziu um ataque veloz junto à linha esquerda e centrou com precisão para o coração da área. Trincão falhou, mas felizmente apareceu Fresneda como uma seta, desferindo o remate: a bola foi direita às redes.

Marcar no primeiro lance ofensivo dá moral a qualquer equipa. Aconteceu com a nossa. Rui Borges alargou a frente de ataque, sem ponta-de-lança fixo, com Gyökeres a explorar a profundidade nos dois corredores, com Quenda muito móvel a partir das alas, enquanto Trincão arrastava defesas com movimentos interiores e Fresneda (à direita) e Maxi (à esquerda) subiam nos flancos. Por vezes Morita - novamente titular - associava-se à manobra ofensiva, deixando Morten como médio interior posicional. 

A intensa pressão leonina condicionou a saída de bola do Famalicão, onde se destacou o internacional sub-21 Gustavo Sá, sem dúvida um dos mais virtuosos médios do futebol português. Gostava de vê-lo de Leão ao peito.

À meia hora foi-se registando algum equilíbrio, mas equipa visitante só marcou de penálti. Erro lapidar - mais um - de Diomande, que voltou a usar os braços em zona proibida, atingindo um adversário na nuca com um cotovelo. Aranda converteu: estavam decorridos 35 minutos, lá voltava o pessimismo a instalar-se nas bancadas, enquanto o relvado era fustigado por forte chuva.

O empate (1-1) registado ao intervalo era lisonjeiro para o Famalicão. 

 

A segunda parte foi toda nossa. Os jogadores voltaram do intervalo ainda mais moralizados, convictos de que a partir de agora cada jogo é para nós uma final. Com Gyökeres a comandar as tropas, acentuou-se a toada ofensiva da equipa. Num destes lances, Maxi conduziu com habilidade a bola, provocando o contacto com Gustavo Sá. Penálti, bem assinalado e muito bem convertido pelo suspeito do costume, ao minuto 64: Viktor disparou com força, colocando-nos novamente em vantagem.

Já o treinador havia mexido na equipa, refrescando-a e acentuando a dinâmica colectiva, sem perturbar equilíbrios.

Saiu Fresneda, Quenda ocupou o corredor direito, com o esquerdo entregue a Geny, recém-entrado.

Porém, ainda houve tempo para um sobressalto: numa disputa de bola, sem necessidade, Maxi pisou o calcanhar de Gustavo Sá (sempre ele) e foi para a rua, com vermelho directo indiscutível. 

 

Passámos a jogar com dez a partir desse minuto 80, mas não perdemos qualidade. Pelo contrário, sucederam-se os momentos de bom futebol, coroados no terceiro golo - hino ao desporto colectivo, com Morten, Quenda e Trincão a tocarem nela antes de chegar a Viktor e este a cumprir a segunda assistência da noite, deixando-a à mercê do poderoso pé esquerdo do moçambicano. Era o minuto 88, chegávamos ao 3-1, selava-se o resultado.

Respirou-se de alívio nas bancadas. E até os pessimistas do costume saíram do estádio com sorrisos na face.

Faltam oito jornadas para terminar a Liga 2024/2025: queremos que seja em festa.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (7) - Confirma-se como pilar da baliza. Grandes defesas a remates de Gustavo Sá (17') e Sorriso (86').

Debast (6) - Começou como central à direita, a partir dos 73' subiu para médio-centro. Cumpriu em ambas as posições.

Diomande (4) - Aos 32' cometeu penálti em lance inofensivo. Precisa de aprender a conter-se nos movimentos com os braços.

Matheus Reis (5) - Rendeu no lugar habitual de Gonçalo Inácio, ausente por castigo. Faltou-lhe alguma ousadia no ataque.

Fresneda (7) - Renasceu com Rui Borges: marcou o primeiro golo (o seu terceiro), cheio de confiança. Nem parece o mesmo.

Morten (6) - Ainda com algum défice físico. Viu um amarelo aos 38' por protestar em excesso. Inicia o terceiro golo.

Morita (6). De novo titular, criou movimentos de ruptura. Fez passe para Maxi ganhar penálti (62'). Quase marcou de chapéu (68').

Maxi Araújo (4). Voltou após castigo. Sacou penálti, mas falhou dois golos cantados (45' e 45'+3). Expulso aos 80' por pisão. 

Quenda (7) - Grande exibição. Serviu bem os colegas. Aos 40', proporcionou defesa da noite a Carevic. Participou no terceiro golo.

Trincão (5) - Falhou emenda à boca da baliza no minuto 1. Mas interveio no terceiro golo com pré-assistência neste seu 45.° jogo da temporada.

Gyökeres (8) - De novo o melhor em campo, facturou pelo terceiro jogo consecutivo. Já marcou 28 golos na Liga. Mais duas assistências agora.

Geny (6) - Substituiu Fresneda aos 60'. Marcou o terceiro, livre de marcação, à ponta-de-lança. Três pontos garantidos aos 88'.

Eduardo Quaresma (5). Regressado de lesão, entrou aos 73', substituindo Morita. Protagonizou um bom desarme aos 75'.

Felicíssimo (-) - Entrou aos 90'+2 para substituir Quenda.

Harder (-) - Substituiu Trincão aos 90'+2.  

Esgaio (-) - Rendeu Morten aos 90'+2.

Triunfo leonino onde o Benfica foi abaixo

Casa Pia, 1 - Sporting, 3

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Gyökeres liderou a nossa equipa para uma vitória no mesmo estádio onde o SLB foi derrotado

Foto: Carlos Costa / AFP

 

Há jogos assim. Apresentados à partida de «enorme dificuldade» mas que acabam solucionados sem drama, nem excesso de nervosismo. Excepto para aqueles adeptos que passam o tempo a «sofrer pelo Sporting» e são incapazes de ficarem tranquilos nem que a nossa equipa esteja a vencer por três ou quatro de diferença.

A visita ao Casa Pia - que continua a jogar em Rio Maior, algo que tenho dificuldade em entender - prometia bastante sofrimento. Há menos de dois meses, o Benfica tropeçou ali, vergado ao peso de uma dolorosa derrota: 1-3. 

Mas connosco foi diferente. Rui Borges fez bem em manter o onze leonino disposto no 3-4-3 que Ruben Amorim deixou implantado com sucesso. Por coincidência ou talvez não, desde que o actual treinador mudou a agulha, abdicando do seu 4-4-2, os resultados têm sido positivos: um empate (em Dortmund, para a Liga dos Campeões) e duas vitórias (na Taça, contra o Gil Vicente, e no campeonato, contra o Estoril). 

 

A terceira foi esta, alcançada há três dias contra um competente conjunto que segue em sétimo na Liga 2024/2025 e assume o jogo, sem estacionar autocarros. O confronto prometia um bom espectáculo de futebol - e assim foi, com lances de futebol de ataque e incerteza no resultado quase até ao fim.

Desta vez a sorte sorriu-nos. Marcámos na primeira oportunidade. E na sequência imediata de um canto, algo pouco frequente. Quenda, a partir da direita, fez passe teleguiado para Gonçalo Inácio, que cabeceou com êxito em nova demonstração de supremacia no jogo aéreo. Inegável trunfo numa equipa que sonha com o bicampeonato.

Aconteceu aos 12'. Nas bancadas, houve festa. Parecia que jogávamos em casa, tantos eram os apoiantes leoninos - em muito maior número do que os hipotéticos casapianos ali presentes.

 

Com vantagem no marcador, não abrandámos. Cedo se destacou Gyökeres, enfim recuperado a cem por cento: inclinou o campo, desorganizou o esquema defensivo casapiano, atemorizou a turma adversária. Numa das suas incursões ofensivas serpenteou à entrada da área com a bola bem dominada e rematou mais em jeito do que em força - o guarda redes Patrick Sequeira colaborou, facilitando: era o 0-2, aos 34'.

Quase perfeito.

Mas ocorreu um percalço aos 45':  Larrazábal venceu o duelo com Matheus Reis na ala direita ofensiva do Casa Pia, centrou à vontade para Miguel Sousa, supostamente marcado por Esgaio. Mas o nazareno, desconcentrado, não só fez péssima cobertura como se encarregou ele próprio de a meter lá dentro. Na baliza errada.

 

O segundo tempo começou com um lance arrepiante: aos 47', Esgaio esteve quase a cometer novo autogolo. Isto deu moral aos gansos para galgarem espaço, aproveitando o notório cansaço de alguns dos nossos, como Quenda, Trincão e Morten - este vindo de lesão e ainda longe da melhor forma física.

Esteve bem Rui Borges em fazer as alterações que se impunham. Meteu Morita e Geny, depois Maxi Araújo. Não só voltámos a equilibrar o jogo, como o virámos a nosso favor. Trincão, apesar da fadiga, infiltrou-se na área sendo derrubado em falta indiscutível. O craque sueco, chamado a converter o penálti, não perdoou: saiu míssil. O seu nono golo de grande penalidade neste campeonato.

Foi aos 77': a vitória já não nos fugia. E podia até avolumar-se, por intervenção do suspeito do costume: Gyökeres quase marcou aos 79'. Um central anfitrião tirou-a in extremis da linha da baliza, já Sequeira estava batido.

Terceira vitória consecutiva de Rui Borges - o que acontece pela primeira vez desde que chegou ao Sporting. Lesionados como Morten e Morita recuperados, falta agora voltarem Pedro Gonçalves e Quaresma. Boas notícias em perspectiva. Para que o bicampeonato não nos fuja.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (7) - Enorme defesa, por instinto, a remate de José Fonte aos 52'. Confirma-se: foi o nosso grande reforço de Inverno.

Esgaio (3) - Lateral adaptado a central, sem rotinas na posição. Autogolo aos 45', ia repetindo a dose aos 47'. Para esquecer.

Diomande (6) - Começou algo nervoso, mas cedo se tranquilizou. Exibição sem grandes rasgos, mas também sem falhas.

Gonçalo Inácio (7) - Supremacia no jogo aéreo, confirmada no golo aos 12'. Sempre útil e muito atento no plano defensivo.

Fresneda (6) - Lateral projectado para a construção ofensiva, abriu várias linhas de passe e nunca deixou de ser combativo.

Debast (6) - Parece ter-se firmado como médio, potenciando a sua notável capacidade de passe. Falta-lhe só ousar mais no ataque.

Morten (5) - Ponto alto: o soberbo passe longo em que assistiu Viktor no segundo golo. Mas está ainda longe da melhor forma.

Matheus Reis (5) - Cumpriu como lateral esquerdo adaptado a ala, excepto quando deixou fugir Larrazábal no centro para o golo deles.

Trincão (5) - Acusa excesso de utilização. Mesmo assim, foi ele a conquistar o penálti ao ser derrubado: iria valer-nos um golo. 

Quenda (5) - Intervenção decisiva no primeiro golo, em que assistiu Gonçalo. Depois foi perdendo fôlego: precisa de repouso.

Gyökeres (8) - Voltou a ser o melhor em campo, marcou pelo segundo jogo consecutivo. Já marcou 27 neste campeonato. 

Morita (6). Entrou aos 64', substituindo Morten. Regresso em boa forma, controlando e organizando o nosso meio-campo.

Geny (5) - Substituiu Quenda aos 64'. Refrescou o ataque com os seus arranques em drible e o seu bom domínio da bola.

Maxi Araújo (5). Rendeu Matheus Reis aos 78'. Na fase em que o Sporting já vencia por 3-1: o principal era controlar o jogo. Cumpriu.

Felicíssimo (5) - Entrou aos 88' para substituir Esgaio. Devia ter saltado mais cedo do banco.

Harder (5) - Substituiu Trincão aos 88'.  Quase só teve tempo para ganhar um canto.

Regresso às vitórias e reforço da liderança

Sporting, 3 - Estoril, 1

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Viktor Gyökeres: mais dois golos com garantia de futebol-espectáculo em Alvalade

Foto: António Cotrim / Lusa

 

Depois de três empates consecutivos no campeonato, uma vitória. Que nos soube a goleada. Em casa, contra o Estoril, uma das equipas-sensação da prova. Há oito rondas que eles não perdiam. Tropeçaram agora, em Alvalade. Mas merecem elogio por terem dado boa réplica, sobretudo na segunda parte.

Nos primeiros 45 minutos, não lhes demos qualquer hipótese. Domínio total, pressão constante com as nossas linhas subidas. Rui Borges, rendido às evidências e confrontado com imparável vaga de lesões, retomou há duas jornadas o 3-4-3 popularizado no Sporting por Ruben Amorim e que tão bons frutos rendeu - dois campeonatos, o de 2021 e o de 2024.

Valeu a pena. Mesmo com uma inédita linha de médios interiores composta por Debast e o jovem Felicíssimo em estreia absoluta como titular. Deram ambos conta do recado, o belga até com brilhantismo: esteve nas assistências aos dois golos do primeiro tempo. Primeiro na marcação de um livre lateral que parecia míssil teleguiado à cabeça de Gonçalo Inácio. O jovem capitão leonino não perdoou: deu o melhor caminho à bola. 

Estavam decorridos apenas cinco minutos.

 

Esta foi a primeira boa notícia da noite de segunda-feira, dia 3. Outra, que também muito cedo se detectou, foi o regresso de Gyökeres à sua melhor forma. O sueco voltou a "fazer piscinas", baralhando os defensores estorilistas, incapazes de acertarem as marcações naqueles rápidos ataques às suas costas.

Num deles nasceu o segundo golo do Sporting, aos 36'. Em lance de futebol-espectáculo, com o craque sueco dando a melhor sequência a um magnífico passe longo desenhado em diagonal pelo pé direito de Debast. Correu com ela dominada, sentou dois centrais e perguntou ao guarda-redes para que lado a queria, enviando-a para o lado oposto.

Celebração no estádio. Mais de 36 mil adeptos aqueciam na fria noite de Inverno. 

Assim chegámos ao intervalo. A vencer 2-0, sem consentir um só remate enquadrado do Estoril, que enfrentava duas sucessivas linhas defensivas nossas, sobretudo no lado direito, onde a parceria Esgaio-Fresneda funcionava como relógio suíço. Dois quase renegados que Rui Borges, em urgente carência de recursos humanos, sabiamente recuperou. 

 

A etapa complementar decorreu em toada menos veloz. Mas o Sporting continuava a controlar o jogo: concedia iniciativa ao adversário mas sem abdicar do contra-ataque, quase sempre em iniciativas protagonizadas por Gyökeres. Aprendemos com erros cometidos em partidas anteriores, sem nunca recuarmos demasiado as linhas.

Funcionou quase na perfeição. Pena um deslize momentâneo aos 84', quando o ex-Leão Gonçalo Costa, progredindo na ala esquerda e já com ângulo muito apertado, conseguiu marcar o tento de honra do Estoril. Em lance de que Rui Silva não está isento de responsabilidade: a bola passou-lhe entre as pernas.

Instalou-se o nervosismo nas bancadas: não faltou quem imaginasse um descalabro mesmo à beira do fim, como sucedera nos embates com o FC Porto no Dragão e o AVS em Vila das Aves. Aconteceu ao contrário: fomos nós a marcar, fechando a conta. Pelo suspeito do costume: Viktor Gyökeres, marcando um penálti que ele mesmo conquistou ao levar o antigo benfiquista João Carvalho a desviar a bola com o braço em zona proibida. 

Foi aos 90'+6 que a bola se anichou pela terceira vez nas redes estorilistas. A noite fria aqueceu ainda mais, a massa adepta celebrou com gosto o reforço da nossa liderança a dez jornadas do fim e Viktor voltou a fazer jus ao nome.

Vitórias é com ele. Para bem de todos nós.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (4) - Confirma-se: tem presença na baliza. E joga bem com os pés. Pena ter falhado intervenção na única vez em que foi posto à prova (84').

Esgaio (7) - Exibição muito positiva. Como central adaptado, à direita. Eficiente nos cortes. Grande arrancada aos 30': ofereceu golo a Viktor, que desperdiçou.

Diomande (6) - Regressou ao onze após castigo. Contido nas palavras de protesto e nos gestos. Cumpriu a missão, bem articulado com os colegas. 

Gonçalo Inácio (7) - Capitão da equipa e patrão da defesa. Marcou de cabeça o primeiro golo (5'). Actuação quase sem falhas.

Fresneda (6) - Começou à direita, passou para ala esquerdo aos 58'. "Assistiu" Trincão aos 18'. Batido em duelo defensivo aos 76'.

Debast (8) - Alto nível, adaptado a médio de construção. Marcou livre que deu golo e assistiu com excelência no segundo. Mandou petardo ao ferro (63')

Felicíssimo (6) - Compôs eficaz duo com o belga no meio-campo nesta estreia a titular. Processos simples, notória qualidade técnica. 

Matheus Reis (6) - Subiu ocasionalmente no corredor esquerdo: grande centro aos 15'. Muito concentrado: bons cortes aos 26' e 29'. 

Trincão (5) - Acusa excesso de utilização: é o nosso jogador com mais minutos nesta época. Isolado, falhou golo cantado aos 18'. 

Quenda (4) - Talvez por cansaço, esteve muito apagado, falhando passes e revelando escasso compromisso defensivo. 

Gyökeres (8) - Melhor em campo: marcou dois golos, em bola corrida (36') e de penálti (90'+6). Sempre apontado como seta à baliza adversária.

Geny (4) - Substituiu Matheus Reis aos 58'. Sem influência. Mantém a irritante tendência de passar demasiado tempo no chão.

Harder (5) - Saltou do banco só aos 79' (substituiu Trincão). Com intervenção no lance que daria penálti sobre Gyökeres - e o terceiro golo.

Arreiol (5) - Rendeu Fresneda aos 79'. Ajudou a dar consistência ao nosso meio-campo interior, aproveitando para se mostrar.

José Silva (5). Entrou aos 79', substituindo Quenda na ala direita. Estreia absoluta na equipa A. Mostrou-se combativo.

Terceiro empate em três jogos: é de mais

AVS, 2 - Sporting, 2

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Viktor recuperou a boa forma e marcou o segundo golo, mas não escondeu frustração pelo resultado

 

Com franqueza, começa a ser um exagero. Terceiro jogo consecutivo do campeonato com o Sporting a empatar. E segundo a cedermos dois preciosos pontos - que já são quatro - a escassos segundos do apito final. O que torna tudo ainda mais incompreensível. E mais inaceitável para uma equipa que mantém legítimas aspirações a conquistar o bicampeonato que nos foge há 74 épocas.

Uma vez mais, houve dois jogos dentro do jogo. Nesta partida disputada há quatro dias em Vila das Aves, com um não-clube que não passa de SAD com uma sigla esquisita.

Começámos muito bem: equipa desenvolta, pressionante, preenchendo com ousadia os espaços no meio-campo adversário. Cortando linhas de passe à turma anfitriã, impedindo-a de galgar terreno. 

A pressão produziu frutos muito cedo. Na sequência de um canto, Diomande fez bom uso do seu jogo aéreo, impondo-se perante os centrais e cabeceando na direcção certa. Ochoa, o afamado internacional mexicano, nada pôde fazer entre os postes: o disparo era indefensável.

 

Voltámos a ver Viktor Gyökeres em boa forma. Atacando a profundidade, contornando e sentando os defesas, visando a baliza com olhar de matador.

Ochoa equilibrou as forças ao fazer uma espectacular defesa aos 21', negando o golo ao craque sueco, destacado líder dos goleadores desta Liga. Ganhou esse embate, mas perdeu o seguinte: aos 33'. Viktor quebrou um jejum de quatro jornadas, metendo-a lá dentro. Foi um dos protagonistas do jogo e o melhor dos nossos. Logo seguido de Trincão (participou na construção dos dois golos leoninos, assistiu no primeiro) e Maxi Araújo (cada vez mais à vontade no corredor esquerdo, serviu de bandeja Gyökeres no segundo).

Havia motivos para ovacionar? Claro que sim. Não foram negados aplausos das centenas de adeptos leoninos presentes no estádio.

Havia motivos para comemorar? Ainda não. O resultado ao intervalo, 0-2, é um dos mais ilusórios em futebol.

 

Os mais desconfiados tinham motivos para adiar festejos. O Sporting entrou irreconhecível depois do intervalo. Passivo, com trocas inócuas de bola no primeiro terço do terreno, incapaz de esticar o jogo, parecendo defender a magra vantagem sem vontade nem energia nem ambição de procurar o terceiro golo. 

Ao invés, o AVS encheu-se de brios e começou a galgar distância rumo à nossa baliza. Sem temores nem complexos, contando com a insólita apatia dos nossos jogadores.

Podemos especular sobre as causas. Mais um lesionado, por exemplo: Eduardo Quaresma, também ele com queixas musculares, não regressou do intervalo, substituído por Matheus Reis. Em campo já estava um habitual titular da equipa B, Alexandre Brito (em vez de Morten, ausente por castigo). Com Morita, Daniel Bragança e João Simões impedidos por lesões, a nossa linha média era uma autêntica manta de retalhos. Debast, central direito, ali improvisado, desenrascou-se como podia. O inédito duo com Brito não prometia ser brilhante - e assim foi.

 

Mas os maiores problemas surgiram atrás. Com Diomande a imitar o mau exemplo de Morten na partida anterior, contra o Arouca: cometeu um penálti absolutamente escusado em lance de canto, incluindo uma chapada num adversário. Devia ter visto o vermelho logo ali, aos 67'. A brincadeira custou-nos um penálti e o primeiro golo sofrido, aos 71'. Aos 77', novamente o marfinense em foco: concluiu uma disputa de bola com um pisão junto à linha divisória. Segundo amarelo, expulsão. Jogámos meia hora só com dez.

Nenhuma das substituições operadas por Rui Borges produziu efeitos positivos. Pelo contrário, a equipa parecia cada vez mais insegura. Até sofrermos o golo fatal que nos roubou dois pontos, estavam decorridos já 90'+6, em pontapé de ressaca, com a bola a correr rasteira para o fundo das nossas redes. 

Balde de água gelada na noite minhota: há cinco anos e meio que não disputávamos cinco jogos sem ganhar. A vantagem de seis pontos sobre o Benfica, existente há três semanas, desapareceu. A partir de agora é proibido voltar a tropeçar. Para que o sonho se mantenha aceso.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (5) - Grande defesa aos 14', exibindo bons reflexos. Sem hipótese no penálti. Pareceu algo apático no lance do segundo, fazendo-se tarde à bola.

Eduardo Quaresma (4) - Actuou condicionado, longe do fulgor habitual. Depois do intervalo já não voltou. Vai parar pelo menos três semanas.

Diomande (3) - Esteve no melhor ao marcar o primeiro golo. Mas também no pior, ao cometer penálti e ao fazer-se expulsar. De cabeça perdida.

Gonçalo Inácio (5) - No seu jogo 200 pelo Sporting A, esperava-se dele um pouco mais. Nervoso. Ainda assim, conseguiu ser o nosso melhor central.

Fresneda (4) - Tentou progredir no terreno, tornando-se útil na ala direita, mas nunca contribuiu para tornar o nosso jogo ofensivo mais acutilante.

Alexandre Brito (4) - Estreia a titular no meio-campo interior, rendendo o ausente Morten. Abusou dos passes laterais e recuados, sem progressão.

Debast (5) - Adaptado a médio, fez o possível por fazer esquecer Morita ou Bragança. Não era tarefa fácil, desempenhou-a com mediania.

Maxi Araújo (6) - Muito activo na ala esquerda, tanto a atacar (sobretudo no primeiro tempo) como no segundo. Assistiu Gyökeres (33').

Quenda (6) - Um dos melhores até as pilhas se esgotarem. Falhou emenda à boca da baliza (18'). Inicia o segundo golo. Provocou desequilíbrios.

Trincão (7) - Um dos mais activos e criativos. Grande passe para Diomande aos 8': ofereceu-lhe o golo. Pré-assistência no segundo. 

Gyökeres (7) - Voltou à boa forma. Grandes arrancadas aos 18' e 21': neste, levou Ochoa à defesa da noite. Marcou o segundo, aos 33'. Melhor em campo.

Matheus Reis (4) - Rendeu Quaresma aos 46'. Prático a resolver lances. Mas abusou do chutão para fora e para o ar. Exige-se mais dele.

Felicíssimo (3) - Estreia na equipa A deste médio do Sporting B. Rendeu Brito aos 84'. Entrega fatal de bola aos 90'+5: custou-nos o golo e dois pontos.

Esgaio (4). Entrou aos 84', substituindo Trincão como médio-ala direito. Com ele em campo a equipa baixou de rendimento, sem surpresa.

Harder (-) - Saltou do banco só aos 90'+2 (substituiu Quenda). Mal tocou na bola. Equívoco do treinador: devia ter entrado muito mais cedo.

Ainda na frente, mas com menor distância

Sporting, 2 - Arouca, 2

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Rui Borges preocupado: mais dois lesionados, outro jogador expulso e um autogolo absurdo

Foto: Rodrigo Antunes / Lusa

 

Há jogos candidatos a ficarem-nos na memória pelos piores motivos, mesmo quando não perdemos. Foi o caso desta recepção ao Arouca, há quatro dias. Prometia ser um desafio de baixo grau de dificuldade frente à equipa classificada em 12.º lugar na Liga 2024/2025. E podia, na verdade, ter sido assim.

Lamentavelmente, complicámos o que é simples. E proporcionámos dois golos de bandeja à turma forasteira, ainda na primeira parte. O primeiro - em lance digno dos "apanhados" - após atraso totalmente disparatado de St. Juste para Rui Silva, que se encontrava fora da baliza. O holandês, sem olhar, despachou um balão que o guarda-redes tentou dominar com os pés mas com tanta inabilidade que acabou por cometer autogolo. Digno de riso, excepto para nós.

Aos 45'+1, novo brinde. Desta vez de Morten, que parecia um jogador inexperiente, cometendo penálti claro em lance de bola parada. Chamado a converter, quatro minutos depois, Henrique Araújo não vacilou.

Assim fomos para o intervalo. A perder 1-2 em Alvalade. E com dois jogadores a menos, ambos lesionados: St. Juste aos 11', Daniel Bragança aos 13'. Ninguém lhes tocou: magoaram-se sozinhos. Infelizmente, a lesão de Daniel é grave: rotura de ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo. Já não volta esta época.

 

E no entanto até nem estivemos mal a espaços. Com Quenda muito dinâmico do lado esquerdo, criando movimentos de ruptura, e Harder a pressionar muito a saída de bola do Arouca, funcionando como primeiro defesa da equipa. Maxi também acutilante como lateral esquerdo com vocação ofensiva - bem mais do que Fresneda no lado oposto.

A melhor notícia, à partida, era o regresso de Gyökeres. Aparentemente recuperado da fadiga muscular que o afastara da titularidade três jornadas antes. Ainda longe da melhor forma, manteve-se em campo até ao fim. E foi dele a assistência para o nosso golo inicial, aos 17'. Marcador: Harder, num eficaz remate cruzado, sem hipótese para o guarda-redes.

O jovem avançado dinamarquês combinou bem com o sueco lá na frente. Demonstrando a Rui Borges que podem ambos coexistir como titulares. Nenhuma dúvida quanto a isso. 

Mas Harder, neste jogo, foi superior. Ao ponto de podermos elegê-lo sem hesitar como melhor em campo. Marcou e deu a marcar - neste caso aos 74', num passe para o golo de Trincão, que fixou o empate.

 

Soube a pouco? Claro que sim. Resta-nos a consolação de termos visto a equipa muito combativa na meia hora final, quando já estava reduzida a dez por expulsão de Morten aos 62'. Rui Silva redimiu-se do autogolo com três grandes defesas. Maxi, Quenda e João Simões vão melhorando de jogo para jogo. E até houve oportunidade para surgir novo estreante: o médio Alexandre Brito, substituindo precisamente Simões.

Foi também óptimo ver que os adeptos estão com a equipa, o que se tornou visível (e audível) na prolongada ovação que dispensaram aos nossos futebolistas mal soou o apito final.

Prenúncio de novos tempos, cada vez mais favoráveis. É bom saber.

 

Breve análise dos jogadores:

Rui Silva (6) - Merecia nota zero pelo autogolo logo aos 8'. Mas redimiu-se durante o jogo com três grandes defesas aos 40', 58' e 90'+4.

Fresneda (5) - Certinho mas sem brilho nem rasgo, demasiado posicional, arriscando o mínimo em lances de desequilíbrio.

St. Juste (1) - Traiu o guarda-redes atrasando sem olhar em vez de mandar a bola fora. Saiu logo a seguir. É um eterno lesionado.

Gonçalo Inácio (4) - Muito passe transviado, muita falta de confiança. Marcou com os olhos aos 40': a bola foi à trave. Uma sombra do que já foi.

Maxi Araújo (6) - Articulou-se bem com Quenda à esquerda. Grande centro para Harder (90'+4). Ainda se agarra em excesso à bola.

Trincão (7) - Quando tudo parece quase perdido, ele salva a equipa. Voltou a acontecer marcando o segundo aos 74'. Leva 20 jogos seguidos sem parar.

Morten (3) - Irreconhecível. Comete o penálti que daria o segundo golo do Arouca (45'+5). Viu o segundo amarelo aos 62' por falta desnecessária.

João Simões (5) - Vai-se tornando mais influente, sem receio de arriscar no um-para-um. Falta-lhe melhorar a ligação com o ataque.

Quenda (7) - Muito irrequieto à esquerda: grandes centros aos 4', 19' e 36'. Quase marcou aos 42'. Pré-assistência no golo do empate.

Daniel Bragança (2). Tocou dez vezes na bola e sentou-se. Aos 12'. No minuto seguinte teve de sair, com lesão grave. Mais um.

Gyökeres (6) - Enfim, recuperado. Assistiu Harder no primeiro golo, esteve próximo de marcar ele também aos 35', 74' e 90'+2.

Debast (4) - Substituiu St. Juste (11'). Intranquilo, sem confiança, articulando mal com Gonçalo. Sem arriscar na construção com passes à distância.

Harder (8) - Substituiu Daniel (13'). O mais inconformado, em pressão constante. Marcou (17') e deu a marcar (74'). Merece ser titular.

Biel (4) - Entrou aos 85, substituindo Fresneda. Gyökeres ofereceu-lhe golo, mas ele mandou a bola para a bancada (90'+6).

Alexandre Brito (-) - Substituiu João Simões aos 85'. Em estreia na equipa A. Sem tempo para mostrar qualidades nem eventuais defeitos.

Clássico emotivo e empolgante até ao fim

FC Porto, 1 - Sporting, 1

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Fresneda eufórico no estádio do Dragão: decorria o minuto 42, acabara de marcar ao Porto

Foto: José Coelho / EPA

 

Foi um clássico emotivo e empolgante, do primeiro ao último minuto. Um clássico com duas partes muito distintas. Na primeira com domínio do Sporting, que silenciou o público do Dragão aos 42', quando Fresneda a meteu lá dentro. Lateral dextro rematando de pé canhoto, como ponta-de-lança improvisado, sem marcação visível, com Quenda a servi-lo no mais belo lance individual do desafio.

Instalava-se o nervosismo nas bancadas portistas. Era caso para isso: o Sporting vencia ao intervalo, o Porto não conseguira melhor do que um remate de Eustáquio que embateu no ferro. Brinde de Gonçalo Inácio que podia ter-nos custado caro.

 

Vale a pena assinalar que este era um Sporting com remendos. Além das ausências de Nuno Santos e Pedro Gonçalves, lesionados de longa duração, também não pudemos contar com Geny, igualmente lesionado. Enquanto Morita e Gyökeres, já recuperados mas longe da forma ideal, se sentavam no banco e de lá só saíram ao minuto 69.

Para agravar a questão, aos 23' ficámos com outro futebolista fora de combate: João Simões saiu em lágrimas, com lesão traumática, após choque violento com Eustáquio, oito minutos antes. Foi assistido, ainda tentou retomar a partida, mas não conseguiu. Teve de ser substituído à pressão por Debast, central direito adaptado a médio-centro.

Andamos assim: tapa-se de um lado, destapa-se de outro. Rui Borges continua a aparentar calma. Mas a tarefa dele está longe de ser fácil.

 

Tudo isto ajuda a explicar o motivo por que a nossa equipa se retraiu no segundo tempo, abandonou a intensa pressão ofensiva dos 45 minutos essenciais e começou a recuar linhas, talvez em excesso, concedendo iniciativa ao adversário.

O Porto, vendo-se a perder e sentindo os adeptos à beira de um ataque de nervos, atirou-se para a frente quase em desespero. Ao ponto de o novo treinador, Anselmi, ter desfeito a linha dos três centrais e ordenado aos jogadores para avançarem no terreno. A ausência de Gyökeres facilitou-lhes a tarefa. Harder é combativo, mas não ataca a profundidade com a mesma intensidade do craque sueco.

O técnico leonino esperou demasiado a mexer no onze, para além da alteração forçada do primeiro tempo. Percebeu-se porquê quando Viktor e Morita entraram, acusando falta de ritmo competitivo: nenhum deles esteve à altura do que já nos habituou. Mesmo assim o ponta-de-lança ofereceu o golo a Quenda aos 70', infelizmente sem resultado: bastou-lhe um minuto em campo para dar nas vistas. Mas o seu primeiro remate digno desse nome só aconteceu aos 90'+3: levava força, mas foi à figura. Diogo Costa defendeu sem dificuldade.

Entre os nossos postes brilhou Rui Silva, aos 68', voando para impedir um cabeceamento de Pepê. Acabaram-se as dúvidas: temos mesmo reforço na baliza.

 

Houve muita pressão nervosa nos minutos finais. O Sporting mostrava-se compacto e competente a defender, o Porto tentava explorar todas as vias de acesso à nossa baliza, destacando-se o jovem Rodrigo Mora, sem dúvida um talento equivalente ao nosso Quenda.

Aos 90' mantinha-se o 0-1. Que só se desfez quando faltava cumprir minuto e meio do tempo extra concedido pelo árbitro. Samu cruzou sem pressão, colocado em jogo por Diomande, e à boca da baliza surgiu Damaso - que Gonçalo Inácio deixou movimentar-se à vontade - metendo-a lá dentro. Rui Silva nada pôde fazer aqui.

 

Mas nos instantes seguintes poderia ter havido nova reviravolta. Com energia inesgotável, em novo lance individual, Quenda infiltrou-se na área portista e acabou derrubado por Zé Pedro em tacle deslizante. O defesa azul e branco tocou na bola, mas derrubou o jovem extremo leonino. Era lance para vídeo-árbitro, mas o VAR Tiago Martins não deu sinal de vida e João Pinheiro deixou passar.

Critério largo? Nem por isso. Logo a seguir "avermelhou" dois dos nossos. Matheus Reis com dois amarelos por protestos com escassos segundos de intervalo, algo pouco compreensível. E Diomande por ter encostado a cabeça a Fábio Vieira numa picardia entre ambos com o portista a atirar-se para o chão como se tivesse fractura exposta.

Maneira feia de terminar um clássico que teve lances bonitos. Mantemos oito pontos de vantagem sobre o Porto - que serão nove para eventuais efeitos de desempate. Mas Rui Borges tem a certeza antecipada de ter dois jogadores a menos no próximo desafio, contra o Arouca. E poderão ser três caso João Simões não recupere até lá.

 

Breve análise dos jogadores:

Rui Silva (6) - Seguro na baliza, excepto num lance em que Samu o apanhou adiantado e quase marcava de chapéu. Enorme defesa aos 68'. Bom jogo de pés.

Fresneda (6) - Brilhou pelo segundo jogo consecutivo ao marcar novamente à ponta-de-lança. O golo valeu-nos um ponto. Quebrou fisicamente a partir dos 60'. 

Diomande (5) - Esteve muito bem durante quase todo o jogo. Impôs-se na defesa, em diversos cortes. Claudicou no golo portista e viu um vermelho escusado a segundos do fim.

Gonçalo Inácio (4) - Exibição oscilante. Desconcentrado, entregou a bola aos 27': quase nos custou um golo. E deu margem de manobra para Namaso marcar aos 90'+4.

Maxi Araújo (6) - Articulou-se bem com Quenda no corredor esquerdo: teve ponto alto no lance do nosso golo, iniciado por ele. Bom corte aos 74'. Saiu esgotado.

Morten (7) - Pendular, como já nos habituou. É ele a controlar e pautar o nosso jogo, tanto ofensivo como defensivo. O primeiro remate com perigo, de cabeça, foi dele logo aos 4'.

João Simões (4) - Azarado. Estava a combinar bem com Morten no meio-campo quando se lesionou após choque com Eustáquio. Saiu em lágrimas.

Daniel Bragança (4). Muito apagado. Longe da influência no plano táctico e da robustez no plano físico que as suas movimentações como médio ofensivo exigem.

Trincão (6) - Tentou o golo aos 35': saiu ligeiramente ao lado. Construiu para Harder marcar, aos 52'. Foi o melhor que fez. Mas soube trabalhar para a equipa, à frente e atrás.

Quenda (8) - Lance de génio em progressão, sentando três portistas. Daí resultou o passe para golo. Podia ter marcado no último lance quando foi rasteirado na área. Melhor em campo.

Harder (5) - Fez o que pôde, mas foi insuficiente. Falhou o golo aos 52'. Esteve mais perto de marcar aos 57', após canto apontado por Quenda, mas também sem conseguir. 

Debast (5) - Entrou aos 23', rendendo João Simões. Numa posição em que não está rotinado. Cumpriu os mínimos, sem brilho. Faltou-lhe dinâmica a complementar Morten.

Gyökeres (6) - Só saltou do banco aos 69', substituindo Harder. Mais acutilante, logo a seguir ofereceu golo a Quenda. Remate forte aos 90'+3. Derrubado por Djaló na área em lance duvidoso.

Morita (5) - Substituiu Bragança aos 69'. Contribuiu para fechar o corredor central, mas percebe-se que está longe do fulgor físico que evidenciava antes da lesão mais recente.

Matheus Reis (3) - Entrou aos 86, substituindo Maxi Araújo. Perdeu a cabeça nos instantes finais, protestando sem parar, o que lhe valeu dois amarelos e a expulsão. Fica fora do próximo jogo.

Lesões não abrandam vaga de vitórias

Sporting, 3 - Farense, 1

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Harder logo após marcar o terceiro golo, cumprimentado por João Simões e Quenda

Foto: Patrícia de Melo Moreira / AFP

 

Jogo calmo, tranquilo, dominado pelo onze leonino do princípio ao fim. Recebíamos o Farense, que na primeira volta goleámos por 5-0, lá no Algarve. Mesmo no início do campeonato, quando a frescura era outra - muito distante deste período de calendário apertadíssimo, com dois jogos por semana e quase sem tempo para recuperação física.

Apesar do cansaço que se acumula e das lesões que continuam a apoquentar a equipa, entrámos confiantes, logo instalados no meio-campo da turma visitante.

Esforço recompensado: aos 11', já a bola entrava na baliza do Farense. Tocada por um ponta-de-lança improvisado: Iván Fresneda, que a passe de Harder se estreou assim como goleador desde que actua como jogador sénior. O jovem espanhol transbordou de alegria e todos os colegas se associaram a ele nos festejos.

Daí a pouco, aos 26', Diomande seguiu-lhe o exemplo. Na sequência de um canto superiormente marcado por Trincão, elevou-se mais alto e meteu-a lá dentro, num cabeceamento fulminante. Estreando-se, também ele, como goleador nesta época. 

 

O resultado reflectia o comportamento das duas equipas no terreno. O Farense muito remetido ao reduto defensivo, o Sporting fazendo pressão constante com variações de velocidade em largura e comprimento, pautando o seu jogo em obediência a este desígnio estratégico: convém evitar esforços inúteis.

Mas ninguém alimentava dúvidas sobre quem mandava ali. Morten no meio-campo interior e Trincão impulsionando o ataque, sobretudo inclinado para a direita.

Atrás as operações estavam bem confiadas ao quarteto comandado pelo marfinense. Que só desafinou uma vez, mesmo à beira do intervalo, aos 45'+2: bastou uma fugaz falta de sincronização para Lucas Áfrico, vindo lá de trás, rematar em posição frontal, livre de marcação, sem hipótese para Rui Silva.

E assim se foi para o intervalo.

 

No segundo tempo só deu Sporting. Já com João Simões em campo, contribuindo para a fluidez do nosso jogo, enquanto Quenda e Trincão pareciam rivalizar em exibições de virtuosismo técnico: os mais de 43 mil adeptos não lhes negaram aplausos.

Mas estava escrito que o herói daquele fim de tarde de anteontem seria Conrad Harder. Substituto do ausente Gyökeres, o jovem avançado deixou claro ao treinador que pode contar com ele. Confirmou-se como herói em campo ao apontar o terceiro, no minuto 88, em lance iniciado e finalizado por ele próprio, correspondendo da melhor maneira a um cruzamento de Matheus Reis, que onze minutos antes saltara do banco.

Segundo desafio seguido a marcar: é assim que se ganha fama. É assim, passo a passo, que se vai subindo no Olimpo do Sporting. Parabéns ao dinamarquês: bem os merece.

 

Parabéns igualmente a Rui Borges, que tem feito omeletes com poucos ovos. Desta vez, outra baixa: Geny saiu aos 25', de maca, com lesão traumática. Vai parar pelo menos duas semanas. Talvez mais.

Numa das tribunas do estádio, a ver o jogo, estavam quatro titulares indiscutíveis: Gyökeres, Pedro Gonçalves, Morita e Nuno Santos.

Apesar dos problemas com sucessivas lesões, o Sporting mantém o comando isolado, continua a ter o melhor ataque e a melhor defesa, é a equipa com mais vitórias e menos derrotas. Registo à 20.ª jornada: 56 golos. Não marcávamos tantos há 51 anos, desde a saudosa época 1973/1974.

Agora é só seguir em frente.

 

Breve análise dos jogadores:

Rui Silva (5) - Alguma vez havia de acontecer: sofreu o primeiro golo no Sporting, aos 45'+2. E fez a primeira defesa digna de aplauso, aos 50'.

Fresneda (6) - Envolveu-se na manobra ofensiva e foi recompensado com o primeiro golo da sua carreira, aos 11'. Vai motivá-lo para mais.

Diomande (7) - Grande golo de cabeça, após um canto (26'). O seu primeiro nesta época. Quem diz que não marcamos de bola parada?

Gonçalo Inácio (5) - Eficácia no passe longo. Mas falhou a marcação a Lucas Áfrico no tento algarvio. E falhou golo de baliza aberta (72').

Maxi Araújo (7) - Melhora de jogo para jogo. Excelente cruzamento atrasado para Gonçalo marcar. É dele a pré-assistência no terceiro golo.

Geny (4) - Estava a movimentar-se bem, no flanco direito, mas lesionou-se muito cedo (22'). Forçado a sair, queixando-se de entorse.

Morten (7) - Muito influente. Acorreu duas vezes à dobra de Diomande. Participou na construção do terceiro golo. Peça fundamental.

Daniel Bragança (4). Exibição muito abaixo do que nos habituou. Desperdiçou dois ataques (29' e 41'). Sem desenhar um só movimento de ruptura. 

Quenda (7) - O maior desequilibrador do plantel. À esquerda e à direita, ganhou duelos e arrastou marcações. Indiscutível maturidade técnica.

Trincão (7) - Assistiu no segundo golo. Muito activo no ataque, grande compromisso na defesa. É o rei das assistências na Liga: e vão nove.

Harder (8) - Fez o passe decisivo para o primeiro golo e marcou o terceiro - de modo original, com o peito. Melhor em campo.

João Simões (6) - Substituiu Geny aos 25'. Bom comportamento defensivo, critério na entrega da bola. Nunca se esconde do jogo.

Matheus Reis (6) - Entrou aos 77, substituindo Daniel Bragança. Onze minutos depois, protagonizou o centro que daria o golo a Harder.

Debast (-) - Substituiu Trincão aos 90'. Só para confirmar que a breve lesão já foi ultrapassada.

Afonso (-) - Entrou aos 90', rendendo Maxi. Justo incentivo para um jovem jogador que se tem destacado no Sporting B.

Dois momentos mágicos em noite tépida

Sporting, 2 - Nacional, 0

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Momento do jogo, aos 45'+1: Gyökeres assistiu, Trincão marcou. Alvalade em peso aplaudiu

Foto: José Sena Goulão / Lusa

 

Cada um joga com as armas que tem ao dispor. Não posso, por isso, criticar a postura ultra-defensiva que o Nacional adoptou em Alvalade, na visita que nos fez anteontem à noite. O treinador organizou a equipa num 5-4-1 com dupla muralha numa extensão máxima de 30 metros. Sem a menor preocupação em abrir linhas ou arriscar um contra-ataque. Durante toda a primeira parte, nem uma só incursão da turma madeirense fora do seu reduto. Na segunda, tentaram uma vez incomodar Rui Silva, sem o conseguir.

Nem parecia a mesma equipa que duas semanas antes tinha vencido o FC Porto, categoricamente, por 2-0 na Choupana. É verdade que este FCP é inferior ao Sporting, mas a diferença de atitude dos jogadores do Nacional não podia ter sido mais acentuada - o receio de saírem com derrota por goleada sobrepôs-se neles à capacidade de darem luta. Nesse aspecto, conseguiram: só sofreram dois golos, sem marcarem nenhum.

Caso para dizer que se contentam com pouco.

 

Da nossa parte, o desafio era outro: como ultrapassar aquela muralha. Tentámos de várias formas. Incursões entre linhas, que esbarraram em florestas de pernas. Cruzamentos a pingar para a área, que deram em nada. Lances de bola parada, mas nem cantos nem livres incomodaram os da Madeira.

Estava escrito que o dique acabaria por rebentar à bomba.

Foi precisamente o que aconteceu. Tínhamos acabado de entrar no minuto inicial do tempo extra da primeira parte - o árbitro concedeu quatro - quando Trincão, servido por Viktor, conseguiu aquilo que tão bem sabe fazer em noites de verdadeira inspiração. Pegou na bola junto à linha direita, inflectiu para dentro e disparou a mais de 30 metros com colocação perfeita: remate em arco, fazendo-a anichar no ângulo mais distante do guarda-redes.

Obra-prima: é daqueles golos que não nos fartamos de rever. Já está a ser exibido um pouco por toda a Europa, reforçando a fama do Sporting além-fronteiras.

 

Momento mágico em noite de futebol tépido, mas onde se cumpriu o essencial: mantivemos o controlo das operações do primeiro ao último minuto, não nos desorganizámos, tivemos a paciência suficiente para manter a bola no meio-campo adversário.

Nunca o Nacional esteve perto de marcar.

Faltava-nos apenas criar uma oportunidade para ampliar a vantagem, evitando a vitória por golo solitário quando já no estádio se escutavam alguns assobios dos imbecis do costume.

E essa oportunidade acabou por surgir. No último minuto do tempo regulamentar. Com Geny a progredir junto à linha direita e a cruzar para a área. Houve um ressalto e a bola sobrou para João Simões, que com instinto felino a apanhou a jeito do seu pé esquerdo, dando-lhe o melhor rumo, em diagonal rasteira, longe do alcance do guardião nacionalista.

 

Foi o segundo e último momento mágico da noite, este estrelato do jovem médio algarvio, que aos 18 anos se estreou como artilheiro da equipa principal depois de se ter destacado nos escalões da formação. Com lágrimas de alegria a escorrerem-lhe pelo rosto, correu cerca de 50 metros e foi festejar o disparo bem-sucedido junto dos apanha-bolas: bonita maneira de celebrar o golo entre gente muito cá da nossa casa.

Futebol não é só técnica nem táctica. É também isto: festa intensa com emoções à solta, partilha de momentos inesquecíveis.

João Simões nunca esquecerá este Sporting-Nacional. A alegria dele contagiou-nos a todos: tornou-se um pouco nossa também. Ficamos a dever-lhe isso. Enquanto celebramos também o reforço da liderança: estamos seis pontos à frente do Benfica e outros seis à frente do FC Porto. Quinze jornadas nos separam da conquista máxima. Falta cada vez menos.

 

Breve análise dos jogadores:

Rui Silva (5) - Segundo jogo seguido da Liga a titular, segundo jogo sem necessidade de cumprir serviços mínimos. Por inoperância total dos adversários. Antes assim.

Fresneda (4) - Demasiado ansioso, com mais vontade do que jeito para mostrar serviço. A sua inoperância é mais visível na manobra ofensiva: nem dribla nem cruza.

Diomande (7) - Patrão da defesa. Impõe-se no jogo aéreo e na antecipação, cortando linhas de passe. Com tanta maturidade táctica nem parece ter apenas 21 anos.

Gonçalo Inácio (6) - Regressado de lesão sem ter sequelas aparentes, compõe eficaz duo defensivo com Diomande. Falta-lhe recuperar a veia goleadora.

Maxi Araújo (5) - Muito voluntarioso e participativo no corredor esquerdo, teve exibição oscilante. Precisa de aprender a libertar mais cedo a bola para ser útil.

Trincão (8) - Golaço aos 45'+1: foi ele a romper a muralha. Repetindo o que fizera no quarto golo ao Vitória. Este valeu-nos três pontos. Melhor em campo.

Morten (8) - O rei dos desarmes e das recuperações: assim foi aos 6', 17', 22', 45'+3 e 51'. Infatigável, parece estar sempre em todo o lado. Imprescindível.

Morita (6). Forte na pressão e no ataque às segundas bolas. Eficaz a arrastar marcações. Saiu aos 68', com queixas musculares. Outra lesão à vista.

Quenda (6) - Um dos criativos do onze leonino, desta vez não conseguiu ser abre-latas. Mas foi tentando. Falta-lhe melhorar no capítulo da definição.

Daniel Bragança (5). Começou como segundo avançado, logo atrás de Gyökeres, mas desta vez com pouca influência. Saiu à hora de jogo.

Gyökeres (7) - Assistiu no golo de Trincão. Quase marcou num remate cruzado (45'+3). Saiu apenas aos 89': quase não chegou a ser poupado.

Geny (6) - Substituiu Daniel Bragança aos 60'. Mais acutilante do que o colega, foi ele a construir o segundo golo: João Simões agradeceu.

Debast (4) - Substituiu Morita aos 68'. Exibição modesta. É duvidoso que seja mais útil à equipa como médio-centro improvisado. 

João Simões (6) - Jogo de sonho para ele: entrou aos 89', rendendo Trincão, marcou logo no minuto seguinte. Estreia como goleador na equipa A. 

Harder (-) - Entrou para o lugar de Gyökeres aos 89'. Sem tempo nem oportunidade para demonstrar nada.

Matheus Reis (-) - Substituiu Maxi Araújo aos 89'. Mal se deu por ele em campo.

Equipa com rija têmpera transmontana

Rio Ave, 0 - Sporting, 3

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Harder e Morten celebram vitória contra o Rio Ave, que não perdia em casa há 15 meses

Foto: Emanuel Fernando Araújo / EPA

 

As notícias sobre a crise de resultados no Sporting e o estado anímico dos nossos jogadores eram francamente exageradas. É verdade que houve um período para esquecer: 44 dias sobre o (des)comando do impreparado João Pereira, agora justamente devolvido ao lugar de origem: a equipa B. Perdemos oito pontos nesse interregno de má memória. Mas a liderança só deixou de ser nossa numa fugaz semana, coincidindo com o Natal. 

Com Rui Borges, tudo voltou aos trilhos. Retomámos o comando, isolados. Levamos três pontos de avanço sobre o Benfica e quatro sobre o FC Porto, equipas que já vencemos em Alvalade. E mantemos incólume o sonho do bicampeonato que nos foge há 74 anos. 

É verdade que a preocupante vaga de lesões vai prosseguindo. O mais recente jogador forçado a parar com queixas musculares é Eduardo Quaresma, que desta vez nem figurou na lista de convocados para o desafio de Vila do Conde. Mas o treinador mantém-se imperturbável, dizendo-se sempre «mais focado na solução» do que no problema.

Muitos adeptos sportinguistas, sempre com os nervos em franja, deviam aprender com ele.

 

Anteontem exibimos classe no Estádio dos Arcos. Perante um adversário que costuma fazer a vida muito difícil a todas as equipas visitantes. Basta saber que não perdiam ali há 15 meses: 20 jogos consecutivos sempre invictos. No campeonato anterior, o Sporting arrancou lá um empate com muita dificuldade: 3-3.

Afinal foi um dos nossos jogos mais fáceis. Dominámos de tal maneira, com pressão intensa desde a saída da baliza adversária e sobre o portador da bola, que os rioavistas não tiveram uma só oportunidade de golo. Mais: não fizeram sequer um remate.

Entre os postes, do nosso lado, estreava-se o guarda-redes internacional Rui Silva, recém-contratado ao Bétis. Mostrou saber jogar com os pés e exibiu segurança, mas não chegou a ser posto à prova.

Esta não foi a única novidade que o treinador introduziu no onze. Retirou Gyökeres, remetido ao banco como precaução contra a fadiga muscular. Trocou St. Juste pelo regressado Gonçalo Inácio, recuperado após um mês de paragem: canhoto, é ele o titular natural como central do lado esquerdo. E experimentou Debast como médio interior, em inédita parceria com Morten. Resultou.

 

A história do jogo acaba por ser a história dos golos. Dos que entraram e dos que só foram evitados devido a uma exibição do outro mundo do guardião do Rio Ave, o polaco Miszta. Foi ele a travar um duelo intenso com vários dos nossos jogadores, vencendo-os quase todos. Que o diga Harder, sempre inconformado: tentou, tentou, tentou, mas não conseguiu metê-la lá dentro. Aos 10', 39', 58', 67' e 69'. Tal como Trincão num pontapé de ressaca, aos 70'. E Morten por duas vezes, aos 11' e aos 60'.

No entanto, o improvável herói do jogo não foi capaz de impedir que ela trepassasse três vezes a baliza à sua guarda. 

A primeira, traído por autogolo do seu colega de equipa Anderllan Santos. Aconteceu logo aos 3', dando o mote para o que seria a partida. Outro central, o argentino Petrasso, cometeu penálti em lance de insistência de Harder. O vídeo-árbitro Vasco Santos alertou, o árbitro Luís Godinho validou. Chamado a converter, Morten não vacilou: aos 23' vencíamos 2-0. E assim chegámos ao intervalo.

 

No recomeço, ao contrário do que sucedeu em Guimarães, a equipa não abrandou o ritmo, não afrouxou o passo, não concedeu iniciativa ao adversário. Continuou a jogar em posse, vencendo sucessivos duelos individuais, procurando sempre o caminho mais curto para a baliza rioavista. Com notável acerto dos corredores laterais - sobretudo o esquerdo, confiado a Maxi Araújo e Quenda. O extremo-esquerdo, com apenas 17 anos, espalhou magia no relvado. Foi, claramente, o melhor dos nossos. No drible, no passe, na mudança de velocidade, no espírito de grupo que tão bem personifica. Só lhe faltou o golo, que quase aconteceu aos 38', num remate cruzado: a bola embateu no ferro.

Rui Borges fez algumas mudanças, todas resultaram. Debast, já fatigado, deu lugar a João Simões aos 68'. O reaparecido Daniel Bragança substituiu Geny aos 81' e, em simultâneo, saía Harder para entrar Gyökeres.

Nem de propósito. Num rápido e acutilante lance ofensivo, Daniel assistiu e Viktor marcou, fixando o resultado aos 88'. Nem assim o sueco se conformou: aos 90'+2 ainda levou a bola a embater no poste.

 

Não há melhor tónico do que a vitória.

E nada melhor para isso do que jogar bem, sem complicar, à imagem e semelhança do nosso técnico, um dos mais tranquilos treinador da Liga portuguesa. Alguém que não se queixa - nem das arbitragens, nem das lesões, nem da chuva ou do vento.

Rija têmpera de transmontano que contagia a equipa. Nem parece a mesma que perdeu contra Santa Clara e Moreirense no tal interregno que nenhum de nós quer recordar.

 

Breve análise dos jogadores:

Rui Silva (5) - Estreia tranquila. A tal ponto que nem chegou a fazer uma defesa. Mas demonstrou segurança e bom jogo de pés, atributos que nos faziam falta entre os postes.

Fresneda (6) - Parece ter agarrado o lugar na lateral direita após duas contratações falhadas para o mesmo posto. Foi numa jogada de insistência dele que nasceu o primeiro golo.

Diomande (7) - Baluarte da nossa muralha defensiva. Cada vez mais acutilante também nos passes longos, bem colocados. Impõe o físico nos duelos individuais.

Gonçalo Inácio (7) - Voltou de lesão e desfez qualquer dúvida: será ele o titular como central à esquerda. Dos pés dele a bola saiu quase sempre bem direccionada, queimando linhas.

Maxi Araújo (7) - Domínio absoluto no nosso corredor esquerdo defensivo. Articulação perfeita com Quenda do meio-campo para a frente. Notável lance individual na grande área aos 52'.

Geny (5) - É um dos tecnicistas do plantel. Mas abusa do individualismo, mesmo quando tem colegas mais bem posicionados. Falha recorrente nele que voltou a demonstrar nesta partida.

Debast (7) - Inesperado joker no baralho do treinador: o central belga tornou-se influente médio-centro. Acorreu às dobras na esquerda e municiou a linha avançada com passes bem medidos.

Morten (8) - Chamado a converter o penálti aos 23', não vacilou: o 2-0 foi dele. Muito activo nas manobras de pressão, viu o guarda-redes impedir-lhe dois golos (11' e 60'). Eficaz nos desarmes.

Quenda (8) - Só lhe faltou o golo, que quase concretizou ao levar a bola ao ferro (38'), para ter exibição perfeita. Intervém no lance do primeiro. Serviu Harder três vezes. O melhor Leão.

Trincão (5) - Trabalhou bem para a equipa, mas dele exige-se um suplemento de criatividade. Só deu nas vistas num remate de ressaca aos 70', que acabou travado pelo guardião Miszta.

Harder (5) - Esforçou-se muito, mas foi vítima do excesso de ansiedade. A vontade de marcar era enorme, nesta sua estreia como ponta-de-lança titular na Liga. Sacou o penálti aos 29'.

João Simões (5) - Substituiu Debast aos 68'. Seguro, certinho, não se esquiva ao choque e ousa até algumas acções ofensivas. Vai ganhando maturidade.

Gyökeres (7) - Saltou do banco aos 81, rendendo Harder. Aos 88', marcava o terceiro, fechando a conta. Ainda viu Miszta negar-lhe o golo aos 90'+2 ao desviar para o poste esquerdo.

Daniel Bragança (6). Em boa hora regressou de lesão. Rendeu Geny aos 81'. Aos 88' assistiu Gyökeres no golo, confirmando a sua inteligência táctica e a sua arguta visão de jogo.

Esgaio (-). Substituiu Trincão aos 89'. Só o jornal Record lhe atribui nota: bastou-lhe tocar uma vez na bola para justificar 1 deste jornal, que pelos vistos não receia cair no ridículo.

Houve de tudo, da euforia ao desespero

V. Guimarães, 4 - Sporting, 4

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Viktor marcou mais três: já tem 21 na Liga e 30 no conjunto da temporada que ainda vai a meio

Foto: Hogo Delgado / Lusa

 

Este desafio em Guimarães pode ser adjectivado das mais diversas maneiras. Para alguns, foi um excelente jogo. Para outros, foi péssimo. Ou assombroso. Ou um hino ao futebol de ataque. Ou calamitoso. Ou o naufrágio dos sistemas defensivos.

Ou surpreendente. 

Depende dos pontos de vista. Para os adeptos de ambos os clubes, foi uma montanha-russa de emoções em cerca de cem minutos disputados no relvado do Estádio D. Afonso Henriques. Passou-se da euforia ao desespero, ou vice-versa. No fim, prevaleceu o equilíbrio. Não há justiça em futebol. Mas, se quisermos ver as coisas por esse prima, talvez o inédito 4-4 registado ao soar o apito final tenha sido o desfecho mais justo.

Surpreendente foi, de certeza. Nunca a equipa vitoriana nos tinha marcado quatro golos para o campeonato naconal, nunca tínhamos vindo de lá com quatro encaixados  - três dos quais num péssimo quarto de hora para as nossas cores, entre os minutos 70 e 85. Valeu-nos Trincão ao marcar o golo da noite de anteontem - autêntica obra de arte destinada a correr mundo - precisamente no último suspiro.

Quantas vezes perdemos um jogo com um golo sofrido no instante final? Desta vez empatámos. Trouxemos um ponto de lá, do mal o menos.

 

E no entanto dificilmente poderíamos ter começado melhor. Com Viktor Gyökeres a pôr termo ao breve jejum de golos, que só durou dois jogos: ainda não se havia concluído o segundo minuto, já ele a estava a meter no sítio certo. Correspondendo da melhor maneira a um passe bem medido de Quenda, desta vez a funcionar como médio-ala esquerdo.

O craque sueco repetiu a dose aos 14'. Rápido lance de ataque, novamente pelo corredor esquerdo, com Morita a lançar Quenda e de novo o jovem nascido há 17 anos em Bissau a fazer um passe letal para o bis de Viktor.

Anunciava-se goleada em Guimarães.

Pelo meio, aos 7', marcaram eles. Livre directo muito bem cobrado por Tiago Silva, ainda a considerável distância da nossa baliza. Israel esteve duas vezes mal na fotografia. Compôs mal a barreira, ordenando que só lá estivessem três colegas, e partiu tarde para a bola, que nem levava excessiva força: bastaria um passo à direita para tê-la travado. Mas teria de ser no momento certo, o que não aconteceu.

 

Assim atingimos o intervalo: 1-2. Controlávamos a partida, consolidava-se a ideia de que viríamos com três pontos. E mais forte se tornou esta convicção assim que marcámos o terceiro, no minuto 57, coroando a mais bela jogada colectiva do desafio. Desta vez iniciada à direita, por Geny, e em que intervieram também Trincão e Quaresma, depois Maxi Araújo a partir da esquerda com cruzamento a sobrevoar a área, Morita a elevar-se muito bem e Gyökeres a dizer.-lhe «arigato» enquanto a encaminhava para as redes, rasteirinha. 

A partir daí, deram-se dois factos simultâneos: vários dos nossos começaram a rebentar fisicamente e recuámos 30 metros, concedendo iniciativa aos de Guimarães. Rui Borges, neste regresso a um estádio onde já foi feliz, trocara Quenda por Maxi aos 55', mas já outros imploravam substituição. Morita, por exemplo, esteve 20 minutos a mais em campo.

Quase de rajada, sofremos três.

70': Matheus Reis foi batido em corrida por Arcanjo. Este cruzou à vontade para Kaio César, que disparou o tiro frente à baliza, livre de marcação.

82': João Mendes igualmente solto na área marcou um golaço. Morten ainda tentou travá-lo, sem conseguir.

85': O recém-entrado Dieu-Merci, terceiro ou quarto na hierarquia dos avançados vitorianos, deixou Matheus nas covas e disparou quase à queima-roupa, com Israel paralisado: o guardião uruguaio não tentou sequer cortar-lhe o ângulo de remate.

 

Foi a tal montanha-russa de emoções. Passámos da alegria à frustração, quase ao desespero. Valeu-nos os 6 minutos extra concedidos por João Gonçalves - excelente arbitragem - e a arte de Francisco Trincão, neste seu sexto golo marcado na Liga 2024/2025. Golo útil, que parecia caído do céu.

Não é a mesma coisa perder ou empatar. Há um ano, perdemos no mesmo estádio - com arbitragem delituosa do famigerado João Pinheiro. Desta vez trouxemos um pontito que pode dar muito jeito para as contas finais. Com o Benfica a naufragar (esse sim) na Luz, perante o Braga, e o Porto envolto em nevoeiro na Choupana, continuamos no comando da Liga agora que caiu o pano da primeira volta.

Onze dias após ter partido de Guimarães - onde agora lhe chamam "fugitivo" e "traidor" - Rui Borges recebeu insultos num estádio com mais de 26 mil espectadores. Já esquecidos, quase todos, da forma competente como ele montou e orientou a equipa: os quatro golos ao Sporting são a melhor prova disso. A excelente carreira internacional do Vitória, com dez triunfos na Liga da Conferência, é outra - entretanto diluída na amnésia colectiva das bancadas.

Esta é a outra face da festa do futebol: a do fanatismo, a do extremismo, a do sectarismo à solta. Uma face que de festivo não tem nada. 

 

Breve análise dos jogadores:

Israel (3) - Culpa em dois golos sofridos. No primeiro orientou mal a barreira e fez-se tarde ao lance. No segundo ficou paralisado, mostrando-se incapaz de fazer a mancha.

Eduardo Quaresma (5) - Tem atitude, o que lhe fica bem: rompeu duas vezes linhas levando a bola para diante, como um extremo. Mas fez passes precipitados, fruto do nervosismo.

Diomande (4) - Nem parecia o mesmo que defrontou o Benfica. Entregou a bola aos 6', forçando Quaresma à falta: deu golo. Deixou fugir Gustavo em zona perigosa (13'). Voltou a entregar (52').

St. Juste (5) - Pareceu desconfortável na nova parceria com Diomande como central. Foi cortando e aliviando como podia, na torrente vitoriana da segunda parte. 

Matheus Reis (3) - Arcanjo disse-lhe adeus e galopou pelo nosso corredor esquerdo, aos 70': nasceu daí o segundo deles.  No quarto, aos 85', limitou-se a marcar Dieu-Merci com os olhos.

Morten (4) - Contribuiu, com a sua apatia, para dois golos vitorianos: no segundo permitiu que Kaio se movimentasse à vontade; no terceiro falhou cobertura a Mendes no centro da área.

Morita (6) - Foi um dos melhores enquanto teve pilhas. Lança Quenda em corrida no segundo golo e assiste Gyökeres de cabeça, dentro da área, no terceiro. Acudiu à defesa. Depois quebrou.

Geny (5) - Demasiado discreto após ter sido o melhor contra o Benfica. Disparou tiro aos 5': Varela defendeu. Foi fechando a ala direita, tentando articular com Quaresma, mas sem brilho.

Quenda (6) - Dois passes para golo no quarto de hora inicial. No segundo, também recupera a bola antes de a passar a Viktor. Foi perdendo duelos com Alberto junto à linha esquerda até sair.

Trincão (7) - A nota justifica-se pelo belíssimo golo que marcou aos 90'+5. Remate em arco, indefensável, que nos valeu um ponto. Já tinha sido ele a recuperar bola no lance do terceiro.

Gyökeres (9) - Que mais dizer? Há que tirar-lhe o chapéu: melhor em campo, mais três golos. Até hoje marcou 73 em 77 jogos de leão ao peito. Ainda está entre nós e já se tornou lenda.

Maxi (5) - Substituiu Quenda (55'). Esteve no melhor ao cruzar para o nosso quarto golo. Também esteve no pior: incapaz de fechar a ala esquerda, deixou Matheus ainda mais desamparado.

João Simões (5) - Substituiu Geny aos 79'. Destacou-se no minuto final com um passe longo, a queimar linhas, no lance de que resultaria o golo do empate.

Fresneda (3) - Rendeu Quaresma (86'). Nada fez para melhorar a equipa. Nervoso e quezilento, viu o amarelo aos 90'+3, fazendo-nos perder tempo precioso quando perdíamos 4-3.

Harder (4) - Substituiu um exausto Morita aos 86'. Tentou responder de cabeça ao centro de Maxi, no decisivo lance final, mas apenas conseguiu roçar a bola. Felizmente Trincão estava lá.

Sem complexos, sem receio: Leão é assim

Sporting, 1 - Benfica, 0

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Geny fez a diferença ao marcar o golo. Garantiu três pontos e o regresso do SCP ao comando

Foto: Lusa

 

Foi uma das melhores primeiras partes do Sporting nesta época que vai quase a meio. Foi também a primeira com o novo treinador no banco: Rui Borges.

Alguém acredita em coincidências?

Pois eu também não. A nossa equipa, que vinha definhando e protagonizando pálidas exibições nas semanas precedentes, ressurgiu no momento certo, contra o adversário mais difícil. Dando a resposta mais adequada.

O Benfica, fruto da nossa pressão constante, fez a pior primeira metade da temporada a nível nacional. E sofreu a primeira derrota em 2024/2025 sob o comando de Bruno Lage para o campeonato.

Foi a Alvalade e naufragou. Chegou lá pouco depois de ter assumido o comando da prova, saiu de lá em terceiro.

"É a vida" - dirão alguns, crentes nos insondáveis caprichos do destino. É a competência - digo eu.

 

Este Sporting que entrou em campo no domingo à noite, 29 de Dezembro, era-nos familiar. Mas, ao mesmo tempo, pareceu irreconhecível. Por vários motivos.

Desde logo por se ter apresentado em campo com uma linha defensiva formada por quatro jogadores: Diomande e St. Juste ao meio, Quaresma à direita, Matheus à esquerda. Depois, por ter dois alas que funcionaram como extremos: Geny à direita, Quenda à esquerda. Finalmente, terá sido o onze leonino com menos canhotos dos últimos quatro anos. Contei quatro: Matheus, Geny, Quenda e Trincão. 

Dir-se-á: foi mudança subtil. Mas demonstra como Rui Borges, com apenas três dias de treino, não hesitou em imprimir a sua marca neste Sporting que continua a sonhar com o bicampeonato. Os quatro jogos sob a batuta de João Pereira, com oito pontos perdidos, foram fugaz percalço neste percurso.

 

Nunca tinha visto um SLB tão frágil este ano, a nível interno.

Durante toda a primeira parte, a turma visitante esteve sufocada pela intensa pressão dos nossos jogadores. Pelos flancos e pelo corredor central, onde Morita várias vezes actuou como quinto elemento na manobra ofensiva, forçando o erro dos encarnados, que mal saíam dos primeiros 30 metros.

Num destes lances colectivos nasceu o golo do triunfo que nos valeu três pontos e o regresso à liderança do campeonato.  Lançamento lateral, à esquerda: Quenda dirige a bola para Gyökeres, que conquista o espaço a Tomás Araújo, deixa o central encarnado para trás e leva a bola a percorrer em largura quase todo o reduto benfiquista com Geny, vindo de trás, a  metê-la lá dentro. Perante um Carreras atónito com tanta eficiência leonina.

 

Este foi o momento do jogo. Também o momento que definiu o herói da partida: Geny, que já no campeonato anterior havia bisado frente ao Benfica, aliás com um golo muito semelhante a este, mas com Pedro Gonçalves no papel de Gyökeres.

Assim culminou o virar de página: Rui Borges mostrou ser possível fazer muito com o que há. Sem culpar lesões, postes ou arbitragens. 

Nesse primeiro tempo o Sporting esteve sempre por cima. E aproximou-se pelo menos duas vezes do 2-0. Por Quenda, aos 17'. E por Gyökeres, aos 40'. Nenhum deles falhou. Quem brilhou foi Trubin, com duas espectaculares defesas entre os postes. O guardião ucraniano foi, de longe, o melhor elemento benfiquista.

Os números confirmam: nos 45 minutos iniciais roubámos cinco vezes a bola ao adversário nos primeiros 30 metros a contar da baliza encarnada. Nada de semelhante se passou na situação inversa. Nem andou lá perto.

 

Na segunda parte houve mais equilíbrio. O Sporting atenuou a pressão: não havia condições para manter aquele ritmo tão intenso. A quebra física de Morita por volta da hora de jogo, primeiro, e do excelente Eduardo Quaresma, cerca de dez minutos depois, ditaram novo rumo à partida. Mas a nossa equipa jamais se desorganizou nem recuou linhas sem manter o controlo das operações. Consentindo o domínio ao rival sem nunca se desconcentrar.

É verdade que neste período o Benfica teve uma grande oportunidade de golo, por Amdouni. Mas só essa. No quarto de hora final, já com eles cansados, tivemos duas. Num ataque fulminante de Geny, aos 85', e num tiro de Gyökeres, aos 88'.

Mais importante ainda: com o novo sistema posto em prática no Sporting, Rui Borges surpreendeu Bruno Lage e vulgarizou os desequilibradores da equipa rival. Os números comprovam: Di María perdeu 22 vezes a bola, Akturkoglu ficou sem ela 16 vezes.

 

Em suma: acabamos de derrotar o Benfica pela terceira vez consecutiva, em duas provas, o que não sucedia desde 1994-1996. Recuperámos a liderança da Liga que só nos fugiu durante cinco dias, naquele interregno que não passou de um equívoco. 

Mantemos os mesmos 40 pontos que tínhamos na Liga 2023/2024. Mas agora com mais golos marcados (44, contra 37 há um ano) e menos golos sofridos (apenas 10, contra 17 na mesma fase do campeonato anterior).

Melhor que tudo: os jogadores adaptaram-se muito bem ao novo sistema táctico que Rui Borges trouxe para Alvalade. Sem complexos, sem receio, sem pedir licença a ninguém.

Leão é mesmo assim.

 

Breve análise dos jogadores:

Israel (7) - Cumpriu: duas grandes defesas, aos 26' e aos 56'. Teve muito menos trabalho do que Trubin.

Eduardo Quaresma (7) - Adaptou-se bem a lateral: sete desarmes, 91% de passes certos. Notável a sair, conduzindo a bola. Saiu exausto, aos 71'.

Diomande (8) - Comandante-em-chefe da defesa leonina: desempenho impecável. Aos 67, num movimento veloz, anulou incursão de Di María: comemorou como um golo.

St. Juste (7) - Formou súbita parceria com o jovem marfinense. Combinaram muito bem no centro da defesa. Veloz nas dobras, como se impunha.

Matheus Reis (7) - Tinha como missão anular a dinâmica ofensiva de Di María no corredor direito encarnado. Missão bem-sucedida, forçando o argentino a procurar outras paragens.

Geny (8) - Voltou a fazer a diferença, como na época anterior contra o SLB e já nesta Liga contra o FCP. Marcou o golo decisivo (29'). Encostou Carreras às cordas. Rende mais neste sistema.

Morten (8) - Um gigante: parece sentir prazer especial em jogos grandes. Impôs-se a Florentino, venceu o duelo no meio-campo, distribuiu em várias direcções. Nove recuperações são dele.

Morita (7) - Regressou ao onze, após lesão, como joker de Rui Borges. Excelente primeira parte, a ligar sectores com notável precisão de passe. Compreensível quebra física no segundo tempo.

Quenda (7) - Na posição em que menos rende, à esquerda, foi essencial na pré-assistência (lançamento lateral) para o golo. Anulou Bah. O mais jovem leão de sempre a jogar contra SLB.

Trincão (6) - Em dia de aniversário, actuou próximo de Gyökeres como interior direito, ajudando a baralhar marcações. Não marcou nem deu a marcar, mas pôs Otamendi em sentido.

Gyökeres (7) - Combativo, voltou a atacar a profundidade, como tanto gosta. Num desses lances, fez o excelente passe para o golo. Mais um. Venceu por completo o duelo com Tomás Araújo.

Maxi Araújo (5) - Entrou aos 71' para render Quenda. Sem mostrar mais atributos técnicos e tácticos do que o benjamim da equipa. 

João Simões (5) - Substituiu Morita aos 71'. Cumpriu no essencial, sem rasgo, numa altura em que se impunha sobretudo contenção ofensiva e retenção de bola.

Fresneda (4) - Saltou do banco para render Quaresma (71'). Lateral de origem, não potenciou este atributo. Ganhou um duelo mas perdeu três. Não parece ter qualidade para este plantel.

Harder (4) - Substituiu Trincão aos 81'. Não foi feliz nestes escassos minutos em que pôde disputar o clássico. Falhou um cruzamento aos 86'.

Caiu o pano sobre a fugaz era João Pereira

Gil Vicente, 0 - Sporting, 0

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Gyökeres tentou sem conseguir: ficou em branco contra equipa de Barcelos. A culpa não foi dele

Foto: Manuel Fernando Araújo / EPA

 

Este foi o jogo que apressou a inevitável queda de João Pereira, que vários de nós antecipámos aqui com a devida antecedência. Quase todos reconhecem agora que o ex-técnico da nossa equipa B - sem um minuto de experiência anterior no plantel principal nem habilitação para o efeito - nunca devia ter sido apresentado nos moldes em que o foi pelo presidente do Sporting. Nem estava qualificado para o efeito, nem tinha sido preparado para isso, nem revelou qualquer atributo que o recomendasse para o cargo. 

João Pereira, logo na primeira declaração à imprensa, aludiu a «erro de casting», numa declaração que poucos entenderam. Estaria, no fundo, a falar de si próprio. 

Como os números tornam evidente. Em oito desafios sob a sua orientação, a equipa principal do Sporting só conseguiu ganhar dois ao fim dos 90 minutos: goleada ao Amarante, equipa da terceira divisão composta por jogadores não-profissionais, e triunfo tangencial e muito esforçado em Alvalade ao débil Boavista que parece condenado à descida de divisão.

Nenhuma vitória fora de casa. 

 

Alguns adeptos - cada vez menos - pareciam continuar a apostar nele, com fé cega nesta opção errada de Frederico Varandas. Mas nem árbitros, nem postes, nem infortúnio, nem jornalistas ou comentadores e muito menos a "pesada herança" de Amorim podem explicar a pobreza técnica, táctica, física e anímica da equipa principal do Sporting neste mini-ciclo que não deixa a menor saudade. 

Impunha-se virar a página. E ela foi virada, creio que ainda a tempo. Mas só após oito pontos perdidos para o campeonato nacional, seis outros a voar para a Liga dos Campeões e a liderança da Liga 2024/2025 para já entregue ao Benfica, reeditando o pesadelo de Natais passados. 

 

Todas as deficiências deste Sporting da brevíssima era João Pereira foram manifestas na nossa deslocação a Barcelos domingo passado, dia 22.

Incapacidade de criar dinâmicas, de ligar sectores, de jogar sem bola. Um central em má condição física, Eduardo Quaresma, escolhido para o onze inicial - e substituído ao intervalo por impossibilidade de continuar em campo. Um miúdo da B, Mauro Couto, passando à frente do inexperiente Edwards quando era necessário um criativo que desatasse o nó ainda com 12 minutos para jogar. Outro miúdo, João Simões, mantendo-se colado a Morten sem missão para romper linhas. Gyökeres perdido lá na frente, sendo quase só solicitado para jogo de cabeça, precisamente a menor das suas virtudes como atacante.

O onze leonino voltou a mostrar-se apático, triste, sem rasgo nem chama. Espelho afinal daquela alegada equipa técnica que se sentava no banco.

 

Chegou-se ao intervalo em branco: nenhuma verdadeira oportunidade de golo. Apesar do constante incentivo dos adeptos, presentes em grande número entre os cerca de 9 mil espectadores no estádio gilista.

Depois do intervalo, a equipa mostrou-se mais veloz. Mas a defesa adversária levou sempre a melhor. Aos 67', o guarda-redes Andrew voou para impedir o golo de cabeça de Harder, a passe de Trincão. Aos 81', o brasileiro voltou a brilhar esticando-se para desviar in extremis a bola tocada por Trincão que levava selo de golo.

Foi pouco, muito pouco.

 

Caiu o pano. Sobre um jogo de que não rezará a história. Foi apenas o quarto empate a zero do Sporting nas últimas 229 partidas - bem diferente da nossa goleada por 4-0, no mesmo estádio, há apenas oito meses, já na recta final do campeonato anterior.

Segundo jogo em branco, após a derrota em casa (0-1) frente ao Santa Clara.

Três jogos seguidos sem vencer fora de Alvalade - registo inédito nesta temporada. 

Média de pontos acumulados nas últimas quatro partidas da Liga 2024/2025: apenas um. Doze em disputa, só quatro amealhados. 

Pior: vemos o Benfica ultrapassar-nos no comando e assumir a liderança isolado. Algo que não acontecia desde 27 de Maio de 2023, 49 jornadas atrás, quando os encarnados eram orientados pelo alemão Roger Schmidt.

Caiu o pano também para o breve consulado João Pereira. Um equívoco de Varandas que nunca devia ter acontecido.

 

Breve análise dos jogadores:

Israel (6) - Cumpriu, quase sem ser importunado. Bons reflexos aos 90'+4, a tiro de Félix Correia.

Eduardo Quaresma (3) - Missão de sacrifício pelo segundo jogo consecutivo. Saiu ao intervalo, com queixas físicas. Nem devia ter calçado.

Diomande (6) - Regressou ao onze titular, como se impunha. Domínio do jogo aéreo. Ganhou quase todos os duelos.

Debast (6) - Cortes eficazes as 17' e 44'. Qualidade evidente nos passes à distância. Serviu bem Gyökeres (18'), Araújo (36) e Geny (70').

Quenda (5) - Voltou à posição de ala direito. Excelente variação de flanco servindo Araújo, aos 10'. Menos bem em missões defensivas. 

Morten (7) - Esteio no meo-campo, destacando-se em oito recuperações. Foi ele a orientar também as posições de alguns colegas. Controlou espaço, O melhor dos nossos.

João Simões (5) - Esforçado, mas insuficiente. Perdeu demasiadas vezes a bola. Abusa dos passes laterais. Tem muito a aprender com Morten.

Maxi Araújo (4) - Talvez funcione como extremo, não serve como ala. Acumulou más decisões. Chegou a escorregar quando transportava a bola. Tarda em impor-se.

Trincão (7) - Não está "morto", como disse Varandas. Apesar dos 2226' já jogados. Passe-assistência para Harder (67') e quase marcou ele próprio (81'). Fez Andrew brilhar.

Harder (5) - Quase marcou de cabeça, mas o guardião gilista não deixou. Pareceu peixe fora de água como interior esquerdo: não é Pedro Gonçalves quem quer.

Gyökeres (5) - Muito condicionado pelo médio Gbane, que tinha a missão de o vigiar. Foi contra ele que cabeceou aos 10'. Sem oportunidades flagrantes.

Matheus Reis (5) - Substituiu Eduardo Quaresma após o intervalo. Com maior capacidade de transporte.

Geny (6) - Rendeu Quenda aos 66'. Remate a rasar o poste (70'). Desequilibrou na ala direita, talvez devesse ter entrado mais cedo. 

Mauro Couto (4) - Entrou aos 87', rendendo Araújo. Esquerdino à direita, com Edwards no banco, atrapalhou-se com a bola aos 90'+2 quando pretendia rematar. Nada acrescentou.

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