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És a nossa Fé!

3 notas e nada mais

1. A prima donna pode falhar as notas todas, entupir a fluidez da récita, deixar o pianista sozinho e à deriva, ah!, mas se tira um dó de peito a casa vem abaixo em aplausos. Tudo isto é um grande equívoco, mas pronto, contra consensos estabelecidos nada a fazer e não vale a pena mostrar os números.

2. Coitado do Wendel que vai a todas sem descanso nem sorte, abandonado pelo tosco que não sabe fazer e pelo artista que só faz se for ele a brilhar.

3. Como sou dos que pagam para ver e não dos que recebem para fazer limito-me a falar do que vejo e não do que deveria ser visto. O menu é o chefe que o elabora, a mim não me resta mais do que estimar que estava sápido ou era uma merda. Mas por uma vez atrevo-me a dar palpite dada a calmidade em curso. Aquilo que se passa no lado direito da nossa defesa é tão catastrófico e tão irremediável, dada a consistência do desatino, que não seria melhor pôr ali o Thierry Correia? Pior de certeza não era porque nada é pior do que aquilo, e ao menos o rapaz lá se ia fazendo.

Ora bolas, "Record"

A condescendência de certa imprensa perante más exibições de futebolistas, além de iludir os factos, só contribui para que esses jogadores acabem por ter maus desempenhos repetidamente, convictos de que encontrarão sempre palavras contemporizadoras neste jornalismo fofinho, que odeia arestas e palavras acutilantes.

 

Pensei nisto ao ver a absurda nota 3 dada pelo diário Record à medíocre exibição de Bruno Fernandes no recente V. Guimarães-Sporting. A grelha de classificações adoptada por este jornal, como algumas vezes já sublinhei aqui, quase não permite diferenciar jogadores: o zero nunca ali se utiliza, o 1 destina-se quase em exclusivo apenas aos jogadores entrados em campo nos últimos minutos - incluindo aqueles que nem chegam a tocar na bola, o 5 é bastante raro. De maneira que tudo oscila entre o 2 e o 4, o que não permite distinguir verdadeiramente o mérito ou o demérito de cada um em campo.

Mas é evidente, mesmo assim, que atribuir nota positiva a Bruno Fernandes, neste jogo em concreto, não faz o menor sentido. É verdade que se trata de um dos melhores elementos do nosso plantel, e também aquele que goza de melhor imprensa, mas esta nota específica avalia um jogo específico - e no caso da partida disputada em Guimarães é inegável que o médio leonino teve uma actuação apagadíssima, muito longe da média a que nos habituou. Faz algum sentido distingui-lo com a mesma nota dada a Renan, de longe o melhor neste desafio, e a Raphinha, o segundo melhor do Sporting? Obviamente que não.

 

Mas foi precisamente o que o jornal fez. Justificando assim a avaliação feita a Bruno Fernandes: «Foi o médio com maior raio de acção e também o mais rematador. Mas a pontaria esteve desafinada.»

Ora bolas, Record.

Notas aos jogadores

Nota 7

Jefferson - Tarde muito positiva do brasileiro, que regressou em boa forma à posição de lateral-esquerdo de que tinha sido arredado por José Peseiro e Tiago Fernandes em benefício de Acuña e até de Lumor. Fez talvez a melhor exibição da corrente época, muito dinâmico no seu corredor, de onde nasceram três dos quatro golos leoninos. Cruzou 19 vezes para a área - dois desses centros resultaram em golos.

Wendel - O novo técnico do Sporting apostou nele como titular, parecendo acreditar nos atributos do jovem médio contratado há dez meses ao Fluminense. Foi o elemento mais avançado do nosso meio-campo e teve influência decisiva no golo inaugural, com uma excelente movimentação no corredor central. Sempre muito activo, recebeu merecidos aplausos ao dar lugar a Bruno César, iam decorridos 79'.

Bas Dost - Sim, há um Sporting sem Bas Dost e um Sporting com Bas Dost. A equipa rende muito mais com ele em campo. O holandês - homem do jogo - voltou a mostrar-se decisivo nesta partida, marcando dois golos: o primeiro, aos 42', respondendo da melhor maneira a uma assistência de Jefferson, e o segundo, de irrepreensível execução técnica, aos 71', também com assistência do lateral brasileiro. Não contente com isto, fez ainda uma tabelinha decisiva com Bruno Fernandes de que viria a resultar o segundo do Sporting, aos 64'. Escutou uma calorosa e justíssima ovação ao sair de campo, substituído por Jovane aos 75'.

 

Nota 6

Renan - Sem responsabilidade no golo sofrido aos 44', foi decisivo em duas ocasiões, impedindo o golo da equipa anfitriã. Mostra-se seguro entre os postes e parece ter conquistado a titularidade na baliza leonina - pesada responsabilidade, pois procura-se ainda um digno herdeiro do inesquecível Rui Patrício.

Bruno Fernandes - Uma actuação com duas faces: desconcentrado e com défice competitivo nos primeiros 45 minutos, em que pecou por uma comprometedora perda de bola, originando o golo da turma adversária; e próximo da sua melhor forma no tempo complementar, cabendo-lhe a autoria do nosso segundo, com primoroso pormenor técnico coroado no remate vitorioso para as redes do Lusitano, aos 64'.

Nani - Não foi uma das melhores partidas do capitão leonino, que falhou mais passes do que nos tem habituado. Mas foi um exemplo de tenacidade, espírito competitivo e bom recorte técnico. Participou na construção do segundo golo, lançando Bruno Fernandes à entrada da área, e foi dele a assistência para o quarto, servindo Diaby de bandeja com um cruzamento que só pediu um ligeiro empurrão à bola.

Jovane - Marcel Keizer deixou-o no banco, optando por Diaby como titular na posição de extremo direito em que o maliano evidenciou lacunas. Jovane deu mais acutilância, velocidade e profundidade a esse sector da nossa equipa, confirmando-se como um suplente de luxo. Seria certamente ainda mais útil se não tivesse entrado em campo numa fase (aos 75') em que a vitória leonina já estava construída e quase só havia que defender o resultado.

 

Nota 5

Coates - Limitou-se a cumprir a tarefa posicional no eixo defensivo, sem fazer a diferença na fase de construção nem tentar vistosas incursões ofensivas, ao contrário daquilo a que nos tem habituado. Comportamento mediano, sem especial brilho. O golo adversário surgiu na sua zona de jurisdição, embora a maior responsabilidade, na sofrível cobertura, fosse de Bruno Gaspar.

Matthieu - Uma escorregadela sua, logo aos 8', abriu uma avenida ao extremo do Lusitano que poderia ter aberto o marcador nessa fase embrionária da partida. Alternou entre o bom, com lançamentos longos para o sector mais avançado, e o sofrível, falhando muitos passes. Pareceu longe do fulgor físico exibido noutros jogos.

Gudelj - Foi o nosso médio mais recuado, cabendo-lhe desta vez a missão que costumava ser confiada a Battaglia. Assegurou operações de patrulhamento do nosso corredor central, mas faltou-lhe ousadia para participar no processo ofensivo e continua a revelar défice de velocidade. Deu lugar a Petrovic, aos 85'.

Diaby - Keizer apostou nele, em detrimento de Jovane, como condutor do ataque leonino na ala direita. Mas o maliano parece preferir movimentar-se no eixo do terreno, onde pode ser alternativa enquanto segundo avançado. Foi nesta posição, entretanto improvisada, que deu a melhor sequência a um centro de Nani, oriundo do corredor esquerdo. Estávamos no minuto 73: após 13 jogos vestido de verde e branco, Diaby estreava-se a marcar. Mais vale tarde que nunca.

Petrovic - Entrou aos 85', numa fase de óbvia contenção, com o resultado já construído e quando havia necessidade de poupar forças com vista aos próximos desafios. Missão cumprida.

 

Nota 4

Bruno Gaspar - Continua a beneficiar de oportunidades, face à lesão de Ristovski. E continua a decepcionar os adeptos. Nova exibição frouxa, sem acutilância atacante, muito contrastada com a exuberância revelada por Jefferson na ala oposta. Centrou pouco e quase sempre sem perigo. Teve responsabilidades no golo sofrido ao ser batido em velocidade por Diogo Braz.

Bruno César - Constará da lista de jogadores a dispensar em Janeiro. Hoje fez pouco ou quase nada para contrariar este destino que parece traçado. Em campo desde o minuto 79, destacou-se por uma perda de bola em zona perigosa e comprometedora. Só não causou maior calafrio devido à confortável vantagem que o Sporting já tinha nessa fase do encontro.

Notas aos jogadores

Nota 7

Raphinha - Dos raros jogadores leoninos que não pareceram ressentir-se com a importância do jogo na Pedreira. Mesmo sem o conveniente apoio de Ristovski, quando jogou na ala direita, fez boas movimentações, sempre de olhos fitos na baliza. O primeiro sinal de perigo foi levado por ele, aos 16'. Remates a rasar o poste (73' e 82'). Cruzamento perfeito para Coates, que falhou o cabeceamento (76'). Merecia o golo: foi o melhor do Sporting.

Jovane - Desta vez não foi o talismã de que a equipa precisava, nem ninguém pode exigir-lhe isso - sobretudo quando fica fora do onze titular e só é lançado, quase em desespero, para render um Nani que andava exausto havia uma quarto de hora. Mesmo assim, protagonizou o melhor momento do jogo leonino, aos 88', num belo lance individual em que deixou três defesas fora do caminho e rematou cruzado, para grande defesa do guardião bracarense.

 

Nota 6

Salin - Quando era preciso, estava lá. Travando João Novais com uma excelente defesa (66') e retardando o golo de Dyego Sousa (57'). Sem culpa no descalabro defensivo de que resultaram os três pontos para o Braga, também por Dyego. Só precisa de melhorar no capítulo da reposição da bola em jogo com os pés.

André Pinto - Muito assobiado do princípio ao fim, cada vez que tocava na bola, o central não pareceu afectado por este desagrado do público afecto à sua ex-equipa. Combinou bem com Acuña: no primeiro tempo, sobretudo, foi pela ala esquerda que saiu sempre o nosso jogo ofensivo. Falhou a cobertura a Dyego Sousa no golo bracarense, mas a principal falha neste lance crucial surgiu dos colegas incapazes de impedir o cruzamento.

Acuña - Actuou pelo segundo jogo consecutivo como lateral esquerdo, voltando a merecer nota positiva tanto no capítulo técnico como no compromisso táctico, sobretudo nas acções defensivas. Não desiste de um lance, o que lhe confere utilidade suplementar num onze muito irregular neste domínio. 

 

Nota 5

Coates - No golo do Braga, acorreu à dobra de Ristovski, mas este seu desposicionamento foi fatal: o eixo da defesa ficou desguarnecido, o que facilitou a penetração de Dyego Sousa. No jogo aéreo, lá à frente, também não esteve feliz: continua sem fazer a diferença. Compensou com bons cortes aos 12', 42' e 48'.

Battaglia - Batalhador, a fazer jus ao apelido de origem italiana, mas sem o discernimento que já revelou noutros desafios. Continua a falhar passes promissores e a confundir progressão ofensiva com transporte de bola. Mas no capítulo da recuperação esteve melhor do que Gudelj, que parece pouco talhado para a posição de médio defensivo.

Nani - Falta-lhe fulgor físico - e isso notou-se em excesso neste jogo. Parece fazer pouco sentido mantê-lo numa ala quando temos Jovane e Raphinha - sem esquecer o ausente Carlos Mané. Rende certamente mais nas costas do ponta-de-lança. Mesmo assim, o momento mais perigoso foi dele - um excelente cabeceamento com selo de golo aos 35', proporcionando a Tiago Sá a defesa da noite.

 

Nota 4

Gudelj - O sérvio abusou do jogo físico e arriscou mesmo um cartão "alaranjado" ao dar uma cotovelada na face de Wilson Eduardo que o árbitro Soares Dias não viu. Talvez para compensar as dificuldades que foi enfrentando como médio mais recuado, lugar para o qual parece pouco vocacionado. Desposicionou-se com frequência, comprometendo o equilíbrio do corredor central leonino.

Bruno Fernandes - O rei dos passes errados, chegando a fazer entregas comprometedoras de bola ao adversário. Corre muito, gesticula bastante, protesta em excesso com o árbitro. Mas na hora da decisão tomou quase sempre más opções, como quando preferiu o remate, aos 65', quando tinha Raphinha em melhor posição. Tarda em voltar à boa forma da época anterior.

Montero - Faz as vezes de ponta-de-lança, mas desta vez mal se deu por ele na área. Abusa das incursões atrás para entregar a bola supostamente a alguém que devia ser... ele próprio. Passou em larga medida ao lado do jogo, excepto num bom centro que Bruno Fernandes desperdiçou aos 65'. Muito pouco para alguém com os pergaminhos deste colombiano que se mantém divorciado dos golos.

 

Nota 3

Ristovski - Porque estaria tão nervoso? Foi sempre um dos elementos mais intranquilos do onze leonino. Défice na progressão atacante e no apoio a Raphinha, parecendo preso às missões defensivas, o que não impediu que o golo do Braga começasse a ser desenhado pelo seu flanco: nem o auxílio de Coates lhe serviu.

 

Nota 2

Castaignos - Entrou aos 79', por troca com Montero, e revelou-se igual a si próprio: é um avançado que nunca marcou pelo Sporting. Manteve-se fiel à tradição que sempre demonstrou em Alvalade desde os tempos de Jorge Jesus: evidencia insuperáveis problemas no capítulo técnico. Quando a bola lhe chega, não sabe o que fazer com ela.

 

Sem nota

Diaby - Em desvantagem desde o minuto 67', precisávamos de reforçar a frente atacante. Mas Peseiro optou por manter no banco o reforço do Mali contratado para marcar golos. Quando entrou, aos 85', por troca com o extenuado Gudelj, já pouco lhe restava para fazer. E não fez mesmo. 

Notas aos jogadores

Nota 8

Jovane - Precisávamos dele mais cedo. Mas entrou ainda a tempo de desfazer o nó, acelerar o jogo e marcar um golo que festejou exuberantemente. O seu primeiro golo pela equipa principal. Na época passada, este jovem caboverdiano que se encontra no Sporting desde 2014 já tinha marcado 12 pela equipa B. Está a ser a estrela do plantel.

 

Nota 7

Coates - Com Mathieu ausente, assume-se como patrão indiscutível do reduto defensivo leonino, hoje novamente inviolável. Bons cortes aos 35', 42', 68' e 75'. E ainda é capaz de sair com a bola controlada, em transição ofensiva, como demonstrou no primeiro tempo.

Raphinha - Parece ter conquistado a titularidade neste Sporting de Peseiro. Exibição muito consistente, com intensidade e acutilância ofensiva. Foi ceifado à margem das regras quando acelerava rumo à área do Feirense, pelo lado esquerdo. Mais tarde, pela ala direita, começou a construir o nosso golo.

 

Nota 6

Acuña - Fez duas posições neste jogo. Primeiro como médio interior - posição em que Peseiro tem vindo a testá-lo, tentando potenciar as qualidades do argentino - e a partir dos 66' como lateral esquerdo, rendendo Jefferson. Sempre muito combativo: não desiste de um lance.

André Pinto - Com actuação mais sóbria do que o seu colega do eixo da defesa, foi seguro e competente. Muito posicional, atento às dobras. Esteve quase a marcar, num remate seco travado in extremis pelo guarda-redes do Feirense.

Battaglia - Mostra-se em melhor nível do que quando Peseiro colocava outro médio de cobertura ao seu lado. Cumpriu com rigor táctico a missão que lhe foi confiada, não apenas como primeiro elemento do dique defensivo mas também nas transições ofensivas. Tentou o golo aos 30', 76' e 79', sempre sem sucesso.

Nani - Menos influente do que nas partidas anteriores, desde logo devido às marcações a que foi sujeito, pôs a sua maturidade ao serviço da equipa em lances cirúrgicos. Rendeu mais como segundo avançado, no quarto de hora final. Substituído aos 90' só para queimar tempo.

Salin - Pouco chamado a intervir, cumpriu com zelo a missão quando foi necessário. Nomeadamente aos 58', com uma defesa apertada. Esticou-se bem aos 16', quando uma bomba disparada por Edinho levou a bola a bater na barra. Parece estar a ganhar a titularidade na nossa baliza.

 

Nota 5

Bruno Fernandes - Jogou a espaços como segundo avançado e mais tempo na posição 8, cumprindo no essencial mas sempre distante do virtuosismo a que habituou os adeptos na época passada. Não foi feliz nas bolas paradas e protestou demasiado com o ábitro.

Montero - Muita dificuldade em penetrar na compacta muralha defensiva do Feirense. Mas arrancou justos aplausos aos 41', com uma finta de corpo e um forte remate de fora da área. Continua, no entanto, longe do golo. Substituído por Castaignos aos 79'.

Ristovski - Várias vezes surpreendido pelas acções atacantes de Luís Machado - o melhor jogador de campo do Feirense. Pareceu sempre nervoso. Mas redimiu-se na decisiva intervenção que teve no lance do golo, recebendo a bola de Raphinha e assistindo para Jovane.

 

Nota 4

Jefferson - O mais fraco elemento do onze titular. Incapaz de fechar com eficácia a sua ala na manobra defensiva e com notório défice de qualidade nas acções ofensivas. Pressionou pouco e mal. Substituído, sem surpresa, aos 66'.

 

Nota 3

Castaignos - Entrou aos 79', por troca com Montero, e revelou-se igual a si próprio: é um avançado que nunca marcou pelo Sporting. Estava lá, no momento do golo, mas falhou, como de costume. Felizmente Jovane não desperdiçou a oportunidade. Mantém-se no plantel: nem para um clube da Segunda Liga conseguimos emprestá-lo.

 

Sem nota

Petrovic - Rendeu Nani aos 90', com a missão de segurar o jogo. Mal se deu por ele, mas também não era necessário: o Feirense tinha estoirado fisicamente e a partida estava controlada.

Notas aos jogadores

Nota 8

Nani - A figura do jogo. Foi ele a conduzir a equipa à vitória - e a amealhar três pontos que podem tornar-se preciosos - com uma exibição de classe, coroada com dois belos golos marcados em cada parte: o primeiro aos 9', o segundo aos 66'. E ainda levou um petardo a embater na barra.

 

Nota 7

Coates - Um esteio do equilíbrio defensivo leonino, protagonista dos cortes mais decisivos. Coube-lhe ainda algum protagonismo no lançamento da equipa para o ataque. 

Jovane - Pelo segundo jogo consecutivo, saltou do banco para dar um fortíssimo contributo à dinâmica da equipa, criando sucessivos desequilíbrios e abalando a muralha defensiva adversária. Em campo desde o minuto 59', foi dele a assistência para o segundo golo.

Mathieu - Voltou a combinar na perfeição com Coates no eixo defensivo. Incansável nas dobras a Jefferson, muitas vezes desposicionado. Ainda tentou o golo, no último lance da partida. 

 

Nota 6

Battaglia - Voltou a ser essencial na recuperação de bolas, embora seja evidente a falta de entrosamento com Misic. Esteve em crescendo nesta partida, batalhador até ao fim. Falhou por pouco o golo, aos 35': o cabeceamento rasou a barra.

Montero - Entrou bem, na segunda parte, rendendo o lesionado Bas Dost. Contribuiu para abrir brechas na defesa setubalense, incluindo no lance do golo da vitória. Ele próprio ia marcando, de cabeça, aos 53', forçando o guarda-redes Cristiano a uma grande intervenção.

 

Nota 5

Jefferson - Nota positiva na frente ofensiva - com destaque para a participação no primeiro golo, que ajuda a construir numa tabela com Nani. Nota negativa nas missões defensivas: por vezes abriu auto-estradas no seu flanco.

Ristovski - Combativo, aguerrido, nunca comprometeu. Mas também nunca conseguiu fazer a diferença, sobretudo nas missões atacantes. 

 

Nota 4

Acuña - Inoperante nos flancos, por falta de dinâmica ofensiva, pareceu em má forma física. Errou muitos passes. Marcou bem um livre aos 35' e fez um bom cruzamento aos 65' - contributos demasiado escassos.

Bas Dost - Com problemas físicos, jogou apenas a primeira parte. Conseguiu ser eficaz em lances de bola parada defensiva, mas à frente a bola nunca lhe chegou em condições nem ele foi capaz de a procurar.

Bruno Fernandes - Muito condicionado de movimentos, devido à competente marcação de que foi alvo, foi incapaz de repetir a influência evidenciada no desafio anterior. Desta vez nem os passes lhe saíram bem.

 

Nota 3

Salin - Acusou em excesso o ano de inactividade no Sporting, à sombra de Rui Patrício. Com uma saída em falso dos postes, aos 19', proporcionou o golo do V. Setúbal. Nervoso, nunca se refez por completo deste erro, que nos podia ter saído muito caro.

Misic - Única novidade no onze titular, recorreu em excesso às faltas, falhou diversos passes e revelou um chocante défice de capacidade de construção de lances ofensivos. Saiu demasiado tarde, aos 59'. 

 

Sem nota

Petrovic - Rendeu Nani aos 85', com a missão de segurar o jogo. Contribuiu para isso.

Notas aos jogadores

Nota 7

Bas Dost - Dois golos - o primeiro de penálti, o segundo com um magnífico chapéu ao guarda-redes. Novo campeonato, volta a valer-nos três pontos.

Bruno Fernandes - Esticou o jogo, criou movimentos de ruptura. Marcou o primeiro golo, assistiu no terceiro. Incansável.

Coates - Um pilar na defesa. Atento e decisivo: cortes aos 15', 29', 54', 60' e 65'. É ele quem inicia o nosso golo inicial com um passe longo a acompanhar a linha lateral.

 

Nota 6

Battaglia - Essencial na recuperação de bolas, embora ainda longe da forma anterior. Ia marcando de cabeça aos 52'.

Jovane - Entrou aos 69', com a missão de introduzir velocidade e dinâmica ao ataque leonino. Missão cumprida: três minutos depois era carregado em falta e conquistava um penálti.

Raphinha - Entrou aos 70', substituindo Nani. Rápido, vê-se que quer agarrar um lugar no onze titular. Esticou o jogo com sucesso no nosso melhor período do jogo.

Salin - A surpresa do onze inicial leonino. Saltou do banco para render o magoado Viviano e cumpriu o essencial da missão. Espectacular defesa aos 68'. Pode vir a ser titular.

 

Nota 5

Jefferson - Demasiado contido nas incursões atacantes, mas sem comprometer a manobra defensiva. Bom cruzamento aos 24' que originou o golo injustamente anulado a Dost.

Mathieu - Desta vez não foi o pilar a que nos habituou. Duas vezes ultrapassado em velocidade, desposicionou-se em zonas perigosas. Compensou com passes longos de precisão.

Nani - Longe da melhor forma física, mas ainda capaz de notáveis pormenores técnicos, como se viu na primeira parte. Saiu esgotado, aos 70'. Esperamos muito mais dele.

Ristovski - Foi o melhor lateral e esteve em foco no cruzamento que deu golo a Bruno Fernandes aos 16'. Mas teve responsabilidade no golo adversário ao falhar a marcação.

 

Nota 4

Acuña - Demasiado discreto, jogou com alguma errância táctica, primeiro nas alas e depois no eixo, sem nunca verdadeiramente pegar no jogo. Substituído aos 69'

Petrovic - Perde em larguíssima medida na comparação com o anterior titular da posição 6, William Carvalho. Cumpre na contenção mas está muito distante do que se exige na construção.

Há razões que a razão desconhece

Há coisas que não entendo de todo nas notas que os jornais atribuem aos jogadores. Hoje, por exemplo, o diário Record reabilita Jefferson, ontem claramente o pior jogador do Sporting frente ao Rio Ave, atribuindo-lhe nota 3 (em 5), claramente positiva. A mesma nota que atribui a Paulo Oliveira, Gelson Martins e Adrien, por exemplo. E apenas um patamar mais abaixo do que o 4 atribuído pelo mesmo jornal a Rui Patrício.

Para mim é incompreensível como um jornal desportivo mantém uma gama classificativa tão reduzida como esta, que leva dois terços dos jogadores a receberem nota 2 ou 3. Sem distinguir, portanto, as verdadeiras diferenças dos desempenhos que tiveram em campo. Eu se fosse responsável editorial do Record ampliava este critério, passando a atribuir notas de 1 a 10 - aliás à semelhança do que fazem os outros jornais.

Mas o que de todo não entendo é como foi possível enaltecer o medíocre Jefferson do jogo de ontem, dando-lhe nota positiva. Há razões que a própria razão desconhece.

Dez notas sobre o jogo de ontem

 

1. Eficácia é a palavra-chave para superar obstáculos. Eficácia sem mais, esquecendo a nota artística. O Sporting foi eficaz esta noite, no estádio do Bonfim, frente ao V. Setúbal. Impunha-se cabeça fria, concentração máxima e vontade muito firme de seguir em frente na Taça de Portugal. Conseguimos superar a equipa comandada por José Couceiro, que deu sempre muito boa réplica, valorizando o espectáculo. Estamos nos quartos-de-final da competição. Objectivo cumprido.

 

2. Prefiro muito mais assim, quando Jorge Jesus não inventa. Lançar em campo os melhores, nas posições em que já existem rotinas e automatismos. Deixar os menos bons no banco, remeter os medíocres para a bancada. Ter a convicção de que não existem jogos menores, que permitam "poupar" jogadores. A Taça verdadeira é um dos nossos objectivos nesta temporada. Queremos conquistá-la. Para isso não pode haver "poupanças". Ainda bem que não houve.

 

3. O colectivo leonino vai adquirindo precisão mecânica. Mas há unidades que fazem a diferença - nenhuma tão destacada como Gelson Martins, que voltou a fazer uma excelente partida. O jovem internacional formado em Alvalade supera-se sempre a si próprio, com um fôlego inesgotável. Coube-lhe protagonizar as jogadas mais vistosas do desafio em movimentos da ala para o eixo do ataque que punham sempre em sobressalto a defesa sadina. Novamente o melhor em campo.

 

4. Eficácia e maturidade são qualidades complementares. Qualidades que ficaram bem patentes quando a nossa equipa superou bem o facto de não ter convertido uma grande penalidade, logo aos 21'. Adrien, artilheiro de serviço na marca dos 11 metros, bateu bem a bola, mas o guarda-redes sadino travou-a com a defesa da noite, impedindo logo de seguida o nosso capitão de fazer a recarga. Noutros tempos, o Sporting ficaria abalado com este desaire. Mas foi como se nada sucedesse: a equipa revelou robustez psicológica. Superando o teste da maturidade.

 

5. Outro teste superado: o do contributo de Bas Dost para esta equipa. Já ninguém tem dúvidas: o internacional holandês é mesmo reforço. Nenhuma defesa contrária está em sossego com ele em campo. Voltou a suceder esta noite: aproveitando um dos raros deslizes do bloco defensivo do V. Setúbal, o avançado marcou o golo que nos qualifica para os quartos da Taça. Um golo à ponta de lança, culminando uma excelente jogada que teve como protagonistas anteriores Adrien, Campbell e Marvin. E vão dez, nesta época, à conta de Dost. Apetece-me defini-lo com esta palavra: competência.

 

6. Se o holandês é mesmo reforço, o mesmo podemos dizer de Joel Campbell. O costarriquenho voltou a confirmar as boas qualidades já evidenciadas em partidas anteriores. Desta vez Jorge Jesus fez aquilo que se impunha, apostando nele como titular em vez do apático e desgastado Bryan Ruiz, mantido hoje no banco até ao minuto 72. A equipa ganhou dinâmica, velocidade e profundidade: Campbell parece o mais bem colocado para passar a jogar nas costas de Bas Dost. É bom confirmar que não houve só asneiras nas compras feitas no passado Verão.

 

7. Gostei de ver a actuação dos jogadores leoninos emprestados ao V. Setúbal. André Geraldes, como lateral direito, e sobretudo Ryan Gauld, como médio criativo. O jovem escocês que na época passada jogou no Sporting B destacou-se pela qualidade e precisão do passe, e pela capacidade de desmarcação. Num desses lances, aos 30', só foi travado in extremis por Rui Patrício, que voltou a merecer todos os elogios. Impõe-se a pergunta: porque não fazer regressar Gauld a Alvalade já em Janeiro?

 

8. O jogo foi bom, mas a hora a que se desenrolou foi péssima. Numa noite muito fria, a meio da semana, com início às 21 horas, como é possível atrair público aos estádios? A Federação Portuguesa de Futebol parece não apreciar grandes assistências nos desafios da Taça. Gostava de saber porquê.

 

9. Ultrapassar esta eliminatória da Taça de Portugal era fundamental para repor os níveis de confiança. Não tanto entre os jogadores mas na relação entre os adeptos e a equipa após o fracassado acesso à Liga Europa e a derrota tangencial no dérbi da Luz. Mantemos intacta a esperança de disputar a final do Jamor e não estamos a uma distância irreversível da equipa que lidera o campeonato, longe disso. Convém não esquecer: ainda há 63 pontos em disputa na Liga 2016/17.

 

10. Agora há que pensar no Braga. A turma minhota foi hoje eliminada da Taça de Portugal em casa, pelo "tomba-gigantes" Sporting da Covilhã, numa partida em que se escutaram apelos das bancadas à demissão do treinador José Peseiro. Será este o nosso próximo adversário no campeonato, já no domingo que vem. Ninguém imagina que seja um jogo fácil. Mas temos todos os motivos para confiar na obtenção dos três pontos. Eu não penso noutra coisa. Aposto que o mesmo sucede com vocês.

 

Algumas notas sobre o jogo de ontem

O Sporting decidiu dar 45 minutos de avanço ao Borussia Dortmund - nada inédito, já o fez em relação a várias outras equipas - e só começou a jogar a sério quando soou o apito inicial da segunda parte. Na Liga dos Campeões estes brindes custam muito caro.

 

Com Jorge Jesus no banco até ao fim, o Sporting nunca teria perdido o jogo do Santiago Bernabéu. Palavras do próprio, que agora o perseguem como uma assombração. Ontem Jesus voltou a estar ausente do banco. E o Sporting, claro, voltou a perder. Certos pensamentos nunca deveriam ser verbalizados.

 

Portugal é de facto um povo hospitaleiro. A primeira falta foi cometida aos 38'. Ninguém queria meter o pé, atrapalhando a manobra ofensiva dos alemães, ninguém fazia questão de ganhar segundas bolas. Fizemos tudo nos 45 minutos iniciais para que o Borussia tivesse a sensação de jogar em casa.

 

Há dois Sportings: um com Adrien, outro sem Adrien. Como a partida da noite passada voltou a demonstrar. Elias, por mais voltas que o globo terrestre dê no seu próprio eixo, jamais será um Adrien.

 

É um desperdício remeter William Carvalho quase em exclusivo a missões de contenção do meio-campo adversário. Quando ganha metros de terreno, como passou a acontecer a partir do minuto 60 com a entrada de Bruno César, o campeão europeu faz aumentar a rotação da equipa. Isso ficou ontem bem evidente.

 

Burno César tem de ser titular deste Sporting. Não me interessa que "jogue feio", como por vezes se diz nas bancadas do nosso estádio. Interessa-me que seja eficaz. Voltou a sê-lo: entrou aos 60' e sete minutos depois já marcava.

 

É impressão minha ou Bryan Ruiz apaga-se sistematicamente nos chamados jogos grandes?

 

Quanto tempo mais Markovic demorará a perceber que o futebol é um jogo colectivo? Aquelas vistosas arrancadas do sérvio "com a bola controlada", como se diz na gíria do futebol, produziram sempre o mesmo resultado: nenhum.

 

A defesa começa a construir-se à frente, pressionando a fase de construção adversária e roubando-lhe metros de terreno. Slimani percebia isso como ninguém. Mas parece não ter deixado seguidores.

 

Há jogadores que fazem a diferença neste Sporting? Há. Mas nenhum deles chegou este Verão e os melhores continuam a ser os da formação leonina. Ninguém fez tanto por merecer ontem pelo menos o empate como o inigualável Gelson Martins.

 

Mais dois golos sofridos, somados ao nosso já considerável pecúlio neste domínio. A defesa leonina precisa de reparações urgentes. Só não vê quem não quer.

Breves notas a propósito do jogo de sábado

William Carvalho cometeu um penálti negligente que não pode passar sem uma severa palavra de censura. Coates deixou Marega fazer o que quis, com espaço e tempo para marcar o segundo golo vimaranense. Schelotto estava mal posicionado no lance do terceiro golo. Bryan Ruiz falhou o golo da praxe. Os erros individuais custam muito caro no futebol.

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É um absurdo criticar o nosso bloco defensivo pela atitude disciplicente de jogadores das linhas mais avançadas que não cumprem missões de carácter ofensivo, incapazes de cortar linhas de passe à frente, incapazes de correr para trás, acompanhando demasiados lances do ataque adversário só com os olhos.

 

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Acho inconcebível que Jorge Jesus não tenha esgotado as substituições num jogo em que precisávamos de aferrolhar o nosso meio-campo defensivo, salvaguardando os três pontos que tínhamos assegurado com margem confortável ao minuto 73. Como se estivesse mais preocupado com a "nota artística" do que com o resultado. Não aprendeu nada com Fernando Santos no Euro 2016. Nem com os cinco minutos finais em Madrid. 

 

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É bom que todos no Sporting se convençam de que a nota artística para os aplausos da bancadas é objectivo muito secundário. Não podem repetir-se comunicados da direcção a elogiar exibições em jogos que perdemos, como sucedeu após o desafio do Bernabéu. Basta de hinos inconsequentes ao "futebol bem jogado". Às vezes é preciso jogar feio para conquistar os três pontos. Isso mesmo: jogar feio. Mas ganhar.

 

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Deixem-se de praticar o passatempo preferido de tantos sportinguistas: o tiro ao árbitro. Decorridas sete jornadas da Liga 2016/17, nenhum dedo acusador pode ser apontado de boa fé a árbitro algum. É tempo de deixarmos de olhar para fora na hora de assumir responsabilidades. O discurso anti-árbitro não é o do Sporting grande - é o do Sporting complexado e pequenino.

 

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Deixem-se de estátuas a Rui Patrício, deixe-se de exigir Rúben Semedo já na selecção nacional. Os nossos jogadores precisam de concentração máxima no objectivo central: vencer o campeonato. Sem idolatrias descabidas, sem louvaminhas deslocadas. O caminho faz-se caminhando, não queimando etapas.

 

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Os jogadores do Sporting têm de convencer-se que não há vitórias morais. Ou há vitórias reais ou há derrotas. Têm de convencer-se também que não há lugar para vedetismos bacocos no Sporting: ou a equipa funciona como verdadeiro colectivo ou não funciona. Quem recusa integrar-se no colectivo só tem um caminho: a porta de saída.

Notas soltas do Sporting x Benfica

1. Asqueroso o comportamento dos adeptos do Benfica que desrespeitaram ostensivamente o minuto de silêncio em memória das vítimas dos atentados de Paris. 

Ainda há dias, o seleccionador turco Fatih Terim criticou duramente os assobios dos seus adeptos no decorrer do minuto de silênciao que antecedeu o Turquia x Grécia.

Que pena que Rui Vitória, que pelos vistos sabe fazer voz grossa, não tenha seguido o exemplo de Fatih Terim e dedicado alguma da sua irritação pós-jogo aos adeptos que tanto deixaram ficar mal o seu clube.

2. A Capelização de Montero. Mais 45 minutos de jogo nada conseguidos por parte de Montero. Esta temporada está a ser, para já, a mais apagada das 3 épocas que o avançado colombiano leva de leão ao peito. A fazer lembrar Capel, que depois de uma excelente primeira época, foi perdendo, progressivamente, brilho e encanto até chegar ao momento em que já não acrescentava qualquer valor à equipa. Considero Montero muito melhor jogador do que Capel, mas se não arrepiar caminho corre o risco de no final da época ser considerado transferível.

3. O momento. O Sporting perdia 1-0 e a equipa tardava em encontrar-se. Até que Nico Gaitan sofre uma lesão séria, o jogo fica parado uns bons minutos e JJ chama vários jogadores até si para dar uma palestra táctica. Depois da partida ter sido reatada, o jogo mudou de figurino e o Sporting começou a encostar de novo o Benfica às cordas, concluindo a 1ª parte com o justíssimo golo do empate. Julgo que a pausa para instruções tácticas foi muito importante, reforçando a ideia de que também no futebol deveria haver lugar a desconto de tempo em cada parte pedido pelos treinadores, como sucede nas modalidades amadoras.

4. Adrien. No último Sporting x Benfica para a taça em Alvalade (o mítico 5-3), Adrien também começou a partida como titular mas fez uma exibição tão confrangedora que ainda na 1ª parte fora substituído. Anos depois, que diferença entre o Adrien actual e o Adrien desse último derby!

5. Revista. Seguindo a recomendação do Sporting e das autoridades policiais, fui para Alvalade com antecedência, entrando no estádio faltava pouco mais de 1 hora para o início da partida. Estranhamente, não me fizeram qualquer revista à entrada da Porta 3. Em tempos de grande sobressalto securitário, e ainda para mais tratando-se de um derby, confesso que não estava nada à espera dessa ligeireza.

Para que serve a Taça Lucílio

Já aqui escrevi e repito: a Taça Lucílio Baptista não deve servir para mais nada, na perspectiva do Sporting, senão para observar, rodar e valorizar jogadores. E é isso que tem sido feito com sucesso nesta temporada. As promoções de Tobias Figueiredo, Tanaka e Ryan Gauld à equipa principal decorrem desta oportunidade, que merece ser realçada.

Tudo o resto é secundário atendendo à notória falta de prestígio de um troféu totalmente descredibilizado por arbitragens manifestamente incompetentes. O divórcio do público, que recusa comparecer nos estádios, confirma que esta prova só tem condições de subsistir se for alvo de profundas modificações.

Até lá, vamos fazendo observações.

 

E o que observei ontem, em Alvalade, frente ao Vitória de Setúbal?

Gostei a espaços de Wallyson, André Martins, Ricardo Esgaio, André Geraldes, Daniel Podence.

Gostei do regresso de Diego Rubio, outra opção para o nosso ataque.

Gostei que Gelson Martins tivesse nova oportunidade, sem dúvida merecida.

Em suma: bons desempenhos individuais, mas falta de coordenação de movimentos - algo natural atendendo ao facto de se tratar de uma equipa improvisada, sem rotinas competitivas. Mas também falta de capacidade física de alguns jogadores que estoiram ao fim de 45 minutos. E uma manifesta incapacidade de "resolver" o jogo com poucos passes. Nota-se a obsessão de transportar a bola em vez de a fazer rolar. Há sempre a necessidade de adornar o lance com duas ou três fintas perfeitamente escusadas que roubam energia e discernimento para a concentração naquilo que mais interessa: o remate com sucesso.

 

Ontem contabilizei seis oportunidades de golo não concretizadas:

16': Disparo bem direccionado de Miguel Lopes que o guarda-redes Lukas Raeder defendeu com dificuldade;

18': Grande remate de Tanaka, sem preparação, após centro de Esgaio para outra defesa aparatosa do guardião sadino;

19': Cabeceamento muito perigoso de Sarr após canto muito bem marcado por André Martins num período de sufoco para os setubalenses: outra grande defesa de Lukas;

34': Na marcação de um livre directo, André Martins envia a bola à barra;

50': Boa jogada individual de Esgaio, que remata a rasar o poste;

58': Esgaio novamente: desta vez a bola embate mesmo no poste após passe de André Martins.

 

Nenhuma equipa pode falhar tantas oportunidades. Este é uma tema que suscita certamente uma séria reflexão por parte da nossa equipa técnica, seja qual for o onze escolhido, seja em que competição for. Há que trabalhar muito nesta área porque quase todos os jogadores têm ainda uma larga margem de progressão.

É para isto, no fundo, que a Taça Lucílio serve. E para pouco mais.

Pequena nota sobre o jogo de ontem

O resultado de 1-0 pode dar a entender um jogo complicado para a equipa do Sporting, ontem à noite.

Nada de mais enganador! Como aliás muito bem refere Pedro Correia em post abaixo.

 

A pequena nota que queria deixar e que me parece faltar nesse post (embora me pareça implícita, contudo há sempre gente distraída e é pra esses que vai esta nota), é que não havia necessidade de birra. Efectivamente os reforços anunciados são mesmo reforços! Há na equipa jovens com talento e com vontade de vencer! Jovens que Marco Silva está a saber, com competência, começar a potenciar e que a qualquer momento (como no próximo jogo com o Rio Ave, com as ausências de Maurício e Adrien, por castigo) podem entrar na equipa principal.

 

Vamos à oitava!

Quatro notas sobre o jogo desta noite

1. Confirma-se que temos reforços. Estão mais perto do que muitos pensavam: no Sporting B ou à sombra dos titulares habituais, espreitando um lugar na equipa. O jogo de hoje em Alvalade para a Taça da Liga, contra o Boavista, reforçou a impressão que o de há duas semanas em Guimarães já tinha demonstrado: estes jovens que costumam manter-se no banco dos suplentes ou nem lá costumam sentar-se merecem uma oportunidade. Porque têm qualidade suficiente para dar o seu contributo. Que aliás já pode ser avaliado em números: dois jogos, duas vitórias. Três golos marcados, nenhum sofrido.

 

2. Andávamos vários de nós preocupados com as carências no ataque leonino e afinal, também aqui, havia uma solução pronta a utilizar. Tanaka, até há muito pouco preterido e já transformado no novo ídolo de Alvalade. Várias vezes defendi aqui que o japonês devia merecer a confiança de Marco Silva. Isto apenas com base na boa pré-temporada que fez com a camisola verde e branca, tendo-se distinguido então como o nosso melhor marcador. Agora, depois daquele espectacular pontapé de livre que valeu três pontos em Braga, já ninguém tem dúvidas: podemos e devemos contar com ele. Hoje voltou a marcar o golo da vitória, de grande penalidade. O mês vai quase a meio e ainda ninguém deu pela falta de Slimani, ausente no campeonato africano das nações.

 

3. A solidez do desempenho colectivo destas "reservas" do Sporting num onze de onde estiveram ausentes todos os titulares relega para segundo plano os realces individuais. Mesmo assim, faço alguns destaques. Tobias Figueiredo voltou a situar-se em alto nível, conferindo solidez e segurança ao eixo defensivo. André Geraldes reforçou a excelente impressão que me causara em Guimarães apesar de nos dois jogos, enquanto lateral esquerdo, actuar fora da sua posição de origem, que é na ala oposta. Rosell soube gerir bem a posse de bola e ligar os sectores, mas tem de se acautelar com os cortes demasiado exuberantes atendendo à tendência dos árbitros portugueses de inflacionar a exibição de cartões. Ryan Gauld voltou a ser muito influente, nomeadamente nas recuperações de bolas e na jogada mais decisiva do encontro, ao provocar o contacto com o guarda-redes adversário de que resultou o penálti. Esgaio regressou a uma posição que conhece bem, como ala direito, e correspondeu à aposta que nele fez o treinador: destaco dois passes para Tanaka, aos 37' e 64', que quase funcionaram como assistência para golo. Podence, muito dinâmico, voltou a revelar qualidades: precisa apenas, em certos lances, de libertar mais cedo a bola. E Slavchev, que tinha sido o jogador mais apagado em Guimarães, revelou desta vez bons apontamentos enquanto o físico resistiu, mas falta-lhe rodagem para aguentar mais de 45 minutos.

 

4. Esta noite, mais ainda do que no desafio de Guimarães, estes jogadores que raras vezes têm treinado e actuado juntos organizaram-se em campo com verdadeiro espírito de equipa. Gerindo a posse de bola com muita inteligência. Ganhando ressaltos por sistema aos adversários. Ocupando eficazmente tanto os corredores como o espaço central nas missões ofensivas e defensivas. E criando sucessivas linhas de passe no meio-campo do Boavista, que mesmo a jogar com mais um durante a meia hora final - devido à expulsão de Rosell por discutível acumulação de cartões amarelos - nunca traduziram em campo essa superioridade numérica. Pelo contrário, parecia até que era o Sporting a ter um jogador a mais.

Seis notas sobre o jogo desta noite

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1. Entrando em campo sem a menor perspectiva de vitória, a avaliar pelo que diziam os comentadores apostados em incensar a turma anfitriã como a "equipa sensação" do campeonato, o onze leonino - sem nenhum dos habituais titulares - bateu-se com garra e venceu a partida contra o V. Guimarães para a Taça da Liga por dois golos sem resposta, confirmando que temos mais alternativas de qualidade do que os tais comentadores admitiam até agora.

 

2. Esta foi a vitória da competência de uma equipa onde se registaram quatro estreias absolutas em competições oficiais no nosso onze titular: Geraldes, Gauld, Slavchev e Tobias Figueiredo. A vitória de uma equipa muito disciplinada tacticamente, muito bem posicionada no terreno, com linhas compactas, e que revelou um notável espírito de entreajuda do primeiro ao último minuto. Pôr o factor colectivo acima de qualquer individualismo foi a palavra de ordem. Que resultou.

 

3. Esta característica ficou patente logo no primeiro golo, aos 5', com Heldon a rematar cruzado à entrada da área, culminando uma jogada colectiva que também teve Daniel Podence e Ricardo Esgaio como protagonistas. O passe de Esgaio, que desenhou uma linha diagonal a lançar Heldon com sucesso, revela muito mais do que inspiração: é também resultado de muita transpiração nos treinos.

 

4. Não é possível iludir a questão: há mesmo potenciais reforços na equipa B. Esta partida da Taça da Liga tornou isso ainda mais evidente. Desde logo no bloco defensivo, com óptimas exibições de Tobias Figueiredo, no lugar habitualmente ocupado por Maurício, e do surpreendente André Geraldes, para mim o melhor sportinguista neste jogo. Sabemos que sofreu um apagão na pré-temporada mas esta noite fez uma partida de alto nível em Guimarães, na posição onde têm alternado Jefferson e Jonathan Silva, batendo-se como um leão contra Hernâni, o mais perigoso elemento da equipa adversária. André e Tobias têm potencial para voos mais altos.

 

5. Também merecem destaque outras exibições: Ryan Gauld (com muito trabalho defensivo e três excelentes assistências - uma delas de 40 metros - aos 35', 57' e 61'); Podence (dotado de boa técnica e capacidade de se superiorizar nos confrontos individuais) e Wallyson (que dinamizou o nosso meio-campo com os seus passes longos, um dos quais originou o segundo golo, marcado pelo recém-entrado Dramé aos 90'+4). Apetece apostar neles como mais-valias do Sporting num futuro próximo.

 

6. Realço ainda as exibições de Marcelo Boeck, desta vez muito seguro (ao contrário do que sucedera contra o Vizela na Taça de Portugal), Esgaio (mesmo arriscando muito menos incursões ofensivas pelo seu flanco do que é costume) e Tanaka (com um disparo aos 63', na marcação de um livre directo, proporcionando ao guardião vimaranense Douglas a defesa da noite). Conclusão: todos eles merecem mais oportunidades. Outra conclusão: ao contrário do que muitos parlapatões juravam, vários reforços leoninos são isso mesmo - reforços.

Com este jogo, de alguma forma, o Sporting cresceu.

Doze notas sobre o jogo de hoje

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1. Quem disse que Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma não combinam em campo? Seja quem for, deve estar a morder a língua a esta hora. Os dois jogadores formados no Sporting protagonizaram uma jogada magistral no último minuto do Dinamarca-Portugal de hoje. Uma jogada que deu a vitória à equipa das quinas. Com remate vitorioso de Ronaldo coroando uma assistência perfeita de Quaresma.

 

2. Um dos momentos deste jogo em que a selecção portuguesa obteve três preciosos pontos na qualificação para o Europeu de 2016 ocorreu já depois do apito final, quando Cristiano Ronaldo fez questão de dar um abraço caloroso a Quaresma, que foi seu colega na academia de Alcochete - uma das melhores escolas de formação de futebolistas do mundo. Este gesto, mais que mil palavras, demonstrou bem como está elevado o moral nesta selecção agora sob o comando de Fernando Santos.

 

3. Foi no banco, como lhe compete, que o seleccionador comandou as operações. Todos aqueles que criticaram a escolha do sucessor de Paulo Bento porque Fernando Santos estava castigado pela FIFA terão a partir de agora sérios motivos para rever opiniões. Porque a providência cautelar em boa hora invocada pelos juristas da Federação Portuguesa de Futebol, e que teve acolhimento nas instâncias jurisdicionais competentes para o efeito, permite-nos ter quase a certeza de que aquela absurda pena de oito jogos de suspensão será anulada, em parte ou no todo. Se teve algum efeito positivo foi o de unir os jogadores em torno do seleccionador.

 

4. "A felicidade procura-se", declarou Fernando Santos no fim do jogo. E, de facto, Portugal procurou atingir esse patamar, sem desfalecer, do princípio ao fim do desafio contra a Dinamarca. Cristiano Ronaldo já tinha avisado, na conferência de imprensa de anteontem, ao ironizar sobre a curta distância entre este país e a Suécia, onde faz agora um ano ele conseguiu o apuramento de Portugal para o Mundial do Brasil com uma exibição de cinco estrelas. Ronaldo resolveu esse apuramento, com dois remates certeiros contra os suecos. Esta noite também foi ele a resolver, com o solitário golo que ditou a derrota dos dinamarqueses em casa.

 

5. Portugal voltou a revelar um bom colectivo. Com atitude, carácter, confiança. Não houve grandes assimetrias, o conjunto funcionou nos diversos sectores. Revelando maior entrosamento entre a defesa e o ataque, encurtando distâncias entre linhas, sem os desequilíbrios ocorridos na primeira parte do França-Portugal. Os laterais estiveram mais protegidos pelo meio-campo e até o tridente ofensivo se integrou em manobras defensivas sempre que a equipa necessitava desse reforço.

 

6. Quero, no entanto, destacar o desempenho de um jogador: Ricardo Carvalho. Teve uma actuação quase perfeita no eixo da nossa defesa, que nunca sofreu os sobressaltos registados na partida da semana passada, contra a França. Sólido, seguro, atento, solidário, competente, o defesa do Mónaco - recém-regressado à selecção após três anos de ausência - correspondeu em toda a linha à confiança que o seleccionador nele demonstrou. Tornando-se a confirmação viva de que não faz qualquer sentido olhar para o bilhete de identidade nem instituir castigos perpétuos ao mais alto nível do futebol português.

 

7. Cédric subiu muito de rendimento em relação ao jogo anterior, comprovando que o seleccionador acertou em cheio ao apostar nele como lateral direito. Mais apoiado, demonstrou neste desafio todas as qualidades que bem lhe conhecemos no Sporting: espírito de luta, combatividade, energia inesgotável, uma vontade indómita de vencer. Está a agarrar da melhor maneira o lugar, que já era dele nos escalões mais jovens. Não esqueçamos que se distinguiu nesta posição como vice-campeão mundial de sub-20, na Colômbia.

 

8. William Carvalho jogou desta vez como titular, na posição de médio defensivo, e reforçou a segurança da equipa nacional. Foi uma das das alterações introduzidas pelo seleccionador no onze titular, ao fazê-lo alinhar no lugar que coubera a André Gomes no jogo anterior. A outra alteração, também coroada de êxito, foi a entrada de Ricardo Carvalho para a posição anteriormente ocupada por Bruno Alves.

 

9. Motivo de orgulho para todos nós: cinco titulares do Sporting contribuíram para esta importante vitória da selecção nacional fora de casa. Em todos os sectores da equipa. Do guarda-redes (Rui Patrício, com duas boas defesas) ao ataque (Nani, que esteve perto do golo aos 26', a passe de Cristiano Ronaldo), da defesa (Cédric) ao meio-campo (William e João Mário, que substituiu Nani aos 68').

 

10. A sorte faz parte do jogo. E Fernando Santos confirmou hoje ser um treinador com sorte ao conseguir três pontos no minuto final. A verdade, no entanto, é que procurou sempre a vitória. Isto ficou bem patente nas substituições efectuadas: João Mário para o lugar de Nani, Éder para o lugar de Danny, Quaresma para o lugar de Tiago. Esta última acabou por ser a chave que ditou o desfecho do desafio.

 

11. A Academia de Alcochete é um viveiro de talentos - a tal ponto que não se limita a formar excelentes jogadores portugueses. Também o guardião dinamarquês, Kasper Schmeichel, é fruto da formação sportinguista, tendo começado por dar os primeiros passos desportivos no nosso clube, onde o seu pai, Peter, se sagrou campeão nacional, como um dos melhores guarda-redes leoninos de todos os tempos.

 

12. Uma palavra final para o árbitro. O alemão Felix Brych podia ter transformado esta partida num festival de cartões, imitando o péssimo exemplo da medíocre arbitragem portuguesa. Mas limitou-se a exibir um cartão a Ronaldo, aos 90 minutos. Nada mais. Fica o exemplo, na expectativa de que possa um dia ser seguido por cá.  

Doze notas sobre o jogo de ontem

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1. Foi um bom treino para o desafio de terça-feira, contra a Dinamarca. Um desafio que temos mesmo de ganhar. Este amigável de ontem, que nos opôs à selecção francesa, serviu fundamentalmente de teste. Perdemos no resultado, tangencialmente, por 1-2. Mas o teste foi superado: creio que Portugal voltou a ganhar uma equipa.

 

2. Fernando Santos, sem complexos de qualquer espécie, não hesitou em lançar seis novos membros no onze-base da selecção. Alterando o desenho táctico e as dinâmicas de jogo, abdicando de um ponta-de-lança fixo durante a maior parte do encontro. Demonstrou ousadia e confirmou ter ideias próprias. A largos espaços, Portugal dominou a partida - sobretudo na segunda parte, onde tivemos uma exibição de grande nível.

 

3. Valeu a pena fazer regressar Tiago, Quaresma, Danny e Ricardo Carvalho à selecção? A meu ver, sim. Isto tem o condão de cortar pela raiz aquela tendência tão portuguesa de suspirar por saudades daqueles que estão longe. Fernando Santos fez saber, desde o minuto zero, que com ele ninguém está dispensado de dar o seu contributo. E com isso anulou qualquer possível candidatura a D. Sebastião.

 

4. Estreias absolutas na selecção A de dois jogadores do Sporting: Cédric e João Mário. Ambos com vasta experiência a nível das selecções mais jovens (Cédric foi vice-campeão mundial sub-20). O nosso lateral direito teve uma partida ingrata, sobretudo na primeira parte, em que o caudal ofensivo francês foi quase sempre canalizado pelo seu flanco sem o devido apoio dos alas portugueses: Nani e Cristiano Ronaldo não recuavam em missões defensivas,  enquanto André Gomes e João Moutinho tardavam nas dobras, o que criava persistentes desequilíbrios nessa zona (Eliseu sentiu o mesmo problema na lateral esquerda). Mas o seleccionador fez bem em mantê-lo em campo até ao apito final.

 

5. João Mário entrou mais tarde, quando faltavam menos de 20 minutos para o fim do jogo, mas creditou-se como um dos melhores em campo, formando um eficaz losango em que os restantes vértices eram William Carvalho (outra grande exibição), Tiago (melhor no segundo tempo, precisamente integrado neste quarteto) e João Moutinho. Mal entrou, com o pesado encargo de render Cristiano Ronaldo, o nosso médio cavou de imediato uma grande penalidade, que daria golo, marcado por Quaresma. Tenho a certeza de que Fernando Santos contará também com ele no desafio contra a Dinamarca.

 

6. Houve exibições superlativas? Nem por isso. Este jogo funcionou sobretudo como demonstração de um colectivo já relativamente afinado - exceptuando os 20 minutos iniciais, em que a selecção francesa se instalou no nosso meio-campo como um vendaval, indiferente ao facto de haver quase dois terços de portugueses ou lusodescendentes nas lotadas bancadas do Stade de France, em Paris.

 

7. Há no entanto um jogador que justifica mais elogios do que os restantes: Pepe. Ontem fez quase tudo bem: percorreu várias vezes toda a extensão da linha defensiva, serviu de pronto-socorro para compensar falhas dos laterais, foi dos pés dele que começaram vários lances de ataque construídos com precisão e esteve a um passo de impedir o golo inaugural dos franceses, substituindo-se a Rui Patrício na linha de baliza. Merece um aplauso especial.

 

8. Fernando Santos esteve bem nas substituições, que melhoraram o nosso rendimento global. Portugal foi uma equipa mais acutilante e focada no ataque com William, João Mário e Quaresma em campo. Destaque para um passe em profundidade, com cerca de 40 metros, de William a lançar Nani, aos 61'. Foi uma das melhores jogadas do encontro. Apenas superada por um remate de cabeça de Ronaldo aos 51', com assistência de Nani, travado in extremis por uma grande defesa do guarda-redes gaulês.

 

9. Em contraste, as entradas de Éder e Vieirinha não produziram nada de novo. Ficou a certeza de que é preferível jogarmos sem ponta-de-lança do que continuarmos a fazer experiências falhadas com "números 9" que não marcam e até preferem andar sempre longe da baliza.

 

10. Danny foi outro jogador que também se mostrou longe da melhor forma - e o que menos rendeu entre os quatro "recuperados" por Fernando Santos, face às exibições de Tiago, Quaresma e Ricardo Carvalho, oscilando entre o bom e o regular. Aparentemente, o avançado do Zenit demorou mais do que os companheiros a adaptar-se ao modelo de jogo definido pelo seleccionador.

 

11. E Ronaldo? Uns furos abaixo daquilo que sempre esperamos dele. Coube-lhe a melhor oportunidade portuguesa em lance corrido e desperdiçou outra hipótese de marcar porque ficou com os pés colados à relva, numa perda infantil de bola. "Frivolidade", chamou-lhe a Marca. Pareceu um pouco desencontrado da equipa. E quando foi para o banco, dando lugar a João Mário, não tardou a aplicar gelo no joelho esquerdo.

 

12. Portugal procurou sempre o empate, sem desistir. Eis a imagem mais forte que nos fica deste encontro que não desfez a nossa já tradicional má-sorte nos embates com a selecção francesa: a última vez que a derrotámos foi em Abril de 1975, tinha Fernando Santos apenas 20 anos. Mas isto já é passado. Agora interessa é pontuar na Dinamarca. Que empatou contra a Albânia. Enquanto alemãesespanhóis perdiam frente à Polónia e à Eslováquia. A Europa do futebol já não é o que era.

Dez notas sobre o jogo de hoje

 

1. Foi o pior jogo da selecção nacional em jogos oficiais neste século. Um jogo lamentável a todos os títulos: não só pelo resultado (derrota em casa contra a Albânia) mas também pela paupérrima exibição.

 

2. Portugal não teve ataque digno desse nome. Rematou muitas vezes, mas sempre mal. A Albânia só rematou uma - e marcou. Fez toda a diferença.

 

3. Depois de um Mundial medíocre, impunha-se a renovação da selecção nacional. Paulo Bento não renovou praticamente nada: apenas uma estreia no onze titular.

 

4. Para este jogo contra a modestíssima Albânia, em que era decisivo apostar no ataque, o seleccionador só convocou um ponta-de-lança: Éder, que em 12 jogos foi incapaz de marcar até hoje um golo pela selecção. Nem no banco havia outro.

 

5. O golo albanês beneficia de um clamoroso falhanço do nosso eixo defensivo. Ricardo Costa - convocado sem competição digna desse nome, com apenas um jogo disputado na Liga do Catar, longe da alta competição - não estava lá.

 

6. João Pereira não joga no campeonato espanhol, mas foi titular na selecção. Miguel Veloso não joga no campeonato ucraniano, mas voltou a ser aposta de Paulo Bento: foi o primeiro a saltar do banco.

 

7. Por que motivo não se aposta em Ruben Neves, que está a ser uma das sensações deste campeonato, ou Carlos Mané, elogiado pela crítica mais insuspeita, ou José Fonte, capitão do Southampton, ou Danilo, um médio de grande qualidade, ou Bruma, cuja vocação goleadora ninguém discute?

 

8. Adrien continua sem se estrear na selecção A. Começo a questionar-me se fará parte de alguma lista negra de Paulo Bento. Como já fazem Danny, Ricardo Carvalho, Bosingwa, Quaresma e Manuel Fernandes. Talvez só assim se explique.

 

9. Ficaram desfeitas as dúvidas de uma vez para sempre: há uma selecção com Cristiano Ronaldo e outra sem ele. Quando ele não joga, como hoje aconteceu, o resultado é sempre pior.

 

10. A partir de hoje, Paulo Bento deixa de ter condições para se manter como seleccionador nacional. Tal como sucedeu com Carlos Queiroz no desastroso início da campanha rumo ao Euro-2012, é tempo de sair pelo seu pé. Espero sinceramente que faça isso.

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