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És a nossa Fé!

Virgílio Lopes e honestidade intelectual

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Foto: Paulo Calado/Record 

 

Já se sabe que cada um é como qual. Pessoalmente, muito gostei de saber que ainda há quem seja capaz de assumir as coisas como elas são: erra-se. Às vezes, nem poderemos falar em erro, já que no momento em que somos "obrigados" a fazer escolhas, a decidir, fazemo-lo com base nos indicadores de que dispomos. E os indicadores estão sempre em evolução. Afinam-se. Refinam-se. E, com isto, ajustam-se teorias sobre como fazer. Pelo menos, em teoria.

Serve o introito para dizer que fiquei contente por perceber que ainda é possível ler quem tenha a coragem de vir publicamente assumir as coisas como elas são: Nuno Mendes, há um par de anos, não era craque. Não exibia essas características distintivas. Se calhar, até terá estado na calha para ser dispensado. Vai daí, um dia, ainda ficamos todos a saber que só não recebeu guia de marcha, tendo estado iminente a assinatura da sua dispensa, por não haver defesa esquerdo alternativo e por ser um miúdo (vindo de uma família humilde) que não dava problemas. 

 

Seria bom que se aproveitasse a experiência de quem sabe (e a honestidade intelectual) para... refinar as práticas. E ousar reajustar teorias. Mas que o façamos fora da bolha que são os gabinetes e para além do risco calculado (protegido) que são as apresentações em PowerPoint, não raras vezes, meros espelhos dos manuais, que pouco esclarecem sobre como se faz, apenas apontam o que deve ser o resultado.

 

P.S. Alguém saberá dizer se o Manchester City está feliz com a cláusula de compra de Pedro Porro? 

P.S.2. Alguém reparou que na peça (do ano passado) do Jornal Sporting sobre os futuros craques que despontavam na Academia Sporting, não consta Dário Essugo?

P.S.3. E o FC Barcelona e Ansu Fati?

Palhinha, Nuno Mendes e mais alguém

Nuno Mendes e João Palhinha, cada qual com apenas três presenças na selecção A, já estão a dar nas vistas. O primeiro, desde logo, com aquele passe teleguiado para o que seria (e foi, em termos reais, embora não em termos "legais") o terceiro golo português contra a Sérvia e ao protagonizar ontem, frente ao Luxemburgo, uma das melhores jogadas individuais de todo o desafio. O segundo, que saltou do banco nestas partidas, chegou a tempo de marcar de cabeça, também ontem, o golo que sentenciou a nossa vitória num embate mais difícil do que se previa. O seu primeiro como internacional A, confirmando 2020/2021 como uma época de sonho para ele. Um sonho bem merecido.

Venho perguntar-vos, a propósito de qualquer deles, se entendem que devem ambos ser titulares da equipa das quinas no próximo Campeonato da Europa. E também, já agora, se consideram que mais algum jogador do Sporting deve ser convocado para o Europeu.

Roubados

Falamos nós dos árbitros portugueses, apontando o dedo acusador à incompetência desses senhores de apito.

E há até quem defenda que os jogos do nosso campeonato devem passar a ser arbitrados por estrangeiros.

Recomendo a todos estes que reparem no roubo de catedral que hoje aconteceu em Belgrado. Um assalto do árbitro holandês à nossa selecção, anulando um golo limpo de Cristiano Ronaldo, que ao cair do pano nos daria a vitória por 3-2 frente à Sérvia na campanha para a qualificação do Mundial-22. 

Não faço ideia como se diz ladrão em holandês. Mas de uma coisa tenho a certeza: árbitros estrangeiros em Portugal, nem pensar. É mais patriótico quando são portugueses a roubar-nos.

 

ADENDA: Magnífico passe de Nuno Mendes assistindo no golo limpo de Ronaldo que o apitador anulou. Não entendo como Fernando Santos o retirou hoje do onze titular após exibição muito positiva do nosso ala esquerdo frente ao Azerbaijão.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da vitória em Tondela. Haverá quem pense que estes jogos são fáceis: pura ilusão. Neste mesmo estádio, onde ontem vencemos por 1-0, só Benfica e V. Guimarães tinham saído antes com três pontos na Liga 2020/2021. Nós próprios perdemos lá nos dois campeonatos anteriores: 1-2 em Janeiro de 2019 e 0-1 em Novembro de 2019. O que torna esta vitória ainda mais saborosa. Foi a décima nos últimos 11 jogos.

 

Do golo da vitória. Exemplar lance de futebol colectivo, aos 81', numa fase do jogo em que a equipa anfitriã já estava muito desgastada. Com envolvimento de Daniel Bragança a recuperar, Nuno Mendes a conduzir e a centrar a toda a largura da esquerda para o poste do lado contrário, e Pedro Gonçalves a recolher assistindo Tiago Tomás que, livre de marcação, a meteu lá dentro. Sinal de maturidade e competência numa equipa muito jovem.

 

De Nuno Mendes. Depois de alguns jogos com exibição apagada, ontem ressurgiu em Tondela como um dos pilares do nosso onze titular - e, quanto a mim, o melhor em campo. Compensando Porro, que no corredor oposto acusava ainda os efeitos da recente lesão. O jovem ala esquerdo foi sólido a defender e acutilante nas acções ofensivas. Destaque para um excelente centro aos 45'+1 que atravessou toda a área do Tondela, infelizmente sem ninguém para a meter lá dentro. E, claro, para o lance do golo, em que teve um papel decisivo.

 

De Palhinha. Fundamental na nossa organização colectiva. No preenchimento de espaços, na recuperação da bola, no desenho de passes longos, no modo prático e eficiente como inicia os lances ofensivos, sem nunca complicar. Tem visto o seu nome associado a "casos" mediáticos, mas nota-se em campo que isso não o afecta. Ainda bem.

 

De Tiago Tomás. Merece destaque pelo golo que marcou: desde 27 de Dezembro, frente ao Belenenses SAD, que não fazia o gosto ao pé. Sempre muito batalhador, implacavelmente rodeado de adversários que lhe tolhiam os movimentos na grande área, compensou com a conquista dos três pontos um cabeceamento deficiente, de olhos fechados, quando podia ter posto o Sporting em vantagem aos 43'. Está em processo de amadurecimento numa posição nada fácil, onde é alvo de constantes faltas à margem das regras: ontem voltou a acontecer, aos 76', quando sofreu um pisão dentro da área. Era penálti, não assinalado pelo árbitro Nuno Almeida.

 

Das substituições feitas por Rúben Amorim. O treinador voltou a acertar quando decidiu mexer na equipa para desfazer o empate a zero que teimava em prolongar-se. Daniel Bragança (substituiu Nuno Santos aos 60'), Tabata (substituiu Porro aos 73'), Matheus Reis (substituiu Feddal aos 73'), Jovane (substituiu João Mário aos 73') e Matheus Nunes (substituiu Pedro Gonçalves aos 85') imprimiram rapidez de processos e maior objectividade ao nosso jogo colectivo. Já tínhamos encostado o Tondela ao seu reduto: faltava só marcar. E assim aconteceu. Levamos 38% dos golos marcados (17 em 45) após o minuto 80. Será só "estrelinha"? Tenho a certeza que não.

 

Da eficácia da equipa. Duas oportunidades claras de golo, uma das quais aproveitada. Ambas por Tiago Tomás: desperdiçou a primeira, concretizou a segunda. Continuamos muito próximos da eficiência máxima. Em evidente contraste com o que sucedia noutras épocas.

 

Da aposta deliberada na juventude. Terminámos o jogo com Tiago Tomás (18 anos), Nuno Mendes (18 anos), Gonçalo Inácio (19 anos), Daniel Bragança (21 anos), Matheus Nunes (22 anos), Jovane (22 anos) e Bruno Tabata (23 anos). Com outros treinadores, estavam na bancada. Ou andavam a "rodar" por outros clubes.

 

De ver mais um recorde batido. Continuamos sem derrotas à 23.ª jornada. Uma marca que iguala o melhor registo de sempre do Sporting nesta fase de um campeonato nacional de futebol. Se há palavra que dá motivação a uma equipa e alegria aos verdadeiros adeptos, é esta: a palavra invictos.

 

De já somarmos 61 pontos. Correspondentes a 19 vitórias e quatro empates. Ultrapassámos a classificação de toda a época passada, quando faltam ainda 11 jornadas para concluir a Liga 2020/2021. Lideramos o campeonato há 17 jornadas. Estamos a oito vitórias de nos sagrarmos campeões.

 

De nos mantermos como equipa menos batida. Sofremos apenas 11 golos em 23 desafios já disputados. Menos de meio golo por jogo. Um dos nossos melhores registos defensivos de sempre.

 

 

Não gostei
 

 

Do 0-0 ao intervalo. Primeira parte com pouca acutilância ofensiva, quando tínhamos os corredores tapados pela boa organização defensiva do Tondela. Nesse período abusámos da troca de bola entre os nossos defesas, com sucessivos atrasos ao guarda-redes, na aparente (e fracassada) tentativa de chamar a equipa adversária ao nosso meio-campo. E nunca tentámos o remate de meia-distância para quebrar a muralha. O espectáculo foi prejudicado. Felizmente o mais importante acabou por se conseguir, na etapa complementar. 

 

Da ausência de Paulinho. É verdade que já temos um ponta-de-lança. Mas, por enquanto, só em teoria: o ex-avançado do Braga continua lesionado e ficou fora da convocatória para este jogo. Faz cada vez mais falta.

 

De Nuno Santos. Recuperou a titularidade, mas acabou por ser rendido aos 60': teve um desempenho muito abaixo daquilo a que já nos habituou. Os corredores estavam muito bem cobertos pelos defensores adversários e não teve engenho para procurar outros espaços, fora da sua zona de incursão habitual. Deu lugar a Daniel Bragança, quando Amorim percebeu que tinha de desembrulhar o jogo. 

 

Do amarelo a Coates. O nosso capitão, que andava há várias jornadas em risco de ser excluído, recebeu ontem o quinto cartão. Vai ficar fora da próxima partida, frente ao V. Guimarães em Alvalade.

O dia seguinte

Sabia que não ia ser fácil e não foi nada fácil. Este Tondela "ibérico" foi crescendo durante a temporada e ontem foi muito competente. Mais uma vez Rúben Amorim precisou de recorrer ao plano C (de Caos, de C... vamos a eles) para conseguirmos sair com os 3 preciosos pontos.

Foi um jogo de sentido único, com o Sporting a querer construir com critério, circulando bem a bola e falhando muito poucos passes, e o Tondela num pressing intenso a todo o campo que originava situações de contra-ataque perigosas. Neste tipo de jogos muita falta faz o tal ponta de lança alto e forte: Tiago Tomás muito lutava mas quando a bola lhe chegou pelo ar redondinha e pronta a facturar, mostrou mais uma vez que não é ele o tal.

Os minutos foram passando, o Tondela foi cedendo fisicamente, e Rúben mexeu muito bem na equipa, dando-lhe uma energia nova que ajudou a que novos espaços fossem encontrados. Dum aproveitamento de Pedro Gonçalves veio então o golo do Tiago, que se redimiu assim do falhanço anterior.

 

Melhores do lado do Sporting? Claro que o TT pelo que lutou e pelo golo que marcou, Palhinha e Nuno Mendes. 

Mais uma vez, duma forma competente e eficaz, o Sporting atingiu o seu objectivo, sem penáltis oferecidos por seus ex-jogadores, sem favores arbitrais, antes pelo contrário, com uma equipa assente na prata da casa e que custa metade das dos dois rivais.

Este treinador e esta equipa merecem todo o nosso apoio. Não vale a pena colocarmos exigências descabidas senão parecemos aquele pobre habituado a sardinha de lata a quem saiu a lotaria e que depois, no melhor restaurante, protesta sobre a frescura do "robalo ao sal". Mas se calhar é apenas este nervoso miudinho que se está a apoderar de nós, o desgaste de toda a temporada a fazer-se sentir, o estamos perto mas nunca mais lá chegamos. A "última milha".

Temos que pensar como o Carlos Lopes: demos o esticão, ganhámos vantagem, vamos em primeiro, mantemos a passada, tranquilos e serenos. Os outros que corram atrás se quiserem e puderem.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

A noite em que o rapaz se fez homem

Os números, nomeadamente as estatísticas, só têm valor se os soubermos interpretar e se soubermos interpretá-los depois e não antes de bem afinados, de modo a darem uma visão o mais próxima possível da realidade e não a visão que se gostaria ter dela. 

É provável que os números da actuação de ontem de Nuno Mendes mostrem um resultado abaixo da média, se não mesmo sofrível, sobretudo nas acções ofensivas. Maus passes - aquele a meio da segunda parte oferecendo a bola a um meio-campista adversário  isolado... - decisões infrutíferas e erradas, como aquela cavalgada inconsequente e obstinada até à linha final, muito poderá haver que possa apoucar o que Nuno Mendes fez em campo.

E, no entanto, arrisco dizer que ele foi o herói do jogo. Um chavalo que há um ano jogava à bola de fraldas nos juniores, apanhou ontem de frente com Corona, que dizem ser o craque do fêcêpê e é um malandro de primeira a cavar faltas e a pontapear tornozelos, com Manafá, elogiado pela velocidade e drible, com Francisco Conceição, um notável mergulhador e gabado como a coisa mais extraordinária que apareceu no mundo sublunar depois de Messi. E ainda viu Uribe, o manhoso, descair para o lado dele e ainda teve tempo para ajudar Feddal a lidar com Marega. Tudo isto depois de ser intimidado com um cartão amarelo logo de início.

Fleumático, tudo Nuno Mendes conteve e superou sem um queixume ou um desfalecimento até à exaustão. Ele é a imagem da resiliência, da disciplina, da concentração, do tino e da maturidade precoce deste Sporting de Rúben Amorim. No futuro, quando ele jogar ao mais alto nível a que está prometido, se for preciso definir um momento em que Nuno Mendes se crismou como futebolista de craveira, bem se poderia apontar para o desafio de ontem.

O dia seguinte

Não vou sequer falar do lance que todos sabem qual foi, muito me iria enervar e pouco iria acrescentar ao que os meus colegas muito bem disseram. Parece que o apitador esteve a falar com o Hugo Viana no final do jogo, o Sporting vai apresentar recurso, aguardemos. Vou falar apenas do jogo em si.

A lição que a equipa recebeu contra o Rio Ave funcionou e os primeiros minutos mostraram que o Sporting entrou no Bessa para resolver as coisas bem depressa. Ritmo vivo, bola a circular com critério entre sectores, Nuno Mendes e Porro bem soltos nos corredores, João Mário mais atrasado empunhava a batuta, Matheus Nunes vagabundeava e confundia marcações, Boavista em aflição constante e sem conseguir articular contra-ataques, o melhor que conseguiam era ter um ou outro livre a seu favor, fruto do mergulho de algum seu jogador, um primeiro golo já muito visto, centro tenso em diagonal do Nuno Mendes e desvio para golo do Nuno Santos, e depois... Sporar e João Mário a desperdiçarem, um, dois, três, quatro golos feitos, era só encostar, mas faltou o só. Era dia para Bas Dost fazer um "poker" como fez em Tondela há quase 4 anos, comigo na bancada.

Os minutos foram passando e quem não marca normalmente sofre, o desgaste da Taça da Liga começou a fazer-se sentir e Amorim refrescou a equipa, primeiro com Bragança, que pouco adiantou, depois com TT e Palhinha, e finalmente chegou o golaço do Porro. E o Sporting ganhou por dois, mas podia ter sido a goleada da época, Nuno Mendes voltou a ser quem é e foi de longe o melhor em campo nos 90 minutos, mas Porro mais uma vez marca um golo do outro mundo, e assim foi o herói da noite.

Concluindo, uma grande exibição do Sporting num campo sempre difícil, muito sofrimento desnecessário, Sporar está sem qualquer confiança, se calhar a pensar se fica ou se vai não sei para onde, falta um ponta de lança de nível para projectar esta equipa para outros patamares. Continuamos na liderança da Liga com 4 pontos de vantagem do perseguidor mais directo a dois jogos do final da 1.ª volta, e temos sem dúvida treinador e equipa, com ou sem um ou outro, para ganhar os dois jogos que faltam.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

2020 em balanço (9)

 

GOLO DO ANO

Foi um ano atípico no Sporting. Um ano em que estivemos impedidos de comparecer no nosso estádio desde a primeira quinzena de Março. Um ano em que passámos da depressão à quase-euforia com poucos meses de intervalo. Um ano em que a nossa equipa principal de futebol começou a ser reconstruída com alicerces da formação, somando boas exibições e acumulando pontos - de tal maneira que lideramos agora o campeonato há seis jornadas consecutivas e somos o único onze da Liga ainda invicto à 12.ª jornada.

Foi um ano em que não faltaram belos golos. Nada fácil escolher, portanto, o melhor do ano - o que é sempre um excelente dilema. Acabei por seleccionar o golo de Nuno Mendes ao Portimonense, a 4 de Outubro. Pelo seu virtuosismo técnico e pelo seu impacto visual: o jogador dribla três adversários antes de levar a melhor frente ao guarda-redes, atirando-a lá para dentro, estavam decorridos 4'. Mas também pelo seu significado que transcende o desafio do Algarve, que vencemos por 2-0: o belo golo do jovem ala leonino é um símbolo perfeito deste renovado Sporting orientado por Rúben Amorim. 

 

Como referi, a escolha não foi fácil. Daí destacar aqui quatro menções honrosas, todas dignas de rasgado elogio:

- O golo de Acuña no Sporting-FC Porto, a 5 de Janeiro (perdemos 1-2);

- O golo de Jovane no Sporting-Paços de Ferreira, a 12 de Junho (ganhámos 1-0);

- O golo de Porro no Famalicão-Sporting, a 5 de Dezembro (empatámos 2-2);

- O golo de Tabata no Sporting-Paços de Ferreira, a 11 de Dezembro, para a Taça de Portugal (vencemos 3-0).

 

Por vezes não é necessário irmos à ópera para assistir a bons espectáculos: no futebol também há disso. Pena continuarmos impedidos de ver golos como estes ao vivo. E que os nossos jogadores não oiçam as ovações que bem merecem.

 

 

Golo do ano em 2012: Xandão, contra o Manchester City

 Golo do ano em 2013: Montero, contra a Fiorentina

Golo do ano em 2014: Nani, contra o Maribor

Golo do ano em 2015: Slimani, na final da Taça de Portugal

Golo do ano em 2016: Bruno César, contra o Real Madrid

Golo do ano em 2017: Bruno Fernandes, contra o V. Guimarães

Golo do ano em 2018: Jovane, contra o Rio Ave

Golo do ano em 2019: Bruno Fernandes, contra o Benfica

Made in Alcochete

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Era um fim de semana solarengo de Junho de 2005, e com algum tempo livre “deu-me na cabeça” rumar a Odivelas. Aí, no relvado anexo ao velho estádio e meio empoleirado num prédio em construção, tive o prazer de ver o Sporting esmagar o Benfica por 4-1 e assegurar o título de Juniores dessa época.

Era uma equipa orientada por Paulo Bento e Leonel Pontes, comandada em campo por Miguel Veloso, e que contava com Nani e João Moutinho. Na mesma época, a equipa de Juvenis assegurava também o título da categoria, uma equipa orientada por João Couto, que contava com Rui Patrício, Adrien e Pereirinha. Cédric Soares estava nos iniciados, que falharam o triplo.

Dois anos antes Beto e José Fonte jogavam na equipa B, orientados por Jean Paul e Leonel Pontes, . Ronaldo e Quaresma por lá tinham passado pontualmente em épocas anteriores, e nessa altura já tinham rumado a outras paragens.

Onze anos depois, também rumei a Marselha para ver Portugal derrotar a Polónia e abrir caminho para a vitória final em Paris, com uma equipa que contava com todos aqueles jogadores já citados, com excepção de Miguel Veloso, que deu lugar ao também nosso William Carvalho,  fazendo com que a formação do Sporting fosse predominante na selecção e fundamental para o título alcançado.

 

Depois de 2005 muita água passou por debaixo das pontes, Alcochete foi conhecendo um lento definhamento, feito de incúria e falta de visão estratégica, com Aurélio Pereira mais ou menos desconsiderado. Ainda conseguimos ter a melhor equipa B de sempre, que contava com João Mário, Esgaio, Bruma, Dier e alguns outros, mas depois disso foi sempre a descer, para cinco anos depois batermos no fundo, com a equipa B extinta e os expoentes da formação no plantel principal (Rui Patrício, William Carvalho, Gelson Martins, Podence e Rafael Leão) em debandada, algum tempo depois de outros, como João Mário, Cédric e Adrien, terem sido vendidos.

Pelo meio surgiu em Alcochete uma cartilha na linha da frase idiota que continua mais ou menos vandalizada na estátua do leão, que parecia pretender transformar os jovens jogadores em aspirantes à bancada da Juveleo e que provocou a repulsa nos pais dos mesmos. Por onde andará essa coisa filha de pai incógnito?

Foi preciso então reconhecer o óbvio: Alcochete estava com falta de tudo, e não só de relvados e colchões em condições, mas também do capital humano que tinha fugido para alimentar o rival e duma cultura Sporting enraizada, que incluía jogadores a passear-se em Alcochete com camisolas doutros clubes. Depois disso, ainda se via assaltada por elementos da principal claque do clube, com os jogadores agredidos no seu local de trabalho.

Mais ou menos três anos depois, ou seja anteontem, e novamente em Paris, Alcochete estava reduzida ao Cristiano Ronaldo e aos dois ex-capitães fugitivos, enquanto o Seixal se podia gabar de Rúben Dias, Bernardo Silva, João Félix, Nelson Semedo e Renato Sanches. Nos suplentes estava lá apenas o Domingos Duarte, o novo José Fonte, que foi andando de empréstimo em empréstimo até à venda final.

 

Seria mesmo mau demais pensar nisto, se não soubéssemos que existe em Alcochete uma nova geração, que foi primeiro seleccionada e fidelizada, depois trabalhada na pré-época do ano anterior por Marcel Keizer e agora definitivamente lançada por Rúben Amorim, este claramente o novo Paulo Bento do Sporting.

Assim, olhando para o potencial de Luís Maximiano, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Tiago Tomás, Daniel Bragança, Matheus Nunes (que ainda andou pelos sub23 e um dia destes estará naturalizado), Jovane Cabral e Joelson Fernandes, mais um ou outro dos que estão a rodar na nova equipa B e nos sub23, não custa imaginar que, daqui a alguns anos, teremos uma selecção nacional mais uma vez dominada pela formação do Sporting.

E das coisas que mais me fascinam nesta nova geração de Alcochete, muito ao contrário do apregoado pelos ressabiados do costume, que falam em meninos ingratos e mimados, é ver que demonstram ter as ideias bem arrumadas, um discurso objectivo e assertivo, uma valorização da camisola que vestem e do clube que representam. No fundo, demonstram o seu ADN Sporting. Dizem que Tomaz Morais tem feito um trabalho notável em Alcochete na área da formação comportamental para o alto rendimento, que inclui valores e princípios de vida. Pode ser esse um factor essencial nesta situação.

Apenas como exemplo, disse o Nuno Mendes depois do golo genial em Portimão: “Cada lance é como se fosse o último e foi assim que o encarei. (...) É um orgulho jogar no Sporting, vou guardar este dia para sempre.(...)  O meu trabalho é jogar dentro de campo, o que se passa fora não interessa.”

É mesmo isso, Nuno. Continua assim que vais bem longe. E a Selecção Nacional aguarda por ti.

SL

Pódio: Nuno Mendes, Coates, Neto

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Portimonense-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Nuno Mendes: 19

Coates: 17

Neto: 17

Adán: 16

Matheus Nunes: 16

Porro: 16

Nuno Santos: 15

Feddal: 14

Vietto: 14

Daniel Bragança: 13

Tiago Tomás: 13

Pedro Gonçalves: 13

Tabata: 12

Antunes: 11

Gonçalo Inácio: 11

Plata: 10

 

Os três jornais elegeram Nuno Mendes como melhor jogador em campo.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do nosso segundo triunfo consecutivo no campeonato. Fomos a Portimão vencer por 2-0 a equipa treinada por Paulo Sérgio - precisamente a mesma marca alcançada na partida anterior, em casa do Paços de Ferreira. Esta vitória, além de nos colocar no já restrito grupo das equipas ainda invictas e sem golos sofridos na Liga 2020/2021, tem ainda o mérito de funcionar como tónico psicológico para a equipa, abalada pela derrota caseira frente ao Lask Linz. Há seis anos que não ganhávamos tão cedo, por esta marca, fora de casa. 

 

Da nossa meia hora inicial. Há muito que não via o Sporting jogar tão bem: velocidade na transição, pressão alta lá à frente, bola trocada ao primeiro toque, organização colectiva, grande mobilidade. Neste período ficou sentenciada a sorte do desafio no Algarve. Com golos marcados bem cedo e gestão de bola no resto da partida, embora sofrendo alguns sobressaltos defensivos na segunda parte.

 

Dos golos. Surgiram cedo - e ambos excelentes. O primeiro, logo aos 4', fruto do esforço individual de Nuno Mendes, que driblou três adversários e fuzilou o guarda-redes após recuperar uma bola junto à ala esquerda. O segundo, aos 11', em consequência de um óptimo lance colectivo que levou Tiago Tomás a servir Vietto, o argentino a cruzar de forma impecável para o centro da área e Nuno Santos a surgir em velocidade ao primeiro poste, marcando de cabeça, à ponta-de-lança.

 

De Nuno Mendes. Estreou-se - com todo o mérito - a marcar pela equipa principal do Sporting. Sendo ainda júnior: tem apenas 18 anos e três meses. Vale a pena rever vezes sem conta este magnífico lance, que faz lembrar um dos mais célebres golos de Pelé: em dribles sucessivos, o jovem formado em Alcochete vai deixando sucessivos opositores para trás e não perdoa no momento de atirar à baliza. Melhor em campo, também com prestação muito positiva no plano defensivo, não tardará muito a ser chamado à selecção nacional dos mais crescidos. 

 

De Coates. Podia ter ficado desgastado em termos psicológicos por ter cometido um penálti e visto um cartão vermelho, prejudicando a equipa, no desafio ocorrido três dias antes contra a equipa austríaca em Alvalade. Mas não se notou nada disso neste jogo de Portimão, em que teve um desempenho irrepreensível no comando da defesa - bem complementado desta vez por Neto, à sua direita. E ainda foi à frente, marcar um golo de cabeça aos 81' que o árbitro entendeu invalidar, usando um critério oposto ao do seu colega que pouco antes arbitrara o jogo Benfica-Farense (3-2) num lance muito semelhante, culminado em golo marcado por Seferovic. 

 

De Adán. Concentração, eficácia, solidez. Três palavras que caracterizam o desempenho do guarda-redes espanhol, vital para garantir que a nossa baliza permanecesse intocável. Boas defesas aos 15', 45' e 88'. Grande intervenção no último minuto da partida, aos 90'+4, evitando um golo. Nota muito positiva.

 

Da primeira parte de Matheus Nunes. Talvez a melhor exibição do jovem brasileiro, desta vez no comando das operações do meio-campo devido à saída de Wendel para o futebol russo. Ousado no passe longo, rápido a tomar decisões, dominando a bola com critério, sem receio de ir ao choque. Caiu no segundo tempo, por notório desgaste físico, à semelhança de alguns colegas, como Vietto e Tiago Tomás.

 

Da aposta contínua nos jovens. Rúben Amorim contou neste desafio com nove jogadores sub-23: Porro, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Pedro Gonçalves (em estreia como titular, ocupando a vaga deixada por Wendel), Tiago Tomás, Daniel Bragança, Gonçalo Inácio, Plata e Tabata (em estreia absoluta de verde e branco, tendo entrado aos 71' para render Vietto). Quatro destes jovens fizeram toda a formação na Academia de Alcochete. 

 

 

Não gostei
 

 

Do critério disciplinar do árbitro. Manuel Oliveira permitiu que os jogadores do Portimonense se sentissem à vontade para fazerem sucessivas faltas destinadas a travar lances do Sporting em momentos cruciais do jogo, deixando-os impunes. Há muitas maneiras de arbitrar mal: ser permissivo com os lances faltosos é uma delas. 

 

De Feddal. Foi claramente o elemento mais intranquilo da linha defensiva a três, faltando-lhe velocidade nas acções de cobertura e precisão de passe na fase de construção, abusando dos chutões para onde estivesse virado. Acabou por dar lugar a Gonçalo Inácio, aos 62', tendo saído com queixas de ordem física.

 

De Tabata. Estreia infeliz de verde-e-branco do extremo que escolheu jogar com o n.º 7 na camisola, em confronto com a sua anterior equipa. Isolado aos 86', em posição privilegiada para fazer o terceiro golo do Sporting, imitou Sporar no jogo contra o Lask: em vez de um remate potente, saiu-lhe um frouxo passe ao guarda-redes. Parece faltar capacidade de finalização ao mais recente reforço da nossa equipa.

 

Das ausências. Não pudemos contar ainda com Jovane (que recupera de lesão muscular) e Palhinha (recém-saído de quarentena por ter sido contagiado com Covid-19). Dois elementos nucleares: qualquer deles tem lugar garantido no onze titular leonino. Faltou ainda Sporar, aparentemente afectado por uma tendinite: nem sequer figurou na ficha do jogo. Esperemos que o mercado de transferências não feche sem recebermos um reforço para o nosso sector mais ofensivo. Há que preencher esta lacuna.

Uma boa venda

Como é que uma derrota humilhante pode ser o ponto de partida para algo que se vislumbra de muito melhor?

Ora, ter que vender (não gosto do termo, mas vai assim) o Wendel para fazer face a despesas de funcionamento, que empastelava o jogo a meio-campo, que permitia a colocação das defesas adversárias (sim, muito bom tecnicamente, mas também muito trapalhão) e que por via disso a maior parte das vezes ou vinha ele, ou vinha a bola para zonas recuadas do terreno de jogo, perdendo-se inúmeras ocasiões de "dar cabo" do adversário.

Ora hoje marcámos cedo, como se pedia depois do desgaste de quinta feira e em jogadas rápidas e com dois maravilhosos golos; Um deles, o primeiro, por Nuno Mendes, um jovem de 18 anos lá do alfovre, de levantar o estádio estivessem lá espectadores.

Nem tudo está bem, aquelas saídas de bola dão-me cabo do coração, mas também tivemos um Neto que talvez tivesse hoje feito o melhor jogo de listada no corpo.

Como quem aqui faz a análise ao jogo é o "chefe de redacção", eu vim cá só registar que por vezes há males que vêm por bem, mas também que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Quero registar também que foi um final de semana 100% vitorioso. Ganhámos todos os jogos de todas as modalidades em que estivemos envolvidos, masculinos e femininos. Um clube grande, como os maiores da Europa, já está quase...

Uma equipa competente

Ontem em Paços de Ferreira vimos uma equipa do Sporting que, embora atravessando as maiores dificuldades em termos de disponibilidade do plantel, treinador incluido, para treinar e jogar, entrou em campo lançada ao ataque para resolver o jogo bem depressa. Assim deverá ser sempre: contra as equipas pequenas o tempo joga sempre a desfavor.

Mais uma vez a falta dum artilheiro fez-se sentir. Se contra os escoceses foi Jovane, agora foi Tiago Tomás que esteve particularmente desastrado em frente à baliza adversária e foi preciso o apitador de serviço, no intervalo da sinfonia de amarelos com que brindou o Sporting, descortinar um penálti pelo facto de Tanque ter levado com uma bolada no braço, para nos adiantarmos no marcador. Valha a verdade que pelo menos estava de frente para a bola: em Portugal já vimos muitas vezes coisas semelhantes e em Inglaterra a coisa foi ainda bem pior, com o nosso Eric Dier, de costas para o adversário, a levar também com a bola no braço, o Mourinho a perder dois pontos nos descontos e o treinador adversário a dizer que "é um total disparate... isto tem de acabar". Isto é a lei da "bola na mão" ou a interpretação da mesma feita pelos árbitros. 

O golo, a lesão de Jovane poucos minutos depois e o teatro constante dos jogadores do Paços acabaram por desconcentrar o Sporting. Tiago Tomás foi egoísta e estragou uma jogada de golo. Chegámos ao intervalo com a vantagem mínima. O intervalo fez bem à equipa e passámos a controlar o adversário sem grandes problemas, ganhando tranquilamente. Adán, que esteve muito bem a desfazer dois centros do Paços e a colocar a bola à distância, não teve um remate enquadrado para defender.

Se a equipa valeu pelo todo, com Coates "el patron" imperial, os dois alas, Porro e Nuno Mendes, estiveram particularmente bem. Matheus Nunes é aquele jogador de que muitos não gostam, mas luta que se farta, varia jogo com qualidade, tem sido o carregador do piano que Wendel toca naquele meio-campo.

Bragança dá gosto ver jogar. Com Palhinha, Matheus Nunes, Wendel e também Pote temos um meio-campo com muitas soluções, sendo que Wendel se assume como titular indiscutível.

No ataque Amorim tem procurado tirar o melhor partido do plantel disponível e fisicamente capaz. Esta ideia de alinhar com três avançados móveis bem perto uns dos outros está a dar frutos, retirando referências e baralhando marcações às equipas adversárias, mas não chega para o que aí vem. Embora reconhecendo o esforço de Sporar, falta mesmo alguém que do pouco faça golos.

 

PS: Entretanto parece que se confirma que Ristovski é uma carta fora do baralho de Amorim. Depois de Plata, ontem foi Nuno Mendes que substituiu Porro na ala direita. A Bola fala na possível promoção de Bruno Gaspar. Já que ninguém pega num jogador que custou 5M€...

SL

Tiago, Nuno, Gonçalo... e Pote

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Tiago e Jovane festejam segundo golo (foto: Ricardo Nascimento/Lusa)

 

Confirma-se: está a ser a melhor pré-temporada leonina das últimas três épocas. Segundo jogo de preparação, segunda vitória consecutiva que pudemos ver em directo na SportTV.

Desempenho superior do Sporting, desta vez frente ao Belenenses SAD no Estádio do Algarve, em comparação com a partida de há dois dias, em que enfrentámos o Portimonense.

No jogo anterior, de positivo, só os 20 minutos finais - aqueles em que Rúben Amorim decidiu mudar todos os jogadores de campo. Nesse período conseguimos o golo da vitória frente ao clube de Portimão, marcado por Tiago Tomás. O anterior teve assinatura de Sporar, na conversão de um penálti.

 

Desta vez o onze que entrou em campo foi esse que finalizou o anterior embate. E as impressões voltaram a ser dignas de elogio: equipa dinâmica, veloz, a desdobrar-se em passes verticais, de olhos fitos na baliza adversária. Quase nada daquela "filosofia de posse" estéril que marcou o Sporting da temporada 2019/2020.

Sem surpresa, marcámos logo aos 14' num lance rápido concluído pelo recém-chegado Pedro Gonçalves, também conhecido por Pote (confirmando que é mesmo reforço), bem servido por Tiago Tomás em zona frontal à baliza após iniciativa de Jovane, crucial no aproveitamento dos espaços permitidos pelo Belenenses. Nove minutos depois, Tiago marcou o segundo, culminando outra bela sequência de futebol de ataque, iniciada em Nuno Mendes e conduzida por Jovane, que fez a assistência.

O terceiro foi apontado aos 73' por Sporar: um golo à ponta-de-lança, com o esloveno a isolar-se, ultrapassando com êxito a linha defensiva algarvia. E aos 87' quase viria a marcar outro, de remate cruzado: Moreira, o guarda-redes adversário, defendeu in extremis, fazendo a bola embater no poste.

 

Balanço destes dois jogos de preparação: cinco golos marcados, dois sofridos (um deles devido a um penálti inexistente). Mais robusta, esta vitória por 3-1 contra um adversário orientado por Petit, um treinador que nunca facilita.

Melhores? Desde logo Pedro Gonçalves. E também um trio de miúdos formados em Alcochete que merecem um lugar ao sol: Gonçalo Inácio, Nuno Mendes e Tiago Tomás. Este, com um par de golos e uma assistência em dois meios-jogos, promete ser um forte concorrente de Sporar.

Quem disse que a nossa Academia não formava goleadores?

 

ADENDA: A jumentude leonina continua a marcar a diferença. Sempre pela negativa. Qualquer semelhança entre isto e uma claque verdadeira é mera coincidência.

Meirim revisitado em Portimão

Bastaram pouco mais de 20 minutos para o Sporting conseguir deixar umas sementes de esperança de que um plantel insuficiente para disputar o título talvez tenha algumas hipóteses de atingir o terceiro lugar que destranca a primeira das portas de acesso à Liga dos Campeões que seria o início de um caminho de regresso à vida.

Nuno Mendes, Pedro Gonçalves e Matheus Nunes mostraram que têm de ser titulares, Daniel Bragança trouxe uma dinâmica no meio-campo que contrastou com a modorra de Wendel, Tiago Tomás revelou-se mais letal do que Sporar e até Borja pareceu eficaz quando comparado com Feddal, a quem o árbitro até um pénalti-fantasma assinalou.

Da equipa titular só estiveram claramente melhor Luís Maximiano (apesar de uma fífia esteve à altura quando o Portimonense fazia gato-sapato da rapaziada) e Coates, com Pedro Porro e Nuno Santos a deixarem indicações interessantes e Neto melhor à direita do que Feddal à esquerda (enquanto o suplente Eduardo Quaresma voltou a transparecer um certo nervosismo, tal como nos últimos jogos da época passada).

Olhando para os 70 minutos em que Ruben Amorim prescindiu de alguns dos melhores que tem no plantel, com os resultados que ficaram à vista de todos, lembrei-me da velha história do mítico Meirim a explicar ao suplente "melhor do mundo" que ele ficava no banco pois o titular era o "melhor da Europa". Substituindo por "melhor do plantel" e "melhor da SAD".

Balanço (11)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre NUNO MENDES:

 

- Luís Lisboa: «É bom de mais para ficar no banco.» (7 de Julho)

- Pedro Bello Moraes: «O presidente parece estar a acertar o passo e a apostar definitivamente na formação. Essa mina de coisa preciosa achada em Alcochete e que põe ainda em campo craques como Eduardo Quaresma, Matheus Nunes ou Nuno Mendes.» (11 de Julho)

Leonardo Ralha: «O lateral-esquerdo recém-chegado à maioridade continuou a mostrar que é o mais preparado de todos os jovens da formação que Ruben Amorim tem aproveitado, conciliando velocidade, inteligência táctica, timing de abordagem ao adversário e aquela pitada de descaramento necessária em quem tem a intenção de se afirmar.» (21 de Julho)

Eu: «Parece ser o mais regular e o mais competente dos cinco jovens que Rúben Amorim lançou na equipa principal desde o recomeço do campeonato.» (26 de Julho)

- Paulo Guilherme Figueiredo: «Jogador cuja qualidade técnica, velocidade e inteligência já tinha dado (e muito) nas vistas nos juniores e sub-23. E que, na transição para a equipa principal, revelou uma maturidade impressionante para a sua idade. Longe de se intimidar com os grandes palcos, este jogador demonstrou total à-vontade. Esforço, dedicação, devoção e glória.» (1 de Agosto)

Eduardo Hilário: «Jovem, sportinguista, com qualidade e vontade. Este deve ser preservado e valorizado.» (5 de Agosto)

Isto é ser Sporting

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«Também cheguei a treinar no Benfica, mas o Sporting cativou-me.»

«Por mim, fazia o máximo de jogos pelo Sporting, até acabava carreira aqui. Só tive dois clubes e o Sporting ajudou-me muito, dentro e fora de campo.»

 

Duas frases de Nuno Mendes em entrevista ao Record de 31 de Julho. Duas frases que comprovam todo o sportinguismo deste jogador.

Com apenas 18 anos, o novo lateral esquerdo titular da nossa equipa principal já é veterano em Alvalade: cumpriu todos os escalões da formação de verde e branco, tendo chegado à Academia de Alcochete com apenas nove anos, em Dezembro de 2011.

Ser Sporting? Se alguém sabe o que isto significa, é ele. Sem sombra de dúvida.

E a revelação verde-e-branca da temporada é...

Depois de ter votado na revelação (não verde-e-branca) da temporada 2019/20 (VER AQUI) a equipa do És a Nossa Fé votou também, e como não podia deixar de ser, na revelação verde-e-branca. Votação essa, importante notar, que foi feita ainda antes do último jogo da temporada.

E 2020 (mais do que 2019) foi um ano de diversas - e boas - revelações. Talvez seja o (único) ponto positivo que fica desta época no futebol leonino - os muitos jovens que tiveram a sua primeira oportunidade de representar a equipa principal do Sporting Clube de Portugal e de pisar o grande palco de Alvalade (ainda que, por ora e por força das circunstância, sem público).

Se a aposta em "Max" foi feita logo no início da época, outros jogadores só tiveram a sua oportunidade com Ruben Amorim. Talvez por isso, estes tenham ficado mais "na retina" do que o novo dono da baliza de Alvalade. Ou que Jovane, já na sua segunda época na equipa principal, e que foi essencial para o bom desempenho para a equipa no regresso das férias forçadas pela pandemia. 

Para revelação "verde-e-branca" de 2020, a equipa do És a Nossa Fé votou de forma expressiva no vencedor. Trata-se de um jogador que já vinha treinando com a equipa principal com Marcel Keizer. Um jogador cuja qualidade técnica, velocidade e inteligência já tinha dado (e muito) nas vistas nos Juniores e sub-23. E que, na transição para a equipa principal, revelou uma maturidade impressionante para a sua idade. Longe de se intimidar com os grandes palcos, este jogador demonstrou total à-vontade. Esforço, dedicação, devoção e glória. Tanto que foi mesmo considerado o melhor em campo pelo Sporting, por vários jornais, nos últimos jogos que fez. 

 

 

Nuno Mendes é, para a equipa do És a Nossa Fé, a revelação da temporada 2019/20. 

Mais imporante ainda, é já um valor seguríssimo no Sporting 2020/21. O corredor esquerdo será seguramente dele, por mérito próprio. Tal como Eduardo Quaresma, outro jovem agora lançado que esteve a bom nível  - e que, refira-se, ficou em segundo lugar na votação. 

Nestes tempos de incerteza, podemos pelo menos ter a certeza que a Academia continua a trabalhar bem e a formar talentos e campeões. Que ergam muitos títulos pelo Clube, é o que se deseja. E, no futuro, quem sabe sucederão a Ronaldo ou Figo representando Portugal nos grandes prémios futebol internacional. 

Parabéns à Academia, parabéns e a Nuno Mendes e aos novos valores leoninos.

E viva o Sporting Clube de Portugal!

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