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És a nossa Fé!

Os escarros dos papagaios

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Dada a argumentação agora em curso que alude à necessidade imperiosa de «alívio salarial» na SAD leonina para estancar o seu alegado «sufoco financeiro», vale a pena fazer algumas perguntas na expectativa de que possam ser respondidas.

Por fontes autorizadas, não por bonecos de ventríloquos.

 

- Porque dispensámos Nani - capitão do Sporting, prestigiado internacional português e campeão europeu em título - a "custo zero"?

- Porque aceitámos, no âmbito da negociação com o Atlético de Madrid como hipotética forma de compensação pela aquisição fraudulenta de Gelson Martins por aquele clube, metade do passe de Vietto avaliado em 7,5 milhões de euros, quando este jogador tem um valor global de mercado de apenas sete milhões?
- Porque adquirimos, igualmente por 7,5 milhões de euros (acrescidos da dispensa de Mama Baldé a título definitivo), o lesionado lateral direito francês Rosier, que passou 465 dias lesionado nas últimas três épocas, este ano só jogou cerca de dez minutos em Fevereiro e pretende preencher uma posição para a qual já existem pelo menos três jogadores sob contrato?

- Porque não houve prioridade máxima à contratação de um novo ponta-de-lança se é verdade que Bas Dost terá comunicado à equipa técnica a intenção de abandonar o Sporting ainda em Maio, mês em que estava recém-valorizado devido ao decisivo golo que marcou ao FC Porto na final da Taça de Portugal?

- Por que motivo - aceitando ainda a tese de que a SAD já sabia desde Maio que o jogador pretendia sair - deixámos arrastar a resolução do assunto durante três meses, acabando por estabelecer com o Eintracht, em vésperas do fecho do mercado, um acordo que fontes do clube alemão qualificam de «pechincha», pois terá baixado dos 20 milhões de euros exigidos no início para os oito milhões finais?

 

Eis vários temas que deviam justificar séria reflexão aos loquazes papagaios "multicolores" (de bico encarnado) que agora debitam suposta propaganda verde em incessante verborreia nas pantalhas.

Se eles soubessem reflectir, claro. O problema é que só sabem... papaguear.

 

São úteis a qualquer poder, enquanto estiver na mó de cima.

Quando fica na mó de baixo, acotovelam-se para figurarem na primeira fila dos que irão escarrar em quem antes serviram.

Bruno de Carvalho que o diga.

O que diz Nani

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Tenho sido muito crítico da orientação editorial do jornal A Bola, mas não ignoro que na redacção deste jornal existem jornalistas de inegável competência. Muitos deles, aliás, em oposição declarada à orientação do periódico, que já foi um dos mais prestigiados títulos da imprensa portuguesa.

Vem isto a propósito da excelente entrevista que A Bola hoje dá à estampa. Uma entrevista com Nani, conduzida pelo jornalista Paulo Alves, que para o efeito se deslocou aos Estados Unidos. O ex-capitão do Sporting, hoje profissional do Orlando City, equipa de que é o melhor marcador (oito golos em 19 jogos), abre o livro e diz o que pensa sobre a realidade leonina. Falando com a autoridade de ter sido quase tudo no futebol: um dos mais brilhantes frutos da nossa formação, um dos mais prestigiados internacionais portugueses de todos os tempos, campeão europeu pelo Manchester United, campeão europeu ao nível de selecções.

Um dos maiores craques de sempre com a marca leonina, aliás detentor de dois títulos no momento: Taça de Portugal e Taça da Liga. A milhares de quilómetros de distância, ele confessa: «Só há um clube onde me sinto em casa.»

O Sporting, claro.

 

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Seguem-se excertos desta entrevista.

 

«[Há um ano] fui contactado, em primeiro lugar, pelo mister Peseiro e depois pelo presidente Sousa Cintra, e avaliei a situação. Tinha outras propostas de países mais distantes que me ofereciam muito mais dinheiro. Mas pensei e concluí que não estou a precisar de dinheiro, graças a Deus... (...) Precisava de voltar a casa, de respirar os nossos ares, recuperar energias. Já estava há muito tempo fora de casa.»

«[O Sporting] tem de ser um clube mais fechado. Todos os que estão lá dentro têm de querer a mesma coisa e correr para o mesmo lado. Quando isso acontecer o Sporting voltará a ser campeão.»

«Benfica e FC Porto são muito fortes nesses momentos vitais: se tiverem de passar por cima, eles não pensam duas vezes, vão e atropelam. Seja a ganhar por 1-0 ou a golear, mas ganham. É esse tipo de experiência que o Sporting também tem de ter. E isso tem de vir de dentro. Uma das falhas dos últimos anos é que, internamente, muitas pessoas que trabalham no Sporting são o problema do Sporting...»

«Nunca direi que não ao Sporting. (...) Disse um até já porque pertenço ao Sporting, cresci lá, permitiu-me que me formasse, abriu-me as portas do estrelato, foi ali que tudo começou e devo a minha lealdade eterna ao Sporting e estarei sempre disponível para ajudar seja no que for.»

«A Academia perdeu um pouco da mística que tinha, a organização não é a mesma. Lembro-me que no meu tempo não se facilitava a vida a ninguém nem com nada. Os responsáveis eram exigentes e muito rigorosos, faziam com que os jogadores estudassem, que se aplicassem nos treinos, puxavam por nós para sabermos o que queríamos para o nosso futuro.»

«Na época passada, quando voltei ao Sporting, tinha também uma proposta do FC Porto. (...) Era um bonito clube para jogar, ia competir na Champions, quem é que não gosta de estar na Champions? Mas tinha o Sporting também e não ia deixar os adeptos do meu clube tristes e revoltados comigo por causa de fazer três ou quatro jogos na Champions. Preferi ir para o Sporting, voltar a casa. Fui lutar por uma causa positiva, ajudar o clube a reerguer-se. Essa era a minha Champions pessoal.»

«Ganhar um título em representação do nosso país [Europeu de 2016] é o ponto mais alto da carreira de qualquer jogador, eu pelo menos penso assim. Muitos andam à procura disso há anos e não conseguem, e se calhar até têm outros troféus e títulos importantes, mas não tendo troféus pela selecção não é a mesma coisa.»

«Sempre gostei de fazer golos, desde miúdo que sempre assim foi. É claro que fico satisfeito, mas sempre fui muito mais um jogador criativo: criar lances ofensivos, dar assistências para golo, desbloquear o jogo para a minha equipa.»

«São importantes as convivências com pessoas ligadas a diversos meios, a diferentes realidades e culturas. O futebol não é só o que se vê cá fora, mas é preciso saber guardar aquilo que cada país nos oferece.»

«Houve dois treinadores que me marcaram muito: Paulo Bento e Alex Ferguson. Paulo Bento foi meu treinador ainda nos juniores e aí ele teve muitas conversas comigo e nunca, nunca me facilitou a vida. Mas era, e sabia disso, o jogador preferido dele. Ele chamava-me nomes, gritava comigo, mas olhava para mim como se fosse um filho dele. (...) Muitas vezes foi ele que me levou a casa, outras vezes pagava-me o táxi, estava sempre presente.»

 

Balanço (20)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre NANI:

 

- José Navarro de Andrade: «É um problema, tem ideias, sabe o que faz, sabe explicar-se; irreverências que para um sargento que gosta de fazer voz grossa, de miolo-mole e pouco articulado, são muito desestabilizadoras.» (7 de Outubro)

Pedro Azevedo: «Procurou o espaço entrelinhas e deixou a sua marca no jogo (e não, não me refiro só às pernas de Mamadu). Foi um verdadeiro capitão e nunca se rendeu.» (5 de Novembro)

Leonardo Ralha: «Três grandes passes, diligentemente subaproveitados por Acuña e Raphinha, marcaram uma exibição em que o capitão do Sporting foi o cérebro que faltou a outros e esteve em melhores condições físicas do que a maioria.» (24 de Janeiro)

- Francisco Melo: «Num ano muito delicado, a viver a pior fase da época, o Sporting deixa Nani e Montero irem embora??? Logo dois dos mais virtuosos e dedicados jogadores do plantel!?Desculpem, mas esta notícia fere mais a nossa alma de leão do que a derrota de ontem.» (15 de Fevereiro)

- JPT: «Não há dinheiro para o manter? Talvez. Mas mais exigência se deverá ter a analisar o efectivo valor dos recém-contratados. Para os quais houve dinheiro. Valor no jogo jogado. Valor na classe transmitida. Valor na contribuição para que o clube se vá transferindo de geração em geração.» (15 de Fevereiro)

Edmundo Gonçalves: «Não me parece que seja caso para agradecimento, que este e outros jogadores são muito bem pagos para exercerem a sua profissão, mas aqui fica todo o meu enorme reconhecimento pelo sportinguismo, profissionalismo, amor à verde-e-branca, sempre demonstrados por Luís Nani, que nunca nos envergonhou, antes pelo contrário, elevou bem alto o nome do seu e nosso clube do coração.» (18 de Fevereiro)

Eu: «Melhor em campo contra o Loures, em Outubro. Uma assistência para golo e participação em outro contra o Lusitano Vildemoinhos, em Novembro. Intervenção activa na vitória contra o Feirense, em Janeiro. A Taça de Portugal 2019 também é tua, Nani. Como já foram as de 2007 e de 2015.» (27 de Maio)

Luís Lisboa: «A tendência para Nani procurar espaços anteriores e temporizar o jogo chocava com a tendência de Bruno Fernandes para esticá-lo e solicitar a profundidade. O certo é que Nani começou melhor a temporada que Bruno Fernandes, depois foram-se equivalendo.» (24 de Junho)

Ovo de Colombo

 

Uma equipa de futebol não se faz apenas de técnicas e tácticas, faz-se também de lideranças reconhecidas e aceites, no banco e no balneário. Na confusão que foi o início da temporada passada, e na tentativa de conseguir o regresso dos fugitivos e ir repescar símbolos do clube que pudessem obviar à esperada contestação das claques e adeptos, Sousa Cintra arranjou dois galos para o mesmo poleiro, Nani e Bruno Fernandes, o de ídolo da bancada, capitão e líder duma equipa heterógenea no que respeita a origens, vencimentos, e entendimentos. Um que tinha lá estado três anos antes e entretanto saído, outro que tinha vindo no ano anterior, quase dez anos a separá-los, sem grande passado futebolístico comum. Ou seja, tinha tudo para correr mal.

Dentro do campo também a harmonia não era perfeita, a tendência para Nani procurar espaços anteriores e temporizar o jogo chocava com a tendência de Bruno Fernandes para esticá-lo e solicitar a profundidade. 

O certo é que Nani começou melhor a temporada que Bruno Fernandes, depois foram-se equivalendo, a páginas tantas Nani teve uma "boca" evitável sobre o Bruno, até que aos 43 minutos do dérbi caseiro da 20.ª jornada, Nani inflectiu, temporizou, passou e Bruno rematou e marcou, reduzindo a desvantagem para 1-2 numa brilhante jogada conjunta. Depois veio o intervalo, o que se passou na cabina não sabemos, Nani não voltou e dias depois soubemos da sua saída e da de Montero (com certeza um grande apoio de Nani no balneário, as famílias de Montero e Nani davam-se muito bem).

O certo é que depois disso o Sporting foi ganhando uma nova forma de estar em campo, mais objectiva e produtiva, e Bruno Fernandes explodiu, levou a equipa às costas e quebrou records.

E se muito Bruno Fernandes agradeceu a mudança, do que se sabe Nani e Montero encontraram lugares excelentes para os últimos anos das respectivas carreiras, Montero no Canadá, Nani em Orlando, USA, este ao ponto de ganhar o direito de figurar na "Wall of Fame" da época da respectiva Liga. Curiosamente também, Montero vem agora lembrar Bruno Fernandes por um penálti que marcou. Escreveu: "Amigo Bruno Fernandes, obrigado pelas aulas. Estou a pô-las em prática."

Concluindo, se calhar a saída amigável de Nani e Montero, ao contrário do que Sousa Cintra vem agora afirmar e do que foram martelando incessantemente os ressabiados brunistas, foi mesmo o Ovo de Colombo (Colombo descobriu a América, a América resolveu o nosso problema) do sucesso relativo desta temporada que culminou com a tarde de glória do Jamor e da reforma "dourada" dos nossos estimados Nani e Montero.

PS: Melhores em campo, jornada a jornada, sendo que o tal Sporting-Benfica foi na jornada 20:

1 Bruno Fernandes
2 Mathieu, Nani
3 Salin
4 Jovane
5 Salin, Raphinha
6 Montero, Raphinha, Jovane
7 Nani
8 Nani
9 Acuña
10 Bas Dost
11 Bruno Fernandes
12 Bruno Fernandes, Bas Dost
13 Bruno Fernandes
14 Renan
15 Miguel Luís
16 Raphinha
17 Mathieu
18 Acuña
19 Bruno Fernandes, Bas Dost
20 Bruno Fernandes
21 Bruno Fernandes
22 Bruno Fernandes
23 Bruno Fernandes
24 Bruno Fernandes
25 Bruno Fernandes
26 Raphinha
27 Bruno Fernandes
28 Bruno Fernandes
29 Bruno Fernandes
30 Acuña
31 Raphinha
32 Bruno Fernandes
33 Bruno Fernandes, Mathieu, Acuña
34 Renan

SL

Esta Taça também é tua, Nani

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Melhor em campo contra o Loures, em Outubro. Uma assistência para golo e participação em outro contra o Lusitano Vildemoinhos, em Novembro. Intervenção activa na vitória contra o Feirense, em Janeiro. 

A Taça de Portugal 2019 também é tua, Nani. Como já foram as de 2007 e de 2015. 

Daqui te mando um grande abraço de parabéns. Para mim nunca deixarás de ser Leão.

Inconcebível

A Direcção da SAD leonina anunciou aos sócios e adeptos, em sucintos comunicados, a desvinculação de Nani e de Castaignos.

Ambos em formato "chapa cinco": só muda o nome.

Acho inconcebível que dois jogadores tão diferentes recebam, na hora da partida, exactamente o mesmo tratamento impessoal e mecânico. Como se os comunicados tivessem sido escritos por um robô.

 

Nani - formado em Alcochete, capitão da equipa e campeão europeu em título - leva o mesmo tratamento de um diletante holandês que esteve a gozar férias principescas em Lisboa, durante dois anos e meio, à custa do Sporting.

E nem sequer tem direito a ver impresso, neste comunicado oficial da SAD, o seu nome completo. Que é, não esqueçamos, Luís Carlos Almeida da Cunha. Não faz qualquer sentido chamar-lhe "Luís Nani", como se Nani fosse o seu apelido.

 

Isto não é forma de tratar os nossos. Refiro-me aos que são verdadeiramente nossos, não aos que só passam por cá para fazer turismo.

Obrigado Nani…

… também por isto:

«William Carvalho revelou que Nani foi determinante para o seu ingresso no Sporting há nove anos, quando ainda jogava no Mira Sintra. O internacional luso-angolano despertou a atenção dos olheiros do Sporting em 2005, quando ainda representava o Mira Sintra, e em declarações aos órgãos oficiais da Liga dos Campeões.

"Comecei no Mira Sintra e com 13 anos fiz um jogo contra o Sporting. Fui chamado e nem hesitei. Sou do Sporting, sempre fui e o meu pai também. A possibilidade de integrar a equipa principal era muito grande e aceitei logo", começou por recordar William Carvalho.

"É uma história engraçada. Quando vim para o Sporting falei com o Aurélio Pereira e ele passou o telefone ao Nani, que já estava na equipa A. Contou-me o que passou para chegar à equipa principal e que o Sporting apostava na formação. Sendo do Sporting, tinha no Nani e no Veloso jogadores que admirava", acrescentou William Carvalho.»

Nani

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Não me parece que seja caso para agradecimento, que este e outros jogadores são muito bem pagos para exercerem a sua profissão, mas aqui fica todo o meu enorme reconhecimento pelo sportinguismo, profissionalismo, amor à verde-e-branca, sempre demonstrados por Luís Nani, que nunca nos envergonhou, antes pelo contrário, elevou bem alto o nome do seu e nosso clube do coração. As maiores felicidades nas américas é o que te desejo, campeão! Saudações Leoninas.

Nani não merecia isto

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O presidente ainda não falou: limitou-se a mandar dizer que só romperá o silêncio na próxima sexta-feira. Nem sequer emitiu duas frases de público alento aos jogadores e à equipa técnica antes do confronto de logo com o Braga. Ao menos para ajudar a compor as bancadas, que deverão estar bastante desguarnecidas. Tal como o plantel, agora sem Montero e sobretudo já sem Nani - decisivo para a conquista da Taça da Liga, há um par de semanas. Justificar a partida do nosso capitão, formado no Sporting e campeão europeu em título, pela necessidade de "poupar dinheiro" à SAD leonina, é culminar com uma pitada de inaceitável injúria este episódio tão pouco edificante.

Nani não merecia isto.

 

O silêncio, num momento destes, dá pasto a todas as especulações. Não falta portanto, entre os que são próximos de Frederico Varandas, quem se apresse a emitir mensagens contraditórias: por um lado sopram-se "notícias" para os jornais garantindo que o holandês está de pedra e cal; por outro, nas redes, já se conclui que o homem afinal não serve. Tudo e o seu contrário. É uma regra básica da comunicação: se quem devia falar se cala, alguém menos qualificado para o efeito acaba por preencher esse vazio.

Acreditam que isto possa dar saúde anímica à nossa triste equipa? Pois: eu também não.

Muito obrigado, Montero e Nani

Segundo parece estão estes dois excelentes futebolistas de saída do Sporting, rumo a campeonatos menos exigentes mas muito interessantes em termos de fase final duma carreira e transição para outro tipo de vida.

Quer um quer outro tiveram momentos notáveis com a camisola do clube, e Nani é apenas o capitão de equipa, um dos expoentes máximos da Academia de Alcochete, e o porta-bandeira do ADN Sportinguista no plantel do clube e um exemplo para os jovens da formação.

Se calhar estamos mais uma vez como naquelas situações de divórcio de comum acordo em que ambas as partes sentem que o amor do outro já não é o mesmo que era quando eram mais novos e sendo assim sentem que podiam ser mais felizes noutro lado.  

Do lado do Sporting as saídas representam um alívio importante na tesouraria, pois trata-se de salários dos mais altos do plantel. Do lado dos futebolistas têm tempo para preparar uma nova época e para Nani se integrar numa nova realidade.

Nani e Montero são daqueles artistas da bola que tanto podem passar ao lado do jogo como podem dum momento para o outro fazer o que ninguém espera e resolver as situações mais complicadas. Golos fantásticos, únicos. E olhando para o plantel quem mais temos assim ? Bruno Fernandes, só. Cada vez mais vamos ser BF e mais 10 ? Ele não é o super-homem...

E em que posição fica Keizer no meio disto, quando sabemos que Nani tem sido substituido com frequência no decorrer dos jogos, a última vez no intervalo do jogo em casa com o Benfica, e Montero pouco tem estado disponível? Que responsabilidade teve ele, por acção ou omissão, nas saídas?

E os sócios? Como vão aceitar estas saídas, que parecem significar o atirar a toalha ao chão no que respeita aos objectivos da temporada?

Enfim, seria altamente conveniente que depois do jogo contra o nosso concorrente directo ao 3º posto, o Braga, e do fecho completo do mercado,  Frederico Varandas viesse esclarecer os sócios e dissipar as legítimas dúvidas que tudo isto merece. Incluindo o que quis efectivamente dizer no final da Taça da Liga sobre a qualidade do plantel e o que pensa agora, depois de todas estas entradas e saídas. 

Se explicar nós entendemos e podemos dizer melhor de nossa justiça. 

Mas voltando ao início, muito obrigado, Montero e Nani, e muitas felicidades para a vossa aventura americana.  

SL

Desilusão das grandes

Num ano muito delicado, a viver a pior fase da época, o Sporting deixa Nani e Montero irem embora???

Logo dois dos mais virtuosos e dedicados jogadores do plantel?!

Desculpem, mas esta notícia fere mais a nossa alma de leão do que a derrota de ontem. 

E tenho especialmente pena pelo Nani, que ainda em Dezembro disse que voltou pelo prazer de representar novamente o Sporting, ao invés de seguir carreira na China ou Arábia de onde surgiam propostas financeiramente bastante mais apelativas.

Não merecemos este golpe. Que desilusão das grandes.

Boa Sorte, Nani

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Acabo de ler. Aqui alertado nos comentários da partida de Montero (fica o Phyllepe ou lá como se chama; fica o diabo do Diaby) fui aos jornais e sei que parte também Nani - um dos grandes jogadores que o Sporting formou e que por duas vezes regressou a casa. Emagrecimento salarial, anuncia o jornal ser a causa destas duas saídas. A de Montero, apesar de o considerar um jogador de muita classe - e vou crente que a sua transferência para a China, na primeira passagem pelo clube, dizem que por nossas dificuldades de tesouraria, nos custou um título - posso compreender. Agora Nani? Numa contabilidade de "deve/haver" porventura. Mas há jogadores de classe no clube? E que tenham formação sportinguista? Que sirvam para construir equipas e reproduzir clubes?

Não há dinheiro para o manter? Talvez. Mas mais exigência se deverá ter a analisar o efectivo valor dos recém-contratados. Para os quais houve dinheiro. Valor no jogo jogado. Valor na classe transmitida. Valor na contribuição para que o clube se vá transferindo de geração em geração.

Enfim, mais significativo é o facto do clube seguir de derrota em derrota e o afã ser em transferir os jogadores mais sonantes. Borrasca orçamental óbvia. Mas também um enorme sinal de des-ilusão para esta época, um ululante baixar dos braços.

No próximo defeso? Sairá o Bruno Fernandes, decerto que pronto para procurar outro rumo para a carreira. E ficaremos com o Acuña, a besta quadrada. E com os phelllypes ou lá como se chamam.

Boa sorte, Nani.

Armas e viscondes assinalados: Quando a cabeça não tem juízo o Sporting é que paga

Vitória de Setúbal 1 - Sporting 1

Liga NOS - 19.ª Jornada

30 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Salvou o ponto possível nos descontos, quando Nani fez um atraso de bola calamitoso e ofereceu um segundo golo dos setubalenses que o brasileiro não deixou acontecer. Teria sido o pior castigo imaginável para quem começara a tornar-se mero observador depois de uma primeira parte trabalhosa, e na qual foi deixado à mercê do adversário no lance do golo que ajudou as duas equipas que não chegaram à final da Taça da Liga a adiantarem-se na luta pelo outro lugar de acesso à Liga dos Campeões que não implica vencer o campeonato.

 

Ristovski (2,0)

Pareceu-lhe que era boa ideia gritar com um árbitro que aos dez minutos já tinha amarelado o colega que evitou ser expulso por acumulação e preferiu deixar escapar o autor do golo da equipa da casa. Tudo bem que o macedónio teve uma ligeira atenuante: Hélder Malheiro nem falta marcou ao adversário que lhe desferiu uma cotovelada capaz de fazer nascer de imediato um enorme galo na testa. Expulso quando a equipa tentava inverter o resultado negativo, ainda demonstrou dotes de ninja ao partir uma bandeira de canto com um pontapé, pelo que a suspensão que irá receber por ter sido agredido à cotovelada enquanto o videoárbitro metia sal nas pipocas é capaz de o afastar de mais jogos além da recepção ao Benfica. Diga-se, em abono da verdade, que não estava a fazer um jogo brilhante antes de perder a cabeça em mais do que um sentido.

 

Coates (4,0)

Terminou o jogo como único central leonino e, tendo em conta que toda a gente que joga ao seu lado acaba por sucumbir à fadiga muscular ou partir o nariz, talvez seja altura de apostar no 3-3-4 depois de o 3-2-4 ficar muito perto de valer três pontos. O uruguaio voltou a mostrar a razão para, se houver justiça antes do reino dos céus, acreditar que ainda conseguirá grandes conquistas ao serviço do Sporting. Incansável a defender, com uma única falha que teve de resolver com o agarrão que lhe valeu um cartão amarelo que ficou colado no bolso em intervenções homólogas de adversários, manteve a média de cortes providenciais e integrou-se com extrema raça e critério em jogadas de contra-ataque. Não conseguiu marcar, mas pode ser que se esteja a guardar para os principais beneficiários dos dois pontos deixados em Alvalade.

 

Petrovic (2,5)

Já habituado a estar em campo com o nariz fracturado, desta vez teve direito a uma máscara facial para o proteger após ter sido operado. Infelizmente faltou-lhe protecção contra quem lhe mostrou o amarelo aos dez minutos, o que o dissuadiu de derrubar o autor do golo do Vitória de Setúbal. Compensou a falta de velocidade, perigosa ao enfrentar avançados rápidos, com entrega e bom timing nos cortes, acabando por ver-se sacrificado na hora do tudo por tudo.

 

Jefferson (3,5)

Com Acuña de partida e Borja de chegada, ninguém mais havia para titular. Facto: no primeiro quarto de hora de jogo fez dois cruzamentos aos quais só faltava um lacinho, mas Bas Dost desperdiçou os presentes do brasileiro com duas cabeçadas muito aquém dos mínimos. Jefferson não esmoreceu e passou o jogo inteiro a cruzar bolas, quase sempre em boas condições, sem que ninguém quisesse corresponder ao esforço de quem terminou só com dois colegas na linha defensiva.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Os primeiros minutos ao serviço do Sporting mostraram que pode ser uma solução muito mais dinâmica do que Gudelj para a posição 6. Ainda que não tenha convencido completamente no que toca a poder de choque, o reforço de Inverno é capaz de acelerar jogadas, tem visão de jogo e poderá ser muito útil em jogos vindouros. No desafio em apreço acabou por ser substituído para que o 3-2-4 aparecesse em Setúbal, sem o efeito obtido aquando de outra aparição, cento e tal quilómetros mais a norte.

 

Wendel (3,0)

Tentou resolver o problema com remates de média distância, após desperdiçar uma ocasião dentro da grande área, e em posição frontal, devido a uma overdose de fintas. Terminou muito cansado, visto que o ónus de jogar com menos um recaiu em grande parte sobre o meio-campo, o que não o impediu de a poucos minutos do final embrenhar na área e servir Bruno Fernandes para uma das melhores oportunidades de consumar a reviravolta.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Conseguiu três grandes proezas - o remate oportuno que Bas Dost desviou para golo, resistir às recorrentes cacetadas dos adversários e chegar ao fim sem o segundo amarelo ao engolir palavras perante as artimanhas de um novo valor da arbitragem nacional -, e só lhe faltou um pouco de sorte para manter o Sporting próximo das duas equipas que não foram à final da Taça da Liga e lutam pelo lugar de acesso à Liga dos Campeões que não implica vencer o campeonato. Voltou a fazer passes emolduráveis e mesmo um cruzamento que só não foi perfeito porque Raphinha provou ser bastante mau a cabecear.

 

Raphinha (3,0)

Tirando aquela parte de ter recebido um cruzamento perfeito no coração da grande área e ter cabeceado sem nexo ao lado da baliza? O brasileiro voltou a agitar o ataque leonino, produzindo uma sucessão de jogadas que ninguém fez o favor de aproveitar. Na hora de desespero, sendo necessário Nani em campo, foi ele a sair em vez de Diaby, por razões que só Keizer conhece.

 

Diaby (2,0)

Bem tentou disputar bolas dentro da grande área adversária, mas Oliver Torres não foi emprestado ao Vitória de Setúbal, pelo que ninguém o chegou a carregar de forma tão flagrante que nem o ‘dream team’ para ali mobilizado pudesse ignorar. Particularmente penoso foi assistir à tentativa de pontapé de baliza em que se estatelou após falhar a bola.

 

Bas Dost (3,0)

Marcou um golo de elevada nota artística, com um toque com “a parte lateral do pé” e de costas para a baliza, mas passou o resto do tempo a recordar os adeptos e colegas de que anda de cabeça perdida no que respeita a utilizá-la para desviar bolas para o fundo das redes. Qualquer momento será apropriado para retomar aquela média de concretização que chegava a parecer demasiado boa para o rectângulo à beira-mar plantado.

 

Bruno Gaspar (3,0)

Chamado a jogo após a expulsão de Ristovski, combinou bem com Nani e fez um bom cruzamento que contribuiu o golo do empate. Também se aguentou bastante bem nas missões defensivas, ainda que uma linha de três com Coates no meio seja meio caminho andado para o sucesso.

 

Nani (3,0)

Tinha pouco mais de meia hora para ajudar a virar o resultado e livrar-se de ver o amarelo que o afastaria da recepção ao Benfica. Cumpriu o segundo objectivo e fez tudo o que estava ao seu alcance para atingir o primeiro, incluindo driblar um quarteto de adversários até ser derrubado. Pena é que tivesse ficado a um passo de oferecer a vitória ao Setúbal com um atraso incrivelmente disparatado.

 

Luiz Phellype (2,0)

Voltou a não conseguir fazer a diferença nos minutos que ficou em campo. Aguarda-se que isso suceda, mais cedo ou mais tarde, pois até ao presente momento não justificou a contratação.

 

Marcel Keizer (2,5)

Viu-se forçado a entregar a titularidade ao facialmente desafiado Petrovic, face à ausência de Mathieu e à falta de coragem para arriscar no corpulento Abdu Conté, apostou na estreia de Idrissa Doumbia face ao castigo de Gudelj, e deixou Nani no banco. Podia ter corrido bem, mas não era noite para isso, e se a desvantagem não levou o holandês a ser particularmente criativo, talvez por crer que o seu compatriota acabaria por cabecear decentemente , ficar com menos um jogador teve o condão de agitar a imaginação do pioneiro das tácticas 3-3-3 e 3-2-4, essa última prejudicada pela ineficácia do segundo avançado-centro. Mais difícil de explicar é o critério para prescindir de Raphinha em vez de Diaby.

Armas e viscondes assinalados: Renan defendeu direito pela arbitragem torta

Sporting 1 - Sp. Braga 1 (4-3 nos pénaltis)

Taça da Liga - Meias-finais

23 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (4,0)

Ainda mal chegara à baliza e já tinha sofrido um golo, como lhe está sempre a acontecer desde que foi emprestado ao Sporting. Mas o certo é que resolveu uma segunda ocasião flagrante, beneficiando da má execução de Wilson Eduardo, e engrenou para uma noite positiva, ainda que tenha sido o videoárbitro a anular novo golo no primeiro lance da segunda parte e que nada pudesse fazer num cabeceamento de Raul Silva que embateu no poste. Foi depois do apito final que se tornou o herói do jogo, garantindo o acesso à final da Taça da Liga com uma sucessão de defesas nas grandes penalidades que compensaram o desacerto de Bas Dost, Coates e Nani.

 

Ristovski (2,5)

Mostrou aos habituais especialistas da equipa como se marca uma grande penalidade e esteve seguro a defender ao longo do jogo. Mas desta vez não conseguiu apoiar tanto o ataque quanto é seu hábito.

 

Coates (3,5)

Seria o herói da noite caso o árbitro Manuel Oliveira não fosse um renomado especialista na avaliação visual da intensidade de agarrões nas camisolas de adversários que se fazem à bola dentro da grande área, ignorando o pénalti que foi cometido sobre o uruguaio mesmo depois de ser convidado a visionar imagens inequívocas. Foi o seu poder de impulsão a permitir o empate que levou à decisão por grandes penalidades, voando sobre os centrais como Jardel para um cabeceamento indefensável. Na defesa teve muito trabalho e decidiu quase sempre bem, lamentando-se apenas que no desempate por pénaltis tenha acertado em cheio no poste.

 

Mathieu (2,5)

Saiu ao intervalo, com claros problemas físicos e o estigma de ter deixado Dyego Sousa à vontade no lance do 1-0. Pela idade e pelas particularidades físicas é um dos mais necessitados de maior rotatividade nos onzes por parte de Marcel Keizer.

 

Acuña (3,0)

Poucos minutos antes de ceder o lugar a Jefferson, numa fase em que a sua cara poderia servir de emoji para designar exaustão, conseguiu chegar ao passe de Nani e rematar contra um adversário dentro da grande área contrária. Já na primeira parte desperdiçara outra oferta do capitão leonino, rematando para a pedreira à entrada da área, pelo que as finalizações foram o calcanhar de Aquiles de mais uma exibição cheia de raça do internacional argentino, responsável acidental pelo chilique colectivo de Abel Ferreira e António Salvador ao sofrer uma falta de Dyego Sousa que levou à anulação daquele que seria o segundo golo dos bracarenses.

 

Gudelj (2,5)

Voltou a denotar carências no arranque de jogadas de ataque e foi um dos responsáveis por um domínio dos adversários no meio-campo que prometia impedir o Sporting de revalidar um dos dois únicos títulos que (pelo menos até agora) resultaram do investimento multimilionário na contratação de Jorge Jesus. Assim como está, não pode ficar.

 

Wendel (2,5)

Ninguém precisa de VAR para ver que o jovem brasileiro não está a conseguir manter a intensidade neste ciclo interminável de jogos, mas Marcel Keizer aparenta não confiar em Miguel Luís ou Francisco Geraldes. Sem virar a cara à luta, Wendel foi bastante menos esclarecido do que é habitual, e o Sporting ressentiu-se disso.

 

Bruno Fernandes (2,5)

Também pareceu ligeiramente fora, perpetrando uma sucessão de passes descalibrados quando pretendia servir os colegas. Sem bons resultados nesse campo durante os 90 minutos, honra seja feita ao facto de ter sido o primeiro jogador leonino a conseguir marcar a Marafona no desempate por grandes penalidades.

 

Raphinha (3,0)

Prometeu ser o herói da noite quando se desenvencilhou de dois adversários, entrou pela grande área do Braga e desferiu um remate forte, rasteiro e colocado que foi desviado para canto. Aliando técnica e velocidade (assim como um Diaby com técnica), o brasileiro tinha tudo para provocar calafrios aos adversários, mas houve um ponto de viragem no lance, ainda na primeira parte, em que se isolou para receber a abertura perfeita de Nani e, completamente à vontade, fez mais um passe do que um chapéu a Marafona. Talvez afectado pelo desperdício daquilo que seria o golo do empate, perdeu fulgor e até ao apito final não mais electrizou a noite.

 

Nani (3,5)

Três grandes passes, diligentemente subaproveitados por Acuña e Raphinha, marcaram uma exibição em que o capitão do Sporting foi o cérebro que faltou a outros e esteve em melhores condições físicas do que a maioria. Também ele ficou em branco nos pénaltis, mas se no sábado a equipa revalidar o título frente ao FC Porto já terá cumprido o primeiro objectivo deste segundo regresso.

 

Luiz Phellype (2,0)

Teve a oportunidade para demonstrar o seu valor, rendendo Bas Dost no onze titular, e não convenceu treinador e adeptos de que é uma alternativa credível. Muito encaixado na combativa defesa bracarense, pouco ou nada fez de útil para os seus e de perigoso para os outros.

 

André Pinto (3,0)

Entrou no início da segunda parte, como sucede quando Mathieu não pode continuar em campo, e desta vez foi o bom “understudy” que na maioria das vezes consegue ser. Um corte a um remate perigoso de Wilson Eduardo, já dentro da área, e outro desarme providencial à entrada da dita, após grande disparate do recém-entrado Jefferson, foram os destaques de uma exibição em que teve de vigiar Dyego Sousa, actual melhor marcador da Liga - e, a avaliar pelo estado de forma de um certo holandês, candidato a manter tal estatuto até ao fim.

 

Bas Dost (2,0)

Até a expressão do avançado denuncia que não está em condições físicas e anímicas. Dos poucos minutos que esteve em campo destaca-se a incapacidade de desviar um bom cruzamento rasteiro de Jefferson. Deixou claro que precisa de ‘reboot’ quando marcou o primeiro pénalti contra o corpo de Marafona mesmo após o guarda-redes se ter atirado nessa direcção.

 

Jefferson (2,5)

Entrado para o merecido descanso de Acuña, o quinto brasileiro de leão ao peito nesta meia-final só pecou por um atraso mal medido que não teve piores consequências graças à intervenção de André Pinto. Quando chegou a sua vez de bater o pénalti rematou com tanta força que talvez tivesse sido golo mesmo que o ex-colega que conhece da temporada passada em Braga agarrasse a bola em vez de apenas lhe tocar.

 

Marcel Keizer (3,0)

Chegou à primeira final e está a 90 minutos de ganhar o menos desejado título do futebol português. São motivos para ter ficado menos triste num dia que, anunciou o presidente do Sporting, foi dramático para o treinador holandês por motivos pessoais. No entanto, a baixa de forma de vários elementos-chave permite questionar o que levará Keizer a não dar oportunidades a outros jogadores do plantel. Lá por Luiz Phellype ter feito fraca figura, nada impede Geraldes ou Jovane Cabral de abanarem algo que começa a estar demasiado parado.

Armas e viscondes assinalados: Provavelmente a pior vitória da temporada

Sporting 2 - Moreirense 1

Liga NOS - 18.ª Jornada

19 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

O desvio atabalhoado para canto de um cruzamento-remate, quando o jogo caminhava para o seu triste fim, foi a principal intervenção do brasileiro, quase sempre limitado a reposições de bola. Também sofreu um golo, sem grande culpa, restando-lhe a compensação de que os três jogadores leoninos que estiveram melhor (Coates, Mathieu e Acuña) do que os marcadores dos dois golos que valeram esta tristonha vitória tiveram maiores responsabilidades nesse lance.

 

Ristovski (3,0)

Atrapalhou-se com a bola duas vezes quando poderia ter entrado com perigo na grande área do Moreirense, mas deve-se-lhe o remate que ajudou Bruno Fernandes a fazer o 2-0, bem como um excelente cruzamento que demonstrou a presente propensão de Bas Dost para encaminhar para fora da baliza qualquer bola que receba frente à baliza.

 

Coates (3,0)

Fez uma assistência de longa distância para o golo de Raphinha no universo alternativo em que Rui Costa e João Capela não foram escolhidos para serem o árbitro e videoaárbitro de um jogo em que o Sporting se arriscou a perder pontos para os três primeiros classificados. Também fez os cortes do costume, ainda que por vezes assaz aquém de perfeitos nas bolas altas, e contribuiu para que o desnorte da segunda parte não tivesse piores consequências.

 

Mathieu (3,5)

Desta vez não alvejou a baliza adversária, até porque Rui Costa só marcou (e ainda assim raramente) faltas contra Moreirense a uma distância segura da baliza dos visitantes. Dedicou-se a desarmes arriscados na grande área e a tentar suprir as insuficiências de colegas do meio-campo na construção de jogadas.

 

Acuña (4,0)

Teve um ataque de fúria quando o colega Petrovic o desarmou no instante em que se preparava para fazer o 3-1, mesmo na última jogada, e esse momento insólito serve de metáfora perfeita para um jogo em que o argentino pareceu estar num plano diferente do que a esmagadora maioria dos colegas. Além de marcar o canto que resultou no primeiro golo e de fazer o cruzamento para Diaby cabecear, o guarda-redes defender para a barra e o 2-0 aparecer dentro de momentos, manteve um ritmo alucinante ao longo de noventa e tal minutos, mostrando-se impecável na abordagem a todos os lances à excepção de um corte na grande área que só não deu pénalti porque João Capela deveria estar a ver o que se dizia na CMTV acerca do destino do “hacker do Benfica”. Se o Zenit contratar o internacional argentino no fecho do mercado de Inverno será a pior afronta que russos fazem ao Sporting desde que o CSKA Moscovo venceu a final da Taça UEFA em Alvalade.

 

Gudelj (1,5)

O melhor momento da sua exibição foi o amarelo que o exclui da visita a Setúbal, próximo compromisso após o jogo ou jogos para a ‘final four’ da Taça da Liga. Desfasado do jogo, incapaz de colaborar na construção de jogadas e com frequentes atrasos nas movimentações, pecou pelo tipo de falta de agressividade na disputa de bolas que certamente será motivo para perda de nacionalidade se a constituição da Sérvia for como deverá ser. Voltou a subir no terreno quando Petrovic voltou a saltar do banco de suplentes, sem bons resultados.

 

Wendel (2,0)

Falhou na missão de acelerar o meio-campo leonino e limitou-se a lutar, raramente com muito critério, não obstante uma ou outra arrancada para contra-ataques que não resultavam em nada. Saiu muito cansado e talvez seja melhor alguém recordar ao treinador que Miguel Luís e Francisco Geraldes podem ser utilizados ao longo do ciclo infernal de jogos que vem a caminho.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Marcou um golo que deverá ser mostrado a Bas Dost e outros colegas para que aprendam como se faz uma recarga quando o guarda-redes teve que se atirar ao relvado. E fez por servir os colegas em diversas ocasiões, sem que os passes lhe saíssem tão bem quanto é costume. Embora a má forma de alguns desses colegas também possa explicar o baixo aproveitamento.

 

Nani (2,5)

Começou com um prenúncio de exibição de gala, inaugurando o marcador aos três minutos, num raro golo de cabeça. Pena que tenha começado a perder gás minutos mais tarde, abusando da lentidão responsável pela morte de mais jogadas do que os japoneses matam baleias. Foi substituído a meio da primeira parte e o melhor elogio que se lhe pode fazer é que não estava a ser o pior do Sporting.

 

Diaby (2,0)

Um cabeceamento para defesa incompleta que deu origem ao 2-0 foi o melhor que o maliano fez num jogo em que a sua titularidade em detrimento de Raphinha é um mistério comparável ao que seria a sua presença no banco em detrimento de Jovane Cabral. As insuficiências técnicas voltaram a ser gritantes - o melhor exemplo foi o modo como (des)controlou a bola ao receber uma abertura extraordinária do recém-entrado Raphinha -, e a quantidade de dinheiro paga pelo seu passe só não é o pior acto da gestão de Sousa Cintra porque se lembrou de incluir uma cláusula de venda escandalosa no empréstimo do jovem central turco Demiral, afastado do plantel principal para que Marcelo pudesse ficar.

 

Bas Dost (2,0)

Mais uma demonstração de que o melhor avançado de Dezembro ainda não entrou em 2019. A única ocasião de golo que teve foi transformada num desvio para longe da baliza, na melhor triangulação que fez estava (mesmo) em fora de jogo, e foi numerosas vezes displicente nas disputas aéreas, as quais têm sido o seu título de Miss Simpatia quando não cumpre nos desfiles de finalização. Ficou muito irritado quando os irmãos Arbitralha ignoraram o empurrão nas costas que sofreu à entrada da grande área no instante em que ia receber isolado o cruzamento de Diaby, mas seria mais pedagógico e construtivo ficar irritado com o cidadão holandês que lhe aparece no espelho.

 

Raphinha (3,0)

Poderia ter esmorecido ao ver-se relegado para o banco, o que não se verificou. Procurou dinamizar a ala direita, fez uma abertura notável para Diaby desperdiçar e até marcou um golo extraordinário, recebendo um passe longo de Coates e desviando-se do guarda-redes antes de rematar de ângulo complicado para o fundo das redes. A divulgação pública das comunicações entre Rui Costa e João Capela, discernindo o seu “tronco adiantado” em relação à linha de fora de jogo, poderá resultar num Prémio Gazeta. Quiçá um Pulitzer.

 

Petrovic (1,5)

Entrou nos últimos minutos, como entra sempre que o treinador enterra um pouco mais fundo a sua filosofia de futebol-espectáculo para garantir o resultado possível. Tentou impor a presença física para afastar o fantasma do empate, mas a segundos do apito final optou por roubar a bola a Acuña, evitando o 3-1 de uma forma tão eficaz que, havendo justiça, o sérvio deveria ser integrado na folha de vencimentos da equipa de arbitragem.

 

Marcel Keizer (2,0)

Manteve a distância de oito, três e dois pontos em relação a FC Porto, Benfica e Braga. Termina aqui a parte positiva do desempenho do holandês num jogo em que insistiu em Diaby, ignorou a má forma de Gudelj e Bas Dost, nem sequer esgotou as três substituições (esclarecendo Francisco Geraldes e Luiz Phellype quanto às expectativas que neles deposita) e demonstrou uma clareza de análise quanto à fraca qualidade do Sporting na segunda parte só comparável com a incapacidade de melhorar a dita qualidade. Seguem-se embates com Braga, Benfica, talvez com FC Porto, e ainda Villarreal, pelo que se alguém encontrar o Marcel Keizer que chegou a Portugal é favor devolvê-lo a Alvalade.

Isto é ser Leão

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«Agradeço a todos que me ajudaram a chegar aqui e tenho apenas um grande desejo: ser campeão nacional pelo meu Sporting.»

Nani, no Instagram, ao assinalar os 100 jogos que já cumpriu na Liga portuguesa

Cambada de imbecis

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Temos um plantel cheio de lacunas (um dos mais fracos laterais direitos da nossa última década, um lateral esquerdo adaptado à posição, só um ponta-de-lança digno desse nome, nenhum médio defensivo de raiz no onze titular). Na quinta-feira, em Alvalade, actuámos com dois jogadores vindos de lesão e sem o nosso melhor elemento, ausente por castigo.

Já jogámos esta época em três dos quatro estádios dos adversários mais fortes: falta-nos apenas ir ao Dragão.

Mesmo assim seguimos, isolados, no segundo lugar do campeonato, continuando a depender só de nós. Vencemos nove dos dez jogos disputados sob o comando do novo treinador.

 

Alegria entre os adeptos? Quase nenhuma.

Li o que se foi escrevendo por essa blogosfera leonina e pelos adeptos do Sporting nas redes sociais e fiquei com a sensação de ter visto um jogo diferente do que viram. Refiro-me ao que travámos na quinta-feira frente ao Belenenses SAD, que já venceu o Benfica, encostou o FC Porto às cordas e chegou a Alvalade com nove dos 11 jogadores titulares poupados pelo técnico no desafio anterior, para a Taça da Liga.

Renan? É frangueiro. Coates? Mais lento que William Carvalho (antigo alvo de estimação). Acuña? Tem paragens cerebrais. Gudelj? Só sabe jogar para trás. Miguel Luís? Demasiado inexperiente. Diaby? Nunca devia ter vindo.

Quem ouça ou leia estas carpideiras fica com a sensação de que o Sporting perdeu ou foi até goleado pela turma da SAD pasteleira treinada por Silas. Nada disso: vencemos, amealhámos mais três pontos, somamos 36 em 14 jornadas do campeonato.

 

Típica nota de masoquismo sportinguista: faz parte da nossa identidade, este péssimo costume de dizer mal de tudo quanto é nosso.

Mas o que eu acho mesmo imperdoável é verificar que - uma vez mais - centenas de alegados adeptos leoninos vaiaram neste jogo mais recente esse grande jogador que é o Nani. Filho da casa, formado entre nós, campeão europeu em título. Um dos mais inteligentes e experientes profissionais de futebol a actuar em Portugal.

Assobiam-no em vez de o aplaudirem por terem o privilégio de vê-lo actuar ao vivo - e ainda dizem ser do Sporting. Cambada de imbecis.

E você?

Eu devo estar maluco na medida em que ontem vi um belo jogo de futebol pela televisão, a partir de Alvalade. Pelo que assisti, em especial na primeira parte, Belenenses e Sporting jogaram uma partida intensa, com oportunidades criadas (e aproveitando erros do oponente), sem cacetada, autocarros, perdas de tempo ou arbitragens protagonistas. Se o SCP não espetou quatro foi porque não se pode sempre espetar quatro e sobretudo porque a equipa de Silas defendeu bem, pressionou e se tornou venenosa no contragolpe. Também vi um onze do SCP com dois jogadores em posições nucleares vindos de lesões (e do Natal e do Ano novo), um risco que o treinador quis assumir e que, obviamente, se notou a espaço, embora tanto Wendel como Nani tenham estado bastante bem. E sem o nosso melhor jogador, óbvio.
No segundo tempo, vi boas combinações no jogo interior, que acabaram por dar dois golos.
Vi uma equipa solidária nos últimos minutos (já sem Wendel e sem Nani), a defender contra uma bela equipa orientada por um Silas que merece todo o aplauso.
Viemos de um jogo recente – em Santa Maria da Feira – e se o Belenenses também, é verdade que a equipa de Silas poupou quase todos, apostando as fichas neste jogo de ontem. Perdeu e ganhamos nós. É assim, ganhando estes jogos complicados e disputados, que se vai longe. E cá para mim, e felizmente, foi uma bela e intensa partida de futebol em 60 a 70% do tempo.

Eu ainda sou do tempo de mestres da tática, de gelo nos jogos e teimosias em jogadores em posições que não lembram ao careca, com desenho tático imutável. E você?

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