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És a nossa Fé!

Os pupilos do Mustafá

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O Sporting-FC Porto era um jogo de capital importância para nós. Indiferentes a tal facto, os canalhas abancados na curva sul remeteram-se ao silêncio durante toda a primeira parte, não esboçando um só gesto de apoio à equipa. Fizeram tudo para que o onze comandado por Sérgio Conceição se sentisse a jogar em casa.

Entretiveram-se depois a provocar incêndios e a fazer concursos de arremesso de tochas pirotécnicas para queimar o relvado. Fazendo lembrar um Sporting-Benfica de muito má memória, em Maio de 2018, quando procuraram atingir Rui Patrício também com artefactos incendiários. Estes pupilos do Mustafá parecem escolher os chamados jogos grandes para levarem ainda mais longe as habituais cenas de javardice.

Nos cinco minutos de tempo extra, quando a nossa equipa dava tudo por tudo para conseguir o empate, desataram a berrar «Varandas, vai p'rò caralho!». Indiferentes ao esforço dos briosos profissionais do Sporting, que davam tudo em campo, eles pareciam mais preocupados em incutir ânimo à turma adversária. Espero que Pinto da Costa lhes tenha remetido um bilhetinho de agradecimento.

escrevi aqui e reitero: enquanto enfrentar estes canalhas, letais ao Sporting, Frederico Varandas contará com o meu apoio.

«Se quiseres, levo mais para vender»

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«Um e-mail enviado por uma funcionária do Sporting a dois dirigentes da então direcção de Bruno de Carvalho dava o sinal de alerta: "Pelas claques passam milhões e passam muitos criminosos do mundo da noite. Tráfico de droga, prostituição..."

O documento, enviado três dias depois da invasão de elementos da Juventude Leonina à academia leonina, está a ser investigado pelo Ministério Público e faz parte do extenso processo de Alcochete, que se encontra nas mãos da juíza Sílvia Rosa Pires, a que o Expresso teve acesso.

A referência ao tráfico e consumo de cocaína por elementos da principal claque do Sporting está longe de se resumir aos 15 gramas confiscados no sótão da sede da Juve Leo no Estádio José Alvalade, atribuídos ao líder da claque, Nuno "Mustafá" Mendes, e no apartamento de dois dos acusados, em rusgas realizadas pela GNR em Novembro do ano passado.

As trocas de mensagens através do WhatsApp entre arguidos do caso, todos eles ligados à Juventude Leonina, permitiu à GNR perceber os preparativos do ataque realizado contra jogadores e equipa técnica na tarde de 15 de Maio de 2018, mas também como funcionava o circuito de compra e venda de cocaína e haxixe entre os suspeitos.

Na semana que antecedeu a final entre o Sporting e o Desportivo das Aves, no Estádio Nacional, em Maio desse ano, as combinações multiplicaram-se. "Quero quatro gramas para mim. Se quiseres, levo mais para vender. Vou fazer a encomenda hoje, para o Jamor", escreveu um elemento da claque.

Outro adepto lamentava: "Só me sai sangue das narinas. Já bebi três minis e dois traços. Estou com vontade de dar, mas o fornecedor foi dentro."

Antes do jogo contra o Atlético de Madrid na capital espanhola, em Abril desse ano, um outro arguido dava directrizes: "Confirma as encomendas, Mano, quando puderes, 58 euros, 35 capeta, NIB 002..."

Juntamente com a frase foi enviada uma fotografia com um saco de cocaína e um ficheiro de áudio onde se ouve alguém a snifar algo. "Capeta" é um nome de código, muito repetido durante as conversas, sempre que alguém se refere à cocaína. Mas também há quem refira a mesma droga como "falupa".

O envio de números de identificação bancária via WhatsApp era recorrente entre os diversos grupos que contactavam entre si por telemóvel.

"Mandas-me o NIB para te transferir o dinheiro ou preferes que te dê em mão em Madrid?", pergunta outro membro da claque. (...)

A leitura das centenas de mensagens revela que o consumo e tráfico de cocaína parece uma banalidade entre estes adeptos. Um deles, que se encontrava numa festa de aniversário da afilhada, mostrou surpresa por nenhum dos 50 jovens convidados de 18 anos "dar na falupa".

No final da conversa, um sugere: "Temos de passar para o cavalo [heroína]", logo corroborado por outro: "Temos de passar de nível." (...)

Um dos apensos do processo [de Alcochete] é dedicado a elencar o número de crimes de que o grupo de arguidos foi já acusado ou condenado. Quase metade dos acusados tem historial com a polícia, os outros são primários e podem, por isso, ser beneficiados pela juíza, que irá ter em conta a idade precoce de alguns deles. Os crimes de que já foram indiciados são sobretudo de ameaça agravada, furto qualificado e tráfico de droga.»

 

Excerto de notícia do semanário Expresso de hoje

Sporting Sempre!

Não vou aqui fazer qualquer avaliação de cariz jurídico sobre o que aconteceu este domingo. Os elementos que temos ao nosso dispor não são suficientes para esclarecer quem nos lê e que tem dúvidas sobre a legitimidade/legalidade das detenções nas condições que se verificavam no dia de ontem.

No entanto, existe opinião para além da legalidade e do Direito. E, sobre Bruno de Carvalho e Mustafá, sobre a Juventude Leonina e os dramáticos acontecimentos de Alcochete, não há sportinguista que não tenha já formado a sua. Apesar disso é evidente que eu - à semelhança da generalidade dos sócios do Sporting - não tenho a certeza de nada. O que temos é um processo judicial de onde, de quando em vez saem informações de deveriam estar em segredo de justiça, e actos processuais que são do conhecimento público. Não obstante, tenho, em relação a esta questão, uma convicção, por um lado, e uma esperança, por outro. A esperança é que o ex-presidente do Sporting não seja, de forma nenhuma, responsável pelo que aconteceu. A convicção é de que é. É claro que toda a minha convicção se alicerça em elementos profundamente subjectivos. No seu comportamento errante, nas suas afirmações absurdas, na expressão pública da sua personalidade. Posso estar errado e assim o espero. Mas não por Bruno de Carvalho que deixei de respeitar há muito tempo, antes pelo meu Sporting que se perpetuará nas memórias pessoal e colectiva muito para além de figuras individuais!

A derrocada de Bruno de Carvalho provocou um abalo enorme entre os sportinguistas. É bom recordar que o antigo presidente ganhou duas eleições e na segunda vez com um resultado esmagador. O seu estilo (controverso, agressivo, maniqueísta) granjeou-lhe seguidores fiéis que o colocam/colocaram acima do próprio clube. Criou uma ilusão: de que ele era o messias que nos ia guiar à glória. Há demasiada gente que perdeu o seu salvador, que se sente órfã, desprotegida, abandonada. Foi isso que colocou tantos sportinguistas uns contra os outros e que nos está, pouco a pouco a derrotar!

Que fique claro: o Sporting não pode ser um clube manso e de mansos! Não podemos ser um clube sem paixão, neutro, unidimensional. Mas o Sporting tem/pode ser uma potência sem que a sua grandeza se manifeste através de discursos de ódio. Se vacilarmos entre estas duas opções, estamos condenados! 

Hoje não fui à bola

Não porque quisesse marcar algum tipo de posição.

Não pelo mau tempo, que eu tenho uma bela gabardina.

Apesar da chuva intensa, andei a resolver pequenos bric-a-brac durante a manhã cá por casa e à tarde estava combinado um magusto com família e amigos, de modo que me seria completamente impossível ir a Alvalade.

Como disse, de manhã bricolage, à tarde umas castanhas e mais para a noite umas perdizes estufadas, um belo tinto (daquele que alguns colegas do blogue conhecem) e Sportv, que a NOS generosamente me quis oferecer gratuitamente por um mês (devem pensar que me esqueço de desligar o serviço no dia 10 de Dezembro, p.f.).

Isto tudo para vos dizer que a primeira informação que tive sobre o terramoto (mais um, talvez O terramoto) que hoje se abateu sobre o clube, me foi dada pelo papagaio de serviço nas imagens iniciais do jogo, quando elas mostraram o espaço da claque Juve Leo vazio.

Se me restavam poucas dúvidas de que o chefe do gangue iria, cedo ou tarde, estar  a braços com a justiça e isso decorra da sua actividade bastante conhecida de tráfico e outras malfeitorias em espaço propriedade e cedido gratuitamente pelo Sporting Clube de Portugal, já a detenção do ex-presidente Bruno de Carvalho, confesso, apesar de achar estranho (agora) que não tivesse ficado detido quando foi prestar declarações voluntariamente, que foi um murro no estômago, mesmo com a presumida inocência, legalmente garantida. Apesar de ter deixado de apoiar BdC há meses, sempre tive a convicção de que nada teve a ver com o assalto a Alcochete, queria acreditar nisso, não admito que um presidente do Sporting tenha atitudes deste tipo, ou de outro qualquer que ponham em causa a existência do clube, por isso estou muito expectante sobre como tudo isto vai acabar. Chamem-me o que quiserem, mas eu não quero acreditar que um presidente fez o que o acusam de fazer, por isso desejo sinceramente que as suspeitas sejam infundadas. Se querem que vos diga, nem tanto pela pessoa, mas sobretudo pelo clube, que é quem mais sairia prejudicado.

Ah! Ganhámos e estamos em segundo. Ele há lá mais simples demonstração de que o Mundo continua a girar e de que a vida continua e de que não há imprescindíveis?...

O Mustafismo (2)

Deixei o postal "Mustafismo" no dia 15 de Maio. Eu nem tinha fontes de informação privilegiadas nem sou mais inteligente do que o sportinguista do lado. Há seis meses, no dia do assalto terrorista, isto que hoje a PGR executa era evidente, pelo menos sob o ponto de vista moral. Convém lembrar as enormes perdas, económicas e de prestígio (reputacionais, diz-se agora), que o clube teve devido a este mustafismo. Que não teria tido se meia dúzia de indivíduos desqualificados, que passado uns meses ainda tentaram ir a eleições, já sem o mustafa sénior na lista,  não se tivessem recusado a aceitar o evidente, que o descalabro moral e associativo tinha acontecido, e se tenham alapado aos lugares de direcção, com suas recompensas sociais e económicas. E, também, por haver um enorme mole de auto-excluídos sociais, marginais ou proto-marginais, que do clube fazem o único trampolim de afirmação. O brunismo morreu, e hoje foi cremado. Mas esta marginalidade popular mantém-se, e será preciso extirpá-la, enfrentando os monstros pérfidos que são as claques. Pérfidos e inúteis. Inúteis para o clube e produtores de inutilidade social - a que propósito é que uma instituição de utilidade pública acoita organizações que promovem que adultos dediquem o seu tempo livre "a ir à bola"? 

 

{ Blog fundado em 2012. }

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