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És a nossa Fé!

Viremos a página

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Coube-me em sorte (ou azar) testemunhar dois momentos de terror da História do Sporting Clube de Portugal. Momentos em que gente inocente perdeu a vida num estádio.

O primeiro, a 7 de Maio de 1995, foi a queda do Varandim do José Alvalade. Nunca esquecerei aqueles gritos, os choros e as sirenes das ambulâncias, por mais que viva. Um amigo com quem ia ao futebol ficou a 2 ou 3 metros de cair.

O segundo foi, um ano depois, o “very light” do Jamor. Durante anos, não consegui voltar a meter os pés num estádio. Confesso que ainda hoje me custa falar disso.

Talvez por virtude (ou defeito) dessas experiências, desde a primeira hora achei inapropriado chamar “terror” à vandalização da Academia de Alcochete (chamem-lhe "assalto" ou "invasão" se quiserem termos mais fortes). Sempre me pareceu, aliás, que o uso desse termo servia o propósito sobretudo de advogados, agentes de jogadores e de alguma comunicação social, mais ou menos comprometida com interesses que gravitam à volta do milionário negócio que é hoje o futebol.

Isto não retira gravidade ao que aconteceu. Mas “terror” ou “terrorismo” vemos todos os dias em muitas partes do mundo, infelizmente. E, convenhamos, são coisas diferentes.

Como seria lógico, a acusação de “terrorismo” caiu, ontem, no julgamento do caso da invasão da Academia. Outra coisa não poderia acontecer. E deveria fazer repensar todos aqueles que usaram tão irreflectidamente tal termo. 

Tem também, para mim, lógica que tenham caído as acusações contra o ex-presidente, Bruno de Carvalho. Pois nunca vi nada que o relacionasse directamente com o que aconteceu. 

Mas não me interessa - e acho, sobretudo, que não interessa ao Sporting - revisitar esse lamentável episódio na nossa história colectiva.   No final deste julgamento, que se faça Justiça para com quem tão graves danos causou a uma instituição centenária e com tanto mérito. 

E que este momento seja também um virar de página para o Clube. Um recordar que o Clube está acima deste ou daquele presidente, e é muito maior do que qualquer estrago que possa ser inflingido por 20 ou 30 adeptos.

Viremos a página. Deixemo-nos de insultos e de crispações. Olhemos para a frente, que temos muito e longo caminho a percorrer. Para escrevermos novas páginas, essas sim dignas da História do Sporting. Pelo nosso Clube. E pelos adeptos que, tristemente, poucos anos depois do terror, não estavam connosco a festejar o Sporting Campeão Nacional.

Força equipa (domingo lá estarei)

Tenho sido muito crítico desta presidência. Noto-lhe incompetência e errância na gestão do futebol. Amadorismo exasperante em tantas decisões. Insegurança, noutras. E arrogância em muitas das tomadas de posição, umas públicas, outras silenciosas, num ruidoso cala consente feito de  soberba. Mas não será com isso em mente que vou estar na bancada no próximo domingo. Rumarei ao nosso estádio apostado (como sempre) em apoiar a nossa equipa e (como sempre, sempre!) com a esperança de que vamos ganhar. A vitória vou festejá-la intensamente. Ai vou, vou.

A par das críticas e ataques que posso e devo fazer à liderança do nosso clube, posso e deve dar o benefício da dúvida ao novo treinador e equipa técnica.

Gostei da postura de Rúben Amorim na apresentação do mesmo como novo timoneiro do nosso principal grupo de atletas: Directo. Sem floreados. Franco. Seguro. Sensato. Moderado. Consciente do trabalho hercúleo que tem pela frente porque acompanhado da enorme grandeza do clube que, a partir de hoje, passará a defender com o único objectivo, disse-o ele, de ganhar a todos os nossos adversários. Categoria, aliás, à qual Rúben Amorim pertenceu. Pertenceu. Passado. A tantos treinadores aconteceu isto mesmo, já. Leonardo Jardim,  Marco Silva e Jorge Jesus são os exemplos mais recentes (nomes escolhidos pela bitola de bom futebol que jogámos com eles líderes).

"Toda a gente diz: 'E se correr mal? A isto digo: E se correr bem?" Perguntou-nos Rúben Amorim esta tarde sobre as reservas que muitos de nós têm sobre a sua contratação.

Talvez imbuído da fezada que há sempre nisto de se ser sportinguista ou de outra cor qualquer; talvez por ser um optimista sem fim;  não sei, - embora desconfie que por causa das duas -, mas assisti à apresentação de RA e acreditei que podemos melhorar o nosso futebol e que esta pode ser uma solução de futuro.

Sei que Varandas deixa cair treinadores, fazendo deles escudos humanos que o protegem dos estilhaços provocados pela destruição levada a cabo por ele próprio, no entanto, espero sinceramente ter-me enganado sobre a crítica que a seu tempo fiz sobre a noticiada contratação do antigo treinador do Braga.

Haverá eleições, poderemos de novo escolher uma liderança, e por isso, para já, darei o benefício da dúvida. "E se correr bem?", perguntou-nos o novo técnico. Espero que sim, que corra bem. Muito bem, mesmo. Quero muito mais isso do que confirmar as críticas faço. Quero muito ter-me enganado. Quero acreditar que desta vez Varandas emendou a mão e aposta finalmente num projecto para o futuro, que ele tenha sido 100% verdadeiro quando nos anunciou que a preparação da época 2020/2021 começa agora. 

Não me acenem, por isso, com outras presidências que nada ganharam de relevante, a começar pela anterior, que gastou milhões e milhões e foi incapaz de nos devolver o título de campeão. Mais. Apesar de tudo, Varandas terá de fazer muito pior para chegar sequer perto da lastimosa e deplorável presidência de Bruno de Carvalho.

Uma série de vitórias e de bom futebol mudam tudo. É isso que espero que comece no próximo domingo. Viva o Sporting.

  

Nunca visto

Confirma-se: o Sporting é um clube inovador.

Esta noite aconteceu algo absolutamente inédito: quem apresenta aos jornalistas o novo treinador é o treinador que vai embora. Perante o silêncio sepulcral do presidente (que quis assumir o futebol), do director desportivo e do gestor do balneário.

Varandas, Viana e Beto deviam, a essa hora, estar a jogar à lerpa com o doutor Zenha. Com uma deselegância sem par perante o técnico cessante, o plantel e a própria massa adepta leonina. Como se esta lhes fosse olimpicamente indiferente.

Procura-se alguém que seja equivalente

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"Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!"

Salgueiro Maia

 

Refundação

Texto de Sol Carvalho

Tudo indica que o caminho mais digno seria a iniciativa, pela Mesa, de uma Assembleia Geral para identificar se o clube (dono da SAD) está ou não de acordo com a actual gestão.

Imagino algo fortemente concorrido e com inúmeras tentativas de desvio, mas não se vislumbra outra opção que:

1) Corte em definitivo com a incompetência geral demonstrada pela SAD em muitas das frentes, especialmente o futebol;

2) Crie uma ruptura com a actual guerra interna do clube abrindo espaço para um programa de mais união dos sócios;

3) Mobilize os sócios para objectivos claros internos e "externos";

4) Faça desde já a preparação da proxima época (formação, juventude, equipa, treinador, etc...);

5) Monte uma estrutura com mais experiência e capacidade.

É uma refundação? É, sim senhor.

Há outro caminho alternativo sério? Venham de lá as ideias...


PS: As claques são necessárias? Sim. Mas quando, além de serem críticas do actual estado interno, também o sejam do actual estado "externo". Não me venham com a ideia de que todos os amarelos foram bem mostrados nem que Jorge Sousa fez um bom trabalho em Braga. Porque a melhor "esperteza" desse senhor foi a dualidade de critérios: falta inexistente contra Sporar numa ocasião de golo, Galeno, pisadas...etc. O estranho não é ver uma faixa contra Varandas, é não ver nenhuma contra este estado de coisas... Não acredito em bruxas, pero que las hay...

Leonardo Jardim

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Para mim, neste momento, não poderia haver melhor solução do que Leonardo Jardim à frente da equipa técnica do Sporting.

Gostava muito que parte da receita conseguida na transferência de Bruno Fernandes fosse aplicada na contratação de Jardim. Por três anos, com plenos poderes da SAD para construir um projecto ambicioso e vencedor.

Claro que isso implicaria mudanças drásticas na estrutura do futebol leonino. Mudanças que só poderão ser bem-vindas.

Leonel Pontes não tem um prazo, tem uma tarefa

Este início de temporada do Sporting, no que ao futebol profissional diz respeito, tem sido pouco menos que catastrófico. O que não deixa de ser surpreendente, porque a passada temporada que começou em condições horríveis acabou por ser bem conseguida, com o 3.º lugar da Liga e duas Taças conquistadas em finais contra o Porto.

Os resultados que conseguimos em campo não fazem mais que reflectir a confusão que foi a preparação da época, a abordagem ao mercado, a definição do plantel, a falta de preparador físico e a (degradada) relação com o treinador. Chegamos a Eindhoven com um treinador novo, com um modelo de jogo novo, com um plantel com várias mudanças em relação ao que tinha sido apresentado aos sócios, com jogadores que foram inscritos para a Liga e não para a Europa, outros que foram inscritos na Europa mas não na Liga, com jogadores descompensados fisicamente, e lá ficam Bruno Fernandes e mais dez a fazer o que podem no relvado com o resultado esperado, a derrota.

Há um ano Peseiro, apesar de tudo, deixou uma equipa arrumada e estruturada, Tiago Fernandes com um ou dois ajustamentos conseguiu resultados imediatos e Keizer teve um início fulgurante. Agora Keizer deixa uma equipa esfrangalhada, com titulares vendidos, reforços emprestados, jogadores lesionados.

Leonel Pontes está a fazer pela vida. Um novo modelo de jogo com o meio-campo em losango (regresso aos tempos de Paulo Bento), Doumbia claramente a trinco, dois médios interiores de transição e um pivot ofensivo. Saída a jogar a três baixando o trinco e lateralizando os centrais, laterais projectados, um avançado mais fixo, outro mais movel. O problema é que, Bruno Fernandes à parte, os outros dez estão muito aquém das necessidades do sistema.

Na baliza Renan não é tão mau assim mas não é Rui Patrício e não está a passar um bom período, consentindo golos defensáveis e largando bolas para a frente.

Na lateral direita, Rosier parece sólido a defender mas inconsequente a atacar, mesmo assim bem melhor que Ristovski ou Thierry Correia.

Na esquerda, Borja foi um Ilori no Bessa (o que não é elogio nenhum), e lá temos Acuña a defesa esquerdo, sempre um problema em termos disciplinares.

Dum lado e doutro, os laterais têm muito pouco apoio do médio daquele lado. Veja-se o segundo golo do PSV.

No centro, Neto é um jogador esforçado e regular, bom suplente de Mathieu e Coates. Mathieu tem problemas crónicos e tem de ser muito bem gerido e Coates é um jogador pesado que demora a ficar em condições, não fez uma pré-época em condições nem tem descanso com as solicitações da sua selecção. Mas em boas condições físicas e com protecção dum trinco e dos laterais, Mathieu e Coates fazem a melhor dupla da Liga. Em más condições físicas e com os laterais em parte incerta...

Passamos para o trinco, a que Keizer era alérgico. Doumbia está a crescer de jogo para jogo, mas continua com muitas limitações, e não tem alternativa no plantel. Battaglia é muito mais um médio de transição.

Quanto aos dois médios de transição do losango, Miguel Luís regrediu imenso num ano com Keizer, Battaglia vem de lesão e não está inscrito na Liga Europa, Wendel fica melhor na posição do que como segundo médio-centro, Eduardo talvez funcione, vamos ver na segunda-feira. Bruno Fernandes poderá sempre ocupar essa posição onde joga na selecção, mas faz falta mais à frente.

Como pivot temos Vietto e Bruno Fernandes. Jogando os dois, Bruno sobe para avançado móvel. Se Vietto for aquele que vimos em Portimão, estamos bem servidos.

Ficam dois avançados. Com Bruno a avançado móvel, sobra uma posição. Para Bolasie ou Luiz Phellype. Ou para Pedro Mendes, saltava à vista de todos menos de Keizer que estava ali um novo Slimani, quando ele resolveu apostar num molengão e inconsequente Pedro Marques.

E que fazer com Jovane, Plata, Camacho, Fernando e Jesé? No losango não há extremos... Entram quando a coisa estiver preta?

Claramente Leonel Pontes tem uma grande Tarefa para realizar e o Prazo será aquele que os resultados permitirem...

SL

Sete meses depois

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Há sete meses exactos, o Sporting bateu no fundo. Qualquer reflexão que possa hoje fazer-se nunca poderá escamotear este dado factual.

Parece ter sido muito mais tempo atrás, mas a verdade é que só decorreram sete meses. A 15 de Maio de 2018, ainda em estado de choque perante o que acabáramos de saber (e não tínhamos visto muitas das imagens mais chocantes, nem havia então qualquer inquérito judicial em curso), percebemos de imediato que uma linha de fronteira fora cruzada. Uma linha que tornava irrisórios todos os debates e todas as fracturas anteriores: entrava-se numa etapa diferente, que pelos piores motivos punha o Sporting nas bocas do mundo do futebol e nada nos augurava de bom. Uma linha que estabelecia um nítido contraste entre um núcleo de valores civilizacionais do qual um cidadão bem formado jamais abdica e a total ausência deles.

 

Um Verão escaldante

Superámos, em larga medida, essa dura provação.

Isto deve-se, desde logo, a um restrito conjunto de sportinguistas que vale a pena nomear. Com destaque para a Mesa da Assembleia Geral, integrada por Jaime Soares, Eduarda de Carvalho e Diogo Orvalho. Este trio suportou todos os enxovalhos, todos os insultos, todas as ameaças - tenaz na sua intransigente vontade de devolver a decisão aos sócios: até este elementar direito esteve para nos ser sonegado. Em paralelo, aos cinco elementos que aceitaram integrar a provisória Comissão de Fiscalização: João Duque, António Paulo Santos, Luís Pinto de Sousa, Henrique Monteiro e Rita Garcia Pereira. E também, claro, aos membros da Comissão de Gestão que orientou o clube e a SAD leonina naquelas precárias semanas entre a inédita assembleia geral de 23 de Junho que sufragou a destituição do Conselho Directivo e o acto eleitoral de 8 de Setembro.

Por mim, nunca deixarei de lhes estar grato.

 

Regeneração tranquila

Falta, enfim, fazer uma referência a Frederico Varandas, não o primeiro mas o principal pilar desta regeneração tranquila que o Sporting tem conhecido. Sem procurar os holofotes mediáticos, sem declarações rimbobantes, teve o mérito de se propor encabeçar um novo ciclo no clube. Enquanto outros se resguardavam e faziam cálculos, no momento mais difícil, ele deu um passo em frente e declarou-se pronto para o justo combate: havia que reerguer esta centenária instituição de utilidade pública a que nos orgulhamos de pertencer.

Escolheu o melhor dos lemas: "Unir o Sporting". Recebeu uma maioria de votos expressiva em Setembro. Viu o segundo candidato mais votado, João Benedito, endossar-lhe o apoio na própria noite eleitoral - um gesto que só engrandeceu o nosso antigo capitão de futsal, glória desportiva do clube. E nada fez nem disse desde então que traísse o feliz mote que apresentou aos eleitores. Pelo contrário, o Sporting está hoje mais mobilizado, mais coeso, mais unido. Triunfa na frente futebolística, continua a singrar nas modalidades, procura a estabilidade financeira consciente de que haverá novos cabos das tormentas a dobrar no horizonte. 

 

Um lema e um rumo

Não ouvimos de Varandas, nestes três meses, uma palavra que dividisse hostes, apenas frases cirúrgicas destinadas a congregar os sportinguistas. Sem retórica balofa, sem exposição constante, sem qualquer obsessão de arregimentar tropas nem de cavar trincheiras. Desta forma, transformou o benefício da dúvida que muitos lhe deram, tendo ou não votado nele, em apoio declarado e confiante neste último trimestre de 2018. Alguns acusam-no de falar pouco. Mas se havia coisa que sobrava, no Sporting pré-Varandas, eram palavras. No desporto, como na vida, nenhuma meta credível se alcança com incontinência verbal.

Para um clube que há sete meses bateu no fundo, este era o caminho que se impunha. "Unir o Sporting": mantenha-se o presidente leonino fiel ao lema que escolheu para a campanha no mais desolador Verão de que há memória em Alvalade e saberá sempre qual o rumo a seguir. 

O que é isto?

A minha explicação é que eles agora comem bifes mal passados, os banhos de imersão foram a reduzidos a um máximo de 3 por semana e a videoteca está mais provida de filmes do Jet Li. Há também novos jogadores que ainda não tínhamos visto, o Wendel, o Gudelj e o Diaby e um Bruno Fernandes que está mais Pirlo, o que só lhe fica bem. Não consigo imaginar outra teoria para a formidável metamorfose a que estamos a assistir. É para durar?

E para o ano, com motor Honda?


Fui um apoiante de Bruno de Carvalho e durante muito tempo. É inútil dizer que estou arrependido ou que se voltasse atrás seria diferente, que me deveria ter apercebido ou que estava na cara. O que importa, creio, é que os sócios do Sporting tenham conseguido depor a anterior direção por via legitima numa votação extraordinária no pavilhão Atlântico, em junho.
Não me agrada que Bruno de Carvalho esteja a dormir nos calabouços da GNR esperando agenda do juiz ou que as greves decorram. A Justiça em Portugal é uma força estranha, que nunca tem problema em usar a latitude a longitude que entende, nos casos que entende. Podemos abominar Bruno de Carvalho, mas num estado democrático estas decisões precisam de ser melhores explicadas. Este raciocínio é válido para todos os detidos.
Nunca tive uma má experiência pessoal com Bruno de Carvalho. Estive com ele umas quatro ou cinco vezes e nunca me importunou, nunca me pediu nada, nunca me falou mal de ninguém. Era alguém que adorava ser presidente do Sporting e parecia vestir bem esse casaco.
Nesta fase, já fiz por deixar de ter opinião e até por ler as notícias. Acho que Bruno entrou na centrifugação onde outros detidos entraram noutros processos. Com sorte, teremos uma sentença transitada em julgado daqui por dez anos. A cada sentença que viremos a ter, seguir-se-á um recurso da outra parte, até à náusea.
Eduardo Barroso foi um dos mais coloridos apoiantes de Bruno de Carvalho e em noventa por cento das suas intervenções, fala dos seus filhos. Entendo-o. O Sporting sempre foi muito importante na minha relação com o meu pai e hoje é muito importante na relação com o meu filho mais novo. Ou era. Hoje, por causa disto tudo, a verdade é que somos na mesma do Sporting, mas deixámos de prestar a atenção de antigamente. Se vos interessa, consegui cativar o meu filho para a Fórmula 1 e em vez de discutirmos reforços de dezembro, especulamos de Max Verstappen poderá bater Lewis Hamilton com um motor Honda no seu Red Bull.

A chicotada em curso

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Frederico Varandas vai, enfim, escolher o seu treinador. Era óbvio, desde a entrevista do presidente ao Expresso, que José Peseiro estava a prazo. Foi opção transitória, decidida pela Comissão de Gestão interina: ninguém poderia ligar Varandas às más exibições da equipa.

Isso muda a partir de agora. Quem vier, será o homem do novo líder leonino. Já não o de Sousa Cintra, que passou à história.

Se for o nosso ex-jogador Paulo Sousa o escolhido, muito bem. Se regressar Leonardo Jardim, tanto melhor. Ambos estão neste momento sem clube. E ambos, obviamente, pesarão muito mais na folha salarial do Sporting do que Peseiro.

 

Ignoro os bastidores do despedimento do treinador, esta madrugada, na sequência de um jogo para a inútil Taça da Liga com oito segundas linhas no onze titular e a três dias da importante deslocação aos Açores, onde defrontaremos o Santa Clara para o campeonato. No momento em que escrevo, desconheço quem orientará a equipa em Ponta Delgada.

Mas cumpre referir que o Sporting segue a dois pontos do primeiro lugar na Liga 2018/2019 após o Verão mais negro de que há memória em Alvalade, perdemos alguns dos nossos melhores jogadores (Rui Patrício, William, Gelson) e outros vieram sem rodagem de pré-época. Disputaram-se oito rondas do campeonato e já jogámos em dois dos três estádios mais difíceis: Luz e Braga.

 

Enumero estes factos em benefício de inventário. E lembro outros líderes leoninos, que despacharam treinadores sob a pressão conjugada do peso da opinião de uns quantos influentes e de dúzia e meia de lenços brancos a esvoaçarem nas bancadas.

Deu certo em 1999/2000, quando uma chicotada semelhante à que está em curso - a primeira na Liga 2018/2019 - pôs Augusto Inácio ao leme da equipa e nos devolveu o título após 18 anos de amargo jejum.

Deu errado em vários outros casos - demasiados, como sabemos.

 

Não gosto deste futebol de retranca com a nova marca Peseiro nem de suportar quinze toquezinhos de bola protagonizados pelos nossos jogadores até conseguirem cruzar a linha de meio-campo, como ontem aconteceu na recepção ao Estoril - a mesma equipa que há um ano, ainda na primeira divisão, nos derrotou por 2-0, afastando-nos do primeiro posto, ao qual já não regressámos. 

Mas, não sendo ingrato, deixo aqui uma palavra de apreço pessoal ao único treinador que na hora mais difícil se dispôs a encabeçar uma missão quase impossível enquanto outros assobiavam para o lado. Sai como bode expiatório da primeira etapa do pós-brunismo, agora encerrada. A que vai abrir-se - sem atenuantes nem desculpas - é toda do presidente, já sem o treinador de Cintra a servir-lhe de pára-choques.

 

Lenços nas bancadas, haverá sempre - ao menor pretexto. Faz parte da autofagia leonina, reforçada pelo contexto em que emergiu o actual elenco directivo no Sporting. Talvez num futuro próximo possam até multiplicar-se, encorajados pelo que sucedeu na madrugada de hoje, pouco depois de uns quantos acenos de despedida num estádio quase vazio para uma prova que nos é praticamente indiferente.

Varandas corre esse risco, que decerto não ignora. É nos momentos difíceis que se testam as lideranças.

Comparações

O futebol é sempre feito de comparações. Há dois meses, por exemplo, o Sporting tinha um plantel destroçado, com nove jogadores a rescindirem unilateralmente. Incluindo o guarda-redes titular do clube e da selecção nacional, campeão europeu, entretanto substituído por um aleijado italiano que se apresentou em Alvalade com seis quilos a mais e está arrumado numa arrecadação qualquer.
Isto tem de funcionar como elemento de comparação. Claro que melhorámos de então para cá. Claro também que ninguém consegue, em tão pouco tempo, transformar um plantel destroçado em potência do futebol nacional. É de elementar honestidade intelectual reconhecer tal facto.

O que eu espero (5)

Da nova equipa gestora do Sporting é que se mantenha arredada do campeonato do carisma. Andamos todos mais que saturados de pseudo-líderes carismáticos, prontos a transformar cada frase bombástica em títulos - não desportivos mas títulos de jornal. A verdadeira liderança dispensa explosões de carisma virtual na redoma das redes sociais, dissociadas da realidade. Quem sabe comandar tem os pés bem assentes no chão: não se remete a trincheiras nem se resguarda em bolhas.

O que eu espero (4)

De Frederico Varandas é aquilo que ele tem demonstrado nesta primeira semana como presidente do Sporting:  basta-lhe proceder ao contrário do outro. Não ter Facebook activo ajuda muito. O Sporting precisa de manter-se fora da algazarra noticiosa, da baba opinativa que enche chouriços televisivos serão após serão e da esterqueira das "redes sociais", sempre prontas a divulgar o último boato e a penúltima calúnia. Quem medra nas redes, morre nas redes.

O que eu espero (3)

Da nova gerência leonina é que promova um verdadeiro trabalho de equipa, substituindo o culto narcísico do "eu" pela eficácia do "nós". Com espaço para o protagonismo de figuras tão diversas como Rogério Alves (no domínio institucional), Francisco Zenha (na área financeira) ou Miguel Albuquerque (no capítulo das modalidades). Sem nunca esquecer que o futebol, mola do clube, e as principais modalidades de pavilhão são desportos colectivos.

Começar de novo e contar connosco

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 A estátua que ilustra este texto foi-me oferecida por meu pai (adquirida em Guimarães) com esta frase: «Toma é tua, um D. Afonso Henriques sportinguista» e sorriu.

Coloco-a como ilustração porque é um tema que está na moda mas, fundamentalmente, porque representa um princípio, um arrumar o território, construir um novo reino, um novo clube a partir daquilo que sobrou.

Acabar o "eu" começar o "nós"; unir.

Começar de novo, contar connosco.

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