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És a nossa Fé!

Sete meses depois

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Há sete meses exactos, o Sporting bateu no fundo. Qualquer reflexão que possa hoje fazer-se nunca poderá escamotear este dado factual.

Parece ter sido muito mais tempo atrás, mas a verdade é que só decorreram sete meses. A 15 de Maio de 2018, ainda em estado de choque perante o que acabáramos de saber (e não tínhamos visto muitas das imagens mais chocantes, nem havia então qualquer inquérito judicial em curso), percebemos de imediato que uma linha de fronteira fora cruzada. Uma linha que tornava irrisórios todos os debates e todas as fracturas anteriores: entrava-se numa etapa diferente, que pelos piores motivos punha o Sporting nas bocas do mundo do futebol e nada nos augurava de bom. Uma linha que estabelecia um nítido contraste entre um núcleo de valores civilizacionais do qual um cidadão bem formado jamais abdica e a total ausência deles.

 

Um Verão escaldante

Superámos, em larga medida, essa dura provação.

Isto deve-se, desde logo, a um restrito conjunto de sportinguistas que vale a pena nomear. Com destaque para a Mesa da Assembleia Geral, integrada por Jaime Soares, Eduarda de Carvalho e Diogo Orvalho. Este trio suportou todos os enxovalhos, todos os insultos, todas as ameaças - tenaz na sua intransigente vontade de devolver a decisão aos sócios: até este elementar direito esteve para nos ser sonegado. Em paralelo, aos cinco elementos que aceitaram integrar a provisória Comissão de Fiscalização: João Duque, António Paulo Santos, Luís Pinto de Sousa, Henrique Monteiro e Rita Garcia Pereira. E também, claro, aos membros da Comissão de Gestão que orientou o clube e a SAD leonina naquelas precárias semanas entre a inédita assembleia geral de 23 de Junho que sufragou a destituição do Conselho Directivo e o acto eleitoral de 8 de Setembro.

Por mim, nunca deixarei de lhes estar grato.

 

Regeneração tranquila

Falta, enfim, fazer uma referência a Frederico Varandas, não o primeiro mas o principal pilar desta regeneração tranquila que o Sporting tem conhecido. Sem procurar os holofotes mediáticos, sem declarações rimbobantes, teve o mérito de se propor encabeçar um novo ciclo no clube. Enquanto outros se resguardavam e faziam cálculos, no momento mais difícil, ele deu um passo em frente e declarou-se pronto para o justo combate: havia que reerguer esta centenária instituição de utilidade pública a que nos orgulhamos de pertencer.

Escolheu o melhor dos lemas: "Unir o Sporting". Recebeu uma maioria de votos expressiva em Setembro. Viu o segundo candidato mais votado, João Benedito, endossar-lhe o apoio na própria noite eleitoral - um gesto que só engrandeceu o nosso antigo capitão de futsal, glória desportiva do clube. E nada fez nem disse desde então que traísse o feliz mote que apresentou aos eleitores. Pelo contrário, o Sporting está hoje mais mobilizado, mais coeso, mais unido. Triunfa na frente futebolística, continua a singrar nas modalidades, procura a estabilidade financeira consciente de que haverá novos cabos das tormentas a dobrar no horizonte. 

 

Um lema e um rumo

Não ouvimos de Varandas, nestes três meses, uma palavra que dividisse hostes, apenas frases cirúrgicas destinadas a congregar os sportinguistas. Sem retórica balofa, sem exposição constante, sem qualquer obsessão de arregimentar tropas nem de cavar trincheiras. Desta forma, transformou o benefício da dúvida que muitos lhe deram, tendo ou não votado nele, em apoio declarado e confiante neste último trimestre de 2018. Alguns acusam-no de falar pouco. Mas se havia coisa que sobrava, no Sporting pré-Varandas, eram palavras. No desporto, como na vida, nenhuma meta credível se alcança com incontinência verbal.

Para um clube que há sete meses bateu no fundo, este era o caminho que se impunha. "Unir o Sporting": mantenha-se o presidente leonino fiel ao lema que escolheu para a campanha no mais desolador Verão de que há memória em Alvalade e saberá sempre qual o rumo a seguir. 

O que é isto?

A minha explicação é que eles agora comem bifes mal passados, os banhos de imersão foram a reduzidos a um máximo de 3 por semana e a videoteca está mais provida de filmes do Jet Li. Há também novos jogadores que ainda não tínhamos visto, o Wendel, o Gudelj e o Diaby e um Bruno Fernandes que está mais Pirlo, o que só lhe fica bem. Não consigo imaginar outra teoria para a formidável metamorfose a que estamos a assistir. É para durar?

E para o ano, com motor Honda?


Fui um apoiante de Bruno de Carvalho e durante muito tempo. É inútil dizer que estou arrependido ou que se voltasse atrás seria diferente, que me deveria ter apercebido ou que estava na cara. O que importa, creio, é que os sócios do Sporting tenham conseguido depor a anterior direção por via legitima numa votação extraordinária no pavilhão Atlântico, em junho.
Não me agrada que Bruno de Carvalho esteja a dormir nos calabouços da GNR esperando agenda do juiz ou que as greves decorram. A Justiça em Portugal é uma força estranha, que nunca tem problema em usar a latitude a longitude que entende, nos casos que entende. Podemos abominar Bruno de Carvalho, mas num estado democrático estas decisões precisam de ser melhores explicadas. Este raciocínio é válido para todos os detidos.
Nunca tive uma má experiência pessoal com Bruno de Carvalho. Estive com ele umas quatro ou cinco vezes e nunca me importunou, nunca me pediu nada, nunca me falou mal de ninguém. Era alguém que adorava ser presidente do Sporting e parecia vestir bem esse casaco.
Nesta fase, já fiz por deixar de ter opinião e até por ler as notícias. Acho que Bruno entrou na centrifugação onde outros detidos entraram noutros processos. Com sorte, teremos uma sentença transitada em julgado daqui por dez anos. A cada sentença que viremos a ter, seguir-se-á um recurso da outra parte, até à náusea.
Eduardo Barroso foi um dos mais coloridos apoiantes de Bruno de Carvalho e em noventa por cento das suas intervenções, fala dos seus filhos. Entendo-o. O Sporting sempre foi muito importante na minha relação com o meu pai e hoje é muito importante na relação com o meu filho mais novo. Ou era. Hoje, por causa disto tudo, a verdade é que somos na mesma do Sporting, mas deixámos de prestar a atenção de antigamente. Se vos interessa, consegui cativar o meu filho para a Fórmula 1 e em vez de discutirmos reforços de dezembro, especulamos de Max Verstappen poderá bater Lewis Hamilton com um motor Honda no seu Red Bull.

A chicotada em curso

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Frederico Varandas vai, enfim, escolher o seu treinador. Era óbvio, desde a entrevista do presidente ao Expresso, que José Peseiro estava a prazo. Foi opção transitória, decidida pela Comissão de Gestão interina: ninguém poderia ligar Varandas às más exibições da equipa.

Isso muda a partir de agora. Quem vier, será o homem do novo líder leonino. Já não o de Sousa Cintra, que passou à história.

Se for o nosso ex-jogador Paulo Sousa o escolhido, muito bem. Se regressar Leonardo Jardim, tanto melhor. Ambos estão neste momento sem clube. E ambos, obviamente, pesarão muito mais na folha salarial do Sporting do que Peseiro.

 

Ignoro os bastidores do despedimento do treinador, esta madrugada, na sequência de um jogo para a inútil Taça da Liga com oito segundas linhas no onze titular e a três dias da importante deslocação aos Açores, onde defrontaremos o Santa Clara para o campeonato. No momento em que escrevo, desconheço quem orientará a equipa em Ponta Delgada.

Mas cumpre referir que o Sporting segue a dois pontos do primeiro lugar na Liga 2018/2019 após o Verão mais negro de que há memória em Alvalade, perdemos alguns dos nossos melhores jogadores (Rui Patrício, William, Gelson) e outros vieram sem rodagem de pré-época. Disputaram-se oito rondas do campeonato e já jogámos em dois dos três estádios mais difíceis: Luz e Braga.

 

Enumero estes factos em benefício de inventário. E lembro outros líderes leoninos, que despacharam treinadores sob a pressão conjugada do peso da opinião de uns quantos influentes e de dúzia e meia de lenços brancos a esvoaçarem nas bancadas.

Deu certo em 1999/2000, quando uma chicotada semelhante à que está em curso - a primeira na Liga 2018/2019 - pôs Augusto Inácio ao leme da equipa e nos devolveu o título após 18 anos de amargo jejum.

Deu errado em vários outros casos - demasiados, como sabemos.

 

Não gosto deste futebol de retranca com a nova marca Peseiro nem de suportar quinze toquezinhos de bola protagonizados pelos nossos jogadores até conseguirem cruzar a linha de meio-campo, como ontem aconteceu na recepção ao Estoril - a mesma equipa que há um ano, ainda na primeira divisão, nos derrotou por 2-0, afastando-nos do primeiro posto, ao qual já não regressámos. 

Mas, não sendo ingrato, deixo aqui uma palavra de apreço pessoal ao único treinador que na hora mais difícil se dispôs a encabeçar uma missão quase impossível enquanto outros assobiavam para o lado. Sai como bode expiatório da primeira etapa do pós-brunismo, agora encerrada. A que vai abrir-se - sem atenuantes nem desculpas - é toda do presidente, já sem o treinador de Cintra a servir-lhe de pára-choques.

 

Lenços nas bancadas, haverá sempre - ao menor pretexto. Faz parte da autofagia leonina, reforçada pelo contexto em que emergiu o actual elenco directivo no Sporting. Talvez num futuro próximo possam até multiplicar-se, encorajados pelo que sucedeu na madrugada de hoje, pouco depois de uns quantos acenos de despedida num estádio quase vazio para uma prova que nos é praticamente indiferente.

Varandas corre esse risco, que decerto não ignora. É nos momentos difíceis que se testam as lideranças.

Comparações

O futebol é sempre feito de comparações. Há dois meses, por exemplo, o Sporting tinha um plantel destroçado, com nove jogadores a rescindirem unilateralmente. Incluindo o guarda-redes titular do clube e da selecção nacional, campeão europeu, entretanto substituído por um aleijado italiano que se apresentou em Alvalade com seis quilos a mais e está arrumado numa arrecadação qualquer.
Isto tem de funcionar como elemento de comparação. Claro que melhorámos de então para cá. Claro também que ninguém consegue, em tão pouco tempo, transformar um plantel destroçado em potência do futebol nacional. É de elementar honestidade intelectual reconhecer tal facto.

O que eu espero (5)

Da nova equipa gestora do Sporting é que se mantenha arredada do campeonato do carisma. Andamos todos mais que saturados de pseudo-líderes carismáticos, prontos a transformar cada frase bombástica em títulos - não desportivos mas títulos de jornal. A verdadeira liderança dispensa explosões de carisma virtual na redoma das redes sociais, dissociadas da realidade. Quem sabe comandar tem os pés bem assentes no chão: não se remete a trincheiras nem se resguarda em bolhas.

O que eu espero (4)

De Frederico Varandas é aquilo que ele tem demonstrado nesta primeira semana como presidente do Sporting:  basta-lhe proceder ao contrário do outro. Não ter Facebook activo ajuda muito. O Sporting precisa de manter-se fora da algazarra noticiosa, da baba opinativa que enche chouriços televisivos serão após serão e da esterqueira das "redes sociais", sempre prontas a divulgar o último boato e a penúltima calúnia. Quem medra nas redes, morre nas redes.

O que eu espero (3)

Da nova gerência leonina é que promova um verdadeiro trabalho de equipa, substituindo o culto narcísico do "eu" pela eficácia do "nós". Com espaço para o protagonismo de figuras tão diversas como Rogério Alves (no domínio institucional), Francisco Zenha (na área financeira) ou Miguel Albuquerque (no capítulo das modalidades). Sem nunca esquecer que o futebol, mola do clube, e as principais modalidades de pavilhão são desportos colectivos.

Começar de novo e contar connosco

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 A estátua que ilustra este texto foi-me oferecida por meu pai (adquirida em Guimarães) com esta frase: «Toma é tua, um D. Afonso Henriques sportinguista» e sorriu.

Coloco-a como ilustração porque é um tema que está na moda mas, fundamentalmente, porque representa um princípio, um arrumar o território, construir um novo reino, um novo clube a partir daquilo que sobrou.

Acabar o "eu" começar o "nós"; unir.

Começar de novo, contar connosco.

Virar de página

A derrota de Bruno de Carvalho é total.

É total pela participação recorde que o ato eleitoral teve, contrariando assim a sua desvalorização e os apelos à não participação e demonstrando que a sua impugnação é um cenário em que os sportinguistas não se revêem.

É uma derrota total também pela vitória do candidato que Bruno de Carvalho e os seus apoiantes mais detestavam: o "fivelas"; o "traidor". Vítima de insultos, infâmias e difamações, manteve sempre a elevação que o caracteriza. E ao Sporting.

Parabéns ao presidente eleito Frederico Varandas. Parabéns aos candidatos derrotados, ao João Benedito acima de todos. Protagonizaram uma jornada que dignificou o nome do clube.

Viva o Sporting!

Serenidade... no dia das eleições

Aproxima-se a hora em que iremos saber quem vai ser o nosso Presidente. Ganhe quem ganhar, penso que ganhamos todos. Foi efetivamente um dia cheio de Sporting... com serenidade e com os verdadeiros valores daquilo que é o enorme clube a que pertencemos. Votei por correspondência, na certeza de que a serenidade que coloquei naquele voto irá corresponder à serenidade que o Sporting vai ter a partir de hoje. 

A melhor de sempre

Foi, não tenho dúvida, a melhor campanha de sempre no Sporting. A mais participada, a que fez mobilizar mais os sócios, a que permite mais opções. Vai traduzir-se, estou certo disso, na mais elevada afluência às urnas de que há memória em Alvalade. Na primeira meia hora, já votaram mais de 750 eleitores. Sem esquecer, naturalmente, os 5.100 votos chegados por correspondência até à noite de ontem.

Esta elevada participação é uma das condições essenciais para que a página se vire e o novo ciclo de que tanto necessitamos tenha início. Sem dirigentes a dividir-nos entre bons e maus, cavando trincheiras internas, como se não fôssemos todos do mesmo clube.

Segunda feira é outro dia.

Votarei em Frederico Varandas, satisfeito com a minha impressão e com o que ouvi dele e da sua candidatura. Nada tenho contra os outros candidatos, pelo qualquer que vença, será o meu presidente.
O problema é a seguir.
Num clube que na verdade é futebol – basta ver como Peseiro passou a ser the man por estarmos a co-liderar a Liga – a presidência da futura direção será de uma dificuldade extrema.
O assunto BdC é demasiado importante para as televisões para que estas o larguem. CMTV quer cimentar a sua posição de “líder da Informação” (apesar das novelas e filmes) e a TVI24 quer bater a SIC Notícias (num campeonato à parte por uma espécie de segundo lugar que dá acesso a uma Liga dos Campeões imaginária).
Não há nada a criticar, as coisas são o que são. Quem trabalha em televisão sabe perfeitamente que tudo concorre com tudo e que a luta por audiência é uma questão de negócio e de resultados mas também – e muito – uma questão pessoal, de self-importance, vanity e dick size.
O adepto comum – e o adepto dos outros clubes – querem taças. Não podendo haver taças, querem promessas de taças. Não havendo nada disso, não se importam de ver os rivais a liquefazerem-se.
Não se esqueçam nunca que BdC é livre de vir a ser comentador em televisões, assim seja convidado. Pelo que revelou em várias aparições é claramente alguém que domina (mesmo que intuitivamente) o meio. A importância da Comunicação no consulado Varandas (ou Benedito, ou outro qualquer) é de uma importância extrema. Todos gostamos de estar do lado certo, mas também precisamos que nos lembrem de que não queremos estar no lado errado.
Viva o Sporting, hoje e sempre!

Reflexões sobre o Sporting (1)

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Autor convidado: João Gil

 

A ver passar os campeonatos

 

Uma coisa que deve ser reflectida é porque é que jogadores como Bruma, Rafael Leão, Gelson Martins e outros têm afinal comportamentos deste tipo com o Sporting.

O Sporting patrocina dezenas destes jogadores, que depois mais não fazem que cuspir no prato em que comeram desde que começaram a ser gente. Eles e as suas famílias, diga-se. E estes jogadores e quem os representa fazem-no sem qualquer problema de consciência ou de sentido de ética, moral ou de retribuição. É revelador da politica seguida desde há anos pelo clube e de como é frágil e não protege os interesses de longo prazo do Sporting.

 

É preciso perceber melhor o contexto socio-cultural destes jogadores para se perceber como investir na sua formação desportiva. O Sporting é um clube de amadores e aprende pouco com os exemplos dos outros que sabem melhor como é que se gerem as pessoas em contexto desportivo.

O Sporting não existe para formar homenzinhos. A Academia existe para formar jogadores e para os rentabilizar. Acontece que a Academia do Sporting o que tem feito é formar jogadores para os adversários se aproveitarem deles na plenitude deixando o Sporting a arder e a ver passar os campeonatos. Desgraçadamente.

 

Não está ao alcance do Sporting, por muito que se ache que a Academia do Sporting é uma escola de virtudes, fazer dos Brumas, Rafael Leão e Gelson desta vida homenzinhos com os quais se possa conversar de igual para igual numa relação profissional de paridade.

Quem ganhar as eleições vai ter mesmo de olhar para isto. Caso contrário, vamos continuar com a mesma ruina desportiva e a cultivar novos desaires e em consequência, potencialmente, novos populistas que cavalgam muito bem a onda em cenários de desânimo e desaire colectivo. E para ruina de tudo quanto simboliza o Sporting, devia bastar-nos o exemplo de termos tido como presidente um tipo insano como BdC.

Portanto, e a quem venha: olhe lá com atenção onde, como e em quem andam a gastar o dinheiro. A ver se vale a pena manter o sofrimento (e a despesa) de continuar a pagar quotas apenas para ter como resultado zero campeonatos.

 

JOÃO GIL

Sócio n.º 20.625-0

Faz hoje um mês

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Faz hoje um mês, o Sporting virou a página. Afundava-se num abismo de consequências imprevisíveis, com um presidente totalmente descontrolado, que viu dezenas de elementos da principal claque do clube assaltarem e destruírem instalações da academia em Alcochete, agredindo jogadores e elementos da equipa técnica em lamentáveis imagens que deram a volta ao mundo, enquanto ele encolhia os ombros, declarando que fora «chato», e rumava a um jantar num restaurante fino da capital.

Dias depois, com a mesma impotência resignada e negligente, via nove elementos do plantel leonino rescindirem contrato por decisão unilateral, alegando justa causa. E começava a ver desmoronar-se o elenco dos órgãos sociais que haviam sido eleitos apenas um ano antes.

Tudo isto enquanto tentava por todos os meios impedir a expressão da vontade dos sócios em assembleia geral - recorrendo até à designação de uma putativa "Comissão Transitória da Mesa da Assembleia Geral" não prevista nos estatutos, em flagrante violação da legalidade, em alucinada fuga para lugar nenhum.

 

Para azar dele, e para bem do nosso clube, a vontade dos sócios fez-se mesmo ouvir. E de forma inequívoca, na reunião magna do Pavilhão Atlântico, ocorrida a 23 de Junho. Resistindo corajosamente à turba que ali se instalou durante largas horas para injuriar todos os membros da Mesa da Assembleia Geral e diversos sócios, numa clara manobra de intimidação felizmente condenada ao fracasso.

Ao fim da noite, confirmou-se aquilo em que muitos de nós acreditávamos: Bruno de Carvalho foi destituído nessa assembleia revogatória - algo inédito na centenária história do Sporting. Por 71,36% dos votos recolhidos nas urnas, tendo a seu favor apenas 28,64%.

Perdeu de goleada.

 

Na véspera dessa data memorável, escrevi aqui estas palavras: «É o momento de votar. Para destituir o responsável pelo maior descalabro da história do Sporting. Por eleições imediatas para todos os órgãos sociais. Por uma auditoria de gestão urgente ao Sporting. Pelo regresso inadiável da legalidade ao clube.»

Perto da meia-noite do Dia D - de Destituição - fui ainda mais sintético: «Agora há que colar os cacos. Com urgência.»

É isso que tem sido feito de então para cá. Numa autêntica missão de resgate, encabeçada por um grupo de dirigentes apostados em salvar o Sporting, com o aplauso generalizado de sócios, adeptos e simpatizantes desta grande instituição de reconhecida utilidade pública.

 

Parece ter sido há mais tempo. Mas decorreram apenas trinta dias. Tanta coisa já mudou de então para cá.

Tanto já feito em tão pouco tempo

Uma parte do que já foi feito em menos de três semanas, desde o histórico dia 23 de Junho:

 

  • Marcação para 8 de Setembro de eleições para todos os órgãos sociais do Sporting.
  • Dispensa do técnico Mihajlovic, que vinha ganhar 12 milhões de euros em três anos.
  • Contratação de José Peseiro, único treinador que levou o nosso clube a uma final europeia desde 1964.
  • Readmissão, praticamente em bloco, da equipa clínica que havia sido despedida pelo anterior Conselho Directivo.
  • Regresso ao clube, sem encargos adicionais, do melhor jogador do campeonato 2017/2018.
  • Regresso ao clube, sem encargos adicionais, de um jogador campeão europeu em título e o nosso terceiro maior internacional de sempre, formado na Academia leonina.
  • Negociações para os regressos de outros jogadores, nomeadamente aqueles que rescindiram contrato com o Sporting na sequência dos dramáticos acontecimentos de Alcochete;
  • Abertura de conversações multilaterais para a transferência negociada de jogadores que invocaram justa causa para rescindir com o clube.
  • Desencadeamento dos mecanismos jurídicos destinados a compensar financeiramente o Sporting nos casos dos jogadores que já assinaram unilateralmente por outros emblemas.

 

Alguns acharão quase nada. Eu acho imenso para tão pouco tempo.

Fica aberto o debate para quem queira participar. Sem injúrias nem insultos.

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