Minimal
Claro que tendemos a evocar a classe do artístico quando no futebol a destreza se compara à de um bailarino ou de um funâmbulo, quando a habilidade é complexa e tremendista. Mas num Mundial que nos tem oferecido uma compilação das melhores defesas ao alcance da elasticidade e dos reflexos humanos, graças ao supino e inspirado lote de guarda-redes que o acaso das gerações juntou, talvez o suprassumo, o verdadeiramente difícil, seja – tal como nas artes – o contrário do virtuosismo.
Um braço como uma viga, apenas um braço, erguido no instante preciso, medido ao centésimo de segundo, um braço a prolongar um corpo que toda uma vida ensinou a posicionar no ângulo certo, foi o suficiente para Manuel Neuer deflectir um torpedo de Benzema. Se fosse pintura seria um desenho de Agnes Martin, se fosse música seria uma peça de Philip Glass, mas foi apenas a melhor defesa deste Mundial – e não faltaria por onde escolher.

