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És a nossa Fé!

Rescaldo de um jogo em futebolês

 

- Boa noite. O que achaste deste jogo tão emocionante?

- Duas palavras bastam. Em futebol o desequilíbrio pode tomar números absolutamente impensáveis. Tivemos aqui um choque entre um modelo de jogo e a estratégia. O modelo de jogo que mais gosto de ver é aquele que tem posse de bola e futebol largo e tentativa permanente de domínio do adversário. A dimensão estatégica do jogo, ou seja a abordagem em concreto do adversário, pode ser determinante sobretudo quando estamos perante duelos a eliminar. A equipa vencedora teve uma abordagem de quatro-quatro-dois inicial procurando diagonais com mais uma unidade ofensiva mas defendendo sempre com duas linhas de quatro e subidas. Apertou sempre a construção dos centrais e dificultou muito a saída da turma antagonista. E travaram os corredores, que são o grande ponto de força dos rivais, com um futebol mais rendilhado. Podemos chamar àquilo um quatro-dois-três-um, mas aquilo em rigor é quatro-dois-quatro. Jogaram com os extremos projectados, muito na órbita dos laterais, e em subida permanente. Os outros, sem um médio de recuperação de bola, revelaram uma estratégia quase suicida. Falharam a abordagem estratégica, mas isso pode sempre acontecer aos melhores.

Fiz-me entender?

- Bem... não propriamente. Não te importas de repetir tudo outra vez, mas um pouco mais de-va-gar?

- Impossível, pá. Já não faço a menor ideia do que disse.

 

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Lição de futebolês em dia de Portugal-Israel

 

É um quatro-dois-três-um mas muitas vezes é mais um quatro-cinco-um de uma equipa que não se desorganiza nem se desposiciona muito e que sai bem na transição sobretudo nas bolas a passar em momentos de definição dessa transição ofensiva com alguma criatividade e alguma atenção à bola parada e ao jogo aéreo muito forte com os laterais a centrar nessa circunstância pois quando pressionada em bloco meio alto a equipa vai jogar tendencialmente em bloco baixo sobretudo quando os alas não são jogadores de largura e têm dificuldade nas acções de construção e a contratransição é vital porque quando se perde a bola em zona ofensiva se o pressing foi imediato pode ser recuperada instantaneamente e a contratransição numa equipa que a faça bem e que tenha qualidade de finalização muitas vezes é fatal e este é um jogo em que interessa revelar capacidade de pressionar alto e de recuperar alto e de meter grandes intensidades sobretudo na primeira parte sem deixar o adversário trocar a bola naqueles dois metros de construção da zona defensiva nem jogar no risco pois quando se recupera mais atrás eles encontram-se lá todos.

 

Fui suficientemente claro ou preferem que faça um desenho?

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Meu caro Beto: "dignificar" é vencer

 

Não é preciso haver nenhuma revolução no Sporting. Mas é indispensável haver mudanças. Que são urgentes. Desde logo, no discurso.

Vou dar um exemplo muito concreto: as declarações aos jornalistas hoje feitas por Beto, em representação do nosso clube, no sorteio da Taça da Liga.

«Vamos dignificar o Sporting e todas as provas são uma prioridade para nós. Infelizmente as coisas não têm saído da forma que queríamos.»

Isto foi o que ele disse. Mas não devia ter falado assim. Em primeiro lugar, nem todas as provas são "uma prioridade para nós". E se há prova que não é de todo prioritária é a Taça da Liga, justamente baptizada entre os sportinguistas de Taça Lucílio Baptista. Pelos motivos que sabemos.

Mas o mais grave não é isto. O mais grave é não assumirmos desde o minuto zero que entramos em todas as provas - sejam "prioritárias" ou não - para vencer.

Meu caro Beto: se participamos, não é para "dignificar o Sporting". Isso é um conceito vago, impreciso, próprio de quem voa baixinho em termos de expectativas e de ambições.

Se participamos, é para vencer. E não concebemos menos que isso.

"Dignificar" o clube é fazê-lo conquistar troféus. O resto é conversa de circunstância, que não mobiliza ninguém. E sem um discurso mobilizador não chegamos a lado nenhum. Ou seja: chegamos aonde estamos agora, o que vem a dar no mesmo.

Quem já se arrependeu foi ele

 

Lembram-se de um rapaz chamado Hugo Vieira? Não temos ouvido falar muito dele ultimamente. O que não admira: três meses depois de ter merecido manchete do matutino A Bola, vestido com a camisola do Benfica, este miúdo eclipsou-se. As águias olharam para ele como se fosse um pintainho e remeteram-no para a segunda divisão espanhola, onde enverga agora as cores do Sporting de Gijón. Ironia das ironias: trata-se de alguém que esteve com um pé em Alvalade mas acabou por assinar pelos encarnados, alegou ele, por se tratar "de um clube do outro mundo".

Coitado: afinal nesta época não houve lugar para ele no tal "clube do outro mundo". É bem feito: este benfiquista desde pequenino, que nada quis com o nosso Sporting, foi afinal emprestado a um clube homónimo, embora com muito menos cotação na Europa do futebol e que joga num escalão inferior. Acabaram-se os grandes títulos na imprensa afecta aos encarnados. Hoje tem direito apenas a uma página interior do jornal O Jogo com um título que fala por si: "Não estou morto".

Resta ao ex-jogador do Gil Vicente o objectivo de "ajudar o Sporting de Gijón a subir de divisão". Parece já muito distante aquele dia 5 de Junho, em que gritava num título garrafal d' A Bola, a coroar uma longa entrevista de três páginas: "Sporting vai arrepender-se".

Aqui entre nós: arrependido está ele. Querem apostar?

 

Má exibição, péssimo resultado

 

Não sucedia desde 1955: a selecção portuguesa perdeu hoje contra a da Turquia, no estádio da Luz, por 1-3. Confirmando alguns dos piores augúrios para o jogo do próximo sábado contra a Alemanha, na Ucrânia, já em plena fase final do Campeonato da Europa. Depois do medíocre jogo em Leiria contra a Macedónia, que pelo menos terminou em empate, esta derrota faz antever uma campanha europeia muito complicada para a selecção lusa.

A exibição foi má, o resultado foi péssimo. E algumas lacunas preocupantes ficaram bem patentes esta noite no relvado da Luz.

 

1. Equipa sem automatismos. Foram frequentes, e graves, os desentendimentos entre os jogadores. Tanto nas linhas mais recuadas como no meio-campo e até na zona mais avançada. O primeiro golo turco nasce precisamente da falta de sintonia entre o guarda-redes e alguns defesas, repetindo-se esta falha no autogolo de Pepe. Também entre os avançados foram flagrantes as deficiências de sincronia em momentos cruciais.

 

2. Falta de comando. No meio-campo português é cada vez mais flagrante a falta de um comandante com boa leitura de jogo, autor de passes certeiros em profundidade potenciando a desmarcação dos companheiros e capacidade de mobilização geral da equipa. Alguém como Luís Figo, Deco ou Rui Costa noutros tempos.

 

3. Promessas goradas. Miguel Lopes, em estreia absoluta na selecção, prometeu mais do que cumpriu. Conseguiu um penálti graças a uma inesperada ofensiva na grande-área turca. Mas o primeiro golo nasce de um erro da faixa lateral direita, que ele devia cobrir com eficácia. Custódio e Nélson Oliveira também jogaram, sem dar nas vistas.

 

4. Quem marca golos? Ao minuto 72, Hugo Almeida isolou-se perante o guarda-redes turco, Volkan. Faltou-lhe o instinto de matador que caracteriza os bons pontas-de-lança: preferiu passar a bola a Coentrão, que não a esperava e tinha pior ângulo de remate. O golo gorou-se. Foi um símbolo perfeito da falta de capacidade dos rematadores portugueses. Helder Postiga, repetindo o fracasso de Leiria, não conseguiu melhor.

 

5. Cristiano não chega para tudo. Depois de uma época muito desgastante em que se sagrou campeão de Espanha pelo Real Madrid, Cristiano Ronaldo ainda não se reeencontrou com a selecção. Falhou um penálti, atirando de forma quase displicente à baliza adversária. Toda a equipa parece dependente dele. Mas, por melhor que seja, nenhum homem sozinho consegue colmatar as deficiências de uma equipa.

 

Gostei mais. Do golo do sempre inconformado Nani, para mim o melhor português neste jogo (espero, para bem da selecção, que recupere do traumatismo do pé). E também da irreverência de Raul Meireles.

Gostei menos. Do coro de assobios que os espectadores da Luz dirigiram à selecção nacional desde muito cedo: assim é quase preferível jogar no terreno do adversário. Daqui vai a minha vaia para esses assobios.

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Prognósticos depois do jogo

 

Em matéria de prognósticos posso revelar aqui em rigoroso exclusivo a todos os eventuais interessados que o Sporting vencerá o difícil desafio da primeira mão contra o Manchester City dado que se encontra num excelente momento de forma demonstrando os seus jogadores muita ambição e querer e denodo e arreganho como aliás eu sempre disse. Prevejo mais ainda que essa vitória se concretizará por um golo sem resposta numa inegável confirmação de que Ricardo Sá Pinto foi a melhor escolha para o lugar anteriormente desempenhado pelo Domingos Paciência que não tinha o controlo do balneário e só os treinadores que conseguem conquistar o balneário são dignos de almejar as vitórias em campo e eu nunca ocultei que o Sá Pinto era a minha opção natural para o lugar do Domingos pessoa que aliás eu nem sequer nunca elogiei. E mais prevejo que essa vitória se materializará através de um fantástico tento do Xandão destinado a confirmar em Alvalade os magníficos dotes exibicionais que anteriormente o tinham notabilizado naquele clube brasileiro de que me falha agora o nome. E concluo este meu prognóstico vaticinando que o golo será marcado de calcanhar como fazia o Sócrates não o filósofo mas o médico atestando assim o atleta Xandão os extraordinários dotes de defesa-goleador que eu aliás sempre tive ocasião de enaltecer e que a massa adepta do Sporting tardava em reconhecer por não ter a rara intuição para detectar talentos que modéstia à parte é apanágio da minha humilde e brilhante pessoa.

Encatrupigaitado

Adoro ouvir falar futebolês na televisão. Adoro aqueles neologismos muito giros debitados pelos locutores do desporto-rei. Adoro o léxico muito típico de quem tem por missão relatar jogos de futebol no pequeno ecrã.

É um idioma tão moldável que qualquer de nós pode falar ou escrever futebolês. Não acreditam? Ora vejam só como isso é possível.

 

 

A postura competitiva da equipa de todos nós tem vindo a esvaziar-se na segunda metade do tempo regulamentar deste jogo decisivo. Há até quem aponte a necessidade de fazer substituições de uma assentada no plantel, de modo a que este possa mostrar não só a força da técnica mas igualmente a técnica da força, atirando a bola para o melhor sítio.

Fala-se muito, por exemplo, na necessidade de refrescar o sector recuado para desfeitear as ofensivas dos times adversários. Uma defesa bem escalonada é meio caminho andado para as vitórias no relvado.

Um dos problemas desta equipa é a baliza, que tem estado mal guarnecida. O guarda-redes mostra-se amiúde mal colocado entre os postes e intercepta de forma deficiente muitos cruzamentos despejados na grande área, revelando uma certa tendência para deixar entrar frangos. Além disso tem sido vítima de surtos de violência dentro das quatro linhas, o que contribui para a sua desconcentração e a sua insegurança. É um dos elementos que se candidatam a ir para o duche mais cedo.

 

A pedra basilar da defesa central também revela algumas debilidades. O seu maior calcanhar de Aquiles é ser fisicamente pouco possante, colocando-se assim em posição de inferioridade no embate com o plantel adversário. Apesar da sua baixa estatura tem, porém, boas ideias ao nível da exploração do espaço aéreo. Principal ponto negativo: a fraca pulmadura, que não aguenta 90 minutos em toada competitiva.

O seu parceiro no centro da defesa é um falso lento, o que por vezes confunde e desbarata os adversários. E joga bem de cabeça, o que noutros desafios já contribuiu para fazer a bola anichar-se nas redes contrárias. Capaz de bons gestos técnicos, tem no entanto o defeito de ser muito individualista e de se enredar nos seus próprios dribles. Por vezes parece querer a redondinha só para ele.

O médio ofensivo domina bem o esférico e, devido à sua estatura meã, revela-se exímio na forma como conduz a bola à flor da relva. Mas é desfavorecido no confronto com antagonistas dotados de melhor planta atlética. Além disso as suas características combinam mal com o seu habitual colega da linha média, muito económico nos lances de jogo que consegue criar no miolo do terreno. Ao contrário de alguns dos seus colegas, este elemento do plantel raramente joga para a bancada, nunca fazendo levantar o terceiro anel. A seu favor pode dizer-se que sabe aproveitar bem os espaços vazios.

 

À frente as coisas complicam-se um pouco mais. Porque os dois jogadores mais adiantados no rectângulo articulam mal as jogadas, ao que parece por incompatibilidades de ordem tecnico-táctica, apesar de serem dotados de boa destreza individual. Um deles corre bem pela direita, às vezes como se fosse um extremo, e é conhecido pelas suas fintas primorosas. O seu maior defeito é ter um pé cego, que é o esquerdo. O outro, por sua vez, joga bem com os dois pés e assume-se também como especialista nos lances de arremesso manual. O seu ponto fraco são as jogadas de cabeça. Quando tenta dizer que sim à bola jogando-a com a testa, o esférico acaba sempre por sair junto ao poste mais distante, não chegando a criar real perigo para as malhas adversárias.

É de louvar, de qualquer modo, a postura atacante que ambos revelam no último terço do terreno. O pior é que estão a desentender-se cada vez mais na hora da verdade, afectando o rendimento do conjunto.

 

Entretanto há quem diga que a raiz do problema não está nos jogadores mas no treinador que orienta a equipa há duas temporadas. Fala-se na necessidade de uma chicotada psicológica, admitindo-se a possibilidade de o técnico deixar o time no final da presente época. Alguns adeptos garantem que ele é o grande responsável pelo plantel se ter mostrado tão encatrupigaitado nos últimos desafios que disputou.

O respeitinho é muito bonito

 

"Há que reflectir sobre o paradigma deste futebol."

"A boa colocação das linhas virtuais permite-nos fazer a avaliação certa dos lances."

"O clube não conseguiu traduzir a intensidade do seu jogo."

"Há jogos com outra intensidade competitiva."

"Essa resignação pode ser uma projecção da falta de exigência mais acima e de uma liderança mais efectiva em termos de balneário."

"A equipa não tem níveis de coesão suficientes para introduzir um jogador tão jovem."

"Caiu numa zona de bloqueio da qual vai ter de sair."

"Tem de integrar-se na filosofia colectiva da equipa que representa."

"As grandes equipas da Europa conseguem atingir níveis exibicionais significativos."

"O conceito do treinador baseia-se numa marcação mais subida."

"Do ponto de vista do esqueleto táctico, a disposição no terreno faz sentido."

"São dois jogadores verticais que dão mais profundidade à equipa."

"O jogador X mostrou um ritmo baixo, mostrou alguns pormenores."

"Queremos contribuir para um futebol menos macrocéfalo."

"O futebol é uma lógica de conjunturas."

 

Perceberam?

Eu também não. É uma espécie de dialecto autónomo, só praticado por alguma gente da bola e que tem como principal cultor um jornalista televisivo capaz de rivalizar em fôlego com Fidel Castro, que em 1998 falou sete horas e um quarto sem parar na Assembleia Nacional cubana, ou Hugo Chávez, que no passado dia 14 discursou igualmente sem parar durante nove horas e meia no Parlamento de Caracas.

Quem não seja iniciado neste jargão muito particular dos "níveis exibicionais", do "esqueleto táctico" e da "intensidade competitiva" mantém-se totalmente à distância. Porque o dialecto acima transcrito, ao contrário da esmagadora maioria dos restantes, não foi criado para comunicar: existe para cavar um fosso deliberado entre o seu inventor e o comum dos mortais. A razão? Incutir respeito. Ou respeitinho, mais à portuguesa.

É uma receita infalível. Porque, em regra, os portugueses só respeitam o que não entendem. E aqui entre nós: quem é que entende minimamente o que significa "filosofia colectiva", "zona de bloqueio", "jogadores verticais" e "marcação subida"?

O respeitinho é muito bonito.

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