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És a nossa Fé!

Nuno Mendes, João Mário, Nani

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Duas das três maiores receitas de sempre no Sporting, obtidas com transferências de jogadores, foram concretizadas durante o mandato presidencial de Frederico Varandas. A segunda acaba de confirmar-se: o Paris Saint-Germain accionou a cláusula de opção por Nuno Mendes, que foi ala titular na temporada agora concluída, participou em 37 jogos e chegou até a ser eleito para o melhor onze da Liga francesa 2021/2022.

Com esta operação, a SAD leonina receberá 38 milhões de euros, a liquidar no prazo de um ano, acrescidos dos 7 milhões da taxa de empréstimo embolsados no Verão passado. Total: 45 milhões de euros.

Só a saída de Bruno Fernandes no mercado de Inverno 2019/2020, por 55 milhões mais 8 milhões por objectivos já concretizados, foi ainda mais rendosa.

Mas Nuno Mendes ocupa o topo da lista num aspecto que merece destaque: ele é o jogador mais lucrativo de sempre da nossa formação. O segundo foi João Mário, transferido em Agosto de 2016 para o Inter por 40 milhões de euros, acrescidos de 3 milhões por objectivos. A maior proeza financeira do consulado Bruno de Carvalho.

O pódio dos craques da formação leonina que renderam mais dinheiro ao Sporting encerra com a saída de Nani, em 2007, por 25,5 milhões de euros para o Manchester United. Quantia que à época constituiu a melhor venda leonina de sempre, concretizada durante o mandato de Filipe Soares Franco.

Nuno Mendes, a liderança serena

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A noite estava fria em Paris.

O jogo disputou-se entre as 21H00 e as 23H00, boa hora para estar em casa, com um vinho tinto e uma manta, má hora para andar a correr na periferia da capital francesa, de calções e manga curta.

A inútil (ao contrário das pontes que projectou para Portugal) torre de metal, estava iluminada, projectando uma aura dourada, num céu nublado, permitindo uma cumplicidade tardia, entre Eiffel e uns quantos turistas que regressavam ao ar condicionado dos hotéis.

O Moulin Rouge movia as pecaminosas velas, buscando transeuntes necessitados de calor bem pago em francos franceses que, apesar da vontade de alguns, agora se chamam euros.

Era nisto que José pensava, passo largo, a caminho da "mansarde".

Pensava no seu Sporting, tão roubado, pensava na sua vida difícil, em França, pensava em Nuno Mendes, bem mais novo que ele, mas que frequentara a mesma escola.

Chegou a casa , pijama vestido, blusão de ir à lua, atabafante, peúgas bem grossas a aquecerem-lhe os pés de futebolista não concretizado, televisão sintonizada na Inácio TV, tinha interferências e "dê lá" (ou lá como se diz) mas era o que José tinha.

Viu Nuno Mendes na televisão, viu-o a ser escolhido para falar no intervalo, nem Sérgio Ramos, nem Mbappé, nem Neymar, nem um jogador tímido e sobrevalorizado (que, curiosamente, marcaria o golo que fez do PSG campeão) não senhor, o escolhido foi o miúdo do seu bairro.

A vida pode ser injusta, a inveja é irreprimível como a água que corria na quadra de Aleixo.

José não reprimiu a água que lhe corria, sabia que quem prende a água que corre, é por si próprio enganado, o ribeirinho não morre, vai correr para outro lado, enxugou as lágrimas, de tristeza, de inveja mas, também, de orgulho e de alegria.

Todos nós, como José, temos dentro de nós sentimentos contraditórios, alguns preferiam a derrota de Messi à vitória de Nuno Mendes, eu e José não pensamos assim, a inveja pode fazer-nos crescer, tornarmo-nos melhores, o ódio assumido ou encapotado é sempre mau. 

2021 em balanço (6)

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DESPEDIDA DO ANO: NUNO MENDES

Alguns de nós, devido à pandemia, nunca chegámos a vê-lo jogar ao vivo no Sporting. Mas Nuno Mendes foi essencial na conquista do título, em Maio de 2021. O primeiro campeonato ganho pelo Sporting desde 2002. 

Rúben Amorim, dotado de olho clínico, não hesitou em promovê-lo de júnior à equipa principal. Aposta plenamente justificada: este habilidoso lateral foi titular indiscutível na Liga 2020/2021. Imperou no flanco esquerdo com notável domínio da bola, precisão nos cruzamentos, capacidade de recuperar posições. Acelerou o jogo leonino em momentos cruciais com níveis de concentração muito acima da média e uma maturidade competitiva nada vulgar num pós-adolescente.

De Leão ao peito, na temporada anterior, Nuno Alexandre Tavares Mendes cumpriu 35 jogos (num total de 2855 minutos), marcou um golo e fez duas assistências. A 24 de Março, estreou-se na selecção A, alinhando no onze inicial contra o Azerbaijão (vitória lusa, 1-0). Com apenas 18 anos. 

A 31 de Agosto, disse adeus ao Sporting. Ou, pelo menos, um até à vista. Rumou a Paris, emprestado ao PSG, onde não tardou a ser titular. Já cumpriu 19 jogos pela equipa campeã gaulesa. E rendeu de imediato 7 milhões de euros aos cofres leoninos, por taxa de empréstimo. Em França, garantem que o clube irá accionar a cláusula de compra opcional, pagando 40 milhões pela aquisição do passe do jogador formado em Alcochete. 

Nuno Mendes tem tudo para ser feliz em França. Ou seja onde for, desde que faça aquilo que mais sabe: jogar futebol. É um talento nato.

 

Despedida do ano em 2012: Polga

 Despedida do ano em 2013: Wolfswinkel

Despedida do ano em 2014: Leonardo Jardim

Despedida do ano em 2015: Marco Silva

Despedida do ano em 2016: Slimani

Despedida do ano em 2017: Adrien

Despedida do ano em 2018: Jorge Jesus

Despedida do ano em 2019: Bas Dost

Despedida do ano em 2020: Bruno Fernandes

Formar e informar

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Os jornais têm como missão informar mesmo quando as notícias não são agradáveis.

Os jornais desportivos portugueses deviam fazer o mesmo, informar, infelizmente, não o fazem.

Já tinha feito referência à forma como foi noticiada a conquista da "Libertadores" por Jorge Jesus e a dupla conquista da "Libertadores" por Abel Ferreira.

Hoje olhamos para a capa dos três desportivos e parece que ontem não foi dia de Bola de Ouro.

Destaco (tal como o Sport) o "triplete" atribuído à formação do Barcelona, Pedri com 19 anos, feitos no dia 25 de Novembro, ganhou o prémio Kopa, atribuído ao melhor futebolista sub-21 (o nosso Nuno Mendes foi quarto), Alexia conquistou a Bola de Ouro atribuída às senhoras e Messi venceu a Bola de Ouro atribuída aos senhores, graças ao triunfo na Copa América frente ao Brasil em pleno Maracanã. Para além desse triunfo o capitão da Argentina e do Barcelona foi o melhor marcador do campeonato espanhol e conquistou mais uma Taça do Rei, a sétima. 

Sete Taças do Rei, sete Bolas de ouro, podemos escrever com alguma ironia, LM7. 

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Adenda: Após um comentário do leitor Francisco Gonçalves à cobertura de jornais estrangeiros em relação à quinta Bola de Ouro de Cristiano Ronaldo, coloco aqui a primeira página de um jornal espanhol nessa ocasião.

Não quero entrar na discussão de quem é melhor, citarei (de memória) o meu colega/camarada de escrita jpt: "quem não gosta de Messi não gosta de futebol".

O campeão Nuno Mendes

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Nuno Mendes sai mais cedo do que os adeptos gostariam, mas sai campeão. Ao contrário de Futre, Figo ou Cristiano Ronaldo - para não falar em vários outros saídos dessa escola de excelência que é a Academia leonina.

Cumpriu-se um requisito que raras vezes ocorreu no passado e que desta vez, com Nuno Mendes, ficou assegurado de forma inequívoca: os jogadores da formação devem dar rendimento financeiro ao Clube só depois de terem dado também rendimento desportivo.

E Nuno Mendes deu. Em pouco mais de um ano como futebolista profissional, sem custo de aquisição para o Sporting, foi crucial na conquista do campeonato, na conquista da Taça da Liga, no triunfo na Supertaça.

 


Missão cumprida neste plano. Transferência, só depois disso. Que é agora. Outra missão cumprida também. Sai do Sporting, garantindo a nossa segunda maior venda de sempre, mas sai vencedor.

Esta é a melhor política desportiva: formar para vencer. Depois, há que dar asas e deixar voar quem merece. É o caso do campeão Nuno Alexandre Tavares Mendes.

Desejo-lhe toda a sorte do mundo.

Mercado alucinante

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Nuno Mendes sai. Segue para o Paris Saint-Germain, por empréstimo pelo que resta da temporada, com opção de compra - acordada entre os clubes - cifrada em 40 milhões de euros. E sete milhões de euros garantidos já ao Sporting pelo emblema parisiense a título de taxa de empréstimo, elevando a conta final para 47 milhões. Ao que tudo indica, será a segunda mais lucrativa venda leonina de sempre, após a transferência de Bruno Fernandes em Janeiro de 2020. Com uma vantagem adicional: fica assegurada para nós uma percentagem de 10% em futuras transferências do jogador.

 

Pablo Sarabia, médio ofensivo que actuou pela selecção espanhola no recente Europeu, onde marcou dois golos, está prestes a chegar. Vem por empréstimo, cedido precisamente pelo PSG, que garante o pagamento integral dos salários do jogador enquanto actuar de verde e branco.

 

O que pensam destas novidades no plantel leonino?

O dia seguinte

Aconteceu em Aveiro o novo normal, aquele normal a que há muito não estávamos habituados depois de tantos anos de anormalidade. Um Sporting dono e senhor do jogo, fruto da superior qualidade dos seus jogadores relativamente ao do clube de Braga, e sempre com o apoio incondicional da bancada, mesmo na fase em que estava em desvantagem do marcador, sendo que muitos mais Sportinguistas lá estariam se os bilhetes tivessem sido distribuídos conforme a dimensão dos dois clubes.

Claro que com Amorim, Palhinha, Esgaio e Paulinho o Braga daria muito mais luta, mas as coisas são assim mesmo, o Sporting também não pode contar com Cristiano Ronaldo, Bruno Fernandes, Rui Patrício e alguns outros, que saíram para clubes doutra dimensão. Ganhou o Braga uns bons milhões de euros que devem ter servido para muita coisa e fazer muita gente feliz lá pelo Minho. Como diz Carlos Carvalhal, o lugar do Braga é o 4.º lugar, tudo o que vier de melhor é excepcional, só no Sporting é que algumas almas foram confundindo as coisas.

 

Quanto ao jogo, o Sporting começou bem e a primeira oportunidade foi mesmo sua, Pedro Gonçalves falhou o passe de morte para Paulinho.

Depois foi tentando repetir a fórmula, dando a iniciativa ao Braga (muito bem orientado por Carvalhal) para ao recuperar a bola lançar em profundidade, mas isso traduziu-se em dar confiança ao adversário, engasgar-se aqui ou ali e sofrer um golo improvável, um pontapé de sorte ou muito bem colocado (como quiserem ver) do Fransérgio que aproveita bem a saída do Coates da sua posição.

Tal como já tinha acontecido com o Lyon, a equipa cerrou os dentes e foi para cima do adversário. Foram dois golos, podiam ter sido mais, e chegou ao intervalo justamente em vantagem.

 

A 2ª parte demonstrou cabalmente o que vale esta equipa do Sporting. Apanhada a ganhar, foi criando oportunidades para dilatar a vantagem e dilatar o resultado. E os minutos foram passando na certeza de que a Taça iria parar ao nosso museu.

Foi a noite de Pedro Gonçalves? Marcou um golo do outro mundo, mas falhou outros bem mais fáceis. Podia ter saído de Aveiro com três ou quatro, entre golos e passes para golos.

Não foi mesmo a noite do nosso Harry Kane (o original parece que vale uns 200M€, mais de duas vezes o que custaram os sete ou oito avançados com que conta o Benfica), Musrati não lhe deu espaço e as bolas de golo não lhe chegaram em condições. Vai ter muitas outras ocasiões para demonstrar a sua valia.

Foi mesmo a noite de Nuno Mendes, de volta ao melhor da época passada, do "polvo" Palhinha, do seu fiel escudeiro Matheus Nunes e de Jovane. Por estes quatro passou o melhor do futebol do Sporting, com Pedro Gonçalves a assumir as despesas do tiro para o golo.

Todos os outros, incluindo os que entraram depois, num plano muito aceitável.

 

E assim o segundo caneco da época já cá mora. Sinceramente, acho que a coisa não vai ficar por aqui. Porque a equipa respira saúde, está extremamente confiante e bem liderada.

Em cerca de três anos, conquistámos 1 Liga, 1 Taça de Portugal, 2 Taças da Liga e 1 Supertaça. Nada mau depois do que aconteceu em Alcochete.

Se calhar tudo isto é obra do tal Antero, não faço ideia, mas se de facto é verdade, mais uma vez obrigadinho "ó Antero". És o maior. 

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Balanço (25)

 

OS CINCO MELHORES GOLOS DO SPORTING - I

 

Nuno Mendes, no Portimonense-Sporting

(4 de Outubro de 2020)

 

Estreou-se neste jogo, com todo o mérito, a marcar pela equipa principal do Sporting. Sendo ainda júnior: tinha apenas 18 anos e três meses. Vale a pena rever vezes sem conta este magnífico lance, que lembra um dos mais célebres golos de Pelé: após recuperar a bola em zona ofensiva perto da linha, o talentoso ala esquerdo vai deixando sucessivos opositores para trás em dribles sucessivos e não perdoa no momento de atirar à baliza.

Balanço (10)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre NUNO MENDES:

 

- Leonardo Ralha: «Nuno Mendes, Pedro Gonçalves e Matheus Nunes mostraram que têm de ser titulares.» (29 de Agosto)

Eu: «Estreou-se - com todo o mérito - a marcar pela equipa principal do Sporting. Sendo ainda júnior: tem apenas 18 anos e três meses. Vale a pena rever vezes sem conta este magnífico lance, que faz lembrar um dos mais célebres golos de Pelé: em dribles sucessivos, o jovem formado em Alcochete vai deixando sucessivos opositores para trás e não perdoa no momento de atirar à baliza. Melhor em campo, também com prestação muito positiva no plano defensivo, não tardará muito a ser chamado à selecção nacional dos mais crescidos.» (5 de Outubro)

- António de Almeida: «Nesta altura, todos os jogadores do plantel, principalmente os que têm margem de progressão, nomeadamente Nuno Mendes, devem merecer da parte do presidente do SCP o estatuto de inegociáveis.» (5 de Outubro)

Pedro Boucherie Mendes: «Os nossos golos foram grandes golos, um inventado pelo Nuno Mendes.» (7 de Outubro)

Luís Lisboa: «É mesmo isso, Nuno. Continua assim que vais bem longe. E a Selecção Nacional aguarda por ti.» (13 de Outubro)

João Goulão: «Quando Nuno Mendes tem a bola, a nossa perna esquerda parece que quer acompanhar aquele bocadinho que falta, para o cruzamento chegar em condições.» (29 de Outubro)

- Paulo Guilherme Figueiredo: «Amorim lançou Nuno Mendes, que ainda adolescente já é um jogador sólido.» (21 de Dezembro)

José Navarro de Andrade: «Fleumático, tudo Nuno Mendes conteve e superou sem um queixume ou um desfalecimento até à exaustão. Ele é a imagem da resiliência, da disciplina, da concentração, do tino e da maturidade precoce deste Sporting de Rúben Amorim.» (28 de Fevereiro)

A voz do leitor

«Um jogador que assume, que arrisca, que luta, que tem confiança nas suas capacidades, que não tem medo de perder a bola, que tem jogadas que não saem bem mas que tem outras de imenso perigo. É o contrário do jogador certinho, previsível, óbvio, que nunca perde a bola. Quando a bola lhe chega aos pés estamos sempre à espera de algo de novo, de uma arrancada, de adversários deixados para trás, do impossível tornado possível. É assim o Nuno Mendes. O campeonato não acabou mas ele é já um campeão.»

 

AHR, neste meu texto

Pensar nisto

Pelo menos três jogadores que irão sagrar-se campeões nacionais na temporada 2020/2021 não eram sequer nascidos na última época desportiva em que o Sporting venceu o campeonato. Refiro-me a Nuno Mendes, Tiago Tomás e Dário.

Não é preciso mais para percebermos a dimensão desta conquista. Mérito absoluto de um trio composto por Frederico Varandas, Hugo Viana e Rúben Amorim.

É presente, sim, mas já com um toque de futuro. Porque pertence ao património histórico do Sporting. E ninguém vai conseguir apagá-lo.

Há que pensar nisto. Para que tudo quanto foi alcançado com tanto esforço não tenha sido em vão.

Virgílio Lopes e honestidade intelectual

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Foto: Paulo Calado/Record 

 

Já se sabe que cada um é como qual. Pessoalmente, muito gostei de saber que ainda há quem seja capaz de assumir as coisas como elas são: erra-se. Às vezes, nem poderemos falar em erro, já que no momento em que somos "obrigados" a fazer escolhas, a decidir, fazemo-lo com base nos indicadores de que dispomos. E os indicadores estão sempre em evolução. Afinam-se. Refinam-se. E, com isto, ajustam-se teorias sobre como fazer. Pelo menos, em teoria.

Serve o introito para dizer que fiquei contente por perceber que ainda é possível ler quem tenha a coragem de vir publicamente assumir as coisas como elas são: Nuno Mendes, há um par de anos, não era craque. Não exibia essas características distintivas. Se calhar, até terá estado na calha para ser dispensado. Vai daí, um dia, ainda ficamos todos a saber que só não recebeu guia de marcha, tendo estado iminente a assinatura da sua dispensa, por não haver defesa esquerdo alternativo e por ser um miúdo (vindo de uma família humilde) que não dava problemas. 

 

Seria bom que se aproveitasse a experiência de quem sabe (e a honestidade intelectual) para... refinar as práticas. E ousar reajustar teorias. Mas que o façamos fora da bolha que são os gabinetes e para além do risco calculado (protegido) que são as apresentações em PowerPoint, não raras vezes, meros espelhos dos manuais, que pouco esclarecem sobre como se faz, apenas apontam o que deve ser o resultado.

 

P.S. Alguém saberá dizer se o Manchester City está feliz com a cláusula de compra de Pedro Porro? 

P.S.2. Alguém reparou que na peça (do ano passado) do Jornal Sporting sobre os futuros craques que despontavam na Academia Sporting, não consta Dário Essugo?

P.S.3. E o FC Barcelona e Ansu Fati?

Palhinha, Nuno Mendes e mais alguém

Nuno Mendes e João Palhinha, cada qual com apenas três presenças na selecção A, já estão a dar nas vistas. O primeiro, desde logo, com aquele passe teleguiado para o que seria (e foi, em termos reais, embora não em termos "legais") o terceiro golo português contra a Sérvia e ao protagonizar ontem, frente ao Luxemburgo, uma das melhores jogadas individuais de todo o desafio. O segundo, que saltou do banco nestas partidas, chegou a tempo de marcar de cabeça, também ontem, o golo que sentenciou a nossa vitória num embate mais difícil do que se previa. O seu primeiro como internacional A, confirmando 2020/2021 como uma época de sonho para ele. Um sonho bem merecido.

Venho perguntar-vos, a propósito de qualquer deles, se entendem que devem ambos ser titulares da equipa das quinas no próximo Campeonato da Europa. E também, já agora, se consideram que mais algum jogador do Sporting deve ser convocado para o Europeu.

Roubados

Falamos nós dos árbitros portugueses, apontando o dedo acusador à incompetência desses senhores de apito.

E há até quem defenda que os jogos do nosso campeonato devem passar a ser arbitrados por estrangeiros.

Recomendo a todos estes que reparem no roubo de catedral que hoje aconteceu em Belgrado. Um assalto do árbitro holandês à nossa selecção, anulando um golo limpo de Cristiano Ronaldo, que ao cair do pano nos daria a vitória por 3-2 frente à Sérvia na campanha para a qualificação do Mundial-22. 

Não faço ideia como se diz ladrão em holandês. Mas de uma coisa tenho a certeza: árbitros estrangeiros em Portugal, nem pensar. É mais patriótico quando são portugueses a roubar-nos.

 

ADENDA: Magnífico passe de Nuno Mendes assistindo no golo limpo de Ronaldo que o apitador anulou. Não entendo como Fernando Santos o retirou hoje do onze titular após exibição muito positiva do nosso ala esquerdo frente ao Azerbaijão.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Da vitória em Tondela. Haverá quem pense que estes jogos são fáceis: pura ilusão. Neste mesmo estádio, onde ontem vencemos por 1-0, só Benfica e V. Guimarães tinham saído antes com três pontos na Liga 2020/2021. Nós próprios perdemos lá nos dois campeonatos anteriores: 1-2 em Janeiro de 2019 e 0-1 em Novembro de 2019. O que torna esta vitória ainda mais saborosa. Foi a décima nos últimos 11 jogos.

 

Do golo da vitória. Exemplar lance de futebol colectivo, aos 81', numa fase do jogo em que a equipa anfitriã já estava muito desgastada. Com envolvimento de Daniel Bragança a recuperar, Nuno Mendes a conduzir e a centrar a toda a largura da esquerda para o poste do lado contrário, e Pedro Gonçalves a recolher assistindo Tiago Tomás que, livre de marcação, a meteu lá dentro. Sinal de maturidade e competência numa equipa muito jovem.

 

De Nuno Mendes. Depois de alguns jogos com exibição apagada, ontem ressurgiu em Tondela como um dos pilares do nosso onze titular - e, quanto a mim, o melhor em campo. Compensando Porro, que no corredor oposto acusava ainda os efeitos da recente lesão. O jovem ala esquerdo foi sólido a defender e acutilante nas acções ofensivas. Destaque para um excelente centro aos 45'+1 que atravessou toda a área do Tondela, infelizmente sem ninguém para a meter lá dentro. E, claro, para o lance do golo, em que teve um papel decisivo.

 

De Palhinha. Fundamental na nossa organização colectiva. No preenchimento de espaços, na recuperação da bola, no desenho de passes longos, no modo prático e eficiente como inicia os lances ofensivos, sem nunca complicar. Tem visto o seu nome associado a "casos" mediáticos, mas nota-se em campo que isso não o afecta. Ainda bem.

 

De Tiago Tomás. Merece destaque pelo golo que marcou: desde 27 de Dezembro, frente ao Belenenses SAD, que não fazia o gosto ao pé. Sempre muito batalhador, implacavelmente rodeado de adversários que lhe tolhiam os movimentos na grande área, compensou com a conquista dos três pontos um cabeceamento deficiente, de olhos fechados, quando podia ter posto o Sporting em vantagem aos 43'. Está em processo de amadurecimento numa posição nada fácil, onde é alvo de constantes faltas à margem das regras: ontem voltou a acontecer, aos 76', quando sofreu um pisão dentro da área. Era penálti, não assinalado pelo árbitro Nuno Almeida.

 

Das substituições feitas por Rúben Amorim. O treinador voltou a acertar quando decidiu mexer na equipa para desfazer o empate a zero que teimava em prolongar-se. Daniel Bragança (substituiu Nuno Santos aos 60'), Tabata (substituiu Porro aos 73'), Matheus Reis (substituiu Feddal aos 73'), Jovane (substituiu João Mário aos 73') e Matheus Nunes (substituiu Pedro Gonçalves aos 85') imprimiram rapidez de processos e maior objectividade ao nosso jogo colectivo. Já tínhamos encostado o Tondela ao seu reduto: faltava só marcar. E assim aconteceu. Levamos 38% dos golos marcados (17 em 45) após o minuto 80. Será só "estrelinha"? Tenho a certeza que não.

 

Da eficácia da equipa. Duas oportunidades claras de golo, uma das quais aproveitada. Ambas por Tiago Tomás: desperdiçou a primeira, concretizou a segunda. Continuamos muito próximos da eficiência máxima. Em evidente contraste com o que sucedia noutras épocas.

 

Da aposta deliberada na juventude. Terminámos o jogo com Tiago Tomás (18 anos), Nuno Mendes (18 anos), Gonçalo Inácio (19 anos), Daniel Bragança (21 anos), Matheus Nunes (22 anos), Jovane (22 anos) e Bruno Tabata (23 anos). Com outros treinadores, estavam na bancada. Ou andavam a "rodar" por outros clubes.

 

De ver mais um recorde batido. Continuamos sem derrotas à 23.ª jornada. Uma marca que iguala o melhor registo de sempre do Sporting nesta fase de um campeonato nacional de futebol. Se há palavra que dá motivação a uma equipa e alegria aos verdadeiros adeptos, é esta: a palavra invictos.

 

De já somarmos 61 pontos. Correspondentes a 19 vitórias e quatro empates. Ultrapassámos a classificação de toda a época passada, quando faltam ainda 11 jornadas para concluir a Liga 2020/2021. Lideramos o campeonato há 17 jornadas. Estamos a oito vitórias de nos sagrarmos campeões.

 

De nos mantermos como equipa menos batida. Sofremos apenas 11 golos em 23 desafios já disputados. Menos de meio golo por jogo. Um dos nossos melhores registos defensivos de sempre.

 

 

Não gostei
 

 

Do 0-0 ao intervalo. Primeira parte com pouca acutilância ofensiva, quando tínhamos os corredores tapados pela boa organização defensiva do Tondela. Nesse período abusámos da troca de bola entre os nossos defesas, com sucessivos atrasos ao guarda-redes, na aparente (e fracassada) tentativa de chamar a equipa adversária ao nosso meio-campo. E nunca tentámos o remate de meia-distância para quebrar a muralha. O espectáculo foi prejudicado. Felizmente o mais importante acabou por se conseguir, na etapa complementar. 

 

Da ausência de Paulinho. É verdade que já temos um ponta-de-lança. Mas, por enquanto, só em teoria: o ex-avançado do Braga continua lesionado e ficou fora da convocatória para este jogo. Faz cada vez mais falta.

 

De Nuno Santos. Recuperou a titularidade, mas acabou por ser rendido aos 60': teve um desempenho muito abaixo daquilo a que já nos habituou. Os corredores estavam muito bem cobertos pelos defensores adversários e não teve engenho para procurar outros espaços, fora da sua zona de incursão habitual. Deu lugar a Daniel Bragança, quando Amorim percebeu que tinha de desembrulhar o jogo. 

 

Do amarelo a Coates. O nosso capitão, que andava há várias jornadas em risco de ser excluído, recebeu ontem o quinto cartão. Vai ficar fora da próxima partida, frente ao V. Guimarães em Alvalade.

O dia seguinte

Sabia que não ia ser fácil e não foi nada fácil. Este Tondela "ibérico" foi crescendo durante a temporada e ontem foi muito competente. Mais uma vez Rúben Amorim precisou de recorrer ao plano C (de Caos, de C... vamos a eles) para conseguirmos sair com os 3 preciosos pontos.

Foi um jogo de sentido único, com o Sporting a querer construir com critério, circulando bem a bola e falhando muito poucos passes, e o Tondela num pressing intenso a todo o campo que originava situações de contra-ataque perigosas. Neste tipo de jogos muita falta faz o tal ponta de lança alto e forte: Tiago Tomás muito lutava mas quando a bola lhe chegou pelo ar redondinha e pronta a facturar, mostrou mais uma vez que não é ele o tal.

Os minutos foram passando, o Tondela foi cedendo fisicamente, e Rúben mexeu muito bem na equipa, dando-lhe uma energia nova que ajudou a que novos espaços fossem encontrados. Dum aproveitamento de Pedro Gonçalves veio então o golo do Tiago, que se redimiu assim do falhanço anterior.

 

Melhores do lado do Sporting? Claro que o TT pelo que lutou e pelo golo que marcou, Palhinha e Nuno Mendes. 

Mais uma vez, duma forma competente e eficaz, o Sporting atingiu o seu objectivo, sem penáltis oferecidos por seus ex-jogadores, sem favores arbitrais, antes pelo contrário, com uma equipa assente na prata da casa e que custa metade das dos dois rivais.

Este treinador e esta equipa merecem todo o nosso apoio. Não vale a pena colocarmos exigências descabidas senão parecemos aquele pobre habituado a sardinha de lata a quem saiu a lotaria e que depois, no melhor restaurante, protesta sobre a frescura do "robalo ao sal". Mas se calhar é apenas este nervoso miudinho que se está a apoderar de nós, o desgaste de toda a temporada a fazer-se sentir, o estamos perto mas nunca mais lá chegamos. A "última milha".

Temos que pensar como o Carlos Lopes: demos o esticão, ganhámos vantagem, vamos em primeiro, mantemos a passada, tranquilos e serenos. Os outros que corram atrás se quiserem e puderem.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

A noite em que o rapaz se fez homem

Os números, nomeadamente as estatísticas, só têm valor se os soubermos interpretar e se soubermos interpretá-los depois e não antes de bem afinados, de modo a darem uma visão o mais próxima possível da realidade e não a visão que se gostaria ter dela. 

É provável que os números da actuação de ontem de Nuno Mendes mostrem um resultado abaixo da média, se não mesmo sofrível, sobretudo nas acções ofensivas. Maus passes - aquele a meio da segunda parte oferecendo a bola a um meio-campista adversário  isolado... - decisões infrutíferas e erradas, como aquela cavalgada inconsequente e obstinada até à linha final, muito poderá haver que possa apoucar o que Nuno Mendes fez em campo.

E, no entanto, arrisco dizer que ele foi o herói do jogo. Um chavalo que há um ano jogava à bola de fraldas nos juniores, apanhou ontem de frente com Corona, que dizem ser o craque do fêcêpê e é um malandro de primeira a cavar faltas e a pontapear tornozelos, com Manafá, elogiado pela velocidade e drible, com Francisco Conceição, um notável mergulhador e gabado como a coisa mais extraordinária que apareceu no mundo sublunar depois de Messi. E ainda viu Uribe, o manhoso, descair para o lado dele e ainda teve tempo para ajudar Feddal a lidar com Marega. Tudo isto depois de ser intimidado com um cartão amarelo logo de início.

Fleumático, tudo Nuno Mendes conteve e superou sem um queixume ou um desfalecimento até à exaustão. Ele é a imagem da resiliência, da disciplina, da concentração, do tino e da maturidade precoce deste Sporting de Rúben Amorim. No futuro, quando ele jogar ao mais alto nível a que está prometido, se for preciso definir um momento em que Nuno Mendes se crismou como futebolista de craveira, bem se poderia apontar para o desafio de ontem.

O dia seguinte

Não vou sequer falar do lance que todos sabem qual foi, muito me iria enervar e pouco iria acrescentar ao que os meus colegas muito bem disseram. Parece que o apitador esteve a falar com o Hugo Viana no final do jogo, o Sporting vai apresentar recurso, aguardemos. Vou falar apenas do jogo em si.

A lição que a equipa recebeu contra o Rio Ave funcionou e os primeiros minutos mostraram que o Sporting entrou no Bessa para resolver as coisas bem depressa. Ritmo vivo, bola a circular com critério entre sectores, Nuno Mendes e Porro bem soltos nos corredores, João Mário mais atrasado empunhava a batuta, Matheus Nunes vagabundeava e confundia marcações, Boavista em aflição constante e sem conseguir articular contra-ataques, o melhor que conseguiam era ter um ou outro livre a seu favor, fruto do mergulho de algum seu jogador, um primeiro golo já muito visto, centro tenso em diagonal do Nuno Mendes e desvio para golo do Nuno Santos, e depois... Sporar e João Mário a desperdiçarem, um, dois, três, quatro golos feitos, era só encostar, mas faltou o só. Era dia para Bas Dost fazer um "poker" como fez em Tondela há quase 4 anos, comigo na bancada.

Os minutos foram passando e quem não marca normalmente sofre, o desgaste da Taça da Liga começou a fazer-se sentir e Amorim refrescou a equipa, primeiro com Bragança, que pouco adiantou, depois com TT e Palhinha, e finalmente chegou o golaço do Porro. E o Sporting ganhou por dois, mas podia ter sido a goleada da época, Nuno Mendes voltou a ser quem é e foi de longe o melhor em campo nos 90 minutos, mas Porro mais uma vez marca um golo do outro mundo, e assim foi o herói da noite.

Concluindo, uma grande exibição do Sporting num campo sempre difícil, muito sofrimento desnecessário, Sporar está sem qualquer confiança, se calhar a pensar se fica ou se vai não sei para onde, falta um ponta de lança de nível para projectar esta equipa para outros patamares. Continuamos na liderança da Liga com 4 pontos de vantagem do perseguidor mais directo a dois jogos do final da 1.ª volta, e temos sem dúvida treinador e equipa, com ou sem um ou outro, para ganhar os dois jogos que faltam.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

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