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És a nossa Fé!

Outra vitória arrancada a ferros

Sporting, 2 - Vizela, 1

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Porro acaba de marcar o golo da nossa vitória muito sofrida frente ao Vizela

Foto: António Pedro Santos / Lusa

 

Parece sina nossa esta época: fechamos a primeira volta do campeonato com outra exibição cheia de momentos a roçar a mediocridade, com jogadores que não cumprem os mínimos em campo. Frente a uma equipa com um orçamento incomparavelmente inferior ao nosso (já que agora a moda é comparar orçamentos), vimo-nos aflitos para marcar um golito, que só surgiu quando estava decorrida quase uma hora de jogo. Depois, como é costume, recuámos muito no terreno e deixámos a turma adversária crescer - e marcar. E lá voltou o carrossel dos aflitos, incluindo o capitão Coates em "comissão de serviço" lá na frente, tentando nos dez minutos finais conseguir aquilo que Paulinho foi incapaz de fazer.

Valeu-nos um penálti. Mais um, pelo segundo jogo consecutivo. Obtido já nessa fase do desespero, em que o mandamento táctico parecia ser "tudo lá na frente e seja o que Deus quiser". As orações foram escutadas: a grande penalidade caiu do céu ao minuto 90'+5. Mas concretizada de modo impecável, num pontapé bem terreno. Não por um avançado, mas por um defesa. O nosso lateral direito Pedro Porro, que podemos estar quase a perder para um emblema da Premier League.

Mais um, após Palhinha e Matheus Nunes. Parece sina também.

 

E no entanto até entrámos a pisar o acelerador, reagindo com eficácia à pressão alta que os vizelenses ousaram fazer naqueles minutos iniciais em Alvalade. Conseguimos esticar o jogo e colocar a bola lá na frente. O problema, para não variar, ocorreu na zona decisiva, a de finalização. Logo aos 5', Paulinho teve soberba oportunidade de abrir o marcador: fez tanta pontaria que acertou, isolado, na cabeça do guarda-rede.

Seguiu-se um festival de desperdício que pôs os nervos em franja nas bancadas de Alvalade, escassamente povoadas: apenas 23 mil espectadores na noite fria de anteontem - incluindo cerca de meio milhar de adeptos do Vizela. Jogo iniciado às 21.15 - horário absurdo para Inverno, mesmo sendo sexta-feira. Não admira que tenha sido o pior registo da temporada, até ao momento, em número de lugares preenchidos no nosso estádio.

 

Foi exasperante continuar a ver tanto golo desperdiçado naquela primeira parte que terminou com o resultado ainda em branco. Paulinho voltou a ter o golo nos pés ou na cabeça sem conseguir dar a melhor sequência à bola: ou mandava para fora ou lhe acertava tão de raspão que aquilo resultava em nada. Aos 20', 32' e 44'. Trincão seguia-lhe o exemplo, com um par de clamorosos falhanços aos 11' e aos 19'.

Ouviam-se os primeiros assobios. E não faltou quem gritasse «Joguem à bola!»

Rúben Amorim decidiu mexer mais cedo do que é costume. Deixou no balneário o inconsistente Edwards, que por vezes parece alheado do jogo, e mandou entrar Morita - regresso aplaudido após longa lesão na sequência do Mundial do Catar, onde esteve em evidência. O japonês deu estabilidade ao meio-campo, onde faz boa parceria com Ugarte. E permitiu libertar Pedro Gonçalves para o lugar onde mais rende: lá na frente.

Sem surpresa, voltou a ser o transmontano a desbloquear o jogo. Mostrando a Paulinho e a Trincão como se faz: recebido mais um centro milimétrico de Porro, meteu-a lá dentro ao primeiro toque, à ponta-de-lança. Estavam decorridos 59 minutos. Podia-se respirar enfim de alívio em Alvalade.

 

Mas não por muito tempo. Porque o segundo golo ia tardando. Paulinho, puxando a culatra atrás, ensaiou um golo artístico. Faltou-lhe apenas o essencial: a pontaria. Seria um grande golo, esse, aos 63'. Se entrasse. O problema é que a bola foi direita ao poste - e voltou a não entrar.

Percebemos que o problema é mesmo grave sempre que o treinador decide mandar sair Trincão. Tinha sucedido isso já aos 56', quando o minhoto deu lugar a Arthur, que mostrou mais acutilância e menos displicência. Substituição que só pecou por tardia: devia ter ocorrido logo ao  intervalo. 

Talvez também por instruções do treinador, a equipa foi cedendo terreno ao Vizela.

Estaríamos já a defender o magro 1-0 quando faltava jogar meia hora? Podia não ser, mas parecia.

 

Foi nesse contexto que surgiu o golo adversário. Com toda a linha defensiva a parar, quando a bola saiu dos pés de um vizelense e foi embater noutro vizelense após ter tabelado de modo fortuito no árbitro. Os nossos detiveram-se, reclamando bola ao solo, esquecendo-se que o jogo só pára quando se ouve o apito. Os adversários prosseguiram e ela lá foi anichar-se nas redes, com Adán batido à queima-roupa.

Instalava-se o nervosismo novamente, em doses reforçadas. Paulinho via amarelo por protestos, a frase «somos sempre roubados» ia sendo proferida nas bancadas. Até que, talvez para contrariar tal convicção de muitos adeptos, conseguimos um penálti mesmo ao cair do pano: um puxão ostensivo à camisola de Coates e um pontapé acima da cintura atingindo Paulinho na cabeça deram origem ao castigo máximo, sancionado pelo vídeo-árbitro.

Rui Costa apitou para a marca dos 11 metros, tal como Artur Soares Dias fizera no domingo anterior, no clássico da Luz.

 

E Porro voltou a ser herói. Foi ele a querer marcar, naquele instante decisivo. Foi ele a arrancar a ferros estes três pontos que nos permitem consolidar o quarto lugar, agora com o Casa Pia um pouco mais distante. Foi ele a tornar possível a nossa primeira vitória de 2023 - após derrota no Funchal e o empate na Luz. Foi ele a demonstrar ser um dos raros heróis leoninos desta triste primeira volta do campeonato.

Foi ele a festejar de modo tão exuberante, voltando-se para os adeptos enquanto levava a mão ao emblema, que fiquei com a convicção de que o teremos entre nós pelo menos até Maio. Que seja assim, desejamos todos. Do mal o menos.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Podia ter feito melhor no lance do golo? Podia. Mas o remate seco foi disparado tão perto que seria muito difícil travá-lo. De resto, atento e competente entre os postes.

Gonçalo Inácio - Foi um dos que pararam, reclamando bola ao solo, no lance do golo sofrido. Comportamento digno de uma defesa amadora, não profissional. Lamentável.

Coates - Também claudicou naquele momento decisivo, mas destacou-se em cortes e desarmes. Missão de sacrifício nos 10 minutos finais, como ponta-de-lança improvisado.

Matheus Reis - Destacou-se pela positiva num lance crucial: aos 59' foi lá à frente, como um extremo, e cruzou da esquerda para o centro, movimento crucial no nosso primeiro golo.

Porro - De longe o melhor em campo. Uma assistência (já soma onze) e um golo. Além de uma mão-cheia de cruzamentos que outros desperdiçaram. Impossível pedir-lhe mais.

Ugarte - Sólido no meio-campo, vital a estancar movimentos ofensivos do adversário, funcionou muito melhor com Morita do que com Pedro Gonçalves. Só lhe falta golo.

Nuno Santos - Foi pouco exuberante, algo discreto. Tentou a meia-distância aos 22': a bola rasou a barra. Excelente passe vertical aos 27'. Saiu por motivos tácticos aos 87'.

Pedro Gonçalves - É evidente que rende muito mais lá na frente, integrando o trio de avançados, do que no meio-campo. Marcou aos 59'. Isola-se como artilheiro da equipa.

Edwards - Marcou de forma displicente um canto aos 16', como se estivesse a jogar na praia. Falta-lhe intensidade na disputa da bola. Foi substituído ao intervalo, sem surpresa.

Trincão - Ouviu assobios ao falhar o segundo golo cantado, aos 19', optando por um passe ao guarda-redes. Já haviado falhado aos 11'. Saiu sem palmas nem glória aos 56'.

Paulinho - É bom a conquistar penáltis: voltou a acontecer aos 89'. Menos bom a marcar golos. Mandou uma bola ao poste, outra à cara do guarda-redes. Mais um jogo em branco.

Morita - Muito aplaudido, regressou aos 46' após mais de um mês afastado por lesão. Contribuiu para dar consistência ao meio-campo e maior eficácia na ligação ao ataque.

Arthur - Substituiu Trincão aos 56'. Menos apático e perdulário do que o minhoto, é ele a iniciar o nosso primeiro golo num passe a aproveitar bem a desmarcação de Matheus Reis.

Chermiti - Estreia em Alvalade, como jogador da equipa principal, substituiu Pedro Gonçalves aos 77'. Deu algum dinamismo à frente atacante. Parece promissor.

Tanlongo - Outra estreia, esta em absoluto de Leão ao peito. O reforço argentino rendeu Ugarte aos 77'. Parece ter bom toque de bola: passes acertados, denotando visão de jogo.

St. Juste - Substituiu Nuno Santos aos 87' para libertar Coates como avançado improvisado. Tempo insuficiente para mostrar o que vale ou o que não vale. 

Um empate que acaba por saber a pouco

Benfica, 2 - Sporting, 2

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Pedro Gonçalves comemora o segundo golo na Luz, que marcou de penálti

Foto: Rodrigo Antunes / Lusa

 

Foi uma exibição acima do que tem sido a nossa média no campeonato actual. Bem acima, aliás, nos primeiros 25 minutos. O Sporting começou muito bem este clássico no estádio da Luz - outro jogo com um rival directo disputado fora de casa na primeira volta da Liga 2022/2023, cujo calendário em nada nos favoreceu. Recordo que também os confrontos com FC Porto e Braga decorreram em casa das equipas adversárias.

Não era um confronto nada fácil: estamos perante o melhor Benfica da última década, muito bem orientado pelo actual técnico alemão. Os encarnados chegaram a estar 28 jogos sem vencer - facto digno de registo. 

Mas este SLB que anteontem defrontámos parece já longe do fulgor inicial. Não fez nada de relevante para justificar uma eventual vitória - tirando dois lances em que Gonçalo Ramos, mostrando-se ponta-de-lança competente, aproveitou da melhor maneira lapsos defensivos do Sporting. Aos 37' e aos 64'.

De qualquer modo, estivemos duas vezes em vantagem. Abrimos o marcador com um autogolo de Bah, aos 27', pressionado por Trincão - na sequência de um cruzamento milimétrico de Edwards. E voltámos a adiantar-nos aos 53', na marcação de um penálti, muito bem convertido por Pedro Gonçalves.

Dispusemos de duas outras excelentes oportunidades. A primeira, desperdiçada por Trincão aos 38', ao deixar-se antecipar por António Silva, vindo de trás, quando tinha a baliza à sua mercê. A segunda, aos 90'+2, com o estreante Chermiti a vacilar no momento da finalização. Ter-se-á deslumbrado e falhou: é algo que acontece com frequência a quem veste pela primeira vez a Verde e Branca na equipa principal. Nada que justifique forte censura.

 

Em resumo: a exibição não deslumbrou, o resultado não escandalizou. Embora na época anterior tenhamos vencido o Benfica por 3-1 na Luz.

O que nos faltou para conseguirmos os três pontos?

Faltou sobretudo maior consistência no sector defensivo, que tem feito a diferença para melhor noutras partidas. Coates desta vez não funcionou como pêndulo na definição das linhas do fora-de-jogo. Gonçalo Inácio falhou a marcação no primeiro golo, Matheus Reis teve uma abordagem deficiente no segundo.

Exibições muito positivas de Pedro Gonçalves, na transição do meio-campo para o ataque sem descurar o apoio à defesa. Também de Edwards na primeira parte, antes de rebentar fisicamente. E sobretudo de Ugarte, um poço de energia: está a tornar-se num novo Palhinha. Falta agora descobrir-se quem será o substituto dele. Existem alguns candidatos, mas a escolha ainda não está feita.

 

A entrada de Chermiti, aos 78', foi um dos factos marcantes deste jogo. Outro jovem oriundo da Academia leonina em quem Rúben Amorim aposta. Mesmo tendo feito apenas seis jogos nesta temporada pela equipa B e vindo de uma lesão algo prolongada. A estampa atlética do avançado (1,92m) parece impressionar o nosso treinador, consciente de que a falta de estatura dos jogadores é um dos nossos problemas do meio-campo para a frente.

O jovem nascido nos Açores, com apenas 18 anos, necessita de apurar a cultura táctica. Mas a verdadeira aprendizagem faz-se lá dentro, nos jogos a doer - como agora aconteceu. Mérito de Amorim por acreditar nele.

 

Este empate na Luz acabou por saber a pouco porque a vitória esteve perfeitamente ao nosso alcance e continuamos 12 pontos atrás do Benfica, líder da Liga. Mas um empate naquele estádio nunca poderá ser visto como resultado negativo.

Mau foi termos perdido 0-3 no Dragão no início deste campeonato.

Péssimas foram as derrotas absolutamente inesperadas que nos tiraram da corrida ao título. Perder com o Chaves (em casa), o Boavista, o Arouca e o Marítimo é inadmissível. Tal como é inaceitável sermos atirados fora da Taça de Portugal pelo Varzim.

 

Os jogos são para ganhar.

Podem ser ganhos ou não, mas nunca se entra em campo com outra atitude senão esta: querer vencer.

Sem dizer que os jogos «não contam para nada» ou que «nem vale a pena pois os árbitros roubam-nos sempre». Adeptos de um clube tão grande como os maiores da Europa não devem exprimir-se assim.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Transmitiu segurança à equipa ao anular três jogadas que levaram perigo à nossa baliza: a maturidade conta muito nestes clássicos. Sem culpa nos golos sofridos.

Gonçalo Inácio - Oscilante. Facilitou a progressão adversária no lance do primeiro golo que sofremos (o pior). Grande passe de ruptura a isolar Chermiti quase no fim (o melhor).

Coates - Faltou-lhe definir melhor a linha do fora-de-jogo, missão que costuma protagonizar com brilhantismo. Bons cortes aos 43' e aos 76' neste seu 14.º dérbi no Sporting.

Matheus Reis - Decisivo corte aos 61', neutralizando Rafa. Mas falhou a abordagem na jogada de que saiu o segundo golo encarnado, deixando Ramos movimentar-se à vontade.

Porro - Marcou de forma exímia um livre directo travado por Vlachodimos, logo aos 6'. E é ele a iniciar, com um toque de classe do seu pé menos bom, o lance do nosso primeiro golo.

Ugarte - Todo-o-terreno na linha daquilo a que Palhinha nos habituou. Melhora de jogo para jogo, vencendo sucessivos confrontos no nosso meio-campo. Foi o melhor dos nossos.

Nuno Santos - Muito assobiado cada vez que tocava na bola, mostrou-se bastante mais retraído do que o habitual. O desafio impôs-lhe prioridade às tarefas defensivas.

Pedro Gonçalves - Muitos furos acima das suas mais recentes exibições. Acutilante na construção ofensiva, transportando bem a bola. Marcou o segundo golo, de penálti.

Edwards - Momento alto: a assistência para o primeiro golo - curiosamente de pé direito, ele que é canhoto. Quinta assistência na Liga. Quebrou fisicamente no segundo tempo.

Trincão - O melhor: pressionou à boca da baliza, dando origem ao primeiro golo - marcado por Bah na própria baliza. O pior: desperdiçou soberana hipótese de marcar, aos 38'.

Paulinho - Ganha o penálti, ao ser derrubado em falta por António Silva. Foi o melhor momento do nosso avançado-centro neste clássico, em que não fez um só remate à baliza.

St. Juste - Saltou do banco aos 67', rendendo Matheus Reis - Gonçalo passou para central à esquerda, ele ficou à direita. Tem velocidade, mas precisa de conter algum ímpeto.

Arthur - Entrou aos 78', substituindo Edwards. Mas não demonstrou alguns dos dotes que já lhe vimos noutros desafios. Parece atravessar uma crise de inspiração.

Chermiti - Estreia absoluta na equipa principal, logo num Benfica-Sporting: aos 78', rendendo Paulinho. Movimentou-se bem na área aos 90'+2, mas pecou pela má finalização.

Jovane - Entrou muito tarde para o lugar de Trincão, aos 89'. Mal teve tempo para se destacar, tanto pela positiva como pela negativa. Vai-se tornando irrelevante.

Entrar o ano da pior maneira: assim não dá

Marítimo, 1 - Sporting, 0

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Sporting tropeça no "caldeirão" dos Barreiros: tudo se torna cada vez mais difícil

Foto: Homem de Gouveia / Lusa

 

Tinha tudo para dar certo. Mas deu errado. Desde o primeiro minuto neste embate com o Marítimo, anteontem, no Funchal. A equipa da casa, que ocupa o penúltimo lugar do campeonato e só tinha registado uma vitória (fora) até esta 15.ª ronda da Liga, encostou o Sporting às cordas, impossibilitou-nos de sair com a bola controlada, condicionou a táctica de Rúben Amorim e derrotou-nos com um golo de penálti - castigando falta infantil, totalmente escusada, de Mateus Fernandes.

Entrámos assim da pior maneira em 2023. Perdendo (0-1) contra uma equipa que ainda não tinha vencido no seu estádio, jogando a meio-gás, sem vitalidade nem ânimo. Como se receássemos progredir na tabela classificativa após termos visto o Benfica perder com o Braga (na jornada anterior) e o FC Porto empatar frente ao Casa Pia (nesta ronda).

Está visto que não temos equipa para situações de pressão alta. Parece que estes jogadores comandados por Rúben Amorim se dão melhor quando andam quase a meio da tabela, sem o stress dos lugares de topo. Algo incompatível com o lema fundador do clube - ser «tão grande como os maiores da Europa». Algo inconcebível para um emblema que tem como senha estas quatro palavras de ordem: «Esforço, dedicação, devoção e glória».

 

O esforço andou ausente do relvado funchalense. A dedicação foi mínima, a devoção foi residual, a glória foi nula.

Quinta derrota em 15 jornadas - perdemos uma em cada três. Temos agora o Benfica 12 pontos à nossa frente. o Braga seis pontos acima de nós, o FCP com mais cinco. E atenção ao Casa Pia, que continua a morder-nos os calcanhares: está apenas com menos um.

Rúben Amorim parece ter abdicado daquela ideia do «jogo a jogo», que tão bom resultado teve há dois anos, quando vencemos o campeonato. Desta vez abdicou totalmente ou parcialmente de três titulares, já a pensar no desafio seguinte, contra o Benfica. Pedro Gonçalves fez-se "amarelar" na jornada anterior para limpar os cartões nesta, Nuno Santos só saltou do banco de suplentes aos 57' e Coates saiu aos 75' - estes dois também estão à queima.

A verdade é que o Sporting, para não tropeçar na Luz, naufragou nos Barreiros. Péssima opção do treinador.

 

Morita, que chegou do Catar lesionado e ainda não recuperou, é outro titular indisponível. St. Juste, um dos "reforços" mais dispendiosos de sempre, até hoje só cumpriu um jogo inteiro: desta vez actuou só nos 20 minutos finais. O argentino Talongo, médio defensivo recém-chegado, assistiu à partida do banco de suplentes sem calçar. 

A inédita dupla Ugarte-Mateus Fernandes foi impotente para travar o ímpeto ofensivo do Marítimo - com novo treinador, novo guarda-redes e um novo ala esquerdo (o brasileiro Leo Pereira) que promete brilhar na Liga portuguesa. A célebre "saída em construção" do Sporting começa a ser neutralizada por qualquer equipa adversária que saiba estudar a lição: voltou a acontecer. Sem plano B, enquanto o Rúben Amorim assistia, com aparente resignação, ao péssimo desempenho dos seus jogadores.

 

Nos minutos finais, o desespero do costume: todos à frente, a ver se pingava uma bola perdida que pudesse entrar. Até Adán lá foi. Quando o mais experiente nestas situações, Coates, já não estava em campo. E víamos mais três jogadores amarelados por protestos: Porro, Matheus Reis e Esgaio (este, caso insólito, no banco de suplentes).

É verdade que o árbitro Helder Malheiro fez vista grossa a um penálti sobre Porro, ao minuto 50. Mas a derrota do Sporting frente ao antepenúltimo não se explica por isto. O problema é muito mais profundo e parece ser bastante mais grave.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Passou parte do tempo a jogar com os pés, tentando aliviar a bola da nossa área. Sofreu o golo solitário da marca dos 11 metros: continua sem conseguir defender penáltis.

Gonçalo Inácio - O mais seguro e tranquilo dos nossos jogadores, com cortes providenciais, compensando falhas dos companheiros. Competente nos passes longos, desaproveitados.

Coates - Transmite segurança: não foi por ele que a equipa claudicou. Quando poderia ser mais útil, impondo a sua estatura na busca de um golo de bola parada, já tinha saído.

Matheus Reis - O mais audaz dos nossos centrais, mas também o mais intranquilo. Alterna momentos de bom futebol com lapsos de desconcentração difíceis de entender.

Porro - Veloz, combativo, fez um centro primoroso aos 17', afastando a pressão adversária com um centro milimétrico para Paulinho marcar. Foi sempre um dos mais inconformados.

Ugarte - Regressou após castigo. Competente como médio defensivo, fracassou na parceria com Mateus Fernandes: faltou-lhe Morita para fazer a diferença. Continua infeliz no remate.

Mateus Fernandes - Estreou-se como titular na Liga. Tentou mostrar serviço, sem conseguir. Falhou passes, intercepções, ligação com o ataque. Fatal, o penálti que cometeu aos 53'.

Arthur - Substituiu Nuno Santos, poupado a pensar no clássico do próximo domingo. Tão discreto como ineficaz. Foi anulado como ala esquerdo. Saiu aos 57': o lugar é de Nuno.

Edwards - Recebeu um amarelo muito cedo, logo aos 11. Parece tê-lo afectado. Foi-se retraindo, sem fazer a habitual diferença, até se tornar inoperante e ser substituído.

Trincão - Uma das suas piores exibições pelo Sporting. Nada lhe saiu com precisão. Também não fez grande esforço nesse sentido. Ou passava mal ou recebia mal a bola.

Paulinho - Teve uma oportunidade (17'), travada por grande defesa do guarda-redes Carné. Depois revelou fragilidades no posicionamento, desaproveitando o pouco que lhe surgiu.

Nuno Santos - Só aos 57' Amorim se convenceu que era mesmo preciso colocá-lo em jogo. Ele correspondeu, aguerrido como sempre. Mas sozinho não conseguiu fazer a diferença.

Rochinha - Rendeu Mateus Fernandes aos 65'. Frágil nos confrontos individuais, movimentou-se muito mas foi quase sempre inofensivo. Falta-lhe envergadura física.

St. Juste - Após longa ausência, provocada pela quarta lesão desde que chegou, substituiu Coates (75'). Actuou mais à frente, quando o Marítimo já não saía do seu reduto. Em vão.

Jovane - Substituiu Edwards (75'). Displicente, desconcentrado, parece apostado em não vingar no Sporting. Marcou um canto de modo caricato, atirando a bola para fora.

Alegre despedida de um ano agridoce

Sporting, 3 - Paços de Ferreira, 0

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Nuno Santos, em grande forma, celebra o segundo golo leonino da noite de anteontem

Foto: Miguel A. Lopes / Lusa

 

Acabou por saber a pouco. Com 3-0 ao intervalo, e o triunfo a começar a ser construído logo aos 3', num golo de cabeça de Porro correspondendo a primoroso passe de Nuno Santos, adivinhava-se goleada em Alvalade. Acabou por não acontecer. No segundo tempo tirámos o pé do acelerador e passámos a gerir o resultado contra ao Paços de Ferreira, "lanterna vermelha" do campeonato, que apenas tem 2 pontos em 14 jogos.

É verdade que o primeiro tempo decorreu a um ritmo vertiginoso, com o Sporting a acelerar pelas alas: os dois extremos deram nas vistas. Pareciam concorrer ao título de melhor em campo, competição acentuada quando Nuno Santos marcou o segundo, de frente para a baliza, empurrando-a por gentileza de Edwards. Estávamos no minuto 22: os 31 mil adeptos presentes no nosso estádio tinham motivos para se sentirem satisfeitos.

Em ambos os golos Pedro Gonçalves - que fez duo com Dário na linha do meio-campo, competindo-lhe a ligação imediata à linha ofensiva - marcou presença. No primeiro, foi ele a servir Nuno Santos, em pré-assistência. No segundo, conduziu o veloz contra-ataque colectivo. 

Faltou ao transmontano brilhar naquilo em que foi exímio na sua primeira época de verde-e-branco: metê-la lá dentro. Teve duas oportunidades para isso: aos 48', após centro milimétrico de Nuno Santos, fez a bola rasar o poste; e aos 72', quando o excesso de ansiedade o levou a rematar por cima. Não podemos pedir-lhe que construa jogo e converta, tudo em simultâneo. Ao jogar mais recuado, por imperativo táctico, a veia goleadora vai esmorecendo.

 

Quem parece renascido como goleador é Paulinho. Neste encontro com o Paços encerrou a contagem, aos 45', desta vez com assistência de Porro, num cabeceamento cheio de pontaria. Foi o seu sétimo golo em seis partidas consecutivas, contando com a Taça da Liga. Este é o Paulinho dos melhores tempos em Braga. Mereceu brinde e ovação dos adeptos ao ser substituído, aos 79'. Cinco minutos antes, o lateral esquerdo Antunes, da equipa forasteira, teve o mesmo tratamento das bancadas: os adeptos não esquecem que ele foi um dos obreiros do nosso título de campeão em 2020/2021.

O nosso sector mais recuado esteve irrepreensível (Adán fez a primeira defesa aos 41'), o meio-campo interior não se ressentiu da inédita parceria Dário-Pedro Gonçalves e ao trio mais ofensivo só faltou maior produção de golos: Trincão e Edwards desta vez ficaram em branco, com o inglês a centímetros de marcar aos 8' e aos 38'. 

 

Rúben Amorim está a cumprir o que prometeu: aposta mesmo nos jovens. Além de Dário, desta vez titular, mandou saltar do banco Rodrigo, Mateus Fernandes (aos 79') e Sotiris (em campo desde os 85'). O jovem médio, de apenas 17 anos, assumiu o papel mais ingrato na desgastante missão de substituir Ugarte, ausente por castigo. Já muito fatigado, acabou por entrar de sola num lance dividido junto à linha do meio-campo, o que lhe valeu um vermelho directo. Saiu em lágrimas, confortado com os aplausos do público. É assim que se cresce. É assim que se ganha experiência.

Mateus Fernandes, em menos de um quarto de hora, voltou a demonstrar que merece a confiança do técnico com pormenores de classe. Como quando isolou Rodrigo na grande área, aos 89'. Não custa vaticinar que vai ser craque na equipa principal.

Assim nos despedimos, em ambiente alegre e até festivo, de um ano agridoce para o futebol leonino. Com Coates a ser distinguido pelo presidente Frederico Varandas com um brinde especial, após o fim do jogo, pela tricentésima partida já feita de Leão ao peito. O mais veterano da equipa, um verdadeiro capitão, um verdadeiro campeão.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Foi pouco mais que um espectador durante grande parte do encontro. Mas, quando chamado a intervir, revelou bons reflexos. Renovou contrato: é um bastião desta equipa.

Gonçalo Inácio - O mais discreto dos nossos defesas, pautou a sua exibição pela segurança e pela eficácia. Sem falhas nem deslizes. Canhoto à direita: não tem concorrentes ali.

Coates - Inspira tranquilidade e segurança como comandante da defesa e patrão da equipa. Acalma os colegas quando estão mais ansiosos, pauta o ritmo de jogo na construção.

Matheus Reis - Combina cada vez melhor com Nuno Santos na ala esquerda. Impõe o físico nas bolas divididas. Grande passe para Edwards (8'). Tentou o golo de meia-distância (49').

Porro - Autêntico dínamo do onze titular leonino. Marcou o primeiro, à ponta-de-lança, de cabeça, o que lhe deu ainda mais confiança para uma grande exibição. Assistiu no terceiro.

Dário - Desta vez substituiu como titular o ausente Ugarte. E cumpriu a missão, no essencial, como médio defensivo. Viu o vermelho directo aos 82' por falta desnecessária.

Pedro Gonçalves - Sacrifica a veia goleadora pela construção de lances ofensivos em prol do colectivo. Missão de sacrifício bem executada: dois dos golos começaram nos pés dele.

Nuno Santos - Está em grande forma: isso nota-se cada vez que busca a bola e a endossa aos colegas lá na frente. Foi assim logo aos 3'. E também marca: o segundo foi dele.

Edwards - Parece às vezes algo apático e até fora das jogadas, mas é uma questão de estilo. Porque poucos tratam bem a bola como ele neste onze. Assistiu no segundo, aos 22'.

Trincão - Rende mais como interior esquerdo, onde evidencia todos os seus dotes técnicos. Bom trabalho aos 31' e 36'. Podia ter feito melhor aos 60', quando atirou ao lado.

Paulinho - Estará, em definitivo, recuperado como goleador? Se não é, parece. Desperdiçou aos 31, mas aos 45' meteu-a lá dentro. E podia ter bisado, aos 58', num remate à queima.

Jovane - Primeiro suplente utilizado, em estreia na Liga 2022/2023, rendeu Edwards aos 71'. Ainda distante da boa forma que chegámos a ver-lhe noutras épocas. Falta-lhe confiança.

Arthur - Substituiu Nuno Santos aos 71' já em fase de alguma contenção da nossa parte. Desta vez não protagonizou nenhum daqueles vistosos lances a que nos tem habituado.

Mateus Fernandes - Entrou muito bem, substituindo Pedro Gonçalves aos 79'. Tem bom toque de bola, visão estratégica, gosta de disputar a bola. Está no rumo certo.

Rodrigo - Rendeu Paulinho aos 79'. Cheirou o golo aos 89', quando atirou ao lado. Agora que renovou contrato será certamente utilizado bastante mais vezes.

Sotiris - Último a entrar: substituiu Trincão aos 85'. Continua a não saber utilizar da melhor maneira a força física. Podia ter visto novo cartão amarelo em lance dividido.

Debaixo de chuva, primeira vitória a Norte

Famalicão, 1 - Sporting, 2

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Porro, sempre muito combativo no dilúvio de sábado à noite em Famalicão

Foto: Manuel Fernando Araújo / Lusa

 

Quebrou-se o enguiço: pela primeira vez nesta temporada, o Sporting conseguiu uma vitória a Norte. Numa partida disputada debaixo de chuva, por vezes muito forte, em que não era possível construir lances dignos de nota artística, foi clara a intenção de resolver cedo a questão e trazer três pontos do estádio do Famalicão, algo que não nos sucedia há 30 anos. 

Foi intensa a pressão leonina desde os primeiros minutos. Com as oportunidades a sucederem-se. Paulinho (4'), Trincão (10') e Pedro Gonçalves (18') podiam ter aberto o marcador, algo que não aconteceu - por inabilidade do primeiro, por "excesso de pontaria" do segundo, ao acertar em cheio no poste, e pela competência do guarda-redes Luiz Júnior ao vedar o acesso à baliza ao nosso n.º 28. 

O que não ocorreu em ataque continuado consumou-se depois, devido à pressão de Morita sobre o portador da bola numa tentativa de construção apoiada do Famalicão. Pelé, acossado, atrasou-a, colidindo com Paulinho: daí resultou um ressalto que fez a bola encaminhar-se por capricho para a linha de golo. Mas o último toque coube a Trincão, que três minutos depois arrancou um penálti, convertido por Pedro Gonçalves.

 

Assim se foi para o intervalo. No segundo tempo, com as substituições na sua equipa, o Famalicão ganhou velocidade e robustez. Aos 49', fez o primeiro remate enquadrado. Depois foi acentuando a pressão, enquanto o Sporting recuava para o seu reduto defensivo, abdicando do contra-ataque. 

O plano resultou, mas foi arriscado. A equipa fechou-se bem mas ficou à mercê de um lance fortuito, de bola parada, que pudesse virar o resultado. Temeu-se tal desfecho quando a turma minhota marcou, aos 78', no mais vistoso golo da noite chuvosa - Iván Jaime em pontapé-de-bicicleta, beneficiando de uma tabela involuntária em St. Juste que traiu Adán.

Ficou-se por aí o desafio de anteontem, marcado pela habitual arrogância do árbitro Artur Soares Dias, lesto a distribuir cartões (sete para o Sporting, quatro para o Famalicão) com a sede de protagonismo que sempre o caracteriza. Muito duvidoso foi o lance do golo anulado a Morita, na sequência de um canto marcado por Porro: após demorado visionamento das imagens, o VAR decidiu invalidá-lo por alegado fora-de-jogo de 18 cm. Nenhuma imagem que pudemos ver confirma tal tese.

Ficou a sensação de que as "linhas virtuais" na Cidade do Futebol andam muito tortas.

 

O mais importante foi conseguido: três pontos. Com Trincão a sobressair num desafio em que Pedro Gonçalves, Morita e Gonçalo Inácio mereceram nota positiva. Ao contrário de Paulinho, que parece ter perdido de vez a veia goleadora. 

Jogo a jogo, retomando o lema que nos inspirou na conquista do título de 2020/2021, vamos somando pontos (seis vitórias nos últimos cinco jogos da Liga) e ascendendo degrau a degrau na tabela classificativa. Agora em quarto lugar, após ultrapassarmos V. Guimarães e Casa Pia. E já de olhos postos no Braga, três pontos acima de nós mas ainda com uma deslocação a Alvalade em agenda. O próximo alvo será esse.

Até lá, seis semanas de pausa no campeonato imposta pelo controverso Mundial do Catar, onde teremos pelo menos quatro jogadores: Coates, Ugarte (pelo Uruguai), Morita (pelo Japão) e Fatawu (pelo Gana). 

Por cá, vamo-nos entretendo com a insípida Taça da Liga. É o objectivo que nos resta, além da imperiosa necessidade de conseguirmos um lugar de acesso à Liga dos Campeões do próximo ano e, claro, da Liga Europa que começaremos a disputar em Fevereiro, num confronto em duas mãos com o Midtjylland, equipa situada em sétimo lugar no campeonato da Dinamarca.

Adversário acessível? Claro que sim. Mas isso já é outra história.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Noite de pouco trabalho. Controlou os lances ofensivos com toda a naturalidade. Excepto no lance do golo, que estaria ao seu alcance mas foi traído por um ressalto.

St. Juste - Fez o primeiro jogo completo pelo Sporting. Revelou eficácia a defender e soube apoiar o ataque. No golo sofrido deixou que a bola tabelasse nele e rumasse à baliza.

Coates - Ganhou grande parte dos duelos aéreos. Neste momento, ninguém o bate neste domínio no plantel leonino. Foi poupado desta vez a fazer de ponta-de-lança improvisado.

Gonçalo Inácio - Foi de menos a mais. Perde a bola aos 21', no meio-campo. Provoca um canto desnecessário aos 76'. Compensou estes erros com um corte providencial aos 85'.

Porro - Apático no período inicial do jogo, quando o nosso fluxo ofensivo era canalizado pelo flanco oposto. Aos 82', marcou muito bem o canto que daria golo (invalidado).

Ugarte - Perdeu duelos individuais mais vezes do que devia e continua sem conseguir estrear-se como goleador de verde e branco. Tentou, aos 36', mas saiu-lhe muito por cima.

Morita - Protagonizou dez recuperações de bola. Pressionou muito, originando o primeiro golo. Marcou o terceiro, aos 62': fora-de-jogo que só o VAR conseguiu ver. 

Matheus Reis - Tem jogado como central, desta vez foi lateral. Tanta oscilação parece afectá-lo: arriscou o vermelho ao pontapear um adversário após o apito para o intervalo.

Trincão - Dois meses depois, volta às boas exibições na Liga. Atirou ao poste, marcou o primeiro golo, fez o centro que nos daria penálti e o segundo. Melhor em campo.

Pedro Gonçalves - Cinco passes de ruptura: excelente o centro para Paulinho aos 36'. Quase marcou aos 18'. Exímio a converter o penálti que fixaria o resultado aos 45'+3.

Paulinho - Jogo após jogo, vai continuando sem marcar. Voltou a acontecer em Famalicão. Bem servido quatro vezes, foi incapaz de a meter lá dentro. Contribuiu para o primeiro golo.

Arthur - Entrou bem aos 59', substituindo o amarelado Matheus Reis. No minuto seguinte, ameaçou o golo num remate cruzado a rasar o poste. Trabalha para ser titular.

Edwards - Desta vez saltou do banco, rendendo Trincão aos 70'. Boa incursão aos 73', colocando a defesa adversária em sentido. Perdeu influência com o recuo da equipa.

Esgaio - Entrou aos 80'. Como lateral esquerdo, fazendo Arthur avançar para ala direito. Pouco se deu por ele. Sem rasgo, como é hábito, mas sem qualquer erro digno de menção.

Estamos agora a três pontos do pódio

Sporting, 3 - V. Guimarães, 0

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Imagem que reflecte bem esta partida: pressão alta leonina do princípio ao fim

Foto: José Sena Goulão / Lusa

 

Mais vale tarde que nunca. Regressámos às vitórias, após três derrotas consecutivas para duas competições diferentes. Perante o nosso público, com fraca afluência nas bancadas (pouco mais de 27 mil espectadores), o Sporting teve um triunfo concludente, sem a menor contestação, num desafio de sentido único. Sempre com pressão alta leonina, de olhos fitos na baliza vitoriana. Procurando dois objectivos: marcar cedo e ultrapassar a turma minhota na classificação. Ambos foram concretizados.

Logo nos primeiros 20 minutos, três oportunidades desperdiçadas: Pedro Gonçalves, em excelente posição, atirou ao lado, Morita rematou forte mas permitiu a defesa de Bruno Varela e Porro cabeceou a rasar o poste.

Seria mais do mesmo? Não. Desta vez houve uma inegável diferença de atitude: nada a ver com o estilo pastoso e molengão da jornada anterior, em Arouca, onde deixámos três pontos. A equipa mostrou-se veloz e acutilante, com Matheus Reis a desenhar sucessivos passes de ruptura e Arthur muito dinâmico nas transições, confirmando que tem valor para ser titular. Porro desequilibrava à direita, Morita apoiava o ataque avançando vários metros para além de Ugarte. Pequenas alterações no sistema do treinador que deram fruto. 

O Vitória ajudou quando Afonso Freitas, já amarelado, fez segunda falta para cartão em lance que até poderia merecer vermelho. Manuel Mota, anteontem com boa actuação em Alvalade, não hesitou, expulsando o jogador faltoso. Era o minuto 27': a partir daí jogámos sempre em superioridade numérica, o que muito nos ajudou neste triunfo robusto.

 

Vendo este Sporting tenaz e confiante faz-nos concluir que o potencial está lá, apesar dos desaires já registados. Nem podia ser de outra forma: no sábado à noite havia seis campeões nacionais 2021 entre os nossos onze que entraram de início. Toda a diferença esteve na energia posta em campo por quase todos.

Rúben Amorim foi arguto na leitura do jogo. Nomeadamente ao trocar Nazinho por Edwards aos 33': o inglês foi a figura da partida, com dois golos marcados e assistência para um terceiro. É agora o nosso principal artilheiro, destronando Pedro Gonçalves.

O V. Guimarães, sempre pressionado, mal conseguiu sair do seu reduto. E nem um remate enquadrado conseguiu fazer: Adán teve uma noite tranquila. O Sporting esteve sempre mais perto do 4-0 do que os minhotos do 3-1.

Menos positivo foi o trabalho de alguns dos suplentes. Rochinha, Sotiris e Trincão, cada qual a seu modo, tardam a vingar como verdadeiros reforços leoninos.

 

De qualquer modo, o principal foi feito: nossa segunda vitória mais expressiva no campeonato - dois meses após a goleada ao Portimonense, por 4-0, em Alvalade - e regresso que já tardava a um desfecho sem golos sofridos. Prenúncio de mudança de ciclo, no melhor sentido do termo? É cedo para dizer.

O facto é que subimos na classificação, ultrapassando o Vitória: estamos agora em quinto lugar. E só não ascendemos ao quarto posto porque o Casa Pia - equipa sensação desta Liga 2022/2023, venceu ontem o Braga como visitante. Estamos, à 12.ª jornada, a três escassos pontos do terceiro posto, ocupado pela turma braguista. Que, não esqueçamos, ainda terá de se deslocar ao nosso estádio.

Só dependemos de nós para atingir o pódio

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Noite de pouco trabalho: não fez uma defesa digna desse nome. Tranquilo entre os postes, recebeu de Coates a braçadeira de capitão aos 64'. Distinção merecida.

Gonçalo Inácio - Voltou a fazer duas posições, primeiro como central à direita, depois no eixo. Vital no lance em que foi carregado em falta, deixando o Vitória só com dez.

Coates - Atento, com rigor posicional, o internacional uruguaio liderou a manobra defensiva até aos 64', quando saiu - já com 3-0 - para ser poupado a sobrecarga muscular.

Matheus Reis - Talvez a sua melhor partida desta época. Como central mais incursor. Deu a Porro hipótese de marcar (20'). Isolou Pedro Gonçalves (31'). Assistiu no primeiro golo (34'). 

Porro - Deu suplemento de vitalidade à equipa. Destacou-se sobretudo nos cruzamentos (18', 51', 55'). É dele o remate que, com emenda de Edwards, originou o primeiro golo.

Ugarte - Chegou e sobrou para travar as raras incursões ofensivas minhotas, instalando um tampão na linha do meio-campo. Missão cumprida: aos 64' deu lugar a Sotiris.

Morita - Veio de lesão em boa forma. Tentou o golo com remate forte (20') e meteu-a lá dentro, à ponta-de-lança (40'). Só fez a primeira parte, por precaução: estava amarelado.

Nazinho - Voltou a ser aposta como titular, na lateral esquerda. Vai ganhando experiência de jogo para jogo. Substituído cedo, logo aos 33', quando já jogávamos com um a mais.

Pedro Gonçalves - Regressou ao tridente ofensivo, alternando de ala com Arthur. Apático, continua sem se reencontrar com os golos. Teve a baliza à mercê (18'), mas atirou ao lado.

Arthur - Parece tão dinâmico à esquerda como à direita, como interior móvel. Manteve o reduto defensivo vitoriano em sobressalto, sobretudo no primeiro tempo.

Paulinho - Arrasta marcações, abre espaços lá na frente, mas continua a faltar-lhe o essencial: o golo. Desta vez até marcou, com um remate rasteiro, mas estava deslocado.

Edwards - Foi ele quem mais fez a diferença. Entrou aos 33' - no minuto seguinte abriu o marcador. Assistiu no segundo golo e marcou o terceiro. De longe o melhor em campo.

Rochinha - Substituiu Morita na segunda parte. Perdeu-se em acções inconsequentes. Protagonizou uma cena caricata ao colidir com Paulinho (85') à entrada da grande área.

Sofiris - Rendeu Ugarte aos 64'. Muito impulsivo, nota-se que anda cheio de vontade de mostrar serviço. Mas precisa de maior disciplina táctica e maior ponderação em campo.

St. Juste - O melhor dos suplentes. Bom no passe, na recuperação, no controlo posicional. Substituiu Coates aos 64', ajudando a fechar o caminho para a nossa baliza.

Trincão - Entrou aos 64', rendendo Porro. Mantém exibições muito abaixo das expectativas que gerou. Bom lance individual aos 69', mas insuficiente para merecer nota positiva.

Assim vamos de mal a pior

Arouca, 1 - Sporting, 0

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Nuno Santos parece incrédulo após quarta derrota do Sporting na Liga

Foto: Octávio Passos / Lusa

 

Rúben Amorim errou: preparou um onze titular de recurso, cheio de segundas linhas, para defrontar o Arouca. Tinha a possibilidade de reforçar a quarta posição, ficando apenas um ponto atrás do FC Porto. Saiu de lá com uma derrota (a primeira vez que a equipa local pontuou num desafio contra o Sporting), viu os portistas aumentarem a distância mesmo após empatarem com o Santa Clara (estão agora com mais quatro pontos) e o Braga já com mais seis. O líder, Benfica, está agora 12 pontos acima de nós, cada vez mais líder. Pior ainda: o Casa Pia volta a ultrapassar-nos, retomando o quarto posto. E amanhã o V. Guimarães, se vencer o Famalicão, remete-nos para um humilhante sexto lugar.

Perdemos por um golo sem resposta. Marcado aos 47' pelo capitão do Arouca, João Basso, após cobrança de um canto. Em quatro cantos de que dispôs, a equipa da casa transformou um em golo. Nós, como de costume, trememos a cada lance de bola parada defensiva. E somos incapazes de utilizar da melhor maneira aqueles de que beneficiamos. Desta vez foram dez cantos a nosso favor. O melhor que conseguimos foi aos 90', com um cabeceamento de Coates, travado pelo guardião arouquense.

Nessa altura já o nosso capitão funcionava como ponta-de-lança improvisado. Amorim, com Paulinho e Morita ausentes por lesão, decidiu piorar as coisas mantendo Edwards, Ugarte, Porro e Nuno Santos no banco. No onze que actuou de início surgiram Nazinho (em estreia como titular), Dário (estreante na equipa principal esta época), Rochinha e Arthur - além de Esgaio, regressado de uma espécie de "sabática" após exibição desastrosa contra o Marselha.

 

O experimentalismo do técnico, destinado a poupar meia equipa para o desafio de amanhã em Alvalade contra o Eintracht, fracassou. Não apenas derrubando as nossas últimas hipóteses de ainda sonhar com o título de campeão, ao somarmos a quarta derrota em onze jogos da Liga 2022/2023, mas também desmoralizando a equipa, que só pode sentir-se frustrada com mais este fracasso. 

Além de deitar por terra aquele belo lema que nos serviu de inspiração ao título conquistado em 2021: "Jogo a jogo." Queimar a etapa de Arouca antes de receber o Eintracht para a Liga dos Campeões  contraria o mote concebido por Amorim. 

A verdade é que a equipa, preenchendo a linha ofensiva com três extremos, foi incapaz de converter as oportunidades criadas ao longo da partida. Nove, no total: por Trincão (8'), Gonçalo Inácio (18'), Rochinha (23'), Esgaio (42'), Porro (64' e 78') e Pedro Gonçalves (75' e 90'+1), além do já referido lance protagonizado por Coates - que foi, a par de Porro, o mais rematador dos nossos: quatro remates cada. O que diz muito do desempenho colectivo do Sporting em Arouca.

 

Sofremos anteontem mais um golo (já levamos 14 encaixados nas 11 partidas da Liga e 23 no total dos 17 jogos efectuados na temporada em curso, dez dos quais de bola parada). Já somamos tantas derrotas como as registadas nos dois campeonatos anteriores do princípio ao fim: desde a calamitosa época 2012/2013 que não tínhamos quatro nesta fase. Além de havermos sido eliminados da Taça de Portugal pelo Varzim, do terceiro escalão.

Adán foi, de longe, o nosso melhor neste desafio. Sem culpa no golo sofrido, aos 47', impediu o Arouca de ampliar a vantagem com excelentes defesas aos 40' e aos 51', a remates de Alan Ruiz e Tiago Esgaio. 

O pior voltou a ser Trincão, que continua a parecer um corpo estranho nesta equipa, sem conseguir integrar-se na dinâmica colectiva. Pedro Gonçalves também andou mal, mas aqui por responsabilidade do técnico, que o forçou a jogar em linhas mais recuadas, distante da baliza - logo ele, melhor marcador leonino das épocas anteriores e que em 2020/2021 chegou mesmo a sagrar-se Rei dos Artilheiros no campeonato.

Tudo mais difícil a partir de agora? Sem dúvida. Não havia necessidade.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Sai de Arouca com a noção do dever cumprido apesar de mais um golo encaixado. Duas preciosas defesas suas impediram a turma da casa de nos ganhar por margem maior.

Gonçalo Inácio - A história do jogo certamente seria outra se tivesse cabeceado na direcção certa aos 18'. Ultrapassado em lance perigoso aos 40'. Saiu aos 53, já amarelado. 

Coates - O capitão cumpriu missão de sacrifício no quarto de hora final, actuando como ponta-de-lança de emergência. Quatro remates - um dos quais ia dando golo, aos 90'.

Matheus Reis - Central à esquerda, preocupou-se muito em acorrer às dobras de Nazinho. Rende mais como ala. Assim faz menos uso tanto da velocidade como dos dotes técnicos.

Esgaio - Voltou a ser titular - e foi até dos pés dele, aos 42', que surgiu o nosso maior lance de perigo da primeira parte. O que já diz quase tudo sobre a ineficácia ofensiva leonina.

Dário - Com Morita fora de combate e Ugarte poupado a pensar no Eintracht, actuou como médio defensivo em estreia a titular. Falhou a cobertura no lance do golo arouquense.

Pedro Gonçalves - É desperdício vê-lo jogar como médio de transição, tendo a baliza mais distante. Tal como com o Chaves, voltou a não render neste posto. Convém não repetir.

Nazinho - Outra estreia como titular. Excelente passe cruzado, a partir da linha esquerda, servindo Esgaio num golo falhado. Mas divide com Dário responsabilidade no golo sofrido.

Trincão - Foi o primeiro a desperdiçar um golo do nosso lado, logo aos 8'. Falhou emenda ao segundo poste, aos 29. Andou muito errante, facilmente neutralizado pelo adversário.

Rochinha - Também ele parece um corpo estranho nesta equipa. Tarda em encontrar o seu lugar. Grande lance individual aos 23', mas falhou no último passe. Nada mais fez.

Arthur - Pareceu o mais dinâmico do nosso trio da frente, como avançado-centro improvisado. Não é ali que funciona melhor. Mesmo assim, sacou dois amarelos.

Ugarte - Substituiu Dário aos 53'. Deu intensidade ao nosso meio-campo, com a sua habitual entrega ao jogo. Mas mantém péssima relação com a baliza: dois disparos para a bancada.

Porro - Inconformado, cheio de vontade de virar o resultado, substituiu o apático Esgaio aos 53'. Quatro remates. Teve o golo nos pés aos 81': a bola roçou o poste.

St. Juste - Em campo desde o minuto 53, por saída de Gonçalo, reforçou a segurança defensiva. Mas o pior já estava feito, com o golo sofrido. O problema era lá na frente.

Edwards - Substituiu Rochinha (58'). Entrou na pior fase, quando o Arouca já estacionara, a defender a vantagem. À sua frente só havia uma floresta de pernas intransponíveis.

Nuno Santos - Entrou aos 58', rendendo Nazinho, depois de ter visto um amarelo ainda no banco, por protestos. Talvez isto o afectasse: foi incapaz de fazer a diferença.

Tudo está bem quando acaba bem

Sporting, 3 - Casa Pia, 1

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Nuno Santos festeja após "bomba" que virou o resultado (59')

 

Um dos chavões mais batidos do futebol diz-nos que "isto não é como começa, mas como acaba". A frase até enjoa, de ser tão utilizada, mas aplica-se como uma luva a este difícil desafio que travámos na noite de sábado ao receber o Casa Pia, recém-promovido ao principal escalão do futebol português.

Há 84 anos que os "gansos" não competiam na primeira divisão nacional. Desde a época 1938/1939, quando os defrontámos e vencemos em duas partidas. Restam muito poucos adeptos vivos desses tempos em que o Sporting passeava classe em qualquer campo do país, na era imediatamente anterior à dos 5 Violinos. 

Suámos e sofremos para vencer este Casa Pia dos nossos dias. Que estava à nossa frente na classificação antes de começar o jogo, num merecido quarto posto. Por ter vencido quatro desafios fora de casa: em Guimarães, no Funchal, em Famalicão e Paços de Ferreira. 

Impusemos-lhe, à décima ronda, a primeira derrota como equipa visitante. É quanto basta para atestar o valor da turma orientada pelo treinador Filipe Martins e com jogadores de bom nível, como Ricardo Batista, Vasco Fernandes, Fernando Varela, Godwin, Clayton e Romário Baró. O primeiro, guarda-redes, chegou a jogar na nossa equipa A. O último passou pela formação leonina, mas distinguiu-se sobretudo no FC Porto.

 

O Sporting entrou com mais velocidade do que nas seis partidas anteriores para todas as competições em que havia registado quatro derrotas (contra Boavista para a Liga, contra o Varzim para a Taça e duas contra o Marselha na Liga dos Campeões). Percebia-se que desta vez os nossos jogadores queriam pressionar alto e marcar cedo.

Podiam tê-lo feito se a pontaria fosse mais certeira (Edwards pareceu imitar Bryan Ruiz logo aos 5', falhando à boca da baliza, e Trincão disparou para as nuvens com tudo à sua mercê, aos 20') ou o guardião casapiano não se revelasse em grande forma (negando o golo a Morita e Pedro Gonçalves). 

A verdade é que, contra a corrente de jogo, foram eles a marcar. Numa arrancada vertiginosa que deixou a nossa defesa plantada e Adán sozinho perante Clayton, que a meteu lá dentro. No minuto 43', que prometia ser fatídico.

Fomos para o intervalo a perder, escutavam-se sonoros assobios aos jogadores na famigerada Curva Sul, parecia iminente um novo cenário de pesadelo, digno de voltar a pôr tudo em causa neste clube tão bipolar.

Mas a pausa fez bem ao Sporting. Também ao treinador, que tomou as decisões que mais se impunham: mandou sair um desinspirado Trincão, trocando-o por Paulinho, encostou Edwards à linha direita, o lugar adequado para ele, e manteve Morita alguns metros mais adiantado, reforçando o nosso caudal ofensivo. Marsà, magoado, ficou no balneário e Chico Lamba, estreante na primeira equipa, entrou no seu lugar.

 

O facto é que resultou. Em dois minutos, virámos este jogo disputado anteontem. Aos 57', com Paulinho, a emendar de cabeça uma defesa incompleta de Batista nesta sua estreia como marcador na Liga 2022/2023. E aos 59', por Nuno Santos, numa bomba que o habilita a melhor em campo e desde já se candidata a golo do ano. Porro esteve em ambos os lances, rematando no primeiro e assistindo no segundo.

Aos 65', o tento da tranquilidade. Apontado por Pedro Gonçalves, de penálti, para castigar falta sobre Edwards e logo assinalada pelo árbitro Helder Malheiro. 

Até ao fim, só deu Sporting. Já em modo menos fogoso, pensando no desafio europeu que nos aguarda esta quarta-feira em Londres, contra o Tottenham. Deu ainda para trocar Pedro Gonçalves por Arthur, Porro por Nazinho e Ugarte por Mateus Fernandes - outra estreia absoluta no primeiro escalão leonino.

No final, para variar, não houve assobios. Tudo está bem quando acaba bem.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Pouco trabalho, desta vez como capitão. Nada podia fazer no golo sofrido, pouco antes do intervalo. Antes, aos 15', tinha visto uma bola bater no poste. Defesa vistosa aos 54'.

Gonçalo Inácio - Chegou a assustar num choque na primeira parte que o forçou a jogar com touca protectora. Começou à direita mas fez todo o segundo tempo no eixo da defesa.

Marsà - Com Coates, Neto e St. Juste ausentes por lesão, o esquerdino catalão vai ganhando espaço na defesa, mesmo jogando à direita. Tocado, já não entrou para a segunda parte.

Matheus Reis - É lateral adaptado a central e nota-se em certas jogadas, como a do golo sofrido, em que coloca o adversário em posição legal. Uns furos abaixo do que já mostrou.

Porro - Dínamo da equipa, junto com o colega da ala oposta. Dominou o corredor direito. Essencial no primeiro golo, com um disparo para defesa muito apertada. Assistiu no segundo.

Ugarte - Médio de contenção, cumpriu no essencial. Travando o passo ao Casa Pia, atento às recuperações (uma notável, aos 77'). Tentou marcar na meia-distância, ainda sem sucesso.

Morita - Vem apurando a classe de jogo para jogo. O melhor do nosso primeiro tempo, com qualidade de passe nas transições ofensivas. Esteve quase a marcar aos 40'.

Nuno Santos - Ninguém o bate em intensidade e na entrega ao jogo. Voltou a ser o mais inconformado. Recompensado com o excelente golo que marcou aos 59'. Indefensável.

Trincão - Amorim continua a apostar nele como titular, mas tarda em mostrar serviço. Perde-se em fintas e não sabe muito bem o que fazer com a bola. Cedeu lugar a Paulinho aos 54'.

Pedro Gonçalves - Clara subida de forma. Quase marcou aos 7'. Ofereceu golo a Trincão aos 20'. Um tiro aos 33' que Ricardo parou. Remate cruzado a rasar o poste (49'). Marcou enfim, aos 65'.

Edwards - Engolido pela defesa adversária enquanto andou algo perdido no eixo do ataque, melhorou com a entrada de Paulinho, que o desviou para a direita, seu terreno preferencial.

Chico Lamba - A maior surpresa desta partida. Lançado em estreia por Amorim, fez todo o segundo tempo, substituindo Marsà. Cumpriu. É ele a iniciar a jogada do nosso golo aos 57'.

Paulinho - Funciona melhor como suplente utilizado? Deu ideia que sim. Entrou aos 54', marcou (de recarga) três minutos depois. O seu primeiro nesta Liga. Muito móvel, arrastou marcações. 

Arthur - Rendeu Pedro Gonçalves aos 72'. Entrou com a energia revelada na estreia como Leão contra o Tottenham. Desta vez não marcou mas ganhou canto. Também apoiou a defesa.

Nazinho - Substituiu Porro aos 78'. Sem complexos. Esquerdino no corredor direito, esteve prestes a marcar quando, isolado por Lamba, rematou rente ao poste aos 82'.

Mateus Fernandes - Entrou para o lugar do quase esgotado Ugarte (78'). Estreia absoluta na equipa principal, premiando o seu bom trabalho na equipa B. Atirou por cima aos 85'.

Vitória pálida e muito sofrida

Santa Clara, 1 - Sporting, 2

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Morita: segundo jogo seguido a marcar

 

Mais vale vencer sem mérito do que dominar e mostrar superioridade entregando pontos. Foi esta a conclusão a que muitos de nós chegámos no final desta partida ontem disputada nos Açores. A equipa anfitriã, que nos impôs a primeira derrota no ano em curso, está hoje muito mais debilitada, afundando-se no antepenúltimo lugar na tabela, do que estava em Janeiro. Desde logo pela saída de Morita, entretanto ingressado em Alvalade. Mesmo assim bateu o pé e deu-nos luta. Ao ponto de ter marcado no último lance da partida. Dando a sensação de que se o jogo tivesse mais minutos seria até capaz de arrancar o empate.

É difícil explicar o que se passa com este Sporting. Vários jogadores entram em campo apáticos, sem chama, sem energia, sem vibração. Como se sofressem de cansaço crónico. Alguns arrastam-se em campo implorando banco ou bancada. Mas o treinador insiste em não lhes fazer a vontade, talvez consciente de que o plantel é curto e que os eventuais substitutos se encontram ainda em pior forma.

A verdade é que há uma diferença enorme entre a equipa que conquistou o campeonato nacional de futebol apenas há ano e meio e o actual conjunto frouxo, anémico e desgarrado que segue em quinto lugar na Liga 2022/2023 com três derrotas em nove desafios já disputados - tantas como as que sofremos ao longo de todo o campeonato anterior.

 

Durante quase meia hora, nem um remate enquadrado à baliza do Santa Clara. O nosso golo inicial surgiu aos 29', na primeira oportunidade criada. Fruto do esforço de Edwards, que rematou para defesa apertada do guardião estreante, Gabriel, com Morita a cabecear na recarga para o fundo das redes. À ponta-de-lança. Paulinho andava por ali, mas teve de ser o médio japonês a resolver o problema. Nem festejou, por consideração à anterior equipa.

No nosso tridente ofensivo apenas o inglês tentava remar contra a maré: Paulinho e Pedro Gonçalves pareciam só fazer número. O ataque leonino esboçava-se pelos flancos, com Nuno Santos muito mais enérgico do que Esgaio: o canhoto tentava centrar, quase sempre sem sucesso, enquanto o colega da ala direita nem um cruzamento arriscou durante toda a partida. O nosso jogo, naquele corredor, esteve sempre emperrado.

 

Com 0-1 ao intervalo, vimos toda a segunda parte com apreensão crescente. Sentindo que o golo açoriano poderia surgir a qualquer momento, fazendo-nos encalhar pela segunda vez em dez meses no estádio de Ponta Delgada.

Felizmente Nuno tranquilizou as hostes com um potente remate rasteiro, já aos 90', na sequência de um canto. O técnico do Santa Clara, Mário Silva, foi mais feliz nas substituições do que Rúben Amorim. E acabou recompensado pelo golo de Tagawa, que se sobrepôs à defesa leonina para bater Adán no último lance da partida.

O nosso guarda-redes, sintomaticamente, foi o melhor em campo. Recomposto do desastre na Liga dos Campeões, ocorrido quatro dias antes, demonstrou ao técnico que fez bem em optar por ele, mantendo Franco Israel no banco. Com três aparatosas defesas que impediram outros tantos golos. Assim vencemos 1-2. Se tivesse estado entre os postes o Adán de Marselha, teríamos saído de São Miguel derrotados por 4-2.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - O melhor em campo, com intervenções cruciais aos 47', 68' e 83'. Tentou cortar o ângulo de remate a Tagawa, sem o conseguir, no golo sofrido.

St. Juste - Na partida anterior saltou do banco. Agora foi titular, mas saiu aos 51'. Aos 45'+1, em raide individual, mostrou a Esgaio como deve ser um extremo direito.

Coates - Veio de lesão, devolvendo Marsà ao banco. Trouxe maturidade ao bloco defensivo, mas longe do fulgor de outros tempos. Cabeceamento falhado aos 74'.

Matheus Reis - Um dos jogadores com maior quebra de forma. Entregou a bola aos 4' e aos 15'. Ultrapassado aos 19' e aos 47'. Falha a marcação no lance do golo.

Esgaio - Ala direito, jamais criou um lance ofensivo digno desse nome. Batido em velocidade e em lances aéreos, parece implorar que Porro volte depressa da lesão.

Ugarte - Sempre combativo, distinguiu-se nas recuperações de bola (9', 13', 66', 72', 80'). Faltou-lhe ser influente na ligação entre o meio-campo e o ataque.

Morita - É um dos Leões que resistem melhor à crise psicológica que parece afectar a equipa. Oportuno e rapidíssimo no golo - segundo desafio seguido a marcar.

Nuno Santos - Entrega-se ao jogo como poucos. Quando falha o talento, nunca falha a vontade. Como se viu ao marcar o golo que nos valeu três pontos.

Edwards - Em pezinhos de lã, cria oportunidades. Foi dele o remate inicial no lance do primeiro golo. Grande lance individual aos 55': driblou vários mas atirou ao lado.

Pedro Gonçalves - Amorim autorizou-o a deambular lá na frente para protagonizar acções de ruptura, mas o criativo parece ter ficado por Lisboa. Passou ao lado do jogo.

Paulinho - Continua sem se estrear como artilheiro nesta Liga. Mais de uma hora em campo sem sequer se atrever a rematar à baliza.

Gonçalo Inácio - Substituiu St. Juste aos 51' para poupar o holandês a maior desgaste físico. Partilha com Matheus a falha de marcação no lance do golo anfitrião.

Trincão - Rendeu Paulinho aos 66': o melhor que conseguiu foi um longo passe cruzado aos 79'. Remate para a bancada aos 81'.

Rochinha - Contra o Gil Vicente, estreou-se a marcar. Desta vez, substituindo Edwards (73'), nem andou lá perto. Passe para ninguém aos 85'. Irrelevante. 

Sotiris - Substituiu Morita aos 73'. Demonstra vontade, revela energia, exibe saúde física. Mas ainda não foi desta que fez o suficiente para ser titular.

Regresso às vitórias com estreia de Marsà

Sporting, 3 - Gil Vicente, 1

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Morita e Ugarte, dois dos melhores em campo

 

Boa notícia: após esta oitava jornada subimos ao sétimo lugar - ultrapassando o Estoril, que não fez melhor do que empatar em Chaves.

Isto só se tornou possível porque anteontem cumprimos o nosso papel, derrotando em casa o Gil Vicente. Não pelos 4-1 da época passada, mas também por margem inequívoca: 3-1. Com 2-0 ao intervalo. Golos surgidos cedo, por Morita (estreante como artilheiro leonino) e o suspeito do costume, Pedro Gonçalves. 

Rochinha - outra estreia como goleador - fechou a conta pelo nosso lado, aos 82'. Num desafio em que podíamos ter duplicado o número de golos, tanto foi o desperdício junto às redes adversárias. Ainda a enfiámos mais duas vezes (Paulinho, 11'; Trincão, 62'), mas não valeu por haver fora-de-jogo.

 

Domínio leonino e boa exibição dos nossos jogadores, sobretudo na primeira parte. A equipa recuperou a alegria em campo que parecia andar eclipsada. Apenas Trincão, com excesso de individualismo, pareceu deslocado daquele filme.

St. Juste regressou de lesão, aparentando boa forma.

Morita - o melhor em campo - confirma que é reforço de qualidade.

O jovem catalão José Marsà estreou-se em grande nível como titular na equipa principal - e logo num lugar de enorme responsabilidade, que costuma estar entregue ao agora ausente Coates, um dos lesionados.

Rochinha esteve muito bem ao saltar do banco: promete ser uma das nossas armas secretas ao longo da temporada.

 

Pena o golo sofrido mesmo ao cair do pano, na última jogada do desafio. Confirmando o Sporting, neste momento, como quinta equipa com pior defesa da Liga 2022/2023. Algo que tem de ser corrigido sem demora.

Com Navarro a facturar pelo conjunto de Barcelos, mostrando a quem pudesse ter dúvidas que é um dos melhores avançados do campeonato português. Confesso que não me importaria nada de vê-lo de verde e branco.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Ajudou a consolidar esta importante vitória com duas defesas fundamentais, numa delas (69') em lance que tinha selo de golo. 

Gonçalo Inácio - Regressou a central pela direita com exibição irregular. Nem sempre feliz no passe longo, deixou-se ultrapassar duas vezes por Navarro.

Marsà - Fez de Coates, no eixo da defesa, e passou com distinção nesta estreia como titular do Sporting. Aos 20 anos, demonstra que o técnico pode confiar nele.

Matheus Reis - Pendular e eficaz como central adaptado. Precioso, um corte aos 65' que pôs fim a perigosa ofensiva da equipa minhota.

Esgaio - Lateral, substituindo o lesionado Porro. Assistiu Rochinha no nosso terceiro, mas foi ultrapassado por Navarro no lance de golo gilista.

Ugarte - Campeão das recuperações, combinou muito bem com Morita. Andam a formar uma dupla de respeito no futebol leonino. Saiu aos 72', já amarelado.

Morita - A sua melhor exibição de Leão ao peito. Estreou-se a marcar, aos 16', e fez soberba assistência para Pedro Gonçalves no segundo golo.

Nuno Santos - Grande actuação do ala esquerdo, voluntarioso e combativo. Foi dele a assistência para o golo de Morita. Tentou marcar também, mas sem sucesso.

Trincão - Teima em repetir erros que deve corrigir sem demora. Agarra-se demasiado à bola e dá sempre um toque a mais, perdendo tempo de passe. Improdutivo.

Pedro Gonçalves - Voltou a marcar (22'), destacando-se como artilheiro da equipa nesta temporada. Jogou lá na frente, local do terreno onde rende mais. 

Paulinho - Vem buscar bolas atrás, serve os companheiros, abre linhas de passe. Só lhe vai faltando aquilo que mais exigimos de um avançado: marcar golos.

Edwards - Entrou só aos 64', rendendo Trincão, e desta vez não soube fazer a diferença. Mostrou-se algo displicente, rendendo pouco.

Sotiris - Em campo desde o minuto 72', quando substituiu Ugarte. É um médio com clara propensão ofensiva que não vira a cara à luta. Remate defeituoso aos 89'.

St. Juste - Regressou após ausência por lesão, entrando aos 72' (por troca com Marsà). Cumpriu no essencial, parecendo agora em boa forma física.

Rochinha - Último a entrar: substituiu Paulinho aos 78'. Quatro minutos depois, assinou o terceiro golo, com boa execução técnica. Estreou-se a marcar pelo Sporting.

Assim, com franqueza, não vamos lá

Boavista, 2 - Sporting, 1

 

Terceira derrota em sete jogos da Liga 2022/2023. Desta vez foi no Bessa, anteontem, frente a um Boavista mais objectivo e eficaz, que soube anular o nosso processo de jogo, demasiado previsível, e ensanduichar o chamado "trio dinâmico" leonino entre as duas linhas mais recuadas.

Perdemos 2-1 - algo que não acontecia neste estádio desde o campeonato 2007/2008.

Nas bolas aos ferros, empatámos. Mas do nosso lado, após 20 minutos prometedores, imperou o cansaço. Potenciado pelo facto de Rúben Amorim ter entrado em campo com o onze inicial que enfrentara o Tottenham quatro dias antes. As primeiras alterações por imperativos tácticos ocorreram só ao minuto 75. 

No nosso melhor lance, construído por Nuno Santos com um magnífico passe de letra para o golo de cabeça de Edwards, à ponta-de-lança, parece ter-se esgotado o fôlego da equipa. Estavam decorridos 55 minutos. A partir daí impunha-se um refrescamento que não aconteceu enquanto o Boavista criava perigo pelo nosso sector mais vulnerável, o corredor direito, onde Porro se adiantava em excesso e Gonçalo Inácio, novamente central à direita, era lento ao acorrer às dobras. 

 

Voltámos a sofrer dois golos.

O primeiro na pior altura possível, aos 45'+2: assim se foi para o intervalo, O segundo de penálti, aos 83'. Nessa altura já estavam em campo Paulinho e Arthur, certamente por fezada do treinador, que procurava reeditar os golos em rajada que nos deram a vitória contra o Tottenham para a Liga dos Campeões na terça-feira da semana passada.

Mas a receita desta vez não resultou. E algumas opções do técnico foram incompreensíveis. Deixar em campo um apagadíssimo Pedro Gonçalves, por exemplo, enquanto fazia sair Nuno Santos, visivelmente contrariado, até porque estava a ser o melhor dos nossos. E teimar na opção por Esgaio, que é extremo de formação, tem rodagem como lateral mas foi chamado para central à direita, com Gonçalo a deslocar-se para o meio tentando compensar a saída de Coates, por lesão.

 

Tudo muito difícil de entender. A verdade é que à sétima jornada o panorama não é nada animador. Já perdemos onze pontos em 21 disputados, seguimos em oitavo lugar no campeonato (atrás de Portimonense, Boavista, Casa Pia e Estoril), temos a quinta pior defesa da Liga (pior, só Marítimo, Paços de Ferreira, Arouca e Rio Ave) e apresentamos agora a terceira pior classificação do século à sétima jornada. Já com tantas derrotas como no total dos 34 jogos disputados em 2021/2022.

Assim, com franqueza, não vamos lá.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Encaixou dois golos (um deles de penálti) sem ter culpa em qualquer dos lances. O primeiro, de Bruno Lourenço, era totalmente indefensável.

Gonçalo Inácio - Regresso à posição de central do lado direito. Deixou-se ultrapassar duas vezes no lance do primeiro golo axadrezado. Atravessa crise de confiança.

Coates - Errou mais passes do que é habitual, mostrando-se longe do fulgor físico. As suspeitas confirmaram-se: saiu aos 70', agarrado à coxa.

Matheus Reis - Central à esquerda, foi um dos jogadores que acusaram maior cansaço e menor discernimento neste embate no Bessa. Longe do brilho contra o Tottenham.

Porro - Voluntarioso, num contínuo vaivém, preocupou-se sobretudo em municiar o ataque. Foi descurando missões defensivas, desguarnecendo o flanco.

Ugarte - Jogador-operário. Eficaz nas recuperações e no apoio ao processo defensivo, mostrou-se sempre muito dificíl de ultrapassar. Cada vez mais útil.

Morita - Combinou bem com Ugarte, completando-o na ligação com o ataque. Serviu Pedro Gonçalves num golo que viria a ser anulado por deslocação de Edwards.

Nuno Santos - O nosso melhor em campo. Veloz, acutilante, intenso, combativo. Assistência para o golo de Edwards, com magnífico passe de letra. Um espectáculo.

Trincão - Apagado, talvez por cansaço. Revela uma tendência irritante para fazer reviengas em vez de jogar simples. Mandou uma bola à trave de pé direito (39').

Pedro Gonçalves - Melhor momento: o golo que marcou aos 23'. Mas não valeu. Isso parece tê-lo desanimado. Esteve muito longe do seu melhor. 

Edwards - Terceiro golo do inglês, naquele seu jeito de quem parece jogar de pantufas. Marcou de cabeça, aos 55'. Mas também ele revelou cansaço.

Esgaio - Entrou aos 71' para render Coates, actuando como central à direita. Quase nada lhe saiu bem. Aos 81' cometeu um penálti escusado. Custou-nos a derrota.

Arthur - O reforço ex-Estoril substituiu Nuno Santos aos 75'. Sem qualquer vantagem para a dinâmica ofensiva da equipa quando precisávamos de marcar.

Paulinho - Rendeu Trincão aos 75'. Amorim deve ter sonhado que o avançado iria reeditar aquele precioso golo ao Tottenham. O sonho não se tornou realidade.

Rochinha - Substituiu Morita aos 86'. Quase sem tempo para mostrar o que vale, quando a equipa já jogava muito com o coração e pouco ou nada com a cabeça.

Primeira goleada em tarde quente

Sporting, 4 - Portimonense, 0

Primeira goleada da época. Em nossa casa, num jogo quase de sentido único em que o Sporting foi a única equipa a ambicionar a vitória perante um Portimonense que até se encontra ainda à nossa frente na classificação e que, já treinado por Paulo Sérgio, na época passada impôs uma derrota ao Benfica na Luz.

O trio móvel delineado por Rúben Amorim para a nossa frente de ataque voltou a dar boas provas. Com Edwards, Trincão e Rochinha - titulares da linha avançada - em contínuas mudanças de posição que foram baralhando e desgastando a defesa adversária.

Pedro Gonçalves recuou, colocando-se um pouco à frente de Morita no meio-campo, com Ugarte a ficar no banco de início, já a pensar no confronto em casa com o Tottenham, na terça-feira, para a Liga dos Campeões. Também Porro (rendido por Esgaio) e Matheus Reis (dando lugar a Nuno Santos) ficara fora do onze titular.

 

Estes jogos pós-rondas europeias costumam causar-nos surpresas desagradáveis devido ao acrescido desgaste físico e anímico dos futebolistas.

Desta vez sucedeu ao contrário. A vitória em Frankfurt por 3-0, três dias antes, funcionou como tónico suplementar para jogadores como Trincão e Nuno Santos, que ontem em Alvalade voltaram a ter sucesso ao procurarem o caminho da baliza. Marcaram na Alemanha e marcaram cá - Trincão bisando, aos 7' e 41', Nuno fechando a contagem: selou a nossa primeira goleada da época, fixando o 4-0 final aos 76'.

Destaque também para Pedro Gonçalves, que fez duas posições. Começou a médio e aos 54', com a saída de Rochinha e a entrada de Ugarte, avançou para interior esquerdo, posição em que mais rende. Foi já dali que marcou o terceiro, aos 72'. Também ele justifica destaque. 

 

Elogio merecido igualmente para a nossa defesa, que já vai na terceira partida consecutiva sem sofrer golos. Amoreira (0-2), Frankfurt (0-3) e Alvalade nesta recepção ao Portimonense (4-0). Parece recuperada a solidez defensiva que tanto contribuiu para conquistarmos o campeonato nacional de futebol há 16 meses após 19 anos de jejum.

Isto apesar das alterações que o treinador se viu forçado a fazer neste sector. Primeiro trocando Gonçalo Inácio por Matheus Reis ao intervalo, depois designando Esgaio para central à direita, fazendo entrar Porro, quando Neto saiu por lesão. Problema acrescido para o técnico, pois St. Juste, o nosso outro central dextro de raiz, nem foi convocado pois lesionou-se contra o Eintracht.

 

Enfim, houve festa do futebol. Num jogo às 18 horas deste quente sábado de Verão, propiciando deslocações em família ao estádio, com a temperatura atmosférica a funcionar como aliciante suplementar. 

Um espectáculo desportivo que merecia ser presenciado ao vivo por mais do que os 29 mil que lá estivemos. Há certamente coisas a rever na organização destes jogos, até porque a curva norte e a curva sul apresentavam grandes clareiras. É necessário dar atenção a isto.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Voltou a exibir grande forma, na sequência do que já tinha demonstrado na partida da Liga dos Campeões. Fundamental para evitar o golo aos 24'.

Neto - Titular sem surpresa, face à ausência de St. Juste. Concentrado e atento às dobras a Esgaio. Alvo de uma falta dura, aos 48', teve de sair pouco depois.

Coates - A eficácia de sempre, como pêndulo da defesa. Desta vez arriscou pouco na saída com bola dominada. Tentou o golo de bola parada, ainda sem sucesso.

Gonçalo Inácio - Atravessa um momento de menor rendimento, revelando intranquilidade e errando passes. Amorim só contou com ele na primeira parte.

Esgaio - Titular como ala direito, deslocou-se para central a partir dos 54'. Cumpriu em ambas as funções, comprovando a sua utilidade no colectivo leonino.

Morita - Funcionou como verdadeiro pivô do nosso meio-campo, cabendo-lhe distribuir jogo e tapar linhas de passe aos de Portimão. Saiu aos 60', já a pensar no Tottenham.

Pedro Gonçalves - Começou a 8, com a missão de servir o trio dianteiro. Mas rende mais na frente. Foi já aí, aos 72', que fez o terceiro golo. E assistiu no quarto.

Nuno Santos - Anda muito motivado - isso nota-se no seu desempenho em campo. Criou desequilíbrios e tentou o golo, acabando por conseguir o quarto, aos 76'.

Edwards - Desta vez não marcou, mas participou nos lances que originaram os dois primeiros golos. É o mais imprevisível e crativo dos nossos avançados.

Rochinha - O menos exuberante do nosso trio da frente, mas revelando utilidade. Aos 41', fez um cruzamento letal assistindo Trincão no segundo golo.

Trincão - Jogou a partida inteira e parecia andar um pouco por toda a parte. O melhor em campo num jogo em que marcou dois e esteve quase a marcar outro (65').

Matheus Reis - Fez toda a segunda parte como central à esquerda, articulando bem com Nuno Santos. Sem necessidade de incursões ofensivas.

Porro - Esteve para ser poupado, mas acabou por entrar aos 54', com Neto lesionado. Dominou o corredor com a genica habitual. Assistiu Pedro Gonçalves no terceiro.

Ugarte - Substituiu Rochinha aos 54'. Entrou cheio de vontade de mostrar serviço e de procurar o golo. Quase o conseguiu, aos 65', com um disparo que raspou na barra.

Sotiris. Rendeu Morita aos 60'. Jogador dinâmico, com propensão ofensiva, voltou a demonstrar bom toque de bola e a impressionar as bancadas de Alvalade.

Paulinho. Após um mês de ausência na Liga, regressou entre aplausos, substituindo Edwards aos 60'. Precioso toque de calcanhar para Trincão aos 65'. Quase deu golo.

Dois golos na Amoreira para espantar a crise

Estoril, 0 - Sporting, 2

Voltámos às vitórias, após dois jogos de jejum. Voltámos a marcar, bisando. Voltámos a concluir uma partida sem sofrer golos. Tudo isto no Estoril-Sporting, disputado na noite de sexta-feira.

O resultado (0-2) foi construído ainda no primeiro tempo, com entrada dominadora, cheia de ímpeto ofensivo e muito confiante dos nossos jogadores. St. Juste, em estreia como artilheiro verde e branco aos 13', e Edwards', aos 21, construíram o resultado.

Ambos com assistências de Pedro Gonçalves, que regressou à posição em que mais rende, do lado esquerdo do tridente atacante. Desfazendo qualquer dúvida que Rúben Amorim pudesse manter em colocá-lo mais recuado, como acontecera na anterior jornada, com derrota frente ao Chaves.

 

Merece elogio o nosso futebol praticado nesta primeira parte. O trio móvel, lá na frente, fez realmente a cabeça em água à defesa adversária. Dinâmica permanente ao longo desse período. Resultou no par de golos e ainda numa bola à barra.

O meio-campo da equipa visitada foi estancado. Francisco Geraldes, cérebro da construção ofensiva estorilista, viu-se manietado pela dupla Ugarte-Morita - parceria muito recente mas que parece funcionar. O uruguaio e o japonês completaram-se bem, actuando em linha no corredor central, enquanto o Sporting atacava pelos flancos.

 

A segunda parte, estragada pelo árbitro Manuel Oliveira com um alucinante carrossel de 12 cartões amarelos exibidos, já foi de contenção pela nossa parte. A pensar no jogo europeu de quarta-feira em Frankfurt.

Mas o domínio, no bom relvado da Amoreira, permaneceu quase sempre nosso. O que ficou demonstrado no facto de o Estoril não ter feito um só remate enquadrado em todo o jogo.

O Sporting garantiu sem grande esforço os três pontos no mesmo estádio onde em 2021 vencemos com imensa dificuldade (1-0) e em 2018 fomos derrotados (0-2), nos gloriosos tempos do fabuloso "mestre da táctica".

Desta forma, demos um pontapé na mini-crise que se vinha esboçando. Aliás, demos um pontapé (Edwards) e uma cabeçada (St. Juste).

 

Seguem-se seis semanas alucinantes até à longa pausa de meados de Novembro para o Mundial do Catar. Com desafios em várias frentes.

Entretanto, esta péssima exibição do apitador no estádio do Estoril serviu para explicar, ao vivo e a cores, por que motivo os árbitros portugueseses ficaram excluídos do Campeonato do Mundo. Como aconteceu no Euro-21, como aconteceu no Mundial anterior.

Simplesmente porque não têm categoria para isso. Vão ficando só por cá, a estragar mais espectáculos de futebol. E talvez a ver qual deles consegue conquistar o Prémio Calabote de 2022.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Outra actuação a provocar alguns calafrios. Saiu duas vezes mal da baliza, originando perigo para as nossas redes, felizmente sem aproveitamento pelo Estoril.

St. Juste - Estreia absoluta como titular no Sporting. Passou no teste. Pelo golo que marcou, pela precisão no passe e pela segurança evidenciada. Melhor em campo.

Coates - Oscilou entre passes mal medidos, sobretudo na saída em construção, com a habitual eficácia no nosso reduto defensivo. Alguns cortes oportunos.

Matheus Reis - Amorim apostou nele, deixando Gonçalo Inácio no banco. O ex-Rio Ave cumpriu. Desequilibrou em lances ofensivos e até cabeceou à trave (11').

Porro - Regressou após castigo, incutindo acutilância e velocidade ao nosso corredor direito. Ia marcando de livre directo (70'). É, pelo terceiro ano, titular indiscutível.

Ugarte - Fez parceria bem articulada com Morita no miolo do terreno. Cabendo-lhe o pelouro das recuperações na divisão de tarefas. Quase ninguém passou por ele.

Morita - Complementa o trabalho do uruguaio atacando com destemor o portador da bola e passando-a com critério e segurança. Vai crescendo de jogo para jogo.

Nuno Santos - Pouco influente neste desafio. Os centros saíram-lhe mal medidos, quase sempre de bola levantada, sendo facilmente anulados pelo adversário.

Trincão - Ainda à procura do registo adequado no Sporting. Bom no drible, mas falta-lhe confiança no último passe. Parece dar sempre um toque a mais na bola.

Pedro Gonçalves - Saiu com queixas físicas num jogo em que teve enorme utilidade. Duas assistências para golo, pormenores de classe, bem entrosado com os colegas.

Edwards - Fixou o resultado num lance em que marcou com enorme frieza depois de sentar o guarda-redes. Tem apetência pelo golo e não se inibe perante as redes.

Rochinha - Entrou aos 57', rendendo Edwards - poupado já a pensar na Champions. Desta vez sem nenhuma intervenção digna de registo. Passou ao lado do jogo.

Neto - Substituiu St. Juste aos 77'. Vinha com a missão de reforçar a solidez defensiva, ajudando a reter a bola. Foi bem-sucedido.

Esgaio - Entrou só aos 89', no lugar de Porro. Sobretudo para dar alguns minutos de descanso ao espanhol. Tempo para fazer dois cortes.

Sotiris. Em campo desde o minuto 89, rendendo Ugarte. Estreia absoluta do reforço grego de verde e branco. Entrou com atitude, o que é desde já um ponto a seu favor.

Fatawu. O jovem ganês substituiu Pedro Gonçalves aos 89'. Mal tocou na bola, mas não escapou ao amarelo do árbitro que adora interromper o jogo e exibir cartões.

Decepcionados, irritados, inconformados

Sporting, 0 - Chaves, 2


Pela primeira vez, fomos derrotados no nosso estádio pelo modesto Chaves, recém-promovido à Liga 1 após estar quatro anos fora do maior escalão do futebol português.

Dois golos sofridos em três minutos, aos 60' e aos 63', ditaram este resultado, testemunhado por mais de 31 mil espectadores no Estádio José Alvalade. E geraram enorme frustração: foi a segunda derrota consecutiva, foi o nosso segundo jogo sem marcar, já levamos oito golos sofridos em quatro jornadas - quase metade (17) do registado em toda a época anterior.

A defesa esteve de novo irreconhecível. O meio-campo foi inoperante. A linha avançada voltou a ressentir-se da ausência de um jogador de referência vocacionado para aproveitar os sucessivos centros, interceptados pela defesa adversária por absoluta incapacidade leonina no jogo aéreo. A equipa produziu 47 cruzamentos, todos infrutíferos.

Descalabro exibicional. Que parece consequência de uma séria quebra anímica.

 

O mais inexplicável é que esta tremideira tem vindo a afectar sobretudo aqueles que já cá estavam, não tanto os que vieram. No sector defensivo, designadamente aquele quarteto inicial que anteontem começou o jogo: Antonio Adán, Gonçalo Inácio, Sebastián Coates e Luís Neto. Todos campeões nacionais em 2021.

A defesa naufragou em Braga, naufragou no Dragão e naufragou agora em Alvalade.

Anda a precisar de nadador-salvador. Ou de um terapeuta emocional.

 

Rúben Amorim pareceu perdido desde o momento em que escalou o onze para este jogo. Deixando no banco St. Juste, o mais caro defesa contratado desde sempre pelo Sporting. Morita, outro reforço, manteve-se também no banco.

Que mais?

Colocou Edwards como avançado-centro sem que o inglês reúna características que o favoreçam nessa posição.

Deu ordem a Pedro Gonçalves - o nosso maior goleador - para recuar no terreno, fixando-o como médio de transição no corredor central. 

Equívocos atrás de equívocos. Com reflexos na leitura do jogo e nas próprias substituições, que não produziram efeito.

Depois foi sempre a derrapar. Até chegar ao ponto de mandar avançar Coates para ponta-de-lança improvisado na meia hora final.

Não admira, neste contexto, que os jogadores derrapassem também.

 

Eis a verdade, cada vez mais indesmentível: o plantel é curto. Perdemos Palhinha, Sarabia, Tabata e Matheus Nunes.

Faltam-nos dois jogadores de qualidade. Um médio posicional, com domínio no jogo aéreo e capacidade de choque, que funcione como primeiro tampão defensivo. E um matador lá na frente, com vocação clara para o golo.

Nenhum dos reforços que chegaram este Verão (Trincão, Rochinha, Morita...) tem estas características.

 

Continuo a considerar também que nos falta um guarda-redes que possa ser de facto substituto e sucessor de Adán a qualquer momento. Basta um castigo, basta uma lesão, para ficarmos com esse lugar desguarnecido. Fazer sentar Israel e André Paulo no banco, em simultâneo, não disfarça esta lacuna.

E a verdade é que também estamos curtos de centrais. Nesta noite de sábado, realmente para esquecer, Gonçalo Inácio fez três(!) posições na defesa, algo impensável numa equipa com os pergaminhos e a ambição do Sporting.

 

Foi um jogo que irritou profundamente a massa adepta.

À hora da despedida, escutou-se uma sonora vaia em Alvalade. Dos adeptos decepcionados, irritados, inconformados com esta derrota.

Injusto para quem já tantas alegrias nos deu? Admito que sim. Mas é a democracia clubística a funcionar no estádio. E um direito inalienável de quem paga bilhete para assistir aos jogos. 

Que o façam no fim, se for o caso, e não no meio das partidas - é o apelo que aqui deixo. 

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Noite infeliz, com responsabilidade no primeiro golo, por deficiente colocação entre os postes, e num lance de que poderia ter resultado o terceiro do Chaves.

Neto - Titular durante a primeira parte, em que foi somando passes errados, jogando com incompreensível nervosismo, sem fazer render a experiência. Saiu ao intervalo.

Coates - Incapaz de fazer sair a bola com qualidade no início das acções ofensivas. Passou a meia-hora final plantado sem préstimo na grande área do Chaves.

Gonçalo Inácio - Talvez a sua pior exibição de sempre na equipa principal. Quase tudo lhe saiu mal - no passe, nas dobras e nos duelos individuais.

Esgaio - Entrou como titular, com Porro a cumprir castigo. Incapaz de acrescentar qualidade no passe lá na frente e sem exibir segurança defensiva.

Ugarte - Canalizou parte do jogo ofensivo na primeira parte. Amarelado num lance em que podia ter visto vermelho, aos 45'+3, saiu para evitar expulsão.

Pedro Gonçalves - Amorim errou ao colocá-lo atrás do tridente ofensivo, mais longe da baliza. Mesmo assim, o remate mais perigoso foi dele: aos 13', atirando ao poste.

Nuno Santos - Desta vez foi titular. Inconformado, jogando mais com o coração do que com a cabeça, centrou muito mas sempre sem perigo. Esforço inglório.

Trincão - Exibição insuficiente. Demonstra boa técnica, mas faltou-lhe intensidade. Nunca foi capaz de fazer a diferença nas diagonais da linha para o centro.

Rochinha - Estreia infeliz como titular. Tentou o golo aos 14', 38', 44' e 45'+3, mas sem conseguir desfazer o nulo. Foi-se apagando, com o conjunto da equipa.

Edwards - Numa equipa sem ponta-de-lança, tentou aproximar-se desta posição. Mas rende mais como interior direito. Activo nos 45' iniciais, apagou-se no segundo tempo 

Matheus Reis - Fez todo o segundo tempo, como central à esquerda, rendendo Neto com Gonçalo a transitar para a direita. Tentou desequilíbrios ofensivos, sem sucesso.

Morita - Fora do onze titular, entrou só aos 60', substituindo Ugarte. Os dois golos surgiram logo a seguir. O japonês, sem culpa nos lances, entrou no pior momento.

St. Juste - Chegou ao Sporting para ser titular da defesa, mas tarda em afirmar-se. Entrou por troca com Esgaio só aos 65'. Continua sem demonstrar ser reforço.

Rodrigo. Foi a última cartada do técnico, entrando aos 74', com Rochinha a sair. Teve ainda tempo para tentar o golo, aos 89', num pormenor de grande classe.

Adán e Porro em noite para esquecer

FC Porto, 3 - Sporting, 0

 

Primeiro clássico da temporada. Correu-nos mal. Viemos do Porto com uma derrota pesada - e que podia ter sido maior ainda se o árbitro não tivesse anulado um golo limpo à turma da casa, quase ao cair do pano. Numa partida em que as oportunidades de golo até se equivaleram. Mas a diferença fundamental esteve entre os postes: Adán fez talvez a pior exibição desde que está no Sporting enquanto o jovem Diogo Costa, novo titular da selecção nacional, brilhou na baliza portista, negando por três vezes o golo aos nossos.

Morita - para mim o melhor Leão em campo - pôs os anfitriões em sentido com um remate de pé esquerdo que levou a bola a embater no poste logo ao minuto 11. Ainda na primeira parte, o guardião azul e branco impediu que Trincão e Gonçalo Inácio marcassem. Já no declinar da partida, aos 83', travou um tiro de Fatawu que também levava selo de golo. 

 

Este foi o primeiro jogo do Sporting sem Matheus Nunes, que entretanto já se estreou pelo Wolverhampton (derrota por 1-0 frente ao Tottenham). Mas o grande problema da equipa não esteve na ausência do luso-brasileiro, que rendeu de imediato 45 milhões de euros aos cofres leoninos. Voltámos a pecar por lapsos defensivos, na linha do que já havia ocorrido nos desafios da pré-temporada. Em três jogos oficiais do campeonato, sofremos seis - dois em média por partida, números impensáveis para uma equipa que sonha com o título.

Neste aspecto, nota muito negativa para Porro. Que anteontem fez tudo mal no Dragão: perdeu a bola, errou atrás de passes, desperdiçou um golo de bandeja que Trincão lhe ofereceu e - cereja em cima do bolo - cometeu um penálti absolutamente disparatado ao desviar a bola com a mão em cima da baliza, com Adán fora dos postes. Fazendo-se expulsar pelo árbitro Nuno Almeida. Nessa altura, aos 75', o jogo estava 1-0. Foi penálti, que o FCP converteu. A partir daí, com menos um, o Sporting resvalou de mal a pior.

Desta vez nem as substituições saíram bem ao treinador, batido em termos tácticos pelo sólido losango que Sérgio Conceição instalou no meio-campo, pautando o ritmo da equipa: os da casa aceleraram quando era preciso e concederam a iniciativa ao Sporting quando lhes interessavam. Sem nunca perderem a supremacia. 

 

Confirma-se: este Sporting de início de temporada - privado de Palhinha, Tabata e agora Matheus Nunes - tem um plantel curto para as frentes em que está envolvido. O que vai notar-se sobretudo quando começarem as nossas partidas da Liga dos Campeões. Falta um central, falta um médio defensivo, falta um ponta-de-lança. E talvez falte também um bom guarda-redes suplente, como há muito venho alertando.

Algumas destas lacunas ficarão colmatadas com a promoção de jovens da formação? É duvidoso. Outras serão resolvidas até ao fecho do mercado ainda em curso? É bem provável.

Agora há que digerir esta derrota no grupo de trabalho. E pensar já no próximo desafio, contra o Chaves. Jogo a jogo, como Amorim dantes dizia. É assim que devemos pensar - e não de outra forma. Lembrando que no fim de Agosto do ano passado quem liderava o campeonato era o Benfica, com mais quatro pontos do que o Sporting e o FC Porto.

Sabemos como tudo terminou.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Lento a reagir, intranquilo entre os postes, provocou um penálti desnecessário. Parece mal recupeado da lesão sofrida no fim da pré-temporada.

Neto - Teve noite difícil por ter acorrido várias vezes a dobrar Porro, que parecia perdido em campo. Batido por Taremi no lance do primeiro golo portista.

Coates - Desta vez, ao contrário do que é costume, não se impôs nos lances aéreos. Corte precioso aos 55', mostrando bons reflexos.

Gonçalo Inácio - O mais regular dos nossos defesas - e também aquele que revelou mais precisão no passe. Ia marcando de cabeça, aos 45'+4. 

Porro - Noite de pesadelo. Entregou a bola aos 13', 23', 24', 27', 31' e 55'. Aos 57', falha o golo que Trincão lhe ofereceu. Expulso aos 75' por confundir futebol com andebol.

Ugarte - Jogou condicionado por ter visto o amarelo logo aos 16' sem qualquer necessidade. Quando era preciso, já não podia pôr o pé. Demasiado nervoso.

Morita - Precisão de passe, boa condução de bola. Capacidade de jogar entre linhas. Recebeu um amarelo injusto. Depois de sair, aos 70', aconteceu o descalabro.

Matheus Reis - Outro jogador muito intranquilo: chegou a pegar-se com um apanha-bolas, algo inaceitável. Podia ter feito melhor em dois dos golos. 

Trincão - Exibiu classe num remate em arco que levava selo de golo (45'+3) e num passe de calcanhar para Porro dentro da área que merecia melhor desfecho (57').

Pedro Gonçalves - Combinou bem com Morita no lance em que a bola vai ao poste. Ao recuar no terreno, na segunda parte, tornou-se menos influente.

Edwards - Falso 9: não é avançado-centro. Muito marcado, foi incapaz de fazer as movimentações de que tanto gosta, da direita para o meio.

Nuno Santos - Substituiu Morita aos 70'. Tentou cruzamentos mas não havia ninguém para receber a bola. E andou algo perdido nos apoios defensivos.

Rochinha - Em campo desde os 70', substituindo Neto. Tentou penetrar na área, recorrendo à finta, mas esbarrou na muralha defensiva portista.

St. Juste - Rendeu Matheus Reis aos 79', passando Gonçalo para central à esquerda. Entrou para estabilizar a defesa, mas ainda não parece em grande forma.

Fatawu. Deu mais nas vistas desde que entrou, aos 79', do que Edwards até então. Podia ter marcado, aos 83', mas permitiu a defesa na cara do guarda-redes.

Esgaio. Entrou aos 90'+1, aparentemente só para evitar que Ugarte recebesse um segundo amarelo que o impedisse de alinhar no próximo jogo. Mal tocou na bola.

Assim é que é: marcar três sem sofrer nenhum

Sporting, 3 - Rio Ave, 0

 

Jogo de sentido único, o de anteontem, contra o campeão nacional da segunda divisão, recém-promovido ao escalão principal. O Rio Ave - onde já jogou o nosso Matheus Reis e que deverá integrar em breve o ainda nosso Pedro Mendes - visitou Alvalade bem arrumado defensivamente, mas sem arriscar incursões ofensivas. Aferrolhou o mais possível as vias de acesso à sua baliza que só começaram a ser abertas a tiro, com disparos fortes dos nossos, ensaiando aquilo que nem sempre praticam: o remate de meia-distância.

Ugarte foi o primeiro, atirando bem colocado embora à figura do guarda-redes. Outros lhe seguiram o exemplo. Trincão - uma das figuras da partida - levou a pontaria ao extremo de acertar em cheio na barra, em remate sem defesa possível com o seu pé-canhão, o esquerdo. 

 

Desta vez não havia Paulinho. O avançado-centro ficou fora, por lesão no treino da véspera. Edwards entrou como titular, tornando a nossa frente ofensiva mais forte, mais dinâmica e mais criativa. Sem necessidade de um elemento vocacionado para «arrastar os defesas» e abrir clareiras: elas foram-se rasgando por acção do trio da frente. Pouco antes do intervalo, em jogada com toque de génio, o inglês que há meses jogava no Guimarães demoliu a muralha defensiva e serviu para Pedro Gonçalves encostar.

Foi aos 36' - assim se chegou ao intervalo.

 

No segundo tempo, já com os de Vila do Conde bastante desgastados na corrida atrás da bola que mal tocavam. o futebol leonino ganhou mais acutilância e um toque suplementar de classe. Os dois golos desse período são a prova disso.

Aos 67', a uns 30 metros da baliza, Matheus Nunes encheu o pé e atirou-a para o ninho da águia, sem que o guarda-redes lhe tocasse: quase todos os 31.760 espectadores se levantaram dos seus lugares em espontânea manifestação de alegria. Era caso para isso: acabavam de assistir a um dos melhores golos deste campeonato ainda mal iniciado.

A alegria redobrou aos 75', quando Pedro Gonçalves bisou, marcando o terceiro. A culminar, à ponta-de-lança, rápida tabelinha com soberba assistência de Trincão. E o transmontano ainda viria a fazê-la tocar no poste, quatro minutos depois. Excelente notícia: temos de volta o melhor artilheiro da Liga 2020/2021.

Confirmando que mesmo sem "avançado de referência" conseguimos ir somando golos. Já vão seis, em apenas dois jogos. Com a vantagem óbvia, na comparação com o de Braga, de neste não termos sofrido nenhum.

 

Houve ainda tempo para cuidar de pormenores, como a troca de Neto por St. Juste para o holandês ganhar ritmo, talvez a pensar no próximo embate com o FC Porto. Também para os minutos concedidos a Fatawu, que tem boa técnica mas ainda revela insuficiências no plano táctico. E sobretudo para a entrada de Esgaio, aos 80', para merecido aplauso após as imerecidas injúrias de que foi alvo pela escumalha do costume nas redes ditas sociais.

O estado anímico de uma equipa também se avalia nestes detalhes, a cargo de um treinador muito perspicaz. 

«Onde vai um, vão todos» continua a ser lema deste Sporting orientado por Rúben Amorim.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Noite tranquila: não chegou a fazer uma defesa digna desse nome. Melhor momento: saiu muito bem da baliza aos 32', anulando um contra-ataque.

Neto - Estreia neste campeonato após cumprir jogo de castigo. Transmitiu segurança e maturidade à equipa. Substituído aos 72'.

Coates - Impôs a sua cadência no plano defensivo, ganhou todos os lances aéreos, foi tranquilo sem ser passivo. Como de costume.

Gonçalo Inácio - Devolvido à ala esquerda dos centrais, sua posição natural, atreveu-se a sair com a bola mais de uma vez. O jogo permitia-lhe tal ousadia. 

Porro - Imparável no domínio do corredor direito. Quis fazer tudo muito rápido, embora nem sempre os cruzamentos lhe saíssem bem. Cedeu lugar a Esgaio, perto do fim.

Ugarte - Estreia a titular no campeonato. Aposta ganha: funcionou como sucessor de Palhinha a recuperar bolas. Primeiro a tentar a meia distância. Saiu amarelado (65').

Matheus Nunes - Assumiu-se pelo segundo jogo consecutivo como patrão do nosso meio-campo. E marcou um golo em forma de tiro imparável que vale a pena rever.

Matheus Reis - Amorim preferiu apostar nele como ala esquerdo, deixando Nuno Santos no banco. O brasileiro parece mais retraído do que na época passada.

Trincão - Ao segundo jogo, prova que é reforço - e pode vir a ser uma das figuras do campeonato. Tiro à trave (26') e assistência para golo (75').

Pedro Gonçalves - Melhor em campo: marcou dois golos, enviou uma bola à barra e ainda teve ocasião soberana de marcar outro (46'). 

Edwards - Com Paulinho ausente, foi ele o titular. E cumpriu com distinção. Não marcou, mas deu a marcar o segundo e o terceiro. Criativo e desequilibrador.

Morita - Desta vez ficou no banco de início. Entrou aos 65', rendendo Ugarte, sem revelar a mesma intensidade do uruguaio como médio defensivo.

Rochinha - Voltou a ser suplente utilizado, substituindo Edwards aos 72'. Cumpriu, mesmo sem brilhar como na partida anterior.

St. Juste - Entrou aos 72' para o lugar de Neto. Amorim procura proporcionar-lhe minutos para que possa ascender a titular. Missão bem-sucedida.

Fatawu. Em campo desde o minuto 80 (rendeu Trincão). Procura com muita insistência o golo abusando da jogada individual. Bons dotes técnicos.

Esgaio - Substituiu Porro aos 80', entrando sobretudo para os aplausos que a massa adepta não lhe regateou. Mostrando-lhe que ele é um dos nossos.

Vitória três vezes desperdiçada na Pedreira

Braga, 3 - Sporting, 3

 

O carteiro toca sempre duas vezes. O comboio, no filme, apitou três vezes.

Nós, ontem, desperdiçámos três ocasiões para trazer uma vitória de Braga. A linha avançada, no geral, cumpriu a missão - com a excepção que não tardarei a referir. Já a defesa, tanto no plano colectivo como individual (e neste aspecto apenas absolvo Coates) esteve muito abaixo daquilo a que nos habituou.

Esta foi apenas a terceira vez em que Rúben Amorim sofreu três golos, pelo Sporting, numa partida do campeonato. É motivo para soarem sinais de alarme em Alvalade: o plantel ainda necessita de reforços. Desde logo no plano defensivo: ontem voltámos a actuar com dois jogadores fora das posições de origem e houve um terceiro (Esgaio) que esteve quase a fazer o mesmo, quando se suspeitava que o estreante St. Juste teria de abandonar o campo por lesão.

A ausência de Palhinha faz-se sentir: estamos também sem um número 6 de origem. Tanto Morita como o próprio Ugarte têm propensão mais ofensiva e menos posicional do que o nosso ex-médio agora lançado na Liga inglesa. A ausência desse ferrolho incentiva as movimentações ofensivas adversárias e torna mais complicado o trabalho à retaguarda.

E é cada vez mais urgente a vinda de um n.º 9. Já sem Tiago Tomás, já sem Jovane, já sem Tabata (que estaria a ser trabalhado para avançado-centro), com Slimani remetido à equipa B e Rodrigo Ribeiro ainda demasiado inexperiente para ser presença habitual na nossa frente de ataque, não é possível termos aspirações ao título contando apenas com Paulinho como pivô ofensivo.

Sobretudo o Paulinho deste jogo em Braga, que foi inexistente.

 

Tudo isto para salientar pontos negativos. Nem poderia ser de outra forma, tendo começado esta Liga 2022/2023 já em desvantagem face a FC Porto e Benfica, que golearam nas respectivas partidas, muito mais fáceis por serem em casa e perante adversários de nível muito inferior.

A comparação é também pouco lisonjeira face à Liga 2021/2022: nessa altura vencemos na Pedreira por 2-1. 

Quanto aos reforços, Morita merece o maior destaque pelo seu desempenho: surgiu como titular, fazendo parceria com Matheus Nunes, e promete ser uma das figuras deste campeonato. Francisco Trincão - também ontem titular - está ainda longe de mostrar o seu valor. St. Juste, que só entrou aos 60', teve apontamentos de qualidade. Oxalá esteja no plano físico tão bem como parece estar no plano técnico.

Também Rochinha merece elogio. Jogou poucos minutos mas foi quanto bastou para construir todo o lance do terceiro golo, oferecido a Edwards. A melhor jogada individual do desafio.

 

Outros pontos positivos? Matheus Nunes voltou às boas exibições: foi ele a criar o nosso primeiro golo, aos 9', isolando Porro que serviu Pedro Gonçalves; foi ele também a fazer a assistência para o segundo, de Nuno Santos, com um passe cruzado de longa distância e alta precisão. 

Também positivo é haver vários jogadores com vocação para a meter lá dentro. Ontem foram três, contribuindo para o excelente espectáculo futebolístico em Braga proporcionado por duas equipas com vocação ofensiva, sem momentos mortos nem antijogo. Parecia quase um desafio da Liga inglesa. Teria sido perfeito, para nós, se soubéssemos gerir a vantagem que mantínhamos até ao fatídico minuto 88. 

Usando outra metáfora: o pássaro esteve três vezes na mão. Mas em todas permitimos que voasse lá na Pedreira. 

E nunca há segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão.

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Voltou refeito do problema físico que chegou a assustar. Fundamental para evitar golo a Vitinha (90'+3) que seria um pesadelo para nós.

Gonçalo Inácio - Desconcentrado, somando erros de posicionamento e falhas de intercepção da bola. Não melhorou quando passou da direita à esquerda.

Coates - O melhor do nosso reduto defensivo. Fez até de improvisado guarda-redes, com Adán fora da baliza, num lance que seria anulado.

Matheus Reis - Intranquilo como central à esquerda, incapaz de fazer a diferença na saída de bola. Tem responsabilidades nos dois primeiros golos.

Porro - Dinâmico na ala direita, começa a época a assistir para golos com um centro milimétrico que Pedro Gonçalves converteu. Aos 65', atirou ao poste.

Morita - Precisão no passe, olhar sempre atento ao posicionamento dos colegas, capacidade de movimentar a bola. Estreia promissora de verde e branco.

Matheus Nunes - Após uma pálida pré-temporada, foi o melhor em campo. Com participação em dois golos, assumindo-se como patrão do meio-campo.

Nuno Santos - Fez um golo, o segundo, de levantar o estádio num disparo acrobático aos 18'. Grande cruzamento aos 29', infelizmente sem sequência.

Trincão - Outro estreante oficial com a verde e branca. Tentou ser útil, sem conseguir. Incapaz de criar desequilíbrios ou de jogar com eficácia.

Pedro Gonçalves - Após sete golos na pré-temporada, voltou a fazer o gosto ao pé, logo aos 8'. Precisamos dele como há dois anos, quando fomos campeões.

Paulinho - Incapaz de criar diagonais para desposicionar a defesa, só rematou uma vez - e muito por cima. Inoperante, inofensivo. Destaque pela negativa.

Edwards - Substituiu Paulinho aos 60'. Não brilhou, mas marcou um golo. O nosso terceiro, aos 83'. Cumpriu, portanto. 

Ugarte - Rendeu Morita aos 60'. Substituição algo estranha, pois o japonês estava a ser um dos melhores. Desta vez o uruguaio não se destacou.

St. Juste - Terceira estreia oficial, como central à direita. Venceu lances aéreos e mostrou bom toque de bola. Inicia o nosso terceiro golo.

Rochinha - Outro estreante, em campo desde os 84', substituindo Trincão. Mais útil, mais eficaz, mais combativo. Assiste no terceiro golo, inventado por ele.

Esgaio - Entrou para o lugar de Porro, aos 84'. Perdeu um duelo junto à linha ao ser ultrapassado por Álvaro Djaló. Custou-nos dois pontos.

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